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Hoje Macau 5 JUL 2017 #3846

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QUARTA-FEIRA 5 DE JULHO DE 2017 • ANO XVI • Nº 3847

TIAGO ALCÂNTARA

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

ELEIÇÕES NG E AU APRESENTAM LISTAS

Diferentes de tão iguais PÁGINA 5

O lugar de Silva Mendes JOÃO BOTAS

h OKJA

JULIE O’YANG

LI HE

RUI CASCAIS

AS FESTAS

JOÃO PAULO COTRIM

EVENTOS

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hojemacau

COREIA DO NORTE

O que fazer com este Kim? CHINA TEME O PIOR E APELA À CONTENÇÃO GRANDE PLANO

MOP$10


2 GRANDE PLANO

É um clima de tensão crescente numa história que pode acabar mal. No dia mais importante do ano para os Estados Unidos, a Coreia do Norte lançou um novo míssil balístico. Só que, desta vez, com capacidade para chegar ao Alasca, segundo reivindica Pyongyang. Trump não gostou da provocação e atira a batata quente para os principais países asiáticos. Pequim teme que a situação fique fora de controlo

COREIA DO NORTE TRUMP QUER QUE “DISPARATE” ACABE “DE UMA VEZ POR TODAS”

POR UM FIO O dia não começou bem. Ontem, às 8h40, hora de Macau, Pyongyang realizou mais um disparo de míssil balístico em direcção ao Mar do Japão. A notícia foi dada pelo comando conjunto das forças armadas sul-coreanas, citado pelas agências internacionais. O lançamento foi feito a partir de Panghyon, a 100 quilómetros da capital Pyongyang, e o exército da Coreia do Sul estava ontem a analisar o número e o tipo de míssil usado no teste. Poucas horas depois, ao início da tarde, a Coreia do Norte anunciou ter testado com sucesso o primeiro míssil balístico intercontinental (ICBM), uma etapa crucial para a realização do objectivo de poder ameaçar os Estados Unidos com armas nucleares. É neste sentido que o regime tem estado a trabalhar há anos. Até ontem, os especialistas na matéria consideravam que se trata de uma meta longe de ser alcançada. O “ensaio histórico” de um míssil Hwasong-14 foi supervisionado por Kim Jong-Un, segundo afirmou uma apresentadora na televisão pública norte-coreana, num noticiário especial para dar conta do feito. O anúncio da Coreia do Norte surgiu depois da informação divulgada por Seul e Washington de que Pyongyang tinha lançado um míssil de médio alcance. O teste desta terça-feira pode ter sido o mais bem-sucedido até à data para a Coreia do Norte. Alguns analistas acreditam que o míssil pode ser suficientemente poderoso para chegar ao Alasca, nos Estados Unidos. Se for provado que o míssil disparado é efectivamente um ICBM, a comunidade internacional terá de repensar a estratégia usada em relação à ameaça que Pyongyang representa. O regime de Kim Jong-un tem aumentado nos últimos meses os seus ensaios com mísseis balísticos.

FIM-DE-SEMANA PARA PENSAR

Além da possível evolução da capacidade bélica da Coreia do Norte, o disparo desta terça-feira tem várias leituras. Aconteceu numa altura em que Washington e os aliados asiáticos voltaram a colocar na

agenda a questão de Pyongyang: está marcado para breve um encontro trilateral entre Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul. A reunião vai realizar-se à margem da cimeira de líderes do G20, que acontece no final desta semana na Alemanha. Depois, ontem foi 4 de Julho – o dia mais significativo do ano para os norte-americanos. De acordo com as primeiras informações divulgadas pelas forças armadas sul-coreanas, o míssil lançado percorreu uma distância de 930 quilómetros, durante 40 minutos, até cair perto da zona económica exclusiva do Japão. Tóquio já reagiu, com um forte protesto a mais “uma clara violação das resoluções das Nações

O teste pode ter sido o mais bem-sucedido até à data para a Coreia do Norte. Alguns analistas acreditam que o míssil pode ser suficientemente poderoso para chegar ao Alasca

O “ensaio histórico” de um míssil Hwasong-14 foi supervisionado por Kim Jong-Un, segundo afirmou uma apresentadora na televisão pública norte-coreana

Unidas”, e confirma os cálculos dos vizinhos da Coreia do Sul. O míssil atingiu uma altitude “bastante superior” a 2500 quilómetros, informou o Ministério da Defesa nipónico. Donald Trump também não demorou a insurgir-se, num comentário feito através do Twitter. “ACoreia do Norte acabou de lançar outro míssil. Este homem não tem nada melhor para fazer na vida?”, escreveu, referindo-se ao líder norte-coreano Kim Jong-un. “É difícil acreditar que a Coreia do Sul e o Japão vão continuar a tolerar isto por muito mais tempo. Talvez a China ponha um forte travão na Coreia do Norte e acabe com este disparate de uma vez por todas!”, acrescentou. No início desta semana, a Coreia do Norte voltou a ser o assunto

principal de telefonemas entre o Presidente Xi Jinping e o homólogo norte-americano. Trump também abordou a questão numa conversa com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe. Os três líderes reiteraram o compromisso de trabalharem para a desnuclearização da Península Coreana.

ESTRAGAR A FESTA

Shea Cotton, um especialista norte-americano em estudos de não-proliferação, não tem dúvidas sobre a escolha do dia, de modo a coincidir com o aniversário da declaração de independência dos Estados Unidos. “Já é 4 de Julho na Coreia do Norte”, escreveu no Twitter. Não é a primeira vez que Pyongyang assinala a data com o lançamento de mísseis. Quanto à Coreia do Sul, o Presidente Moon Jae-in convocou uma reunião do conselho nacional de segurança mal soube das notícias vindas do Norte. Na semana passada, depois de um encontro com Moon, Donald Trump defendeu a necessidade de uma resposta determinada à Coreia do Norte, vincando a importância da aliança entre Estado Unidos e Coreia do Sul. Washington tem uma enorme importância no que toca à segurança da Coreia do Sul, com um contingente de mais de 28 mil homens estacionado no país. No que diz respeito aos Estados Unidos, desde que Donald Trump assumiu o poder que se ouve falar, com maior frequência, em acções para derrubar o regime mais isolado do mundo. A tensão aumentou com a morte de Otto Warmbier, um estudante norte-americano detido na Coreia do Norte durante uma viagem turística, há 18 meses. Em Junho, regressou a casa em coma, tendo morrido poucos dias depois. O Presidente norte-americano tem insistido no papel que a China – o principal aliado diplomático e económico da Coreia do Norte – deve desempenhar para se resolver a situação na Península Coreana. No entanto, Trump admitiu na semana passada que, até ver, os seus esforços foram em vão.


CONTENHAM-SE, DIZ A CHINA A

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China apelou ontem à “contenção” de todas as partes envolvidas e à resolução “pacífica” do problema norte-coreano após o anúncio do teste de um míssil balístico intercontinental de Pyongyang. Pequim estava “a recolher informações” sobre o míssil e instou a Coreia do Norte a “parar as acções que violem as resoluções do Conselho de Segurança da ONU”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros Geng Shuang, na conferência de imprensa diária.

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PYONGYANG O PERCURSO DA AMBIÇÃO MILITAR • FINAL DOS ANOS 1970

Começam os trabalhos em torno de uma versão do soviético Scud-B (com alcance de 300 km). São feitos testes em 1984

• 1987-1992

É dado início ao desenvolvimento de uma variante do Scud-C (500 km), Rodong-1 (1300 km), Taepodong-1 (2500 km), Musudan-1 (3000 km) e Taepodong-2 (6700 km)

• 1998

É testado o Taepodong-1, em direcção ao Japão, numa tentativa falhada de lançamento de um satélite

1999

É declarada a suspensão nos testes de mísseis de longo alcance devido à melhoria das relações com os Estados Unidos

• 2000

A quinta ronda de conversações sobre mísseis entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte termina sem qualquer acordo, depois de Pyongyang ter exigido mil milhões de dólares por ano para suspender a exportação de mísseis

• 2005

Pyongyang comunica o fim da suspensão dos testes de mísseis de longo alcance, acusando a Administração Bush de ter uma política “hostil”

• 2006

A Coreia do Norte testa cinco mísseis, incluindo um de longo alcance, o Taepodong-2, que explode 40 segundos depois

• 2006

É feito o primeiro teste nuclear subterrâneo

• ABRIL DE 2009

VAMOS LÁ PARAR COM ISTO

O

aviso foi feito poucas horas antes do lançamento do míssil de ontem, e foi deixado na sequência da conversa ao telefone entre Xi Jinping e Donald Trump. A crise da Coreia do Norte pode ficar fora de controlo, disse o enviado da China junto das Nações Unidas. O embaixador Liu Jieyi alertou ainda para as consequências “desastrosas” se a comunidade internacional não conseguir encontrar uma via para aliviar a tensão na Península Coreana. “O clima de tensão é, neste momento, muito grande e gostaríamos que assim não fosse”, afirmou o diplomata numa conferência de imprensa na sede das Nações Unidas. “Se a tensão continuar a aumentar, mais

cedo ou mais tarde ficará fora de controlo e as consequências serão desastrosas.” Pequim tem tentado demover o regime de Kim Jong-un no que diz respeito ao plano nuclear do país, mas sem sucesso. Os Estados Unidos garantem que estão prontos para se sentarem à mesa das negociações, mas só se a Coreia do Norte parar com os testes nucleares e com os ensaios de mísseis balísticos. Liu Jieyi descreveu a crise com a Coreia do Norte como sendo “muito, muito séria”, para sustentar que “outras partes” devem estar mais abertas a aceitar as propostas que vão sendo feitas. “Não podemos esperar muito mais antes de se dialogar”, vincou.

A Coreia do Norte lança um rocket que sobrevoa o Japão e cai no Pacífico, dizendo que se tratava da tentativa de colocação de um satélite em órbita. Os Estados Unidos, o Japão e a Coreia do Sul entenderam tratar-se de um teste disfarçado de um Taepodong-2

• MAIO DE 2009

É levado a cabo o segundo teste nuclear subterrâneo, bastante mais forte do que o primeiro

• ABRIL DE 2012

O Norte lança um rocket de longo alcance para pôr um satélite em

órbita, mas desintegra-se pouco tempo depois do lançamento

• DEZEMBRO DE 2012

O regime consegue colocar em órbita um satélite de observação da Terra

• 2013

É feito o terceiro teste nuclear subterrâneo

• JANEIRO DE 2016

É realizado o quarto teste nuclear subterrâneo, com o país a dizer que se trata de uma bomba de hidrogénio, uma reivindicação que os especialistas colocam em causa

• MARÇO DE 2016

Kim Jong-un diz que a Coreia do Norte conseguiu construir com sucesso uma ogiva termonuclear em miniatura

• ABRIL DE 2016

Pyongyang faz um teste a um míssil balístico lançado de um submarino

• JULHO DE 2016

Os Estados Unidos e a Coreia do Sul anunciam planos para a instalação de um sistema avançado de defesa anti-mísseis (THAAD)

• AGOSTO DE 2016

Pela primeira vez, a Coreia do Norte dispara um míssil balístico directamente para a zona livre económica do Japão

• SETEMBRO DE 2016

Quinto teste nuclear

• MARÇO DE 2017

São disparados quatro mísseis balísticos. O Norte diz que se trata de um exercício para atingir as bases norte-americanas no Japão

• MAIO DE 2017

O Norte dispara um míssil balístico que cai no Mar do Japão, percorrendo 700 quilómetros. Os analistas falam num alcance de 4500 quilómetros, o suficiente para atingir Guam

• JULHO DE 2017

O regime de Kim Jong-um dispara um míssil balístico que voa 930 quilómetros antes de aterrar no Mar do Japão. Os especialistas acreditam que tem um alcance de 6700 quilómetros, com capacidade para chegar ao Alasca.


4 POLÍTICA

hoje macau quarta-feira 5.7.2017

Lei do tabaco PARECER DA COMISSÃO PERMANENTE ESTÁ ASSINADO

Proibição total de fora O parecer final está pronto e assinado. A proposta de lei de alteração do regime de prevenção e controlo do tabagismo volta ao plenário antes de 15 de Agosto, mas avança com modificações. Os casinos ganharam e a proibição total de fumo em locais fechados foi deixada para melhor altura

PROIBIÇÃO VOLUNTÁRIA

Da apreciação na especialidade, o parecer não deixa de referir uma nova proibição de fumo: “Em qualquer área ao ar livre de utilização colectiva onde, por determinação da entidade gestora, se proíba fumar”.

Se não fossem aceites as salas de fumo para o sector do jogo, a proposta “não seria aprovada pela Assembleia Legislativa, pelo que seriam mantidas as actuais medidas”

E

STAVA apontada para o final desta semana, mas a assinatura do parecer relativo à proposta de lei de alteração do regime de prevenção e controlo do tabagismo aconteceu ontem. O diploma irá a votação na especialidade, garantiu Chan Chak Mo, até 15 de Agosto, altura em que termina actual legislatura. A proposta final sofreu alterações relativamente ao documento aprovado na generalidade. Se a proposta original previa a extinção total do fumo em locais fechados, o documento que agora foi aprovado admite a existência destes espaços nas zonas de jogo. Não foi sem polémica que a excepção de colocar salas de fumo nas áreas de jogo foi levada avante. O Governo recuou na intenção legislativa inicial e a 2.a Comissão Permanente, responsável pela análise na especialidade, concordou com as alterações. Os argumentos que constam no parecer assinado têm que ver não só com um direito legal de exercer as excepções consagrado pela Convenção Quadro da Organização Mundial de Saúde (OMS) para o controlo do tabaco, mas também com as características do território. “É a própria OMS que admite que se possam consagrar excepções, ainda que mínimas.” É neste contexto que o parecer

De entre as vozes que se opuseram às salas de fumo tendo como argumento a saúde dos que trabalham nestes espaços, o Governo apontou um estudo feito pela Universidade de Macau que referia que cerca de 55 por cento dos trabalhadores não se opunham à sua existência. A polémica também teve como actores as casas especializadas no comércio de produtos de tabaco. Os proprietários pediam a criação de salas de fumo nestes espaços para que os clientes pudessem fazer a prova de charutos. A comissão não cedeu. “É a protecção do direito dos não fumadores e do pessoal que exerça funções nesses locais, sendo certo que ainda assim a proibição não é absoluta, uma vez que se permite fumar naqueles locais em espaços ao ar livre”, argumenta-se.

defende a existência de salas de fumo, sendo que “a contracção da indústria do jogo que se verificou recentemente na RAEM não parece aconselhar uma medida radical de proibição total de fumar nos casinos”, lê-se no parecer. Avançar com a extinção de fumo nas salas de jogo poderia vir a ser um grande risco para a maior fonte de rendimentos local. “A proibição total de consumo de tabaco nos casinos, ainda que seja difícil prever a sua real consequência a curto e médio prazo, assumiria a natureza de um risco que não pode e não deve ser ignorado.”

Em causa esteve ainda, para a comissão, o facto de as salas de fumadores serem admitidas nas instalações aeroportuárias e poderem vir a ser proibidas nos casinos. De acordo com a sede de análise na especialidade, a situação “poderia criar uma desigualdade de tratamento não justificada entre os viajantes que frequentam as instalações aeroportuárias e os visitantes dos casinos”. O parecer não deixa de anotar a oposição cerrada do deputado Ng Kuok Cheong. Para o pró-democrata, não é comparável a existência de salas de fumo em aeroportos e casinos. A razão, aponta, é que nas salas de embarque as pessoas estão

confinadas a um espaço do qual não podem sair, e nas salas de jogo, podem, se quiserem, deslocar-se a um local exterior para fumar.

EXCEPÇÃO PARA AVANÇAR

O parecer salienta ainda que, se não fossem aceites as salas de fumo para o sector do jogo, a proposta “não seria aprovada pela Assembleia Legislativa, pelo que seriam mantidas as actuais medidas”. O retrocesso do diploma teria consequências também para os trabalhadores do sector. Aqueles que trabalham nas salas VIP “continuariam a ser expostos ao fumo passivo do tabaco sem qualquer protecção da sua saúde”.

Cabe também ao secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, definir os requisitos mínimos a que devem obedecer as salas de fumo. O diploma, depois de aprovado na especialidade, deverá entrar em vigor a 1 de Janeiro do próximo ano e os casinos têm, a partir dessa data, um ano para que as salas de fumo obedeçam aos requisitos que vierem a ser impostos. Até 15 de Agosto, Chan Chak Mo garante que as propostas que estão em análise na 2.ª Comissão Permanente vão estar finalizadas e, se possível, com pareceres assinados. Os diplomas em questão são o regime do ensino superior, a lei do enquadramento orçamental e o regime jurídico da administração das partes comuns dos condomínios. Sofia Margarida Mota

sofiamota.hojemacau@gmail.com


5 hoje macau quarta-feira 5.7.2017

O

S subsídios concedidos pela Fundação Macau (FM) não podem ser aplicados nas eleições, avisou ontem a entidade liderada por Wu Zhiliang. Em comunicado, a FM salienta que está atenta “às preocupações sociais” sobre as medidas adoptadas para evitar que as associações gastem os montantes atribuídos pelo organismo na campanha eleitoral. Garantindo que os pedidos de apoio financeiro são apreciados de forma rigorosa, a FM explica que, na análise feita, “a questão de se saber se o requerente é candidato ou não a deputado à Assembleia Legislativa (AL) não constitui um factor de ponderação”. “Sob o ponto de vista da Fundação Macau, tanto a solicitação de subsídios ao Governo para a prestação de serviços sociais, como a candidatura a deputado são direitos das associações e são também formas de participar nos assuntos sociais para servir a sociedade”, lê-se no comunicado. Ou seja, “não existe contradição, nem antagonismo entre estes dois direitos”. Diferente é, no entanto, o modo como os montantes atribuídos são aplicados. “A Fundação Macau em caso algum atribui subsídios para apoiar qualquer actividade relativa às eleições para a AL, nem permite aos beneficiários dos subsídios desta Fundação que apliquem os montantes recebidos a título de subsídio na campanha eleitoral”, vinca. “Trata-se de uma linha vermelha que ninguém pode ultrapassar.”

S

ÃO parceiros na Assembleia Legislativa (AL), ambos deixaram a Associação Novo Macau, mas concorrem em listas diferentes às eleições legislativas deste ano. Ng Kuok Cheong, líder da lista Associação Próspero Macau Democrático, e Au Kam San, da listaAssociação Novo Democrático, apresentaram ontem as suas listas e ideias políticas junto da Comissão de Assuntos Eleitorais da AL. Os deputados partilham o mesmo programa político, que volta a pedir a necessidade de implementação do sufrágio universal para a eleição do Chefe do Executivo e de todos os deputados à AL. O programa destaca ainda, segundo um comunicado, a luta contra a corrupção e a necessidade de abertura de mais concursos para a atribuição de habitações públicas aos residentes. Au Kam San e Ng Kuok Cheong defendem também a renovação dos bairros antigos, o adequado aproveitamento dos recursos financeiros ou a diminuição do número de trabalhadores não residentes. Há ainda a

POLÍTICA

Eleições FUNDAÇÃO MACAU DEIXA AVISO SOBRE SUBSÍDIOS DADOS A ASSOCIAÇÕES

Cada pataca no seu galho Em nome de eleições justas, a Fundação Macau promete controlar o modo como é utilizado o dinheiro pelas associações a quem dá subsídios. O organismo vai fazer uma lista de candidatos às legislativas, associações envolvidas e valores concedidos. E planeia fiscalizar as iniciativas financiadas com os montantes que deu, para evitar campanhas disfarçadas A FM adianta que tem estado em contacto com o Comissariado contra a Corrupção para estabelecer vários critérios para a apreciação e aprovação da concessão de subsídios, assim como para o controlo da aplicação dos valores atribuídos. O reforço do controlo dos montantes entregues é feito em várias vertentes.

LISTA E DECLARAÇÕES

Os beneficiários dos subsídios ficam sujeitos à assinatura de uma declaração em que garantem que os valores não vão ser aplicados, directa ou indirectamente, nas eleições ou na campanha eleitoral. Nos últimos meses, a FM tem mantido encontros com as-

sociações ligadas à política local para as advertir de que os valores jamais poderão ser aplicados nas actividades ligadas às eleições. Estas associações devem ter, entre outros cuidados, a preocupação de evitar mal-entendidos por parte dos participantes e restantes cidadãos. A Fundação Macau explica ainda que vai elaborar a lista dos candidatos admitidos às eleições para a AL com indicação para as relações que existem entre os candidatos e as associações beneficiárias dos subsídios da FM. “Segundo o calendário das actividades subsidiadas a realizar por estas associações, irão deslocar-se ao local trabalhadores para

Vai ser elaborada uma lista dos candidatos com indicação para as relações que existem entre eles e as associações beneficiárias dos subsídios da Fundação Macau verificar in loco a boa aplicação dos subsídios na execução destas actividades que poderão contar com a presença dos candidatos à AL”, avisa o organismo. A rematar, a FM faz um apelo ao público para que, caso

detecte infracções cometidas por qualquer associação ou candidato relativamente ao uso de subsídios atribuídos pela Fundação, as suspeitas sejam comunicadas em tempo útil às várias entidades públicas competentes.

Parceiros na diferença Au Kam San e Ng Kuok Cheong apresentam listas

defesa de uma melhoria do sistema de transportes públicos e de maiores apoios para grávidas, idosos e residentes com dificuldades financeiras.

NOVOS NOMES, DIFERENTES PRIORIDADES

Ng Kuok Cheong concorre às eleições de Setembro ao lado de Luis Lam Pok Man, Lei U San, Wu Wa In, Chao Iao On e Kong Shun Mei. No comunicado, o deputado do campo pró-democrata explica por que decidiu concorrer numa lista diferente da de Au Kam San. “Todos têm de avançar e eu acredito que esta separação é apenas um resultado natural do nosso desenvolvimento”, explicou. Ng faz-se acompanhar por nomes novos no panorama político, e assume que isso pode resultar numa surpresa eleitoral. “É possível que sejamos surpreendidos e que só percebamos o resultado depois das tentativas efectuadas”, apontou.

Já Au Kam San explicou que, apesar de ter o mesmo programa político de Ng Kuok Cheong, vai dar mais prioridade aos assuntos relacionados com a habitação e os direitos dos trabalhadores. Para o deputado, concorrer numa lista diferente pode dar a possibilidade dos jovens adquirirem maior experiência na política, mas não mostrou certezas quanto à sua reeleição. Au Kam San recorda que os resultados vão depender do apoio dos eleitores, manifestando o desejo de conseguir eleger dois deputados da sua lista. Helu Chan Kuok Seng é o número dois da lista, seguindo-se Lei Man Chao, Lao Meng Fai, Kuok Cheok Man e Tong Ka Io, presidente da associação Iniciativa de Desenvolvimento Comunitário, criada pelos deputados aquando da ruptura com a Novo Macau. Vitor Ng

info@hojemacau.com.mo

AU KAM SAN NEGA BOATO

O

deputado Au Kam San fez ontem esclarecimentos sobre uma notícia publicada no jornal East Week, que refere que o democrata saiu de uma associação por estar envolvido com uma mulher, com quem manteria encontros no seu gabinete. Au Kam San negou tudo e disse que já contactou a Comissão de Assuntos Eleitorais da AL para investigar um caso que considera ser “uma difamação”.


6 PUBLICIDADE

hoje macau quarta-feira 5.7.2017

Anúncio Concurso Público «Serviços de salvamento nas piscinas situadas na Taipa afectas ao Instituto do Desporto» Nos termos previstos no artigo 13.o do Decreto-Lei n.o 63/85/M, de 6 de Julho, e em conformidade com o despacho do Ex.mo Senhor Chefe do Executivo, de 23 de Junho de 2017, o Instituto do Desporto vem proceder, em representação do adjudicante, à abertura do concurso público para os serviços de salvamento durante o período de 16 de Outubro de 2017 a 15 de Outubro de 2019, nas seguintes piscinas situadas na Taipa afectas ao Instituto do Desporto: 1 2

Designação das instalações desportivas Piscina coberta e Piscina ao ar livre das Piscinas do Carmo Piscina do Centro Desportivo Olímpico

A partir da data da publicação do presente anúncio, os interessados podem dirigir-se ao balcão de atendimento da sede do Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.o 818, em Macau, no horário de expediente, das 9,00 às 13,00 e das 14,30 às 17,30 horas, para consulta do processo do concurso ou para obtenção da cópia do processo, mediante o pagamento de $500,00 (quinhentas) patacas. Podem ainda ser feita a transferência gratuita de ficheiros pela internet na área de download da página electrónica do Instituto do Desporto: www.sport.gov.mo. Os interessados devem comparecer na sede do Instituto do Desporto até à data limite para a apresentação das propostas para tomarem conhecimento sobre eventuais esclarecimentos adicionais. O prazo para a apresentação das propostas termina às 12,00 horas do dia 3 de Agosto de 2017, quinta-feira, não sendo admitidas propostas fora do prazo. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora limites para a apresentação das propostas acima mencionadas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a data e hora limites estabelecidas para a apresentação das propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Os concorrentes devem apresentar a sua proposta dentro do prazo estabelecido, na sede do Instituto do Desporto, no endereço acima referido, acompanhada de uma caução provisória no valor de $630 000,00 (seiscentas e trinta mil) patacas. Caso o concorrente opte pela garantia bancária, esta deve ser emitida por um estabelecimento bancário legalmente autorizado a exercer actividade na RAEM e à ordem do Fundo do Desporto ou efectuar um depósito em numerário ou em cheque (emitido a favor do “Fundo do Desporto”) na mesma quantia, a entregar na Divisão Financeira e Patrimonial sita na sede do Instituto do Desporto. O acto público de abertura das propostas do concurso terá lugar no dia 4 de Agosto de 2017, sexta-feira, pelas 9,30 horas, no auditório da sede do Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.o 818, em Macau. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora para o acto público de abertura das propostas acima mencionadas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, ou em caso de adiamento na data e hora limites para a apresentação das propostas, por motivos de tufão ou por motivos de força maior, a data e a hora estabelecidas para o acto público de abertura das propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. As propostas são válidas durante 90 dias a contar da data da sua abertura. Instituto do Desporto, aos 5 de Julho de 2017. O Presidente, Pun Weng Kun


7 POLÍTICA

hoje macau quarta-feira 5.7.2017

A derradeira tentativa

Nove deputados estiveram ontem reunidos com o Chefe do Executivo, tendo sugerido que o Governo concessione o projecto do Pearl Horizon ao banco que concedeu os empréstimos. Foi ainda exigida que a concessionária de um terreno na Avenida Conselheiro Borja seja recompensada

N HOJE MACAU

A contagem decrescente para as eleições legislativas, alguns deputados continuam a tentar encontrar uma solução para o caso do Pearl Horizon em parceria

com o Governo. Ontem, nove deputados – Kwan Tsui Hang, Chan Meng Kam, Si Ka Lon, Ella Lei, Song Pek Kei, Ho Ion Sang e Wong Kit Cheng – foram recebidos pelo Chefe do Executivo, Chui Sai On, tendo feito uma

nova sugestão para resolver o problema daqueles que investiram sem ter recebido o apartamento em troca. Os deputados desejam que o Governo faça uma concessão do Pearl Horizon ao banco que atribuiu os

empréstimos à Polytec e às famílias. Tudo para que a construção do edifício fique concluída, ainda que sob a alçada do Governo. Quanto ao terreno localizado na Avenida do Conselheiro Borja, que foi recentemente revertido para a Administração, os deputados lembraram que a concessionária, a Companhia de Investimentos Panasonic Limitada, ainda não foi recompensada. O Governo terá prometido a atribuição de um outro terreno por arrendamento. Na visão dos nove membros da Assembleia Legislativa, o Executivo deve reservar uma parte do lote P, dos novos aterros da Areia Preta, para a concessionária. Este terreno foi concessionado à Polytec, que detém a Companhia de Investimentos Panasonic Limitada. Por existir esta relação de negócios, os deputados entendem que se possa fazer esta atribuição.

mitórios para funcionários públicos.

HOJE MACAU

Pearl Horizon DEPUTADOS QUEREM CONCESSIONAR PROJECTO AO BANCO

AUSÊNCIA DE RESPOSTAS

Muitas têm sido as sugestões ou há dois projectos de lei apresentados por deputados, mas o Executivo não tem dado uma resposta clara sobre a possibilidade de rever a Lei de Terras ou de lhe dar uma nova interpretação. Após um estudo de dois meses, os deputados decidiram apresentar uma proposta em conjunto com estas duas sugestões, para que se cumpram as leis em vigor. Ainda assim, Kwan Tsui Hang receia que estas ideias acabem por não ser acolhidas. “Precisamos da análise do Governo para que estas duas sugestões funcionem. Decidimos apresentá-las com base na interpretação que fizemos das leis, mas é melhor do que o Governo, que até agora não avançou com qualquer proposta”, apontou. A deputada lembra que a ideia principal é a de que as concessionárias devem assumir as suas responsabilidades para desenvolver

os terrenos e cumprir a lei. “Todos os colegas têm apenas um objectivo: resolver o assunto do Pearl Horizon. Qualquer que seja a proposta basta que seja apreciada pelo Governo e pela sociedade”, acrescentou Kwan Tsui Hang. Sobre a proposta de lei apresentada pelos deputados Leonel Alves e Zheng Anting, para a revisão de alguns pontos da Lei de Terras, a deputada não quis fazer comentários, pois afirma desconhecer o conteúdo do diploma. A deputada nomeada Chan Hong e Lam Heong Sang, vice-presidente da AL, também deram apoio à reunião de ontem com Chui Sai On. Vítor Ng (com A.S.S.) info@hojemacau.com.mo

PUB HM • 1ª VEZ • 5-7-17

ANÚNCIO AUTOS DE INTERDIÇÃO

CV3-17-0025-CPE

3º Juízo Cível

REQUERENTE: O MINISTÉRIO PÚBLICO, JUNTO DO T.J.B.

Os deputados desejam que o Governo faça uma concessão do Pearl Horizon ao banco que atribuiu os empréstimos à Polytec e às famílias Citando a Lei de Terras, os deputados entendem ainda que pode haver dispensa de concurso público nesta matéria, sendo que o Governo poderia, no mesmo lote de terreno, construir infra-estruturas para o uso público, como é o caso de parques de estacionamento, escolas, habitações públicas, instalações sociais ou dor-

da R.A.E.M. ----------------------------------------------------------------REQUERIDA: CHAO, MOU SUN.------------------------------------***** FAZ-SE SABER que, foi distribuída neste Tribunal, em 06 de Junho de 2017, uma Acção de Interdição, com o número acima indicado, em que é Requerida CHAO, MOU SUN, viúva, titular do BIR nº 5037035(2), nascida a 05/12/1950, internada no Centro Hospitalar Conde de S. Januário, para efeitos de ser decretada a sua interdição por anomalia psíquica. ---------------------------------RAEM, 23 de Junho de 2017


8 SOCIEDADE

hoje macau quarta-feira 5.7.2017

Junkets CRIAÇÃO DE BANCO DE DADOS CONTINUA EM ESTUDO

Carga de trabalhos O Governo ainda está a estudar a criação de um banco de dados na área dos promotores de jogo. O novo coordenador do Gabinete de Protecção de Dados Pessoais, Yang Chongwei, garantiu que não haverá problemas de maior com o novo sistema de reconhecimento facial instalado nas máquinas ATM

NOVAS ATM SEM PROBLEMA

Questionado sobre a nova tecnologia de reconhecimento facial utilizada em algumas máquinas ATM, Yang Chongwei referiu que os departamentos do Executivo já têm alguma experiência na matéria, afastando a possibilidade da ocorrência de problemas na prática. Caberá ao GPDP a regulação dos dados pessoais neste âmbito. “A tecnologia de reconhecimento facial não é nova e temos alguma experiência nesta matéria. Não é de facto um grande problema, mas vamos ter atenção a novas medidas tecnológicas que possam eventualmente ser aplicadas”, adiantou.

“Este projecto envolve um grande volume de dados pessoais e temos de ter cautela. Este gabinete ainda está a planear este projecto e não posso dizer mais nada.”

A

NUNCIADO em Novembro do ano passado, o sistema centralizado de dados pessoais dos promotores de jogo ainda não tem data para ser implementado. Yang Chongwei, que ontem tomou posse como o novo coordenador do Gabinete de Protecção de Dados Pessoais (GPDP), garantiu que os vários departamentos públicos ainda estão a estudar o assunto. “Em relação a este banco de dados sobre a concessão de crédito ainda há trocas de informações com outros serviços. Temos de respeitar todos os princípios para proteger os direitos dos titulares dos dados pessoais”, referiu à margem do seminário sobre as tendências internacionais de criminalidade com cartões de crédito. Para Yang Chongwei, “independentemente de qualquer projecto novo [que venha a ser implementado], há que ter em conta os direitos e interesses das duas partes”. “Este projecto envolve um grande volume de dados pessoais e temos de ter cautela. Este gabinete

ainda está a planear este projecto e não posso dizer mais nada”, acrescentou.

YANG CHONGWEI COORDENADOR DO GPDP

NOVA LEI DE DADOS PESSOAIS SEM URGÊNCIA

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uando ocupou o cargo de coordenador do GPDP, Vasco Fong chamou a atenção para a necessidade de rever a lei de protecção de dados pessoais. Contudo, Yang Chongwei apontou que têm sido aprovadas novas directrizes e que, a curto prazo, não há um calendário para a revisão do diploma. “Sabemos que houve um rápido desenvolvimento nesta área e a União Europeia emitiu novas regulações. Penso que temos condições para garantir uma protecção dos dados pessoais e, a curto prazo, talvez possamos utilizar as orientações nessa matéria, tanto no sector privado, como no público.” O GPDP “tem emitido algumas orientações e instruções nos últimos anos”, referiu ainda. “Vamos considerar se há necessidade de algumas orientações, tendo em conta o desenvolvimento da sociedade”, adiantou Yang Chongwei.

Na visão do responsável, “há um interesse legítimo para proteger não só o portador do cartão como garantir a estabilidade do sistema, tendo em conta a politica anti-branqueamento de capitais”. “Esta medida abrange uma grande quantidade de dados pessoais e o gabinete vai discutir esta questão com a Autoridade Monetária e Cambial de Macau e o sector bancário, para saber se há alguma tecnologia para proteger os dados pessoais”, acrescentou o novo coordenador. A nova tecnologia de reconhecimento facial “é boa e garante um equilíbrio entre os interesses legítimos e a protecção dos dados pessoais”, frisou Yang Chongwei. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

ENSINO IPOR ABRE BALCÃO DE APOIO AO ESTUDANTE INTERNACIONAL

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NTRA hoje em funcionamento o Balcão de Apoio ao Estudante Internacional, uma iniciativa que pretende ir ao encontro das necessidades dos estudantes que, através dos programas desenvolvidos pelas estruturas de Macau, escolhem instituições de ensino superior portuguesas para prosseguirem estudos. O serviço é lançado pelo Instituto Português do Oriente (IPOR), em parceria com o Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES), o Consulado-Geral de Portugal e várias universidades portuguesas. Em comunicado, o IPOR explica que o balcão dará apoio aos alunos que seguem para Portugal ao abrigo do estatuto de estudante internacional. Dirigido a jovens que não sejam nacionais de Portugal ou de qualquer outro país da União Europeia, este estatuto enquadra-se no objectivo de internacionalização das instituições de ensino superior portuguesas. No caso de Macau e da China, permite aos estudantes que terminaram o ensino secundário aceder directamente a um contingente especial de vagas criadas pelas universidades para diferentes cursos de licenciatura e mestrado. Com o novo balcão, será mais fácil aos estudantes obterem informações detalhadas sobre as instituições de ensino superior de Portugal, os cursos e o modo de instrução dos processos, de modo a que alunos e famílias possam ter um maior apoio na tomada de decisões. O serviço está integrado na Biblioteca Camilo Pessanha, nas instalações do IPOR. A entrada em funcionamento do balcão vai ser assinalada com a presença do cônsul-geral de Portugal, Vítor Sereno, e o coordenador do GAES, Sou Chio Fai.


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ÃO é uma pena leve, considera o secretário para a Segurança. Wong Sio Chak disse ontem que o agente de investigação criminal da Polícia Judiciária (PJ) que maltratou um cão foi sujeito a pena de suspensão. O governante sublinhou a “total intolerância a quaisquer actos que violem a lei e as regras de conduta dentro do corpo policial”, garantindo que continuará a reforçar a formação e fiscalização disciplinar dos agentes. Wong Sio Chak falava à margem da cerimónia de encerramento do 5.º Curso de Comando e Direcção e do 24.° Curso de Formação de Instruendos. Questionado pela comunicação social sobre a duração da pena de suspensão do agente da PJ, preferiu não responder, alegando que, “devido à regulamentação legislativa, não seria adequado divulgar” mais detalhes. Acrescentou, porém, que o processo ainda não foi concluído, uma vez que o agente goza do direito ao recurso. PUB

TIAGO ALCÂNTARA

hoje macau quarta-feira 5.7.2017

Bandeiras e tiros do avesso Wong Sio Chak não revela duração da pena de agente que agrediu cão Wong Sio Chak deu também algumas justificações sobre o caso. “A decisão de aplicar a pena de suspensão

veio depois de terem sido considerados vários factores, incluindo a natureza do comportamento do agente,

o grau de gravidade e as consequências do acto, com destaque principal para o impacto sobre a imagem do corpo de polícia, da secretaria para a Segurança, assim como de toda a sociedade”, fundamentou, citado em comunicado oficial. O governante reiterou que a punição em causa não pode ser considerada leve, uma vez que a pena “vai afectar a vida do agente de investigação criminal”. O secretário foi ainda confrontado com o caso de um agente policial atacado durante o exercício de funções, que disparou um tiro para o ar. A situação em causa está ainda a ser avaliada, explicou. No entanto, as informações que existem neste momento apontam para que o agente tenha disparado “perante a possibilidade de ocorrer uma situação perigosa, tendo em conta o momento e o grau de emergência”. Wong Sio Chak acredita que “foi um acto adequado e decisivo”.

AO VIVO E VIRTUAL

Outro tema abordado ontem pelos jornalistas foi

a bandeira nacional içada ao contrário, uma situação ocorrida no edifício do Terminal Marítimo do Porto Exterior. Wong Sio Chak considerou o caso “inaceitável”, “independentemente das razões para o sucedido”. O secretário considera que houve “um comportamento impróprio e negligente por parte do pessoal dos Serviços de Alfândega”. Já foi instruído um processo disciplinar para investigação. Nas redes sociais, há diferentes versões das fotos da bandeira nacional içada ao contrário. Wong explicou que é difícil verificar a autenticidade, sublinhando que existe uma lei que regula a utilização da bandeira nacional, assim como da bandeira da RAEM, que deve ser respeitada por todos. “Caso as referidas fotos sejam divulgadas com má fé, podem violar a lei sobre a utilização da bandeira nacional e difamar os serviços públicos”, avisou. Os serviços competentes vão fazer a devida investigação, rematou.

SOCIEDADE

TURISMO EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL ARRANCA NA SEXTA-FEIRA

É já esta sexta-feira, dia 7, que começa a 5ª Expo Internacional de Turismo de Macau, que tem lugar no Venetian. A actividade é organizada pela Direcção dos Serviços de Turismo, com coordenação da Associação das Agências de Viagens de Macau e ainda o apoio da Administração Nacional do Turismo da China. Os destaques deste evento vão para a política “Uma Faixa, Uma Rota” e o projecto da Grande Baía Guangdong-Hong KongMacau, sem esquecer as possibilidades de cooperação entre Macau e outras regiões da China. Serão realizadas, nos três dias da feira, 23 sessões de apresentação e assinatura de acordos entre empresas e instituições locais e do exterior, incluindo Hong Kong, Taiwan e Continente.


EVENTOS

JOÃO BOTAS

“Deixou um legado de um valor inestimável” ESCRITOR E AUTOR DE BIOGRAFIA SOBRE SILVA MENDES

“Biografia de Manuel da Silva Mendes 1867 – 1931” é o mais recente livro de João Botas. A obra foi apresentada ao público na mais recente edição da Feira do Livro de Lisboa. O autor considera que Silva Mendes é uma personagem ímpar da história do território Porquê a escolha de Manuel da Silva Mendes? Por vários motivos. Primeiro, porque foi num texto dele que me inspirei para dar nome ao blogue onde tenho vindo a divulgar a história de Macau desde 2008, o “Macau Antigo”, e que já ultrapassou um milhão de visitantes. Depois, porque Silva Mendes foi professor no Liceu de Macau, onde completei o ensino secundário. Acresce que há uns anos fui contactado por familiares de Silva Mendes que diziam querer saber mais sobre a sua vida. Encarei a abordagem como um desafio e, desde logo, pensei em escrever sobre a história da vida e legado de um homem que foi uma figura marcante da história de Macau na primeira metade do século XX e, inexplicavelmente, ainda nada de substancial tinha sido feito. No decorrer das pesquisas, que factos mais o surpreenderam neste homem? A multiplicidade de actividades a que se dedicou, um ou outro detalhe de âmbito mais

pessoal que, julgo, ninguém até hoje conhecia, a dimensão e qualidade da sua colecção de obras de arte, um legado que em parte ainda hoje pode ser apreciado no Museu de Arte de Macau. Outro facto surpreendente foi a rapidez com que Silva Mendes construiu a sua casa, hoje a United Nations University International Institute for Software Technology. Ele chegou ao território em 1901 e, por volta de 1908, já a mansão estava pronta.

importância, a ponto de terem adquirido muitas das peças da sua colecção. As obras de cerâmica de Sek Wan ainda hoje constituem uma das mais valiosas colecções do género ao nível mundial. Não é de somenos importância as centenas de artigos publicados na imprensa local ao longo de quase 30 anos, bem como os livros que publicou, não só sobre Macau do seu tempo, como também sobre a cultura chinesa.

De professor a sinólogo. Qual o legado que deixou a Macau? Manuel da Silva Mendes deixou um legado de um valor inestimável. Logo após a sua morte, Governo e sociedade civil de Macau, portugueses, macaenses e chineses, tiveram a noção clara da sua

Como está a ser recebido este livro? A apresentação ao público na Feira do Livro de Lisboa, bem como as sessões de autógrafos que se seguiram, decorreram muito bem. Houve muitas pessoas a assistir e a participar de forma activa, e isso deixa-me satisfeito, é claro. Até ao

SOFIA MARGARIDA MOTA

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momento, as reacções que tenho recebido têm sido muito positivas. Já recebi alguns convites para fazer palestras sobre o livro em Portugal e espero que, em Outubro, (mês em que se assinalam os 150 anos do nascimento de Manuel da Silva Mendes), possa regressar a Macau para a apresentação pública do livro através do Instituto Cultural, co-editor da obra. Por essa altura, o livro já vai estar à venda em várias livrarias do território. Em Portugal, está disponível na Livraria do Turismo de Macau, em Lisboa, e já recebi alguns contactos de outras livrarias que estão interessadas. A seguir, o que pensa fazer? Que vida vai pesquisar? Esta foi a minha estreia no mundo das biografias e, confesso, fiquei entusiasmado com o género. Tenho mais dois ou três nomes em carteira de personalidades ‘macaenses’ que gostaria de biografar, mas não depende apenas de mim a sua concretização. Tenho também outros projectos relacionados com a história do jogo e do turismo bastante aliciantes. Faço-o com muito prazer, mas apenas nos tempos livres; além de tempo, são precisos apoios, nomeadamente financeiros. Já escrevi quatro livros (e outro em co-autoria) sobre a história de Macau, mas parece que como cartão-de-visita ainda não chegam para conseguir financiamentos. Para esta biografia, por exemplo, a Fundação Macau concedeu-me cinco mil patacas. Obviamente, recusei. Porquê o interesse pelos homens de Macau? O meu interesse pela história de Macau é o mais abrangente possível. Há quase duas déca-

das que venho coleccionando objectos – e já tenho uns cinco mil – sobre Macau (postais, fotografias, moedas, notas,

“Para esta biografia, a Fundação Macau concedeu-me cinco mil patacas. Obviamente, recusei.”

livros, carteiras e caixas de fósforos, lai sis, jornais, revistas, calendários, bilhetes de cinema e de transportes, folhetos turísticos, etc.) num projecto que intitulei de “Macau Memorabilia” e que, um dia, tenciono transformar numa exposição iconográfica sobre a história de território, no século XX. Tenho uma colecção de cerca de 50 mapas/plantas de Macau que um dia também tenciono mostrar publicamente. Outro projecto antigo que tenho vindo a equacionar é passar para livro


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EVENTOS Lago Baikal

FOTOGRAFIA LAGO BAIKAL EM EXPOSIÇÃO

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AO Ip é um “assalariado” local. É esta a apresentação do também fotógrafo que se aventurou no Inverno siberiano em busca de imagens únicas. Cansado da monotonia diária, fez-se à estrada de câmara em punho. Lao foi ao lago Baikal para criar um conjunto de 30 imagens que vão estar, a partir de sexta-feira, expostas no espaço da associação Find Art Macau. No entanto, o lago parece ser apenas o mote. De acordo com a apresentação do evento, Lao trouxe um documento dos cenários e vidas que acontecem nesta zona em que parte do ano é gelada. PUB

muitas das histórias que tenho vindo a publicar no blogue Macau Antigo. Acha que o território e a sua história precisam de ser mais conhecidos em Portugal? Costumo dizer que, nestas coisas, mais nunca é de mais. Na medida das minhas possibilidades estarei, como sempre estive, disposto a dar o meu contributo. Talvez no domínio dos projectos audiovisuais possa haver novidades em breve. Recentemente re-

“As obras [da colecção de Silva Mendes] de cerâmica de Sek Wan, ainda hoje constituem uma das mais valiosas colecções do género a nível mundial.”

cebi dois convites, mas para já é prematuro avançar com detalhes. O que pode ser feito nesse sentido? Tanta coisa. Mas muito tem sido feito. Quem está minimamente atento não pode deixar de reconhecer a profusão de eventos que se vão realizando em Portugal relacionados com Macau, nomeadamente pela Delegação do Turismo de Macau em Portugal. Sofia Margarida Mota

sofiamota.hojemacau@gmail.com

O fotógrafo foi para Baikal no Inverno do ano passado e as temperaturas rondavam os 30 graus negativos. Mas não foi o frio que deteve o jovem de 28 anos. As paisagens são descritas como “magníficas” e mostram a existência de uma beleza particular, em situações extremas. A luz do dia e as particularidades nocturnas foram capturadas. A ideia é conseguir transmitir “uma atitude positiva quando se olha o ambiente, seja ele qual for”, lê-se na apresentação da mostra. A exposição conta com a curadoria do artista plástico João Lázaro das Dores. S.M.M.


12 CHINA

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Internet NOVAS REGRAS DE CONTROLO CAUSAM PREOCUPAÇÃO

Sem espaço para criar Medidas mais rígidas têm restringido acesso a páginas, vídeos e serviços sob alegações de conteúdo impróprio. Regras representam endurecimento na fiscalização da internet antes do congresso do PCC no segundo semestre.

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mais recente movimento do governo da China para suprimir conteúdos na internet tem preocupado uma diversa comunidade de cineastas, blogueiros, membros dos media e educadores, que temem que seus portais possam ser fechados por conta do controle mais rígido de Pequim. No último mês, reguladores chineses fecharam páginas de celebridades, restringiram quais tipos de vídeos as pessoas podem publicar e suspenderam os serviços online de “streaming”.Tudo isso sob alegações de conteúdo impróprio. Uma associação do sector fez circular na sexta-feira uma nova regulamentação de efeito imediato, determinando que pelo menos dois “auditores”

terão que controlar todo conteúdo audiovisual publicado online – desde filmes até curtas, documentários, desportos, material educacional e animações – para garantir que esses conteúdos são fiéis aos “principais valores socialistas”. Tópicos considerados inapropriados incluem vício em drogas e homossexualidade, disse aAssociação de Serviços de Transmissão Online da

China, afiliada ao governo e que representa mais de 600 membros. Muitas pessoas no fim de semana criticaram online a nova regulamentação, com a maioria a dizer que é um retrocesso e que pode prejudicar a criatividade.Algumas notaram que pode ser quase impossível aplicar essas regras. “De acordo com estas regras de censura, nada vai

MENORES SÓ PODEM JOGAR UMA HORA POR DIA

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gigante chinês da internet Tencent vai limitar a uma hora por dia o tempo dos menores de 12 anos no “King of Glory”, o jogo electrónico mais rentável do mundo. A medida foi anunciada em um momento de grande preocupação na China com os longos períodos que os jovens passam na internet. “King of Glory”, um jogo de combate para vários participantes, tem 80 milhões de utentes por dia. É o jogo electrónico mais rentável do mundo em 2017: gerou seis bilhões de yuans no primeiro trimestre, segundo a agência estatal Xinhua. Os menores de 12 anos não poderão jogar mais de uma hora por

dia, e nunca depois das 21H00, anunciou a Tencent num comunicado. Os menores com idades entre 12 e 18 anos poderão jogar até duas horas por dia. Em Abril, a imprensa estatal informou que um jovem de 17 anos da província de Guangdong foi vítima de um ataque cerebral depois de passar 40 horas seguidas jogando “King of Glory”. De acordo com estimativas, 24 milhões de jovens chineses são viciados em internet, o que é considerado uma doença clínica no país desde 2008. Nos últimos anos, vários pais enviaram os filhos viciados a centros especializados que propõe métodos de “readaptação” de carácter militar. PUB

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.º 23/P/17 Faz-se saber que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 22 de Junho de 2017, se encontra aberto o Concurso Público para <<Fornecimento e Instalação de Dois Sistemas de Equipamentos de Ecografia Ultrasónica para o Serviço de Obstetrícia e Ginecologia dos Serviços de Saúde>>, cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 5 de Julho de 2017, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1.º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP48,00 (quarenta e oito patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo). As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,30 horas do dia 4 de Agosto de 2017. O acto público deste concurso terá luar no dia 7 de Agosto de 2017, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP60.000,00 (sessenta mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 29 de Junho de 2017. O Director dos Serviços Lei Chin Ion

passar, o que vai exaurir a criação audiovisual artística”, escreveu Li Yinhe, uma académica que estuda sexualidade na Academia Chinesa de Ciências Sociais, mantida pelo governo. Sob as novas regras do governo, obras como a ópera “Cármen”, de Georges Bizet, e “Otelo”, de Shakespeare, tecnicamente teriam que ser banidas por mostrarem prostituição e exibirem cenas explícitas de afecto, escreveu Li num blog.

GRANDES E PEQUENOS AFECTADOS

As regras, que afectam gigantes das redes sociais como Weibo, assim como pequenas plataformas que têm florescido no movimentado espaço criativo online da China, representam as mais recentes medidas para endurecer a fiscalização na internet antes do Congresso do Partido Comunista no segundo semestre, quando o presidente Xi Jinping deve consolidar seu poder. Aexpectativa é que mercado de vídeo online da China, que inclui receita de anúncios e de compra de conteúdo, deve mais do que quadruplicar de 2015 a 2020, chegando a 96,2 mil milhões de yuans, de acordo com dados de 2016 do IHS Markit. “Costumávamos descrever a constante regulação conta-gotas como a fervura de um sapo em água morna. Agora está escaldante com água a ferver”, disse à Reuters Wang Xiaoxiao, um agente de talentos que representa diversos actores que conquistaram fama na internet. Zhao Jing, fundadora do Yummy, um site especializado em educação sobre temas de género, disse que usaria eufemismos para genitais e evitaria tópicos proibidos, como casos extraconjugais, para contornar palavras-chave que desencadeariam a censura. Caso contrário, ela teme que seu portal possa ser excluído do aplicativo de mensagens instantâneas WeChat da Tencent.

PRINCESA ANA EM PEQUIM

O vice-primeiro-ministro chinês Liu Yandong reuniu-se na terça-feira com a princesa inglesa Anne na capital chinesa, dizendo que a China espera mais cooperação e intercâmbios com o Reino Unido. Liu disse que a China aprecia o papel especial e significativo da família real britânica em fortalecer a ampla cooperação bilateral e intercâmbios entre pessoas. Apontando que neste ano se celebra o 45º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas bilaterais, Liu pediu que os dois lados reforcem a confiança política mútua e aprofundem a cooperação pragmática para melhorar a parceria estratégica abrangente para o século 21 entre os dois países. A princesa Anne expressou a vontade da família real de promover a cooperação nas áreas como o desporto e a protecção de crianças para impulsionar a amizade e o entendimento mútuo entre as pessoas.

SÍRIA SOLUÇÃO POLÍTICA É A ÚNICA VIA PARA RESOLVER QUESTÃO

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conflito sírio provocou muito sofrimento ao seu povo e graves desafios à paz regional e mundial”, disse o presidente chinês, Xi Jinping. Numa entrevista publicada na segunda-feira, Xi sublinhou que a única maneira para solucionar a situação é a via política. “A posição da China sobre a Síria tem sido consistente”, disse Xi. “A soberania e a integridade territorial da Síria devem ser protegidas e respeitadas, e o seu futuro deve ser decidido pelo seu próprio povo”. “A solução política oferece a única via de saída”, concluiu o presidente chinês. A China espera sinceramente que o assunto possa ser resolvido o mais cedo possível, e que a as-

piração do povo sírio pela paz possa ser realizada o mais cedo possível, de forma que eles possam voltar e reconstruir as suas casas. Citando signos positivos da reunião de Astana e das negociações de Genebra, o presidente chinês pediu que sejam realizados mais esforços para manter a a vontade de conseguir uma solução política para a questão síria. Xi disse que a China apoia o papel principal das Nações Unidas na mediação de uma possível solução entre o governo sírio e as forças da oposição. O presidente chinês expressou o seu apreço pelo papel importante e activo da Rússia para tentar atingir uma solução apropriada.


13 CHINA

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Tratamento compulsivo Hospital condenado por impor reorientação sexual

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M hospital chinês foi condenado pela justiça por impor um tratamento de reorientação sexual a um paciente, segundo a sentença de um tribunal anunciada ontem. De acordo com a cópia do veredicto, o hospital psiquiátrico de Zhumadian, na província de Henan foi condenado por um tribunal da mesma cidade e terá de fazer um pedido público de desculpas e pagar ao queixoso 647 euros pelos danos causados. M. Yu foi admitido na instituição em Outubro de 2015, pouco depois de ter revelado a sua homossexualidade à esposa e pedido o divórcio. O paciente foi então diagnosticado com “problemas de orientação sexual” pelo hospital, que se recusou a deixá-lo sair, e impôs um tratamento

FORTES CHUVAS DEIXAM PELO MENOS 56 MORTOS E 22 DESAPARECIDOS

E tudo a água levou

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S chuvas torrenciais deixaram nos últimos dias pelo menos 56 mortos e 22 desaparecidos no centro e sul da China, onde centenas de milhares de pessoas tiveram que abandonar as suas casas, informaram nesta terça-feira as autoridades de várias províncias. Segundo os últimos dados divulgados pela agência oficial Xinhua, um total de 27 mil casas desmoronaram e 37 mil sofreram graves por conta dos deslizamentos de terra e inundações. O Governo central designou uma ajuda de emergência de US$ 278 milhões, embora estime-se que as perdas económicas ultrapassem os US$ 3,7 mil milhões.

As fortes chuvas causaram inundações e fizeram com que os níveis de água de mais de 60 rios no sul da China tenham subido acima do seu máximo. As províncias mais afectadas são Hunan e a região autónoma de Zhuang, disse o Ministério dos Assuntos Civis. Milhares de soldados, policiais, funcionários públicos e civis estão a lutar contra as inundações em várias províncias ao longo do rio Yangtzé. A estação de monitoramento do nível de água em Changsha (capital de Hunan) no rio Xiangjiang, um importante afluente do Yangtzé, alcançou um recorde de 39,51 metros, superando o recorde anterior de 39,18 metros estabelecidos por uma inundação em 1998.

As inundações destruíram casas, arrancaram árvores, danificaram veículos, estradas e as plantações de muitos agricultores, enquanto milhares de pessoas tiveram que deixar a região. Em Hubei, cerca de 16 mil pessoas estão em alerta máximo pela enchente dos rios, e em Guangxi, foram confirmadas as mortes de 16 pessoas, enquanto dez estão desaparecidas. Por outro lado, o calor está sufocante no norte do país. Na capital Pequim e em províncias como Shaanxi, Hebei e Henan, as temperaturas chegam aos 40 graus. Na Região Autónoma da Mongólia Interior, mais de 200 bombeiros estão a lutar contra um incêndio que atravessou o norte da China, a partir da Mongólia. Nesta época do ano são frequentes as chuvas torrenciais na China e é comum que aconteçam inundações, deslizamentos e outras catástrofes motivadas por fenómenos meteorológicos. O fato mais grave ocorrido nesta temporada aconteceu no último dia 24 de Junho, em Sichuan, quando também ocorreram fortes chuvas e parte de uma montanha caiu sobre a aldeia de Xinmo.

médico para garantir “cura” de Yu. A “terapia de reorientação sexual” aplicada é considerada uma prática não científica e ineficaz pelos peritos, embora continue a ser utilizada em várias clínicas do país. M. Yu foi amarrado durante cerca de 20 dias à sua cama de hospital e forçado a tomar comprimidos e receber injecções concebidos “para corrigir” a sua orientação sexual, sob pena de espancamentos, explicou o próprio, numa entrevista à agência France-Presse. Uma testemunha confirmou em tribunal que Yu foi “tratado contra a sua vontade durante 19 dias”, através de medicação que incluía antidepressivos e injecções, lê-se no documento do tribunal. “Este veredicto é importante para a comunidade

homossexual porque nenhuma lei oferece protecção” contra o tratamento forçado, disse Peng Yanhui, director de uma organização não-governamental que defende os direitos LGBT na China. Num caso semelhante, em Dezembro de 2014, um tribunal de Pequim condenou uma clínica em Chongqing, no sudoeste da China pela prática de tratamentos com o objectivo de “curar” a homossexualidade. A China removeu a homossexualidade da sua lista de doenças mentais em 2001, mas muitas pessoas da comunidade continuam a ser vítimas de discriminação e sofrem de pressão familiar.

XI JINPING E ANGELA MERKEL INAUGURAM PANDAS

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presidente chinês Xi Jinping afirmou que, juntamente com a chanceler alemã, Angela Merkel, inaugurarão um espaço num jardim zoológico de Berlim para dois pandas-gigantes que a China enviou recentemente para a Alemanha. “Espero que este par de pandas-gigantes sirvam como enviados da amizade China-Alemanha”, disse o líder chinês num artigo assinado, publicado na terça-feira antes de viajar para o país europeu para uma visita de Estado e participar da Cúpula do G20 em Hamburgo. “Precisamos aprofundar a cooperação em educação, cultura, ciência e tecnologia, turismo, saúde, grupos de pesquisa, media, futebol e em outras áreas, implementar medidas relacionadas com os vistos e outras

medidas de facilitação e aproximar nossos povos”, disse. Meng Meng e Jiao Qing, os dois pandas que chegaram na Alemanha no mês passado, estão a habituar-se ao seu novo ambiente rapidamente, de acordo com Yin Hong, um tratador que acompanhou o par desde a cidade de Chengdu até Berlim. Meng Meng, que significa “sonho doce” em chinês, é um panda feminino de quatro anos, enquanto Jiao Qing, é um macho de sete anos. Foram enviados para a Alemanha num programa de conservação e criação de 15 anos. Os dois não são os primeiros pandas concedidos ou emprestados ao país europeu pela China. Em 1980, a China enviou Bao Bao para Berlim como um presente de Estado. Morreu em 2012.

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Anúncio A “SOCIEDADE DE INVESTIMENTO IMOBILIARIO I KENG VAN, SARL” (doravante a “Sociedade”) vem pelo presente comunicar aos accionistas da Sociedade que recebeu comunicações por parte de dois accionistas informando que pretendem transmitir as respectivas acções que detêm na Sociedade a não accionistas. Assim, na impossibilidade de o fazer de outra forma, avisa-se a todos os accionistas interessados para, no prazo de 10 dias a contar da data da publicação do presente anúncio, contactarem a Sociedade, na sua sede, dentro das horas normais de expediente, a fim de se inteirarem das condições das referidas transmissões e, caso queiram, exercerem o seu direito de preferência nos termos do artigo 6º dos Estatutos da Sociedade. Mais se avisa que a falta de contacto e manifestação de interesse em exercer o direito de preferência dentro do prazo supra referido equivalerá à renúncia ao exercício do referido direito, pelo que os accionistas transmitentes serão livres de transmitir as suas acções nos termos e condições solicitados. SOCIEDADE DE INVESTIMENTO IMOBILIARIO I KENG VAN, SARL


h ARTES, LETRAS E IDEIAS

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MYMOSA, LISBOA, 29 JUNHO Coube-me o terceiro dia nesta criação em torno dos «vinte anos de prática projectual em design gráfico» de Jorge_dos_Reis. Sete dias, cada um com um tipo de peças (cartazes, letras, livros e publicações, catálogos, identidades gráficas, esboços e finalmente pinturas) desenham esta «Terra Plana», assim se chama a exposição, patente na Casa da Cerca, em Almada, e o deslumbrante catálogo que o Jorge agora me entrega enquanto solta gargalhadas que enchem o lugar. Impressiona o rigor com que duas décadas de trabalho se apresentam, de modo visceral, mas arrumado em lúdicas geometrias. Impressiona o deleite com que se apresenta, nos detalhes, nos diferentes papéis, no formato. Cheguei ao Jorge pelo lado da investigação sobre tipografia e só depois descobri o criador, que invocava invariavelmente uma paisagem de serras que me foi próxima, ao serviço de curioso programa: «páginas à procura de uma lombada, homens à procura de uma morada». Aquela sua pesquisa em torno dos caracteres móveis tocava-me por conter muito de labor poético, que abordei erguendo-me em esforço do magma de confusão destes meus dias, cada vez mais esboços do indistinto. «Daqui, de onde o vejo, até com as mãos, encontro uma peculiar estranheza no corpus do Jorge_dos_Reis. Lúdica e confortável, mas estranheza. Simplesmente porque […] combina opostos e diferenças de maneira única: vejo máquinas e mecanismos e peças, mas logo encontro jardim do mais orgânico esplendor vegetal; uma linha irregular, risco distraído no papel que se transfigura em simetrias e

João Paulo Cotrim

Contar o tempo rigor geométrico; tem tanto de abstracto como estruturante, formas de puro deleite ou sinais que emitem informação; faz-se paisagem e habitada por pequenos seres, quase sempre paisagem de papel e pequenos seres de tinta, mas pode dar-se o contrário; elementos oriundos do passado distante a conviverem com pixéis latentes de ecrã; o conforto do reconhecível e o assombro do novo.» Se se pudessem arrumar décadas de trabalho irrequieto, teria que ser assim, abrindo com o azul petróleo de uma qualquer «materica acqua». Entra o Raquesh, que espalha gentileza, paga uma rodada e grita: «É o fim!». Nada disso, vamos lá tratar de habitar esta «Terra Plana». MYMOSA, LISBOA, 30 JUNHO Sento-me à mesa de mais um projecto com o António Eloy, velho companheiro de lutas que nos pareciam ganhas. Erradamente, como a sempiterna energia nuclear, um desvario maior da gula energética das sociedades contemporâneas. Nem sei a razão do desvio, mas deu-nos para folhear álbum (in)comum de amores e ódios, causas e nomes, mestres, personagens, amigos ou nem por isso. A sua passagem pelo Partido Radical, projecto libertário assaz peculiar de Marco Panella, falecido no ano passado, motivou inúmeras histórias. Muito para além da porno-deputada Cicciolina Nem me lembrava da proposta de colocar Ghandi no logótipo, à qual Eloy e a maioria de uma qualquer assembleia se opôs, até que o carisma de Panella inverteu a tendência. Pelo meu lado, recordo os esforços transnacionais para a legalização das drogas. Tenho para mim que não valorizamos devidamente o memorialismo, e, em resposta, criámos, na Arranha-céus, colecção que acolhe textos que queiram testemunhar do vivido. Lancei desafios dos quais espero ansiosamente resultados. Para cortar no tempo. SÃO JULIÃO, LISBOA, 30 JUNHO As Festas da Cidade dão-se por findas, mas nada mais enganoso. Em Lisboa, as festas são um fado, uma tatuagem, um acaso da geografia, um resultado da meteorologia. Este ano erguemos um arco de papel com a EGEAC e editámos a preto e branco, para adul-

FESTAS DE LISBOA

HORTA SECA, LISBOA, 28 JUNHO Tenho pelo menos um leitor. A pensar em noites desinspiradas como esta, fui atirando notas para uma página. E sendo a tendência escrever mais do que a medida, ali arquivei entrada excedente sobre desarrumação. Usei-a algures em Março, não a apaguei e esqueci-me. Voltei a usá-la agora. Um leitor fez o favor de mo assinalar. Veio-me à memória o que se projectava durante palestra de conferencista distraído: «verificar a conexão da fonte e o modo de entrar».

diário de um editor

O DJ toca pratos, mas de chouriço e sardinha. As varinas são tatuadas, usam piercing e marcham de estilete, os marujos saltam para dança gay-pop, chinesas partilham arco e balão com um rajá das índias profundas do Martim Moniz tos e nem tanto colorirem, algumas das ilustrações com que o Nuno [Saraiva] tintou as festas, do ano passado e deste (um exemplo, nesta página). Uma brincadeira, dir-me-ão. Sim, mas quem afirmou a nossa seriedade?

O gesto de colorir acalma os nervos, faz passar o tempo, exercita o músculo estético. Faz-nos ainda regressar a uma qualquer infância, o que se justifica sobremaneira para quem vive (em festa) aqui e usa os transportes públicos. Brincadeira, claro, mas se olharmos com atenção estes desenhos encontramos, a traço fino, um retrato da cidade que somos. Há anos que anda a povoar lisboas, e nos últimos tempos, até pelas paredes conta histórias. Invariavelmente fazem dos corpos um palco. Não por acaso, no caso revisita a obra do enorme Rafael [Bordalo Pinheiro]. Não deixámos ainda de ser nem zés nem povinhos. Em fundo musical, está alinhada, qual desfocada foto na parede da colectividade, uma galeria de personagens do mais transversal e transgressor cosmopolitismo genético. Fui ver e diz que «um ente geométrico é transversal quando o seu sentido é oblíquo em relação a determinado referente». Somos partes em recomposição, identidades sem bilhete nos apertos de um metro veloz. A cegonha acaba em pernas com meias de renda, sim a que enfia o bico do mito na garganta da raposa-PA. O DJ toca pratos, mas de chouriço e sardinha. As varinas são tatuadas, usam piercing e marcham de estilete, os marujos saltam para dança gay-pop, chinesas partilham arco e balão com um rajá das índias profundas do Martim Moniz. Siga o baile, desde que com selfie na ponta do pau. Depois ainda têm muito que contar os manjericos, em desfile de seres que são também comentários aos tiques e aos estereótipos alfacinhas. Isto e mais está deslavado em formato generoso à espera da cor de cada um. Em aperto de simbólica, marcámos o lançamento para o fim do mês, perto da Praça do Município, em plena exposição das sardinhas, essoutra brincadeira que se tornou fenómeno internacional, com cardumes cada vez mais numerosos a redesenhar o popular bicho, levando o ícone popular à exaustão. Não apareceu quase ninguém, o que nos deixou de lápis coloridos na mão. A escolha de dia e hora para atiramentos é ciência que não se deixa dominar. Os fregueses deviam estar distraídos algures num arraial. Vai daí, fomos à festa.


15 hoje macau quarta-feira 5.7.2017

na ordem do dia 热风

Julie O’yang

Okja: o E.T. boçal da Coreia do Sul

Q

UANDO o filme mais recente de Bong Joon-ho acabou de ser exibido na última edição do Festival de Cinema de Cannes, a audiência aplaudiu de pé, mas quando o logo da produtora, a Netflix, apareceu no ecrã foi recebido com vaias. Okja é um filme maravilhoso e a primeira obra-prima da Netflix. A história começa com uma apresentação encantatória da personagem que dá nome ao filme. Quem é Okja? Lucy Mirando (Tilda Swinton), uma entusiasmadíssima mulher de negócios, está ansiosa por contar a história. Lucy recorre a uma apresentação multimédia, para revelar aos jornalistas e aos accionistas da sua multinacional uma descoberta fantástica: uma nova estirpe de porco, um “super-porco”. Uma criatura estranha e gigantesca é apresentada como o futuro da culinária. Resultado de expe-

riências genéticas, este enorme animal tem também um temperamento dócil e representa sobretudo uma enorme fonte de alimento. Mas a multinacional mente sobre a origem deste animal e alega que pertence a uma nova espécie encontrada no Chile, em estado selvagem. Okja, uma fêmea premiada, é enviada para uma quinta na Coreia do Sul, no âmbito de um programa global desenhado para encontrar o melhor habitat para a espécie. Neste cenário a nossa “porquinha” vai deambular pelas montanhas durante 10 anos, comer o pasto e tornar-se a companheira inseparável da pequena Mija (Ahn Seo-hyun), neta do fazendeiro. E, neste panorama bucólico, vemos Mija e a sua gigantesca amiga passeando de cá para lá, sob o olhar protector do avô (Byun Hee-bong). No entanto, fica claro desde o início, a realidade vai entrar em cena e, quando entra, magoa.

Okja é uma espécie de E.T., mas mais boçal e, imaginando que o E.T. tinha corrido o risco de se tornar num produto para consumo alimentar das massas. Este filme fala-nos da perda da inocência, mas mais importante do que isso, fala-nos sobre o valor da inocência. A força do filme de Bong está na pureza do espírito de Mija, que pode servir de lição para muitos de nós (especialmente para os consumidores de carne). Okja é, evidentemente, um ícone—os espectadores já sabem isso antes de lhe terem visto o focinhito. É um símbolo que representa todos os animais criados em quintas industriais, onde acontecem as maiores desumanidades, decorrentes da produção em massa e do comércio global. Mas o amor que Mija sente por ela não é superficial, nem se apaga facilmente. Mesmo a multinacional que a fabricou compreende o valor comercial deste

afecto—e é por isso que Lucy tenta apresentar Okja como um animal doméstico, igual aos outros, de modo a que clientela não tenha medo de fritar o seu toucinho geneticamente modificado para o pequeno almoço. Okja é o primeiro filme de Bong Joon-ho a participar num dos mais importantes Festivais de Cinema europeus. Bong não foi “acarinhado” pelo júri do Festival porque os seus filmes são considerados “comerciais”: o que ele faz é para ser visto e apreciado por grandes audiências. Inicialmente Okja não foi aceite para concorrer à Palma d’Ouro. Depois, Okja foi exibido na Netflix e acusado de ter um “problema de identidade”. Tudo isto não passa de um sintoma do eterno conflito entre a liberdade criativa e os diversos poderes instalados. bit.ly/2qVaKpf


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A Poesia Completa de Li He

同沈駙馬賦得御溝水 入苑白泱泱,宮人正靨黃。 繞堤龍骨冷,拂岸鴨頭香。 別館驚殘夢,停杯泛小觴。 幸因流浪處,暫得見何郎。

Em Harmonia Com Um Poema Escrito por Shen, o Genro Imperial, Intitulado: “As Águas do Canal Real” Fluindo através do parque, água branca larga e funda, As damas do palácio envergam os seus sinais amarelos,1 Curvando em redor de colinas, frios seus ossos de dragão,2 Roça as margens, fragrante o seu verde cabeça-de-pato.3 Arranca concubinas de sonhos que se apagam, As taças param de girar, flutuam pequenos cálices.4 Tive a boa fortuna de vaguear um pouco Ao lado desta corrente ondulante com Mestre He.5

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2 3 4 5

Shen Zi-ming casara-se com a Princesa An-luo, uma filha do Imperador Xian-zong. As marcas de beleza em forma de estrela amarela estavam na moda à época. Aqui, as damas usam a água como espelho. Referência às lajes de pedra nas margens do canal. “Cabeça-de-pato” era o nome de um pigmento verde. Era costume antigo os convivas fazerem flutuar taças de vinho numa corrente durante as festas. Ho Yan, de seu cognome Ping-shu (190-249), era um homem excepcionalmente bem parecido e talentoso que, tal como Shen, casara com uma princesa.

Tradução de Rui Cascais • Ilustração de Rui Rasquinho Li He (790 a 816) nasceu em Fu-chang durante a Dinastia Tang, pertencendo a um ramo menor da casa imperial. A sua morte prematura aos vinte e sete anos, a par da escassez de pormenores biográficos, deixam-nos apenas com uma espécie de fantasma literário. A Nova História dos Tang (Xin Tang shu) diz-nos que He “nunca escrevia poemas sobre um tópico específico, forçando os seus versos a conformarem-se ao tema, como era prática de outros poetas [...] Tudo quanto escrevia era inquietantemente extraordinário, quebrando com a tradição literária.” Segundo um crítico da Dinastia Song, o alucinátorio idioma poético de Li He é a “linguagem de um imortal demoníaco.” A versão inglesa de referência aqui usada é a tradução clássica da autoria de J.D. Frodsham, intitulada Goddesses, Ghosts, and Demons, publicada em São Francisco, em 1983, pela North Point Press.


17 (F)UTILIDADES

hoje macau quarta-feira 5.7.2017

TEMPO

?

AGUACEIROS

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje

CINEMA | “FUGA DE ALCATRAZ”: IV CICLO DE CINEMA CRED-DM Casa Garden | Das 19h30 às 20h30

MIN

25

MAX

30

HUM

75-98%

•

EURO

8.87

BAHT

FOTOGRAFIA | EXPOSIÇÃO DE LAO IP | ESPAÇO FIND ART MACAU Das 18h30 às 21h30

Sábado

EXPOSIÇÃO | “MAZDA”, DE FORTES PAKEONG SEQUEIRA Das 15h00 às 18h00

O CARTOON STEPH DE

CINEMA | DOCUMENTÁRIO “VIDA, ANIMADA” DOS EUA Cinemateca Paixão | 14h30 CINEMA | DOCUMENTÁRIO “IRMÃOS”, DA NORUEGA Cinemateca Paixão | 21h30

Diariamente

EXPOSIÇÃO “COLOUR/SHAPE/LOVE” DE JOAQUIM FRANCO Macau Art Garden | Até 16/07 EXPOSIÇÃO “NOCTURNO” DE FILIPE DORES Albergue SCM | Até 09/07 EXPOSIÇÃO “CONTELLATION” DE NICOLAS DELAROCHE Galeria do Tap Seac | Até 08/10 EXPOSIÇÃO “O MAR” DE ANA MARIA PESSANHA Casa Garden | Até 31/08 EXPOSIÇÃO “A ARTE DE ZHANG DAQIAN” Museu de Arte de Macau | Até 5/8 EXPOSIÇÃO “AMOR POR MACAU” DE LEE KUNG KIM Museu de Arte de Macau | Até 9/7 EXPOSIÇÃO “DESTROÇOS” DE VHILS Oficinas Navais, nº. 1 | Até 31/11 EXPOSIÇÃO “AS MUDANÇAS DE HENGQIN” Armazém do Boi | Até 16/07

Cineteatro

C I N E M A

SALA 1

Kyle Li, Mary MA

DISPICABLE ME 3 [2D][A]

19.30

Falado em cantonês Fime de: Pierre Coffin, Kyle Balda, Eric Guillon 14.30, 16.15, 19.45, 21.30

SALA 3

DISPICABLE ME 3 [3D][A] Falado em cantonês Fime de: Pierre Coffin, Kyle Balda, Eric Guillon 18.00 SALA 2

TRANSFORMERS: THE LAST NIGHT [2D][B] Fime de: Michael Bay Com: Mark Wahlberg, Laura Haddock Anhtony Hopkings 14.00, 16.45, 21.30

OUR SEVENTEEN [2D][B] Falado em cantonês legendado em chinês e inglês Fime de: Emily Chan Nga Lei Com: Sean Pang, Angela Yuen, King Wu

THE MUMMY [2D][C] Fime de: Alex Kurtzman Com: Tome Cruise, Sofia Boutella, Annabelle Wallis, Jake Johnson 14.30, 21.45

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 71

PROBLEMA 72

UM DISCO HOJE

SUDOKU

CINEMA | DOCUMENTÁRIO “CONVERSA FIADA”, DE TAIWAN Cinemateca Paixão | 20h00

1.14

FÉRIAS

Sexta-feira

Domingo

YUAN

AQUI HÁ GATO

EXPOSIÇÃO | INAUGURAÇÃO DE “RESTLESS NATURE”, COM ESCULTURAS DE MADEIRA DE TONG CHONG Taipa Art Village | Das 18h00 às 21h00

CINEMA | DOCUMENTÁRIO “CONVERSA FIADA”, DE TAIWAN Cinemateca Paixão | 20h00

0.23

Um conceito totalmente humano, o lado bizarro e reverso do trabalho, outra invenção útil para revestir de dignidade a escravidão, para condimentar a obrigação com apimentada voluntariedade. Nada existe de facultativo na subsistência do quotidiano, nas contas que não conhecem sentido de humor ou estética. Rico sistema que os humanos arranjaram para se fustigarem. Agrilhoam-se de tantas formas, pobres animais. Contratam amor, traficam afectos, prendem-se uns aos outros, inventam regras e formas de vida que os deixam dependentes à nascença. Passam o ano inteiro a viver a ilusão da honorabilidade das tarefas para poderem disfrutar de vida felina durante menos de 1/10 do ano. Aí chega a altura de sair, de extravasar e mudar o disco de lado, noutra rotação. No fundo, os humanos anseiam vida de gato durante todos os dias da sua vida activa. Vida activa, vejam o quanto odeiam a contemplação, a meditação, a transcendência. Ponderar espreguiçado é considerado um acto de passividade, de anulação do ser, uma não-existência. Que visão torpe e pequena, como é que estes seres que se auto-castram estão no topo da cadeia alimentar? Cérebros evoluídos, capazes de levar o engenho terrestre aos confins da galáxia e, depois, emasculam-se como carneiros numa ordem social de rebanho. Nas férias, ironia das ironias, vão em manada tentar viver como gatos, sem se aperceberem da condição caprina inerente à massificação do lazer. Pu Yi

COME ON DIE YOUNG | MOGWAI

O rock não morre e o pós rock é um belo filho do género musical. Os Mogwai não deixam a filiação por mãos alheias e o álbum de 99 da banda de Glasgow é disso um bom exemplo. “Come On Die Young” tem 12 temas longos (como é hábito da banda) que facilmente se poderiam transformar num só. A ideia, dividida ou não, é sempre a de uma viagem essencialmente instrumental, intercalada por vozes que vêm de uma espécie de além. Sofia Margarida Mota

RESIDENT EVIL: VENDETTA [2D][C] Falado em inglês legendado em chinês Fime de: Takanori Tsujimoto 16.30

TRANSFORMERS: THE LAST NIGHT [2D][B] Fime de: Michael Bay Com: Mark Wahlberg, Laura Haddock Anhtony Hopkings 19.00

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Isabel Castro; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Sofia Margarida Mota Colaboradores António Cabrita; Anabela Canas; Amélia Vieira; António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; João Maria Pegado; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Fernando Eloy; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


18 OPINIÃO

hoje macau quarta-feira 5.7.2017

a outra face

INTE anos parecem muito tempo mas estes que passaram desde a transferência de soberania de Hong Kong até ao presente fugiram num ápice. Para isso terá contribuído certamente o desenrolar compulsivo, quase maníaco, dos factos. Estes, de tal modo se sucederam, que por vezes se atropelaram e mutuamente atiraram para o caixote do lixo da História. O século XXI tem sido fértil em acontecimentos, em momentos que, noutras eras, teriam sido incontornáveis, disruptivos. Agora não: existe esta sensação de que a vida continua igual, orientada pelos mesmos tiques pois a humanidade não consegue viver no sobressalto diário que os media hoje proporcionam. Insinuou-se a gripe das aves, eclodiu a crise asiática, a mãe pátria salvou as finanças da praça financeira. Nos EUAruíram as torres-gémeas, semeou-se a guerra de novo pelo mundo. Cresceu desmesuradamente Macau, o fosso entre ricos e pobres alargou-se consideravelmente na ex-colónia britânica. Veio outra crise, de um tamanho tal que a Grande Depressão parecia agora ínfima. Em Hong Kong, os guarda-chuvas amarelos ocupavam durante meses as ruas e impediam o sufrágio universal condicionado. Muitas vezes me pergunto se, caso fosse realmente o interesse de Pequim controlar os assuntos de Hong Kong, Joshua Wong e outros activistas radicais não seriam seus agentes. Isto porque, de modo quase perfeito, impediram que a RAEHK desse um passo fundamental para uma realização democrática mais completa: o sufrágio universal condicionado. Como se sabe, a proposta de Pequim passava primeiro por admitir uma sufrágio universal. E, em segundo lugar, que os nomes merecessem a sua aprovação, isto porque, segundo o léxico oficial, teriam de ser patriotas. O primeiro aspecto não é de desprezar. Um sufrágio universal é algo de onde dificilmente se recua. E, correndo tudo bem, ou seja, se Hong Kong não afrontasse a China, é de admitir que a cidade poderia gozar de um sufrágio sem condicionantes dentro de uma década. Assim não o quiseram os activistas dos guarda-chuvas amarelos. Que interesses realmente defendem é difícil de saber, mas os resultados que conseguem vão pouco além de um acentuado gosto pela vitimização mediática. E, claro, de um retrocesso no processo democrático.

JEAN-MICHEL BASQUIAT, AUTO-RETRATO

V

A liberdade prometida

Um sufrágio universal é algo de onde dificilmente se recua. E, correndo tudo bem, ou seja, se Hong Kong não afrontasse a China, é de admitir que a cidade poderia gozar de um sufrágio sem condicionantes dentro de uma década. Assim não o quiseram os activistas dos guarda-chuvas amarelos

CARLOS MORAIS JOSÉ

Os activistas dos guarda-chuvas amarelos queriam, num golpe, passar de um regime colonial, onde a representação democrática eleitoral directa era mais fraca do que, por exemplo, em Macau, para uma democracia eleitoral de modelo ocidental. Não aceitaram um passo intermédio e no mesmo gesto queimaram uma série de pontes que permitiam um diálogo contínuo entre as partes. O comportamento dos deputados eleitos, quando do juramento, foi lamentável. Traíram o país ou enxovalharam-no, pois mesmo não se sentindo chineses, nem por isso deixavam de estar na China e certas atitudes não são admissíveis; mas sobretudo traíram os seus eleitores que assim se quedaram sem representantes no parlamento. Finalmente, com tanta fanfarra e pouca votação, proporcionaram a Pequim o congelamento sine die das reformas democráticas. A democracia é complicada em Hong Kong não por causa da liberdade de expressão, dos direitos humanos ou dos animais. A questão é, claramente, outra. O receio de mudança, de perda de controlo, existe mais do lado dos homens fortes da cidade, do que por parte de Pequim. Os tubarões do imobiliário e da navegação, os mestres das finanças, os donos dos grandes negócios, conluiados com interesses no continente, esses serão os que sobretudo receiam uma sociedade mais justa, mais igualitária, menos dividida, resultado eventual do voto popular. Em Hong Kong, a estrutura económico-política é ainda herdeira dos impérios, chinês e inglês. O maoísmo vizinho pouco ou nada a perturbou. É certo que, apressadamente e à última da hora, os ingleses lembraram-se de inocular o vírus dos gritos pela “democracia” e “liberdade”, depois de 140 anos de feroz garra colonial sobre a população chinesa da cidade. Ainda nos 70 Bruce Lee destruía, num dos seus filmes, uma placa onde se lia “Proibida a entrada a chineses e a cães”. É também por isso revoltante ver bandeiras britânicas nos protestos do 1 de Julho... O despertar tardio dos britânicos para a democracia em Hong Kong retirar-lhes-ia a legitimidade que a China lhes concedeu com a assinatura da Declaração Conjunta. No entanto, também graças a este documento (para além, creio, da própria vontade de Pequim), a Lei Básica não deverá sofrer alterações que tornem inoperacional o segundo sistema. E o Reino Unido tem o dever de olhar para o que acontece e verificar o cumprimento dos acordos, pelo menos do que constitui o seu espírito mais íntimo. A China, como mãe-pátria, tem o dever de não assustar os seus filhos, sobretudo quando isso não parece de todo necessário, como no caso dos livreiros. Por Macau ainda nos banhamos na liberdade prometida.


19 hoje macau quarta-feira 5.7.2017

ÓCIOSNEGÓCIOS

LE CÉSAR, TAIPA VELHA DIOGO GERALDES, PROPRIETÁRIO

Beber um café pela manhã ou tomar o pequeno-almoço no Le César, na Taipa, passou a ser um hábito de muitos que cá vivem. Diogo Geraldes abriu agora um segundo espaço na zona da Taipa Velha, mais virado para a restauração. Lá podem encontrar-se pratos portugueses que ainda ninguém provou cá

H

Á 13 anos que o Le César funciona junto ao Parque Central da Taipa e foi um dos poucos espaços que disponibilizou o típico café português, quando beber café estava longe de ser um hábito comum em Macau. O negócio cresceu e, recentemente, Diogo Geraldes, proprietário, decidiu abrir um restaurante com o mesmo nome na zona da Taipa Velha. Lá poderão provar-se as iguarias do costume, como é o caso da francesinha, mas há também novidades, como o arroz de robalo com amêijoas. “Temos a cozinha genuína portuguesa, temos alguns pratos que a maior parte dos restaurantes portugueses já tem. Temos alguns pratos novos. Que eu saiba, ainda não estão a ser feitos em Macau”, contou o responsável ao HM. O novo restaurante é “amplo”, com capacidade para 60 pessoas. Habituado a

FACEBOOK

Os pratos estão lançados

servir sobretudo locais, Diogo Geraldes vira-se agora para um tipo de clientela diferente: os turistas que todos os dias passeiam num dos lugares mais populares do território. “É um novo desafio, também em termos de visibilidade. São públicos-alvo diferentes. No café a nossa clientela é 99 por cento de residentes de Macau, enquanto neste novo espaço, devido à sua localização, vamos com certeza, e já estamos a receber, bastantes turistas de todas as nacionalidades.” Ainda assim, a curiosidade leva a que muitos dos habituais frequentadores do

“É um espaço de referência não só para quem vive na Taipa, mas para toda a comunidade portuguesa e até de estrangeiros, incluindo chineses.”

Le César acabem por almoçar ou jantar no novo espaço.

“UM ESPAÇO DE REFERÊNCIA”

Diogo Geraldes recorda o início de um negócio que já fez história e que faz parte do dia-a-dia de quem cá vive. “O Le César já tem bastantes anos e é um espaço de referência, sem dúvida”, considerou. “Temos grupos de portugueses e até chineses que só vão lá para comer a francesinha. Temos um grupo de clientes portugueses que, de há uns anos para cá, almoçam lá só por causa das francesinhas. É um espaço de referência não só para quem vive na Taipa, mas para toda a comunidade portuguesa e até de estrangeiros, incluindo chineses”, acrescentou o proprietário. Quanto ao projecto original, ou seja, o café que abriu portas em 2004, mantém-se igual, apesar das obras realizadas há alguns meses. “A filosofia e o projecto continuam os mesmos”, defendeu Diogo Geraldes.

HÁ ESPAÇO PARA TODOS

Com a abertura de mais um restaurante com comida portuguesa, o responsável

300 Rua Direita Carlos Eugenio, Chun Weng Kok, G/F - Old Taipa, Macau • Vila Da Taipa, Ilhas, Macau

considera que o conceito está longe de se esgotar no mercado da restauração. “A maior parte dos restaurantes portugueses em Macau são de sucesso e têm clientelas boas, e isso mostra que o conceito está longe de estar saturado. Há uns meses vi um estudo de uma revista que mostrava que os turistas têm bastante motivação para experimentar a gastronomia local. Os chineses não vêm a Macau para comer comida chinesa. Desde que os projectos sejam de qualidade e tenham mérito, há ainda espaço para alguma restauração portuguesa”, frisou. Além de servirem os pratos mais típicos, os restaurantes portugueses que abriram portas no território souberam inovar na oferta ao cliente, defendeu. “É difícil fazermos uma gastronomia tal e qual se faz em Portugal, porque em Macau não há muitos produtos. Tem havido alguma inovação, no princípio tínhamos o conceito das sardinhas e frango assado, mas hoje já temos restaurantes a fazer coisas completamente diferentes”, rematou Diogo Geraldes. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


“

“Eu não sei se é amor. Será talvez começo... / Eu não sei que mudança a minha alma pressente... / Amor não sei se o é, mas sei que te estremeço, / Que adoecia talvez de te saber doente.

Tancos PGR SUSPEITA DE TERRORISMO INTERNACIONAL

Questão mais vasta

JUNCKER CHAMA “RIDÍCULO” AO PARLAMENTO EUROPEU

“O Parlamento Europeu é ridículo, muito ridículo. Saúdo os que se deram ao trabalho de estar na sala. Mas o facto de haver só uma trintena de deputados presentes neste debate é suficientemente demonstrativo que este parlamento não é sério”, disse Jean-Claude Juncker, intervindo no primeiro debate do dia em Estrasburgo, às 09:00, e perante uma sala praticamente vazia. O líder do executivo comunitário salientou ainda que se em vez do primeiro-ministro maltês, Joseph Muscat, estivesse na sala a chanceler alemã, Angela Merkel, ou o presidente francês, Emmnuel Macron, haveria “uma casa cheia”. As críticas do presidente da Comissão valeramlhe uma admoestação por parte do seu homólogo do PE, Antonio Tajani, que o interrompeu para lhe pedir um tratamento “mais respeitso”. “Pode criticar, mas não é a Comissão que controla o Parlamento, é o Parlamento que controla a Comissão”, salientou Tajani, exigindo uma linguagem mais comedida. “Nunca mais estarei presente numa sessão como esta”, ameaçou Juncker. “O Parlamento tem que respeitar mesmo as presidências dos países mais pequenos, o que não está a fazer”, rematou o presidente da Comissão Europeia.

BREXIT “A UE PRECISA DE SER DERRUBADA”

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“Derrubada”. É assim que o ministro britânico Steve Baker, o membro mais recente da equipa responsável pelas negociações do Brexit, disse querer ver a União Europeia. “Eu acho que o UKIP e a campanha Better Off Out não têm ambição. Eu acho que a União Europeia precisa de ser completamente derrubada”, afirma Steve Baker. “O que eu quero é comércio livre e paz entre todas as nações da Europa e do mundo, e no meu entender a União Europeia é um obstáculo nesse sentido”, sublinhou o negociador da saída do Reino Unido da União Europeia. As gravações suscitaram a reação do Partido Conversador. Um deputado sintetizou: “Ele apenas revela o que os Brexiteers extremos têm sido este tempo todo. Não é suficiente tirar o Reino Unido da União Europeia. Eles querem que tudo se desintegre”.

O

Ministério Público está a investigar o furto de armas de guerra em Tancos. A Procuradoria Geral da República (PGR) revela que os factos já apurados levam a suspeitar que está em causa a prática dos crimes de associação criminosa, tráfico e terrorismo internacional. De acordo com um comunicado da PGR divulgada esta terça-feira, o Ministério Público está a trabalhar com a Unidade Nacional contra o Terrorismo e Polícia Judiciária Militar.

“Atenta a natureza e gravidade destes crimes e os diferentes bens jurídicos protegidos pelas respectivas normas incriminadoras, o Ministério Público decidiu que a investigação relativa aos factos cometidos em Tancos deveria prosseguir no âmbito de um inquérito com objecto mais vasto a ser investigado no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP)”, lê-se também na nota. O inquérito encontra-se em segredo de justiça. O Exército anunciou na quinta-feira, dia 29 de Junho, que

foi detectada no dia anterior a violação dos perímetros de segurança dos Paióis Nacionais de Tancos e o arrombamento de dois paiolins. No sábado, o Exército anunciou a saída temporária de cinco comandantes de unidades do ramo para não interferirem com os processos de averiguações sobre o furto de material de guerra em Tancos. Entre o material de guerra que foi furtado estão cerca de 1.500 cartuchos de 9mm, dezenas de granadas de mão e outros materiais explosivos.

ÓBITO HENRIQUE MEDINA CARREIRA E A MORTE

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ENRIQUE Medina Carreira, que morreu segunda-feira aos 86 anos, era nos últimos anos uma das vozes mais acutilantes em relação às opções políticas e em particular à estratégia financeira do país, que governou no I Governo Constitucional. Nascido em Bissau em 14 de Janeiro de 1931, Medina Carreira aprendeu a ler e a escrever aos quatro anos, com o pai, que lhe ensinou também “o rigor no dinheiro” e a assumir responsabilidades desde muito cedo. Medina Carreira era licenciado em Direito, tinha bacharelato em Engenharia Mecânica e uma licenciatura em Pedagogia, tendo começado o percurso profissional como professor técnico de matemática e empregado de escritório no setor metalúrgico, que acumulava com o estudo de Direito, que só concluiu em 1962. A partir de 1964, começou a dedicar-se ao exercício da advocacia, sobretudo Direito

Fiscal, e ao estudo da fiscalidade. Após o 25 de Abril, foi nomeado administrador, por parte do Estado, do Banco Internacional Portugal e, de outubro de 1975 a Julho de 1976, foi sub-secretário do Orçamento no executivo provisório de Pinheiro de Azevedo, tendo desde logo alertado várias vezes para a situação financeira do país. Foi já como ministro das Finanças - pasta que assumiu entre Julho de

1976 e Janeiro de 1978, em governos presididos por Mário Soares - que liderou as negociações com Fundo Monetário Internacional (FMI) com vista à obtenção de um empréstimo de 750 milhões de dólares. Em 2009, Medina Carreira recordou que ser ministro das Finanças era “um lugar melindroso”, porque “todos os dias se negava dinheiro às pessoas. É um lugar de combate e de grande antipatia nas decisões”. “Não

era uma atracção ser ministro das Finanças. Num país rico e próspero, deve ser agradável”, disse, o que não era de todo o caso de Portugal naquela altura. Nos últimos anos, Medina Carreira fazia-se acompanhar - nas participações em debates e televisivas - com estatísticas e gráficos que atestavam o galopar dos gastos públicos e da dívida de Portugal, criticando opções dos sucessivos governos. Medina Carreira dizia não ter medo da morte, mas “da maneira de morrer”. “Defendo que desde a nascença devíamos ser portadores de uma ampola com cianeto de potássio. (...) Acho que devíamos ser senhores do nosso fim. Não devíamos discutir eutanásia e testamento vital: era uma ampolazinha de cianeto de potássio. Mas isto é doutrina que nunca pegará, como é óbvio”. Medina Carreira, morreu num hospital em Lisboa, aos 86 anos, vítima de doença prolongada.

quarta-feira 5.7.2017

ÁUSTRIA ENVIA TROPAS PARA A FRONTEIRA

A Áustria moveu vários tanques para a fronteira com Itália para aumentar a segurança e bloquear a entrada de migrantes, segundo anunciou o ministro da defesa austríaco. A decisão foi tomada antes da reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros europeus sobre a questão dos refugiados, que vai acontecer em Tallinn, na quinta-feira. “Dada a evolução da migração em Itália, temos de estar preparados. Espero que o controlo seja muito rápido”, disse o ministro Hans Peter Doskozil, na entrevista. A Áustria redobrou as medidas de segurança com quatro veículos blindados na região de Tirol e não afasta, assim, a possibilidade de instalar reforçadas medidas de controlo nos principais postos de fronteira. O ministro não especificou, no entanto, quando estes postos estarão a funcionar, mas explicou que vai depender da evolução da situação e quão grave se tornar. “Em qualquer caso, devemos estar preparados para evitar uma situação como a de 201516”, afirmou. Outra das hipóteses levantada por Doskozil é o envio de 750 soldados para Brenner, no caso de uma situação de emergência.

MERKEL TRUMP PASSA DE ‘AMIGO’ A ‘PARCEIRO’

Angela Merkel deixou cair o termo “amigo” para classificar os EUA no programa eleitoral para as próximas eleições alemãs, quando há quatro anos eram considerados “o amigo mais importante” da Alemanha fora da Europa. A Reuters sublinha as alterações no vocabulário, passando os EUA a ser descritos como “o parceiro mais importante” da Alemanha fora da Europa no novo programa, sinalizando as alterações no relacionamento bilateral desde a tomada de posse de Donald Trump. Os dois líderes vão encontrar-se na reunião do G20 a ter lugar sexta e sábado, onde segundo as declarações de Angela Merkel vão ter “uma série de questões espinhosas”, em conferência de imprensa. Mas segundo as informações avançadas pelo portavoz da chanceler alemã, Steffen Seibert, Merkel e Trump deverão reunir-se ao início da noite de quinta-feira. Em cima da mesa vão estar temas como as alterações climáticas, questões comerciais e o terrorismo. “Nós conhecemos as posições do Governo americano e eu não espero que elas desapareçam durante uma visita de dois dias a Hamburgo”, disse Merkel.


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Hoje Macau 5 JUL 2017 #3846 by Jornal Hoje Macau - Issuu