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Hoje Macau 4 OUT 2017 #3908

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GCS

MASSACRE EM LAS VEGAS

CHUI SAI ON E A FELICIDADE

GRANDE PLANO

PÁGINA 4

Raem alerta

MOP$10

QUARTA-FEIRA 4 DE OUTUBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3909

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

Um discurso exigente

FESTA DA LUSOFONIA

Quanto mais cresce, mais apetece

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

TIAGO ALCÂNTARA

EVENTOS

hojemacau

Macau Blues O Conselho Consultivo do Trânsito propõe que os não residentes passem a pagar mais nos autocarros que os residentes. Claro que esta medida cai mal entre os trabalhadores com blue card que, na esmagadora maioria dos casos, são os mais mal pagos da RAEM. PÁGINAS 8-9

ATFPM - 30 ANOS JORGE FÃO ACUSA ACTUAL DIRECÇÃO DE QUERER “APAGAR O PASSADO”

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2 grande plano

LAS VEGAS

4.10.2017 quarta-feira

MASSACRE TIROTEIO NOS EUA COLOCA MACAU EM ALERTA

A AMERICANA `

Estão contabilizados 59 mortos e mais de 500 feridos. São as vítimas de um contabilista reformado, no que já é considerado o tiroteio mais mortífero dos EUA. Aconteceu no domingo em Las Vegas e colocou Macau alerta

O

massacre foi em Las Vegas, mas Macau está alerta e com medidas tomadas após o ataque que teve lugar no domingo passado na capital do jogo dos Estados Unidos. A Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) pediu às seis operadoras de jogo para reforçarem os níveis de segurança durante a Semana Dourada. De acordo com um comunicado oficial, a DICJ está atenta ao ataque ocorrido em Las Vegas e vai realizar, nos próximos dias, uma reunião com as operadoras para discutir as medidas de reforço de segurança nos casinos e o respectivo trabalho de acompanhamento. Também o Gabinete de Gestão de Crises do Turismo está a acompanhar a situação causada pelo tiroteio que ocorreu num concerto durante um festival de música em Las Vegas. Das informações recolhidas através da indústria turística de Macau, não houve qualquer pedido de assistência de residentes de Macau, aponta o organismo.

FESTIVAL DE SANGUE

Os disparos aconteceram sobre o público que assistia a um festival de música “country”. O atirador, já identificado, foi Stephen

Paddock, um contabilista reformado de 64 anos, que disparou do 32º andar do hotel Mandalay Bay, em direcção à multidão que assistia ao festival, disseram as autoridades. Mais de 40 mil pessoas assistiam ao evento de música que decorria num espaço ao ar livre junto ao Mandalay Bay. Testemunhas relataram que na parte final do concerto do músico Jason Aldean ouviram-se “disparos de armas automáticas” e que muitas pessoas que se encontravam no recinto fugiram para a cave do edifício vizinho, onde funciona um hotel e um casino. A polícia bloqueou o trânsito no centro da cidade e alguns

voos do aeroporto internacional McCarran foram desviados para outros destinos. Até agora foram contabilizadas 59 mortes e quase 600 feridos naquele que já é considerado o ataque com o maior numero de vítimas nos Estados Unidos. Joseph Lombardo, xerife local, disse ainda que os feridos foram transportados para cinco hospitais do Nevada, acrescentando que a identificação das vítimas mortais vai ser um processo “longo e demorado”.

LOBO MUITO MAU

Stephen Paddock, autor identificado dos disparos, foi encontrado morto no hotel quando a polícia

A DICJ está atenta ao ataque ocorrido em Las Vegas e vai realizar, após a semana dourada, uma reunião com as operadoras para discutir sobre as medidas de reforço de segurança nos casinos e o respectivo trabalho de acompanhamento A presidência norte-americana considerou, na segunda-feira, que seria “prematuro” avançar com um debate sobre a venda de armas de fogo no país, algumas horas depois do tiroteio em Las Vegas

entrou no local para proceder à sua detenção. De acordo com as autoridades, o atirador suicidou-se e junto ao corpo foram encontradas dez armas. A polícia federal norte-americana (FBI) considera que o autor do tiroteio não tinha qualquer relação com grupos terroristas. A informação do FBI surgiu depois de o Estado Islâmico (EI) ter reivindicado o ataque, sem fornecer qualquer prova da sua alegação. As autoridades ainda não identificaram qual o motivo que levou ao massacre, mas acreditam que Paddock agiu sozinho. Pelo menos 18 armas, explosivos e milhares de munições foram encontradas na casa do atirador, em Mesquite. O presidente norte-americano, Donald Trump, considerou este um “acto de pura maldade” e anunciou que se deslocará àquela cidade hoje. “Estamos unidos hoje na nossa tristeza, comoção e luto”, disse o Presidente dos EUA, numa declaração a partir da Casa Branca, em Washington. Donald Trump enviou ainda as condolências às famílias das vitimas mortais de Las Vegas e fez, ontem, um minuto de silêncio pelas mesmas.


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quarta-feira 4.10.2017

BRANCOS VERSUS TERRORISTAS

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tiroteio do passado domingo nos EUA, o mais mortal até agora, surpreende pela sua escala. No entanto, o facto de ter sido perpetrado por um homem branco já não representa qualquer surpresa. A ideia é deixada pelos dados estatísticos apresentados na publicação Newsweek. As estatísticas mostram que, desde 1982, a maioria dos tiroteios em massa - 54 por cento - foram cometidos por homens brancos, de acordo com dados da Mother Jones. Os negros foram os dois maiores perpetradores de tiroteios em massa com base em origens étnicas, mas apenas representaram cerca de 16 por cento do total de incidentes durante o mesmo período de tempo. A idade média dos atiradores foi de 35 anos, dado que faz com que o atirador de Las Vegas,

Stephen Paddock, de 64 anos, seja um caso atípico. Há ainda pesquisas que sugerem que o homem branco comete este tipo de crime porque acredita que está a proceder a um acto de justiça. James Holmes, por exemplo, depois do insucesso no doutoramento que estava a realizar, pegou nas armas e disparou num cinema em Aurira, Colorado. Dylann Roof estava desempregado quando atirou sobre nove pessoas, em Charteston, na Carolina do Sul. “Há um sentimento de direito que os homens brancos têm que os homens negros não”, apontou o criminologista James Alan Fox ao The Washington Post em 2012 O número elevado de homens brancos que cometeram tiroteios em massa também é explicado, pelo menos em parte, pelo facto de constituírem a maioria da população dos EUA (63%).

ARMAS PARA QUE VOS QUERO

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massacre trouxe à actualidade a questão do controlo da venda de armas nos Estados Unidos, mas a Casa Branca reagiu e considerou que este não é o momento para discutir o assunto. A presidência norte-americana considerou, na segunda-feira, que seria “prematuro” avançar com um debate sobre a venda de armas de fogo no país, algumas horas depois do tiroteio em Las Vegas. “Hoje, é um dia para consolar os sobreviventes e chorar aqueles que perdemos”, declarou a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders. “Seria prematuro falar de política quando não conhecemos todos os factos”, acrescentou a representante da administração de Donald Trump, alertando para a tentação de “criar leis que não impeçam” este género de tragédias. Momentos antes da divulgação desta declaração, as agências

internacionais davam conta que alguns dos principais fabricantes de armas dos Estados Unidos estavam a registar fortes subidas nas bolsas norte-americanas. Por exemplo, as acções de American Outdoor Brands, o nome actual do maior fabricante de armas do país, que era anteriormente conhecido como Smith and Wesson, subiram 3,7 por cento no índice Nasdaq, onde estavam a perder 25 por cento do seu valor desde o início do ano. Já os títulos de Sturm Ruger & Company, o quarto maior fabricante de armas dos Estados Unidos, dispararam cerca de 4,26 por cento na Bolsa de Nova Iorque (NYSE), onde estavam a cair quase 7 por cento nos últimos 12 meses. O massacre deste domingo ultrapassou o número de vítimas do ataque numa discoteca de Orlando, em Junho de 2016, que fez 49 mortes.

Sarah Huckabee Sanders


4 política

4.10.2017 quarta-feira

GCS

do Executivo comprometeu-se a “promover amplamente a união das forças patrióticas e apoiar veemente as forças patriotas e o amor a Macau”.

O Chefe do Executivo comprometeu-se a “promover amplamente a união das forças patrióticas e apoiar veemente as forças patriotas e o amor a Macau.”

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EGURANÇA Social, saúde, habitação e ensino foram os aspectos considerados essenciais, pelo Chefe do Executivo, para aumentar a felicidade da população. A garantia foi deixada por Chui Sai On, no domingo, durante o discurso sobre as celebrações do 68.º aniversário do Dia Nacional da República Popular da China. Num texto com várias referências à passagem do Tufão Hato e agradecimentos ao Governo Central, Chui Sai On prometeu um Executivo focado em “trabalhar proactivamente para a melhoria da qualidade de vida da população e para a promoção da harmonia social”. “O Governo continuará a optimizar os mecanismos eficientes de longo prazo relacionados com a vida da população, nomeadamente

CHUI SAI ON DESTACA SEGURANÇA SOCIAL, SAÚDE, HABITAÇÃO E O ENSINO

Capitão felicidade

O aumento da felicidade dos residentes foi um dos quatro pontos destacados por Chui Sai On, no discurso das celebrações do 68.º aniversário do Dia Nacional. Segurança social, saúde, habitação e o ensino vistos como áreas chave. nas áreas da segurança social, da saúde, da habitação e do ensino, empenhando-se no aumento da felicidade dos residentes”, disse Chui Sai On, junto à Torre de Macau. Neste sentido, e de acordo com o comunicado oficial, o líder do Executivo destacou a necessidade de trabalhar para que os benefícios do crescimento económico sejam distribuídos de forma justa.

“O Governo continuará a envidar esforços na melhoria da qualidade de vida da população, impulsionando a concretização da construção conjunta e da partilha dos frutos do desenvolvimento”, garantiu.

FAIXA E ROTA

Aquestão da qualidade de vida da população foi o terceiro dos quatro pontos destacados

pelo Chefe do Executivo. Em primeiro lugar foi sublinhada a necessidade de aumentar a capacidade governativa e a estabilidade do território, no segundo, a promoção da estabilidade na economia e a sua diversificação e, por último, Chui Sai On frisou a promoção do desenvolvimento regional mútuo. “Acelerar a reforma da administração pública, con-

tinuar a promover a estratégia de ‘racionalização de quadros e simplificação administrativa’, intensificar continuamente as acções sobre a integridade e as acções de auditoria, e iremos, ainda, reforçar a formação e as capacidades dos talentos da equipa de governação”, foi a receita especificada pelo governante. Ainda em relação ao primeiro aspecto, o Chefe

No plano económico, Chui disse que Macau vai ter de aproveitar as oportunidades criadas pelo desenvolvimento do Interior do País, ao mesmo tempo que diversifica a economia. Os sectores das indústrias das convenções e exposições, medicina tradicional chinesa, actividades financeiras e industrias criativas vão ser as principais apostas para a diversificação. No que diz espeito à política Uma Faixa, Uma Rota, o Governo sublinhou a importância do território identificar as “suas vantagens próprias e singulares” para poder contribuir para este esforço nacional. O discurso de Chui ficou igualmente marcado por um aviso para a situação internacional, que exige um planeamento eficaz para garantir a estabilidade: “o crescimento da economia mundial mantém-se com um nível de desempenho fraco e é assinalável o aumento de factores de incerteza. Perante tal situação, Macau articular-se-á com dedicação na estratégia de desenvolvimento do País, contribuindo assim para o seu crescimento”, apontou. João Santos Filipe

info@hojemacau.com.mo

DEPUTADOS NOMEADOS CHEFE DESTACA POSIÇÕES ACADÉMICAS

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Chefe do Executivo reagiu publicamente à nomeação dos sete deputados para a Assembleia Legislativa (AL), tendo dito que cumpriu a lei na sua escolha. Chui Sai On considerou “ser difícil obter a concordância

e satisfazer todos”, mas que as suas opções se basearam “em três aspectos principais”, tal como “o cumprimento da lei, o equilíbrio da AL, na sequência dos resultados das eleições de sufrágio directo e indirecto e o desempenho excep-

cional das sete personalidades escolhidas, nos sectores competentes, assim como a vontade que estes expressam no serviço e no contributo à sociedade”. O Chefe do Executivo lembrou ainda que “os vários académicos

e especialistas de diferentes áreas são pessoas que conhecem bem a realidade pelos diversos estudos de investigação que realizaram ao longo dos anos”. Chui Sai On destacou ainda o factor juventude dos novos deputados nomeados.

“A faixa etária mais jovem na Assembleia irá ainda permitir um bom desempenho dos deputados no exercício das suas funções legislativas e de fiscalização do trabalho do Governo”, aponta o comunicado.


política 5

quarta-feira 4.10.2017

U

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CCAC PARA CHEONG, “CORRUPÇÃO DEPENDE DAS OFERTAS”

Governo recusa pedido de reforma de Fung Soi Kun

O crime de corrupção eleitoral depende do valor da oferta. O Comissariado contra a Corrupção considera que situações como a distribuição de pacotes de leite ou de lenços de papel não têm valor suficiente para condicionar a intenção de voto. A resposta é dada aos casos denunciados pela Associação Novo Macau

PRESENTES BARATOS

Apesar das acções denunciadas pela Novo Macau se destinarem à angariação de votos, o CCAC considera não terem valor suficiente para conseguir mais eleitores por parte das listas. “Tanto um pacote de lenços de papel e uma garrafa de água como um pão e um pacote de leite de soja, apesar de terem algum valor, não se considera o mesmo suficiente para influenciar a intenção de voto dos eleitores, pelo que dificilmente constitui um crime de corrupção eleitoral”, explica o CCAC. No que respeita à distribuição de pacotes de lenços de papel, o organismo aponta que se trata mais de um acto de campanha do que de uma acção de corrupção.

As consequências de um Hato

Uma questão de quantidade O DSAJ

MA pataca também se considera uma vantagem” é um conceito que não pode ser tomada como critério para que se registe o crime de corrupção eleitoral. A ideia foi deixada por André Cheong, do Comissariado contra a Corrupção (CCAC), em resposta à denúncia apresentada pela Associação Novo Macau. Em causa está a queixa feita pela associação pró democrata relativamente ao “incidente do pequeno-almoço” em que terão sido distribuídos pacotes de leite de soja e pão-de-leite aos residentes em dia de eleições. Para André Cheong, caso o episódio venha a ser considerado corrupção eleitoral, também se poderia acusar do mesmo delito a entrega de pacotes de lenços de papel, acto também denunciado via internet, por um membro da Novo Macau. No entender do CCAC, há que ter em consideração o valor das ofertas realizadas em período eleitoral para que se possa determinar se se trata ou não de um acto de corrupção. “Apesar de a distribuição de pacotes de lenços de papel se destinar, obviamente, à angariação de votos dos eleitores para as candidaturas concorrentes, tendo em conta o valor diminuto dos pacotes de lenços de papel, o CCAC considera tal acto como se tratando de uma acção de propaganda eleitoral e não um acto de corrupção eleitoral”, lê-se em comunicado oficial.

Já para a Novo Macau, o que está em causa não é o valor atribuído às ofertas, mas sim a acção em si. “Talvez a ilegalidade não seja constituída por causa do valor do pequeno-almoço, mas sim, pelo próprio acto de distribuição”, diz a asso-

ciação citada no documento do CCAC. Mais grave, considera a Novo Macau, é o facto de se tratar de um acto ilícito, até porque a situação denunciada ocorreu no dia de voto, momento em que é proibido o acto de campanha.

‘‘Tendo em conta o valor diminuto dos pacotes de lenços de papel, o CCAC considera tal acto como se tratando de uma acção de propaganda eleitoral e não um acto de corrupção eleitoral.” CCAC

O CCAC explica que “não se verificou qualquer prova, relativa ao incidente do pequeno-almoço, que demonstrasse que alguém tivesse realizado propaganda eleitoral junto dos cidadãos em locais públicos”. Para o CCAC, tratou-se de um serviço comunitário permanente e não pontual, com o intuito de influenciar o voto e salienta que “a situação pode produzir um efeito positivo no que respeita ao esclarecimento sobre as disposições legais relativas à corrupção eleitoral”. Sofia Margarida Mota

sofiamota.hojemacau@gmail.com

G overno revogou a fixação de pensão de aposentação do antigo director dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG), que abandonou o cargo após a passagem do tufão Hato, que matou dez pessoas e feriu mais de 240. Em comunicado, o Fundo de Pensões informou que a secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, procedeu “à revogação do (…) despacho efectuado em 13 de Setembro de 2017”, em que foi fixada a pensão de aposentação de Foi Soi Kun. Segundo a nota, os funcionários públicos devem apresentar ao serviço a que pertencem a declaração ou o requerimento para a aposentação com a antecedência mínima de 90 dias em relação à data em que pretendem deixar o serviço. “Tendo em conta que a declaração de aposentação do anterior meteorologista (…) Fong Soi Kun não cumpriu a referida disposição legal, a secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, procedeu (...), nos termos da lei, à revogação do referido despacho de fixação da pensão de aposentação”, indicou. Na quinta-feira, o gabinete da secretária tinha divulgado um comunicado em que lembrava que, apesar de haver “aposentação voluntária sempre que o funcionário ou agente que reúne os requisitos legais declare desejar aposentar-se”, tal não impede “a punição por infracções cometidas no exercício dessas funções”. Sónia Chan referia-se às duas investigações que decorrem ao trabalho de Fong Soi Kun na previsão do tufão Hato, no dia 23 de Agosto. “Embora a pessoa acima referida tivesse declarado a sua aposentação voluntária, tal facto não impede não só a instrução de inquérito, lançada pela Comissão de Inquérito sobre a Catástrofe “23.08”, que foi

constituída por despacho do chefe do executivo sobre os eventuais erros e a eventual responsabilidade dos serviços públicos e o seu pessoal durante a catástrofe”, indicou o comunicado. A aposentação também não impede “a instrução de inquérito do CCAC [Comissariado contra a Corrupção] sobre o procedimento da previsão de tufão, e a gestão interna da Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos, como também a efectivação posterior das eventuais responsabilidades disciplinares e penais”, acrescentou. O curto intervalo de tempo entre o içar de sinais de tempestade tropical fez gerar dúvidas sobre a capacidade de previsão dos SMG. Fong Soi Kun tinha estado debaixo de fogo devido ao hastear dos sinais de tempestade tropical há um ano, por ocasião da passagem do tufão Nida, altura em que os SMG içaram apenas o 3, tendo sido criticados por não terem elevado o alerta para 8. O Chefe do Executivo reagiu entretanto a esta notícia, tendo dito que existem “dois inquéritos que estão ainda em curso”. Citado por um comunicado oficial, Chui Sai On adiantou ainda que “caso seja necessário, irá instruir o devido processo disciplinar”.


6 política

HOJE MACAU

4.10.2017 quarta-feira

NOVO DEPUTADO DOS OPERÁRIOS QUER SALÁRIO MÍNIMO PARA TODOS MENOS PARA EMPREGADAS

Muda o disco e toca o Leong Continua a xenofobia: recémeleito pelos Operários, Leong Sun Iok lê da mesma cartilha dos seus antecessores. Para ele, as empregadas domésticas, na sua esmagadora maioria estrangeiras, não devem ter os mesmos direitos que os outros trabalhadores.

O

novo deputado da associação de operários de Macau quer avançar com uma agenda focada nos locais: aumento da licença de maternidade, regulamentação da lei sindical e alargamento do salário mínimo a toda a população, com excepção das empregadas domésticas.

Leong Sun Iok é um dos seis novos deputados do hemiciclo de Macau – três destes, incluindo Leong, foram escolhidos directamente pela população, e outros três foram eleitos por via indirecta, ou seja, através de associações. O deputado de 40 anos vem reforçar a bancada da Federação das Associações de Operários de Macau (FAOM), que com a eleição de 17 de Setembro passa a contar com quatro deputados, num total de 33: dois eleitos pela via directa e dois pela indirecta. Apesar de Macau ter uma taxa de desemprego de apenas 2%, Leong garante que as condições de trabalho dos locais não acompanham o acelerado desenvolvimento económico de Macau. “Observo que o desenvolvimento económico é muito rápido, mas nem todos os trabalhadores locais conseguem beneficiar. O Governo diz que a taxa de desemprego é muito baixa, muito poucas pessoas não conseguem encontrar emprego, mas isso não quer dizer que consigam um bom trabalho com facilidade. Queremos que consigam o melhor emprego possível para eles”, disse à agência Lusa. Para que isso aconteça, Leong e os colegas pretendem continuar com uma agenda em prol de melhores condições de trabalho,

mas sempre com os locais como prioridade. Esta tem sido a política da FAOM, apesar de mais de um quarto da população de Macau ser composta por trabalhadores não residentes, que apenas podem permanecer em Macau enquanto o contrato de trabalho estiver válido, não possuindo direito de residência.

DISCRIMINAÇÃO NEGATIVA

No que toca ao salário mínimo, que actualmente só existe aplicado a duas profissões mas que o Governo já anunciou querer alargar à generalidade da população, Leong apoia a inclusão dos trabalhadores de fora, mas com uma excepção. “Concordamos que o Governo estenda o salário mínimo a toda a gente, incluindo os não-residentes, mas não às empregadas domésticas”, disse. A posição de Leong está em linha com a do Governo, que no passado afastou a possibilidade de incluir as empregadas. O salário mínimo foi introduzido em Macau a 1 de Janeiro de 2016 para duas categorias de trabalhadores: segurança e limpeza de prédios de habitação. O diploma fixou o salário mínimo em 30 patacas por hora, 240 por dia ou 6.240 por mês. Leong defende que privilegiar os locais no acesso ao mercado de

trabalho continua a fazer sentido. Confrontado com a questão da falta de mão-de-obra, o antigo ‘croupier’ de casino diz que tal não se verifica em todos os sectores. Por exemplo, aponta, “na arquitectura já há alguns anos que não vemos locais, é um ramo onde é difícil trabalhar, a maioria é de fora”. “Outra indústria é a da restauração. A importação de trabalhadores é excessiva. Os empregadores são relutantes ou indisponíveis para ajudar os trabalhadores locais a subirem [na carreira], a chegarem às posições de gestão”, acrescentou. “Actualmente, Macau tem cerca de 180 mil trabalhadores contratados ao exterior. O princípio da FAOM é que os trabalhadores estrangeiros devem poder ajudar o mercado local quando as pessoas do mercado local não conseguem preencher a procura. Mas devido à gestão errada do Governo, podemos ver situações em que há trabalhadores locais suficientes, mas ainda há lugar para empregar trabalhadores estrangeiros”, concluiu. Na lista de prioridades da FAOM está também o aumento para cinco do número de dias em que um pai pode ficar com o filho após nascimento e o da mãe para 90 – actualmente, no sector privado, o pai tem direito a duas faltas justificadas aquando do

nascimento de um filho e a mãe tem 56 dias de licença.

O GRUPO DOS QUATRO

Quanto à lei sindical – prevista na Lei Básica, mas nunca regulamentada – Leong diz que vai “manter a pressão”: “Temos feito esse esforço de muitas formas, pedimos encontros com dirigentes do Governo, recolhemos assinaturas dos cidadãos”. Os deputados da FAOM apresentaram também dois projectos de lei sobre o assunto, ambos chumbados. No total, oito projectos já foram apresentados por deputados desde 1999, sempre recusados. No final do ano passado, o Governo anunciou que ia começar a estudar a matéria. “Agora é tempo de pressionar o Governo para que avance”, disse Leong. Questionado sobre a demora em avançar com esta legislação, o novo deputado disse que o principal motivo prende-se com o facto de “a maioria dos membros da Assembleia Legislativa vir do sector empresarial”. “Os Operários não eram suficientes. Mas este ano temos quatro assentos e acreditamos que a nossa voz vai ser mais forte e vamos conseguir ajudar mais os cidadãos. Tenho confiança que vamos conseguir fazer muitas coisas, incluindo [passar] a lei sindical”, afirmou.


sociedade 7

quarta-feira 4.10.2017

Obras no Terminal das Portas do Cerco. Residentes querem mesmo ser ouvidos

O

S problemas relacionados com o Terminal das Portas do Cerco têm de ser resolvidos o mais rapidamente possível e devem incluir as sugestões dos residentes. A ideia foi transmitida ontem, pelo responsável de um grupo de moradores, Wu Wa In, em conferência de imprensa. Em causa está o fecho do terminal mais movimentado do território devido aos estragos causados pelo tufão Hato. Para o responsável, o período de dois anos previsto para reabertura do terminal é muito prolongado. Por outro lado, adianta Wu Wa In, o Governo terá de proceder a obras de fundo que garantam o fim de problemas antigos, como as elevadas temperaturas que se registavam naquela zona.

QUEIXA PARA O CÉU

Wu Wa In admite mesmo que, caso o Governo não se mostre cooperativo com as necessidades da população, as sugestões apresentadas pelos residentes para um melhor funcionamento futuro do Terminal do Cerco, podem seguir para o Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau e à Assembleia Popular Nacional. De acordo com o responsável, os moradores têm já algumas ideias que querem ver concretizadas, no sentido de melhorar o tráfego naquela zona. A medida envolve dois terrenos situados no lado leste do posto fronteiriço, sendo que uma das parcelas está, neste momento, a servir de estacionamento para autocarros dos hotéis e dos casinos. Wu Wa In afirma que a população quer que o destino desta fracção seja alterado e que seja escolhido um outro local para tomada e largada de passageiros vindos dos espaços hoteleiros e de jogos. Em relação ao segundo terreno situando também perto do posto fronteiriço, Wu Wa In sugere que seja preparado para receber, temporariamente, alguns autocarros. Por outro lado, o representante do grupo de residentes aponta que, devido ao ajustamento temporário das carreiras, os motoristas de autocarros estão cada vez com piores condições de trabalho e menos tempos de descanso, sendo que os trabalhos referentes ao Terminal das Portas do Cerco deverão ter este aspecto em conta e zelar pelas suas boas condições de trabalho. Vitor Ng

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ATFPM VAI DISCUTIR ABERTURA A ‘BLUECARDS’

A vez dos não-residentes

A associação celebrou 30 anos e José Pereira Coutinho considera que está na altura de debater a integração de não-residentes. Jorge Fão, ex-presidente, acusa a actual ATFPM de ter perdido o rumo e de fazer pouco pelos funcionários públicos

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PÓS celebrar o 30.º aniversário, na semana passada, a Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) vai discutir a abertura a trabalhadores não-residentes. Esta é uma posição do presidente, José Pereira Coutinho, que vai ser discutida entre a direcção. “São todos trabalhadores e são comunidades que contribuem para o desenvolvimento de Macau, por isso não podemos estar a discriminá-las. Estamos a falar de pessoas que dão contributos importantes para Macau”, afirmou José Pereira Coutinho, ao HM. “Após 30 anos, temos de abrir mais a ATFPM e não podemos colocar de lado a hipótese de passar a aceitar não-residentes. É uma hipótese que não me incomoda nada, a título pessoal. Vamos estudar este assunto entre a direcção, e depois, talvez, proponhamos uma Assembleia Geral para ouvir os nossos sócios”, acrescentou. A ATFPM foi criada em 1987 com o objectivo de lutar pelos direitos dos trabalhadores da função pública. Na altura, o principal objectivo passava por garantir que o Governo de Portugal assumiria o pagamento das pensões dos funcionários públicos que se reformassem antes da transição da soberania. Em Maio de 2004, a aprovação dos novos estatutos permitiu que também os trabalhadores do sector privado passassem a ser aceites na associação. No entanto, os trabalhadores do privado não podem fazer parte dos corpos dirigentes. Uma situação que o presidente diz estar aberto a alterar, se houver consenso no seio da direcção e associação.

SOFIA MARGARIDA MOTA

Vozes ao alto

“As pessoas do sector privado não podem ser membros dos corpos sociais. Os estatutos não permitem. Mas da minha parte não tenho objecções a que passem a integrar os corpos sociais”, disse José Pereira Coutinho. “Falo por mim, é uma discussão que podemos ter e que pode alterar a situação. Mas só vai haver mudanças se for essa a vontade da direcção e da ATFPM. Eu da minha parte não vejo problemas, mas há pessoas na direcção que não estão muito receptivas. É uma tema que pode ser discutido”, sublinhou. Sobre a celebração do 30.º aniversário, Coutinho falou de um marco histórico, não deixando de admitir que há aspectos que ainda não foram concluídos

e que são fundamentais para a ATFPM. “É uma pena e lamento que ainda não haja uma lei sindical. Sobre esse aspecto, ainda hoje nos penitenciamos. Lei sindical, negociação colectiva e direito à greve são direitos fundamentais dos trabalhadores consagrados pela Lei Básica e pelos quais vamos continuar a lutar”, explicou.

FÃO SEM CONVITE

Já para Jorge Fão, sócio e um dos fundadores, a associação desviou-se do propósito com que tinha sido criada, a partir do momento em que começou a aceitar pessoas que não são trabalhadoras da função pública. “Houve uma mudança de princípios com o decorrer dos

“Quiseram apagar a história. Porém se não fosse o passado, hoje o presidente nunca seria deputado. Querer apagar o passado, para mim, é um pecado” JORGE FÃO SÓCIO-FUNDADOR E EX-PRESIDENTE

anos, e hoje em dia a ATFPM só mantém o nome. Acabou por meter a foice na seara alheia, ao congregar não só os funcionários públicos mas também toda e qualquer espécie de funcionários privados”, defendeu Jorge Fão, ontem, ao HM. “É mau porque vai contra a nomenclatura da ATFPM. Não podemos admitir que haja um engenheiro numa associação de advogados e vice-versa. Foi uma medida tomada por ambição política. Resolveram mexer no estatuto para que outros trabalhadores e operários pudessem engrossar as fileiras”, frisou. Ao HM, Jorge Fão acusa a actual direcção de tentar apagar história e confessou não ter sido convidado para o jantar da passada quinta-feira da ATFPM, em que foi celebrado o 30.º aniversário. Isto apesar de ter as quotas e ser um dos fundadores. “Nas outras associações há sempre fotografias dos líderes anteriores ou de momentos importantes do passado. Isso não acontece na ATFPM, não se encontram fotografias dos antigos presidentes. Mas, antes, estavam lá. Quiseram apagar a história. Só que se não fosse o passado, hoje o presidente nunca seria deputado. Querer apagar o passado, para mim, é um pecado”, acusou Jorge Fão, antigo presidente da ATFPM, entre 1992 e 1995. Sobre o futuro da associação, Fão diz que gostava que “se falasse menos e se fizesse mais”, destacando a actualização do estatuto da Função Pública como uma prioridade: “É um regime que foi pensado em 1987 e que já não se adapta ao mundo de hoje. É um regime com demasiada rigidez”, considerou. João Santos Filipe

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8 sociedade

PETIÇÃO NA CALHA

Ao HM, Eric Lestari, presidente de uma organização não governamental intitulada Union Indonesian Migrant Workers, garantiu que poderá estar na calha a preparação de uma petição para entregar no gabinete de Raimundo do Rosário. “Temos vindo a discutir esta questão e não compreendemos porque há tarifas diferentes para residentes e não residentes. Se olharmos para outras regiões, como Taiwan, Hong Kong ou Malásia, não existe esta distinção em relação aos imigrantes, não há discriminação nos autocarros ou no metro.” Eric Lestari acrescentou ainda que “talvez seja feita

TIAGO ALCÂNTARA

UMA TRISTE LINHA AZUL TARIFAS DOS AUTOCARROS ASSOCIAÇÕES DE TNR REVOLTADAS COM MEDIDA

As tarifas dos autocarros vão aumentar mas residentes e não residentes vão pagar valores diferentes. A proposta, saída do Conselho Consultivo do Trânsito, está a gerar polémica e há várias associações de trabalhadores migrantes que não se conformam

uma petição ou uma carta para entregar ao secretário”. “É uma ideia, para já, mas iremos planear entregar alguma petição. Não concordamos com esta decisão porque vem sem nenhum outro tipo de benefício ou apoio adicional para nós.” A responsável, que trabalha como empregada doméstica no território, e que já deu a cara numa reportagem da TDM, onde admitiu ganhar pouco mais de três mil patacas por mês, lembrou que os TNR vivem e trabalham em Macau, dando o seu contributo para a economia. “Nós, que somos portadores de blue card, também HOJE MACAU

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ARA o bolso dos trabalhadores não residentes (TNR) cada pataca conta e a decisão de aumento das tarifas dos autocarros públicos vai representar um gasto acrescido ao já magro salário de muitos. Na prática, a compra do Macau Pass passará a ser feito com base no registo feito com o BIR ou blue card, sendo que os TNR deverão pagar mais uma pataca do que os residentes, sejam permanentes ou não permanentes. A ideia é que o preço de cada viagem custe entre três a quatro patacas para os locais e entre quatro e cinco para os não-residentes. Este é o primeiro aumento nas tarifas em dez anos. Raimundo do Rosário, secretário para os Transportes e Obras Públicas, reconheceu que a proposta apresentada “é uma discriminação positiva em relação aos residentes”, portadores do bilhete de identidade de residente (BIR), que pagarão menos pelo passe. A proposta foi enviada na sexta-feira para o Conselho Consultivo do Trânsito e encontra-se “em fase de auscultação”, introduzindo pela primeira vez uma distinção entre residentes e não residentes, dado que as tarifas são subsidiadas pelo Governo, porque “foi entendido que o subsídio atribuído não deve ser igual para todos”, afirmou. “Foi entendido, e é discutível, privilegiar [nos passes] os residentes em relação aos não residentes. A opção foi esta e não tem a ver com economias nem nada. Mas trata-se de uma proposta, não há uma decisão”, sublinhou o responsável.

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servimos Macau, a sociedade e o próprio Governo, porque gastamos aqui o nosso salário, vivemos aqui, arrendamos casas aqui. Compramos comida aqui. Não prestamos apoio?”, questionou. De recordar, porém, que os TNR não têm apenas nacionalidade indonésia e filipina. Há chineses do continente que aqui trabalham e que não são portadores de BIR, tal como alguns portugueses, brasileiros ou expatriados de países como Itália ou o Reino Unido, a título de exemplo. A proposta está a indignar mais associações de

migrantes, que lembram que os seus salários são, em média, significativamente inferiores. “Porque é que têm de aumentar o preço do autocarro só para as empregadas domésticas, mas nunca aumentam o nosso salário?”, reagiu a presidente da associação de trabalhadores filipinos Migrante Macau, Emer de Lina, em declarações à Lusa. “Um aumento no preço do bilhete do autocarro será um fardo para nós. Gostava de saber porque é que o aumento vai ser maior para as empregadas domésticas, já que o nosso salário é tão baixo? É injusto, se querem

aumentar, devia ser uniforme”, lamenta Emer de Lina. A empregada filipina diz desconhecer os motivos que possam ter levado o Governo de Macau a avançar com a medida, considerando que a haver uma motivação económica deviam “ir buscar o dinheiro àqueles que têm os salários mais altos, não às empregadas domésticas, porque elas têm já salários tão baixos”. Questionada sobre a possibilidade de um protesto ou de um apelo directo ao Governo, a presidente da Migrante Macau disse sentir que “os protestos são apenas para os locais” e afirmou não

saber “quem abordar” junto do executivo para discutir a questão. Reacção semelhante teve a presidente da Associação de Trabalhadores Migrantes Indonésios, Yosa Wariyanti: “Não sabemos como falar com o Governo”. A também empregada doméstica considerou a proposta “discriminatória e contra os trabalhadores migrantes”. “O Governo não valoriza a contribuição dos migrantes. Isto vai afectar o seu bem-estar, a maioria usa transportes públicos. O Governo devia antes aumentar os salários dos trabalhadores migrantes”, defendeu.

AGNES LAM: GOVERNO ESTÁ A TESTAR TOLERÂNCIA DOS RESIDENTES

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recém-eleita deputada à Assembleia Legislativa, Agnes Lam, disse ao Jornal do Cidadão que o argumento utilizado pelo Governo, quanto ao facto das tarifas de autocarros não serem actualizadas há dez anos, não é justificação. Agnes Lam lembrou que, em todos os países do mundo, são as concessionárias de transporte público que propõem ou exigem aumentos ao Governo. O facto do Executivo ter tido a iniciativa de propor aumentos, “não tem lógica”, acrescentou. Em

termos concretos, a docente considera necessária a criação de um mecanismo regular para a revisão dos valores das tarifas. Para Agnes Lam, o Governo está a testar o nível de tolerância dos residentes, alertando para a existência da falta de um planeamento geral e da ausência de lógica nesta decisão. A académica defendeu ainda que o aumento das tarifas é uma “medida desumana” que revela “falta de cuidado face aos grupos mais vulneráveis”.


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quarta-feira 4.10.2017

MACAU PASS UM ANO SERÁ SUFICIENTE PARA ALTERAR CARTÕES

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au Kin Keong, vice-director geral da Macau Pass, disse ao jornal Ou Mun que o Governo ainda não comunicou com a Macau Pass quanto ao calendário para implementar a nova medida, mas previu que um ano será prazo suficiente para mudar todos os cartões actualmente em circulação. Em termos técnicos, o responsável adiantou que a empresa consegue cobrar taxas diferentes em diferentes períodos, existindo ainda medidas para garantir a protecção dos dados pessoais dos portadores dos novos passes de autocarro. Au Kam Fai, membro do Conselho Consultivo de Trânsito, considerou a possibilidade de mais TNR virem a recorrer às bicicletas para se deslocarem, aquando da entrada em vigor das novas tarifas.

“[Esta notícia] deixou-nos muito tristes. É uma política que directa e abertamente separa os trabalhadores de Macau entre locais e estrangeiros, aumenta o ressentimento dos locais contra os estrangeiros”, lamentou. Para Yosa Wariyanti, tendo em conta os salários reduzidos dos trabalhadores migrantes, estes deveriam antes ter direito a uma redução do preço dos transportes. Segundo a indonésia, grande parte das empregadas domésticas recebe cerca de 3.500 patacas de salário, mais 900 patacas de subsídio de alojamento. “Isto para

comida, telefone, passe de autocarro, para enviar dinheiro para a família, é muito difícil para nós”, afirmou.

O PATRÃO QUE PAGUE

Eric Lestari lembra mesmo uma alternativa viável a este aumento: a possibilidade dos patrões virem a custear o passe mensal de autocarro. “Muitas das pessoas que trabalham em casinos e hotéis não têm acesso a ajudas de transporte. É barato apanhar o autocarro, mas este aumento deveria vir acompanhado de um aumento dos nossos salários ou de algum tipo de apoio do nosso empregador em relação ao transporte.”

Semelhante ideia tem Amélia António, advogada e presidente da Casa de Portugal em Macau. “Esta medida vem onerar pessoas que estão a trabalhar normalmente com ordenados mais pequenos. Isso implicaria que houvesse então uma obrigatoriedade dos patrões de pagarem o passe”, defendeu. Amélia António frisa ainda que poderiam ser criados “passes mensais”, com diferentes percursos. “As pessoas escolheriam o que queriam comprar. Agora não estou de acordo existir um preço diferente para residentes e não residentes.

O

secretário para os Transportes e Obras Públicas chegou a sugerir, na sexta-feira, que as pessoas optem por andar a pé. A pensar nessa sugestão, o secretário-geral da Caritas, Paul Pun, defendeu a instalação de máquinas que concedam bónus aos portadores de Macau Pass que optem por se deslocar a pé. Paul Pun, que considera este aumento excessivo, defendeu ainda a criação de mais transportes marítimos de rápido trajecto para

a Taipa, para aliviar o tráfego. Além disso, Paul Pun aponta que os residentes e os TNR não devem ser sujeitos a critérios diferentes nas tarifas cobradas, uma vez que os TNR também dão o seu contributo ao território. Entretanto, Paul Pun mencionou que o Executivo deveria distinguir entre a população local e os visitantes nos preços de autocarros, considerando que os turistas não devem ter acesso a benefícios.

E OS DADOS PESSOAIS?

José Pereira Coutinho, deputado e presidente da Associação dos Trabalhadores

GONÇALO LOBO PINHEIRO

PAUL PUN: BÓNUS PARA QUEM ANDA A PÉ

Isso obrigaria a que fosse criada a obrigatoriedade do empregador pagar o passe.” “Uma coisa seria se fosse criado um passe próprio só para turistas, como encontramos noutros sítios do mundo. Mas essas pessoas estão aqui a trabalhar e são, para todos os efeitos, residentes, com os seus ordenados controlados. Não me parece que, para quem vive aqui, seja residente ou não residente, deva existir esse tipo de discriminação”, adiantou Amélia António.

da Função Pública de Macau (ATFPM), intitula esta decisão do Governo como sendo “errada”. E os aumentos, aponta, não são sequer proporcionais à qualidade do serviço prestado. “Os autocarros continuam a prestar um mau serviço, não chegam a tempo e horas. Há autocarros que são desviados para transportar trabalhadores dos casinos. Isto está mau. É péssimo para os cidadão. Faz com que haja falta de autocarros para os cidadãos.” Considerando que os TNR dão o seu contributo para o desenvolvimento económico, Coutinho frisa que o facto do Macau Pass vir a ser adquirido através do BIR ou do blue card poderá levantar a questão da protecção dos dados pessoais. “Não sei se foi ouvido o Gabinete de Protecção de Dados Pessoais para serem implementadas estas medidas. Não sei até que ponto o tratamento dos dados pessoais na Macau Pass é o mais correcto e como estão a ser utilizados.” Pereira Coutinho lembra mesmo que podem ocorrer ilegalidades. “Será que é possível que o cartão de residente seja utilizados por terceiros? Se eu comprar um em meu nome e depois entregar a um não-residente, como é que o condutor vai ter meios para identificar se o cartão está mesmo a ser utilizado pela

pessoa que o pediu?”, questionou o deputado recentemente reeleito para a Assembleia Legislativa. Esta medida, que representa “um descaramento total”, traz, para o presidente da ATFPM, uma desigualdade não só para com as pessoas mas também para com as empresas de transporte. “Os autocarros estão isentos do imposto do combustíveis e outros, por serem de utilidade pública. As transportadoras, ao praticarem outros serviços, estão a competir de forma desleal com as outras transportadores privadas, que também estão no negócio do transporte dos trabalhadores dos casinos. Mas efectivamente há uma situação de desigualdade. É uma situação nítida de desvantagem para essas empresas. Além disso, Pereira Coutinho fala ainda da existência de uma “situação caricata”. “Há jovens de Macau que estudam em Zhuhai. São pessoas que vão e vêm, mas pelo facto de estudarem em Zhuhai, não conseguem ter os descontos para estudantes. É uma coisa absurda. Só porque estudam em Zhuhai, não têm o cartão de estudante.” Em 2013, num debate na Assembleia Legislativa, os deputados Zheng Anting e Song Pek Kei levantaram a questão do excesso de pessoas no território. Não falaram na criação de tarifas mais caras para quem tem blue card, mas chegaram a defender que poderiam existir autocarros públicos só para residentes. Dias depois, Song Pek Kei deu uma entrevista e revelou “não ser xenófoba”, apesar de considerar que Macau “é uma região com limitação de espaço”. A divisão que o Governo vem agora propor não é física, mas financeira. Andreia Sofia Silva (com J.S.F. e V.N.) andreia.silva@hojemacau.com.mo


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Concertos no anfiteatro Casas-Museu da Taipa e a participação, pela primeira vez, na Exposição de Produtos e Serviços de Língua Portuguesa e na Feira Internacional de Macau. Eis as novidades da 9ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa

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AIS de 150 artistas vão participar entre 14 e 22 de Outubro na nona Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa, que volta a juntar teatro, gastronomia, arte contemporânea, dança e música de vários continentes. Esta é uma iniciativa que se realiza em Macau desde

GONÇALO LOBO PINHEIRO

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FESTA NA RUA LUSOFONIA SEMANA CULTURAL DECORRE DE 14 A 22 DE OUTUBRO

2008. Pela primeira vez, os artistas convidados participam também na Exposição de Produtos e Serviços de Língua Portuguesa (PLPEX) e na Feira Internacional de Macau (MIF).

O cartaz deste ano inclui concertos no Largo do Senado, no coração de Macau, de grupos e artistas de Portugal (Diogo Piçarra), Cabo Verde (Trio Hélio Batalha, Sílvia Medina e Ellah Barbosa),

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA NÃO É MEIA NOITE QUEM QUER • António Lobo Antunes

O enredo do livro desenvolve-se em três dias, sexta-feira, sábado e domingo. Uma mulher com perto de cinquenta anos vai passar um fim-de-semana na casa de férias da família, numa praia não identificada. A casa, modesta, foi vendida e ela quer despedir-se da casa, mas também relembrar tudo o que se passou ali - a sua infância com os pais e os irmãos, o suicídio do irmão mais velho, o irmão surdo-mudo, o complexo e dramático relacionamento dos pais, a menina da casa em frente, sua amiga do tempo de férias. Vem depois a sua vida actual, mal casada, sem filhos, professora numa escola como tantas outras, com uma relação frustrante e sem entusiasmo com uma colega mais velha. O falhanço que é a sua vida reflecte-se na casa há muito desabitada e nos sonhos de todos eles, ali irremediavelmente enterrados. A despedida da casa pode levá-la a imitar o irmão mais velho e, no domingo, atirar-se das arribas e encerrar ali uma vida sem futuro.

Angola (Yola Semedo), Timor-Leste (Solution Band), Goa, Damão e Diu (True Blue), Moçambique (Os Kassimbos), Brasil (Rastapé), Guiné-Bissau (Klim Mota), São Tomé e Príncipe (Hayl-

ton Dias) e China (Grupo de Música e Dança da Província de Guagxi). Além de subirem ao palco no Largo do Senado, os artistas vão actuar no Festival da Lusofonia, a decorrer entre 19

e 22 de Outubro nas Casas-Museu da Taipa.

TEATRO DE REGRESSO

Além da música, a Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa de

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

SÃO FRANCISCO DE ASSIS • Augustine Thompson

Um dos santos mais populares da religião católica, São Francisco de Assis (c. 1181-1226) é lembrado pela sua dedicação à pobreza, o amor pelos animais e a natureza, e o desejo de seguir os ensinamentos e o exemplo de Cristo. Nesta nova biografia, Augustine Thompson, baseando-se em novas fontes históricas, separa, pela primeira vez, o homem da lenda. O resultado é um retrato complexo e fidedigno tanto do homem como do santo.


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quarta-feira 4.10.2017

FESTIVAL DA AMÉRICA LATINA ARRANCA ESTA SEXTA-FEIRA

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de Novembro, no edifício do antigo tribunal, na Galeria de Exposições da Avenida da Praia, na Casa de Nostalgia da Avenida da Praia e na residência do cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong. A mostra de artesanato poderá ser vista na Feira do Carmo e a mostra de gastro-

nomia “Sabores do Mundo” decorrerá num restaurante da Torre de Macau e também no espaço onde vai decorrer o Festival da Lusofonia. Este ano estão convidados ‘chefs’ de cozinha de Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Goa, Damão e Diu e Macau. A Semana Cultural da China e dos Países de Língua

FERNANDO PIRES

Macau volta a ter uma mostra de teatro de países e territórios lusófonos pelo quarto ano consecutivo. A mostra de teatro integra quatro companhias de países lusófonos, incluindo Portugal, e uma de Macau. Assim, entre 14 e 19 de Outubro, o grupo local Hiu Kok Theatre marca presença com a peça “O cuco da noite escura”, o Grupo de Teatro Girassol (Moçambique) leva ao palco “Nkatikuloni (A outra)”, a companhia Nómada - Art & Public Space vai representar “Solange, uma conversa de cabeleireiro”, o grupo Nós Por Cá (São Tomé e Príncipe) leva à cena “Feitiçaria”, e a Arte Naroman (Timor-Leste) apresenta “Nahe Biti”. Esta semana cultural integra ainda uma vertente de exposições de arte contemporânea de artistas de Moçambique (Pekiwa, escultura), São Tomé e Príncipe (Guilherme Vaz de Carvalho, pintura) e Macau (Filipe Dores, artes plásticas) e uma exposição de animação do artista plástico e cineasta brasileiro Alê Abreu relacionada com o seu filme “O Menino e o Mundo”, que também será exibido em Macau. As exposições vão decorrer entre 14 de Outubro e 12

Pela primeira vez, os artistas convidados participam também na Exposição de Produtos e Serviços de Língua Portuguesa (PLPEX) e na Feira Internacional de Macau (MIF)

Portuguesa é organizada pelo Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum Macau), sendo co-organizadores o Instituto Cultural de Macau e o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais da cidade. Conta ainda com a colaboração das associações das comunidades lusófonas que existem em Macau.

ORÇAMENTO DE MILHÕES

A nona edição da Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa tem um orçamento semelhante ao do ano passado, na ordem de 8,8 milhões de patacas, disse, na apresentação à imprensa, Echo Chan, secretária-geral adjunta do Secretariado Permanente do Fórum Macau. Eco Chan disse que as actividades desta semana cultural articulam-se com a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” promovida pelo Governo central e destacou a importância de “reforçar o intercâmbio cultural” entre os países e territórios participantes. “Espero que através desta semana cultural possam mostrar a sua cultura”, acrescentou.

XPOSIÇÕES, gastronomia, cinema. São vários os ingredientes que compõem a edição desta ano do Festival da América Latina, que começa na sexta-feira e termina a 5 de Novembro. A organização está a cargo da Associação para a Promoção do Intercâmbio entre a região Ásia-Pacífico e América Latina (MAPEAL, na sigla inglesa). O evento começa com a inauguração de uma exposição intitulada “Arquitectura latino-americana”, que estará patente na Torre de Macau até ao dia 15 deste mês. O mesmo evento poderá ser visto, de 15 de Outubro até 1 de Novembro, na Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST). Segue-se, no Sábado, dia 7, uma mostra de cozinha do Chile no restaurante Tromba Rija, localizado no rés-do-chão da Torre de Macau. Haverá também uma demonstração da gastronomia natural do Peru, no mesmo local, no dia 10 de Outubro. Na segunda-feira, dia 9 de Outubro, arranca a exibição de filmes oriundos de países latino-americanos, como é o caso do Brasil, Equador ou Argentina. Até

ao dia 31 de Outubro, as películas poderão ser vistas em locais distintos, como é o caso da MUST ou da Fundação Rui Cunha. A partir de terça-feira, 10 de Outubro, haverá também lugar à realização de seminários destinados a abordar a cultura de cada país da América do Sul. Os representantes consulares de países como Cuba, Brasil ou Peru em Macau e Hong Kong vão ser os principais oradores destes encontros, que terão lugar na MUST e na Universidade de Macau. Na área da fotografia, a Torre de Macau vai também acolher uma exposição intitulada “A memória do Peru: 1890-1950”, que estará disponível para a visita do público até ao dia 22 de Outubro. A agenda do Festival da América Latina dará ainda destaque à realização da Semana de Gastronomia do Chile, de 7 a 12 de Outubro, sem esquecer as semanas da gastronomia do Equador e Argentina. Estas iniciativas terão lugar nos restaurantes Tromba Rija e Café 360º, ambos localizados na Torre de Macau. O programa completo está disponível em http://www. latinamericanfestival.org .

PHOTO MACAU EVENTO DECORRE ENTRE 25 E 28 DE MARÇO DE 2018

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AIS de 60 galerias internacionais de arte e fotografia vão participar na primeira edição da feira Photo Macau, que vai decorrer entre 25 e 28 de Março do próximo ano, anunciou a organização. “No coração da cena artística e cultural da Ásia, que está a crescer rapidamente, a nossa feira de fotografia de arte contemporânea reunirá talentos asiáticos e de outras paragens para promover e celebrar a fotografia e a arte em vídeo, que estão rapidamente a ganhar reconhecimento na região”, afirmou, em comunicado, a directora executiva da feira, Cecilia Ho. A responsável destacou que a Photo Macau vai decorrer num local “com

uma tradição chinesa e portuguesa única”, afirmando que a feira de arte “é dedicada à fotografia artística e às imagens em movimento, apresentando arte visual, digital e impressa numa das economias asiáticas em maior crescimento”. Segundo a organização, a cargo da Red Balloon, o certame vai “destacar um país diferente a cada ano, celebrando a fotografia e as imagens em movimento dessa nação, e a sua contribuição para o mundo das artes”. “Nesta primeira edição, a atenção recai sobre Istambul, com a curadoria de Nina Öger, colecionadora, patrona das artes e especialista em arte turca”.


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4.10.2017 quarta-feira

PRESIDENTE RETOMA MARXISMO E PEDE A SUA SINIFICAÇÃO

Marx à moda de Pequim Xi Jinping não tem dúvidas: só a sinificação do marxismo poderá manter a teoria viva e servir de farol para o povo chinês

O PRESIDENTE COM SECRETÁRIO DE ESTADO DOS EUA

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presidente Xi Jinping reuniu-se sábado em Pequim com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Rex Tillerson, com quem discutiu a visita que o presidente Donald Trump fará à China neste ano. “Actualmente o mais importante evento nas nossas relações bilaterais é a visita de Trump à China em Novembro”, disse Xi. “Será uma importante oportunidade para o desenvolvimento das relações China-EUA.” Xi indicou que os laços China-EUA são no geral estáveis e que mantém sólida comunicação com o presidente Trump. Os dois lados devem “implementar o consenso alcançado pelos dois chefes de Estado, ater-se ao caminho de relação bilateral, respeitar-se e concentrar-se na cooperação ao lidar com as diferenças de forma adequada”, segundo Xi. “A China atribui grande importância à visita de Trump e espero trabalhar com ele para delinear e avançar nossas relações bilaterais nos próximos anos”, apontou Xi. O presidente assinalou que as equipas de ambos os lados devem trabalhar de perto para a visita ser “bem-sucedida e especial”. Tillerson transmitiu os cumprimentos de Trump a Xi e disse que o presidente norte-americano espera com ansiedade a viagem à China. Ao elogiar o progresso dos laços bilaterais sob o auspício dos dois presidentes, Tillerson afirmou que os EUA valorizam as relações com a China e esperam aumentar a confiança mútua e a cooperação pragmática em várias áreas, assim como abordar conjuntamente os desafios internacionais e regionais.

presidente da China, Xi Jinping, também secretário-geral do Comité Central do Partido Comunista da China (PCC), pediu um “entendimento profundo do marxismo e uma vigorosa promoção da sinificação da teoria do filósofo alemão. Xi fez estas declarações numa sessão de estudo colectivo na qual participaram os membros da Comissão Política do Comité Central do PCC. O presidente disse que o marxismo mostrou uma grande força e vitalidade, e que continua a desempenhar um papel insubstituível para ajudar as pessoas a compreender e transformar o mundo, bem como promover o progresso social. Xi sublinhou que, embora os tempos estejam a mudar e a sociedade se esteja a desenvolver, os dogmas básicas do marxismo continuam verdadeiros. “Se nos desviarmos ou abandonamos o marxismo, nosso Partido perderá a sua alma e direção”, disse. “Sobre o tema fundamental de defender o papel guia do marxismo, devemos manter a determinação inabalável, e jamais movimentarmo-nos em nenhum momento ou sob nenhuma circunstância”.

A China experimentou mudanças profundas desde a fundação da República Popular da China, especialmente depois da reforma e abertura. Por isso, o povo chinês está mais qualificado e é mais capaz de revelar a experiência histórica e as regras de desenvolvimento existentes no processo, e de dar contribuições originais para o desenvolvimento do marxismo, sublinhou Xi. O presidente chinês assinalou que o PCC deve integrar melhor os princípios básicos do marxismo com a realidade da China contemporânea e aprender com os feitos de outras civilizações para criar e desenvolver o marxismo. Xi também pediu que os membros do Partido estudem o capitalismo contemporâneo, a sua essência e modelos. “O PCC deve desenvolver continuamente o socialismo com características chinesas, reforçar continuamente a força nacional integral da China e demonstrar plenamente as vantagens do sistema socialista da China”, concluiu Xi. Ao recordar a história do PCC, Xi indicou que o uso das teorias científicas tem uma importância chave para o êxito do Partido e pediu esforços contínuos na aplicação da sinificação do Marxismo.

O regresso da rua

Manifestação em HK “contra autoritarismo” de Pequim

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IL H AR E S de pessoas manifestaram-se no domingo em Hong Kong, durante o 68.º aniversário da implantação da República Popular da China, para denunciar a ingerência de Pequim e a erosão das liberdades na antiga colónia britânica. Sob a chuva, esta manifestação, denominada “Concentração contra o autoritarismo”, decorreu algumas semanas depois da detenção de três jovens líderes do movimento “dos guarda-chuvas”, a vasta mobilização pró-democracia do outono de 2014. “O autoritarismo já é uma realidade em Hong Kong”,

lamentou perante os manifestantes Benny Tai, cofundador do movimento “Occupy Central”, que contribuiu para dinamizar

a multidão em 2014. “Esta manifestação de hoje serve para mostrar à população de Hong Kong a real natureza do governo”, acrescentou este professor de Direito. Os principais alvos dos manifestantes foram a chefe do Executivo de Hong Kong,

Carrie Lam, o secretário para a Justiça, Rimsky Yuen, ou ainda o Presidente chinês, Xi Jinping, cujas imagens exibiam as palavras: “Palhaço autoritário”. Alguns manifestantes exibiam bandeiras semelhantes às chinesas, com cinco estrelas amarelas em fundo negro e não vermelho. No tradicional discurso por ocasião do dia nacional da China, o primeiro desde que assumiu a chefia do Executivo em Julho, Carrie Lam apelou à unidade. É preciso “agarrar as oportunidades” e “manter a união”, afirmou Lam, considerando “ter a certeza de que Hong Kong pode superar desafios ainda maiores”.


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quarta-feira 4.10.2017

Reservas de ouro atingem 12,1 mil toneladas

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China celebrou no domingo o seu Dia Nacional, em que se comemorou o 68.º aniversário da fundação da República Popular, com milhões de deslocações que marcam o início da chamada ‘Semana Dourada’ de feriados.A Administração Nacional de Turismo da China estima que, ao longo destes oito dias de festividades, se registem cerca de 710 milhões de deslocações, mais 10% do que em 2016.

MILHÕES DE DESLOCAÇÕES MARCARAM O DIA NACIONAL

Circular é viver Segundo os cálculos do organismo, os cidadãos da segunda economia mundial vão gastar nestes dias 90.000 milhões de dólares, o que representa mais 12% do que no mesmo período do ano passado.

As vias de saída das principais cidades entraram em colapso no início do fim de semana e há vários dias que estão esgotados os bilhetes de comboio e autocarros para os trajetos mais populares dentro do território nacional: Pe-

quim, Xangai e Hangzhou. Fora da China, os destinos favoritos são Tailândia, Singapura e Japão. O Ministério dos Transportes calcula que durante esta semana se registem 560 milhões de deslocações por estrada, 70 miPUB

Medida radical

Tayuan proíbe venda, transporte e queima de carvão

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AIYUAN, capital da Província de Shanxi, no norte da China, conhecida pela produção de carvão, proibiu as vendas, transporte e uso de carvão para controlar a poluição do ar. Desde domingo, empresas e indivíduos, excepto as fábricas e siderúrgicas importantes, são proibidos de vender, transportar ou queimar carvão na área urbana de Taiyuan.

Dou Lifen, chefe do Departamento de Proteção Ambiental de Taiyuan, disse que o carvão permanece a maior fonte da poluição do ar no inverno na cidade. A proibição deve cortar o uso de carvão em mais de 2 milhões de toneladas, ou 90% do consumo total da cidade. Antes do inverno, o governo de Taiyuan renovará os equipamentos de aqueci-

mento para 134 mil famílias em áreas rurais e urbanas, substituindo os fornos a carvão por aquecedores elétricos ou a gás natural. Após uma série de medidas, incluindo o controle de emissões de automóveis, Taiyuan poderá reduzir as leituras de PM 2,5 e dióxido de enxofre em 45%, e os dias com grave poluição do ar em 40% para 22 dias em 2017.

lhões por dia, o que fará aumentar o trânsito em 10% em relação a 2016. As deslocações por via fluvial ou marítima também devem aumentar 5%, chegando a 16 milhões. Já as deslocações por comboio devem superar as 150 milhões. Um dos maiores atrativos das celebrações do Dia Nacional aconteceu na capital com a cerimónia do içar da bandeira, que todos os dias acontece na praça de Tiananmen, mas que domingo reuniu mais de 15 mil pessoas.

As reservas de ouro da China atingiram 12,1 mil toneladas no final de 2016, as segundas maiores do mundo depois da África do Sul, informou Zhang Yongtao, vicepresidente da Associação de Ouro da China, em um entrevista coletiva. No ano passado, as transações de ouro no mercado chinês, incluindo as divisas em ouro, trocas de futuros e ouro fora de balcão em bancos comerciais, chegaram a 70 mil toneladas, disse Zhang, prevendo um volume maior de 100 mil toneladas em 2020. A China é o maior produtor de ouro no mundo há dez anos e o maior consumidor há quatro. O país quer aumentar sua produção anual de ouro para 500 toneladas em 2020 em relação ao nível anual de 450 toneladas. No primeiro semestre deste ano, um total de 207 toneladas de ouro foram produzidas, uma queda anual de 9,8%. Enquanto isso, o consumo de ouro cresceu quase 10% em termos anuais para 545 toneladas no mesmo período, com o consumo de barras de ouro aumentando mais de 50%.


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4.10.2017 quarta-feira

olha para mim. lucidez de areia que não conta O malho a cair, obliterado´ no dia, como caiu anteontem

SHEN HAO

Paulo Maia e Carmo tradução e ilustração

«Hua Zhu»

Discurso sobre a Pintura

Regras Fixas. Du Fu disse: «As ideias do poeta são nobres e simples.» Os pintores modernos buscam intencionalmente a simplicidade ao imitar Nizan mas esta atinge-se sem intenção, isto é se quiserem ser como Nizan; de outro modo é impossível1. Zhao Danian pintava vistas largas e abertas2. Ele tinha uma posição dominante na escola da espontaneidade (yi3). Zhao Danian cortava campos e margens de rios, representando-os com a sua beleza e frescura natural de acordo com a tradição de Wang Wei. Mas alguns críticos antigos disseram: «Tivesse ele sido mais instruído e ainda seria mais maravilhoso e à moda antiga.» De modo que não se pode pintar sem ser instruído.

1 - Nizan (1301-1374), um dos grandes mestres da dinastia Yuan (1279-1368) é referido quase sempre pelo seu «espírito desimpedido» (yiqi), uma forma também de resistência intelectual aos ocupantes estrangeiros, que se reflecte nas suas pinturas de formas simples e quase abstractas. Ao citar Nizan, Shen Hao está a aludir a um irremediável paradoxo da ortodoxia de Dong Qichang que refere como exemplos a imitar, pintores que buscavam eles mesmos uma arte natural e espontânea, diferente de todas as tradições. Como exemplo do seu processo, lemos o que Nizan escreveu numa sua pintura: «Comtemplámos nuvens e brincámos com os pincéis,/ Bebemos vinho e escrevemos poemas./ Os sentimentos alegres da jornada/ Perdurarão quando tivermos que nos separar.» (em «Árvores e vales do monte Yu», de 1372 e que está no Metropolitan Museum of Art) 2 - Nizan (1301-1374), um dos grandes mestres da dinastia Yuan (1279-1368) é referido quase sempre pelo seu «espírito desimpedido» (yiqi), uma forma também de resistência intelectual aos ocupantes estrangeiros, que se reflecte nas suas pinturas de formas simples e quase abstractas. Ao citar Nizan, Shen Hao está a aludir a

um irremediável paradoxo da ortodoxia de Dong Qichang que refere como exemplos a imitar, pintores que buscavam eles mesmos uma arte natural e espontânea, diferente de todas as tradições. Como exemplo do seu processo, lemos o que Nizan escreveu numa sua pintura: «Comtemplámos nuvens e brincámos com os pincéis,/ Bebemos vinho e escrevemos poemas./ Os sentimentos alegres da jornada/ Perdurarão quando tivermos que nos separar.» (em «Árvores e vales do monte Yu», de 1372 e que está no Metropolitan Museum of Art) 3 - O caracter yi composto pela junção dos caracteres para «escutar» e «coração» é a ideia ou intenção que precede a execução da obra. Segundo uma frase expressa no tratado de Wang Wei «a ideia deve preceder o pincel»; de modo geral pode dizer-se da visão anterior à execução da obra, uma inspiração ou um tema concreto, um estímulo para o qual a maior parte das vezes os pintores recorrem à leitura de poemas. Pode ter também o sentido mais particular de indicar uma intenção de carácter ou a escolha de um estilo em particular, alguns dos quais possuem nomes curiosos como «arcaísmo torpe», «estranheza» ou «delicadeza graciosa».


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

RUI GARRIDO

quarta-feira 4.10.2017

Diário de um editor João Paulo Cotrim

Arrojado esforço HORTA SECA, LISBOA, 28 SETEMBRO De súbito, a mensagem: chegou o Carlos Lopes. Dava jeito aqui que usasse relógio que escrever que o olhei, mas vivemos mergulhados nas horas, sendo impossível escapar-lhes. Era meia hora antes do combinado, pelo que tive que correr. Está certo, natural será que um campeão seja mais rápido e nos obrigue a correr. Os corredores param o tempo, sabemo-lo desde os gregos, abertos à contemporaneidade pelo esforço de professores como o mano António [de Castro Caeiro]. «Sem dúvida, o melhor de tudo é a água./Mas o ouro, que imita o fogo a arder na noite,/distingue-se em excelência de todas as outras riquezas.» Abre logo assim a primeira das Odes Olímpicas, de Píndaro. O ouro visitava-nos e trazia a água da simpatia, vede que combinação. «A fama de Pélops brilha, ao longe, nas corridas das Olimpíadas,/ onde a velocidade dos pés entra em disputa/ e o arrojado esforço é levado ao extremo da força./ O vencedor tem, assim, para o resto da sua vida/ uma serenidade doce como o mel// em virtude do prémio das competições. / Mas não há bem mais supremo para um mortal do que a glória desse dia. / E eu tenho de coroar aquele homem / com a canção do cavaleiro, ao modo eólico.» Que sopro é este que me empurra para me armar em Píndaro e coroar Carlos Lopes com qualquer canção, modesta que seja? Tranquilos, que não me atreverei ao poemar celebratório que logo se parte à passagem da primeira hora. (Sim, estou a pensar naquele passe de Manuel Alegre para Eusébio ) Mas um dos meus heróis está aqui, à distância de um abraço, aquele que abriu loja de desporto na colina mais íngreme da cidade, na montanha maior da minha infância, a das vistas alargadas e arejadas, onde revisitei tantas revoluções, paixões, projectos. A Penha de França não terá sido Olimpo, mas avizinhou-se. Se não bastasse o ouro ganho longe, «onde a velocidade dos pés entra em disputa/ e o arrojado esforço é levado ao extremo da força», acompanhado por cá nas cores que ainda pareciam preto e branco, ainda tinha ido montar bazar nos meus lugares, no topo que exige o máximo da respiração. Ei-lo aqui, à distância de outro abraço, trazendo a frescura da humildade, do bom humor. A selfie não foi apenas a fotográfica, ele desenhou auto-retrato que concorrerá com a medalha que o André [Carrilho] lhe esculpiu. Corro a pô-la na parede, em eólico lugar. ROTERDÃO, LISBOA, 29 SETEMBRO Quem chegasse, na exacta hora marcada, tinha que abdicar de um dia soalheiro para entrar nas quatro da manhã de uma sexta ou sábado. Mais: tinha que ultra-

passar alguém que se esforçava por prender na entrada uma pesada cortina antes de descer à cave que o ar condicionado teimava em fazer frigorífico. Foi uma entrada a pés juntos no Festival Silêncio. Este cenário, dramático, mas casual, fez-se apropriado para a ocasião: dizer, na voz alta de Joana Bértholo e André Neves, que o olhar múltiplo do Pedro Neves Marques se materializara em ficção. «Morrer na América», que resulta de uma colaboração da Arranha-céus com a kunsthalle lissabon, de João Mourão, leva-nos ao coração da mais icónica e mítica América. Decadente e tecnológico, contraditório e imagético, apocalíptico e, afinal, tão humano, esse coração cujo pulsar tão bem o Pedro capturou. A sua escrita, com raízes na ficção científica, atinge um grau de detalhe único, alimentando um fluxo em contínuo que se torna hipnótico e nos captura como floresta densa, prenhe de cambiantes visuais e tonalidades de pensamento. Houvera atenção e logo se veria que estamos perante um caso sério. Ah, mas são contos, esse parente pobre da miserável literatura. De um dos mais fulgurantes, Liberator, registo: «Neste novo mundo, pelo lutamos, a morte acontece apenas sob a forma de assassinato. Matar Édipo é hoje a única maneira de os jovens se apoderarem da morte, contra, e para lá, do impulso de morte do capital. E neste novo mundo, o que não falta são Édipos por matar; não há falta de reacionários, pedagogos e contrarrevolucionários por abater. Daí que, ao mínimo sinal de mudança, sejamos considerados indiscriminadamente como terroristas. É também essa a razão por que, hoje como naqueles primeiros tempos de mudança, a perseguição política é uma constante.» ROTERDÃO, LISBOA, 30 SETEMBRO O dia começou, de facto, ao fim da tarde com os No Precipício Era o Verbo a lançarem o álbum/cd em Lisboa, para um Musicbox cheio, outra casa do maratonista Alex Cortez, que fez as honras e sublinhou o carácter integrado do projecto, do cuidado musical ao cuidado estético. No mais, foi a intensidade do momento e a alegria de folhear o livro na cidade, entre amigos. Banal, apenas isso, o facto de termos andado pelo país, de Paredes de Coura às Caldas da Rainha, antes de o apresentarmos na grande e propícia e ventosa cidade. Continuou depois com Goraz Voraz, a primeira mostra deste «projecto de spokenword pluri-multi-tutti-desfacetado contra a metronomia do cansaço doble». A partir do topo da bateria, mesmo junto às nuvens baixas, foi orquestrada pelo José Anjos, com o violino da Maria do Mar, o baixo de Pedro Salazar e o

O mais extraordinário, penso agora, despido da emoção, foi a naturalidade do sucedido. Não apenas da suave balística dos encontros e cumplicidades, ditas e não ditas, mas sobretudo do veludo de estar em palco hangdrum do Luís Brito a iluminar as paisagens construídas pela Inês Fonseca Santos, a Liliana Ribeiro, a Rita Taborda Duarte, a Cláudia R. Sampaio. O mano Luís [Gouveia Monteiro] apresentou-se com um deliciosíssimo inédito, Alter-eco, para nos dizer que somos os sotaques, as pronúncias, afinal, as vozes. A Catarina [Santiago Costa] também se ergueu tonitruante. A experiência ganhou irritação e interesse ao ser atropelada por uma atitude que se tornou moda em algum poetar destes dias, a arrogância desordeira travestida de gesto político. Não serei eu a explicar a diferença: estudassem. O cartaz do Rui [Garrido] (que ilustra esta página), criado propositadamente para a ocasião, diz como se há-de a voz erguer do caos: «from the guts to the throat». Terá que ver com gritar ao microfone? ROTERDÃO, LISBOA, 1 OUTUBRO Eleições? Nem dei por elas. Futebol? Quase nem dei por ele. Por duas vezes,

durante a semana, vi abrir-se nos meus dias uma clareira, durante os ensaios para o que aqui aconteceu. Primeiro, o volume Má Raça, feito para as imagens fortes do Alex [Gozblau], fizeram-se espírito com as improvisações do Filipe [Raposo], mal esta voz triste disparava os versos em melancólicas trajectórias. Fui tecla do piano. Mais entrado na noite, vi-me no Botequim de há 30 anos, deslumbrado com os modos tonitruantes, tão terna e dramaticamente tonitruantes da Natália Correia. Estava com irmãos, o Luís [Gouveia Monteiro] e o João [Maio Pinto], dizendo poemas da sua Antologia de Poesia Erótica e Satírica no fio na navalha, digo, no fio das cordas de uma guitarra eléctrica. Tomara Tu Ter uma Tia assim fez-se projecto-projéctil. O mais extraordinário, penso agora, despido da emoção, foi a naturalidade do sucedido. Não apenas da suave balística dos encontros e cumplicidades, ditas e não ditas, mas sobretudo do veludo de estar em palco. Em comunhão.


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DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE TURISMO ANÚNCIO A Direcção dos Serviços de Turismo do Governo da Região Administrativa Especial de Macau, faz público que, de acordo com o Despacho de 15 de Setembro de 2017 do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, se encontra aberto concurso público para adjudicação do serviço de decoração e construção de espaços nos locais do evento e de equipamento para o “2.º Festival Internacional de Cinema e Cerimónia de Entrega de Prémios • Macau”. Desde a data da publicação do presente anúncio, nos dias úteis e durante o horário normal de expediente, os interessados podem examinar o Processo do Concurso na Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 12.o andar, e ser levantadas cópias, incluindo o Programa do Concurso, o Caderno de Encargos e demais documentos suplementares, mediante o pagamento de duzentas patacas (MOP200,00); ou ainda consultar o website da Direcção dos Serviços de Turismo: http://industry. macaotourism.gov.mo , e fazer “download” do mesmo. Preço base: Não há. Critérios de adjudicação e factores de ponderação: Critérios de adjudicação Factores de ponderação Preço 20% Contéudo do serviço: - Concepção, tema e programação geral; - Plano de coordenação; 30% - Plano geral e mapa de efeitos relacionados; - Plano dos recursos humanos e respectiva distribuição dos trabalhos. Maior garantia de segurança e eficiência na prestação do serviço: - Informações sobre os equipamentos a serem utilizados; - Design geral e design de equipamentos, localização e de todos os itens decorativos (design gráfico e plano 30% de localização); - Plano de produção de materiais decorativos; - Plano de montagem e desmontagem. Experiência do concorrente 20% Os concorrentes deverão apresentar as propostas na Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 12.o andar, durante o horário normal de expediente e até às 17:45 horas do dia 19 de Outubro de 2017, devendo as mesmas ser redigidas numa das línguas oficiais da RAEM ou, alternativamente, em inglês, prestar a caução provisória de MOP190.000,00 (cento e noventa mil patacas), mediante: 1) depósito em numerário à ordem da Direcção dos Serviços de Turismo no Banco Nacional Ultramarino de Macau 2) garantia bancária 3) depósito nesta Direcção dos Serviços em numerário, em ordem de caixa ou em cheque visado, emitidos à ordem da Direcção dos Serviços de Turismo 4) por transferência bancária na conta do Fundo do Turismo do Banco Nacional Ultramarino de Macau. O acto público do concurso será realizado no Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 14.o andar pelas 10:00 horas do dia 20 de Outubro de 2017. Os representantes legais dos concorrentes deverão estar presentes no acto público de abertura das propostas para efeitos de apresentação de eventuais reclamações e/ou para esclarecimento de eventuais dúvidas dos documentos apresentados a concurso, nos termos do artigo 27.o do Decreto-Lei n.o 63/85/M, de 6 de Julho. Os representantes legais dos concorrentes poderão fazer-se representar por procurador devendo, neste caso, o procurador apresentar procuração notarial conferindo-lhe poderes para o acto público do concurso. Em caso de encerramento destes Serviços por causa de tempestade ou por motivo de força maior, o termo do prazo de entrega das propostas, a data e hora de sessão de esclarecimento e de abertura das propostas serão adiados para o primeiro dia útil imediatamente seguinte, à mesma hora. Direcção dos Serviços de Turismo, aos 20 de Setembro de 2017. A Directora, Subst.a Tse Heng Sai

4.10.2017 quarta-feira


(f)utilidades 17

quarta-feira 4.10.2017

TEMPO

?

AGUACEIROS

O QUE FAZER ESTA SEMANA Sábado FIMM | NOVUS STRING QUARTET 20h00 | Teatro D.Pedro V

MIN

26

MAX

30

HUM

75-98%

•

EURO

9.17

BAHT

KINO, FESTIVAL CINEMA ALEMÃO | “O FLORIR DE ONTEM” 21h30 | Cinemateca Paixão

Domingo

O CARTOON STEPH

KINO, FESTIVAL CINEMA ALEMÃO | “FITZCARRALDO” 21h30 | Cinemateca Paixão FIMM | BRAVO MACAO! CONCERTOS POR MÚSICOS LOCAIS Teatro D.Pedro V | 20h00

DIARIAMENTE WORLD PRESS PHOTO Casa Garden | até 22/10

EXPOSIÇÃO “CONTELLATION” DE NICOLAS DELAROCHE Galeria do Tap Seac | Até 08/10

Cineteatro

C I N E M A

AMERICAN ASSASSIN SALA 1

AMERICAN ASSASSIN [C] Fime de: Michael Cuesta Com: Dylan O’Brien, Michael Keaton, Sanaa Lathan, Taylor Kitsch 14.15, 19.45

FIREWORKS, SHOULD WE SEE IT FROM THE SIDE OR THE BOTTOM? [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Akiyuki Shimbo Com: Suzu Hirose, Masaki Suga, Mamoru Miyano, Takako Matsu 16.15, 18.00, 21.45

SALA 2

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 133

PROBLEMA 134

UM FILME HOJE

SUDOKU

DE

EXPOSIÇÃO | “REPRESENTAÇÕES DA MULHER” Museu de Arte de Macau

1.17

BALAS E VIDAS

KINO, FESTIVAL CINEMA ALEMÃO | “O MEU ENCONTRO COM A VIDA” 16h30 | Cinemateca Paixão

KINO, FESTIVAL CINEMA ALEMÃO | “BERLINALE CURTAS I: UTOPIA SEM LIMITES” 19h30 | Cinemateca Paixão

YUAN

PÊLO DO CÃO

FIMM | MUSIC THERAPY WORKSHOP 15h00 às 16h30 | Fundação Rui Cunha

FIMM | NOVUS STRING QUARTET 20h00 | Teatro D.Pedro V

0.23

Singraria de bom grado no navio de Sinbad, não fora ele marinheiro pendurado em açoteias, louco de ver o mar e adentro dele marear. Eram velas e eram nuvens, albatrozes e mercenários, que em praia pagã se ajuntavam. O que fazer?, perguntava a barbicha despegada da realidade futura. Talvez morrer, erigia-se a resposta. Não era anedota: vibravam as armas do alto dos telhados em suave repetição. Traz-traz-traz-trum-trum-trum, repetia a Kalashnikov afinada. E os corpos caíam em tentações de carne fria, fatiada a preceito, a eito, com jeito de almocreve. Os corpos acumulavam-se no asfalto. Havia talvez uma coluna de fumo, aparentemente leve, ou seria um dinossauro de plástico, alevantado do chão, ressuscitado, em pontas e tutus. Foi assim. Há umas décadas, alguém (um beto) escrevia que o supremo acto surrealista seria vir para a rua com uma pistola e atirar indiscriminadamente sobre a multidão. Boa besta... deveria antes ter fomentado o acto realmente mais surreal de todos: dar um tiro nos cornos. Poupavam-se balas, vidas e, sobretudo, o real. Carlos Morais José

THE BEGUILED (2017) | SOFIA COPPOLA

Sofia Coppola foi uma péssima actriz mas, como realizadora, deu cartas em vários filmes, destacando-se “As Virgens Suicidas” e “Lost in Translation”. São filmes cheios de imagens, sentidos e significados, com mensagens fortes. No final, contudo, fica a vontade de algo mais, aquela cena mais forte que não aconteceu. “The Beguiled” é disso exemplo. Aqui Sofia Coppola volta aos filmes de época depois de “MarieAntoinette”, mas o que fica, no final, é a sensação de vazio. HM

KINGSMAN:THE GOLDEN CIRCLE [C] Fime de: Matthew Vaughn Com: Colin Firth, Julianne Moore, Halle Berry, Channing Tatum 14.15, 16.45, 19.15, 21.45 SALA 3

THE LEGO® NINJAGO MOVIE [A] FALADO EM CANTONENSE Fime de: Charlie Bean 14.30, 16.30, 19.30

AMERICAN ASSASSIN [C] Fime de: Michael Cuesta Com: Dylan O’Brien, Michael Keaton, Sanaa Lathan, Taylor Kitsch 21.30

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores António Cabrita; Anabela Canas; Amélia Vieira; António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; João Maria Pegado; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Fernando Eloy; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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4.10.2017 quarta-feira

macau visto de hong kong

Fraser Institute do Canadá atribuiu o primeiro lugar a Hong Kong no relatório sobre a Liberdade Económica Mundial, publicado no passado dia 28 de Setembro. No entanto, quanto à independência judicial, Hong Kong não foi tão bem classificado, após escrutínio ao funcionamento dos Tribunais da cidade. Hong Kong tem mantido a primeira posição na alínea consagrada à Liberdade Económica Mundial desde 1980. Singapura continua em segundo, seguida da Nova Zelândia. A China ocupa o 112º lugar. Num outro relatório, elaborado pelo World Economic Forum, Hong Kong surge em 13º lugar no que respeita independência judicial, classificação registada no último Índex de Competitividade Global, com uma pontuação de 6.1, num máximo de 7. O ano passado tinha obtido o 8º lugar da classificação. O relatório sobre a Competitividade Global para 2016-2017 avalia as diversas vertentes da competitividade de 138 economias, providenciando uma visão sobre os motores da sua produtividade e da sua prosperidade. O Secretário da Justiça, Rimsky Yuen Kwok-keung, deu a cara em defesa do Governo da RAEHK, afirmando que o Executivo estava preocupado com a descida de classificação, mas salientou que o relatório ainda tinha atribuído a Hong Kong um lugar de topo na alínea da independência judicial na Ásia. Rimsky acrescentou que factores subjectivos poderiam ter influenciado a percepção da independência judicial das comunidades locais e internacionais de Hong Kong. Quanto a ele, não via qualquer factor objectivo que pudesse afectar a independência judicial da cidade, já que os Tribunais lidam com todos os casos com imparcialidade e sentido profissional. Rimsky empenhou-se em provar que a independência judicial de Hong Kong nunca é comprometida. E o motivo que o levou a esforçar-se por clarificar esta questão prende-se com a importância do tema. A independência judicial verifica-se quando as decisões dos Tribunais não são influenciadas pelo poder executivo, nem pelo poder legislativo. As deliberações do juiz não deverão estar dependentes de qualquer pressão, de forma a poderem ser justas e rectas. Só desta

FRANCISCO DE GOYA, TRIBUNAL DA INQUISIÇÃO

O

A independência judicial e o estado de direito

DAVID CHAN

forma se pode garantir que o interesse das partes em conflito esteja assegurado. Para garantir a independência judicial, actualmente em Hong Kong a nomeação do juiz é permanente. Não pode ser despedido, salvo se existir algum erro grave que o justifique. Só se retirará quando atingir a idade da reforma. O facto de não temer o despedimento coloca-o à vontade, mesmo em casos que levem o Governo a Tribunal. Em segundo lugar, é necessário considerar que um juiz é humano e pode cometer erros. Para o proteger a lei confere-lhe imunidade legal. O juiz não pode ser processado por nenhuma das partes em conflito, ou indiciado pelo Governo por ter cometido um erro jurídico. Se algum dos litigantes ficar insatisfeito com a sua decisão terá de recorrer a um Tribunal de instância superior. A imunidade legal protege o juiz. Sem esta protecção poucos aceitariam este cargo. Em terceiro lugar, garante-se que não existirá qualquer pressão na sala de audiências. Neste sentido, a imprensa nunca deve dar atenção excessiva a casos em julgamento. Devem também evitar-se demonstração de protesto contra o juiz. Os pontos mencionados não se excluem entre si. Para defender a indepen-

A lei não é uma arma com que possamos atacar os nossos oponentes. A lei gera uma crença que orienta os nossos espíritos. dência judicial devemos fazer tudo o que está ao nosso alcance. A independência judicial está também intimamente ligada ao Estado de Direito e à noção de que todos têm de agir de acordo com a lei. A lei deve estabelecer os padrões básicos dos comportamentos sociais. A Lei terá sempre de ser o instrumento de resolução de qualquer contenda. Todos devem ser iguais aos olhos da lei. Se alguma das partes em confronto desfrutar de qualquer benefício, não estaremos a ser governados pela lei e a injustiça imperará. No entanto, dois relatórios atestam em simultâneo a descida de posição de Hong Kong nesta alínea, e o assunto terá de ser debatido. Embora Rimsky tenha afirmado que não existem factores objectivos que justifiquem a descida de classificação, os comentários dos relatórios parecem muito preocupantes.

Mas poderemos analisar os relatórios de outra forma. A razão que nos leva a recorrer à lei para solucionar contendas é a confiança que depositamos na sua capacidade de criar padrões. Se o nosso comportamento estiver em conformidade com o estipulado, em caso de contenda confiamos que a lei estará do nosso lado. A lei existe para proteger os nossos interesses. Mas a lei não é uma arma com que possamos atacar os nossos oponentes. A lei gera uma crença que orienta os nossos espíritos. Acreditamos que a lei nos ajuda a resolver os nossos conflitos, é-nos, portanto, útil. Com dois relatórios a criticar a independência judicial de Hong Kong, percebe-se que algumas pessoas não estão completamente confiantes no sistema legal da cidade. Será bom que o Governo da RAEHK clarifique a situação. Quando Rimsky afirma que não existem dados objectivos que comprovem qualquer falha na independência judicial, parece-me correcto. Mas a ausência de clarificação por parte do Governo pode criar mais mal-entendidos. A longo prazo, é melhor para o Governo da RAEHK dar um passo no sentido de reforçar a confiança do público no sistema legal da cidade. A confiança no sistema legal nunca pode ser afectada.

Professor Associado do IPM • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog


opinião 19

quarta-feira 4.10.2017

sexanálise

TÂNIA DOS SANTOS

PAULA REGO, GUERRA

O

Hugh Hefner, o criador e fundador da revista Playboy, faleceu a semana passada com 91 anos. Há quem o considere um ídolo, um homem que lutou e viveu os seus sonhos e não o dos outros – citação do próprio - ou há quem exalte os valores filantrópicos e liberais do ‘Hef’e da luta política-social pelo sexo livre e sem preconceitos. Mas também há quem reflicta se se pode considerar feminista o homem que tornou a pornografia um lugar-comum. Andei a vasculhar nos meios de comunicação o legado do homem-lenda Hugh Hefner, para rapidamente perceber que é polémico. Se há quem esteja de luto porque o símbolo da revolução sexual deixou este mundo, outros estão a mostrar as garras de raiva porque muitos continuam a pintá-lo como um libertador do sexo, quando provavelmente desenvolveu outro tipo de cativeiro. Talvez... um cativeiro para coelhinhas? Mulheres feitas coelhas que, com fatos de corpetes apertadíssimos, peitos generosos, pernas descobertas, orelhinhas acetinadas e, normalmente, de cabelos loiros, eram treinadas e incentivadas a serem o protótipo da mulher sexy. Elas passeariam por entre os homens que frequentavam o Clube Playboy ou seriam um dia fotografadas para a revista, desta vez, nuas. Do homem fala-se da inteligência extraordinária que foi precocemente reconhecida, apesar de se ter desinteressado da escola. Cresce, aparece, e começa a ter ideias que vêm a revolucionar a forma como a cultura popular vê o sexo e o corpo feminino nu. Nos anos 50, sem grandes expectativas no que ia dar, lança primeira edição da Playboy com a Marilyn Monroe vestida, na capa, e nua nas páginas centrais. A ideia era criar uma revista que pudesse entreter o homem contemporâneo: com textos de autores bem respeitados (e.g. Kerouac) ilustrado com mulheres lindas de morrer a mostrarem-se tal qual como vieram ao mundo. Esta revista popularizou-se de tal forma que veio contribuir para a revolução sexual que durante os anos 60 e 70 tiveram o seu pico de expressão. Por isso, sim, as ideias do falecido trouxeram algum empoderamento sexual ao mundo, mas ao mundo predominantemente masculino. Esta figura mítica veio capacitar os homens a re-descobrirem a sua sexualidade de forma a gozarem o desejo sexual de forma livre e desinibida – normalmente com uma revista Playboy escondida debaixo da cama. Se trouxe alguma coisa à sexualidade das mulheres... aí é que as opiniões divergem. Parece que as opiniões caem entre julgá-lo um feminista ou um chulo.

Playboy

As evidências políticas apontam para uma preocupação da sexualidade feminina – ao ter apoiado a distribuição livre de contraceptivos femininos ou pela legalização do aborto. Mas o resto do pacote comercial que passava cá para fora... aquela mansão, as sete namoradas, todas loiras e ‘plastificadas’ por um cirurgião ou as constantes entrevistas em que reforça a ideia de que as mulheres são e serão objectos do sexo... Eu consigo reconhecer o que de bom o homem trouxe ao nosso sexo e à sociedade globalizada. Aliás, os mais de cinquenta anos de existência do conceito constitui uma bela colecção de como o corpo da mulher (e o padrão de beleza) tem-se alterado. De mulheres com corpos de ampulheta, mamas de grandes e variadas aréolas mamárias vimos transformarem-se em mulheres mais esguias e de peitos mais artificialmente avantajados. Dizem as más línguas que era o próprio Hefner que insistia (e contribuía financeiramente) para os implantes das colecções mais recentes de coelhinhas-

Graças a ele temos o sexo livre e graças a ele temos mulheres ainda em menor controlo da sua própria sexualidade -namoradas. Também dizem as más línguas que as namoradas eram sujeitas a um tipo de tratamento pouco digno, que eram obrigadas a recolherem-se aos seus aposentos todos os dias às 9 da noite, vestidas de pijamas de flanela cor-de-rosa. Os rumores também conjeturam o sexo programado e (provavelmente) forçado entre coelhinhas e um homem idoso. Graças a ele temos o sexo livre e graças a ele temos mulheres ainda em menor controlo da sua própria sexualidade. Vamos ver agora qual a herança do império do sexo porque o homem já foi. Agora descansa no jazigo ao lado do da Marilyn Monroe, a quem outrora fez capa de revista - sem nunca lhe ter pedido permissão.


Melhor que vos insulte do que vos decreva.

Tesoura das ilhas

quarta-feira 4.10.2017

PALÁCIO DE SÃO BENTO REMODELAÇÕES RETIRAM PINTURA SOBRE MACAU

De regresso ao museu

P

OUCOS saberão que, até agora, quando o primeiro-ministro de Portugal falava ao país, tinha por detrás dele a imagem do Delta do Rio das Pérolas. O quadro, que Macau antigo como pano de fundo, vai ser retirado do Palácio de São Bento devido a um projecto de remodelação de interiores, notícia o jornal Público. A reportagem publicada ontem pelo diário português refere que todas as obras de arte situadas no interior do edifício vão ser substituídas por outros quadros de arte contemporânea. “Se durante estes discursos fotógrafos e operadores de imagem tivessem conseguido mostrar a placa com o título e o nome do pintor, teríamos percebido que os chefes do Governo de Portugal estavam a discursar em frente a uma paisagem de Macau, actualmente território chinês. Intitulada Porto Interior de Macau, o quadro mostra a foz do rio das Pérolas e foi pintada por Fausto Sampaio em 1936, quando aquele território fazia parte do império português”, lê-se no artigo. Suzanne Cotter, uma das responsáveis pela remodelação, disse ao Público que o novo quadro que ficará neste local foi alvo da discussão de todos, incluindo da equipa que diariamente acompanha o primeiro-ministro, actualmente António Costa.

dência de São Bento, onde António Costa recebe os seus homólogos e os chefes de Estado estrangeiros”. Na Sala da Lareira, como é oficialmente conhecida, passará a estar um quadro amarelo, da autoria de Ângelo de Sousa e pintado em 1989.

QUADRO REGRESSA AO MUSEU

“É uma perspectiva muito importante, em termos de imagem, porque o primeiro-ministro geralmente fala aqui”, explicou a Suzanne Cotter. O jornal recorda que, apesar da sala em questão, com a lareira ao fundo, ser dos locais mais fotografados e transmitidos, a verdade é que poucos se recordavam do local retratado na pintura. “Quando vimos em directo a demissão de José Sócrates em Março de 2011, em que o então primeiro-ministro falou ao país na Residência

Oficial, lá estava aquela foz misteriosa atrás, que olhámos por um segundo para novamente nos focarmos em algo mais dramático como o discurso. Parecia o Douro, mas de um ângulo diferente, com um vale muito mais encaixado. Dois anos depois, já com Passo Coelho em São Bento, a paisagem surgia novamente como cenário durante o anúncio das novas medidas de austeridade feito em 2013.” Mesmo com um novo Governo e um novo líder, a sala “continua a ser o espaço mais formal da resi-

A obra de Fausto Sampaio, tal como o total de 35 quadros retirados de São Bento, voltarão a estar expostos em locais como o Museu do Chiado e o Museu de Arte Antiga. Em sua substituição passam a estar expostos pelos corredores 26 obras do Museu de Serralves, localizado no Porto, no contexto da iniciativa “Arte em São Bento – Serralves 2017”, inaugurada para coincidir com o feriado de 5 de Outubro. A iniciativa estará patente até final deste ano. Intitulado “Porto Interior”, a obra de Fausto Sampaio foi realizada em 1936. Sendo portador de uma deficiência auditiva, Fausto Sampaio pintou várias quadros sobre Macau, onde viveu vários anos. Falecido em 1956, o artista foi considerado o “Pintor do Império”, por ter representado na tela lugares de territórios que outrora estiveram sob administração portuguesa, como foi o caso de Goa, Damão e Diu.

LAWRENCE HO APOSTA FORTE EM CASINOS NO JAPÃO

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magnata Lawrence Ho aposta no Japão para continuar a expansão internacional do império do jogo em casino, a partir de Macau. À frente da empresa Melco International, Lawrence Ho investiu nas Filipinas e na Rússia e quer agora atacar o Japão, onde os casinos foram legalizados em Dezembro de 2016, pelo parlamento. “Ali, nada me segurará”, afirmou o empresário de Hong Kong, numa entrevista à agência noticiosa France Presse (AFP), prometendo apresentar ofertas muito ambiciosas pelas licenças de jogo no Japão. Para Lawrence Ho, Macau deve continuar a ser a base do grupo, independentemente da sua expansão

internacional. “Macau vai continuar a ser o melhor mercado do mundo para os complexos integrados de jogo por ser a porta de entrada na China”, garantiu. Confrontados com o abrandamento económico da China e a campanha anti-corrupção, lançada em 2014 pelo Presidente Xi Jinping, o continente, os casinos voltaram-se para o mercado de massas, abrindo gigantescos complexos que apresentam várias actividades, da gastronomia ao entretenimento, para compensar a perda dos grandes apostadores. Em Outubro de 2015, a Melco, cuja capitalização bolsista é de 4,36 mil milhões de dólares, inaugurou

em Macau com grande pompa o Studio City, um hotel-casino que afirma ter a mais imponente roda gigante da Ásia e um simulador de voo inspirado em Batman. Actualmente com 95 anos, Stanley Ho construiu a sua fortuna ao conseguir o monopólio da exploração de casinos em Macau, de 1962 a 2002, data na qual o mercado foi aberto à concorrência. Só naquela altura os gigantes de Las Vegas entraram no jogo. “O meu pai teve a sorte de ter o monopólio durante 40 anos. Mas o governo de Macau decidiu abrir à concorrência. Foi uma boa decisão”, afirmou o empresário, cuja fortuna foi avaliada pela revista Forbes em 2,6 mil milhões de dólares.

Jogo Receitas aumentam 16,1%

Os casinos de Macau fecharam o mês de Setembro com receitas de 21.362 milhões de patacas, um aumento de 16,1 por cento relativamente ao período homólogo do ano passado. Segundo dados publicados pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), os casinos registaram, no acumulado de Janeiro a Setembro, receitas de 193.378 milhões de patacas, mais 18,8% do que nos primeiros nove meses do ano passado. Setembro marcou o 14.º mês consecutivo de subida das receitas da indústria do jogo. Este foi o segundo aumento mais baixo do ano em termos percentuais: só em Janeiro, quando se registou uma subida de 3,1%, é que as receitas cresceram menos que em Setembro. Desde então, os aumentos foram gradualmente subindo, com algumas oscilações, com Julho a revelar-se o mês mais forte em termos percentuais (29,2%). Em 2017, as receitas mensais do jogo cresceram sempre a dois dígitos em termos homólogos, à excepção do primeiro mês do ano (+3,1%) e começaram a subir acima dos 20% a partir de Maio, o que agora foi interrompido.

Nobel da Física atribuído pelo estudo das ondas gravitacionais

O Prémio Nobel da Física foi atribuído a Rainer Weiss, Barry C. Barish e Kip S. Thorne pelo estudo das ondas gravitacionais, um fenómeno previsto por Albert Einstein há mais de cem anos. Rainer Weiss é um dos principais investigadores do projeto LIGO para a construção de um detector de ondas gravitacionais. Barry C. Barish é um investigador de física experimental e professor no Instituto de Tecnologia da Califórnia. Kip S. Thorne é um físico teórico norte-americano e co-autor do livro “Gravitation”.


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Hoje Macau 4 OUT 2017 #3908 by Jornal Hoje Macau - Issuu