DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
MOP$10
QUINTA-FEIRA 28 DE DEZEMBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3962
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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
hojemacau Mak Soi Kun. Chui Sai Peng. Eles constroem tudo
As empresas do deputado e do primo do Chefe do Executivo constroem muito. Sobretudo para o Governo. PÁGINA 4
DEPUTADOS PREOCUPADOS
PÁGINA 5
Quem fiscalizou estas obras? HABITAÇÃO PÚBLICA COM TRÊS ANOS PRECISA DE 12 MILHÕES EM REPARAÇÕES
PAPEL PORTUGUÊS PORTUGAL-CHINA QUESTIONADO E DO FÓRUM MACAU
Inadaptados GRANDE PLANO
Três anos depois de terem sido concluídos, os prédios de habitação pública apresentam sérios estragos. Prova de que, na altura, a fiscalização não cumpriu o seu dever. Agora o Governo vai gastar mais 12 milhões. PÁGINA 7
Henrique d’Assumpção ganha Prémio Identidade do IIM
EVENTOS
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Para onde vai este dinheiro que não nos custou a ganhar?
TIAGO ALCÂNTARA
Obras Públicas
2 grande plano
RELACÕES CHINA-PORTUGAL ´
A 9 de Dezembro de 2005 Portugal e a China assinavam a Parceria Estratégica Global, um documento que marcou uma nova fase das relações bilaterais após a transferência de Macau. Pedro Galinha, antigo jornalista em Macau e autor da tese de mestrado sobre o tema, conclui que falta aos portugueses uma estratégia concreta e que o investimento chinês no país não gerou mais emprego. O Fórum Macau é burocrático e dependente da China
28.12.2017 quinta-feira
TESE CONCLUI QUE PORTUGAL NÃO TEM ESTRATÉGIA DEFINIDA
EH EU A VE-LOS ˆ
Á muito que se fala das relações diplomáticas entre Portugal e a China, sobretudo desde que as empresas chinesas começaram a investir no país. Contudo, não existia, até à data, um trabalho de investigação sobre a Parceria Estratégica Global, acordo de cooperação assinado em 2005. Pedro Galinha, antigo jornalista em Macau, defendeu há semanas na Universidade Nova de Lisboa a tese de mestrado “China e Portugal: Dez Anos de Parceria Estratégica Global”, que veio colmatar essa lacuna. A tese analisa o período de relações entre o momento em que foi assinado esse documento, a 9 de Dezembro de 2005, e o ano de 2015. “A Parceria Estratégia Global actualizou a relação bilateral sino-portuguesa, que tinha perdido dinamismo após a transferência de administração de Macau”, adiantou ao HM Pedro Galinha. Uma das conclusões deste trabalho prendem-se com a ausência de uma estratégia concreta da parte do Governo português entre 2005 e 2015, por contraste com os investimentos em áreas estratégicas que os chineses têm vindo a fazer. “A nível político e diplomático, cerca de 30 responsáveis de topo dos dois países fizeram visitas oficiais. Representantes de províncias e municípios chineses, como Guizhou, Zhejiang, Hubei, Guangdong, Pequim e Xangai tam-
bém estiveram em Portugal. Este aspecto pode levar a que Portugal se direccione para áreas específicas da China. Mas para isso é preciso uma estratégia, que continua a ser quase inexistente”, conclui o autor. Nesse sentido, Pedro Galinha considera que “seria bom explorar, cada vez mais, as redes de empresários chineses radicados em Portugal, que têm ligações às regiões de origem e até desempenham cargos em conselhos consultivos”. O autor da tese de mestrado conta que decidiu partir para a investigação dada a inexistência de estudos sobre esta matéria. “É necessário criar um debate e massa crítica para as questões da China. Seria essencial promover as relações sino-portuguesas e, em concreto, a Parceria Estratégica Global a diferentes níveis: empresarial, cultural e académico”, contou. Na conclusão da dissertação lê-se que, para Portugal, “a entrada de capital chinês cumpre uma necessidade imediata de liquidez”, dada a crise económica que levou à venda de capital de empresas públicas como a REN ou a EDP. Além disso, “é apontada a falta de reciprocidade, isto é, a dificuldade das empresas portuguesas em aceder ao mercado da República Popular da China (RPC)”. Do lado chinês a postura é totalmente diferente. Luís Amado, que foi ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal por um
longo período de tempo entre 2005 e 2015, disse ao autor da tese que constatou “uma consistente e progressiva ambição” da China face a Portugal. “Isso é fruto de uma estratégia, assente em políticas centrais, como a internacionalização das empresas privadas ou estatais. Os interesses chineses em Portugal estão alinhados com as directrizes do Ministério do Comércio da China: energia, ambiente, seguros e saúde. Aqui, vemos a diversificação do investimento no estrangeiro, em áreas que correspondem ao interesse interno chinês”, explicou Pedro Galinha. O trabalho de investigação concluiu também que “as aquisições e fusões de empresas europeias por grupos chineses configuram uma estratégia de médio-longo prazo, diferente do peso do turismo ou da compra de imóveis”. O autor não deixa, no entanto, de notar o surgimento de algumas estruturas associativas que tentam promover as relações entre
“Ao longo do tempo Portugal tem reafirmado a defesa do princípio de ‘Uma só China’. Temas sensíveis, como a questão do Tibete, não são referidos.”
Portugal e a China. “O número de associados da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa tem crescido. Há ainda espaço para o surgimento de estruturas como a Associação de Jovens Empresários Portugal-China.” Há, no entanto, uma lacuna na área cultural, sobretudo na área da sinologia, observa o autor. “O Observatório da China vai desenvolvendo algum trabalho, mas, por outro lado, deixou de ser organizado o Fórum Internacional de Sinologia, após a morte da investigadora e principal impulsionadora da iniciativa, Ana Maria Amaro.”
INVESTIMENTO SEM MAIS EMPREGO
Os anos de uma crise económica mais acentuada que se viveram em Portugal tiveram algumas consequências nos resultados práticos da implementação da Parceria Estratégica Global. “É muito difícil estabelecer uma relação causa-efeito entre a assinatura da Parceria Estratégica Global e o aumento do investimento chinês em Portugal. A crise financeira foi o factor-chave nesse fenómeno”, concluiu Pedro Galinha. Isto apesar das “empresas chinesas terem apresentado as propostas mais vantajosas, o que, de certa forma, legitimou a entrada no mercado português”. Apesar dos inúmeros e estratégicos investimentos efectuados, estes não se traduziram em mais postos de trabalho em Portugal, que
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quinta-feira 28.12.2017
A NAOHIKO HATTA/EPA
“Fórum Macau está à mercê da iniciativa chinesa”
A
PESAR da tese de mestrado não se focar no funcionamento do Fórum Macau, como o próprio autor faz questão de frisar, a verdade é que no contexto da Parceria Estratégica Global a entidade sediada na RAEM assume importância. “Apesar de Portugal ter know-how nas áreas referidas [educação, formação, agricultura], o Fórum Macau está à mercê da iniciativa chinesa. Os resultados do Fórum Macau são de difícil mediação, já que as relações de cada Estado-membro com a RPC antecedem o surgimento desta plataforma multilateral”, aponta o autor na conclusão da dissertação. Ainda assim, Pedro Galinha assume que “o principal papel que tem [o Fórum Macau] passa pela formação de quadros e pelo intercâmbio de profissionais”. Em relação ao Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-
PASSAR “Este aspecto [visitas oficiais] pode levar a que Portugal se direccione para áreas específicas da China. Mas para isso é preciso uma estratégia, que continua a ser quase inexistente.”
continua a sofrer com uma elevada taxa de desemprego. “É visível que os investimentos não corresponderam a mais emprego em Portugal. Essa é uma área que deve ser aprofundada a um alto nível”, frisou Pedro Galinha. O autor, que alerta para o facto do Porto de Sines “se perspectivar como o grande dossiê no futuro”, defende que “os responsáveis políticos portugueses devem procurar captar investimento em indústrias transformadoras ou na agricultura”.
UMA RELAÇÃO “SEM ATRITOS”
Para analisar a posição da China no contexto da relação com Portugal, Pedro Galinha consultou uma publicação anual do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China “que detalha o estado das relações com os vários Estados”. “Pequim tem reafirmado a importância e o interesse em aprofundar a Parceria Estratégica Global
sino-portuguesa, reconhece o sucesso do processo de transferência de poderes de Macau, refere-se a Portugal como potência histórica e ponte para a lusofonia.” Contudo, para que esta relação bilateral funcione, é “absolutamente essencial a inexistência de atritos”. “Ao longo do tempo Portugal tem reafirmado a defesa do princípio de ‘Uma só China’”, acrescentou Pedro Galinha. “Não constituem polémica os temas mais sensíveis na relação com a União Europeia, como os direitos humanos, a situação no Tibete ou a autonomia de Taiwan. Isto deveu-se à não interferência dos sucessivos Governos portugueses nas questões internas da RPC”, lê-se na conclusão.
O EMBARGO DAS ARMAS
Pedro Galinha fez ainda referência a questões como o embargo de armas da União Europeia à China, e que não tem sofrido qualquer desenvolvimento. “Persistem questões como o embargo de armas à RPC, que vigora desde 1989, e o estatuto de economia de mercado da China. No texto da Parceria Estratégica Global Lisboa declarou apoio para discutir os temas, mas ainda não foi atingido qualquer resultado”, aponta. O autor adianta também que “é possível afirmar, através deste tipo de acordo, que Pequim tenta enfraquecer a existência de uma frente unida europeia”. “Procura evitar posições coordenadas em
assuntos sensíveis, que também se estendem à implementação dos pactos internacionais em matéria de direitos humanos”, lê-se ainda na conclusão da tese. Ao assinar com a China a Parceria Estratégica Global, Portugal adquiriu “uma posição de realce, visto que é o nível mais elevado, atribuído por Pequim, numa relação bilateral ou multilateral”, lê-se na conclusão da tese de mestrado. O documento levou a “uma actualização do relacionamento notória, com o alargamento da cooperação nas áreas político-diplomática, comercial e de investimento”. Houve ainda uma intensificação dos contactos bilaterais “visível no aumento do número e estatuto das visitas de alto nível”. Contudo, antes de 2005 as relações dos dois países sofreram altos e baixos. Primeiro, Portugal não reconheceu a República Popular da China quando esta foi estabelecida, em 1949, tendo reatado a relação com o país em 1979. Entre essa data e 1999 “o futuro da administração de Macau e a negociação dos termos da transferência de poderes dominaram os contactos”. Depois de 1999, e antes da assinatura da Parceria Estratégica Global, só a criação do Fórum Macau, em 2003, foi um marco importante. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
-Países de Língua Portuguesa, que terá a sua sede transferida de Pequim para Macau, “continua a ser demasiado burocrático e dependente do lado chinês”. Características que também estão associadas “a toda a dinâmica do Fórum Macau”. Pedro Galinha adiantou ainda que Pequim “tem defendido o estabelecimento de cooperações trilaterais, enquadradas no Fórum Macau, com China, Portugal ou Brasil e um país terceiro”. Apesar disso, trata-se de “uma ideia repetida, sem desenvolvimentos”, sendo que, “a confirmar-se, está sempre dependente de Pequim”. “Do lado dos países africanos e de Timor-Leste poderá existir alguma resistência. Já Portugal ou o Brasil não estão muito interessados em passar know-how porque já sentem muita competição chinesa no terreno. Será difícil criar uma convergência de interesses”, concluiu o autor da tese.
“Portugal não protegeu os seus interesses em Macau”
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EDRO Galinha recorda, na conclusão do seu trabalho académico, que o dossiê Macau acabou por revelar “falta de experiência [da parte de Portugal] para lidar com a China”. Isto após 1985, data em que foi assinada a Declaração Conjunta e em que se iniciou um longo processo de negociações sobre a transição de poderes do território. “Durante as negociações Portugal não incluiu qualquer representante ou residente de Macau e revelou, mais uma vez, falta de experiência para lidar com
a China”, assumiu Pedro Galinha, que lembrou também que, “numa fase inicial dos contactos [a partir de 1979], a parte portuguesa revelou falta de experiência em lidar com as questões da China”. Isto porque “os contactos passaram sempre por Macau. No que diz respeito ao processo de transferência de soberania, Pedro Galinha defendeu que “a postura de Lisboa evitou conflitos, permitindo a Pequim definir a agenda”. “Entre os principais temas que conduziram a um impasse estiveram a data da transferência e a questão da nacionalidade de entre 80 a 100 mil chineses de Macau que possuíam passaporte português. No final, Portugal não protegeu os seus interesses em Macau.” Isto porque “a maior parte dos quadros qualificados nacionais não ficou na máquina da administração e os macaenses não foram apoiados para ocupar cargos de topo antes da transferência de poderes”. Além disso, “o êxodo de outros profissionais também foi uma realidade”, concluiu o autor do trabalho de investigação.
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28.12.2017 quinta-feira
A empresa de José Chui Sai Peng ganhou o concurso público para o planeamento das instalações anexas da nova prisão, um equipamento cuja construção está a cargo da empresa de outro deputado, Mak Soi Kun
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UITO se fala na fiscalização dos gastos públicos na Assembleia Legislativa (AL) e na forma como o Governo deve controlar as despesas financiadas pelo erário público. Mas o que dizer quando deputados que devem fiscalizar as despesas do Executivo são eles próprios credores dessas despesas? A empresa do deputado e primo do Chefe do Executivo José Chui Sai Peng, a CAA, Planeamento e Engenharia, Consultores Limitada, ganhou recentemente o concurso para a elaboração do projecto de instalações ao ar livre anexadas ao novo Estabelecimento Prisional de Macau. O contrato no valor de 3,9 milhões de patacas tem prazo de conclusão até 2019. Durante a presença Wong Sio Chak na AL para apresentação das Linhas de Acção Governativa para Segurança, levantou-se a questão de quando o estabelecimento prisional estaria pronto. Uma pergunta à qual Mak Soi Kun respondeu que iria fazer os possíveis para acelerar a obra. O deputado estava numa posição privilegiada para incrementar o andamento da construção uma vez que a sua empresa, a Sociedade de Engenharia Soi Kun, Limitada, está encarregue da obra. A segunda fase das obras estão previstas serem finalizadas até ao final de 2019 e vão custar aos cofres do Executivo mais de 1055 milhões de patacas.
OBRAS JOSÉ CHUI SAI PENG GANHA CONCURSO PARA INSTALAÇÕES NA NOVA PRISÃO
Os papa-concursos Esta é uma das infra-estruturas que teima em ser concluída. Assim como o Hospital das Ilhas e o Metro Ligeiro, duas das promessas de longa data onde a empresa de José Chui Sai Peng também está envolvida. No ano passado, o concurso para a gestão e fiscalização da obra do Complexo Hospitalar das Ilhas foi ganho pela AECOM, uma empresa de Hong Kong, que viria a convidar a CAA como parceira do projecto. O valor do contrato fixou-se nos 197 milhões de patacas e prevê-se que a obra esteja pronta em 2019.
DEZENAS DE CONCURSOS
Através de uma simples busca no Boletim Oficial, pode-se apurar que a em-
presa do primo do Chefe do Executivo venceu 42 concursos públicos para obras desde 2003. Por uma questão de foco, concentrámo-nos nos contratos referentes a 2017, deixando para trás, por exemplo, a construção do segmento do Cotai da 1.ª Fase do Metro Ligeiro e a construção do segmento dos Postos Fronteiriços da Taipa da 1.ª Fase do Sistema de Metro Ligeiro. Estes contratos, de 2015, são de um valor superior a 28 milhões de patacas. O conjunto de contratos deste ano da CAA, Planeamento e Engenharia, Consultores Limitada atingiram os 22,91 milhões de patacas. Neste bolo está incluído o estudo para a optimização dos cruzamentos com semá-
foros (Zona Central e Zona de Ferreira de Almeida), as obra de reconstrução da Sede do Instituto de Habitação, a mais avultada deste ano no valor de mais de 11,5 milhões de patacas. As outras obras já contratadas são o projecto de reparação das Portas do Entendimento e a 5.ª prorrogação da fiscalização da construção do segmento do Cotai da 1.ª Fase do Sistema de Metro Ligeiro e do Segmento dos Postos Fronteiriços da Taipa da 1.ª Fase do Sistema de Metro
Ligeiro. Além disso, a empresa de José Chui Sai Peng foi escolhida para proceder à obra de reconstrução do Mercado do Patane, um despesa ainda sem valor publicado em Boletim Oficial.
MAK, O CONSTRUTOR
O candidato mais votado nas eleições directas à AL, Mak Soi Kun, não celebrou contratos novos para obras públicas este ano, mas tem em mãos um dos mais custosos projectos em curso, a construção da nova prisão,
Mak Soi Kun, não celebrou contratos novos para obras públicas este ano, mas tem em mãos um dos mais custosos projectos em curso
uma obra com um custo previsto de mais de 1055 milhões de patacas. Outra das construções de maior vulto é a habitação pública na zona de Tói San, uma obra em consórcio com a Companhia de Construção e Engenharia Civil China, Limitada/Sociedade de Engenharia Soi Kun, Limitada/ Tat Cheong — Companhia de Construção e Engenharia, Limitada. A adjudicação foi publicada em Boletim Oficial em Outubro de 2011, com um valor de quase 464 milhões de patacas. O projecto sofreu sucessivos atrasos devido às características geológicas do terreno onde estava projectado e começou a ser construído apenas este ano. A empresa de Mak Soi Kun ganhou ainda o contrato para a construção de uma passagem superior para peões, referente à empreitada da urbanização de Seac Pai Van, um negócio que foi reduzido no ano passado para 21,5 milhões de patacas. João Luz
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política 5
quinta-feira 28.12.2017
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Orçamento de 2018 atinge o montante das 109,6 mil milhões de patacas, mas, de acordo com a deputada Song Pek Kei, a população está preocupada com o destino dos dinheiros públicos, nomeadamente se serão utilizados estrategicamente e tendo em conta as necessidades dos residentes. De modo a garantir o controlo dos gastos a deputada defende a criação de um sistema de avaliação de caráter científico com o objectivo de monitorizar e fazer o melhor aproveitamento possível dos dinheiros públicos. Em interpelação escrita, a deputada revela que revela que dentro das cinco tutelas do Executivo, há uma diferença muito grande no que diz respeito às despesas do orçamento. De acordo com Song Pek Kei, a área de assuntos sociais e cultura contabiliza a maior despesa do orçamento total, que atingiu 190 milhões patacas em 2016, e será reduzida, em 2018, para 86 milhões de patacas. Esta situação, afirma a deputada, faz com a população duvide do rigor orçamental.
Song Pek Kei duvida que o Governo consiga ter um bom planeamento para a distribuição dos dinheiros públicos Apesar do Governo destacar que tem cumprido o princípio da manutenção das despesas dentro dos limites das receitas, a deputada manifesta-se preocupada por não existir um mecanismo transparente e científico para a
Si Ka Lon alerta para os gastos crescentes do Executivo nomeadamente com “a adjudicação de serviços e aumento na contratação do pessoal na função pública”
ORÇAMENTO DEPUTADOS QUEREM MECANISMO PARA CONTROLAR DINHEIROS PÚBLICOS
A ciência dos milhões
A criação e um mecanismo responsável por uma boa gestão dos dinheiros públicos é a sugestão de Song Pek Kei e de Si Ka Lon. Para os deputados, o orçamento tem de ser gerido com rigor e sem despesas desnecessárias gestão do orçamento do Governo. Por outro lado, Song Pek Kei duvida que o Governo consiga ter um bom planeamento para a
distribuição dos dinheiros públicos. De modo a mudar a situação, a deputada questiona a Direcção dos Serviços de Finanças acer-
ca da intenção de criar o mecanismo capaz de fazer uma boa gestão financeira do território. Song Pek Kei desafio ainda o Governo a criar um outra estrutura. Desta feita com o objectivo de avaliar a eficiência das despesas.
CINTO APERTADO
Já o deputado Si Ka Lon, em declarações ao Jornal do Cidadão, sublinhou a necessidade de rigor na gestão do orçamento do território. Para o deputado há que manter esforços no sentido de reduzir as despesas e aumentar as receitas. PUB
Si Ka Lon vai mais longe e recorda as medidas de controlo que o Governo fez no passado, admitindo que deveriam voltar a ser aplicadas actualmente. Tal como Song Pek Kei, Si Ka Lon sugere a criação de um mecanismo regulador das despesas do Governo de forma a garantir uma boa utilizaçãoo de fundos”. De acordo com a mesma fonte, Si Ka Lon alerta para os gastos crescentes do Executivo nomeadamente com “a adjudicação de serviços e aumento na contratação do pessoal na função pública”.
Relativamente à contratação de funcionários públicos, o deputado exige definir limites no orçamento, baseados na economia local. O objectivo, afirma, é “restringir as despesas dos serviços públicos na contratação de trabalhadores. Ainda assim, Si Ka Lon defende o uso dos dinheiros públicos para a área social e volta a defender a criação de um seguro medico universal. Vitor Ng (com S.M.M.) info@hojemacau.com.mo
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28.12.2017 quinta-feira
Impostos Coutinho quer justificação para excepções dadas ao jogo
Segurança Social Lam Lon Wai quer mais contribuições do jogo
A
D
TIAGO ALCÂNTARA
S concessionárias de jogo estão isentas, de acordo com as Linhas de Acção Governativa de 2018, do pagamento do Imposto Complementar de Rendimentos. A medida, diz o deputado Pereira Coutinho, não seria e referência caso fosse uma situação esporádica, no entanto, afirma, trata-se de uma acção que tem sido levada a cabo pelo Executivo de forma “consecutiva e sistemática”. Para o deputado, a lei não prevê que tal aconteça e as justificações dadas pelo secretário para a economia e finanças, Lionel Leong, não são satisfatórias. Lionel Leong, justificou a acção com o facto de que o jogo já contempla um imposto especial e que é considerado “bastante elevado”. A explicação, para o deputado, não vai de encontro à lei que apenas permite excepções pontuais e não sistemáticas. Pereira Coutinho quer saber se a legislação vai ser revista de forma a enquadrar esta situação e o que é que o Executivo considera como sendo um imposto “elevado”.
Motoristas Ella Lei insiste no aumento de ordenado
A
falta de motoristas em Macau tem que ver com os baixos salários e a insuficiência de regalias. A premissa é deixada pela deputada Ella Lei em comunicado. De acordo com a deputada ligada à FAOM, existem recursos humanos suficientes em Macau para suprimir a falta de motoristas profissionais. No entanto, os salários oferecidos são ainda baixos pelo que há vagas a serem preenchidas por TNR. Para Ella Lei há ainda motoristas que ganham um salário inferior ao rendimento médio mensal, situado nas 15 000 patacas, o que faz com que não se encontrem profissionais disponíveis no território. Com o intuito de manter as contratações para esta profissão acessíveis apenas a residentes, Ella Lei pede ao Governo que incentive as entidades patronais a aumentarem os salários e as regalias.
E modo a garantir a sustentabilidade do Fundo de Segurança Social local, o Governo tem de garantir o seu financiamento e uma das possibilidades é alterar as contribuições do sector do jogo. A ideia é deixada pelo deputado Lam Lon Wai que considera que a parte das receitas do jogo destinada à segurança social é muito reduzida. “As fontes de financiamento regular para o Fundo de Segurança Social representam cerca de um por cento das receitas anuais”, refere Lam Lon Wai em interpelação escrita. Tendo em conta que os contratos de renovação com as operadoras de jogo estão prestes a acontecer, o deputado quer saber se o Governo contempla um ajuste nas contribuições do sector de forma a garantir um desenvolvimento e manutenção estável do Fundo de segurança social e aumentar as contribuições vindas da maior fonte de rendimento do território.
BO Wai Cheng Iong continua membro de conselho
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EGUNDO um despacho publicado ontem em Boletim Oficial (BO), Wai Cheng Iong vai continuar a desempenhar o cargo de assessor do Gabinete do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura como membro do Conselho de Educação para o Ensino Não Superior. A renovação do cargo, que passou a ter efeitos desde 20 de Dezembro, termina a 25 de Outubro do próximo ano. PUB
ANÚNCIO [N.º 163/2017]
ANÚNCIO [N.º 164/2017]
Para os devidos efeitos vimos por este meio notificar os candidatos de habitação económica abaixo indicados, nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro:
Para os devidos efeitos vimos por este meio notificar os candidatos de habitação económica abaixo indicados, nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro: Nome N.º do Boletim de candidatura TIN SIU CHEONG 82201324102 KAM NGA MAN 82201339617 LIO WUN HOU 82201323507 LAI CHON FAI 82201335909 KUOK SIO PANG 82201332376 HO MICHAEL JOHN 82201304588 HO WAI KIT 82201308566 Dado que os candidatos acima indicados foram seleccionados na lista com a ordenação, nos termos do artigo 26.º da Lei n.º 10/2011 (Lei da habitação económica), alterada pela Lei n.º 11/2015, é necessário realizar-se a apreciação substancial, pelo que este Instituto informou os candidatos acima indicados, através de ofícios, para se dirigirem pessoalmente ao Instituto de Habitação (IH) às horas fixadas nos respectivos ofícios, para apresentarem os originais dos documentos comprovativos, no sentido de efectuar a verificação das informações declaradas nos boletins de candidatura, porém, os ofícios não foram recebidos e foram devolvidos. Assim, os candidatos acima indicados devem dirigir-se pessoalmente ao IH (junto da Escola Primária Luso-Chinesa do Bairro Norte), sito na Travessa Norte do Patane, n.º 102, Ilha Verde, Macau, antes do dia 25 de Janeiro de 2018, para apresentarem os originais dos documentos comprovativos, no sentido de efectuar a verificação das informações declaradas nos boletins de candidatura. Nos termos da alínea 2) do n.º 1 do artigo 28.º da lei acima indicada, caso verifique que os candidatos não apresentem os documentos indicados, dentro do prazo fixado, os adquirentes seleccionados serão excluídos do concurso. Para mais informações poderão dirigir-se pessoalmente ao IH, nas horas de expediente ou consultar através do telefone n.o 2859 4875. Instituto de Habitação, aos 21 de Dezembro de 2017 A presidente, substª. KUOC VAI HAN
Nome WAN PAK SAM WONG LAI FA CHAN PUI KWAN LEONG SAO IENG
N.º do Boletim de candidatura 81201303951 81201302842 81201313690 81201302911
Dado que os candidatos acima indicados foram seleccionados na lista com a ordenação, nos termos do artigo 26.º da Lei n.º 10/2011 (Lei da habitação económica), alterada pela Lei n.º 11/2015, é necessário realizar-se a apreciação substancial, pelo que este Instituto informou os candidatos acima indicados, através de ofícios, para se dirigirem pessoalmente ao Instituto de Habitação (IH) às horas fixadas nos respectivos ofícios, para apresentarem os originais dos documentos comprovativos, no sentido de efectuar a verificação das informações declaradas nos boletins de candidatura, porém, os ofícios não foram recebidos e foram devolvidos. Assim, os candidatos acima indicados devem dirigir-se pessoalmente ao IH (junto da Escola Primária Luso-Chinesa do Bairro Norte), sito na Travessa Norte do Patane, n.º 102, Ilha Verde, Macau, antes do dia 25 de Janeiro de 2018, para apresentarem os originais dos documentos comprovativos, no sentido de efectuar a verificação das informações declaradas nos boletins de candidatura. Nos termos da alínea 2) do n.º 1 do artigo 28.º da lei acima indicada, caso verifique que os candidatos não apresentem os documentos indicados, dentro do prazo fixado, os adquirentes seleccionados serão excluídos do concurso. Para mais informações poderão dirigir-se pessoalmente ao IH, nas horas de expediente ou consultar através do telefone n.o 2859 4875. Instituto de Habitação, aos 21 de Dezembro de 2017 A presidente, substª. KUOC VAI HAN
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quinta-feira 28.12.2017
HABITAÇÃO PÚBLICA GOVERNO VAI GASTAR MAIS DE 12 MILHÕES EM REPARAÇÕES
O barato sai caro
resposta às necessidades actuais”, referia. A desactualização do documento era admitida pelo Executivo já em 2009, e a sua actualização estava prevista nas Linhas de Acção Governativa deste ano. Sem regras adaptadas à actualidade, Ho Ion Sang alerta para os riscos de segurança e qualidade das obras feitas até à data e que tiveram como base o regulamento em causa.
TIAGO ALCÂNTARA
O Governo vai investir mais de 12 milhões de patacas em obras nos complexos de habitação pública da Ilha Verde e do Fai Chi Kei. Apesar dos edifícios de habitação pública terem apenas três anos, serão alvo de reparações e melhorias a serem realizadas nos próximos meses
No que diz respeito à obra no Fai Chi Kei, a Companhia de Fomento Predial Sam Yau vai receber quase nove milhões de patacas do Governo para fazer os trabalhos de reparação
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ORAM adjudicadas pelo Chefe do Executivo empreitadas para melhorias e reparações nos lotes 1 e 2 de habitação pública no bairro da Ilha Verde e nos lotes E e F, situados na zona do Fai Chi Kei. De acordo com um despacho publicado ontem em Boletim Oficial (BO), o consórcio composto pela Companhia de Engenharia e de Construção da China (Macau), Limitada e pela Companhia de Construção de Obras Portuárias Zhen Hwa, Limitada vai receber mais de 2.7 milhões de patacas para o projecto na Ilha Verde. No que diz respeito à obra no Fai Chi Kei, a Companhia de Fomento Predial Sam Yau vai receber quase nove milhões de patacas do Governo para fazer os trabalhos de reparação. As obras têm lugar pouco mais de dois anos depois de terem sido terminados os edifícios de habitação pública daquelas duas zonas. Em 2009 o Governo anunciava a conclusão da segunda fase da Habitação Social do Fai Chi Kei para Setembro desse ano, com um total de 884 fracções, e composto por duas torres, No entanto, só em Julho de 2015 é que o Gabinete para o Desenvolvimento das Infra-estruturas (GDI) anunciava a conclusão das mesmas. “Relativamente à cons-
trução da habitação pública no Fai Chi Kei e no Lote 3 do Bairro da Ilha Verde, estará concluída este ano e será entregue aos serviços de habitação”, garantiam ao HM. No caso da Ilha Verde, o início das obras era prometido pelo Executivo para 2012, nomeadamente para os Lotes 1 e 2 para que viessem a albergar 3126 famílias, sem no entanto se saber o seu fim. Ainda em 2012 era anunciada a conclusão de dois dos quatro projectos de habitação publica
em atraso para esse mesmo ano e que tinham por objectivo as 19 mil fracções prometidas há anos pelo Governo.
MÁ QUALIDADE GENERALIZADA
Os deputados à Assembleia Legislativa têm levantado vozes acerca da qualidade da construção de habitação pública no território, e os vários projectos do sector têm sido alvo de questões colocadas ao Governo. Ho Ion Sang é um dos tribunos que mais tem insistido na neces-
sidade de uma fiscalização apertada neste tipo de projectos. Em Fevereiro deste ano, o deputado, perante as queixas dos moradores relativamente ao mau estado de alguns edifícios de habitação pública, lembrava as palavras do Governo que dizia seguir as normas do Regulamento Geral da Construção Urbana. No entanto, de acordo com Ho Ion Sang, o diploma está desactualizado e em vigor há mais de 30 anos, sendo que “não consegue dar
Em Maio, Ho Ion Sang voltava à carga com os problemas registados nas obras de habitação pública. O deputado dava como exemplo o projecto de Seac Pai Van em que os habitantes se queixavam de varandas enferrujadas. Perante as queixas, o Instituto da Habitação recordou que já tinham sido passados dois anos do final da construção pelo que as despesas com reparações teriam de ser sustentadas pelos inquilinos. No entanto, para o tribuno, três anos é um período de tempo muito curto para os edifícios começarem a degradar-se. Já o Edifício do Lago, na Taipa, foi alvo de interpelação na passada terça feira por parte do deputado Leung Sun Iok que alertava para a necessidade de fiscalização dos projectos de habitação pública. Desta feita, está em causa o mau estado daquelas instalações “com azulejos partidos e tijolos deslocados que representam perigo para os residentes”. Sofia Margarida Mota
sofia.mota@hojemacau.com.mo
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A Nam Kwong União Comercial e Indústrial será a empresa responsável pela “Empreitada de Construção da Zona de Administração do Posto Fronteiriço de Macau da Ponte Hong Kong — Zhuhai — Macau”. O projecto terá um custo para os cofres do Governo de dez milhões de patacas, a pagar até ao próximo ano. De frisar que a obra arrancou o ano passado, tendo sido pagas 1,4 milhões de patacas em 2016.
Nomeados membros da Comissão de Auditores
Foram escolhidos, através de despacho assinado pelo secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, os membros da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, cujos mandatos têm duração até 31 de Dezembro do próximo ano. Iong Kong Leong será o presidente, enquanto que Yung Chi Chung, Ng Pou Man, Lam Bun Jong, Cheang Kin Lap serão vogais efectivos. Kou Ka I, Si Chan Chan, Leong Kam Chun, Bao King To serão os vogais suplentes. O despacho tem efeitos a partir do próximo dia 1 de Janeiro. PUB
Nam Yue vai demolir antigo mercado abastecedor GOOGLE STREET VIEW
Nova ponte Nam Kwong constrói zona de administração da fronteira
28.12.2017 quinta-feira
Sociedade do Mercado Abastecedor de Macau, Nam Yue
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STÁ escolhida a empresa que será responsável pela obra de demolição do antigo mercado abastecedor da Ilha Verde, com vista à construção do novo acesso fronteiriço Guangdong-Macau. De acordo com o despacho publicado ontem em Boletim Oficial, foi escolhida a Nam Yue,
que vai receber dos cofres do Governo mais de 18 milhões de patacas, a serem pagas até ao próximo ano. O novo mercado abastecedor foi recentemente inaugurado, também na zona da Ilha Verde. Além da passagem fronteiriça, o projecto inclui um parque industrial, onde fica o novo mercado abastecedor, uma reordenação do Canal
dos Patos (onde se juntam as águas residuais de Macau e Zhuhai), um centro modal de transportes e um mega complexo de habitação pública, a nascer na zona da Ilha Verde, com ligação directa ao posto fronteiriço. Este projecto implica a cooperação com as autoridades de Zhuhai, Zona Económica Especial chinesa vizinha de Macau e, por esse motivo e dada a sua dimensão, vai implicar custos avultados. “Vamos ter em consideração as exigências dos utentes, o custo dos materiais e a sua previsão de subida. O montante a ser investido é astronómico e implica cooperação entre os governos das duas regiões. Mas vamos utilizar com racionalidade o erário público”, disse Chau Vai Man em 2014, durante uma sessão de perguntas e respostas ao Executivo na Assembleia Legislativa.
VISITANTES MACAU JÁ RECEBEU MAIS DE 29,5 MILHÕES
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NTRE Janeiro e Novembro deste ano, o número de turistas que visitaram Macau subiu 5,1 por cento, de acordo com dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), para um total superior a 29,5 milhões de pessoas. Sem surpresas, a larga maioria dos turistas são oriundos do Interior da China, 20,1 milhões, representando um crescimento de 7,8 por cento em relação ao período homólogo do ano transacto. O país de proveniência de turistas que cresceu mais entre Janeiro e Novembro foi a Coreia do Sul, que subiu 34,7 por cento para um total de 797.112 visitantes. Os turistas provenientes de Hong Kong e Taiwan diminuíram, respectivamente, 3,8 por cento e 0,8 por cento nos primeiros 11 meses deste ano, em relação ao período homólogo de 2016. Até Novembro vieram da região administrativa especial vizinha 5,5 milhões de turistas, enquanto que os visitantes de Taiwan totalizaram 971.516. Fora dos países asiáticos, a DSEC revela que os turistas provenientes dos Estados Unidos foram 168.633, da Austrália foram 79.528, do Canadá chegaram 67.103 visitantes, enquanto que os turistas oriundos do Reino Unido se ficaram pelos 52.622. Só no mês de Novembro chegaram a Macau 2,83 milhões de visitantes, mais 9,4 por cento, em termos anuais e menos 1,4 por cento em termos mensais. É de referir que Macau foi o destino escolhido por mais de 30 milhões de visitantes em 2016. J.L.
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quinta-feira 28.12.2017
CRECHES GOVERNO TEM PLANO PIONEIRO PARA OS PRÓXIMOS CINCO ANOS
Crescimento planeado
O Instituto de Acção Social apresentou ontem o primeiro plano do Executivo para o desenvolvimento de creches no território. Com uma aplicação em cinco anos, o Governo pretende garantir o aumento do número de vagas, da qualidade das creches locais e uma formação especializada com mais docentes e funcionários qualificados
O
primeiro plano de desenvolvimento de creches foi ontem dado a conhecer pelo Instituto de Acção Social (IAS). A iniciativa prevê duas etapas a serem executadas entre 2018 e 2022 de modo a garantir o desenvolvimento dos serviços e aumentar de forma sustentável o número de vagas nas creches subsidiadas de Macau. Numa primeira fase, chamada de preliminar,
para ser implementada nos primeiros dois anos, o IAS pretende criar cinco creches apoiadas pelo Governo. O objectivo, afirma o documento oficial, é “aumentar para 52 por cento a proporção das vagas dos serviços de apoio às crianças com idade inferior a três anos”. Já na segunda fase, que compreende os três anos que vão de 2019 a 2022, o IAS pretende continuar a alargar o número de creches de modo a chegar aos 55
por cento da proporção das vagas.
VAGAS PARA A MAIORIA
As crianças com idade inferior aos dois anos são o principal foco do plano apresentado ontem, sendo que está previsto um número total de 7000 vagas nos primeiros dois anos de implementação da iniciativa. Para o ano vai ser ainda criado um sistema que dá prioridade de entrada nos estabelecimentos subsidiados pelo Executivo às crianças
consideradas em situação vulnerável. Para o efeito vão ser “efectuadas uma revisão e uma alteração das directrizes sobre os procedimentos de admissão”. Na segunda fase, este sistema será alvo de análise e dos devidos ajustes considerados necessários. Os funcionários destes estabelecimentos também são considerados no documento e, de acordo com o IAS, vão ser formados, na fase preliminar, 40 docentes
qualificados. Paralelamente vão ser criados cursos de formação para os funcionários, assistentes e cuidadores. O objectivo é aumentar para 35 por cento a proporção de pessoal com formação. Na segunda fase, o Governo quer aumentar esta proporção para os 70 por cento e elaborar manuais de funcionamento uniformizados. Sofia Margarida Mota
sofia.mota@hojemacau.com.mo
TRABALHO MACAU COM MAIS 595 TRABALHADORES NÃO RESIDENTES
A
TÉ ao final do mês passado, trabalhavam Macau 178.492 não residentes contratados, ou seja, mais 595 trabalhadores do que no ano passado, de acordo com dados oficiais. Em termos mensais, a RAEM registou mais 1.823 trabalhadores não residentes, de acordo com dados da Polícia de Segurança Pública (PSP), publicados no portal na internet da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais. A China continua a ser a principal fonte de mão-de-obra
importada de Macau, com 111.727 trabalhadores (62,5 por cento do total), mantendo uma larga distância das Filipinas, que ocupa o segundo lugar (28.377), seguindo-se o Vietname (14.835). Os sectores da hotelaria e restauração absorvem a maior fatia de mão-de-obra importada (50.531), seguido do da construção (30.727). As actividades culturais e recreativas, lotarias e outros serviços agrupavam 13.661 trabalhadores do exterior, dos quais 942 eram trabalhadores
da construção civil contratados directamente pelas empresas de lotarias e outros jogos de apostas. A mão-de-obra importada equivalia a 45,6 por cento da população activa e a 46,5 por cento da população empregada, estimadas no final de Outubro. Os trabalhadores não residentes ultrapassaram os 100 mil pela primeira vez na história da Região Administrativa Especial chinesa em 2008. No final de 2000, Macau contava com 27.221 trabalhadores não residentes, em 2005 com 39.411,
PUB
ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 44/P/17 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário As propostas serão entregues na Secção de Expediente para os Assuntos Sociais e Cultura, de 1 de Dezembro de 2017, Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega de Equipamentos Laboratoriais Cedidos Como Contrapartida termina às 17,30 horas do dia 26 de Janeiro de 2018. do Fornecimento de Reagentes ao Centro de Transfusões de O acto público deste concurso terá lugar no dia 29 de Sangue dos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Janeiro de 2018, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. desde o dia 27 de Dezembro de 2017, todos os dias úteis, das A admissão a concurso depende da prestação de uma 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de caução provisória no valor de MOP242 000,00 (duzentas Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1º andar, e quarenta e duas mil patacas) a favor dos Serviços de da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia sujeitos ao pagamento de MOP 41,00 (quarenta e uma patacas), Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Serviços de Saúde, aos 15 de Dezembro de 2017 Secção de Tesouraria destes Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no O Director dos Serviços, Substituto website dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Cheang Seng Ip
em 2012 com 110.552, em 2014 com 170.346, em 2015 com 181.646, e em 2016 com 177.638. Apesar de perfazerem mais de um quarto da população de Macau (27,2 por cento dos 648.500 habitantes estimados no final de Setembro), os trabalhadores não residentes não contam com um mandatário formal no seio da Concertação Social. A ala laboral tem assento, mas a situação dos trabalhadores não residentes difere da dos locais, sendo regulada por uma lei específica.
GOVERNO ENCOMENDA ESTUDO À QUALIDADE DA ÁGUA DO MAR
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Governo encomendou um estudo sobre o projecto de monitorização da qualidade da água nas áreas marítimas do território pelo valor de 645 mil euros, de acordo com um despacho publicado em Boletim Oficial. Segundo despacho do Chefe do Executivo, a verba em causa, 6,16 milhões de patacas, encontra-se escalonada em três tranches (uma referente a 2017, outra a 2018 e a última ao ano seguinte), pelo que o estudo tem um prazo de execução previsto até 2019. A entidade adjudicatária, cujo nome se encontra publicado apenas em caracteres chineses, funciona sob alçada da Administração Estatal Oceânica da China. Macau tem, desde 20 de Dezembro de 2015, um novo mapa de divisão administrativa, aprovado pelo Conselho de Estado da China, que determina que ficam sob sua jurisdição 85 quilómetros quadrados de áreas marítimas. Na sequência do decreto do Conselho de Estado, o Governo de Macau iniciou os trabalhos de produção de uma lei de bases de gestão das áreas marítimas. Depois de, no ano passado, ter sido submetido a consulta pública um documento com as principais linhas orientadoras do diploma em causa, foi entretanto finalizada uma proposta de lei que deve ser em breve entregue à Assembleia Legislativa.
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quinta-feira 28.12.2017
BIENAL DE ARQUITECTURA ESCOLHIDA EQUIPA PARA REPRESENTAR MACAU EM VENEZA
Cartas do desenvolvimento
O território será representado na 16ª edição da Bienal de Arquitectura de Veneza com um projecto dos arquitectos Ieong Chong Tat, Vong Ka Ian e Chu Hou San e com curadoria de Lam Manuel Lap Yan. O desenvolvimento de Macau nos últimos anos será peça central do projecto
U
M A equipa jovem, com uma média de idades de 30 anos, e que trabalha em Macau. Assim se pode falar dos nomes por detrás do projecto que vai representar Macau na 16ª Bienal de Arquitectura de Veneza, a realizar-se em Maio do próximo ano. Ieong Chong Tat, Vong Ka Ian e Chu Hou San são os arquitectos responsáveis pelo projecto, que tem a curadoria de Lam Manuel Lap Yan. A equipa foi escolhida por um júri composto por alguns arquitectos, um deles Carlos Marreiros, que analisou as diversas propostas a partir de Outubro. O Instituto Cultural e aAssociação dosArquitectos de Macau foram duas entidades envolvidas neste processo.
O tema deste ano da bienal é “Espaço Livre”, que engloba “imaginação, períodos e memórias de liberdade, pegando em ligações do passado, presente e futuro para unir o antigo com o moderno, tendo por base aspectos culturais que advém de tradições continuadas”. Nesse sentido, a equipa vencedora decidiu materializar no projecto o desenvolvimento que o território vivenciou nos últimos anos. Os arquitectos escolheram “propositadamente como elemento base do seu projecto a ‘carta de jogar’, um símbolo do rápido desenvolvimento económico de Macau”. “Através de diferentes conjugações e formatos da ‘carta de jogar’ e de técnicas abstractas, revelam constru-
ções ricas em características locais e que estão numa relação próxima com os residentes, como mercados, jardins e escadarias, entre outros. No processo de exploração e reconstrução, é possível experienciar de novo o espaço local, reflectir sobre a relação harmoniosa que se estabelece entre pessoas e espaço, desafiar planos e os limites da autonomia e explorar um
equilíbrio interactivo”, explica o comunicado.
UMA QUESTÃO DE MATURIDADE
Os elementos do júri consideraram que o projecto apresentado pela equipa vencedora “faz uso de características da cidade de Macau e incorpora elementos com valor cultural, revelando uma imagem de Macau de forma perceptual e apresentando o tradicional de uma nova forma,
tendo por isso bastante interesse e unicidade”. Além disso, “a equipa vencedora mostrou-se merecedora de ser seleccionada por ter ainda revelado bastante maturidade a nível da linguagem e representação arquitectónicas bem como a capacidade de destacar as características culturais de Macau”, aponta o comunicado. A Bienal de Arquitectura de Veneza realizou-se pela primeira vez em 1980 e é um dos eventos de arquitectura e dos círculos académicos mais influentes do mundo, constituindo uma plataforma importante de intercâmbio cultural e de arquitectura. Desde 2014 que o IC já organizou a participação por duas vezes de arquitectos locais a este grande evento.
IIM HENRIQUE D’ASSUMPÇÃO GANHA PRÉMIO IDENTIDADE
O
S órgãos sociais do Instituto Internacional de Macau deliberaram atribuir o Prémio Identidade do ano de 2017 a Henrique d’Assumpção, mais conhecido por Quito entre os amigos, pela sua muito relevante contribuição para a preservação do património e da identidade macaense, disseminando a sua genealogia, história e cultura, no espaço cibernético, em Português e Inglês. Natural de Macau, donde jovem partiu para prosseguir estudos na Austrália, “Quito” d’Assumpção desempenhou funções de relevo no Governo daquele País, com uma invejável folha de serviços e vários títulos e comendas honoríficas. Depois de se ter aposentado da vida académica como Professor Emérito da Universidade de South Australia, passou
a dedicar-se de corpo e alma, nos últimos 20 anos, a criar um repositório permanente para a preservação de registos culturais e históricos dos macaenses e, apesar dos seus outros inúmeros compromissos profissionais e oficiais, conseguiu recolher e disponibilizar um grande acervo de dados. Ampliando a documentação existente sobre a genealogia das famílias macaenses, enriquecendo-a com milhares de fotografias e variadas outras informações, coligindo mais de 200 receitas da culinária macaense, reunindo versos, um léxico e áudio do velho dialecto de Macau; logrou digitalizar esses elementos numa plataforma electrónica com documentação biográfica relativa a mais de 55.000 nomes, e preparou o desenvolvimento dessa base
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA ACABEM COM ESTA CRISE JÁ! • Paul Krugman
“Acabem com Esta Crise Já!” é um autêntico “apelo às armas” do Nobel de Economia e autor bestseller Paul Krugman, perante a profunda recessão que estamos a viver e que se prolonga já há mais de quatro anos. No entanto, como o autor refere nesta obra brilhantemente fundamentada, “as nações ricas em recursos, talentos e conhecimento, que possuem todas as condições para gerar prosperidade e um padrão de vida decente para todos, permanecem num estado que acarreta um intenso sofrimento para os seus cidadãos”. Como é que chegámos a este ponto? Como é que ficámos atolados no que agora só pode ser considerado como uma das maiores depressões desde 1929? E acima de tudo, como podemos libertar-nos dela? Krugman responde a estas perguntas com a lucidez e perspicácia tão características dele. A mensagem que aqui transmite é sem dúvida poderosa para qualquer pessoa que tenha suportado estes últimos, penosos anos: uma recuperação rápida e forte está apenas a um passo, se os nossos líderes encontrarem a “clareza intelectual e vontade política” para acabar com esta depressão agora.
“indefinidamente para o futuro”, sem perseguir fins pessoais e num esforço digno dos maiores encómios. O Prémio Identidade, instituído desde 2003, decidido por deliberação de todos os órgãos sociais do IIM, visa galardoar pessoas ou instituições que, de forma continuada, hajam contribuído para o reforço e valorização da identidade macaense. Entre os contemplados incluem figuras como o Monsenhor Manuel Teixeira, Henrique de Senna Fernandes, Arnaldo de Oliveira Sales, e instituições, tais como a Diocese de Macau, a Santa Casa da Misericórdia, a Universidade de Macau, a Escola Portuguesa de Macau e outros organismos, locais e do exterior, ligados à diáspora macaense.
Museu Marítimo abre hoje ao público
O Museu Marítimo passa a entrar de novo em funcionamento a partir de hoje, depois de ter estado temporariamente encerrado devido aos estragos causados com a passagem do tufão Hato. Segundo um comunicado, “a maioria das zonas de exposição do Museu pode ser aberta ao público enquanto é preciso algum tempo para substituir um pequeno de peças; os elevadores ainda não funcionam e a esplanada ainda não está aberta ao público por estarem em reparo”. O museu irá funcionar sem alteração de horários e de preços dos bilhetes, sendo que “as lembranças do museu sofreram danos ligeiros mas ainda estão em bom estado, pelo que serão vendidas com desconto”.
São Lázaro CPTTM passa a gerir Galeria de Moda de Macau
O Centro de Produtividade e Transferência de Tecnologia de Macau ganhou o contrato para a “Exploração e Gestão da Galeria de Moda de Macau”, localizada no bairro de São Lázaro. O contrato é referente ao ano de 2018 e custa ao Instituto Cultural quase três milhões de patacas, suportadas pelo orçamento privativo do Fundo de Cultura.
RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET
LUKA E O FOGO DA VIDA • Salman Rushdie
Numa bela noite estrelada, na cidade de Kahani, em terras de Alifbay, aconteceu uma coisa terrível: o pai de um rapaz de doze anos chamado Luka, o contador de histórias Rashid, mergulhou súbita e inexplicavelmente num sono tão profundo que não havia quem conseguisse acordá-lo. Para o salvar de se sumir por completo, Luka tem de empreender uma jornada pelo Mundo Mágico, deparando pelo caminho com um sem-número de fantasmagóricos obstáculos, a fim de roubar o Fogo da Vida, uma tarefa aparentemente impossível e extremamente perigosa. Com Harun e o Mar de Histórias, Salman Rushdie creditou-se como um dos melhores contadores de fábulas contemporâneas, e o livro revelou-se uma das suas obras mais populares junto de leitores de todas as idades. Se Harun foi escrito como presente para o seu primeiro filho, Luka e o Fogo da Vida, a história do irmão mais novo de Harun, é uma prenda para o segundo filho, por ocasião do seu décimo segundo aniversário.
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28.12.2017 quinta-feira
CRIADO MECANISMO DE COOPERAÇÃO COM PAQUISTÃO E AFEGANISTÃO
Sem segundas intenções REUTERS
Aliança com Paquistão e Afeganistão não visa isolar a Índia
O
S ministros dos Negócios Estrangeiros da China, Paquistão e Afeganistão realizaram na terça-feira a sua primeira reunião tripartida focados em alcançar um consenso em temas como economia, segurança regional e conectividade. O MNE anfitrião, Wang Yi, pretendia neste encontro “promover também a reconciliação e criar confiança entre seus outros dois interlocutores, cujos países mantêm tensões por um diferendo territorial” revelou a Xinhua. A realização do encontro foi decidida em Junho passado, quando os MNE dos três países decidiram estabelecer um mecanismo de cooperação para analisar questões de interesse comum. Como preâmbulo, Wang recebeu o seu homólogo afegão, Salahuddin Rabbani, e pediu
que aproveitasse a reunião desta terça-feira para abrir o caminho ao entendimento e à normalização das relações com o Paquistão. Também conversaram sobre as possibilidades de ampliar a colaboração
através do projecto económico Uma Faixa, Uma Rota.
ÍNDIA NÃO DEVE TEMER
O novo mecanismo de cooperação e desenvolvimento lançado pela
China com os vizinhos Paquistão e Afeganistão “não é dirigido contra países terceiros”, disse ontem o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, perante receios de que a estratégia vise isolar a Índia.
CHINA-JAPÃO PARTIDOS NO GOVERNO JUNTOS PARA FORTALECER LAÇOS IRIGENTES do Partido Comunista da China (PCC) reuniram-se com a coligação do governo japonês formada pelo Partido Democrático Liberal (PDL) e o seu parceiro Komeito. A reunião aconteceu nos dias 25 e 26 de Dezembro na Província de Fujian, leste da China, sendo a sétima reunião do mecanismo de intercâmbio entre partidos governantes sino-japoneses. Os representantes conversaram sobre política, economia e intercâmbio entre os povos.
MNE pede a Tóquio que siga desenvolvimento pacífico
Song Tao, chefe do Departamento das Relações Internacionais do Comité Central do PCC, disse que os partidos governantes da China e do Japão devem implementar os importantes consensos dos líderes dos dois países, consolidar a confiança mútua e lidar adequadamente com as diferenças, de modo a melhorar a relação bilateral e promover o desenvolvimento sólido dos laços. O secretário-geral do PDL, Toshihiro Nikai, o secretário-geral
A China pediu ao Japão que siga o caminho do desenvolvimento pacífico e actue de forma prudente em assuntos de segurança, disse na terça-feira uma porta-voz do MNE. Segundo a imprensa, o Japão está a considerar consertar o navio Izumo para que bombardeiros ali possam descolar e pousar. A porta-voz Hua Chunying disse que as acções japonesas em termos de segurança militar sempre atraem a atenção dos seus vizinhos e da comunidade internacional em geral por razões históricas. As acções japonesas podem violar o 9º artigo de sua constituição pacifista, que fornece uma garantia legal para a persistência japonesa no caminho de desenvolvimento pacífico na era pós-guerra, acrescentou Hua. “Pedimos que o Japão adopte acções que ajudem a fortalecer a confiança mútua para promover paz e estabilidade regionais.”
THE ASIAN AGE
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do Komeito, Yoshihisa Inoue, e o presidente da Federação Comercial do Japão, Sadayuki Sakakibara, concordaram que a reunião foi de grande importância para fortalecer a confiança política mútua e melhorar os laços bilaterais. Os representantes japoneses disseram que estão dispostos a trabalhar conjuntamente com o lado chinês para intensificar a cooperação e o intercâmbio, de modo a acumular condições favoráveis para a melhoria das relações bilaterais.
“Não é dirigido contra terceiros, inclusivamente queremos que beneficie outros países”, disse em conferência de imprensa a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, indicando que “é bastante normal que a China, Paquistão e Afeganistão mantenham diálogo e cooperação”. Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos três países reuniram-se na terça-feira em Pequim para lançar um mecanismo de cooperação conjunta e estudar a inclusão do Afeganistão no Corredor Económico China-Paquistão, uma iniciativa que inclui planos de infra-estruturas e transporte avaliados em cerca de 57.000 milhões de dólares. O Paquistão e o Afeganistão “são vizinhos da China e têm grandes desejos de melhorar as suas economias e a vida dos seus cidadãos”, disse a porta-voz. Os planos de cooperação internacional com esses países estão integrados nas Novas Rotas da Seda, grande plano de infra-estruturas e telecomunicações da China com a Eurásia e outras regiões. Pequim e Nova Deli mantêm há décadas uma relação complicada, pelas mútuas reclamações fronteiriças, mas também por questões como o conflito tibetano, dados que o dalai lama, líder espiritual daquele povo, vive no exílio de Dharamsala (norte da Índia) desde 1959.
LAVROV CHINA SERÁ EM BREVE A MAIOR ECONOMIA DO MUNDO
O
ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou nesta semana que a China em breve será a maior economia do mundo, e que isso faz com que o país asiático tenha interesses em outras partes do mundo, incluindo a América Latina. Falando sobre a China, o ministro disse que tem recursos económicos e interesses na América Latina e quer “investir nessa parte do mundo porque não tem muitos recursos minerais”. De acordo com Lavrov, a América Latina é muito interessante não só para a China, mas também para as empresas russas. “À medida que nossas empresas e empresas chinesas se aprofundam na América Latina, acredito firmemente que haverá mais projetos”, disse Lavrov em entrevista exclusiva à RT. O ministro russo acrescentou que os BRICS e o Novo Banco
de Desenvolvimento (que foi criado como BRICS) também se juntarão a este trabalho de investimentos. Lavrov também abordou o crescimento da economia chinesa. Com o apoio dos parceiros do BRICS, a China chegará a ocupar o primeiro lugar – hoje nas mãos dos Estados Unidos – como a maior economia do mundo. Lavrov ressaltou que a crescente influência dos BRICS na economia global e no G20 levará a um mundo multipolar. “Eu acredito que nossos homólogos ocidentais no G20 percebem cada vez mais que precisam negociar, eles precisam concordar”, disse Lavrov. “O BRICS não está sozinho — tem aliados, incluindo Arábia Saudita, México, Argentina e Indonésia. Eu acho que metade do grupo do G20 procura participar do processo de tomada de decisão”, disse ele.
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quinta-feira 28.12.2017
Identidade virtual
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Perfil no Wechat servirá bilhete de identidade oficial
Um tribunal chinês vai leiloar na internet uma torre de 39 andares, a um preço inicial de 553 milhões de yuans. O edifício de 156 metros de altura e superfície de 76.000 metros quadrados fica na cidade de Taiyuan, na província de Shanxi (norte). As obras do arranha-céu começaram em 2006, mas foram suspensas por falta de recursos em 2010, quando já estavam adiantadas. A torre deveria receber um hotel que nunca foi inaugurado. O Tribunal Supremo de Shanxi vai organizar o leilão da torre e do terreno em 2 de Janeiro na principal plataforma de comércio electrónico chinesa, Taobao, conhecida como “eBay chinês”. O tribunal divulgou fotografias do edifício inacabado. Num esforço de transparência na venda dos bens confiscados, muitos tribunais chineses abriram contas na plataforma de leilão judicial Taobao, de acordo com a agência Xinhua. Nesta plataforma digital é possível comprar qualquer tipo de bem pretendido, como edifícios, carros, jóias e telefones móveis.
Aviso Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 19.º da Lei n.º 4/2016, Lei de protecção dos animais, são obrigados a obter uma licença emitida pelo IACM os proprietários dos cães que tenham completado três meses de idade e que não sejam animais para competição; ao mesmo tempo, o dono de animal deve cumprir a regra prevista na alínea 4) do n.º 1 do artigo 11.º da Lei em causa, cuidar do animal providenciando os meios necessários de modo a prevenir e tratar doenças contagiosas, nomeadamente a vacinação dos cães contra a raiva. Para facilitar o pedido e levantamento da licença para cães e a vacinação antirábica dos cães pelo dono de animal, o IACM instalará os Postos de serviço ambulantes para pedido e levantamento da licença para cães e vacinação anti-rábica nas seguintes datas e locais que se encontram na tabela anexa Macau, aos 07 de Dezembro de 2017 O Presidente do Conselho de Administração José Tavares Data
Horas
Local
06/01/2018 ( Sábado )
14 : 00 – 19 : 00
Jardim da Vitória
13/01/2018 (Sábado )
14 : 00 – 19 : 00
Praça de Luís de Camões
20/01/2018 ( Sábado)
14 : 00 – 19 : 00
Praça de Ponte e Horta
25/01/2018 ( Quinta-feira)
17 : 00 – 19 : 30
Zona de Lazer do Edf. Lok Yeung Fa Yuen, Bairro de Fai Chi Kei
26/01/2018 ( Sexta-feira )
17 : 00 – 19 : 30
Zona de Lazer do Edf. Lok Yeung Fa Yuen, Bairro de Fai Chi Kei
27/01/2018 ( Sábado )
14 : 00 – 19 : 00
Parque Urbano da Areia Preta (Perto do Supermercado Royal)
03/02/2018 ( Sábado )
14 : 00 – 19 : 00
Seac Pai Van, Coloane (Edf. Ip Heng)
10/02/2018 (Sábado )
14 : 00 – 19 : 00
Rotunda do Estádio, Taipa
LUTA ANTI-POLUIÇÃO PUBLICADO PRIMEIRO ÍNDICE A NÍVEL NACIONAL
O
Gabinete Nacional de Estatística da República Popular da China publicou ontem o primeiro índice de províncias e regiões classificadas segundo o “PIB Verde”, uma variável entre o crescimento económico e os compromissos locais na luta contra a contaminação ambiental. O município de Pequim, apesar da poluição atmosférica que afecta a cidade, é a melhor classificada das 31 subdivisões estudadas na primeira edição do índice que mediu os valores de 2016. As províncias do Sudeste: Fujian e Zhejiang encontram-se em segundo e terceiro lugares respectivamente. Em último lugar estão as regiões autónomas do Tibete e Xianjiang (oeste), onde os níveis de contaminação costumam ser menores, mas onde se vive em situação de maior pobreza. O índice mede 56 variáveis como a eficiência no consumo de energia, as emissões de dióxido de carbono, a qualidade do ar, além de outras mais convencionais como o rendimento per capita ou o investimento na investigação e no desenvolvimento. “A avaliação anual vai ajudar todas as regiões a melhorar o desenvolvimento ecológico”, disse o diretor do organismo que coordena as estatísticas, Ning Jizhe. O índice é elaborado a partir de dados obtidos pela Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento (órgão estatal de planificação económica), o Departamento de Informação do Partido Comunista e o Ministério do Ambiente. Além do índice, o Gabinete Nacional de Estatística publicou também uma sondagem em que os cidadãos das várias regiões responderam sobre a situação do meio ambiente local. Em contrataste com os resultados do “PIB Verde”, na sondagem, Pequim situa-se em penúltimo lugar e o Tibete na primeira posição.
Península de Macau
Tribunal leiloa prédio de 39 andares na internet
Criado em 2011 como um serviço de mensagens instantâneas similar ao Whatsapp, o Wechat tornou-se na rede social mais popular do país, ao incluir, pouco tempo depois, um serviço de “microblogs” semelhante ao Twitter, uma vez que tanto este, como o Whatsapp estão bloqueados pelo regime chinês. Além disso, nos últimos anos, o Wechat incluiu um sistema de pagamentos electrónicos que se popularizou tanto entre vendedores como compradores da China, ao ponto de muitos cidadãos da segunda economia mundial terem praticamente deixado de utilizar dinheiro em numerário.
Coloane
mento na China, o passaporte ou bilhete de identidade virtuais poderão ser usados para fazer registos em hotéis ou aceder a determinados serviços de instituições oficiais sem necessidade de um documento de identificação convencional. O projecto foi desenvolvido pelo Ministério de Saúde Pública e o gigante electrónico Tencent, dono do Wechat. A consolidar-se o uso do Wechat como documento de identidade, a aplicação, com perto de mil milhões de utilizadores, sobretudo no interior da China, ganhará ainda mais relevância.
Taipa
O
governo de Cantão, no sul da China, iniciou um projecto para que a aplicação de telemóvel Wechat sirva para identificar os utilizadores, como um passaporte ou bilhete de identidade. De acordo com o diário “South China Morning Post”, o projecto experimental iniciado esta semana vai estender-se em poucos dias à província de Guangdong, uma das mais prósperas do país, havendo também a intenção de a testar a nível nacional a partir de Janeiro. Através da tecnologia de reconhecimento facial, em grande desenvolvi-
Nota: 1. Documentos comprovativos que são necessários entregar quando do pedido e do levantamento da licença para cães: a. Fotocópia do documento de identificação, se for pessoa singular; b. Fotócópia do modelo M/7 ou M/8 para efeitos de Contribuição Industrial emitido pela DSF, se for pessoa colectiva c. O documento comprovativo do local da criação do cão do portador da licença (como factura da água, da electricidade). 2. Taxa de pedido da licença para cães pela primeira vez a. Cães esterilizados:MOP 330,00 (incluído já o imposto de selo de 10%) b. Cães não esterilizados: MOP 990,00 (incluído já o imposto de selo de 10%) c. A taxa para pedido e levantamento de licenças para cães inclui exame veterinário, introdução de microchip, inoculação de vacina anti-rábica e atribuição de chapa de identificação metálica (cada cão). WWW. IACM.GOV.MO
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nunca fui verdadeiramente nada e nem esse nada ´ cheguei verdadeiramente a ser. Diários de Próspero António Cabrita
24/12/17 Tenho o fôlego curto para as compras, mais curto que a bolsa, que propende à fífia. Mas pelo Natal, antes da minha mulher me pôr a ruminar o anátema, afasto os olhos da décima leitura de As Metamorfoses de Ovídio e tento arrastar-me com alguma fluência pelo tremeluzir das montras. Entramos na Levi’s, onde as malhas respiram até debaixo de água, dou uma concordância silábica a uma cor, a um padrão, porém o que me atrai é reencontrar Leda e saber que um cisne esgaravata em mim para sair. Passamos ao Massimo Dutti, as calças fazem figas para me encontrar, e ao balcão diviso Europa. Sinto-me de imediato um touro de uma coruscante fotogenia. Segue-se a Timberland e os seus botins alinhados como vagens. O jeito voluptuoso com que a rapariga me afeiçoa a calçadeira ao calcanhar projecta-me nas delícias de Io e no secreto miolo das nuvens. Gosto depois de sair para a aragem da rua com as mãos pejadas de sacos de papel e de, observando os gestos inábeis da minha mulher, pasmar com as alegrias da renúncia. E é ao entrar no táxi que invariavelmente me ocorre a máxima da minha avó Judite: «ao pó tornarás, mas antes serás gaiteiro!» 27/12/17 Vou-vos contar o que me levou à leitura. Eu tinha um pai muito severo e muito competitivo. Apesar de pobre estava disposto a tudo para consolidar a formação dos filhos. Quando eu fui para o ciclo preparatório, o meu pai fez comigo um trato em relação ao “quadro de honra”. Se eu ficasse no quadro de honra no primeiro período, ele dava-me cem escudos, muito dinheirinho para a época. E sobre cada ponto que eu tivesse a mais ele acrescentava cinquenta escudos. Ainda hoje salivo a pensar nos cento e cinquenta escudos! No primeiro período andei em velocidade de cruzeiro e tive média de catorze. Lá pude estoirar o dinheirinho, nem imagino em quê. No segundo período acelerei o movimento e tive quinze. No terceiro período entrei em economia de esforço, e pus a velocidade do relaxe e tive média de treze. Resultado, passei com média de catorze. E vai o meu pai pôs-me de castigo os três meses. Os meus amigos passavam com dez, onze, e iam para o Algarve, eu com catorze era remetido ao quarto. Só podia sair meia hora, estritamente para ir à biblioteca buscar livros. E nesses três meses, entre os dez e os onze, acabei por ler o D. Quixote, vários do Dickens, o Defoe, o Marc Twain, o
MAGRITTE
Preparar a Primavera
Moby Dick, do Melville. Deste gostei tanto que nunca o devolvi. Quando me exigiam o livro eu respondia, Mandem-me prender. Teve a minha mãe de ir devolvê-lo, cheia de vergonha, seis meses depois. Para o que importa, eu estive três meses retido e só tinha como evasão os livros. Fiquei simultaneamente grato ao meu pai e incapaz de perdoar-lhe. O que aliás deu a tónica da nossa relação futura. Eram estes os livros que lia na juvenília. Nessa altura, era ainda incipiente a indústria do livro infanto-juvenil e a nossa ambição era imitar os adultos e não as crianças. Aliás, em quarenta anos passámos de um estado em que, no dizer do Walter Benjamin, “o racionalismo via o menino como um adulto em miniatura” para uma mentalidade social dominada pela puerícia, e na qual os adultos são a obsolescência residual das indústrias culturais exclusivamente devotadas ao infanto-juvenil e subordinadas aos limites perigosos que hoje fazem da irresponsabilidade um estilo e da imaturidade um género. Mas hoje não estamos aqui para nos queixarmos, mas para contar que a minha filha Jade, de dez anos, ficou radiante no Natal porque recebeu oito livros,
e destes, até hoje, dia 27, já despachou dois. E não precisei de a meter de castigo para isso. 28/12/17 Para o Cioran toda a ideia é neutra, sendo o homem que a anima ao projectar nela o seu fogo, as suas expectativas ou demências. E chama a este processo “passar da lógica à epilepsia”. Nunca soube viver sem ser “em epilepsia”, mesmo quando me entretenho a pensar contra mim mesmo, pois pensar assemelha-se a navegar à bolina. E é consequente que o Cioran se compare a Macbeth, apesar, diz, de “não ter cometido qualquer crime”. Sentirá afinidades com a falta de medida a que o poderia empurrar uma Lady
Já não acredito como o Cioran que um livro seja um suicídio diferido. Prefiro associá-lo a um plágio do coração
Macbeth (a qual, ela sim, se identifica com a ideia neutra que procura a sua encarnação), talvez por reconhecer que há vezes em que a faca nos vem à mão e ficamos atolados numa frágil condição humana, demasiado humana – consciência que também me parece ser a que matizava os estóicos. Contudo, como escrevi num poema, já não acredito como o Cioran que um livro seja um suicídio diferido. Prefiro associá-lo a um plágio do coração. Talvez porque me tornei sensível aos argumentos de Christian Bobin que em La Lumière du Monde (um maravilhoso livro de entrevistas) defende: “o Cioran é um benfeitor e não, como dizem os seus precipitados discípulos, porque ele desencante o mundo, mas porque antes neutraliza qualquer falso encantamento. É alguém que limpa o deserto. Com uma pequena vassoura, ele recolhe todos os resíduos das fáceis consolações, e para mim é depois deste trabalho que começa a palavra verdadeira. Ele faz o trabalho do inverso; ele retira as ramagens mortas: chama-se a isto preparar a primavera”. Preparar a primavera, uma ideia consoladora para os invernos mais agrestes.
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quinta-feira 28.12.2017
a construção de um sentido líquido o único possível? para conquistar um porto não definitivo o resto resolve-se em conjunto” (49)
António de Castro Caeiro
Somos Contemporâneos do Impossível (Parte II)
O futuro é narrativo, não no sentido em que narrativa quer dizer pode querer dizer contar uma versão do passado, tão real como possível — contar o que se passou — mas no sentido em que abre para possibilidades que entroncam numa dimensão a haver. A narrativa entendida como um narrar-se a si ou um contar o que se passa consigo parte de si e regressa a si, num caminho todo ele feito por si próprio. É uma forma peculiar de antecipação. Projecta possibilidades. Tenta perceber onde é que vai dar com as escolhas que fez e opções tomadas. Lança prognósticos de possibilidades, neste caso poéticas onde se possa sobreviver num mundo de sentido com uma realidade objectiva completamente interdita, proibida. As narrativas da possibilidade projectam-se no próprio interior do poema em construção, não são a sua formulação gráfica na escrita, na palavra dita. São a própria constituição, concepção, produção poéticas. O narrar-se a si, o dizer-se a si como é consigo, o contar o que se passou consigo são situações que projectam cada si a quem lhe acontece ser na dimensão latente, não descoberta, da profundidade da experiência fáctica da vida. Não se trata de adivinhas interpretativas, estocásticas. É o próprio sentido da possibilidade que está a assomar o horizonte. A narrativa da realidade é meramente indicativa, usa o enunciado declarativo como meio de expressão. O seu mundo pode existir sem ninguém. Pode resultar de um esforço, de uma concentração, de uma atenção: técnica, teórica ou estética. Mas o narrar-se a si que diz de si como é consigo no que se passou exprime a abertura activa e espontânea da exposição possível à cadência e à vibração, ao ritmo e à melodia no interior dos quais o significado ganha corpo de conteúdo. Como se lê em A DESTRUIÇÃO DO GESTO “é preciso pensar o poema sem pensar o poema já acabado sem ter existido a vida só existe no seu próprio revestimento para isso é preciso vestir o poema antes do poema” (42) Em DIÁRIO DE UM CORPO MENOR lê-se a forma específica em que o poema é dado à luz. Espírito e o corpo da letra são o resultado de um debate: “tento definir os seus breves contornos” (43). Os contornos do poema são breves não porque tenha um corpo mínimo a ocupar espaço, mas porque a sua dimensão é temporal e dura um abrir e fechar de olhos, um piscar de olhos “até chover a sua própria carne” (Ibid). “a nuvem escura de um poema paira à minha frente como uma pulga crepitando sobre o lençol negro da noite tento definir os seus breves contornos entre a certeza de cada salto que apodrece é uma nuvem de sombra sobre sombra mordendo mordendo sempre
até chover a sua própria carne um gesto visível para quando cair sobre a luz” (43) Em ALEGORIA DO JUIZ lemos o poema na sua eficácia substantiva: “o poema nasce da colisão entre o projéctil tatuado por gestos e lugares e o peito voluntário que lhe serve de alimento fosse ele o seu momento seminal” (44)
Uma apresentação
“um lugar sem lugar é o sítio onde acordei a querer estar como se pertencesse e existia agora a minha cabeça explode como um barco no rio afinal, o pensamento líquido só serve se para chegar a algum sítio foi tão bela a viagem mas temo que me tenha afogado e o meu coração é agora um planeta, tantos são os oceanos onde deixei viagens por acabar” (48)
“é preciso regressar ao fundo do abysmo sem o deixar ganhar . até onde vamos para entender o desaparecimento?” (53)
O poema numa das suas actividades possíveis: “o poema fere mata desvela” (Ibid.) O poema descrito na sua camuflagem e dificuldade de ser agarrado: “é difícil apanhar o poema no rasto do gato que ainda vive em transgressão ao seu mal intrínseco” (Ibid.) É existência dependente do leitor como o é do seu inventor: “se o poema tem de morrer que não seja por dúvida que seja por culpa e sentença de quem o lê” (44) É no poema que eu compreendo o haver sido abismal da noite eterna do passado: “sou a impossibilidade de olhar para trás a distância toda antes do nascimento” (45) O poema é a face visível, patente, à mostra, mas mínima como uma peça de puzzle, ainda que aparecida. O todo é a parede a construir e a preencher com todas as peças, vistas de todos os pontos de vista possíveis, num nexo que irradia de cada uma para todas e de todas para cada uma das peças: “o poema é só uma face possível de veludo na parede do problema” (47) “O poema nasce da colisão”, “o poema fere, mata desvela”, “anda no rasto de um gato”, “se o poema tem de morrer que não seja por dúvida, que seja por culpa e sentença de quem o lê”, porque quem o escreve diz na primeira pessoa do singular: “sou a impossibilidade de olhar para trás a distância toda antes do nascimento” e é quem tem, por isso, a consciência de finitude: “o poema é só/ uma face possível de veludo/ na parede do problema”. Não tem lugar, porque o seu elemento é a viagem, depende de um pensamento que nos é oferecido, líquido, fluído ou não. Servirá se “chegar a algum sítio”.
Em III, sob designação de FUNDAMENTOS DO ECO, symposium ou a invenção da distância, encontramos uma expansão dos elementos fundamentais de I e II, o mundo próprio e a vida, por um lado, e a expressão desse mundo e dessa vida tal como a semiótica e a significância os conotam. O referente não existe em si, mas sob a dependência do horizonte poético. Um poema é a unidade mínima não apenas da expressão ou da descrição do que acontece, mas fundamentalmente do próprio sentido. A realidade é uma parede, um fundo superficial ou profundo, com uma topologia complexa. Tudo existe alicerçado no tempo irreversível da existência. Sem poema, não há realidade poética. Sem realidade poética, há factos. A realidade pura e dura depende de um mundo criado por um irreducionismo sem ponto de vista. A vida sem poesia é dada a ver para um ponto de vista que tudo perspectiva a partir de nenhures (Thomas Nagel) ou é uma vida pensada por ninguém (Husserl). A narrativa resulta da reconstrução ou da prefiguração que dá forma às figuras do passado e do presente, num lance que se projecta em antecipação como realidade possível e nunca como facto. Habitamos a possibilidade e, por isso, é que há impossíveis. Nunca há a realidade do modo indicativo, tendencialmente desprovida de possibilidade, simplesmente objectiva.
O poema não é um conjunto de versos ou uma composição de um só verso, numa formulação sintaticamente bem formada. Pode ser uma só palavra, pode ser um verso, pode ser um conjunto de versos que procuram fazer sentido. Mas um poema é sempre uma versão da realidade, uma versão de veludo que é forma de um plano de fundo complexo. Como se todos os momentos auto-biográficos de uma vida pudessem ser expressos por um poema do qual temos apenas poemas avulso, episódicos, sem um fio condutor. Mais, como se cada vida humana, em todas as gerações passadas, presentes e futuras tivesse um único poema composto caleidoscopicamente de poemas avulsos, episódicos sem fazer sentido nem composição, para além do que compreendemos deles: serem dados auto-biográficos de uma narrativa de futuro a haver sem concretização real. “sei que tudo é pontual mas tem de haver uma frase para se chegar ao ponto o que pressupõe sempre a construção de um texto: dos pontos usufrui-se a percepção da viagem o seu sentido pleno sem frases não haveria pontos e é impossível ler para trás isso seria a própria definição de peso” (48) . “todos os livros sejam viagens sólidas por acabar talvez seja essa a proposta que me resta navegar:
Agora aparece uma possibilidade extrema de nos relacionarmos com outro, num sistema complexo de antecipação que paira em suspenso sobre o vazio, onde as falas são inventadas a cada instante, as conversas requeridas por dois a serem um com o outro como possibilidades e não realidades. Esta possibilidade de ser um com outro é a que inventa um futuro, porquanto o próprio si está encerrado na cápsula do seu tempo e, quando muito, reage como reflexo ao reflexo da realidade dos outros, que existem apenas como impressões. Ora as impressões, mesmo que indeléveis, são impressões. Foram deixadas em nós. Podem ser alimentadas com a nossa imaginação e fantasia ficcionais. “sim, o futuro existiu na distância percorrida de um para o outro entre o gesto e o eco que o espelho devolvia secretamente carregado de partículas geradas por essa impossibilidade que os anos, morrendo à distância, vieram ridículos a chamar de paixão” (54) A distância percorrida de um para o outro: gesto, eco, são fundidos como reflexos de quem gesticula ou de quem fala, sempre para outro. O próprio reage ao gesto ou ao eco do outro como reflexos num espelho que nunca é visto como espelho, mas como a própria realidade. A reacção ao que aparece no espelho é uma reacção ao próprio e nunca a um reflexo. Na paixão, como a descreve Platão, é por nós que estamos apaixonados. Não é pelo outro. Isso é imperceptível a quem olha. Não percebemos que somos nós lá plasmados no outro.1
1- Shakespeare na Comedy of Errors, põe Antifolo de Siracusa a dizer: “Call thyself sister, sweet, for I am thee. Thee will I love and with thee lead my life: Thou hast no husband yet nor I no wife. Give me thy hand.” (Continua)
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quinta-feira 28.12.2017
na ordem do dia Julie O’yang
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热风
Regresso ao futuro
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ARA mim, 2017 foi como uma alucinação, passou como um comboio desenfreado que se precipita para um final em suspenso, de forma sistemática e implacável. Em Outubro, a imprensa estatal chinesa anunciou que a Corporação de Ferrovias da China (CFC), --- que está a fazer um enorme esforço para exportar os seus comboios de alta velocidade, tecnologicamente muito avançados --- vai receber 30 biliões de dólares para desenvolver a competitividade nos mercados estrangeiros. O Export-Import Bank of China assinou um acordo de financiamento com a CFC no valor de 200 biliões de yuan (cerca de 30 biliões de dólares) para permitir a criação de uma estratégia de exportação de tecnologias de ponta ferroviárias. Mas, tanto quanto sabemos, as últimas notícias sobre a exportação de tecnologia de ponta ferroviária chinesa referiram-se à queda de uma ponte, entre Nairobi e Mombaça, cuja construção foi entregue à mal-afamada empresa China Road and Bridge Corporation. Aparentemente, o nosso mundo global está bem servido de ultra surrealismo. A semana passada, o site noticioso Q Daily, de Xangai, publicou um inquérito com a seguinte questão “Qual foi o acontecimento do ano que mais transcendeu a sua compreensão?” A ideia, explicava o Q Daily, era permitir aos utilizadores escreverem sobre acontecimentos “mais estranhos e perturbadores do que a mais louca imaginação pode conceber”. O inquérito tornou-se imediatamente viral e atraiu perto de 20.000 participantes – a maior participação registada pelo site em iniciativas do género. Estes resultados foram obtidos antes do inquérito ser censurado, o que aconteceu menos de 24 horas após o lançamento. No topo da nossa lista das preocupações vem o sentimento de profunda insegurança de quem tem de lidar com um Governo que oprime todas as classes sociais; operários, classe média, e mesmo a classe alta da China. Por isso, sejamos apenas turistas, a bordo deste comboio de alta velocidade, e observemos algumas curiosidades locais através das janelas do delírio. A EXPULSÃO DOS MIGRANTES EM PEQUIM Parecia uma cena de um filme de desastres naturais quando dezenas de milhares de pessoas foram forçadas a deixar as suas casas a meio da noite. As expulsões desencadearam uma onda de revolta popular e muita gente sentiu que que os trabalhadores migrantes estavam a ser usados como bode expiatório da sobrepovoação da capital chinesa. O termo “população periférica” invadiu a inter-
O ano em retrospectiva ou projecto, não existe se as políticas vigentes não o permitirem. Seja qual for a verdade ou o facto, não pode ser mencionado se as políticas vigentes não o permitirem. A semana passada, no Sul da China, um homem apanhou uma pena de prisão de cinco anos e meio, e foi multado em 76.000 dólares americanos, por vender VPN (Virtual Private Network) a utilizadores de sites de Pequim que tinham sido censurados. MAUS TRATOS INFANTIS Os escândalos “Os infantários chineses estão cheios de demónios”, escrevem as pessoas na net. Em Novembro, uma cadeia de infantários chinesa, muito conceituada, foi acusada de maus tratos depois de alguns pais terem descoberto que as crianças tinham marcas de picadas de agulhas e que lhes tinham sido dados comprimidos não identificados. As autoridades censuraram os debates online sobre o incidente e mais tarde negaram que tenha havido quaisquer maus tratos. Na China, cerca de 60 casos de maus tratos a crianças foram encobertos desde 2010, segundo o jornal de negócios chinês Caixin. CÂMARAS DE VIGILÂNCIA A China possui a maior rede de câmaras de vigilância do mundo, com 179 milhões de unidades em funcionamento no país inteiro, prevendo-se que venham a ser instaladas durante os próximos três anos mais 400 milhões de unidades. Está também a ser criada uma base de dados gigantesca para reconhecimento facial, que permitirá identificar qualquer cidadão chinês em três segundos. A plataforma Water Drop oferece imagens em tempo real, a partir de câmaras com objectivas de 360º, instaladas em locais como estúdios de yoga, restaurantes e jardins infantis. O Truman Show já não é só cinema.
“Os desejos de Natal na China.”
net chinesa e foi usado como “atalho” para designar os preconceitos contra os migrantes—até os censores porem mãos à obra. CENSURA “Tudo o que não se pode publicar nos jornais é verdadeiro. Se não se pode
transmitir na Televisão é porque a história é real. Se não se poder falar do assunto no Weibo é porque é uma critica válida,” escreveu o autor Wang Shuo. O Governo proíbe os websites e fóruns que muito bem entende, independentemente do significado que têm para as pessoas. Qualquer que seja o negócio
A IMAGEM DE PODER DE XI JINPING A mão de ferro e o culto da personalidade de Xi tornaram-se mais visíveis a partir de Outubro, altura em que começou o seu segundo mandato de cinco anos como líder supremo da China, já com o terceiro mandato no horizonte. A Nova dinastia de Grandes Líderes está a acontecer à escala global, a uma velocidade alucinante.
Bom 2018!
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POUCO
28.12.2017 quinta-feira
O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente
EXPOSIÇÃO “AO MEU CORAÇÃO UM PESO DE FERRO” Livraria Portuguesa | Até 08/01
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NUBLADO
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O CARTOON STEPH
PROBLEMA 187
SOLUÇÃO DO PROBLEMA 186
UM LIVRO HOJE
PADDINGTON 2 PADDINGTON 2 [A]
FALADO EM CANTONENSE Filme de: Lee Unkrich 14.30, 16.45, 19.15
FALADO EM CANTONENSE Filme de: Paul King Com: Hugh Bonneville, Sally Hawkins, Hugh Grant 16.30
STAR WARS EPISODE VIII [B]
PADDINGTON 2 [A]
COCO [A]
Filme de: Rian Johnson Com: Daisy Ridley, John Boyega, Mark Hamill 21.30 SALA 2
SALA 3
Filme de: Michael Gracey Com: Hugh Jackman, Zac Efron, Michelle Williams, Zendaya 14.30, 19.30, 21.30
Filme de: Jake Kasdan Com: Dwayne Johnson, Jack Black, Karen Gillian 16.30, 19.15, 21.30
JUMANJI: WELCOME TO THE JUNGLE [B]
Falta espaço em Macau. Qualquer pedaço de terreno sem tijolos em cima aguça a gula da construção, saliva-se por empilhar solidificação vertical e sacrifica-se o vazio, o fôlego. Macau é uma cidade de respiração suspensa, em apneia urbanística, de céus repletos de abutres betoneiros a rondar cada moribundo metro quadrado vazio. Vende-se o horizonte à licitação mais alta e, ainda assim, os lares não abundam. O dinheiro não habita em lado nenhum, é por natureza desalojado, sem tecto nem chão, uma abstracção de estatuto imaterial. Porém, acaba por deter a maioria dos lares que precisam de recheio humano, paredes que anseiam concretização, quadros, vida, gargalhadas, desamores, reatamentos fogosos, noites de tédio a olhar para o bolor a alastrar. O dinheiro tem as casas que os que não têm muito dinheiro precisam. É uma pescadinha de especulação na boca. Habitação deveria ser um direito fundamental, um desígnio imperioso das sociedades que se dizem modernas e justas. Não deveria ser um bem da mesma categoria das acções de bolsa, dos investimentos cambiais e do ouro. Não deveria ser um bem sob pena de trazer o mal a uma larga camada da sociedade. Por isso, hoje, sonho com vistas largas, campo aberto, promessas de futuro. Hoje sonho com o céu e as estrelas, a paisagem cósmica desta nossa casa planetária. João Luz
BARBARY SHORE | NORMAN MAILER
Apesar de ser um bom livro “Barbary Shore” sofre das dores de crescimento de ser a segunda obra publicada após uma estrondosa estreia. “Os Nus e os Mortos” apresentou Norman Mailer ao mundo da literatura com estrondo. O livro que se seguiu tem como protagonista um ex-militar que regressa da Segunda Guerra Mundial ferido e com aspirações literárias. O personagem sofre de amnésia e vive atormentado pelo segredo que o passado representa para si, tanto a nível moral, como em termos de acesso a material para o livro que está a escrever. “Barbary Shore” é uma boa obra, apesar de ter vivido na sombra da estreia genial do autor norte-americano. João Luz
FALADO EM CANTONENSE Filme de: Paul King Com: Hugh Bonneville, Sally Hawkins, Hugh Grant 14.30
THE GREATEST SHOWMAN [B]
SUDOKU
DE
SALA 1
1.22
HABITOFOBIA
A LINGUAGEM E A ARTE DE XU BING Museu de Arte de Macau | Até 4/3/2018
C I N E M A
YUAN
PÊLO DO CÃO
EXPOSIÇÃO “O TEMPO MEMORÁVEL” Museu de Macau | Até 25/02/2018
Cineteatro
0.24
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opinião 19
quinta-feira 28.12.2017
bairro do oriente
LEOCARDO
PIETER VAN DER HEYDEN, D’APRÈS PIETER BRUEGEL, O PAÍS DA UTOPIA
Notas de Fim de Ano
J
Á fui acusado (isso mesmo, acusado!) no passado de “não gostar da Tailândia” – assim como também já fui acusado de não gostar dos U2, ou dos Black Eyed Peas. Há de tudo. Ora bem, este ano, e pela primeira vez na vida, fui passar o Natal à Tailândia. E gostei, como gosto sempre, mas isto não muda aquilo que penso que está mal com este país, que para os portugueses que residem em Macau é o equivalente a passar férias no Algarve. E não falo só do facto de ser mais fácil encontrar uma prostituta em Bangkok do que uma zona para fumadores. É todo o resto, desde ao trânsito à poluição e à sujidade, passando pelos motoristas de táxi e de tuk-tuk, para quem cada turista é um pato. Mas foi bom, e seria sempre melhor do que nada. Ou que ficar em Macau. Num outro prisma, em Portugal, a indignação natalícia teve a ver com que uma tal Padaria Portuguesa dispôs do Bolo Rei que não conseguiu vender, acomodando-o num caixote de lixo em frente a uma das suas lojas.
A imagem dos bolos reis a transbordar do lixo correu o país de lés a lés, e causou a revolta de quem achou – e bem – de que não se faz isto com a comida; é um insulto aos pobres. O problema é que nem os pobres devem gostar de Bolo Rei. Contam-se pelos dedos de uma mão as pessoas que conheço que gostam daquele pão seco, e ainda menos as que apreciam as frutas cristalizadas que o decoram. Mas eu gosto, e só até capaz de comer duas fatias no mesmo dia, e guardar o resto para comer torrado com manteiga e um chá nos dias que se seguem, contando que sejam frios, tristes e chuvosos. Mas uma vez que este é um cenário que nem sempre se proporciona, que tal substituir o bolo rei autêntico por uma imitação, de plástico, ou melhor ainda, de loiça? Já que ninguém o come, e assim evitava-se o desperdício. E a ceia de Natal? Ora bem, neste aspecto assisti a discussões acesas sobre qual deve ser o prato principal na consodada, com as opiniões a dividirem-se entre o peru e o bacalhau. Eu gosto dos dois, e como não se trata aqui da “Escolha de Sofia”, não tenho preferência de um pelo outro – não me sinto
Sorte tem quem passou o Natal em boa companhia, independentemente do animal falecido sobre a mesa
com vontade de comer bacalhau quando há só peru, nem vice-versa. Entretanto parece que há quem prefira borrego assado no forno, ou em algumas regiões do norte e do interior, polvo. Sim, polvo, o molusco cefalópode, e descobri que há quem considere comer polvo pela consoada como algo de “provinciano”, ou “rústico”, e li ainda comentários do tipo “o que tem o polvo a ver com o Natal”? Provavelmente tanto quanto o Menino Jesus ou o Pai Natal têm a ver com perus e bacalhaus. Discussões fúteis, estas, a da quadra natalícia. Parece que nos esquecemos que no mundo existe quem seja capaz de matar por uma sandes de mortadela, para enganar a fome. E depois esquecemo-nos daquilo que é mais importante do que a ementa da Consoada: com quem a passamos. O preferível será sempre que seja junto daqules que consideramos mais queridos e mais próximos de nós, e longe dos “diabos” que nos aparecem pela frente durante o resto do ano. Na Tailândia vi estrangeiros a jantar sozinhos na véspera de Natal, ou outros ainda cuja única companhia era uma “providenciadora de afectos profissional” (para não repetir a palavra “prostituta”). Sorte tem quem passou o Natal em boa companhia, independentemente do animal falecido sobre a mesa. Para todos os leitores do Hoje Macau, um excelente final de 2017, e boas entradas no ano de 2018. Com ou sem Bolo Rei.
Na cabana do pescador, os grilos cantam junto com os camarões. PALAVRA DO DIA
Bashô
quinta-feira 28.12.2017
Israel Ministro propõe estação ferroviária “Donald Trump”
Hato Reparo de estragos custa mais de 14 milhões
A empresa Lei Ka Chi Construtor Civil será a responsável pelas “Obras de Manutenção e Reparação Emergentes das Instalações Danificadas pelo Tufão “Hato”, recebendo por esse projecto mais de 14 milhões de patacas, a serem pagas até ao próximo ano. As informações constam num despacho publicado ontem em Boletim Oficial.
Arquitectos portugueses desenham edifício da PSP A empresa Luís Sá Machado, Conceição Perry & Isabel Bragança — Arquitectos, Limitada foi a escolhida para desenvolver o projecto da “Empreitada de Construção do Novo Edifício de Comando do Corpo de Polícia de Segurança Pública e Unidade Táctica de Intervenção Policial na Zona E1”, localizada nos novos aterros. Segundo o despacho publicado ontem em Boletim Oficial, o Governo vai pagar ao atelier quase 26 milhões de patacas, um valor a ser pago gradualmente até 2022.
Seac Pai Van Escolas custam quase 800 milhões
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O Governo adjudicou ao consórcio composto pela Companhia de Decoração San Kei Ip, Limitada e Sociedade de Construção e Engenharia — Grupo de Construção de Xangai — SCG (Macau) a “obra de construção dos edifícios escolares e instalações educativas” num dos lotes do complexo de habitação pública de Seac Pai Van, em Coloane. Por este projecto, a realizar até 2019, o Executivo vai pagar quase 800 milhões de patacas, aponta o despacho publicado ontem em Boletim Oficial.
XADREZ CAMPEÃ MUNDIAL RECUSA JOGAR NA ARÁBIA SAUDITA
A ofensa tem limites
A
ucraniana Anna Muzychuk, de 27 anos, é dupla campeã mundial de xadrez. A sua irmã, Mariya Muzychuk, dois anos mais nova, seguiu-lhe os passos. E não apenas no desporto, mas também nas convicções. Entre 26 e 30 de Dezembro realiza-se o campeonato mundial de xadrez na Arábia Saudita e as irmãs não vão estar presentes: recusam-se a usar uma veste feminina saudita, a abaya [túnica larga]. Num post no Facebook, partilhado a 23 de Dezembro, a campeã explicou o motivo da decisão. “Em poucos dias vou perder dois títulos mundiais, um a um. Apenas porque decidi não ir à Arábia Saudita. Por não jogar com as regras de outros, por não usar abaya, por não ter de ir acompanhada à rua, e finalmente por não me sentir uma criatura secundária”, lê-se. Na imagem partilhada, Anna surge com as duas medalhas recebidas o ano passado, sorridente. “Há exactamente um ano ganhei estes dois títulos e era a pessoa mais feliz no mundo do xadrez, mas agora sinto-me muito mal. Estou preparada para lutar pelos meus princípios e faltar a este evento, onde, em cinco dias, esperava ganhar mais do que numa dezena de competições”, refere a campeã.
Contudo, a publicação serve principalmente para marcar uma posição, demonstrando as diferenças existentes entre os vários países, no que toca às mulheres. “Tudo isto é irritante, mas o mais perturbador é quase ninguém se importar realmente. Este é um sentimento amargo, mas ainda não é o que vai mudar a minha opinião e os meus princípios. O mesmo vale para a minha irmã Mariya — e estou muito feliz por partilharmos este ponto de vista. E sim, para aqueles poucos que se importam — vamos voltar!”
“Tudo isto é irritante, mas o mais perturbador é quase ninguém se importar realmente.” Esta não é, contudo, a primeira vez que uma jogadora se nega a participar numa competição por motivos de vestuário feminino dos países em questão, conta o El País. Em Fevereiro de 2017, Nazi Paikidze, campeã americana, não competiu no Irão por se recusar a cobrir a cabeça com o hijab [véu islâmico]. Neste campeonato, Anna Muzychuk esteve presente
e competiu de véu na cabeça. Em Outubro, Dorsa Derakhshani, campeã de xadrez iraniana, foi proibida de jogar pelo seu país por também recusar o véu islâmico, passando depois a jogar pelos Estados Unidos. No passado mês de Novembro, quando Anna soube do campeonato na Arábia, marcou a sua posição, defendida agora. “Primeiro Irão, depois Arábia Saudita… Pergunto-me onde serão organizados os próximos campeonatos mundiais femininos. Apesar do recorde de títulos, não vou jogar em Ryad, o que significa perder dois títulos de campeã mundial. Para arriscar a tua vida, para usar abaya o tempo todo? Tudo tem os seus limites e os véus no Irão já foram mais do que suficientes”. A publicação desta semana já foi partilhada mais de 6 mil vezes e são muitos os comentários de apoio às irmãs. Até ao momento não há qualquer reacção por parte da organização do Campeonato do Mundo de Xadrez, que apenas refere no seu site que o campeão mundial masculino, o norueguês Magnus Carlsen, estará presente nos torneios. A FIDE, Federação Mundial de Xadrez, também não se manifestou quanto ao sucedido, publicando apenas no Twitter a indicação dos sorteios femininos.
O ministro dos Transportes israelita defende a extensão da linha ferroviária de alta velocidade até à zona de Kotel, Jerusalém, onde quer construir uma estação com o nome “Donald Trump”. O ministro propôs que a estação venha a ter o nome do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que reconheceu Jerusalém como capital de Israel. O porta-voz do ministro dos Transportes, Avner Ovadia, disse que o projecto vai custar mais de 700 milhões de dólares e vai demorar quatro anos a construir, caso venha a ser aprovado. Segundo a Associated Press é provável que o projecto venha a ser contestado pela “comunidade internacional” que não reconhece a soberania de Israel sobre Jerusalém Ocidental. Entretanto, a construção da linha ferroviária de alta velocidade entre Telavive e Jerusalém deve estar concluída durante a primavera de 2018.
Governo britânico perde milhares de documentos
Milhares de documentos oficiais do Governo britânico, alguns deles com informações sensíveis sobre episódios controversos da história do Reino Unido do século XX, desapareceram dos Arquivos Nacionais, noticiou o jornal The Guardian. Segundo o diário britânico, entre o material desaparecido figuram documentos sobre a Guerra das Malvinas ou sobre o conflito na Irlanda do Norte. O The Guardian salienta que os documentos foram levados dos Arquivos Nacionais por funcionários do executivo britânico para Whitehall (edifícios governamentais), dando, posteriormente, conta do desaparecimento. Outra documentação que não foi possível recuperar, acrescenta o jornal, contém dados sobre o mandato colonial britânico da Palestina, provas da vacina contra a poliomielite ou sobre a disputa territorial mantida entre o Reino Unidos e a Argentina sobre as Malvinas (ou Falkland).