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Director carlos morais josé
personalidade do ano
Vasco Fong
t e r ç a - f e i r a 3 1 d e d e z e m b r o d e 2 0 1 3 • ANO X II i • N º 3 0 0 2
hojemacau
O Comissário Contra a Corrupção teve um ano em cheio. Pôs o dedo em várias feridas e escarafunchou. O Governo tremeu, deu o dito pelo não dito, com óbvio desconforto. É importante para Macau que Vasco Fong não se deixe intimidar. Como este ano aconteceu. Mesmo quando põe poderosos em questão.
• salário mínimo
População quer 30 patacas/hora Página 6
• ensino técnico
Afinal os cursos profissionais são sinónimo de sucesso
• ordenamento
Agência Comercial Pico • 28721006
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REPORTAGEM páginas 4 e 5
Plano do Governo para a Taipa em fase preliminar página 2 pub
Página 8
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especial
hoje macau terça-feira 31.12.2013
2013 desilusão
Personalidade do Ano • Vasco Fong
• Lau Si Io
O Comissário Contra a Corrupção (CCAC) não devia ter mãos a medir nesta santa terra. E Vasco Fong não tem. Como também não parece ter problemas em apontar dedos quando é preciso. Curiosamente, ao contrário de muito boa gente que por aí desliza, também parece não se importar de perder face, como aconteceu no caso do relatório que este ano publicou sobre o contrato de prestação de serviços dos autocarros. O Governo avançou com uma declaração explicativa de Chui Sai On: “tudo foi feito dentro da legalidade”. Uei! Senhor Chefe, não foi não! Basta ler o relatório do CCAC. Numa terra em que, se não vale tudo, vale quase tudo, Vasco Fong continua a ser um raio de luz em negrume de tempestade. E, à medida que os anos passam, está cada vez melhor: mais decidido, mais audaz, mais produtivo. Este ano de 2013 foi a prova disto: um corropio de relatórios que deixaram o Executivo algo abananado. Claro que, com a cara de pau que se lhe reconhece, Chui Sai On começou por chutar para canto (leia-se Lau Si Io). Quando a batata quente lhe foi devolvida, saiu-se com a frase sintética que citámos. Força Vasco! Nós seremos a muralha de aço!
político do Ano • Chan Meng Kam
O homem de Fujian hoje dá cartas em Macau. Verdadeiro dealer nesta sociedade abstrusa, Chan é considerado o “campeão do povo”. Se tens um problema, fala com Chan Meng Kam, ele resolve! – esta é a palavra de ordem nas ruas da RAEM. Tal deriva do facto de, provavelmente, ser verdade. Fenómeno de popularidade, construída com muita persistência, Chan deu baile nas eleições e ainda se deu ao luxo, dizem, de passar votos a outras listas. Como se diz em certas regiões de Portugal: é o máior!
governante do Ano • Ung Vai Meng, Instituto Cultural
Não é que o seu consulado à frente do IC seja isento de erros e omissões: é, sem dúvida, nomeadamente na área do património que continua a ser ultrajado, nomeadamente no Largo do Senado. Mas, perante, a inércia que assombra todos os outros departamentos governamentais, Ung Vai Meng acabou por se destacar pelo modo como leva a sério as questões culturais. Se consegue ou não realizar os seus planos, essa é outra música e em dó maior. Uma “limpeza” no IC talvez fosse o princípio de um princípio, mas isso não faz parte do seu elegante feitio.
Habitação, transportes, poluição, os grandes problemas que Macau enfrenta, todos da área pela qual Lau Si Io é responsável. A única coisa que lhe ocorreu fazer foi uma habilidade com números relativos à habitação, rapidamente desmentida pela sociedade. Sobre os transportes públicos (táxis e autocarros), palavras para quê? São artistas da ilegalidade e do crime. E tudo isto passa pela sua mesa sem que ele lhe ponha a vista em cima. A nomeação do seu “protegido” Wong Wan para o Trânsito, um “homem sem qualidades”, também não o ajudou por aí além. A poluição tornou-se este ano um sério problema e o que faz Lau Si Io? O mesmo que o tem caracterizado desde que tomou o poder: nada.
pior do Ano • francis tam
Bem pregam os homens de Pequim sobre a necessidade de Macau se diversificar economicamente, Francis Tam faz os chamados “ouvidos de mercador”. Enquanto os números do jogo continuarem a crescer, erecção que não é da sua responsabilidade, o Secretário para a Economia e Finanças deve julgar que vive num admirável mundo novo. Entretanto, assume que a diversificação económica é “impossível” e segue para bingo. Ao que sabemos, a sua especialidade é não dar andamento a qualquer projecto, não vá isso dar um inusitado trabalho. Entretanto, a população vislumbra três hipóteses de trabalho: casinos, casinos e casinos.
desilusão • Chui sai on
Um ano em que a inércia foi a grande mola de acção do Governo. Na verdade, pouco ou nada se passou numa cidade em que o capitalismo não é selvagem: é selvático. Ou seja, para o nosso Chefe o mercado é que regula. Então, pergunta-se, para que serve o seu Governo? Hesitamos antes de responder... mas o que nos assalta é a ideia de que serve para distribuir dinheiro, com critérios nem sempre transparentes. O seu Governo tem duas velocidades: devagar e parado. Ele parece não se importar...
oportunidade perdida do Ano • Eleições
Pois é, meus caros amigos defensores do sufrágio universal, as eleições em Macau são o que são e a mais não são obrigadas. Servem para dar protagonismo público a empresários de sucesso ou coisa que o valha. E pouco mais. Se houvesse directas para o Governo está-se mesmo a ver o bonito resultado que não teria. Votar é parte tão recente do léxico local que a maralha vota como está à vista de todos. A democracia tem várias estradas e as eleições aqui não é uma delas.
causa do Ano • Lei da Violência doméstica
Vergonha! Vergonha! Vergonha! No século XXI não são aceitáveis os argumentos de ninguém: a violência doméstica tem que ser obviamente considerada um crime público. Por mais que Cheong U meta os pés pelas mãos e as mãos pelos pés, os seus argumentos são rançosos. Pior: o facto de assim ser deixa Macau muito mal visto nos fóruns internacionais. Vergonha!
especial 2013 3
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evento do Ano
artista do Ano • Dóci papiaçam
• Fórum Macau
• Fong Chi Keong
O grupo de teatro em patuá fez 20 anos. Tempo em que manteve não apenas viva mas em constante recriação o linguajar de Macau. Símbolo de uma comunidade que teme pela sua identidade, este grupo faz mais por ela que 50 Encontros de Macaenses e 200 APIMs juntos. Só falta que Miguel de Senna Fernandes edite algumas das suas peças para que estas possam ser representadas entre os macaenses da diáspora. É preciso dar pernas para andar aos filhos. Os nossos exaltados parabéns!
Foi, indubitavelmente, o mais importante evento do ano porque reafirmou a obrigação da RAEM ser uma ponte entre a China e os Países Lusófonos. Como o Governo não tem nenhuma visão de futuro para esta cidade, esta ideia de Pequim parece ser a única que concede a Macau alguma perspectiva de evolução com sentido. A presença de vices-primeiros-ministros durante a reunião acrescentou alguma gravitas ao evento.
desilusão
boçal do ano O deputado e presidente de não sei quantas associações cuja conta já perdi e das quais me dizem ele não passar de um testa de ferro tem uma linguagem boçal que muito se adequa aos trabalhos da Assembleia Legislativa. Ele não hesita e é capaz de dizer as maiores barbaridades com a cara de pau menos discreta do mundo. A “boca” a Cheong U sobre a sua excitação sexual e a mulher não ultrapassou os limites: estes já tinham sido ultrapassados quando considerou que a prostituição de raparigas chinesas em Macau era “prostituição patriótica”. Ó yé!
xenófobos do ano
figura internacional
O todo-poderoso governante português veio a Macau com a sua habitual pose: deixar envergonhada a comunidade portuguesa local. Arrogância, falta de educação, miserabilismo, eis a receita que trouxe do Ocidente. Na verdade, foi muito bom: divertimo-nos com as aventuras de Portas na China. O resto não foi nada de novo: só confirmou o desastre que foi a sua primeira visita.
• Song Pek Kei e Zheng Anting
• Edward snowden e josé mujica
instituição do Ano
casino do Ano
• Passagem de Paulo portas
• Associação Bom Pastor
Estes neo-deputados acham que os trabalhadores não residentes ocupam demasiado espaço nos parques e que, para começar, deviam existir carreiras de autocarros especiais para eles. Para o ano, devem propor que andem com uma estrela azul ao peito. Ora e se fossem pregar para a Alemanha nazi ou para a África do Sul do apartheid! Podemos achar que a coisa é demasiado disparatada, mas... de tanto o cântaro ir à fonte... Dá vergonha existirem deputados com estas ideias na RAEM!...
Edward Snowden, com as suas revelações sobre as escutas feitas pelos americanos, abriu os olhos a muito boa e má gente. É o caso de Dilma e de Angela Merkel, por exemplo. Agora percebemos que vivemos num mundo não apenas perigoso mas onde a nossa privacidade existe somente ao bel-prazer de uns quantos tipos fechados numa sala algures no mundo. Quanto a José Mujica, presidente do Uruguai, a descriminalização da marijuana, o facto de prescindir de parte substancial do seu ordenado, o modo como se passeia calmamente entre o seu povo, a história da sua vida e, ontem, ter aberto o mar do seu país à Bolívia e ao Paraguai, de borla, desperta em nós a maior admiração que sentimos por um político nas últimas décadas. Vai em frente, és um farol para o mundo!
desportista do Ano • Niki Torrão
O jogador português, nascido na África do Sul, teve uma época de sonho com a camisola do Windsor Arch Ka I. Sagrou-se o melhor marcador da Liga de Elite e passou por ele muita da responsabilidade dos campeões não acabarem o campeonato numa posição mais frágil. Niki Torrão fez a sua formação na extinta equipa do Estrela da Amadora e depois passou por clubes modestos em Portugal de onde se destaca o Casa Pia e o Atlético do Cacém. Em 2011, chegou a Macau para representar o Ka I onde chegou a ser bicampeão. Aos 26 anos, acaba de abraçar o projecto do Benfica de Macau, equipa onde poderá brilhar ainda mais. É internacional pela Selecção de Macau.
Esta instituição, liderada por Julianne Devoy, tem feito um excelente trabalho na protecção de mulheres vítimas de violência doméstica ou de tráfico humano. Para além disso, Devoy surge sempre que é necessário na imprensa, sem papas na língua mas exibindo também um surpreendente bom senso. Já que temos um Governo troglodita, que ainda hesita em fazer aprovar uma lei óbvia no mundo civilizado, a existência do Bom Pastor surge como fulcral para a protecção das vítimas. Que não são tão poucas quanto isso.
• Venetian
Enquanto a maior parte dos casinos parece existirem um pouco no limbo, o Venetian não pára de trazer a Macau atracções do mais variado tipo, do boxe aos concertos de vários géneros. Tal como em 2012, o Venetian parece ser o casino que mais se preocupa, para além de ganhar oceanos de dinheiro, em proporcionar alguma coisa à população de Macau.
revelação • Chan Man
O lateral direito do Monte Carlo, que também pode fazer toda a ala, é, sem sombra de dúvidas, o melhor jogador chinês do território. Aos 20 anos, sendo sénior desde 2011, já conseguiu ser uma vez campeão de Macau (2013) e ganhou uma Taça de Macau (2012). Para além de ser, a nosso ver, o jogador chinês mais completo da RAEM, cuja Selecção representa amiúde, tem ainda uma notável margem de progressão devido à sua pouca idade. Já treinou em Portugal em clubes como o Belenenses ou a Académica, entre outros. Tem vindo a ser a maior revelação do futebol local ano após ano e, a qualquer momento, será uma forte certeza, se é que já não é.
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reportagem
A opção por um curso técnico no ensino secundário gera muitas vezes a reprovação da parte dos pais e dos amigos – pensam que os cursos não dão dinheiro nem acesso à universidade e acreditam que o estudo é pouco. Mas as histórias de Bianca, Peter e António provam o contrário
hoje macau terça-feira 31.12.2013
Professores e directores falam da importância do ensino técnico
Quando os cursos profissionais não são sinónimo de insucesso de português, que têm grandes oportunidades no futuro”, diz ainda Chan Ieng Lon. Franky, docente no curso de design de moda na mesma escola, frisa que “temos de mudar a forma como os pais encaram este tipo de ensino”. “A maioria vê estas escolas como sendo para os estudantes com menos capacidades e há que mudar essa ideia. Quem vem para cá não vem porque tem menos capacidades, mas sim porque está mais interessado em outras coisas. Gostam mais de desporto, artes, ou têm mais talento para o design. Os nossos estudantes acreditam que podem aprender mais alguma coisa.” Emília, docente de português e colega de Franky, também defende os cursos técnico-profissionais com unhas e dentes. “Vemos que o número de alunos está a aumentar. Temos muitos alunos que não vêm para a nossa escola logo no primeiro ano mas que se matriculam no quarto ano. Esta é uma escola pública e vemos que os pais colocam os seus filhos nas escolas privadas, porque acreditam que são melhores. Mas então depois porque é que chegam aqui para se inscreverem no quarto ano? Porque têm algum talento e querem de facto estar aqui. E vemos que todos eles são determinados em relação ao que vão fazer no futuro. Sentem que têm capacidades quando se inscrevem. E querem colocar esse talento em alguma coisa que possam fazer.”
Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
P
erante o desafio de falar português Bianca cora e sorri, envergonhada, mas nem por isso deixa que o medo vença. Consegue dialogar na língua de Camões, apesar de ainda só estar no 12.º ano. Bianca é aluna da escola luso-chinesa técnico profissional, a única escola pública em Macau nessa área, e representa um grupo de alunos que rejeitou entrar no ensino normal por querer aprender outras coisas. Com 22 anos, não tem dúvidas daquilo que quer fazer: estudar tradução e interpretação de chinês-português no Instituto Politécnico de Macau (IPM). Já esteve mesmo em Portugal para aprofundar conhecimentos, e diz ter adorado a experiência. “Este curso é melhor do que as escolas normais, porque temos esta oportunidade de ir a diferentes departamentos para estagiar, e nas outras escolas não temos essa oportunidade. Aprendo mais nesta escola.” No ano em que o Chefe do Executivo, Chui Sai On, deu grande destaque ao ensino técnico-profissional na apresentação das Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2014, o HM foi compreender as motivações dos alunos na escolha deste tipo de cursos. E o porquê do ensino técnico-profissional ainda não ser totalmente aceite na sociedade. Se estes jovens acreditam que uma vertente prática dos seus estudos lhes pode dar mais valias, as famílias ainda acreditam que estudar num curso técnico não dá futuro. “Temos esta dificuldade, porque a maior parte das famílias
Peter, o estilista
chinesas não aceitam os cursos técnico-profissionais. Em Macau essa é a grande razão. Tentamos o nosso melhor para promover os cursos e também para que os alunos, depois de os terminarem, tenham as mesmas oportunidades face aos alunos de outras escolas”, diz ao HM Chan Ieng Lon, director da escola luso-chinesa técnico-profissional.
“70% dos nossos alunos vão para a universidade, em Macau, Taiwan ou China. Está a melhorar, mas essa taxa ainda é baixa. Nos últimos anos temos vindo a promover mais os cursos e esperamos que isso possa mudar a mentalidade das pessoas”, acrescenta. “Nos últimos anos o Governo tem investido muitos recursos no ensino técnico-profissional, mas
o problema continua em atrair as famílias chinesas para que aceitem este tipo de educação. Acreditam que as carreiras no futuro dos seus filhos serão mais condicionadas e que não poderão ter acesso ao ensino superior. Mas a verdade é que isso não acontece, porque os nossos cursos não são de técnicas inferiores, e temos o exemplo do curso de tradução
Se a família e os amigos aceitaram que Bianca estudasse português, por considerarem que pode ser uma mais valia de futuro, devido aos negócios entre Macau, China e os países de língua portuguesa, o mesmo não aconteceu com Peter. Com 18 anos, frequenta o curso de design de moda na escola luso-chinesa, mas teve de enfrentar a reprovação dos familiares e amigos. “A minha família fez algumas críticas quando escolhi este curso, mas acho que aqui posso aprender algumas ferramentas que outras escolas não ensinam. Os meus amigos não compreendem a importância dos cursos técnicos, porque pensam que fazemos menos trabalhos de casa e que temos mais tempo livre. Mas ando sempre ocupado. Já estudo isto há três anos e já tenho mais capacidades do que
reportagem 5
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os outros que nunca estudaram design de moda.” Peter quer “ter sucesso e vestir pessoas bonitas” e, para já quer apostar tanto em roupa de homem como de mulher, embora saiba que desenhar vestidos e saias pode dar mais margem de lucro. Já António, colega de Bianca, só tem uma certeza na sua cabeça. “Quero trabalhar no Governo”. E sabe que, para isso, a língua portuguesa é uma ajuda preciosa. Na escola pública são oferecidos um total de oito cursos, nas áreas do turismo, artes marciais, técnicas electrónicas, design e produção de criativos de moda, tradução e interpretação, design, design de página Web e multimédia e ainda técnicas administrativas e comerciais. Fora da escola pública, o ensino técnico-profissional existe também no sector privado. A escola da Associação dos Operários de Macau só oferece este tipo de cursos, enquanto que outras sete instituições de ensino oferecem alguns cursos técnicos, a par do ensino normal. A escola São João de Brito é uma delas. Com cursos na área do desporto e serviço social, pretende nos próximos tempos abrir um curso virado para o sector das convenções e exposições, por se tratar de uma área em expansão, como disse ao HM Paul Pun, director da escola e também secretário-geral da Caritas. Nesta escola estuda Wong, jovem de 17 anos que frequenta o curso técnico de desporto por querer, um dia, ir para a polícia. Já Grace, com a mesma idade do colega, quer trabalhar com idosos. Nenhum deles pretende trabalhar como croupier.
gostam de contratar os alunos que frequentam os cursos técnico-profissionais”, aponta Chan Ieng Lon. “A verdade é que estes alunos têm mais capacidades na hora de irem para a universidade. Normalmente metade dos alunos que não vão para a universidade (30%) conseguem um emprego ligado ao curso que tiram.” “Talvez alguns dos nossos alunos acabam por escolher o casino, mas estamos a falar de uma percentagem muito baixa. Os nossos alunos do 12.º ano têm um estágio de três meses numa empresa, e é uma boa oportunidade
Conservatório de Macau
para aprenderem como trabalhar”, frisa Chan Ieng Lon. Emília, que já deu aulas de português numa instituição privada, diz que adora trabalhar na escola, e que, como ela, a maioria dos
professores se sentem motivados. “É uma motivação ver os alunos crescerem e começarem cedo nos cursos vocacionais. Porque se forem para a universidade e começarem lá, vão ter três anos. Se
começarem mais cedo, veremos quantos anos ganham em comparação aos anteriores.”
A procura pelo Conservatório
O Conservatório de Macau é outra das entidades públicas de ensino técnico, estando dependente do Instituto Cultural (IC). Com três escolas, viradas para o ensino da dança, teatro e música, o Conservatório possui actualmente cerca de dois mil alunos. Em resposta escrita enviada ao HM, a direcção da entidade assume que as “instalações são insuficientes” e que, por isso, apenas é possível manter esse número de alunos. Contudo, notam um aumento de interesse de aprendizagem por parte dos que são apaixonados pelas artes. “À medida que o Governo impulsiona entusiasticamente as indústrias culturais e criativas, cada vez mais cidadãos desejam estudar artes, pelo que aumenta bastante o número de inscrições para o Conservatório.” “No futuro o Conservatório irá dedicar-se à profissionalização das instalações pedagógicas e diversificação de disciplinas, reforçar a equipa de docentes e penetrar na educação artística das comunidades.” A instituição afirma que vai ainda realizar “um estudo sobre a procura do ensino superior das artes performativas pelos residentes locais, traçando de forma científica o futuro plano de desenvolvimento”.
Um ensino com futuro
Dois diplomas
A falta de esforço e estudo é uma realidade que não existe neste tipo de ensino. No caso da escola luso-chinesa, os alunos ficam com dois diplomas, ou seja, o certificado de conclusão do ensino secundário mais o diploma do curso técnico. Em três anos, têm de frequentar pequenos estágios na área que escolheram. Se Bianca e António já estiveram em Portugal, na Universidade do Minho, em Braga, os seus colegas do curso de técnicas de turismo já tiveram de passar pelo Instituto de Formação Turística (IFT). “Acredito que as empresas
Acredito que as empresas gostam de contratar os alunos que frequentam os cursos técnicoprofissionais Chan Ieng Lon Director da escola luso-chinesa técnicoprofissional
À medida que o Governo impulsiona entusiasticamente as indústrias culturais e criativas, cada vez mais cidadãos desejam estudar artes, pelo que aumenta bastante o número de inscrições para o Conservatório
Grace e Wong
À semelhança da escola São João de Brito, também a luso-chinesa pretende oferecer mais oportunidades lectivas, com a abertura de um novo curso na área dos cuidados de saúde. O seu director acredita que, daqui para a frente, as mentalidades podem de facto mudar e que o futuro será mais risonho para o ensino técnico-profissional. “Olhando para outros países, como os Estados Unidos, ou mesmo na Europa, vemos que o desenvolvimento do ensino técnico-profissional é muito importante para o sector económico. Actualmente a proporção dos alunos que entram no ensino profissional é apenas de 10%, então ainda há muito espaço para aumentar.” Franky também acredita numa maior aceitação. “Vai ser mais aceite no futuro, porque podemos ver uma grande procura por parte de pessoas que têm algum talento especial. Temos o sector das exposições e convenções que está a aumentar, e precisamos de muitas pessoas que saibam conceber projectos. A longo prazo vamos precisar de pessoas com capacidades próprias, por isso acredito que o ensino técnico-profissional em Macau vai desenvolver-se e vai desempenhar um importante papel.”
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política
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Salário mínimo 99% querem 30 patacas por hora para porteiros e trabalhadores de limpeza
Governo preocupado com impacto
A maioria dos que foram ouvidos na consulta pública sobre a implementação de um salário mínimo para porteiros e trabalhadores de limpeza quer que este seja fixado nas 30 patacas. O Governo não diz se concorda, mas mostra preocupação com o “impacto grave” que esta medida pode trazer. O Executivo assegura que o salário será para todos os trabalhadores destas áreas, mas descarta as sugestões de que devia ser implementado noutras profissões. Isso, só estudando de que a significativa parte dos trabalhadores destas áreas serem “indivíduos com idade relativamente avançada ou com baixas habilitações”, sendo que “quanto mais alto for o valor, maior será a hipótese de virem a ser substituídos”. O Governo concorda.
Todos incluídos
Joana Freitas
joana.freitas@hojemacau.com.mo
S
ão 30 patacas por hora. A maioria das pessoas que respondeu à consulta pública sobre a implementação do salário mínimo quer que este seja fixado em 30 patacas por hora “ou mais”. São 98,8% dos mais de mil inquiridos, contra 0,4% que pedem 27 patacas ou menos por hora. Os dados foram analisados pelo HM, segundo o relatório final da consulta pública à proposta de “Fixação do salário mínimo para os trabalhadores que exercem trabalhos de limpeza e de segurança na área de administração de propriedades”, ontem publicado. O Governo não adianta se
concorda com o montante avançado, nem sugere qualquer valor, deixando a margem entre as 23 e as 30 patacas. Mas deixa um alerta. “Quanto mais elevado for o nível do salário mínimo maior será impacto na sociedade. Como em Macau, os serviços de limpeza e segurança são, na sua maioria, prestados por pequenas e médias empresas ou até microempresas, a implementação do salário mínimo legal irá aumentar os custos operacionais das empresas, sendo esse aumento transferido inevitavelmente para os consumidores.” O Executivo diz que não tem dúvidas que a implementação de um salário mínimo – que, recorde-se, é apenas para os funcionários de limpeza e da área de segurança de propriedades -,
terá um impacto profundo no desenvolvimento socioeconómico e deixa por isso a sugestão de que seja feita uma “fixação adequada do primeiro salário mínimo legal”. Por isso mesmo, não aceita as opiniões de que o salário mínimo não deveria ser limitado a estes trabalhadores. Houve opiniões nesse sentido, de acordo com o relatório final da consulta pública, mas não são partilhadas pelo Governo. “Entende-se ser mais apropriado começar por estabelecer um regime para estes [trabalhadores] e depois estudar a extensão [para outras profissões].”
Divididos
Apesar de, nas opiniões recolhidas, a maioria concordar com as 30
patacas/hora, há, segundo o relatório do Executivo, quem sugira que se fique pelas 26 patacas. O Governo explica porquê: “o valor da remuneração por hora para os trabalhadores que prestam serviços de limpeza e segurança adjudicados pelos serviços públicos é de 26 patacas. Para evitar desigualdade na remuneração praticada em empresas privadas e serviços públicos, causando injustiças, foi sugerido [este valor].” Há ainda opiniões que realçam que um valor muito elevado pode trazer problemas – como por exemplo, irá aumentar os custos operacionais das empresas sendo esse aumento transferido para os consumidores -, e sugerem que se fique apenas pelas 23 patacas por hora. A preocupação, diz o Governo, centra-se no facto
Apesar de terem sido sugeridas isenções de salário para alguns funcionários e associações sem fins lucrativos e ainda a separação de trabalhadores, o Executivo disse já descartar essas opiniões. O Governo quer que todos os trabalhadores sejam cobertos pelo salário mínimo – independentemente de serem residentes ou não residentes – e diz não ser ideal a isenção. Sobre as actualizações deste montante, o Governo diz querer “seguir indicadores”, apesar de haver sugestões de indexar a percentagem do salário mínimo à mediana do rendimento. O Executivo, por sua vez, prefere ter em conta a economia de Macau, a taxa de inflação, a situação do mercado de trabalho, a taxa de desemprego, a mediana dos rendimentos e o actual montante de salário mínimo por hora para os mesmos trabalhadores mas da função pública. O relatório – que junta opiniões de uma consulta pública que decorreu entre Setembro e Novembro – assume que, os trabalhadores em questão, “são pouco mais de dezenas de milhar de pessoas”. O Governo sugere uma revisão de dois em dois anos, mas adianta já que, até estar em vigor a lei, deve-se calcular o montante com base nas modificações que poderão ocorrer na taxa de inflação durante os procedimentos legislativos.
política 7
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Habitação económica Chan Meng Kam pede revisão da lei
Exigido sistema regular de candidaturas cecilia.lin@hojemacau.com.mo
C
han Meng Kam considera que a lei da habitação económica em vigor não traz regras saudáveis ao processo de candidatura por parte das famílias. O deputado afirma, em interpelação escrita entregue ao Executivo, que os residentes estão abrangidos, mas que nem todos têm possibilidade de serem candidatos.
Por isso o deputado considera que deveria ser criado um sistema regular de candidaturas para evitar repetições e facilitar o trabalho de análise do Governo. “Com a lei cada vez que há um novo concurso para habitação económica é preciso fazer uma nova candidatura. A nova lei não resolve os problemas da falta de casas económicas. Como a lei não funciona, então porque não se modifica, estabelecendo um sistema regular de candidaturas e deixar
tiago alcântara
Cecília Lin
previdência central Ella Lei critica Governo
Esperar e desesperar A de revisão, tenho medo que só depois de dez anos teremos um fundo de previdência central obrigatório”, disse ao jornal Ou Mun. Para a deputada, o facto de o Governo ainda financiar o fundo, pode atrasar a reforma na segurança social e isso, diz, atrasou a implementação da previdência central. “A reforma do sistema de segurança social já ficou pronta em 2011, mas até agora não há
novidades sobre o fundo de previdência central. Se apenas no próximo ano se fizer a consulta pública e se apresentar a proposta, o mais certo é que só em 2015 se execute a proposta.” Além disso, realça, o facto de a previdência central vir a usar primeiro o fundo de previdência central não-obrigatório e de necessitar de revisão para mudar para o sistema obrigatório demora. - C.L.
gonçalo lobo pinheiro
deputada Ella Lei acusa o Governo de não cumprir o seu compromisso sobre a proposta de lei da previdência central este ano. O Executivo prometeu que no quarto trimestre iria ser publicada, mas não o fez até agora. “O Governo não manteve a sua promessa. Se vier apenas depois da consulta pública sobre a previdência central não-obrigatória e se, a isso, acrescentarmos alguns anos
que as famílias possam adaptar-se consoante a sua situação, e evitando repetições.” Chan Meng Kam critica ainda o Executivo por não oferecer dados reais sobre as necessidades das casas públicas, e menciona que os relatórios das duas universidades apresenta resultados diferente face ao que os residentes esperavam. “Sobre esta política quando é que o Governo pode apresentar detalhes? Tem um calendário e uma direcção?”
habitação sugeridas fracções a preços diferentes
Sem separação de classes A
gnes Lam, professora da Universidade de Macau (UMAC), deixou uma sugestão aos empreiteiros de Macau: a construção de um edifício onde possam viver residentes “de todas as classes”. A académica falava no encontro “Mesas redondas cívicas”. A também presidente da Energia Cívica de Macau disse que a experiência da Malásia e dos Estados Unidos pode ser tida em conta. “Dois relatórios sobre a política “Terras de Macau para os residentes de Macau” mostram que existe uma grande procura entre habitação pública e habitação privada. Apesar de pensarmos em casas só para os residentes de Macau, também podemos considerar
casas privadas.Até os Estados Unidos de América fazem, acredito que Macau também tem condições para resolver a procura de habitação pelos residentes. Assim até os pobres podem comprar uma casa privada.”
A ideia de Agnes Lam é que os empreiteiros mantenham algumas das unidades habitacionais de edifícios para vender aos residentes de classe média e mais pobre, a um preço mais acessível. - C.L.
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Mak Soi Kun fala da indústria cultural e criativa
O deputado Mak Soi Kun critica no Governo por investir dinheiro na promoção das indústrias culturais e criativas, numa altura em que o panorama do sector ainda não é o ideal. “A realidade é que faltam talentos no sector das industrias criativas, e ainda falta muito para falarmos de indústria. Numa sociedade capitalista o Governo não deveria liderar ou usar subjectivamente uma intenção para formar uma indústria. Isso não é cientifico e não dá espaço de manobra.” O deputado questiona o Executivo se já definiu um orçamento e calendário para a formação de talentos no sector, e se já avaliou as condições de formação na área.
Ho Ion Sang questiona progresso de câmaras de CCTV O deputado Ho Ion Sang quer saber mais sobre o progresso do regime jurídico de videovigilância em espaços públicos. Em interpelação escrita, o deputado lembra que os responsáveis prometeram aumentar o número de câmaras, mas que o progresso do trabalho nunca foi “transparente”. Os “olhos do céu”, nome dado em chinês às câmaras de videovigilância, funcionam, segundo o deputado, como “os olhos da boca do Governo”. Ho Ion Sang pergunta quando podem ser instaladas câmaras em zonas menos seguras, sem esquecer em Seac Pai Van, onde existe habitação pública.
ANÚNCIO Faz-se saber que em relação ao concurso público nº 23/P/2013 para “Fornecimento do Sistema de Registo de Saúde Electrónico para os Serviços de Saúde”, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 47, II Série, de 20 de Novembro de 2013, foram prestados esclarecimentos, nos termos do ponto 3.º do programa do concurso, pela entidade que realiza o concurso e juntos ao processo do concurso. Os referidos esclarecimentos encontram-se disponíveis para consulta durante o horário de expediente na Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita na Rua Nova à Guia, n.º 335, Edifício da Administração dos Serviços de Saúde, 1.º andar.
Serviços de Saúde, aos 17 de Dezembro de 2013. O Director dos Serviços, Substituto Chan Wai Sin
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sociedade
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Taipa Plano de ordenamento é ainda preliminar, diz DSSOPT
Governo espera por reacção dos proprietários O Governo quer avançar com um novo ordenamento na zona norte da Taipa, entre o Edifício do Lago e avenida Sun Yat-Sen. Contudo, mais de metade dos terrenos são privados e, por isso, a projecto só avança depois dos donos mostrarem iniciativa para investir Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
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tiago alcântara
Direcção de Serviço de Obras Públicas (DSSOPT) apresentou ontem o plano de ordenamento urbanístico da zona norte da Taipa, o qual começou a ser delineado em 1995 e que está parado desde então. Contudo, o Executivo não tem ainda uma data concreta para avançar com uma iniciativa que pretende trazer mais habitações, jardins e equipamentos sociais para a zona compreendida entre o Edifício do Lago e a avenida Sun Yat Sen, nas imediações da povoação de Cheok Ka e Sam Ka. Os terrenos encontram-se devolutos e albergavam, até há bem pouco tempo, uma pequena comunidade de filipinos, que viviam em barracas. A razão para a falta de calendário e até de orçamento prende-se com o facto de mais de metade dos 71 terrenos serem privados, sendo que apenas dois são da Administração. Lao Ion, chefe do departamento de planeamento urbanístico da DSSOPT, explicou que não foram feitas quaisquer notificações aos proprietários. As informações serão publicadas online e depois o Governo vai aguardar a apresentação de projectos para o desenvolvimento dos terrenos. “Depende do desejo do aproveitamento dos terrenos pelos particulares, por
isso é difícil definir o orçamento já. Mas deve ser um orçamento muito grande. Acreditamos que os titulares estejam dispostos a construir mais habitações para a sociedade. É necessário encontrar um equilíbrio e têm de ser cumpridas as disposições.” “Se não conseguirmos expropriar então teremos de indemnizar”, explica ainda Lao Ion. “Há que proteger os interesses privados e não podemos responder apenas às necessidades em termos de habitação. Esperemos que no futuro possamos ter mais terrenos para
responder às necessidades da população, e claro que todos os terrenos vão ter de ser aproveitados.”
O que vai nascer na Taipa
Mais do que desenvolver os terrenos e criar espaços públicos para a população, o Governo pretende resolver os problemas de segurança e higiene causados por anos de estagnação urbana. Vão haver 6m2 de equipamentos sociais por habitante, embora o Governo ainda não saiba quantas habitações públicas possam surgir. “Entre centenas a milhares de fracções públicas
A razão para a falta de calendário e até de orçamento prende-se com o facto de mais de metade dos 71 terrenos serem privados, sendo que apenas dois são da Administração
poderão ser construídas, mas só quando entrarmos em negociações conjuntas é que saberemos quais os terrenos que serão para habitação pública.” Por entre mercados e recuperação de árvores, o Governo quer ainda proteger dois templos que datam da Dinastia Qing, para além da criação de novas zonas pedonais. Os proprietários podem ganhar benesses para desenvolver os seus terrenos mais rapidamente, como a obtenção de mais 20% de área bruta de construção, a autorização para construir com uma altura maior ou ainda “saber o planeamento do edifício ao lado”. “Talvez assim possam estar mais confiantes e disponíveis para investir. Este é um estudo interno e é a primeira vez que o divulgamos, tendo em conta que a sociedade pede mais transparência. Não enviámos nenhum oficio a estes titulares. Esperamos que com a divulgação eles possam contactar com a Administração para permitir uma concretização mais rápida deste plano.” Lao Ion disse que vão ser feitas reuniões trimestrais com o sector e que, aí, os proprietários poderão ter conhecimento do plano de ordenamento. “Será um dos problemas com os quais nos vamos deparar, porque a maioria dos terrenos são privados e é ainda uma incógnita se essas negociações (com os donos dos terrenos) vão ser bem sucedidas ou se vão por água abaixo.
ETAR Consórcio Waterleau/ATAL recebe mais dinheiro por gestão
Governo reajusta montante O consórcio Waterleau / ATAL Engineering vai receber mais de 900 mil patacas do Governo, por alterações nas águas que chegam à Estação de Tratamento e Resíduos (ETAR) do Parque Industrial Transfronteiriço. De acordo com um despacho publicado ontem em Boletim Oficial, houve necessidade de aumentar o montante pago às empresas, depois de um contrato assinado no ano passado. O Executivo celebrou um acordo com a Waterleau e a ATAL
para operar e fazer a manutenção da ETAR no local, mas “por força da evolução dos caudais afluentes à estação, tornou-se necessário aumentar o montante” inicial. O consórcio vai passar, portanto, a receber 9,8 milhões de patacas pelos serviços. As duas empresas, recorde-se, estão constantemente a ver os seus contratos de operação das ETAR renovados, apesar de estarem a ser julgadas em tribunal. Luc Vriens, da Waterleau, é arguido principal num caso de corrupção
que envolve o ex-secretário para as Obras Públicas e Transportes, Ao Man Long, precisamente por causa da ETAR do Parque Industrial Transfronteiriço. O ex-secretário foi considerado culpado, mas Luc Vriens e os responsáveis da ATAL ainda estão a ser julgados pelo crime de corrupção activa. O Ministério Público diz que os arguidos receberam a gestão da ETAR do parque a troco de vantagens ilícitas, mas a defesa garante que a experiência foi o que contou para que a Waterleau fosse escolhida. - J.F.
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hoje macau terça-feira 31.12.2013
A
taxa de desemprego em Macau manteve-se em 1,9% entre Setembro e Novembro face aos três meses terminados em Outubro e em relação a igual período do ano passado, revelam dados oficiais ontem divulgados. De acordo com os Serviços de Estatística e Censos, esta taxa corresponde a sete mil pessoas sem emprego na Região Administrativa Especial chinesa, ou seja, mais 100 do que entre Agosto e Outubro. O número de desempregados à procura do primeiro emprego representava 12,8% do total da população sem trabalho, menos 0,2 pontos percentuais em relação ao período entre Agosto e Outubro. A taxa de desemprego de Macau mantém-se, desde o primeiro trimestre de 2010, a um nível inferior a 3%. Os dados oficiais indicam ainda que a taxa de subemprego se manteve em 0,4% em relação aos três meses terminados em Outubro e caiu 0,4 pontos percentuais face a igual período do ano passado. Entre Setembro e Novembro, a população activa de Macau estava estimada em 375 mil pessoas, das quais 368 mil estavam empregadas - mais 1.700 pessoas do que entre Agosto e Outubro -, o que fez com que a taxa de actividade atingisse os 73,2%. Os resultados do Inquérito ao Emprego indicam ainda que, face ao período entre Setembro e Novembro do ano passado, a taxa de actividade aumentou 0,7 pontos percentuais.
Governo assina contrato de locação com Reolian
O
Governo está formalmente autorizado a assinar um contrato de locação com a Reolian. A autorização foi dada pelo Chefe do Executivo a Lau Si Io, secretário para as Obras Públicas e Transportes. “Lau Si Io tem todos os poderes necessários para representar a RAEM na assinatura da Escritura de Contrato de Locação de Empresa Comercial, a celebrar entre a RAEM e a massa falida da Sociedade de Transportes Públicos Reolian, S.A.” A ordem entrou imediatamente em vigor, mas o despacho dá hipótese de escolha a Lau Si Io: o secretário pode delegar esses poderes. Não há pormenores sobre a escritura do contrato, mas um contrato deste tipo acontece quando uma das partes – neste caso a Reolian - se obriga a ceder à outra o uso de serviços, nesta situação, por tempo determinado ou não. Recorde-se que o Executivo anunciou que iria assumir a gestão da Reolian “por seis meses”, depois de a empresa ter declarado falência. A empresa tem dívidas na ordem dos 120 milhões de patacas. - J.F.
DSAT cria sistema sonoro para autocarros
A pensar nos invisuais A
inda é experimental, mas o Governo pretende instalar um sistema de informação sonora nos autocarros, de forma a facilitar a mobilidade dos invisuais. O sistema foi ontem apresentado e entrará em funcionamento a partir de 2 de Janeiro no autocarro número 4 – que faz o percurso do Fai Chi Kei à Avenida Almeida Ribeiro. “É submetido a ensaios, das 10h00 às 22h00. Tendo em conta que o embarque e desembarque dos invisuais podem ser um pouco demorado, a DSAT apela aos passageiros para prestarem atenção, cedendo aos mesmos lugar e sendo prestáveis.”
PIB e Rendimento Nacional Bruto mais do que duplicaram desde 2008
Haja dinheiro O Produto Interno Bruto (PIB) e o Rendimento Nacional Bruto (RNB) de Macau mais do que duplicaram entre 2008 e 2012 para o equivalente a 348.216 e 301.720 milhões de patacas, respectivamente, revelam dados oficiais ontem divulgados. De acordo com os Serviços de Estatística e Censos, Macau registou, em 2008, um aumento do PIB em termos reais de 3,4%, face a 2007, para 166.265 milhões de patacas, valor que não parou de crescer até 2012, apesar da crise global. Em 2009, sob efeito da crise financeira mundial, o PIB de Macau teve uma subida mais tímida, de 1,7%, mas em 2010 registou um forte aumento de 27,5%, para 226.941 milhões de patacas, que abrandou em 2011 para 21,8% e em 2012 para 9,9%, ascendendo a 348.216 milhões de patacas.
os invisuais podem receber sinais de áudio da carreira de autocarro que se está a aproximar da paragem, através de
A montagem deste sistema de informação sonora foi já feita em 15 autocarros da carreira 4 e funciona da seguinte forma:
O RNB acompanhou a tendência, passando de uma contracção de 6% em 2008, face a 2007, - ascendendo a 149.010 milhões de patacas -, para um aumento de 5,6% em 2009 e depois para uma forte subida de 25,4% em 2010, que abrandou para 17,3% em 2011 e para 13% em 2012, ano em que totalizou 301.720 milhões de patacas. No ano passado, o PIB ‘per capita’ era de 611.930 patacas e o RNB ‘per capita’ era de 530.221 patacas, indicam ainda os dados oficiais. “Em 2012, tanto o RNB, como o RNB ‘per capita’ ficaram aquém do PIB e do PIB ‘per capita’, indicando que o rendimento obtido pelos investidores não residentes em Macau é superior ao rendimento obtido pelos residentes que investiram o exterior”, justifica uma nota dos Serviços de Estatística e Censos.
um receptor portátil que levam consigo. Para que o sistema se adaptasse melhor às necessidades dos utilizadores, a DSAT fez uma visita a várias associações de invisuais. O sistema, esse, vem de Shenzhen. “O sistema acima referido, desenvolvido em Shenzhen, foi o escolhido pela DSAT para testar em Macau. Está já bem desenvolvido em Cantão [também] e, além disso, outras cidades do interior da China começam já também a utilizá-lo.” Devido às ruas estreitas, à pequena área das paragens, à concentração de carreiras nas paragens, à interferência de outros sinais de redes sem fios e a pouca distância entre as paragens e as habitações, a DSAT procedeu ao ajustamento da capacidade de recepção de sinais sem fio e no idioma utilizado para difusão - só se utiliza cantonês na fase experimental. - J.F.
hoje macau
Taxa de desemprego manteve-se em 1,9%
Metro ligeiro executivo paga mais de 28 milhões por estudo de viabilidade
Rumo a sul O Governo vai pagar mais de 28 milhões de patacas por um estudo sobre o metro ligeiro. O anúncio foi ontem feito em Boletim Oficial, onde um despacho mostra que a Aecom Macau Companhia Limitada vai ser a responsável pelo Estudo de Viabilidade do Traçado do Segmento Sul de Macau. A AECOM Macau é uma das subsidiárias da empresa que está envolvida nas obras da ponte Hong Kong – Zhuhai – Macau. O Governo vai pagar 28,5 milhões de patacas, que serão pagas em tranches até 2015. O Executivo não especifica qual
exactamente o traçado, mas a realização de estudos de viabilidade não é nova. Em 2005, o Governo encomendou um estudo de viabilidade, onde foram analisadas rotas possíveis de serviços que cobrem a península de Macau, a zona do Cotai e a Taipa. Também em 2011, uma empresa de Hong Kong foi a escolhida para um outro estudo de viabilidade na zona de Seac Pai Van, onde existe habitação pública. A necessidade do estudo surgiu precisamente devido à existência de apartamentos na zona, mas à ausência de paragem de metro no local. - J.F.
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china
hoje macau terça-feira 31.12.2013
Mortes em ataque contra esquadra na região de Xinjiang
Oito homens foram ontem abatidos a tiro pelas forças de segurança, e um outro detido, enquanto “atacavam”, armados com facas e explosivos, uma esquadra da região chinesa de Xinjiang, anunciaram as autoridades. Segundo o portal oficial Tianshan News, ligado ao governo regional, os confrontos ocorreram em Yarkand, próxima da cidade de Kashgar, principal centro cultural e histórico dos uigures, por volta das 6h30 locais. As autoridades chinesas afirmam que “terroristas” têm sido responsáveis por ataques similares registados na conflituosa região, situada no noroeste do país. Xinjiang, vasto território de maioria islâmica, rico em petróleo e recursos minerais, confina com o Afeganistão, Paquistão e três ex-repúblicas muçulmanas da Ásia Central. Os uigures constituem 45% dos cerca de 25 milhões de habitantes do Xinjiang.
Moeda chinesa bate novo recorde face ao dólar norte-americano
O yuan atingiu ontem um novo recorde face ao dólar norte-americano. De acordo com a agência Xinhua, a moeda chinesa valorizou 26 pontos base, atingindo 6,1024 por dólar, o valor mais elevado desde Julho de 2005, altura em que o país lançou reformas ao nível do mecanismo de taxa de câmbio. O yuan ainda não é inteiramente convertível, contudo, a sua cotação pode variar 1% por dia face a um pacote de moedas internacionais que inclui o dólar norteamericano, o iene, o euro e a libra. Na sextafeira, o banco central chinês fixou a taxa de paridade central do dólar-yuan em 6,1050, valor superior à cotação do dia anterior (6,1156). Desde o início do ano, o yuan apreciou cerca de 3% contra o dólar norte-americano, e, desde 2005, já valorizou 30%. Nos últimos cinco anos, a moeda chinesa também valorizou cerca de 30% face ao euro. Pelas cotações do banco central chinês, ontem, um euro valia 8,38.84 yuan, quando, em Dezembro de 2004, a moeda única europeia chegou a valer 11,284 yuan.
Importante assessor político de Sichuan sob investigação
O Partido Comunista da China disse que um importante assessor político duma província do sul do país foi colocado sob investigação pela agência interna de disciplina. A comissão responsável pelo combate à corrupção do partido disse em comunicado colocado na internet que Li Chongxi, director de um órgão consultivo para a província de Sichuan, está sob investigação devido a sérias violações disciplinares. Esta medida ocorre face aos persistentes rumores de uma investigação contra o ex-chefe de segurança Zhou Yongkang, que foi muitos anos líder do Partido Comunista de Sichuan. Durante parte desse tempo, Li trabalhou próximo de Zhou quando ainda era secretário-geral do comité do partido na província de Sichuan e director do escritório geral de 2000 a 2002.
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China vai lançar satélites actualizados e expandir o seu Sistema de Navegação por Satélite BeiDou (BDS, na sigla em inglês) à cobertura global até 2020, disse este fim-de-semana, um porta-voz do sistema. “Espera-se duplicar o actual nível de desempenho geral do BDS, e a precisão de posicionamento poderá ser actualizada ao nível de metro até meio metro até 2020”, disse Ran Chengqi, porta-voz do BDS em conferência de imprensa. O BDS começou a fornecer serviços de posicionamento, navegação, cronometragem e mensagens curtas aos utilizadores na China e nas áreas pró-
Sistema de satélite Beidou terá cobertura global até 2020
Alta precisão ximas na região Ásia-Pacífico em Dezembro de 2012. Durante o último ano, o posicionamento tem vindo a ser actualizado para uma área de cerca de dez metros, de acordo com Ran, director do departamento de navegação por satélite. “O desempenho é melhor em algumas regiões”, disse. A precisão pode chegar a até sete metros em algumas
cidades chinesas como Pequim, Zhengzhou, Xi’an e Urumqi e cinco metros nas regiões de baixa altitude como a Associação das Nações do SudoesteAsiático (ASEAN, na sigla em inglês). O departamento emitiu um documento de controlo de interface (DCI) para abrir o sinal de serviço B2I em mandarim e inglês na quinta-feira passada. “O B2I, que actualiza o B1I
divulgado no ano passado, significa que o BDS entrou na era da aplicação de multifrequência”, disse Ran, acrescentando que “isto significa que o sistema pode fornecer uma navegação mais precisa”. As empresas chinesas e estrangeiras podem desenvolver receptores de alta precisão de dupla frequência do BDS com base neste sistema, de acordo com o porta-voz. A China lançou o primeiro satélite Beidou em 2000. Um ano antes do lançamento oficial do sistema, uma versão preliminar foi usada em controlo de trânsito, previsão do tempo e trabalho de assistência a desastres desde 2003.
Li Keqiang sublinha a importância da melhoria do bem-estar do povo
Incentivo ao capital privado N
a véspera do ano-novo, o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, fez uma visita à cidade costeira de Tianjin, para conhecer melhor a vida da população e o processo de abertura ao exterior, informa a rádio China. Num encontro com jovens empreendedores, Li Keqiang afirmou que estes são a “força motriz” para a inovação e para o empreendimento, o que contribui para criar mais vagas de emprego para a sociedade. O primeiro-ministro chinês visitou também um dos bairros mais pobres da
cidade. No local, disse que o governo vai reforçar o apoio financeiro e incentivar a participação do capital privado na melhoria das condições habitacionais da população. Na visita a um cartório da área industrial e comercial, Li Keqiang reconheceu as reformas de simplificação dos procedimentos para registos de empresas e o reforço da supervisão ao mercado. Além de defender uma maior descentralização na área, Li Keqiang vai pedir ao governo para adoptar medidas efectivas para a criação de uma ordem comercial de concorrência justa.
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hoje macau terça-feira 31.12.2013
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China proibiu os membros do Governo de fumarem em locais públicos, de modo a servirem de exemplo para o resto do país, que possui o maior número de fumadores do mundo. A agência de notícias oficial do Governo, Xinhua News, disse que os membros do Governo não poderão fumar em escolas, hospitais, eventos desportivos, transportes públicos ou em qualquer outro lugar onde o fumo está banido. Oferecer cigarros quando se está em serviço oficial também é proibido, assim como usar dinheiro público para comprar cigarros. Produtos com tabaco também não poderão ser vendidos ou anunciados no Partido Comunista ou nos escritórios do Governo. A agência de notícias disse que as regras foram escritas numa circular do Gabinete do Governo chinês. Não há uma lei nacional que proíba o fumo em locais públicos fechados,
Pequim proíbe membros do Governo de fumar em público
O exemplo vem de cima
pub
região Presidente sul-coreana acusa Japão de “pôr o dedo em feridas do passado”
Confiança minada A
Presidente sul-coreana, Park Geun-hye, criticou ontem o Japão por “pôr o dedo em feridas do passado”, na sua primeira alusão à polémica visita do primeiro-ministro nipónico, ShinzoAbe, ao santuário de Yasukuni, símbolo do imperialismo japonês. A chefe de Estado disse desejar que, no próximo ano, “não se verifique qualquer acção que, colocando o dedo em feridas do passado, possa minar a confiança entre os países e beliscar os sentimentos dos seus cidadãos”, numa clara alusão ao Japão, ainda que o nome do país vizinho não tenha sido mencionado. Independentemente da posição económica de uma nação, esta não pode considerar-se de ‘primeiro nível’ se não cumprir os valores e normas universais da comunidade internacional, argumentou Park Geun-hye,
numa reunião com altos quadros de Seul, segundo a agência Efe. O primeiro-ministro nipónico, Shinzo Abe, visitou, na passada quinta-feira, o santuário de Yasukuni, em Tóquio, um templo visto na Coreia do Sul como um símbolo do colonialismo e da opressão exercidos pelo Império do Japão no início do século XX. Esta foi a primeira visita, desde 2006, de um chefe de Governo japonês ao santuário de Yasukuni, onde se presta homenagem aos milhões de mortos do Exército Imperial entre 1853 e 1945, em que se incluem 14 criminosos da II Guerra Mundial. Horas depois da polémica visita de Shinzo Abe, um porta-voz do Exército sul-coreano qualificou oficialmente a acção de “lamentável” e “anacrónica”. Além disso, Seul cance-
lou, em forma de protesto, as reuniões propostas por Tóquio, no mês passado, as quais visavam a assinatura de um memorando de entendimento militar para o intercâmbio de informação entre os dois países. A Coreia do Sul e o Japão mantêm já diversas disputas, incluindo territoriais pela soberania das ilhas Dokdo/ Takeshima, controladas, de facto, por Seul mas reclamadas por Tóquio, a somar ao problema relativo às mulheres coreanas transformadas em escravas sexuais pelo Japão durante a II Guerra Mundial. A China, país que também sofreu a colonização por parte do Japão, também condenou a iniciativa deAbe, em linha com os Estados Unidos, que criticaram a acção, por considerar que pode deteriorar as relações do Japão com os seus vizinhos.
mas o Governo tentou acabar com esta prática no passado. Em 2011, o Ministério da Saúde formulou as linhas gerais para a proibição do fumo em locais como hotéis e restaurantes, mas estas nunca foram estritamente aplicadas. “O fumo permanece como um fenómeno relativamente universal em locais públicos. Alguns funcionários fumam em lugares públicos, o que não só prejudica o ambiente e a saúde pública, mas também mancha a imagem do partido, dos escritórios do Governo e dos líderes e tem uma influência negativa”, afirmou a circular, segundo a Xinhua. A China tem mais de 300 milhões de fumadores. As estatísticas do Governo revelam que o cigarro é uma das maiores ameaças à saúde da população. Em 2012, em comparação com 2002, as vendas de cigarros aumentaram 50%, para 2,52 biliões, segundo a Associação Chinesa para o Controlo do Tabaco.
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hoje macau terça-
Passagem de ano Diversos eventos em Macau no último dia de 2013
Já escolheu onde acabar o ano?
Clubes
O Cubic apresenta o DJ Andy Moor, nomeado para um Grammy em 2009. Antes da meia-noite a entrada é grátis, mas o preço sobe para os 500 dólares de Hong Kong com dois copos de champanhe.
Casinos • Venetian
Este ano, o Venetian promete “grande entretenimento”. Na véspera de passagem de ano, o Venetian tem não uma, mas várias escolhas: um concerto gratuito com Alan Tam, Hacken Lee e Kenny Bee na área exterior do casino e um show de luzes em 3D. No interior do casino, se preferir, assista à contagem decrescente no Bar Bellini Lounge, a partir das 21:30. O preço dos bilhetes é de 300 patacas e inclui um copo de champanhe.
Já sabe onde vai estar na passagem de ano? O HM deixa-lhe algumas sugestões para que o último dia do ano seja o mais do seu agrado possível.
• MGM
O casino do leão traz-lhe, assegura, “a maior festa do ano”. Sereias, cantores e artistas são as promessas deixadas pelo MGM. Com início às 20 horas, um espectáculo ao vivo de sereias é a sugestão para a
Bom ano novo!
À venda na Livraria Portuguesa O Mistério do Caderno Chinês • Pierdomenico Baccalario e Alessandro Gatti
Annette e Fabò têm um quebra-cabeças para resolver: tudo começa com a descoberta do misterioso diário de uma dama parisiense do século XIX. O antiquário que o possuía foi assassinado e o diário contém pistas para revelar a identidade do criminoso! Mas qual será a ligação entre as desventuras de uma dama que viveu há mais de um século e um crime cometido na Paris de hoje?
Panda - 1001 Atividades • vários autores
Grande Praça. Seis mulheres “mergulhadoras” vão deixá-lo sem fôlego. Para a noite, o MGM apresenta a banda canadiana Alter Ego – pop, rock e country são os estilos que pode ouvir. O grupo coreano Black Queen é outro dos artistas convidados, que promete aquecer o palco com dança. A festa começa às 22 horas e o bilhete custa 550 patacas, com duas bebidas “standard”.
• Grand Lisboa
Um espectáculo de luzes em todo o Grand Lisboa e cantores especialmente convidados de Hong Kong são as promessas da SJM. Rainky Wai e As One will são os artistas convidados, a par de King Kong. O Grand Lisboa oferece ainda jogos com as estrelas convidadas e um espectáculo de luzes que “chega até à Taipa”. Entrada livre.
Hotel • The Westin Resort
Se preferir mandar 2013 embora ao pé da praia, então esta é a festa para si. O Westin, em Coloane, dá-lhe música a noite inteira, com uma selecção de cinco DJs: Devlar, Jorge Vale,
Slim Buddah, Jimbrowski e VJ prometem aquecer a pista de dança. Se quer aproveitar ao máximo, saiba que os preços dos bilhetes – entre as 488 patacas e as 688 patacas – incluem todos os tipos de bebidas e buffet de petiscos grátis até ao fim da festa (das 22 horas às 4 da manhã). Pode ainda comprar entrada por 288 patacas, onde se inclui um copo de champanhe. Para maior comodidade, o Westin oferece ‘shuttle-bus’ toda a noite, com pontos de partida de Macau e da Taipa.
Na rua
Se quer sentir o calor das ruas de Macau na passagem de ano, então o concerto na Praça dos Lagos Sai Van é para si. Este ano, o Governo traz um espectáculo musical junto à Torre de Macau, de entrada livre. Para a contagem decrescente, basta assistir ao fogo-de-artifício, que acontece mais uma vez este ano, para dar as boas-vindas a 2014. Mas, há ainda uma outra festa na Avenida da Praia, na Taipa, para os mais preguiçosos que não se queiram deslocar a Macau. Ambas têm início às 22 horas e são de entrada gratuita.
Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net
O Panda e os seus amigos prepararam muitas atividades para as crianças se divertirem a valer. Nas páginas deste livro, podem encontrar jogos originais, diferenças entre imagens, experiências curiosas, labirintos, origamis engraçados e autocolantes coloridos, entre muitas outras surpresas.
Uma História por Dia • vários autores
Esta maravilhosa coletânea de histórias originais vai tornar-se no livro favorito das crianças na hora de dormir. Estas histórias, com ilustrações coloridas, são ideais para pais e filhos lerem juntos. O corpo de letra grande também incentivará as crianças a lerem este livro sozinhas mais tarde. As crianças vão ficar encantadas por terem uma história para cada dia do ano.
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-feira 31.12.2013
Cineasta chinês multado em milhões de patacas por ter mais do que um filho
Erro sai muito caro U m dos mais famosos cineastas chineses, Zhang Yimou, poderá ter de pagar uma multa de cerca de 9 milhões de patacas por violação da política de controlo da natalidade, disse ontem o jornal China Daily. Em vez de um único filho, como era imposto até agora aos casais urbanos, Zhang Yimou e a mulher, Chen Ting, tiveram dois rapazes e uma rapariga, entre 2001 e 2006. O realizador, que tem também um filho de um anterior casamento, já apresentou “um pedido público de desculpas” e prometeu cooperar com as autoridades de Wuxi, a cidade onde a família vive, anunciou o China Daily, numa notícia com chamada de primeira página. “Errei e não culpo ninguém pelo que fiz. Cooperarei plenamente com as autoridades do Planeamento Familiar de Wuxi”, disse Zhang Yimou numa entrevista à agência noticiosa oficial chinesa Xinhua, citada por aquele jornal. Zhang Yimou, 62 anos, autor de “Red Sorghum”, “Raise the Red Lantern” e outros filmes de grande sucesso, dentro da China e em festivais internacionais, foi o
encenador da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, no verão de 2008. A restritiva política de “um casal, um filho” foi imposta no início da década de 1980 e segundo o Governo, impediu que, em vez de 1.350 milhões de habitantes, a China tivesse já ultrapassado os 1.700 milhões. A multa por violação daquela política, denominada oficialmente “taxa de manutenção social”, é estipulada em função do rendimento do casal. Na primavera de 2012, um casal de Zhejiang, leste da China, teve de pagar mais de um milhão de patacas pelo seu segundo filho, o que na altura foi considerado um recorde. A semana passada, a Assembleia Nacional Popular (parlamento) aprovou uma proposta do Governo para flexibilizar a política de “um casal, um filho”, cumprindo uma promessa da nova liderança do Partido Comunista Chinês. De acordo com a nova orientação, que começará a entrar em vigor a partir de 2014, os casais em que um dos cônjuges seja filho único poderão ter dois filhos.
Antigo forno de dragão descoberto na China
Mais de mil anos de história A
rqueólogos descobriram um forno de dragão com 1200 anos de história em Jingdezhen, na região que foi o centro da indústria de cerâmica da China, na Província de Jiangxi, leste do país. O forno da dinastia Tang (618-907) tem 78,8 metros de comprimento e é o mais longo daquele
período já descoberto, de acordo com Xu Changqing, chefe do Instituto de Relíquias Culturais e Arqueológicas de Jiangxi. O forno, nas ruínas da aldeia de Nanyao, foi escavado por uma equipa das universidades de Xiamen, Noroeste e Nankai e da Cidade de Leping, entre Março e Novembro, disse Xu em conferência de imprensa.
O forno de dragão é uma câmara comprida e inclinada, com uma fornalha numa ponta e um cano na outra. Dezenas de toneladas de ferramentas e fragmentos cerâmicos também foram encontradas nas ruínas que ocupam cerca de mil metros quadrados, disse Zhang Wenjiang, investigador do instituto.
As ruínas foram descobertas pela primeira vez em 1964, mas não foram escavadas, porque as condições para preservar as relíquias eram muito precárias na época. Nos últimos anos, durante o debate sobre o período exacto em que Jingdezhen começou a produzir porcelana, decidiu-se examinar as ruínas de Nanyao.
Morreu mentor das bandas sonoras de “O pianista” e “Drácula”
Cultura polaca mais pobre A
música que compôs para o filme “O Pianista”, do realizador polaco Roman Polanski, valeu-lhe, em 2002, o prémio Cesar para a melhor música escrita para um filme O compositor polaco Wojciech Kilar, autor de bandas sonoras para filmes de realizadores como Roman Polanski, Francis Ford Coppola ou Andrzej Wajda, morreu esta segunda-feira aos 81 anos, anunciou a rádio pública da Polónia. Além de música para dezenas de filmes, Wojciech Kilar compôs também música sinfónica, música de câmara e obras para instrumentos a solo. Mas foram as músicas feitas para os filmes que o notabilizaram na Polónia e internacionalmente, com peças como a valsa
composta para o filme do realizador polaco Andrzej Wajda “Terra Prometida” a tornarem-se marcos na história da música clássica. A música que compôs para o filme “O Pianista”, do realizador polaco Roman Polanski, valeu-lhe, em 2002, o prémio Cesar para a melhor música escrita para um filme. Em 1992, a sociedade norte-americana de compositores, autores e editores, de Los Angeles, distinguiu-o pela melhor banda sonora original para o filme “Drácula”, de Francis Ford Coppola. “Deixou-nos um homem excepcional. Foi uma das figuras mais importantes da cultura polaca”, disse Waldemar Dabrowski, director da Ópera de Varsóvia após o anúncio da morte de Wojciech Kilar.
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próximo oriente
artes, letras e ideias
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Hugo Pinto
Passado todo este tempo
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o ano que agora termina passaram 500 anos desde o primeiro encontro entre Portugal e a China. Em Macau, onde as duas histórias se cruzaram, a efeméride passou quase despercebida, sem cerimónias nem “eventos” oficiais. Para o bem da sanidade alheia, e até para preservar a dignidade que resta, foi melhor que os sentimentos patrioteiros de trazer na lapela tivessem ficado nos armários, tal como também foi melhor que tivesse sido um “grupo de portugueses” e não um “governo de portugueses” a juntarem-se num sábado destes de Dezembro, frio e chuvoso, junto à estátua de Jorge Álvares, o navegador que nos trouxe até aqui. Cinco séculos depois, a presença portuguesa em Macau não passa pelas grandes empresas ou pelas grandes
marcas, mas sim pelas pequenas e médias aventuras que raramente vão além dos “comes e bebes”, e que vão tendo vida cada vez mais difícil, sobretudo porque o “ambiente de negócios” desta terra só é respirável para magnatas e cadeias internacionais. A “plataforma” que tanto se ouve, afinal, não serve para os “sectores estratégicos” portugueses, as finanças, as comunicações ou quaisquer outros ramos de actividade que, aqui, se dão por satisfeitos com meros escritórios de representação, consultorias, contactos e uma ou outra “participação” que apenas servem para alimentar um “estatuto”. Mais grave, a presença institucional, salvo honrosas excepções, tem sido caracterizada pela discrição que facilmente se confunde com a tibieza. É sintomático, também, que 2013 chegue ao fim com o governo português
a apresentar como um êxito a concessão de 471 “vistos dourados” a cidadãos não-europeus a troco de investirem em Portugal pouco mais do que 300 milhões de euros, dinheiro gasto principalmente no imobiliário. Do total dos “vistos gold”, a maioria, 399, foram parar às mãos de chineses. Como se descreve em Pequim, no jornal Global Times, ligado ao Partido Comunista Chinês, Portugal “estende passadeira vermelha aos chineses ricos”. A expressão não podia ser mais exacta. Em troca da autorização de residência em Portugal e direito de circulação no espaço Shenghen, exige-se apenas uma de três coisas: a compra de uma casa de pelo menos meio milhão de euros, o depósito de um milhão de euros num banco português ou a criação, no mínimo, de dez postos de trabalho (no início
deste ano, quando o programa foi apresentado aqui em Macau exigia-se pelo menos 30). De acordo com rádio pública portuguesa, a Antena 1, o Ministério Público, a Polícia Judiciária, os Serviços de Estrangeiros e Fronteiras e o Serviço de Informações e Segurança (a “secreta” portuguesa que, de resto, lamenta não ter sido chamada a acompanhar este processo) manifestam todos preocupações quanto ao eventual aproveitamento do programa de “vistos dourados” para a lavagem de dinheiro. Mas nem isso nem estender passadeiras vermelhas incomoda por aí além ou desvia os decididos governantes portugueses de conseguirem “mais valias inequívocas para a economia”. Continuam a ter por desígnio abanar a “árvore das patacas”. Passado todo este tempo.
artes, letras e ideias 15
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Carlos Morais José
Elogio do Paradoxo O imperador e o escravo
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anto o imperador romano Marco Aurélio como o escravo grego Epicteto, que viveram em épocas próximas, abraçaram a filosofia estóica. Este facto não é apenas invulgar, é paradoxal. Mas verdade é que no século XX o Manual do escravo e os Pensamentos do imperador surgem reunidos num só livro, em edição francesa. Há qualquer coisa de estranho, de desconcertante, neste caso da História do Pensamento e da Sociedade. Para mim, constitui, mais do que todas as possíveis frases, o paradoxo por excelência. Entenda-se: adoro paradoxos. Ao reverter o sentido mais óbvio da corriqueira vida, o paradoxo parece abrir sempre uma porta à compreensão aveludada da vida, excelsa, superior. O paradoxo é a rejeição do dado, um passo que se apoia por vezes na bengala do absurdo, noutras na muleta do demasiado óbvio. Sempre um salto inesperado, uma constatação do impossível. Contudo, para quem tiver alguma familiaridade com a obra de Marco Aurélio não achará realmente estranho que o dono de metade do mundo e o que nem de sua vida dispõe se encontrem lado a lado, como expoentes de, mais do que um pensamento, uma atitude perante a morte e a vida. Afinal, o romano não disse uma vez: “Quisera ser rouxinol, mas os deuses fizeram-me apenas imperador.”? Que magnífico erro de proporções! Este é talvez o mais belo paradoxo que conheço, na sua profundidade e luz interior. No que desvela da importância das coisas, do ter e do ser. Do mesmo modo, Epicteto encarava o seu amo com distanciamento, enquanto este lhe partia uma perna só para lhe provar o seu poder. Debalde. O escravo, desprezando a dor, racionalmente negava sempre a existência efectiva da relação. Mais um magnífico erro de proporções! Da mera existência do corpo e da suprema liberdade do espírito. Poderá o paradoxo ser verdadeiro, quer face às exigências da lógica, quer na sua ultrapassagem? Peguemos num dos mais perturbantes paradoxos, que nos nega a existência do movimento, portanto do tempo: o paradoxo de Zenão. A coisa é simples: para chegar daqui à parede eu terei de percorrer metade do caminho, depois metade de metade,
Ao reverter o sentido mais óbvio da corriqueira vida, o paradoxo parece abrir sempre uma porta à compreensão aveludada da vida, excelsa, superior metade de metade de metade e por aí adiante, até concluir que é impossível alcançar a parede. Contudo, na vida prática, matemática aparte, se não tiver cuidado ainda parto o nariz. O paradoxo de Zenão parece ser uma tolice académica, uma blague, um exercício fútil, uma acrobacia do pensamento e da própria lógica. No entanto, andaram e andam ainda filósofos e matemáticos em redor do mesmo problema, isto é, da existência do movimento e do próprio tempo, para além da convenção
do calendário. Se Parménides nos propôs um mundo imóvel e o último Nietzsche tragicamente aí quase fundeia, parece-me que o paradoxo de Zenão ocultará algo de não-dito naquela parte de nós reservada ao temor, que pode ser vertigem perante o desconhecido ou o irregular. Pois se são as próprias regras do pensamento a propor-nos um mundo impossível... Mas digamos que o paradoxo é, noutros casos, uma espécie de achamento, de descoberta. O paradoxo raramente
se constrói minuciosamente; pelo contrário, surge. Poucas formas de enunciado estiveram, na sua maior parte, tão próximas do que se costuma designar por intuição. Isto ainda que ele se apoie, como acontece em numerosos casos, numa retorcida dedução. Claro que o paradoxo é muitas vezes mal visto e depreciado. O pensamento oficial, instituído, não gosta dele; prefere as coisas certinhas e sem saltos. É verdade que o paradoxo percorre muitas ruas, diferentes artérias, dissemelhantes ambientes. Alguns dos meus brejeiros favoritos saíram, como não podia deixar de ser, da pena de Óscar Wilde: “Uma mulher leva 42 anos a chegar aos 30”. Ou “É mais seguro pedir do que roubar, mas é melhor roubar do que pedir”. Se mais vale “ser um homem de paradoxos, do que um homem de preconceitos” (Rousseau), então avancemos. E detenhamo-nos agora nesse paradoxo que é o amor, pelo menos desde que Camões escreveu o seu definitivo soneto. Desdramatizemos: diz ela ao amante desavindo – Nunca mais nos encontraremos! – Porquê? O mundo é muito pequeno... – Sim, mas Paris é muito grande! Resta a paradoxal vida de Mr. de Lapalisse, esse grande injustiçado do pensamento. Existe a ideia de que se tratava de um homem basicamente estúpido, que dizia banalidades com o ar compenetrado e solene de um Cícero no senado. A coisa não era bem assim. O homem era, na verdade, um cultor de paradoxos. De tal modo que o destino lhe fez a vontade. Conta-se que morreu numa batalha, em plena carga de cavalaria. Dias depois um amigo teria composto uma lapalissada: “Avant de mourir, il était toujours en vie”. Frase que seria idiota não se tivesse dado o caso de não denotar também, na subtileza do jogo de palavras (en vie, envie), o seu exacto estado de espírito (exaltação) no momento da morte. Resumindo, o paradoxo é grande na sua insignificância. Com pezinhos de lã ou botas de militar, lá foi invadindo a filosofia, a ciência, a poesia, a filosofia, o jornalismo. Para o melhor e também para o pior. Que isto do paradoxo é como armas: tudo depende de quem aperta o gatilho.
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António Graça de Abreu
Miscelânea Para tentar entender o Tibete Em Lhasa, diante do Potala, fecho os olhos. Mais intenso, o branco, o vermelhão do palácio.
esplendoroso lago, que a China desenvolveu a tecnologia e fabricou tenebrosas armas de morte, talvez graças à sabedoria e protecção de Buda e dos deuses das montanhas tibetanas, até hoje jamais utilizadas.
* Dizem-me que os meninos do Tibete não têm muitos brinquedos, mas contam com as melhores mães do mundo.
* Amar o Tibete, imenso, duro, acariciante, esmagador, tentar entender este povo obstinado, perseverante, humilde depois de mil sorrisos, de dez mil lágrimas. Montanhas cobertas de neve, um infindável céu azul, nuvens brancas ao acaso pintando o horizonte, faiscantes lagos sagrados, o ar fino, o mais leve do mundo, a maravilha de palácios e de templos com deuses, magias, divindades inventadas por outros deuses e sobretudo pelos homens.
* As mulheres tibetanas usam saias listadas de todas as cores. Trazem os arco-íris à cintura. * No Tibete, mais sereno, mais livre, mais puro, mas à deriva. Apreender, aprender. Para os tibetanos, beber chá com manteiga de iaque afasta o frio, fortalece o corpo, harmoniza o ser, alimenta a alma, concede a bênção dos deuses. Então porque é que este pequeno letrado lusitano, à deriva por montanhas azuis e lagos sagrados, não gosta, não consegue beber uma chávena com chá e manteiga de iaque? É por causa de ressonâncias distantes, da deriva dos lugares, e do tempo. * Os invernos no Tibete são duríssimos. As aldeias vivem sob temperaturas de muitos graus abaixo de zero, com neve, gelo, isolamento, um quotidiano extremadamente difícil para toda a gente. Até os iaques choram. Talvez por isso, os tibetanos sejam sóbrios e modestos, comedidos e pacientes. Não lutam contra a natureza, fazem parte dela, esperam serenamente a chegada da Primavera. Num dia feliz de uma qualquer estação do ano – talvez em breve –, quando as lágrimas se transformarem em pétalas de lótus, o Dalai Lama regressará ao Tibete. * Os tibetanos, em geral, não primam pela limpeza. Não tomam banho todos os dias, nem todas as semanas, talvez nem todos os meses. O que lhes sobra em montanhas, lagos, nuvens brancas e céu azul falta-lhes em água nas suas tendas de montanha, nas suas casas simples e humildes.
* Mas têm os corações claros, abertos e limpos. * Há muita pobreza, muitos mendigos no Tibete. Pedem esmola, não apenas para si próprios. Eles sabem que a esmola que recebem ajuda também os mais ricos a entrar pelos caminhos do céu. * A terra tibetana guarda enormes quantidades de carvão, ouro, prata, ferro, cobre, crómio, chumbo, zinco, tungsténio, magnésio. Como explorar tudo isto, perfurar os montes quando as jazidas se situam em planaltos e montanhas com quatro ou cinco mil metros de altitude? Os deuses das montanhas merecem viver em paz.
suspensa sobre pilares assentes no leito puro do lago. No folheto que incentiva os turistas a visitá-la, leio, na tradução inglesa do chinês: “For 20 years of commission, it has sucessfully launched 4.500 torpedos, making the grand contribution for Chinese navy construction and military equipment improvement.” Vinte quilómetros a norte do lago Qinghai, nas regiões semi-desérticas a noroeste, os chineses mantiveram até 1987 um enorme complexo nuclear onde produziram nos anos sessenta e setenta do século passado as primeiras bombas atómicas. Os testes nucleares, as explosões das bombas – a primeira em 1964 -- aconteceram em Lop Nor, no deserto de Taklamakan, na região autónoma do Xinjiang, a 1.500 quilómetros de distância, mas foi aqui, na serenidade das terras que rodeiam este
* O Tibete tem muitos animais raros: águias douradas, faisões, antílopes, veados, cabras dos penhascos, lobos, leopardos das neves, linces, iaques, carneiros azuis, burros selvagens, ursos, pandas vermelhos. Os mais sábios são os iaques que, na alta montanha, comem cogumelos da longa vida, fungos tonificantes e excelentes ervas medicinais. * No lago Qinghai funcionou entre 1964 e 1984 uma base de experimentação de torpedos. Não a visitei, mas vi a fotografia, uma estranhíssima construção
“Presunto de Chaves” tibetano, taças de uma colheita excepcional de vinho francês, arroz e legumes chineses. Tão feliz este pobre português, cidadão do mundo...
Depois da grande ronda pelo Qinghai, regresso a Xining, ao mundo mais igual à grande China. Caiu a tarde, tenho fome, quase não almocei, são horas de jantar. Caminho pela avenida Xidajie, entro lateralmente pela cidade velha e num recanto, numa rua pequena, deparo-me com um restaurante com bom aspecto. Sento-me, peço um arroz frito, tipo chao-chao, com pedacinhos de ovo, pimento verde e ananás, e também um prato de legumes chineses, uma espécie de nabiças e talos de couve cozidos. No bolso, trouxe uma saqueta de plástico embalada no vácuo com carne de iaque, comprada numa lojinha tibetana no lago Qinghai. A comida chega à minha mesa e rescende. Abro a embalagem com os pedaços de iaque, também fragrantes e que – muito estranho! –, as minhas narinas, o meu cérebro associam de imediato a presunto de Chaves. Que banquete! Pergunto ao empregado se têm 葡 萄 酒 putaojiu, vinho. O rapaz vai lá dentro buscar uma garrafa esquecida de vinho francês e diz-me que custa 138 yuans, cerca de 18 euros. Tomo-a nas mãos e leio Kressman Bordeaux, Grande Reserve, ano 2008. Vou regar o meu jantar com o néctar de deuses franceses, talvez originários de uvas colhidas por ninfas do rio Garonne. Lá em cima, no Tibete, uma papa de aveia ou cevada, mais chá com manteiga de iaque. Aqui, “presunto de Chaves” tibetano, taças de uma colheita excepcional de vinho francês, arroz e legumes chineses. Tão feliz este pobre português, cidadão do mundo...
artes, letras e ideias 17
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Arthur Soffiati*
In Pravda
Natureza
Um novo agente revolucionário
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o final da vida, Michel Foucault ministrou um curso no Collège de France em que manifestou simpatia pelo neoliberalismo. Como anarquista, Foucault vislumbrou no neoliberalismo uma arma de destruição do Estado. Na verdade, o neoliberalismo enfraquece o Estado e transforma-o em instrumento para os seus objetivos. A crise económica, social e ambiental é actualmente, responsabilidade dele. Por este prisma, o neoliberalismo não é o agente revolucionário da actualidade, a menos que se considere seu poder de fabricar crises económicas, miséria social e devastação ambiental que levarão à sua destruição. Zygmunt Bauman, Stéphane Hessel e Edgar Morin acreditam ser possível exercer controlo sobre o capitalismo. O Estado e a sociedade seriam as instâncias controladoras, estabelecendo limites ao lucro, promovendo justiça social e protegendo o ambiente. Não que eles acreditem no capitalismo. A bem dizer, os três e outros mais percebem que o capitalismo não pode ser superado no momento presente. Morin concebe um Estado forte no plano interno, mas que reduz sua soberania em prol de uma organização mundial, como a ONU, por exemplo. Pelo menos, os três não se posicionaram como Mao Zedong, que, depois de levar milhares de pessoas à morte em duas revoluções contra o capitalismo, concluiu que este ainda não poderia ser destruído. Ex-marxista, mas com posições de esquerda como Edgar Morin, Immanuel Wallerstein prevê o fim do capitalismo, devorado em suas contradições internas em prazo médio. Ele toma o cuidado de não definir como será o sistema sucessor do capitalismo. Assim, o agente destruidor serão as sucessivas crises do modo de produção. Entre os marxistas - ortodoxos ou não -, existem as posturas mais diversas. Existem os que continuam a acreditar na classe operária como sujeito revolucionário, apesar da falência de todas as experiências socialistas. Há os que assumem o marxismo solitariamente, como forma de resistência pessoal ao capitalismo. Há os que afirmam a grande influência do marxismo na actualidade. Em entrevista concedida à “Folha de São Paulo” de 17/11/2013, o filósofo marxista István Mészáros, com razão, acusa o capitalismo de produzir crises que geram desemprego, aumentam o número de miseráveis e agridem
o planeta. Ao que parece, a natureza é, para ele, um palco violado pelo capital. Mas, apesar da actualidade do marxismo, Mészáros não esclarece quem será o sujeito revolucionário transformador. Michael Löwy, pensador marxista nascido no Brasil e radicado em França, formulou o ecossocialismo, projecto excelente. Mas quem será o sujeito a viabilizá-lo? Certamente as classes sociais desfavorecidas. Por outro lado, o filósofo marxista esloveno Slavoj Zizek vê a grande massa de miseráveis do mundo como potenciais agentes da revolução socialista, contando com o apoio de pequenos empresários e de intelectuais comprometidos com a causa da transformação. Ao mesmo tempo, contudo, reconhece que os miseráveis tendem a converter-se às igrejas evangélicas ou a cair na criminalidade. Neste breve panorama, que não pretende ser exaustivo, o “Homem”, sem-
pre ele, é o único animal capaz de transformar o mundo. Examinando a história do Universo, assumo uma atitude humilde. Há forças naturais com enorme capacidade de transformação. Foram eventos naturais que provocaram as maiores crises ambientais enfrentadas pela Terra, antes que o “Homem” andasse sobre ela. Num ponto, concordo que o “Homem” é capaz de produzir grandes transformações. Desde a primeira revolução industrial, ele tem agredido a humanidade e a natureza de forma nunca antes vista. Na mitologia grega, Pandora foi a primeira mulher. Casou-se com Epimeteu, que recebeu dos deuses uma caixa mantida sempre fechada. A caixa encerrava todos os males do mundo. Mesmo com a forte recomendação de nunca abrir a caixa, Pandora não resistiu à tentação de conhecer seu conteúdo e desrespeitou o marido, assim como Eva
desrespeitou a ordem de Deus. Desse modo, nasceram todos os males do mundo. Dentro da caixa, ficou apenas a esperança. A parábola aplica-se perfeitamente aos sistemas capitalista e socialista pós-revolução industrial. A diferença é que, agora, nem a esperança restou. Os “Homens” perderam o controlo sobre a sua obra. Se existe esperança de transformação, ela passou às mãos das forças irracionais da natureza, ampliadas de forma imprevisível pelas acções humanas. A natureza enfurecida, mas não vingativa, destruirá estruturas, causará muitas mortes, mas não extinguirá a espécie humana. Depois de tudo, os sobreviventes talvez consigam criar uma civilização social e ecologicamente sustentada. *Ecohistoriador e ambientalista
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José Goulão
UM ANO DE MISTIFICAÇÃO A partir do momento em que a globalização significou a submissão da política à economia, dos políticos dominantes aos agentes dos mercados e da finança passou a existir uma política global
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ermina um ano, mais um, marcado pela mistificação dirigida pelos mais poderosos dirigentes mundiais com apoio de um aparelho de propaganda de magnitude universal, sofisticado e subserviente. Mistificação aplicada aos conceitos com maior repercussão na vida de cada cidadão do mundo, com efeitos mais nocivos sobre os que têm menos qualidade de vida. Em 2013, na boca dos mandantes da ordem mundial, luta pela paz continuou a significar proliferação da guerra, a busca do crescimento económico prosseguiu através do alastramento da miséria, o combate ao desemprego traduziuse em mais e definitivo desemprego e ampliação dos movimentos migratórios, a ecologia cimentou-se como tráfico de poluição, direitos sociais e humanos continuaram a confundir-se com a ganância dos mercados, a democracia deu mais uns
passos, de gigante, no caminho do autoritarismo e da ditadura. São várias mistificações numa só, global, guiada por um objectivo não confessado, ignorado por muitos e que se vai cimentando como contra-reforma se designarmos como “reforma” o conjunto dos avanços sociais e democráticos registados desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Termina 2013, inicia-se 2014 e por bem intencionados votos que se desejem, muitas dúzias de passas que se engulam, no horizonte está o agravamento da situação, não a mudança – a não ser que os verdadeiros agentes da mudança, nós todos, consigamos dizer e passar à prática o indispensável “basta!”. Por ora, mesmo havendo essa fronteira imaginária da transição de ano, quem continua arengando mentiras, prometendo falsidades e praticando malfeitorias são os mesmos que nos trouxeram ao ponto onde estamos. Eles não mudam, se não formos nós
a mudá-los de sítio. Para isso há que ter a noção clara de que não estamos perante idiotas, incompetentes, gente à deriva enredada nos próprios erros. Aceitemos de vez a realidade: eles são, pura e simplesmente, engenhosos mentirosos e insensíveis malfeitores ao serviço de predadores gananciosos. Por vezes há quem alegue que não existe uma ordem global, uma vez que muitos países ainda são donos das suas políticas. Pura ilusão: a partir do momento em que a globalização significou a submissão da política à economia, dos políticos dominantes aos agentes dos mercados e da finança passou a existir uma política global. Não total, mas com efeitos globais apesar das nações resistentes que existem. Formam um núcleo prometedor, porém ainda insuficiente perante as armadilhas da rede de mecanismos internacionais tecida pelos políticos que obedecem às ordens da mega economia e da ultra especulação. Reparem como o Sr. Barroso e os
funcionários do Sr. Obama se aplicam na criação quanto antes do espaço comercial comum entre a União Europeia e os Estados Unidos e percebe-se como se construiu e se reforça a teia sinistra de uma rede de siglas que asfixia a democracia e os direitos humanos à escala planetária. Termina 2013, começa 2014, como já terminaram 2012, 2011, 2010... E a contra reforma sempre a avançar enquanto nos prometem dias melhores para amanhã, para daqui a seis meses, para o ano que vem como nos prometeram para ontem, para há seis meses, para o ano passado. Ainda teimam em acreditar nisto e em dar o benefício da dúvida à conversa deles? Então, o que fazer? Resume-se em poucas palavras: pôr de lado divisões irrelevantes, egoísmos, denunciar o que na verdade se passa, unir e agir. Para o ano pode ser tarde demais, mesmo que para o ano seja daqui a poucas horas.
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Aviso 1.
De acordo com o n° 2 do artigo 2° do Despacho do Chefe do Executivo n° 268/2003, alterado pelos Despachos do Chefe do Executivo nos 93/2004, 267/2004 e 109/2005, os titulares de licenças de cães de estimação, emitidas pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), devem apresentar os seus pedidos de renovação da licença, durante os meses de Janeiro e Fevereiro de 2014.
2.
Locais e horários de atendimento: a. Canil Municipal de Macau (Avenida do Almirante Lacerda, Macau) 2ª a 6ª Feira, das 9:00 às 17:00 horas. b. Canil Municipal de Coloane (Estrada de Cheoc Van, Coloane) 2ª Feira, das 10:00 às 15:00 horas. c.
Anúncio O Pedido do Projecto de Apoio Financeiro do FDCT para à 1ª vez do ano 2014
(1)
Centro de Prestação de Serviços ao Público da Zona Norte (Rua Nova da Areia Preta, n o 52, Centro de Serviços da RAEM, R/C, Macau ) 2ª a 6ª Feira, das 9:00 às 18:00 horas.
d. Centro de Serviços do IACM (Avenida da Praia Grande, Edf. China Plaza, 2° andar, Macau) 2ª a 6ª Feira, das 9:00 às 18:00 horas. e.
Centro de Prestação de Serviços ao Público da Zona Central (Rotunda de Carlos da Maia, Nos 5 e 7, Complexo da Rotunda de Carlos da Maia, 3º andar) 2ª a 6ª Feira, das 9:00 às 18:00 horas.
f.
Centro de Prestação de Serviços ao Público das Ilhas (Rua da Ponte Negra, Bairro Social da Taipa, n° 75K, Taipa) 2ª a 6ª Feira, das 9:00 às 18:00 horas.
(2)
g. Os postos ambulantes para o pedido e renovação de licenças, os pormenores do horário e local destes, é favor de consultar a tabela em anexo. 3.
Documentos comprovativos que é necessário entregar aquando da renovação da licença de cães de estimação do ano 2014: a. Original ou fotocópia da Licença de cães de estimação do ano 2013; b. Certificado válido de vacinação anti-rábica.
4.
Taxa de renovação: MOP220.00 (inclui o imposto de selo de 10%).
5.
Expirado este prazo, os titulares ficam sujeitos a uma taxa adicional, que variará consoante os períodos, abaixo indicados, em que o pedido de renovação de licença é apresentado. De 1 de Março a 30 de Março: 30% da taxa da licença em causa; De 31 de Março a 29 de Abril: 60% da taxa da licença em causa; De 30 de Abril a 29 de Maio: 100% da taxa da licença em causa.
6.
Caso, após noventa dias, não hajam apresentado o pedido de renovação da licença, as licenças originais serão consideradas caducadas.
Vong Iao Lek Anexo Postos ambulantes para o pedido e renovação de licenças para cães de estimação do ano 2014
Península de Macau
Taipa
Coloane
Data 09/01/2014 (5ª Feira) 10/01/2014 (6ª Feira) 11/01/2014 (Sábado) 16/01/2014 (5ª Feira) 17/01/2014 (6ª Feira) 18/01/2014 (Sábado) 24/01/2014 (6ª Feira) 25/01/2014 (Sábado) 15/02/2014 (Sábado) 22/02/2014 (Sábado)
Horas 17:00-19:00 17:00-19:00
Jardim da Vitória
17:00-19:00
Parque Urbano da Areia Preta
17:00-19:00
Parque Urbano da Areia Preta
14:00-19:00
Jardim de Luís Camões
17:00-19:00
Parque Dr. Carlos D’Assumpção
14:00-19:00
Praça de Ponte e Horta
14:00-19:00
Rotunda do Estádio, na Taipa
14:00-19:00
Rotunda do Estádio, na Taipa
20/02/2014 (5ª Feira)
17:00-19:00
Largo do Presidente António Ramalho Eanes, em Coloane
21/02/2014 (6ª Feira)
17:00-19:00
Parque de Hac Sá, em Coloane
Observação: De acordo com o n° 1 do artigo 86° da Tabela de Taxas, Tarifas e Preços do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, ficam isentos de pagamento da vacina anti-rábica os cães que estejam registados e licenciados. www. iacm.gov.mo
Alvos de Patrocínio (i) Universidades, instituições de ensino superior locais, seus institutos e centros de investigação e desenvolvimento (I&D); (ii) Laboratórios e outras entidades da RAEM vocacionados para actividades de I&D científico e tecnológico; (iii) Instituições privadas locais, sem fins lucrativos; (iv) Empresários e empresas comerciais, registadas na RAEM, com actividades de I&D; (v) Investigadores que desenvolvem actividades de I&D na RAEM. Projecto de Apoio Financeiro
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Valor de Apoio Financeiro
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Data do Pedido
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Forma do Pedido
(7)
Condições de Autorizações
Local Zona de Lazer do Edf. Lok Yeung Fa Yuen do Fai Chi Kei Zona de Lazer do Edf. Lok Yeung Fa Yuen do Fai Chi Kei
14:00-19:00
O FDCT foi estabelecido por Regulamento Administrativo nº14/2004 da RAEM, publicado no B. O. N° 19 de 10 de Maio, e está sujeito a tutela do Chefe do Executivo. O FDCT visa a concessão de apoio financeiro ao ensino, investigação e a realização de projectos no quadro dos objectivos da política das ciências e da tecnologia da RAEM.
(3)
Aos 28 de Novembro de 2013. O Presidente do Conselho de Administração, substituto
Fins
(i) Q ue contribuam para a generalização e o aprofundamento do conhecimento científico e tecnológico; (ii) Q ue contribuam para elevar a produtividade e reforçar a competitividade das empresas; (iii) Que sejam inovadores no âmbito do desenvolvimento industrial; (iv) Que contribuam para fomentar uma cultura e um ambiente propícios à inovação e ao desenvolvimento das ciências e da tecnologia; (v) Que promovam a transferência de ciências e da tecnologia, considerados prioritários para o desenvolvimento social e económico; (vi) Pedidos de patentes. (1) Igual ou inferior quinhentos mil patacas. (MOP$500.000,00) (2) Superior a quinhentos mil patacas. (MOP$500.000,00) Alínea (1) do número anterior Alínea (2) do número anterior
Todo o ano A partir do dia 2 – Jan. – 2014 até 3 – Mar. – 2014 (O próximo pedido será realizado no dia 2 – Maio – 2014 ao 1 – Julho – 2014)
Devolvido o Boletim de Inscrição e os dados de instrução mencionados no Art° 6 do Chefe do Executivo nº 273 /2004,《Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro》, publicado no B. O. N° 47 de 22 de Nov., para o FDCT. Endereço do escritória: Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n° 411417, Edf. “Dynasty Plaza” 9° andar, Macau. Para informações: tel. 28788777; website: www.fdct.gov.mo.
Por despacho do Chefe do Executivo nº 273 /2004, processa o 《Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro》. O Presidente do C. A. do FDCT, Tong Chi Kin 31/ 12 / 2013
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Ex-piloto permanece em estado crítico
Schumacher “está a lutar pela vida” M
ichael Schumacher permanece em estado crítico, após um acidente de esqui em França, e “está a lutar pela vida”, revelou nesta segunda-feira a equipa médica que o acompanha no Hospital de Grenoble. “Podemos falar de risco de vida. Ele está a ser reanimado. A sua condição é muito grave”, disse Jean-François Payen, chefe do serviço de reanimação do Hospital de Grenoble, citado pela AFP. “Ainda não nos podemos pronunciar sobre o futuro de Michael Schumacher”, acrescentpu Payen, explicando que o ex-piloto de Fórmula 1 sofreu “lesões difusas e graves”, apesar de usar um capacete quando esquiava em Méribel. Segundo os médicos, Schumacher foi protegido em parte pelo capacete. “Quem sofresse um choque deste tipo sem capacete, certamente não chegaria cá”, afirmou Payen. Schumacher, sete vezes campeão mundial de Fórmula 1, em-
bateu com a cabeça numa rocha, quando esquiava fora da pista da estância de Méribel, nos Alpes franceses. Inicialmente, o director da estância de esqui disse que o acidente não foi grave e que o alemão estava consciente, apesar de “abalado e um pouco aturdido”. Mas depois de ter sido transportado de helicóptero para o Hospital de Moûtiers, Schumacher foi transferido para o Hospital Universitário de Grenoble, onde chegou em coma e com “um traumatismo craniano grave”. Foi submetido imediatamente a uma intervenção neurocirúrgica. Ele está em estado crítico”, informou no domingo à noite o hospital. Depois da queda, o piloto alemão “tinha movimentos espontâneos nos quatro membros, mas não respondia a perguntas”, explicou o neurocirurgião Stephan Chabardes, acrescentando que o estado de saúde de Schumacher se “deteriorou rapidamente” e que ele entrou em coma, “com sinais de hipertensão intracraniana”.
A imprensa alemã chegou a escrever que Schumacher foi sujeito a uma segunda operação durante a noite, mas os médicos negaram e disseram que isso nem sequer está previsto. Confirmaram, sim,
que o germânico foi operado uma vez, em condições de hipotermia (34 a 35 graus), “para reduzir o estímulo natural de consumo de oxigénio no seu cérebro”, disse Payen, citado pela AFP.
O neurocirurgião Gerard Saillant, amigo pessoal de Schumacher, viajou de Paris para Grenoble, para acompanhar directamente o processo. Schumacher, que abandonou definitivamente a Fórmula 1 em 2012, é um entusiasta de esqui e dono de uma casa em Méribel, local do acidente. O alemão já tinha sofrido um grave acidente na Fórmula 1, em 1999, quando partiu uma perna num despiste durante o Grande Prémio de Inglaterra. Já depois da sua primeira retirada da Fórmula 1 (em 2006), Schumacher teve em 2009 um grave acidente de moto, em Espanha, sofrendo lesões na coluna e pescoço. O estado de saúde do alemão já motivou várias reacções. Oliver Panis, ex-piloto francês, deslocou-se ao hospital e manifestou a sua “inquietação” com a situação de Schumacher. No Twitter, Felipe Massa, ex-colega de equipa, escreveu: “Que Deus te proteja, meu irmão”.
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EDITAL Prédio em mau estado de conservação Edital n.º :83/E/2013 Processo n.º :8/RP/2013/F Local :Rua de Inácio Baptista n.ºs 6, Edf. Seaview Garden, Macau. Chan Pou Ha, subdirectora da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, em uso das competências delegadas pelo n.º 8 do artigo 1.º do Despacho n.º 003/SOTDIR/2013, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 46, II Série, de 13 de Novembro de 2013, faz saber por este meio aos condóminos, inquilinos ou demais ocupantes do edifício acima indicado que o mesmo se encontra em mau estado de conservação e reparação, uma parte do tubo de queda exterior do edifício encontra-se danificado, conforme o parecer da Comissão de Vistoria constante do processo em curso nesta Direcção de Serviços, pelo que, nos termos do artigo 54.º do Decreto-Lei n.º 79/85/M de 21 de Agosto e por meu despacho de 11 / 12 /2013, no prazo de 30 dias contados a partir da data de publicação do presente edital, devem contratar o técnico e o construtor qualificados para realizar vistoria, bem como proceder à conservação e reparação do edifício e à reparação do tubo de queda danificado. Para o efeito, deverão apresentar previamente nestes Serviços o projecto de obra respectivo, de acordo com o Decreto-Lei n.º 79/85/M de 21 de Agosto. Caso não seja dado cumprimento ao teor do presente edital, esta Direcção de Serviços procederse-á à aplicação da multa estabelecida nos artigos 66.º e 67.º do citado diploma legal. Na falta de pagamento voluntário da despesa, proceder-se-á à cobrança coerciva da quantia em dívida pela Repartição das Execuções Fiscais da Direcção dos Serviços de Finanças. Nos termos do artigo 59.º do mesmo decreto-lei e das competências delegadas pelos nos 1 e 4 da Ordem Executiva no 124/2009, publicada no Boletim Oficial da RAEM, Número Extraordinário, I Série, de 20 de Dezembro de 2009, da minha decisão do presente edital cabe recurso hierárquico necessário para o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a interpor no prazo de 15 dias contados a partir da data de publicação do presente edital. RAEM, aos 11 de Dezembro de 2013
A Subdirectora dos Serviços Enga Chan Pou Ha
futilidades
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Por mim falo Pu Yi
Sala 1
walking with dinossaurs [3d] [a] (Falado em cantonês) Um filme de: Huang Chia-Chun 14.00
fire storm [c]
(legendado em chinês e inglês) Um filme de: Alan Yuen Com: Andy Lau, Yao Chen, Lam Ka Tung 15.45, 21.45, 23.45
Frozen [a]
(Falado em cantonês) 17.45
fire storm [3d] [c]
(legendado em chinês e inglês) Um filme de: Alan Yuen Com: Andy Lau, Yao Chen, Lam Ka Tung 19.45 Sala 2
Frozen [3d] [a]
(Falado em cantonês) 14.00
Frozen [a]
(Falado em cantonês) 20.15
the secret life of walter mitty [c]
Um filme de: Ben Stiller Com: Ben Stiller, Sean Penn, Kristen Wiig 16.00, 18.15, 22.45 Sala 3
the wind rises [a]
(Falado em cantonês legendado em chinês e inglês) Um filme de: Miyazaki Hayao 14.00, 18.00
walking with dinossaurs [a] (Falado em cantonês) Um filme de: Huang Chia-Chun 16.15
the hobbit: the desolation of smaug [c] Um filme de: Peter Jackson Com: I. McKellen, M. Freeman, R. Armitage 20.15
the secret life of walter mitty [c]
Um filme de: Ben Stiller Com: Ben Stiller, Sean Penn, Kristen Wiig 23.15
Quando a cidade entra num ciclo vicioso Chegámos outra vez ao fim do ano. Alguém notou diferenças? Vi mais uma vez as manifestações contra o Governo e os empresários, sem contar com as outras a pedirem uma lei da protecção dos animais. Até os resultados das eleições para a Assembleia Legislativa (AL) não trouxeram surpresa. Quem era deputado ficou deputado, apenas se alterou a via para lá chegar. As questões da habitação, autocarros, caso das campas, La Scala, continuaram. Alguma melhoria? Não. Mesmo assim, vamos receber mais mil patacas no próximo ano do Governo, tendo em conta o aumento das receitas do jogo.
Plástica nos lábios vaginais está entre tendências para 2014 • Recorrer às cirurgias plásticas, por razões estéticas ou médicas, é uma prática cada vez mais comum entre as pessoas. Por isso, a clínica Transform Cosmetic Surgery, do Reino Unido, realizou uma pesquisa a fim de descobrir quais são as tendências da área para 2014. As informações são do Daily Mail. As cirurgias íntimas devem ganhar mais popularidade, com a plástica nos lábios vaginais e a vaginoplastia entre as mais procuradas no Reino Unido. A primeira é um procedimento cirúrgico que reduz o tamanho ou muda as formas dos pequenos lábios vaginais, por questões médicas ou estéticas. Já a vaginoplastia é responsável por “estreitar” a entrada do órgão e é um método popular entre as mulheres que já passaram por partos normais.
A mim parece-me que quando a região começa a entrar neste ciclo vicioso, a felicidade não deverá ser muita. Contudo, os residentes de Macau são tidos como os mais felizes do mundo, porque o nosso Governo nos dá um cheque, tal como o governo da Suíça pretende dar uma renda mínima mensal a todos os seus residentes, até mesmo aos desempregados.
‘Assinatura’ no fígado do paciente vale suspensão a médico • Um médico britânico é suspeito de, talvez por excesso de brio, ter ‘assinado’ um fígado durante um cirurgia de transplante. Simon Bramhall está suspenso depois de, numa outra operação (de rotina), um colega ter encontrado as iniciais “SB” no órgão transplantado. De acordo com o Daily Mail, o cirurgião terá usado argónio, um gás frequentemente utilizado em cirurgias, para ‘escrever’ as iniciais no fígado, durante um transplante realizado no hospital Queen Elizabeth, em Birmingham, onde o médico trabalha.
Ah e tal, Rio Grande do Sul... Elisandra Tomacheski é uma famosa modelo brasileira que é, há muitos anos, o rosto da conceituada marca de biquínis e fatos-de-banho Elis. Aos 28 anos, Elisandra, de origem europeia, também representa as marcas Izod, Island Company e Foschini Limited. Recentemente, foi rosto de uma produção fotográfica de lingerie sexy, onde aparece nua ou em topless. Também foi capa da Sports Illustrated em 2011. Que lhe parece, estimado leitor?
fonte da inveja
Macau é tão pequeno que corremos o risco de chocar
contra nós próprios ao virar uma esquina.
João Corvo
Sei que a vida não é só dinheiro, mas sem dinheiro poderemos fazer muitas outras coisas, como por exemplo, amor. A felicidade é um objectivo e um tema eterno do ser humano. Todos a procuram, apesar de existirem pessoas que gostam de estar tristes. Temos vários inquéritos que dizem que os índices de felicidade da população não são os mais altos. Não acredito muito na política, mas os deputados dizem sempre que querem e podem melhorar a nossa vida. Mas quando vejo esta região a entrar num ciclo vicioso, sinto a angústia de um ser humano, e não sei onde fica a saída.
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opinião editorial
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fernando vinhais guedes
Carlos Morais José
Francisco, um Papa diferente
Os ridículos
P
ela primeira vez, na história da eleição de um Papa da Igreja Católica, foi escolhido para chefe de Estado do Vaticano, um cardeal do continente Sul Americano! Chamava-se José Mário Bergóglio e como Bispo-cardeal de Buenos Aires calcorreou vezes sem conta, os caminhos que o levaram a locais onde milhares e milhares de pobres e desfavorecidos vivem em condições de extrema pobreza, levando consigo uma palavra de esperança e algo mais no bolso para as crianças. O cardeal de Buenos Aires, pertencendo à ordem dos Franciscanos e por isso escolheu o nome de Francisco, para espanto de alguns cardeais da cúria romana. Logo quando foi eleito, mostrou as diferenças em relação aos seus antecessores: prescindiu dos tradicionais sapatos vermelhos feitos pela alta sapataria italiana dizendo, que se sentia mais confortável com os que costumava usar em Buenos Aires nos percursos que fazia nos transportes públicos ou a pé, no seu dia-a-dia! Prescindiu também da cruz de Cristo
em ouro, a favor da sua de ferro, que o tinha acompanhado durante o seu passado de missionário. Dispensou as instalações faustosas e opulentas, preferindo coisas mais modestas e funcionais, prescindindo de mordomias, que a condição de Chefe de Estado do Vaticano lhe proporcionava. Em menos de um ano de pontificado, o Papa Francisco, usando um estilo de linguagem simples e directa tem vindo a surpreender o mundo católico e não só, falando, sem constrangimentos e com humildade de temas como: a homossexualidade, a pedofilia, o papel das mulheres na Igreja, o capitalismo do lucro e da ganância, da economia cega que mata os mais pobres e desprotegidos e até dos escândalos do próprio banco do Vaticano, que desde há anos está sobre suspeita de envolvimento em negócios escuros, lavagem de dinheiro que se suspeita provenientes do tráfego e comércio de drogas, armamento e de ligações ao mundo das máfias! Em relação a todos estes temas o novo Papa tomou já posição! Relativamente à pedofilia na Igreja, ordenou a constituição de um grupo de pessoas da sua confiança, para apurarem toda a verdade, manifestando
Raphael Sanzio, Papa Leo X
A celebração do fim de ano é uma festa... ridícula, como quase todas as festas são... ridículas. Haverá algo mais ridículo, miserável mesmo, do que um grupo de humanos todos juntos numa desgraçada e imposta ânsia de celebrar uma convenção que, pouco ou nada, tem de real? Não me parece... É nestes momentos que a nossa espécie se revela mais... ridícula. Mas aí vão todos vós, de vontades aviadas, para esses restaurantes com preços exorbitantes e comida requentada. ¿Ides satisfeitinhos da vida? ¿Tremeis na expectativa de tanta diversão que se avizinha? Por baixo dessa máscara, que é a mescla de sorrisos e esgares que tanto gostais de exibir, ronca a vida, essa mesma pela qual passais ou ¿ será que ela é que passa por vós? Pensai nisso, quando mais logo levantardes o copázio de champanhe e as passas vos ficarem presas nas gargantas ressequidas do pó desta breve existência. Por cada passa um desejo e eis a fé, esse martírio frugal de vidas por haver, do presente por presentificar, de um passado para esquecer e de um futuro que, no fundo, temeis mais que a peste. Convém a alegria fugaz da embriaguez, o rodopio da dança, ao som dos martelos mais sofisticados do momento. E, ao som da musiquinha, rodopiai senhores, rodopiai... porque essa existência de pião assegurará o momentâneo – e por isso ridículo – esquecimento desse vós que nunca fostes, desse absurdo ego que teimais em trazer, como um broche, na lapela. Mas celebremos porque existe certamente uma miríade de razões para celebrar. Pena não me lembrar de quais. Mas com certeza que vós, em vossa ânsia, apesar de vossa hiância e de vossa constância de inutilidades, tendes os motivos suficientes para tamanha celebração. Para uma festa do tamanho deste mundo e do outro, aquele que só existe nas vossas infantis imaginações da infância que fazeis por esquecer como se nunca tivesse acontecido. Confesso: gosto de festas. Sobretudo que mas façam, devagar, devagarinho, e me percorram o corpo como se fossem o sol no seu diário caminho, muito lento mas certeiro, sem rugas ou hesitações. Festejemos pois... sejamos, hoje e sempre, por toda a eternidade... ridículos. A todos os leitores, o Hoje Macau deseja um extraordinário 2014. Doutra maneira não valerá a pena ser vivido.
desporto e não só
Não restam, pois dúvidas, que o novo morador do Vaticano, é já uma figura incontornável, admirado pela sua humildade, abertura de pensamento, com a prática de um passado e de um presente que deixam grandes esperanças no futuro
desde logo, a sua solidariedade para com os abusados, dando indicações para que as vítimas sejam apoiadas pele Igreja de que passou a ser responsável! No que respeita ao banco do Vaticano, pretende transparência imediata, pondo fim a todas as suspeitas, nomeando uma comissão para levar a cabo essa tarefa! Na sua primeira viagem visitou o Brasil, na capital Rio de Janeiro, o novo Papa galvanizou a multidão de jovens, com um discurso simples, mas com mensagens claras e actuais! Na viagem de regresso do Brasil, para espanto da comunicação social, que viajou no mesmo avião, predispôs-se a fazer uma espécie de conferência com os jornalistas que o acompanhavam. À pergunta “Como encarava a sua Igreja a homossexualidade?” O Papa respondeu: “Quem sou eu para ajuizar? Defendo uma Igreja para todos, não devemos marginalizar os homossexuais. É preciso integrá-los na sociedade”, acrescentou Francisco. Recentemente, numa entrevista ao jornal La Stampa, confrontado com a acusação que lhe é feita pela ala mais conservadora do partido republicado norte-americano ao considerarem a sua exortação apostólica como puro marxismo, o novo papa retorqui. “A ideologia marxista é errada, conheci muitos marxistas na minha vida, que são boas pessoas, por isso não fico ofendido, não há nada na exortação que possa ser encontrado na doutrina social da Igreja” Num texto distribuído pelo Vaticano no passado dia 24 de Novembro, entre outras considerações, o Papa Francisco afirmava, “enquanto não forem radicalmente solucionados os problemas dos pobres, não serão resolvidos os problemas do mundo. A desigualdade é a raiz dos males sociais”. A revista TIME considerou-o já, como figura do ano de 2013! Para comemorar os seus 77 anos, o chefe do Vaticano encontrou uma forma carregada de significado ao convidar quatro homens sem-abrigo para partilharem o pequeno-almoço com ele! E porque esta rubrica tem como título “Desporto e não só” fica aqui a notícia publicada na imprensa escrita mundial, no passado dia 19 de Dezembro com direito a fotografia, dando conta da recepção, que o Papa concedeu no dia 18 aos dirigentes do San Lorenzo de Almagro, clube do seu coração, pelo qual tem grande simpatia desde os temos em que seu pai o levava, ainda criança, ao estádio do seu clube favorito. A foto mostra os dirigentes do clube e um Papa sorridente, segurando uma camisola com os dizeres: FRANCISCO CAMPEÃO, torneio inicial 2013. Não restam, pois dúvidas, que o novo morador do Vaticano, é já uma figura incontornável, admirado pela sua humildade, abertura de pensamento, com a prática de um passado e de um presente que deixam grandes esperanças no futuro.
opinião 23
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Arnaldo Gonçalves
crepúsculos dos ídolos
O
ano de 2013 revelou-se como um ano de continuidade mantendo as principais características da década. Desde logo, a manutenção de crispações políticas de média intensidade entre os poderes hegemónicos da Velha Ordem Internacional - Estados Unidos e Rússia – e com o principal poder emergente da Nova Ordem: a China. Houve, no campo da primeira variável, um reajustamento dos papéis e imagens recíprocas que não se percebe se se deslocam no sentido de uma antinomia clássica entre Grandes Poderes [ao estilo da Guerra-Fria] ou de um sistema de Grandes Poderes do género que a França, a Grã-Bretanha e o Império Austro-Húngaro protagonizaram entre os finais do século XIX e as primeiras duas décadas do século XX. Se se revelaram, sem comprovação prática, os vaticínios de muitos quanto ao colapso e à falência estratégica do potentado norte-americano não é ainda perceptível como a Rússia de Putin poderá desempenhar um papel mediador no espaço que interliga a zona ocidental do continente europeu e o seu lado oriental e asiático. Não é claro que as antigas repúblicas que integravam a União Soviética aceitem ‘pro bono’ a liderança unilateral russa acolhendo-se a uma lógica de ducados de um império que tenha o seu czar em Putin e a sua capital em Moscovo. Dispondo de recursos minerais importantes e utilizando com inteligência as suas relações externas com a União Europeia e r com a China, esses ‘quistãos’ são uma peça importante na reconfiguração do novo sistema internacional centrado outra vez na proeminência geoestratégica e já não na interpenetração das economias numa economia global. Também perdeu algum gás a ideia de um ‘Chinese World’, um mundo asiatizado com a China como propulsor do desenvolvimento global e putativo poder estratégico-militar. A desaceleração incontornável da economia chinesa, o crescendo dos seus problemas demográficos, de poluição, de fiabilidade do modelo político e de governança, o fraccionamento da liderança comunista em grupos rivais parece apontar para no adiamento do seu papel como uma espécie de réplica - no espaço civilizacional oriental – daquele que os Estados Unidos desempenham no Ocidente. Trata-se de um protelamento que tem causas internas [as que descrevo] mas também externas e que resultam da rejeição pelos vizinhos da China - territoriais e insulares - do seu papel liderante e hegemónico. Os eventos da história recente do século passado
Daumier Honore, Assento na Orquestra
Olhares sobre o ano de 2013
estão demasiado incrustados na memória dos líderes regionais e das populações asiáticas para que se possa esperar, com naturalidade, esse desenvolvimento. Acontecimentos como a disputa pela soberania dos ilhéus do Mar do Sul da China e do Pacífico Ocidental, a imposição unilateral pela China de uma zona de tráfego aéreo condicionada, as visitas do Primeiro-Ministro japonês Shinzo Abe ao Templo de Yasukuni, a compra de equipamento militar estratégico pelo Japão, Coreia do Sul, Taiwan ou Filipinas apontam, claramente, para o fracasso da melopeia da ‘emergência pacífica’ no cancioneiro da Região. Já quanto ao Velho Continente acentua-se um desajustamento do modelo da União Europeia aos desafios das velhas e novas nações europeias, quer como mercado único e espaço de integração económica, quer como zona de homogeneização das políticas de emigração, de justiça, de asilo e segurança interna, quer como polaridade estratégica. O ano de 2013 precisou a ideia anterior que a União Europeia não sabe para onde vai como União Política, que a noção de ‘europalidade’ é uma ideia vazia de conteúdo e de sentir, que o Euro é um barco à deriva dirigido ao sabor das correntes por um displicente Banco Central Europeu, que a diplomacia europeia sob a tutela da Vice-Presidente da Comissão, Catherine Ashton, não funciona, não é ouvida, é um ‘verbo de encher’. Retendo uma analogia, a União Europeia é como que um balão tailandês que depois de aceso sobe no ar em direcção
Naturalmente que a pequena diatribe política que se instalou em Portugal, enquanto debate sobre a ‘coisa pública’, privilegia os ‘fait divers’ sobre um olhar objectivo e tão desapaixonado quanto possível sobre o futuro do país às camadas superiores da atmosfera onde se consumirá. Trata-se a bem da Europa de com urgência, logo a seguir à nomeação da nova Comissão Europeia, meter ombros à revisão institucional dos Tratados dando-lhe a operacionalidade que não tem tido, e uma governabilidade que se veja. No plano nacional, Portugal defronta-se com as dificuldades da última etapa do programa de ajuda financeira internacional tutelado pela Troika e pela circunstância da libertação das várias tranches do financiamento estar dependente da avaliação trimestral da Troika às metas que foram estabelecidas [no período compreendido] à gestão macroeconómica e financeira do país. Sendo discutíveis as opções que o actual governo tem tomado, em matéria de gestão
financeira e estreitamento do Estado Providência, é irrefutável que um pequeno país como Portugal, de economia frágil e grande dependência externa, não pode ter o alargado Estado Social que tem, nem a proliferação de estruturas do poder autárquico, como se fosse um país de grande dimensão como a França ou a Alemanha. Não é possível ao país sobreviver com essa ‘décalage’ entre o Produto Interno Bruto gerado pela economia e os custos acumulados da Despesa Pública. E esse é um problema de agora como o será das próximas três gerações. Naturalmente que a pequena diatribe política que se instalou em Portugal, enquanto debate sobre a ‘coisa pública’, privilegia os ‘fait divers’ sobre um olhar objectivo e tão desapaixonado quanto possível sobre o futuro do país. Diga-se em abono da verdade que tanto a coligação que sustém o governo como a oposição têm contribuindo, em abundância, para a descredibilização da política. Mas a classe política não está sozinha nesse dilapidar. O conjunto da população teima no fascínio de padrões de educação, de saúde, de consumo, de empregabilidade, da qualidade da habitação e dos serviços públicos que são impraticáveis no estado actual de desenvolvimento do país. Num tempo de grandes sacrifícios, o cidadão continua a olhar para o lado quando se trata de limitar os benefícios que num dado tempo contratualizou, de com seriedade prestar contas ao fisco sobre o que tem e recebeu, de se coibir de despesas que não são prioritárias. Nisto é sempre mais fácil apontar o dedo às culpas do vizinho do que assumir as próprias. O ano findo encerra com dois modelos de humanidade e esta a nota positiva com que acabo a crónica. De um lado, o exemplo de Nelson Mandela, um dos heróis da luta pela emancipação do homem africano, cuja capacidade de reconciliação, de perdão aos responsáveis do sistema do apartheid, de moderação quando no exercício do poder são um exemplo, infelizmente quase solitário no seu continente e que neste fim do ano deixou o mundos dos vivos. De outro lado, o Papa Francisco cuja ‘revolução de veludo’ na Igreja Católica tem sido notável, repondo padrões morais que se haviam perdido no luxo dos salões episcopais e cardinalícios, difundindo uma doutrina de evangelização centrada no Homem e menos no dogma, banalizando a ideias de uma fratria dos seguidores de Cristo pelo exemplo individual, pela prática da caridade e da compaixão pelos pobres, pelos desamparados, pelos injustiçados em razão da raça, da cor de pele, da origem social ou das opções do género. Um exemplo que deve ser um estímulo para as Igrejas institucionais e para as ordens iniciáticas.
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Rússia Sobe para 14 número de vítimas de atentado bombista
por Stephff
Bom ano novo 2014
Novinha em folha
LAM Vítimas portuguesas ainda por identificar
Dos sete portugueses que seguiam a bordo do voo da Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), que caiu na Namíbia quando seguia entre Maputo e Luanda, apenas três foram identificados. Segundo avança a edição online do semanário Sol, decorrerão esta semana as cerimónias fúnebres de dois dos portugueses mortos no acidentes. Entretanto, as perícias aos restos mortais dos passageiros que seguiam a bordo do voo TM470 prosseguem em Windhoek, capital da Namíbia, já sem a especialista em medicina legal e o antropólogo forense portugueses. Ambos «já chegaram a Portugal», segundo fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros, citada pelo Sol. A mesma fonte disse que ainda «não chegaram a Portugal» todos os corpos das sete vítimas portuguesas, não havendo sequer uma previsão para quando tal irá acontecer. O acidente matou os 33 ocupantes do avião.
Os confrontos entre o exército e homens armados (suspeitos de estarem ligados à Renamo), ocorridos no distrito da Gorongosa, em Sofala, no centro de Moçambique, conduziram à morte de quatro pessoas em três dias, informaram fontes locais. «No sábado foi assassinado um comerciante no bairro Nhambondo, depois de um idoso de 65 anos ter sido atingido na machamba (quinta) durante um ataque a uma coluna militar em Mucodza. Em duas semanas somam quatro civis mortos», detalhou o administrador da Gorongosa, Paulo Majacunene. As investidas intensificaram-se desde que o exército ocupou a base de Sadjundjira, onde, há um ano, vivia o líder da Renamo, Afonso Dhlakama.
Ponte Nobre de Carvalho 31 milhões de patacas em obras
tiago alcântara
Subiu de 10 para 14 o número de mortos de ontem em Volgogrado, na sequência da explosão de uma composição do metro de superfície, depois de um atentado domingo, na estação de comboios, através de uma mulher bombista, ter feito 17 vítimas mortais. «O número de mortos aumentou para 14 e o de feridos para 28», afirmou o porta-voz do ministério russo da Saúde, Oleg Salatai, citado pelas agências russas. De acordo com as últimas informações, terá sido mesmo um atentado suicida levado a cabo, desta vez, por um homem. O veículo ficou destruído e ficaram também partidos vidros de prédios na zona. «Foi aberta uma investigação por atentado terrorista e tráfico de armas», declarou ainda Vladimir Markine, porta-voz da Comissão Nacional de Investigação, referindo que as bombas são similares, fazendo assim uma ligação entre os dois incidentes. Volgogrado fica relativamente perto da região do Cáucaso do Norte, um conclave islâmico. Líderes insurgentes prometeram retaliação contra a realização dos Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi, com início marcado para 7 de Fevereiro.
Moçambique Confrontos provocam quatro mortes
cartoon
Joana Freitas
joana.freitas@hojemacau.com.mo
A
ponte Nobre de Carvalho vai sofrer reparações que vão custar ao Governo mais de 31 milhões de patacas. De acordo com o Boletim Oficial, a Companhia de Construção de Obras Portuárias Zhen Hwa, Limitada vai ser a empresa responsável pela manutenção e reparação da ponte. Esta é a quarta manutenção e já tinha sido anunciada em Setembro deste ano. Destaca-se por ser “4ª reparação de maior envergadura” desde a sua entrada em funcionamento, em 1974. A obra consiste sobretudo na reparação da
estrutura de betão e dos pilares de suporte da ponte, de acordo com um comunicado do Gabinete de Desenvolvimento de Infra-Estruturas publicado em Setembro, na repavimentação do tabuleiro e no reforço da protecção dos pilares e do “guarda-corpo” da ponte. Mas não se ficam por aqui. “Decorridos cerca de 10 anos após a última reparação de maior enver-
o essencial
Depois da Venetian, a Galaxy. O Governo volta a fazer uso da política de isenção do imposto complementar às concessionárias do jogo. Ontem, de acordo com um despacho publicado em Boletim Oficial, foi concedida à Galaxy Casino S.A. a isenção do pagamento do imposto complementar de rendimentos relativo aos lucros gerados pela exploração de jogos de fortuna ou azar ou outros jogos em casino. No despacho, esta medida é tida como sendo a “título excepcional”, mas a verdade é que desde a liberalização do jogo que isto acontece. Desta vez, a Galaxy está isenta do pagamento até 2018.
Espanha Bascos dizem que desarmamento é “passo urgente”
O chefe do Governo basco, Iñigo Urkullu afirmou, esta segundafeira, que a abertura do colectivo de presos da ETA para soluções individuais é uma «mudança significativa», porém considerou que o desarmamento deste grupo é um «passo urgente». Perante a imprensa, Urkullu reagiu assim ao comunicado divulgado no sábado, em que o colectivo, que representa cerca de 700 etarras presos, se assume disposto a aceitar resolver as situações individualmente e «pelas vias legais». Urkullu defendeu que a consolidação da paz e da conciliação exige que continuem a ser dados passos «firmes e o mais rápidos possível», garantindo que o desarmamento do grupo separatista é um desses passos, para que não haja «ameaças de volta atrás». tiago alcântara
Jogo Galaxy isenta de imposto
A ponte Nobre de Carvalho vai sofrer reparações que vão custar ao Governo mais de 31 milhões de patacas.
gadura, será realizada em finais do corrente ano uma obra mais abrangente, compreendendo sobretudo a limpeza de toda a ponte por meio de jacto de água de alta pressão, remoção das ferrugens existentes, reforço da protecção da armadura de aço, pintura da ponte com tinta de protecção anti-corrosiva, reparação do betão da ponte, reforço da protecção dos pilares principais e, sobretudo, reparação do patim inferior da ponte.” As obras de reparação da ponte são, normalmente, feitas de dez em dez anos. As obras deverão durar cerca de um ano, até porque será feita de forma faseada. “Considerando que a ponte passou a ser exclusivamente reservada ao transporte público a partir de 2007, a fim de diminuir o impacto da obra ao trânsito, a repavimentação do tabuleiro da ponte será realizada de forma faseada.” Durante este período, o trânsito não será totalmente vedado. O Governo vai pagar 31,9 milhões de patacas pelas obras, depois de ter escolhido a Companhia de Construção de Obras Portuárias Zhen Hwa entre cinco empresas concorrentes.
Etna volta a expelir lava
O vulcão mais activo da Europa, o Etna, voltou este domingo a expelir lava, pela lado sudoeste. Situado na Sicília, a 3.350 metros de altitude, o Etna, em erupções há um mês, não colocou, para já, quaisquer localidades em perigo.