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Hoje Macau 5 FEV 2018 #3987

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MOP$10

Tribunal divulga acórdão da polémica

GCS

Caso Sulu Sou

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

hojemacau

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SEGUNDA-FEIRA 5 DE FEVEREIRO DE 2018 • ANO XVII • Nº 3987

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

Os juízes do TSI entendem que a suspensão de Sulu Sou se trata de um acto puramente político. Ele não concorda. PÁGINAS 4-5

DEMOCRACIA

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Ó tempo não voltes para trás! GRANDE PLANO

FRANKENSTEIN

200 ANOS DE HORROR EVENTOS

Tim-tim por tim-tim SEGURANÇA

WONG SIO CHAK EXPLICA AS SUAS POSIÇÕES

PÁGINA 6

h Valério Romão dá início à Grande Purga


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5.2.2018 segunda-feira

A FALHA ´ ASIATICA

ESTUDO RELATÓRIO DO THE ECONOMIST REVELA DECLÍNIO GLOBAL DA DEMOCRACIA

O Índice de Democracia da unidade de pesquisa do The Economist revela que 2017 foi um ano negro para as aspirações democráticas no mundo inteiro. De acordo com o relatório, a Ásia foi das regiões que mais caíram no índice, numa tendência global de ataque à democracia e à liberdade de expressão. Em primeiro lugar do ranking ficou Noruega. O último lugar foi, sem surpresas, para a Coreia do Norte

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017 foi um ano negro para a democracia, uma asserção que não parece surpreendente se fizermos uma revisão do que se passou no ano passado, mas que ganha substância no Índice de Democracia do jornal The Economist. O relatório divide em quatro categoria os regimes analisados: Democracias completas, democracias com falhas, regimes híbridos e regimes autoritários. O estudo baseia-se na análise de 60 indicadores que medem o processo eleitoral e o pluralismo, o funcionamento do Governo, a participação política, a cultura democrática e política e as liberdades civis. Logo à partida, o resultado é chocante, nomeadamente por demonstrar que apenas 5 por cento da população mundial vive numa democracia completa. Enquanto

“Foi um ano de retrocesso democrático na região e a pior performance desde 2010/2011 no rescaldo da crise económica e financeira global.”

que quase um terço do mundo vive sob o jugo de regimes autoritários, com particular destaque para a China neste capítulo. Aliás, no geral, 89 países e territórios viram as suas pontuações descerem, registando a maior queda desde 2010, com os países asiáticos a liderar o declínio. Não é, portanto, de espantar que nesta parte do globo os únicos países com pontuações que os colocam na categoria das democracias completas são a Austrália e a Nova Zelândia. A Ásia foi o continente que sofreu o maior declínio em relação a 2016, além de registar a maior discrepância entre países. O bloco asiático obteve 5.63 de pontuação, ficando para trás em relação à América do Norte que atingiu os 8.56, a Europa Ocidental que teve 8.38 e a América Latina com 6.26. A pontuação obtida pela Ásia em 2017 contraria os avanços registados nos anos anteriores. “Foi um ano de retrocesso democrático na região e a pior performance desde 2010/2011 no rescaldo da crise económica e financeira global”, explica Duncan Innes-Ker, director da Ásia The Economist Inteligent Unit, a organização responsável pelo estudo. Duncan Innes-Ker salienta “como maiores razões para as tendências

“As maiores tendências de regressão na Ásia estão relacionadas com a consolidação do poder de alguns líderes chave da região, a crescente intolerância em relação a minorias e os atropelos à liberdade de expressão.” DUNCAN INNES-KER DIRECTOR DA ÁSIA THE ECONOMIST INTELIGENT UNIT


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segunda-feira 5.2.2018

de regressão a consolidação do poder de alguns líderes chave da região, a crescente intolerância em relação a minorias e os atropelos à liberdade de expressão”. As duas maiores democracias emergentes asiáticas, a Índia e a Indonésia, sofreram declínios acentuados nas respectivas pontuações. A Índia caiu da 32ª posição, que ocupava em 2016, para o lugar 42, enquanto a Indonésia desceu do lugar 48 para 68. Um dos maiores reveses sofridos pelo Estado indonésio, que explicam a queda de 20 lugares no ranking, está relacionado com o município de Jacarta, após a prisão por blasfémia contra o Islão do antigo Governador, Basuki Tjahaja Purnama, um cristão de origem chinesa. O ex-governante foi condenado a uma pena de prisão de dois anos.

CHINA NA CAUDA

A ascensão das ideologias conservadoras e religiosas também afectaram a Índia. O fortalecimento das forças Hindus de direita levou ao aumento do número de melícias e vigilantes e da opressão de comunidades de minorias, em especial muçulmanas, e outras vozes dissidentes. Cá pela região, Hong Kong caiu três lugares para o lugar 71, num total de 167 jurisdições. Macau não está incluída na lista do The Economist, porém, a pontuação obtida pela região vizinha é um bom indicador comparativo. Na análise de 2017, Hong Kong teve a mesma pontuação que a Namíbia e o Paraguai, ocupando a categoria das democracias com falhas, ficando atrás de territórios como Singapura, Mongólia, Malásia e Sri Lanka. Neste aspecto é de referir que a China ficou no 139º lugar, entre 167 países e territórios, ocupando a categoria dos regimes autoritários, atrás de países como Zimbabué, Ruanda, Rússia, Cuba, Venezuela Angola, Moçambique e Iraque. O resultado chinês foi influenciado pela consolidação do poder de Xi Jinping, algo que teve o seu apogeu na inscrição do pensamento do presidente sobre a Nova Era de socialismo de características chinesas na constituição do Partido Comunista Chinês. Além disso, a pontuação chinesa também foi influenciada pela aceleração do estado de vigilância trazido pelas políticas de Pequim no que toca à ciber-segurança e pela perseguição e prisão de activistas dos direitos humanos e líderes religiosos. Apesar de terem características políticas completamente diferentes, também o Japão e as Filipinas viram os seus líderes consolidarem o poder. O Primeiro-Ministro Shinzo Abe assegurou o quarto mandato à frente dos destinos do Japão, depois de uma vitória es-

magadora do seu partido, o Partido Democrático Liberal, que mantém a posição dominante na legislatura. No que diz respeito às Filipinas, que ocupa o lugar 51, o país desceu a sua pontuação devido à pouco precisa declaração de lei marcial na parte sul de Mindanao e pela actuação autoritária do presidente Rodrigo Duterte.

IMPRENSA LIVRE

Um dos factores de análise da equipa de investigação do The Economist é a liberdade de imprensa e de expressão. Nesse domínio, a editora do relatório, Joan Hoey, explica que a liberdade de expressão enfrenta uma tripla ameaça. “Tanto nos regimes democráticos como autoritários, o crescimento do uso de processos por difamação, a prevenção do terrorismo e as leis de blasfémia são entraves à liberdade de expressão”. As ameaças à liberdade de expressão não são oriundas apenas

das estruturas de poder político. “Entidades privadas, onde se incluem militantes islâmicos, gangs criminais e interesses instalados usam a intimidação, ameaças, violência e homicídio para limitar o discurso livre. Aqueles que argumentam pelo direito de não se sentirem ofendidos estão a exigir “espaços seguros”, “avisos de ofensas” e leis e regulamentos para trazer o “discurso odioso” nas redes sociais de forma a limpar a vida pública de conteúdos alegadamente ofensivos”, explica a editora. De acordo com o índice respeitante à liberdade de imprensa, o estudo revela que apenas 30 países, do universo de 167 estudados, estão classificados como “completamente livres”. Esta parcela representa apenas 11 por cento da população mundial. Na categoria de parcialmente livre estão 40 países, onde vive 34,2 por cento da população mundial. De resto, 97 países do Índice de Liberdade de Imprensa tiveram notas que os colocaram na categoria de “sem liberdade”.

PILARES TREMIDOS

Apesar dos maus resultados, 2017 é um ano que traz alguma esperança, pelo menos no contraste

“Tanto nos regimes democráticos como autoritários, o crescimento do uso de processos por difamação, a prevenção do terrorismo e as leis de blasfémia são entraves à liberdade de expressão.” JOAN HOEY EDITORA DO RELATÓRIO

A CHINA ficou no 139º lugar, entre 167 países e territórios, ocupando a categoria dos regimes autoritários, atrás de países como Zimbabué, Ruanda, Rússia, Cuba, Venezuela, Angola, Moçambique e Iraque

com o ano anterior. De acordo com os autores do relatório, “se 2016 teve uma notável insurgência de populismo contra políticos e partidos mainstream em democracias desenvolvidas na Europa e na América do Norte, 2017 foi marcado pela resposta a este populismo evidente nos movimentos de oposição ao Brexit e à administração Trump”. No Estados Unidos, o estudo realça a polarização política, que tem vindo a crescer ainda mais desde que Donald Trump ocupa a Casa Branca, intensificando clivagens entre republicanos e democratas em temas como a imigração, economia e políticas ambientais. “As crescentes divisões entre os dois pólos políticos ajudam a explicar o porquê das dificuldades de governação da Administração Trump, apesar de os republicanos controlarem ambas as câmaras do Congresso”, lê-se no relatório. Face a este cenário não é de estranhar que os Estados Unidos tenham sido classificados como uma democracia com falhas, uma classificação que abrange tam-

bém a grande maioria dos países europeus como, por exemplo, Portugal, Itália, França, Grécia e Bélgica. O último classificado na lista de países com democracias completas é a Espanha, que viu o seu lugar posto em causa devido à forma como Madrid lidou com a questão catalã. A equipa do The Economist não deixou passar em claro as tentativas de parar o referendo pela independência da Catalunha, nomeadamente a forma como foram invadidas assembleias de voto, se encerraram portais de internet e se perseguiram eleitores. A maioria dos países europeus classificados como democracia com falhas situam-se na Europa de Leste, com a Roménia à cabeça desta lista, ocupando o número 64 do ranking. De acordo com o relatório, “a Europa de Leste tem tradicionalmente pontuações baixas no Índice de Democracia devido à fraca cultura política, transições políticas para a democracia e dificuldades na salvaguarda da lei e contra a corrupção”. João Luz

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5.2.2018 segunda-feira

Pureza judicial

CONDOMÍNIOS E ORÇAMENTO CONSELHO EXECUTIVO CONSULTA AL

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Conselho Executivo terminou na sexta-feira a discussão de dois regulamentos que vão ser entregues à Assembleia Legislativa, onde serão analisados e votados. Os documentos em causa são a “Regulamentação da Lei da Actividade Comercial de Administração de Condomínios” e a “Regulamentação da Lei de Enquadramento Orçamental”. O primeira visa complementar a Lei da Actividade Comercial de Administração de Condomínios, que entra em vigor a 22 de Agosto, e “define os procedimentos administrativos sobre o requerimento, concessão, renovação, suspensão e cancelamento da licença da actividade comercial de administração de condomínios”. Neste documento legal fica definido que este tipo de procedimentos tem de passar pelo Instituto de Habitação (IH) e que as licenças vão passar também a estar disponíveis no formato electrónico. “Cerca de 200 e tal empresas vão ser abrangidas por este documento. O Instituto de Habitação vai reunir-se na terça-feira com o sector para transmitir informação mais detalhada sobre as alterações”, disse Leong Heng Teng, porta-voz do Conselho Executivo, na sexta-feira, numa conferência de imprensa, na sede do Governo. Em relação à “Regulamentação da Lei de Enquadramento Orçamental”, os serviços e organismos ganham maior flexibilidade para terem autonomia financeira, deixando de estar obrigados a que as receitas próprias sejam 30 por cento das despesas totais. Por outro lado, no âmbito do Plano de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração (PIDDA), os projectos passam a precisar de apresentar um estudo preliminar, onde constam objectivos e viabilidades técnica, económica e resultado pretendido.

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Á são conhecidas as razões para os juízes do Tribunal de Segunda Instância (TSI) terem recusado a providência cautelar apresentada por Sulu Sou, relativa à votação da Assembleia Legislativa (AL) que levou à perda temporária do seu mandato. Os juízes Cândido de Pinho, Tong Hio Fong e Lai Kin Hong consideraram que “o que a AL fez, através do plenário, foi um exercício de uma pura acção política”, referindo-se à votação como uma “prerrogativa de cariz político”. “Esta deliberação não é um acto administrativo, visto que não foi proveniente de nenhum órgão da Administração e no exercício de uma função administrativa ou no quadro de uma actuação da administração pública em sentido material. Foi, em vez disso, praticado por um órgão eminentemente legislativo com um enquadramento político, claramente.” A votação levada a cabo pelos 33 deputados do hemiciclo tratou-se de um acto “político o móbil”, pois “é político o ambiente em que foi produzida e são políticas a matéria e natureza envolvidas”. Isto porque “a maioria dos deputados, quando assim agiu, tê-lo-á feito em representação directa ou indirecta dos eleitores, ou como representantes do Governo que os tiver nomeado”. O acórdão faz referência à lei de bases de organização judiciária, que determina que os tribunais apenas se podem pronunciar sobre matérias do foro administrativo. “O edifício jurídico-normativo da RAEM parece ter sido arquitectado para fazer escapar do controlo dos tribunais a actividade do plenário da AL, naquilo que ela tem de geneticamente político, pois nem sequer o Tribunal de Última Instância dispõe de competência para tal”, pode ler-se. Os juízes apontam também que nenhum tribunal tem competência para analisar a providência cautelar apresentada por Sulu Sou. “Este tribunal não dispõe de competência legal para julgar os actos do plenário da AL, pois em lado nenhum do artigo da lei de bases da organização judiciária ela nos é referida.” Em relação à AL, o TSI apenas se poderia pronunciar sobre “decisões do respectivo presidente e Mesa”, o que não aconteceu, pois

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SULU SOU RECUSADA PROVIDÊNCIA CAUTELAR POR SER UM “EXERCÍCIO DE PURA ACÇÃO POLÍTICA”

coube aos 33 deputados votarem a favor ou contra a suspensão temporária de Sulu Sou como deputado, por forma a responder em tribunal pelo crime de que é acusado, de desobediência qualificada. Os juízes do TSI lembram ainda que a lei de bases de organização judiciária não foi sequer feita a pensar na acção dos tribunais em relação a este tipo de casos. “A deliberação do plenário não é sindicável pelo TSI. Então, em qual tribunal será? A resposta é: em tribunal nenhum. O sistema jurídico de Macau não prevê a sindicabilidade das deliberações do plenário junto de tribunais ordinários, pois em lado nenhum da lei de bases da organização judiciária está contemplada essa possibilidade.” Desta forma, “o próprio legislador não contemplou a hipótese

de o plenário da AL praticar actos administrativos ou em matéria administrativa”. Recorde-se que os deputados Vong Hin Fai e Kou Hoi In apresentaram na AL um projecto de lei que visava afastar os tribunais de se pronunciarem sobre matérias do foro legislativo, argumentando que situações como a suspensão ou perda de mandatos “são actos livres de interferência de qualquer outro órgão ou indivíduo, de modo a evitar que seja posto em causa o normal funcionamento da estrutura politica definida na Lei Básica”. O projecto foi, entretanto, retirado do hemiciclo.

ACTO DA AL “ÚTIL À CAUSA PÚBLICA”

Os juízes consideraram ainda que o acto praticado pelo hemiciclo não visou a suspensão definitiva de Sulu Sou, que manteve, aliás, o seu ordenado, e que não o prejudicou

como indivíduo, mas apenas na sua qualidade de político. “A suspensão declarada do mandato do deputado (...) não apresenta nenhuma vertente punitiva ou sancionatória. Ela pretendeu somente conferir uma espécie de moratória à condição de deputado, portanto temporária, e com um fim que, se nos é permitido dizê-lo, acaba por ser útil e relevante tanto à causa pública, ao ter por missão a defesa da imagem de um órgão de soberania, como à causa privada da própria esfera política do deputado.” Cândido de Pinho, Tong Hio Fong e Lai Kin Hong defendem que, desta forma, Sulu Sou “passa a ver assegurada a possibilidade de se defender e provar rapidamente a sua inocência e retomar, quanto antes, a integralidade dos poderes para que foi eleito”.


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O acórdão do Tribunal de Segunda Instância, quanto à recusa da providência cautelar apresentado por Sulu Sou, aponta para o facto dos tribunais não terem, à luz da lei, poder para apreciar matérias aprovadas pelo hemiciclo. Os juízes defendem que a votação que levou à suspensão do mandato foi uma “prerrogativa de cariz político”. O acórdão afirma ainda que Ho Iat Seng negou a defesa de Sulu Sou

foi levantada, tendo Ho Iat Seng voltado a frisar a mesma premissa. “Durante a reunião plenária foi suscitada a questão de o deputado requerente ter ou não ter direito de audiência e/ou de defesa, direito que lhe foi negado pelo presidente da AL (nesta qualidade ou na qualidade de presidente da Mesa da AL).”

O “PARECER” DA COMISSÃO

O acórdão do TSI faz também uma referência ao parecer da Comissão de Regimento e Mandatos da AL, liderada pelos deputados Vong Hin Fai e Kou Hoi In, que determinou que deveria ser o plenário a pronunciar-se quanto à suspensão ou continuação do mandato de Sulu Sou no hemiciclo.

A votação “não é um acto administrativo, visto que não foi proveniente de nenhum órgão da Administração e no exercício de uma função administrativa ou no quadro de uma actuação da administração pública em sentido material. Foi, em vez disso, praticado por um órgão eminentemente legislativo com um enquadramento político, claramente.” ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE SEGUNDA INSTÂNCIA

“Nem a própria condição de deputado ele perdeu com esta deliberação, do mesmo modo que a sua situação remuneratória ficou inteiramente intocada. Portanto, a deliberação não visou a produção de efeitos na situação individual e concreta do cidadão administrado. Em vez disso, limitou-se unicamente a suspender o exercício do mandato que recebeu dos seus eleitores, sem interferir tampouco com a condição definitiva de deputado, que não perdeu”, acrescenta o acórdão.

HO IAT SENG NEGOU DEFESA

O acórdão dá também conta de que o presidente da AL, Ho Iat Seng, negou a possibilidade de defesa de Sulu Sou, que não só não pôde votar como lhe foi negado o uso da palavra no dia da votação para a suspensão do seu mandato.

“Durante a reunião plenária o presidente da AL (nesta qualidade ou na qualidade de presidente da Mesa da AL), manteve a posição de que o deputado requerente estava em conflito de interesses,

tendo o mesmo sido impedido de tomar autonomamente a palavra no debate, bem como exercer o direito de voto, ficando-lhe somente possibilitada a actividade dependente e subordinada consubstanciada no

‘direito de assistir [à reunião plenária]’ e no ‘direito de prestar as informações e os esclarecimentos que sejam solicitados’.” Os juízes lembraram também que, durante o debate, esta questão

SULU SOU DIZ QUE REJEIÇÃO PELO TSI “É INADMISSÍVEL”

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ulu Sou reagiu ontem na sua página oficial de Facebook ao acórdão do TSI, considerando que a decisão dos juízes de não se pronunciarem sobre a matéria é “inadmissível”. “Tomei esta acção legal porque muitos de nós acreditam que a AL violou a lei de uma forma grave. Contudo, o tribunal não decidiu sobre o mérito do caso. O tribunal não decidiu se os meus argumentos estavam correctos ou errados. O tribunal teve a perspectiva de que esta não é uma matéria para os tribunais decidirem. Concluímos que estávamos

no direito de apresentar esta acção legal: não encontrámos argumentos legais e razoáveis que convencessem uma pessoa bem informada de que a AL não violou a lei.” Sulu Sou continua a defender que a suspensão do seu mandato deve ter uma natureza semelhante à da perda do mandato. “O presidente da AL aceitou duas vezes no tribunal de que uma deliberação de perda de mandato de um deputado está sujeita à jurisdição dos tribunais e das leis administrativas. A nossa opinião é que a deliberação que suspendeu o

mandato é similar na sua natureza e deveria ter um estatuto semelhante.” Tendo adiantado que o TSI “enfrentou uma questão complicada”, por estarem envolvidos dois órgãos independentes, Sulu Sou não deu certezas se vai ou não recorrer da decisão. “Vamos analisar em profundidade a decisão do tribunal e vamos decidir se vamos ou não recorrer para o TUI. Macau já está a ganhar: afirmar a autonomia da AL é uma forma de confirmação da sua independência em relação ao Governo. Esta é uma causa que todos nós devemos abraçar.”

Contudo, a palavra parecer é colocada entre aspas. “A comissão, que reunira duas vezes, elaborou um documento que denominou ‘parecer’, datado de 20/11/2017 (...) que foi enviado ao presidente da AL. Na sequência do aludido ‘parecer’, a Mesa da AL aprovou a deliberação de 22/11/2017, na qual determinou que o deputado requerente estava em situação de conflito de interesses, ficando por esta via proibido de participar na discussão e votação.” Recorde-se que, aquando da apresentação do pedido de suspensão de eficácia nos tribunais, a defesa de Sulu Sou alegou a existência de vícios neste processo de suspensão, tendo apontado o dedo à conduta da Comissão de Regimento e Mandatos, bem como à presidência e Mesa da AL, lideradas por Ho Iat Seng. Andreia Sofia Silva

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5.2.2018 segunda-feira

Wong Sio Chak “Segundo tenho conhecimento nunca houve casos em que os juízes portugueses tenham quebrado o sigilo profissional. Mas esta proposta não está relacionada com o facto de terem ocorrido casos desse género”

SEGURANÇA SECRETÁRIO APOIA PROPOSTA PARA AFASTAR MAGISTRADOS ESTRANGEIROS

Juízes lusos sem suspeitas

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ÃO há casos registados ou suspeitas de quebra de sigilo por parte dos juízes portugueses em Macau, mas a segurança nacional exige que sejam os magistrados chineses a julgarem os casos que envolvem informação nacional. Foi esta a posição defendida por Wong Sio Chak, na sexta-feira, à margem da tomada de posse do novo director da Polícia Judiciária, Sit Chong Meng. “Em termos de Segurança e desta tutela concordamos com a ponderação da secretária para a Administração e Justiça. Segundo tenho conhecimento nunca houve

Wong Sio Chak garante que não há casos de quebra de sigilo profissional dos juízes portugueses, mas defende que as questões de segurança nacional devem ser julgadas por juízes chineses

casos em que os juízes portugueses tenham quebrado o sigilo profissional. Mas esta proposta não está relacionada com o facto de terem ocorrido casos desse género”, clarificou Wong Sio Chak. “Estes casos têm a ver com informação a nível nacional e temos de ter em conta os interesses nacionais. Não é um dúvida em relação aos juízes portugueses. Pelo que sei

não houve qualquer caso [de fuga de informação]. Estes assuntos não são da minha tutela, mas pelo que tenho conhecimento não houver qualquer caso nem indícios [de ilegalidades]”, acrescentou. De acordo com a proposta do Governo para a revisão da Lei de Bases da Organização Judiciária os juízes com nacionalidade estrangeira vão ficar impedidos de

“NUNCA DISSE QUE ÍAMOS ESPIAR AS APLICAÇÕES MÓVEIS”

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uero esclarecer que jamais disse nessa conferência de imprensa [após passagem do Hato] ou em outra ocasião que durante a passagem de um tufão íamos ouvir as comunicações da população ao nível dos telemóveis. Nunca disse que

íamos espiar as aplicações móveis” afirmou Wong Sio Chak, quando questionado se a legislação de prevenção e protecção de catástrofes naturais iria permitir às autoridades acompanharem os grupos de conversação nas aplicações móveis, para

evitar a difusão de rumores. “Na altura o que eu disse é que durante as catástrofes naturais ou tufões temos de resolver os casos em que são promovidos rumores. Portanto, em termos de legislação, são casos que já são considerados como

crimes. Só nesses casos é que vamos recorrer à transmissão de mensagens”, acrescentou. “Não vamos ler as mensagens da população, só nos casos em que foram cometidos crimes, com o objectivo de garantir a ordem e segurança pública”, frisou.

TÁXIS “ASSINEI MUITOS RELATÓRIOS DE COLEGAS FERIDOS”

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problema ligado às ilegalidades cometidas pelos taxistas só vai ser resolvido com uma nova legislação. Esta é a opinião de Wong Sio Chak, que revelou já ter assinado “muitos relatórios de colegas feridos” devido aos trabalhos de inspecção junto do sector. “Em termos da legislação há falhas e lacunas e na aplicações de punições há

alguma dificuldade, o que causa falta de eficácia. A punição acaba por ser leve, o que faz com que existam cada vez mais ilegalidades” disse o secretário para a Segurança. “Enfrentamos vários riscos, temos de trabalhar nas ruas e parar esses táxis. Mas eles fazem tudo para evitar as investigações e o policiamento. Também tenho colegas que ficaram feridos, assinei

muitos relatórios de colegas feridos devido a investigações a taxistas”, apontou. Wong Sio Chak defendeu assim que “para resolver este problema, o mais importante é uma legislação que corresponda às necessidades de execução da lei e às expectativas da população”. Informou também, que a futura legislação do sector já foi entregue ao Conselho Executivo.

julgarem casos em que esteja em causa a segurança nacional. Uma medida que tem criado alguma polémica entre as pessoas ligadas ao Direito local.

PREPARAÇÃO PARA TUFÕES

Na mesma ocasião, Wong Sio Chak abordou as alterações no dispositivo de segurança para responder a catástrofes naturais, como tufões, e

revelou que a versão final das alterações legislativas vai ser apresentada esta semana ao Conselho Executivo. “Temos de fazer planos para enfrentar as catástrofes naturais, em coordenação com outros serviços, como Instituto para a Acção Social. É natural que em termos de médio prazo tenhamos de apresentar legislação. A versão final é entregue hoje [sexta-feira] e na próxima [esta] semana vou entregá-la ao Conselho Executivo para em termos de legislação e prevenção ver como podemos fazer face às catástrofes naturais”, comentou. Wong Sio Chak sublinhou a necessidade de ser estabelecido um sistema de comunicação eficaz com a população em casos de cortes nas telecomunicações. Nesse sentido, foram adquiridos 60 walkie-talkies, que vão ser distribuídos pelas equipas de salvamento e forças de segurança. Além disso, o Corpo de Bombeiros tem um plano para adquirir viaturas com altifalantes para comunicar com a população. Outra solução pode passar por instalar os altifalantes junto das câmaras de vigilância junto às estradas. “Vamos fazer os nossos melhores esforços e vamos garantir que a tecnologia nos vai auxiliar na transmissão de mensagens durante a passagem de tufões”, garantiu o secretário para a Segurança. João Santos Filipe

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segunda-feira 5.2.2018

Segundo uma notícia da Bloomberg, agências do Governo Central estão a preparar a introdução de jogo online e criação de lotarias ou apostas desportivas em Hainão. A longo prazo a medida pode levar mesmo à criação de casinos da Ilha no Mar da China

JOGO CHINA PONDERA AVANÇAR COM MERCADO QUE VAI CONCORRER COM MACAU

Inimigo dentro de portas

O

Albano Martins, economista “A criação de jogo online será um primeiro passo para que depois surja o jogo físico. Todas as decisões que forem nesse sentido na China são um tiro nos pés de Macau.”

pois surja o jogo físico. Todas as decisões que forem nesse sentido na China são um tiro nos pés de Macau”, considerou. Apesar de tudo, o economista admitiu duvidar da informação, argumentando com o actual contexto político: “A China com o

sistema que tem, cada vez mais fechado e contra o jogo... Estranho que queira tomar essa medida em Hainan”, confessou. “Macau muitas vezes já é visto como uma pedra no sapato para a China. Criar um mercado em Hainão seria criar outra pedra no sapato, sobretudo

numa região chinesa, que não tem Segundo Sistema. Tenho muitas dúvidas” frisou.

MACAU TEM VANTAGENS

Por sua vez, José Isaac Duarte sublinhou, ao HM, que qualquer mercado que abra na China vai na-

Cibersegurança e terrorismo Novo director da Polícia Judiciária define prioridades para este ano

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questão da cibersegurança e as ameaças terroristas estão entre as áreas a que a Polícia Judiciária vai prestar mais atenção ao longo do ano. As prioridades foram apontadas por Sit Chong Meng, director da Polícia Judiciária, após ter tomado

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Governo chinês está a trabalhar numa proposta para permitir alguns tipos de jogo em Hainão, de acordo com a Bloomberg. A notícia foi avançada na sexta-feira, fez as acções das operadoras do território fecharem o dia na Bolsa de Hong Kong com quebras e, caso se confirme, cria um concorrente dentro da China para Macau. De acordo com as poucas informações disponíveis, agências governamentais do Interior da China, sob a supervisão de um grupo liderado pelo presidente Xi Jinping, estão a considerar permitir jogo online e uma lotaria ou apostas desportivas na província, que tem como uma das principais actividades o turismo. No entanto, segundo duas fontes anónimas citadas pela agência noticiosa, a longo prazo a proposta poderá mesmo abrir a porta para a construção de casinos. Este é um plano que inclui também o relaxamento das condições de entrada em Hainão para os turistas e a construção de um novo aeroporto. Na opinião do economista Albano Martins o principal aspecto da medida será a criação de um precedente, que a longo prazo poderá levar à construção de casinos em Hainão. No entanto, o economista fez questão de recordar que este tipo de notícias não é novo e que não têm tido resultados concretos. “Há bastante tempo que o Governo chinês está a ser confrontado com os lóbis de Hainão para avançar com o jogo. Tudo o que envolver a legalização do jogo na China vai concorrer com Macau, independentemente do tipo”, disse Albano Martins, ao HM. “A criação de jogo online será um primeiro passo para que de-

posse na sexta-feira. Também a lei orgânica vai ser revista. “As ameaças terroristas e cibernéticas são duas áreas a que vamos prestar muita atenção. Queremos desenvolver mais o nosso trabalho ao nível da cibersegurança e na prevenção de

ataques terroristas. Vamos criar um centro de cibersegurança e criar uma divisão contra ataques terroristas”, começou por dizer Sit Chong Meng. Por outro lado, Sit desvalorizou os receios ligados a possíveis na privacidade dos cidadãos no âmbito da aplicação da futura lei de cibersegurança. O novo director da PJ destacou que o objectivo é a protecção das infra-estruturas críticas. “A lei serve para prevenir ataques cibernéticos e para manter o funcionamento da sociedade”, sublinhou.

O PROBLEMA DOS RECURSOS HUMANOS

Para a aplicação da lei da cibersegurança e a criação de um centro para este efeito, Sit Chong Meng

turalmente concorrer com Macau, no entanto, defende que a RAEM tem as suas vantagens. “Todas as actividades de jogo que sejam legalizadas na China significam um potencial desvio de recursos financeiros, ou pelo menos, de jogadores de Macau. Em termos, daquilo que chamamos os jogadores mais pesados [VIP], Macau continuará a ter a vantagem de ser uma jurisdição especial do ponto de vista financeiro e jurídico e, portanto, terá facilidades financeiras e jurídicas que Hainão, em princípio, não terá. Se eles as tivessem a concorrência seria a mais acentuada”, disse o economista. “Nenhuma jurisdição na Ásia tem as facilidades que Macau tem em termos de proximidade, facilidade de acesso, proximidade linguística e cultural e o facto de ser um região chinesa com regulamentação financeira e um quadro jurídico diferente, que é mais flexível em muitos aspectos do que aquele que existe no Interior da China. São vantagens que não são fáceis de replicar”, justificou. Em relação ao dia em que foi conhecida a notícia todas as operadoras do território registaram quebras na bolsa de Hong Kong, recuos que variaram entre 0,19 por cento e 2,64 por cento. João Santos Filipe

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admitiu que a PJ vai precisar de contratar 25 pessoas. “Nos últimos anos temos enviado pessoas para França e Singapura para receberem formação. Os técnicos e técnicos superiores já têm qualidade e é reconhecida”, afirmou Sit. “Mas quando se iniciam novos serviços é sempre preciso contratar mais pessoas para fazer o novo trabalho, não é só em Macau”, defendeu. Com a indústria do jogo a recuperar, o novo director da PJ foi questionado sobre a entrada de capitais vindos de Hong Kong. Em causa está o dinheiro levantado em máquinas multibanco com cartões UnionPay, que não têm o mecanismo de reconhecimento facial. “Desde o ano passado que temos uma lei sobre o montante em dinheiro vivo com que as pessoas podem entrar em Macau. Temos as ferramentas para investigar a origem dos dinheiros, se necessário. Por isso, neste momento não há qualquer problemas que o dinheiro que entra em Macau”, apontou. J.S.F.


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A prova cabal ENSINO EPM COM MELHOR MÉDIA ENTRE ESCOLAS PORTUGUESAS

OS Serviços de Saúde (SS) adiantaram à deputada Ella Lei que no ano passado foram contratados 82 novos enfermeiros especialistas, tendo existido “um aumento contínuo do número desses enfermeiros”. Na resposta à interpelação escrita da deputada, assinada pelo director dos SS substituto, Cheang Seng Ip, é referido que os SS “têm 163 enfermeiros especialistas”. “Em comparação a 2015, quando havia 104 enfermeiros especialistas, registou-se uma subida de mais de 50 por cento, o que representa um avanço”, explica Cheang Seng Ip, sendo que este acrescentou que os números

“correspondem às necessidades de cuidados de enfermagem”. Na área da psiquiatria os SS explicam também que “tem havido recrutamento de pessoal de saúde pelo serviço de psiquiatria do Centro Hospitalar Conde de São Januário”. “Entre 2015 e 2017 houve um aumento do número de psiquiatras, de 13 para 17, atingindo os 30.8 por cento”. Em relação ao número de enfermeiros nesta especialidade, os SS apontam que passaram de 47 para 51, “uma subida de 8.5 por cento, conseguindo praticamente satisfazer as necessidades do serviço geral”.

Caso da cadela assassinada entregue ao MP O caso da cadela de rua cuidada pela ANIMA alegadamente assassinada em Julho do ano passado foi entregue ao Ministério Público, de acordo com a informação prestada pela PSP. “Após as diligências efectuadas por esta Polícia, [o caso] foi devidamente encaminhado ao Ministério Público para os devidos efeitos. Neste momento a PSP não tem nada a referir sobre o caso”, comunicou a PSP, ao HM. O alerta para o desaparecimento da cadela tinha sido dado a 15 de Julho, mas o corpo do animal só foi

Sands patrocina cabazes

A Loja Social da Santa Casa da Misericórdia de Macau efectuou nova distribuição mensal de cabazes no sábado, dia 2, com o donativo de trezentas mil patacas da Sands China Ltd. que, pelo sexto ano consecutivo, patrocina este projecto de apoio solidário da Irmandade, num montante que se eleva já a um milhão e setecentas mil patacas. Nos cabazes entregues a 360 famílias, com produtos alimentares essenciais como arroz, óleo alimentar, leite, cereais, alimentos em conserva e produtos de higiene foram especialmente incluídos, em vésperas do Ano Novo Lunar, carnes fumadas e dieta vegetariana, ingredientes tradicionais para a confecção de refeições com grande simbolismo para a comunidade local nesta celebração

encontrado a 25 desse mês. Apesar da queixa da ANIMA, as imagens de uma câmara de trânsito da DSAT instalada na zona em que foi abandonado o animal, ou seja junto à sede da associação, acabaram mesmo por ser destruídas, devido à falta de coordenação entre a força policia e a entidade responsável pelos assuntos de tráfego. Sobre essa questão, a PSP não emitiu qualquer resposta. Em causa, neste caso, poderá estar uma violação à Lei de Protecção dos Animais.

da Primavera, a principal festividade chinesa em Macau, bem como brindes especiais da patrocinadora. A entrega simbólica do cheque ao provedor António José de Freitas e representantes da Irmandade pelo Presidente da Sands China, Ltd., Wilfred Wong e por Winnie Wong (Vice-Presidente de Corporate Communications and Community Affairs da Sands, Ltd.), foi presenciada pelos dirigentes da União Geral das Associações de Moradores de Macau (UGAMM), Leong Heng Kao; e da Federação das Associações de Operários de Macau (FAOM), Sio I Man, as duas associações que têm apoiado a Loja Social da SCMM na triagem das famílias mais carenciadas e com dificuldades de subsistência face à carestia de vida.

A Escola Portuguesa de Macau obteve uma média de 11,88 ao nível dos exames, a melhor tendo em conta o grupo de escolas portuguesas no estrangeiro. A Escola Portuguesa de Luanda ficou em segundo lugar, com uma média de 11,64 valores. Miguel de Senna Fernandes mostra-se satisfeito com os resultados, apesar da baixa média registada

O

S alunos de Macau e Angola são os únicos que conseguem que as escolas portuguesas que frequentam no estrangeiro tenham média positiva nos exames nacionais do ensino secundário, segundo dados do Ministério da Educação em Portugal. A agência Lusa analisou as notas dos alunos de oito escolas situadas em países que pertencem à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, desde a Guiné-Bissau até Timor-Leste. Olhando para os resultados dos alunos nos exames nacionais do secundário, apenas três escolas conseguem ter média positiva: a Escola Portuguesa de Macau (EPM), com uma média de 11,88 valores, e duas escolas da capital angolana – a Escola Portuguesa de Luanda (média de 11,64) e o Colégio de São Francisco de Assis (11,41 valores). Angola é o país com mais escolas portuguesas a levar alunos a exame: duas na capital e uma em Lubango, cujos alunos tiveram uma média de 7,88 valores nos exames. O estabelecimento de ensino mais mal classificado é a Escola Portuguesa da Guiné-Bissau (4,79 valores em 42 exames), uma média que coloca esta escola também em último lugar do ‘ranking’ geral que

TIAGO ALCÂNTARA

Saúde Contratados mais 82 novos especialistas o ano passado

avalia 633 escolas situadas em Portugal e no estrangeiro. As escolas da ilha de São Tomé e Príncipe, do Lubango, da capital de Timor-Leste e da Guiné-Bissau ficam, invariavelmente, abaixo do 600º lugar, num universo de 633 escolas portuguesas. A média das notas dos alunos que frequentam escolas portuguesas no estrangeiro é de 9,88 valores e a nota média dos alunos pelo trabalho realizado ao longo do ano é de 13,08 valores.

No ‘ranking’ que avalia as médias por regiões, as escolas portuguesas aparecem no antepenúltimo lugar, à frente dos alunos das escolas do distrito de Portalegre (média de 9,62 valores) e das ilhas dos Açores (9,80 valores). Nestas oito escolas realizaram-se 1.046 provas na primeira fase dos exames nacionais. De notar que, tendo em conta os dados dos últimos anos lectivos, não houve uma grande evolução ao nível das médias dos exames nacionais. No

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Notificação edital (4/FGCL/2018)

Notificação edital (5/FGCL/2018) Nos dos pedidos: 164/2017, 165/2017, 167/2017, 168/2017

No de pedido: 161/2017

Nos termos da alínea 1) do n.o 1 do artigo 9.o da Lei n.o 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.o 2 do artigo 72.o do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.o 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor do pedido acima referido, “Jin Long – Titular do Estabelecimento Jin Ying Hui”, com sede na Avenida da Amizade, Starworld Hotel, 6º andar, Macau, o seguinte: Relativamente ao ex-trabalhador (Choi Sa Nei), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo de pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 11 de Janeiro de 2018, deliberou, nos termos do artigo 6.o da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos e dos juros de mora em causa para o ex-trabalhador acima referido, no valor total de $72 953,80 (setenta e duas mil, novecentas e cinquenta e três patacas e oitenta avos). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos àquele ex-trabalhador, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.o da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo. 31 de Janeiro de 2018

Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos números dos pedidos acima referidos, “Companhia De Grupo M&G Limitada”, com sede na Alameda Dr. Carlos D’Assumpção nos 336-342, Centro Comercial Cheng Feng, 8º andar A, R, o seguinte: Relativamente aos quatro ex-trabalhadores (Chao Long Chi, Wong Lai Man, Teng Io Ieong e Lei Lei Mei), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo para pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 11 e 25 de Janeiro de 2018, deliberou, nos termos do artigo 6.o da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos e dos juros de mora em causa aos ex-trabalhadores acima referidos, no valor total de $59 871,40 (cinquenta e nove mil, oitocentas e setenta e uma patacas e quarenta avos). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos àqueles ex-trabalhadores, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.o da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo. 31 de Janeiro de 2018

O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong

O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong


sociedade 9

segunda-feira 5.2.2018

ano lectivo de 2015/2016, a EPM voltou a ficar em primeiro lugar em termos das escolas portuguesas no estrangeiro com nota positiva, mas ficou-se pelos 11,53 valores de média.

MAIS MACAENSES INTERESSADOS

Em declarações ao HM, Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação de Promoção da Instrução dos Macaenses (APIM), responsável pela gestão da EPM, mostrou-se muito satisfeito com estes resultados. “É sempre com muita satisfação que recebemos esta notícia. É a prova cabal de que o projecto funciona muito bem e é uma das razões para ser um atractivo para outras pessoas que não estejam habituadas ao ensino do português e que recorrem à EPM para educar os seus filhos nesta área.” O advogado lembrou que se trata de uma boa média, apesar de não saberem que critérios foram utilizados pelo Ministério da Educação português. “A EPM está sempre nos lugares cimeiros e isso já não surpreende, porque continua a ser uma escola de excelência.” O presidente da APIM considerou ainda que o projecto educativo em causa funciona, apesar da baixa média registada. “É sempre bom estar em primeiro lugar. Acreditamos sempre que o projecto funciona e que continua a ser actual. A EPM serve várias frentes, porque há interesses na área educacional de pessoas que são oriundas de Portugal, em primeiro lugar.” Miguel de Senna Fernandes lembrou que há cada vez mais famílias macaenses a colocarem os seus filhos na EPM. “Há um crescimento cada vez maior no interesse pelo estudo do português. A comunidade macaense está a voltar a aprender português, e digo isto com os registos que temos no jardim de infância D. José da Costa Nunes”, concluiu. Andreia Sofia Silva (com Lusa) andreia.silva@hojemacau.com.mo

“JOVENS EMPREENDEDORES” VÃO ATÉ PORTUGAL

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A

Direcção dos Serviços de Economia (DSE) financia na totalidade uma viagem a Portugal com jovens empreendedores do território, intitulada “Programa de Intercâmbio de Inovação e Empreendedorismo para Jovens da China e dos Países de Língua Portuguesa”. De acordo com o programa a que o HM teve acesso, a viagem inclui visitas às cidades de Lisboa e do Porto, estando agendados encontros na Embaixada da China em Portugal, na Delegação Económica e Comercial de Macau e à Secretaria de Estado da Indústria de Portugal, sem esquecer uma visita à Fábrica de Startups e ao espaço Second Home. No Porto a comitiva, composta por pessoas de 11 associações locais, realiza visitas ao espaço de co-working NIDE Porto e OPO’LAB, além de uma passagem pela Porto Design Factory. Será também feita uma apresentação sobre o Centro de Empreendedorismo para Jovens da China e dos Países de Língua Portuguesa, pelo director dos Serviços de Economia, Tai Kin Ip. Este centro foi criado em Outubro do ano passado e serve, segundo a resposta da DSE ao HM, como “plataforma

Notificação Edital

N.º 6/2018

(execução coactiva)

de encontro e de intercâmbio entre as startups do Interior da China, de Macau e dos países de língua portuguesa”. O programa da viagem deverá proporcionar aos participantes “a utilização dos espaços de trabalho compartilhados, a participação nos cursos de formação e a utilização dos serviços de aconselhamento”. As visitas a Lisboa e ao Porto vão servir para estudar “o rumo do futuro desenvolvimento e cooperação” nesta área. A DSE aponta que, “com o objectivo de acompanhar os resultados de intercâmbio entre as associações e Portugal”, “depois da conclusão da actividade de intercâmbio, todos os representantes das associações têm de apresentar o plano ou a direcção de cooperação que pretendam desenvolver com o Portugal, de modo a impulsionar ainda mais os trabalhos relacionados com o Centro de Intercâmbio”. A.S.S.

Notificação edital (6/FGCL/2018) Nos de pedidos: 163/2017, 3/2018

Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos números dos pedidos acima referidos, “Cali Promoção de Jogos Sociedade Limitada”, com sede na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues nº 600E, Edifício Centro Comercial First Nacional, 12º andar, sala 5, Macau, o seguinte: Relativamente aos dois ex-trabalhadores (Iao Chan In e Leong Chi Man), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo para pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 11 e 25 de Janeiro de 2018, deliberou, nos termos do artigo 6.o da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos e dos juros de mora em causa aos ex-trabalhadores acima referidos, no valor total de $41 855,10 (quarenta e uma mil, oitocentas e cinquenta e cinco patacas e dez avos). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos àqueles ex-trabalhadores, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.o da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo. 31 de Janeiro de 2018 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong

Lai Kin Lon, Chefe do Departamento de Inspecção do Trabalho, manda que se proceda, nos termos do n.º 3 do artigo 9.º e artigo 11.º do Regulamento Administrativo n.º 26/2008 – “Normas de funcionamento das acções inspectivas do trabalho”, conjugados com o n.º 2 do artigo 72.º e n.º 2 do artigo 136.º do Código de Procedimento Administrativo (CPA), aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, à notificação do transgressor “SENG IAM CONSTRUÇÃO SOCIEDADE UNIPESSOAL LDA.” , (número de Registo do Empresário Comercial SO 53878), sita na Rua do Mercado de Iao Hon, n.º 216, Edifício Mei Lin, 1.º andar F, Macau, do Auto de Notícia n.º 15/0708/2018, para no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do primeiro dia útil seguinte à da publicação do presente notificação edital, proceder ao pagamento da multa aplicada no aludido auto, no valor de MOP$20,000.00, por prática da transgressão nos termos do n.º 3 do artigo 62.º da Lei n.º 7/2008 – “Lei das relações de trabalho”, e punida nos termos da alínea 6) do n.º 1 do artigo 85.º da mesma Lei. Deve o transgressor efectuar ao pagamento da quantia em dívida ao trabalhador LAM CHON KEONG dentro do mesmo prazo, no valor total de MOP$46,300.00. Por outro lado, deve o transgressor apresentar ao DIT o comprovativo do pagamento acima referido no 5 (cinco) dias subsequentes ao do termo do prazo acima referido. O transgressor acima mencionado poderá, dentro das horas normais de expediente, levantar as cópias do Auto, a notificação, o mapa de apuramento da quantia em dívida ao referido trabalhador e as guias de depósito, no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.ºs 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 1.º andar, Macau, sendo-lhe também facultada a consulta do processo n.º 1336/2017, mediante requerimento escrito. Decorridos os prazos acima referidos, a falta de apresentação do documento comprovativo do pagamento efectuado, implica a remessa por este DIT, nos termos legais, os respectivos documentos ao Juízo. Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 31 de Janeiro de 2018. O Chefe do Departamento, Lai Kin Lon


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5.2.2018 segunda-feira

CINEMA “LA LIBRERÍA” VENCE MELHOR FILME NOS PRÉMIOS GOYA

1818 FRANKENSTEIN CONTINUA A INSPIRAR ARTE E CIÊNCIA 200 ANOS DEPOIS

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A librería”, de Isabel Coixet, ganhou no sábado as estatuetas para melhor filme, melhor realização e melhor guião adaptado na 32.ª edição dos Prémios Goya, mas a película mais premiada foi “Handia” com dez distinções. Javier Gutiérrez em “El autor” foi considerado o melhor ator principal e Nathalie Poza a melhor actriz principal pelo seu papel no filme “No sé decir adiós”. O filme “La librería”, uma adaptação do romance de Penelope Fitzgerald, ganhou três dos 12 prémios para os quais estava nomeado. À 32.ª edição dos Goya concorreram um total de 130 filmes: 79 de ficção, 48 documentários e três de animação. Os Prémios Goya, ou prémios anuais da Academia espanhola, são os galardões entregues anualmente pela Academia de Artes e das Ciências Cinematográficas de Espanha para premiar os melhores profissionais de cada uma das especialidades deste sector. O prémio consiste na entrega de um busto de Francisco de Goya, um importante pintor espanhol da fase do Romantismo, nascido em 1746 e falecido em 1828.

N

O ano em que se assinala o 200.º aniversário da publicação do romance “Frankenstein”, a Biblioteca Nacional dedica-lhe uma exposição, a editora Guerra e Paz lança uma versão juvenil e os cientistas recordam a sua importância na ciência. O “monstro” Frankenstein nasceu numa noite chuvosa do “ano sem verão” de 1816. O romance que o apresentaria ao mundo – o clássico “Frankenstein”, da escritora britânica Mary Shelley (1797-1851) - foi publicado pela primeira vez em Janeiro de 1818, e com ele nasceu o género “ficção científica”. Mary Shelley cresceu num dos ambientes intelectuais mais avançados de Inglaterra, filha de William Godwin, filó-

sofo e político revolucionário, defensor das ideias libertárias dos iluministas e dos ideais da Revolução Francesa, e de Mary Wollstonecraft, pioneira do feminismo moderno e autora do livro “Reivindicação dos Direitos da Mulher”. No verão de 1816, com apenas 18 anos, Mary acompanhou o futuro marido, o poeta Percy Shelley, o médico e escritor John Polidori e o poeta Lorde Byron numas férias à Suíça, tendo ficado hospedados na Villa Diodati, perto do lago Genebra. Mas o mau tempo e a “chuva incessante” daquele que ficou conhecido como “o ano sem verão”, decorrente de uma grande erupção vulcânica na Indonésia, obrigou-os “a ficar muitas vezes fechados em casa”, escreveu a autora no prefácio da edição de 1831.

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA A FILHA DO PAPA • Luís Miguel Rocha

Sonho de uma noite de inverno

Será o anti-semitismo a verdadeira razão para o Papa Pio XII não ter sido beatificado? Quando Niklas, um jovem padre, é raptado, ninguém imagina que esse acontecimento é apenas o início de uma grande conspiração que tem como objectivo acabar com um dos segredos mais bem guardados do Vaticano - a filha do Papa Pio XII. Rafael, um agente da Santa Sé fiel à sua Igreja e à sua fé, tem como missão descobrir quem se esconde por detrás de todos os crimes que se sucedem e evitar a todo o custo que algo aconteça à filha do Papa. Conseguirá Rafael ser uma vez mais bem-sucedido? Ou desta vez a Igreja Católica não será poupada?

Nessas noites, “alguns volumes de histórias de fantasmas, traduzidas do alemão e francês, caíram-nos nas mãos”, contou a escritora, acrescentando que, para passar o tempo, Lorde Byron lançou-lhes um desafio, que foi aceite: “Cada um de nós vai escrever uma história de fantasmas”. John Polidori escreveu o conto “O Vampiro”, que deu origem à personagem vampiro como hoje é conhecida, mas Mary Shelley sentia-se incapaz de escrever uma história que correspondesse ao que se propusera, “uma que falasse aos medos misteriosos da nossa natureza e despertasse horror arrepiante… uma que fizesse com que o leitor receasse olhar à sua volta, lhe gelasse o sangue e lhe acelerasse as batidas do coração”.

Durante as “muitas e longas conversas” entre Lorde Byron e Shelley, das quais Mary foi “uma devota mas praticamente silenciosa ouvinte”, foram abordados temas como o princípio da vida e a possibilidade de o descobrir, as experiências de Darwin, e experiências ocorridas em Londres sobre a influência da electricidade sobre o sistema nervoso (galvanismo), e a hipótese de assim se reanimar um cadáver. Quando a noite já ia alta – era a madrugada de 16 de Junho -, foram para a cama, mas Mary não conseguiu dormir, com a imaginação a fluir e a dominá-la, até surgirem na sua cabeça, “com uma nitidez muito superior aos limites usuais dos sonhos”, as imagens que iriam compor a sua história. “Vi o pálido

estudante de artes profanas ajoelhado ao lado da coisa que acabara de juntar. Vi o hediondo fantasma de um homem distender-se e, depois, graças a uma poderosa máquina, mostrar sinais de vida”, descreve a autora, que conta como acordou “aterrorizada” e como, assim, descobriu como iria aterrorizar os outros. No romance – que inicialmente era para ser um conto, mas que foi ampliado por incentivo de Percy Shelley – Mary ficciona a história de um jovem cientista, Victor Frankenstein, que, determinado a entender o princípio da vida, desenvolve uma experiência com cadáveres para tentar criar uma bela criatura. O resultado, porém, é um monstro, renegado e abandonado pelo jovem cientista, que

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

RENDIDA • Sylvia Day

Gideon Cross apareceu na minha vida como uma luz na escuridão. Um homem lindo, fascinante, um pouco louco e muito sedutor. A atração que sentia por ele era diferente de tudo o que tinha experimentado na minha vida até então. Eu desejava-o como a uma droga que me enfraquecia dia após dia. Gideon encontrou-me fragilizada e carente e entrou facilmente na minha vida. Descobri que também ele tinha os seus próprios demónios. Tornámo-nos o espelho um do outro; éramos o reflexo das nossas mais profundas cicatrizes e... desejos. Este amor transformou-me, mesmo que ainda hoje continue a rezar para que os pesadelos do passado não voltem para nos atormentar.


eventos 11

segunda-feira 5.2.2018

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então se dedica a perseguir o seu criador até à morte. A primeira edição do romance foi publicada anonimamente em Londres, em Janeiro de 1818, e tornou-se imediatamente um sucesso de vendas. O nome da autora surgiu cinco anos depois, numa segunda edição publicada em 1823, após o sucesso de uma peça de teatro baseada na história, e a edição popular da obra num só volume saiu em 1831. Dois séculos depois da primeira publicação, “Frankenstein” continua a ser uma referência literária, que suscita dúvidas e reflexões, inspira artistas, e inquieta cientistas. Aquela que é tida como a primeira obra de ficção científica da história tem tido diversas adaptações ao cinema, ao teatro e à televisão, mas também

literárias, como a versão juvenil publicada este mês pela Guerra e Paz, na colecção “os livros estão loucos”, adaptada por Raquel Palermo e João Lacerda Matos. “Frankenstein” tem levantado também diversas questões científicas e filosóficas, relacionadas com a ética e os poderes e limites da ciência. O MIT publicou, no ano passado, uma edição de Frankenstein, que combina a versão original de 1818 do manuscrito com anotações e ensaios de especialistas que exploram os aspectos sociais e éticos da criatividade científica levantados por esta história. A revista científica “The Lancet” assinalou, no dia 26 de Janeiro, a efeméride, recordando o artigo escrito, em 1828, pelo primeiro médico a realizar uma transfusão

sanguínea, no qual refere a capacidade de imitar acções da natureza e alude à possibilidade de trazer “Frankenstein” para a realidade. Já a revista “Science” lembrou as inspirações do romance de Shelley para a invenção do marcapasso electrónico, por Earl Bakken, e afirmou que, com o desenvolvimento dos transplantes, será cada vez mais fácil modificar seres humanos, alertando contudo para o risco de criar algo monstruoso. A própria literatura científica está repleta de termos inspirados na história de Mary Shelley, tais como “alimentos Frankenstein”, “células Frankenstein” ou “leis de Frankenstein”, além de especialistas convictos da possibilidade de repetir a experiência enunciada no romance.

Concertos Jazz na Fundação Rui Cunha e no Espaço What’s Up, Pop Up

As sonoridades do jazz vão marcar o próximo fim-de-semana. No sábado, 10 de Fevereiro, às 21 horas, a Fundação Rui Cunha acolhe o concerto de The Jazz Girls & MJPA Sextet. Em palco vão estar Carmen Tang e Christiano Chiong no saxofone, o trombone estará a cargo de Wongweng Hou, Sunny Ho no vibrafone, Mars Lee na guitarra, no baixo vão estar Isa Ieng e Thomax Ho, enquanto que atrás da bateria estará Fan Fan Cheung. O concerto faz parte da rúbrica de jazz aos sábados na Fundação Rui Cunha. No dia seguinte, 11 de Fevereiro, às 19 horas o espaço What’s Up Pop Up é palco para o concerto do Heidi Li Italian Jazz Duo. A cantora e compositora natural de Hong Kong cresceu com um misto de influências da ópera chinesa, pop, soul e jazz. Depois de viver no Canadá, Reino Unido e França, Heidi Li mudou-se para Itália onde viveu sete anos e completou um curso em Performance de Jazz.


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5.2.2018 segunda-feira

PEQUIM CRITICA NOVA ESTRATÉGIA AMERICANA DE ARMAS NUCLEARES

Quatro mortos e seis feridos em explosão numa fábrica

Quatro pessoas morreram e seis ficaram feridas em resultado de uma explosão numa fábrica de produtos químicos na China, anunciaram ontem as autoridades de Linshu, província de Shandong. A explosão ocorreu no sábado, durante uma operação de manutenção da fábrica. A agência de notícias chinesa Xinhua avança que o dono da fábrica foi detido pela polícia para averiguações, desconhecendo-se até agora a origem do rebentamento.

China já tem mais de 770 milhões de internautas

O número de internautas na China, o maior do mundo, aumentou novamente em 2017, para 772 milhões de pessoas, mais do que a população total da Europa, anunciaram as autoridades. No total, 55,8% dos 1,4 mil milhões de habitantes da China são considerados utentes de internet, informou o Centro de Informações da Internet (CNNIC), uma agência governamental. Num ano, a China somou 41 milhões de novos utentes (+5,6%), mais do que a população total do Canadá, indicou o CNNIC. A grande maioria dos internautas (97,5%, cerca de 753 milhões de pessoas) usa dispositivos móveis para se conectar à rede. Em 2017, o número de internautas que compram on-line aumentou 14,3%, para 533 milhões de pessoas, dos quais quase 68% o fazem através do telefone. Ao mesmo tempo, os pagamentos na Internet continuam a aumentar, que já 65% dos internautas o fazem, em comparação com os 50% que o fizeram em 2016. Este sector é dominado pelo Alipay, um aplicativo da gigante de comércio electrónico Alibaba, e pela WeChat Pay, uma função do popular aplicativo de mensagens WeChat da Tencent.

China e Itália lançam satélite capaz de prever terramotos

A China lançou nesta sexta-feira o seu primeiro satélite electromagnético, desenvolvido de forma conjunta com a Itália, para estudar que condições ocorrem no campo electromagnético antes de um terramoto, o que poderia ajudar a prever e monitorizar tais fenómenos. O satélite, de 730 quilos, foi enviado do deserto de Gobi para uma órbita sincronizada com o Sol, a uma distância de cerca de 500 quilómetros. “Ajudará os cientistas monitorizar o campo electromagnético, o plasma ionosférico e as partículas de alta energia durante uma missão que deve durar cinco anos”, explicou Zhao Jin, membro da Administração Espacial Nacional da China, em declarações recolhidas pela agência oficial “Xinhua”. Após o lançamento, o presidente da China, Xi Jinping, e o seu homólogo italiano, Sergio Mattarella, felicitaram-se mutuamente pelo sucesso do envio ao espaço. Na sua mensagem, Xi afirmou que “a China e a Itália alcançaram grandes resultados na cooperação” para este projecto, que “terá um importante papel no alerta de terramotos e na prevenção e a aliviar desastres, bem como para facilitar o desenvolvimento socioeconómico dos dois países”.

Respeito e a falta dele

A

China criticou ontem a nova estratégia de armas nucleares dos Estados Unidos, aconselhando os americanos a perderem a “mentalidade da Guerra Fria” e a assumirem a “responsabilidade principal” no desarmamento nuclear. O Ministério da Defesa chinês afirmou que o documento sobre a nova política de armas nucleares, elaborado pelos serviços americanos da Defesa, Estado e Energia, “especula com o caminho do desenvolvimento” chinês e exagera a ameaça que representam as forças nucleares do país asiático. A nova estratégia de armas nucleares americana, anunciada esta semana pelo Pentágono, exige a introdução de dois novos tipos de armamento, acabando com os esforços da era de Barack Obama para reduzir o tamanho e o alcance do arsenal norte-americano. Durante a apresentação, o secretário de Defesa, Jim Mattis, afirmou que a capacidade dos arsenais nucleares russo e chinês “estão a melhorar”, ao contrário do que acontece com os Estados Unidos. A política da administração anterior dependia do que o então Presidente Barack Obama chamou de obrigação moral para que os Estados Unidos liderassem com o exemplo para livrar o mundo das armas nucleares. Mas oficiais da administração de Donald Trump e do Exército

A

primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, partiu este fim de semana da China com acordos de mais de US$ 13,26 mil milhões assinados ao final de uma missão comercial de três dias durante a qualpresidente chinês, Xi Jinping, prometeu expandir a “era de ouro” do relacionamento. O Reino Unido está a tentar reinventar-se como nação comercial global desde o referendo de 2016 que decidiu pela saída do país da União Europeia, e a China, a segunda maior economia do mundo, está no topo da lista de países com os quais Londres quer assinar um acordo de livre comércio. Durante uma cimeira de negócios em Xangai, a capital comercial da China, May disse que o Reino Unido está de-

norte-americano argumentam que a abordagem de Obama se mostrou excessivamente idealista, particularmente quando a Rússia ressurgiu, com os Estados Unidos a não conseguirem persuadir os seus adversários nucleares a seguir o exemplo. “Esperemos que os Estados Unidos compreendam correctamente a intenção estratégica da China e que assumam uma visão justa sobre a defesa nacional e o

desenvolvimento militar da China”, respondeu hoje o porta-voz da Defesa chinês, Ren Guoqiang, citado pela agência estatal Xinhua. O porta-voz chinês exortou ainda os americanos a perderem “mentalidade da Guerra Fria”.

EUA DESRESPEITAM AMÉRICA LATINA

Entretanto, a China acusou os Estados Unidos de desrespeitarem a América Latina depois

Globalmente seu

do secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, ter alertado os países da região contra a dependência excessiva dos laços económicos com a China. Tillerson, num discurso antes de uma visita ao México, Argentina, Peru, Colômbia e Jamaica, disse que a China estava a ficar mais forte na América Latina, usando políticas económicas para atrair a região para sua órbita. Em comunicado divulgado no final da sexta-feira, respondendo a Tillerson, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China informou que a cooperação entre a China e a América Latina é baseada em interesses comuns e necessidades mútuas. “O que os Estados Unidos disseram é inteiramente contra a verdade e mostrou desrespeito ao vasto número de países latino-americanos”, afirmou o ministério. A cooperação entre a China e os países latino-americanos baseia-se na igualdade, reciprocidade, abertura e inclusão, acrescentou. “A China é um importante comprador internacional de commodities a granel da América Latina e importa cada vez mais produtos agrícolas e de alto valor agregado da região”, informou o ministério. O investimento e a cooperação financeira da China com os países latino-americanos estão em plena conformidade com as regras comerciais e as leis e regulamentos locais, acrescentou.

ços financeiros sozinhas já garantiram acordos de mais de mil milhões de libras esterlinas e acesso a mercados que sigXi e May fazem acordos de US$ 13,26 mil milhões nificarão 890 empregos, inforterminado a ajudar a concre- na e mais de 10 mil vendem os mou o governo, semdar detalhes.Petizar a visão de globaliza- seus produtos para o país asiá- quim vê Londres como um aliação de Xi e uma economia chi- tico”, acrescentou. “Acertá- do importante no seu apelo por mernesa mais aberta. “Enquan- mos medidas para trazer mais cados globais mais abertos, to isso, o Reino Unido prepara- alimentos e bebidas interna- apesar dos temores generali-se para deixar a União Eu- cionalmente reconhecidos zados na comunidade empreropeia. Estamos a aproveitar do Reino Unido para a Chi- sarial estrangeira com a difia oportunidade para nos tor- na, para abrir o mercado para al- culdade de se operar na Chinarmos um Reino Unido glo- guns dos provedores de servi- na, e os dois países referem bal ainda mais aberto para o ex- ços financeiros de nível mun- uma “era de ouro” nas relações. terior, aprofundando nossas re- dial do Reino Unido”, afir- Xi disse a May na capital chinesa que as duas nações develações comerciais com na- mou May. riam “dar um novo significações de todo o mundo, incluindo a do aos laços bilaterais de maneiChina”, frisou. ABERTURA DE VAGAS “O investimento chinês aju- Os US$ 13,26 mil milhões em acor- ra a forjar uma versão aprimorada o Reino Unido a desenvol- dos criarão mais de 2500 empre- da da ‘Era de Ouro’”. ver a infra-estruturas e criar gos em todo o Reino Unido, diempregos, cerca de 50 mil em- vulgou o governo britânico. presas importam bens da Chi- As empresas britânicas de servi-


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APPLE INVESTE 800 MILHÕES EM CENTRO DE DADOS

CAMIONETA EM CHAMAS NO CENTRO DE XANGAI

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Apple anunciou ontem que vai investir 800 milhões de euros (cerca de 8 mil milhões de patacas) na construção de um centro de dados na China, que permitirá gerir os serviços de armazenamento iCloud sem infringir as normas deste país. O centro de dados começará a ser construído ainda em fevereiro na província de Guizhou e deverá entrar em funcionamento em 2020. Será administrado pela empresa Guizhou-Cloud Big Data Industry (GCBD), propriedade do Governo chinês, o que está a levantar dúvidas sobre a segurança das contas iCloud, que armazenam informações pessoais transferidas de iPhones, iPads e computadores. O gigante tecnológico americano avançou para aconstrução do centro para cumprir a legislação da China que exige que os provedores de armazenamento de dados mantenham a informação dos clientes do país em computadores localizados em território chinês. O centro de dados de Ghizou armazenará fotos, vídeos e documentos de contas iCloud de clientes Apple que moram na China, mesmo que eles se ausentem do país em viagem. Os dados de clientes de fora da China continuarão a ser armazenados nos Estados Unidos e no centro de dados da Dinamarca. Enquanto o centro de Ghizou está em construção, a Apple alugará os serviços dos três maiores operadores de telecomunicações do país, de forma a cumprir todos os requisitos legais para operar na China.

TURISMO À PROCURA DE ADRENALINA TRAZ DINHEIRO A REGIÃO POBRE

Pontes e homens

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POIADA no braço de uma amiga, Fang Bing atravessou a mais longa ponte de vidro do mundo, suspensa num desfiladeiro no noroeste da China, numa experiência de “adrenalina”, onde o truque é “não olhar para baixo”. “Arrependi-me quando cheguei a meio”, admite à agência Lusa Fang, uma das curiosas que viajou até ao parque natural de Hongyagu, para caminhar a quase 218 metros de altitude sobre uma plataforma transparente. Inaugurada em Dezembro passado, a ponte de Hongyagu é constituída por 1.077 placas de vidro - cada uma com quatro centímetros de espessura -, e tem 488 metros de comprimento. Fang Bing, que se deslocou cerca de 80 quilómetros desde Shijiazhuang, a capital da província de Hebei, assume ter sentido “muito medo” ao caminhar sobre a ponte. “Mas também se não tivesse sentido, não tinha valido a pena gastar 398 yuan”, acrescenta, referindo-se ao preço do bilhete de acesso à plataforma. Para alcançar a ponte é necessário subir 2000 degraus, num percurso de quase uma hora, que poderá ser evitado a partir de Maio, quando a organização inaugurar um teleférico. Em redor da estrutura, erguem-se até perder de vista dezenas de montanhas,

áridas devido ao inverno seco do noroeste chinês. Outros visitantes revelam-se mais corajosos: “No início senti medo, mas quando cheguei a meio já estava bem”, conta Sheng Yuxiao, que vive a poucos quilómetros do parque. Sentada ao lado de uma amiga sobre a plataforma, Sheng diverte-se a tirar ‘selfies’, indiferente à vertigem sentida por outros visitantes. Pontes de vidro não são novidade na China, que conta já com 60 estruturas deste género, segundo a imprensa local. É também no país asiático que se encontra a ponte de vidro mais alta do mundo, suspensa a 300 metros do solo, no parque de Zhangjiajie, que inspirou as Montanhas Aleluia do filme “Avatar”. “As pontes de vidro são muito populares na China”, explica à Lusa Liu Qiqi, engenheiro-chefe da estrutura em Hongyagu. Sentado num dos restaurantes da cidade antiga de Hongyagu, onde são servidos pratos típicos da região, incluindo massa com carne de javali, Liu revela que o vidro usado nesta obra é de “tecnologia militar”. “Cada bloco de um metro tem capacidade para suportar 500 quilos”, diz. “Este tipo de vidro é apenas frágil ao impacto de objectos pequenos: varas com pontas de ferro, bengalas, ou objectos bicudos”. Liu revela que o custo de construção

da ponte fixou-se em 150 milhões de yuan. Hongyagu pertence ao condado de Pingshan, no extremo noroeste de Hebei, junto à fronteira com a província de Shanxi. Hebei produz mais aço do que qualquer país no mundo - com excepção da própria China. Shanxi é o núcleo da indústria do carvão no gigante asiático - o maior consumidor de carvão do planeta. No dia em que a agência Lusa esteve em Hongyagu, um espesso manto de poluição cobria ambas as províncias e persistia no ar o cheiro a carvão. Na auto-estrada que liga Shijiazhuang e Hongyagu, a circulação de camiões carregados daquele minério negro era constante, num fluxo que o Governo chinês espera diminuir, através da promoção de outras fontes energéticas, como o gás natural ou as renováveis, parte da sua “guerra à poluição”. Só nas indústrias do aço e do carvão, a China deverá extinguir 1,8 milhão de empregos ao longo dos próximos anos. A ponte de vidro de Hongyagu parece assim ligar uma região pobre e isolada à emergente indústria do turismo chinesa, que só no ano passado facturou 5,4 biliões de yuan. “Queremos dinamizar o turismo na região, torna-lo mais competitivo”, afirma Liu. “Por isso, erguemos aqui esta ponte”. João Pimenta Lusa

ELO menos 18 pessoas ficaram feridas, no centro de Xangai, quando uma camioneta em chamas saiu da estrada e atingiu vários peões no passeio, disseram as autoridades e testemunhas. Três pessoas ficaram gravemente feridas, acrescentaram. O acidente ocorreu cerca das 9:00, perto do emblemático parque do povo, num bairro comercial muito movimentado no centro da cidade, no leste da China, e quando numerosas pessoas se dirigiam para o trabalho. De acordo com os primeiros elementos do inquérito, o condutor do veículo, de 40 anos, estava a fumar e transportava “sem autorização” substâncias perigosas. Um princípio de incêndio causou a perda de controlo do veículo, acrescentou a polícia do bairro de Huangpu, em Xangai. “A camioneta já estava em chamas quando saiu da estrada e subiu o passeio”, disse à agência noticiosa France-Presse (AFP) Zhang Sai, segurança de um prédio vizinho, que assistiu ao acidente. O veículo perdeu o controlo e subiu o passeio com grande velocidade, atingindo vários peões, enquanto outros fugiam da trajectória da camioneta. Xu Xin, empregado de restaurante de 23 anos, contou à AFP que chegou ao local, no percurso da sua corrida matinal, quando várias pessoas telefonavam já para os serviços de emergência. No interior do veículo, disse, viam-se pequenas botijas de gás, de um modelo habitualmente usado para placas de cozinha. O acidente ocorreu na secção oeste da rua de Nankin, zona muito frequentada e onde se situam hotéis de prestígio, restaurantes, grandes centros comerciais e edifícios de escritórios. Em 2013, dois turistas morreram na praça Tiananmen, em Pequim, quando um veículo galgou o passeio, atingindo várias pessoas, antes de se incendiar. As autoridades chinesas atribuíram este atentado, no qual morreram três atacantes, a separatistas da etnia muçulmana uigur, oriundos da região de Xinjiang, no noroeste do país.


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os homens em busca do rasto das nuvens, o rasto das nuvens não deixa tracos ´

WANG YUANQI

Paulo Maia e Carmo tradução e ilustração

«Yuchuang Manbi»

Notas Dispersas Sobre Uma Janela Chuvosa O primeiro ponto a estabelecer na pintura é o efeito de vida, então pode-se desenhar os limites, fazer o esboço; e depois distribuir as superfícies agrupadas e as dispersas, a seguir há que distinguir as partes densas das partes pálidas, virá-las e modifica-las, tentando um acordo entre elas (tocando e esfregando), de modo a que o Leste responda ao Oeste harmoniosamente. Então, a cama para o rio estará pronta para receber a água quando esta chegar, e à medida que ela for fluindo livremente e sem hesitações, tudo ficará composto de modo muito natural. Se a pessoa não tiver uma visão definida e os pensamentos correrem para o lucro e a fama, buscando apenas agradar às pessoas, e se espalhar as árvores e as rochas, amontoando-as desordenadamente, torcendo e agitando tudo no rolo de pintura, sem um pensamento ou gosto, o trabalho do pincel tornar-se-á vulgar. Hoje em dia as pessoas não entendem a razão ou o princípio

correcto da pintura, buscam apenas a semelhança formal. Quando o pincel é grosso e a tinta é fina, dizem que a pintura é rica e excelente, e quando o pincel é magro e a tinta pálida, dizem que é nobre e original; quando a cor é brilhante e o pincel macio, dizem que é brilhante e gracioso. Não fazem ideia de quão errados estão. De um modo geral, os antigos faziam as suas composições condensadas e parcimoniosas, mas a sua pincelada era livre e fácil, enquanto as composições dos pintores modernos são negligentes e a sua pincelada é presa. Se prestarmos a devida atenção a isto então o delicodoce e a falsidade, a vulgaridade e a imitação desaparecerão por si mesmas sem qualquer esforço. As veias de dragão1, os intervalos espaciais (aberturas e fechos) e as elevações e as quedas (ritmo) fazem parte dos tradicionais métodos da pintura, e no entanto não têm sido devidamente registados.

1 - Longmo, as «veias, artérias, ou o pulso de dragão» que Sirén op. cit, também designa por «correntes magnéticas», fazem parte do vocabulário da geomancia chinesa aplicada às montanhas para designar as suas correntes interiores de energia. Foi a ela que a pintura foi buscar a expressão para explicar a unidade e o dinamismo da composição pictórica. A interpretação que Wang Yuanqi faz a seguir será um dos motivos da importância do seu tratado para a História da pintura.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

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ANDY WAHROL, MOST WANTED MEN N.11

O ofício dos ossos Valério Romão

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ÃO disseram muito, à chegada. Mostraram-nos a identificação perguntaram-nos pela exposição temporária. Com um nó na garganta, porque não os esperávamos e porque da presença deles nunca resultava nada de bom, conduzi-os até à ala onde eram ultimados os preparativos da exposição. “Estejam à vontade”, disse-lhes, “obrigado, estamos sempre”, respondeu um deles. Os vídeos lhes mereceram muita atenção. O mais velho, no entanto, deteve-se num quadro. “Confirma-me que isto faz parte da exposição?”, dirigiu-se-me. “Sim”, respondi, “é um dos trabalhos constantes do catálogo. “Bem, já vi o suficiente”, adiantou. “Fechem tudo”. “Como”? Respondi, incrédulo. “Esta exposição foi devidamente autorizada pelo Ministério da Arte e da Moral, como consta do documento afixado à entrada do museu. Enviámos fotografias de todas as peças que pretendemos exibir e nenhuma foi alvo de objecção, tenho a certeza de que”. “Fechem tudo”, interrompeu-me, “fechem tudo agora mesmo”.

A Grande Purga Aparentemente, havia sido uma notícia numa revista de celebridades que espoletara o encerramento coercivo da exposição. Um rapaz alegava que certa vez tinha ficado sozinho com o artista e que este comentara o seu aspecto físico. O artista, claro está, era o autor das peças que nos preparávamos expor. Uma notícia destas podia passar perfeitamente despercebida ou propagar-se pelas redes sociais como lume em pasto seco. É fácil perceber o que acontecera. Replicada vezes sem conta ao longo do dia, a notícia obrigou o Ministério a tomar uma posição que aplacasse a fúria justiceira que ameaçava repercutir-se negativamente na imagem do governo.

Fecharam a exposição, queimaram as peças apreendidas e encerraram-nos o museu durante seis longas semanas, nas quais tivemos que fazer vários pedidos de desculpa públicos e demonstrar “o mais sério e sincero arrependimento respectivo aos factos que motivaram o castigo aplicado”. Demos diversas entrevistas através das quais percebemos como é que as redes sociais avaliavam a nossa sinceridade. Se desconfiassem da honestidade da nossa contrição, poderiam nunca mais reautorizar a abertura do museu. Felizmente, o nosso advogado era muito competente na gestão de processos públicos desta natureza. Para além da preparação que nos ministrou antes de cada entrevista, ainda

Depois de semanas de bullying público – queimaram-lhe o carro, envenenaram-lhe o cão, grafitaram-lhe as paredes – o homem acorreu à polícia para pedir protecção. Após consultarem o processo, disseram-lhe que nada podiam fazer

nos deu uns comprimidos – de que nunca ouvira falar – que nos fazia parecer imbuídos de pena como se tivéssemos acabado de enterrar o nosso melhor amigo. “A molécula da tristeza”, segredava-nos, enquanto tomávamos os comprimidos. Felizmente, a pena foi a menor possível. O museu, apesar das perdas consideráveis que uma publicidade desta natureza acarreta, sobreviveu. O mesmo não se pode dizer do autor das peças que originaram o castigo a que fomos sujeitos. Depois de semanas de bullying público – queimaram-lhe o carro, envenenaram-lhe o cão, grafitaram-lhe as paredes – o homem acorreu à polícia para pedir protecção. Após consultarem o processo, disseram-lhe que nada podiam fazer: o Ministério da Arte e da Moral tinha ascendente hierárquico sobre o Ministério do Interior, que tutelava a polícia. Um dia, ao sair do supermercado, deu conta de que o filho chorava compulsivamente. “Eles disseram-me que te iam esfolar vivo à minha frente, pai”. Irado, virou-se para trás e gritou indiscriminadamente para as pessoas que se acotovelavam junto das caixas registadoras. Alguém terá testemunhado ter ouvido um insulto de género. Era dos poucos casos do processo penal que dispensavam provas ou testemunhos. Foi condenado a dois anos de prisão mas não chegou a cumpri-los. Suicidou-se passados seis meses e várias surras recebidas.


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poesia • Georg Trakl Tradução de António de Castro Caeiro

BIOGRAFIA Georg Trakl nasceu a 3 de Fevereiro de 1887 em Salzburgo, cidade no noroeste da Áustria. O estranho comportamento da sua mãe e a morte prematura do pai quando ainda era muito jovem acabou por lhe causar grandes problemas emocionais, além de ter que sustentar a família (mãe / irmã) com seus esforços após o falecimento do pai. Sabe-se que desde a adolescência o poeta consumia ópio, veronal e cocaína. Teve uma relação incestuosa com a irmã, e pelo que se sabe sobre a vida de Trakl, talvez tenha sido o seu grande amor. A suas cartas foram destruídas, sendo impossível saber algo mais. Apenas nos seus poemas teve um certo alívio, refazendo-os por diversas vezes, porém tendo sempre em mente as suas definições. Durante a Primeira Guerra Mundial foi oficial farmacêutico, o que abalou profundamente o seu já debilitado espírito. Suicidou-se a 3 de Novembro de 1914, na Cracóvia, com uma overdose de cocaína. Trakl tinha apenas 27 anos. In Wikipedia

A musa da noite

Abendmuse1

À janela, em flores, regressam as sombras do campanário E do ouro. A testa quente abrasa em repouso e silêncio. Do ramo do castanheiro, uma fonte cai na escuridãoE então tu sentes: É bom!, no esgotamento doloroso.

Ans Blumenfenster wieder kehrt des Kirchturms Schatten Und Goldnes. Die heiße Stirn verglüht in Ruh und Schweigen. Ein Brunnen fällt im Dunkel von Kastanienzweigen - Da fühlst du: es ist gut! in schmerzlichem Ermatten. Der Markt ist leer von Sommerfrüchten und Gewinden. Einträchtig stimmt der Tore schwärzliches Gepränge. In einem Garten tönen sanften Spieles Klänge, Wo Freunde nach dem Mahle sich zusammenfinden. Des weißen Magiers Märchen lauscht die Seele gerne. Rund saust das Korn, das Mäher nachmittags geschnitten. Geduldig schweigt das harte Leben in den Hütten; Der Kühe linden Schlaf bescheint die Stallaterne. Von Lüften trunken sinken balde ein die Lider Und öffnen leise sich zu fremden Sternenzeichen. Endymion taucht aus dem Dunkel alter Eichen Und beugt sich über trauervolle Wasser nieder.

O mercado está vazio de fruta de verão e de grinaldas. Em uníssono concorda a pompa negra dos portões. Num jardim, ecoam os sons de um suave jogo, onde amigos se encontram depois de uma refeição. Os contos do mágico branco escuta com enlevo a alma. Em redor, escuta-se o barulho do vento no trigo que o ceifeiro colheu à tarde. Paciente calam-se duras as vidas em cabanas; ilumina o suave sono das vacas a lanterna do estábulo. Inebriadas pelos ares logo cerram as pálpebras E abrem-se, sem barulho, para os sinais estranhos das estrelas. Endimião emerge da escuridão entre carvalhos velhos E curva-se sobre a tristeza profunda da águas.

Ao menino Elis

An den Knaben Elis

Elis, quando na negra floresta canta o melro, Esta é a tua decadência. Os teus lábios bebem a frescura da fonte azul na falésia.

Elis, wenn die Amsel im schwarzen Wald ruft, Dieses ist dein Untergang. Deine Lippen trinken die Kühle des blauen Felsenquells.

Deixa que a tua fronte sangre levemente Lendas muito antigas E a interpretação obscura do voo das aves.

Laß, wenn deine Stirne leise blutet Uralte Legenden Und dunkle Deutung des Vogelflugs.

Mas tu caminhas com suaves passos em direcção à noite, Que pende cheia de uvas cor de púrpura E tu agitas de forma mais bela os braços no azul.

Du aber gehst mit weichen Schritten in die Nacht, Die voll purpurner Trauben hängt Und du regst die Arme schöner im Blau.

Ecoa um arbusto, Onde se encontram os teus olhos lunares. Oh!, há quanto tempo, Elis, morreste tu.

Ein Dornenbusch tönt, Wo deine mondenen Augen sind. O, wie lange bist, Elis, du verstorben.

Teu corpo é um jacinto, No qual um monge mergulha os seus dedos de cera. O nosso silêncio é uma caverna negra,

Dein Leib ist eine Hyazinthe, In die ein Mönch die wächsernen Finger taucht. Eine schwarze Höhle ist unser Schweigen,

De lá sai, às vezes, um animal meigo E lentamente fecha pesadas as pálpebras. Sobre as tuas têmporas goteja orvalho negro,

Daraus bisweilen ein sanftes Tier tritt Und langsam die schweren Lider senkt. Auf deine Schläfen tropft schwarzer Tau,

O último ouro das estrelas caídas.

Das letzte Gold verfallener Sterne.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 17

segunda-feira 5.2.2018

Noite de trovoada

Der Gewitterabend

Oh!, as horas encarnadas da noite! Cintilante vacila na janela aberta, Confusa a folhagem para o azul Lá dentro os fantasmas da Angústia fazem o seu ninho

O die roten Abendstunden! Flimmernd schwankt am offenen Fenster Weinlaub wirr ins Blau gewunden, Drinnen nisten Angstgespenster.

O pó dança no fedor das sargetas O vento crepitante bate nos vidros das janelas. [como] Um esquadrão de cavalos selvagens, nuvens deslumbrantes atiçam relâmpagos.

Staub tanzt im Gestank der Gossen. Klirrend stößt der Wind in Scheiben. Einen Zug von wilden Rossen Blitze grelle Wolken treiben,

Com estrondo estilhaça o espelho de água. Gaivotas gritam no encaixe das janelas. Um cavaleiro de fogo salta da colina E desfaz-se no abeto em chamas.

Laut zerspringt der Weiherspiegel. Möven schrein am Fensterrahmen. Feuerreiter sprengt vom Hügel Und zerschellt im Tann zu Flammen.

Gemem doentes no hospital. Azuladamente freme a plumagem da noite. Cintilante troveja a chuva, de súbito, sobre os telhados.

Kranke kreischen im Spitale. Bläulich schwirrt der Nacht Gefieder. Glitzernd braust mit einem Male Regen auf die Dächer nieder.

Gospel Sinais, um raro bordado, Pinta um ondulante canteiro de flores. Sopra a brisa dourada de Deus Para dentro da sala no jardim Serena. Ergue-se uma cruz na vinha selvagem. Escuta na aldeia como tantos se alegram, O jardineiro apara a relva junto ao muro. Suave o órgão soa. Mistura som e aparição dourada, Som e aparição. O amor abençoa o pão e o vinho. Meninas pequeninas entram também, E, por fim, o galo canta. Devagar abre-se uma cerca podre. E nas coroas de rosas e fileiras, Nas fileiras de rosas, Descansa Maria, branca e fina. O mendigo, ali na pedra antiga, Parece ter morrido em oração. Suave desce a colina o pastor, E um anjo canta no bosque, Próximo do bosque, Onde crianças adormecem.

Geistliches Lied Zeichen, seltne Stickerein Malt ein flatternd Blumenbeet. Gottes blauer Odem weht In den Gartensaal herein, Heiter ein. Ragt ein Kreuz im wilden Wein.

Num quarto abandonado

In einem verlassenen Zimmer

Janelas, canteiros de flores coloridas, Toca de lá um órgão cá para dentro. Sombras dançam sobre papéis de parede, maravilhosa e louca a sucessão.

Fenster, bunte Blumenbeeten, Eine Orgel spielt herein. Schatten tanzen an Tapeten, Wunderlich ein toller Reihn.

Os arbustos sopram um buraco de luz, Agita-se um enxame de mosquitos. Longe, ceifam no campo as foices E uma água antiga canta.

Lichterloh die Büsche wehen Und ein Schwarm von Mücken schwingt. Fern im Acker Sensen mähen Und ein altes Wasser singt.

De quem é a respiração que me acaricia? Andorinhas desenham sinais loucos. Suave desliza para aí O bosque dourado para o sem fim.

Wessen Atem kommt mich kosen? Schwalben irre Zeichen ziehn. Leise fließt im Grenzenlosen Dort das goldne Waldland hin.

Cintilam chamas nos canteiros. Louca sucessão confusa em êxtase, Ao longo do papel de parede amarelecido. Alguém espreita pela porta adentro.

Flammen flackern in den Beeten. Wirr verzückt der tolle Reihn An den gelblichen Tapeten. Jemand schaut zur Tür herein.

Bettler dort am alten Stein Scheint verstorben im Gebet, Sanft ein Hirt vom Hügel geht Und ein Engel singt im Hain, Nah im Hain Kinder in den Schlaf hinein.

Cheiro doce a incenso e pera E o crepúsculo desce sobre vidros e arcas. Lentamente dobra-se a fronte quente Na direcção das estrelas alvas.

Weihrauch duftet süß und Birne Und es dämmern Glas und Truh. Langsam beugt die heiße Stirne Sich den weißen Sternen zu.

1 - TRAKL, GEORG. (2008). Das dichterische Werk: Auf Grund der historisch-kritischen Ausgabe. Editores: Walther Killy e Hans Szklenar. Munique. Deutscher Taschenbuch Verlag

Hör’ im Dorf sich viele freun, Gärtner an der Mauer mäht, Leise eine Orgel geht, Mischet Klang und goldenen Schein, Klang und Schein. Liebe segnet Brot und Wein. Mädchen kommen auch herein Und der Hahn zum letzten kräht. Sacht ein morsches Gitter geht Und in Rosen Kranz und Reihn, Rosenreihn Ruht Maria weiß und fein.


18 (f)utilidades POUCO

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NUBLADO

O QUE FAZER ESTA SEMANA 7Hoje

7 6 1 4 5 3 2 4 5 3 6 2 7 1 Sábado SATURDAY JAZZ - THE 6 1NIGHT 2 3JAZZ4GIRLS &5MJPA SEXTET 7 Fundação Rui Cunha | 21h00 às 23h00 5 7 6 2 1 4 3 CINEMA | MACAO STORIES 2: LOVE IN THE CITY Cinemateca Paixão | 14h00 (Exibição até 25/02) 1 4 7 5 3 2 6 2 3 5 1 7 6 4 Diariamente EXPOSIÇÃO “A REBOURS: CASE X 8 – THE ARTISTS NOTES 2 MACAO/PEQUIM” 4 7 6 1 5 IN3 2010 FROM INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO “CARTA D’AMOR” DE SYLVIE XING CHEN Fundação Rui Cunha | 18h30

Casa Garden | Até 28/02

“TWENTY HOURS – AN EXHIBITION OF ABSTRACT 9EXPOSIÇÃO PAINTING BY DENIS MURRELL AND HIS STUDENTS”

1 5 3 2 6 EXPOSIÇÃO “O TEMPO MEMORÁVEL” 4 de2Macau6| Até 25/02 5 1 Museu A2 LINGUAGEM 3 E A7ARTE DE4XU BING5 Museu de Arte de Macau | Até 4/03 6 4 1 7 3 5 1 2 6 7 7 6 5 3 4 3 7 4 1 2

4 7 1 5 3 2 6

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Café IFT – espaço Anim’Arte Nam Van | Até 2/03

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7 5 N 2 4 1 6 3

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THE POST SALA 1

Com: TomHanks, Meryl Streep 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

Filme de: Wes Ball Com: Takeru Satoh, Go Ayano, Testuji Tamayama, Yu Shirota 14.15, 16.45, 21.45

SALA 3

MAZE RUNNER: THE DEATH CURE [C]

MAZE RUNNER: THE DEATH CURE [C][3D] Filme de: Wes Ball Com: Takeru Satoh, Go Ayano, Testuji Tamayama, Yu Shirota 19.15 SALA 2

THE POST [B] Filme de: Steven Spielberg

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Tudo o que é essencial é ténue. O amor é flutuante, a democracia sofre abalos, a liberdade por vezes tira férias e é substituída pela vigilância punitiva, a saúde mingua, o sol põe-se. Só a velhacaria parece ganhar robustez à medida que se vai instalando. Tudo o resto precisa ser cuidado, regado, protegido e inoculado contra vírus e parasitas. A vida é preciosa e frágil, a própria existência carece de factores muito precisos. Somos uma emanação de vulnerabilidade, de precariedade e delicadeza que nos torna presas fáceis aos dentes dos predadores. Os nossos corpos são efémeros, débeis, tal como o esqueleto das nossas civilizações contemporâneas. A impostura é a sólida 12pele que protege lâmina na mole a veia carótida da sociedade. O caos eminente é uma das certezas absolutas, a mudança é inevitável tal como o avançar dos dias e a morte dos calendários transactos. A constância é frágil, não se aguenta durante muito tempo, é impraticável e tem prazo de validade. Só a iniquidade é sólida, só o ódio se mantem intocável, só a barbárie é eterna. É fundamental preservar as fragilidades que nos distinguem do resto do reino animal, como aqueles sonhos que se escapam para o esquecimento e que queremos à força toda agarrar. João Luz

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Realizado pelo japonês Hayao Miyazaki, conhecido pelo também filme de animação Spirited Away, o Castelo Andante foi lançado em 2004. A película foca a história de Sofia, uma adolescente que trabalha numa loja de chapéus e que um dia tem um inesperado encontro com um feiticeiro. Por causa desse episódio acaba transformada numa mulher com 90 anos, devido à acção de uma bruxa. Ao longo de o Castelo Andante, Sofia tenta recuperar a sua aparência e livrar-se da maldição. João Santos Filipe

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FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Johnson Lee 14.30, 19.30

FATE/STAY NIGHT HEAVEN’S FEEL I. PRESAGE FLOWER [C]

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O CASTELO ANDANTE | HAYAO MIYAZAKI

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STAYCATION [B]

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Filme de: Tomonori Sudo Com: Johnson Lee, Louisa So, Ti Lung, Chin Siu-Ho 17:00, 21:30

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PÊLO DO CÃO

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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opinião 19

segunda-feira 5.2.2018

reencarnações JOÃO LUZ

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OR aqui está tudo bem, espectacular, não podia estar melhor depois dos envidados esforços das sacrossantas autoridades para manter esta terra solidamente segura e protegida contra influências desequilibradas externas. Quero saudar-vos e dar-vos as boas-vindas à terra natal da pura felicidade, o território do amor e contentamento de todos, este enclave de equilíbrio imóvel, o centro do júbilo máximo onde não há espaço para imperfeição. Eu sou a concórdia, o esteio de pureza e higiene social, transformo o mundo num desenho animado, onde os polícias são agentes da Playmobil e os cidadãos personagens de anime. Pelas ruas não faltam sorrisos rasgados a amarelo emoji, pessoas que passeiam infantilidade fermentada no encerramento a cidade redoma sitiada em aprazimento e dinheiro. A vida é uma aventura de proporção exacta e consonância obediente para toda a pequenada da Região Administrativa Especial do Clube dos Amigos Disney. Prevejo que no futuro, todos os residentes vão usar bibe e circular pelas ruas de mãos dadas trauteando cantigas de equilíbrio e sensatez. A paz social e a tranquilidade residem na conformidade, na concórdia e no amor pelo escrupuloso cumprimento. Eu sou o resultado do punho vigoroso do pai poder, o somatório dos disciplinadores açoites dados pela mão que todos dirige com sabedoria em direcção a um futuro melhor. Por favor, não sejam impertinentes, sejam meninos bonitos e não discutam como me alcançar, como alicerçar harmonia, pois essa é uma das principais tarefas dos iluminados. Eu sou o garante da simetria, da regularidade, da coesão de onde nasce a fraternidade, do entendimento entre irmãos, do amor absoluto despido dos excessos da irracionalidade. Comportem-se, por favor, para o vosso bem, ou o desalinho toma conta das vossas vidas e aí terão de ser trazidos à harmonia pela força.

A harmonia

Porquê esta propensão para a lascívia, para a controvérsia? Porque é que nunca estão satisfeitos e insistem na crítica. Calem-se e obedeçam. Reneguem a revolução que a biologia vos dita e conformem-se a mim, a narcotizante harmonia

Entristece-me ver uma sociedade de chakras desalinhados, sem feng shui, onde a pornografia e a indecência ganham terreno. Este desígnio de tomar o espírito humano, de o moldar à segura complacência, não é pêra doce, muito pelo contrário, é uma maça raineta. Deve ser a queda símia, essa vertigem biológica funda nos genes das pessoas, que leva ao arrebatamento, à dispersão e às tesões pouco sensatas, ao nascimento de pensamentos contrários à ordem pública. Porquê este gosto pelos abismos lúbricos, pelo pluralismo onde o confronto é, não só inevitável, mas génese desta inquietação que palpita no sangue das pessoas? Dizem que esta é a natureza do Homem, nascido para a desobediência desde os primeiros capítulos no Jardim do Éden, irrequieto a lançar-se em fluxos migratórios tendo o sonho como bússola, ou a sonhar com outra realidade que não esta. Porquê esta propensão para a lascívia, para a controvérsia? Porque é que nunca estão satisfeitos e insistem na crítica, na participação cívica. Calem-se e obedeçam. Reneguem a revolução que a biologia vos dita e conformem-se a mim, a narcotizante harmonia. Chega de prazeres ilegais e imodestos, tudo o que é do domínio do lúbrico deve ficar reservado aos estrangeiros, esses mafarricos com cifrões nos olhos. Qualquer escorregadela por parte do mui prezado residente deve ser tido como um assunto reservado à intimidade, que jamais será capaz de contagiar ao resto da população. Quero mostrar-vos como a submissão é óptima, como é o mais confortável porto de abrigo e a forma de alcançar uma sociedade comedida, bem comportadinha, sóbria, que lava os dentes depois das refeições, que se penteia antes de sair de casa, que quando lhe é pedido para saltar prontamente pergunta quão alto. Quero mostrar-vos as vantagens de viver num cartoon onde tudo é perfeito, quero inundar as ruas com a música da senhora no radiador, do Eraserhead, que canta que no paraíso está tudo bem. Ela tem toda a razão, está tudo impecável, podem dormir um soninho descansado porque os senhores que sabem das coisas estão no poder a consolidar a harmoniazinha. Haverá alguma coisa melhor que isto?!


Trabalha como se vivesses para sempre. Ama como se fosses morrer hoje. Séneca

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antiga presidente da Assembleia Legislativa (AL), Susana Chou, escreveu um texto na sua conta da rede social Weibo onde afirma que sempre teve o desejo de ser rica. Num texto intitulado “tratar bem dos outros”, Susana Chou contou que, quanto frequentava a escola secundária e a universidade, sempre sonhou ser a Marie Curie da China, até que acabou por apostar na área dos negócios. Actualmente Susana Chou está afastada da vida política, sendo directora de uma empresa de consultadoria na área comercial e tradução, de nome Perfeição. Além disso, a ex-presidente do hemiciclo foi um dos nomes

referidos nos Panama Papers, na qualidade de directora da “Katanic Investment S.A.”, uma sociedade anónima com sede no Panamá, criada em Dezembro de 1985. Susana Chou deixou de admirar a mulher que criou o Rádio para passar a idolatrar Steve Jobs pelas suas invenções e declarações inspiradoras que fez no final da sua vida, relativas ao valor da fortuna na vida de cada um e na importância de amar os familiares. A ex-presidente da AL lembrou que, quando era pobre, passou por vários momentos de infelicidade, sendo que desde aí ficou com o sonho de ganhar uma grande soma de dinheiro para comprar tudo o que desejasse, como conseguir o melhor

lugar no cinema ou frequentar os melhores restaurantes. Apesar de ter começado a ganhar mais dinheiro há cerca de 30 anos, Susana Chou acabou por chegar à conclusão que não ficou mais feliz por causa disso. A felicidade chegou com a recordação das más experiências no passado. A sua primeira ideia, assim que começou a viver melhor financeiramente, foi ajudar os outros, dando dinheiro a quem tivesse dificuldades para resolver os problemas mais urgentes. No texto, a antiga presidente da AL reitera que, durante 20 anos, se dedicou às acções de caridade, concluindo que ajudar os outros lhe permitiu ter benefícios para si própria. V.N./A.S.S.

ANTÓNIO MIL-HOMENS

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segunda-feira 5.2.2018

Susana Chou diz que sempre sonhou ser rica

ASSÉDIO SEXUAL UMA THURMAN ACUSA WEINSTEIN actriz Uma Thurman, musa do realizador Quentin Tarantino e próxima do produtor Harvey Weinstein, juntou-se à lista de actrizes que acusam o magnata de Hollywood de agressão, admitindo o seu desapontamento em relação ao produtor que a promoveu. A actriz contou, numa entrevista publicada no sábado pelo The New York Times, a agressão de que terá sido vítima, ocorrida após o lançamento de “Pulp Fiction”, em 1994. Depois de uma reunião em Paris, Harvey Weinstein terá convidado a actriz para o seu quarto e depois para uma sauna num hotel, tendo Uma Thurman voltado a encontrar o seu produtor em Londres, também no seu quarto de hotel. “Ele empurrou-me e tentou saltar sobre mim e despir-se. Ele fez muitas coisas desagradáveis”, disse a actriz, na entrevista. Pouco depois, Uma Thurman foi ao hotel do abusador para enfrentá-lo e explica que o advertiu: “Se fizer o que fez com outras pessoas, vai arruinar a sua carreira, a sua reputação e perder a sua família, eu garanto”, ter-lhe-á dito. “O sr. Weinstein admite ter feito avanços em relação à sra. Thurman depois de interpretar mal a sua atitude em Paris. Ele desculpou-se imediatamente”, respondeu, num comunicado, um porta-voz do ex-produtor, que actualmente está na terapia no Arizona. Hoje interroga-se por que é que Uma Thurman “esperou 25 anos para tornar públicas essas alegações”, acrescenta. Harvey Weinstein está “atordoado e entristecido”, disse o advogado Ben Brafman no comunicado, acrescentando que as observações de Uma Thurman ao The New York Times estão a ser “examinadas e verificadas cuidadosamente antes de decidir se será apropriado avançar com um procedimento legal contra ela”. De acordo com uma amiga, que a acompanhou, Uma Thurman estava “a ferver de raiva” quando deixou Harvey Weinstein naquele dia, depois de uma discussão em que o produtor terá ameaçado a sua carreira. “Sinto-me tão mal por todas as mulheres atacadas depois de mim”, diz a actriz de 47 anos na entrevista, comparando essas vítimas com “cordeiros entrando no matadouro”. Uma Thurman contou mais tarde a Tarantino a agressão que sofreu, mas o realizador não a levou a sério. Foi apenas em 2001, quando ela insistiu, perturbada pela presença de Weinstein durante o Festival de Cinema de Cannes, que o cineasta percebeu a gravidade dos factos alegados contra o seu produtor, tendo o fundador da Miramax pedido desculpa à actriz. O realizador, vencedor de vários Óscares, disse em Outubro que sabia há anos das acções de Harvey Weinstein, agora acusado de assédio sexual, agressão ou estupro por uma centena de mulheres.

PALAVRA DO DIA

Rao Geping Deve-se evitar a demasiada valorização dos “Dois Sistemas” Rao Geping, vice-presidente da Associação Chinesa dos Estudos sobre Hong Kong e Macau, defendeu, segundo o canal chinês da Rádio Macau, que se tem valorizado demasiado a existência de “Dois Sistemas” e menos “Um País”, referindo-se à política “Um País, Dois Sistemas” em vigor. O responsável disse ainda que o posicionamento do Governo Central em relação às duas regiões administrativas especiais prevê o cumprimento dos poderes do Governo Central, definidos na constituição chinesa e na Lei Básica.

Deve-se, por isso, evitar a situação em que se valorizado demasiado a existência de “Dois Sistemas”, bem como o alto grau de autonomia de Macau e Hong Kong, e em que se desvaloriza “Um País” e a administração de Pequim. Quanto à inclusão da lei do hino nacional na Lei Básica da RAEM, Rao Geping considerou que isso pode aperfeiçoar a mini-constituição e que não estão em causa mais restrições ao elevado grau de autonomia de que dispõe Macau até 2049.

2018 AEROPORTO ESPERA MAIS DE 7,3 MILHÕES DE PASSAGEIROS

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aeroporto internacional de Macau espera, em 2018, um tráfego de 7,38 milhões de passageiros, 39 mil toneladas de carga e 60 mil movimentos de aviões, além da conclusão da extensão norte do terminal. Em 2017, o aeroporto internacional de Macau registou 7,16 milhões de passageiros e 37,5 toneladas de carga, o que representa um aumento de 8,1% e de 14%, respectivamente, em relação a 2016, de acordo com dados divulgados esta semana pela Companhia do Aeroporto Internacional de Macau (CAM). As autoridades aeroportuárias registaram ainda mais de 58 mil movimentos de aeronaves, ou mais 2,8% em relação a 2016, tendo aberto ainda no ano passado seis novas rotas: Changzhou (China), Sihanoukville e Siem Reap (Camboja), Jacarta e Bali (Indonésia) e Johor Bahru (Malásia). Através da ligação para Pequim, Lisboa tornou-se um novo destino também. O CAM investiu cerca 210 milhões de patacas (21 milhões de euros) no desenvolvimento de infra-estruturas para aumentar a capacidade de receção de passageiros no ano passado e continua a estudar novas possibilidades de expansão, indicou esta semana o presidente do conselho de administração, Ma Iao Hang. “Em relação a 2018 e após a conclusão da extensão norte no primeiro trimestre, o terminal poderá receber 7,5 milhões de passageiros, e mais espaços comerciais. O tráfego de passageiros em 2018 deverá atingir os 7,38 milhões, o transporte de carga as 39 mil toneladas, num total de 60 mil movimentos de aeronaves”, afirmou Ma. O estudo de viabilidade da extensão sul do terminal de passageiros já terminou e estará pronta para concurso público na primeira metade do ano, de acordo com a CAM. No ano passado, as receitas do aeroporto internacional de Macau registaram um aumento de 9,2% em relação a 2016 para 4,9 mil milhões de patacas.


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Hoje Macau 5 FEV 2018 #3987 by Jornal Hoje Macau - Issuu