Director carlos morais josé
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q u a r ta - f e i r a 4 d e f e v e r e i r o d e 2 0 1 5 • ANO X i v • N º 3 2 6 6
livro Paulo maia e carmo
A disponibilidade de olhar para a pintura chinesa centrais
acreditações Profissionais querem maioria nas comissões
Podemos acreditar As comissões que reconhecem e atribuem licenças de trabalho aos vários sectores profissionais são compostas maioritariamente por membros do Governo. Embora a Lei Básica indique que seja o Executivo a determinar o sistema relativo às profissões, não explicita que este deva ter a maioria nas comissões. Profissionais reclamam para si este poder e há quem diga que “o Governo não quer que o caso da Associação de Advogados se repita na RAEM”.
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filipe duarte
em macau ao mais alto nível desporto Páginas 14 e 15
relatório Crimes sobem em 2014. Burlas e delitos de Jogo em destaque sociedade Página
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Ter para ler
gonçalo lobo pinheiro
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diário de bordo
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hoje macau quarta-feira 4.2.2015
por Carlos Morais José
horah
Gonçalo lobo pinheiro
ontem macau
Uma mulher abraça um voluntário do batalhão de “Santa Maria” numa cerimónia em frente à Catedral de Sta. Sofia em Kiev, Ucrânia, antes da sua partida.
“Temos muitos sócios agora, mais por causa do serviço de cantina. As pessoas querem ser sócias porque querem beneficiar de uma refeição mais barata. Em termos de inscrições temos mais de mil pessoas” Miguel de Senna Fernandes • Presidente da ADM, sobre a suspensão de inscrições de novos sócios na Associação dos Macaenses
“O dinheiro investido são poupanças de quase toda uma vida, neste momento estou sem casa, sem o dinheiro, já para não falar das constantes viagens à cidade vizinha para tratar de todo o caso. Enfim, é muito incomodativo, tudo isto” Ieong • Alegada proprietária de uma casa em Zhuai, sobre a compra de imóveis que nunca chegaram a ser construídos
“Acreditamos que o Porto Interior é uma zona rica em cultura e história e queremos que os residentes conheçam melhor este local, do ponto de vista da vida marítima” Chan Yat Fung • Responsável da organização de viagens de barco que dão a conhecer a história do Porto Interior
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“O facto de continuar a ter maioria nas comissões leva o Governo a uma situação que não é desejável socialmente nem apetecível, porque não pode ter todos os poderes” Rui Leão, arquitecto, sobre as comissões de acreditação | P. 3
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong (estagiária); Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas Agnes Lam; António Conceição Júnior; Arnaldo Gonçalves; David Chan; Fernando Eloy; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau. com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
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édito Mais vale tarde... Hoje realizo um sonho com mais de doze anos: publicar um livro sobre pintura chinesa, da autoria de Paulo Maia e Carmo, porque entendo que nos cabe, aos portugueses de Macau, contribuir na medida do possível e por vezes do impossível para a divulgação da cultura chinesa em Português. Temos um atraso considerável, assim mais ou menos de quinhentos anos. Mas nunca é tarde para começar a constituir uma sinologia lusófona, agora que o Brasil e outros países também acordaram para a existência da China. Ora este livro demorou doze anos a produzir. E por quê?, interrogar-se-á o amável leitor. É porque se trata de um livro caro, a cores, como não poderia deixar de ser devido ao tema, e durante todo este tempo não tive a capacidade de encontrar quem quisesse apoiar a sua publicação. Nem o Governo, nem as empresas a quem apresentei o projecto demonstraram qualquer interesse na coisa. É que, entenda-se, trata-se aqui de algo de interesse público e não privado. Trata-se de trabalhar para dois desígnios nacionais: o primeiro da China, que encarregou Macau de ser ponte para a Lusofonia; e o segundo de Portugal, pois o nosso país deveria, por uma questão histórica, liderar a constituição da referida sinologia. Contudo, tais desideratos não encontraram eco oficial ou privado, nem em Macau, nem em Portugal. Não faz mal. É preciso ter paciência, ensina-nos a experiência. Por isso, estamos descansados e em boa companhia ou não tivesse o nosso vate dito: “Mais vale experimentá-lo que julgá-lo / Julgue-o quem não pode experimentá-lo” (Os Lusíadas). Pois é nesta experiência paciente, nesta espera de mais de uma década e, finalmente, na alegria da concretização do projecto, graças ao apoio da Casa de Portugal, que se forja a determinação para continuar. Se “tudo vale a pena, quando a alma não é pequena”, também vale com certeza esta espera, quando o resultado é pioneiro e se tornará, indubitavelmente, num marco incontornável da edição em Português. Esperamos por vós todos no Auditório do Consulado de Portugal, pelas 18h30m, para ouvir o autor e adquirir uma outra perspectiva, dar mais um passo, sobre esta imensa civilização em que nos encontramos inseridos.
grande plano
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GCS
hoje macau quarta-feira 4.2.2015
Andreia Sofia Silva* andreia.silva@hojemacau.com.mo
É
recente o regime de acreditação para arquitectos e engenheiros e está a ser discutido o sistema de licenças para assistentes sociais, mas ambos têm um ponto em comum: as comissões que irão reconhecer competências e atribuir as licenças de trabalho aos profissionais são, na maioria, compostas por membros do Governo. Trata-se de um dos poucos territórios, a nível mundial, onde isso acontece, já que, por norma, são as profissões que se regulam a si próprias. Muitos citam a Lei Básica para encontrar uma explicação para o facto. A mini-constituição diz que o Executivo “determina, por si próprio, o sistema relativo às profissões e define os regulamentos respeitantes à avaliação e atribuição de qualificação profissional”. Na prática, a Lei Básica não explicita que o Governo deve ter a maioria nas comissões, algo que tem suscitado muitas críticas. O HM foi tentar compreender as razões dessa decisão e o deputado José Pereira Coutinho foi rápido em encontrar uma explicação. “Eles (Governo) não querem que o caso da Associação dos Advogados de Macau (AAM) se repita na RAEM. Querem ter o controlo para poder manipular o que seja mais conveniente para o Governo. O Executivo não quer mais associações de advogados nem esse tipo de sistema”, apontou o deputado directo. Song Pek Kei, deputada que integrou a comissão permanente da Assembleia Legislativa (AL) encarregue de analisar o regime de acreditação de arquitectos e engenheiros, afirma que, na práti-
Acreditações Porque é que o Governo continua a ter maioria?
Concentrados no poder
As comissões encarregues de atribuírem licenças de trabalho a profissionais liberais continuam a ser dominadas por membros do Governo, colocando os representantes dos sectores em minoria. As razões podem estar ligadas a manutenção de interesses, mas Pereira Coutinho vai mais longe: “Não querem que o caso da AAM se repita na RAEM” ca, cabe à sociedade equilibrar as diferentes partes. “Muitas pessoas querem que essa comissão seja criada em forma de associação. A Lei Básica não determina qual é a proporção dos membros do Governo e do sector no Governo, pelo que isso
depende do consenso na sociedade”, defendeu ao HM. A profissão dos advogados é talvez a única que se rege a si própria. Um jovem licenciado em Direito, seja de Macau ou de Portugal, deve realizar o estágio e um exame de acesso à profissão,
“Eles (Governo) não querem que o caso da Associação dos Advogados de Macau (AAM) se repita na RAEM. Querem ter o controlo para poder manipular o que seja mais conveniente para o Governo” Pereira Coutinho Deputado
“Quem devia policiar as classes profissionais deveriam ser as próprias classes, que é o que acontece em todo o mundo e em todas as sociedades que estão num processo de emancipação cívica” Rui Leão Arquitecto
organizado pela AAM. Contudo, Jorge Neto Valente, o seu presidente, sempre se opôs ao facto dos licenciados da Universidade de Ciência e Tecnologia (MUST) terem acesso à profissão por falta de competências em Direito de Macau. Algo que o tribunal veio recusar em Novembro.
Interesses e outras histórias
O arquitecto Rui Leão, que também é membro do Conselho do Planeamento Urbanístico (CPU), desde sempre foi contra a maioria de membros do Governo. “Há uma preocupação em gerir os interesses. Deveria haver maior confiança nas classes profissionais, porque as classes têm de se emancipar, auto-regular-se e emancipar-se”, defendeu ao HM. O arquitecto diz mesmo que uma regulação por parte do Governo não faz bem nem aos profissionais nem ao próprio Executivo. “O facto de continuar a ter maioria nas comissões leva o Governo a uma situação que não
é desejável socialmente nem apetecível, porque não pode ter todos os poderes. Quem devia policiar as classes profissionais deveriam ser as próprias classes, que é o que acontece em todo o mundo e em todas as sociedades que estão num processo de emancipação cívica. Não contribui nada e o Governo tem de assumir politicamente uma posição, o que não lhe fica nada bem”, acrescentou o arquitecto. Para Song Pek Kei, a criação dos referidos regimes ainda está no início, pelo que só o tempo dirá qual a melhor solução. “Como actualmente só o regime de credenciação de arquitectos e engenheiros foi implementado, os regimes de outros sectores ainda estão na fase de concepção. Podem haver várias formas para a composição das comissões e podemos observar os regimes existentes noutras regiões ou países. Existem comissões cujos membros são só de associações. É preciso discutir qual é a melhor forma para elaborar as comissões”, referiu a número três do deputado Chan Meng Kam. Coutinho fala ainda do exemplo da AL. “Tudo começa pelas seis comissões da AL. Por isso é que os democratas não estão em nenhuma presidência de uma comissão na AL, apesar de Ng Kuok Cheong ser um dos veteranos na AL. Porque é que Ng Kuok Cheong não é presidente de uma comissão apesar de ser deputado há 30 anos?”, concluiu. O deputado da ala democrática questionou, aliás, o Governo, numa recente interpelação escrita. Ng Kuok Cheong pretende saber porque é que os membros das comissões de acreditação não são eleitos directamente pelas associações profissionais. - *com Flora Fong
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política
A demora e falta de penalização nas obras públicas tem sido um tema bem aceso no território. Vários deputados têm‑se mostrado contra a inércia das autoridades. Desta vez foi Ella Lei que pediu um debate na AL e vê agora ser atendido o seu pedido
hoje macau quarta-feira 4.2.2015
Obras Públicas Admitido pedido de debate de Ella Lei
Toca a andar para a frente
Filipa Araújo
filipa.araujo@hojemacau.com.mo
O
pedido de debate da deputada Ella Lei sobre a inclusão das “cláusulas penais compensatórios” nos contratos das obras públicas, com vista a que as mesmas sejam concluídas nos termos dos contratos, evitando atrasos e aumentos irrazoáveis dos orçamentos, vai mesmo para a frente. Apesar de ainda não ter data agendado é certo que o debate vai acontecer, depois de Ho Iat Seng, presidente da Assembleia Legislativa (AL), ter admitido o pedido da deputada. Dando o exemplo da obra do metro ligeiro, a deputada, em nota justificativa, defende que o Gabinete de Infra-estruturas de Transporte (GIT), nada pode fazer, depois do 3ºrelatório da 1ª Fase do Sistema de Metro Ligeiro não definir as “cláusulas penais compensatórias legalmente permitidas”. Sendo assim e face “à insuficiência de fiscalização e à falta de mecanismos eficazes de indemnização e sanção, o GIT nada pode fazer, mesmo perante os graves atrasos registados nas obras do metro ligeiro, o que prejudica gravemente o interesse público”, defende a deputada. Perante o cenário, o Comissariado de Auditoria, diz
a deputada, sugeriu ao GIT que recorresse à aplicação dos meios previstos na lei e que tomasse como referência as práticas modernas mais usadas, ou seja, que incluísse no respectivo contracto “cláusulas de penas compensatórias” adequadas à dimensão de cada obra. “O GIT limitou-se a responder
que era difícil prever um valor razoável para as cláusulas penais compensatórias, que os empreiteiros poderiam apresentar preços mais elevados, e que, por isso, ia ponderar sobre a sugestão com toda a cautela e proceder a uma avaliação mais profunda”, explica Ella Lei, em nota
“O Governo raramente exige indemnização pelos prejuízos causados”, e por isso, “muitos construtores tentam a sua sorte, e o excesso de despesas é já uma ‘endemia’ das obras públicas de Macau”
justificativa. Mas até agora, nada foi feito.
Governo amigo
A deputa explica que tendo em conta que não existe esta cláusula e para o Governo exigir uma indemnização, “os procedimentos são complexos e há que apresentar provas para a justificação do montante de indemnização pedido”. Evitando esta situação o “Governo raramente exige indemnização pelos prejuízos causados”, e por isso, “muitos construtores tentam a sua sorte, e o excesso de despesas é já uma ‘endemia’das obras públicas de Macau”, argumenta a deputada.
Defendendo que a “sociedade está muito atenta” à questão das obras públicas, atrasos, derrapagens orçamentais e admitindo que esta situação “não é exclusiva do GIT”, uma vez que se verifica em outros contratos celebrados pelo Governo para as obras públicas, como é o caso o Terminal Marítimo do Pac On, Ella Lei justifica a necessidade de um debate para a adição, “em todos os contratos”, das cláusulas em causa. “Com vista ao aumento da responsabilização, ao reforço da fiscalização, e ao cumprimento escrupuloso dos prazos de conclusão das obras públicas, o Governo
deve incluir em todos os contratos ‘cláusulas penais compensatórias’, com vista a evitar atrasos e aumento significativos dos respectivos custos.
Contra o despesismo
Recorde-se que, tal como avançado pelo HM na edição de ontem, o deputado Pereira Coutinho classifica a situação dos atrasos nas obras públicas de “inadmissível”, mas não só. “O aumento do custo, o incumprimento dos prazos e de execução e a falta de estimativas sobre as despesas na realização de obras públicas é inadmissível. O dinheiro público deve ser gasto de forma adequada, racional e transparente no interesse de todas as pessoas”, argumentou. O deputado pretende também que o Governo tome medidas para “evitar o aumento do custo, o incumprimento dos prazos de execução e a falta de estimativas sobre as despesas na realização das obras públicas”, assim como também quer saber se o Executivo vai ou já tomou medidas que permitam “responsabilizar os responsáveis” pelas constantes derrapagens nos custos das obras, assim como relativamente aos atrasos. Pereira Coutinho reforça que é preciso “saber que medidas eficazes” tem o Governo na manga. “Até o próprio Comissariado de Auditoria está sistematicamente a alertar para a questão do excesso de custo que se tem verificado, mas em nada o Governo tem melhorado”, afirmou. Por outro lado, diz ainda, apesar do Comissariado de Auditoria se “limitar, agora, somente a enunciar um leque de problemas e sugerir ao Executivo que adopte certas medidas, nada é feito pelo efeito responsabilizador”, que, “não existe”. Recorde-se que a obra do Terminal de Pac On estava prevista ser concluída em 2013, algo que não aconteceu, tendo sido posteriormente adiada para 2014, o que não se verificou também. Também a obra do metro ligeiro tem sido marcada por vários atrasos e derrapagens orçamentais, algo definido pela Associação de Engenharia e Construção de Macau e a empresa construtora da 1ª fase do metro ligeiro na Taipa, como um “mal-entendido”.
política 5
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Carlos Marreiros com “esperança renovada” no novo Governo
Democracia Ng Kuok Cheong tem esperança em jovens com “potencial”
Com os olhos bem abertos
U
Segundo o deputado democrata as novas gerações têm vindo a participar cada vez mais activamente nos problemas da sociedade e são um manancial de esperança para o desenvolvimento da democracia no território mas a sociedade tem de começar a acordar e a olhar para os problemas através da organização de mais iniciativas”, começou o deputado por explicar.
Novas potencialidades
Flora Fong
flora.fong@hojemacau.com.mo
O
deputado democrata Ng Kuok Cheong considera que as novas gerações de Macau têm potencial para implementar a democracia em Macau. No programa “Macau Talk”, do canal chinês de Rádio Macau, um dos ouvintes intervenientes disse que considera haver uma proporção diminuta de deputados elei-
tos na Assembleia Legislativa (AL), mostrando-se pessimista quanto ao desenvolvimento democrático no território. No entanto, Ng Kuok Cheong dis-
corda do ouvinte, referido que a sociedade tem sofrido alterações significativas. “Actualmente também há falhas na governação representativa noutros países,
“Como temos educação pública gratuita em Macau, os jovens com potencial começam já a integrar a sociedade de forma gradual e alguns deles têm mesmo um papel activo na defesa da democracia”
Preços Deputada questiona grupo interdepartamental
A
deputada Melinda Chan criticou o facto do Grupo Interdepartamental para os Preços dos Alimentos, ter sido criado há mais de dois anos, mas até agora não ter tomado qualquer medida para controlar o aumento dos preços. Numa interpelação escrita, a deputada recordou que a criação do grupo de trabalho surgiu devido ao aumento da inflação no território, bem como para ter a responsabilidade de elaborar estudos de importação e retalho
de alimentos, combatendo assim situações ilegais que pudessem vir a surgir. No entanto, dois anos e meio depois, a inflação em Macau tem aumentado, e surgem várias queixas de monopólios e enganos relativamente à quantidade de alimentos. Considera assim a deputada que o grupo não conseguiu melhorar os problemas da alta inflação no território, contrariando a esperança depositada pelos residentes quanto aos objectivos do grupo.
Melinda Chan questiona o Executivo se está previsto o lançamento de algum estudo que possam fazer luz sobre os problemas existentes neste sector e quais as soluções mais eficazes para a resolução desta questão. Com a chegada do Ano Novo Lunar, acredita a deputada, que os preços dos alimentos vão atingir picos, e por isso, defende, é necessário que o grupo tome uma acção para estabilizar e controlar os mesmos. - Flora Fong
Ng acrescentou que os jovens de hoje aceitam e embarcam mais facilmente no ensino superior do que as gerações mais velhas, atribuindo-lhes assim mais potencial para a conquista de democracia na RAEM. “Como temos educação pública gratuita em Macau, os jovens com potencial começam já a integrar a sociedade de forma gradual e alguns deles têm mesmo um papel activo na defesa da democracia em Macau”, adiantou Ng. O democrata faz, contudo, a distinção entre antigas juventudes revolucionárias e a forma como os jovens de hoje em dia se manifestam. “Fazem-nos mas não como se fossem exército revolucionário, pois apenas protestam quando se trata de um assunto importante, tentando perceber e criticar os problemas” afirmou. Durante a emissão do mesmo programa, o deputado lembrou ainda que a tendência de jovens envolvidos no activismo político tem crescido, exemplificando com Jason Chao, líder do grupo Macau Consciência, Sulu Sou, presidente da Associação Novo Macau, ou Ieong Man Teng, representante do grupo Forefront of the Macau Gaming.
m dia depois de ter reunido com o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, o arquitecto Carlos Marreiros disse à Rádio Macau que tem uma “esperança renovada” em relação ao novo Executivo. “Há uma esperança renovada não só na cultura, mas também na saúde e nas obras públicas, principalmente, áreas que mexem muito com a vida das pessoas. A população foi, nos últimos anos, fustigada por algumas políticas que não foram concretizadas” e “a vida da população em geral, em termos de trânsito, em termos de cuidados básicos de saúde, complicou-se”, disse o também director-geral do Albergue da Santa Casa da Misericórdia. O arquitecto macaense destacou a forma de actuar dos novos membros do Governo. A mudança acontece devido “à atitude de alguns novos Secretários, e também o que eles já representam pelo seu passado que conhecemos. Estão reunidas as condições para que os próximos cinco anos sejam de grande desafio, mas também de grandes concretizações a bem da população de Macau”.
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Aviso Faz-se público que se acha aberto o concurso comum, de ingresso externo, de prestação de provas, para o preenchimento de um lugar de intérprete-tradutor de 2.ª classe, 1.º escalão, da área de interpretação e tradução (línguas chinesa e portuguesa), da carreira de intérprete-tradutor, do quadro de pessoal da Direcção dos Serviços de Regulação de Telecomunicações (DSRT). Os respectivos detalhes constam do Boletim Ofícial da Região Administrativa Especial de Macau, n.º 5, II série, de 4 de Fevereiro de 2015 e estão divulgados nas páginas electrónicas da DSRT (http://www.dsrt.gov.mo) e da Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública. Podem também ser obtidos na Divisão Administrativa e Financeira da DSRT sita na Avenida do Infante D. Henrique, n.os 43-53A, The Macau Square, 22.º andar, Macau. Direcção dos Serviços de Regulação de Telecomunicações, aos 29 de Janeiro de 2015.
O Director dos Serviços, Hoi Chi Leong
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sociedade
Há mais crime em Macau, assim o prova o relatório anual da Polícia Judiciária. Com algumas oscilações nos vários tipos de crimes, são os casos de burla e crimes no sector do Jogo que mais se destacam, subida justificada pela fase de ajustamento do sector
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PJ Ajustamento do Jogo aumenta crimes
Mãos ao alto!
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crimes relacionados com o Jogo em 2014
Filipa Araújo
filipa.araujo@hojemacau.com.mo
A
criminalidade em Macau aumentou no ano de 2014 e “torna-se mais complexa à medida que a sociedade desenvolve”, assim esclarece a Polícia Judiciária (PJ) aquando o encontro anual do Ano Novo Lunar, que decorreu na manhã de ontem. Dos dados apresentados pelo relatório a PJ indica que durante o ano passado foram registados mais 2506 casos comparativamente ao ano anterior. O documento mostra que foram os crimes de burla e crimes relacionados com o Jogo que mais aumentaram, tendo sido ainda registada uma descida nos crimes directamente relacionados com a vida quotidiana. A “entrada numa fase de ajustamento do sector do Jogo de Macau”, durante o segundo semestre de 2014, é o motivo que a PJ atribui para o aumento dos crimes relacionados com o Jogo, que passaram de 2599, em 2013, para 3023 no ano transacto. Neste saco estão incluídos, esclarece a PJ, os crimes de sequestro (71), agiotagem (208). Questionado sobre a possibilidade de aumento do crime organizado devido às consecutivas
505 casos, contrastando com os 375 registados em 2013. A subida de 54,4% respeita a tendência dos últimos dois anos. Também os casos de extorsão através de ‘nude chats’, ou seja, salas de conversação online com conteúdos eróticos, aumentaram para o dobro, tendo aumentado de 32 casos em 2013, para 73 no ano passado.
descidas das receitas do Jogo, o director da PJ, Chau Wai Kuong sem confirmar, garantiu apenas que as autoridades vão reforçar o número de trabalhadores, muitos em serviço dentro dos casinos. “Com a nova reorganização da estrutura da PJ (...) acho que temos
capacidade para combater este tipo de crime”, afirmou.
A dobrar
Segundo os dados, os casos de burla em 2014 ultrapassaram em mais de 50% os do ano anterior. No ano passado foram registados
“A razão principal disso é haver uma tendência para os crimes de burla serem praticados através da internet e frequentemente entre fronteiras”, justifica a PJ, sublinhando que “denota-se uma certa fraqueza, por parte da população em geral, relativamente à noção de prevenção contra as burlas e à maneira de reagir a situações imprevistas”. Assim, a PJ avança que é “necessário que o trabalho de sensibilização e educação contra a burla seja efectuado, pela polícia, de forma mais específica e se intensifique a prevenção criminal e controlo a este tipo de crime”. No mesmo grupo estão as burlas praticadas via internet, que apresentam também um aumento no número de casos descobertos. Durante o ano passado foram registados 452 casos, aumentando assim 33,7% comparativamente ao ano anterior. “Isto demonstra a necessidade de se intensificar o trabalho de fiscalização na internet para reprimir o crime”, defende a PJ, admitindo também que é necessário aumentar a “divulgação da prevenção criminal”, tornando-a mais ampla e mais específica, só assim, defende, será possível “aumentar a consciência da população acerca da segurança na rede”. Relativamente à diminuição de casos foram os crimes directamente relacionados com a vida quotidiana da população os que mais se fizeram notar. Os casos de roubo por esticão fixaram-se nos 91 registos, menos 37 que o ano passado, quanto aos casos de furto, os crimes de furto qualificado em residência “diminuíram
IAS pondera criar equipa de profissionais de língua gestual
O Instituto de Acção Social (IAS) está a planear criar uma equipa de tradução de língua gestual em Macau. Segundo o Jornal Ou Mun, o director do IAS, Iong Kuong Io, referiu ter recebido vários pedidos de tradutores por falta grave de apoio para comunicações sem barreiras. As declarações tiveram lugar num encontro da Associação de Educação Especial para Adultos Surdos de Macau. O presidente da associação Chiu Chon Wan referiu que Macau tem carência de tradutores de língua gestual e não existe um modelo de credenciação profissional para este sector, com a agravante de que os salários oferecidos costumam ser baixos. Por isso mesmo, explicou, esta profissão está a enfrentar perda de mão-de-obra, consequentemente fazendo com os deficientes auditivos – principalmente aqueles que também têm problemas na fala – sejam privados de grande parte das actividades sociais. O anúncio da eventual criação de uma equipa de tradutores de língua gestual foi justificado com o estudo da realidade de outros países e regiões.
claramente”, registando-se 173, menos 149 casos do que em 2013, ou seja 46%. Esta queda neste tipo de crimes é justificada pela PJ pelo “alargamento do policiamento de proximidade”. No sector de crimes ligados a estupefacientes, o número de casos também diminuiu, quase 25%, tendo sido registados 103 casos de tráfico. Também os crimes de consumo deste tipo de substância diminuíram, assim como o número de pessoas envolvidas. “Em 2014 registaram-se 114 casos com 160 pessoas envolvidas, acreditamos que esta descida esteja relacionada com o facto de o consumo de droga aconteça de forma mais dissimulada”, pode ler-se no relatório.
Mais recursos, mais segurança
No mesmo seguimento, a PJ explica que aumento e aposta dos recursos humanos do Grupo de Prevenção Criminal na Área da Habitação (GPCAH). “O número de efectivos passou de 10 para 18, prevendo-se no futuro, um aumento para 40 elementos”, entre ele quatro a desempenhar as funções principais do grupo a tempo inteiro, e os restantes a executar diversas tarefas em regime de acumulação de funções.
“Com a nova reorganização da estrutura da PJ (...) acho que temos capacidade para combater este tipo de crime” Chau Wai Kuong Director da PJ
Quanto aos crimes praticados pelos jovens, o relatório indica que no ano transacto foram presentes ao Ministério Público (MP), 30 jovens, 28 homens e duas mulheres, com menos de 16 anos, um aumento de 18 novos casos comparativamente a 2013. Os delitos são maioritariamente de furto e falsificação de documentos. Entre os 17 e os 18 anos, foram presentes ao MP, 27 jovens, menos 16 casos que no ano anterior. Os crimes praticados por estrangeiros também diminuíram com um total de 148 casos, menos 26 que no ano de 2013. Dentro deles, diz a PJ, registou-se um “aumento substancial dos detidos provenientes da China continental, com um total de 2396 pessoas. Por este motivo, é “imperativo que as forças policiais redobrem a atenção na evolução dos modelos e tendências da criminalidade local”, defende a PJ, sublinhando a necessidade de uma maior cooperação com as autoridades da China continental.
sociedade 7
hoje macau quarta-feira 4.2.2015
Kiang Wu Serviços de fábrica de caixões suspensos
Flora Fong
flora.fong@hojemacau.com.mo
Os veículos da discórdia
O
Outra visão
Por outro lado, Lei Cheok Peng, dono da fábrica e também presidente da Câmara de Comércio dos Negociantes Funerários de Macau conta o outro lado da história.
A
primeira publicação bilingue luso-chinesa em Portugal, o jornal Diário de Todos, chega esta quarta-feira às bancas em papel, sensivelmente um ano depois de o projecto ter tido início ‘online’, disse à agência Lusa a directora do periódico. “O projecto teve início com a criação de uma aplicação digital apenas em chinês, concentrada na economia e destinada a empresários, turistas e estudantes com interesse em Portugal”, explicou Helena da Cruz Mouro, acrescentando que a aplicação é “uma espécie de
Uma fábrica de caixões e a família de um residente falecido estão às avessas com a Associação de Beneficiência do hospital Kiang Wu. A polémica remonta a Dezembro do ano passado e teve início por causa do transporte entre Macau e o continente Hoje Macau
trabalho da Fábrica de Caixões Lei Pak Kei está suspenso no que diz respeito ao aluguer de salões de luta da casa funerária ‘Kiang Wu’. Tudo aconteceu, de acordo com a própria entidade, devido a problemas de comunicação entre a família de um falecido, a fábrica e a casa funerária. Segundo um comunicado emitido pela Casa Funerária “Kiang Wu”, de 30 de Dezembro passado, a fábrica local de caixões tratou de todos os pormenores da cerimónia funerária de um dos entes da família Io. Durante o processo, a família mostrou-se insatisfeita com a necessidade de mudança de veículos durante o percurso de Macau para o crematório do interior da China e queixaram-se, com o apoio da fábrica, da prestação de serviço fornecida pela Associação Beneficência do Hospital Kiang Wu, que gere a casa funerária. No entanto, a casa defendeu-se apontando que este problema de mudança de veículos é comum, podendo a fábrica “contactar a casa funerária para resolver o problema”. A situação agrava-se quando a Lei Pak Kei afirmou que não negociou o transporte com a associação. A casa funerária considera que as queixas foram “actos demasiado agitados”, adjectivando mesmo a denúncia como “caluniosa”. Assim, decidiu então suspender o arrendamento de salas de luto, pedindo mesmo desculpa e mostrando-se arrependida. “Asseguramos que nunca mais cometeremos erros”, lê-se no comunicado da entidade.
“A Casa Funerária Kiang Wu quer manter o seu negócio como um monopólio. Todos sabem que em Macau existe apenas uma casa que oferece espaços para organizar cerimónias funerárias tipicamente chinesas” Lei Cheok Peng Dono da fábrica de caixões
“O nosso serviço é acompanhar os clientes para arrendar o salão de luto. Como a família Io se mostrou insatisfeita com o serviço prestado pela casa funerária, pediu-se a alteração da hora de transporte para evitar a mudança de veículos. No entanto, o funcionário da casa funerária não
Publicação “Diário de Todos” chega às bancas hoje
Papel que nos une jornal diário com um tema principal e algum espaço dedicado à sociedade, à cultura e ao estilo de vida”. Considerando que a publicação surge perante “a falta de meios de comunicação em Portugal que conjugassem o luso e o chinês”, a responsável esclareceu que o jornal dá seguimento a uma tradição já antiga, que vem de Macau, onde “há mais de cem anos existem meios
de comunicação bilingues”. Com o objectivo de abordar as realidades portuguesa na China e chinesa em Portugal, as duas partes do jornal não serão, todavia, a mera tradução uma da outra. “A parte direccionada para os chineses tem notícias sobre Portugal e o mundo lusófono, enquanto a dirigida aos portugueses inclui notícias sobre a China, essencialmente de economia
mas também de cultura e turismo, e visa um grande e diversificado público: empresários, investidores, políticos, diplomatas, estudantes, professores, turistas”, adiantou Helena Mouro. Com redacção em Lisboa e uma equipa “jovem, composta por dez pessoas habituadas ao ambiente de Macau”, a publicação tem colaboradores tanto na Chi-
só demorou tempo a responder, como mais tarde disse que não era possível mudar o horário”, começou por explicar o responsável. Lei Cheok Peng diz ainda que quando a família questionou directamente a casa funerária, o funcionário respondeu afirmativamente ao pedido de mudança de horário de transporte, referindo que nem seriam necessários dois veículos para o transporte. “Sim, a hora pode ser alterada e nem sequer é preciso mudar de veiculo”, conta Lei. “A Casa Funerária Kiang Wu quer manter o seu negócio como um monopólio. Todos sabem que em Macau existe apenas uma casa que oferece espaços para organizar cerimónias funerárias tipicamente chinesas. Para agravar a situação, a casa funerária ainda quer que os clientes tratem das questões directamente, ao invés de ser com os intermediários funerários”, continuou. Segundo as várias declarações da família e da fábrica publicadas no jornal Ou Mun, ambas as partes até já pediram desculpa à Associação de Beneficência do Hospital Kiang Wu por não quererem causar incómodo ao falecido. Tudo isto, refere a fábrica, tem impossibilitado a obtenção de receitas devido à queda repentina no número de serviços prestados. “Ajudamos a realizar cerimónias funerárias, e tratamos de tudo de acordo com a vontade dos clientes. O cliente queixou-se e nós [fábrica] acompanhámo-lo, mas não quisemos dizer mal da Associação. É irracional o facto da Casa Funerária Kiang Wu agora não permitir o arrendamento das salas de luto”, refere a fábrica, em comunicado. Mais de um mês passou e a família e a fábrica continua à espera que a associação do hospital se prontifique a marcar uma reunião entre as três partes para resolver todo o assunto. No entanto, até ao momento nem a fábrica nem a família receberam qualquer notícia.
na como em Portugal e está a recrutar profissionais “na área das ciências humanas e económicas, bem como tradutores portugueses e chineses”, revelou a directora do Diário de Todos, que, apesar do nome, começará por ser quinzenal. “O objectivo, porém, é tornarmo-nos um semanário de referência e, dependendo da aceitação dos leitores, virmos a ter periodicidade diária”, declarou Helena da Cruz Mouro à Lusa, contando que o jornal “incluirá sempre uma grande entrevista a uma personalidade de Portugal ou da China”,
sendo que, na edição que chega quarta-feira às bancas, o entrevistado é o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas. Helena da Cruz Mouro já colaborou com a imprensa em Portugal e em Macau, território ao qual tem “uma ligação de uma década por motivos profissionais e familiares”. Com uma tiragem inicial de 10.000 exemplares e preço de capa de 2,5 euros, o Diário de Todos vai chegar a várias bancas de norte a sul do país e tem já mais uma edição na forja, prevista para dia 17 deste mês. - Lusa
8 sociedade
Leonor Sá Machado
Leonor.machado@hojemacau.com.mo
O
s Serviços de Saúde (SS) vão elaborar, em 2016, um projecto piloto que consiste num estudo sobre o estado de saúde da população em Macau. Para este ano, está ainda pensado um programa de despistagem de cancro no intestino grosso, doença responsável por uma grande fatia das mortes durante os últimos dez anos. Segundo dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), os tumores malignos pulmonares, hepáticos, do intestino grosso e da mama – nas mulheres – foram os principais causadores de morte em Macau há quase uma década. Se, por um lado, houve 90 cancros fatais num total de 408 mortes nos primeiros três meses de 1998, o número aumenta exponencialmente para 123 em 2004, 138 no primeiro trimestre de 2010 e, finalmente, 178 casos no mesmo período do ano passado.
hoje macau quarta-feira 4.2.2015
SS Estudo sobre saúde da população
Cancro fatal
Os Serviços de Saúde anunciaram a criação de um programa de despistagem de cancro já este ano. Também 2016 terá novidades: os SS vão realizar um estudo sobre o estado da saúde da população No mesmo comunicado, os SS asseguram ainda que o hospital Conde São Januário tem pessoal suficiente para tratar casos de cancro, nomeadamente dois médicos locais, um dos Estados Unidos e outro do continente. Também o serviço de Hematologia – que os SS dizem também integrar tratamentos de cancro – tem profissionais disponíveis, ou seja, quatro
locais e um português. “O Centro Hospitalar Conde de São Januário dispõe de pessoal suficiente para tratar doentes com cancro”, avança o comunicado.
Do privado para o público, com aprovação
No mesmo documento, o director do organismo, Lei Chin Ion, salienta a possibilidade de validação
de atestados médicos por parte de entidades privadas de saúde. A questão tem estado em debate, já que foi uma política existentes nos anos 80, mas que foi acabou por ser descartada depois de 1999, devido a alegados casos de “abusos”. Assim, os SS confirmam que os atestados médicos de clínicas privadas passam a ser válidos para os funcionários públicos. “Os Serviços de Saúde afirmam que de acordo com as disposições do Estatuto dos Trabalhadores da Administração Pública de Macau (ETAPM) e demais disposições os trabalhadores da função pública podem justificar as suas faltas por doença apresentando um atestado médico emitido não só pelas entidades médicas públicas, mas também pelos hospitais não públicos de Macau”, afirmaram os SS, em comunicado.
Milhares para vacinar Os Serviços de Saúde anunciaram no início desta semana que foram gastas cerca de 60 mil patacas na compra de 107 mil doses de vacinas contra a gripe sazonal que atinge um número crescente de pessoas na época mais fria. Lei Chin Ion, director dos SS, assegurou ainda que o organismo tem vacinas e medicamentos suficientes para tratar os casos de gripe e constipações. Em comunicado, o organismo revela ainda que se vai esforçar por melhor proteger os doentes do território, no que diz respeito à vacinação. “Caso apareçam novas vacinas no mercado os Serviços de Saúde vão proceder à sua aquisição com vista a protecção da saúde dos cidadãos”, lê-se no documento.
O
chefe do departamento de Administração Pública da Universidade de Macau (UM) e um dos investigados por ter assediado alunas da instituição, Wang Jianwei, emitiu ontem um comunicado onde afirma que os referidos casos “nada têm a ver” com ele, tendo criticado “as afirmações feitas nos meios de comunicação social, que são uma difamação e ataques pessoais”. Wang Jianwei afirmou ainda que as duas queixas de assédio sexual que envolvem o mesmo professor são “denúncias caluniosas”, tendo referido que uma das queixosas é uma docente do mesmo
Assédio Sexual Professor investigado fala de “difamações”
Os processos podem chegar departamento, mas que a mesma não “apresentou provas credíveis”. O director do departamento considera que a “difamação” tem a ver com um professor cuja posição não conseguiu ser renovada no ano lectivo passado. “As duas queixas foram apresentadas na segunda metade do ano passado, mas as acusações a mim feitas já são de um ou dois anos atrás. Os meios de comunicação
social confundiram os casos de propósito, o que deu a entender que aconteceram mais casos de assédio sexual, o que trouxe inquietação à sociedade e aos estudantes”, escreveu.
Inocência reclamada
O académico acredita ainda que as polémicas relacionadas com o caso só trazem “pressão” e que podem influenciar o resultado das inves-
tigações internas. Wang Jianwei frisa que todo o caso já “prejudicou a sua reputação pessoal e académica”, apelando à UM para publicar os resultados das investigações o mais depressa possível, para que possa comprovar a sua inocência. “Espero que a sociedade não olhe para os rumores como sendo factos antes de se saber a verdade”, escreveu no final do comunicado. Wang Jianwei não põe de parte a
Taipa vai ter novo centro de saúde em Abril
O
s Serviços de Saúde de Macau inauguram em Abril um novo centro de saúde na ilha da Taipa, uma infra-estrutura que vai servir 83 mil pessoas e contará com 88 profissionais, foi ontem anunciado. O novo centro das ilhas terá 13 médicos, dois médicos dentistas, 31 enfermeiros, dois farmacêuticos e quatro técnicos de diagnóstico e terapêutica. Com cerca de 7.500 metros quadrados, o centro de saúde tem 30 salas, um centro de tratamento com metadona e uma sala de observação directa de tuberculose. No novo centro serão prestados os diversos tipos de cuidados de saúde primários, saúde infantil, materna, planeamento familiar, cuidados de enfermagem, aconselhamento psicológico, medicina tradicional chinesa, acupunctura, saúde dentária, fisioterapia e exames de raio x. O novo Secretário dos Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, que tutela a área da saúde, afirmou que a saúde é uma das suas áreas prioritárias, tendo prometido para este seu primeiro mandato como elemento do Governo, entre outros, a construção do novo hospital das ilhas, uma infra-estrutura que já está planeada desde 2009. - LUSA
hipótese de processar os meios de comunicação social. Entretanto, o grupo Consciência Macau, liderado por Jason Chao, apresentou ontem o grupo “Vigilantes da UM”. Citado pela TDM, o activista diz que a UM tem vindo a “tentar encobrir casos de assédio”. “Exigimos transparência, claro e é algo que a Universidade e o Secretário devem responder. Recentemente, a administração da Universidade tem estado envolvida em escândalos. Alguns têm tentado encobrir casos de assédio sexual, de repressão da liberdade de expressão e da liberdade académica”, defendeu. - F.F.
China
hoje macau quarta-feira 4.2.2015
O
ministro da Educação da China, Yuan Guiren, afirmou que jovens professores e alunos das universidades chinesas são alvo das “forças inimigas estrangeiras” que pretendem estender a sua influência no gigante asiático. O ministro da Educação fez estas declarações na última edição da “Qiushi” -uma publicação periódica do Partido Comunista chinês –, quatro dias depois de instar as universidades do país a proibir o uso dos livros importados que propaguem os “valores ocidentais”, noticiou ontem o diário em língua inglesa publicado em Hong Kong South China Morning Post (SCMP). “Os jovens professores e os estudantes são os principais alvos de infiltração das forças inimigas”, escreveu Yuan, para quem “alguns países vêem o desenvolvimento da China como um desafio ao seu sistema e valores e intensificaram
Pequim acusa ocidente influenciar universidades
Forças que se infiltram a influência de maneiras mais discretas e diversas”. O titular da pasta da Educação acrescentou que vão ser elaboradas directrizes escolares para “colocar o marxismo na vanguarda” e que vão ser proibidos nos campus os livros que difundam pontos de vista ocidentais “errados”, ou seja, que contrariem os ideais do regime comunista.
Reflexos presidenciais
As declarações do ministro chinês são um claro reflexo da campanha ideológica do Presidente Xi Jinping, disse ao SCMP Zhang Xuezhong, um antigo professor associado da Universidade de Ciência Política e Direito do leste da China, despedido
Figo “Paixão pelo futebol na China está a crescer”
O
antigo internacional português e candidato à presidência da FIFA Luís Figo manifestou-se ontem satisfeito com o crescimento da academia chinesa que ostenta o seu nome, salientando que “a paixão pelo futebol está a crescer na China”. “Temos tido um crescimento grande e rápido e queremos continuar a crescer, controladamente, para ajudar a promover o futebol na China. A nossa maior aposta é na formação dos jovens e no futebol de base”, disse Luís Figo à agência Lusa. O antigo capitão da selecção portuguesa de futebol chegou na segunda-feira à noite a
Cantão, sul da China, para assistir ao primeiro torneio organizado pela Winning League/Figo Football Academy. Lançada em Pequim na primavera de 2014, sob a direcção do técnico português Joaquim Rolão Preto, aquela academia está já implantada em oito cidades da China e este ano espera chegar a mais duas. No conjunto, a academia tem cerca de 1.110 alunos, entre os 4 e 13 anos de idade, e os seus treinadores, todos portugueses, são diplomados pela Federação Portuguesa de Futebol e a UEFA. “O prestígio alcançado por Portugal no futebol ajuda a promover
a imagem do país nesta parte do mundo”, comentou Luís Figo. Luís Figo (“Fei Guê, em chinês) e “C Luo” (Cristiano Ronaldo) são os nomes portugueses mais conhecidos na China, um país onde o futebol só em 1992 se tornou um desporto profissional. Em declarações à agência Lusa, o antigo internacional português referiu também que “a qualidade e experiência do futebol chinês” e que “os clubes chineses já começaram a contratar valores estrangeiros”. “Estamos num momento importante para o desenvolvimento do futebol na China”, salientou Luís Figo.
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no ano passado por criticar o sistema político da potência asiática. Já Hu Xingdou, economista da Universidade de Tecnologia de Pequim, acredita que estas medidas representam um “renascimento da revolução Cultural”. “A oposição a todos os pensamentos e culturas estrangeiras é a tendência ideológica mais à esquerda desde a reforma e abertura”, afirmou. “Isto vai provocar mais conflitos na ideologia”, acrescentou Hu, que estima que a “censura” dos valores ocidentais poderá significar o fim de algumas disciplinas de Ciências Sociais porque muitos conceitos, sobretudo na Economia, são oriundos do Ocidente. Ainda que o governo chinês intensifique os esforços para manter afastada a influência estrangeira, Zhang acredita que a campanha não vai funcionar porque “os tempos mudaram” e os professores e estudantes têm acesso a outras fontes de informação.
Australianos negoceiam com chineses em Moçambique
Unidos pela extracção A
empresa mineira australiana Baobab Resources está a negociar com dois grupos de engenharia chineses o desenvolvimento de projectos de extracção de ferro gusa e vanádio na província moçambicana de Tete, anunciou ontem a agência africana de imprensa (APA). A APA, que cita um comunicado de 23 de Dezembro passado da Baobab Resources, salienta que dois dos três grupos chineses, o Sinosteel Equipment and Engineering e a China Metallurgical Group Corp, estão ligados a estudos de viabilidade e equipamento. Os contratos de parceria que podem vir a ser assinados
dizem respeito à continuação e conclusão dos estudos de viabilidade, compra de equipamento e a construção de infra-estruturas. No mesmo comunicado, a APA acrescenta que a Baobab realizou recentemente testes laboratoriais a uma amostra de 1,5 toneladas de minério de ferro, com a empresa chinesa Beijing Shenwu Environment and Energy Tecnology Co Ltd, para tentar encontrar uma alternativa à actual tecnologia de forno rotativo.
A longo prazo
Em Dezembro passado, a Baobab Resources recebeu a aprovação de uma concessão
por mais 25 anos para a extracção de minério na província de Tete, com possibilidade daquela autorização ser renovada por mais 25 anos. “Temos confiança nas entidades estatais chinesas envolvidas no nosso projecto assim como no potencial para desenvolver capacidades industriais em Moçambique ao longo dos próximos 50 anos”, refere Jeremy Dowter, presidente da Baobab, citado no comunicado sobre as eventuais parcerias com os grupos chineses. As crescentes relações entre a China e Moçambique são muito importantes para a Baobab Resources, concluiu.
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ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.º 3/P/15 Faz-se público que, por despacho de Sua Excelência, o Chefe do Executivo, de 10 de Junho de 2014, se encontra aberto o Concurso Público para a <<Prestação de Serviços de Lavagem e Engomagem Aos Serviços de Saúde>>, cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 4 de Fevereiro de 2015, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita na Rua Nova à Guia, n.º 335, Edifício da Administração dos Serviços de Saúde, 1.º andar, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP 62,00 (sessenta e duas patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria destes Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S:S. (www.ssm.gov.mo). Os concorrentes deverão comparecer na Sala <<Auditório>> situada no r/c do Edifício da Administração dos Serviços de Saúde junto do C.H.C.S.J. no dia 6 de Fevereiro de 2015, às 15,00 horas, para uma reunião de esclarecimentos a respeito deste concurso e às exigências da prestação dos serviços objecto deste concurso, seguida duma visita à Secção de Tratamento de Roupas e de Limpeza dos Serviços de Saúde. As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 5 de Março de 2015. O acto público deste concurso terá lugar no dia 6 de Março de 2015, pelas 10,00 horas, na sala do <<Auditório>> situada no r/c do Edifício da Administração dos Serviços de Saúde junto do C.H.C.S.J. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP 762 000,00 (setecentas e sessenta e duas mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 29 de Janeiro de 2015 O Director dos Serviços Lei Chin Ion
Aviso
Programa de Devolução do Imposto Profissional do Ano de 2013 Nova forma de restituição para contribuintes que não sejam funcionários públicos e pessoal docente Nos termos do artigo 18.º da Lei do Orçamento de 2015, vai-se proceder à devolução de 60% da colecta do imposto profissional, devido e pago, até ao limite de $12.000,00 (doze mil patacas), relativamente ao ano de 2013, pelos contribuintes que, em 31 de Dezembro de 2013, sejam titulares do Bilhete de Identidade de Residente da Região Administrativa Especial de Macau. No entanto, não se procede à devolução do imposto de valor inferior a $50,00 (cinquenta patacas), nos termos do n.º 2 do art.º 39 do Regulamento do Imposto Profissional Por forma a facilitar o recebimento do montante da devolução, os contribuintes que não sejam funcionários públicos e pessoal docente, podem proceder até ao dia 25 de Fevereiro de 2015, à entrega da declaração junto dos 7 Bancos abaixo indicados, para que os montantes da devolução sejam depositados, por transferência, para as suas contas bancárias em patacas. Os Bancos visados e as formas de registo disponibilizadas pelos mesmos são os seguintes: Aos 16 de Janeiro de 2015. A Directora, Vitória da Conceição Denominação dos bancos Banco da China Banco Comercial de Macau Banco Industrial e Comercial da China Banco Luso Internacional Banco Nacional Ultramarino Banco OCBC Weng Hang Banco Tai Fung
Meio Electrónico √ x √ x √ x √
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eventos
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Paulo Maia e Carmo primeiro livro em português sobre pintura clássica chinesa
Uma outra disponibilidade do olhar Chama-se “O Pintor no seu Labirinto – Histórias da Pintura na China”, é o primeiro livro escrito em Português sobre o assunto e vai ser lançado hoje, no Auditório do Consulado de Portugal, pelas 18h30m, com a presença do autor, Paulo Maia e Carmo, que apresentará o livro
dade chinesa das relações entre pintor e Natureza, do lugar do Homem no universo e da representação caligráfica como instante que expressa um infinito. E aprendemos também como se sucederam os estilos, as escolas e, por isso, as subtis diferenças no resultado artístico. Tal como no Ocidente, as teorias artísticas na China sempre se situaram na proximidade de pensamentos filosóficos por vezes contraditórios, doutras coincidentes, com a formulação do mundo que os pintores procuravam plasmar nos seus trabalhos.
A suspeita confirmada
É
uma sensação de estranheza que, geralmente, a pintura clássica chinesa desperta no espectador ocidental. Curiosamente, tal já não acontece perante as obras dos artistas contemporâneos, muito mais facilmente entendidas por não conterem as mesmas coordenadas filosóficas e artísticas dos seus antepassados e, pelo contrário, se aproximarem dos paradigmas globais. A pintura chinesa desenvolveu-se assente em pressupostos bem diversos da sua congénere ocidental, sobre os quais pouca informação tem sido compilada, sobretudo em língua portuguesa. É por isso que “O Pintor no seu Labirinto – Histórias da Pintura na China” se trata de um projecto pioneiro, na medida em que pela primeira vez um autor português apresenta um livro sobre este tema. Apesar de um contacto velho de quinhentos anos entre os dois povos, nunca um livro na
Paulo Maia e Carmo oferece-nos numerosos caminhos, raramente espinhosos, que nos levam numa viagem de imagens pela civilização chinesa língua de Camões sobre pintura clássica chinesa vira até hoje a luz do dia.
Que pintura é esta?
Da autoria de Paulo Maia e Carmo, o livro analisa, na sua primeira parte, a vida e a obra de oito dos mais importantes pintores chineses até à chegada dos pintores jesuítas à corte do imperador. Já a segunda parte nos remete para o encontro
das tradições oriental e ocidental e para os caminhos do futuro. Temos então um volume, constituído por vários artigos, que nos introduz ao mundo da pintura chinesa, para além de nos transportar para os cenários, físicos e mentais, onde proliferaram artistas/ pintores/calígrafos/poetas, cujas percepções do mundo traduziam nas obras de arte produzidas. Aqui encontramos a especifici-
Com certeza que o leitor já experimentou face a uma pintura chinesa a suspeita de que existe qualquer coisa para além daquilo que ele é capaz de entender, algo que a sua intuição admite mas que o entendimento é incapaz de transpor em linguagem, de remir ao logos. E ao contrário do que acontece perante uma obra de arte ocidental, não se trata de algo da ordem do inefável, do incognoscível, do indizível mas, simplesmente, da ignorância dos códigos que subjazem à pintura. Ora este livro pretende, na nossa opinião, fornecer algumas pistas para a decifração desses códigos, para um entendimento mais aprofundado da pintura chinesa e, sobretudo, da própria vivência dos artistas que a produziram. De facto, trata-se de uma prática pictórica regida por regras subentendidas que só alguém versado em cultura chinesa poderá eventualmente descodificar ou, pelo menos, tentar uma aproximação. Paulo Maia e Carmo oferece-nos numerosos caminhos, raramente espinhosos, que nos levam numa viagem de imagens pela civilização chinesa, proporcionando paisagens que nos ajudam a entender, através da interpretação da expressão artística, de modo mais profundo esta terra e estas gentes. Para essa compreensão e entendimento, torna-se fundamental que exista, como diz Paulo Maia e Carmo “uma outra disponibilidade do olhar”. - HM
À venda na Livraria Portuguesa Quando a Avó Salvou o Natal • Julia Hubery, Caroline Pedler O Bolinha e o Pipoca estão muito excitados por irem passar o Natal a casa da Avó. Mas é então que se apercebem de um problema: se o Pai Natal não souber onde eles estão, como é que irão os dois ratinhos receber presentes? Havia então que engendrar um engenhoso plano… ou vários, não fosse ainda assim o Pai Natal não os encontrar!
Prefácio do livro “O Pi
Na perspec Paulo Maia e Carmo
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uspenso num momento do tempo, o homem que ri de Yue Minjun, surgido em 1990, era inspirado numa figura que se dizia trazer no bolso as riquezas do mundo. Numa escultura em bronze do período das Cinco Dinastias (907-960) ele aparece com a sua tradicional bolsa na cinta para pedir esmolas. O Budai He Shang, o bonzo da bolsa à cinta, ostenta o famoso riso da figura de um homem sentado, muito gordo que no Ocidente viria a ser popularmente identificado como o Buda chinês. O que não era inteiramente incorrecto visto que o Budai, dizia-se na China, seria uma reincarnação de Maitreya, o Buda do futuro. O caso da pintura icónica de Yue Minjun, que é uma das mais distintas faces do sucesso internacional da pintura da China, contém alguns dos ingredientes que podem servir como exemplos daquilo que foi o caminho da arte na China e a sua recepção no Ocidente. Fundem-se nesse entendimento a arte e a China em si mesma. Se no momento presente o aspecto de uma pintura de Zhang Xiaogang (1958) ou de Fang Lijun (1963) é imediatamente perceptível em qualquer parte do mundo, esse é um reconhecimento de que vai desfrutando a própria nação chinesa na actualidade. Nessas pinturas está patente o dispositivo óptico da perspectiva científica regular com um único ponto de fuga que nos é tão familiar que parece óbvio. A pintura tradicional chinesa tem um aspecto totalmente diferente e exige uma outra disponibilidade do olhar. O objectivo dos textos aqui reunidos é, também, atenuar essa dificuldade. Tentar uma aproximação a partir dos protagonistas, aqueles que praticaram essa pintura. Homens extravagantes, louvados na posteridade pela sua originalidade. Os paralelos são sempre redutores mas por vezes a atitude de um adepto do silêncio
Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 2837
Alexandre O’neill Dito por Sinde Filipe
O áudio-livro tem vindo a conquistar um lugar cada vez mais importante na cultura portuguesa, visto que este suporte tecn responsável pela possibilidade de conciliação entre a “leitura” e outras actividades do quotidiano. Actualmente, nada é mais n que conduzir a ouvir em simultâneo aquele romance que nunca se pôde ler. Como consequência desta nova realidade, e depois de “Fernando Pessoa dito por Sinde Filipe”, o actor volta a interpretar um grande poeta do século XX, Alexandre O’Neill, impr suas palavras um cromatismo muito próprio e uma cumplicidade que é fruto de uma quase contemporaneidade entre aquele que aquele que diz. Quanto ao trabalho de Laurent Filipe, as suas composições acompanham a poesia de O’Neill, fazendo justiça a de humor do poeta e crítico acutilante da sociedade portuguesa.
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intor no seu Labirinto”
ctiva do pintor radical como Bada Shanren, mais do que outros pintores do Ocidente, recorda-nos os místicos impressivos do cristianismo. Conhecidos como os Padres do Deserto, eram homens cuja vida pretendeu, toda ela, ser a de «um homem que não existe». Para se fundir na pintura, como disse Proust de Tiepolo: «talvez o fim mais apropriado e mais justo para um pintor será ser transformado numa cor, como Daphne em loureiro». De resto, se a origem da arte da pintura na Europa está intimamente ligada ao cristianismo, a pintura tradicional da China, de um modo totalmente diferente, também exprime uma concepção do sagrado.
Ela participava da via comum a todos os letrados chineses cuja aspiração era actuar sempre em reverência à natureza, o que se manifestava na criação de metáforas sobre a nobreza do homem. O que o pintor, especificamente, com o seu trabalho do pincel, tinha que revelar, de acordo com o livro das Seis Leis da Pintura, era a ressonância do espírito, a vitalidade que está designada na palavra “chi”. Como representar esse indizível? A resposta a essa pergunta, na sua variedade, traduz a riqueza da experiência cultural no mundo.
78014 • mail@livrariaportuguesa.net
nológico é normal do da edição imindo às e escreve e ao sentido
No seu processo cronológico, a arte da pintura na Europa transforma-se quando as imagens deixam de ser evocativas e passam a ser narrativas e, nessa evolução, se tornam um instrumento de redescoberta da natureza. Crucial nessa transição seria a aplicação da perspectiva regular com um único ponto de fuga descrita pelo florentino Leon Battista Alberti em De Pictura (1435-6). Para Alberti, a primeira operação de um pintor consiste em traçar sobre a superfície a pintar um quadrilátero, que é uma “janela aberta” que se abre, não sobre o mundo como se diz, mas sobre a história. O objectivo era a criação da autonomia da representação em relação ao mundo exterior. Criava-se assim o veículo que permitiria encenar uma história num lugar específico, ecoando as antigas artes da memória. O modelo serviria de forma perfeita à representação do incomensurável mistério do cristianismo, a Encarnação, no seu momento mais misterioso da Anunciação. Quando se tornava visível o invisível. O caminho depois apontaria para a soberania do mundo visível, com pintores como Leonardo da Vinci e depois para a subsequente ultrapassagem da natureza. Mas neste momento original em que nasce a perspectiva na Europa existe uma espécie de coincidência oposta com a pintura da China, no sentido em que ambas tocam o mistério. Ser pintor na China era fazer uma viagem pela paisagem pintada, os diferentes ângulos da visão exprimindo a vagabundagem requerida para se reintegrar na corrente vital do Dao. O pintor tornava-se o exterior, a paisagem interior. E se na Europa foi possível atingir paroxismos na concepção do que é a pintura enquanto locus eruditus, como quando o frade pintor Juan Interián de Ayala no Pictor Christianus Eruditus, de 1730, se reivindicava não artista mas teólogo, o pintor chinês nunca poderia ser apenas um artífice. A arte, com o seu valor universal de consolação, revela-se também na pintura da China. Mesmo se na pintura contemporânea não exista o declarado culto do passado, permanece o mais grato dos ofícios que é o de trabalhar o tempo. O sentimentalismo exprimindo-se de formas inesperadas com a convocação nostálgica de imagens do passado recente, dominado pela ideologia. Onde está Deus, podiam perguntar aos Padres do Deserto. E a resposta inevitavelmente silenciosa era: onde O deixarem entrar. Não pedem outra coisa as obras dos pintores chineses: uma disponibilidade.
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artes, letras e ideias
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WANG CHONG
王充
OS Discursos Ponderados DE WANG CHONG
Invenções sobre a morte – 4 A minha resposta é que essa história [ver, “Invenções sobre a morte”, parte 3] é do mesmo tipo das de Du Bo e Zhuangzi Yi. E como prová-lo? A mudança de túmulo é um agravo de ordem privada, enquanto que o Soberano do Céu é um espírito [que se preocupa com o bem] público: porque escutaria então uma queixa de ordem privada? Quando o Soberano do Céu permitiu que o país de Jin fosse cedido ao de Qin, Hutu exprimiu o seu desacordo e Shensheng pôs-se a seu lado. Isso significa que o Soberano do Céu se enganou ao conceder tal permissão: o maravilhoso Soberano do Céu não quereria portanto Hutu [ no que diz respeito à clarividência]? Ora, isto prova como não pode ter-se tratado do Soberano do Céu! Um súbdito nunca exigiria a um príncipe que tomasse em consideração os seus assuntos privados: o príncipe tem uma posição tão elevada relativamente ao seu súbdito que este nunca ousaria fazer pedidos tão descabelados. E, entre Shensheng e o Soberano do Céu, não seria tão grande a distância quanto entre um súbdito e um príncipe? Assim, nunca Shensheng poderia ter apelado às ordens majestosas do Soberano do Céu por estar furioso com a sua trasladação para outro túmulo. Graças às suas calúnias, Li Ji causou a morte de Shensheng; o Duque Hui contentouse com mudar-lhe o túmulo, um agravo bem menor do que a morte. A culpa do duque seria, então, muito menos pesada do que a de Li Ji: então, porque se terá contentado Shensheng com uma punição para o duque, sem pedir a morte para Li Ji? Terá sido porque a sua trasladação lhe pareceu mais odiosa do que o facto de o terem morto? A conselho de Li Si, o Primeiro Imperador fez queimar o Clássico dos Poemas, o Clássico dos Documentos [e os outros Clássicos] e, depois, fez enterrar vivos os letrados. O rancor dos doutores [que o Imperador havia privado dos Clássicos] não deve ser tido por menor do que o de Shensheng e o furor dos enterrados vivos deve ser considerado mais importante do que aquele que supostamente se experimentaria ao ver-se trasladado. E, todavia, não vimos os letrados executados implorar ao Soberano do Céu, nem tomarem a aparência de fantasmas. Por outro lado, os letrados [ainda vivos] não se reuniram para denunciar a imoralidade do Primeiro Imperador ou a brutalidade de Li Si. Tradução de Rui Cascais Ilustração de Rui Rasquinho
Wang Chong (王充), nasceu em Shangyu (actual Shaoxing, província de Zhejiang) no ano 27 da Era Comum e terá falecido por volta do ano 100, tendo vivido no período correspondente à Dinastia Han do Leste. A sua obra principal, Lùnhéng (論衡), ou Discursos Ponderados, oferece uma visão racional, secular e naturalista do mundo e do homem, constituindo uma reacção crítica àquilo que Wang entendia ser uma época dominada pela superstição e ritualismo. Segundo a sinóloga Anne Cheng, Wang terá sido “um espírito crítico particularmente audacioso”, um pensador independente situado nas margens do poder central. A versão portuguesa aqui apresentada baseia-se na tradução francesa em Wang Chong, Discussions Critiques, Gallimard: Paris, 1997.
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Invençþes sobre a morte
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Desporto
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Entrevista Filipe Duarte, defesa-central do Benfica de Macau
Gonçalo Lobo Pinheiro info@hojemacau.com.mo
F
oi considerado um dos melhores defesas-centrais portugueses da sua geração, onde vingaram Cristiano Ronaldo, Ricardo Vaz Tê, Ruben Amorim, Manuel Fernandes ou Hélio Roque, entre muitos outros, mas acabou por não chegar longe no futebol sénior como pretendia. Filipe Duarte, capitão do Benfica de Macau, falou ao HM do que tem corrido bem e menos bem e das oportunidades, das opções erradas e da falta de maturidade em momentos-chave da sua carreira. A curto prazo quer voltar a ser campeão em Macau pelos encarnados e singrar na Selecção do território.
Gonçalo lobo pinheiro
“O futebol tudo me deu e nada me deu”
Quem é o Filipe Duarte? Nasci em Lisboa e em pequeno fui viver para Odivelas. Começo a jogar futebol num clube de bairro na Paiã, que se chama Tenente Valdez. Por essa altura tinha nove anos de idade e por ali fico durante cinco anos, até aos 14, iniciado de primeiro ano. Nesse ano, estamos em 1999, vou aos treinos de captação do Benfica onde estão centenas de miúdos para entrar, acabo por ter sorte e ingresso no Benfica. Dessas centenas de jovens, quantos é que ficaram? Lembro-me que nesse dia havia seis ou sete equipas completas com suplentes e tudo. Durante um mês, mostrámos as nossas habilidades e ficaram cerca de 22 jogadores. O treinador era José Morais, que até há pouco tempo trabalhava com o José Mourinho no Real Madrid e no Chelsea. Para um adolescente, isso terá sido um sonho. Sim. O meu clube já era o Benfica e, claro, que isso me deixou muito feliz. Confesso que, na altura, fui aos treinos de captação sem vontade. Uns amigos é que fizeram força para ir às captações e até me levaram lá. A fé estava toda com eles. Se não tivesse ficado no Benfica, tinha tudo acertado com o Estrela da Amadora, mas a sorte mudou. E como foram os primeiros tempos. O Filipe entrou de estaca na equipa? Naquela altura não era evoluído tecnicamente. Era mau [risos]. Era alto e tinha as pernas grossas mas isso não chegava. Os meus pontos positivos era a rapidez, a raça e a entrega ao jogo. Bom, na primeira semana no Benfica,
Dados Pessoais • Nome: Filipe Manuel Cordeiro Duarte • Data de Nascimento: 30-03-1985 (29 anos) • Naturalidade: Lisboa - Portugal • Posição: Defesa-central • Altura: 181 cm • Peso: 76 kg • Internacionalizações pelas camadas jovens de Portugal: 35 • Vice-campeão no Torneio de Toulon em 2005 • Campeão do Chipre em 2005 • Campeão de Macau em 2014
estamos a treinar e só “virava” os meus colegas. Só sabia ir ao chão, ao contacto, de carrinho [risos]. Mas claro, o treinador não estava para aí virado. Disse-me logo que aquilo não era forma de estar e jogar, e que de onde tinha vindo podia voltar facilmente. E depois? Passadas umas três semanas, vamos a um torneio no norte de Portu-
gal onde vão diversas equipas. No primeiro jogo não saio do banco. No segundo jogo também fui para o banco, entro na segunda parte e mostro aquele meu jogo horrível. Só “virei” jogadores [risos]. O José Morais até me veio dizer que tinha urgentemente de começar a jogar à bola. Surpreendentemente, no jogo a seguir sou titular e depois vamos à final com o Sporting, onde pontificavam Cristiano Ronaldo, Fábio Silva, Gabi, entre outros. Levámos um massacre mas faço um grande jogo. Empatamos no tempo regulamentar e ganhamos apenas nos penáltis. Acabei por ganhar o prémio do melhor defesa do torneio e tudo começa aí. Pois nunca mais saí da equipa.
de juvenis A juntamente com o João Vilela que hoje joga no Gil Vicente. Faço os jogos todos e, nesse ano, estreio-me na Selecção Nacional.
Mas o que mudou na sua forma de jogar? Continuei a “virar”. Era difícil mudar a minha maneira de jogar, assim, de repente. Mas aos poucos, e com muito trabalho táctico e técnico, comecei a ser um jogador melhor. Alegria a jogar sempre houve mas depois começou a aparecer a técnica individual. Faltava a magia. Mas acabo, como disse, por ficar na equipa e fazer os jogos todos na época 1999/2000. No ano a seguir, meu primeiro ano de juvenil acabo por subir às recém-criadas equipas
Entretanto, joga no Benfica até sénior. Sénior de primeiro ano. Enquanto júnior faço muitos treinos com a
Nessa idade já ganhava ordenado? Sim, já. No meu primeiro ano no Benfica, eles pagaram-me os livros da escola e o passe social mas, depois no segundo ano já recebia ordenado. Quem fez o contrato com o Benfica foi o meu pai, pois era menor, mas podia mexer no dinheiro à vontade. Lembro-me que nesse dia assinei eu, o João Vilela, o Tiago Costa (actualmente no Ac. Viseu) e o Fernando Alexandre (joga na Académica). No Benfica nunca me faltou nada e ter jogado lá foi das melhores coisas do mundo.
Estou extremamente agradecido ao Benfica pelas oportunidades e, em particular, ao Duarte Alves pela confiança
equipa sénior, na altura treinada por José António Camacho, mas nunca me estreio pela equipa sénior, acabando por ir parar ao Benfica B, onde faço um ano numa equipa recheada de estrelas. E porque é que isso não sucedeu? Cheguei a um patamar em que tinha a mania que era o maior. Craque, jogador do Benfica que vai à Selecção. Nesse ano represento Portugal no Torneio de Toulon, onde somos vice-campeões. Mas, ainda antes de ir há um problema, é que os meus treinadores no Benfica acham que devo começar a jogar a defesa-direito. Disseram-me que tanto o Miguel como o João Pereira iam acabar por sair e era preciso ter continuidade. Armado em craque, nunca aceitei isso, fazendo o finca-pé de que queria ficar a jogar a defesa-central. Contudo, no Torneio de Toulon, o seleccionador Rui Caçador começa a meter-me a defesa-direito, justificando-se com ordens superiores. Mas o Torneio continuou... Começo no banco. Acabo o segundo jogo a defesa-central e acabo por fazer os jogos todos no centro da defesa. O pior estava para vir. Acaba o torneio, chego ao Benfica e sou dispensado.
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De Limassol a Xabregas É nessa altura que assina pelo Apollon Limassol do Chipre? Primeiro ainda vou até Inglaterra. Vou tentar assinar contrato com um clube da First Division, que é o terceiro escalão. O treinador deles viu-me a jogar no Torneio de Toulon e, principalmente, no segundo jogo contra a Inglaterra onde, começando a defesa-direito, marco o James Milner (actualmente no Manchester City), faço um grande jogo e ganhamos. Não me lembro do nome da equipa inglesa mas, com a mania que ainda era craque até porque também tive hipóteses de ir jogar para o FC Porto B, acabei por dizer ao meu pai que não queria lá ficar. Vi os jogadores que eram grandes matulões, mais velhos, tinha lá o Scott Minto que jogou no Benfica e não quis meter-me ali no meio. Declinei uma proposta de 20 mil libras. E chega a pisar o Dragão? O Benfica pede um balúrdio pela formação, mais questões de empresários e não fico. Isto acontece tudo no espaço de duas semanas, durante a pré-época. Depois fala-se na possibilidade de ir para o V. Setúbal B mas acabo no Chipre, para jogar no Apollon Limassol. Fui com o Hélio Pinto, com quem joguei no Benfica. Eu e ele fizemos o estágio de pré-época, à experiência, na Alemanha e acabamos por ficar. No Apollon acabou por se sagrar campeão cipriota. É verdade mas não jogava regularmente. Na Taça do Chipre jogava sempre mas no Campeonato fui entrando. A adaptação não foi nada fácil mas acho que foi uma boa experiência.
jogava em sintético e não foi nada fácil. Nessa altura, o Carlos Manuel assina como treinador do Oriental e convida-me para o plantel. Volta a Lisboa e à relva natural. Aí as coisas voltam outra vez ao normal. A minha cabeça começa a ficar em paz, o meu corpo em forma e voltei a crescer como jogador. Fico no Oriental dois anos e meio, o que se reflecte na verdade em três épocas futebolísticas. Surgiram hipóteses de sair mas o Oriental era certinho nos pagamentos e acabei por ficar por lá até vir jogar para Macau. Como surgiu essa oportunidade? Chega a Macau rotulado de craque. [Risos] Um bocadinho acabado mas sim. Não tinha noção do que era o futebol em Macau. Há um amigo que faz toda a força para que venha e avisou logo que o futebol era fraco. Mas sou profissional e levo o futebol muito a sério, independentemente do clube. O futebol tudo me deu e nada me deu. É estranho mas é isso que sinto. Por isso, estou grato e tenho de ser 100% profissional. O facto de ter cá a minha sogra a viver também foi um ponto a favor para que escolhesse vir para Macau. Entretanto já passaram quase quatro anos. Não surgiram oportunidades noutros campeonatos? Já tive algumas oportunidades. Acho, na verdade, que apesar de todo o meu trajecto, fico um bocadinho esquecido aqui em Macau. Não é fácil dizer às pessoas que jogo em Macau. Ficam logo de nariz torcido.
Belenenses e a continuidade em Macau
Pelo menos, o Filipe acabou por perder algumas das peneiras que tinha. Sim, isso de certeza. Tornei-me melhor homem. Fui obrigado a aprender inglês. Os meus companheiros sempre me ajudaram e deram-me na cabeça quando tinha de ser. Vivi sozinho que foi coisa que nunca tinha sucedido. Enfim, amadureci um pouco e ganhei humildade. A moral nem sempre esteve em alta e isso deu-me para pensar na vida.
Mas há dois anos, surgiu na imprensa a possibilidade de rumar ao Belenenses. Sim, é verdade. Eles estavam na II Liga quando me contactam. O Belenenses faz uma proposta engraçada, depois do mister Van der Gaag ter pedido a minha contratação, e pensei nas dificuldades que o Belenenses tinha em pagar ordenados nos últimos anos. Nem me lembrei que a SAD tinha sido comprada e que eles estavam a pagar certinho. Conhecia o Tiago Caeiro, com quem joguei no Operário, e ainda hoje ele permanece no Restelo.
A seguir segue-se novamente Portugal mas nos escalões inferiores. Na última época no Chipre começo com problemas de pubalgia. Fico meio ano sem jogar e rescindo com o Apollon. Surge uma situação na Roménia mas não assino e acabo por ir parar ao Operário dos Açores, depois ter estado no Odivelas a treinar para manter a forma, onde fiquei cinco meses. Nos Açores
Gorou-se uma boa oportunidade. Pois foi. O meu filho acaba por nascer esse ano, durante a pré-epoca, e foi tudo muito rápido. Acabo por optar por ficar em Macau. Não posso dizer que esteja arrependido mas, claro, que se as coisas tivessem corrido bem no Belenenses podia agora estar a jogar na I Liga em Portugal e com condições de jogador profissional. São opções. O Benfica acabou por
me dar boas condições para ficar em Macau. Voltando a Macau. Sente-se feliz? Sinto. Não posso dizer que não. Vejo com bons olhos a possibilidade de continuar até porque o Benfica tem vindo a crescer bastante em termos estruturais. Aqui tenho boas condições pois não é fácil estar a uma distância tão grande de Portugal. Estou extremamente agradecido ao Benfica pelas oportunidades e, em particular, ao Duarte Alves pela confiança. Penso que ele tem feito um excelente trabalho à frente do clube. Aqui em Macau também consegui a carta profissional de ‘personal trainer’, por isso as coisas vão surgindo normalmente. Também foi considerado o melhor defesa-central de Macau por duas vezes. Sim. Isso dá sempre alento. E agora também sou responsável pelas escolinhas do Benfica de Macau. Quero tirar o curso de treinador, não para ser treinador principal, mas para ser preparador-físico de uma equipa profissional. É nessa área que quero prosseguir depois de pendurar as botas. Quais são as expectativas para si e para o Benfica este ano? O Benfica tem todas as condições para voltar a ser campeão. Espero que sim, e vamos ser. Infelizmente, Gonçalo lobo pinheiro
Começa aí a era fora do Benfica, estamos em 2005.
Percurso 1994-1999 – Tenente Valdez (POR) 1999-2005 – Benfica (POR) 2005-2007 – Apollon Limassol (CYP) 2007/2008 – Desempregado/Lesionado 2008/2009 – Operário dos Açores (POR) 2008-2012 – Oriental (POR) 2012-2015 – Benfica de Macau (MAC)
a Associação de Futebol de Macau não faz a força para o Benfica – e quem for campeão - ir mais além do futebol de Macau. Pessoalmente, gostaria de voltar a ser considerado um dos melhores defesas-centrais de Macau e, quiçá, obter a minha primeira internacionalização pelo território, uma vez que já estive presente num jogo de carácter não-oficial e penso que contam comigo. Estou com 29 anos e ainda me sinto com confiança e capacidades para jogar mais cinco ou seis anos. Sinto-me um jovem. Contudo, o Benfica não começou bem nesta edição da Liga de Elite, pelo menos ao nível exibicional. Entraram jogadores novos num plantel que se quer de continuidade. Neste início calhámos logo contra duas das melhores equipas. Por um lado ainda bem, até porque é
assim que a equipa vai crescendo. Conseguimos ver os erros contra as equipas mais fortes para podermos rectificar no futuro. Mas temos um grupo muito forte e vamos voltar a estar bem. O que é que o treinador Bruno Álvares vos transmite? Uma equipa campeã nunca está satisfeita. Depois do empate com o Sporting não ficámos satisfeitos e mesmo que tivéssemos ganho não ficaríamos satisfeitos pois sabemos que não fizemos um bom jogo. Sabemos que não estamos a jogar o que sabemos mas o treinador continua a motivar-nos bastante e a equipa está a trabalhar muito bem. O balneário do Benfica é muito forte e temos tudo para crescer. Mas o grupo está preparado para não ser campeão? Temos de estar preparados mas isso não passa pela nossa cabeça. Pessoalmente, não estou preparado para isso pois, se acontecer, vai deixar-me muito triste. O Benfica está mesmo forte. É, de longe, o plantel com melhores soluções. Mais tarde ou mais cedo, tanto as exibições como os resultados vão aparecer. Quais são os principais adversários na luta pelo título? Não tenho dúvida que serão o Monte Carlo, o Ka I e o Sporting de Macau. E o futebol em Macau, respira saúde? Já vi muita evolução desde que cheguei. Vejo os clubes a trazerem jogadores para ficarem e não apenas para virem uma época. Estão a dar condições aos atletas para que possam ficar algum tempo em Macau. Penso até que o Benfica tem muita culpa no cartório, uma vez que sempre foi o clube que puxou pela profissionalização do futebol local. As equipas querem treinar mais vezes, mesmo com um número de campos diminuto. Há muita coisa a melhorar, é um facto, mas pelo menos nos últimos cinco anos, o futebol aqui melhorou um pouco. Acho que não há dúvidas quanto a isso. Última pergunta. A Selecção de Macau motiva-te? Sem dúvida. Ainda não posso fazer jogos oficiais mas sei que a Associação de Futebol de Macau e o Instituto do Desporto estão a fazer todos os possíveis para que me possa estrear oficialmente. Frequentei durante vários anos as Selecções jovens de Portugal e guardo gratas recordações desse tempo. Ir à Selecção é ir à Selecção, e estou ansioso para representar Macau ao mais alto nível. Quero muito transmitir aos meus colegas o que é representar a Selecção. Hoje, muitos encaram a chamada a Selecção como mais um jogo, e não pode ser assim. Ir à Selecção é um orgulho.
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AVISO Informa-se que a lista classificativa da prova de conhecimentos (prova escrita) dos candidatos admitidos para o preenchimento de dois lugares de intérprete-tradutor de 2.ª classe, 1.º escalão, da carreira de intérprete-tradutor, da área de interpretação e tradução (línguas chinesa e portuguesa), do quadro de pessoal da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental, encontra-se afixada na sede da DSPA, e publicada na página electrónica www.dspa.gov.mo. O Director, substituto, Vai Hoi Ieong Aos 29 de Janeiro de 2015
PARENTS ARE WELCOME TO ATTEND A PARENTS’ INFORMATION MEETING FOR ENROLING NEW K1 PUPILS FOR SEPTEMBER 2015 AT MACAU ANGLICAN COLLEGE AV. PADRE TOMÁS PEREIRA, NO. 109-117, TAIPA, MACAU THIRD FLOOR, SCHOOL HALL ON TUESDAY, FEBRUARY 10th 2015, 7:30 P.M. *Four new K1 classes commence in September 2015. *100 places will be offered to new K1 pupils aged 3, in 4 classes of 25. *English and Putonghua are the main languages of instruction. *Creative teaching styles; child centred learning. *Application Days, from March 2nd to 5th 2015. *Assessment Day, Saturday, March 7th 2015, from 9:00 a.m. (Details to follow).
ócios / negócios
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Loja de chá Tealosophy Justin Ng, fundador da loja
“Acredito que a arte do chá nos aproxima da natureza e da perfeição” ‘Tealosophy’ pretende transportar para Macau o amor e dedicação ao chá, tão típico no Japão e no interior da China. A loja, aberta há cerca de dez meses, promete trazer aos leigos um conhecimento profundo sobre a história do chá. Justin Ng conta como tudo começou Flora Fong
flora.fong@hojemacau.com.mo
P
ara já, este parece ser o único espaço em Macau que tem o singular objectivo de bem servir e dar a conhecer o chá, bebida habitualmente servida quente e muito popular na Ásia. A loja Tealosophy pode ser descrita como silenciosa e confortável, mas é Justin Ng – um dos quatro sócios-fundadores do espaço – quem melhor explica ao HM como tudo começou. “Decidimos abrir a loja de chá em Maio do ano passado, porque reparámos que têm aberto vários cafés, bares e restaurantes no território, mas não temos visto nenhuma loja especializada na arte de fazer e beber chá. Assim, quis embarcar nesta experiência e penso que a nossa ideia pode sobreviver aqui”, começou o jovem por dizer. O responsável refere ainda que sente que “beber chá é comum, mas a grande maioria das pessoas não conhece profundamente a cultura desta bebida e algumas delas até acham que é algo só para velhos”, querendo por isso mesmo promover um conhecimento mais correcto desta prática. Foi então deste conceito que nasce ‘Tealosophy’, junção das palavras inglesas “chá” e “filosofia”. Ao entrar na loja, é pedido aos clientes que descalcem os sapatos de modo a não sujar ou estragar os tapetes de bambu espalhados por todo o espaço. O primeiro andar está também repleto de tapetes. Os referidos ‘tatami’ – de origem japonesa – enchem a loja, complementando-se com mesas.
O conceito de “confortabilidade” surge graças ao ambiente de luz, tapetes e uma estante repleta de livros que versam sobre a história do chá e do Japão. A isto junta-se música calma que embala quem por aquela porta entra.
Novos hábitos
Inicialmente, Ng deparou-se com o problema dos clientes não estarem habituados a sentarem-se nos ‘tatami’, que ficam ao nível do chão. “No início, estávamos preocupados com o facto dos clientes não
estarem habituados a sentarem-se nos ‘tatami’, mas o feedback foi positivo, ou pelo menos é isso que os comentários da clientela transparecem”, explicou o jovem amante de chá. Contudo, este não parece ser um problema actual. Dez meses depois da inauguração, Justin Ng conta ao HM que a reacção e comentários das pessoas são melhores do que previa. ‘Tealosophy’ encontra-se bem no coração da cidade, perto do antigo Cinema Alegria, na Rua da Barca. Além cooperar com mais três sócios, a loja funciona com dois funcionários a tempo parcial. No entanto, Justin confessa que o mercado de venda de chá ainda não é algo democratizado em Macau e por isso mesmo é difícil atrair trabalhadores que estejam interessados na arte de fazer e beber chá. O jovem, agora na casa dos 20, começou a interessar-se por esta área aos 18 anos, quando aprendeu esta arte com a Associação da Arte do Chá de Macau. Há dois anos, trabalhou com um mestre de chá no hotel Okura, no Cotai. Antes de abrir a loja, Ng trabalhava no sector de marketing de um banco e o gosto por chá era apenas um passatempo. Foi pouco a pouco que os seus conhecimentos o transformaram num jovem sábio. “Acredito que a arte do chá nos aproxima da natureza e da perfeição”, diz. O seu interesse levou-o, juntamente com outros dos sócios, a obter um certificado nipónico Edonsenke, especializado na arte do chá. “A arte japonesa do chá está dividida em níveis, e ambos fizemos exames de Edo-
“Quis embarcar nesta experiência e penso que a nossa ideia pode sobreviver aqui” senke Chanoyu que tiveram nota positiva, tendo ido depois a Tóquio para receber os certificados”, esclareceu o proprietário. Quando foi pedido a Ng que comparasse os chás dos dois países, o responsável afirmou que é uma escola complicada. “Gosto mais dos sabores do chá chinês, porque existem muitos diferentes sabores e as folhas podem ser muito, pouco ou nada fermentadas. No entanto, o chá japonês deixa-me satisfeito devido ao seu cuidado com os conceitos de espiritualidade e de arte, sendo que também dá mais importância à tradição da etiqueta e regras de beber chá, bem como da sua confecção”, diz Ng.
Preços em conta
No que diz respeito a produtos à venda na loja, Justin explicou ao HM que os chás chineses são provenientes de Taiwan, enquanto os nipónicos vêm do próprio país. A degustação de cada tipo de chá custa entre 40 e 70 patacas, incluindo uma explicação personalizada de Ng ou outros dos sócios sobre como fazer um chá de forma correcta. Além de bebidas, a ‘Tealosophy’ também vende doces como “Mochi” e “Wagashi” (bolinhos de arroz). As doçarias com sabor a feijão vermelho, sésamo e sakura são os que mais saem. Outra das sugestões da casa são as gelatinas de chá, que custam entre 25 e 40 patacas cada unidade. No entanto, esta loja especializada não vende apenas comida, debruçando-se também sobre o conceito do ensino. A ideia é atrair o máximo de pessoas a voltarem uma segunda e terceira vezes ao espaço. Assim, a ‘Tealosophy’ organiza workshops de aprendizagem de chá, principalmente de verde e vermelho. Estes rondam as 950 patacas. “Os workshops contêm duas aulas de cada duas e meia cada e custam 950 patacas. É admitido um máximo de quatro pessoas por curso”, esclareceu, acrescentando que os workshops não acontecem com regularidade. À noite podem-se pedir bebidas alcoólicas, mas também se pode pedir um chá para acalmar o espírito”, disse o jovem em jeito de brincadeira. A loja funciona das 15 às 00.00 horas, estando o horário pensado para que as pessoas possam “conversar e beber um copo”.
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Concerto ‘Ode à Humanidade’, com mais de 100 coristas Venetian Theatre, 19h45 Bilhetes à venda por 100 e 200 patacas
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Cineteatro
O que fazer esta semana • Hoje
9.0
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yuan
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Cinema
nightcrawler Sala 1
Com: Jake, Gyllenhaal, Rene Russo, Riz Ahmed, Bill Paxton 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
Blackhat [c]
Um filme de: Michael Mann Com: Chris Hemsworth, Viola Davis, Tang Wei, Wang Leehom 14.15, 16.45, 19.15, 21.45
Apresentação de documentário BBC Planeta Terra, com concerto ao vivo da Filarmónica de Hong Kong Centro Cultural de Hong Kong, Tsim Sha Tsui, a partir das 20h Bilhetes entre os 140 e os 360 dólares de Hong Kong
Sala 3
american spiner [c] Um filme de: Clint Eastwood Com: Bradley Cooper, Sienna Miller 14.15, 16.45, 19.15, 21.45
Sala 2
nightcrawler [c] Um filme de: Dan Gilroy
• Diariamente Exposição “Ponto de Partida: Pinturas de Dennis Murrel e dos seus Artistas” (até 31/01) Fundação Rui Cunha, 18h30 Entrada livre Exposição de sândalo vermelho (até 22/03) MGM Resort Entrada livre
Aconteceu Hoje
Exposição de pintura “Korean Art”, com Oh Young Sook e Kim Yeon Ok (até 15/02) Galeria Iao Hin Entrada livre
O Facebook é criado para a Universidade Harvard
Exposição de Design de Cartazes “V•X•XV:” (obras de 1999, 2004 e 2009) [até 15/03] Museu da Transferência da Soberania de Macau, 10h00 às 19h00 Entrada livre “Self/Unself” – Exposição de trabalhos de artistas holandeses (até 15 de Março) Centro de Design de Macau Entrada livre Retratos a Óleo dos Séculos XIX e XX: Colecção do Museu de Arte de Macau Museu de Arte de Macau, das 10h às 19h (até 31/12) Entrada livre Ilustrações para Calendário, de Guan Huinong (até 10/05) Museu de Arte de Macau, das 10h às 19h Entrada livre “Beyond the Surface” de Mio Pang Fei (de 04/02 a 01/03) Albergue SCM, das 12h às 20h Entrada livre Exposição e passeios de barco guiados sobre a História da Pesca em Macau Esplanada do Museu Marítimo, das 9h40 às 16h25 (de 31/01 a 15/02) Bilhetes à venda por 25 patacas Exposição de pintura do casal Zhang Zhong Huan e Deng Fei Centro UNESCO de Macau, das 10h às 19h (até dia 6 de Fevereiro) Entrada livre
4 de Fevereiro
U m D i s c o H o j e “The Greatest” (Cat Power, 2006) A cantora norte-americana Chan Marshall, ou Cat Power, já tinha dado provas ao mundo da música do seu talento e capacidade para criar canções fora do comum. Em 2006, contudo, lançaria mais um álbum que foi considerado pela crítica como um dos melhores da sua carreira. Nem sempre os críticos de música têm razão, mas no caso de Cat Power temos de ser unânimes: por entre “The Greatest” e “Love and Communication”, há muito boas razões para ouvir este disco. - Andreia Sofia Silva
• Acabou por transformar-se na maior rede social do mundo, mas foi criado para servir apenas a Universidade Harvard. O Facebook nasceu a 4 de Fevereiro de 2004 e, poucos anos depois, transforma-se num gigante da Internet. Foi também no dia 4 de Fevereiro, mas em 1799, que nasceu Almeida Garrett. Quatro de Fevereiro marca o nascimento oficial do Facebook, que em 2004 se torna numa rede fechada para estudantes da Universidade Harvard, que poderiam partilhar imagens e texto. Chamava-se thefacebook.com. Transformou-se num sucesso instantâneo e num mês metade dos estudantes aderiu à rede. Em Março de 2005, Mark Zuckerberg decide comprar o domínio facebook.com, por 200 mil dólares, já com a certeza de que o investimento teria retorno. E o Facebook transformou-se num fenómeno mundial. A 4 de Fevereiro de 1783, dois factos ganham relevância histórica: a Grã-Bretanha declara o fim formal da guerra contra os EUA, antiga colónia britânica, e diversos sismos na Síria, em Alepo, matam mais de 22 mil pessoas. No mesmo dia, mas a 1789, George Washington é eleito por unanimidade o primeiro presidente dos EUA. Cinco anos mais tarde é abolida a escravatura nas colónias francesas e em 1924 Mahatma Gandhi é libertado, depois de dois anos de prisão em Bombaim. Em 1933, uma megamanifestação contra o desemprego reúne 50 mil pessoas no Hyde Park, em Londres. Já a 4 de Fevereiro de 1938, Adolf Hitler autoproclama-se comandante supremo das forças armadas da Alemanha. A independência do Sri Lanka é declarada exactamente 10 anos mais tarde. Foi neste dia, em 1961, que a luta armada pela independência de Angola arrancou. Era o início da Guerra Colonial Portuguesa. No Reino Unido, a Rolls-Royce cai na bancarrota e é segura pelo Estado, que evita o fim da marca. Estávamos em 1971. No ano seguinte, uma sonda norte-americana transmite fotografias de Marte.
João Corvo
fonte da inveja
Pensa em tudo o que os teus olhos
vêem e já sabes: o mundo é o resto.
Opinião
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António Conceição Júnior
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urbanidades
Os obedientes
A
“The Crowd”, King Vidor
obediência pode ser tanto um acto de disciplina como de servidão. Tudo depende de quem obedece e porque obedece. Obedecer em si não é coisa má. Todos procuramos obedecer às leis, apesar de Macau ser, tradicionalmente, uma cidade de transgressões. A coexistência ou coabitação na cidade não é um registo de formalidades, deferências e mesuras, mas uma relação de igualdades. Se o pensamento Socrático nunca por aqui se enraizou, que o conceito de filosofia é diferente por estas bandas, também o Confucionismo existe apenas pela rama. Entrega-se o cartão com as mãos ambas, serve-se o chá independentemente dos gostos, fala-se em público com ar manso e o cenário fica composto. Neste contexto, sinalizam-se “Os Analectos”, “O Livro dos Ritos”, a obra de Suma Qian, o “Tao te Qing”, o “I-Qing”, “O Sonho do Pavilhão Vermelho” ou os “Fora-da-lei do Pântano” como acessórios inúteis para a esmagadora maioria de uma população que cresceu em escolas com 80 alunos por classe, professores mal pagos e sem formação adequada, associada a uma cultura de televisão que terá contribuído para
que uma maioria se prenda ao superficial, à busca do material, à adaptação a ambientes insalubres e a uma indiferença tão pouco solidária que redundou na falta de civismo, agudizada pelo inaudito congestionamento demográfico em que vive. Sucede que, inesperadamente, emerge um novo discurso, a despertar esperanças várias de que, à campanha do anti-tabagismo se associe o aparecimento de uma geração de autocarros inteiramente ecológicos, pois há já muito que o ar se tornou irrespirável, insuportável e incompreensível para uma cidade que se espera cosmopolita e se quer Centro Mundial de Turismo e Lazer. O fim do trottoir do Hotel Lisboa, o
combate à actividade ilegal e discriminatória dos táxis da RAEM, um verdadeiro insulto à imagem de Macau, e as primeiras análises à Saúde que é dispensada aos cidadãos, são indícios de esperança para todos quantos desejam que a dinâmica continue nestes primeiros dias de Fevereiro. Estou convicto que toda a população aspira por uma qualidade de vida que implique a aplicação de valores universais, tão localizáveis em Singapura como na Suíça: o direito ao ar livre e limpo, o direito a uma habitação condigna, o direito a uma qualificada lei do ruído, o direito a um trânsito devidamente planeado, o direito a uma polícia com consciência de
A esmagadora maioria (da) população cresceu em escolas com 80 alunos por classe, professores mal pagos e sem formação adequada, associada a uma cultura de televisão que terá contribuído para que uma maioria se prenda ao superficial, à busca do material, à adaptação a ambientes insalubres e a uma indiferença tão pouco solidária que redundou na falta de civismo, agudizada pelo inaudito congestionamento demográfico em que vive
servir, formar e de intervir, e não somente de punir. É preciso fazer dos infractores gente obediente, não por medo, mas por consciência cívica. Impõe-se dar ao cidadão a consciência de que o é. Impõe-se conferir à cidade a maturidade a que tem direito e o dever de assim se constituir. É premente que ao improviso se contraponham planos claros, coerentes, porque Macau governada pelas suas gentes é, sobretudo, uma responsabilidade não apenas para com os concidadãos, mas também para com o segundo sistema. A cidade cresceu, o trânsito desmediu e, após largos anos, ainda se não encontrou solução para todo o préstito de carrões que abundam onde há novos-ricos e amantes da Hello Kitty, bem como para as carripanas de lineu comum. A receita talvez seja simples. Assegurar um circuito periférico com silos de estacionamento, e toda a cidade servida por autocarros de qualidade e percursos bem definidos e estudados. Esta cidade, que se pretende seja Centro Mundial de Turismo e Lazer, oferece a quem aqui vive, um ambiente que se divide entre o alucinante e o surreal. Esta não é decididamente a cidade que a população deseja. O desafio está na mesa.
hoje macau quarta-feira 4.2.2015
IAS Apoio de mais 6,8% para ONG’s
Ajuda é sempre bem-vinda O Instituto de Acção Social vai aumentar os subsídios atribuídos às instituições particulares de serviço social. Associações aplaudem medida provisória antes do novo regime de apoio, que poderá ajudar a manter os recursos humanos nestas entidades Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
O
Governo anunciou ontem que vai aumentar em 6,8% os apoios financeiros dados a instituições particulares de serviço social, para “apoiar o sector do serviço social a aumentar os benefícios dos seus trabalhadores, nomeadamente as suas condições remuneratórias”. Tudo para “estabilizar os recursos humanos e optimizar as condições dos serviços”, anunciou ontem o Instituto de Acção Social (IAS), em comunicado. Tal aumento vai representar para os cofres públicos um gasto de 45 milhões de patacas, depois de ter sido feito, em Abril do ano passado, um ajuste de 7% do subsídio pago a estas entidades. Contactadas pelo HM, três representantes de Organizações Não-Governamentais (ONG) ou associações congratulam-se pela medida. “É importante ter um aumento dos apoios para nos conseguirmos manter. Actualmente só conseguimos sobreviver, porque os custos aumentam, sobretudo ao nível dos recursos humanos, é difícil manter pessoas a
Paul Pun
trabalhar no serviço social”, disse Paul Pun, secretário-geral da Caritas. Hetzer Siu, presidente da Macau Special Olympics, uma entidade que trabalha com portadores de deficiência, também aplaude a medida. “O aumento dos subsídios é uma boa medida. Há muito tempo que necessitávamos de um aumento para manter os salários dos nossos trabalhadores e pagar-lhes a segurança social. Nos próximos dois anos os recursos humanos serão uma parte muito importante (na área social)”, garantiu ao HM.
À espera do novo regime
O IAS adiantou também que no segundo semestre deste ano deverá ser implementado um novo regime de atribuição de subsídios a instituições particulares, sendo que o processo de auscultação de opiniões junto das entidades deverá começar ainda no primeiro semestre. As reacções das ONG são de expectativa sobre um futuro que poderá ser melhor. “Congratulamo-nos com o novo formato e será um grande apoio, pelo menos para a Associação de Reabilitação dos Toxicodependentes de Macau (ARTM)”, disse Augusto Nogueira, presidente da instituição. “O novo formato de apoio do IAS vai-nos permitir aumentar os salários às pessoas que trabalham connosco. Nunca poderemos competir com empresas privadas, casinos ou Função Pública”, acrescentou. “Este aumento de 6,8% é uma boa medida, ainda que seja provisória até ao novo regime. O sistema de serviço social tem tido problemas até agora (em termos de apoio), mas o Governo já prometeu rever esse sistema. Estamos à espera pela proposta que irá melhorar o apoio”, concluiu Hetzer Siu.
CPSP Polícia encontra 39 ilegais em Dezembro
A Polícia de Segurança Pública (CPSP) encontrou 39 trabalhadores ilegais durante as inspecções que efectuou a 104 locais, em Dezembro do ano passado. Já a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, que fiscalizou obras de construção civil, residências e estabelecimentos industriais e comerciais, não encontrou qualquer trabalhador ilegal. Feitas as contas, os números de Dezembro passado não se afastam muito daqueles registados no mesmo mês de 2013, onde a CPSP encontrou 27 trabalhadores ilegais durante as inspecções a 223 locais. Já a DSAL encontrou, nos seis locais que inspeccionou, um trabalhador ilegal.
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