DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ PUB
AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
HOJE MACAU
SEXTA-FEIRA 4 DE AGOSTO DE 2017 • ANO XVI • Nº 3869
MOP$10
hojemacau
REN-HE XU
MACAU UMBILICAL ENTREVISTA
Armadilhas em alta PÁGINA 7
Os primeiros passos
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h JOSÉ SIMÕES MORAIS
Destino traçado A habitação social
tem o rumo definido. Raimundo do Rosário dá prioridade aos projectos de grande escala para responder às necessidades da população. h ANTÓNIO CABRITA
PÁGINA 5
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BURLAS TELEFÓNICAS
2 ENTREVISTA
REN-HE XU
Depois de 20 anos em universidades norte-americanas, Ren-He Xu vem estrear a Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Macau. Em três anos orientou uma pesquisa que promete revolucionar o mundo das células estaminais e meter Macau no mapa da investigação científica. O momento “eureka” poderá tornar desnecessária a criopreservação e aumentar a longevidade das células estaminais
“Deixámos a nossa marca” Qual a magnitude desta descoberta para o campo das células estaminais? É uma descoberta que tem impacto ao nível mundial, especialmente no campo da criopreservação biológica. Tradicionalmente, tínhamos de recorrer a um tanque de nitrogénio líquido, ou uma caixa de gelo seco para enviar células estaminais para longas distâncias. Agora não é preciso, só é necessário fazer esferas de células, metê-las no bolso e ir para qualquer lado, desde que seja dentro de dez dias.
Esferas de células? Sim, são como bolas de células. Normalmente, uma bola contem centenas, ou milhares, de células. A esfera é formada quando se deixam as células estaminais precipitarem e juntarem-se por umas horas. Então formam uma esfera, dessa forma reduzem a proliferação e o metabolismo. Ficam num estado de repouso como animais em hibernação, é por isso que duram mais tempo. É um processo muito simples e as células estaminais preservam todas as suas propriedades sem necessidade de recurso a incubadora. As condições ideais para este tipo de material, na incubadora, são 37 graus com cinco por cento de dióxido de carbono. Mas agora conseguem aguentar a temperatura ambiente, podemos levar células estaminais para a rua. Testámos temperaturas entre dez graus a 30 graus e não houver nenhum problema, desde que as células permaneçam juntas e mantenham o metabolismo baixo. Esta descoberta é também importante em termos de custos. Este método poupa dinheiro em comparação com o uso de nitrogénio líquido ou caixa de gelo seco. Quando vim dos Estados Unidos para cá trouxe material em nitrogénio líquido, o que acabou por me custar dois mil dólares americanos. Com esta descoberta só preciso de um tubo de um dólar no meu bolso e posso ir a todo o lado, poupando significativamente. Qual a aplicação prática desta tecnologia para a melhoria de vida das pessoas?
Se alguém precisar de um transplante de medula óssea, por exemplo. As células estaminais do cordão umbilical podem ser usadas para tratar doenças auto-imunes, doenças inflamatórias ou mesmo cancro do fígado como terapia complementar. Nesses casos é necessário que um centro de células estaminais envie esse material, por exemplo, de Pequim ou Xangai. Com distâncias curtas não há problema, a prática normal é congelar e enviar para as clínicas em caixas de gelo. No final escolhem as células e injectam intravenosamente nos pacientes. Normalmente, é preciso uma pessoa para carregar a caixa para a clínica. Agora basta meter as células num frasco.
“As células estaminais do cordão umbilical podem ser usadas para tratar doenças auto-imunes, doenças inflamatórias ou mesmo cancro do fígado como terapia complementar.” Como surgiu esta descoberta? Foi uma história interessante. Pedi a um dos meus estudantes uma cultura em três dimensões de células estaminais, ou seja, deixar as células agruparem-se e testar as suas funções para depois comparar com grupos de células arranjadas de forma linear, com o objectivo de estudar os comportamentos diferentes das células. Depois da experiência, o estudante deixou as esferas no balcão do laboratório, fora da incubadora, porque o teste estava feito. Passados dez dias, reparou que ainda ali tinha as esferas de células e resolveu dar uma vista de olhos. Pensou que todas as células estariam mortas e dissociadas, mas constatou que estavam intactas. Foi falar comigo e disse-me que as células ainda estavam vivas. Disse-lhe para as voltar a meter na incubadora para ver se estavam mesmo vivas. No dia seguinte voltámos a tirá-las e
HOJE MACAU
PROFESSOR DA FACULDADE DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DA UNIVERSIDADE DE MACAU
todas as células estavam vivas. Foi uma surpresa. Claro que lhe disse para repetir a operação com diferentes linhas de células e continuou a resultar. Depois disse-lhe para experimentar com outros tipos de células estaminais pluripotentes, o que resultou com menor durabilidade. Pensei: “Isto é excelente, vai mudar o jogo, talvez não precisemos mais de criopreservação, portanto, não podemos publicar só assim, como um fenómeno”. Mandámos as células para sequenciação, para ver o perfil do genoma, e no final verificámos que todas as células desaceleraram de metabolismo. Qual a sensação de conseguir uma descoberta desta magnitude? O sentimento foi de orgulho. Senti que deixámos a nossa marca no campo das células estaminais, fica lá o nosso nome, o nome da universidade e de Macau. Todo o mundo vai reconhecer que isto foi feito na Universidade de Macau, na Faculdade de Ciências Médicas. Além disso, a nossa faculdade é muito recente, começou há três anos, e toda a gente quer trabalhar com afinco e conseguir resultados bons para a universidade e também para Macau. Acha que esta descoberta mete Macau no mapa da investigação científica? Sim. As pessoas reconhecem que estamos a contribuir significativamente com mérito e valor para o campo, que avançámos a ciência das células estaminais e tornámos mais fácil traduzir a ciência para a clínica. Qual o feedback internacional desta descoberta? Em primeiro lugar quisemos testar. O meu estudante estava muito interessado e determinado em provar que as células podiam ser transportadas facilmente. Quis viajar com as esferas de células para testar se, de facto, sobreviviam a viagens. Foi até à Tailândia, não viajou muito longe, mas as células continuavam bem depois de alguns dias. Internamente queríamos ter a prova. Depois da publicação pedimos a contribuição de algu-
mas universidades internacionais conhecidas, como a Universidade de John Hopkins, entre outras. Perguntei a alguns colegas se queriam testar o que tínhamos descoberto. O colega da John Hopkins disse, espantado, “wow, isto resulta”. Todos contribuíram com citações para a publicação. Passou duas décadas da sua carreira profissional nos Estados Unidos, onde nasceu este campo de investigação científica. Comecei em Israel, depois fui para os Estados Unidos, Maryland, e trabalhei durante seis
“Pensei que isto era excelente, quer iria mudar o jogo, talvez não precisemos mais de criopreservação.”
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famoso investigador no campo das doenças oncológicas. Está a tentar encontrar um meio de adequar uma droga específica para cada doente através de um teste ao seu genoma, à inteira sequência genética das células cancerígenas. Esperamos que esta abordagem possa trazer terapias mais direccionadas a cada paciente. No campo das doenças degenerativas, como Alzheimer e Parkinson, a maior esperança é a investigação com células estaminais. Podemos obter células através de colheita de sangue ou de células da pele e convertê-las em células estaminais. Podemos regredir até às células que queremos para os órgãos ou tecidos que precisarmos. Este tipo de células estaminais já corresponde ao nosso genoma, portanto, não corre o risco de rejeição imunológica. Isto já resultou num Nobel para um cientista japonês.
“O jogo é o negócio principal, mas não acrescenta valor adicional a Macau. Se os líderes tiverem interesse em perseguir este valor adicional, podem apostar em tecnologia de ponta e na busca de avanços científicos.”
ou sete anos no National Institute of Health. Depois fui para o Wisconsin onde estudei células estaminais na universidade onde começou a investigação científica deste ramo. O meu antigo supervisor foi capa da revista Time como o homem que trouxe as células estaminais para o mundo. Mais tarde, fui recrutado para ir para a Universidade do Connecticut como professor associado. Fiquei lá durante seis anos. Como surgiu Macau no seu percurso profissional? A Universidade de Macau estava prestes a criar uma nova faculdade. Conheci o reitor em Xangai e ele perguntou-me por que não vinha para Macau. Começou por me mostrar um vídeo da construção da universidade. De um pântano surgiram, de repente, 50 edifícios do nada. Fiquei impressionado. Depois disse-me
“Senti que deixámos a nossa marca no campo das células estaminais, fica lá o nosso nome, o nome da universidade e de Macau. Todo o mundo vai reconhecer que isto foi feito na Universidade de Macau.” que teria o mesmo salário que tinha nos Estados Unidos, mas com os impostos de cá, o que para mim foi um aumento salarial, e assegurou-me que havia dinheiro para investir em material de laboratório. Em seguida, vim cá pessoalmente dar uma vista de olhos, nessa altura a maioria dos edifícios estava quase pronta.
Que diferenças encontrou em Macau? Na Universidade do Connecticut os estudantes entram com notas melhores, sem dúvida, e são oriundos de todo o mundo. Aqui são, sobretudo, do Interior da China e alunos a tirar licenciatura. São estudantes muito inteligentes, entraram com notas altas. Para estudantes pós graduados recrutamos estudantes ao nível global, mas a maioria vem do Interior da China e da Índia, os locais estão mais direccionados para a licenciatura. Se demonstrarmos que podemos fazer bom trabalho, que damos oportunidades de sucesso aos estudantes, acho que podemos atrair mais gente de qualidade. A Universidade de Macau tem capacidade para atrair investigadores e estudantes do mundo inteiro? Apesar de a faculdade ser recente, oferece condições atraentes.
Os salários são semelhantes aos oferecidos nos Estados Unidos, mas lá as universidades oferecem condições para receber a família do investigador, isso não acontece cá. Se um doutorado vem para o meu laboratório, a sua família não pode vir automaticamente para Macau, não pode viver cá. Isso torna a vida familiar de quem vem estudar para cá muito mais difícil, é uma grande desvantagem. Quais são os grandes desafios e esperanças para o futuro das ciências médicas? Globalmente, ou na maioria dos países, a qualidade e esperança de vida aumenta, assim como em Macau. Como as pessoas vivem mais tempo, há uma tendência para se verificarem mais doenças relacionadas com a velhice, incluindo cancro. São precisas novas formas para tratar estas doenças. O reitor da nossa faculdade é um
Acha que é possível a atribuição de um prémio Nobel a alguém local? Não me parece. Pelo menos para já, porque é preciso primeiro crescer. É preciso congregar muitas e boas mentes científicas aqui, assim como conseguir apoios. Pode ser que um cientista entre esse grupo de grandes mentes tenha tempo e dinheiro para pensar com profundidade, e meter mãos ao trabalho para provar hipóteses remotas. Estamos numa fase inicial em que temos de nos estabelecer. Usamos recursos limitados para crescer, para ter alguns sucessos iniciais, para anunciarmos ao mundo que estamos aqui. Mas temos de ter em consideração que este é um “negócio” que precisa sempre de muito investimento. Macau não tem muitas universidades. O jogo é o negócio principal, mas não acrescenta valor adicional a Macau. Se os líderes tiverem interesse em perseguir este valor adicional, podem apostar em tecnologia de ponta e na busca de avanços científicos. João Luz
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4 política
4.8.2017 sexta-feira
KÁ-HÓ NÃO HÁ SOLUÇÃO PARA AS DIFICULDADES EM CASAS ANTIGAS
não foi emitida nenhuma licença para a realização de obras, mas quando se trata de uma situação muito urgente, com certeza que vamos tratar do assunto, especialmente quando estiver em risco a segurança”, afirmou o secretário.
O secretário para os Transportes e Obras Públicas não tem solução para os habitantes de Ká-Hó que se queixam das restrições às obras nas casas em que vivem. Contadores de água e luz desactualizados, e más condições de vida são algumas das queixas. Em causa está o direito de propriedade, necessário para trabalhos de reconstrução
“N
ÃO sei o que fazer”, declarou ontem o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, relativamente à situação de habitação precária dos moradores de Ká-Hó. Em causa estão os problemas associados ao direito de propriedade. A questão foi levantada por Kwan Tsui Hang, em sessão plenária da Assembleia Legislativa (AL) dedica a interpelações orais. A deputada deu conta de queixas dos moradores que não podem fazer obras nas suas casas, naquela zona de Coloane. “Muitos moradores estão a encarar problemas tais como a possibilidade de cortes de
electricidade, água potável e o arruinar das suas casas”, disse a deputada. A razão, apontou, é não estarem autorizados a fazer as obras necessárias na medida em que não são proprietários. Os problemas associados à água e luz estarão relacionados com os contadores que são antigos e, como tal, de baixa capacidade. Para o Governo, esta é uma questão com solução, mas apenas para os proprietários, o que não se aplica aos moradores mais antigos de Ká-Hó. “No caso de Coloane, não podemos fazer nada”, sublinhou Raimundo do Rosário. De qualquer forma, para o governante as situações urgentes não ficam sem resposta. “Nos últimos anos
TIAGO ALCÂNTARA
Um problema histórico
PROBLEMA DE ALGUNS
Raimundo do Rosário fez ainda questão de dizer que a situação dos contadores não é exclusiva de Coloane e que há muitos residentes, especialmente nas zonas antigas de Macau, a terem as mesmas condições, sem se registarem queixas. “Mais de 20 mil estão a utilizar o contador de menor capacidade e não é assim tão difícil a situação destes moradores. Há muita gente a viver assim”, afirmou. O secretário reconheceu que a questão é uma herança histórica que, neste momento, não tem solução. Apesar da sugestão feita pela deputada Melinda Chan, no sentido de considerar o tempo de utilização das casas pelas pessoas que ali vivem e os contratos de papel de seda como forma de atribuir direitos de utilização semelhantes aos que teriam caso fossem proprietários, Raimundo do Rosário apontou que o Governo já está a mostrar o seu respeito pelo longo tempo de ocupação. “Apesar de ser um problema herdado da história, o Executivo respeita e por isso permite às pessoas que ali habitam continuarem a ficar”, sublinhou. Raimundo do Rosário, secretário para os Transportes e Obras Públicas “Mais de 20 mil pessoas estão a utilizar o contador de menor capacidade e não é assim tão difícil a situação destes moradores. Há muita gente a viver assim.”
TECTO CLASSE MÉDIA SEM SOLUÇÃO
A
classe média vai ter de continuar à espera de soluções no que respeita às dificuldades em adquirir casa. Sem dinheiro para comprar habitação no mercado privado e com condições a mais para se candidatar à habitação pública, a chamada “classe sanduíche” não deve esperar medidas por parte do Governo tão cedo. “O problema da classe média ainda não tem solução”, admitiu ontem o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, em resposta ao deputado Si Ka Lon. O tribuno duvida que os estudos dedicados às neces-
sidades de habitação contemplem esta fatia da população. Aparentemente, está certo. De acordo com Raimundo do Rosário, a habitação pública vai continuar a não considerar a classe média nas candidaturas. “Posso dizer que vamos ver se é possível dar um tratamento especial à ‘classe sanduíche’, sendo que não será para já”, disse o secretário. Já o deputado Ng Kuok Cheong continuou a pedir que as terras de Macau sejam apenas destinadas aos residentes permanentes. Neste sentido, apelou ainda a regras mais específicas. A habitação dos novos aterros deve ser apenas facultada a
quem também não possua outros bens imóveis. A razão, apontou, é evitar a especulação imobiliária que, considera, é promovida com a abertura do mercado local ao investimento estrangeiro. O secretário para os Transportes e Obras Públicas não deixou de manifestar algum humor perante a intervenção de Ng Kuok Cheong. “Sou residente permanente e não tenho nenhuma casa em Macau”, afirmou, ironicamente, sendo que possui os requisitos necessários à medida pedida pelo deputado. Ng Kuok Cheong abrilhantou o momento com uma canção. S.M.M.
Sofia Margarida Mota
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Habitação social Raimundo optimista com revisão legal
A revisão do regime jurídico relativo à habitação social vai acontecer ainda este ano. A ideia foi deixada ontem pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário. “No próximo ano, espero apresentar uma proposta de lei para a habitação económica e, até ao final deste ano, acerca da habitação social”, sublinhou o governante. Raimundo do Rosário não deixou de apontar que estas metas são “optimistas”. Em Junho deste ano, o secretário para os Transportes e Obras Públicas afirmou que a questão das candidaturas permanentes à habitação social seria um assunto a discutir após a revisão da lei de habitação social, sendo que, apontou na altura, “a proposta de revisão deve ser apresentada mais cedo, ou mais tarde”. Os trabalhos referentes à revisão da lei que rege a habitação social já estão em curso e a proposta será apresentada até ao final do ano.
política 5
GCS
sexta-feira 4.8.2017
Os projectos com maior envergadura destinados à habitação social são prioritários para o Governo. Raimundo do Rosário diz que a necessidade é muita, pelo que são estas as obras capazes de dar uma maior resposta às solicitações
A
prioridade das Obras Públicas vai ser dada aos grandes projectos de habitação social. Em causa está, para o secretário dos Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, o facto de possibilitarem a construção de um maior número de fracções. “Temos de concentrar os nossos esforços em terrenos grandes como o da Avenida Wai Long e o da Central Térmica”, apontou o secretário na reunião plenária de ontem na Assembleia Legislativa (AL). De acordo com Raimundo do Rosário, investir em habitação pública de pequena escala é, neste
HABITAÇÃO GOVERNO DÁ PRIORIDADE AOS GRANDES PROJECTOS
Os maiores primeiro momento, uma perda de tempo e de recursos. “Uma zona que ofereça apenas 200 fracções vai ser assinalada pela população como um projecto que deixa muita gente de fora”, disse. De modo a colmatar o maior número possível de solicitações, o governante tem um plano claro: “Temos de concentrar os nossos esforços nos projectos de grande escala”.
GRANDES E LENTOS
Confrontado com a demora na execução deste tipo de construções, que se regista logo aquando da fase de planeamento, o secretário considera que a responsabilidade não pode ser imputada apenas à Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSOOPT). Raimundo do Rosário exemplifica com o caso de Wai Long. “Quando o projecto foi decidido e aprovado pelo Chefe do Executivo, começaram a levantar-se vozes que exigiam um estudo de impacto ambiental, vão ser necessários cerca de 12 meses para a realização deste estudo”, aponta. “Pensámos que poderíamos avançar já com a concepção, mas agora temos de fazer um estudo
sobre o ruído e a qualidade do ar. O seguimento do processo foi interrompido com estes estudos.” Só após esta etapa é que se poderá avançar para a execução de uma planta, e então para a construção. “Depois disso é que conseguimos saber ao certo o número de fracções”, completou o secretário. Raimundo do Rosário não deixou de apontar as próximas Linhas de Acção Governativa como uma oportunidade para apresentar as quatro fases em que Wai Long vai ser executado. A zona da Central Térmica apresenta o mesmo tipo de dificuldades. “O estudo de impacto ambiental pode demorar cerca de
“Uma zona que ofereça apenas 200 fracções vai ser assinalada pela população como um projecto que deixa muita gente de fora.” RAIMUNDO DO ROSÁRIO SECRETÁRIO PARA OS TRANSPORTES E OBRAS PÚBLICAS
um ano a ser feito. Espero que no próximo ano possa ser aberto o concurso e em 2019 avançar com as obras”, referiu o secretário. Raimundo do Rosário não nega a discrepância entre oferta e procura no que toca a habitação pública no território e, como tal, o foco deve estar nas construções que possam ir colmatando as falhas. No entanto, o secretário também admite que “as grandes obras que estão a ser planeadas vão apenas dar resposta a candidaturas que podem ser consideradas já antigas”. Os projectos que estão em andamento contemplam cerca de 90 mil fracções. “Podem dizer que não é suficiente, mas já é muito bom”, considerou o governante.
NECESSIDADE DE TODOS
O facto de os projectos de pequena dimensão estarem a ser passados para segundo plano pela DSOOPT não satisfaz alguns dos deputados à AL. Leong Veng Chai não está de acordo com a prioridade dada aos projectos de grande escala. “A Central Térmica, por exemplo, se calhar só vai avançar daqui a cinco ou seis anos com as obras
de construção porque os terrenos podem não ser apropriados para a construção de prédios habitacionais”, referiu. O Executivo deve, diz, avançar com os projectos que prevêem a criação de um número mais reduzido de fracções. Já Ho Ion Sang considera que há que ter um planeamento integral. “A existência de poucas fracções autónomas não devem ser um problema que impede o Governo de avançar com os trabalhos”, disse. Raimundo do Rosário acabou por pedir paciência a todos porque, neste momento, a prioridade é mesmo a criação do maior número de fracções possível. “Peço a vossa paciência e, neste momento, vai ser assim”, rematou. Relativamente ao mecanismo permanente de candidatura à habitação pública, pedido pela deputada Song Pek Kei, Raimundo do Rosário pede que lhe seja dado tempo, até porque, “em Setembro, teremos já o resultado acerca das necessidades de habitação locais”, disse. Sofia Margarida Mota
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Começou por ser um documento com três dezenas de artigos. Terminada a discussão em sede de comissão, a proposta regressa a plenário, revista e aumentada. Chan Chak Mo acredita que a discussão será pacífica
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RA a última proposta de lei que a 2.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL) tinha em mãos. Os deputados do grupo liderado por Chan Chak Mo assinaram ontem o parecer sobre a proposta de lei de enquadramento orçamental. Resta agora levar o assunto a plenário, para a apreciação na especialidade. PUB
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O milagre da multiplicação Assinado na AL parecer sobre lei de enquadramento orçamental
“O parecer estava bem, só foram feitas pequenas alterações”, resumiu o presidente da comissão permanente. “Da versão inicial da proposta de lei constavam 31 artigos. Agora, passaram a ser 75”, sublinhou. “As matérias foram aperfeiçoadas e a nossa comissão ficou satisfeita. Muitas das nossas opiniões foram acolhidas pelo Governo”, congratulou-se Chan Chak Mo. A proposta de lei tinha sido alvo de críticas por alguns deputados, que a consideravam incompleta. A complexidade técnica deste tipo de diploma não se coadunou com o timing escolhido pelo Executivo para a apresentação do articulado, com o presidente da comissão permanente a fazer reparos sobre esse aspecto durante a análise na especialidade. Ultrapassadas as dificuldades, Chan Chak Mo considera agora que “a nova versão da proposta de lei reflecte bem as competências da AL na análise e na aprovação do Orçamento, e também as competências do Chefe do Executivo na alteração orçamental”.
Chan Chak Mo, deputado “A nossa comissão ficou satisfeita. Muitas das nossas opiniões foram acolhidas pelo Governo.”
Na conferência de imprensa que se seguiu à assinatura do parecer, o deputado destacou ainda que o diploma inclui “figuras jurídicas como o PIDDA [Plano de Investimento e Despesas de Desenvolvimento da Administração] e o relatório de execução orçamental, que o Governo tem de entregar, o mais tardar, até 15 de Outubro do ano em causa”. Apesar do grande número de artigos aditados, Chan Chak Mo
afiançou que a discussão em torno da proposta de lei foi tranquila. “A nossa assessoria teve uma perspectiva diferente em termos contabilísticos em relação à visão da assessoria do Governo”, exemplificou, para dar conta do tipo de divergências.
A LEI E O RESTO
Questionado sobre a capacidade de a lei ajudar a evitar derrapa-
gens orçamentais, o presidente da comissão permanente salientou que, depois da aprovação do diploma, “o orçamento trimestral do PIDDA tem de ser entregue à AL e o Governo tem de submeter o respectivo relatório de execução”. Além disso, “também a AL dispõe dos seus mecanismos para fiscalizar a operação orçamental do Governo”. Chan Chak Mo entende que as interpelações escritas e os trabalhos levados a cabo pelas comissões de acompanhamento podem ter essa função. “Se a AL não concordar com o que consta do relatório, ainda dispõe de outros meios, como interpelações escritas ou oportunidades em plenário para o Executivo prestar esclarecimentos”, rematou. A proposta de lei de enquadramento orçamental foi aprovada na generalidade em meados de Outubro do ano passado. Na altura, o debate ficou marcado pela questão das derrapagens, com deputados a defenderem a criação de um sistema de fiscalização capaz de controlar o despesismo, sobretudo nas obras públicas de grande envergadura. Isabel Castro (com V.N.)
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sexta-feira 4.8.2017
CRIME BURLAS TELEFÓNICAS ULTRAPASSAM 1850 CASOS EM 12 DIAS
Zona Norte Conselheiros preocupados com mau cheiro
O Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Norte esteve ontem reunido, com vários membros a mostrarem-se preocupados com as condições de higiene da área, de elevada densidade populacional. A recente descarga para o mar de águas residuais não tratadas, por causa de obras na Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR), foi um dos temas abordados. Citado pelo canal chinês da Rádio Macau, Leong In Pong, membro do conselho, recordou que os residentes que vivem perto da zona costeira da Areia Preta têm sofrido, ao longo do tempo, com o mau cheiro que vem mar. Mas a situação ficou pior com a intervenção na ETAR, alertou. Neste contexto, Leong In Pong pede que o Governo divulgue atempadamente o relatório da avaliação sobre a qualidade da água na zona afectada. Considera também que é preciso reforçar a manutenção periódica das redes de drenagem.
PSP Quase 130 agentes multados por abandonarem posto
Quase 130 agentes do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) foram multados na sequência de um processo disciplinar, noticiou ontem a Rádo Macau, que cita dados do gabinete de Wong Sio Chak. Em causa está o abandono do local de trabalho no horário de serviço. O caso diz respeito a 2016, ao período do Ano Novo Chinês. Ao longo de cinco dias, as câmaras de vigilância interna captaram imagens que mostravam vários agentes a abandonarem o posto durante o horário de trabalho. Alguns teriam estado na cozinha ou nos quartos quando deveriam estar a trabalhar. De acordo com o gabinete de Wong Sio Chak, 150 agentes foram investigados na sequência dessa suspeita, sendo que se concluiu que 127 praticaram infracções disciplinares. Os agentes foram punidos no passado dia 30 de Junho com uma pena de multa, tendo terminado já o prazo para o recurso hierárquico.
Chamadas criminosas Macau tem sido inundada de chamadas telefónicas de cariz criminoso. Os burlões fazem-se passar por funcionários dos Serviços de Migração e pedem o pagamento de uma caução por transferência bancária. Desde o dia 20 de Julho até 2 de Agosto, as autoridades registaram 20 casos do prejuízo efectivo, no valor total de mais de 2,6 milhões de patacas
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E acordo com dados da Polícia Judiciária, entre o dia 20 de Julho e 2 de Agosto o número total de casos de burla registados pelos Serviços de Alfândega, Polícia Judiciária (PJ) e Polícia de Segurança Pública (PSP) foi 1851. Destas ocorrências, 20 resultaram em prejuízo para as pessoas burladas, sendo que o montante total no referido período de tempo ascendeu às 2,63 milhões de patacas. Os burlões fazem-se passar por funcionários dos Serviços de Migração e pedem o pagamento de uma caução devido a um suposto caso criminal. Às vítimas são pedidas transferências bancárias que podem ser em patacas, dólares de Hong Kong ou yuans. Só no dia 2 de Agosto, passada quarta-feira, foram reportados às autoridades policiais 226 casos. A PJ registou 102 casos, sendo que um resultou num prejuízo de 16.500 yuan, ou 19.756 patacas. A PSP recebeu 119 casos, tendo um deles sido transferido para a PJ, enquanto os Serviços de Alfândega registaram cinco casos. Adianta referir que, na passada segunda-feira, as autoridades detiveram o primeiro suspeito de envolvimento na vaga de burlas telefónicas. Trata-se de um residente de Macau, com 28 anos, que confessou pertencer a uma rede. Há quem se queixe de receber várias chamadas diárias do número 00. Apesar de ser difícil calcular quantas pessoas que receberam a chamada, a vaga de burlas parece bastante abrangente. O caso chegou, inclusive, a entupir as linhas da central telefónica do Centro Hospitalar Conde de São Januário na passada quarta-feira, entre as 10h e as 12h. O modus operandi foi similar, com a personificação
Só na passada quarta-feira, foram reportados às autoridades policiais 226 casos. A PJ registou 102 casos, sendo que um resultou num prejuízo de 16.500 yuans de um alegado funcionário dos Serviços de Migração, e deu origem a uma participação à PJ.
NÚMERO PRIVADO
No dia 1 de Agosto, Miguel Duque recebeu uma chamada estranha no telemóvel do número 00. Do
outro lado, uma gravação disse-lhe em cantonês: “De momento tem problemas com os Serviços de Migração de Macau, para receber assistência marque 0 ou 1”. Assim fez. Do outro lado da linha atenderam em mandarim. Miguel per-
guntou de imediato, em cantonês, o que se estava a passar, qual era o problema com os Serviços de Migração. Quando o homem teve oportunidade para responder às perguntas, fê-lo em mau cantonês e aconselhou uma chamada para os referidos serviços onde Miguel seria atendido por um colega com melhor domínio do cantonês. Importa nesta altura revelar que Miguel Duque é residente permanente de Macau, o que agrava ainda mais a sua estupefacção com a chamada. No entanto, como tinha marcada uma viagem para breve, quis tirar a limpo o que se passava. Seguindo as instruções dadas, ligou duas vezes para o número que lhe forneceram, sempre com o mesmo resultado: uma mensagem gravada da CTM a dizer que o número não estava disponível. Com um sentimento de estranheza, Miguel foi ao site dos Serviços de Migração e verificou que o número que marcara estava incorrecto. Quando ligou para o número correcto, do outro lado da linha veio a confirmação de que a chamada que recebera era uma tentativa de burla. Felizmente, não havia dado qualquer informação pessoal ao criminoso. Miguel Duque está muito longe de ser caso único e conta que conhece muitas pessoas que receberam a mesma chamada, apesar de não conhecer ninguém que tenha caído na armadilha dos burlões. O número de casos desde 20 de Julho é já superior a 2000. Nesse sentido, a PJ reuniu-se com representantes da Direcção dos Serviços de Correios e Telecomunicações (CTT) e das operadoras de telecomunicações de Macau para reforçar a prevenção deste tipo de crime. João Luz
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4.8.2017 sexta-feira
Sem sentido obrigatório Associação de Motoristas queixa-se à DSAT sobre ilegais
A
SAÚDE INTENSIFICADAS MEDIDAS CONTRA A FEBRE DE DENGUE
Perigosas picadelas
Desde 2014 que não havia casos locais, mas este ano há já três pessoas que foram infectadas em Macau. As autoridades vão reforçar os trabalhos de limpeza, mas recordam que compete também à população ajudar a evitar a proliferação de mosquitos
M
ACAU anunciou ontem que vai intensificar as medidas de prevenção e as acções de eliminação de mosquitos devido ao crescente número de casos de febre de dengue, sobretudo daqueles em que a doença foi contraída localmente. As autoridades decidiram aumentar as operações de limpeza de uma para duas vezes por semana, pelo menos durante os próximos 30 dias, para travar a proliferação dos mosquitos que transmitem a doença, estando previstas mais acções em estaleiros de obras e terrenos particulares, além de jardins ou parques públicos. Desde 2012, foram alvo de acções de limpeza 4800 “pontos negros”, segundo informações adiantadas em conferência de imprensa.
A outra vertente incide na sensibilização da população para a importância da prevenção, em particular da remoção de águas estagnadas – “o método mais efectivo” para conter a proliferação do mosquito transmissor da doença. Estas medidas foram anunciadas na sequência da primeira reunião do ano do Grupo de Trabalho para a Prevenção contra a Febre Dengue, que junta organismos públicos como o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais e os Serviços de Saúde. Macau registou, desde o início do ano, oito casos de febre de dengue, sendo que em três a doença foi contraída localmente, um motivo de “preocupação” das autoridades, atendendo a que desde 2014 só tinham sido sinalizados casos importados. No ano passado,
foram registados 11 casos, todos importados. Embora tenha particular incidência entre os meses de Abril a Novembro, as autoridades de Macau manifestaram também preocupação relativamente à ocorrência “mais cedo” do que o habitual de um elevado número de casos de febre de dengue na região. Hong Kong soma mais de meia centena de casos, Taiwan
As autoridades decidiram aumentar as operações de limpeza de uma para duas vezes por semana, pelo menos durante os próximos 30 dias
mais de 100 e a China mais de 200, dos quais mais de um quarto sinalizados na vizinha província de Guangdong, de acordo com dados facultados recentemente pelos Serviços de Saúde. Face às temperaturas mais elevadas que têm sido registadas este ano e à chegada da época das chuvas, que propicia um clima favorável para a proliferação do mosquito “aedes albopictus” e dificulta a remoção de águas estagnadas, os Serviços de Saúde anteciparam a ocorrência “de dezenas” de casos de febre de dengue em 2017. O Laboratório de Saúde Pública dos Serviços de Saúde proporciona, de forma gratuita, o teste da febre de dengue a todas as instituições médicas.
Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) recebeu ontem uma carta de reivindicações da Associação Macao Drivers Will Win Rights a pedir a intervenção do Governo para um rol de problemas que preocupa os profissionais locais. A associação dirigiu-se por carta ao responsável máximo da DSAT solicitando às autoridades o combate efectivo aos motoristas não residentes ilegais. O director da associação, Thomas Chan Kin Tong, entende que é necessária a importação de trabalhadores não residentes para assegurar o desenvolvimento de Macau. Porém, o dirigente associativo alertou para a necessidade de manter o equilíbrio no mercado de trabalho. Outro dos agravos manifestados pela associação foi com o presidente da Associação da União do Transporte Directo (Passageiros e Cargos) entre China, Hong Kong e Macau, Lei In Leong, que terá mencionado dificuldades em contratar motoristas locais e considera ser necessário importar motoristas. Thomas Chan Kin Tong rejeita esta posição que diz prejudicar os locais. A carta entregue pela associação também se focou num tópico muito específico: um sinal de trânsito que se encontra na Ponte Sai Van. Segundo o dirigente associativo, o sinal rodoviário em causa que sinaliza sentido obrigatório é demasiado curto, não dando espaço suficiente para os motoristas mudarem de via. A situação levou a que oito motoristas tenham sido multados em seis mil patacas. Como tal, Thomas Chan Kin Tong argumenta na carta à DSAT que a distância efectiva entre o sinal e o local de mudança de faixa deve ser, pelo menos, de 30 metros.
PERIGO TURÍSTICO
Outra das reivindicações apresentadas pela Associação Macao Drivers Will Win Rights prende-se com a nova sanção definida no regulamento que regula os modelos de capacetes. No entender da associação, as sanções devem ser aplicadas aos fornecedores dos capacetes, em vez de serem a quem os usa nas estradas. O vice-presidente da associação, Wong Tim Iao, motorista de autocarro de turismo, usou a experiência profissional para alertar para outra situação que considera merecer atenção dos serviços competentes. O motorista lamenta a falta de espaço de estacionamento para autocarros turísticos na zona das Portas do Cerco. “Largamos os passageiros numa zona onde há vários automóveis de duas matrículas e shuttle bus de hotéis. Esses veículos estacionam e ficam à espera de passageiros. Por isso, quase não temos espaço para os turistas descerem, uma circunstância que se torna perigosa”, conta o vice-presidente. Na carta apresentada pela Associação Macao Drivers Will Win Rights é proposto um encontro com o responsável máximo da DSAT para tentar encontrar soluções para os problemas dos motoristas associados. Vítor Ng
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china 9
sexta-feira 4.8.2017
GLOBAL TIMES ELOGIA EUA POR DECLARAÇÕES SOBRE O REGIME NORTE-COREANO
O
jornal oficial do Partido Comunista Chinês (PCC) enalteceu ontem as declarações do secretário de Estado norte-americano, nas quais afirmou que os Estados Unidos não procuram uma mudança de regime na Coreia do Norte. “Muitos americanos pensam que [Rex] Tillerson está a revelar fraqueza, mas vemos as suas declarações como a mais corajosa manifestação de Washington sobre a questão da península coreana”, apontou o Global Times, jornal em inglês do grupo do Diário do Povo, órgão central do PCC. Na terça-feira, Tillerson afirmou que os Estados Unidos “não procuram uma mudança de regime, nem o seu fim” e não procuram “uma reunificação acelerada da península [coreana]” ou “uma desculpa para enviar militares a norte do paralelo 38”. Em editorial, o jornal elogiou a posição do secretário de Estado norte-americano e afirmou que “Estados Unidos e Coreia do Sul devem respeitar o caminho escolhido pela Coreia do Norte” e ajudar o país a “manter-se estável e desenvolver a sua economia”. “Quando Pyongyang sentir esta boa vontade, terá menos motivos para desenvolver tecnologia nuclear e mísseis”, sublinhou. A relação entre Pequim e Pyongyang, outrora descrita como
REUTERS/KEVIN LAMARQUE
Pôr água na fervura
sendo de “unha com carne”, tem-se deteriorado, face à insistência do regime de Kim Jong-un em testar mísseis balísticos e desenvolver um controverso programa nuclear. Desde que, em 2013, ascendeu ao poder, o Presidente da China, Xi Jinping, nunca se encontrou com Kim Jong-un, tendo-se mesmo tornado no primeiro líder chinês a visitar a Coreia do Sul antes de ir à Coreia do Norte. No entanto, “os princípios da política externa chinesa não se alteraram: a China opõe-se a que qualquer país estrangeiro, incluindo os Estados Unidos, mudem o regime pela força”, disse à agência Lusa o professor chinês de Relações Internacionais Wang Li.
AMEAÇAS À MESA
Tillerson afirmou que os EUA “não procuram uma mudança de regime, nem o seu fim” e não procuram “uma reunificação acelerada da península [coreana]” ou “uma desculpa para enviar militares a norte do paralelo 38”
A administração de Donald Trump já avisou que todas as opções “estão em cima da mesa”, incluindo uma intervenção militar, para travar o programa nuclear de Pyongyang. Na semana passada, Washington aprovou um novo pacote de sanções unilaterais contra o país. Pyongyang efectuou na passada sexta-feira um segundo teste com um míssil balístico intercontinental (ICBM), que coloca o território dos EUA ao alcance de um ataque norte-coreano, segundo Kim Jong-un. No domingo, Trump voltou a responsabilizar a China por não fazer o suficiente para travar o programa nuclear norte-coreano. “Estou muito decepcionado com a China. Os nossos antigos líderes, ingénuos, permitiram-lhes ganhar centenas de milhares de milhões de dólares por ano em comércio e, no entanto, não fazem nada por nós em relação à Coreia do Norte”, escreveu no Twitter.
VENEZUELA PEQUIM APOIA ASSEMBLEIA CONSTITUINTE E CRITICA INGERÊNCIA ESTRANGEIRA
INDONÉSIA MAIS DE 140 CHINESES E CIDADÃOS DE TAIWAN DEPORTADOS
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A
China afirmou ontem que a votação para a Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela, celebrada no domingo passado, decorreu de forma “estável, no geral”, e apelou a outros países para que não intervenham neste processo. “A China segue sempre o princípio de não intervenção nos assuntos internos de outros países e defendemos que haja igualdade e respeito entre as nações”, afirma em comunicado o ministério chinês dos Negócios Estrangeiros. “A eleição Constituinte na Venezuela decorreu, no geral, de forma estável, e anotamos as reacções de cada parte”,
aponta a mesma nota, que não menciona os episódios de violência decorridos durante os comícios e as acusações de manipulação dos resultados. Em comunicado, o ministério diz desejar que o Governo e oposição venezuelanos tenham um diálogo “pacifico” e “de acordo com a lei”, e resolvam os diferendos, para “poder manter a estabilidade do país e desenvolvimento da economia e da sociedade”. “A China confia que o Governo da Venezuela e o seu povo sejam capazes de resolver os seus assuntos internos”, lê-se na mesma nota, acrescentando que ter um
país “estável e desenvolvido corresponde ao interesse de todas as partes”. Os Estados Unidos anunciaram sanções contra o Governo do Presidente Nicolás Maduro no dia a seguir aos comícios, enquanto na quarta-feira a União Europeia anunciou que não reconhecia a Assembleia Constituinte e advertiu de que intensificará a sua resposta, caso se continue a “minar os princípios democráticos” no país. A China é um dos maiores parceiros comerciais da Venezuela, que chegou a ser o principal destino dos investimentos do país asiático na América Latina.
S autoridades indonésias deportaram ontem mais de 140 chineses e cidadãos de Taiwan para a China, onde são procurados por burla, que custaram a empresários e políticos várias centenas de milhões de dólares. Agung Sampurno, porta-voz dos serviços de imigração, disse que 121 chineses e 22 cidadãos de Taiwan foram entregues à polícia chinesa, tendo partido em dois voos do aeroporto internacional de Jacarta em dois voos. “Todos fazem parte de um grupo de crime organizado transnacional e vieram para a Indonésia como turistas”, afirmou Sampurno. A polícia indonésia deteve os suspeitos, na maioria homens, numa rusga a várias casas em Jacarta, Surabaya e Bali. Dois foram feridos a tiro nas pernas quando tentaram fugir. As detenções
aconteceram na sequência de informações da polícia chinesa. Rikwanto, porta-voz da polícia indonésia, afirmou que o grupo estava a operar a partir da Indonésia desde o ano passado para evitar ser apanhado nos seus países. A burla rendeu 450 milhões de dólares. A mesma fonte disse que os suspeitos possuíam informação incriminatória sobre os alvos e apresentavam-se como funcionários da administração judicial chinesa, prometendo apagar registos em troca de dinheiro. O porta-voz acrescentou que nenhum cidadão indonésio esteve envolvido ou foi vítima da burla. Em 2015, as autoridades indonésias detiveram e deportaram mais de 400 cidadãos de Taiwan e da China em várias cidades do país por envolvimento no mesmo tipo de crime.
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4.8.2017 sexta-feira
BAILADO BILHETES PARA “NOITE DE LUAR DE HAOJIANG” À VENDA TERÇA-FEIRA
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OBE ao palco do Grande Auditório do Centro Cultural de Macau nos próximos dias 15 e 16 de Setembro, pelas 20h, o bailado “Noite de Luar de Haojiang – Guerreiros de Ópera”, no âmbito do Festival Internacional de Música de Macau. O espectáculo, que faz parte da celebração do Festival da Lua, é organizado pelo Gabinete para os Assuntos de Hong Kong, Macau e Taiwan do Ministério da Cultura da China, o Instituto Cultural e o Departamento de Cultura da Província de Shanxi. O bailado é uma produção do Grupo de Teatro e Dança de Shanxi Huajin e centra-se na história de um grupo de actores da academia de ópera Liyuan durante o processo de desenvolvimento da ópera chinesa. Os espectadores podem esperar uma combinação entre danças clássicas chinesas, ópera tradicional e alguns elementos da ópera chinesa de Shanxi. A narrativa segue a vida de três actores e as ligações sentimentais que estabelecem, seja nos jogos de força entre mentores e aprendizes, pais e filhos,
irmãos e amantes. Com um carregado conteúdo dramático, “Noite de Luar de Haojiang – Guerreiros de Ópera” tem uma narrativa alicerçada nas tensões criadas por ressentimentos, paixão, e superação de obstáculos. A ópera usa pensamentos e pontos de vista modernos para desencadear uma reflexão sobre o passado e a natureza humana, revelado na dicotomia de “o palco como pequeno mundo, o mundo como grande palco”. Os bilhetes para o bailado são postos à venda no dia 8 de Agosto, terça-feira, com os preços a variar entre as 200, 150 e 100 patacas. Quem tiver BIR, Cartão de Estudante válido, Cartão de Professor, Cartão de Idoso, Cartão de Registo de Avaliação de Deficiência, ou comprar online tem um desconto de 50 por cento na compra dos bilhetes até 26 de Agosto. J.L. PUB
É o primeiro evento dedicado ao mar e à cultura associada aos oceanos no território. O Festival de Cultura do Oceano de Macau espalha-se pela cidade e traz 11 eventos durante os meses de Agosto e Setembro
Há mar em FESTIVAL EVENTO PIONEIRO FESTEJA OCEANOS
O
território vai ter um festival dedicado ao mar. A partir de 12 de Agosto, o Festival de Cultura do Oceano de Macau vai trazer ao território uma série de actividades que pretendem assinalar a época quente e as férias ao mar e lazer. A iniciativa é promovida pela Associação de História e Cultura do Porto de Macau e tem como objectivo primordial “celebrar a longa cultura oceânica e as suas indústrias tradicionais”, diz o presidente da associação, Yat Fung, Chan, ao HM. No total, são 11 actividades temáticas que passam pelas áreas artísticas, pela promoção de visitas guiadas e de oficinas para pais e filhos, desfiles de moda, realização de palestras e a criação e um espaço dedicado à leitura. A ideia é associar aos acontecimentos a promoção ambiental. “O festival também promove a conservação da natureza”, revela Yat Fung Chan. A necessidade de um evento deste tipo acontece num momento em que o mar é cada vez mais falado no território. Para Yat Fung Chan, Macau deve assumir a sua responsabilidade pela administração dos 85 quilómetros quadrados de área marítima lhes estão destinados. Por outro lado, considera, “torna-se necessário que a população conheça esta realidade com a qual convive muito de perto”.
“Macau é também um porto famoso estabelecido há mais de 400 anos e possui uma longa história e cultura”, recorda o presidente da Associação de História e Cultura do Porto de Macau. Os benefícios de ser uma região costeira são evidentes para Yat Fung Chan: “Temos hoje uma cidade à beira mar com belas infra-estruturas marítimas, uma arquitectura assinalável e, além disso, temos as indústrias ligadas
ao mar como parte da nossa história”, diz. Em causa está a actividade piscatória e a construção naval. Aliada a esta circunstância geográfica, o responsável considera ainda que as religiões, tradições e manifestações culturais são únicas, dadas as especificidades do território.
ESPAÇOS PARA TODOS OS GOSTOS
De entre as actividades planeadas e em fase de planeamento
para os meses de Agosto e de Setembro, Yat Fung Chan destaca algumas. “Há um espaço dedicado às marionetas tradicionais chinesas”, refere. O trabalho com as sombras é uma forma de artesanato e cultura tradicional, e os espectáculos são dirigidos às crianças. O objectivo é abordar a questão dos oceanos de um ponto de vista contemporâneo e transmitir, desde logo, aos mais novos a importância em preservar este recurso natural.
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA VIAGEM A MARTE • Disney
Os irmãos mais fixes do universo chegam com 2 novas e divertidas aventuras. O amigo do Phineas e do Ferb Baljeet está a trabalhar num projeto espantoso para a feira de ciência da escola de verão: vai construir um portal para Marte! Mas será que, quando a Candace, a irmã do Phineas e do Ferb, passa acidentalmente o portal e aterra no Planeta Vermelho, os irmãos a vão salvar? Ou ficará a Candace perdida no espaço... para sempre?
NUNCA DI
“Nunca” porque qu dizer. É c comê-los resistiu a pés deixa que até tu
eventos 11
sexta-feira 4.8.2017
m Macau
o clube de leitura. O espaço para ler e trocar opiniões vai acontecer semanalmente, ao sábado. O Lago Sai Van que, em tempos, foi mar vai acolher um navio antigo. O objectivo, diz Yat Fung Chan, é “fazer emergir uma atmosfera ligada às águas dentro da comunidade local”. “É uma ideia para recordar aos residentes a Macau de 1960 com os navios que na altura passavam por aqui”, explica. “Teremos ainda uma actividade de limpeza costeira em colaboração com a International Coastal Cleanup”, aponta. A acção apresenta duas vertentes. Por um lado, a organização pretende reunir um grupo de voluntários para ajudar com a limpeza de uma parte da zona costeira de Coloane e, por outro, as garrafas recolhidas serão objecto de transformação. “Vamos fazer delas lanternas para usarmos nas comemorações do festival do bolo lunar”, avança.
UMA AJUDINHA NA POLÍTICA
“É uma ideia para recordar aos residentes a Macau de 1960, com os navios que na altura passavam por aqui.” YAT FUNG CHAN PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DE HISTÓRIA E CULTURA DO PORTO DE MACAU
No âmbito das palestras e ainda sem relevar nomes, o responsável avança com a realização de eventos que contam com a presença de profissionais conceituados. Entre eles destaca ecologistas, arquitectos urbanos, intelectuais e escritores.As temáticas não fogem à regra e vão andar entre a própria construção de Macau, do seu porto, do meio ambiente e, claro, o mar e as suas criaturas. A moda tem lugar no Teatro Dom Pedro V, a par com
As políticas governamentais para as águas territoriais ainda estão no estágio inicial e o caminho para a sua implementação ainda agora começou. “Pode ainda levar algum tempo para serem visíveis estas aproximações com a área marítima”, afirma Yat Fung Chan. É aqui que a associação à qual preside pode vir a ter um papel de relevo. “Acreditamos que, como ONG, a associação pode ajudar a promover a ideia de que a história e a cultura do porto de Macau são úteis para o seu mais recente desenvolvimento, no que respeita a turismo cultural e à indústria cultural e criativa”, aponta. O responsável considera ainda que o primeiro passo é promover e informar outras pessoas sobre a cultura oceânica local. Entretanto, a associação está a avançar com “algumas pesquisas do património cultural intangível sobre navios e pescadores”. Sofia Margarida Mota
sofiamota.hojemacau@gmail.com
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IGAS NUNCA! • Lara Xavier
” é uma daquelas palavras que nunca devíamos dizer... É uma palavra mentirosa uando dizemos «nunca» raramente conseguimos cumprir o que acabámos de como aquele menino que jurava que nunca ia comer espinafres e acabou por , ou aquela menina que nunca haveria de pintar os lábios até ao dia em que não um batom, ou aquele outro menino que nunca trocaria de sapatilhas até que os aram de caber nelas… Nunca digas nunca conta-te dez histórias tão verdadeiras u podias ser o protagonista.
HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho
Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com
Lúpulo Nome botânico: Humulus lupulus L. Família: Cannabaceae (Moraceae). Nomes populares: ENGATADEIRA; ERVA-ENGATADEIRA; HÚMULO; LÚPARO; LÚPULO-TREPADOR; PÉ-DE-GALO; VINHA-DONORTE. Espontâneo nas regiões temperadas e húmidas da Europa, Ásia e América do Norte, o Lúpulo é uma trepadeira subespontânea em Portugal, onde habita terrenos incultos e margens dos rios; prefere a proximidade dos Amieiros. Os seus caules finos e ásperos trepam rapidamente as árvores, enrolando-se no sentido inverso ao dos ponteiros de um relógio, e alcançando mais de 6 metros de altura; tem folhas verde-claras, palmadas e com bordos serrados. Apresenta flores verde-amareladas dióicas, as femininas globulosas e rodeadas de numerosas brácteas e, as masculinas, pequenas e com cinco pétalas; as inflorescências femininas (cones ou estróbilos) estão cobertas por um pó dourado e resinoso (lupulino), que se desprende quando são sacudidas. A cultura do Lúpulo terá chegado a algumas regiões europeias durante a Idade Média e, com ela, a aromatização da cerveja, uso já conhecido dos povos da Babilónia e Antigo Egipto. Foi utilizado pelos monges para refrear o seu desejo sexual e Paracelso usava-o para conciliar o sono. Na Inglaterra Vitoriana, enchiam-se as almofadas com Lúpulo para combater a insónia. Em fitoterapia são usados os cones ou estróbilos e o lupulino. Composição Óleo essencial (alfa-humuleno, beta-cariofileno, farneseno, linalol, mirceno) e resina com princípios amargos (alfa-humulona, beta-humulona, lupulona); flavonóides e antocianinas (isoquercitrina, leucocianidina, leucodelfinidina, quercetina, rutina, xanto-humol), taninos e outros compostos fenólicos (resveratrol); compostos de núcleo esteróide (ciproterona), fitosteróis e glutatião; contém ainda proteínas, aminoácidos livres (ácido aspártico, alanina, fenilalanina, histidina, isoleucina, leucina, lisina, prolina, serina, triptofano), betaína e amido. Cheiro intenso e aromático, sabor amargo. Acção terapêutica Sedativo e indutor do sono, o Lúpulo tem uma acção tónica sobre o sistema nervoso central acalmando os nervos e diminuindo a irritabilidade e o stress, sendo muito recomendado em caso de ansiedade, nervosismo, agitação, insó-
nia, angústia, stress mental e depressão. Pela actividade analgésica, antiespasmódica e relaxante muscular torna-se útil nas dores de cabeça, enxaquecas e neuralgias. Devido às suas propriedades amargas, esta erva é um tónico digestivo, aumenta o apetite, tonifica o estômago e favorece a digestão. Está indicada na falta de apetite e anorexia, digestões difíceis, aerofagia, meteorismo, espasmos e cólicas gastrintestinais. Com uma acção reguladora hormonal, o Lúpulo tem actividade estrogénica, regulariza o ciclo menstrual, combate as dores associadas e aumenta a produção de leite nas lactantes, sendo muito utilizado no alívio das perturbações associadas à menopausa, dores menstruais, para aumentar a firmeza e o volume mamários e como estimulante sexual para as mulheres. Nos homens, é sedativo sobre o aparelho genital com efeitos anafrodisíacos, beneficiando situações de hiperexcitação sexual, priapismo, onanismo e espermatorreia. Outras propriedades Tradicionalmente, o Lúpulo tem sido também usado como diurético. Mais recentemente foram comprovadas as suas propriedades anti-inflamatórias, tornando-se útil no tratamento das doenças cardiovasculares, diabetes mellitus e síndrome metabólica, patologias associadas a uma inflamação crónica do organismo. Além do elevado poder antioxidante, os seus polifenóis têm mostrado actividade anticancerígena contra diversos tipos de cancro. Como tomar Uso interno: • Infusão: 1 colher de chá de cones por litro de água fervente, 10 minutos de infusão. Tomar 2 a 4 chávenas por dia. Em caso de insónia, tomar a última antes de deitar. • Em ampolas, xarope, tintura, cápsulas e comprimidos, em simples ou fórmulas, para a ansiedade e nervosismo, perturbações do sono e do humor, menopausa, diabetes e como analgésico e anti-inflamatório. Precauções Contra-indicado na gravidez, amamentação e em caso de hiperestrogenismo. As posologias devem ser respeitadas – doses elevadas podem provocar diarreia, aumento da frequência respiratória, náuseas, vertigens, dores de cabeça e sonolência com perturbação dos reflexos. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.
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4.8.2017 sexta-feira
Dá-me lírios, lírios E rosas também
José Simões Morais
Os primeiros passos
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AMILO Pessanha veio para Macau “na sequência do seu desencontro amoroso com Ana de Castro Osório”, como refere num dos iniciais estudos Daniel Pires. Contudo, já na Fotobiografia do poeta, usando como fonte Francisco de Carvalho e Rego, afirma ser Madalena Canavarro a única paixão que se lhe conhece e como o seu amor não foi correspondido. Com a alma combalida, “uma grave doença nervosa impede-o de se matricular na Faculdade de Direito, neste ano lectivo” de 1888-89. Por uma carta ao primo José Benedito percebe-se como pode esse episódio ter marcado o salto do seu génio de escritor: “nas férias grandes passadas me luziu a ideia de duas séries, uma de prosa outra de verso, que deixavam a perder de vista todos os meus feitos de até então.” Ao mesmo primo escreve, já em 1893, dizendo encontrar-se extremamente deprimido “com esta tristeza que me vem das pequeninas misérias, das restrições deprimentes da vida, e da minha própria fraqueza, que me condena a um isolamento, em que por mim próprio me vou afundando sem remédio”. Assim, se o estado de alma de Camilo Pessanha, já de si uma figura amargurada, ao chegar de Portugal com uma mágoa de amores não correspondidos, o espírito daquele início de Verão, sem chuva e de um calor sufocante, ainda mais o atormenta, ampliando-lhe a depressão. Como se não bastasse, apenas com doze dias de Macau, recebe uma carta do pai a dizer que a mãe está a falecer. Camilo entra em desespero e desabafa as suas amarguras em carta ao amigo Alberto Osório de Castro, que deposita na Repartição do Correio, a funcionar desde 12 de Janeiro de 1885 na Praia Grande, no edifício contíguo ao Hotel Hing Kee. Aí conhece o director Ricardo de Sousa que, desde 1869, acolhera na sua casa, situada na Rua do Campo, nº. 1, o serviço dos Correios. Contudo, após a mudança em 1885, passou a contar também com uma estação postal na Ilha da Taipa. No tempo de Camilo Pessanha, há outras duas caixas postais distribuídas pela cidade: uma no edifício da Junta de Fazenda e a outra na Capitania dos Portos, cem como caixas postais móveis, colocadas a bordo dos vários vapores da carreira Macau-Hong Kong, fazendo-se já o serviço de permuta das malas postais com Hong Kong e directamente com Cantão. As depressões de Pessanha poderão ter inspirado Ricardo de Sousa, que exercera pequena clínica em Hong Kong, a ser um dos sócios fundadores da Pharmacia Popular, inaugurada a 8 de Dezembro de 1895, na Rua da Praia Grande. Nessa altura, está Camilo Pessanha a deixar o Hotel Hing Kee.
Em Macau não existe luz eléctrica e a noite é iluminada pelas lanternas alimentadas a azeite (azeite de luzes, de várias qualidades e por vezes também usado na comida), ou a petróleo, que começa a ser mais utilizado devido ao preço barato. Está o assunto sobre o monopólio do petróleo na ordem do dia, apesar de este ter sido entregue no dia 1 de Abril de 1894. Ainda não passara quinze dias e já os compradores se queixam dos abusos do arrematante e pedem às autoridades para o obrigar a entrar no caminho da legalidade, pois serve-se de estratagemas muito ousados para aumentar os seus lucros, sem olhar a meios. Um dos expedientes conhecidos é o de trazerem para Macau latas de petróleo sangradas em Hong Kong, que continham menos quantidade de produto do que as anteriormente vendidas ao público.
TOMADA DE POSSE
Quatro dias depois da chegada a Macau de Camilo Pessanha, por Portaria do Governo provincial de 14 de Abril de 1894, é nomeado Reitor do Liceu o sr. dr. José Gomes da Silva, Chefe do Serviço de Saúde desta província e professor da 6.ª cadeira (Física, Química e História Natural) do mesmo liceu que, além de médico, é um homem cultíssimo. Fica também determinado que lhe seja entregue o edifício do extinto Convento de Santo Agostinho para aí ser instalado esse estabelecimento de ensino secundário e é marcada para 16 de Abril a tomada de posse dos professores e funcionários do Liceu. No dia seguinte, Domingo, realiza-se no Seminário Diocesano um sarau literário e musical em homenagem ao Reverendo D. António Joaquim de Madeiros (desde 1884 Bispo Diocesano de Macau, que engloba Timor, fora Reitor do Seminário de S. José e virá a falecer em Timor em 7-1-1897) tendo estado presente nessa festa o Governador Horta e Costa, com sua esposa, o subalterno Governador de Timor, José Celestino da Silva, com esposa e filhas, os vereadores da Câmara, os Juízes de Direito, o Procurador dos Negócios Sínicos e Delegado da Comarca, Coronel António J. Garcia, bem como os professores do Liceu Nacional, os do Seminário e da Escola Central, Administrador Pacheco, Major Costa Campos e outras pessoas. Seis dias após chegar a Macau, a 16 de Abril, vê-se Camilo Pessanha a sair do hotel: figura franzina e esguia, aprumada e trajando a rigor para a cerimónia de tomada de posse, (com tamanho calor levaria colete e casaca?), rosto resguardado pelo chapéu e na mão (traria já a bengala?). Caminha pela Rua da Praia Grande até ao Palácio do Governo, projecto
do arquitecto macaense José Agostinho Tomás de Aquino, construído em 1849 pelo Barão do Cercal e, desde o Governador Tomás de Sousa Rosa (1883-1886), sede do Governo de Macau. Conhecido por Palácio da Praia Grande, com o Governador Januário Correia de Almeida (1872-74) foi acrescentado um corpo central saliente à residência oficial dos governadores, que mais tarde veio a ser o Palácio das Repartições – Economia, Fazenda, Tribunal e Administração Civil e hoje representado pelo edifício do antigo Tribunal, em frente à estátua de Jorge Álvares – que aí apareceram, já toda esta história há muito acabara.
dia 1 de Abril de 1894.
rar o regulamento do Liceu, que virá a ser aprovado a 14 de Agosto. Em carta de 28 de Maio, confidencia ao pai que nos primeiros três anos não deverá ter nenhuns alunos. A sua adaptação consolida-se: “Quase já estou animado a escrever sobre coisas do Oriente. A vida, por aqui, é cheia de impressões novas cada dia, ou eu me finjo que é, em um delírio artificial de grandezas, que me serviu de coragem para partir, e ainda me vai servindo para não esmorecer de todo”, segundo a transcrição de Daniel Pires que observa: “Especial ênfase deve ser dado à sua empatia pela civilização chinesa, em sincronia com outros escritores europeus do século XIX, que mistificaram o Oriente” e, ainda não decorrera um mês de estadia, já Camilo Pessanha tem um professor chinês para lhe ensinar a falar e escrever a língua usada pela maioria da população de Macau, que andará pelas 76 mil pessoas, sendo 3500 portugueses. Durante as trovoadas de Maio, os advogados da cidade mostram não ver com bons olhos Camilo Pessanha exercer aqui advocacia.
Ainda não passara quinze
A COLINA DE STO. AGOSTINHO
Está o assunto sobre o monopólio do petróleo na ordem do dia, apesar de este ter sido entregue no
dias e já os compradores se queixam dos abusos do arrematante Nesse dia o Governador Horta e Costa dá posse aos professores e funcionários do Liceu, excepto a João Pereira Vasco, um dos quatro professores do Liceu que vieram de Portugal e o único que não chegara ainda a Macau. O Dr. Gomes da Silva substitui, no Conselho Inspector de Instrução Pública, o Director da Escola Central, o Sr. Patrício José da Luz, cargo que passa a pertencer ao Reitor do Liceu. Ali se encontram, talvez pela primeira vez, o poeta Camilo Pessanha e o prosador Wenceslau de Moraes. Dois dias depois, o Echo Macaense, junto das notícias oficiais do acto, refere: “Mandou-se entregar ao Leal Senado da Câmara de Macau os edifícios, mobílias e mais pertences das escolas da instrução primária do sexo feminino e dos chineses”. O período lectivo vai já muito adiantado e, por isso, as aulas só irão começar em Setembro: “todavia os professores não estão em ociosidade, porque foram incumbidos de elaborar o regulamento, indispensável para se determinarem os diversos detalhes quanto ao ensino e as atribuições dos empregados”, como refere O Independente de 21 de Abril de 1894. Camilo Pessanha ficou de elabo-
No início, quando hospedado no Hotel Hing Kee, o percurso para o Liceu é curto, mas íngreme, até ao cimo da Colina de S. Agostinho, o pólo cultural de Macau. Camilo sai do hotel e, pela Rua da Praia Grande, segue até à Calçada de Sto. Agostinho que, numa árdua subida em linha recta, o leva após cruzar a Rua Central a chegar à Rampa de Sto. Agostinho. De um lado vislumbra o Teatro D. Pedro V, em frente encontra-se o Liceu. Outro possível trajecto seria caminhar até à esquina do edifício do Hing Kee, entrar logo na Calçada do Governador (actual P. Luís Fróis, S.J.) e subindo o morro, chegar a um cruzamento de quatro ruas. Em frente, descer pela Rua do Gonçalo leva ao Largo do Senado. Para Norte, pelo morro alonga-se a Rua da Sé, ao nível da natural muralha qual osso do dragão, a dar para o Largo da Sé, onde a Catedral e o Paço Episcopal têm por trás o jardim a prolongar-se, descaindo para a Rua Formosa e Pátio das Flores. A Rua da Sé acaba onde começa a Rua Central, no cruzamento com a Calçada do Governador e Rua do Gonçalo (hoje Beco, pois a rua ficará mutilada com a abertura de Almeida Ribeiro) e daí, início da subida, a Rua Central termina na Igreja de S. Lourenço, construída entre 1558 e 1560 e conhecida pelos chineses por Fong Son Ton. Então a principal artéria de comércio da cidade, a Rua Central, que os chineses designam por Lông Sông Cheng Cái (Rua Central do Cume do Dragão), serve de divisória: para Leste a zona rica europeia, a Baía da Praia Grande onde
ARTES, LETRAS E IDEIAS 13
sexta-feira 4.8.2017
Teatro D. Pedro V, Calçada de Santo Agostinho
também já alguns chineses moram e, virada para Oeste, uma vasta área no Porto Interior aterrada, onde se concentra o Bazar chinês. As Zonas Baixas, como no livro A Diocese de Macau, compilação de D. Domingos Lam refere, “a Baía da Praia do Manduco (Há Van), ou Baía Baixa onde se encontravam as pontes-cais para os pescadores, a Praça de Ponte e Horta (Si Ta Hau, i.e., a Entrada da Alfândega) e a parte central da Rua do Visconde Paço de Arcos, onde ficavam as pontes-cais para os vapores que ligavam Macau a Hong-Kong, Guangzhou (Cantão) e outros portos no Rio das Pérolas”. Nesse percurso, ainda sem horário para chegar ao Liceu, a atenção de Pessanha distraí-se no exotismo e diversidade, encontrada igualmente por Adolfo Loureiro em 1883 quando escrevia: “Entrei em muitas boticas, como ali se chamam as lojas e casas de comércio, para fazer aquisição de diversos objectos, papel, fatos brancos de linho ou de seda...”. O interesse de Pessanha pela arte chinesa poderá ter surgido nessas lojas de parses, muçulmanos, cristãos e chineses, com um comércio de produtos a captar-lhe a atenção, pois até então, muitos deles nunca os vira. Assim, com ligeiras mudanças às impressões de Adolfo Loureiro sobre o burgo macaense, onze anos depois, Camilo Pessanha encontra ainda os chineses a trabalhar ao domingo e “nus da cintura
para cima, se entregavam com ardor aos trabalhos da sua profissão, tomando de vez em quando a sua taça de chá. Pelas ruas encontrava-se muita gente, mas quase tudo chineses, que se parecem todos e vestem quase da mesma forma. Os europeus eram em pequeno número e trajando quase todos uniformes militares. O nosso militarismo manifestava-se ali pela farda, pelas fortalezas, pelas sentinelas, e pelos toques de corneta. Parecia uma verdadeira praça de guerra!”, como refere Adolfo Loureiro. Em frente à Calçada de Santo Agostinho, numa volta de 180º começa a Rampa de Santo Agostinho com degraus, que virá a ser a Calçada do Teatro e logo de frente, o antigo convento dos frades agostinianos a preparar-se, numa solução provisória, para albergar o Liceu. Chega Pessanha ao topo da colina, onde se encontra o Largo de Santo Agostinho, dividido entre as paróquias de S. Lourenço e da Sé. Ao lado do edifício do antigo Convento, a Igreja de Nossa Senhora da Graça, ambos ali edificados em 1591, tendo sido a igreja reconstruída em 1875, de onde vem a estrutura actual. No largo, Pessanha pode apreciar o Teatro D. Pedro V, cujo risco do projecto e a direcção da obra iniciada a 1859 é de Pedro Germano Marques, sendo a fachada, projectada pelo Barão do Cercal e edificada entre os anos 1873 e 1879. O
Conde de Arnoso, nas Jornadas pelo Mundo, referiu-se ao Teatro D. Pedro V, indicando que em 1887 era uma pequena mas elegante sala de espectáculos, onde os europeus tinham instalado o Clube União. Havia ainda um prédio, pertença desde 1872 de Francisco Manuel da Cunha e cujo registo o dava no Campo de Santo Agostinho, conhecido por Horta Superior, situado a Leste do Teatro, que Luís Gonzaga Gomes questionará se não seria a actual entrada do Clube. O Clube União, fundado para organizar festas no teatro, teve os estatutos elaborados pelo seu presidente, Pedro Nolasco da Silva, aprovados por portaria de 13 de Abril de 1887. Mais tarde, sem dinheiro para festas, a direcção do Clube União pretendeu hipotecar o edifício do Teatro, mas os sócios fundadores tal não permitiram, o que os levou a criar uma nova Associação, a dos Proprietários do Teatro D. Pedro V, enquanto os outros membros formaram a Associação do Clube União. Pessanha terá comentado ainda no salão do Hing Kee a subdivisão do Club União em duas Associações distintas, pois esta só é aprovada em 1896. Já em 1902, durante uma festa dançante, um tenente porta-se indignamente e, ao ofender a Sra. Canavarro, levanta um tal problema que se fecha o União e surge o Clube Macau.
Na vertente do Mato Mofino, encontra-se o Seminário de S. José, fundado em 1728 pelos Jesuítas, com a função de preparar missionários para a China e então a albergar também o secundário da Escola Comercial; a casa de Sir Robert Ho Tung a ser (em 1894) construída (actual Biblioteca) e a antiga casa da missão espanhola, nessa altura Procuradoria da Missão Dominicana Espanhola e hoje a Casa Ricci, onde se encontra a Caritas. Após as aulas, Camilo Pessanha tem três vias para se aventurar pela cidade. Voltar à Rampa de Santo Agostinho e pela Rua Central seguindo para Sul passar à Colina do Bom Jesus e ir até à Penha ou, descendo pela Calçada de Sto. Agostinho, desmbocar na Praia Grande, junto ao Palácio do Governo. Se, à saída do Liceu virar para a direita, encontra a Rua dos Cules, por onde entra no Bazar chinês. Já pela Rua do Tronco Velho, (nome ligado à prisão existente até 1754 numa casa ao lado do Convento de St. Agostinho), logo à entrada apresenta-se um edifício que, mais tarde reconstruído, albergará a Escola Comercial, actual sede do Banco Delta Ásia. Descendo-a, entronca com a Rua da Alfândega, entra na Rua da Cadeia, (que em 1937 receberá o nome de Rua Dr. Soares), para chegar ao centro municipal da cidade, o Largo do Senado.
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4.8.2017 sexta-feira
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Amélia Vieira
UEM se move na esfera do poema sabe o quanto inacabado um verso é. Por isso a vigilância exerce esse poder de síntese tão do gosto do poeta amante da língua, onde só ele mais do que ninguém sabe como transformar: mas quais as metamorfoses e transformação do texto poema? É nele que a intertextualidade mais faz sentir o texto base desta variante, como um sincretismo que acrescenta particularidades tão ricas na recolha de todos os elementos de uma caracterização. Não esgotamos em nós a fórmula, a língua não é como o sangue, um circuito fechado: é de correntes abertas. Foi no fazer e refazer dos textos sagrados que encontrámos a primeira polifonia linguística, é nela que acrescentamos corpo ao conceito metafísico de Deus. Fizemo-lo pelo Verbo, tanto como ele a nós nos gerou no princípio. Sendo assim, dir-se-ia que desocultámos o humano que somos pelo texto permanente criado e não gerado, pela recriação contínua do que significa no fim de contas - Todos os Textos- um só texto, contínuo, ininterrupto. Hoje as complexas relações de intertextualidade estendem-se a vários campos criativos, entre os quais os audiovisuais. Há quem, a propósito do tema, fale em «intertexto», pois que todo o texto constitui um intertexto numa sucessão de textos já escritos ou por escrever. A presença efectiva de um texto em outro pode ir da citação, à alusão, à menção indirecta, até ao plágio (embora este último não apresente carácter inventivo que acrescente o original). Há em grau a polifonia que ocorre com o texto inserido em outro texto que no poema temos mais presente como uma monofonia, só quando se trata do poema épico se exerce então e brilhantemente o outro anunciado. Por uma constante leitura de obras paralelas, não raro nos damos conta do que acima foi exposto: que continuamos numa leitura do mesmo texto – hipertexto – com ressonâncias de tempos e espaços que se vão ampliando de forma apaixonante. E passo a citar apenas muito poucos mas significativos exemplos: o poema bíblico do «Livro de Jó» e o poema de Camões «O dia em que nasci», «Sonnets pour Hélène» de Pierre de Ronsard e «When you are old» de Yeats, «Spleen et Idéal» de Baudelaire e «Sacha e o poeta» de Manuel Bandeira, «Soneto amoroso definiendo el amor» de Francisco Quevedo e «Amor é fogo que arde» de Camões. Estes bastam para legendar o título do artigo recorrendo a extractos de todos os poemas. Manuel Bandeira/ Baudelaire Quando o poeta aparece Sacha le-
DUANE MICHALS, RENÉ MARGRITTE INDO E VINDO
Intertextualidade e poema Q
vanta os olhos claros. o poeta a seguir diz coisas incríveis...
contentamento descontente/é dor que desatina sem doer.
Quando, por uma lei das potências supremas neste mundo aparece o poeta a mãe ergue os punhos para Deus que dela se apieda:
«O Livro de Jó» / Camões ...então Jó abriu a boca e amaldiçoou o seu nascimento : Pereça o dia em que nasci/ que esse dia se mude em trevas/ que trevas e obscuridade se apoderem dele/ que eclipses o apavorem/ por que não pereci no seio materno
Pierre de Ronsard/ Yeats Quand vous serez bien vieille, au soir, à la chandelle assise auprés du feu, dévidant et filant... Direz chantant mes vers, en vous émerveillant... When yoy are old and grey and full of sleep and nodding by the fire, take down this book And slowly read, and dream of the soft look.(...). Quevedo / Camões ... es hielo abrasador/ es fuego helado/ es ferida que duele y no se siente/ es un sonado bien/ un mal presente/ es um breve descanso muy cansado . ...amor é fogo que arde sem se ver / é ferida que dói e não se sente/ é um
O dia em que nasci morra e pereça/ não o queira jamais o tempo dar/ não torne mais ao mundo, e, se tornar, eclipse nesse passo o Sol padeça. .../ a mãe ao próprio filho não conheça. Todas as leituras serão, neste caso, releituras na vertente de construir um hiper-poema que vá definindo, com estruturas de tempos, épocas e autores, a verdadeira marcha do texto que se está fazendo, sempre em aberto, sempre outro e sempre o mesmo. Que os vínculos que professam as correntes também ditam as proximidades e todos os nossos pares são aqueles que connosco constroem um percurso que é o mesmo. Talvez isto explique a cisão da Poesia como arte regeneradora neste momento, dado
que as releituras nunca se fazem como um processo contido nos hábitos de ler. Apanhamos a marcha interrompida e avançamos em outro lado como se de uma catedral em pedra se tratasse o grande acórdão de um Poema Final. “Só uma época avara de originalidade produz tanta coisa em circuito fechado, numa demonstração lasciva das suas próprias vivências”. Só uma arrogância idílica provoca tanto desastre na linguagem escrita. A experiência de cada um não serve uma causa comum, a menos que dela se retire elementos que pertencem a toda a Humanidade e, mesmo assim, terá de o saber dizer com labor formal para produzir uma obra de arte. Nunca se viu mesmo tanta gente aparentemente unida sem espírito associativo, faculdade reservada aos de boa memória, que a construção do poema não permite que nos esqueçamos do essencial. Precisamos que a palavra volte a ser o elo mais sagrado em certos domínios e dela só se utilize esse essencial que importa. É uma blasfémia não sermos acordados por uma organização perfeita de um discurso belo como é desesperante tanto ruído para nos fazermos entender.
ARTES, LETRAS E IDEIAS 15
tonalidades António de Castro Caeiro
DIANE ARBUS, BOY WITH TOY HAND GRENDADE-NYC
sexta-feira 4.8.2017
Euforia
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M movimento. Em mudança. O humano não gosta de estar parado. É uma contradição. Não somos tidos nem achados para a mudança. Não, pelo menos, aquela mudança formal que é o facto de estarmos sempre a caminho. O tempo não para, e, com diz o povo, parar é morrer. Mas, às vezes, parece, também, que gostaríamos de parar, de não estar sempre ir. A “coisa” é confusa. Queríamos parar, quando não conseguimos respirar, nem sequer um minuto, por causa do stress da vida, das solicitações, de querermos estar à altura de lhes correspondermos. Por outro lado, é um facto que o tempo formalmente está continuamente em trânsito. Portanto, quer queiramos quer não, estar parado parece não ser uma opção. Por outro lado. ainda, e pelo contrário, não gostamos de ficar presos no momento, não lidamos bem com a estagnação. Queríamos era ir nas horas, passar ao largo, em trânsito, na viagem que não para e opera a mudança. As primeiras experiências que fazemos de euforia, na infância longínqua, são abismais. É como se a forma temporal da mudança coincidisse com o nosso gosto pela mudança. Há uma coincidência entre o movimento extático do tempo da vida, a própria vida pessoal e o próprio momento que se está a viver. Ora, esta coincidência é estranha porque é como se o êxtase não fosse apenas pessoal, um momento eufórico numa dada circunstância. É que o desdobramento temporal da vida coincidem com o desdobramento do tempo pessoal. O caudal do tempo da vida coincide com o caudal do fluxo pessoal. E não vale a pena procurar pensar quando caímos em nós para a irreversibilidade do decurso temporal. Os momentos eufóricos da infância combinam de uma forma absolutamente feliz: o momento da vivência, a experiência pessoal, a forma do tempo da vida se desdobrar. Essa onda vem do lado de dentro da cabeça e vem do lado de fora, do relvado onde se joga a bola, do mergulho primeiro asfixiante do Verão atlântico, do primeiro dia de aulas ou das primeiras chuvas. E vem simultaneamente do caudal da vida. O conteúdo do momento, a vida de que esse momento é um conteúdo, a própria vida que se distribui por todos os seres humanos— tudo coincide nesse movimento estonteante que tudo metamorfoseia. Exultação. Exaltação. Alegria. Felicidade. Estes substantivos têm conteúdos diferentes para a pessoa A, B ou C. São os conteúdos x, y e z das nossas vivências e até podem ser repetidos ao longo do tempo como as férias da infância nos locais onde
são passadas ou as vésperas de natal ou o reencontro com amigos ou um pequeno sucesso ou êxito, mesmo banais. Estas experiências são as impressões digitais que, depois, projectam para todo o sempre a forma da exultação e da alegria. Podemos encontrá-las ou tentar recriá-las com substâncias que alteram o estado da consciência, mas elas também acontecem em segundas vezes, já sem a
novidade das primeiras nem ainda a habituação que vem com as terceiras vezes. O êxtase da embriaguez e a alteração do estado de consciência têm a mesma matriz, lá longe, na infância, quando a criança a brincar no mundo não sabe nem adivinha o adulto a trabalhar na terra. Nenhum mágico branco recria a êxtase violenta da impressão deixada em nós nesses momentos. Essa impressão é
Nada nunca se repete, nem por revisitarmos sítios ou revermos pessoas. Nem nós ao espelho rompemos as camadas de metamorfose que o nosso rosto de crianças sofreu
um piscar de olhos da vida, um abrir e fechar de olhos da eternidade, que sacode a terra toda e nos confunde com o céu azul de agosto ou o atlântico gelado vivido a partir do mergulho e da ascensão de novo à sua superfície. Nada nunca se repete, nem por revisitarmos sítios ou revermos pessoas. Nem nós ao espelho rompemos as camadas de metamorfose que o nosso rosto de crianças sofreu. Não é pelo envelhecimento, pelas rugas, pela falta de cabelo. Não é isso que nos veda o acesso à êxtase que deu lugar à implosão recessiva da vida e dos momentos e das nossas vidas pessoais. Apagou-se algo no olhar que não será reacendido. Ou, talvez, sê-lo-á, ainda, outra vez.
16 desporto
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GALEN PRODUCTIONS
porque sofreu um violento acidente, sem consequências físicas para o piloto, numa sessão de testes que antecedeu o evento.
A VINGANÇA DE MACAU
Os pilotos das duas categorias da MTCS terão no evento de Novembro as suas sessões de treinos livres e qualificação em separado, mas a corrida na Guia será pela primeira vez realizada em conjunto
64º GP APURAMENTO DOS PILOTOS LOCAIS DECIDIDO
Os dados estão lançados
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AULPoon, de Hong Kong, e Billy Lo, de Macau, foram os vencedores da edição 2017 do Campeonato de Carros de Turismo de Macau (MTCS, na sigla inglesa), competição que para além de atribuir os títulos das competições locais, teve como finalidade apurar os pilotos do território e regiões vizinhas para a “Taça de Carros de Turismo de Macau – CTM – 1600cc Turbo e
superiores a 1950cc” do 64º Grande Prémio de Macau. Este ano os corredores das duas categorias da MTCS terão no evento de Novembro as suas sessões de treinos livres e qualificação em separado, mas a corrida de domingo, de 12 voltas ao Circuito da Guia, será pela primeira vez realizada em conjunto.
VITÓRIA DA EXPERIÊNCIA
Após os dois “Festivais de Corridas de Macau”
disputados no Circuito Internacional de Zhuhai, Paul Poon (Peugeot RCZ), um veterano piloto das corridas de Turismo na região, sagrou-se campeão na categoria “AAMC Challenge 1600cc Turbo” que teve quatro vencedores diferentes em quatro corridas. Leong Chi Kin (MINI Cooper) foi o segundo classificado e o melhor representante da RAEM, apesar de não ter triunfado em qualquer das
corridas. O melhor macaense, Célio Alves Dias (MINI Cooper), que venceu a primeira corrida, terminou na terceira posição. Apesar de ter vencido a segunda corrida da época, o ex-campeão Filipe Souza (Chevrolet Cruze) teve alguns azares e ficou-se pelo sexto lugar. Entre os outros nomes portugueses que conseguiram o apuramento para o Grande Prémio de Macau estão Eurico de Jesus (Ford Fiesta),
ARTES MARCIAIS ENCONTRO DE MESTRES DE WUSHU ARRANCA NA PRÓXIMA QUINTA-FEIRA
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Wushu vai invadir Macau entre os dias 10 e 13 de Agosto, quinta-feira a domingo, com eventos distribuídos pela cidade. O Encontro de Mestres de Wushu deste ano tem no cartaz o Suncity Grupo CKF Desafio Internacional de Combate – Macau marcado para o dia 10 de Agosto, o primeiro dia do encontro, às 18h no Pavilhão Polidesportivo do Tap Seac. A fechar o evento no dia 13 realiza-se o espectáculo de encerramento, às 19h, igualmente no Pavilhão Polidesportivo do Tap Seac. Quem quiser assistir a estes eventos precisa de bilhete, apesar dos espectáculos serem gratuitos. Para o encontro deste ano será feita distribuição de um curto número de admissões antes dos espectáculos.
Importa referir que o Wushu dos dias de hoje procurou homogeneizar as práticas de artes marciais ancestrais chinesas. O cartaz inclui ainda o 4º Campeonato Asiático das Danças de Dragão e Leão no Pavilhão Polidesportivo Tap Seac e a Competição Internacional de Taolu no Pavilhão do Estádio do Centro Desportivo Olímpico, com entrada gratuita. Além destes eventos, o cartaz conta ainda com a Parada de Wushu e de Danças de Leão e Dragão que vai percorrer a cidade no dia 13 de Agosto. O cortejo começa às 17h no Largo do Senado, passa pelas Ruínas de São Paulo e termina na Praça do Tap Seac. J.L.
13º classificado, Jerónimo Badaraco (Chevrolet Cruze), 14º classificado, e Rui Valente (MINI Cooper) que terminou no 22º lugar depois de duas jornadas atormentadas com variadíssimos problemas de ordem técnica na sua viatura. Hélder Rosa (Peugeot RCZ) foi uma ausência notada, não tendo participado em nenhuma das corridas, primeiro porque as peças para o seu carro não chegaram a tempo e depois,
Na categoria “AAMC Challenge 1950cc ou Superior” (ex-Macau Road Sport Challenge) os pilotos do território escreveram a história deste novo capítulo que também teve quatro vencedores diferentes noutras tantas corridas. Billy Lo (Mitsubishi Evo7) não precisou de subir ao pódio na última jornada do ano para se sagrar campeão da categoria, terminando com mais quatro pontos que o rival Yam Chi Yuen (Mitsubishi Evo9). O ex-campeão Leong Ian Veng (Mitsubishi Evo9) só subiu ao lugar mais alto do pódio uma vez em quatro corridas, mas foi o suficiente para terminar no terceiro posto, à frente de dois titãs da categoria, Ng Kin Veng (Mitsubishi Evo9) e Sun Tit Fan (Mitsubishi Evo9). Com apenas vinte e cinco vagas para quarenta e sete inscritos, Luciano Castilho Lameiras (Mitsubishi Evo7), classificou-se no 18º posto, e Delfim Mendonça Choi (Mitsubishi Evo7), finalizou no 20º lugar, tendo ambos conseguido o ambicionado bilhete para o Grande Prémio de Macau. Já o mesmo não poderão dizer Hélder Assunção e Jo Rosa Merszei que ficaram fora dos vinte cinco primeiros após inúmeros azares. A Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC) deverá proceder com a abertura do período de inscrições para o 64º Grande Prémio de Macau dentro em breve. Sérgio Fonseca
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Espanha Liga recusa depósito de 222 milhões de euros por Neymar
A liga espanhola de futebol recusou ontem o depósito de 222 milhões de euros referente à transferência do brasileiro Neymar do FC Barcelona para o Paris SaintGermain. Quatro representantes de Neymar, entre eles um advogado especialista em direito desportivo, estiveram na sede do organismo, em Madrid, para depositar o valor da cláusula de rescisão de contrato de Neymar com o ‘Barça’, mas esbarraram na ‘nega’ dos responsáveis do organismo. No último domingo, o presidente da liga espanhola de futebol, Javier Tebas, disse que apresentaria queixa à UEFA se o Paris Saint-Germain avançasse para a contratação de Neymar, por desrespeitar as regras do ‘fair play’ financeiro. Na quarta-feira, o empresário do futebolista brasileiro Neymar Wagner Ribeiro confirmou que o Paris Saint-Germain pagaria os 222 milhões de euros da cláusula de rescisão.
opinião 17
sexta-feira 4.8.2017
FRANCISCO LOUÇÃ In esquerda.net
BLUEBIRD ART KNOWLEDGE IS KEY, BLENDA STUDIO (DETALHE)
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MAGINE que esteve uns dias sem ler jornais nem saber nada do nosso país, nem internet nem televisão. Chega hoje a sua casa, liga o mundo e fica a saber que Marcelo deu uma longa entrevista. Tem então duas possibilidades: ou lê o que se diz sobre a entrevista, ou lê a entrevista. O problema é que nenhuma delas lhe vai assegurar uma interpretação tranquila e consensual. Se ler a entrevista, vai-lhe parecer a recapitulação do que o presidente disse ao longo de ano e meio sobre todos os grandes assuntos: que os objectivos do défice são para cumprir e ir mais além, que é preciso mais crescimento, que há estabilidade política, que a maioria deve entender-se e não deve pregar sustos, que as forças armadas são uma peça chave, que o mundo dos negócios deve ser protegido, que é preciso investimento, que a desgraça de Pedrógão exige soluções. A bem dizer, não há uma novidade esfusiante, não há uma surpresa, não se adivinha uma inflexão – e é por isso mesmo que os marcelólogos se esforçam em descortinar subtilezas no tom e em gestos reveladores da alma do presidente, pouco mais lhes resta. Faltou a ameaça, faltou o caso, faltou a bordoada, faltou a intriga. Por isso, se, em vez de ler a entrevista, ler os comentários, talvez descubra umas entrelinhas subtis, como o faz o Expresso, e pouco mais. Mas, vai-se a ver, mesmo as entrelinhas são uma desilusão, não são? Que Passos Coelho está perdido, que não haverá dissolução do parlamento, que continuará a usar o mesmo estilo porque é assim que prefere, nada de novo. Marques Mendes, tido como um oráculo de Belém, acentua a distanciação. “Subtil e velada”, diz ele. “Mas deixou de ser o que às vezes alguns apelidavam de ‘porta-voz do Governo’”, acrescenta, numa frase cheia de carambolas: não nos diz que Marcelo foi o “porta-voz” do governo, ele nunca diria tal coisa, mas que “alguns” assim o chamavam; portanto, o presidente, que não é “porta-voz do governo”, vai deixar de ser o que “alguns” designavam como “porta-voz do governo”, portanto erradamente. Ou seja, não precisaria de deixar de ser o que não é, pois não? É tudo “subtil e velado”. Perante tão velada subtileza, os outros comentadores dividem-se. O director do DN, entrevistador, puxa pelos galões e acentua a interpretação mendiana: foi o “momento de Marcelo”, separaram-se as águas. No i, o mesmo: “a lua de mel acabou”. No Observador, regozijo: agora quem manda é Belém, regime presidencial. No PÚBLICO, o editorial afirma o contrário, foi um tédio, o presidente está “perdido no seu labirinto”. Afinal, o que ficamos a saber, quer leiamos a entrevista quer leiamos os comentadores? Rigorosamente o que já sabíamos antes. Ora, a chave da política portuguesa
A chave da política
dos últimos dois anos está precisamente aqui, não há surpresas, não há inquietações maiores, não há desespero. Ao contrário dos comentadores que se amofinam com a modorra nas declarações do presidente, eu leio nelas a percepção de que o país prefere viver sem sustos; ao contrário dos que se encantam com as ameaças que descobrem nos não-ditos, eu vejo continuidade. O que Marcelo e Costa perceberam, cada um à sua maneira, é que o modo da sua política deve estabelecer uma diferença marcada com o passado recente. Marcelo separa-se de Cavaco, que interpretava a austeridade melhor do que ninguém (e por isso se perdeu, com a lamúria sobre a sua pensão) e Costa separa-se do tempo da troika e do PSD e CDS (e por isso se perderam, com a sua gula de empobrecerem o país). Isso é totalmente óbvio na sua linguagem: ao contrário de Passos, que se passeia como se fora um primeiro-ministro no exílio e à espera de poder desembarcar no Terreiro do Paço, zangado com o mundo que o esqueceu, Costa sorri e é uma pessoa
normal, enquanto Marcelo corre o país a acarinhar o povo. De facto, ambos perceberam um segredo que pouco mais gente partilha: é que na política há dois mundos e dois tempos bem separados. Um é o frenesim de políticos e jornalistas, das grandes intrigas e das grandes frases (os suicidados de Pedrógão, ou que vivemos sob um governo totalitário porque o Ministério Público não juntou a senhora atropelada à outra lista das vítimas directas da tragédia!), outro é o da gente normal, que prefere que lhe garantam que não vão ser reduzidas as pensões dos nossos pais e que quer ver esforço para resolver as muitas dificuldades da sua vida.
O que Marcelo e Costa perceberam, cada um à sua maneira, é que o modo da sua política deve estabelecer uma diferença marcada com o passado recente
Quem vive na esfera da publicidade entusiasma-se com nada; em contrapartida, quem percebe a dessintonia entre esses dois mundos tem na mão a chave da política. Parece portanto que esses mundos não estão a falar um com o outro. Pois não, só um deles fala para as pessoas, o outro fala para si próprio. Quando o PSD e o CDS desistem de acusar o governo de afundar a economia do país (o diabo) e passam a dizer que os bons resultados são sua obra perpétua, ou quando passam da exigência de continuidade dos cortes em salários e pensões para o protesto contra a “austeridade” que recupera os rendimentos do trabalhador e do reformado, percebe-se ao que leva este efeito de bolha em que se prende a política da direita. O presidente e o primeiro-ministro, tão diferentes que eles são, percebem ambos que essa política da direita partidária lhes dá todo o espaço do mundo, precisamente porque se colocam noutra esfera, que é a da comunicação simples com as pessoas que vivem dificuldades. As sondagens assim o confirmam.
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TROVOADA
O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente EXPOSIÇÃO | “MY HANDS MOLD MY THOUGHTS” DE WU HIN LONG Macau Art Garden Até 27/8
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75-95%
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9.54
BAHT
EXPOSIÇÃO “NEW ART PEOPLE PROJECT 2017: BOUNDLESS 4” Armazém do Boi | Até 13/8 EXPOSIÇÃO “CONSTELLATION” DE NICOLAS DELAROCHE Galeria do Tap Seac | Até 08/10 EXPOSIÇÃO “O MAR” DE ANA MARIA PESSANHA Casa Garden | Até 31/08
O CARTOON STEPH
EXPOSIÇÃO “DESTROÇOS” DE VHILS Oficinas Navais, nº. 1 | Até 31/11
SOLUÇÃO DO PROBLEMA 92
DORAEMON THE MOVIE 2017: NOBITA’S GREAT ADVENTURE SALA 1
DORAEMON THE MOVIE 2017: NOBITA’S GREAT ADVENTURE IN THE ANTARTIC KACHI KOCHI [A] FALADO EM CANTONÊS Fime de: Atsushi Takahashi 14.30, 16.30, 19.15
WAR FOR THE PLANET OF THE APES [B] Fime de: Matt Reeves Com: Woody Harrelson, Sara Canning, Judy Greer 21.15
THE EMOJI MOVIE [A] FALADO EM CANTONÊS Fime de: Tony Leondis 14.15, 17.45, 19.30, 21.30
SALA 2
DISPICABLE ME 3 [A] FALADO EM CANTONÊS Fime de: Pierre Coffin, Kyle Balda, Eric Guillon 16.00
PROBLEMA 93
UM FILME HOJE
SUDOKU
DE
EXPOSIÇÃO “RESTLESS NATURE”: TONG CHONG Taipa Village Art Space | Até 6/9
C I N E M A
1.19
“NO HAY BANDA”
EXPOSIÇÃO “MAZU” DE GIULIO ACCONCI Até 27/7
Cineteatro
YUAN
PÊLO DO CÃO
EXPOSIÇÃO “A SIBÉRIA E O LAGO BAIKAL” DE ANDY LAO Find Art Macau
EXPOSIÇÃO “A ARTE DE ZHANG DAQIAN” Museu de Arte de Macau | Até 5/8
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Curioso como a ausência de algo pode saber a luxo. O som é uma manifestação sensorial sem qualificação, pode ser terrível como pode ser mágica. Existem timbres de voz que nos transportam para paisagens doces, a música eleva-nos, o barulho da chuva induz reflexão ou nostalgia. O sentido de audição é uma dádiva da biologia. Porém, a ausência, o silêncio é uma riqueza de incalculável valor. É onde nos encontramos, nos encaramos sem dispersão. O equivalente sensorial a olhar-nos ao espelho, a réplica do que é anterior ao nascimento e posterior à morte, o lugar onde somos antes e depois de sermos. Gosto da quietude do mutismo, da suspensão em que mergulha o mundo, da antecipação e fragilidade em que se funda. Há silêncios retóricos, silêncios que gelam o espírito, que anunciam perigo, que marcam solenidade e pesar. Depois há os gloriosos e pequenos silêncios quando deixamos corpos falar ou quando a música respira e pausa em majestosos interlúdios de nada. Preciso desta anunciação de vazio, de estar a sós com os barulhos da minha biologia, com a correria desenfreada dos meus pensamentos, como se estivesse debaixo de água ou a flutuar na ausência de gravidade espacial. Preciso da sensação irreal do Club Silencio no lynchiano Mulholland Drive. “No hay banda! There is no band. Il n’est pas de orquestra! This is all a tape-recording. No hay banda! And yet, we hear a band. If we want to hear a clarinette, listen. … It’s all a tape. It is an illusion.” João Luz
“MULHOLLAND DRIVE” | DAVID LYNCH
Este foi, na minha humilde opinião, o último grande filme de David Lynch antes de “Inland Empire” e da dispersão do realizador para outras formas de expressão artística. A narrativa, se é que posso usar esta expressão, vive em torno de uma jovem que tenta realizar o sonho de alcançar o sucesso em Hollywood. O destino da inexperiente actriz recém-chegada a Los Angeles, protagonizada por Naomi Watts, cruza-se com uma mulher que sofre de amnésia (Laura Harring). “Mulholland Drive” vive de tensões e momentos de profundo terror e beleza, do confronto entre situações reais e abismos subconscientes colados à estética do cinema noir. Imperdível e de aconselhável revisitação. João Luz
SALA 3
47 METERS DOWN [C] Fime de: Johannes Roberts Com: Mandy Moore, Claire Holt 14.15, 18.00, 21.45
CARS 3 [A] FALADO EM CANTONÊS Fime de: Brian Free 16.00, 19.45
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sexta-feira 4.8.2017
ALEXANDRA ASCENSO, VETERINÁRIA
A médica dos bichos que não iam de encontro ao que Alexandra Ascenso pretendia. “Os dias de férias, por exemplo, não me agradavam e para continuar em Macau, com qualidade de vida, precisava de fazer escolhas”, aponta.
UMA QUESTÃO DE MEDICINA
Apesar de a ideia geral ser de que para se seguir veterinária a condição essencial será gostar de animais, Alexandra Ascenso não concorda e afirma que a realidade não é propriamente essa. “O ideal é realmente gostar dos animais, mas há muitos veterinários, bons profissionais, que não gostam particularmente de bichos. “Não são o típico ‘dog lover’ que muitas vezes vemos em voluntários de associações de protecção animal.” Para Alexandra Ascenso, um veterinário é um médico, mas de animais e, como tal, “para ser bom profissional não tem de passar o dia a fazer festinhas aos animais e a derreter-se sempre que vê um cão ou um gato”. “Tem de se gostar de medicina”, vinca. No seu caso, junta-se o útil ao agradável. Alexandra Ascenso sempre quis seguir medicina e “até gostava muito de animais”.Asolução foi imediata e perfeita, até porque não se via a ter outro tipo de pacientes. O facto de os bichos não falarem é o grande desafio. “Temos de trabalhar muito com o que diz o dono, mas também temos de aprender a ver sinais que nos levam a perceber o que se passa com o animal”, comenta. É aqui que também existe alguma pedagogia: ensinar os donos a tratarem dos seus animais e a conhecê-los. “Noto que, na comunidade chinesa, há ainda clientes que não sabem muito bem o que é um cão e um gato – falo destas espécies porque são as que vemos com mais frequência. Têm o animal, mas não percebem as suas necessidades.” Alexandra Ascenso dá exemplos: “Há situações de gatos dentro de casa, em jaulas, porque os donos ainda não sabem que os gatos podem andar livremente. Por outro lado, há cães de médio porte que ainda vão à rua de troller”. No entanto, não deixa de sublinhar que, no território, as pessoas estão muito abertas ao que os veterinários dizem, o que faz com que seja fácil trabalhar em Macau. Sofia Margarida Mota
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ALEXANDRA ASCENSO
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HEGOU a Macau há sete anos. A vinda para o território aconteceu através de um contacto de um colega de profissão que cá estava. “Estavam a pedir um médico veterinário para uma substituição devido a umas férias e vim por um período de três meses, com a possibilidade de alargar o contrato”, conta Alexandra Ascenso ao HM. Agora, proprietária da sua clínica, a TaipaVet, a veterinária recorda que o caminho não foi fácil e que lhe pregou algumas partidas. Dos altos e baixos que tem encontrado, Alexandra Ascenso destaca, pela positiva, o tempo que trabalhou numa clínica chinesa. As diferenças foram evidentes entre o trabalho efectuado em clínicas ocidentais e locais. “O ambiente na clínica chinesa era muito bom mesmo”, refere. “A maioria dos profissionais era de Taiwan e fiquei muito surpreendida, até porque encontrei um ambiente mais acolhedor do que o que tinha encontrado antes”, recorda. Quando chegou a Macau, nem tudo foi simples e a adaptação entre colegas portugueses no território não correu da forma esperada. “Quando cheguei a Macau achei tudo muito fechado, havia muito poucas clínicas em termos veterinários e só conhecia os profissionais que trabalhavam comigo, sem que houvesse qualquer tipo de entreajuda”, lamenta. Habituada a Portugal, onde tinha trabalhado antes, a jovem profissional estranhou, mas foi com o convívio local que “os horizontes se voltaram a abrir”. Na parte técnica, os profissionais do território também não desapontaram. Independentemente de estar ou não de acordo com um ou outro procedimento, o profissionalismo é inquestionável. “Vinha com a ideia errada de que os médicos chineses são terríveis e, por regra, os veterinários têm uma boa formação”, comenta. A abertura de uma clínica aconteceu quase por acaso, “porque surgiu a oportunidade”, aponta. “Não sou grande fã no que respeita a gestão e o meu lema era que se me fossem oferecidas boas condições de trabalho, não haveria necessidade de ter o meu negócio”. Mas as circunstâncias foram diferentes. No local onde trabalhava existiam algumas particularidades
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sexta-feira 4.8.2017
Singra o navio. /Sob a água clara/ Vê-se o fundo do mar, de areia fina... / Impecável figura peregrina, /A distância sem fim que nos separa!” Camilo Pessanha
Onde pára a viúva? Advogado apresenta queixa à ONU por desaparecimento de Liu Xia
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lho, dia do funeral do opositor, afirma o texto de Jared Genser, advogado do casal, entregue ao Grupo de Trabalho sobre Desaparecimentos Forçados ou Involuntários da ONU. “Exijo que as autoridades chinesas apresentem imediatamente prova de que Liu Xia está viva e que lhe autorizem um acesso sem restrições à família, amigos, advogados e à comu-
REUTERS
TIMOR-LESTE ESTUDANTE DE 15 ANOS MORRE EM CONFRONTO ENTRE JOVENS
M advogado norte-americano acusou ontem o regime chinês de ser responsável pelo desaparecimento e detenção da viúva do dissidente e prémio Nobel da Paz Liu Xiaobo e anunciou ter apresentado queixa junto das Nações Unidas. Liu Xia “está guardada pelas autoridades chinesas num local desconhecido” desde 15 de ju-
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PUB
comandante da polícia timorense disse ontem que um jovem de 15 anos morreu na sequência de uma discussão entre alunos numa escola no município de Baucau, negando que se tenha tratado de um incidente político. “Não houve qualquer problema político. Foi um confronto entre alunos de uma escola secundária que começaram a discutir”, explicou à Lusa Júlio Hornay, comandante da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL). Hornay explicou que o incidente ocorreu no dia 31 de julho numa escola no suco [freguesia] de Tequinomata, posto administrativo de Laga, a sul de Baucau, a segunda cidade timorense. O incidente chegou a ser divulgado pela equipa de segurança das Nações Unidas em Díli como um confronto entre apoiantes de dois partidos políticos e que tinham sido mortas duas pessoas. Hornay criticou essa informação, - enviada por SMS pelo sistema de alerta da ONU que é recebido por vários cidadãos estrangeiros em Timor-Leste -, afirmando que já escreveu ao responsável da ONU em Díli a esclarecer a informação. “Não houve confrontos políticos nenhuns. Essa informação é falsa. Foram estudantes dentro da classe, durante o tempo de exame, que começaram a discutir”, afirmou Hornay. “Levaram essa discussão até lá fora e dois jovens começaram a lutar. Um levou uma pedrada e faleceu no hospital. A polícia chegou rapidamente. O suspeito está detido”, acrescentou.
nidade internacional”, adianta Genser no texto também enviado à agência France Presse. Liu Xia, 56 anos, foi colocada em prisão domiciliária no seu apartamento de Pequim depois de Liu Xiaobo ter sido galardoado com o prémio Nobel da Paz em 2010, após ter sido condenado a 11 anos de prisão por subversão por ter exigido reformas democráticas na China. Ela nunca foi alvo de qualquer condenação ou processo. Segundo Genser, desde a véspera da morte do marido que Liu Xia não contacta com qualquer dos seus familiares.
ÚLTIMO RETRATO
Jared Genser, advogado do casal “Exijo que as autoridades chinesas apresentem imediatamente prova de que Liu Xia está viva e que lhe autorizem um acesso sem restrições à família, amigos, advogados e à comunidade internacional.”
O regime comunista divulgou fotografias da viúva durante o funeral de Liu Xiaobo, mas desde então nunca disse onde se encontrava. Pequim nunca reconheceu que Liu Xia está privada de liberdade. Amigos da família disseram ontem à agência noticiosa espanhola EFE que Liu Xia está em Pequim sob vigilância, desconhecendo-se exactamente onde e com quem. Adiantam que o regime mantém a viúva incomunicável para evitar que “conte ao mundo o ocorrido” consigo e com o marido. Liu Xiaobo morreu aos 61 anos com um cancro no fígado num hospital do nordeste da China, a 13 de Julho, algumas semanas após ter sido colocado em liberdade condicional por razões de saúde. Pequim, acusado de ser responsável pela degradação do seu estado de saúde, recusou que fosse tratado no estrangeiro.
Caxemira Dois soldados indianos e dois rebeldes mortos
Dois soldados e dois rebeldes morreram ontem na região himalaia de Caxemira, dividida entre a Índia e o Paquistão, com ambos países a reclamarem soberania sobre a zona. De acordo com o director-geral da polícia indiana S.P. Vaid, militantes emboscaram soldados na zona de Shopian, no sul da região, onde as tropas tinham efectuado uma busca numa aldeia depois de terem recebido informações sobre a alegada presença de rebeldes no local. Um dos soldados mortos era um major do exército indiano, disse. Vaid acrescentou que os dois rebeldes foram mortos numa outra emboscada, efectuada pelas forças governamentais indianas na zona de Kulgam, também no sul da região de Caxemira. Grupos rebeldes lutam contra a presença indiana em Caxemira desde 1989. Cerca de 70 mil pessoas já morreram no conflito.
JAPÃO NOMEADOS NOVOS MINISTROS NA DEFESA E NEGÓCIOS ESTRANGEIRO
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primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, nomeou ontem novos ministros para as pastas da Defesa e dos Negócios Estrangeiros, para “recuperar a confiança dos cidadãos”, anunciou o porta-voz. Itsunori Onodera foi nomeado para a Defesa, na sequência da demissão de Tomomi Inada na passada semana. Onodera tinha já ocupado esta pasta entre Dezembro de 2012 e Setembro de 2014, disse Yoshihide Suga. Inada demitiu-se na passada semana, na sequência de um escândalo de ocultação de dados relativos à missão de paz japonesa no Sudão do Sul. Com a demissão de Inada, o Governo de Abe passa a ter apenas duas mulheres a liderar Ministérios: Seiko Noda, na Administração, e Yoko Kamikawa, na Justiça. Fumio Kishida, chefe da diplomacia nipónica desde o final de 2012, foi substituído por Taro Kono. Kishida, um dos ministros mais importantes do Governo, é visto como possível sucessor de Abe e vai passar, a partir de agora, para a direcção do Partido Liberal Democrata (PLD, no poder), indicou Suga. Ao anunciar esta remodelação, Shinzo Abe reconheceu que o objectivo é “recuperar a confiança dos cidadãos”, após uma sequência de escândalos que abalaram o Governo, desgastando a imagem. A popularidade do Executivo japonês caiu 15 pontos percentuais, situando-se em cerca de 30%, enquanto Abe atravessa o pior momento deste que chegou ao poder no final de 2012.