? WWW.HOJEMACAU.COM.MO
AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
PUB
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
MOP$10
Q U A R TA - F E I R A 5 D E M A R Ç O D E 2 0 1 4 • A N O X I I I • N º 3 0 4 3
hojemacau HOJE MACAU
COMO DIRIGIR UMA ESCOLA SEM LIVROS, EXAMES E TRABALHOS DE CASA ENTREVISTA A ALEJANDRO SALCEDO PÁGINAS
PÁGINA 4
PUB
TIAGO ALCÂNTARA
UMA QUESTÃO DE INTERPELAÇÕES
Enviar as interpelações para o hemiciclo ao mesmo tempo que para os meios de comunicação social não é boa prática. Quem o diz é a própria Assembleia Legislativa que ontem, pela boca do vice-presidente Lam Heong Sang, fez “um alerta de boa-fé” aos deputados e aos jornalistas. “Não entendam mal, não é para impor restrições.”
2E3
AUTONOMIA
UMAC tem novos estatutos em fase adiantada, revela Sou Chio Fai MUDANÇAS NO ENSINO SUPERIOR PÁGINA
5
ENTREVISTA
Na Escola de São Paulo os alunos utilizam um computador individual nas salas de aula desde o quarto ano do ensino primário. O seu director explica os desafios de dirigir uma escola chinesa diferente das outras, revelando que existe a necessidade de criar aulas de português CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
A Escola de São Paulo é tida como uma das melhores de Macau, e como fica na zona norte, com muita população, necessita de fazer um exame aos alunos candidatos, como já disse a este jornal. Sendo estrangeiro (espanhol), como avalia esta técnica, mais usada nas escolas chinesas? Penso que não somos uma escola com um estilo chinês (risos). A escola de São Paulo é a primeira em Macau, e até na Ásia, que usa computadores nas salas de aula, e isso significa muita coisa. Na maioria das instituições chinesas as escolas são fechadas quando há aulas a decorrer, e ninguém de fora pode saber o que está a acontecer lá dentro. Aqui os pais podem entrar na nossa escola à vontade, quase todos os dias temos pais nas aulas a ver o que os filhos fazem. É, então, a única escola em Macau a fazer isso? Somos os primeiros a ter pais a assistir às aulas dos filhos, sem sequer avisarem a direcção da escola, e penso que somos a única escola em Macau a fazer isso. Queremos que os pais saibam o que acontece na escola. No início do semestre enviamos os conteúdos curriculares aos pais. Se os pais forem médicos, podem ir dar aulas, porque é algo mais profissional do que os professores. Se precisarmos de transmitir conhecimentos sobre incêndios, damos as boas vindas aos pais que sejam bombeiros, por exemplo. Penso que assim as aulas são mais atractivas e profissionais.
hoje macau quarta-feira 5.3.2014
ALEJANDO SALCEDO DIRIGE A ÚNICA ESCOLA DA ÁSIA SEM LIVROS
“Não somos uma escola com HOJE MACAU
2
entrevista 3
hoje macau quarta-feira 5.3.2014
estilo chinês” Em relação aos exames do semestre, também fazem de maneira diferente? Não consideramos as notas dos exames como único factor de avaliação de um aluno. Os resultados dos exames ocupam apenas 60% da avaliação final, o resto é baseado nos comportamentos do dia-a-dia. Ensinamos ainda a fonte do conhecimento, por exemplo, o chá. Ensinamos como se planta, recolhe e vende o chá. Usamos este tipo de ensino nos primeiros anos do jardim de infância e até ao terceiro ano do ensino primário. Não há livros, nem computadores, não há exames nem trabalhos de casa. Disse recentemente ao HM que a sua escola vai ter uma creche para que os professores possam cuidar dos seus filhos. Temos esta ideia, porque muitas vezes esquecemo-nos que os professores também são seres humanos, têm cônjuge, são mães ou avós. Precisam de cuidar dos seus filhos e fazer compras. Os nossos professores, na sua maioria, são novos, têm bebés pequenos, e quando a criança chega à idade de ir para a creche isso transforma-se numa preocupação. Se criarmos essa creche isso vai ser bom para os funcionários.
devem ficar juntos. Isso ajuda a manter uma ligação. Considera que o Governo deveria abrir mais creches ou jardins de infância nesta zona, para satisfazer a procura dos moradores? Sim. Aqui moram cada vez mais residentes. O Governo devia olhar para esta necessidade.
PROGRAMA DESDE 2012 Voltando agora à utilização dos computadores na escola. Há pais que não se adaptam a este tipo de ensino? Usamos o programa desde 2012, e durante dois anos apenas um pai disse que não conseguia suportar o custo do computador. A escola situa-se numa zona onde os residentes têm salários baixos, e neste caso especial, pagámos o computador ao aluno. Tivemos também outro caso, transferido pelos Serviços de Educação e Ju-
por isso acho que um computador para nove anos é mais barato. Que dificuldades sentiram no arranque do programa? Os professores mais velhos não estavam habituados a utilizar o computador para dar as aulas, mas esse problema aconteceu apenas no inicio. Os resultados do programa têm sido melhores do que aquilo que estávamos à espera.
Estamos a preparar para dar português no ensino secundário, para quem queira estudar Direito ou Tradução Quais as grandes vantagens de utilizar um computador nas aulas? Os alunos podem ver o vídeo da aula em casa, no caso de se esquecerem de tirar notas daquilo que o professor diz. Os pais podem ver a aula através do vídeo e avaliar o comportamento do aluno. Tanto os trabalhos de casa como outras informações estão no computador e é mais fácil. Temos contactos com o hospital Kiang
crianças do primeiro ano do jardim de infância. Têm uma maior ligação com os pais, que têm actualmente um nível de educação mais elevado. Por isso temos conselhos dos alunos em todas as secções, e nas comissões executivas os dirigentes dos conselhos participam. Não considero que isso incomode as reuniões de professores, porque incentivamos os alunos a participar na sociedade desde cedo. Quero que os alunos façam erros, porque não os podem fazer quando chegarem à universidade. Existem dificuldades no recrutamento dos professores, quando cada vez há mais alunos? Não. No ano passado saiu apenas um professor, porque não correspondeu aos nossos requisitos. Precisamos de mais espaço para dar um ambiente melhor aos alunos. Mas não me queixo do Governo, porque no ano passado ajudou-nos a construir um novo prédio.
O INTERESSE PELO PORTUGUÊS Como avalia a implementação do exame único de acesso ao ensino superior? Para nós não é um problema. Agora o nível do ensino da escola é melhor do que os requisitos das
único e tenho confiança que os nossos alunos consigam passar. Os alunos têm muita pressão para fazerem vários exames para várias universidades. A escola de São Paulo tem aulas de português para os alunos que possam querer tirar o curso em Portugal? Não temos, e quem quiser ir para Portugal tem de estudar português fora da escola. Mas olhamos para as diferentes necessidades dos alunos, e estamos a preparar para dar português no ensino secundário, para quem queira estudar Direito ou Tradução. Os que preferem ir para os Estados Unidos, por exemplo, vamos ensinar mais sobre a história do país, o que os pode ajudar nos exames de acesso. Então a criação de aulas de português pode ser uma realidade no futuro. Não digo que vamos ter, mas temos de ter. Há alguns anos só um aluno nosso foi estudar para Portugal, mas agora temos três ou quatro alunos, que usufruíram do plano de apoio. Temos de servir este tipo de alunos. Por norma, para onde vão os finalistas da vossa escola?
[Na Escola de São Paulo] não há livros, nem computadores, não há exames nem trabalhos de casa Vai expandir a actual creche para receber mais crianças da zona? Não temos espaço. No ano passado foi concluído o novo edifício financiado pelo Governo, mas é para a escola secundária. Mas se tivermos mais espaço abrir uma creche pode ser uma hipótese. A minha experiência diz-me que, se as crianças contactarem entre si mais cedo, desde o primeiro ano da creche, as crianças vão mais facilmente adaptar-se aos ambientes. E para o professor também é mais fácil controlar a situação. Pretende abrir uma nova secção da escola noutro local, como fazem outras escolas? Se for assim, não. Isto porque acho que a creche e o jardim de infância
ventude (DSEJ), em que o aluno morava com o avô e não tinha Internet em casa. Por isso a escola falou com a CTM, que instalou a internet, para o aluno poder fazer os trabalhos de casa. A escola não tem problemas em pagar o custo de um computador em diferentes semestres. Para os livros são necessárias três mil patacas por ano,
Wu, e se houver problemas com a utilização do computador, os pais vão ser avisados. Como não precisam de levar livros na mochila, os alunos ficam mais contentes. Estando há 17 anos na escola, quais as grandes diferenças que encontra nos alunos? São mais inteligentes, mesmo as
universidades em Macau. 99,8% dos alunos conseguem entrar na universidade. Mas estamos a pensar mudar a estrutura da escola, para que nos últimos três anos da escola secundária se possam preparar os alunos para o exame. Podemos ter materiais específicos para as universidades que os alunos preferem. Concordo com o exame
Há dez anos a maioria ia para Taiwan, talvez porque os custos fossem mais baixos. Depois iam para a China ou ficavam em Macau. Mas agora os alunos cada vez mais escolhem as universidades locais, e só depois vão para Taiwan e para a China. Como a situação financeira está melhor, há muitos alunos a irem estudar para o estrangeiro.
4
POLÍTICA
hoje macau quarta-feira 5.3.2014
AL “PROBLEMAS” NAS INTERPELAÇÕES ORIGINAM SESSÃO ESCLARECIMENTO
Deputados levam um puxão de orelhas
ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
É
prática comum um deputado enviar uma cópia da sua interpelação ao Governo para os meios de comunicação social ao mesmo tempo que envia o documento para a Assembleia Legislativa (AL). Contudo, é também comum que a notícia sobre o conteúdo da interpelação surja primeiro do que a aprovação da própria interpelação. Este é um dos problemas apontados pela assessoria jurídica do hemiciclo que, juntamente com o vice-presidente da AL, Lam Heong Sang, deu ontem uma sessão de esclarecimento para que se possa facilitar o processo de análise das interpelações por parte dos juristas. Segundo a jurista Sílvia Barradas, que fez a apresentação, trata-se
passar”, disse Sílvia Barradas. “Trata-se de um direito irrevogável dos deputados, ninguém discute isso. Mas como diz a Lei Básica, têm de se sujeitar aos procedimentos legais.” Outro dos problemas falados prende-se com o facto de uma só interpelação conter perguntas sobre diversos temas, quando as regras dizem que apenas um tema pode ser alvo de questões ao Governo. O que também não deveria acontecer é a repetição de temas. “Se o Governo já respondeu (às questões) num debate de interesse público, ou mesmo nas Linhas de Acção Governativa (LAG), então não há razão para se fazer a questão novamente, mesmo que seja em resposta a outro deputado.”
TIAGO ALCÂNTARA
A Assembleia Legislativa desaconselha os deputados a enviarem as suas interpelações para os meios de comunicação social ao mesmo tempo que as enviam para o hemiciclo. Tudo para “proteger a imagem dos deputados e da AL”
POUCOS DEPUTADOS PRESENTES
de um conselho “para proteger a imagem dos deputados e da AL”. “A interpelação (depois de enviada à AL) é alvo de uma análise técnica por parte da assessoria, e não fica exactamente igual. É aconselhado que enviem as suas interpelações à imprensa só depois do presidente da AL assinar o despacho da sua emissão.” Apesar do presidente, Ho Iat Seng, não ter estado presente, coube ao vice-presidente, Lam Heong Sang, deixar uns recados. “A imprensa tem acesso às interpelações com mais celeridade do que eu. Espero que esta situação possa ser alterada para evitar situações melindrosas, porque acho que deve haver alguma cedência em relação aos hábitos já criados.” “Não entendam a mal, não é para impor restrições. Queremos
A imprensa tem acesso às interpelações com mais celeridade do que eu. Espero que esta situação possa ser alterada para evitar situações melindrosas, porque acho que deve haver alguma cedência em relação aos hábitos já criados LAM HEONG SANG Vice-presidente da Assembleia Legislativa
fazer um alerta de boa-fé. Para a assessoria é um trabalho difícil, e só em quatro meses já recebemos mais de 200 interpelações.” A jurista Sílvia Barradas fez questão de frisar que não se trata de uma proibição do envio desse material à imprensa. “Nunca nos passou pela cabeça que os deputados iriam enviar as suas interpelações à imprensa. Mas trata-se de uma
CHUI SAI ON QUER CONTINUAR COMO CHEFE DO EXECUTIVO
Mais cinco aninhos C
HUI Sai On manifestou publicamente, e pela primeira vez, a vontade de cumprir um segundo mandato à frente do Governo Macau. De acordo com a TDM, apesar de se mostrar interessado na recandidatura, o Chefe do Executivo realçou, contudo, estar ainda à espera que se cumpram “formalidades” em Pequim. “[As autoridades chinesas] ainda não revelaram nada. Posso dizer
que sim, estou interessado. Mas temos de agir de acordo com a lei e, portanto, antes de dar o passo de recandidatar-me, tenho ainda muito trabalho para fazer. Só estou agora a dizer que estou interessado mas ainda não estou concretamente a candidatar-me, porque isso implica algumas formalidades”, afirmou, ao final da manhã, quando partia para a capital chinesa, onde participa na segunda sessão da 12.ª
Assembleia Popular Nacional. Lá, o Chefe do Executivo vai abordar a possibilidade de ter as fronteiras abertas 24 horas ainda este ano. Chui Sai On avançou que vai falar com as autoridades da China.
forma de proteger a imagem dos deputados, (o envio à imprensa) é um critério político.”
DEPUTADOS NÃO QUEREM ALTERAR
Quando a interpelação é alvo de correcções por parte dos assessores, os deputados são contactados. O problema é que nem sempre fazem as devidas alterações. “Os deputados não querem alterar porque evocam que a interpelação já foi enviada para os jornalistas. Eu vejo interpelações (nos jornais) que não nos chegaram às mãos e vejo logo que aquela interpelação não vai
Numa sessão onde os jornalistas estiveram presentes em maior número do que os deputados, apenas Leong Veng Chai, número dois de José Pereira Coutinho, levantou uma questão quanto aos temas a colocar numa interpelação. “Ontem assisti a um acidente de aviação e achei que o Governo não agiu bem. Hoje não vi nada na imprensa sobre o caso. Será que posso interpelar o Governo sobre isto?” Lam Heong Sang fez questão de frisar que não podem ser entregues interpelações sobre um caso específico. “O facto de não ter aparecido na imprensa não significa que não aconteceu. Não podemos fazer interpelações só sobre as coisas que aparecem na imprensa. Temos que interpretar bem o regime das interpelações.” À margem da sessão, o deputado Ho Ion Sang prometeu, segundo a TDM, “seguir o regimento da AL”, uma vez que “cada local tem as suas regras”. Já Au Kam San, outro dos deputados presentes, lembrou a necessidade de rever o regimento do hemiciclo, algo que, aliás, já está a ser discutido. “O regime da AL tem de ser alterado, porque os deputados só podem enviar uma interpelação por semana, e isso não é racional. Os deputados fazem interpelações porque acham que há necessidade disso. Não se pode limitar o seu número.” Também segundo a TDM, Au Kam San lembrou ainda que “há deputados que acham que são precisas regras para regular a qualidade e quantidade das interpelações”.
SOCIEDADE
hoje macau quarta-feira 5.3.2014
UMAC TOTAL AUTONOMIA PARA BREVE. VICE-REITOR RUI MARTINS NÃO CONFIRMA. GAES DIZ QUE TUDO ESTÁ BEM ENCAMINHADO
GONÇALO LOBO PINHEIRO glp@hojemacau.com.mo
A
Mais perto do que nunca A autonomia total da Universidade de Macau está à porta. O novo estatuto da UMAC está muito perto de poder ser colocado à disposição dos deputados para discussão na AL. Sou Chio Fai, do GAES, garante que o caminho é a total autonomia de todos os estabelecimentos de ensino superior públicos TIAGO ALCÂNTARA
Universidade de Macau (UMAC) há muito que luta pela total autonomia e essa realidade, sabe o HM, está mais perto do que nunca. É sabido que o Conselho da Universidade tem estado em estreita relação com o Governo para discutir os parâmetros da autonomia e em que forma o Executivo deve ajudar financeiramente a UMAC. De acordo com fonte ligada à UMAC, a autonomia total “deverá ser uma realidade no próximo ano lectivo, quando a universidade se mudar completamente para a Ilha da Montanha”. “O Conselho da Universidade tem vindo a reunir-se para falar dessa e de outras questões e já se sabe, por alto, que a autonomia total será concedida pelo Governo, sendo que o orçamento actual destinado à UMAC passará a ser feito em três direcções distintas: um para o ensino, outro para a investigação e ainda outro para a gestão.” A mesma fonte referiu ainda ao HM que “todo o Direito da UMAC” está a ser alterado por forma a permitir a nova realidade. “Estão a ser redigidos novos estatutos que substituirão os actuais e vão ao encontro da nova realidade da universidade.”
TOTAL ABERTURA DO GOVERNO
E, de facto, a UMAC está a preparar um novo articulado que confere a autonomia desejada. A garantia foi dada ao HM pelo coordenador do Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES), Sou Chio Fai. “Na verdade, a UMAC
já goza de uma autonomia que outros estabelecimentos de ensino público não têm. Contudo, posso confirmar que a universidade está
a preparar uma proposta de lei no sentido de uma autonomia total e a mesma pode mesmo ficar pronta nos próximos meses.”
Sem grandes previsões, o coordenador do GAES sugere que o processo possa estar concluído a tempo do início do próximo ano lectivo, mas isso não passa de uma perspectiva, sem qualquer tipo de certezas. Depois de pronta, a proposta de lei terá ainda de obter aval na Assembleia Legislativa (AL). “Não posso dizer quanto tempo o processo irá demorar. Depois de concluído, o articulado terá de ser discutido em sede própria, ou seja, pelos deputados na AL. Tudo isto implica um processo legislativo que, como sabemos, pode demorar mais ou menos tempo.” Sou Chio Fai garante que o Governo concorda com a total autonomia da UMAC, bem como de todos os estabelecimentos de ensino superior públicos, considerando que se trata de “uma tendência mundial para uma maior liberdade em questões de gestão”. “Foi criado um grupo de trabalho que está a acompanhar o processo da UMAC. É sabida qual a intenção do Governo
PRIMEIRA FACULDADE ABRIU PORTAS NA ILHA DA MONTANHA
Ciências da Saúde do lado de lá A
primeira faculdade da Universidade de Macau (UMAC) já está na Ilha da Montanha. A Faculdade de Ciências da Saúde da UMAC foi a primeira a transferir-se, no passado dia 28 de Fevereiro. Para a UMAC, que anuncia a transferência em comunicado, este é mais um primeiro capítulo na sua história. “Como reitor da Faculdade de Ciências da Saúde da UMAC, sinto muito orgulho no facto de sermos os primeiros a ir para o novo campus”, referiu Ge Wei. “Estávamos à espera deste dia já há bastante tempo e estamos
todos muito entusiasmados. O novo campus é lindo e as infra-estruturas são muito boas.” Ge Wai deixa a promessa de que a equipa da Faculdade de Ciências da Saúde vai-se esforçar para ser uma das melhores faculdades na área. De acordo com o comunicado enviado aos jornalistas, tanto os professores, como os funcionários “estão satisfeitos com a nova localização”. Chris Wong Koon Ho, professor da faculdade, “está ansioso por fazer mais investigações com o novo laboratório da faculdade”, que irá abrir em breve,
“algo que não estava disponível no velho campus devido ao seu tamanho”. As mudanças para o novo campus estão a ser feitas por fases. Em Setembro do ano passado, cerca de 1300 estudantes foram alojados na Ilha da Montanha, onde ficam em três prédios residenciais. Em Fevereiro deste ano, alguns dos alunos começaram a ter aulas de cursos básicos, como computação, inglês e português. Mas só agora é que a primeira faculdade abriu. Está ainda previsto que o complexo desportivo abra a meio deste mês. - J.F.
Na verdade, a UMAC já goza de uma autonomia que outros estabelecimentos de ensino público não têm. Contudo, posso confirmar que a universidade está a preparar uma proposta de lei no sentido de uma autonomia total e a mesma pode mesmo ficar pronta nos próximos meses SOU CHIO FAI Coordenador do Gabinete de Apoio ao Ensino Superior
5
e o Chefe do Executivo já disse publicamente que vai apoiar mais as universidades com novas políticas e com mais recursos financeiros. A orientação do Executivo é a de dar total autonomia de ensino, investigação e gestão à UMAC, assim como também aos outros estabelecimentos públicos. Caso a caso, teremos de discutir como, por exemplo, o Instituto Politécnico de Macau ou o Instituto de Formação Turística podem ter também a sua autonomia. Há muitas coisas para fazer.”
VICE-REITOR CAUTELOSO
Contactado pelo HM, o vice-reitor da UMAC, Rui Martins, não confirmou as informações de que o processo está bem encaminhado, deixando o possível cenário tornar-se realidade apenas depois da implementação na nova Lei do Ensino Superior. “Todo esse processo que me indica está em análise há algum tempo e não vejo que seja uma realidade a breve trecho. O Governo tem uma proposta em mãos mas ainda não decidiu nada. Portanto, em relação a essa alteração de estatutos da UMAC de que me fala não sei de nada. Seja como for, uma hipotética mudança de estatutos creio que só poderá ser feita depois da implementação da nova Lei do Ensino Superior.” Rui Martins referiu ainda que, mesmo que a UMAC mude definitivamente para a Ilha da Montanha no próximo ano lectivo, “como se espera”, não é crível que a universidade já tenha essa tal autonomia que tanto procura há anos. “Como lhe disse, a proposta que é pública está nas mãos do Governo.”
6 publicidade
hoje macau quarta-feira 5.3.2014
sociedade 7
hoje macau quarta-feira 5.3.2014
Mais de cem aposentados que recorreram da decisão das Finanças em não lhes pagar o subsídio de residência viram os seus recursos indeferidos pela Segunda Instância. O tribunal diz mesmo que, pagando aos aposentados, iria estar a violar a Declaração Conjunta Luso-Chinesa JOANA FREITAS
joana.freitas@hojemacau.com.mo
N
ÃO há volta a dar. Os funcionários públicos que se aposentaram antes da transferência de Macau para a China não têm direito a subsídio de residência. A decisão é do Tribunal de Segunda Instância (TSI) e foi ontem tornada pública através de um acórdão. Muitos aposentados têm vindo a queixar-se dos cortes que sofreram nos subsídios de residência e, em 2012, cerca de 140 recursos foram interpostos contra a decisão da directora dos Serviços de Economia e Finanças que ditou essa situação. A Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC) reúne um grande número de visados e é um dos grupos de vozes que mais se tem levantado contra isto. De acordo com o tribunal, a partir do momento em que entrou em vigor a lei que dita que funcionários públicos que, antes do retorno de Macau à pátria, já se tinham aposentados e já tinham transferido a responsabilidade do pagamento das suas pensões de aposentação para a Caixa Geral de Aposentações de Portugal (CGA), estes trabalhadores deixam de poder receber o dinheiro. Além disso, os requerentes deste subsídio receberam passagens de avião e subsídios para regressarem a Portugal e lá fixarem residência. O tribunal diz não concordar com os argumentos dos aposentados – de que a lei está a ser violada em muitas formas –, por não ser,
TRIBUNAL APOSENTADOS ANTES DA TRANSFERÊNCIA NÃO TÊM DIREITO A SUBSÍDIO DE RESIDÊNCIA
“Protegidos” pela Caixa Geral de Aposentações
por exemplo, o Governo quem escolhe quem tem ou não direito a este subsídio. “AAdministração não goza de poder discricionário. Pelo contrário, tal poder de apreciação e aprovação consiste num poder vinculado: se estiverem preenchidos os requisitos previstos na lei, a Administração terá que deferir o pedido, caso contrário, terá que o indeferir, sem nenhuma margem para a discricionariedade. Daí que a opinião dos recorrentes ou a da Associação dos Aposentados em que eles se integram não possam alterar a decisão tomada pela Administração nos termos legais.” Mais ainda, o TSI assegura que se estaria a violar a lei se se autorizasse este pagamento. Isto, porque, diz o tribunal, o Executivo não responde pelo pagamento das pensões de aposentação ou de sobrevivência, nem de outros benefícios sociais dos funcionários públicos
que tenham sido aposentados antes do estabelecimento da RAEM. Os recorrentes evocam o Decreto-Lei n.º 96/99/M, que diz que “ao pessoal a quem seja autorizada a transferência das respectivas pensões para a CGA é mantido o direito” a este subsídio, mas o tribunal considera que este regime “contraria evidentemente os respectivos preceitos da Declaração Conjunta Luso-Chinesa e da Lei Básica, de que a RAEM não responde pelo pagamento das pensões de aposentação ou de sobrevivência, nem de outros benefícios
sociais dos funcionários públicos que tenham sido aposentados antes do estabelecimento da RAEM”. O tribunal continua, dizendo que só quem mantém vínculos com o regime da função pública da RAEM é que tem direito à pensão e que estes aposentados não se podem incluir nesta situação, por terem escolhido, precisamente, mudar para a CGA. Alguns recorrentes queixaram-se de haver pessoas que se aposentaram antes da transferência e que recebem este subsídio, mas o tribunal tem também uma explicação
A Administração não goza de poder discricionário. Pelo contrário, tal poder de apreciação e aprovação consiste num poder vinculado TRIBUNAL DE SEGUNDA INSTÂNCIA
para isto: esses não optaram pela CGA e “estão a receber o subsídio de residência ao abrigo de normas próprias”. Normas essas que ditam que, “por não querer marginalizar os que serviram o território e ficariam sem amparo se a RAEM não lhes desse a mão”, recebem o subsídio. Estes, contudo, não optaram pela transferência para a CGA. E, por isso, “a situação de desamparo que se vê neles, já não se observa com os recorrentes, que optaram por se integrar no quadro de Portugal e que se encontram protegidos”. Apesar de ter sido publicado apenas ontem a decisão do tribunal, a notícia tinha sido avançada pelo jornal Ponto Final na semana passada. Ao jornal, Francisco Manhão, presidente da APOMAC e um dos recorrentes, disse ponderar recorrer para a Última Instância. “É uma notícia bastante desagradável. Mas não vamos baixar os baixos. Temos ainda o Tribunal de Última Instância”, disse Manhão ao Ponto Final. “Nós somos residentes permanentes de Macau para a comparticipação pecuniária e para a pensão de velhice, para o subsídio de residência não somos. Não tem cabimento algum. Nós pedimos a última passagem, mas foi no tempo da Administração portuguesa. A RAEM não teve de suportar qualquer encargo”, referiu ainda ao jornal.
8
CHINA
A
China aceita uma possível cimeira com Taiwan em território neutral e sem coincidir com outros eventos internacionais, revelou ontem o diário taiwanês “Lienhe Bao” que cita o vice-presidente da Associação para as relações através do Estreito de Taiwan, Sun Yafu. Sun Yafu, delegado da China para negociar com Taiwan, disse “haver muito espaço para a imaginação” relativamente a um eventual encontro entre o Presidente chinês, Xi Jinping, e o líder de Taiwan, Ma Ying-jeou. A postura da China é que “as partes devem procurar um lugar” aceitável para que possa ser realizado um encontro entre Ma e Xi, disse o mesmo responsável. Questionado se Pequim tinha descartado a realização do encon-
A
China mostrou-se esta segunda-feira insatisfeita com a reacção internacional ao ataque terrorista do sábado passado na estação ferroviária de Kunming, no sudoeste do país, que matou 29 pessoas e feriu mais de 130. “Esperamos que no futuro a China receba mais apoio da comunidade internacional na sua luta contra o terrorismo”, disse a porta-voz da Assembleia Nacional Popular chinesa e ex-vice-ministra dos Negócios Estrageiros, Fu Ying. No início de uma conferência de imprensa no
hoje macau quarta-feira 5.3.2014
PEQUIM FAVORÁVEL A CIMEIRA COM TAIPÉ EM TERRITÓRIO NEUTRO
Espaço para o diálogo tro num evento internacional, mas se aceitaria num outro local, como Singapura, Sun Yafu respondeu afirmativamente. O primeiro encontro de alto nível entre representantes da China e de Taiwan depois da guerra civil de 1949 teve lugar em Singapura em 1993 entre o representante de Taiwan, Koo Chen-fu, e o seu homólogo chinês, Wang Daohan, ambos responsáveis pelos organismos de contacto no Estreito da Formosa. Ma Ying-jeou, que ao chegar ao poder em Taiwan retomou
uma política de aproximação à China que permitiu desanuviar as tensões na região e, por exemplo, iniciar voos directos entre a ilha e o continente, já manifestou interesse em encontrar-se com Xi Jinping, sugerindo mesmo que o Fórum da APEC que se realiza este ano na China fosse o local do encontro histórico. Até agora a China descartou eventos internacionais como palco de uma eventual cimeira com Taiwan, mesmo que tais reuniões tenham lugar no seu território. A China e Taiwan assinalaram
em Fevereiro o primeiro encontro formal entre altos funcionários na cidade chinesa de Xangai e que juntou os líderes dos organismos das relações bilaterais, apesar de nenhum dos lados reconhecer oficialmente a sua contraparte e do encontro se ter realizado numa sala sem bandeiras ou referências territoriais. Taiwan, a ilha onde se refugiou o antigo Governo chinês e que continua a assumir-se como representante da República da China (sem o adjectivo popular), é vista por Pequim como uma província e não uma entidade política soberana. O Governo da República Popular defende a “reunificação pacífica”, segundo a mesma fórmula adoptada para Hong Kong e Macau (“um país, dois sistemas”), mas ameaça “usar a força” se Taiwan declarar a independência.
INSATISFAÇÃO CHINESA COM REACÇÃO INTERNACIONAL AO ATAQUE EM KUNMING
Terrorismo sem fronteiras Grande Palácio do Povo, em Pequim, Fu Ying condenou o ataque terrorista em Kunming como uma “atrocidade” e salientou que “o terrorismo não tem fronteiras”. Já anteriormente o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Qin Gang, tinha prestado declarações no mesmo sentido. “Na hora de enfrentar uma violência como esta, a
comunidade internacional deve falar a uma só voz e tomar uma acção conjunta, porque [os terroristas] são o inimigo comum da humanidade”, disse Qin. O ataque, atribuído pelas autoridades a separatistas do Xinjiang ligados ao Movimento Islâmico do Turquistão Oriental, foi descrito na imprensa oficial chinesa como “o 11 de Setembro da China”.
Os governos dos Estados Unidos da América, França, África do Sul e outros países condenaram o ataque, mas o caso não gerou o repúdio e a onda de solidariedade globais suscitadas pela destruição das Torres Gémeas de Nova Iorque, em 2001. O ataque em Kunming - o primeiro do género registado na China - foi executado por homens armados com
grandes facas que, no sábado à noite, cerca das 21:00, começaram a esfaquear as pessoas que se encontravam no átrio da estação ferroviária daquela cidade. Quatro dos atacantes foram abatidos no local e outros quatro, entre os quais uma mulher, foram detidos, disse a polícia. O líder do grupo foi identificado como Abdurehim
Kurban, um nome aparentemente uigur, a maior etnia do Xinjiang, de religião muçulmana e cultura turcófona. O governo chinês prometeu que vai actuar com dureza contra os culpados do ataque “sem consciência e humanidade”. “O governo chinês vai actuar com dureza e de acordo com a lei contra estas forças terroristas e violentas, sem considerar que grupo são ou a quem pertencem”, disse em conferência de imprensa o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Qin Gang.
china 9
hoje macau quarta-feira 5.3.2014
TEMPORADA PARLAMENTAR TEM INÍCIO COM APELO AO “APROFUNDAMENTO DAS REFORMAS”
Relatório da actividade marca a agenda O
presidente do principal consultivo do governo chinês, Yu Zhengsheng, prometeu esta segunda-feira empenhar-se no “aprofundamento global das reformas” preconizado pela nova liderança comunista do país. “Desempenharemos todas as nossas funções num espírito de reforma e inovação e iremos esforçar-nos para desempenhar um papel maior no desenvolvimento da causa do Partido e da nação”, disse Yu Zhengzheng na abertura da sessão anual da Conferência Política Consultiva do Povo Chinês (CPCPC), no Grande Palácio do Povo, em Pequim. Yu Zhengzheng, 69 anos, antigo líder do Partido Comunista Chinês (PCC) em Xangai, é o “número quatro” da hierarquia chinesa. “Devemos dar plena expressão à democracia, encorajar os membros (da CPCPC) a fazer críticas e comentários, promover a discussão e troca de pontos de vistas, aumentando assim constantemente o consenso e fortalecendo a união”, afirmou Yu Zhengzheng. Os cerca de 2.300 delegados à Conferência e os convidados observaram um minuto de silêncio pelas vítimas do ataque terrorista de sábado passado na estação ferroviária de Kunming, atribuído a separatistas do Xinjiang, que matou 29 pessoas e feriu mais de 100. A abertura da sessão anual da CPCPc assinala o início da temporada parlamentar da China, cuja agenda é dominada pelo relatório da actividade do governo que o primeiro-ministro, Li Keqiang, irá apresentar na próxima quarta-feira aos cerca de 3.000 delegados da Assembleia Nacional Popular. Li Keqiang, 57 anos, assumiu há um ano a chefia do governo chinês, suceden-
PCC reconheceu o “papel decisivo do mercado” no “aprofundamento global das reformas”, em Novembro passado, e também a primeira depois de o novo secretário-geral do PCC, Xi Jinping, ter sido eleito
Presidente da República, há um ano. Uma das áreas mais ambiciosas do anunciado aprofundamento das reformas diz respeito à abertura de grandes empresas e sectores estatais ao investimento privado.
Na imprensa oficial, 2014 está a ser comparado a 1978, o ano em que o PCC adoptou a política de “Reforma Económica e Abertura ao Exterior”, que transformou a China na segunda maior economia mundial.
EMPENHO NO “DESENVOLVIMENTO PACÍFICO” E “FORTALECIMENTO” DA DEFESA do a Wen Jiabao, que em Março de 2013 completou o máximo de dois mandatos consecutivos de cinco anos. Ao contrário da CPCPC, que não tem poderes legislativos, a Assembleia é, constitucionalmente, “o supremo
órgão do poder de Estado”. As duas reuniões, da CPCPC e da Assembleia Nacional Popular, decorrerão durante cerca de duas semanas. É a primeira temporada parlamentar desde que o Comité Central do
A China reafirmou ontem estar empenhada numa “via de desenvolvimento pacífico”, mas defendeu também o “fortalecimento” do seu sistema de defesa. “Baseados na nossa história e experiência, acreditamos que a paz só pode ser mantida se formos fortes”, disse a porta-voz da Assembleia Nacional Popular chinesa e ex-vice-ministra dos Negócios Estrangeiros, Fu Ying. Numa conferência de imprensa na véspera da abertura da reunião anual da Assembleia, Fu Ying afirmou que “a China nunca trata nenhum país como inimigo ou ameaça”. Como o resto do país, as Forças Armadas da China irão também “modernizar-se”, mas a sua política de defesa “é, por natureza, defensiva”, disse. “A China segue uma via de desenvolvimento pacífico e estamos empenhados nessa via”, frisou a porta-voz. A reunião anual da Assembleia Nacional Popular decorre de 5 a 13 de Março no Grande Palácio do Povo, em Pequim, com cerca de 3.000 delegados.
REGIÃO
A
Presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, propôs ontem à Coreia do Norte que autorize a realização de videoconferências e troca de correspondência entre familiares separados pela guerra na península depois da realização de um encontro histórico entre famílias separadas de ambos os países. Durante a reunião do Governo, Park Geun-hye, deu instruções ao Ministério da Unificação de Seul e
COREIAS SUL QUER ENCONTROS DE FAMÍLIAS POR VIDEOCONFERÊNCIA E TROCA DE CARTAS
Tempo esgota-se à Cruz Vermelha para “manterem conversações com a Coreia do Norte para serem iniciadas trocas de correspondência e reuniões por videoconferência”.
A líder da Coreia do Sul argumentou que “muitas pessoas não podem esperar mais” já que a maioria dos familiares separados pela guerra da Coreia tem hoje
mais de 80 anos e muitos deles já morreram sem poderem reencontrar os seus familiares do outro lado da fronteira. Segundo os cálculos de Seul, pelo menos 6.000 pessoas de cada lado da fronteira coreana pretendem retomar o contacto com familiares pelo menos uma vez antes de morrerem. Entre 20 e 25 de Fevereiro, várias centenas de coreanos, do Norte e do Sul, puderam reencontrar ou conhecer familiares do outro lado da fronteira naquele que foi o primeiro encontro de famílias separadas em três anos, e o 19.º realizado desde 1985. Seul tem registados cerca de 130.000 cidadãos que manifestaram nas últimas três décadas o desejo de participar nesses encontros. Apesar da aparente nova etapa nas relações entre as duas Coreias depois de vários anos de tensão, analistas regionais consideram difícil que Pyongyang aceite a proposta de Seul já que os encontros presenciais podem ser sempre negociados com algumas concessões e ajuda humanitária por parte da Coreia do Sul.
10
EVENTOS
hoje macau quart
DOUROAZUL CONFIRMA COMPRA DE CACILHEIRO DE JOANA VASCONCELOS
Valores no segredo dos deuses A DouroAzul, liderada por Mário Ferreira, exerceu o direito de preferência na compra do navio Trafaria Praia, um antigo cacilheiro intervencionado por Joana Vasconcelos, que funcionou como Pavilhão de Portugal na Bienal de Veneza de 2013. “Trata-se de uma obra de arte [a intervenção de Joana Vasconcelos no Trafaria Praia] de grande mobilidade e que vai ficar sedeada em Lisboa, na zona ribeirinha”, explicou ao jornal Público Mário Ferreira, dono da DouroAzul, empresa de cruzeiros fluviais que opera no rio Douro. O empresário portuense declinou, todavia, divulgar os valores do negócio por existir um acordo de confidencialidade com a artista plástica Joana Vasconcelos, detentora dos direitos de utilização. Mário Ferreira adiantou que foi celebrado “um protocolo com a Administração do Porto de Lisboa, com a anuência da Câmara Municipal de Lisboa, que prevê a recuperação de um cais existente entre a Ribeira
das Naus e o Cais de Sodré”, no Terreiro do Paço. O compromisso é que a embarcação, baptizada de Trafaria Praia e com capacidade para transportar 275 pessoas, comece já em Abril a efectuar quatro cruzeiros diários com duração de uma hora (bilhetes a cerca de 150 patacas cada) e partida do cais até à Torre de Belém (construída entre 1514 e 1520). Em comunicado divulgado esta segunda-feira, a DouroAzul informa que a visita “à instalação artística sem cruzeiro custará cerca de 50 patacas”. O velho cacilheiro (com um comprimento de 28,17 metros e uma boca de 7,5 metros), antes pertença da Transtejo, foi utilizado, ao longo de sete meses, como Pavilhão (ambulante e flutuante) de Portugal na Bienal de Veneza de 2013. Nesse período, foi visitado por mais de 100 mil pessoas. Para além de poder ser visitado, o Trafaria Praia realizava dois cruzeiros diários (um de manhã e outro da parte da tarde) pela Lagoa de Veneza e passagem pela Praça
de São Marcos, tendo transportado cerca de vinte mil pessoas. Recorde-se que o transporte do Trafaria Praia para Veneza foi adjudicado à DouroAzul, que está neste momento a trazer a embarcação para Lisboa para ser de novo intervencionada. Em simultâneo, Mário Ferreira está a reabilitar armazéns antigos no Porto, onde vai investir cerca de 80 milhões de patacas, para criar um Museu dos Descobrimentos, o World of Discoveries, que tem inauguração prevista para Abril. A exposição abrange o período entre 1400 e 1530 e será alusiva à chegada dos portugueses à China, ao Japão, à Indonésia, à Índia, ao norte de África e ao Brasil. O projecto tem uma componente museológica, com réplicas à escala de barcas, caravelas e naus, para além de instrumentos de navegação. Noutra parte do museu haverá uma zona navegável, com 12 embarcações com capacidade até nove adultos.
BIBLIOTECA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA BRIL
Sociedade d A
Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (BGUC), que está a comemorar os seus 500 anos, foi destaque no jornal espanhol La Vanguardia, num artigo divulgado sábado passado. Com o título “500 anos de uma das melhores bibliotecas do mundo”, o jornal escreve que “a celebração dos 500 anos da Biblioteca da Universidade de Coimbra se centra no debate da importância das bibliotecas em tempos de internet e destaca a importância da preservação e divulgação do património cultural como base para a formação de cidadãos livres e críticos”. O La Vanguardia faz também
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA NÃO TE MEXAS • Margaret Mazzantini
um resumo da história da biblioteca da Universidade referindo que o primeiro documento que certifica a existência daquele espaço data de 12 de Fevereiro de 1513. Com uma colecção de mais de dois milhões de livros, esta Biblioteca é hoje a maior dos países de língua portuguesa”, lê-se no artigo. O jornal espanhol sublinha ainda que, desde que a universidade foi declarada Património Universal da Humanidade, no ano passado, a biblioteca registou um aumento nas visitas dos turistas na ordem dos 25%, recebendo cerca de 100 mil visitantes por ano. La Vanguardia teve oportunidade de entrevistar José Augusto Bernar-
RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET
Escrito na primeira pessoa, “Não te Mexas” é um pungente monólogo de um homem, um cirurgião, falando com a sua filha de quinze anos. Depois de um acidente de mota, ela é levada para o mesmo hospital onde o pai trabalha. Agora, numa sala adjacente ao bloco operatório, ele espera enquanto um amigo a opera ao cérebro. Enquanto espera, petrificado pelo terror e pela dor, ele começa um diálogo interior com a filha, revelando o seu segredo mais íntimo. Há muitos anos, o cirurgião violou uma mulher, uma imigrante miserável que vivia numa das zonas mais degradadas da cidade. A partir deste episódio, desenvolve-se a mais estranha das histórias de amor, porque ele apaixona-se perdidamente por esta mulher pobre, nada atraente, sem educação, e passa a viver a sua “vida verdadeira” com ela. Até que um trágico acontecimento vem mudar tudo.
PORNO • Irvine Welsh
Sick Boy, protagonista desta narrativa construída a várias vozes (em cada capítulo uma das personagens narra na primeira pessoa), procura a todo o custo reinventar-se como empresário de sucesso do novo milénio, e alcançar finalmente a glória que parece fugir-lhe. O objectivo: conquistar um lugar de peso na indústria da pornografia.
eventos 11
ta-feira 5.3.2014
PEDRO HOMEM DE MELLO 30 ANOS DEPOIS
O poeta folclorista “A
NTES de haver no Porto cães/Já havia Homens em Atães.” A frase era da família Homem de Mello, que, ciente da sua nobreza, não queria que o valor do sangue passasse despercebido entre outros. Pedro da Cunha Pimentel Homem de Mello não saiu aos seus. Pelo menos no que a este assunto diz respeito. Dedicou uma vida ao estudo e à divulgação das tradições do povo, emprestando-lhes palavras e versos. Foi um homem que fez o seu percurso nas entrelinhas, admirado pelos grandes poetas e autores da sua época, mas, aos poucos, ficou esquecido na memória. Hoje assinalam-se os 30 anos da sua partida. Desde cedo que se interessou pelas tradições que o rodeavam; o folclore minhoto seria um dos temas mais recorrentes na sua obra. As palavras, usava-as também para reflectir sobre o seu meio: “A Poesia na Dança e nos Cantares do Povo Português”, que publicou em 1941, serve de exemplo. Antes de se dedicar por completo às letras experimentou outras profissões. Licenciado em Direito (curso que começou em Coimbra e finalizou em Lisboa), exerceu advocacia e foi subde-
LHA EM JORNAL ESPANHOL
do conhecimento des, director da biblioteca. Citado pelo jornal, o responsável afirmou que “as bibliotecas universitárias constituem o coração das próprias universidades” porque “desempenham um papel aglutinador, contribuindo para a construção de uma identidade mais vasta que supera a pertença a uma faculdade ou departamento”. Augusto Bernardes destacou a importância histórica de alguns documentos da biblioteca, como um exemplar da Bíblia Hebraica, um manuscrito de início do século XVI, e um exemplar da primeira edição de “Os Lusíadas”, de Camões, entre outros. O director adiantou que um dos projectos futuros da biblioteca passa por digitalizar estes documentos para
os tornar acessíveis a um público mais vasto.
AS BIBLIOTECAS E A SOCIEDADE DO CONHECIMENTO
Na segunda parte do artigo, o jornal destaca o congresso internacional sobre bibliotecas universitárias que decorreu na universidade no âmbito das celebrações dos 500 anos da instituição. Um dos especialistas que participou no encontro, Robert Darnton, professor da Universidade de Harvard, salientou a necessidade de democratizar o conhecimento combatendo práticas como as de algumas publicações científicas que exigem, às bibliotecas, o pagamento de ele-
legado do Procurador-Geral da República. Depois mudou de área e virou-se para o ensino, no Porto, onde foi professor de Português em duas escolas, uma delas a Mouzinho da Silveira, onde chegaria a director. Ainda na Invicta, fundou a Academia de Danças do Norte de Portugal e a Academia Coral. Chegaria ao pequeno ecrã das famílias portuguesas através de vários programas emitidos na RTP sobre o folclore e os costumes das diferentes regiões. Mas é nos anos 50 que as palavras de Pedro Homem de Mello ganham outra projecção e um público muito mais amplo: o momento em que Amália Rodrigues começa a pedir emprestadas as palavras do autor e poeta para os seus fados. “Povo que lavas no rio” tornar-se-ia um dos grandes hinos da música portuguesa, seguindo-se outros temas, como “O rapaz da camisola verde”, entoado por gente como Frei Hermano da Câmara, Sérgio Godinho e até aos dias de hoje com António Zambujo. Nas prateleiras deixou exemplares como “Eu Hei-de Voltar Um Dia” (1966) e “Há Uma Rosa na Manhã Agreste” (1971) reconhecidos, também, com prémios literários.
vadas quotas para disponibilizarem o acesso aos seus artigos. Este professor foi um dos mentores do projecto Digital Public Libray of America (DPLA) que junta várias universidades norte-americanas e que disponibiliza, online, mais de um milhão e meio de livros livres de direitos de autor, à semelhança do que acontece com o projecto Google Books. Acérrimo defensor da sociedade do conhecimento, o professor norte-americano salientou a importância das bibliotecas na formação do pensamento crítico dos cidadãos. E, para o jornal espanhol, a Biblioteca da Universidade de Coimbra tem desempenhado um papel fundamental, na construção deste conhecimento, já há mais de 500 anos.
Marionetas de Macau abrem terceira edição do Festival Periferias em Sintra
A
3ª edição do Periferias – Festival de Artes Performativas em Sintra abriu ontem com a exposição “O secreto mundo das marionetas asiáticas”, na Vila Alda, Casa do Eléctrico de Sintra. A exposição,
patente até ao dia 16, traz peças do futuro Museu de Marionetas de Macau e tem por objectivo dar a conhecer o enquadramento histórico das marionetas no Oriente, assim como o seu processo evolutivo a nível
cultural e social, pode ler-se no site de apresentação do Festival. A mostra pretende ainda realçar a importância destas, não só a nível do ensino formal e académico mas principalmente ao nível da educação e sen-
sibilização da população. Desta forma, e para que a breve apresentação possa “aproximar” e explicar duas culturas tão diferentes como a Ocidental e a Oriental, propõe-se expor algumas marionetas orien-
tais (colecção privada de Elisa Vilaça). O objectivo da exposição, não será portanto a do objecto em si, mas sim ser o suporte de toda uma informação teórica que lhes está subjacente, informa o site.
h
hoje macau quarta-feira 5.3.2014
ARTES, LETRAS E IDEIAS
12
Luís Sá Cunha
PRIMUN LUMEN A propósito de uma exposição de fotografia de António Conceição Júnior
A
primeira coisa que me ocorre dizer, é que esta exposição, ou esta manifestação, se prestava a ser encenada. Ela é uma explicação mitográfica de um momento de criação, que nos reporta e nos faz ascender aos começos do mundo e ao átrio onde se aflora o mistério da maior, da mais perturbante e abísmica dualidade cósmica – a que nos faz enfrentar o antagonismo ou complementaridade ou bipolaridade da Luz e das Trevas. Falei em explicação mitográfica. Explicação no sentido puro latino, de explicare, desdobrar para fora, passe a redundância, as múltiplas, infinitas, visões da manifestação inicial, dos tempos do princípio. Seria muito sugestivo “recriar-se” aqui, através das tecnologias que acessi-
velmente o permitiriam, uma atmosfera insinuante de luzes e sombras, uma sonoplastia de murmúrios, que induzisse os presentes à melhor sintonia com o que ele nos quer transmitir. Muito propriamente: à contemplação do mistério, à consonância com as sinergias do templo. Mas viemos agora mesmo lá de fora, perturbados pelo “som e a fúria” das multidões de carros e de gentes, pelas sacudidelas caóticas do trânsito, o estrépito das buzinas, de tantas tensões aleatórias que figuram o caos. Viemos do profanum... E o que vemos à nossa volta chega para nos fazer reconstituir o templo, no estimular a ver claro e a descortinar a luz por entre os sucessivos mantos da noite. Sabemos qual o tema, porque nos foi dado como bordão, pelo autor
– primum lumen – a primeira ou primordial luz. Mas creio que, sem nenhuma indicação, nos seria a todos acessível intuir e até compreender o que nela se derrama de sentido. Fui passando os sucessivos fotogramas no écran do computador e, esforçando-me por contornar a tentação literária que eles reclamam, fui registando em duas folhas de papel:
ACERCAMO-NOS DA FRONTEIRA ABÍSMICA DA LOUCURA OU DAS REVELAÇÕES, COM UM ARREPIO DE TERROR
a constante e resistente “pressão” da luz para abrir clareiras na espessura da noite * transparências, “linhas de água” nas manchas opacas * massas nocturnas a estrangular rasgos luminiscentes * estremecimentos de matérias dúcteis * grutas onde se rasgam, já gloriosos e triunfantes, focos, luzemas de claridade * auras de luz vaporosa * poalhas, expansões gasosas de matérias mais subtis * efémeras palpitações de focos luminescentes * claro-escuro de radiografias * tímidas claridades tintadas de desmaiadas colorações, luzes que inventaram já o seu império no escuro rasgando janelas e pórticos * nascentes arquitecturas de vidro fungido * ondeações marmóreas * águas estremecidas pelo sopro dos zéfiros, delicadas crispações de epidermes *
artes, letras e ideias 13
hoje macau quarta-feira 5.3.2014
expansões vibratórias de invisíveis violoncelos * em tudo, a noite a povoar-se de luzes e sons. Não vos posso agora dizer as razões racionadas de algo de comovente que me aconteceu no momento em que observava tudo isto: a evocação fulminante de um poema que apaixonou a minha juventude, o poema “Ofélia” de Rimbaud – onde magicamente se conjugam a noite primordial, os astros acabados de doirar, o requinte dos “hallalis” a ondeação dos longos cabelos da jeune Ofélie, “belle comme la neige” na corrente pura do rio. Talvez Ofélie tenha encontrado a morte, porque, ao mirar a sua imagem no espelho das águas, apenas se tinha visto a ela própria, admirada de si. E é necessário não remirar, mas contemplar; que vem de templo. Mas digo que o poema assistiu à criação do mundo, e que partilhou o acto genesíaco. Desde muito cedo que a pintura me interessou, mas o meu fascínio foi atraído pela – assim a vi designada então – “pintura metafísica”. Aquela que, como dizia Camões da grande poesia, “faz que leia mais do que vê escrito”: Ou seja, a que deusa de sentidos, provoca o conhecimento do visível para o invisível, a que propondo o problema estimula à desvendação do enigma e, depois, à iluminação do mistério. É perante isso que estamos. E, uma das suas marcas identificativas, é que ele é maior do que o seu autor, e diz mais do que ele diz ou quis dizer. Porque ele foi visitado por um mundo transcendente. Perante ele abrem-se os labirintos das maiores profundidades e os azuis das mais gratificantes iluminações. Ainda por cima, neste caso, porque ele nos conduz quase ao centro do mundo e ao mistério dos mistérios. Abrem-se, em cruz, todos os caminhos, todas as visões, intuições, apreensões do ser e do real. Acercamo-nos da fronteira abísmica da loucura ou das revelações, com um arrepio de terror. Ele já não pertence ao autor ou mediador que a transmite. Ele é nosso, é de cada um que quer ver em cada fotograma um sinal de trânsito, um semáforo luminoso de desvendação da noite, da luz e da noite que o habitam. Como ondas de uma mar infinito, ela é sopro que nos provoca interrogações sobre interrogações, sem terminar nunca.
À BEIRA DO ABISMO
Foi um jorro inestancável de coisas que se sangrou no meu espírito ao percorrê-la. Rememoração de leituras antigas, reminiscências de pensamentos e conquistas antigas, leituras novas e consideração de novas teorias e conhecimen-
tos redescobertas e, sobretudo, renovação de antigos caminhos. Não vou agora, nem posso, entediar-vos com a rememoração de inúmeras citações sobre a obsessão da luz em todas as grandes e até pequenas tradições de todos os tempos desta Humanidade. Em todas elas, mais ou menos coincidentemente, (tradição oriental e ocidental, da Índia ou da China, do budismo ou do islamismo, da judeocristã, dos neoplatónicos, aos gnósticos, aos alquimistas passando pelos idealistas alemães ou pelos surrealistas, por Goethe, Shakespeare, Novalis ou Camões) em todas elas o mistério reside na Luz, a divindade revela-se na Luz, a divindade é Luz, e os grandes heróis são os que triunfaram na escalada para a “posse” da Luz. E, narrados de formas tão diferentes, todos os processos de realização espiritual são anunciados ou marcados por momentos epifânicos da luz, o sagrado por hierogamia luminosa. Provar nas trevas para alcançar a luz. Assim o podemos ver, por exemplo, simbolicamente representado nos ritos de iniciação de algumas sociedades secretas ou discretas, em que o neófito, de olhos vendados, tem de encontrar o caminho para a iluminação, a luz que lhe é dada então. Aí se repete a reconstituição dos tempos primordiais, “quando” a luz ou logos ordenaram o caos em cosmos.
TODOS OS PROCESSOS DE REALIZAÇÃO ESPIRITUAL SÃO ANUNCIADOS OU MARCADOS POR MOMENTOS EPIFÂNICOS DA LUZ, O SAGRADO POR HIEROGAMIA LUMINOSA Ou, outro entre mil exemplos, no ritual cristão do baptismo, que primitivamente significava “dar a luz” (fotosmos). Por trevas se entendia, nestas tradições, o estado caótico das formas não manifestadas, o mundo informal, confuso, homogeneizado, das formas e seres em pura potencialidade, antes de serem actualizadas, entificadas em seres, formas ou mónadas individuais, por obediência à “ordem” do “fiat lux”. E, entre as mil vias possíveis, a direcção que nos indicaram quase sempre é a da reconquista do estado original depois de atravessar o Paraíso, virar o curso do rio para a nascente, retroceder nas etapas já percorridas para adunação ao princípio de tudo e de nós, operar a coincidência, com dois perfeitos anéis, entre o nosso vazio e o vazio primordial, bem aventurados os pobres em espírito. Reencontro glorioso da pequena com a grande luz,
como a pequena onda que se espraia mas é reintegrada no infinito oceano luminoso. Trememos de pequenez perante isto tudo, ao mesmo tempo esmagados pelo terror de partilharmos inconscientemente dimensões tão grandes e forças tão poderosas.
LUZ E SOMBRAS
Mas olharmos e sabermos aqui também que não podemos fugir à fatal complementaridade da luz e da treva. A luz insinua-se no mistério das trevas, as trevas esperam e obductam a luz. Tudo branco, ou tudo negro, não havia história; era tudo perfeito em sua positividade ou negatividade. Não havia movimento, e por isso, princípio movente, ou alma das coisas. Era inexistência cristalizada, o nada ou a “verdadeira morte”. Mas felizmente que isto não existe. Não há morte no Universo. Então começa a aparecer-nos claro que o espírito “precisa” da pluralidade da matéria informe, senão não tinha objecto, nada que ordenar e enformar. E que, analogamente, a Luz apela à existência das trevas, se não nada teria para iluminar. Essencialmente fala-se aqui da mesmíssima coisa, pois que,
(Continua na pagina seguinte)
14
h
depois de descortinar milhentos véus finalmente concluímos que Luz é o Espírito. Assim aprendemos que não há irredutibilidade antitética nem dualidade entre luz e treva, mas que a luz está penetrada de treva e que toda a treva está povoada de luz, como se vê eloquentemente na leitura dos símbolos do Yin e do Yang. Nos vários planos em que a podemos considerar, no plano cosmogónico ou no plano interior, a luz está depois das trevas. As trevas precedem a luz. A noite parece ter uma existência simbólica autónoma, porque todo o universo, toda a matéria nos parecem em fremente ânsia de visitação da luz. No “Fausto” diz a Rainha do Céu: “A minha luz triunfa de toda a luz... Eu gero a luz, mas as trevas pertencem também à minha natureza”. Por via da graça ou do amor, ela transmuta as trevas em Luz. Luz é via e é fim. Mas a noite também é caminho. Dentro da noite sofremos enganos, falsas pistas, tropeções e quedas. Mas é o nosso caminho. Diz-nos o António que é preciso “emboscar” a luz, numa operação para a captar, isto é, cabendo-nos a nós iluminar a própria luz. Como a luta de Jacob contra o anjo do Senhor, durante uma noite inteira. Triunfante ele diz: “Que terrível lugar este. Este não é outro lugar senão a Casa do Senhor”. Sim, é preciso conquistar a Luz. Explicá-la. A iniciação, a iluminação, a intuição, têm que ser reconstituídas pela filosofia, a razão racionante. Mas sabemos também sem equívocos, que ocultar é revelar. Tapando-nos os sucessivos caminhos, as trevas são afinal as psicopompas das nossas travessias nocturnas, os guias da nossa peregrinação. Lembremo-nos de Sampaio Bruno: “A verdade é um erro sucessivamente menor”. Lembremo-nos de Goethe e de Kleist: “os escolhidos para heróis são aqueles que tombam no pecado e no erro, os que tropeçam e caem nos obstáculos da noite, os das repetidas quedas, mas que sempre se levantam para prosseguir”. “Aqueles que nunca desistem da ascensão, esses podemos salvar” (Goethe). Depois da treva há a luz, mas depois da luz a treva. Diz o texto vetero testamentário que, no Sinai, Moisés “penetrou na treva divina”. Lemos num antigo texto da Índia que o Deus Criador do mundo talvez não fosse Consciente, mas sonhasse. Dizem-nos outros autores que o Autopantor (o autor de todas as coisas) continha em si tudo o que existe, no inconsciente, isto é, na ausência de conhecimento de si próprio. Com Jung, detectamos aí a potencialidade de se tornar consciente o existente em estado de latência.
hoje macau quarta-feira 5.3.2014
DIZEM-NOS OUTROS AUTORES QUE O AUTOPANTOR (O AUTOR DE TODAS AS COISAS) CONTINHA EM SI TUDO O QUE EXISTE, NO INCONSCIENTE, ISTO É, NA AUSÊNCIA DE CONHECIMENTO DE SI PRÓPRIO Para se conhecer, o Incogniscível teve de cindir-se em Outro, porque não há conhecimento sem sujeito do conhecimento e objecto do conhecimento. Na imagem reflectida veio a gnose. Libertou-se o espírito que é a razão que toma consciência de si própria. Esplendeu a luz. Mas, com a cisão potenciouse a queda e as trevas. Durand diz: “Mirar-se é já, de algum modo, ofelizar-se e participar na vida das sombras”... Que só não existem para O que vive na unidade do Espírito Santo. Fui, nestes últimos minutos disperso, ou confuso e aparentemente contraditório. Fi-lo de propósito: porque não devemos iluminar certas sombras e porque, simbolicamente, quisemos criar uma zona obscura no meio da nossa palavra. “Todo o renascimento passa pela confusão para se elevar à claridade” (Carl Jung)
PRIMUM SONIS
Dissemos atrás que a grande obra transcende o artista, o excede em capacidade de consciência. Também nos é
evidente que as linguagens das artes são limitadas para nos expressar o pensamento abstracto. Para nos sugerir a visão das origens o António recorreu à subtileza das imagens. Mas nelas, talvez por superior intuição intelectiva, estão lá mais coisas do que os avatares da luz. Porque por todo o lado mudam os registos da omnipresente vibração. Esta mostra poderia também chamar-se – primum lumen, primum sonis. Porque são indissociáveis, porque estão intrínsecamente adunados, a luz e o som. Muito jovem me intrigou e surpreendeu na filosofia grega (Aristóteles dictum) a prioridade concedida ao ouvido sobre a visão. Via então nisso a humildade e a segurança da transmissão da tradição. Mas torna-se agora evidente que o ouvido é o sentido da noite, e é de noite que estamos rodeados. Ir ao fundo da noite é penetrar no cenário sobre o qual pode esplender o brilho vitorioso da luz. Aqui a noite nos surge sacralizada, como a própria substância do tempo que é negro, porque é irracional.
Mas como morcegos colados ao veludo preto do cenário, no secretum imo residem os arquétipos, ordenadores inconscientes das representações, como os define Jung. A noite é também o tempo e o ventre morno das germinações, da gestação, das conspirações, dos murmúrios que são as sementes das palavras claras. Toda a simbologia da caverna nos surge então clara, como raiz de simesma, ventre seguro do inconsciente; penetrar na caverna seria o mesmo que consumar uma aventura iniciática, para alcançar finalmente a iluminação. Atentámos, com os românticos, que o “tempo da luz é medido, mas o reino da noite não conhece nem o tempo nem o espaço”. Todos também temos da nossa observação comum como nos invisuais se apura o sentido da audição.. Sem dúvida de que, na noite, os ouvidos são mais poderosos do que a visão, aí quase cega. Lawrence: “o ouvido pode ouvir mais profundamente do que os olhos podem ver”. Gaston Bachelard diz: “As trevas são o próprio espaço de toda a dinamização paroxística de toda a agitação. O negrume é a própria “actividade”, e toda uma infinidade de movimentos é desencadeada pela falta de limites das trevas nas quais o espírito procura cegamente o nigrum nigrius nigro !! “A Obscuridade é amplificadora do barulho, é ressonância. As trevas da caverna retêm nelas o grunhido do urso e o respirar dos montros”.
artes, letras e ideias 15
hoje macau quarta-feira 5.3.2014
É na noite e na noite da caverna que melhor pode ouvir-se e ressoar a palavra. No Evangelho de S. João, a palavra é associada “à luz que luz nas trevas”. Nos Upanishads – luz é isomorfa de fogo e de palavra. Nos antigos egípcios e judeus, a palavra presidiu à criação do universo (a ordem de fiat lux.) Carl Jung mostra que a etimologia indo-europeia de “aquilo que luz” é a mesma daquilo que significa falar. Há íntimo parentesco do mantra indiano e tibetano com a dhikr muçulmano – valorização homóloga do isomorfismo entre o visual e o som falado. Transmite-nos Gilbert Durand, que na tradição Upanishádica, Brahma se manifesta primeiro como nome sagrado e essa palavra sagrada foi Sphota, causa real do universo. Sphota, o logos hindu, viria de Sphout, (partir, rebentar) parente do adjectivo Sphonta (aberto,aberto em evidência) e o seu sentido seria então “rebentar bruscamente como um grito” - Big Bang. Assim, mais sensivelmente percebemos a poesia que vê nas mulheres, nas flores e nas estrelas, a o arquétipo da Beleza, a irradiação luminosa da Verdade. Percebemos também melhor o significado e sentido ritual dos murmúrios vibrantes de certas sociedades. O Coral marulhante dos monges budistas, a recitação dos mantras, palavras dinâmicas, fórmulas mágicas que pelo domínio da respiração e do verbo domam o universo.
E fere profundamente a nossa sensibilidade a “Ode à Noite” de Novalis e a “Ode à Noite” de Fernando Pessoa. Artistas da palavra, os poetas terão que ser os grandes discípulos nocturnos. E termino este capítulo citando Gilbert Durand: “Enquanto as cores, no regime diurno da imagem se reduzem a algumas raras brancuras azuladas e douradas, preferindo as cambiantes da paleta a nítida dialéctica claro-escuro, sob o regime nocturno, toda a riqueza do prisma e das pedras preciosas vai desenvolver-se” Quem diz pedras preciosas diz sensibilidade feminina. Diz “processo alquímico”, marcadas as fases pelas cores puras. Diz a imagem apocalíptica de Jerusalém celeste encrustrada de pedras preciosas de todas as cores. Mas deixo-vos uma inquietação de Novalis: “A luz ri e joga na superfície das coisas, mas só o calor penetra”.
POETAS À SOLTA
E vou encerrar (que quer dizer guardar, fechar, ocultar). E todo o encerramento requere uma chave. Esta exposição é a obra-prima do António Conceição Júnior. Depois dele, da iluminação que a gerou, ele já não será o mesmo – porque todo o progresso espiritual é assinalado com epifanias luminosas. Eu, também não serei o mesmo – por misteriosa convocatória fui chamado a um encontro de onde ressaltou uma subida na escala que gradua a
nossa ascensão aos céus. Obrigado António por este encontro. Ele próprio, no conjunto, é um símbolo do processo de cosmogénese – sendo várias expressões múltiplas do mesmo significante, permite-nos pensar que todas elas poderiam condensar-se e referir-se a um só único fotograma, a imagem original e ideal onde concepção e manifestação estivessem contidos na sua perfeita e cabal expressão. Aí, o lugar do arquétipo invisível, antes do tempo e do espaço, que se manifestou em todos os múltiplos fotogramas. Aí o vazio que a todos originou. Do que lemos e do que fomos aprendendo, verificamos hoje que a pluralidade dos antiquíssimos textos sagrados é convergente com as mais surpreendentes “descobertas” da ciência. A sabedoria antiga fala-nos de onda luminosa e vibração sonora, a física quântica descreve-nos o ínfimo elemento da matéria, que é energia luminosa, como, simultaneamente, partícula e onda. Não fez a Ciência outra coisa, ao longo dos séculos do que desmentir-se e contradizer-se sincrónica e diacronicamente. Somos sensíveis ao grande drama dos homens, como que em jangada fragilíssima sobre o oceano dos séculos, ansiosos de uma âncora, uma estaca segura. Compreendemos e comungamos muito com as especulações de Bachelard e Durand sobre o imaginal, as estruturas profundas, os arquétipos
dinâmicos, sujeitos criadores de inconsciente partilhados por toda a Humanidade, que são para André Breton, “a justiça suprema” – diante da qual a contínua flutuação do progresso científico aparece como um fenómeno anódino e sem significação. Para a cosmovisão quântica, o mundo onde estamos como que se sobrepõe ao vazio original, é como o mundo das possibilidade infinitas. A manifestação ganha carácter sucedâneo e ilusório. O mundo interior é que cria o mundo exterior. A matéria é toda igual (a que faz o elefante e o nenúfar, o cristal, a flor e o homem). Mas a matéria sólida não é nada, é totalmente insubstancial – parece-se com um pensamento, como um bit de informação concentrado. A sobreposição quântica postula que uma partícula pode estar em mais do que um lugar ou estado ao mesmo tempo. Tudo aparenta serem movimentos possíveis da consciência, que elege a existência de um objecto entre as várias possibilidades. Tudo são ínfimos grânulos luminosos, o que não se sabe, o que é mistério é o factor unificante, o princípio da polarização ou individuação que lhes dá substância, e forma e existência. Não se deixam observar e reagem diferentemente consoante o observador. Todos os processos cerebrais de captação do real estão estudados e localizados nas zonas do cérebro. Só uma coisa nunca foi encontrada: o lugar ou centro do observador. A criação, portanto, não é, nem implica nenhuma mudança de substância. As partículas acorrem a uma voz secreta, um pólo que magnetiza a sua confluência para dar forma a uma existência. A consciência surge como o fundamento do ser. Antigas sabedorias e física quântica convidam-nos para “ver” que estamos num mundo material que é ilusório, como se estivéssemos em, ou como se o Universo fosse um grande holograma. E que reside, no mais íntimo sacrum secretum de nós, aquilo que tem o poder de convocar os milhões de milhões de grãos luminosos do universo para lhes dar as formas, princípio essente. Acabo a citar Mircea Eliade: “o significado da luz é, em suma, uma descoberta pessoal, e por outro lado, cada um descobre o que cultural e espiritualmente estava preparado para descobrir”. O Big Bang foi amanhã. É agora já. O momento revelador desta mostra participou dele. Será sempre assim, quando a graça da iluminação nos eleva a criadores, a imagens do criador que vê a concepção e manifestação do universo simultâneos em sua eternidade. Como nos anunciava Agostinho da Silva: vamos todos ser poetas à solta!
16
DESPORTO
hoje macau quarta-feira 5.3.2014
FUTEBOL DAVID CAIADO E NUNO PINTO TIVERAM DE FUGIR PARA A TURQUIA
“Vimos os militares russos com espingardas e tanques” D
AVID Caiado e Hugo Pinto são dois portugueses que estão a trabalhar no estrangeiro. O destino levou estes dois futebolistas portugueses ao principal campeonato da Ucrânia, para o Sports Club Tavriya de Simferopol, capital da República Autónoma da Crimeia. Quando assinaram pelo clube, ainda em Janeiro, não se passava nada. Alguns dias depois, Caiado e Pinto começaram a ficar preocupados com o que se passava em Kiev, e estão desde anteontem na Turquia, com os seus colegas de equipa, desde que as tropas russas avançaram para a Crimeia. Tudo se precipitou em poucas horas. “No sábado tivemos a informação por parte dos nossos colegas que a situação se estava a complicar. Tínhamos um jogo amigável marcado para as três da tarde, falámos com o treinador quando faltavam duas horas para que o jogo não se realizasse porque nos estávamos a sentir um bocado inseguros. Fizemos o jogo e estávamos a tomar banho quando o adjunto entrou no nosso quarto a dizer para prepararmos as coisas, que iríamos apanhar o autocarro para o aeroporto, para irmos para a Turquia”, recorda ao jornal Público por telefone a partir de um hotel na Turquia David Caiado, que, tal como Nuno Pinto, estava a viver no centro de estágio do Tavriya, a cerca de 20 minutos de viagem de Simferopol.
A viagem de avião com destino a Istambul só aconteceu no domingo porque antes tiveram de fazer uma viagem de autocarro de mais de dez horas para chegar ao aeroporto de Donetsk. Os dois jogadores portugueses dizem que a viagem foi tranquila, mas com alguns sobressaltos no momento em que estavam a sair da Crimeia. “O aeroporto estava fechado e tivemos de seguir para Donetsk. Ao passar a fronteira da Crimeia, vimos os militares russos de cara tapada, com tanques e espingardas. Mandaram parar o autocarro, perguntaram se quem estava no autocarro estava com eles, o motorista respondeu-lhes, mas não sei o que lhes disse, os militares
abanaram a cabeça e seguimos viagem”, conta Nuno Pinto, um defesa-esquerdo de 27 anos que chegou a passar pelo Boavista e pelo Nacional da Madeira.
OS PRIMEIROS PASSOS NA UCRÂNIA
Tanto David Caiado como Nuno Pinto estavam a dar os primeiros passos na liga ucraniana, depois de ambos terem estado na Bulgária. Tinham sido contratados pelo Tavriya, o primeiro campeão ucraniano em 1992, após a desintegração da URSS, durante a pausa do campeonato para tentar ajudar a equipa a elevar-se no campeonato (onde são penúltimos) e ainda não se
tinham estreado oficialmente. E as indicações que tinham do clube eram boas. “O que me passavam era que o clube era bom e que tinha boas condições, ninguém ia adivinhar que isto ia acontecer”, diz Nuno Pinto. Para David Caiado, mesmo sendo no penúltimo classificado, jogar na Ucrânia era uma oportunidade que não podia perder. “A Liga ucraniana tem um nível alto e para mim foi um bom passo”, conta este avançado de 26 anos que fez praticamente toda a sua formação no Sporting. E as primeiras impressões da cidade até estavam a ser boas, apesar de não viverem lá e, acrescentam, tinha tudo para poderem viver lá com a família num futuro próximo. “Receberam-nos muito bem, fomos bem acolhidos”, garante Nuno Pinto, que assinou por dois anos e meio. “Gostei bastante da cidade, é uma cidade antiga, bastante grande, boas condições. É uma cidade onde me adaptaria perfeitamente a viver com a minha família”, acrescenta Caiado, cujo contrato é de uma época e meia. Mas com a situação actual, voltar à Crimeia não é um dado adquirido para estes dois portugueses. E ainda não há uma data definida para o regresso, mas a segurança estará sempre primeiro, como diz David Caiado. “Nesta altura temos de pensar no dia-a-dia. Temos de ver como a situação se vai resolver, melhorando e tudo voltando ao normal, óbvio que quero voltar.”
CR7 e Pepe juntam-se ao grupo no último treino
Cristiano Ronaldo e Pepe foram as novidades, esta terça-feira, no derradeiro treino da Seleção Nacional antes do jogo de preparação com os Camarões. Os dois jogadores do Real Madrid, submetidos a trabalho de ginásio na véspera por gestão de esforço, já evoluíram esta manhã às ordens de Paulo Bento. O seleccionador nacional teve, assim, à sua disposição todos os 21 jogadores convocados - Hugo Almeida e Ricardo Costa foram dispensados, devido a lesão - para ultimar a estratégia a pôr em prática no ensaio com a formação africana.
Aprovado uso de véus e turbantes no futebol asiático
O International Board (IFAB), organismo que gere as leis do jogo, aprovou a utilização de véus e turbantes no futebol feminino, após 20 meses de testes, decisão que mereceu os aplausos da Confederação Asiática de Futebol (AFC). Além de permitir às mulheres muçulmanas a utilização de véus, esta medida foi alargada aos homens, neste caso em resposta a um requerimento da comunidade sikh do Canadá. Brevemente, será enviada a todas as federações uma circular a explicar detalhadamente a forma de aplicação desta decisão. O véu ou o turbante não poderão ser os de uso diário. Deverão ter a mesma cor da camisola, não constituir perigo para quem o utiliza nem ter pontas soltas. A FIFA proibia a utilização do véu, alegando o risco de lesões no pescoço e na cabeça. No entanto, em 2012, o IFAB decidiu testar o uso destes durante quase dois anos, na sequência de um pedido da AFC. Após a experiência, o IFAB considerou não haver mais razões para proibir esta prática, desde que todas as regras de segurança sejam respeitadas.
PUB
Aviso
CONVOCATÓRIA
Faz-se público que, por despacho do Exmo. Senhor Secretário para os Transportes e Obras Públicas, de 17 de Fevereiro de 2014, se acha aberto concurso comum, de ingresso interno, de prestação de provas, para o preenchimento de um (1) lugar de assistente técnico administrativo de 2ª classe, 1.º escalão, área de técnico auxiliar, da carreira de assistente técnico administrativo do quadro de pessoal da Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos.
Nos termos do n.º 1 do artigo 14.º dos Estatutos de Matadouro de Macau, S.A.R.L., convoco todos os membros da Assembleia Geral, para reunir no dia 25 de Março de 2014, manhã 10H30, para a realização da reunião da Assembleia Geral, a ter lugar na sede da Sociedade, sita na Estrada Marginal da Ilha Verde, s/n, Macau.
Informações detalhadas encontram-se no Boletim Oficial n.º 10, II Série, de 5 de Março de 2014 e podem acessar à página electrónica destes Serviços www.smg.gov.mo; ou seja nas horas de expediente directamente vir à sede da Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos que está localizada na Rampa do Observatório da Taipa Grande para consultar.
1.
Macau, 26 de Feveriro de 2014.
Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos, aos 24 de Fevereiro de 2014. O Director Fong Soi Kun
Ordem de trabalhos
2.
Deliberar sobre o relatório do Conselho de Administração, do Conselho Fiscal e as contas relativos ao ano de exercício de 2013; Outros assuntos de interesse para a sociedade.
Presidente da Mesa da Assembleia Geral Zhang Haipeng
FUTILIDADES
hoje macau quarta-feira 5.3.2014
TEMPO
PERÍODOS
DE
C H U VA
Cineteatro
CINEMA
MIN
14
MAX
17
HUM
75-99%
•
EURO
11.0
BAHT
0.2
YUAN
17
1.3
POR MIM FALO Pu Yi
POMPEII SALA 1
SALA 3
Um filme de: Paul W. S. Anderson Com: Kit harington, Emily Browning, Kiefer Sutherland 14.30, 16.30, 21.30
Um filme de: Steve McQueen Com: Michael Fassbender, Benedict Cumberbatch, Chiwetel Ejiofor 14.15, 21.30
POMPEII [C]
POMPEII [3D] [C] Um filme de: Paul W. S. Anderson Com: Kit harington, Emily Browning, Kiefer Sutherland 19.30 SALA 2
LONE SURVIVOR [C] Um filme de: Peter Berg Com: Mark Wahlberg, Taylor Kitsch, Ben Foster, Emile Hirsch 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
12 YEARS A SLAVE [C]
MR. PEABODY & SHERMAN [C] (FALADO EM CANTONÊS) Um filme de: Rob Minkoff 16.45
ROBOCOP [C] Um filme de: José Padilha Com: Joel Kinnaman, Gary Oldman, Michael Keaton, Abbie Cornish 19.30
Falta de concorrência?
Mulher diz prever futuro “lendo” os mamilos • Quando podíamos pensar que o futuro se pode ler em tanto lado eis que surge mais uma inovação quanto à previsão do desconhecido. Uma jovem japonesa diz poder ler o futuro, só de olhar para os mamilos daqueles que se atrevem a tentar. Eri Koizumi tem a “capacidade” de olhar atentamente para o peito e perceber se a pessoa é voluntariosa, se tem sorte no trabalho ou até no amor. O segredo do seu sucesso parece estar na análise da cor e forma da aréola de cada mama, que determinam certos pontos que a japonesa estuda e depois usa.
Selfies podem ajudar à propagação de piolhos • Esta foi a conclusão de Marcy McQuillan, especialista no tratamento do insecto pela Niteless Noggins, da Califórnia. A pesquisadora afirma que notou um aumento de infestação graças às cabeças encostadas para tirar fotos. Apesar de não ter sido feita uma pesquisa para descobrir o quanto os selfies podem ser responsáveis por este aumento, McQuillan afirma que todos os adolescentes tratados afirmaram fazer selfies. Não é um fato conclusivo que os selfies ajudam a proliferar os piolhos, mas é sempre bom ter cuidado.
SEXY E OUSADA Katie Price, modelo britânica de 35 anos, é o centro das atenções por onde quer que passe. Apesar da baixa estatura – 1,63 metros -, Katie tem outros atributos que não deixam qualquer um indiferente. Já por diversas vezes pousou nua para diversas revistas é adepta do topless. A britânica, com ou sem biquíni, sabe bem como seduzir.
fonte da inveja
Uma rodada de vinho que se faz tarde o caminho.
João Corvo
Em 2009, respondendo a uma interpelação escrita de Chan Meng Kam, Alex Vong – presidente do Instituto de Desporto, na altura – disse que não podia impedir a empresa Surf Hong de entregar propostas ao Governo para continuar a ser a empresa que presta serviços de salvamento nas piscinas do território. Vong referia que o caso da morte de uma pessoa na piscina ainda estava em tribunal e que, por isso, nada havia a fazer. Ora, em 2011, 2012, 2013 e este ano a Surf Hong voltou a ter o contrato para colocar nadadoressalvadores nas piscinas de Macau. Eu detesto água, como gato que sou, nunca me hão-de apanhar lá a banhos nas piscinas municipais. Mas, pergunto-me. Se esta empresa foi responsabilizada pelo tribunal no caso do afogamento que matou uma professora, porquê continuar a adjudicar contratos para salvamentos a esta empresa? E porque é que apenas os anúncios aparecem no Boletim Oficial sem qualquer justificação? Para mim, aqui há gato e não sou eu. Sei que posso estar a ser demasiado desconfiado – mas também, conhecendo este Governo, poupem-me -, mas isto é algo que não entendo. Será que há falta de concorrência em Macau também neste sector, para que tenhamos um monopólio nos salva-vidas?
18 publicidade
hoje macau quarta-feira 5.3.2014
OPINIÃO
hoje macau quarta-feira 5.3.2014
a paliçada
MARTIN SCORSESE, THE WOLF OF WALL STREET
CORREIA MARQUES
19
Uma terra sem amos (II) Não mais, não mais o tempo imundo Em que se é o que se tem Não mais o rico todo o mundo E o pobre menos que ninguém Nunca mais o ser feito de haveres Enquanto os seres são desfeitos Não mais direitos sem deveres Não mais deveres sem direitos.
A
Estrofe do Hino do Partido Socialista Português
«
letra original de “A Internacional” foi escrita em 1871 por um dos membros da comuna de Paris, Eugène Pottier, musicada em 1888 por Pierre Degeyter operário anarquista belga e tem servido (com ligeiras alterações de letra) de hino para comunistas, anarquistas, socialistas e socialdemocratas. Mas, diga-se sem tibiezas, quantas vezes tergiversando, sem coração e sem emoção». Isto escrevi aqui, nesta mesma coluna, em 10 de novembro de 2010. Perante a citação de uma outra estrofe desta canção libertária, alguns dos leitores terão, nessa altura, pensado para dentro, no mínimo, «coitado» mais um saudosista de esquerda. E talvez a situação recente de crescente domínio do capital financeiro e dos mercados desumanos (acobertados em crises forjadas artificialmente e com fim aprazado para o corrente ano, para que lhes suceda um período de ilusório crescimento, de aumento de consumo com recurso ao crédito e de
avultados lucros bancários e, daqui a uns anos, de nova crise, tudo isto em movimento pendular) e consequente aumento da pobreza extrema e do número de pobres nas sociedades ditas desenvolvidas e ricas anime os poderosos ultraliberais e toda uma gama de ambiciosos frustrados a soldo daqueles, em troca de um simples prato de lentilhas, e lhes dê uma situação ilusória de que tudo vai continuar assim pelos tempos dos tempos. No meu triste país, aqui, e em toda a parte. Desiludam-se. Não, a situação que vivemos não é o fim da história. O medo que instilam nas pessoas, insinuando que a alternativa ao estado atual das coisas é ainda uma situação pior, não resultará eternamente. E os povos quando perdem o medo não temem as consequências da ação. Estudem a história e não apenas a cotação dos mercados financeiros e da bolsa. Olhem o presente, olhem para a Ucrânia e para a Venezuela, entre outros exemplos, alguns aqui bem próximos.
Não pode haver consenso na frieza dos números, na rejeição da compaixão e na indiferença perante a pobreza e o sofrimento alheios. Sinto-me feliz, continuo a aprender com os jovens esclarecidos
Muitas vezes me questionei se valeria a pena continuar a remar contra a maré, a escrever, a expor-me, algumas quase desistia, não por medo, mas movido por uma sensação de desilusão e de impotência. Ontem, li no Ponto Final um artigo de uma assistente social (Kam Sut Mee) da nossa Cidade que me animou e levou a pensar que vale a pena não desistir, que germina no Mundo (e também em Macau) uma juventude preocupada com os destinos da «res publica», empenhada e solidária. Dela são as palavras que, com enorme apreço e respeito, passarei a citar: «Os principais culpados da pobreza estão escondidos e chamam-se “frieza”, “indiferença”, “rejeição” e “ignorância” deliberada. A perceção da génese dos problemas é meio caminho andado para a ação. As mudanças por vezes são inesperadas e mais rápidas do que se deseja. A terminar e porque, das várias versões da letra de «A Internacional», escolhi a do hino do Partido Socialista Português, formulo, daqui de longe, um conselho - e um apelo - ao seu líder: que seja fiel a esse mesmo hino e que não ceda nem um milímetro aos cínicos apelos ao consenso vindos do governo mais desumano que alguma vez tivemos desde o 25 de Abril. O consenso deve ser procurado no campo da solidariedade. Não pode haver consenso na frieza dos números, na rejeição da compaixão e na indiferença perante a pobreza e o sofrimento alheios. Sinto-me feliz, continuo a aprender com os jovens esclarecidos. Este texto foi escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@ hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
hoje macau quarta-feira 5.3.2014
Ucrânia Putin afasta, para já, intervenção militar na Crimeia
O presidente Vladimir Putin deu ontem de manhã uma conferência de imprensa em Moscovo, para falar da situação na Ucrânia. Afasta, para já, a hipótese de mandar tropas para a Crimeia, diz que uma intervenção será “último recurso”, mas que o país “reserva o direito” de defender os seus cidadãos depois de o poder ter sido tomado de forma ilegal. “Só pode haver uma avaliação para o ocorrido em Kiev e na Ucrânia: é um golpe de Estado anticonstitucional, uma tomada de poder pelas armas”, afirmou Putin, dizendo também que o acordo assinado por Yanukovich e a oposição, na véspera da sua destituição, não foi cumprido. Putin disse que ainda nenhum tiro foi dado na região, apesar da forte presença militar e recordou intervenções ocidentais noutros países, nomeadamente dos Estados Unidos no Afeganistão, Iraque e Líbia. O presidente refere que Yanukovich, apesar de não ter poder, continua a ser o presidente ucraniano, considerando, por isso, que o governo actual é “parcialmente legítimo”, mas não o presidente interino Oleksandr Turchinov. No entanto, sublinha que disse ao presidente deposto que este não tem futuro político, mas que o acolheu por estar em risco de vida. Neste sentido, a Rússia não vai reconhecer o presidente que resultar das eleições já marcadas para 25 de Maio, “se o actual terror continuar”.
Moçambique Portugal foi o Estado com mais iniciativas empresariais O Centro de Promoção de Investimentos (CPI) de Moçambique aprovou 515 projectos de investimento no ano passado, numa lista liderada por Portugal, com 168 iniciativas avaliadas em 124,6 milhões de euros. Apesar de ter sido o estado que mais projectos apresentou ao CPI, Portugal ficou atrás de países como a África do Sul ou a China, no que ao volume de investimentos realizado diz respeito.
Scarlett Johansson está grávida
A actriz Scarlett Johansson está à espera do primeiro filho, avançou o canal de entretenimento E! News, que diz ter tido garantia de várias fontes. A actriz ficou, há seis meses, noiva do empresário francês Romain Dauriac.
Papa enganou-se e disse um palavrão durante discurso
cartoon por Stephff
VIZINHOS
AMBIENTE GOVERNO QUER PROMOVER A “ECO-AQUISIÇÃO” NA MIECF
Cultura de consumo verde A aquisição de produtos amigos do ambiente será um dos objectivos da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) aquando da realização da próxima edição do Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental (MIECF), a realizar-se no Venetian nos próximos dias 27 e 29 de Março. Esse será também o tema do pavilhão de Macau em exibição, por forma a promover uma “permuta de informações acerca deste tema entre Macau e o mundo”. Segundo um comunicado, a DSPA afirma que “a eco-aquisição é considerada como um importante
elemento na implementação da cultura de consumo verde e da construção de uma sociedade amiga do ambiente e de baixo nível de carbono”. “Para promover continuamente a eco-aquisição, a DSPA estendeu, este ano, o âmbito das “Sugestões para Especificações Ambientalmente Adequadas Propostas para Diversos Produtos”, aumentando os produtos mais usados propostos, de 50 para 80 produtos.” O tema deste ano da MIECF será focado no crescimento dos negócios amigos do ambiente. O objectivo é “criar uma plataforma verde de alta efici-
ência através da realização de exposição verde, fórum verde, bolsa de contacto verde e plano de convite de compradores, entre outras actividades”. “A eco-aquisição é considerada como um importante elemento na construção de uma sociedade de baixo nível de carbono. O MIECF deste ano proporcionará uma plataforma internacional verde de eco-aquisição para a sua plena implementação, na qual as empresas provenientes do mundo poderão aproveitar a oportunidade de comércio verde para exibirem os seus diversos produtos ambientais inovadores”, diz ainda a DSPA.
Pode acontecer a qualquer um mas no último domingo foi ao sumo pontífice, que disse sem querer um palavrão na sua oração do Angelus. A gafe parece ser comum, trocou a palavra “caso” por “cazzo”. Em português não é notória a situação mas em italiano “cazzo” é um termo obsceno para pénis e é utilizado pelos italianos como “f...” é usado em português, pode ler-se no DN. Perante mulheres de fiéis na Praça de São Pedro, Francisco, cuja língua materna não é o italiano, soltou a palavra sem querer, mas corrigiu desde logo a situação. “Se cada um de nós não acumular riquezas para si próprio, mas colocá-las ao serviço dos outros, neste c..., neste caso a Providência de Deus torna-se visível neste gesto de solidariedade.”
Chelsea Mourinho arrasou jogadores em Craven Cotagge
José Mourinho foi corrosivo nas escassas palavras que dirigiu aos jogadores do Chelsea no intervalo do jogo com o Fulham, disputado em Craven Cottage. Profundamente desagradado com a exibição dos “blues” nos primeiros 45 minutos, o treinador português terá sido curto e grosso com os jogadores no balneário. “A merda é vossa, por isso resolvam-na”, terá disparado Mourinho, de acordo com o jornal Daily Star.
Brasil Ronaldinho multado por causa do Carnaval
Ronaldinho Gaúcho, avançado do Atlético Mineiro, não resistiu ao espírito do Carnaval que por estes dias toma conta do Brasil. O internacional brasileiro, de 33 anos, aproveitou o fim de semana para sair com os amigos e foi até Salvador. Mas a festa estava tão boa que o jogador não resistiu e prolongou a noite. O problema é que no dia seguinte havia treino e Ronaldinho Gaúcho não conseguiu chegar a horas, atrasando-se 30 minutos. Agora, claro, será multado. Diego Tardelli, o outro folião, também se atrasou e também não vai escapar a uma coima.