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Património Há vida para lá do Centro Histórico política
terça-feira 3 de março de 2015 • ANO XiV • Nº 3282
China Encontros reais em Pequim ao fim de 30 anos
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CCPPC Macau procura mais espaço para sobreviver política
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hojemacau pai de bebé falecido procura explicações
O resto ´ ˆ e silencio A tragédia bateu à porta de Io Chi Fan há cerca de duas semanas. O filho de cinco meses faleceu no Hospital Conde de São Januário depois de ter sido tratado com um medicamento que, segundo o médico de Hong Kong, só deveria ser administrado a crianças com mais de dois anos. Do hospital Io recebeu inúmeros
telefonemas mas nenhum que lhe desse uma justificação para o que se passou nem sequer para oferecer apoio psicológico. Apenas para que a família se apressasse a completar os processos borucráticos para emissão da certidão de óbito, algo que Io se recusa a fazer até que lhe seja dada uma explicação para a morte do filho.
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diário de bordo
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hoje macau terça-feira 3.3.2015
por Carlos Morais José
ontem macau
“Macau poderia ser um centro técnico e científico. Isso não traria dinheiro, mas daria prestígio” Olavo Rasquinho • Secretário-geral do Comité dos Tufões, sobre o serviço meteorológico do território
Tolerância zero Pelo que se diz na imprensa internacional, a polícia de Hong Kong deu algumas bastonadas e distribuiu gás pimenta sobre uns manifestantes que se mostravam contrários à presença dos seus compatriotas da China continental na ex-colónia britânica. Só se perderam as que caíram no chão. De facto, este tipo de manifestação xenófoba dos privilegiadozinhos de HK, que mostra a verdadeira face do Occupy Central, deveria ter sido proibido, como o são as manifestações anti-semitas na Europa. Agora dá claramente para ver o que aquela gentalha é: gente que se julga superior aos outros, que se enxerga no direito de bloquear a livre circulação de pessoas, sobretudo as que vêm da China.
édito Mas isso é hoje. Amanhã protestarão contra a presença de estrangeiros pobres e, finalmente, quem sabe, contra a presença de estrangeiros em HK. Trata-se, como eu sempre disse, de pessoas a soldo dos interesses anti-China, sem quaisquer tipo de valores e sem consciência do que é o século XXI em termos de tolerância. Aqui por Macau também sentimos na pele (até mais) como é problemática a invasão de turistas. Mas a questão não pode ser resolvida através de uma proibição insultuosa, como querem os referidos manifestantes. Pelo contrário, cabe ao Governo das duas RAEs encontrar meios racionais de acolher os turistas, de modo a que não exista uma disrupção do quotidiano das duas cidades.
Em Macau estamos fartos de avisar que é necessário criar zonas pedonais, antes que se dê um desastre, uma catástrofe, tipo debandada que provocará dezenas de mortos. Mas as orelhas governamentais são surdas e estão à espera da desgraça para agir. Em HK não sei o que se passa, em termos de controlo de multidões. Nem me interessa. Para gente deste tipo não há, pura e simplesmente, paciência. E o que diz Jason Chao e a sua associação sobre isto? * Como também não deveria existir para os acontecimentos deste fim de semana no futebol de Macau, que são da mesma
Dezenas de milhares de pessoas saíram à rua em Moscovo para assinalar a morte de Boris Nemtsov, opositor e antigo vice-primeiro-ministro, e dizer que não têm medo. É imprevisível o efeito deste assassínio, ocorrido a poucos metros do Kremlin
índole. Todos sabemos que existe política de tolerância zero para o racismo da parte da FIFA. Se a Associação de Futebol de Macau não punir os responsáveis do Monte Carlo pelo seu comportamento, estão a abrir a porta a um caos que não tardará nada estará definitivamente instalado. De um lado estarão os “africanos”, do outro os “macacos amarelos” (huang malau, como são conhecidos os chineses) e ninguém sairá bem deste filme de horror e estupidez. É responsabilidade da AFM mostrar mão dura com o Monte Carlo. Uma suspensão de um ano seria uma hipótese piedosa. No limite, quem é racista não devia ter o direito de voltar entrar num estádio de futebol. Muito menos de jogar ou treinar em competições a sério.
horah
“Não há condições para alterar as medidas para fazer face aos preços demasiado elevados do imobiliário” Chui Sai On • Sobre os preços do imobiliário em Macau”
“É nestas coisas [racismo] que se vê que o futebol de Macau continua amador” Josecler Filho • Treinador do Ka I, sobre os incidentes no jogo entre a sua equipa e o Monte Carlo
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“Aquilo que prevejo é que o alargamento do espaço físico de Macau, concretamente as águas marítimas, [domine a discussão]. Este assunto é de crucial importância e intimamente ligado à diversificação económica de Macau, que para crescer economicamente precisa de mais espaço” Leonel Alves, deputado e delegado de Macau à Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, sobre a agenda da RAEM na dita conferência | P. 4
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong; Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; Arnaldo Gonçalves; David Chan; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Edite Ribeiro(estagiária); Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com. mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
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grande plano
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Morte de bebé Pai exige explicações, ATFPM quer mudanças
Razões que a razão desconhece apple daily
Pai de bebé que perdeu a vida no hospital público recusa-se a assinar a certidão de óbito até ter uma explicação sobre as causas da morte do seu filho. ATFPM diz-se atenta à investigação avançada pela PJ e apela a uma melhor gestão do próprio sistema hospitalar Filipa Araújo
filipa.araujo@hojemacau.com.mo
I
o Chi Fan, pai do bebé de cinco meses que perdeu a vida no passado dia 20 no Hospital Conde São Januário, recusa-se a assinar a certidão de óbito da criança até ser dada à família uma justificação que explique o que aconteceu. “A mim não me disseram nada. Nenhum médico me explicou o que estava a acontecer, as únicas pessoas que falaram comigo foram enfermeiras e só me perguntaram porque é que eu não tinha assinado a certidão de óbito. Nada mais. Nem uma explicação do que é que aconteceu ao meu bebé”, reforçou Io durante uma conferência nas instalações da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), dirigida pelo deputado Pereira Coutinho. Assumindo um papel de apoio à família da criança falecida, Pereira Coutinho garantiu que irá “acompanhar Io, o pai do bebé, a averiguar a verdade”. O deputado pergunta: “como é que isto aconteceu?”. “Queremos que os Serviços de Saúde (SS) possam avançar com uma averiguação independente, que seja transparente. Embora já tenha sido feito uma participação à Polícia Judiciária, esperamos que o próprio hospital possa fazer uma análise adequada e apresentar qual a razão da morte da criança”, esclarece Pereira Coutinho. Sobre os constantes telefonemas por parte do hospital à família para completar os papéis necessário para a emissão da certidão de óbito, Pereira Coutinho critica duramente a atitude. “Logo após a morte da criança, no dia seguinte, telefonaram ao pai da criança para assinar a certidão de óbito, nem sequer apresentaram apoio psicológico à família”,
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argumentou. A ATFPM esclarece que só depois da associação ter requerido apoio psicológico dos SS para a mãe e irmã da criança é que lhes foi concedido. “Não podemos deixar de lamentar e estranhar os constantes telefonemas oriundos dos serviços de relações públicas dos SS para tratar das formalidades e assinar os documentos relacionados com a certidão de óbito do menino falecido, antes da concessão do apoio psicológico”, defende.
Melhor gerir e analisar
Também a gestão do São Januário foi colocada em causa pela associação, que defende que desde a transferência da soberania, e apesar do aumento constante do orçamentos, os problemas têm sido uma constante. “Defendemos que o sistema de gestão do hospital tem
Nenhum médico me explicou o que estava a acontecer, as únicas pessoas que falaram comigo foram enfermeiras e só me perguntaram porque é que eu não tinha assinado a certidão de óbito. Nada mais. Nem uma explicação do que é que aconteceu ao meu bebé” Io Chi Fan Pai do bebé falecido
que ser alterado, para que possa haver uma gestão mais eficiente, mais adequada e eficaz para que não aconteçam mais situações desta natureza”, esclarece o presidente da associação. A falta de presença imediata do médico da especialidade de pediatria foi também uma falha apresentada tanto pela associação como pelo pai da criança. “Não sei com que médicos é que falei,
Mais do mesmo? É de lembrar que em Julho do ano passado, profissionais do hospital S. Januário enganaram-se no diagnóstico e receitaram um medicamento para o tratamento da tiróide a um recém-nascido, fazendo com o que o bebé sofresse várias contra-indicações, tais como, inchaço dos membros, umbigo proeminente e fraqueza de corpo. Os SS defenderam na altura levaram a cabo uma séria de medidas para reconversão do engano. No entanto Chan, pai da bebé, criticou de forma severa os serviços adiantando que os médicos não tinham consciência do tratamento de bebés, nem tencionavam dizer a verdade, porque só confessaram a atribuição dos medicamento errados 14 dias depois do bebé os tomar, pedindo até na altura, aos pais, segredo sobre o assunto. Neste caso, o bebé não morreu mas sofreu vários efeitos como vomitar de forma constante.
quem era, ser era o médico pediatra. Porque quando cheguei com o meu filho ao hospital e o médico das urgências o viu disse que iam chamar o médico de pediatria, mas eu não sei se ele chegou”, explica Io Chi Fan. Sobre o assunto a ATFPM critica a falta da presença imediata do médico especialista. “Se o pediatra recebe o vencimento e está responsável naquele dia, devia estar nas urgências e não estar noutro lado qualquer para salvar a vida das pessoas. Não é correcto o médico que, neste caso, atendeu a criança ter que telefonar para ele [médico pediatra] para este aparecer”, argumenta Pereira Coutinho.
Comissão avalia
Defendendo a “imediata reforma do actual sistema de prestação de cuidados médicos”, a associação apela à criação de uma “comissão independente dos SS” para avaliação deste tipo de situações. “Desde
o estabelecimento da RAEM até à presente data que a maioria dos trabalhadores dos SS nomeadamente pessoal da linha da frente como os médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e auxiliares têm-se esforçado por prestar serviços de qualidade aos residentes de Macau e aos turistas que nos visitam. Contudo não obstante a este elevado esforço e aumento substancial dos orçamentos para a área de saúde, a qualidade dos serviços tem-se deteriorado pela falta de um sistema interno credível, transparente e de melhor gestão”, defende a associação. Por isso mesmo, Pereira Coutinho frisa que Macau deve seguir os passos de Hong Kong e outras regiões que avançaram com uma legislação para a criação de uma comissão independente. “Esta comissão não iria servir só para averiguar as falhas mas, mais importante que isso, descobrir a verdade, porque é que elas acontecem, e assim evitar erros destes”, disse Pereira Coutinho. É agora, acredita o deputado, que o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, tem o direito de determinar e criar esta comissão independente. “O Secretário disse que os SS têm um ano para melhorar, eu acho que este prazo é demasiado grande, e por isso mesmo durante a apresentação das Linhas de Acção Governativa (LAG) vou fazer muitas perguntas sobre esta área. Queremos saber o que é que o Governo vai fazer sobre este assunto”, argumenta. Sobre a comissão Pereira Coutinho defende-a mas acredita que não vai acontecer. “Tenho certeza que não vai acontecer isto”, diz, reforçando que mesmo assim é preciso que o Governo aposte “na transparência e numa gestão hospitalar mais eficaz. O hospital São Januário deve ter um sistema mais aperfeiçoado, não tendo os privados que tapar os buracos no sistema de saúde”, remata. Recorde-se que a investigação da polícia em curso deverá terminar no final do mês, e o próprio Alexis Tam assegurou que exigiu uma investigação interna aos SS. Uma das hipóteses sobre a mesa foca-se na medicação receitada à criança que, segundo um médico de Hong Kong citado pelo jornal Apple Daily, só deve ser atribuída a crianças com mais de dois anos. “O meu filho era alérgico a alguns medicamentos e os médicos sabiam disso, está na ficha dele”, explicou o pai da criança, sublinhando que precisa de saber o que aconteceu. “Não me podem tirar assim o meu filho”, lamenta.
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política
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CCPPC Alargamento das fronteiras será ponto principal
Águas de Macau em destaque Xi Jinping prometeu, em Dezembro, o alargamento das fronteiras marítimas com Macau. O assunto deverá ser o ponto mais importante da agenda dos delegados da RAEM à Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, que arranca hoje feito a médio prazo para que Macau tenha um espaço físico substancialmente alargado e possa crescer”.
da educação patriótica como tema a levar a Pequim. Em declarações à imprensa em chinês, citadas pelo Jornal Tribuna de Macau, o presidente do Instituto Politécnico de Macau disse mesmo ser a favor da introdução de legislação que “estimule” as escolas a promover a educação nacional chinesa. Leonel Alves lembra que “os assuntos de cultura e educação” são todos os anos discutidos, incluindo “o da língua portuguesa, que é um assunto recorrente”. “É natural que colegas abordem estas questões e haja diálogo neste sentido, agora uma proposta formal não estou a ver”, explicou.
Futuro insustentável
O
deputado e delegado de Macau à Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), Leonel Alves, quer discutir em Pequim o alargamento do território, particularmente através da criação de fronteiras marítimas, prometidas pelo Presidente Xi Jinping. Antes de partir para Pequim, onde começam esta terça-feira as reuniões do mais importante
Leonor Sá Machado
leonor.machado@hojemacau.com.mo
O
primeiro passo do debate relativo à proposta do Regime do Ensino Superior – da responsabilidade da 2ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL) – será elaborar um estudo completo sobre o sistema de créditos a adoptar no território, analisando a experiência de países como Taiwan, Singapura ou EUA. Além disso, o presidente da comissão, Chan Chak Mo acrescentou que este é um diploma sem grandes complicações. “Este regime é muito simples e abrangente”, clarificou o deputado.
órgão consultivo político da China, Leonel Alves disse à agência Lusa que espera que a definição de águas sob a jurisdição de Macau seja o assunto mais debatido entre a delegação de Macau. “Aquilo que prevejo é que o alargamento do espaço físico de Macau, concretamente as águas marítimas, [domine a discussão]. Este assunto é de crucial importância e intimamente ligado à diversificação económica de Macau,
que para crescer economicamente precisa de mais espaço”, disse o advogado. Em Dezembro, durante a visita do Presidente Xi Jinping, o Chefe do Executivo de Macau, Chui Sai On, anunciou que o Governo central chinês tinha dado início à definição das áreas marítimas que ficarão sob jurisdição do território. Leonel Alves espera que durante a CCPPC sejam dadas “mais ideias sobre aquilo que possa ser
O deputado, eleito por sufrágio indirecto, chama a atenção para a evolução demográfica de Macau, alertando “que dentro de 20 anos a cidade poderá atingir um milhão de habitantes”. “Como é que vão caber aqui um milhão de habitantes mais não sei quantos milhões de turistas e trabalhadores? É uma questão crucial para a sobrevivência de Macau”, afirmou. Leonel Alves aposta mais na criação de aterros para o crescimento da cidade do que na concessão de terrenos na Ilha da Montanha, território vizinho chinês onde já fica a Universidade de Macau e onde foram cedidos 4,5 quilómetros para empresas de Macau que podem vir a ser alargados em mais dez. “Não vejo nada de especial [na Ilha da Montanha]. Acho que a questão das águas vai ser mais debatida”, apontou. A possível limitação do número de turistas chineses em Macau ou a queda das receitas do jogo são temas que Leonel Alves não espera que sejam debatidos durante a reunião magna.
Língua em discussão
Na semana passada, dois delegados à CCPPC, Lei Heong Iok e Amber Li, salientaram a questão
“Aquilo que prevejo é que o alargamento do espaço físico de Macau, concretamente as águas marítimas, [domine a discussão]. Este assunto é de crucial importância” Leonel Alves Deputado e delegado de Macau à Conferência Consultiva Política do Povo Chinês
A CCPPC começa hoje e reúne 2.237 representantes, incluindo 29 delegados de Macau. Na quinta-feira, reúne a Assembleia Popular Nacional, o mais alto órgão legislativo do país, com 12 delegados de Macau. - LUSA
Lei do Ensino Superior Sistema de créditos em estudo
Simplicidade do regime O sistema de créditos pressupõe a atribuição de um determinado valor a cada uma das disciplinas do curso que somadas deverão resultar num certo número que indica a conclusão do curso. Tal método de avaliação e contagem permite que os alunos tenham mais possibilidade de escolha das cadeiras a frequentar, desde que cumpram o número de créditos obrigatórios para a conclusão da licenciatura, mestrado ou doutoramento
respectivos. No entanto, nem todos os países utilizam o mesmo sistema de créditos e é isso mesmo que a comissão pretende esclarecer. “Temos que saber qual o modelo a adoptar”, começou o presidente da comissão por dizer. Contudo, não há ainda uma data prevista para a finalização do mesmo estudo. “A nossa assessoria vai recolher ainda mais opiniões sobre o sistema de créditos (...) porque sabemos o que é,
mas como funciona?”, argumentou.
Não só mas também
De acordo com Chan Chak Mo, há ainda vários pontos a esclarecer junto do Governo, como questões relativas às entidades responsáveis pelo Fundo do Ensino Superior ou pela fiscalização do cumprimento das normas futuramente impostas a todas as instituições de ensino públicas e privadas. Esta matéria foi bastante discutida no seio
da colectivo de trabalho. Se por um lado, é certo que as instituições possam receber financiamento e donativos de terceiros, a questão da sua gestão já cria algumas dúvidas. “Temos que ver como são geridos [esses financiamentos]”, referiu o deputado. Outra das questões discutida ontem pela comissão daAL tem que ver com o sistema de avaliação e a entidade respon-
sável pela matéria. Neste momento, o Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES) é o grupo que parece ser mais indicado para desempenhar estas funções, mas pode haver outras possibilidades em cima da mesa. “Ainda não sabemos quem vai fazer isso [avaliação das instituições e da qualidade do ensino]. É o GAES? Vai-se chamar uma entidade de Hong Kong?”, expôs Chan Chak Mo. Embora tenham sido discutidos vários pontos da proposta, outros pontos não são ainda claros, pelo que o deputado deixou a mensagem de que a discussão ainda está no início. “Há ainda que recolher mais informações”, colmatou.
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Leonor Sá Machado
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J
osé Pereira Coutinho pede ao Governo que sejam criadas medidas com efeito imediato para manter os edifícios degradados da região em bom estado de conservação. O pedido do deputado surge numa interpelação escrita, onde o mesmo sublinha ainda a necessidade de formar mais técnicos especializados. “Que medidas efectivas e imediatas vão ser implementadas para que os edifícios e obras de arte que ficaram de fora da classificação do Centro Histórico de Macau possam manter-se em bom estado de conservação?”, questionou. Além disso, o também presidente da Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) mostra-se preocupado com o facto de alegadamente não existir uma lista actualizada de “todo o Património” da cidade. “Quando vai o Governo proceder ao levantamento geo-referenciado de todo o Património de Macau
Património Pereira Coutinho pede medidas “imediatas” de conservação
Para tudo o que ficou de fora Desta vez é José Pereira Coutinho quem pede ao Governo que sejam criadas mais medidas “efectivas e imediatas” para manter os edifícios degradados em bom estado. Para isso, refere, é ainda preciso formar mais técnicos especializados em restauro de forma exaustiva de forma a evitar a sua degradação, quer por abandono, quer por desleixo das entidades responsáveis?”, escreveu o deputado. A questão da salvaguarda patrimonial tem sido vastamente debatida e Pereira Coutinho não é o único deputado a reivindicar mais cuidado e atenção com os locais históricos da cidade.
Também Au Kam San e Ng Kuok Cheong têm estado na linha da frente na procura de respostas relativamente ao regime jurídico de Reordenamento dos Bairros Antigos. Numa interpelação do ano passado, Au mostrou-se preocupado com a necessidade de acelerar a referida legislação. A justificação está relacionada com o facto de várias zonas habitacionais
Cotai não diminui pressão das Portas do Cerco
Sem luz ao fundo do túnel FLORA FONG
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A
deputada Ella Lei considera que a abertura de 24 horas do Posto Fronteiriço do Cotai não conseguiu atingir o objectivo a que se prpôs, ou seja, distribuir o número de visitantes que entram em Macau pelas Portas do Cerco. Ella Lei apela a uma consolidação da função daquele posto, bem como a melhoria das instalações de transporte dos visitantes. Numa interpelação escrita, citando os dados da Direcção dos Serviços para Turismo (DST), a deputada apontou que todos os anos o número de passagens pelo Posto Fronteiriço das Portas do Cerco chega aos 90 milhões. Durante os seis dias de férias do ano novo chinês foram registados 400 mil visitantes por dia. Os mesmo dados mostram que antes da implementação da medida pelo Posto Fronteiriço do Cotai, vulgo posto Fronteiriço de Lótus, o número médio de visitantes por dia era de 10 mil, feita agora a actualização, depois da medida, o número aumenta apenas cinco mil passagens, ou seja, passa para 15 mil. Por isso, defende a deputada, a medida não está a conseguir contribuir para a distribuição das passagens, aliviando a pressão das Portas do Cerco.
Transportes em causa
Além disso, a deputada citou opiniões de residentes e agentes do sector turístico
que mostram que a falta de transportes é a causa principal da pouca utilização do posto do Cotai. “Embora no Posto Fronteiriço de Cotai se demore menos tempo, porque basicamente não se precisa de ficar na fila, actualmente apenas veículos autorizados e com matrículas de automóvel Guangdong-Macau podem passar a Ponte de Lótus – liga a Ilha da Montanha e o Posto Fronteiriço de Cotai. Os visitantes precisam de sair dos veículos para passar o posto fronteiriço e depois voltar para os veículos o que influencia a intenção dos turistas na escolha do posto a passar”, afirma. A deputada acrescentou ainda que vários residentes, trabalhadores não residentes (TNR) e turistas ficam na zona Cotai mas como preferem passar no posto das Portas do Cerco aumentam a pressão de tráfego do território. Questiona portanto a deputada se a autoridade competente tem previstas medidas de curto prazo para alargar a função de distribuição de visitantes do Posto Fronteiriço de Cotai, aliviando a pressão na zona das Portas do Cerco. A melhoria da conexão de transporte entre o Posto Fronteiriço de Cotai e o Posto Fronteiriço Hengqin, bem como das instalações suplementares de transportes ao redor é outra questão que a deputada apresenta, querendo saber se o Governo pode e vai negociar com interior da China para resolver este assunto.
da região estarem altamente degradadas.
Modernizar para lembrar
Esta não é, contudo, a primeira vez que figuras de Ma-
cau se mostram preocupadas com as medidas e opções de conservação do património. A interpelação surge ao mesmo tempo em que vários especialistas urbanísticos
“Quando vai o Governo proceder ao levantamento geo-referenciado de todo o Património de Macau?” pub
e arquitectos locais se debatem com a questão da restauração de edifícios com valor histórico. Uma das mais recentes polémicas recai sobre o caso do Quartel de São Francisco, cujo projecto de restauro inclui novos módulos e uma modernização estética do original. Após a insurgência de vários arquitectos – nomeadamente de Francisco Vizeu Pinheiro, que se referiu ao novo desenho como “uma falácia total” – relativamente à política de modernização, o Instituto Cultural veio a público explicar que o projecto de restauro visa “destacar as características do edifício antigo”. O IC adiantou mesmo que foi “proibida a imitação do [estilo] antigo” do quartel. O instituto promete ainda um “controlo rigoroso” dos moldes do edifício reconstruído. No fundo, o projecto actual prevê o restauro de parte do quartel, retirando as partes degradadas, que “ocultam as características arquitectónicas do edifício original”, de forma a tornar visíveis certos elementos antigos, como as janelas.
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sociedade
A Polícia Judiciária confirmou que o volume de transacções ilegais de dinheiro com recurso a terminais portáteis da Union Pay International já atingiu as 784 milhões de patacas, sendo que o volume de “negócios” apurado este ano já é um terço do registado o ano passado
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Union Pay Transacções ilegais ascenderam a 784 milhões
As máquinas fora da lei
O
volume das transacções ilegais com recurso a terminais portáteis da Union Pay International em Macau ascendeu a 784 milhões de patacas em 2014, segundo dados facultados pela Polícia Judiciária (PJ) à agência Lusa. Apesar de a verba dizer respeito a 47 casos e desde o início de 2015 terem sido detectados apenas cinco, o volume das transacções ilegais apurado este ano já atinge cerca de 260 milhões de patacas, ou seja, corresponde a um terço do total de 2014. As operações em causa são ilegais porque efectuadas em Macau através das máquinas POS da Union Pay China ou outras fornecidas por terceiros, o que faz com que a Union Pay International não receba a percentagem a que tem direito por a transacção ter sido realizada, de facto, fora da China continental. Os casos envolvem 124 suspeitos – incluindo 23 mulheres –, dos quais 100 são residentes da China, 20 de Macau, três de Hong Kong e um de Taiwan. “Após a inquirição do Ministério Público, os arguidos da China continental foram entregues ao Serviço de Migração do Corpo de Polícia de Segurança Pública, com o fim de serem expulsos e, de entre estes, 12 homens e duas mulheres foram ainda sujeitos à aplicação da medida de prestação de caução, no valor entre 10 mil e 50 mil patacas”, referiu a PJ. Os 52 casos – dos quais apenas um suspeito não foi acusado por falta de provas – resultaram na apreensão de 79 máquinas POS, indicou a PJ.
Kiang Wu teme perda de mão-de-obra
O
anúncio de que os Serviços de Saúde pretendem recrutar 529 profissionais de saúde já provocou reacções junto da direcção do hospital privado Kiang Wu. Mak Honk Cheung, director do hospital, prevê que isso possa vir a influenciar a mão-de-obra da sua unidade hospitalar, mesmo com um aumento de salários. O hospital privado deverá recrutar profissionais de fora para colmatar a possível perda de recursos humanos. Mak Hok Cheung garantiu ao canal chinês da TDM que, apesar de já ter aumentado os salários dos profissionais de saúde em 10%, ainda existe alguma diferença em relação aos salários pagos no serviço público de saúde. “O hospital vai convencer o pessoal a continuar a trabalhar (no Kiang Wu), esperando que possamos reforçar o seu sentimento de pertença ao hospital, para que não considerem apenas o factor remuneração. Vamos oferecer mais formação para os médicos, porque os jovens acabados de formar valorizam muito as oportunidades de formação, para além dos salários”, apontou. - F.F.
Ilha da Montanha Lote vai a leilão por 112,6 milhões de patacas
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As transacções ilegais detectadas traduziram-se em prejuízos para a Union Pay International superiores de 1,56 milhões de patacas em 2014. Já contas feitas desde o início deste ano, o prejuízo foi na ordem das 520 mil patacas.
Casinos em jogo
A maior parte dos casos sinalizados envolve os casinos, ocorreu em ruas próximas a estes ou em quartos de hotel dos espaços de jogo. “Nos últimos meses, a polícia descobriu que alguns criminosos que praticavam crimes, de forma oculta e flexível, arranjavam intermediários para contactarem com clientes de casinos, alegando que poderiam
facultar o serviço de transacção ilegal com uma taxa muito baixa. Posteriormente, os clientes eram levados para um veículo privado, estacionado nas proximidades de casinos, onde era então efectuada a transacção ilegal”, especificou a PJ. Após a descoberta do esquema com os cartões, uma carta da Autoridade Monetária de Macau, a que a agência Lusa teve acesso, confirmou rumores de que o regulador ordenou, a partir de 1 de Julho de 2014, a retirada das máquinas de pagamento da ‘China Union Pay’ e o cancelamento das facilidades de levantamento de dinheiro nas joalharias no interior dos casinos devido a transacções ilegais.
Os casos envolvem 124 suspeitos – incluindo 23 mulheres –, dos quais 100 são residentes da China, 20 de Macau, três de Hong Kong e um de Taiwan
Já em Dezembro último, o regulador pediu aos bancos no território que disponibilizem a lista dos negócios considerados de “alto risco” de lavagem de dinheiro e que usem a cartões da Union Pay China, segundo o jornal South China Morning Post. Contactadas pela agência Lusa, duas fontes do sector financeiro explicaram que a carta exige um relatório mensal sobre as empresas ou cadeias de lojas detentores de máquinas de pagamento da Union Pay fornecidas pelos bancos ao mesmo tempo que solicitam informações de transacções acima de um determinado valor, cujo montante não especificaram. Estes esquemas foram apontados por analistas consultados pela Lusa como um dos factores para a primeira queda em cinco anos das receitas de jogo em termos anuais homólogos em Junho de 2014, por contribuírem para fazer descer a liquidez dos jogadores. - LUSA
M dos lotes da Ilha da Montanha, com cerca de 20 quilómetros quadrados, deu na semana passada entrada num leilão com o preço inicial de 112,6 milhões de patacas. De acordo com notícia do jornal Business Daily citando o Macao Daily, este lote situa-se na zona oeste da Ilha da Montanha e deverá servir propósitos comerciais e de escritórios para empresas locais, do continente e de Hong Kong. De acordo com um aviso da leiloeira, só poderão participar na iniciativa empresas registadas, sendo colocadas de fora as ofertas por parte de pessoas individuais ou sociedades empresariais. Na mesma notícia é referido que não será permitido ocupar mais de 20% da área brutal total com edifícios comerciais, ficando as residências comerciais com apenas 25% da mesma área. Já a zona de escritórios deverá ocupar pelo menos cerca de 55% da área bruta deste lote. Além disso, o licitante vencedor terá que construir uma passagem subterrânea destinada a transportes públicos. Esta infra-estrutura deverá estar disponível ao público 24 horas e de forma gratuita. No que diz respeito à revenda do lote por parte do licitante vencedor, o lote só poderá passar para as mãos de outro proprietário cinco anos depois da aprovação do cheque que comprova a finalização da sua construção.
sociedade 7
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A DSPA sugere a criação de medidas punitivas e a obrigatoriedade de instalação de equipamentos de ventilação com mais de 90% de eficácia. As multas, refere a entidade, poderão ir até às 70 mil patacas para os estabelecimentos que não cumprirem as normas Leonor Sá Machado
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A
Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) sugeriu, no documento de consulta pública relativo às normas para controlo de emissão de fumos oleosos, a criação de multas entre as 15 mil e as 70 mil patacas para quem violar os critérios de emissão impostos pela entidade. “Também se propõe que a violação dos critérios de emissão, das normas de gestão dos equipamentos ou dos respectivos
Fumos oleosos Sugeridas multas até 70 mil patacas para infractores
Quem suja tem de pagar regulamentos de fiscalização seja sancionado com uma multa que varia entre 15mil a 70 mil patacas”, refere a DSPA em comunicado. Outra das medidas sugeridas passa por obrigar os estabelecimentos de comidas e bebidas e restaurantes a instalarem equipamentos de eliminação de fumo “com eficiência superior a 90%”. Estas propostas surgiram depois de publicados os resultados de um estudo encomendado a uma entidade
de consultoria. A pesquisa revelou que a emissão de partículas nocivas poderá ser reduzida ao ponto de reduzir as queixas dos residentes.
Reduzir impacto negativo
“De acordo com a análise científica efectuada, além de se poder reduzir, por ano, a emissão de fumos e partículas totais em suspensão em cerca de 23 e 25%, respectivamente, a implementação das soluções de proposta das normas
ou mun tin toi
de vários associações, elementos do Governo, estabelecimentos de restauração e residentes. A DSPA acrescentou ainda que o documento será redigido depois de findo o período de consulta pública e análise das opiniões. “Concluído o processo de consulta, a DSPA efectuará a integração e a análise das respectivas opiniões e sugestões, fixando-se, desta forma, a solução de proposta final”, lembrou a entidade governamental.
Limite de rendimentos para bolsas-empréstimo aumentado
mães de um filho maior
• Cerca de 30 membros da Associação de Reunião de Famílias manifestaram-se, ontem de manhã, no aeroporto de Macau apelando para que o tema da reunificação dos filhos maiores, a residir no interior da China, seja debatido com o Governo Central. Segundo o canal chinês da rádio Macau, a representante da associação afirmou que já tinha sido entregue uma carta aos representantes de Macau.
e regulação de emissão também permitiria diminuir o incómodo provocado, contribuindo para uma redução das situações de queixas, e desta forma ajudar a mitigar o impacto causado junto dos residentes”, frisou a DSPA. A redacção destas normas encontra-se presentemente em consulta pública, pelo que o prazo para a participação dos residentes se estende apenas até ao próximo dia 16. Até agora foram já consultadas as opiniões
O
Governo de Macau aumentou os valores limite do rendimento médio mensal do agregado familiar dos candidatos à concessão de bolsas-empréstimo e elevou o montante deste e de outros apoios ao ensino superior. Um despacho do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, publicado ontem em Boletim Oficial (BO), alarga o limite do rendimento médio mensal ‘per capita’ do agregado familiar que passa de 9.750 para 12.600 patacas no caso de um único
membro, enquanto para agregados com cinco ou mais elementos, por exemplo, o valor sobe das actuais 7.050 patacas para 9.160 patacas. Os montantes mensais da bolsa-empréstimo e da bolsa de mérito também foram revistos em alta. Para estudos em Macau e Taiwan, o valor aumenta 200 patacas para 3.500 patacas e para 3.700 patacas, respectivamente, enquanto para o Interior da China o valor sobe de 2.350 patacas para 2.800 patacas. No caso de Hong Kong e de
outros países e regiões a actualização é de 300 patacas para 5.600 patacas. Revistos em alta são também apoios complementares como sejam o subsídio de alojamento, que passa a fixar-se em 2.250 patacas, contra as actuais 2.100 patacas (235 euros). O despacho entra em vigor na terça-feira e produz efeitos a partir do ano escolar 2015/16. Um outro despacho, também assinado pelo Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, fixa ainda o número de bolsas de
estudo para o ensino superior a conceder, entre as quais o das bolsas-empréstimo a converter em bolsas de mérito no próximo ano lectivo. Assim, em 2015/16 está prevista a concessão de 5.165 bolsas: 4.500 bolsas-empréstimo, 380 de mérito, 250 especiais e 35 extraordinárias. Em paralelo, foi também fixado o número de subsídios: 700 para alojamento e 250 para viagens. O número de bolsas-empréstimo a converter em bolsas de mérito é de 50.
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eventos
hoje macau terça
15 anos da RAEM em análise na Livraria Portuguesa
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Fórum Luso-Asiático vai realizar, na próxima semana, um debate sobre os 15 anos da Região Administrativa Especial de Macau, pretendo também oferecer também um olhar em perspectiva sobre a segunda década. Marcado para o final da tarde de segunda-feira, dia 9, o debate, a lugar na Livraria Portuguesa, destina-se à comunidade lusa, indica um comunicado divulgado hoje pelo Fórum Luso-Asiático. O economista Albano Martins, o professor universitário e presidente do Fórum Luso-Asiático, Arnaldo Gonçalves, o jurista Pedro Coimbra, e Ricardo Pinto, proprietário do jornal Ponto Final e concessionário da Livraria Portuguesa, todos há mais de 20 anos em Macau, constituem o painel de oradores
Quatro bloggers de Macau falam dos seus sites pesso
que vai olhar para o processo de desenvolvimento do território desde a transferência do exercício de soberania de Portugal para a China em 1999. Da economia, ao modelo de desenvolvimento e ao desenho da estratégia futura, passando pelo sistema jurídico, leis e tribunais, bem como pela qualidade de vida, sistemas de saúde e educativo, aos desafios do crescimento do tecido urbano, o leque de temas de análise inclui também as relações bilaterais Portugal-China, a culminar num balanço e perspectivas de futuro. O Fórum Luso-Asiático é uma organização não-governamental fundada em 1997 por ex-quadros da Administração de Macau, sinólogos e especialistas em relações internacionais.
O mundo embrio
Canadá premeia curta-metragem portuguesa
A
curta-metragem portuguesa “Boy” conquistou recentemente o prémio de Melhor Filme Estrangeiro atribuído pelo Festival Internacional de Cinema do Canadá. A película foi distinguida com um “Rising Star Award”, destacando-se entre centenas de filmes de mais de 30 países diferentes. Em comunicado o realizador português Bruno Gascon, que assina o filme, admite que “é sempre gratificante perceber que ‘Boy’ consegue chegar a tantos públicos diferentes um pouco por todo o mundo”. Gascon, que vai iniciar este mês as
rodagens do seu próximo filme, acrescenta que “o ‘feedback’ tem sido muito positivo” e confessa que “a equipa está muito feliz com mais este prémio internacional”. “Estamos muito orgulhosos”, pode ler-se na página oficial de “Boy” no Facebook. A curta-metragem descrita como “um ‘thriller’ psicológico” retrata a experiência de um homem preso numa casa, pretendendo ser uma reflexão acerca “da privação da liberdade e daquilo que acontece quando estamos sozinhos durante muito tempo” e nos vemos obrigados a enfrentar os nossos próprios medos.
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Têm trabalhos a tempo inteiro e uma enorme paixão pelo mundo da moda, desporto e lifestyle, o que as levou a criarem blogues que mostram os seus gostos e estilos pessoais. Mas na cidade dos casinos ter um blogue ainda não é sinónimo de profissão, muito menos da existência de uma indústria. Lá fora, como em Hong Kong, é onde tudo ainda acontece
Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
A
indústria da moda e do entretenimento ganhou nos últimos anos novos protagonistas. Já não são apenas os jornalistas ou as caras famosas que são convidados para um evento: também os bloggers de moda e de lifestyle têm cada vez mais lugar de destaque. Escrevem sobre a roupa que usam naquele dia ou sobre os últimos produtos de maquilhagem do mercado, e ainda ganham com isso: muitos bloggers, em todo o mundo, fazem disso a sua profissão,
À venda na Livraria Portuguesa A Voz da Terra • Miguel Real
Júlio Telles Fernandes – brasileiro viúvo e rico – chega a Lisboa com duas missões secretas: interceder junto do Marquês de Pombal pela independência do Pernambuco e entregar nas mãos da judia Violante Dias, prima da sua falecida mulher, um anel que há muito vem passando de geração em geração. A Voz da Terra narra a história da passagem da Lisboa supersticiosa, marinheira e imperial dos Descobrimentos – a Cidade de Santo António, governada pela Voz do Céu – para a Lisboa burguesa, racional e geométrica, consequência do Terramoto – a cidade do Marquês de Pombal.
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a-feira 3.3.2015
oais
onário dos blogues de moda
“Se as pessoas souberem da existência de bloggers estes poderão ter mais oportunidades de colaboração com marcas de moda” Danella Criadora do “Style of the Day”
as suas experiências aos estrangeiros que aqui chegam. Escreve sobre eventos locais, mas confessa não estar focada no mundo da moda e das últimas tendências.
Indústria da moda é pequena graças à publicidade que fazem a determinadas marcas. Apesar de ser o território dos casinos, onde todas as marcas querem estar, Macau ainda não tem um mercado de bloggers a nível profissional. O HM falou com quatro bloggers que criaram os seus sites há cerca de dois ou três anos e garantem que só recentemente é que começaram a receber convites para eventos locais.
Sónia Chao Chi Hoi tem o blogue “Belle de Mo” (www.belledemo.com) desde Setembro do ano passado, mas 50% dos leitores são de Hong Kong. “O mercado dos blogues é ainda embrionário em Macau. As pessoas daqui preferem visitar blogues de fora, e quem tem blogues opta por promover o seu próprio negócio ou produto, então é mais publicidade do que
“O mercado dos blogues é ainda embrionário em Macau. As pessoas daqui preferem visitar blogues de fora” Sónia Chao Chi Hoi Blogue “Belle de Mo”
escrever para um blogue”, explicou ao HM. “Acho que este mundo dos bloggers está a crescer sim. Sei que os hotéis já contactam bloggers profissionais de fora, especialmente de Hong Kong, para alguns eventos. E aos poucos começam contactar-nos também”, defendeu Rebeca Fellini, do blogue “Macau Expat Chick” (www. macauexpatchick.com). Brasileira, a residir em Macau há 14 anos, Rebeca Fellini é professora do ensino secundário e criou o seu site pessoal em Maio do ano passado. Sendo uma expatriada a residir na RAEM, Rebeca Fellini só queria transmitir
Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net
O Bom Inverno • João Tordo
O balão negro onde Don Metzger partiu foi encontrado na ilha de Ponza, no fundo de uma falésia, perto do final do Verão. O corpo tinha apodrecido e sido parcialmente dilacerado pelas gaivotas. A polícia italiana considerou que a morte fora causada por um «acidente», e não foi feita qualquer autópsia. «Um enorme romancista que nos redime do horror, como os grandes mestres, pela força misteriosa da escrita.» (António-Pedro Vasconcelos, Sol). «O novo romance do século XXI em Portugal» (João Céu e Silva, Diário de Notícias).
Carla Florendo foi das primeiras a lançar-se na indústria dos blogues. Criou o seu site “Little Miss Violet” (www. carlaviolet.com) em 2011 e
visitantes internacionais que me trazem oportunidades para projectos e colaborações, porque não faço publicidade ao blogue em Macau”, acrescenta. Danella, do blogue “Style of the Day” (www.thestyleoftheday.com), associa o pouco peso dos blogues na área do entretenimento ao facto de não haver uma indústria da moda de grande dimensão.
“Comecei a fazer alguns projectos como a presença na abertura de uma loja no Venetian e também tenho recebido convites, a maioria em Hong Kong, apresentações de produtos e pré-abertura de lojas. É um sinal que eventualmente irei começar a receber mais feedback da indústria da moda e lifestyle de Macau”, referiu Carla Florendo, do “Little Miss Violet”. “Penso que Macau tem potencial para crescer ainda mais nesta área”, referiu Danella. “Se as pessoas souberem da existência de bloggers estes poderão ter mais oportunidades de colaboração com marcas de moda”, frisou a criadora do “Style of the Day”. No caso de Rebeca Fellini, a experiência tem corrido tão bem que até já colabora com uma revista local da área do lifestyle, intitulada Magazine&More. “Estou escrevendo todo o mês, tenho recebido respostas positivas e convites para fazer criticas de restaurantes, bares e moda. Não tinha ideia de que tantos convites e oportunidades iriam aparecer”, considera a brasileira. Sem um foco especial na
“Acho que este mundo dos bloggers está a crescer sim. Sei que os hotéis já contactam bloggers profissionais de fora, especialmente de Hong Kong, para alguns eventos. E aos poucos começam contactar-nos também” Rebeca Fellini Blogue “Macau Expat Chick”
afirma que, no inicio, falava do blogue com os amigos e eles nem sabiam do que estava a falar. Só agora é que recebe mais convites, mas assume: “para ser sincera, não tenho recebido muito feedback dos mercados locais da moda e do lifestyle”. “Tenho mais
As quatro bloggers entrevistadas pelo HM já receberam convites para a Semana da Moda de Hong Kong ou para a pré-abertura de lojas. O espaço “Soho”, no casino City of Dreams, também convidou algumas das bloggers para estarem presentes.
“Tenho mais visitantes internacionais que me trazem oportunidades para projectos e colaborações, porque não faço publicidade ao blogue em Macau” Carla Florendo Blogue “Little Miss Violet”
moda ou na roupa que veste diariamente, Rebeca Fellini utiliza o seu “Macau Expat Chick” para dar informações sobre Macau. “O meu foco é Macau, o que está a acontecer aqui, onde se pode fazer compras e comer. Mas claro que por estarmos perto de Hong Kong surgem alguns eventos lá. Mas quero ajudar as pessoas aqui, os novos estrangeiros, que estão a vir. Tudo está a acontecer muito rápido em relação ao blogue, o que me deixa muito feliz e com motivação para continuar”, concluiu.
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hoje macau terça-feira 3.3.2015
artes, letras e ideias
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Bar Azul III Macau, Hotel Four Seasons
D’abord, il n’y a rien, ensuite un rien profond, puis une profondeur bleue, Bachelard, em L’air et les songes.*
Q
uando, a propósito de um texto dedicado ao Bar Azul, reproduzi aqui uma pequena frase retirada do filme Blue, de Derek Jarman: “Blue is darkness made visible”, não sabia que a sua autoria se deve a um artista plástico que levou o Azul e o monocromatismo muito a sério: Yves Klein. Klein, cinturão negro quarto Dan em Judo, viveu apenas 34 anos e é autor de, acho, mais de duzentas peças de arte em azul. Num mesmo tipo de Azul Ultramarino – que se passou a chamar International Klein Blue, IKB (não estou a brincar). Este é um Azul sereno (para os rosacrucianos o azul é um símbolo de espiritualidade, e sabe-se que Klein nutria mais do que uma leve simpatia por esta filosofia secreta) não severo ou ameaçador, mas um pouco unsettling. O monocromatismo como caminho para a liberdade e a desmaterialização. É difícil, a não ser que se seja um grande chato, ou demasiadamente severo, não se gostar de Yves Klein, dos seus quadros, das suas esculturas, das suas ideias e das suas performances, algumas delas, como as Antropometrias, hoje famosas na história da Performance Art e visíveis na internet. Neste bar, que tarda em mostrar-se, começou a enredar-se um fio cuja solução é ainda uma incógnita, um fio que passa inevitavelmente pelo filme Blue; obriga a um desvio por um outro filme de Derek Jarman em que as cores e as sombras, violentamente, têm uma importância nuclear, Caravaggio; pelo Expressionismo Abstracto; por um período da arte de Picasso; pelo Blaue Reiter; pela obsessão de Yves Klein pelo Azul; por uma paixão adolescente pelos hommes bleues saarianos. Neste momento repousa na incompreensão de por que razão não foi ainda possível exibir em Macau obras de Adriana Varejão, onde também há coisas de Azul e até referências à cidade. O meu Azul (Sininen em finlandês, se bem que o que é Azul ou Verde para um finlandês possa não o ser para um americano) passa também por Virgínia,
protagonista de um romance de Clarice Lispector, O Lustre, que viu o seu futuro em Azul “vi azul, e nada mais...”. Esta cor foi uma parte pequena do futuro de Derek Jarman e é também, a expressão da sua coragem e da sua determinação. Pode o Azul ser também o nosso futuro? Esperemos que não pois esta cor (no original alemão Blau) tem um valor simbólico bastante negativo (apenas superado pelas, no original, Violett e Blaurot - Violeta) numa obra de Goethe pouco conhecida da fauna literária mas muito citada e contestada por cientistas e filósofos – Zur Farbenlehre (Teoria das Cores). Na obra de Goethe, de 1810, o Blau é visto como Gemein (maldoso, vil, ou mesmo vulgar). Se há algo de que não precisamos no nosso futuro, mesmo que tudo pareça encaminhar-se nesse sentido, é de vulgaridade. Quanto ao Violett/Blaurot, esta cor, ou cores, é Unnöthig (desnecessária, ao contrário do Grün, Verde, que é uma cor Nützlich – útil). Não sei onde se poderá encontrar um exemplar deste livro. Mas quem se dispuser a ler o fascinante livro de Josef Albers (pensado
como material didáctico), chamado Interaction of Color, poderá encontrá-lo na enigmática Biblioteca Central de Macau (de onde os livros por vezes desaparecem para sempre**). Nele encontrará o leitor motivos para repensar o modo como percepciona as cores e começar uma pequena revolução pessoal ao perceber como “the same color evokes innumerable readings”, como se lê na introdução. Aquilo que nós já sabemos aparece aqui demonstrado de forma deliciosa: a interdependência que a cor mantém com as formas, com a sua colocação, quantidades e qualidades di-
Sentar no Bar Azul em silêncio pode, como defronte das telas azuis de Klein (entre outras peças monocromáticas) convidar ao desejo da inscrição no vazio e ao onirismo aéreo
versas, etc. As mais de 30 figuras que se oferecem no fim permitem um jogo interactivo de surpresas, confirmações e deleites vários. Sentar no Bar Azul em silêncio pode, como defronte das telas azuis de Klein (entre outras peças monocromáticas) convidar ao desejo da inscrição no vazio e ao onirismo aéreo (ou ígneo – veja-se a nota*). O silêncio é quase total. Este bar, competente na sua oferta, revisitado há pouco tempo, permanece vazio com excepção dos dias em que recebe provas de vinhos. Servirá assim à perfeição para, investigado um pouco o conceito de Vazio de Yves Klein, tentar sentir essa exposição da ausência. Poucos bares serão tão apropriados a este exercício. Os mais mórbidos ficam convidados a explorar as suas potencialidades crípticas e a pensar em Derek Jarman. Tal como acontece com o Bar Azul, no Hotel Four Seasons de Macau, em Hong Kong existe, no mesmo hotel, um lounge bar chamado Blue. O bebente pode sentar-se ao balcão e afirmar-se, ufanoso, conhecedor e frequentador da sua triste e incompreendida instalação
artes, letras e ideias 11
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a revolta do emir
Pedro Lystmann
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ANÚNCIO Convite para adesão à base de dados dos fornecedores do IACM A “base de dados dos fornecedores do IACM” é um canal destinado especialmente à consulta da aquisição de bens e serviços. O IACM pretende endereçar o convite a eventuais empresas e os empresários a título individual, que estão registados e inscritos no Governo RAEM, para aderirem à base de dados dos fornecedores deste Instituto, para se constituírem seus destinatários para a consulta de preços, com vista a uma perspectiva comercial. Os interessados têm que apresentar os seguintes documentos:
macaense e assim estabelecer um laço indelével. Se o Azul é a expressão da doença e da proximidade da morte no filme de Derek Jarman, será possível pensar num abandono até à morte por um intenso pedaço de cor. Estou a pensar num deslize especial. Terá Bergotte, l’écrivain, verdadeiramente morrido da emoção que lhe causou um pedaço de cor amarela, un petit pan de mur jaune, de um quadro de Johannes Vermeer? O culpado é o quadro Vista de Delft, onde aquele redescobre, para seu funesto entusiasmo, um muro pintado de amarelo ainda hoje não identificado (há 3 muros de cor amarela). Bergotte encontrava-se já doente mas conseguiu forças para se deslocar ao local onde o fatal quadro se exibia. Supremo e original desígnio***. Note-se que Bergotte se deixa seduzir pelas palavras de um crítico de arte que se refere, a propósito do quadro de Vermeer, a um pedaço de muro amarelo tão belo que se basta a si próprio. O que aqui interessa é sublinhar que o crítico se refere apenas a um pedaço de cor e não a todo o quadro. Bergotte já
o conhecia muito bem, e a ele dedicava uma admiração sem limites, mas as palavras do crítico levaram-no a levantar-se, a custo, e, depois de comer umas batatas, a ir ver a mostra de pintura. “É assim que eu deveria ter escrito” – pensou o escritor ao olhar de novo para o quadro de Vermeer (tudo isto está no sítio que se indica na nota ***). Morreu logo ali, na sala de exposição. No entanto, acrescente-se por brincadeira, que para Goethe o Amarelo, Gelb, é Gut – bom. Acima deste existem apenas dois níveis simbólicos, Edel (nobre) e Schön (belo). Para cromatófilos mais sérios sugiro os livros de Michel Pastoureau, que não li e conheço apenas através de uma recensão crítica da tradução inglesa do seu último livro, Vert (Verde), lida na NYRB, n.14, Volume LXI. Pastoureau publicou 3 livros, cada um sobre uma cor, Bleu (2000), Noir (2008) e Vert (2013), partindo da ideia que cada cor tem uma história e uma tecnologia (a história da tinta é um assunto fascinante, quase policial), um significado simbólico e um significado social, “ao mesmo tempo que faz parte de um sistema de significação cujos termos mudam ao longo do tempo” - refere o autor da recensão, Michael Gorra. Aparentemente, diz Gorra, Pastoureau parece pouco interessado nas teorias cromáticas de Goethe ou Josef Albers mas inclina-se, sim, para o “mundo da superstição e da lenda, a história da arte e do traje, as indústrias químicas e da publicidade, a semiologia tanto do desporto como da rua”. A maioria do seu material provém da Europa Ocidental, culturas sobre as quais o autor (medievalista de formação) se sente à vontade para falar. Pastoureau planeia livros sobre o Amarelo e o Vermelho. * Klein utilizou esta frase de Bachelard numa exposição mas a aproximação, admirativa, que aquele tentou junto do velho filósofo não correu da melhor forma. Leia-se aqui: http://philosophique. revues.org/242?lang=en ** Na Biblioteca Central de Macau havia um livro sobre Yves Klein mas já não há. Desapareceu. Veja-se isto: https://www.youtube.com/ watch?v=6m8U4F1nUNE *** Para este aliciante assunto, deliciosa história, deve ver-se o seguinte sítio: http://www. essentialvermeer.com/proust/proust.html#. VO_rirOUdNE
1.
Boletim de Pedido de inscrição na Base de Dados de Fornecedores do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais e Tabela de ramos de actividade;
2.
Declaração de adesão à “Base de Dados de Fornecedores do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais”;
3.
Cópia da Declaração de início de actividades / alterações da DSF (M/1);
4.
Contribuição industrial do último ano económico – Conhecimento de cobrança (M/8);
5.
Fotocópia da caderneta bancária, em patacas/extracto mensal (página com o nome do Banco e o número da conta bancária; o nome da conta bancária deve ser idêntico ao da loja/companhia para fins de liquidação e transferência).
6.
Caso o âmbito de exploração envolva um ramo de actividade específico (especificada no nº 1 – 10 do anexo do boletim de pedido de inscrição, e.g. computadores, tecnologias informáticas, combate a fogos e prevenção contra incêndios, etc.), necessita de apresentar os documentos comprovativos, de acordo com o conteúdo dos anexos constantes do boletim de pedido.
7.
O requerente poderá apresentar documentos complementares que pertencem ao requerimento ou que beneficiem a apreciação de suas habilitações (e.g. breve apresentação da companhia, técnicas profissionais e pessoal, apresentação dos produtos, etc.).
Os fornecedores que pretendam efectuar o pedido, podem dirigir-se, pessoalmente, aos seguintes locais para levantar o boletim ou efectuar o download através do endereço electrónico http://www.iacm.gov.mo/p/supplier/detail e enviá-lo por correio, depois de devidamente preenchido, juntamente com os referidos documentos à Divisão de Património e Aprovisionamento, sita na Calçada do Tronco Velho, no. 14, Edf. Centro Oriental, r/c, ou entregá-lo directamente nos seguintes locais: Locais para entrega dos pedidos:
Horas de expediente:
1. Divisão de Património e Aprovisionamento, 2ª a 5ª feira, das 09:00 às 13:00 horas e das sita na Calçada do Tronco Velho, no 14, Edf. 14:30 às 17:45 horas. Centro Oriental (Telefone para informações: 83990265, Fax: 28339814) 6ª feira, das 09:00 às 13:00 horas e das 14:30 às 17:30 horas.
2. Centros de Prestação de Serviços (Centro de Serviços, Centro de Prestação de Serviços 2ª a 6ª feira, das 09:00 às 18:00 horas ao Público da Zona Norte, Centro de Presta- (sem interrupção à hora de almoço). ção de Serviços ao Público das Ilhas e Centro de Prestação de Serviços ao Público da Zona Central)
3. Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM, 2ª a 5ª feira, das 09:00 às 13:00 horas e das sito na Av. de Almeida Ribeiro, n.º 163, R/C, 14:30 às 17:45 horas. Edf. Sede do IACM 6ª feira, das 09:00 às 13:00 horas e das 14:30 às 17:30 horas.
Todos os dados recolhidos serão guardados em sigilo absoluto e apenas servirão para fins de adesão à base de dados de fornecedores do IACM e não serão devolvidos. Para mais informações, queira contactar este Instituto através do telefone no. 8399 0265 / 8399 0255 ou por email: supplier_request@iacm.gov.mo. Macau, 26 de Fevereiro de 2015. O Presidente do Conselho de Administração Substº, Lo Veng Tak www. iacm.gov.mo
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china
A primeira visita de um membro da família real britânica ao império do meio, desde 1986, está a gerar grandes expectativas junto das autoridades chinesas
O
príncipe William de Inglaterra reuniu-se ontem em Pequim com o Presidente chinês, Xi Jinping, no início da sua visita de quatro dias ao país, a primeira de um membro da realeza britânica desde 1986. O chefe de Estado chinês recebeu o príncipe, segundo na linha de sucessão ao trono, no Grande Palácio do Povo, como é habitual em visitas de líderes estrangeiros a Pequim. Depois do encontro, o duque de Cambridge, que tem como objectivo nesta viagem promover as trocas culturais e negócios com a segunda economia mundial, reupub
hoje macau terça-feira 3.3.2015
Príncipe William reúne-se com Xi Jinping
Encontro de príncipes nir-se-á ainda com organizações de jovens após passagens pelas emblemáticas Cidade Proibida e Praça de Tiananmen. O príncipe William seguiu para Xangai, com a embaixadora do Reino Unido na China, Barbara Woodward, onde manterá reuniões de negócios com empresários chineses. A partir da capital financeira da China viajará, esta terça-feira, para a província de Yunnan, no sul do país, a última etapa da visita, estando prevista uma deslocação ao Jardim Botânico Tropical, centrada na promoção da conservação do ambiente.
Não deixar correr o marfim
Pequim anunciou no final da semana passada, e pela primeira vez, a proibição por um ano da importação de marfim esculpido de África, o que foi interpretado como um gesto relativamente à visita do príncipe William, de quem se espera que peça à China que contribua para travar a matança de elefantes africanos durante a sua passagem pela província de Yunnan. Em Moçambique e em Angola
há abate ilegal por causa do comércio de marfim. Segundo dados da Word Conservation Society, uma organização norte-americana de protecção ambiental, estima-se que em Moçambique sejam mortos entre 1.500 a 1.800 elefantes. O país tornou-se num corredor para o contrabando de marfim e de chifres de rinocerontes com destino à Ásia, num negócio que, segundo várias organizações ambientalistas, é feito com a complacência das autoridades locais.
Estreia real
Esta primeira visita do príncipe à China é também a primeira de um
membro da família real britânica desde a realizada pela Rainha Isabel, em 1986. Este domingo, a agência oficial chinesa Xinhua publicou um editorial em que diz que espera que esta deslocação “faça história”, sublinhando que durante a “importante visita” o príncipe William poderá “viver na primeira pessoa a experiência da grande civilização asiática e promover as trocas bilaterais”. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Hong Lei também afirmou, antes da visita, que espera que esta “melhore o entendimento do Reino
O duque de Cambridge, que tem como objectivo nesta viagem promover as trocas culturais e negócios com a segunda economia mundial, reunir-se-á ainda com organizações de jovens após passagens pelas emblemáticas Cidade Proibida e Praça de Tiananmen Unido relativamente à China” e que “aprofunde a amizade entre os dois povos”. William, de 32 anos, chegou na noite de domingo a Pequim, após visitar o Japão, no quadro da sua visita pela Ásia.
( F ) utilidades
hoje macau terça-feira 3.3.2015
tempo
períodos
Cineteatro
Cinema
Sala 1
Stand by me Doraemon [A] (Falado em Cantonês) Filme de: Takashi Yamazaki, Ryuichi Yagi 14.00, 17.40
de
c h u va
min
17
max
20
hum
80-98%
•
euro
Kingsman: The Secret Service [c]
Filme de: Matthew Vaughn Com: Colin Firth, Michael Caine, Samuel L. Jackson 17.30, 21.30
Quinta-feira
Sala 1
Sala 3
Sala 1
(Falado em Cantonês) (Com legendas em Chinês e Inglês) Filme de: Matt Chow, Wilson Yip Com: Matt Chow, Wilson Yip 14.00, 15.45, 21.30
(Falado em Cantonês) 19.45
From vegas to Macau 2 [C] (Falado em Cantonês) Filme de: Wong Jing 15.50, 21.45
baht
From vegas to Macau 2 [C]
Penguins of Madagascar [A] (Falado em Cantonês) Filme de: Eric Darnell, Simon J. Smith 14.00, 15.45, 19.45
?
yuan
1.2
Exposição “Nihonga Contemporânea”, de Arlinda Frota Fundação Rui Cunha, 19h00 Entrada livre
Triumph in the skies [B]
Sala 3
Sala 2
0.2
O que fazer esta semana
Sala 2
Stand by me Doraemon [3d] [A]
8.9
13
Sexta-feira
(Falado em Cantonês) (Com legendas em Chinês e Inglês) Filme de: Wong Jing Com: Chow Yun-Fat, Nick Cheung, Carina Lau 17.30, 19.30
Musical ‘Cats’ (até 15/03) Venetian Macau Bilhetes das 280 patacas às 680 patacas
Sábado Exposição “Homenagem a Mestres que nos Inspiraram”, de artistas de Macau e HK Armazém do Boi, 19h00 (até 10/05) Entrada livre
Aconteceu Hoje
3 de março
Elvis Presley aparece pela primeira vez na televisão • O dia 3 de março assinala a primeira aparição televisiva do cantor Elvis Presley, em 1955. O músico e actor norte-americano viria a tornar-se mundialmente famoso, conquistando o epíteto de ‘rei do rock’. Hoje é dia 3 de Março, data em que se recorda Elvis Presley, que pela primeira vez foi visto pelas massas, antes de se tornar num ícone da música, uma lenda recordada como o melhor cantor do século XX. Mais de 30 anos depois da sua morte, Elvis Aaron Presley continuar a ser o artista a solo com maior número de ‘hits’ nas tabelas mundiais. A aparição na televisão, em 1955, foi um marco na sua carreira. Elvis morreu a 16 de Agosto de 1977. Foi encontrado sem vida pela namorada, Ginger Alden. O abuso de medicamentos é associado à misteriosa morte. O seu médico, acusado de tratamentos irresponsáveis, chegou a responder em tribunal pela morte do cantor, mas acabou absolvido. Também a 3 de Março, em 1585, foi inaugurado em Vicenza, Itália, o Teatro Olímpico, projectado pelo arquitecto Andrea Palladio. Em 1700, Penafiel é elevada a cidade, por carta régia de D. José I. Já em 1803, neste dia é fundado o Colégio Militar em Portugal, pelo coronel Teixeira Rebelo. No desporto, em 1891, é criada a regra da grande penalidade, no futebol, que viria ser aplicada na temporada seguinte, numa altura em que a modalidade se propagava nos países europeus. Em Bombaim, a 3 de Março de 1939, Mohandas Gandhi dá início a um período de jejum, como protesto contra o governo autocrático da Índia. A acção humanitária dos capacetes azuis das Nações Unidas na Somália termina a 3 de Março de 1995 e dois anos mais tarde inaugura-se a mais alta estrutura do Hemisfério Sul, a Sky Tower (no centro de Auckland, Nova Zelândia), dois anos e meio de construção. O edifício mede 328 metros.
João Corvo
Diariamente Exposição “Voz na Escuridão” de Óscar Balajadia/Papa Osmubal (até 14/03) Creative Macau Entrada livre
h oj e h á f i l m e Fifty Shades of Grey de Sam Taylor Johnson (2015) Anastasia, uma estudante de 21 anos, conhece Christian, o director-geral da empresa Grey. O primeiro encontro entre os dois tem lugar quando a jovem entrevista Christian para um trabalho do jornal da universidade. A paixão surge rapidamente e o casal apaixona-se, até que Anastasia descobre o ‘hobby’ especial do seu namorado. É que Christian gosta de sado-masoquismo – BDSM. O clímax do filme resume-se ao conflito do amor entre o casal e às dores interiores da jovem. ‘Fifty Shades of Grey’ é adaptado a partir do romance erótico de E. L. James, publicado em 2011 e que teve uma grande projecção a nível mundial. Actualmente, esta primeira obra tem continuação e o mesmo deverá acontece com o filme. Os espectadores poderão ver Jamie Dornan no papel do poderoso Mr. Grey e Dakota Johnson na pele de Anastasia. – Flora Fong
fonte da inveja
Hong Kong inaugurou uma nova forma de racismo:
és do meu país mas mais pobre do que eu.
Exposição de Pintura de Zhen Guo (até 3/03) Fundação Rui Cunha Entrada livre Exposição de Sândalo Vermelho (até 22/03) Grande Praça, MGM Entrada livre Exposição de Design de Cartazes “V•X•XV:” (obras de 1999, 2004 e 2009) [até 15/03] Museu da Transferência da Soberania de Macau, 10h00 às 19h00 Entrada livre “Self/Unself” – Exposição de trabalhos de artistas holandeses (até 15/03) Centro de Design de Macau Entrada livre Ilustrações para Calendário de Guan Huinong (até 10/05) Museu de Arte de Macau, das 10h às 19h Entrada livre
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opinião
hoje macau terça-feira 3.3.2015
“Je pense en effet que nous avons tué la troïka, au moins sous sa forme d`equipe de technocrates fondant sur Athènes comme une unité d`élite coloniale venue envoyer ses huissiers afin que ceux- ci imposent des conditions totalement inapplicables à une population captive. Maintenant, la tâche monumental qui se dresse devant nous, c`est de chasser l`esprit de la troika, de faire disparaître sa mentalité et de mettre fin à son emprise en Europe, et pás seulement en Grèce - Yanis Varoufakis.” Charlie Hebdo, 25 février 2015/Nº 1179
Bert I. Gordon, The Cyclops
A odisseia da dívida pública grega (II)
A
s desigualdades económicas e a consequente distribuição injusta de riqueza na Grécia são as culpadas da crise que vive o país e não a “troika” (FMI, Banco Central Europeu, Comissão Europeia) e as suas exigências, como afirmou o ministro da Economia alemão, defendendo que o país helénico deveria continuar a pertencer à “Euro Zona”, devendo respeitar o conteúdo do acordo de resgate firmado em 2010. Os cidadãos europeus não devem ter de suportar os desatinos da má gestão dos anteriores governos gregos, pelo que uma alteração na política grega não significava um estado novo na situação que a Grécia vive e que permita uma revisão do programa de resgate. Os actuais líderes gregos têm-se desdobrado em périplos pelos restantes países da “Zona Euro”, tentando convencer os seus companheiros de rota na integração europeia, à substituição do acordo de resgate, sem criar uma batalha no Velho Continente. O ministro das Finanças grego na reunião com o Presidente do Eurogrupo, a 30 de Janeiro de 2015, afirmou que não reconhecia a “troika” como interlocutora nas negociações, aceitando apenas o diálogo com os demais Estados Membros. O governo grego desde a sua tomada de posse, tem afirmado que não tenciona trabalhar com uma comissão que não tem razão de existir, que não está prevista nos Tratados Constitucionais e que não é apoiada pelo Parlamento Europeu (PE). O partido que constituiu governo na Grécia, defende que foi eleito com base num programa que não admite o actual desenho de resgate e que a dívida grega não pode ser paga na forma como foi imposta e daí a urgente necessidade de encontrar uma solução que sirva o verdadeiro interesse comum europeu. O actual programa de resgate estende-se até ao final de Fevereiro de 2015 e as negociações da dívida grega devem ser discutidas no seio do Eurogrupo, desde que a Grécia cumpra o previamente acordado, porque os graves problemas da economia grega não desapareceram com as eleições. A Comissão Europeia (CE) decidiu, a 2 de Fevereiro 2015, substituir a famigerada “troika” por uma instituição mais democrática e com maior legitimidade face aos
parlamentos europeus. A ideia consta da agenda do presidente da CE e a vitória do Syriza actuou como “raison d’être” e catalisador da sua dissolução. A nova instituição que substituirá a “troika” terá um maior controlo por parte do PE e dos Parlamentos nacionais, não existindo ainda a fórmula da sua substituição, nem o momento temporal para a sua implementação.
O presidente da CE vem abrir as portas à negociação com a Grécia ao afirmar, a 19 de Fevereiro de 2015, que a “troika” sofre de legitimidade democrática e que a Europa decidiu contra a dignidade dos países que pediram resgates. Tais declarações responsabilizam as instituições europeias por todos os danos causados, com as políticas de austeridade impostas nos países intervencionados pela “troika”, e condena irremediavelmente
as ideias cinzentas do anterior presidente da CE e da sua equipa. Se o anterior presidente da CE “confiava cegamente na troika”, o actual presidente da CE afirma que é pouco democrática, falta-lhe legitimidade democrática, devendo ser revista tal questão, quando chegar o momento oportuno, sendo tempo de emendar o erro. A crise de endividamento público que enfrenta Grécia não é a primeira da sua
opinião 15
hoje macau terça-feira 3.3.2015
jorge rodrigues simão
história. A diferença é que no passado o Estado grego endividava-se tendo uma moeda própria, permitindo-lhe emitir moeda para conseguir dois propósitos, o de desvalorizar a sua moeda para favorecer a competitividade das suas exportações, e criar inflação para reduzir o valor real da dívida pública denominada em dracmas, até 2002. A novidade não é o facto, mas o
contexto. A actual crise surpreende a Grécia dentro da “Zona Euro”, onde impera uma moeda comum (o euro), sobre a qual não tem grande influência. Os proeminentes políticos europeus, antes das recentes eleições, tudo fizeram para intimidar aos votantes gregos. O governo alemão passou ao diário “Der Spiegel” a sua suposta convicção de que um triunfo da esquerda radical na Grécia implicaria a sua saída do euro. O presidente da República Checa disse inclusive que Grécia deveria ser expulsa da “Zona Euro”. Qual a razão pela qual a Grécia merecia ser expulsa da “Zona Euro”? Quiçá pela sua irresponsável política de endividamento público, sustentada em flagrantes mentiras sobre as contas nacionais. Os cidadãos gregos em quem deveriam ter votado se quisessem evitar a expulsão? Deveriam ter votado no Partido Socialista Pan-helénico mas, sobretudo, no partido Nova Democracia? Quem são eles? Os partidos que governaram durante os últimos trinta anos a Grécia, ou seja, os culpados, quer do endividamento excessivo, como da manipulação dos dados oficiais. Tais factos, deveriam ser relembrados quando alguns líderes europeus rasgam as vestes, porque as contas do programa do Syriza não encaixam com os seus pensamentos e prática. É uma verdade, mas quando se trata da Grécia, todos oferecem um paraíso habitado por fadas e unicórnios, ao invés de um arco-íris. O FMI, por exemplo, não tem nenhum problema em detectar a manipulação de dados oficiais sobre a inflação na Argentina. É
É de crer que o problema, quer da Alemanha, como o de outros Estados Membros, da CE e do BCE, dada a humilhação sofrida pelo povo grego com as políticas de austeridade, não são tanto o perdão de parte da dívida, mas o uso despreocupado e irresponsável que a Grécia possa fazer com tal solução de crer que não detectasse uma manipulação muito maior no caso da Grécia? Os credores da Grécia, acreditavam que o deficit fiscal em 2009 seria de 3,7 por cento do PIB (segundo a projecção oficial), e não de 15,2 por cento como realmente foi? A “troika” composta pelo FMI, Banco Central Europeu (BCE) e CE, acreditava realmente, em 2010, que as políticas de austeridade aumentariam o desemprego até 15 por cento, ao invés dos actuais 25,8 por cento, e que a economia começaria a crescer em 2012, (cresceu 0,7 por cento no último trimestre de 2014) depois de ter caído 25 por cento? Será sustentável uma dívida de 175 por cento do PIB (como a grega)? Talvez, mas convém recordar que quando começaram as políticas de austeridade na Grécia, era de 148 por cento do PIB. O facto de reduzir o tamanho da economia fez que essas políticas agravassem a situação. A experiência dos Estados Unidos (quer na Administração Clinton, como na Administração Obama) indica que uma política de apoio ao crescimento, numa primeira fase, seria a melhor opção para reduzir a proporção da dívida no futuro. A Meca do capitalismo britânico, como é o diário Financial Times, defende algo antes surrealista, como o facto da Esquerda Radical ter razão sobre a dívida na Europa. Pior cego é o que se recusa a ver. A Grécia tem monopolizado as atenções e as preocupações do mundo quando à EU, dada a enorme dívida contraída e a rápida e calorosa resposta popular acerca da insustentabilidade da mesma que só poderia ser vencida através do perdão de uma fatia razoável do apodrecido bolo. O eventual perdão de parte da dívida grega irá, quiçá, ser colocado de novo em Julho de 2015, após o Eurogrupo ter aprovado a extensão do programa de assistência, na sequência da validação do programa de reformas apresentado pelo novo governo grego.
perspectivas
A extensão do prazo em nada vem resolver o problema grego, porque a situação volta a ser colocada a curto prazo e na forma que se presume agravada. A Grécia quer no presente, como no futuro dificilmente terá possibilidades de cumprir o acordado com a “troika”, pelo que duas soluções parecem restar que são o perdão de parte da dívida ou a saída da “Zona Euro”. O perdão de parte da dívida melhoraria consideravelmente, não apenas a situação da Grécia, mas também o da economia da “Zona Euro”, em geral (ignorando as reclamações previsíveis de outros Estados Membros da “Zona Euro” resgatados e que estão contra o perdão). É indubitável que uma menor dívida melhoraria a confiança do mercado na economia grega, que apesar de estar a crescer de novo muito lentamente e de forma mais rápida que a média dos Estados Membros da “Zona Euro”. É de crer que o problema, quer da Alemanha, como o de outros Estados Membros, da CE e do BCE, dada a humilhação sofrida pelo povo grego com as políticas de austeridade, não são tanto o perdão de parte da dívida, mas o uso despreocupado e irresponsável que a Grécia possa fazer com tal solução. Os termos do empréstimo à Grécia são bastante flexíveis. Se compararmos o Japão e a Grécia, verificamos que o primeiro optou, por refinanciar uma dívida muito maior, porque os pagamentos dos juros do Japão são muito baixos em relação ao tamanho da dívida. A Grécia encontra-se numa situação semelhante quanto ao pagamento de juros. A sustentabilidade da dívida grega está relacionada com o tamanho dos pagamentos para o serviço da dita dívida, acrescida do facto dos credores dessa dívida serem principalmente os Estados Membros da “Zona Euro”, o FMI, o fundo de resgate original e o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF). Os credores permitiram que o vencimento da dívida se estendesse, pelo que em Julho de 2015, se os deuses do Olimpo operarem um milagre, podem de novo proceder a nova extensão, se a Grécia cumprir as suas dificílimas obrigações. Todavia, é de sublinhar, talvez como “terza via” excepcional que a dívida grega tem um vencimento a muito longo prazo e é bastante fácil de ser revertida, desde que cumpra os requisitos condicionais e tem uma baixa carga de juros, que será de cerca de 4 por cento do PIB, em 2015, inferior ao de muitos outros Estados Membros da “Zona Euro” e semelhante a várias outras economias desenvolvidas. A Grécia retornou ao crescimento e, tem um superávit primário, não sendo despiciendo considerar o facto do BCE devolver os pagamentos dos juros à Grécia, enquanto cumprir, com as condições do resgate, pelo que a taxa de 4 por cento é talvez demasiado alta.
hoje macau terça-feira 3.3.2015
cartoon por Stephff
Macau Pai e deputada apelam a licenças de paternidade pagas
U
Salário mínimo Associação teme que ideia do executivo não resulte
De boas intenções está o Governo cheio
O director da Aliança de Povo de Instituição, Chan Tak Seng, disse ontem que a sugestão do Governo para a proposta de lei do salário mínimo pode não resultar. A ideia passa por criar uma comissão de condóminos responsáveis por estabelecer um contrato com as empresas de limpeza e segurança Flora Fong
flora.fong@hojemacau.com.mo
O
director da Aliança de Povo de Instituição, Chan Tak Seng, disse ontem que a nova medida sugerida pelo Governo para a questão da proposta de lei sobre o Salário Mínimo para Funcionários de Limpeza e Segurança pode não resolver os problemas existentes. A ideia do Executivo passa por criar uma comissão independente de condóminos que lidem directamente com as empresas de gestão predial. A sugestão visa minorar o desacordo entre os proprietários e as empresas através da assinatura de um contrato que estabelece preços e outras questões. Actualmente, os condóminos pagam directamente às empresas para os serviços de limpeza e segurança, sendo o valor do trabalho estabelecido pelas mesmas. Para o especialista, esta medida deve ter o apoio consensual da população, o mesmo lembrando que é primeiro necessário resolver problemas de gestão predial. “Os assuntos de gestão predial são complicados, mas faltam regulamentos que esclareçam os direitos e deveres de cada uma das partes”, começou Chan por referir ao Jornal do Cidadão. Além disso, o dirigente sublinhou que o Governo não deve considerar apenas a implementação da legislação no papel, mas sim passar à
sua execução efectiva. “Se as coisas não passarem à prática, o resultado pode ser uma má política com boas intenções”, acrescentou.
três partes envolventes no processo sugerido pelo Governo na semana passada. É que de acordo com o director da Aliança de Povo de Instituição, há o risco de não pagamento das despesas de segurança e limpeza por parte dos proprietários, devido à falta de consenso entre a comissão, os condóminos e as empresas de gestão predial. A falta de pagamentos pode gerar processos em tribunal que demoram tempo a ser resolvidos e nem sempre o dinheiro vai parar às mãos da empresa. Chan considera que o Governo tem vindo a ignorar este problema e a implementação da nova medida pode vir a dificultar os trabalhos da comissão de condóminos.
Consenso precisa-se
Novo modelo, menos preocupações
Hoje em dia, já há condomínios e prédios geridos por uma comissão própria e a nova ideia do Executivo passa por alargar esse conceito de forma obrigatória. Uma das questões levantadas por Chan tem que ver com a eventual falta de consenso entre as
A proposta de lei de Salário Mínimo para os Trabalhadores de Limpeza e de Segurança na área de Administração de Propriedades, discutida pela 3ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL) dita agora que seja criada uma comissão composta por condóminos para tratarem, com as empresas prediais, de todas as questões relativas à contratação de pessoal de limpeza de segurança dos edifícios. Isso mesmo disse o presidente da comissão da AL, Cheang Chi Keong, ao jornal Ou Mun. Actualmente, o processo não passa, na maioria das vezes, por qualquer comissão, sendo os preços estabelecidos pelas empresas prediais, o que leva a aumentos frequentes nas despesas por parte dos proprietários. O novo modelo assenta na responsabilização directa da administração dos prédios no que toca à gestão predial. O mesmo mecanismo deverá ainda determinar que os condóminos paguem apenas um valor a estabelecer, através de contrato, com as empresas privadas de limpeza e segurança. Cheang alertou, no entanto, para a necessidade de consenso da população caso a referida proposta vá mesmo para a frente.
m pai de um recém-nascido e a deputada Wong Kit Cheng exigem que o Governo implemente o mais depressa possível as licenças de paternidade pagas, dando como exemplo o caso de Hong Kong, que implementou, no final do mês passado, esta medida. Em Macau, a lei laboral apenas prevê dois dias para os homens, os quais devem ser tiradas como faltas justificadas no trabalho. O pai de um bebé recém-nascido, o senhor Cheong, falou ao canal chinês da TDM e contou que desejaria passar mais tempo em casa com o seu filho, mas como a lei ainda não o prevê, afirma que é comum os homens tirarem férias. Há ainda outros que nem chegam a pedir os dois dias, porque preferem ganhar o dinheiro. Por isso, Cheong exige que o Governo e as empresas implementem “em breve” a licença de paternidade. “Primeiro o Governo poderia considerar a criação de licença de paternidade durante dois dias, com vencimento. Um ano depois, poderia alargar os dias”, apontou. A deputada Wong Kit Cheng, que há muito se bate por esta alteração à lei laboral, sugeriu que o Governo implemente cinco dias de licença de paternidade com vencimento, esperando que exista compreensão entre patrões e empregados. “Espero que os patrões compreendam que cinco dias de licença de paternidade representa um tratamento muito amigável para os trabalhadores, e isso traz vantagens para as duas partes”, apontou.
Hong Kong Deputados entregam-se à polícia por envolvimento em protestos
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ois deputados pró-democratas de Hong Kong entregaram-se ontem à polícia devido ao seu envolvimento nos protestos do ano passado por eleições livres, uma acção de desobediência civil que está a ser investigada pela polícia. As autoridades prometeram investigar “os principais instigadores” do protesto que bloqueou a cidade por mais de dois meses e terminou em Dezembro. Vários líderes dos protestos foram detidos e libertados sem acusação, um procedimento controverso que tem sido apelidado de perseguição. Albert Ho e Helena Wong, ambos do Partido Democrático, entregaram-se na sede da polícia em Wan Chai ontem de manhã, depois de terem sido convocados a comparecer no local. Os dois empunhavam um pequeno guarda-chuva amarelo de papel - o símbolo do movimento democrático - enquanto os seus apoiantes gritavam “Queremos sufrágio universal”. “Nós, pessoas de Hong Kong que têm tentado lutar por uma democracia genuína, não somos os que erraram, mas sim os ridículos governos de Hong Kong e da China que estão a impedir as nomeações democráticas”, disse Wong antes de entrar no edifício.