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Hoje Macau 29 MAI 2017 #3821

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

OPINIÃO

MOP$10

SEGUNDA-FEIRA 29 DE MAIO DE 2017 • ANO XVI • Nº 3821

TRUMP E A TENTAÇÃO AUTORITÁRIA

RUI FLORES

DEFICIT DE LIDERANÇA GLOBAL JORGE RODRIGUES SIMÃO SOFIA MARGARIDA MOTA

hojemacau

SÍLVIA PATRÍCIO

CORPO DAS PALAVRAS

www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

ELEIÇÕES DEPUTADAS PEDEM SOLUÇÃO PARA DIFERENÇAS LEGAIS

Duas leis à sua escolha

Perante a confusão instalada à volta da interpretação da lei eleitoral, as deputadas Kwan Tsui Hang e Song Pek Kei apelam

ENTREVISTA

HOTEL ESTORIL

Concurso a caminho PÁGINA 4

Pinturas notáveis

à intenção do legislador para contornar as diferenças existentes nas versões portuguesa e chinesa do diploma.

PÁGINA 5

h ZHANG YANYUAN AUTOMOBILISMO

Macau em grande GALEN CHAN

ÚLTIMA

POLUIÇÃO

OS PICOS ATÍPICOS

GONÇALO LOBO PINHEIRO

BARCOS DRAGÃO OS HOMENS DO REMO GRANDE PLANO

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

PUB

PÁGINA 7


2

GONÇALO LOBO PINHEIRO

REMAR POR GOSTO À

beira do rio o sol intenso não atrapalha os braços que estão prestes a entrar em mais uma competição. Sentados à sombra, os atletas das equipas que participam nas regatas dos barcos dragão esperam pelo momento em que vão entrar nas embarcações. Os atletas da equipa da Sociedade de Jogos de Macau (SJM) envergam as cores verde e amarela. Ao lado os atletas da equipa do MGM gritam as iniciais que dão nome à concessionária de jogo, mas nem isso demove o espírito da equipa treinada por Junrey Daymat, filipino, trabalhador na SJM. “A última vez que competimos foi em 2015, e o ano passado não nos deixaram competir porque não permitiram uma equipa só com atletas filipinos. Este ano temos uma equipa com atletas novos, que começaram há cerca de três meses, e tentamos o melhor para os ensinar.” Ser atleta da equipa da SJM nas regatas dos barcos dragão é treinar e competir sem receber nada em troca. Este caso não é único: todos os anos várias empresas apoiam e incentivam a constituição de equipas para participar, sem esquecer alguns serviços públicos de Macau e até de Hong Kong. Há equipas tão diversas como a da “Rede de

Serviços Dom Bosco”, “Clube Internacional de Senhoras de Macau” ou a “Associação Desportiva Badas”. Clubes como o Ka I ou o Monte Carlo também têm as suas equipas. Os atletas são empregados e funcionários destas empresas ou associações e treinam depois do horário de trabalho, nas horas vagas. Ao lado destas equipas amadoras, estão as equipas profissionais, compostas por atletas que treinam durante todo o ano.

“Alguns de nós somos profissionais, mas outros não, são só empregados na empresa. A participação é importante, e para a própria empresa é importante estar nas competições dos barcos dragão.” JUNREY DAYUMAT TREINADOR DA EQUIPA DA SOCIEDADE DE JOGOS DE MACAU

Muitos dos que competem nunca pegaram num remo na vida, e começam a treinar sem ter uma formação física própria para este tipo de desporto. É um passatempo, misturado de espírito de equipa e até de diversão. O treinador da equipa da SJM explicou que não há quaisquer incentivos monetários, mas a empresa garante que a equipa tem tempo para realizar treinos regulares. “A empresa deu-nos um tempo para treinarmos, sem trabalhar, durante dois meses. Só para que tivéssemos um bom treino. A empresa apenas nos dá apoio para treinar a equipa, para que os atletas fiquem mais fortes. Esta é uma competição muito importante e todos têm de participar todos os anos”, disse. Junrey Damat já fazia corridas de barcos dragão nas Filipinas e,

como ele, são poucos os atletas que já praticavam esta actividade. O treino foi feito aos poucos, com espírito de sacrifício e uma boa gestão do tempo. GONÇALO LOBO PINHEIRO

Nas regatas internacionais dos barcos dragão há equipas amadoras a competir ao lado de equipas profissionais. Têm o apoio de empresas locais ou de serviços públicos de Macau e de Hong Kong e os atletas são funcionários que vão ao rio por amor à camisola. Muitos treinam nas horas vagas, sem uma preparação profissional

BARCOS DRAGÃO O LADO AMADOR DE UMA COMPETIÇÃO TRADICIONAL ARQUIVO

GRANDE PLANO


3 hoje macau segunda-feira 29.5.2017 www.hojemacau.com.mo

MACAENSES DE FORA

“Alguns de nós somos profissionais, mas outros não, são só empregados da empresa. A participação é importante, e para a própria companhia é importante estar nas competições dos barcos dragão”, apontou.

“NÃO É PARA GANHAR”

O lado amador das corridas anuais dos barcos dragão significa correr por gosto e entretenimento. A iniciativa parte, na maioria, das empresas, que querem estar representadas numa das práticas desportivas mais tradicionais de Macau. O chamamento para fazer parte de uma equipa faz-se, muitas vezes, de boca a boca, em que os amigos são convidados para fazer parte do grupo, para que se possa concluir a inscrição no Instituto do Desporto.

A CESL-Ásia é outra das empresas de Macau que todos os anos coloca uma equipa com o seu nome a concorrer no lago Nam Van. António Trindade, CEO da empresa, assume que “não temos

“Ter esta equipa faz parte das actividades da empresa. As empresas têm uma componente orgânica e social, onde são promovidas as relações entre as pessoas.” ANTÓNIO TRINDADE CEO DA CESL-ÁSIA

uma formação para ganhar, mas sim para desenvolver o espírito de equipa”. “O processo de competição dura vários meses. Temos de juntar os participantes, que trabalham em grupo durante quase seis ou sete meses, uma equipa de quase 30 pessoas. Há treinos várias vezes por semana e é assim que se desenvolve o trabalho da equipa e o conhecimento das pessoas dentro da empresa. É algo que junta os colegas e até as próprias famílias”, defendeu. Trindade explica, assim, que participar nas regatas dos barcos dragão visa unir mais os empregados. “Ter esta equipa faz parte das actividades da empresa. As empresas têm uma componente orgânica e social, onde são promovidas as relações entre as pessoas.”

“É um evento que não é apenas desportivo, mas tem muita importância em termos de costumes chineses.” JORGE NETO VALENTE PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DOS JOVENS MACAENSES O lado amador leva à falta de participantes, o que muitas vezes condiciona a inscrição de uma equipa. Foi o que aconteceu este ano com a Associação dos Jovens Macaenses (AJM), que não inscreveu nenhum grupo no ID, ao contrário do aconteceu no ano passado. “Várias pessoas já tinham entrado em algumas competições e o ano passado houve essa vontade de participar e fazer uma equipa. Só que este ano houve vários contratempos. Os que mais estavam interessados tinham questões pessoais que não permitiram a sua colaboração. Participar implica que,

pelo menos durante dois meses, se comece a treinar todas as semanas. Chega a ser normal treinar três dias por semana”, explicou o presidente da AJM, Jorge Neto Valente. Já em criança o empresário costumava ver as regatas. “É um evento que não é apenas desportivo, mas tem muita importância em termos dos costumes chineses.” GONÇALO LOBO PINHEIRO

As equipas não profissionais participam em provas específicas para as suas categorias, ao lado daqueles que estão habituados a remar para ganhar. Há provas para todos os gostos, como o open em pequenas embarcações, pequenas embarcações das entidades públicas, regata universitária em pequenas embarcações (categoria open), pequenas embarcações para funcionários públicos de Macau por convites, grandes embarcações (categorias open e senhoras), regata universitária por convite em grandes embarcações (categoria open) ou ainda a regata internacional por convite em grandes embarcações (categorias open e senhoras). As distâncias a percorrer variam consoante a prova, existindo provas de 200 e 500 metros.

GONÇALO LOBO PINHEIRO

O lado voluntário deste tipo de iniciativas acaba por acarretar alguns riscos ao nível da constituição das equipas. “As pessoas assumem compromissos de vários meses, e há pessoas que, por motivos familiares ou de trabalho, não podem participar em todas as actividades.” Durante os treinos há sempre um apoio a nível técnico para que os atletas sem experiência possam aprender a remar um barco deste género. “Os organizadores indicam o treinador para que as pessoas conheçam as técnicas para remar e do próprio funcionamento do barco”, referiu António Trindade.

O lado desportivo conta, mas há muito mais para além disso, assegura. “Os departamentos dentro de um casino têm as suas equipas, quem participa, seja atleta ou espectador, sabe que é uma prova que tem muita piada. A pessoa vai antes e depois da prova, para ver as competições e fazer claque”, concluiu. As corridas dos barcos dragão terão começado quando o poeta e conselheiro do imperador do reino de Chu, chamado Qu Yuan, decidiu tomar uma decisão radical por não conseguir pôr um fim à corrupção no seio da corte imperial. Acabou por se atirar para um rio. Foi aí que os aldeões foram à procura do corpo dentro de um barco, enquanto batiam nos tambores e atiravam bolos de arroz à água. Isso serviria para impedir os peixes de comerem os restos mortais do poeta. Amanhã, feriado, é a final da competição, celebrando-se o dia do festival do dragão. Durante o fim-de-semana, foram decorrendo diversas provas no lago Nam Van. A cerimónia da entrega dos prémios será às 16h00. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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Alexis Tam CONCURSO PÚBLICO PARA HOTEL ESTORIL AINDA ESTE ANO

Ideias fora da gaveta

GONÇALO LOBO PINHEIRO

POLÍTICA

Se tudo correr bem, o concurso público para a antiga unidade hoteleira junto ao Tap Seac deverá acontecer ainda em 2017. A data é apontada pelo secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, que não deixou cair por terra um projecto que já deu muito que falar

O

projecto de reconversão do antigo Hotel Estoril num centro de artes e desporto, destinado sobretudo aos jovens, é mesmo para avançar. Em declarações aos jornalistas à margem de um evento público realizado este fim-de-semana, o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura explicou que os Serviços de Educação e Juventude, o Instituto Cultural (IC) e o Instituto do Desporto têm estado a trabalhar em conjunto na preparação do processo de

concurso público para a realização do projecto de concepção. Citado num comunicado oficial, Alexis Tam precisou que, neste momento, o processo encontra-se na fase de tradução, sendo que acredita que, ainda este ano, será possível avançar com o

concurso público. O governante disse também que a comissão de avaliação dos projectos será composta por “individualidades representativas locais e especialistas do exterior”. O secretário foi ainda inquirido sobre a segurança dos estaleiros de Lai Chi

A comissão de avaliação dos projectos para o Hotel Estoril será composta por “individualidades representativas locais e especialistas do exterior” PUB

Vun, agora que a época dos tufões e aproxima. Alexis Tam respondeu dizendo que o IC “tem vindo a prestar muita atenção a essa situação”. Faz parte das competências do instituto “adoptar medidas, e manter contactos e coordenação juntamente com os serviços competentes, de forma a levar a cabo os trabalhos de consolidação dos estaleiros para assegurar a segurança pública”, referiu. Ainda em relação ao património do território, o responsável pela tutela dos Assuntos Sociais e Cultura afirmou que, mal o processo de recuperação do terreno da fábrica de panchões esteja concluído, o IC vai dar início, “de imediato”, ao levantamento do processo de classificação da antiga unidade fabril.

MANDARIM E OUTRAS LÍNGUAS

Da lista de perguntas colocadas a Alexis Tam fez também parte a questão do mandarim. O secretário recordou aos jornalistas que se trata da língua oficial do país, “um instrumento muito importante para o intercâmbio e a comunicação, sendo o elemento veicular da cultura chinesa”. “O número de falantes de mandarim na China é gigan-

tesco e, ao nível internacional, verifica-se também que se está a tornar numa língua franca, havendo cada vez mais estrangeiros que procuram aprendê-la”, observou. Atendendo a que Macau é uma região administrativa especial da China, o Governo “estimula e apoia os residentes a aprenderem mandarim”. O secretário acrescentou que, relativamente ao ensi-

no desta língua, “é adoptada uma política que favorece uma aprendizagem gradual”. “O Governo apoia os residentes a aprender português, inglês e outras línguas estrangeiras, estimulando, sobretudo, os jovens a dominarem mais do que uma língua estrangeira, para aumentarem a sua competitividade”, disse também. HM

UM CHUI SAI ON SATISFEITO COM DESEMPENHO

O

Chefe do Executivo, Chui Sai On, disse estar satisfeito com o desempenho da Universidade de Macau (UM). Citado no seu discurso oficial, o Chefe do Executivo, que é também chanceler da mesma instituição, referiu que a UM “empenha-se em aperfeiçoar o seu sistema educacional e a construir um dos melhores sistemas de colégios residenciais na Ásia, pondo em prática o conceito de educação holística”. Ao nível dos recursos humanos qualificados, o Chefe do Executivo referiu que “é necessário definir o respectivo mecanismo de longo prazo, aperfeiçoar o sistema do ensino

superior, formando quadros qualificados e competitivos”. Dessa forma, é importante a UM “empenhar-se ainda mais na exploração de modelos educacionais mais eficazes para dar uma resposta melhor às estratégias referidas”. No contexto da implementação do regime do ensino superior, que está “para breve”, Chui Sai On espera que tanto a UM como outras universidades locais “possam aproveitar esta oportunidade, para melhorar ainda mais as suas instalações e a qualidade académica, formando mais quadros qualificados para a cidade”.


5 POLÍTICA

hoje macau segunda-feira 29.5.2017

Duas leis, um problema

Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa

não se condena ninguém. “Há aqui, manifestamente, um grau muito razoável de dúvida se quem assinou, sobretudo se só ler chinês, tinha consciência de que estava a cometer um ilícito”, comenta o académico da área do Direito.

deputada acrescenta que a comissão deve pesquisar os textos da proposta de 2001, assim como os pareceres da comissão permanente.

DOIS PESOS

A Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL), decidiu que a versão portuguesa deveria ser considerada o padrão para tratar dos casos de assinaturas repetidas em mais que uma lista de candidatura. Porém, alguns deputados mostraram-se contrários a esta ideia, sendo da opinião de que a CAEAL deve ter em conta também a versão chinesa, assim como a intenção legislativa e os pareceres relativos à alteração de lei feita em 2001. Kwan Tsui Hang fez uma comparação entre a lei antes da transferência de soberania e a alteração subsequente, tendo concluído que de acordo com a lei eleitoral em chinês, a CAEAL não pode multar quem apoia várias listas. A

Além disso, Kwan Tsui Hang não acha normal que a versão portuguesa da lei não tivesse sido alterada. A deputada considera que o

“Há aqui, manifestamente, um grau muito razoável de dúvida se quem assinou, sobretudo se só ler chinês, tinha consciência de que estava a cometer um ilícito”, comenta o académico da área do Direito

Governo deve esclarecer a situação quanto antes. Por outro lado, Song Pek Kei julga que a CAEAL não fez os trabalhos suficientes para afastar as dúvidas levantadas uma vez que, na visão da deputada, ambas as leis têm efeito jurídico idêntico. A deputada referiu ao Jornal Ou Mun que durante a alteração legal como o chinês era a língua materna da maioria dos deputados, a versão chinesa deve ser a

mais aproximada da intenção legislativa. É de acrescentar ainda que antigamente a CAEAL limitava-se a apagar as assinaturas repetidas, sem qualquer punição. Em declarações ao Ou Mun, Song Pek Kei teme que este ano, esta posição da comissão pode afectar o processo de recolha de assinaturas. “Se assinar algo pode ser um acto criminal, quem vai querer assinar?”, questiona a deputada. Neste capítulo importa referir que tanto a língua portuguesa, como a chinesa, são ambas línguas oficiais. Outro aspecto a ter em conta, é que a CAEAL se prepara para contactar os eleitores que repetiram a assinatura em duas listas distintas para aferir se agiram com dolo. O académico ouvido pelo HM acrescenta que está em causa, também, o princípio da ilicitude. Além disso, a própria aferição da CAEAL no apuramento se houve, ou não, dolo dos eleitores que assinaram duas vezes extravasa, em muito, as competências legais que tem. “Então agora têm competências do Ministério Público e dos tribunais?”, questiona o académico que vê nesta postura uma forma de pressionar as candidaturas. João Luz e Vítor Ng

info@hojemacau.com.mo

GÁS NATURAL KWAN TSUI HANG QUESTIONA OPERAÇÃO DA SINOSKY

SOFIA MARGARIDA MOTA

A

ambiguidade e a incerteza sobre a forma como interpretar a lei eleitoral continuam, enquanto se aproximam as eleições de 17 de Setembro. A questão foi levantada pela comunicação social e deixou a Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) a braços com uma crise por resolver. Quando a lei eleitoral foi alterada em 2001, depois da transferência de soberania, reviu-se a versão da lei chinesa, criando uma divergência de conteúdo quanto à forma como se regem as assinaturas de propositura de candidatura. Um académico, que não quis identificar-se, comentou ao HM que as versões nas duas línguas oficiais estão em desacordo, levantando problemas legais que não se resolvem com facilidade. “A lei tem de ser clara ao estabelecer os comportamentos, ou omissões, que são punidos”, revelou. De acordo com o princípio da legalidade as normas não podem ser ambíguas. O académico não tem dúvidas de que este princípio geral de Direito não se verifica, acrescentando ainda que de acordo com o princípio “in dubio pro reo”, na dúvida

Eleições DEPUTADAS APELAM À INTENÇÃO DO LEGISLADOR PARA CONTORNAR DIVERGÊNCIA

GCS

Quando o regime legal que rege as eleições em Macau foi alterado, em 2001, criou-se um conteúdo diferente para uma mesma lei. A própria CAEAL não sabe como solucionar a situação, enquanto Kwan Tsui Hang e Song Pek Kei consideram que se deve ter em conta a intenção do legislador

A

Kwan Tsui Hang

deputada Kwan Tsui Hang interpelou o Governo sobre o contrato de concessão com a Sinoksy, empresa responsável pelo fornecimento de gás natural. A deputada quer saber qual o ponto de situação das negociações entre o Executivo e a concessionária sobre o contrato, que se arrasta há cerca de dois anos. Kwan Tsui Hang lembra que o acordo para o fornecimento de gás natural foi assinado em 2007. No entanto, a deputada lamenta que a empresa ainda não tenha cumprido

os requisitos, tendo deixado, a partir de 2011, de fornecer gás natural à Companhia de Electricidade de Macau (CEM). Na visão da deputada, a má qualidade dos serviços da companhia concessionária não só afecta a produção de electricidade através do gás natural, mas também impede o desenvolvimento do próprio serviço. A deputada questiona o andamento das negociações sobre o contrato, uma vez que o Executivo ainda não tomou uma decisão nem avançou novos detalhes sobre o assunto.


6 PUBLICIDADE

hoje macau segunda-feira 29.5.2017

(Publicações ao abrigo do Artigo 76 do RJSF aprovado pelo Decreto-Lei no. 32/93/M, de 5 de Julho) BALANÇO ANUAL EM 31 DE DEZEMBRO DE 2016

MOP

MOP ACTIVO

PROVISÕES AMORTIZAÇÕESE MENOS - VALIAS

ACTIVO BRUTO

ACTIVO LÍQUIDO

143,335,132.16 1,559,161,146.78

CAIXA DEPÓSITOS NA AMCM

AMCM VALORES A COBRAR DEPÓSITOS À ORDEM NOUTRAS INSTITUIÇÕES DE CRÉDITO NO TERRITÓRIO DEPÓSITOS À ORDEM NO EXTERIOR OURO E PRATA OUTROS VALORES CRÉDITO CONCEDIDO APLICAÇÕES EM INSTITUIÇÕES DE CRÉDITO NO TERRITÓRIO DEPÓSITOS COM PRÉ-AVISO E A PRAZO NO EXTERIOR ACÇÕES, OBRIGAÇÕES E QUOTAS APLICAÇÕES DE RECURSOS CONSIGNADOS DEVEDORES OUTRAS APLICAÇÕES PARTICIPAÇÕES FINANCEIRAS IMÓVEIS EQUIPAMENTO CUSTOS PLURIENAIS DESPESAS DE INSTALAÇÃO IMOBILZAÇÕES EM CURSO OUTROS VALORES IMOBILIZADOS CONTAS INTERNAS E DE REGULARIZAÇÃO TOTAIS

143,335,132.16 1,559,161,146.78

-

-

121,041,765.76 705,461,450.33 17,143,964,087.11

121,041,765.76 705,461,450.33 17,115,230,187.87

28,733,899.24

99,977,200.00

99,977,200.00

5,025,671,000.00 1,469,201,482.61 5,493,190.50 55,841,344.29 72,806,245.34 434,160,607.12

5,025,671,000.00 1,469,201,482.61 5,493,190.50 35,193,160.15 17,062,693.51 434,160,607.12

26,836,114,652.00

20,648,184.14 55,743,551.83

105,125,635.21

26,730,989,016.79

CONTAS EXTRAPATRIMONIAIS

VALORES RECEBIDOS EM DEPÓSITO VALORES RECEBIDOS PARA COBRANÇA VALORES RECEBIDOS EM CAUÇÃO GARANTIAS E AVALES PRESTADOS CRÉDITOS ABERTOS ACEITES EM CIRCULAÇÃO VALORES DADOS EM CAUÇÃO COMPRAS A PRAZO VENDAS A PRAZO OUTRAS CONTAS EXTRAPATRIMONIAIS

CONTA DE EXPLORAÇÃO MOP DÉBITO

MONTANTE

CUSTOS DE OPERAÇÕES PASSIVAS CUSTOS COM PESSOAL REMUNERAÇÕES DOS ÓRGÃOS DE GESTÃO E FISCALIZAÇÃO REMUNERAÇÕES DE EMPREGADOS ENCARGOS SOCIAIS OUTROS CUSTOS COM O PESSOAL FORNECIMENTOS DE TERCEIROS

PASSIVO

SUB – TOTAIS

3,414,338,004.91 14,275,420,787.72 799,001,324.00

DEPÓSITOS À ORDEM DEPÓSITOS C / PRÉ-AVISO DEPÓSITOS A PRAZO DEPÓSITOS DE SECTOR PÚBLICO RECURSOS DE INSTITUIÇÕES DE CRÉDITO NO TERRITÓRIO EMPRÉSTIMOS EM MOEDAS EXTERNAS EMPRÉSTIMOS POR OBRIGAÇÕES CREDORES POR RECURSOS CONSIGNADOS CHEQUES E ORDENS A PAGAR CREDORES EXIGIBILIDADES DIVERSAS

7,255,197,724.59 6,322,882.95 39,057,055.96 266,865.16

70,935,477.10 124,869,743.95 TOTAIS

494,858,303.57 834,953.04 43,210,900.28 56,775,272.62 12,328,069.60 33,452.00 -

232,431.00

CUSTOS INORGÂNICOS

1,722,738.12

DOTAÇÕES PARA AMORTIZAÇÕES

9,818,692.27

DOTAÇÕES PARA PROVISÕES

1,141,234.77

LUCRO DA EXPLORAÇÂO

183,644,145.19 TOTAIS

608,040,951.11

TOTAIS

CONTA DE LUCROS E PERDAS DÉBITO

MONTANTE

PREJUÍZO DE EXPLORAÇÂO 8,099,845,852.66

608,040,951.11

MOP MONTANTE

CRÉDITO - LUCRO DE EXPLORAÇÃO

PERDAS RELATIVAS A EXERCÍCIOS ANTERIORES PERDAS EXCEPCIONAIS LUCROS DO EXERCÍCIO

183,644,145.19

LUCROS RELATIVOS A EXERCÍCIOS - ANTERIORES 57,949.27 LUCROS EXCEPCIONAIS

DOTAÇÕES PARA IMPOSTOS SOBRE

-

PROVISÕES UTILIZADAS

-

24,396,451.97 RESULTADO DO EXERCÍCIO (SE

DOTAÇÕES ADICIONAIS PARA 745,579,150.45

RESULTADOS TRANSITADOS DE EXERCÍCIOS ANTERIORES RESULATADO DO EXERCÍCIO

303,944,175.25 PROVEITOS DE OPERAÇÕES ACTIVAS PROVEITOS DE SERVIÇOS BANCÁRIOS PROVEITOS DE OUTRAS OPERAÇÕES - BANCÁRIAS 65,428,342.76 RENDIMENTOS DE TÍTULOS DE CRÉDITO E DE PARTICIPAÇÕES FINANCEIRAS 3,818,515.10 OUTROS PROVEITOS BANCÁRIOS PROVEITOS INORGÂNICOS 2,055,486.40 PREJUÍZOS DE EXPLORAÇÃO

17,689,758,792.63

491,025,285.40 100,000,000.00 4,073,865.05 150,480,000.00

CONTAS INTERNAS E DE REGULARIZAÇÃO PROVISÕES PARA RISCOS DIVERSOS FUNDO DE MANEIO RESERVA LEGAL RESERVA ESTATUTÁRIA RESERVA DE REAVALIAÇÃO OUTRAS RESERVAS

MONTANTE

9,831,789.93

IMPOSTOS TOTAL

CRÉDITO

26,403,400.32

OUTROS CUSTOS BANCÁRIOS MOP

2,884,570.34 14,498,716,600.51 2,906,499,349.26 2,938,275.44 74,305,909.46 11,666,240,006.67 11,674,072,534.17 -

DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS DO EXERCÍCIO DE 2016

SERVIÇOS DE TERCEIROS

BALANÇO ANUAL EM 31 DE DEZEMBRO DE 2016

MONTANTE

NEGATIVO)

PROVISÕES CONFORME RJSF

-

34,320,000.00

RESULTADO DO EXERCÍCIO (SE 195,805,221.05

POSITIVO)

124,869,743.95 TOTAIS

26,730,989,016.79

183,644,145.19

TOTAIS

PRESIDENTE ____________________

VICE-PRESIDENTE ___________________

O CHEFE DA CONTABILIDADE ____________________

Hu Min

Huang Qiang

Zhuang Zhe

As Outras Reservas incluem uma reserva obrigatória no montante do 150,480,000 Patacas. Porque a sucursal adopta as Normas Macau de Relato Financeiro (“NMRF”) na preparação das suas demonstrações financeiras anuais, as perdas de imparidade com base nas NMRF podem ser inferiores as nível minimo de provisões genéricas calculadas de acordo com o Aviso 18/93 da AMCM (o nível minimo). A referida reserva obrigatória representa, pois, as diferença entre o nível minimo e as perdas de imparidade nos termos das NMRF (antes do impostos diferidos de 20,520,000 Patacas). Este mesmo montante, inscrito na linha “Dotações adicionais para provisões conforme RJSF” da Conta de Lucros e Perdas das contas resumidas, està reconciliado entre o “Lucro depois de impostos” e os “Resultados do ano de acordo com as regras da AMCM” na Conta de exploração das demonstrações financeiras auditadas anuais.

MACAU, 12 de MAIO de 2017

* Resultados transitados de exercicios anteriores em 1 de Janeiro de 2016 foi reexpressa.

NOTA: O Balanço Anual e a Demonstração de Resultados do Exercício foram preparados a partir dos registos contabilísticos auditados.

Relatório de Auditoria de Sucursal de Macau do ano 2016 (discurso do Presidente do Banco) Com a modernização acelerada da economia chinesa em 2016, enquanto elemento essencial da promoção de reformas estruturais no que toca à procura, a política de “corte de capacidade industrial excessiva, desacumulação, desalavancagem, redução de custos e aperfeiçoamento de elos mais fracos” já produziu um efeito relevante, havendo uma tendência para a estabilização da situação económica global, bem como mudanças significativas na rentabilidade do sector bancário. Agora, a economia da RAEM está a recuperar com estabilidade, e o governo da RAEM apresentou o «Plano de Desenvolvimento Quinquenal da Região Administrativa Especial de Macau (2016-2020)», promovendo o desenvolvimento em todas as áreas de forma mais coordenada, equilibrada e organizada. Servir os clientes, reforçar o controlo de risco, desenvolver as actividades inovadoras e sustentar de forma estável o aperfeiçoamento são os elementos de tendência de desenvolvimento. Até o fim de 2016, o valor do património do Banco atingiu vinte e seis mil e setecentos milhões de Patacas, com um lucro líquido depois de impostos de cento e vinte milhões de Patacas, considerando que todos os indicadores fundamentais tal como a mobilidade alcançaram o padrão de fiscalização. Para além do desenvolvimento estável e sustentável do Banco, ainda estamos a lutar pelos objectivos e requisitos de transformações das operações, bem como participar activamente no desenvolvimento financeiro com as características de Macau e realizar activi-

dades de forma pormenorizada, prática, e ideal, fortalecendo a base de desenvolvimento e aumentando a capacidade de fazer face ao risco. Explorando de forma agressiva os diversos sectores de actividade tais como empresas, finanças pessoais e ouro, as actividades por conta própria têm cada vez mais uma estrutura escalonada, multiplicando as fontes de rendimento e aumentando a taxa de rendimento do património. A construção do sistema bancário electrónico, tal como o pagamento móvel, serviço bancário electrónico para empresas, particulares e serviço bancário móvel, tem-se assumido como um aspecto cada vez mais característico, sendo este o primeiro banco autorizado a prestar o serviço de pagamento móvel através da leitura de código, pelo que é de concluir que o Banco está a promover o comércio electrónico de forma organizada. O Banco visa ainda reforçar intensivamente a gestão dos riscos e a construção do sistema do regime de regulamento interno, melhorar a qualidade do património e aperfeiçoar o nível da administração interna. Gostaria de aproveitar esta oportunidade, em representação do Banco de Desenvolvimento de Cantão (Sucursal de Macau), para agradecer a contribuição de todos os funcionários, bem como o apoio e a ajuda do governo da RAEM, dos órgãos de fiscalização, dos outros profissionais do sector e dos clientes. Para responder à confiança e à afeição da sociedade, vamos fazer o nosso melhor para atingir a um resultado excelente, contribuindo para a sociedade com uma atitude inovadora e ágil!

183,644,145.19

Relatório de Auditor Independente sobre Demonstrações Financeiras Resumidas Para a Gerência do Banco de Guangfa da China, S.A., Sucursal de Macau (Banco comercial de responsabilidade limitada, incorporada na República Popular da China) Procedemos à auditoria das demonstrações financeiras do Banco de Guangfa da China, S.A., Sucursal de Macau relativas ao ano de 2016, nos termos das Normas de Auditoria e Normas Técnicas de Auditoria da Região Administrativa Especial de Macau. No nosso relatório, datado de 12 de Maio de 2017, expressámos uma opinião sem reservas relativamente às demonstrações financeiras das quais as presentes constituem um resumo. As demonstrações financeiras a que acima se alude compreendem o balanço, à data de 31 de Dezembro de 2016, a demonstração de resultados, a demonstração de alterações no fundo de maneio e reservas e a demonstração de fluxos de caixa relativas ao ano findo, assim como um resumo das políticas contabilísticas relevantes e outras notas explicativas. As demonstrações financeiras resumidas preparadas pela gerência resultam das demonstrações financeiras anuais auditadas a que acima se faz referência. Em nossa opinião, as demonstrações financeiras resumidas são consistentes, em todos os aspectos materiais, com as demonstrações financeiras auditadas. Para a melhor compreensão da posição financeira de sucursal e dos resultados das suas operações, no período e âmbito abrangido pela nossa auditoria, as demonstrações financeiras resumidas devem ser lidas conjuntamente com as demonstrações financeiras das quais as mesmas resultam e com o respectivo relatório de auditoria.

Bao, King To Auditor de Contas Ernst & Young – Auditores Macau, 12 de Maio de 2017


7 hoje macau segunda-feira 29.5.2017

SOCIEDADE

TRABALHO HÁ MENOS RESIDENTES DESEMPREGADOS

E

NTRE Fevereiro e Abril deste ano, a taxa de desemprego foi de dois por cento, mantendo-se no mesmo nível do período anterior (Janeiro a Março de 2017). Já a taxa de desemprego dos residentes situou-se em 2,7 por cento, tendo descido 0,1

pontos percentuais. A taxa de subemprego foi de 0,5 por cento, o que significa que é idêntica na comparação estabelecida pelos Serviços de Estatística e Censos. Macau tinha uma população activa de 389.200 indivíduos e a taxa de activi-

Este mês teve dois picos de insalubridade anormais para esta altura do ano, em particular no que toca às concentrações de ozono e partículas. O sol e o vento fraco foram factores fundamentais para essa situação. O cenário normaliza hoje e ficará melhor amanhã com a previsão de chuva no território

H

Á dias em que o ar se torna irrespirável e não são necessariamente aqueles dias cinzentos, carregados. Na passada sexta-feira, Macau registava níveis de poluentes na atmosfera com momentos de insalubridade, algo que se voltou a registar ontem por causa do sol. De acordo com os dados disponibilizados na página dos Serviços de Meteorologia e Geofísica (SMG), às 16h de sexta-feira Macau registou valores das PM 2.5 de cerca de 45 microgramas por metro cúbico (zona de alta densidade populacional na Taipa). Este registo fica acima do limite recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que estabelece uma média diária de 25. Ontem, em Coloane e na zona de alta densidade populacional da Taipa estas partículas chegaram aos 50 microgramas por metro cúbico. O pico desta concentração ocorreu ao meio-dia. No que diz respeito aos níveis registados ontem de ozono na atmosfera, a Taipa e Coloane

dade era de 71,1 por cento. A população empregada fixou-se em 381.500 pessoas, sendo que deste total 280 mil eram residentes do território, equivalendo assim a mais duas mil e 1900 pessoas, respectivamente. Em termos de ramos de actividade económica,

verificou-se que o número de empregados tanto da construção, como dos hotéis, restaurantes e similares aumentou. Em sentido contrário esteve o número de empregados do comércio a retalho. A população desempregada era composta por 7700

indivíduos, menos 200 pessoas face ao período imediatamente anterior. O número de desempregados à procura do primeiro emprego representava 9,7 por cento do total da população sem trabalho. Já na comparação anual, a taxa de actividade decresceu

Ambiente MÊS COM DOIS PERÍODOS DE FRACA QUALIDADE DE AR

Maio, insalubre Maio estiveram no limite e quase chegaram às oito horas consecutivas com concentrações acima dos 120 microgramas por metro cúbico, valor nocivo à saúde pública de acordo com a OMS. A porta-voz da SMG declarou à Lusa que os quatro dias de má qualidade do ar não resultaram de nenhuma interferência externa, mas foram antes o reflexo da estabilidade das condições atmosféricas. “Quando não há um vento forte que transporte as partículas para fora de Macau, nem chuva, é normal

que a concentração de partículas se note mais. Não há vento e não há chuva, elas ficam suspensas na atmosfera”, explicou. Os momento mais críticos de qualidade do ar acontecem quando as pessoas saem do trabalho, por voltas das 18h e quando se estão a deslocar para o trabalho pela manhã.

VENHA A CHUVA

“Sempre que há mais sol pode-se notar uma pioria na qualidade do ar, por causa de uma reacção fo-

toquímica”, indicou Vera Varela à Lusa, acrescentando que na terça-feira, com a chegada da chuva, as condições devem melhorar. “Determinados óxidos que estão na atmosfera reagem com o sol, fazendo com que haja uma produção maior de ozono”, explica Ágata Dias, investigadora do Instituto de Ciências e Ambiente da Universidade de São José. Esta reacção ocorre quando as moléculas existentes na atmosfera interagem com os fotões que emanam do sol.

1,1 pontos percentuais no período em análise, enquanto a taxa de desemprego subiu 0,1 pontos percentuais. A taxa de subemprego manteve-se no mesmo nível.

No entanto, nesta altura do ano não é habitual registarem-se estes níveis de qualidade do ar. “Maio não costuma ser assim mas, às vezes, há picos dependendo da velocidade do vento e das condições atmosféricas”, esclarece a académica. Ágata Dias acrescenta ainda que, normalmente, neste mês “começa a haver uma melhoria até Julho”, voltando, gradualmente a piorar nos meses seguintes.

“Maio não costuma ser assim mas, às vezes, há picos, dependendo da velocidade do vento e das condições atmosféricas.” ÁGATA DIAS ACADÉMICA Esta situação de qualidade do ar de insalubre a má não é constante, mas manifesta-se através de picos esporádicos que merecem atenção. “Há dois ou três dias em que a qualidade do ar fica pior, mas depois volta a ficar óptimo, sendo que a qualidade do ar é razoavelmente boa nos restantes períodos”, explica Ágata Dias. Porém, hoje é expectável que a concentração de poluição na atmosfera melhore para “normal a moderada”, de acordo com Vera Varela da SMG. A porta-voz dos serviços acrescenta que a previsão meteorológica para amanhã aponta para a chegada da chuva, o que “melhorará o nível de qualidade do ar”. Os serviços meteorológicos aconselham a população a consultar os dados relativos à concentração de poluentes em tempo real antes de realizarem actividade desportivas ao ar livre. Também devem fechar as janelas nestes dias de pior qualidade do ar, em especial pessoas que tenham problemas de saúde. É de salientar que esta situação já se havia registado no dia 10 de Maio. João Luz com Agência Lusa info@hojemacau.com.mo


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Celeste Vong Yim Mui, presidente do Instituto de Acção Social, garante que não houve um aumento de casos de violência doméstica, sendo que os novos dados só serão conhecidos em Setembro. Nos primeiros três meses deste ano houve 29 casos

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ARECE haver uma estabilidade no que ao número de casos de violência doméstica diz respeito.Agarantia foi dada pela presidente do Instituto de Acção Social (IAS), Celeste Vong Yim Mui. Segundo o Jornal do Cidadão, a presidente referiu que o número de casos não registou um grande aumento nos últimos meses em relação a igual período do ano passado. Entre Outubro e Dezembro do ano passado foram registados pelas autoridades 31 casos de violência doméstica, sendo que nos primeiros três meses deste ano houve 29 casos. As vítimas do sexo masculino continuam em minoria. Celeste Vong Yim Mui prevê que os novos dados sejam tornados públicos em Setembro deste ano, o que poderá dar uma melhor percepção das origens da violência nos diversos casos, para que os serviços de acompanhamento possam ser melhorados, afirmou.

TRÊS CRECHES SEM LICENÇA

Em declarações ao mesmo jornal de língua chinesa, Celeste Vong Yim Mui disse que o IAS detectou, até ao momento, três creches a funcionar sem licença para abrir portas. A presidente explicou que os centros de explicações não podem receber, depois das aulas, mais de quatro crianças com menos de quatro anos. Caso o número seja superior, o local é considerado uma creche pelas autoridades, sendo necessária uma licença especial para abrir portas.

SOCIEDADE

Violência doméstica DADOS MANTÊM-SE ESTÁVEIS, AFIRMA IAS

Novidades em Setembro

• Entre Outubro e Dezembro do ano passado foram registados pelas autoridades 31 casos de violência doméstica, sendo que nos primeiros três meses deste ano houve 29 casos. As vítimas do sexo masculino continuam em minoria

São mais e com mais gente Indústria das exposições e convenções a crescer

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NTRE reuniões, conferências, exposições e eventos de incentivo, nos primeiros três meses deste ano realizaram-se 366 eventos em Macau, o que significa um aumento significativo em relação ao mesmo período do ano anterior. De acordo com a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), entre Janeiro e Março, esta indústria envolveu 220 mil participantes e visitantes. Os dados oficiais indicam que se realizaram 344 reuniões e conferências, sete exposições e 15 eventos de incentivo. Houve mais 50 reuniões e conferências, com um maior número de pessoas envolvidas – ao todo, 54 mil, o que representa uma subida de 112 por cento.

A DSEC sublinha que aumentaram os eventos de grande dimensão (com mais de 200 pessoas). A duração média do total de reuniões e conferências foi de 1,7 dias (+0,3 dias). Quanto às sete exposições do primeiro trimestre, foram todas organizadas por entidades não governamentais. Em relação ao primeiro trimestre do ano passado, quase duplicaram e o número de visitantes (163 mil) cresceu 49 por cento. A duração média foi de três dias e a área utilizada total fixou-se em 14 mil metros quadrados. Segundo as informações recolhidas junto das entidades organizadoras das exposições, as receitas cifraram-se em 5,5 milhões de patacas,

A responsável garantiu que todas as queixas sobre creches a funcionar sem licença vão ser tratadas de forma imediata, e que actualmente a fiscalização funciona. Celeste Vong Yim Mui acrescentou ainda que a situação das vagas nas creches melhorou, tendo dito ainda que os pais não precisam de ficar preocupados. Só no próximo mês é que ficará esclarecido o número de vagas e de crianças que necessitam de um lugar, uma vez que o IAS ainda está a olhar para as inscrições repetidas. A presidente acredita que é possível que ainda haja vagas disponíveis depois desta contagem. HM

das quais 78,9 por cento eram provenientes de rendas das cabinas e 21,1 por cento de subsídios concedidos pelo Governo ou por outras instituições. As despesas totalizaram 5,6 milhões de patacas. Nas exposições realizadas no primeiro trimestre estiveram 267 expositores, dos quais 74,9 por cento eram provenientes de Macau. Os certames contaram com 5833 visitantes profissionais, 66,7 por cento também do território.

SATISFAÇÃO EM QUEDA

Pelas entrevistas feitas aos expositores entrevistados, o grau de satisfação com as instalações e os serviços prestados nos eventos diminuiu em relação ao quarto trimestre de 2016. Refira-se ainda que uma proporção relativamente baixa de expositores estava satisfeita com a publicidade e promoção das exposições (42,8 por cento), tendo-se verificado uma queda de 13,9 pontos percentuais face ao trimestre anterior. Mais de 18,2 por cento dos expositores consideraram que o serviço deve ser melhorado. Quanto às instalações para exposições, 55 por cento dos entrevistados ficaram agradados com aquilo que encontraram, o que equivale a uma descida de 14,9 pontos percentuais. No que toca à proporção dos expositores que se mostraram satisfeitos com o “profissionalismo” dos trabalhadores das exposições (63,9 por cento), diminuiu ainda mais, ao cair 16,6 pontos percentuais. Já no que se refere à utilização dos serviços prestados pelas empresas locais, a proporção dos expositores entrevistados que estavam satisfeitos com a capacidade de organização (66,4 por cento) desceu 2,1 pontos percentuais.


10 CHINA

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MONGÓLIA EXECUTADO EX-CHEFE REGIONAL DA POLÍCIA

AIRBUS CONSTRÓI FÁBRICA DE MONTAGEM DE HELICÓPTEROS

A

S autoridades chinesas executaram sexta-feira o antigo chefe da polícia na região autónoma da Mongólia Interior, condenado à morte por assassínio, coacção, suborno e posse de armas de fogo e material explosivo, informou a imprensa estatal. Zhang Liping, de 64 anos, matou a tiro a amante, de 28, identificada pelas autoridades apenas como Li, e depois queimou o corpo. Foi detido em Março de 2015 e expulso do Partido Comunista Chinês (PCC) quatro meses depois. Zhao foi responsável pela polícia na Mongólia Interior, província no extremo norte da China, ao longo de sete anos, até se ter reformado, em 2012. Foi também vice-chefe do órgão de consulta do governo local. O homem foi ainda acusado de adultério, que embora não seja um crime punido pelo código penal chinês, é considerado “uma violação da moral socialista” e “um comportamento inaceitável” para os membros do partido. Tinha propriedades no valor de dois milhões de yuan, que foram obtidas ilegalmente e, entretanto, confiscadas. O tribunal não especificou a causa do homicídio, mas os jornais chineses noticiaram que Li terá ameaçado expor os crimes de corrupção de Zhang. O envolvimento de vários dirigentes do PCC em casos de corrupção foi denunciado, nos últimos anos, por ex-amantes. Liu Tienan, um antigo responsável pelo planeamento económico da China, foi condenado a prisão perpétua por aceitar subornos, depois de a amante ter entregado a um jornalista informações sobre negócios obscuros, graus académicos falsos e ameaças de morte.

PEQUIM REFORÇA CONTROLO NA FRONTEIRA COM A COREIA DO NORTE

Olhos bem abertos

A

responsável máxima pela diplomacia norte-americana no leste asiático considerou sexta-feira que a China tem reforçado a fiscalização ao longo da fronteira com a Coreia do Norte, visando cumprir com as sanções impostas pela ONU a Pyongyang. Num encontro com jornalistas em Pequim, Susan Thornton disse que a China está cada vez mais consciente da urgência de pressionar a Coreia do Norte no sentido de suspender os testes nucleares e de mísseis balísticos. Em Abril passado, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um renovado apelo ao homólogo chinês, Xi Jinping, para ajudar nesses esforços. Thornton afirmou que os EUA observaram uma “mudança de ênfase” na abordagem da China ao seu vizinho e aliado ideológico. Pequim “disse que intensificou o controlo nas fronteiras, reforçando o policiamento e as inspecções”, exemplificou. Sem avançar detalhes, a responsável norte-americana afirmou que Pequim também fez “uma série de outras coisas a empresas” que têm negócios com Pyongyang.

PEDIDOS E RESPOSTAS

Washington tem apelado a Pequim para que tome medidas contra firmas específicas e aguarda acções da China, disse. Pequim aprovou as sanções da ONU e adoptou a suspensão total das importações de carvão

oriundas da Coreia do Norte até ao final do ano. O principal aliado comercial e diplomático de Pyongyang continua a opor-se, no entanto, a que “qualquer país estrangeiro, incluindo os Estados Unidos, mudem o regime pela força”, disse à agência Lusa Wang Li, professor de Relações Internacionais na Universidade de Jilin, província chinesa situada junto à fronteira com a Coreia do Norte. Thornton afirmou ainda que os EUA, a China e outros países estão também a debater uma futura resolução para a Coreia do Norte, visando reduzir o tempo necessário

Thornton afirmou que os EUA observaram uma “mudança de ênfase” na abordagem da China ao seu vizinho e aliado ideológico. Pequim “disse que intensificou o controlo nas fronteiras, reforçando o policiamento e as inspecções”, exemplificou

para adoptar acções na sequência de outro teste nuclear ou com mísseis. “Estamos a estudar outra série de medidas, que seriam tomadas após outra provocação”, afirmou Thornton. Essas medidas podem incluir o reforço da pressão económica sobre a Coreia do Norte, apontando como alvo o comércio de bens, possivelmente têxteis, acrescentou. Enquanto a China tem repetidamente apelado ao diálogo directo entre Washington e Pyongyang, Thornton defende que Pequim percebe agora que é preciso colocar mais pressão antes que isso aconteça. A responsável revelou ainda que a China parece também ter reconhecido que as acções da Coreia do Norte estão a “prejudicar a própria segurança chinesa de forma fundamental”. No ano passado, Pyongyang realizou dois testes nucleares, um dos quais reclama ter sido uma bomba de hidrogénio. Imagens de satélite sugerem que pode estar preparada para realizar o seu sexto teste atómico a qualquer momento. Na segunda-feira, Pyongyang disse estar pronta para iniciar a produção em massa de um novo míssil de médio alcance, após ter realizado um teste no fim de semana que confirmou a sua capacidade para ser usado em combate. O objectivo do regime é produzir um míssil balístico intercontinental capaz de atingir o território dos Estados Unidos.

O grupo europeu Airbus deu sábado início às obras de uma fábrica de montagem de helicópteros na cidade chinesa de Qingdao, no leste do país, acordada no ano passado durante uma visita à China da chanceler alemã, Angela Merkel. A fábrica deve estar pronta em 2018 e iniciar a produção em 2019, sendo operada conjuntamente pela Airbus e a companhia local Qingdao United, estando prevista a construção de 18 aparelhos do modelo H135 por ano. No acordo firmado em 2016, a China Aviation Suplies (CAS), a Qingdao United e a CITIC Offshore Helicopter comprometeram-se a adquirir 100 helicópteros ligeiros H135 fabricados em Qingdao, num valor global na ordem dos 700 milhões de euros. O modelo H135 popularizou-se na China para usos como serviços médicos de emergência, segurança pública, combate aos incêndios e resgate. A China, que já é o maior mercado para os helicópteros da Airbus, vai precisar de 600 novos aparelhos ligeiros deste género nos próximos 20 anos.

BANCO AGRÍCOLA EMPRESTA 500 MILHÕES DE EUROS À VOLKSWAGEN

O Banco Agrícola da China (ABC), uma das principais entidades estatais do país, anunciou sexta-feira a concessão de um empréstimo de 500 milhões de euros à fabricante de automóveis alemã Volkswagen. Em comunicado, a empresa detalhou que o crédito, o primeiro concedido por aquele banco à fabricante alemã, terá como fiador as sucursais do ABC em Tianjin, no norte da China, Frankfurt, Dubai e no Reino Unido. Trata-se de um dos primeiros empréstimos feitos por entidades estatais chinesas a uma multinacional estrangeira e “melhorará a imagem dos bancos chineses”, lê-se na mesma nota. A China é o principal mercado do Grupo Volkswagen, que vendeu quatro milhões de veículos no país, em 2016. Com várias fábricas na China, onde opera associada às marcas locais FAW e SAIC, o fabricante alemão lançou uma nova ‘joint-venture’ [parceria], com outra marca chinesa, a JAC, para produção de veículos eléctricos no país.


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O

líder da Coreia do Norte supervisionou os testes de um novo sistema de defesa antiaéreo e ordenou a sua produção em massa para o implantar em todo o país asiático, informou ontem a agência de notícias norte-coreana KCNA. A agência, que não especificou a data do ensaio, disse que ao ver o “teste bem sucedido” organizado pela Academia Nacional da Ciência de Defesa, Kim Jong-un destacou a perfeição do sistema de orientação e elogiou o progresso “notável” na detecção e mapeamento de alvos, e a melhoria da precisão. O líder norte-coreano supervisionou em Abril de 2016 os testes de um sistema guiado antiaéreo. “O sistema, cuja capacidade operativa foi plenamente verificada, deve ser produzido em massa para ser implementado em todo o país, tais como em florestas, para assim destruir completamente PUB

Tudo sob controlo

Kim Jong-un supervisiona testes de novo sistema de defesa antiaéreo

“O sistema, cuja capacidade operativa foi plenamente verificada, deve ser produzido em massa para ser implementado em todo o país, tais como em florestas, para assim destruir completamente os sonhos selvagens do inimigo de dominar o ar.” KIM JONG-UN LÍDER DA COREIA DO NORTE os sonhos selvagens do inimigo de dominar o ar, potenciando a supremacia aérea e o poder das

armas”, disse Kim no recente teste. O líder norte-coreano estava acompanhado de

figuras importantes do regime como o considerado “número dois”, Hwang Pyong-lo, e o vice-chefe do Estado-Maior do Exército e director do Escritório Geral de Operações, Ri Yong-gil, segundo a KCNA . O novo ensaio da Coreia do Norte ocorre num momento de tensão na região perante os seus repetidos testes, que levaram também a uma escalada verbal com Washington, que chegou a insinuar que estuda possíveis ataques preventivos. No sábado Pyongyang acusou a Coreia do Sul de violar o seu espaço aéreo com um aparelho não tripulado, um incidente que qualificou como uma “grave provocação militar”, segundo a agência de notícias norte-coreana KCNA.

REGIÃO

FILIPINAS PELO MENOS 19 CIVIS MORTOS EM CONFRONTOS

O

S islamitas inspirados pelo grupo Estado Islâmico (EI) que combatem as forças de segurança no sul das Filipinas mataram 19 civis, anunciou ontem o Exército filipino. Com este incidente, o número de mortos resultante dos confrontos subiu para cerca de 85 numa semana, adiantou o Exército filipino. Estes confrontos levaram o Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, a decretar na terça-feira a lei marcial em Mindanao, a segunda maior ilha do arquipélago. As autoridades anunciaram que os activistas islamitas tinham matado 19 civis em Marawi, cidade de maioria muçulmana com 200 mil habitantes, no noroeste de Mindanao. Os mortos incluem três mulheres e uma criança, cujos corpos foram encontrados numa universidade. “São civis, mulheres. Estes terroristas são contra o povo. Descobrimos os corpos quando fazíamos uma operação de pesquisa” no sábado, referiu

Jo-ar Herrera, porta-voz regional do Exército. Os combates de Marawi tiveram início depois de um ‘raid’ das forças de segurança contra um alegado esconderijo de Isnilon Hapilon, considerado o chefe do EI nas Filipinas. Os Estados Unidos ofereceram uma recompensa de cinco milhões de dólares pela cabeça de Isnilon Hapilon, que também é líder do Abou Sayyaf, grupo islamita especializado em assaltos. Além dos 19 civis, 13 militares, dois polícias e 51 activistas islamitas morreram nos confrontos, durante os quais o Exército efectuou bombardeamentos em zonas residenciais. A maior parte dos habitantes da cidade fugiu. Duterte e os chefes do Exército afirmaram que a maioria dos combatentes islamitas pertence ao grupo Maute, que jurou fidelidade ao EI. Mas o Presidente filipino também acusou suspeitos locais de apoiarem o grupo Maute em Marawi.


12 ENTREVISTA

SÍLVIA PATRÍCIO

“Prefiro ir buscar as i

Está em Macau à procura de referências para o seu novo projecto. Sílvia Patrício criou as imagens oficiais da canonização de Jacinta e Francisco. A artista plástica falou ao HM do seu percurso, da sua independência e do que espera levar do território Como é que começou a carreira na pintura? Gostava de desenhar e fui estudar Artes Plásticas para as Caldas da Rainha. Naquela altura pensei no curso como uma forma de dar aulas de uma matéria de que gostava. De certa forma, era uma segurança. Quando terminei o curso já tinha uma loja de objectos produzidos por mim. Mas só comecei a pintar quando terminei o curso. A escola era mais virada para a produção de, por exemplo, instalações. Aliás, na altura até optei pela área da escultura, não tanto por ser das minhas favoritas, mas sim porque era uma oportunidade de ter acesso a máquinas de explorar técnicas que, de outra forma, seria mais difícil. Deu aulas numa fase inicial da carreira. Acha que é possível ensinar aquilo a que se chama ‘talento’? Sim. Acho que qualquer arte é primordial e deve ser ensinada desde muito cedo. Independentemente da forma de arte, é uma forma de desenvolver a criatividade. Há uma grande lacuna neste campo que se manifesta na desvalorização de um ensino real das artes desde criança. Infelizmente, as pessoas são educadas com a frase “não tem jeito para o desenho, não pode seguir uma carreira artística”. Mas, para mim, qualquer pessoa, desde que seja acompanhada, pode criar. Apesar de gostar de ter dado aulas, o que realmente gostava era de desenhar e de pintar. Acabei por

deixar tudo, a loja e as aulas, e dedicar-me completamente à pintura. Foi quando produziu as obras que integraram o projecto “Essa Paixão Proibida”, inspirado em “O Crime do Padre Amaro”? Sim. O projecto ainda foi realizado a fazer outras coisas, mas com a sua venda percebi que a pintura podia ser sustentável. Como é que apareceu a ideia de pegar neste romance de Eça de Queirós? Estava a ler o livro e, como vivo em Leiria, ao passear pelas ruas, fui descobrindo que muitos dos edifícios por onde passava serviram de cenário ao romance. Fui-me vendo nos próprios espaços. Acabei por pedir autorização para visitar e fotografar. “Essa Paixão Proibida” passa pelo lado físico, que existe e que tem estes elementos reais do contexto do livro, e por um lado fantasioso em que está a minha visão do que leio e em que dou uma cara a personagens que existem de forma apenas escrita. Como é recriar um romance nas telas? Estamos a falar de um escritor que também é muito descritivo. Funcionou como uma ajuda, de alguma forma? Ajudou muito. É claro que temos de criar sobre o que lemos mas, por exemplo, um rosto se for descrito como sendo redondo, tendo lábios finos, etc., tento seguir esses traços. Mas usa modelos reais? Sim. Vou à procura de pessoas que façam parte da minha vida e que, de alguma forma, correspondam aos traços que idealizo. Também procuro pessoas desconhecidas, mas tento sempre ir ter com as que conheço porque gosto de as incluir no meu trabalho. Acho que é um processo interessante. A instalação é agora o formato que caracteriza grande parte do que faz. Porquê? Na altura de “Essa Paixão Proibida” fiz um quadro referente à tecedeira de anjos. Chamava-se assim à mulher

“Nunca tinha imaginado um prédio com as varandas todas diferentes. Isto faz-me pensar que aqui as pessoas têm um universo único.”

que fazia desaparecer as crianças indesejadas. A personagem está a tecer num tear e do tapete saem crianças com asas. Acompanhei a tela com esculturas em que esses “anjos” são uma espécie de continuação tridimensional da própria pintura. Ao projecto juntei um trabalho de sonoplastia feito pelo António Cova. O público tinha desta forma um meio para ouvir um outro trabalho que continha os trechos que inspiraram cada tela. Acabei por conseguir ter algum sucesso e dar-me a conhecer. A colecção foi vendida na totalidade a um coleccionador privado, o que me permitiu continuar a trabalhar apenas na área da pintura e artes plásticas. Depois, acabei por perceber que a junção de vários meios e a sua conjugação completa os próprios trabalhos. Dá-lhes outras vidas.

SOFIA MARGARIDA MOTA

ARTISTA PLÁSTICA

“O que tenho sentido é que, sem estar a generalizar, muitas galerias vêm o artista como uma espécie de operário.” É a autora das imagens oficiais da canonização dos pastorinhos que foram vistas no mundo inteiro. Como é que este trabalho apareceu e como está a ser encarado? O convite surgiu na sequência de outro convite. O Museu de Leiria tinha-me convidado para fazer um quadro para a sua colecção e, numa das reuniões, conheci o director do Santuário, Marco Daniel. Ele teve acesso ao meu trabalho, mostrou-se interessado e disse que gostaria de ver como seriam os pastorinhos através do meu olhar. Tratava-se de um trabalho iconográfico e o que fiz foi tentar dar vida àqueles seres que conhecia apenas de fotografias. O meu objectivo não era só chegar a um retrato dos pastorinhos, era conseguir captar o que eles tinham por dentro. Queria também que quem os visse sentisse que as obras eram mais do que um retrato. Os rostos são carregados, são de vidas que não foram fáceis. Juntei depois alguns símbolos que me foram pedidos e para o efeito criei uma auréola. Fazia sentido tratando-se de uma canonização. Acabou por ser uma forma de me dar a conhecer a uma população mais vasta, visto as imagens terem corrido o mundo.

Não trabalha normalmente com galerias e muitas vezes são elas que projectam os artistas. Foi uma opção em que insiste. Porquê? Acho que é importante termos liberdade. É fundamental poder escolher os temas em que vou trabalhar. O que tenho sentido é que, sem estar a generalizar, muitas galerias vêm o artista como uma espécie de operário. Se antigamente as galerias podiam ter

uma paixão pelos trabalhos ou pelos artistas que escolhiam e davam uma ajuda, sinto que na actualidade uma obra é um mero objecto comercial que valoriza e desvaloriza conforme, muitas vezes, a corrente do momento. Posso vender menos e não ser tão conhecida mas, até agora, esta independência foi a situação que me pareceu melhor para o que quero fazer. Não consigo ter o mesmo acesso


13 hoje macau segunda-feira 29.5.2017

imagens às palavras”

ENTREVISTA

Macau é um sítio muito particular. Ainda é cedo para falar porque estou cá há pouco tempo. Uma coisa que pode ser banal, mas que me impressionou: se olharmos para os edifícios, cada varanda tem a sua decoração. São todas diferentes. A estrutura é a mesma, mas umas são de vidro, outras de pedra, outras de metal e madeira. Nunca tinha imaginado um prédio com as varandas todas diferentes. Isto faz-me pensar que aqui as pessoas têm um universo único que se transmite, por exemplo, nestas coisas. Sinto também que anda tudo a olhar muito para dentro de si e quando olham para fora é para o telemóvel. Entretanto, espero levar daqui elementos para um projecto futuro em que pretendo juntar os mundos que conheço. Neste momento estou a pesquisar, a absorver, por exemplo, padrões e estruturas. Gostava que o resultado do que ando a ver e sentir pudesse cá vir em forma de projecto. Sem cair no lugar-comum, gostava de desenvolver uma ligação entre Portugal e China no geral.

“‘Essa ‘Paixão Proibida’ passa pelo lado físico, que existe e que tem estes elementos reais do contexto do livro, e por um lado fantasioso em que está a minha visão do que leio e em que dou uma cara a personagens que existem de forma apenas escrita.”

e projecção que um artista de uma galeria. Em termos de projectos, os meus também são muito morosos. Antes deste projecto ligado à religião, produziu “Humanário”, em que também pegou na Bíblia. Alguma razão em particular? Já tinha pensado em fazer um projecto baseado nesse livro. Não o escolhi por motivos religiosos, mas por ser

um livro, acima de tudo, sobre os Homens. Comecei a trabalhar e, na mesma altura, a minha mãe adoeceu subitamente e acabou por morrer. Pus em causa se deveria continuar com o projecto. Acabei por continuar e o próprio trabalho talvez tenha acabado por mudar um pouco. Quando se sabe que alguém vai desaparecer da nossa vida, penso que, mesmo inconscientemente, tentamos criar

uma ponte com a parte que vai embora e que não se vê. Vai buscar inspiração aos livros, acabámos de falar de dois. Porquê? Apesar de gostar muito de cinema, por exemplo, prefiro sempre ir buscar as minhas imagens às palavras. Os filmes acabam por condicionar o nosso imaginário, já nos dão uma imagem. É muito mais complicado

estar a criar uma coisa visível sobre outra também visível. É muito interessante agarrar nas palavras e delas ir para outra coisa, para uma coisa física, seja uma pintura ou um objecto. É a primeira vez na Ásia e está cá também para preparar novos trabalhos. Como está a correr este encontro?

O seu trabalho já foi várias vezes comparado com o de Paula Rego. Já ouvi isso muitas vezes. De certa forma entendo o paralelismo. Trabalhamos um pouco acerca dos mesmos universos em que existe a pessoa associada a elementos fantasiosos. Por outro lado, a dimensão também é idêntica, é em escala real. A Paula Rego também trabalhou “O Crime do Padre Amaro”, mas de uma forma muito diferente. Ela debruçou-se sobre a temática do aborto e eu fui pelo lado da paixão proibida. De alguma forma, até foi uma honra ter tido essa comparação. No entanto, actualmente penso que, quem conhecer o meu trabalho, já não fará essa afirmação. A mudança tem sido natural e inconsciente. Aos poucos vou entrando noutros universos e vou descobrindo outras coisas. Sofia Margarida Mota

sofiamota.hojemacau@gmail.com


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h ZHANG

Paulo Maia e Carmo tradução e ilustração

ARTES, LETRAS E IDEIAS

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YANYUAN «Lidai Ming Hua Ji»

Relação das Pinturas Notáveis Através da História Existia um pintor dotado de mãos hábeis que certa vez terá dito: «Sou capaz de pintar a vida das nuvens.» Na minha opinião os antigos não alcançaram o grau de maravilhoso nas suas pinturas de nuvens. Se humedecermos a seda e a seguir espalharmos um pó leve sobre ela (o que faremos soprando) isto chama-se «soprar as nuvens». O que produzirá um efeito muito natural e pode ser considerado maravilhoso, mas se bem que a solução seja engenhosa, uma vez que não é visível qualquer trabalho do pincel, isto não merece ser considerado uma pintura. O método da «tinta esparramada, ou salpicada» (po mo) que também é usado pelos pintores de paisagens não pode igualmente ser considerado um método de pintura1. Não vale a pena imitá-lo. 1 - Nesta afirmação fica clara a primazia do pincel, o que não será mais disputado. Daqui vem o sublinhado constante dos teóricos que tendem a ver no pincel e não na tinta o veículo de transmissão do «ritmo espiritual» que é a verdadeira essência da pintura. Fan Ji (activo na primeira metade do séc. XIX) escreveu: «As regras do uso da tinta residem nas regras do uso do pincel: assim que o pincel trabalhar com uma destreza desembaraçada, a tinta chegará naturalmente à sua plenitude.» (Citado na antologia Hualun Congkan, de Yu Anlan, p. 483, editada em Pequim pela primeira vez em 1937, traduzido para francês por Ryckmans, op. cit. p.60) O método da «tinta salpicada», que seria a partir daqui sempre desvalorizado, era uma maneira espontânea de espalhar a tinta. Mas o objectivo de obtenção de um «atalho» (xi jing), uma elipse ou uma estética do fragmento, permaneceria. A sua

paternidade é tradicionalmente atribuída a Wang Wei, (699-759) e será o ideal da arte da execução com o pincel, uma forma de expressão que visa obter muito com meios escassos, e que tradicionalmente encontra a sua correspondência filosófica nos ensinamentos do Sexto Patriarca Huineng (637-713), figura notável no desenvolvimento do Budismo Chan, com a sua insistência na compreensão intuitiva e realização espontânea do relâmpago inspirador. (ver Osvald Sirén, op. cit. p. 134) Teóricos posteriores, nomeadamente Dong Qichang (1555-1636), viriam a encontrar aqui a raiz da formulação do conceito de wenrenhua, a «pintura dos homens de cultura». Já no século dezoito, Shitao por exemplo, no capítulo XI, Procedimentos, do seu tratado, refere como o quinto procedimento: «em todo o lado nem uma pincelada que não seja abruptamente interrompida.»

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20 (F)UTILIDADES TEMPO

MUITO

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O QUE FAZER ESTA SEMANA Quarta-feira

EXPOSIÇÃO “DESTROÇOS”, DE VHILS Oficinas Navais | 18h30

Sexta-feira

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NUBLADO

MIN

24

MAX

30

HUM

65-90%

•

EURO

8.97

BAHT

EXPOSIÇÃO “FOLLOWING THE CHANGES IN HENGQIN 2011-2014-2017” Armazém do Boi | Até 16/7 ESPECTÁCULO “NO PRECIPÍCIO ERA O VERBO”, DE ABYSMO Teatro D.Pedro V | 20h00

Diariamente

O CARTOON STEPH

SUDOKU

DE

EXPOSIÇÃO | “TENTATIVE NOTEBOOK - WORKS BY RUI RASQUINHO” Art for All Society, Jardim das Artes | Até 14/06

LUSA

EXPOSIÇÃO “AMOR POR MACAU” DE LEE KUNG KIM Museu de Arte de Macau | Até 9/7

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 45

PROBLEMA 46

UM FILME HOJE

Cineteatro

C I N E M A

1.16

INTERIORIDADE

Domingo

EXPOSIÇÃO DE DANIEL VICENTE FLORES Albergue SCM | Até 4/6

YUAN

AQUI HÁ GATO

CONCERTO DE JOÃO CAETANO Centro Cultural de Macau | 20h00

FAM – EXPOSIÇÃO “A ARTE DE ZHANG DAQIAN” Museu de Arte de Macau | Até 5/8

0.23

O Porto Interior é uma das minhas zonas preferidas de Macau. Tenho ratos para perseguir, restos de peixes em abundância, nichos onde me esconder e adormecer em emboscadas de sonho. O chão é sujo, encardido pelos escapes e a vida portuária, pisado por gerações de pescadores, stilettos de prostitutas, piratas, homens do mar e criaturas mitológicas. Aquele chão acumula camadas de fósseis de espinhas e tripas de peixe, refugo de uma vida que estraga as mãos, que as envelhece ao mesmo tempo que enrijece. Uma vida que causa rugas, espondilose, cirrose e saudade de um outro porto mais claro. Aquele braço de água separa a outra China de Macau, remete-a para uma proximidade de Golias da margem contrária, deixa-a ao alcance de um suspiro. O Porto Interior é onde se alojam as vísceras da cidade, onde está acumulada a sua histórica bílis, onde pulsa a vida intestinal. Pela rua paralela que se esconde ao lado da Almirante Sérgio, Patane acima, moram fantasmas da velha Macau. Fico a imaginar os gatos, meus antepassados, que coabitavam com piratas que ali aportavam para se encherem de vinho e volúpias várias da carne e do fumo. Dos negócios que se fazem aos berros, com a gutural mercantilização do passado a encher os becos. Cheira a passado no Porto Interior, cheira a vidas de luta, a morte e vísceras do avesso no porão emocional da cidade. Pu Yi

ALIEN: COVENANT | RIDLEY SCOTT

Até onde se pode matar um franchise de sci-fi? “Alien: Covenant” é um bom filme, competente, que levanta questões póstumas na ressaca do visionamento. A velha questão da extensão de humanidade em andróides que Ridley Scott propôs em “Blade Runner” volta nesta reencarnação de Alien. Michael Fassbender interpreta dois andróides com graus diferentes de “humanidade”. Scott centra a narrativa em torno do conceito de criação e leva “Alien: Covenant” para um patamar diferente do restos dos filmes da saga. Sabe mais a uma sequela de “Prometheus”, do que a um filme na linha dos protagonizados por Sigourney Weaver. Um filme que tenta demais e acaba por fugir ao conceito simples que fundou o culto de Alien. João Luz

ALIEN: COVENANT SALA 1

ALIEN: COVENANT [C] Fime de: Ridley Scott Com: Michael Fassbender, Katherine Waterston 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

SALA 3

BAYWATCH [C] Fime de: Seth Gordon Com: Dwayne Johnson, Zac Efron, Alexandra Daddario 14.30, 16.45, 21.30

SALA 2

GET OUT [C]

THE CIRCLE [B]

Fime de: Jordan Peele Com: Daniel Kaluuya, Allison Williams, Bradley Whitford 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

Fime de: James Ponsoldt Com: Tom Hanks, Emma Watson, John Boyega 19.30

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Isabel Castro; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Sofia Margarida Mota Colaboradores António Cabrita; Anabela Canas; Amélia Vieira; António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; João Maria Pegado; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Fernando Eloy; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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dissonâncias ruiflores.hojemacau@gmail.com

Trump e a tentação autoritária

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S primeiros tempos de Donald Trump na presidência dos Estados Unidos da América (EUA) têm levado diferentes autores a analisar os efeitos para a democracia das decisões e do estilo do novo presidente republicano. O périplo pelo Médio Oriente e pela Europa que Trump acaba de concluir poderia constituir um capítulo aparte nessa análise, tal foi a panóplia de gestos e mensagens que merecem reflexão e que nos mostram um homem profundamente focado nele próprio, condicionado pela sua limitada capacidade de compreender os outros e talvez ainda maior incapacidade de contribuir para soluções não conflituosas. Antes desta viagem, três académicos norte-americanos, Robert Mickey, Steven Levitsky and Lucan Ahmad Way, perguntavam provocadoramente na Foreign Affairs se os Estados Unidos ainda eram um local seguro para a democracia. Segundo eles, o mundo, mas particularmente os EUA, anda a assistir ao desenvolvimento de um “autoritarismo competitivo”, um sistema no qual as instituições democráticas existem, mas não conseguem funcionar na sua plenitude, pois o governo abusa do seu poder para enfraquecer os seus opositores, com consequências muito negativas quer do ponto de vista político quer em termos de desigualdade social. Este sistema autoritário é caracterizado por um número de traços que lembram práticas antigas de alguns líderes africanos, atentatórias do Estado de Direito, que foram sempre alvo da mais veemente condenação pelas organizações internacionais. Um dos primeiros enfraquecimentos da democracia passa pela politização dos órgãos do Estados com o objectivo de atacar a oposição. Pôr-se, por exemplo, os órgãos de justiça a investigar elementos da oposição. Mas todos, quer a procuradoria, quer a polícia criminal, quer os serviços secretos. O controlo da administração pública é feito pela nomeação para lugares de chefia de pessoas próximas do partido no poder. (É pratica comum nalguns países – e aqui os Estados Unidos não são uma excepção – a mudança de cadeiras nas estruturas intermédias e superiores da função pública em sequência de um eleição. No contexto português há uma expressão, importada curiosamente do inglês, que resume esse belo momento pós-eleitoral: Jobs for the boys.) No caso dos Estados Unidos, o controlo que o Congresso faz dos diferentes departamentos do governo chega ao ponto de poder cortar salários. A Câmara de Representantes, maioritariamente republicana, repristinou em Janeiro uma norma de 1876, a Holman Rule, que permite ao Congresso reduzir o salário de

LARRY CHARLES, THE DICTATOR

RUI FLORES

qualquer funcionário da administração para 1 dólar norte-americano. Caso o funcionário não queira seguir a linha, imagina-se que recta, a demissão talvez seja a melhor solução… Procura-se neutralizar a sociedade civil, através, por exemplo, de cortes de financiamento ou de subsídios (consoante o grau de alinhamento das organizações). É o que acontece, entre outros, com a comunicação social, os líderes religiosos ou grandes grupos empresariais. Há os favoritos. A comunicação social independente como que se torna numa ameaça à segurança do país

A Câmara de Representantes, maioritariamente republicana, repristinou em Janeiro uma norma de 1876, a Holman Rule, que permite ao Congresso reduzir o salário de qualquer funcionário da administração para 1 USD

(veja-se o tratamento especial que Donald Trump tem dado ao Washington Post ou ao New York Times). A polarização na comunicação social leva à existência de trincheiras, e o leitor médio é quem perde, pois deixa de acreditar no que lê. Mas as práticas identificadas por estes autores não se aplicam apenas ao que se está a passar nos EUA. O que se escreveu nos parágrafos anteriores poderia ser um retrato do que está a ocorrer nas Filipinas. Ou na Turquia (país a que o cientista político portuguêsAntónio Costa Pinto se refere como um caso de autoritarismo de partido dominante), cujas recentes alterações ao quadro jurídico-constitucional são outra das tácticas usadas pelos autocratas para se perpetuarem no poder. Prática que durante anos se repetiram em vários países no continente africano sem que a comunidade de democratas as conseguisse parar. É evidente que as instituições dos Estados Unidos têm uma capacidade de resiliência muito grande. A nomeação de um procurador especial para analisar a relação de Trump com a Rússia é talvez o melhor exemplo. Mas a ameaça, tendo em conta a prática a que se assiste noutros países, é preocupante.

OPINIÃO


22 OPINIÃO

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“Traditional leadership in all its forms, even the most liberal and humanistic, has always had to delve deep into what is instinctual and emotive in the collective psyche to find the elements which will lend it force. Democracy, in its fundamental dimension, is a means of limiting the egotism and waywardness of those who exercise power by replacing them with others when their pretensions become intolerable.” The Mask of Command John Keegan

A

história é movida pela interacção entre a actividade humana e a circunstância, pelo que se dá um grande valor a esta união, particularmente nas matérias de guerra, paz, e de construção das nações. O historiador John Keegan fez a impressionante asserção de que a história de grande parte do século XX, foi um conto da biografia de seis homens, Lenin, Stalin, Hitler, Churchill, Roosevelt e Mao. Onde quer que nos encontremos sobre a questão do papel do indivíduo na história, o seu impacto deve ser incorporado nesta equação, particularmente, quando se trata de explicar os sinais de mudança na história de uma nação. É que actualmente somos empanturrados com líderes e lideranças como a solução, se não a panaceia, para quase tudo o que nos aflige. Admiramos o atrevido líder transformador, que procura mudanças fundamentais e valoriza menos o cauteloso que negoceia, triangula e se prepara para resultados menos dramáticos, e tendemos a esquecer também, que os grandes líderes quase sempre surgem em tempos de crise nacional, trauma e carência, um risco que corremos, se sentimos a necessidade pelo seu retorno. Ainda assim, como o Santo Graal, procuramos alguma fórmula mágica ou chave para tentar entender a explicação sobre a grande liderança, e devoramos vorazmente as lições dos percursos de quem consideramos líderes eficazes nos negócios, meios de comunicação, ou na política. Se digitarmos livros de liderança no motor de busca da “Amazon” obtemos oitenta e seis mil e quatrocentos e cinquenta e um resultados, e esse número cresce diariamente. Quer estudar sobre liderança, ou melhor ainda tornar-se um líder? Há certamente um programa até para os mais exigentes. A “International Leadership Association” faz uma lista de mais de mil e quinhentos programas académicos nessa área. Este foco nos líderes é compreensível, particularmente durante épocas de grande incerteza e ansiedade. É natural e até mesmo lógico procurar líderes, quando o nosso destino e futuro, parecem movidos por forças impessoais e imprevistas, além do nosso controlo. Os psicólogos e mitólogos dizem-nos que a necessidade de procurar o grande líder para

BBC TWO, THE HOLLOW CROWN

Deficit de lid

nos guiar ou até mesmo nos resgatar é um impulso antigo, mesmo primordial. Esta forte necessidade de forte liderança existe também na América, embora pareça estar em conflito com uma crença americana, que coloca um reconhecimento na auto-suficiência e independência. É suspeita pelo poder e autoridade e, expressa ambivalência sobre a ideia de líderes poderosos. A necessidade exagerada e extraviada de heróis e de liderança heróica, de facto, parece particularmente incongruente e até mesmo inapropriada em uma cultura política que celebra uma liderança eficaz, mesmo quando a constrange, e especialmente em um momento em que parece haver tão poucos líderes políticos predestinados a serem encontrados. Para complicar ainda mais as coisas, não entendemos como os líderes realmente lideram. Na verdade, temos uma visão muito idealizada, até mesmo cartoonista, desta matéria. Temos a noção de que os melhores líderes são aqueles que são eleitos, prometendo altos princípios, visões elevadas, ou grandes programas e, em seguida, impô-los através do seu poder pessoal e persuasão, e quando os líderes não podem desempenhar o papel do herói, atribuímos o seu fracasso à incapacidade de comunicar e articular uma narrativa tão poderosa e convincente, que os seus seguidores se reúnem e os que duvidam e se opõem, não têm escolha, senão cumprir ou realizar comícios para recobrar forças, e na linha de Shakespeare, que Jacqueline Kennedy amava, Glendower

vangloriava-se de Hotspur, em Henrique IV (acto 3), de que poderia “chamar espíritos do repouso profundo”. “Assim pode qualquer homem,” Hotspur respondeu, reflectindo a situação do líder na nossa era, acrescentando: “Mas virão quando os chamar?” A concepção de liderança “chamada e vinda” é mais apropriada para Hollywood e para uma visão idealizada da nossa história, do que para a vida real no mundo político. O estratega democrata Paul Begala, brincou com referência às acusações de que Barack Obama não conseguiu elaborar uma narrativa convincente, afirmando que não tinha problemas de comunicação, mas um iceberg de problemas. As palavras de um presidente são importantes, mas deve haver contexto para dar-lhes um verdadeiro significado e poder. Tal contexto é muitas vezes uma questão de circunstâncias incontroláveis. Os líderes não podem criar todo o contexto, se é crise, oportunidade, ou ambas. Karl Marx ao escrever no século XIX, observou que os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias auto-seleccionadas, mas sob circunstâncias existentes, dadas e transmitidas do passado. O líder aspiracional que adora concentrar-se no amanhã, o ontem é ironicamente pelo menos muito importante. Na maioria das vezes, os líderes eficazes intuem o que os tempos tornam possível e, em seguida, se são verdadeiramente habilidosos,

exploram e ampliam essa oportunidade para ajudar a moldar a política que os sustenta. Na verdade, hoje em dia aqueles que favorecem e se alinham com a multidão de Carlyle e a visão do “Grande Homem” da história têm um sério problema. Estamos no século XXI, setenta anos após os seis transformadores de Keegan, que tentaram conquistar ou salvar o mundo. Olhando ao redor, onde se encontram os grandes heróis, os líderes ousados e inovadores, aqueles que simplesmente reagem aos acontecimentos, mas também os moldam? Onde estão os gigantes de antigamente, os transformadores que mudaram o mundo e deixaram grandes legados? Muitos foram líderes muito maus que apareceram e desapareceram como Pol Pot, Idi Amin, Saddam Hussein, Muammar Qaddafi, Slobodan Miloševic, e alguns muito bons, como Charles de Gaulle, Konrad Adenauer, Anwar Sadat, Mikhail Gorbachev, Papa João Paulo II, e Nelson Mandela. Os líderes, com certeza, podem emergir dos lugares mais improváveis e nos momentos menos esperados e mais fortuitos. Pensemos apenas em Abraham Lincoln, Mahatma Gandhi e Martin Luther King Jr., e quem sabe que tipo de círculo longo da história dos líderes pode produzir o futuro? Apostar no futuro é, na melhor das hipóteses, um negócio incerto. Hoje as realidades não se apresentam tão brilhantes. Enfrentamos um deficit de liderança de proporções globais. Encontramo-nos no que


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OPINIÃO perspectivas

JORGE RODRIGUES SIMÃO

erança global

se poderia chamar de era de liderança pós-heróica. A ONU tem cento e noventa e três países membros, dos quais oitenta e oito são democracias livres e funcionais. Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, os chamados grandes poderes, Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, China e Rússia, não são liderados por grandes líderes transformadores, e nem outros países em ascensão como o Brasil, a Índia e a África do Sul possuem líderes com sinais fortes. O Brasil vive os piores momentos de governança da sua história. Vemos líderes que são hábeis em manter o poder e os seus cargos por muitos anos, como Vladimir Putin e Recep Tayyip Erdogan. Angela Merkel é uma líder poderosa e uma política habilidosa; o primeiro-ministro indiano Narendra Modi pode muito bem revelar-se um líder a ser escutado. Mas onde estão aqueles líderes que poderíamos descrever honestamente como potencialmente grandes, heróicos ou inspiradores? E quantos não são apenas grandes, mas bons, com humildade e elevados padrões morais e éticos, também? Quantos serão os autores de alguma realização incomparável, inigualável e enobrecedora no seu país ou no cenário mundial, uma conquista que provavelmente será vista ou lembrada como grande ou transformadora? Se fosse pressionado a identificar um líder potencialmente grande, seria impossível oferecer um chefe de Estado tradicional, mas sim uma figura religiosa - o Papa Francisco I, cuja grandeza, bem como a bondade, pode

muito bem ser definida pela ironia da sua anti-grandeza, comunhão e humildade. Os grandes eventos ou crises, actualmente, não parecem conduzir a uma liderança afável, mas justamente considerados recipientes para líderes emergentes, pois nem a rebelião nem a revolução parecem capazes de produzir líderes históricos, mais condicentes com essas circunstâncias históricas. A mais ampla transformação desde a queda da antiga União Soviética foi a chamada

Se fosse pressionado a identificar um líder potencialmente grande, seria impossível oferecer um chefe de Estado tradicional, mas sim uma figura religiosa - o Papa Francisco I, cuja grandeza, bem como a bondade, pode muito bem ser definida pela ironia da sua anti-grandeza, comunhão e humildade

Primavera Árabe, que ainda não conseguiu conceber um único líder político com o poder e capacidade de transição do autoritarismo para uma reforma democrática. Os que permanecem em um mundo árabe inseguro, em grande parte os reis, emires e xeques parecem muito ocupados a olhar o espelho retrovisor, para considerarem qualquer realidade como uma reforma voltada para o futuro, audaz ou transformadora, esquecendo as mudanças históricas. Os líderes têm o que é necessário para serem bons líderes transaccionais, ou seja, para gerir os problemas mais mundanos e os desafios que têm em mãos e ainda para proporcionar uma boa governança? Será possível explicar a ausência de grandes líderes no cenário mundial? Não existe nenhuma explicação simples ou única. A parcela da resposta seguramente repousa sobre o simples facto de que a grandeza, se for definida geralmente como uma realização incomparável do que é uma nação, ou mesmo que altera o mundo, é por definição rara, não apenas na política, mas em qualquer aspecto do empreendimento humano. É de entender que uma apreciação desta natureza também requer tempo, que é o último árbitro que dá valor à vida juntamente com a perspectiva de poder julgar o valor ou a qualidade de uma realização. Ao contrário da realização individual na arte, música, literatura ou mesmo nos desportos, a política tem muitas partes movediças e uma variedade muito ampla de factores, que estão além da capacidade de controlo de um político. Há uma terrível complexidade e contingência para a vida política, particularmente em democracias onde a política eleitoral, opinião pública, grupos de interesse e as burocracias conspiram para frustrar até mesmo os melhores planos estabelecidos. Se tal é verdade nos países, é duplamente real para os que procuram o sucesso da política externa no mundo cruel e imprevisível além fronteiras. Os líderes contemporâneos que aspiram a conquistas inigualáveis e sem precedentes, enfrentam o grave problema da incerteza que preside ao nosso tempo. As nações, tal como as pessoas, passam por provações necessárias, ameaças existenciais e crises no início das suas histórias. As nações e as políticas que sobrevivem provavelmente nunca passarão por essa forma de provação novamente, em grande parte, porque tinham os líderes certos no momento correcto, para guiá-las através desses desafios. À medida que as nações amadurecem, a necessidade e oportunidade da acção heróica para prevenir ou lidar com esses desafios existenciais diminui, juntamente com figuras e narrativas que definem o mito e a realidade necessárias a uma grande conquista. Talvez o mais significativo para explicar o deficit de liderança moderno, é o facto de que o mundo se tornou um lugar muito mais complexo para os que querem adquirir, manter e usar o poder de forma eficaz, mas muito menos para produzir mudanças históricas. Alguns argumentam que chegámos ao fim da liderança, outros ao fim do poder, ou pelo menos à sua decadência e dissolução.

O escritor e colunista venezuelano Moisés Naím editor chefe da revista “Foreign Policy” afirma que o poder defronta-se com mudanças rápidas que tornaram as pessoas, bens e ideias mais cinéticas, móveis e conectadas, ideias que têm desencadeado expectativas e aspirações muito mais difíceis de gerir e controlar. Tal é certamente o caso dos autocratas que, como uma verdadeira classe de líderes, entraram em tempos difíceis, pois em 1977, os ditadores controlavam oitenta e nove países no mundo, tenho diminuído para vinte e três em 2011 e restando doze em 2017. O Egipto e a Tunísia que tinham sido governados por dois líderes autoritários durante décadas, foram retirados do poder em poucos meses. Mesmo nas democracias, onde reside a metade da população mundial, a era da informação globalizada e orientada para a tecnologia tornou a governação muito mais desafiadora. A mídia 24/7 intrusiva que reconhece e não aceita fronteiras, confunde a celebridade com uma realização séria e dilui a distância, desapego, aura e a mística necessárias para uma grande liderança. A proximidade, como Ben Franklin opinou, produz desprezo e ingénuos. E para os políticos, demasiada exposição e familiaridade diminui a disposição do público de pensar no líder como ser especial ou grandioso. A cultura mediática actual abre uma verdadeira janela para observar e identificar as imperfeições e falhas dos líderes. Ao mesmo tempo, o nivelamento e a globalização do tradicional campo de disputa, têm conferido ao menor poder para competir e influenciar o maior. Até certo ponto, sempre foi assim na história. O poder de um único indivíduo para actuar sempre foi terrível. O assassinato doArquiduque Francisco Fernando por um anarquista sérvio colocou em movimento uma cadeia de eventos que levaram à guerra mundial. O assassinato do primeiro-ministro israelita Itzhak Rabin ajudou a matar o processo de paz de Oslo, e a mergulhar a relação israelo-palestiniana em uma crise de confiança, da qual ainda não se recuperou. Ainda assim, os actores menores, livres do que Naim descreve como “tamanho, escopo, história ou tradição entrincheirada”, desafiam cada vez mais os grandes de formas que poucos poderiam ter imaginado ser possível. Em 11 de Setembro, os ataques de dezanove terroristas da Al-Qaeda, prepararam o cenário para as duas guerras mais longas da história americana e uma reorientação fundamental da política de segurança nacional dos Estados Unidos. Em 2013, as revelações de um único contratado do governo dos Estados Unidos de um vasto trabalho de recolha de informações da “Agência de Segurança Nacional (NSA na sigla inglesa) ” no país e no exterior, desencadeou o maior debate em meio século, em como encontrar o equilíbrio certo entre segurança, privacidade e direitos individuais em uma sociedade democrática. Os modernos Gullivers, aspirantes e ambiciosos líderes são amarrados por um exército de constrangimentos e desafios que tornam eficaz governar de forma dura e frustrante.


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Finalmente ninguém à minha espera/O tempo é meu/Na luz da imensa praia/as lentes escuras dão-me uma sombra íntima de alcova” Beatriz Basto da Silva

PROVAS DE QUALIFICAÇÃO PARA O GP COMEÇARAM EM ZHUHAI

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Ministério da Defesa chinês confirmou ontem um incidente aéreo com caças chineses e um avião norte-americano perto de Hong Kong, e culpou os Estados Unidos (EUA), considerando que violaram a soberania chinesa e colocaram “vidas em perigo”. De acordo com o comunicado do ministério, o avião norte-americano foi descoberto na quinta-feira no sudeste de Hong Kong e “interceptado, de acordo com a lei”, por operações “seguras e profissionais” dos caças chineses. “Ultimamente, os EUA enviaram navios militares e aeronaves para o espaço aéreo e marítimo chinês, violando a nossa soberania territorial, além de representar uma ameaça para a vida dos povos dos dois países”, referiu a tutela nota oficial. Na sexta-feira, um funcionário do Pentágono disse à estação televisiva Fox News que os dois caças chineses, da classe J-10, chegaram a voar a menos de 200 metros da aeronave de vigilância, de modelo P-3, incorrendo num sério perigo de colisão. Este incidente aconteceu depois de, na quarta-feira, o contratorpedeiro “USS Dewey” ter navegado a menos de 20 quilómetros de uma das ilhas artificiais construídas por Pequim em águas disputadas com países vizinhos no mar do sul da China. Na quinta-feira, Pequim instou Washington a “corrigir a má conduta” no mar do sul da China, depois de o contratorpedeiro norte-americano ter navegado no território. O porta-voz do Ministério de Defesa chinês, Ren Guoqiang, revelou na altura que Pequim apresentou um protesto formal aos EUA e afirmou que a decisão norte-americana mina a “estabilidade” na região. Washington insiste em ter o direito de navegar naquelas águas que diz serem território internacional, mas Pequim reclama a quase totalidade do mar do sul da China, apesar dos protestos dos países vizinhos.

E tudo Macau levou...

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C ir cu ito Internacional de Zhuhai acolheu o primeiro Festival de Corridas de Macau, um evento organizado pela Associação Geral de Automóvel de Macau-China (AAMC), que tem, para além de contar para o Campeonato de Carros de Turismo de Macau (MTCS, na sigla inglesa), tem como finalidade apurar os pilotos para a Taça CTM de Carros de Turismo de Macau do 64º Grande Prémio de Macau do mês de Novembro. Este ano, ao contrário de anos anteriores, as provas de qualificação para o grande evento do mês de Novembro juntam os pilotos de território aos pilotos de Hong Kong e outras paragens. Neste primeiro evento, os pilotos de Macau dominaram os

acontecimentos, vencendo as quatro corridas realizadas no circuito permanente da cidade continental chinesa adjacente à RAEM.

DIAS E SOUZA E LIMITADA

A categoria “AAMC Challenge 1.6 Turbo” assistiu a dois triunfos de pilotos macaenses. Contrariando

Neste primeiro evento, os pilotos de Macau dominaram os acontecimentos, vencendo as quatro corridas realizadas

o favoritismo dos pilotos de Hong Kong, no sábado, Filipe Souza (Chevrolet Cruze) partiu da pole-position para primeira corrida, tendo ao seu lado Célio Alves Dias (Mini Cooper S), no entanto o campeão de Macau em título viria a abandonar, devido a um furo, abrindo as portas do triunfo a Alves Dias. O piloto macaense viu a bandeira de xadrez com uma margem superior a dois segundos sobre Samson Fung (Peugeot RCZ), o melhor representante da região vizinha, e Leong Chi Kin (Mini Cooper S). No domingo, Souza teve a sua vingança, partindo do primeiro posto, tendo por lá ficado durante as 12 voltas, superando o veterano Paul Poon (Peugeot RCZ) e Leong Chi Kin. Souza fez ainda a volta mais rápida.

GALEN CHAN

PEQUIM ACUSA EUA DE AMEAÇAR A SEGURANÇA

segunda-feira 29.5.2017

Jerónimo Badaraco (Chevrolet Cruze) foi 11º classificado na primeira corrida, mas desistiu na segunda. Já Rui Valente penou com problemas mecânicos no primeiro dia, ficando-se pelo modesto 20º lugar. No domingo, o piloto português finalizou no 14º lugar, terminando a segunda corrida do fim-de-semana à frente de Alves Dias, mas ficando com um sabor amargo de boca, porque problemas de travões impediram um resultado quase certo dentro dos dez primeiros.

VITÓRIAS REPARTIDAS

A categoria “AAMC Challenge 1950cc ou Acima” juntou mais de cinco dezenas de viaturas. Também aqui os pilotos da RAEM se superiorizaram à concorrência. Arrancando das duas primeiras posições, Leong Ian Veng (Mitsubishi Evo9) e Billy Lo (Mitsubishi Evo7) passearam na frente da corrida sem oposição. Ng Kin Veng (Mitsubishi Evo9) completou um pódio preenchido só por pilotos do território. Aproveitando o facto de Leong Ian Veng não ter completado uma só volta, a segunda corrida foi ganha por Lo, seguido por Simon Yan (Mitsubishi Evo9) e Ng Kin Veng. O oitavo posto conquistado por Luciano Castilho Lameiras (Mitsubishi Evo9) foi o melhor resultado dos pilotos de matriz portuguesa, ele que na corrida de sábado tinha desistido com um problema na bomba que puxa a gasolina. O estreante Delfim Mendonça Choi (Mitsubishi Evo7) somou ao 16º lugar da corrida de sábado um interessante nono lugar no domingo. Hélder Assunção (Mitsubishi Evo9) levou para casa um 19º lugar como melhor resultado do fim-de-semana. O segundo e decisivo Festival de Corridas de Macau está agendado para 23 a 25 de Junho, novamente no Circuito internacional de Zhuhai. Sérgio Fosneca

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JUNHO LISBOA ACOLHE O PRIMEIRO FÓRUM LITERÁRIO PORTUGAL-CHINA

O

escritor chinês Su Tong e os autores portugueses Gonçalo M. Tavares e Dulce Maria Cardoso estão entre os convidados do primeiro Fórum Literário Portugal-China, que Lisboa acolhe a 7 de Junho, foi hoje anunciado. O fórum, cujo programa inclui debates no Centro Científico e Cultural de Macau e uma passagem pela Feira do Livro de Lisboa, acontece no âmbito do memorando de entendimento assinado em 2015, entre Portugal e a China, de

apoio mútuo à edição e promoção da literatura dos dois países. Em Lisboa estarão seis personalidades chinesas ligadas ao livro, entre as quais o escritor Su Tong, finalista do Man Booker International Prize em 2011, Tie Ning, romancista e presidente da Associação Chinesa de Escritores, e os autores Chi Zhijian e Zhang Wei. A eles juntam-se ainda três autores portugueses: José Luís Peixoto, Dulce Maria Cardoso e Gonçalo M. Tavares.

De acordo com a Direcção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas, o memorando assinado em 2015 em Pequim prevê “o apoio à divulgação recíproca da literatura chinesa e portuguesa, seja através do apoio à tradução de obras literárias, seja através da participação de autores no outro país”. O fórum em Lisboa incluirá ainda um encontro dos autores chineses com editores portugueses.


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Hoje Macau 29 MAI 2017 #3821 by Jornal Hoje Macau - Issuu