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hojemacau Governo paga mestrado em mandarim
CONTRA-SENSO Uns pedem o bilinguismo, mas José Chu aposta apenas no chinês. E não o de Macau mas o do continente. Mestrado em Administração Pública, só mesmo em mandarim. PÁGINA 7
JOGO
Funcionários contra repressão e políticas governamentais MANIFESTAÇÃO PÁGINA
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COMO A PRISÃO PODE AJUDAR NA REINSERÇÃO SOCIAL, EXPLICA STEPHEN NG ENTREVISTA PÁGINAS
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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
CHINA PUXA ORELHAS AOS EUA
RELATÓRIO DIREITOS HUMANOS PÁGINAS
S E G U N DA - F E I R A 3 D E M A R Ç O D E 2 0 1 4 • A N O X I I I • N º 3 0 4 1 PUB
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
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ENTREVISTA
hoje macau segunda-feira 3.3.2014
STEPHEN NG E O PROGRAMA DE REINTEGRAÇÃO SOCIAL PARA RECLUSOS
Ao Man Long “é tratado como os outros” No Estabelecimento Prisional de Macau o dia começa às oito da manhã com a primeira refeição e termina às dez da noite, hora em que as luzes se apagam. Mas existem prisioneiros que preferem ocupar os seus dias a trabalhar em oficinas ou a tirar cursos superiores. Stephen Ng, coordenador do departamento de reintegração social, não revela quais as actividades em que Ao Man Long participa, mas diz que cumpre as mesmas regras de reclusão andreia.silva@hojemacau.com.mo
JOSÉ C. MENDES info@hojemacau.com.mo
tionário e de interesses, a selecção é feita em colaboração com outros serviços públicos e associações cívicas e privadas, como o Instituto de Formação Turística, entre outros. Temos cursos de empregado de mesa, cabeleireiro e empregada, com certificado. Organizamos ainda cursos de pastelaria.
HOJE MACAU
ANDREIA SOFIA SILVA
Quantos presos estão a frequentar cursos e participam actualmente nas iniciativas de reintegração social do EPM? Os planos e cursos de apoio à reinserção social dos reclusos, não se baseiam apenas em números. É um trabalho complexo que envolve muitas vertentes, no entanto posso facultar-lhe os dados relativos a 2013 [ver caixa]. Mas notam que tem havido um aumento de presos interessados nesse tipo de actividades e que há espaço para a abertura de novos cursos? O trabalho de reinserção divide-se em cinco áreas: a formação educativa, a formação profissional, e depois temos cursos de interesse, como línguas ou hobbies. Temos ainda actividades que beneficiam a reinserção social, e ainda apoios aos reclusos nessa reinserção. Quanto à formação educativa, colaboramos com a DSEJ. Temos cursos do ensino primário e secundário recorrentes, cursos oficiais. O critério das disciplinas e matérias é igual à formação normal lá fora. Os reclusos que frequentam estes cursos, se atingirem o número de presenças exigido e com aproveitamento conseguem um certificado da DSEJ. Há reclusos que frequentam cursos superiores, o EPM dá apoio, os professores vêm de fora para dar aula aos reclusos. E nestes cursos o papel do EPM é apenas de apoio. A maioria dos reclusos apresenta um baixo nível de educação? De uma forma geral, o nível de educação dos reclusos é baixo. Mas há alguns que têm um curso superior ou o ensino secundário. Mas na realidade o nível de ensino é baixo, muitos só têm o ensino primário ou nem sequer o concluíram. Existe ainda uma pequena minoria de reclusos que são analfabetos. Quanto à formação profissional, temos 16 formações através de oficinas, de electricidade, tipografia, alfaiataria, etc.. São
É fácil para os reclusos encontrarem trabalho lá fora? Os cursos com diploma servem para os presos adquirirem maiores habilitações. São iguais aos de outras pessoas que tiram o curso e vão procurar um emprego. Têm de ir a uma entrevista, e mostrar empenho e sentido de responsabilidade. Para além disto, organizamos também cursos de teatro, de desenho, de música. A situação económica de Macau é boa e há muitas vagas. Como a taxa de desemprego é muito baixa, tanto um antigo recluso como outra pessoa conseguem encontrar emprego, desde que tenham vontade de trabalhar. Não é difícil. E conto uma experiência que aconteceu comigo: há dias falei com um dono de um restaurante, que me disse que havia falta de mão-de-obra. E disse para falar com a DSAJ para recrutar ex-reclusos, e o dono aceitou essa proposta. Disse que desde que trabalhasse que era uma boa ideia.
Em relação ao recluso mencionado [Ao Man Long], tudo depende da sua vontade. É igual, se ele se inscreveu e tem vontade de participar, é tratado como os outros. É um caso particular e não queria dar atenção apenas a um, mas a todos os reclusos trabalhos não obrigatórios, que se os reclusos quiserem frequentá-los inscrevem-se e são depois colocados. Estes trabalhos têm uma pequena remuneração. Essa remuneração é importante para os reclusos terem uma independência financeira no exterior, quando terminam a pena? Esta remuneração favorece sempre os reclusos, que vêm de territórios diferentes e que muitos são pobres.
Este salário, para além de pagar as despesas judiciais, serve também para ajudar a família. Quais são as origens dos reclusos da EPM? Temos reclusos de cerca de 30 países, até de países africanos. A maior parte é da China continental e a seguir são locais. Existem protocolos ou acordos com empresas para a reintegra-
ção dos reclusos no mercado de trabalho? Temos vários acordos. Mas voltando à formação profissional, a selecção dos reclusos é realizada por verificação em relação ao seu comportamento, por motivos de segurança. Depois é feito um relatório pelo técnico social, e existe ainda um parecer do médico. A sua colocação depende das vagas na oficina escolhida, se não houver vagas vai ter de esperar. Nos cursos de ques-
Os casinos também estão envolvidos neste programa de reinserção? Até agora não tem havido a participação dos casinos neste plano de reintegração social. Mas é a DSAJ que estabelece esses contactos. Não sei se a direcção vai entrar em contacto com os casinos. Só fazemos a formação, mas a parte de reintegração social, o contacto com empresas de fora, é feito por eles, e não sei se, actualmente, estão a contactar os casinos. Mas antes nunca houve nenhum acordo. Recentemente os deputados falaram na Assembleia Legislativa (AL) da necessidade dos casinos terem uma maior responsabilidade social. Considera que nesta área os casinos podiam ser mais activos e contratar reclusos? Na posição do EPM, sem dúvida que queríamos que a sociedade e
entrevista 3
hoje macau segunda-feira 3.3.2014
as empresas tivessem maior receptividade e aceitação aos reclusos. Há mecanismos de apoio psicológico para apoiar os reclusos no regresso à sociedade? Para além dos cursos que já mencionei, o EPM tem várias actividades para os reclusos, como exposições anuais de artesanato, existindo ainda a festa do Ano Novo chinês, entre outras. Temos também um plano de trabalho voluntário em lares de idosos e bibliotecas. A partir do momento da entrada de um recluso, este é acompanhado por um técnico social durante toda a sua vida na prisão. Um técnico está a acompanhar cerca de 90 a 100 casos e têm muito trabalho, porque as suas funções envolvem uma série de questões.
As actividades ajudam à formação do recluso, mas é também importante a construção da auto-confiança. Os técnicos sociais que acompanham os presos podem ajudar Quantos técnicos têm neste momento? Temos 15 técnicos sociais. O número é relativamente insuficiente. Mas no EPM também enfrentamos, como nas empresas, o problema da dificuldade de recrutamento. Já iniciámos um concurso público, mas não sabemos ainda os resultados. Como funciona formação em relação às mulheres? O tratamento dos reclusos é igual. Mas em relação aos cursos há uma pequena diferença, porque temos cursos de maquilhagem, por exemplo. Segundo as disposições legais, as mulheres têm direito a ficar com os seus filhos, inferiores a três anos. Nestes casos, o EPM tem de oferecer condições especiais, tal como celas individuais, ou cuidados de saúde para as crianças. Têm uma creche, educadoras, esse tipo de apoios para as mulheres reclusas com filhos? Temos três crianças na ala feminina, com poucos meses ou um ano. São bebés recém-nascidos. A criança fica com a mãe na prisão ou pode ser enviada para os familiares, mas isso depende da vontade da própria mãe. Se a reclusa não quiser ficar com o filho e se não tiver familiares em Macau, o filho será enviado para o IAS. É o EPM que paga a colocação da criança nessa escola? Isso é da responsabilidade do Instituto de Acção Social (IAS).
Como é que é um dia típico de um prisioneiro, em relação às actividades ocupacionais que são fornecidas? Os reclusos têm um horário fixo. Tudo depende da vontade própria do recluso em relação a essas actividades e formações. Tivemos a festa do Ano Novo chinês, e todo o programa teve a participação dos reclusos. Nessa festa tivemos muita actividade como teatro, música e outras apresentações. E tudo isto está ligado aos cursos, onde se praticam essas actividades. O apoio para a reinserção é um assunto abrangente que envolve muitas áreas, e o que acabei de dizer não é tudo, são apenas alguns elementos para corrigir o pensamento negativo dos reclusos. Os técnicos sociais e psicólogos também podem dar uma ajuda à progressão do pensamento positivo dos reclusos.
NÚMERO DE RECLUSOS NO EPM ATÉ 31 DE JANEIRO DE 2014 SEXO
CONDENADOS PREVENTIVOS TOTAL
Masculino
747
213
960
Feminino
145
50
195
Total
892
263
1.155
PARTICIPAÇÃO DOS RECLUSOS NAS ACTIVIDADES/PLANOS DE REINSERÇÃO SOCIAL Nº de EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO
participantes em absoluto
Ensino primário recorrente
137
Ensino secundário geral recorrente
87
Faculdade e ensino superior
8
Ensino escolar do ano lectivo 2012/2013
Cursos de formação técnico-profissional em 2013
274
Cursos profissionais certificados em 2013
122
Seminários e workshops em 2013
879
Actividades recreativo-culturais e hobbies em 2013
386
M
ENG (nome fictício) está no EPM desde 2009 a cumprir uma pena de cinco anos por tráfico de droga. Apesar de no ano passado ter reprovado na primeira audiência para sair em liberdade condicional, mostra-se agora pleno de confiança para enfrentar a segunda tentativa para voltar ao mundo exterior, depois de ter frequentado um curso educativo e várias actividades ocupacionais. Tem audiência marcada esta semana e quer reduzir o tempo da pena que só termina em Março de 2015. O inicio, apesar de “difícil” depressa se transformou numa fase de aprendizagem. “Ao fim de cerca de três meses passei a frequentar as aulas de um curso educativo. Participei também num seminário e nalgumas actividades de limpeza, para além de ter frequentado vários workshops”, diz ao HM.
Um dos reclusos é o ex-secretário Ao Man Long. Como é que ele ocupa o tempo? O tratamento dos reclusos é igual para todos. E a opção de participação nos cursos e formações depende da vontade dos próprios. Em relação ao recluso mencionado, tudo depende da sua vontade. É igual, se ele se inscreveu e tem vontade de participar, é tratado como os outros. É um caso particular e não queria dar atenção apenas a um, mas a todos os reclusos. Contudo, trata-se de um recluso envolvido num caso polémico na sociedade e que esteve ligado ao Governo. Depois de entrar na prisão o tratamento é igual, independentemente do seu estatuto. O horário normal
MENG, PRESO POR TRÁFICO DE DROGA
“Tenho 100% de confiança em mim próprio” Com “alguns planos” na manga e com o pensamento virado para o futuro, Meng faz comentários positivos ao programa que lhe permitiu ter uma formação. “Tenho tentado através destes cursos adquirir competências profissionais que me possam vir a ajudar a arranjar um emprego quando sair. Depois da entrevista do ano passado fui contactado para trabalhar numa padaria. Este plano de actividades é positivo porque não é um
plano isolado, existem contactos com empresas podem ser um bom apoio para os reclusos quando saem para o exterior.” Meng revela-se confiante perante a possibilidade de ganhar a liberdade condicional. “Tenho 100% de confiança em mim próprio! Mas nunca sabemos como as coisas vão correr... a única coisa que posso fazer é preparar-me da melhor maneira. Quero continuar a estudar em horário pós-laboral.”
de um recluso é a partir das 8h, quando se levanta. Às 9h é a hora do pequeno-almoço, onde há café com chá, leite, pão e manteiga. A hora de almoço é ao 12h30, e a hora de jantar é por volta das 18h30. Perto das 20h, os reclusos têm de ficar nas suas celas, e às 22h as luzes apagam-se. Para os reclusos que têm uma actividade laboral, esta acontece das 9 às 12h e recomeçam das 14 às 17h. Em relação aos cursos também se começa às 9h. Acha que o sistema de reintegração social dos reclusos está a funcionar bem? Estas actividades são organizadas conforme as necessidades da sociedade. Antes tínhamos uma oficina de sapataria, mas como esta área está a decair, achámos melhor fechar a oficina e passar para outras áreas, como a padaria ou a pastelaria. Respondemos sempre a uma necessidade concreta da sociedade para essa formação. Quanto ao plano de apoio de emprego dos ex-reclusos, espero que haja maior participação de empresas de fora. Isto poderia ajudar a diminuir estas dificuldades dos reclusos que não têm emprego. E seria também uma contribuição destas empresas para a sociedade. As actividades ajudam à formação do recluso, mas é também importante a construção da auto-confiança. Os técnicos sociais que acompanham os presos podem ajudar. Mas depois da libertação, em relação à receptividade das pessoas, é algo mútuo. Se os reclusos não se esforçarem no trabalho, não podemos fazer nada. Mas esperamos sempre um maior apoio por parte da sociedade.
POLÍTICA
Repressão aos croupiers e desconfiança das políticas do Governo são só algumas das queixas dos funcionários do jogo
hoje macau segunda-feira 3.3.2014
JOGO MILHARES SAEM À RUA CONTRA GOVERNO E OPERADORAS
“Empresas de jogo estão a unir-se para nos suprimir” HOJE MACAU
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CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
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RÊS mil funcionários da indústria do jogo saíram ontem à rua. Os números são do presidente da Forefront of the Macao Gaming, Ieong Man Teng. O grupo - que se manifestou até ao palácio do Governo - está contra o aumento das mesas de jogo e a importação de não residentes para ocuparem os lugares de croupiers. A reivindicação passa por limitar o número das mesas de jogo e os funcionários garantem que isso não acontecer podem vir a tomar outras acções. “Queremos que o Governo dê uma resposta concreta sobre a limitação do aumento do número de mesas de jogo, se não, não descartamos a hipótese de realizamos mais acções, incluindo greves ao trabalho”, disse Ieong Man Teng. O presidente da associação considera que, embora o secretário Francis Tam tenha garantido que o aumento das mesas de jogo é limitado em 3%, o Governo não consegue sempre manter a sua promessa. Os croupiers não acreditam que, no futuro, o Governo não venha a mudar a política da importação de croupiers. “Previmos que, em 2017 e 2018, quando terminarem todas obras dos projectos no Cotai, o número de mesas de jogo venha a crescer entre 87% a 90%, de 5700 mesas para 11 mil. Então, o número dos croupiers vai chegar aos mais de vinte mil pessoas e é impossível
diz mesmo que já há funcionários que se despediram por “não aguentarem a pressão” no trabalho. Ieong considera, devido a isto, que mesmo faltando três a quatro anos para o “pesadelo” dos croupiers locais chegar, as empresas de jogo já começaram a fazer repressão aos funcionários, a fim de os despedir. Mas há mais. Segundo a Forefront, há muitas pessoas novas que querem ser croupiers, mas as empresas de jogo não as recrutam.
NOVOS REQUISITOS
Também uma porta-voz dos funcionários do jogo, Cloee Chao, confirmou que, recentemente, quase todos os casinos têm novos requisitos para os croupiers e supervisores. “No início, pensei que os requisitos seriam para o fim de servir melhor os clientes, o que é correspondente ao nosso salário. Mas depois reparei que todos os casinos fizeram regras muito estri-
FUNÇÃO PÚBLICA COMISSÃO DE REMUNERAÇÕES PROPÕE AUMENTO DE 5,71%
“Em breve” no Executivo vigor em Maio, mas cabe apenas ao Executivo decidir primeiro se aceita a proposta – que aumenta em 4 patacas o índice de 70 para cada salário – e, depois, se aprova os retroactivos a Janeiro. Esta, recorde-se, foi um dos assuntos mais polémicos em 2013, quando o Governo decidiu não dar retroactivos ao primeiro mês do ano.
O aumento, diz a Comissão, teve em conta as tendências remuneratórias no sector privado, a situação financeira do Governo, as opiniões da sociedade e dos trabalhadores da função pública e a inflação anual. “É um aumento de 5,71%, aproximado à inflação anual de 5,5% registada no ano 2013.”
O novo grupo, nomeado em Dezembro passado, é constituído por Hao Yufan, director da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Macau, que substituiu José Chu, director dos Serviços de Administração e Função Pública, como presidente da comissão. José Chu mantém-se como membro, mas José Pereira
HOJE MACAU
U
M aumento de 5,71% é quanto a nova Comissão de Avaliação das Remunerações dos Trabalhadores da Função Pública vai propor ao Governo para a actualização dos salários dos funcionários públicos. O anúncio foi feito na semana passada e refere-se à actualização salarial para este ano. A proposta, diz a comissão, vai ser apresentada “o mais breve possível”. À semelhança do que aconteceu o ano passado, a Comissão quer que as actualizações entrem em
que os residentes locais consigam ocupar todos os cargos.” Depois de entregue a carta na sede do Governo, Ieong Man Teng disse aos jornalistas que, actualmente, há também casinos que estão a fazer requisitos mais rigorosos para regular a função de croupier fazendo com que os croupiers estejam sobre normas mais duras. Caso não preencham os requisitos recebem “cartas de aviso” e o presidente da associação
“Isso é muito estranho, parece que os casinos querem fingir o fenómeno de não conseguirem recrutar croupiers suficientes para convencer o Governo a mudar a política para importar TNR.”
tas, como por exemplo, obrigar os croupiers a mostrar a mão antes de todas as acções na mesa de jogo, para provar não terem fichas na mão. Se, por uma vez que seja, o croupiers não faz isto recebe uma carta de aviso. Isto não é normal, sentimos que as empresas de jogo estão a unir-se para nos suprimir.” Mais ainda, diz Chou, estas regras não são escritas claramente em forma de regime, mas são apenas um aviso oral dos dirigentes em reuniões. “Não há frases claras para nos dizer o que precisamos de fazer. Além disso, os supervisores agora têm mais poder para avaliar os croupiers, por exemplo, se um couprier está na lista negra, qualquer pequeno erro pode causar a sua demissão.” Cloee Chao, que é ela própria uma supervisora de sala, diz que os croupiers começaram a receber ordens para assinar uma declaração de cumprimento das novas regras. Mas nós apenas podemos garantir nesse documento que vamos seguir todos os requisitos que a empresa quer, sem saber quais são. Assim, já temos pessoas que se despediram logo depois de assinarem a declaração, porque se sentem ridicularizados e querem sair do emprego.” Além de terem de mostrar a mão, por vezes, caso não cumprimentem os clientes, os croupiers também podem receber cartas de aviso. “Quando estamos concentrados no trabalho, se calhar não vemos o cliente a entrar. A regra é boa no que toca a prestar um serviço de qualidade, mas uma falha destas já merecer uma carta de aviso é um pouco demais.” Cloee trabalha na área há cerca de dez anos.
Coutinho, presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau, por exemplo, foi um dos que saiu do grupo. Hao Yufan assegura que o funcionamento da comissão é bom e garanrte que o grupo não se limitará ao estudo anual da actualização das remunerações dos trabalhadores da função pública. “No futuro, ainda vamos estudar o aperfeiçoamento do mecanismo de actualização das remunerações dos trabalhadores da função pública existente.” - J.F.
SOCIEDADE
hoje macau segunda-feira 3.3.2014
Já foram feitos contactos com a Fundação Macau para que mais alunos possam participar nos programas de mobilidade com universidades ligadas à Associação de Universidades de Língua Portuguesa, confirmou o seu presidente, Jorge Ferrão
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ENSINO SUPERIOR UNIVERSIDADES LUSÓFONAS QUEREM LIGAR-SE MAIS A MACAU
Estudantes de cá para lá
ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
A
Associação de Universidades de Língua Portuguesa (AULP) esteve em Macau para a realização do balanço do ano anterior, mas do encontro surgiram as ideias mestras para um futuro programa de mobilidade. Pretende-se que alunos e docentes do território e da China façam parte dos seus estudos nas universidades associadas da AULP, sendo que os alunos de países africanos, de Portugal e do Brasil, possam também vir para Macau. “A nossa associação está empenhada nos programas de mobilidade entre estudantes e docentes, e gostaríamos que Macau pudesse fazer parte destes programas. O Brasil é hoje um dos nossos principais apoiantes no projecto, que já é feito entre o Brasil e países africanos de língua portuguesa, e com Portugal. Mas queríamos dar corpo a que esse programa tivesse lugar em Macau”, disse Jorge Ferrão, presidente da AULP. Tendo feito uma visita ao novo campus da Universidade de Macau (UMAC), os quais, na óptica de Jorge Ferrão, traz “novos desafios”, concluiu-se que esta é a fase ideal para avançar nas cooperações académicas. “Veríamos com bons olhos a chegada dos alunos de Macau e da China nos nossos países, por duas razões: a China é o maior parceiro comercial de muitos dos nossos países. É o maior parceiro comercial de Moçambique, de Angola, do Brasil, e esta cooperação não se pode resumir à área económica e comercial, ela precisa de ir para uma área técnica, cientifica e cultural.” Pretende-se que a mobilidade não abranja só a UMAC mas também o Instituto Politécnico de Macau (IPM), Instituto de Forma-
ção Turística (IFT) e Universidade de São José (USJ), que pertencem à AULP.
FUNDAÇÃO PODERÁ FINANCIAR
Não existe um calendário para implementar este novo programa de mobilidade, sendo que o projecto já desenvolvido no Brasil será tido como exemplo. Mesmo ao nível do financiamento: se lá a estadia e viagens dos participantes é financiada por agências estatais, em Macau deverá ser a Fundação Macau (FM) a financiar a ida de alunos locais para fora. Cheong U, secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, também esteve
presente nas reuniões. “Visitámos hoje [sexta-feira] a FM para ver como é que podemos expandir esse modelo para Macau”, disse Rui Martins, vice-reitor da UMAC. Jorge Ferrão garante que Macau poderá receber “20 ou 30 alunos”, mas pelo contrário as instituições de língua portuguesa só poderão receber, no máximo, entre cinco a dez alunos. “O mais importante é
colocarmos esta semente de cooperação, e permitir que os jovens, que amanhã serão os novos líderes, precisam de ter um conhecimento do que acontece fora da China”, disse Jorge Ferrão. Contudo, se é fácil trazer alunos para as universidades locais, não é fácil levar os estudantes de Macau para fora. “A atracção de alunos de países africanos para Macau é forte, temos sempre cerca de 70
Veríamos com bons olhos a chegada dos alunos de Macau e da China nos nossos países JORGE FERRÃO Presidente da Associação de Universidades de Língua Portuguesa
alunos na UMAC. A ida de alunos de Macau para fora não é fácil, os alunos são muito acomodados ao território, e apesar de existirem muitos programas de mobilidade, não gostam porque há uma grande pressão para entrar depressa no mercado de trabalho. Os alunos sabem que, se forem para fora, vão atrasar a licenciatura”, explicou Rui Martins. Para além da reunião ligada ao conselho de administração, ocorrida no final da semana passada, a assembleia-geral da AULP deverá acontecer também em Macau de 10 a 12 de Julho. O turismo será o tema do encontro.
6 sociedade
hoje macau segunda-feira 3.3.2014
CEM GOVERNO QUER APURAR RESPONSABILIDADES SOBRE CABOS DANIFICADOS E LANÇA ALERTA
Análise em laboratório independente O Governo está a seguir com apreensão o desenvolvimento da investigação a estes dois incidentes, que se sucederam num curto espaço de tempo
JOANA FREITAS
joana.freitas@hojemacau.com.mo
O
Gabinete para o Desenvolvimento do Sector Energético (GDSE) lançou um alerta à Companhia de Electricidade de Macau (CEM), devido às recentes flutuações de energia eléctrica sentidas em Macau. O departamento diz-se “apreensivo” com os incidentes – dois no espaço de um mês – e assegura querer apurar responsabilidades. “O Governo está a seguir com apreensão o desenvolvimento da investigação a estes dois incidentes, que se sucederam num curto espaço de tempo”, começa por dizer o GDSE. “As causas que originaram as duas deteriorações sucessivas do cabo são ainda desconhecidas. Uma vez que não foram encontrados sinais evidentes de como os danos foram provocados, e, como o cabo
GABINETE PARA O DESENVOLVIMENTO DO SECTOR ENERGÉTICO
se encontra em uso há menos de dois anos, trata-se de uma situação considerada bastante rara.” As flutuações de tensão – que são variações na emissão da energia – aconteceram apenas por 0,1 segundos, mas provocaram tremores de electricidade em todas as zonas de Macau. Os problemas deveram-se a danos em cabos de electricidade, mas o facto de não estarem a ser realizadas obras de construção ou escavação no local onde está o cabo danificado – no
Pac On - vai ser precisa a ajuda de uma entidade internacional independente. “Não são visíveis outros sinais que expliquem como os danos foram provocados [e], com o fim de analisar detalhadamente as causas que provocaram os estragos no cabo, os segmentos danificados foram removidos e enviados para um laboratório internacional independente, para serem submetidos a testes e se poderem conhecer as razões que estiveram na origem do problema. Espera-se assim poder melhorar todo o sistema eléctrico, apurar responsabilidades e, evitar, tanto quanto possível, a ocorrência de situações semelhantes, garantin-
SIN FONG GARDEN MORADORES PEDEM AJUDA DE PEQUIM. EXECUTIVO DIZ QUE TÊM DE CHEGAR A CONSENSO SOZINHOS
“Governo não pode interferir” O S moradores do Sin Fong Garden têm de alcançar um consenso face ao problema do edifício que, em Outubro de 2012, teve de ser evacuado por estar em risco de ruína. O Governo, que tem vindo a ser acusado de estar a ignorar o problema, lançou na sexta-feira um comunicado onde diz que a decisão tem de partir dos condóminos e só depois o Executivo pode intervir. Em causa está escolher se o prédio na Rua do Patane vai ser reparado ou reconstruído. “O que é mais urgente, neste momento, é que os condóminos alcancem um consenso, ou seja, uma decisão de reparação ou de reconstrução do edifício”, pode ler-se num comunicado do Governo. “A decisão de reparação ou de reconstrução do edifício tem de ser tomada pelos condóminos e, relativamente à questão de reconstrução, tem que se ter um consentimento unânime de todos os proprietários do edifício e, nesta questão, o Governo não pode, nem tem o direito de se substituir na tomada de decisão.” Na semana passada, moradores do Sin Fong Garden entregaram cartas ao Chefe do Executivo, mas também ao Gabinete de Ligação do
do a segurança do fornecimento de electricidade.”
EXCLUÍDA SOBRECARGA
Apesar de os incidentes não terem ditado um corte geral da energia, o GDSE admite que alguns equipamentos mais sensíveis de clientes da CEM foram afectados. De acordo com o gabinete, imediatamente antes de se dar a avaria, os dois grupos de cabos estavam a funcionar apenas a 4% da sua capacidade de transmissão total. “Assim sendo, na altura, a carga dos cabos era bastante leve, podendo-se excluir a hipótese de sobrecarga.” Logo após o inciden-
te, a CEM confirmou que a falha não punha em risco o fornecimento de electricidade e enviou uma equipa de manutenção para detectar a localização da avaria, que foi encontrada na Estrada da Ponte Cais do Pac On, perto da Ponte da Amizade. Uma hora depois de um teste ter sido feito a um cabo reparado, aconteceu novamente a flutuação da tensão eléctrica. Os cabos onde foi detectada a dupla avaria estão em funcionamento desde Junho de 2012 e ligam a subestação do Canal dos com a subestação Flor de Lótus, no Cotai, fazendo a ligação com as duas interligações de transmissão de energia eléctrica de Gongbei e Hengqin. A ideia é garantir o fornecimento de electricidade de Norte a Sul, caso falhe um dos cabos instalados num desses locais. Isto porque Macau, recorde-se, tem de importar energia eléctrica do interior da China por não haver mais centrais eléctricas para produção local.
Trocas entre China e PLP sobem mais de 20%
As trocas comerciais entre a China e os países de língua portuguesa subiram 23,11% em Janeiro, face ao mesmo mês de 2013 para 11.394,7 milhões de dólares, indicam dados da alfândega chinesa. Em Janeiro, a China vendeu à lusofonia produtos no valor de 4.546,7 milhões de dólares, mais 31,62% do que em Janeiro do ano passado, e comprou produtos no valor de 6.848 milhões de dólares, uma variação de 18,04%. As trocas comerciais com o Brasil foram calculadas em 7.266,7 milhões de dólares, uma subida de 31,77% face a Janeiro do ano passado, com as compras de Pequim a valerem 3.577 milhões de dólares, mais 31,64%, e as vendas da China 3.689,6 milhões de dólares, mais 31,9%. Com Angola, o segundo parceiro lusófono da China, as trocas comerciais em Janeiro totalizaram 3.561,6 milhões de dólares, mais 7,58% do que no mesmo mês do ano passado, com as exportações chinesas a valerem 442,4 milhões de dólares, mais 17,96%, e as importações 3.119 milhões de dólares, mais 6,25% em termos homólogos. Com Portugal, as trocas comerciais aumentaram 30,97%.
Exportações descem, mas houve mais importações
Governo Central na RAEM. Os moradores não só querem o apoio de Pequim para resolver o problema, como levantam a suspeita de que a construção do prédio possa estar envolvida em ilegalidades. Por isso mesmo, pediram também ao Comissariado contra a Corrupção que investigue o caso. Em comunicado, o Governo frisa apenas que está nas mãos dos moradores decidir o que fazer com o edifício que, recorde-se,
começou a apresentar fissuras nos pilares de sustentação. Ainda não há responsáveis pelo acontecimento, apesar de terem sido feitos diversos relatórios, mas o Executivo garante que “prestará apoio em qualquer que seja qualquer a decisão tomada pelos condóminos”. De acordo com o comunicado, está ainda a ser feita uma segunda inspecção ao edifício, da qual vai resultar mais um relatório, “a ser entregue brevemente”. - J.F.
A balança comercial registou em Janeiro um défice equivalente a 714,2 milhões de patacas, depois da queda de 1% nas exportações e um aumento de 25% nas importações, revelam dados oficiais publicados na sexta-feira. Os mesmos dados indicam que, das exportações de 996 milhões de patacas, 168 milhões de patacas reflectem a exportação doméstica, que caiu 7%, e 828 milhões de patacas a reexportação, que manteve o mesmo nível do mês homólogo de 2013. Já as importações, no valor de 8.820 milhões de patacas subiram 25% num mês em que se assinalou o Ano Novo Lunar. No campo das exportações, Macau vendeu produtos no valor de 130 milhões de patacas para a China continental e 35 milhões de patacas para a União Europeia, mercados de destino que registaram aumentos homólogos de 6% e 5%, respectivamente. Já para Hong Kong seguiram produtos no valor de 629 milhões de euros e para os Estados Unidos de 35 milhões de patacas, valores que traduzem quebras homólogas de 5% e 18%, respectivamente. Ainda no campo das exportações, Macau vendeu produtos não têxteis no valor de 908 milhões de patacas e registou apenas vendas de 30 milhões de patacas em produtos têxteis.
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FORMAÇÃO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DESTINA-SE A FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS
SAFP pagam mestrado só em mandarim Cerca de 100 trabalhadores da Função Pública já se inscreveram no curso de mestrado em Administração Pública, que será ministrado por docentes do continente. Por essa razão, é apenas em mandarim, e não bilingue
de Administração (INA) da RPC em colaboração com o Instituto Politécnico de Macau (IPM) e é ministrado em língua chinesa (uma vez que) os professores do INA só dominam a língua chinesa.” A entidade dirigida por José Chu confirma ainda que “financiará os trabalhadores admitidos”, e tudo em prol de uma maior formação profissional. “Uma das competências dos SAFP inclui a de desenvolver e coordenar sistemas de formação para os trabalhadores dos serviços públicos da RAEM, promovendo uma cultura permanente dos trabalhadores”. O facto do mestrado não conter uma única disciplina em português, nem ser disponibilizado nenhum
meio de tradução, retira a possibilidade dos funcionários públicos portugueses, ou mesmo os que não dominam o mandarim, de se inscreverem. O HM sabe que um funcionário público português, que trabalha na área jurídica, pretendia inscrever-se, mas que se viu obrigado a não o fazer, por ter sido informado de que o curso seria apenas ministrado numa língua que não domina.
CURSO ABERTO À POPULAÇÃO
Cerca de 100 trabalhadores já se inscreveram no curso através do Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES), sendo que estes necessitam de prestar a prova nacional de admissão, escrita e através de uma entrevista. O IPM disponibiliza apenas
Uma das competências dos SAFP inclui a de desenvolver e coordenar sistemas de formação para os trabalhadores dos serviços públicos da RAEM, promovendo uma cultura permanente dos trabalhadores JOSÉ CHU Director dos Serviços de Administração e Função Pública
o auditório para a realização das aulas. Segundo uma resposta escrita da entidade académica, no inicio o curso de mestrado chegou a ser apenas para “directores dos serviços, chefes de departamentos e técnicos superiores. Mas agora o curso está aberto para todos os funcionários públicos e para a comunidade de Macau”. Neste momento 180 alunos frequentam o mestrado com duração de dois
anos, e que inclui a apresentação de uma tese. Os SAFP estão também a promover as inscrições numa licenciatura na mesma área e apenas em língua portuguesa, a começar no próximo ano lectivo de 2014/2015. Segundo uma nota informativa à qual o HM teve acesso, o curso será ministrado também pelo IPM em regime pós-laboral, sendo que as inscrições arrancam já no dia 4 de Março.
PRONTA ESCOLA LUSO-CHINESA EM COLOANE
ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
Está inaugurada a nova Escola Luso-Chinesa de Coloane. As novas instalações da instituição, criada há mais de 30 anos, foram concluídas e têm agora mais espaço para receber alunos. O campo de basquetebol ao ar livre será aberto, gratuitamente, aos cidadãos todos os sábados e domingos.
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S Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) dão financiamento a cursos de mestrado destinados a funcionários públicos que não ocupam apenas cargos de direcção. Contudo, ao invés de ser administrado nas duas línguas oficiais em vigor, é apenas utilizado o mandarim, com o português a ficar de fora. A informação foi confirmada ao HM pelos próprios SAFP. “O curso de mestrado profissional em administração pública é organizado pelo Instituto Nacional
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presidente da Comissão Executiva da Teledifusão de Macau (TDM), Manuel Pires, garantiu que a liberdade de imprensa “é um direito fundamental” da cidade e, por isso, os profissionais da empresa apenas terão de o utilizar. Na sexta-feira, Manuel Pires assegurou aos jornalistas que não iria haver problemas de censura, como tem sido relatado por alguns jornalistas chineses recentemente. “É um direito consagrado na Lei Básica, o Chefe do Executivo tem reiterado que o Governo o garante e, por isso, a administração da TDM cumpre as suas funções de gestão e os jornalistas fazem o seu
TDM NOVO PRESIDENTE DA COMISSÃO EXECUTIVA GARANTE LIBERDADE DE IMPRENSA
“Um direito consagrado na Lei” papel no estrito cumprimento das leis da cidade”, disse Manuel Pires. O novo presidente da Comissão Executiva, que tomou posse na noite de sexta-feira, respondia assim a acusações anónimas de alegados jornalistas da empresa que apontam para a falta de liberdade de imprensa na estação que tem seis canais de televisão e dois de rádio. Para Manuel Pires, não há qualquer “equívoco” nem “problema” porque cada um dos patamares de gestão da
TDM cumpre o seu papel. “À administração cumpre gerir a casa nos melhores interesses dos seus accionistas, no caso o Governo, e aos jornalistas cumpre fazer o seu trabalho com isenção, rigor e segundo as normas da profissão com total liberdade e sem interferências superiores”, afirmou. Manuel Pires, que deixou a presidência do Conselho de Administração e a direcção dos Serviços de Turismo para se dedicar a tempo inteiro à TDM, garantiu também que vai falar
com todas as direcções da empresa, começando pela informação, para se inteirar de todas as questões e objectivos, mas recusa interferências no noticiário. “Isso é matéria dos jornalistas, não da administração. Cabe aos profissionais que trabalham na empresa fazer notícias e a única exigência feita é que sejam cumpridos todos os critérios do jornalismo, nomeadamente o rigor e a imparcialidade”, disse. Instado a comentar os acordos de cooperação que têm sido assinados pela
empresa, Manuel Pires recordou que falta apenas estabelecer parcerias com Angola, mas prometeu trabalhar nesse sentido e traduzir na prática os objectivos escritos. “Vamos continuar e vamos trabalhar para, rapidamente, traduzir na prática as vontades expressas nos protocolos e aplicar os seus objectivos porque manifestar por escrito algo que depois não se cumpre não vale a pena e temos de estabelecer os mecanismos que nos comprometemos fazer”, assinalou.
No entanto, Manuel Pires vincou que a administração da TDM não pode ser apenas centrada numa pessoa. “Somos um órgão colegial, há mais administradores e elementos na Comissão Executiva e todos temos de aplicar e aceitar a regra que, tratando-se de um órgão colegial, há que aceitar as vontades da maioria e, por isso, conto com a participação de todos para, diariamente, fazer mais e melhor para a população de Macau e para o desenvolvimento da TDM”, concluiu.
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CHINA
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DIREITOS HUMANOS PEQUIM PUBLICA RELATÓRIO SOBRE EUA E DIZ QUE SITUAÇÃO “TEM VINDO A DETERIORAR-SE”
Sam tem telhados de vidro Os Estados Unidos não respeitam os direitos humanos, nem fora, nem dentro do seu próprio país. A acusação é da China, que publicou um relatório anual sobre a política dos Direitos Humanos nos EUA, na sextafeira - um dia depois dos americanos terem lançado críticas às políticas do país do meio JOANA FREITAS*
joana.freitas@hojemacau.com.mo
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ODE parecer uma questão de vingança, mas a China garante estar a fazer o que os EUA fazem a todos os outros países: a avaliar as políticas de Direitos Humanos. Pequim publicou um relatório que dá conta de alegadas violações por parte dos Estados Unidos, não só dentro do seu próprio país, mas também no exterior. O documento sai um dia depois dos EUA terem publicado o seu relatório anual sobre os direitos humanos na China, quem acusam de restringir a liberdade de imprensa, de não proteger os direitos das mulheres e de não respeitar os direitos de todos. O relatório é extenso e, entre diversas acusações, aponta o dedo aos ataques aéreos com bombas contra outros países, à espionagem pela internet autorizada pelo estado e ao aumento dos crimes à mão-armada dentro dos EUA. Mas aponta ainda exploração de crianças para trabalho infantil e penas pesadas e cruéis nas prisões. Sob o título “Robots assassinos e convenções de morte”, Pequim
dá os exemplos do Paquistão e do Iémen, onde, diz, se podem contar imensas mortes de civis. “Só no Paquistão, desde 2004, os EUA já fizeram 376 ataques aéreos à bomba, matando 926 civis.”
NO ESPIAR ESTÁ O GANHO
O relatório continua, apontando que o governo dos EUA espia os seus próprios cidadãos de uma forma “massiva e sem limites”. O PRISM, programa de vigilância exposto por Edward Snowden, vigia pessoas não só fora, como dentro do país e é, no entendimento da China, “uma violação flagrante do direito internacional”, que “viola gravemente” os direitos da pessoa. “Os serviços inteligentes dos EUA, com ajuda de dados providenciados pela internet e pelas companhias de telecomunicações como a Microsoft, a Google, a Apple, o Facebook e o Yahoo, vigia os contactos privados das pessoas e as suas actividades nas redes sociais de forma imprudente.” Como não podia deixar de ser, as armas
Mais uma vez a fazer-se de juiz mundial dos Direitos Humanos, o governo dos EUA fez ataques arbitrários e observações irresponsáveis sobre quase 200 países e regiões. Os Estados Unidos evitam mencionar e escondem de forma muito cuidada os seus próprios problemas sobre os direitos humanos RELATÓRIO DA CHINA SOBRE OS DIREITOS HUMANOS
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fazem parte do documento elaborado por Pequim. A “violência desenfreada à mão armada” e os diversos ataques em escolas, supermercados e universidades fazem parte da lista de locais onde se pode comprovar a estes “ataques desenfreados”, mas também instituições do próprio estado. “A crescente cultura da arma nos EUA gera mais de 11 mil mortes de americanos por ano”, indica o documento, que faz ainda uso de dados estatísticos do FBI para avançar que armas tidas como legais pelo governo americano foram usadas em 69,3% dos homicídios no país, 41% dos roubos e 21,8% dos assaltos. “Em 2013, 137 pessoas foram mortas em 30 ataques em massa, cerca de quatro em cada um”, aponta a China, que relembra ainda o recente ataque na sede do Comando Naval de Washington, onde 12 pessoas morreram. As acusações continuam, com a China a garantir ainda que há crianças a serem exploradas no sector agrícola. O relatório não menciona números, mas diz que “há bastantes” crianças a trabalhar neste sector, cuja saúde mental e física “está seriamente comprometida”. De fora da lista das acusações não fica a forma como os EUA tratam os seus prisioneiros. “Punição cruel e incomum” é a frase que dá título ao capítulo sobre as prisões norte-americanas. “O confinamento solitário é prevalente nos EUA. É comum que os presos em regime de isolamento sejam colocados em celas apertadas, com
Os EUA não participaram, nem ratificaram “uma série de convenções fundamentais da Organização das Nações Unidas sobre os direitos humanos”. É o caso do Pacto Internacional sobre Direitos Económicos, Sociais e Culturais, a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres, a Convenção sobre os Direitos da Criança e a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência pouca ventilação, com pouca ou nenhuma luz e isolados. Esta é uma situação que leva a sérios problemas na saúde física e mental dos reclusos.” De acordo com o documento de Pequim, cerca de 80 mil prisioneiros norte-americanos estão em prisão solitária e alguns foram mantidos nesse tipo de isolamento por mais de 40 anos. Entre outras acusações, Pequim relembra ainda a situação do desemprego e o problema dos sem-abrigo no país. Actualmente, refere, o desemprego superou os 21% e a população sem-abrigo subiu 16% entre 2011 e o ano passado.
JUIZ INCONSCIENTE
A China assegura que houve “sérios problemas face aos Direitos Humanos nos EUA, em 2013” e que a situação se tem vindo a deteriorar “em muitas áreas diferentes”. Sendo um dos alvos principais, o país do meio não deixou de mencionar críticas directas aos EUA no documento, referindo mesmo que o governo norte-americano não tem consciência de algumas das coisas a que aponta o dedo. “Mais uma vez a fazer-se de juiz mundial dos Direitos Humanos, o governo dos EUA fez ataques arbitrários e observações irresponsáveis sobre quase 200 países e regiões”, menciona o relatório. “Os Estados Unidos evitam mencionar e escondem de forma muito cuidada os seus próprios problemas sobre os direitos humanos.” Mais ainda, o relatório frisa que os EUA não participaram, nem ratificaram “uma série de
convenções fundamentais da Organização das Nações Unidas sobre os direitos humanos”. É o caso do Pacto Internacional sobre Direitos Económicos, Sociais e Culturais, a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres, a Convenção sobre os Direitos da Criança e a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Pequim diz ainda que o relatório feito pelos Estados Unidos sobre a China ignorou deliberadamente “o progresso que a China tem feito em matéria de direitos humanos”, por exemplo o abandono dos campos de trabalho e o afrouxamento da política do filho único. E deixa um alerta. “O compromisso do governo chinês na melhoria da situação dos direitos humanos baseia-se a sua própria vontade e não devido a pressões de outros países, especialmente países como os EUA, que criticam sempre os outros, enquanto as suas próprias estatísticas são fracas.” A China diz mais e aconselha os EUA a “varrerem a sua própria porta”, antes de se preocuparem com os outros, que é, como quem diz em português, “a não atirarem pedras se os seus telhados são de vidro”. De acordo com as agências internacionais de notícias, a resposta da China ao documento dos EUA é uma situação que acontece anualmente. “As autoridades americanas acusam regularmente a China de atentar contra os direitos humanos. Pequim responde sistematicamente, pedindo a Washington que publique o seu próprio relatório sobre os Estados Unidos.” - *com agências
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EPARATISTAS da região de Xinjiang, noroeste da China, orquestraram o ataque numa estação de comboios que provocou 29 mortos e mais de 130 feridos no sábado, referiu ontem a agência noticiosa Xinhua ao citar responsáveis governamentais. A mesma fonte referiu que o ataque, perpetrado por homens vestidos de preto e armados com facas na estação de comboios de Kunming (sudoeste da China), aponta para os separatistas de Xinjiang, uma vasta re-
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KUNMING ATENTADO EM ESTAÇÃO DE COMBOIO ORQUESTRADO POR SEPARATISTAS DE XINJIANG FAZ 29 MORTOS
O “11 de Setembro da China”
gião com maioria de população Uigure, de confissão muçulmana. Testemunhas citadas na imprensa oficial confirmam que o ataque foi feito por “homens vestidos de negro”, armados com grandes facas, que cerca das 21h (hora local) começaram a apunhalar indiscriminadamente as pessoas que se encontravam no hall da estação ferroviária de Kunming. Pelas imagens difundidas na televisão, as facas tinham uma lâmina com quase meio metro de comprimento.
A polícia disse ter abatido “pelo menos quatro atacantes”, cujas identidades não foram divulgadas. “Mais de dez suspeitos terroristas participaram no ataque”, referiu a Xinhua. Após o ataque, as forças de segurança isolaram uma vasta zona em redor da estação e a polícia continuava a interrogar testemunhas, disse previamente a Xinhua. Este tipo de incidente é raro na China, embora os ataques com facas e à bomba contra responsáveis locais ocorram esporadicamente na região de Xinjiang, onde
se concentra esta minoria muçulmana da China. Pequim já tinha considerado o ataque “terrorista”, enquanto o Presidente chinês, Xi Jingping, pediu “esforços redobrados” na realização do inquérito oficial ao incidente e para que os atacantes sejam punidos “em conformidade com a lei”. A Xinhua qualificou como “o 11 de Setembro da China” “Foi um típico ataque terrorista e também um grave crime contra a humanidade”, afirmou a Xinhua num comentário difundido ontem à tarde.
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TEMPORADA PARLAMENTAR ABRE SOB O SIGNO DA CONFIANÇA E DA INSATISFAÇÃO
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Velha contradição ANTÓNIO CAEIRO Agência Lusa
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temporada parlamentar da China começa esta segunda-feira, numa atmosfera de confiança no contínuo crescimento económico do país e de insatisfação acerca da sua qualidade ambiental. Aquela contradição não é nova, mas acentuou-se na última semana de Fevereiro, quando Pequim esteve envolvida por uma espessa e super-poluída bruma cinzenta, materializando a visão do que alguns residentes baptizaram de “arpocalipse”. Durante vários dias consecutivos, a densidade de partículas PM2.5, as mais susceptíveis de se infiltrarem nos pulmões, ultrapassou os 400 microgramas por metro cúbico, muito acima do máximo de 25 recomendado pela Organização Mundial da Saúde. O combate à poluição encabeça a lista de temas que vão atrair a atenção da imprensa nos próximos dias, à frente dos desafios da urbanização (cerca de 300 milhões de chineses deverão radicar-se nas cidades até 2030) e da luta contra a corrupção, uma das principais bandeiras da nova liderança chinesa, disse o jornal China Daily. A temporada parlamentar chinesa, que decorrerá durante quase duas semanas no Grande Palácio do Povo, em Pequim, abre com a Conferência Política Consultiva do Povo (CPCPC), um órgão sem poderes legislativos, com 2.337 delegados, entre os quais figuras públicas da vida económica, cultural e desportiva do país. Yu Zhengsheng, 69 anos, antigo líder do Partido Comunista (PCC) em Xangai e actual “número quatro” da hierarquia, é o presidente da Conferência. O prato forte da temporada é o relatório da actividade do governo que o primeiro-ministro, Li Keqiang, 57 anos, apresentará na quarta-feira aos 2.987 deputados da Assembleia Nacional Popular.
É a primeira sessão anual da Assembleia desde que o Comité Central do PCC reconheceu o “papel decisivo do mercado” no “aprofundamento das reformas”, em Novembro passado. Uma das áreas mais ambiciosas desse plano diz respeito à abertura de grandes empresas e sectores estatais ao investimento privado. “Deve-se simplificar mais o Governo, delegar mais poderes aos níveis inferiores da administração e introduzir medidas para que o mercado possa funcionar melhor”, defendeu a revista Caixin, considerada próxima das correntes reformistas do PCC. Constitucionalmente, a Assembleia Nacional Popular é “o supremo órgão do poder de Estado”. A maioria dos seus membros é filiada no PCC, cujo “papel dirigente” permanece “um princípio cardeal” Além do relatório da actividade do governo, os delegados vão aprovar o orçamento de Estado e o plano de
desenvolvimento económico-social para 2014 Em 2013, a economia chinesa cresceu 7,7%, igualando o índice de crescimento do ano anterior, e em 2014 - prevê um centro de investigação do Governo deverá alcançar idêntico valor. Trata-se da segunda economia mundial, a seguir aos Estados Unidos da América, e a que possui as maiores reservas cambiais, estimadas em cerca de 27 biliões de patacas. Para a emergente classe média chinesa, no entanto, o crescimento económico já não é o único critério de desenvolvimento. A qualidade de vida tornou-se uma prioridade e, ao contrário de outros bens, o ambiente é igual para todos: ricos e pobres, líderes políticos ou simples cidadãos, todos respiraram o mesmo ar e ninguém quer viver no “arpocalipse”.
ANNOUNCEMENT 1. Objective:
Open invitation to one tender.
3. Address of procuring entity:
Macao Science Center Limited, Avenida Dr.Sun Yat Sen, Centro de Ciência de Macau.
2. Procuring entity:
4. Works, goods and services to be procured: 5. Location of service provision:
6. Conditions of entry: 7. Method for obtaining tender documentation:
8. Tender submission location and deadline:
Macao Science Center Limited.
High Definition Equipment Upgrade for Convention Hall. PA-14-015 Macao Science Center.
Registered supplier under relevant categories of Macao Science Center Limited.
Registered suppliers can send in your request through email to tender@msc.org.mo. For suppliers not yet registered, please attach with commercial registration documents & contact details. Location:
Deadline:
9. Tender opening location Location: and time: Time:
10. Validity period of the tender: 11. Provisional guarantee: 12. Definitive guarantee: 13. Selection Criteria:
14. Additional information:
15. Base price:
Avenida Dr.Sun Yat Sen, Macao Science Center. The 30th day starting from the date of announcement or 2 nd April, 2014 (Wednesday) at 5:00 pm (Macao time). Avenida Dr.Sun Yat Sen, Macao Science Center.
The first working day after the deadline or 3rd April, 2014 (Thursday) at 3:30 pm (Macao time).
Bidder or its representative shall be present at the Tender Opening Meeting for clarification of possible questions arisen from submitted tenders.
90 days starting from the date of tender opening (the validity period may be extended according to the Tender Procedures). Exempted.
By bank guarantee, 10% of the total contract value of service. After fulfilling the requirement in Chapter IV (technical Requirement) of the tender document, the awarded tender will be selected based on the lowest price.
All related information will be uploaded to the Macao Science Center website (http:// www.msc.org.mo) from the day following the publication of this announcement until the tender closing date. Bidders are responsible to visit the website for additional information.
No base price.
Macao Science Center Limited 3rd March, 2014
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EVENTOS
Orquestra de Macau e Cáritas co-organizam Concerto de Beneficência
A Orquestra de Macau e a organização humanitária sem fins lucrativos Cáritas Macau promovem um Concerto de Beneficência no próximo dia 8 de Março, entre as 15h30 e as 16h30, no Teatro Clementina Leitão Ho Brito, de solidariedade para com os idosos e os mais desfavorecidos. A receita de bilheteira servirá para que idosos e famílias desfavorecidas possam igualmente assistir ao concerto, informa o comunicado de imprensa da organização. O concerto terá a direcção do Maestro Assistente Francis Kan e os bilhetes estarão à venda ao preço único de 60 patacas, sem marcação de lugares, sendo que todos os lucros reverterão para a Cáritas Macau, para fins de caridade, informa a nota de imprensa.
Português vence concurso internacional de cartazes
João Borges venceu o prestigiado concurso de cartazes do Festival Internacional de Cinema de Giffoni, em Itália. O cartaz criado pelo portuense foi distinguido entre mais de mil trabalhos oriundos de 51 países. Este é um dos mais importantes eventos mundiais na área dos filmes de animação para crianças e jovens. De acordo com a página da organização, o concurso tinha como tema “Be different”, o mote da 44.ª edição do evento italiano. O designer João Borges apresentou “um cartaz atraente e colorido” que foi seleccionado entre mais de mil propostas e que vai agora ocupar a capa da página de Facebook da Giffoni Experience. O portuense é licenciado em Design de Comunicação pela Faculdade de BelasArtes da Universidade de Barcelona e tem já recebido várias distinções internacionais.
Philip Seymour Hoffman morreu devido a mistura de drogas
O actor norte-americano Philip Seymour Hoffman morreu devido ao consumo excessivo de heroína, cocaína, anfetaminas e tranquilizantes, informou sexta-feira o departamento de medicina legal nova-iorquino. Hoffman morreu de “intoxicação aguda provocada por uma mistura de drogas”, informou o organismo, após as amostras toxicológicas terem confirmado a presença daquelas substâncias. A causa oficial da morte do actor premiado com um Oscar é conhecida um mês após Hoffman, 49 anos, ter sido encontrado sem vida no seu apartamento em Nova Iorque, a 2 de Fevereiro.
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA COMO CRIAR UM NOVO EU • Joe Dispenza
O autor explora as potencialidades do cérebro na transformação pessoal. E o que ele lhe diz é que apesar do seu passado, e das impressões genéticas inscritas no seu ADN, você tem a capacidade de usar os pensamentos para se redesenhar. “Como Criar um Novo Eu” é todo um programa destinado a ensiná-lo a tirar partido dessa imensa força que são os pensamentos. Ao mostrar-lhe como funciona o cérebro, o Dr. Dispenza ajuda-o a romper com o passado. Pode finalmente ver-se livre de toda a carga negativa, da angústia, do stress, e recriar-se, fazer de si aquilo que ambiciona: a nível pessoal, profissional e material. RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET
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EPOIS de uma investigação em arquivos norte-americanos, Carlos Guerreiro concluiu que Portugal era um centro de passagem e de negócio internacional para venda de obras apreendidas a judeus ou nos territórios ocupados. “Os nazis tinham a Unidade Rosenberg que era responsável pela recolha dos quadros para a construção do futuro museu de Linz, na Áustria, e actuava nos países ocupados. Recolhia os quadros pilhados e que poderiam interessar mas depois toda a ‘arte degenerada’ era entregue a negociantes de arte escolhidos a dedo e da confiança do regime que depois transformavam os quadros em divisas, sobretudo as obras de autores judeus”, disse o investigador, autor do livro “Aterrem em Portugal” sobre factos relacionados a aviação de guerra durante o conflito. No seu blogue (http://aterrememportugal.blogspot.pt/), Carlos Guerreiro publicou uma série de textos sobre a passagem por Lisboa de quadros famosos que acabaram
LISBOA FOI “TERRITÓRIO DE TRAFICAN
Transformar q depois por ser vendidos nos Estados Unidos, destacando a presença na capital portuguesa de “traficantes” como Jean Rolland Ostins, um francês colaboracionista e com fortes ligações ao regime de Vichy do marechal Pétain. “Cartas interceptadas pelos serviços
americanos revelam negócios com quadros e outros objectos através de uma rede de negociantes e amigos que se estende da Europa para a América do Sul e para os Estados Unidos. Um desses sócios, instalado em Nova Iorque procura, por exem-
“MEIN KAMPF” DOIS LIVROS VALEM 500 MIL PATACAS EM LEILÃO
Com dedicatória de Hitler A arte é subjectiva, mas há gostos difíceis de contextualizar. Duas pessoas compraram um livro autografado por Adolf Hitler por cerca de 500 mil patacas. No leilão de sexta-feira, realizado em Los Angeles (EUA) pela Nate D. Sanders Auctions, foram colocados à venda uma primeira edição (1925) e uma segunda (1926) do manifesto escrito pelo ditador alemão. Onze licitadores disputaram ferozmente os dois exemplares, raros por estarem autografados pelo próprio autor. Hitler dedicara ambos os livros a Josef Bauer, um influente membro do partido nazi. De acordo com a informação fornecida pela casa de leilões, os volumes foram oferecidos em 1925 e em 1926 como prenda de Natal. O “Mein Kampf” é um livro proibido em muitos países (inclusive em Portugal e na Alemanha) devido ao conteúdo de intolerância política, religiosa e racial. No mês passado, a obra estava a ser um sucesso de vendas na edição digital, estando nos tops de sites como a Amazon.
O livro sustentou a formação de um regime que viria a dar origem à II Guerra Mundial tem um perigoso simbolismo histórico, de acordo com alguns sociólogos. O regime nazi foi fundado sobre os escombros de uma Europa devastada por uma crise económica e social e com elevados índices de desemprego. A combinação destes factores favoreceu os movimentos nacionalistas e as ideologias radicais. Poderá a História repetir-se? “Em resultado da derrocada financeira da crise da dívida da zona euro, os partidos populistas tanto de esquerda como de direita viram e vão provavelmente ver um aumento significativo na sua
popularidade”, alertavam, em 2009, vários analistas ao The Guardian. Para o editor britânico Chris Faraone, o recente sucesso do “Mein Kampf” na versão digital assenta na evolução tecnológica, que permite a leitura “na privacidade dos iPads”. Devido ao tipo de livro ideológico que é, e à pesada carga ideológica que tem, as pessoas tinham receio de o comprar numa livraria, de o ler no metro ou mesmo colocá-lo na estante da sua sala, para não serem conotadas com o regime nazi ou serem criticadas por isso”, argumentou. Um receio que não se coloca neste caso: os dois livros, em papel, ontem vendidos por cerca de 500 mil patacas.
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NTES” DE ARTE NAZI
quadros em divisas plo, sensibilizar Ostins para encontrar e enviar quadros ‘com qualidade de museu’, deixando claro que telas de ‘Rogault (Romualdo) ou de Picasso’ são as que melhor se vendem”, escreve Carlos Guerreiro sublinhando que as obras de arte consideradas
“degeneradas” pelos nazis não foram destruídas mas vendidas e o dinheiro enviado para Berlim. “Os negociantes transformavam-se em traficantes que levavam os quadros para onde havia mercado o que fez, por exemplo, que os ingleses tivessem imposto li-
cenças de exportação, antes da entrada dos Estados Unidos na guerra”, diz Carlos Guerreiro. De acordo com o jornalista e investigador, quando os Estados Unidos declaram guerra à Alemanha os cuidados com os negócios de arte são redobrados até porque o circuito
que passava por Lisboa e pelo sul de França acaba por ser afectado. Carlos Guerreiro destaca também a passagem por Lisboa de um quadro do pintor holandês Vincent Van Gogh de um comerciante de arte judeu alemão que já tinha fugido de Berlim para Paris e que depois escapa para a Suíça e finalmente Lisboa, tendo conseguido salvar oito quadros de uma “valiosa colecção”. O vendedor consegue uma licença de exportação da obra de arte para poder transportar o quadro para os Estados Unidos que é vendido a um “marchant” de Nova Iorque, em 1943, e depois da guerra ao actor de cinema norte-americano Errol Flynn, por cerca de 250 mil patacas. “A história deste negociante de arte é um pouco a mesma história de muitos negociantes de arte alemães que sendo judeus acabam por ter de andar a fugir dos exércitos de Hitler e acabam vários por ter ido parar aos Estados Unidos”. O mesmo quadro - que passou por Lisboa - acabou por render cerca de 200 milhões de patacas num leilão realizado no passado mês de Janeiro, em Londres.
CINEMA MORREU O REALIZADOR FRANCÊS ALAIN RESNAIS
O cineasta que realizou “Hiroshima Meu Amor” O
cineasta Alain Resnais morreu na noite de sábado em Paris junto da sua família, anunciou à AFP o produtor dos seus últimos filmes, Jean-Louis Livi. O autor do clássico do cinema Hiroshima Meu Amor tinha 91 anos. No festival de Berlim, este mês, a sua última longa-metragem, Aimer, Boire et Chanter, um filme sobre três casais e o modo como o anúncio do cancro de um amigo comum os afecta, recebeu o Prémio Alfred H. Bauer. Com Hiroshima Meu Amor (1959) e O Último Ano em Marienbad (1961), ganhou notoriedade — e uma assinatura no cinema de autor francês. Entre as obras mais conhecidas chegam depois filmes como A Guerra Acabou (1966), Providence (1977), Fumar/Não fumar (1993) ou As Ervas Daninhas (2009). Aos 91 anos, Resnais preparava-se para realizar mais um filme, disse à AFP Jean-Louis Livi, que produziu as três últimas obras do cineasta. O ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Laurent Fabius, veio já elogiar o “grande, grande talento [do] universalmente conhecido” realizador.
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Rolling Stones actuam em Xangai oito anos depois
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banda britânica de rock Rolling Stones vai tocar em Xangai no próximo dia 12 de Março, onde não actuava há oito anos, no âmbito da tournée “14 On Fire”, anunciou sexta-feira um jornal chinês. O concerto decorrerá num pavilhão com cerca de 15.000 lugares, o dobro da lotação do recinto onde os Rolling Stones se estrearam na República da Popular da China, em Abril de 2006. Antes de Xangai, a maior e mais cosmopolita cidade chinesa, a banda actuará em Macau, no dia 09 de Março, e a seguir irá para a Austrália e para a Nova Zelândia. A primeira banda de rock chinesa apareceu apenas em meados da década de 1980, mais de vinte anos depois da fundação dos Rolling Stones. Hoje, na China, o rock já não é considerado uma música decadente, mas os concertos com grandes bandas ocidentais ainda são raros. No primeiro concerto dos Rolling Stones em Xangai, há oito anos, as autoridades proibiram o grupo de tocar “Let’s Spend the night together” e quatro outras canções.
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próximo oriente
ARTES, LETRAS E IDEIAS
À ESPERA DAS RUÍNAS
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A primeira vez que vi Pequim, o que mais me impressionou não foi a grandeza da cidade, o número infinito de pessoas, o constante trânsito nas estradas de perder de vista ou o horizonte cercado pelo fumo das chaminés das fábricas onde desalmadamente se consome carvão. O que mais me impressionou foi que Pequim, a capital do Império do Meio, centro de uma civilização milenar, parecia uma qualquer cidade de construção recente e crescida ao sabor das necessidades de uma metrópole vizinha. Ao percorrer as longas avenidas só me ocorria perguntar: onde estão os monumentos e os edifícios históricos, o património e os vestígios do passado? Para onde quer que olhasse, a mesma visão: filas compridas de prédios residenciais, os mais antigos parecendo ter entre 20 a 30 anos, edifícios que não se distinguiam uns dos outros e que eram, a cada passo, interrompidos por outros igualmente gigantes, sedes de empresas ou instituições ostentando desenhos de “estilo ocidental”, blocos rectangulares com uma escala industrial, fria, espelhados para reflectirem um céu que a poluição ia arranhando. O cenário repete-se em cada um dos “anéis”, a forma como o sistema rodoviário organiza as auto-estradas de múltiplas faixas que envolvem a cidade, e que ampliam a sensação de “déjà vu”, como se estivéssemos às voltas num labirinto que nos vence pelo tamanho. Esta foi a primeira impressão forte que guardei: o vulto de uma cidade em cons-
ANDY WONG
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tante “renovação”, uma espécie de registo visual a três dimensões da história recente do país, uma sucessão de transformações que vão acontecendo mais depressa do que o resto do mundo e até a própria China parecem conseguir absorver. Foi durante os anos 1990 que se deu início à destruição em massa dos “hutong” de Pequim, os bairros tradicionais que guardam nos seus limites as tradições e culturas que fazem povos e países. Histórias e memórias. “No auge da corrida para a modernidade”, escreveu o jornalista Jonathan Kaiman na revista norte-americana The Atlantic, “cerca de 600 ‘hutong’ eram destruídos em cada ano, forçando o realojamento de 500 mil pessoas.” Nos anos 1980, calcula-se que havia na capital chinesa cerca de 7000 bairros tradicionais, os mais antigos de há 600 anos. À entrada do novo milénio, em 2001, os “hutong” de Pequim eram já apenas 1500. Hoje, em toda a cidade, contam-se menos de 500, um número em constante queda. Como que da noite para o dia, Pequim passou da dinastia Ming à modernidade. Depois de terem sobrevivido “a séculos de guerras e revoluções, às tensões da propriedade colectiva e à turbulência dos primeiros anos das reformas económicas”, os “hutong” não resistiram à era do “crescimento” e do “desenvolvimento”, ao tempo do ritmo acelerado da economia, dos grandes eventos e da internacionalização. A pretexto da “modernidade”, da necessidade de projectos virados para o tu-
rismo e até de promessas de recuperação do património, a história de Pequim foi literalmente dizimada no que frequentemente é descrito como um acto de vandalismo praticado pelas próprias autoridades e pelos promotores imobiliários. Avenidas inteiras de bairros antigos foram arrasadas, em muitos casos, como Qianmen, para serem substituídas por cópias onde os habitantes, incluindo velhos comerciantes, alguns com negócios centenários, foram substituídos por cadeias internacionais, as únicas capazes de suportar as elevadas rendas. Famílias pouco ou nada compensadas pelas expropriações de que foram vítimas viram-se obrigadas a procurar alojamento nos prédios baratos da periferia, longe do centro onde sempre viveram e que agora está reservado para os planos de quem pode. Até alguém decidir que já não é rentável. Talvez até ao momento que o escritor Italo Calvino dizia haver na vida dos imperadores: “o momento desesperado em que se descobre que este império que nos parecera a soma de todas as maravilhas é uma ruína sem pés nem cabeça, que a sua corrupção está demasiado gangrenada para que baste o nosso ceptro para a remediar, que o triunfo sobre os soberanos adversários nos fez herdeiros da sua longa ruína.” Nesta história do insaciável apetite chinês pelo “progresso”, esse desejo maior do que tudo, em que nunca nada parece estar alguma vez concluído, alguma vez completo, resta esperar pelas ruínas. É tudo o que há para herdar.
Hugo Pinto
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Vanessa Rato
IN PÚBLICO
JÚLIO POMAR, A PARTE DO PINTOR QUE É ESCRITA
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ADA vulto que surge tem que andar sozinho desde o princípio do mundo”, escreveu Júlio Pomar na revista Seara Nova a 24 de Janeiro de 1948. Por então, falava um muito jovem pintor. Pomar tinha 22 anos. E, desde a implantação da ditadura, em 1926, a “Seara Nova” e os intelectuais que à volta dela se reuniam eram um dos grupos mais activos de oposição democrática contra o salazarismo. É este o contexto que acolhe a sua defesa ao neo-realismo, com a denúncia, a resistência e o comentário social em pano de fundo. “A arte anuncia. E se precede as alterações da história, é porque no momento em que nasceu, soube destrinçar da realidade os elementos que a transformariam. Como órgão de conhecimento actua”, escreveu em 1945 num texto intitulado Nota Sobre a Arte Útil. Vem deste texto o título do primeiro volume de três de Parte Escrita, a primeira compilação dos textos sobre arte que Júlio Pomar foi escrevendo ao longo de 70 anos – do primeiro, quando era ainda um adolescente de 16 anos, ao mais recente, datado de 2013. Notas Sobre uma Arte Útil, Parte Escrita I, que o Atelier-Museu Júlio Pomar lançou quinta-feira em conjunto com a Documenta cobre os escritos entre 1942 e o momento do exílio parisiense, em 1960. Ao longo dos próximos meses serão lançados Da Cegueira dos Pintores, Parte Escrita II (1985) e Temas e Variações, Parte Escrita III (1968-2013). O lançamento do primeiro volume surge enquadrado pela inauguração – também quinta-feira – de Tratado dos Olhos, uma exposição comissariada por Paulo Pires do Vale em que se explora o universo referencial tanto da obra plástica do artista como da exploração teórica paralela a esta. “O meu trabalho alimenta-se daquilo que despedaça”, ouve-se num pequeno filme assinado por Paulo Pires do Vale e a realizadora Catarina Mourão, a partir, também, dos textos de Pomar sobre pintura – ou, como ele diz, esse “corpo-a-corpo com o indizível” travado “na solidão como cenário”. A solidão que existe também nos olhares das figuras que passam por este filme. Enquanto se ouve: “A pintura é áfona, não usa nem som nem palavra. Daí a afinida-
de com o instante da morte, na fixidez do olhar que precede a cegueira definitiva.” A cegueira, precisamente, surge enunciada numa das primeiras pinturas da exposição com a qual se percorrem influências plásticas de Pomar. Depois de um auto-retrato de cariz pessoano – o pintor num café – surge uma das suas pinturas emblemáticas: Os Cegos de Madrid, de 1957. Depois de um período de linguagem mais realista, em 1950 Pomar faz a sua primeira visita à capital espanhola. E o impacto da pintura de Goya faz-se sentir. Ao centro da sua tela de tons escuros de negro e castanho surge um grupo amorfo de presenças humanas – um grupo de cegos de vestes pretas apoiados uns nos outros com as suas caixas de esmola. Do conjunto, apenas os rostos se individualizam, lívidos, a branco. A tela entrou para a colecção do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian em 1983. Quase trinta anos depois recordou-se, a seu respeito, a Parábola dos Cegos (1568), de Bruegel, baseada nas palavras de Jesus aos Fariseus: “Quando um cego guia outro, acabam por cair os dois no buraco.” À época, Pomar inverteu a perspectiva: “Fechemos os olhos para ver.” É nesta frase que pega Sara Antónia Matos, a directora do Atelier Museu, para dizer: “Aquilo que descobrimos com os artistas, e particularmente nesta exposição, é que há muitas maneiras de olhar. Talvez não vejamos se não com aquilo que temos cá dentro e, por isso, é necessário fechar os olhos (ficando eles abertos) para conseguirmos ver as imagens do interior.” Segundo Sara Antónia Matos, uma das coisas que aprendemos com Pomar – quer com a sua pintura quer com a sua escrita – é que “não vemos, de facto, com o que está fora”: “A sua obra requer o que é mais difícil: fechar os olhos mantendo-os abertos, para que cada um de nós veja o próprio olhar fender, a abrir, a ceder.” Trata-se, diz, de “aprender a olhar, a ver de novo, com outra atenção”. Na exposição, depois de Goya, surgem obras onde se revelam influências como Ucello, Ingres, Courbet, mas também, por exemplo, uma homenagem-paródia ao Quadrado Preto de Malevitch. E, numa pequena biblioteca retirada à bi-
blioteca do pintor, encontram-se vários livros sobre Bacon e Duchamp – a cuja obra Pomar dedicou também escritos. Trata-se, diz Paulo Pires do Vale, de “focar uma parte do Júlio desconhecida”: “Ninguém, mesmo do meio [das artes plásticas] tem noção que o Júlio tem este manancial reflexivo [explicitado nos escritos].” Com Pedro Faro, seu assistente no museu, Sara Antónia Matos fez a pesquisa para os três volumes de Parte Escrita. Trabalharam sobretudo arquivos, mas também um conjunto de textos inéditos que o artista escreveu no período de Paris. “Os textos críticos que produziu, o pensamento que neles materializa, certificam o autor não apenas como artista mas também como um sujeito da escrita e um agente profundamente inquieto que não evita tomar posições”, diz Sara Matos. “O pintor tem consciência de que a escrita não deve ser inócua. A importância de Pomar ao nível analítico, assertividade com que disseca os contextos de produção, preparando os de recepção constituem alicerces para contextualizar a sua obra e compreender a actividade dos artistas no contexto português e internacional.” Em 1945, a propósito de uma Exposição de arte moderna, Pomar escreveu sobre vários dos seus pares para o suplemento Das Artes/Das Letras, do A Tarde – uma escrita crítica implicada, acutilante, por vezes impiedosa. Sobre Dordio e Camarinha: “Ambos lograram uma forma inconfundível, Dordio inscrevendo um colorido não isento de sensualidade num arabesco fortemente acusado, um pouco à maneira fauve, Camarinha limitando a paleta aos cinzentos e aos castanhos, apenas introduzindo certo vermelho rompu, para livremente se entregar a puros jogos de caligrafia.” É menos benevolente sobre outros. António Lino, por exemplo: “Expande uma louvável inquietação […] gostaríamos, contudo, de encontrar o uso menor de recursos de efeito fácil, como certas iluminaçõezinhas sistemáticas a insinuar o drama que, plasticamente resolvido, atingiria maior poder emotivo.” Ou Nadir: “Nadir é digno da maior atenção não só do público — mas dele próprio. Lírico instintivo, a sua visão inscreve a realidade num ritmo dinâmico, dramatizado sempre. Depois das três belas paisagens que enviou a Lis-
boa, será lícito pedir outra coisa que a Mulher deitada pintada talvez somente para épater le bourgeois, atitude pouco útil em quem muito tem a dizer.” E é demolidor, por vezes: “A. Sampaio e A. Gomes não nos conseguem emocionar na sua pintura formalmente pobre e sem visível conteúdo humano.” É a faceta mais crítica dos seus escritos. No volume II da Parte Escrita – Da Cegueira dos Pintores –, explica Sara Antónia Matos, surgirão textos mais especulativos, em que Pomar coloca a pintura a par do pensamento filosófico. “Parte escrita” é a expressão que o próprio Pomar usa para se referir aos seus textos, indicando vê-la como aspecto integrante da sua obra, nem mais nem menos importante do que a pintura. Esse tipo de pensamento surge, no entanto, já em alguns dos textos deste primeiro volume. Por exemplo, quando fala sobre pintura enquanto linguagem: “Simplesmente, ninguém será entendido se a sua linguagem não for clara — balbuciante ou prolixa”, escreve Pomar. “O bom orador construirá o seu discurso tendo em vista a atenção do auditório e os seus limites. Saberá dispor o peso das afirmações de modo que, pela proximidade ou afastamento destas, seja facilitada a compreensão; graduará, no sentido do seu máximo aproveitamento, o interesse do público. Do mesmo modo o pintor, que substituiu apenas as palavras por formas, tem a obrigação de saber disciplinar o seu discurso — o quadro […]. Nada mais triste para o espectador do que salvar do quadro apenas a intenção. Nada levantando mais confusão no público do que as verdades ditas em desordem. Não falando já daquelas em que somente a epiderme foi aflorada.” Pomar diz não ter relido qualquer dos seus textos para estas publicações. “A vontade de voltar a ler poderá vir da necessidade de substituir uns pontos de vista por outros. Não sei se não seria dar excessiva importância ao resultado de condições muito objectivas de Portugal que estão longe das actuais.” O pintor foca aqui sobretudo os seus textos sobre o neo-realismo – aquilo que define como “uma necessidade de acção”. Esse era o seu período de juventude, período em que diz que a sua escrita era “quase prematura” e onde diz que “há, evidentemente, uma noção de certeza que só é possível numa extrema juventude, de vontade de participar na parada do mundo”. “Depois”, diz, “é possível uma outra maneira de ver, de nos aproximarmos da coisa.” Pomar não deixou nunca, porém, de escrever. “Queira-se ou não, faça-se o que se fizer, não se pode prescindir nunca da palavra, que é sempre a tentativa de tocar o ponto. O pintor dá muita importância ao visto, a uma catarse sobre o espectáculo da comunicação, mas não pode prescindir da palavra.”
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Francisco Soares
A DESCOLONIZAÇÃO DA PALAVRA FOTOGRAFIA 3X4 Tradicionalmente a palavra poética refaz uma ligação essencial, perdida ou simplesmente oculta, restaurando portanto o sentido e a visão do mundo. Apesar disso, cada comunidade com perfil e história próprios usa palavras diferentes. Quando duas tradições entram em choque ou em diálogo – o que sempre aconteceu na história da humanidade – é comum que ambas sofram algum descondicionamento, dando-nos a linguagem e as artes sinais correspondentes e que, por sua vez, são participantes ativos nesse descondicionamento. Quando o processo é vivido com mais intensidade (por exemplo quando os contextos são plurilinguísticos) assemelha-se ao que, na psicologia da criatividade, é justamente a fase mais criativa, que nos liberta para o maior número de perspetivas possível. É um momento-chave e, por isso, quando há uma interação forte entre duas ou mais culturas, assistimos a um crescimento da originalidade artística e linguística. Ele foi, por exemplo, sentido vigorosamente no período helénico no Mediterrâneo, o mesmo que viu crescer a influência da Bíblia, o sincretismo religioso, as ‘novelas’ e, eventualmente, o ‘romance’, a par das primeiras manifestações conhecidas, no que à Europa diz respeiPUB
to, do que hoje chamamos poesia visual – então ainda articulada a um sentido religioso do oculto. As novas literaturas africanas, particularmente as lusófonas, encontram-se distribuídas por vários graus de intensidade dos processos de descondicionamento que refiro. Num dos graus mais elevado e mais turbulento está a literatura angolana. Esta comunicação pensa a temática da criatividade verbal em contextos multiculturais e plurilinguísticos como o helénico, o angolano e o do actual processo de globalização de mercados e culturas. Dessa forma pensa também na equivalência entre a descolonização do pensamento e o descondicionamento das palavras.
INSTANTÂNEOS Acalmai-vos Fragmentadores alados do crepúsculo Eu sou a Palavra A abóboda celeste O encontro dos espaços (Ruy Duarte de Carvalho)
* Desmantelado, eu sobreviverei apenas no precário registo das palavras (Rui Knopfli)
MACRO
HM - 1ª vez - 03.03.14
ANÚNCIO
通 常 執 行 案 第 CV3-12-0027 CEO PROCESSO: Execução Ordinária
號 第三民事法庭 3º Juízo Cível
EXEQUENTE: MELCO CROWN JOGOS (MACAU), S.A., com sede em Macau, na Avenida Dr. Mário Soares, n.º 25, Edifício Montepio, 1º andar, Comp. 13, Macau; ----------------------------------------------------------------------EXECUTADO: NENG SEK KUONG (寧錫光), residente em Macau, na “ 新埗頭橫街3-5號通運大廈4樓A座” . --------------------------------------------*** FAZ-SE SABER que, nos autos acima indicados, são citados os credores desconhecidos do executado para, no prazo de QUINZE DIAS, que começa a correr depois de finda a dilação de VINTE DIAS, contada da data da segunda e última publicação do anúncio, reclamarem o pagamento dos seus créditos pelo produto dos bens penhorados sobre que tenham garantia real, e que são os seguintes:-1.
2.
3.
BENS PENHORADOS Quota no valor nominal de MOP$1,000.00, de que é titular o Executado, na Companhia de Desenvolvimento Imobiliário Meng Mun Limitada, registada na C. R. Comercial e de Bens Moveis de Macau sob o n.º 22297(SO), com sede em Macau, “澳門畢仕達大馬路26號中福商業中心11樓G”; -Quota no valor nominal de MOP$25,000.00, de que é titular o Executado, na “五福珠寶錶飾金行有限公司”, registada na C. R. Comercial e de Bens Moveis de Macau sob o n.º 44963(SO), com sede em Macau, “澳 門倫斯泰特大馬路350號獲多利大廈地下AT舖”; -----------------------Saldos titulados pelo Executado, no “AIA International Limited”. ------Macau, 12 de Fevereiro de 2014 ***
Os excertos acima citados são diferentes. A diferença que entre eles me interessa relaciona-se com o facto de o primeiro se dirigir a nós na pretensão de recuperar uma perspectiva tradicional. Aí a palavra, ou a voz, é lugar de encontro em função de uma verdade absoluta que representa, que mais precisamente encarna, incorpora; ela representa o exercício das coincidências que repõem, por via da linguagem, a verdadeira e única ordem do mundo. O segundo excerto antevê um não-sujeito, na medida em que ausente e fragmentário, um não-sujeito que, no entanto, ficou ainda registado na precariedade verbal. O primeiro representa, para mim, uma concepção colonial ou colonizada da palavra poética; o segundo está mais próximo de representar um pensamento descolonizado sobre a poesia, ainda que nele a palavra possua resquícios de um papel passivo, representativo. A minha posição parece estranha, mas não é. Na verdade, quando se fala na descolonização da palavra o pensamento imediato reporta-se, não propriamente a um processo de descolonização cultural, mas a um processo de re-colonização cultural. Explico-me: imaginando, como normalmente se faz, que temos de um lado uma língua e uma cultura não colonizadas e, de outro lado, uma língua e uma cultura coloniais, a descolonização da palavra consistiria em trazer para a língua do colonizador a cultura e, pelo menos em parte estruturante, os esquemas principais da língua do colonizado. É um mecanismo simples de raciocínio que, por isso mesmo, se propaga sem pensarmos muito nele. É por isso o protótipo seguido nas conferências que falam sobre poesia e descolonização. Vale a pena, portanto, analisá-lo, desmontá-lo, descolonizá-lo. Em primeiro lugar é preciso pensarmos que não te-
mos de um lado uma língua e uma cultura (a do colonizado), do outro lado outra cultura e língua (a do colonizador). Em muitos países, como é o caso de uma parte significativa de Angola (particularmente significativa para a nossa expressão literária), temos um demorado confronto e convívio entre os dois lados. Não há, portanto, dois centros propulsores de cultura e língua, mas um centro transicional, híbrido, com uma extrema e rápida mobilidade, que absorve, transforma, rejeita e negoceia constantemente as culturas em convívio ou contradição. Tal centro é a pessoa, uma pessoa essencialmente urbana. Por isso é que se dá a colonização e a descolonização da palavra e pela palavra: porque há um sujeito em transição que leva e traz, de umas para outras línguas e linguagens, em sentidos diversos, sintaxes e lexemas que vão desconstruir-se e reconstruir-se uns nos outros ou com os outros. Quer isso dizer que a pessoa a que me refiro é uma espécie de língua intermédia, que não chega a constituir-se como língua mas opera sintáctica e imagisticamente ligando os dois pólos anteriores. Uma espécie de pidgin ou crioulo meramente mental, pré-verbal, cuja sintaxe e cuja imagística, porém, condicionam as diversas colonizações das palavras. Verificando agora os tais pólos é preciso compreender o seguinte: que não há uma língua do colonizado, mas várias. Embora no caso de Angola tenhamos sobretudo variações das línguas bantos, há línguas pré-bantos em acção também e há, não só variações linguísticas, também culturais. As línguas bantos, por sua vez, não chegaram ao fim do século XV, nem a 1975, isentas de contaminações as mais diversas. Por sua vez, a língua do colonizador – no nosso caso o português – foi colonizada ao longo dos séculos e gerou-se a partir do mesmo tipo de pidgin ou crioulo mental, pré-linguístico. Nela encontramos palavras árabes, gregas, germânicas, celtas, berberes, novi-latinas e não apenas latinas. É com essa língua que desembarcam no Kongo os marinheiros portugueses e, nos seus navios, não seguiam só portugueses. Seguiam também marinheiros de outros países, sobretudo europeus (italianos, espanhóis, dos vários reinos da Hespanha). Igualmente foram por ali pregando padres portugueses, italianos, hespanhóis – sobretudo estes. O português falado por eles estava já crioulizado nas paragens mais a norte, não só na Europa (em Nápoles, por exemplo), mas ainda no arquipélago de Cabo Verde e nas ilhas culturais da Senegâmbia. Portanto, as línguas dos colonizados e as línguas dos colonizadores não se apresentaram como uma só, nem num estado puro, anterior a qualquer interferência. Pelo contrário, fizeram-se e desenvolveram-se diversificando-se num quadro de invasões, conquistas, migrações, convívios e confrontos, mais ou menos forçados, mais ou menos harmonizados – estado em que, porém, elas próprias viviam já. Nesse aspecto, a palavra a descolonizar foi na verdade criada numa dinâmica de colonizações em que, tanto o colonizado quanto o novo conquistador, incidiam sobre ela disputando as marcas a instilar, cravando-lhe significados, traços semânticos, sintácticos, rítmicos e outros. Quando chegamos à independência, as nossas palavras estavam já razoavelmente colonizadas por nós. Falo de nós, os angolanos e não das componentes isoladas anteriores ou paralelas à identidade nacional que se vem criando. E afirmo que tal processo continua. De maneira que não se trata da descolonização da
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palavra, mas sim de confronto e de convívio entre genealogias lexicais e estruturais, numa dinâmica fortemente imprevisível, onde cada movimento de descondicionamento coincide com o contrapolar movimento de re-condicionamento, como num jogo de créditos e débitos, ou num negócio por troca de produtos. Por um lado, isso levou-nos a ter uma aguda consciência da mobilidade, da fluidez e da precariedade das palavras e das línguas; por outro lado levou-nos a muitas vezes pensar que o nosso trabalho poético se reduziria a enxertar na estrutura óssea ou ossificada da língua portuguesa uma semântica banto. O primeiro lado conduz-nos a uma constante e instigante criatividade a todos os níveis, mantendo o português de Angola, o angolês se quisermos, numa espécie de mercado paralelo onde cada genealogia comercial, política, antropológica, disputa o seu espaço de manobra e o seu perfil de presença e de mistura. A postura em aberto que vigora aí tem no processo criativo uma função fundamental: a de nos manter abertos a muitas hipóteses, traduzindo com liberdade aceções e experimentando verbalmente possibilidades até, por vezes, contraditórias. É desse caldo linguístico que surgem as obras mais significativas de Luandino Vieira e de Uanhenga Xitu, mais recentemente de António Azzevas e Ondjaki. O segundo ‘lado’ é o que aborda geralmente o tema da minha comunicação dizendo que o colonizado vai descolonizar a língua do colonizador colonizando-a com a sua. É um bocado esquizofrénico e fica-se por aí. Perante uma possibilidade de abertura, faz-nos recuar para a mera troca de um por outro colonialismo verbal. Apenas nos diz que a palavra que repõe a ordem do mundo, para nós, tem que ser esta e não aquela. Pressupõe, no entanto, que ela existe (a palavra da verdade), a par da ordem que repõe. Para tais escritores a língua, bem como o estilo e a forma, destinam-se apenas a veicular a ordem, a regularidade, enfim a verdade. São meros instrumentos da maravilhosa coincidência entre o que se diz e o que se passa numa ordem oculta aos olhos comuns ou não doutrinados. Herdaram, na nossa história literária, tal postura do velho realismo socialista e aplicam-na hoje a um discurso etnicista muito mal fundamentado. Repetirão os erros da maioria das escolas literárias: hão de levar o seu modelo à exaustão, o que é fácil e, não reconhecendo o fracasso ou o esgotamento da proposta, tentarão impedir que os jovens (e alguns menos jovens) partam por outros caminhos à procura das palavras independentes. São estas que, porém, nos interessam. O escritor colonizado, ou simplesmente extra-europeu, sentiu muito mais os malefícios do colonialismo linguístico e duma visão ditatorial do que há de ser a linguagem poética. Sentiu-a pela opressão e pelo branqueamento culturais que o colonialismo trouxe consigo. Sentiu-a depois pela promoção de um discurso unívoco no tempo do partido único. Revoltando-se contra as suas limitações, descobriu a liberdade e o seu potencial criativo revelou-se vigorosamente; descobriu também as virtudes, criativas e não só, da diversidade e inscreveu no próprio discurso literário as alteridades coexistentes, coniventes ou paradoxais. Apesar do sofrimento, a circunstância colocou-o numa situação que será, cada vez mais, a dos escritores em todo o mundo. A posição dos escritores actuais não é inédita na própria Europa (lembremo-nos do período helenístico e alexandrino, para citar apenas um exemplo). Não sendo no entanto inédita atinge nos nossos dias uma intensidade nunca antes vista e que vinha sendo Edson Chagas, Oikonomos
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outra ainda, numa simultaneidade de identificações e afastamentos potencialmente infinita. Leia-se o breve poema «Saudável saudação»: Minha erguida cidade ou tarde de cacimbo: Vem torturar-me o incansável pé: repito de pé Sempre que deixo a cama da perversão. Por outra via o angolês explode liricamente nas aliterações, implosões lexicais e ambivalências de Lopito Feijoo. Recordo-me de poemas como «Meditando»: – engoli de um espinheiro um grande raminho – & Edson Chagas, Found but not taken
preparada a par do (inicialmente) lento processo de globalização das economias e dos mercados. Citando Mayra Santos-Febres, “como dijera Borges en el 1932, en «El escritor argentino y la tradición», los escritores latinoamericanos, al ser marginales, recombinamos la tradición. Lo hacemos tensamente, inseguramente, con otra perspetiva” («Lo universal», El país, «Babelia», 2-3-2009). Veja-se que a globalização, inevitavelmente, gera ondas de transformação para fora e para dentro dos países, por assim dizer, globalizadores. Lembremo-nos de como na Europa cada revolução literária (Renascimento, Romantismo, Modernismos) se seguiu a um período de expansão transcontinental. Isso, a par da aceleração nas comunicações e da abertura criada pelo avanço tecnológico, vem colocar os escritores de hoje face aos desafios de uma diversidade instigante, que se lhes impõe por dentro das próprias palavras. Este instante pode ser aproveitado para, precisamente, descolonizar o pensamento descondicionando as palavras, jogando o jogo do seu choque, da sua fragmentação, desmontagem, libertação. Ao que vimos assistindo, principalmente desde o século XX, é justamente à descolonização mental dos colonizadores, não só dos colonizados. Acabaremos por descobrir todos que o velho discurso que nos foi vendido ou imposto era velho e falsificava mesmo os escritores dos países que o promoveram. Daí que, tanto colonizados recentes quanto colonizadores recentes, tenhamos promovido, por
múltiplas vias, uma implosiva libertação das palavras, de que o concretismo foi o mais explícito caso. Também vemos acontecer essa implosão criativa nos poetas angolanos revelados após a independência – e o processo começara já com David Mestre, Arlindo Barbeitos, Ruy Duarte de Carvalho – principalmente estes, embora sinais viessem de trás, esparsos, tímidos ainda. Implodem-se as lógicas autoritárias e coloniais nas metáforas ousadas, de grande leque, inusitadas e cheias de propriedade, que podemos ler na lírica de José Luís Mendonça. Por exemplo em «Catembe»: Meilitro de palheto e uma coca-cola É a medida certa que o oceano trasfega Em nossas barrigas de funge e carapau. Neste tempo de candonga catembe é o mais santo Estase de sábado. A televisão vai dando Missa de Elton John que nós somos mesmo Universais pela picada impoluta Do dólar e da cultura nacional. Só as kalashnikovs paridas em 61 Desconhecem a química do Catembe: Vão-se alfabetizando enquanto folheiam Nossas barrigas de funge e carapau. Também a vemos no jogo de repetições e variações que tão bem carateriza a poesia de João Maimona, involuntariamente próxima do poema-processo de Mário Chamie, em que o retorno de cada palavra ao texto vem trazer-lhe uma aceção nova, da qual se parte para
da tese concebida ao prefácio por escrever teço toc toc enquanto toco levemente o porvir d’outra gestão daí a cor do sangue escasso caro irmão protestante que tão bem partes os passeios que passeio assim que passo passo a passo me ditando! Finalmente podemos participar dessa implosão na desmontagem exacta e exímia da sintaxe, gerando segmentos frásicos pluri-funcionais, promovida por Abreu Paxe. Por exemplo em «Descontrução castrada» re-elaboro o riso nódoas num pouco de noite caem desamparadas dois crepúsculos balcões contemporâneos em alta fraga o pátio utilidades os elementos primordiais quatro desconstroções castrada boca sinal quando se integra Sei que resumi tudo a quatro autores, o que é sem dúvida injusto para os não-citados. A minha preocupação foi a de propor uma abertura, uma foz à qual possam chegar as outras experiências contemporâneas e revolver-se, deixando portanto ao leitor a descoberta desse vasto oceano migratório.
Texto alterado de uma conferência inédita pronunciada nas Jornades de Literatures Africanes «Àfrica son Veus», realizadas em Barcelona, de 20 a 22 de Abril de 2009, pelo Institut Catalunya-Africa. O texto foi re-escrito para a revista Crioula (n.º 6, 1.º semestre de 2010) e revisto em 18-04-2013.
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DESPORTO
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MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo
MONTE CARLO DERROTA KA I
O regresso do Benfica às vitórias foi uma das notas de destaque da
LIGA DE ELITE ÁGUIAS ULTRAPASSARAM OS DÉBEIS SUB-23
Benfica regressa aos triunfos GONÇALO LOBO PINHEIRO
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Casa do Sport Lisboa e Benfica de Macau rematou uma semana difícil com um triunfo incontestado por três bolas a zero frente à Selecção de Sub-23 da Associação de Futebol de Macau. Depois da derrota frente ao campeão Monte Carlo no fim-de-semana passado e de uma semana conturbada, que resultou no afastamento de Daniel Pinto do comando técnico da equipa, as águias do território exorcizaram a instabilidade interna com uma vitória tranquilizadora na partida que encerrou as contas da quarta jornada da Liga de Elite. Com um futebol mais estruturado e dominador, o Benfica necessitou de apenas cinco minutos para inaugurar o marcador. A formação encarnada, que foi orientada por Daniel Melo, viu Cuco apontar ao fim de pouco mais de quatro minutos e meio de desafio um golo tranquilizador. O Benfica conservou a magra vantagem até ao final da primeira parte e só na etapa complementar conseguiu regressar aos golos. Lei Kam Hong apontou o segundo tento da noite aos 64 minutos, acabando por ser substituído por Edgar oito minutos depois. Com o jogo dominado e a necessária tranquilidade recuperada, às águias do território ainda tiveram tempo de acrescentar a vantagem. A oito minutos do final do desafio, Filipe Duarte encerrou a contagem ao apontar o terceiro e último golo da partida.
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Ontem, no estádio da Taipa, o onze “canarinho” necessitou de apenas cinco minutos para colocar água na fervura do entusiasmo do adversário. Anderson Fernandes apontou um golo madrugador e permitiu que o Monte Carlo gerisse o desafio com alguma margem de conforto. O atleta brasileiro reforçou a van-
tagem dos campeões do território aos setenta e um minutos, nove minutos antes de Ho Man Hou reduzir para o Ka I. O golo não se afigurou suficiente para que a formação orientada por Chan Man Kin conseguisse evitar o desaire. A derrota foi a primeira do Ka I na edição de 2014 da Liga de Elite.
LIGA DE ELITE - 4.ª JORNADA RESULTADOS Polícia
2 – 1
Kei Lun
Lai Chi
1 – 4
Chao Pak Kei
Benfica
3 – 0
Sub-23
Ka I
1 – 2
Monte Carlo
Folgou o Sporting
CLASSIFICAÇÃO
quarta ronda da Liga de Elite, mas não foi de todo a única. No encontro grande da jornada quatro da principal competição de futebol de Macau, o campeão Monte Carlo impôs-se ao Windsor Arch Ka I por duas bolas a uma, num desafio com repercussões directas na luta pelo título. Depois do desaire da primeira jornada frente ao Sporting e
do percalço frente à Polícia de Segurança Pública, o Monte Carlo corria o risco de hipotecar as probabilidades de lutar pelo título caso não se conseguisse afirmar frente ao Benfica e ao Ka I. A formação orientada por William Chu acabou por superar com distinção ambos os obstáculos, mantendo vivas as aspirações com que iniciou a temporada.
J V E D GM-GS P
1 Chao Pak Kei
3
Chao Pak Kei foi o grande protagonista da quarta ronda do principal campeonato de futebol do território. O emblema orientado por Inácio Hui derrotou a frágil formação do Lai Chi por quatro bolas a uma e igualou o Sporting Clube de Macau na liderança da Liga de Elite. Com o triunfo alcançado ao final da tarde de sábado no Estádio da Taipa, o Chao Pak Kei garantiu o pleno no Campeonato, somando por vitórias os três encontros disputados até ao momento. Apesar de não ter encontrado no Lai Chi um adversário muito exigente, a formação orientada por Inácio Hui só na recta final da primeira parte conseguiu desfazer o nulo que imperava até então no marcador, com Cheong King Cheng a marcar com um remate furioso, depois de vários maus alívios por parte da defesa do Lai Chi. Choi Chan In quase marcou na própria baliza ao tentar afastar o esférico do seu último reduto. U Heng acaba por salvar sobre a
linha, mas a bola sobra para Cheong Kin Chong ao segundo poste e o jovem médio do Chao Pak Kei empurra para golo com um remate decidido. O segundo golo da formação orientada por Inácio Hui surge aos 66 minutos, na sequência de uma boa jogada de ataque da formação alvinegra. Acabado de entrar no desafio, o suplente Leong Tak Wa bombeia o esférico sem grande direcção para o coração da área do Lai Chi e a bola sobra para Diego Patriota. O dianteiro tira um adversário do caminho e remata para o segundo golo da partida. O Chao Pak Kei necessitou de apenas três minutos para marcar o terceiro golo do desafio. Mayckol coroou uma boa movimentação ofensiva da formação orientada por Inácio Hui com um golo fácil, garantindo uma vantagem ampla e confortável para o Chao Pak Kei. Com uma linha de jogo incipiente e sem grande capacidade de acerto táctico, o Lai
0
0
15-3
9
2 Sporting 3 3 0 0 7-0 9 3 Benfica 4 2 1 1 5-2 7 4 Monte Carlo 4 2 1 1 5-4 7 5 Ka I
3 1 1 1 6-3 4
6 Polícia 4 1 1 2 3-4 4 7 Lai Chi 3 1 0 2 6-9 3 8 Sub-23 4 1 0 3 1-9 3 9 Kei Lun 4 0 0 4 3-16 0
CHAO PAK KEI GOLEOU LAI CHI POR 4-1
CPK agarra Sporting na liderança O
3
Chi deu um ar da sua graça aos oitenta e um minutos, ao apontar o seu único tento na partida, naquela que foi possivelmente a jogada melhor delineada de todo o desafio. Marcou Ao Ip Nam, na sequência de uma boa abertura da Hoi Wai Sam. O último golo do encontro acabou, no entanto, por pertencer ao Chao Pak Kei. O grupo de trabalho orientado por Inácio Hui mostrou uma futebol mais fluído e um maior entrosamento durante todo o desafio e encerrou com chave de ouro a partida, ao dar ao triunfo contornos de goleada já em período de descontos. O brasileiro Mayckol bisou no desafio ao concluir com mestria um ataque em bloco da equipa já em tempo de descontos. Com o triunfo frente ao Lai Chi, o Chao Pak Kei somou o terceiro triunfo na principal prova do futebol do território e apanhou o Sporting Clube de Macau na liderança da tabela classificativa da Liga de Elite.– M.C.
II Divisão Casa de Portugal soma nova vitória
O
fim-de-semana desportivo revelou-se favorável às perspectivas das formações de matriz portuguesa que alinham nas divisões secundárias do futebol do território. No sábado, o Organismo Autónomo Desportivo da Casa de Portugal em Macau manteve intactas as perspectivas de lutar por um dos lugares de acesso à elite do desporto-rei do território, ao aplicar a maior goleada da temporada à Selecção de Sub-18 da Associação de Futebol de Macau. A formação orientada por Pelé derrotou o adversário por oito golos sem resposta, numa partida de sentido único em que o emblema de matriz portuguesa parece ter exorcizado de uma vez por todas a falta de eficácia que demonstrou noutros desafios na abordagem ao último reduto contrário. Miguel Botelho, Ricardo Pinheiro e o francês Nicholas Friedmann fizeram o gosto ao pé cada um por duas ocasiões. Os dois restantes golos do conjunto de matriz portuguesa foram apontados por Eric e Jean Perez, a dupla de irmãos que constitui o esteio defensivo da equipa. – M.C.
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FUTILIDADES
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TEMPO
MUITO
NUBLADO
Cineteatro
CINEMA
MIN
16
MAX
19
HUM
75-98%
•
EURO
11.0
BAHT
0.2
YUAN
21
1.3
HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho
Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com
Urze Nome botânico: Calluna vulgaris (L.) Hull. = Erica vulgaris. Família: Ericaceae. Nomes populares: Barba-do-mato; Carrasca; Carrasquinha; Magoriça; Mongariça; Mongariço; Quebra-panelas; Queiró; Queiroga; Torga; Torga-ordinária; Urze-do-mato; Urze-do-monte; Urze-roxa.
POMPEII SALA 1
SALA 3
Um filme de: Paul W. S. Anderson Com: Kit harington, Emily Browning, Kiefer Sutherland 14.30, 16.30, 21.30
Um filme de: Steve McQueen Com: Michael Fassbender, Benedict Cumberbatch, Chiwetel Ejiofor 14.15, 21.30
POMPEII [C]
POMPEII [3D] [C] Um filme de: Paul W. S. Anderson Com: Kit harington, Emily Browning, Kiefer Sutherland 19.30 SALA 2
LONE SURVIVOR [C] Um filme de: Peter Berg Com: Mark Wahlberg, Taylor Kitsch, Ben Foster, Emile Hirsch 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
12 YEARS A SLAVE [C]
MR. PEABODY & SHERMAN [C] (FALADO EM CANTONÊS) Um filme de: Rob Minkoff 16.45
ROBOCOP [C] Um filme de: José Padilha Com: Joel Kinnaman, Gary Oldman, Michael Keaton, Abbie Cornish 19.30
Mapa que chama pedreiros aos portugueses e preguiçosos aos espanhóis • Conhece o novo mapa do belga Sébastien Laurent? É provável que, mais cedo ou mais tarde, tome conhecimento desta criação artística, que como qualquer obra de arte transporta uma mensagem. Mas o mapa de Laurent atribui categorias a cada povo, sendo que em Portugal moram os “pedreiros peludos”. E se os pedreiros trabalham tanto que não têm tempo para cortar os pêlos, já ao lado, na vizinha Espanha, moram os “preguiçosos”. Uma injustiça, até porque os empenhados pedreiros têm mais dívida para pagar e estão sob austeridade que nenhum mapa classifica. Também pouco abonatório é o nome dado ao território russo: A Máfia. O Kremlin não gostará da ideia de Sébastien Laurent, mas a verdade é que pouco tem feito para combater esta fama. E se em Portugal Amália não foi tida para inspirar um nome, o mesmo não se pode dizer aos U2, na Irlanda. Isso mesmo: os irlandeses são os U2. Em Inglaterra, moram os “bifes”, enquanto na Noruega vivem os “vikings”. Ali ao lado, na Finlândia, mora o “Pai Natal” e também em terras nórdicas há “loiras burras”, na Suécia.
SUGDEN, A GENUÍNA Rhian Sugden é uma modelo inglesa genuína. Porquê? É que a estonteante loira teve a coragem para dizer não a Cristiano Ronaldo no ano passado, segundo a própria revelou ao The Sun. A notícia já não é nova mas o mesmo já não se poderá dizer da nova produção fotográfica da britânica de 27 anos, que tem presença habitual em várias revistas masculinas. O avançado português terá, de acordo com o mesmo jornal, explicado à sua já companheira, Irina Shayk, que tudo não passou de uma invenção de Rhian Sugden. Mas poderá ainda haver, após todo este tempo, um fraquinho no coração do melhor jogador do mundo?
fonte da inveja
O homem embriagado nega os deuses.
João Corvo
Com menos de um metro de altura, a Urze é um subarbusto muito ramificado, com numerosas pequenas folhas e minúsculas flores crescendo aos cachos nas extremidades dos ramos; forma moitas compactas, em várias tonalidades do rosa ao vermelho-púrpura ou violeta, que se estendem pela paisagem conferindo-lhe enorme beleza. Pode alcançar os 40 anos de vida. Habita as regiões temperadas do hemisfério norte, principalmente nas zonas montanhosas. Planta de múltiplos usos, da Urze tudo se aproveitava: as raízes eram transformadas em cachimbos e flautas; os ramos substituíam o colmo na cobertura dos celeiros e eram usados no fabrico de cestas, cordas e vassouras; com a folhagem enchiam-se os colchões antigos; os rebentos empregavam-se, em vez do Lúpulo, para aromatizar a cerveja; e, com o seu néctar, as abelhas produzem um excelente mel. Quanto às suas virtudes medicinais, também eram conhecidas dos nossos antepassados, sendo referidas por Dioscórides e Galeno, famosos médicos gregos da Antiguidade (séculos I e II). Em fitoterapia são usadas as sumidades floridas, frescas ou secas. Pode ser ainda utilizada uma outra Urze, a Erica cinerea, em tudo semelhante à Calluna vulgaris. COMPOSIÇÃO Flavonoides, glucósidos da hidroquinona (arbutósido), taninos, procianidinas oligoméricas, fenóis, ácidos fenólicos, ácidos orgânicos, triterpenos, fitosteróis, resina, óleo volátil, goma, um alcaloide, caroteno e amido. O arbutósido é hidrolisado pela flora intestinal libertando hidroquinona, um potente antissético urinário. AÇÃO TERAPÊUTICA A Urze desinfeta e acalma a inflamação da bexiga e vias urinárias restabelecendo o aspeto normal à urina quando esta se encontra turva ou malcheirosa; aumenta ainda a
eliminação de líquidos, sem perda de sais minerais, favorecendo a excreção das substâncias tóxicas do sangue e do trato urinário. Devido a estas propriedades tem sido usada em caso de ardor ao urinar, inflamação da bexiga, cálculos urinários, albuminúria, pielonefrite e nefrite, bem como na hipertensão. Na hiperplasia benigna da próstata e prostatite, esta planta desinfeta, desinflama e alivia as perturbações da micção. Como depurativa tem indicação no ácido úrico elevado, gota, artrite e reumatismo. Em virtude do seu efeito adstringente tem sido tradicionalmente usada na diarreia. OUTRAS PROPRIEDADES Em uso externo, a Urze tem efeitos antioxidantes protegendo a pele dos efeitos nocivos dos raios UVB, ao mesmo tempo que a desinflama e regenera reduzindo o aparecimento de manchas da idade; é igualmente antisséptica. Tem sido usada na acne, eczemas, frieiras, afeções da boca e faringe, herpes e para acalmar as dores reumáticas e articulares. COMO TOMAR USO INTERNO • Cozimento: 1 colher de chá por chávena de água, 10 minutos de fervura. Tomar 3 chávenas por dia, entre as refeições. • Em ampolas, xarope, cápsulas e comprimidos, especialmente em fórmulas para as infeções urinárias e desintoxicação do organismo. USO EXTERNO • Cozimento: 30 gramas por litro de água. Em lavagens e compressas, bochechos e gargarejos. • Cataplasma de sumidades floridas: Aplicar quente nas frieiras e reumatismo. • Receita – Óleo medicinal de Urze Colocar num frasco 100 g de sumidades floridas de Urze e meio litro de azeite. Deixar a macerar durante 2 a 3 semanas. Agitar diariamente. Filtrar e conservar em frasco de vidro escuro. Aplicar nas afeções da pele e nas articulações afetadas. PRECAUÇÕES A Urze pode ocasionar perturbações gástricas em pessoas com gastrite ou úlcera gastroduodenal. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.
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OPINIÃO
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MAR CO CARVALHO
expediente cínico
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ORTUGAL há muito que morreu, mas o certo é que não o sabe ainda. António Sérgio traçou-lhe o mais acertado dos retratos há mais de meio século: cadáver adiado que procria. Nação com um povo generoso mas sem grandes perspectivas nem horizonte, incapaz de conjugar futuro e causas comuns numa mesma frase, Portugal não entusiasmava o pensador por nele não encontrar firmeza de espírito suficiente para uma necessária regeneração. Escrevia António Sérgio sobre um Portugal amordaçado pela pobreza e silenciados pela inominável tibieza de um regime que alardeava a ignorância como instrumento de auto - garante. O defunto apresentava-se então polido e compostinho dentro do ataúde, a tez das rosas à flor da pele. Uma beatitude plácida permeava-lhe o rosto e quem assim o visse mais certamente diria que não era em obsolescência que o finado estava envolto, mas sim que dormia o sono mágico dos contos de fadas e das histórias de encantar. Mais tarde do que cedo despertaria, sacudiria o pó das pregas do casaco e deitaria redes ao tempo, reivindicando para si e para os seus novos paradigmas e novas oportunidades. Épocas houve em que o milagre se afigurou palpável. Numa madrugada inteira e limpa de um Abril agora despedaçado, libertaram-se do féretro - o finado ainda ininterrupto, aprumado e hirto - evolações de esperança, permeadas pelo travo brando, quase insinuado, de um molho de cravos que um gesto de generosidade transformou em símbolo, em santo-e-senha de um futuro melhor. De pele emaciada, o defunto quase se
cartoon por Stephff
PETER FARRELLY, BOBBY FARRELLY, DUMB AND DUMBER
O estertor de Portugal
A mágoa em que estão mergulhados uma boa parte dos jovens portugueses não explica, ainda assim, o estado-geral de inércia e de quase estupidificação que se apoderou de Portugal convenceu de que apenas dormia e alimentou como que o sonho de um estertor ou de uma vertigem que o denunciasse como vivo, pois dos vivos nunca perdera a compostura. Como o ataúde era simples (cinco esquálidas tábuas debruadas a cetim) houve quem, tomado por devoção, fetichismo ou outros interesses menos claros, entendesse que para que o defunto desse de uma vez por todas o salto para a vida era necessário aprimorá-lo, enfeitar-lhe o caixão, insuflar-lhe algum orgulho. O país, agora já não apenas o corpo composto e incorrupto que lhe simboliza a dolência, foi rasgado por estradas, estradinhas
CONTAGEM DECRESCENTE
e estradões, construíram-se aldeamentos, cidades satélite, estádios e centros culturais, hotéis atlânticos que prometiam o melhor sol, o melhor sal e o melhor Sul, o de uma Europa marinada na brandura do Mediterrâneo e como tal menos adstrita e menos complacente com a marcha do relógio. Ao mesmo tempo, num movimento sem precedentes num país deprimido pelo sincretismo fatalista do fado e pelo lamento da guitarra, milhares de jovens libertaram-se dos grilhões de um futuro traçado de antemão e invadiram as universidades. A academia democratizou-se. Deixou de ser a coutada de alguns para ser um direito de todos e pelo caminho perdeu inexoravelmente algum do rigor darwinista que lhe moldara, a bem da própria credibilidade dos ensinamentos que transmite, o carácter e a reputação. No intervalo de pouco mais de uma geração, as crianças de Portugal trocaram as sopas de cavalo cansado e os vivas e os louvas ao senhor presidente do conselho pelos bancos das escolas e pelo caderno dos deveres e investiram o melhor dos tempos - impagáveis horas de meninice - numa promessa que tinha tudo para dar certo e que acabou, incompreensivelmente, por se revelar uma maldição. Durante anos a fio, o discurso - o oficial e o oficioso - condenou à exclusão quase adquirida quem, por opção ou impossibilidade, não fizesse da frequência do ensino superior uma paragem incontornável no percurso de vida. A Universidade, foi este o engodo vendido a milhares de famílias portuguesas, seria sinónimo de um futuro tranquilo, de uma conta bancária recheada e de um país mais competitivo e mais elucidado. Minado que está o mito do toque de Midas, não é de todo difícil encontrar as razões por detrás do ressentimento colectivo em que ferve toda uma geração. Sem perspectivas lícitas de futuro num país que os preparou para arder no fogo do conhecimento e da
inovação e depois lhes apagou a chama com um balde de indiferença, milhares de jovens encheram o peito com um punhado de coragem, pegaram na mala e partiram à conquista do mundo. Muitos colocaram o génio e a vontade ao serviço de terceiros e à custa de muita entrega e esforço pessoal provaram que, afinal, o defunto nunca teve ambição suficiente para ressuscitar porque escorraçou uma boa parte daqueles que o poderiam ter empurrado de novo para a vida. A mágoa em que estão mergulhados uma boa parte dos jovens portugueses não explica, ainda assim, o estado-geral de inércia e de quase estupidificação que se apoderou de Portugal. Esteja ou não a ser devidamente capitalizada, obtenha ou não do governo e da sociedade civil o respeito que lhe seria merecido, a verdade é que o cadavérico ensejo que há cinco séculos naufraga de sobressalto em sobressalto nunca dispôs como hoje de tanta gente tão bem formada, tanta gente nominalmente qualificada, tanta gente supostamente capaz de pensar por seu próprio mote e, como tal, aparentemente capaz de delinear com razão – e coração, se necessário for – alternativas prosaicas de futuro. O Portugal ilustrado que as gerações pós-CEE (essa mesmo que agora se escangalha sem pudor sob a sacripanta designação de União Europeia) fariam supor que existisse, subsiste apenas nos advérbios de modo. A realidade é outra: é um Portugal que se some em sucessivos sobressaltos, em soluços, em enfartes. Um país que se desfaz em polémicas estéreis, em práticas de voyeurismo patrocinadas por governos sucessivos e que anula todo o seu potencial num modernismo marialva que coloca frequentemente os direitos de alguns acima dos direitos de todos. Incapazes de resolver com a destreza necessária os problemas do país, de imaginar soluções de consenso para o futuro de Portugal, os governos que ao longo das duas últimas décadas zelaram pelo defunto não tiveram pudor em dissimular a incompetência com uma das mais velhas artimanhas de consolidação do exercício do poder. Fizeram desaparecer a causa comum do discurso político e legislativo e dividiram para reinar. Grande parte dos diplomas fundamentais aprovados ao longo dos últimos anos – dizendo respeito a questões que teriam necessariamente de ser diligenciadas como a interrupção voluntária da gravidez, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a co-adopção – acabaram por ter o condão de monopolizar o debate público, condenando outras questões de natureza amplamente social (e como tal mais abrangentes) à quase não discussão e a um apagamento compulsivo. Em vigor há quase dois anos, o novo código do trabalho não motivou metade da discussão que motivaram as praxes, as touradas e circunstâncias que tais. O discurso da especificidade, a cantilena do ego e do individualismo apoderaram-se do debate público, das redes sociais e dos comentários dos jornais e é aqui que começa, hoje de novo, o estertor de Portugal.
opinião 23
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DAVID CHAN* legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog
macau visto de hong kong
N
“
OS últimos dias a EOC tem vindo a investigar os incidentes analisando detalhadamente os factos mais relevantes. Com base em notícias da imprensa, constatámos que foram utilizados termos depreciativos em relação aos turistas da China, como “gafanhotos” e “Shina” (um termo chinês que serve para descrever os japoneses, numa linguagem simples quer dizer japonês). A EOC vai ponderar se estas observações têm conotações racistas.” “EOC” quer dizer “Equal Opportunities Commission”. É uma organização do governo de Hong Kong. As declarações acima descritas foram feitas por York Chow Yat-ngok e publicadas no website da EOC no dia 20 de Fevereiro de 2014. York Chow é o comissário da EOC. Estas declarações foram feitas a propósito dos protestos de dia 16 de Fevereiro Tsim Sha Tsui, Hong Kong, contra os turistas do Continente com “Vistos de multi-entrada”. Actualmente vivem cerca de 232 milhões de pessoas em Shenzhen. Para além dos cerca de 12 milhões de funcionários públicos, os “Vistos de multi-entrada” podem ser adquiridos por cerca de 100 dólares de Hong Kong. Uma vez adquiridos os turistas podem entrar e sair de Hong Kong as vezes que quiserem durante um ano. A ideia original deste visto foi para que os turistas do Continente pudessem comprar artigos de luxo em Hong Kong e assim fazer crescer a economia local. Mas o que realmente passou a acontecer foi que os turistas chineses passaram a ir a Hong Kong comprar produtos de uso quotidiano como leite em pó e medicamentos. Os turistas do Continente começaram também a comprar casas em Hong Kong o que fez com que os preços das habitações não parassem de subir. Os habitantes de Hong Kong sentiram na pele os efeitos negativos desta realidade. A política dos “Vistos de multi-entrada” tem méritos e deméritos e como tal aconteceram dois tipos de manifestações no dia 16 de Fevereiro. Uma, a favor dos turistas da China Continental e outra contra. A polícia local deve ter sofrido bastante porque tinha de separar os dois grupos de manifestantes. Foram ouvidas palavras como “gafanhotos” e “Shina” e também alguma linguagem mais vulgar, com o uso de palavrões. Nem Hong Kong nem Macau permitem discriminação racial. Em Hong Kong, existe a Race Discrimination Ordinance. Em Macau, o artigo 25 da Lei Básica de Macau proíbe a discriminação racial. Expressões como “gafanhotos” e “Shina” podem ser
SIDNEY LUMET, 12 ANGRY MEN
A linguagem ordinária é, ou não, um crime?
consideradas como discriminação racial ? Vamos esperar pelo relatório da Hong Kong Equal Opportunities Commission. York Chow disse ainda no website da ECO, que “a EOC condena o comportamento pouco civilizado dos manifestantes, humilhando e insultando os turistas que têm todo o direito de aqui estar. Estamos muito preocupados com este comportamento difamatório e calunioso e tememos que estas atitudes possam aumentar a tensão social manchando a imagem de Hong Kong como uma cidade pluralista e amigável”. O comportamento pouco civilizado dos manifestantes resultou em insultos e humilhações para com os turistas chineses. Como já foi dito, alguns manifestantes usaram linguagem ordinária. Esta linguagem é insultuosa? A utilização de linguagem ordinária é crime? O artigo 30º (1) da Lei Básica de Macau diz que, é “inviolável a dignidade humana dos residentes de Macau. São proibidas a injúria, a difamação, bem como a denúncia e acusação falsas, seja qual for a sua forma, contra qualquer residente de Macau.)” A linguagem ordinária é o mesmo que “humilhação”? Vejamos primeiro a situação de Hong Kong. No dia 6 de Setembro de 2007, um passageiro disse palavrões num comboio. Foi condenado a pagar uma multa de 600 dólares de Hong Kong. Existe uma legislação subsidiária (uma legislação inferior a uma outra superior. Neste caso, a superior é a Mass Transit Railway Ordinance, e a inferior a Mass Transit Railway By-Laws) que
proíbe, no capítulo 556B, secção 28H (1) (a) o “abuso de linguagem”. A pena máxima é de 5.000 dólares de Hong Kong. Este tipo de lei não existe apenas nos comboios, também se aplica nos outros transportes públicos, no aeroporto e no Ocean Park. Quem disser palavrões no Ocean Park ou no autocarro pode ser condenado a uma multa e pena de prisão. Não é só em Hong Kong que a linguagem ordinária está proibida. Na Austrália passa-se o mesmo. Desde 2007, que o uso de palavrões está restrito, em Sidney. A multa na altura era de 150 dólares australianos, tendo sido recentemente aumentada para 500 dólares australianos. Em Queensland e em Victoria,
Não é só em Hong Kong que a linguagem ordinária está proibida. Na Austrália passa-se o mesmo. Desde 2007, que o uso de palavrões está restrito, em Sidney. A multa na altura era de 150 dólares australianos, tendo sido recentemente aumentada para 500 dólares australianos
os palavrões também são crime e as multas são de 240 dólares australianos e 100 dólares australianos respectivamente. O agente da polícia, Scott Webber disse que a lei pode ser efectiva e acabar com o uso de palavrões. O número de crimes deste tipo entre Outubro de 2012 e Setembro de 2013, foi de 4,289. Mas no mesmo período de 2012 foi de 4,718. Este tipo de lei reduz o índice de criminalidade. Mas existe um problema de aplicação da lei. A lei australiana não define o que é o uso de linguagem vulgar. Se um polícia quer processar um infractor tem de usar o seu julgamento pessoal para determinar se o que foi dito é, ou não, linguagem ordinária. É um julgamento subjectivo que pode ser difícil de aplicar. Para além do mais, muitas pessoas fazem uso desta linguagem no dia a dia, como algo que faz parte do seu vocabulário normal. É um fenómeno generalizado na sociedade. A liberdade de expressão assim o permite. Nos casos acima referidos, todos os acusados foram condenados por utilizar “linguagem ordinária”, e não por terem insultado alguém. Se a sociedade entende que a “linguagem ordinária” é “humilhante”, então a sua utilização deve ser crime. É bom que Macau tenha em consideração a experiência de Hong Kong, e que este assunto, linguagem vulgar e humilhação, faça também parte do nosso quotidiano. *Professor Associado no Instituto Politécnico de Macau
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@ hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
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CHINA QUEIJO MAIS ANTIGO DO MUNDO DESCOBERTO EM MÚMIAS
Falta tomar-lhe gosto P EDAÇOS de queijo datados de 1450-1615 antes de Cristo (AC) foram encontrados em múmias na China, noticiou sexta-feira o jornal USA Today, que afirma tratar-se dos mais antigos queijos do mundo. Segundo a publicação norte-americana, os bocados de queijo chinês encontrados nos pescoços e peitos de múmias chinesas, que remontam ao ano de 1615 AC, são “de longe, os mais antigos já descobertos”. Os investigadores referiram que a conservação do queijo e das múmias se deve, em parte, às condições climatéricas extraordinárias (ar seco do deserto e solo salgado) existentes no Cemitério Small River, no noroeste da China. “Nós PUB
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não só identificámos o produto como o queijo mais antigo alguma vez conhecido, mas também temos evidência directa de tecnologia antiga” usada para o conservar, disse o químico analítico no Instituto de Biologia Celular, Molecular e Genética Max Planck da Alemanha, Andrej Shevchenko, que pesquisou as múmias. Ao analisar as proteínas e gorduras, a equipa liderada por Andrej Shevchenko determinou que se tratava definitivamente de queijo e não de manteiga ou leite, mas não conseguiu apurar por que motivo as pessoas na altura eram enterradas com pedaços de queijo nos seus corpos. A análise química dos produtos
agora descobertos também mostrou que os queijos encontrados nas múmias eram feitos à mesma base de produção de quefir, bebida gasosa dos montanheses do Cáucaso, obtida a partir do leite por fermentação. Segundo Andrej Shevchenko, actualmente o queijo não é feito à base de quefir, mas à base do coalho, uma substância das entranhas de bezerro, cordeiro ou cabrito, que coalha o leite.
Macau Escola Portuguesa precisa de instalações maiores
Se a Escola Portuguesa ficar nas actuais instalações, deve ser alvo de obras de ampliação. A ideia é defendida por Manuel Machado, presidente da direcção do estabelecimento de ensino, em entrevista à Rádio Macau. “Não sei se em termos de projecto e de autorizações, é possível aumentar em altura o bloco novo, da autoria do arquitecto Carlos Marreiros. Uma das zonas em que é possível intervir é na zona do pavilhão gimnodesportivo, no sentido de eventualmente se poderem criar mais salas de aula”, defende. A ideia será poder criar “um pavilhão que seja mais polivalente e não esteja só exclusivamente destinado à prática de desporto”.
Macau Candidaturas para Programa de Aperfeiçoamento Contínuo em Abril
A Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) revelou na semana passada que o novo Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo receberá pedidos a partir do mês de Abril. O chefe da Divisão de Extensão Educativa (DEE), Kong Ngai, frisou que o Governo está a promover o trabalho preparatório para começar a receber as candidaturas e que está a esforçar-se para receber também as candidaturas das entidades que dão os cursos. Os cidadãos só podem fazer registo nos cursos do programa em Junho.