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N.º 4079 de 26 de JUN de 2018

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TERÇA-FEIRA 26 DE JUNHO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4079

MOP$10 PUB

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

CANÍDROMO

ADOPÇÃO SEM CRITÉRIO

www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

GRANDE PLANO

TERRA EM TRANSE h PAULO JOSÉ MIRANDA

KAIFONG

CÁ SE PAGAM PÁGINA 7

hojemacau

De VAR, devagarinho Estamos nos oitavos-de-final depois do empate com o Irão de Queiroz, num encontro maracado pelo VAR e a lentidão de jogo. Ronaldo e companhia voltam à acção frente ao Uruguai no próximo sábado. PÁGINAS 10-11


2 grande plano

26.6.2018 terça-feira

A Sociedade Protectora dos Animais de Macau – ANIMA enviou uma carta ao Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais onde refere que a entrega de galgos para adopção foi feita “sem critério” e sem que os animais tenham sido esterilizados. Muitos foram levados por veterinários e donos de lojas, de Macau, Taiwan e China, com o objectivo de procriação

CANÍDROMO

CIRCO DE O

último dia da mais recente campanha para a adopção de 650 galgos levada a cabo pelo Canídromo foi descrito como tendo sido “um circo” ou uma “má peça de teatro”. A descrição é da Sociedade Protectora dos Animais de Macau – ANIMA, que enviou ontem uma carta ao Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) a dar conta da entrega de animais a pessoas que não reuniam garantias de que iriam tratar bem dos galgos. “Chegaram-nos várias informações de fonte segura, incluindo de pessoal da própria ANIMA, que nos deixaram perturbados e que hoje circulam pelo mundo inteiro, deixando-nos numa situação delicada, como se fossemos um qualquer território das profundezas do subdesenvolvimento. Segundo nos foi revelado,

ANIMA DENUNCIA SAÍDA DE GALGOS SEM ESTERILIZAÇÃO

na última campanha de adopção do Canídromo apareceram veterinários interessados em levar animais para transfusões de sangue, lojas de animais interessadas em receber fêmeas e machos para negócio posterior de procriação, pessoal de Taiwan e da própria China que querem um par de animais para fazer criação na China e até indivíduos de países asiáticos onde não há lei de protecção dos animais.” Na visão da ANIMA, o maior problema passa pela saída dos galgos sem qualquer tipo de esterilização. “Foram dados para adopção, sem critério, várias dezenas de animais, todos não esterilizados. Sei que a lei de protecção dos animais não permite ao IACM impedir essa adopção, que poderá vir no futuro a criar problemas ao Estado chinês mas, como autoridade responsável pelo bem-estar animal, o IACM deve sugerir fortemente que nenhum animal desse tipo seja adoptado não estando esterilizado.” Em declarações ao HM, o presidente da ANIMA, Albano Martins, lamenta que o Governo não tenha tido até então mais coragem para evitar que este problema se mantenha. Ainda assim, o responsável acredita que as adopções de galgos que não estão esterilizados aconteceram sem o conhecimento do IACM. “O IACM tentou que estes animais saíssem todos transferidos em termos de propriedade, e se algum escapou, terá escapado sem a sua conivência. O que criticamos é o facto do IACM não ter força

suficiente para se impor, para que os animais saiam na condição de estarem esterilizados. Ou o Governo tem coragem e bate o pé para nos deixarmos destas trapalhices e encenações, e decide de facto dar os animais a quem pode tomar conta deles, e aí as associações serão todas bem recebidas, desde que não enviem os animais para a China.”

PROBLEMA PARA O PAÍS

Na carta que a ANIMA enviou, endereçada a José Tavares, presidente do IACM, Albano Martins frisou que o envio de animais sem esterilização para o continente pode constituir mais um problema. Recorde-se que na China existe o festival de comida de cão em Yulin, que tem sido duramente criticado por organizações internacionais que defendem os direitos dos animais. “A China já tem problemas de sobra e é nosso dever respeitarmos as suas leis e contribuirmos para que os problemas sejam resolvidos cá e não lá. Se o Governo tomar uma atitude corajosa e bater com o pé, tem trunfos suficientes para encostar estas pessoas à parede e dizer ‘acabou, os animais vão estar ao cuidado do IACM e de associações’”, disse ao HM. “Isso mancha o nome de Macau e de todos nós e a imagem do próprio Estado chinês, ele próprio com imensos problemas no seu interior”, adiantou ainda. Na missiva, a ANIMA recorda que, na China, os galgos não po-

YAT YUEN ANGELA LEONG DIZ QUE FORAM FEITOS 50 PEDIDOS DE ADOPÇÃO

À

margem de uma reunião de comissão da Assembleia Legislativa, a deputada e vice-presidente do conselho de administração da Sociedade de Jogos de Macau, Angela Leong, falou aos jornalistas sobre a acção de adopção de galgos que teve lugar este domingo, e que a ANIMA descreve como “um circo”. Nas palavras da empresária,

foram apresentados 50 pedidos para a adopção dos 650 galgos disponíveis. Contudo, esses processos ainda estão a ser avaliados, sendo que Angela Leong garantiu que é preciso saber se os animais querem ficar com os futuros adoptantes. A empresária, administradora executiva da Companhia de Corridas de Galgos Yat Yuen, garantiu

que ainda não existem planos para os restantes galgos que não forem adoptados, tendo frisado que tem vontade de entregar todos os animais, mas que é preciso espaço. Angela Leong disse ainda aos jornalistas que, depois de várias tentativas de comunicação com o Executivo, a empresa ainda não recebeu qualquer resposta quanto ao futuro dos galgos,

por isso este será um assunto ainda a ser discutido com as autoridades. Angela Leong quis deixar bem claro que não está a pedir ao Governo um terreno oferecido, mas apenas um espaço para que os cães possam sobreviver depois do fecho do Canídromo. A deputada referiu que pode existir a possibilidade de alguém ter um terreno dis-

ponível, mas acrescentou que, no universo de empresas ao qual pertence (SJM e STDM) não existem mais espaços disponíveis além do terreno do Canídromo. A responsável acredita que os membros do Governo também amam os animais e vão avançar com um plano para que os galgos possam continuar a sobreviver.


FERAS

“Chegaram-nos várias informações de fonte segura, incluindo de pessoal da própria ANIMA, que nos deixaram perturbados e que hoje circulam pelo mundo inteiro, deixando-nos numa situação delicada, como se fossemos um qualquer território das profundezas do subdesenvolvimento.” CARTA DA ANIMA ENVIADA AO IACM

dem ser adoptados como animais domésticos. “Gostaria de lembrar vossa excelência que em Zhuhai ou Shenzhen, só para citar duas das regiões mais desenvolvidas do sul da China, não são aceites esses animais como animais de companhia. Esse dia de adopção mais pareceu um circo, ou um teatro ou então uma má peça de teatro. Toda a gente mexia nos animais sem qualquer tipo de controlo. Há quem acredite que alguns ter-se-ão escapado sem controlo do próprio Canídromo e IACM”, referiu o seu presidente. Neste dia, apareceram “pessoas que estavam ligadas a lojas de animais e que queriam receber uma fêmea e um macho para poderem fazer reprodução, e outras eram veterinários que queriam os animais para tirar sangue para fazer transfusões”. Além disso, “havia ainda pessoas que, tendo casas na China, queriam ter os animais e levar casais de animais sem estarem esterilizados para a procriação na China”. Esta acção de adopção segue-se a muitas que já foram feitas no passado e surge depois do Governo ter aceite o segundo plano apresentado pelo Canídromo para a retirada dos 650 galgos. O primeiro, que pedia a extensão do prazo da utilização do terreno por mais um ano, foi recusado pelo IACM. A Companhia de Corridas de Galgos Yat Yuen tem de abandonar o terreno, localizado na zona do Fai Chi Kei, até ao próximo dia 21 de Julho. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

grande plano 3

TIAGO ALCÂNTARA

terça-feira 26.6.2018

Terra à vista

Estudo sobre aproveitamento do terreno do Canídromo pronto em breve

O

estudo do plano de intervenção urbanística e aproveitamento do terreno onde se encontra o Canídromo deve ser finalizado em breve. Essa é pelo menos a expectativa da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) que prevê que esteja concluído “em meados do corrente ano”. O estudo foi adjudicado, em Abril de 2017, à CAA, Planeamento e Engenharia, Consultores Limitada por 1,45 milhões de patacas. A proposta da empresa, que tem como administrador o deputado Chui Sai Peng, seleccionada após consulta a mais quatro firmas, tem um prazo de execução de 203 dias, ou seja, de sensivelmente sete meses. Dado que volveu mais de um ano, o HM contactou a DSSOPT para saber desde quando começou a contar o prazo de execução. Em resposta, o organismo referiu que a contagem começou pouco depois, em concreto, a partir de 14 de Junho de 2017, mas que o prazo de execução de 203 dias exclui o período de aprovação. A previsão da DSSOPT relativamente à conclusão do estudo surge numa resposta dada pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), no início do mês passado, a uma interpelação escrita da deputada Chan Hong. “De acordo com a concepção do projecto

preliminar, o terreno em causa será destinado à construção de instalações públicas e equipamento social que contemple as funções desportivas e educacionais”, refere o director da DSEJ, Lou Pak Sang, reiterando que “procurar-se-á manter o Campo Desportivo do Canídromo e reajustar as instalações desportivas contíguas, de modo a aumentar a sua área”. “A DSEJ tem estudado, de forma contínua e com uma visão de futuro, as estimativas e análises relativas às mudanças na taxa de natalidade e no número de alunos para, de acordo com estes dados, planear o desenvolvimento do sistema educativo, no sentido de assegurar o fornecimento suficiente de vagas escolares em todos os níveis de ensino”, argumenta o organismo. Na resposta, a DSEJ diz ainda manter “comunicações com o departamento de planeamento durante o planeamento urbanístico relativamente aos terrenos reservados para fins educativos e ajudar as escolas a reconstruir, ampliar ou construir edifícios escolares, entre outros”. Em Novembro último, o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, revelou ter apresentado um plano para ocupar o espaço do Canídromo com quatro escolas, uma delas dedicada ao ensino especial. D.M.

GALGOS IACM REJEITA 650 FORMULÁRIOS DE ADOPÇÃO

A

ANIMA recebeu ontem uma carta do presidente do IACM, José Tavares, onde se confirma a rejeição dos 650 formulários de adopção já entregues. “Sendo a adopção dos galgos referida na sua comunicação um plano que vincula directamente a Companhia de Corridas de Galgos Yat Yuen e a ANIMA, deve a vossa

associação apresentar os 650 pedidos de adopção à empresa e acertar com ela as acções subsequentes a desenvolver.” Na sua página na rede social Facebook, o presidente da ANIMA, Albano Martins, frisou que hoje será tomada uma decisão sobre esta matéria, que pode passar por entregar os formulários à empresa

que gere o Canídromo na presença de jornalistas. Na carta, o IACM frisa que “tem vindo a encorajar e apoiar a cooperação sincera e a comunicação directa entre a ANIMA e a empresa em causa, de modo a que levem a bom termo o plano de adopção dos galgos. Para tal, continuaremos prestar-lhes o apoio técnico necessário.”

José Tavares garante que o IACM vai continuar a exigir “à semelhança do passado, nos termos da lei da protecção dos animais, que a Companhia de Corridas de Galgos Yat Yuen cumpra os deveres legalmente estabelecidos e a responsabilidade empresarial no que se refere aos galgos em questão”.


4 política

EMPREGO AGÊNCIAS TÊM QUE ESTAR VINCULADAS A MACAU

Para os da terra

TIAGO ALCÂNTARA

26.6.2018 terça-feira

Na proposta de lei que irá regular as agências de emprego estará contemplado que, pelo menos, um dos responsáveis seja habilitado com licença de orientador de serviço de emprego. Além disso, os deputados sugeriram que os titulares das agências devem ser de Macau. O diploma vai ainda definir o tipo de instalações onde as empresas podem operar

O

S deputados da comissão permanente da Assembleia Legislativa que estão a analisar na especialidade a proposta de lei das agências de emprego pedem ao Governo esclarecimentos quanto aos requisitos de licenciamento em Macau, nomeadamente no que respeita à sua origem. Esta foi uma das preocupações reveladas ontem pelo presidente da terceira comissão permanente, Vong Hin Fai. De acordo com o deputado, a proposta de lei sobre a actividade das agências de emprego deve ser clara. “A comissão esteve a discutir os requisitos para emissão e renovação de licenças para pessoas singulares e colectivas. É preciso saber se as pessoas singulares têm que ser residentes de Macau e se as pessoas colectivas têm que ter sede em Macau”, apontou o presidente da terceira comissão à comunicação social depois da reunião de ontem.

Vong adiantou que o Governo considerou que a regulamentação dos serviços prestados pelas agências de emprego está directamente relacionada com as políticas laborais locais e, como tal, deve existir uma conexão entre as agências e o território. O Executivo vai assim “ponderar a sugestão da comissão” de modo a estabelecer esta ligação. Faz ainda parte dos requisitos para futuras emissões de licenças, a existência em cada agência de um orientador do serviço de emprego. Neste capítulo a comissão ainda tem dúvidas se este profissional tem que ser da própria agência ou se pode ser contratado externamente. No que diz respeito aos nomes das empresas, estas não podem ter nomes iguais quer dentro da mesma área de trabalho, quer relativamente a outras já existentes.

LUGARES ESPECÍFICOS

As futuras agências de emprego não podem ter as suas

instalações em qualquer edifício no território e vão estar sujeitas a limitações. A proposta de lei admite apenas que estas entidade possam ocupar espaços destinados a uso comercial ou a escritórios. Ficam de fora edifícios industriais, hoteleiros, habitacionais ou parques de estacionamento. Outra das limitações é a impossibilidade de duas, ou mais, agências diferentes partilharem o mesmo espaço. As razões que levam a este requisito de licenciamento prendem-se com questões de interesse público, adiantou Vong Hin Fai. “A ponderação do Governo tem que ver com o interesse público das agências de emprego em que deve ser tido em conta a entrada e saída de pessoas para entrevistas que seria muito difícil de fazer sem ser em edifícios com fins comerciais ou escritórios”, explicou o presidente da comissão. Neste momento, das cerca de 150 agências de

“A comissão esteve a discutir os requisitos para emissão e renovação de licenças para pessoas singulares e colectivas. É preciso saber se as pessoas singulares têm que ser residentes de Macau e se as pessoas colectivas têm que ter sede em Macau.” VONG HIN FAI DEPUTADO

emprego que se encontram a funcionar no território, três estão em edifícios que não são adequados às

suas funções. “Uma está localizada num edifício industrial e duas num edifício hoteleiro”, esclareceu o

PEQUIM ZHANG RONG SHUN NOMEADO SUBDIRECTOR DO GABINETE DE LIGAÇÃO

D

E acordo com a página oficial do Conselho de Estado da República Popular da China, referida pelo canal chinês da Rádio Macau, Zhang Rong Shun foi nomeado como subdirector do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM, enquanto que Chen Sixi foi exonerado das funções que desempenhava nesse cargo. Zhang Rong Shun tem vindo a desempenhar o cargo de chefe de gabinete de estudos do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional.

Há dias a publicação Macau Concelears avançou com a notícia, citando fontes não oficiais. Chen Sixi está, portanto, de saída. Numa das últimas declarações públicas que fez, em Dezembro do ano passado, Chen Sixi referiu-se ao sistema jurídico de Macau e à necessidade de “impulsionar a unificação da China”, à luz da “nova Era de socialismo chinês” saído do 19º Congresso Nacional do Partido Comunista Chinês. A discursar perante uma plateia de juristas e académicos, Chen Sixi fez questão de

vincar o compromisso com o “cumprimento rigoroso da Constituição e Lei Básica de Hong Kong e Macau”, assim como empenho em assegurar a estabilidade das duas regiões administrativas especiais. De seguida, o vice-director do Gabinete de Ligação referiu as fortes ligações entre a lei portuguesa e a legislação local, adiantando que “depois da transferência houve um grande desenvolvimento” que implica a necessidade de “rever a lei para a adequar à nova realidade”.

deputado. O Governo já está a negociar a relocalização da empresa que se encontra no edifício industrial. Relativamente às restantes duas, uma delas, caso não mude de instalações até o próximo dia 1, terá a sua licença de funcionamento retirada e a outra mudará de instalações. Vong Hin Fai revelou desconhecer as razões que vão levar à retirada da licença. Sofia Margarida Mota

sofia.mota@hojemacau.com.mo

MTC Cooperação com Zhongshan aposta na medicina A Medicina Tradicional Chinesa é a principal aposta do Governo no âmbito da relação com a cidade de Zhongshan. A ideia foi reforçada por Chui Sai On que se encontra em viagem pelas cidades que constituem a Grande Baía. Ontem, Fernando Chui Sai On visitou as instalações da empresa da Zhongzhi Pharmaceutical Group Co e destacou as vantagem que Zhongshan poderá obter se recorrer às vantagens tecnológicas, científicas e às plataformas existentes na RAEM. Fizeram também parte da comitiva a secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, o porta-voz do Conselho Executivo, Leong Heng Teng, os membros do Conselho Executivo, Cheang Chi Keong, Ho Sut Heng e Chan Chak Mo.


política 5

terça-feira 26.6.2018

O

DEPUTADO Au Kam San quer saber qual o ponto da situação do plano de produção de energia a gás natural que, de acordo com o Governo, está há oito meses em fase final. “Segundo a resposta das autoridades a uma interpelação minha, a 25 de Setembro do ano passado, ‘o novo plano e produção energética a gás natural encontra-se na fase final de apreciação’”, refere o deputado pró-democrata em interpelação escrita. O tribuno recorda que a iniciativa do Governo surgiu após a passagem do Hato, altura em que, devido aos

ENERGIA AU KAM SAN PEDE PONTO DE SITUAÇÃO QUANTO À NOVA CENTRAL ELÉCTRICA

Em estado gasoso

aponta o tribuno. No entanto, lamenta, o plano em causa foi sempre posto de lado pelas autoridades e só depois da passagem do Hato pelo território “é que o Governo aprendeu a lição”.

TIAGO ALCÂNTARA

Au Kam San quer saber para quando vai avançar o projecto da central eléctrica a gás natural que, de acordo com o Governo, há oito meses estava em fase final de apreciação. Para o deputado, a infraestrutura é urgente para garantir o fornecimento de energia ao território, principalmente depois das falhas verificadas com a passagem do tufão Hato

PROMESSAS PASSADAS

A passagem do Hato deu-se a 23 de Agosto do ano passado. A 25 de Setembro o Executivo afirmava em resposta a uma interpelação de Au Kam San que o projecto estaria em fase final de apreciação. Porém, desde então, não se verificou qualquer avanço. Além de querer saber o ponto da situação desta iniciativa, o deputado eleito pela via directa questiona o Executivo se esta nova central poderá, uma vez em funcionamento, satisfazer 30 por cento do consumo efeitos do tufão, o território ficou com algumas zonas sem electricidade durante um longo período de tempo. O problema, afirma Au, está no facto de Macau depender de energia importada do continente. Entretanto, caberia à companhia de Electricidade de Macau (CEM) produzir 65 por cento da energia necessária para abastecer Macau, sendo os restantes 35 por cento assegurados através de importação. “Porém, com a entrada em funcionamento de grandes hotéis e casinos, nos últimos anos, o consumo de electricidade aumentou drasticamente, situação que se mantem há mais de dez anos”, refere. Macau tem em funcionamento três centrais de

energia eléctrica, sendo que duas entraram em funcionamento nos anos 70 e 80 e estão prestes a ser inutilizadas”, explica. No que respeita à terceira, uma central a gás natural, entrou em funcionamento há mais de dez anos e esteve parada durante algum tempo devido à suspensão do fornecimento de gás natural. Com esta situação, “a CEM não consegue, de todo,

cumprir os termos contratuais”, afirma. Foi a própria CEM que pediu ao Executivo a construção de uma nova central a gás natural com o objectivo de aumentar a produção local de electricidade. “Esta construção, suportada por terrenos e recursos financeiros próprios da CEM, devia ter sido acolhida com toda a vontade e atempadamente autorizada pelo Governo”,

“Segundo a resposta das autoridades a uma interpelação minha, a 25 de Setembro do ano passado, ‘o novo plano e produção energética a gás natural encontra-se na fase final de apreciação’.” AU KAM SAN DEPUTADO

GRANDE BAÍA CHEFE DO EXECUTIVO PASSOU ONTEM POR JIANGMEN

O

Chefe do Executivo, Chui Sai On, esteve ontem em Jiangmen a liderar uma delegação, no âmbito de uma visita oficial relativa à política da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. De acordo com um comunicado oficial, foi feita uma visita à base de galvanoplastia de New Fortune Environmental Protection Co. Ltd.Yamen, tendo sido feita uma apresentação da Zona Piloto de Coo-

peração Industrial Guangdong-Macau (Jiangmen). Wen Yan, um dos responsáveis pela empresa, terá explicado que “a zona piloto estará dividida em três parques destinados à indústria de protecção ambiental, intitulados Parque de Empreendedorismo para Jovens de Macau e de Países da Língua Portuguesa, Parque desenvolvimento do turismo costeiro e de cuidados de saúde da medicina chinesa”. No que diz

respeito ao Parque de Empreendedorismo para Jovens de Macau e de Países da Língua Portuguesa, pode ajudar a cidade de Jiangmen a “servir de local de intercâmbio no desenvolvimento dos respectivos programas entre Macau e Países da Língua Portuguesa, bem como servir de corrente numa indústria que trará benefícios mútuos para as duas cidades, criando mais espaços de desenvolvimento”.

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local de electricidade, e em situação de emergência, 50 por cento do mesmo, tal como foi prometido pelo próprio Governo. Para Au Kam San, esta informação carece de justificação visto nada se saber acerca da capacidade do projecto. Com as falhas registadas no passado devido à suspensão de fornecimento de gás, o deputado quer ainda esclarecimentos acerca da estabilidade do funcionamento do projecto em causa. “Se a nova central a gás natural entrar em funcionamento, de que planos ou medidas em concreto dispõem as autoridades para assegurar o fornecimento estável do gás natural que aquela central vai usar?”, pergunta Au Kam San. Sofia Margarida Nota

sofia.mota@hojemacau.com.mo

HM • 2ª VEZ • 26-6-18

ANÚNCIO Proc. Ordinário de execução n.o

CV2-16-0241-CEO

2º Juízo Cível

Exequente: LEE CHI KWONG (李志光), divorciado, residente habitualmente em Macau, na Rua de S. Domingos, nº. 16-I, edifício “Centro Comercial Hin Lei”, 5 andar, sala 601. Executados: LEI SOI IN (李瑞賢), casado, de nacionalidade chinesa, residente em Macau, na Rua da Doca Seca, The Praia T3, 13 andar R, Macau; e a sua mulher LAM PAK KENG (林北京), casada, de nacionalidade chinesa, residente em Macau, na Rua da Doca Seca, The Praia T3, 13 andar R, Macau. Faz-se saber que nos autos acima indicados são citados os credores desconhecidos dos executados para, no prazo de quinze dias, que começa a correr depois de finda a dilação de vinte dias, contada da data da segunda e última publicação do anúncio, reclamar o pagamento dos seus créditos pelo produto do bem penhorado sobre que tenham garantia real e que é o seguinte: Bem Penhorado Bem Imóvel Denominação da fracção autónoma: R13, 13º andar “R”. Situação: Em Macau, nºs 8 a 124 da Rua da Doca Seca, nºs 4 a 74 da Rua da Bacia Sul e nºs 369 a 441 da Avenida Marginal do Lam Mau. Fim: Para habitação. Número de matriz: n.º 073711. Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: nº. 22826, a fls. 109 do Livro B55L. Número de inscrição da propriedade horizontal: nº. 32687F. Aos 9 de Abril de 2018.


6 sociedade

26.6.2018 terça-feira

ECONOMIA PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS QUEREM MAIOR APOSTA NA DIVERSIFICAÇÃO

Doenças crónicas

A

falta de mão-de-obra e a falta de um política eficiente por parte do Governo para promoverem uma verdadeira diversificação da economia local são os principais problemas que as Pequenas e Médias Empresas (PME) atravessam no território. A explicações foram fornecidas por Stanley Au, presidente da Associação de Pequenas e Médias Empresas de Macau, ao HM. “As Pequenas e Médias Empresas enfrentam desafios muito grandes e o Governo tem de agir para resolver estes problemas. O Executivo tem de perceber que a nossa economia não pode estar apenas dependente do jogo e tem de apoiar a diversificação através das PME”, disse Stanley Au, à margem da apresentação de um relatório da associação sobre as PME para o período de 2017 a 2018. “Para haver diversidade da economia vai ser necessário contratar pessoas qualificadas, tem de haver uma maior importação de trabalhadores do exterior. Mas estamos a falar de trabalhadores altamente qualificados, que não vêm para competir com os trabalhadores locais. Têm outros conhecimentos e é preciso que se explique isso bem”, acrescentou. A Associação de Pequenas e Médias Empresas de Macau apre-

O

secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, diz continuar a apoiar o Festival Literário Rota das Letras e que Carlos Morais José e Alice Kuok são “competentes” para os cargos que vão assumir na direcção do evento, de acordo com declarações feitas ao canal de rádio da TDM. No domingo foi anunciado que Carlos Morais José, director do Hoje Macau, vai assumir as funções de director de programação do festival, e que Alice Kuok, presidente da Associação Arts for

RÓMULO SANTOS

A falta de mão-de-obra e políticas eficientes de diversificação da economia limitam as aspirações das PME locais, segundo o relatório da Associação de Pequenas e Médias Empresas de Macau. A mesma associação alerta que as PME locais não estão informadas o suficiente sobre o Continente para aproveitarem a Grande Baía

sentou ontem o relatório anual para 2017-2018. O documento, feito em parceria com Conselho de Produtividade de Hong Kong, aponta os principais desafios das PME. Entre os aspectos mencionados consta a falta de informação e preparação das empresas locais para aproveitarem as oportunidades que vão surgir com a Grande Baía, falta de mão-de-obra, ausência de indústria e ainda limitações educativas a nível das ciências, tecnologia, engenharias e matemáticas. O relatório aponta ainda quatro estratégias para diversificar a economia: criar um novo modelo de turismo e uma nova imagem do território, aumentar a competitividade das PME, criar um ecossistema empresarial e de inovação e, finalmente, criar um centro de profissionais na área do turismo.

PROBLEMA DA ESPECULAÇÃO

STANLEY AU PEDE MEDIDAS CONTRA ESPECULAÇÃO

E

m relação ao problema da habitação, Stanley Au defende que o mais importante é combater a especulação. O empresário que lidera o Banco Delta Ásia defende que a procura é essencialmente gerada por compradores do Interior da China. “Os novos aterros devem ser destinados à

Uma nova rota

Alexis Tam mantém apoio ao festival literário

All, passa a ocupar o cargo de directora executiva. “O [Festival Literário] Rota das Letras já conta com o meu apoio desde o início. Na altura, eu era chefe de gabinete do chefe do Executivo. Foram escolhidos e penso que são competentes para os cargos”, afirmou Alexis Tam à mesma fonte. O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura falava na Escola São

Paulo, à margem da inauguração de uma exposição dedicada a Giorgio La Pira, um activista católico e político italiano que contribuiu para a adesão da China à Organização das Nações Unidas (ONU), em 1971. Um dos fundadores do evento, Hélder Beja, deixou o cargo de director de programação no final da edição deste ano do festival.

Um dos desafios mais comuns para as PME é o custo das rendas, considerados elevados. Em relação a este assunto, Stanley Au explicou que a subida dos juros poderá contribuir para aliviar a situação das empresas. “Acredito que com as taxas de juro a subirem as pessoas procurem outros locais para investir e que isso talvez permita aliviar um pouco o preço das terra”, apontou. Por outro lado, também criticou o excesso da dependência do jogo, pela falta de produtividade: “Se houver menos jogo, terá de haver um crescimento das PME. Isso é positivo. Neste momento, não precisamos de mais jogo, até porque os fundos do Governo de Macau são suficientes”, defendeu. “Também este dinheiro não é realmente produtivo, ele vem do Interior da China não é propriamente um ganho. Era mais importante se fosse dinheiro vindo de fora, do estrageiro”, sublinhou.

habitação. Mas é importante que se perceba que o mercado vive muito da procura dos residentes do Interior da China, não é das pessoas de Macau”, frisou. “Se conseguirmos reduzir a procura com medidas contra a especulação, os preços deixarão de ser um problema”, acrescentou.

Hélder Beja explicou que não tinha condições para continuar no cargo depois da presença de três escritores ter sido cancelada por não terem entrada garantida em Macau.

ROTA ESCOLAR

Entretanto, a possibilidade de voltar a levar o festival às escolas depende do interesse dos próprios estabelecimentos. Questionado pelo canal de rádio da TDM sobre se a iniciativa vai ser retomada no próximo ano, o director dos Serviços de Educação e Juventude, Lou Pak Sang,

remete a decisão para as escolas. “Na última edição, a organização do festival disse-nos muito tarde. Por isso não conseguimos arranjar os dias que eles queriam, porque as escolas tinham exames. No próximo ano tudo vai depender se eles nos dizem com antecedência e se as escolas estão interessadas ou não. Devo sublinhar que quando informamos as escolas, explicamos basicamente o estilo de escrita, depende se as escolas estão interessadas”, afirmou. O próximo festival vai ter lugar de 15 a 24 de Março.

João Santos Filipe

info@hojemacau.com.mo


sociedade 7

terça-feira 26.6.2018

IACM 715 assinaturas contra o crematório

Cerca de 715 moradores que vivem nas redondezas do cemitério Sa Kong, onde o Governo planeia construir um crematório, entregaram ontem uma carta no Instituto para Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) a manifestarem-se contra o projecto. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, um dos representantes dos moradores defendeu que o crematório vai ficar demasiado próximo das habitações e trará um impacto negativo para os residentes. O mesmo morador também se queixou da forma como o Governo tem conduzido o projecto, devido à falta de informação. Por outro lado, o representante sugeriu ao Governo que mude a actual lei, para permitir a construção de crematórios fora de cemitérios.

Educação Novo manual de História concluído até ao início das aulas

O director dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), Lou Pak Sang, disse ontem que a nova versão do manual de História está em fase de edição e que o objectivo é tê-la pronta a tempo do início das aulas, de acordo com o canal de rádio da TDM. Lou Pak Sang reiterou que vai ser retirada a parte do livro que associava os portugueses a actividades de contrabando e corrupção em Macau. “É sobre os termos utilizados sobre a chegada dos portugueses a Macau. Mas, basicamente, respeitamos a editora e todos os académicos que estão envolvidos na elaboração do manual”, afirmou. Lou Pak Seng falava na Escola São Paulo, à margem da inauguração de uma exposição dedicada ao activista e político italiano Giorgio La Pira, que foi presidente da Câmara de Florença, onde faleceu em 1977, aos 73 anos.

Ensino superior GAES lança inquérito sobre emprego dos graduados

O Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES) vai lançar amanhã um inquérito sobre a situação de emprego e do prosseguimento dos estudos um ano após a graduação dos estudantes do ensino superior de Macau. O inquérito, o quinto do tipo, decorre até 10 de Agosto. O questionário versa sobre a actual situação de emprego dos que concluíram o curso no ano lectivo 2016/17, incluindo sector profissional, cargo, rendimento médio mensal, local de trabalho, bem como a intenção de prosseguirem os estudos, entre outros. Os dados recolhidos visam servir de referência para o Governo na elaboração de políticas, indicou o GAES em comunicado.

DROGA ASSOCIAÇÃO DEFENDE QUE PENAS EM MACAU SÃO LEVES

Os draconianos

O Centro da Política da Sabedoria Colectiva considera que as penas para os crimes relacionados com droga são leves comparativamente às regiões vizinhas

E

MBORA reconheça que os crimes relacionados com droga têm diminuído, nomeadamente devido aos esforços das autoridades, o Centro da Política da Sabedoria Colectiva adverte que não só há mais casos escondidos como também transfronteiriços, algo que atribui principalmente às penas leves aplicadas em Macau comparativamente às das regiões vizinhas. Em conferência de imprensa, realizada ontem, o Centro da Política da Sabedoria Colectiva argumentou que, por essa razão, Macau figura como um destino privilegiado para crimes relacionados com droga, pelo que insta o Executivo a

proceder a uma revisão periódica da lei relativa à proibição da produção, do tráfico e do consumo ilícitos de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas. “Apesar da nova lei de combate à droga ter entrado em vigor no ano passado e os artigos terem sido clarificados, as penas aplicadas em Macau são muito leves comparando com a China e Hong Kong”, afirmou a vice-presidente do Centro da Política

“As penas aplicadas em Macau são muito leves comparando com a China e Hong Kong”

da Sabedoria Colectiva, Cheong Sok Leng. A mesma responsável fez um paralelismo com a antiga colónia britânica, onde o consumo de estupefacientes pode ser punido com sete anos de prisão – contra a pena máxima de um ano de cadeia em Macau –, bem como com o interior da China, onde o tráfico de droga pode resultar em prisão perpétua ou em pena de morte – quando em Macau a pena máxima prevista é de 15 anos.

PONTE DA DROGA

Na perspectiva de Chan Ka Leong, também vice-presidente do Centro da Política da Sabedoria Colectiva, o Governo deve rever, de forma periódica, a lei

de combate à droga, bem como definir que os consumidores reincidentes sejam obrigados a submeter-se a tratamento. Em paralelo, Chan Ka Leong considera que as sanções incluídas na Lei do Trânsito Rodoviário para casos de condução sob o efeito de droga e/ou álcool devem ser aperfeiçoadas. O mesmo responsável advertiu ainda que a abertura da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau e da nova fronteira de Qingmao podem potenciar os crimes relacionados com droga, pelo que defende uma maior aposta na cooperação inter-regional a este nível, sugerindo ainda que o Executivo aborde com as regiões vizinhas a entrega de infractores em fuga. Considerando ainda que os residentes, sobretudo os jovens, não têm conhecimentos suficientes sobre as novas drogas, com alguns a consumirem-nas precisamente por desconhecimento, o vice-presidente da Centro da Política da Sabedoria Colectiva exorta o Governo a reforçar a sensibilização nas escolas, propondo também a criação de um pavilhão expositivo a fim de consciencializar os residentes. Vítor Ng

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8 sociedade

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NICOLA DI’NUNZIO

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ÁRIOS espaços em Macau acolhem, a partir do próximo dia 9, a mostra “Alter Ego” composta por seis exposições e uma intervenção de arte urbana por 27 artistas de países lusófonos e da China. O fio que liga as seis exposições é uma “reflexão sobre o ser humano”, daí o conceito que dá nome à mostra, ‘alter ego’, “o segundo eu”, explicou a francesa Pauline Foessel, curadora da mostra com o artista português Alexandre Farto (Vhils), em declarações à agência Lusa. Apesar de serem seis exposições diferentes, com artistas diferentes, “idealmente o público deve visitar todas”. Entre os trabalhos expostos há “pintura, instalação, serigrafia, escultura”, estando algumas peças “ainda em produção, porque estão a ser feitas no local, são ‘site specific’”, referiu Alexandre Farto. “Há muita diversidade de meios e isso também vem do facto de se juntarem aqui 27 artistas, cada um com o seu percurso, o seu trabalho”, disse. Apesar disso, acrescentou Pauline Foessel, “há diálogo e interligação entre o trabalho dos artistas”. A ‘rota’ das exposições começa com “O Eu”, que estará patente no

26.6.2018 terça-feira

Todos a Macau Mostra com seis exposições junta obras de 27 artistas lusófonos e da China

Museu de Arte de Macau, “que é basicamente ‘eu tenho que me conhecer para começar a conhecer o outro’”, descreveu Pauline Foessel. Aqui estarão expostas obras do são-tomense Herberto Smith, da dupla de portugueses João Ó & Rita Machado, do chinês Li Hongbo, do moçambicano Mauro Pinto, de Vhils e do artista de Hong Kong Wing Shya.

De “O Eu”, segue-se para “O Outro”, partindo da premissa de que “para existir preciso do outro”. Esta exposição, que reúne trabalhos do guineense Abdel Queta Tavares, da macaense Ann Hoi, do cabo-verdiano Fidel Évora, dos portugueses Estúdio Pedrita e Ricardo Gritto, dos timorenses Tony Amaral e Xisto Soares, do chinês Zhang Dali e do artista de Hong Kong Yiu Chi

Leung, estará patente no Edifício do Antigo Tribunal. Na terceira exposição, “Da Linguagem à Viagem” passa-se “à interacção – entre mim e alguém preciso de linguagem –, com uma dupla de artistas [o brasileiro Marcelo Cidade e o angolano Yonamine] a reflectir sobre esse conceito”. Na quarta exposição, que estará patente na Galeria de Exposições Temporárias do IACM, dá-se o “Choque Cultural”, que “pode acontecer nas trocas e nas viagens, por diferenças culturais”. Aqui será possível apreciar-se obras do moçambicano Gonçalo Mabunda,

dos angolanos Kiluanji Kia Henda e Nástio e do português Miguel Januário. “Depois disso passamos à ‘Globalização’ [patente nas Casas de Taipa], o conceito mais abrangente que surgiu de todas as interacções entre os diferentes países”, contou Pauline Foessel. Aqui estarão expostos trabalhos do brasileiro Guilherme Gafi e da portuguesa Wasted Rita. A sexta e última exposição, patente nas Oficinais Navais n.º1 – Centro de Arte Contemporânea, foi baptizada com o nome da mostra “Alter Ego” e é uma exposição individual do luso-angolano Francisco Vidal. Além das seis exposições dentro de portas, “Alter Ego” conta também com uma intervenção de arte urbana, “transportando os temas explorados no espaço museológico para a esfera pública”, da autoria do português Add Fuel. Os curadores, segundo Alexandre Farto, tentaram “reunir um conjunto de trabalhos fortes e que se interligassem uns com outros, porque também é uma oportunidade única de mostrar o trabalho destes artistas em Macau, que é uma porta de entrada para a China e para a Ásia em geral”. As seis exposições ficam patentes até 9 de Setembro.


desporto 9

terça-feira 26.6.2018

SPORTING BRUNO DE CARVALHO VOLTA ATRÁS A ASSUME-SE CANDIDATO À PRESIDÊNCIA

Monteiro têm razão”, além de estar “ferida de ilegalidades”. Sobre a auditoria forense, uma das medidas anunciadas por Artur Torres Pereira, presidente da Comissão de Gestão do clube, Bruno de Carvalho considera ser “mais um golpe de teatro”, uma vez que a sua direcção ia avançar com uma auditoria. “Não temos de temer absolutamente nada, temos é de nos sujeitar, e parece que isso é uma vontade dos associados, não pelo resultado de ontem, mas pelo que sentimos, a eleições”, considerou.

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M entrevista àTSF, explicou que a sessão “não teve os votos necessários para uma AG destitutiva”, mesmo que as assinaturas tenham sido verificadas por um notário, até porque “75 por cento dos sócios que requereram têm de estar presentes, e Jaime Marta Soares [presidente demissionário da Mesa da Assembleia Geral] não tem forma de o comprovar”. Bruno de Carvalho disse poder apresentar “muitas mais razões”, elencando ainda o facto de que, “para ter validade”, a AG ter de ser publicitada no jornal do clube, e avançou ainda que foi impedido de falar na AG de sábado por Jaime Marta Soares, momento em que iria falar das “razões” e pedir “paz” aos sportinguistas.

“Os sportinguistas queriam que reconhecêssemos que querem uma forma diferente de falar, de estar, mas querem uma forma igual de gerir, e nós tiramos ilações, e é isso que queremos continuar a fazer no Sporting.” BRUNO DE CARVALHO

Mesmo reforçando que a “forma de ser e estar” que tem tido como presidente dos ‘leões’foi “votada em Fevereiro e teve 90 por cento a favor”, numa outra assembleia para votar alterações aos estatutos e um ‘voto de confiança’ao Conselho Directivo, o gestor diz que a equipa que lidera compreendeu há muito tempo o que os sportinguistas queriam. “Os sportinguistas queriam que reconhecêssemos que querem uma forma diferente de falar, de estar, mas querem uma forma igual de gerir, e nós tiramos ilações, e é isso que queremos continuar a fazer no Sporting”, atirou. Bruno de Carvalho disse ainda que não consegue “acreditar que os sportinguistas tenham dado justa causa aos atletas e acusado o presi-

dente de ser o mandante do que se passou na Academia”, em que vários jogadores foram agredidos antes da final da Taça de Portugal, perdida para o Desportivo das Aves. Ao candidatar-se a eleições, o dirigente pretende continuar a confiar numa “equipa forte e coesa para a MAG e para o Conselho Fiscal” e diz que estão “calmos, confiantes, e de forma humilde e apaixonada a querer perceber e entender o que foram os erros apontados pelos sportinguistas”. “As pessoas que votaram sim à destituição votaram sim a uma mudança de forma, não de conteúdo. A uma mudança de discurso e a vontade de eleições, e nós, perante uma conferência de imprensa [da Comissão de Gestão] que em nada dignificou o Sporting, decidimos

então que vamos a eleições e que vamos mostrar aos sportinguistas o que é a nossa vontade, que o Sporting seja dos sportinguistas, dos sócios e dos adeptos, e que seja de uma vez por todas um clube popular, do povo, e não de viscondes”, acrescentou.

GOLPES DE TEATRO

Para as eleições, previstas para 8 de Setembro, Bruno de Carvalho deixa a promessa de que “os resultados serão fidedignos” e que a sua candidatura irá “acatar claramente aquilo que for a decisão verdadeira dos sportinguistas”. A fechar, Bruno de Carvalho afirmou ainda que a impugnação pretende “acabar com a história de que em termos jurídicos Torres Pereira, Jaime Marta Soares e Henrique

FUTSAL BENFICA VENCE SPORTING E FICA A UMA VITÓRIA DO TÍTULO NACIONAL

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Benfica venceu fora o Sporting, por 9-6, após prolongamento, no terceiro jogo da final da Liga portuguesa de futsal, e ficou a um triunfo se sagrar campeão, depois

de dois títulos consecutivos dos ‘leões’. No pavilhão João Rocha, em Lisboa, o Benfica esteve a perder por 5-2, mas deu a volta na parte final e foi o Sporting

que fez o 6-6 no último minuto, forçando o prolongamento, no qual os 'encarnados' marcaram três golos sem resposta, por Bruno Coelho (42 e 49) e Fernandinho (50).

O Sporting venceu o primeiro jogo (5-4) e o Benfica igualou a final ao ganhar o segundo (3-2), forçando assim a realização de um quarto jogo, que está marcado

para dia 27 de Junho, quarta-feira, no pavilhão da Luz, em Lisboa. Um eventual quinto encontro está agendado para 30, novamente na casa dos ‘leões’.

GLOBAL IMAGENS

Bruno de Carvalho, que no sábado foi destituído de presidente do Sporting pelos sócios em AssembleiaGeral (AG), disse no domingo que pretende impugnar a sessão por estar “ferida de tudo” no que diz respeito ao cumprimento dos estatutos, mas voltou ontem atrás. O presidente destituído revelou no Facebook que pretende candidatar-se às eleições de Setembro

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As sete vidas de Bruno

A Comissão de Gestão do Clube, liderada por Artur Torres Pereira, anunciou ontem que o antigo presidente do Sporting José Sousa Cintra tinha sido nomeado para a presidência da SAD do emblema lisboeta, em substituição de Bruno de Carvalho, que então anunciou, através do Facebook, que ia impugnar a AG. Após o término da AG, Bruno de Carvalho tinha dito aos sócios que não se candidatava “de certeza”, depois de a destituição do Conselho Directivo por si liderado ter sido aprovada no sábado com 71,36 por cento de votos favoráveis, contra 28,64 por cento de votos no sentido da sua continuidade. Artur Torres Pereira explicou, em conferência de imprensa, que a Comissão de Gestão e a solução encontrada para a SAD deverão manter-se até novas eleições para os órgãos sociais do clube, e que os membros deste órgão começarão a trabalhar a partir de segunda-feira nas instalações do Sporting.


10 mundial 2018

26.6.2018 terça-feira

A queda dos anjos

A Rússia levou um banho de realidade. Latin America style…

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Uruguai conquistou ontem o Grupo A do Mundial2018 de futebol, ao bater a anfitriã Rússia por 3-0, num encontro, da terceira jornada, entre duas seleções que já tinham assegurado o apuramento para os oitavos de final. Luis Suárez, aos 10 minutos, Denis Cheryshev, aos 23, na própria baliza, e Edinson Cavani, aos 90, apontaram os tentos dos sul-americanos, que jogaram contra 10 desde os 36, quando Igor Smolnikov viu o cartão vermelho, por acumulação de amarelos. Já a Inglaterra qualificou-se no sábado para os oitavos de final do Mundial de futebol, com uma goleada de 6-1 ao Panamá, e arrastou consigo a Bélgica, no dia em que a Polónia ‘comprou bilhete’ de regresso a casa. Os sete golos do Inglaterra-Panamá, disputado em Nijni Novgorod, foram maior contributo para os 14 tentos do dia, um registo que não sucedia em Mundiais desde 10 de junho de 1990 num dia com um máximo de três jogos. Depois do triunfo da Bélgica sobre a Tunísia (5-2), no sábado, PUB

a vitória de Inglaterra arruma as contas no Grupo G, com ingleses e belgas no topo – ambos com seis pontos. O resultado desnivelado comprovou a diferença de qualidade das duas formações, e Harry Kane aproveitou para fazer o segundo ‘hat trick’ do torneio, depois de Cristiano Ronaldo frente à Espanha, e chegou aos cinco golos, mais um do que Ronaldo e o belga Romelu Lukaku. John Stones, por duas vezes, e Jesse Lingard acrescentaram volume à goleada que foi construída no primeiro tempo, com cinco dos seis golos nos primeiros 45 minutos, mas o tento de Felipe Baloy, aos 78 minutos, quando os panamianos já tinham encaixado seis golos, conseguiu ainda assim colocar o Panamá em festa. A nação centro-americana estreou-se na Rússia em campeonatos do mundo e o tento do médio de 37 anos, frente à campeã do mundo em 1966, foi o primeiro em Mundiais, com uma ‘onda’ de emoção a varrer as bancadas e jogadores e equipa técnica do Panamá.

No Grupo H, a Colômbia venceu a Polónia por 3-0 e reentrou na rota dos oitavos no Mundial, ditando a despedida da seleção europeia após a primeira fase, muito por força do empate 2-2 entre Japão e Senegal, líderes do agrupamento. Japão e Senegal têm quatro pontos cada, e a Colômbia soma agora três, enquanto os polacos continuam a zero. A vitória dos colombianos ditou a primeira eliminação de uma equipa europeia, com os polacos a ‘fazerem as malas’ depois do jogo

com o Japão, na terceira jornada. Para a Colômbia foram decisivos três antigos jogadores do FC Porto: James Rodríguez assistiu o primeiro golo, de Yerry Mina, e o terceiro, de Juan Cuadrado, enquanto Juan Quintero ofereceu o segundo a Falcao. A Polónia, que estava no primeiro pote e era a cabeça de série do grupo, abandona um Mundial pela terceira vez consecutiva na fase de grupos, depois de 2002 e 2006, sendo que nessas ocasiões

também perdeu os dois primeiros jogos, chegando ao último já sem nada para disputar. Antes, num jogo equilibrado e com muitas oportunidades de parte a parte, o Senegal adiantou-se duas vezes no marcador, por Sadio Mané e Wagué, mas duas vezes o Japão recuperou. A exibição combativa e de pendor ofensivo dos nipónicos impediu os africanos de se qualificarem, com Takashi Inui em destaque, ao marcar o primeiro golo e assistir o segundo, de Honda.


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terça-feira 26.6.2018

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ÁLIDA exibição de Portugal face ao Irão, que resultou num empate. A selecção portuguesa qualificou-se para os oitavos de final do Mundial de 2018, marcando encontro com o Uruguai, ao empatar 1-1, na terceira jornada do Grupo B, em Saransk. Ricardo Quaresma, aos 45 minutos, ainda prometeu alguma magia, ao marcar o golo da formação das ‘quinas’ de trivela, enquanto Karim Ansarifard apontou o tento dos iranianos, aos 90+3, de grande penalidade, já depois de, aos 53, Cristiano Ronaldo ter desperdiçado um castigo máximo. O Irão termina com quatro pontos, no terceiro lugar. Depois de ido a perder para o intervalo, fez o empate em cima do minuto 90 e, pouco depois, esteve pertíssimo de marcar novamente, o que teria significado a eliminação de Portugal. Contudo, Fernando Santos afirmou: “Entrámos bem no jogo, estivemos bem, controlámos sempre o jogo, o Irão teve um ou dois lances de contra-ataque na primeira parte. A partir de uma determinada altura foi difícil jogar, houve marcação homem a homem em todo o campo, os jogadores ficaram um bocado perdidos sobre o que estava a acontecer. O William estava muito perdido.” O seleccionador explicou que “ficou perigoso, porque só havia um jogador ao meio, os outros dois jogadores não estavam a fechar. Rectificámos isso ao intervalo e entrámos a controlar, podíamos ter resolvido melhor e não o fizemos, e sofremos um golo. Estes jogos são assim, já o tinham provado com Marrocos e Espanha. O mais importante era passar e graças a Deus passámos.” Já João Mário realçou que “passámos aos oitavos de final. Agora é passo a passo, o ‘mata mata’ é diferente, vamos jogar com uma excelente seleção, mas também o somos e vamos dar o nosso melhor. Com o VAR é difícil, há muitas paragens. Estamos aqui para jogar e demos o nosso melhor, isso é o mais importante.” Nos oitavos de final, Portugal, que foi segundo do Grupo B, atrás da Espanha, que empatou 2-2 com Marrocos, e Uruguai defrontam-se no sábado, pelas 21:00 locais (19:00 em Lisboa), no Estádio Fisht, em Sochi.

EMPATE COM O IRÃO “OFERECE-NOS” URUGUAI NOS OITAVOS DE FINAL

O nó górdio Portugal não quis ou não soube desatar o nó que Queiroz teceu. Quaresma desfez a coisa como ele sabe mas depois fomos lentos... lentos... ao desespero... e ao golo do empate dos nossos adversários

FACTOS DIVERSOS...

Maradona Ele quer dar uma mãozinha

Diego Armando Maradona gostava de convocar antigo glórias da seleção argentina e conversar com os internacionais argentino que estão no Mundial para os ajudar a dar a volta à actual situação. «Gostava de ter uma reunião com Pumpido, Goycochea, Caniggia, Troglio, Passarella e Valdano. É preciso defender a nossa honra e dos rapazes. Custou muito ver a Croácia chegar a marcar três golos, pelo que não podemos ficar de braços cruzados», afirmou Maradona, em declarações à Imprensa local. A Argentina empatou com a Islândia e depois perdeu frente à Croácia (3-0).

Neymar Bebedeira pela certa

Neymar tem sido bastante criticado neste Mundial pelos constantes ‘mergulhos’ para o relvado, mas há quem tenha visto nas quedas do brasileiro uma oportunidade de negócio. O ‘Sr Walter pub’, bar situado no Rio de Janeiro, decidiu oferecer uma bebida grátis por cada tombo do jogador no encontro com a Sérvia, marcado para esta quarta-feira. “Rumo ao hexa. A cada tombo do Neymar, uma rodada de shot por conta da casa’”, pode ler-se no anúncio publicado nas redes sociais.

ESPANHA VENCE GRUPO B A

Espanha apurou-se para os oitavos de final do Mundial2018 de futebol, ao empatar 2-2 com Marrocos, em jogo da terceira jornada do grupo B, disputado em Kaliningrado. Os marroquinos estiveram duas vezes em vantagem, por Khalid Boutaib, aos 14 minutos, e por Youssef En Nesyri, aos 81, mas a equipa espanhola soube reagir sempre e igualou nas duas vezes por Isco (19) e por Iago Aspas (90+1). Com o empate 1-1 entre Portugal e Irão, a Espanha assegurou o primeiro lugar com cinco pontos

PENÁLTI ESTABELECEU NOVO RECORDE

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om o penálti assinalado a favor de Portugal, diante do Irão, ficou estabelecido um novo recorde de penáltis assinalados em Campeonatos do Mundo. Cristiano Ronaldo atirou para defesa de Beiranvand, mas este foi o 19º penálti do Mundial2018, superando assim os registos de 1990, 1998 e 2002. Destes dezanove penáltis, foram concretizados quinze: Cristiano Ronaldo junta-se a Messi (Argentina), Christian Cueva (Peru) e Al Muwallad (Arábia Saudita) na lista dos que desperdiçaram o pontapé da marca de onze metros.

Salah Não gosto de ser usado, pronto!

Mohamed Salah estará a ponderar deixar a selecção do Egito. De acordo com a CNN, o avançado egípcio falou com os seus companheiros e com os dirigentes da Federação egípcia para dar conta de que pretende deixar a equipa, já eliminada do Mundial. O jogador do Liverpool considera que está a ser “usado como símbolo político” no Egipto, depois de ter sido apelidado de “cidadão honorário” da Chechénia durante um banquete promovido pelo líder checheno Ramzan Kadyrov, para o qual a equipa foi convidada. O porta-voz da selecção já veio a público negar estes rumores. “Salah está connosco e está feliz. Está a comer e a divertir-se com os colegas. Está a treinar bem e isso significa que não há qualquer problema”, referiu.


12 eventos JANICE WONG

26.6.2018 terça-feira

“Aqui tudo é muito colorido. Desta vez não é tanto essa experiência interactiva do ponto de vista tecnológico, mas é uma interacção diferente” CRISTINA KUOK MGM

SETSUNA

sociais nos dias de hoje, Cristina Kuok garantiu que a ideia é que se possa estabelecer um novo paradigma de entretenimento. “Hoje em dia as redes sociais são muito importantes, tal como o lado de manter as memórias. Se olharmos para a Grande Praça, é um lugar onde as pessoas podem aproveitar o seu tempo e relaxar. O entretenimento pode assumir várias formas”, adiantou a responsável do MGM.

ENTRE BALÕES E ESPELHOS

TOM TOM

Espelho meu

MGM EXPOSIÇÃO “ART IS PLAY” É HOJE INAUGURADA JUNTO À GRANDE PRAÇA

Cinco artistas, uma delas de Macau, vão mostrar as suas obras na exposição “Art is Play”, que está disponível ao público até ao dia 9 de Setembro. Cristina Kuok, directora do departamento de artes e desenvolvimento cultural do MGM, fala de uma iniciativa que visa levar o público a uma nova experiência em termos de entretenimento

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A memória de Cindy Ng sobre a sua terra natal o elemento água tem particular importância. A que cai do céu, a que sai da terra, a que permanece. Em “Mindscape”, Cindy Ng retrata a água com panos de tule a cair do tecto, que nos ajudam a compor o nosso próprio imaginário. Cindy Ng, nascida em Macau, vive em Pequim onde assume ter encontrado um lugar para o fluir da criatividade. Ela é uma das cinco artistas que integra a exposição colectiva “Art is Play”, que é hoje inaugurada junto à Grande Praça

do MGM e que estará aberta ao público até ao dia 9 de Setembro. Se em “Mindscape” temos acesso às memórias da artista sobre Macau, logo de seguida entramos no universo da japonesa Ayumi Adachi, em “Setsuna 0.013 seconds”, que nos remete não só para os últimos instantes da vida do ser humano, em que tudo o que está para trás é recordado, mas também os últimos instantes de tempo de qualquer momento importante das nossas vidas. Ayumi Adachi vive em Hong Kong e levou a obra “Setsuna 0.013 seconds” a outros espaços expo-

sitivos, como é o caso de Xangai. Aos jornalistas, durante a visita guiada, a artista revelou que esta obra tem uma grande componente de meditação. “Compreendo que talvez não faça sentido para muitos, porque falo do momento da morte que as pessoas ainda não vivenciaram”, assumiu. Ao mesmo tempo, a música ajuda a compor a experiência de quem entra na sala azul, enquanto que os espelhos funcionam como um reflexo. “Art is Play” é, como o nome indica, uma exposição que pretende ir além de uma simples mostra

de arte. É um lugar onde o público pode ter as suas próprias experiências, sendo convidado a utilizar o telemóvel ou a câmara fotográfica para registar os momentos de interacção com as obras que vê. O ano passado o MGM realizou uma exposição com uma forte componente tecnológica, mas desta vez o rumo foi diferente. “Aqui tudo é muito colorido, e esse foi um dos pontos mais importantes que tivemos em consideração quando começamos a fazer o trabalho de curadoria com os nossos consultores e parceiros. Desta vez não é tanto essa experiência interactiva do ponto de vista tecnológico, mas é uma interacção diferente.” “Queremos que as pessoas percam tempo a tirar fotografias e a serem criativas com as câmaras fotográficas e telemóveis”, frisou Cristina Kuok. “Temos um projecto mais meditativo com a obra de Cindy Ng e depois passamos para uma sala muito colorida com balões e depois temos os padrões e os espelhos. Não tivemos um objectivo específico, porque fizemos aqui muitas combinações e tivemos em conta as diferentes experiências que poderíamos providenciar nas salas. Desta vez é mais sobre o Instagram, selfies com a família ou os amigos, é esse lado divertido.” Questionada sobre a relação crescente entre a arte e as redes

Depois de passarmos por duas salas que nos levam a um estado mais meditativo, chegamos ao trabalho de tomtom, uma artista inglesa que cresceu em Hong Kong e que assina o projecto “Orangelicious”. Com balões de vários tamanhos, a ideia é que os visitantes possam tirar fotografias com o laranja como cor de fundo. “É como estar no país das maravilhas, num momento feliz. Este é o paraíso da selfie, que retrata também a época do verão, quando tínhamos alegria durante as nossas férias”, disse tomtom. Depois de “Walala x Play”, de Camille Walala, que nos remete para o movimento Pop Art, cheio de espelhos e formas diferentes, chegamos à instalação de Janice Wong, uma artista da doçaria oriunda de Singapura, que possui uma loja com o seu nome no empreendimento da MGM no Cotai. No corredor escuro podem observar-se 20 mil flores feitas com chocolate e açúcar à mão, até que se chega à instalação principal, feita de pequenas flores, onde se pode ler “Bring Art to Life” (Trazer a arte à vida). Em “Sugar Glow Garden” foram gastas 700 horas de trabalho. No ar cheira a chocolate, e a própria Janice Wong revelou como é importante para ela despertar os cinco sentidos. “Só trabalho com materiais comestíveis, e utilizei muito as cores azul e lilás, porque queria trazer serenidade ao espaço. Para mim é assim que a arte deve ser, divertida e com ligação aos cinco sentidos”, rematou Janice Wong. A entrada nesta exposição é de 120 patacas, sendo que crianças até aos três anos de idade não pagam bilhete. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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26.6.2018 terça-feira

CRÉDITO BANCÁRIO REGULADORES LIBERTAM 86.000 MILHÕES DE EUROS

COREIAS SECRETÁRIO DA DEFESA DOS EUA NA CHINA PARA ABORDAR DESNUCLEARIZAÇÃO

O americano intranquilo

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Crime Homem conduz empilhadora contra peões e faz um morto e dez feridos

Uma pessoa morreu e dez ficaram feridas ontem quando um homem conduziu uma empilhadora contra peões numa cidade do leste da China, acabando por ser abatido pela polícia, segundo um comunicado das autoridades locais. O incidente ocorreu às 7h20, perto de uma estação de autocarros, em Yantai, província de Shandong, detalhou um comunicado do gabinete local de segurança pública. O homem, identificado como Wang, tinha 45 anos, e era natural de Suihua, uma cidade da província de Heilongjiang, nordeste do país. Um vídeo do incidente, difundido pelo portal de notícias The Beijing News, mostra Wang a deixar um rasto de destruição, à medida que avança por uma rua movimentada. A certa altura, o homem empurra um carro cinzento ao longo de vários metros e, a seguir, levanta um carro preto com a empilhadora e carrega-o ao longo de cerca de 50 metros. O homem é travado pela polícia, que dispara por cinco vezes. A China tem registado vários incidentes do género, normalmente ligados a pessoas com problemas psicológicos ou com ressentimentos com vizinhos ou com a sociedade no geral.

O secretário da Defesa dos Estados Unidos, James Mattis, inicia hoje uma visita à China com uma agenda centrada no processo de desnuclearização da Coreia do Norte e na estabilidade regional, informaram ontem as autoridades chinesas A delegação sul-coreana foi encabeçada pelo coronel Cho Yong-geun, enquanto a norte-coreana foi liderada pelo coronel Om Chang-nam. O encontro entre representantes das duas Coreias visou restabelecer as linhas de comunicação ocidental e oriental, como as linhas de telefone e fax estabelecidas há anos para evitar qualquer mal-entendido que possa desencadear confrontos acidentais e que tinham sido suspensas durante os períodos de grande tensão entre os dois países. O canal de comunicação ocidental foi estabelecido em 2002 e acabou por ser suspenso em 2016, na sequência do teste nuclear que o regime norte-coreano realizou no início desse ano.

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S reguladores chineses libertaram mais 86.000 milhões de euros para crédito bancário, numa decisão que analistas afirmam que poderá tranquilizar investidores, numa altura em que se prevê uma guerra comercial com Washington. A redução no domingo do rácio das reservas dos bancos faz parte de uma série de cortes que os economistas previram antes do início das disputas com o Presidente norte-americano, Donald Trump. Mas os analistas consideram que o anúncio poderá servir para aliviar receios de que um aumento das taxas alfandegárias sobre parte das exportações para os EUA afectará o crescimento da economia chinesa. O banco central afirmou que o corte, o terceiro este ano, depois das reduções em Janeiro e Abril, visa ajudar as empresas estatais a restruturarem as suas dívidas. "Contra as tensões, a última redução da China no rácio das reservas, apesar de esperada, serve para contrabalançar sentimentos negativos", afirmou num relatório Jingyi Pan, da empresa de serviços financeiros IG. A quantidade de dinheiro que os bancos têm de manter como reservas no banco central será reduzida em 0,5 por cento dos seus depósitos, segundo o comunicado do Banco do Povo Chinês (banco central). O mesmo comunicado detalha que mais de 25.000 milhões de euros destina-se a crédito para pequenos negócios, e o resto para reestruturação de dívida.

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Mattis deverá também abordar a crescente militarização do Mar do Sul da China, fonte de tensão entre Pequim e Washington

AT T IS, que viaja a convite do ministro chinês da Defesa, Wei Fenghe, reunirá em Pequim com líderes e altos quadros do Governo, segundo um comunicado do ministério chinês da Defesa, citado pela televisão estatal CCTV. Trata-se da primeira visita à China de um secretário norte-americano da Defesa desde 2014 e ocorre uma semana depois de o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, ter reunido em Pequim com o Presidente chinês, Xi Jinping. Pequim é o principal aliado diplomático e maior parceiro comercial de Pyongyang. Mattis deverá também abordar a crescente militarização do Mar do Sul da China, fonte de tensão entre Pequim e Washington. Pequim reclama a quase totalidade do território, apesar dos protestos dos países vizinhos, e construiu ali ilhas artificiais capazes

de receberem instalações militares, incluindo aviões. Mattis advertiu recentemente o regime chinês para as "consequências", se "ignorar a comunidade internacional". A CCTV revelou ainda que Mattis irá viajar para a Coreia do Sul e Japão, onde abordará também a desnuclearização de Pyongyang.

PEQUENOS GRANDES PASSOS

Representantes da Coreia do Sul e da Coreia do Norte reuniram-se ontem para abordar o restabelecimento total dos canais de comunicação militar, com o objectivo de reduzir a tensão e gerar confiança no actual clima de aproximação. A reunião teve lugar na cidade fronteiriça da Coreia do Sul, Paju, e durou pouco mais de uma hora, disse um porta-voz do Ministério de Defesa do regime de Seul à agência de notícias EFE.

A comunicação telefónica foi restabelecida em Janeiro deste ano, antes dos Jogos Olímpicos de Inverno de PyeongChang, nos quais participou a Coreia do Norte, marcando o desanuviamento das relações entre as duas Coreias. A linha de comunicação oriental foi estabelecida em 2003, mas o seu bloqueio teve lugar em 2011, para ser cortada por completo em 2013 devido a um incêndio florestal. A possibilidade de restabelecer um canal de comunicação naval que chegou a ser utilizado durante uma década foi outro dos assuntos discutido na reunião. Esta foi a primeira reunião nos últimos sete anos que integra coronéis nas delegações das duas Coreias, dando continuidade ao diálogo militar ao mais alto nível (protagonizado por generais) que se realizou a 14 de Junho.

PACÍFICO SUL AUSTRÁLIA QUER ACORDO COM VANUATU PARA TRAVAR BASE MILITAR CHINESA

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primeiro-ministro australiano anunciou ontem que a Austrália vai negociar um tratado de paz com Vanuatu, semanas depois de ter avisado a China sobre a construção de uma base militar naquela nação do Pacífico Sul. Malcolm Turnbull deu conta das negociações durante

a visita do primeiro-ministro Charlot Salwai Tabimasmas de Vanuatu ao Parlamento australiano. A China e Vanuatu negaram as notícias publicadas pelos 'media' em Maio e que reportavam a aproximação dos chineses à antiga colónia britânica e francesa, com o intuito

de construirem um base militar permanente no Pacífico Sul. Na altura, o primeiro-ministro australiano disse que o seu país "veria com grande preocupação a instalação de qualquer base militar estrangeira" naquela região. Vanuatu é um arquipélago de 82 ilhas, a maioria desabitadas.


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terça-feira 26.6.2018

AMBIENTE PEQUIM, TÓQUIO E SEUL ALIAM-SE PARA IMPLEMENTAR ACORDO DE PARIS

Teremos sempre Paris um plano para a cimeira do clima de Katowice, na Polónia, no final do ano.

AP

Os ministros do Ambiente da China, Japão e Coreia do Sul acordaram fortalecer os intercâmbios e cooperação para implementar o Acordo de Paris sobre as alterações climáticas e a Agenda 2030 da ONU, informou ontem a imprensa estatal

CHEGAR-SE À FRENTE

Face ao recuo dos Estados Unidos no combate às alterações climáticas, que inclui a retirada do Acordo de Paris, a China tem assumido a liderança nesta matéria, parte da sua ambição em ter maior preponderância em questões globais.

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Num encontro celebrado na semana passada, em Bruxelas, a União Europeia, China e Canadá também uniram forças para a implementação do Acordo de Paris e anunciaram que vão elaborar um plano para a cimeira do clima de Katowice, na Polónia, no final do ano

UMA reunião celebrada este fim-de-semana em Suzhou, leste da China, os três ministros abordaram a estratégia que a região deve seguir para o meio ambiente. Citado pela agência noticiosa oficial Xinhua, o ministro chinês, Li Ganjie, afirmou que os três países devem ser inovadores e desenvolverem uma aliança para partilharem experiências e resultados. O ministro chinês manifestou o compromisso conjunto para melhorar a cooperação na implementação do Acordo de Paris e a Agenda 2030 da ONU para o desenvolvimento sustentável. Li destacou os avanços alcançados por Pequim na protecção ambiental e a participação activa do país a nível internacional para a "governação do meio ambiente". Num encontro celebrado na semana passada, em Bruxelas, a União Europeia, China e Canadá também uniram forças para a implementação doAcordo de Paris e anunciaram que vão elaborar

COMÉRCIO PEQUIM E BRUXELAS REJEITAM PROTECCIONISMO DE TRUMP

C

HINA e União Europeia (UE) condenaram ontem as acções unilaterais e proteccionistas no comércio internacional, numa referência às políticas do Presidente norte-americano, Donald Trump, que atingem Pequim e os países europeus. "As duas partes acordaram em opor-se ao unilateralismo e ao proteccionismo" nas relações comerciais, afirmou o vice-primeiro-ministro chinês Liu He, após reunir-se com o vice-presidente da Comissão Europeia para o Emprego, Crescimento, Investimento e Competitividade, Jyrki Katainen. Numa declaração conjunta à imprensa, em Pequim, Liu afirmou que a China e a UE

querem evitar que essas práticas "tenham impacto na economia global" ou inclusive que resultem numa "recessão". A reunião entre responsáveis económicos da UE e da China ocorre depois de o Governo dos EUA ter anunciado nas últimas semanas taxas alfandegárias sobre importações oriundas dos dois blocos económicos. Em represália, Pequim e Bruxelas adoptaram também taxas alfandegárias sobre produtos oriundos dos EUA. Liu lembrou que a China e o bloco europeu defendem um sistema de comércio multilateral centrado na Organização Mundial do Comércio (OMC) e baseado em regras.

O país asiático, que é o maior emissor de gases poluentes do mundo, prometeu atingir o pico nas emissões de dióxido de carbono até 2030. Nos últimos anos, tem sido de longe o maior investidor do mundo em energias renováveis, apesar de quase dois terços da sua produção energética continuarem a assentar na queima do carvão.

Katainen afirmou que as questões comerciais foram amplamente abordadas durante a reunião, mas recordou que "é preciso fazer mais do que falar". "É preciso demonstrar que o actual sistema comercial é justo e beneficia ambas as partes", afirmou. Katainen aludiu às diferenças comerciais que a UE mantém com a China, incluindo a dificuldade no acesso ao mercado chinês por parte de empresas e produtos europeus, ou as preocupações geradas pelo programa "Made in China 2025". A iniciativa de Pequim inclui a atribuição de subsídios a empresas chinesas de alta tecnologia, visando transformar o país numa potência tecnológica, capaz de competir nos sectores de alto valor agregado, e é também a principal fonte de tensões entre a China e os EUA.

TIMOR-LESTE NOVO PRIMEIRO-MINISTRO RECEBE RELATÓRIO SOBRE ANTERIOR GOVERNO

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novo primeiro-ministro timorense, Taur Matan Ruak, recebeu ontem o relatório de actividades do anterior executivo no Palácio do Governo, em Díli, onde entrou pela primeira vez desde que tomou posse na sexta-feira. Matan Ruak, que foi recebido por vários membros do novo e do anterior Executivo e funcionários do seu gabinete, reuniu-se depois com o ex-secretário de Estado da Comunicação Social, Matias Boavida, do qual recebeu o relatório do Governo anterior. Processos idênticos de transição decorreram ontem um pouco por toda a capital timorense, com os novos titulares das pastas a receberem relatórios e a passagem de testemunho dos gabinetes.

O VIII Governo Constitucional arrancou ainda incompleto depois do Presidente da República ter excluído, por várias questões, onze dos 41 membros propostos por Taur Matan Ruak. Essa decisão levou Xanana Gusmão a informar que não tomava posse como ministro de Estado e Conselheiro do primeiro-ministro tendo estado também ausente da cerimónia o ministro do Petróleo e Minerais, Alfredo Pires. Com o primeiro-ministro, tomaram posse dez ministros, sete vice-ministros e dez secretários de Estado: 23 homens e 5 mulheres, das quais duas com o cargo de ministras. Não há ainda data para a tomada de posse dos restantes elementos do Executivo.


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26.6.2018 terça-feira

É preciso ter espirito para falar bem para ouvir bem basta a inteligência Paulo Maia e Carmo texto e ilustração

Escrito Numa Pintura

R

EMBRANDT van Rijn (1606-1669) tinha chegado a Amesterdão há quatro ou cinco anos quando pintou o impressionante «O Banquete de Baltasar (ou Belshazzar)», que se encontra na National Gallery de Londres. De modo surpreendente encenou um enigma bíblico onde quatro personagens atónitos voltam o seu olhar para uma frase que vai sendo escrita na parede por uma mão misteriosa. A partir do episódio descrito no livro do profeta Daniel (5, 1-9) o quadro de Rembrandt é uma situação rara na história da pintura na Europa, que coloca em evidência a palavra escrita no contexto de uma cena histórica ou outra. Na pintura da China, como a apreciamos hoje, é comum a pintura conviver com a palavra escrita, na realidade um fenómeno essencial na caracterização da chamada «pintura dos letrados». Na sua história, porém, houve ocasiões em que essa relação foi mais longe. Esse é o caso de Zhao Mengjian (1199-c.1267) que numa folha de papel de um álbum (c.1260) com tinta preta, fez uma pintura em que juntou bambu, um ramo de ameixoeira em flor e um ramo de pinheiro. Mais tarde esta pintura seria considerada uma das primeiras de um género intitulado «Os três amigos da estação fria». Mas a relevância da pintura também tem a ver com a disposição gráfica do que está pintado no espaço da composição, que coincide com os valores de apreciação da beleza caligráfica. E surpreendentemente na pintura de Zhao Mengjian fica clara uma vontade de invadir o espaço próprio de definição do que é a caligrafia, que alguns como Zhao Xigu, dirão que «são a mesma coisa». «Antes da dinastia Yuan (1279-1368)», escreverá Shen Hao (activo c.1650), «não se utilizavam muito as inscrições. Por vezes as inscrições eram escondidas nas cavidades das pedras; receava-se colocar a escrita em evidência e assim prejudicar a pintura. Mais tarde a escrita e a pintura passaram a ser feitas juntamente; a primeira apoiava-se graciosamente na segunda e completava-a.» A pintura de Zhao era também uma combinação auspiciosa, adequada para oferecer a uma audiência erudita no início do Ano Novo já que os elementos da flora reunidos, que sobrevivem indiferentes ao mau tempo, se associam à rectidão moral do individuo, que se deseja reafirmar no início de cada ano. Já a pintura de Rembrandt continha uma maldição, ilegível para os seus espectadores confundidos com a escrita em aramaico e com as letras dispostas da direita para a esquerda mas verticalmente, como na escrita chinesa, ao contrário da habitual escrita na horizontal. São dois casos de pinturas excepcionais que, no entanto, mostram dois caminhos no seu auge: a subtileza e sofisticação crescente da pintura chinesa e o espectacular barroco europeu no seu combate da luz com as sombras.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 17

terça-feira 26.6.2018

Máquina Lírica Paulo José Miranda

de Glauber Rocha

A actualidade de “Terra em transe”

E

M 1964 um regime militar derruba o governo democrático do presidente João Goulart e institui a ditadura. Em 1967, Glauber Rocha filma Terra em Transe – que nesse ano vence o Prémio da Crítica no Festival de Cannes – e traça uma estranha fábula acerca do Brasil, que pode ser estendida à América do Sul. O país desta fábula chama-se República de Eldorado. É um filme político, claro. Mas é também um filme de uma beleza sinistra. O preto e branco do filme parece nunca nos mostrar o seu lado branco. O branco aparece sempre carregado de algum cinzento. O céu parece nunca brilhar. Aqui, não reconhecemos o país do sol, como por muitos é conhecido. O filme não tem as cores da terra do sol, tem as cores da asfixia, as cores de uma força militar imposta. Não pelo preto e branco, mas pelo preto e branco deste filme de Glauber Rocha. Se na semana passada já tínhamos falado aqui de um preto e branco especial, o de Jim Jarmusch em Stranger Than Paradise – e também no posterior Down By Law –, onde o branco e o preto contrastam no seu esplendor, acentuando os branco e preto, apesar do granulado da película, este preto e branco de Glauber também se destaca mas nos antípodas do filme de Jarmusch, os branco e preto quase se esbatem num eterno e omnipresente cinzento. Tudo é ou parece ser cinzento. O único branco do filme é o casaco do vereador populista Vieira (José Lewgoy). E os planos de Glauber são asfixiantes, a despeito dos horizontes tropicais que de quando em quando fecham as cenas filmadas nos exteriores. A forma em si mesma, o modo como o filme é filmado, faz-nos sentir presos, fechado naquele Eldorado que parece não ter solução. O espectador não pode deixar de se sentir parte daquele país, parte daquele modo claustrofóbico de viver. E este não ter solução, acerca de Eldorado como metáfora do Brasil, pode ser estendido a toda a América do Sul. Recentemente na Colômbia, numa retrospectiva sobre a obra de Glauber Rocha, no Festival de Cinema de Cartagena, o FICCI (Festival Internacional de Cinema de Cartagena das Índias), a jornalista portuguesa Cláudia Marques Santos conta-nos que à saída da exibição de um dos filmes, um jovem aluno de filosofia, de 21 anos, dizia: “Eu diria que o cinema do Glauber Rocha é muito importante, permite-nos olhar para nós mesmos, permite que nos vejamos ao espelho. Nós vivemos actualmente a violência. Não é apenas memória.” (Jornal Público, 20 de Maio de 2018) E se esta actualidade é verdadeira na Colômbia, muito mais a é no Brasil. Infelizmente, para além das qualidades poéticas dos

filmes de Glauber Rocha, as suas alegorias políticas e sócias continuam actuais. Ainda na reportagem da jornalista portuguesa, podemos ler o que uma jovem estudante de cinema, também 21 anos, diz à saída de outro filme de Glauber: “Rocha representa muitas coisas que existem também na Colômbia: a corrupção, muitos políticos falsos, muitos lobos vestidos de ovelhas.” (Ibidem) E neste filme, Terra em Transe, os interesses acima de qualquer suspeita atravessam o filme de cabo a rabo. Mas para atentarmos melhor na actualidade do filme, veja-se esta sequência, já na parte final, em que Sara (Glauce Rocha), que é professora e revolucionária, dialoga com Paulo Martins (Jardel Filho), que é jornalista, poeta e amigo do tecnocrata Porfírio Diaz (Paulo Autran), numa rua, no meio dos populares e de alguns políticos:

“ Sara: Veja, Vieira não pode falar. Paulo: E por mais de um século ninguém conseguirá. Sara: Você jogou Vieira num abismo. Paulo: Eu? O abismo está aí, aberto. Todos nós marchamos para ele. Sara: Mas a culpa não é do povo. A culpa não é do povo. A culpa não é do povo. Paulo: Mas saem a correr atrás do primeiro que lhes acena com uma espada ou uma cruz. Sara: (segurando um cidadão) O povo é Jerônimo. Fala Jerônimo. Fala.” Faz-se silêncio. O filme, ele mesmo, fica mudo por um curto instante, até que um dos políticos se aproxima de Jerônimo, lhe põe uma mão sobre o ombro e diz: “Não tenha medo, meu filho! Fale! Você é o povo.” E volta a afastar-se, deixando a câmara sobre Jerónimo. E o

O preto e branco do filme parece nunca nos mostrar o seu lado branco. O branco aparece sempre carregado de algum cinzento. O céu parece nunca brilhar. Aqui, não reconhecemos o país do sol, como por muitos é conhecido

plano vai abrindo e mostrando aqueles que o envolvem: a igreja, os militares, os políticos, os idealistas revolucionários. De repente, ele fala directamente para a câmara: “Eu sou um homem pobre, um operário. Sou presidente do meu sindicato. Estou na luta das classes. Acho que está tudo errado. Eu não sei mesmo o que fazer. O país está numa grande crise e o melhor é aguardar a ordem do presidente.” Neste momento, Paulo aproxima-se dele por trás e tapa-lhe a boca. Dirige-se para a câmara, ainda com a mão na boca de Jerônimo, e diz: “Estão a ver o que é o povo? Um imbecil. Um analfabeto! Um despolitizado! Já pensaram um Jerônimo no poder?” Hoje, esta cena é arrepiante. Oracular. Hoje, é impossível não ver em Jerónimo, Lula da Silva. Aquele homem do povo, analfabeto, dirigente sindicalista com a boca tapada é Lula da silva. “Já pensaram um Jerônimo no poder?” E esta frase continua actual! E à beira das eleições no Brasil, não podemos deixar de tremer ao escutar esta frase “Mas saem a correr atrás do primeiro que lhes acena com uma espada ou uma cruz.” A cena de Jerônimo com a boca tapada pelo jornalista e poeta Paulo é posteriormente interrompida por um anónimo do povo (o actor Flávio Migliaccio), com a camisa toda rasgada e de pé descalço, que diz, também em forma de oráculo: “Um momento! Um momento, minha gente! Um momento! Eu vou falar agora. Eu vou falar. Com a licença dos doutores, seu Jerônimo faz a política da gente, mas seu Jerônimo não é o povo. O povo sou eu que tenho sete filhos e não tenho onde morar.” É de imediato interrompido e acusado de extremista. É morto. Em Eldorado é clara e assustadora a diferença, o abismo que separa os ricos dos pobres. Os primeiros nas suas torres de marfim e os últimos de pés rapados. E à volta de todos uma profunda ignorância. A ignorância, a fome, a violência. Escreve a jornalista Cláudia Marques Santos, infelizmente com acerto: “Nunca ter vindo à América do Sul é já ter vindo à América do Sul. Graças ao cinema de Glauber Rocha.” (Ibidem) O filme foi evidentemente proibido durante a ditadura militar. E, em Portugal, também foi proibida a sua exibição até à queda da ditadura salazarista em 1974. Eldorado, infelizmente, continua a assombrar-nos. Inesquecível, o rosto de Paul Autran, com os cabelos ao vento, bandeira negra numa das mãos e um crucifixo na outra. Um filme magistral, de uma beleza sinistra, que faz corar a ética, depois de forçá-la a ver-se a si mesma ao espelho. Actual como a infelicidade.


18 (f)utilidades TEMPO

?

AGUACEIROS

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje

EXPOSIÇÃO “A JANELA DAS ARTES” Fundação Rui Cunha | 18h00

3

MIN

CINEMA | “TEMPO DE VIVER, TEMPO DE MORRER” Cinemateca Paixão | 19h30

Quarta-feira

V CICLO DE CINEMA FRC | FILME SNOWDEN Casa Garden | 19h00

Quinta-feira

APRESENTAÇÃO DE CURTAS-METRAGENS - ALLIANCE FRANÇAISE Fundação Rui Cunha | 18h30 EXPOSIÇÃO “STILLNESS IN MOTION” Creative Macau | A partir das 18h30 CONCERTO “FERNANDO PESSOA – 130 ANOS SOBRE O NASCIMENTO” Clube Militar | 18h45

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Sexta-feira

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O CARTOON STEPH 41

Sábado

CINEMA | “UMA ORAÇÃO” Cinemateca Paixão | 14h00 CURTA-METRAGEM “PROJECTO MIÚDOS” Cinemateca Paixão | 15h00 CINEMA “LIVRE E FÁCIL” Cinemateca Paixão | 16h30

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UMA NOITE COM PIANO NA GALERIA Fundação Rui Cunha | 18h00

38 7 9 9 1 8 8 4 5 35 3 2 2 5 70-95% • 3 6 6 18 6 3 7 4 4 6 9 7 27 2 1 91 9 38

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 41

6 3 5 1 8 7 9 2 4

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PROBLEMA 42

43 26.6.2018 6 8 73 7 2 4 5 7 4 2 terça-feira 1 8 9 3 2 91 9 5 7 3 6 5 9 8 2 3 6 1 1 6 3 7 5 4 2 47 4 2 6 9 81 8 8 1 6 4 7 5 9 79 7 46 4 1 8 3 EURO 9.44 BAHT 0.24 YUAN 1.23 4 7 9 6 2 3 5 31 3 5 2 74 7 9 4 9 8 1 65 26 2 2 3 5 9 1 8 6 5 12 81 38 3 9 7 VIDA DE 9 CÃO 2 7 3 4 1 8 3 6 94 89 8 5 1 3 5 1 8 6 7 4 MACAU 8 5 7 3 6 2 4 6 8 JÁ 4 É5 9 2 7

HONG KONG

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87 4 6 5 59 3 1 8 2 1 6 5 7 98 9 2 4 3

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UM FILME HOJE

Cineteatro

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S U D O K U

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SALA 1

HOTEL ARTEMIS [C]

Anne Hathaway, Mindy Kaling 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

Um filme de: Drew Pearce Com: Jodie Foster, Dave Bautista 14.30, 21.30

SALA 3

SALA 1

JURASSIC WORLD: FALLEN KINGDOM [B] Um filme de: J.A. Bayona Com: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, BD Wong, Jeff Goldblum 16.30, 19.00 SALA 2

OCEAN’S EIGHT [B] Um filme de: Gary Ross Com: Sandra Bullock, Cate Blanchett,

THE LEAKERS [C]

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A CRIADA | PARK CHAN-WOOK | 2016

Através dos filmes “Joint Security Area” e “OldBoy”, Park Chan-wook deixou uma marca inapagável no cinema coreano e mundial. Em “A Criada”, o realizador aborda a submissão sexual feminina e a sua libertação, no seio da cultura tradicional japonesa, na altura da invasão da Coreia. Este é um filme com uma forte componente erótica que, apesar de não estar ao nível das duas grandes obras do realizador, merece ser vista e revista. João Santos Filipe

FALADO EM CANTONÊS, LEGENDADO EM INGLÊS / CHINÊS Um filme de: Herman Yau Com: Francis Ng, Julian Cheung, Charmaine Sheh 14.30, 19.30, 21.30 SALA 3

HOTEL ARTEMIS [C] Um filme de: Drew Pearce Com: Jodie Foster, Dave Bautista 16.30

www. hojemacau. com.mo

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À entrada a agente imobiliária deixa logo o aviso entre sorrisos de circunstância: “agora as casas são cada vez mais pequenas, as antigas têm muito mais espaço”. Abre-se a porta e num espaço de 10 metros quadrados surge o estúdio, com cozinha e casa-de-banho. Os equipamentos, como máquina de lavar e frigorífico, são alegadamente de luxo. Na Europa não estariam acima do segmento premium, como dizem nos casinos. Mesmo assim, luxo é luxo e pelo espaço minúsculo, só porque é novo, são 9.300 patacas por mês. Entre as elites locais existe o medo que Macau se transforme em Hong Kong. Pessoas na rua a protestar? Pânico. O que fazem para evitar essas situações? Dão 9.000 patacas por ano que mal dão para pagar a renda de um mês de um casal com filhos. Enquanto os governantes têm medo que Macau se transforme em Hong Kong no panorama político, para o cidadão médio essa já é a realidade, no que diz respeito à habitação. O jogo voltou a crescer, os patriotas de lá vêem mais oportunidades para tirar o dinheiro do Continente, os patriotas de cá esfregam as mãos de alegria e o residente médio, que não ganha a vida com a fuga de capitais do Interior, paga a conta. A situação é uma bomba relógio. Ao mesmo ritmo que os “familiares” se alimentam, sem que haja medidas que revertam a situação, também se alimentam os espíritos dos descontentes. Pouco a pouco a panela vai acumulando pressão e qualquer dia, quando for impossível para a grande maioria da população ter uma casa, apesar dos empréstimos familiares, dá-se a explosão. João Santos Filipe

C I N E M A

HOTEL ARTEMIS

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 19

terça-feira 26.6.2018

macau visto de hong kong

DAVID CHAN

Imagens interditas do Tribunal II

O

incidente relacionado com as fotografias tiradas por Tang Linlin durante um julgamento em Hong Kong, desencadeou alguma controvérsia após a sua condenação. Algumas pessoas debateram se Tang deveria ou não pagar as custas legais, no valor de 197.000 HKD. Caso não pagasse, como é que os Tribunais de Hong Kong iriam reaver esta quantia? Qual o procedimento? É inegável que houve alguma controvérsia desnecessária à volta deste assunto. Esperamos que tudo possa ser esclarecido o mais rapidamente possível. Os sistemas judiciais de Hong Kong e de Macau são diferentes. Os procedimentos cíveis e criminais também são diferentes. Em Hong Kong quem perde o processo tem de pagar as taxas do seu advogado e as taxas do advogado da parte contrária. Estes valores representam as custas de Tribunal. Em Macau, cada parte arca apenas com as taxas do seu próprio advogado. Embora os sistemas sejam diferentes, existem pontos comuns. Por exemplo, quer a Lei Básica de Hong Kong, quer a Lei Básica de Macau estipulam que o “Chefe de Justiça” é escolhido entre os quadros superiores da magistratura. O Chefe de Justiça de Hong Kong, Geoffrey Ma, promulgou as novas Directrizes das Práticas em Tribunal (Directrizes das Práticas 35), no dia 21 deste mês. A partir do dia 19 de Julho próximo, quem for assistir a um julgamento, num Tribunal Cível ou Criminal, em que esteja presente um júri, está proibido pôr a funcionar qualquer aparelho que possa tirar fotografias, filmar ou gravar. Esta interdição não se aplica às partes envolvidas, nem aos representantes legais, agentes de autoridade ou elementos da comunicação social presentes no local. Independentemente do julgamento estar ou não em curso, as pessoas que assistem estão proibidas de accionar estes aparelhos, que deverão ser colocados em sacos ou nos bolsos. Se a pessoa em questão não tiver um saco ou bolsos adequados, deve colocar o aparelho num recipiente facultado pelos funcionários do Tribunal. Quem vai assistir a um julgamento deverá dar consentimento para ser revistado pelo pessoal autorizado para o efeito, a fim de verificar se os equipamentos estão desligados, ou se contêm fotografias ilegais. A violação a este procedimento poderá ser considerada como crime de “desrespeito ao Tribunal”. A gravação de som está igualmente

proibida, ao abrigo da Directriz de Práticas 32. O Tribunal tem ainda o poder de proibir, sempre que necessário, o uso de telemóveis. As pessoas que assistem aos julgamentos poderão usar os seus telemóveis livremente em qualquer zona do Tribunal fora das salas de audiência. A Directriz de Práticas 35 estipula claramente que “o julgamento com júri é uma parte importante da administração de justiça ao abrigo da Lei Comum, constitucionalmente protegida pelo Artigo 86 da Lei Básica. Os jurados devem estar livres de qualquer interferência, directa ou indirecta, pressão ou distracção. Por este motivo, a proibição de fotografar ou gravar os julgamentos assume maior relevância sempre que o júri esteja presente.” O julgamento com a presença de jurados não existe em todos os países. Nos locais onde a Lei Comum não está implementada, não existe júri. O que aqui está em causa não é o facto de os jurados não conduzirem os interrogatórios. O que está em causa é a protecção que o sistema jurídico lhes deverá garantir, de forma a que nunca venham a ser vítimas de qualquer retaliação após os julgamentos. Resumindo. Não é difícil perceber porque é que é proibido fotografar ou filmar os julgamentos. A nova Directriz das Práticas apenas reforça este aspecto e dá mais poderes aos funcionários do Tribunal no sentido da

A colocação do anúncio da proibição de fotografar, filmar ou gravar, em chinês e em inglês, é absolutamente necessária. O anúncio deverá conter símbolos de proibição, para quem não compreende chinês nem inglês aplicação da lei. Se virá a ser eficaz e impedir completamente as pessoas de filmarem ou fotografarem nas salas de audiências, é uma questão que ainda está para se ver. A julgar pela nova Directriz das Práticas em Tribunal e pela actuação geral da sociedade de Hong Kong, se quisermos erradicar de vez este tipo de comportamentos, deveremos ressalvar dois pontos. Em primeiro lugar, é necessário fortalecer a consciencilização dos funcionários dos tribunais. Deverão ser formados no sentido de compreenderem que é completamente interdito fotografar ou fimar dentro de uma sala de audiência, antes, durante e após o julgamento. Esta formação também se deverá focar nos conteúdos do documento da nova Directriz das Práticas em Tribunal.

Em segundo lugar, consciencializar o público em geral para esta situação. Por um lado, a população local deverá ser alertada através de publicidade diária e receber educação nesse sentido. Mas um alerta para visitantes é ainda mais indispensável. Mas será conveniente distribuir panfletos informativos nas entradas e saídas dos Tribunais com esta informação? Não parece ser boa ideia porque, para além de dar muito trabalho, poderia originar muita confusão. Mais vale deixar os panfletos em locais estratégicos e esperar que as pessoas os tirem por iniciativa própria. Para além disso, a colocação do anúncio da proibição de fotografar, filmar ou gravar, em chinês e em inglês, é absolutamente necessária. O anúncio deverá conter símbolos de proibição, para quem não compreende chinês nem inglês. As penalização associadas a estes comportamentos deverão também ser divulgadas no cartaz. Se estas medidas forem implementadas, e o público continuar a fotografar e filmar durante os julgamentos, será necessário partir para acções mais eficazes. Nessa altura poderá considerar-se a distribuição de panfletos nas portas dos Tribunais. A situação ideal é as pessoas serem capazes de ter auto-disciplina, para impedir que estes comportamentos voltem a ocorrer. Quando isso vier a acontecer será uma benção para todos.

Professor Associado do IPM • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog


O espírito que se quer ter estraga aquele que se tem. Jean Baptiste Gresset

PALAVRA DO DIA

Trabalho Mais 2.946 trabalhadores não residentes em Maio

TURQUIA ERDOGAN VENCE PRESIDENCIAIS À PRIMEIRA VOLTA

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Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, obteve nas eleições de domingo mais que os 50 por cento de votos necessários para ser eleito à primeira volta para um novo mandato presidencial com poderes reforçados, anunciaram ontem as autoridades eleitorais. “De acordo com os resultados, parece que Recep Tayyip Erdogan venceu com maioria absoluta dos votos válidos”, o que lhe permite ser reeleito à primeira volta, disse o director do Alto Comité Eleitoral (YSK), Sadi Güven, numa conferência de imprensa em Ancara. A declaração do dirigente do YSK foi recebida com gritos de alegria na sede do partido do Presidente turco, o AKP, segundo a agência francesa AFP no local. Güven indicou que 97,7 por cento dos votos foram registados no sistema informático do YSK, precisando que os boletins que ainda não foram contabilizados não eram em número suficiente para retirar a Erdogan a maioria absoluta. O director do YSK não avançou o resultado final das presidenciais, mas a agência noticiosa estatal Anadolu afirma que Erdogan venceu o escrutínio com cerca de 52,5 por cento dos votos, segundo resultados parciais após a contagem da quase totalidade dos boletins de voto. Os cidadãos turcos votaram no domingo num duplo escrutínio, presidencial e legislativo, muito disputado entre Erdogan, que domina a cena política turca há 15 anos, e uma oposição determinada a impedi-lo de continuar no poder. De acordo com a Anadolu, o partido de Erdogan, o AKP, e o seu aliado ultranacionalista, o MHP, conservaram a maioria parlamentar nestas eleições legislativas, com cerca de 53,6% por cento dos votos expressos. Estas eleições são particularmente importantes porque representam a passagem do sistema parlamentar até agora em vigor para um regime presidencialista, que permitirá a Erdogan aumentar consideravelmente as suas prerrogativas.

terça-feira 26.6.2018

Reforço diplomático

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ORTUGAL abre hoje novo consulado em Cantão, 52 anos depois de ter fechado a representação diplomática na sequência da Revolução Cultural. A rede diplomática portuguesa reforça a partir de hoje a presença na China, com a abertura do consulado em Cantão, indicou o Secretariado do Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, numa nota enviada ontem às redacções, confirmando a notícia avançada na edição de segunda-feira pelo jornal Ponto Final. Trata-se do terceiro consulado de Portugal no interior da China, depois de Pequim e Xangai. A sua área de jurisdição cobre as províncias de Guangdong, Hainan, Hunan, Fujian,

bem como a Região Autónoma de Guangxi. A nova representação diplomática vai prestar serviços consulares já a partir de hoje, embora a abertura oficial esteja prevista para “mais tarde”, indicou o cônsul, André Sobral Cordeiro, à agência Lusa. Localizada a cerca de 150 quilómetros de Macau, Cantão é a capital de Guangdong, a província chinesa mais exportadora e a primeira a beneficiar da política de Reforma e Abertura adoptada pelo país no final dos anos 1970. Com quase 110 milhões de habitantes, Guangdong conta com três das seis Zonas Económicas Especiais da China – Shenzhen, Shantou e Zhuhai. Foi também ali, onde, em 1513, chegaram os portugueses, os primeiros europeus a chegar à

China por via marítima, numa frota comandada pelo explorador Jorge Álvares. Em 1517, o diplomata português Tomé Pires chegou a Cantão, enviado pelo rei de Portugal, tornando-se o primeiro chefe de uma missão diplomática de uma nação europeia no país asiático. Portugal conta ainda com nove centros de emissão de vistos na China, distribuídos pelas cidades de Pequim, Xangai, Hangzhou, Nanjing, Chengdu, Shenyang, Wuhan, Fuzhou e Cantão, a somar ao consulado-geral em Macau. A abertura do novo consulado surge numa altura em que as relações entre os dois países atravessam uma “era dourada”, segundo as autoridades de ambos os lados. Portugal não inaugurava uma representação diplomática há 13 anos.

DIPLOMACIA SERGUEI LAVROV REÚNE-SE COM JOHN BOLTON

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chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, reúne-se amanhã com o conselheiro de segurança nacional dos EUA, John Bolton, anunciaram ontem as autoridades russas, quando se prepara uma possível cimeira entre os líderes dos dois países. “O Ministério dos Negócios Estrangeiros confirma a informação sobre uma reunião de trabalho de Lavrov que terá esta quarta-feira, 27 de Junho, em Moscovo”, lê-se numa nota oficial. O porta-voz de Bolton, Garrett Marquis, deu conta, na

semana passada, da viagem do assessor de Donald Trump a Moscovo, mas não adiantou detalhes sobre os preparativos para o encontro entre os Presidentes, que, segundo meios de comunicação britânicos e austríacos, decorrerá em meados de Julho em Viena. Segundo o jornal The Times, a Casa Branca espera que a reunião entre os dois chefes de Estado se realize ou antes da cimeira da NATO, que terá lugar a 11 e 12 de Julho em Bruxelas, ou imediatamente depois da visita de Trump ao Reino Unido, pre-

vista para 13 de Julho. O jornal indicou que o encontro poderá ter lugar em Viena, informação também divulgada pelo diário austríaco Kronen Zeitung. O porta-voz de Putin, Dmitri Peskov, recusou no domingo comentar o possível encontro entre os Presidentes norte-americano e russo em Viena, indicando apenas que a informação seria prestada oportunamente. Trump tinha afirmado ser “possível” reunir-se com Putin, provavelmente este Verão, e o Kremlin também se mostrou aberto a essa possibilidade.

Macau contava com 181.723 trabalhadores não residentes no final de Maio, ou seja, mais 2.946 do que em igual período do ano passado, indicam dados da PSP, disponibilizados ontem no portal da Direcção para os Assuntos Laborais (DSAL). Já em termos mensais, o universo de mão-de-obra importada contava com mais 891 trabalhadores. A China figura como a principal fonte da mão-de-obra importada de Macau, com 114.245 trabalhadores (62,8 por cento do total), mantendo uma larga distância das Filipinas, que ocupa o segundo lugar (29.426). Em terceiro lugar, surge o Vietname (14.996). O sector dos hotéis, restaurantes e similares absorve a maior fatia (51.246), seguido do da construção (29.958).

Taiwan Tsai Ing-wen pede ao mundo para “conter” ambições de Pequim

A presidente de Taiwan, Tsai Ingwen apelou ontem à comunidade internacional para que “contenha” as ambições chinesas e saia em defesa da liberdade, retratando o seu grande vizinho como uma ameaça internacional à democracia. A ilha, governada por um regime rival desde o fim da Guerra Civil Chinesa em 1949, está sujeita a uma “imensa pressão” vinda do outro lado do Estreito de Formosa, disse Tsai numa entrevista à agência noticiosa francesa AFP. A presidente de 61 anos pediu aos outros países que unam os seus esforços a Taiwan para se defenderam das intenções expansionistas de Pequim e proteger os valores de liberdade que partilham. “Não é apenas um desafio para Pequim, é um desafio para a região e o mundo inteiro. Porque hoje é Taiwan, mas amanhã pode ser outro país a ter de enfrentar a expansão da influência chinesa”, declarou. “As suas democracias, as suas liberdades, a liberdade de fazer os seus negócios podem um dia ser afectadas pela China”, acrescentou a ex-professora de Direito. “Devemos trabalhar juntos para reafirmar os valores da democracia e liberdade para conter a China e minimizar a expansão da sua influência hegemónica”.


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