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Hoje Macau 28 NOV 2013 #2984

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Director carlos morais josé

hojemacau

Mop$10

q u i n ta - f e i r a 2 8 d e n o v e m b r o d e 2 0 1 3 • ANO X II i • N º 2 9 8 4

Song Pek Kei não tira uma vírgula ao que disse na AL sobre os não-residentes

O fomento da discórdia

“Oportunidades para empresas europeias estão abertas” páginas 2 e 3

• novo macau

Contra os avisos da UMAC, Bill Chou entra na associação Página 6

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tiago alcântara

defende. Mas, o “apoio” mais surpreendente surgiu do cônsul-geral das Filipinas na RAEM. Danilo T. Ibayan encara a posição dos filhos de Fujian como “correcta” e a enfatização do espaço vital “certa”. A questão é que, para quem não sabe, tal argumento foi amplamente discutido por Hitler no seu livro Mein Kampf. E esta, hein?

tiago alcântara

A deputada Song Pek Kei têm uma visão muito própria em relação aos não-residentes: se não tiverem trabalho têm de ir-se embora. Contudo, ao HM, revelou não ser xenófoba mas lembra que “Macau é uma região com limitação de espaço”. Os camaradas Chan Meng Kam e Si Ka Lon alinham no mesmo diapasão e assinam por baixo o que a jovem

• stephen cartwright

• autocarros

DSAT entrega relatório a Lau Si Io ainda esta semana

joão botas pub

“falta política e estratégia” ao governo da RAEM

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Agência Comercial Pico • 28721006

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entrevista

hoje macau quinta-feira 28.11.2013

Stephen Cartwright, da Associação Britânica de Negócios, sobre empresas europeias em Macau e Hong Kong

“Oportunidades estão relativamente abertas” Projectos de infra-estruturas, concepção de resorts integrados, aposta nas grandes marcas e produtos de luxo. São estas as grandes áreas onde operam empresas europeias e britânicas, mas os negócios prometem não ficar por aqui. Stephen Cartwright, membro da direcção da Associação Britânica de Negócios para Macau e Hong Kong, considera que a recém-criada Câmara de Comércio com a União Europeia espelha a existência de mais janelas de investimento Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Durão Barroso esteve recentemente em Macau. Esta visita foi um sinal de que as relações entre a União Europeia (UE) e Macau estão, de facto, mais próximas? Sim, claro. As relações entre a UE e a Ásia têm vindo a tornar-se cada vez mais fortes, e também com a China, onde Macau se insere. Penso que é um reflexo do crescimento da importância desta região e, apesar de estarmos a falar de identidades diferentes, o facto de isto estar a acontecer é importante. E reflecte o importante papel de Macau nestas ligações. Celebram-se 20 anos de cooperação comercial, e foi criada a Câmara de Comércio UE-Macau. Há, contudo, outros desafios? O investimento europeu pode aumentar ainda mais? Pode. Olhando para o caso do Reino Unido, estamos atentos às próximas fases de desenvolvimento, com a abertura de mais resorts integrados. Há uma tremenda quantidade de oportunidades nesses desenvolvimentos, como por exemplo a nova ponte Macau-Zhuhai-Hong Kong, que vai fazer ligações em 20 minutos. Falo também da nova janela de oportunidades que é a Ilha da Montanha e o desenvolvimento de toda a zona do Delta do Rio das Pérolas. Há muitos projectos de transportes e infra-estruturas a acontecer e que vão levar a uma integração desta zona com a província de Guangdong. Esta área, por si só, representa um mercado com 16 biliões de pessoas, então é muito importante. Macau tem por isso uma grande quantidade de oportunidades para as empresas europeias, incluindo as empresas britânicas. Falando do investimento britânico. Vai focar-se mais na área dos transportes e da construção civil, como mencionou, e não tanto no sector do jogo? Não há grande aposta específica no jogo, apesar do Reino Unido ter muita experiência nessa área. Mas essa seria uma área onde as

empresas britânicas e europeias poderiam estar envolvidas. Olhamos para este modelo de resorts integrados e temos tido algumas empresas britânicas envolvidas na sua concepção, como é o caso do Parisien, que vai ter um hotel. Há ainda arquitectos e designers europeus e britânicos envolvidos neste tipo de projectos, sem esquecer os engenheiros britânicos que estão ligados à construção. Ao nível das marcas, no sector do retalho, há uma grande presença de empresas europeias no segmento de produtos de luxo, e existem muitas marcas italianas, francesas e suíças com presença no Venetian. Há também um potencial tremendo para as empresas britânicas com a apresentação de outras marcas. Temos ainda outro sector muito forte que é o de comidas e bebidas, que geram cerca de 30 milhões de dólares por ano. O sector das convenções e exposições também está a crescer e muito do pessoal necessita de formação para o desenvolvimento de certas áreas ligadas ao sector. As empresas europeias e britânicas podem contribuir de forma massiva para esse tipo de projectos.

Para entrar na Ásia é preciso explorar mais e ver o que é que o Instituto de Promoção ao Comércio e Investimento de Macau (IPIM) tem para oferecer no contexto de Macau Quantas empresas britânicas estão neste momento baseadas em Macau e Hong Kong? Não há um número preciso. A associação em Macau tem cerca de 60 membros e a Câmara de Comércio em Hong Kong tem cerca de 600. Muitas das em-

presas de topo actuam em Hong Kong e prestam vários serviços em Macau a partir de lá, como bancos, empresas que fornecem serviços e outras que estão ligadas

a diversas infra-estruturas. Mas penso que haverão mais empresas de pequena dimensão, na área dos cosméticos. O meu trabalho é fazer mais formação para que

mais empresas sejam encorajadas a vir, como as que estão sediadas em Hong Kong e querem entrar no mercado de retalho de Macau para abrir mais lojas. Também se


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hoje macau quinta-feira 28.11.2013

procura encorajar empresas do Reino Unido a virem para Macau e Hong Kong. Em termos de políticas de investimento e leis, quais são os grandes desafios sentidos pelas empresas europeias na hora de investir? Em qualquer lugar onde se façam negócios é importante começar por estabelecer ligações. Fazer o trabalho de casa, ver o que foi feito antes no país onde se quer investir e escolher o segmento de mercado. Para entrar na Ásia é preciso explorar mais e ver o que é que o Instituto de Promoção ao Comércio e Investimento de Macau (IPIM) tem para oferecer no contexto de Macau. Há desafios em qualquer mercado e por isso é que é importante explorar

[Em Macau] as oportunidades estão relativamente abertas mas isso não significa que não se tenham de estudar as melhores formas de aproximação ao mercado essas questões directamente com o país. No caso de Macau há a questão da contratação e tentar encontrar os valores certos a adoptar na hora de contratar junto da mão-de-obra local e seguir os passos certos. Tem que haver um diálogo e estou certo de que a Câmara de Comércio e a Comissão Europeia vão discutir esse assunto, com o Governo de Macau. Há cada vez mais visitantes e pessoas que querem fazer negócios. Mas é também importante estabelecer boas parcerias de negócios, geral-

mente ajuda trabalhar ou recrutar alguém que entende o mercado e que pode levar o negócio no caminho certo. As leis para o investimento estrangeiro poderiam ser mais flexíveis, ou mesmo melhoradas? Uma empresa estrangeira que decide ir para qualquer lado no mundo procura sempre essa flexibilidade, e geralmente pede uma maior abertura no acesso ao mercado para ter possibilidades de competir. Acredito que esse

é o caso em Macau, as oportunidades estão relativamente abertas mas isso não significa que não se tenham de estudar as melhores formas de aproximação ao mercado. Em termos de acesso ao ambiente de negócios há bastante informação, até em outras línguas, para além do português e do inglês, o que facilita bastante o acesso e faz uma grande diferença.

Empresas de fora geram diversificação A Reolian, joint-venture de uma empresa francesa com uma empresa local, a operar no serviço público de transportes, faliu. Pode representar um mau exemplo para os investidores europeus? Não vou fazer comentários ao caso. Mas há diferentes tendências no mercado e a economia de Macau está a crescer, e há diversas oportunidades. Mas há situações que não correm da melhor forma e essa é um exemplo. No geral há oportunidades para todos e temos muitas empresas britânicas a operar. Macau tem infra-estruturas que promovem a vinda de empresas para este lado do mundo, mas também em Hong Kong desempenha um importante papel na ligação com a China. Temos vindo a falar de investimentos privados, mas o caso da Reolian é um exemplo da entrada de uma empresa estrangeira num concurso público. As empresas europeias que desejam entrar em projectos do Governo conseguem, de facto, competir com empresas locais, de Hong Kong ou da China? É fácil o diálogo com o Governo? É uma questão de manter esse diálogo e tornar claras as oportunidades que existem. Penso que quanto mais empresas internacionais participarem e operarem aqui há mais oportunidades de diversificação para o Governo. Por exemplo, na área da educação, a Universidade de Macau (UMAC) abre oportunidades para uma competição internacional, e há um diálogo e indicações para que haja uma abertura a um meio mais internacional. A diversificação económica tem sido, aliás, um dos grandes objectivos do Governo. Qual o papel que as empresas europeias podem ter nesse processo? Tenho vivido entre Macau e Hong Kong nos últimos anos e conheço muitas pessoas ligadas a Macau que vieram ainda antes. Macau nessa altura era mais pequena e tinha outra posição perante o mundo. Entretanto muita coisa aconteceu e a economia cresceu, o que trouxe melhores infra-estruturas para os cidadãos. Há

projectos que ainda vão acontecer, como a Ponte Zhuhai-Macau-Hong Kong que vai trazer ainda mais visitantes, que vão estar nos casinos e nos resorts. Há também um foco crescente vindo dos Estados Unidos em relação ao jogo em toda a Ásia. Isso é uma coisa boa. Também se celebraram os 60 anos do Grande Prémio de Macau e não há muitas regiões que tenham um evento desta dimensão. Todos esses são sinais de que Macau é um destino turístico internacional e que tem vindo a captar as atenções. Vão existir mais resorts, com mais visitantes, e é importante que haja um desenvolvimento das estruturas educativas – o novo campus da UMAC na Ilha da Montanha é um exemplo disso. Então olho para todo esse desenvolvimento e sem dúvida de que hoje há mais escolhas, estamos focados nas oportunidades em todos os sectores que já mencionei. E penso que a criação da Câmara de Comércio entre a União Europeia e Macau mostra isso muito bem.

Macau é um destino turístico internacional e que tem vindo a captar as atenções. Vão existir mais resorts, com mais visitantes, e é importante que haja um desenvolvimento das estruturas educativas Qual a estratégia que a associação deseja manter para os próximos anos? Temos os nossos segredos, mas penso que está baseada no diálogo. Temos empresas fortes com presença em diversas áreas em Macau, então vamos olhar para as oportunidades presentes nos resorts integrados e no sector do retalho. Não esquecemos os arquitectos e engenheiros britânicos que aqui estão, nem as marcas britânicas que podem trazer bons produtos de comida e bebida, como o whisky escocês. Mas sem dúvida de que os resorts integrados irão receber grande parte da nossa atenção em Macau, tal como outras iniciativas mais individuais, nos sectores financeiros e da banca. Vamos olhar para tudo o que traga uma mais valia e grandes oportunidades. Mas os resorts integrados são sem dúvida extremamente apelativos para as nossas empresas.


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política

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autocarros Deputados falam do risco da manutenção do actual modelo

Wong Wan disse ontem que a DSAT “cumpriu a responsabilidade” e que “respeita o relatório do CCAC”. José Pereira Coutinho e Leong Veng Chai lembram que autocarros estão a rodar sob contratos ilegais e que os bens das operadoras não foram revertidos para a RAEM andreia.silva@hojemacau.com.mo

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apuramento de responsabilidades no caso do modelo ilegal de autocarros continua por fazer. Wong Wan, director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) disse ontem, segundo a TDM, que é esta semana que será entregue o relatório a Lau Si Io, secretário da tutela das Obras Públicas e Transportes. “Respeita-

mos o relatório do Comissariado contra a Corrupção (CCAC), e esta semana vamos entregar o relatório da DSAT sobre este assunto ao secretário. Não vou comentar mais o caso. Fizemos o que deveríamos fazer, e se deveríamos ter cumprido a responsabilidade, cumprimos a responsabilidade. Neste momento o mais importante é garantir o serviço de autocarros.” Apesar de Wong Wan mostrar confiança na manutenção do serviço, o mesmo não sentem os

Chan Meng Kam questiona trabalho do Governo

O deputado Chan Meng Kam volta a criticar o funcionamento da máquina governativa e a Administração por causa do funcionalismo público. Na sua interpelação escrita, escreve que até o CCAC afirma que a Administração “está pior” e que a Associação dos Advogados de Macau (AAM) acusa muitos funcionários de não dominarem o Código do Procedimento Administrativo. Na qualidade de presidente da comissão de acompanhamento para os assuntos da Administração Pública na Assembleia Legislativa, Chan Meng Kam quer saber quantos casos já transitaram para procedimentos disciplinares, e quais as punições aplicadas. Chan Meng Kam quer ainda saber porque é que a DSAT usou grandes quantidades de dinheiros públicos na formação de funcionários e, ainda assim, afirma ter havido uma má interpretação da lei, no contexto da polémica sobre o modelo ilegal de autocarros.

Ng Kuok Cheong pede sufrágio universal para órgãos municipais

O deputado da Associação Novo Macau entregou ontem uma interpelação onde afirma que o Governo já criou muitos órgãos de consulta, mas que o resultado das consultas públicas podem não reflectir as opiniões dos cidadãos. Por isso pede a criação de uma Câmara Municipal, e que esta seja eleita por sufrágio universal. Desta forma, defende, “os deputados podem saber melhor as necessidades dos cidadãos”. Contudo, no hemiciclo, o Governo negou essa possibilidade, evocando o artigo 95º da Lei Básica. Ng Kuok Cheong considera que o artigo “dá viabilidade à criação de uma Câmara Municipal e que em Hong Kong há conselhos distritais”. Portanto, segundo a Lei Básica, “não há problema nenhum em criar um conselho distrital político em Macau”.

deputados José Pereira Coutinho e Leong Veng Chai. Numa interpelação escrita entregue ontem ao Executivo, falam dos riscos que existem no facto das operadoras continuarem a trabalhar com contratos ilegais. “A legalidade, validade e subsistência de todos os contratos está agora em crise, ao ponto do CCAC os considerar pura e simplesmente ilegais e concluir que não podem ser mantidos como estão, sugerindo várias opções para a resolução deste problema,

todas elas causadoras de despesas e trabalhos adicionais.” “As operadoras celebraram os contratos que existem. Se são ilegais, o que se vai passar agora? São celebrados outros? Em que termos? Quanto vai custar esta brincadeira à Administração?”, questionam.

Bens do lado das empresas

Coutinho e Leong Veng Chai acreditam que, com este caso, “a DSAT conseguiu, de uma só vez, descre-

dibilizar toda a Administração” e que o mesmo “ameaça já ser uma cartilha de como a Administração não deve agir”. “O Governo da RAEM vai acatar as conclusões do relatório do CCAC? Qual das opções apresentadas para a sanção desta grosseira ilegalidade será aplicada aquando da rescisão dos actuais contratos?” E questionam “que estudos e aconselhamento foram obtidos, e por quem foram elaborados, quer ao nível de consultores internos ou externos do Governo, para efeitos da tomada de decisão sobre o modelo de prestação de serviços”. Os deputados lembram ainda o facto de muitos dos bens públicos utilizados pelas operadoras não terem ainda sido revertidos. “É verdade que, não tendo sido activada a cláusula de reversão dos contratos de concessão da Transmac e da TCM, estas utilizam presentemente uma frota de autocarros e outros equipamentos que pertencem e deveriam ter sido entregues à Administração no final das concessões anteriores?” - * com Cecília Lin

Orçamento Deputados pedem leis complementares

Gastos públicos vistos à lupa O s deputados continuam preocupados com as discrepâncias existentes na execução dos orçamentos nos grandes projectos públicos e pretendem elaborar novas directrizes de trabalho. Contudo, ainda não há consenso quanto ao rumo que a comissão de acompanhamento para os assuntos das finanças públicas irá tomar na nova legislatura. “Temos de reunir mais uma vez para podermos realizar o trabalho de elaboração do regulamento da nossa comissão. Quanto ao âmbito de acompanhamento, tudo o que tem a ver com o erário público e políticas relacionadas iremos acompanhar, tal como a nova lei do enquadramento orçamental”, disse Mak Soi Kun, presidente da comissão. “Todos estão preocupados com os assuntos das finanças públicas, principalmente sobre a utilização do nosso erário público. A comissão tem de elaborar um relatório sobre cada um dos assuntos discutidos, para que, a partir disto, se

possa reflectir sobre o trabalho desenvolvido”, disse ainda. Uma das futuras sugestões poderá ser a criação de leis complementares à execução dos orçamentos em grandes projectos de infra-estruturas. Essa mesma legislação poderá trazer regras mais apertadas na execução dos dinheiros públicos por parte dos departamentos do Governo. “Temos de ver, por exemplo, se é preciso criar uma lei sobre a aquisição de equipamentos, como existe nos territórios vizinhos. Há também regras sobre a necessidade da aquisição de 30% de materiais ecológicos a serem utilizados nos serviços públicos. Há que ter outros diplomas legais para tiago alcântara

Andreia Sofia Silva*

tiago alcântara

Relatório entregue a Lau Si Io esta semana

coordenar com uma outra lei ou outra política do governo.” “Algumas despesas com o Metro Ligeiro ou o terminal marítimo, ou casos de excesso de despesas, vamos acompanhar. Temos de discutir e ponderar os limites do nosso acompanhamento na próxima reunião”, disse ainda.

“Melhor prevenir que remediar”

Mak Soi Kun foi confrontado com o risco da comissão continuar a desempenhar o mesmo papel, com sugestões não vinculativas. Também ficaram por esclarecer quais as medidas que serão feitas para que os deputados possam ter acesso à execução orçamental antes que sejam detectadas derrapagens nos projectos públicos. “É sempre melhor prevenir do que remediar. Depois da ocorrência de muitos problemas graves, se remediarmos, isso traz muitos prejuízos à nossa sociedade. Trata-se do erário público. Vamos discutir a lei do enquadramento orçamental, e não queremos que as verbas

autorizadas pela AL sejam mal utilizadas pelo Governo. Não podemos resolver as questões pontuais e temos de resolver os problemas pela sua raiz. Temos de aperfeiçoar a nossa legislação como acontece nos territórios vizinhos.” Mak Soi Kun prometeu a realização de “um relatório anual das actividades desenvolvidas”. “A função da AL é colaborar com o Governo e também temos a função de fiscalização. Queremos mesmo elevar o grau de transparência para que a nossa população saiba o trabalho desenvolvido pelo Governo”. “Se a maior parte dos deputados achar que temos de acompanhar determinados assuntos, então vamos acompanhar. Queremos mesmo na nova legislatura desenvolver bem os nossos trabalhos.” Mak Soi Kun lembrou ainda que “a AL é um local muito democrático” e que as opiniões dos deputados “têm de ser ouvidas”, independentemente se forem directos, indirectos ou nomeados. - A.S.S.


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Cecília Lin*

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

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deputada eleita pela Aliança do Povo de Instituição de Macau (APIM), Song Pek Kei, nega ter feito um discurso xenófobo na Assembleia Legislativa. A deputada disse que os “não residentes aumentam as rendas e ocupam espaço na vida dos residentes locais”. “Disse essas frases mas isso não significa que seja xenófoba. O meu discurso também não tem nenhuma ligação à xenofobia. Temos que admitir que Macau é uma região com limitação de espaço, e o Governo tem de importar não residentes de forma moderada. Se não, isso vai ter uma grande influência nos residentes locais”, disse ao HM. Filha de emigrantes do continente, Song Pek Kei esclarece ainda as diferenças entre os resi-

Song Pek Kei fala das declarações na AL sobre não residentes

“Não sou xenófoba” dentes locais e os não residentes. “Os imigrantes pertencem a outro grupo, porque residem permanentemente na cidade. Os não residentes são diferentes, porque ocupam o espaço dos residentes quando não têm trabalho. Isso é uma realidade.” A deputada diz ainda que deve haver uma regulação para os não residentes, para que, quando acabem o seu contrato de trabalho, tenham de regressar ao seu país, por forma a não ficarem numa situação ilegal em Macau, e também para manter a segurança. “Sou imigrante, e por isso não estou a dizer que os não residentes não podem vir para Macau. Não estou contra os não residentes, porque Macau precisa deles para vários sectores, como a construção.” Contudo, “os direitos e obrigações dos residentes e não residentes são diferentes, e estou a falar que é necessário um mecanismo mais perfeito para os não residentes. As operadoras de jogo levam a maioria dos recursos humanos de Macau, mas as PME não têm recursos suficientes. A importação por empresas estrangeiras aumenta as rendas das lojas. Mas os turistas também originam esse aumento”. “Os turistas e os não residentes são sempre a causa dos problemas dos residentes. Porquê? Porque se trata de uma questão de espaço. O que estou a dizer é que o Governo tem de resolver estes problemas, para resolver estes conflitos entre residentes e não residentes.”

Parceiros políticos concordam

O HM contactou ainda os deputados Chan Meng Kam e Si Ka

Cônsul-geral das Filipinas refere “discurso racional”

Os imigrantes pertencem a outro grupo, porque residem permanentemente na cidade. Os não residentes são diferentes, porque ocupam o espaço dos residentes quando não têm trabalho. Isso é uma realidade Song Pek Kei Deputada

Lon, para saber se defendem a mesma posição que a sua colega de bancada na Assembleia Legislativa. E defendem. “Não se trata de xenofobia”, diz Chan Meng Kam. “O desenvolvimento de Macau envolve a necessidade de não residentes, mas a sua importação não pode afectar o emprego dos locais. Além disso, a existência dos não residentes causa realmente

um aumento das rendas. A questão tem que ser melhor considerada.” O rei das eleições também refere que as seis operadoras de jogo levam consigo a maioria dos empregados disponíveis, e que “é preciso formar mais directores locais”. “Os trabalhadores das obras representam também um grande grupo de não residentes, e quando acabam um projecto, têm de sair.”

Rejeitada residência temporária por falha na entrega de documentos

Tribunal deu razão a Francis Tam Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo

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m quadro qualificado, com fixação de residência autorizada em Maio de 2005, e a sua mulher viram indeferido, por despacho do Secretário para a Economia e Finanças, Francis Tam, o pedido de renovação de autorização de residência temporária a ambos. Depois de já em Maio terem visto o Tribunal de Segunda Instância (TSI) negar um primeiro recurso

feito pelo casal em 2012, voltaram a interpor recurso jurisdicional ao Tribunal de Última Instancia (TUI). Na decisão tomada por Francis Tam, o ex-gerente de finanças e contabilidade teria de justificar a cessação da relação de trabalho justificativa da autorização de residência temporária e entregar nova declaração de emprego em tempo útil, não inferior a 30 dias, ao Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM) quando por mais do que

“Não somos xenófobos e acredito que Song Pek Kei também não defende este conceito”, aponta Si Ka Lon, número dois de Chan Meng Kam. “Vimos muitos não residentes que vivem em Zhuhai, e por isso não são eles que aumentam as rendas de Macau. Mas temos de ver o contexto do discurso de Song Pek Kei, por isso é melhor perguntar-lhe directamente. Não posso falar por ela”, apontou o deputado.

uma vez saiu e ingressou em empresas onde trabalhou. O profissional, que fundou uma empresa em 2011 de desenvolvimento e venda de softwares e formação sobre o seu uso, entendeu na apresentação do segundo recurso que a legislação – um regulamento administrativo de 2005 e não um decreto-lei de 1995 - usada pela Administração para consubstanciar a decisão de indeferimento do pedido não é acertada. Mas, ainda que o TUI concorde que o decreto-lei seria o di-

ploma a justificar a decisão tomada pelo secretário, diz também que “a invocação de uma norma legal, em si, nunca pode integrar qualquer vício, mesmo que tenha sido mal invocada, desde que a lei aplicável tenha sido respeitada”, o que foi confirmado pela instituição judicial. Por outro lado, os visados, com BIR de Hong Kong, entendiam também que “a autorização de residência só poderia ter sido cancelada” se o IPIM tivesse fixado o prazo de

Os elevados custos da vida em Macau fazem com que o cônsul-geral das Filipinas em Macau, Danilo T. Ibayan, concorde com as palavras da deputada. Ainda que a comunidade filipina na RAEM seja significativa, com cerca de 18 mil pessoas. “Penso que o seu pensamento está correcto, porque se os estrangeiros não têm emprego, como vão sustentar-se em Macau? Nesse caso, é melhor regressarem ao seu país de origem”, diz ao HM. “Uma mudança para Zhuhai iria significar menos custos em termos de rendas, e os trabalhadores estrangeiros poderiam poupar mais dinheiro. Seria algo mais racional. Em caso de isso acontecer, as autoridades de Macau e da China devem garantir que os trabalhadores estrangeiros podem transitar entre Macau e Zhuhai sem qualquer tipo de problema.” Danilo T. Ibayan também assume que a presença de estrangeiros fomenta a bolha do imobiliário. “(A saída) poderia prevenir o aumento das rendas de Macau, porque iria haver menos procura.” Como encara então a reacção das comunidades a estas declarações? “Está certa (sobre uma possível reacção negativa). Eu diria isso. Muitos não vão conseguir pagar as rendas das suas casas.” - *com Andreia Sofia Silva

tiago alcântara

O discurso da jovem deputada no hemiciclo apontou para a saída dos não residentes de Macau, se não tiverem trabalho. Chan Meng Kam e Si Ka Lon têm as mesmas posições. Danilo T. Ibayan, cônsul-geral das Filipinas, também concorda com Song Pek Kei

30 dias, quando o requerente comunicou espontaneamente a cessação da relação laboral. Mas o TUI

entendeu que tal já tinha sido feito num ofício do IPIM datado de 2005. O TUI decidiu, por isso, que o acto recorrido violou os dois artigos do Decreto-Lei 14/95/M, que cria incentivos à captação de investimentos e à fixação de quadros dirigentes e técnicos especializados, porque “em caso de perda da titularidade da situação jurídica que determinou a concessão de autorização de residência, esta deve ser cancelada se, no prazo que lhe for fixado e não inferior a trinta dias, o interessado não se constituir em nova situação jurídica atendível”. Por essa razão, foi anulada a sua residência temporária.


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sociedade

hoje macau quinta-feira 28.11.2013

Bill Chou é o novo membro da Associação Novo Macau

Cecília Lin

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

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ill Chou, professor de Ciência Política na Universidade de Macau (UMAC), esteve ontem presente na conferência de imprensa da Associação Novo Macau (ANM) [ver caixa], sendo esta a primeira

vez, desde há alguns meses, que é visto ligado a iniciativas com Jason Chao. Depois de terem chegado a ponderar uma candidatura conjunta às eleições, Chao, presidente da ANM, anunciou ontem que Bill Chou faz agora parte da ANM. “O pedido para se tornar num membro já foi aprovado pela direcção

gonçalo lobo pinheiro

Nem presidente, nem candidato

Estudo sobre mercado de telecomunicações é “oco” Jason Chao disse ontem que o estudo encomendado à Universidade de Macau (UMAC) pelos Serviços de Regulação de Telecomunicações (DSRT), sobre o mercado de telecomunicações, é “oco”. E lamenta o “silêncio” sobre o mesmo. “O relatório vai ser entregue na próxima semana mas ainda há poucas notícias sobre ele. Não acredito que este relatório traga alguns resultados positivos para o interesse público.” O presidente da ANM considera ainda que o Governo deve fazer já um novo concurso público para a renovação da concessão à TV Cabo. “Não sabemos se o futuro dos canais gratuitos vai passar pelo pagamento desses canais, porque já existem rumores de que a televisão em Hong Kong poderá ser paga no futuro, o que é inaceitável.”

CTM entra no mercado televisivo se sociedade quiser

Brian Pun, director-executivo da CTM, disse ontem que é cedo para afirmar se a empresa vai ou não entrar no mercado televisivo quando o contrato de concessão da TV Cabo chegar ao fim. Contudo, disse que o serviço de televisão está envolvido com as questões de Macau e que a CTM “apoia”. Brian Pun considera que “se a sociedade considerar que a empresa tem capacidade para esta participação, a CTM terá toda a vontade para participar no mercado”.

da ANM”, disse Jason Chao, que confirmou que a decisão foi tomada “muito recentemente”. Ao HM, o docente disse que a sua entrada na ANM serve apenas para “facilitar” o trabalho activista com os membros da associação. “Sempre participei nas actividades do grupo Macau Consciência, e quase todos os seus membros são da ANM, e muitas vezes fazemos acções em nome da ANM. Além disso, tínhamos muita cooperação e ideias muito próximas.” Jason Chao vai sair da presidência da ANM em Junho de 2014, mas Bill Chou não tem ambição de ocupar esse lugar. “Acho que ainda não dei nenhuma contribuição para a associação, e há outros membros com mais qualificações para este cargo.” Entretanto, o académico diz que já recebeu avisos por parte da UMAC de que, se continuar ligado a questões políticas, o seu trabalho poderá ser influenciado. Foi esta a principal razão da sua desistência dos trabalhos ligados com a ANM antes das eleições e do seu desaparecimento fugaz como activista. “Prefiro participar mesmo na associação, e a universidade não sabe da minha decisão. Já questionaram as minhas posições políticas quando me dediquei a fazer actividades ligadas a assuntos sociais. Mas acho que isso não é um problema. Conheço muitos académicos que realizam estudos, dão opiniões e são comunistas.”

Recursos humanos Há falta de enfermeiros mas também de assistentes sociais

Procurar ludibriar os problemas Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo

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upondo que para mil pessoas existe uma enfermeira, as projecções para 2015 dão conta de que serão necessárias 721 a 844 enfermeiros. Actualmente, existem 505. Jennifer Chau lembrou ontem, numa mesa redonda da Universidade de São José sobre “Estratégias de Macau para os Recursos Humanos”, no Ponte 16, que haverá uma falta de 30 a 40% de profissionais da área mas no que toca a assistentes sociais a “escassez também se vai sentir nos próximos anos”. “Estima-se que os assistentes sociais serão em número suficiente nos próximos três anos, mas é preciso não esquecer que este número está a contabilizar os licenciados. Não se conta que depois de terem o di-

ploma em mãos podem não escolher esta como carreira de futuro. Também podemos perceber que actualmente os serviços sociais estão a enfrentar um problema de falta de recursos humanos”, explica a também assistente

social, formada na Universidade de Macau (UMAC). Isto porque, explica, a preferência dos licenciados recai para empregos na Administração Pública e na indústria do jogo, segundo uma lista do Insti-

tuto Politécnico de Macau (IPM), que põe o trabalho de assistentes sociais no fim da tabela de interesse. Por isso, actualmente, há o problema de “atrair” estes jovens para o sector. A Fu Hong, frisa, é uma

associação que providencia serviço social, precisando de um número grande destes profissionais, mas também de terapeutas ocupacionais, físicos e da fala mas a oferta é limitada. “Em Macau, é muito difícil contratar este tipo de especialistas. E, de acordo com o presidente da Associação de Terapeutas Físicos, existem 60 profissionais vindos com formação noutros países. Mas haverá ainda 40 necessários para preencher a necessidade do mercado. Isto será um grande problema nos hospitais, na maioria dos centros de saúde e até em serviços residenciais.” Chau apurou algumas das razões. “Fraca formação local, necessária para estes especialistas, sendo actualmente imprescindível que se eduquem noutros países e depois venham para Macau.

Também salários muito baixos nas Organizações Não Governamentais (ONG), havendo uma grande diferença para com os salários do Governo, que depois acaba por contratar – sempre que abre uma vaga – profissionais que são formados nas ONG”, explica a responsável. Por outro lado, diz também, eles não vêm grande perspectiva de futuro. A maioria dos jovens, talvez por isso, não escolhem estes empregos. Neste sentido, Jennifer Chau deixa como sugestões que “mais universidades providenciem esta formação local” e que haja “mais promoção sobre um bom futuro”, além de um “aumento de salários e benefícios para o futuro”. “Apreciamos que o Governo dê importância à formação de quadros qualificados nestas LAG para 2014 mas é preciso um mecanismo a longo prazo: é preciso pensar antes do problema surgir, falo do caso específico dos serviços sociais.”


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João Botas pede mais abertura ao conhecimento exterior e menos proteccionismo

“Há falta de política e estratégia”

Estão a fechar-se as portas ao conhecimento vindo do estrangeiro. Escolhe-se o proteccionismo em detrimento do progresso. A opinião é de João Botas, autor de dois livros sobre Macau, que diz notar uma “perda de qualidade de vida” na cidade. O investigador sugere ao Governo planos a longo prazo e responsabilidade social ao sector do jogo tem a ganhar” em chamar “os especialistas em cada matéria para fazer um estudo e mostrarem como se resolve”.

Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo

A

paixonado convicto por Macau, terra que em parte o criou, João Botas não vê – à distância nem nas curtas passagens por cá - a cidade a desenvolver-se de uma forma sustentada. Na segunda visita a Macau este ano, o jornalista evidencia dois problemas: a aposta exacerbada no proteccionismo e a falta de visão futura, nomeadamente, na negação do conhecimento vindo do exterior. “Macau sempre se caracterizou pela multiculturalidade e acho que o segredo da longevidade, do progresso e desta terra como território único no mundo sempre foi precisamente o facto de ser um local de passagem aberto aos que vêm

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E que tal um “hospital universitário”

de fora, onde se faz praticamente uma selecção natural dos melhores. Isto às vezes parece-me um proteccionismo sem sentido. Corre-se o risco de não se saber o que há de melhor no mundo em

terceiro livro da colecção de fotobiografias de personalidades macaenses, com edição do Albergue SCM, será da autoria de João Botas. A ilustre figura destacada será Manuel da Silva Mendes - professor e reitor do Liceu de Macau, mas também advogado, juiz, presidente do Leal Senado - que viveu no período compreendido entre 1867 e 1931. A edição será trilingue (em português, inglês e chinês) com documentos inéditos, desde artigos da sua autoria a fotografias. “Há o compromisso do Albergue SCM, através do arquitecto Carlos Marreiros, de incluir este terceiro livro na colecção, cujo o primeiro livro já foi lançado [“José Vicente Jorge, Macaense Ilustre”] e no âmbito do que for o programa de actividades do Albergue seja publicado mas prevê-se 2014 como data para estar pronto”, avança Botas, autor do Blog “Macau Antigo”, que avançou ao HM em Janeiro a produção da então biografia que depois “suscitou interesse” a Marreiros. “Como edição trilingue demorará, no mínimo, três meses a tradução quer para inglês quer para chinês, e, por isso, custos elevados. Mas, da minha parte, num mês acabo o livro”, explica o jornalista.

cada área”, explica ao HM, o autor dos livros “Liceu de Macau : 1893 - 1999” e “Macau 1937-1945: os anos da guerra”. Segundo o investigador – autor do blogue “Macau

Antigo”, a RAEM tem vindo inexplicadamente a “fechar-se”, naquilo que se mostra como o contrário da “marca identitária” da cidade. E, explica Botas, com tantos problemas existentes, “só

Fotobiografia de Manuel da Silva Mendes será editada pelo Albergue SCM

Trilingue, sim senhor Na mesma altura do lançamento, acredita, será erguida a placa alusiva a Manuel da Silva Mendes na sua antiga casa, hoje sede do Instituto das Nações Unidas, em Macau, na Guia. “Quando cá estive fui falar com o director do Instituto Internacional de Software e Tecnologia das Nações Unidas em Macau e ao fim de dois minutos de contar a história deste macaense, ele ficou espantado porque disse que não fazia a mínima ideia. E mostrou-se disponível e disse fazer todo o sentido”, frisou Botas. - R.M.R.

Projecto multimédia: “Macau como nunca viu” Apostar em conteúdos multimédia é um dos novos desafios de João Botas. O jornalista quer criar um Website com vídeos, imagens e resumos de textos, onde deve ser incorporado o blogue “Macau Antigo”. Um projecto que poderá vir a chamar-se “Macau como nunca viu”, nome para já provisório, mas que depende das parcerias que vier a ter. “Para já estou a fazer um esboço inicial, quero compilar e dividir por décadas o arquivo, só depois começo a bater às portas das instituições”, avança o jornalista.

O urbanismo, o trânsito, a saúde ou o mercado de arrendamento são algumas das áreas em decadência que precisam de novas soluções. “Não concebo que, por exemplo, toda a frota de autocarros não seja ainda movida a gás natural. Ao nível das energias renováveis não vejo praticamente nada. Não percebo, e acho que não devia ser assim, o sistema de saúde”, observa. A este nível, sugere, deviam ser criados estudos superiores. “Por que não criar uma universidade vocacionada para a área de medicina, um hospital universitário, por exemplo?”

Por outro lado, mais uma vez, deveriam vir profissionais de saúde estrangeiros transmitir conhecimentos aos locais para que estes “ficassem munidos dessas ferramentas e conhecimentos e passassem eles a exercer” técnicas mais inovadoras e de qualidade. Acima de tudo, entende, “há falta de política e de estratégia no sentido mais puro e mais genuíno” e quem perde é a população através de uma “perda de qualidade de vida”. Mais não há só um papel por cumprir por parte do Governo. Também da indústria do jogo se poderia esperar mais, avalia João Botas. “Através de uma parte dos lucros, que são reencaminhados em parte para a Fundação Macau que está a cumprir a sua parte naquilo que é política de responsabilidade social. Independentemente dessa obrigatoriedade legal, há todo um caminho para fazer em que a indústria do jogo devia criar políticas de responsabilidade social por iniciativa própria. Se fazem em ofertas artísticas ligadas aos casinos, podiam também juntar-se para criar bolsas de estudo”, deixa o conselho. Até porque, o caminho para a diversificação está “não só no turismo” mas “no conhecimento” e tudo o que advêm deste.

Livro de turismo é proposta de Botas João Botas candidatou-se recentemente a uma bolsa de investigação do Instituto Cultural (IC), concurso aberto até sábado, cujo resultado só saberá em Março de 2014. O jornalista não avança pormenores mas diz que será um livro de turismo. “Para se fazer investigação a sério é preciso dinheiro, além de dedicação, exclusividade, além de que quem o faça tenha competências. Espero, mal ou bem, ter dado provas”, lembra, depois de uma reunião formal com o organismo este ano. “O IC tem sido um parceiro, quando estive cá em Abril contactei um dos vice-presidentes que me recebeu de braços abertos, congratuloume no trabalho que tenho feito no Blog e nos livros, mostrou-se interessado e disse que o IC está disponível para me ir apoiando no que for possível.”

“Wartime Macau” pode estar concluído em 2015 ou 2016 Serão seis os especialistas de vários cantos do mundo – Macau, Portugal, China, Japão, Austrália e Estados Unidos da América – que irão participar de um livro em inglês de nome “Wartime Macau”, que será editado pela Universidade de Hong Kong. A publicação conta a história de Macau no período entre a guerra sino-japonesa e o final da II Guerra Mundial, à semelhança do último livro de Botas, em “múltiplas vertentes”, tais como diplomática, bélica ou institucional. Por essa razão, será ao jornalista – único entre académicos – que caberá escrever sobre a economia da cidade nesse período. Os textos finais terão de estar concluídos até Junho de 2014 e Botas antevês que estejam compilados entre 2015 e 2016.


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china

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Na terça-feira, no entanto, os Estados Unidos informaram que no dia anterior dois dos seus aviões militares tinham sobrevoado a região das ilhas sem avisar previamente as autoridades chinesas. O Ministério chinês da Defesa revelou ontem ter “vigiado” e “identificado” os dois aviões da Força Aérea dos Estados Unidos que sobrevoaram a nova zona de defesa aérea. Num comunicado ontem divulgado, o mesmo departamento do Governo especifica que terça-feira “aviões norte-americanos sobrevoaram a zona área do Mar da China oriental. Voaram de sul para norte e de norte para sul e a cerca de 200 quilómetros a este das ilhas Diaoyu”. “A China tem capacidade para efectuar a vigilância e impor o controlo”, refere o texto que não detalha possíveis represálias da acção dos bombardeiros B-52 dos Estados Unidos.

China unida

A

o mesmo tempo que a Marinha chinesa enviava na terça-feira, o seu primeiro e único porta-aviões para realizar exercícios militares de guerra no Mar do Sul da China, onde desde sábado Pequim exige identificação dos aviões que sobrevoam a região, duas aeronaves B-52 americanas atravessaram a área em aberto desafio à restrição chinesa. A “zona de defesa aérea” foi estabelecida pela China sobre as ilhas Diaoyu que o país disputa com o Japão elevando a tensão na região. O governo chinês passou a exigir o envio de planos dos voos que passassem pela região, a abertura de canais de comunicação de rádio e a clara identificação da nacionalidade das aeronaves. As autoridades de Pequim afirmaram que poderiam adoptar acções militares contra os aviões que desobedecessem às exigências. “Este anúncio da China não vai de nenhuma maneira mudar a forma pela qual os EUA conduzem as suas operações militares na região”, declarou no sábado

Pequim envia porta-aviões a região em litígio. EUA sobrevoam área ‘proibida’

Zona de alto risco o secretário de Defesa americano, Chuck Hagel. Segundo Hagel, a decisão eleva os riscos de “desentendimentos e erros de cálculo” na área. A China adoptou uma posição mais agressiva na disputa pelas ilhas depois do Japão ter nacionalizado o território em Setembro de 2011, para evitar que fossem vendidas a um grupo nacionalista, o que poderia ter um impacto ainda mais explosivo para a relação bilateral. Desde então, Pequim passou a actuar como se as ilhas estivessem no seu território, enviando missões de patrulhamento para a região. Neste sentido, o porta-aviões Liaoning zarpou do Porto de Qingdao, no leste da China, sob a escolta de dois “destroyers” e duas fragatas de mísseis. O navio fará exercícios militares numa parte do Mar do Sul que a

China disputa com Vietname e com as Filipinas. Os chineses operam o navio de guerra desde Setembro do ano passado e limitavam as manobras - menos complexas do que as que começarão agora a fazer - ao Mar Amarelo. O Liaoning é de fabrico soviético (1988) e a China comprou-o para o usar como modelo para a classe de porta-aviões que planeia construir.

Preocupação

A Austrália convocou o embaixador chinês Ma Zhaoxu para expressar as suas preocupações com a ampliação da zona de defesa aérea à secção do Mar do Sul da China onde ficam as ilhas. “A Austrália mostra uma clara oposição a todas as medidas coercivas ou unilaterais para mudar o status quo no Mar do Sul da China”, declarou a ministra dos Negócios Estrangeiros, Julie Bishop.

Especialista em política externa e de segurança da China, Bonnie Glaser, do Centro de Estudos Internacionais e Estratégicos (CSIS), acredita que a repercussão da criação da zona de restrição tenha tomado um caminho diferente daquele pensado por Pequim. “Nos EUA a reacção negativa veio de três esferas: Departamento de Estado, Departamento de Defesa e Casa Branca. Duvido que a China estivesse a prever todas estas críticas. Não é do seu interesse ter problemas com tantos países ao mesmo tempo”, afirmou a analista.

Japão dividido

A exigência da China de que os aviões sobre o Mar do Sul apresentem previamente seus planos de voo fez os japoneses tomarem dois caminhos diferentes. O governo japonês, desde o anúncio

das novas imposições, disse que não as aceitaria porque eram perigosas, mas ontem, as duas maiores companhias aéreas do Japão decidiram acatar as exigências chinesas. A Japan Airlines (JAL) e a All Nippon Airways (ANA) alegaram que apresentarão os planos de voo em nome da segurança dos passageiros. No sábado, Pequim tinha advertido que poderia adoptar intervenções armadas se os aviões não se identificassem. “A segurança é nossa prioridade. Devemos descartar toda a possibilidade de um cenário catastrófico”, afirmou um representante da ANA. As autoridades japonesas em seguida disseram que as duas empresas tomaram esta decisão sem consultar as autoridades e não deveriam levá-la adiante. “As medidas adoptadas pela China não são válidas para nosso país e as companhias devem continuar a voar de acordo com as regras anteriores”, afirmou o secretário-geral do governo, Yoshihide Suga. As Companhias de Hong Kong, Taiwan e da Coreia do Sul acataram a decisão chinesa quase de imediato.

Uma pesquisa divulgada esta segunda-feira pelo jornal Global Times, sob controlo do Estado, mostrou que 85% dos chineses eram favoráveis à zona de identificação, por mais que isto acirrasse as disputas territoriais com Japão e outros países vizinhos. O estudo incluiu mais de mil adultos. Segundo a publicação do Partido Comunista, 53,6% dos entrevistados acreditam que a zona aérea ampliada ajudará a China na disputa com o Japão pelas ilhas. Só 4,3% achavam o contrário. Apesar da alta aprovação à limitação aérea, 90% dos participantes disseram que a China deve apenas desviar os aviões que não se identificarem. “A questão é sob que circunstâncias a China vai decidir interceptar os aviões. Provavelmente não o farão sempre. Já interceptaram aviões de vigilância dos EUA perto do espaço aéreo chinês, mas no caso japonês, principalmente no que diz respeito aos caças, o risco de acidente é muito maior. Com pilotos japoneses e chineses em aviões de guerra, a possibilidade de uma colisão é enorme”, afirmou a especialista Bonnie Glaser.


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Pequim envia em Dezembro sonda para a Lua

Um coelho muito especial A

China anunciou ontem que ia lançar, no início do próximo mês, a sua primeira sonda espacial com destino à Lua, onde vai deixar um veículo de exploração teleguiado baptizado “Coelho de Jade”. A data exacta do lançamento não foi anunciada, e os grandes ‘media’ estatais destacam sobretudo o desempenho esperado do veículo lunar, todo-o-terreno, com seis rodas e cujo nome é uma referência à mitologia chinesa. De acordo com a lenda, o coelho lunar - ou “lebra da Lua”, já que a língua chinesa clássica não faz distinção entre coelho e lebre - vive na Lua, onde fabrica num almofariz o elixir da imortalidade. O animal boticário tem como companheira Chang’e, a deusa chinesa da Lua. Com esta missão, baptizada “Chang’e-3”, a China deverá realizar a primeira alunagem

“em suavidade”, no âmbito do programa “Chang’e”, já marcado pelo êxito de duas sondas lunares. As sondas “Chang’e-1” (lançada em Outubro de 2007) e “Chang’e-2” (lançada em Outubro de 2010) permitiram, após terem sido colocadas em órbita, realizar observações pormenorizadas da Lua. Para afirmar o estatuto de potência, a China pretende ser o primeiro país asiático a enviar um homem à Lua.

A “Coelho de Jade”, dotada de painéis solares para se abastecer de energia, deverá realizar análises científicas e enviar para a Terra imagens a três dimensões (3D) do satélite. O veículo, de 120 quilogramas, vai ser depositado na Baía do Arco-Íris, um território lunar ainda inexplorado, de acordo com a administração espacial chinesa. Esta zona apresenta condições favoráveis, em termos de luz solar e para as comunicações com a Terra.

O veículo lunar estará operacional durante três meses, durante os quais poderá deslocar-se a uma velocidade máxima de 200 metros por hora. A China consagra milhares de milhões de dólares à conquista do espaço, vista como um símbolo do novo poder do país e das ambições do Partido Comunista (PCC) no poder. Pequim avança a passos largos num programa para se dotar de uma estação orbital permanente e, com este objectivo em vista, registou nos dois últimos anos grandes melhorias na realização de encontros espaciais entre módulos. Outros países asiáticos têm também ambições lunares, a começar pela Índia, que a 14 de Novembro de 2008, conseguiu fazer alunar uma sonda, uma estreia desde o lançamento do programa espacial indiano, em 1963.

região

Tailândia Protestos continuam com ocupação de edifícios do Governo

Manifestantes continuavam ontem a ocupar vários Ministérios em Banguecoque, Tailândia, com o objectivo de derrubar o executivo liderado por Yingluck Shinawatra. O líder dos protestos e antigo vice-primeiro-ministro Suthep Thaugsuban, sobre o qual existe uma ordem de detenção, instou os seus seguidores à ocupação de todos os Ministérios e Câmaras Municipais do país. O próprio Suthep Thaugsuban, que recentemente renunciou ao seu lugar de deputado, liderou um conjunto de manifestantes que tomou na segunda-feira os edifícios do Ministério das Finanças, onde instalou o posto avançado de oposição ao Governo, tendo, inclusivamente, pernoitado no local. O acampamento base dos protestos está no Monumento da Democracia e até agora estão ocupados os Ministérios das Finanças, Agricultura e Transportes tailandeses, enquanto o Ministério do Interior está cercado por manifestantes.

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DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE TURISMO ANÚNCIO A Região Administrativa Especial de Macau, atravês da Direcção dos Serviços de Turismo, faz público que, de acordo com o Despacho de 7 de Novembro de 2013 do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, se encontra aberto concurso público para adjudicação do serviço de realização de um Espectáculo de Fogo-de-Artifício destinado à Celebração do Ano Novo Lunar 2014. Desde a data da publicação do presente anúncio, nos dias úteis e durante o horário normal de expediente, os interessados podem examinar o Processo do Concurso na Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 12.o andar, e serem levantadas cópias, incluindo o Programa do Concurso, o Caderno de Encargos e demais documentos suplementares, mediante o pagamento de duzentas patacas (MOP200,00); além disso ainda se encontra igualmente patente no website da Direcção dos Serviços de Turismo (http://industry.macautourism. gov.mo), podendo os concorrentes fazer “download” do mesmo. Sessão de esclarecimento será realizada no Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 14.o andar pelas 10:00 horas do dia 6 de Dezembro de 2013. O limite máximo do valor global da prestação de serviço é de MOP2.500.000,00 (dois milhões e quinhentas mil patacas). Critérios de apreciação das propostas e percentagem: Preço

60%

Experiência em larga escala de lançamento de fogo de artifício para DST Maior garantia de segurança e eficiência na prestação do serviço (Informações do equipamento e programa de lançamento)

20% 20%

Os concorrentes deverão apresentar as propostas na Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 12.o andar, durante o horário normal de expediente e até às 17:30 horas do dia 13 de Dezembro de 2013, devendo as mesmas ser redigidas numa das línguas oficiais de RAEM ou em inglês, prestar a caução provisória de MOP50.000,00 (cinquenta mil patacas), mediante 1) depósito em numerário à ordem da Direcção dos Serviços de Turismo no Banco Nacional Ultramarino de Macau 2) garantia bancária 3) depósito nesta Direcção dos Serviços em numerário, em ordem de caixa ou em cheque visado, emitidos à ordem da Direcção de Serviços de Turismo 4) por transferência bancária na conta da Fundo de Turismo do Banco Nacional Ultramarino de Macau. Acto publico do concurso, no Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 14.o andar pelas 10:00 horas do dia 16 de Dezembro de 2013. Os representantes legais dos concorrentes deverão estar presentes no acto público de abertura das propostas para efeitos de apresentação de eventuais reclamações e/ou para esclarecimento de eventuais dúvidas dos documentos apresentados ao concurso, nos termos do artigo 27.o do Decreto-Lei n.o 63/85/M, de 6 de Julho. Os representantes legais dos concorrentes poderão fazer-se representar por procurador devendo, neste caso, o procurador apresentar procuração notarial conferindo-lhe poderes para o acto público do concurso. Direcção dos Serviços de Turismo, aos 20 de Novembro de 2013 A Directora _____________________________ Maria Helena de Senna Fernandes

AVISO sobre a formulação dos pedidos de apoio financeiro para actividades no âmbito do Quyi (1.ª ronda para o ano de 2014) 1. Âmbito de aplicação Os pedidos de apoio financeiro para a realização de espectáculos de óperas chinesas e de canções clássicas e populares para o período compreendido entre os dias 1 de Janeiro e 30 de Junho de 2014 devem ser formulados no prazo abaixo indicado. 2. Condições para pedido de apoio financeiro Instituições constituídas e registadas em Macau, e em funcionamento nos termos da lei, e que não tenham fins lucrativos. 3. Destinatários/Projectos não-prioritários ou aos quais não serão dados apoios (1) Instituições sem fins lucrativos constituídas há menos de um ano; (2) Projectos que não sejam compatíveis com os fins da instituição requerente; (3) Projectos a realizar no exterior da Região Administrativa Especial de Macau. 4. Prazo para formulação do pedido Entre 1 e 31 de Dezembro de 2013. Os pedidos fora deste prazo não serão considerados. 5. Documentos necessários à instrução do pedido Formulário “Requerimento de Apoio Financeiro” devidamente preenchido, acompanhado dos documentos descritos na Parte C deste formulário. Os formulários próprios para instrução do pedido de apoio financeiro e os respectivos exemplares estão disponíveis no website da Fundação Macau. Para mais informações, o requerente pode consultar os “Guias Gerais para Pedido de Apoio Financeiro para Actividades no âmbito de Quyi”. 6. Serviços de atendimento e apoio à instrução do pedido Durante o prazo acima referido, o requerente pode contar com o apoio dos trabalhadores da Fundação Macau especializados na prestação de serviços de atendimento sobre a instrução dos pedidos de apoio financeiro para as actividades no âmbito do Quyi. Local para entrega do pedido: Avenida de Almeida Ribeiro, N.ºs 61-75, Circle Square, 7.° andar, Macau Horas de expediente: 2.ª a 5.ª-feira: das 9H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H45; 6.ª-feira: das 9H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H30 Contacto Tel: 87950957 (Dr. Sam) ou 87950969 (Dra. Chan) Email: ds_info@fm.org.mo Website: www.fmac.org.mo


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Acordo nuclear

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Entre o Irão e o Ocidente permanecem bloqueios internos, falta de confiança e oposição dos países da região

Um caminho está cheio de difíceis obstá A

tinta ainda não secara no acordo – o primeiro entre os EUA e o Irão desde 1979 – e já John Kerry trocava a euforia desta primeira vitória diplomática pela prudência de quem nos próximos seis meses quer chegar a um entendimento definitivo com um inimigo histórico. “A parte realmente difícil começa agora”, disse o secretário de Estado norte-americano. O que foi decidido em Genebra, lembram os analistas, apenas suspende algumas das actividades mais sensíveis do programa nuclear iraniano em troca de um alívio (também reversível) das sanções. Transformar o provisório em permanente vai obrigar as duas partes a cedências até aqui impensáveis numa negociação que, a cada pas-

so, promete deparar-se com novos obstáculos.

Falta de confiança

Há demasiada história e demasiados desentendimentos entre o Irão e os Estados Unidos, e isso é suficiente para colocar as negociações sob permanente risco de colapso. A desconfiança mútua foi durante anos um dos entraves a qualquer progresso significativo das negociações entre Teerão e o Grupo 5+1 (os membros permanentes do Conselho de Segurança e a Alemanha). Apesar dos sorrisos e das negociações secretas dos últimos meses, promete continuar a envenenar as negociações, quer porque os dois países têm interesses conflituantes (a guerra na Síria e o conflito israelo-palestiniano são apenas os exemplos mais flagrantes) quer porque manter essa hostilidade latente é

essencial para tranquilizar as respectivas opiniões públicas e assegurar que não há cedências em nenhuma matéria fundamental. Exemplo disso é o facto de, mal o acordo interino foi anunciado, Kerry e o seu homólogo iraniano, Mohammad Javad Zarif, terem divul-

gado interpretações opostas sobre o que foi acordado em relação ao enriquecimento de urânio – o principal ponto de discórdia entre Teerão e os ocidentais. O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano disse que as potências internacionais reconheceram o direito do país a produzir

O primeiro-ministro israelita não poupou nas palavras quando classificou o acordo de Genebra como um “erro histórico”. Os sauditas foram mais cautelosos ao dizer que “se houver boa vontade, o acordo pode representar um passo importante para uma solução abrangente”, mas a imprensa oficial mostrava que também Riad está descontente

combustível nuclear; o chefe da diplomacia americana afirmou que Teerão só poderá enriquecer urânio no âmbito de um programa “mutuamente definido”, que venha a resultar de um acordo final.

Os difíceis detalhes

Vários observadores sublinham que o acordo preliminar vai mais longe do que o esperado, ao impor ao Irão um regime de inspecções mais abrangente do que alguma vez o país aceitou. Além de visitas diárias às unidades de enriquecimento de Natanz e Fordow (que o Irão construiu em segredo no interior de uma montanha), os peritos da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) vão pela primeira vez entrar nas unidades onde são produzidas as centrifugadoras nucleares, usadas para enriquecer urânio. Um acesso

que, a par do compromisso iraniano de neutralizar o seu stock de urânio enriquecido a 20%, torna mais difícil que o país desenvolva em segredo qualquer actividade que o aproxime da obtenção de armas nucleares (intenção que Teerão nega). Mas, no essencial, o acordo limita-se a colocar em ponto morto as actividades mais sensíveis – Teerão vai manter inoperacionais milhares de centrifugadoras, mas não está obrigado a desmantelá-las e a construção do reactor de águas pesadas de Arak (capaz de produzir plutónio) foi apenas suspensa. Para conseguir um acordo, Teerão terá de fazer cedências que serão difíceis de vender à sua população – vai abdicar de Arak e Fordow? Quanto urânio pode enriquecer? – e em troca exigirá um alívio das sanções que o Ocidente quer


acordo nuclear 11

a-feira 28.11.2013

a BBC. Os sauditas deram a entender que podem adquirir meios de dissuasão nuclear para se defender do rival, numa forma de pressão pouco subtil sobre Washington. Mas é em Israel que as atenções estão concentradas, depois de Netanyahu ter dito que não se sente vinculado ao acordo. No entanto, “Israel parece ter pouca escolha além de engolir em seco”, escreveu Amos Harel, especialista em defesa do jornal Ha’aretz, sublinhando que um ataque a instalações nucleares iranianas enquanto decorrem as negociações “seria um suicídio político e diplomático”. Restam, no entanto, outras armas a Netanyahu para impedir a aproximação de Washington e Teerão: a pressão sobre o Congresso americano é a opção mais óbvia, mas Shashank Joshi, perito do Royal United Services Institute, afirmou na BBC que não são de excluir quer operações secretas para boicotar o programa iraniano, quer um reforço da cooperação com as secretas sauditas para encontrar indícios de que Teerão está a omitir partes do seu programa nuclear – uma nova revelação como a da existência de Fordow pode deitar por terra qualquer tentativa de acordo.

Congresso americano

o

áculos adiar para o momento em que haja um acordo definitivo.

Israelitas e sauditas

O primeiro-ministro israelita não poupou nas palavras quando classificou o acordo de Genebra como um “erro histórico”. Os sauditas foram mais cautelosos ao dizer que “se houver boa vontade, o acordo pode representar um passo importante para uma solução abrangente”, mas a imprensa oficial mostrava que também Riad está descontente. Quer Israel quer as monarquias árabes temem que o Irão tenha conseguido ganhar tempo para se dotar de armas nucleares, mas receiam sobretudo que, na eventualidade de um acordo definitivo, os EUA possam estar menos empenhados em protegê-los da ingerência iraniana, sublinhava ontem

As novas sanções em discussão no Senado são a ameaça mais iminente às negociações, que pode levar mesmo ao seu fim prematuro. Quer na Câmara dos Representantes quer no Senado há uma clara maioria a seu favor e um cepticismo partilhado por democratas e republicanos quanto às cedências que o Irão está disposto a fazer. Em Washington houve, por isso, poucos aplausos ao acordo conseguido em Genebra, embora a Administração Obama pareça ter, para já, algum espaço de manobra. Robert Menendez, o senador democrata que lidera o Comité de Relações Externas, garantiu que, a serem aprovadas, as novas sanções vão incluir uma cláusula prevendo a sua suspensão por seis meses. Alguns analistas avisam que, mesmo assim, o Irão pode ver no gesto um novo sinal da cedência dos EUA aos interesses israelitas, e o Washington Post escreveu que nem todos os legisladores estão dispostos a aceitar o adiamento. A Foreign Policy recordou que Barack Obama tem poder para vetar novas sanções, mas sublinha que essa é uma guerra que o Presidente não quer comprar, tanto mais

que precisará do apoio do Congresso quando, mais à frente nas negociações, quiser levantar as restrições impostas ao petróleo e ao sistema bancário iraniano.

Conservadores iranianos

Zarif foi acolhido como herói no regresso a Teerão e o Presidente Hassan Rohani, principal impulsionador das negociações, obteve a bênção do ayatollah Ali Khamenei, que elogiou publicamente as “acções inteligentes” dos negociadores. Mas se os moderados reivindicam agora um acordo que “preserva a estrutura do programa nuclear e alivia as sanções”, o caminho que têm pela frente não poderia ser mais difícil.

O acordo limitase a colocar em ponto morto as actividades mais sensíveis – Teerão vai manter inoperacionais milhares de centrifugadoras, mas não está obrigado a desmantelá-las e a construção do reactor de águas pesadas de Arak (capaz de produzir plutónio) foi apenas suspensa É improvável que os Guardas da Revolução, pilar da ortodoxia do regime e guardiões do programa nuclear, estejam dispostos a aceitar as cedências que o Ocidente exige para levantar as sanções e é incerta a margem negocial que o Supremo Líder iraniano dará de agora em diante a Rohani. E mesmo o primeiro sucesso pode revelar-se escasso: ao manter o essencial das suas sanções, os EUA vão fazer com que o Irão perca 30 mil milhões de dólares no próximo semestre, segundo cálculos do Wall Street Journal o que, segundo um responsável ouvido pelo jornal, significa que “Teerão vai estar pior no final destes seis meses do que está agora”.


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eventos

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O

Albergue SCM recebe este sábado, pelas 20h, a edição 2013 do Espectáculo de Moda, “Macau Fashion Link” . O Macau Fashion Link é uma demonstração do que são as indústrias culturais e criativas do território, e é composto este ano pela apresentação do “L-Show”. O evento é uma iniciativa que visa promover e encorajar os talentos locais e a indústria, para que desenvolvam o seu potencial e aproveitem as oportunidades em Macau e no Delta do Rio das Pérolas, especialmente na Ilha da Montanha e também em todos os países lusófonos espalhados pelo mundo, informa o comunicado de imprensa da organização. Para além disto, o espectáculo de moda pretende ainda dar visibilidade aos designers locais e às

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“Macau Fashion Link” este sábado no Albergue

Moda da Lusofonia aspirantes a modelo, atingindo três objectivos: promover as indústrias criativas locais; apoiar a cooperação crescente entre Macau e Guangdong e promover as relações entre Macau e os países de língua portuguesa, acrescenta a nota de imprensa. O “L-Show” é um evento de moda que exibe alguns dos mais famosos estilistas contemporâneos dos países e regiões lusófonos espalhados pelo mundo, incluindo Moçambique, Angola, Portugal, Macau e R.P. da China. O desfile de moda

Fundação Macau distribui 23 milhões de patacas

junta um gama diversa de estilistas que, apesar de terem as suas identidades muito próprias, partilham o Português como língua mãe. A passarela vai contar com as criações da famosa estilista portuguesa Sara Lamúrias, lado a lado com a moçambicana Marinela Rodrigues, o angolano Louis de Gama e o chinês Victor Zhu. Os designers locais Bárbara Diaz, San Lee e Lines Lab, entre outros, vão também apresentar as suas mais recentes e peças, finaliza a nota.

Exposição e documentário de Joaquim Magalhães de Castro no Bela Vista

O escritor e fotógrafo Joaquim Magalhães de Castro apresenta hoje no Bela Vista, pelas 19h, na galeria da Residência Consular de Portugal a Exposição fotográfica «Os portugueses esquecidos do Oriente», acompanhada da exibição do documentário Bayingyi, a outra face da Birmânia. O evento está inserido na programação do Festival dos Luso-Talentos 2012/2013 e conta com a produção da CATAIO – Associação Cultural para o Desenvolvimento e Cooperação de Macau.

Escritor Nuno Júdice recebe Prémio de poesia

Nova ronda de pedidos de Dez anos após Sophia subsídio a 1 de Dezembro O A

Fundação Macau tem vindo a apoiar grupos e associações artísticas para organizar actividades no âmbito do Quyi, nomeadamente, apresentações de Óperas chinesas e de Canções clássicas e populares. Nos últimos três anos, os subsídios concedidos ultrapassaram 23 milhões patacas e os eventos subsidiados atingiram o nú-

mero de 661 espectáculos, informa o comunicado de imprensa da instituição. A primeira ronda de espectáculos realiza-se no primeiro semestre do próximo ano e o prazo para os pedidos de apoio decorrerá entre os dias 1 e dia 31 de Dezembro de 2013. Nos últimos três anos foram aprovados mais de 600

pedidos, acrescenta a nota de imprensa. No ano 2014, continuará a funcionar o sistema de pedidos de apoio financeiro para actividades no âmbito do Quyi. As instituições que pretendam organizar uma actividade dentro deste âmbito para a primeira ronda, a decorrer no primeiro semestre do ano de 2014, entre os dias 1 de Janeiro e 30 de Junho de 2014, deverão formular os pedidos de subsídio entre os dias 1 de Dezembro e 31 de Dezembro de 2013. Os resultados serão anunciados no próximo mês de Fevereiro. Cada beneficiário somente poderá usufruir do subsídio uma vez por ano, finaliza a nota.

À venda na Livraria Portuguesa Os Rostos de Jesus , Uma Revelação • José Tolentino Mendonça, Duarte Belo “Os Rostos de Jesus – Uma Revelação” é uma viagem fotográfica pelas representações de Jesus crucificado que podemos contemplar no alto dos cruzeiros de pedra existentes sobretudo no Norte de Portugal. São mais de 100 fotografias de esculturas tendo por fundo o céu azul, que permitem apreciar a expressão facial e corporal do Jesus Cristo que cada artífice da pedra, em cada lugar, soube criar. A leitura do texto do Prof. José Tolentino Mendonça é indispensável para compreender estas imagens e o subtítulo «Uma Revelação». O autor explica que a diversidade de interpretações que a arte faz do rosto de Jesus traduz a incerteza sobre o seu rosto histórico. Mas, para além disso, também demonstra a impossibilidade de uma imagem captar a verdade completa sobre Jesus, porque ele é «ponto de interseção entre o divino e o humano».

escritor Nuno Júdice, que acabou de publicar um novo livro de poesia, “Navegação de acaso”, recebeu ontem, em Madrid, o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana, no Palácio Real. A entrega do prémio pela Rainha espanhola, decorreu numa cerimónia na sala das Colunas, e incluiu uma evocação do

poeta colombiano Álvaro Mutis, galardoado com o prémio em 1997, recentemente falecido. A evocação esteve a cargo do poeta Jaime Siles, disse à Lusa fonte oficial. Nuno Júdice é o 23.º distinguido com o galardão e o segundo português a recebê-lo, dez anos depois de Sophia de Mello Breyner Andresen. O Prémio Rainha

Sofia de Poesia Ibero-Americana, atribuído pelo Património Nacional espanhol e pela Universidade de Salamanca, tem o valor pecuniário de cerca de 420.000 patacas. O galardão reconhece o conjunto da obra poética de um autor vivo que, pelo seu valor literário, constitua uma contribuição relevante para o património cultural partilhado pela comunidade ibero-americana. O júri considerou o poeta, ensaísta e ficcionista português como autor de uma poesia “muito elaborada, de um classicismo depurado”, mas, ao mesmo tempo, com um grande compromisso com a realidade, segundo a agência EFE.

Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net

Os Diários Secretos do Vaticano • John Thavis O revelador bestseller do New York Times examina o reino do Papa Bento, o processo do conclave papal e a história de uma das mais antigas e misteriosas instituições do mundo. Durante mais de vinte e cinco anos, John Thavis desempenhou um dos postos jornalísticos mais fascinantes do mundo: relatar os labores internos do Vaticano. O seu contacto diário com o poder, a política e as personalidades na sede do Catolicismo Romano deu-lhe uma perspetiva de bastidores única sobre uma instituição que é de longe menos monolítica e unificada do que parece à primeira vista.


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José de Souza Júnior

in Resenhas

A Farmácia de Platão

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erá que a evocação de Farmaceia, no início do Fedro, é casual? De todo modo, Farmacéia (pharmákeia) pode ser um nome comum para designar a administração do phármakon, da droga: do remédio e/ou veneno. Esse phármakon, essa ‘medicina’, esse filtro, ao mesmo tempo remédio e veneno, já se introduz no corpo do discurso com toda sua ambivalência. O phármakon faz sair dos rumos e das leis gerais, naturais ou habituais. As folhas da escritura agem como um phármakon que expulsa ou atrai para fora da cidade aquele que dela nunca quis sair, mesmo no último momento, para escapar da cicuta. Elas o fazem sair de si e o conduzem por um caminho que é propriamente de êxodo. Quando Sócrates enfim se deitou e Fedro tomou a posição mais cómoda para manejar o texto ou, se for o caso, o phármakon, que tem início a conversação: falas envolvidas, enroladas, reservadas, mas apenas as letras ocultadas poderiam fazer Sócrates caminhar dessa forma, no limite, se um lógos não diferido fosse possível, ele não seduziria, ele não arrastaria Sócrates como se estivesse sob o efeito de um phármakon, fora de seu rumo. Antecipemos. Desde já a escritura, o phármakon, o descaminho. Antes mesmo que a apresentação declarada da escritura como um phármakon intervenha no centro do mito de Theuth. Ocorre que os phármaka estão entre as coisas que podem ser ao mesmo tempo boas e penosas, o phármakon é colhido sempre na mistura. Esta dolorosa fruição, ligada tanto à doença quanto ao apaziguamento, é um phármakon em si. Ela participa ao mesmo tempo do bem e do mal, do agradável e do desagradável, ou, antes, é no seu elemento que se desenham essas oposições. A tradução corrente de phármakon por remédio – droga benéfica – não é de certa forma inexacta. Essa medicina é benéfica, ela produz e repara, acumula e remedia, aumenta o saber e reduz o esquecimento. Theuth, por astúcia ou ingenuidade, exibiu o reverso verdadeiro efeito da escritura: para fazer valer sua invenção, Theuth teria, assim, desnaturado phármakon, dito o contrário daquilo que a escritura é capaz. A tradução por remédio acusa a ingenuidade ou a artimanha de Theuth. “Do ponto de vista do sol”, Theuth jogou, sem dúvida, com a palavra, interrompendo a comunicação entre os dois valores opostos: Theuth,

de Jacques Derrida o inventor do phármakon, pronunciava em pessoa um longo discurso e apresentava suas letras à aprovação do rei. Para que a escritura produza o efeito ‘inverso’ daquele que se poderia esperar, ora, essa ambiguidade, Platão, pela boca do rei, quer dominar a sua definição na oposição simples e nítida: do bem e do mal, do dentro e do fora, do verdadeiro e do falso, da essência e da aparência. É em aparência que a escritura é benéfica para a memória, mas, na verdade, a escritura é essencialmente nociva: o phármakon produz o jogo da aparência a favor do qual ele se faz passar pela verdade – o caso da escritura é grave. Se a escritura produz, segundo o rei e

nociva e entorpecente para o dentro invisível da alma, da memória e da verdade. Inversamente, a cicuta é dada como um veneno nocivo e entorpecente para o corpo. Ela se verifica em seguida benéfica para a alma, que libera do corpo e desperta para a verdade do eîdos. A cicuta, essa poção que nunca teve outro nome no Fédon senão o de phármakon e é apresentada a Sócrates como um veneno, mas ela se transforma, pelo efeito do lógos socrático, em meio de libertação, possibilidade de salvação e virtude catártica. A cicuta tem um efeito ontológico – iniciar à contemplação do eîdos e à imortalidade da alma: Sócrates a toma como tal.

sob o sol, o efeito inverso daquele que lhe atribuímos, se o phármakon é nefasto, é que ele não é daqui: ele é exterior ou estrangeiro ao ser vivo que é o aquimesmo de dentro, que ele pretende socorrer ou suprir. A escritura anunciada por Theuth como um remédio, como uma droga benéfica, é em seguida devolvida e denunciada pelo rei, depois, no lugar do rei, por Sócrates, como substância maléfica e filtro do esquecimento. A escritura é dada como suplente sensível, visível, espacial da mnéme; ela se verifica em seguida

Platão teve de adequar sua narrativa a leis de estrutura, as mais gerais, aquelas que articulam e comandam as oposições fala/escritura, vida/morte, pai/filho, mestre/servidor, alma/ corpo, dentro/fora, sol/lua, etc. Platão certamente não descreve o personagem de Theuth, mas organiza traços de uma figura marcante, sob uma analogia estrutural que os relaciona com outros deuses da escritura, e antes de tudo com Thot egípcio. O deus Thot tem várias faces, várias épocas e habitações. Thot é um deus engendrado, chama-se

frequentemente o filho do deus-rei, do deus-sol, de Amon-Ra: “eu sou Thot, filho mais velho de Ra”. Ra (sol) é o deus criador e engendra pela mediação do verbo, Amon: o oculto. Temos aqui, portanto, um sol oculto, pai de todas as coisas, deixando-se representar pela falta. Conjuga-se nisso o que poderia se chamar a história do ovo ou o ovo da história: o criador vivo da vida do mundo nasceu de um ovo – o sol. Amon-Ra é também um pássaro, um falcão (“Eu sou o grande falcão saído de seu ovo”). A subordinação de Thot, filho mais velho do pássaro original, assinala-se porque Thot é o executante, pela língua, do projecto criador de Horus: ele carrega os signos do grande deus-sol, ele o interpreta como seu porta-voz, ele detém o papel de deus mensageiro, do intermediário astuto, engenhoso e subtil que furta e se furta sempre – o deus do significante, mas o que ele deve enunciar ou informar em palavras, Horus já o pensou. Thot só pode se tornar o deus da fala, criadora por subversão violenta. A substituição coloca Thot no lugar de Ra como a lua no lugar do sol: Thot também o imita, torna-se seu signo e representante, obedece-lhe, conformase a ele, o substitui, quando preciso, por violência. Ele é o outro do pai, o pai e o movimento subversivo da substituição. O deus da escritura é, portanto, de uma só vez, seu pai, seu filho e ele próprio. Não que o lógos seja o pai, mas a origem do lógos é seu pai. Se o ‘sujeito falante’ é o pai de sua fala, o lógos é um filho, então, e um filho que se destruiria sem a presença, sem a assistência presente de seu pai. O lógos vivo é vivo por ter um pai vivo, um pai que se mantém presente, de pé junto a ele, atrás dele, nele, sustentando-o com sua rectidão, assistindo-o pessoalmente e em seu nome próprio. O lógos vivo reconhece sua dívida, vive desse reconhecimento e se interdita, acredita poder interditar-se o parricídio. A morte do pai abre o reino da violência. Escolhendo a violência, e a violência contra o pai, o filho – ou a escritura parricida –, não pode deixar de se expor a si mesmo. Tudo isso é feito para que o pai morto (primeira vítima e último recurso) não esteja mais aí: a escritura, o fora-da-lei, o filho perdido. Sócrates desempenha nos diálogos o papel do pai, representa o pai ou, no máximo, o irmão mais velho. E Sócrates lembra aos atenienses, como um pai


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aos seus filhos, que, ao matá-lo, serão a eles próprios a quem inicialmente prejudicarão. O que é o pai? O pai é. O pai é (o filho perdido). A escritura, o filho perdido, não responde a essa questão, ela se escreve: que o pai não está, ou seja, não está presente. Platão designa como escritura um discurso que se queria falado em sua essência, em sua verdade, e que, no entanto, se escreve. E se ele se escreve a partir da morte de Sócrates, é sem dúvida por essa razão profunda: a escritura é parricida. Esse parricídio é uma decisão terrível. Esse parricídio, em todo caso, será tão decisivo, peremptório e temível quanto uma pena capital. Sem esperança de volta. O lógos paterno está revirado. Mas o que é um pai? A origem ou a causa do lógos é comprada ao que sabemos ser a causa de um filho vivo, seu pai. O pai é sempre o pai de um ser vivo/ falante, ou seja, é a partir do lógos que se anuncia e se dá a pensar algo como a paternidade. Se houvesse uma simples metáfora na locução “pai do lógos”: a figura do pai sabe-se, é também aquela do bem (agathón). O lógos representa isto ao que ele é devedor, o pai, que é também um chefe, um capital e um bem. Ou antes, o chefe, o capital, o bem. Pater significa em grego tudo isso ao mesmo tempo. Ora, desse pai, desse capital, desse bem, dessa origem de valor e dos entes manifestados, não podemos falar simples ou directamente, porque não podemos olhá-los na face como não podemos ao sol. Até aqui, a escritura não tinha outro estatuto que aquele de órfão ou de parricida moribundo. O discurso escrito, no sentido ‘próprio’ é malformado de nascimento. Ele não é gnésios: pela voz de seu pai ele não pode ser declarado, reconhecido. Ele é fora-da-lei. O antídoto ainda é a epistéme. A filosofia opõe essa transmutação da droga em remédio, do veneno em contraveneno. Se o phármako-lógos não abrigasse nele mesmo essa cumplicidade dos valores contrários, e se o phármakon em geral não fosse, antes de toda discriminação,

o que, dando-se como remédio, podese corromper em veneno, ou o que se dando como veneno pode se verificar como remédio: a essência do phármakon é que, não tendo essência estável nem carácter ‘próprio’, não é uma substância. O phármakon invertido não é outro senão a origem da epistéme, abertura à verdade como possibilidade da repetição e submissão do ‘furor de viver’ à lei (ao bem, ao pai, ao rei, ao chefe, ao capital, ao sol, invisíveis). São as próprias leis que convidam a ‘não’ manifestar esse furor de viver em detrimento das leis mais importantes. O eîdos é o que sempre pode ser repetido como o mesmo. A idealidade e a invisibilidade do eîdos é seu poder-ser-repetido. Ora, a lei é sempre a lei de uma repetição e a repetição é sempre a submissão a uma lei. A morte se abre então ao eîdos assim como à lei-repetição. Sócrates é chamado a aceitar ao mesmo tempo a morte e a lei. Ele deve se reconhecer como descendente ou mesmo escravo da lei que tornou seu nascimento possível. Sócrates deve morrer conforme a lei e nos limites desta cidade, ele que (quase) nunca quis sair dela. Trata-se da palavra ‘pharmakós’ (feiticeiro, mágico, envenenador), sinónimo de ‘pharmakeús’ que tem a originalidade de ter sido sobredeterminada pela cultura grega com outras funções: comparou-se o personagem do pharmakós a um bode expiatório. O mal e o fora, a expulsão do mal, sua exclusão fora do corpo (e fora) da cidade, tais são as duas significações maiores do personagem e da prática ritual. Em geral, os pharmakós eram destinados à morte. O phármakon apresenta e abriga a morte, mas designa também o perfume, sem essência, como uma droga sem substância. Ele transforma a ordem em enfeite e o cosmos em cosmético. A morte, a máscara, o disfarce, é a festa que subverte a ordem da cidade, tal como ela deveria ser regulada pelo dialéctico e pela ciência do ser. O ilusionista, o técnico do trompe l’oeil, o pintor, o escritor, o pharmakeús... A palavra phármakon que

significa cor também se aplica às drogas dos feiticeiros ou dos médicos. O encantamento é sempre o efeito de uma representação capturando e cativando a forma do outro, sobretudo em seu rosto, na sua face: vultus. A escritura se dá por imagem da fala. Ela desnatura o que pretende imitar. Ela inscreve no espaço do silêncio e no silêncio do espaço o tempo vivo da voz: arranca violentamente ao seu elemento a interioridade animada da fala. Assim, a escritura distancia-se imensamente da verdade da coisa mesma, da verdade da fala e da verdade que se abre à fala. Neste sentido, Sócrates, “aquele que não escreve”, não é também um mestre do phármakon? Um pharmakeús? Um mágico, um feiticeiro e até mesmo um envenenador? Não é rico nem belo, nem delicado, passa a vida filosofando; é um temível feiticeiro, um sofista. Indivíduo que nenhuma lógica pode reter numa definição não-contraditória, indivíduo da espécie demoníaca, nem deus nem homem, nem imortal nem mortal, nem vivo nem morto, ele tem por virtude ‘dar livre curso, tanto à adivinhação completa quanto à arte dos sacerdotes, no que concerne aos sacrifícios e iniciações, assim como as encantações, vaticinações em geral e magia’. A magia socrática opera, portanto, o lógos sem instrumento, por uma voz sem acessório. Esta voz nua e sem órgãos, a ela, nós

pub

só podemos impedi-la de penetrar tampando as orelhas... ... O ritual (do pharmakós) era uma dessas antigas práticas de purificação. Se uma calamidade se abatia sobre a cidade, exprimindo a cólera de deus – fome, peste ou qualquer outra catástrofe – o homem mais feio de todos era conduzido como que a um sacrifício como forma de purificação e remédio para o sofrimento da cidade. Excluindo violentamente de seu território o representante da ameaça ou agressão exterior. Quando uma calamidade tal como a seca ou a fome se abatia sobre a cidade, eles sacrificavam dois desses reprovados, como bodes expiatórios. A cerimónia do pharmakós se passa no limite de dentro e do fora que ela tem por função traçar e retraçar sem cessar: intramuros/extramuros. A prática ritual, que tinha lugar em Abdera, em Thrace, em Marselha etc. reproduzia-se todos os anos em Atenas. E ainda no século V Aristófanes e Lísias fazem claras alusões a isso. Platão não podia ignorálo. A data da cerimónia é notável: o sexto dia das Targélias. Angustiante e apaziguador, sagrado e maldito, o pharmakós requer que a surpresa seja prevenida: pela regra, pela lei, pela regularidade, pela repetição, pela data fixa. Sócrates nasceu no sexto dia das Targélias: o dia em que os atenienses purificam a cidade.


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desporto

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Futebol William Chu sucede a Tam Iao San no banco

Mar co Carvalho info@hojemacau.com.mo

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epois do Ka I e do Benfica, também o Clube Desportivo Monte Carlo não resistiu à dança das cadeiras e prepara-se para anunciar um novo treinador para a próxima temporada. Orientados na última época por Joseph Tam Iao San, os campeões do território terão um novo rosto no banco a partir de Janeiro próximo. William Chu, que na temporada passada desempenhou o papel de treinador de guarda-redes na equipa técnica dos “canários”, foi promovido a técnico principal da formação presidida por Firmino Mendonça, depois de já ter

orientado o Monte Carlo no principal campeonato de futebol de sete do território. Ao contrário do que sucedeu com a Associação Desportiva Ka I, as mudanças no Clube Desportivo Monte Carlo denotam mais evolução do que ruptura, garante Tam Iao San. O treinador que devolveu ao emblema “canarinho” a primazia no futebol de Macau após três anos de domínio do Ka I vai continuar ligado à equipa, ainda que no desempenho de outras funções. Na nova estrutura técnica do Monte Carlo, Tam Iao San assume o papel de director desportivo para o futebol, ainda que mantenha a intenção de continuar a participar activamente nos trabalhos de preparação do plantel.

“Não serei o rosto do Monte Carlo como fui este ano, mas vou continuar a trabalhar nos bastidores para que a equipa seja bem sucedida. Vou co-adjuvar o William Chu nos treinos da equipa e a dar o meu apoio quer aos jogadores, quer à direcção. Quem se vai sentar no banco é, no entanto, o William Chu. O Monte Carlo optou por esta abordagem porque quer criar uma estrutura que seja uma mais-valia no seu todo e não esteja demasiado dependente de referências individuais”, explica o treinador campeão do território. Ás mudanças na estrutura técnica do Clube Desportivo Monte Carlo não estão alheias as responsabilidades profissionais do homem que levou o emblema presidido

gonçalo lobo pinheiro

Passagem de testemunho no Monte Carlo

por Firmino Mendonça à conquista dos seus dois mais recentes títulos. Figura bem conhecida do futebol do território, Tam Iao San é também um dos responsá-

veis pela tutela do pelouro do desporto nos canais em língua chinesa da Teledifusão de Macau. O treinador e jornalista colaborou até recentemente com a Asso-

Chefe do Executivo não quer a entrada do seu escritório barrada

Circuito de Hong Kong aos tropeções

Sérgio Fonseca info@hojemacau.com.mo

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velho sonho da vizinha Hong Kong em organizar uma corrida de automóveis nas suas ruas, à imagem de Macau, não está a ser uma missão fácil de alcançar, nem mesmo quando tudo no papel parecia acertado. A região administrativa vizinha faz parte do calendário provisório da Federação Internacional do Automobilismo (FIA) para o Campeonato do Mundo FIA de Fórmula E, a competição para monolugares movidos a motores eléctricos

apadrinhada pela federação internacional que arranca na segunda metade de 2014. Contudo, o desenho do circuito apresentado à FIA e que tinha sido bem acolhido em Paris, terá que sofrer alterações, devido a imprevistos. O Governo de Hong Kong não aprovou o traçado, porque, segundo apurou o jornal Apple Daily, o circuito não permanente proposto irá impedir o Chefe do Executivo, Leung Chun Ying, e alguns oficiais da administração local de aceder ao seu local de trabalho, a Sede do Governo de Hong Kong. Apesar do evento ser reali-

zado apenas no domingo, o facto do circuito bloquear a entrada do edifício do quartel-general é inaceitável. “Há pessoas que precisam de deslocar-se ao edifício para ir trabalhar, especialmente o Chefe do Executivo de Hong Kong. Sem ser de helicóptero, será muito difícil aceder ao edifício”, disse fonte conhecedora do assunto ao jornal da ex-colónia britânica. Perante esta situação, uma delegação da FIA irá deslocar-se a Hong Kong em Dezembro, com vista a encontrar com a Associação Automóvel de Hong Kong (HKAA) uma alternativa válida para o actual traçado.

Uma coisa é certa, o circuito será mais curto. Segundo o South China Morning Post, o traçado passará de 2,6 quilómetros para apenas 2,1. Também será introduzida, por razões de segurança, uma chicana antes do túnel que cobre um troço da recta principal para diminuir a velocidade dos monolugares. “Não podemos ter um perímetro inferior a dois quilómetros e a rua tem que ter dez metros de largura, com o mínimo de sete metros. O Governo tem ajudado bastante e espero que com estas alterações menores que fizemos a FIA nos dê a luz verde”, disse Lawrence Yu, Presidente do HKAA, à publicação de língua inglesa da RAE vizinha. A prova está marcada para o dia 8 de Novembro de 2014 e o circuito improvisado já tem um nome “Victoria Speedway”. Dia 6 de Dezembro é a data limite para a aprovação da pista. Entretanto, o Spark-Renault SRT_01E, o monolugar que o presidente do HKAA gostaria de ter visto em exibição no Circuito da Guia nas celebrações do sexagésimo aniversário, já fez os primeiros testes em pista, mas ainda com uma bateria de 50kw, não com a bateria de 200kw que será usada nas corridas.

ciação de Futebol de Macau na preparação do futuro do desporto-rei do território, ao desempenhar durante quase três anos o papel de responsável pela Selecção de Sub-18 de Macau. O Monte Carlo é a terceira formação a dar a conhecer mudanças na estrutura técnica que vai disputar a edição de 2014 da Liga de Elite. No início do mês, o Ka I anunciou a contratação do veterano Chan Man Kin para o lugar do brasileiro Josecler. No início da semana foi a vez do Benfica anunciar novidades, com a apresentação de Paulo Bento como treinador para a próxima época. O antigo técnico do Monte Carlo rende o jovem Bruno Álvares no banco encarnado.

Presidente do Sporting Clube de Portugal vem a Macau

O presidente do Sporting Clube de Portugal, Bruno Carvalho, marcará presença em Macau no próximo dia 5 de Dezembro onde presidirá, pelas 20h, a um jantar promovido pelo Sporting Clube de Macau no restaurante Miramar. A confraternização terá, igualmente, a presença de Artur Torres Pereira, vice-presidente para os Núcleos e Expansão. Desde os tempos da presidência de João Rocha, anos 70 e 80 do século passado, que um presidente do Sporting marcava presença no território. “Um evento que não sucedia desde os tempos de João Rocha, em 1978, há 35 anos”, referiu António Conceição Júnior, presidente do Sporting local, em comunicado aos jornalistas. Estão, portanto, abertas inscrições para o repasto, ao preço de 200 patacas, que fecharam no próximo dia 2 de Dezembro (inclusive). Qualquer contacto, a direcção do Sporting de Macau, pede que seja feito para o e-mail sportingmacau@gmail.com.


futilidades

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tempo períodos de chuva fraca min 13 max 18 hum 40-90% • euro 10.8 baht 0.2 yuan 1.3

Cineteatro

Cinema

Por mim falo

the hunger games: catching fire [c]

Sala 1

the hunger games: catching fire [c]

Um filme de: Francis Lawrence Com: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hamsworth 14.30, 19.15, 21.45

Um filme de: Francis Lawrence Com: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hamsworth 16.30

Sala 3

(Falado em japonês legendado em chinês e inglês) 16.45

Um filme de: Ken Scott Com: Vince Vaughn, Cobie Smulders 14.10, 16.00, 19.50, 21.45

insidious chapter 2 [c] Um filme de: Kees van Oostrum Com: Patrick Wilson, Rose Byrne, Barbara Hershey, Lin Shaye 14.30, 21.30

A barbárie social do século XXI

(Falado em japonês legendado em chinês e inglês) 19.30

Sala 2

Space pirate: captain harlock [b]

Pu Yi

Space pirate: captain harlock 3D [b]

delivery man [c]

Space pirate: captain harlock [b]

Nós, homens ocidentais, crescemos a ouvir dizer que o que está certo é aquilo que vem escrito na Bíblia: no inicio, o mundo não era nada e depois os homens e as mulheres foram feitos à imagem e semelhança de Deus. Posto isto, deveríamos continuar todos a encarar-nos como sendo iguais neste mundo – se eu posso, tu também podes, tal como o meu vizinho e até aquele governante com um discurso enfadonho. Contudo, em pleno século XXI, não só a Bíblia já só é um bom romance imaginado que um dia alguém escreveu, com a premissa de que “um dia viveremos felizes para sempre”, como já todos percebemos que não podemos ser todos iguais perante Deus. Decerto a deputada Song Pek Kei não será católica – confesso que estou mais interessado em perceber os seus intentos políticos do que religiosos. Gostava sobretudo de perceber o que vai na cabeça desta rapariga quando defende a saída dos não residentes de Macau. Ou então se existem, que vivam lá longe, num império qualquer desconhecido, como se tivessem em estado

(Falado em japonês legendado em chinês e inglês) 17.50

Veterinário encontra fotografia dentro de uma galinha • Um veterinário fez uma insólita descoberta após ter encontrado uma galinha no parque Larry e Penny Thompson, na Flórida, nos Estados Unidos. O profissional de saúde decidiu examinar a galinha para certificar-se que tudo estava bem com o animal e qual não foi a sua surpresa ao encontrar uma foto e outros objetos no interior da ave. Acredita-se que a galinha tenha sido utilizada num ritual de magia negra.

Abraços ‘grátis’ na Arábia Saudita custam detenção a dois homens • Dois homens foram detidos, na Arábia Saudita, por oferecerem abraços. A iniciativa ‘free hugs’ chegou a um dos reinos mais conservadores do mundo e não foi bem recebida: ao abrigo da ‘sharia’, a lei islâmica, a polícia religiosa deteve os dois jovens por “incentivar práticas exóticas” e ofender a ordem pública, segundo a imprensa saudita. Abdulrahman al-Khayyal e um amigo foram para uma das principais ruas de Riad proporcionar “abraços grátis” depois de um outro jovem saudita, Bandr al-Swed, ter publicado um vídeo no Youtube com esta prática: oferecer um abraço a um desconhecido. Os detidos foram apenas dois dos mais de 1,5 milhões de pessoas que visualizaram esse vídeo.

O mais que tudo de Lady Gaga ou talvez não

terminal de Sida ou Lepra. Cara deputada: não sei se já reparou, mas é filha de emigrantes. Se seguir a sua linha de raciocínio, está também a expulsar os seus pais deste “lugar dourado e encantador”. Não só não somos todos iguais como existe a ousadia de falar mal de pessoas estrangeiras que escolhem o nosso país para viver. Olhá-las de lado. A situação dos não residentes em Macau é apenas um exemplo – mas posso citar o caso dos brasileiros, chineses e emigrantes de Leste em Portugal (iam roubar empregos e matar negócios, diziam) ou dos milhares que morrem ao largo de Lampedusa porque só querem ter dinheiro para comer. Ou dos portugueses em França e Alemanha nos anos 60, que faziam os trabalhos sujos que ninguém queria fazer e viviam em bairros de lata. A emigração e a forma desumana como a sociedade a encara é, em alguns casos, um exemplo de barbárie em pleno século XXI. As declarações de Song Pek Kei só envergonham esta nova Assembleia Legislativa.

Macau[sã]assado Adivinhem quem voltou...

Foto: Facebook

Taylor Kinney é um actor e modelo norte-americano de 32 anos. Ficou conhecido pelo seu trabalho nas séries Fashion House e The Vampire Diaries, mas a ribalta surgiu quando começou a namorar com a polémica Lady Gaga. A relação, no entanto, parece ter esmorecido pois a cantora apelidou Taylor de “esquisito”. Uma coisa certa, o moço gosta muito de ler e de brincar com bumerangues. Será esta a esquisitice?

fonte da inveja

Só há uma verdade: a verdade não existe.

João Corvo • Pois é, o porco do Quest. Como se não bastassem as paredes, os pilares, as caixas de electricidade, agora também suja os veículos? De facto, esta procura incessante por alguma coisa já cheira mal e estraga. Estraga aquilo que não é dele. Arte não é isto. Isto é uma valente porcaria...


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Aviso de recrutamento Pretende admitir, mediante contrato individual de trabalho, nos termos do “Novo Estatuto de Pessoal do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais”, homologado pelo Despacho n° 49/ CE/2010, trabalhadores para os seguintes cargos: 1. Um Técnico Superior de 2.ª classe, 1.º escalão (Área de recursos humanos, Referência n°3004/ DGRH-SAA/2013) Área funcional: Cabe-lhe exercer funções consultivas, de investigação, estudo, concepção e adaptação de métodos e processos técnico-científicos, de âmbito geral ou especializado, executadas com autonomia e responsabilidade, tendo em vista informar para a tomada de uma decisão superior; requer uma especialização e formação básica de nível de licenciatura, já que executará trabalhos, nomeadamente, na área da análise e estudo de trabalhos no âmbito dos recursos humanos; do planeamento, coordenação e organização de diversos projectos de optimização; da elaboração de planos de trabalho anual e seu orçamento; da redacção de diversos expedientes e verificação dos documentos; de resposta às consultas e da prestação de pareceres profissionais. 2. Um Técnico Superior de 2.ª classe, 1.º escalão (Área de Direito, Referência n°3104/DLASAL/2013) Área funcional: Cabe-lhe exercer funções consultivas, de investigação, estudo, concepção e adaptação de métodos e processos técnico-científicos, de âmbito geral ou especializado, executadas com autonomia e responsabilidade, tendo em vista informar para a tomada de uma decisão superior; requer uma especialização e formação básica de nível de licenciatura, já que executará trabalhos, nomeadamente, na área de direito, iniciação e acompanhamento de casos que envolvam sanções no domínio do licenciamento administrativo, publicidade sem a devida licença, tratamento de queixas, participação em estudos no âmbito da alteração de Leis, emissão de pareceres jurídicos e redacção de diversos relatórios e ofícios. 3.

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Um Técnico de 2.ª classe, 1.º escalão (Área de informática, Referência n°3204/CS/2013) Área funcional: Cabe-lhe exercer funções de estudo e de aplicação de métodos e processos de natureza técnica, com autonomia e responsabilidade, enquadradas em planificação estabelecida, requerendo uma especialização e conhecimentos profissionais adquiridos através de um curso superior, já que executará trabalhos, nomeadamente, na área dos trabalhos informáticos; da gestão, desenvolvimento, estudo de diversos sistemas informáticos relativos aos Centros de Prestação de Serviços ao Público e da estipulação de respectivos projectos de optimização; bem como da ajuda da manutenção e aperfeiçoamento dos equipamentos, i.e. a gravação digital e o sistema de vídeo em rede, etc. Um Técnico de 2.ª classe, 1.º escalão (Área da Administração, Referência n°3304/SFI/2013) Área funcional: Cabe-lhe exercer funções de estudo e de aplicação de métodos e processos de natureza técnica, com autonomia e responsabilidade, enquadradas em planificação estabelecida, requerendo uma especialização e conhecimentos profissionais adquiridos através de um curso superior, já que executará trabalhos, nomeadamente, responsabilizar-se por trabalhos da área administrativa, coordenação e acompanhamento de diversas actividades, estabelecimento e promoção de diversos programas de trabalho e optimização de projectos, apoio a tratamento de trabalhos de aprovisionamento, análise de dados estatísticos e redacção de diversos acordos escritos e relatórios.

Requisitos gerais: Aplicável para a inscrição de Técnico Superior de 2.ª classe, 1.º escalão, (Referência n°3004/ DGRH-SAA/2013, 3104/DLA-SAL/2013): 1) Residente permanente da R.A.E.M.; 2) Idade não superior a 50 anos nem inferior a 18 anos; 3) Capacidade profissional; 4) Inexistência de impedimento legal; 5) Aptidão física e mental para o desempenho de funções; 6) Possuir Licenciatura (para mais pormenores relativos à exigência habilitacional, queira consultar os respectivos avisos de recrutamento. Aplicável para a inscrição de Técnico de 2.ª classe, 1.º escalão (Referência n°3204/CS/2013 ou 3304/SFI/2013): 1) Residente permanente da R.A.E.M.; 2) Idade não superior a 50 anos nem inferior a 18 anos; 3) Capacidade profissional; 4) Inexistência de impedimento legal; 5) Aptidão física e mental para o desempenho de funções; 6) Possuir curso superior (para mais pormenores relativos à exigência habilitacional, queira consultar os respectivos avisos de recrutamento). Forma e prazo de apresentação da candidatura:  O prazo de apresentação das candidaturas terminará no dia 18 de Dezembro de 2013.  Os interessados poderão obter os formulários de candidatura através da internet do IACM, efectuando o download dos formulários no endereço (http://www.iacm.gov.mo/c/pdf/ eformDetail/PDF354) ou, durante a hora de expediente, dirigir-se aos Centros de Prestação de Serviços ao Público e Postos de Atendimento e Informação e solicitá-los.

 Os formulários devidamente preenchidos e assinados, deverão ser entregues pessoalmente nos Centros de Prestação de Serviços ao Público e Postos de Atendimento e Informação, acompanhados da seguinte documentação: - Fotocópia do Bilhete de Identidade de Residente Permanente na RAEM válido(em papel de formato A4, com os dois lados na mesma página)*; - Nota curricular (devem indicar o conteúdo e o período funcional); Registo biográfico (Apenas aplicável aos candidatos vinculados a serviços públicos)**; - Para se candidatar a Técnico Superior de 2.ª classe, 1.º escalão (Referência n°3004/ - DGRH-SAA/2013) é necessária a entrega da fotocópia do respectivo diploma de licenciatura* e boletim de classificação; - Para se candidatar a Técnico Superior de 2.ª classe, 1.º escalão (Referência n°3104/ DLA-SAL/2013) é necessária a entrega da fotocópia do respectivo diploma de licenciatura* e boletim de classificação; se a licenciatura em direito foi obtida no exterior da RAEM, e tenha matriz diferente do curso de direito aprovado pelo sistema oficial de ensino de Macau, deverá também entregar fotocópia do curso complementar de direito de Macau*, aprovado para o efeito; Para se candidatar a Técnico de 2.ª classe, 1.º escalão (Referência n°3204/CS/2013 ou - 3304/SFI/2013) é necessária a entrega da fotocópia do respectivo diploma de curso superior * e boletim de classificação; * Os concorrentes devem apresentar, para efeitos de autenticação, o original dos respectivos documentos no acto de entrega das fotocópias. Se não apresentarem os originais, serão considerados em falta esses documentos. **Entregar o registo biográfico emitido pelos Serviços a que pertence, do qual constem, designadamente, os cargos anteriormente exercidos, a carreira e categoria que detém, a natureza do vínculo, a antiguidade na categoria e na função pública e a avaliação do desempenho. Os candidatos vinculados ao IACM ficam dispensados da apresentação deste documento.  Caso não sejam entregues todos os documentos exigidos dentro do prazo da inscrição do concurso, a candidatura não será considerada, salvo se o candidato apresentar, sob compromisso de honra, uma declaração sobre as razões que justifiquem a falta dos documentos referidos, e o Júri as aceitar. Os interessados podem consultar os avisos, com informações pormenorizadas sobre estes concursos, na página da internet deste Instituto (http://www.iacm.gov.mo/p/recruit/) ou nos Centros de Prestação de Serviços ao Público e Postos de Atendimento e Informação abaixo indicados, durante a hora de expediente. Locais e horário de expediente dos Centros de Prestação de Serviços ao Público e Postos de Atendimento e Informação:  Centro de Prestação de Serviços ao Público da Zona Norte – Rua Nova da Areia Preta, n° 52, Centro de Serviços da RAEM (Tel. 2847 1366)  Centro de Prestação de Serviços ao Público das Ilhas – Rua da Ponte Negra, Bairro Social da Taipa, n° 75 K (Tel. 2882 5252)  Centro de Prestação de Serviços ao Público da Zona Central – Rotunda de Carlos da Maia, Nos .5 e 7 , Complexo da Rotunda de Carlos da Maia, 3º andar (Tel. 8291 7233)  Posto de Atendimento e Informação Central – Avenida da Praia Grande nos 762-804, China Plaza, 2° andar (Tel. 2833 7676)  Posto de Atendimento e Informação de T’ói San – Avenida de Artur Tamagnini Barbosa, n° 127, r/c, Edf. D. Julieta Nobre de Carvalho, bloco “B” (Tel. 2823 2660)  Posto de Atendimento e Informação de S. Lourenço – Rua de João Lecaros, Complexo Municipal do Mercado de S. Lourenço, 4° andar (Tel. 2893 9006) Horário: Centro de Prestação de Serviços ao Público: 2ª a 6ª feira, das 09:00 às 18:00 horas, sem interrupção ao almoço. Posto de Atendimento e Informação: 2ª a 6ª feira, das 09:00 às 19:00 horas, sem interrupção ao almoço. A lista provisória dos candidatos será publicada na página da internet (http://www.iacm.gov.mo/p/ recruit/) e afixada nos Serviços de Apoio Administrativo, sitos na Calçada do Tronco Velho, n.º14, Centro Oriental, M, e aquando da publicação da lista definitiva dos candidatos, dar-se-á a conhecer a data, a hora e o local de realização da prova. Os dados que o concorrente apresente, servem apenas para efeitos de recrutamento. Os dados pessoais apresentados serão tratados de acordo com as normas da Lei n° 8/2005, “Lei da Protecção de Dados Pessoais”, da RAEM. Caso advenham algumas dúvidas na verificação de documentos dos candidatos, os respectivos dados poderão ser entregues às entidades competentes para o devido apuramento ou para a obtenção de informações. Os candidatos, no uso do direito que lhes assiste nos termos legais, podem obter as informações que pretendam, consultar os seus dados e exercer o direito de oposição, necessitando, para o efeito, de apresentar o respectivo pedido, por escrito, ao IACM. Macau, aos 25 de Novembro de 2013.

www. iacm.gov.mo

Presidente do Conselho de Administração, Substo. Lo Veng Tak


opinião

hoje macau quinta-feira 28.11.2013

em início este Sábado e durante uma semana mais um Encontro das Comunidades Macaenses, uma iniciativa conjunta das associações de macaenses locais e as Casas de Macau no exterior, e que se saúda. O encontro traz ao território macaenses da diáspora vindos dos quatro cantos do mundo, dos países onde estão radicados e seus descendentes, que vêm conhecer ou rever a terra dos seus pais e avós. Mais do que um evento social, cultural ou uma mera curiosidade, é um momento sempre comovente. Aqueles que partiram da casa onde nasceram mas levam-na sempre consigo no coração estarão a contar os dias, as horas e os minutos que lhes faltam para regressar, mesmo que apenas por poucos dias. Eu próprio sinto-me assim quando vou de férias à minha cidade natal, mas não carrego comigo o peso da herança histórica, da singularidade que é ser macaense. Os filhos da terra que vão voltar a ver a sua “mãe”, Macau, sentem-se como eu, mas vezes mil. Depois de manhã e até ao próximo dia 7, praticamente todos os macaenses a residir em Macau vão ter por cá um primo, um tio, uma tia, um parente afastado, um amigo de infância. Sabe bem reencontrar alguém que não vemos há muito tempo. Há sempre tanta coisa para contar, gente para rever, memórias para recordar, e curiosamente são sempre as mesmas. A seguir a um “lembras-te quando...” vem sempre uma história que já se repetiu centenas de vezes, mas que sempre se renova quando se limpa o pó da saudade e da distância. Entre os abraços e lágrimas, a costumeira “chuchumeca”, o “patuá”, a culinária macaense, e tudo ao som dos clássicos da Tuna Macaense, é nesta altura que letrados, catedráticos e outros curiosos sobre Macau e a sua história fazem o exercício sempre fútil e inconclusivo de explicar o que é quase impossível de explicar: o que é um macaense. Quando cheguei cá há mais de vinte anos, não tinha conhecido um único macaense em toda a minha vida. Não sabia nada, mesmo nada de Macau, dos macaenses ou do que representou a nossa presença secular durante quatro séculos por estas paragens do Oriente distante. Foi com esta tábua rasa na bagagem que aqui cheguei, e se fosse embora amanhã, podia-me orgulhar de levá-la cheia de marcas, mas sempre incompleta. Há sempre algo que nos surpreende, um detalhe que desconhecíamos por completo, qualquer coisa que não entendemos e nunca vamos entender. Outra das escassas informações que tinha antes de vir para Macau foi que era “um lugar pequeno, onde todos se conhecem”. Com menos de meio milhão de habitantes, pensei que não seria muito diferente de qualquer cidade portuguesa média, como a Amadora ou o Barreiro. Outro engano fruto da presunção e da arrogância. Por mais pequeno que Macau seja, a heterogeneidade das suas gentes fazem dele enorme, o maior do mundo.

bairro do oriente

Quem reencontra conta um conto Lui Ming, Ruínas São Paulo

T

Leocardo

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Os macaenses são o exemplo acabado dessa diversidade, dessa diferença, do ser e do sentir Macau. Os portugueses chegaram, e depois partiram. Os chineses sentem-se chineses, sejam eles de Macau, Hong Kong, Pequim ou Xangai. Os macaenses são e sempre foram macaenses. São portugueses e são chineses, ou nem sempre, e às vezes nem uma coisa nem outra Os macaenses são o exemplo acabado dessa diversidade, dessa diferença, do ser e do sentir Macau. Os portugueses chegaram, e depois partiram. Os chineses sentem-se chineses, sejam eles de Macau, Hong Kong, Pequim ou Xangai. Os macaenses são e sempre foram macaenses. São portugueses e são chineses, ou nem sempre, e às vezes nem uma coisa nem outra. São tudo e ao mesmo tempo nada. Nas palavras do poeta, são fogo que arde sem se ver, um contentamento descontente. Parece complicado mas não é. Tentar definir um macaense pela tabela da antropologia, ou com recurso a factores históricos, linguísticos ou étnicos é como tentar dividir o número 10 pelo número 3 e tentar obter um número inteiro. Há quem tenha todos os predicados para se inserir na definição generalista de macaense: sangue português e chinês, bilingue, católico, e não se considere macaense. Há quem não tenha nenhum deles mas que se considere macaense. O único ponto em comum é Macau. Eu próprio naturalizei-me macaense, posso jogar

pela selecção do Lilau, mas serei sempre “o estrangeiro”, mas naturalizado. Quando canto o “Assi sã Macau”, sou como o Pepe a cantar o hino da selecção portuguesa. Apreciam o meu esforço, mas nunca serei igual a eles. Já tenho muita sorte se me levarem a sério. Aprendi muito da comunidade macaense durante todos estes anos, e não me canso de aprender. A diferença entre Macau e o resto do mundo é a mesma diferença entre as telenovelas e a vida real. Ao contrário do resto do mundo e da vida real, em Macau acontece sempre qualquer coisa todos os dias. Por aquilo que me contam, é o que dá a entender e mais uma vez posso estar enganado. Tentar entender Macau e os macaenses é estar constantemente enganado, e se isso parece mau em teoria, no fim a gente adapta-se. Situados entre duas culturas tão distintas como a portuguesa e a chinesa, os macaenses têm as qualidades de ambos, bem como alguns defeitos. A qualidade que mais aprecio é o trato fácil, o à vontade com que abordam um português ou um chinês, com que

travam amizade, a facilidade como iniciam uma conversa com a pergunta que é já um clássico: “filo di quêm?”. A esse respeito tenho uma história engraçada para contar. Durante um destes encontros das comunidades, um senhor macaense a residir no Brasil veio até à minha repartição pedir informações. Depois de o atender, já curioso perguntou-me de quem era eu filho – “filo di quêm?” – uma vez que sendo funcionário público, para ele eu só podia ser natural de Macau. Entendi o que quis dizer, e expliquei-lhe que nasci em Portugal. Podia-lhe ter dito simplesmente o nome do meu pai, que nunca esteve por estas bandas, e mesmo assim o senhor dizia-me que eu era parecido com ele: “cara chapada di pai!”. Esta é outra característica que admiro nos macaenses: a sua imensa simpatia. Dos defeitos, e no fundo todos temos alguns, há um que pode ter feito toda a diferença. Na terça-feira ouvi no programa Paralelo 22, da Rádio Macau, uma jovem macaense a falar da sua experiência como estudante em Portugal, e de como os portugueses “consideravam-na chinesa”, enquanto que em Macau “éramos todos iguais”. Discordo de ambos os pontos de vista, mas foquemo-nos no segundo. Se há algo que se pode apontar aos macaenses é a diferenciação que faziam dentro da sua própria comunidade, um certo elitismo, se quiserem. Distinguiam-se entre os que eram de boas famílias e os “outros”, dos que moravam na Praia Grande e na Penha dos que viviam na zona norte, os que estudavam no Liceu e os da Escola Comercial ou do Colégio Dom Bosco, e até pela percentagem de “sangue português” e do domínio da língua. Tivessem sido os macaenses mais unidos, alheios a todos estes factores, e talvez fossem agora os grandes intérpretes da Macau de hoje, e não apenas o ponto de ligação entre o passado e o presente. Mas a partir deste Sábado serão todos um só, e à luz de um passado, de uma história e de uma identidade única que importa mais que nunca preservar, não vão haver mais ricos e pobres, “cara-china”, tancareiras, dom-bosqueiros ou outra qualquer facção dos tempos em que Macau era “a mais pequena das sua família”. O maior paradoxo deste encontro é a forma como Macau é encarado pelas diferentes gerações que participam neste encontro. Para os jovens que já nasceram na diáspora, muitos deles cidadãos de pleno direito do país de acolhimento e já com uma identidade própria, Macau é “fixe”, “muito jóia” ou “very typical”. Para os seus pais e avós, que olham para esta capa de modernidade, luxo e betão armado que cobriu o Macau que eles conheceram, é apenas saudade. Mas para quê explicar isto aos mais novos? A hora é de festa, e tristezas não pagam dívidas.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


hoje macau quinta-feira 28.11.2013

Angola TAP reforça voos para Luanda

A TAP anunciou que irá reforçar as ligações entre Lisboa e Luanda na época do Natal e do Ano Novo. Entre 9 de Dezembro e 19 de Janeiro, a frequência de voos irá oscilar entre os dez e os 14 voos semanais. Segundo a edição online do Diário Económico, que cita fonte oficial da empresa, também em Julho do próximo ano a TAP vai acrescentar mais uma ligação semanal entre as capitais portuguesa e angolana, que passarão para um total de 11 voos semanais. Entre Janeiro e Setembro, a companhia aérea portuguesa transportou 145 mil passageiros entre Portugal e Angola, um pouco abaixo dos 150 mil registados em igual período do ano anterior.

cartoon

AIP Oitava edição de Portugal Exportador com muitas inscrições

por Stephff

Dinossauro e peixe de Hemingway em leilão

Merkel chega a acordo para formar Governo O partido conservador da chanceler Angela Merkel chegou a acordo para formar um governo de coligação com os sociais-democratas do SPD na Alemanha. Para convencer o SPD a aliar-se a um governo de direita, a CDU aceitou como condições adoptar um salário mínimo e reduzir a idade da reforma. Em contrapartida, e como exigido pela CDU, o novo Governo não aumentará impostos. O compromisso foi alcançado por um grupo de 75 negociadores dos três partidos – SPD, CDU e o seu aliado CSU (União Social Cristã) – ao início da madrugada. A CDU/CSU (democratas-cristãos) venceu as eleições de 22 de Setembro sem maioria absoluta e o habitual parceiro de coligação FDP não elegeu nenhum deputado.

Agências de notícias de língua portuguesa lançam portal

TDM representa Macau A s agências de informação de língua portuguesa vão criar um portal global de informação multimédia, cujos contornos serão apresentados para ratificação dos chefes de Estado e de Governo durante a cimeira da CPLP, em 2014, em Timor-Leste. Num comunicado conjunto, as agências dão conta que a “Aliança das Agências de Notícias de Língua Portuguesa (ALP) decidiu ontem por unanimidade, em Brasília, a criação de um portal global multimédia que reúna os conteúdos noticiosos de interesse mútuo com origem na geografia da nossa língua comum”. Segundo o documento, “o projecto, que resultará na criação de uma marca global de informação, com webTv, congrega as agências nacionais de Angola (Angop), do Brasil (EBC-Agência Brasil), de Cabo Verde (Inforpress), da Guiné-Bissau (ANG), de Moçambique (AIM), de Portugal (Lusa) e de São Tomé e Príncipe (STP-Press), e ainda duas organizações que participaram na VI Assembleia Geral da ALP na qualidade de observadores convidados: a TDM (Macau) e a futura agência de Timor Leste, que se fez representar pelo secretário de Estado para a Comunicação Social, Nélio Isaac Sarmento”.

tiago alcântara

Um peixe que foi pescado pelo escritor norte-americano Ernest Hemingway vai a leilão esta quarta-feira. O animal, pescado em 1929 em Key West, no estado da Flórida, foi embalsamado e é usado como peça decorativa. Desconhece-se o valor base da licitação, mas estima-se que o peixe seja leiloado por um valor próximo dos 9500 euros. O leilão ocorre em Billingshurst, em Inglaterra. Outro dos artigos que vai a leilão é o esqueleto do dinossauro Diplodocus Longus. O animal, que caminhou na Terra há cerca de 150 milhões de anos, pode ser seu por, pelo menos, 706 mil euros. O esqueleto quase intacto pertence a uma fêmea apelidada Misty e tem 17 metros de comprimento e seis metros de altura. Os negócios vão ser feitos na leiloeira Summers Place´s, em Billingshurst, na zona britânica de West Sussex.

Nos próximos seis meses serão definidos os contornos do funcionamento do portal global multimédia, lê-se no comunicado: “A marca deste portal global multimédia, bem como o primeiro desenvolvimento da plataforma web que vai suportar esta parceria multinacional, assim como os respectivos manual de estilo, orçamento e modelo de negócio, vão ser desenvolvidos ao longo dos próximos seis meses, a tempo de serem apresentados aos chefes de Estado e de Governo durante a Cimeira da CPLP marcada para Díli, Timor-Leste, em meados de 2014”.

O português é a língua oficial de oito países soberanos, para além de Macau, e é falado por mais de 250 milhões de pessoas, em todos os continentes, sendo a quinta língua “mais falada no mundo, a terceira mais falada no hemisfério ocidental e a mais falada no hemisfério sul”, acrescenta o texto difundido ontem a partir de Brasília. “Ao inscreverem a criação deste portal de notícias, multimédia, como uma das suas prioridades de cooperação, as agências signatárias da Acta de Brasília reafirmam o português como língua global de interesse geopolítico, património cultural inalienável e com um enorme potencial económico” afirma o documento, que salienta ainda que “as agências noticiosas de todos os estados e territórios de língua oficial portuguesa colocam-se ao lado da CPLP na reclamação do direito a que o nosso idioma comum seja reconhecido como língua de trabalho nas Nações Unidas”. A EBC-Empresa Brasil Comunicação, que congrega a Agência Brasil, a Rádioagência e a TV Brasil assume a presidência da ALP e a liderança deste projecto, ao longo do próximo ano, com o apoio da INFORPRESS e da ANGOP, como vice-presidentes, e ainda da Lusa, que assegura a secretaria-geral da aliança.

A oitava edição de Portugal Exportador, promovido pela Fundação AIP e que decorre na quarta-feira, conta com mais de 1.500 inscrições de empresas, disse ontem à Lusa a directorageral da AIP, Feiras, Congressos e Eventos. “Ultrapassámos as 1.500 inscrições, mais um recorde face às edições anteriores”, afirmou Maria João Rocha de Matos, que adiantou que as inscrições de última hora “são habituais”, pelo que a organização espera uma “presença de cerca de 1.700 empresas”. A oitava edição do Portugal exportador conta com 42 embaixadas, 17 câmaras de Comércio e dezenas de outras entidades e empresas ligadas à exportação e ao apoio à internacionalização. O evento, em parceria com a AIP-CCI, o BES e a AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, visa incentivar as empresas portuguesas a “explorar oportunidades de negócio em mercados não tradicionais com maior crescimento de procura e reflecte a aposta na diversificação dos destinos de exportação”, adiantou a responsável. Na edição deste ano “destacam-se na Europa os mercados da Escandinávia e Visegrad, em África Angola e Moçambique, Argélia e os países da África Ocidental, bem como a Namíbia que, aliás, inclui a visita de uma delegação empresarial”, acrescentou Maria João Rocha de Matos. Na América Latina, disse, os destaques vão para “Brasil, Colômbia, México e Venezuela” e na Ásia e Médio Oriente as apostas são China, Macau, Indonésia e Timor-Leste, Arábia Saudita, Qatar e Emirados Árabes Unidos. “Será ainda apresentado o estudo de mercado sobre a Índia, com especial enfoque em Goa, Bombaim e Deli”, apontou. “Estamos convictos que no final desta oitava edição do Portugal Exportador teremos mais empresas capacitadas para exportar, mais e melhor informadas sobre os mercados em que queremos apostar”, sublinhou.


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Hoje Macau 28 NOV 2013 #2984 by Jornal Hoje Macau - Issuu