Skip to main content

Hoje Macau 31 AGO 2018 #4125

Page 1

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

ALEX MAJOLI

SEXTA-FEIRA 31 DE AGOSTO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4126

MIGRAÇÕES GRANDE PLANO

PUB

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

PLÁSTICO

A aguardar resposta

PUB

LYNN AND LOUIS WOLFSON II FLORIDA MOVING IMAGE ARCHIVES

PÁGINA 7

Férias grandes hANTÓNIO DE CASTRO CAEIRO

hojemacau

Dar-lhe gás Governo e Sinosky estão a estudar a hipótese de construir um segundo gasoduto em Macau para garantir a estabilidade do fornecimento de gás natural para produção de electricidade. De momento, a CEM está a avaliar propostas para novas unidades de geradores a gás natural. PÁGINA 9

www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

DEPRESSÃO URBANA


2 grande plano

Os cidadãos chineses que deixaram as aldeias em busca de melhores condições de vida nas cidades não ficaram mais felizes com a mudança, devido aos baixos salários e à segmentação social que persiste. Contudo, não voltariam para a sua terra natal. A conclusão faz parte do Relatório da Felicidade Mundial deste ano “A falta de apoios sociais, como subsídios de desemprego, pensões, acesso a cuidados de saúde” foram os principais problemas apontados por 24 por cento dos inquiridos

31.8.2018 sexta-feira

EM BUSCA DA FELICIDADE ESTUDO MIGRANTES

NA CHINA MENOS FELIZES NA CIDADE QUE NO CAMPO

C

HAMA-SE “Migração Rural-Urbana e a Felicidade na China” e é provavelmente um dos poucos estudos existentes sobre o estado de espírito daqueles que protagonizaram a maior migração populacional da história. Contudo, a mudança que milhões de cidadãos chineses fizeram em busca de melhores salários e condições de vida nas cidades não se traduziu em mais felicidade. O estudo realizado por John Knight e Ramani Gunatilaka, inserido no Relatório da Felicidade Mundial, relativo a 2018, explica as razões para a desilusão. “As condições difíceis vivenciadas pelos migran-

tes rurais-urbanos que vivem na China urbana podem constituir outra explicação para os baixos níveis de felicidade”, escrevem os autores. O estudo incidiu sobre uma amostra de migrantes rurais-urbanos. Entre os inquiridos 77 por cento eram chefes de agregados familiares, 61 por cento eram homens, 90 por cento estavam casados, 93 por cento dos que responderam tinham trabalho e 88 por cento vivia com a sua família. Aqueles que responderam às categorias “infeliz” e “não feliz de todo” foram questionados sobre as razões para a sua infelicidade. Mais de dois terços dos inquiridos

disseram que auferiam salários demasiado baixos. Outra razão, “mais importante”, apresentada por 11 por cento dos participantes, foi a incerteza quanto ao futuro, sugerindo que a insegurança era um problema. Apesar dos factores apontados para a tristeza, mais de metade dos inquiridos, 55 por cento, afirmaram não estar pessimistas quanto ao futuro, pois esperam um pequeno aumento de salário nos próximos cinco anos, enquanto que 28 por cento “não esperava mudanças”. Uma pequena fatia dos inquiridos, sete por cento, espera um grande aumento salarial no período de

tempo indicado. Apenas dez por cento das pessoas suspeita que o seu salário será reduzido. Os autores apontam ainda que “apesar da felicidade dos migrantes ser inferior à dos moradores das zonas rurais, o salário não era mais baixo”. Na verdade, “a média salarial per capita era 2.39 vezes mais que a dos agregados familiares rurais”, lê-se.

FALTA DE APOIOS EXPLICA

O estudo explica também que “o salário pode ser um factor determinante para a felicidade dos migrantes”, mas que existem outras questões que os fazem ficar menos felizes na vida citadina.


grande plano 3

sexta-feira 31.8.2018

“A falta de apoios sociais, como subsídios de desemprego, pensões, acesso a cuidados de saúde” foram os principais problemas apontados por 24 por cento dos inquiridos. Além disso, foram referidos problemas como a poluição que se sente nas grandes cidades chinesas, a segunda opção mais mencionada e que agregou 20 por cento dos inquiridos. Em terceiro lugar surgiu a corrupção, com 18 por cento de respostas, a polarização social, 11 por cento, discriminação contra migrantes, 10 por cento, e, por último, um índice superior de criminalidade nos centros urbanos, factor apontado por oito por cento dos inquiridos. Apesar dos vários problemas identificados e que podem potenciar infelicidade dos que migraram para cidades, a verdade é que a questão, “comparando com a sua experiência de viver nas zonas rurais, está mais feliz a viver na cidade?” acabou por gerar respostas surpreendentes. Apenas três por cento dos inquiridos disse ser mais feliz no campo, enquanto que mais de metade, 56 por cento, garantiram que “viver na cidade lhes trouxe mais felicidade”. Mais de metade, 54 por cento, referiu que optaria por mudar de cidade, enquanto que 39 por cento dos inquiridos voltariam à sua terra natal no campo. Os dados mostram, aliás, que a maioria dos migrantes chineses que saiu para as áreas urbanas nunca perdeu os laços com a sua terra, com 53 por cento mantinha familiares a residir nessas zonas.

“Os Governos das cidades favoreceram os seus residentes, e os migrantes urbanorurais eram tratados como cidadãos de segunda classe.” ESTUDO “MIGRAÇÃO RURAL-URBANA E A FELICIDADE NA CHINA”

Tais factos levantaram questões aos autores do estudo. “Se a maioria dos migrantes encaram as áreas urbanas como um alcance de grande felicidade, e se a maioria optaria por manter-se a residir numa zona urbana, porque é que os níveis de felicidade são inferiores aos dos moradores das zonas rurais? O estudo aponta várias explicações para esta questão. Uma delas prende-se com a possibilidades destes terem elevadas expectativas das condições de vida na cidade. Devemos olhar para esta evidência, tendo em conta as características do seu bem-estar.” Além disso, é referida a “natureza atípica dos migrantes” como um dos factores. “A baixa taxa de felicidade dos migrantes pode ser o resultado das suas características, ou do próprio agregado familiar, serem diferentes das características da população rural como um total. Se for esse o caso, eles poderiam de facto ser menos felizes do que aquilo que eram na aldeia”, acrescentou.

Há também outra explicação. “O grande factor que afecta a felicidade dos migrantes é a diferença que existe num grupo de referência: a equação de felicidade dos migrantes é semelhante à dos moradores urbanos, e diferente da equação dos moradores rurais. Isto pode explicar porque é que os migrantes são mais felizes em resultado da mudança, porque já não conseguem mais apreciar os prazeres simples da vida rural.” Os autores lembram também que não é possível explicar a menor felicidade dos migrantes rurais-urbanos apenas com indicadores económicos. Muitas destas pessoas poderiam simplesmente ter expectativas demasiado elevadas em relação à sua mudança para a cidade, que saíram goradas, sobretudo no que diz respeito às condições de vida, apontam os académicos. “O que os migrantes rurais-urbanos têm em comum é a falta de informação necessária que lhes permitisse analisar a qualidade das suas vidas num mundo diferente.”

HISTÓRIA EXPLICA SEGREGAÇÃO

Os autores da investigação lembram que, para se compreender o fenómeno da migração rural-urbana dos dias de hoje, na China, temos de regressar ao período em que foi fundada a República Popular da China (RPC), em 1949. As medidas tomadas por Mao Zedong levaram ao “fenómeno da migração urbano-rural ter sido diferente na China em relação à maioria dos países pobres”.

“Durante os primeiros anos em que o Partido Comunista Chinês esteve no poder, quando a China esteve separada em duas grandes áreas, criando a ‘Grande Muralha invisível’ entre a China urbana e rural, isso teve como primeiro significado o controlo social. Ligado a esta separação foi criado um sistema universal de registo de residência, conhecido como Hukou, que concedeu direitos, deveres e barreiras.” O documento recorda que, “os que tinham nascido no campo tiveram de manter os Hukou rurais, e os que tinham nascido nas cidades, incluindo os migrantes de outras áreas urbanas, tinham os Hukou urbanos, e os migrantes rurais-urbanos foram obrigados a manter os seus Hukou rurais, à excepção dos licenciados oriundos das áreas rurais”. Isso fez com que, no final da década de 50, se tenha iniciado um travão do Estado à saída das populações rurais dos campos. “Uma combinação de registos Hukou, a formação de comunas e a racionalização de comida nas áreas urbanas deu ao Estado as medidas administrativas necessárias para prevenir a migração urbano-rural. Através deste planeamento central, e especialmente através da formação de comunas nas cidades, esta migração passou a ser estritamente controlada e restrita.” Depois das primeiras reformas económicas que tiveram lugar a partir das décadas de 70 e 80, e que criaram apenas migrações

“As condições difíceis vivenciadas pelos migrantes rurais-urbanos que vivem na China urbana podem constituir outra explicação para os baixos níveis de felicidade.” ESTUDO “MIGRAÇÃO RURAL-URBANA E A FELICIDADE NA CHINA”

temporárias, “quando faltava mão-de-obra nas cidades”, começaram a surgir as primeiras vagas de migração de forma massiva. “Quando mais migrantes rurais começaram a ir para as cidades, levando consigo as suas famílias, enfrentaram discriminação no acesso a empregos, alojamento, educação e cuidados de saúde. Os Governos das cidades favoreceram os seus residentes, e os migrantes urbano-rurais eram tratados como cidadãos de segunda classe. Nesse sentido, só tinham permissão para aceitar os trabalhos menos atractivos e mais mal pagos, todos os que os migrantes urbanos não queriam.” À medida que o controlo estatal sobre a migração diminuiu, esta foi aumentando. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


4 política

O

TURISMO 8 MILHÕES DE CHINESES COM ACESSO FACILITADO A MACAU E HONG KONG

fazerem esse processo na cidade onde registaram a sua cidadania. Estes cidadãos também vão poder renovar os seus passaportes no sítio onde habitam e não apenas onde estão registados.

O Individual Visit Scheme vai a partir de amanhã poder ser requerido no local onde os cidadãos chineses vivem e trabalham, em vez de apenas no local de residência. A medida vai afectar quase 8 milhões de pessoas que têm acesso a este documento

VISITAS DO CONTINENTE

Visto mais de perto em vigor amanhã, dia 1 de Setembro. A China tem milhões de trabalhadores migrantes que não estão empregados na

cidade onde têm o registo oficial e isso pode causar complicações no acesso a serviços públicos no local de migração.

Mais 2,7 milhões de cidadãos do continente também poderão renovar outro documento, o salvo conduto de entrada e saída de Hong

Kong e Macau, ou obterem um documento que permite entradas e saídas de e para Taiwan a partir da cidade onde vivem, ao invés de

TIAGO ALCÂNTARA

Ministério da Segurança Pública chinês anunciou na terça-feira que vai facilitar a obtenção do Individual Visit Scheme (IVS), em vigor desde 2003, a oito milhões de cidadãos do continente para visitar Macau, Hong Kong e Taiwan como parte de um grupo turístico. De acordo com a GGR Asia, as novas regras vão afectar 7,8 milhões de pessoas que já pediram esse tipo de visto mas que necessitam regressar ao continente e ao lugar onde têm registada a sua área de residência, para obter este tipo de permissão de saída. As novas regras entram

31.8.2018 sexta-feira

Nos primeiros sete meses deste ano, dos 19,85 milhões de pessoas que visitaram Macau, cerca de 70 por cento, 13,9 milhões, eram provenientes da China continental, de acordo com o Serviço de Estatística e Censos. Durante o mesmo período, um total de 6,84 milhões de visitantes do continente vieram a Macau com uma autorização IVS, um número que cresceu cerca de 13 por cento comparado com igual período no ano anterior. De Janeiro a Junho, mais de 3,3 milhões de chineses do continente visitaram Macau através de pacotes turísticos, o que representou um aumento de 13,8 por cento em relação ao ano anterior, de acordo com os últimos dados oficiais disponíveis. Cerca de um terço faziam parte da vizinha província de Guangdong, Até 2003, os vistos para entrar em Macau e Hong Kong só podiam ser de grupo. Com a criação do IVS, em Julho daquele ano, apesar de estarem incluídos em excursões, os residentes do continente passaram a poder vir a Macau com visto individual. Inicialmente, a medida foi apenas aplicada a residentes de algumas cidades de Guandong, mas ainda no mesmo ano foi alargada a Pequim, Xangai e outras regiões. S.M.M. com A.S.S.

info@hojemacau.com.mo

A

PURAMENTO de responsabilidades. Esta é a solicitação do deputado Pereira Coutinho numa carta endereçada ao gabinete da secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, após o arrasador relatório do Comissariado de Auditoria sobre a implementação do Governo electrónico por parte dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP). Neste sentido, o deputado sugere à secretária para a Administração e Justiça

Quem se chega à frente

Coutinho pede responsabilidades para fracasso do Governo electrónico

que, como entidade tutelar, proponha ao Chefe do Executivo “uma sindicância aos SAFP para “averiguar o funcionamento geral” daquele serviço público. O relatório revela “graves falhas de gestão, falta de responsabilidade e – mais grave – uma cultura interna de desonestidade e pouco fiável”, realça na missiva,

também enviada ontem às redacções, na qual cita excertos do documento divulgado na semana passada. “As situações relatadas e outras constantes no dito relatório são graves e um péssimo exemplo para todos os serviços públicos que, doravante, poderão escusar-se de assumir responsabilidades de má gestão

e desonestidade se o Governo agir com ‘um peso, duas medidas’”, escreveu Pereira Coutinho. O relatório do Comissariado de Auditoria aponta que os SAFP fracassaram na implementação do Governo electrónico, projecto no qual foram investidos mais de 230 milhões de patacas entre 2011 e 2016.

Além das falhas detectadas, como nem sequer fazer ideia em que fase se encontra a implementação do Governo electrónico, o Comissariado de Auditoria teceu duras críticas à própria actuação dos SAFP, acusando o organismo, actualmente liderado por Eddie Kou, de falta de colaboração. “Durante a presente auditoria, a actuação dos SAFP não serviu de exemplo para a Administração Pública. Verificaram-se atrasos no fornecimento dos

documentos exigidos pela equipa de auditoria, tendo havido documentos que foram recebidos mais de meio ano após o pedido ser feito”, afirmou o Comissariado de Auditoria, sustentando que, enquanto serviço responsável pela Administração Pública, os SAFP deviam ser mais eficientes, honestos e fiáveis”. Diana do Mar

info@hojemacau.com.mo


política 5

sexta-feira 31.8.2018

Reciclagem, essa miragem

Macau tem um dos menores consumos domésticos per capita de água da região, de acordo com a DSAMA. Entretanto, o projecto de reciclagem de água para usos sanitários e de limpeza continua adiado porque o Governo tem outras prioridades

O

consumo per capita de água em Macau é inferior ao de algumas regiões vizinhas. A ideia é deixada pela Direcção de Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA), suportada pelos dados de consumo do ano passado. Em resposta a uma interpelação escrita do deputado Lam Lon Wai, que defende a implementação de medidas que promovam a poupança de água e a construção de uma estação de reciclagem, o Governo respondeu que “no ano de 2017, o consumo doméstico per capita em Macau foi de 157 litros, um número inferior ao de cidades vizinhas com Hong Kong, Cantão, Taipé, Tóquio e Seul”. No meio da ocupada agenda do Executivo, o projecto de água reciclada vai ter de aguardar por uma altura mais oportuna. A razão, aponta a DSAMA, é “a existência de numerosos projectos relacionados com a vida da população e que devem ser tratados prioritariamente pelo Governo”, lê-se no documento de resposta. Recorde-se que Lam Lon Wai questionou o Executivo acerca de medidas para poupar água, não só a nível privado, mas também tendo em conta quem mais consome em Macau, nomeadamente os serviços públicos e as empresas e projectos hoteleiros. O deputado defende que o dentro do volume de água consumido no território, “o peso da água para beber é reduzido” e que a maioria do consumo deste “bem precioso” destina-se a descargas sanitárias e limpezas. Esta finalidade, defende Lam,

Ho Ion Sang pede educação ambiental e taxas para resíduos

O

deputado Ho Ion Sang pede esclarecimentos ao Governo acerca do regime de cobranças de taxas para os resíduos urbanos. Ho recorda que nas acções definidas pelo Executivo para o planeamento e gestão de resíduos sólidos em Macau, que compreendem as estratégias a médio prazo (20202022) e a longo prazo (2023-2026), está mencionado, de forma “pouco clara”, o início da consulta pública sobre a cobrança de taxas e a criação do mesmo regime. No entanto, o mesmo plano que teve início em 2017 também ainda não mostrou qualquer efeito neste sentido. A par da ausência de medidas legislativas para aqueles que produzem mais resíduos sólidos, seguindo a lógica do “poluidor/pagador, o deputado condena ainda a falta de educação ambiental e os resultados estão à vista.

“No ano de 2017, o consumo doméstico per capita em Macau foi de 157 litros, um número inferior ao de cidades vizinhas com Hong Kong, Cantão, Taipé, Tóquio e Seul.” DSAMA

ESTATÍSTICAS REVELADORAS

ÁGUA MACAU COM BAIXA TAXA DE CONSUMO PER CAPITA

Pelo cano abaixo justifica a criação de um posto de reciclagem. No entanto, o Governo não partilha a mesma opinião.

HISTÓRIA REPETIDA

De acordo com a interpelação do deputado, o Plano de desenvolvimento de água reciclada esteve em consulta pública e o relatório foi divulgado em 2013. Segundo Lam, “as opiniões recolhidas, na sua maioria, reconhecem que a água reci-

clada contribui para elevar a rentabilidade do seu consumo e promover a implementação de políticas de poupança a longo prazo”. Na altura, o Governo afirmou que iria adoptar faseadamente medidas neste sentido. Mas, em Abril de 2015, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, revelou que as despesas de construção da estação de água reciclada seriam muito altas e que o resultado

em termos de água reutilizável “seria muito limitado”. Como tal, o secretário mostrou dúvidas se valeria a pena recorrer a esta opção para a descargas sanitárias. No mês seguinte, a DSAMA informou que o projecto para a reciclagem de água seria suspenso pelas mesmas razões que aponta agora, três anos depois. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

Segundo os dados estatísticos do Relatório do Estado do Ambiente de Macau de 2016, a quantidade

de resíduos sólidos recolhidos nesse ano totalizou as 583,8 mil toneladas. Per capita, a quantidade de resíduos sólidos urbanos atingiu os 2,11 quilos, “um valor muito superior ao registado em Pequim, Hong Kong, Tóquio, Singapura, União Europeia e Estados Unidos da América”, refere o deputado em interpelação oral. No que respeita à reciclagem destes resíduos, Macau tem uma taxa de 25 por cento, um número inferior aos 57 por cento de Taiwan e aos 34 por cento de Hong Kong. Ajustificação, considera, encontra-se na falta de informação dos residentes. Macau tem dispositivos de recolha de lixo para reciclar desde 1999, mas os resultados são ainda muito pouco visíveis. “Muitos cidadãos não conhecem a forma correcta de recolha classificada dos resíduos e alguns ecopontos têm sido considerados como depósitos de lixo normais. Muitos deitam no ecoponto as embalagens ainda com bebida ou água”. Para Ho Ion Sang, esta situação apenas revela que a “educação sobre protecção ambiental é um fracasso”. S.M.M.

Turismo Pedida promoção do Pátio da Eterna Felicidade

O deputado Ho Ion Sang quer que o Governo promova o Pátio da Eterna Felicidade como local de referência turística. O legislador considera que a área tem características próprias, nomeadamente em termos arquitectónicos, que devem ser usadas para atrair a visita de turistas e residentes. De acordo com Ho, nem os residentes têm noção da importância histórica do local. Por outro lado, há que dar relevo aos 13 imóveis ali situados que, de acordo com o Governo, vão ser utilizados em actividades de cariz educacional, cultural e artístico.


6 publicidade

31.8.2018 sexta-feira

Último aviso de remoção dos veículos abandonados Companhia de Gestão Imobiliária Rainbow, Limitada (doravante “Rainbow”), na qualidade de entidade gestora do auto-silo na cave do Campo dos Operários nas Portas do Cerco, vem, na sequência dos avisos anteriormente publicados e, pela última vez, avisar todos os proprietários e eventuais interessados nos veículos abaixo identificados e que permanecem ilegalmente estacionados, desde 24 de Agosto de 2017, na cave do referido auto-silo, que após o decurso do prazo de 20 dias contados a partir da data de publicação deste aviso, fará seus os referidos veículos nos termos do art. 1247.º, n.º 3, do Código Civil, e irá, sem mais qualquer aviso, proceder à remoção e posterior abate desses veículos abandonados na cave do referido auto silo, reservando o direito de, contra os referidos proprietários, reclamar judicialmente todas as despesas resultantes da sua remoção e, bem assim, de todos os prejuízos e lucros cessantes que a situação acima referida lhe causou. Números das chapas de matrícula dos veículos: MG-22-75 MH-27-13 MH-44-71 MH-61-29 MH-75-37 MH-79-84 MH-80-38 MH-91-53 MH-96-45 MH-98-12 MI-19-14 MI-28-03 MI-62-18 MI-62-83 MI-63-28 MI-66-32 MI-77-46 MI-90-97 MJ-19-60 MJ-24-18 MJ-26-83 MJ-41-18 MJ-57-02 MJ-67-86 MJ-70-92 MJ-79-83 MJ-91-65 MJ-93-98 MJ-95-21 MK-11-05 MK-31-10 MK-77-57 MK-79-84 MK-83-07 MK-83-16 ML-27-00 ML-27-31 ML-35-58 ML-36-80 ML-43-31 ML-49-45 ML-49-68 ML-58-43 ML-64-57 ML-66-35 ML-76-22 MM-39-45 MM-41-88 MM-52-42 MM-61-70 MN-27-78 MN-34-41 MN-35-41 MN-99-35 MO-57-04 MO-65-06 MO-94-45 MP-13-65 MP-38-65 MP-57-27 MP-66-35 MP-87-71 MP-91-48 MQ-30-86 MQ-60-28 MQ-69-16 MR-27-97 MR-86-10 MS-37-05 MS-65-56 MS-99-97 MT-45-30 MT-55-79 MT-58-46 MT-64-95 MT-87-45 MT-94-14 MU-38-25 MU-56-36 MU-63-46 MU-69-92 MW-42-52 粵Z4736澳 Para consultas, poderão telefonar para: 2843 8985. Macau, 31 de Agosto de 2018

EDITAL Edital n.º :23/E-OI/2018 Processo n.º :795/OI/2015/F Assunto :Demolição de obra não autorizada pela infracção às disposições do Regulamento Geral de Construção Urbana (RGCU) Local :Rua de Coimbra n.º 148, EDF. Prince Flower City (Lai Leong Kok), Bloco 2, parte do terraço sobrejacente à fracção 42.º andar G, Taipa. Li Canfeng, Director da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), faz saber que ficam notificados o dono da obra ou seu mandatário e os utentes do local acima indicado, cujas identidades se desconhecem, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado realizou-se a obra não autorizada abaixo indicada, a qual infringiu o disposto no n.º 1 do artigo 3.º do Decreto-Lei n.º 79/85/M (RGCU) de 21 de Agosto, alterado pela Lei n.º 6/99/M de 17 de Dezembro e pelo Regulamento Administrativo n.º 24/2009 de 3 de Agosto, pelo que a mesma é considerada ilegal: Obra 1.1 Instalação de tubos de abastecimento de água e de drenagem de água. 2.

3.

4.

5. 6. 7.

De acordo com os artigos 93.º e 94.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, foi realizada, no seguimento de notificação por edital publicado nos jornais em língua chinesa e em língua portuguesa de 19 de Abril de 2017, a audiência escrita dos interessados, mas não foram carreados para o procedimento elementos ou argumentos de facto e de direito que pudessem conduzir à alteração do sentido da decisão de ordenar a demolição da obra não autorizada acima indicada. Assim, nos termos do artigo 52.º do RGCU, por despacho de 09 de Agosto de 2018, exarado sobre a informação n.º 03326/ DURDEP/2018, ordena ao dono da obra ou seu mandatário que proceda, por sua iniciativa, no prazo de 15 dias contados a partir da data da publicação do presente edital, à demolição da obra acima indicada e à reposição do local afectado, devendo, para o efeito e com antecedência, apresentar nesta DSSOPT o pedido de demolição da obra ilegal, cujos trabalhos só podem ser realizados depois da sua aprovação. A conclusão dos referidos trabalhos deverá ser comunicada à DSSOPT para efeitos de vistoria. Findo o prazo estipulado, não será aceite o pedido de demolição. De acordo com o n.º 2 do artigo 139.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se ainda que nos termos do artigo 56.º do RGCU, findo o prazo referido, a DSSOPT, em conjunto com outros serviços públicos e com a colaboração do Corpo de Polícia de Segurança Pública, procederá à execução dos trabalhos acima referidos, sendo as despesas suportadas pelos infractores, sem prejuízo da aplicação de multas ao abrigo das leis aplicáveis e da eventual responsabilidade civil ou criminal a imputar aos mesmos. Além disso, findo o prazo da demolição e da desocupação voluntárias, a DSSOPT dará início aos respectivos trabalhos, os quais, uma vez iniciados, não podem ser cancelados. Os materiais e equipamentos deixados no local acima indicado ficam aí depositados à guarda de um depositário a nomear pela Administração. Findo o prazo de 15 (quinze) dias a contar da data do depósito e caso os bens não tenham sido levantados, consideram-se os mesmos abandonados e perdidos a favor do governo da RAEM, por força da aplicação do artigo 30.º do Decreto-Lei n.º 6/93/M, de 15 de Fevereiro. Nos termos do n.º 1 do artigo 65.º do RGCU, os infractores são sancionáveis com multa de $1 000,00 a $20 000,00 patacas. Nos termos dos artigos 145.º e 149.º do Código do Procedimento Administrativo, os interessados podem apresentar reclamação no prazo de 15 (quinze) dias contados a partir da data da notificação. Nos termos do n.º 1 do artigo 59.º do RGCU, da decisão referida no ponto 3 do presente edital cabe recurso hierárquico necessário para o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a interpor no prazo de 15 dias contados a partir da data da notificação.

RAEM, 09 de Agosto de 2018

Companhia de Gestão Imobiliária Rainbow, Limitada

O Director dos Serviços Li Canfeng

EDITAL Edital n.º :81/E-BC/2018 Processo n.º :996/BC/2015/F Assunto :Demolição de obras não autorizadas pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Local :Rua de Coimbra n.º 148, EDF. Prince Flower City (Lai Leong Kok), Bloco 2, corredor comum em frente da fracção 42.º andar G e parte do terraço sobrejacente à mesma, Taipa. Li Canfeng, Director da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), faz saber que ficam notificados os donos das obras ou seus mandatários e os utentes dos locais acima indicados, cujas identidades se desconhecem, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que nos locais acima indicados realizaram-se as seguintes obras não autorizadas: Local 1.1 1.2 1.3 2.

3.

4.

5.

6.

Parte do terraço sobrejacente à fracção 42.º andar G Corredor comum em frente da fracção 42.º andar G Parte do terraço sobrejacente à fracção 42.º andar G

Obra Construção de um compartimento com paredes de vidro e cobertura de vidro. Instalação de um portão metálico Construção de um compartimento com suporte metálico e paredes em alvenaria de tijolo.

Infracção ao RSCI e motivo da demolição Infracção aos n.º 4 do artigo 10.º e n.º 3 do artigo 29.º, obstrução do caminho de evacuação e ocupação do piso de refúgio. Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de evacuação. Infracção aos n.º 4 do artigo 10.º e n.º 3 do artigo 29.º, obstrução do caminho de evacuação e ocupação do piso de refúgio.

De acordo com o n.º 1 do artigo 95.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M, de 9 de Junho, foi realizada, no seguimento de notificação por edital n.º 41/E-BC/2017 publicado nos jornais em língua chinesa e em língua portuguesa de 19 de Abril de 2017, a audiência escrita dos interessados, mas não foram carreados para o procedimento elementos ou argumentos de facto e de direito que pudessem conduzir à alteração do sentido da decisão de ordenar a demolição das obras não autorizadas acima indicadas. Sendo as escadas, corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI. E de acordo com o disposto no n.º 3 do artigo 29.º do RSCI, o terraço acima referido é considerado como piso de refúgio, em caso de incêndio, não sendo permitida a sua ocupação ilícita com elementos construtivos. As alterações introduzidas pelos infractores nos referidos espaços, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto caminhos de evacuação, piso de refúgio e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, nos termos do n.º 1 do artigo 88.º do RSCI e por despacho de 09 de Agosto de 2018 exarado sobre a informação n.º 03325/ DURDEP/2018, ordena aos donos das obras ou seus mandatários que procedam, por sua iniciativa, no prazo de 8 dias contados a partir da data de publicação do presente edital, à demolição das obras acima indicadas e à reposição dos locais afectados, bem como aos interessados e aos utentes que procedam à remoção de todos os materiais e equipamentos neles existentes e à respectiva desocupação, devendo, para o efeito e com antecedência, apresentar nesta DSSOPT o pedido de demolição das obras ilegais, cujos trabalhos só podem ser realizados depois da sua aprovação. A conclusão dos referidos trabalhos deverá ser comunicada à DSSOPT para efeitos de vistoria. Findo o prazo da demolição e da desocupação, não será aceite qualquer pedido de demolição das obras acima mencionadas. De acordo com o n.º 2 do artigo 139.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se ainda que nos termos dos n.os 1 e 2 do artigo 89.º do RSCI, findo o prazo referido, a DSSOPT, em conjunto com outros serviços públicos e com a colaboração do Corpo de Polícia de Segurança Pública, procederá à execução dos trabalhos acima referidos, sendo as despesas suportadas pelos infractores. Além disso, findo o prazo da demolição e da desocupação voluntárias, a DSSOPT dará início aos respectivos trabalhos, os quais, uma vez iniciados, não podem ser cancelados. Os materiais e equipamentos deixados nos locais acima indicados ficam aí depositados à guarda de um depositário a nomear pela Administração. Findo o prazo de 15 (quinze) dias a contar da data do depósito e caso os bens não tenham sido levantados, consideram-se os mesmos abandonados e perdidos a favor do governo da RAEM, por força da aplicação do artigo 30.º do DecretoLei n.º 6/93/M, de 15 de Fevereiro. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas, e nos termos do n.º 7 do mesmo artigo, a infracção ao disposto no n.º 3 do artigo 29.º, é sancionável com multa de $2 000,00 a $20 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração ou de segurança do edifício. Nos termos do n.º 1 do artigo 97.º do RSCI, da decisão referida no ponto 3 do presente edital cabe recurso hierárquico necessário para o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a interpor no prazo de 8 (oito) dias contados a partir da data da publicação do presente edital.

RAEM, 09 de Agosto de 2018 O Director dos Serviços

Li Canfeng


sociedade 7

sexta-feira 31.8.2018

Crime Vinte residentes enganados por fraude com cartão de crédito

A Polícia Judiciária (PJ) recebeu denúncias de 20 residentes na sequência de um caso da fraude com cartão de crédito. As vítimas alegam ter descoberto transacções feitas com o seu cartão de crédito sem o seu consentimento, que atingiram um valor total de 16 mil dólares americanos. De acordo com o Jornal do Cidadão, a investigação da PJ revela que o caso está relacionado com uma página turística em que as vítimas utilizaram o seu cartão de crédito para fazer compras de aplicações de telemóvel e bilhetes de avião. A PJ está a dar seguimento ao caso.

O número de turistas que chega a Macau em excursões diminuiu 3,3 por cento em Julho, quando comparado com os dados relativos ao mesmo mês do ano passado, revelaram ontem os Serviços de Estatística e Censos (DSEC). No entanto, em termos mensais, os excursionistas aumentaram 14 por cento, o que pode ser atribuído às férias de Verão. O número de excursionistas da China desceram em termos anuais, 7,5 por cento, enquanto os de Taiwan subiram 59,4 por cento. Até Julho, vieram a Macau 5 milhões de turistas em excursões, mais 10,7 por cento em comparação com igual período do ano passado.

Ponte Y Concessionárias estudam serviço de shuttle

As operadoras do sector do jogo estão a planear a criação de um serviço comum de shuttle bus para a Ilha transfronteiriça da ponte Hong Kong- Zhuhai-Macau, de acordo com o canal de rádio da TDM. A informação foi avançada pelos Serviços de Tráfego, numa resposta a uma interpelação escrita da deputada Ella Lei. A Ou Mun Tin Toi diz que o serviço pode vir a fazer-se entre a ilha que vai ligar Macau à nova ponte e os Terminais Marítimos do Porto Exterior e da Taipa.

POLUIÇÃO ENTREGUE PETIÇÃO COM 4.700 ASSINATURAS CONTRA PLÁSTICO DESCARTÁVEL

Sem saco para plástico

Foi entregue ontem a petição com 4.700 assinaturas a exigir medidas para banir o uso de plástico descartável. Os promotores da iniciativa querem agora que o Governo responda publicamente até 13 de Setembro

A

petição, posta a circular há duas semanas, a pedir medidas para acabar com o uso excessivo de plástico em Macau, recolheu 4.700 assinaturas. A missiva foi entregue ontem na sede do Governo, com os promotores da iniciativa a exigir respostas concretas e em público até ao próximo dia 13 de Setembro. “Queremos que o Governo responda à petição dentro de duas semanas, antes de 13 de Setembro, em público, numa conferência de imprensa”, afirmou Annie Lao, uma das promotoras da iniciativa. “É um assunto muito urgente, por isso, queremos que o Governo responda de uma forma adequada. É muito importante que nos dê uma resposta e um calendário”, complementou, rejeitando a hipótese de um encontro privado. “Nós criamos muito lixo”, a maior parte de plástico, que “é tóxico para a saúde e ambiente”, sublinhou Annie Lao, qualificando de “chocante” a quantidade de resíduos sólidos urbanos descartados por dia ‘per capita’ em Macau: 2,16 quilogramas em 2017. Um valor que, como notou, é bastante mais elevado do que em regiões vizinhas. “Muitos países têm falado sobre isto e tomado

medidas”, mas “Macau não está a fazer nada”, lamentou a mesma responsável. Dado o “impressionante” uso excessivo de plástico em Macau,Annie Lao entende que “a única solução” passa pela intervenção do Governo. Os promotores da iniciativa defendem, em concreto, legislação para banir o uso de plástico descartável e a cobrança de taxas, de modo a levar os residentes a procurar alternativas amigas do ambiente. Annie Lao não avançou eventuais valores, apenas apontou que devem ser “capazes de convencer”, advertindo, porém, que

se a taxa for demasiado baixa pode não surtir efeito. “O Governo tem de explicar o objectivo e os benefícios da taxa que visa “tornar Macau mais sustentável”.

ESCOLHAS VERDES

Annie Lao reconhece que “a responsabilidade social é de todos” e que “tem de ser levada a sério”, mas que, para tal, o papel do Executivo é fundamental: “O Governo precisa de nos dar opções para termos zero plástico nas nossas vidas”. Existem alternativas ao plástico em Macau, mas Annie Lao

HOJE MACAU

Turismo Excursionistas diminuíram 3,3 por cento em Julho

Annie Lao, promotora da petição contra o plástico “Macau não está a fazer nada”

entende que “não estão ainda amplamente disponíveis”, pelo que “o Governo deve ajudar indivíduos e empresas a providenciar este tipo de escolha”. Em paralelo, dado que “os materiais biodegradáveis são mais caros”, Annie Lao defende incentivos, chamando ainda a atenção para a importância de “instalações para os reciclar porque, caso contrário, vão parar à incineradora e é inútil”.

A CONSCIÊNCIA NECESSÁRIA

Outra vertente essencial é a sensibilização para o problema. “A educação também é importante para elevar a consciencialização relativamente à poluição causada pelo plástico”, complementou a mesma responsável, sinalizando atitudes positivas tanto por parte de indivíduos como de empresas. “As pessoas levam sacos reutilizáveis para o supermercado, recipientes [como termos] para o café e “também vejo alguns estabelecimentos que não facultam palhinhas de plástico a menos que seja pedida”, exemplificou. A petição, disponível na plataforma change.org, vai continuar ‘online’ pelo menos até que o Governo responda, indicou. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo


8 publicidade

31.8.2018 sexta-feira


sociedade 9

sexta-feira 31.8.2018

TRÂNSITO IACM QUER SUBSTITUIR PAVIMENTO DAS PRINCIPAIS ARTÉRIAS

A

Avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida pode vir a ser utilizada para um projecto piloto de repavimentação. A vontade é expressa pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) em resposta a uma interpelação do deputado Leong Sun Iok acerca do mau estado das estradas do território. De acordo com o IACM, o projecto piloto consistirá na substituição faseada do pavimento betuminoso por pavimento de betão armado. O objectivo, afirma o documento assinado por José Tavares, presidente do Conselho de Administração do IACM, é promover a durabilidade do pavimento e “se os resultados forem notáveis”, o organismo tenciona alargar a medida às “restantes vias principais de trânsito”. Em causa, está a constatação de que as vias de Macau estão a ser afectadas dado o pavimento betuminoso não conseguir aguentar a pressão crescente do trânsito. “Com o acelerado desenvolvimento de Macau e o crescimento rápido do número de veículos a circular nas ruas tem vindo a aumentar a pressão sobre o pavimento”, lê-se. As estradas apresentam agora “danos de fadiga por sobrecarga de trânsito a longo prazo e até na fundação dos pavimentos já surgem fendas”, justifica o IACM. O processo de repavimentação inclui uma fiscalização apertada e “in loco”, diz o IACM, “para garantir que os procedimentos e a qualidade correspondam aos requisitos”. S.M.M.

E

STÁ a ser equacionada a hipótese de construir um segundo gasoduto. A informação foi avançada pelo coordenador do Gabinete para o Desenvolvimento do Sector Energético (GDSE), em resposta a uma interpelação escrita de Au Kam San. “Devido ao facto de Macau dispor, até ao momento, apenas de um único gasoduto para o fornecimento de gás proveniente da Ilha da Montanha, o Governo da RAEM e a concessionária têm vindo a estudar a possibilidade de construção de um segundo gasoduto como solução alternativa”, afirmou Hoi Chi Leong. A hipótese foi levantada depois de o deputado pró-democrata ter questionado o Executivo sobre medidas para garantir o fornecimento estável do gás natural a ser usado pela nova central da Companhia de Electricidade de Macau (CEM), em Coloane, que deve entrar em funcionamento dentro de dois anos. Isto depois de recordar que, após um período de instabilidade, o fornecimento de gás natural

GÁS NATURAL GOVERNO EQUACIONA CONSTRUÇÃO DE SEGUNDO GASODUTO

Segunda via Governo e Sinosky estudam possibilidade de segundo gasoduto para garantir estabilidade do fornecimento de gás natural para a produção de electricidade para produção de electricidade foi mesmo suspenso, em 2011. A Sinosky, concessionária do serviço público de importação e transporte de gás natural, apenas o retomou em Março do ano passado. Na resposta ao deputado sobre a capacidade de produção da nova central a gás natural, o coordenador do GDSE indicou que, à luz das estimativas, o pico do consumo em

2021 será na ordem de 1200 megawatts (MW), pelo que os novos geradores a gás natural vão poder satisfazer, “em situações normais”, 30 por cento da energia eléctrica. A CEM está a avaliar as propostas relativas ao projecto das novas unidades de geradores a gás natural, “prevendo-se que a adjudicação seja concluída ainda este ano”, indicou o GDSE,

Ensino Ano lectivo arranca com 80.556 alunos de acordo com dados oficiais

É já amanhã que arranca oficialmente o ano lectivo. Setenta escolas preparam-se para abrir as portas a 80.556 alunos, cujo universo aumentou pelo quinto ano consecutivo. Segundo dados preliminares facultados pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) ao HM, o número de estudantes tem vindo a aumentar desde 2013/14. Face ao ano lectivo anterior (2017/18) a subida foi de 1,9 por cento ou de 1.464 estudantes. Igual aumento sofreu o corpo docente, com a DSEJ a estimar em

7.751 o número total de professores no arranque do novo ano escolar, ou seja, mais 145 do que no transacto. O ano lectivo 2018/19 arranca faseadamente. Segundo o calendário, em grande parte das instituições de ensino as aulas têm início amanhã e na segunda-feira, com as últimas escolas a abrirem portas no próximo dia 14 de Setembro. Na Escola Portuguesa e no Jardim de Infância D. José da Costa Nunes o novo ano lectivo tem início na próxima quarta-feira, dia 5.

apontando que a capacidade de geração de electricidade local poderá aumentar mais de 400 MW, mas que apenas será determinada em concreto de acordo com os resultados do concurso.

CASOS URGENTES

Relativamente às situações de emergência, como passagem de tufões, o GDSE explicou que o conjunto dos geradores locais pode satisfazer 50 por cento da energia eléctrica, se os geradores a diesel, de reserva, estiverem activados para o efeito (cuja capacidade de produção de energia é de 200 MW). “Além disso, o Governo da RAEM, em conjunto, com a China Southern Power Grid, encontra-se a estudar a possibilidade do uso da central térmica da região vizinha para servir de fonte de fornecimento de energia de reserva de Macau em situações de emergência, como forma de garantir o fornecimento de electricidade a Macau em casos de emergência a longo prazo”, adiantou. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo


10 eventos

31.8.2018 sexta-feira

Chapas Sínicas expostas na Universidade de Macau

A

exposição relativa às Chapas Sínicas vai estender-se à Galeria Universitária da Universidade de Macau (UM) a partir da próxima quarta-feira, dia 5 de Setembro, prolongando-se até ao dia 31 de Outubro. Esta extensão faz parte da segunda fase da exposição, que permanece até 7 de Dezembro no Arquivo de Macau. Em simultâneo, a mostra estará também no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa. De acordo com um

comunicado, a exposição patente na UM contém peças documentais que estiveram presentes na primeira fase. Na quarta-feira, dia 5, decorre uma palestra intitulada “Boya Lecture”, que conta com organização da biblioteca da UM e que está marcada para as 14h30. Esta palestra será proferida por Lau Fong, directora do Arquivo de Macau, e focar-se-á nos registos das “Chapas Sínicas” e no processo de inscrição da colecção no Registo da Memória do

Mundo, explica o Instituto Cultural (IC). A palestra será em cantonense e terá entrada gratuita. “Chapas Sínicas” é um fundo documental que inclui os registos de Macau durante a dinastia Qing. Preservado no Arquivo Nacional da Torre do Tombo de Portugal, esta colecção é composta por mais de 3600 documentos, incluindo cartas oficiais escritas em chinês, as cópias traduzidas para português e outros documentos diversos. A colecção foi intitulada “Registos Oficiais de Macau Durante a Dinastia Qing (1693-1886)”, aquando da sua nomeação para o Registo da Memória do Mundo. Procedeu-se à sua inscrição no Registo da Memória do Mundo para a Ásia-Pacífico, em 2016, e no Registo da Memória do Mundo, em 2017. Os registos reflectem as condições da sociedade, a vida das pessoas, o desenvolvimento urbano e as actividades comerciais, entre muitos outros aspectos, do quotidiano de Macau, durante a dinastia Qing. Além disso, esta vasta documentação conta histórias que ocorreram em Macau e que são de grande relevância para melhor compreender o papel que Macau desempenhou para a China e para Portugal, assim como para as relações sino-portuguesas em diferentes momentos da história mundial. A extensão da exposição “Chapas Sínicas – Histórias de Macau na Torre do Tombo” estará aberta ao público, diariamente, das 9h00 às 18h00 na Galeria da Universidade (E1), na Taipa. A entrada é gratuita.

Cinema Autobiografia de David Lynch lançada em Portugal em Outubro

O livro “Espaço para sonhar” ("Room to dream"), autobiografia do realizador e artista visual norte-americano David Lynch, chega às livrarias portuguesas em Outubro, coassinado pela jornalista Kristine McKenna, com cerca de 500 páginas e 30 fotografias, muitas delas inéditas, revelou a editora 2020, responsável pela chancela Elsinore. Segundo a editora, este “é um livro fundamental que possibilita a oportunidade única de se ter acesso total à vida e mente de um dos artistas mais

enigmáticos e profundamente originais do nosso tempo”. As reflexões de Lynch, “poéticas, íntimas e francas, ecoam nas secções biográficas escritas por Kristine McKenna, sua colaboradora próxima, baseadas em mais de uma centena de entrevistas inéditas com familiares e pessoas mais próximas do autor, incluindo ex-mulheres surpreendentemente directas, actores, agentes, músicos e colegas em áreas variadas, cada um revelando a sua própria versão dos acontecimentos”, adianta a editora.

Encontros

ARTES PLÁSTICAS 3ª MOSTRA ORIENTE/OCIDENTE ACONTECE EM SE

A 8º edição da C.A.M. Casino Arts Metting de Setembro no Casino Lisboa. Este ano, o fotográfico de António Mil-Homens

ANTÓNIO MIL-HOMENS

Mostrar o passado ao futuro

António Mil-Homens

CINEMA TRÊS FILMES PORTUGUESES NO FESTIVAL DE NOVA IORQUE

T

RÊS filmes portugueses, entre os quais "Diamantino", de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, integram em Setembro o 56º. Festival de Cinema de Nova Iorque, segundo a programação. Distinguido em Maio com o Grande Prémio da Semana da Crítica de Cannes, "Diamantino" é a primeira longa-metragem de ficção de Gabriel Abrantes e Daniel

Schmidt, com interpretação de Carloto Cotta no papel de uma "superestrela do futebol mundial, cuja carreira cai em desgraça". O filme - que che-

gará aos cinemas portugueses em Novembro - será exibido no Festival de Cinema de Nova Iorque, na abertura da secção "Projections", destinada a filmes mais inovadores, experimentais e que cruzem práticas cinematográficas. Nesta mesma secção serão também exibidas a curta-metragem experimental "Sombra Luminosa", de Francisco Queimadela e

Mariana Caló, e "Rei Sol", longa-metragem do realizador Albert Serra coproduzida por Portugal e rodada em Lisboa. No programa de curtas estará "Anteu", de João Vladimiro, que teve estreia em Julho no festival de Vila do Conde. O 56º. Festival de Cinema de Nova Iorque, não competitivo, decorrerá de 28 de Setembro a 14 de Outubro.


eventos 11

sexta-feira 31.8.2018

s no Casino Lisboa

ETEMBRO

g e a 3ª Mostra de Artes Oriente Ocidente vai ter lugar no próximo dia 20 o cartaz do evento tem em destaque a mostra “Bicicletas de Macau”, um trabalho

O

fotógrafo local António Mil-Homens vai apresentar em Lisboa os trabalhos que constituem a colecção titulada "Bicicletas de Macau".Aexposição é inaugurada a 12 de Setembro e vai ainda integrar a mostra alargada de artes plásticas C.A.M. Casino Arts Metting, 3ª Mostra de Artes Oriente Ocidente, uma iniciativa da Plataforma PUB

UNITYGATE - Pontes interculturais Oriente Ocidente que, nesta sua 8ª edição se realiza a 20 de Setembro na Galeria do Casino Lisboa. A presença do fotógrafo vai, de acordo com um comunicado oficial, subli-

nhar a interdisciplinaridade do evento e contribuir para a sua internacionalização.

CRUZAMENTOS ARTÍSTICOS

Segundo a organização, o C.A.M. tem como objectivo a

A UNYGATE “dá continuidade ao trabalho de intercâmbio cultural que a plataforma tem vindo a desenvolver”

promoção de uma “visão interdisciplinar através da promoção da arte, das relações culturais sino lusas, do incentivo a artistas emergentes” e do cruzamento artístico entre várias áreas. Desta forma, a UNYGATE “dá continuidade ao trabalho de intercâmbio cultural que a plataforma tem vindo a desenvolver”, lê-se no comunicado da organização do evento. Neste sentido, a UNYGATE está

actualmente a receber trabalhos em várias áreas para participarem no evento e poderem ser seleccionados para o concurso que a C.A.M. vai proporcionar. Os interessados com mais de 18 anos podem enviar os seus projectos, sendo que o tema tem que estar ligado ao conceito do evento ou seja, à dicotomia oriente/ocidente. Depois de seleccionadas, as propostas vão ser exibidas

na C.A.M. onde podem ser colocadas à venda e sujeitas a concurso. O C.A.M. inclui a atribuição de três prémios monetários de 600, 400 e 250 euros para os 1ª, 2ª e 3ª lugar respectivamente. A curadoria do evento vai estar a cargo de Ana Catarino e Ana Battaglia Abreu. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


12 china

31.8.2018 sexta-feira

DIREITOS HUMANOS LEGISLADORES AMERICANOS PEDEM SANÇÕES A QUADROS CHINESES

Em casa de ferreiro

O

grupo enviou uma carta ao secretário de Estado, Mike Pompeo, e ao secretário do Tesouro, Steve Mnuchin, apelando a sanções, em resposta à "contínua crise de direitos humanos" na região chinesa do Xinjiang. Após ataques cometidos por separatistas muçulmanos na região, centenas de milhares de membros da minoria étnica chinesa de origem muçulmana uigur foram arbitrariamente detidos em campos de doutrinação política, onde são forçados a criticar o islão e a sua própria cultura, e a jurar lealdade ao Partido Comunista Chinês (PCC), segundo vários testemunhos citados pela imprensa. A carta foi assinada pelo senador republicano Marco Rubio e o congressista Chris Smith, entre outros. O documento destaca o secretário do PCC no Xinjiang, Chen Quanguo, que é visto como responsável por converter a região num estado

policial e implementar o sistema de internamento em campos, onde "uigures são presos durante meses sem julgamento". "A detenção de um milhão ou mais de uigures, e membros de outras etnias predominantemente muçulmanas, em centros ou campos de reeducação política' requere uma resposta global especifica e dura", lê-se no documento. As detenções podem ocorrer sob acusações como aceder a portais estrangeiros ou contactar familiares além-fronteiras.

DEBAIXO DE OLHO

Outras políticas repressivas noticiadas pela imprensa incluem um sistema de ampla vigilância digital, destacamento maciço de polícia e regulações contra costumes e trajes religiosos. A China nega a existência de campos de internamento, mas insiste que são necessárias medidas

duras para punir separatistas e extremistas religiosos na região, que concentra mais de 10 milhões de muçulmanos. Activistas uigures afirmam que a repressão serve apenas para alimentar as tensões. Em 2009, a capital do Xinjiang, Urumqi, foi palco dos mais violen-

O documento destaca o secretário do PCC no Xinjiang, Chen Quanguo, que é visto como responsável por converter a região num estado policial e implementar o sistema de internamento em campos

tos conflitos étnicos registados nas últimas décadas na China, entre os uigures e a maioria han, predominante em cargos de poder político e empresarial regional. No entanto, os episódios de violência são cada vez mais escassos e nunca houve um protesto em larga escala, capaz de ameaçar a autoridade de Pequim na região. Outros altos quadros chineses identificados no documento são Hu Xiaodi, delegado chinês para o Conselho dos Direitos Humanos da ONU, o vice-secretário do PCC no Xinjiang, Shohret Zakir, e o director da Comissão Política e Jurídica do Xinjiang, Zhu Hailun. A carta refere ainda duas empresas, a Hikvision e a Dahua Technology, ambos fabricantes de tecnologia para sistemas de videovigilância, usados no Xinjiang para controlar os movimentos da população.

KEVIN FRAYER, GETTY IMAGES

Um grupo de legisladores norteamericanos apelou à Casa Branca para que imponha sanções, incluindo congelamento de bens e recusa na emissão de vistos, a funcionários e empresas chinesas relacionados com políticas repressivas no noroeste da China

M jornal de Hong Kong relatou ontem vários casos de agressões sexuais a passageiras por parte de condutores da aplicação de transporte privado chinesa Didi, depois de o assassinato de uma mulher de 20 anos. O South China Morning Post escreve que recolheu pelo menos uma dezena de casos

de agressão sexual envolvendo motoristas, ocorridos nos últimos três anos e meio, e que resultaram em punições judiciais. A segurança do Didi, plataforma equivalente à Uber, tem sido questionada pelas autoridades, depois da segunda morte, no espaço de três meses. Na

A

China é o país do mundo com mais mortes relacionadas com o consumo de álcool, entre ambos homens e mulheres, com o total de óbitos a superar os 700 mil, segundo uma publicação médica. Em 2016, morreram na China 650 mil homens e 59 mil mulheres devido ao consumo de álcool, revela um estudo publicado na revista médica "The Lancet". O AVC hemorrágico, causado pelo rompimento de uma artéria cerebral, é a principal causa de morte devido ao álcool, entre os homens chineses. Outras doenças relacionadas com o consumo de bebidas alcoólicas incluem AVC isquémico, que é a falta de sangue numa região do cérebro, hipertensão ou epilepsia. O estudo estima que um em cada três habitantes do planeta é consumidor de álcool e que, todos os anos, há cerca de 2,8 milhões de mortes devido ao álcool. A nível global, o consumo ocupa o primeiro lugar nos factores de risco de morte prematura e doença, entre população com idades compreendidas entre os 15 e os 49 anos. O artigo conclui que tomar uma bebida alcoólica por dia aumenta, por ano, em 0,5 por cento, o risco de padecer de um problema de saúde, o que "põe fim ao mito de que uma pequena quantidade de álcool por dia pode ser benéfica".

Hong Kong Professor acusado de matar mulher

CRIME REVELADOS CASOS DE AGRESSÃO SEXUAL POR CONDUTORES DA DIDI

U

SAÚDE CHINA É O PAÍS COM MAIS MORTES DEVIDO AO CONSUMO DE ÁLCOOL

semana passada, uma mulher de 20 anos foi violada e assassinada pelo condutor, durante uma viagem num carro privado, solicitado através do Didi, na cidade de Wenzhou, leste da China. Em Maio passado, um caso semelhante resultou no assassinato de uma hospedeira de bordo chinesa,

de 21 anos, em Zhengzhou, centro da China. Na rede social Weibo, o Twitter chinês, o fundador e director executivo do Didi, Liu Qing, assegurou na quarta-feira que a empresa dará prioridade à segurança dos passageiros, em detrimento dos lucros e expansão do grupo. As au-

toridades chinesas deram à empresa uma semana para apresentar um plano aos reguladores, que rectifique os lapsos segurança da plataforma, segundo um comunicado do ministério chinês dos Transportes.

Um professor de Hong Kong foi acusado na quarta-feira de assassinar a mulher, um dia depois de ter sido encontrado o corpo em decomposição numa mala no seu escritório nas instalações da universidade, noticiou ontem a imprensa. O professor associado de engenharia mecânica da Universidade de Hong Kong, Cheung Kie-chung, foi detido pela polícia na terça-feira, de acordo com o South China Morning Post. Os investigadores acreditam que a morte da mulher ocorreu há vários dias. O corpo foi descoberto na terça-feira, vestido apenas com roupa interior. Marcas no pescoço sugerem que terá sido estrangulada, informou o jornal Straits Times, de Singapura. O South China Morning Post adiantou que as autoridades estão a realizar exames para determinar a causa exacta da morte.


região 13

sexta-feira 31.8.2018

“E

FALAR PORTUGUÊS

REUTERS

Lu-Olo destacou em particular a renovada discussão “em torno da língua no currículo escolar”, em

TIMOR-LESTE PRESIDENTE DEFENDE REFORÇO DA IDENTIDADE NACIONAL

Ser timorense

O Presidente de Timor-Leste defendeu ontem, no 19.º aniversário do referendo da independência, uma reflexão sobre o programa de educação cívica que deve ser adoptado para reforçar a identidade nacional, “que se tem vindo a perder” REUTERS

NCORAJO as instituições relevantes a reunir com professores, famílias, grupos comunitários e religiosos para debater o tipo de programa de educação cívica que é necessário para as nossas crianças, começando pela família, passando pelo pré-escolar e etapas seguintes, e a nível comunitário”, disse Francisco Guterres Lu-Olo, numa mensagem à nação. “Através deste programa, as nossas crianças aprenderão desde cedo os princípios e valores que nos caracterizam como povo com identidade própria. Uma identidade que se formou com os nossos antepassados e foi reforçada pelo contacto com outros povos e outros países”, sublinhou. A recomendação foi deixada por Francisco Guterres Lu-Olo numa mensagem em que relembrou o “grande e profundo significado histórico” do 30 de Agosto de 1999 quando, depois de uma luta de 24 anos contra a ocupação indonésia, os timorenses puderam votar pela sua independência. Mais de 98 por cento dos eleitores timorenses votaram no referendo de 30 de Agosto de 1999, tendo 78,5 por cento optado pela independência, que seria restaurada formalmente a 20 de Maio de 2002. Agora, disse, importa recuperar o sentido de identidade timorense que “foi a âncora da nossa unidade nacional durante a luta pela libertação nacional” e que “pode começar a desmoronar-se se não houver diálogo sobre como construir o país para as gerações futuras”. “O que precisamos de preservar, agora que somos independentes? De que forma podemos integrar os valores cristãos e os valores da crença animista? Que língua devemos adoptar, que sirva de vínculo nacional para nós, como povo? Que princípios e valores queremos cultivar para as novas gerações?”, questionou.

anualmente, financiadas com dinheiro do seu próprio bolso, sem nunca pedirem nada em troca”, sublinhou. Uma luta que, entre os timorenses, se fez em três frentes - a armada, a clandestina e a externa - demonstrando a “capacidade e determinação em alcançar a independência” da sociedade timorense. Lu-Olo aproveitou a sua mensagem para recordar Kofi Annan, o ex-secretário-geral da ONU e Sérgio Vieira de Mello, o administrador transitório das Nações Unidas em Timor-Leste - que se mantiveram “empenhados” em apoiar os esforços de tornar o “sonho da independência em realidade”.

LUTAR PELA VIDA

particular sobre as medidas necessárias para o reforço do português no país. “Tendo em conta que a língua portuguesa, como língua da resistência, é um elemento importante para a nossa identidade e unidade nacional, que nos permite adquirir conhecimento científico e avançar no caminho do desenvolvimento de forma mais rápida, peço aos deputados e ao VIII Governo que reflictam calmamente sobre a forma como podemos usar esta língua oficial no nosso sistema de educação”, afirmou. Na sua mensagem, Lu-Olo disse que 30 de Agosto foi um

dia importante para Timor-Leste que resultou também da acção dos muitos que em todo o mundo apoiaram a luta pela independência timorense. “Este dia representa uma vitória para nós timorenses e para a comunidade internacional, assinalando uma fase difícil de luta que enfrentámos juntos.

Pessoas de todo o mundo, apesar de não nos conhecerem, pelo seu sentido de justiça e solidariedade humana, dedicaram-se à nossa luta pela libertação nacional”, disse. “Muitos insurgiram-se contra o seu próprio Governo, encorajando muitos outros a segui-los em campanhas que realizavam

“É importante percebermos que a nossa identidade única foi deixada como legado pelos nossos antepassados, influenciada pelos missionários católicos e pela colonização portuguesa durante 500 anos.” FRANCISCO GUTERRES LU-OLO PRESIDENTE DE TIMOR-LESTE

O Presidente da República recordou ainda a importância da unidade nacional como motor do êxito da luta pela independência, e relembrou alguns dos nomes dos líderes dos comandos militares e políticos, dos fundadores do país e de muitos jovens activos na frente clandestina e internacionalmente. “Todos estes deixaram um legado nacionalista considerável às gerações actuais e futuras. Cada um com a sua capacidade e sabedoria, em diferentes circunstâncias da luta, mas todos desenvolveram e deram continuidade à luta, guiados por um só objectivo: o povo de Timor-Leste tem de ser independente”, disse. Hoje, disse, a independência não significa apenas ter bandeira ou hino ou governar, mas “também viver, pensar, sentir e agir com orgulho, como cidadãos timorenses” que deve, defendeu, continuar a afirmar a sua identidade própria. “É importante percebermos que a nossa identidade única foi deixada como legado pelos nossos antepassados, influenciada pelos missionários católicos e pela colonização portuguesa durante 500 anos”, disse. “Durante a ocupação indonésia, a maioria dos timorenses optou pela religião católica como forma de resistência. Os nossos líderes optaram pelo português como língua da resistência”, recordou.

MYANMAR RUPTURA DE BARRAGEM FAZ DESLOCAR 63 MIL PESSOAS

M

AIS de 63 mil pessoas tiveram que ser retiradas das suas casas em Myanmar após uma barragem ter cedido na área central do país, causando a inundação de dezenas de aldeias, informou ontem a

imprensa estatal. O incidente ocorreu na quarta-feira no município de Yedashe, localizado a cerca de 65 quilómetros a sul da capital, Naypyidaw, segundo o jornal Global New Light. A água atingiu 85 aldeias

deste município da região de Bago, onde os moradores tiveram que ser retirados pelo Governo local e pelo Exército, para serem assistidos pela Cruz Vermelha birmanesa. A água também danificou uma ponte e inundou

cerca de oito quilómetros da rodovia Rangoon-Mandalay, a principal do país, obrigando ao corte da linha férrea. O incidente aconteceu após o nível de água na barragem ter ultrapassado os 103 metros, meio metro

acima de sua capacidade máxima, segundo o jornal, que atribuiu a ruptura ao excesso de chuvas neste período habitualmente marcado pelas monções.


14

h

31.8.2018 sexta-feira

Quantas vidas possíveis já descansam, Nesta bem pobre e diminuta morte, José Simões Morais

Restauração Meiji e a Missão Educacional Chinesa

T

“

ENDO a civilização do Ocidente dentro do Império do Sol Nascente, voltar ao passado era impossível, tal como derrotar as potências Ocidentais. Aceitar a civilização do Ocidente passivamente, em apática expectativa, era suicídio. Impunha-se então adoptar no Japão a civilização ocidental e abrir de novo o país para o mundo”, este o parecer dos hábeis conselheiros do novo Imperador Mutsuhito, filho do Imperador Komei falecido a 30 de Janeiro de 1867. Para o Japão começar uma nova organização do Estado, era necessário acabar com o shogunato (governo pelos senhores da terra) e iniciar a Restauração Imperial. Do clã Tokugawa, o shogun Iemochi morreu e sucedeu-lhe Yoshinobu a 29 de Agosto de 1866. Sobre esse shogun o Boletim do Governo de Macau e Timor de 1867 refere: “Do Japão, sabemos pelos jornais que Stotsbashi, o novo taicun, assumiu efectivamente no dia 10 de Janeiro a gerência dos negócios públicos. O seu irmão mais velho, vai para Paris, com grande séquito, assistir à exposição, tencionando correr mais alguns portos da Europa, para estudar os seus usos e costumes. Corre como certo que efectivamente vão ser enviados ministros residentes às cortes das nações com as quais o Japão tem tratados. Foi concluído a 12 de Janeiro de 1867 um tratado de amizade, comércio e navegação, entre a Dinamarca e o Japão.” O shogun Yoshinobu renunciou ao poder em Novembro de 1867, ou terá sido deposto por uma coligação de senhores feudais submetida ao novo Imperador Mutsuhito, que com 15 anos ascendeu ao trono imperial e transferindo-se de Quioto para Yedo, passou a viver no Palácio do Shogun, onde Yoshinobu nunca habitou. O Japão fora governado entre 1185 e 1868 por shogunatos com poderes políticos e militares, sendo no século XV-XVI dominado pelos senhores feudais (dáimios), enquanto o Imperador do Japão, fechado na capital Quioto (cidade de estilo chinês fundada em 794) e afastado da vida real do país, era figura simbólica descendente da deusa do Sol Amaterasu. A 4 de Janeiro de 1868 o poder passou das mãos dos shoguns para o Imperador Mutsuhito, no trono imperial desde os inícios de 1867 e já como Meiji Tennô mudou o nome da capital, Yedo para Tóquio. Com hábeis conselheiros iniciou-se uma nova Era no Japão. Investiu-se fortemente na industrialização, na agri-

cultura e no comércio, numa frota naval, tanto para fins militares, como de transporte, e na modernização da educação, administração civil e militar. Em 1889, o Imperador promulgou uma nova Constituição a permitir a formação de um Parlamento eleito, com poderes legislativos. O Imperador Meiji tinha ministros, que só a ele respondiam e desde 1895, estes passaram a ser altas patentes militares da Marinha e do Exército.

MISSÃO EDUCACIONAL CHINESA

Derrotado pelas potências estrangeiras na II Guerra do Ópio, o Governo Qing percebeu a inutilidade da sua obsoleta marinha, tal como teve de criar um Gabinete dos Negócios Estrangeiros (Zongliyamen), aberto em Janeiro de 1861, sendo escolhido para o chefiar o Príncipe Gong, Yi Xin, irmão do Imperador Xianfeng. Até então a China não tivera necessidade de um ‘Gabinete para a gestão geral dos assuntos comerciais com as nações’, pois como potência na erudição tinha como vassalos os países tributários, a partir daí vê-se forçada ao comércio em diferente posição. Quando o Zongliyamen foi fundado, na sua alçada ficou o Departamento das Inspecções-Gerais das Alfândegas Marítimas do Império criado na China

em 1858, mas pouco tempo depois estavam já nas mãos de britânicos. Em 28 de Julho de 1868 a China Imperial enviou um americano como Ministro Plenipotenciário da China aos EUA para assinar em Washington o Tratado Burlingame, a emendar o Tratado de Tianjin (de 1858) entre os dois países e estabelecer relações formais de amizade, garantindo os EUA à China o estatuto de nação mais favorecida no comércio. O americano Anson Burlingame assinou pela China, para onde fora em 1861 como ministro apontado por Lincoln e em Beijing foi o Tratado rectificado em 1869. Rong Hong (1828-1912) ficou chocado ao ver um americano como Ministro Plenipotenciário da China. Rong Hong, nascido a 17 Novembro de 1828 em Nanping, Zhuhai e tratado pelos estrangeiros por Yung Wing, em 1854 tornou-se o primeiro estudante chinês a graduar-se numa universidade dos EUA, para onde viera estudar no College Yale em 1850 sobre patrocínio de Samuel Robbins Brow (18101880). A 30 de Outubro de 1852, já se naturalizara americano e pertenceu à fraternidade Delta Kappa Epsilon (Sociedade Secreta com o lema <Amigos de coração, para sempre> criada em 1844 na Universidade de Yale). Regres-

Para o Japão começar uma nova organização do Estado, era necessário acabar com o shogunato (governo pelos senhores da terra) e iniciar a Restauração Imperial

sado à China, como intérprete servia os missionários e procurou dar apoio ao Grande Reino da Paz Celestial (Taiping Tianguo). Em 1863 foi enviado aos EUA pelo General Zheng Guofan, afim de comprar máquinas capazes de produzir armas pesadas, iguais às dos ocidentais. Arsenal fundado em Xangai no ano de 1865. Indignado, Rong Hong escreveu uma carta a Zheng Guofan e no Inverno de 1870 foi a Nanjing falar com ele, já de novo Vice-Rei de Liangjiang, de modo a organizar um grupo de 120 alunos para ir estudar nos EUA, no College Yale. Em 1871, o Governo Qing fez uma escola em Xangai para preparar o primeiro grupo de 30 chineses e Rong Hong ficou encarregue de encontrar estudantes; mas partindo de Shandong até Guangdong só conseguiu 17 para estudar no estrangeiro e foi na sua terra natal, aldeia de Nanping em Xiangshan onde encontrou os outros 13 em apenas dois dias. O plano do governo Qing era enviar quatro grupos de 30 elementos cada, mas conseguir os primeiros trinta tinha sido tão difícil que levou Rong Hong, afim de preparar alunos para irem estudar no estrangeiro, a usar o seu dinheiro e abrir a escola em Nanping, Nanping ZhenXianSheXue (甄贤社学), de onde saíram mais 25 para os EUA e assim dos 120 estudantes, um terço era proveniente de Xiangshan. Em Julho de 1872 Rong Hong partia sozinho para S. Francisco a preparar a chegada do grupo e acolheu Chen Long, filho de Chen Fang, que viera do Havai para estudar na Universidade de Yale. A 17 Agosto seguiu de Xangai o primeiro grupo num barco japonês, chegando em 12 Setembro a S. Francisco e em dez dias estão em Connecticut, sendo os 30 alunos separados por 15 famílias para com elas, vivendo, praticar o inglês. Com esses chineses começou a funcionar em 1872 a Missão Educacional Chinesa. Enviado em 1875, outra figura do distrito de Xiangshan, província de Guangdong, Lew Yuk Lin (1862-1942) em 1886 iniciou a carreira diplomática, sendo nomeado Cônsul Geral da Dinastia Qing na Inglaterra e serviu várias vezes como Ministro dos Negócios Estrangeiros. Em Março de 1876, Tony Chen Xi Ru, outro filho de Chen Fang, foi estudar em Yale, ano em que Rong Hong aí se doutorou em Direito e casou com a americana Mary Kellong. Em 1881 fechou a Missão Educacional Chinesa no College Yale nos EUA, onde estudantes chineses contactaram via Pacífico o científico pensamento Ocidental.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

sexta-feira 31.8.2018

LYNN AND LOUIS WOLFSON II FLORIDA MOVING IMAGE ARCHIVES

tonalidades António de Castro Caeiro

O

dia do nosso aniversário, a véspera de Natal, a passagem do ano, a Páscoa, o começo e o fim do ano lectivo e das férias são momentos de dobra. Não marcam apenas curtos prazos: antes, durante e depois: véspera, o próprio dia, e o dia seguinte, mas gizam estruturas temporais de maior duração, dividem o ano. No limite, marcam as nossas vidas no longo prazo. A primeira véspera de Natal de que temos memória, com a família de lugares precisos atribuídos à mesa. A primeira partida para férias, o primeiro dia de aulas, os aniversários a que íamos e os que não tínhamos por termos o aniversário durante o período de férias. Havia os finais dos anos lectivos da adolescência, que invariavelmente coincidiam com as festas de Santo António. Houve o primeiro dia de aulas inscrito para sempre nas vidas, sobretudo daqueles que nunca iriam sair da escola ou, então, só tarde demais, sem verdadeiramente poderem ter saído de uma vida tonalizada a anos lectivos e não a anos civis. O tempo destes dias não se circunscreve aos três dias que marcam a véspera, o próprio dia e o dia seguinte. Eles próprios delineiam e projectam um horizonte temporal: o final do ano lectivo está em tensão com o princípio do ano lectivo. Portanto, as férias existem entre um fim e um

Férias grandes princípio. A passagem do ano existe em tensão de ano para ano a definir um ano inteiro. O nosso aniversário está numa relação complexa com os anos de vida que vamos tendo: acrescentamos um algarismo que corresponde à obliteração de um ano inteiro às nossas vidas. Existe, assim, uma tensão entre os nossos aniversários e os dias do nosso nascimento e da nossa morte. Há uma diferença, sem dúvida, entre os momentos que articulam cada um dos dias de dobra: a antecipação, até chegar a véspera, antes do dia, o pró-

As férias grandes são inaugurais. Têm verdadeiramente de interromper o que tem acontecido até aí. Permitem uma metamorfose do trabalho em descanso ou assim deveria ser

prio dia e o dia seguinte são vividos de maneira completamente diferente. Na véspera é tudo antecipação, na expectativa do que vai acontecer no próprio dia, até nos deitarmos. No dia seguinte, há já uma sanduiche temporal feita de dois dias fatias em que houve antecipação e agora já começa a construir-se uma lembrança. Depois, será o que para aí virá. É o momento seguinte com todos os dias que se lhe seguem: os meses de Inverno depois da passagem de ano até ao final do ano lectivo, eventualmente a páscoa. Para trás ficam as férias grandes que ainda duram até Dezembro. As férias grandes – lembro-me de como eram as férias absolutas de três meses inteiros de praia e sol e nada – fazem sentir-se logo no final do ano lectivo. Há anos em que são antecipadas grandes viagens, cursos de língua no estrangeiro, dias inteiros a ler os livros das estantes lá de casa. Há anos em que nada acontece, ou porque um familiar está doente ou porque o trabalho assim o exigia. Em todo o caso, as férias grandes são incontornáveis. Há sempre alguém a vivê-las e alguém que não as vive. A sua vivência é longa entre Junho e o fim de Agosto ou Setembro. As férias grandes são inaugurais. Têm verdadeiramente de interromper o que tem acontecido até aí. Permitem uma metamorfose do tra-

balho em descanso ou assim deveria ser. Abrem um horizonte de disponibilidade em que nada se faz ou pode não fazer-se nada, em que estamos entregues a nós e ao que autenticamente somos sem sermos o que fazemos habitualmente. Essa disponibilidade é o vazio oriental que a vida nos proporciona para podermos abrir-nos a nós e ao que pode acontecer. Poder mudar de vida não implica apenas ir para o deserto para sentir o vazio que não é nada subir até nós e constituir uma oportunidade e uma ocasião. Até pode ser um amor de pessoa que se encontre e assim nos permita encontrar-nos a nós nela. Pode ser querer ressuscitar Lázaro, o Lázaro que é cada um de nós e cada um dos outros, quem nos podemos tocar e quem nos pode tocar. Esse toque é o que ressuscita. O final de Agosto traz, inexorável, o fim das férias. Mas as férias duram até Dezembro, até às férias do Natal. E o Natal deveria celebrar o nascimento. Os nascimentos inauguram a vida. Não podem acabar a 25 do mês de Dezembro. O ano novo é isso mesmo um ano novo que abre possibilidades ou só uma. A páscoa renova a ressurreição, seja a Primavera que mata o Inverno, seja a de uma possibilidade de existência autêntica em que podemos ser como éramos para ter sido. E virá outros finais de anos lectivos e outras férias grandes. É difícil que a vida seja como as férias grandes, mas a vida toda com todos os aniversários são umas férias à morte e tem de nos deixar resgatar competentemente para nós e uns para os outros. Oxalá!


16 desporto

31.8.2018 sexta-feira

TCR China Couto em estreia no campeonato de carros de turismo

A

Fonte do ID “O trabalho de preparação do GP Internacional de Karting de 2018 está actualmente em curso, embora a data do evento e o programa desportivo ainda estejam a ser negociados.”

AUTOMOBILISMO GP INTERNACIONAL DE KARTING DE 2018 É PARA AVANÇAR

A ganhar forma

Apesar de não ter ainda uma data confirmada e de não constar do calendário de actividades de 2018 do Instituto do Desporto (ID) disponível online, o tradicional Grande Prémio Internacional de Karting de Macau deverá realizar-se novamente ainda este ano

S

EGUNDO apurou o HM junto das entidades oficiais, a prova de automobilismo de final de ano tradicionalmente co-organizada pela Associação Geral-Automóvel Macau-China (AAMC), ID e Direcção dos Serviços de Turismo (DST) no Kartódromo de Coloane está a ganhar forma nos bastidores. “O trabalho de preparação do Grande Prémio Internacional de Karting de Macau de 2018 está actualmente em curso, embora a data

do evento e o programa desportivo ainda estejam a ser negociados com várias partes”, clarificou ao HM fonte oficial do ID. O evento do ano passado, realizado no segundo fim-de-semana de Dezembro, teve um diferente figurino das edições anteriores. Os campeonatos CIK FIA Ásia-Pacifico para as categorias KZ e OK, que iriam fazer parte do programa da edição de 2017, foram cancelados a pedido das entidades responsáveis pelo evento no território apenas seis dias depois de terem aberto

as inscrições. Apesar da anulação das corridas que iriam atribuir os títulos dos dois mais importantes campeonatos CIK FIA para a região Ásia-Pacifico, a AAMC avançou com a organização da prova, oferecendo uma série de incentivos aos participantes.

FORMATO MISTÉRIO

120 participantes, oriundos da República Popular da China, Austrália, Taipei Chinês, Itália, Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Sri Lanka, Índia, Tailândia, Reino Uni-

do, Hong Kong e Macau, aderiram às três provas, que envolveram nove grupos, incluindo a “Macau Cup KZ Invitation Race International”, a “AAMC Cup KZ Invitation Race Asia”, o Campeonato Open Asiático de Karting (AKOC) nas classes Formula 125 Open Sénior, Júnior e Veteranos, X30 Júnior e Sénior, ROK Sénior e Mini ROK. O formato da edição é, por agora, uma incógnita, apesar do ID adiantar que “é esperado que diferentes categorias sejam incluídas no eventos”, no entanto, “mais detalhes serão anunciados assim que um acordo seja alcançado”. O Kartódromo de Coloane tem uma data reservada para o fim-de-semana 8 e 9 de Dezembro para a segunda visita do ano do Campeonato Open Asiático de Karting (AKOC, na sigla inglesa) a Macau. Esta é uma competição que habitualmente faz parte do programa de corridas do Grande Prémio Internacional de Karting do território.

NDRÉ Couto vai fazer a sua estreia no campeonato de carros de Turismo TCR China este fim-de-semana no circuito chinês de Ningbo, na província de Zhejiang. Segundo a Macau News Agency, o piloto português de Macau recebeu um convite de última hora para conduzir um dos dois novos Honda Civic Type-R FK8 TCR que a equipa de Macau MacPro Racing adquiriu à italiana JAS Motorsport durante o defeso. Os macaenses Eurico de Jesus e Miguel Kong tripularam os carros japoneses na ronda de abertura do campeonato, no Circuito de Zhuhai, tendo Jesus vencido uma das corridas. Apesar da vasta experiência em corridas de carros de Turismo, esta será a primeira vez que Couto irá tripular um carro da categoria TCR. Recorde-se que são estes mesmos carros que dão actualmente corpo à Taça do Mundo FIA de Carros de Turismo (WTCR) e que em Novembro vão preencher a grelha de partida da Corrida da Guia. Os fins-de-semana do TCR China são compostos por três corridas, as duas primeiras, em formato sprint a disputar no sábado, e a corrida final, de 60 minutos, que acontece na tarde de domingo. S.F.

Sérgio Fonseca

info@hojemacau.com.mo

FUTEBOL EX-PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO PARAGUAIA CONDENADO A NOVE ANOS DE PRISÃO

O

ex-presidente da Federação Paraguaia de Futebol e da Confederação Sul-Americana (CONMEBOL) Juan Angel Napout foi ontem condenado a nove anos de prisão por corrupção na sequência do escândalo que abalou a FIFA. Juan Angel Napout estava acusado de ter recebido mais de 3,3 milhões de dólares em subornos e de ter aceitado

receber 20 milhões de dólares suplementares até 2026. O dirigente, que já tinha sido considerado culpado de três das cinco acusações que recaíam sobre si, reconheceu os delitos em tribunal. Na semana passada, também o antigo presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) José Maria Marin foi condenado a quatro anos de prisão pela justiça

norte-americana, pelo seu envolvimento no caso de corrupção denominado ‘Fifagate’. Aos 86 anos, Marin tornou-se o primeiro grande chefe federativo a cumprir

pena no caso, depois de ter sido condenado já em Dezembro do ano passado por seis crimes de corrupção, fraude bancária e lavagem de dinheiro. Na audiência de cinco horas, o procurador reclamou uma pena de 20 anos de prisão, qualificando Napout como “um dos mais culpados” entre os 42 responsáveis de futebol acusados de corrupção.

O caso ‘Fifagate’ foi desencadeado por uma investigação do FBI e de autoridades fiscais norte-americanas, que investigavam a FIFA desde 2010, após o anúncio da entrega do Mundial2022 ao Qatar. A investigação levou à detenção, em Maio de 2015, de Marin e outros dirigentes durante o congresso da FIFA em Zurique, levando à de-

missão do então presidente do organismo de cúpula do futebol mundial, o suíço Joseph Blatter. Entre as personagens envolvidas no caso estão, entre outros nomes, o qatari Nasser Al-Khelaifi, dono do Paris Saint-Germain e do grupo BeIN Media, e o francês Jérôme Valcke, antigo secretário-geral da FIFA, num total de 42 nomes.


internacional 17

sexta-feira 31.8.2018

DIPLOMACIA AUSTRÁLIA VAI RECUSAR ENTRADA A EX-INFORMADORA DA WIKILEAKS

A

S autoridades australianas tencionam recusar o visto de entrada no país à ex-informadora da Wikileaks, Chelsea Manning, que deveria participar numa conferência em Sydney,

anunciou ontem a organização do evento. Condenada em 2013 a 35 anos de prisão por remeter mais de 700 mil documentos confidenciais para a Wikileaks sobre as guerras no Iraque e Afeganis-

tão, Chelsea Manning passou sete anos encarcerada, antes que sua pena fosse comutada pelo ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama. Suzi Jamil, da organização Think Inc, que pr omove a

visita de Chelsea Manning à Austrália e à Nova Zelândia, disse ter recebido das autoridades australianas uma "notificação de intenção de considerar a recusa" do visto. Manning deveria participar

numa conferência no Sydney Opera House no domingo, antes de outros eventos agendados para Melbourne e Brisbane. "Estamos muito desapontados por saber que o Ministério do Interior

COREIA DO SUL TÚNEL TRANSFORMADO NUMA DAS MAIORES PLANTAÇÕES VERTICAIS DO MUNDO

Um antigo túnel rodoviário na Coreia do Sul foi convertido numa das maiores plantações verticais do mundo, onde frutas e vegetais crescem de forma hidropónica e luzes néon cor-derosa substituem a luz solar

A

Coreia do Sul, país que perdeu quase metade da população rural nas últimas décadas, tem investido na agricultura vertical para enfrentar as más colheitas associadas às alterações climáticas e à escassez de terras, daí a utilização da hidroponia, uma técnica de cultivar plantas recorrendo apenas à água. No ano passado, uma empresa de cultivo de interiores transformou um antigo túnel rodoviário, a 190 quilómetros de Seul, numa

HAN MYUNG OH, AP

Luz ao fundo da estufa

adoptou essa abordagem e faremos um apelo forte à sua entrada na Austrália", disse Jamil à agência de notícias France-Presse, elogiando as "grandes ideias" e o "ponto de vista" da ex-analista militar.

sustentável, acreditam alguns especialistas. "A sociedade está a envelhecer e a urbanização a intensificar-se à medida que a nossa força de trabalho agrícola é reduzida", refere Son Jung Eek, professor de horticultura da Universidade Nacional de Seul, à AP. A agricultura inteligente pode ajudar a enfrentar este desafio, defende, além de facilitar o cultivo de culturas de alto valor que são sensíveis à temperatura e outras condições.

No ano passado, uma empresa de cultivo de interiores transformou um antigo túnel rodoviário, a 190 quilómetros de Seul, numa “quinta inteligente”, com 2.300 metros quadrados

“quinta inteligente”, com 2.300 metros quadrados – o equivalente a meio estádio de futebol -, que já é a maior do país e uma das maiores do mundo, noticia a Associated Press (AP). Construído em 1970 para uma das primeiras estradas principais da Coreia do Sul, este antigo símbolo da industrialização do país parece espelhar agora o futuro da agricultura. Em vez do chilreado das cigarras, "Clair de Lune", de Claude Debussy, ressoa no túnel,

na esperança de estimular o crescimento saudável das colheitas. "Passamos música clássica porque os vegetais também adoram ouvir música como nós", admite Choi Jae Bin, director da NextOn, empresa que administra a “quinta”, citado pela AP. Sessenta tipos de frutas e vegetais crescem em condições optimizadas, usando os próprios sistemas de cultivo e colheita da NextOn. Entre eles, 42 são certificados como produtos sem pesticidas, sem herbicidas e sem

transgénicos, aponta Dave Suh, director de tecnologia da NextOn. O túnel fornece temperaturas de 10 a 22 graus Celsius, o que permite à empresa optimizar as condições de crescimento, explica.

NOVAS HORTAS

Plantações inteligentes de alta tecnologia – que também são usadas no Dubai e em Israel onde as condições de cultivo são difíceis, podem ser a chave para o desenvolvimento da agricultura

Pouco mais de 16 por cento da terra na Coreia do Sul foi dedicada à agricultura em 2016, de acordo com estatísticas do Governo. Naquele país, a população rural caiu para metade nas últimas quatro décadas, apesar da população ter crescido quase 40 por cento. O Ministério da Agricultura anunciou no início deste ano que investirá no desenvolvimento de plantações inteligentes em todo o país, expandindo a sua área total de 4.010 para sete mil hectares.

ESCÓCIA EX-PRIMEIRO-MINISTRO DEIXA PARTIDO APÓS ACUSAÇÕES DE ASSÉDIO SEXUAL

O

ex-primeiro-ministro escocês Alex Salmond anunciou na quarta-feira que vai abandonar o Partido Nacional Escocês (SNP) para "evitar uma divisão interna", uma semana depois de terem sido tornadas públicas acusações por assédio sexual. As denúncias contra Salmond, o antigo dirigente independentista que em 2014 levou a Escócia ao

limiar da independência com um referendo, foram tornadas públicas pelo jornal britânico Daily Record, na edição de 24 de Agosto. De acordo com o mesmo jornal, as acusações dizem respeito à sua conduta em 2013, durante o seu mandato como líder do Governo escocês (2007-2014), e terão sido apresentadas por dois ex-membros da sua equipa.

Depois de uma investigação interna, o actual Governo escocês, liderado pelo independentista Nicola Sturgeon, do Partido Nacional Escocês (SNP), denunciou o caso à polícia. Salmond refutou de imediato as acusações e começou a responder em tribunal num processo instaurado pelo actual Governo. No entanto, numa mensagem de vídeo publicada

nas redes sociais na noite de quarta-feira, Salmond anunciou que abandonaria o partido para evitar uma “divisão interna substancial” e os ataques dos partidos políticos rivais. "Não fui para a política para facilitar os ataques da oposição ao SNP e, com o parlamento a retomar [os trabalhos] na próxima semana, apresentei a minha renúncia para afastar

este ataque da oposição", justificou. O antigo governante disse ainda estar ciente de que "caso o partido se sentisse obrigado" a suspendê-lo, "isso causaria uma divisão interna substancial”. Alex Salmond renunciou ao cargo de primeiro-ministro em Novembro de 2014, poucas semanas depois da vitória do “não” no referendo sobre a independência da Escócia.


18 (f)utilidades TEMPO

43

?

TROVOADAS

O QUE FAZER ESTA SEMANA

MIN

Hoje 43 “UMA NOITE COM PIANO NA GALERIA” CONCERTO Fundação Rui Cunha | Das 18h00 às 20h00

8 3 2 7 6 1 4 5 9 1 4“A 9 3BLUES 5POP2ROCK6SESSION 7 2” CONCERTO NIGHT8 OF JAZZ Live Music Association | Das 22h00 à 1h00 6 5 7 9 2 4 3 8 1 3 9 4 5 8 6 7 1 2 5 6 1 2 7 3 9 4 8 7 2 8 1 4 9 5 3 6 9 8 3 6 5 7 1 2 4 4 1 6 3 9 2 8 7 5 2 7 5 4 1 8 6 9 3

44

8 1 6

26

MAX

30

HUM

6 4 5 3 5 7 2 8 7 5 - 9 8 %9 • 5 EURO 7 9.42 BAHT 1 2 8 1 9 5 3 1 2 3 2 5 7

44

2 1 4 7 9 8 6 5 3

45

5 6 7 2 4 3 9 1 8

9 8 3 6 5 1 4 2 7

3 2 6 1 7 5 8 9 4

8 4 5 3 6 9 2 7 1

1 7 9 8 2 4 5 3 6

6 9 8 5 1 7 3 4 2

4 3 1 9 8 2 7 6 5

7 5 2 4 3 6 1 8 9

O CARTOON STEPH 46

4 7 3

1 2

9

8 3 8

7 1

5

2

EXPOSIÇÃO “UNIVERSO” Armazém do Boi | Até 9/9

47

4 2 3 1 9 7 8 6 5 9 8 1 Cineteatro 7 3 6 2 5 4 6 7 2 5 4 9 3 1 8

7 8 2 5 9 3 6 4 8 C 2I 1 7 4 9 3 1 5 6

EXPOSIÇÃO “APROFUNDAR” Art Garden | Até 9/9

HOTEL TRANSYLVANIA 3: A MONSTER VACATION [A] FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Genndy Tartakovsky 14.30, 16.30, 19.30

1 6 9 5 6 8 4 3 4 1 2 7 5 7 3 2 9N 5E1M4 3 9 6 8 8 3 5 1 7 2 8 6 2 4 7 9

A

KILLING FOR THE PROSECUTION [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADOEM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Masato Harada Com: Takuya Kimura, Kazunari Ninomiya 16.30, 19.15, 21.30 SALA 3

FALADO EM COREANO LEGENDADOEM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kim Yong-hwa Com: Ha Jung-woo, Ju Ji-hoon, Kim Hyang-gi, 21.15

FALADO EM CANTONENSE LEGENDADOEM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: David Lam Com: Louis Koo, , Kelvin Cheng, Stephy Tang 14.30, 21.30

DORAEMON THE MOVIE: NOBITA’S TREASURE ISLAND [A] FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Kazuaki Imai 14.30

5 3 1 8 7 9 2 6 4

2 9 6 5 1 4 3 7 8

8 4 7 2 6 3 5 1 9

4 6 8 1 2 5 7 9 3

7 1 2 9 3 6 8 4 5

3 5 9 7 4 8 6 2 1

2 3 1 7 2 4 3 8 5 7 9 8 6 4 9 5 1 7 6 6 2 9 1 7 3 6 7 9 PROBLEMA 47

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 46

4 7DISCO 3 9 2 HOJE 8 1 6 UM

ALONG WITH THE GODS: THE LAST 49 DAYS [C]

SALA 2

1 2 5 4 8 7 9 3 6

5

0.24

6Y U A N

1.18

2

8 1 VIDA 6 DE9CÃO4 8 2 9

6 9 5 1 3 7 Quando 2 8Miles 1 Davis 4 pegou 6 5na música de Thelonious Monk e a 9 ao3Newport 4 7Jazz5 6 levou Festival com uma banda composta por 7 2 8 3 9 1 Connie Kay, Percy Heath, Zoot Sims 1 e5Gerry6Mulligan, 8 4estava 2 dado o ponto de partida para 3disco. 1 “Round 2 6About 8 Mid4 este night” marcou um dos regressos 5 6 9 2 7 3 do genial trompetista depois de8mais 4uma7batalha 5 contra 1 9o vício da heroína. Este disco foi a estreia de Davis na Columbia Records, uma estreia em grande que contou no alinhamento com a genialidade de John Coltrane e Paul Chambers. João Luz

4 7 2 6 9 5 8 3

8 3 1 5 7 9 4 2

5 2 9 8 4 3 7 1 6

4 A FELICIDADE QUE 2 5

(NÃO) TEMOS

46 publicamos um artigo baseado no Hoje Relatório da Felicidade Mundial que volta a dar destaque aos países da Europa do Norte, mas optámos por dar destaque a um estudo que olha para a felicidade, ou falta dela, dos milhões de migrantes que deixaram os campos em busca de melhores condições de vida na cidade. Hong Kong surge em 76º lugar. Macau, tal como é hábito, não aparece neste relatório, mas podemos pensar se a população local é feliz. Pensemos: os mais abonados na vida estarão decerto chateados porque é Agosto, estão de férias e chove há uma semana. A roupa cola no corpo e está calor, mas não podemos ir à piscina. Mas há mais. Ontem foi entregue uma petição que pede a redução do uso do plástico, dados 48 os níveis alarmantes de poluição. A semana passada, antes da chuva, não conseguíamos respirar. Continuam a existir desigualdades salariais alarmantes num território que tem um dos maiores Produto Interno Bruto (PIB) do mundo, e não nos podemos esquecer que a Cáritas continua a operar e cada vez a disponibilizar mais serviços, sobretudo aos trabalhadores não residentes. As rendas estão cada vez mais caras e não há sinal de arrefecimento do mercado. Será que Macau é feliz? Será que todo o dinheiro que temos nos cofres do Executivo, nos trazem a felicidade que os europeus do Norte têm? Pensemos, então, naquilo que temos e naquilo que poderíamos, ou deveríamos, ter. Andreia Sofia Silva

4 7 1

2 8 1 4 7 2 8 5

2 3 7 4 5 7

FALADO EM DIALECTO HINDI LEGENDADOEM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Saket Chaudahary Com: Irrfan Khan, Saba Qarnar 16.30, 19.00

www. hojemacau. com.mo

5

1 8

9 4 2

5 9 7

5 8 4

3

‘ROUND ABOUT MIDNIGHT | MILES DAVIS

L STORM [C]

HINDI MEDIUM [B]

3

7 2

48

HOTEL TRANSYLVANIA 3: A MONSTER VACATION SALA 1

9 7 3 6 5 1 4 8 2

47

S U D O K U

7 1 2 9 8 5 3 4 6 3 9 5 6 4 2 1 7 8 9 5 6 4 1 8 2 3 7 Diariamente EXPOSIÇÃO “ESCULTURA, UM CAMINHO”, DE ANTÓNIO LEÇA 8 2 4 3 7 6 5 1 9 Albergue SCM | Até 21/10 1 3 7 5 2 9 6 8 4 EXPOSIÇÃO “ART IS PLAY” 2 8 9 1 6 4 7 5 3 Grande Praça – MGM | Até 9/9 5 4 3 2 9 7 8 6 1 EXPOSIÇÃO “AYIA” 6 7 1 8 5 3 4 9 2 Casa Garden | Até 9/9 Fundação Rui Cunha | Das 15h00 às 16h30

6 8 4 3 9 2 1 5 7

7

9 3 1

7 2

DE

45 Amanhã 4 6 8 7 3 1 9 2 5 “RHYS LAI - WORKSHOP FOR PARENTS AND CHILDREN”

3 8

5 2 7 6 2 3 4 6 8 5 3 6 9 4

5 9 6 8 6

5

9 1 8 7 2 3 1

4 7 8

5 2 4 3

31.8.2018 sexta-feira

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 19

sexta-feira 31.8.2018

TIAGO BONUCCI PEREIRA

GERARD SEKOTO

O

Fundo de Desenvolvimento China-África (CADFund) foi lançado em junho de 2007 como um instrumento do governo Chinês para a implementação prática dos seus planos e objectivos para o continente Africano. O CADFund foi estabelecido como parte de oito medidas anunciadas pelo então presidente chinês Hu Jintao, no Fórum Cooperação China-África (FOCAC) de 2006. Embora opere de acordo com princípios de mercado, o Fundo é uma ferramenta económica e diplomática do governo Chinês para incentivar os investimentos de empresas chinesas nos países africanos. O CADFund é uma subsidiária do China Development Bank (CDB). A missão do CADFund é facilitar a cooperação China-África e melhorar a capacitação das economias africanas por meio de investimentos directos e serviços de consultoria. Gao Jian, ex-vice-governador do CDB e director do fundo, afirmou na altura da sua criação que o CADFund destina-se a incentivar projectos conjuntos entre firmas chinesas estatais ou privadas, e empresas africanas (ou de outras nacionalidades) e que não visa a obtenção de lucros elevados, mas apenas não incorrer em perdas. O Fundo recebeu um total de 5 mil milhões de dólares, com um montante inicial de mil milhões de dólares pago em 2007, e outra injecção de capital de dois mil milhões de dólares anunciada durante uma conferência de empresários Chineses e Africanos em Julho de 2012. A capitalização de 5 mil milhões de dólares foi alcançada em 2015 e uma capitalização adicional de 5 mil milhões de dólares será alcançada este ano, provávelmente até ao FOCAC 2018, a ser realizado em Setembro deste ano em Pequim. Este aumento de capital foi anunciado pelo presidente chinês Xi Jingping em Dezembro de 2015 durante o encontro FOCAC de Joanesburgo, e foi justificado como uma medida para garantir a implementação bem sucedida dos 10 principais planos de cooperação China-África anunciados na mesma ocasião, e que promovem a cooperação em sectores bem definidos, como a indústria, agricultura, construção de infraestruturas, ambiente e comércio, entre outros. O CADFund é orientado para o lucro, não se tratando, de forma alguma, de ajuda externa. Os principais critérios de financiamento do CADFund baseiam-se numa avaliação do retorno do investimento: projectos qualificados para avaliação devem demonstrar perspectivas promissoras, com um potencial de crescimento rápido e estável, e a capacidade de gerar lucros. O pe-

CADFund

ríodo de participação do CADFund varia entre oito e quinze anos por investimento, findo os quais os investimentos devem ser lucrativos e, portanto, autossustentados. O CADFund é uma subsidiária do CDB, “stockholder” este que é o primeiro na linha de comando. O fundo é, no entanto, também uma ferramenta política e como tal reporta anualmente a um Conselho de Supervisão onde estão representados diferentes ministérios do governo Chinês. O Conselho de Administração é composto por membros do CDB e do CADFund. Actualmente, o fundo possui escritórios de representação em cinco países africanos: África do Sul, Etiópia, Zâmbia, Gana e Quénia. Esses escritórios servem como prestadores de serviços de consultoria para empresas Chinesas que desejam operar em países Africanos. De acordo com o organigrama publicado pelo CADFund, existem três departamentos de investimento: [i] Agricultura, Imobiliário e Indústria; [ii] Investimentos na Indústria de Mineração; [iii] Infraestruturas e Energia. Este esquema resulta de uma reestruturação levada a cabo em Abril de 2012, tendo os departamentos passado assim a ter uma base sectorial em vez de geográfica.

A missão do CADFund é facilitar a cooperação China-África e melhorar a capacitação das economias africanas por meio de investimentos directos e serviços de consultoria

A principal forma de participação do CADFund em projectos é através de investimentos de capital. Uma outra é funcionando como uma espécie de “fundo de fundos”, alocando uma parte do seu capital para outros fundos que investem em África. Será o caso do Fundo de Cooperação China-Países de Língua Portuguesa (CPDFund), fundo este que conta com a participação do CDB, Fundo de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Macau, e CADFund, que é também responsável pela gestão do fundo. O CADFund investiu desde a sua criação em 88 projetos em 36 países africanos, num valor total de mais de 4 mil milhões de dólares. No entanto, os maiores financiadores para investimento Chinês em África são, de longe, o China Eximbank e o CDB. Estes dois bancos representam 84% do total de empréstimos a governos e empresas estatais Africanos durante o período entre 2000 e 2014. A iniciativa “Faixa e Rota” (BRI) terá possivelmente consequências para o direccionamento de investimentos destes financiadores. Uma recente directiva do China Eximbank exige a prioratização de investimentos relacionados com o BRI. No contexto Africano, o BRI, e apesar da vontade expressa em extender a iniciativa ao resto do continente, tem estado centrado na vizinhança do Corno de África. Do exposto pode-se aferir que actualmente o investimento Chinês em África é feito fundamentalmente com base em princípios de mercado, visando o lucro. Qualquer projecto de investimento tem de oferecer garantias de sustentabilidade. A estratégia está centrada não em obter lucros elevados no imediato, mas na promoção da internacionalização de empresas Chinesas.


Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. Albert Einstein

Coreia do Sul Polícia faz buscas na BMW em Seul

A

A lógica da batata

O FC PORTO vai defrontar os russos do LOKOMOTIV MOSCOVO, os alemães do SCHALKE 04 e os turcos do GALATASARAY, no grupo D da Liga dos Campeões de futebol.

PUB

A fase de grupos da Liga dos Campeões arranca em 18 DE SETEMBRO e termina em 12 DE DEZEMBRO.

China acusa EUA de lógica “irresponsável e absurda” em relação à Coreia do Norte

A

• Benfica defronta Bayern • Porto contra Lokomotiv O BENFICA vai defrontar os alemães do BAYERN MUNIQUE, os holandeses do AJAX AMESTERDÃO e os gregos do AEK ATENAS no grupo E da Liga dos Campeões de futebol, ditou ontem o sorteio realizado no Mónaco

sexta-feira 31.8.2018

Guerra Rússia admite novos ataques dos EUA contra a Síria

A

polícia da Coreia do Sul realizou ontem buscas na sede da BMW em Seul, na sequência de uma investigação sobre uma série de incêndios suspeitos em motores dos veículos da marca alemã registados naquele país. De acordo com um porta-voz da Agência de Polícia Metropolitana da capital, os investigadores estão a tentar perceber se a empresa tentou esconder defeitos nos seus veículos, tendo confiscado documentos e outros materiais na sede da empresa na Coreia do Sul. O porta-voz recusou dar mais detalhes, mas, segundo a agência de notícias Yonhap, 30 polícias foram mobilizados para esta operação. Segundo a imprensa, mais de 40 veículos da BMW incendiaram-se este ano. Alguns parques de estacionamento na Coreia do Sul não aceitam carros da BMW devido ao risco de incêndio. Dezenas de proprietários de veículos BMW apresentaram uma queixa contra o fabricante para exigir a abertura de uma investigação criminal à BMW, à sua filial sul-coreana e a nove de seus executivos de topo. No mês passado, a BMW começou a recolher 106 mil veículos a diesel de 42 modelos diferentes. O problema não é específico da Coreia. A BMW anunciou no início de Agosto a recolha de 323.700 veículos a diesel na Europa por motivos semelhantes. Na Coreia do Sul, seis carros em cada dez são importados da Alemanha. A BMW vendeu quase 39 mil veículos no primeiro semestre, de acordo com a Associação de Importadores e Distribuidores de Automóveis da Coreia do Sul.

PALAVRA DO DIA

China acusou ontem os Estados Unidos de distorcerem a realidade e manterem uma lógica “irresponsável e absurda”, depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, ter acusado Pequim de entravar a desnuclearização da Coreia do Norte. “Muita gente, como eu, pensa que os Estados Unidos são os campeões do mundo em distorcer os factos de forma irresponsável e com uma lógica absurda”, disse a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Hua Chunying, questionada sobre as declarações do presidente norte-americano. Os Estados Unidos “deviam olhar-se ao

espelho em vez de criticar os outros”, acrescentou. Donald Trump afirmou em ’tweets’ sucessivos nos últimos dias que a relação com a Coreia do Norte é boa, mas que “a China complica grandemente as coisas” devido “aos diferendos comerciais” entre Washington e Pequim. O presidente norte-americano disse ainda que a sua relação com o líder norte-coreano é “boa e calorosa”, pelo que não “há razões nesta altura para esbanjar dinheiro em jogos de guerra”, mas avisou que poderá relançar exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul que serão os “maiores de sempre”. Já anteriormente Trump tinha acusado a China de

usar a sua influência sobre Pyongyang para dificultar a sua aproximação ao líder norte-coreano, Kim Jon-un, em represália pelas novas tarifas que Washington impôs a Pequim e que deram origem a uma guerra comercial entre as duas potências económicas. Na semana passada, Trump cancelou uma visita de uma delegação norte-americana a Pyongyang citando falta de progressos nas negociações. Trump e Kim reuniram-se em Junho numa cimeira histórica, em Singapura, na qual se comprometeram a construir uma paz duradoura e estável na península coreana e a trabalhar para “a total desnuclearização” da península.

Rússia disse ontem que admite que os Estados Unidos lancem novos ataques com mísseis contra a Síria, advertindo que, nesse caso, prejudicarão todas as medidas tomadas para a solução pacífica do conflito. “A julgar pelos preparativos das forças armadas norte-americanas no Médio Oriente, não se exclui a possibilidade de novos ataques com mísseis contra a Síria”, indicou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, numa conferência de imprensa. Adiantou que, se tal acontecer, os Estados Unidos “reverterão todas as medidas para um acordo pacífico na Síria”. Segundo Zakharova, os Estados Unidos e os seus aliados têm concentrados na zona cerca de 70 aviões, dois navios e mais de 400 mísseis de cruzeiro, aos quais podem juntar-se em 24 horas outros quatro navios de guerra com mais de uma centena de mísseis de cruzeiro.

BREXIT PANASONIC MUDA SEDE EUROPEIA PARA A HOLANDA

A

Panasonic, empresa japonesa de electrónica e electrodomésticos, decidiu transferir a sua sede europeia na Grã-Bretanha para a Holanda, por causa de eventuais questões fiscais relacionadas com o Brexit, disse ontem à AFP um porta-voz. O presidente executivo da Panasonic Europe, Laurent Abadie, tinha afirmado essa intenção ao diário económico Nikkei. A decisão decorre dos receios do Japão deixar de ver a Grã-Bretanha como um paraíso fiscal após o Brexit se Londres cortar drasticamente a taxa de imposto sobre as empresas que se

mantenham no país, adiantou a mesma fonte. Se este for o caso, a Panasonic poderá ser obrigada a pagar impostos às autoridades japonesas. "Estamos a estudar há 15 meses a possibilidade de mudança", disse Abadie ao Nikkei. Os receios da mobilidade de pessoas e bens também tiveram um papel importante na decisão. O Brexit já levou várias empresas japonesas, incluindo bancos como Mitsubishi UFJ Financial Group e Sumitomo Mitsui Financial Group, bem como as correctoras Nomura Holdings e Daiwa Securities, a decidir ou considerar a mudança das suas principais bases europeias para fora de Londres.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Hoje Macau 31 AGO 2018 #4125 by Jornal Hoje Macau - Issuu