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Hoje Macau 4 JUL 2017 #3845

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ PUB

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

CHINA-EUA

Provocação no Mar do Sul

MOP$10

TERÇA-FEIRA 4 DE JULHO DE 2017 • ANO XVI • Nº 3846

hojemacau

PÁGINA 12

TAIPA ART VILLAGE

PEREIRA COUTINHO PEDE DESCULPA AO GABINETE DE LIGAÇÃO

Natureza sem descanso EVENTOS

Cinco jovens impedidos de entrar em Kong Kong ÚLTIMA

Pereira Coutinho criticara, puro e duro, o convite para jantar que o Gabinete de Ligação endereçou a Jorge Valente. Mas agora terá com-

preendido que fora injusto, na medida em que acusou todo o gabinete quando a culpa, segundo revela, foi apenas de um departamento.

PÁGINA 5

PARTIDO COMUNISTA CHINÊS

Cem anos de multidão GRANDE PLANTO

www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

ACTIVISTAS

Erro meu...


2 GRANDE PLANO

H

“

Á um século, o comunismo era encarado como um fantasma. Quando foi fundado, em 1921, poucos eram aqueles que acreditavam que o Partido Comunista Chinês (PCC) poderia sobreviver. Agora, o mundo observa o maior partido do mundo no poder em direcção aos objectivos do seu primeiro centenário.” É assim que começa um longo texto da agência oficial chinesa sobre os 96 anos do PCC, comemorados este ano à sombra da transferência de soberania de Hong Kong. O número não é redondo e o foco esteve na mais antiga (e problemática) das duas regiões administrativas especiais, com o líder do partido a deslocar-se à antiga colónia britânica. A Xinhua encarregou-se de que a data não fosse esquecida, com um texto em que são reconhecidas dificuldades, mas em que o futuro se pinta risonho. O PCC vive este ano um momento histórico: no Outono, o congresso do partido vai escolher os líderes para mais cinco anos, com a renovação de vários elementos do Politburo, e serão eles que vão estar no poder quando se assinalar o centenário. Para os 100 anos, existe uma meta: fazer com que a China seja “um país abastado”. Assim que este objectivo for alcançado, refere a agência oficial, quase um quinto da população mundial viverá numa “sociedade moderadamente próspera em todos os aspectos”. “O PCC está confiante e determinado”, sublinha a Xinhua. Os autores do texto reconhecem que nem tudo foram – e são – rosas. “Desde o seu estabelecimento, o partido foi recebido com dúvidas, incapacidade de compreensão e até hostilidade. Não obstante, cresceu como uma das histórias do mundo mais bem-sucedidas e excitantes.” Quando o PCC foi fundado, recorda-se, a China era uma nação pobre marcada por invasões estrangeiras e pela guerra civil. Hoje em dia, é a segunda maior economia do mundo e um dos

ANÁLISE PARTIDO COMUNISTA CHINÊS A CAMINHO DO CENTENÁRIO

A VIA DA ˜ ` PERFEICAO Vai a caminho dos 100 anos. Na versão oficial dos acontecimentos, contam-se mais feitos do que derrotas, mais tiros certeiros do que danos colaterais. O Partido Comunista Chinês celebrou 96 anos entre as celebrações das duas décadas da transferência de soberania de Hong Kong. Tem pela frente vários desafios, mas a corrupção é o único assumido

principais actores do cenário político internacional.

A IMPORTÂNCIA DO LÍDER

No início, era um grupo de 50 pessoas. Hoje, o partido tem mais de 89 milhões de membros, um número revisto e aumentado recentemente (ver texto nestas páginas). A estrutura partidária tem mais gente do que a população da Alemanha, congratula-se a agência de notícias. “A legitimidade política advém da competência e da prosperidade”,

atesta Zhang Weiwei, director do Instituto de Estudos da China, da Universidade Fudan, citado pela Xinhua. “A experiência do PCC demonstra que o principal teste de um bom sistema é o modo como assegura a boa governação, na percepção das pessoas que vivem nesse país.” Não há memória de a China ter tão boas condições como as actuais, prossegue o académico, que considera existirem todas as razões para acreditar que o partido está a conduzir o país de

Confiante no seu próprio percurso, a China não tem qualquer intenção de promover o seu modelo como uma alternativa para outras pessoas ou países, garante a agência oficial chinesa

“regresso ao centro do palco do mundo”. No ano passado, Xi Jinping, o secretário-geral do PCC, ganhou um novo estatuto: passou a ser o líder central da estrutura, uma “promoção” que, na altura, foi entendida por analistas fora da China como sendo um reforço excessivo de poder. A versão oficial coloca a questão noutros termos: os especialistas consultados pela Xinhua consideram que o posicionamento de Xi Jinping é a chave para o partido e para o país, para que ambos possam desenvolver-se indo pelo caminho certo. Liu Dongchao, professor da Academia Chinesa de Governação, explica que os chineses precisam de estar unidos em torno de uma figura central, porque a sua influência pode ligar as pessoas, e garantir a sabedoria colectiva para formular e implementar políticas adequadas. Durante os primeiros 14 anos de existência, o PCC não teve um líder forte, o que fez com que se tivessem registado “vários percalços na causa revolucionária”,

contextualiza a Xinhua. “O partido esteve prestes a desaparecer.” Em 1935, Mao Zedong impôs a sua autoridade no comité central e na estrutura militar. “Desde então, a liderança do PCC tem sido essencial para ultrapassar as dificuldades.” Agora, Xi Jinping está determinado em fazer com que “a nação cumpra o sonho chinês do rejuvenescimento nacional, tendo estabelecido um plano para promover o desenvolvimento económico, político, cultural, social e ecológico de características socialistas”. O secretário-geral do partido quer alcançar “um desenvolvimento partilhado” numa altura em que “manter o crescimento sustentável se torna cada vez mais difícil”. O académico Xin Ming, do Escola do Partido do Comité Central do PCC, garante que “o marxismo


Os especialistas consultados pela Xinhua consideram que o posicionamento de Xi Jinping é a chave para o partido e para o país

3 hoje macau terça-feira 4.7.2017 www.hojemacau.com.mo

CORRUPÇÃO CORTAR O MAL PELA RAIZ

“A

chave para se fazerem bem as coisas na China está no PCC.” Porque existem alguns espinhos, a agência oficial reproduz os avisos reiterados da liderança em relação à corrupção e admite que é preciso melhorar esta dimensão para que seja possível ao partido manter-se no poder. Desde que Xi Jinping assumiu o poder – primeiro na estrutura partidária, depois como Presidente – que uma forte campanha anticorrupção tem varrido o país. Aparentemente, ninguém tem sido poupado: desde o 18.o Congresso Nacional do PCC, foram investigados pelo menos 240 altos quadros e mais de um milhão de funcionários em níveis mais baixos da hierarquia. As avaliações internas têm mostrado resultados: mais de 50 por cento dos processos relativos a pessoas sob a alçada da Administração Central foram desencadeados por inspectores da Comissão Central para a Inspecção da Disciplina. O partido lançou ainda uma série de campanhas nos últimos anos, com destaque para a aproximação à população e o combate aos excessos cometidos por funcionários. Zhang Weiwei, director do Instituto de Estudos da China, destaca que, em termos internacionais, as incertezas que hoje se vivem fazem com que se questione a definição da legitimidade da governação. “Neste contexto, a quase centenária sabedoria do PCC e as suas práticas podem ser cada vez mais relevantes”, remata. HM continua e deve continuar a ser a directriz principal do partido”.

CONSENSO E POBREZA

Nesta análise da agência oficial chinesa, as conquistas da China são totalmente atribuídas ao PCC, que criou “a receita para o sucesso” – o socialismo com características chinesas. É através deste modelo que o partido

“representa os interesses da grande maioria das pessoas e as coloca em primeiro lugar”. As reformas que têm sido levadas a cabo têm na base decisões que “reflectem o consenso generalizado da sociedade chinesa”. A estabilidade social é mantida, aponta a Xinhiua, sem fazer qualquer referência às vozes que não concordam com o regime ou

CRESCENTE MODERADO

S

ó no último ano, o Partido Comunista Chinês (PCC) conseguiu acrescentar mais 688 mil membros à sua longa lista, que vai em 89.447 milhões. De acordo com dados oficiais, verificou-se uma mudança significativa entre as classes mais baixas da população: há mais 105 mil membros, para um total que vai agora em 4,518 mil milhões. Em nota oficial, o Departamento de Organização do Comité Central do PCC realça que as estatísticas demonstram que houve um reforço do vigor e da vitalidade do partido. Explica-se ainda que a taxa de crescimento de membros tem estado a diminuir desde 2013 porque o PCC implementou métodos de recrutamento que valorizam a qualidade dos candidatos. Entre os novos membros, 1571 têm menos de 35 anos.

às críticas sobre os direitos humanos, nem tampouco às teorias de analistas que avisam para a possível oposição de uma crescente classe média, mais exigente em termos políticos. No aspecto económico, prossegue o texto, a relação entre Governo e mercado tem sido capaz de garantir que o país saiu ileso dos tempos conturbados vividos em termos internacionais. O caminho escolhido tem vindo a conquistar um vasto apoio da população, “graças sobretudo ao facto de a maioria das pessoas ter visto os seus padrões de vida melhorar significativamente nas últimas décadas”, observa Liu Dongchao. A análise do professor da Academia Chinesa de Governação é subscrita pelo académico Xin Ming, que considera que a visão de Xi Jinping acerca do sonho chinês garantiu a união da maioria das pessoas no país.

As reformas que têm sido levadas a cabo têm na base decisões que “reflectem o consenso generalizado da sociedade chinesa” “O partido inspira um espírito de luta por um futuro melhor.” A agência oficial deixa números como prova do sucesso do caminho da China comandada pelo PCC: mais de 700 milhões de pessoas saíram da pobreza. Só nos últimos quatro anos, 55 milhões de chineses deixaram essa condição. O partido olha agora para os 40 milhões que

ainda não conseguiram deixar de ser pobres. Em 2020, os residentes das áreas rurais já não deverão ter preocupações com comida e alimentação, e deverão ter garantidos serviços médicos básicos, educação e habitação. Todos eles sairão da pobreza, perspectiva a agência. “Desde que se preste atenção, se pense da forma correcta, se tomem medidas efectivas e se trabalhe com os pés na terra, é perfeitamente possível acabar com a pobreza”, afirmou Xi Jinping numa recente viagem à província de Shanxi, no norte do país. A Xinhua não deixa de enviar um recado no texto publicado no seu site em língua inglesa: “Confiante no seu próprio percurso, a China não tem qualquer intenção de promover o seu modelo como uma alternativa para outras pessoas ou países.” HM


4 POLÍTICA

hoje macau terça-feira 4.7.2017

Para Angela Leong, candidata às eleições pela lista Nova União para Desenvolvimento de Macau, basta a criação de um programa de arrendamento para que os jovens possam resolver os problemas da falta de habitação. A lista defende licenciaturas gratuitas para residentes

ANGELA LEONG DEFENDE PROGRAMA DE ARRENDAMENTO JOVEM

Contar as patacas

CURSOS PARA TODOS

Outra das ideias do programa político da empresária é a oferta de licenciaturas gratuitas para todos os residentes.

“Um dormitório para jovens também se inclui na política ‘terras de Macau destinadas às gentes de Macau’, porque seriam para os residentes e não para os jovens vindos do exterior.”

A

deputada Angela Leong entregou ontem na Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa os nomes que fazem parte da lista com que se candidata às eleições deste ano, a Nova União para o Desenvolvimento de Macau. Foram também apresentados alguns detalhes do programa político. Angela Leong defende não só a melhoria da política de habitação pública, mas também a implementação de um “plano de dormitórios jovens”, com rendas mais acessíveis. “Espero que se possa implementar uma zona de dormitório para jovens, onde as pessoas poderiam arrendar casas a um preço muito baixo”, disse ontem aos jornalistas. Para Angela Leong, “um dormitório para jovens também se inclui na política ‘terras de Macau destinadas às gentes de Macau’, porque seriam para os residentes e não para os jovens vindos do exterior”, acrescentou. Os destinatários seriam “pessoas licenciadas, que começaram agora a trabalhar”. “Muitos dos jovens, quando entram no mercado de trabalho, vivem numa casa muito pequena. Esta medida dar-lhes-ia a oportunidade de conseguirem juntar dinheiro para, no futuro, adquirirem uma casa. Os preços do mer-

cado imobiliário continuam elevados”, explicou. Na semana passada, Melinda Chan, da lista Aliança Pr’a Mudança, apresentou o seu programa onde defende a criação, na zona A dos novos aterros, de uma zona com habitações destinadas apenas aos residentes que queiram adquirir a sua primeira casa. Angela Leong prefere, pelo contrário, apostar numa maior flexibilidade em matéria de arrendamento, sendo que o dormitório para jovens não teria necessariamente de ser nos novos aterros. “Pode ser noutro local, mas o Governo precisa de disponibilizar mais terrenos. Só quero que o Governo faça isto”, adiantou.

ANGELA LEONG CANDIDATA ÀS ELEIÇÕES

MACAENSES PELA CULTURA E PELO DESPORTO

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ngela Leong escolheu ainda dois macaenses para integrar a sua lista. No número oito está Armando Amante, que se candidata pela área desportiva. Aos jornalistas, disse ontem serem necessárias mais infra-estruturas para a prática do desporto. No número 12 está José Luís Pedruco Achiam, coordenador de actividades na SJM. “Queremos preservar a identidade macaense e a cultura, e queremos também promover a língua portuguesa, tendo em conta a política ‘Uma Faixa, Uma Rota’ e a cooperação com os países da língua portuguesa. Queremos que haja mais bilingues para participar nesta política e queremos promover mais a educação neste sentido. Queremos que haja uma melhor preparação para que Macau possa ter este papel de ligação”, adiantou José Luís Pedruco Achiam.

EM NOME DA PLURALIDADE

A

ngela Leong concorre às eleições deste ano ao lado do empresário William Kuan, ligado ao sector imobiliário. Arnaldo Ho é o número três e estreia-se nas eleições. “Tenho feito muito trabalho na área do serviço social nos últimos anos. Queremos chegar aos jovens que estão na mesma situação que eu, que acabaram recentemente os seus cursos ou que querem entrar no mercado de trabalho. A nossa geração tem um pensamento diferente, e ao participar nas eleições posso captar mais a atenção dos jovens, para que compreendam melhor Macau.” Há também rostos conhecidos, como é o caso de Hetzer Siu, número quatro da lista, que concorre novamente para proteger os direitos dos portadores de deficiência. O director da Macau Special Olympics referiu que é necessário legislar para garantir a igualdade de acesso dos deficientes ao emprego e à educação. “O Governo tem referido que dá apoio aos portadores de deficiência, mas ainda não criou uma lei que determine essa igualdade e que garanta a protecção dos deficientes.” A Nova União para o Desenvolvimento de Macau tem também um candidato com deficiência auditiva, Szeto Tie Fung, que se expressa apenas em linguagem gestual. Na sua visão, o facto de integrar uma lista candidata às eleições legislativas pode marcar a diferença e chamar a atenção para as dificuldades dos portadores de deficiência.

“Angela Leong vai promover licenciaturas gratuitas para todos os residentes de Macau”, explicou Ambrose So, mandatário da lista. Além do foco na educação, “os pontos mais importantes da campanha são o desenvolvimento da indústria do jogo e os apoios sociais para os trabalhadores”, frisou o administrador da Sociedade de Jogos de Macau. Tsui Po Fung, um dos membros da lista falou da necessidade de reformar todo o sistema educativo. “Deveria haver oportunidades de aprendizagem para todos, trata-se de um direito. Porque não podemos dar às pessoas sem possibilidades financeiras cursos no ensino superior? Deveríamos, porque o Governo de Macau não é pobre. Vamos lutar pela criação de licenciaturas gratuitas.” Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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TIAGO ALCÂNTARA

Um já era muito bom

POLÍTICA

SOFIA MARGARIDA MOTA

Lam U Tou reconhece que luta eleitoral não o beneficia

S

ÃO cinco ou seis candidatos, liderados por Lam U Tou, que em tempos esteve ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM). O director da Associação Sinergia de Macau decidiu candidatar-se, noticiou o Jornal Tribuna de Macau. Ao HM, Lam fala num processo de alguma indecisão e em várias dificuldades. O pedido de reconhecimento da comissão de candidatura foi submetido a 9 de Junho. O processo para a preparação da equipa não foi fácil, refere. “De acordo com a lei, os grupos de candidatos às eleições pela via directa têm de ser compostos por, pelo menos, quatro membros”, assinala, acrescentando que a lista que encabeça junta pessoas que estão fora da Associação Sinergia de Macau. “A recolha de assinaturas e os recursos para a campanha eleitoral também foram difíceis, mas quando conseguimos arranjar quatro nomes, decidimos candidatar-nos”, conta Lam U Tou. A questão da escassez de recursos poderá ser resolvida recorrendo à angariação para a recolha de fundos, com actividades que deverão ser divulgadas em breve pela “Poder da Sinergia”, nome escolhido para a lista. Quanto ao programa político, Lam U Tou prefere não adiantar detalhes, mas assegu-

ra que a proposta do grupo será entregue esta semana junto da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa. O líder da “Poder da Sinergia” deixa, porém, algumas ideias, esclarecendo desde logo que o grande objectivo é apresentar propostas que possam ser efectivamente concretizadas. “Esperamos que alguns assuntos que influenciam a vida dos cidadãos sejam os primeiros a ser resolvidos. São matérias consensuais. Vamos submeter as nossas propostas, que são viáveis”, promete. Lam U Tou considera que só através da resolução de alguns assuntos, “ignorados nos últimos anos”, é que “a sociedade poderá retomar a confiança e cooperar para se encontrarem soluções”.

ASSOCIAÇÃO COM POUCO PESO

No que toca ao sucesso desta candidatura, o ex-membro da FAOM diz acreditar na possibilidade de conquistar um assento na Assembleia Legislativa, mas reconhece que existem muitos obstáculos para ultrapassar, a começar pelo facto de a associação que lidera ter sido criada há pouco tempo. No campo das vantagens está o facto de ter trabalho feito na área dos serviços sociais. O passado cívico de Lam U Tou leva-o a pensar que tem capacidade “para ouvir o que os cidadãos têm a dizer e avançar com propostas para solucionar os problemas sociais”. Ainda assim, Lam U Tou vinca que o objectivo da “Poder da Sinergia” é eleger apenas um deputado. Vítor Ng (com I.C.) info@hojemacau.com

Gabinete de Ligação COUTINHO PEDE DESCULPAS COM ANÚNCIO EM JORNAL

“Sou um homem livre”

O deputado José Pereira Coutinho publicou um anúncio no jornal Ou Mun para pedir desculpas ao Gabinete de Ligação, depois de ter feito acusações sobre a realização de um jantar onde Jorge Valente discursou. Garante que não sofreu pressões para dar a mão à palmatória

A

realização de um jantar organizado pelo Gabinete de Ligação, em que participaram algumas das mais altas individualidades políticas e sociais, incluindo Jorge Valente, candidato às eleições, causou insatisfação a José Pereira Coutinho. Depois das declarações aos jornais, chegou agora um pedido público de desculpas ao Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM, publicado no jornal Ou Mun, diário de língua chinesa. Na declaração, o deputado à Assembleia Legislativa escreveu que, quando foi questionado pelos meios de comunicação social sobre o jantar em questão, “fez especulação sem ter em conta a real situação”. O também candidato às eleições, pela lista Nova Esperança, pede, por isso, desculpas pelo facto “de as suas respostas terem influenciado de forma negativa o Gabinete de Ligação”. Pereira Coutinho elogiou ainda o trabalho que tem vindo

a ser desempenhado pelo órgão que representa o Governo Central na RAEM, tendo ainda agradecido o apoio que o Gabinete de Ligação tem dado ao desenvolvimento do território.

SEM MEDO

Em declarações ao HM, o deputado e presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) afirma que não se sentiu pressionado a apresentar um pedido de desculpas. “Eles contactaram-me e sentiram-se injustiçados pelo facto de estar a atribuir responsabilidades a todo o gabinete, quando, no fundo, não foi isso que aconteceu. Foi apenas um departamento e não o gabinete inteiro. Achei que acusar todo o gabinete não seria o mais correcto”, explicou. “Não retiro as minhas declarações, mas foi apenas um departamento que fez aquilo”, acrescentou. “Não me senti pressionado a publicar este anúncio, de maneira alguma. Sou um homem livre. Mas temos de ser justos.”

Na altura, José Pereira Coutinho disse sentir-se injustiçado pelo facto de um outro candidato às eleições (Jorge Valente integra a lista Aliança Pr’a Mudança, de Melinda Chan) ter feito um discurso no jantar, sem esquecer o facto de não ter sido convidado para o evento. Agora, a postura é diferente. “Não quero fazer mais comentários sobre aquele jantar. Cada um que tire as suas próprias conclusões”, disse apenas.

“Não me senti pressionado a publicar este anúncio, de maneira alguma. Sou um homem livre. Mas temos de ser justos.” JOSÉ PEREIRA COUTINHO DEPUTADO

Em meados do mês passado, em declarações ao jornal Ponto Final, José Pereira Coutinho chegou a falar da existência de uma possível influência nas eleições legislativas de Setembro. “O próprio Governo Central, através do Gabinete de Ligação, até já reuniu, na semana passada, com os membros da comunidade portuguesa – à excepção da minha pessoa e da Rita Santos, que não fomos convidados –, solicitando que a nata da comunidade portuguesa votasse no Jorge Valente”, disse na altura. “A participação cívica dos mais jovens na política é um dos pontos do nosso programa. Mas acho que as eleições têm de ser justas. Recebi muitos telefonemas de pessoas que ficaram muito incomodadas por o Governo Central intervir [nas eleições], arranjando um jantar à porta fechada, convidando a ‘nata’ a votar no Jorge [Valente]. Acho que isto é injusto”, apontou ainda o actual deputado. Andreia Sofia Silva e Victor Ng info@hojemacau.com.mo


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hoje macau terça-feira 4.7.2017

EDITAL

EDITAL

Edital n.º : 70/E-BC/2017 Processo n.º :170/BC/2014/F Assunto :Demolição de obra não autorizada pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Local :Rua da Concórdia n.º 71, EDF. Industrial Wan Tak, Bloco 2, fracções 9.º andar C (CRP:C9) e 9.º andar D (CRP:D9), Macau.

Edital n.º : 71/E-BC/2017 Processo n.º :170/BC/2014/F Assunto :Demolição de obra não autorizada pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Local :Rua da Concórdia n.º 71, EDF. Industrial Wan Tak, Bloco 2, fracção 7.º andar C (CRP:C7), Macau.

Cheong Ion Man, subdirector da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, no uso das competências delegadas pelo Despacho n.º 12/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da RAEM n.º 38, II série, de 23 de Setembro de 2015, faz saber que fica notificada a proprietária das fracções 9.º andar C (CRP:C9) e 9.º andar D (CRP:D9), O Soi Wong, do seguinte:

Cheong Ion Man, subdirector da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, no uso das competências delegadas pelo Despacho n.º 12/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da RAEM n.º 38, II série, de 23 de Setembro de 2015, faz saber que fica notificada a proprietária da fracção 7.º andar C (CRP: C7), Wong In Fong, do seguinte:

1.

1.

Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que nos locais acima indicados realizou-se a seguinte obra não autorizada:

1.1 2.

3.

4.

5.

6.

Obra

Obra Infracção ao RSCI e motivo da demolição Construção de paredes em alvenaria de tijolo e Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de instalação de um portão metálico no corredor comum. evacuação.

De acordo com o n.º 1 do artigo 95.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M, de 9 de Junho, foi realizada, no seguimento de notificação por ofício n.º 10264/DURDEP/2016 de 28 de Julho de 2016, a audiência escrita da interessada, mas esta não apresentou a resposta no prazo indicado e não foram carreados para o procedimento elementos ou argumentos de facto e de direito que pudessem conduzir à alteração do sentido da decisão de ordenar a demolição da obra não autorizada acima indicada. Sendo os corredores comuns do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI. Assim, nos termos do n.º 1 do artigo 88.º do RSCI e no uso das competências delegadas pela alínea 6) do n.º 1 do Despacho n.º 12/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da RAEM n.º 38, II série, de 23 de Setembro de 2015, por despacho de 29 de Junho de 2017 exarado sobre a informação n.º05134/DURDEP/2017, ordena ao dono da obra ou seu mandatário que procedam, por sua iniciativa, no prazo de 8 dias contados a partir da data da publicação do presente edital, à demolição da obra acima indicada e à reposição dos locais afectados, bem como aos interessados e aos utentes que procedam à remoção de todos os materiais e equipamentos neles existentes e à sua desocupação, devendo, para o efeito e com antecedência, apresentar nesta DSSOPT o pedido da demolição da obra ilegal, cujos trabalhos só podem ser realizados depois da sua aprovação. A conclusão dos referidos trabalhos deverá ser comunicada à DSSOPT para efeitos de vistoria. Findo o prazo da demolição e da desocupação, não será aceite qualquer pedido de demolição da obra acima mencionada. De acordo com o n.º 2 do artigo 139.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica ainda que nos termos dos n.os 1 e 2 do artigo 89.º do RSCI, findo o prazo referido, a DSSOPT, em conjunto com outros serviços públicos e com a colaboração do Corpo de Polícia de Segurança Pública, procederá à execução dos trabalhos acima referidos, sendo as despesas suportadas pelos infractores. Além disso, findo o prazo da demolição e da desocupação voluntárias, a DSSOPT dará início aos trabalhos de demolição e de desocupação, os quais, uma vez iniciados, não podem ser cancelados. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o no 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração ou de segurança do edifício. Nos termos do n.º 1 do artigo 97.º do RSCI e das competências delegadas pelo n.º 4 do Despacho n.º 12/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da RAEM n.º 38, II série, de 23 de Setembro de 2015, da decisão referida no ponto 3 do presente edital cabe recurso hierárquico necessário para o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a interpor no prazo de 8 (oito) dias contados a partir da data da publicação do presente edital.

RAEM, 29 de Junho de 2017 Pelo Director dos Serviços O Subdirector Cheong Ion Man

Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado realizou-se a seguinte obra não autorizada:

1.1

Infracção ao RSCI e motivo da demolição

Construção de um compartimento com cobertura Infracção ao n.º 12 do artigo 8.º, obstrução do acesso aos pontos metálica, paredes em alvenaria de tijolo e janelas de de penetração no edifício. vidro no pódio em frente da fracção.

2.

De acordo com o n.º 1 do artigo 95.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M, de 9 de Junho, foi realizada, no seguimento de notificação por ofício n.º 10263/DURDEP/2016 de 28 de Julho de 2016 e por edital n.º 145/E-BC/2016 publicado nos jornais em língua chinesa e em língua portuguesa de 11 de Novembro de 2016, a audiência escrita dos interessados, mas estes não apresentaram a resposta no prazo indicado e não foram carreados para o procedimento elementos ou argumentos de facto e de direito que pudessem conduzir à alteração do sentido da decisão de ordenar a demolição da obra não autorizada acima indicada.

3.

O pódio acima referido é considerado como ponto de penetração para realização de operações de salvamento de pessoas e de combate a incêndios, não podendo ser obstruído com elementos fixos de acordo com o disposto no n.º 12 do artigo 8.º do RSCI. Assim, nos termos do n.º 1 do artigo 88.º do RSCI e no uso das competências delegadas pela alínea 6) do n.º 1 do Despacho n.º 12/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da RAEM n.º 38, II série, de 23 de Setembro de 2015, por despacho de29 de Junho de 2017 exarado sobre a informação n.º 05134/DURDEP/2017, ordena ao dono da obra ou seu mandatário que procedam, por sua iniciativa, no prazo de 8 dias contados a partir da data da publicação do presente edital, à demolição da obra acima indicada e à reposição dos locais afectados, bem como aos interessados e aos utentes que procedam à remoção de todos os materiais e equipamentos neles existentes e à sua desocupação, devendo, para o efeito e com antecedência, apresentar nesta DSSOPT o pedido da demolição da obra ilegal, cujos trabalhos só podem ser realizados depois da sua aprovação. A conclusão dos referidos trabalhos deverá ser comunicada à DSSOPT para efeitos de vistoria.

4.

Findo o prazo da demolição e da desocupação, não será aceite qualquer pedido de demolição da obra acima mencionada. De acordo com o n.º 2 do artigo 139.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se ainda que nos termos dos n.os 1 e 2 do artigo 89.º do RSCI, findo o prazo referido, a DSSOPT, em conjunto com outros serviços públicos e com a colaboração do Corpo de Polícia de Segurança Pública, procederá à execução dos trabalhos acima referidos, sendo as despesas suportadas pelos infractores. Além disso, findo o prazo da demolição e da desocupação voluntárias, a DSSOPT dará início aos trabalhos de demolição e de desocupação, os quais, uma vez iniciados, não podem ser cancelados.

5.

Nos termos do n.º 7 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 12 do artigo 8.º, é sancionável com multa de $2 000,00 a $20 000,00 patacas.

6.

Nos termos do n.º 1 do artigo 97.º do RSCI e das competências delegadas pelo n.º 4 do Despacho n.º 12/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da RAEM n.º 38, II série, de 23 de Setembro de 2015, da decisão referida no ponto 3 do presente edital cabe recurso hierárquico necessário para o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a interpor no prazo de 8 (oito) dias contados a partir da data da publicação do presente edital.

RAEM, 29 de Junho de 2017 Pelo Director dos Serviços O Subdirector Cheong Ion Man


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Eleições FAOM ENTREGA LISTA DE CANDIDATOS E PROGRAMA POLÍTICO

Cuidado com a concorrência Wong, Leong Pou U, Iao Kai Man, Chio Lan Ieng, Leong Meng Ian e Un Oi Mou. A ex-deputada Leong Iok Wa é a mandatária da lista, tendo referido que desde 1992 que a União para o Desenvolvimento tem conseguido eleger deputados à Assembleia Legislativa. Para este ano, o objectivo é conseguir dois assentos no hemiciclo. Apesar da experiência, Leong Iok Wa fala das dificuldades que a lista terá de atravessar este ano. “Como todos sabem, este ano há 25 listas por sufrágio directo e existe uma concorrência sem precedentes. Além disso, a nossa equipa está numa fase de sucessão e todos os nossos candidatos são muito jovens.”

SOFIA MOTA

A lista União para o Desenvolvimento, com ligações aos Operários, entregou ontem a lista de candidatos às eleições e o programa político. O objectivo é eleger dois deputados pela via directa, apesar das dificuldades apontadas

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ELHORAR as políticas da habitação, fomentar a diversificação adequada da economia, partilhar os frutos de um grande desenvolvimento económico, trabalhar em prol dos cidadãos. São estes os objectivos da lista União para o Desenvolvimento para as eleições deste ano, que tem a deputada Ella Lei como número um. A lista, com ligação à Federação das Associações dos

Operários de Macau, entregou também à Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa o rol de nomes dos dez candidatos.

Leong Sun Iok, sub-director da FAOM, é o número dois, estando ligado à área da formação profissional. Os restantes candidatos são Sa Ang, Choi Kam Fu, O Cheng

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GONÇALO LOBO PINHEIRO

O

Ella Lei, que se estreou em 2013 como deputada eleita pelo sufrágio indirecto, lembrou que as questões relacionadas com a habitação têm sido uma das maiores solicitações

n.º

CV1-17-0002-CPE

Vítor Ng (com A.S.S.) info@hojemacau.com.mo

HM • 2ª VEZ • 4-7-17

ANÚNCIO Despejo

da população, sendo que a lista vai fazer da atribuição de habitação pública uma das suas bandeiras. A União para o Desenvolvimento vai ainda dar atenção à área da segurança social e do aproveitamento dos terrenos. Leong Sun Iok, número dois, disse poder lutar pelos benefícios dos cidadãos caso seja eleito. O também subdirector da FAOM adiantou que, apesar do desenvolvimento económico que Macau conheceu nos últimos anos, uma fatia da população não obteve acesso a esses frutos. Por essa razão, um dos objectivos da lista será a melhoria das condições de trabalho e a alteração à lei laboral. A mandatária da União para o Desenvolvimento não deixou de frisar que, desde as últimas eleições, a lista tem sido alvo de difamação, tendo acrescentado que vai tratar “seriamente” desses casos.

HABITAÇÃO E LEI LABORAL

HM • 2ª VEZ • 4-7-17

GRANDE BAÍA CONGESTIONADA deputado Mak Soi Kun interpelou o Governo sobre a relação entre o funcionamento do trânsito no território e a integração de Macau no projecto da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. Na visão do deputado, os problemas de tráfego podem impedir a cooperação de Macau com as regiões vizinhas, apesar de afirmar que tanto cidadãos, como académicos concordam com os trabalhos preliminares que o Governo está a realizar nesta matéria. O deputado lembra que os acessos e as infra-estruturas de trânsito estão a ter um pleno desenvolvimento em Guangdong e em Hong Kong, o que não acontece com Macau. “As obras do metro ligeiro começaram em 2011 mas, até ao momento, ainda não há um calendário para a sua conclusão”, frisou. O deputado questiona ainda os

POLÍTICA

ANÚNCIO 1º Juízo Cível

AUTORA: Sociedade de Turismo e Diversões de Macau, S.A., com sede em Macau na Avenida de Lisboa, n.ºs 2-4, Edifício do Hotel Lisboa, 9.º andar. RÉ: Grupo Long Hai Limitada, com sede em Macau na Calçada do Gaio 14A a 14B, Edf. Lei On, rés-do-chão. FAZ-SE SABER que pelo Tribunal Judicial de Base da R.A.E.M., correm éditos de TRINTA DIAS, contados a partir da segunda e última publicação do anúncio, citando a ré Grupo Long Hai Limitada, para no prazo de TRINTA DIAS, findo o dos éditos, contestarem a petição inicial dos autos, de

Proc. Execução Ordinária n.º

CV2-16-0190-CEO

2º Juízo Cível

Exequente: Companhia de Yield City Limitada (亦城有限公司), com sede em Macau, na Alameda Dr. Carlos D`Assumpção, edf. Chong Tou, 13º andar L e M. Executado: Bond World Limited, com sede no Palm Grove House, P.O. Box 438, Road Town, Tortola, Britich Virgin Islands. Faz-se saber que nos autos acima indicados são citados os credores desconhecidos do executado para, no prazo de quinze dias, que começa a correr depois de finda a dilação de vinte dias, contada da data da segunda e última publicação do anúncio, reclamar o pagamento dos seus créditos pelo produto do bem penhorado sobre que tenham garantia real e que é o seguinte:

DESPEJO acima identificados, apresentada pela autora, a qual pede que deve

atrasos sobre a edificação dos novos acessos entre Macau e Guangdong, sem esquecer a necessidade de ter um bom planeamento urbano para acompanhar o projecto da Grande Baía. Mak Soi Kun afirma que os cidadãos se mostraram satisfeitos com a possibilidade de ter um novo acesso ao Continente, para facilitar o trânsito de pessoas na zona das Portas do Cerco. No entanto, cinco anos depois do anúncio sobre os primeiros projectos, as obras ainda não estão concluídas. V.N./ A.S.S.

a presente acção ser julgada procedente, por provada, resolvendo-se o contrato de arrendamento celebrado e, consequentemente, ordenando-se o imediato despejo da fracção, com todas as consequência legais, tudo como melhor consta da petição inicial, cujos duplicados se encontram nesta Secretaria à sua

Bem penhorado A quota social que a executada Bond World Limited possue na Companhia Mico Limitada (民廣有限公司), matriculada na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis sob o nº.46597(SO), a quota com o valor nominal de MOP$10.850.000,00.

disposição. A citanda fica advertida de que a falta de contestação não importa a confissão dos factos articulados pela autora, caso a mesma permaneça na situação de revelia absoluta, ficando a mesma advertida de que é obrigatória a constituição de advogado caso conteste (art. 74.º do C.P.C.) Tribunal Judicial de Base de R.A.E.M., aos 21 de Junho de 2017.

Macau, aos 28 de Junho de 2017. *****


8 SOCIEDADE

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Lok Kok EDIFÍCIO CLASSIFICADO ESTÁ SOB ANÁLISE DO INSTITUTO CULTURAL

À espera de licença

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A casa de chá Lok Kok, situada na Rua 5 de Outubro, fechou portas em 1994. O edifício, classificado como património, está ao abandono há quase 20 anos. O Instituto Cultural garante que se aguarda pela licença de reconstrução

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que resta da fachada está tapado, o interior já não existe. É o estado do edifício que alberga a casa de chá Lok Kok, situada na Rua 5 de Outubro. A situação é preocupante e o Instituto Cultural (IC) assume o interesse em que sejam realizadas as devidas obras. “Muitas pessoas estão preocupadas com as instalações do antigo restaurante Lok Kok”, disse ontem a chefe do departamento do património cultural, Leong Wai Man. Em causa está o facto de se tratar de um edifício classificado como património. O IC já finalizou o relatório sobre matéria e submeteu o documento ao secretário para os Assuntos Sociais e da Cultura, Alexis Tam. De acordo com Leong Wai Man, o processo está no bom caminho. A responsável justifica ainda que a análise feita pelo IC está relacionada com o facto de o edifício ter sido deixado ao abandono desde 1998 pelo que, afirma, está em perigo.

A CAIR AOS BOCADOS

A Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) já fez saber que o interior do espaço foi demolido. “Já o exterior também se encontra visivelmente arruinado, sendo que uma parte da própria fachada não existe”, disse Leong Wai Man. Segundo a responsável, não tem existido qualquer manutenção. Depois da entrada em vigor da lei da salvaguarda do património cultural, em 2013, o IC não recebeu qualquer pedido de demolição ou para execução de obras. Por se tratar de um prédio de propriedade privada, está em curso um processo de negociações entre o IC e o proprietário. “Neste momento já demos a nossa opinião ao proprietário e pedimos que

NEGÓCIOS LAWRENCE HO DESISTE DE ESPANHA Melco International Development decidiu não concorrer a uma licença para um casino perto de Barcelona, em Espanha. Em comunicado, a empresa explica que a desistência tem que ver com o facto de a operadora ter assumido compromissos para o desenvolvimento de outros projectos. O site GGRAsia recorda que a data para a entrega das candidaturas ao Governo da Catalunha terminou na passada sexta-feira, depois de vários atrasos no processo. No ano passado, o plano para o “Complejo Turístico y Recreativo de Vila-Seca y Salou” foi revisto, tendo sido feito um corte na dimensão do projecto. Apesar de ter preferido não concorrer em Espanha, a empresa

liderada por Lawrence Ho assegura que a expansão global continua a ser “uma estratégia importante”. O grupo – que lidera a Melco Resorts and Entertainment – tem investimentos em Macau, nas Filipinas e na Rússia. Na semana passada, anunciou que um consórcio de que faz parte ganhou uma licença para desenvolver um casino-resort em Chipre. A Melco está ainda a expandir o City of Dreams em Macau e o resort Tigre de Cristal na Rússia. Depois, é um dos operadores interessados numa licença no Japão. Numa conferência de investidores realizada este ano em Tóquio, Lawrence Ho garantiu que a sua empresa “gastará o que for necessário” para garantir uma licença no mercado nipónico.

ENSINO SUPERIOR ESTUDANTES DE MACAU EM APRENDIZAGEM NA CHINA

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fizesse um projecto para que o edifício seja restaurado”, refere a chefe de departamento. A responsável do IC considera que considera que a primeira fase dos trabalhos deve passar pela reconstrução e manutenção do estilo

da parte da fachada que terá caído. Esta é “a melhor forma de manter um edifício que está classificado como património, arranjando-lhe uma função”. O IC espera que o projecto seja feito o mais rápido possí-

CONHECIMENTO POLACO Partiu ontem para a Polónia uma comitiva constituída pelo presidente do Instituto Cultural (IC), Leung Hio Ming, e pela chefe do departamento do património cultural, Leong Wai Man. Os responsáveis vão estar numa reunião realizada pelo Comité do Património Mundial. Os temas a serem debatidos no encontro vão ser o foco de atenção dos representantes locais. Para os responsáveis, o mais importante agora é recolher conhecimento com quem sabe. “Mais do que falar do Centro Histórico de Macau, devemos, na Polónia, ouvir o que nos têm a dizer”, disse Leung Hio Ming. Por outro lado, o plano de gestão do centro histórico avança para a segunda fase de recolha de opinião pública e, de acordo com a chefe do departamento do património cultural, é uma fase fundamental para informar melhor os residentes acerca do mesmo.

vel, sendo que já existe uma planta de arquitectura entregue na DSSOPT. “Estamos à espera que seja dada a respectiva licença para que os trabalhos sejam iniciados”, diz. A responsável adiantou ainda que “a reconstrução vai obedecer a todas as regras previstas pela lei de salvaguarda de património em vigor”, sendo que “actualmente não pode haver qualquer alteração àquela estrutura, temos de manter o que existe e reconstruir o que falta na fachada”. “No que respeita ao interior, o proprietário foi sensibilizado e terá de manter as características arquitectónicas da época, tendo em conta, por exemplo, as características das escadas”, remata. Sofia Margarida Mota

sofiamota.hojemacau@gmail.com

Gabinete de Apoio ao Ensino Superior deu ontem conta dos planos de Verão para uma série de alunos universitários do território, que vão passar por diferentes experiências na China Continental durante as férias escolares. Com a iniciativa pretende-se que os jovens possam “conhecer e explorar a cultura chinesa”, bem como “compreender os assuntos de defesa nacional”. Ontem, partiu para a capital do país um grupo de 20 estudantes. Os alunos vão frequentar um curso de Mandarim durante quatro semanas. Além de “seminários temáticos, aulas sobre a língua, curso de experiência da cultura chinesa e a participação no teste de proficiência” no idioma, o grupo vai ter a possibilidade de visitar “empresas locais de renome” e de fazer excursões a locais históricos e culturais. EmAgosto, chegará a vez de 39 jovens partirem

para uma “pesquisa na província de Qinghai”, organizada pelo GAES com o apoio do Ministério da Educação da China. O objectivo da actividade é “reforçar os conhecimentos sobre os regimes políticos, economia, regimes legais, educação, história e cultura do país, elevando o reconhecimento à pátria”, escreve o gabinete. Outra opção para os estudantes locais é o “acampamento para experimentar a vida militar”, co-organizado pelo Governo e pela Guarnição em Macau do Exército de Libertação do Povo Chinês. Durante nove dias, a partir de meados deste mês, 24 jovens vão ter actividades de experiência militar e defesa, com a orientação de oficiais. O GAES vai organizar também deslocações à Austrália e ao Reino Unido, mas não adianta, para já, detalhes sobre estas visitas de estudo.


9 hoje macau terça-feira 4.7.2017

Uma lição atempada

AVIAÇÃO VERÃO COM MAIS 142 VOOS

A Autoridade de Aviação Civil de Macau (AACM) anunciou ter autorizado mais 142 voos adicionais, entre hoje e 31 de Agosto, para responder ao aumento da procura de residentes e turistas. Os voos adicionais aprovados incluem 57 ligações para Taipé, 26 para Kaoshiung (Taiwan), 30 para Banguecoque, 17 para Jeju (Coreia do Sul), oito para Ningbo (China) e quatro para Okinawa (Japão), indicou a AACM em comunicado. Além destes voos adicionais e ‘charter’, a AACM aprovou também o aumento de capacidade nos voos da Air Macau e da Tiger Taiwan, nas ligações para Taiyaun (China) e Taiwan, respectivamente.

Igreja abre portas em Outubro

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CTM APAGÃO VALE MULTA DE 104 MIL PATACAS

A Companhia de Telecomunicações de Macau foi multada em 104 mil patacas, na sequência do apagão da rede de Internet registado em Abril passado. A decisão foi anunciada pela Direcção dos Serviços de Correios e Telecomunicações, de acordo com a Rádio Macau, que cita a emissora em língua chinesa da TDM. O valor da multa representa cerca de um quinto do limite definido por lei, que determina penalizações até às 500 mil patacas. O apagão de 18 de Abril afectou 30 mil clientes. Nas facturas do mês passado, a operadora fez descontos de 15 por cento para compensar o ocorrido.

SAÚDE GRIPE ATACA MAIS FORTE ESTE ANO

Estão a aumentar os casos de gripe em Macau. Os Serviços de Saúde recordam que o território entrou no pico da doença, pedindo aos cidadãos para que adoptem medidas de prevenção. Os dados do Laboratório de Saúde Pública revelam que a influenza A representa 60 por cento do total de todos os tipos de vírus da gripe. Os números demonstram que aumentou o número de pessoas com gripe que recorreram ao hospital: são 45 em cada mil casos, o que revela uma subida em relação ao ano passado, em que a proporção foi de 28 em mil. Desde o início de Junho até ao momento, foram registados dez casos de infecção colectiva de gripe, mais três do que no período homólogo de 2016.

SOCIEDADE

Seminário MACAU REFLECTE SOBRE

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E AMBIENTE

Vamos falar sobre Paris Começa amanhã no território um seminário de três dias sobre o pacto internacional que visa dar uma resposta global às alterações climáticas. A análise ao Acordo de Paris traz a Macau José Eduardo Martins, ex-secretário de Estado do Ambiente de Portugal

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ACTOS: o Acordo de Paris entrou em vigor em 4 de Novembro de 2016 e a China é uma das partes signatárias deste entendimento internacional, que tem como objectivo dar uma resposta global e eficaz à ameaça urgente das alterações climáticas. Porque

Macau não deve passar ao lado de questões desta dimensão e importância, o Centro de Formação Jurídica e Judiciária e o Instituto de Estudos Europeus de Macau decidiram organizar um seminário sobre a matéria. A iniciativa arranca amanhã e prolonga-se até sexta-feira. Conta com dois oradores

convidados: José Eduardo Martins, advogado, ex-secretário de Estado do Ambiente e ex-secretário de Estado de Desenvolvimento Regional de Portugal; e Julian Laurent Chaisse, professor da Faculdade de Direito da Universidade Chinesa de Hong Kong. A acção de formação encontra-se dividida em três módulos. Amanhã, recorda-se o “Longo Caminho para Paris, o que aprendemos em cada Conferência das Partes e o que não devemos esquecer ao executar o Acordo de Paris”. Vão ainda ser abordadas as alterações climáticas e transacções económicas. Na quinta-feira, vão estar em análise questões como a regulação ambiental e alterações climáticas, marcos regulamentares europeus e potencialidades de réplica, sendo que num segundo painel se vai falar sobre alterações climáticas e direito comercial. Na sexta-feira, o programa abre com uma sessão sobre energia renovável, regulação e mercados globais. O seminário fecha com um debate em torno de alterações climáticas e investimento. O seminário está inserido no programa de cooperação na área jurídica entre a RAEM e a União Europeia, que vai já na terceira edição.

igreja de Santo Agostinho vai reabrir portas em Outubro. A informação foi dada ontem pela chefe do departamento do património cultural, Leong Wai Man, durante uma visita com os jornalistas ao edifício em obras. A queda de parte do telhado, devido à chuva e ventos em Maio do ano passado, não foi só uma lição para o IC, como na altura Leong Wai Man afirmou. Foi mesmo um alerta para que fossem fiscalizados edifícios com o mesmo tipo de estrutura, referiu o presidente do Instituto Cultural (IC), Leung Hio Ming. O problema, disse o responsável, tinha que ver com os tectos que existiam na altura. Sendo superfícies fechadas, não permitiam o acesso das entidades competentes à zona do telhado para que pudessem confirmar o estado das estruturas. Com o incidente do ano passado foram retirados todos os tectos da igreja de Santo Agostinho e houve surpresas. O telhado da própria igreja estava, na totalidade, em risco iminente, sendo que as estruturas que o sustentavam mostravam grande fragilidade. A estrutura está a ser restaurada e agora, com olhos postos no futuro, “no tecto que dá acesso ao telhado vamos ter portas pequenas de modo a garantir a fiscalização periódica do estado das instalações”, disse Leung Hio Ming.

LISTA DE ESPERA

O perigo encontrado foi também um alerta para estruturas do género no território. A Igreja de Santo António, o Seminário de São José, a capela de Nossa Senhora da Penha e o Armazém do Boi são alguns dos edifícios que estão sob vigilância e que podem vir a ter obras de restauro nos telhados. “Fazemos este trabalho em todas as estruturas idênticas a esta, em que não tenha havido acesso aos telhados, e vamos preparar as instalações, para que no futuro, haja condições de fiscalização”, disse Leong Wai Man. Em Santo Agostinho, as obras de uma parte do tecto podem estar prontas dentro de três semanas, afirmou a chefe do departamento do património cultural e, no final de Outubro, a Igreja deverá estar aberta ao público com as obras totalmente concluídas. Os restantes locais que estão sob vigilância ainda não têm data marcada para obras e inspecção, sendo que, sublinhou Leung Hio Ming, “ainda não apresentam um risco iminente”. S.M.M.


10 Taipa Art Village ESCULTURAS EM MADEIRA PARA OCUPAR O OLHAR

EVENTOS

MAM RELÍQUIAS DA DINASTIA QING A PARTIR DE DEZEMBRO

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nome ainda não está definido, mas a exposição é certa. Para já, e provisoriamente, chama-se “Armas Imperiais da Colecção do Museu do Palácio” e tem data de abertura marcada para Dezembro na galeria do quarto piso do Museu deArte de Macau (MAM). “A exposição realiza-se mais uma vez no âmbito de uma parceria com o Museu do Palácio Imperial de Pequim, que tem resultado em exposições anuais de grande envergadura”, explica a direcção do museu. Esta já é a 25.a edição da iniciativa que pretende, de acordo com a organização, “dar a conhecer aos visitantes a arte e a cultura da China, através de algumas das mais relevantes relíquias do património cultural do Continente”. Estarão em exposição cerca de 150 objectos que incluem armas, na sua maioria do período da dinastia Qing, sendo que podem ainda ser vistos objectos que datam de dinastias anteriores. “Os Manchús no poder durante a Dinastia Qing dedicavam-se tradicionalmente à caça, razão que acrescenta aos motivos estritamente militares o interesse especial pelas armas e por todo um conjunto de objectos cerimoniais ligados ao universo do armamento”, explica a organização. A exposição organiza-se em torno de três núcleos temáticos. São eles: cerimónias, costumes e organização militar. Em destaque estarão armaduras, capacetes e adornos utilizados pelo imperador nos grandes desfiles imperiais, e arcos e flechas usados nas caçadas imperiais. O MAM destaca ainda a mostra de carimbos na altura nos decretos do imperador. S.M.M.

NATUREZA SEM D São esculturas em contraplacado que desafiam o olhar humano. Estão a partir de amanhã em exposição no Village Art Space e concretizam o resultado de três anos de pesquisa do artista locai Tong Chong

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“

ESTLESS Nature” é a exposição que está, a partir de amanhã, aberta ao público no Village Art Space. A galeria situada na Taipa apresenta os trabalhos do artista local Tong Chong. Mais do que natureza sem descanso, “Restless Nature” é

traduzida pelo curador João Ó por “natureza inquieta”. “Além de manifestar um movimento na natureza, percebi que estes trabalhos representam ainda a inquietação do próprio artista e que a natureza se reflecte nele, até porque ele também está a mudar”, referiu ao HM. Depois de três anos de pesquisa em torno de uma técnica

pioneira na arte de esculpir contraplacado, o resultado é um conjunto de sete peças em que cada uma demorou cerca de seis meses a ser produzida. Os trabalhos fazem parte da investigação do artista,

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Que relação poderá existir entre um motorista de táxi à beira da reforma, um toxicodependente que rouba carteiras, um arquitecto com mão leve, uma solteirona apostada em fazer o bem ou uma rapariga que disse aos pais que andava na faculdade e, afinal, vive à custa de um homem casado? Numa história com uma construção extremamente original, em que desfilam figuras muito diferentes, mas todas inesquecíveis, A Vida Passou por Aqui é uma espécie de confirmação da teoria do efeito borboleta: porque, na teia que é a vida, sempre que alguém puxa um fio, mesmo sem se dar conta, acaba por embaraçar, mais do que gostaria, as vidas alheias…

que durou cerca de três anos. O conjunto de peças integra ainda o projecto de mestrado de Tong na Academia de Artes de Cantão. Para o efeito, o artista desenvolveu uma técnica

pioneira para trabalhar aquilo que é conhecido como contraplacado. “No fundo, o que fez foi pegar no conceito de contraplacado, criar uma massa em madeira e depois trabalhá-la”, explica João

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JONAS SAVIMBI – NO LADO ERRADO DA HISTÓRIA • Emídio Fernando

Biografia de Savimbi no momento em que se assinalam dez anos da sua morte. «Jonas Malheiro Savimbi, aos 32 anos, atingia a sua grande e almejada glória ao ser eleito, por unanimidade e aclamação, presidente de uma nova organização política, precisamente na mesma região onde viria a ser abatido 36 anos depois. Mais tarde, assumia que a ideia, de criar um novo movimento, nascera em Champaix, uma vila na Suíça, em conversas com Tony da Costa Fernandes e cujos estatutos começaram a ser redigidos por ambos.»


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DESCANSO que exige do público. “Alguns dos trabalhos vão estar expostos no meio da galeria, de modo a que as pessoas se possam deslocar à volta das peças, até porque se tratam de objectos tridimensionais.”

“Além de manifestar um movimento na natureza, percebi que estes trabalhos representam ainda a inquietação do próprio artista e que a natureza se reflecte nele, até porque também está a mudar.” JOÃO Ó CURADOR

Ó. No entanto, sublinha o curador, “o grande desafio de Tong foi encontrar processos de colagem capazes de resistir às intempéries”. Apesar de Tong Chong ser conhecido essencialmente pelo trabalho na pintura, ao qual tem dedicado os últimos 15 anos, com esta exposição o artista local mostra a sua versatilidade. A exploração da madeira não é nova. “Ultimamente tem vindo a desenvolver algumas formas pictóricas com a criação de figuras fictícias, aproveitando a forma natural dos troncos.” A grande diferença é que, desta vez, Tong Chong

enveredou por uma análise profunda do próprio processo da escultura. Mudou de carvão sobre tela, em que assumia um estilo naïf, para a construção do objecto em que mantém o estilo, mas através de outra técnica.

REVELAR NAS FALHAS

As esculturas em exposição têm uma grande enfâse no espaço negativo que corresponde à matéria tirada durante o processo. “É também este espaço que induz ao movimento que se sente no seu trabalho. Apesar de se tratar de um objecto estático, a peça induz ao movimento em dois sentidos: pelo próprio trabalho e pelo

O curador fala ainda de algumas das obras que vão estar expostas. “Por exemplo, Chong tem uma peça em que aborda o desenvolvimento de nuvens, noutra cardumes de peixes e uma terceira a que chama de circular. Todas elas, pela sua forma e movimento, vão de encontro a uma mensagem simples: a natureza está em constante mudança e é cíclica, salienta João Ó. Tong Chong tem marcado o seu trabalho com a exploração da sociedade moderna, das suas culturas e, acima de tudo, do quotidiano do ser humano, das suas acções e hábitos. O artista enfatiza a emergência de um retorno à natureza e de uma orientação de papéis numa análise do comportamento humano nas sociedades modernas. Sofia Margarida Mota

sofiamota.hojemacau@gmail.com

hoje macau terça-feira 4.7.2017

EVENTOS

HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Incenso-Indiano Nome botânico: Boswellia serrata Roxb. ex Colebr. e outras espécies de Boswellia Sinonímia científica: Boswellia balsamifera Spreng.; Boswellia glabra Roxb.; Boswellia thurifera Roxb. ex Fleming Família: Burseraceae. Nomes populares: BOSWELLIA; INCENSO. Parente próximo do Incenso (Boswellia sacra Flueck. sin. Boswellia carteri Birdw.), planta bíblica muito utilizada em cerimónias religiosas, o Incenso-indiano é uma espécie nativa das regiões tropicais da Índia. Trata-se de um arbusto ou pequena árvore resinosa, de casca muito fina, que alcança cerca de 4 metros de altura; as folhas dispõem-se em forma de cachos e as flores são pequenas, brancas e solitárias; os frutos, de cor castanho-avermelhada, são capsulares e carnosos. Usado há milhares de anos pela Medicina Ayurvédica no tratamento das afecções reumáticas e em cerimónias religiosas e culturais, o Incenso-indiano integra ainda a Medicina Tradicional Chinesa. Nas últimas décadas tem sido amplamente investigado. Em fitoterapia usa-se a resina, mais precisamente uma gomo-óleo-resina, também designada por olíbano ou franquincenso. É obtida por incisão nos troncos e endurecida ao ar formando pequenos grãos amarelados e quebradiços. A resina pode ser destilada para extracção de óleo essencial. Composição O exsudato da casca é constituído essencialmente por duas fracções: uma gomosa (com vários açúcares naturais, como arabinose, galactose e ácido galacturónico) e outra resinosa (com destaque para os ácidos alfa-, beta- e gama-boswéllicos, um grupo de ácidos triterpénicos pentacíclicos); contém ainda óleo essencial (alfa-pineno, alfa- e beta-felandrenos, alfa-tuieno, cadineno, sesquiterpenos), mucilagens e princípios amargos. Acção terapêutica Uma das plantas mais usadas para os problemas reumáticos, o Incenso-indiano tem uma forte acção anti-inflamatória; contribui ainda para a reabsorção dos edemas, é analgésico, anti-reumático, antioxidante e melhora a circulação sanguínea nas articulações danificadas. Tudo isto se traduz no alívio da dor e do inchaço e na melhoria da flexibilidade articular, sendo já vários os estudos a confirmar a sua eficácia e segurança. Osteoartrite do

joelho, gota, bursite, dores musculares, osteoporose e hérnia discal são algumas das suas indicações; na artrite reumatóide, uma doença auto-imune, não só combate os sintomas como trata a causa, pois modula o sistema imunitário. Como anti-inflamatório, tem sido também usado no tratamento da colite colagenosa, colite crónica, colite ulcerosa, doença de Crohn, polipose e diverticulose. Na doença de Crohn, os estudos demonstram uma eficácia semelhante a alguns fármacos de síntese e um bom perfil de segurança, inclusive em tratamentos prolongados, apresentando uma relação benefício-risco superior. Além de combater a inflamação, o Incenso-indiano tem actividade antialérgica ao inibir a libertação de histamina e de leucotrienos, mediadores inflamatórios libertados durante a reacção alérgica. Assim, a sua toma em caso de alergias, como a asma, sinusite, rinite e otite, regula a reacção do organismo, dessensibilizando-o face aos alergénios (pólens, ácaros, etc.). Outras propriedades Com propriedades anticancerígenas, o Incenso-indiano inibe o crescimento e o processo de metastização de vários tipos de cancro (colon-rectal, pancreático, cervical, próstata e leucemia). Em pacientes com tumores cerebrais, a sua administração detém a formação do edema associado; além disso, reduz os sintomas neurológicos e melhora o estado geral de saúde, contribuindo para estes resultados também o seu efeito anticancerígeno. Em 2002, a Agência Europeia do Medicamento (EMA) aprovou o extracto de resina de Boswellia serrata como tratamento para o edema provocado pelos tumores cerebrais. Tem sido ainda usado na esclerose múltipla e doença de Alzheimer. Como tomar Uso interno: • Em cápsulas e comprimidos, em simples ou fórmulas, para as doenças reumáticas, inflamatórias intestinais e asma. Tomar de acordo com as indicações. Precauções Planta sem toxicidade aguda ou crónica. No entanto, na ausência de dados suficientes e por precaução, não deve ser tomada durante a gravidez, lactação e por crianças com menos de seis anos de idade. Topicamente, pode provocar dermatite de contacto. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.


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PEQUIM ENVIA NAVIOS PARA O MAR DO SUL APÓS INCURSÃO DOS ESTADOS UNIDOS

Provocação e resposta

O

Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês confirmou ontem o envio de navios militares e aviões de combate para o Mar do Sul da China, depois da incursão no domingo de um contratorpedeiro norte-americano perto de uma das ilhas Paracel. A operação foi uma “séria provocação política e militar” disse o comunicado, emitido na noite de domingo, citando o porta-voz do Ministério, Lu Kang, acrescentando que a China enviou navios de batalha e aviões de caça para advertir o Stethem. “A China destacou navios militares e aviões de combate para colocar sobreaviso o contratorpedeiro norte-americano”, disse na noite de domingo Lu Kang, num comunicado. “AChina insta os Estados Unidos a porem fim imediato a este tipo de operações provocatórias que violam a soberania do país e ameaçam a

RELAÇÕES COM “FACTORES NEGATIVOS”

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s relações entre a China e os Estados Unidos estão obscurecidas por “factores negativos”, disse ontem o Presidente chinês, Xi Jinping, numa conversa telefónica com o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, antes de mencionar Taiwan, segundo a imprensa estatal. “As relações bilaterais estão afectadas por factores negativos. (…) Esperamos que os Estados Unidos possam tratar correctamente as questões relativas a Taiwan, em conformidade com o princípio de uma só China”, afirmou Xi Jinping, segundo a televisão estatal CCTV. A administração Trump tinha suscitado a irritação de Pequim, ao autorizar, no final de Junho, uma venda de armamento, incluindo bombas guiadas, mísseis e torpedos, por 1,3 mil milhões de dólares a Taiwan. A embaixada chinesa já havia reagido à questão, dizendo que a venda de armas para Taiwan “vai prejudicar a confiança mútua e a cooperação entre a China e os Estados Unidos”. O Presidente chinês, Xi Jinping, encontrou-se em Abril com o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, na residência pessoal do bilionário republicano, na Florida. As relações bilaterais pareciam, desde então, ter reaquecido. Entretanto, a lua-de-mel não durou muito, especialmente porque Trump mudou o tom em relação à China, na quinta-feira, devido à questão nuclear norte-coreana. Trump anunciou, pela primeira vez, sanções contra um banco chinês acusado por Washington de realizar actividades ilícitas com a Coreia do Norte, que desenvolve um programa nuclear e ameaça constantemente os Estados Unidos.

RÚSSIA AMIGOS COMO NUNCA

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presidente chinês, Xi Jinping, reiterou na segunda-feira que as relações entre a China e a Rússia estão no “melhor momento da história”, afirmando que os dois países são os parceiros estratégicos mais confiáveis um para o outro. Xi fez o comentário durante uma entrevista com os media russos antes da sua visita de Estado ao país. “Os dois países construíram uma confiança política e estratégica de alto nível”, disse o líder chinês, observando que os dois países resolveram completamente suas questões de fronteira deixadas pela história, transformando a linha de fronteira de 4,3 mil quilómetros

num “vínculo de amizade entre os dois povos”. “A China e a Rússia também estabeleceram mecanismos saudáveis tanto para a comunicação de alto nível como para cooperação em várias áreas”, acrescentou. “O presidente Putin e eu construímos boas relações de trabalho e uma estreita amizade pessoal”, disse. “Vou iniciar uma visita de Estado à Rússia a convite de presidente Putin. Acredito que a visita dará um novo impulso ao desenvolvimento das relações entre a China e a Rússia”, afirmou. Xi afirmou ainda que a cooperação entre os dois países em vários

campos, incluindo energia, comércio, investimento, alta tecnologia, finanças, infra-estruturas e agricultura, tem crescido rapidamente desde que os dois líderes alcançaram um importante consenso ao alinhar a iniciativa Uma Faixa, uma Rota com a União Económica Eurasiática. De acordo com Xi, os dois países também estão a trabalhar juntos para aproveitar o seu potencial de cooperação e promover novas áreas de crescimento na cooperação bilateral. “A cooperação pragmática de rápido crescimento se tornou a locomotiva do desenvolvimento contínuo das relações entre a China e a Rússia”, disse o presidente.

segurança”, acrescentou. Essa foi a segunda “operação de liberdade de navegação” conduzida durante o governo do presidente Donald Trump, após um teste feito no final de Maio no qual um navio de guerra norte-americano navegou a 12 milhas náuticas de uma ilha artificial chinesa no Mar do Sul da China. As declarações do governo chinês foram feitas depois de ser conhecida a incursão no domingo de um contratorpedeiro norte-americano em frente à ilha Trinton, uma das ilhas Paracel, ou Xisha, na designação em chinês, e que Pequim considera estarem sob a sua soberania. De facto, um navio de guerra norte-americano aproximou-se no domingo da ilha, alvo de disputa entre China, Taiwan e Vietname, numa operação que tinha como objectivo desafiar as reivindicações concorrentes de todas as três nações, disse uma autoridade do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. O USS Stethem, um destroier de mísseis teleguiados, navegou a 12 milhas náuticas da ilha Triton. A operação foi relatada inicialmente pela Fox News, no domingo. Apesar de os Estados Unidos e a China terem acordado posições após a reunião entre o Presidente norte-americano, Donald Trump, e o homólogo chinês, Xi Jinping, na Flórida, as tensões entre ambos no Mar do Sul da China continuam a ser recorrentes. O conflito das Paracel remonta aos anos 1970, mas aumentou de intensidade nos últimos anos, coincidindo com uma maior implicação dos Estados Unidos na disputa. A China tomou o controlo das Paracel em 1974, depois de vencer uma batalha naval contra o então denominado Vietname do Sul.

ESQUI ABERTO MAIOR COMPLEXO DO MUNDO

A China inaugurou ontem a maior pista de esqui coberta do mundo, com 80 mil metros quadrados, dos quais 60 mil correspondem às pistas de neve. O projecto, a um custo total de 3 mil milhões de dólares, faz parte de um complexo turístico do grupo empresarial Wanda na cidade de Harbin, no Nordeste do País..

TURISMO MOVIMENTA MAIS DE 10% DA ECONOMIA

O turismo doméstico e internacional tem aumentado entre os chineses, impulsionando a economia e a geração de empregos. Em 2016, a indústria turística chinesa contribuiu com 10,26% do PIB. No ano passado, cerca de 122 milhões de chineses viajaram ao exterior, um aumento de 12% comparado com 2015. Em 2016, a China recebeu 138 milhões de visitantes estrangeiros, um crescimento de 3,8% em relação ao ano anterior. Em 2016, o turismo doméstico registou 4,4 mil milhões de viagens, o que significa que cada chinês fez, em média, três viagens por ano dentro do país. De acordo com dados da Organização Mundial de Turismo (OMT), desde 2012 o consumo dos turistas chineses em viagens ao exterior ocupa o primeiro lugar em âmbito global, alcançando US$ 109,8 mil milhões no ano passado. Ainda segundo a OMT, a China contribui com mais de 13% das receitas turísticas mundiais e a indústria do turismo é responsável por 16% dos postos de trabalho na economia chinesa. Os destinos preferidos dos chineses no exterior são Hong Kong, Macau, Japão, Coreia do Sul e Tailândia.

PEQUIM E MOSCOVO REJEITAM SISTEMA ANTIMÍSSEIS NA COREIA

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presidente da China, Xi Jinping, enfatizou a ameaça séria que o sistema antimísseis dos Estados Unidos na Coreia do Sul representa para os interesses chineses e russos. A China tem afirmado repetidamente a sua oposição ao sistema antimísseis Thaad e pediu para que sua instalação seja interrompida e que os mísseis já posicionados sejam removidos.Pequim diz que o poderoso radar do sistema pode penetrar no seu território, minando a sua segurança e o equilíbrio regional sem fazer nada para deter a Coreia do Norte em sua busca incansável por armas nucleares e mísseis para carregá-las.“A instalação norte-americana de um sistema antimísseis avançado na Coreia do

Sul prejudica seriamente os interesses de segurança estratégica de China, Rússia e de outros países da região”, disse Xi, segundo a agência de notícias estatal chinesa Xinhua. China e Rússia vêm mantendo uma comunicação e uma coordenação estreitas sobre a questão e possuem visões muito semelhantes a seu respeito, disse Xi em uma entrevista aos media russos. “Pequim e Moscovo são resolutamente opostas à montagem do Thaad e sugerem seriamente que os países relevantes interrompam e cancelem sua instalação”, afirmou Xi, segundo a Xinhua. China e Rússia irão adoptar as “medidas necessárias”para proteger os seus interesses, disse Xi, sem dar detalhes.


13 hoje macau terça-feira 4.7.2017

Imobiliário ARREFECIMENTO VAI AFECTAR CRESCIMENTO DA ECONOMIA

Uma bolha muito incómoda

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arrefecimento do mercado imobiliário na China, estimulado pelas autoridades para evitar uma bolha imobiliária, vai ter consequências negativas para a economia no segundo semestre e em 2018, disse ontem a agência de notação Fitch. O mercado imobiliário vai continuar provavelmente a arrefecer em resposta às maiores restrições para a compra de casa em muitas cidades e a condições mais difíceis para o crédito, indicou a Fitch num relatório. “O imobiliário é o sector cíclico chave na economia chinesa e vai influenciar o crescimento na segunda metade do ano”, afirmou. A Fitch insistiu que o arrefecimento se deve às políticas públicas, já que as autoridades querem evitar a “excessiva ebulição no mercado”. As restrições, sobretudo nas principais cidades, têm estado

centradas em questões como o aumento do pagamento inicial ou limitações à aquisição da segunda casa pela população. Além disso, a crescente atenção das autoridades à redução do excessivo endividamento e dos riscos financeiros conduziu a um aumento dos juros, o que também contribuiu para o abrandamento, acrescentou. A Fitch considerou que o arrefecimento imobiliário vai causar a estabilização das vendas durante a segunda metade do ano e considera provável que os preços baixem nesse mesmo período. Os preços nas principais cidades chinesas (Pequim, Xangai ou Cantão) subiram 90% nos últimos quatro anos, bastante acima dos 10-25% em cidades menos importantes, adiantou. A agência considerou que a estabilização do mercado

GUANGXI OITO MORTOS EM INUNDAÇÕES

Pelo menos oito pessoas morreram no sul da China, em inundações causadas por uma tempestade registada no condado de Quanzhou, na Região Autónoma de Guangxi Zhuang, informaram ontem as autoridades locais. Os oito mortos foram confirmados pelas autoridades, depois de na manhã de domingo terem sido reportados nove desaparecidos e 34 feridos, informou a agência de notícias Xinhua. Na sequência da chuva, mais de 250.000 pessoas sofreram prejuízos, mais de 600 casas ruíram e cerca de 17.000 hectares de plantações foram afectados. O condado de Quanzhou estima que os prejuízos directos tenham atingido 1,46 mil milhões de yuan. Quase 38 mil pessoas foram deslocadas.

FALHA NO LANÇAMENTO DO FOGUETE LONGA MARCHA 5 Y2 A China anunciou o “fracasso” de uma missão espacial para pôr um satélite de comunicação em órbita, pouco depois da descolagem do seu foguete Longa Marcha 5 Y2 neste domingo. Com capacidade para transportar até 25 toneladas, o foguete descolou às 19h23 do centro espacial de Wenchang, na ilha de Hainão, segundo imagens transmitidas ao vivo pela agência de notícias Nova China na Internet. “Várias anomalias aconteceram na pilotagem do foguete, e a missão de lançamento fracassou”, informou a agência Nova China, pouco depois das 12h GMT, acrescentando que será feita uma investigação para analisar os motivos da falha. De acordo com a imprensa oficial, o objectivo desse satélite é melhorar o acesso à Internet e a recepção de canais de televisão no território chinês. Em Novembro de 2016, dessa mesma base espacial, Pequim fez descolar o seu primeiro foguete Longa Marcha 5, então apresentado como o mais potente da história da China.

2595 COMBOIOS DE ALTA VELOCIDADE

A China tinha posto em operação 2.595 comboios de alta velocidade até o fim de 2016, o que corresponde a 60% de todos os comboios de alta velocidade do mundo. “Os Comboios de Alta Velocidade da China (CRH) tornaram-se um cartão de apresentação da China”, disse Wang Jun, vice-presidente da CRRC, o fabricante chinês de locomotivas, durante o 1º Congresso Mundial de Inteligência, inaugurado na quinta-feira. Até o fim de 2016, a China tinha posto em operação 21 modelos de comboios CRH. O país tem mais de 20 mil quilómetros de caminhos-de-ferro de alta velocidade e tem como objectivo acrescentar outros 10 mil quilómetros até 2020 e superar os 45 mil quilómetros até 2030. Os comboios na linha Pequim-Shanghai de 1.318 quilómetros transportaram mais de 600 milhões de passageiros desde que a linha foi inaugurada em 2011.

vai ter um impacto sobre toda a economia chinesa, já que o investimento na habitação representa aproximadamente 10% do produto interno bruto do país.

A Fitch previu que, devido ao período de geração do efeito, o crescimento da economia chinesa seja inferior a 6% durante 2018.

MERCADO DE TÍTULOS MAIS ABERTO A CAPITAL ESTRANGEIRO

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China abriu um pouco mais nesta segunda-feira o seu mercado de títulos, o terceiro maior do mundo, ao capital estrangeiro, com o objectivo de internacionalizar a sua moeda e integrar-se ao sistema financeiro internacional. A plataforma chamada Bond Connect, operada a partir de Hong Kong, começou a funcionar nesta segunda-feira e permitirá aos investidores estrangeiros comprar títulos em yuans do governo, das empresas

e do Banco Central sem a necessidade de ter um escritório na China continental. A China tem um mercado de dívida avaliado em quase 10 biliões de dólares, o terceiro maior do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e Japão. Os “investidores qualificados” estrangeiros que terão acesso ao mercado chinês incluem bancos estrangeiros, fundos soberanos e outras instituições financeiras, anunciaram em conjunto o Banco Central da China (PBoC) e a autoridade monetária de Hong Kong. A abertura coincide com as celebrações esta semana do 20º aniversário da devolução de Hong Kong a China por parte do Reino Unido, em 1997. Os investidores já tinham acesso aos títulos chineses, mas no momento representam apenas 1,5% dos investidores, segundo uma estimativa da agência Bloomberg. As autoridades de Pequim estão tentando abrir o país ao sistema financeiro mundial para atrair capital estrangeiro perante a desaceleração do crescimento doméstico e com o objectivo de internacionalizar sua moeda, o yuan.

CHINA

Região FILIPINAS EXÉRCITO PREPARA ATAQUE CONTRA ISLAMITAS O exército filipino disse estar a preparar-se para o que espera ser a última ofensiva contra uma centena de extremistas islâmicos, que há mais de um mês resistem no sul do país. O chefe das Forças Armadas, Eduardo Año, disse no domingo que os rebeldes do chamado Grupo Maute e do Abu Sayyaf, seguidores do grupo extremista Estado Islâmico (EI), estão confinados a uma zona de entre um e dois quilómetros quadrados da cidade de Marawi. O conflito já causou mais de 400 mortos. Año disse estar confiante em derrotar os rebeldes, mas alertou sobre as dificuldades do avanço na zona sob o seu controlo, onde as autoridades estimam haver dezenas de civis feitos reféns. “É uma questão de dias, mas não podemos impor uma data limite. A luta é edifício por edifício, casa por casa, piso por piso. Não podemos precipitarnos dada a natureza da luta”, disse Año, em conferência de imprensa na noite de domingo. “O que estamos a fazer pressupõe um grande esforço em que tomámos em consideração a segurança dos civis, civis que estão presos, e minimizar a destruição de propriedades”, acrescentou o militar, segundo a televisão filipina GMA. Um dia antes, Año disse que o exército matou dez franco-atiradores extremistas islâmicos, o que eleva a 317 o número de rebeldes mortos neste conflito em que também morreram 88 soldados e polícias, e 44 civis. A crise de Marawi começou a 23 de maio, quando o grupo Maute e combatentes locais e estrangeiros pegaram em armas naquela cidade da ilha de Mindanao, exibindo bandeiras negras do EI e incendiando a esquadra, uma escola, uma prisão e uma igreja. Mais de 260.000 habitantes de Marawi e arredores fugiram ou foram retirados para centros improvisados nas localidades próximas de Iligan e Cagayan de Oro. A rebelião levou o Presidente filipino, Rodrigo Duterte, a declarar a lei marcial em toda a ilha de Mindanao, onde vivem cerca de 20 milhões de pessoas.

JAPÃO, ESTADOS UNIDOS E COREIA DO SUL DEBATEM COREIA DO NORTE O primeiro-ministro japonês e os Presidentes dos Estados Unidos e da Coreia do Sul vão manter um encontro trilateral, durante a cimeira do G20, para intensificar a pressão sobre a Coreia do Norte, foi ontem anunciado. A reunião foi acordada por Shinzo Abe e Donald Trump durante uma conversa telefónica e após contactos prévios com Moon Jae-in para preparar a reunião trilateral, disse em conferência de imprensa o portavoz do Executivo japonês, Yoshihide Suga. O encontro terá lugar à margem da cimeira dos países do G20 em Hamburgo (Alemanha), a partir de sexta-feira, e na qual também participaram os Presidentes da Rússia e da China, Vladimir Putin e Xi Jinping, entre outros líderes. “O encontro (trilateral) é necessário para coordenar a resposta às provocações da Coreia do Norte”, afirmou Suga, que também assinalou a necessidade de a China “se envolver na resolução” da crise na península coreana. Moon e Trump já sublinharam a necessidade de intensificar a pressão sobre a Coreia do Norte, durante um encontro na semana passada, em Washington.


h ARTES, LETRAS E IDEIAS

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Michel Reis

Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro Órgão de tubos regressa depois de 200 anos de silêncio

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O dia 25 de Maio de 2017, após mais de 200 anos de inactividade, o órgão de tubos do Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, em Felgueiras, no distrito do Porto, em Portugal, voltou a fazer-se ouvir, ecoando os sons celestiais da Avé Maria de Bach/ Gounod, dando início ao 4.o Fórum Internacional do Património Arquitectónico Portugal/ Brasil. O restauro do instrumento representou um investimento de 255.000 euros, co-financiado em 80% pelo ON.2 – O Novo Norte (Programa Operacional Regional do Norte) e pelo Quadro de Referência Estratégica Nacional, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, e em 20% pelo Município de Felgueiras. A obra de restauro foi executada pelo consórcio luso-espanhol Acitores-Samthiago, constituído pelas empresas Atelier Samthiago Conservação e Restauro (Viana do Castelo) e Taller de Organería Acitores de Torquemada (Palencia), também responsável pela recuperação recente dos dois órgãos da Igreja dos Clérigos, no Porto, um dos mais importantes conjuntos de órgãos gémeos da Península Ibérica, e do órgão de tubos da Igreja Matriz de Torre de Moncorvo. Destaca-se a cooperação que este consórcio vem desenvolvendo deste 2010 no âmbito da restauração patrimonial e em concreto na protecção e conservação de órgãos de tubos, que para além dos citados, incluem ainda os restauros do órgão da igreja de San Martín de Valdeiglesias em Madrid e do órgão da ermida de Nuestra Señora en Tiedra (Valladolid), e ainda do órgão do Convento de San Quirce de Valladolid, em Espanha. O órgão de tubos do Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, datado de 1766, é obra do organeiro galego radicado em Portugal, Dom Francisco António Solla, facto comprovado por uma inscrição existente no interior do instrumento. Este organeiro representa a ligação mais paradigmática da vinculação da organeria galaico-portuguesa, que se integra na definição genérica de “órgão ibérico”. O autor das caixas - em talha dourada e fundos policromados imitando mármores, de estilo barroco ibérico com elementos das escolas galega, castelhana e portuguesa - encontra-se por determinar mas, possivelmente, será o escultor beneditino Frei José de Santo António Ferreira Vilaça, artista polifacetado e autor de numerosas obras de arquitectura, escultura, talha, mobiliário, pintura, estuque e ferro forjado, incluindo a decoração da igreja do Mosteiro de Pombeiros. O instrumento está localizado no coro alto da igreja, do lado do Evangelho. Do lado da Epístola, na procura de simetria e por razões estéticas, foi colocado um outro semelhante, mas falso ou mudo. O órgão, após mais de dois séculos de inactividade, apresentava-se em muito mau estado de conservação, para o qual contribuíram, em grande parte, as Invasões

Francesas em Portugal e, logo a seguir, a extinção das ordens religiosas, em 1834, na sequência da qual o coro alto e o respectivo espólio integrado entraram, progressivamente, em ruína. Em 1930 deu-se o roubo da canaria dos órgãos. Em 1994, no contexto da recuperação do Mosteiro, o órgão foi alvo de uma intervenção ao nível do suporte e do revestimento cromático. Posteriormente, todas as peças constituintes da máquina, bem como alguns elementos com talha pertencentes à caixa, foram desmontados por uma empresa da especialidade, tendo então sido feito um inventário e um levantamento rigoroso das existências. No âmbito da presente recuperação, o estudo dos elementos do instrumento,

cuja construção está documentada nos Estados de Pombeiro, relatórios trienais elaborados pelos respectivos Abades, relativos ao triénio de 1764-1767, permitiu conhecer a autoria e a composição de registos e comprovar que, apesar da deterioração, se conservavam elementos mecânicos. Procedeu-se ao estudo minucioso de outros órgãos do autor para replicar a tubagem segundo os mesmos parâmetros de construção, e procedeu-se a uma análise exaustiva do material dos escassos tubos preservados. Tudo isto, em conjunto com a harmonização posterior, permitiu recuperar não apenas a sua materialidade mas também a sua particular sonoridade, que em última instância é o elemento patrimo-

nial mais importante a conservar no restauro de um órgão. O Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro está incluído no projecto turístico-cultural Rota do Românico, gerido pela Associação de Municípios do Vale do Sousa (VALSOUSA). Este projecto está ancorado num conjunto de 58 monumentos de grande valor e de excepcionais particularidades. Esta Rota pretende assumir um papel de excelência no âmbito do turismo cultural e paisagístico, capaz de posicionar a região como um destino de referência do românico, estilo arquitectónico que perdurou entre os séculos XI e XIV. A Direcção-Geral de Cultura do Norte, organismo que tutela o Mosteiro de Pombeiro, considera que as igrejas podem também desempenhar um papel cada vez mais reforçado no domínio da activação cultural da região, estando-se a fazer, por toda a região norte, um grande esforço e revitalização de órgãos de tubos em várias estruturas patrimoniais, desde Trás-os-Montes ao Minho, passando pelo Douro Litoral. Este esforço vai permitir criar pequenos ou grandes circuitos de concertos mediante as especificidades de cada tipo de órgão, sendo possível, desta maneira, uma rentabilização de recursos financeiros e de um conjunto de músicos que possam vir, por exemplo, de Itália, França, Alemanha, ou mesmo portugueses, e um enriquecimento cultural da oferta de toda a região. Este importante restauro, um anseio antigo dos felgueirenses, vem ainda valorizar a magnífica igreja monástica do Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, sem dúvida, um dos mais importantes edifícios religiosos de Portugal, testemunha de desvairados gostos e variados estilos desde o período medieval, românico-gótico ao barroco. A igreja de Pombeiro pode mesmo classificar-se como a jóia da arte de Fr. José de Santo António Ferreira Vilaça – “das obras que tenho feito, a milhor” – como ele próprio diz. A inauguração da recuperação do órgão de tubos do Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro marca o culminar de uma importante etapa de projectos de recuperação patrimonial e colaboração institucional realizados entre a Associação de Municípios de Vale do Sousa e a Direcção Regional de Cultura do Norte. Com este investimento foi possível devolver à região uma peça sem igual no panorama cultural e patrimonial, que irá permitir ao Mosteiro desenvolver com regularidade a organização de concertos e até integrar ciclos de música sacra da grande região do Porto. O projecto de recuperação do órgão de tubos do Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro foi um dos oito finalistas do Prémio Internacional AR&PA (Bienal de Restauração e Gestão do Património) de Intervenção no Património Cultural, em Espanha, em Novembro de 2016.


15 hoje macau terça-feira 4.7.2017

máquina lírica

Paulo José Miranda

Ricardo Ben-Oliel

(Contista que vive há quarenta anos em Israel) e o seu livro o quarto trancado onde nem a morte entrava (PRIMEIRA PARTE)

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ICARDO BEN-OLIEL é aquilo a

que podemos chamar de um autor tardio. Se não na escrita, pelo menos na publicação. Em 2013, e já com mais de sessenta anos, publica na Abysmo o seu primeiro livro, um conjunto de contos intitulado Silêncio. Com formação em direito e muitos anos de estudo de música e piano, aos vinte e oito anos de idade muda-se de vez para Israel onde passa a viver e a exercer o cargo de professor universitário de direito, até aos dias de hoje. A sua escrita está impregnada do lugar onde habita, contrariamente a muitos escritores emigrados ou exilados, que tantas vezes escrevem tão-somente acerca de onde vieram e não acerca de onde estão. Não se veja, contudo, nesta minha afirmação uma qualquer crítica velada, mas tão somente uma constatação, até porque não sabemos o que seja melhor para aquele que escreve e para o leitor, se uma escrita acerca da prisão de onde se fugiu ou uma escrita acerca da prisão a onde se chegou. Assim, Ricardo Ben-Oliel neste seu segundo livro – O Quarto Trancado Onde Nem A Morte Entrava – e apesar de ter dois contos, os primeiros, que são passados em Portugal, remete-nos para um livro tão não-Ocidental como o seu primeiro livro, Silêncio, onde se lia à página 26: “Muito gosto eu dessas largas avenidas que há pelas capitais europeias. Sobretudo numa manhã límpida e azul. // A vida parece tornar-se, aí, mais fácil e leve. Prometedora. Alegre. São as esplanadas, os arvoredos, as largas montras envidraçadas a oferecerem um quase-tudo. Há um luxo disseminado, uma conjugação de esforços a criar um cenário optimista, uma risonha mentira consensual.” Trata-se efectivamente de uma visão de alguém que vem de fora da Europa, da calma e segura Europa das últimas décadas, das décadas do pós-guerra. E tal como algumas funções da vida nos ficam coladas à pele, como escreve o autor logo na segunda página do primeiro conto deste livro – “Era ele o magistrado-mor. Ou melhor, fora-o durante o tempo de uma vida; e quando tal acontece, é sabido que a função fica colada à pele como a crosta de uma insarável ferida.” – também um país ou uma zona geográfica nos fica colada à pele, quando aí vivemos mais de quarenta anos, como é o caso de Ricardo Ben-Oliel em Israel, nesse singular país, nessa singular região do planeta Terra. Quem tem a experiência de viver anos fora da Europa, em continentes e em países onde a violência faz parte da paisagem, não pode deixar de se sentir em casa ao ler estes contos. Aqueles que vivem o seu quotidiano sem tiros, sem sangue na rua, ou a sua possibilidade a cada instante, podem chegar a estes contos com alguma desconfiança. Não pelas descrições de violência, que as não tem, mas, por um lado, pelo ambiente contínuo de preocupação que se faz sentir nestes relatos e, por outro, pela omnipresença de um passado recente de dor,

de fim do mundo que une as pessoas retratadas. Estas contínuas preocupação e memória colectiva da vivência ou iminência do fim do mundo percorrem todos os contos deste livro. Mas veja-se este exemplo no último conto do livro, já nas suas últimas páginas, e a que voltaremos mais tarde: “Uma mina, e o jipe que saltou. E com ele Yair, pai. Como é possível, ainda há dias, e na semana passada, e no último Verão, e quando há uns anos fomos os três a Varsóvia, a Auschwitz, depois a marcha a Birkenau...” Posso afirmar mais: a iminência do fim do mundo percorre todos os contos deste escritor, que até agora tem apenas dois livros publicados, contando já com este que aqui nos traz. Assim como também a precisão e a beleza da linguagem, aqui acerca de um vilarejo no Alentejo: “O vilar era um desses à maneira de pueblo blanco, onde as calçadas angustas serpeiam, libidinosas, por entre o casario. Baixo e acotovelado. Quase até ao castelo. Este, recortado como um brinquedo, pleno de infantil altivez, vinha do tempo em que os reis eram todos Sanchos e Afonsos. Mas, quando olhado de perto, já o mesmo parecia acanhar-se do seu pano de muralhas remendado, das ameias por terra esquecidas.” Aqui, e apesar de em um vilarejo alentejano, o assunto é algo tão universal e intemporal quanto é o humano: “Estirado na sua enxerga, as mãos sob a nuca, deleitava-se o velho magistrado com a quietação em redor, enquanto para si repetia, com sentido júbilo, já nada ter a ver com o vulgar mundo em que se sua e labuta. Finalmente, dava corpo ao grande sonho da sua vida. Que era pará-la, sustê-la, a ela e à morte também. // Conseguira quanto almejara. O gozo da imobilidade. A paragem no tempo.” As fronteiras que limitam a escrita deste autor, e que podemos ler logo de início no primeiro conto, são estas: um olhar de além-Ocidente e inquietações bíblicas. O território que é limitado por estas fronteiras mostra-nos uma linguagem precisa e bela como raramente se encontra em nossa língua. Leia-se, por exemplo, e logo nas primeiras páginas do livro, para além do já aqui transcrito: “Em baixo, para sul, uma lasca de rio verde-lodo, por onde, assim se dizia, coleavam, incessantes, as cobras-d’água.” ou “Num repente, assustou-se. Eram estilhaços a embater na pequena ventã. Uma chusma deles. Incessantemente. Uns tantos caíam inertes à altura do parapeito; outros aí se quedavam revirados, de patas no ar, num último esforço. Saltões. Os gafanhotos. De novo a morte, disse para consigo. Passou a espiá-los. Com o escoar dos dias, a ressequirem mais e mais.” Ou ainda: “Ficou-se a ouvir o zunido do vento suão. Era um silvo que crescia e recuava, que ganhava fôlego, e que o perdia, que se esgueirava pelas ruelas do povoado, para logo trepar montes e espraiar-se pela planície longa. Mas que voltava, como o respiro de um fogoso gigante a vogar no espaço. Vento fugido. Vento cigano.” e

ainda mais esta “Comprara-o no mercado quinzenal. De caule franzino, folhas parcas, raiz bebé. Um pé de limoeiro. Vieram plantá-lo ao fundo do quintal. Mas mal começaram a rasgar a terra, logo deram com objetos duros e estranhos. Envoltos em terra mais que ressequida. Resquícios soltos, uma mandíbula, ainda uma outra, uma tíbia, logo uns fanecos de vasilhame. Ficou uma tarecada dispersa pelos cantos, aos montículos.” Muitos são também os momentos em que a metafísica se levanta, como já vimos anteriormente, mas veja-se mais um exemplo em que a linguagem para além da beleza e da precisão, levanta os pés do chão. Veja-se, e ainda nas primeiras três páginas: “Havia muito que a morte o intrigava. Que o atormentava até. Sobretudo pelo mutismo que se lhe segue. Qual o enigma por detrás daquela insondável, provocante quietude, tão próxima e tão remota, qual a razão para logo tudo se silenciar? Era quanto o alto magistrado inquiria em momentos de maior cogitação, que os tinha. O “após” sempre fora para ele o grande mistério, sobretudo depois que um dia...” Tudo é uma verdadeira relíquia. E não só pela linguagem, mas também pelo mundo que se abre diante de nós daquilo que fomos, ainda não há tanto tempo atrás, pois desde o tempo em que o conto nos mete até agora, passou-se não mais do que uma mão de décadas. E veja-se esta maravilha, onde a metafísica se torna bela só para se rir de nós, humanos: “Seguiu-se a audiência, quem lá estava era a Laldinha, em tempos rica de curvas, quem diria ser a mesma quando ao peito já só trazia penduradas como que duas alforrecas dadas à costa, veja-se no que a natureza dá volvidas as idades (...)”. No segundo conto, Sorrindo ao Cristo-Rei ou Simplesmente Perversa, a precisão e beleza da linguagem não nos abandona. Quase de início deparamo-nos com este curto parágrafo: “Passeamos junto ao rio, que ondula molemente. Súbito, é um sol de Agosto que se liberta de umas nuvens vagabundas e que nos ataca, esbraseado, impiedoso.” E estamos no meio de um passeio com um homem e uma mulher, o narrador Leo

Blaustein, e Dafna. Um passeio de domingo ao Cristo-Rei. E o logo de seguida “Temos duas esplanadas à escolha. Uma lá mais ao fundo, de onde vem um intolerável banzé electrónico (...)”, mostra-nos claramente já não tratar-se de um outro tempo, como no conto anterior, mas deste nosso tempo de barulho ensurdecedor. Este conto corta-nos a direito. O modo como o narrador nos mostra o humano nas suas actividades de lazer, hoje, e ao mesmo tempo ligando-as sempre a uma ontologia, e como tal de sempre, é magistral. Leia-se as seguintes passagens: “Decorridos uns momentos, há um casal de jovens que se aproxima, a quebrar o letargo envolvente. Sentam-se diante de nós. Ela, elegante nos seus jeans, coçados à moda, e de uma deslumbrante cabeleira fulva; ele, atrapalhado na vestimenta, cabelos na vertical, olhos protuberantes e mortiços à Homer Jay Simpson.” Saltando um parágrafo, o narrador massacra-nos com aquilo que tantas vezes acontece na vida e só quem está a viver esse acontecimento não vê: “Então é o jovem quem, depois de fotografar o cenário, desata a disparar a máquina sobre a companheira – um clique, e mais outro, outro ainda, depois um último, já de muito perto – enquanto ela volteia instantemente os já desgrenhados cabelos áureos. Depois, é-lhe encontrada a mão. Porém, não obstante os carinhos, era notório o cunho de efemeridade que emanava daquela ralação, esteticamente tão díspar.” O autor sempre a lembrar-nos que a vida só a sabe quem a não vive. Só aquele que a observa pode julgar e saber convenientemente, ou mais aproximado da verdade humana, aquilo que acontece. Nunca aquele que vive. Nunca se sabe o que se vive. Há ao longo de todo este conto uma espécie de “Mil e Uma Noites”, e aqui então a narrativa retrocede no tempo, não como entretenimento do sultão, mas como artifício de pôr o outro a escutar a sua história. O artificio é simples, o mesmo usado na sedução, fazer parecer que vai beijar, contar, mas adiar continuamente o beijo e derramar a história um pouco mais para diante, ao ponto de Dafna chegar a perguntar-lhe directamente: “Mas diz-me uma coisa, Leo: será que, de facto, tencionas responder à minha pergunta, ou apenas entreter-me com mais uma das tuas histórias?” Este beijo que Dafna tanto espera, a resposta à sua pergunta logo no início do conto – “Importas-te de me esclarecer o porquê desse teu sorriso?” – será tão mais adiada quanto a maestria do contador. Assim, e tal como Sherazade vai adiando a sua morte, ao contar histórias ao sultão, também Leo vai adiando a resposta na certeza de com isso ter toda a atenção de Dafna, que é também um modo de adiamento da morte. Porque todos precisamos de contar a nossa história àqueles de quem gostamos. Porque narrar não é apenas uma necessidade; narrar é fazer viver o vivido, fazer-nos viver de novo. Quem não narra não ressuscita.


16 PUBLICIDADE

hoje macau terça-feira 4.7.2017

Notificação Edital Chan Weng Hong, Presidente da Autoridade de Aviação Civil, faz saber que, tendo-se esgotado todas as tentativas de notificação pessoal, nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo (CPA), aprovado pelo Decreto-Lei n. º 57/99/M de 11 de Outubro, procede-se à notificação edital de (1)Zhang Jinyao, portador do Passaporte n. º E065xxxxx, emitido na República Popular da China, residente em (中國 深圳羅湖), (2) Gong Aihua, portador do Passaporte n. º E425xxxxx, emitido na República Popular da China, residente em (中國江西南昌),(3) Deng Xin, portador do Salvo-Conduto para deslocação a Hong Kong e Macau n. º C395xxxxx, emitido na República Popular da China, residente em (中國杭州富陽市), (4) Shi Qiang portador do Passaporte n. º E018xxxxx, emitido na República Popular da China, residente em (中國 深圳市寶安區), (5) Liu Han Chin portador do documento de viagem de Taiwan n. º 3128xxxxx, emitido em Taiwan, residente em (台灣台北市大安區), (6) Liu Ming, portador do Passaporte da República Popular da China n. º E396xxxxx, emitido na República Popular da China, residente em (中國河南省信陽市), (7) Jung Hye Young, portadora do Passaporte da República da Coreia n.º M337 xxxxx, emitido na República da Coreia, residente em Chung Nam Chuon, Coreia, nos seguintes termos: (1) No processo instaurado a Zhang Jinyao, foi-lhe aplicado por decisão do Presidente da Autoridade de Aviação Civil, datada de 18 de Março de 2016, a multa no valor de cinco mil Patacas (MOP5.000,00), pela prática da infracção prevista e punida na alínea n.º 2) do n.º 1 do artigo 4. º do Regulamento Administrativo n.º 31/2003, por ter ficado provado por meio de prova testemunhal que o infractor, no dia 2 de Março de 2016, fumou a bordo da aeronave da companhia aérea Air Macau com a matrícula NX9859, conforme confirmado pelo relatório da Polícia de Segurança Pública (Divisão do Aeroporto) Ref. 434/2016/DPA, datado de 2 de Março de 2016. (2) No processo instaurado a Gong Aihua, foi-lhe aplicado por decisão do Presidente da Autoridade de Aviação Civil, datada de 23 de Maio de 2016, a multa no valor de cinco mil Patacas (MOP5.000,00), pela prática da infracção prevista e punida na alínea n.º 2) do n.º 1 do artigo 4. º do Regulamento Administrativo n.º 31/2003, por ter ficado provado por meio de prova testemunhal que o infractor, no dia 8 de Maio de 2016, fumou a bordo da aeronave da companhia aérea Air Macau com a matrícula NX869, conforme confirmado pelo relatório da Polícia de Segurança Pública (Divisão do Aeroporto) Ref. 866/2016/DPA, datado de 8 de Maio de 2016. (3) No processo instaurado a Deng Xin, foi-lhe aplicado por decisão do Presidente da Autoridade de Aviação Civil, datada de 26 de Julho de 2016, a multa no valor de dez mil e quinhentas Patacas (MOP10.500,00), pela prática da infracção prevista e punida na alínea n.º 2) do n.º 1 do artigo 4. º do Regulamento Administrativo n.º 31/2003, por ter ficado provado por meio de prova testemunhal que o infractor, no dia 11 de Julho de 2016, fumou a bordo da aeronave da companhia aérea Air Macau com a matrícula NX226, conforme confirmado pelo relatório da Polícia de Segurança Pública (Divisão do Aeroporto) Ref. 1299/2016/DPA, datado de 11 de Julho de 2016. (4) No processo instaurado a Shi Qiang, foi-lhe aplicado por decisão do Presidente da Autoridade de Aviação Civil, datada de 1 de Agosto de 2016, a multa no valor de dez mil e quinhentas Patacas (MOP10.500,00), pela prática da infracção prevista e punida na alínea n.º 2) do n.º 1 do artigo 4. º do Regulamento Administrativo n.º 31/2003, por ter ficado provado por meio de prova testemunhal que o infractor, no dia 21 de Julho de 2016, fumou a bordo da aeronave da companhia aérea Air Asia com a matrícula FD450, conforme confirmado pelo relatório da Polícia de Segurança Pública (Divisão do Aeroporto) Ref. 1373/2016/DPA, datado de 21 de Julho de 2016. (5)No processo instaurado a Liu Han Chin, foi-lhe aplicado por decisão do Presidente da Autoridade de Aviação Civil, datada de 25 de Outubro de 2016, a multa no valor de cinco mil Patacas (MOP5.000,00), pela prática da infracção prevista e punida na alínea n.º 2) do n.º 1 do artigo 4. º do Regulamento Administrativo n.º 31/2003, por ter ficado provado por meio de prova testemunhal que o infractor, no dia 12 de Outubro de 2016, fumou a bordo da aeronave da companhia aérea Air Macau com a matrícula NX609, conforme confirmado pelo relatório da Polícia de Segurança Pública (Divisão do Aeroporto) Ref. 1992/2016/DPA, datado de 12 de Outubro de 2016. (6)No processo instaurado a Liu Ming, foi-lhe aplicada por decisão do Presidente da Autoridade de Aviação Civil, datada de 7 de Novembro de 2016, a multa no valor de dez mil e quinhentas Patacas (MOP10.500,00), pela prática da infracção prevista e punida na alínea n.º 2) do n.º 1 do artigo 4. º do Regulamento Administrativo n.º 31/2003, por ter ficado provado por meio de prova testemunhal que o infractor, no dia 24 de Outubro de 2016, fumou a bordo da aeronave da companhia aérea Bassaka Air com a matrícula 5B861 conforme confirmado pelo relatório da Polícia de Segurança Pública (Divisão do Aeroporto) Ref. 2093/2016/DPA, datado de 24 de Outubro de 2016. (7)No processo instaurado a Jung Hye Young, foi-lhe aplicado por decisão do Presidente da Autoridade de Aviação Civil, datada de 12 de Decembro de 2016, a multa no valor de cinco mil Patacas (MOP5.000,00), pela prática da infracção prevista e punida na alínea n.º 2) do n.º 1 do artigo 4. º do Regulamento Administrativo n.º 31/2003, por ter ficado provado por meio de prova testemunhal que o infractor, no dia 1 de Decembro de 2016, fumou a bordo da aeronave da companhia aérea Jin Air com a matrícula LJ121 conforme confirmado pelo relatório da Polícia de Segurança Pública (Divisão do Aeroporto) Ref. 2398/2016/DPA, datado de 1 de Decembro de 2016.

EDITAL Edital n.º Processo n.º Assunto

: 24/E-OI/2017 : 560/OI/2009/F :Demolição de obra não autorizada pela infracção às disposições do Regulamento Geral de Construção Urbana (RGCU) :Rua da Concórdia n.º 71, EDF. Industrial Wan Tak, Bloco 2, fracção 7.º andar C (CRP:C7), Macau.

Local

Cheong Ion Man, subdirector da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pelo Despacho n.º 12/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 38, II Série, de 23 de Setembro de 2015, faz saber que fica notificada a proprietária da fracção 7.º andar C (CRP: C7), Wong In Fong, do seguinte: 1.

Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado realizou-se a obra não autorizada abaixo indicada, a qual infringiu o disposto no n.º 1 do artigo 3.º do Decreto-Lei n.º 79/85/M (RGCU) de 21 de Agosto, alterado pela Lei n.º 6/99/M de 17 de Dezembro e pelo Regulamento Administrativo n.º 24/2009 de 3 de Agosto, pelo que a mesma é considerada ilegal: 1.1

Obra Instalação de um tubo de drenagem na parede exterior junto à fracção.

2.

De acordo com os artigos 93.º e 94.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, foi realizada, no seguimento de notificação por ofício n.º 10262/DURDEP/2016 de 28 de Julho de 2016 e por edital n.º 46/E-OI/2016 publicado nos jornais em língua chinesa e em língua portuguesa de 11 de Novembro de 2016, a audiência escrita da interessada, mas esta não apresentou qualquer resposta no prazo indicado e não foram carreados para o procedimento elementos ou argumentos de facto e de direito que pudessem conduzir à alteração do sentido da decisão de ordenar a demolição da obra não autorizada acima indicada.

3.

Assim, nos termos do artigo 52.º do RGCU e no uso das competências delegadas pela alínea 6) do n.º 1 do Despacho n.º 12/ SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 38, II Série, de 23 de Setembro de 2015, por despacho de 29 de Junho de 2017, exarado sobre a informação n.º05134/DURDEP/2017, ordena ao dono da obra ou seu mandatário que proceda, por sua iniciativa, no prazo de 15 dias contados a partir da data da publicação do presente edital, à demolição da obra acima indicada e à reposição do local afectado, devendo, para o efeito e com antecedência, apresentar nesta DSSOPT o pedido da demolição da obra ilegal, cujos trabalhos só podem ser realizados depois da sua aprovação. A conclusão dos referidos trabalhos deverá ser comunicada à DSSOPT para efeitos de vistoria.

4.

Findo o prazo da demolição e da desocupação, não será aceite qualquer pedido de demolição da obra acima mencionada. De acordo com o n.º 2 do artigo 139.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica ainda que nos termos do artigo 56.º do RGCU, findo o prazo referido, a DSSOPT, em conjunto com outros serviços públicos e com a colaboração do Corpo de Polícia de Segurança Pública, procederá à execução dos trabalhos acima referidos, sendo as despesas suportadas pelos infractores. Além disso, findo o prazo da demolição e da desocupação voluntárias, a DSSOPT dará início aos trabalhos de demolição e de desocupação, os quais, uma vez iniciados, não podem ser cancelados.

5.

Nos termos do n.º 1 do artigo 65.º do RGCU, os infractores são sancionáveis com multa de $1 000,00 a $20 000,00 patacas.

6.

Nos termos dos artigos 145.º e 149.º do Código do Procedimento Administrativo, os interessados podem apresentar reclamação para mim no prazo de 15 (quinze) dias contados a partir da data da notificação.

E para constar, se lavrou o presente edital que vai se fixado nos lugares de estilo e publicado em dois jornais mais lidos da Região Administrativa Especial de Macau, um em língua chinesa, outro em língua portuguesa.

7.

Nos termos do n.º 1 do artigo 59.º do RGCU e das competências delegadas pelo n.º 4 do Despacho n.º 12/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 38, II Série, de 23 de Setembro de 2015, da decisão referida no ponto 3 do presente edital cabe recurso hierárquico necessário para o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a interpor no prazo de 15 dias contados a partir da data da notificação.

Autoridade de Aviação Civil de Macau, aos 4 de Julho de 2017

RAEM, 29 de Junho de 2017

O pagamento das multas deverá ser efectuado nas instalações da Autoridade de Aviação Civil, sitas na Alameda Dr. Carlos D’Assumpção, 336-342, Centro Comercial Cheng Feng, 18º andar, em Macau, durante as horas normais de expediente, dentro do prazo de 30 dias a contar da data da publicação do presente edital. Nos casos em que foi prestada caução será a mesma declarada perdida a favor da Região Administrativa Especial de Macau caso o infractor não proceda ao pagamento voluntário da multa. Mais se notifica, que as decisões em causa são susceptíveis de recurso contencioso para o Tribunal Administrativo, no prazo de 60 dias dias a contar da publicação do presente edital. Notifica-se ainda que o pagamento não efectuado dentro do prazo legal dará lugar a execução imediata da multa.

O Presidente, Chan Weng Hong

Pelo Director dos Serviços O Subdirector Cheong Ion Man


17 (F)UTILIDADES

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TEMPO

?

AGUACEIROS

O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente

EXPOSIÇÃO “25+10” DE RODRIGO DE MATOS Consulado de Portugal | Até Sábado

MIN

25

MAX

30

HUM

75-98%

•

EURO

8.97

BAHT

EXPOSIÇÃO “CONTELLATION” DE NICOLAS DELAROCHE Galeria do Tap Seac | Até 08/10 EXPOSIÇÃO “O MAR” DE ANA MARIA PESSANHA Casa Garden | Até 31/08

O CARTOON STEPH

EXPOSIÇÃO “AS MUDANÇAS DE HENGQIN” Armazém do Boi | Até 16/07

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 70

PROBLEMA 71

UM DISCO HOJE

C I N E M A

SALA 1

Kyle Li, Mary MA

DISPICABLE ME 3 [2D][A]

19.30

Falado em cantonês Fime de: Pierre Coffin, Kyle Balda, Eric Guillon 14.30, 16.15, 19.45, 21.30

SALA 3

DISPICABLE ME 3 [3D][A] Falado em cantonês Fime de: Pierre Coffin, Kyle Balda, Eric Guillon 18.00 SALA 2

TRANSFORMERS: THE LAST NIGHT [2D][B] Fime de: Michael Bay Com: Mark Wahlberg, Laura Haddock Anhtony Hopkings 14.00, 16.45, 21.30

OUR SEVENTEEN [2D][B] Falado em cantonês legendado em chinês e inglês Fime de: Emily Chan Nga Lei Com: Sean Pang, Angela Yuen, King Wu

THE MUMMY [2D][C] Fime de: Alex Kurtzman Com: Tome Cruise, Sofia Boutella, Annabelle Wallis, Jake Johnson 14.30, 21.45

SUDOKU

DE

EXPOSIÇÃO “DESTROÇOS” DE VHILS Oficinas Navais, nº. 1 | Até 31/11

Cineteatro

1.15

PAPIROS DITADORES

EXPOSIÇÃO “NOCTURNO” DE FILIPE DORES Albergue SCM | Até 09/07

EXPOSIÇÃO “AMOR POR MACAU” DE LEE KUNG KIM Museu de Arte de Macau | Até 9/7

YUAN

AQUI HÁ GATO

EXPOSIÇÃO “COLOUR/SHAPE/LOVE” DE JOAQUIM FRANCO Macau Art Garden | Até 16/07

EXPOSIÇÃO “A ARTE DE ZHANG DAQIAN” Museu de Arte de Macau | Até 5/8

0.23

O papel é sempre algo que falta, que é mais do que necessário, que é essencial e não se tem, principalmente quando as pessoas enfrentam as organizações feitas por outras pessoas. Falta sempre papel, num mundo a braços com a desflorestação, com excesso de produção de celulose e a precisar de reciclar tudo. Falta papel num mundo repleto de papel. A fibrosa pasta que se transforma em essencial documentação, no registo da vida. Uma pessoa sem papel não come, não é, perde identidade, alimento, dignidade, propriedade. Toda a existência só se materializa uma vez escrita, colocada no papel, do nascimento ao óbito. Em Macau a necessidade de papel ganha contornos de holocaustos florestais. É preciso mais um documento, sempre e para sempre. A exigência dos serviços torna os humanos em pequenos peões sacrificáveis, servos do Deus do guichet, do director de departamento, dos senhores donos de carimbos que validam a vida dos outros. Claro que há quem escape a esta necessidade de apresentação de papel por ter abundância de outro tipo de papel, o tal que é vil e bem mais valioso que o metal. Vive-se no que é impresso, comprovado em comprovativo duplicado, com assinado certificado, em título titulado. Os humanos têm vidas enclausuradas em A4, corações que precisam de papel abaixo-assinado e que está em falta, sempre e para sempre. Pu Yi

THE RIVER | ALI FARKA TOURÉ

Se os blues fossem africanos, o nome que imediatamente ocorreria seria o de Ali Farka Touré. O trabalho do compositor do Mali é um dos muitos exemplos da universalidade musical. Entre África e os blues, é impossível ficar indiferente aos sons que saem da guitarra e da voz do músico. “The River” é só mais um excelente disco que reúne 11 temas que nos põe a viajar por lugares em que misturamos paisagens e sons. Sofia Margarida Mota

RESIDENT EVIL: VENDETTA [2D][C] Falado em inglês legendado em chinês Fime de: Takanori Tsujimoto 16.30

TRANSFORMERS: THE LAST NIGHT [2D][B] Fime de: Michael Bay Com: Mark Wahlberg, Laura Haddock Anhtony Hopkings 19.00

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Isabel Castro; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Sofia Margarida Mota Colaboradores António Cabrita; Anabela Canas; Amélia Vieira; António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; João Maria Pegado; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Fernando Eloy; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


18 OPINIÃO

hoje macau terça-feira 4.7.2017

macau visto de hong kong

Casas sem tecto MAURICE UTRILLO, RUA EM MONTMARTRE

O

jornal“Exmoo”deMacau publicou recentemente um estudo onde se demonstrava que 60% dos jovens não têm intenção de comprar casa própria. O valor médio das casas ronda actualmente os 2 milhões e 125 mil patacas. Estima-se que para obter essa quantia os jovens precisem de cerca de sete anos de poupanças. Esta estimativa é feita a partir de um salário de 19.000 patacas mensais, que permitiria uma poupança de 9.500 patacas/ mês (metade do salário), logo o valor da casa só poderia ser conseguido num período de sete anos. O estudo também apontava as dificuldades decorrentes de não se possuir casa. O ditado “sem casa, não há casamento” é muito antigo. No entanto, há quem rejeite esta ideia, afirmando que, se fosse verdade, só os ricos se casavam. Mas independentemente da opinião de cada um, a questão da habitação é um dos problemas sociais mais prementes de Macau. É inegável que o elevado custo das casas provoca inúmeros problemas sociais, como por exemplo o casamento tardio. O casamento tardio provoca a paternidade tardia. Se uma mulher planear ser mãe aos 35 anos, ou mais, estará a entrar num período menos fértil e a enfrentar uma gravidez de maior risco. Os problemas para a saúde da mãe e do bebé aumentam. Mas para além desta questão, temos a considerar os problemas financeiros decorrentes do elevado custo das casas. O estudo demonstra que em média as pessoas levam 17 anos a pagar a sua habitação, consumindo nesta despesa metade do seu ordenado. É evidente que se mais de 40% do rendimento familiar for gasto com os pagamentos da casa, a sua qualidade de vida será seriamente afectada. A casa passa a ser um fardo e não uma fonte de prazer. E é preciso não esquecer, que estes cálculos não incluem os juros cobrados pelo Banco. É muito fácil encontrar pessoas que levam 20 a 30 anos a pagar as prestações das suas casas. Nestes casos passam praticamente a vida inteira a despender metade dos seus rendimentos só com as despesas de habitação. Mas, mesmo depois do pagamento ter sido efectuado na íntegra, a história não chega ao fim. Se o casal tiver tido apenas um filho, depois da morte de ambos, o filho herdará a casa. Terá, portanto, a felicidade de não ter de vir a passar pelo que os pais tiveram. Mas se a família tiver mais do que um filho, aqueles que não herdarem

DAVID CHAN

a casa vão conhecer o mesmo calvário. O problema da habitação vai transitar para a geração seguinte. Devido à premência desta questão, o estudo sugere ao Governo algumas soluções. É preciso implementar um sistema para “facilitar a compra”. Quando o Governo decide vender um terreno, o contrato celebrado com a construtora deverá prever uma percentagem de fogos para jovens que vão comprar casa pela primeira vez. Se estas casas forem vendidas posteriormente, a venda só poderá ser feita a naturais de Macau. Obviamente que é uma boa medida porque permite que mais residentes, sobretudo jovens, possam ter casa própria. Se acreditarmos que a família é a base da sociedade é bom que façamos o possível para protegê-la. As medidas para “facilitar a compra” garantem um certo número de casas aos naturais de Macau. Mas se os preços continuarem elevados, o problema não se resolve. Disponibiliza-se a propriedade, mas não o dinheiro. Será bom que o Governo crie outras medidas para ajudar os jovens.

O sistema da “Habitação Económica” é o melhor para a juventude. Este sistema permitia que o Governo vendesse casas a baixo preço. Ser-se natural de Macau era a primeira condição para a compra. A segunda condição implicava que se tratasse de uma primeira compra de casa. A terceira estabelecia o impedimento de venda durante um período de 16 anos. É uma pena que, depois de 2013, nunca mais se tenham vendido casas ao abrigo deste sistema. O estatuto que regula os rendimentos do Governo de Macau é diferente do que regula os rendimentos do Governo de Hong Kong. O segundo depende em grande parte dos lucros da venda de terrenos, ao passo que o primeiro depende sobretudo dos lucros da indústria do jogo. Assim, no caso de Hong Kong, se os preços dos terrenos baixarem, os lucros do Governo vão por igual caminho. Como em Hong Kong a margem que o Governo tem para lançar novos impostos é apertada é improvável que surjam novas taxas que contrabalancem as perdas provocadas pela eventual baixa do preço dos terrenos. Assim sendo. o custo das casas

na cidade não deverá diminuir nos tempos mais próximos. No entanto, a situação em Macau é diferente. O facto de não ter na transacção de terrenos a sua principal fonte de rendimento dá ao Governo de Macau mais liberdade para fixar um preço para a venda de propriedades. O Governo de Macau tem, portanto, mais flexibilidade para criar um tecto para a venda de casas. O elevado preço da habitação em Macau é um problema que tem de começar a ser solucionado o mais breve possível. Se os jovens não tiverem casa própria, o sentimento de pertença a Macau diminui. Para além disso, sem controle dos preços, os proprietários de casas e terrenos enriquecem cada vez mais, provocando um fosso crescente entre pobres e ricos. E, obviamente, isso será péssimo para a sociedade em geral. A lei tem mecanismos que permitem a compra de casas ao abrigo do sistema da Habitação Económica e esta é uma das melhores ferramentas para resolver o problema habitacional em Macau. Não é só através de decretos que estas questões se solucionam.

Professor Associado do IPM • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog


19 hoje macau terça-feira 4.7.2017

OPINIÃO

MIGUEL GUEDES

FRANCISCO LOUÇÃ

Salve-se o homem

Senhor eucalipto

In esquerda.net

gravidade sente-se na intenção. É totalmente absurdo que alguém, no rescaldo duma tragédia desta dimensão, noticie um suicídio para no segundo seguinte ter necessidade de o confirmar, olhando para trás a procurar companhia: está confirmado, não está? Mas totalmente inaceitável, o que não está ao alcance da desculpa, é que alguém fale em suicídio naquelas circunstâncias, como um portador-aprendiz de notícias fresquinhas mas tristes. Passos parece um homem que necessita desesperadamente de apoio político para evitar pedir apoio psicológico. E apesar de ninguém no partido querer avançar antes das Autárquicas, alguém o deveria intimar a desistir do país quando o partido já desistiu dele há muito, poupando-nos - a nós e a mais um dos seus casacos - à torpe visão da sua bandeirinha do tempo da PàF. É um apelo. Passos perdidos. Salve-se o homem agora que morreu o político.

Passos Coelho, por enorme infelicidade, teve só um comportamento de abutre MATISSE, ÍCARO

F

UI sabendo da desgraça à distância de um oceano inteiro. A catástrofe de Pedrógão Grande rebentara de mãos dadas com a primeira hora da minha primeira manhã em Havana. Escrevi a crónica da passada semana no hall do hotel, sobre o fogo, com o coração na manhã que despontava e embriagado pelo gelo de um ar condicionado frigo-guerrilha de Caribe. Lá fora chovia copiosamente, como ainda não havia chovido este ano, asseguravam-me. Saí da cidade, procurei o mar e desejei desligar da síndrome-galo-de-Barcelos-tic-tac, bomba-relógio, quando senti que alguns procuraram encontrar culpados mal acabassem de contar as vítimas. Passaram alguns dias e Cuba, afinal, não conseguiu a minha vitória final para sempre. Regresso a Portugal e a primeira notícia-manchete é a de Passos Coelho e os seus suicídios-fantasma. Não sobre o seu suicídio político, já requentado: era mesmo sobre os seus particulares suicídios anónimos por confirmar. Fazemos todos um esforço enorme por esquecer Passos mas ele não permite. O líder da Oposição resvalou para um sítio sem pé, amarrou-se nas palavras, afundou a pés juntos e nem no momento em que, pedindo desculpa, procurava respirar na linha de água percebeu a gravidade do que fizera. Não só do que disse, mas sobretudo do que pretendia dizer e ligar. Politicamente, revela um homem em desespero e em fuga para a frente, à solta porque se sente sozinho. Não alinho no assassinato de carácter, não acredito que seja um homem obstinado a ganhar votos à custa da ignomínia. Passos Coelho, por enorme infelicidade, teve só um comportamento de abutre. Passos pediu desculpa por um equívoco, mas a gravidade não reside no engano. A

In esquerda.net

O

DR. Fernandes, que tem pergaminhos na imprensa – eu conheci-o na Voz do Povo, depois no Expresso e depois diretor do Público – capitaneia agora um projeto de agit-prop, o Observador, e nele entendeu que o incêndio de Pedrógão Grande seria a oportunidade de sacudir o país com uma intestina vaga de indignação. Se quem lê estas linhas deita os olhos a essa publicação online, já conhece o estilo da casa: Portugal é sempre uma crise alucinante, um governo trágico, um primeiro-ministro criminoso, tudo uma pepineira, pelo menos desde que Passos Coelho perdeu a maioria nas eleições. Portanto, nada de novo: na opinião da sempre fogosa brigada neoconservadora do Observador, este incêndio é só mais um fogo que arde para se ver, queime-se o governo e salvem-se os eucaliptos. A querela é esta: os eucaliptos são ou não perigosos para a nossa floresta? Vejamos os factos. Diz o INE que Portugal tem 23% da sua área florestal entregue aos eucaliptos, ou cerca de 760 mil hectares. Só quatro países do mundo têm mais eucaliptal em termos absolutos do que Portugal: a China (mas é 104 vezes maior do que Portugal), o Brasil (92 vezes), a Austrália (83 vezes) e a Índia (36 vezes). Em termos relativos, nenhum país no mundo tem a superfície de eucaliptos de Portugal. Aos que me respondem com o argumento de “dá dinheiro”, pergunto só por que é que a Alemanha ou a Espanha não correm para este El Dorado. A resposta é que é perigoso, não é que os empresários alemães ou espanhóis sejam estúpidos. Sim, o nosso desordenamento florestal é grave, o abandono rural gravíssimo – mas é um desordenamento que promove os eucaliptos (77% do investimento na floresta em 2015 foi para eucaliptos), que são perigosamente combustíveis, sobretudo se plantados como o estão a ser. Portanto, mais vale travar a fundo e salvar a floresta deste negócio pirómano. Mas o Dr. Fernandes não quer conversar. Quer bombardear. Por isso, ao

teorizar sobre as razões para estarmos gratos aos eucaliptos, o Dr. Fernandes sente a necessidade de nos explicar, sobriamente, que não é um “miserável avençado das empresas de celulose”, do que não tenho dúvida. Mas, vai daí, acha-se obrigado a tratar os pontos de vista contrários como prova de “ignorância” (e repete “ignorantes”), “obsessão”, “arrogância”, “preconceito” e “confusão” de “cabeças conspirativas” (sic). Quem dele discorda, supremo atrevimento, são os “bota-faladura” (sic) (agradeço por isso que ele me inclua nesta lista como “sumo sacerdote”, o que pensariam os meus amigos se ele me esquecesse). Ler um texto de alguém que assina como jornalista e tão cheio de classificações insultuosas é confrangedor. O homem não se lembra de nada de quando foi director de um jornal de referência? Mas ainda estava só a começar. Vem aí o melhor. São as “carinhas larocas” (sic) que o tiram do sério: “Quando a Catarina ou uma das manas Mortágua investe contra a chamada eucaliptolândia, os jornalistas que seguram os microfones quase acenam com as cabeças e depressa se esquecem de confrontar a sua doçura de hoje (quando morreram 64 pessoas num incêndio florestal) com a lendária agressividade dos tempos em que até as suas unhas encravadas eram culpa de Passos Coelho”. O homem não gosta de ninguém, sobram os eucaliptos. Nem “da Catarina” nem das “manas Mortágua”, cuja “doçura” vitupera, pois contrasta com a sua “lendária agressividade” a respeito das “unhas encravadas”, nem dos jornalistas que, patetas, “acenam com a cabeça”. Se já chegou às “unhas encravadas”, não devemos mesmo ter pena do Dr. Fernandes?

Assistir ao espectáculo de um adulto a comportar-se como um garoto cria uma certa vergonha alheia. Tenho por isso pena do Dr. José Manuel Fernandes


“

“Eu mesmo quero a fé, e não a tenho, / — Um resto de batel — quisera um lenho, / Para não afundir na treva imensa, / O Deus, o mesmo Deus que te fez crente... / Nem saibas que esse Deus omnipotente / Foi quem arrebatou a minha crença. ”

terça-feira 4.7.2017

Camilo Pessanha

CINCO ACTIVISTAS DE MACAU FICARAM NA FRONTEIRA ANGOLA TEM FALTA DE ADVOGADOS

A falta de advogados em Angola é generalizada e há cidadãos de algumas províncias que se deslocam a Luanda, onde 82 por cento da classe está concentrada e exerce actividade, para solicitar serviços, segundo um relatório. A situação, que é descrita como um dos obstáculos dos cidadãos no acesso à justiça, é analisada num relatório lançado em Luanda pela Associação Justiça, Paz e Democracia (AJPD), denominado “Angola: O Sector da Justiça, os Direitos Humanos e o Estado de Direito”. O relatório realça que o número de advogados e advogados estagiários cresceu nos últimos dez anos e estão concentrados maioritariamente nas províncias de Luanda, capital de Angola, Benguela, Cabinda e Huíla, tendo passado de 618, em 2003, para 3.954, em 2016. O estudo constatou também que a maioria dos advogados demonstra mais interesse em processos cíveis, porque “garante somas avultadas em termos de remuneração, em detrimento dos processos penais”. Numa análise sobre a independência da profissão no país, o relatório avança que os entrevistados, de maneira geral, afirmaram que “os advogados são livres para exercerem a sua actividade sem interferência, mas existem conflitos de interesse envolvendo advogados”.

HK impenetrável

A

Associação Juventude Dinâmica emitiu ontem um comunicado em que afirma que cinco dos seus membros foram proibidos pelas autoridades de Hong Kong de entrar no território. Os episódios terão ocorrido na tarde de quinta-feira, 29 de Junho, e na manhã de sexta-feira, dia 30, quando Xi Jinping, Presidente chinês, já se encontrava na região vizinha em visita oficial. O comunicado, publicado na página oficial do grupo no Facebook, dá conta de que a Juventude Dinâmica de Macau tem, desde 2010, “dado atenção

aos assuntos sociais”, além de que tem vindo a “cumprir as leis que estão em vigor no território”. A Juventude Dinâmica de Macau afirma que “não recebe qualquer apoio do Governo e funciona de forma independente”. “A associação tem, de vez em quando, opiniões diferentes e faz críticas sobre alguns assuntos sociais”, aponta o mesmo documento. A associação exige, por isso, “explicações às autoridades para que possam esclarecer se foi entregue alguma lista com nomes ao Governo de Hong Kong”.

A secretaria para a Segurança nunca deu explicações quanto à possível existência de uma lista. Scott Chiang, presidente da Associação Novo Macau, também foi impedido de entrar em Hong Kong na semana passada. “Disseram-me que falhei o cumprimento dos requisitos de entrar em Hong Kong. Perguntei-lhes qual era o critério e a senhora que me entrevistou respondeu-me com bastante honestidade, dizendo que era tudo o que me podia dizer, independentemente do número de vezes que lhe perguntasse”, afirmou Scott Chiang.

Ontem alguém se enganou ao içar a bandeira da China. Mau, mau, Maria...

FRANÇA DETIDO POR PROMETER MATAR O PRESIDENTE

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Um homem de 23 anos foi detido na passada quarta-feira, 28 de Junho, depois de ter dito num site de videojogos que estava à procura de armas para fazer um atentado. O jovem ameaçou matar o presidente francês em 2016, depois de ter sido condenado por apelo ao terrorismo. O jovem, que vive em Argenteuil, nos arredores da capital francesa, esteve preso no ano passado por apelar ao terrorismo. Durante a detenção, o homem de 23 anos que se diz “nacionalista” disse querer fazer um gesto político, matando o presidente da República na parada de 14 de Julho, dia de França, nos Campos Elísios. O jovem escreveu que procurava uma arma do tipo Kalashnikov para “cometer um atentado”. Estes comentários foram posteriormente enviados para a plataforma internet-signalement.gouv.fr, portal oficial do governo francês onde os internautas podem denunciar conteúdos ilícitos que encontrem online. Quando as autoridades chegaram à sua residência, o jovem ameaçou-os com um cutelo de cozinha. Duas outras armas brancas terão sido encontradas no carro do suspeito, porém, nenhuma arma de fogo, diz a mesma fonte. O jovem disse também querer atacar “negros, árabes, judeus ou homossexuais”.

CHINA PROMETE REFORÇAR SERVIÇOS DE ARBITRAGEM

C

HAN Meng Kam, na qualidade de membro da REM na Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, questionou o Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau sobre a necessidade de maior flexibilidade para os assuntos transfronteiriços. Segundo um comunicado do deputado, as autoridades chinesas afirmam que, nos últimos três anos, têm vindo a reforçar os mecanismos

de cooperação na área dos pagamentos. Na visão de Chan Meng Kam, os casos de conflitos na área das acções de investimento têm aumentado todos os anos. O Conselho de Estado disse que o próximo passo será aumentar a promoção dos serviços de arbitragem para fomentar a cooperação de Macau com Guangdong e Hong Kong, para que haja uma maior facilitação dos

serviços jurídicos. Tudo para resolver os conflitos existentes nos acordos económicos que são assinados nas três regiões. Sobre o tráfego de pessoas, as autoridades chinesas afirmaram ainda que vão impulsionar medidas para facilitar os residentes das duas regiões administrativas especiais que trabalham, estudam ou viajam na província de Guangdong. V.N./A.S.S.

GUINÉ-BISSAU ONU MUITO PREOCUPADA

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, considerou ontem que a ONU tem vindo a acompanhar “com grande preocupação” a crise política na Guiné-Bissau, país que na sextafeira suspendeu a actividade da RTP e da RDP. “Acompanhamos com grande preocupação a situação na Guiné-Bissau, desejando que o país possa encontrar o caminho da paz, da democracia e do respeito pelos direitos Humanos. E que se transforme num factor de estabilidade na região”, disse António Guterres, em Lisboa. Questionado especificamente pela decisão do Governo guineense de suspender a atividade da RTP, da RDP e da Agência Lusa (mais tarde revogada em relação à Lusa) no país, Guterres disse: “Por isso mesmo, tudo quanto possa pôr em causa esse caminho a ONU vê com grande preocupação”.

ARÁBIA SAUDITA E ALIADOS DÃO MAIS 48 HORAS AO QATAR

A Arábia Saudita e os países aliados anunciaram ontem a decisão de prolongar por mais 48 horas o ultimato feito ao Qatar para responder positivamente a uma lista de 13 exigências, a pedido do mediador do Kuwait na crise do Golfo. De acordo com um comunicado publicado pela agência oficial saudita Spa, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Bahrein e o Egipto aceitaram prolongar o ultimato após o Qatar ter anunciado que vai entregar na segunda-feira, ao emir do Kuwait, a sua resposta às exigências apresentadas. Na lista de exigências consta o encerramento da televisão Al Jazeera e de uma base militar turca, além da limitação das relações com o Irão. A 5 de junho, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos e Bahrein cortaram relações diplomáticas com o Qatar, que acusaram de apoio ao terrorismo, na mais grave crise regional desde a guerra do Golfo de 1991. Posteriormente, numa lista de 13 pontos - apresentada ao Qatar pelo Kuwait, que está a ajudar a mediar a crise -, os países exigiram o encerramento da televisão Al Jazeera, de uma base militar da Turquia no Qatar e uma redução das ligações diplomáticas com o Irão. Os quatro países exigiram ainda que Doha corte quaisquer contactos com a Irmandade Muçulmana e com outros grupos fundamentalistas islâmicos como o xiita Hezbollah, a Al-Qaida e o Estado Islâmico.


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Hoje Macau 4 JUL 2017 #3845 by Jornal Hoje Macau - Issuu