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Hoje Macau 5 FEV 2015 #3267

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tiago alcântara

Director carlos morais josé

Mop$10

www.hojemacau.com.mo

q u i n ta - f e i r a 5 d e f e v e r e i r o d e 2 0 1 5 • A NO X i v • N º 3 2 6 7

parque central da taipa

As obras que nunca acabam 6

Agência Comercial Pico • 28721006

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sociedade Página

hojemacau

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Ter para ler

AL/Pessoal Pereira Coutinho critica revisão da lei orgânica

O guisado exemplar Pereira Coutinho afirma que o diploma foi “cozinhado” entre a secretária-geral e o vice-presidente, que não ouviram “deputados, trabalhadores ou associações”. “Só as pessoas com relação de amizade pessoal com a secretária-geral é que estão a ser beneficiadas”, acusa. Por outro lado, o deputado diz que Chan Chak Mo mentiu. página 4

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Nuno Cortez Pinto

h Paulo maia e carmo

Os caminhos do autor pela pintura clássica chinesa entrevista Página

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acidente Os céus asiáticos vivem dias tempestuosos. A mais recente tragédia aconteceu ontem em Taipé, com um avião da TransAsia Airways que se despenhou pouco depois de levantar voo, vitimando pelo menos 23 pessoas. grande plano Página

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diário de bordo

‘‘

hoje macau quinta-feira 5.2.2015

por Carlos Morais José

ontem macau

Os países foram espoliados do seu tecido produtivo em troca de dinheiro que acabou, em parte, nos bolsos de corruptos, a quem o futuro pouco interessava. Depois, é claro, em contexto de crise internacional, o dinheiro havia de vir de onde? Dos simpáticos bancos que emprestam aos Estados dinheiro emprestado pelo povo (leia-se BCE) a juros exorbitantes. Finalmente, não importa a coesão social europeia e outras larachas de ocasião mas impor austeridade descarada, com impostos atrofiantes, para garantir o pagamento dos juros e a liquidez dos bancos alemães. Ou seja, uma dívida infinita, impossível de pagar e a manutenção sempre agravada e ad eternum da austeridade, o que resulta numa população radicalmente dividida entre pobres e ricos, sem leitura possível de outro futuro. Por isso, a nova posição grega faz todo o sentido e é muito mais sensata em termos de harmonia europeia. A dívida infinita, a ter-se, só com o sagrado.

Um visitante observa uma estátua de Myanmar, uma das 700 peças arqueológicas dos cinco continentes que podem agora ser vistas no novo Museu de Culturas do Mundo, em Barcelona lusa

“Há uma preocupação em gerir os interesses. Deveria haver maior confiança nas classes profissionais, porque as classes têm de se emancipar, auto-regular-se e emancipar-se”

mauspensamentos

horah

Gonçalo lobo pinheiro

Rui Leão • Arquitecto, sobre o regime de acreditação

“Ir à Selecção é ir à Selecção, e estou ansioso para representar Macau ao mais alto nível” Filipe Duarte • Jogador do Benfica de Macau

“A pintura tradicional chinesa tem um aspecto totalmente diferente e exige uma outra disponibilidade do olhar” Paulo Maia e Carmo • No prefácio do seu livro sobre pintura clássica chinesa

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“Existe um olhar e um mostrar chinês reconhecível no paradoxo do homem que está à janela: ele olha e mostra-se. E no que ele mostra, reconhece-se um olhar diferente.” Paulo Maia e Carmo, a propósito do seu livro sobre pintura chinesa | P. 16

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong (estagiária); Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas Agnes Lam; António Conceição Júnior; Arnaldo Gonçalves; David Chan; Fernando Eloy; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

l i g u e - s e • pa r t i l h e • v i c i e - s e

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édito O amiguismo Parecem ser as sociedades em construção que mais sofrem do “amiguismo”, essa doutrina universal do prestar e retribuir favores como um dos principais modos de organização social. Mais tal não passa de uma ilusão. Parece assim porque estamos perante uma ausência de capacidade para o disfarce, provocada por uma sensação de impunidade que só muito recentemente se tornou obsoleta ou quase. Noutros lados, noutras longitudes, as práticas tornaram-se cautelosas, evitam a luz do dia e empregam milhares de pessoas que lhes vigiam os eventuais disparates. Em Portugal, conhecemos o Cavaquistão, isto é, um país encolhido e serviçal aos pés do iluminado em cuja mesa todos os dias caíam euros frescos da União Europeia; e depois os “jobs for the boys”, dos socialistas. Nomes e cores diferentes para as mesmas elites (que nem são de casta nem de mérito) dividirem o bolo. O “amiguismo” tornou-se na base da confiança mútua no interior do arco da governação. Por isso, soa familiar o que Pereira Coutinho diz hoje neste jornal. Não sabemos se tem razão, mas a RAEM podia dar um exemplo de transparência e dignidade se a AL encontrasse mecanismos consistentes e livres de qualquer suspeita de favorecimento para a contratação de mais pessoal. Afinal, trata-se do órgão que deve dar este e outros exemplos ao próprio Executivo e nunca enveredar pelo tipo de práticas cuja sua missão é, antes de mais, vigiar, criticar e, se fosse possível, proibir. * Ontem teceram-se alguns comentários menos favoráveis ao facto da exposição de Mio Pang Fei apresentar apenas três originais e de resto ser composta por impressões de fotografias digitais de quadros em tela. Talvez, perante a existência de uma conferência de imprensa do pintor e do anúncio de uma exposição do artista escolhido para representar Macau na próxima Bienal de Veneza, as expectativas fossem mais altas. Contudo, seria bom que as pessoas pensassem que se tratou de uma homenagem ao grande pintor, no ano que parece ser o da sua definitiva consagração, uma festa em que se exaltou a sua personalidade, o seu percurso e a sua obra. Um momento em que todos pudemos estar mais perto dele. Face a isto, o que estava pendurado é de somenos.


hoje macau quinta-feira 5.2.2015

Filipa Araújo*

filipa.araujo@hojemacau.com.mo

A

té ao fecho desta edição já se contavam 23 mortos oficiais no mais recente acidente que envolveu um avião da TransAsia Airways, que fazia ligação entre Taipé, a capital de Taiwan a Kinmen, um arquipélago do sudoeste de China. O aparelho, umATR-72, a funcionar desde o ano passado, levava a bordo 58 pessoas, duas crianças, cinco tripulantes e pelo menos 31 turistas de Xiamen, da província de Fujian, no sul da China. Segundo a agência CNA, o avião deslocou do aeroporto de Taipé pouco antes das 11 da manhã e minutos depois despenhou-se no rio Keelund, nos arredores da capital, atingindo ainda uma ponte. O momento foi gravado por

grande plano

Acidente Avião da TransAsia Airways cai em Taipé

Céu amaldiçoado

É o segundo avião da TransAsia Airways envolvido nos últimos meses num acidente grave. O céu da Ásia mostra-se um verdadeiro Cabo das Tormentas para os aviões de várias companhias aéreas, incluindo a AirAsia e a Malaysia Airlines, ceifando a vida a centenas de pessoas um condutor que no preciso momento passava pela ponte atingida, tendo o vídeo em pouco minutos sido partilhado por milhares de pessoas. A Administração Aeronáutica Civil de Taiwan disse que o piloto do avião alertou para a ocorrência de

uma emergência momentos antes da queda do aparelho. A mesma entidade informou que, com base numa gravação das comunicações do cockpit e a torre de controlo, o piloto disse “mayday” três vezes dois minutos após a descolagem.

Nas primeiras horas das buscas 29 das 58 pessoas a bordo do aparelho tinham sido encontradas, incluindo 12 mortos e 16 feridos - duas das quais eram as pessoas que seguiam num táxi depois de o veículo ter atingido a ponte - número

Este foi o segundo incidente grave envolvendo um avião da TransAsia Airways em poucos meses, depois de outro aparelho daquela companhia aérea ter caído durante uma tempestade em Julho, causando a morte a 48 pessoas

que actualizados, até ao fecho da edição, atingiam os 23 mortos confirmados.

Resgates em curso

Acreditava-se que as restantes pessoas, afirmava a agência, estavam presas na fuselagem do avião que ficou parcialmente submersa e a flutuar no rio. “O foco do nosso trabalho é tentar usar guindastes para levantar a parte da frente dos destroços, que está submersa na água e onde se estima que esteja a maioria dos restantes passageiros”, disse Lin Kuan-cheng, do Serviço Nacional de Bombeiros de Taiwan aos jornalistas no local. Para o local foram destacados 165 soldados prestando auxílio nas operações de resgate onde estavam incluídos oito barcos e veículos militares. O avião, um bimotor turbo hélice de fabrico franco-italiano tinha sido construído em Abril do ano passado e passou na última revisão efectuada a 26 de Janeiro, confirmou um representante da Administração Aeronáutica Civil de Taiwan. Este foi o segundo incidente grave envolvendo um avião da TransAsia Airways em poucos meses, depois de outro aparelho daquela

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companhia aérea ter caído durante uma tempestade em Julho, quando operava um voo doméstico, causando a morte a 48 pessoas.

Maus ares

Os acidentes e avarias que envolvem aviões na zona da Ásia têm sido uma constante nos últimos meses. Neles estão envolvidas companhias aéreas como a AirAsia e a Malaysia Airline. Recorde-se que a 8 de Março de 2014, o Boeing 777 da Malaysia Airline caiu no Oceano Índico, durante a viagem de Kuala Lumpur até Pequim. O voo MH370 desapareceu pouco depois da descolagem com 239 pessoas a bordo, das quais doze tripulantes e 227 passageiros. Entre a Malásia e o Vietname, o avião mudou de rumo, para o oeste, e em direcção contrária a sua rota, e os sistemas de comunicação foram desactivados “deliberadamente”, segundo as autoridades malaias, desaparecendo dos radares. Depois de meses de busca, nunca foi encontrado. Também a 28 de Dezembro um avião da companhia AirAsia caiu quando fazia a travessia da Indonésia para Singapura. A bordo estavam 162 pessoas e o meu tempo é a causa apresentada para o acidente do voo Airbus A320-200. - *com Lusa


política

O deputado José Pereira Coutinho acusa a secretáriageral do hemiciclo de “cozinhar” a revisão da sua Lei Orgânica por forma a promover pessoas próximas, com o apoio de Lam Heong Sang. Coutinho diz que deputados e funcionários não foram ouvidos e pede mais “transparência”

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AL Coutinho entrega hoje carta a criticar revisão do Regimento

Uma questão de amizades António Falcão

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Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

O

deputado directo José Pereira Coutinho formaliza hoje a sua posição crítica em relação ao processo de revisão da Lei Orgânica da Assembleia Legislativa (AL). O também presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública (ATFPM) vai entregar uma carta à segunda comissão permanente (que analisa o diploma), onde acusa a secretária-geral do hemiciclo, Stella Ieong e o seu vice-presidente, Lam Heong Sang, de estarem a beneficiar funcionários com base em relações familiares. “Segundo informações que obtive junto dos trabalhadores, este projecto foi cozinhado pela secretária-geral e teve como adjunto o vice-presidente. Foram essas as duas pessoas responsáveis pela revisão e não tiveram o cuidado de ouvir deputados, trabalhadores e associações representativas, entre as quais a ATFPM, que tem sócios dentro da AL”, disse ao HM. “Recebemos muitas críticas da forma como foi revista esta legislação, porque dá a entender que só as pessoas de relação de amizade pessoal com a secretária-geral é que estão a ser beneficiadas. A grande maioria, com mais de 20 anos de serviço, são os que ficaram mais prejudicados”, adiantou.

“Nunca houve um concurso aberto ou se tentou promover pessoas que estavam na AL e que poderiam ocupar esses cargos. Como não tinham relações de amizade e a protecção de pessoas que tinham o direito de fazer nomeações, essas pessoas acabaram por concorrer a outros serviços públicos” Coutinho garante que apresenta esta carta em nome pessoal, uma vez que Leong Veng Chai, o seu número dois, é membro da 2ª comissão. O deputado apenas dialogou com Rita Santos, ligada à ATFPM. “Ela mostrou-se surpreendida pelo facto da ATFPM não ter sido auscultada nesse processo”, apontou. Apesar de apontar a falta de diálogo e de falar de “falta de

“Recebemos muitas críticas da forma como foi revista esta legislação, porque dá a entender que só as pessoas de relação de amizade pessoal com a secretária-geral é que estão a ser beneficiadas”

transparência”, Coutinho avança que os deputados já podem entregar as suas opiniões por escrito à 2ª comissão. “A sugestão foi acatada pela mesa da AL, e a respectiva comissão entendeu auscultar todos os deputados sobre esta matéria. Antes tarde do que nunca”, considerou Coutinho.

Dificuldades são “mentira”

Coutinho acusa o deputado Chan Chak Mo de mentir quando diz que o hemiciclo tem vindo a deparar-se com dificuldades na contratação de funcionários. “Nunca houve um concurso aberto ou se tentou promover pessoas que estavam na AL e que poderiam ocupar esses cargos.

Como não tinham relações de amizade e a protecção de pessoas que tinham o direito de fazer nomeações, essas pessoas acabaram por concorrer a outros serviços públicos e neste momento exercem cargos de chefia. A própria AL desleixou-se”, frisa. Coutinho diz ainda que não há igualdade neste processo. “Este diploma prejudica os trabalhadores do quadro da Função Pública, porque o pessoal administrativo que está a exercer funções de redactores de língua

portuguesa e chinesa não foram abrangidos de uma forma mais justa”, apontou. O deputado considera ainda que o pessoal da área das relações públicas não deveria chefiar os auxiliares, pedindo ainda o aumento do subsídio “para pessoal que carrega um aparelho aos fins-de-semana e feriados” de 30 pontos do índice salarial para 100 pontos. “Queremos que seja abrangente, mesmo para os que substituem e não recebem nada”, concluiu.

Técnicos da Administração não foram ouvidos O HM contactou Kun Sai Hoi, presidente da Associação dos Técnicos da Administração Pública de Macau, garantiu que não foram consultados pela AL, considerando que “é importante ouvir as opiniões da associação, porque o quadro do pessoal da AL também é da Função Pública”. Kun Sai Hoi diz que “é necessário” rever a Lei Orgânica da AL, apontando que “há normas atrasadas” e que “há falta de mão-de-obra”. “Mesmo que o Chefe do Executivo diga que devem reduzir-se os funcionários públicos, concordo que deve haver um aumento (na AL) para satisfazer as necessidades nos trabalhos.” O responsável concorda com a futura existência de dois departamentos e quatro divisões no hemiciclo, assumindo que pode representar “uma oportunidade de ascensão na carreira”. Kun Sai Hoi espera que se pense “na transferência do pessoal de outros departamentos para a AL, com as mesmas condições”, pedindo também um horário flexível, esperando que se possam “coordenar” no diploma.


política 5

hoje macau quinta-feira 5.2.2015

O

Governo quer legalizar a imposição de uma taxa para quem entregue animais no canil municipal e a ideia passa por evitar abusos deste abrigo por parte das pessoas. Contudo, os deputados que discutem a proposta na especialidade, da 1ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL), receiam que o montante sugerido pelo Executivo seja demasiado baixo, assim provocando a sobrecarga do canil. O texto da proposta explica que os donos que deixem animais neste espaço deverão pagar o valor correspondente às despesas e alimentação e alojamento para sete dias. De acordo com notícia da rádio Macau, o Governo referiu que 100 patacas é o montante cobrado para cães e gatos. Para Kwan Tsui Hang, “o canil municipal é pequeno” e os membros daquela comissão estão preocupados porque os montantes são reduzidos. “Apenas 100 patacas por dia. Tenho medo que os donos abusem deste artigo”, referiu a deputada.

Irreversível

A mesma proposta da Lei de Protecção dos Animais refere ainda que quem entregar um animal perde qualquer

Protecção animal Governo quer aumentar taxa para abandonos no canil

Contra o arrependimento

O Governo quer criar uma taxa para quem abandone animais no canil municipal, mas os deputados que discutem a proposta de Lei de Protecção dos Animais querem um aumento do valor. Está também em cima da mesa a rescisão de um dono poder voltar a buscar o animal que deixou no canil direito de voltar a ir buscá-lo, rescindindo assim do direito de ter o animal de volta. Esta alínea deverá servir para colmatar a tendência de pessoas que entregam e voltam para buscar animais mais do que uma vez. Kwan frisa ainda que está pensada a criação de uma “lista negra” de pessoas que cometem tais actos. Recorde-se que actualmente, não é cobrada aos

“Apenas 100 patacas por dia. Tenho medo que os donos abusem deste artigo” Kwan Tsui Hang Deputada

Mais de metade das interpelações escritas continuam sem resposta

Do outro lado, o vazio absoluto M

GCS

ais de metade das interpelações escritas enviadas pelos deputados à Assembleia Legislativa (AL) de Macau continuam sem resposta por parte do Governo. Dados compilados pela agência Lusa, com recurso às informações publicadas no portal da AL, indicam que desde o início da actual sessão

legislativa, a 16 de Outubro, até ao final de Dezembro, foram apresentadas 150 interpelações escritas, das quais apenas 73 obtiveram resposta por parte do Governo, ou seja, 48,6% do total. À luz da resolução que regulamenta o processo de interpelação sobre a acção governativa, após a recepção da interpelação escrita, o presidente do

hemiciclo envia-a ao chefe do executivo para conhecimento e resposta. O Governo deve responder, por escrito, no prazo de 30 dias a contar da data de recepção do requerimento pelo chefe do executivo. Das 150 interpelações escritas, 129 foram assinadas por deputados eleitos por sufrágio universal, enquanto as restantes 21 por deputados escolhidos por sufrágio indirecto. Não foram submetidas interpelações escritas por parte de nenhum dos sete deputados nomeados durante o mesmo período. Um terço das interpelações escritas (50) diz respeito à secretaria dos Transportes e Obras Públicas, seguindo-se a tutela dos Assuntos Sociais e Cultura (42), Administração e Justiça (23), Economia e Finanças (19), Segurança (14) e duas endereçadas directamente ao chefe do executivo, segundo informações publicadas no portal da AL. Já em Janeiro de 2015 deram entrada 60 interpelações escritas, das quais nenhuma obteve resposta, de acordo com os dados constantes no portal da Assembleia Legislativa de Macau. - Lusa

donos qualquer taxa pela entrega de animais no canil municipal e os números de cães abandonados neste local oscila entre os 250 e os 300 por ano. No entanto, Kwan explica que o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) acredita que o número não deverá aumentar.

Para bem de todos

Areunião de ontem teve ainda a exoneração de culpabilidade como assunto principal. De acordo com a presidente da comissão, “O Governo deve atender ao interesse público. Depois de abater os animais não há qualquer compensação para os donos. Mas o Governo pode atribuir certos subsídios. Pode negociar com os donos”, referiu Kwan. A medida referia-se a casos em que o ‘interesse público’ está em causa, como são as gripes epidémicas com origem em animais de capoeira, como galinhas. A mesma notícia da rádio explica que esteve ainda em discussão a utilização de animais para fins científicos, ficando acordado que todas as escolas terão que apresentar ao IACM o projecto nos quais os referidos animais se integram. As instituições que não cumprirem com esta regra estão sujeito a uma multa.

Governo vai apertar fiscalização à contratação de TNR

O

s Secretários para a Economia e Finanças, Lionel Leong, e para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, anunciaram ontem ter exigido o reforço da troca de informações interdepartamental para maior eficácia na fiscalização da contratação de trabalhadores não residentes para empreitadas públicas. A exigência foi transmitida aos serviços responsáveis pelos assuntos laborais e pela área das obras públicas durante uma reunião, que teve lugar há dias, presidida pelos titulares das duas pastas. Em comunicado conjunto, as duas secretarias indicam que exigiram o reforço do mecanismo de troca de informações, “de modo a permitir uma maior eficácia na fiscalização e controlo dos trabalhadores não residentes, desde os processos

de pedido, apreciação e autorização dos respectivos requerimentos até ao exercício dos trabalhos dos mesmos nos recintos de obras”. A nota oficial não especifica, porém, quantas pessoas contratadas ao exterior trabalham em empreitadas públicas. Segundo dados publicados no portal do Gabinete para os Recursos Humanos, no final de Dezembro, existiam 45.755 trabalhadores importados a trabalhar no sector da construção civil. No final de 2014, Macau contava com 170.346 trabalhadores não residentes, a maioria dos quais oriundos do Interior da China (110.654), das Filipinas (21.549) e do Vietname (13.533). O universo de mão-de-obra importada representa 42% da população empregada de Macau, estimada em 405.500 pessoas no final do ano passado. - Lusa


sociedade

FLORA FONG

flora.fong@hojemacau.com.mo

S

ão 440 milhões de patacas o total gasto na construção do Parque Central da Taipa, aberto em 2012. Apesar do valor investido os problemas relacionados com a qualidade de materiais já surgiram, levando o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) a querer investir mais uns quantos milhões para o seu aperfeiçoamento. O deputado Ho Ion Sang e membros do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários das Ilhas criticam a descoordenação entre os departamentos governativos responsáveis por esta obra pública. São vários os problemas apresentados pelo IACM sobre o Parque Central da Taipa. Falhas na construção e materiais de pouca qualidade foram as razões apresentadas pelo instituto para justificar os vários tapetes irregulares do parque, principalmente na zona de diversão infantil e também os vidros rachados. A autoridade prevê avançar com as obras de restauro na primeira metade deste ano.

hoje macau quinta-feira 5.2.2015

Deputado e conselho consultivo criticam Parque Central da Taipa

Arranjar o que é novo

O Parque Central da Taipa vai ser alvo de melhoramentos. Apesar do seu pouco tempo de existência, as obras mal feitas e materiais de pouca qualidade levaram a que em menos de dois anos o parque não reúna as condições pretendidas. Deputados e membros do conselho querem saber o que falhou Ieong Meng Ian, vogal do Conselho Consultivo de Assuntos Sociais das Ilhas, apresentou as suas criticas, ao Jornal de Cidadão, referindo problemas no planeamento e nos departamentos de gestão do Governo, apelando ainda que sejam publicadas mais informações sobre as melhorias a fazer no parque, para que os residentes possam apresentar as suas opiniões. “Originalmente o objectivo do investimento no jardim era para melhorar o ambiente de vida da população e as instalações comunitárias. Mas na

Primeira fase do Estabelecimento Prisional concluída este ano

A primeira fase do projecto do novo Estabelecimento Prisional de Macau prevê-se estar concluída na primeira metade deste ano. Está previsto ainda que o concurso para a segunda fase seja aberto também em 2015. Em declarações ao o canal chinês de Rádio Macau, Lei Ka Nang, técnico superior principal do Estabelecimento Prisional de Macau, referiu que 90% da primeira fase do projecto já está concluída, começando agora a verificação e recepção do projecto. Acrescentou Lei que devido à instabilidade da forma da montanha foi necessária a prorrogação do projecto, assim sendo também os planos das restantes fases carecem de alterações. Mesmo assim, referiu o técnico, a Direcção dos Serviços de Solos de Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) prevê que a primeira fase estará concluída no primeiro semestre deste ano.

verdade, o departamento de design só se dedica ao estilo, enquanto a entidade responsável da obra vai injectando mais dinheiro e recursos para reordenar e melhorar o projecto. Assim sendo, os utilizadores e

residentes têm que aceitar o mau resultado”, afirmou.

Outros reparos

Também o deputado Ho Ion Sang apelou à Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transpor-

tes (DSSOPT) para clarificar os verdadeiros problemas do parque, encontrando a responsabilidade dos problemas, sem esquecer de explicar tudo isto à sociedade. “Os regimes e as leis em relação às obras públicas são

“Originalmente o objectivo do investimento no jardim era para melhorar o ambiente de vida da população e as instalações comunitárias. Mas na verdade, o departamento de design só se dedica ao estilo, enquanto a entidade responsável da obra vai injectando mais dinheiro e recursos para reordenar e melhorar o projecto” Ieong Meng Ian Vogal do Conselho Consultivo de Assuntos Sociais das Ilhas

tiago alcântara

tiago alcântara

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muito atrasados, as autoridades devem melhorá-los o mais rápido possível, consolidando a supervisão sobre a qualidade, orçamento e contratos. Caso contrário, o Governo é sempre perdedor”, defendeu. O também presidente da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas da Assembleia Legislativa (AL) apontou outro problema relativo à verificação e recepção do projecto. “Quando o Governo recebe a conclusão do projecto, deve perceber se existem problemas e anotá-los numa lista de ‘falhas’, assim a construtora deve acompanhar essas falhas. Bem com no contrato escrito que deve dizer que só serão pagos 5% da caução do montante total do projecto depois do período de manutenção”, apontou. Ho Ion Sang afirmou ainda que ao perceber os problemas o IACM deve primeiro avançar com uma investigação sobre a causa dos problemas – apontados anteriormente pelo Governo – e não apressar-se para avançar com obras para melhorar, assim estará a alimentar uma fuga à responsabilidade por parte da construtora. Acrescentou ainda o deputado, que a elaboração de design de obras públicas é sempre à porta fechada, e não existiu qualquer publicação de informações. “Os regimes de obras públicas já são utilizados há mais de 20 a 30 anos, os critérios de avaliação de concurso de concessão entre vários departamentos não são iguais, é preciso melhorar, revendo a Lei de Enquadramento de Orçamento”, rematou.


sociedade 7

hoje macau quinta-feira 5.2.2015

A

Companhia de Electricidade de Macau (CEM) reconheceu ontem que o aumento da produção de electricidade desde Janeiro, com a activação de dois geradores em ‘stand by’, resultou na emissão pontual de gases poluentes seis vezes acima do limite. Nos últimos dias, vários residentes insatisfeitos divulgaram fotografias de um fumo negro a sair das torres da Central Térmica de Coloane, durante a noite. Ontem, a CEM esclareceu que o fumo é fruto da activação de geradores que antes não eram utilizados. Apesar de, em termos gerais, a CEM ter garantido que

CEM Produção de electricidade gerou maior emissão de gases

Habemus fumos poluentes Tiago Alcântara

A Companhia de Electricidade de Macau assumiu ontem que o aumento de produção de electricidade desde o início de Janeiro levou a um aumento da “emissão pontual” de gases poluentes. A empresa vai fazer uma proposta para renovar geradores

À espera de aprovação

a produção de electricidade através de fuelóleo não gera emissões poluentes acima dos limites, no período de activação dos geradores, que dura entre 15 a 20 minutos, pelo menos um gás poluente, o óxido de nitrogénio, ultrapassa seis vezes o limite. De acordo com a legislação em vigor, o tecto para as emissões de óxido de nitrogénio está fixado em 500 miligramas por metro cúbico. Habitualmente, a operação dos geradores produz “menos de 100”, garantiu Edmond Etchri, director do departamento de Segurança, Saúde, Ambien-

te e Qualidade da CEM. No entanto, durante a activação dos geradores, quando o fumo negro pode ser observado, este valor sobe para cerca de 3.000.

A culpa é do petróleo

A activação de dois geradores adicionais em Janeiro deve-se à baixa do preço do petróleo. Macau importa habitualmente 90% da electricidade e produz o resto localmente (através de centrais térmicas e de incineração). Com a descida do preço, tornou-se financeiramente mais atractivo aumentar a produção local,

A activação de dois geradores em ‘stand by’, resultou na emissão pontual de gases poluentes seis vezes acima do limite que actualmente é feita com fuelóleo, um combustível que a própria CEM admite não ser “muito amigo do ambiente”.

“Simbiose” quer promover gastronomia da lusofonia

E

proposta vai definitivamente no sentido do gás natural”, disse Edmond Etchri. No entanto, o fornecimento de gás natural tem estado interrompido desde que o exportador, a empresa Sinosky, e o Governo entraram em conflito quanto à definição das tarifas. “Estamos a trabalhar com o Governo para resolver este problema e temos confiança que se vai encontrar uma boa solução para Macau”, disse, sobre essa questão, Ip Kam Veng, director do departamento de Geração.

xiste uma nova associação que pretende promover a gastronomia portuguesa e dos países lusófonos no território, cujos estatutos foram ontem publicados em Boletim Oficial (BO). A “Simbiose” visa promover a gastronomia portuguesa e dos países de língua portuguesa e divulgar a sua cultura gastronómica, técnicas e tradições alimentares, bem como fomentar a educação e equilíbrio alimentares em estabelecimentos de ensino, em especial nas escolas portuguesas e luso-chinesas, nas empresas e em instituições público-privadas. Nesse sentido, um dos objectivos da “Simbiose – Associação

para a Promoção da Gastronomia Portuguesa” passa por realizar iniciativas como acções de formação, colóquios ou mostras gastronómicas. “Estamos à espera da confirmação de um local que servirá de palco à promoção da gastronomia portuguesa e lusófona”, designadamente de “pratos que não estejam muito bem representados em Macau”, de que são exemplos a cachupa ou a moamba, disse o mentor da associação à agência Lusa, o chefe de cozinha André Correia. A associação, “ainda em fase embrionária”, procura concretizar o primeiro projecto na primeira

metade do ano, adiantou André Correia. Outros dos fins da “Simbiose”, à luz dos estatutos, passam pela elaboração de estudos e consultadoria alimentar, bem como a concepção, produção, publicação, distribuição e divulgação de obras em suporte escrito, audiovisual e multimédia, nas áreas da gastronomia, educação alimentar e promoção dos produtos tradicionais dos países de língua portuguesa. A educação alimentar é uma área em que André Correia tem experiência, uma vez que delineou um plano para as crianças do Jardim de Infância D. José da Costa Nunes.

Para alterar esta situação, a empresa pretende enviar “em breve” uma proposta ao Governo para que os geradores, alguns “com mais de 20 anos”, sejam actualizados de modo a poderem produzir electricidade com gás natural a partir de 2019. O valor deste investimento ainda não foi orçamentado. “A CEM está muito comprometida a minimizar o impacto ambiental. Queremos introduzir um combustível muito mais limpo, o gás natural, que não tem enxofre. As emissões de dióxido de enxofre seriam quase zero. A nossa

A curto prazo, a CEM quer autorização do Governo para operar os seis geradores 24 horas por dia, de modo a reduzir o número de vezes que estes têm de ser desligados/ligados, o que leva ao aumento de emissão de poluentes. Antes da quebra do preço do petróleo, apenas duas unidades estavam em funcionamento, sendo depois activadas outras duas. A eléctrica não precisou quantas vezes esta activação foi feita desde Janeiro, garantindo apenas que não o fazem diariamente, mas vários residentes queixam-se de ver o fumo negro com alguma frequência. Edmond Etchri garantiu ainda que, até agora, o fumo não constitui uma ameaça à saúde: “À volta da central térmica de Coloane, instalámos aquilo que chamamos de sistemas de monitorização da qualidade do ar. Porque é a nossa obrigação, no sentido de garantir a segurança da saúde de todos os residentes de Macau. Até agora, não vimos qualquer aumento nesses parâmetros”. - Lusa


8 sociedade

hoje macau quinta-feira 5.2.2015

GDSE Novas normas para sistemas de energia solar

Turbina de gás natural a caminho O Governo aprovou no mês passado um regulamento que promete dar mais oportunidades às empresas para pouparem recursos, com equipamentos de energia solar. No entanto, o custo da poupança parece ser ainda elevado... Leonor Sá Machado

leonor.machado@hojemacau.com.mo

O

Gabinete para o Desenvolvimento do Sector Energético (GDSE) anunciou a entrada em vigor do Regulamento de Segurança e Instalação das Interligações de Energia Solar Fotovoltaica, que estabelece as normas a seguir na celebração de contratos

Na notícia publicada na edição de ontem do HM, com o título “Taipa vai ter novo centro de saúde em Abril”, deve alterar-se a data para o segundo trimestre de 2015, “eventualmente em Maio”. Aos leitores e à entidade visada as nossas desculpas

GAES MUST campeã de apoios no final de 2014

F

oi a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST) quem mais apoios recebeu por parte do Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES), tendo-lhes sido atribuídas 16,6 milhões de patacas, em oito tranches separadas entre os meses de Outubro e Dezembro do ano passado. O anúncio, publicado em despacho de Boletim Oficial, mostra que o subsídio mais elevado perfez mais de 6,7 milhões de patacas e tem como justificação a obtenção de uma licença de uso da base de dados electrónicos e do

próprio sistema. A aquisição de material didáctico por parte da MUST custou cerca de dois milhões de patacas ao GAES e outro de valor semelhante serviu para a compra de material de culinária para o ensino de matérias relacionadas com o turismo. tiago alcântara

O HM errou

entre o Governo, os habitantes e empresas privadas especializadas na venda de equipamentos de energia solar, como painéis. A entidade responsável pela recepção e aprovação de pedidos e fiscalização das obras de instalação destes equipamentos será a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Já a Companhia de Electricidade de Macau (CEM) fica responsável por “supervisionar eventuais influências das interligações fotovoltaicas na rede pública de electricidade”, estando ainda proibida de cortar a energia proveniente destes equipamentos, caso não esteja a colidir com a linha de abastecimento à população e a interligação voltaica cumpra todas as normas. No comunicado, o GDSE confirma ainda a escassez de recursos energéticos “tradicionais” no território, assegurando contudo que o volume total de radiação social por ano é um valor que “posiciona Macau numa zona classificada de III categoria de recursos disponíveis”, nível que representa, segundo o gabinete, um grande potencial de desenvolvimento e exploração. Também a CEM anunciou mais uma medida de

Também a Universidade de São José recebeu 1,5 milhões de patacas de financiamento dividido em três diferentes subsídios, que serviram para a compra de equipamentos auxiliares de ensino, e participação em actividades de intercâmbio académico e realização de seminários. Já o Instituto Politécnico de Macau foi a instituição que menos dinheiro recebeu por parte do gabinete governamental, tendo obtido um financiamento de 50 mil patacas destinado à realização de uma única actividade.

poupança energética. Em comunicado, refere que vai instalar, em 2019, a primeira turbina de transformação de gás natural em electricidade. Esta ficará localizada em Coloane, junto à já existente Central Térmica da empresa.

Poupança que custa caro

O preço da instalação de painéis solares continua, no entanto, a ser mais elevado do que quando é preferida a rede de electricidade e o presente regulamento vem criar normas também no que diz respeito aos preços. O GDSE estabeleceu um período de 20 anos para a utilização do equipamento de energia solar instalado. Os edifícios de menor envergadura e com menos andares deverão pagar 4,8 patacas (por quilowatt) para uma capacidade de menos de 10 quilowatts. O custo para prédios residenciais, centros comerciais e hotéis de média dimensão será de 4,3 patacas para a instalação de um equipamento com capacidade para gerar entre 10 e 100 quilowatts. Finalmente, aos grandes hotéis complexos desportivos e edifícios públicos deverão ser cobradas 3,9 patacas por um equipamento com energia superior a 100 quilowatts.

Salas VIP Grupo Jimei prepara expansão de negócio

O Grupo Internacional de Entretenimento Jimei vai ter mais salas VIP no casino Wynn com a cooperação de uma nova empresa promotora de Jogo. O investimento surge numa altura em que as receitas do sector têm vindo a cair nos últimos meses, estando prevista o encerramento de um terço das salas VIP. Segundo o jornal Ou Mun, que cita um comunicado da empresa enviado à Bolsa de Valores de Hong Kong, o grupo Jimei vai estabelecer o acordo com o Clube Internacional Novo, uma sociedade unipessoal de promotores de Jogo. Esta sociedade adquiriu a licença de promotor de Jogo só em Dezembro último, estando ainda a discutir a criação das salas VIP no Wynn, estando prevista a criação de mais 30 salas. Os acordos devem ser assinados em Setembro deste ano. O Ou Mun cita ainda especialistas que apontam que, embora o negócio esteja a cair “de forma grave” é possível que as operadoras venham a diminuir a entrada no negócio para atrair mais cooperações no segmento de mercado de altas apostas.


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Droga Mulher do interior da China condenada a sete anos de prisão

A bolsa que escondia outros cosméticos O Tribunal de Segunda Instância decidiu não alterar a pena já aplicada a uma mulher vinda do continente que transportava consigo mais de dez quilos de droga. Foi apanhada nas Portas do Cerco Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

É

mais uma história de tráfico de droga sem final feliz. O Tribunal de Segunda Instância (TSI) decidiu manter a pena de sete anos e dez meses de prisão que já tinha sido atribuída pelos juízes do Tribunal Judicial de Base (TJB) a uma mulher vindo do interior da China. A acusada foi apanhada na fronteira das Portas do Cerco no dia 18 de Março de 2013, quando os funcionários dos Serviços de Alfândega a interceptaram, tendo sido encontrados estupefacientes com peso superior a dez quilos. A droga estava “na posse dela (da acusada) e na bolsa de comésticos que trazia consigo”, pode ler-se no acórdão do TSI. Em julgamento, o TJB acabaria por condenar a arguida a sete anos e nove meses de prisão pelo crime de “tráfico ilícito de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas”, a dois meses pelos “consumo ilícito” de droga e a mais dois meses de cárcere pela

A

Wynn Macau anunciou ontem uma quebra de 49,36% dos lucros líquidos do último trimestre de 2014, fixados em 139,7 milhões de dólares. No anúncio dos resultados da empresa relativos ao último trimestre, a Wynn Macau expõe ainda receitas líquidas de 761,2 milhões de dólares, menos 32% face ao apurado no período homólogo de 2013. O EBITDA ajustado (resultados antes de im-

“detenção indevida de utensílio ou equipamento”. Os juízes decidiram então aplicar, por “cúmulo jurídico” uma pena “única” de oito anos de prisão efectiva. A acusada acabou por recorrer da sentença, evocando que a “sua conduta não constituiu o crime de tráfico ilícito de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas”. A defesa disse que a mulher deveria antes ser condenada pela “prática do crime de produção e tráfico de menor gravidade”.

O peso do crime

O TSI considerou, contudo, que a quantidade de droga transportada pela mulher “não pode ser considerada pequena”. “O Tribunal já levou em consideração a quantidade de estupefacientes detidos pela recorrente - depois de reduzida a quantidade destinada ao seu consumo pessoal, o que equivale à quantidade de referência de uso diário durante sete dias. A quantidade remanescente é muito maior à necessária para o consumo individual durante cinco dias. A lei fixa um quantum (quantidade) diária para consumo

A acusada foi apanhada na fronteira das Portas do Cerco (...) tendo sido encontrados estupefacientes com peso superior a dez quilos pessoal, (pelo que) o tribunal não pode alterar o quantum fixado por quaisquer regras de experiência pessoal”, pode ler-se. O acórdão explica que, nestes casos, a pena de prisão pode ir dos três aos 15 anos, tendo, nesta

situação, determinado a aplicação de sete anos e nove meses, mais dois meses por outro crime. “Tendo em conta o grau de culpa da recorrente, a natureza e gravidade do crime cometido, a moldura penal aplicável, as circunstâncias

Wynn Resorts Quebra de lucros de quase 50%

O declínio é global postos, juros, depreciações e amortizações) atingiu 241,2 milhões de dólares, traduzindo uma queda anual homóloga de 35,5%. Em comunicado, a Wynn Resorts indica que o volume de negócios nas mesas de segmento VIP da sua subsidiária caiu 39,9% para

20,7 mil milhões de dólares entre Outubro e Dezembro, altura em que o número de mesas para grandes apostas diminuiu de 273 para 244 devido, em grande parte, a obras de renovação, as quais espera concluir antes do Ano Novo Chinês, em meados de Fevereiro.

Os ganhos do segmento do jogo de massas da Wynn Macau sofreram uma quebra de 15%, para 249 milhões de dólares no último trimestre do ano passado.

Quebras gerais

As operações globais do grupo Wynn Resorts resultaram,

concretas do caso, a natureza, quantidade e qualidade (de alta pureza) dos produtos proibidos apreendidos, os prejuízos causados pela sua conduta criminosa à saúde pública e paz social e as necessidades de prevenção criminal, o TSI entende não ser excessiva a pena única aplicada à recorrente” pelo TJB. A arguida apenas foi absolvida do crime de “detenção indevida de utensílio e equipamento”.

entre Outubro e Dezembro, em receitas líquidas de cerca de 1,14 mil milhões de dólares, menos 25% face aos últimos três meses de 2013. O declínio é atribuído pela companhia à quebra de 32% nas receitas líquidas registadas em Macau e à diminuição de 5,8% dos ganhos nas operações em Las Vegas. Em termos globais, a Wynn Resorts fechou 2014 com receitas líquidas de 5,4 mil milhões de dólares, menos 3,3% face a 2013, segundo

o mesmo comunicado. Com dois casinos em Macau - Wynn e o Encore - a operadora tem actualmente em construção um ‘resort’ integrado, com um orçamento global de 4,1 mil milhões de dólares. Os casinos terminaram 2014 com receitas brutas de 351.521 milhões de patacas, menos 2,6% do que em 2013, registando a primeira quebra de receitas desde a abertura do sector a novos operadores, ocorrida, de facto, em 2004. - Lusa


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Mio Pang Fei Exposição de pintura no Albergue

Singularidades de um para além da superfíc

Na inauguração da sua nova exposição Mio Pang Fei conta durante a Revolução Cultural Chinesa, como sempre olhou o ajudou a crescer e como tudo mudou até ao dias de hoje. o artista mostra um pouco de si e promete mais exposições FLORA FONG

flora.fong@hojemacau.com.mo

“A

lém da Superfície” é uma expressão proveniente de Lao Zi - mítico filósofo e alquimista chinês – que significa “pouco real”. Mio Pang Fei, o artista em foco, explicou que a maioria das obras foram criadas depois da chegada a Macau e por isso têm influência da arte moderna e do abstraccionismo. As obras expostas já não são novidade. Descrevendo a mostra, o pintor explica que “existe uma pintura que com

uma grande jarra de água, algumas caligrafias, e cópias de obras criadas no período da Revolução Cultural Chinesa entre os anos 50 e 60”, tendo as originais sido destruídas pelo mesmo por causa do limite de arte da época. Quando questionado sobre a designação para as suas obras de “Neo-orientalismo”, o artista explicou que isso acontece por gostar de desenhar diversos estilos, como o abstraccionismo, impressionismo ou o modernismo. Mio Pang Fei começou a dedicar-se inteiramente à arte aquando da sua chegada a Macau, pois até então

sempre se sentiu demasiado limitado por residir no interior da China.

Palavra de mulher

A sua esposa, Un chi Iam, durante a inauguração da exposição que decorreu ontem no Albergue SCM, começou por relatar a vida do casal quando chegou ao território nos anos 80. A primeira exposição, conta, surgiu depois do arquitecto Carlos Marreiros conhecer a obra do seu marido. Surpreendido pelo residente do interior da China conhecer tanto sobre a arte que explodia na Europa, o

Mio Peng Fei partilha que, em Abril do presente ano, pretende realizar uma nova exposição só de caligrafias

À venda na Livraria Portuguesa Fernando Pessoa dito por Sinde Filipe Este livro acompanhado por um CD reúne um conjunto de 28 poemas de Fernando Pessoa e dos seus heterónimos que podem ser ouvidos na voz do actor Sinde Filipe.

A Noite Abre Meu “A Noite Abre Silvina Rodrig de acessório, n uma questão d intrínseca, e ta


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Prefácio do catálogo da mostra

“Significados da espiritualidade chinesa” “A

m pintor cie

a como viveu u para a arte, quem . Sem surpresas, s este ano arquitecto e também artista, deu o impulso para que Macau viesse a conhecer a obra de Mio. A esposa conta ainda que também que recebeu muito apoio do poeta e tradutor Ung Vai Meng - que ajudou a que Mio fosse estudar e viajar para Portugal e Paris, uma clara vantagem para o artista. O pintor explicou ao auditório que grande parte dos chineses, antigamente, não conseguiam entender a arte modernista, designando-a de “lixo”. Felizmente, diz, a situação mudou, o conhecimento artístico das pessoas de Macau aumentou muito.

Olhando para o futuro, Mio Peng Fei partilha que, em Abril do presente ano, pretende realizar uma nova exposição só de caligrafias. Em Maio, através de um convite do Museu de Arte de Macau vai participar na 56ª Edição da Bienal de Arte de Veneza. O artista referiu também que está a preparar obras para mostrar no futuro, sem especificar, dizendo apenas que serão obras de ‘neo-orientalismo’.

“Normalmente pinto obras de grande dimensão, de cinco a seis metros de altura, para as quais é preciso muita energia física”, conta. Neste momento, o artista conta que se sente mais cansado e por isso tem que ter mais tempo para criar. Foi esta razão que fez com que há alguns anos, Mio se dedicasse mais a aprimorar a arte da caligrafia, daí ser possível constatar a combinação das artes nos seus trabalhos.

Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net

us Olhos • José Tolentino Mendonça e Meus Olhos” reúne toda a poesia publicada por José Tolentino Mendonça. Sobre ela, escreveu gues Lopes:«Uma leitura deste livro não podendo remeter a fé que aí se assume para a categoria não é por isso necessariamente conduzida à discussão de uma questão religiosa, ou sequer de e Deus. Construindo-se como escuta e reflexão, a disponibilidade para o que altera torna-se-lhe ambém ela tem uma única forma de acompanhar o que lê.»

arte singular de Mio Pang Fei, falando no seu próprio dialecto criativo, é simultaneamente contemporâneo e tradicional. O seu charme particular tem origem no facto de se sentir tanto o lado ocidental como oriental, igualmente exalando a sua própria sabedoria distintiva. Mio deambulou pelos corredores de escolas de arte durante a sua juventude, adquirindo assim um conhecimento sólido da pintura realista, mas cedo começou a ultrapassar as fronteiras da pintura tradicional. Nas décadas de 50 e 60 (período que difícil para se ser um pintor de qualquer tipo na China), Mio estava já a estudar e implementar conceitos de arte moderna, criando, nessa época, uma pub

colectânea de trabalhos desse género que infelizmente não sobreviveram até hoje. Quando os anos 70 trouxeram reformas e uma maior abertura, muitos foram os jovens artistas chineses que abraçaram a exploração de vários tipos de arte moderna. No entanto, Mio – como refere Shui Tianzhong –, “não se sentia, como muitos dos seus contemporâneos, a ser puxado para um espaço entre as artes oriental e ocidental”, mas sim a “absolver, calmamente, tudo o que conseguia de ambos os tipos”. Mio fazia uso de métodos ocidentais contemporâneos para dar uma vida plena às qualidades narrativas da arte chinesa. Explorando a qualidade da textura selvagem da arte ocidental para comunicar com conceitos da cultura

chinesa, Mio ajudou a expandir o âmbito da pintura moderna. Nesta era de mudanças constantes e imprevisíveis, a arte, pensamento e gostos de Mio têm evoluído de forma contínua. “Os trabalhos de Mio Pang Fei são, sem dúvida, contemporâneos na sua forma. O seu espírito, contudo, é tradicionalmente chinês. Eu visitei o estúdio de Mio Pang Fei. Os seus trabalhos de grande escala possuem vigor e força. Até mesmo os seus trabalhos de tamanho médio projectam um espírito ousado que completa e faz ressoar os significados da espiritualidade chinesa.” Feng Yang

Antigo director do Museu Nacional de Belas Artes da China


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Paulo Portas diz que relação com China “deve ser acarinhada”

A importância do amigo chinês As declarações do vice‑primeiro‑ministro português aconteceram na cerimónia de apresentação do jornal bilingue luso‑chinês Diário de Todos, em Lisboa, que contou ainda com a presença do embaixador chinês na capital portuguesa

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vice-primeiro-ministro português, Paulo Portas, sublinhou ontem que, “num período de reajustamentos em Portugal, a China fez investimentos importantes no país”, na sessão de lançamento do jornal bilingue luso-chinês Diário de Todos, em Lisboa. No seu discurso durante a cerimónia, o governante lembrou que, “este ano, passa uma década sobre a parceria estratégica entre Portugal e a China”, uma parceria que “deve ser acarinhada, dada a partilha de interesses comuns e convergentes” e tendo em conta a amizade que une os dois países e que tornou “a transição de Macau num caso exemplar”. Enaltecendo o desenvolvimento económico da China no panorama internacional, Paulo Portas assinalou ainda o facto daquele país asiático ser, actualmente, “um dos mais importantes para

as exportações nacionais”, bem como “o maior emissor mundial de turistas, com uma classe média em ascensão e com a ambição de se internacionalizar”. Neste contexto, o surgimento em Portugal “de um jornal que visa transmitir uma percepção diferente da China aos portugueses e uma visão diferente de Portugal aos chineses”, foi descrito pelo vice-primeiro-

“Apesar da comunidade chinesa em Portugal, composta por cerca de 20 mil pessoas, não ter aumentado nos últimos anos, também não diminuiu, o que demonstra que os chineses optaram por suportar os tempos difíceis ao lado dos portugueses” Huang Songfu Embaixador da China em Portugal

Jornal do PCC comenta relações com a Grécia

Contra as obsessões ocidentais U m jornal do Partido Comunista Chinês (PCC) desvalorizou ontem a “obsessão da imprensa ocidental” com o futuro dos investimentos chineses na Grécia, afirmando que “no mundo actual, nenhum país está disposto a subverter as suas relações com a China”. “Para sociedades com extremas necessidades de desenvolvimento, cooperar com a China é a sua melhor escolha. A opinião pública

ocidental não tem bases para exagerar as incertezas entre a China e alguns países”, disse o Global Times, jornal do grupo Diário do Povo, o órgão central do PCC. Uma das primeiras medidas anunciadas pelo novo governo grego foi a suspensão da privatização do estratégico porto do Pireu, nos arredores de Atenas, onde um grande consórcio estatal chinês explora dois terminais de contentores e era candidato à compra

de 67% do capital da Autoridade Portuária local.

Inevitabilidades

“O governo grego não deverá desalojar a China do porto do Pireu e a cooperação entre Atenas e Pequim é inevitável”, afirma o editorial do Global Times, citando analistas ouvidos pelo diário grego Kathimerini. Segundo o jornal do PCC, “a forma como a imprensa ocidental

apregoa a impopularidade dos investimentos externos da China é uma maneira de aliviar o seu próprio sentido de crise”. A Cosco (China Ocean Shippping Company) já investiu mais de 4.500 milhões de euros no Pireu, no âmbito de um acordo de 35 anos para a exploração dos Cais n.º 1 e n.º 2 daquele porto. A China detém as maiores reservas cambiais do mundo, estimadas em 3,84 biliões de dólares e está a investir cada vez mais fora das suas fronteiras, nomeadamente na Europa, África e Estados Unidos. Em 2014, pela primeira vez, o investimento exterior chinês fora do sector

-ministro como “uma consequência previsível da relação bem-sucedida entre Lisboa e Pequim”.

Solidariedade asiática

Também presente na sessão, o embaixador da China em Portugal, Huang Songfu, destacou igualmente a vertente solidária, afirmando que, “apesar da comunidade chinesa em Portugal, composta por cerca de 20 mil pessoas, não ter aumentado nos últimos anos, também não diminuiu, o que demonstra que os chineses optaram por suportar os tempos difíceis ao lado dos portugueses”. Para Huang Songfu, o jornal Diário de Todos é um meio eficaz “para os portugueses ficarem a conhecer a realidade política, económica e cultural chinesa”, ao mesmo tempo que, ao divulgar mais a realidade portuguesa na China, “pode facilitar a tomada de decisões dos empresários chineses e o aumento do seu investimento em Portugal”. Descrevendo a publicação recém-nascida, em papel, como “uma boa surpresa” no início do ano e um sinal da “saudável relação sino-portuguesa”, o embaixador acrescentou que o jornal “certamente fortalecerá as relações bilaterais e a cooperação e o entendimento mútuos”, além de ser um contributo importante para os “chineses de segunda e terceira geração que estão em Portugal e não falam chinês”. Para Helena da Cruz Mouro, directora da publicação bilingue, esta tem por objectivo “prestar um verdadeiro serviço público, facultando informação estratégica e acompanhando as tendências dos mercados”, ao mesmo tempo que “assegura isenção e respeito por ambas as culturas” e “contribui para formar uma opinião pública esclarecida, participativa e responsável”. O jornal quinzenal Diário de Todos, escrito em português e chinês e que dedica 70% das suas páginas à componente económica, chega na quarta-feira às bancas. - Lusa

financeiro excedeu os 100.000 milhões de dólares. Oficialmente, a China continua a assumir-se como “um país em vias de desenvolvimento”, mas na imprensa e círculos académicos, a aspiração ao estatuto de “grande potência emergente” e a valorização do seu antigo esplendor parece estar a acentuar-se. Num outro editorial publicado ontem na imprensa oficial, o China Daily salienta que “a civilização chinesa é a única que conheceu um ininterrupto desenvolvimento, devido à sua singularidade linguística e cultural e sistema de valores, bem como à sua capacidade de incessante auto-renovação”.


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morte do piloto jordano Muaz Kasasbeh pelo Estado Islâmico é vista como algo “desprezível” pelo primeiro-ministro japonês, dias depois da execução de dois cidadãos japoneses O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, condenou ontem o “desprezível” assassínio do piloto da força aérea jordana Muaz Kasasbeh pelo Estado Islâmico (EI), que nos últimos dez dias executou também dois cidadãos japoneses. Num comunicado difundido pelo Governo, Shinzo Abe disse que sente uma “grande indignação” pelo facto de Kasasbeh ter sido assassinado “de uma forma tão miserável”. O grupo EI divulgou ontem um vídeo em que afirma ter queimado vivo o piloto jordano, capturado em Dezembro, no qual divulga alegadas imagens do acto. O vídeo, segundo agências internacionais, mostra um homem, apresentado como Maaz al-Kassasbeh, envolto em chamas dentro de uma cela metálica.

Shinzo Abe diz que morte de piloto jordano é “desprezível”

Indignação a Sol Nascente “Este desprezível acto de terrorismo causa-me um grande sentimento de raiva”, disse o primeiro-ministro nipónico, afirmando “condenar fortemente” este assassínio “imperdoável”. Abe enviou condolências à família do piloto em nome do seu Governo e do povo japonês e insistiu que o país “não se vai vergar perante o terrorismo”, que cumprirá a sua obrigação de combatê-lo junto com a comunidade internacional e que ampliará o seu programa de ajuda humanitária para países implicados na luta contra o EI.

Falsas promessas

Depois de anunciar a 24 de Janeiro a execução do primeiro dos reféns japoneses capturados, Haruna Yukawa, o EI solicitou a libertação da iraquiana Sayida al Rishawi, detida e

condenada à morte na Jordânia, em troca da libertação do jornalista japonês Kenji Goto e de poupar a vida de Kasasbeh. As autoridades de Amã aceitaram a troca e solicitaram uma prova de vida de Kasasbeh como condição para libertar Rishawi, mas essa prova nunca foi

“Este desprezível acto de terrorismo causa-me um grande sentimento de raiva” apresentada pelos ‘jihadistas’ e a libertação da detida não foi realizada. Após a publicação do

vídeo com a execução de Kasasbeh, as autoridades jordanas informaram que vão executar Sayida al

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Rishawi e outros presos acusados de terrorismo. Ontem a Jordânia executou dois “jihadistas” iraquianos, reivindicados pelo EI, em retaliação à execução de um piloto jordano, alegadamente queimado vivo pelo grupo extremista, informou o porta-voz do governo. Sajida Al-Rishawi, condenada à morte pela sua participação nos ataques terroristas de 2005 em Amã, e Ziad Karbouli, responsável da Al-Qaida, foram executados pelas 4 horas, disse à AFP o porta-voz, Mohammad Momani. A televisão jordana anunciou na terça-feira também que o rei Abdala II cancelou a sua visita aos Estados Unidos, onde se deveria reunir com o vice-presidente norte-americano Joe Biden. A viagem tinha como objectivo discutir com as autoridades norte-americanas a luta contra o terrorismo e os esforços para libertar o piloto jordano detido em Dezembro pelos extremistas da Síria quando participava em ataques da coligação contra o auto-denominado Estado Islâmico.

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Aviso Faz-se público que se acha aberto o concurso comum, de ingresso externo, de prestação de provas, para o preenchimento de um lugar de intérprete-tradutor de 2.ª classe, 1.º escalão, da área de interpretação e tradução (línguas chinesa e portuguesa), da carreira de intérprete-tradutor, do quadro de pessoal da Direcção dos Serviços de Regulação de Telecomunicações (DSRT). Os respectivos detalhes constam do Boletim Ofícial da Região Administrativa Especial de Macau, n.º 5, II série, de 4 de Fevereiro de 2015 e estão divulgados nas páginas electrónicas da DSRT (http://www.dsrt.gov.mo) e da Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública. Podem também ser obtidos na Divisão Administrativa e Financeira da DSRT sita na Avenida do Infante D. Henrique, n.os 43-53A, The Macau Square, 22.º andar, Macau. Direcção dos Serviços de Regulação de Telecomunicações, aos 29 de Janeiro de 2015.

O Director dos Serviços, Hoi Chi Leong

AVISO Informa-se que a lista classificativa da prova de conhecimentos (prova escrita) dos candidatos admitidos para o preenchimento de dois lugares de intérprete-tradutor de 2.ª classe, 1.º escalão, da carreira de intérprete-tradutor, da área de interpretação e tradução (línguas chinesa e portuguesa), do quadro de pessoal da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental, encontra-se afixada na sede da DSPA, e publicada na página electrónica www.dspa.gov.mo. O Director, substituto, Vai Hoi Ieong Aos 29 de Janeiro de 2015


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Y.K.Centeno

in Zunái

CELAN E MAIS CELAN Os Primeiros Poemas Sinto que neste ano em que se evocam as duas guerras que assombraram, pela sua violência, o século XX, uma palavra de evocação é devida, por nós, poetas e tradutores, a um dos maiores poetas desse tempo de trevas de que a libertação salvou alguns mas deixou à mesma que morressem outros, como Paul Celan, sob o tremendo peso da memória. Assim, tentarei deixar aqui a minha homenagem. Farei em breve 75 anos, mas nunca teria existido se em 1939 o meu pai não tivesse trazido de Paris a minha mãe. Jovem, idealista, estando a viver em Paris com a irmã mais velha, podia não ter tido a sorte dessa minha tia, casada com um francês e que talvez por isso tenha sido poupada. A minha mãe fez de Portugal a sua nova pátria, enquanto a guerra assolava o mundo, com uma Alemanha contaminada por uma ideologia perversa de extermínio. Celan, um sobrevivente, coloca nas palavras o Sopro do sofrimento de um povo exterminado, exterminável, apenas por ser de outra raça, outra cultura, outro saber e inteligência do mundo. Aqui fica uma parte do meu pequeno testemunho de gratidão a quem tanto amou a palavra redentora.

Remorso por ter sobrevivido.

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uem já conheça em parte a poesia de Paul Celan, nas edições feitas por João Barrento e por mim, anos atrás, gostará certamente de ler este pequeno conjunto em que podemos ver de que modo vão tomando forma imagens, motivos e ideias centrais e estruturantes do seu imaginário. Do título geral, A Areia das Urnas, aos títulos dos dois ciclos propriamente ditos (Aos Portões ; Papoila e Memória) e de cada poema, como se verá adiante, um único motivo: a morte. A morte em todo o lado presente, do lado de cá dos portões, onde o poeta se encontra (do lado de lá estaria a vida, como na poesia de Fernando Pessoa em tantos dos seus poemas ortónimos e heterónimos). Mas a morte também do lado de lá: lá para onde pai e mãe foram levados, como milhões de outros, longe dos olhos de um Deus que já não cumpria promessas e não defendia os seus. Um Deus que deixava o décimo-oitavo cântaro vazio, o cântaro da vida, na simbólica mística judaica. A morte, habitando o espaço, a morte, habitando o tempo e tornando-

Europa, fazendo dela um enorme espaço de perseguição e ruína. A musicalidade, que existia, era premonitória de dor: a dor do amor traído, a dor da ferida sem cura, do remorso que levaria o poeta ao suicídio, em 1970.

-o refém da voz possível, esta voz de um poeta que clama, reclama, promete não esquecer. Celan escreve, como se diz, na língua do inimigo ( disso nos dá conta o poema intitulado “Junto aos Túmulos”, ao evocar a mãe nos dois últimos versos): E tu, mãe, toleras como outrora, ai, na nossa terra, a suave, a alemã, a dolorosa rima?

O alemão (como o francês) era uma língua de cultura e Celan, embora natural da Roménia, é no alemão que cresce e é educado pelos seus pais, judeus alemães. Mas era multilingue, na verdade, conhecendo bem o russo, o francês e até relativamente bem o português (traduziu Fernando Pessoa, com ajuda de um amigo). Mas essa primeira língua, materna, mais do que o romeno da sua terra natal, era agora uma língua assassina cujos falantes devastavam a

Num dos seus mais célebres poemas “Entrada de Violoncelos” é desse remorso que nos fala, acentuando o contraste entre o realismo espacial, físico, das imagens e o tempo dos violoncelos, sendo a arte da música uma arte do tempo por excelência, mas aqui desvirtuada: há uma dor permanente que ao fazer-se ouvir faz nascer a verdade que se desfolha num livro que não é o da Vida. Recordo o verso final: “tudo é menos/ do que é/ tudo é mais”. É para este “mais” que em cada imagem, em cada evocação dolorosa se chama a atenção, para que a Verdade e a Vida não sejam exterminadas de vez. O pequeno ciclo aqui apresentado ciclo data de 1940-1948 e em cada um dos poemas, através da sua circunstância própria, poderemos descobrir, para lá da voz e do seu grito, uma paisagem que se tornou tão íntima que passou a constituir a substância mesma de todos os outros poemas que se lhe seguiram. As mesmas árvores, com a mesma raiz invertida, a mesma cerca, a grade dos portões, as covas a descoberto ou escondidas mais longe, as nuvens que no céu se multiplicam e o tornam de chumbo, a seta perdida que a todos alcança, uma utopia em que era difícil acreditar: a da pomba da paz, algures em Avalon, o místico paraíso dos cavaleiros da Távola Redonda. Ainda que Celan escreva “mas eu vejo a pomba chegar, branca, de Avalon” a paz será assinada, mas a ferida da Guerra nunca mais terá cura. Não é por acaso que num aforismo de 1949 o poeta ainda exclama “ O coração ficou escondido no escuro, e duro como a pedra filosofal”. No discurso de 1960 em que agradece o prémio Georg Buechner que lhe fora atribuído, O Meridiano, observa Celan que “O poema é solitário. É solitário e vai a caminho. Quem o escreve torna-se parte integrante dele.” E refere ainda “o mistério do encontro”, como chave central desse caminho, feito de palavras, palavras–pedras, esculpidas com as ferramentas da memória, no esforço de ir ao encontro do outro, “um Outro” que pode ser mais do que é e pode ser menos, como no poema “Entrada de Violoncelos”. O Outro que o poeta interpela


artes, letras e ideias 15

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é sujeito de diálogo, de interrogação, e de (im)possível comunicação. Diz ainda Celan: “ Então o poema seria - de forma ainda mais clara do que até agora- linguagem, tornada figura, de um ente singular, e, na sua essência mais funda, presença e evidência”(p.56, trad. J.B.) Por outras palavras, é o poema, afinal, que dá substância ao poeta: dá-lhe o espaço, o tempo, a manifestação da sua própria existência (de que ele poderia duvidar). O poema é linguagem, coisa viva, mutável, e que busca e provoca em permanência essa transformação. Pode ser em pedra, ainda que não alquímica. Nem que seja resíduo, cinza, pó, matéria negra de um Sem-Fundo à espera de ordenação. Em carta ao amigo Hans Bender, também datada de 1960, diz Celan que os poemas são oferendas: “Oferendas que transportam um destino”(p.66, trad.J.B.) Ao ler agora este ciclo inicial não se poderia estar mais de acordo. Aqui se faz a oferenda (devíamos dizer sacrifício) de uma obra e de uma vida, aqui se descobre que no interior da Mandorla se esconde o Nada temível, o do olhar divino desviado, o de um povo que só terá existência se não deixar que se apague a memória, o seu bem mais precioso. Haverá, a dada altura, um outro ciclo, precisamente com o título de Papoila e Memória. Na flor o vermelho do sangue derramado nos campos, na memória a História e o destino de todos e de cada um: pois cada ser humano é, em si mesmo, um ser irrepetível. Com Celan, espreitamos o Nada na Amêndoa: Mandorla Na amêndoa – o que está na amêndoa? O Nada. É o Nada que está na amêndoa. Ali está e está. No Nada – quem está ali? O Rei. Ali está o Rei, o Rei. Ali está e está. Madeixa de judeu, não envelheces. E o teu olhar – para onde está virado, o teu olhar? O teu olhar está virado para a amêndoa. O teu olhar está virado para o Nada. Para o Rei. Assim está e está. Madeixa de homem, não envelheces. Amêndoa vazia, azul real. Este rei é o Deus soberano esquecido do seu povo, do ser primordial criado à sua imagem e semelhança, da preferência e do pacto estabelecido com a imperiosa ordem da multiplicação e dos múltiplos caminhos, todos eles caminhos do caminhar do homem. Nesta amêndoa, imagem de uma totalidade aberta sobre o Nada, só

a madeixa de judeu não envelhece, é imortal. Ela é figuração do Um e do Todo, da perfeição, no universo criado. Para marcar a pulsão mais secreta, do ser e do tempo, basta a pedra, a folha, a flor, ou o suspiro que redesenha a nuvem ao prendê-la na alma. Por essa razão se guardará a memória: do mais pequeno resquício, do mais pequeno vestígio – a água ( ou mesmo a lama) que se vai procurar na areia. Uma gota do cântaro, um fio de cabelo, amarelando como se fosse de ouro. E o poeta, na soleira do sonho, pode soltar então a sua grinalda azul. * Na biografia de Celan encontramos vários momentos de grande importância. Nascido de pais judeus alemães em 1920, em Czernowitz, na Roménia, de nome Paul Antschel, ou Anczel, que se pronuncia do mesmo modo ( e que mudará para Celan, em jogo de espelho metafórico) concluídos os estudos liceais segue em 1938 para França, estudar medicina em Tours. Com o início da Guerra em 1939 regressa a casa e estuda na Universidade Filologia Românica. Em 1940 a sua terra é ocupada pelos soviéticos, em 1941 por tropas alemãs e romenas que constroem um gueto – aí começando, como na Polónia, o primeiro grande sinal do futuro extermínio. Em 1942 os pais de Celan são deportados para um campo de concentração (a palavra correcta é extermínio), o poeta foge e é internado num campo de trabalho na Roménia. Em 1943 regressam os soviéticos e Celan regressa à sua terra, Czernowitz. Nos anos seguintes trabalha como tradutor numa editora, e em 1948 publica a primeira série de poemas que aqui damos a conhecer, Der Sand aus den Urnen, A Areia das Urnas. Mais tarde mandará retirar a edição do Mercado. Em Julho deste mesmo ano de 1948 fixa-se em Paris onde retoma os seus estudos literários, de Germanística e Linguística e a actividade de tradutor: traduz Cocteau, Picasso, Simenon, poemas de Fernando Pessoa, René Char, Paul Valéry, Henri Michaux, sonetos de Shakespeare, entre outros – e por aqui se vê como estava inserido no meio cultural e artístico parisiense, em pleno convívio com os seus grandes criadores. Dos surrealistas e da sua linguagem (falsamente) desarticulada encontraremos por vezes vestígios num ou noutro exercício poético que Celan deixará sem continuidade. Havia apesar de tudo e contra todos, na prática surrealista, uma alegria de vida, um prazer de contestar só pelo inédito da contestação que Celan, enredado na sua dôr e na suas memórias não poderia, honestamente, sentir. E a sua voz não era de fingimento, era de puro clamor.

Em 1952 casa-se com a artista plástica Gisèlle Lestrange; em 1960 é-lhe atribuído o Prémio Georg Buechner da Academia Alemã de Língua e Poesia; em 1964 o Grande Prémio Literário da Renânia do Norte-Westfalia e em 1969 fará uma última viagem a Israel, quem sabe se de interpelação e ajuste final de contas com o Deus do olhar desviado para longe. Em 1970 suicida-se no rio Sena. Entretanto a sua poesia foi sendo cada vez mais divulgada e apreciada: Em 1983 sai a primeira edição da Obra Completa, em cinco volumes e em 1990 tem início a publicação da Edição Histórico-Crítica, hoje fundamental para o estudo de uma vida e obra que se tornou tão marcante no século XX. Em tradução portuguesa são conhecidas uma Antologia, Sete Rosas Mais Tarde (J.Barrento e Y. Centeno), A Morte É Uma Flôr (J. Barrento), e Arte Poética, o Meridiano e outros textos (J.Barrento). Em iniciativa pioneira, pela mão de José da Cruz Santos, temos a plaquette de treze poemas da colecção “Oiro do Dia”, Paul Celan (Y.Centeno e J.Barrento). * Qual a razão, neste momento, de dar a conhecer os primeiros poemas que o poeta retirou, na intenção de mais tarde os incluir em edições alargadas? Por uma razão muito simples, mas para mim fundamental, neste caso de Celan como no de Pessoa: todo o primeiro impulso é já o prenúncio de um caminho. A voz é seminal, mas da energia que contém nascerá o discurso (poético) seguinte. O poeta viu, viu com os seus olhos, sentiu, sentiu com a sua alma, tem de dar testemunho. As letras que, uma por uma, com o seu som que é Sopro, é Verbo, na mística da Kabala, vão dando origem ao universo criado, foram perversamente desviadas da pureza inicial. E Celan, neste seu reinício fundador, procurará, despojadamente, dolorosamente, reconstituir fragmentos, articular numa linguagem própria, próxima do sonho (não do sono, que o poeta perderá para sempre) a memória - corpo de uma nação que foi propositadamente desmembrada, por uns e por outros. Não é por acaso que haverá um conjunto de poemas e depois um livro intitulado Papoila e Memória. Nada na obra de Celan é fruto de acaso: a voz surge de dentro, de uma pulsão mais forte, que impede o silêncio que seria tão do agrado de alguns. Deus esqueceu o alfabeto primordial, a sua criação, a sua criatura? Pois o poeta, insubmisso, evocará os momentos, reunirá as ossadas, espalhará as cinzas e encherá com a sua voz o cântaro, o cântico eterno que faltava: o que é da Vida. Lisboa, 2012-2014-2015

Do Lado de Lá / Drueben Só para lá dos castanheiros está o mundo. De lá sopra à noite um vento trazido pelas nuvens e que por aqui algures vai ficando… é ele que o transporta, por sobre os castanheiros: “tenho a doçura dos Anjos, e um dedal vermelho! só para lá dos castanheiros está o mundo…” É então que eu canto, baixinho, como fazem os grilos, é então que o agarro, o impeço de fugir: o meu apelo prende-lhe as articulações! Oiço o vento que regressa em inúmeras noites: “comigo ardem os longes, contigo o apertado…” Eu então canto baixinho, como fazem os grilos. Mas se hoje a noite não se iluminar e o vento voltar trazido pelas nuvens: “ tenho a doçura dos Anjos, e um dedal vermelho!” e se ele quiser passar para lá dos castanheiros então eu, então eu não o prenderei aqui… Só para lá dos castanheiros está o mundo.

A Posse dos Sonhos / Traumbesitz Coloca então as folhas junto às almas. Roda lentamente o martelo e cobre o rosto. Coroa, com as pancadas que faltam ao coração, o cavaleiro que luta com moínhos longínquos. São apenas nuvens, que ele não suportou. Contudo o seu coração bate ao passar de um Anjo. Faço grinaldas com os restos que ele não despedaçou: a barreira vermelha e o negro meio.

Canção de Embalar / Schlaflied Bem longe, para lá dos campos mais sinistros ergue-me a minha estrela ao teu sangue exaltado. Não mais duvida da dor de que sofremos ambos, aquele que, ligeiro, repousa no anoitecer. Como pode ele, querida, deitar-te e embalar-te, com a sua alma a coroar o teu adormecer? Jamais se ouviu, onde repousam os sonhos e os amantes, um silêncio a cantar tão estranhamente. Agora, que só o pestanejar rodeia as horas, se torna manifesta a vida da escuridão. Fecha, amada, os olhos que brilham. Que não haja mundo além da tua boca cintilante.


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Carlos Morais José

Paulo Maia e Carmo, autor de “O Pintor e o seu Labirinto”, sobre o encontro de culturas

Da perplexidade a uma estranha familiaridade e fascínio, assim acontecem os caminhos da relação de Paulo Maia e Carmo com a pintura chinesa. Através da qual se encurta o passo para compreender a civilização que a originou, bem como uma medida para os equívocos e as partilhas no encontro com a tradição ocidental. Como surgiu o seu interesse pela pintura chinesa? O meu interesse pela pintura da China resulta de uma perplexidade. Quando visitava exposições de pintura tradicional chinesa em Macau, nunca via portugueses. Por outro lado, eu sentia uma afinidade com aquela forma de representação. A presença em Macau, já no século passado, mudou de algum modo a sua maneira de ver o mundo? Todas as experiências nos vão mudando. Eu nasci em África, cresci na Europa e portanto mudar era um modo de viver. O caso de Macau permitiu-me conhecer os macaenses e os chineses, permitiu-me ver o mundo com os olhos de um outro que, à partida, era muito diferente de mim.

Nuno Cortez-Pinto

“Como é que o Filho do Céu podia ter sido crucificado?”

Quais serão, afinal, as principais diferenças entre a pintura chinesa e a ocidental? Historicamente, as diferenças foram sendo muitas: nas técnicas, nos objectivos, naquilo que se quer mostrar. Mas num tempo, foram idênticas naquilo que é a expressão da espiritualidade. Cada uma falava a sua linguagem própria. Para isso encontrou os meios adequados a essa expressão. E o resultado tem uma aparência muito diferente. No Ocidente utilizou-se a pintura a óleo, que resulta quase sempre de um desenho prévio, que depois de executado é possível continuar a emendar, pintar por cima. Na China, a concepção final é imediata e precede a execução. Quando o pintor começa a trabalhar, já sabe o que vai fazer e não emenda. A arte ocidental insistiu na representação do corpo humano e a China na natureza, de onde derivam as suas declinações: no ocidente o primado do indivíduo e na China a percepção da integração do homem no ecossistema. Existe o que poderíamos chamar de “um olhar chinês”? E que relação poderá ter, enquanto expressão, com um modo de pensar? Existe um olhar e um mostrar chinês reconhecível no paradoxo do homem que está à janela: ele olha e mostra-se.

E no que ele mostra, reconhece-se um olhar diferente. Partindo do princípio que a pintura chinesa tem uma história, que grandes momentos distinguiria? Dos pintores que eu estudei, distingui uma fase de cerca do ano 1000, que incluía grandes mestres como Guo Xi, Su Shi e Mi Fu. Uma segunda fase começa no final do séc. XVI, XVII e que sucede a rigorosa teorização de Dong Qichang. É a fase dos grandes rebeldes que conheceram essas regras e as subverteram, como Bada Shanren ou Shitao. Como vê o papel da caligrafia? Será que ela se relaciona/opõe, de alguma maneira, ao outro tipo de representação? O caso da caligrafia é muito especial, ainda mais difícil de compreender para um ocidental. É, desde há muito, uma arte sofisticada. Dizia-se do mais célebre calígrafo Wang Xizhi que escrevia para “fortificar a vontade”. De modo que se relaciona de uma forma que se pretende muito próxima do espírito. A caligrafia é todo um caminho. Há pinturas que mostram momentos da caligrafia. A caligrafia é entendida como algo ainda superior. Há caligrafias executadas em cima de pinturas. Na relação da caligrafia com a pintura, a caligrafia é sempre um referente mítico.

Vários pintores jesuítas residiram na corte do imperador. O que trouxeram eles de novo à pintura da China? Desde logo, a noção da perspectiva, do ponto de fuga único. Os modelos de representação do Renascimento mostravam uma espécie de teatro, uma referencia a tridimensionalidade que foi sendo apropriada por aqueles que conheciam essas imagens. E como reagiram os seus “colegas” chineses? No início não lhes foi difícil a cópia pura e simples. Mais complicado foi entender o sentido daquelas imagens. Como é que o Filho do Céu podia ter sido crucificado? Era-lhes mais fácil perceber a imagem de Nossa Senhora, que rapidamente identificaram com Guanyn songzi, a conhecida imagem budista que entrega os filhos. E essa foi a imagem com que eles ficaram do Cristianismo: a de uma mulher com o filho nos braços e não a de um homem torturado. Como comentaria, de uma forma geral, o encontro das duas tradições pictóricas? Foi mais a absorção dos pintores chineses da pintura ocidental, porque a pintura chinesa permaneceu largamente ignorada. Por um lado, por falta de vontade de conhecer e, do outro, pouca vontade de revelar. Actualmente, a pintura chinesa é das apreciadas/caras no mercado de arte mundial. Como vê este fenómeno? Os novos pintores da China com as comunicações, internet, participam de um diálogo global. Respondem a muitos dos problemas que se colocam também no Ocidente. O toque exótico e a grande qualidade dos pintores cativaram o mercado da arte a ponto de quase o dominar. Depois de mais de uma década sem vir a Macau, qual a sua impressão da cidade? O “Macauzinho” continua, ainda se bebe a água do Lilau. À volta nasceu um Macau moderno, maior, mas que não desvirtua fundamentalmente a velha cidade de Macau, um lugar de possibilidades.


desporto

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Rodolfo Ávila vai mesmo participar na Taça Porsche Carrera Ásia 2015

A “poderosa” ligação à Team Jebsen O piloto local vai participar, pelo sexto ano consecutivo, na Taça Porsche Carrera Ásia, esperando “obter ainda melhores resultados”. Competição arranca no inicio de Março, na Malásia

R

odolfo Ávila quer mesmo fazer diferente na edição deste ano da Taça Porsche Carrera Ásia, onde vai voltar a correr pelo sexo ano consecutivo com as cores do Team Jebsen. Recorde-se que o HM já tinha avançado que a participação do piloto de Macau nesta competição estava quase certa. Em comunicado, Ávila revela estar “muito satisfeito por dar continuidade à parceria com o Team Jebsen”. “Após uma temporada de aprendizagem com o 911 GT3 Cup (Type 991), estamos confiantes que este ano seremos capazes de obter ainda melhores resultados. A concorrência tem melhorado de ano para ano, mas acreditamos que esta época poderemos fazer a diferença”, afirmou. Terence Walker, director desportivo do Team Jebsen, afirma que a parceria com Ávila tem sido “poderosa”. “O Rodolfo tem

dos programas dos Grande Prémio de Fórmula 1 no sudeste asiático, tendo também lugar em Xangai, Singapura, Coreia do Sul e Japão.

Alta competição

competido com o Team Jebsen na Taça Porsche Carrera Ásia nos últimos seis anos e esta parceria tem-se revelado poderosa, uma combinação de conhecimento da Porsche, com talento de condução, o que permitiu ao Team Jebsen terminar no Top-5 em todos os anos. Queremos fazer do resultado

deste ano um novo recorde”, disse, também citado pelo comunicado. A edição deste ano da Taça Porsche Carrera Ásia será composta por sete eventos e doze corridas, sendo que a competição acontece entre os dias 6 e 8 de Março, datas em que acontecem as provas de teste. A competição vai fazer parte

Para além de querer marcar a diferença nas provas, Rodolfo Ávila quer também ser o mais competitivo possível. “Estou confiante que vamos para a primeira prova bastante competitivos. Eu conheço todos os circuitos do calendário, com a excepção do traçado da Coreia do Sul. Será a primeira visita do campeonato ao circuito de Fórmula 1 de Yeongam, mas vamos todos partir no mesmo pé de igualdade”, aponta. A ausência da cidade vizinha Zhuhai da prova não será desfavorável. “É uma pena Zhuhai não fazer parte do calendário deste ano, porque era como uma segunda casa para a equipa, mas não vejo que isso será uma desvantagem maior para nós, pois o ano passado conseguimos resultados muito bons em Xangai, Sepang e Fuji”, acrescentou. Rodolfo Ávila começou a correr na Taça Porsche Carrera

Ásia em 2010, sendo que no ano seguinte ficou apenas a dois pontos do título. Em 2012 terminaria na terceira posição, marca que igualou em 2013. O ano passado ficaria em quarto lugar, “após um arranque de temporada difícil”.

“Queremos fazer do resultado deste ano um novo recorde” Recentemente, em declarações ao HM, Ávila revela toda a confiança nesta parceria. “O Team Jebsen tem ao longo da história apostado sempre em pilotos locais e os resultados que temos conseguidos juntos provam que a aposta tem sido correcta. Este é um campeonato que continua muito forte e que tem captado a atenção da comunicação social especializada na China, para além do nível de pilotos ser do melhor que se pode encontrar na região. Por exemplo, o campeão dos dois últimos anos, o Earl Bamber, foi promovido a piloto oficial da Porsche”, considerou. - A.S.S.

Ténis de Mesa Portugal procura qualificação para Taça do Mundo

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qualificação de dois atletas para a Taça do Mundo e a revalidação do título conquistado em 2014 são os grandes objectivos de Portugal no Top-16 Europeu de ténis de mesa, que começa na sexta-feira em Baku. No Azerbaijão, a participação portuguesa vai estar a cargo de João Mon-

teiro, Tiago Apolónia e Marcos Freitas, que no ano passado venceu a prova, embora esta tivesse sido disputada noutros moldes. Tiago Viegas, vice-presidente da Federação Portuguesa de Ténis de Mesa, admitiu à agência Lusa que Portugal que o resultado ideal “seria conseguir o apuramento

de dois atletas para a Taça do Mundo, a disputar em Outubro, na Suécia”. Os três primeiros classificados no Top-16, um evento organizado pela federação europeia da modalidade, garantem presença na Taça do Mundo, competição na qual a participação está limitada a dois atletas por país.

Tiago Viegas admitiu também que, “depois da vitória do Marcos Freitas no ano passado, a expectativa é muito alta”, mas alertou para o facto de a prova juntar os 15 melhores atletas europeus do ‘ranking’ mundial, e mais um convidado pela federação do Azerbaijão.

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ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.º 3/P/15 Faz-se público que, por despacho de Sua Excelência, o Chefe do Executivo, de 10 de Junho de 2014, se encontra aberto o Concurso Público para a <<Prestação de Serviços de Lavagem e Engomagem Aos Serviços de Saúde>>, cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 4 de Fevereiro de 2015, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita na Rua Nova à Guia, n.º 335, Edifício da Administração dos Serviços de Saúde, 1.º andar, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP 62,00 (sessenta e duas patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria destes Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S:S. (www.ssm.gov.mo). Os concorrentes deverão comparecer na Sala <<Auditório>> situada no r/c do Edifício da Administração dos Serviços de Saúde junto do C.H.C.S.J. no dia 6 de Fevereiro de 2015, às 15,00 horas, para uma reunião de esclarecimentos a respeito deste concurso e às exigências da prestação dos serviços objecto deste concurso, seguida duma visita à Secção de Tratamento de Roupas e de Limpeza dos Serviços de Saúde. As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 5 de Março de 2015. O acto público deste concurso terá lugar no dia 6 de Março de 2015, pelas 10,00 horas, na sala do <<Auditório>> situada no r/c do Edifício da Administração dos Serviços de Saúde junto do C.H.C.S.J. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP 762 000,00 (setecentas e sessenta e duas mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 29 de Janeiro de 2015 O Director dos Serviços Lei Chin Ion

AVISO Assunto: Actualização do registo dos dados dos membros dos órgãos sociais da assocaiação Nos termos da lei, após a constituição da associação, o órgão de administração deve realizar o registo dos titulares dos órgãos sociais na DSI e sempre que se verifique mudança dessas informações deve ser procedida a actualização dos registos na DSI, no prazo de 90 dias. Para pormenores, queira ligar para a linha de informação da DSI: 28370777.


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O que fazer esta semana

• Amanhã Apresentação de documentário BBC Planeta Terra, com concerto ao vivo da Filarmónica de Hong Kong Centro Cultural de Hong Kong, Tsim Sha Tsui, a partir das 20h Bilhetes entre os 140 e os 360 dólares de Hong Kong

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yuan

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Cinema

Jupiter Ascending Sala 1

Sala 2

Filme de: Andy Wachowski, Lana Wachowski Com: Channing Tatum, Mila Kunis 14.30, 16.45, 21.30

(Falado em Coreano) Filme de: Yoo Ha Com: Lee Min-ho, Kim Rae-won, Jung Jin-young 14.00, 16.30, 19.00, 21.30

Jupiter Ascending [c]

• Diariamente Exposição “Ponto de Partida: Pinturas de Dennis Murrel e dos seus Artistas” (até 31/01) Fundação Rui Cunha, 18h30 Entrada livre

Gangnam Blues [c]

Sala 1

Sala 3

Filme de: Andy Wachowski, Lana Wachowski Com: Channing Tatum, Mila Kunis 19.15

(Falado em Coreano) Filme de: Kim Hon-sun Com: Kim Woo-bin, Lee Hyun-woo, Go Chang-suk 19.15

Jupiter Ascending [3d] [c]

The Con Artists [B]

Exposição de sândalo vermelho (até 22/03) MGM Resort Entrada livre Exposição de pintura “Korean Art”, com Oh Young Sook e Kim Yeon Ok (até 15/02) Galeria Iao Hin Entrada livre 5 de Fevereiro Exposição de Design de Cartazes “V•X•XV:” (obras de 1999, 2004 e 2009) [até 15/03] Museu da Transferência da Soberania de Macau, 10h00 às 19h00 Entrada livre

Aconteceu Hoje Último soldado morto na Guerra do Vietname é enterrado

“Self/Unself” – Exposição de trabalhos de artistas holandeses (até 15 de Março) Centro de Design de Macau Entrada livre Retratos a Óleo dos Séculos XIX e XX: Colecção do Museu de Arte de Macau Museu de Arte de Macau, das 10h às 19h (até 31/12) Entrada livre Ilustrações para Calendário, de Guan Huinong (até 10/05) Museu de Arte de Macau, das 10h às 19h Entrada livre “Beyond the Surface” de Mio Pang Fei (de 04/02 a 01/03) Albergue SCM, das 12h às 20h Entrada livre Exposição e passeios de barco guiados sobre a História da Pesca em Macau Esplanada do Museu Marítimo, das 9h40 às 16h25 (de 31/01 a 15/02) Bilhetes à venda por 25 patacas Exposição de pintura do casal Zhang Zhong Huan e Deng Fei Centro UNESCO de Macau, das 10h às 19h (até dia 6 de Fevereiro) Entrada livre Exposição ‘Invisible Light’, com obras de João Vasco Paiva e outros Galeria Edouard Malingue, Hong Kong, das 10 às 19 horas (até dia 7 de Março) Entrada livre

H o j e H á F i l m e “Zona J” (Leonel Vieira, 1998) Uma dita obra-prima do cinema português da década de 90, que trouxe à ribalta um dos assuntos mais mediáticos dessa altura. O racismo, bem presente em ‘Zona J’, alia-se à temática do amor entre dois jovens nascidos em Portugal, mas que vivem em dois mundos completamente paralelos. Núria Madruga – no papel de Carla – não está na sua melhor forma, mas é possível ver já uma actriz em ascensão. Já Ana Bustorff e Ivo Canelas trazem ao grande ecrã belíssimas performances. O protagonismo atribui-se a Félix Fontoura, pelo desempenho de Tó, um jovem de descendência africana que anseia partir para Angola, terra‑natal dos seus pais. A violência é ingrediente principal nesta trama, que é sem dúvida um dos melhores e mais intensos filmes portugueses realizados até hoje. A precariedade das famílias de um bairro pobre da zona de Chelas, em Lisboa, transparecem para a tela, gritando para todos que “esta realidade existe”. - Leonor Sá Machado

João Corvo

• O último soldado morto na Guerra do Vietname – conflito que apenas terminou em Abril de 1975 – foi enterrado a 5 de Fevereiro de 1973. Neste dia, mas em 1878, nasce André Citroën, fundador da marca de automóveis francesa. E no dia 5 de Fevereiro, o Museu do Hermitage em São Petersburgo (Rússia) assinala mais um aniversário. O espaço nasceu em 1852. Também na área das artes, nota para o lançamento do filme ‘Tempos Modernos’, de Charlie Chaplin, em 1936. No ano de 1917, o México adopta a actual Constituição e três anos depois nasce a Base Aérea de Sintra, em Portugal. Um ano mais tarde, é anunciada a separação entre Igreja e Estado, no Congresso da União Soviética. Já em 1973, neste dia, os EUA sepultam o derradeiro soldado vítima da Guerra do Vietname, conflito que terminaria cerca de dois anos mais tarde, em Abril de 1975. Foi também a 5 de Fevereiro que, em 1997, os chamados ‘Três Grandes’ bancos na Suíça tornam pública a criação de um fundo de 71 milhões de dólares, de ajuda às vítimas do Holocausto. Em 1999, o pugilista Mike Tyson é condenado a um ano de prisão, por agressão a duas vítimas. Neste dia, nasceram André Citroën, fundador da marca de automóveis francesa (1878), Andreas Papandreou, político grego (1919), Regina Duarte, actriz brasileira (1947), e Michael Sheen, actor britânico (1969). Cinco de fevereiro é dia de aniversário de grandes nomes do desporto: Sven-Göran Eriksson, treinador de futebol (1948), Gheorghe Hagi, estrela romena de futebol (1965), Marcus Grönholm, piloto de ralis finlandês (1968), Carlos Tévez, futebolista argentino (1984), Cristiano Ronaldo (1985), e Neymar, estrela emergente do futebol brasileiro (1992).

fonte da inveja

De vez em quando lembramo-nos de que

somos gregos. Mas sempre por boas razões.


Opinião

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Leocardo

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bairro do oriente

T

enho por hábito nestas minhas crónicas dirigir-me a todos, homens e mulheres, de todas as idades e sem distinção de cor, credo ou condição social, mas hoje queria começar por lançar um desafio aos cavalheiros. Olhem à vossa volta e digam-me o que vêm, o que fizeram da vossa vida. Pensem em tudo o que conquistaram, aquilo que dão como garantido: nos vossos bens, nos amigos e na família, as coisas que vos fazem felizes. Pensem na mulher e nos filhos, ou na namorada, conforme o caso, ou se nenhum destes dois se aplica, pensem pelo menos em vocês próprios, no potencial que a vida vos confere no pleno gozo da liberdade. Agora imaginem que de um dia para o outro perdiam tudo isto, como se tivesse vindo um furacão arrasador, impiedoso, chegado sem aviso. Sim, perdiam tudo, até a liberdade. Impossível? Tocar com a língua no próprio cotovelo, isso é impossível. Em Macau ficar literalmente na merda de um dia para o outro não só é possível como ainda parece fácil - basta um dia menos bom, uma decisão menos feliz, uma sequência de mal-entendidos, e a juntar a tudo isto uma pitada de azar. Parece até demasiado fácil, mas não devia ser. H., português, 34 anos, é um exemplo de como o mundo se pode desmoronar de um dia para outro. O jovem empresário de que muitos devem ter já ouvido falar pelas piores razões veio para Macau em busca do seu sonho, da mesma forma que nós, cada qual à escala que projecta os sonhos. Em pouco mais de dois anos o sonho tornava-se no mais horrível dos pesadelos: H. foi acusado do crime de violação, e condenado a cinco anos de prisão. Confrontados com crimes desta natureza, que implicam normalmente uma conduta violenta e mexem com a dignidade humana, pouco mais nos importa, desde que se faça justiça. Perante a forma com que este crime é tipificado, dos seus contornos desumanos que nos causam asco e revolta, pouco importa a motivação do seu autor - tendo isso ficado provado em tribunal, nada resta senão aceitar as regras, e deixar funcionar a máquina do Direito e respeitar o primado da lei, condição sem a qual não usufruíamos das protecções e garantias que tanto prezamos – ou será tudo assim tão simples? O crime pelo qual H. foi condenado, e de que aguarda agora decisão do recurso interposto pela sua defesa, não foi, nem nunca será, mesmo que confirmada a sentença, aquilo que a maior parte de nós entende como uma mera violação, o saciar da vontade perversa de um predador sexual. O pouco que soubemos da imprensa em língua portuguesa não nos permite ter certezas quanto à natureza da relação que existia entre o alegado agressor e a vítima, mas o facto de existir entre ambos uma coabitação e de se ter argumentado pormenores sobre aspectos

“Wait until dark”, Terence Young

Julgar o livro pela capa

Numa altura em que Macau se prepara para criminalizar a violência doméstica, os tribunais têm que estar preparados para atender não só ao essencial mas também ao acessório. Um dia de conflito não pode neutralizar meses ou anos de harmonia da vida íntima de ambos já dá a entender que nada disto é puramente acidental, ou que se trata de um encontro casual onde há uma interpretação errada de vontades, gestos ou intenções. Quem se imagina a partilhar o mesmo tecto com alguém no âmbito de um relacionamento do qual existe um historial de vivência, fotografias em conjunto, afirmações de compromisso, amigos em

comum, em suma, tudo o que dá a entender uma cumplicidade como tantas outras que existem entre gente que se ama, acabaria assim, nas barras dos tribunais com uma das partes a ser condenada como um vulgar criminoso, um usurpador da virtude alheia. Interessou-me este caso, pois não consegui entender o que leva a que algo que um dia é tido como elemento integrante de uma relação amorosa, como todas, as nossas, a dos casais nossos amigos, das famílias em geral, venha no dia seguinte a ser julgado como um crime. Ficando a saber um pouco mais do que a maior parte da opinião pública, fiquei com a impressão que afinal este é um risco que todos nós corremos. Quem é irresponsável ao ponto de cometer a inconfidência de divulgar os detalhes mais sórdidos da sua intimidade? Quem falta desta forma ao respeito com o companheiro ou companheira com quem partilha uma vida em comum? Já alguma vez alguém parou para pensar como seria se levássemos o que se passa no leito entre a pessoa com que o partilhamos à consideração de um colectivo de juízes? Sinto que foi isto que se passou no caso de H., e que o levou a passar o último ano e

meio atrás das grades, que o fez perder a sua empresa, a mobília da casa, e até o seu cão e fiel companheiro, quem sabe a maior vítima desta querela entre humanos. Não vou ousar questionar a justiça, ou a forma como foi produzida a sentença, mas não posso deixar se sentir que não se atenderam a factores que vão muito mais além do simples crime e castigo, e que se fez juízo com base em meras suposições, e a certo ponto até em palpites. Numa altura em que Macau se prepara para criminalizar a violência doméstica, os tribunais têm que estar preparados para atender não só ao essencial mas também ao acessório. Um dia de conflito não pode neutralizar meses ou anos de harmonia. Uma agressão, por mais dura ou censurável que seja, não deve ser julgada sem ter em conta a cumplicidade que existiu entre o agressor e a vítima. Claro que não se pode deixar passar em claro, e é para isso que o sistema se dota de medidas preventivas e punitivas, mas é preciso não esquecer os factores dirimentes e atenuantes. A justiça não se pode resumir ao que vem nos códigos. Assim era fácil, fazia-se tudo pelo livro, dispensando o factor humano.


hoje macau quinta-feira 5.2.2015

cartoon

Horrorista

por Stephff

Filipinas Australiano detido por homicídio de jovem

A polícia das Filipinas deteve um homem australiano suspeito do homicídio de uma adolescente que alegadamente conheceu através da Internet, depois do corpo da jovem ter sido encontrado num quarto de um motel, informaram ontem as autoridades. O corpo da jovem de 17 anos, identificada como Alona Alvarez, foi encontrado na cidade de Dipolog, no sul das Filipinas, a 30 de Janeiro. Ali Ali, de 42 anos, identificado como turista, confessou o homicídio da adolescente alegando, contudo, legítima defesa, informou a polícia. O suspeito, que apresentava feridas nos nós dos dedos, disse à polícia que atacou a jovem depois desta ter mordido o seu pénis quando ele lhe pediu para fazer sexo oral.

“Valquíria” de Joana Vasconcelos a partir de 16 de Março em Macau

Adelson acusa Governo chinês de “caça às bruxas”

A

MGM Macau anunciou ontem que a peça da série “Valquíria”, de Joana Vasconcelos, concebida especialmente para a “Grande Praça” do hotel-casino vai estar em exposição entre os dias 16 de Março e 31 de Outubro. A peça “Valkyrie Octopus” é, segundo o ateliê da artista portuguesa, a “mais complexa” peça da série “Valquíria” criada até ao momento e será instalada na Grande Praça do MGM Macau, uma área com nome e réplicas arquitectónicas portuguesas, como a Casa dos Bicos. “Valkyrie Octopus”, com nove metros de altura, incorpora luz LED (Díodo Emissor de Luz) e os seus braços irão estender-se ao longo de 34 metros pela “Grande Praça”. Esta mostra a estar patente em Macau será a primeira exposição a solo de Joana Vasconcelos na China, como releva a MGM Macau em comunicado. Joana Vasconcelos, de 42 anos, nascida em Paris, mas a residir em Lisboa e com ateliê na capital portuguesa, tornou-se na primeira mulher e criadora mais jovem a expor algumas das suas obras no Palácio de Versailles, em Paris, em 2012. Representou oficialmente Portugal na Bienal de Arte de Veneza 2013, num projecto comissariado por Miguel Amado, que levou um cacilheiro transformado em obra de arte ao recinto principal da mostra internacional contemporânea.

O

China ex-responsável de banco condenado a prisão perpétua

Caça aos tigres chega à banca A campanha anti-corrupção não dá sinais de abrandamento atingindo as várias áreas da sociedade chinesa. Agora chegou a vez do sector financeiro

U

m tribunal chinês condenou ontem a prisão perpétua o ex-vice-presidente do Banco Agrícola da China, uma das principais entidades financeiras do país, por aceitar subornos calculados em cerca de 4,1 milhões de euros.

O tribunal de Nanjing, leste da China, anunciou ontem na Internet a condenação de Yang Kun, dias depois de outro banqueiro, o jovem presidente do Banco Minsheng, o primeiro de propriedade privada, ter sido detido para ser investigado pelo

organismo anti-corrupção do Governo chinês. Yang Kun é a mais recente vítima na campanha anti-corrupção impulsionada pelo Presidente chinês, Xi Jinping, que depois de percorrer vários segmentos, tem como alvo agora o sector financeiro. De acordo com a sentença do tribunal, Yang Kun “utilizou o cargo em seu próprio benefício” e recebeu subornos em dinheiro ou em espécie (como peças de arte ou lingotes de ouro), perfazendo um total de 30 milhões de yuan. O tribunal referiu que o cunhado de Yang também estava envolvido no caso. Yang entrou no Banco em 2002 e a sua sentença refere-se ao período entre 2005 e 2012, ano em que se demitiu do cargo. Além da prisão e posterior demissão do presidente executivo do Banco Misheng e da sentença contra Yang Kun, o Banco de Pequim anunciou que esta semana um dos seus directores, Lu Haijun, também está a ser investigados pelas autoridades anti-corrupção.

fundador da Las Vegas Sands, Sheldon Adelson afirmou ontem que os jogadores VIP só vão voltar a ter visibilidade depois do final àquilo que chama “caça às bruxas”, referindo-se à campanha contra a corrupção na China. Para Adelson, a fase em que o Jogo actualmente se encontra vai acabar. As declarações foram proferidas durante uma conferência destinada aos alunos do Instituto de Formação Turística. De acordo com notícia da Rádio Macau, o magnata da Sands dá outra roupagem à declaração de Steve Wynn de que os jogadores têm estado escondidos. “[Os jogadores VIP] vão manter-se discretos e não vão dar nas vistas nos seus hábitos de consumo até que acalme a caça às bruxas, ou o que é que lhe chamam, a campanha contra a corrupção”, disse Adelson. No entanto, o empresário disse ter esperança que este momento na maior indústria da região seja apenas passageiro. “Tudo na vida é cíclico. A noite vem a seguir ao dia, o dia vem a seguir à noite, a recessão vem depois da expansão, a expansão vem depois da recessão. Tudo é cíclico. Isto também vai passar e também vai ser cíclico”, continuou Adelson.


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Hoje Macau 5 FEV 2015 #3267 by Jornal Hoje Macau - Issuu