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Hoje Macau 27 FEV 2015 #3280

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Director carlos morais josé

Mop$10

www.hojemacau.com.mo

s e x TA - f e i r a 2 7 d e f e v e r e i r o d e 2 0 1 5 • A N O X i v • N º 3 2 8 0

anjos de asas cortadas

hojemacau

enfermeiros pressão no sector é cada vez maior

As inúmeras pressões que os profissionais da classe dos enfermeiros têm de enfrentar estão a ser agravadas por um mal comum a tantos outros sectores: a falta de recursos humanos. A sobrecarga de trabalho destes “anjos com vestidos brancos” leva inclusive ao mau entendimento dos pacientes o que só agrava ainda mais a situação.

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Agência Comercial Pico 28721006

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Páginas 2-3

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Ter para ler

limitação de turistas

liga de elite

alto ´ e para o jogo página 16

Página 7

Era para ser mas afinal não é. Correcções de um Secretário Animais Bater não custa assim tanto. Maus tratos com penas mais leves

Página 6

Os deputados pediram e o Governo disse que sim. A redução da pena de três para um ano de prisão e a diminuição das multas para quem maltratar animais foram aceites e o Executivo estuda agora as alterações à proposta de lei.


reportagem

Não é novidade que o sistema de saúde local carece de enfermeiros suficientes para dar resposta ao grande número de pacientes. Wong Kit Cheng, deputada e antiga enfermeira, diz que a dimensão do trabalho é “espantosa” e que a pressão “já era óbvia” antes dos Serviços de Saúde anunciarem mais contratações. O mau entendimento dos pacientes agrava o panorama. Uma outra enfermeira defende a criação de um subsídio de risco para a classe Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo

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ão é raro ouvirmos as queixas dos médicos e enfermeiros de Macau, nem mesmo por parte dos residentes. Quando estes procuram o serviço público de saúde, os sentimentos negativos atingem directamente os profissionais do hospital. Os mais afectados acabam por ser os enfermeiros – chamados

hoje macau sexta-feira 27.2.2015

Enfermeiros Falta de recursos humanos cria pressão nos profissionais

A vida dos “anjos com vestidos brancos” de “anjos com vestidos brancos” pela comunidade chinesa. São estes profissionais da linha da frente quem mais sente a falta de mão-de-obra no sector. Actualmente existem cerca de 700 enfermeiros a trabalhar no Centro Hospitalar do Conde de São Januário. O HM tentou falar com vários enfermeiros, mas a maioria receia ser descoberta pelos seus superiores a apontarem as falhas do sistema onde trabalham. Ainda assim, Alice Wan aceitou fazê-lo, mas sob nome fictício. Esta profissional reconhece que a falta de recursos humanos traz grande pressão no local de trabalho, sobretudo nos dias feriados. “O hospital cortou o número de mão de obra normal nos feriados, porque os superiores acham que, como não necessitam de fazer operações, três enfermeiros podem tratar mais de 30

Rácio bom, mas ainda baixo comparativamente Segundo informações dos Serviços de Saúde (SS) fornecidas ao HM, existem 1019 enfermeiros no serviço público, tendo aumentado 8,4% quando comparado com a situação de 2013. O rácio é de 3.1 enfermeiros por cada mil habitantes, com os SS a defender que já é mais alto do que a média da Organização Mundial de Saúde, que é de 2.9 enfermeiros. A reitora do Instituo de Enfermagem Kiang Wu, Van Iat Kio, disse no ano passado à Revista Macau que espera que o rácio possa chegar a 4:1000 em 2020, o que, contando com o número actual de enfermeiros, significa que ainda faltam mais de mil profissionais. Quando comparado com o rácio da cidade vizinha, Hong Kong, que é de de 6.1 enfermeiros por cada mil pessoas, a carência da mão de obra destes profissionais é ainda óbvia no território. Os SS referiram também que vão proceder faseadamente à contratação de mais 529 profissionais de saúde neste ano, sendo que 161 serão enfermeiros.

“Só temos três colegas num serviço, mas todos os doentes pedem-nos coisas ao mesmo tempo e não conseguimos dar resposta a tanta coisa. Então os familiares e os próprios doentes acham que nós não lhes damos atenção” Alice Wan, (nome fictício) Enfermeira do São Januário

pacientes. Mas de facto acontecem as mesmas consultas, os mesmos casos nas urgências e a situação piora”, conta. Alice Wan conta que trabalha todos os dias mais de oito horas e meia, sendo que já chegou a trabalhar quase dez horas diárias. Contudo, o hospital não paga essas horas extras, a não ser que estas sejam marcadas com antecedência. Esta profissional de saúde conta que nunca viu colegas a serem frios para com os pacientes ou os seus familiares, mas que o oposto acontece com frequência e muitas vezes sem razão. “Por exemplo, só temos três colegas num serviço, mas todos os doentes pedem-nos coisas ao mesmo tempo e não conseguimos dar resposta a tanta coisa. Então os familiares e os próprios doentes acham que nós não lhes damos atenção”, frisa.

No privado é igual

Com tanto trabalho e uma óbvia pressão no serviço público de saúde, será que os profissionais têm uma melhor situação laboral no

privado, como as clínicas privadas ou o hospital Kiang Wu? Man é um exemplo de que a pressão dos recursos humanos

hoje macau

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também se regista no privado. Man formou-se no ano passado no Instituto de Enfermagem do Kiang Wu e está neste momento a trabalhar no serviço de Arrecadação de Exportação (AED) desse hospital. Ao HM, este enfermeiro garante que também se vê a braços com horas extra de trabalho, esperando poder candidatar-se ao São Januário para ganhar mais, mesmo que seja igualmente cansativo. Alice Wan revela que vários colegas trabalharam apenas alguns meses


reportagem 3

hoje macau sexta-feira 27.2.2015

“O hospital cortou o número de mão de obra normal nos feriados, porque os superiores acham que, como não necessitam de fazer operações, três enfermeiros podem tratar mais de 30 pacientes. Mas de facto acontecem as mesmas consultas, os mesmos casos nas urgências e a situação piora” Alice Wan

no São Januário, mas acabaram por se demitir e regressar ao seu anterior emprego.

E se houvesse um subsídio de risco?

“Nós discutimos várias vezes uma questão: porque é que os enfermeiros não ganham um subsídio de risco, tal como os polícias ou os bombeiros? Há uns tempos houve um colega que descobriu que tinha tuberculose depois de um doente ter estado internado alguns meses. Foi examinado e teve de tomar

“Quando atingimos um determinado nível e temos novos equipamentos, temos falta de pessoal. Trabalhamos mesmo muito e ficamos cansados. A nossa atitude para com os pacientes piora e é difícil manter a qualidade do serviço” Kimmy Enfermeira do São Januário

medicação durante nove meses, que prejudicou muito o fígado”, conta Alice Wan. Kimmy é outra enfermeira que

trabalha no São Januário há três anos. Chegou a trabalhar no Kiang Wu durante quatro anos e garante que os profissionais das urgências

Pressão física e mental, diz Wong Kit Cheng

As ajudas não adiantam W

ong Kit Cheng, deputada e vice-presidente da Associação Promotora de Enfermagem, apontou ao HM que o aumento da população e as doenças crónicas vindas do envelhecimento dos cidadãos levaram a um grande aumento das consultas. Mas a falta de profissionais trouxe um aumento “espantoso” de trabalhos. “Quase todos os enfermeiros dos hospitais que trabalham nas urgências têm uma sobrecarga de trabalho e precisam de se manter calmos. Além de terem de trabalhar por turnos,

os profissionais precisam de estar disponíveis nos tempos livres. Ficam exaustos física e emocionalmente”, apontou. Wong diz ainda que o aumento de enfermeiros manteria a qualidade do serviço. Até porque, diz, os enfermeiros não podem trabalhar só para resolver o grande número de clientes. “Num feriado, a lista de espera de consultas atingiu as 90 pessoas. Podemos imaginar a pressão de enfermeiros. Não queremos mostrar-nos frios aos doentes, mas o trabalho por vezes faz com que nos

concentremos nos trabalhos e ignoremos a comunicação com os pacientes, dando uma imagem fria.” Wong Kit Cheng diz ainda que a medida de atribuição de subsídios para o atendimento de consultas urgentes e externas no hospital privado Kiang Wu e nas clínicas de quatro associações sociais não adianta aos domingos, quando estas estão fechadas e a pressão se mantém nos dois grandes hospitais. “Claramente, a distribuição dos pacientes não é bem feita durante os feriados e os

são os que mais pressão sentem e ouvem mais queixas. Tal como Alice Wan, também Kimmy defende que poderia ser criado um subsídio de risco. No caso do São Januário, deveria ser permitido um máximo de 12 horas de trabalho, sendo que o subsídio poderia ser criado para as oito horas de trabalho seguintes. Quando os Serviços de Saúde conseguiram a acreditação do Australian Council on Healthcare Standards (ACHS), isso significou ainda mais trabalhos para os enfermeiros, que tiveram de tratar de toda a burocracia, defendem ainda. “Quando é necessária uma regulamentação a dimensão dos trabalhos é maior. Quando as antigas informações são incompletas e precisam de ser actualizadas, é preciso mais tempo, pessoal, recursos, o que causa mais pressão aos enfermeiros”, conta Kimmy. Para esta enfermeira, não é mau trabalhar nas acreditações, porque é benéfico e traz um nível de qualidade mais elevada também para os residentes. Mas muitas vezes as acreditações nada significam na prática. “Quando atingimos um determinado nível e temos novos equipamentos, temos falta de pessoal. Trabalhamos mesmo muito e ficamos cansados. A nossa atitude para com os pacientes piora e é difícil manter a qualidade do serviço”, reconhece.

departamentos de urgência de dois hospitais até têm mais pessoas.” No que toca ao sistema de saúde privado, Wong Kit Cheng apontou que o Executivo deve considerar que há movimentações de profissionais destes locais para o privado. “Já há

O pai de Keong, um residente, ficou insatisfeito com o tratamento de que foi alvo quando se dirigiu ao São Januário, para ser operado a um joelho. Ao HM, o senhor Hoi disse que esperou muito tempo, já que “havia sempre pacientes com maior urgência”. Acabaria por pedir transferência do caso para o hospital da Universidade de Ciências e Tecnologia (MUST). Mas durante o internamento, o senhor Hoi e os seus familiares sentiram que os enfermeiros dispensaram poucos cuidados. “Acham que não podemos oferecer um tratamento de qualidade como aquele que estavam à espera”, disse ao HM Kimmy. “Se os doentes ficam zangados por estarem muito tempo à espera, o médico não pode pôr aquela pessoa à frente dos outros. Acredito que todos os enfermeiros são boas pessoas, não vão zangar-se sem razão”, contou Kimmy. A enfermeira é também membro de uma associação local do sector, cujo nome não quis mencionar. Mas apontou ao HM que o número de licenciados do Instituto de Enfermagem Kiang Wu e do Instituto Politécnico de Macau não satisfazem o crescimento de pacientes nem a falta de recursos humanos, frisando que uma boa parte desses licenciados não exerce a profissão por a considerar demasiado cansativa.

vários anos, como há falta de profissionais de saúde na comunidade, recrutaram pessoal do interior da China e das Filipinas. Mas é também importante formar enfermeiros que preferem trabalhar na comunidade”, diz a deputada, que já anteriormente se mostrou contra

“Quase todos os enfermeiros dos hospitais que trabalham nas urgências têm uma sobrecarga de trabalho e precisam de se manter calmos. Além de terem de trabalhar por turnos, os profissionais precisam de estar disponíveis nos tempos livres. Ficam exaustos física e emocionalmente”

a importação de enfermeiros de Portugal. Quando questionada sobre as razões das mudanças de emprego dos profissionais, Wong Kit Cheng fala de interesse, família ou pressão. A deputada salienta ainda que os enfermeiros são “parceiros” mas não “ajudantes” de médicos e que os pacientes entendem mal a questão. “Existem pessoas que acham que nós podemos responder a todas as perguntas, mas de facto, temos conhecimentos de enfermagem, mas não somos adequados para responder sobre a decisão de tomar medicamentos, fazer uma operação ou sair do hospital. Há pacientes que acham que os enfermeiros não querem responder às perguntas.


política

Trocas comerciais livres entre Macau e Hong Kong podem vir a ser uma possibilidade, mas o Governo da RAEM ainda está a estudar a possibilidade. Entre a China continental, a RAEHK e Macau já há acordo, mas Lionel Leong diz que ainda há estudos a ser feitos Joana Freitas*

joana.freitas@hojemacau.com.mo

H

ong Kong vai integrar uma zona de comércio livre que engloba Macau e Guangdong e, para Lionel Leong, o sistema vai trazer vantagens à RAEM. Para já, o Executivo diz ainda estar a estudar a situação, mas o Secretário para a Economia e Finanças assegura que a abertura de uma zona de comércio livre no continente vai servir de teste a esta cooperação.

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tiago alcântara

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Comércio Livre Acordo entre Macau e Hong Kong em estudo

Lá como cá

A assinatura de um acordo com Hong Kong não foi anunciada publicamente, pelo menos em Macau, mas um jornal chinês – o China Times – escreve que Gao Yan, vice-ministra do Comércio

“Macau deve aproveitar bem as políticas que o Governo Central oferece e o CEPA e deve usar as vantagens [da cooperação com Gaungdong] para, depois, “estabelecer a cooperação com Hong Kong” Lionel Leong Secretário para a Economia e Finanças

da China, assinou um acordo para liberalizar as trocas comerciais nos sectores de serviços em Hong Kong em Dezembro e, posteriormente, fez o mesmo em Macau. Ambos os acordos, segundo a publicação, foram assinados no âmbito do acordo CEPA entre o continente e as duas regiões especiais. “O caminho está agora livre para a criação de uma zona de comércio livre que vai englobar Guangdong, Macau e Hong Kong”, escrevia o jornal, que anunciava a data de início de operações a 1 de Março. Ontem, questionado sobre o assunto à margem de um almoço da Associação de Bancos de Macau (ABM), Lionel Leong, Secretário

AMCM admite desafios financeiros para a economia

A

nselmo Teng, presidente da Autoridade Monetária de Macau (AMCM), disse ontem que o sector bancário de Macau deverá enfrentar desafios no futuro. Citando “ajustamentos a verificar nos preços dos imóveis, a queda nas receitas do Jogo e a mudança no modelo de consumo”, o presidente do organismo disse prever “desafios novos tanto para o desenvolvimento das actividades bancárias, como para a gestão do risco”. Num discurso feito num almoço de Primavera organizado pela Associação de Bancos de Macau, Teng frisou que é recomendada “prudência e precaução

através do reforço contínuo da gestão de riscos e do controlo interno”. Ainda que defenda que o sector bancário foi marcado por um progresso estável no ano passado, devido também “à expansão do uso transfronteiriço do yuan”, e de salientar que Macau tem “inúmeras oportunidades” de desenvolvimento no que o sector bancário diz respeito, Anselmo Teng fala de uma nova tendência económica. “Com base na actual conjuntura macro-financeira, no cenário internacional - em que as políticas monetárias de todas as principais economias são caracterizadas

por mudanças ou evoluções (...), [há] previsões relativas às subidas das taxas de juro do USD e flutuações dos preços dos produtos – irá aumentar a incerteza a nível monetário-económico internacional a instabilidade da liquidez dos fundos mundiais”, começa por descrever. “Paralelamente, tendo em atenção que a economia chinesa se encontra numa fase relevante, caracterizada pelo ajustamento estrutural e desaceleração do ritmo do crescimento – e acrescendo o facto de a economia local ter entrado na fase de consolidação e de ajustamentos – emerge já uma nova tendência económica.” - J.F.

Decisão sobre Novo Banco foi para “manter estabilidade” Anselmo Teng, presidente da Autoridade Monetária de Macau (AMCM), disse ontem aos jornalistas que a decisão de manter os administradores José Morgado e Carlos Freire e a recusa da proposta de contratar novos corpos sociais serviu para manter a estabilidade. Recorde-se que a administração do Novo Banco apresentou à AMCM os nomes de Paulo Franco, João Rato e William Mok para integrarem a Comissão Executiva, mas a AMCM terá “recusado” a proposta. Ontem, Teng disse que é necessário “manter a estabilidade e a supervisão” e a operação do banco de forma “normal”, ao mesmo tempo que defende que “a manutenção de funcionários que melhor compreendem a situação económica local” é melhor e ajuda a uma boa comunicação com a AMCM.

para a Economia e Finanças, não prestou muitos esclarecimentos, mas assegurou que o mecanismo “é muito bom” e que o acordo feito entre a China continental e Macau o ano passado sobre a abertura de uma zona de comércio livre “experimental” em Guangdong “é um bom teste de cooperação” e que a integração de Hong Kong vai trazer vantagens para a RAEM. “Macau deve aproveitar bem as políticas que o Governo Central oferece e o CEPA e deve usar as vantagens [da cooperação com Gaungdong] para, depois, “estabelecer a cooperação com Hong Kong”. O Secretário não adianta se Macau deverá assinar um acordo em separado com Hong Kong, afirmando mesmo que ficou a saber das

Secretário prevê queda do PIB Lionel Leong disse ainda que a queda nas receitas do Jogo e o “ajustamento do modelo de consumo” poderão fazer com que o Produto Interno Bruto de Macau desça também nos próximos meses.

notícias “pela comunicação social” e que é preciso ponderar a situação tendo com base o desenvolvimento económico local. “Todos devem pensar e estudar em conjunto e o Governo deve considerar a situação do ponto de vista da RAEM. A integração com as regiões vizinhas deve trazer vantagens a Macau.”

Obstáculos

De acordo com o jornal chinês, o acordo entre as três regiões vai tratar as empresas de Macau, Hong Kong e Guangdong como empresas domésticas, ao invés de empresas estrangeiras, como é actualmente. Questionado sobre se existem dificuldades para as empresas de Macau abrirem negócios no interior da China, o Secretário para a Economia e Finanças disse apenas há alguns procedimentos que complicam a situação. “O CEPA é um acordo extenso que traz muitos benefícios, mas ainda há muitos procedimentos para se [conseguir] a entrada mais conveniente dos sectores no interior da China, incluindo o Chefe do Executivo ter de apresentar pedidos a diferentes ministérios ou comissões.” - *com Flora Fong


política 5

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Flora Fong

Flora.fong@hojemacau.com.mo

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epois do antigo deputado Paul Chan Wai Chi apontar que o apoio financeiro dos dois deputados, Ng Kuok Cheong e Au Kam San, à Associação Novo Macau (ANM) é um dever, Ng Kuok Cheong diz ao HM que a ideia defendida pela nova direcção da Associação é boa, ainda que se mostre preocupado com a origem dos fundos. Recorde-se que a Novo Macau anunciou que vai deixar de aceitar o dinheiro dos deputados a si ligados – que são 20 mil patacas por mês -, sendo que vai começar a receber donativos seja do exterior ou de Macau. Ao HM, Ng Kuok Cheong garante que vai continuar a atribuir um quinto do seu salário à Associação, mesmo que o presidente da ANM não queira depender desse contributo, e, apesar de concordar com a medida, salienta que o dinheiro não deve chegar “de instituições e do Governo”. Ng Kuok Cheong revelou que, depois da saída de Paul Chan Wai Chi do hemiciclo,

Ng Kuok Cheong quer Novo Macau independente do Governo

O princípio de sempre o rendimento da Associação diminuiu e as despesas têm aumentado largamente devido ao novo escritório, à criação da revista Macau Concelears e aos pagamentos a instituições que prestam serviços à ANM. Por isso mesmo, defendeu o deputado, o pagamento de dez mil patacas de cada deputado deve continuar, ainda que o valor não seja suficiente perante tantas despesas.

Da coerência

“Claro que concordo com a criação de um sistema regular de donativos à Associação, porque 20 mil patacas não são suficientes. Mesmo assim, temos de manter o princípio sempre defendido: não pedimos, nem recebemos subsídios do Governo”, argumentou. Quando questionado sobre a possibilidade de serem recebidos patrocínios estrangeiros para a realização

“Claro que concordo com a criação de um sistema regular de donativos à Associação, porque 20 mil patacas não são suficientes. Mesmo assim, temos de manter o princípio sempre defendido: não pedimos, nem recebemos subsídios do Governo”

de manifestações, como o caso do movimento Occupy Central, em Hong Kong, Ng Kuok Cheong defendeu que esta não é uma preocupação real. O deputado defendeu que a Associação nunca recebeu apoio financeiro de pessoas ricas ou de poderes estrangeiros desde a sua fundação, “nem vai receber”, garante. “Antes da transferência de soberania de Macau, existiu uma [instituição] que quis oferecer dinheiro à Associação, mas eu rejeitei”, conta. Ng Kuok Cheong acrescentou ainda que os donativos deverão ser feitos pelo público e não por instituições. O deputado considera que não é bom confundir dinheiro da Associação e dos dois deputados, porque é difícil explicar ao público. “Por exemplo, agora a Companhia de Fomento Imobiliário e Investimento Ho Chun Kei exigiu um milhão de patacas de indemnização por difamação. Em causa estão capitais da Associação e do escritório dos dois deputados e isto pode trazer alguma confusão para o público e criar um problema grande. Devemos, por isso, separar a fonte de dinheiro.”

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AVISO Inscrição para o exame de admissão conjunta, de 2015, realizado em Macau, para estudantes chineses residentes no estrangeiro, em Macau, Hong Kong e Taiwan, candidatos aos cursos de licenciatura das instituições do ensino superior do Interior da China. Estão abertas as inscrições para o exame de admissão conjunta, de 2015, realizado em Macau e destinado a estudantes chineses residentes no estrangeiro, em Macau, Hong Kong e Taiwan, candidatos aos cursos de licenciatura das instituições do ensino superior do Interior da China. O exame é organizado pelo Ministério da Educação da República Popular da China e coordenado pelo Gabinete de Apoio ao Ensino Superior. Inscrições Datas: de 1 a 15 de Março (Inscrição prévia online) de 17 a 31 de Março (Confirmação da inscrição) Horários para a confirmação oficial da inscrição: De terça-feira a sábado, das 11H00 às 20H00, sem interrupção à hora de almoço; domingo e segunda-feira, fechado. Local: Centro de Estudantes do Ensino Superior – Gabinete de Apoio ao Ensino Superior, na Avenida Conselheiro Ferreira de Almeida, n.º 68-B, Edifício Va Cheong, r/c B, Macau. (em frente à paragem de autocarro do Jardim Lou Lim Ioc) Exames Datas: 23 e 24 de Maio (sábado e domingo) Local: Escola Secundária Pui Ching de Macau (Avenida Horta e Costa, n.º 7) Consulta As informações sobre a admissão dos estudantes e as inscrições para o exame, podem ser consultadas na página electrónica do GAES (http://www.gaes.gov.mo) ou no website do “Blog para os Estudantes de Ensino Superior de Macau” (http://studentblog.gaes.gov.mo). Para mais esclarecimentos, se necessários, ligue, por favor, para os telefones (853) 83969390 e (853) 8396 9356. Macau, 27 de Fevereiro de 2015 O Coordenador Sou Chio Fai


6 política

Os deputados propuseram ao Governo a redução da pena de três para um ano de prisão para quem cometer maus tratos graves contra animais, bem como a redução das multas, afixadas entre 40 a 100 mil patacas. O Governo concordou e prometeu estudar as alterações

hoje macau sexta-feira 27.2.2015

Animais Aceite pedido de penas mais leves para maus tratos

Maltratar vai custar menos poder vir a ter consequências mais brandas para os donos dos animais, Kwan Tsui Hang negou. “Não entendemos que a diminuição das multas vá diminuir os efeitos dissuasores. A lei pretende criar mecanismos para proteger os animais, mas isso não significa que as multas elevadas vão evitar este tipo de casos. A lei pretende educar as pessoas a não maltratarem os seus animais”, frisou.

Mudanças a fazer

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

A

actual proposta de Lei de Protecção dos Animais prevê uma pena de prisão até três anos para quem cometer maus tratos contra animais com graves consequências, como a perda das funções vitais ou mesmo a morte. Para outro tipo de abusos, as penas variam entre as 40 e 100 mil patacas. Contudo, os deputados da 1.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL), que reuniram ontem com o Executivo, pedem uma redução de ambos os quadros sancionatórios. E o Governo concordou. Segundo a deputada Kwan Tsui Hang, que preside à Comissão, o motivo para a redução da pena de prisão prende-se com o facto de esta ser uma medida constante no Código Civil, respeitante às ofensas à integridade física, mas visando humanos. “Por unanimidade, a Comissão

pediu ao Governo para ponderar a redução da pena de prisão para um ano, porque existem diferenças entre pessoas e animais. A Comissão entende que esta pena de prisão é demasiado elevada. Segundo o Código Civil, as pessoas são o sujeito e a proposta de lei visa os animais. Entendemos que não é assim tão adequado. O Governo aceitou e vai estudar para diminuir a pena”, disse ontem Kwan Tsui Hang aos jornalistas.

“Entendemos que é uma multa muito elevada e sugerimos ao Governo para ponderar e diminuir. O Governo também aceitou a nossa sugestão. As multas que não são assim tão elevadas não sugerimos uma diminuição. A multa pode ser mais grave no caso de reincidência”, adiantou Kwan Tsui Hang. Os deputados consideram que

Multas também baixam

Em relação às multas, também é objectivo diminuir os valores, incluindo a redução do valor mínimo de multa.

nem todas as famílias têm capacidades financeiras para pagar as multas sobre os alegados maus tratos que pratiquem aos seus animais. “Nem todos conseguem suportar uma multa de 40 mil patacas, no caso dos animais domésticos”, explicou a deputada. Questionada sobre a possibilidade da redução das sanções

“Entendemos que é uma multa muito elevada e sugerimos ao Governo para ponderar e diminuir. O Governo também aceitou a nossa sugestão” Kwan Tsui Hang Deputada

Os deputados concluíram na manhã de ontem a primeira fase de análise da proposta de lei, cabendo agora ao Governo fazer as devidas alterações para que se possam agendar posteriormente novas reuniões. Ainda não há data para a apresentação da nova versão do diploma, mas a deputada explicou ontem que há que clarificar algumas questões. “Esta nova versão deve apresentar um tratamento diferenciado em relação aos animais. A proposta de lei visa a protecção dos animais em geral, mas mais para cães e gatos. Para animais com fins económicos, e outros, não há um tratamento diferenciado”, referiu a deputada. Kwan Tsui Hang deu o exemplo dos ratos. “Os ratos que aparecem nas nossas casas, também são animais, como é que os vamos tratar? Após a entrada em vigor desta lei, devemos ou não proteger os ratos? O Governo disse que, em princípio, mesmo que seja um animal prejudicial às nossas casas, temos de minimizar a dor. Na desratização, por exemplo, podemos usar medicamentos, e isso não viola a lei. A lei deve ser mais clara”, concluiu.

Governo esclarece fim do secretariado do CPU

Sónia Chan promete facilitar procedimentos administrativos

O

A

fim do secretariado do Conselho do Planeamento Urbanístico (CPU) foi ontem discutido numa conferência de imprensa promovida pelo Conselho Executivo, que já concluiu a análise às alterações do respectivo regulamento administrativo, que visam o fim do secretariado. Raimundo do Rosário, Secretário para as Obras Públicas e Transportes, garantiu que não existe qualquer falta de transparência com o fim dessa entidade, cujos funcionários serão transferidos para a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT). “Podem ficar descansados que o secretariado é apenas uma unidade de apoio técnico-administrativo, não tem nenhum poder de fiscalização nem

de controlo”, disse, segundo a Rádio Macau. Também Leong Heng Teng, porta-voz do Conselho Executivo, afastou qualquer polémica por não ter convocado uma conferência de imprensa a anunciar o fim do secretariado. “Se alguém tiver de se responsabilizar pelo acto sou eu, que decidi emitir um comunicado de imprensa em vez de vos convocar para uma sessão esclarecendo a situação”, acrescentou. Recorde-se que o fim do secretariado do CPU já originou o envio de uma interpelação escrita ao Governo por parte do deputado Ng Kuok Cheong, que falava de falta de transparência com o fim do órgão e uma diminuição da fiscalização face aos projectos.

Secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, reuniu esta quarta-feira com o presidente da Associação Comercial de Macau (ACM), Ma Iao Lai. Do encontro, ficou prometida a criação de um mecanismo por forma a facilitar os diversos procedimentos administrativos.

Segundo um comunicado oficial, a Secretária concordou com a sugestão da Associação sobre a criação do mecanismo de cooperação que permita agilizar o procedimento administrativo e fornecer um serviço mais cómodo e eficaz para os destinatários. Na reunião, “foi alcançado o consenso preliminar sobre a criação do mecanismo, cujos detalhes serão desenvolvidos com mais negociações”, pode ainda ler-se no comunicado. Os responsáveis da ACM pediram ainda uma revisão da Lei das Relações de Trabalho e do Regime de Previdência Central não Obrigatório, bem como do Regime de trabalho a tempo parcial. Ma Iao Lai disse ainda que nos últimos 15 anos “a sociedade e a economia têm-se desenvolvido de forma acelerada com bons resultados em diversos sectores e o ambiente económico tem mudado bastante”, pelo que espera que as leis possam corresponder ao desenvolvimento da nova situação, com elaboração e revisão atempada desta lei.


sociedade

hoje macau sexta-feira 27.2.2015

Turismo Alexis Tam corrige: Macau não quer limitar, mas optimizar

Filipa Araújo

filipa.araujo@hojemacau.com.mo

Há espaço para todos

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Preocupação geral

Naquela que foi a primeira Reunião Plenária do Conselho para o Desenvolvimento Turístico de 2015, que também foi pela primeira vez presidida pelo actual Secretário Alexis Tam, muitas foram as opiniões ouvidas. Representantes do sector mostraram-se preocupados maioritariamente pela falta de espaço para tantos turistas, na

O que anteriormente foi avançado sobre a possível limitação do número de entradas de turistas afinal não vai acontecer. O Governo prefere “optimizar” a política dos vistos individuais, controlando o fluxo de turistas, mas não quer impedir a entrada de visitantes Kelsey Wilhelm

ão é cortar no número de entradas de turistas em Macau, não é isso. O que o Governo quer é optimizar esta política de turistas com vistos individuais para o território”, esclareceu ontem Alexis Tam, Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, comentando a notícia de que o Governo iria limitar o número de entradas de turistas. Depois de um encontro com membros do sector do Turismo, que aconteceu ontem, o Secretário clarificou que, contrariamente à região vizinha de Hong Kong, o Executivo não pretender limitar o número de visitas. “Somos diferentes de Hong Kong. Eles disseram que iam cortar nos [vistos individuais], mas aqui em Macau não é isso que vai acontecer. Temos que controlar e optimizar esta política dos vistos individuais”, esclareceu Alexis Tam. “Este é um ponto que merece maior ponderação por parte do nosso Governo, temos que fazer um equilíbrio, isto é algo importante para nós”, explica o representante, sublinhando que é normal que o grande número de turistas atraia as empresas locais. “Se eu fosse empresário também queria isto, se existirem mais turistas existem mais negócios”, argumenta. Apesar disso, diz Alexis Tam, é de conhecimento geral, e defendido pelo Governo, que “quanto mais turistas [cá dentro] mais está em causa a qualidade de vida dos cidadãos”. O que o Governo quer então fazer, explica o Secretário, é “optimizar a política de turistas com vistos individuais para Macau”. O Governo pretende, assim, coordenar trabalhos com outras entidades, como por exemplo, as autoridades competentes de Guangdong, para que os turistas não atravessem apenas pelo posto fronteiriço das Portas do Cerco, mas utilizem, por exemplo, a fronteira da Ilha da Montanha. “Tem que existir este tipo de combinações”, remata. “Hoje em dia ainda não existe uma política para dividir os turistas para os vários postos, por exemplo”, aponta Alexis Tam, frisando que a atitude do Governo é de “reformular uma política de optimização de entrada de pessoas”.

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acumulação dos visitantes em espaços como as do Leal Senado e das Ruínas de São Paulo. “É preciso levar os turistas para outros lados, por exemplo para a zona norte”, opinou um dos participantes. Ainda assim, Alexis Tam defende que o corte na entrada de turistas não pode ser repentino. “As pessoas estão preocupadas com o número de turistas, percebo isso, porque os empresários também querem mais clientes, mais turistas, mas temos que perceber muito bem”,

afirmou Alexis Tam, sublinhando que o Governo não pode cortar a entrada de forma “repentina”. “Temos que fazer a nossa política de forma gradual”, rematou o Secretário que se mostrou con-

“Temos que controlar e optimizar esta política dos vistos individuais”

tente com o número de turistas registados durante o ano passado, de mais de 31 milhões. Na visão do Secretário, o número de turistas do ano passado apresenta um ritmo que deve “ser mantido”.

Internacionalizar é preciso

A aposta no turismo internacional foi também um dos temas debatidos, algo previsto pelo Governo como confirmou a Directora dos Serviços de Turismo, Helena de Senna Fernandes.

Ano lunar da Cabra vê menos turistas a entrar

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ais de um milhão de pessoas entraram em Macau entre 18 e 24 de Fevereiro, a semana de feriados na China continental por ocasião do Novo Ano Lunar, menos 2,43% do que no mesmo período do ano passado. De acordo com os dados estatísticos preliminares, que contam também com os trabalhadores não-residentes e com os estudantes, a semana dourada trouxe a Macau 760 mil pessoas oriundas do interior da China, menos 1,96% do que o apurado em 2014. Em nota oficial, os

Serviços de Turismo explicam a diferença de números com o facto da semana dourada em 2014 ter decorrido entre o primeiro e o sétimo dia do ano, enquanto este ano foi contada entre o último dia do Ano do Cavalo e o sexto dia do Ano da Cabra. É que, sustentam, entre o primeiro e sexto dia do Ano Novo Lunar este ano, o número de entradas até aumentou face aos números apurados em 2014. O ano de 2009 foi a última vez em que foi registada uma queda das entradas de visitan-

“Como anunciámos em Janeiro deste ano, o grande objectivo deste ano é desenvolver o turismo internacional – sem prejudicar os chineses – porque para o futuro é importante que Macau, ao querer desenvolver-se como Centro Mundial de Turismo e Lazer, atraia turistas de diferentes países e não só da China”. Assunto também mencionado por Alexis Tam que, em resposta a uma opinião de um dos participantes, explicou que por vezes é difícil conquistar visitantes internacionais por estes não gostarem de grandes massas de turistas. Algo mundo característico em Macau. “Esta promoção [internacional] não é algo que funcione com uma promoção de hoje e amanhã já temos os turistas. Para mercados de longo curso é preciso e exigido um investimento a longo curso, por isso é preciso continuar nesta aposta”, esclarece a directora. Os transportes, novos centros comerciais, museus e cinemas, a possibilidade de Macau apostar no turismo gastronómico foram ainda opiniões recebidas pelos Secretário que se mostrou em concordância máxima com as queixas apresentadas. “O Governo também tem essas preocupações, Macau tem limitações, poucos recursos o espaço não é muito, precisamos de tempo”, argumentou. A proposta que a RAEM irá apresentar ao Governo Central é então, a optimização da entrada de turistas chineses. “Primeiro vamos apresentar o problema, dizer ao Governo central que precisamos de ajuda. Nós precisamos da ajuda”, sublinha. Sem apresentar qualquer data para esse encontro,Alexis Tam apenas garante que “será muito em breve”.

tes em Macau na época do Ano Novo Lunar, quando o número de entradas desceu 4,33% e os visitantes do interior da China foram menos 11,29%. O mercado turístico da China é a principal “fonte” de visitantes que chegam a Macau. Em 2014, mais de 31,5 milhões de pessoas visitaram Macau, com cerca de 28 milhões oriundos do interior da China. Este ano, só em Janeiro, mais de 2,47 milhões de pessoas visitaram Macau, um número que representa uma queda de 1,5% face ao mesmo mês do ano passado. Entre os visitantes chegados a Macau, 55,9%, ou 1,38 milhões de pessoas eram excursionistas.


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Governo fecha Janeiro com menos 27,5% de lucros

O Jogo a dar que falar Apesar da forte queda mensal, a Administração mantém um robusto saldo positivo embora registe uma quebra de 34,1% no excedente financeiro

A

s receitas daAdministração caíram em Janeiro e em termos homólogos 27,5% para 10,5 milhões de patacas, muito potenciadas por uma quebra de 29,7% dos impostos directos sobre o sector do Jogo. De acordo com os dados disponíveis na página oficial dos Serviços de Finanças, a receita de Janeiro deste ano foi, inclusivamente, inferior ao mesmo mês de 2013, quando os cofres públicos recolheram 12.130 milhões de patacas. No capítulo da receita, o quadro da execução orçamental de Janeiro revela também que as receitas correntes caíram 27,7% para 10.443,3 milhões de patacas com os impostos directos a sofrerem

Infl ação acima de 5% A taxa de inflação nos 12 meses terminados em Janeiro deste ano e comparativamente aos 12 meses imediatamente anteriores foi de 5,91%, referem dados oficiais ontem divulgados. De acordo com os Serviços de Estatística e Censos, os preços em Macau subiram devido, fundamentalmente, aos acréscimos de 11,96% nas secções “habitação e combustíveis”, de 6% nos “produtos alimentares e bebidas não alcoólicas”. Já em sentido inverso, os preços das comunicações

uma queda de 27,5% para 9.129,8 milhões de patacas. Entre os impostos directos, os aplicados sobre o sector do Jogo e que constituem a principal fonte de financiamento da Administração, valeram no mês em análise, 8.485,8 milhões de patacas, menos 29,7% do que o apurado em Janeiro do ano passado. Recorde-se, contudo, que os impostos directos do sector do Jogo representam uma receita do mês anterior, ou seja, no caso, de Dezembro de 2014, já que a taxa de 35% sobre a receita bruta é paga sempre no mês seguinte ao de referência, de Dezembro de um ano a Novembro do ano seguinte.

Entre os impostos directos, os aplicados sobre o sector do Jogo e que constituem a principal fonte de financiamento da Administração, valeram no mês em análise, 8.485,8 milhões de patacas, menos 29,7% do que o apurado em Janeiro do ano passado

IACM lança consulta pública sobre abate de aves O Conselho de Administração do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) referiu ontem que já começou com as consultas públicas em relação à medida de abate centralizado das aves de capoeira antes destas chegarem a Macau. A maioria das pessoas contactadas até agora considera que a medida diminui os riscos de saúde. Segundo o Jornal do Cidadão, Ng Sao Hong, membro do respectivo Conselho, a primeira fase de consultas visa médicos e investigadores, sendo que, no futuro, vão começar consultas públicas com profissionais do sector.

desceram 0,15%. Face a Dezembro de 2014, os preços no consumidor caíram 0,03%. Na comparação com o mês de Janeiro do ano passado, os preços ampliaram-se 4,75% com subidas de 11,64% na “habitação e combustíveis”, de 5,41% nos “produtos alimentares e bebidas não alcoólicas” e de 5,26% na “saúde”. Já os preços nas secções “transportes” e “recreação e cultura” caíram, respectivamente, 1,77% e 1,17%. Em 2014, a taxa de inflação em Macau foi de 6,06%.

Em forte queda estavam também os impostos indirectos, a valerem apenas 293,3 milhões de patacas, ou menos 48,1% face a Janeiro de 2014. Numa análise global à receita, a execução de Janeiro estava apenas a 7,4%, quase um ponto percentual abaixo do equilíbrio mensal que permitirá arrecadar a receita prevista de 141.413,1 milhões de patacas em 2015. No capítulo da despesa, a administração gastou 2.189,2 milhões de patacas, mais 16,8% do que no mesmo mês do ano passado e um aumento de despesa que estará assente no aumento salarial de quase 6% aplicado aos funcionários públicos. Mesmo assim, ainda na despesa, a execução orçamental ficou apenas em 2,4%. Entre receitas e despesas e apesar da forte queda de Janeiro, a Administração tem ainda um saldo positivo de 8.311,1 milhões de patacas, mas registou uma quebra de 34,1% no excedente financeiro que fica executado em 16% do previsto para o corrente ano. - Lusa/HM

Bebé morre no São Januário. SS instauram inquérito Os Serviços de Saúde instauraram um inquérito para apurar as causas que levaram ao falecimento de um bebé no Centro Hospitalar Conde São Januário. A criança morreu depois de ter entrado de urgência no serviço de urgência pediátrica, por estar com vómitos e o médico administrou-lhe um medicamento, dando-lhe alta. De acordo com o jornal Apple Daily, que falou com a família do bebé, duas horas depois de tomar o medicamento, o seu estado de saúde não melhorou, pelo que o bebé foi de novo transportado para o hospital. Contudo, o bebé acabou por falecer ao final do

dia 19 de Fevereiro. Os SS asseguram que o medicamento é “comummente utilizado” para o tratamento de vómitos e que já instauraram um inquérito em relação ao caso. “Quando forem concluídos os procedimentos do inquérito, os SS darão conta do resultado aos familiares e ao público”, assegura o organismo. Os medicamentos administrados ao bebé, de acordo com a publicação de Hong Kong, foram “domperidona” e “dimetideno”. Um médico de Hong Kong disse ao Apple Daily que os medicamentos são adequados para bebés, mas apenas a partir de dois anos.


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Mais de 200 toneladas de móveis destruídos

Nem para a Caritas, nem para ninguém A Companhia de Sistemas de Resíduos de Macau destruiu 287 toneladas de mobílias recolhidas durante os feriados do Ano Novo chinês, uma opção criticada pela Caritas, que defende que o mobiliário deve ser distribuído por famílias desfavorecidas. As mobílias foram recolhidas entre 12 e 18 de Fevereiro, através de 108 postos de recolha de lixo de grande dimensão colocados pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) em todos os bairros da cidade. Na época do Ano Novo chinês é habitual as famílias realizarem limpezas profundas à casa e desfazerem-se de objectos que já não precisam ou que consideram velhos. “Como o IACM não recebeu, nos anos anteriores, qualquer pedido para recolha de mobílias antigas abandonadas por cidadãos, por parte de associações, todas as mobílias recolhidas foram transportadas directamente para a Central de Incineração de Resíduos Sólidos de Macau”, explicou o IACM, em esclarecimentos à agência Lusa.

Desperdícios

A opção de destruir as mobílias é contestada pela Caritas, que garante já ter proposto ao Governo que estes objectos fossem distribuídos entre as famílias desfavorecidas.

“Como o IACM (..) não recebeu qualquer pedido para recolha de mobílias antigas abandonadas por cidadãos, por parte de associações, todas as mobílias recolhidas foram transportadas directamente para a Central de Incineração de Resíduos Sólidos de Macau” “Propus várias vezes ao Governo que fosse instituído um local para recolher estas mobílias e, depois, distribuí-las, com o apoio das organizações não-governamentais. Nós organizaríamos [o processo], de modo a que as pessoas pudessem ficar com as mobílias de graça ou por um preço simbólico”, reagiu Paul Pun, secretário-geral da Caritas. “Nunca recebi resposta, acho que não é uma prioridade”, lamentou. Paul Pun explicou que a associação não tem espaço para receber as mobílias directamente e, por isso, é essencial que tenha acesso

a um armazém, onde os objectos possam ficar durante algum tempo. “Se ninguém levar as mobílias no espaço de um mês, então podem ser queimadas”, disse. Segundo a Caritas, as mesas de pequena dimensão e as cadeiras dobráveis são as mais procuradas, já que “as famílias com baixos rendimentos não têm salas grandes”. “Seria de facto muito bom se o Governo criasse um espaço para pôr a mobília porque assim conseguíamos dá-la às pessoas” necessitadas, concluiu.

- Lusa/HM

IC Bolsas de Investigação a partir de Março

A partir de domingo abrem as candidaturas às Bolsas de Investigação Académica do Instituto Cultural. De 1 de Março a 31 de Maio, os interessados podem enviar os documentos e candidatar-se às bolsas que têm como objectivo “estimular o desenvolvimento de estudos académicos originais sobre a cultura de Macau e sobre o intercâmbio cultural entre Macau, a China e outros países”. Os doutorados, locais ou estrangeiros, com comprovada experiência de investigação académica e os investigadores, locais ou estrangeiros, com ampla experiência de investigação e que tenham produção académica de nível reconhecido, podem apresentar pessoalmente ou por meio de correio o boletim de candidatura, o curriculum vitae, o plano do projecto de investigação e cópias dos documentos comprovativos das habilitações académicas devidamente autenticadas. Os montantes da bolsa vão das 250 mil patacas às 280 mil patacas, sendo fixados pelo IC com base nas credenciais académicas do candidato e no conteúdo do respectivo projecto de investigação.

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ANNOUNCEMENT 1. Objective:

Open invitation to one tender.

2. Procuring entity:

Macao Science Center Limited.

3. Address of procuring entity:

Macao Science Center Limited, Avenida Dr.Sun Yat Sen, Centro de Ciência de Macau.

4. Works, goods and services to be procured:

For “Acquisition of an SOS (Science on a Sphere) System and Installation Service for Gallery G01 of Macao Science Center” PA-14-241

5. Location of work and installation:

Macao Science Center.

6. Conditions of entry: Macao Science Center registered suppliers under the relevant categories 7. Method for obtaining tender documentation:

Registered suppliers can send in your request through email to tender@msc.org.mo. For suppliers not yet registered, please attach with commercial registration documents & contact details.

8. Tender submission location, deadline and deliver:

Location: Macao Science Center Limited, Avenida Dr.Sun Yat Sen, Centro de Ciência de Macau. Deadline: 45th days starting from the date of announcement or 13 April, 2015 (MON) at 5:00pm (Macao time) Deliver: Please refer to Article 5 - Part II Tender Scheme – Open consultation document

9. Tender opening meeting location and time:

Location: Macao Science Center Limited, Avenida Dr.Sun Yat Sen, Centro de Ciência de Macau. Time:The 1st working day after the deadline or 14 April, 2015 (TUE) at 15:30 (Macao time). Bidder or its representative shall be present at the Tender Opening Meeting for clarification of possible questions arisen from submitted tenders. If bidder or its representative cannot be present in the Tender Opening Meeting, and clarification is required, Tender Opening Committee will send a notification letter to the bidder. The bidder must present a clarification letter and send back to the Tender Opening Committee before the deadline specified in the notification letter. The qualified list of bidders will be released afterwards.

10. Validity period of the tender:

90 days starting from the date of tender opening (the validity period may be extended according to the Tender Procedures).

11. Provisional guarantee:

Exempted.

12. Definitive guarantee:

Exempted.

13. Selection Criteria: Please refer to Part III.Tender Regulations - Evaluation – Open consultation document. 14. Additional information:

All related information will be uploaded to Macao Science Center website (www.msc.org.mo) from the day following the publication of this announcement until the tender closing date. Bidders are responsible to visit the website for additional information.

15. Base price:

No base price

Macao Science Center Limited 27 February, 2015


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hoje macau sexta-feira 27.2.2015


China

hoje macau sexta-feira 27.2.2015

Bancos chineses investem 22 mil milhões de dólares na América Latina

Samba, Tango e outras músicas O investimento chinês na região surge como uma necessidade de diversificar a aplicação das suas reservas internacionais para além dos títulos do tesouro norte-americano

O

s bancos estatais da China emprestaram 22,1 mil milhões de dólares a países e empresas da América Latina em 2014, valor que supera a soma dos financiamentos destinados à região pelo Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento. O Brasil arrecadou 8,6 mil milhões, dos quais 7,5 mil milhões forma em contratos com a empresa de mineração Vale. Recolhidos por Kevin Gallagher, professor da Universidade de Boston, os dados mostram o crescente envolvimento financeiro da China na América Latina, movido pela acumulação de reservas, a necessidade de internacionalização e o apetite por matérias-primas da segunda maior economia do mundo. Nos últimos dez anos , instituições financeiras chinesas aplicaram 119 mil milhões de dólares em financiamentos para a região, cifra que é o dobro do PIB do Uruguai. Autor do livro The New Banks in Town: Chinese Finance in Latin America, Gallagher acompanha há anos a evolução dos empréstimos do país asiático para a região. Os dados estão reunidos numa base de dados virtual construída com o apoio do Inter-American Dialogue e da Global Governance Initiative da Universidade de Boston.

Da diversificação

Segundo Gallagher, os financiamentos são um dos

caminhos para os chineses diversificarem a aplicação das suas reservas internacionais para além da compra de títulos do Tesouro americano. O país asiático está sentado numa montanha de 4 biliões de dólares, o equivalente a quase o dobro do PIB brasileiro. As cifras libertadas no ano passado são as maiores da

última década com excepção de 2010, quando foram realizados contratos no valor de 37 mil milhões. Segundo o banco de dados, a maior parte do financiamento chinês é destinada a países que têm dificuldade em obter financiamento no mercado de capitais, de organismos multilaterais ou de bancos americanos

As cifras libertadas no ano passado são as maiores da última década com excepção de 2010, quando foram realizados contratos no valor de 37 mil milhões

e europeus, categoria na qual estão Venezuela, Argentina e Equador. O país governador por Nicolás Maduro lidera o ranking, com empréstimos de 56,3 mil milhões desde 2007. A maior parte dos recursos - 28,4 mil milhões - foram destinados a projectos de infra-estruturas. O restante foi para projectos de energia, mineração e facilitação do comércio. Apesar de ter acesso a mercados e a financiamento, o Brasil foi o segundo beneficiário dos empréstimos chineses dos últimos dez anos, concedidos por instituições estatais como o China Development Bank, o Bank of China, e o Exim Bank. Desde 2005, o país recebeu 22 mil milhões. Desse valor, 10 mil milhões foram aprovados em 2009 para financiar a exploração de reservas do pré-sal. No ano passado, foram aplicados 8,5 mil milhões em dois empréstimos de 7,5 mil milhões à Vale e um de 1,1 mil milhões ao grupo Schahin. A Argentina aparece em terceiro lugar, com 19 mil milhões. O maior projecto, de 4,7 mil milhões, foi aprovado no ano passado e envolve a construção de uma central hidroeléctrica. As estatísticas não incluem os 20 acordos assinados recentemente entre a China e a Argentina, pelos quais Pequim financiará projectos no valor de 7,5 mil milhões.

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Lenovo alvo de hackers

A página de Internet da empresa tecnológica chinesa Lenovo foi ontem alvo de um presumível ataque de piratas informáticos, bloqueando temporariamente o acesso aos conteúdos da mesma. Em vez do aspecto habitual, a página inicial do ‘site’ da empresa apresentou, durante algumas horas, fotografias de adolescentes, acompanhadas de canções. Um grupo de hackers designado “Lizard Squad” reivindicou o ataque numa das suas contas no Twitter. A empresa, que não reconheceu oficialmente ter sido vítima de um ataque informático, publicou no seu portal um pedido de desculpas em nove idiomas.

Colecção rara de porcelanas no Museu de Arte Antiga

U

ma colecção rara de 60 pratos de porcelana da China saiu pela primeira vez do Palácio de Santos, em Lisboa, para ser exibida, desde ontem, no Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa. De acordo com o museu, esta colecção, “única no mundo”, vem da Sala das Porcelanas do Palácio de Santos, que é actualmente sede da Embaixada de França em Portugal, para revelar o gosto decorativo oriental seiscentista daquela residência nobre. Resultado de uma parceria inédita com a Embaixada de França, o MNAA irá apresentar a exposição com cerca de 60 pratos da Sala das Porcelanas, onde estão a decorrer actualmente trabalhos de conservação e restauro. Os pratos foram encastrados no tecto de talha dourada, entre 1667 e 1687, e saem pela primeira vez do palácio para serem apresentados ao público, destaca o MNAA. Residência real desde o final do século XV, adquirida em 1629 pela família Lencastre, o Palácio de Santos teve obras estruturais entre 1667 e 1687, e foi nessa altura criada a Sala das Porcelanas, com tecto piramidal de talha dourada. No tecto foram incrustados mais de 250 pratos de porcelana chinesa, na quase totalidade com decoração azul e branca, um acervo que foi preservado pelos sucessivos proprietários. O conjunto ilustra a história da própria produção cerâmica na China, entre os inícios do século XVI e o final do século XVIII, e o comércio com a Europa.

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MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 96/AI/2015

Jardim de Infância D. José da Costa Nunes Dia Aberto 28 Fevereiro, Sábado | 10:00 – 13:00 Inscrições 2015/16 - 2 a 6 de Março http://www.apim.org.mo/djcn/ Tel: 28533544 | Av. Sidónio Pais

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifiquem-se os infractores, WANG HUO SHENG, portador do passaporte da R.P.C. n.° E00501xxx e TANG, Xiaomei, portadora do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da RAEHK n.° R3054xx(x), que na sequência do Auto de Notícia n.° 43/DI-AI/2013, levantado pela DST a 26.04.2013, e por despacho da signatária de 17.02.2015, exarado no Relatório n.° 76/DI/2015, de 04.02.2015, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhes foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlam a fracção autónoma situada na Rua de Malaca n.° 140, Edf. Centro Internacional de Macau, Bloco 10, 11.° andar D, Macau onde se prestava alojamento ilegal.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito sobre a matéria constante daquele auto de notícia, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010.---------------------A matéria constante daquele auto de notícia constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.---------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 17 de Fevereiro de 2015. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes


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publi-reportagem

hoje macau sexta

A Sands China Apoia os Sectores de Actividade Locais Desde o Cultural e Recreativo ao Empresarial

Seja através da criação de um espaço para os artistas ou em reuniões com PME’s, a empresa continua a promover a criatividade e a experiência locais • Para a Sands China, o apoio activo à comunidade local é, desde há muito, um factor essencial para o sucesso da nossa empresa. Este apoio tem-se manifestado de diversas formas, designadamente, através dos empenhos

significativos do Programa Sands China Ambassador Care em acções de voluntariado, bem como através de donativos para organizações de caridade. A Sands China esforça-se por promover as actividades de âmbito local – seja pela

criação de oportunidades para o desenvolvimento das vertentes cultural e criativa de Macau, seja pela exploração de novas maneiras de colaborar ainda mais perto com as Pequenas e Médias Empresas do território.

Apoiando a Cultura e a Criatividade Locais

• A cerimónia de abertura da “Season of Prosperity”, realizada a 5 de Fevereiro, contou com a presença dos artistas responsáveis pelas esculturas “Creative Creatures – Art and the Chinese Zodiac”

E

• Artistas locais dão os toques finais em duas das 38 esculturas de cabras do projecto artístico Anno Caprum “Creative Creatures – Art and the Chinese Zodiac”, patrocinado pelo Venetian Macau

stando já a decorrer o Ano da Cabra, é provável que já se tenha deparado com umas magníficas estátuas de cabras no Venetian Macau, bem como em outros pontos da cidade. Estas 38 incríveis esculturas, cada uma decorada por diferentes artistas locais, surgiram no âmbito do Anno Caprum’s “Creative Creatures – Art and the Chinese Zodiac”, um projecto de arte local apoiado pelo Departamento de Turismo da RAEM e pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais de Macau, e patrocinado pelo Venetian Macau, que também patrocina a exposição Anno Caprum. Com 1,3 metros de altura e um design único, cada uma destas esculturas retrata o pensamento específico do seu artista expressado para festejar o Ano da Cabra. O projecto representa uma oportunidade única tanto para residentes locais como para turistas deapreciar a criatividade de talentosos artistas locais da comunidade de Macau, e traduz o esforço

que a Sands China tem vindo a desenvolver no sentido de contribuir para o desenvolvimento das vertentes cultural e criativa do território, bem como promover interações entre artistas locais.. O projecto Anno Caprum está integrado no evento “Seasons of Prosperity”, - uma série de actividades planeadas para celebrar a chegada do Ano da Cabra na espaçosa área exterior do Venetian Macau entre 6 de Fevereiro e 1 de Março de 2015. Até 1 de Março, 18 destas esculturas poderão ser apreciadas na área exterior do Venetian Macau e 3 delas no Sands Macau. Posteriormente, as esculturas irão t ficar em exposição no Centro Náutico da Praia Grande e na Praça do Tap Seac até ao dia 20 de Março. As restantes 17 já se encontram espalhadas por Macau e vão estar patentes até ao dia 20 de Março nos seguintes locais: Largo da Sé, Praça da Amizade, Largo da Companhia de Jesus, Laarego Camões (em frente do Templo Pak Tai), Largo Eduardo Marques e Praça do Tap Seac.

Apoiando os Comerciantes Locais

N

o mês passado, a Sands China e a Câmara de Comércio de Macau realizaram uma sessão de esclarecimento, com o objectivo de dar continuidade ao diálogo com Pequenas e Médias Empresas locais. A reunião contou com a participação de quase 100 PME’s e permitiu a ambas as partes se pronunciarem acerca das respectivas necessidades, para além de ter servido para encorajar o estabelecimento mais aprofundado de relações

comerciais mutuamente benéficas. Aos representantes das PME’s e da empresa foram dadas oportunidades para debater os procedimentos para a realização de aquisições e para falar abertamente sobre como tornar mais colaborações uma realidade. Seja no mundo artístico ou empresarial, a Sands China está empenhada em fazer com que Macau se conheça e se dê a conhecer, mostrando ao mundo que Macau é bem mais do que se poderia esperar.

• Sessão informativa entre a Sands China e as PME’s locais com o objectivo de promover relações ainda mais sólidas entre os produtores e a companhia em Macau


eventos

a-feira 27.2.2015

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Orquestra de Macau apresenta hoje, pelas 20h00, na Igreja de S. Domingos, o concerto “Capricho em Ré”, integrado na série de concertos “Maestros com Carisma”. O concerto vai ser dirigido pelo Director Musical e Maestro Principal da Orquestra Sinfónica de Taiwan, Lü Shao-chia, que colabora com a Orquestra de Macau na execução de sinfonias de dois distintos compositores alemães.

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São Domingos Lü Shao-chia em concerto com a Orquestra de Macau

Pela mão de um dos melhores

O Maestro Lü Shao-chia é o único vencedor chinês de três concursos internacionais de direcção de orquestra O Maestro Lü Shao-chia é o único vencedor chinês de três concursos internacionais de direcção de orquestra e ganhou o primeiro prémio no Concurso Internacional para Jovens Maestros de Besançon, em França, no Concurso Internacional para Dirigentes de Orquestra Antonio Pedrotti em Itália e no Concurso Internacional de Chefes de Orquestra Kirill Kondrashin, na Holanda. Com anos de experiência no circuito musical internacional, Lü Shao-Chia foi honrado com a distinção “Melhor Maestro do Ano” pela revista alemã Opera World e o jornal Süddeutsche Zeitung louvou-o como um “delicado mestre do ritmo”.

Representação germânica

Neste concerto, Shao-chia Lü irá liderar a Orquestra de Macau na execução de duas sinfonias de dois compositores alemães, Beethoven e Mendelssohn, compostas em diferentes épocas e de estilos musicais diversos. A Sinfonia N.º 2 em Ré Maior de Ludwig van Beethoven, criada quando o compositor começou a ter problemas de audição, e a Sinfonia N.º 5 Ré Maior do representante da era romântica Felix Mendelssohn, que foi composta para comemorar o tricentenário da “Confissão de Augsburgo” do líder da Reforma Protestante alemã Martinho Lutero. A entrada é livre, mas os bilhetes para o concerto serão distribuídos no local do espectáculo uma hora antes da actuação. A oferta é limitada a dois ingressos por pessoa.

CCM Ópera alternativa “Teatro de Guerra” em Junho

‘Manga’ japonesa sobe ao palco O Centro Cultural de Macau (CCM) traz, em Junho, uma ópera contemporânea alternativa concebida pelo teatro experimental dinamarquês Hotel Pro Forma e interpretada pelo Coro da Rádio da Letónia, um grupo galardoado com um Grammy. Com “Teatro de Guerra”, o CCM apresenta uma obra visual “largamente inspirada por imagens de manga japonesa”, que são projectadas no palco e complementadas por uma composição co-escrita pela banda de

pop sinfónica The Irrepressibles e pelo compositor letão Santa Ratniece. A peça é descrita como uma reflexão artística pioneira sobre a natureza da guerra tendo sido convidada para actuar em palcos internacionais como o Festival Next Wave da Academia de Brooklyn, um evento internacionalmente reconhecido pelas suas produções arrojadas. Criado pelo Hotel Pro Forma, grupo formado em 1985 e celebrizado pelas suas obras

À venda na Livraria Portuguesa Gare do Oriente • Vasco Luís Curado

Cinco pessoas, vindas de diferentes pontos da cidade, convergem para o mesmo comboio que parte da Gare do Oriente a caminho do subúrbio. Todas estão sozinhas com os seus pensamentos, que dificilmente podem ser partilhados ou compreendidos; umas vivem presas à memória do passado, outras criaram dilemas que lhes limitam o presente. Mas eis que algo faz despertar neles uma consciência comum: o ataque terrorista ocorrido nessa manhã numa estação estrangeira e cujas imagens passam continuamente na televisão. Poderá esta ameaça à escala global mudar alguma coisa no seu íntimo?

inter-disciplinares de vanguarda, “Teatro de Guerra” foi consagrado pela crítica na Dinamarca onde a directora artística, Kristen Delholm, recebeu a mais alta distinção no plano das artes visuais. “Jogando com contrastes e sombras através de uma mescla de espectaculares efeitos de luz, cenários arrojados e técnicas inovadoras, o elenco de 12 cantores sobe ao palco envergando figurinos concebidos pelo designer de moda Henrik Bibskov. O espectáculo conta-nos uma história com três protagonistas: um Soldado que sofre de Sindroma Pós Traumático, o espectro de um Guerreiro morto em combate e uma Espia que se transforma em super-mulher para poder sobreviver”, explica a organização em comunicado. A peça é uma ópera do século XXI e sobe ao palco a 27 de Junho no Grande Auditório do CCM, às 20h00. Os bilhetes estão à venda a partir de 1 de Março e os preços variam entre as 100 e as 300 patacas.

MGM Fusão de comida francesa e espanhola até 8 de Março

O restaurante Aux Beaux Arts, no MGM, apresenta até dia 8 de Março novos pratos de fusão gastronómica: comida espanhola e francesa vão aparecer juntas no seu menu. O Chef Poli, dos EUA, junta-se ao Chef da casa, Elie Khalife, para apresentar tapas com “sabores espanhóis e essência francesa”. Até dia 8 de Março, os clientes podem apreciar ostras, sorvetes e tacos, ao lado de pão e presunto ibérico, entre outros. Os preços variam consoante o menu, começando nas 588 patacas, mas há ainda produtos à lá carte.

Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net

Mitos e Lendas da Terra do Dragão • Wang Suoying, Ana Cristina Alves

Na sequência de Contos da «Terra do Dragão», as autoras oferecem agora ao público esta obra, que traz para Portugal algumas das lendas e dos mitos mais conhecidos entre os Chineses: estes incluem a mitologia chinesa das «narrativas sobre seres divinos e espíritos», mais abrangente, mas também os mitos de criação do Universo e dos seus seres, façanhas de fundadores, inventores e heróis, feitos de guerra e combates a desastres naturais como o dilúvio, etc.


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artes, letras e ideias

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CELEBRAÇÃO dO NASCIMENTO DO CÉU

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oje, 27 de Fevereiro de 2015, é o nono dia do primeiro mês no calendário lunar chinês e celebra-se o nascimento do Céu, fazendo-se em sua honra a queima de incenso. Durante o período monárquico, esta cerimónia estava reservada ao Imperador, que na capital saía do Palácio Imperial e deslocando-se ao Templo do Céu (Tiantan), como ‘Filho do Céu’ fazia no Altar do Céu a adoração oficial do Céu. De referir ter-se comemorado há dois dias o aniversário de toda a gente e nesse sétimo dia da primeira Lua trocaram-se prendas e os festejos foram realizados em convívio com os amigos e família. Para a China, o que se passa no interior de nós é o mesmo que ocorre na Terra e tem espelho no Céu. Os imperadores eram quem fazia a ligação entre o Céu com a Terra, começando por ser escolhidos entre os homens que tinham o saber e aplicavam a sua sabedoria na resolução dos problemas. Uma antiga escola, de há três mil anos, tinha na concepção do Universo o Céu como uma taça invertida, que rodava em torno do eixo da Estrela Polar, sendo a Terra quadrada e limitada por quatro mares em cada um dos lados. O Céu estava sustentado por quatro pilares, que eram montanhas. Nesses tempos ancestrais existia já o culto ao Céu (Tian), mas sem representação material, encontrando-se referenciado na literatura como Imperador do Céu (Huang Tian), ou simplesmente Céu (Tian). A cerimónia de oferecer sacrifícios ao Céu era conhecida por Ji Tian. Os reis da dinastia Zhou trouxeram o Mandato do Céu, como prova de representarem na Terra os interesses do Céu. Aos poucos deuses existentes no início da dinastia feudal Qin, rigidamente estratificada no social, começaram aos poucos a aparecer novas divindades e todas se encontravam subordinados ao Céu, a quem se reportavam, tendo aí que prestar contas e fazer relatórios do que se passava sobre as suas jurisdições. Os imperadores da dinastia Han do Leste ofereciam sacrifícios apenas ao Imperador do Céu, mas foi durante a dinastia Tang, quando muitos dos imperadores eram seguidores do Taois-

Governa auxiliado por quatro deuses, sendo o nono dia do ano o Aniversário do Imperador de Jade. Mas o conceito de Céu (Tian) chinês, criou uma grave e difícil questão entre os cristãos e mesmo entre diferentes ordens católicas.

“A Ideia de Céu, entre os chineses”

mo, que a grande sistematização do divino ficou estruturada. No Céu apareceu o Imperador de Jade (Yu Huang) e na Terra, o imperador tornou-se o representante do Céu aos olhos do povo. Com o conceito de Imperador de Jade elaborado, entrou então Yu Huang para o panteão oficial daoísta no reinado do Imperador Shen Zong (1211-1223) da dinastia Song do Norte, conjuntamente com a sua rainha,

que ficou com o título de “Grande e Santa Rainha do Céu Profundo”. O Imperador de Jade ficou então como a mais alta divindade que governa o Universo, abaixo apenas do Três Puros Uno e com um poder igual ao imperador, que governa no mundo humano. Também conhecido por Yu Di ou Yu Huang, tem um chefe ajudante e um primeiro-ministro (Tien Huang Shang ti), que executa as suas ordens.

Este é o título de um artigo escrito em 1966 por Benjamim Videira Pires, S.J., que passamos a transcrever: “T’IEN (天, Tian em mandarim) designa, antes de mais nada, o céu ou firmamento material. No próprio carácter ou ideograma, que no-lo representa em chinês, está incluída a ideia escalonada duma Super-grandeza que domina o homem (人大天), mas com a qual ele está em ligação. Posteriormente, o céu material, povoado de mundos maravilhosos e desconhecidos, foi personificado pelas gerações pré-históricas do ‘povo da cabeleira negra’, talvez sob a influência da cultura persa (Zoroastro e Mazdeismo). Até há pouco tempo, supôs-se que T’IEN (天) representava, por isso, uma ‘primitiva pintura antropomórfica da Divindade’, possivelmente do <Grande (大) UM (一)> ou do <Ser UNO (一) e GRANDE (大)>, que não se há-de confundir com o <T’AI I> (太 一). Esta concepção do <T’AI I> (太 一) – diga-se de passagem – adquiriu várias formas, no decorrer dos tempos. E. T. C. Werner, no seu clássico livro China of the Chinese, mostra-nos, à evidência, que T’IEN (天) foi originariamente a pintura estilizada ou jeroglífica da <grande abóbada> ( 大因) do firmamento (), tendo o semicírculo sido encurtado com o tempo e reduzido a uma linha recta horizontal, sobreposta ao carácter (grande) (天). É esta a explicação mais científica deste carácter chinês e a geralmente admitida hoje por chineses e estrangeiros. Mais tarde, por meio da confusão da linguagem primitiva (como acontece por toda a parte), o céu material foi considerado, na conversação, como figurando os espíritos que se julgava lá residirem. Assim, o Céu em pessoa principiou a ser venerado, na China, como objecto de religião. Durante as festividades do Ano Novo Chinês e num dia de bodas, o Céu e a Terra são


artes, letras e ideias 15

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José Simões Morais

Era o Seong-tai dos chineses um Deus pessoal, uma simples força, ou um antepassado antropomorfizado? Era T’ien o firmamento material ou Deus, Senhor do Céu e da Terra? Os chineses nunca se importaram com tais subtilezas, pois foram sempre práticos e não especulativos adorados. O nono dia da primeira lua (no calendário chinês) é o nascimento do Céu e o décimo dia o nascimento da Terra. Nessa data, queima-se incenso ao Céu, nos pátios abertos das casas. Reservava-se, todavia, ao Imperador, intitulado ‘Filho do Céu’, a adoração oficial do Céu. O ‘Templo ou Altar do Céu’ em Pequim preservou, quase até nossos dias, essa tradição. As duas ideias mais altas, gravadas no espírito dos chineses, soa a deveres de honrar pai e mãe e de adorar o Céu e a Terra, os grandes pai e mãe do Universo. Nos escritos budistas da China, todos os trinta e três Devas (da raiz Div, brilhar) do Bramanismo receberam a nomenclatura de T’IEN (天). Para os budistas chineses o <Deva dos Devas> ou <Devatideva> (天中天) é o Buda.”

Ritos Chineses Sobre o assunto ‘Terminologia do Nome de Deus’ o padre Benjamim V. Pires, S.J. resumiu o que diz o P. Dunne, em Generation of Giants. Para o vocábulo ‘Deus’, Ricci escolheu as expressões Seong-tai (上 帝, Shang Di) (Governador no Alto) e T’ien-chü (天主, Tian Zhu) (Senhor do Céu); para ‘Anjo’ T’ien-san (天神, Tian Shen) (Espírito do Céu) e para ‘alma’ Leng-wan (灵魂, Ling Hun) (Espírito que vivifica ou dá vida). Discutidos estes termos numa consulta dos jesuítas em Macau em 1600, Valignano aprovou-os. No entanto, surgiram dúvidas. Era o Seong-tai dos chineses um Deus pessoal, uma simples força, ou um antepassado antropomorfizado? Era T’ien o firmamento material ou Deus, Senhor do Céu e da Terra? Os chineses nunca se importaram com tais subtilezas, pois foram sempre práticos e não especulativos.

Longobardo, que desde a sua chegada à China, em 1597, se opusera a estes vocábulos, quando em 1611 sucedeu a Ricci no cargo de Superior da Missão, requereu ao Visitador Francisco Pasio, que reexaminasse esta questão. Como os intelectuais católicos chineses se declararam a favor de Ricci, Pasio deixou a questão em aberto. Mas Longobardo não se rendeu e Sabatino De Ursis pôs-se a seu lado, em conjunto com Camillo di Costanzo, que escreveu um tratado a atacar estes termos. Francisco Vieira em 1615 sucedeu a Pasio no cargo de Visitador e opinava como Costanzo, mas, sabendo que Afonso Vagnoni e Diogo de Pantoja eram de opinião contrária, pediu-lhes que a expusessem por escrito, o que eles fizeram. Em 1617, Longobardo ripostou com um escrito, que apresentou a Vieira; seguiu-se no mesmo sentido no ano seguinte um tratado de De Ursis, que havia sido expulso para Macau por um édito imperial do ano anterior. Jerónimo Rodrigues, que sucedeu a Vieira no cargo de Visitador, reuniu em Macau os missionários em 1621 para discutir o assunto e como a maioria se inclinou para Ricci, ele deu instruções neste sentido. Mas Longobardo não se conformou e em 1623 escreveu um tratado a defender o seu ponto de vista e no ano seguinte uma análise crítica sobre T’ien-chü (天主) Senhor do Céu. Em fins de Dezembro de 1627, reuniram-se em Kiating nove jesuítas para discutir a questão: as reuniões prolongaram-se por muitas horas e muitos dias com acaloradas discussões, mas Longobardo não cedeu.

Em fins de Janeiro de 1628, chegou-lhes a notícia da morte do imperador T’ien-ch’i (Tian Qi (1620-27, Zhu Youjiao), ocorrida em Setembro do ano anterior e só então terminou a consulta, com receio do perigo que havia de se acharem ali reunidos tantos estrangeiros. Em 1633, Longobardo voltou à carga atacando o vocábulo Seong-tai, ao qual respondeu Gaspar Ferreira. Longobardo ripostou rejeitando os termos T’in-chü e Seong-tai e advogando a fonetização do vocábulo latino Deus. Responderam-lhe Júlio Aleni e Álvaro Semedo.

Senhor do Céu ou Governador no Alto Foi esta uma das grandes contendas no Catolicismo, entre os jesuítas e as outras ordens, sobretudo a dominicana. Segundo Gernet, no livro Mundo Chinês, “o problema era o de saber se se deveria considerar a noção de Shang Di (o ‘Senhor do Alto’ dos Clássicos) como resíduo de uma Revelação que se teria verificado na Alta Antiguidade chinesa, e cuja lembrança se tinha progressivamente apagado, ou se as tradições dos chineses deveriam ser consideradas como profundamente ateístas e os seus cultos e cerimónias como heréticos. Seria necessário que o Céu dos chineses (Tian) fosse ou Deus ou pura matéria, quando não era nem uma coisa nem outra, mas sim ordem imanente e universal.” Afinal, o termo que tem permanecido até hoje entre os católicos é T’ien-chü (天主, Tian Zhu) Senhor do Céu e entre os protestantes Seong-

O nono dia é o Aniversário do Imperador de Jade, a mais alta divindade que governa o Universo, abaixo apenas das três Purezas e com um poder igual ao imperador que governa no mundo humano -tai (上帝, Shang Di) Governador no Alto. Por isso, os chineses consideram o catolicismo e o protestantismo, que entrou na China em 1807, como duas separadas religiões, muito devido à diferente tradução dos conceitos bíblicos e da palavra ‘Deus’. O nono dia é o Aniversário do Imperador de Jade, a mais alta divindade que governa o Universo, abaixo apenas das três Purezas e com um poder igual ao imperador que governa no mundo humano. Referida na revista ‘Renascimento’ por Yu Huang Shang Di Sheng Dan (玉皇上帝圣诞, Iôk-Uóng Séong-Tâi Sêng-Tán em cantonense) ou “Festividade do Sacrosanto Imperador Jade, filho do soberano do fantasiado império de Guang Yan Miao Le Guo (光严妙乐国 Kuóng-Im Miu-Lók Kuók), isto é, o País da Resplandecente Luz e do Indizível Prazer.” Após a celebração do nascimento do Céu, ao décimo dia do ano comemora-se o nascimento da Terra, Wu Fang Tu Shen Dan (五方土神圣conhecida em cantonense por Ung-Fóng T’ôu-Sân Tán). Segundo a revista ‘Renascimento’, denominada “Festividade dos Cinco Deuses Terrestres, um dos quais presidia ao bem-estar dos pontos cardiais. São identificados com os cinco dragões que suportavam a terra, os quais, quando moviam, cansados com o seu peso, provocavam os abalos sísmicos. Cada um dos dragões tinha a sua festa particular no dia 10 dos cinco primeiros meses.” Cabe ainda aqui lembrar que, a mensagem de Bom e Próspero Ano Novo só deve ser enviada após o novo ano começar e como este já ocorreu, fazemos para todos votos de um bom Ano Novo - Kung Hei Fat Choi (Próspero Ano Novo) e Sun Tan Kin Hong (Boa Saúde) ou, como se diz em mandarim, Gong Xi Fa Cai e Shen ti Jian Kang.


desporto

Era suposto haver jogos da principal divisão do território durante o mês de Março, mas a Associação de Futebol de Macau publicou os novos calendários sem nada dizer oficialmente. Resultado: clubes mostram-se indignados

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Futebol Liga de Elite suspensa durante o mês de Março

Jogos parados, clubes irritados Gonçalo Lobo Pinheiro

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Gonçalo Lobo Pinheiro info@hojemacau.com.mo

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ste fim-de-semana ainda há jogos de futebol da Liga de Elite, mas depois disso só mesmo em Abril. Na prática, os campeonatos vão parar porque as Selecções de Macau vão competir. A equipa principal contra o Camboja – dia 12 de Março lá e dia 17 cá, no Estádio da Taipa - para a primeira ronda da qualificação asiática para o Campeonato do Mundo de 2018 na Rússia e os Sub-23 que estarão a disputar a qualificação – de 23 a 31 de Março com o Japão, Malásia e República Popular da China - para o Campeonato Asiático do próximo ano. A decisão da Associação de Futebol de Macau (AFM), colocada recentemente no site oficial da entidade, não foi comunicada oficialmente aos clubes, que se mostram desgastados. “Acho que AFM deveria sempre comunicar aos clubes, antes de tomar decisões destas”, começou por dizer Pelé ao HM. Para o treinador da Casa de Portugal “o calendário já estava marcado há muito”. “Eles [AFM] já sabiam também quando eram os jogos das Selecções. Mais uma vez se vê que a falha é deles”, acusa.

Práticas autistas

Do lado do Sporting de Macau, a situação é considerada “caricata e inadmissível”. António

Conceição Júnior, presidente da agremiação, fala em “campeonato careca” uma vez que durante um mês todo um trabalho feito “pode ir por água abaixo”. “A AFM não informou o Sporting. É mais uma prática autista que já estamos habituados. Ninguém fala com ninguém.” Campeonato suspenso é algo que os responsáveis dos leões não vêem com bons olhos, uma vez que os jogadores perdem rotinas e formas físicas. “O treinador [João Maria Pegado] até já me disse que teremos de arranjar alguns jogos para não perder ritmo competitivo. Mas jogos

“O ideal seria mesmo a AFM convocar uma reunião de emergência para se explicar” Duarte Alves Director do Benfica de Macau

“Assumimos que poderíamos ter feito melhor nesta situação” Daniel Sousa Vice-presidente da Associação de Futebol de Macau

com quem?”, deixa a pergunta, em tom de desabafo.

Reunião de emergência

Também ouvido pelo HM, o director da Casa do Sport Lisboa e Benfica em Macau, Duarte Alves, reitera que as águias não foram igualmente informadas pela AFM e que “segundo a lógica” esta paragem não é benéfica. “Formalmente não sabemos de nada. O que sabemos é o que está publicado na página oficial da associação e nada mais. Como é que se faz isto a uma semana do início de um mês que já está totalmente marcado por nós em termos de agenda e campos para treinar?” Para as águias, esta é mais uma “falta de comunicação” entre quem gere o futebol de Macau e os clubes, principais intervenientes. “Os clubes têm o direito de saber das alterações de forma oficial e isso não aconteceu. O ideal seria mesmo a AFM convocar uma reunião de emergência para se explicar”, concluiu Duarte Alves.

Assunção de culpas

Para a AFM tudo não passa de um mal entendido em que a associação

“Acho que AFM deveria sempre comunicar aos clubes, antes de tomar decisões destas” Pelé Treinador da Casa de Portugal

“A AFM não informou o Sporting. É mais uma prática autista que já estamos habituados. Ninguém fala com ninguém” António Conceição Júnior Presidente do Sporting de Macau

“assume a responsabilidade” pela não informação. “Tivemos o Ano Novo Chinês e isso veio mexer um pouco com os nossos trabalhos. Assumimos que poderíamos ter feito melhor nesta situação”, referiu ao nosso jornal o vice-presidente do organismo, Daniel Sousa. “Devido à coincidência das competições internacionais, algo que não é normal, tivemos de decidir desta forma”, acrescentou, lembrando que, ao mesmo tempo, o campo da MUST tem de ficar parado uns tempos por estar “muito massacrado” e o Estádio da Taipa, que deveria

ter sido entregue à disposição do futebol no passado dia 11 de Fevereiro, só o será “durante o mês de Março”. Daniel Sousa diz que não é fácil calendarizar o campeonato de futebol na RAEM. Lembra que “a AFM está sempre dependente da disponibilidade de campos e outras situações” para fazer o calendário das jornadas e pede aos clubes “para terem paciência e se juntarem com a associação no final da 1.ª volta” no sentido de se discutir “o que correu melhor e pior durante a primeira metade da Liga de Elite”.


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Sérgio Fonseca info@hojemacau.com.mo

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novo campeonato de carros de turismo da Ásia promete dar que falar. O TCR Asia Series adiou o arranque da temporada de estreia para Agosto devido a possíveis atrasos na entrega dos novos carros aos concorrentes, mas já tem um piloto de Macau confirmado para a temporada de estreia. Logo após a 61.ª edição do Grande Prémio de Macau, Filipe Clemente Souza expressou ao HM interesse em disputar o campeonato e, ontem, o piloto macaense, que nas últimas duas temporadas alinhou nas provas asiáticas do Campeonato do Mundo FIA de Carros de Turismo (WTCC) e que é um habitué do Campeonato de Macau de Carros de Turismo (MTCS), confirmou a sua presença. Souza estará ao volante de um Volkswagen Golf GTi da equipa alemã Liqui Moly Team Engstler Motorsport. O piloto da RAEM não é um desconhecido da equipa do empresário-piloto Franz Engstler, tendo corrido pela formação alemã na sua incursão pelo WTCC em 2014. “O meu objectivo é fazer o melhor possível. O campeonato TCR Asia vai ser muito competitivo, com diferentes marcas envolvidas e um equilíbrio entre os carros”, explicou Souza ao HM. O piloto de Macau vai apenas ter oportunidade de conhecer a sua nova máquina nas vésperas da primeira prova da temporada, uma situação que será comum a quase todos os pilotos. “Os carros ainda não estão prontos e vai ser difícil testar antes da primeira corrida. A primeira corrida vai ser no Circuito Internacional de Guangdong, que não é uma pista muito boa, mas é um circuito que conheço de há muitos anos, acredito que me posso sair bem”, afirma. Apesar do grande interesse nas corridas de carros de turismo no território, ainda mais nenhum outro piloto da RAEM mostrou publicamente interesse em participar no TCR Asia Series em 2015, mas o HM sabe que há pelo menos mais um piloto a avaliar a entrada na competição.

Arranque em Agosto

A organização da competição anulou as corridas marcadas para o início do segundo

Novo campeonato de turismos começa na China e pode acabar em Macau

Souza confirmado no TCR Asia trimestre na Coreia do Sul e no Japão, para começar mais tarde, no Circuito Internacional de Guangdong, a 16 de Agosto, onde são esperadas dezena e meia de viaturas. “O nosso objectivo era começar em Maio na Coreia do Sul, mas tendo em conta os aspectos organizativos e logísticos, decidimos adiar o primeiro evento”, explicou David Sonenscher, CEO da WSC Asia, o promotor do campeonato. “Temos que ser realistas e aceitar o facto que a maior parte dos carros não será entregue a tempo de um começo de temporada tão prematuro. A nossa primeira prova será em conjunto com o Campeonato da China de Carros de Turismo, o que nos permite mostrar esta nova categoria a um dos maiores mercados automóvel do mundo. Temos já recebido

o interesse significativo das equipas mais competitivas da Ásia, mas muitas delas estão a aguardar pela entrega dos carros”, disse o inglês que também é co-organizador do campeonato GT Asia Series, competição que ajuda a compor a grelha de partida da Taça GT Macau. Neste momento só a SEAT tem o seu carro pronto a correr, mas a proposta de regulamento técnico foi bem aceite por outros construtores e hoje já há um Honda Civic a testar em Itália, um Ford Focus a nascer em Inglaterra, um Volkswagen Golf Gti a ser preparado na Alemanha e também um Opel Astra a ser adaptado para a categoria em solo germânico. Audi e Skoda também deverão apostar na categoria onde os preços dos carros prontos a correr

“O meu objectivo é fazer o melhor possível. O campeonato TCR Asia vai ser muito competitivo, com diferentes marcas envolvidas e um equilíbrio entre os carros” Filipe Clemente Souza

variam entre as 700 mil e as 900 mil patacas. Neste primeiro ano, o TCR Asia vai também passar pela Malásia,

Singapura - em conjunto com “grande irmão” TCR International Series - e Tailândia. A última corrida tem

a localização por anunciar, mas a data provisória coincide precisamente com o Grande Prémio de Macau.

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ASSOCIAÇÃO GERAL DE AUTOMÓVEL DE MACAU-CHINA

Inscrição Curso de Formação para os Comissários Desportivos do 62º. Grande Prémio de Macau Avisa-se a todos os interessados que as inscrições do curso de formação para os comissários desportivos do 62º. Grande Prémio de Macau para o ano 2015 estarão abertas a partir do dia 2 de Março do corrente ano. Os interessados deverão preencher uma ficha de inscrição fornecida pelo AAMC, juntando 1 fotocópia do Bilhete de Identidade de Residente Macau, 2 fotografias a cores e 1 atestado médico passado por médico registado na RAEM, apto para prestar funções acima referido e entregar até ao dia 20 de Março de 2015 na sede do Associação Geral de Automóvel de Macau - China (AAMC), sita na Avenida Amizade, Edifício do Grande Prémio, Rés-do-chão da Torre de Controle, de fronte ao Terminal Maritimo de passageiros do Porto Exterior. Horário de inscrição - De 2ª. Feira a 6ª. Feira: das 09H30 às 13H00 e das 14H30 às 18H30 (excepto feriados oficiais e tolerância de ponto aprovado pelo Chefe Executivo) Para mais Informações, favor de contactar através do número de telefone: (853) 2872 6578 PROPINA DE INSCRIÇÃO: Mop100.00 por inscrição. (o montante será reembolsado após a frequência de todas as aulas do referido curso) Nota: Relativamente ao horário do curso de formação para os comissários desportivos, podem encontrar na página electrónica da Associação Geral de Automóvel de Macau – China, www. aamcauto.org.mo


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publi-reportagem

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IPM • Administração Pública uma base para o futuro

Uma oferta irrecusável M

inistrado em regime pós-laboral, foi há quatro anos que o curso de Licenciatura em Administração Pública nasceu, fruto da reforma do anterior curso de bacharelato com o objectivo de que o mesmo “proporcionasse uma sólida preparação académica aos futuros, e também actuais, trabalhadores da função pública”, começa por explicar a coordenadora do curso Aurélia Rodrigues de Almeida. “Com esta formação os alunos saem mais bem preparados para executar as suas tarefas profissionais”, refere a também docente. Neste curso estão neste momento matriculados 30 alunos, dos quais oito são os primeiros finalistas. “Uma grande parte dos alunos que temos são também trabalhadores estudantes, sendo alguns deles trabalhadores da função pública”, esclarece a coordenadora

• Um plano detalhado

As aulas iniciam-se às 18h30 e vão até as 23horas, sendo o seu plano de estudos composto por um vasto elenco de disciplinas da área da gestão, da administração pública, do direito e de outros domínios do conhecimento relevantes para quem pretenda exercer a sua actividade profissional no sector público. No primeiro ano, dividido em dois semestres, os alunos têm disciplinas introdutórias, tais como, Administração Pública, Direito, Ciência Política, Português I e II, Inglês I e II, Introdução à Informática, entre outras. No segundo ano os alunos frequentam disciplinas como Teoria da Organização, Pensamento Político, Gestão de Recursos Humanos, Inglês III e IV, Estatística, Governo e Administração Pública de Macau, Finanças, Análise de Políticas Públicas, Direito Constitucional e Lei Básica, entre outras. No terceiro ano é dado continuidade ao estudo da língua inglesa com as disciplinas de Inglês V e VI, e, entre outras, Governo e Empresas, Gestão Pública Comparada, Governo e Administração Pública da China, Administração Electrónica além de um estágio na área de Administração Pública. No último ano, os alunos finalistas finalizam os seus estudos, com Direito Internacional, Relações Públicas, Direito Fiscal, Relações Organização Internacionais e Projecto “, entre outras disciplinas, De todas as áreas de estudo aquela que mais parece fascinar os alunos é a área do Direito. David Fong, finalista do curso de Administração Pública, conta que “apesar de trabalhar na função pública há uns anos, não tinha muitas noções da área de Direito”, algo que lhe prejudicava, sem saber, o desempenho profissional. O interesse pela actividade na Administração Pública sempre existiu, conta, mas agora sente-se melhor preparado para o seu trabalho. “Eu, como disse, estou a trabalhar na área administrativa e muitas vezes não sabia como fazer algumas coisas. Agora,

depois de quatro anos deste curso, consigo ter uma melhor percepção das coisas e, mais que isso, consigo perceber e informar melhor os cidadãos”, argumenta o aluno finalista. David Fong conta que muitas vezes surgem algumas questões por parte dos utentes a que antes lhe era difícil dar resposta mas que agora lhe é possível “encaminhar as pessoas para fazer o que é mais correcto”. Foram as disciplinas de Direito, diz o aluno, que mais o ajudaram a criar esta nova base e preparação. “Acho que é muito importante os trabalhadores da função pública conhecerem as leis. No meu caso era o que me faltava”, conta. Também Rita Lin sente que a aposta do IPM nas disciplinas de Direito e Administração Pública foi a decisão mais acertada. “Eu sou técnica de administração pública, mas pouco sabia, porque nunca tinha tirado nenhum curso. Fui aprendendo algumas coisas, mas havia coisas que eu não sabia fazer”, começa por contar. Esta situação já não acontece agora que está a chegar ao fim da sua licenciatura. “Sinto que o meu trabalho, assim como acontece com o meu colega David, está diferente,

já percebo como é que funcionam muitas coisas dentro da própria Administração Pública, principalmente a nível de leis”, sublinha. Uma das grandes diferenças, diz ainda Rita Lin, antes de entrar para o curso e agora que está a completar a licenciatura é a prestação no local de trabalho. “Acho que é importante apostarmos na nossa formação para fazermos um bom trabalho, agora com esta licenciatura posso candidatar-me a outros trabalhos, a outros sectores dentro da própria Administração Pública e com isso evoluir na carreira”. Edmirson Fortes, cabo-verdiano e aluno do Instituto Politécnico de Beja, em mobilidade no IPM conta que, apesar de só ter algumas disciplinas do curso de Administração Pública, as mesmas são fundamentalmente focadas para a gestão e administração local, ou seja, de Macau. “Acho que isso é muito positivo, pois prepara muito bem os seus futuros trabalhadores da função pública”, argumenta.

• Seguir caminho

E é exactamente no sector da Administração Pública que os alunos finalistas

pretendem manter-se. “Agora, depois de terminar este último ano, vou concorrer para outro cargo, um cargo mais elevado. Por acaso foi nesta licenciatura que percebi que podia fazê-lo e, principalmente, como o fazer”, explica a finalista Rita Lin. Também o aluno David Fong quer manter-se dentro da Administração Pública, mas agora vai tentar um novo departamento. “Quero apostar na evolução da minha carreira agora que vou concluir uma licenciatura em Administração Pública”, explica, indicando que agora consegue “encaixar-se” em outros departamentos, com novas funções e de maior responsabilidade. Para David Fong a aposta no curso foi a decisão mais acertada que tomou. “Acho que é muito importante apostarmos na nossa formação, ainda por cima na função pública”, avança o jovem. O mesmo finalista explica ainda que não vai ficar por aqui e que está seriamente a pensar em inscrever-se para o Mestrado na mesma área e quem sabe no doutoramento. A coordenadora explica que o IPM oferece, para além da licenciatura “a oportunidade dos alunos continuarem a fazer a


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Apostar numa melhor preparação para os funcionários públicos dando-lhes bases sólidas no domínio da Administração Pública é o objectivo do IPM ao criar o curso de Administração Pública. Quatro anos depois do seu lançamento os primeiros finalistas mostram-se bastante satisfeitos com os resultados

“Com esta preparação os alunos saem desta licenciatura muito melhor formados para executar melhor as suas tarefas como profissionais” Aurélia Rodrigues de Almeida • Coordenadora do curso de Administração Pública

“O curso foi avaliado pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior de Portugal, tendo tido avaliação positiva, ou seja o curso é reconhecido em Portugal” Aurélia Rodrigues de Almeida

sua formação académica inscrevendo-se no mestrado e seguidamente no doutoramento”. Como o saber não ocupa lugar o IPM em parceria com o Instituto Politécnico de Leiria (IPL) e a Universidade de Lisboa oferece assim a todos os interessados a possibilidade de prosseguirem para estudos pós-graduados. “Existem alguns requisitos necessários para prosseguir estudos – como em todos os mestrados e doutoramentos – mas facilmente um aluno que complete a licenciatura no IPM, em Administração Pública, conseguirá dar continuidade ao seu percurso académico”, esclarece Aurélia Rodrigues de Almeida.

• Português rei da noite

É a língua portuguesa quem mais reina neste curso. “A licenciatura é toda dada em português, sendo a segunda língua oficial da RAEM o IPM considera essencial esta aposta em língua veicular portuguesa”, esclarece a coordenadora. Algo que não é um problema para os alunos. “Eu melhorei muito o meu português aqui, já sabia falar, mas agora estou melhor”, explicou David Fong. Para Rita Lin “não

há qualquer dificuldade durante as aulas”, fruto de um esforço de todos os docentes que leccionam neste curso. De acordo com informação de Aurélia Rodrigues de Almeida, é realizada uma prova, aquando da candidatura, para perceber o nível de português dos candidatos. “Temos alunos que não sendo nativos, dominam a língua portuguesa, mas também temos alguns alunos que têm um menor conhecimento da língua, por isso mesmo a existência da disciplina de português”, explica. É por isso que este é um curso para todos, permitindo inscrever-se até os interessados que querem apostar na sua formação mas que não se sintam à vontade com a língua portuguesa a. “Nas aulas não é difícil percebermos o português e os professores ajudam-nos”, remata Rita Lin. O finalista David Fong considera uma mais-valia o facto de a licenciatura ser leccionada na língua de Camões. “É sempre importante para nós, como pessoas, apostarmos na aprendizagem de uma segunda língua, ou até em mais, mas neste caso, e por estarmos em Macau e a trabalhar na função pública que tanto

está ligado ao português, acho essencial”, argumenta o aluno. A abrangência das diferentes áreas é também, para os alunos, um ponto a favor, conforme referiram. Os finalistas consideram que para além da licenciatura permitir uma forte aprendizagem da estrutura e modelo de administração do território, promove ainda as capacidades na comunicação tecnológica, gestão, organizações internacionais estimulando o seu espírito crítico, maturidade profissional e capacidade de adaptação. Para além disto, esta licenciatura tem ainda um aspecto que também valorizam, “tem reconhecimento em Portugal”, “O curso foi avaliado pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior de Portugal, tendo tido avaliação positiva, ou seja o curso é reconhecido em Portugal”, acrescenta a coordenadora. Os alunos que participaram no processo de avaliação externa do Curso pela Agência Portuguesa valorizam este “selo de qualidade”que uma entidade internacional confere ao curso que estão este ano lectivo a concluir. Olham para o futuro com confiança e com segurança.

“Estou a trabalhar na área administrativa e muitas vezes não sabia como fazer algumas coisas. Agora, depois de quatro anos deste curso consigo ter uma melhor percepção das coisas, e mais que isso consigo perceber e informar melhor” David Fong • Finalista do curso de Direito

“Agora, depois de terminar este último ano, vou concorrer para outro cargo, um cargo mais elevado. Por acaso foi nesta licenciatura que percebi que podia fazê-lo e, principalmente, como o fazer” Rita Lin • Finalista de Direito e Administração Pública


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hum

80-98%

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Concerto da Orquestra de Macau “Capricho em Ré” Igreja de São Domingos, 20h00 Entrada livre

• Sábado Festa de 29º aniversário da RUC Live Music Association, 21h00 Entrada livre

baht

0.24

Cineteatro

O que fazer esta semana • Hoje

9.06

yuan

1.27

Cinema

Sala 1

Stand by me Doraemon [A] (Falado em Cantonês) Filme de: Takashi Yamazaki, Ryuichi Yagi 14.00, 17.40

Sala 2

Kingsman: The Secret Service [c]

Filme de: Matthew Vaughn Com: Colin Firth, Michael Caine, Samuel L. Jackson 17.30, 21.30

Sala 1

Stand by me Doraemon [3d] [A]

Sala 3

Sala 1

(Falado em Cantonês) (Com legendas em Chinês e Inglês) Filme de: Matt Chow, Wilson Yip Com: Matt Chow, Wilson Yip 14.00, 15.45, 21.30

(Falado em Cantonês) 19.45

From vegas to Macau 2 [C] (Falado em Cantonês) Filme de: Wong Jing 15.50, 21.45

Sala 3

From vegas to Macau 2 [C]

Sala 2

Penguins of Madagascar [A] (Falado em Cantonês) Filme de: Eric Darnell, Simon J. Smith 14.00, 15.45, 19.45

• Diariamente

Triumph in the skies [B]

(Falado em Cantonês) (Com legendas em Chinês e Inglês) Filme de: Wong Jing Com: Chow Yun-Fat, Nick Cheung, Carina Lau 17.30, 19.30

Aconteceu Hoje

Exposição “Voz na Escuridão” de Óscar Balajadia/Papa Osmubal (até 14/03) Creative Macau Entrada livre

27 de fevereiro

Exposição de Pintura de Zhen Guo (até 3/03) Fundação Rui Cunha Entrada livre Exposição de esculturas do Ano da Cabra (até 01/03) Venetian, todo o dia Entrada livre Exposição de Sândalo Vermelho (até 22/03) Grande Praça, MGM Entrada livre

Morre Pavlov, o Nobel que provou o reflexo condicionado

Exposição de Design de Cartazes “V•X•XV:” (obras de 1999, 2004 e 2009) [até 15/03] Museu da Transferência da Soberania de Macau, 10h00 às 19h00 Entrada livre “Self/Unself” – Exposição de trabalhos de artistas holandeses (até 15/03) Centro de Design de Macau Entrada livre Retratos a Óleo dos Séculos XIX e XX: Colecção do Museu de Arte de Macau Museu de Arte de Macau, das 10h às 19h (até 31/12) Entrada livre Ilustrações para Calendário de Guan Huinong (até 10/05) Museu de Arte de Macau, das 10h às 19h Entrada livre “Beyond the Surface” de Mio Pang Fei (até 01/03) Albergue SCM, das 12h às 20h Entrada livre

H o j e h á F i l m e “Tonari no Totoro” (Hayao Miyazaki, 1988) As irmãs Mei e Satsuki mudam-se com o pai, Kusakabe, para uma vila rural, de forma a ficar perto da mãe que está a recuperar num hospital. As irmãs de seis e dez anos encontram coisas maravilhosas na sua casa nova: são bolas de carvão, os pequenos e grandes ‘Totoros’. Um dia, Mei perde-se no caminho e Satsuki pede a ajuda ao grande Totoro, que encontrou Mei e a levou a visitar a mãe ao hospital. O filme descreve a beleza da natureza antes do alto desenvolvimento económico no Japão, o que desperta nostalgia na audiência. - Flora Fong

fonte da inveja

• Ivan Pavlov foi um psicólogo e fisiólogo russo, premiado com o Nobel de Fisiologia ou Medicina, em 1904, pelo seu estudo nos processos digestivos de animais, que originou os famosos “reflexos condicionados”. Morreu a 27 de Fevereiro de 1936, no dia em que Elizabeth Taylor completou 4 anos. Hoje é dia de recordar Ivan Pavlov, o russo que realizou uma das grandes descobertas científicas aplicáveis na actualidade, sobre o papel do condicionamento na psicologia do comportamento: o chamado “reflexo condicionado”. Este trabalho foi realizado na década de 1920. Pavlov analisou a produção de saliva em cães expostos a estímulos e descobriu que o som de uma campainha, por exemplo, seria suficiente para provocar salivação no animal - este compreende que iria receber a sua refeição através do toque dessa campainha. O cão passa a associar aquele som à sua alimentação: sempre que a campainha toca, o organismo do animal reage como se a carne já estivesse presente, com salivação, secreção digestiva, entre outros processos. Um som que nada tem que ver com alimentação passa a provocar alterações digestivas. A pesquisa de Pavlov sobre os comportamentos por reflexos é transportada para o ser humano. E permite desenvolver o behaviorismo (teoria de Watson), que defende que o ser humano aprende sobretudo através de imitação, observação e reprodução dos comportamentos de terceiros, sendo que as acções do Homem são meras reacções ao ambiente que o rodeia. As conclusões de Pavlov representam contribuição fundamental não só para a medicina, mas para toda a Ciência, com validade nos dias que correm. O seu estudo torna-se útil em ciências que só muitos anos mais tarde ganham força, como o marketing, por exemplo.

João Corvo

Acreditar em Deus não é um mal em si. Já acreditar que alguém

fala por ele tem trazido ao mundo grande parte da sua desgraça.


Opinião

hoje macau sexta-feira 27.2.2015

paul chan wai chi*

21

um grito no deserto

N

o domingo passado, eu e a minha mulher fomos tomar um lanche a uma conhecida cadeia de restaurantes em Macau, e ambos pedimos uma sopa acompanhada de pão conforme vinha especificado na ementa. Optei por uma sopa de cebola enquanto que a minha mulher se decidiu por um caldo verde. Depois de confirmar as nossas encomendas, o empregado de mesa informou-nos que as sopas seriam servidas com uma torrada. Mas se preferíssemos pão normal, teríamos então de pagar uma taxa adicional de quatro patacas. E apesar de este arranjo não estar de acordo com as especificações do menu, acabamos mesmo assim por o aceitar. Porém, quando a minha sopa foi finalmente entregue, não vinha preparada de acordo com o estilo francês ou português, sendo apenas uma sopa cremosa com umas parcas fatias de cebola. Mas apesar da sua constituição espessa, o sabor não era de todo aceitável. Disse até a mim mesmo que nunca mais voltaria a encomendar este prato. Mas a sopa da minha mulher é que acabou por ser revelar um verdadeiro clássico, quedando-se por uma mistura de puré de batata, vegetais verdes e, claro está, creme! Quando indaguei o funcionário acerca do método de preparação utilizado, este explicou que: nós adicionamos creme a todas as nossas sopas, excepto a sopa de rabo de boi. Lembro-me então de me questionar sobre quando tinha o caldo verde servido em Macau começado a ser preparado com ingredientes diferentes e se esta adaptação se tinha tornado numa especialidade da RAEM? A minha mulher não gosta de pratos preparados com creme, por isso, depois de algumas explicações, o empregado acabou por aceder e trocar o prato por um outro que não incluía este ingrediente. O facto que me levou partilhar esta história não se prende com as minhas particularidades em relação à gastronomia, mas sim para demonstrar o quanto algumas coisas mudaram em Macau desde a transição de soberania para a China. Com o passar do tempo, estas coisas acabaram por se tornar estranhas para nós, chegando agora a público com um sabor totalmente diferente. Hoje em dia é até praticamente impossível desfrutar com a sensação de satisfação e conforto desfrutados no passado. O preço da comida nos restaurantes, por exemplo, tem vindo a subir gradualmente enquanto que a qualidade tem vindo a deteriorar-se e, ainda para mais, apenas uma pequena percentagem dos restaurantes conseguiu preservar o sabor original dos seus pratos. Ao mesmo tempo, muitos estabelecimentos foram mesmo forçados a fechar as portas devido às rendas pesadas e à falta de mão de obra. Assim, apesar de a economia de Macau ter crescido muito com o retorno à China,

Charlie Chaplin, gold rush

Preservem por favor algum do sabor original

a cidade acabou por perder alguma da sua própria identidade. Como é possível para mim permanecer indiferente perante este fenómeno enquanto residente de Macau? Evito sempre caminhar a pé pelo centro da cidade, pois toda a área da Avenida de Almeida Ribeiro e do Largo do Senado está constantemente repleta de transeuntes e de turistas do continente. Não há praticamente nenhum espaço disponível para andar e os peões dispõem de apenas 24 segundos para percorrer o sinal vermelho que separa os

O preço da comida nos restaurantes, por exemplo, tem vindo a subir gradualmente enquanto que a qualidade tem vindo a deteriorar-se e, ainda para mais, apenas uma pequena percentagem dos restaurantes conseguiu preservar o sabor original dos seus pratos

dois lados da Almeida Ribeiro. Os antigos comerciantes já há muito que saíram desta via, cedendo os seus espaços a farmácias. A situação actual vai de encontro aos desejos daqueles que se deslocam à cidade em compras, mas alguém procura satisfazer as necessidades diárias da população? Andar a pé torna-se incómodo mas a qualidade dos transportes públicos também deixa muito a desejar. Apanhar um autocarro implica um período de espera, e isso não garante que um utente tenha sequer espaço disponível. Todas as noites, a paragem da Rua do Campo está tão apinhada de pessoas ansiosas por chegar a casa, que mais lembra uma cena com refugiados desesperados por conseguir fugir. A utilização de uma viatura pessoal poderia ajudar a combater este dilema, mas lidar com os engarrafamentos torna-se então em mais um assunto inevitável mas indesejável. E enquanto que durante as horas de ponta ao fim das tardes na Horta e Costa, o trânsito avança a passo de caracol, as manhãs na Ponte Sai Van fazem lembrar um Circuito da Guia com os automobilistas a apressarem-se para chegarem ao trabalho o mais depressa possível. O ambiente de lazer do Macau antigo já não é mais do que uma distante memória. O tamanho e a densidade populacional de

Macau fazem com que seja uma das cidades mais populosas da actualidade, chegando mesmo a ocupar a primeira posição entre as localidades com mais automóveis per capita. As esplanadas de outrora na Praia Grande foram contaminadas com emissões de tubos de escape, e as poucas que ainda persistem acabaram por se tornar em locais pouco agradáveis. E enquanto que os poucos lugares com vista para o mar foram sendo ocupados com arranha-céus, os vendedores ambulantes desapareceram e foram também estes substituídos com grandes estabelecimentos de fraca qualidade. Tudo isto par a par com o aparecimento de cada vez mais sinais com caracteres simplificados e a manifestação cada vez mais frequente de “comportamento pouco civilizado” por parte de turistas da China. Perante todas estas desilusões, verificamos agora que até o sabor da comida foi agora alterado! Será esta a razão que nos levou a chamar à cidade histórica de Macau uma Região Administrativa Especial? Seja como for, adoro a minha tasca devido aos sabores inesquecíveis que me dá a conhecer. *Ex-deputado e membro da Associação Novo Macau Democrático


22 opinião

hoje macau sexta-feira 27.2.2015

Arnaldo Gonçalves

crepúsculo dos ídolos

A

União Europeia começou como projecto de integração há sessenta e quatro anos como uma escapatória, uma solução de recurso, uma emergência para colocar os povos europeus a coberto de um terceiro mergulho num belicismo autofágico que dinamitasse o continente. Como espaço de liberdade, de encruzilhada de culturas, línguas e religiões, de convergência de identidades, a Europa afirmou-se, benignamente, pela sua diversidade, pluralismo e sentido de inclusão. Os Pais Fundadores do que se consagrou dizer-se Comunidades Europeias e depois União Europeia, tiveram a ideia de pôr em comum as indústrias que alimentaram as guerras e as infra-estruturas económicas que possibilitassem, através da gestão conjunta e independente, o desenvolvimento sustentado do espaço de integração. No fundo, sem o que o dissessem explicitamente, quiseram criar mecanismos de auto e hetero-vigilância que dissuadissem os sonhos nacionalistas de rearmamento e anexação territorial que haviam partido de Berlim. Afinal, nos séculos que o precederam, a história da Europa havia sido um ciclo interminável de criação e fim de impérios, de guerras religiosas e étnicas, onde à velocidade de cruzeiro se redesenhavam as fronteiras pela diletante vontade de príncipes e monarcas nos seus sonhos megalómanos de grandeza, poder e domínio territorial. O sistema absolutista, fundado no direito divino dos reis (e dos príncipes), foi o gramasso ideológico desta sedução pelo mando e pela hegemonia que esteve sempre nos pesadelos da Europa. A democracia, na sua raiz etimológica grega ‘demo’e ‘kratia’, surgiu como alternativa de governo num arquipélago a sul do continente como forma de preservação da identidade étnico-cultural das cidades-estado que o integravam e de sobrevivência das suas elites. Afinal, o governo de ‘todos’ excluía os escravos, os prisioneiros, os veraneantes, os metecos dessas pequenas comunidades de pouco mais de mil habitantes. Um milénio e meio depois, a ideia de uma democracia representativa fundada no censos das propriedades afirmava-se numa ilha do Mar do Norte como afirmação da voz dos gentis-homens contra as apetências autocráticas de um soberano. Um rei que se via a governar pelo mando de Deus contra (se necessário) a vontade dos seus súbditos representados em Parlamento. A Magna Carta - cujo centenário se comemorou há pouco - simboliza a amarração da ideia de governo pelo consentimento ao projecto europeu. Valor fundacional que através das revoluções liberais se estendeu ao continente e por aí se ancorou.

“Who’s Afraid of Virginia Woolf?”, Mike Nichols

Uma Europa germanófila?

Esteve sempre presente na incubação do projecto europeu que os governos, ainda que eleitos em eleições livres e universais, têm um mandato limitado no tempo e condicionando à vontade dos cidadãos reunidos em assembleia política. Vontade expressa através dos seus representantes eleitos. Como esteve presente que aqueles são mandatados para exercer o poder são responsáveis perante o povo e prestam-lhe contas, regularmente. Corolário deste ideia central de um poder não ilimitado ficou impresso nos textos sagrantes da União Europeia que os Estados-membros mantêm o essencial dos seus poderes soberanos, que os governos nacionais subsistem como entes independentes com os seus parlamentos nacionais e que a última expressão do exercício da vontade soberana reside na Nação. Sempre que a hipótese da união da Europa, através de uma federação, se colocou, quer como utopia quer como inevitabilidade, os europeus pronunciaram-se de forma clara contra esse projecto, contrapondo-lhe o paradigma de uma união voluntária de estados-nação escrupulosos da sua independência. Recorda-se os movimentos políticos dos anos 1950 que propugnaram

a federalização da Europa e a fracassada Convenção para o Futuro da Europa de 2003. No arrebatamento pró-federalista isso foi lido como uma resistência irracional aos rumores do tempo e do ‘progresso’, uma recusa ‘egoísta’ das elites em aceitar a inevitabilidade da marcha para um qualquer reino neoplatónico de felicidade na Terra, simbolizado por uma bandeira azul multi-estrelada e pelo Hino da Alegria de Beethoven. Este sonho idílico faria sentido se a Europa pudesse permanecer em paz sem ameaças visíveis nas suas fronteiras a Sul e a Leste, se o modelo económico de solidariedade institucional funcionasse como um carrilhão bem oleado, se os grandes potentados como a Alemanha e a França desistissem da sua apetência para a hegemonia no continente, a qual alimentara os sonhos imperiais de uma e de outra. Mas as nações raramente mudam os seus desígnios mais profundos a menos que a história e o destino lhes imponham que ajoelhem ou se contenham pela ameaça da derrota ou do aniquilamento. Num precipitado movimento de alargamento para além do que poderia comportar, a União Europeia abraçou primeiro os

A crise da Grécia é apenas uma pequena nota do que aí vem em termos de perturbação do projecto europeu, de erosão da solidariedade e coesão europeias, da periclitante sobrevivência do Euro e da relação político-estratégica com a Rússia de Putin

países ibéricos e do Sul, depois os países do Centro e do Norte que resultaram da implosão da União Soviética e dos seus satélites e finalmente alguns dos componentes da antiga República Jugoslava. Como modelo escolheu a virtude laborista do protestantismo huguenote que levara à transformação da Prússia na Alemanha dos nossos dias, esquecendo que os valores culturais que animam esses povos das terras do frio e da neve não são compatíveis com a predilecção setentrional para o lazer, o consumo, a boa-mesa, o divertimento lúdico e o veraneio. Porque o capital, numa lógica da acumulação e multiplicação das rendas havia singrado para as praças financeiras do Norte da Europa, a Europa embarcou na aventura da moeda única que identificara como o terceiro símbolo da sua união de vontades. Fê-lo sem perceber (ou não o querer) que nem todos os Estados estavam em condições de respeitar os critérios de convergência da União Económica e Monetária, nem havia garantias de o garantirem no futuro. O que é que mudou nos últimos quinze anos que fez estremecer as branduras de um casamento para toda a vida dos estados-membros da Europa? Desde logo, o facto de a queda do Império Soviético ter transformado a Rússia na Prússia de outrora, de regresso aos seus sonhos de grandeza imperial à custa dos vizinhos. A anexação da Crimeia, a constituição do arco sanitário russófono no leste da Ucrânia, o assédio às repúblicas do Báltico revela que o estalinismo escondido de Vladimir Putin incorpora, na verdade, desígnios de expansão territorial à custa de países que são hoje parte da União Europeia. Em segundo lugar, a quebra do eixo franco-alemão permitindo à Alemanha se apresentar, aos olhos de todos, como a única guardiã da unidade europeia, a garante das suas políticas económicas, financeiras e de integração. Um domínio matizado pelo controlo inteligente do Banco Central Europeu, pelo peso dos bancos alemães no sistema monetário europeu e pela liderança política alemã do Conselho Europeu. A crise da Grécia é apenas uma pequena nota do que aí vem em termos de perturbação do projecto europeu, de erosão da solidariedade e coesão europeias, da periclitante sobrevivência do Euro e da relação político-estratégica com a Rússia de Putin. É a relação da Europa - no seu todo - com a Alemanha de Ângela Merkel que está hoje problematizada. A Europa foi a bóia de salvação da Alemanha no doloroso processo de reconstrução do pós-guerra. Setenta anos depois não pode aceitar ser o parceiro acomodatício e silencioso perante o namoro germano-russo. Talvez como há sete décadas atrás a esperança resida num promontório delimitado por escarpas do outro lado do Canal da Mancha habitado por gente especialmente zelosa da sua liberdade.


Perfil

hoje macau sexta-feira 27.2.2015

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Verónica Choi, Dj

“Ser mulher, nesta carreira, não é fácil” facebook

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

C

omeçou a gostar de música quando os sons apenas se reproduziam nos velhinhos vinis. Foram os Beatles, os sucessos dos irmãos The Carpenter, já na década de 70, e depois as faixas pop do rei Michael Jackson que marcaram a geração dos anos 80. Todos esses sons icónicos entraram na vida de Verónica Choi pela mão dos pais e acabariam por influenciar o seu enorme gosto por música. Com o passar dos anos, essas referências acabariam por levá-la ainda mais longe: hoje, Verónica é, nos tempos livres, a Dj Veron C. Ao HM, a artista recorda como começou o bichinho pela música. “Quando era uma adolescente, por volta dos 13 ou 14 anos, costumava ouvir música pop, como músicas dos The Carpenters, Beatles, Michael Jackson. Talvez tenha sido influenciada pelos meus pais, uma vez que o meu pai adora música. Lembro-me que quando era criança a minha mãe já punha música de dança e música disco em casa e no carro. Lembro-me que ela me ensinava a dançar e era muito engraçado”, recorda. Apesar de ter nascido em Macau, o sangue português percorre-lhe as veias. A mãe já é uma mistura entre a cultura chinesa e portuguesa e não deixa de provar as iguarias portuguesas e macaenses, como se pode verificar na sua página pessoal do Facebook, com uma fotografia tirada durante um almoço na Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC). “Os meus familiares vivem em Lisboa e eu vou com a minha família visitá-los uma vez a cada três anos. Gosto de Portugal e consigo falar, ler e compreender um pouco de Português”, assume. Os sons antigos ainda estão na mente desta jovem Dj, que também trabalha no casino Galaxy, na área do entretenimento. Mas hoje mistura-os com novas sonoridades em vários clubes e festas privadas por onde passa. Contudo, tudo depende daquilo que o público estiver disposto a ouvir. “Gosto de música trance, especialmente trance progressivo e vocal. Em segundo lugar surge o Tecno House e Breakbeats. O meu ídolo é o Armin Van Buuren. Adoro-o. Quer seja em clubes famosos ou com uma grande dimensão, normalmente toco a música que o público gosta, como música pop, comerciais, EDM... no fundo quero é que as pessoas se sintam ligadas à música que estou a passar e quero fazê-las dançar. Então toco qualquer tipo de música que seja adequado ao ambiente”, conta.

O amor levou-a ao djing

Apesar das influências musicais que recebeu da família, Verónica Choi haveria de começar

a sua carreira como Dj através do namorado, que a ensinou a arte de trabalhar com uma mesa de mistura. “Há quatro anos que faço djing. No início passar música era apenas um ‘hobbie’, porque achava que não podia fazer disso uma carreira, especialmente em Macau, que é dominada pela indústria do Jogo. Nessa altura, o meu namorado, que já era dj há sete anos, ensinou-me a arte do djing. Então, e como adoro música, não consegui parar de aprender e praticar em casa e em estúdios. À medida que o tempo foi passando fui começando a receber muitos convites de clubes e festas privadas. Então é um algo bom para mim, porque posso ganhar dinheiro e manter o meu hobby”, revela.

“As pessoas de Macau estão a começar a saber o que é a música. Sabem como se divertir, e comparando com os últimos três anos, há cada vez mais associações e produtores de música que têm vindo a crescer” Assume adorar o Club Cubic, onde já passou música, e o espaço TrueColor, na vizinha Cantão. Contudo, a RAEM está no seu coração. “É um bom lugar. Espero que haja cada vez mais estrangeiros de países ocidentais que possam visitar Macau. Gosto das culturas ocidentais”, aponta. Apesar da paixão notória pelo que faz e pela felicidade que sente por cada clube que enche de pessoas, Verónica Choi confessa: “sou Dj e ser uma mulher nesta carreira não é assim tão fácil”. A noite em Macau pode ainda estar a milhas de distância das grandes capitais europeias e de algumas cidades asiáticas, mas Verónica Choi garante que as coisas melhoraram bastante em relação há três anos. “As pessoas de Macau estão a começar a saber o que é a música. Sabem como se divertir, e comparando com os últimos três anos, há cada vez mais associações e produtores de música que têm vindo a crescer. Há muitos Djs de Macau e de outros países que trabalham em conjunto, em grupos como a Associação de Música de Dança de Macau (MDMA, na sigla inglesa), DjzoneHK, Huz Productions ou o Alive Music Group. Por vezes organizam festas em clubes privados e o seu objectivo é partilhar a música e ligar as pessoas a esse mundo”, conclui.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong (estagiária); Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas Agnes Lam; António Conceição Júnior; Arnaldo Gonçalves; David Chan; Fernando Eloy; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau. com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


hoje macau sexta-feira 27.2.2015

Felipe Fontenelle lança nova música este sábado

“A noite do adeus” em formato digital

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

É

já este sábado que o músico Felipe Fontenelle, a residir em Macau e ligado aos projectos “80 e Tal” e “Tributo a Macau” vai lançar um novo single. A música, intitulada “A noite do adeus”, conta com letra do escritor português Pedro Chagas Freitas e estará disponível apenas no iTunes a partir do próximo sábado. Ao HM, Felipe Fontenelle fala de uma parceria que surgiu de forma “espontânea”. “O Pedro (Chagas Freitas) já conhecia o meu trabalho, eu já conhecia o dele, e a gente resolveu experimentar. Pedi para ele compor umas letras. Ele enviou-me cinco letras e eu já fiz duas músicas. A parceria surgiu de interesses mútuos: ele gosta da minha voz e eu gosto da escrita dele”, apontou.

“A noite do adeus” é uma balada, apenas com voz e viola, que retrata o amor e o rompimento de uma relação, como conta Felipe Fontenelle. O lançamento exclusivo num formato digital, como é o iTunes, pretende atingir o público de forma mais rápida. Até agora, tem dado resultado. “Fizemos uma promoção no Facebook, foi colocada há cerca de 24 horas e já tem 6,800 visualizações na minha página pessoal, enquanto que na minha página de artista atingiu 12,500 pessoas. Acredito que hoje em dia a internet e as plataformas digitais sejam formas mais rápidas e práticas de chegar ao público”, apontou.

Géneros distintos

Quanto à segunda música, será gravada em Portugal. “Esta (A noite do adeus) é

uma letra de amor. A outra música já não tem nada a ver. Foi feita de uma forma mais pop e abrangente. A música não ficou tão séria”, explicou o músico, que garante que o objectivo é lançar canções avulsas em formato digital nos próximos tempos. Em Abril, o single “Casas comigo no Facebook” deverá estar pronto para download. A parceria com Pedro Chagas Freitas não é, contudo, o único projecto de Felipe Fontenelle. Até Junho deverá estar cá fora o álbum “Tributo a Macau”, o resultado de um concerto dado o ano passado no consulado de Portugal em Macau. O trabalho, lançado com o apoio da Casa de Portugal em Macau, terá entre 12 a 14 músicas. No Brasil, onde nasceu, Felipe Fontenelle vai também gravar uma música com Chico Buarque, um dos nomes mais sonantes da Música Popular Brasileira (MPB). “Sou um dos maiores fãs do Chico Buarque e MPB, cresci a ouvir. E sempre quis saber quais eram as pessoas que trabalham com ele. O arranjador dele, o Luís Cláudio Ramos, gostou muito da minha voz e do meu trabalho, e vamos começar por fazer um tema, com músicos no Brasil. A música vai ser gravada a 2 e 3 de Março”, concluiu. pub

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Hoje Macau 27 FEV 2015 #3280 by Jornal Hoje Macau - Issuu