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Hoje Macau 29 AGO 2013 #2925

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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COLONIALISMO

COMO O RACISMO E O SEXISMO AINDA SUBSISTEM NOS DIAS DE HOJE

CENTRAIS

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MOP$10

Ter para ler

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • QUINTA-FEIRA 29 DE AGOSTO DE 2013 • ANO XII • Nº 2925

• 10 ANOS DA CREATIVE MACAU

INDÚSTRIAS CRIATIVAS PRECISAM DE UMA ALAVANCA, DEFENDE LÚCIA LEMOS PÁGINA 15

• PONTE HK-ZHUHAI-MACAU

POPULAÇÃO DA AREIA PRETA QUEIXA-SE DE MAUS ODORES E FALA EM OBSTRUÇÃO DE ESGOTO PÁGINA 13

Académico apreensivo com o papel da DSPA no plano de dez anos do Governo para a protecção ambiental

Fazer mais e melhor Em entrevista ao HM, o professor Wang Zhishi sentiu o pulso ao meio-ambiente de Macau. O académico, que coordena um projecto sobre gases poluentes para o Governo, defende que os carros eléctricos “não são muito convenientes” e que o Executivo deveria apostar em alternativas, levando os cidadãos a “não usarem tanto os automóveis”. Falta de legislação ambiental é, para o também engenheiro, uma lacuna que urge colmatar. PÁGINAS 2 E 3

• JOGO INVESTIGAÇÃO

Las Vegas Sands paga aos EUA para não ir a tribunal PÁGINA 6

• MACAU FICOU DE FORA

Facebook recebeu 25 mil inquéritos sobre utilizadores PÁGINA 7

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ENTREVISTA

ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

O

S Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) já garantiram que no próximo ano a inspecção dos carros poderá incluir o controlo da emissão de gases de cada veículo. Mas o projecto do Governo está dependente dos resultados da investigação coordenada por Wang Zhishi. Ao HM, o engenheiro ambiental fala de um projecto financiado por Pequim Comecemos pelo seu projecto de investigação sobre a emissão de gases por parte dos veículos. Em que fase está esse processo? Trata-se de um projecto nacional, o que significa que é apoiado pelo Governo Central, pelo Ministério de Ciência e Tecnologia, que tem um programa de fundos para projectos considerados de referência. Este projecto está a ser feito pela Universidade de Macau (UMAC) e pela Universidade de Tsinghua em Pequim. Trata-se de criar padrões que tornem claros os limites das emissões de gases e o impacto que essas emissões têm no tecido urbano de Macau. Estamos a fazer uma avaliação da qualidade do ar da cidade para descobrir as fontes da poluição do ar. Acreditamos que uma das fontes é a emissão de gases pelos carros. Mas essa é a principal origem da poluição em muitos lugares, mesmo em Lisboa. No caso de Macau temos de especificar qual o tipo de poluição, poluentes e os níveis actuais, bem como qual será a tendência no futuro. E qual será? Ainda temos de obter os dados. Temos que descobrir, no ar que circula em Macau, especialmente na zona de maior tráfego, quais as componentes e poluentes que compõem esse ar e que fazem parte de uma lista de gases considerados prioritários, da agência norte-americana de protecção ambiental, que diz quais os componentes químicos deveriam ser controlados de forma urgente. Há muitas emissões de carros a gasolina que acontecem devido a uma combustão incompleta do combustível, devido aos produtos petrolíferos existentes. Também estamos a analisar a origem destes componentes, e descobrimos que a sua concentração no ar acontece devido ao tráfego nas estradas. Isso significa que quantos mais carros existirem nas estradas os níveis desses componentes serão maiores. Uma das evidências diz-nos que estes componentes estão na lista da agência norte-americana. O Governo já tem conhecimento destes resultados? Mantemos uma comunicação frequente com o Governo, e de forma continuada. Mesmo nos Estados

hoje macau quinta-feira 29.8.2013

ACADÉMICO WANG ZHISHI COORDENA PROJECTO SOBRE GASES POLUENTES

“A DSPA poderia fazer mais


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hoje macau quinta-feira 29.8.2013

e de forma mais rápida” O Governo poderia apostar em alternativas, como levar os cidadãos a mudar e a não usarem tanto os automóveis, e a apostar mais nos transportes públicos Unidos não podemos encontrar uma forma directa de controlar este tipo de poluição. O Governo deve tentar melhorar o sistema de avaliação dos carros em circulação. Cada ano os veículos devem ser avaliados com base num programa de monitorização, em que se sabe se o carro está bom para circulação ou não. Mas este programa apenas se foca na manutenção dos carros. Mas agora o Governo está a considerar incorporar a avaliação da emissão de gases do carro. O Executivo já disse que esse plano pode avançar em 2014. É algo completamente novo, e pelo que sei ainda estamos à espera de ver como é que isso pode ser feito. Envolve um processo de legislação, e para isso é preciso tempo. Começou a ser feito há um ano mas ainda estamos a tentar clarificar a situação actual do ponto de vista científico, para que possamos ter mais evidências. Temos de aprender mais sobre a actual situação em Macau. Mas acredito que este processo da iniciativa do Governo não vai parar, está no bom caminho. Até porque neste tipo de programa também temos que chamar a atenção dos utilizadores desses veículos, porque da nossa parte só vamos introduzir novas regras, mas temos de ver que os utilizadores têm os seus interesses e que necessitam de mais dinheiro para mudar de carro. É por isso que temos de acumular evidências cientificas suficientes, porque deveríamos pagar pela poluição que é feita. Temos de deixar essas pessoas compreender que o Governo está a fazer as coisas certas. Os cidadãos devem aceitar essa ideia, e isso não depende do Governo, mas sim do progresso da nossa investigação. Como podem ser criadas alternativas para os condutores? O Governo da RAEM tem vindo a cooperar com o Ministério da Ciência e Tecnologia para levar avante este projecto. Mas por forma

a controlar as emissões, o Governo poderia apostar em alternativas, como levar os cidadãos a mudar e a não usarem tanto os automóveis, e a apostar mais nos transportes públicos. O novo Metro Ligeiro está a ser construído... Sim, especialmente o metro é muito importante. Mesmo para o desenvolvimento do sistema de transportes públicos é preciso o apoio dos cidadãos. É preciso apoio financeiro. É por isso que temos de ter mais evidências para levar os cidadãos a compreender o Governo. Hoje em dia os cidadãos não compreendem o Governo? Não. Mas o Governo deveria fazer qualquer coisa, a prioridade deveria ser levar os cidadãos a compreenderem.

UM NOVO MODELO DE TRANSPORTES PÚBLICOS Falou de um novo modelo de transportes. É possível num futuro próximo criar esse modelo e reduzir o uso de automóveis? Espero que sim, mas não tenho a certeza, porque isso depende dos cidadãos. São os residentes que devem decidir usar o autocarro em vez do carro. Acredito que se o sistema de transportes públicos ficar completo e se estiver disponível para utilização do público, penso que vão haver mais utilizadores. Mas o problema é que o autocarro pode ser mais barato, mas muitos querem usar o seu carro para não ter de esperar ou estacionar onde quiserem. Fala-se muito na solução dos carros eléctricos. Pode, de facto, ser algo positivo? Talvez seja uma das soluções, e o Governo deveria tentar qualquer coisa para controlar as emissões. Mas penso que os carros eléctricos têm alguma emissão de poluentes para o ar. Continua a haver uma ligeira poluição do ar, mas é me-

lhor para a cidade. Mas para os carros eléctricos o Governo vai fazer alguma coisa, embora essas regras ainda não estejam estabelecidas. A razão é porque ainda não encontrámos o veículo eléctrico ideal para substituir totalmente os automóveis em circulação. Os carros eléctricos não são muito convenientes para usar, porque o arranque é mais lento, por exemplo. Ainda há problemas técnicos.

É membro do Conselho Consultivo do Ambiente junto da DSPA. Que análise faz deste trabalho? Temos muita comunicação com o Executivo, e usamos a nossa linguagem, que não é apenas como estou a fazer consigo, a conversar. Apresentamos os resultados do nosso trabalho, as evidências científicas para que possamos todos aprender mais sobre o panorama do ambiente e o controlo das emissões.

Acredita que num futuro próximo, nos próximos cinco ou dez anos, cada família de Macau possa ter um carro eléctrico? Cinco anos é um tempo muito curto. Envolve muitas questões complicadas, e até ao nível das marcas. Onde poderemos encontrar os veículos eléctricos mais adequados a Macau? Esse continua a ser um dos principais entraves.

O TRABALHO DA DSPA A DSPA apresentou um plano a dez anos para a protecção ambiental, que ainda não foi totalmente implementado. O Governo deveria ser mais rápido nas suas acções? Sim, penso que a DSPA poderia fazer mais e fazer as coisas de forma mais rápida, quanto a isso não há dúvidas. Mas penso que até agora a área da protecção ambiental junto do Governo está no bom caminho. Há muita pressão junto do Governo por causa do problema da poluição. Isso acontece pela questão do espaço. Macau é um território pequeno e os recursos terrestres sempre foram poucos. E a população está a aumentar. O Governo sempre teve esse problema para resolver, mesmo antes do regresso de Macau à China. Em 1992 o Governo gastou muito dinheiro para construir a ETAR. Olhando à volta, mesmo em Hong Kong, não existe qualquer incineradora, os resíduos sempre foram queimados. Mas Macau tinha de fazer isso dessa maneira porque não havia terra suficiente.

Acredito que se o sistema de transportes públicos ficar completo e se estiver disponível para utilização do público, penso que vão haver mais utilizadores. Mas o problema é que o autocarro pode ser mais barato, mas muitos querem usar o seu carro para não ter de esperar ou estacionar onde quiserem

Os carros eléctricos não são muito convenientes para usar, porque o arranque é mais lento, por exemplo. Ainda há problemas técnicos

proteger o ambiente. Acredito que na área do Cotai os progressos podem ajudar a paisagem e a manter um ambiente melhor. Mas o importante é que o Governo deveria controlar o desenvolvimento dos casinos, deveríamos pensar sempre numa concepção ecológica. Não podemos quebrar o equilíbrio entre a protecção ambiental e as construções. O Governo deveria dizer às operadoras de jogo para terem cuidado com essa questão. E aqui falamos do risco que este tipo de projectos pode ter. Talvez devêssemos, de forma sistemática, ver as consequências para Macau desse crescimento económico, ou do desenvolvimento social, em termos ecológicos. Isso porque temos de controlar a população, não podemos só deixar que as pessoas venham para Macau. A nossa terra é limitada e temos um ambiente frágil. A sua equipa de investigação está a estudar esta questão? Já começámos. Tenho um aluno de doutoramento que está precisamente a estudar o desenvolvimento equilibrado e qual o risco que este crescimento económico está a ter para o ambiente. Temos de pensar que poderá existir algumas limitações ao desenvolvimento. Outro é o risco de segurança ambiental. Por exemplo, em Coloane há um parque público onde encontramos o meio ambiente sem grandes alterações. Mas há muitos empresários que olham para aquela área, e querem a permissão do Governo para construir lá. Mas esse é um problema. Segundo o desenvolvimento sustentável e essa estratégia, deveríamos manter Coloane como está, porque é uma das poucas áreas naturais. Se a mudarmos, as novas gerações já não vão poder ter acesso a ela e recuperá-la.

A DSPA quer criar um regime de impacto ambiental, que continua por implementar. Concordo que o Governo tenha este tipo de políticas, porque podemos ter estudos sobre o impacto ambiental dos projectos e quais os projectos que geram impactos negativos. Deveríamos de facto criar este regime, especialmente para os grandes projectos.

É necessária uma nova lei do ambiente para melhorar alguns objectivos? A lei precisa de ser melhorada, porque actualmente é muito generalizada. Precisamos de ter conteúdos específicos na lei, como a limpeza da água, como existe nos Estados Unidos. Temos de melhorar a legislação ambiental. Não é preciso ter uma nova lei ambiental, apenas melhorar.

Falando especificamente da área do Cotai, acredita que a ligação entre o desenvolvimento dos casinos e do meio ambiente vai ser equilibrada nos próximos anos? Penso que sim. A protecção ambiental é urgente porque trata-se de uma área já muito desenvolvida. Para qualquer programa de protecção ambiental é preciso dinheiro, e o dinheiro vem do crescimento económico. Por isso acredito que se a área do Cotai estiver preenchida, o Governo poderá ter mais dinheiro, que poderá ser usado para

Que áreas deveriam estar especificadas na lei? Deveríamos ter uma legislação sobre o impacto ambiental, como já falamos. Para o controlo da emissão de gases dos veículos também deveríamos ter um melhor regulamento, que especificasse quais os limites aceitáveis da poluição do ar. Também deveríamos ter outros padrões para outros tipos de poluição, que regulassem a qualidade da água, por exemplo. Leis que definissem critérios para o controlo da poluição.


TIAGO ALCÂNTARA

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POLÍTICA

hoje macau quinta-feira 29.8.2013

LA SCALA JULGAMENTO É RETOMADO HOJE, COM TESTEMUNHO DE INVESTIGADOR DO CCAC

Mais uma moedinha, mais uma voltinha JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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ONTINUA hoje, no Tribunal Judicial de Base (TJB), o julgamento do chamado Caso La Scala, que tem como principais arguidos Joseph Lau e Steven Lo, empresários de Hong Kong acusados de corrupção a Ao Man Long, ex-secretário para as Obras Públicas e Transportes. O dia vai ser dedicado a ouvir mais uma testemunha do Comissariado contra a Corrupção (CCAC), que sucede ao coordenador da investigação, Lei Tong Leong, e ao cunhado de Pedro Chiang – este arguido no âmbito das Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) -, duas últimas testemunhas ouvidas no TJB. Durante as sessões têm sido levantadas algumas questões mais polémicas, como é o caso da utilização de PowerPoint pelas testemunhas do CCAC, arroladas pela acusação. O juiz diz que é para avivar a memória dos investigadores, a defesa contesta que estas são testemunhas “privilegiadas” por terem sido arroladas pela acusação

e por serem as únicas que se podem socorrer de documentos. No âmbito do caso do La Scala – onde o MP tenta provar que os dois empresários de Hong Kong foram escolhidos para ficarem com os cinco terrenos em frente ao aeroporto por terem pago 20 milhões a Ao Man Long – foi ouvida Pun Pou Leng. Esta era gerente-geral da Lei Pou Fat – a empresa encarregada de vender os terrenos do aeroporto – ao lado de José António de Castanheira Lourenço, mas pouco sabe responder sobre a venda das terras. Ouvida durante mais de nove horas, confirmou nunca ter recebido qualquer instrução para que a Jones Lang LaSalle – a representar a Moon Ocean, dirigida por Steven Lo – fosse a escolhida para ficar com as terras. Uma das outras testemunhas mais importantes no caso é Lei Tong Leong, Chefe do Departamento de Investigação do CCAC, que afirmou perante o tribunal que uma das empresas de Joseph Lau – a Eastern Base ou Tou Keng, em chinês – terá efectuado um depósito de 20 milhões de patacas numa das empresas das lhas Virgens Britânicas controladas por Ao Man Long.

Interrogado pela defesa, o investigador do CCAC continuou a formular teses de que os dois empresários de Hong Kong mantinham contactos com Ao Man Long e de que este beneficiou a Moon Ocean para que esta conseguisse ganhar a consulta por convite – onde se fazia representar pela Jones Long LaSalle e competia com a Richard Ellis e a Vigars, que representava a STDM. Voltou a insistir na tese de que Ao teria beneficiado os dois homens, mas através de hipóteses e não documentos, o que não foi bem aceite pela defesa. A ideia da defesa, por outro lado, é provar que a Moon Ocean – a empresa que venceu o concurso – não podia ter sido beneficiada com informações para apresentar uma proposta melhor dos que as outras. Jorge Neto Valente e Rui Sousa – defensores do empresário Steven Lo – deram, como exemplo, o facto de a STDM – uma das empresas a vender, mas também a comprar os terrenos – saber de antemão que as terras iam ser vendidas.

MAIS PROBLEMAS

Os registos de entradas e saídas do território da Polícia de Segurança

Pública (PSP) deixaram também muitas dúvidas. Lei Tong Leong utilizou documentos para garantir que Joseph Lau, Steven Lo e Kevin Lau, alegado funcionário de Lo, se encontraram para jantar no dia 22 de Junho de 2005 com Ao Man Long, mas a defesa apresentou registos das autoridades que diziam que o ex-secretário para as Obras Públicas e Transportes não estava sequer em Macau. A testemunha, que tinha inicialmente dito que os registos das autoridades eram credíveis, mudou a versão e colocou então a hipótese de que Ao Man Long poderia ter usado “entradas especiais” por ser secretário. A PSP afirmou, contudo, ao HM que “todos os registos de entradas e saídas da RAEM, são obrigatoriamente efectuados a todos os cidadãos, sem excepção”. O TJB já se comprometeu a questionar as autoridades sobre as possibilidades de erros nestes registos apresentados em tribunal. Na última sessão, dez minutos bastaram para que o cunhado de Pedro Chiang, entre respostas de ‘sim’ ou ‘não’, confirmasse que o empresário “nunca falou consigo sobre as ETAR”, nem “sobre a Best

Choice”. Esta empresa, recorde-se, era uma das ‘off-shore’ de Ao Man Long, da qual Chiang era alegadamente administrador, e onde terá caído dinheiro dos subornos recebidos pelo ex-secretário para as Obras Públicas e Transportes. O cunhado do empresário que está a ser julgado à revelia por se encontrar em Portugal afirmou ainda perante o tribunal que Pedro Chiang “nunca mencionou ser sócio da Waterleau” – a empresa belga que fazia parte do consórcio com a ATAL Engeneering e a Companhia de Construção e Engenharia Civil China – e que venceu o concurso para a construção, operação e manutenção da ETAR do Parque Industrial Transfronteiriço e da segunda fase da de Coloane. De acordo com a acusação, a Waterleau Global – da qual é director-executivo Luc Vriens, também arguido – terá vencido o concurso internacional porque pagou a Ao Man Long. Este foi o último depoimento, apenas para marcar calendário, uma vez que o julgamento não pode ficar parado mais de um mês. Hoje, volta-se à carga com testemunhas arroladas pela acusação.


política 5

hoje macau quinta-feira 29.8.2013

MAK SOI KUN FAZ BALANÇO DO SEU TRABALHO NA AL E APONTA CRÍTICAS AO GOVERNO

CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

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AK Soi Kun considera já ter cumprido o seu compromisso para com os cidadãos enquanto deputado daAssembleia Legislativa (AL). “Tenho a minha opinião e sou objectivo nos assuntos daAL, luto pelos direitos e interesses dos residentes e não tenho medo dos que têm poder”, referiu ontem, ao fazer o balanço dos seus quatro anos no hemiciclo. O deputado e candidato apontou que, ao ouvir as queixas dos residentes, considera que há falta de consciência da parte do Governo para tratar dos assuntos relacionados com a sociedade. “O caso dos anteneiros mostra que, normalmente, o Governo apenas é activo quando aprende uma lição e já houve danos causados à sociedade. Poderia ser mais activo antes para evitar que esses danos acontecessem”, refere, continuando. “Durante quatro anos, o meu escritório de advogados recebeu mais de 3600 denúncias. A maioria é sobre os assuntos da habitação – cerca de 600 casos -, depois são consultas sobre o emprego das pessoas de meia idade e o empreendedorismo dos jovens.” O deputado relembra que, apesar de ser o Governo a liderar, é necessário haver cooperação entre o Governo e AL,

porque a AL tem de se adaptar mais ao trabalho do Governo do que o Governo ao da AL. “Quando o Governo entregou três propostas de lei ao mesmo tempo – a de Terras, a do Urbanismo e a do Património na última fase da AL, também se viu obrigado a retirar a Lei do Reordenamento dos Bairros Antigos. Isto mostra que Governo não sabe a ordem da legislação, nem pensa se a AL consegue tratar tantas propostas num espaço de tempo tão curto. O Governo deveria melhorar o seu profissionalismo na área da legislação, bem como melhorar a comunicação com a AL.”

TIAGO ALCÂNTARA

“Só é activo quando aprende uma lição”

MEMBROS DOS CONSELHOS CRITICADOS

Sobre a composição dos conselhos criados pelo Governo, Mak Soi Kun considera ser necessário mais contenção. “Muitos membros não são profissionais, é necessário publicar a sua experiência. Ao mesmo tempo, é preciso avaliar a qualificação dos membros e se eles já têm um papel noutros conselhos, a fim de garantir que pode assistir a todas as reuniões dos conselhos a que pertencem.” O deputado recomenda que seja criado um mecanismo de saída para punir os que estão sempre ausentes das reuniões e que não desempenham as suas obrigações no conselho. “Deve ser exigido apenas dois mandatos consecutivos.”

ELEIÇÕES OU MUN NOTICIA CAMPANHA NAS REDES SOCIAIS

Os “fãs profissionais” dos candidatos às eleições N

UMA altura em que o período oficial de campanha eleitoral está prestes a começar, começam a surgir cada vez mais sinais de apoio via Internet, em diversas redes sociais. Num artigo publicado na sua edição de ontem, o jornal Ou Mun faz referência aos apoiantes fervorosos dos candidatos que publicitam as actividades na Internet. São os “fãs

profissionais”, categoria apontada como nova profissão pelo jornal de língua chinesa. O jornal diz que este tipo de cibernautas só criaram contas nas redes sociais este ano e que a sua principal função é defender aquilo que os seus candidatos preferidos apoiam. O Ou Mun refere que muitas contas foram criadas para apoiar Angela Leong e defender

a deputada e directora-executiva da Sociedade de Jogos de Macau (SJM) das acusações de quem tem sido alvo por associações do sector. O jornal cita uma fonte que refere que muitas listas já organizaram “voluntários cibernautas” para fazerem esse tipo de acções na Internet, sem esquecer a criação de uma página de fãs, à semelhança de Mak Soi

Kun ou Chan Meng Kam, por exemplo. William Kuan, candidato pela lista Cuidados por Macau, utilizou o Facebook para publicar ideias sobre as mais diversas questões sociais. O Ou Mun apontou ainda que através destas páginas, viradas para o debate político, há cibernautas que revelam casos suspeitos da prática de campanha ilegal, onde surge muitas difamações. - C.L.


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SANDS PAGA PARA ACABAR COM INVESTIGAÇÃO DAS AUTORIDADES DOS EUA

Dinheiro ganho e devolvido JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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ERCA de 47 milhões de dólares é quanto a Las Vegas Sands vai pagar à secretaria do Tesouro norte-americana para evitar ser julgada num caso relacionado com branqueamento de capitais e narcotráfico. Segundo as agências de notícias internacionais e os meios de comunicação norte-americanos, a operadora – detida pelo magnata Sheldon Adelson – não alertou as autoridades sobre depósitos considerados “suspeitos”, feitos por um jogador de parada alta (‘high roller’, em inglês). O casino Venetian de Las Vegas e o hotel Palazzo, da

turalizado como mexicano desde 2002, foi detido nos EUA por ter enviado mais de 80 toneladas de “químicos proibidos” para o México, com o “objectivo de fabricar pseudoefedrina / efedrina”, explicam as autoridades norte-americanas citadas pela Reuters. Entre os anos 2006 e 2007, Zhenli era considerado como um dos maiores jogadores ao nível dos pagamentos em dinheiro que o Venetian-Palazzo alguma vez teve.

Sands, que também opera em Macau - terão aceite cheques e transferências bancárias de Zhenli Ye Gon – um chinês de Xangai, nacionalizado mexicano –, entre 2005 e 2007. O problema é que deveriam ter reportado estas operações como “suspeitas”, uma vez que Zhenli é acusado de tráfico de droga e aguarda extradição do México, onde vive e onde viu a sua casa ser revistada pelas autoridades, que acabaram por encontrar cerca de 200 milhões de dólares americanos – a “maior apreensão de dinheiro” de sempre, segundo a Reuters. Zhenli terá, alegadamente, utilizado uma empresa farmacêutica que detém – a Unimed – como fachada para albergar cartéis de droga. Na-

COLABORAÇÃO

A Sands livrou-se da investigação por ter pago 47,4 milhões de dólares americanos à secretaria do Tesouro. Segundo a operadora, o acordo foi

aceite pelas autoridades na segunda-feira à noite, porque estas consideraram que a Sands ajudou na prestação de informações. “A empresa cooperou totalmente e esse esforço foi claramente reconhecido pelo governo”, frisa Ron Reese, porta-voz da Las Vegas Sands, citado pela imprensa dos EUA. De acordo com as leis que regulam o jogo nos EUA, todos os casinos que tenham receitas de, pelo menos, um milhão de dólares são obrigados a reportar o que poderão ser actividades suspeitas. Os investigadores deste caso consideraram que a Las Vegas Sands não cumpriu esse requisito. Zhenli terá transferido mais de 45 milhões de dólares para o Venetian entre os anos 2006/2007 e foi esse dinheiro que foi agora entregue às autoridades. Os investigadores garantem agora que a operadora não vai estar ligada a quaisquer acusações que possam advir deste caso.

IACM PEDE DESCULPA POR CAUSA DE CARTAZ GAES assina acordo com Comissão Estatal dos Assuntos Étnicos

O Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES) vai assinar um acordo de cooperação com a China continental na área do ensino universitário. A autorização foi ontem publicada em Boletim Oficial. O AcordoQuadro para a Promoção de Cooperação entre as Instituições do Ensino Superior de Macau e as Instituições do Ensino Superior Directamente Subordinadas à Comissão Estatal dos Assuntos Étnicos, a celebrar entre Macau e esta comissão, visa fornecer orientações para o desencadeamento de trabalhos de cooperação entre as instituições. De acordo com o GAES, que respondeu ao HM por email, “a ideia principal é possibilitar intercâmbios na área da investigação científica e formação do pessoal”, entre outros. O acordo será apto para todas as instituições de ensino superior do território.

Associação Sin Meng anuncia abertura de creche no Riviera A presidente da Associação de Beneficência Sin Meng, Melinda Chan, revelou ontem a abertura de mais um creche da associação para o próximo ano. Prevista para este ano, a creche vai apenas abrir em 2014 no edifício Riviera. O local vai oferecer cerca de cem vagas e prestar serviços de dia internos. Melinda Chan afirmou ainda que o número de membros da associação aumentou de 1700 pessoas para quatro mil.

Na passada terça-feira surgiu na zona do mercado do Iao Hon um cartaz com eleições de 2005. Um residente publicou de imediato uma

fotografia na internet, o que gerou um pedido de desculpas público da parte do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM). No

comunicado, pede-se desculpa pelo “mau estar causado ao público” e explica-se que “o lugar para a colocação do cartaz era uma área

de venda ambulante abandonada”, e que o cartaz acabou por ficar no local desde então. Mas já foi retirado pelo IACM.


sociedade 7

hoje macau quinta-feira 29.8.2013

FACEBOOK RECEBEU 25 MIL INQUÉRITOS DE 71 PAÍSES SOBRE OS UTILIZADORES DA REDE SOCIAL

Macau fora do mapa de controladores Num relatório sobre pedidos de informações de Governos a nível global, nos últimos seis meses, o Facebook destaca 71 países, entre os quais não consta a RAEM, mas apenas Hong Kong com um pedido formulado. A rede social de Mark Zuckerberg diz que o processo de transmissão de informação “protege os dados das pessoas” e deixa o apelo para que haja mais “transparência” das governações na busca por segurança pública RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

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ACAU não consta da lista de 71 países que pediram informações ao Facebook sobre os seus utilizadores. Num relatório divulgado pela rede social norte-americana esta semana é revelado que houve 25 mil pedidos de informação sobre 38 mil membros da plataforma efectuados por Governos em todo o mundo nos primeiros seis meses deste ano, numa altura em que o programa de vigilância electrónico secreto das autoridades norte-americanas está debaixo de fogo. “Dispomos de processos rigorosos para dar resposta a todos pedidos de dados por parte dos Governos. Acreditamos que este processo protege os dados das pessoas que utilizam o nosso serviço e obriga os Governos

a cumprirem requisitos jurídicos bastante elevados em cada pedido individual para obter informações sobre os nossos utilizadores”, garante a rede social. A RAEM não consta da lista, nem tampouco a China, que não tem livre acesso a esta rede social (apenas à Weibo e à Renren, controladas pelo Governo Central), mas Hong Kong formalizou um pedido. Segundo um quadro anexado no “Global Government Requests Report”, o primeiro relatório do género divulgado pelo Facebook, a região administrativa especial vizinha pediu dados sobre um utilizador a que o gigante económico acedeu dar integralmente as informações pedidas. “Acreditamos que, embora os Governos tenham a grande responsabilidade de manter as pessoas em segurança, é

No topo da lista está naturalmente o Governo dos Estados Unidos da América (EUA), onde mais de 166 milhões de pessoas estão inscritas, que pediu informações sobre mais de metade de todos os perfis escrutinados (20 a 21 mil utilizadores) procurando 11 a 12 mil informações sobre os mesmos, 79% das quais facultadas pela empresa de Mark Zuckerberg.

25.000 foram os pedidos de

informação sobre 38 mil membros do Facebook efectuados por Governos em todo o mundo nos primeiros seis meses deste ano

possível fazê-lo com transparência. A transparência do Governo e a segurança pública não estão exclusivamente ligadas entre si”, justificou o Facebook. “Podem coexistir

em sociedades livres e abertas e contribuem para o nosso fortalecimento. Recomendamos vivamente a todos os Governos que sejam mais transparentes relativamente

aos seus esforços para assegurar a segurança pública e continuaremos a defender vigorosamente uma maior divulgação de informações”, adiantou.

AACM APROVA PEDIDOS DE MAIS VOOS FEITOS PELA AIR MACAU

Responder à “enorme” procura A Air Macau requereu voos extra e charter à Autoridade de Aviação Civil (AACM) devido ao aumento da procura por este tipo de serviços. Num comunicado enviado às redacções, a AACM explica que aprovou um total de 47 voos extra e voos charter para sete cidades do interior da China, Japão, Coreia e

Vietname. “A autorização destes voos permitiu [à Air Macau] disponibilizar mais lugares durante a época alta de Verão e dar assim resposta à enorme procura de mercado”, refere o organismo. Além do transporte aéreo comercial, o volume da aviação privada e de negócios sofreu um aumento de dois dígitos.

As viagens foram maioritariamente feitas para Hanoi (28). “O Governo adoptou sempre políticas de transporte aéreo liberais para facilitar o negócio em Macau tanto às transportadoras locais como às estrangeiras.” Os voos privados e de negócios têm continuado a

aumentar, sendo que, nos primeiros sete meses de 2013 registaram-se um total de 774 movimentos, um aumento de 13% em comparação com o ano passado. Só o mês de Julho registou 115, um aumento de 24% em comparação com o mesmo mês do ano anterior. - J.F.

A Índia foi o segundo maior controlador dos seus utilizadores com um total de 3245 informações pedidas sobre 4144 membros do Facebook, obtendo uma taxa de resposta de 50%. Os pedidos do Governo do Reino Unido atingiram os 1.975 para 2.337 contas de utilizadores da rede social especificadas, com o Facebook a fornecer resposta a 68% dos pedidos. Logo seguidos, no ranking de países com maior números de pedidos feitos, ficaram a Alemanha, Itália e França. Já Portugal pediu informações sobre 213 utilizadores mas apenas menos de metade dos 177 dados inquiridos (42%) obteve respostas do Facebook.

O HOJE ERROU Na manchete de ontem “Crime, dizem eles”, o Hoje Macau por lapso escreveu que será entregue uma petição pelo Grupo de Cidadãos pela Violência Doméstica como Crime Público ao Chefe do Executivo no próximo dia 7 de Setembro. De facto, esta data não é a da entrega das assinaturas mas o dia de uma acção pública onde se divulgarão os nomes dos candidatos que defendem a ideia de tornar a violência doméstica em crime público. Ao nossos leitores e aos envolvidos, o Hoje Macau pede desculpas pelo sucedido.


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CHINA

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liderança chinesa deverá aprovar, em Novembro, um programa político destinado a “aprofundar o processo de reformas”, nomeadamente na área económica, afirmou ontem a imprensa oficial acerca da próxima reunião do Comité Central do Partido Comunista Chinês (PCC). Será o terceiro plenário daquele órgão desde a eleição da nova liderança do PCC, há cerca de nove meses, e foi já equiparada à 3.ª reunião do Comité Central da era pos-Mao Zedong, no final da década de 1970, que adoptou a política de “Reforma Económica e Abertura ao Exterior”. “O processo de reforma e abertura não pode parar. Parar ou voltar para trás conduzirá a um beco sem saída”, disse o Politburo do PCC ao anunciar a convocatória da reunião. Composto por cerca de 370 elementos, o Comité Central do PCC reúne-se habitualmente duas vezes por ano, mas a reunião agendada para Novembro está a ser apresentada como “o mais importante acontecimento político” de 2013. A reunião “ajudará a resolver

hoje macau quinta-feira 29.8.2013

LIDERANÇA COMUNISTA QUER “APROFUNDAR PROCESSO DE REFORMAS”

Chegou a hora das decisões

grandes conflitos e desafios enfrentados pela China no seu desenvolvimento e contribuirá para alcançar um sustentável e saudá-

vel desenvolvimento económico e social”, afirmou o Politburo, o organismo de 25 membros que dirige o PCC entre os plenários

PEQUIM NÃO HÁ RAZÃO PARA DISCUTIR POSSE DAS DIAOYU

Proposta “pretensiosa” A

China qualificou, esta terça-feira, de “pretensiosa” a proposta japonesa para a realização de uma cúpula a fim de discutir a posse de pequenas ilhas no mar do Leste da China, enquanto um ministro japonês defendeu uma postura mais firme de Tóquio sobre o uso da Marinha para defender a área em disputa. As relações entre as duas maiores economias asiáticas estão abaladas há vários meses por causa da disputa pelas ilhas Diaoyu. Mas o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, demonstra a intenção de reparar esses laços, e defende o estabelecimento de um diálogo sem pré-condições com Pequim. A China não se mostra aberta a isso. “Uma reunião entre líderes não se presta apenas a apertos de mãos e a tirar fotos, e sim a resolver problemas”, disse o vice-chanceler chinês, Li Baodong, aos jornalistas. “Se o Japão quiser organizar uma reunião para resolver problemas, eles devem largar a retórica vazia e fazer coisas para mostrar”, disse Li sobre a possibilidade de um encontro de Abe com o presidente chinês, Xi Jinping, durante a cúpula do G20 na próxima semana. Aviões e navios de ambos os países fazem há meses um jogo de gato e rato nos arredores das ilhas, intensificando as tensões. Na terça-feira, a guarda costeira japonesa disse que três embarcações militares chinesas entraram rapidamente em águas que o Japão considera suas. A China disse que se tratava de uma patrulha de rotina no seu próprio território marítimo. O ministro das Finanças Taro Aso, que é também vice-primeiro-ministro do Japão, disse que o Governo precisa deixar clara a sua intenção de defender as ilhas, sob risco

de permitir que os chineses desembarquem por lá e iniciem um conflito, de forma semelhante à guerra de 1982 entre Grã-Bretanha e Argentina pelo controle das ilhas Malvinas. “Quando a Grã-Bretanha enviou os seus porta-aviões às ilhas Falklands (Malvinas), ela não transmitiu as suas intenções de proteger as ilhas. A Argentina viu que (Londres) não tinha a intenção de proteger as Falklands e então invadiu”, disse Aso em palestra a parlamentares em Yokohama, perto de Tóquio. “A capacidade de combate, o consenso nacional e a informação a outros países (da intenção de usar a força) podem funcionar como dissuasões apenas se todos esses três estiverem presentes”, disse Aso. “Precisamos transmitir claramente a nossa intenção de proteger as ilhas com as Forças Marítimas. Nesse sentido, não podemos evitar aumentar os gastos de defesa (...). Essa é a realidade em que estamos ao encararmos a situação no mar do Leste da China.”

Li Baodong

do Comité Central. “Autorizar a sociedade e as empresas a desempenhar um papel maior e restringir o desnecessário envolvimento do

Governo no mercado são alguns dos tópicos que poderão fazer parte da agenda”, adiantou um professor da Escola Central do PCC, Wu Hui, citado pelo jornal China Daily. O PCC, há 64 anos no poder, é a maior organização política do mundo, com cerca de 86 milhões de filiados. Nas últimas três décadas, a China registou um crescimento económico médio anual de 10%, tornando-se a segunda economia do mundo, a seguir aos Estados Unidos, mas segundo a própria liderança chinesa, o antigo modelo de desenvolvimento, assente nas exportações, está esgotado. A actual liderança chinesa, encabeçada pelo presidente Xi Jinping, de 60 anos, assumiu o poder no XVIII Congresso do PCC, realizado em Novembro passado.

MANOBRAS MILITARES COM A ÍNDIA EM NOVEMBRO

Cinco anos depois O S exércitos da China e da Índia vão realizar manobras conjuntas em Novembro, cinco anos depois do último exercício conjunto, numa acção de aproximação após acusações mútuas de incursões no território vizinho. De acordo com o diário China Daily, as denominadas conjuntas irão decorrer de 04 a 14 de Novembro na região militar de Chengdu, sudoeste da china com a participação

entre 100 a 150 efectivos de ambos os exércitos, detalhou o Ministério chinês da Defesa m comunicado. A primeira edição das manobras aconteceu em 2007, um marco da cooperação militar entre ambos os países, repetindo-se no ano seguinte. Desde então, a tensão entre ambos os países na região dos Himalaias interrompeu a cooperação. China e Índia reclamam

zonas na região de Cachemira e Arunachal Pradesh, numa disputa que em 1962 levaram a uma guerra “relâmpago” com vitória chinesa apesar das reivindicações territoriais se manterem até hoje. A terceira edição de manobras conjuntas foi acordada durante a visita à China do ministro indiano da Defesa Arackaparambil Kurien Antony, acrescenta ainda o China Daily.

Presumível rede de tráfico de órgãos deixa rapaz sem olhos

A

imprensa chinesa noticiou hoje que um rapaz, de seis anos, foi drogado e ficou sem os dois olhos, extraídos por uma alegada rede de tráfico de órgãos. A reportagem da televisão da província setentrional de Shanxi mostrou o rapaz, já no hospital, com as órbitas oculares cobertas de ligaduras. A polícia encontrou os dois olhos, já sem as córneas, disse a televisão estatal CCTV. Na reportagem, os pais do rapaz, originários de meio rural e pobre, disseram que inicialmente não se aperceberam do que tinha acontecido. “O rosto estava coberto de sangue, as pálpebras estavam dobradas e a parte debaixo das órbitas foi partida”, afirmou o pai. A polícia ofereceu uma recompensa de 100.000 yuan por informações que possam

ajudar a encontrar uma mulher, não identificada, considerada a principal suspeita. A criança apresenta um lábio leporino, uma deformação congénita que pode explicar a razão para ter sido escolhido pelos presumíveis traficantes. A maioria dos transplantes na China é feita com órgãos retirados de condenados à morte, ou de presos, após a morte, muitas vezes sem o conhecimento ou o acordo das famílias, de acordo com organizações de defesa dos direitos humanos. As autoridades negam estes procedimentos. A tradição chinesa estabelece que um morto deve ser enterrado sem qualquer mutilação e muito raramente os chineses autorizam a recolha de órgãos quando morre um familiar. O caso suscitou uma onda de indignação nas redes sociais chinesas.


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EX-PRISIONEIRO EM CAMPO DE TRABALHOS FORÇADOS DENUNCIA MAUS TRATOS

Consumidora encontra ‘pedido de ajuda’ em produto O

pedido de ajuda, uma carta cuidadosamente dobrada dentro de um pacote de decoração de Halloween vendida numa loja Kmart, viajou mais de oito mil km da China até as mãos de uma mãe em Oregon, nos EUA. Os rabiscos num inglês vacilante diziam que o autor estava aprisionado num campo de trabalho forçado numa cidade do norte da China, onde se trabalha sete dias por semana, 15 horas por dia, sob vigilância de guardas sádicos. “Se o senhor ocasionalmente comprar este produto, por favor, reenvie esta carta para a Organização Mundial de Direitos Humanos”, dizia o texto encontrado por Julie Keith em Outubro do ano passado. “Milhares de pessoas aqui, que estão sob perseguição do Partido Comunista, vão agradecer e lembrar-se para sempre”. A carta chamou a atenção internacional para o pouco transparente sistema chinês de “reeducação através do trabalho”, uma série de colónias penais onde pequenos criminosos, dissidentes religiosos e críticos do Governo podem receber sentenças de até quatro anos sem julgamento. Mas quem foi o autor da carta permaneceu um mistério, e foi objecto de especulação se era realmente um preso, ou simplesmente um activista criativo tentando chamar a atenção para o problema. Em Maio, porém, durante uma entrevista sobre os campos de trabalho chineses, um ex-prisioneiro de Masanjia disse ser o autor da carta. O homem, morador de Pequim e membro do Falun Gong, grupo religioso proibido, contou que aquela foi uma das vinte e poucas cartas que escreveu durante dois anos. Ele colocava-as em embalagens de produtos com descrições em inglês, porque era provável que seriam enviadas ao ocidente. “Por muito tempo fantasiei sobre essas cartas a ser encontradas noutros continentes, mas com o tempo perdi as minhas esperanças e me esqueci delas”, disse ele, que pediu para ser identificado apenas como Zhang. Zhang conhece bem as práticas do campo em questão. A sua letra e seu modesto conhecimento de inglês batem com os da carta. Se o que contou realmente

explica a origem do pedido, o fcato representa uma das mais bem sucedidas campanhas dos seguidores do movimento Falun Gong, conhecidos por tentativas de constranger publicamente o Governo da China, que os tornou ilegais em 1999.

DAR A CARA

Encorajados por um raro debate aberto sobre o futuro dos campos de reeducação através do trabalho na China, muitos ex-prisioneiros vieram a público contar as suas histórias. Em entrevistas com mais de dez

que cumpriram penas nesses campos, eles descreveram um catálogo de abusos horríveis, incluindo espancamentos frequentes, privação de sono, e sobre prisioneiros acorrentados em posições dolorosas por semanas. Muitos contaram sobre a morte de colegas, seja por suicídio ou por doenças não tratadas pelos responsáveis do local. “Às vezes os guardas arrastavam-me pelos cabelos, ou colocavam bastões de choque na minha pele por tanto tempo, que o cheiro de carne queimada enchia a sala”, conta Chen Shenchun, 55 anos,

Às vezes os guardas arrastavam-me pelos cabelos, ou colocavam bastões de choque na minha pele por tanto tempo, que o cheiro de carne queimada enchia a sala CHEN SHENCHUN ex-prisioneiro

sentenciada a dois anos por cobrar salários não pagos de uma fábrica estatal. Segundo os ex-presos, quase metade da população de Masanjia é composta de praticantes do Falun Gong ou membros de outras igrejas. Há também prostitutas, viciados em drogas e activistas que causam problemas às autoridades. Todos concordam que os piores abusos eram destinados aos membros do Falun Gong que se recusavam a renunciar à sua fé. As autoridades de Masanjia não responderam aos pedidos de entrevistas. Guardas abordados durante um intervalo de trabalho também recusaram-se a responder a perguntas. Um deles, no entanto, fez uma “correcção” na forma em que a pergunta foi elaborada: “Não há prisioneiros aqui. São todos estudantes”. Executivos da Sears Holdings, dona da Kmart, não quiseram dar entrevista. Numa breve declaração, o porta-voz da companhia disse que a investigação interna lançada após a descoberta da carta não encontrou nenhuma violação das regras da companhia, que barram o uso de trabalho escravo. Contudo, a Kmart recusou-se a dar o nome da fábrica chinesa que produziu o item decorativo. Os subterfúgios de Zhang para escrever a carta foram arriscados. Proibido de ter canetas e papeis, roubou alguns itens de um escritório durante uma limpeza que fez. Zhang escrevia enquanto os seus colegas de cela estavam dormindo. Enrolava as cartas e escondia-as nas barras de ferro do beliche até que produtos destinados ao exterior estivessem prontos para ser embalados. Julie comprou o produto em 2011, mas só o abriu no ano seguinte. “Quando abri a caixa e minha filha encontrou a carta, duvidei que fosse verdade. Mas então pesquisei no Google ‘Masharjia’e vi que esse não era um bom lugar”, conta. Em Dezembro, enviou a carta para uma agência do Governo americano, que informou que investigaria o caso. Um porta-voz, que alegou questões processuais para não poder confirmar se a investigação estava a ser feita, afirmou que casos como estes costumam levar muito tempo a ser averiguados.

Condenados à morte por tráfico de droga em Hainão

Três cidadãos chineses foram condenados à morte por narcotráfico na ilha de Hainão, revelou a agência Xinhua. Dois dos condenados foram sentenciados pelo transporte e venda de mais de 40 quilogramas de ketamina em 2012, e o terceiro homem estava encarregue da produção do estupefaciente. Um quarto elemento da mesma rede foi condenado a 15 anos de prisão no mesmo julgamento realizado no Tribunal Popular Intermédio de Haikou, a capital da província de Hainão, a mais popular zona de turismo da China. Os três homens apelaram da sentença, comum na China para tráfico de estupefacientes em grande escala e que noutras ocasiões foi também aplicada a cidadãos estrangeiros. A China é o país onde é aplicado o maior número de penas capitais, cerca de 3.000 por ano, segundo organizações como a Amnistia Internacional, apesar do número exacto de sentenças não está determinado por Pequim o considerar um segredo de Estado.

Rio da fronteira com a Rússia com elevado caudal

O rio Amur, que marca a fronteira entre a China e a Rússia, alcançou em vários pontos o caudal mais elevado desde que em 1896 começaram as medições da altura das águas, foi ontem revelado. O aumento do caudal do rio levou, para já, as autoridades chinesas a ordenarem o reforço de diques e medidas preventivas de inundações. Em algumas estações de medição da altura das águas do rio, que os chineses chamam de Heilongjiang, ou “rio do Dragão Negro”, a água atinge já os 2,5 metros acima dos níveis de segurança e os meteorologistas advertiram que a situação poderia continuar nos próximos dez dias, noticia o diário de Hong Kong South China Morning Post. A subida das águas do Amur e de outros rios do estremo norte da China, como o Songhua e o Ussuri, já provocaram 85 mortos e 105 desaparecidos nas últimas semanas além de elevados danos materiais na Rússia. Os chefes do Governo russo e chinês, respectivamente Dmitri Medvedev e Li Keqiang, traçaram segunda-feira numa conversa telefónica medidas conjuntas de controlo das inundações e ajuda às populações afectadas, entre eles milhares de pessoas retiradas das margens do Amur. As inundações na China ocorrem anualmente, mas são mais comuns na parte sul, e húmida, do país.

Economia chinesa deverá crescer 7,5% em 2013

A economia chinesa deverá crescer 7,5% em 2013 contendo o abrandamento dos últimos noves meses, disse um porta-voz do Gabinete Nacional de Estatísticas da China citado hoje na imprensa oficial chinesa. “A economia mostrou mudanças positivas e mais óbvios sinais de estabilização (...). Estamos confiantes que podemos alcançar a meta de 7,5% de crescimento apontada para o conjunto do ano”, afirmou o porta-voz, Sheng Laiyun. Aquele valor representa um abrandamento de 0,2 pontos percentuais em relação ao primeiro trimestre do ano e de 0,3 pontos ao crescimento médio de 7,85 registado em 2012 (o mais baixo desde 1999), mas coincide com a média do primeiro semestre de 2013. A China é a segunda maior economia do mundo, a seguir aos Estados Unidos.


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COLONIALISMO

FILIPA LOWNDES VICENTE in Público

N

A fronteira ténue entre o espectáculo e a antropologia, a cultura popular e a cultura científica, os zoos humanos serviram diferentes discursos coloniais. Expuseram também práticas de um racismo e de um sexismo que hoje subsistem sob outros formatos. Os “jardins zoológicos humanos” foram um fenómeno muito popular, sobretudo na Europa e nos Estados Unidos, entre 1840 e 1940. Consistiam em grupos de “selvagens” ou “nativos”, como eram designados, expostos em jardins zoológicos, jardins de aclimatação, exposições universais e coloniais ou circos itinerantes. O contexto colonial europeu deste período foi especialmente propício a estes eventos e foram poucas as vozes contemporâneas que os condenaram. “Vieram à exposição mais de um milhão de portugueses. Muitos - possivelmente a maioria vieram em ar de festa, com o mesmo espírito alegre e descuidado com que vão ao arraial e ao teatro, aos touros e ao futebol. Diziam alguns: vamos ver os pretos!” Um ano depois da primeira (e última) Exposição Colonial Portuguesa, que teve lugar no Porto em 1934, fazia-se o balanço, positivo, do evento. Um álbum comemorativo publicado em 1935 descrevia a exposição e o sucesso alcançado entre os públicos de “todas as classes”. Tinham sido atraídos pelas novidades - sobretudo a encenação de uma aldeia de “indígenas guineenses” -, mas tinham acabado “comovidos” e “orgulhosos” dos feitos coloniais portugueses que ali se tornaram visíveis através das mais variadas tecnologias expositivas e visuais. O jardim do Palácio de Cristal, da mais industrial das cidades portuguesas, fora temporariamente ocupado por reproduções de monumentos de Goa e de Macau, exemplares da fauna africana, cinema com exibição de filmes sobre as colónias, desfiles militares com soldados moçambicanos, a banda militar de soldados angolanos, uma livraria destinada à venda e propaganda de livros coloniais, a mostra industrial com 600 expositores - incluindo produtos portugueses de interesse para o mercado colonial, produtos coloniais passíveis de interesse metropolitano, e muitas outras exposições, a mostrar artesanato africano ou os resultados mais recentes da colonização portuguesa, na área da educação, transportes ou medicina. Em 1933, o ministro das colónias, Armindo Monteiro, escrevera uma carta a todos os governadores das colónias portuguesas a pedir-lhes que enviassem para o Porto os “seus nativos” para serem alojados “em aldeia ou habitações típicas” Entre esta multiplicidade de exibições - em que ainda acrescia o divertimento de uma feira popular e

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PRÁTICAS DE UM RACISMO E DE UM SEXISMO QUE HOJE SUBSISTEM SOB OUTROS FORM

“Rosita” e o império como objecto de um comboio para que o público não se cansasse da viagem entre Angola e Moçambique -, as “representações etnográficas” acabaram por ser as mais populares. Em 1933, o ministro das colónias, Armindo Monteiro, escrevera uma carta a todos os governadores das colónias portuguesas a pedir-lhes que enviassem para o Porto os “seus nativos” para serem alojados “em aldeia ou habitações típicas”. Trezentos e vinte e quatro mulheres, homens e também crianças, provenientes de Cabo Verde, Guiné, Angola, Moçambique, Índia, Macau e Timor, estiveram expostos no Porto. Entre eles, o grupo de balantas da Guiné-Bissau foi o mais fotografado pela câmara oficial de Domingos Alvão. Os seus retratos foram dos mais reproduzidos nos populares postais fotográficos que se compravam como souvenirs, bem como os que mais atenção mereceram da parte da imprensa, que multiplicou os públicos da exposição com a sua cobertura exaustiva do evento. A Exposição Colonial Portuguesa de 1934 foi emblemática de uma nova fase do colonialismo português - mais centrado em África, interessado na emigração de portugueses para territórios africanos, e empenhado em afirma-se numa Europa também ela colonizadora. O modelo adoptado pela iniciativa portuense, tanto pela inspiração estética como ideológica, fora em parte o da Exposition Coloniale de Paris em 1931. Numa ilha no meio de um lago, onde uma fonte luminosa vinha dar um toque de modernidade, qual metáfora do empreendimento português em África, instalaram-se umas dezenas de guineenses, que viviam o seu quotidiano numa aldeia de palhotas, sob o olhar dos visitantes portugueses. O público da exposição podia assim ocupar, mesmo que temporariamente, o olhar e o lugar do colonizador. Um colonizador que, na segurança oferecida por um parque no centro do Porto, podia já beneficiar dos resultados das “campanhas de pacificação” em África. Mesmo a da Guiné-Bissau, uma das mais tardias. Assim designadas pelos portugueses porque visavam eliminar a resistência africana à ocupação portuguesa, estas campanhas militares não faziam, naturalmente, parte do discurso expositivo. O que se anunciava em 1934 era uma outra fase da colonização portuguesa - a ocupação dos territórios africanos por colonos portugueses. O evento, de carácter didáctico e propagandístico, procurava relembrar ao povo português que “Portugal não era um país pequeno”. A dimensão, excessiva, do espaço imperial, precisava

A Exposição Colonial Portuguesa de 1934 foi emblemática de uma nova fase do colonialismo português - mais centrado em África, interessado na emigração de portugueses para territórios africanos, e empenhado em afirma-se numa Europa também ela colonizadora. O modelo adoptado pela iniciativa portuense, tanto pela inspiração estética como ideológica, fora em parte o da Exposition Coloniale de Paris em 1931 de quem o ocupasse e trabalhasse. Para que Portugal pudesse voltar a ser aquilo que já tinha sido. O tal passado que a exposição evocava de muitas formas, para aqueles que sabiam ler e para a maioria que só sabia ver. É que a ideologia das exposições deve ser analisada lado a lado com outros espaços de uma cultura visual bem circunscrita: da fotografia aos postais, dos jornais ilustrados ao

cinema, dos museus de antropologia aos livros de propaganda colonial.

O DESEJO DE UM IMPÉRIO

E como voltar a transformar o império num objecto de desejo? Como incentivar os “fortes portugueses que navegam”, cantados por Camões, a voltar a partir? A exposição era ela própria uma ode às possibilidades coloniais do futuro,

um balanço daquilo que se fizera recentemente, e um anúncio de um Portugal do além-mar que seria central à ideologia política e colonial do Estado Novo. As exposições de “nativos”, e sobretudo de “nativas”, tornaram-se o símbolo mais concreto dessa erotização de um império onde a virilidade lusa devia voltar a semear riqueza. As metáforas de género já desde há muito faziam parte da linguagem colonialista portuguesa, tal como da francesa ou britânica. Os espaços coloniais surgiam feminizados, selvagens e feitos da natureza desordenada que a masculinidade imperial europeia iria controlar. A conquista territorial era descrita com o vocabulário da conquista sexual, onde o colonizador branco masculino exercia duplamente o seu domínio sobre a mulher colonizada - domínio étnico e domínio de género iam, por isso, a par. Esta linguagem, banalizada na prolixidade da escrita produzida nos contextos imperiais europeus do século XIX, manifestara-se graças às possibilidades reprodutivas da fotografia. Inventada quase em meados de oitocentos, a tecnologia fotográfica desenvolveu-se em paralelo com a consolidação dos impérios coloniais e tornou-se um dos seus mais importantes instrumentos de propaganda colonial, juntamente com as exposições. O “objecto” mais descrito, fotografado e reproduzido na Exposição Colonial de 1934 foi uma mulher, negra e nua. A Rosa, Rosinha, ou Rosita, nome com certeza mais fácil do que o seu verdadeiro nome islâmico, era uma mulher balanta, da Guiné recentemente “portuguesa” (ver artigo de Isabel Morais no livro Gendering the Fair). Fotografada por Alvão em várias poses encenadas já pelos códigos visuais de um erotismo feminino, por vezes com os braços levantados para melhor revelar o peito, a Rosinha personificou aquilo que o império deveria ser - o lugar das mulheres disponíveis sexualmente para os homens portugueses que a exposição queria incentivar a partir. Como eram negras podiam estar nuas e podiam ser observadas num espaço familiar e domingueiro de lazer aceitável. Não transgrediam a moral vigente porque não eram brancas como as mães, mulheres e irmãs dos homens que as observavam - dos visitantes do evento aos que organizaram a exposição ou promoveram os discursos de miscigenação além-mar. Sempre implícita na ideia de miscigenação - tão implícita que nem tinha de ser afirmada - estava uma relação entre os homens colonizadores brancos e as mulheres colonizadas


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MATOS

conceitos dissociáveis. Inseparável da cor da pele era o seu género feminino, e era nessa combinação que se reificava uma dupla hierarquia - a do branco sobre o negro, a do colonizador, neste caso, português, sobre a colonizada, neste caso proveniente da Guiné-Bissau e, finalmente, a de um homem sobre uma mulher, onde o domínio patriarcal e sexual era assumido. O espaço da exposição encenava, de um modo lúdico e legítimo, o projecto colonial. Entre partir e tornar-se colono havia um oceano pelo meio. No jardim portuense, apenas um lago os separava de África. E de uma África que nada tinha de ameaçador.

de desejo africanas. Nunca, naturalmente, a possibilidade - o tabu - de uma relação sexual entre uma mulher branca e um homem negro. Mais tarde, a miscigenação conheceu no “luso-tropicalismo” do antropólogo brasileiro Gilberto Freyre a mais legítima das suas teorizações. Mas já era apresentada como uma característica do colonialismo português desde que Afonso de Albuquerque promovera, na Goa do século XVI, os casamentos com mulheres hindus convertidas ao cristianismo.

A COLONIZAÇÃO DO CORPO

A IDEIA DE MISCIGENAÇÃO

Como poderão ser consideradas excepcionais todas estas políticas coloniais? Todos os impérios coloniais europeus de oitocentos legitimaram as suas empresas com a afirmação do seu “excepcionalismo” e da sua menor violência em relação às práticas coloniais dos outros. Se os portugueses alegavam a sua capacidade de mistura com os nativos (leia-se “as nativas”) face a uns britânicos que faziam da separação racial uma das suas bandeiras, os últimos denunciavam a violência religiosa dos portugueses, em contraste com sua própria tolerância em relação ao hinduísmo. Ou, mais tarde, já no principio do século XX, os britânicos denunciavam as práticas de trabalho forçado nas roças de São Tomé, numa altura em que a “escravatura” supostamente já não existia. Os “outros” colonizadores eram sempre piores e por isso não mereciam as colónias que tinham. Tentar ler as políticas de mistura - e, relembramos, de mistura de homens brancos com mulheres dos territórios colonizados -, que pontuaram a colonização portuguesa, em diferentes contextos e por razões distintas, como um sinal do “não-racismo dos portugueses” é reproduzir acriticamente os próprios discursos colonizadores. E é, sobretudo, também não ter em conta

a profunda desigualdade entre os géneros que, à partida, estava implícita nestas relações. Na base destas políticas de colonização e interacção com os locais estava a distinção entre, em primeiro lugar, a sexualidade masculina, livre de escolher o seu objecto de desejo, cá ou lá (embora mais lá do que cá), e onde estava implícita uma superioridade; em segundo lugar, a sexualidade feminina da mulher branca, regulada pelas prescrições legais, culturais e sociais de uma sociedade patriarcal. Em terceiro lugar, estava a sexualidade da mulher negra, uma mulher que surgia como passiva e sem poder, apresentada como disponível para o homem branco que, ao ocupar o lugar do homem negro, estava também, metafórica e literalmente, a dominá-lo. Mas o sexo não chega. E o colono português também teria de andar bem alimentado e bem vestido. Num outro pavilhão da exposição colonial, um enorme diorama com figuras de tamanho natural mostrava as mulheres negras a aprender a co-

zinhar e a coser sob o olhar paciente das freiras missionárias portuguesas. Expunham os progressos da evangelização portuguesa em África através do encontro de dois tipos de mulheres. Um encontro também de valores religiosos e domésticos, aqueles que as mulheres, brancas ou negras, podiam viver no império. Apesar de também ter opositores, até entre antropólogos prestigiados, a miscigenação tornou-se uma ideologia central do regime, e a Rosinha estava ali para a ilustrar: o nome português, provavelmente da conversão ao cristianismo, para a tornar mais próxima e até casadoira; o diminutivo de “inha” ou “ita” para a familiarizar; e a sua sexualização, usada e abusada no contexto expositivo, para que o império também pudesse ser imaginado como uma conquista sexual. Os homens guineenses que vieram com a Rosinha foram entrevistados. Mas as mulheres, não. Não se julgou necessário ouvir a sua voz. Vê-las era mais importante do que as ouvir. Aqui, como em muitos outros casos, “raça” e “género” não são

As notícias de jornal e as fotografias, popularizadas em postais fotográficos, multiplicaram os discursos escritos e visuais da exposição, fazendo-a chegar também àqueles portugueses que não tinham ido ao Porto. Um livro publicado em Luanda em 1934, celebrava a província de Angola e a sua presença na 1.ª Exposição Colonial. Na página dedicada ao Banco de Angola, duas fotografias do “magnífico e luxuoso stand próprio, lindamente decorado”, partilhavam a página com duas fotografias de mulheres seminuas: Uma “beleza negra da Huíla”, de boca semiaberta e braços levantados como os da Rosinha, a erguer o peito desnudo, não disfarçava a sua óbvia conotação erótica; a “preta Mucancala” inscrevia-se num outro tipo de imagem, também muito popular desde a segunda metade do século XIX - a da fotografia “etnográfica”, realizada ao ar livre no lugar de origem (ou, muitas vezes, nas encenações recriadas nas exposições europeias, coloniais ou universais). O texto a legendar a imagem descrevia o oposto do Portugal moderno e inovador que se queria transplantar para os trópicos: aquela “curiosa tribu” angolana era “uma das mais baixas espécies da escala da humanidade”. A mulher negra desnuda - quer na sua versão “sexualizada” quer na sua versão “primitiva” - contrastava com a prosperidade e modernidade do Banco de Angola e ao mesmo tempo reificava as distinções de género tão explícitas na documentação colonial, a masculinização do colonizador, neste caso daquele que geria a riqueza da exploração colonial, e a feminização da colónia, neste caso, numa “preta” e numa “negra”, sem nome e sem roupa. No contexto das discriminações raciais da Europa da década de 1930, como já no século XIX, o corpo da mulher negra podia ser exposto, legitimamente, de muitas formas, num claro contraste com o corpo nu da mulher branca, remetido para as fotografias transgressivas de uma pornografia para consumo privado masculino. O corpo nu da mulher negra estava disponível visualmente, porque imperava uma ideologia legi-

timada por um racismo científico que o inferiorizava, e que lhe retirava voz e poder. Os lugares desta exposição legítima do corpo eram inúmeros: nas exposições universais e coloniais, nos postais fotográficos que jogavam com a ambiguidade entre a legitimidade científica da antropologia e o erotismo; ou em imagens de jornal a ilustrar os costumes de povos “estranhos e distantes”. Uma consciência crítica desenvolvida sobretudo desde os anos 1960 veio questionar a violência com que os corpos das mulheres negras foram transformados em objectos e desumanizados, ao longo da história. De Saartjie Baartman - a chamada Vénus de Hotentote que em princípios do século XIX circulava tanto nos meios científicos como nos de entretenimento, entre Londres e Paris - até às muitas mulheres e homens que, ao longo da segunda metade do século XIX, foram apresentados como “selvagens” ou “nativos” e expostos no jardim de aclimatação de Paris, nas exposições europeias ou no circo itinerante do norte-americano Barnum. Este mesmo fenómeno, central para se compreender a ideologia colonial deste período, foi desprezado pela academia durante muitos anos. Porém, desde há cerca de vinte anos que os “zoos humanos” têm sido estudados na perspectiva da história do colonialismo, racismo e cultura visual. Que continuidades e cisões subsistem, hoje, na cultura visual contemporânea que caracteriza o nosso contexto nacional? Uma muito maior consciência anti-racista - incentivada tanto pelos debates do pós-colonialismo como por políticas de direitos humanos mais democráticas - tornaria impensáveis muitos dos textos e imagens do colonialismo português dos séculos XIX e XX. No entanto, ainda subsistem entre nós muitas formas contemporâneas de racismo associado ao género. O que é que a sexualização das mulheres africanas ou brasileiras, no contexto português - no humor machista, em conversas masculinas não escritas, na formulação de estereótipos primários -, diz sobre os preconceitos enraizados de tantos portugueses? Outras perguntas são inevitáveis e também têm sido objecto de estudo nas últimas décadas. Como é que o corpo da mulher, independentemente da cor da pele - sexualizado sob um ponto de vista masculino, anónimo, e passivo -, continua a ser tão utilizado acriticamente na visualidade contemporânea? Se é certo que tais corpos já não servem para propagandear projectos coloniais, nem promessas de uma vida melhor nos grandes territórios de um país pequeno, continuam a ser usados para vender automóveis, cerveja e tudo o resto. Sobretudo, vendem a ilusão de que o desejo do olhar de um público - que se assume como sendo masculino - pode desresponsabilizar eticamente aqueles que detêm o poder sobre os discursos do visível.


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VIDA

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MORADORES RELACIONAM LIGAÇÃO HONG KONG-ZHUHAI-MACAU COM ODOR QUE VEM DO MAR

DSPA nega relação com obras da ponte ZHOU XUEFEI

info@hojemacau.com.mo

V

ÁRIOS moradores da zona da Areia Preta, onde se encontram os empreendimentos habitacionais Villa de Mer e o The Residencia Macau, por exemplo, queixaram-se do que dizem ser “um odor intolerável” vindo do mar. Em declarações ao jornal ExMoo News, Leong, morador da zona, considera que o cheiro tem a ver com a ilha artificial construída para as obras da ponte que vai ligar Macau, Hong Kong e Zhuhai, que, diz, obstrui a saída de esgoto. “O [cano]

A

serve para despejar o esgoto para o mar, mas essa ilha faz com que a água suja fique lá detida e, quando a ponte for construída, essa via por onde sai o esgoto vai ficar mais estreita ou até desaparecer, logo o cheiro ficará pior.” Leong assegura que muitos dos moradores já se queixaram à Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), por consideraram que o cheiro é insuportável, mas, até ao momento, o Governo “não deu atenção ao caso”. Um outro morador, Hong, disse à mesma publicação que o cheiro que se sente assemelha-se a

imprensa de Hong Kong divulgou ontem a construção de uma central nuclear na cidade de Taishan. O jornal relata que os cidadãos ficaram chocados e manifestaram a sua oposição na Internet. O problema, dizem, é que esta central fica apenas a 70 quilómetros de Macau e a 130 de Hong Kong e temem que possa pôr em risco a sua vida. A central nuclear em Taishan, na província de Guangdong, começou a ser construída em 2009 e está quase concluída. Segundo a imprensa, a central, cuja radiação é 1,4 vezes da produzida pela Central de Energia Nuclear da Baía de Dayavai, vai entrar em uso já no próximo ano. A central é construída conjuntamente pela China e pela companhia de electricidade nuclear francesa

“esterco” e está mais forte durante a tarde. Nos parques e vias ao pé do mar, onde as pessoas andam a pé, o cheiro é ainda maior, diz. Ho Wai Tim, presidente da Associação de Ecologia de Macau, também afirmou já ter manifestado preocupação com o impacto que este cheiro pode causar ao meio ambiente. O responsável diz que o lugar onde se encontra a ilha artificial era “exactamente o mesmo local” onde se situava o cano do esgoto. Para construir a ponte, esse cano foi fechado e o esgoto só pode ser despejado nas margens do mar, o que faz com que o cheiro fique mais intenso.

Para o também comissário do Conselho Consultivo do Ambiente, o problema é que, antes de se iniciarem as obras, esse esgoto “só” afectava a qualidade da água e da fauna marinha, mas a mudança do local de esgoto fez com que este se misture com lama e resíduos de obras, deixando um odor que, no futuro, “será cada vez pior”.

PEDIDA ETAR

Contudo, o especialista revelou ainda que o odor também tem a ver com as Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR). “As cinco estações foram construídas em 1995, pelo que a técnica está desac-

tualizada. Além disso, o crescimento da população e o fluxo de turistas faz produzir mais esgoto, logo, as ETAR já estão sobrecarregadas e despejam os esgotos sem qualquer tratamento.” Para resolver este problema, Ho Wai Tim sugere que o Governo construa uma nova ETAR na zona, visto que a Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA) já vai construir uma estação de reciclagem de água. “Assim, as duas estações farão um sistema completo, que pode aliviar a pressão do esgoto de toda a região.” O HM tentou obter mais

NOVA CENTRAL NUCLEAR CONSTRUÍDA A 70 QUILÓMETROS DA RAEM

Sombra sobre Macau Areva. Em 2005 e 2007, a mesma empresa participou em programas na Finlândia e na França, mas ambos foram suspensos por terem sido descoberto falhas técnicas. Stephen Thomas, professor da Universidade de Greenwich do Reino Unido, especialista na área de energia, contou ao Apple Daily que o sistema de controlo digital que vai ser utilizado pela central não é fiável, pelo que sugeriu melhorá-lo. O projecto de alterações só saiu há pouco tempo, mas a central da China já está quase feita, o que tem levantado preocupações. John Large, engenheiro inglês

que colaborava no estudo do programa usado pela central, também apontou que este tem defeitos no sistema de controlo digital, que dificilmente pode ser resolvido em breve. AAdministração de Segurança Nuclear da China também enfatizou o problema num documento sobre a central nuclear em Taishan, dizendo que “necessita de mais melhorias”. Como o efeito de vazamento nuclear normalmente consegue alcançar mais de cem quilómetros em redor do centro, os cidadãos de Hong Kong já estão a pedir ao

informações por parte da DSPA, que admitiu ter recebido as queixas. O organismo diz que já enviou um funcionário para “observar o problema” e acredita que a questão se prende com a manutenção da estação de bombeamento do esgoto da rede de drenagem pública. A DSPA diz que notificou o departamento competente “para se empenhar activamente” e afirma que, para a semana, já haverá resultados de análises à água. Uma coisa é certa, diz o organismo: o local que emana mau cheiro não é perto da ponte, por isso o problema “não é causado pelas obras da ponte”.

Governo da região para negociar com o continente. Em Macau, a notícia ainda não provocou uma grande onda de protestos. Só o deputado Au Kam San, ontem, é que partilhou a notícia na sua página de Facebook, apontando a ameaça da central, fazendo com que a notícia se comece propagar nas redes sociais. Ao HM, o deputado disse que não concorda com o novo projecto e pede uma revisão de todos os projectos semelhantes. “O combustível nuclear parece uma energia limpa e desenvolvida, mas ainda tem muitas crises escondidas, se houver acidentes não há solução para resolver os danos. Por isso, acho que esta energia é insustentável, insegura, e não é adaptada para uma zona com grande população.” - X.F.


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CULTURA

O

clássico Hadashi No Gen, de Keiji Nakazawa, uma manga de 1973 que retrata os horrores da Segunda Guerra Mundial, em especial o episódio da explosão da bomba atómica de Hiroxima, foi censurada pelo conselho escolar da região japonesa de Matsue, que ordenou que todos os exemplares do livro fossem retirados das bibliotecas das escolas primárias e preparatórias. A decisão está a gerar uma onda de contestação, que já obrigou o conselho a afirmar publicamente que analisará novamente a questão. Entretanto, as vendas de Hadashi No Gen dispararam. Não são novos os casos de censura na arte, especialmente no continente asiático e mesmo na manga, a banda desenhada típica do Japão. E, geralmente, quando acontece é por dois motivos: o teor sexual ou o cariz violento das histórias e imagens. Em 2010, foi mesmo aprovada uma lei que impede que as mangas utilizem personagens de aparência infantil em actos eróticos. A medida não foi bem aceite pelo meio, com os criadores a queixarem-se de falta de liberdade de expressão nos meios de comunicação japoneses. Agora, está a acontecer o mesmo, depois de o conselho escolar da região de Matsue ter ordenado a retirada de Hadashi No Gen, que conta a história de Gen e a sua mãe, que sofrem a explosão da bomba atómica de Hiroxima e têm de sobreviver depois

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JAPÃO CONSELHO ESCOLAR PROÍBE MANGA SOBRE HORRORES DA GUERRA

Hadashi No Gen é o novo tabu numa zona devastada. Publicada pela primeira vez em 1973, num número especial da revista Weekly Shonen Jump, esta manga foi muito bem recebida, tendo-se estendido a história por dez volumes. Desde então, Hadashi No Gen tem sido reeditado várias vezes e foi já traduzido em 20 línguas, entre as quais inglês,

francês, alemão, russo e italiano. A história foi até já adaptada ao cinema, à televisão em desenhos animados e mesmo ao teatro.

UM LIVRO DE REFERÊNCIA

O livro também é frequentemente usado nas escolas, uma vez que os professores recorrem à história e às suas imagens para explicar aos alunos o que aconteceu na época no Japão e nos países vizinhos. Foi aliás também com este intuito que Keiji Nakazawa, que morreu no ano passado, o escreveu. Nakazawa foi também um sobrevivente em Hiroxima, assim como a sua mãe. Mas o seu pai e os irmãos não sobreviveram. No entanto, o conselho escolar considera agora que as imagens são demasiado violentas e por isso não são adequadas para crianças e jovens, alegando ainda que alguns acontecimentos retratados nunca aconteceram. Não é a primeira vez que este tipo de acusações aparece e Keiji Nakazawa sempre se defendeu com a sua experiência pessoal, garantindo que tudo o que escreveu e desenhou aconteceu. Além daquilo

que viveu, o autor estudou e recorreu a documentação histórica e testemunhas da altura. Além da explosão da bomba atómica, o que mais mal-estar causa no Japão são os episódios em que são retratadas as barbaridades cometidas pelo exército japonês da época, como a Violação de Nanking, na China, quando os soldados violaram e executaram milhares de civis e prisioneiros de guerra. Está, por exemplo, retratado um concurso entre os militares japoneses em que ganhava aquele que matasse cem chineses mais depressa. A crítica ao imperador Hirohito, que governou o país entre 1926 e 1989, também é constante. Motivos pelos quais tantas vezes esta história gerou polémica, sendo o autor acusado pelos responsáveis japoneses de não retratar a verdade. Para a viúva de Nakazawa, Misayo, estas acusações não fazem sentido, assim como não faz sentido que as crianças sejam privadas desta história.

“A GUERRA É BRUTAL”

Em declarações ao jornal japonês The Asahi Shimbun, Misayo explicou que, quando há 30 anos Nakazawa lhe mostrou os desenhos, ficou inicialmente chocada com a representação. Ao que o marido lhe respondeu: “Não há nada de limpo numa guerra.” “A guerra é brutal”, reforçou Misayo, para quem é importante que as

crianças percebam a crueldade que existiu para que num futuro não se repita. “É isso que está representado nas imagens e eu quero que as pessoas o vejam”, acrescentou a viúva do autor. “A mensagem que o meu marido quis passar é que não interessa o quão mal foste tratado na vida, acabarás por encontrar alguma coisa de bom se lutares por isso. Acredito que esta mensagem é importante para as crianças mesmo nos dias de hoje”, concluiu. No fim-de-semana, o The Japan Times dedicou o editorial ao assunto, acusando o conselho escolar de querer “esconder a realidade da guerra”. “É uma decisão deplorável”, que, lê-se no editorial, “priva os alunos de uma importante oportunidade de aprendizagem sobre a crueldade da guerra e da natureza horrível de um ataque nuclear”. E vai mais longe: “Porque esta decisão põe em causa a liberdade de expressão e o direito das pessoas ao saber, o responsável deste conselho devia ser punido por ter tomado esta decisão unilateral de uma forma completamente não transparente.” Entretanto, a procura desta manga nas lojas disparou e o conselho escolar já afirmou publicamente que se reunirá para pensar novamente sobre o assunto. Resta agora saber se voltará atrás na decisão.


cultura 15

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OLHARES SOBRE UMA DÉCADA • “A escala das operações, no que diz respeito às empresas de Macau, e aquilo que é a produção própria de Macau é uma escala bastante pequena. É preciso continuar a trabalhar a agarrar as oportunidades. É preciso fé e confiança na capacidade criativa em Macau” JOSÉ SALES MARQUES, fundador do Creative Macau • “Tem feito muito pelas indústrias criativas, foi até pioneiro porquanto há 10 anos atrás não havia nada ainda, muito embora no discurso oficial as indústrias criativas como forma de diversificação económica para fugir à mono-dependência da indústria do jogo já vem desde o segundo mandato de Edmund Ho mas na realidade as coisas aconteciam pouco. A Creative Macau deu grande impulso aos criativos locais para desenvolver o seu talento tendo em vista contribuir para as indústrias criativas. Mas o problema é que falta indústria neste mercado” CARLOS MARREIROS, arquitecto e ex-presidente Instituto Cultural • “Há 10 anos atrás Portugal em termos criativos, de artistas e divulgação de arte era muito fraco mas em 2003 quando surgiu o Creative Macau, dando mais projecção para os artistas. Não é fechado a um só tipo de arte, há instalações, fotografias, pintura [...] A Creative ajudou a levar artistas de Macau ao Experimenta Design, em Portugal, e depois também houve uma colaboração com o Instituto Português de Fotografia. Acho que termos de intercâmbio tentam fazer o máximo para mostrar os trabalhos de artistas radicados em Macau para fora” JOÃO MAGALHÃES, artista e participante na exposição “Make a Wish”

• “Comecei a trabalhar na Creative Macau há praticamente sete anos e acho que este é o único centro que defende o sector das indústrias criativas e promove os artistas comercialmente, porque têm de facto de fazer dinheiro. Mas acho que o que realmente pode fazer é projectar o seu nome e muitos destes artistas que começaram a expor connosco já fazem e têm grandes hipóteses de fazer as suas próprias exposições individuais porque. Providenciamos muitos desafios para as jovens artistas terem um primeiro contacto com a indústria, ao submeterem um ou dois trabalhos em várias exibições de grupo até terem confiança para se lançar em grandes projectos a solo” MENN CHOW, designer e colaborador na Creative Macau • “Temos de realçar o trabalho que têm feito, temos visto quase mensalmente que há uma exposição de jovens artistas de Macau por isso penso que o Creative Macau é uma das instituições que mais tem feito para o desenvolvimento das Indústrias Criativas em Macau” ANA PAULA CLETO, Fundação Macau

“As indústrias criativas não podem ser uma brincadeira” Transformar as fábricas abandonadas em centros de produção de protótipos criativos. Esta é a indicação que Lúcia Lemos dá ao Governo, caso esteja realmente apostado em investir nas indústrias criativas como solução para a diversificação económica. O mercado de Macau, por sua vez, passa pelos casinos que poderiam investir em produtos locais, diz a coordenadora do Creative Macau RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

A

S indústrias criativas ainda não são uma realidade em Macau. É algo que demora tempo a construir e para o qual é preciso imprimir muitas vontades. No entanto, se o Governo está apostado nesta via para a diversificação económica, precisa, por exemplo, de começar por criar “incubadoras” de artistas. “Faltam espaços de formação e produção porque as pessoas têm uma grande experiência académica e profissional, precisam é de pôr as ideias em prática, para isso precisam de investidores, distribuidores e consumidores. Precisa de se gastar muito dinheiro porque há muitas fábricas para aí abandonadas”, indica Lúcia Lemos, coordenadora do Centro de Indústrias Criativas – Creative Macau, que ontem completou 10 anos de existência. O primeiro passo reside, precisamente, na criação de centros onde seja produzido o protótipo do produto, que depois deverá ser produzido na China, por exemplo, e onde se possa expor a concepção. “Porque não o Governo assumir a indústria criativa e pegar em 10, 20 ou 40 pessoas, começar a pensar e a fazer”, indica, em subs-

tituição dos subsídios dados pelo Instituto Cultural. Lúcia Lemos explica que falta “pôr as mãos na massa” e quem deve criar o bolo das indústrias criativas são os criadores, os investidores, o Governo e todas as instituições

associadas. “As regras do jogo é que têm de ser conversadas e articuladas”, revela.

CARLOS MARREIROS ASSINA POR BAIXO

O mesmo entendimento tem o arquitecto Carlos Marreiros. ANTÓNIO MIL-HOMENS

• “A Universidade de Macau foi um dos parceiros fundadores do Instituto de Estudos Europeus de Macau, desde 1996, e este projecto do Centro de Indústrias Criativas foi analisado há onze anos e concordámos com a sua criação. É com prazer que vemos a comemoração destes 10 anos e toda a actividade que têm vindo a desenvolver para o progresso desta área, que é difícil mas que tem muito potencial para Macau [...] O facto de o centro ter resistido estes primeiros dez anos é um importante sinal e agora os próximos dez anos com certeza haverá mais dinamismo. Esta área tem vindo a desenvolver-se e o próprio Governo de Macau tem prestado mais atenção a outros projectos para este sector o que é muito importante para Macau para ser uma forma de diversificação à indústria do jogo” RUI MARTINS, vice-reitor da UMAC

10 ANOS CREATIVE MACAU LÚCIA LEMOS ANTEVÊ MUITO TRABALHO CONJUNTO PARA SE CRIAR UMA ECONOMIA CRIATIVA

Em seu entender, as indústrias criativas são de facto uma via para a diversificação económica mas “tem de se apostar e produzir o que a maior inteligência e a criatividade locais podem dar ao mundo”, explica. Depois, exporta-se o protótipo para a “maior fábrica do mundo”, a China, logo “aqui ao lado”. Os nichos de mercado para outros produtos locais é outra questão. Marreiros acredita que “a Creative Macau e organizações congéneres deveriam juntar-se e fazer um plano numa primeira análise no mercado do sul da China, o chamado o tradicional Delta do Rio das Pérolas, de 400 milhões de pessoas”, ou seja, apostar na criação de um mercado fora de Macau, já que este é insuficiente. Aqui, Lúcia Lemos pensa diferente. “Os casinos gastam imenso em produtos criativos porque não ter aqui uma fábrica para os casinos?”, sugere. “Tem de haver um contágio entre casinos, instituições e criativos para que haja uma boa articulação para que as indústrias criativas aconteçam.” Sales Marques, dirigente do Instituto de Estudos Europeus de Macau, instituição que criou e gere a Creative Macau, explica que Macau não é suficiente enquanto mercado “mas para se chegar lá fora é preciso aprender cá dentro a competir”.


DESPORTO

MAR CO CARVALHO

info@hojemacau.com.mo

N

ÃO houve enxurrada de golos, mas houve enxurrada de futebol. O Clube Desportivo Monte Carlo não deixou créditos por mãos alheias e derrotou o sete da Casa de Portugal em Macau por uma mão cheia de golos, em partida a contar para a segunda ronda do grupo A do principal campeonato da “Bolinha”. Depois de ter recuperado em Junho o título de campeão do território nas lides do futebol de onze, o grupo de trabalho “canarinho” parece estar apostado em repetir a performance nas andanças do futebol de sete e ao início da noite de ontem não deu hipóteses à formação orientada pelo são-tomense Pelé. O Monte Carlo entrou no desafio ao ataque e não demorou a traduzir em golos a ambição que transportou para o desafio. A Chao Wai Hou coube colocar o clube presidido por Firmino Mendonça na senda da vitória, quando estavam decorridos menos de dois minutos sobre o apito inicial da partida. O sete “canarinho” continuou a dominar e a pressionar e só não alargou a vantagem mais cedo porque o guarda-redes Rafael foi

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GONÇALO LOBO PINHEIRO

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BOLINHA CASA DE PORTUGAL SOMA SEGUNDA DERROTA

Lusos sem predicados travando como pode – com defesas ora sólidas, ora atabalhoadas – as investidas do adversário. O segundo tento do desafio afigurava-se inevitável, tal era o pendor ofensivo do Monte Carlo e acabou por surgir com natura-

lidade à passagem do quarto de hora, num lance algo consentido por parte do guardião da formação de matriz portuguesa. Rafael foi apanhado de surpresa por um remate cruzado desferido de fora da área da Casa de Portugal,

o esférico embateu na barra da baliza e sobrou para o cabeceamento eficaz de Paulo Cheang, que se encontrava à hora certa no sítio certo. A Casa de Portugal não conseguia disfarçar as dificuldades, mas

acabou por segurar a desvantagem de dois golos muito para além do intervalo. Com trocas rápidas de bola e uma grande capacidade de reconfiguração dentro das quatro linhas, o Monte Carlo continuou a mandar no desafio na segunda metade, mas só conseguiu chegar ao terceiro golo a três minutos do fim. Rafael trava com uma boa defesa uma investida do ataque “canarinho”, mas acaba por sofrer novo tento na sequência do lançamento de linha lateral que se seguiu. Marcou Chan Man, com um remate colocado, desferido à entrada da área do emblema de matriz portuguesa. O disparo teve o condão de espartilhar a albufeira defensiva montada pela Casa de Portugal e menos de um minuto depois, o grupo de trabalho orientado por Pelé sofreu novo golo. Lo Chin Fong coroou um contra-ataque rápido da formação “canarinha” com um remate cruzado, de defesa impossível. Leong Sio Meng encerrou a contagem nos segundos finais do desafio, confirmando a derrota rotunda da Casa de Portugal. O emblema luso somou a segunda derrota em outros tantos desafios disputados, depois de na jornada inaugural da competição ter sido derrotada pelo Ka I por quatro bolas a zero.

PUB

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO PARA “OBRA DE REMODELAÇÃO DO CENTRO DE DIABETES” 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12.

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14.

15. 16.

Entidade que põe a obra a concurso: Serviços de Saúde. Modalidade de concurso: Concurso Público. Local de execução da obra: Estrada do Visconde de S. Januário, N.º 9, Macau Objecto da Empreitada: O presente concurso público tem por objecto a execução da empreitada relativa à “Obra de Remodelação do Centro de Diabetes”. Prazo máximo de execução: setenta e cinco (75) dias. Prazo de validade das propostas: o prazo de validade das propostas é de noventa dias, a contar da data do acto público do concurso, prorrogável, nos termos previstos no programa de concurso. Tipo de empreitada: por preço global. Caução provisória: $50.000,00 (cinquenta mil patacas), a prestar mediante depósito em dinheiro, garantia bancária ou seguro-caução aprovado nos termos legais. Caução definitiva: 5% do preço total da adjudicação (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber, em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% para garantia do contrato, para reforço da caução definitiva a prestar). Preço Base: não há. Condições de Admissão: Serão admitidos como concorrentes as entidades inscritas na DSSOPT para execução de obras, bem como as que à data do concurso, tenham requerido a sua inscrição, neste último caso a admissão é condicionada ao deferimento do pedido de inscrição. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Local: Secção de Expediente Geral dos Serviços de Saúde, que se situa no r/c do Edifício do Centro Hospitalar Conde de São Januário; Dia e hora limite: dia 17 de Setembro de 2013 (terça-feira), até às 17:45 horas. Em caso de encerramento dos Serviços Públicos da Região Administrativa Especial de Macau, em virtude de tempestade ou motivo de força maior, a data do termo da recepção das propostas dos concorrentes é adiada para o primeiro dia útil seguinte, à mesma hora; Local, dia e hora do acto público: Local: na sala do «Museu» situada junto ao C.H.C.S.J; Dia e hora: dia 18 de Setembro de 2013 (quarta-feira), pelas 10:00 horas. Em caso de encerramento dos Serviços Públicos da Região Administrativa Especial de Macau, em virtude de tempestade ou motivo de força maior, a data do acto público de abertura das propostas do concurso público, será adiada para o primeiro dia útil seguinte, à mesma hora. Os concorrentes ou seus representantes deverão estar presentes ao acto público de abertura de propostas para os efeitos previstos no artigo 80.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. Local, hora e preço para obtenção da cópia e exame do processo: Local : Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita na Rua Nova à Guia, n.º 335, Edifício Administração dos Serviços de Saúde, 1.o andar. Hora: horário de expediente (Das 9:00 às 13:00 horas e das 14:30 às 17:30 horas). Preço: $68,00 (sessenta e oito patacas). Visita às instalações : Os concorrentes deverão comparecer na Cave 1 da Secção de Património situada no Centro Hospitalar Conde de São Januário no dia 30 de Agosto de 2013, às 15:00 horas, para visita ao local da obra a que se destina o objecto deste concurso. Critérios de adjudicação: A. B. C D E F

Valor total da empreitada Melhor adequação do plano ao objecto deste concurso público com maior nível e maior garantia na área de qualidade, método de execução da obra, gestão de funcionamento, entendimento do local de execução e manutenção, bem como uma experiência de trabalhos similares. Cronograma de construção e sempre durante o período de construção. Materiais e equipamentos duradouros de boa qualidade. Experiência de trabalhos de construção semelhantes executados. Integridade e honestidade.

Serviços de Saúde, aos 23 de Agosto de 2013. O Director dos Serviços, Substituto Chan Wai Sin

50% 15%

15% 10% 5% 5%

AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO PREDIAL URBANA 1.

A única prestação da Contribuição Predial Urbana referente ao exercício de 2012, será cobrada nos meses de Junho, Julho e Agosto do ano corrente.

2.

No mês de pagamento, se os Srs. Contribuintes não tiverem recebido o conhecimento de cobrança, agradece-se que se dirijam ao NÚCLEO DE INFORMAÇÕES FISCAIS, situado no r/c do Edifício “Finanças”, ao Centro de Atendimento Taipa ou ao Centro de Serviços da RAEM, trazendo consigo conhecimento de cobrança ou fotocópia do ano anterior, para efeitos de emissão de 2.ª via do conhecimento de cobrança.

3.

ou no Banco Tai Fung, através dos endereços: www.bocmacau.com, www.bnu.com.mo e www. taifungbank.com, respectivamente; - Por pagamento telefónico “banca por telefone”, no Banco da China ou no Banco Tai Fung. 4.

Se o valor do cheque for igual ou superior a MOP$50 000,00, deverá o mesmo ser visado, nos termos da alínea 4) do Artigo 5.º do Regulamento Administrativo acima mencionado.

O pagamento pode ser efectuado, até ao último dia do mês indicado no conhecimento de cobrança (Junho, Julho ou Agosto), nos seguintes locais:

- Nas Recebedorias do Edifício “Finanças”, do Centro de Atendimento Taipa, do Centro de Serviços da RAEM ou do Edifício Long Cheng; Os impostos/contribuições poderão ser pagos por intermédio de cartão de crédito ou de débito emitidos pelo Banco da China ou pelo Banco Nacional Ultramarino (incluindo “Maestro” e “UnionPay”). O montante total de pagamento não pode ser inferior a MOP$200,00 (duzentas patacas), nem superior a MOP$100 000,00 (cem mil patacas). O pagamento, através de cartão de crédito ou de débito, deve ser efectuado pelo montante total da dívida, sendo apenas permitido utilizar na operação um único cartão. - Nos balcões dos Bancos a seguir discriminados: Banco da China; Banco Comercial de Macau; Banco Delta Ásia; Banco Industrial e Comercial da China; Banco Luso Internacional; Banco Nacional Ultramarino; Banco Tai Fung, e, Banco Weng Hang. - Nas máquinas ATM da rede Jecto de Macau, assinaladas com a indicação “Jet payment”; - Por pagamento electrónico “[“banca-on-line”], no Banco da China, no Banco Nacional Ultramarino

Se o pagamento for efectuado por meio de cheque, a data de emissão não poderá ser anterior, em mais de três dias, à da sua entrega nas Recebedorias da DSF, e deve ser emitido a favor da “Direcção dos Serviços de Finanças”, nos termos das alíneas 2) e 3) do n.º1 do Artigo 4.º do Regulamento Administrativo n.º 22/2008.

5.

Os contribuintes podem também efectuar o pagamento através do envio de ordem de caixa, cheque bancário ou cheque por correio registado para a Caixa Postal 3030. Note-se que não se pode enviar dinheiro, mas apenas ordem de caixa, cheque bancário ou cheque, devendo incluir-se um envelope devidamente selado e endereçado ao próprio contribuinte, afim de se enviar posteriormente o respectivo conhecimento, comprovando o pagamento. Lembra-se que devem ser respeitadas as regras descritas no ponto 4, relativamente aos cheques. - O envio para a caixa postal deve ser feito 5 dias úteis antes do termo do prazo de pagamento indicado no conhecimento de cobrança. 6.

Nenhum dos métodos acima mencionados acarreta quaisquer encargos adicionais aos contribuintes pela prestação do serviço de cobrança.

7.

Para a sua comodidade, evite pagar os impostos nos últimos dias do prazo.

Aos 24 de Maio de 2013. A Directora dos Serviços Vitória da Conceição


FUTILIDADES

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TEMPO

MUITO

NUBLADO

[TELE]VISÃO

MIN

26

MAX

33

HUM

65-95%

] C I N E M A

[

SALA 1

TDM 13:00 TDM News - Repetição 13:30 Telejornal + 360° (Diferido) 14:30 RTPi DIRECTO 18:30 Caminho das Índias (Repetição) 19:30 Vingança 20:30 Telejornal 21:10 TDM Talk-Show 21:40 Castle Sr.4 22:20 Caminho das Índias 23:00 TDM News 23:30 Resumo Liga dos Campeões 23:45 Herman 2013 00:45 Telejornal (Repetição) 01:15 RTPi DIRECTO

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THE MORTAL INSTRUMENTS: CITY OF BONES [C]

THE CONJURING

Um filme de: Harald Zwart Com: Lily Collins, Lena Headey, Robert Sheehan, Kevin Zegers 14.15, 16.45, 19.15, 21.45

SALA 2

THE CONJURING [C] Um filme de: James Wan Com: Patrick Wilson, Vera Farmiga, Ron Livingston, Lili Taylor 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

EURO

10.6

31 - STAR Sports 13:00 Indian Badminton League 2013 Semifinal 1 16:00 Sports Max 2013/14 17:00 Mobil 1 The Grid 2013 17:30 Smash 2013 18:00 (LIVE) Sydney Darts Masters 2013 22:00 The Football Review 2012-2013 22:20 (LIVE) Indian Badminton League 2013 Semifinal 2 40 - FOX Movies 12:40 Wall-E 14:20 10 Years 16:05 Fantastic Four 17:50 Zombieland 19:20 Hit & Run 21:00 Diary Of A Wimpy Kid: Dog Days 22:35 The Taking Of Pelham 123 00:20 True Justice 41 - HBO 12:00 Terminator 3 14:00 The Five-Year Engagement 16:00 Extremely Loud & Incredibly Close 18:15 Star Trek: Nemesis 20:15 Mirror Mirror 22:00 Underworld: Awakening 23:30 The Newsroom 00:30 The Lucky One 42 - Cinemax 11:30 A Guy Thing 13:10 Torque 14:35 Dragonheart: A New Beginning 16:00 The Ten Commandments 20:00 7 Seconds 22:00 Black Forest 23:35 Spartacus: War Of The Damned 00:45 The Handmaid’S Tale

YUAN

1.3

SALA 3

THE INTERNSHIP [B] Um filme de: Roland Emmerich Com: Channing Tatum, Jamie Foxx, Maggie Gyllenhaal, Jason Clarke 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

Foto: Facebook

POR MIM FALO

Pu Yi

RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:30 Poplusa 15:30 Destino: Portugal - II 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 Red Bull Cliff Diving Series 2013 17:15 Verão Cá Dentro 18:15 O Teu Olhar (Telenovela) 19:00 Segredo de Justiça 20:00 Jornal da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:00 A Hora de Baco 22:30 Verão Total 30 - FOX Sports 13:00 NASCAR Sprint Cup Series 2013 16:00 US Women’s Amateur Championship 2013 18:00 (Delay) Louis Vuitton Cup Finals 18:30 Liga Bbva 2013/14 Weekly Review 19:30 (LIVE) FOX SPORTS Central 20:00 Liga Bbva 2013/14 La Liga World 20:30 The Football Review 2012-2013 21:00 Liga Bbva 2013/14 Weekly Review 22:00 FOX SPORTS Central 22:30 UFC On FOX SPORTS

0.2

Cineteatro

M A C A U [ S Ã ] A S S A D O E TOPLESS, NÃO?

BAHT

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Analisar os sacos e as sombrinhas

• Nas piscinas públicas de Macau é usual ver este tipo de avisos que alertam as pessoas para não irem a banhos nus. De facto, é uma afronta o que o IACM avisa. Sempre pensei que pudesse ter a satisfação de ver um topless...

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA A VISITA DO BRUTAMONTES • Jennifer Egan

Bennie Salazar, antigo punk rocker, está a envelhecer e é agora um executivo discográfico; Sasha é a sua assistente, uma jovem mulher impetuosa e cleptomaníaca. Apesar de Bennie e Sasha nunca chegarem a descobrir o passado do outro, o leitor vai conhecê-lo, até ao mais íntimo detalhe, bem como a vida secreta de um variadíssimo leque de personagens, cujos caminhos se cruzam com os deles ao longo de muitos anos e muitos lugares: Nova Iorque, São Francisco, Nápoles e África. A Visita do Brutamontes é um livro sobre a interação do tempo e da música, a capacidade de sobreviver, e as mudanças e transformações, quando inexoravelmente postas em movimento ainda que pelas mais efémeras conjunturas do nosso destino. Numa arrebatadora plêiade de estilos e registos - da tragédia à sátira, passando pelo Power Point - Egan captura a corrente que nos atrai para a auto-destruição - à qual sucumbimos se não a soubermos dominar; a fome de redenção de cada homem e mulher; e a tendência universal para alcançar ambas através da ação “condutora” da arte e a música e escapando à impiedosa passagem do tempo. Um livro astuto, surpreendente e hilariante.

LEVANTAR O CÉU • de José Mattoso

“Levantar o céu” é o nome que os mestres de Chi Kung (uma variante do Tai Chi) dão a um dos seus principais exercícios. Consiste, fisicamente, em levantar os braços em arco com as palmas das mãos apontadas uma para a outra e viradas para cima, isto é, para o “céu”. Pouco importa a execução do exercício. Tomo-o como metáfora de uma atitude de vida que dá a primazia ao Céu, no sentido que a palavra tem, por um lado, na cultura chinesa, e, por outro, na nossa. Na cultura chinesa, Céu (Yang) designa aquilo que vem do alto [ ], que anima a realidade espiritual da existência. Opõe-se à Terra (Yin), isto é, àquilo que vem de baixo [ ], que representa a realidade material da existência. O movimento das mãos e dos braços, que se elevam como se conduzissem a Terra ao encontro do Céu, constitui uma espécie de representação do papel que o homem pode e deve desempenhar na união do Céu e da Terra. [ ] Dominamos a matéria, manipulamos as leis físicas, acumulamos o poder e o dinheiro, aperfeiçoamos a racionalidade, e, todavia, o caminho que escolhemos parece conduzir diretamente ao caos. [ ] Não será preciso, então, preservar as realidades espirituais para nelas encontrar a inspiração necessária ao exercício prático, efetivo, da solidariedade e da responsabilidade? Não será preciso fazer aquilo que não dá dinheiro nem poder e que muitos homens e mulheres praticam sem esperar qualquer lucro, mas o Estado ignora e a cultura dominante despreza, isto é, “levantar o Céu”? Os textos aqui reunidos foram escritos ao sabor de solicitações variadas [ ] Uns são mais “cívicos”, outros mais espirituais; uns inspirados no senso comum, outros na mensagem evangélica; uns recorrem à História, outros a princípios intemporais. Qualquer que seja a linguagem e o pensamento que os inspira, pretendem todos contribuir em alguma coisa para “levantar o Céu”.»

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

Considero-me um gato privilegiado: vivo num espaço cheio de ar condicionados e tenho teclados sobre os quais posso dormir uma sesta. Mas ontem apeteceume ir lá fora ver como estavam as coisas. Contudo, mal pus o pé na rua, arrependime um bocadinho. As ruas estavam demasiado cheias e só via pés e pernas à minha frente, a empurrarem-me. Depois só via sacos amarelos com uns bolos esquisitos e sombrinhas. Muitas sombrinhas. Eu, que até gosto de sol, não percebo porquê sombrinhas no verão e no inverno. É que nem sequer há uma fase em que elas não existem nas ruas – estão lá sempre. Mas em nenhuma outra parte do mundo as sombrinhas esgotam a paciência tanto como aqui. Se não vejamos. Levas com uma na cara e não há um pedido de desculpas. Depois tens de fazer autênticos malabarismos (e eu que achava que não tinha jeito para a coisa) para conseguires andar na rua sem tropeçar nelas. Se juntares a este stress milhões de sacos e carrinhos de compras cheios de gel de banho e champôs ultra modernos, então um simples passeio pelo centro histórico de Macau pode tornar-se um problema. Ficamos com dores de cabeça, arranhões nos braços e até dores musculares, e nem sequer há tratamento para as causas desta patologia. Excesso de turistas? Olhe, tome paracetamol, diria um médico se eu fosse ao hospital. Mas eu acho que também podíamos fazer outra coisa. Já que aqui se fazem consultas públicas por tudo e por nada, também se podia fazer uma sobre o uso das sombrinhas. Depois podia haver um questionário com perguntas do tipo “quantos arranhões arranja por dia só por causa das sombrinhas”? “Com quantos sacos amarelos já se deparou na última semana?” “Teve medo em algum momento de um atropelo mais forte?” Se houvesse muitas respostas negativas, poderia criar-se um decreto-lei qualquer que proibisse isto. Tal como se proíbe o fumo ao ar livre em espaços onde não há pessoas, ou como se fazem linhas azuis em coisas arquitectónicas e históricas.


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OPINIÃO

hoje macau quinta-feira 29.8.2013

H

Alberto Castro in Jornal de Notícias

ORÁRIOS zero. Maus resultados nos exames nacionais. O caminho para a inserção social. Cheque-ensino. Exames para ingresso na carreira docente. Cortes no orçamento do Ensino Superior. Por uma razão, ou por outra, a educação tem estado, está e estará, na chamada ordem do dia. O que está em causa merecia menos ruído e mais ponderação, evitando que a discussão ficasse cativa de interesses corporativos e de medidas avulsas que, quando somadas, resultam num sistema educativo carente de lógica. O número de professores com o chamado horário zero, um eufemismo para dizer que não têm aulas para dar, reflecte duas realidades: uma estrutural (o decréscimo de alunos fruto da quebra nas taxas de natalidade), a outra política (decisões que vão desde a concentração de escolas até ao aumento do número de alunos por turma), mesmo que queira configurar uma reforma... estrutural. Na ausência de quaisquer medidas, a simples diminuição da natalidade originaria um excesso de professores, pelo menos em certas escolas ou agrupamentos escolares, tornando inevitável algum ajustamento. Segundo vozes mais avisadas que a minha, ter-se-á ido longe de mais na criação de mega-agrupamentos. Alguns duvidam, também, se não estaremos a pisar o risco na dimensão das turmas e na sobrecarga dos professores, o que poderá vir a ter reflexos na qualidade do ensino, sobretudo quando os prémios e incentivos para quem faz, ou queira fazer, a diferença desapareceram. Bem sei que há um problema de emprego subjacente. No entanto, de um ponto de vista social, não deveriam ser aqueles a estabelecer o quadro de base e as prioridades na discussão? A que se poderia somar, ainda, o facto de muitas das medidas não terem tido em consideração o respectivo impacto nos equilíbrios regionais (reforçando a polarização e contribuindo para a desertificação que, arrisco, não será completamente alheia à multiplicação de fogos florestais). Esta visão mais ampla, de integração de

EDWARD LAMSON HENRY, O VELHO RELÓGIO NAS ESCADAS

Um zero à direita

O número de professores com o chamado horário zero, um eufemismo para dizer que não têm aulas para dar, reflecte duas realidades: uma estrutural (o decréscimo de alunos fruto da quebra nas taxas de natalidade), a outra política (decisões que vão desde a concentração de escolas até ao aumento do número de alunos por turma), mesmo que queira configurar uma reforma... estrutural

políticas, de pensar em termos de modelo de desenvolvimento e não apenas em resultados parcelares, permitiria, quiçá, encontrar soluções não óbvias mas coerentes. Em vários casos, tal seria facilitado se houvesse a vontade (a ousadia?) de acreditar que um funcionamento mais descentralizado, baseado na proximidade, poderia ser mais eficaz na consecução dos propósitos enunciados centralmente. Sabe-se, de ciência certa, que a educação tem um papel central na inserção social dos mais desfavorecidos. Sabe-se, ainda, que o processo de aprendizagem de quem provém desses ambientes é tudo menos fácil, exigindo apoios e acompanhamentos específicos, incompatíveis com a dinâmica da sala de aula, em especial se muito povoadas. Admitir que essas ajudas ocorram no ambiente familiar é, numa grande maioria dos casos, pedir o impossível. As famílias têm de ser sensibilizadas para a importância do projecto educativo, informadas sobre o aproveitamento e co-responsabilizadas no que toca às questões de disciplina e do cumprimento da assiduidade. O resto compete ao sistema escolar, em geral, e à escola, em particular. Os professores sem aulas poderiam ser mobilizados e envolvidos neste empreendimento: ao fim e ao cabo, qualquer que seja a sua especialidade, hão-de ter bem mais competências pedagógicas do que as existentes na generalidade dos agregados familiares. O desígnio deste projecto é suficientemente importante para não ser considerado como um expediente mas uma prioridade que justifica a afectação de meios - há poucas coisas mais importantes do que a criação de condições de base para a igualdade de oportunidades. Uma gestão de proximidade, no limite envolvendo municípios contíguos, seria a forma mais apropriada de o concretizar. Alguma mobilidade de professores entre escolas seria inevitável, um mal bem menor do que o que, de outro modo, o inexorável futuro lhes reservará, seja qual for o Governo. Fazer parte de um projecto com aquela ambição e efeito multiplicador seria um motivo de orgulho para os professores envolvidos. O horário zero deixaria de ser um anátema para passar a factor benigno. Um zero à direita.


opinião 19

hoje macau quinta-feira 29.8.2013

Ricardo Pinho

disse-me um passarinho...

twitter.com/ricardo

A forma mais rápida de se iniciar numa arte, qualquer uma, é começar por se instruir sobre os seus clichés.

LEOCARDO

bairro do oriente

Não é defeito, é feitio

O

S escoceses costumam contar uma história antiga, que fala de um velho milionário de Glasgow que andava descalço “para economizar nas solas dos sapatos”. Os turistas sentiam pena do homem quando o viam, e muitos chegavam mesmo dar-lhes uns trocados, que o homem agradecia com um sorriso de orelha a orelha, e guardava as moedas religiosamente na bolsa de couro que levava à cintura do “kilt”. Não sei se esta lengalenga escocesa é mesmo verídica, mas desconfio que serve apenas para ilustrar a faceta de sovina de alguns dos simpáticos habitantes das terras altas da Grã-Bretanha. Quando conhecemos alguém muito forreta, sovina ou somítico lembramo-nos sempre do Tio Patinhas, um personagem da Disney que pertence ao nosso imaginário infantil. O Tio Patinhas era tão rico que nadava no dinheiro que guardava na sua caixa-forte, mas cada vez que gastava um tostão que considerasse mal gasto, sentia-se como se lhe tivessem arrancado as penas. Como nos divertíamos com as forretices do Tio Patinhas, que ainda por cima era de origem escocesa, o que vem dar alguma credibilidade ao conto do velho de Glasgow que nem as solas queria gastar. Menos piada têm os Tios Patinhas da vida real, tanto ou mais mesquinhos que o original. Em toda a parte encontramos aquele tipo de pessoas que economiza, mesmo naquilo que consideramos o mínimo essencial para o nosso próprio conforto. Muitas vezes trata-se de gente com uma certa idade, que passou por dificuldades na infância e na juventude, que suou as estopinhas para juntar umas economias que o permitam dormir mais descansado. Dá valor ao dinheiro porque sabe quanto o custou ganhar. E de facto todos sabemos bem que é muito mais fácil gastar dinheiro do que ganhá-lo. A nossa relação com o vil metal é cruel, e só nos dá dores de cabeça. É como aquela mulher que adoramos e lhe damos tudo o que temos, e ela não só não retribui, como ainda nos é infiel. A poupança é um valor importante, um daqueles que devemos transmitir aos nossos filhos. No entanto há pessoas que levam este princípio tão válido a um extremo

que se “esquecem” de viver. Se por um lado esbanjar é um vício pouco recomendável, o dinheiro foi feito para se gastar, e se for com sensatez melhor ainda. Partir da vida deixando uma fortuna no banco pode ser uma dádiva que os nossos descendentes agradecem, e com toda a certeza nos recordarão com carinho e respeito. Mas é preciso lembrar que deste mundo não se leva nada para seja onde for o destino final, e quem sabe se aqueles filhos ingratos ainda vão comentar um dia: “O velho era um sacana e um forreta, e ainda bem que me deixou umas massas para compensar pela maldade”. Em Portugal tinha um vizinho que fazia

atordoado com aquela reacção, e logo vinda de quem eu acabava de dar negócio. Poucos segundos depois, já recomposto, expliquei-lhe que não me apetecia uma caixa de arroz, mas sim aquele gelado, e que já tinha almoçado. Em todo o caso agradeci-lhe a dica, tão preciosa que posso sempre usar quando resolver começar a minha fortuna. A vida é mesmo assim: há horas para comprar caixas de arroz, e horas para comprar um gelado. Em Macau, apesar do luxo e da ostentação dos hotéis de cinco estrelas e dos casinos, temos muitos exemplos de Tio Patinhas. Já perdi a conta das vezes que vejo no banco velhotes com aspecto de mendigo, mas que

Em toda a parte encontramos aquele tipo de pessoas que economiza, mesmo naquilo que consideramos o mínimo essencial para o nosso próprio conforto. Muitas vezes trata-se de gente com uma certa idade, que passou por dificuldades na infância e na juventude, que suou as estopinhas para juntar umas economias que o permitam dormir mais descansado. Dá valor ao dinheiro porque sabe quanto o custou ganhar. E de facto todos sabemos bem que é muito mais fácil gastar dinheiro do que ganhá-lo quatro quilómetros de bicicleta todas as manhãs até uma padaria onde o pão saloio custava menos 50 centavos que na padaria da esquina. Achava-lhe imensa graça, talvez mais que a esposa e os filhos, que certamente se sentiam envergonhados da sovinice do senhor. Em Macau recordo-me de um episódio que aconteceu comigo há alguns anos, quando ainda vivia na zona de S. Lourenço. Havia uma mercaria perto de casa onde comprava habitualmente cervejas, cigarros, bolachas e outros géneros mais corriqueiros, e a proprietária já me conhecia de ginjeira, ao ponto de ter alguma confiança que nos permitia trocar dois dedos de conversa. Um dia comprei um gelado, uma daquelas barras de chocolate num pauzinho, que custava 15 patacas. A senhora disse-me então com um ar muito paternalista (ou maternalista, neste caso): “Quinze patacas…com este dinheiro podias comprar uma caixa de arroz”. Fiquei meio

quando chegam à caixa abrem uma folha de jornal onde embrulharam centenas de milhar de patacas em notas – imagino quantos ainda devem guardar o dinheiro debaixo do colchão. Aliás e a esse propósito, já não me surpreende cada vez que leio aquelas notícias de idosos que caem num dos muitos contos do vigário feitos à sua medida, e que em muitos casos têm 500 mil patacas à mão de semear. Se calhar guardam um milhãozinho na lata das bolachas. É comum ver aqueles cidadãos a remexerem nas latas do lixo à procura de latas de alumínio e de cartão, que depois de uma manhã de esforço, debaixo do calor e da chuva, trocam por umas míseras 20 ou 30 patacas, e em muitos casos sem necessidade disso. No Largo do Senado está habitualmente uma senhora que aborda os transeuntes com um sorriso e de mão estendida, pedindo esmola. Apesar da

idade avançada, não tem de todo aspecto de quem se precisa de rebaixar a esse ponto, até porque um olhar mais atento permite observar que ostenta um brinco de ouro em cada orelha. Para quem chega de fora e depara com este espectáculo, vai pensar que em Macau existe muita miséria. E não são apenas os mais velhos que manifestam sintomas de avareza, que deve ser um mal hereditário. Quando os meus colegas descobrem que chego a gastar 100 patacas num almoço mais que uma vez por semana, entram quase em estado de choque. Se vou sair com amigos chineses e vamos a um bar onde uma cerveja custa 30 patacas, não resistem a comentar que “no supermercado custam apenas seis patacas”. Limito-me a encolher os ombros. Tenho um colega que usa a internet na biblioteca, e apenas para ficar a par das oscilações da bolsa de valores. Em casa não liga o ar condicionado, limitando-se a abrir uma janela, e se estiver mesmo muito calor, vai até ao McDonald’s mais próximo e passa lá a tarde inteira a ler um livro e a “embalar” um chá com leite que lhe custou dez patacas. Pois é, tal como o amor, a avareza não escolhe idades. Este fenómeno explica-se talvez pelas próprias origens da população de Macau, segundas e terceiras gerações de refugiados da Guerra do Pacífico, gente sem eira nem beira que atravessou a fronteira para escapar aos horrores da ocupação japonesa, e que passou as passas do Algarve para ganhar a vida. Por isso regem-se pela máxima de “um tostão poupado é um tostão ganho” – curiosamente esse era também o lema do Tio Patinhas. A única excepção deve ser a batota, o jogo, que por estas bandas é quase uma religião, e que custa a muitos anos de poupanças e de esforço. O jogo é a armadilha do forreta, mesmo do mais militante e ponderado. É a árvore onde se encontra o fruto proibido no Éden da avareza. Diz-se que para os chineses, o mais importante “é ter casa própria”, e se tiverem duas ou três, é sinal de grande prosperidade, sintoma de uma gestão inteligente. O pior é que mesmo depois disso não deixam de acumular dinheiro e casas; ficam viciados no veneno da forretice mais rasteira. Por isso não é por mal que depois nos cobram aquelas rendas que toda a gente sabe. Não é defeito, é apenas feitio.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos; Zhou Xuefei [estagiária] Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Arnaldo Gonçalves; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Gonçalo Alvim; Helder Fernando; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Tiago Alcântara; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


hoje macau quinta-feira 29.8.2013

Maduro acredita que cancro de Chávez foi inoculado

Múltiplas explosões em Bagdade fazem mais de 50 mortos

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, reafirmou estar «profundamente convicto» de que o cancro que atingiu Hugo Chávez foi inoculado no ex-chefe de Estado. «Ninguém me convence de que o cancro de que padecia Chávez não foi inoculado» para que ele se retirasse, afirmou Nicolás Maduro, reiterando uma posição assumida na altura pelo antigo presidente venezuelano, quando ainda travava a batalha contra a doença. Maduro disse ainda que também existem planos contra ele próprio, mas que as autoridades irão neutralizar os mesmos.

Várias explosões esta manhã, em Bagdade, provocaram pelo menos 51 mortos, de acordo com informações das autoridades locais, que primeiro avançaram com 35 vítimas. Haverá mais de 100 feridos. O pior ataque aconteceu em Kadhimiya, um distrito no noroeste da capital iraquiana. A polícia disse que foram detonadas bombas em pelo menos 10 diferentes áreas da cidade parques de estacionamento, mercados e restaurantes. Mais de quatro mil pessoas já morreram este ano no Iraque, com registo de quase 10 mil feridos.

Vinte filmes concorrem ao Leão de Ouro em Veneza

Tem início esta quarta-feira o Festival Internacional de Cinema de Veneza. O júri da 70.ª edição vai ser presidido pelo cineasta italiano Bernardo Bertolucci. Duas dezenas de filmes concorrem ao Leão de Ouro. Fora da competição vão ser exibidas 70 curtas-metragens de 70 realizadores de todo o mundo, incluindo os portugueses Miguel Gomes, Teresa Villaverde e João Pedro Rodrigues.

Encontrados vestígios de água na Lua

A agência espacial norteamericana (NASA) revelou que foram descobertos indícios de água em partículas minerais da superfície lunar. A NASA explica que a descoberta tem origem nas profundezas desconhecidas da Lua através da sonda Chandrayaan 1, da Organização de Investigação Espacial da Índia. A bordo do equipamento estava o M3, um instrumento de mineralogia da NASA e que permitiu encontrar água magmática. A descoberta foi feita a partir de imagens captadas da cratera Bullialdus, o que surpreendeu os cientistas, uma vez que a cratera está numa zona pouco expectável para que a passagem do vento solar gere tão significativa quantidade de água.

cartoon por Stephff

PISAR A LINHA

UMAC RUI MARTINS RENOVA CONTRATO POR CINCO ANOS

Português continua como vice-reitor RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

S

ÃO mais cinco a juntar a outros dezasseis anos como um dos dirigentes máximos da Universidade de Macau (UMAC). A renovação do contrato desta instituição académica com Rui Martins por mais um mandato foi ontem publicada em Boletim Oficial, numa ordem publicada pelo presidente do Conselho da UMAC, Tse Chi Wai. “Estou em Macau há cerca de 21 anos e concluo agora o meu 16.º ano como vice-reitor e creio que se calhar devo ser um dos vice-reitores mais antigos de todo o espaço de língua portuguesa e tenho dado o meu contributo desde o início à Universidade de Macau”, começa por explicar Rui Martins ao HM, à margem da cerimónia do 10.º aniversário da Creative Macau. “[A renovação de contrato] significa mais cinco anos de trabalho, aliás, muito complicados. Como sabe mudámos agora para o novo campus, que é uma nova cidade, e portanto vou continuar a contribuir com o meu melhor.”

O dirigente, que renova funções a 1 de Setembro, encara o novo campus na Ilha da Montanha como um “desafio de grande impacto”, não só enquanto membro da reitoria mas também

na qualidade de coordenador de investigação do laboratório de electrónica de referência nacional, que terá uma área muito mais extensa, com três mil metros quadrados. A par do dirigente português, outros dois vice-reitores, Lai Iat Long e Simon Ho, viram ontem publicado também no Boletim Oficial a sua renovação do contrato por igual período de tempo. No entanto, Ho, que está ao serviço desta instituição de ensino superior desde 2009, só renovará funções a 16 de Março de 2014.

NOVO ANO LECTIVO ARRANCA A MEIO-GÁS A UMAC estará em pleno funcionamento ainda este ano lectivo mas não no seu início. De acordo com Rui Martins, vice-reitor da Universidade de Macau (UM), em declarações à Rádio Macau assume atrasos na transferência de operações para a Ilha da Montanha. Tal como indicou o HM, em Abril deste ano, o atraso nas obras poderá ter efectuado o arranque a 100% deste ano lectivo em Hengqin. “Esperamos no segundo semestre mudar já toda a operação para lá, abandonando este campus (...) poderá haver alguns atrasos mas durante este ano lectivo a universidade estará completamente do outro lado”, disse, salientando que dois mil alunos já dormem no novo campus embora as aulas decorram ainda no campus da Taipa. Rui Martins explicou ainda que o Departamento de Língua Portuguesa vai ser reforçado, os dois laboratórios de referência do Estado vão ter uma maior dimensão e haverá uma nova faculdade na área das Ciências da Saúde.

Índia Queda de dois prédios fez seis mortos

O desmoronamento de dois prédios no oeste da Índia provocou seis mortos. Outras 30 pessoas estão desaparecidas. As derrocadas dos edifícios de três andares ocorreram na cidade de Baroda, no Estado de Gujarat, numa altura em que 14 famílias estariam no seu interior, a dormir, conta a «NDTV». No local prosseguem as buscas por sobreviventes.

Brasil Oito mortos em desmoronamento de edifício em São Paulo

O desabamento de um prédio em obras em São Mateus, na Zona Leste de São Paulo, provocou oito mortos, de acordo com a imprensa brasileira. A oitava vítima mortal do colapso do edifício, na Avenida Mateo Bei, tinha sido localizada pelos bombeiros, mas só foi retirada do local posteriormente, dado que se encontrava numa zona de difícil acesso. Outras 25 pessoas foram resgatadas com vida, tendo necessitado de assistência hospitalar.


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Hoje Macau 29 AGO 2013 #2925 by Jornal Hoje Macau - Issuu