DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
Quando a cadeira caiu Faz hoje 50 anos que António Oliveira Salazar caiu de uma cadeira. A queda marcou o início do fim do mais longo regime fascista da Europa. Em Macau, a notícia só foi dada em Setembro e
SOFIA MARGARIDA MOTA
GALGOS
MISTÉRIO NO PAC ON PÁGINA 7
TIAGO ALCÂNTARA
hojemacau
EXPOSIÇÃO
PORTO INTERIOR EM FOCO
chegou-se mesmo a realizar uma missa a pedir as melhoras rápidas do ditador. O jornal Gazeta Macaense tinha na manchete de 20 de Setembro de 1968 o título “Macau reza por Salazar”.
EVENTOS
RACISMO E AS RAÍZES DO PRECONCEITO
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SEXTA-FEIRA 3 DE AGOSTO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4107
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3.8.2018 sexta-feira
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EFEMÉRIDE
HÁ 50 ANOS SALAZAR CAÍA DA CADEIRA. MACAU SOUBE UM MÊS DEPOIS
A QUEDA Faz hoje 50 anos que António de Oliveira Salazar caiu de uma cadeira na sua casa de férias, no Estoril. Um momento que marcou o início do fim do Estado Novo. Em Macau só soube do ocorrido em Setembro e chegou a celebrar-se uma missa onde os crentes pediram as rápidas melhoras do presidente do Conselho. O incidente não aligeirou a força do regime no território, onde censura persistiu até depois de 1974
O M E M de hábitos e regras escrupulosamente seguidas, António de Oliveira Salazar passava habitualmente férias no Forte de Santo António do Estoril. Há 50 anos, no dia 3 de Agosto, aconteceu o que ninguém esperava: o presidente do Conselho de Ministros, que havia instaurado o Estado Novo em 1933, caía de uma cadeira de lona. O episódio marcou o início do fim não só da sua carreira política e revestiu-se de simbolismo. O regime fascista entrava no derradeiro declínio. Em Macau, as notícias chegavam a conta-gotas e estavam dependentes da vontade da censura. Por isso, só em Setembro o jornal Gazeta Macaense, dirigido por Damião Rodrigues, deu a notícia da queda de Salazar publicando o seu boletim clínico na primeira página. Aquando da publicação do terceiro boletim, Salazar tinha uma “função renal normal” e mostrava “sinais de franca recuperação motora e sensorial”. Como era um diário “visado pela censura”, o Gazeta Macaense publicava, três edições depois, o sexto boletim clínico de António de Oliveira Salazar na íntegra, acompanhado de um telegrama que havia sido enviado pelo governador Nobre de Carvalho ao Ministério do Ultramar. Neste lia-se que na sessão da Câmara Municipal das Ilhas se tinha falado do nome de Salazar, tendo sido apresentados “desejos ardentes dum completo e rápido estabelecimento”. Nessa mesma reunião decidiu-se pela realização de uma missa no dia seguinte, “pelas nove horas” e “pela evolução favorável do convalescente”. As imagens da missa voltaram a fazer manchete do Gazeta Macaense na sua edição de 20 de Setembro de 1968 com o título “Macau reza por Salazar”. “Promovido pelo Leal Senado da Câmara de Macau, realizou-se ontem na Igreja de São Domingos uma missa pelo pronto restabelecimento do presidente do conselho, o professor doutor António Oliveira Salazar. Uma grande multidão, gentes de todas as camadas sociais, desde as mais altas individualidades até aos mais humildes funcionários, bem como o numeroso público, português, chinês e
de outras nacionalidades, encheu o vasto templo assistindo à missa celebrada pelo reverendo padre José Barcelos Mendes”, pode ler-se.
CIDADÃO DE MACAU
Dois anos antes, no dia 24 de Maio de 1966, Salazar foi proclamado, por unanimidade, “cidadão honorário da cidade de Macau”, e “quatro dias depois o seu retrato tinha sido descerrado nos Paços do Conselho”, escreveu o jornal. Além de umas breves notícias do matutino, que incluíam a reprodução de telegramas, sem assinatura de qualquer jornalista, pouco se escreveu sobre o incidente que levaria ao fim do regime e à substituição de Salazar por Marcello Caetano na presidência do Conselho de Ministros. De acordo com António Cambeta, que à época tinha deixado a Marinha e trabalhava numa empresa chinesa, pouco se falava do assunto no seio das comunidades portuguesa e macaense. “Poucas notícias foram dadas sobre o assunto”, garantiu ao HM. “Não houve diferenças nenhumas, mesmo depois do 25 de Abril de 1974. A censura continuou até depois dessa data, continuou a existir a polícia secreta e a polícia judiciária. E se perguntar a outros portugueses que na altura já residiam cá, vão dizer-lhe exactamente a mesma coisa.” No que diz respeito à comunidade chinesa, esta “não fazia ideia do que se passava”, uma vez que “os chineses nunca ligaram à política portuguesa”, adiantou António Cambeta. João Guedes, jornalista e autor de vários livros sobre a história de Macau, garantiu que “o impacto desse acontecimento foi nulo” e só existiu “no coração dos defensores do salazarismo, que estavam todos no poder aqui”. “De resto não houve alterações visíveis nenhumas. As coisas sabiam-se mais tarde e a censura só deixava sair as coisas na altura que o Governo entendia que deveriam sair, nem que fosse um ano depois. Não se notou nenhuma diferença, a censura perdurou até ao 25 de Abril, sem alterações.” A última notícia do estado de saúde de Salazar, vinda da “Lusitânia”, dava conta de que “o presidente do Conselho estava gravemente doente”. Novamente
com grande destaque na primeira página, lia-se que “o professor Salazar foi esta manhã observado pelo neurologista americano, doutor Huston Merritt, especialista do Instituto Neurológico de Nova Iorque, que se deslocou propositadamente a Lisboa a fim de tratar o presidente do Conselho, após o oferecimento do Governo dos Estados Unidos para enviar a Portugal o especialista que os neuro-cirurgiões portugueses julgassem mais indicado para observar o ilustre enfermo”.
MARCELLO, O “ALUNO EXCEPCIONAL”
A 27 de Setembro de 1968 tornou-se inevitável o afastamento de Salazar do poder, uma vez
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sexta-feira 3.8.2018
“A comunidade aceitou Marcello Caetano de bom grado, mas passados uns anos as pessoas fartaram-se dele, porque em Portugal continuou a existir um partido único.” JORGE FÃO DIRIGENTE DA APOMAC
que o acidente provocou-lhe graves danos cerebrais que viriam a culminar na sua morte, em 1970. Marcello Caetano tomou posse nesse dia, mas, segundo declarações ao Diário de Notícias do historiador Filipe Ribeiro de Meneses, autor de “Salazar – Biografia Política”, “Salazar não tinha a mais pequena intenção de largar o poder”.
A Gazeta Macaense publicou a notícia da substituição e uma breve biografia de Marcello Caetano cheia de elogios. Num texto sem assinatura, o último presidente do Conselho de Ministros foi descrito como um “aluno excepcional que sempre se impôs à admiração dos mestres e condiscípulos pela lucidez da sua inteligência e apego
Como era um diário “visado pela censura”, o Gazeta Macaense publicava, três edições depois, o sexto boletim clínico de António de Oliveira Salazar na íntegra, acompanhado de um telegrama que havia sido enviado pelo governador Nobre de Carvalho ao Ministério do Ultramar
ao trabalho, que lhe valeram elevadas classificações”. Licenciado em Direito “com raro brilho”, em 1931, Marcello Caetano publicou o Manual de Direito Administrativo em 1937. Tal como o seu antecessor, era um nome bastante considerado na classe jurídica portuguesa. Jorge Fão, hoje dirigente da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau, recorda-se que, em Macau, aceitou-se bem a chegada de Marcello Caetano como o novo dirigente do Executivo da metrópole. “As comunidades portuguesa e macaense reagiram bem à entrada do Marcello Caetano no Governo, porque o Salazar tinha a fama de ser um ditador.
O Marcello Caetano, para nós, tinha uma outra imagem, não era tão ditador como o outro. A comunidade aceitou-o de bom grado, mas passados uns anos as pessoas fartaram-se dele, porque em Portugal continuou a existir um partido único.” Depois do invernoso acidente de mobiliário que alerou a história de Portugal, seguiu-
-se a “Primavera Marcelista”, que trouxe uma muito ligeira aragem à Assembleia Nacional, hoje Assembleia da República. O parlamento passou a ter, depois de 1969, deputados da ala liberal, que lutavam por uma abertura do regime à democracia. Contudo, em Macau, nenhuma mudança se fez notar com essa abertura.
“Poucas notícias foram dadas sobre o assunto. Não houve diferenças nenhumas, mesmo depois do 25 de Abril de 1974. A censura continuou até depois dessa data, continuou a existir a polícia secreta e a polícia judiciária.” ANTÓNIO CAMBETA RESIDENTE
“Havia uma maior liberdade em Portugal mas em Macau sentiu-se muito pouco essa liberdade. Mesmo depois do 25 de Abril a liberdade era relativa. No caso da chegada de Marcello Caetano, para nós significou exactamente a mesma coisa. Continuava a existir o partido único e o governador era o homem máximo, ditava todas as regras e ninguém ia contra o governador”, recorda Jorge Fão. O presidente daAPOMAC destaca, no entanto, a influência que o novo presidente do Conselho tinha na área do Direito, mesmo a quilómetros de distância. “O Marcello Caetano tinha uma certa vantagem, era muito bom em Direito. Nós [na Função Pública] tínhamos de estudar certos manuais de Direito e ele era um homem de cabeça.Ainda hoje se cita o manual de DireitoAdministrativo de Marcello Caetano”, frisou. Na mesma entrevista que concedeu ao Diário de Notícias, o autor da biografia de Salazar lembrou que o tratamento depois da queda da cadeira demorou a chegar, pois poucos tiveram noção das consequências. O ex-dirigente do Estado Novo nunca havia perdido a consciência. “Houve naturalmente alguma consternação depois da queda, mas só alguns dias mais tarde foi Salazar visto pelo seu médico, e isso em função de uma consulta previamente marcada - e o Dr. Eduardo Coelho nada notou de anormal.” Filipe Ribeiro de Meneses adiantou ainda que, a 3 de Setembro, o ditador ainda presidiu à reunião do Conselho de Ministros. “Segundo Franco Nogueira, Salazar estava claramente afectado nessa reunião, durante a qual pouco falou. Esta deterioração é aliás bem visível no diário de Salazar - a escrita deteriorou-se muito nestes dias de Setembro. Mas ninguém ousou sugerir que o ditador precisava de cuidados médicos”, referiu o historiador. Andreia Sofia Silva (com D.M.) andreia.silva@hojemacau.com.mo
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TIAGO ALCÂNTARA
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LGUNS advogados contactados pelo HM afirmam não compreender a razão porque se está a colocar em cima da mesa a possibilidade de retirar o direito ao recurso dos co-arguidos que se vejam envolvidos em processos onde o Chefe do Executivo seja também arguido. Consideram tratar-se de uma “bizarria”, de um “retrocesso” face à intenção inicial da revisão da lei e até consideram ser um “aumento político do controlo do Governo”. “O simples facto de se admitir essa hipótese já é uma bizarria”, começa por referir Sérgio de Almeida Correia. “Não sei de que cabeça é que saiu essa ideia peregrina, mas um dos objectivos que estava por detrás da revisão desta lei era exactamente a extensão do direito de recurso no sentido de corrigir uma deficiência do sistema. Essa era uma contradição e algo que necessitava de ser corrigido”, acrescenta o causídico. Uma vez que o direito de recorrer das decisões do juiz “está consagrado no sistema jurídico de Macau e está previsto na Lei
CRITICADO FIM DE RECURSO PARA CO-ARGUIDOS DO CHEFE DO EXECUTIVO
Sentido inverso
A negação do direito a recurso de co-arguidos em processos onde o Chefe do Executivo seja também arguido, gera críticas entre alguns membros da comunidade jurídica. A medida é categorizada como uma “bizarria” e vista como “aumento político do controlo do Governo” Básica”, esta nova possibilidade, que ainda está a ser analisada pelos deputados e pelo Governo, significa a existência de “um número ainda mais alargado de pessoas em relação às quais fica vedado o direito de recurso”, o que é “um disparate”. “Isso não está na natureza do sistema jurídico de Macau e aquilo que deveria ser feito era alargar o âmbito do recurso e não restringi-lo ainda mais”, frisa Sérgio de Almeida Correia.
Aquando dos processos que levaram o ex-procurador do Ministério Público, Ho Chio Meng, e o ex-secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long, litigar na barra dos tribunais, houve processos conexos julgados em instâncias inferiores e não se registaram problemas de ordem processual, em termos de competência dos tribunais, que levassem a esta necessidade legislativa. “Quando é feita a separação de processos não advém qualquer
problema”, adiantou o advogado. “O que faria sentido é que também o Chefe do Executivo tivesse direito ao recurso e não que todos os que sejam apanhados na corrente deixem de ter direito ao recurso. Imaginemos um caso piramidal de corrupção, que vai desde a base ao Chefe do Executivo, e imaginemos que estão envolvidas 200 pessoas. Faz sentido que centenas de pessoas sejam julgadas na última instância sem direito a recurso?”, questiona.
PASSO ATRÁS
Autocarros Pereira Coutinho pede debate em comissão de acompanhamento O deputado José Pereira Coutinho enviou uma carta ao presidente da comissão de acompanhamento dos assuntos da administração pública da Assembleia Legislativa, Si Ka Lo, pedindo a marcação de uma
reunião para discutir a fusão de duas operadoras de autocarros. Coutinho quer debater “a recente fusão entre a Nova Era e a TCM, que se vai tornar na maior operadora do mercado de autocarros públicos, diminuindo
a concorrência”, bem como “as incertezas face ao curto período de 15 meses [de renovação de contrato], a garantia da qualidade dos serviços que foram dada para autorizar a fusão e a formação dos condutores”.
O HM tentou chegar à fala com o presidente da Associação dos Advogados de Macau (AAM), Jorge Neto Valente, que não quis fazer comentários por não estar no território. No entanto, aquando da elaboração do parecer com opiniões sobre a revisão da lei de bases da organização judiciária, a AAM não se pronunciou sobre esta matéria, uma vez que não estava, sequer, prevista.
Jorge Menezes, também advogado, considera que a medida pode implicar “um aumento político do controlo do Governo”. “É mais um passo atrás e representa um aumento político do controlo do Governo. O Chefe do Executivo controla o Governo, a falta de recurso retira-lhe um direito fundamental em violação da Lei Básica, e implica, por esta via, um maior controlo sobre o Chefe do Executivo.” Para o advogado, “não só há controlo na sua designação, como há controlo sobre o modo de governação, pois a falta de recurso - como a história da RAEM e de outros (poucos) países revela - diminui a qualidade da justiça e os direitos do arguido. Saber que as suas decisões não vão ser reavaliadas por outro tribunal aumenta a possibilidade de violação de direitos”. Jorge Menezes considera que “arrastarem pessoas comuns, retirando-lhes direitos que todos os cidadão deverão ter, pela circunstância de estarem envolvidos no mesmo processo que o Chefe do Executivo, é injustificável”. Sulu Sou, deputado que pertence à 3ª comissão permanente da Assembleia Legislativa, que actualmente analisa este diploma na especialidade, também se revela contra esta possibilidade. “Penso que todos devem ter direito ao recurso e acesso a julgamentos justos, incluindo o Chefe do Executivo”, frisou. Andreia Sofia Silva
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sexta-feira 3.8.2018
TÁXIS GOVERNO E DEPUTADOS COM DÚVIDAS SOBRE PODERES DE POLÍCIAS DE FOLGA E À PAISANA
Vítimas e acusadores
Onde dói mais
Agências de emprego vão poder cobrar metade do ordenado a trabalhadores
QUESTÕES DE HERANÇAS
Em relação à cobrança de honorários às empresas que procuram trabalhadores, não haverá um limite máximo. As agências poderão praticar os preços que pretenderem. “A comissão concorda que sejam a regras do mercados a definir os montantes cobrados. Se uma agência praticar um preço muito elevado, haverá sempre oportunidade de recorrer aos serviços de uma com o preço mais baixo”, sublinhou o deputado. “Só no caso dos honorários cobrados aos trabalhadores é que há limite por uma questão de protecção”, completou. Outro dos temas debatidos ontem à tarde foi a herança por parte de trabalhadores do Governo de participações sociais em agências de emprego. Aos funcionários públicos é exigido o regime de exclusividade, mas a proposta de lei não prevê o que acontece nas situações em que há uma herança da participação numa empresa. Por este motivo, o Governo prometeu aos deputados que vai arranjar uma alternativa, que passará por definir um prazo legal para a venda da participação herdada. J.S.F.
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Contudo, ontem, em mais uma reunião entre o Executivo e os deputados foi sublinhada a intenção de dar aos agentes fora de serviço o poder para obrigarem os taxistas a parar no local, enquanto esperam pela chegada dos colegas. “Segundo o artigo, se os agentes da autoridade forem vítimas de uma infracção administrativa assumem logo a qualidade de executor da lei”, começou por explicar o presidente da comissão. “Assim, o agente tem poder para parar o veículo e dizer ao condutor para permanecer no local, enquanto aguarda pelos colegas que vão investigar”, acrescentou. Na reunião não foram discutidos pormenores. Contudo, o próprio Vong Hin Fai
TIAGO ALCÂNTARA
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S agências de emprego vão poder cobrar honorários no valor de 50 por cento do primeiro salário recebido de um trabalhador que recorra aos seus serviços e assim encontre emprego. A cobrança só poderá ser feita depois de 60 dias da contratação e num único pagamento. A medida faz parte da nova proposta de lei da actividade de agência de emprego, que está a ser discutida pela 3.ª comissão permanente da Assembleia Legislativa. Nos casos em que, por exemplo, uma agência arranje emprego a um funcionário de limpeza e o primeiro salário base sejam 10 mil patacas. Após 60 dias, a agência pode cobrar até 5 mil patacas ao trabalhador. Esta é uma medida que se aplica tanto a residentes como a não-residentes. “Esta é uma proposta com que a comissão concorda, mas há um problema no caso dos trabalhadores não-residentes. Se após o período de experiência ele abandonar o cargo e voltar para o país de origem, então dificilmente a agência vai ser paga pelo serviço prestado”, afirmou Vong Hin Fai, presidente da comissão. “Não fizemos uma contraproposta em relação a este aspecto, mas alertámos o Governo par este aspecto porque juridicamente é difícil colocar uma acção de pequena causa. O Executivo vai ter de pensar como resolver esta situação”, apontou.
Os polícia à paisana ou de folga têm autoridade para aplicar a lei a um taxista que cometeu uma infracção? A questão está a levantar muitas dúvidas e os deputados exigem mais explicações ao Governo admitiu que há um aspecto que o preocupa. “De acordo com a explicação do Governo, especialmente na PSP há agentes fardados e à paisana. Os polícias à paisana também têm autoridade pública. Mas para sabermos se esse tipo de polícias está de folga ou de serviço é necessário ir à esquadra...”, apontou.
Se o polícia for a vítima e a pessoa que trata da acusação, a questão da imparcialidade pode ser posta em causa, de acordo com os deputados
Esta situação pode levantar ainda outros problemas porque, como foi explicado, se um taxista se recusa a parar perante um polícia à paisana pode incorrer no crime de desobediência. Contudo estes agentes, mesmo que investidos de autoridade pública, não vão poder iniciar um processo de acusação. Esta escolha deve-se a uma questão de imparcialidade no processo. Se o polícia for a vítima e a pessoa que trata da acusação, a questão da imparcialidade pode ser posta em causa, de acordo com os deputados. Face a esta situação, o Governo comprometeu-se a entregar um novo artigo sobre este aspecto para apreciação dos deputados.
ACESSO A TODOS
Também ontem os deputados discutiram as gravações das
conversas dentro dos táxis, que vão ter de ser guardados numa espécie de caixa-negra. Segundo a proposta de lei, as gravações têm de ser mantidas durante 90 dias, porém os deputados acham o tempo excessivo e disponibilizaram-se para o reduzir. Ao mesmo tempo, o Governo garantiu aos deputados que tanto os taxistas como os clientes e outras partes interessadas vão ter acesso às gravações. Raimundo do Rosário, que esteve presente na reunião, frisou que a discussão da lei está a ser feita artigo a artigo e que se vai tentar encontrar um ponto de equilíbrio entre a proposta do Governo e as posições dos deputados. João Santos Filipe
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3.8.2018 sexta-feira
Os médicos do sector privado estão preocupados com a possibilidade de os novos critérios para profissionais de saúde poderem gerar despedimentos, principalmente entre os médicos com mais tempo de profissão.
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S médicos do sector privado estão preocupados com a possibilidade de os novos critérios para profissionais de saúde poderem gerar despedimentos, principalmente entre os médicos com mais tempo de profissão. As preocupações foram expressas num encontro com cerca de 50 profissionais de saúde, organizado pela Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM). Em causa está a proposta de lei sobre o regime legal da qualificação e inscrição para o exercício da actividade dos profissionais de saúde, que foi apresentada, na quarta-feira, pelo Conselho do Executivo e que foi entregue ontem na Assembleia Legislativa (AL). A proposta de lei vai ser aplicada ao sector público e privado e tem como objectivo uniformizar os
SAÚDE MÉDICOS DO PRIVADO PREOCUPADOS COM CRITÉRIOS MAIS RIGOROSOS
Em bom rigor Os médicos que exercem a profissão há mais tempo temem que a definição de critérios mais apertados para exercer medicina leve a que sejam substituídos por profissionais mais qualificados. Porém, o médico e deputado Chan Iek Lap defende que a nova lei vai aumentar a confiança na medicina local critérios de ingresso e requisitos de inscrição na profissão. Segundo um comunicado da FAOM, os médicos presentes no encontro consideram que o Governo deve divulgar mais informação sobre a matéria tão depressa quanto possível.
Também foi divulgado que alguns médicos sentem que a proposta ameaça alguns dos profissionais mais velhos. Ao mesmo tempo, houve médicos que se mostraram a favor do estabelecimento da Academia Médica de Macau, porque
Turismo Hotel The 13 pode abrir antes de Setembro
A South Shore Holdings Limited, proprietária do Hotel The 13, prevê que a abertura da unidade hoteleira possa acontecer antes de Setembro. A mensagem foi divulgada num comunicado da empresa à bolsa de Hong Kong. De acordo com o Jornal Ou Mun, a South Shore Holdings Limited afirmou que em 23 de Julho a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) já iniciou a reverificação do hotel e que a empresa prevê que as licenças necessárias, como de hotel, restaurantes, ginásio e bares, sejam emitidas até meados de Agosto. A empresa acrescentou que por forma a aumentar a competitividade do hotel The 13 e satisfazer as necessidades dos clientes, vai investir tempo extra para se preparar a abertura do hotel.
consideram que pode aumentar o nível de serviços de saúde no território.
MAIS CONFIANÇA
Por sua vez, Chan Iek Lap, deputado eleito pela via indirecta e ligado ao sector dos médicos, defendeu que a proposta vai elevar
a confiança dos cidadãos no pessoal médico, o que beneficia ao sector. Ao Jornal Ou Mun, Chan Iek Lap apontou que, devido à ausência da acreditação no sector dos serviços de saúde de Macau, principalmente em comparação com o que se pratica no exterior, o nível da medicina local acaba por ser mais baixo. Neste sentido, explicou, acaba por ser natural que os residentes demonstrem desconfiança face ao sector. O médico que recentemente levantou questões sobre a importação de médicos vindos de Portugal, revelou preocupações quanto às oportunidades de estágio para os recém-formados. Isto porque apenas há três hospitais no território, incluindo o a unidade hospitalar da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau.
ESTÁGIO COMPLICA
Já Wong Kit Cheng entende que o regime que define as qualificações e inscrição para o exercício das profissões no sector da saúde é uma necessidade urgente. No entanto, a deputada questiona se em Macau há sítios e professores suficientes que satisfaça a procura de estágios para os recém-formados. A deputada frisou igualmente que entre as 15 categorias de profissionais de saúde poderá ser necessário atender às diferentes particularidades de cada profissão. Por causa disso, Wong Kit Cheng sugere que se tenha em consideração os diferentes trabalhos, em vez de se realizar um estágio uniforme para as 15 categorias dos profissionais de saúde. Já Paulo do Lago Comandante, presidente da Associação dos Investigadores, Praticantes e Promotores da Medicina Chinesa de Macau, acha que o regime pode aumentar o nível de reconhecimento dos médicos de medicina chinesa. Contudo, espera que o Governo preste apoio financeiro a estagiários e professores, uma vez que ao longo de um período de, pelo menos, seis meses os futuro médicos têm de fazer um estágio não-remunerado. Vítor Ng
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JOGO WYNN RESORTS MAIS DO QUE DUPLICA LUCROS, MACAU É O PRINCIPAL RESPONSÁVEL
A
Wynn Resorts apresentou lucros líquidos de 155,8 milhões de dólares no segundo trimestre de 2018, mais do dobro do que no período homólogo de 2017, devido aos bons resultados do jogo em Macau. “O aumento no lucro líquido atribuível à Wynn Resorts Limited deveu-se principalmente a um aumento na receita operacional do Wynn Palace”, um dos dois casinos que opera em Macau, esclareceu em comunicado o grupo com sede em Las Vegas, nos Estados Unidos. De acordo com o grupo hoteleiro e concessionário de jogo em Las Vegas, no segundo trimestre do ano passado a Wynn Resorts tinha alcançado 74,9 milhões de dólares, uma diferença de 80,9 milhões de dólares em comparação com os dados apresentados nesta quarta-feira. As receitas operacionais do trimestre em análise do ‘resort’ integrado Wynn Palace, em funcionamento desde 2016, foram de 620,6 milhões de dólares, mais 56,6 por cento em relação ao mesmo período de 2017. O EBITDA ajustado (resultados antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) no Wynn Palace foi de 179,3 milhões de dólares, mais 105,1 por cento comparando com o período do segundo trimestre do ano passado, pode ler-se no mesmo comunicado. Por outro lado, o segundo empreendimento que o grupo tem em Macau, o Wynn Macau, sofreu um decréscimo nas receitas em relação ao período em análise do ano passado. As receitas operacionais atingiram 543,3 milhões de dólares, menos 14,9 por cento face aos 638,5 milhões arrecadados no mesmo período de 2017. De acordo com o comunicado, o grupo alcançou receitas de 1,61 mil milhões de dólares, o que representa um aumento 9 por cento em relação ao segundo trimestre do ano passado.
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sexta-feira 3.8.2018
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GALGOS CONCESSIONÁRIA DO TERRENO DO PAC ON AINDA NÃO PEDIU ALTERAÇÃO DE FINALIDADE
Em águas de bacalhau
O pedido submetido pela Yat Yuen à DSSOPT com vista à transferência dos galgos para um terreno localizado no Pac On ficou em águas de bacalhau, dado que, antes, o concessionário da parcela tem de solicitar a alteração de finalidade, algo que ainda não fez SOFIA MARGARIDA MOTA
ONTINUA tudo em aberto relativamente a uma eventual transferência dos galgos para o terreno no Pac On, para onde foi pensado um centro internacional a ser gerido pela Yat Yuen e pela Sociedade Protectora dos Animais – Anima. A Yat Yuen entregou, na terça-feira, um pedido à Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) para o efeito, mas que foi colocado de parte, dado que o pedido de alteração de finalidade tem de ser feito pela concessionária do terreno, algo que ainda não sucedeu. A explicação foi facultada ontem pelo secretário para as Obras Públicas e Transportes: “Previamente à avaliação desse requerimento, o concessionário deve formular um pedido de alteração de finalidade”. “Como não coincide com a finalidade do terreno, antes de apreciar este pedido, há que regularizar” essa situação, afirmou Raimundo do Rosário, em declarações aos jornalistas, à margem da inauguração da Estação Postal do Fai Chi Kei. Localizado no 218 do lote E do Largo de Pac On, com uma área de 4.200 metros quadrados, o terreno foi concedido em 1988 à Bel Fuse para a construção de uma unidade industrial de componentes electrónicos. Segundo dados da Conservatória do Registo Predial, desde 2007, essa propriedade, encontra-se inscrita, em nome da Sociedade de Desenvolvimentos Bong Vui. Raimundo do Rosário declinou comentar, porém, a eventual impossibilidade de a Yat Yuen explorar a propriedade, devido a requisitos inerentes à concessão de que o terreno tem que ser utilizado em exclusivo pela concessionária: “Quando houver um pedido concreto de exploração logo veremos. Não vou responder a perguntas em abstracto”.
“Fico à espera que os interessados – concessionário ou quem quer que seja – formulem mais pedidos. Quando formularem, respondemos. Não vale a pena estarmos a ficcionar outras situações”, insistiu. A competência para aprovar a alteração de finalidade do terreno, cuja concessão é definitiva, é do Chefe do Executivo. Por esclarecer ficou também que finalidade poderia ser solicitada para o alojamento dos galgos. “Quando vier [o pedido] analisaremos”, respondeu o secretário. Questionado sobre a obrigação da finalidade ser alterada, face à existência de eventuais outros edifícios industriais usados para
diferentes fins, Raimundo do Rosário afirmou: “Se houver um caso concreto de um terreno em que no Boletim Oficial tem uma finalidade e ache que no sítio está outra suscite a questão”.
UM BONG
A Sociedade de Desenvolvimentos Bong Vui, que opera desde 2007, tem três proprietários: duas empresas (a Companhia de Desenvolvimento Predial Kok Vui, com a maior participação, e a Empresa Bondi), bem como por Lam Tak Va, que é também administrador e proprietário da Empresa Bondi, a par com a mulher, Tai Sok Fan. Segundo a Macau News Agency (MNW), o empresário é membro
da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês pela província de Henan. Já a Companhia de Desenvolvimento Predial Kok Vui, estabelecida em 1991, é detida pelo casal Ung Kin Kuok e Camila Ho, que desempenham o cargo de administradores não-sócios na Bong Vui, segundo dados da Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis, consultados pelo HM. Segundo a MNW, Ung Kin Kuok é um dos accionistas do Macau Roosevelt Hotel, posição que lhe foi atribuída igualmente pelos ‘media’ em língua chinesa, nomeadamente em 2013. A unidade, de cinco estrelas, abriu portas em Julho do ano passado numa parcela concedida inicialmente à Companhia de Corridas de Cavalos de Macau que foi cedida à Sociedade Hoteleira Macau-Taipa Resort.
DA STDM A ‘OFFSHORES’
Segundo dados da Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis, consultados pelo HM, a Sociedade Hoteleira Macau-Taipa Resorts tem Ung Kin Kuok como um dos dois administradores não-sócios. Essa empresa, com um capital social de um milhão de patacas, iniciou operações em 1993, com a Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM),
a cujo universo pertence a Yat Yuen. Rui Cunha era à altura um dos sócios da emprea. Contudo, em 2000, deu-se a primeira de muitas mexidas, com a Companhia de Corridas de Cavalos a adquirir 990 mil patacas de participação da STDM. Oito anos depois, a fatia da Companhia de Corridas de Cavalos é adquirida por duas empresas, ambas com sede nas Ilhas Virgens Britânicas; e a minoritária de Rui Cunha por uma delas. Assim, em Dezembro de 2008, a empresa, que tem como objecto a construção de hotéis e o exercício da indústria hoteleira e similares, fica com a Smart Right Enterprises e a Smart Lion Enterprises como proprietárias. Em 2011, o capital volta a mudar de mãos, passando para a esfera de outras duas empresas (Garden Rise e Winfull Rich), também com sede nas Ilhas Virgens Britânicas. Em 2013, o cenário repete-se, com outras duas companhias sedeadas nas Ilhas Virgens Britânicas (Smart Concern e Top Listing) a dividirem a propriedade da Sociedade Hoteleira Macau-Taipa Resort. O último desenvolvimento faz referência ao penhor das duas quotas pelo Banco Industrial e Comercial da China, cujo fundamento era aparentemente garantir o pagamento de um empréstimo. Diana do Mar
dianadomar@hojemacau.com.mo
TUFÕES AUTORIDADES DE MACAU ANUNCIAM CONCLUSÃO DO SISTEMA DE ALERTA
A
S autoridades de Macau anunciaram ontem a conclusão de um conjunto de sistemas de alerta para tufões e inundações, no âmbito de vários esforços realizados para a prevenção e redução de catástrofes. Os equipamentos podem entrar “em
funcionamento já este mês”, uma vez que a instalação foi concluída “antes do tempo previsto”, lê-se num comunicado divulgado pelo Gabinete de Comunicação Social. A época de tufões arrancou em Junho e prevê-se que termine em Outubro.
Na zona baixa ao longo da costa oeste das três penínsulas (Macau, Taipa e Coloane), os noventa postes do sistema de videovigilância foram equipados com avisos sonoros, capazes de cobrir uma área de entre 50 e 100 metros, indicou o comandante-geral
dos Serviços de Polícia Unitários (SPU), de acordo com o comunicado. Foram também instalados altifalantes nos carro-patrulha para emitir as informações da proteção civil em três línguas: chinês, português e inglês, refere a mesma nota. O co-
municado avança ainda que a Protecção Civil optimizou as plataformas de divulgação de informações meteorológicas, para que estas cheguem a todos de forma atempada. “Além de se aproveitar a forma tradicional de divulgação, como por exemplo a página electrónica,
rádio, televisão, entre outros, são utilizadas as redes sociais, tais comoWechat e Facebook”, avança o comunicado. Segundo as autoridades, os sistemas serão activados sempre que accionado o nível 3 ou superior do aviso de ‘Storm Surge’.
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3.8.2018 sexta-feira
ESCÂNDALO LÍDER BUDISTA ACUSADO DE ABUSO SEXUAL DE MONJAS
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Shi foi seleccionada entre os 100 “internautas jovens bons” e reconhecida como um modelo para jovens chineses por introduzir espectadores à indústria de jogos e à ciência, conhecimento, cultura e história, e por promover hábitos de jogo saudáveis.
INTERNET CEM CHINESES DISTINGUIDOS COMO “INTERNAUTAS JOVENS BONS”
Perfis perfeitos
São jovens e comportam-se lindamente na Internet. O Comité Central da Liga da Juventude Comunista da China e a Administração do Ciberespaço da China, organizaram a campanha “internautas jovens bons”, que distinguiu uma centena de jovens cuja presença online foi considerada exemplar
S
HI Yue, uma "xue ba" de 29 anos de idade, ou seja, uma aluna com notas máximas, possui diplomas das universidades mais importantes da China. No entanto, traçou o seu caminho para a fama na internet como apresentadora de um podcast dedicado à promoção de hábitos saudáveis na comunidade adepta dos jogos de vídeo Apelidada de "Nv Liu", Shi começou a editar e narrar jogos na
internet quando estudava arquitectura na Universidade Tsinghua e na Universidade de Pequim. Após a graduação, tornou-se apresentadora de transmissão ao vivo em tempo integral. Shi foi seleccionada entre os cem "internautas jovens bons" e reconhecida como um modelo para jovens chineses por introduzir espectadores à indústria de jogos e à ciência, conhecimento, cultura e história, e por promover
hábitos de jogo saudáveis. "Nv Liu passou muita positividade para seus 2,6 milhões de seguidores," diz um comunicado emitido pelo Comité Central da Liga da Juventude Comunista da China e pela Administração do Ciberespaço da China, que organizaram a campanha "internautas jovens bons".
PROCESSO DE ESCOLHA
e 40 anos, foram seleccionados por internautas e jurados da campanha. Li Ziqi, um blogger bem conhecido que fala sobre comida, também está entre os "internautas jovens bons". Li postou mais de uma centena de vídeos online para ensinar sua audiência a cozinhar comida chinesa tradicional. As suas receitas culinárias obedecem escrupulosamente ao calendário, nomeadamente às estações do ano e aos festivais do calendário lunar chinês. O comunicado elogia seu trabalho que combina a cultura gastronómica chinesa com a apresentação de nos novos media e a promoção da cultura chinesa. De acordo com a Xinhuau, a lista de internautas modelo também inclui activistas que defendem o interesse público, caricaturistas e editores que promovem conhecimento e generosidade, e cidadãos que combatem crimes na internet e conteúdo ilegal.
Todos os cem escolhidos, com idades compreendidas entre 14
PECUÁRIA PEQUIM ADOPTA SISTEMA DE RESFRIAMENTO AUTOMÁTICO DE VACAS
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IVERSOS leiteiros do distrito de Yanqing em Pequim começaram a utilizar um sistema de aspersão inteligente para resfriar as vacas e garantir a produção de leite, informou na quarta-feira o Beijing Daily. Os bovinos possuem glândulas sudoríparas pouco desenvolvidas,
portanto têm pouca tolerância ao calor excessivo, refere a Xinhua. Durante o Verão, os animais comem menos, consequentemente produzem menos leite e ficam mais vulneráveis a doenças. Os aerossóis e sistemas de irrigação aspersores já eram utilizados na China, mas
M dos monges budistas mais populares da China, o mestre Xuecheng, foi acusado de abusar sexualmente de monjas num dos templos que lidera, noticiou ontem o jornal Global Times. Xuecheng, cujo verdadeiro nome é Fu Ruilin, foi denunciado por duas mulheres do templo de Longquan, um dos mais conhecidos de Pequim, onde, segundo um relatório enviado às autoridades, Xuecheng forçou várias monjas a terem relações sexuais com ele. Xuecheng preside a Associação Budista da China, é membro da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (semelhante a uma câmara alta nas democracias ocidentais) e é abade dos templos de Longquan, Famen e Guanghua. De acordo com o relatório, citado pelo Global Times, Xuecheng enviou mensagens para pelo menos seis monjas do templo em Pequim com textos ameaçadores pedindo-lhes que fizessem sexo com ele como parte de um estudo de técnicas de controlo da mente. Pelo menos quatro mulheres cederam ao seu pedido. "Xuecheng manipulou-as para servir seu 'império budista', no qual os seus discípulos sacrificaram as doutrinas e violaram a lei", enfatizou o documento. O abade de 51 anos acusou as duas mulheres de distorcerem os factos e de divulgarem informações falsas. Fontes ligadas ao caso citadas pelo Global Times indicaram que o monge chegou a ser detido e interrogado pelas autoridades, encontrando-se agora em liberdade.
normalmente eram aplicados de forma manual. Este novo sistema de pulverizadores inteligentes, desenvolvido pela Estação de Monitorização Ambiental de Pecuária de Pequim, é capaz de monitorizar a temperatura e a humidade dos estábulos, assim como a localização exacta das
vacas, e ajustar dinamicamente a intensidade dos aspersores para aliviar o calor. O sistema também utiliza a tecnologia de conservação da água que proporciona uma economia de 50 por cento em relação ao pulverizador tradicional. A produção de leite aumentou em
comparação com o mesmo período do ano passado, uma indústria leiteira com mil cabeças de gado aumentou os lucros em 100 mil yuans mensais. O sistema será adoptado por outras fazendas na capital chinesa para garantir a estabilidade da oferta de leite de alta qualidade durante o Verão.
Acidente Nove mortos no sul da China após camião tombar sobre viaturas
Nove pessoas morreram e duas ficaram feridas após um camião que transportava cimento se ter virado e caído sobre as duas viaturas em que seguiam, na província de Guangdong, no sul da China, informou ontem a polícia local. O acidente ocorreu na quarta-feira, mas só ontem é que as autoridades avançaram com o balanço, depois da operação de resgate ter sido dada como concluída. Os feridos estavam em condição estável.
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sexta-feira 3.8.2018
JAPÃO UNIVERSIDADE MANIPULOU EXAMES PARA ADMITIR MENOS MULHERES
Tailândia Reino Unido recebe pedido de extradição de ex-primeira-ministra
A
Tailândia pediu ao Reino Unido a extradição da ex-primeira-ministra Yingluck Shinawatra, que foi derrubada por um golpe em 2014 e condenada, à revelia, a cinco anos de prisão, noticiou ontem a agência France-Presse (AFP). "Pedimos a extradição da Sra. Yingluck Shinawatra, uma cidadã tailandesa que, até onde sabemos, mora no Reino Unido", pode ler-se numa carta enviada a 5 de Julho pela embaixada tailandesa em Londres ao Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico e cujo teor foi revelado pela AFP. Acusada de "negligência" na gestão de um programa de subsídios destinado a produtores de arroz, Yingluck Shinawatra fugiu do país em Agosto de 2017 e foi condenada três anos depois. Os outros dois réus no mesmo caso foram condenados a penas pesadas, nomeadamente o seu ex-ministro do Comércio, Boonsong Teriyapirom, que está a cumprir 42 anos de prisão. A guerra entre os militares tailandeses, a elite de Banguecoque e a família Shinawatra dura há mais de uma década. Os Shinawatra venceram todas as eleições nacionais desde 2001, mas as elites tradicionais, militares e juízes, vendo-os como uma ameaça à realeza, afastaram-nos do poder através de golpes de estado. As eleições gerais estão marcadas para o início de 2019, quatro anos após o golpe que levou Prayut Chan-O-Cha ao poder.
O segundo sexo
MAIS ADEQUADOS
Uma universidade privada de medicina em Tóquio manipulou, supostamente durante vários anos, os resultados dos exames de acesso à instituição com o objectivo de admitir menos mulheres
O
caso está a ser investigado por um escritório jurídico contratado pela própria universidade, que aguarda nas próximas semanas por conclusões que esclareçam melhor a situação, disse ontem um porta-voz daquele
estabelecimento do ensino superior à agência de notícias Efe. O caso foi tornado público no momento em que o Ministério Público de Tóquio investiga a mesma universidade pela suposta pressão exercida por um alto funcionário do Ministério da Educação, Ciência e
aumento no número de alunas no ano anterior. Naquele ano, 40 por cento dos novos alunos da universidade privada eram mulheres, o dobro do registado em 2009.
Tecnologia para que esta admitisse o seu filho, sob a ameaça de retirar a ajuda pública. A Universidade de Medicina de Tóquio começou a manipular os resultados obtidos pelos candidatos para estudar medicina em 2011, depois de ter registado um
Desde então, o conselho de administração da universidade aplicou critérios mais restritivos na avaliação de mulheres nos exames de admissão de forma a manter a percentagem de estudantes do sexo feminino em cerca de 30 por cento do total de novos alunos, segundo o jornal Yomiuri, que cita fontes ligadas ao processo, mas sem as identificar. Na base da manipulação estaria a ideia de que os homens são mais adequados à profissão médica, porque as mulheres japonesas frequentemente param de trabalhar depois de se casarem e de terem filhos, segundo o jornal japonês.
A Universidade de Medicina de Tóquio começou a manipular os resultados obtidos pelos candidatos para estudar medicina em 2011, depois de ter registado um aumento no número de alunas no ano anterior No Japão, aproximadamente metade das mulheres deixa definitivamente os seus empregos depois de se tornarem mães, devido a factores socioculturais e dificuldades em conciliar vida a familiar e profissional neste país asiático. O Governo lançou a estratégia "Womenomics" para promover uma maior participação feminina no trabalho, mas o país continua a registar uma diferença salarial entre homens e mulheres, bem como uma diminuta presença do género feminino nas grandes empresas e na classe política.
FILIPINAS POLÍCIA DE MANILA AUMENTA ALERTA DE TERRORISMO NA CAPITAL
A
polícia de Manila anunciou ter elevado o alerta de terrorismo na capital, na sequência de um atentado suicida, no sul das Filipinas, atribuído ao grupo extremista islâmico Abu Sayyaf, que causou dez mortos. O chefe da Polícia Nacional em Manila, Guillermo Eleazar, disse à imprensa local que os relatórios dos serviços secretos não apontam para uma “ameaça iminente” de terrorismo na capital filipina, mas alertou que a cidade deve estar preparada para essa possibilidade. “É por isso que actualizámos
o estado de alerta, apenas para facilitar a resposta”, explicou. Eleazar acrescentou que os polícias estão a ser mobilizados paras as ruas da cidade e que as informações recolhidas pelos serviços de segurança vão ser intensificadas em Manila, onde vivem 15 milhões de pessoas. A deflagração de um engenho explosivo, colocado numa viatura e accionado pelo motorista, resultou na morte de um soldado, de cinco elementos das milícias locais e de
quatro civis na província de Basilan, uma pequena ilha localizada no sul das Filipinas, informaram as autoridades. O atentado suicida correu num posto de controlo militar em Lamitan, capital de Basilan. O exército reforçou as medidas de segurança no sul do país, especialmente em Basilan, um bastião do movimento extremista Abu Sayyaf que jurou fidelidade ao grupo extremista Estado Islâmico. O movimento Abu Sayyaf foi criado em 1991 por alguns ex-combatentes da guerra
no Afeganistão contra a antiga União Soviética. O ataque ocorreu menos de uma semana após o Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, ter assinado uma lei que concedeu mais autonomia para a minoria muçulmana no sul do país, numa tentativa de isolar os rebeldes islâmicos que ali operam. O estabelecimento de um Estado Federal no país é considerado um ponto de partida para o cumprimento do acordo de paz assinado em 2014 com a Frente Moro de Libertação Islâmica (FMLI).
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3.8.2018 sexta-feira
Chama-se “Inner Harbour Zine” e pretende mostrar, até Outubro, as vivências e histórias do Porto Interior, sem esquecer o seu futuro. Si Kei é a curadora da iniciativa da associação Community Art Project que acontece nas bibliotecas dos bairros do Patane e de São Lourenço
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EBATES, experiências artísticas e sessões de storytelling acontecem a partir de amanhã, até ao dia 31 de Outubro, para contar os detalhes das histórias que povoam a zona do Porto Interior, lugar que outrora vivia da pesca e da indústria. É esta a proposta da associação Community
Art Project, que organiza várias actividades com o apoio do Instituto Cultural e que se inserem na iniciativa “Inner Harbour Zine”. Estas acontecem entre amanhã e o dia 30 deste mês na biblioteca do Patane, enquanto que a biblioteca de São Lourenço acolhe outra série de eventos entre o dia 1 de Setembro e 31 de Outubro. Pelo meio há
o “Zine Storytelling”, que visa a participação de moradores, no dia 11 deste mês, sem esquecer um workshop pensado para famílias no dia 18 deste mês. Si Kei, curadora da iniciativa e uma das responsáveis da Community Art Project, contou ao HM que o objectivo principal do projecto é não deixar as memórias do Porto Interior morrer. “Vamos organizar diferentes tipos de eventos sobre temas como a pesca ou as indústrias que têm vindo a desaparecer nos últimos anos, sem esquecer o futuro do Porto Interior e das restantes áreas litorais do território. Vamos falar de diferentes temas para que o público possa conhecer melhor o Porto Interior”, frisou. O workshop e a sessão de storytelling terá a participação de artistas, mas não só. “Pedimos a artistas e a pessoas que não têm experiência artística para participar no evento. Estas vão fazer criações individuais que terão edições limitadas para venda ao público.” A ideia é que esses materiais revelem “a sua visão sobre o Porto Interior, o que sentem em relação a essa zona e as suas experiências no local”.
EXPOSIÇÃO “INNER HARBOUR ZINE” MOSTRA PORTO INTERIOR AT
Barcos, pátios e Esses trabalhos vão responder a três temas, tais como “a linha costeira e as mudanças e o futuro, as vivências na zona do Porto Interior e as indústrias da zona”.
ZONA PERDEU VOZ
Si Kei contou ao HM a decisão de focar a zona aconteceu depois de perceberem as consequências do tufão Hato, ocorrido há um ano e que causou inundações graves no Porto Interior. “Percebemos que o tufão do ano passado trouxe sérios impactos à zona e depois disso, alguns meses depois, não houve mais vozes sobre a zona, que voltou a ficar esquecida. No desenvolvimento económico de Macau esta área sempre ficou para trás, apesar de ter elementos históricos únicos.” Para Si Kei, o Porto Interior representa “a era dourada de Macau de há séculos atrás”,
pelo que “é muito importante voltar a levantar a voz sobre esta zona e mostrar às pessoas o que está a acontecer aqui”. Mais do que apostar na vertente artística, a associação Community Art Project pretende aumentar a consciência
“Ninguém quer saber da zona do Porto Interior, e é por isso que queremos aumentar a consciência sobre os locais que continuam a viver nesta zona e cujas vidas poderiam mudar e melhorar.” SI KEI ASSOCIAÇÃO COMMUNITY ART PROJECT
das pessoas sobre os desafios que o Porto Interior enfrenta actualmente. “É importante que as pessoas saibam mais e falem sobre a zona, para que o Governo esteja atento em termos de implementação de políticas de desenvolvimento urbanístico.” Si Kei lamenta que apenas o projecto de integração regional da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau seja destaque na opinião pública. “Ninguém quer saber da zona do Porto Interior, e é por isso que queremos aumentar a consciência de quem continua a viver nesta zona e cujas vidas poderiam mudar e melhorar.” Para a curadora do projecto, quem continua a residir na área já não acredita em mudanças. “Muitos locais estão a sair da zona e os trabalhadores migrantes estão a mudar-se para lá, o que significa, por um lado, que os locais conseguem
eventos 11
sexta-feira 3.8.2018
TRAVÉS DA ARTE
outras histórias
PALESTRA ASSOCIAÇÃO DEBATE VIDA E MORTE
A
Associação de Desenvolvimento Comunitário Artistry of Wind Box vai promover no próximo dia 10 um debate sobre as temáticas da vida e da morte, com a colaboração de um grupo de Hong Kong intitulado “Corrupt the Youth” e com a presença de um especialista em filosofia. Ao HM, Mandy Ip, presidente da associação, referiu que o objectivo é abordar um assunto que é
ainda tabu no seio da comunidade chinesa. “Vamos ter um grupo ligado à filosofia de Hong Kong. Esse grupo é bastante conhecido e também aborda estas questões da vida e morte, e foi por isso que os convidei a vir a Macau falar deste assunto. O grupo tem membros muito jovens”, referiu. “Às vezes falamos deste assunto com os nossos amigos e familiares mas não temos a hipótese
de falar sobre este assunto em público, ou de uma forma mais aprofundada. Na comunidade chinesa temos medo de falar sobre a morte, achamos que não é bom falar sobre isso, achamos que traz má sorte. Penso que deveríamos enfrentar esta questão e ter mais oportunidades de pensar sobre estes assuntos”, rematou Mandy Ip. O evento conta com o patrocínio do Instituto Cultural. A.S.S.
Literatura Textos de Hemingway de 1956 publicados pela primeira vez
viver num lugar melhor mas a nossa investigação mostra que os residentes continuam a ficar, vivem lá desde jovens e a maior dificuldade para eles é que podem ter dificuldades,
sem canais para falar, e nem sabem como falar.” “Não estão muito optimistas quanto ao futuro, e pensam que já passaram dez e quinze sem que tenha havido mudanças
significativas. Gostaríamos de levá-los a pensar que a sua situação pode melhorar”, rematou a curadora. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
Cenas extra Encontrados argumentos de Monty Python nunca vistos
O
arquivo privado do actor britânico Michael Palin contém dezenas de ideias dos Monty Python para rábulas nunca filmadas, duas delas específicas para o filme “Monty Python e o Cálice Sagrado”, revelou a imprensa britânica. Segundo o jornal The Times, no ano passado, Michael Palin, um dos seis Monty Python, cedeu o arquivo pessoal de mais de 50 cadernos à Biblioteca Britânica, que está a catalogar os documentos antes de os disponibilizar aos utilizadores, incluindo através de uma exposição de alguns dos papéis, que deverá abrir no dia 7 de Agosto. Os dois momentos que acabaram por não ser filmados para o “Cálice Sagrado” consistem numa rábula com uma livraria no Velho Oeste e outra com um Cavaleiro Cor de Rosa, tendo esta última sido substituída pela cena entre o rei Artur e o Cavaleiro Negro, que vai perdendo membros ao longo da disputa até só sobrar a cabeça. Quer o “Cálice Sagrado” quer “A Vida de Brian” poderiam ter finais diferentes, segundo os documentos vistos pelo Times, que escreve que, “em ambos os casos, o grupo cortou material que teria causado
controvérsia na altura e é arriscado ainda hoje”. O ‘sketch’ do Velho Oeste mostra um homem, no deserto, à procura de uma bebida num ‘saloon’, que se revela, afinal, uma livraria. “Não há bebidas aqui, senhor. Isto é uma livraria”, afirma o barman, antes de acrescentar, perante a indignação do potencial cliente, que é a última livraria antes do México e que bares só no Canadá, uma vez que o entreposto índio deixou de vender bebidas desde que se especializou em Autores Europeus Modernos. Palin disse ter pouca memória das duas cenas, e salientou que eram da autoria de Terry Jones, que sofre de demência e cuja família aprovou a divulgação dos rascunhos. “Às vezes há coisas assim. Não consigo pensar no porquê de não terem sido usados. ‘O Cálice Sagrado’ tomou forma gradualmente e, no começo, tinha muito mais ideias do que acabou a ter no ecrã, porque tinhas de ter uma narrativa. No final, a história dos cavaleiros era forte o suficiente”, afirmou Michael Palin ao Times.
Histórias da Segunda Guerra Mundial de Ernest Hemingway, escritas em 1956, vão ser publicadas pela primeira, anunciou ontem a revista britânica Strand Magazine. De acordo com a revista, os textos “A Room on the Garden Side” vão ser publicados na edição de Verão, nas bancas já na próxima semana. “A Room on the Garden Side” baseia-se nas experiências de Hemingway como correspondente e combatente PUB
durante a Segunda Guerra Mundial. A história passa-se em Paris, no ano de 1944, logo após a cidade ter sido libertada da ocupação pelas tropas nazis. “O profundo amor de Hemingway pela sua cidade favorita, à medida que está a sair do ocupação nazi, está aqui amplamente presente, bem como as marcas que distinguem a sua prosa”, escreveu na nota editorial o editor executivo da Strand Andrew F. Gulli.
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MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 516/AI/2018 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora LUO SHA, portadora do Passaporte da RPC n.° E56048xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 133/DI-AI/2016 levantado pela DST a 03.11.2016, e por despacho da signatária de 18.07.2018, exarado no Relatório n.° 488/DI/2018, de 09.07.2018, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Avenida Sir Anders Ljungstedt n.os 297-303, 36.° andar A onde se prestava alojamento ilegal.------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.----------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode a infractora, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.----------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.---------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 18 de Julho de 2018. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 523/AI/2018 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora GAO LILI, portadora do Passaporte da RPC n.° E85940xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 137.1/ DI-AI/2017, levantado pela DST a 05.06.2017, e por despacho do Director dos Serviços de Turismo, Substituto, de 30.05.2018, exarado no Relatório n.° 338/DI/2018, de 21.05.2018, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Taipa, Rua de Bragança, n.° 345, Kinglight Garden, Bloco 3, Fai Yuen, 29.° andar R.-----------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010.------------------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 17 de Julho de 2018. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
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José Simões Morais
3.8.2018 sexta-feira
Quando é que despertarei de estar acordado?
Cônsules portugueses de Fuchau e Xangai
A
S comemorações não realizadas em Hong Kong contrastam com as dos 25 residentes portugueses de Fuchau (Fuzhou), província de Fuquiam (Fujian), que prestaram “homenagem à Pátria, festejando condignamente o 4.º Centenário da Descoberta do Caminho Marítimo para a Índia pelo ínclito navegador Vasco da Gama”, segundo O Porvir que refere, “No dia 17 de Maio reuniram-se na residência de monsieur Frandon, ilustrado cônsul de França e vice-cônsul de Portugal naquela cidade, e de lá expediram o seguinte telegrama <COMISSÃO EXECUTIVA VASCO DA GAMA, MACAU. Esta pequena colónia portuguesa não podendo festejar grandiosamente este glorioso aniversário une-se do coração felicitando seus compatriotas. FRANDON Cônsul>. Após o telegrama enviado, seguiu-se uma esplêndida garden party e um lauto banquete em que todos foram muitíssimo obsequiados por monsieur e madame Frandon, e no qual o digno cônsul fez o seguinte eloquente e agradabilíssimo brinde, que nós daqui, em nosso nome e no da pátria agradecida, penhoradíssimos lhe agradecemos: <O dia de que os portugueses, não somente residentes na sua Mãe Pátria, mas em todos os países do mundo celebram solenemente hoje o quarto centenário universal, não é uma data memorável, somente na História de Portugal, é uma data memorável, direi mesmo excepcionalmente importante na História de todos, humanidade. Se o príncipe Henrique, não o da Prússia que actualmente se acha na China, mas o de Portugal que vivia no XV século, não houvesse tido a ideia genial de alargar os conhecimentos marítimos dos seus contemporâneos e de ir, sobre os frágeis navios da época, reconhecer...>.” O Sr. Ernest Frandon está há quinze anos encarregado do consulado português em Fuchau (Fuzhou) com o cargo de vice-cônsul de Portugal que o desempenha gratuitamente e zelando sempre “com tanta dedicação pelos interesses dos portugueses residentes naquela cidade como se eles fossem seus compatriotas, e tem também mostrado sempre tanto amor por Portugal como se ela fosse a sua própria nação. É um benemérito em toda a extensão da palavra, e são tantos, tão valiosos e desinteressados os serviços que tem prestado aos portugueses de Fuchau, que todos o estimam e lhe são gratos, e todos gostariam, assim
Ernest Frandon
Thomas C. Beale
como nós também gostaríamos, que o nosso governo recompensasse de algum modo o digno cônsul concedendo-lhe uma mercê honorífica, que ele bem a merece, e podemos até dizer que lhe é devida”, segundo O Porvir de Maio de 1898.
“Reconhecida pelas autoridades chinesas, a casa Dent manteve a representação consular portuguesa em Xangai até 1862. Depois, o nível de representação diplomática acompanhou as oscilações sociais de quem assumia aquelas funções. Quando se deu a falência da casa Dent, foi nomeado como cônsul António José Homem de Carvalho” Jr. (?-1878), que emigrou para Xangai, onde veio a falecer. “Deste modo, <rebaixou-se o Consulado português da alta esfera social em que vivia o nosso cônsul (...) Para ir albergar-se em a oficina de um typografo”, segundo Alfredo Gomes Dias, que em nota refere, “De acordo com Forjaz trata-se de um comerciante, mas na List of Foreign Residents in Shanghae, publicada no North China Herald, de 23 de Setembro de 1850, em Xangai, este macaense trabalhava no North China Herald Office, como revisor.” (...) “Homem de Carvalho e José da Silva, macaenses, foram cônsules de Portugal em Xangai até à chegada do primeiro diplomata de carreira”, Anselmo Ferreira Pinto Bastos. “Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, Pinto Bastos foi nomeado cônsul de 1.ª classe em Xangai por decreto de 23 de Janeiro de 1879, sendo a 1 de Novembro de 1881 promovido a cônsul de 1.ª classe em Londres.”
CÔNSULES DE SHANGHAI
O francês Ernest Frandon desde 1883 desempenhava as funções de Vice-Cônsul de Portugal em Fuchau, cargo para o qual já a 10 de Julho de 1855 fora nomeado o negociante inglês Guilherme Halis Luce. Em 1849, o Governador Ferreira do Amaral escolhera o negociante estabelecido em Cantão, John Dent, cônsul de Portugal nessa cidade e o negociante britânico, Thomas C. Beale, para o mesmo cargo, em Xangai, até que em 1862 ocorreu a falência da Firma Dent, Beale & Co., que então representava os interesses portugueses em Xangai. A 20 de Março de 1862 “foi criado o consulado português de Neng-pó (Ningbo) em Fuchau, com sede no primeiro porto e com jurisdição na costa da China, desde Amói até Xangai, sendo nomeado Francisco João Marques para o desempenho do cargo de cônsul nesses dois portos”, Luís Gonzaga Gomes.
Em 1849, o Governador Ferreira do Amaral escolhera o negociante estabelecido em Cantão, John Dent, cônsul de Portugal nessa cidade e o negociante britânico, Thomas C. Beale, para o mesmo cargo, em Xangai
Já o nosso protagonista, o tenente de cavalaria Joaquim Maria Travassos Valdez, nomeado Cônsul de Portugal de 1.ª classe em Shanghai por decreto de 3 de Fevereiro de 1887, tomou posse do consulado a 8 de Junho e como cônsul geral em Xangai a 14 de Agosto de 1889. Mas a 18 de Outubro de 1890, O Macaense refere, para substituir o cônsul Valdez na sua ausência é nomeado para o lugar de vice-cônsul português em Shanghae o Sr. Bottu”, (empregado do arsenal do governo chinês). Uma desconsideração aos nossos compatriotas! “Assevera-se que o Sr. Valdez pediu ao cônsul francês para o substituir e, como era de esperar, o pedido não foi aceite, porque o cônsul francês tem muito que fazer na própria concessão com os seus inúmeros encargos. Não consta, porém, o que era de estranhar, que o Sr. Valdez se lembrasse ou tivesse a vontade de fazer o mesmo pedido aos outros seus colegas que tem menos a lidar nos seus respectivos consulados; e alguns dos quais já ficaram temporariamente encarregados do nosso consulado aqui, nomeadamente o Sr. Bonilla, cônsul de Espanha, o Sr. Carl Bock, cônsul de Suécia e Noruega, o Sr. Joseph Hass, cônsul de Áustria, em fim vários outros cavalheiros de alta posição social com prestígio, e com vasta ilustração e experiência em coisas de leis.” Mas no sábado dia 4 de Outubro de 1890 foi preso Filomeno Pereira, acusado de ter posto fogo à casa, onde morava, na rua margin 1 de Soochow Creek, num renque de casas há bem pouco incendiadas e subsequentemente reconstruídas por conta das companhias de seguro. O irmão Eusébio também ali tinha casa e participara no crime. Estavam elas asseguradas em 2500 taéis. “Este caso foi inquirido no consulado português em audiência secreta. O Sr. Valdez procedeu na terça-feira a uma visita domiciliária na casa de Filomeno Pereira”, onde se encontraram maiores vestígios do crime. Mandou os dois irmãos, um preso para a estação de polícia em Hongkew e outro para a estação central. É de interesse público “que o Sr. Valdez empregue todos os meios ao seu alcance para descobrir a culpabilidade dos incendiários”, visto que “tanto em Hong Kong como em Shanghai nestes últimos tempos têm havido muitos incêndios que provocaram suspeitas, mas não foram descobertos os criminosos, que ficaram impunes, sendo além disso beneficiados com as indemnizações das casas de seguro. O cônsul Valdez, com a pressa que tem de regressar ao reino, tem trabalhado até altas horas da noite” neste caso.
ARTES, LETRAS E IDEIAS 15
sexta-feira 3.8.2018
tonalidades António de Castro Caeiro
N
OS últimos tempos, há já cinco anos, tenho convivido de perto com os meus jovens colegas de Cabo Verde, no Muay Thai, com a Dina Pedro, na Dinamite Team. Têm me ensinado muito, sobre companheirismo, camaradagem, solidariedade, vidas difíceis, mas sempre mostram orgulho, quando obtêm a cidadania portuguesa e podem exibir o Cartão de Cidadão. Vou dizer já que esta é uma pequena reflexão autobiográfica, não a expressão de qualquer estudo científico ou filosófico sobre as questões ditas “fracturantes” da actualidade, portuguesa ou internacional. Calhou em conversa com amigos queridos, e de posições diferentes, mesmo até antagónicas, a “posição” de Portugal no mundo, a relação inter-racial, até inter-geracional. Os “outros” são sempre uma abstracção. Podemos classificá-los por raças ou etnias, por sexo, idade, orientação sexual, fé, posição política. Há tantos outros quanto as características à luz das quais os temos em vista. Na antiguidade, já tardia, Hiérocles achava que cada ser humano era portador de círculos, uns mais nucleares, outros, mais periféricos. No núcleo temos o círculo dos outros, que são os nossos, sem os quais não temos identidade alguma: mãe, pai, irmãos, tios, primos, avós, filhos, netos, amigos chegados, etc., etc.. Nos outros temos as pessoas do prédio, os vizinhos, os concidadãos, os compatriotas, os habitantes de países fronteiriços e amigos e os habitantes de países longínquos. Não quero discutir a relação entre estes círculos entre si. A tese de Hiérocles é próxima da cristã. O outro tem de ser amado como nós próprios nos amamos. O amor ao outro não é como o amor próprio. Resulta da descoberta fundamental de que a relação de cada um de
Racismo e as raízes do preconceito nós consigo não é só de apego animal, mas de uma “agapê” de uma relação com o que nos é próprio, com o que somos daqui até à eternidade. O amor não é uma relação de mim para mim, em que me apego a um eu que se vai na espuma dos dias. É antes um projecto em que no limite os outros são fixos aí para sempre connosco na eternidade. O círculo mais periférico reconhece fraternalmente o outro como outro, como amigo, como irmão. Ora há uma diferença estabelecida entre nós e os outros e que é acentuada. Não esbatemos a diferença. Acentuamos a diferença. Os gregos chamavam a todos os outros que não falavam ático “bárbaros”, acentuando assim linguisticamente a diferença entre a norma e os dialectos ou, por maioria de razão, as outras línguas. Curiosamente, descrevem com curiosidade e espanto a diferença de cor, o tamanho das pessoas, a beleza de homens e mulheres. Não são preconceituosos nesse sentido. A diferença provoca o espanto, a admiração. Não é pejorativa. Se lermos, contudo, a Guerra do Peloponeso de Tucídides, verificamos a crueldade com que atenienses e espartanos se tratam uns aos outros, muitas vezes mergulhados numa orgia de sangue que não poupa velhos, mulheres ou crianças.
Mas nós acentuamos as diferenças. Descobrimos o indivíduo, substituindo o eu pelo “eu” ou pelo “si próprio”. Ego sum, ego existo formula a minha individualidade atomizada em que só eu existo: só há eu. Quer dizer que, à partida, uma das consequências filosóficas da modernidade é a clivagem absoluta provocada pela descoberta do “eu” como forma de acesso ao próprio “eu” e aos outros, num mundo que é só extensão. Se todos os outros “eus” de todas as pessoas se radicalizam, o resultado é uma impermeabilização absoluta entre cada eu e os outros e o mundo de cada um é estritamente individual. Como quebrar esta barreira? Como diluir-me no outro sem o qual a vida é o deserto? Como viver num mundo que não é só extensão, matéria e corpo, mas é o mundo constituído pelo Céu e pela Terra, onde há Deuses, mesmo desaparecidos, e os outros são mortais. A descoberta do “Eu” escamoteia o “SOU”. Eu, enquanto eu, sou eterno e nunca posso morrer, porque há sempre versões de mim próprio para todo o sempre. O sou do eu, o ser do sou, modifica-me completamente, porque me faz ver no encaminhamento da morte. O ser do sou faz de mim moribundo: aquele que tem de morrer. Faz-me também descobrir os outros como aqueles que têm de
Os “outros” são sempre uma abstracção. Podemos classificá-los por raças ou etnias, por sexo, idade, orientação sexual, fé, posição política. Há tantos outros quanto as características à luz das quais os temos em vista
morrer e estão nesse encaminhamento a fazer corpo comigo. Quando me descubro moribundo, descubro-me exposto e vulnerável. Mas descubro também o outro como moribundo, exposto, vulnerável: susceptível de amor. A filosofia é uma forma de destruição sistemática de preconceitos. O Cepticismo é o modo como podemos pôr à prova as nossas opiniões, o palco de guerra de Platão. O cepticismo tem primeiramente de se virar contra nós próprios: no amor e na morte, descobrimo-nos vulneráveis e expostos, de tal forma que a periferia mais afastada pode tornar-se nuclear. Podemos inverter assim a tendência natural para o individualismo, o narcisismo, a cegueira, a opacidade com vemos os outros aí na vida? O convívio com os outros ensina-me, sobretudo, como estar vivo é “destruir” preconceitos, desarreigar opiniões há muito tempo a fazer crosta numa vida sem olhar o outro como outro. A descoberta dos nossos preconceitos destrói-os no confronto com o concreto. O concreto anula a abstracção dos outros. Eles ganham corpo e um nome próprio, ressuscitamo-los como o que eles são, aí, como alguém da nossa família ou chegado a nós, apertado por elos de ligação. Quem se descobre racista, classista, homofóbico, excluindo doentes e velhos, afirmando-se a si na abstracção de uma juventude e de uma força, no vigor das suas convicções, desfaz-se ante o horror das vidas difíceis votadas ao ostracismo, à exclusão. Acredito no projecto vital atribuído por Diógenes de Laércio a Sócrates, o ateniense: ser um “cidadão do mundo” (Kosmopolitês). Afinal, somos todos estrangeiros fora das fronteiras do nosso país. Mas não vivemos sem outros, reais ou imaginários, nem vivemos sem a diferença.
16 desporto
3.8.2018 sexta-feira
Filipe Souza já escolheu. O piloto macaense desta vez vai abdicar da habitual participação na Taça de Carros de Turismo de Macau (ex-Taça CTM) para competir no Circuito da Guia, em Novembro, junto com o aguerrido pelotão da Taça do Mundo FIA de Carros de Turismo (WTCR)
AUTOMOBILISMO FILIPE SOUZA REGRESSARÁ À CORRIDA DA GUIA
Regresso ao topo “A corrida tornou-se muito complicada, porque temos os carros de Roadsport e os nossos carros a competir ao mesmo tempo. Temos a experiência do ano passado. Há um andamento muito diferente entre os carros, há acidentes que interrompem as sessões e o cronómetro não pára. Por exemplo, o ano passado, nos treinos e na qualificação não fizemos mais de 15 voltas”, explicou Souza ao HM, referindo também que presentemente “há um grande desinteresse em redor das corridas do suporte.”
Filipe Souza vai abdicar de uma prova em que foi segundo classificado em 2016 para voltar à mais importante corrida de carros de Turismo do cartaz do Grande Prémio
O
piloto do território que mais provas cumpriu no mundial de carros de Turismo (WTCC) vai aproveitar um dos dois “wildcards” que o Eurosport Events oferece aos pilotos locais em todos os eventos do WTCR para regressar à Corrida da Guia. Souza tinha-se qualificado para a Taça de Carros de Turismo de Macau, através das duas jornadas duplas do Campeonato de Carros de Turismo de Macau (MTCS, na sigla inglesa) realizadas no Circuito Internacional de Zhuhai, mas vai abdicar de uma prova em que foi segundo classificado em 2016 para voltar à mais importante corrida de carros de Turismo do cartaz do Grande Prémio. Souza não esconde que a escolha está relacionada com o rumo que foi traçado para a Taça de Carros de Turismo de Macau. O ano passado a corrida muito popular entre os pilotos da RAEM passou a juntar duas corridas e categorias de automóveis muito diferentes - Roadsport e 1.6 Turbo – numa só, formato esse que se mantém em 2018.
Perante este cenário que não lhe agrada, Souza vai utilizar a sua vasta experiência internacional para competir lado-a-lado com os melhores pilotos da especialidade. Este será um regresso de Souza à Corrida da Guia, onde foi presença assídua entre 2011 e 2014. Na última presença na mais importante corrida de carros de Turismo do continente asiático, o piloto de matriz portuguesa terminou em 17º e 13º ao volante de um BMW 320 TC da Liqui Moly Team Engstler, numa prova que pontuava para o defunto WTCC.
PREPARAR O FUTURO
Esta participação no WTCR será como preparar como o próximo passo que passa numa aposta integral em corridas de carros de Turismo da classe TCR. “Vou parar
nos carros de corrida de 1.6 Turbo”, admite o piloto. “Para o ano não vou participar na qualificação dos campeonatos locais, pois já não faz sentido para mim”. O regulamento do MTCS, que não tem igual em todo o mundo, tem a validade de apenas mais um ano, sendo esperado que a Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC) promulgue um novo regulamento técnico para a temporada de 2020. Para Souza, que foi um dos pilotos que mais investiu na categoria nos últimos anos, já não faz sentido manter a aposta. “Estamos a gastar dinheiro em carros que não têm regras. São carros que estão puxados ao limite e que avariam por estarem demasiado potentes. Portanto, este ano já decidi. Se continuar a correr, será nos carros de TCR, porque são melhores, custam menos e são mais interessantes.” A categoria TCR, aquela que actualmente dá corpo às grelhas de partida do WTCR, não é estranha para Souza. Aliás, o piloto do território foi um pioneiro na classe quando em 2015 participou no campeonato TCR Asia Series.
EM NEGOCIAÇÕES
O ex-campeão do AAMC Challenge ainda não sabe exactamente em que moldes será concretizada a sua participação na prova fim de época do WTCR, pois os apoios irão ser decisivos na hora de optar pelo carro e pela equipa. “Ainda estou em negociações com as equipas”, esclarece o vencedor do Troféu Asiático do WTCC em 2014. “Posso ir de Audi, SEAT, VW ou Hyundai. Há várias opções em cima da mesa. Tudo dependerá dos apoios que consiga reunir.” Para além de ter participado nas provas do MTCS, no mês de Junho, também no circuito de Zhuhai, Souza competiu e venceu uma corrida do campeonato local de carros de Turismo, prova essa que serviu para retirar uma impressão sólida da performance de um dos carros mais apetecíveis da categoria TCR, o Audi RS 3 LMS. Sérgio Fonseca
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VOLTA A PORTUGAL HIDRATAÇÃO É PRINCIPAL ARMA CONTRA ALTAS TEMPERATURAS
A
hidratação é a principal arma dos ciclistas contra o calor que se deverá sentir nos próximos dias na Volta a Portugal, mas as altas temperaturas não preocupam a organização da prova. "Estas temperaturas só estão a recuperar aquilo que é habitual termos no Verão. A
realidade é que as temperaturas que temos tido até aqui é que têm sido atípicas. Os ciclistas estão perfeitamente preparados, sabem que os factores climatéricos são de particular importância no seu desempenho desportivo, mas não é mais nem menos do que aquilo a que eles estão
adaptados a fazer", disse à agência Lusa o director da Volta a Portugal, Joaquim Gomes. Vasco Costa, um dos médicos da organização, garante que "o principal cuidado é a hidratação, antes, durante e após a etapa", mas feita de forma cautelosa.
"É preciso ter o cuidado e a sensibilidade de não se exagerar na hidratação, porque se pode tornar mais complicada uma hidratação excessiva do que uma desidratação", referiu. O clínico recordou uma morte recente de um atleta, numa prova, com edema
cerebral, "exactamente por causa do excesso de hidratação", que pode provocar hiponatremia, uma diminuição da concentração de sódio no sangue "Há sempre aquele incentivo dos directores desportivos: 'hidratar, hidratar antes de ter sede'. É preciso cui-
dado com isso", alertou. Com temperaturas acima de 40ºC esperadas para os próximos dias, podendo mesmo ser batidos máximos históricos, Vasco Costa assume que as "etapas da Volta a Portugal são horríveis porque são na altura do maior calor".
(f)utilidades 17
sexta-feira 3.8.2018
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AGUACEIROS
O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje UMA NOITE COM PIANO NA GALERIA Fundação Rui Cunha | Das 18h00 às 20h00
MIN
Amanhã SUMMER POWER 2018 | MACAU BANDS ARTISTIC DEVELOPMENT ASSOCIATION Das 17h00 às 22h00
Domingo INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO DE SÁSQUIA SALGADO “SANGIORGIARI” Casa do Povo de Coloane | Das 18h00 às 23h00
Diariamente EXPOSIÇÃO “ART IS PLAY” Grande Praça – MGM | Até 9/9
EXPOSIÇÃO “APROFUNDAR” Art Garden | Até 9/9 EXPOSIÇÃO “CHAPAS SÍNICAS” Museu das Ofertas sobre a Transferência de Soberania de Macau | Até 7/8 “MARC CHAGALL – LUZ E COR NO SUL DE FRANÇA” MAM | Até 26/8
C I N E M A
CHRISTOPHE ROBIN DORAEMON THE MOVIE: NOBITA’S TREASURE ISLAND [A] FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Kazuaki Imai 14.30, 16.30, 19.30
ALONG WITH THE GODS: THE LAST 49 DAYS [C] FALADO EM COREANO LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kim Yong-hwa Com; Ha Jung-woo, Ju Ji-hoon, Kim Hyang-gi, Don Lee 21.30 SALA 2
MISSION IMPOSSIBLE - FALLOUT [B]
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HUM
65-95%
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EURO
9.40
BAHT
Um filme de: Christopher McQuarrie Com: Tom Cruise, Henry Cavill, Simon Pegg, Rebecca Ferguson 14.30, 18.00, 21.00 SALA 3
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VIDA DE CÃO
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EXPOSIÇÃO “UNIVERSO” Armazém do Boi | Até 9/9
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4 6 93 59 85 8 21 72“TOP7OF THE LAKE” |3JANE1CAMPION, 2 4GERARD 6 8LEE7 9 5 2 1 74 7 3 8 6 6 8 7 2 5 9 1 18 1 7 62 6 3 95 9 4 9 5 4 7 1 3 6 1 1 8 6 7 2 4 9 53 5 5 3 6 1 2 4 9 2 94 39 3 8 65 6 7 1 4 7 9 8 3 5 2 73 7 65 6 91 9 2 84 8 8 2 1 9 7 6 5 6 3 1 4 27 2 8 95 9 7 9 5 3 8 1 4 7 89 8 5 3 6 14 21 2 2 4 8 6 9 7 3 1 6 3 5 4 2 8 5 5 2 84 8 9 1 7 6 3
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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 27
PROBLEMA 28
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30
148 4 9 6 HOJE 57237 UMA SÉRIE
3 2 9 7 1 456 5 7 5Elisabeth 7 5 Moss 6 8interpreta 2 3 4 9 a detective obcecada com 6 3o 6 78 7 2 3 1 5 de4uma desaparecimento menina de 12 anos, num 28 perto 9 4situado 21de7um1 563 lugarejo lago remoto, na Nova Zelân7dia.5 Podia 7 ser 2 um6 policial 38918 1 8 ou6menos 79vulgar, 3 9se os2 154 6mais moradores e as relações entre 581 8uma7 326 4 eles4 não91 acarretassem dose de suspense e dramatis3546o5filme6 9 8 1mo2que 31 vão colorindo
3 8 1 9 6 4 5 2 7
O dinheiro rico leva uma vida à semelhança do seu dono. Resguardado dos mirones, das multidões anónimas e das amarguras da existência dos desprovidos. O dinheiro rico vive em paraísos, fiscais, artificiais, abrigado das regras, dos impostos e da transparência que mostra quem tem o quê. O dinheiro rico compra iates através de empresas sediadas nas Ilhas Virgens Britânicas, multiplica-se num mar de empresas, não se declara, paga calabotes e mil e um regabofes de excesso sem se dar por ele. O dinheiro rico só mostra uma ponta do seu véu. O dinheiro pobre é óbvio e está penosamente à vista de todos até se sumir. O dinheiro pobre morre, esvai-se. O dinheiro pobre encontra a felicidade para o seu bolso na Praia do Barbas na Costa da Caparica, entalado entre uma multidão de outras pobres notas, contadas com precisão e gastas a com ciência da Engenharia da Sobrevivência. O dinheiro pobre come caracóis e bebe imperial de chinelo no pé, empurrando para o bucho com largos tragos de cerveja a preocupação com a próxima inspecção do carro, com as prestações da casa na Bobadela e o luxo da filha que quer agora um computador. Nos tempos de mocidade do dinheiro pobre não havia cá esta opulência. Uma sardinha gorda era um regalo que quase dava vontade de não cuspir as espinhas. Entretanto, já o dinheiro rico se multiplicava em esquemas vários pelas alamedas da alta finança internacional. Dois campeonatos diferentes e tão longes um do outro. Uma Liga dos Campeões e um Campeonato do Inatel. Os dois ingredientes de uma revolução. João Luz
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DE
EXPOSIÇÃO “AYIA” Casa Garden | Até 9/9
Cineteatro
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S U D O K U
TEMPO
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com uma vontade de que não acabe. Isto, associado a uma fotografia belíssima, completa a receita para qualquer fim-de-semana. A primeira temporada é de 2013 e apareceu em formato mini, com sete episódios. A mesma dose é agora servida, com mais sete “viagens” ao topo do lago. Sofia Margarida Mota
CHRISTOPHE ROBIN [A] Um filme de: Marc Forster Com: Ewan Mcgregor, Hauley Atwell, Bronte Carmichael 14.30, 19.30, 21.30
MISSION IMPOSSIBLE - FALLOUT [B] Um filme de: Christopher McQuarrie Com: Tom Cruise, Henry Cavill, Simon Pegg, Rebecca Ferguson 16.30
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18 opinião
escritor Mark Twain afirmou que a história não se repete, mas rima. As tarifas alfandegárias estão de volta, depois de um longo exílio, e estão a ser aplicadas em milhares de milhões de dólares de produtos comercializados, que vão desde o aço e alumínio até motociclos Harley-Davidson e fazem parte de uma guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, e entre os Estados Unidos e a “União Europeia (UE) ”, ainda que na reunião realizada entre o presidente Donald Trump e presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, a 25 de Julho de 2018, em Washington, conduziu a um entendimento em que a administração americana vai renegociar as taxas aduaneiras e barreiras ao comércio com a UE, podendo aliviar algumas tensões. As duas partes vão trabalhar em conjunto para estabelecer uma relação comercial livre de taxas alfandegárias, livre de barreiras e de subsídios para bens industriais. O acordo Estados Unidos-UE irá reforçar as trocas comerciais nos serviços, indústrias químicas, farmacêutica, de produtos médicos e agrícolas, destacando neste domínio a integração do comércio de soja, pois os Estados Unidos são os maiores produtores mundiais deste bem agrícola. Existe a esperança em uma solução para as pesadas taxas aduaneiras que os Estados Unidos passaram a aplicar ao aço e alumínio importados a partir da UE, bem como para as taxas que esta, em retaliação, passou a aplicar a diferentes bens americanos, desde os “jeans” ao uísque. A Alemanha recebeu com bom agrado os resultados da reunião pois a indústria automóvel receava a promessa do presidente Trump de passar a aplicar taxas de 25 por cento, sobre os carros importados. O acordo até ser implementado depois das negociações que se vão encetar, contempla a não imposição de taxas adicionais, que podem evitar uma guerra comercial e salvaguardar milhões de postos de trabalho, sendo excelente para a economia mundial. O outro ponto essencial da reunião é a concordância na reestruturação da “Organização Mundial de Comércio (OMC)”. As empresas americanas do sector automóvel, que registaram quedas fortes na sua cotação bolsista, não só têm vindo a queixar-se do impacto da subida das taxas sobre o alumínio e o aço que são matérias-primas importantes para a sua indústria, como também não concordam com taxas mais altas sobre as importações,
A guerra das tarifas dado terem muitas fábricas no Canadá e no México e também importam componentes da Europa para as suas fábricas nos Estados Unidos. As tarifas são impostas por um país que torna as importações mais caras. Os Estados Unidos promulgaram essa recente rodada de tarifas como uma resposta ao seu deficit comercial (quando um país compra mais do exterior do que vende). A ideia é tornar os produtos estrangeiros menos desejáveis e, assim, proteger a indústria doméstica. É de recordar que os maiores economistas da história teriam receio de impor impostos para enfrentar um desequilíbrio comercial. A melhor forma de reduzir o deficit comercial é exportar mais e não reduzir as importações tornando-as mais caras. O uso de tarifas para melhorar a posição comercial de um país, foi essencialmente o que a Grã-Bretanha rejeitou há mais de um século. O argumento foi derrotado devido ao trabalho de dois grandes economistas, Adam Smith, pai da economia, e David Ricardo, o pai do comércio internacional. Quando o Reino Unido revogou a “Leis dos Cereais (ou Corn Laws em Inglês)” foram as tarifas sobre a importação de cereais na Grã-Bretanha, em vigor entre 1815 e 1846 para proteger os preços britânicos dos grãos nacionais contra a concorrência de importações. Tal leis são frequentemente vistas como exemplos do mercantilismo britânico, porque foram projectadas para proteger os proprietários ingleses, promovendo a exportação e limitando a importação de grãos, quando os preços caíram abaixo do ponto de referência e foram finalmente abolidos devido à agitação militante da “Anti-Corn Law League”, criada em Manchester em 1839, que argumentava que as leis que constituíam um subsídio aumentavam os custos industriais. Após uma campanha prolongada, os opositores da tarifa finalmente obtiveram o que queriam em 1846, um triunfo significativo que era indicativo do novo poder político da classe média inglesa. Assim, a sua abolição marcou um avanço significativo em direcção ao livre comércio. A “Leis dos Cereais” aumentaram os lucros e o poder político associado dos latifundiários e era uma legislação proteccionista, que em 1846, marcou uma era de maior abertura para a Grã-Bretanha, então o operador dominante no mundo. Ao contrário de muitos economistas, Adam Smith teve a oportunidade de colocar as suas teorias em prática e como comissário de alfândega da Escócia, defendia a remoção de todas as barreiras comerciais, qualificadas apenas pela necessidade de arrecadar receitas, para o que considerava serem os propósitos apropriados de governar um país, como fornecer estradas. O economista Adam Smith apoiou a cobrança de impostos sobre as importações e exportações a um nível moderado, mas não tão alto que o contrabando seria uma actividade lucrativa e fiel às crenças de que sobre políticas governamentais que
CLAUDE LORRAIN
O
“The biggest single thing that has lifted people out of poverty is free trade.” George Osborne
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não distorcem o mercado, estabeleceu, que os deveres fossem iguais para diferentes produtores e importadores, de modo a que um grupo ou um país não teria uma vantagem sobre o outro, tendo por exemplo, observado a iniquidade de isentar o produto da fabricação e destilação privada (que era absorvida pelos ricos) do imposto especial de consumo, enquanto cobrava as gorjetas preferidas dos pobres. Assim, se as tarifas fossem necessárias, deveriam tratar todos os comerciantes e nações comerciais da mesma forma, de modo a não distorcer a “mão invisível” (a sua contribuição mais notável na sua obra “Uma Investigação sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações”) do mercado, alocando o que os produtores deveriam fazer. Os economistas posteriores, desviaram-se de Adam Smith no desenvolvimento de novas linhas de pesquisa, mas mantiveram os seus juízos. Inspirado pela riqueza das nações, David Ricardo desenvolveu a teoria da vantagem comparativa, que mostra que as nações devem especializar-se e depois comercializar, o que levou a uma maior prosperidade.
É de considerar, que no século XX, grandes economistas como Paul Samuelson, aumentaram ainda mais a nossa compreensão do comércio internacional, destacando que há aqueles que beneficiam mais e outros que beneficiam menos quando uma nação se especializa, mesmo que a economia ganhe em geral. Assim, o seu trabalho destaca o impacto distributivo do comércio e aponta formas de ajudar os perdedores da globalização. É de considerar que mesmo que a nossa compreensão das questões em torno do comércio tenha evoluído, os princípios centrais estabelecidos pelos grandes economistas de há dois séculos permanecem. As tarifas são uma medida proteccionista que é ineficiente, e também distorcida se impostos mais altos em algumas importações significam que se tornam menos competitivos em relação a outros. Os países usaram frequentemente o proteccionismo para fomentar indústrias domésticas, até que possam competir com empresas estabelecidas. Este foi o caso dos Estados Unidos no século XIX, quando competiram contra a Grã-Bretanha, e ainda é o caso da China em vários sectores. A China,
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perspectivas
JORGE RODRIGUES SIMÃO
alfandegárias
em particular, não é tão aberta ao comércio como os Estados Unidos e a UE, que tem sido uma constante queixa das empresas ocidentais, e a China tem sido medida nas suas respostas a cada rodada de tarifas americanas. Os Estados Unidos estão a ameaçar impor tarifas sobre quase todas as exportações chinesas, a menos que a situação comercial Estados Unidos-China melhore. O presidente dos Estados Unidos, a 20 de Julho de 2018, afirmou que estaria disposto a impor tarifas sobre todos os quinhentos mil milhões de dólares de produtos importados da China, ameaçando intensificar um conflito sobre a política comercial que abalou os mercados financeiros. Os seus comentários preocuparam os investidores que já estavam a enfrentar o impacto do fortalecimento do dólar americano nos resultados corporativos, e os principais índices de acções na “Wall Street” caíram no mesmo dia. O dólar americano caiu contra as principais moedas sobre a ameaça do presidente Trump de impor mais tarifas de importação, e a repetição de reclamações sobre o aumento das taxas de juros e a força do dólar ameri-
cano. O “índice do dólar (DXY na sigla em língua inglesa)”, é um índice que mede o valor do dólar em relação a um cabaz de seis principais moedas. É uma média geométrica ponderada do valor do dólar comparado ao euro, iene, libra, dólar canadiano, coroa sueca e franco suíço e estava prestes a registar a sua maior perda em um dia, no espaço de três semanas. O dólar contra o iene, estava a caminho da sua pior queda diária em dois meses. O DXY foi estabelecido em Março de 1973, logo após o desmantelamento dos acordos de Bretton Woods e inicialmente, o valor do índice do dólar era 100. O dólar, desde então, atingiu altas de pouco mais de 160 e um mínimo de cerca de 71, a 16 de Março de 2008. A composição do cabaz foi alterada apenas uma vez, porque várias moedas de países europeus foram substituídas pelo euro desde 1999. O DXY é actualizado sempre que os mercados estão abertos. A China não poderá facilmente retaliar de maneira semelhante, já que não importa quinhentos mil milhões de dólares de produtos dos Estados Unidos. A China poderia optar pela imposição de restrições de investimento, o que seria muito prejudi-
cial, uma vez que distorceriam as cadeias de suprimentos e as decisões operacionais de empresas multinacionais, o que não seria facilmente revertido, ao contrário das tarifas, que podem ser cobradas um dia e removidas no dia seguinte. Existem alguns sinais de que o investimento foi afectado pelas tensões comerciais. A fabricante de circuitos integrados “Qualcomm”, americana, retirou a sua oferta de quarenta e quatro mil milhões de dólares pela “NXP Semiconductors”, holandesa, a 26 de Julho de 2018, por não conseguir a aprovação dos reguladores “antitrust” da China para a maior aquisição da indústria de circuitos integrados, tornando-se a vítima de maior visibilidade, desde o início da guerra entre as duas economias. O acordo de fusão expirou quase vinte e um meses após a “Qualcomm” se ter oferecido para comprar a fabricante holandesa de circuitos integrados. O silêncio da China sobre a aquisição levou a empresa americana a acreditar de que a aprovação não seria dada, dado o acordo ser eficaz no maior mercado consumidor do mundo. O acordo global de aquisição tinha sido aprovado pelas entidades reguladoras dos Estados Unidos e da UE. A distorção adicional do comércio, que ocorre em parte por meio de empresas que investem em cadeias de suprimento/ distribuição e realizam fusões e aquisições através das fronteiras nacionais, seria algo que os grandes economistas se oporiam. Afinal, há consenso que o comércio internacional beneficia uma economia. A “Iniciativa sobre Mercados Globais (IGM na sigla em língua inglesa) é um centro de pesquisa, na Escola de Negócios Booth da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos. A IGM apoia pesquisas originais sobre negócios internacionais, mercados financeiros e políticas públicas. A IGM é ainda famosa pelas pesquisas semanais que conduz no seu “Economics Experts Panel”, um painel composto por cinquenta e um economistas líderes nas universidades dos Estados Unidos. A IGM colocou duas questões acerca do livre comércio, sendo a primeira para saber se o comércio mais livre beneficia a eficiência produtiva e oferece aos consumidores melhores escolhas e, a longo prazo, se esses ganhos são muito maiores do que quaisquer efeitos sobre o emprego, tendo 56 por cento dos participantes concordado, 26 por cento, concordado plenamente e 5 por cento de duvidosos. A segunda pergunta era a de saber se os cidadãos dos Estados Unidos, em média, estiveram em melhor situação com o “Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA na sigla em língua inglesa)” do que teriam se as regras comerciais para os Estados Unidos, Canadá e México anteriores ao NAFTA tivessem permanecido, tendo 63 por cento dos participantes concordado, 22 por cento concordado plenamente e 5 por cento de duvidosos. O NAFTA foi assinado pelos líderes do Canadá, Estados Unidos e México a 7 de
Outubro de 1992, mas apenas entrou em vigor a 1de Janeiro de 1994 depois de um agitado processo de confirmação por parte dos Estados Unidos, onde a xenofobia, etnocentrismo e o preconceito de certos sectores políticos ofereceram enormes obstáculos. O NAFTA criou uma zona de livre comércio na qual tarifas e outras barreiras ao comércio de bens e serviços e recursos financeiros serão gradualmente eliminadas em um período de quinze anos, mas era de prever que a maior parte das liberalizações ocorresse nos primeiros cinco anos. Os grandes economistas provavelmente diriam que há melhores maneiras de beneficiar a posição comercial de um país, como a abertura do mercado global para o comércio de serviços. Tal beneficiaria desproporcionalmente os Estados Unidos como o maior exportador de serviços em todo o mundo, competindo bem, mesmo com as barreiras comerciais em vigor. Se a China abrisse mais o seu sector de serviços, como já está a proceder com prudência, poderia aumentar as exportações dos Estados Unidos para a China e reduzir o deficit comercial, por exemplo.
A melhor forma de reduzir o deficit comercial é exportar mais e não reduzir as importações tornando-as mais caras. O uso de tarifas para melhorar a posição comercial de um país, foi essencialmente o que a Grã-Bretanha rejeitou há mais de um século O Reino Unido, o segundo maior exportador, e outras economias avançadas, como a UE e o Japão, também verão uma melhoria na sua posição comercial, dado que a maior parte dessas economias avançadas compreende serviços. Mesmo considerando o facto de que os serviços nem sempre são negociados (por exemplo, restaurantes), a UE apontou vender mais serviços que reflictam melhor o que produz. A economia da UE é de 70 por cento de serviços, enquanto os mesmos representam apenas um quarto das exportações. O ideal seria vender mais, em vez de importar menos (e, portanto, consumir menos ou produzir com componentes mais caros), que é uma das lições a retirar dos maiores economistas da história e daí se defender a abertura de mercados em todo o mundo para que os países pudessem vender mais do que produzem, o que traria uma maior prosperidade. As suas percepções continuam a sustentar a economia actual. A política, no entanto, tem outra visão.
Fanático é o sujeito que não muda de ideia e não pode mudar de assunto. PALAVRA DO DIA
JOGO RECEITAS DA MGM CHINA SOBEM 32 POR CENTO NO SEGUNDO TRIMESTRE
SOFIA MARGARIDA MOTA
Winston Churchill
Tailândia Resgate de meninos da caverna na origem de novo museu
As autoridades da Tailândia iniciaram a construção de um museu dedicado ao resgate das 12 crianças e do seu treinador de futebol, que passaram mais de duas semanas presos, entre Junho e Julho, numa caverna no norte do país. O artista tailandês Chalermchai Kositpipat financiou os 10 milhões de bat (cerca de 258.000 euros) que custará o museu, localizado na província de Chiang Mai, informou o jornal Bangkok Post. Artistas e autoridades de várias agências governamentais tailandesas participaram numa cerimónia religiosa, na quarta-feira, para marcar o início das obras perto da caverna no parque natural de Tham Luang-Khun Nam Nang Nong. O museu vai ser dedicado ao resgate épico dos 12 membros, entre 11 e 16 anos, da equipa de futebol “Javalis Selvagens” e do seu treinador, de 26 anos, bem como em memória do ex-membro da Marinha Tailandesa Saman Gunan, que morreu durante as tentativas de resgate. Entre outros objectos, o projecto, que deverá estar concluído em quatro ou cinco meses, incluirá fotos, roupas e equipamentos dos grupos de resgate.
A
S receitas da operadora de jogo MGM China atingiram 561 milhões de dólares (480,4 milhões de euros) no segundo semestre do ano, uma subida de 32 por cento face a igual período de 2017, foi ontem anunciado. Os resultados do segundo trimestre foram impulsionados pelas receitas do novo ‘resort’ em Macau, o MGM Cotai, que contribuiu com 185 milhões de dólares (158,4 milhões de euros), de acordo com um comunicado divulgado pela MGM Resorts. A empresa atribuiu também ao MGM Cotai o aumento de 42 por cento nas receitas dos jogos de mesa, comparativamente a igual período do ano anterior. No entanto, o segmento VIP (angariado nas salas de grandes apostas) sofreu uma descida de 7 por cento, indicou. No mesmo comunicado, o MGM Resorts anunciou um crescimento de 3 por cento nas receitas globais da empresa no segundo trimestre de 2018, face ao mesmo período do ano anterior, para 2,2 mil milhões de dólares (1,9 milhões de euros). “O segundo semestre foi melhor do que esperávamos e fizemos um progresso significativo para capitalizar as futuras oportunidades de crescimento em apostas desportivas no Japão”, afirmou, em comunicado, o director executivo da MGM Resorts International, Jim Murren.
DSEJ Governo alerta para jogos perigosos
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A Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) alerta a população para a existência do jogo online ‘Momo’, que considera causar danos psicológicos e físicos aos mais novos. Momo é o nome de uma personagem fictícia que através da aplicação WhatsApp fala com os mais novos e pede informações pessoais. Além disso incita mesmo as pessoas com quem interage ao suicídio. Até ao momento não houve pedidos de apoio junto da DSEJ ligados a casos deste género, mas o Governo entrou em contacto com as diferentes escolas. Além disso, diz estar a acompanhar o caso e apela aos pais para que estejam atentos aos conteúdos que os filhos consomem nos telemóveis e computadores.
sexta-feira 3.8.2018
Estranho silêncio Cloee Chao questiona o que levou imprensa chinesa a ignorar manifestação
A
P E SA R de quarta-feira o protesto contra a concessionária Melco ter reunido cerca de 1300 manifestantes, segundo os números da PSP, e 3300, segundo os promotores, foram raras as menções ao evento nas edições de ontem da imprensa em língua chinesa. Ao HM, Cloee Chao, presidente da Associação Novo Macau para os Direitos dos Trabalhadores do Jogo, entidade promotora da manifestação, mostrou-se desiludida e avançou com a possibilidade de ter havido ordens editoriais para boicotar a cobertura da manifestação, por ser inconveniente à operadora. “Para algumas publicações não é vantajoso publicar notícias negativas relacionadas com algumas empresas. São decisões ligadas a ordens dos editores dos jornais, até porque os jornalistas não têm o poder para fazer a escolha”, afirmou Cloee Chao, ao HM.
Questionada se as decisões se devem ao facto de estar envolvida a concessionária Melco Resorts and Entertainment, que tem Lawrence Ho, filho de Stanley Ho, como o principal accionista, a presidente da associação respondeu de forma afirmativa: “Sim, porque a família do responsável da Melco tem muito poder em Macau”, apontou. Segundo os números da organização, participaram no evento cerca de 3300 pessoas, entre os deputados Au Kam San e o deputado José Pereira Coutinho. Também por esse motivo, Cloee Chao mostrou-se desiludida com a falta de cobertura noticiosa na imprensa. “Estou muito desiludida. Acho mesmo que a razão se prende com as chefias dos órgãos de comunicação social, que quiseram bloquear as informações. A participação não foi pouca e até houve duas pessoas que desmaiaram... Mesmos
os trabalhadores dos casinos através das redes sociais e aplicações móveis discutiram a pouca cobertura noticiosa”, admitiu. No entanto, esta não deverá ser a única iniciativa em nome do pagamento do 14.º mês aos trabalhadores da operadora Melco. Segundo Cloee Chao, a Associação Novo Macau para os Direitos dos Trabalhadores do Jogo pondera agora apresentar uma carta junto do Governo e da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos. “Será que a operadora, que ganha uma fortuna em Macau, pode investir no exterior sem assumir a sua responsabilidade social no território? Estamos perto dos novos concursos para a atribuição das licenças de jogo e espero que o Governo tenha este aspecto em conta no futuro”, sublinhou. Ainda não há data agendados para os protestos. Vitor Ng com J.S.F.
info@hojemacau.com.mo
Vaticano Igreja Católica passa a considerar pena de morte inadmissível
O papa Francisco mudou o catecismo católico para declarar a pena de morte inadmissível, assumindo o compromisso da Igreja para a abolir no mundo inteiro, anunciou hoje a Santa Sé. “À luz do Evangelho, a pena de morte é inadmissível porque atenta contra a inviolabilidade e a dignidade da pessoa”, refere-se no novo texto, cuja alteração foi anunciada em comunicado pelo prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Luis Ladaria Ferrer. Na versão anterior do catecismo, admitia-se a pena de morte se fosse “o único caminho possível para defender eficazmente as vidas humanas de um agressor injusto”, considerando-se que era uma resposta “adequada à gravidade de alguns delitos e um meio aceitável, ainda que extremo, para a tutela do bem comum”. No novo texto, salienta-se que “hoje está cada vez mais viva a consciência de que a dignidade humana não se perde, nem mesmo depois de se ter cometido crimes muito graves”, com a Igreja a mostrar “uma nova compreensão sobre o sentido das sanções penais” aplicadas pelos Estados. Por isso, a Igreja Católica “compromete-se com determinação” a conseguir a abolição “em todo mundo” da pena capital, considerada “um ataque à inviolabilidade e à dignidade da pessoa”.