DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
h
MOP$10
WWW.HOJEMACAU.COM.MO
S E X TA - F E I R A 2 6 D E S E T E M B R O D E 2 0 1 4 • A N O X I V • N º 3 1 8 3
UNIVERSIDADE DE MACAU
Balbúrdia no Oeste
SU DONGPO
A universidade da Ilha da Montanha enfrenta uma chuva de críticas. Das instalações aos transportes, passando pela poluição química .
Poeta, pintor e cozinheiro
AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
PUB
SOCIEDADE PÁGINA
hojemacau
6
PUB
Ter para ler
DADOS BANCÁRIOS GOVERNO ASSINA MEMORANDOS “SECRETOS”
POR BAIXO DO PANO O Gabinete de Informação Financeira tem vindo a assinar memorandos de entendimento com vários países, sobre troca de informações bancárias, cujo conteúdo não é público e nem outros departamentos governamentais conhecem. Agora seguem-se os Estados Unidos. Este facto está a causar preocupação em diversos sectores. Em causa poderão estar dados pessoais e confidenciais sobre as contas bancárias dos residentes.
Espécie rara de tartaruga encontrada em Macau PUB
SOCIEDADE PÁGINA
8
HOJE MACAU
PÁGINA 4
BRUCE KWONG, DOCENTE DA UM, SOBRE A SUCESSÃO POLÍTICA
DEPOIS DOS CHUI VIRÃO OS MA ENTREVISTA PÁGINAS DESPORTO PÁGINA 13
2-3
2
ENTREVISTA
hoje macau sexta-feira 26.9.2014
BRUCE KWONG, PROFESSOR DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA NA UNIVERSIDADE DE MACAU
Na hora de falar de coragem em política, Bruce Kwong acredita que o Chefe do Executivo não quer mudar a estrutura do Governo. O professor acredita que a mudança do mecanismo de promoção é importante para garantir a qualidade nos serviços públicos CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
Chui Sai On foi reeleito para um novo mandato como Chefe do Executivo. Quais as áreas que mais necessitam de ser melhoradas no futuro? Muitas áreas precisam de uma melhoria. Nos últimos cinco anos, Chui Sai On não fez nada de extraordinário e, no seu novo programa político, ainda disse que ia manter alguns pontos do último mandato, que são assuntos antigos. Contudo, muito ficou por fazer. Ainda não foi concluída a construção das 19 mil fracções de habitação pública. Passaram cinco anos e ainda não fez nada do que prometeu no programa político. Mas quais as áreas onde foram feitas algumas mudanças? Na reforma política fizeram-se alguns avanços, o que, na minha opinião, é melhor do que nada. Na área social, ainda não há grandes avanços em relação ao salário mínimo, apesar de terem passado alguns anos. Penso que o único assunto que satisfaz os residentes é o cheque, mas o Plano de Comparticipação Pecuniária precisa de ser ajustado. Como avalia o desempenho dos cinco Secretários? Acho que a maioria não é qualificada. Dos cinco, Cheong U (dos Assuntos Sociais e Cultura) tem tido o desempenho mais estável.
Francis Tam (Economia e Finanças) também teve um desempenho estável, mas ainda não há grande retorno dos investimentos feitos pela reserva financeira da RAEM. É melhor alterar os Secretários porque, em primeiro lugar, estão há muito tempo no cargo e, em segundo lugar, já estiveram envolvidos em muitas polémicas. O Governo precisa de mudar os seus dirigentes, pensar em implementar o processo de reforma política e pensar em como aliviar as queixas do povo. Não se pode dar apenas o cheque, tem de se resolver o problema das dificuldades em adquirir uma casa. Mas Chui Sai On já prometeu que vai construir mais 32 mil casas de habitação pública. Duvido que esta decisão possa ser concretizada, porque até agora as 19 mil fracções de habitação pública ainda não foram concluídas. Penso que o trabalho de Chui Sai On para os próximos anos vai ser duro e cheio de dificuldades. Considera, contudo, que as responsabilidades nem sempre são do Chefe do Executivo, uma vez que Macau e Hong Kong têm de ouvir os conselhos de Pequim? Sim. Mas penso que a reforma política poderá ser mais avançada. Podem aumentar-se o número de cargos dos deputados directos e, pelo menos, manter-se o número de deputados indirectos. A dificuldade não tem origem em Pequim, mas sim na sociedade de Macau. Se calhar, o Chefe do Executivo está preocupado e, depois de ouvir alguns conselhos, até pode aumentar os lugares directos na Assembleia Legislativa (AL). Mas isso irá atrair mais pessoas com coragem para fazer críticas, algo que o Chefe poderá não gostar. Por isso poderá ser uma reforma mais fechada.
“O Governo precisa de mudar os seus dirigentes, pensar em implementar o processo de reforma política e pensar em como aliviar as queixas do povo. Não se pode dar apenas o cheque”
HOJE MACAU
“Trabalho de Chui Sai On vai ser duro e
entrevista 3
hoje macau sexta-feira 26.9.2014
cheio de dificuldades” E em relação à implementação do sufrágio universal? Esse assunto vai depender de Hong Kong. Se a região tiver o sufrágio universal para eleger o seu Chefe do Executivo, é possível que Macau tenha alguma mudança no seu sistema político. Agora se esta mudança vai definir que todos os residentes tenham direito a um voto por pessoa, isso depende se o Executivo tiver um espírito aberto. Podem ser criadas regras para limitar os candidatos, para que o sucessor preferido vença as
eleições. Por isso é que sempre defendi que a pressão sobre a reforma política não vem tanto do Governo Central, mas sim da sociedade de Macau. É sabido que a sociedade de Macau baseia-se muito no guanxi. A capacidade profissional ainda estará muito dependente das boas posições das famílias na sociedade. Acredita que nos próximos anos a situação poderá mudar? Temporariamente a situação não vai mudar, isto porque parece que
as grandes famílias estão a fazer turnos no que diz respeito ao cargo de Chefe do Executivo. Depois da família Ho, temos a família Chui e, provavelmente, a próxima será a família Ma. Esta tendência vai continuar. Quando todas as famílias passarem por esse sistema de turnos, como refere, podemos ter uma família normal representada no cargo de Chefe do Executivo? É uma questão. Daqui a 10 anos a liderança em Pequim vai mudar e teremos de ver se o próximo presidente da China será virado para a reforma ou se será uma pessoa mais tradicional. Nessa altura, tudo depende de como será o ambiente em Macau. Se não houver nenhum membro de grandes famílias que queira participar nas eleições, e houver uma
“Parece que as grandes famílias estão a fazer turnos no que diz respeito ao cargo de Chefe do Executivo. Depois da família Ho, temos a família Chui e, provavelmente, a próxima será a família Ma” figura com reconhecimento junto da sociedade, podem existir vozes que peçam o sufrágio universal para que os residentes normais participem no processo.
“Dirigentes sem capacidade para o cargo, mas com boa relação com o seu chefe” Acredita que podem ser criadas mais políticas para melhorar a vida dos residentes? Acho que nos próximos anos a política do cheque deveria ser cancelada de forma gradual, porque é melhor utilizar esse dinheiro para construir casas públicas. O Governo diz que não há terrenos para construir habitação pública, mas isso é errado. Macau tem mais terras do que montanhas. Mas quando o cheque parar vão haver críticas. Talvez seja por isso que o Chefe do Executivo não quer tomar essa decisão, porque, até agora, Macau tem tido capacidade financeira para dar o cheque aos residentes. Surgiram críticas nos últimos dias sobre o projecto de Angela Leong de construir um parque temático da Hello Kitty, cujo terreno poderia servir para mais casas públicas. Acredita que o Governo possa dar concessão a outros projectos? Isso depende se o Governo tiver coragem e determinação para recuperar os terrenos abandonados para construir casas públicas. Mas com base na experiência do passado, o Governo não vai fazer isso. Só irá recuperar pequenos terrenos ou aqueles cujos donos não sejam tão poderosos como Angela Leong. Caso contrário, vão existir muitas dificuldades na recuperação, não estou optimista em relação a isso. O dono do terreno não o desenvolve porque espera o retorno do investimento no futuro. Sem ser o Chefe do Executivo, os Secretários ou os directores de serviços têm coragem e determinação para o fazer? Penso que não, porque todos os funcionários públicos não gostam do sistema de responsabilização. O actual sistema faz com que os dirigentes consigam escapar das suas responsabilidades e a pressão da AL também não é forte. Por isso, é uma fantasia querer criar esta responsabilização para estes cargos. Mesmo quem não tenham um bom desempenho, conseguem ficar no cargo. Isso acontece porque
o seu patrão, o Chefe do Executivo, não está determinado a reformar o Governo. Não quer incomodar ninguém? Não é essa a questão: o Chefe do Executivo quer manter a sua posição. Os dirigentes são nomeados por ele e não querem deixar o cargo. O Chefe do Executivo tem de os convencer a demitirem-se, e isso não é fácil. Até agora não existe ninguém para ocupar o cargo de presidente do Instituto da Habitação, por exemplo. Nem os dois vice-presidentes querem assumir, porque se fizerem erros perdem os actuais cargos. Agora há cada vez mais residentes que mostram as suas vozes contra o Governo e os dirigentes têm mais pressão do que antes. Ser vice-presidente parece mais seguro. Isso é uma vulnerabilidade do Governo.
Como pode ser corrigida esta vulnerabilidade? Mudando o mecanismo de nomeação das pessoas para os cargos principais. Os Secretários podem ser nomeados, mas será que no futuro os cargos de directores ou chefes de departamento podem ser preenchidos por promoções na carreira? Pelo menos não haveria nomeações na Função Pública. Quem ocupa cargos de chefia é sempre pela via guanxi face ao chefe e, quando comete erros, é sempre difícil fazer com o que seu chefe o retire do cargo. Isso influencia a felicidade dos residentes, porque as políticas não são objectivas. Ou seja, Macau não tem falta de talentos, mas estes não podem assumir cargos importantes no Governo. Sim, actualmente é possível ter dirigentes sem capacidade para o cargo, mas com boa relação com o seu chefe.
4
POLÍTICA
Além de um novo acordo com os EUA na área da evasão fiscal, o Governo vai adoptar normas de um outro memorando que tem sido amplamente criticado em Portugal. Por cá, o Governo diz que a protecção dos dados pessoais vai ser garantida
hoje macau sexta-feira 26.9.2014
INFORMAÇÕES BANCÁRIAS RAEM VAI DISPONIBILIZAR DADOS FULCRAIS
O amigo americano
Memorandos secretos causam preocupação
JOANA FREITAS
joana.freitas@hojemacau.com.mo
M
ACAU está a negociar com os Estados Unidos da América a assinatura de um acordo na área fiscal e de combate à evasão fiscal transfronteiriça e vai adoptar normas de um outro memorando que tem merecido críticas em Portugal. De acordo com informações prestadas ao HM pelo Gabinete de Informação Financeira (GIF), o nome do acordo a ser negociado com os EUA é ‘Tax Information Exchange Agreement (TIEA)’ e já não é novidade para o território. Macau já assinou este mesmo memorando com a Austrália em 2011, sendo que o acordo está em efectividade desde 2012. “Actualmente, Macau e os EUA estão a negociar o TIEA. O TIEA apresenta uma excelente oportunidade para perseguirmos o objectivo comum de elevar a transparência nas informações fiscais, de acordo com padrões internacionais”, começa por dizer o organismo ao HM. “É uma ferramenta efectiva para evitar a evasão fiscal e assegurar o cumprimento fiscal.” A resposta do organismo surge depois do HM querer saber se Macau iria adoptar novos acordos com os EUA. O GIF forneceu estas informações sobre o TIEA, mas ontem ficou a saber-se que vêm aí mais mudanças.
CRITICISMO ELEVADO
Um comunicado ontem lançado pelo Executivo dava conta que a RAEM se prepara para implementar novas normas, que correspondem aos padrões do ‘Foreign Account Tax Compliance Act’, ou FATCA, na sigla em
inglês. O Governo assegura que o objectivo é cumprir “obrigações internacionais”, mas a verdade é que este acordo tem vindo a ser amplamente criticado em Portugal. O FATCA é uma regulamentação criada para combater rendimentos não declarados e tem vindo a receber criticismo por diversas razões. Uma delas, defendida pela Comissão Nacional de Protecção de Dados
portuguesa (CNPD), é a de que o acordo impõe às empresas financeiras a obrigação de reportar às autoridades dos EUA os nomes dos titulares de contas bancárias. O acordo prevê a troca automática de dados pessoais para evitar a fuga ao fisco de cidadãos norte-americanos que obtêm rendimentos fora dos EUA. De acordo com a imprensa portuguesa, que cita um relatório da empresa de consultoria pcw, a intenção do
PROBLEMAS NOS DOIS SENTIDOS Ao HM não foi possível obter mais esclarecimentos devido ao avançado da hora mas, com base no que tem vindo a ser discutido pela Comissão Nacional de Dados Pessoais portuguesa, o acordo pode trazer problemas não só a residentes norte-americanos que tenham contas em Macau, mas também a cidadãos de Macau com contas nos EUA. Conhecida por ser a Las Vegas da Ásia, Macau tem, obviamente, diversas empresas norte-americanas e dirigidas por norte-americanos. De acordo com os regulamentos, assim que tiverem em efectividade, quando uma jurisdição assina o memorando, a autoridade tributária também passará a ter acesso a informações sobre as contas de cidadãos do país ou região que assinou o acordo em bancos americanos. Segundo o parecer da CNDA, publicado no jornal português Público, caso as instituições financeiras não adiram ao FATCA ou os titulares não queiram ser identificados como cidadãos norteamericanos são penalizados com uma retenção na fonte de 30%, que incide sobre qualquer rendimento fixo de origem norte-americana. - J.F.
O Gabinete de Informação Financeira (GIF) prepara-se para assinar não um acordo normal e público mas um memorando de entendimento secreto com os Estados Unidos sobre disponibilização de informações financeiras para “escapar à publicidade negativa que este tipo de acordo, a ser público, daria”, explicaram ao HM fontes fidedignas. “É um truque para pôr nas mãos dos americanos todas as informações relevantes do sistema financeiro e mesmo dados pessoais relacionados com as contas bancárias dos residentes, como já fizeram com outros países”, disseram as mesmas fontes. É que o GIF já assinou este tipo de memorando com outros estados e ninguém sabe o conteúdo desses documentos, que não são públicos. Malásia, Indonésia, Austrália, Singapura, entre outros estados e regiões, já terão acesso aos dados bancários de Macau. Este desiderato do GIF já vem de longe, mas o HM sabe que o gabinete tem tido dificuldade em convencer outros departamentos governamentais da RAEM da “bondade” destes acordos, que surgem disfarçados de memorandos de entendimento, com as mesmas consequências práticas, ou seja, proporcionar a estrangeiros informações extensas sobre as contas e o sistema bancário de Macau. A diferença é que ninguém sabe o conteúdo desses memorandos. Para além disso, o GIF faz parte do chamado Egmond Group, uma organização internacional que reúne entidades de controlo financeiro, com quem a RAEM tem trocado informações. Que informações? Ninguém sabe e ninguém controla, mas muitos temem que se tratem de dados fulcrais que não deveriam ser entregues de mão-beijada a países estrangeiros. Há quem não entenda a necessidade deste tipo de concessão. “Trata-se de informação crítica e muito valiosa, que diz muito sobre o estado geral de um país, neste caso de uma região, proporcionando vantagens comerciais, financeiras e até militares”, explicaram ao HM. “Também não se sabe o que está por detrás destas decisões ou pretensões do GIF”, concluíram. - HM
Governo americano é travar a perda de receita fiscal provocada por rendimentos não declarados, que se estima rondar os 345 mil milhões de dólares. Segundo a CNPD, na troca de dados poderá estar a identificação dos nomes de titulares de contas bancárias, o número de conta ou os saldos, uma informação que deveria estar sujeita a sigilo. Mais ainda, segundo a Comissão, “o acordo é omisso quanto à forma como os donos das contas bancárias podem rectificar ou aceder aos dados, nem define limites temporais para a conservação dessa informação”.
LEI SEGURA
Em resposta ao HM, o GIF assegura que o TIEA é, por si próprio, seguro. Mas, o organismo garante ainda que a Lei de Protecção dos Dados Pessoais também assegura a privacidade dos cidadãos do território. “O TIEA é um mecanismo de troca de informações altamente protegido e a confidencialidade é alta durante todo o processo. Uma das funções do TIEA, por exemplo, é ajudar na investigação de evasão fiscal, de modo que as actividades ilegais podem ser descobertas e que a lei seja aplicada em ambas as jurisdições”, diz a resposta do GIF. Já sobre o novo regulamento, não há uma resposta directa do gabinete, que menciona, contudo, uma resposta geral: a lei de Macau que protege os dados pessoais também tem em conta estas trocas de informação fiscal. “Já a Lei de Protecção de Dados Pessoais, por si, serve não só para proteger a informação pessoal de abusos, mas também para permitir trocas de informação que está relacionada com tratados internacionais que impedem, investigam e condenam infracções à lei.” De acordo com o comunicado ontem emitido pelo Governo, actualmente mais de 60 jurisdições fiscais mundiais já se comprometeram a proceder à implementação dos novos padrões internacionais em 2017, ou até ao final de 2018. Macau, sendo membro do Fórum Global, “tem demonstrado o seu apoio quanto à implementação” dos novos padrões e, “para cumprir as suas obrigações internacionais”, vai, de imediato, dar início às alterações dos procedimentos internos, no sentido de garantir a respectiva articulação com a data da vigência das novas normas. O comunicado afirma que as trocas estão relacionadas com as contas das instituições financeiras e são feitas “através de meios automáticos”, sendo que essas instituições financeiras “também são obrigadas a fiscalizar as contas de acordo com os novos padrões”.
política 5
hoje macau sexta-feira 26.9.2014
HO CHUN KEI BILL CHOU E JASON CHAO RECEBEM QUEIXA-CRIME
Activistas na berlinda
A
Ho Chun Kei, uma das grandes construtoras de Macau, apresentou uma queixa-crime contra dois activistas locais por alegada difamação, após acusações de eventuais benefícios para a empresa num caso de desenvolvimento de terrenos. Contactados pela agência Lusa, os activistas Jason Chao e Bill Chou afirmaram que se trata de uma acusação de difamação relacionada com o conteúdo de uma conferência de imprensa organizada em Janeiro pela Associação Novo Macau, de que Chao era presidente na altura. Em causa estava o plano de reordenamento da zona norte da Taipa, um projecto apresentado pelo Governo dois meses antes de entrar em vigor a nova Lei de Planeamento Urbanístico de Macau. A apresentação da queixa foi confirmada pelo advogado da empresa que não quis, no entanto, prestar mais esclarecimentos por o caso se encontrar actualmente em segredo de justiça. “Está nas mãos do Ministério Público”, afirmou João Nogueira Marques. Segundo Jason Chao, “estão a apontar para as declarações sobre conluio”. “Acham que as notícias [que saíram na altura] foram prejudiciais para os accionistas, mas
temos confiança na informação, usámos informação pública”, argumentou.
CONSPIRAÇÕES
A associação acreditava que este plano tinha sido feito de modo a beneficiar determinados promotores imobiliários, próximos do Governo, dizendo mesmo que “há conluio entre o Governo e os magnatas”. A Novo Macau chamou a
atenção, em particular, para duas parcelas que dizia não estarem registadas como privadas junto da Conservatória de Registo Predial, levando ao entendimento de que o terreno estava sob gestão pública. No entanto, no local, estavam afixados cartazes de duas empresas, a Luen Kong e a construtora Ho Chun Kei. Em esclarecimentos à imprensa, a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transpor-
“Acho que as provas que temos vão valer em tribunal. Se decidirem avançar com o caso, tudo bem, vemo-nos no tribunal. Não posso relevar mais porque estamos em fase de segredo de justiça” JASON CHAO Ex-presidente da Novo Macau
PS Votos para as primárias na Casa de Portugal Cerca de 60 militantes e simpatizantes do Partido Socialista em Macau podem votar no domingo nas primárias que irão escolher entre António Costa e António José Seguro o candidato à chefia do Governo nas próximas legislativas. Em declarações à agência Lusa, José Rocha Dinis, coordenador da secção do PS em Macau, explicou que “um pouco mais de metade” dos 57 recenseados nos cadernos do partido “são simpatizantes”. “É um elemento interessante
até porque demonstra, principalmente, que as pessoas estão preocupadas com o futuro do partido e com o futuro do país”, disse. Os socialistas de Macau, quer sejam militantes do partido quer apenas simpatizantes inscritos recentemente para votarem nas primárias, elegem domingo o seu candidato a primeiroministro, sendo que a votação em Macau vai decorrer numa sala das instalações da Casa de Portugal entre as 09h00 e as 19h00.
Segurança Câmaras de vigilância em habitações públicas
O Gabinete do Secretário para a Segurança referiu que está a avaliar a viabilidade da instalação de câmaras de videovigilância nas novas habitações públicas e nos bairros comunitários. Em resposta a uma interpelação escrita da deputada Song Pek Kei, o chefe do Gabinete do Secretário para a Segurança, Vong Chun Fat, referiu que um grupo interdepartamental da Segurança está a avaliar e a estudar as novas zonas de construção das habitações públicas, para perceber se existe viabilidade ou não da possível instalação de câmaras de videovigilância. Vong Chun Fat adiantou ainda que a autoridade irá ouvir opiniões da sociedade, acrescentando que, no que respeita à segurança do complexo da habitação pública de Seac Pai Van, as autoridades irão disponibilizar mas polícias para a zona.
HOJE MACAU
O caso remonta a Janeiro deste ano quando Jason Chao, ainda presidente da Associação Novo Macau, denunciou a existência de “conluio entre o Governo e os magnatas”
tes garantiu que os terrenos eram privados. No encontro com os jornalistas, Jason Chao disse encarar o envolvimento da Ho Chun Kei com estes terrenos como uma prova de que “o Governo está a fazer um plano feito à medida para beneficiar os seus amigos, que são promotores imobiliários”. Jason Chao e Bill Chou explicaram à agência Lusa que receberam a notificação da Polícia Judiciária há cerca de uma semana e foram ontem chamados a comparecer pessoalmente nas instalações. O mesmo confirmaram ao HM. “Acho que as provas que temos vão valer em tribunal. Se decidirem avançar com o caso, tudo bem, vemo-nos no tribunal. Não posso relevar mais porque estamos em fase de segredo de justiça”, rematou o activista.
Au Kam San pede mais rigor com cheques pecuniários
O deputado Au Kam San fez ontem uma interpelação escrita, onde questiona porque é que pessoas com BIR da RAEM continuam a poder receber cheques pecuniários, mesmo que já tenham morrido. O deputado diz conhecer casos e, na interpelação, pede uma revisão aos requisitos de atribuição do cheque. “Como é que se está a fazer esta política? Será necessário rever?” Au Kam San considera que, se o beneficiário morrer em Macau, o BIR é cancelado, mas, os que morrem fora de Macau vão continuar a receber o dinheiro. “O Governo verificará se estas pessoas que moram fora de Macau ainda estão vivos?”, questiona o deputado.
Habitação social 70% de pedidos carecem de informações, diz IH A vice-directora do Instituto de Habitação (IH), Kuok Vai Han, afirmou que a maioria dos últimos pedidos da habitação social não contém informações completas, pelo que foi prolongando o tempo de revisão de pedidos. Na resposta a uma interpelação escrita do deputado Si Ka Lon, o IH esclareceu que já avançou com uma revisão aos regimes relativos à habitação social, adiantando que poderá instituir uma calendarização para os pedidos. Relativamente aos últimos pedidos
recebidos, correspondentes ao ano passado, o IH afirmou que já se encontra na última fase de revisão. Até Agosto deste ano, o instituto recebeu 6146 pedidos, no entanto, segundo a vicedirectora, 70% dos pedidos estavam incompletos, ou seja, faltavam informações obrigatórias para a conclusão das candidaturas. Como forma de resolução, as autoridades responsáveis irão emitir cartas aos candidatos para agendar um data de entrega dos documentos em falta.
SOCIEDADE
hoje macau sexta-feira 26.9.2014
ORANGE POST
6
UM NOVO CAMPUS ALVO DE CRÍTICAS POR PARTE DOS ESTUDANTES
Nem tudo o que brilha é ouro Infra-estruturas partidas, comida de má qualidade, transportes lotados, produtos químicos no ar e falta de cadeiras nas salas de aula. As críticas ao novo campus da UM na Ilha da Montanha não páram de crescer e os estudantes pedem que se tomem medidas CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
F
OI primeiramente criticado por não ter instalações necessárias, como supermercados, e por estar deserto. Mas isso foi no início. Agora, segundo testemunhos de estudantes e professores, o novo campus da Universidade de Macau (UM) tem dado que falar por outras razões. Querendo saber como se vive no novo campus, o HM falou com alunos da universidade. Os estudantes confirmaram que existem vários problemas nas infra-estruturas, além da comum poluição originada pelas obras e das árvores e tectos que caíram durante o tufão.
“Quase todas as portas dos corredores estão partidas. Em menos de um mês já temos imensas coisas partidas” CECÍLIA CHAN Aluna da UM
Cecília Chan e Angela Ka, duas estudantes que aceitaram falar ao HM, queixaram-se quanto à qualidade das infra-estruturas do novo espaço. “Quase todas as portas dos corredores estão partidas. Em menos de um mês já temos imensas coisas partidas”, afirmou Cecília. “Até com as fechaduras já existem problemas, para não falar do chão, que depois das fortes chuvas cedeu”, conta Angela.
A confirmar a história está um ‘post’ colocado na página do Facebook da UM, de um aluno que ficou preso na casa de banho da sua residência porque a fechadura deixou de funcionar. Segundo o aluno, foi um colega da mesma residência que o ajudou a sair pela janela. No ‘post’ era pedido que a universidade desse mais atenção aos “pequenos problemas” existentes nas novas residências. Além das instalações, contudo, há outras coisas que andam a irritar os estudantes, no verdadeiro sentido da palavra. Alergias e erupções de pele estão a acontecer a muitos estudantes, devido a um produto químico que está a ser utilizado nas obras. O formaldeído, causado pelas obras nos dormitórios, deixa os alunos das residências com dores de cabeça e alergias. “Tenho colegas que moram na universidade que têm sempre que abrir a janela da residência, mas como há também mosquitos, tem que se fazer a escolha entre ser picado ou respirar o formaldeído. Alguns colegas até têm alergias na pele quando chegam às aulas”, conta Joe Chan [nome fictício], um estudante da UM, que não quer dar a cara por ter medo de represálias. Outro dos grandes problemas ainda nas residências é o facto de cada uma delas ter uma empresa de catering diferente: os alunos dizem pagar os mesmos preços, mas ter refeições de diferente qualidade. Remediar? Não é possível: é que os alunos não podem comer em residências que não são suas.
OS AUTOCARROS...
Angela e Cecília não são residentes do novo campus e, por isso, recorrem aos autocarros para se
deslocarem para as aulas. Contudo, até aqui parece haver problemas. “No início do ano passavam muito poucos autocarros. Parece que estão a melhorar e aumentar o número de autocarros, mas mesmo assim são poucos”, conta uma das alunas. “Eu tenho carro, mas não o trago por uma questão de poupança, mas é muito difícil apanhar autocarro por causa dos trabalhadores que aproveitam usar estes autocarros”, conta Cecília, acrescentando que o “ar do autocarro é incomodativo devido a estar lotado”. Os alunos falam entre si, dizem-nos as estudantes, e há uma ideia: a melhor solução seria criar um autocarro especial para os alunos. “Assim podemos ter a nossa frequência de autocarros, não é preciso concorrer com os trabalhadores das obras e também não temos o stress de ter de respirar o suor deles”, frisa, realçando que não tem nada
“Tenho colegas que moram na universidade que têm sempre que abrir a janela da residência, mas como há também mosquitos, tem que se fazer a escolha entre ser picado ou respirar o formaldeído” JOE CHAN [NOME FICTÍCIO] Estudante da UM
contra os trabalhadores, mas que o problema, efectivamente, existe. “Há ainda há muitos trabalhadores das obras na Ilha da Montanha, que aliás, só provam que o campus ainda não está preparado para mostrar ‘todo o rosto’. Nem tudo que brilha é ouro. Só posso dizer que agora o novo campus é muito giro por fora, mas dentro há muitos problemas”, salientou Cecília Chan.
E O TÚNEL
Mas, nem só de autocarro se pode ir para o campus e o único túnel que leva alunos e professores para o lado de lá, também aceita que passem carros. E, ao que o HM apurou, quem não apanha autocarros também tem problemas. É o caso um outro estudante, que recusa ser identificado, que conduz até ao novo campus. “O túnel à entrada do campus tem sempre um limite de velocidade de 40 km/h. Mas isso não faz muito sentido, quando às vezes não há mais carros a passar, até porque o tráfego é unidireccional.” O problema não é a velocidade. O jovem explica ao HM que, como o túnel é o único modo de entrar na Ilha da Montanha, há veículos de transporte lentos. Um deles, conta o estudante como exemplo, continha produtos com risco de explosão, não deixando que outros carros passassem no túnel. A situação fez os alunos chegarem atrasados às aulas. “Normalmente, como conduzo, preciso de tempo para estacionar e casa mais cedo para chegar a universidade mais cedo. Mas, daquela vez cheguei atrasado porque o túnel estava fechado. Acho que isso influencia até o estudo dos estudantes.”
SENTA-TE NO CHÃO Muito se tem falado da qualidade do novo campus da UM, sendo que tanto alunos, como professores e até deputados já apresentaram várias opiniões e muitas questões continuam sem resposta. Caso disso é a interpelação escrita do deputado Leong Veng Chai, que questiona o Governo quanto à qualidade dos dormitórios do novo campus. O deputado quer saber se as instalações já terminaram e estão a ser alvo de uma inspecção rigorosa das autoridades, bem como se os casos divulgados pela imprensa de alunos com manifestações negativas ao nível da saúde estão a ser resolvidos. Até agora, nada. Apesar de os problemas continuarem aumentar, as histórias não se ficam por aqui e vêm desmentir o que Chui Sai On disse ao Governo Central: que o novo campus está completamente em funcionamento e que a UM funciona, agora, em pleno na Ilha da Montanha. Quatro alunos confirmaram ao HM que houve faltas de cadeiras e computadores em aulas diferentes, devido às salas estarem apenas equipadas para receber 20 estudantes. “Temos 30 alunos na turma, por exemplo, mas apenas nos arranjam uma sala pequena que só tem 20 cadeiras. Até ouvi outros colegas a queixarem-se que não há computadores suficientes nas aulas onde precisam deles. Assim não dá.” Segundo um aluno do terceiro ano da universidade, alguns destes problemas foram mencionados aos departamentos, mas ainda ninguém realmente resolveu o problema.
Linha de espera no paragem para novo campus
sociedade 7
hoje macau sexta-feira 26.9.2014
SUBSÍDIOS PRESIDENTE DE GRUPO LOCAL ENVOLVIDO EM CASO DE FRAUDE
Grão a grão se enche a associação O caso, despoletado através de uma queixa, investiga a alegada prestação de falsas informações com vista a obter subsídios do governo
O
Comissariado contra a Corrupção (CCAC) descobriu um caso de fraude praticado por um presidente de uma associação local, que terá “utilizado documentos falsos para a obtenção de subsídios do Governo”. Segundo um
filipa.araujo@hojemacau.com.mo
A
Um grupo de taxistas recolheu várias assinaturas para mostrar o seu voto contra o regime proposto pelo Governo de colocar polícias à paisana fingindo-se de passageiros, assim como, contra a instalação dos equipamentos de gravação. Os taxistas criaram o movimento “Grupo dos Direitos e Interesses do Sector de Táxis” e saíram à rua recolhendo assinaturas dos seus colegas. Segundo um dos membros do grupo, Au Iat Sun, foram recolhidas mais de 400 assinaturas dos profissionais. “Os taxistas que cometem irregularidades são poucos e, por isso, ao instalar estas medidas, o Governo está a ser injusto para os outros taxistas que respeitam os passageiros”, disse, acrescentando que as medidas “violam a privacidade dos taxistas e clientes”. “Já para não falar da rotulagem negativa que o sector receberá”, reforçou Au Iat Sun, em declarações ao canal chinês da Rádio Macau.
é o valor do subsídio pedido ao Governo
DENÚNCIA ABRE CAMINHO
FILIPA ARAÚJO
Taxistas contra o regime de polícias à paisana e gravações
1.040.000
comunicado ontem emitido, o homem, que já foi constituído arguido, “terá prestado informações falsas a diversos serviços públicos para obter subsídio do Governo, envolvendo um valor de cerca de um milhão e quarenta mil patacas”. O homem é suspeito de ter cometido os crimes de falsificação de documento e burla de valor elevado, tendo confessado durante a investigação que apresentou “dolosamente documentos com informações falsas para a obtenção de vantagens ilícitas pela associação”. O Código Penal determina que este tipo de crimes pode incorrer numa pena de prisão de três a dez anos. O caso já está a ser seguido pelo Ministério Público (MP) e foi descoberto pelo CCAC através de uma queixa. Aí, foi referido que “uma
Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM) vai gastar um total de 500 milhões de patacas só este ano em sistemas e equipamentos que melhorem os serviços prestados pela operadora, apostando principalmente no serviço de 4G. Isso mesmo confirmou Declan Leong, vice-presidente do serviço de redes, numa conferência de imprensa que decorreu ontem. Mas os gastos não ficam por aqui. No próximo ano, o investimento será ainda maior . “Contamos gastar
associação local apresentou valores inferiores no que diz respeito às suas receitas reais, com o objectivo de obter subsídios do Governo por meios fraudulentos”.
[o arguido] “terá prestado informações falsas a diversos serviços públicos para obter subsídio do Governo COMUNICADO DO CCAC
CTM INVESTE 500 MILHÕES E PREPARA-SE PARA 4G
Cara liderança até ao final do ano 500 milhões de patacas e, no próximo ano, estamos a contar em gastar não menos que este valor”, afirmou o responsável, adiantando que apesar de ainda não existirem valores concretos vão ser gastos “pelo menos mais 20% dos 500 milhões de patacas”. Uma grande fatia do investimento será dedicado à rede 4G, uma vez que a operadora se diz confiante no concurso público já aberto pelo Governo para o
SUBSTITUIR CABOS AÉREOS COMEÇA NA SÉ A zona do Largo da Sé vai servir para a implementação do projecto piloto de renovação dos cabos aéreos das vias públicas. O projecto foi anunciado anteriormente e, ontem, a Direcção dos Serviços para a Regulação de Telecomunicações (DSRT), frisou que esse será o primeiro local. A DSRT voltou a frisar que a renovação será feita em conjunto com a Canais de Televisão Básicos de Macau SA e os fornecedores do serviço de antena comum e que o objectivo é “purificar as ruas e rectificar a situação confusa dos cabos aéreos das vias públicas existente há longos anos em Macau”.
a sua proposta de tarifários ao Governo e irá ter início das operações em Novembro.
REGULAMENTOS E SEGURANÇA
licenciamento de operação desta rede.
BUROCRACIAS
A operadora esclarece que ainda não entregou a sua candidatura apenas por uma questão burocrática de “elaboração de documentos”, mas garante que irá “apresentar uma boa proposta”. Segundo o regulamento do concurso, as empresas podem apresentar as suas propostas até ao dia 18 de Novembro, sendo que serão emitidas quatro licenças, ainda que numa fase inicial. O Governo pode considerar, conforme a situação real do mercado, a emissão da quinta licença durante os dois anos contados da data de emissão das licenças atribuídas na fase inicial. Questionado sobre as afirmações da nova operadora MTEL - de que os seus preços seriam melhores que os da CTM – Declan Leong não confirma se a
Posteriormente, o CCAC descobriu que a referida associação tinha feito pedidos, em Julho e Outubro de 2011, aos Serviços de Saúde, à Fundação Macau e ao gabinete do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, para a atribuição de apoio financeiro destinado ao seu funcionamento referente ao ano de 2012. O arguido declarou não ter pedido apoio financeiro a outras entidades, tendo recebido “subsídios repetidos”, no valor de 350 mil patacas. Para além disso, “aquando da entrega do relatório da aplicação do subsídio recebido pela associação às respectivas entidades, o arguido é suspeito de ter ocultado dolosamente um lucro aproximado de mais de um milhão de patacas”.
operadora vai ou não baixar as suas tarifas, adiantando apenas que a única preocupação da empresa é “manter a qualidade da CTM”. A operadora aproveitou o momento para afirmar que a existência de concorrência directa “é sempre bem-vinda” pois permitirá uma maior “competitividade”. A MTEL já entregou
Declan Leong avançou ainda que a operadora tem já “completamente pronto” o serviço de triple Play – pacotes que incluem televisão, internet e telefone. O responsável da CTM assegura que só resta esperar pelo Governo, que ainda não publicou os regulamentos desse serviço, para que a CTM possa avançar. Confrontada pela imprensa sobre um eventual pedido do Governo para divulgação de dados dos participantes da votação online do chamado ‘referendo civil’, levado a cabo por activistas e que o Governo considerou ilegal, a CTM garantiu que “a segurança dos dados dos usuários é e será sempre uma prioridade para a empresa”, dando a entender que nenhum dos dados foi revelado. A operadora não esclarece, contudo, se o Governo chegou a pedir ou não esses dados.
8 sociedade
hoje macau sexta-feira 26.9.2014
Uma espécie em VETERINÁRIO ENCONTRA TARTARUGA MARÍTIMA EM VIAS DE EXTINÇÃO vias de extinção foi encontrada em casa de um residente a fico ‘Bico-de-Falcão’, é uma tartaruga que marca presença quem o animal na lista internacional dos foi oferecido. animais em vias de extinção. Contudo, o homem que O homem não chamou o veterinário – que que a tartaruga lhe terá saberia que tinha contou sido oferecida por um amigo há menos de duas semanas uma tartaruga - desconhecia por completo raro em mãos que este era um animal em
Uma raridade desconhecida
FILIPA ARAÚJO*
filipa.araujo@hojemacau.com.mo
U
MA tartaruga marítima em vias de extinção foi encontrada esta semana em Macau, depois de um homem ter contactado um veterinário porque o animal lhe parecia doente. Ao chegar ao local, a casa do residente, o veterinário Henrique Galvão percebeu de imediato que esta não era uma tartaruga qualquer. O animal, de nome cientí-
vias de extinção. “Pelas poucas palavras que o senhor falava em inglês, percebi que a tartaruga lhe foi oferecida por um amigo que já não tinha espaço para a manter em casa devido ao crescimento do animal”, contou Henrique Galvão ao HM, explicando que, do seu ponto de vista, “o homem que aceitou a tartaruga não sabia que tipo de animal estava a aceitar”. Sem saber de onde poderá ter surgido este ser quase raro, Henrique Galvão explica ao HM que “muito provavel-
mente terá entrado há uns anos – mais de três – proveniente da China continental, atravessando a fronteira”.
COMÉRCIO PRIMEIRO
Quem passa na fronteira com Zhuhai pode ver uma fotografia que exemplifica algumas formas de con-
PUB
trabando entre a China e Macau. Uma delas, mostra precisamente um homem que foi apanhado com mais de uma dezena de tartarugas bebés, que vinham escondidas em sacos. Apesar de não se conseguir confirmar exactamente a origem deste animal encontrado agora pelo veterinário, o contrabando de tartarugas na China e respectivas regiões é comum. O HM tentou perceber junto das autoridades de Macau dados sobre tráfico de animais e partes de animais mas, até à hora do fecho desta edição, não foi possível. Já esta tartaruga é pro-
veniente de águas tropicais, sendo mais comum nas Filipinas, Tailândia e sul da China. Em Macau, a tartaruga estava num aquário. Esta espécie é alvo de grande interesse comercial. “Estas tartarugas são comercializadas ainda muito pequeninas, quando [as fêmeas] vão à praia desovar e, ao nascer, as pessoas apanham-nas e depois vendem-nas ilegalmente”, explica Henrique Galvão. À luz da lei internacional, este tipo de animal só poderá circular de país para país com uma licença própria. “Só com uma licença passada pelos governos
FALTA INFORMAÇÃO EM MACAU Questionado sobre o facto de não existir muito divulgação e informação sobre espécies raras em Macau, Henrique Galvão considera que a maior dificuldade que sentiu foi não ter encontrado a lista internacional de animais em vias de extinção publicada. “Para saber que se tratava de uma espécie em vias de extinção tive que recorrer a conhecimentos pessoais, porque de facto não consegui encontrar a lista”, diz o veterinário. “Se não fosse pela dedicacão e conhecimento em animais selvagens por parte do meu pai, que foi por muitos anos o veterinário do aquário Vasco da Gama em Portugal, não tinha sido possível recuperar esta tartaruga tão rapidamente”, acrescentou Henrique Galvão. Do ponto de vista do profissional, Macau comportase como a grande parte dos países em todo o mundo quando se trata das questões dos animais em vias de
extinção: “nem bem, nem mal”. “Existe de facto um problema a nível mundial com estas espécies, e não só, e nós estamos no epicentro da Ásia, o que faz com que sejamos uma porta de entrada, tal como Hong Kong, destas espécies em vias de extinção, que tão cobiçadas são pela China continental”, defende. Em 1981, o Governo Central aderiu à Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies de Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção, documento que passou a incluir a RAEM após a transferência de soberania. O HM questionou o IACM sobre a falta de publicação da lista destas espécies, mas o instituto assegurou que essa publicação não é da sua competência. De acordo com a Convenção, essa será da tutela da Direcção dos Serviços de Economia, mas não foi possível confirmar devido ao avançado da hora.
“Pelas poucas palavras que o senhor falava em inglês, percebi que a tartaruga lhe foi oferecida por um amigo que já não tinha espaço para a manter em casa devido ao crescimento do animal” “Estas tartarugas são comercializadas ainda muito pequeninas, quando [as fêmeas] vão à praia desovar e, ao nascer, as pessoas apanham-nas e depois vendem-nas ilegalmente” HENRIQUE GALVÃO Veterinário
dos países é que os animais podem circular entre fronteiras. Imaginemos que o Oceanário em Portugal, que tem várias tartarugas, quer passar uma para Espanha. É necessário que os Governos passem uma licença a autorizar. Isto acontece nos animais que estejam nesta lista de espécies em extinção”, esclarece o veterinário. Neste momento, a tartaruga está a ser alvo de exames e tratamento médico, uma vez que foi levada pelo veterinário “com sérios problemas de saúde”. Antes do fecho da edição, contudo, foi possível ao HM saber que, após o tratamento, o animal já começou a comer e a mostrar sinais de recuperação, tal como explicou Henrique Galvão ao HM. O animal ficará, agora, ao cuidado da clínica Cruz Verde, do veterinário, “até estar em condições” de ir para o Ocean Park de Hong Kong, o único centro com capacidade para receber um animal desta espécie. - * com Joana Freitas
sociedade 9
hoje macau sexta-feira 26.9.2014
SAÚDE ADULTOS JÁ PODEM PRESERVAR CÉLULAS ESTAMINAIS EM MACAU
A solução está no privado O novo serviço implica a deslocação até Hong Kong devido à inexistência de médicos e clínicas na RAEM que possam levar a cabo esta actividade ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
N
O ano em que celebra 18 anos de existência, a empresa Cryolife decidiu introduzir um novo serviço no mercado privado de saúde. Trata-se de um banco de recolha de células estaminais de adultos, cuja preservação em laboratório pode ajudar na cura de doenças ortopédicas ou neurológicas, diabetes tipo I ou Lúpus.
Com presença em Hong Kong e um escritório em Macau desde 2012, a empresa irá disponibilizar este serviço a cidadãos da RAEM, à semelhança do que tem sido feito com a preservação de células do cordão umbilical. Ao HM, Vadanee Lau, directora-executiva da empresa, garantiu que mais de duas mil pessoas com residência em Macau já se deslocaram a Hong Kong para recorrerem este tipo de serviço que, em muitos casos, pode salvar vidas. “É certo que o número de clientes nunca pode ser tanto como em Hong Kong, mas há cada vez mais clientes de Macau que procuram este tipo de serviço”, disse Vadanee Lau.
“Esse serviço estará também disponível para qualquer pessoa em Macau. Desde que as pessoas estejam dispostas a apanhar um ferry e dirigir-se aos nossos laboratórios em Hong Kong”
É JÁ AQUI AO LADO
Apesar da Cryolife possuir o escritório em Macau, todo o processo de consulta de clientes e recolha em laboratório tem de ser feito em Hong Kong, uma vez que em Macau não existem médicos e clínicas para fazer este serviço, explicou a directora-executiva.
DIRECTORA-EXECUTIVA DA CRYOLIFE
“A ideia é recolher amostras de sangue para que as células possam ser conservadas. Esse serviço estará também disponível para qualquer
ENSINO CONSULTA PÚBLICA SOBRE PROIBIÇÃO DE CHUMBOS
Uma marca para a vida FLORA FONG
flora.fong@hojemacau.com.mo
N
A edição de ontem do programa de rádio “Macau Talk”, do canal chinês da TDM, Leong Lai, directora dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), voltou a referir que o fim dos chumbos nas escolas continua em cima da mesa. Prevê-se que no final do ano seja publicado o documento de consulta pública sobre o sistema de avaliação dos alunos, onde se sugere que não existam reprovações no ensino primário – a menos que os pais assim o peçam - e no secundário, sendo que será limitado o chumbo em 4% nos anos finais de cada ciclo. Leong Lai disse, contudo, que a implementação desta medida está dependente das opiniões da população, que vai ser ouvida no final do ano. “A
reprovação não é o objectivo final do estudo, mas sim a forma como ser bem sucedido. Portanto é preciso tomar várias medidas, olhando os aspectos do sistema de ensino ou mudança de conceitos”, disse a directora da DSEJ à rádio.
EFEITOS SECUNDÁRIOS
A responsável considera ainda não existir uma ligação directa entre a taxa de chum-
bos e o acesso ao ensino superior e referiu que a taxa de chumbos dos alunos nos últimos anos já diminuiu, sendo que 90% dos estudantes conseguem frequentar a universidade. No entanto, a directora lembrou que deve ser dada a atenção ao grupo de alunos que não continuam os estudos depois do ensino secundário. Wong I Lin, inspectora escolar da DSEJ, apontou ainda que a eliminação do regime de reprovações no ensino primário visa os alunos menores de idade, uma vez que o chumbo pode afectar o desenvolvimento psicológico dos alunos. “As crianças podem sentir uma grande frustração porque a reprovação cria obstáculos. Quando conversamos com os alunos reprovados, acham que a maior dificuldade é conseguirem acompanhar os alunos da mesma idade. A marca da reprovação acompanha o aluno durante toda a sua vida”, disse Wong I Lin.
PUB
pessoa em Macau. Desde que as pessoas estejam dispostas a apanhar um ferry e dirigir-se aos nossos laboratórios em Hong Kong, isso pode ser feito. Neste momento, mesmo que tenhamos médicos em Macau que nos ajudam na recolha de sangue, não podemos simplesmente transportar essas recolhas para Hong Kong, os clientes têm de vir a Hong Kong”, confirmou Vadanee Lau. Numa entrevista concedida ao HM aquando da abertura do escritório, Vadanee Lau explicou que não iriam abrir laboratórios em Macau, uma vez que é necessário “um espaço e local específicos”, para além de “técnicos especializados para lidarem com este tipo de células”. A directora-executiva disse ainda que não existem, por enquanto, projectos de expansão no território, dada a proximidade face a Hong Kong. Apesar disso, a ligação entre a Cryolife e os hospitais locais tem sido constante. “Nos últimos dez anos, aqui em Macau, já construímos uma grande rede de clientes. Uma das razões porque decidimos instalar aqui o escritório foi precisamente porque os clientes de Macau estão cada vez a aumentar mais e de forma mais rápida. Precisamos, por isso, de ter uma equipa mais dedicada a eles, de forma a fornecer melhor serviços”, referiu, em 2012, Vadanee Lau.
Zona do Ramal dos Mouros com prédio e mesquita
A Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) deu o aval para a construção de um prédio de 127 metros de altura na zona do Ramal dos Mouros, junto ao Reservatório, na Estrada D.Maria II. A informação foi cedida à Rádio Macau, depois do projecto da Planta de Condições Urbanísticas ter sido publicado na página oficial da DSSOPT. O lote de terreno em questão será dividido em três parcelas, sendo que a parcela A irá “ser aproveitada para a construção de um edifício afecto à habitação, comércio e estacionamento” com a altura “máxima” de 127 metros, acima do nível do mar. Já a parcela B, onde actualmente existe o cemitério islâmico, vai ser mantida, enquanto que a parcela A1 vai servir para a construção de uma mesquita com 40 metros de altura. Segundo a DSSOPT, o projecto vai ser debatido pelo Conselho do Planeamento Urbanístico.
10 publicidade
hoje macau sexta
EVENTOS
a-feira 26.9.2014
ONDJAKI APRESENTA NOVO LIVRO: “OS VIVOS, O MORTO E O PEIXE FRITO”
“A atitude humana é que é um problema” O escritor angolano lançou uma nova obra com a chancela da editora Caminho. Em entrevista à agência Lusa, Ondjaki pede mais humanidade em relação aos que são emigrantes
O
escritor angolano Ondjaki defendeu que os países têm o direito de gerir a entrada e saída de pessoas, mas a “atitude humana” face aos imigrantes devia “diminuir as fronteiras. “A atitude humana é que é um problema”, resumiu, em entrevista à Lusa a propósito do lançamento do livro “Os vivos, o morto e o peixe
IFT Poesia chinesa em debate
“Como os poemas chinesas ajudam a compreender a interligação cultural entre o Oriente e o Ocidente em Macau” é o nome da palestra que acontece hoje no Instituto de Formação Turística (IFT), por volta das 18h30. O encontro acontece no âmbito de uma série de seminários que visam debater o turismo cultural no território e contará com representantes da Associação de Guias Turísticos do Património Cultural de Macau. A apresentação irá focar-se nas tradições culturais de Macau e nas práticas religiosas e de entretenimento da população local, entre outros assuntos.
frito”, da editora Caminho. As personagens do livro conhecem-se no edifício Migração-Com-Fronteiras, “porque é isso que esses serviços fazem”, explicou o autor. “Às vezes são pequenos equívocos”, que, porém, “do ponto de vista do cidadão, do ser humano, faz[em] toda a diferença”, assinalou. “Quando nos dizem ‘falta um papel’, isso implica uma semana ou duas semanas” para a pessoa, realçou. “Um serviço onde se controla o passaporte, os documentos, a legalização de outro ser humano, esse serviço já é pouco humano necessariamente”, frisou o autor. Imigrante “oficial”, pois vive no Brasil, Ondjaki recordou os tempos de estudante em Portugal. “Testemunhei muita coisa, em todos os países já me aconteceu refilar em nome de outras pessoas, porque falam mal com os mais velhos, falam mal com uma pessoa que se expresse mal em português”, criticou. Humor é caso sério Assumindo que o humor é útil para “tratar temas sérios de maneira leve, mas não superficial”, Ondjaki usou, no livro, o termo “confraternização palopiana”, referindo-se aos cidadãos dos vários Países
Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) em Portugal. Essa “confraternização” existe “sobretudo fora” dos países de origem. “Nós, africanos, aqui na Europa, somos todos primos”, disse. “Você não vai ver um angolano na Nigéria encontrar um cabo-verdiano e ficar muito contente de o encontrar”, distinguiu. Estas culturas “palopianas” partilham a mesma língua, mas manifestam “grandes diferenças culturais”, realçou Ondjaki. “O bonito é quando somos capazes (…) de valorizar os elementos culturais específicos de outros países”, considerou.
Quanto aos que têm raízes africanas mas cresceram na Europa, observou: “Essas crianças estão numa zona de fronteira interessante, entre o país onde nasceram, ou onde pelo menos passaram grande parte da sua infância, e a referência imediata que têm em casa da geração prévia”.
DIARIAMENTE
EXPOSIÇÃO “MACAU OF MY OWN”, DE EDUARDO MAGALHÃES Creative Macau ENTRADA LIVRE
Essa “dupla referência” pode traduzir-se em “frutos interessantes”, mas, “do ponto de vista pessoal, social, pode ser complicado”, reconheceu. Em Angola será igual. “Angola, daqui a 40 anos, vai absorver elementos da cultura chinesa, portuguesa, brasileira”, previu.
NAÇÃO BENFIQUISTA
Grande parte da acção do livro decorre com um jogo Portugal-Angola como pano de fundo. “Quase toda a gente em Angola acompanha o seu futebol, mas acompanha o futebol português. As pessoas ou são do Benfica, ou são do Benfica. Há uns distraídos que são do Porto e um, meio gato pingado, que é do Sporting. E o meu pai, que é do Vitoria de Setúbal”, descreveu. O futebol, disse Ondjaki, é o terreno fértil para “uma dinâmica de convívio” e “de conflito” e “é simbólico” que, quando, pela primeira vez, Angola se apura para um Mundial de Futebol, se defrontar contra Portugal. “É apenas um jogo de futebol? É. Mas não há nenhum angolano, num jogo de futebol contra Portugal, [que diga] que seja apenas um jogo de futebol”, admitiu, dizendo acreditar que, no desporto, se “pode assumir perfeitamente o conflito” do “nós contra eles”. A sessão de apresentação do livro, que decorreu na livraria Ler Devagar, em Lisboa, na terça-feira, recorreu a uma encenação, em que o próprio autor participou, adiantando que está na calha uma adaptação do livro para teatro.
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA O TEMPO ENVELHECE DEPRESSA • António Tabucchi
O QUE FAZER ESTA SEMANA
Todas as personagens deste livro parecem estar empenhadas numa confrontação com o Tempo: o tempo dos acontecimentos que viveram ou estão a viver e o tempo da memória ou da consciência. Mas é como se uma tempestade de areia se tivesse levantado nas suas clepsidras: o tempo foge e detém-se, gira sobre si próprio, esconde-se, reaparece a pedir contas. Do passado emergem estranhos fantasmas, as coisas que antigamente eram incompatíveis agora parecem harmonizar-se, as versões oficiais e os destinos individuais não coincidem. Um ex-agente da defunta República Democrática Alemã que durante anos espiou Bertold Brecht, vagueia sem destino por Berlim até ir ter ao túmulo do escritor para lhe confiar um segredo. Numa localidade de férias da ex-Jugoslávia, um oficial italiano da ONU que durante a guerra do Kosovo sofreu as radiações do urânio empobrecido ensina a uma miúda a arte de ler o futuro nas nuvens. Um homem que engana a sua solidão contando histórias a si próprio torna-se protagonista de uma aventura que inventara numa noite de insónia. Sensível às convulsões da História recente, Antonio Tabucchi mede-se com o nosso Tempo «desnorteado», em que se os ponteiros do relógio da nossa consciência parecem indicar uma hora diferente daquela que vivemos.
11
?
EXPOSIÇÃO PIONEIRISMO DO MOVIMENTO DA NOVA CULTURA – UMA EXPOSIÇÃO DE QIAN XUANTONG Museu de Arte de Macau ENTRADA LIVRE
HOJE
CONFERÊNCIA SOBRE MOÇAMBIQUE: “PASSADO E PRESENTE DE UM REINO INTRANSIGENTE”, COM ANDRÉ VAN DOKKUM Clube C&C, 18h15 Entrada livre
PALESTRA COM THOMAS DANIELL SOBRE ARTISTAS JAPONESES Universidade de São José, 18h30 ENTRADA LIVRE PIANO NA GALERIA (COMEMORAÇÃO 1º ANIVERSÁRIO) Fundação Rui Cunha, 20h00 ENTRADA LIVRE
SÁBADO
SEMINÁRIO “VER O MUNDO PELOS OLHOS DAS CRIANÇAS” Armazém do Boi, 17h00 ENTRADA LIVRE JAZZ AO SÁBADO – ENCONTRO DE MÚSICOS DE MACAU E HONG KONG Fundação Rui Cunha, 17h00 ENTRADA LIVRE CONCURSO DE FOGO DE ARTIFÍCIO DE MACAU EQUIPA DE PORTUGAL Largo da Torre de Macau, 21h00 ENTRADA LIVRE CONCURSO DE FOGO DE ARTIFÍCIO DE MACAU EQUIPA DA AUSTRÁLIA Largo da Torre de Macau, 21h30 ENTRADA LIVRE CONCURSO DE FOGO DE ARTIFÍCIO DE MACAU EQUIPA DA FRANÇA Largo da Torre de Macau, 22h00 ENTRADA LIVRE
DOMINGO
WORKSHOP PARA CRIANÇAS “PAPER DREAM HOUSE” Armazém do Boi, 10h00 50 PATACAS
RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET
PEREGRINAÇÃO DE ENMANUEL JHESUS • Pedro Rosa Mendes
Como fez com o Mapa Cor-de-Rosa em Baía dos Tigres, Pedro Rosa Mendes reinventa, nesta “Peregrinação de Enmanuel Jhesus”, um espaço nobre da literatura portuguesa, de Fernão Mendes Pinto a Ruy Cinatti: o arquipélago malaio, imenso território de aventura, onde as caravelas chegaram há exactamente 500 anos. Passagens de História, memórias políticas, cadernos da guerrilha, tratados breves de diplomacia, debates teológicos, cenas de artes marciais, cartografia antiga, observações de botânica, notas de geologia, ritos de sagração, sortes tauromáquicas, até um fado perdido (por Amália?) lá em «Outramar»: abundantes são os tesouros que nos acompanham nesta viagem. Uma vertigem de personagens desfilam e falam a várias vozes. O resultado é um romance em diário de bordo, uma ficção de portulano, «suma accidental em que da conta de mvitas e mvito estranhas cousas que vio e ouvio nos reynos do Achém, Çamatra, Sunda, Jaua, Flores y Servião y Bellos, que vulgarmente se chamam Timor, homde nace o sandollo».
12
CHINA
hoje macau sexta-feira 26.9.2014
PEQUIM PM ESPANHOL REÚNE COM LI KEQIANG
a China está disposta a aproveitar as crescentes relações bilaterais para consolidar e aumentar também as suas relações com a UE. De seguida, Rajoy ressaltou igualmente as boas relações existentes entre os dois países e assinalou que o crescimento económico da China provoca uma ‘inveja saudável’.
O poder das reformas Mariano Rajoy está na capital chinesa onde vão ser assinados acordos de cooperação no valor de mais de três mil milhões de euros
O
líder do Governo espanhol, Mariano Rajoy, expôs esta quinta-feira ao primeiro-ministro da China, Li Keqiang, os efeitos das reformas económicas em Espanha afirmando que ‘não se pode nunca deter o espírito reformista’. Rajoy e Li reuniram-se no Grande Palácio do povo de Pequim por ocasião da visita oficial que o chefe do Executivo espanhol realiza à China. Horas antes Rajoy esteve em Xangai com empresários chineses e espanhóis. O presidente do Governo foi
O crescimento económico da China provoca uma ‘inveja saudável’ MARIANO RAJOY PM espanhol
recebido pelo primeiro-ministro chinês às portas do Grande Palácio, situado na praça de Praça da Paz Celestial.
PRAÇA À ESPANHOLA
A maior praça do mundo foi enfeitada para a ocasião com bandeiras espanholas que se somaram às vermelhas que ondeiam habitualmente no local, situado em frente à Cidade Proibida e à grande imagem de Mao Tsé-tung colocada sobre uma das portas. No interior do Palácio, o primeiro-ministro chinês deu as boas-vindas ao seu convidado e considerou que a visita é uma demonstração da confiança mútua
entre os dois países. Li assegurou que a China está disposta a continuar a aumentar a cooperação com Espanha e destacou que a troca comercial tem aumentado nos últimos anos, apesar da lenta recuperação internacional.
ACORDOS QUE VALEM MILHÕES
Após destacar que por ocasião da visita de Rajoy vão ser assinados acordos entre os dois países no valor de 3,150 mil milhões de euros, agradeceu que a Espanha vá agilizar a tramitação dos vistos para os cidadãos chineses que viajarem ao país. Li destacou que a Espanha é ‘um país de peso’ na Europa e que
Guangdong Febre Dengue mata duas pessoas
D
UAS pessoas morreram devido a um surto de febre Dengue na província de Guangdong, onde há registos de pelo menos 6.089 casos da doença provocada por um vírus transmitido por picadas de mosquito. De acordo com um comunicado divulgado esta quarta-feira pelos Serviços de Saúde de Macau, este número já é três
vezes superior ao registado no período homólogo do ano passado. A maioria dos casos (5.190) foram detectados na cidade de Cantão (capital de província), onde se registaram as duas mortes, mas cuja data do óbito não foi indicada. Os Serviços de Saúde dão ainda conta de 118 casos na cidade de Zhongshan
Rajoy aproveitou para destacar o momento de recuperação económica que se vive em Espanha e cujo mérito atribuiu às reformas estruturais que foram sendo aprovadas. O líder do Governo espanhol lembrou que a Europa passou por momentos económicos difíceis que começam a ser superados e que a Espanha, após ‘um momento de extrema complexidade’, é o país que mais cresceu de toda a zona do euro no segundo trimestre do ano. O chefe do Executivo ressaltou que uma das razões pelas quais realizou sua viagem à China é para continuar a aumentando a relação bilateral.
BC Desaceleração económica pode levar à troca de líder
O
líder chinês Xi Jinping está a considerar substituir o presidente do banco central do país, Zhou Xiaochuan, como parte de uma ampla dança de cadeiras no decurso de uma batalha interna sobre as reformas económicas. As discussões sobre a saída de Zhou — no cargo desde 2002 e considerado responsável pela imagem da economia chinesa para os mercados globais — ocorrem como uma tentativa de Xi, já há dois anos no poder, de colocar mais aliados nas posições principais do governo, do Exército e do Partido Comunista, disseram autoridades do partido a par da situação. A mudança na equipa deve ocorrer na grande reunião do partido em Outubro, dizem as autoridades, ressaltando que uma decisão final sobre Zhou não foi ainda tomada. Ao longo dos últimos meses, Zhou continuou a pressionar pela instauração de mudanças no mercado, incluindo uma liberalização dos juros. A liderança chinesa, por sua vez, ficou preocupada com o risco de que as reformas coloquem agora mais pressão sobre uma economia que tem tido dificuldades em cumprir a meta do governo de um crescimento anual de 7,5%.
REGIÃO
e 40 em Zhuhai, cidade chinesa que faz fronteira com Macau. A situação na província vizinha de Macau é considerada grave, com “grande risco” para a região administrativa especial. Também Taiwan enfrenta um surto de dengue, com 2.589 casos confirmados em Kaohsiung, cinco dos quais resultaram em morte. PUB
COMISSÃO DE REGISTO DOS AUDITORES E DOS CONTABILISTAS Aviso Torna-se público, de acordo com o n.º 4 do ponto 5.º dos Regulamentos para a prestação de provas para inscrição inicial ou revalidação de registo como auditor de contas, contabilista registado e técnico de contas, elaborados nos termos do artigo 18.º do Estatuto dos Auditores de Contas, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 71/99/M, de 1 de Novembro, do artigo 13.º do Estatuto dos Contabilistas, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 72/99/M, de 1 de Novembro, e da alínea 3) do artigo 1.º do Regulamento da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 2/2005, de 17 de Janeiro, que se encontra afixada, na sobreloja da Direcção dos Serviços de Finanças, sito na Avenida da Praia Grande nºs 575, 579 e 585, e colocado no respectivo “Web-site”, no local relativo à CRAC e para efeitos de consulta, a lista provisória dos candidatos à prestação de provas para inscrição inicial ou revalidação de registo como Auditor de Contas, Contabilistas Registado e Técnico de Contas no ano de 2014, elaborada e homologada por deliberação do Júri designado para o efeito. Em caso de dúvidas, agradecemos o contacto com a CRAC, durante as horas de expediente, através do telefone número 85995343 ou 85995344. Direcção dos Serviços de Finanças, aos 17 de Setembro de 2014. O Presidente do Júri, Iong Kong Leong
SONDA ESPACIAL INDIANA TRANSMITE FOTOS DE MARTE
O planeta vermelho U MA sonda indiana transmitiu ontem as suas primeiras fotos de Marte, que tem a superfície cheia de crateras, reforçando o orgulho da Índia em ser o primeiro país da Ásia a chegar ao planeta vermelho. Uma das fotos foi postada ontem na página da agência espacial indiana (ISRO) na rede social Facebook, mostrando a superfície laranja de Marte com buracos negros. A foto foi tirada a 7.300 quilómetros de altitude. “A vista é bonita lá de cima”, escreveu a agência, na sua conta do Twitter. A responsável científica da agência, V. Koteswara Rao, disse que a sonda, baptizada de Missão Orbital Marte (MOM), enviou uma dezena de fotos desde que
entrou na órbita de Marte, na quarta-feira, e tudo está a funcionar bem. “A câmara colorida colocada a bordo começou a trabalhar pouco depois da estabilização na órbita elíptica de Marte e fez uma dezena de fotos da sua superfície e arredores”, declarou Rao à agência francesa AFP. “A câmara vai também fazer fotos das duas luas de Marte e irá enviá-las para
o nosso centro espacial”, acrescentou, referindo-se à base da missão instalada perto da cidade de Bangalore.
DEZ MESES DE VIAGEM
A sonda indiana, também chamada de Mangalyaan, entrou em órbita depois de uma viagem de 10 meses. Com um orçamento de 74 milhões de dólares, a missão indiana só custou uma fracção do investido na sonda MAVEN, da agência espacial norte-americana (NASA), colocada na órbita de Marte com sucesso no domingo e que custou 671 milhões de dólares. A sonda indiana está equipada com sensores para medir a presença de metano na atmosfera de Marte, o que validaria a hipótese de uma forma de vida primitiva no planeta.
h
hoje macau sexta-feira 26.9.2014
ARTES, LETRAS E IDEIAS
Thomas Lim*
13
OS SEGREDOS DE UM ACTOR Capítulo XIII: Estratégias para novos mercados
Se ambiciona encontrar trabalho suficiente para ter uma carreira de actor, tente encontrar um mercado suficientemente grande e mantenha-se atento às tendências. Se for necessário emigrar, procure fazê-lo o mais rapidamente possível
F
ALANDO a partir da minha experiência pessoal, acredito que se o mercado de trabalho em que está inserido não satisfizer as suas ambições, o melhor será mudar-se para outro sítio. Diz-se que somos a média das cinco pessoas com quem mais tempo passamos e um produto daquilo que nos rodeia. Toda a gente sabe que é mais fácil ter sucesso se nos rodearmos com pessoas que já o tenham atingido. No meu caso específico, tive de deixar Singapura para perseguir a minha carreira como actor quando percebi que o mercado local era pequeno demais para os meus sonhos. Ambicionava voar o mais alto possível, por isso decidi que precisava de uma outra plataforma para concretizar os meus desejos, ou posso até dizer, o meu destino. Assim vi-me obrigado a percorrer o mundo inteiro, e isso resultou no estabelecimento do meu nome e carreira num circuito internacional que engloba locais como a China, Hong Hong, Macau, Singapura e os Estados Unidos da América. Independentemente do que achar das suas próprias qualidades como actor, o seu sucesso ou fracasso depende da imagem que a indústria tem de si. E o seu valor como actor depende da relação entre os talentos que detém e aquilo que o mercado procura. E aqui não me refiro apenas às técnicas de representação. É preciso ter também em conta a etnicidade do actor, as línguas que domina e ainda qualquer outro talento extra, como tocar um instrumento ou dominar uma dança ou arte marcial. Posto de uma maneira simples, a verdade é que se as personagens criadas não necessitarem de talentos especiais como os seus, não vai conseguir arranjar muito trabalho. É por isso que mais de metade (alguns dizem até 90%) da carreira de um actor é composta por elementos que este não consegue controlar. É muito difícil mudar, por exemplo, a cor da pele ou o formato dos olhos. Estes factores acabam por ser determinantes, pois nesta indústria a
aparência de um actor determina o tipo de trabalhos que este consegue arranjar, especialmente para os personagens principais, que têm de obedecer a certas regras. É muito raro encontrar actores asiáticos nos papéis principais de filmes de Holywood, ou então actores estrangeiros nos mesmos papéis em produções chinesas, pois a sua aparência é muito diferente da maioria da população. Da mesma forma, não conto ver um actor asiático no papel de Romeu se a produção for feita em Hollywood, pois as audiências americanas não conseguem imaginar Romeu como uma personagem asiática. Pode ser que isto venha a mudar no futuro, da mesma maneira como sucedeu com os actores negros, mas vai demorar muito tempo. Na maior parte dos casos, os actores que pertencem a minorias acabam por ser relegados para papéis que obedecem a certos estereótipos. Costuma-se dizer, como uma piada, que todos os actores asiáticos nos EUA acabam por representar mafiosos ou proxenetas, enquanto que as mulheres acabam por personificar prostitutas. Relativamente aos mercados asiáticos, o mais normal é ver os actores estrangeiros a interpretar o papel do estrangeiro ignorante às normas culturais da Ásia, ou então sobra o papel do empresário severo e obstinado. Porém, estes estereótipos podem ser vantajosos. Há muitos actores estrangeiros que começaram a sua carreira como corruptos capitães da polícia em filmes de Hong Kong, da mesma forma que muitos actores asiáticos acabam por aparecer em produções estrangeiras em papéis que exploram exactamente estas concepções. Estes actores acabam por conseguir mais trabalhos pois exploram aquelas qualidades que os fazem especiais, ou parte de
PARA UM ACTOR, TODAS OS DESAFIOS ACABAM POR ENRIQUECER O SEU DESEMPENHO, DA MESMA FORMA QUE TODOS AS NOVAS CAPACIDADES QUE ADQUIRIR ACABAM POR AJUDAR A DESENVOLVER ASUA CARREIRA
um grupo específico e reduzido, especialmente por causa da cor da pele. Mas ao mesmo tempo, também é verdade que ficam limitados a papéis secundários, e isto pode não ser sequer suficiente para cobrir a sua sobrevivência diária. Para aqueles que vivem em Macau, há sempre a possibilidade de se mudarem para Hong Kong ou para a China, de maneira a explorar um novo mercado de trabalho. Nestes casos, o mercado chinês é obviamente maior, mas aí toda a gente usa o mandarim. Se um actor não tiver feições asiáticas, até pode obter papéis secundários com um domínio básico desta língua. Mas para alguém que possa passar por chinês, é requerida uma mestria muito superior do mandarim. Na minha opinião, isto é muito difícil a não ser que parte da juventude desta pessoa tenha sido passada na China, ou então que alguém da sua família seja daí originário. Se este não for o caso, o indivíduo em questão vai ter de investir muito tempo até conseguir falar mandarim como uma língua materna. Até aqueles que aparentam dominar esta língua em sítios como Macau, Hong Kong ou Singapura, rapidamente percebem que isto não é suficiente quando comparado com pessoas do continente. É verdade que há actores de Hong Kong que conseguiram entrar nesse mercado mesmo não falando como os locais, mas é necessário relembrar que estas pessoas já antes eram famosas. É necessário muito trabalho para conseguir dominar um dialecto estrangeiro de maneira a poder representar nessa língua, mas isso não quer dizer que a tarefa é impossível. Eu próprio conheço estrangeiros que
vivem em Pequim e dominam a língua tão bem como os locais, por isso você também pode conseguir o mesmo. Mas dominar um idioma novo pode demorar uma vida inteira, e enquanto isso é feito um actor não se pode esquecer de ir aprendendo outros talentos de modo a tornar-se mais valioso no mercado de trabalho. É por isso necessário aprender aquelas capacidades específicas que estão a ser procuradas, em vez de investir o tempo numa conquista pessoal. Para dar um exemplo, vale mais a pena apostar nas artes marciais do que em truques de magia, pois estas são muito procuradas pela indústria cinematográfica, nem que seja para trabalho como duplo. A magia pode impressionar durante o casting, mas é muito difícil de adaptar ao ecrã. Para concluir, se ambiciona encontrar trabalho suficiente para ter uma carreira de actor, tente encontrar um mercado suficientemente grande e mantenha-se atento às tendências. Se for necessário emigrar, procure fazê-lo o mais rapidamente possível, de maneira a ter tempo de perceber se o novo local de trabalho pode satisfazer as suas exigências. Se optar por fazer isto, tente conhecer e comunicar com o maior número de pessoas possível, de modo a perceber as especificidades locais. Se se aperceber que vai ter de aprender novas técnicas, dedique-se a isso o mais depressa possível. Para um actor, todos os desafios acabam por enriquecer o seu desempenho, da mesma forma que todas as novas capacidades que adquirir acabam por ajudar a desenvolver a sua carreira. *actor e realizador
h
14
hoje macau sexta-feira 26.9.2014
José Simões Morais
A SOBERBA DO TALENTOSO
SU DONGPO
P
“
OR mais que se saiba, devemos permanecer modestos pois nunca sabemos tudo.” Ditado chinês que se enquadra perfeitamente com a história aqui narrada e que foi escrita durante a dinastia Ming por FengMengLong ( 冯梦龙). Não está ela ligada à realidade histórica que ocorreu durante a dinastia Song do Norte (960-1127) mas, reflecte simbolicamente o conflito entre os partidários da Reforma de Wang Anshi e os do antigo sistema, ao qual Su Shi pertencia. Para melhor se perceber o seu sentido, convêm situar historicamente esse período e as personagens que nela intervêm. Wang Anshi (1021-1086), com o nome de cortesia Jiefu e literário Banshan, nasceu no ano de 1021 em Linchuan, província de Jiangsu. Foi poeta, pensador e político e em 1042, passando os exames, tornou-se Jinshi. Escreveu ao quarto imperador Song, Ren Zong (Zhao Zhen, 1022-1063), um memorando com dez mil caracteres referindo-se à necessidade de reformas no sistema e nas leis, mas tal ficou esquecido. É apenas com o imperador Shen Zong (1067-1085), que finalmente tem hipóteses como primeiro-ministro de fazer as reformas por ele almejadas. Estas, de tão impopulares que eram, forçaram-no a resignar ao lugar de primeiro-ministro em 1074. Voltou de novo como governador para Jiangning, hoje Nanjing, onde já tivera tal cargo. Em 1075, é de novo chamado à capital Bianliang, o nome que nessa época tinha Kaifeng, para voltar a exercer o cargo de primeiro-ministro, mas com poderes mais reduzidos. Um movimento anti-reformas liderado entre 1069 e 1085 pelo poeta e estadista Sima Guang (1019-1086) surgiu muito forte e questionou se serão as leis que estão mal feitas, ou os aplicadores que não as aplicam bem, pois já não as entendem?! Contra as reformas de Wang Anshi encontrava-se também Su Shi (10361101), mais conhecido por Su Dongpo e que tinha como nome de cortesia Zi Zhan e literário de Dongpo Jushi. Nascera em Meishan, na província de Sichuan, em 19 de Dezembro de
1036, referindo outras fontes a data de 8 ou 18 de Janeiro de 1037 e para além de Oficial Civil, foi escritor, calígrafo, pintor, músico e cozinheiro. A história
que antecedeu o nascimento de Su Shi está relatada no poema Zhang Xian Zan (Elogio ao Imortal Zhang) escrito pelo próprio pai, Su Xun, também um
“POR MAIS QUE SE SAIBA, DEVEMOS PERMANECER MODESTOS POIS NUNCA SABEMOS TUDO” DITADO CHINÊS
prestigiado literato que, tal como os seus dois filhos, integrou o grupo dos Oito Grandes Estudiosos da dinastia Tang e Song (Tang Song Ba Da Jia). Su Shi nasceu após o pai, Su Xun, ter sonhado certa noite com o Imortal Zhang, que lhe oferecia dois filhos. Ao acordar, logo se dirigiu ao templo onde comprou a imagem de Wen Chang (Deus dos Letrados e da Literatura) e a quem devotou diariamente as suas orações, pois tivera um primeiro filho, que morrera logo à nascença e contava apenas como descendência uma filha. Escutadas as preces, nasceu Su Shi e mais tarde, Su Che. Su Shi, aos dezanove anos, tinha já o título gongshi, pois ficou aprovado nos exames de Terceiro Grau Literário (huishi), correspondente ao nosso doutoramento e assim pôde ir ao Palácio Imperial fazer o último exame, que dava acesso directo às altas posições imperiais, ficando em 1057 com o título de Jinshi. Em 1065, Su Shi foi trabalhar para a Biblioteca do Palácio na capital Bianliang, onde esteve até Abril de 1066, altura em que se viu obrigado a regressar a Meishan devido à morte do pai. Chegou de novo à capital em 1069 e aí ficou até 1070; período em que escreveu cartas ao Imperador Shen Zong dizendo que a nova política de reformas de Wang Anshi não era boa. Em Novembro de 1071, o Imperador colocou-o como Governador de Hangzhou, lugar que ocupava quando foi pela primeira vez banido da política. Depois, entre Setembro de 1074 e Abril de 1077, voltou ao cargo de governador, agora em Mizhou (Zhucheng), na província de Shandong e daí até Março de 1079 em Xuzhou, actual província de Jiangsu, na altura pertencente a Shandong. Em Março de 1079 foi governador em Huzhou, onde apenas ficou três meses pois caiu em desgraça aos olhos do imperador, que o colocou na prisão. Wang Anshi intercedeu por ele, sendo em 29 Novembro de 1079 libertado e colocado num posto menor em Huangzhou, na província de Hubei, entre 1080 e 1086. Esta a História resumida, que deu
artes, letras e ideias 15
hoje macau sexta-feira 26.9.2014
SU SHI NASCEU APÓS O PAI, SU XUN, TER SONHADO CERTA NOITE COM O IMORTAL ZHANG, QUE LHE OFERECIA DOIS FILHOS origem ao conto escrito durante a dinastia Ming por FengMengLong (冯 梦龙).
O VENTO DE OUTONO FEZ CAIR AS PÉTALAS DOS CRISÂNTEMOS Su Shi era ainda jovem quando na capital Kaifeng ficou a trabalhar sob as ordens do primeiro-ministro Wang Anshi que, devido à sua grande inteligência, gostava muito dele. Mas Su era muito orgulhoso e gostava de se mostrar, considerando os outros inferiores, em inteligência e conhecimento. Wang Anshi, sabendo da falta de modéstia de Su Shi, resolveu mandá-
FengMengLong
-lo para Huzhou como governador por três anos. Após este período, Su regressou à capital e foi visitar o primeiro-ministro Wang Anshi. Ao chegar à casa do primeiro-ministro foi informado estar Wang a dormir. O secretário de recepção não o mandou entrar para a sala reservada, nem lhe ofereceu chá, pois desconhecia quem era Su Shi, deixando-o à espera no corredor. Tratado com menor deferência do que a devida à sua posição, encontrava-se Su a reflectir sobre se devia retirar quando viu passar ao fundo do corredor um jovem a quem reconheceu. Não se lembrando quem seria, perguntou ao empregado e este respondeu-lhe ser o ministro supervisor. Foi então que se lembrou ser aquele vulto, há três anos, o rapaz encarregado de limpar os livros da biblioteca. Su Shi chamou-o e quando ele o viu, logo se lhe dirigiu e ao aproximar-se ia colocar-se de joelhos quando Su, sabendo já da posição, não lhe permitiu tal. Lembrava-se de Su Dongpo pois
AOS DEZANOVE ANOS, TINHA JÁ O TÍTULO GONGSHI, POIS FICOU APROVADO NOS EXAMES DE TERCEIRO GRAU LITERÁRIO (HUISHI), CORRESPONDENTE AO NOSSO DOUTORAMENTO E ASSIM PÔDE IR AO PALÁCIO IMPERIAL FAZER O ÚLTIMO EXAME, QUE DAVA ACESSO DIRECTO ÀS ALTAS POSIÇÕES IMPERIAIS, FICANDO EM 1057 COM O TÍTULO DE JINSHI este tratava-o bem e muitas vezes lhe oferecera leques com os seus poemas e pinturas. Convidou-o para entrar para os aposentos de recepção às altas individualidades do palácio mas, como precisava de ir buscar os medicamentos para Wang Anshi, pediu-lhe para ali esperar. Nos aposentos de trabalho do primeiro-ministro, Su começou a dar uma vista de olhos ao local e foi quando vislumbrou sobre uma mesa um papel com um poema ainda por terminar. Lembrando-se da qualidade de Wang em escrever de seguida grande quantidade de poemas e ainda relatórios, Su pensou estar o primeiro-ministro a perder qualidades, pois tinha deixado aquele por terminar. Então Su começou a lê-lo: “Ontem à noite o vento de Outono atravessou o jardim e fez cair as pétalas dos crisântemos, cobrindo todo o chão de ouro.” Logo o pensamento de Su viu naquele inacabado poema em estilo shi, que deveria ter quatro versos cada um com sete caracteres, imensos erros pois, esta flor só abre nos finais do Outono e as pétalas, mesmo no Inverno, nunca caem, podendo apenas ficar a flor seca. Su imediatamente olhando para as duas linhas do poema, inconscientemente resolveu terminá-lo. Assim, continuando o poema de Wang, escreveu: “As
EM MARÇO DE 1079 FOI GOVERNADOR EM HUZHOU, ONDE APENAS FICOU TRÊS MESES POIS CAIU EM DESGRAÇA AOS OLHOS DO IMPERADOR, QUE O COLOCOU NA PRISÃO
flores de Outono não caem tão facilmente como as da Primavera, por favor pense com cuidado.” Arrependido com o impulso de ter escrito no papel do grande mestre e ainda por cima, durante a sua primeira visita ao fim de três anos, sem poder emendar o erro resolveu ir embora. Wang Anshi após acordar foi para a biblioteca, o seu estúdio de trabalho, quando reparou na folha escrita e reconheceu a caligrafia. Mesmo assim questionou o seu secretário sobre quem ali estivera. Ao ouvir confirmado o nome de Su Shi, deixou sair um pequeno desabafo de não terem chegado três anos para Su aprender a ser modesto. No dia seguinte, Wang foi visitar o Imperador e disse-lhe precisar Su Shi de praticar mais para conseguir ser um bom governador e assim, escolheu um local mais pequeno para o colocar, ficando com uma posição muito mais baixa. Desta vez foi destacado para Huangzhou, na província de Hubei. Su Shi logo percebeu estar a ser punido por ter escrito aquelas verdades no poema do primeiro-ministro. Com um sentimento de superioridade, disse para si não se importar pois, sabia ser aquela colocação apenas o de uma punição injusta. Wang convidou-o para o almoço antes de ele partir para o novo local de trabalho. Durante o almoço, Wang referiu ser Huangzhou um lugar relaxante e por isso poderia ler mais livros. Su Shi ficou interiormente zangado pois tinha sido um dos melhores nos exames imperiais de Keju e ouvir que teria de estudar mais, era uma provocação. Chegou a Huangzhou em Novembro de 1079. Aí, o tempo foi passando rapidamente entre convívios com pessoas que o estimavam muito e grandes patuscadas, sendo ele um grande cozinheiro. Foi aqui que Su Shi inventou o famoso prato de carne de porco, que ficou conhecido por Carne de Dongpo. Após uma série de dias de vento forte, que não lhe permitiram sair de casa, no dia seguinte à Festividade ChongYang (Duplo 9), foi visitado por um amigo. Su Shi lembrou-se que no dia da sua chegada a Huangzhou tinha recebido um crisântemo e por isso, sendo esta a melhor altura para observar essa flor, convidou o seu amigo para visitar um jardim de crisântemos. Ao chegar ao jardim, Su Shi apanhou um choque pois viu as pétalas amarelas das flores espalhadas pelo chão, cobrindo-o como que de ouro. Só então reconheceu ter cometido um grande erro e compreendeu a razão de Wang Anshi o ter para aí enviado.
16
DESPORTO
hoje macau sexta-feira 26.9.2014
RUTTER, HUTCHINSON E EASTON SÃO ESPERADOS NO GP MACAU DE MOTOS
Nata do motociclismo reúne em Novembro SÉRGIO FONSECA info@hojemacau.com.mo
O
48° Grande Prémio de Motos de Macau, cujas inscrições encerraram a 12 de Setembro, vai novamente reunir na RAEM a nata do motociclismo de estrada. Apesar da lista de inscritos da prova não ser ainda do conhecimento público, já é sabido, através do que vai sendo publicado pela imprensa estrangeira especializada, que o recordista de vitórias na prova, Michael Rutter, o vencedor surpresa da edição de passada, Ian Hutchinson, e também três vezes vencedor da corrida, Stuart Easton, irão estar presentes no território em meados de Novembro. ‘Hutchy’, que o ano passado triunfou entre nós após 18 meses a recuperar de uma lesão, irá trocar a Yamaha que o ajudou a ganhar por uma Kawazaki, após ter assinado contrato no início do mês com a Paul Bird Motorsport para 2015. Antes PUB
de Macau, o motociclista de 35 anos competirá no campeonato inglês de Superstock 1000, aos comandos de uma Kawasaki Ninja ZX-10R, em Silverstone e Brands Hatch no mês de Outubro. Stuart Easton, que destronou o domínio de Rutter em Macau, e venceu a corrida de 2008 a 2010, será o seu companheiro de equipa e irá tripular a segunda competitiva mota da equipa de Paul Bird. O escocês, que esteve ausente da prova nos últimos três anos, não comentou ainda publicamente o seu regresso à prova rainha de motociclismo do sudeste asiático. Por seu lado, Rutter irá defender as cores da Milwaukee Yamaha Team, equipa que serviu precisamente Hutchinson no seu inesperado triunfo o ano passado, e terá na duas motas de Paul Bird os principais opositores. Rutter representou a equipa SMT nos últimos dois anos e estava previsto que o voltasse a fazer este ano, mas a saída de Hutchinson da
equipa abriu as portas para uma transferência acordada pelos dois chefe de equipa. Rutter irá correr numa Yamaha YZF-R1 naquela
que poderá ser a última aparição da equipa de Guisborough em provas de estrada, após ter obtido um contrato aliciante para alinhar
O vencedor da corrida de 12 voltas ao Circuito da Guia este ano levará para casa 32 mil dólares de Hong Kong e a melhor equipa 22 mil
no popular Campeonato Britânico de Superbikes em 2015. O inglês, que é um dos pilotos no activo com mais corridas de Superbike efectuadas, irá tentar vencer o Grande Prémio de Motos de Macau pela nona vez. Simon Andrews, John McGuiness, Martin Jessopp, Dan Kneen, Peter Hickman, Danny Webb, Allan-Jon Venter e os portugueses André Pires e Nuno Caetano são outros nomes que estarão certamente à partida na tarde de 15 de Novembro. A lista de inscritos da prova será revelada na habitual conferência de imprensa do mês de Outubro, mas nesta não deverá constar com qualquer nome da RAEM ou da região vizinha de Hong Kong, a exemplo do que aconteceu o ano transacto. O vencedor da corrida de 12 voltas ao Circuito da Guia este ano levará para casa 32 mil dólares de Hong Kong e a melhor equipa 22 mil. O Grande Prémio de Macau de 2014 vai realizar-se entre 13 e 16 de Novembro.
( F ) UTILIDADES
hoje macau sexta-feira 26.9.2014
TEMPO
POUCO
NUBLADO
Cineteatro
CINEMA
MIN
25
MAX
31
HUM
65-90%
•
EURO
10.1
BAHT
0.2
YUAN
17
1.3
LÍNGUA DE gATO
THE BOXTROLLS SALA 1
Pu Yi
Com: Denzel Washington, Cloe Grace Moretz, Melissa Leo 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
THE MAZE RUNNER [B] Um filme de: Wes Ball Com: Dylan O’Brien, Kaya Scodelario 14.00, 17.45, 19.45, 21.45
Semana forte
SALA 3
A WALK AMONG THE TOMBSTONES [C]
THE BOXTROLLS [A]
FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Graham Annable, Anthony Stacchi 16.00
Um filme de: Scott Frank Com: Liam Neeson 14.00, 16.00, 18.00, 21.45
THE BOXTROLLS [A]
FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Graham Annable, Anthony Stacchi 20.00
SALA 2
THE EQUALIZER [C] Um filme de: Antoine Fuqua
ACONTECEU HOJE
26 DE SETEMBRO
Entra em órbita o PoSAT-1, o primeiro satélite português • A 26 de Setembro de 1993, o PoSAT-1, o primeiro satélite português foi lançado para o espaço no voo 59 do foguetão Ariane 4, entrando em órbita às 2h45, hora de Lisboa. Hoje, recorda-se também o físico português Fernando Carvalho Rodrigues. O lançamento foi realizado no Centro Espacial de Kourou, na Guiana Francesa. E exactamente 20 minutos e 35 segundos depois do lançamento, a 807 quilómetros de altitude, o PoSAT-1 separa-se com sucesso do foguetão. O PoSAT-1 pertence à classe dos micro-satélites, que têm entre 10 e 100 quilómetros, e pesa cerca de 50 quilogramas. Resulta de um projecto desenvolvido por um consórcio de universidades e empresas portuguesas, construído na Universidade de Surrey, em Inglaterra. Custou cerca de cinco milhões de euros, comparticipados pelo Programa Específico de Desenvolvimento da Indústria Portuguesa e por empresas portuguesas envolvidas no consórcio PoSAT: Ineti, Efacec, Alcatel, Marconi, OGMA, IST, UBI e Cedintec. O responsável máximo pelo projecto foi Fernando Carvalho Rodrigues, físico português que, devido ao seu envolvimento no projecto, é apelidado de “pai” do primeiro satélite português. A morte física do PoSAT-1 deverá ocorrer em 2043. No ano de 2006, o PoSAT-1 deixou de comunicar com o Centro de Satélites de Sintra, sendo que neste momento se encontra à deriva numa órbita descendente, até se desintegrar na atmosfera terrestre. Outros factos históricos se assinalam neste dia. Em 1969, os Beatles lançam o álbum Abbey Road. E em 1994, tem início o julgamento do ex-jogador de futebol americano actor O.J. Simpson, acusado da morte da ex-mulher, Nicole Brown, e de um amigo, Ronald Goldman. Simpson viria a ser absolvido.
João Corvo
H O J E H Á F I L M E “BUT ALWAYS” (SNOW ZOU, 2014) Um filme que conta uma história de amor de uma vida entre dois jovens, desde 1972 a 2001. Zhao Yongyuan (Nicholas Tse) e An Ran (Gao Yuanyuan) são colegas da escola primária em Pequim, até que Zhao é levado pelo seu tio para Cantão. Mais de dez anos depois, os dois encontram-se numa universidade de Pequim e apaixonam-se pela primeira vez. Porém, o destino dos dois jovens leva a que os dois se separem novamente. An Ran vai para os Estados Unidos tirar o curso de medicina. Muitos anos depois, os dois encontram-se em Nova Iorque. Mas também desta vez, mesmo querendo ficar juntos, acontece a tragédia do 11 de Setembro: Zhao deixa An. Será que desta é para sempre? - Cecília Lin
fonte da inveja
É mais fácil encontrar uma tartaruga rara, do que uma alma inteira.
E Setembro já está a terminar. Às vezes ponho-me a pensar e percebo que o tempo passa mesmo muito rápido. Envolvidos pelas nossas questões diárias, os dias vão passando à velocidade da luz. Ainda ontem era Julho e já estamos a entrar em Outubro. E mal penso na primeira semana do próximo mês fico logo de pêlo em pé. Macau irá receber a visita de milhares de turistas, as ruas vão ficar inundadas de gente. Os carros vão buzinar cada vez mais, os polícias apitar mais alto. Só de pensar nisso, só me apetece ir para a minha alcofa, adormecer e só acordar quando a semana terminar. Os chineses têm esta particularidade, movem-se em massas, nunca estão sozinhos. Já viram algum chinês a viajar sozinho? Eu não, nunca. E dos muitos turistas que vou conhecendo, nunca estão sozinhos. Entre família e amigos eles lá vão, seguindo as bandeirinhas erguidas pelos guias, ouvindo as explicações e mitos que lhes contam. Os ocidentais já não são assim, pelo menos pelo que ouço aqui pela redacção. Das viagens que se contam nestas salas, muitas foram partilhadas por duas pessoas - no máximo três. Eu mesmo, se não ficar na minha caminha, vou aproveitar para sair de Macau, conhecer umas gatinhas e apanhar sol por outras bandas. Aconselho aos que podem a fazer o mesmo... aos que não podem: não se deixem mergulhar no mar de gente que aí vem.
PERFIL
hoje macau sexta-feira 26.9.2014
HOJE MACAU
18
CHEANG CHI MENG, O PRIMEIRO RESIDENTE DE MACAU A CHEGAR AOS HIMALAIAS
“DEVEMOS EXPRESSAR OS NOSSOS SONHOS”
FLORA FONG
flora.fong@hojemacau.com.mo
“J
Á subi quatro vezes aos Himalaias e tenho o sonho de chegar ainda mais alto, ao cume do monte Everest.” É desta forma que o nosso entrevistado, Cheang Chi Meng, nos começa por contar a sua história. Professor de Educação Física de uma escola primária e treinador de duas escolas secundárias públicas, Cheang assegura-nos que gosta de fazer desporto ao ar livre desde que andava no sétimo ano. Foi nadador e, com apenas 18 anos, foi praticante de canoagem a representar a equipa de Macau. Nem o aspecto diferente que tinha na infância o fez desistir. É que, agora, Cheang Chi Meng pode ser um atleta, mas quando era pequeno “tinha 160 kg”. “Fui sempre maltratado [na escola]. Lembro-me que, uma vez, fui assaltado por um grupo de estudantes maiores do que eu, que me bateram e ameaçaram para lhes dar dinheiro. Mas, na mão, só tinha 20 patacas e eles insultaram-me. Desde então, disse a mim próprio que não devia ser assim, que tinha de ser forte. Comecei a fazer vários tipos de desporto e mantive treinos permanentes. Emagreci”, explica-nos.
Além da perda de peso, havia, no entanto, um outro objectivo que Cheang Chi Meng mantinha e que determinou querer atingir, ainda na adolescência: ser o primeiro de Macau a subir aos Himalaias. Os sonhos, às vezes, tornam-se realidade e, aqui, isso aconteceu. A primeira vez que chegou aos Himalaias foi em 2011. Depois disso, e novamente no local, Cheang foi o primeiro a chegar ao monte Lobuche, que tem 4,940 metros de altitude. Ao HM, Cheang conta que o seu sonho de subir aos Himalaias começou na escola secundária. “Pessoas de Macau são ‘íntimas’, preocupam-se com o que os outros dizem. Eu também era assim. Quando um professor da minha escola me falou dos Himalaias, disse a mim mesmo que um dia havia de chegar lá, mas não tive coragem de o dizer aos outros. Aos que contei, deram-me muitas opiniões negativas e, ao meu redor, amigos e colegas disseram que era perigoso, que era impossível, que era fácil magoar-me ou ficar doente e até um bom amigo meu me tentou encorajar a não fazer essa viagem.” Mas Cheang Chi Meng estava determinado: embora vozes se levantassem contra o sonho, a ideia da viagem nunca lhe saiu da cabeça. “Uma vez fui a Taiwan e encontrei um treinador antigo meu. Depois de lhe contar o meu plano, perguntou-me se eu era um
herói ou um concretizador de sonhos. Essa frase fez-me reconhecer o que eu queria e qual o valor do que quero.” E as coisas tornaram-se mais fáceis quando, felizmente, Cheang conseguiu encontrar uma parceira, com o mesmo sonho. Nga Ham seria a melhor parceira de Cheang para fazer um montanhismo, até porque já foi aos Himalaias sete vezes.
Quando um professor da minha escola me falou dos Himalaias, disse a mim mesmo que um dia havia de chegar lá “Percebi depois que devemos expressar os nossos sonhos e, se calhar, partilhamos o nosso sonho com uma pessoa, que nos diz que somos malucos. Com uma segunda, que nos diz que somos doentes... Mas, se continuarmos a expressar o nosso sonho, finalmente temos a sorte de conseguir realizar o sonho, porque há quem concorde connosco.” Cheang e Nga têm, agora, um sonho único: querem estabelecer uma meta ainda mais longe, que os vai levar todos os Verões
durante cinco anos a todos os montes que fazem parte dos Himalaias. E, em 2017, chegar ao Monte Everest, o mais alto monte do mundo. Além do montanhismo, e porque de sonhos se faz a vida, Cheang Chi Meng partilha ainda outras actividades com Nga Ham. Os dois criaram a Associação dos Sonhos da Juventude, que oferece actividades para jovens, como passeios. E, o mais importante, ajuda-os a acreditar nos sonhos. “No início, eles diziam que tinham medo de realizar um sonho. ‘Será que a sociedade aceitaria?’, questionavam. ‘E os pais apoiam?’ ‘Quais habilidades têm?’ Acho que os jovens têm sonhos, mas não têm coragem suficiente para os expressar. Então, servimos de guias, acompanhando-os a crescer, ensinando-os a lutar pelos seus sonhos. Criada há dois anos, a associação já tem 40 sonhadores com idades entre os 14 e os 30 anos. “Quando acabei a segunda viagem aos Himalaias tive uma ideia: além de realizar os meus próprios sonhos, decidi ajudar os outros a realizar os seus, deixando os jovens perceber que podem atingir os seus objectivos. Ajudamo-los a perceber como os conseguir, como estabelecer uma meta e como atingi-la.”
OPINIÃO
hoje macau sexta-feira 26.9.2014
ISABEL CASTRO
isabelcorreiadecastro@gmail.com
19
contramão
N
ÃO espanta que estas coisas aconteçam. É típico de sociedades em que os líderes não percebem o que significa a governação, uma invenção muito antiga que resulta na organização de pessoas e bens, e na delegação de competências a alguém para que as pessoas se possam entender e os bens possam ser geridos. Como em Macau há uma óbvia dificuldade em fazer com que as pessoas se percebam e um problema ainda maior na gestão dos bens, as coisas acontecem assim. Às vezes acontecem bem; outras nem por isso. Quando os governos falham, as pessoas reagem. Noutros tempos, nos tempos da invenção dos governos, a reacção ao que estava a ser mal feito fazia-se à batatada. Porque os homens não evoluem, da batatada passou-se às guerras sofisticadas em que os dois lados da barricada nem sequer conhecem os rostos das mortes mútuas. Matam-se uns aos outros sem sequer saberem a cor dos olhos de quem morre. Nós por cá somos mais primários, mais iniciais: ficamo-nos pelo estádio da batatada, aquela fase mais epidérmica, mais quente e, vistas bem as coisas, mais humana. Como não passamos ao lado das novas tecnologias, também vamos exercitando a vocação de justiceiro de forma virtual, a salvo de mazelas e nódoas negras. É todo um conjunto de eu faço-e-aconteço, uma série de promessas de reposição da ordem das coisas. Coisas que, na verdade, nunca estiveram verdadeiramente ordenadas. As redes sociais vieram ajudar à organização de uma cidade em permanente mudança – mudança de pessoas e mudança de sítios. Há grupos para tudo e mais alguma coisa, numa saudável revelação da imaginação local e de entreajuda também. Criou-se um grupo para a venda de bens em segunda mão (viva a reciclagem), na sequência da debandada geral de um grupo de pessoas que cá vivia; criou-se um grupo de pessoas desesperadas à procura de uma casa a preços comportáveis, num sinal muito revelador do estado a que isto chegou; criou-se um grupo que tem como objectivo denunciar os maus taxistas e que rapidamente se transformou numa associação, organizada nos termos em que manda a lei. Assisti – virtualmente – ao aparecimento deste grupo e fui acompanhando a evolução de um movimento social pouco vulgar em Macau. Não é comum vermos por aí grupos que têm como objectivo denunciar maus professores, maus médicos, maus jornalistas ou maus advogados. Ou maus políticos. A flor de Lótus murchava se aparecesse um
LLOYD BACON, A SLIGHT CASE OF MURDER
Um dia destes
Gosto de ver a sociedade a reagir. A sério que gosto. Mas não gosto de homens armados que saem à noite em bandos para proteger a vizinhança dos ladrões. Não espanta que estas coisas aconteçam. O Governo anda há cinco anos em modo loop grupo com milhares de pessoas a denunciar profissões tidas como mais nobres. Pois que este grupo entretanto transformado em associação denuncia maus taxistas – sendo que, a dada altura do campeonato, alguém teve o cuidado de criar uma lista de bons taxistas para equilibrar as coisas.
Acredito piamente que, na origem de tudo, esteve uma boa intenção: no início, eram desabafos de pessoas cansadas com o facto de não se conseguirem deslocar em Macau, cansadas com as irregularidades praticadas pelos taxistas, cansadas com a inércia das autoridades perante esta força maior e superior de quem detém e conduz veículos de aluguer. Acredito também que, na nova associação, há gente empenhada em contribuir para a resolução de um problema que, nos últimos meses, se tem agravado muito. Acontece que esta boa intenção rapidamente evoluiu também para aquilo que pode ser perigoso: a delação e – mais do que a denúncia e a criação de listas negras que tanta confusão nos fazem quando são da autoria de quem manda em nós –, a congeminação de planos para apanhar taxistas prevaricadores, como se coubesse aos cidadãos comuns a função de agente provocador. Eu gosto de ver a sociedade a reagir. A sério que gosto. Mas não gosto de homens armados que saem à noite em
bandos para proteger a vizinhança dos ladrões. Não espanta que estas coisas aconteçam. O Governo – sobretudo este Governo de Chui Sai On – anda há cinco anos em modo loop com a diversificação económica, os estudos e as consultas públicas, a harmonia e o centro internacional de turismo e lazer, os festivais de fogo-de-artifício e as medidas eternamente provisórias que só funcionam para quem não sai dos gabinetes. Não espanta, por isso, que a sociedade reaja. Está na hora de o Governo encomendar a uma instituição pública de ensino superior de reconhecido mérito um estudo sobre as novas reacções virtuais dos residentes de Macau. Talvez assim, lá para 2016, quando a ponte de Hong Kong chegar a Macau e o metro já ligar a Taipa de uma ponta a outra, o Executivo perceba que pode ser perigoso, mas muito perigoso, deixar que os residentes cheguem ao estado de cansaço que está aí, e que promete ser cada vez maior.
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Cecília Lin; Flora Fong (estagiária); Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau. com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
hoje macau sexta-feira 26.9.2014
METRO GIT GARANTE SEGURANÇA
Bombas à distância N
ÃO existe qualquer perigo na construção do segmento do metro ligeiro junto às bombas de gasolina localizadas na Areia Preta. A garantia foi dada ontem pelo Gabinete de Infra-estruturas de Transportes (GIT), depois de um grupo de vinte moradores da zona ter apresentado uma queixa junto do Comissariado contra a Corrupção (CCAC), por estarem contra o parecer favorável do Corpo de Bombeiros. No comunicado ontem emitido, o GIT evoca o regulamento administrativo em vigor desde 2002 que determina a “distância de segurança das instalações de bomba de gasolina”, em relação a edifícios que recebam público. Contudo, o GIT considera que “os comboios e os passageiros não vão permanecer nem reunir-se por um período longo no viaduto do metro ligeiro, pelo que o viaduto não pode ser considerado como edifício que recebe público”, ainda que seja necessário respeitar estas normas.
ENERGIA POSITIVA
Além disso, diz o gabinete que o metro é movido a electricidade, pelo que o equipamento de fornecimento de energia eléctrica é
concebido não só para satisfazer os requisitos em relação à distância de segurança com a bomba de gasolina. “Quando o dispositivo de recolha de electricidade dos comboios contacta com o sistema de fornecimento de energia eléctrica, é possível suprimir eficazmente as faíscas. Na operação normal, não serão causadas faíscas quando os comboios adquirirem a electricidade”, aponta o GIT. O GIT garante ainda que contratou uma empresa para fazer os trabalhos de certificação independente de segurança, para que “a qualidade da construção do metro e os padrões de segurança atingirão o nível internacional através da verificação de vários aspectos”. O Governo dá ainda uma garantia. “Caso o metro ligeiro não passe na prova de segurança, não entrará definitivamente em funcionamento. A segurança é o mais importante na construção e operação do metro, pelo que o Governo investiu muitos recursos na execução dos trabalhos e estipulou vários níveis de segurança e mecanismo de fiscalização para a sua construção”, pode ler-se. - A.S.S.
cartoon por Stephff
HÓQUEI EM PATINS SELECÇÃO DO LÓTUS GOLEOU ÍNDIA E TAIWAN
Vitória em dose dupla no arranque do Asiático MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo
A TNR perfazem mais de 40% da população activa Macau tinha, no final de Agosto, 161.370 trabalhadores não residentes, mais 34.137, ou 26,8%, do que no período homólogo de 2013, indicam dados oficiais ontem divulgados. De acordo com dados da Polícia de Segurança Pública, 161.370 trabalhadores do exterior integravam o mercado laboral, equivalendo a mais de 40% da população activa e a mais de um quarto da população estimada no final de Junho. No intervalo de um ano, Macau ganhou 34.137 trabalhadores. Já face a Julho, o universo de mão-de-obra importada registou um reforço de 3.136 pessoas, isto é, mais de 100 por
dia. O interior da China continua a figurar como a principal fonte de trabalhadores recrutados ao exterior (104.527 ou 64,7% do total), mantendo uma larga distância das Filipinas, em segundo lugar, com o registo de 20.625 nacionais no final do mês de Agosto. Em terceiro está o Vietname (12.911). Na lista das principais dez fontes de mão-deobra de Macau seguem-se Hong Kong, Indonésia, Nepal, Tailândia, Malásia e Taiwan e Birmânia. Só o sector da construção (42.198) e o dos hotéis, restaurantes e similares (41.040) empregavam, em conjunto, metade dos trabalhadores não residentes.
A PONTE
selecção de hóquei em patins de Macau entrou com o patim direito na 14ª edição do Campeonato Asiático da modalidade, prova que se disputa até ao próximo domingo na cidade continental de Haining. A formação orientada por Alberto Lisboa iniciou a defesa do título conquistado há dois anos em Hefei com um triunfo esclarecedor sobre aquele que seria, à partida e pelo menos a título teórico, o mais exigente adversário do cinco do território. Frente à vice-campeã Índia, os eneacampeões asiáticos não deixaram créditos por mãos alheias, ainda que tenham assinado um início de desafio tremido frente ao colectivo orientado por Harpreet Singh. Frente aos grandes favoritos ao triunfo na competição, o cinco indiano não se atemorizou, inaugurando o marcador no gimnodesportivo de Haining que acolhe a competição. A resposta da formação do Lótus dificilmente poderia ser mais esclarecedora, com os pupilos de Alberto Lisboa a golearem o adversário por 12-3. Depois de um início periclitante de partida, a selecção de Macau recuperou a tranquilidade necessária para redireccionar o andamento do marcador de acordo com os seus interesses. Augusto Ramos repôs a igualdade no placard e abriu as portas a uma exibição esclarecedora, que teve em Hélder Ricardo o seu principal artífice e protagonista.
PARA MAIS TARDE RECORDAR
O avançado, natural de Alcobaça, assinou uma exibição memorável e fez o gosto ao stick por sete ocasiões. Formado no Biblioteca, de Valado de Frades, Hélder Ricardo já se sagrou por várias vezes melhor marcador no âmbito do Campeonato Asiático de Hóquei em Patins e em Haining arrisca-se a repetir a façanha. O dianteiro, que acumula com o estatuto de jogador o
papel de seleccionador de hóquei em linha de Macau, foi o principal motor da revolução operada por Macau no desafio frente à Índia, mas não foi o único a marcar. Para além de Augusto Ramos, Nuno Antunes, Alberto Lisboa e Ricardo Atraca também celebraram golos. Antunes facturou por duas ocasiões e Lisboa – aos 46 anos, o seleccionador do território mostrou que ainda aí está para as curvas e contribuiu com um tento para o sucesso da equipa dentro das quatro linhas –consumou a velha máxima de que quem sabe nunca esquece, antes de Ricardo Atraca encerrar a contagem, ao apontar o décimo segundo e último golo dos campeões asiáticos.
SEGUNDA DOSE
O triunfo frente à Índia abriu o apetite ao colectivo orientado por Alberto Lisboa. A selecção de hóquei em patins do território voltou a entrar em campo ao início da noite de ontem, para a segunda ronda da competição, goleando a formação de Taiwan por doze bolas a duas. A exemplo do que sucedeu contra a selecção indiano, a formação do território voltou a oferecer a iniciativa de jogo ao adversário e coube ao cinco formosino inaugurar o marcador. A resposta dos campeões asiáticos de hóquei patinada voltaria, no entanto, a afigurar-se irredutora: verdadeira máquina de fazer golos, o grupo de trabalho às ordens de Alberto Lisboa despediu-se da primeira metade do desafio a vencer por seis bolas a duas e na etapa complementar facturou novamente por seis ocasiões. Com quatro golos, o imparável Hélder Ricardo voltou a chamar a si o estatuto de avançado mais eficaz. Ricardo Atraca também esteve em destaque, ao fazer o gosto ao “stick” por três ocasiões, ao passo que Alfredo Almeida e Alberto Lisboa bisaram na partida. Nuno Antunes completa o rol de marcadores no triunfo por fácil de Macau sobre a congénere taiwanesa. O Japão é o adversário que se segue, numa competição que ficou reduzida a quatro após a desistência do Paquistão.