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Hoje Macau 29 JUL 2015 #3382

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q u a r ta - f e i r a 2 9 d e j u l h o d e 2 0 1 5 • A N O X i v • N º 3 3 8 2

sjm funcionário morre em pyongyang. família rejeita suicídio

Onde pára a verdade?

Chamava-se Lei Weng Fu e tinha apenas 29 anos. Trabalhava para a SJM na Coreia do Norte com o objectivo de arrecadar dinheiro suficiente para abrir um restaurante em Macau. Faleceu a 5 de Junho e, segundo as autoridades de Pyongyang, terá sido um

Agência Comercial Pico • 28721006

hojemacau

pub

Director carlos morais josé

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Fluidos e longevidade wang chong

código penal

Lenocínio em revisão política página

caso de suicídio. Teoria rejeitada pela família que recebeu dias antes uma mensagem em que Lei se dizia ameaçado. Após cinco dias incontactável, chega a notícia da sua morte. Para os familiares do funcionário da SJM, esta é uma “história muito mal contada.

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exposição

O mestre carpinteiro eventos

extradição

grande plano

Técnicas e políticas pub

sociedade Página

relatório | tráfico humano

Macau, destino de eleição política Página

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diário de bordo

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hoje macau quarta-feira 29.7.2015

por carlos morais josé

EPA/ABIR SULTAN

ontem macau

Forças de segurança israelitas escoltam um israelita que recusou abandonar a sua casa num edifício de fracções ilegais, durante uma evacuação do local. O Tribunal Superior de Israel decidiu demolir o prédio, por considerar que este estava construído em solo palestiniano.

horah

“Temos dezenas de ideias positivas e iniciativas sugeridas. Gostaríamos de seguir em frente e implementar algumas, como a formalização de um sistema de medidas para a criação do Macau Taxi Fishing Índex” Andrew Scott • Presidente da MTPA, sobre pedido de apoio à Fundação Macau

“Relativamente à construção da habitação pública no Fai Chi Kei e no Lote 3 do Bairro da Ilha Verde, estará concluída este ano e será entregue aos serviços de habitação” • GDI

“Sobre a recuperação dos empréstimos da Viva Macau, (…) o Governo já encarregou o advogado de apurar os activos do fiador dos empréstimos em Hong Kong no sentido de estudar outros planos de recuperação”

“Cabe ao Governo negociar e decidir. Nós temos prestado informações processuais, ao nível técnico, mas a política cabe ao Governo decidir” Sam Hou Fai, presidente do Tribunal de Última Instância, sobre os acordos de extradição com a China e Hong Kong em matéria judicial | P. 7

Tai Kin Ip • Director substituto da DSE

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong; Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; Arnaldo Gonçalves; André Ritchie; David Chan; Fernando Eloy; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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grande plano

hoje macau quarta-feira 29.7.2015

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SJM Funcionário a trabalhar na Coreia do Norte aparece morto. Família não acredita em suicídio

Um funcionário da SJM, a trabalhar num casino na Coreia de Norte, foi encontrado morto. Suicídio foi a causa apresentada pelas autoridades norte-coreanas. Mas um aviso prévio e o desaparecimento durante cinco dias leva a família a apontar que esta é uma história “muito mal contada”. Depois de conseguir a transladação do corpo, através da SJM, a família quer saber o que realmente aconteceu

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ei Weng Fu tinha 29 anos e era residente de Macau. Trabalhava no departamento de fichas para os casinos pertencentes à Sociedade de Jogos de Macau (SJM). Um dia concorreu internamente para ser colocado no Casino Pyongyang, na Coreia do Norte. O objectivo era claro: amealhar dinheiro suficiente para, juntamente com um amigo, abrir um restaurante de sopa de fitas em Macau. “Ele gostava de lá estar, não se queixava, tinha algumas limitações, mas quando veio a Macau uma semana de férias disse que gostava de lá trabalhar”, conta ao HM Lin Chao, mãe de Weng. “Contou-me que estava a poupar dinheiro e também comprou acções, assim ia ter dinheiro suficiente para abrir o restaurante de sopas com o amigo”, continuou. No dia 31 de Maio, o pai de Weng estranha uma mensagem que recebeu do filho pela aplicação WeChat. “Lá [na Coreia do Norte] o telemóvel e o passaporte ficam retidos, ele falava connosco pelo iPad e mandava mensagens pelo WeChat, às vezes”, conta a mãe do trabalhador, sublinhando a dificuldade de acesso à internet no país. “Nesse dia, o nosso filho escreveu

que estava a ser ameaçado, por causa de dinheiro, e que uma das empresas sócias do casino queria bloquear-lhe a conta bancária de Macau. Disse-nos que não sabia o que podia acontecer, mas que não acreditássemos em nada que nos pudessem contar”, relembra a mãe. Também um amigo do filho, residente e trabalhador da SJM no território, contou aos pais que Weng lhe tinha contado que tinha sido vítima de violência física e tinha recebido várias ameaças. “Soubemos no dia seguinte que tinha sido despedido, mandou-nos uma mensagem a avisar que pela manhã, quando chegou ao trabalho, foi despedido, acusado de roubo de fichas”, acrescenta a progenitora. “Ele nunca roubaria”, adiciona a tia, Mei Chao, presente no encontro da família com o HM.

hoje macau

“Uma história muito mal contada”

Silêncio mortal

Foram cinco dias de silêncio. Weng esteve sempre incontactável, nunca surgiu online e nunca viu as mensagens que os pais lhe enviavam, algo detectável na aplicação que usava. “No dia 5 de Junho o gerente do nosso filho ligou-nos e disse que o ia buscar ao aeroporto de Macau”, relata a mãe, adiantando que horas depois receberam um novo telefonema. Neste, é-lhes dada a notícia. “Era da SJM, não era preciso ir buscar o nosso filho, porque ele estava morto. Disseram: ‘ele suicidou-se’”, conta. A ideia de suicídio nunca foi aceite pela família. “Esta história está muito mal contada, tudo é muito estranho. Isto é muito estranho”, reforça. Em busca de mais informações, a família fez várias perguntas à empresa da Coreia do Norte, que nunca lhe deu as respostas. Nem respostas, nem os pertences do filho. “A SJM quis – através de um advogado - que assinássemos um papel – que pertencia à empresa do casino na Coreia – a permitir que o corpo fosse cremado lá. Não aceitámos e nunca assinámos. Conversámos com o advogado e decidimos que queríamos ir lá. Tínhamos de perceber o que aconteceu”, conta a mãe da vítima. O pai não pôde ir, devido a um problema de coração, seguindo a para a Coreia do Norte a mãe e irmã de Weng. “Chegámos e os nossos telemóveis e passaportes foram retidos, não podíamos ir onde queríamos, nunca nos foi possível falar com colegas de trabalho do Weng e nunca chegámos a recolher os seus bens. Desapareceram”, indica. Da empresa só chegava a justificação de que o filho, padecendo de uma doença mental – diagnos-

ticada por uma equipa médica designada pela empresa proprietária do casino - roubava fichas e, por isso, depois de descoberto, terá optado pelo suicídio. “Eu não acredito nisto, nem o meu filho era deficiente, nem nunca teve comportamentos que indicassem uma coisa destas. Isto não é verdade e eu preciso de saber a verdade”.

Custos elevados

Durante 17 dias, a mãe e a irmã permaneceram no país, para trataram de tudo o que lhes foi possível para a transladação do corpo de Weng para Macau. “Queríamos enterrá-lo na sua terra”, diz a mãe. Os custos da transladação superaram os 7500 dólares (cerca de 60 mil patacas) e a família não tinha como

pagar. “Mesmo com o dinheiro da conta do meu sobrinho, era a empresa da Coreia que devia pagar. Por isso é que entrámos em contacto com a Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau. Pedimos ajuda para trazer o corpo do meu sobrinho”, indica a tia. Com o pedido nas mãos, a ATFPM, liderada pelo deputado José Pereira Coutinho, entrou em contacto com Angela Leong, administradora da SJM, “duas vezes por telefone”. “Chegámos a ter um encontro com um advogado da SJM que não se mostrou muito à vontade para lidar com esta situação. E foi então, num almoço da Polícia Judiciária, que encontrei Angela Leong e falei directamente com ela. Voltei a insistir mais tarde”, conta o presidente da Associação.

“Nesse dia o nosso filho escreveu que estava a ser ameaçado, por causa de dinheiro e que uma das empresas sócias do casino queria bloquear-lhe a conta de banco de Macau. Disse-nos que não sabia o que podia acontecer, mas que não acreditássemos em nada que nos pudessem contar” Lin Chao Mãe de Weng

Em pouco tempo, as contas estavam pagas. “Não sei se foi a Angela [Leong] que pagou, não sei de onde veio o dinheiro, sei que foi a SJM que pagou as contas. É uma caso de dignidade humana, de um residente de Macau que era trabalhador da SJM e a operadora só tinha que assumir os custos. O corpo já cá está e agora a família pode realizar o funeral do jovem”, indica.

Um fim sem vista

Com um saco de perguntas por responder, a família de Weng não fará o luto até ter respostas. “Colocámos a questão à Polícia Judiciária - e já está envolvida a Interpol - para tentarmos perceber o que realmente aconteceu”, indicou o presidente, reforçando, todas as “pontas soltas” da história que parece não ter fim para a família. O HM tentou contactar Angela Leong para confirmar as informações, mas até à hora do fecho desta edição, Angela Leong não respondeu às perguntas colocadas. O casino, que fica na cave do hotel com o mesmo nome, foi aberto em parceria com a SJM nos anos 1990. Filipa Araújo (com F.F)

filipa.araujo@hojemacau.com.mo


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política

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EUA Relatório volta a apontar o dedo ao tráfico humano

O mínimo dos mínimos

O relatório do Departamento de Estado dos Estados Unidos volta a apontar Macau como um destino principal de tráfico humano destinado à prostituição, frisando que o Governo não cumpre os padrões mínimos para eliminar o problema, apesar dos esforços desenvolvidos. Juliana Devoy concorda e pede para a sociedade agir tiago alcântara

acau é um destino e a fonte para mulheres e crianças que são sujeitas ao tráfico sexual e a trabalhos forçados. As vítimas do tráfico sexual são essencialmente do interior da China, algumas são da Mongólia, Vietname, Ucrânia, Rússia e Tanzânia.” A frase consta no relatório do Departamento de Estado dos Estados Unidos, assinado pelo Secretário de Estado John Kerry, e traça novamente um balanço negro da situação do tráfico humano na RAEM. O relatório refere ainda que Macau reduziu os apoios financeiros no combate ao tráfico. “As autoridades de Macau reduziram o financiamento de 3 milhões para 1,8 milhões de patacas para custear e apoiar as medidas de protecção das vítimas”, pode ler-se. O Governo também fica mal na fotografia, ao ser acusado de “não cumprir os padrões mínimos para eliminar o tráfico”, apesar de “ se terem feito esforços significativos para tal”. O relatório aponta que as autoridades policiais apenas apanharam seis autores de tráfico e continuaram outros processos de investigação e captura. Quanto às vítimas de tráfico sexual, foram identificadas apenas cinco em 2014, por comparação às 30 identificadas em 2013.

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“Macau é um destino e a fonte para mulheres e crianças que são sujeitas ao tráfico sexual e a trabalhos forçados. As vítimas do tráfico sexual são essencialmente do interior da China, algumas são da Mongólia, Vietname, Ucrânia, Rússia e Tanzânia” Apesar dos números serem baixos, Juliana Devoy, directora do Centro do Bom Pastor, que lida de perto com muitas mulheres vítimas destes crimes, acredita que o problema está longe de ser resolvido e pede mais acção do Executivo. “Não penso que o problema tenha desaparecido ou diminuído”, disse ao HM. “O Governo está a tentar mas não é suficiente, porque não é fácil. Penso que o Governo tem de ser mais pró-activo. Em termos de tráfico de pessoas, nos casinos, antes não havia esse conceito então não se prestava atenção a isso. Temos de actuar de forma mais profunda e temos de fazer com que o público

esteja envolvido. A sociedade de Macau não presta muita atenção ao problema, porque as pessoas acham que é algo que não as afecta pessoalmente”, apontou. Juliana Devoy chama a atenção para o facto das vítimas estarem escondidas. “Muitas vezes não se identificam como vítimas, porque as mulheres, depois de estarem muito tempo ligadas a estes grupos culpam-se a elas próprias. Isso é universal e não é algo único que exista em Macau. Não sabem como pedir ajuda e não é fácil irem à polícia.”

Ao engano

O relatório do Governo norte-americano revela ainda que a maioria das mulheres forçadas a prostituírem-se vêem do interior da China, da província de Guangdong, ou da Mongólia, Vietname, Ucrânia, Rússia e Tanzânia. “Muitas vítimas de tráfico são seduzidas por falsos anúncios de emprego, onde se incluem os casinos de Macau, mas depois são raptadas e forçadas à prática da prostituição. As vítimas são depois colocadas a trabalhar em centros de massagem ou pensões ilegais, onde são observadas e tratadas com violência, forçadas a trabalhar longas horas, tendo os seus documentos confiscados.” O documento aponta ainda que “máfias chinesas, russas e tailandesas poderão estar envolvidas no recrutamento de mulheres para a indústria do sexo em Macau”, tendo sido reportados casos de crianças que também foram envolvidas no processo. Para Juliana Devoy, “há muito que essas máfias operam no território e não é propriamente novidade”.

“As autoridades de Macau reduziram o financiamento de 3 milhões para 1,8 milhões de patacas para custear e apoiar as medidas de protecção das vítimas”

Limitações e constrangimentos No que diz respeito a Macau, o relatório assinado por John Kerry chama ainda a atenção para o facto de não existir sufrágio universal em Macau, considerando que existem “limites à capacidade dos cidadãos em mudar o Governo”, bem como

“constrangimentos na imprensa e na liberdade académica”, citando o caso de Éric Sautedé e a sua demissão da Universidade de São José. Para além disso, é ainda referido que o Governo “falhou no reforço das leis mais completas para a protecção

dos direitos dos trabalhadores”. É ainda lembrada a ausência de uma Lei Sindical, já que enquanto “os trabalhadores têm direito à greve, não há uma protecção específica na lei que retribua os trabalhadores pelo exercício desse direito”.

O Departamento de Estado norte-americano afirma que “o reforço da lei e os constrangimentos da capacidade judicial continuam a ser os maiores desafios na resolução dos crimes de tráfico”. Apesar dos esforços do Governo e das campanhas anti-tráfico, o relatório considera que “aparentemente não levaram à redução da procura por prostituição nos casinos, clubes nocturnos e saunas”. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


política 5

hoje macau quarta-feira 29.7.2015

Na revisão aos crimes sexuais inscritos no Código Penal, o Governo quer também rever os artigos relacionados com lenocínio e prostituição. Alterações ao regime que regula a distribuição de panfletos – polémico pela diferente interpretação da lei – não são para agora

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Governo vai incluir na revisão do Código Penal alterações ao crime de lenocínio. A garantia é dada através de uma resposta à deputada Chan Hong, assinada pelo Chefe Substituto do Gabinete do Secretário para a Segurança, onde é ainda garantido que vai haver uma auscultação pública sobre a distribuição de material obsceno, ainda que não para já. A deputada questionou o Executivo sobre a revisão dos crimes de controlo de prostituição e lenocínio e a resposta – feita em conjunto com a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Justiça (DSAJ), PSP, PJ e Direcção dos Serviços de Reforma Jurídica e do Direito Internacional (DSRJDI) – é clara: o Executivo quer incluí-la

CP/ Prostituição Lenocínio vai ser revisto. Distribuição de panfletos à espera

Devagar e aos poucochinhos

carecem de uma boa articulação entre os diversos diplomas a fim de que haja coerência entre os diversos regimes e resulte racionalizada a política criminal em geral.” Os deputados, recorde-se, já propuseram a revisão deste regime diversas vezes.

De olho

nas alterações que vão ser feitas ao Código. “Atendendo à tendência de desenvolvimento conjunto dos respectivos crimes, a DSRJDI já iniciou o trabalho de revisão sobre a matéria dos crimes sexuais, nomeadamente as normas relacionadas com o lenocínio de prostituição”, pode ler-se no documento a que o HM teve acesso. A DSRJDI já terá, inclusive, contactado autoridades policiais, tribunais e advogados para perceber o que falha na “aplicação prática” da lei. “E para ouvir as opiniões sobre a revisão da respectiva lei”, acrescenta. O Executivo relembra ainda que a consulta pública sobre a revisão do Código Penal no que aos crimes sexuais – como o assédio - diz respeito começa na segunda metade do ano, tal como

Chui Sai On Independência jurídica com “valor crucial”

O Chefe do Executivo, Chui Sai On, teve um encontro com Zhou Qiang, juiz presidente do Supremo Tribunal Popular, onde referiu que “a independência jurídica é imprescindível para o desenvolvimento da região”, sendo que possui um “valor crucial”. Para além disso, o Chefe do Executivo defendeu que “um sistema jurídico completo e em funcionamento é um factor de extrema importância para uma região”.

indicou já o HM, mas não avança calendário. A resposta é datada de Junho, mas só agora foi disponibilizada em Português.

O que é pornografia?

O conceito de pornografia continua a confundir os aplicadores da lei em Macau. Os juízes do mesmo tribunal julgam de forma diferente os casos de distribuição de folhetos de publicidade às casas de massagens, onde as mulheres aparecem em biquíni. Para alguns, quem distribui isso tem de ser acusado de distribuição de material pornográfico e obsceno, para outros não. Mas, também a DSAJ se mostra confusa sobre o tema. Por isso mesmo, avança com o anúncio de uma consulta pública à lei que regula a Venda, Exposição e Exibi-

ção Públicas de Material Pornográfico e Obsceno. Mas com reservas. “Após considerações rigorosas, a DSAJ (...) entende que deve continuar a proceder-se, profunda e sistematicamente, a uma avaliação e estudo sobre a respectiva legislação, aguardando que suja o tempo oportuno para a revisão, após que será lançada consulta pública”, começa por apontar a resposta a Chan Hong. “Na realidade, o que significa pornográfico? A [definição] do conceito está dependente do tempo, do local, da cultura, da opinião pessoal e dos limites da tolerância da sociedade”, explica ainda, defendendo que o conceito da lei actual – ‘noção de ofensa ao pudor público ou a moral pública’ – teve isso mesmo em conta. O Executivo diz ainda que há que ter em conta

Regime alimentar proposto por Melinda

A deputada Melinda Chan solicitou ao Governo para rever, com urgência, o mecanismo de tratamento dos problemas da segurança alimentar. O pedido surgiu devido às queixas dos residentes que apontam uma “lenta reacção” por parte do Governo. Depois de, na semana passada, terem sido descobertos camarões enchidos com plástico, vendidos no Mercado Iao Hon, uma residente queixou-se ao Centro de Segurança Alimentar do Instituto para Assuntos Cívicos Municipais (IACM). A residente indicou que o Centro de Segurança Alimentar em causa não acompanhou a queixa, nem investigou as amostras de camarões. Numa interpelação oral, Melinda Chan questionou o Governo se este vai rever o mecanismo de tratamento da segurança alimentar para situações urgentes como esta. Como solução, a deputada defende que deve ser obrigatório a elaboração de um exame científico aos alimentos, mas para isso, é necessário criar um regime definindo os critérios para a avaliação alimentar do próprio território.

primeiro precisamente a revisão dos crimes de lenocínio e exploração de prostituição e a Lei da Criminalidade Organizada. “Os trabalhos de revisão [sobre a lei da distribuição de folhetos pornográficos]

Chan Hong quis ainda saber se há medidas de combate aos grupos relacionados com o controlo de prostituição e o Executivo assegura que sim. Apesar de admitir que as redes mudam de ‘modus operandi’ muito rapidamente, o Governo relembra os recentes casos de desmantelamento de redes destas, como no caso de Alan Ho, e diz ter meios. Meios que incluem a cooperação transfronteiriça. “Atendendo a que a maior parte das redes de exploração de prostitutas estão relacionados com crimes transfronteiriços, a polícia procede a trocas de informações com as regiões vizinhas (...).” Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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AVISO Recrutamento do pessoal A Direcção dos Serviços de Correios pretende admitir, em regime de contrato individual de trabalho, Um lugar de operário qualificado, 1.o escalão, área de logística. O aviso de abertura do concurso será publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau, n.° 30, II Série, de 29 de Julho de 2015, e o prazo para inscrição é de 30/7/2015 a 18/8/2015, inclusive. Os candidatos interessados podem consultar, nas horas normais de expediente, o aviso de abertura que se encontra afixado no 2.o andar do Edifício Sede da DSC, sito no Largo do Senado, em Macau. Podem também consultar o aviso em causa no Website da mesma Direcção (http://www.macaupost.gov.mo/ - “Recrutamento”). Para quaisquer esclarecimentos, favor contactar o Sector de Pessoal da DSC, nas horas normais de expediente, através do telefone 83968207. Aos 22 de Julho de 2015. A Directora dos Serviços, Lau Wai Meng


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hoje macau quarta-feira 29.7.2015

SUMÁRIO DO RELATÓRIO DE ACTIVIDADES No ano de 2014, a nossa empresa logrou registar um desenvolvimento estável nos resultados, embora o crescimento dos negócios não tenha atingido as espectativas desejadas. A entrada da fase de ajustamento económico de Macau foi o factor determinante para os resultados obtidos. Com a afirmação e apoio do Governo Central na determinação da estratégica de desenvolvimento do novo Governo da RAEM, permanecemos optimistas em relação ao desenvolvimento da nossa empresa no futuro. No entanto, a concorrência do mercado e a informação da população em relação às reclamações conduziram ao aumento de pressão em determinados tipos de seguros. Felizmente, superámos as dificuldades com uma gestão eficaz e o empenho profissional da nossa equipa. A nossa empresa continuará a apostar na melhoria dos produtos, na diversificação das estratégias de marketing, e na prestação dos serviços de qualidade aos clientes de Macau. Finalmente, agradecemos a todos os clientes e parceiros pelo seu apoio e orientação. MSIG Insurance (Hong Kong) Limited. Macau, aos 6 de Maio de 2015. SÍNTESE DO PARECER DOS AUDITORES EXTERNOS Para os directores da MSIG Insurance (Hong Kong) Limited Referente a MSIG Insurance (Hong Kong) Limited – Sucursal de Macau (Sucursal de uma companhia de seguros de responsabilidade limitada, incorporada na Região Administrativa Especial de Hong Kong) Procedemos à auditoria das demonstrações financeiras da MSIG Insurance (Hong Kong) Limited – Sucursal de Macau relativas ao ano de 2014, nos termos das Normas de Auditoria e Normas Técnicas de Auditoria da Região Administrativa Especial de Macau. No nosso relatório, datado de 29 de Abril de 2015, expressámos uma opinião sem reservas relativamente às demonstrações financeiras das quais as presentes constituem um resumo. As demonstrações financeiras a que se acima se alude compreendem o balanço, à data de 31 de Dezembro de 2014, a demonstração de resultados, a demonstração de alterações na conta da sede e a demonstração de fluxos de caixa relativas ao ano findo 31 de Dezembro de 2014, assim como um resumo das políticas contabilísticas relevantes e outras notas explicativas. As demonstrações financeiras resumidas preparadas pela gerência resultam das demonstrações financeiras anuais auditadas e dos livros e registos da Sucursal. Em nossa opinião, as demonstrações financeiras resumidas são consistentes, em todos os aspectos materiais, com as demonstrações financeiras auditadas e os livros e registos da Sucursal. Para a melhor compreensão da posição financeira da Sucursal e dos resultados das suas operações, no período e âmbito abrangido pela nossa auditoria, as demonstrações financeiras resumidas devem ser lidas conjuntamente com as demonstrações financeiras das quais as mesmas resultam e com o respectivo relatório de auditoria. Ieong Lai Kun, Auditor de Contas KPMG Macau, aos 29 de Abril de 2015


sociedade

hoje macau quarta-feira 29.7.2015

Extradição Presidente do TUI pede acção do Executivo

Agora é só escolher tiago alcântara

Sam Hou Fai, presidente do Tribunal de Última Instância, defendeu que “cabe ao Governo decidir” a conclusão dos acordos de extradição com a China e Hong Kong em matéria judicial, processo que se arrasta há vários anos

Macau e Hong Kong debatem cooperação ambiental

A Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) reuniram com a entidade homóloga de Hong Kong no âmbito da 7ª Reunião de Cooperação Ambiental Hong Kong – Macau, tendo decidido o plano de actividades conjuntas a desenvolver no próximo ano. Foi debatida a cooperação nas áreas do “desperdício de alimentos e os resíduos dos jardins, bem como a restrição do uso de sacos de plástico nas compras”. A avaliação do impacto ambiental e as instalações de incineração de lamas da ETAR também foram outros pontos analisados. As formas de combater a poluição atmosférica das duas regiões estiveram também em discussão.

encerramento deste Fórum, que o Supremo Tribunal Popular do interior da China tome imediatamente a iniciativa para ligar os órgãos judiciais no sentido da concertação sobre (a cooperação judicial), procurando concretizar, com maior brevidade, esse importante consenso”, disse ainda Sam Hou Fai.

Em andamento

O

Governo tem vindo a estabelecer contactos estreitos com a China e Hong Kong no intuito de finalizar os acordos de extradição com as duas regiões, mas o processo há muito que se arrasta. Em declarações à comunicação social, Sam Hou Fai, presidente do Tribunal de Última Instância (TUI), considerou ser necessária “vontade política” para que o processo fique concluído o mais rapidamente possível. “Já se iniciou com a China (uma discussão), mas ainda não chegámos a um acordo, segundo a informação do Governo. Mas a Secretária para a Administração e Justiça disse ainda que se poderia chegar a um acordo no fim deste

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ano, e com Hong Kong também, para a entrega de pessoas em fuga. Cabe ao Governo negociar e decidir. Nós temos prestado informações processuais, ao nível

técnico, mas a política cabe ao Governo decidir”, referiu o presidente do TUI. As declarações de Sam Hou Fai foram feitas à margem da

“A Secretária para a Administração e Justiça disse ainda que se poderia chegar a um acordo no fim deste ano, e com Hong Kong também, para a entrega de pessoas em fuga. Cabe ao Governo negociar e decidir”

cerimónia de encerramento do 3º Fórum de Alto Nível da Justiça dos Dois Lados do Estreito de Taiwan, Hong Kong e Macau. No seu discurso, o presidente do TUI voltou a falar na importância de reforçar a cooperação judicial com as regiões vizinhas. “Tem sido aproveitada a plataforma para fazer intercâmbio, aprender mutuamente e expor as experiências (...). Apesar de ainda existirem alguns problemas a resolver, é ideal o desenvolvimento global”, apontou. “Sugiro, após o

Sónia Chan, Secretária para a Administração e Justiça, confirmou a semana passada de que poderá ficar concluído ainda este ano a versão preliminar dos acordos. “Estamos agora a falar com a parte de Hong Kong e com o Interior da China sobre este acordo judiciário. Temos colegas também já a fazer leis internas neste aspecto”, referiu. Lin Chin-fang, coordenadora do grupo de trabalho de discussão dos acordos de extradição de Taiwan, referiu que “apesar de ainda existirem alguns problemas técnicos que devem ser resolvidos, tenho grande esperança de que todos nós possamos reforçar ainda mais as ligações com vista a impulsionar conjuntamente o aperfeiçoamento do sistema judiciário e avanço do estado de Direito”. Segundo o jornal Ponto Final, Wu Quashen, que estava a ser procurado pela Interpol, foi capturado em Macau e entregue às autoridades policiais de Cantão, apesar de dois acórdãos do TUI proibirem a entrega de infractores em fuga. Sónia Chan apenas referiu que as “autoridades vão agir de acordo com a lei”. A.S.S. / F.F.

Governo não explica base para extradição de Wu Quanshen

A

s autoridades de Macau capturaram um fugitivo da China continental que estava na lista dos cem mais procurados por Pequim na lista da Interpol, mas entregaram-no ao continente apesar de não haver um acordo de extradição para tal. Segundo o jornal Ponto Final, Wu Quanshen estava em fuga desde 2012, depois de as autoridades o terem implicado num processo de corrupção. Foi membro do Partido Comunista Chinês e acabou por ser capturado numa operação conjunta

das polícias de Macau e da China. O jornal, que cita o China Daily, adianta que Wu Quashen, de 59 anos, foi escoltado de volta à China. Contudo, Macau e a China continental não têm ainda um acordo de cooperação judiciária ao nível da extradição de prisioneiros em fuga, o que não permite a entrega destes.Ainda segundo o Ponto Final, há até duas decisões de tribunais de Macau que indicam expressamente que os prisioneiros não podem ser entregues à China. O HM quis saber com que base as autoridades de

Macau prenderam o homem e o entregaram, mas, numa resposta por email, o Gabinete da Secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, disse apenas que, para saber mais informação, teria de ser contactada a Secretaria para a Segurança. Tal não foi possível devido ao avançado da hora. Sónia Chan é quem tem mantido as negociações com Hong Kong sobre um acordo semelhante e é também quem anunciou que estava em marcha uma cooperação neste sentido com a China. J.F.


8 sociedade

As medidas em análise pelo Governo visam, segundo a DSAT, controlar o número de viaturas em circulação. Os veículos dos casinos também não devem escapar ao aumento de impostos

hoje macau quarta-feira 29.7.2015

Veículos Legislação obriga a aumento de impostos

Ser rico para ter carro

Questionário

A

umentar o imposto sobre os veículos motorizados e eliminar a actual isenção de imposto para os autocarros gratuitos de empresas privadas são duas das medidas em análise na proposta de revisão do respectivo regulamento. “O imposto sobre os veículos

cluiu a proposta da revisão do Regulamento do imposto sobre veículos motorizados, onde sugere ajustar o imposto em relação à compra, obtenção e utilização dos veículos, eliminando os de uso turístico fora do âmbito da isenção do imposto. Prevê-se que a proposta da revisão do Regulamento do imposto sobre veículos motorizados entre em processo legislativo no terceiro trimestre deste ano”, revelou a DSF.

motorizados pode ser aumentado e a isenção do imposto dos autocarros gratuitos dos casinos e hotéis pode vir a ser eliminada”, revela o pub

Governo numa resposta ao deputado Chan Meng Kam. A revisão, dizem os Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), está já concluída, ficando apenas alguns pormenores por decidir. Na resposta a uma interpelação do deputado, o director substituto da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), Chiang Ngoc Vai, defende que vai, através das medidas e técnicas económicas e do regime jurídico, controlar o aumento

do número de veículos em circulação. É necessário, de acordo com Chiang, efectuar uma actualização das percentagens de cobrança de

imposto, uma vez que este se encontra em vigor há mais de 20 anos. “A Direcção dos Serviços de Finanças (DSF) já con-

“O imposto sobre os veículos motorizados pode ser aumentado e a isenção do imposto dos autocarros gratuitos dos casinos e hotéis pode vir a ser eliminada” Chiang Ngoc Vai Director substituto da DSAT

Numa interpelação escrita o deputado Chan Meng Kam, questionou se o Governo tem um planeamento para controlar o aumento de veículos em Macau, e se considera aumentar o imposto da importação e o limite de compras, assim como eliminar a medida de isenção de imposto de veículos das operadoras de Jogo e dos hotéis. Além disso, Chiang referiu que vários departamentos já levaram a cabo os trabalhos relativos à diminuição do período dos exames de veículos de dez para oito anos, acelerando a eliminação de veículos de alta poluição. Tais factores, se coordenados com a abertura do novo centro de exames no Cotai, em 2016, podem ajudar a implementar uma nova regra que exige a realização de exames de condução para carros e motociclos ligeiros e pesados.

Alan Ho Processo ainda na fase de inquérito

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Comércio Carne de porco mais cara em Agosto

A Agência Comercial de Géneros Alimentícios e Produtos Marinhos Nam Yue prevê que o preço do comércio de carne de porco exceda as 150 patacas por picul – cerca de 60 quilogramas – no próximo mês. Segundo o Jornal Ou Mun, o subdirector geral da agência, Chan Wai, referiu que tal se poderá dever ao facto do preço da carne de porco ter aumentado exponencialmente no interior da China e em Hong Kong. No continente chegou mesmo a crescer 50% em apenas dois meses. Actualmente, o preço do comércio em Macau é de cerca de 1610 patacas, mas de acordo com o mecanismo de fixação de preços, Chan prevê que este também suba, já em Agosto, para as 1760 patacas.

caso de prostituição que alegadamente envolve Alan Ho, director dos hotéis da Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM), está ainda na fase de inquérito. Ao que o HM apurou, através do Ministério Público, ainda não é público quem são os arguidos que vão ser julgados. O HM quis saber em que fase estava o processo e quantas pessoas estariam sob acusação, mas o MP disse não poder dar mais informações devido “ao segredo de justiça”. Questionado sobre a fase em que os casos podem ser tornados públicos, bem como os nomes dos réus, o MP explicou que o referente a Alan Ho ainda não atingiu essa fase. “Durante a fase de inquérito, o processo penal está sujeito ao princípio do segredo de justiça, só se tornando público apartir do despacho de pronúncia ou do despacho que designa dia para a audiência”, remata o MP. Alan Ho foi detido pela polícia em Janeiro deste ano por alegadamente gerir uma rede de prostituição. O sobrinho do magnata Stanley Ho foi preso pelas autoridades em conjunto com 96 mulheres e cinco funcionários do Casino Lisboa, onde a actividade acontecia. J.F.

Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo


china

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Previsão de crescimento de 7% a 8% até 2020

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Mais de 90% das empresas estatais são lucrativas

Rico desempenho M ais de 90% das empresas estatais administradas pelo Governo central chinês tiveram lucros no primeiro semestre de 2015, com “melhor desempenho e menores custos”, anunciou ontem a agência noticiosa oficial Xinhua. A avaliação diz respeito às 110 empresas sob tutela da State-owned Assets Supervision and Administration Commission (SASAC), entre as quais a China Three Gorges, o maior accionista da EDP (Energias de

Portugal), e a China State Grid, que detém uma participação de 25% na REN (Redes Energéticas Nacionais). No conjunto, entre Janeiro e Junho, as receitas daquelas empresas somaram 11 biliões de yuan, com lucros de 643.000 milhões de yuan, e “cerca de 91%” foram rentáveis, indicou a Xinhua. Apesar da conversão do Partido Comunista Chinês à economia de mercado, o sector estatal continua a ser considerado na China como “dominante”.

A maioria das 106 empresas chinesas que integram as “500 maiores companhias globais” identificadas pela revista Fortune faz parte do sector estatal e uma delas, a petrolífera Sinopec, ocupa o 2.º lugar da lista, a seguir à cadeia de distribuição norte-americana Wal-Mart, cujas receitas somaram 485.650 milhões de dólares em 2014. Entre as dez maiores da lista há mais duas empresas estatais chinesas: China National Petroleum Corp (4.º lugar) e State Grid Corp of China (7.º lugar).

China poderá manter um crescimento económico de 7% a 8% até 2020, altura em que o Produto Interno Bruto per capita do país atingirá 10.000 dólares, disse um governante chinês citado ontem pelo Diário do Povo. “A China será capaz de alcançar a meta de 7% de crescimento em 2015 e o potencial do país rondará os 7% a 8% entre 2016 e 2020”, disse o vice-ministro das Finanças Zhu Guangyao numa conferência em Pequim. No final da década, o PIB per capita da China atingirá 10.000 dólares, acompanhado “a transformação do país numa sociedade próspera”, comentou aquele governante, citado na edição online do órgão central do Partido Comunista Chinês.

Pelas contas do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, o PIB per capita da China ronda os 7.500 dólares, cerca de um terço do valor estimado para Portugal. No primeiro semestre de 2015, a economia chinesa cresceu 7%, abrandando 0,4 pontos percentuais face a igual período de 2014, mas o crescimento coincidiu com a meta preconizada pelo governo. O FMI prevê que, no conjunto deste ano, o abrandamento da China atingirá 6,8%, o valor mais baixo do último quarto século. Segunda economia mundial, a seguir aos Estados Unidos da América, a China tem sido o motor da recuperação global desde a crise financeira de 2008.

Bolsa continuou em terreno negativo

A bolsa de Xangai caiu 1,68% ontem, um dia depois da mais acentuada queda do mercado de capitais chinês no espaço de oito anos. O Índice Composite de Xangai, que abriu a sessão a perder 4,09%, recuperou ligeiramente ao longo do dia, mas acabou por fechar em terreno negativo, nos 3.663 pontos. Na bolsa de Shenzhen, de menor dimensão, as acções também caíram (1,41%), pela terceira sessão consecutiva. Depois de quinta-feira passada, a bolsa chinesa já perdeu cerca de 12%, interrompendo uma semana em terreno positivo. A queda de segunda-feira (8,48%), descrita na imprensa oficial como “um colapso”, foi a maior registada num único dia desde Fevereiro de 2008.

pub anúncio do concurso DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE TURISMO ANÚNCIO A Região Administrativa Especial de Macau, através da Direcção dos Serviços de Turismo, faz público que, de acordo com o Despacho de 10 de Julho de 2015, do mo Ex. Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, foi autorizado o procedimento administrativo para adjudicação da empreitada designada “ Obras de Remodelação do Centro de Actividades Turísticas”. 1.Entidade que põe a obra a concurso: Direcção dos Serviços de Turismo. 2.Modalidade do procedimento: Concurso público. 3.Local de execução da obra: CAT – Rua Luís Gonzaga, n.º 431 em Macau. 4.Objecto da empreitada: Trabalhos de construção civil de compartimentação e acabamentos para criação de zonas de escritório, renovação das salas de conferência e museus, incluindo a adaptação e a renovação das instalações electromecânicas e das instalações sanitárias. 5.Prazo máximo de execução: 480 dias a distribuir por 3 fases, após a consignação, contando com o período de mobilização e aprovação e entrega de materiais e equipamentos. 6.Prazo de validade das propostas: O prazo de validade das propostas é de 90 dias, (prorrogável de acordo com o Programa do Concurso). 7.Tipo de empreitada: Por Preço Global. 8.Caução provisória: MOP1.000.000,00 (um milhão de patacas), podendo ser prestada por depósito de numerário ou em cheque visado a entregar na Divisão Financeira da Direcção dos Serviços de Turismo, por garantia bancária ou seguro-caução aprovados nos termos legais, à ordem da Direcção dos Serviços de Turismo, devendo ser especificado o fim a que se destina. 9.Caução definitiva: 5% do preço total de adjudicação. (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber, em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% para garantia do contrato, para reforço da caução definitiva a prestar). 10.Valor da Obra: Sem preço base. 11.Condições de admissão: Entidades inscritas na Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes na modalidade de execução de obras. 12.Línguas a utilizar na redacção da proposta:Os documentos que instruem a proposta são obrigatoriamente redigidos numa das línguas oficiais da Região Administrativa Especial de Macau; (podendo ser usada a língua inglesa em descrições, especificações técnicas e desenhos). 13.Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Balcão de Atendimento da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d´Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 12.º Andar até às 17 : 45 horas do 29 dia Setembro de 2015. 14.Sessão de esclarecimento: Os interessados podem assistir à sessão de esclarecimento deste concurso público que terá lugar às 10 : 00 horas, do dia 4 de Setembro de 2015 , no Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, CAT – Centro de Actividades Turísticas, sita no 1.º andar do CAT, Rua Luís Gonzaga Gomes, n.o 431, Macau . 15.Local, dia e hora do acto público do concurso: Local: Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d´Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 14.º Andar; Dia e hora: 30 de Setembro de 2015, pelas 10:00 horas. 16.Critérios de apreciação das propostas e respectivos factores de ponderação: a) Preço: 55%; b) Prazo de execução: 5%; c) Plano de trabalhos: 10% i. Nível de detalhe, descrição, encadeamento e caminho crítico das tarefas 3%; ii. Adequabilidade à mão-de-obra e meios propostos 7%. d) Experiência em obras semelhantes 15% : i. Obras executadas deste tipo, de valor e dimensão igual ou superior, com comprovativos de recepção e de qualidade pelos Donos de Obras Públicas 10%; ii. Currículo de obras públicas e privadas desta natureza 5%. e) Equipamentos e Materiais: 15%; O cálculo está descrito no artigo 12.° do Programa de Concurso. 17.Local, data, horário e preço para a obtenção da cópia e exame do processo do concurso: Local: Balcão de Atendimento da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d´Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 12.º Andar. Data e horário: Dias úteis, a contar da data da publicação do anúncio até ao dia e hora do Acto Público do Concurso; Preço: MOP1.000,00 (mil patacas). 18. Junção de esclarecimentos: Os concorrentes deverão comparecer no Balcão de Atendimento da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d´Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hot line”, 12.º Andar, a partir de 19 de Agosto de 2015 (inclusive) e até à data limite para a entrega das propostas, para tomar conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais. 19. Adiamento: Em caso de encerramento dos serviços públicos por motivo de força maior, o termo do prazo de entrega das propostas, a abertura das propostas e a sessão de esclarecimento serão adiados para o primeiro dia útil imediatamente seguinte, à mesma hora. 20. Os concorrentes ou os seus representantes deverão fazer-se representar no acto público de abertura as propostas para os efeitos precistos no artigo 80.º do Decrecto-Lei n.º 74/99/M, de 8 de Novembro, e para apresentação de eventuais reclamações e/ou esclarecimento de dúvidas acerca da documentação integrante da proposta. Direcção dos Serviços de Turismo, em Macau, aos 20 de Julho de 2015. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.º 25/P/15 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 7 de Julho de 2015, se encontra aberto o Concurso Público para <<Fornecimento e Instalação de Dez Aparelhos de Termografia por Infravermelhos aos Serviços de Saúde>>, cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 29 de Julho de 2015, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita na Rua Nova à Guia, n.º 335, Edifício da Administração dos Serviços de Saúde, 1.º andar, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP42,00 (quarenta e duas patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita e ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Os concorrentes deverão comparecer na visita às instalações onde serão instalados os equipamentos a que se destina o objecto deste concurso. Os acessos aos locais são restritos e é necessário utilizar os cartões de acesso, pelo que os concorrentes ou os seus representantes que irão visitar aos locais de instalação dos equipamentos, terão de preencher o “Formulário do pedido de visita de estudo aos locais da instalação dos equipamentos dos Serviços de Saúde”, juntar a fotocópia do documento comprovativo de identificação do concorrente ou dos seus representantes, habilitados a trabalhar legalmente em Macau, fechados em envelope, conforme com o estipulado no ponto n.º 1.4 do programa do concurso e entregues no Núcleo de Prevenção de Doenças Infecciosas e Vigilância de Doença (NDIV) – Centro de Prevenção e Controlo da Doença (CDC) na Alameda Dr. Carlos D`Assumpção, 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 7.º andar, Macau até dia 4 de Agosto de 2015. Os Serviços de Saúde vão planear a visita aos locais de instalação dos equipamentos, em data a ser informada aos concorrentes, posteriormente. As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,30 horas do dia 16 de Outubro de 2015. O acto público deste concurso terá lugar no dia 19 de Outubro de 2015, pelas 10,00 horas, na sala do «Museu» situada junto ao C.H.C.S.J. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP116.000,00 (cento e dezasseis mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente.

Serviços de Saúde, aos 24 de Julho de 2015.

O Director dos Serviços, Lei Chin Ion


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HSBC insurance (asia) LIMITED MACAU BRANCH balanço em 31 de dezembro de 2014

(ramos gerais)

conta de ganhos e perdas do exercício de 2014

HSBC Insurance (Asia) Limited - Sucursal de Macau Extracto de relatório dos negócios de 2014 A Sucursal atingiu no corrente ano um prejuízo de MOP191,103.43. Síntese do Parecer dos Auditores Externos Para os directores da HSBC Insurance (Asia) Limited Referente a HSBC Insurance (Asia) Limited – Sucursal de Macau Procedemos à auditoria das demonstrações financeiras da HSBC Insurance (Asia) Limited – Sucursal de Macau relativas ao ano de 2014, nos termos das Normas de Auditoria e Normas Técnicas de Auditoria da Região Administrativa Especial de Macau. No nosso relatório, datado de 24 de Março de 2015, expressámos uma opinião sem reservas relativamente às demonstrações financeiras das quais as presentes constituem um resumo.

As demonstrações financeiras a que se acima se alude compreendem o balanço, à data de 31 de Dezembro de 2014, a demonstração de resultados, a demonstração do rendimento integral, a demonstração de alterações no capital próprio e a demonstração de fluxos de caixa relativas ao ano findo, assim como um resumo das políticas contabilísticas relevantes e outras notas explicativas. As demonstrações financeiras resumidas preparadas pela gerência resultam das demonstrações financeiras anuais auditadas e dos livros e registos da Sucursal. Em nossa opinião, as demonstrações financeiras resumidas são consistentes, em todos os aspectos materiais, com as demonstrações financeiras auditadas e os livros e registos da Sucursal.

Para a melhor compreensão da posição financeira da HSBC Insurance (Asia) Limited – Sucursal de Macau e dos resultados das suas operações, no período e âmbito abrangido pela nossa auditoria, as demonstrações financeiras resumidas devem ser lidas conjuntamente com as demonstrações financeiras das quais as mesmas resultam e com o respectivo relatório de auditoria.

Suet Yi Chang Queenie, Auditor de Contas KPMG Macau, aos 24 de Março de 2015


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HSBC LIFE (INTERNATIONAL) LIMITED MACAU BRANCH

Contabilista

Gerente

Nick Blanchflower

Nora Chio

HSBC Life (International) Limited - Sucursal de Macau Extracto de relatório da actividade ano 2014 A Sucursal de Macau iniciou as suas operações em 1 de Janeiro de 2003 e proporciona serviços respeitantes aos seguros de vida. Os prémios brutos de 2014 da Sucursal foram de MOP113.531.466 e, nesse ano, a Sucursal registou um prejuízo de MOP11.791.483.

Síntese do Parecer dos Auditores Externos Para os directores da HSBC Life (International) Limited Referente a HSBC Life (International) Limited – Sucursal de Macau Procedemos à auditoria das demonstrações financeiras da HSBC Life (International) Limited – Sucursal de Macau relativas ao ano de 2014, nos termos das Normas de Auditoria e Normas Técnicas de Auditoria da Região Administrativa Especial de Macau. No nosso relatório, datado de 24 de Março de 2015, expressámos uma opinião sem reservas relativamente às demonstrações financeiras das quais as presentes constituem um resumo.

As demonstrações financeiras a que se acima se alude compreendem o balanço, à data de 31 de Dezembro de 2014, a demonstração de resultados, a demonstração do rendimento integral, a demonstração de alterações no capital próprio e a demonstração de fluxos de caixa relativas ao ano findo, assim como um resumo das políticas contabilísticas relevantes e outras notas explicativas.

Para a melhor compreensão da posição financeira da HSBC Life (International) Limited – Sucursal de Macau e dos resultados das suas operações, no período e âmbito abrangido pela nossa auditoria, as demonstrações financeiras resumidas devem ser lidas conjuntamente com as demonstrações financeiras das quais as mesmas resultam e com o respectivo relatório de auditoria.

As demonstrações financeiras resumidas preparadas pela gerência resultam das demonstrações financeiras anuais auditadas e dos livros e registos da Sucursal. Em nossa opinião, as demonstrações financeiras resumidas são consistentes, em todos os aspectos materiais, com as demonstrações financeiras auditadas e os livros e registos da Sucursal.

Suet Yi Chang, Auditor de Contas KPMG Macau, aos 24 de Março de 2015


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eventos

Museu de Nagasaki expõe réplica da bomba atómica

U

ma réplica da bomba atómica original, de cor amarela, que em 1945 caiu sobre Nagasaki, foi ontem exposta ao público pelo Museu da Bomba Atómica desta cidade japonesa, informou o jornal Asahi. A réplica da bomba, cujo nome de código era “Homem Gordo”, foi pintada em 1996 em verde-escuro no início da abertura do actual museu, mas para relembrar o 70.º aniversário da tragédia, recebeu novamente a sua cor original. A primeira versão do modelo foi pintada de acordo com um protótipo exposto num museu dos Estados Unidos e de acordo com a informação conhecida na altura do acontecimento, disseram os governantes de Nagasaki. Em 2010, durante uma reunião do Conselho de Administração, vários es-

pecialistas salientaram que a cor original da arma de plutónio que matou dezenas de milhares de pessoas era verde-escuro. Após o visionamento de vários documentários em fita colorida, filmados na altura da II Guerra Mundial, os responsáveis do museu descobriram que afinal a verdadeira cor da bomba era amarela. “Estamos determinados a oferecer um retrato mais fiel da bomba atómica de Nagasaki”, disse um funcionário do museu ao jornal Asahi, acrescentando que a réplica de cor amarela ofereceria aos visitantes “uma notória impressão diferente” da transmitida pelo modelo anterior. No dia 9 de Agosto de 1945, os Estados Unidos lançaram sobre a cidade portuária de Nagasaki uma bomba atómica, três dias após terem cometido o mesmo ato sobre a cidade de Hiroshima. No final desse ano, 74.000 pessoas foram mortas em Nagasaki e 140.000 em Hiroshima devido aos ataques, mas as vítimas mortais devido às radiações nos anos seguintes foram muito superiores.

MACA Music Festival em Setembro

Já estão à venda os bilhetes para o MACA Music Festival, o qual vai decorrer no próximo dia 20 de Setembro, no Sands Theatre. O evento é promovido pela Associação dos Compositores, Autores e Editores de Macau (MACA) e vai servir de plataforma para que músicos de Macau e Hong Kong “juntem forças em palco” e mostrem o poder das suas guitarras. No festival irá participar João Gomes e banda, as bandas Supper Moment e Zolarwind, a cantora Terence Siufay e ainda os vencedores do concurso promovido pela MACA, Viviana Lo e Bobo Loi. Vai ainda ser realizada uma “sessão especial” de homenagem a Lawrence Lee, antigo vocalista da banda de Macau Special Force e que faleceu em 2013. À porta do recinto do Sands Theatre estará patente uma colecção de 30 guitarras, sendo que o público “terá uma rara oportunidade para ver e compreender as histórias” das canções tocadas por este tipo de instrumento. Os bilhetes custam 100 patacas, estando previstos descontos para membros da MACA, crianças e maiores de 65 anos.

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Exposição Técnicas de marcenaria para celebrar aniversário do Centro H

Lu Ban, o construtor revolucio

O

ntem teve lugar a inauguração da exposição da Carpintaria de Lu Ban, um dos mais importantes artistas carpinteiros na história da construção da China. A mostra ficou à responsabilidade do Instituto Cultural (IC) e da Associação Seong Ká Môk Ngai de Macau, agora com instalações completamente renovadas e inauguradas recentemente. O evento vem não só “pro-

À venda na Livraria Portuguesa Loanda • Isabel Valadão

Através do retrato de Maria Ortega e Anna de São Miguel, a autora leva-nos até Luanda do século XVII, de encontro ao percurso, queda e ascensão dos escravos e exilados do reino português. Cruzando a História com um ritmo narrativo forte e surpreendente, Loanda é ainda marcada pelo tom biográfico de personagens que deixaram a sua marca naquele território.

mover o espírito de reflexão e inovador de Lu Ban, expor as técnicas de marcenaria tradicionais locais, revitalizar e pôr em uso edifícios de relevo e de valor cultural da cidade”,

mas também celebrar o 10º aniversário do Centro Histórico da RAEM, que tem lugar este mês. O edifício renovado da Associação situa-se na Rua de Camilo Pessanha e é onde

A colecção de artigos expostos inclui um “enorme cadeado” de Lu Ban e mais de 80 ferramentas tradicionais para trabalhar madeira, como serrotes, berbequins e marcadores de tinta

a mostra se encontra exposta. De acordo com comunicado do IC, Lu Ban é considerado “um extraordinário inventor e padroeiros dos carpinteiros da China”, tendo sido responsável pela invenção de uma série de novas técnicas de construção ao nível da carpintaria e do uso da madeira.

Dividir por dois

Amostra encontra-se divida em duas partes. A primeira reúne informações sobre a recupe-

Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net

Cartas de Amor de Fernando Pessoa a Ofélia Queiroz • Fernando Pessoa

Pela primeira vez, as cartas de amor de Fernando Pessoa e de Ofélia Queiroz são apresentadas em edição conjunta. Uma edição conjunta é a forma mais adequada para dar a ler uma correspondência, que pressupõe sempre um diálogo, uma interacção, a existência concreta de dois interlocutores. Cada carta é, em si mesma, ou a resposta a outra carta ou pretexto para ela. Até quando o destinatário opta por não responder, de algum modo, o seu silêncio se inscreve na carta seguinte. Assim, uma relação amorosa, sustentada epistolarmente, como a de Pessoa e Ofélia, só é, na verdade, entendível quando os dois discursos se cruzam e mutuamente se reflectem.


eventos 13

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ionário

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stão já marcadas as provas para os músicos mais novos de Macau, com o arranque do 33.º Concurso para Jovens Músicos de Macau, na categoria de piano. Organizado pelo Instituto Cultural, o concurso decorre de 2 a 8 de Agosto, realizando-se um total de 33 provas neste período de sete dias. As provas acontecem no Teatro Dom Pedro V, no Centro de Ciência de Macau e no Instituto de Formação Turística. O dia 7 de Agosto está reservado para o concurso para a Bolsa de Estudos da Wright State University, sendo os vencedores seleccionados por representantes da própria universidade. Esta bolsa de estudos destina-se a um ou mais primeiros classificados no concurso que se encontrem a frequentar o 1º ano do ensino secundário, ou nível mais elevado, para que possam frequentar licenciaturas em música da Wright State University, com a duração de quatro anos, podendo a bolsa

Música Concurso para jovens de 2 a 8 de Agosto

De pequenino a aprender ic

Histórico

Cinema “O Desolado” de Miguel Gomes estreia-se em França

Segundo volume de “boa ficção” O ração e protecção do edifício original. Entre 2013 e 2014, o IC procedeu à remoção de água e sal das paredes de um dos andares do Templo de Lu Ban, igualmente situado naquela zona. Foi ainda feita a reparação dos tijolos, o reforço da estrutura e a reabertura da clarabóia. A actual exposição abarca toda esta secção, mas também uma antiga sala de actividades da Associação e um pátio exterior. A colecção de artigos expostos inclui um “enorme cadeado” de Lu Ban e mais de 80 ferramentas tradicionais para trabalhar madeira, como serrotes, berbequins e marcadores de tinta. Os visitantes podem ainda ver vídeos e ler informações acerca da vida e obra do autor retratado. A mostra conta ainda com alguns documentos e materiais emprestados pelo Instituto Politécnico de Macau. Esta encontra-se aberta ao público das 10h00 às 18h00 horas, incluindo feriados. Leonor Sá Machado

leonor.machado@hojemacau.com.mo

filme “O Desolado”, segundo volume da trilogia “As mil e uma noites” de Miguel Gomes, estreia-se esta quarta-feira, em França, em 55 salas de cinema do país, anunciou ontem a produtora O Som e a Fúria. De acordo com a mesma fonte, “O Inquieto”, primeiro volume da trilogia, já levou às salas francesas 35 mil espectadores, em cinco semanas de exibição, e continuará em cartaz em 45 cinemas daquele país. Em Portugal, o primeiro volume “O Inquieto” irá estrear-se nas salas de cinema a 27 deAgosto, seguindo-se “O Desolado”, a 24 de Setembro, e, finalmente, “O Encantado”, a 1 de Outubro. Rodado durante um ano, do verão de 2013 ao de 2014, a obra aborda a crise financeira em Portugal, e teve estreia internacional na Quinzena dos Realizadores, no Festival Internacional de Cinema de Cannes, no passado mês de Maio, onde foi aclamado pela crítica especializada. O filme, que adapta de forma livre o modelo do livro “As mil e uma noites”, parte de múltiplas histórias reais que tiveram lugar em

Portugal, entre 2013 e 2014, recolhidas por um grupo de jornalistas, de modo a retratar a sociedade portuguesa no meio da crise social e económica.

Em Junho último, “As mil e uma noites” integrou a competição oficial do 62º Sidney Film Festival, conquistando o Sidney Film Prize.

A trilogia já foi apresentada em festivais na Alemanha, Finlândia, República Checa, Israel, Marselha, Nova Zelândia, Polónia, assim como no festival “Curtas” de Vila

atingir um valor máximo de 300 mil patacas.

Outras categorias

O Concurso de Prémios Especiais tem lugar no dia 8 de Agosto, sendo convidados para participar no mesmo os vencedores de cada categoria. Aqui estão incluídas as provas para as categorias de Melhor Actuação a Solo – Nível Elementar, MelhorActuação a Solo – Nível Intermédio, Melhor Actuação em Grupo e Prémio Instituto Cultural. Este último prémio será atribuído aos participantes que se destaquem no nível avançado, correspondendo o valor da bolsa ao valor das propinas do primeiro ano do curso superior ou do curso de preparação universitária. Os interessados poderão registar-se através do site do IC. O objectivo do concurso é promover o desenvolvimento das artes musicais locais e elevar o nível de actuação dos músicos mais jovens, sendo que os candidatos têm de ser menores de 18 anos.

do Conde e, nos próximos meses, vai estar no Hiroshima International Film Festival, no Japão, no New York Film Festival, nos Estados Unidos, e no Festival Internacional de Cinema de Valdivia, no Chile. Entre 2015 e 2016, “As mil e uma noites” irá estrear nos circuitos comerciais da Roménia, Islândia, Hungria, Espanha, Sérvia, Croácia, Montenegro, Eslovénia, Bósnia, Reino Unido, Irlanda, Estónia, Bélgica, Luxemburgo, Holanda, Grécia, Áustria, Polónia, Lituânia, Brasil, Canadá, México, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Austrália, Nova Zelândia e Japão.

Ficcão e realidade

Numa entrevista à agência Lusa, em Vila do Conde, no início de Julho, Miguel Gomes disse que quis, com “As mil e uma noites”, contrapor a boa ficção ao que considera a “má ficção que é a mentira dos políticos, que fazem de conta que está tudo bem”. “E essa é a má ficção, porque é a ficção que se finge real, que se tenta passar pela real. A boa ficção só pode ser a ficção que se assume como ficção, não quer mentir”, disse o realizador do filme que inclui histórias como a dos “Homens de pau feito”, na qual são retratadas as negociações do Governo com a ‘troika’, com um afrodisíaco pelo meio.


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artes, letras e ideias

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WANG CHONG

王充

OS Discursos Ponderados DE WANG CHONG

Fluidos e longevidade – 1 O destino recebido por cada um [à nascença] é de dois tipos: um determina os encontros e acidentes que ocorrem durante a vida, o outro controla o vigor e a longevidade. O primeiro decide [por exemplo] se morreremos às armas, queimados, esmagados ou afogados. Por seu lado, a longevidade e o vigor dependem da quantidade de qi que se recebeu à nascença. Enquanto que o primeiro tipo de destino não fixa qualquer data para a morte, o segundo determina uma longevidade de cem anos: se se viver menos, tal significa que o qi recebido [a nascença] foi insuficiente. Aquele que tenha sido dotado de uma grande quantidade de qi beneficia de uma sólida constituição e vive por muito tempo, enquanto que quem tenha recebido menos será delicado, sujeito a numerosas doenças e a uma vida encurtada. Quando uma criança morre ao nascer, ou mesmo antes [no ventre da sua mãe], é porque o seu qi era deveras parco. [Ao contrário], o homem bem dotado [em qi] chegará ao termo da duração [normal da sua vida]. Se alguns, sem serem vítima [de eventos funestos], ou sem se esforçarem para lá do normal, enfraquecem, se esgotam e morrem, é porque o seu qi era demasiado ténue e o esgotaram [prematuramente]: a sua morte é decidida pelo mesmo destino daquele que atinge o recém-nascido. Em qualquer caso, a morte provém de um qi insuficiente, que não permite chegar à centena de anos. Tradução de Rui Cascais Ilustração de Rui Rasquinho

Wang Chong (王充), nasceu em Shangyu (actual Shaoxing, província de Zhejiang) no ano 27 da Era Comum e terá falecido por volta do ano 100, tendo vivido no período correspondente à Dinastia Han do Leste. A sua obra principal, Lùnhéng (論衡), ou Discursos Ponderados, oferece uma visão racional, secular e naturalista do mundo e do homem, constituindo uma reacção crítica àquilo que Wang entendia ser uma época dominada pela superstição e ritualismo. Segundo a sinóloga Anne Cheng, Wang terá sido “um espírito crítico particularmente audacioso”, um pensador independente situado nas margens do poder central. A versão portuguesa aqui apresentada baseia-se na tradução francesa em Wang Chong, Discussions Critiques, Gallimard: Paris, 1997.


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artes, letras e ideias 15

Aquele que tenha sido dotado de uma grande quantidade de qi beneficia de uma sólida constituição e vive por muito tempo.


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A actualidade chocante de Admirável Mundo Novo Aldous Huxley escreveu Admirável Mundo Novo, visão pessimista do futuro e crítica feroz do culto positivista à ciência, num momento em que as consequências sociais da grande crise de 1929 afectavam em cheio as sociedades ocidentais, e em que a crença no progresso e nos regimes democráticos parecia vacilar. Publicado em inglês antes da chegada de Hitler ao poder na Alemanha (1933), Admirável Mundo Novo denuncia a perspectiva “de pesadelo” de uma sociedade totalitária fascinada pelo progresso científico e convencida de poder oferecer aos seus cidadãos uma felicidade obrigatória. Apresenta a visão alucinada de uma humanidade desumanizada pelo condicionamento pavloviano [2] e pelo prazer ao alcance de uma pílula (o “soma”). Num mundo horrivelmente perfeito, a sociedade decide totalmente, com fins eugenistas e produtivistas, a sexualidade da procriação. É uma situação não tão distante da que se vive hoje em alguns países (sobretudo na Europa), em que os efeitos da crise de 2008 estão provocando a ascensão de partidos de extrema direita, xenófobos e racistas. Onde os anti-concepcionais já permitem um amplo controlo da natalidade. E onde novas pílulas (como o Viagra e a feminina Lybrido) dopam o desejo sexual e o prolongam até além da terceira idade. Ao mesmo tempo, as manipulações genéticas permitem cada vez mais aos pais a seleção de embriões, para engendrar filhos em função de critérios pré-determinados – inclusive estéticos. Outra relação surpreendente com a actualidade é que o romance de Huxley apresenta um mundo onde o controle social não dá espaços ao acaso, onde, formadas a partir do mesmo molde, as pessoas são “clónicas”, produzidas em série. A maioria tem garantidos o conforto e a satisfação dos únicos desejos que está condicionada a experimentar, mas perdeu-se, como diria Mercedes Sosa, a razón de vivir[3]. Em Admirável Mundo Novo, a americanização do planeta está completa, a História acabou (como afirmaria, mais tarde, Francis Fukuyama[4]), tudo foi padronizado e “fordizado” – tanto a produção dos seres humanos, resultado de puras manipulações genético-químicas, quanto a identidade das pessoas, produzida durante o sonho por hipno-

“A leitura de Admirável Mundo Novo alerta contra todas estas agressões. Sem esquecer as manipulações mediáticas. Este romance também pode ser visto como uma sátira muito pertinente da nova sociedade delirante que está hoje a ser construída, em nome da “modernidade” ultraliberal se auditiva: a “hipnopedia”, qualificada por um personagem do livro como “a maior força socializante e moralizante de todos os tempos”. Os seres humanos são “produzidos” no sentido industrial do termo, em fábricas Alex Proyas, I, Robot

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ito décadas depois, o romance de Huxley ganha nova actualidade, ao alertar que sociedades de controlo podem apoiar-se, além da repressão, na tecnologia e culto do “progresso”. Artigo de Ignacio Ramonet. Em breve, ter-se-ão completado 75 anos da primeira edição brasileira (1941) de Admirável Mundo Novo[1], grande romance perturbador lançado em 1932, na Inglaterra, pelo visionário filósofo e escritor Aldous Huxley. Diante de tanta “felicidade artificial” nos nossos dias, tantas manipulações e tantos condicionamentos contemporâneos, cabe perguntar: seria útil reler Admirável Mundo Novo? Acaso é necessário retomar um livro escrito há mais de oito décadas, numa época tão distante que a Internet não existia e sequer a TV havia sido inventada? Seria este romance algo mais que uma curiosidade sociológica, um best-seller ordinário e efémero, de que se venderam, em inglês, mais de um milhão de exemplares, já no ano de sua publicação? Estas questões parecem ainda mais pertinentes porque o género a que pertence a obra – ficção científica, distopia, fábula de antecipação, a utopia científico-técnica – possui um grau muito elevado de obsolescência. Nada envelhece mais rápido que o futuro, sobretudo na literatura. No entanto quem, superando estas reticências, mergulhar nas páginas do romance ficará chocado por sua surpreendente actualidade. Ficará claro que, pelo menos uma vez, o passado capturou o presente. Recordemos que o autor, Aldous Huxley (1894-1963), narra uma história que transcorre num futuro muito distante, próxima ao ano 2500 ou, mais precisamente “no ano 600 da Era Fordiana”, em alusão satírica a Henry Ford (1863-1947), pioneiro norte-americano da indústria automobilística e inventor de um método de organização de trabalho para a fabricação em série e padronização de peças. Tal método, conhecido como “fordismo”, transformou os trabalhadores em algo inferior a autómatos, robôs que repetiam, ao longo da jornada de trabalho, um único gesto. O seu aparecimento suscitou, à época, críticas violentas: pensemos, por exemplo, nos filmes Metropolis (1926), de Fritz Lang, ou Tempos Modernos (1935), de Charles Chaplin.

especializadas – os “centros de incubação e condicionamento” – segundo modelos variados, que dependem das tarefas muito especializadas que serão atribuídas a cada um, e que são indispensáveis para uma sociedade obcecada pela estabilidade. Desde o seu nascimento, cada ser humano é, além disso, educado em “centros de condicionamento do Estado”. Em função dos valores específicos de seu grupo, e por meio do recurso maciço à hipnopedia, criam-se nele os “reflexos condicionados definitivos” que o fazem aceitar seu destino. Aldous Huxley ilustrava assim os riscos implícitos na tese que vinha sendo formulada, desde 1924, por John B. Watson, o pai do “condutivismo”[5], esta suposta “ciência da observação e controlo do comportamento”. Watson afirmava com frieza que podia escolher na rua, ao acaso, uma criança saudável e convertê-la, à sua vontade, em médico, advogado, artista, mendigo ou ladrão, independen-


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Ignacio Ramonet* in Esquerda.net

temente de seu talento, inclinações, capacidades, gostos e origem de seus ancestrais. Em Admirável Mundo Novo, que é fundamentalmente um manifesto humanista, alguns viram também, com razão, uma crítica ácida à sociedade estalinista, à utopia soviética construída com mão de ferro. Mas também há, claramente, uma sátira à nova sociedade mecanizada, padronizada, automatizada que se criva à época nos Estados Unidos, em nome da modernidade técnica. Extremamente inteligente e admirador da ciência, Huxley expressa no romance, no entanto, um profundo cepticismo em relação à ideia de progresso, e desconfiança diante da razão. Face à invasão do materialismo, o autor engendra uma interpretação feroz às ameaças do cientificismo, do maquinismo e do desprezo à dignidade individual. Claro que a técnica assegurará aos seres humanos um conforto exterior total, de notável perfeição, estima Huxley com desesperada lucidez. Todo o desejo, na medida em que possa ser expresso e sentido, será satisfeito. Os seres humanos terão, nesse ponto, perdido a sua razão de ser. Ter-se-ão transformado a si mesmos em máquinas. Já não se poderá falar, em sentido estrito, de “condição humana”.

“Pessimista e sombrio, o futuro visto por Aldous Huxley serve de advertência e anima, na época das manipulações genéticas e da clonagem, a vigiar de perto os progressos científicos actuais e seus potenciais efeitos destrutivos” Mas o “condicionamento” não parou de se intensificar desde a época em que Huxley publicou o livro e anunciou que, no futuro, seríamos manipulados sem que nos déssemos conta. Em particular, pela publicidade. Através do recurso a mecanismos psicológicos e graças a técnicas muito experimentadas, os mad men da publicidade conseguem que compremos um produto, um serviço ou uma ideia. Deste modo, convertemo-nos em pessoas previsíveis, quase telecomandadas. E felizes. Confirmando as teses de Huxley, Vance Packar publicou The Hidden Per-

suaders (na edição brasileira, Nova Técnica de Convencer), em meados da década de 1950 e Ernest Dichter e Louis Cheskin denunciaram que as agências de publicidade tentavam manipular o inconsciente dos consumidores. Sobretudo mediante o uso de “publicidade subliminar”, nos meios de comunicação de massas. Em 30 de Outubro de 1962, executou-se um teste que demonstrava a eficácia da publicidade subliminar: durante a exibição de um filme, lançavam-se mensagens “invisíveis” sobre certos produtos, em intervalos regulares. As vendas de tais produtos aumentaram. Actualmente, a “publicidade subliminar” avançou e existem técnicas mais sofisticadas e mais perversas para manipular a mente do ser humano[6]. Por exemplo, mediante as cores que modificam as nossas percepções e influenciam as nossas decisões. Os especialistas em marketing sabem disso e utilizam as técnicas para orientar as nossas compras. Numa conhecida experiência dos finais dos anos 1960, Louis Cheskin, director do Instituto de Pesquisa da Cor, pediu a um grupo de donas de casa que experimentassem três caixas de detergentes e decidissem qual delas dava melhor resultado com roupas delicadas. Apesar de as três conterem o mesmo produto, as reacções foram distintas. O detergente da caixa amarela foi considerado “forte demais”, o da cor azul foi visto como não tendo “força para limpar”. Ganhou a caixa bicolor. Noutro teste, duas amostras de cremes de beleza foram dados a um grupo de mulheres: uma num recipiente rosa; outra, num de cor azul. Quase 80% das mulheres declararam que o creme de frasco rosa era mais fino e efectivo que o de frasco azul. Ninguém sabia que a composição dos cremes era idêntica. “Não é exagero dizer que as pessoas não apenas compram o produto per se, mas também pelas cores que o acompanham. A cor penetra na psique do consumidor e pode converter-se em estímulo directo para a venda”, escreve Luc Dupont no seu livro 1001 truques publicitários[7]. Nos anos 1950, quando a empresa produtora do sabonete Lux começou a vender o seu produto em cores rosa, verde e turquesa, substituindo o tablete habitual de cor branca, converteu-se na líder de mercado. As novas cores sugeriam delicadeza e cuidado, intimidade e carinho e os consumidores mostraram-se entusiasmados. Mais recentemente, na Europa, o Mc Donald’s deixou a sua mítica cor vermelha (uma tonalidade apreciada pelas crianças e que costuma estimular a fome), a favor do verde, numa tenta-

tiva de aproximar a sua marca da comida saudável e de um estilo de vida sustentável[8]. A leitura de Admirável Mundo Novo alerta contra todas estas agressões[9]. Sem esquecer as manipulações mediáticas[10]. Este romance também pode ser visto como uma sátira muito pertinente da nova sociedade delirante que está hoje a ser construída, em nome da “modernidade” ultraliberal. Pessimista e sombrio, o futuro visto por Aldous Huxley serve de advertência e anima, na época das manipulações genéticas e da clonagem, a vigiar de perto os progressos científicos actuais e seus potenciais efeitos destrutivos. Admirável Mundo Novo ajuda a compreender melhor o alcance e os riscos e perigos que surgem quando, de novo e por todos os lados, “progressos científicos e técnicos” nos chocam com riscos ecológicos[11] que põem em perigo o futuro do planeta. E da espécie humana. *Jornalista. Director da edição espanhola do Le Monde Diplomatique. Foi director da edição francesa entre 1990 e 2008.

Tradução: António Martins para o portal Outras Palavras

Notas: 1– No texto original, Ramonet faz alusão aos 80 anos da primeira edição em língua espanhola, publicada em 1935 pelo editor catalão Luís Miracle. No Brasil, a Editora Globo foi pioneira em lançar Admirável Mundo Novo, em 1941, com tradução de Lino Vallandro e Vidal Serrano. Há em catálogo uma edição brasileira (312 páginas, R$ 21). A obra também está disponível, gratuitamente, na Internet. (Nota do Tradutor) 2– Referência a Ivan Pavlov, médico russo, Prémio Nobel de Medicina em 1904 por seus trabalhos experimentais sobre os “reflexos condicionados”, o mais célebre dos quais é o do “cão de Pavlov”. 3–https://www.youtube.com/watch?v=-qdIO-0aZk8 4– Em uma obra extremamente huxleyana, O fim da História e o último homem (1992). 5– Ver http://www.ilustrados.com/tema/1298/ Psicologia-evolutiva-conductismo-Joh... 6– Ler, de Ignacio Ramonet, Propagandas silenciosas, La Habana, 2002; e, de Noam Chomsky e Ignacio Ramonet, Cómo nos venden la moto, Icaria, Barcelona, 1995. 7– Luc Dupont,1001 trucos publicitarios, Lectorum, México, 2004 8– Ler La Vanguardia, Barcelona, 13 de enero de 2012. 9– Ler também, por exemplo, de Mertxe Pasamontes, “Una docena de modos en que nos manipulan para que estemos insatisfechos”. 10– Ler também, de Noam Chomsky, Diez estrategias de manipulación a través de los medios. 11– Ler Laudato sí, a Encíclica “verde” do Papa Francisco, Vaticano, 16/6/2015


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desporto

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macaense Filipe Clemente Souza sagrou-se campeão de carros de turismo de Macau na classe “AAMC Challenge”, tendo bastado uma vitória na categoria na primeira das duas corridas do passado fim-de-semana no circuito permanente de Zhuhai. Aqui ao lado disputou-se a segunda e derradeira jornada dupla do Campeonato de Carros de Turismo de Macau (MTCS, na sigla inglesa) e decisória no que respeita ao apuramento dos pilotos locais para a Taça de Carros de Turismo de Macau – CTM e Corrida Macau Road Sport Challenge do 62º Grande Prémio de Macau. O facto dos pilotos desconhecerem o número de entradas directas para o Grande Prémio e um boletim meteorológico que prometia chuva, o que viria a não se materializar, trouxe a esta jornada um clima de incerteza suplementar. Depois de ter vencido uma corrida no fim-de-semana de Junho, Filipe Clemente Souza (Chevrolet Cruze) estava disposto a repetir a proeza e logo no sábado obteve a pole-position para a primeira corrida, com meio segundo de avanço sobre o segundo classificado. O piloto do Macau David Group Racing Team fez um bom arranque, mas viu-se pressionado nas duas primeiras voltas por Cheong Chi Hou (Peugeot RCZ), que viria a ser o segundo classificado à frente de Chao Chon In (MINI). Assim que se livrou do seu rival, Souza caminhou autoritariamente para o seu segundo triunfo do ano. “Estou agradecido à minha equipa pelo trabalho árduo e aos meus patrocinadores por tornarem isto possível”, disse o piloto macaense. O fim-de-semana de Souza só não foi mais perfeito, porque na terceira volta da segunda corrida, quando liderava, acabou por ser atirado para fora por Chou Keng Kuan (Peugeot RCZ) que haveria por vencer o último embate da época. Outro macaense esteve em evidência no fim-de-semana. Álvaro Mourato (Peugeot RCZ)

Filipe Souza conquistou o título da classe AAMC Challenge

Um campeão macaense deu finalmente um ar da sua graça na segunda corrida. Após ter sido o quarto na qualificação matinal de domingo, o macaense foi o terceiro classificado nesta segunda corrida do “AAMC Challenge”, apenas atrás de Chou e de Cheong Chi Hou. Celio Alves Dias (MINI) e Eurico de Jesus (Ford Fiesta), 8ª na segunda corrida e 10º na primeira, foram os outros pilotos de matriz portuguesa a entrarem no “Top-10” numa grelha de partida composta por 25 viaturas. Hélder Rosa (Peugeot RCZ) arrecadou um 17º e um 15º lugares, enquanto Rui Valente (MINI) voltou novamente a passar por dificuldades com a sua viatura, sendo que o 19º e o 17º lugares não correspondem

ao verdadeiro andamento de um dos mais experientes pilotos do território.

Roadsport à medida de Leong

Leong Ian Veng (Mitsubishi) foi novamente o homem em destaque na “AAMC Road Sport Challenge”, ao realizar a pole-position para ambas as corridas, triunfando à segunda. Leong poderia ter protagonizado uma fácil dobradinha, mas, quando liderava folgadamente a primeira corrida, na penúltima das 12 voltas ao traçado da cidade vizinha adjacente a Macau, entrou nas boxes com dificuldades na caixa-de-velocidades e acabou por dar de bandeja a vitória a Lei Kit Meng (Nissan GT-R). O ex-piloto de Fórmula 3 esteve muito mais

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MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 473/AI/2015 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora ZHOU, Ming Xun, portadora do Bilhete de Identidade de Residente Permanente de Hong Kong n.° R2929xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.°35/DI-AI/2014, levantado pela DST a 06.03.2014, e por despacho da signatária de 30.04.2015, exarado no Relatório n.° 364/DI/2015, de 20.04.2015, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Avenida da Praia Grande n.° 968, 6.° andar B, Macau.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010.--------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 16 de Julho de 2015. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

forte este fim-de-semana, somando à vitória de Sábado um segundo lugar na corrida de domingo. Wong Ka Hong (Mitsubishi Evo10) e Lam Kam San (Mitsubishi Evo7) completaram o pódio na primeira corrida, ao passo que Billy Lo (Mitsubishi Evo7) foi o terceiro classificado na segunda corrida. No que respeita ao três nomes portugueses em prova, solucionados os problemas de motor, Luciano Castilho Lameiras (Mitsubishi Evo8) selou o apuramento com um 9º e um 12º lugar. Após ter desistido no sábado, devido a um problema na caixa-de-velocidades, Sérgio Lacerda (Nissan Z33), sem equipamento para ombrear com os mais rápidos da categoria, conseguiu um 14º lugar na segunda corrida.

Com um carro também claramente inferior à concorrência e ainda com problemas de motor, BelmiroAguiar (Mitsubishi Evo7) foi o 20º colocado na primeira corrida e abandonou na segunda, o que poderá colocar em risco a participação do veterano piloto do território na sua prova mais querida.

Às cambalhotas

Tal como no primeiro fim-de-semana do “Festival de Corridas de Macau”, realizaram-se dentro do programa mais três corridas de qualificação para a “Taça Lotus de Celebridades”. Sem acrescentar qualquer interesse desportivo ao fim-de-semana, estas três corridas ficaram marcadas pelo aparatoso acidente de Christine Kuo. Felizmente a actriz de Hong Kong saiu ilesa após o seu Lotus Elise ter dado umas “cambalhotas” na curva de entrada para a recta da meta. Sérgio Fonseca

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Cheung Chi Wai

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( F ) utilidades

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tempo aguaceiros ocasionais min 26 max 31 hum 70-95% • euro 8.80 baht 0.23 yuan 1.28

Cineteatro

O que fazer esta semana

Cinema

insidious: chapter 3 Sala 1

insidious: chapter 3 [c] Filme de: Leigh Whannell Com: Dermot Mulroney, Stefanie Scott, Angus Sampson 14.15, 16.00, 17.45, 19.30

minions [a]

inside out [a]

inside out [3d] [a] Falado em cantonês Filme de: Peter Docter 19.45

Sala 2

ant-man [B]

exposição “Um olhar sobre o passado” Fundação Rui Cunha, (até 1/08) Entrada livre

Sala 3

Falado em cantonês Filme de: Peter Docter 14.00, 15.55, 17.50

FALADO EM CANTONÊS Filme de: Pierre Coffin, Kyle Balda 16.00

Diariamente

Filme de: Peyton Reed Com: Paul Rudd, Michael Douglas 19.45

Filme de: Peyton Reed Com: Paul Rudd, Michael Douglas 14.30, 16.45, 21.30

minions [a]

FALADO EM CANTONÊS Filme de: Pierre Coffin, Kyle Balda 21.45

ant-man [3d] [B]

Exposição de fotografia “Cities” Creative Macau (até 22/08) Entrada livre Exposição “O legado de Amílcar Cabral” Casa Garden, 18h30 (até 31/07) Entrada livre

Aconteceu Hoje

29 de JUlHO

Nasce Benito Mussolini, morre António Feio Exposição “Saudade” (até 30/9) MGM Macau Entrada livre “A Arte de Imprimir” (até Dezembro) Centro de Ciência de Macau Entrada livre Exposição “Ao Risco da Cor - Claude Viallat e Franck Chalendard” Galeria do Tap Seac (até 9/08) Entrada livre Exposição “Who Cares” (até 28/07) Armazém do Boi, 16h00 Entrada livre Exposição “De Lorient ao Oriente - Cidades Portuárias da China e França na Rota Marítima da Seda” Museu de Macau (até 30/08) Entrada livre Exposição de Artes Visuais de Macau (até 2/8) Pintura e Caligrafia Chinesas Edifício do antigo tribunal, 10h00 às 20h00 Entrada livre Exposição “Valquíria”, de Joana Vasconcelos (até 31 de Outubro) MGM Macau, Grande Praça Entrada livre

U m d i s c o h o j e “Piece by Piece” (Katie Melua, 2005) Katie Melua ficou conhecida pelo seu hit “Closest thing to crazy” e desde aí que a voz doce e a guitarra a fizeram vender milhões de álbuns. Com “Piece by Piece”, Katie Melua conseguiu criar um álbum coeso, com boas canções e uma pitada de blues. Destaque para “Blues Shoes”, “Shy Boy” ou o single de lançamento “Nine Million Bicycles”. Andreia Sofia Silva

• A 29 de Julho de 1883, nasce o ditador italiano Benito Mussolini. Neste dia, mas em 2010 morre António Feio. Benito Mussolini foi um político italiano que liderou o Partido Nacional Fascista e é creditado como sendo uma das figuras-chave na criação do fascismo. Tornou-se o primeiro-ministro da Itália em 1922 e começou a usar o título Il Duce desde 1925. Mussolini permaneceu no poder até ser substituído em 1943. Por um curto período, até à sua morte, ele foi o líder da República Social Italiana. Mussolini foi um dos fundadores do fascismo e, nos anos seguintes à criação da ideologia fascista, conquistou a admiração de uma grande variedade de figuras políticas. Embora inicialmente tenha favorecido o lado da França contra a Alemanha no início da década de 1930, Mussolini tornou-se uma das figuras principais das potências do Eixo e, em 10 de Junho de 1940, inseriu a Itália na Segunda Guerra Mundial ao lado do Eixo. Três anos depois, foi deposto pelo Grande Conselho do Fascismo, motivado pela invasão aliada. Logo depois de preso, Mussolini foi resgatado da prisão no Gran Sasso por forças especiais alemãs. Após o resgate, Mussolini chefiou a República Social Italiana nas partes da Itália que não haviam sido ocupadas por forças aliadas. No final de Abril de 1945, com a derrota total iminente, tentou fugir para a Suíça, porém, foi rapidamente capturado e sumariamente executado próximo do lago de Como por guerrilheiros italianos. O seu corpo foi então trazido para Milão onde foi pendurado de cabeça para baixo numa estação petrolífera para exibição pública. António Feio, era actor e encenador português. Além de teatro, fez televisão popularizando-se em séries como “Conversa da Treta”. A 26 de Março de 2010 foi feito Comendador da Ordem do Infante D. Henrique. Acabou por falecer vítima de um cancro no pâncreas contra o qual lutava há largos meses.

fonte da inveja

Se vires o mar esconde à tua alma

o medo e deixa-o imbuir-te da sua grandeza.

João Corvo


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opinião

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Rui Tavares

in Público

Coisas simples

C

hegados ao quinto ano desta crise, há coisas que se tornam bastante simples. Um lado da política diz-nos que a austeridade é necessária, que não se pode renegociar a dívida e que as políticas monetárias devem ser restritivas. O outro lado diz o contrário: a austeridade aprofunda a recessão, há momentos em que um alívio da dívida é preferível para toda a gente e, nestes momentos, as políticas monetárias devem ser expansionistas. Já não é a primeira crise em que estas duas visões se confrontam. No início dos anos 1930, o presidente Hoover dos EUA adoptou — por influência do seu Secretário do Tesouro, Andrew W. Mellon — a primeira estratégia, a que se chamou então “liquidacionista”. “É preciso liquidar emprego, liquidar activos, liquidar lavoura, liquidar imobiliário... para purgar a podridão do sistema”, dizia Mellon, “as pessoas trabalharão mais no duro, viverão uma vida mais moral; os valores serão reajustados, e as pessoas empreendedoras substituirão as

De uma forma que não surpreende, Cavaco Silva aproveitou o dia da marcação de eleições para fazer um discurso no qual, em vez de dizer aos portugueses que usem essas eleições para fazer uma escolha clara, foi antecipadamente alertando para a sua preferência por um tipo de governo que impossibilite qualquer distinção política. pessoas menos competentes”. Este tipo de pensamento ainda está connosco, e ganhou hoje o nome de austeritário, como os pais severos que dizem que castigar os filhos ajuda a formar o carácter e que desejam aplicar essa atitude à nação, à Europa e ao mundo. *** Do outro lado, temos a visão da “prudente generosidade”, como lhe chamou Keynes, e que se materializou no New Deal de Roosevelt, na Frente Popular francesa ou na social-democracia escandinava. Esta segunda estratégia parte do princípio de que liquidar trabalho é desperdiçar braços e men-

tes, e advoga uma “grande revalorização” como forma de sair da crise — valorizar as pessoas, o conhecimento e o território. Para tal, é preciso ajudar a economia a sair da crise através das funções colectivas da organização política (o estado ou uma união de estados): fazer investimento público ou, pelo menos, inverter a austeridade; renegociar dívidas para permitir aos países e às pessoas “começar de novo”; e, por último, possibilitar políticas monetárias expansionistas. A escolha entre uma via ou outra deve fazer-se por via democrática e eleitoral. É aí que os cidadãos têm a oportunidade de se exprimirem sobre a estratégia a escolher.

De uma forma que não surpreende, Cavaco Silva aproveitou o dia da marcação de eleições para fazer um discurso no qual, em vez de dizer aos portugueses que usem essas eleições para fazer uma escolha clara, foi antecipadamente alertando para a sua preferência por um tipo de governo que impossibilite qualquer distinção política. Cavaco gosta de complicar as coisas simples. *** Uma nota — o Financial Times de hoje (27/07) publica uma crónica de Wolfgang Münchau que repete o essencial do que escrevi aqui na semana passada: a reestruturação das dívidas soberanas é perfeitamente compatível com os tratados e pode ser feita na zona euro. Pode ser que, agora, esta ideia comece a fazer o seu caminho, e que se entenda que ela não é uma defesa das regras europeias mas uma mera constatação do evidente: que o Sr. Schäuble está a enganar propositadamente os europeus para tentar escapar ao inevitável alívio da dívida à Grécia e a outros países da zona euro.

cartoon por Stephff Putin nomeado para o prémio nobel do humor 2016

palhaçada

sepp blatter merece o nobel da paz pelo trabalho feito na fifa...


ócios / negócios

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Radicado em Macau desde 1991, Leon de Spain seguiu uma tendência muito em voga na Europa e Estados Unidos e criou o website “Macau Roomate”, vocacionado para os anúncios de casas ou quartos disponíveis para arrendar. A utilização ainda é gratuita e o projecto ainda não é rentável, mas poderá sê-lo no futuro

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reciso de um quarto: orçamento 5000 patacas. Fumador, acordado até tarde devido ao trabalho. Gosto de sair ou de estar em casa com umas cervejas, jogar jogos de computador ou ver filmes e séries. Amigável e maluco por limpeza”, pode ler-se num ‘post’ no Macau Roomate. Outro anúncio é feito por um homem de 36 anos que procura pessoas para dividir o seu apartamento de três quartos, num prédio que até tem ginásio incluído. Não tem preferência: qualquer pessoa pode morar na casa, seja rapaz ou rapariga. Estes são dois exemplos de anúncios de quartos para arrendar e que compõem o novo website “Macau Roomate”, o primeiro projecto online do género em Macau para quem tem um quarto vago em casa e quer partilhar despesas. O objectivo é encontrar o parceiro ideal para uma casa, sendo uma “prioridade providenciar uma procura escolha, segura e bem sucedida”. Até aqui, encontrar casa no território para os recém-chegados implicava lidar directamente com agentes imobiliários ou pesquisar em websites, também ligados a agências. A rede social Facebook vem, desde há algum tempo, apresentando alguns anúncios, mas segundo Leon de Spain, mentor deste novo projecto, o website vem tornar mais fácil o que sempre foi difícil.

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“Macau Roomate”, website de quartos para arrendar Leon de Spain, criador

“O website é muito eficiente” Com algumas semanas de existência, o “Macau Roomate” já tem cerca de 30 utilizadores, incluindo mais de 500 pessoas que seguem a página no Facebook. “Penso que o website é muito eficiente”, disse ao HM Leon de Spain. “As casas têm estado a ser arrendadas muito rapidamente no Facebook, mas com um website as coisas são mais acessíveis. É uma melhor forma de reter a informação para que os utilizadores tenham um acesso mais fácil”, explica. Leon de Spain tentou implementar algo que já é muito comum noutros países, mas que ainda não é conhecido no território. “Este é de facto o primeiro projecto do género em Macau e não há outro. Um dos motivos pelos quais criei o website é porque é muito difícil encontrar uma casa em Macau e as rendas são muito caras, portanto pensei que muitas pessoas gostariam de reduzir as despesas partilhando a renda. E uma forma de fazer isso seria através de colegas de casa”, partilha, acrescentando que “ter colegas de casa é algo muito popular na Europa e nos Estados Unidos”, mas aqui, diz, ainda não viu muitas pessoas a fazer isso, apesar da grande procura. Apesar do pouco tempo de existência, Leon de Spain nota uma grande aceitação por parte das pessoas. “A aceitação tem

“Um dos motivos pelos quais criei o website é porque é muito difícil encontrar uma casa em Macau e as rendas são muito caras, portanto pensei que muitas pessoas gostariam de reduzir as despesas partilhando a renda”

sido bastante boa, só estamos a funcionar há cerca de dez dias e já temos 30 utilizadores. Alguns anunciam que estão à procura de um quarto, outros anunciam os seus quartos para arrendar. Está a crescer devagar mas só agora começou.” Leon de Spain, que trabalha na área de Multimédia, garante que, para já, não tem lucros com o projecto, mas que poderá tornar o website rentável no futuro. “Essa não é uma questão no momento uma vez que o projecto ainda agora co-

meçou. É grátis para os utilizadores e, neste momento, não existem quaisquer ganhos. Talvez mais tarde, quando o website começar a ser mais utilizado, seja possível ter alguns ganhos. Uma das formas do website se tornar rentável é através da publicidade, talvez algumas empresas queiram publicar anúncios no website. Também há a possibilidade de implementar alguns custos para os utilizadores que estejam a anunciar”, contou o mentor do “Macau Roomate”. Leon de Spain veio para Macau nos idos anos 90, mais concretamente no ano de 1991, época em que arranjar uma casa a preços baixos era bem mais fácil. Ainda assim, Leon de Spain conta que nunca teve problemas em encontrar um apartamento, por ter vários amigos que trabalham no ramo do imobiliário. O “Macau Roomate” foi feito a pensar nas necessidades dos que ainda agora chegaram. “Há muitas pessoas que estão a chegar a Macau para viver por um ou dois anos e não querem gastar muito dinheiro numa casa. É mais fácil e conveniente. E muitas vezes até é melhor partilhar casa com alguém local que leve essas pessoas a conhecer melhor Macau. É mais fácil fazer isso agora do que antes”, rematou. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


hoje macau quarta-feira 29.7.2015

Alimentação Empresário de Taiwan condenado a 20 anos de prisão

Tailândia Human Rights Watch pede a rebeldes que deixem de matar civis

A

organização de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) pediu ontem aos rebeldes muçulmanos no sul da Tailândia que deixem de matar civis, após um ataque no sábado passado em que morreu um monge. “Esta investida de violência contra civis por parte de grupos separatistas viola as leis internacionais e prejudica a sua causa”, disse Brad Adams, diretor da HRW na Ásia. Adams afirmou que não há justificação para atacar civis, algo que qualificou como possíveis “crimes de guerra”. No sábado passado, uma bomba provocou a morte de um monge e feriu três militares no distrito de

Saiburi, na província de Pattani. Os ataques com armas ligeiras, homicídios e atentados com explosivos nas províncias de Yala, Pattani e Narathiwat acontecem a um ritmo quase diário, não obstante o destacamento de um grande dispositivo das forças de segurança, composto por cerca de 40 mil efectivos, e a declaração de estado de excepção desde 2005. Os rebeldes denunciam a discriminação que sofrem por parte da maioria budista da Tailândia e exigem a criação de um Estado islâmico que integre estas três províncias que configuravam o antigo sultanato de Pattani, anexado pela Tailândia há um século.

Tóquio2020 Director dos Jogos Olímpicos apresenta demissão

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O director geral dos desportos do Japão, Kimito Kubo, apresentou ontem a demissão do cargo, depois de ter sido indiciado no escândalo referente ao projecto olímpico de Tóquio, que acolherá os Jogos Olímpicos de 2020. A decisão foi publicamente anunciada pelo ministério japonês da Educação, Cultura e Desporto, que revelou que a demissão de Kimito Kubo se deveu a “razões pessoais”. O projecto olímpico do governo japonês foi bastante criticado pelo seu elevado custo, que foi avaliado em cerca de 1.855 milhões de euros. Depois das críticas terem sido tornadas públicas, o governo decidiu reiniciar o projecto daquela que será a sede dos Jogos Olímpicos de 2020. Kimito Kubo irá ser substituído a partir do dia 4 de Agosto por Michiyasu Takahashi, secretário da educação.

U

Hong Kong Jia Jia torna-se panda mais velho do mundo

Cativeiro de excelência

A

panda Jia Jia, residente de um parque temático de Hong Kong, festejou hoje o seu 37.º aniversário, atingindo o recorde de longevidade em cativeiro. Para assinalar a data, Jia Jia teve direito a bolo de gelo e frutas no Ocean Park, onde habita em Hong Kong. Com 37 anos – o equivalente a mais de cem anos na vida de um humano – a fêmea estabeleceu dois recordes Guiness, tornando-se o mais velho panda actualmente vivo em cativeiro e o único a atingir uma idade tão avançada fora do seu habitat natural, afirmou Blythe Ryan Fitzwilliam, representante do Guinness World Records. Pertencente à subespécie de pandas gigantes, Jia Jia, cujo nome significa “excelência”, nasceu na província chinesa de Sichuan, em 1978, e foi oferecida a Hong Kong em 1999, por ocasião do segundo aniversário da transferência da soberania da Grã-Bretanha para a China.

O recorde anterior era detido por um macho (Du Du), que morreu em Julho de 1999, aos 36 anos, num jardim zoológico na província de Hubei.

Toca a todos

Apesar de as exactas datas de nascimento de Du Du e Jia Jia serem desconhecidas porque ambos nasceram nas monta-

Com 37 anos – o equivalente a mais de cem anos na vida de um humano – a fêmea estabeleceu dois recordes Guiness, tornando-se o mais velho panda actualmente vivo em cativeiro

nhas, a Guiness concluiu que a fêmea é mais velha uns meses. De acordo com a veterinária, Paola Martelli, Jia Jia é um encanto, apesar do peso dos anos, das cataratas e problemas de tensão arterial. “Ela agora dorme mais, é menos activa. Mas está a envelhecer muito bem, como uma avó”, afirmou. Actualmente Jia Jia come mais suplementos de fibras, pois já não consegue mastigar o bambu que constitui a base da alimentação destes animais. Segundo o mais recente estudo realizado pela autoridade chinesa de administração das florestas, 1.864 pandas gigantes viviam em estado selvagem na China em 2013. Atendendo às baixas taxas de natalidade dos pandas, programas de reprodução em cativeiro têm sido levados a cabo para garantir a sua sobrevivência. Mamíferos com um código genético semelhante ao dos ursos, os pandas pesam cem quilos em média, medem até 1,80 metros, e têm seis dedos.

m tribunal condenou o presidente de uma empresa de Taiwan a 20 anos de prisão pelo seu papel no escândalo do óleo alimentar adulterado, que motivou a demissão de um ministro. Yeh Wen-hsiang, presidente da empresa Chang Guann Co., foi também multado em 50 milhões de dólares de Taiwan por a sua empresa ter vendido 243 toneladas de óleo adulterado, produzido a partir de gordura de má qualidade obtida através de processos como a utilização de remanescentes de comidas. Yeh foi detido em Setembro, mas foi libertado sob fiança em Outubro, antes de ser considerado culpado de violação da segurança alimentar. Centenas de toneladas de bolos, pão, noodles instantâneo, bolachas, pães cozidos e dumplings (pudins de maçã) tiveram de ser removidos das prateleiras de Taiwan e de Hong Kong. Mais de 1.000 restaurantes, padarias e fábricas de produtos alimentares em Taiwan usaram o óleo adulterado e a onda de indignação pública levou à demissão do ministro da saúde. O vice-presidente da empresa, Tsai Chi-chuan, também recebeu uma pena de 20 anos, de acordo com uma nota do tribunal de Pingtung.


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Hoje Macau 29 JUL 2015 #3382 by Jornal Hoje Macau - Issuu