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Hoje Macau 4 SET 2017 #3888

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ PUB

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

RÓMULO SANTOS

SEGUNDA-FEIRA 4 DE SETEMBRO DE 2017 • ANO XVI • Nº 3889

MOP$10

hojemacau ELEIÇÕES CAMPANHA EM MOVIMENTO

Como travar as águas PÁGINA 8

JOSÉ PEDRUCO ACHIAM

Tudo dentro da lei

Desde a meia-noite de sábado que está oficialmente aberta a campanha eleitoral com vista a um assento na Assembleia Legislativa. Os megafones já animam

PÁGINA 6

as ruas dando voz às preocupações dos candidatos. Habitação, combate à corrupção e questões sociais continuam no centro das atenções.

SOFIA MARGARIDA MOTA

PÁGINAS 2 A 4

António Castro Caeiro A lógica do tempo ENTREVISTA

www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

Cantiga da rua

HATO


2 especial eleições

CANDIDATOS COMEÇARAM A APRESENTAR PROGRAMAS POLÍTICOS

4.9.2017 segunda-feira

Ideias à vista

HOJE MACAU

NOVO MACAU

Processos legislativos abertos

Comissões públicas

A

Associação do Novo Progresso de Macau (ANPM) quer que os processos legislativos sejam mais rápidos, mas, acima de tudo, mais claros. A ideia foi deixada ontem pelo número um da lista candidata pró-democrata, Solu Sou. “Queremos que todas as reuniões de comissão sejam abertas e que o público tenha acesso”, disse, na conferência de imprensa de apresentação do programa eleitoral. Paralelemente, o objectivo é permitir aos residentes participar no processo, situação que só pode acontecer com o devido conhecimento. “Queremos garantir um maior compromisso da população na própria concepção das leis”, explicou.

AGNES LAM

Solu Sou considera que este é um aspecto que já existe em vários países e mesmo em Hong Kong, pelo que também em Macau devem existir reuniões públicas para auscultar as opiniões da população de modo a permitir que sejam incluídas no processo legislativo”, reiterou o candidato. Por outro lado, a ANPM quer que o Governo seja mais questionado. O meio, apontou Solu Sou, pode ser através de mais debates na Assembleia Legislativa, sendo que, considera, esta é uma forma de colocar em causa o próprio Governo. “Queremos iniciar activamente debates e levantar algumas questões ao Governo. Não é uma coisa muito comum, apesar de já se começarem a ver alguns debates na última legis-

Obter um assento na Assembleia Legislativa

N

Asessão de apresentação do programa político, ocorrida ontem,Agnes Lam, líder da lista Observatório Cívico, disse ter esperança de obter um assento na Assembleia Legislativa (AL) pela via do sufrágio directo. No programa político da lista Observatório Cívico não há diferenças notórias em relação aos restantes programas políticos, mas Agnes Lam considera que, no caso da sua equipa, todas as ideias e objectivos baseiam-se em estudos e provas. A candidata disse mesmo que, se houvesse ideias impossíveis de serem alcançadas, não as iria incluir no seu programa político.

JOVENS E HABITAÇÃO

A habitação destinada aos jovens é um dos principais pontos do programa político da lista Observatório Cívico.

Agnes Lam apontou ontem que, para que seja mais fácil a aquisição de imóveis por parte dos jovens, o Governo poderia recorrer às contribuições feitas para o regime de previdência central não obrigatório. Tudo para que os jovens tivessem dinheiro para pagarem as primeiras prestações dos empréstimos. Acandidata defende ainda o aumento do imposto para quem detém uma segunda habitação sem grande utilização. Agnes Lam prefere

A habitação destinada aos jovens é um dos principais pontos do programa político da lista Observatório Cívico

rejeitar a ideia “Terras de Macau dedicadas às gentes de Macau”, que tem sido adoptada pelo Governo, preferindo a mensagem “Prédios de Macau dedicados às gentes de Macau”. A ideia seria levar os promotores imobiliários a disponibilizar partes dos edifícios para a construção de habitação pública. Ainda na área do imobiliário, Agnes Lam defende a criação de um departamento público que trate e fiscalize as instalações eléctricas dos edifícios, à semelhança do Electrical and Mechanical Services Departament de Hong Kong.

SAÚDE E PATRIMÓNIO

Apostando na necessidade da reabertura do turismo marítimo, em zonas como a Doca dos Pescadores, Taipa e Lai Chi Vun, Agnes Lam foca ainda a sua atenção

na melhoria da qualidade dos serviços de saúde. A candidata acredita que os médicos que trabalham no sector privado não têm motivações para aumentar as suas habilitações. A lista Observatório Cívico defende também uma melhoria da preservação do património cultural, a preservação das zonas verdes e ainda a criação de planos de apoio a trabalhadoras grávidas. Na lista constam nomes como o de Cheong Chi Hong, número dois de Agnes Lam e médico. Ng Hio Cheng é o número três e é também médico, tendo defendido ontem que o Executivo não tem políticas suficientes na área da protecção ambiental. Keong Wai Cheng e Choi Chi Wai são o número quatro e cinco, respectivamente. V.N./A.S.S.

SOFIA MARGARIDA MOTA

A confiança do Observatório Cívico

latura, mas achamos que devem existir mais”, referiu. Estas duas prioridades têm que ver com uma insatisfação da ANPM com o “conformismo” generalizado dos deputados da Assembleia. “O que temos assistido a nível legislativo em Macau tem sido sempre tudo muito igual. Os legisladores e deputados são pró-governo e sentimos que há relutância em usar mecanismos diferentes para contestar o que está mal”.

PROGRAMA COM TODOS

Ao olhar para a proposta de programa da ANPM, não é difícil constatar que tenta abarcar todos os sectores locais. Da habitação, à educação e à saúde, não faltam ideias para o território. A defesa dos


especial eleições 3

segunda-feira 4.9.2017

É oficial: desde a meia-noite de sábado que os candidatos às eleições legislativas pela via directa estão em campanha eleitoral. Membros e apoiantes das 24 listas candidatas começaram por se reunir na praça do Tap Seac. Alguns grupos apresentaram ontem os seus programas políticos

“Queremos que todas as reuniões de comissão sejam abertas e que o público tenha acesso.” SOLU SOU CANDIDATO PELA LISTA DA ASSOCIAÇÃO NOVO MACAU

Por último, a lista candidata pró-democrata, foi à rua recolher opiniões dos eleitores e usou também os dados que foi recebendo na campanha eleitoral das últimas eleições. Se no dia do início de campanha, no sábado à meia-noite, Solu Sou mencionou a importância da geração mais nova, ontem na apresentação do programa eleitoral o número um da ANPM reitera que apesar do apelo ao voto dos jovens locais, são uma associação para todos. “O nosso foco não se concentra só nos jovens, esta é uma faixa da população à qual chegamos mais facilmente através da nossa divulgação online. Mas, na rua, estamos atentos a toda a população e recebemos apoio de várias faixas etárias. O nosso alvo são todos os eleitores”, remata. Ontem a comitiva de campanha andou pela Horta e Costa e pela Taipa.

TIAGO ALCÂNTARA

animais e a igualdade de género estão ainda contemplados na luta da lista pró-democrata. De acordo com Solu Sou, o programa foi feito tendo por base três fontes de informação fundamentais. “A primeira fonte pode ser considerada uma extensão do trabalho que vem do passado da ANPM e tem mantido a consistência ao longo dos anos”, explicou. Paralelamente, a ANPM tem feito, nos últimos meses, várias reuniões com profissionais representativos de várias indústrias e sectores locais. Dos encontros, surgiram aspectos e necessidades que foram integrados no programa.

Sofia Margarida Mota info@hojemacau.com.mo

LEI SIU KUN MELHOR ACESSO À HABITAÇÃO E COMBATE À CORRUPÇÃO lista Ou Mun Kong I, que se apresenta no número 17 do boletim de voto, apresentou ontem o seu programa político. Segundo informação veiculada pelo canal chinês da Rádio Macau, a lista encabeçada por Lei Siu Kun tem na totalidade sete membros. Do programa eleitoral, o cabeça de lista destacou a necessidade de resolver a dificuldade na aquisição de propriedade e o combate à corrupção. Lei Siu Kun quer ainda que seja feito um melhor aproveitamento dos fundos públicos, que seja garantido o direito ao emprego através da aprovação de legislação e que seja feito um controlo de preços no consumidor. O líder da lista Ou Mun Kong I disse ainda que o preço do metro quadrado de um prédio construído em Macau deve rondar as duas mil patacas. Como tal, espera que o Governo possa conceder cerca de 60 terrenos afectos à construção de fracções residenciais vendidas a baixo preço para beneficiar os mais jovens.

TIAGO ALCÂNTARA

A

A

apresentação do programa político da lista encabeçada por Si Ka Lon, A Associação dos Cidadãos Unidos de Macau (ACUM), começou com uma exposição dos problemas actuais vividos pela sociedade local. O número um da lista candidata salientou ontem em particular, os elevados preços da habitação, os problemas relativos ao trânsito e a debilidade de algumas das indústrias locais. O candidato lamenta estas situações e a falta de medidas eficazes por parte do Governo para as resolver. É com este contexto que Si Ka Lon propõe a criação de um mecanismo que possa “devolver a riqueza aos cidadãos” e em que seja dada resposta às solicitações dos residentes ligadas à habitação, aos serviços de saúde e às garantias de reforma. “Os cidadãos não deveriam de estar preocupados com a primeira prestação na aquisição do imobiliário, com as consultas médicas nem com a vida quando forem idosos”, referiu o candidato.

FUNÇÃO PÚBLICA MAIS EFICAZ

Além dos assuntos sociais, é de salientar que Si Ka Lon considera importante que se aumente a qua-

ACUM Si Ka Lon quer habitação como prioridade

Casas à frente lidade do funcionamento dos serviços do Governo. Como solução, o número um da ACUM sugere uma melhoria do trabalho da função pública, com a criação de um sistema justo de ascensão na carreira, de responsabilização e de atribuição de benefícios. O objectivo, disse, é “excluir os trabalhadores da função pública que não reúnam os requisitos do Governo e promover a qualidade dos serviços públicos”.

“Os cidadãos não deveriam de estar preocupados com a primeira prestação na aquisição do imobiliário, com as consultas médicas nem com a vida quando forem idosos.” SI KA LON DEPUTADO PELA ASSOCIAÇÃO DOS CIDADÃOS UNIDOS DE MACAU

No que respeita aos assuntos ligados à habitação, Si Ka Lon considera que o Governo deve incluir esta matéria nas prioridades. Para o candidato, a solução passa pela construção de habitação pública nos terrenos recuperados pelo Executivo e pela criação de um regime de previdência para habitação não obrigatório. A razão apontou, é apoiar aqueles que pretendem comprar casa pela primeira vez. O número dois da lista, Kyan Su Lone, apresentou as acções do programa político referentes à saúde. Kyan Su Lone sugere a criação de um seguro para doenças graves para todos os residentes. Na área da educação, o número dois da ACUM quer ver aumentado o número de vagas nas creches do território. A apresentação do programa feita ontem contou com a presença de Chan Meng Kam.Apesar de estar de saída daAssembleia Legislativa, o ainda deputado fez questão de mostrar o seu apoio à ACUM. Vitor Ng (com Sofia Margarida Mota) info@hojemacau.com.mo


4 especial eleições

4.9.2017 segunda-feira

QUEIXAS DA ALIANÇA PR’A MUDANÇA

J

Cartas na mesa

A

Nova União para o Desenvolvimento de Macau (NUDM) liderada por Angela Leong aposta, no seu programa político, na defesa do jogo e dos seus funcionários bem como nos jovens e na resolução dos problemas ligados à aquisição de habitação. A candidata, ligada ao sector do jogo, destaca a importância da implementação de políticas de diversificação económica e de diversificação do próprio jogo, de modo a atrair um turismo global. Para o efeito, o programa da NUDM prevê ainda a luta pela construção de uma marina no território, bem como a aposta numa “cidade verde e in-

teligente”, sendo que não esquece a intenção de transformar Macau num espaço de qualidade de vida a nível internacional. Os funcionários do sector representado pela NUDM, têm ainda os seus direitos defendidos, nomeadamente no que respeita à saúde. Angela Leong pretende continuar a lutar pelo melhoramento do sistema de saúde para os trabalhadores do jogo, sem esquecer que o mesmo tem de ser feito em relação ao resto da população.

HABITAÇÃO JOVEM

O “Youth Hostel Scheme” é um dos pontos de relevo e que pretende promover a habitação mais acessí-

O programa da NUDM prevê ainda a luta pela construção de uma marina no território bem como a aposta numa “cidade verde e inteligente”, sem esquecer a intenção de transformar Macau num espaço de qualidade de vida a nível internacional

vel aos jovens locais. A ideia é, além de facilitar aos mais novos a aquisição de casa, “promover ainda a criação de espaços e actividades recreativas que mostrem que o território pode ser uma cidade energética”. Património e patriotismo são também duas das linhas orientadoras da NUDM. O objectivo é “preservar a herança cultural intangível, promover a cultura do jogo e encorajar a integração cultural”, lê-se na apresentação enviada à comunicação social. Outra das prioridades são o desenvolvimento de políticas dirigidas não só ao ensino para os mais jovens como ao programa de aprendizagem contínua. A transparência política é ainda parte do programa eleitoral da NUDM bem como o apoio a todas as acções que tenham em conta as políticas de “Uma Faixa, Uma Rota” e a “Grande Baía”, de modo a materializar a plataforma entre a China e outros países.

S

ÃO oito candidatos e Ho Ion Sang surge como número um. Assim é a lista União Promotora para o Progresso, que dá prioridade aos assuntos sociais, sem esquecer as necessidades relacionadas com a habitação, trânsito, terrenos ou serviços de saúdes. Ho Ion Sang disse ontem que vai exigir ao Governo mais medidas para atenuar as pressões sentidas pelos cidadãos que pertencem à classe média. Na área empresarial, o líder da União Promotora para o Progresso referiu que deve ser feita uma aposta no desenvolvimento diversificado da economia local como estratégia a longo prazo. Ho Ion Sang entende que o sector do jogo se deve desenvolver em conjunto com as restantes indústrias, para que haja lugar ao fomento das Pequenas e Médias Empresas e negócios mais tradicionais. Acerca da passagem do tufão Hato, Ho Ion Sang adiantou que faz falta a existência de um me-

António Lopes é o número dois da lista Poderes do Pensamento Político e defende, segundo a Rádio Macau, mais medidas e melhores condições para os funcionários públicos. “Mais e melhores condições de habitação para os funcionários públicos vão permitir que façam um melhor trabalho e prestem melhor serviço à população. Salvaguardar as regalias destas pessoas é outro dos nossos objectivos”, disse António Lopes à Rádio Macau no dia em que foi apresentado o programa político da lista que, pela primeira vez, participa nas eleições de 17 de Setembro. O candidato disse ainda que “são necessárias mais vozes na Assembleia Legislativa a favor dos funcionários dos serviços públicos” além dos nomes de José Pereira Coutinho e Leong Veng Chai.

Sofia Margarida Mota info@hojemacau.com.mo

HO ION SANG A TEMPESTADE E O SERVIÇO SOCIAL canismo eficaz na resposta às catástrofes por parte do Executivo. O candidato acrescentou ainda que, caso seja reeleito para um assento na Assembleia Legislativa, irá levar a cabo um papel de fiscalização e chamar a atenção para a responsabilização dos funcionários públicos. Na área do planeamento urbanístico, Ho Ion Sang lembrou que devem ser reforçados os trabalhos de renovação urbana, tendo prometido continuar a apresentar sugestões sobre o controlo das inundações na zona do Porto Interior. O programa político da União Promotora para o Progresso foca-se também no aproveitamento adequado dos cofres públicos, na necessidade de melhorar o serviço público e privado de saúde, sem esquecer a criação de um mecanismo de longo prazo para a formação de talentos no território, entre outros pontos. V.N.

muitas perguntas à CAEAL e eles continuam a precisar de tempo para nos responder porque parece que também não têm uma resposta pronta.” O número dois de Melinda Chan assegurou que o início da campanha eleitoral “foi bom”. “Temos ido à rua distribuir panfletos e falar nas zonas que nos permitem fazer publicidade. Tem sido boa a resposta. Ontem fomos aos três candeeiros, choveu e não apareceu muita gente. Ainda assim, apareceram responsáveis pelas Pequenas e Médias Empresas que ajudamos durante o tufão Hato”, explicou. A Aliança Pr ’a Mudança apresenta nos próximos dias o seu programa político para as eleições legislativas. A.S.S.

Poderes do Pensamento Político Mais apoios aos funcionários públicos

HOJE MACAU

NUDM Em defesa do sector do jogo e habitação

ORGE Valente, número dois de Melinda Chan na lista Aliança Pr’a Mudança, alertou para a existência de vários entraves impostos pela Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) na realização da campanha eleitoral. “Sentimos que existem bastantes entraves porque, desta vez, especialmente em termos de publicidade e campanha, há muitas coisas que não estavam bem explicadas e isso apanhou-nos de surpresa”, disse Jorge Valente ao HM. O candidato referiu ainda que continuam a existir muitas zonas cinzentas na aplicação prática da legislação. “Com tantas sessões de esclarecimento continuam a existir


política 5

segunda-feira 4.9.2017

O

presidente da Comissão para os Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) de Macau, o juiz Tong Hio Fong, afirmou esperar que campanha, que arrancou no sábado, seja “uma disputa entre cavalheiros”. “Esperamos que a campanha eleitoral das eleições para a Assembleia Legislativa seja realizada sob o princípio de ‘disputa entre cavalheiros’”, sublinhou Tong Hio Fong, no discurso da cerimónia oficial do início da campanha, que arrancou às 00:00. Nas eleições por sufrágio directo para a sexta Assembleia Legislativa, marcadas para o próximo dia 17, participam 24 listas - menos uma, após a desistência na quinta-feira da lista “Cor-de-rosa Amar

CAEAL COMISSÃO ESPERA UMA CAMPANHA LIMPA

Tudo sob controlo GCS

O início da campanha eleitoral teve lugar à meianoite do passado sábado. Tong Hio Fong, presidente da Comissão para os Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa deixou, na cerimónia de abertura oficial, alguns recados e apelou para que as listas não incorram em ilegalidades

Tong Hio Fong, Comissão para os Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa “A CAEAL espera que os eleitores exerçam, no dia 17 de Setembro, o seu direito cívico, valorizando o seu voto, votando de acordo com a sua consciência, elegendo, com a sua inteligência, os seus representantes”

a População” - compostas por um total de 186 candidatos, enquanto às por sufrágio indirecto (através das associações) apresentam-se seis listas com 15 candidatos, havendo apenas um colégio eleitoral (sector profissional) com duas listas e não apenas uma. “Solicito às listas de candidaturas e apoiantes para que durante a campanha promovam uma interacção positiva, apresentando as diversas ideologias políticas

aos cidadãos de forma saudável, ordenada, diversificada, para que os eleitores, conhecendo bem os programas políticos das diversas listas, elejam o deputado que os pode representar na nova legislatura da Assembleia Legislativa”, afirmou o presidente da CAEAL.

PORTEM-SE BEM

Tong Hio Fong renovou ainda os apelos às listas para que cumpram a lei, advertindo que podem incorrer

em corrupção eleitoral caso tentem influenciar a intenção de voto através de benefícios; bem como para que respeitem as restrições temporais no uso de veículos de propaganda sonora e de outros equipamentos. Também presente na cerimónia esteve o comissário Contra a Corrupção (CCAC), André Cheong, que disse, aos jornalistas, ter recebido 85 declarações relativas a actividades de bene-

APOIOS IAS CONCEDE PRESTAÇÕES EXTRA DE SUBSÍDIOS A FAMÍLIAS

O

Instituto de Acção Social (IAS) anunciou ontem que vai atribuir, a partir de amanhã, uma prestação extra do subsídio regular, um apoio de que beneficiam aproximadamente quatro mil agregados familiares. A atribuição do subsídio extra tem como objectivo “ajudar essas famílias a resolver as despesas extra resultantes do novo ano lectivo e das Festividades do Bolo Lunar” ou “Chong Chao”, uma das mais importantes da cultura chinesa, que se celebra no início do próximo mês. Em comunicado, o IAS indica que a medida vai representar um encargo na ordem dos 22 milhões de patacas.

São considerados como estando numa situação de carência económica pessoas ou famílias cujos rendimentos sejam inferiores ao valor do risco social – o montante mínimo de sobrevivência estipulado pelo Executivo. O valor mínimo para uma pessoa que viva sozinha é de 4.050 patacas, enquanto o máximo, para famílias com número igual ou superior a oito membros, corresponde a 18.870 patacas. Além do subsídio regular, que resulta da diferença entre o valor dos rendimentos mensais e o valor do risco social –, o IAS tem outras modalidades de apoio financeiro como subsídios especiais para quem possui necessidades específicas.

ficência social, previstas entre sábado e a véspera das eleições, com 127 participações de candidatos, alertando que se forem detectados actos de campanha durante as mesmas tal configura corrupção eleitoral. A linha aberta da CAEAL e do CCAC registou até, à noite de sexta-feira, um total de 84 queixas, sendo que só o CCAC recebeu 37, elevando o total de denúncias relativas a corrupção ou a irregularidades para 121. Todos os casos estão a ser acompanhados, segundo André Cheong. A cerimónia oficial do início da campanha eleitoral decorreu na Praça do Tap Seac, onde os representantes de todas as listas subiram ao palco e fizeram uma breve apresentação das respectivas candidaturas. “A CAEAL espera que os eleitores exerçam, no dia 17 de Setembro, o seu direito cívico, valorizando o seu voto, votando de acordo com a sua consciência, elegendo, com a sua inteligência, os seus representantes”, sublinhou o presidente da CAEAL. Às 00:00 de sábado os candidatos, munidos de bandeiras e balões em ambiente de festa, marcaram o arranque simbólico da campanha no mesmo local. Sete luso-descendentes participam na corrida pelo sufrágio directo, dos quais apenas um é cabeça de lista. Das listas figuram 22 actuais deputados (13 concorrem pela via directa e nove pela via indirecta). Os 201 candidatos disputam 26 lugares dos 33 lugares (14 pelo sufrágio directo e 12 pelo indirecto), estando os outros sete destinados a deputados que serão posteriormente nomeados pelo chefe do Executivo da Região Administrativa Especial. LUSA

Li Gang Ex-director do Gabinete de Ligação expulso da APN

O antigo director do gabinete de Ligação do Governo Central em Macau, Li Gang, foi expulso da Assembleia Popular Nacional da China, suspeito de “violar gravemente a disciplina”, eufemismo comummente usado para corrupção, informa a emissora pública de Hong Kong. Segundo a RTHK, a notícia foi avançada pela própria Assembleia Popular Nacional e não pela Comissão Central para a Inspecção da Disciplina do Partido Comunista (agência anticorrupção chinesa), como é habitual. Li deixou o cargo em Macau em Junho do ano passado e, segundo a RTHK, abandonou as suas funções como vice-director do Gabinete para os Assuntos dos Chineses Ultramarinos no final de Agosto deste ano. Antes de ir para Macau em 2012, tinha estado quase uma década em Hong Kong. Na RAEM, Li foi substituído por Wang Zhiming. Na semana anterior ao anúncio da sua substituição, a Comissão Central de Disciplina anunciou que ia, pela primeira vez, enviar inspectores para o Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado.


6 política

A campanha começou e já se pode falar. José Pedruco Achiam diz não ter cometido qualquer acção fora da lei ao ter dado a entrevista ao jornal Plataforma que veio a ser retirada da edição online. Paulo Rego, director do semanário, criticou a decisão da CAEAL considerando que se trata de censura

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CAEAL JOSÉ PEDRUCO ACHIAM DIZ NÃO TER FEITO NADA DE ILEGAL

O caso do lápis azul

O

candidato às eleições legislativas de Macau, José Pedruco Achiam, que viu a sua entrevista ao semanário Plataforma ser apagada por ordem da comissão eleitoral, garantiu que a sua lista não fez “nada de ilegal”. “Não sei porque é que aconteceu (...) Muitos leitores podem também ter a mesma [dúvida]. Não fizemos nada ilegal por isso tenho a certeza de que o nosso advogado vai lidar bem com o caso”, disse, à margem de uma conferência de imprensa para apresentar a plataforma política da já deputada Angela Leong, no dia em que começa o período de campanha. José Pedruco Achiam ocupa o lugar número 12 (o último) na lista Nova União para o Desenvolvimento de Macau, liderada pela quarta mulher do magnata do jogo Stanley Ho.

O candidato não quis tecer comentários sobre o caso, frisando apenas que não prevê consequências negativas para a lista: “A nossa equipa está sempre confiante de que tudo o que fazemos é legal e esperamos conseguir os melhores resultados que merecemos”. Questionado sobre se já foi contactado pela polícia, José PedrucoAchiam disse ter sido “por isso” que o advogado “tomou conta do caso”.

“Na China chama-se censura” PAULO REGO DIRECTOR DO JORNAL PLATAFORMA

No passado dia 18, o macaense deu uma entrevista ao semanário bilingue (português-chinês) Plataforma Macau, em que falou sobre quais considerava serem as possibilidades de ser eleito – “mínimas” –, as preocupações em relação à cidade e os temas fortes da futura campanha, prometendo “centrar-se nos jovens e nos macaenses, para que tenham uma voz mais forte na Assembleia Legislativa e na sociedade”. Na altura, tinham já sido afixadas as listas definitivas, mas não iniciado o período de campanha, e por isso a comissão considerou

“A nossa equipa está sempre confiante que tudo o que fazemos é legal e esperamos conseguir os melhores resultados que merecemos” JOSÉ PEDRUCO ACHIAM CANDIDATO PELA NOVA UNIÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DE MACAU

que o conteúdo constituía propaganda eleitoral, não autorizada até duas semanas antes das eleições legislativas, marcadas para 17 de Setembro. Aentrevista saiu em papel, mas após a ordem da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) foi retirada da Internet. Na quarta-feira, o presidente da CAEAL, o juiz Tong Hio Fong, explicou que a publicação da entrevista em causa não tem consequências para a lista, mas sim para José Pedruco Achiam: “Relativamente a esse candidato, mandámos para a PSP para

tratamento subsequente. É um acto pessoal, é responsabilidade da pessoa. Pode sofrer uma pena de multa de duas mil a 10 mil patacas”.

PERVERSA CONFUSÃO

Na sexta-feira, o director do Plataforma Macau, Paulo Rego, escreveu um editorial em que acusa o presidente da CAEAL de uma “perversa confusão entre jornalismo e propaganda” “Tong Hio Fong acha que, em vésperas de eleições, os políticos não devem falar aos jornais; se o fizerem que falem de futebol e do tempo”, criticou, considerando que “assim se atropela alegremente a Lei Básica, a Lei de Imprensa e o Segundo Sistema”. “Na China chama-se censura. Assumidamente, sem medo nem pruridos, por ser esse o regime que lá vigora. Aqui mascara-se a coisa com uma falsa higiene pública e de uma moral política que não cabe no espaço, no tempo e no regime que vivemos”, afirmou o director do Plataforma, que apagou a entrevista da sua página na Internet “para sinalizar o respeito pela lei, pelas instituições e por Macau”, mas prometeu lutar “contra uma decisão que não tem suporte legal. A ordem de retirada da entrevista levou a Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau (AIPIM) a emitir, na segunda-feira, um comunicado no qual repudiou a decisão, que classificou como “incompreensível”. “AAIPIM repudia esta situação, considerando incompreensível que um conteúdo jornalístico, neste caso uma entrevista, seja equiparado a propaganda. (…) A AIPIM considera que é fundamental que em todas as ocasiões e períodos, inclusive antes do início da campanha eleitoral, o exercício da liberdade de imprensa e o direito à informação sejam integralmente respeitados, incluindo a realização de entrevistas e cobertura noticiosa de acções envolvendo candidatos”, afirmou o comunicado. LUSA


sociedade 7

segunda-feira 4.9.2017

TIAGO ALCÂNTARA

IC PATRIMÓNIO INSPECCIONADO E LIVRE DE PERIGO

O

ANO LECTIVO MAIORIA DAS ESCOLAS COMEÇOU AULAS NO PERÍODO PREVISTO

De volta à normalidade

Apesar dos estragos causados pelo tufão Hato, 90 por cento das escolas começaram as aulas de acordo com o calendário previsto. A Transmac colocou mais 35 autocarros a circular nas ruas

O

S estragos causados pela passagem do tufão Hato por Macau acabou por não influenciar o começo do ano lectivo. Segundo um comunicado da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), 90 por cento das escolas começaram as aulas dentro do prazo previsto. De um total de 77 estabelecimentos de ensino, 60 indicaram à DSEJ as intenções de começarem as aulas no dia 1 de Setembro, sendo que 21

D

OIS irmãos de Macau, de 73 e 68 anos, suspeitos de divulgarem notícias falsas sobre pessoas falecidas, depois da passagem do tufão Hato, encontram-se com termo de identidade e residência, disse à Lusa o gabinete do Procurador. Os irmãos, um homem e uma mulher, tinham sido levados para as instalações da Polícia Judiciária (PJ) no início da semana para serem interrogados acerca da divul-

deverão começar um novo ano lectivo até ao dia 18 deste mês. Há quatro escolas que prevêem dias diferentes para a abertura das aulas. Houve apenas sete escolas que cancelaram a cerimónia de abertura das aulas, enquanto menos de dez por cento, ou seja, seis escolas, tiveram que adiar o arranque do ano lectivo. A DSEJ enviou 20 trabalhadores para inspeccionarem um total de 53 instituições de ensino e realizar uma avaliação “das condições para a abertura

das aulas”, tendo sido feita também uma análise das condições de higiene e do estado das infra-estruturas após o tufão Hato.

SEM HORA DE PONTA

O comunicado da DSEJ explica ainda que a “situação de trânsito registada no dia do começo das aulas foi semelhante à dos dias normais”. “Alguns alunos afirmaram que saíram de casa com a devida antecedência, e alguns até apontaram que, para um melhor

A dar à língua

Dois idosos com termo de identidade e residência por propagarem boatos

gação, na rede social chinesa “WeChat”, de informações falsas de que cinco pessoas tinham sido encontradas mortas num parque de estacionamento na zona do Fai Chi Kei, no norte da cidade. Após o interrogatório, os suspeitos foram enca-

minhados para o Ministério Público. “Em 29 de Agosto de 2017, a polícia transferiu dois arguidos, suspeitos de terem divulgado uma notícia falsa de que o Governo tinha bloqueado o acesso à notícia relativa à morte de cidadãos causada pelo

domínio do tempo, escolheram deslocar-se a pé para a escola. O período de pico de trânsito, com tráfego intenso e lento perto de algumas escolas, decorreu entre as 8h00 e as 9h30 horas da manhã, mas no geral decorreu com normalidade”, explica a direcção de serviços. Entretanto, a Transmac, uma das operadoras de autocarros públicos, anunciou que colocou na estrada 35 novos veículos para responder a uma maior procura no arranque de mais um ano lectivo.

tufão Hato, ao Ministério Público para registar e instaurar o inquérito”, indica o esclarecimento enviado à Lusa. Segundo o gabinete do Procurador, após o interrogatório preliminar, foi aplicada aos “dois arguidos a medida de coacção de termo de residência e identidade”, encontrando-se agora o processo “a aguardar a investigação”. Na terça-feira, fonte da PJ esclareceu à agência

Instituto Cultural (IC) já concluiu a inspecção a mais de 30 locais de património classificado, onde se incluem a Colina da Ilha Verde, a Colina da Penha, a Colina da Guia, o Largo do Lilau, a Rua da Felicidade e o Bairro de S. Lázaro, entre outros. Segundo um comunicado, “os danos nestes locais foram relativamente baixos”, estando relacionados “sobretudo com a queda de árvores e ramos”, sendo que existe “um número considerável de grandes árvores que ficaram danificadas”. “Na área perto da Casa de Retiros da Ilha Verde, existem árvores de grandes dimensões que foram derrubadas e vários ramos ficaram partidos, havendo um perigo potencial de queda”, explica o IC. Além disso, “existem árvores de grande escala na Colina da Penha desenraizadas, tendo derrubado as vedações e paredes em seu redor”. O mesmo comunicado aponta que “a maioria dos conjuntos não apresenta de momento quaisquer perigos estruturais, tendo sofrido apenas a queda de candeeiros e letreiros que causou alguns danos em cantos de paredes ou a queda de algumas telhas”. Entretanto o IC reuniu com administradores de todos os templos e igrejas “a fim de discutir em conjunto os trabalhos de seguimento após o tufão e de acelerar o apoio aos trabalhos de recuperação e de socorro de todos os itens patrimoniais”.

Turismo Excursões estão de regresso

Macau voltou a receber excursões turísticas no passado sábado. As visitas em grupo tinham sido suspensas na sequência da passagem do tufão Hato. Segundo números preliminares fornecidos pelos operadores turísticos, Macau recebeu, até ontem, perto de 410 excursões turísticas da China, informou a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) em comunicado. A DST, que enviou inspectores aos postos fronteiriços e aos principais pontos turísticos, disse o primeiro dia de regresso dos grupos a Macau decorreu com “normalidade”.

Lusa que os dois irmãos não iniciaram o rumor, mas propagaram-no. Segundo a mesma fonte, os dois incorrem no crime de “ofensa a pessoa colectiva que exerça autoridade pública”. Entretanto, outros dois casos de alegadas notícias falsas sobre mortes foram detectados pelas autoridades. A PJ identificou duas mulheres, de 49 e 63 anos, que “terão divulgado informações de que haveria mais vítimas mortais”

também no auto-silo do Fai Chi Kei. Os dois casos foram descobertos durante uma visita da PJ a casa das suspeitas, em que foram verificados os conteúdos dos telemóveis e encontradas mensagens partilhadas pelas duas mulheres nas redes sociais. Também neste caso, as mulheres são suspeitas de divulgar a informação, mas não de a ter iniciado.


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RÓMULO SANTOS

4.9.2017 segunda-feira

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S medidas de protecção contra cheias de Macau “não resultaram” e durante o tufão Hato, o mais forte em 53 anos, 29 por cento da área da cidade ficou inundada, disse o director dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), Li Canfeng. Apesar de Macau ter avançado com algumas obras em 2014 para evitar inundações na zona baixa do Porto Interior, e terem sido colocadas placas ou portas de protecção, “o resultado foi muito fraco e, de acordo com o nível da maré no tufão Hato, 29 por cento da área de Macau foi inundada”, explicou o responsável. Os dados ainda não são finais, já que algumas estações de medição avariaram, mas estima-se que as águas tenham subido até aos 5,5 metros no Porto Interior. “As obras que fizemos não resultaram nada. Temos de acelerar as obras para travar a maré”, afirmou Li. Até porque, comentou, durante o Hato, que atingiu a cidade no dia 23, “não houve grande precipitação (...) Se houver, como é que é?”, questionou durante uma conferência de imprensa. Macau tem actualmente uma barreira com cerca de quatro metros ao longo do Porto Interior, mas também este “dique não foi suficiente”, disse o responsável. A directora dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA), Susana Wong, veio reforçar a ideia: “Com o Hato, o ‘storm surge’

HATO QUASE 30 POR CENTO DO TERRITÓRIO INUNDADO

Maré alta

O director das Obras Públicas disse que 29 por cento do território ficou inundado com a passagem do tufão Hato. Governo tem em cima da mesa três planos para travar as águas, mas avisa que, com tempestades mais fortes, a população poderá ter de ser evacuada [subida no nível das águas] atingiu 5,5 metros, não era possível evitar inundações na zona”.

SOLUÇÕES NA MESA

Para combater esta situação o Governo equaciona três soluções, uma a curto prazo, duas a longo. O primeiro plano, que já estava em estudo antes da passagem do tufão, prende-se com a instalação de uma bomba de escoamento de águas pluviais, pensada para o local da ‘Ponte 23’, um dos vários cais do Porto Interior, estruturas que remontam ao tempo da administração portuguesa. Devido ao valor histórico do imóvel, o Instituto Cultural (IC) emitiu um parecer que, apesar

de não se opor à construção da bomba, insta à preservação do cais, nomeadamente através da deslocação para outro local. No entanto, o porta-voz do Governo, Victor Chan, disse que está em causa “uma questão de equilíbrio entre a demolição de património e o interesse público”. O IC, informou, irá “repensar a posição sobre a demolição da ‘Ponte Cais 23’ e emitir um novo parecer, tendo em conta o interesse público”.

EVACUAÇÃO É HIPÓTESE

Segundo o vice-presidente do conselho de administração do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), Lo Chi Kin, esta bomba de drenagem iria permitir

escoar 14.550 litros de água por segundo, enquanto que sem ela só é possível escoar cerca de oito mil litros. No entanto, o mecanismo não funciona quando o nível das águas subir acima dos diques. Lo explicou ainda que o ‘Cais 23’ é o local mais indicado por não ter movimento, ao contrário dos outros portos, com frequente passagem de barcos. “A bomba para escoamento de água pode causar instabilidade e perigo para as embarcações”, disse. Em termos de planos de grande envergadura, o Governo estuda a construção de uma barragem e o aumento do dique em torno do porto. Aprimeira obra “evitaria a entrada da maré e inundações”, mas implica cooperação com regiões vizinhas, já que a comporta ficaria entre Macau e a cidade vizinha de Zhuhai. O projecto está ainda em estudo, mas o Governo espera poder começar a obra em 2019. Quanto ao dique, tem a vantagem de ser uma questão “interna”, mas pode “afectar o canal de navegação, transporte de mercadorias, actividades comerciais da zona, a cultura histórica e a paisagem naquela zona”, alertou Li. A ideia é aumentar o muro já existente, de cerca de quatro metros, de modo a ter entre seis e sete metros, o que poderia, por exemplo, bloquear a vista de rio. Apesar de todos estes planos, o porta-voz do Governo admite que Macau pode não vir a ter estruturas suficientes para uma tempestade particularmente forte. Nesse caso, terá um último recurso: a evacuação.

“Devido às alterações climáticas, este tipo de tempestade radical pode acontecer mais vezes. Caso tudo esteja fora do controlo e não possamos responder, retiramos a população.” VICTOR CHAN PORTA-VOZ DO GOVERNO

“Devido às alterações climáticas, este tipo de tempestade radical pode acontecer mais vezes. Caso tudo esteja fora do controlo e não possamos responder, retiramos a população”, disse.

CHUI SAI ON EM GUANGDONG

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Chefe do Executivo, Chui Sai On, deverá deslocar-se “muito brevemente” à província de Guangdong “para se encontrar com altos quadros para debater pormenores sobre questões ligadas aos problemas das inundações no Porto Interior”. Segundo um comunicado oficial, o Executivo, já em 2013, numa visita a Pequim, “teve encontros com responsáveis de diferentes departamentos a nível ministerial do Governo Central, fazendo uma abordagem exaustiva sobre a matéria, com o objectivo de alcançar uma solução viável” para a zona do Porto Interior.


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segunda-feira 4.9.2017

Malditos custos Macau Legend com prejuízos no primeiro semestre

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grupo Macau Legend registou prejuízos de 228,6 milhões de dólares de Hong Kong nos primeiros seis meses do ano, indicou a empresa em comunicado. As perdas foram justificadas com “o aumento dos custos operacionais e a depreciação gerada pela abertura de novos casinos e hotéis, e também custos financeiros”. Nos primeiros seis meses, a Macau Legend arrecadou receitas no valor de 855,9 milhões de dólares de Hong Kong, mais 28,5 por cento que no mesmo período de 2016. As receitas de jogo subiram 34,3 por cento para 563,2 milhões de dólares de Hong Kong e as de não-jogo aumentaram 18,7 por cento para 292,7 milhões de dólares de Hong Kong. O EBITDA ajustado (resultados antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) foi de 100,5 milhões de dólares de Hong Kong, mais 115,4 por cento. A Macau Legend opera três casinos em Macau sob a bandeira da Sociedade de Jogos de Macau (SJM). Um deles, o Legend Palace Hotel, abriu em Fevereiro deste ano e contribuiu com receitas de 37,8 milhões de dólares de Hong Kong. “Apesar da ‘performance’ melhorada, a rentabilidade do grupo foi

negativamente afectada por prejuízos de 228,6 milhões de dólares de Hong Kong durante o período [em causa] maioritariamente devido a aumentos nos custos operacionais e depreciação devido à abertura do Legend Palace Casino e Hotel e aumentos nos custos financeiros”, de acordo com o comunicado. O director executivo da empresa, David Chow, explicou que os trabalhos de remodelação da Doca dos Pescadores vão continuar e mostram o apoio da empresa “aos esforços do Governo de Macau para construir um centro de turismo e lazer e promover turismo diversificado em Macau”. “Vamos continuar a melhorar a experiência de compras, restauração ao ar livre e entretenimento na Doca dos Pescadores, agora que a cobertura está terminada”, afirmou.

NOVO ACORDO

No mesmo comunicado, Chow deu conta do acordo com “uma terceira parte independente para se desfazer do hotel Landmark Macau”. “Espera-se que o negócio esteja concluído antes do final deste ano (…) Vai permitir ao grupo reorganizar e desenvolver novas construções e instalações para corresponder e fundir os mercados em constante mudança”, disse Chow.

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COMISSÃO DE REGISTO DOS AUDITORES E DOS CONTABILISTAS Aviso Torna-se público, de acordo com o n.º 4 do ponto 5.º dos Regulamentos para a prestação de provas para inscrição inicial ou revalidação de registo como auditor de contas, contabilista registado e técnico de contas, elaborados nos termos do artigo 18.º do Estatuto dos Auditores de Contas, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 71/99/M, de 1 de Novembro, do artigo 13.º do Estatuto dos Contabilistas, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 72/99/M, de 1 de Novembro, e da alínea 3) do artigo 1.º do Regulamento da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 2/2005, de 17 de Janeiro, que se encontra afixada, na sobreloja da Direcção dos Serviços de Finanças, sito na Avenida da Praia Grande nºs 575, 579 e 585, e colocado no respectivo “Web-site”, no local relativo à CRAC e para efeitos de consulta, a lista provisória dos candidatos à prestação de provas para inscrição inicial ou revalidação de registo como Auditor de Contas, Contabilista Registado e Técnico de Contas no ano de 2017, elaborada e homologada por deliberação do Júri designado para o efeito. Em caso de dúvidas, agradecemos o contacto com a CRAC, durante as horas de expediente, através do telefone número 85995343 ou 85995342. Direcção dos Serviços de Finanças, aos 29 de Agosto de 2017 O Presidente do Júri, Iong Kong Leong

Saúde Surto de gastroenterites controlado

Os Serviços de Saúde (SS) emitiram ontem um comunicado onde apontam que o surto de casos de gastroenterites registados nos últimos dias está controlado. No total foram registados 247 casos até quintafeira, 31 de Agosto. Após a passagem do tufão Hato só foram registados seis casos suspeitos de infecção colectiva devido a gastroenterite que “envolveram duas a cinco pessoas”, sendo que não existe “um aumento evidente em relação à situação habitual”. Uma das causas apontadas pelos SS prende-se com a limitação no abastecimento de água e com “condições de higiene pessoal limitadas”.


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ANTÓNIO DE CASTRO CAEIRO

ENTREVISTA

António de Castro Caeiro fez parte da histórica banda punk, Mata-Ratos, até mergulhar a fundo na filosofia. Actualmente divide-se entre a crónica, a tradução de clássicos gregos e a divulgação filosófica. Está em Macau e dá hoje uma conferência no Antigo Tribunal, pelas 19h30, no âmbito da celebração dos 150 anos de Camilo Pessanha

SOFIA MARGARIDA MOTA

PROFESSOR, FILÓSOFO E CRONISTA

“Tudo quanto exista implica tempo”

Fez parte de uma das bandas que mais marcou o panorama do punk nacional, os Mata-Ratos. Como se faz a passagem para a filosofia? Na verdade, formalmente, não é uma transição difícil porque o “label” dos Sex Pistols era “no future”. Portanto, a expressão do punk mais barulhento dava conta disso na primeira juventude. Eu vou para filosofia aos 17 anos. Essa era outra forma de expressão erudita, mais complexa e não tão barulhenta, mas que também tem no sentido final essa ideia do ser no encaminhamento da morte. No fundo, toda a arte, poesia, filosofia, pintura, arquitectura tem, em certa medida, a ver com a nossa vivência na Terra, com a complexa compreensão de que ficamos para morrer, que não estamos aqui para sempre. Tem escrito bastante sobre o tempo. É um tema que o tem perturbado, para o qual tem procurado resolução? Comecei por abordar a filosofia de um ponto de vista analítico. Isto porque eu estive para estudar engenharia, portanto, a forma lógica esteve sempre nos meus horizontes. A partir de determinada altura, diga-

mos assim, a lógica é sem tempo, é repetível em qualquer circunstância, em qualquer sítio do mundo. Isso contrasta e relativiza com a situação concreta de cada indivíduo na família, na nação, num estado de alma, num determinado contexto ou ambiente. Cedo comecei a estudar grego e latim e, a partir daí, li os

filósofos alemães. Inclusivamente vivi alguns anos na Alemanha e li o grande livro de Heidegger “Ser e Tempo” e o “Tempo e Ser”. Tudo aquilo quanto existe implica tempo. É por isso, por exemplo, que pomos a mesa e que depois de comermos recolhemos a mesa, lavamos a louça, enxugamo-la e arrumamo-la

para o dia seguinte. Tudo quanto nós usamos implica essa ideia de uma utilização, num determinado momento, de uma forma eficaz, com a expectativa que temos. Tenho 50 anos, uma idade em que acompanhamos o envelhecimento da mãe, do pai, ou dos avós e em que perdemos pessoas, nós próprios envelhecemos

e percebemos que as circunstâncias não mudam apenas adjectivamente, mas substantivamente com o tempo. Portanto, ser, viver, estar na realidade não é uma coisa para sempre mas é uma coisa que está continuamente a deixar de ser. Esse é o objecto de estudo, o grande operador ontológico da filosofia.


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coisas. Isto é algo que vou gostar muito de fazer. Dito isto, para além das cerca de dez conferências por ano que dou sobre temas academicamente complexos, sobre a linguística grega e o pensamento antigo, o meu objectivo é sempre explorar a filosofia a partir dos exemplos que tenho das aulas. Quem quer que seja que se interesse por um problema filosófico sem ter a sua certidão de nascimento na filosofia, num autor ou num texto, tem de conseguir perceber do que é que se trata. O que se trata é a relação connosco, a relação com os outros, com o mundo, a relação com o tempo. Como é que, em Lisboa, uma manhã de Primavera é completamente diferente de uma tarde de Verão em Agosto. Como, por exemplo, a Clepsidra que é uma descrição do tempo a escoar enquanto nós estamos lá no meio daquela bola que se vai indo. Isso para mim é o objectivo, não é uma questão de tornar simples, mas que as pessoas possam aproximar-se dos problemas da filosofia sem a carga e o peso da técnica académica. Essa é uma pretensão minha e, eventualmente, uma arrogância. Como é a concretização semanal de escrever um artigo para um jornal? Esta é a minha segunda experiência a escrever num jornal. Durante nove meses, como a gestação de um bebé, tive no Expresso online um blog que era “O modo e o tempo”. Quando o Carlos Morais José me convidou disse-lhe que queria fazer uma coisa sobre moods, tonalidades, que tivesse a ver com qualquer coisa que nos aconteceu durante a semana. Estou tão cioso destes meus textos que saem no Hoje Macau que, às vezes, por qualquer motivo, elas só saem à segunda-feira. Então, o Carlos leva com os meus emails, cheguei mesmo a dizer-lhe que esta era a única coisa boa que me está a acontecer e, portanto, fico contente por ver o artigo online e por o poder partilhar no Facebook. Muitas pessoas lêem e partilham e eu fico muito feliz por isso, por estar no sudoeste de Portugal a pensar no sudoeste asiático. Como surgiu a possibilidade de trazer a filosofia para um programa de televisão na RTP2?

Apesar da intensidade de trabalho que a vida académica implica e dos projectos em que está envolvido, ainda tem tempo para escrever. Está algum livro na forja? Sempre, vários livros. Traduzi os fragmentos perdidos dos livros de Aristóteles há sete anos e agora vão ser publicados pela Abismo do João

Paulo Cotrim as constituições perdidas de Aristóteles. Depois segue-se a publicação de textos sobre estética e, finalmente, textos científicos. À parte disso, estou a escrever semanalmente para o Hoje Macau. Vou alargar a minha colaboração com o jornal, tenho estado a traduzir o poeta austríaco Georg Trakl e estou

a planear sair um poema por semana, bilingue, em alemão e português. Por outro lado, vamos ter uma coluna a quatro mãos com o João Paulo Cotrim que abordará temas ad hoc. Cada um escolherá o seu texto que passará pelas mãos do grande editor, grande poeta e ensaísta, João Paulo Cotrim e por mim, que sou um novato nestas

“Ser, viver, estar na realidade não é uma coisa para sempre mas é uma coisa que está, continuamente, a deixar de ser. Esse é o objecto de estudo, o grande operador ontológico da filosofia.”

“No fundo, toda a arte, poesia, filosofia, pintura, arquitectura tem, em certa medida, de ver com a nossa vivência na Terra, com a complexa compreensão de que ficamos para morrer, que não estamos aqui para sempre.” Fui entrevistado duas ou três vezes na televisão. Este projecto resulta de uma conversa com o Nuno Artur Silva [administrador da RTP da área dos conteúdos de ficção]. Disse-lhe que queria ter um programa de filosofia justamente para fazer uma aproximação, que já se fez na ficção e na poesia, mas que nunca se fez na filosofia em Portugal. Há programas na Alemanha como o “Quarteto Filosófico”, na BBC há grandes entrevistas com grandes filósofos e o Nuno Artur Silva não me disse logo que não. Meses mais tarde disse-me: “Olha, o Público está a editar quinze livros de catorze autores, entre os quais Confúcio, porque é não começas por aqui? Em seguida abrir-se-ão portas”. Assim foi. Vamos ter treze programas de 30 minutos com o João Paulo Cotrim, o Luís Gouveia Monteiro, eu e alguns convidados. Depois a Teresa Paixão disse-me que tinha de apresentar em dois ou três minutos uma nota biográfica e uma nota bibliográfica. A filosofia compagina-se com uma mensagem tão sucinta? Sim. O Wittgenstein dizia que o que pode ser dito tem de ser dito claramente. Há pessoas que escrevem milhares de páginas e que falam muito, outras que não dizem nada nessas milhares de páginas. O Heidegger dizia que uma frase de Heráclito valia mais do que a inteira Biblioteca de Alexandria. Foi um exercício de compilação e, ao mesmo tempo, não de contracção mas de expansão. Foi interessante também por esse lado. Eu dou aulas de duas horas, os mestrados são de três horas, mas já dei aulas de quatro horas. É completamente diferente quando temos de pensar que não há reformulação possível. Diz-se uma nota bibliográfica e uma nota biográfica e espera-se que a pessoa não tenha tempo para fazer zapping e fazer-me desaparecer do ecrã. João Luz

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“PLANO DE URGÊNCIA” APÓS TESTE NUCLEAR DA COREIA DO NORTE

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IU Xia, viúva do Nobel da Paz chinês Liu Xiaobo, que morreu em Julho, “está de regresso a Pequim”, embora sob prisão domiciliária, depois de mais de um mês “desaparecida”, de acordo com uma organização não-governamental com sede em Hong Kong. Lu Siqing, fundador do Centro de Informação para Direitos Humanos e Democracia, uma ONG com sede em Hong Kong, falou com Liu Xia ao telefone no sábado, segundo um comunicado da organização enviado ontem por fax à agência de notícias francesa AFP. Durante a conversa, de cerca de meia hora marcada por “lágrimas”, Liu Xia, de 56 anos, explicou, com uma “voz extremamente debilitada” que tem de seguir pesados

ONG VIÚVA DO NOBEL LIU XIAOBO “DE REGRESSO” A PEQUIM

Lar amargo lar tratamentos antidepressivos, segundo Lu Siqing. “Vários amigos de Liu Xia confirmaram que estava de regresso ao seu apartamento, na capital chinesa, “e que a sua casa continuava vigiada por guardas e polícias à paisana”, detalhou a ONG num outro comunicado. Liu Xia, em prisão domiciliária desde que o marido foi laureado com o Nobel da Paz em 2010, apesar de nunca ter sido acusada de qualquer crime, assistiu, em meados de Julho, ao funeral de Liu Xiaobo, segundo imagens divulgadas pelas autoridades chinesas.

Contudo, familiares e amigos mais próximos não conseguiram entrar em contacto com ela durante semanas, desconhecendo igualmente onde estava a morar.

PARADEIRO INCERTO

Liu Xia “foi mantida em segredo pelas autoridades chinesas em local des-

conhecido”, afirmou, no início de Agosto, o advogado norte-americano do casal Jared Genser, numa queixa apresentada diante da ONU. Dias depois, a viúva de Liu Xiaobo reapareceu num vídeo publicado na Internet. “Estou em convalescença no campo, fora de Pequim. Peço-vos

“Vários amigos de Liu Xia confirmaram que estava de regresso ao seu apartamento, na capital chinesa, e que a sua casa continuava vigiada por guardas e polícias à paisana.”

que me dêem tempo para fazer o meu luto”, disse Liu no vídeo de um minuto publicado no YouTube. “Certamente que foi forçada pelas autoridades a fazer esse vídeo”, afirmou Hu Jia, dissidente chinês e amigo do casal.Desconhecem-se, no entanto, as circunstâncias exatas do regresso de Liu Xia a Pequim. Liu Xiaobo – que foi condenado em 2009 a 11 anos de prisão por “subversão” por ter apelado a reformas democráticas na China – morreu de cancro, em 13 de Julho, aos 61 anos, num hospital de Liaoning, semanas depois de colocado em liberdade condicional por motivos de saúde. Foi o primeiro prémio Nobel a morrer privado de liberdade desde o pacifista alemão Carl von Ossietzky, que morreu em 1938 num hospital quando estava detido pelos nazis.

China lançou ontem um plano de urgência para controlar os níveis de radiação ao longo da sua fronteira com a Coreia do Norte, após o sexto ensaio nuclear realizado por Pyongyang, anunciou o Ministério do Ambiente chinês. As autoridades chinesas puseram em marcha, às 03:46 locais, um « plano de urgência » para executar « medidas de controlo das radiações » nas zonas da sua fronteira do nordeste, indicou um comunicado do ministério chinês. A Coreia do Norte anunciou ter testado, com sucesso, ontem uma bomba de hidrogénio desenvolvida para ser instalada num míssil balístico intercontinental. O anúncio do “total sucesso” do teste de uma bomba de hidrogénio, conhecida como ‘bomba H’, foi feito pela pivô da televisão estatal norte-coreana, horas depois de Seul e Tóquio terem detectado uma invulgar actividade sísmica na Coreia do Norte. Segundo a KCTV, o ensaio nuclear, o sexto conduzido pelo regime de Pyongyang, foi ordenado pelo líder norte-coreano, Kim Jong-un. O anúncio tem lugar depois de, na noite de sábado, a agência oficial norte-coreana KCNA ter garantido que a Coreia do Norte conseguira desenvolver com êxito uma bomba de hidrogénio passível de ser instalada num míssil balístico intercontinental (ICBM). A KCNA divulgou então uma fotografia de Kim Jong-un junto a uma suposta ‘bomba H’, acompanhado por cientistas nucleares e altos oficiais do Departamento da Indústria de Munições do Partido dos Trabalhadores, apesar de, como é habitual, não ter facultado detalhes sobre o local nem a data do acontecimento.

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ESCOLA PORTUGUESA DE MACAU AVISO Avisam-se os Pais e Encarregados de Educação dos alunos da Escola Portuguesa de Macau de que as aulas do ano lectivo de 2017/2018 terão início no dia 6 de Setembro (4ª feira) com uma receção aos alunos: • 1º ano – 09:30h/13:00h – Professor Titular • 2º , 3º e 4º ano – 09:00h/13:00h – Professor Titular • 2º Ciclo, 3º Ciclo e Ensino Secundário -10:00h/13:00h – Reunião Geral (Ginásio) e reunião com o Diretor de Turma

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Propósitos emergentes Michel Temer chegou a Xiamen para participar na cimeira do BRICS

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Presidente do Brasil, Michel Temer, chegou ontem à cidade de Xiamen, no sudeste da China, para participar na cimeira do bloco de grandes economias emergentes BRICS, que decorre até à próxima terça-feira. O avião presidencial brasileiro aterrou pouco antes das 13:00 no aeroporto de Xiamen, onde Michel Temer foi recebido com ramos de flores e honras militares antes de se dirigir à sede da cimeira do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Michel Temer vai reunir-se com os Presidentes da China, Xi Jinping, da Rússia, Vladimir Putin, e da África do Sul, Jacob Zuma, e com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, para debater novas formas de cooperação no seio do bloco criado há uma década. Antes de chegar a Xiamen, Michel Temer realizou uma visita de Estado de dois dias a Pequim, onde esteve reunido com o seu homólogo chinês e testemunhou a assinatura de uma série de acordos, PUB

com destaque para uma futura linha de crédito de 3.000 milhões de dólares, entre o Banco de Desenvolvimento da China e o seu congénere brasileiro, o BNDES.

PARTICIPAÇÃO ALARGADA

Os acordos firmados preveem ainda a construção de infraestruturas no Brasil por empresas chinesas, como a construção da linha ferroviária Bamin-Fiol-Porto do Sul ou a rede de transmissão de energia em alta tensão entre Xingu, no estado de Mato Grosso, e o Rio de Janeiro, pela State Grid, a accionista chinesa da REN. Destaque ainda para a construção de um terminal no Porto de São Luís, pela China Communication and Construction, no valor de 589

milhões de euros, e a participação chinesa na planta nuclear Angra III. Os acordos de cooperação abrangem também coprodução cinematográfica, futebol, proteção de investimento, saúde, comércio electrónico e facilitação de vistos para negócios e turismo. O montante global dos acordos não foi anunciado, mas fontes diplomáticas brasileiras avançaram aos jornalistas que pode ascender a 10.000 milhões de dólares. O principal objectivo da visita de Michel Temer à China, a segunda que realiza desde que assumiu a presidência do Brasil, passa por captar investidores chineses para o mais ambicioso projecto de privatizações do país em duas décadas.

O principal objectivo da visita de Michel Temer à China, a segunda que realiza desde que assumiu a presidência do Brasil, passa por captar investidores chineses para o mais ambicioso projecto de privatizações do país em duas décadas

REUTERS

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O meu amigo é superior nos doirados e nos verdes Ama pintar galos de jade e cavalos de oiro.

ZHANG GENG

Paulo Maia e Carmo tradução e ilustração

«Pushan Lunhua»

Tratado de Pintura do Junco das Montanhas

Chuzi1. Procurar Apoio.

Os métodos devem ser tomados a partir dos antigos, mas o apoio verdadeiro deve ser procurado entre as coisas que estão vibrantes de vida2. Se obstinadamente se estiver apenas com os métodos dos antigos não se conseguirá encontrar um caminho para além deles. As qualidades maravilhosas que se encontram nas pinturas dos antigos dependem simplesmente da clareza do pensamento e conformidade com o espírito da vida. Deve-se tentar observar as coisas criadas pelo Céu tais como montanhas, rios, plantas e árvores bem como as coisas criadas pelos homens tais como casas, cabanas, pontes e balças; cada uma delas tem a sua razão de ser e possui o espírito vital (vida). Se não tiverem estas qualidades, elas já não serão coisas vivas. De modo que, uma pessoa olha em volta e encontra muitos motivos para fazer belas pinturas, mas é necessário procurar entender o seu significado e representá-las entendendo as pinceladas dos antigos.

1 - Dois caracteres: chu, perceber, apreender, agarrar; zi, apoio, habilidade natural, qualificações. 2 - A afirmação fundamental de Zhang Geng encontra eco entre tantos outros autores que sempre relevam o trabalho observando a natureza. Como escreve Shitao logo no primeiro capítulo do seu tratado: (…) «apreender-se-á a aparência formal bem como o élan interior dos montes e dos rios, das personagens e dos objectos inanimados, dos pássaros e dos animais selvagens, das ervas e das árvores, dos viveiros e dos pavilhões, das construções e das esplanadas, serão pintadas a partir da natureza onde se sondará a sua significação, exprimir-se-á o carácter ou será reproduzida a atmosfera, serão reveladas na sua totalidade ou serão sugeridas elipticamente.» (Cap. 1, O traço único do

pincel) Esse devir será encapsulado nos dois caracteres da expressão xiesheng, «a partir da natureza», utilizada desde a dinastia Song (960-1279) como condição indispensável da formação do pintor. Jing Hao (primeira metade do séc. X), no que poderá ser entendido como um engenhoso exercício da ars memoriam, coloca dois personagens dialogando numa montanha entre velhos pinheiros, para significar essa importância de o pintor se deslocar ao local que motiva a pintura. Aí, não se trata de imitar a natureza nos seus efeitos mas nos seus procedimentos. Um entendimento, aliás, universalmente partilhado do labor artístico. Como escreveu Paul Claudel essa maneira «não é senão uma participação e uma derivação nas coisas da própria Arte divina: ars imitatur naturam in sua operatione.» (Journal, Paris, 1968, vol.1, p.473)


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

segunda-feira 4.9.2017

PEDRO CUNHA

Amélia Vieira

Um vermelho tardio

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ARA Oriente nos fascina a cor vermelha - a sua cor vermelha - tão diferente daquelas que conhecemos, um escarlate sempre rubro no nosso imaginário, talvez no negro a Ocidente se dê este complemento e seja tão intensa esta atração. Macau! Esta distante terra é como as oferendas que transportamos por méritos, tendo ficado assim como aqueles dons que se presenteiam e nessa transação não entrasse a guerra da conquista pelas coisas, apenas o usufruir de um merecimento. Nela têm desembarcado ilustres seres de uma Nação desavinda com a sua fixação, por ela andaram mergulhados de longos pensamentos que escutámos sempre nela, e, quase seria de esperar que as suas longas formas de praça forte tivessem ao longo de séculos protegido aqueles que o solo natal não acarinhou. Escutávamos coisas vindas do Oriente como as suas sebes vermelhas, o Mar das Pérolas, o mandarim, e as húmidas e quentes Estações, as influências no duro osso nacional amansavam e dele saiam mais refinadas do que em nenhum outro local. É por um deles, que agora para lá nos dirigimos, Camilo Pessanha, que se imolou numa nuvem de ópio e paz

muito febril e cheio de uma nostalgia assim permaneceu como os mais belos gases que se evolam: todo ele era uma natureza quase gasosa desfazendo-se talvez numa água, que os dias não precisam do pesado das carnes em locais onde elas pesam mais e os vermelhos não são sanguíneos. É por ele, esquálido e de génio iridescente que nos aglutinamos no extremo do mundo e tomamos como nossas as tempestades nascentes: assim, como um acto de amor inalterado que nos ficou para não esquecermos na voragem dos tempos os nossos melhores. Pressagiamos a festa, e a volúpia vermelha do Galo de Fogo que tem fustigado a Ocidente as florestas e os dias de Estio feito mais duros, O Galo garboso e belicoso, esse ser da aurora que nos orienta agora na marcha dos sítios onde nasce a Luz, entendemos este Bestiário, e vamos sabendo que ele é muito mais, e cada vez menos, regional. Buda é o reflexo que nos diz que os homens de paz amam os animais, até os Ratos, tendo-lhe dado o primeiro lugar neste podium. Só eles acham encantos a este rastejante sobrevivente do asfalto que se franqueia em todas as marchas por onde Dragões hão-de passar.

Não é um dia como os outros aquele em que a vamos visitar. É assim como uma antevisão de uma vermelha tonalidade que só eles compõem, pois que a arte oriental, chinesa neste caso, deplora a tragédia e, nas suas mais inofensivas fórmulas, trabalha para um decorativo permanente, genuíno e delicado. A caligrafia disso é registo pois que desenhar alfabetos não será exactamente o mesmo que compor siglas. Esta maravilhosa arte do efeito gera em nós hipnose. Nós somos definitivamente e como modelo outros seres que foram felizes na Estética do Feio e se não fôramos mais felizes foi por que não nos deixamos ser por modelo filosófico. Se Camilo Pessanha não era na índole um ser de natureza feliz foi porque também o resultado de um país triste de fim de século «dos vencidos da vida», dos seus contemporâneos dos «Só» das negras sombras de Junqueiro, das lágrimas quentes do suicida Antero, da vaga nortada destes trajectos se fez uma grande experiência de fogo interior. Os saudosistas de coisas outras da filosofia nacional, o momento político talvez vexatório, as amarras da família, a mãe, a namorada, a amiga, os homens.

Mas a alma dos poetas são faróis eternos, olham-nos nas vidraças do outro lado do Espelho, e ele sabe que vamos por ele, louvá-lo a ele, por ele percorrer as distâncias. A sua, nossa, dele Pátria, anda ocupada com tudo que é nada na visão concreta de um descortinar mais poético, que talvez em muitos casos nem saiba já quem ele seja. Ficam assim os redutos e os nichos da memória como canteiros vivos de vermelhas flores. Dentro de algumas horas estaremos na sua aura calorosa, no seu mundo que para os que agora a cidade se dirigem nunca fora distante, e nesta enseada nos vamos estreitando, aqueles que estão certos no fabrico dos laços. Os laços de amor tinham-nos sempre os Vice-Reis das Índias, eram formas de representar os tratados e as alianças. Os dedos já não as suportam nem os tempos as sabem usar. Quando estivermos no Verão asiático o mundo será outro e nem os furacões e as desditas torrenciais nos afastarão esta alegria escarlate que nos corre no peito como um sangue lavado sem mais nada. É o coração que nos guia e assim não haverá tormenta e se cumprirão os pactos. São os nossos Fados.


16 desporto

O

KARTING CAMPEONATOS CIK FIA ÁSIA-PACIFICO CANCELADOS

Travão a fundo uma nota publicada no seu portal a regras dos pneus e ter elogiado os organizadores da prova do território, a federação internacional emitiu um comunicado lacónico sobre a anulação do evento: “Inicialmente agendado para 8 a 10 de Dezembro, no Kartódromo de Coloane de Macau, o Campeonato CIK FIA Ásia-Pacifico para as

classes OZ e KZ foi cancelado a pedido do organizador.” Instada a comentar o assunto pelo HM, a federação internacional escusou-se a entrar em detalhes, comunicando que se tratou de uma decisão do organizador.

PLATAFORMA DE TOPO

Por seu lado, contactado pelo HM, o Instituto do

Desporto (ID) esclareceu que, apesar da anulação das corridas que seriam cabeça de cartaz do evento, o Grande Prémio Internacional de Karting será realizado na data inicialmente proposta. “O Grande Prémio Internacional de Karting de Macau será realizado de 7 a 10 de Dezembro deste ano na pista de karting de Coloane. Este evento continuará a servir como plataforma para os pilotos de karting de topo, assim como para os entusiastas de desportos motorizados de Macau e de todo o mundo, demonstrarem as suas capacidades e competirem juntos para promoverem este desporto excitante”. Sobre o programa de provas do evento, o ID clarifica que este ainda não está fechado, estando a Associação Geral Automóvel

“Inicialmente agendado para 8 a 10 de Dezembro, no Kartódromo de Coloane de Macau, o Campeonato CIK FIA Ásia-Pacifico para as classes OZ e KZ foi cancelado a pedido do organizador.” FEDERAÇÃO INTERNACIONAL

de Macau – China (AAMC) a ultimar os preparativos. “No que respeita ao programa do evento do Grande Prémio Internacional de Karting de 2017, a AAMC está ainda em negociações com

várias partes, incluindo a CIK FIA, para a composição das diferentes categorias do evento. Mais detalhes sobre o acontecimento serão anunciados no devido tempo, assim que a AAMC chegue a acordo com todas as partes interessadas”, explica a nota informativa do ID enviada ao HM. Igualmente agendado para o mesmo fim-de-semana, como aliás é parte da tradição, ainda continua a última jornada do Campeonato Asiático Open de Karting (AKOC, na sigla inglesa) que traz consigo as suas várias classes e sub-categorias. A maior competição de Karting do continente asiático já passou pela RAEM este ano, no passado mês de Junho. Sérgio Fonseca

info@hojemacau.com.mo

T.LEUILLET

S campeonatos CIK FIA Ásia-Pacifico para as categorias KZ e OK, que iriam fazer parte do programa da edição de 2017 do Grande Prémio Internacional de Karting de Macau, foram cancelados na pretérita semana a pedido das entidades responsáveis pelo evento no território. Porém, o acontecimento anual mais relevante do Kartódromo de Coloane continua agendado para o segundo fim-de-semana de Dezembro, depois de o ano passado ter sido realizado no final de Novembro, mas já não se irão atribuir os títulos dos dois mais importantes campeonatos CIK FIA para a região Ásia-Pacifico. Seis dias depois de ter aberto o período de inscrições, confirmado através de

4.9.2017 segunda-feira

Espanha praticamente apurada para Mundial2018 após 3-0 a Itália

A

Espanha deu ontem um passo enorme em direção à fase final do Mundial2018 de futebol, ao bater em Madrid a selecção de Itália, por 3-0, um resultado que deve valer o primeiro lugar no grupo G europeu. Destaque ainda, nos jogos de ontem, para o 2-0 da Ucrânia à Turquia, a baralhar bem o grupo I, e para o relançamento do País de Gales no grupo D, ao vencer a Áustria por 1-0 e assistir ao empate da Irlanda na Geórgia, 1-1. No estádio Santiago Bernabeu, em Madrid, os pupilos de Julen Lopetegui fizeram o que quiseram do seu principal rival do grupo e

chegam a um resultado robusto, 3-0, que até poderia ter sido mais pesado. Isco, aos 13 e 40, e Alvaro Morata, aos 77, marcaram pela seleção ibérica, que assim se isola no grupo, com 19 pontos contra 16 de Itália, face a quem passa a ter vantagem no confronto directo (empate de 1-1 em Itália). Ou seja, a Espanha até pode perder um dos três jogos que lhe falta disputar e o calendário é acessível, com deslocações ao Liechtenstein e Israel e recepção à Albânia. Os albaneses venceram Liechtenstein, por 2-0, e viram Israel ser surpreendido em casa pela

Macedónia, 1-0. Assim sendo, isolam-se em terceiros, com 12 pontos, e ficam à espera de deslizes de Itália para chegar aos ‘play-off’.

MÁQUINA DE CALCULAR

Completamente ‘embrulhado’ ficou o grupo I, mesmo tendo em conta que ainda está por acabar o Croácia-Kosovo, adiado devido à chuva, que tornou impraticável o relvado onde decorria o jogo. Nos jogos finalizados, a Ucrânia derrotou a Turquia, por 2-0, e a Finlândia a Islândia, por 1-0. A Ucrânia chega ao primeiro lugar, com 14 pontos, e seguem-se com 13 Croácia (um jogo a menos)

Bacary Sagna associado a Benfica e Sporting

O lateral francês Bacary Sagna, sem clube depois de terminar contrato com o Manchester City, está a ser associado ao interesse de Benfica e Sporting. De acordo com o jornal britânico Daily Mail, os dois rivais de Lisboa estão entre os clubes interessados em oferecer um contrato ao jogador, juntamente com West Ham, Brighton, Besiktas e Bursaspor. Por estar sem clube, Sagna, de 34 anos, está livre para ser inscrito em qualquer país, mesmo com a janela de transferências fechada. GETTY

Passo ibérico rumo a Moscovo

e Islândia. Com 11 pontos, a Turquia atrasa-se um pouco, mas tem ainda três jornadas para recuperar, se bem que já dependa de terceiros para se apurar ou chegar aos ‘play-off’. No grupo D, o destaque negativo vai para a Irlanda, após o empate 1-1 na Geórgia. Se tivesse vencido, repartia com a Sérvia o comando do grupo, com todas as condições para o ganhar, já que ainda tem de receber a seleção sérvia. Nos outros jogos do dia, o País de Gales bateu a Áustria, por 1-0, enquanto que a Sérvia triunfou na recepção à Moldávia, por 3-0. A Sérvia comanda o grupo, com 15 pontos, seguida por Irlanda, com 13, e País de Gales, com 11.


(f)utilidades 17

segunda-feira 4.9.2017

TEMPO

?

TROVOADAS

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje

MIN

25

MAX

29

HUM

80-98%

•

EURO

9.55

BAHT

Amanhã

CAMILO PESSANHA, 150 ANOS | CONFERÊNCIA COM ANTÓNIO CABRITA 18h30 INAUGURAÇÃO DE “PESSANHA – A CIDADE IMAGINÁRIA”, UM PROJECTO DE CARLOS MARREIROS NA PRAÇA DO SENADO 19h30

Quarta-feira

O CARTOON STEPH

CAMILO PESSANHA, 150 ANOS | CONFERÊNCIA COM AMÉLIA VIEIRA 19h30

Quinta-feira

VISITA À CAMPA DE CAMILO PESSANHA 11h00 | Cemitério São Miguel Arcanjo ALMOÇO COM A FAMÍLIA DE PESSANHA 13h00 JANTAR “AS RECEITAS MACAENSES DO INICIO DO SÉCULO XX”, POR GRAÇA JORGE 20h00

Diariamente

EXPOSIÇÃO “CONSTELLATION” DE NICOLAS DELAROCHE Galeria do Tap Seac | Até 08/10 EXPOSIÇÃO “DESTROÇOS” DE VHILS Oficinas Navais, nº. 1 | Até 31/11

Cineteatro

C I N E M A

THE DARK TOWER SALA 1

Tom Taylor 14.30, 16.15, 18.00, 21.45

FALADO EM CANTONÊS Fime de: Masakazu Hashimoto 14.30, 19.30

A DOG’S PURPOSE [B]

CRAYON SHINCHAN MOVIE 2O17 [B]

THE ADVENTURES [B] Fime de: Stephen Fung Com: Andy Lau, Shu Qi, Zhang Jingchu, Yo Yang, Jean Reno 16.30, 21.30 SALA 2

THE DARK TOWER [B] Fime de: Nikolaj Arcel Com: Idris Elba, Matthew McConaughey,

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 112

PROBLEMA 113

UM DISCO HOJE

SUDOKU

DE

EXPOSIÇÃO “RESTLESS NATURE”: TONG CHONG Taipa Village Art Space | Até 6/9

1.22

CAMPANHA

CAMILO PESSANHA, 150 ANOS | CONFERÊNCIA COM ANTÓNIO DE CASTRO CAEIRO 19h30 | edifício antigo tribunal

EXPOSIÇÃO “O CIRCUITO DA GUIA COMO PATRIMÓNIO MUNDIAL DA UNESCO” Galeria do edifício da Direcção dos Serviços de Turismo, Largo do Senado

YUAN

PÊLO DO CÃO

CAMILO PESSANHA, 150 ANOS | CONFERÊNCIA COM O ESCRITOR VALÉRIO ROMÃO 18h30 | edifício antigo tribunal

CAMILO PESSANHA, 150 ANOS | CONFERÊNCIA COM PAULO JOSÉ MIRANDA 18h30

0.24

Começou o período em que os deuses descem do Olimpo e andam pelas ruas a apregoar o preço do carapau transformando a cidade num Bolhão eleitoral. Estas são as minhas primeiras eleições na Ásia e o contraste com Portugal é imenso, principalmente na forma. Os níveis de envolvimento e alheamento são tão distintos quanto o cantonês é do português, apesar de serem duas traduções da mesma frase. Quem tem interesses em jogo está muito interessado, enquanto os esquecidos das maquinações do poder estão mais empenhados em ter a mesa recheada e o tecto seguro. As formas como não se representa, como factores externos se aproveitam vergonhosamente, como um tufão, para dar aquele empurrãozinho para ascender a bicos de pé são diferentes, mas parecem dizer a mesma coisa. Recordo que cheguei há pouco do país do Paulinho das Feiras, do Sócrates que a caminho de uma acusação criminal se torna youtuber, dos Isaltinos e Albertos Joões. São línguas diferentes, que usam volumes distintos, mas que dizem, essencialmente, a mesma coisa. Há graus diferentes de boçalidade, mas quando chegamos à elementar decisão todos vão sempre escolher o banco em vez do eleitor, o empresário influente ao reformado, o umbigo será sempre o primeiro horizonte. Mas não nesta altura ou, pelo menos, enquanto houver peixe para vender. João Luz

“DUMMY” | PORTISHEAD

Dummy pode ser o álbum que melhor representa do trabalho de Portishead. De 1994, o disco marca uma década de boa música que muitas vezes se tende a esquecer. O álbum de estreia da banda de Bristol traz a voz de Beth Gibbons para a ribalta e põe o trip-hop da época com fãs vindos de todos os quadrantes musicais. Dummy é o disco de Portishead que se tem de ter à mão não vá bater a vontade de ouvir temas como “Roads”, “Glory Box” ou “Mysterons” Sofia Margarida Mota

Fime de: Lasse Hallstrom Com: Josh Gad (voice), Dennis Quaid, K.J. Apa, Britt Robertson 19.45 SALA 3

DANGAL [B] FALADO EM HINDI LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Nitesh Tiwari Com: Aamir Khan, Sakshi Tanwar, Fatima Sana Shaikh 16.30, 19.00, 21.30

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Isabel Castro; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores António Cabrita; Anabela Canas; Amélia Vieira; António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; João Maria Pegado; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Fernando Eloy; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


18 opinião

4.9.2017 segunda-feira

PEDRO FILIPE SOARES

REPENTANT ST. PETER, REMBRANDT (PORMENOR)

Cavaco, assombração de Verão

A

silly season é a altura do ano que vai de meados de julho até ao final de agosto. Com o país a banhos, de chinelo e calção, o efémero torna-se senhor da torrente informativa e a banalidade disputa-lhe os escaparates. Há exceções a esta regra, é claro, a política não é feita a régua e esquadro. Com os incêndios que tivemos neste ano, o verão foi bem sério, muito mais do que o habitual, com a dimensão da morte a tornar-nos pequenos. Mas, quando falamos de atividade político-partidária, a tradição ainda é o que era. Este introito serve para nos situarmos, dado que toda a teoria afirma que, em política, o timing é um fator essencial. Assim, quando Cavaco Silva - um dos mais experientes

políticos profissionais do país - escolhe regressar ao ativo em plena silly season, mais de metade da análise está feita sem precisarmos de nos esforçar muito. Obrigado ao professor Cavaco por, desta vez, não nos complicar muito a vida: comparando com o seu passado recente, demonstra que a reforma lhe está a fazer bem. Contudo, tenho dificuldade em desligar de uma análise mais profunda. Defeito meu, é certo, que o objeto de estudo não merece tanto. Mas não consigo evitar... Afinal de contas, o discurso de Cavaco Silva foi feito na universidade de verão do PSD, perante uma plateia de jovens, ávida por fazer o seu caminho na jota. Quem sabe os que continuam da jota para o partido e daí para o Parlamento ou até tentam ir para um governo? Mais vale sabermos a escola que tiveram, já diz o povo que o seguro morreu de velho. Lembrem-se de que já nos apanharam desprevenidos uma vez: sem dar muito nas vistas, os alunos de Cavaco Silva juntaram-se e formaram um banco, distribuíram milhares de milhões de fundos comunitários e fizeram enormes negociatas. Quando chegou a conta

Cavaco Silva foi transmitir uma mensagem fundamental aos jovens aprendizes de político: “A realidade impõe-se à ideologia.” Uma afirmação que segue na esteira do que disse na primeira entrevista que deu depois de sair da Presidência da República: “A realidade ultrapassoume.” Juntando a duas frases, não precisamos de ser psicanalistas para perceber a grande angústia que ele enfrenta, que lhe retira o sono e lhe causa ansiedade: a realidade

in Esquerda.net

desse regabofe, ainda vieram bater à porta de todos nós pedindo para pagarmos a fatura da festa que fizeram. No entanto, hoje não é para fazermos essa arqueologia política, apenas o aviso para não baixarmos a guarda. Cavaco Silva foi transmitir uma mensagem fundamental aos jovens aprendizes de político: “A realidade impõe-se à ideologia.” Uma afirmação que segue na esteira do que disse na primeira entrevista que deu depois de sair da Presidência da República: “A realidade ultrapassou-me.” Juntando a duas frases, não precisamos de ser psicanalistas para perceber a grande angústia que ele enfrenta, que lhe retira o sono e lhe causa ansiedade: a realidade. Cavaco Silva criou uma crise política depois das últimas eleições legislativas, em finais de 2015. A crise dos 50 dias nasceu do choque cavaquista com o resultado eleitoral. A sua visão ideológica não admitia que os votos no Bloco de Esquerda ou na CDU fossem tão válidos como os votos dos outros partidos. A sua recusa em admitir a realidade apenas adiou o inevitável. A Constituição mandou mais do que a intransigência presidencial e a realidade impôs--se. A direita foi varrida do poder e o Parlamento afirmou que havia alternativa. Vencido, mas não convencido, Cavaco Silva nunca se conformou com o desfecho. Assumiu-se como o velho do Restelo, o terror sobre o futuro que se avizinhava. A sua intervenção pública na indigitação deAntónio Costa para formar governo é uma peça magistral de azia política. O fel daquelas palavras carrega o desejo de um desfecho trágico. Mas, mais uma vez, o choque com a realidade mostra a falibilidade do político com a carreira política mais longa do Portugal democrático. O aumento do salário mínimo nacional, que em dois anos subiu 52 euros mensais e irá continuar a subir anualmente, não encaixa na ideologia de Cavaco Silva. Não causou desemprego, nem recessão económica. A realidade mostrou como foi essencial para a criação de emprego. A eliminação dos cortes salariais, o aumento das pensões (até a poupadinha pensão do professor foi aumentada!), a eliminação da sobretaxa de IRS ou o reforço dos apoios sociais não levaram o caos às contas públicas. A realidade provou que foram essenciais para recuperar a confiança e ajudar à retoma económica. O pio do professor é de ave de mau agoiro. Falhou o prognóstico tremendista e agora quer emendar a mão, ensaiando mais uma crítica que não bate certo: não houve uma revolução socialista em Portugal, apenas a demonstração de como era possível parar a austeridade. Diz o filósofo que a história se repete, a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa. Depois da tragédia da presidência de Cavaco Silva, agora chega a farsa da assombração.


opinião 19

segunda-feira 4.9.2017

reencarnações JOÃO LUZ

PESSANHA, SÍLVIA PATRÍCIO (PORMENOR)

C

OM passos de chumbo, esforçados, San Ma Lo acima, persigo a custo o elusivo dragão, fustigado pela agonia da carência. O meu corpo tem-se evaporado com o tempo como uma nuvem narcótica em direcção à dissolvência, sou a rarefacção de barbas negras mas arrasto, determinado, todo peso do universo nos pés. Procuro outro santuário, enfastiado pelos dias fechado em casa. Dirijo-me para a Hospedaria On Iok Iun, onde um familiar cachimbo me retornará à comatosa paz que anseio, às pupilas minguantes e aos sonhos indefinidos. Resfastelo-me na acolhedora esteira de Tánatos, onde morrerei mais um pouco, por mais um dia. Consolo-me neste exílio físico de não me sentir presente, de ser todo ausência, de me tornar matéria sublime, etérea, fora desta terra e deste cárcere de carne que me encerra. Sinto um indomável desejo de sucumbir e ceder ao doce abismo de um lugar onírico. Por aqui me quedo, mergulhado em fantasia, esquecido do enfado das minudências tacanhas de uma cidade que desgasta mais o espírito que todos os cachimbos do Oriente. Macau é o meu túmulo, soube-o desde que atraquei. Fui desde o berço desterrado, perfilhado tardiamente, desde sempre consumido tanto por febril paixão como por profunda misantropia. Fruto do adultério, nunca me senti amado, desde que fui arrancado do útero. Joguei-me ao mar com o coração nas mãos, pronto para o alcançar o longínquo destino oriental, sedento de esquecimento, teria ido para a Lua se me fosse permitido. Cheguei a esta terra, cultivei amizades vitalícias e escrevi, quase em segredo, as paisagens do meu banimento, os hinos da minha melancolia. Deixei-me ferir pela cruel boçalidade saloia e bebi, consciente, o veneno oferecido por conterrâneos que sempre me olharam como se fosse o mais extravagante dos estrangeiros. Rapidamente deixei-me seduzir pela musicalidade tonal do mandarim, pela lisura dos lacados com que a Europa saliva desde os tempos do emproado Rei Sol, pela profusão de dourados e vermelhos. Rendi-me aos recantos abrigados da mais míope diáspora e abracei o inteiro continente chinês que se espraiava para mim depois das Portas do Cerco. Coleccionei arte, mulheres e manhãs de agonia, encontrei familiaridade no exotismo. A Macau que conheci era um pequeno pedaço de China onde reinava um conservadorismo de aldeia isolada, era como viver numa sacristia a céu aberto onde se espalhavam condenações e penitências generosamente a quem ousasse ser diferente. Macau coleccionava pequenas pessoas carregando

Camilo

enormes fardos morais cimentados pelo dinheiro, tornando em coros os cochichos de maledicência e acefalia analfabética. Felizmente fiz amigos que duraram a vida inteira, que floriram como o lótus deste lamacento canteiro civilizacional. Empreguei o labor que o devaneio me permitiu às minhas obrigações profissionais, emaranhei-me em burocracia enquanto a possessão estética me deu descanso. Mas esses labores apenas me trouxeram agastamento e uma imensa vontade de tudo largar. Hoje vivo na memória de poucos, como um vulto cuja sombra se projecta gigantesca no exterior e minúscula na cidade madrasta que faz por me esquecer.

Por aqui me quedo, mergulhado em fantasia, esquecido do enfado das minudências tacanhas de um cidade que desgasta mais o espírito que todos os cachimbos do Oriente. Macau é o meu túmulo, soube-o desde que atraquei

Tentei resistir até onde pude, para finalmente tudo largar, sempre com a imagem dela a trazer-me mares salgados aos olhos. Ana, minha perdição, meu eterno amor, minha rosa bravia florida fora da estação. Abismo de mim, vento agreste nas velas do batel do meu exílio, minha Cleópatra, minha Czarina, minha A-Má, minha Rainha. Passo dias inteiros a tentar reconstruir a tua voz. Por muitas concubinas que me tenham passado pelos lençóis, serás sempre a mais doce das negações, a ausência pela qual queimo sacramental sândalo no incensador da minha devoção. Arderei para sempre por ti. Sou teu antes de ser o quer que seja, é a ti que anseio retornar, a minha dor de ti é a única pátria que conheci.


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CAMILO PESSANHA 1 DE SETEMBRO 18:30 LANÇAMENTO DE “CLEPSYDRA” E APRESENTAÇÃO DA VERSÃO CHINESA COM: YAO JINGMING, LUÍS SÁ CUNHA, CARLOS MORAIS JOSÉ 2 DE SETEMBRO 16:00 LANÇAMENTO DE “KARADENIZ - ENTREVISTA COM UM ASSASSINO”, DE PAULO JOSÉ MIRANDA 17:00 LANÇAMENTO DE “RETURNING HOME DIRTY WITH THE LIGHT”, DE RUI CASCAIS 18:00 LANÇAMENTO DE “MORRI”, DE ANTØNIO FALCÃO 3 DE SETEMBRO 16:00 LANÇAMENTO DE “ABRIL”, DE AMÉLIA VIEIRA 16:45 “ENSAIO SOBRE UM FILME”, VÍDEO DE ROSA COUTINHO CABRAL 17:00 CONFERÊNCIA POR PEDRO BARREIROS 18:00 LANÇAMENTO DE “O EXORCISMO”, DE JOSÉ DRUMMOND 4 DE SETEMBRO 18:30 CONFERÊNCIA POR VALÉRIO ROMÃO 19:30 CONFERÊNCIA POR ANTÓNIO DE CASTRO CAEIRO 5 DE SETEMBRO 18:30 CONFERÊNCIA POR ANTÓNIO CABRITA 19:30 CONFERÊNCIA POR CARLOS MORAIS JOSÉ 6 DE SETEMBRO 18:30 CONFERÊNCIA POR PAULO JOSÉ MIRANDA 19:30 CONFERÊNCIA POR AMÉLIA VIEIRA 7 DE SETEMBRO 11:00 ROMAGEM AO CEMITÉRIO DE SÃO MIGUEL 13.00 ALMOÇO COM A FAMÍLIA DE PESSANHA ORGANIZADO PELA APOMAC PARA PARTICIPANTES E CONVIDADOS 20:00 JANTAR - AS RECEITAS MACAENSES DO INÍCIO DO SÉCULO XX, POR GRAÇA JORGE RESIDÊNCIA CONSULAR

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Poesia • Conferências Livros • Exposições

1-7 SETEMBRO 2017 Antigo Tribunal

150

ANOS


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Hoje Macau 4 SET 2017 #3888 by Jornal Hoje Macau - Issuu