MOP$10
SEGUNDA-FEIRA 26 DE FEVEREIRO DE 2018 • ANO XVII • Nº 3999
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
hojemacau Timor-Leste
A` procura de um equilíbrio político
Eleições marcadas para o próximo dia 12 de Maio, depois do falhanço de governação com minoria parlamentar. GRANDE PLANO
CURSO IPM
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Ensino da literatura focado no Português GCS
EVENTOS
DEPUTADOS NOMEADOS
MAIS DO MESMO PÁGINA 5
Ella Lei pede segurança no registo predial
PÁGINA 4
2 grande plano
Francisco Guterres decidiu convocar eleições para pôr fim ao que diz ser uma “grave crise institucional” e deixa um apelo ao voto nas próximas eleições marcadas para 12 de Maio
UN/MARTINE PERRET.
País soberano desde 2002, Timor-Leste está ainda longe da estabilidade. Depois das eleições de Julho terem resultado numa minoria parlamentar, Timor vai novamente a votos em Maio. As coligações já estão em andamento e, entre esperança e relutância, há quem considere que com tudo isto quem sofre é o povo
26.2.2018 segunda-feira
DORES DE CRESCIMENTO TIMOR- LESTE UM PAÍS PERDIDO À PROCURA DE ESTABILIDADE
A
26 de Janeiro, o presidente timorense Francisco Guterres Lu-Olo anunciou a dissolução do Parlamento e a realização de eleições antecipadas. A Fretilin não conseguiu fazer passar os programas governamentais e a instabilidade, disse Francisco Guterres, não podia continuar. “Quem vai sofrer com isso é o povo”. A opinião é do timorense Agostinho Martins, fundador de duas associações ligadas ao seu país e a viver há 15 anos em Macau, que lamenta a decisão. Em causa está o povo e o seu bem-estar, referiu ao HM. Mas o mal não é de agora, já vem de Julho quando se deixou que
a Fretilin assumisse o poder mesmo sem maioria, apontou. De acordo com Agostinho Martins, foi um “avanço para o abismo”. O timorense acrescenta que “o governo não conseguiu estabelecer nenhuma coligação nem tinha condições nenhumas para o fazer e, como tal, não podia ir avante”. A solução seria ter conseguido uma coligação antes de se começar a governar. “Se estamos a favor do povo, para que não volte a passar mal como já passou, deviam aceitar estas coligações ou ter uma equipa de académicos bem preparados para governar o país enquanto não se chegasse a consenso”, sugeriu o timorense.
“Estamos a falar de um país que nem tem um hospital bem equipado para poder dar resposta às necessidades da população”. A isto, Agostinho Martins chama de “brincar com o povo”.
ACTO FALHADO
Numa declaração ao país, no passado dia 26 de Janeiro, o presidente timorense Francisco Guterres Lu-Olo explicou que Timor-Leste não podia continuar numa situação de grave crise institucional. O chefe de Estado criticou os políticos timorenses por terem virado costas uns aos outros e por não terem sabido interpretar a vontade do povo. Francisco Guterres lembrou que “o povo não
deu a maioria absoluta a nenhum dos partidos”, o que interpreta como “um convite aos líderes partidários para se empenharem no aprofundamento da democracia”. O presidente considerou que essa mensagem não foi devidamente interpretada. “Em vez do diálogo sereno, no respeito pela vontade do povo, assistimos, ao virar de costas uns aos outros”, disse. Francisco Guterres decidiu, por isso, convocar eleições para pôr fim ao que diz ser uma “grave crise institucional” e deixa um apelo ao voto nas próximas eleições já marcadas para 12 de Maio. “A independência, a democracia e a paz foram por nós conquistadas. Não vamos abrir mão das nos-
grande plano 3
segunda-feira 26.2.2018
COLIGAÇÕES PÓSTUMAS
Os três partidos da oposição maioritária em Timor-Leste já formalizaram uma pré-coligação para avançar nas eleições de Maio, a Aliança de Mudança para o Progresso (AMP). “O Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), o Partido Libertação Popular (PLP)
“Se estão a favor do povo, para que não volte a passar mal como já passou, deviam aceitar estas coligações ou ter uma equipa de académicos bem preparados para governar o país enquanto não se chegasse a consenso.” AGOSTINHO MARTINS REPRESENTANTE DA COMUNIDADE TIMORENSE EM MACAU
CAÇA AO VOTO
A
campanha para as eleições antecipadas em Timor-Leste decorrerá entre 10 de Abril e 9 de Maio, com os eleitores a terem dois dias de reflexão, a 12 de Maio, para eleger o novo Parlamento Nacional. O calendário das operações eleitorais, preparado pelo Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE) foi publicado no Jornal da República, dois dias depois da entrada em vigor do decreto do Presidente, Francisco Guterres Lu-Olo que marcou as eleições antecipadas de 12 de Maio. Segundo o documento, a certificação dos resultados finais das eleições pelo Tribunal de Recurso deverá ser publicada no Jornal da República até 28 de Maio, o que deixa antever que a tomada de posse dos 65 deputados da 5.ª legislatura ocorra em Junho. Só depois disso será formado o VIII Governo, que terá que depois levar o seu programa e o Orçamento Geral do Estado de 2018 ao Parlamento.
e o Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO) decidiram formar uma coligação de partidos políticos com fins eleitorais, a Aliança de Mudança para o Progresso (AMP)”, refere o texto da resolução conjunta. “Os partidos políticos que assinam este acordo decidem a sua abertura e disponibilidade para acolher outros partidos políticos na coligação desde que aceitem aderir aos princípios e objetivos enumerados”, confirma o texto. A resolução conjunta foi assinada em Díli pelo secretário-geral do CNRT, Francisco Kalbuadi Lay, pelo presidente do PLP, Taur Matan Ruak e pelo fundador do KHUNTO, José Naimori. Posteriormente, poderão associar-se à coligação vários outros partidos, tendo as resoluções aprovadas separadamente pelo CNRT e pelo PLP referido pelo menos nove outras forças políticas. Separadamente e antes da declaração conjunta, cada um dos três partidos aprovou resoluções idênticas que confirmam a constituição da AMP.
PROMESSAS DE ESTABILIDADE
PROBLEMAS NO HORIZONTE
O
impacto das chuvas nos acessos aos centros de votação, a compra de material eleitoral e o aumento da participação dos eleitores são algumas das preocupações dos responsáveis eleitorais timorenses antes das eleições antecipadas de 12 de Maio. O director-geral do Secretariado Técnico da Administração Eleitoral Acilino Manuel Branco sublinhou o impacto que a actual época da chuva pode vir a ter nos acessos aos locais de votação, alguns particularmente remotos. “Estamos na época das chuvas e há muitas preocupações sobre acesso a alguns centros de votação e ao transporte de materiais”, disse. “Outra questão é como podemos acelerar o processo de aquisição de materiais que temos que comprar de forma acelerada para responder ao processo”, frisou ainda. Na mente dos responsáveis eleitorais está ainda a questão da participação eleitoral, tanto no que toca à abstenção - a participação foi de 76,74 por cento nas eleições de 2017 - como ao número de votos inválidos e nulos (mais de 2 por cento). “Precisamos de desenvolver um esforço grande para garantir uma maior participação. Temos que reforçar a educação dos votantes porque tivemos também muitos votos nulos”, explicou o responsável do STAE. No estrangeiro - os timorenses podem votar na Austrália, Coreia do Sul, Reino Unido e Portugal. Em Macau, os timorenses não têm forma de votar.
A formação de coligações, defendem os partidos nas suas resoluções, “contribuirá para a menor dispersão de votos e menor fragmentação de mandatos no Parlamento Nacional, favorecendo a formação de uma maioria parlamentar que garanta a estabilidade governativa”. Os partidos dizem que com a coligação pretendem responder “de forma construtiva aos apelos que nesse sentido têm sido dirigidos pelo povo”, comprometendo-se a promover um espaço “abrangente, inclusivo e aberto à sociedade civil e outros partidos políticos”. Em concreto, as duas resoluções referem o Partido Milenium Democrático (PMD), o Partido Liberta Povo Aileba (PLPA), o Partido Socialista de Timor (PST), o Partido Social Democrata (PSD), o Partido Democrata Cristão (PDC) e o Partido de Desenvolvimento Popular (PDP). Referem ainda o Partido Movimento Libertação Povo Maubere (MLPM), o Partido do Desenvolvimento Nacional (PDN) e o Partido Democrático República Timor (PDRT). Mais curto foi o texto da resolução do Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO), que confirmou apenas a decisão de aderir à AMP. A campanha para as eleições antecipadas para eleger o novo Parlamento Nacional de Timor-Leste decorrerá entre 10 de Abril e 9 de Maio. Sofia Margarida Mota com agências Sofia.mota@hojemacau.com.mo
O apelo de Xanana Líder histórico apela a entendimento
O
líder do CNRT, segundo partido timorense, Xanana Gusmão, pediu “confiança e esforço colectivo” para fortalecer a AMP, a coligação “histórica” de três partidos formalmente criada e que se vai apresentar às eleições antecipadas. O apelo de Xanana Gusmão foi feito numa mensagem em vídeo endereçada aos membros dos três partidos que assinaram a formalização da Aliança de Mudança para o Progresso (AMP) - o Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), o Partido Libertação Popular (PLP) e o Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO).
Essencial, defendeu, é acordar a “estratégia e a matéria da campanha”, avançar com a “mobilização de quadros dos três partidos para socializar o programa” e coordenar todas as estruturas”. O líder timorense deixou recados para todos os militantes, afirmando que não devem “intimidar ou ameaçar a população ou militantes de outros partidos” e que não devem distribuir ou receber dinheiro.
Dirigindo-se aos responsáveis, militantes e simpatizantes dos três partidos, Xanana Gusmão, que está ausente de Timor-Leste desde Setembro do ano passado, saudou a “maturidade” do povo timorense e o seu compromisso com a estabilidade e tolerância. Para o responsável tratam-se de aspectos importantes num momento em que Timor-Leste ainda tem um Estado frágil, onde continua viva a memória e a “grande lição” da crise de 2006 e 2007 e onde convivem o “aspecto negativo que é a situação que o Estado enfrente, sem estabilidade” e o “aspecto positivo que é a estabilidade social”. Xanana Gusmão disse ainda que os “ganhos políticos pertencem ao povo” e que este momento “histórico” de coligação pré-eleitoral de três grandes partidos “não é complexo mas também não é fácil” sendo essencial que “os quadros dos três partidos interiorizem os objectivos da coligação, dando-lhe personalidade”.
tes, definir o acordo de coligação e propósito político e determinar a composição da “lista única”. Um processo de “quotas ou percentagens dos partidos”, reflectindo a composição do Parlamento Nacional de 65 lugares - o CNRT tem 22 lugares, o PLP tem oito e o KHUNTO tem cinco - e que deve ser concluído com “honestidade, humildade, determinação e confiança”, disse. Xanana Gusmão deixou a sua recomendação sobre os três primeiros lugares na lista: “número 1, Xanana Gusmão, número 2 Taur Matan Ruak [presidente do PLP] e número três a mana [Armanda] Berta [dos Santos, presidente do KHUNTO]. De fora fica quem tem sido uma das caras da coligação - está no símbolo do partido - o conselheiro especial e fundador do KHUNTO, José Naimori. A mensagem do líder timorense foi transmitida depois do texto da resolução que formaliza a coligação ter sido assinado num encontro no Centro de Convenções de Díli.
INSTRUÇÕES DE COMPORTAMENTO
Xanana Gusmão recordou questões “fundamentais” no imediato, nomeadamente cumprir os prazos para apresentação da AMP aos órgãos eleitorais competen-
GARY RAMAGE/REUTERS
sas conquista! Todos juntos vamos construir Timor-Leste, garantir a paz e o desenvolvimento para todos. (...) O presidente conclama todo o povo a votar, em eleições parlamentares antecipadas. Vamos todos, votar pelo reforço da democracia, pelo Estado de direito!”. Os líderes partidários já saudaram as eleições antecipadas, esperando que resolva o impasse político em Timor, que se arrasta há seis meses. O primeiro-ministro, Mari Alkatiri, ouvido pela agência Lusa, espera que seja o primeiro passo para um acordo no país. Já o líder do Partido Democrático (PD), Mariano Sabino, garantiu que o Executivo vai governar o país até às eleições, num momento difícil. A oposição timorense saudou também a decisão de Francisco Guterres, enquanto o líder da Conferência Episcopal, o bispo Basílio do Nascimento, falou da solução mais equilibrada e menos dolorosa. Nas eleições de Julho do ano passado, a Fretilin, liderada por Mari Alkatiri, venceu com uma vantagem de apenas mil votos em relação ao CNRT de Xanana Gusmão. Entretanto, o actual Governo é constituído por um Executivo de gestão até à tomada de posse do novo Governo, sendo que durante o período em que o Parlamento Nacional estiver dissolvido, funcionará a Comissão Permanente do Parlamento Nacional, presidida pelo Presidente do Parlamento Nacional e composta pelos vice-presidentes e deputados indicados pelos partidos políticos com assento parlamentar, respeitando o princípio da representatividade.
4 política
ELLA LEI DEPUTADA ENTENDE QUE O REGISTO PREDIAL PRECISA MELHORAR
Trancas à porta
SOFIA MARGARIDA MOTA
26.2.2018 segunda-feira
As fraudes imobiliárias continuam sendo preciso implementar um sistema de registo predial mais seguro e eficaz. O pedido é de Ella Lei que não se fica pelas casas. A deputada pede informações e medidas ao Executivo devido às falhas de segurança nas estruturas de lazer
É
preciso melhorar o registo de imóveis. A deputada Ella Lei exige medidas ao Governo de forma a evitar as fraudes que se têm vindo a registar na transação de imóveis. De acordo com a deputada ligada à FAOM, os casos de fraude na compra e venda de imóveis estão longe de estarem a diminuir. “No início de Janeiro deste ano a polícia detectou uma fraude em que os falsos vendedores alegavam que tinham sido contratados pelo proprietário para venderem lojas”, recorda Ella lei em interpelação escrita dirigida ao Executivo. Em Fevereiro foi detectado um novo caso, desta feita envolvendo falsificação de cartões de identidade para venda de propriedades alheias. A deputada entende que o problema reside no sistema de registo de propriedades. Para Ella Lei a modalidade actual não exige dados suficientes. “No registo de propriedade é pedido apenas o nome, estado civil e residência dos proprietários e alguns dados de identificação”, refere. “Quando é preciso fazer registo no notário não há necessidade de testemunhas para validar a identidade das pessoas e só são necessários documentos de identificação que podem ser falsos”, alerta a deputada. É necessária uma solução que passe pelo aperfeiçoamento do sistema de registo predial de modo a colmatar as lacunas existentes e impor mais requisitos no processo notarial.
JOGOS PERIGOSOS
TIAGO ALCÂNTARA
Outra das preocupações recentes de Ella Lei tem que ver com os
critérios de segurança nos espaços de diversão e lazer. O alarme foi dado com o caso recente de um homem que ficou suspenso na Torre de Macau quando fazia bungee jumping e que acabou por ser resgatado pelos bombeiros depois de estar uma hora e meia suspenso.
“No registo de propriedade é pedido apenas o nome, estado civil e residência dos proprietários e alguns dados de identificação.” “Há uma falta de normas legais claras e de requisitos regulamentares para manutenção e operação das instalações de lazer.” ELLA LEI DEPUTADA
Para Ella Lei, o acontecimento veio aumentar as preocupações da população que se questiona cada vez mais acerca do sistema de inspecção levado a cabo pelo Executivo, aos equipamentos de diversão. Por outro lado, a demora da resposta ao incidente levanta dúvidas quanto à eficácia dos meios de emergência locais neste tipo de situações. “Há uma falta de normas legais claras e de requisitos regulamentares para manutenção e operação
das instalações de lazer”, lamenta Ella Lei em interpelação. Mas o problema não se fica por aqui. É preciso ter em atenção todas as estruturas mecânicas que operam no território com fins recreativos.
MECANISMO A MEIO GÁS
A deputada recorda que o Governo criou, em 2012, um grupo de trabalho Interdepartamental para melhorar a supervisão de instalações mecânicas e eléctricas. No entanto, os resultados ainda não são visíveis. O objectivo do mecanismo teria várias frentes: configuração e implementação de directrizes para a manutenção de máquinas e instalações especiais, aplicação de um sistema de registo de unidades de engenharia relevantes, criação de um sistema de avaliação e estudos para o estabelecimento de um departamento jurídico para o sector. Mas, até agora, apenas foram feitas as directrizes de exame e aprovação de grandes espaços de diversão. Neste sentido, Ella Lei quer saber quais são os planos do Governo, tendo em conta que se trata de uma situação de segurança para os utilizadores destes equipamentos. No que respeita a mecanismo de resposta a acidentes, Ella Lei recorda que o Executivo já solicitou às próprias operadoras que elaborassem um mecanismo de resposta, mas não se sabe ainda o que foi feito, ou se foi tomada alguma medida. Sofia Margarida Mota
Sofia.mota@hojemacau.com.mo
TERRAS HO ION SANG QUER SABER PLANEAMENTO PARA TERRENOS DISPONÍVEIS
E
M 2018 há um total de 57 concessões que podem chegar ao fim. Na prática são 470 mil metros quadrados de terras que ficam disponíveis. As declarações foram de Chui Sai On no debate das Linhas
de Acção Governativa para 2018, e agora são recordadas pelo deputado Ho Ion Sang. O objectivo do tribuno é saber o destino que vão ter estas terras, sendo que a sua maioria está “presa em processos
judiciais”. Para Ho Ion Sang, mais do que o problema de falta de terrenos, trata-se da falta de eficácia perante os processos que os envolvem e a ausência de planeamento antecipado para os mesmos.
Por outro lado, há ainda a questão das terras que podem estar a ser mal aproveitadas ou mesmo “paradas”. É necessária uma inspecção eficaz ao andamento das obras dos espaços concessionados, não
só para garantir o seu bom aproveitamento como para evitar as demoras associadas aos processos judiciais. A ideia, aponta, é não desperdiçar um bem que tanta falta faz a Macau.
política 5
segunda-feira 26.2.2018
ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DISCURSO DOS NOVOS DEPUTADOS NOMEADOS DESILUDE
Figuras de corpo presente Quase seis meses depois dos novos legisladores terem assumido o cargo, Jorge Valente e Larry So consideram que os membros nomeados pelo Governo estão a desiludir. Até agora, revelaram incapacidade para contribuir significativamente para a melhoria das discussões no hemiciclo “Se olharmos para a plataforma política dela e à forma como se apresenta, como uma pessoa que não é radicalmente contra o Governo nem demasiado conservadora, eu dar-lhe-ia uma nota consideravelmente elevada. Ela tem estado no meio”, defendeu Larry So. “Acredito que certas franjas da comunidade sintam que ela não está a ser suficientemente radical. Acredito que os mais jovens que a apoiaram talvez esperassem um discurso mais forte contra o Governo”, teoriza o académico. Por sua vez, Jorge Valente diz que o discurso tem sido “leve em termos de conteúdo”, mas ressalva
que é necessário esperar um pouco mais para fazer uma avaliação. “Ela ainda não mostrou trabalho suficiente para poder ser definida como independente. Vamos ter de continuar a dar o benefício da dúvida. Tem feito algumas sessões em directo no Facebook e outros eventos, com um discurso leve em termos de conteúdo. Mas temos de ver mais”, frisou. Pela positiva, entre os estreantes, Larry So destacou Leong Sun Iok, deputado ligado aos Operários de Macau. “Ele defende de forma muito vincada os assuntos da sua agenda e os temas ligados ao sector do jogo, que conhece muito
bem. Também se preocupa com os assuntos ligados à comunidade, como os problemas da habitação. Tem tido um bom desempenho”, considerou. Ainda em relação aos primeiros meses da Legislativa, Jorge Valente considerou que a suspensão de Sulu Sou era evitável. “Não devia ter acontecido, os deputados deviam era estar ocupados a trabalhar para o bem dos residentes em vez de perder tempo com intrigas destas. Se fosse um caso de corrupção ou compra de votos, isso sim!”, justificou. João Santos Filipe e Andreia Sofia Silva info@hojemacau.com.mo
ANTÓNIO MIL-HOMENS
N
UMA altura em os novos deputados estão quase a cumprir seis meses na Assembleia Legislativa, uma das conclusões que já se pode tirar é que o debate no hemiciclo não sofreu alterações significantes. E os deputados nomeados, de quem se esperava que gerassem um enriquecimento dos temas, devido ao elevado número de académicos, são quem tem estado mais longe de se destacar. Esta foi a opinião partilhada pelo do ex-candidato à AL Jorge Valente e pelo analista político Larry So. “Os deputado nomeados têm sido como inexistentes no sentido de não terem contribuído significativamente com uma mais-valia para o hemiciclo. Até agora limitaram-se a carregar nos botões para votar naquilo que lhes é indicado”, disse Jorge Valente ao HM. “Estamos numa altura em que ainda devemos dar o benefício da dúvida e por isso espero que venham a desenvolver sugestões que contribuam para melhorar a qualidade nos debates do hemiciclo, assim como para o bem-estar e interesses da população”, frisou. Esta é uma análise que o comentador político Larry So também partilha. No entanto, So sublinha que estes deputados nomeados não criam expectativas junto da população. “A participação deles na Assembleia Legislativa não se enquadra nos moldes dos deputados eleitos de forma directa. Davis Fong tem falado mais, assim como os legisladores ligados ao Direito. Mas a comunidade não tem expectativas face à performance deles”, disse Larry So. “Temos de compreender que eles não são particularmente reivindicativos nem trabalham em prol da comunidade. O Governo terá outras expectativas”, acrescentou. À excepção de Ma Chi Seng, todos os outros deputados nomeados estão a estrear-se na Assembleia Legislativa.
Pan Nga Koi, conhecido como Dente Partido, veio a público apoiar a implementação da política “Uma Faixa, Uma Rota” e anunciar a criação de uma empresa corretora para facilitar o investimento chinês ao longo dos países abrangidos pela iniciativa. O objectivo foi admitido, na semana passada, de acordo com o jornal Apple Daily, durante um evento da associação a que Dente Partido preside: a Associação Mundial de História e Cultura de Hongmen. A empresa vai exigir um investimento inicial de 30 milhões de dólares norte-americanos e vai ter como nome Empresa Corretora de Hongmen. Ao longo do vídeo colocado a circular nas redes sociais, Pan Nga Koi surge ainda a reafirmar os valores da Associação Mundial de História e Cultura de Hongmen sublinhando o amor por Hong Kong, Macau e pelo País. Por outro lado, compromete-se a trabalhar para que haja uma reunificação pacífica entre o Continente e Taiwan.
APN Validados os 2980 delegados eleitos, incluindo 12 de Macau
AGNES LAM DIVIDE
Um pontos em que as pessoas ouvidas pelo HM não estão de acordo é na avaliação da performance de Agnes Lam.
Investimento Pan Nga Koi apoia Uma Faixa, Uma Rota
Larry So, académico “A participação deles na Assembleia Legislativa não se enquadra nos moldes dos deputados eleitos de forma directa. A comunidade não tem expectativas face às suas performances.”
O Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional (APN) anunciou, no fim-desemana, ter confirmado a validade dos 2980 delegados eleitos para o mais importante órgão legislativo da China, incluindo os 12 representantes de Macau. O presidente da Assembleia Legislativa de Macau, Ho Iat Seng, foi reeleito, granjeando o maior número de votos entre os 15 candidatos em Dezembro. O mesmo sucedeu com Chui Sai Peng, Kou Hoi In, Lao Ngai Leong, Lok Po, Paula Ling, Ho Sut Heng e Iong Weng Ian, enquanto Dominic Sio, Ng Siu Lai, Lai Sai Kei e Si Ka Lon foram eleitos pela primeira vez. A abertura da 13.ª APN tem data marcada para o próximo dia 5 de Março.
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sociedade 7
segunda-feira 26.2.2018
Já há consenso para a extensão da ciclovia da Taipa até à ponte Flor de Lótus. O IACM prevê um custo de 18 milhões de patacas para uma obra que deverá ser inaugurada no próximo ano. As restantes fases estão dependentes do projecto da marina, que está a cargo da empresa do deputado Cheung Lap Kwan
IACM EXTENSÃO DA CICLOVIA DA TAIPA ATÉ COLOANE CUSTA 18 MILHÕES
Pedalada milionária
SEGURANÇA ALIMENTAR NAS ESCOLAS
O
IACM anunciou a realização do primeiro estudo sobre segurança alimentar, que se inicia hoje. A pesquisa vai incidir sobre mais de mil alunos de 30 turmas, em 12 escolas do ensino secundário. A ideia é analisar, não apenas as noções que os estudantes têm sobre esta matéria, mas também os tipos de alimentos que são consumidos e a sua quantidade. Cabe à Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau a realização deste inquérito, cujos resultados deverão ser conhecidos no final do ano.
Q
UEM costuma correr ou caminhar na ciclovia da Taipa, que se estende desde a entrada da ilha até ao Galaxy, poderá, no próximo ano, estender o percurso até à zona Flor de Lótus, perto de Coloane. As obras da sexta e última fase da referida ciclovia já reuniram consenso, tendo o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) apresentado ontem os detalhes de um projecto que vai custar 18 milhões de patacas. Serão acrescentados um total de 600 metros à actual
O
que só poderão avançar depois de um diálogo com a empresa do deputado Cheung Lap Kwan, concessionária de um terreno onde vai nascer uma nova marina de iates. Henry Ma, membro do conselho de administração do IACM, explicou que “está a ser pensada a construção de uma marina no local onde serão feitas as fases quatro e cinco do projecto, pelo que teremos de comunicar com o concessionário do terreno”.
Henry Ma, membro do conselho de administração do IACM “Em principio vamos iniciar a obra em Julho e terminar até finais deste ano. Será inaugurada no principio do próximo ano.”
ciclovia, explicou Au Chun Yat, engenheiro civil do IACM. “Vamos ter uma faixa verde para separar a zona de lazer da estrada. Vamos fazer a expansão do dique de retenção e colocar placas informativas para a segurança dos peões.” A necessidade de estabelecer a ligação, através
Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) organiza, a partir de hoje, passeios por alguns pátios e becos antigos do território, tal como o Pátio do Espinho, Bêco da Rosa, Pátio da Eterna Felicidade, Pátio das Seis Casas. O objectivo, apontou Lam Mei Siu, chefe substituta do gabinete do cidadão do IACM, é garantir que o público saiba mais detalhes sobre estes locais. Muitos dos pátios estão degradados, sem um plano de requalificação e já sem moradores. “Esta actividade tem por objectivo promover a participa-
de percursos pedonais e ciclovias, entre a Taipa e o Cotai é uma questão antiga, tanto que até já foi tema de debate na Assembleia Legislativa, nomeadamente da parte da ex-deputada Kwan Tsui Hang. Em Maio do ano passado já o IACM tinha garantido
à deputada que estava a estudar o assunto. “Quais são os planos concretos das restantes três fases da ciclovia da Zona de Lazer da Marginal da Taipa? E quando é que vai estar concluída a ligação entre a pista da Flor de Lótus e a ciclovia da Avenida dos
Becos com história
IACM organiza passeios educativos por pátios antigos
ção pública em conjunto com a comunidade, para que se possam conhecer os bairros sob diferentes perspectivas, além de fortalecer o sentido de mobilidade.” Estes percursos foram criados através de concurso, sendo a participação do público feita através de inscrição. A língua dos passeios será o cantonês, existindo a possibilidade de virem a ser realizados percursos em português ou inglês,
garantiu Henry Ma, membro do conselho de administração do IACM. “Cada mês temos uma visita aberta a inscrições do público e já recebemos inscrições de escolas e vários grupos para a realização de visitas guiadas. Também acrescentamos este ano visitas guiadas levadas a cabo por académicos para que os participantes possam compreender melhor
Jogos da Ásia Oriental?”, questionou a deputada junto do Governo, através de uma interpelação escrita.
DUAS FASES À ESPERA
Apesar do Governo ter decidido avançar para este projecto, há duas fases, a quatro e cinco, desta obra
a história das ruas de Macau”, acrescentou Lam Mei Siu. Para a realização destes percursos foram feitas algumas mudanças nos locais. “Colocaram-se mesas e cadeiras para refeições e vários convívios, para que haja um contacto e uma estreita interacção entre vizinhos. Esta nova rota estabelece uma ligação entre os pátios e os becos antigos de Macau, para que os visitantes possam rever as memórias colectivas.” O IACM já tem pensados noutros temas para percursos relacionados com locais históricos de
Ainda assim, Henry Ma mostra-se confiante no cumprimento do calendário da obra. “Em principio vamos iniciar a obra em Julho e terminar até finais deste ano. Será inaugurada no principio do próximo ano. Vamos procurar atingir este objectivo, mas isso terá sempre a ver com a situação concreta das obras.” Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
Macau. “Temos várias rotas, como as personalidades e os pintores de Macau, e as rotas relacionadas com os templos antigos da Taipa, duas ligadas a Coloane e outra rota relacionada com as lojas antigas”, adiantou Henry Ma. O sucesso deste projecto já está garantido, conforme frisou o administrador do IACM. “Convidámos académicos para uma primeira visita guiada, as vagas já estão esgotadas e vamos abrir mais uma actividade”, rematou. A.S.S.
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26.2.2018 segunda-feira
TOI SAN STDM VENDEU PRÉDIO HABITACIONAL JUNTO A OBRA PÚBLICA O edifício da Sociedade de Turismo e Diversões de Macau localizado no bairro de Toi San, cia de grandes fendas estruturais. ao lado da obra de Desconhecem-se as razões para habitação pública, a venda desta propriedade, e a não respondeu às questões foi vendido a Simon STDM colocadas pelo HM. Contudo, e de acordo com a Siu, da empresa garantia dada por Chan Tak Seng, Lek Heng Property. da Aliança do Povo de Instituição de Macau, os moradores, que teOs moradores não miam o despejo, passaram a pagar renda ao novo proprietário, quando foram despejados, antes a STDM os isentava desse pagamento. mas passaram a Numa reportagem realizada pelo HM em 2015, os 40 moradores pagar renda
Fendas descartadas
V
IVEM em comunidade há décadas num só edifício de quatro andares. É assim no prédio que a Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM) possuía no bairro de Toi San e onde, desde os anos 60, vivem várias famílias. Segundo o que o HM conseguiu apurar, o edifício foi vendido a Simon Siu, empresário e proprietário da empresa Lek Heng Property. Desde que começaram, no terreno ao lado, as obras para a construção de um edifício de habitação pública que o edifício tem vindo a sofrer com a existên-
Polémica DSAMA em silêncio sobre jantar de 11.900 patacas
A Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água não vai tomar uma posição sobre o jantar avaliado em 11.900 patacas pago pela empresa Cotai Chu Kong. Na refeição participaram cerca de cinco dirigentes do organismo, entre os quais a directora Susana Wong e o então ex-chefe do Departamento de Apoio Técnico Marítimo da Capitania dos Portos, Ip Va Hung. O acontecimento foi revelado durante o julgamento de Ip Va Hung, que enfrenta em tribunal acusações da prática de um crime de corrupção passiva. “Encontrando-se na fase do procedimento judicial, não é conveniente dar respostas”, justificou a DSAMA, após ter sido questionada sobre o assunto pelo HM.
do edifício temiam ser despejados pela empresa fundada por Stanley Ho, e que durante anos teve a concessão exclusiva do jogo no território. Estes chegaram a receber cartas da empresa a alertar para a possível situação de despejo, que nunca se concretizou. “A STDM já não cobra renda aos inquilinos e acredito que isso é para nós sairmos à vontade. Mas ganho muito pouco e não tenho capacidade para arrendar uma casa lá fora”, contou um dos moradores.
PLANTA EM ANÁLISE
Em 2015 os problemas estruturais do edifício, agravados com as obras no terreno ao lado, foram notícia, tendo os representantes
O
S visitantes que escolheram Macau como destino no ano passado voltaram a gastar mais dinheiro fora dos casinos. A despesa total, excluindo em jogo, atingiu 61,32 mil milhões de patacas, traduzindo uma subida de 16,4 por cento face a 2016, indicam dados divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). A par com o aumento global verificou-se também uma subida dos gastos ‘per capita’ que cresceram 10,5 por cento para 1.880 patacas. Os visitantes procedentes da China foram os que mais abriram os cor-
Segundo o que o HM conseguiu apurar, o edifício foi vendido a Simon Siu, empresário e proprietário da empresa Lek Heng Property
da Aliança do Povo de Instituição de Macau reunido com Li Canfeng, director dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT). Neste momento, está sob consulta pública, para posterior análise do Conselho do Planeamento Urbanístico (CPU), uma planta de
condições urbanísticas sobre este edifício, mas a DSSOPT não quis dar mais esclarecimentos sobre este projecto. “Quanto ao respectivo lote, a pedido do proprietário do terreno esta Direcção de Serviços realizou os trabalhos relativos à elaboração da sua planta de condições
Sempre a gastar Despesas feitas fora dos casinos subiram
dões à bolsa, com a despesa ‘per capita’ a corresponder a 2.203 patacas – mais 11,6 por cento face a 2016.
A despesa ‘per capita’ dos visitantes de Singapura (1.848 patacas), da Malásia (1.762 patacas) e do Japão (1.744 patacas) também aumentaram. Em sentido inverso, os gastos dos visitantes oriundos da Austrália (1.429 patacas), Estados Unidos (1.236 patacas) e Reino Unido diminuiu. Segundo a DSEC, no ano passado, os visitantes despenderam, essencialmente, em compras (855 patacas, isto é 45,4 por
urbanísticas de acordo com a Lei do Planeamento Urbanístico e a mesma está-se a proceder ao procedimento de divulgação, exposição e consulta pública, não tendo actualmente mais informações complementares.”
cento do total ‘per capita’) – mais 14,9 por cento face a 2016. A despesa ‘per capita’ em alojamento foi na ordem das 485 patacas – mais 4,8 por cento do que em 2016 –, enquanto a de alimentação foi de 392 patacas, representa um quinto na estrutura da despesa ‘per capita’, segundo os resultados do inquérito às despesas dos visitantes da DSEC. Quanto ao principal motivo de vinda a Macau, os que visitaram o território para participar em convenções/exposições foram os que mais despenderam, com os gastos ‘per capita’, atingindo 3456 patacas. Este valor
Andreia Sofia Silva (com V.N.)
andreia.silva@hojemacau.com.mo
reflecte um aumento anual de 28 por cento, apesar de representarem menos de um por cento. A segunda despesa mais avultada foi feita por quem veio fazer compras (2.571 patacas), seguindo-se a efectuada pelos que escolheram Macau para passar férias (2.508 patacas), que representaram mais de metade do total. Já a despesa ‘per capita’ de quem veio para jogar nos casinos foi na ordem das 985 patacas, traduzindo uma descida de 14,6 por cento face a 2016. D.M.
sociedade 9
segunda-feira 26.2.2018
Um homem de 68 anos morreu na madrugada de Sábado, tornandose na terceira vítima mortal da gripe desde o início do ano, indicaram os Serviços de Saúde
O
sexagenário, que se encontrava em estado crítico, apresentou os primeiros sintomas no dia 8 de Fevereiro e, cinco dias depois, foi internado no Hospital Kiang Wu. Mais tarde, acabou por ser transferido para o Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHCSJ), “com problemas respiratórios e com necessidade de auxílio respiratório por meios mecânicos”. O homem, que testou positivo para a gripe B, foi diagnosticado com pneumonia dupla e septicemia, de acordo com um comunicado dos Serviços de Saúde. Trata-se da terceira vítima mortal em Macau, desde o início
Cenário agudo
tomada de medidas de prevenção atendendo, em particular, ao facto de as aulas serem retomadas esta semana na maioria das escolas. Desde o início do ano, até ao meio-dia de sábado, foram registados 45 casos de gripe acompanhados de pneumonia ou de outras complicações.
Terceira vítima mortal de gripe desde o início do ano
‘STOCK’ EM BAIXA NO PRIVADO
do ano, devido a complicações causadas pela gripe, depois da morte, a 29 de Janeiro, de uma criança de quatro anos e de um homem, de 90 anos, na passada quarta-feira. Os Serviços de Saúde fizeram ainda um ponto de situação, até sábado, relativamente a três casos críticos: um homem, de 45 anos, que estava internado nos cuidados intensivos do CHCSJ que apresentava melhorias; a par de dois outros, de 64 e 83 anos, ambos internados nos cuidados intensivos do Kiang Wu e a precisar ainda do apoio do ventilador. Nem os três pacientes que faleceram nem os que se encontram em estado crítico foram vacinados contra gripe.
A situação da gripe em Macau ainda “mantém um nível alto”, “apesar de se ter registado uma diminuição ligeira”, indicaram os Serviços de Saúde, apelando à
Trata-se da terceira vítima mortal em Macau, desde o início do ano, devido a complicações causadas pela gripe, depois da morte de uma criança de quatro anos e de um homem de 90 anos
Depois de terem adquirido 120 mil doses de vacina contra a gripe para 2017/2018, os Serviços de Saúde decidiram reforçar as doses ainda existentes, que eram menos de cinco mil no final de Janeiro, tendo sido feita uma encomenda adicional de 40 mil. No entanto, no sector privado o cenário é de défice, segundo o South China Morning Post (SCMP). De acordo com o jornal, a escassez da vacina nas clínicas privadas de Hong Kong levou os residentes a atravessarem a fronteira até Macau, em particular face à advertência das autoridades para a possibilidade de um eventual surto de gripe com a reabertura das escolas, mas sem grande sorte. Nove clínicas privadas de Macau contactadas pelo SCMP indicaram não ter vacinas contra a gripe em ‘stock’. Diana do Mar
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Saúde Alerta para consumo do cosmético Sin Den Beauty
Os Serviços de Saúde lançaram um aviso aos cidadãos para que não consumam o produto cosmético “Sin Den Beauty”, devido à possibilidade de causar efeitos adversos. O alerta é lançado depois dos Serviços de Saúde de Hong Kong terem deixando um aviso semelhante. De acordo com o comunicado do Governo de Macau, o produto “Sin Den Beauty” contem as substâncias “sibutramina” e “fenolftaleína”. A primeira inibe o apetite, mas aumenta o risco da contracção de doenças cardiovasculares. A segunda pode levar a hemorragias e ao desenvolvimento de doenças cancerígenas. Os Serviços de Saúde garantem que este produto nunca foi autorizado em Macau e que caso as pessoas o tenham comprado, que devem entrega-lo no Departamento dos Assuntos Farmacêuticos dos Serviços de Saúde.
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COMISSÃO DE REGISTO DOS AUDITORES DOS CONTABILISTAS Aviso Faz-se público, em conformidade com deliberação da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, de 17 de Janeiro de 2018, e nos termos do disposto no nº 1 do artigo 18º do Estatuto dos Auditores de Contas, aprovado pelo Decreto-Lei nº 71/99/M, de 1 de Novembro, no nº 1 do artigo 13º do Estatuto dos Contabilistas Registados, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 72/99/M, de 1 de Novembro, bem como do disposto no ponto 3) do artigo 1º do Regulamento da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 2/2005, de 17 de Janeiro, que nos dias 2, 3, 9, 10 e 16 de Junho do corrente ano, irá realizar-se a prestação de provas para inscrição inicial e revalidação de registo como auditor de contas, contabilista registado e técnico de contas. 1. Prazo, local e horário de inscrição Ø Prazo de inscrição: De 26 de Fevereiro a 9 de Março de 2018 Ø Local de inscrição: Instalações da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, no 1º andar do “Centro de Recursos da Direcção dos Serviços de Finanças”, sito na Rua da Sé, n.º 30, em Macau. Ø Horário de inscrição: De 2ª a 5ª feira: das 09h00 às 13h00; das 14h30 às 17h45 6ª feira: das 09h00 às 13h00; das 14h30 às 17h30 2. Condições de candidatura Auditores de contas: Podem candidatar-se todas as pessoas maiores, residentes ou portadoras de qualquer título válido de permanência na Região Administrativa Especial de Macau, que reúnam os requisitos gerais para registo como Auditores de Contas nos termos do artigo 4º do Estatuto dos Auditores de Contas, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 71/99/M, de 1 de Novembro, e que, no caso de revalidação de registo, tenham cumprido o disposto no artigo 10º do mesmo Estatuto. Contabilista registado e técnico de contas: Podem candidatar-se todas as pessoas maiores, residentes ou portadoras de qualquer título válido de permanência na Região Administrativa Especial de Macau, que reúnam os requisitos gerais para registo como contabilistas registados ou técnicos de contas nos termos do artigo 4º do Estatuto dos Contabilistas, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 72/99/M, de 1 de Novembro, e que, no caso de revalidação de registo, tenham cumprido com o disposto no artigo 10º do mesmo Estatuto. 3. Local de levantamento do boletim de inscrição O boletim de inscrição, os esclarecimentos relativos à prestação de provas, o regulamento das provas e as regras da prestação de provas relativas aos candidatos e conteúdo das provas podem ser obtidos no sítio da internet da Direcção dos Serviços de Finanças, no local relativo à CRAC (www.dsf.gov.mo) ou levantados nos seguintes locais: 1) Instalações da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, no 1º andar do “Centro de Recursos da Direcção dos Serviços de Finanças”, sito na Rua da Sé, n.º 30, em Macau; 2) Rés-do-chão do Edifício da Direcção dos Serviços de Finanças, sito na Avenida da Praia Grande n.ºs 575, 579 e 585; 3) Centro de Serviços da RAEM, Rua Nova de Areia Preta N.º 52; 4) Centro de Atendimento Taipa, Rua de Bragança, Nº 500, R/C, Taipa. Em caso de dúvidas, agradecemos o contacto com a CRAC, durante as horas de expediente, através do telefone número 85995343 ou 85995342, ou através do e-mail crac@dsf.gov.mo. Direcção dos Serviços de Finanças, aos 13 de Fevereiro de 2018. O Presidente da CRAC Iong Kong Leong
10 eventos
26.2.2018 segunda-feira
A volta dos livro IPM CURSO BREVE DE LITERATURAS EM LÍNGUA PORTUGUESA ARRANCA EM MARÇO
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O Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa vai lançar, no próximo mês, o C Literaturas em Língua Portuguesa. A iniciativa junta, pela primeira vez, docentes de todas de ensino superior onde se lecciona literatura
A
5 de Março abre-se o primeiro capítulo de mais um curso livre de literatura, iniciativa que tem vindo a ser promovida pelo Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa (CPCLP) do Instituto Politécnico de Macau (IPM). Este ano com um novo fôlego graças à diversidade de temas e do painel que o lecciona. “A grande novidade é que o curso vai ser leccionado, pela primeira vez, por professores de todas as instituições de ensino superior de Macau onde se ensina literatura”, afirmou o director do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa (CPCLP), Carlos André, ao HM. O académico sublinha que apenas agora se conseguiu concretizar este projecto que corresponde a uma vontade antiga. “Já há muito venho a entender que temos de colaborar mais. Quem cá está há anos deve ter reparado que tenho dito, muitas vezes, que é necessário haver mais cooperação. A lógica de cooperação tem de prevalecer sobre a lógica da concorrência”, apontou. Em paralelo, o curso livre – que começou por ser ministrado por José Carlos Seabra Pereira, que exerceu funções de
docente convidado no CPCLP e foi distinguido com o Grande Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho, em 2016, pela obra “O Delta Literário de Macau” – alargou o espectro, apresentando-se agora “muito ligado às literaturas de língua portuguesa, que não são necessariamente portuguesas”, sublinha Carlos André. O curso livre, que vai decorrer de 5 de Março a 28 de Maio, “pretende ser uma actividade aberta à comunidade académica e a todos os interessados nas literaturas de língua portuguesa, sendo “caracterizada por um es-
pectro temático amplo, tanto na sua cronologia, como no que diz respeito ao género e ao espaço de produção”. Ou seja, o espectro geográfico é alargado aos países de língua portuguesa, refere uma breve apresentação da iniciativa. “Arelação da literatura com quotidiano” é um tema proposto que tem como principal objectivo por um lado, “descobrir aproximações diversas de textos e autores” e, por outro, “reflectir criticamente sobre a
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA VERA CRUZ • João Morgado O novo romance de João Morgado, autor já com vasta obra publicada, centra-se na vida desconhecida de Pedro Álvares Cabral e numa época tão gloriosa quanto distante. Trata-se de um livro que facilmente ambienta o leitor no período áureo da nossa História no qual (re)descobrimos viagens acidentadas, jogos de sombras e traições, na Índia e no reino de Portugal, rivalidades e intrigas. E também um Pedro Álvares Cabral capaz intrépido e valente, por vezes desiludido e arrependido.
literatura enquanto expressão individual e expressão de um determinado tempo e circunstâncias”. Olhando à primeira vista, o programa “parece um tanto descosido” ou “um pouco desgarrado”, o que decorre do facto “de cada professor ser livre de escolher a unidade temática em que quer trabalhar”, explica Carlos André.
DE CAMÕES A AGUALUSA
O Curso Breve de Literaturas em Língua Portuguesa desenrolar-
-se-á ao longo de dez sessões marcadas para as segundas-feiras entre as 18h30 e as 21h no IPM. As primeiras três vão ficar, precisamente, a cargo do director do CPCLP que irá abordar “O exílio na literatura portuguesa”. “É um tema que atravessa a literatura desde os gregos, desde Ulisses, que é o primeiro exilado da literatura, até aos dias de hoje e que, no caso português, é pontuada por autores muito marcantes”, explica Carlos André. Nesse contexto, o académico propõe uma reflexão sobre a importância do tema e/ou condição de exílio em autores como Camões, Filinto Elísio, Marquesa de Alorna, padre
António Vieira, Alexandre Herculano ou Manuel Alegre. De acordo com o programa, segue-se Lola Xavier, também do Instituto Politécnico de Macau que, a 26 de Março, debruçar-se-á sobre a “Literatura angolana e construção de universos subjectivos”. Como o título indica, o módulo foca-se em autores angolanos, nomeadamente José Eduardo Agualusa, “naquilo que é a sua literatura menos comentada, mas mais rica, na criação de universos subjectivos e metafóricos”. Já em Abril, o curso livre regressa à literatura portuguesa, desta feita, por via de Sara Augusto, que dedicar-se-á a uma área em que “se sente muito à vontade” que é, aliás, a da sua formação: a literatura barroca. “Parece-me interessante por ser uma área de estudos e da literatura muito desconhecida. As pessoas sabem mais do século anterior, o XVI, do que do XVII, em que acabam por conhecer o padre António Vieira e os Sermões e pouco mais”, observou a docente do CPCLP ao HM. “A literatura barroca entre o quotidiano e a estética literária” titula as sessões de 9 e 16 de Abril, com Sara Augusto a destacar o particular interesse das “dicotomias” que a pautam e a capacidade de “conju-
RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET
O PIRATA DO REI NA TERRA DO SOL • Clóvis Bulcão “O Pirata do Rei na Terra do Sol” é um romance sensual e vibrante que narra o sequestro da cidade do Rio de Janeiro por René Duguay- Trouin, o lendário corsário francês ao serviço do rei Luís XIV. Em 1711, protegida por um denso nevoeiro, a frota de quinze vasos de guerra invadiu a baía de Guanabara de forma espectacular e aí desembarcaram mais de mil homens. O objectivo era roubar o carregamento anual de ouro do Brasil e desferir um poderoso golpe no orgulho e poderio português.Do tráfico de sal e pólvora à revolta dos escravos, da ocupação da cidade ao roubo de barcos por intelectuais, o Rio de Janeiro fervilhou de actos heróicos e vis traições.
eventos 11
segunda-feira 26.2.2018
Curso Breve de as instituições gar os factos do dia-a-dia num período tão regido por regras”, em que se “cultivam géneros com códigos estilísticos tão fortes”, como o soneto. A 23 de Abril, é a vez de Inocência Mata, professora do Departamento de Português da Universidade de Macau, dar o seu contributo, mas o PUB
LITERATURA “CAIR PARA DENTRO” ENCERRA TRILOGIA DE VALÉRIO ROMÃO
GONÇALO LOBO PINHEIRO
os
programa ainda não se encontra fechado. “O quotidiano no registo da poesia: intrusão ou pertença?” é a questão que Vera Borges lança na sua sessão a 14 de Maio. Segundo o programa, a coordenadora do Departamento de Estudos Portugueses da Universidade de São José propõe discutir a oposição entre os conceitos de sublime e banal. Serão abordadas “as funções e efeitos da intrusão do quotidiano na dicção poética”, com comentário de textos, designadamente de Ruy Cinnatti, Sophia de Mello Breyner, Eugénio de Andrade, Mário Cesariny de Vasconcelos ou Ruy Belo. Já Vânia Rego, professora da Escola Superior de Línguas e Tradução do IPM, vai buscar as “Galveias”, de José Luís Peixoto, para falar das histórias de um quotidiano português a 21 de Maio; enquanto Dora Gago, do Departamento de Português da Universidade de Macau, vai focar-se, uma semana depois, nas representações
É “Já há muito venho a entender que temos de colaborar mais. A lógica de cooperação tem de prevalecer sobre a lógica da concorrência.” CARLOS ANDRÉ DIRECTOR DO CPCLP
do quotidiano no Diário de Miguel Torga, fechando o Curso Breve de Literaturas em Língua Portuguesa. Diana do Mar e Sofia Margarida Mota
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o último volume da trilogia “Paternidades Falhadas” de Valério Romão. Depois de “Autismo” e de “O da Joana”, “Cair para dentro” conta a história de duas mulheres, Virgínia e Eugénia, unidas pela relação mãe-filha. Eugénia, a filha, não foi educada para ser um adulto independente e, embora seja professora universitária, a mãe controla o seu dinheiro, o seu tempo, proibindo-a até de ter telemóvel. Quando Virgínia começa a desenvolver sintomas de demência, Eugénia vê-se obrigada, deixando aquela infância artificial construída pela sua mãe, a crescer e a cuidar de todos os aspectos práticos da vida de ambas. Até descobrir que, no estado em que a mãe se encontra, a vingança é uma possibilidade. “Cair para dentro” explora até ao limite as dificuldades das relações humanas e os
dilemas morais que delas decorrem, refere o texto de apresentação da obra. O autor publicou ainda três livros de contos: “Facas”, “Da Família” e “Dez razões para aspirar a ser gato”. Valério Romão escreve também peças de teatro e poesia, por enquanto inédita (mas está previsto, para breve, o lançamento do livro-cd “Poetas Portugueses
de Agora”, que integra poemas seus). Valério Romão, nasceu em 1974, licenciou-se em filosofia e é escritor, contista, dramaturgo, tradutor. Seleccionado como Jovem Criador nacional no início do século, tem diversos livros publicados e é um dos nomes sonantes da nova literatura em Portugal. Foi finalista do Prix Femina 2016.
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26.2.2018 segunda-feira
O
S Estados Unidos impuseram na sexta-feira sanções a 27 empresas marítimas registadas ou com sede em países que mantêm relações comerciais com a Coreia do Norte, como a China, para “aumentar a pressão e isolar ainda mais” o regime norte-coreano. As sanções económicas, divulgadas pelo Departamento do Tesouro norte-americano, também abrangem 28 navios com pavilhão de países como a Coreia do Norte, China, Singapura, Taiwan, Hong Kong, Ilhas Marshall, Panamá, Tanzânia e as Comoros.
A
polícia chinesa ordenou a detenção de dois homens depois de terem publicado fotografias na Internet vestidos com uniformes do exército japonês da Segunda Guerra Mundial, no local onde decorreu uma das maiores atrocidades da guerra. Segundo a polícia, os homens viajaram até à cidade de Nanjing durante as férias do Ano Novo Lunar, e tiraram as fotografias em frente a um bunker utilizado pelos chineses em 1937, durante a ocupação japonesa da então capital da China, no que ficou conhecido como o Massacre de Nanjing. Durante um período de seis semanas, em 1937, estima-se que tenham sido mortos mais de 300 mil chineses, num dos maiores massacres da Segunda
DIPLOMACIA PEQUIM CRITICA PUNIÇÕES UNILATERAIS AMERICANAS À COREIA DO NORTE
A força da sanção “A China opõe-se firmemente aos Estados Unidos da América, que impõem sanções unilaterais, com ‘jurisdição de longo alcance’ sobre entidades ou indivíduos chineses de acordo com suas leis nacionais. Nós criticamos severamente os EUA por essas medidas, pedindo que parem imediatamente tais irregularidades para não prejudicar a cooperação bilateral”, disse o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês, Geng Shuang, em um comunicado. A China não aceita que algumas entidades chinesas acabem por ser abrangidas pelas sanções dos EUA, frisando que cumpriu plenamente as resoluções do Conselho de Segurança da ONU sobre a Coreia do Norte.
DOIS SÉCULOS
A Coreia do Norte garantiu não dialogará de forma directa com a administração de Donald Trump “nem em 100 ou 200 anos”, numa reacção às críticas a Pyongyang feitas pelo gabinete do vice-presidente Mike Pence. As críticas foram feitas depois de a Coreia do Norte ter cancelado “à última hora” uma reunião entre o vice-presidente americano e uma
AP/ANDY WONG
A China exigiu ontem que os Estados Unidos cessem imediatamente a “prática errada” de impor sanções a entidades e pessoas chinesas afectadas pelas medidas unilaterais contra a Coreia do Norte, anunciadas pela Casa Branca
delegação de altos funcionários norte-coreanos, marcada para a Coreia do Sul, à margem dos Jogos Olímpicos de PyeongChang . A porta-voz do Departamento de Estado americano explicou que durante a visita de Mike Pence a
Roupa velha
Polícia detém dois homens por fotografias em uniformes do exército japonês
Guerra Mundial. Segundo a historiografia oficial chinesa, os soldados japoneses violaram entre 20.000 e 30.000 mulheres e crianças, em Nanjing, pelo que o episódio é
também designado na China como “a violação de Nanjing”. Os homens, que terão partilhado as fotografias no serviço chinês de mensagens instantâneas QQ, a par-
PyeongChang, para a cerimónia de abertura dos Jogos, “surgiu a possibilidade de uma breve reunião com os líderes da delegação norte-coreana”, que viria a não se realizar por decisão do regime de Pyongyang.
“Criticamos severamente os EUA por essas medidas, pedindo que parem imediatamente tais irregularidades para não prejudicar a cooperação bilateral.” GENG SHUANG PORTA-VOZ DO MINISTÉRIO DE RELAÇÕES EXTERIORES CHINÊS
tir de onde as imagens foram distribuídas por outros utilizadores, serão punidos com quinze dias de detenção. As fotografias dos dois homens rapidamente se tornaram virais na internet chinesa, onde “levaram à revolta e indignação”, segundo as autoridades. O caso enfatiza o quão sensível continua a ser o período da ocupação japonesa, durante as décadas de 1930 e 1940. Os homens, de 22 e 25 anos, foram considerados culpados de “provocar problemas e causar distúrbios”, e sentenciados com uma detenção administrativa, punição que não requer julgamento em tribunal. “As acções individuais de cidadãos não devem desafiar a dignidade da nação ou do povo”, afirmou a
polícia de Nanjing, em comunicado. “O comportamento em locais públicos ou no ciberespaço não deve ultrapassar os limites estabelecidos pela lei”, acrescentou. Um dos homens foi apanhado na província de Sichuan, sudoeste do país. A polícia não detalhou como é que estes foram identificados. Além de vestirem uniformes do exército japonês, os homens carregavam uma espada de samurai e a réplica de uma carabina. Mais de 70 anos depois do fim da Segunda Guerra, as relações entre a China e o Japão continuam a ser tensas. Muitos chineses consideram que Tóquio nunca mostrou um arrependimento sincero pela agressão contra o país, que se estima terá causado cerca de 20 milhões de mortos. Lusa
Heather Nauert frisou que “o vice-presidente estava pronto para aproveitar a oportunidade para destacar a necessidade de a Coreia do Norte abandonar os programas ilícitos de mísseis balísticos e nucleares “. “É imperdoável que Pence se atreva a difamar o inviolável governo da República Popular Democrática da Coreia, chamando-o de ‘regime ditatorial’”, afirmou hoje um porta-voz de Pyongyang numa declaração à agência estatal “KCNA”. O porta-voz denunciou ainda os “absurdos ataques” de Pence contra a missão norte-coreana enviada à abertura dos Jogos e contra a irmã e enviada especial do líder norte-coreano Kim Jong-un, Kim Yo-jong, que teve uma histórica reunião com o presidente sul-coreano, Moon Jae-in. Pyongyang garante que “em nenhum momento mendigará o diálogo” com o governo Trump, sublinhando que “não quer contacto com quem ataca de forma agressiva a dignidade do governo e a liderança suprema” do país. “Nunca teremos conversas directas com eles, nem sequer em 100 ou em 200 anos. Isto não é uma ameaça nem uma afirmação vã”, concluiu o porta-voz. Lusa
TECNOLOGIA 2017 MARCADO PELO INVESTIMENTO NA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
A
indústria de inteligência artificial (IA) da China recebeu cerca de 180 mil milhões de yuans de financiamento no ano passado. A condução inteligente, big data e serviço de dados estavam entre as principais áreas de investimento, segundo o relatório divulgado pela Academia Chinesa para Tecnologia de Informação e Comunicações. A China registou 28 novas empresas de IA em 2017, comparadas com 128 em 2016, disse o relatório, acrescentando que a flutuação não afectará uma tendência de crescimento no longo prazo. No ano passado, as empresas de IA es-
tavam principalmente em Pequim, Shanghai e Guangdong. Pequim tinha o maior número, com mais de 260 empresas de IA. O relatório previu que a indústria chinesa de IA continuará a crescer em 2018 e que avanços serão obtidos em áreas como visão de computador e tecnologias de voz. A China divulgou um plano de desenvolvimento de IA no ano passado, prometendo elevar o valor das indústrias essenciais de IA para mais de 150 mil milhões de yuans até 2020, mil milhões de yuans até 2025 e um milhão de milhões de yuans até 2030. Xinhua
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segunda-feira 26.2.2018
O principal assessor do Presidente das Filipinas chamou o embaixador norte-americano no país para debater um relatório que inclui Rodrigo Duterte como um dos perigos que as democracias asiáticas enfrentam
O
porta-voz do Presidente das Filipinas, Harry Roque Jr, disse que o secretário executivo do Presidente Rodrigo Duterte, Salvador Medialdea, discutiu o relatório dos serviços secretos norte-americanos ‘Avaliação de Riscos Globais’ com o embaixador norte-americano no país, Sung Kim. De acordo com a agência de notícias AP, Medialdea pediu aos diplomatas norte-americanos colocados nas Filipinas para explicarem a Washington os passos tomados por Duterte para promover o desenvolvimento económico e garantir a segurança pública, “respeitando sempre o primado da lei”.
Chamado à pedra
ATENTADO BOMBAS EXPLODEM NA BIRMÂNIA SEM PROVOCAR VÍTIMAS GRAVES
Filipinas pede explicações a embaixador norte-americano
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A embaixada norte-americana confirmou o encontro e explicou que a reunião foi “centrada nas referências às Filipinas no relatório, incluindo a clarificação que a informação sobre o país tinha sido noticiada pelos meios de comunicação social”. O encontro, acrescentaram as fontes diplomáticas norte-americanas em Manila, serviu também para os dois políticos debaterem os interesses comuns e as “possibilidades de expansão de parcerias”, tendo o encontro terminado com as duas partes a “reafirmarem a força e abrangência da profunda relação bilateral”.
SINAIS PREOCUPANTES
Segundo a agência de notícias AP, o relatório dos EUA diz que as “tendências autocráticas” devem aprofundar-se nalguns governos na Ásia e menciona que Duterte sugeriu suspender a constituição, decretar um “governo revolucionário” e impor a lei marcial em todo o país. No poder desde 2016, o Presidente das Filipinas tem reagido de forma veemente às críticas sobre a sua política de repressão ao uso de droga, especial-
Salvador Medialdea
mente pelos governos ocidentais, pelas Nações Unidas e por organizações de direitos humanos. Duterte chegou a dizer ao antigo Presidente dos EUA Barack Obama para “ir para o inferno” e ameaçou retirar o país das Nações Unidas devido às críticas à sua campanha anti-droga, que deixou milhares de consumidores de drogas, principalmente pobres, mortos. Lusa
RÊS bombas explodiram no sábado no oeste da Birmânia sem provocar vítimas graves, revelaram as autoridades do estado de Rhakine, palco desde Agosto do ano passado de uma campanha militar de perseguição à minoria muçulmana rohingya. “Três bombas explodiram e outros três engenhos acabaram por não detonar, provocando ferimentos ligeiros num agente”, revelou fonte policial de Sittwe, acrescentando que uma das bombas rebentou nos jardins de um edifício público. Estima-se que mais de 700 mil rohingyas tenham atravessado a fronteira entre o Birmânia e o Bangladesh desde o final de Agosto do ano passado. O êxodo desta minoria étnica começou
durante a operação militar no estado de Rhakine, no oeste do Birmânia. A comunidade internacional, sobretudo a ONU, tem exortado a líder do Governo birmanês, Aung San Suu Kyi, a terminar com as perseguições à minoria muçulmana, frequentemente descritas como uma “limpeza étnica”. A Birmânia não reconhece a cidadania aos rohingya, que considera imigrantes bengalis, e sujeita-os a diferentes tipos de discriminação, incluindo restrições à liberdade de movimentos.
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HELENA MARIA AZEVEDO FALECIMENTO A família enlutada de Helena Maria Azevedo, cumpre o doloroso dever de informar os familiares e amigos que esta sua ente querida faleceu, no dia 16 de Fevereiro de 2018, aos 84 anos de idade. Deixa o seu filho, David Filipe Azevedo Barros, nora Carolina José Niza Fernandes e neto Nicolas David Fernandes Barros. O corpo da defunta estará presente, no dia 27 de Fevereiro de 2018, terça-feira, na Casa Mortuária da Diocese de Macau, onde, pelas 20 horas, será realizada uma missa de corpo presente. O funeral realiza-se no dia seguinte, dia 28, pelas 11:00 horas, no Cemitério de Mong Há. A todos quantos que queiram associar a este piedoso acto, a família enlutada agradece antecipadamente.
MARIA RIBEIRO MADEIRA DE CARVALHO AGRADECIMENTO Seus filhos e demais família vêm por este meio agradecer a todas as pessoas que se dignaram tomar parte das cerimónias fúnebres, ou que de outra forma se lhes associaram na dor no funeral que se realizou no dia 25 de Fevereiro de 2018, pelas 11:00 horas.
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26.2.2018 segunda-feira
Vejo os homens do mundo, perdidos, calcorreando os caminhos da poeira
WANG YUANQI
Paulo Maia e Carmo tradução e ilustração
«Yuchuang Manbi»
Notas Dispersas Sobre Uma Janela Chuvosa
Faça-se as «veias de dragão» oblíquas ou verticais, completas ou em fragmentos, escondidas ou visíveis, partidas ou contínuas, mas todas palpitantes de vida, assim far-se-á uma verdadeira pintura. Se for compreendido o modo como fazer tudo isto, então as partes menores combinar-se-ão para tornar perfeitas as maiores e alcançar-se-ão os mais belos resultados. Os pintores devem tomar atenção em particular ao efeito de vida e ao contorno, a composição. É necessário procurar um cenário belo ou ser fiel aos antigos modelos. Sendo capaz de fazer os intervalos espaciais (kai he) e os movimentos de subir e descer (qi fu)1. E se além disso os contornos e o efeito de vida estiverem feitos de maneira harmoniosa, então as «veias de dragão» serão torci-
das ou curvas mas terão o ritmo adequado. Paisagens maravilhas aparecerão tal como na natureza e de acordo com os antigos métodos. Para pintar árvores e florestas existem métodos especiais. A cópia de pinturas não equivale à examinação de pinturas. Ao encontrarmo-nos diante de um trabalho verdadeiro de um velho mestre, devemos estudá-lo bem de perto e procurar a sua ideia principal. Deve-se perceber como foi feita a composição, como as coisas entram e saem, como são curvadas ou direitas, como estão colocadas, como o pincel é usado e como se acumula a tinta. Haverá certamente nele, partes que são superiores à nossa própria arte; depois de algum tempo muito naturalmente estraremos em estreita harmonia com elas.
1 - A expressão «aberto e fechado» (kaihe) designa os espaços abertos com um grande vale fechado num dos lados por uma grande montanha distante. Também a concretização da expressão «sobe e desce», (qifu) serve para descrever uma representação de colinas ou de grandes pedras colocadas em sucessão cujos contornos podem sugerir esse movimento de subida e descida. São modos de concretizar os movimentos serpenteantes da composição designados longmo, as «veias de dragão» que buscam a força dinâmica ou a energia cinética da composição – qishi – transferindo para a pintura os problemas próprios da caligrafia, da formação e interpelação dos caracteres. (Ver, por exemplo, Vyvyan Brunst com James Cahill, The Dictionary of Art, vol.32, p.840, Macmillan Publishers, Limited, ed. Jane Turner, 1996)
ARTES, LETRAS E IDEIAS 15
segunda-feira 26.2.2018
cidade Ecrã Rui Filipe Torres*
D
IZ o cineasta Jorge Cramez que este seu filme de 2017, com fotografia de João Ribeiro e argumento do próprio e de Edmundo Cordeiro, adapta ao grande ecrã “La Place Royale” do dramaturgo Pierre Corneille (1606 -1684). É possível, é sempre possível ver num filme até o que lá não está. Mas este texto não é, nem se propõe a ser, um exercício do imaginário, mas um discurso a propósito da materialidade filmada, o que vi e ouvi na sessão de domingo na excelente sala 7 dos cinemas El Corte Inglês em Lisboa. Se do Corneille pouca conta dei, já de Zygmunt Bauman e a sua teorização sobre as relações afectivas nas sociedades contemporâneas no seu texto publicado em 2000 pela Polity Press/Oxford “Modernidade Líquida”, ou desse ensaio que tem a caracterização da pós-modernidade como objecto, com o tão apropriado título a “Era do Vazio” desse outro sociólogo Gilles Lipovestky, editado em 1989, onde este escreve sobre o Narciso ou a estratégia do vazio e a sedução non stop, caracterizadoras deste tempo de individualismo, consumo e estética capitalista, muito pode ser lido. O filme, ele mesmo, é um processo de mastigação continuada, de cenas que continuamente anunciam as seguintes e onde, como nas anteriores, nada acontece, o que está de acordo com o que é conceptualmente esperado, mas onde é notoriamente excessivo o contínuo anunciar da cena seguinte e a nulidade do exercício da fala. O filme é uma encenação do vazio, sem densidade nem tensão, com falas tão desinteressantes como a deambulação narcísica dos personagens, que se presume imaginarem-se a si próprios interessantes, e artistas num quotidiano sem sangue, nervo, tensão do real. “Amor, Amor” repete, sessenta anos depois, o cinema da nouvelle vague mas sem a frescura e com o cansaço de todo o tempo entretanto vivido. É um cinema de adolescentes velhos que deambulam entre referencias esteti-
Amor, Amor o mais recente filme do Jorge Cramez zantes de um ecletismo pop com sonhos de vanguarda triturada a pastilha elástica gorila e universos da ficção científica dos grandes estúdios, em que alguém assume, uma personagem mulher interpretada pela Margarida Vila-Nova, o exercício do amor descartável como teorema da libertação feminina. Um exercício da banalidade. O filme traça um dia no quotidiano de pequeno grupo de amigos sobre
“Amor, Amor” repete, sessenta anos depois, o cinema da nouvelle vague - mas sem a frescura e com o cansaço de todo o tempo entretanto vivido
os quais pouco ou nada se chega a saber, a não ser que há um irmão e uma irmã, um pequeno grupo de homens e mulheres, casais com vontades cruzadas e, que um desses homens é um artista pintor que vive uma relação em que se sente constrangido na sua liberdade criativa. Ele, o artista, vive com a única personagem que consegue imprimir no ecrã tridimensionalidade, alguém capaz de amar e sofrer. “Amor, Amor”, é a vida num dia deste pequeno grupo, dia que como sempre termina em noite e nesta noite, em particular, é noite de fim de ano. Resta o rosto da Ana Moreira, actriz que se nascida num litoral banhado por outro oceano há muito teria maravilhado telas do mundo inteiro como essa sua colega, talvez gémea, com nome de Uma Thurman (actriz que Tarantino não dispensa). Há duas cenas com forte interesse cinematográfico, a da Museu de Arte
Antiga onde se jogam elipses de corpos e necessariamente de tempo, ou do final onde queríamos permanecer com a Anabela Moreira a dançar no ecrã, infelizmente a mise en scène decidida pelo realizador faz com que demasiado cedo um outro corpo “anunciado” surja, e perturbe a dádiva total da atriz ao ecrã. Particularmente interessante é a música escolhida que vai pontuado alguns momentos ao longo do filme. Até ao momento, nas 198 sessões em todos os ecrãs, fez 1115 espectadores (dados contabilizados até 14 de fevereiro). AMOR, AMOR De: Jorge Cramez Com: Ana Moreira, Jaime Freitas, Margarida VilaNova, Joana de Verona, Eduardo Frazão, Guilherme Moura, Maya Booth Género: Romance Classificação: M/14 Outros dados: POR, 2017, Cores, 107 min
*Cineasta. Licenciado em Ciências da Comunicação pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Mestrando em Desenvolvimento de Projecto Cinematográfico na Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa.
WILLIAM BLAKE, CERBERUS
16
C
h
OMEÇA hoje a primeira Lua-Nova de Fevereiro do Ano do Cão. O Oriente engalanado e festivo acolhe assim no seu calendário lunar mais um período de ritos que tem o encanto dos ciclos inaugurais. Depois do ardente e inflamável Galo de Fogo, esse ser da aurora, Endovélico lusitano zangado com a Nação e com ímpeto destruidor que fez da terra um braseiro e a coloriu com as chamas da sua impaciência, dizemos-lhe adeus, com as imagens gravadas do seu anátema. Foi, no entanto, gentil em muitos instantes e talvez nos tenha acordado de um longo sono e generosamente distribuído oferendas que nos mantiveram activos e lúcidos na jornada. E este é o primeiro dia do ciclo que assim vamos iniciar no Ano de 2018 que pressagia efeitos luarentos, talvez mesmo o tempo da feiticeira Hécate que ensombra as encruzilhadas com seus cães latindo... dezoito é número de Lua, cão é ser lunar... e Cérbero, o cão tricéfalo, vigia as portas dos Infernos, que devem ser vários a ver pelo plural da descrição olímpica, que tal como a Lua multiplica os seus efeitos. Esta descida, que tem como fronteira o interdito, “o melhor amigo do Homem” a ladrar à Lua, por muitas delas no ano que se segue - que é um amigo: sabemo-lo ao tempo da Odisseia quando Ulisses voltou para casa disfarçado e como ele foi o único a reconhecê-lo com seu instinto farejador. Entramos aqui na «Noite Negra da Alma», expressão alquímica, mas eu prefiro «La noche Oscura» de S. João de La Cruz, um cântico litúrgico e um dos mais belos poemas da língua castelhana. Veremos sempre que o que nos cega não
26.2.2018 segunda-feira
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Amélia Vieira
Cérbero
se encerra no breu, pois dele nasce por vezes uma incrível libertação. Cegamos por excesso de imagens e vemos o que do negro destila na proporção exacta. Hoje, por exemplo, não há estrelas no céu, o Cão que está de vigia pode ser agora um nosso aliado, pois sabemos que o abismo não tem fundo e melhor será escutar os seus latidos dado que aquilo que nos assusta muitas vezes nos protege. Se a nossa impaciente curiosidade ou o imperativo que dita salvar alguém nos fizer aplicar o método de Ulisses, tangendo a lira, ou a receita da Sibila, com o bolo de papoulas e mel para que adormeça, sejamos cautelosos, pois que os encantamentos e as doses têm tempo curto e não demoremos mais que o instante dos seus efeitos, resgatemos o que nos levou até aí, enquanto não desperta. É um Ano que requer cautelas. Que um certo terror dê lugar ao assombro e dele
O que nos cega não se encerra no breu, pois dele nasce por vezes uma incrível libertação. Cegamos por excesso de imagens
se destilem os bons medos. O Oriente será sempre a nossa Artemis, a nossa deusa dos sonhos e das visões irreais que guardará irrevelados segredos prosseguindo a dinâmica face de um mundo que a Ocidente se desfaz. Parece então que na ronda do tempo sempre cíclico há muitas maneiras de o festejar, contar, ritualizar, andamos no Roda como na beberagem dele, mas descontamos sempre a última passagem aos dias que nos foram dados viver e não por acaso eles se contam em Primaveras, todos desejando voltar a vê-la uma última vez. Este é o Cão de Terra que parece menos Cérbero, por ser assim, caseiro, doméstico, terreno... não sabendo das fortes correntes que ameaçam os viajantes do Portal. Este Cão far-nos-á companhia enquanto humanos naturais e talvez não como a uma Hécate, em alcateia, num interdito círculo de proscrições, talvez até seja comido por alguns dos seus adoradores, pois que estranhas formas de consubstanciação existem entre os povos que agora o festeja. Altura exacta para voltar a Céline, « O Cão de Deus», e à sua obra para o momento «Voyage au bout de la nuit». Este sim, é o Cérebro que esperamos voltar a ver nesta passagem. Há momentos que pedem certas vozes e instantes que calam outras, tudo tem no tempo a obra certa que a referência. Nós ainda somos a matilha. O Médio Oriente não gosta de cães,
e talvez veja no símbolo um mau agouro: há guerras surdas, mais químicas que físicas em marcha nos seus planos, e se os gatos existem por lá aos milhares é só porque impedem o fim do mundo. No meio da tormenta alimentam-nos e eles permanecem no enclave dos seus dias. Ainda temos a bela viagem de Tobias que tem o seu cão como amante da jornada e lá seguem, homem, anjo e cão, como a forma mais conseguida de protecção e camaradagem: o cão de Tobias pode bem ser um disfarce de anjo enquanto o tempo decorre e sempre atrás e lealmente o acompanha. Os cães também podem pescar e alimentarem-se de peixes em caso de necessidade. A tribo dos pastores gosta deles e as ovelhas são-lhes simpáticas. Se houver dezoito ovelhas e o cão for no deserto um salvador, talvez tenhamos aí uma encoberta manobra de delação. Pode, no entanto, Cérbero ter dezoito cabeças quando olharmos para a Porta à luz da Lua Gigante que por razões de escala tendemos a sentir que aumenta... desdobra-se perante o nosso olhar como os espelhos, aí, a nossa sagacidade olhará o instante como um desafio irrecusável. Cérbero diz-se até não ser tão assustador assim: era afável para quem quisesse entrar e não deixava sair. Os únicos a fazê-lo foram Héracles, Orpheu, Eneias, Psique e Ulisses. Dante recupera-o no Canto VI do Inferno e de lá nos narra a insaciável fome dos gulosos: “presos por Cérbero latia-lhes com três faces tenebrosas o cão multiface e furente/ contra as turbas submersas, criminosos/ Tu – disse - que és guiado pela estrada do Inferno vê se acaso me conheces: nasceste antes de mim nesta morada.” Um Bom Ano para todos
desporto 17
segunda-feira 26.2.2018
LIGA DE ELITE BENFICA DE MACAU GOLEIA SEGUNDO CLASSIFICADO POR 7-0
Encarnados imparáveis
F
ORAM precisos 37 minutos para que Hugo Silva surgisse a cabecear ao segundo poste e colocasse o Benfica de Macau a vencer o Ching Fung por 1-0. No entanto, a partir desse momento, aquela que era uma das defesas menos batidas da liga deu de si e o Ching Fung acabou mesmo por ser goleado por 7-0. Antes do encontro de Sábado à noite, havia a expectativa de perceber como é que o Benfica de Macau iria actuar diante da outra única equipa sem derrotas no campeonato. No plano teórico, as águias eram claramente favoritas, mas no campo o resultado poderia ser outro. Todavia, a resistência do Ching Fung ao Benfica de Macau durou 37 minutos, num encontro em que as águias conseguiram, através de muita posse de bola e sem problemas de maior, impor o seu futebol. Com tal domínio foi com naturalidade que surgiu o primeiro tento. Após um cruzamento para a área do Ching Fung, Hugo Silva surgiu ao segundo poste, depois de deixar o marcador directo para trás, e diante do guarda-redes Fong Chi Hang cabeceia para o 1-0. Cinco minutos depois, foi a vez de Bruce Tetteh aumentar a vantagem. Numa jogada de contra ataque, Nicholas Torrão cruza na linha, de forma rasteira, e surge Tetteh a fazer o 2-0. Foi depois do intervalo que o jogo ficou definitivamente decidido. Três minutos após o recomeço da partida, o Benfica tem um livre frontal, que Edgar Teixeira se encarregou de bater. Na marcação, o jogador dos encarnados rematou para o poste mais longe e fez o 3-0. O primeiro golo de Edgar Teixeira marcou também o início de um período de 13 minutos especialmente negro para o Ching Fung. Nessa fase a formação derrotada concedeu nada menos do que quatro golos. Com Tetteh (51 minutos), Nicholas Torrão (55
TIAGO ALCÂNTARA
No jogo entre os dois primeiros classificados da Liga de Elite, as águias aproveitaram um período negro do Ching Fung e impuseram uma goleada. O resultado isola ainda mais as águias e relança a luta pelo segundo lugar e 61 minutos) e o próprio Edgar Teixeira (56 minutos) a bisarem. Com este resultado, o Benfica isola-se ainda mais na liderança do campeonato, agora com cinco pontos para o grupo de perseguidores, que é constituído por C.P.K., Sporting e Ka I. Na luta pelo segundo lugar, o Chao Pak Kei voltou às vitórias, com a goleada por 9-0 diante dos Serviços de Alfândega. Ontem, o C.P.K., que estava há duas jornadas sem vencer, não deu qualquer hipótese.
O atleta Pedro Ribeiro conquistou ontem a corrida ao topo da Torre de Macau, depois de ter demorado 24 minutos e 1 segundo para cumprir a distância de quatro quilómetros e os 1298 degraus que levam ao 61.º andar do edifício. Esta é, pelo menos, a terceira vez que o corredor vence a prova, depois dos triunfos de 2003, edição inaugural, e de 2012. Apesar do atleta estar inscrito na categoria C, para corredores com idades entre os 40 e 49 anos, conseguiu o tempo mais rápido de todas as categorias, que englobam pessoas com idades entre 10 aos 70 anos. Na categoria de senhoras Yang Mei Na foi a mais rápida com o tempo de 24 minutos e 19 segundos. No total participaram 600 atletas.
O Benfica isola-se ainda mais na liderança do campeonato, agora com cinco pontos para o grupo de perseguidores, que é constituído por C.P.K., Sporting e Ka I
Demissão Cláudio Roberto Silveira deixa comando do Monte Carlo
No entanto, a formação está em igualdade pontual com o Sporting, que derrotou o Hang Sai por 6-0 e com o Ka I. A formação de Josecler bateu a Polícia por 2-0, logo na sexta-feira. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
Equipa
A Casa de Portugal e a formação do Consulado foram ambas derrotadas no fim-de-semana, em encontro a contarem para a 2.ª Divisão. Depois de ter vencido na primeira jornada, a Casa de Portugal perdeu, no Sábado, diante do Hong Lok por 1-0. O golo da vitória foi apontado por Lam Wai Kit, logo aos 26 minutos. Porém, a formação orientada por Pelé não conseguiu reagir e inverter o resultado. Já a equipa do Consulado, que entrou em acção na Sexta-Feira, perdeu o segundo encontro, em outros tantos disputados, desta feita diante do Tim Iec, por 3-1. O cônsul Vítor Sereno foi o autor do golo que colocou a formação com as cores portuguesas em vantagem, aos 26 minutos. Mas Lei Chi Seng, aos 39 e 64 minutos e Leong Chi Chong, aos 74 minutos, confirmaram a segunda derrota da formação orientada por Rocha Diniz.
Atletismo Pedro Ribeiro vence corrida à Torre de Macau
LUTA PELO SEGUNDO
Casa de Portugal e Consulado sofrem derrotas
Jogos Vitórias Empates Derrotas Golos Marcados
Golos Sofridos
Diferença de Golos
Pontos
1 BENFICA
5
5
0
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23
3
20
15
2 C.P.K.
5
3
1
1
37
5
32
10
3 SPORTING
5
3
1
1
17
2
15
10
4
KA I
5
3
1
1
14
2
12
10
5
CHING FUNG
5
2
2
1
8
9
-1
8
6 POLICIA
5
2
0
3
8
11
-3
6
7
MONTE CARLO
4
1
1
2
3
5
-2
4
8
HANG SAI
5
1
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4
34
-18
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9 ALFÂNDEGA
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-21
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1
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O encontro entre o Monte Carlo e o Lai Chi Só terminou depois da hora de fecho
O treinador Cláudio Roberto Silveira demitiu-se, ontem, do comando do Monte Carlo, de acordo com uma mensagem colocada na página oficial no Facebook do técnico. A decisão foi justificada “com o objectivo de dar um novo passo” na carreira e pela busca de “novos desafios e caminhos”. O HM tentou entrar em contacto com o técnico, que se mostrou incontactável. Porém, na mensagem de despedida, Cláudio Roberto Silveira assume ter sido “muito feliz” ao longo dos dois anos e dois meses em que orientou os jogadores do clube e deixou um agradecimento ao presidente Firmino Mendonça. O treinador brasileiro teve como ponto alto desta passagem pelo Monte Carlo a conquista do Campeonato de Futebol de Sete, conhecido como Bolinha, em 2016, numa final disputada diante do Benfica de Macau, que terminou com o resultado de 2-0.
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18 (f)utilidades MUITO
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NUBLADO
O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje 19
LANÇAMENTO DO LIVRO “QUOTIDIANOS” DE ANTÓNIO CONCEIÇÃO JÚNIOR Auditório do Consulado-Geral de Portugal | 18h30
1 6 4 5 3 7 2 4 3 7 1 6 2 5 Diariamente EXPOSIÇÃO 7 2“IMAGINARY 5 BEINGS” 3 1 6 4 Taipa Village Art Space | Até 21/02 6 4 2 7 5 3 1 EXPOSIÇÃO “O TEMPO MEMORÁVEL” 3 de1Macau 6 4 2 5 7 Museu | Até 25/02 2 5“A REBOURS: 1 6 EXPOSIÇÃO CASE X 87 – THE4 ARTISTS3 NOTES IN 2010 FROM MACAO/PEQUIM” 5Garden 7 | Até328/02 2 4 1 6 Casa
EXPOSIÇÃO “TWENTY HOURS – AN EXHIBITION OF ABSTRACT
21 PAINTING BY DENIS MURRELL AND HIS STUDENTS”
6 1 7 2 5 3 4 2 7 3 6 1 4 5 7 4“A LINGUAGEM 5 1E A ARTE6DE XU2BING”3 EXPOSIÇÃO Museu de Arte de Macau | Até 4/03 3 2 4 5 7 1 6 EXPOSIÇÃO “ TEN FOR PERFECTION” 1 6 2 3 4 5 7 Macau Art Garden 4 5 1 7 3 6 2 11ª BIENAL DE DESIGN DE MACAU Museu de Arte de Macau (MAM) | Até 31/3 5 3 6 4 2 7 1 Café IFT – espaço Anim’Arte Nam Van | Até 2/03 EXPOSIÇÃO “FICÇÃO E DERIVA” Galeria Tap Seac | Até 4/03
PARADA DE OURO - ARMAMENTO IMPERIAL DO MUSEU DO PALÁCIO MAM | Até 11/3
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7 4 3 1 1 3 2 5 Cineteatro C I 2 6 5 4 4 1 6 7 3 7 1 2 6 5 7 3 5 2 4 6
2 7 3N 5 6 4 1
6 4 1E 3 5 2 7
5 6 M 7 A 2 4 1 3
MONSTER HUNT 2 SALA 1
MONSTER HUNT 2 [B] FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Raman Hui Com: Tony Leung Chiu-Wai, Bai Baihe, Jing Boran, Yo Yang 14.00
OZZY [A] FALADO EM CANTONENSE Filme de: Alberto Rodriguez 16.00
AGENT MR. CHAN [C] FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Cheung Ka Kit Com: Dayo Wong, Tze Wah, Charmaine Sheh, Sze Man 17.45, 19.45, 21.45
SALA 2
BLACK PANTHER [B] Filme de: Ryan Coogler Com: Chadwick Boseman, Michael B. Jordan, Lupita Nyong’o 14.15, 16.45, 19.15, 21.45
MIN
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MAX
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HUM
65-90%
1 3•
7
1
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9.90
BAHT
0.25
Y U A3 N
1.25 7
VIDA DE CÃO
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1 5 6 7 3 4 2
4 6 2 5 1 7 3
5 3 7 1 6 2 4
2 1 4 3 7 6 5
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O CARTOON STEPH 22
7 2 3 4 5 1 6
DE
3 1 4 5 7 6 2
4 7 5 1 3 2 6
7 2 6 4 5 3 1
SOLUÇÃO DO PROBLEMA 22
5 3 2 6 1 7 4
1 6 3 7 2 4 5
2 4 1 3 6 5 7
6 5 7 2 4 1 3
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5 1
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3 7 PROBLEMA 23
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4 7 7 1
5 7 1 2 6 3
2 1 5 4 3 6
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Numa altura em que a participação da Coreia do Norte nas Olimpíadas de Pyeongchang, na Coreia do Sul, tem estado a correr o mundo, nada como assistir a “As One”. Realizado por Moon Hyun-sung, o filme aborda a participação conjunta das Coreias no Mundial de Ténis de Mesa, em 1991, que decorreu em Chiba, no Japão. De eternos “inimigos”, os melhores jogadores de ping pong da Península Coreana passam colegas de equipa, com ódios, desconfiança e rivalidades para ultrapassar. A película foi mais um passo de reafirmação do talento da actriz sul-coreana Bae Doo-na. João Santos Filipe
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AS ONE | MOON HYUN-SUNG | 2012
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FERDINAND [A] FALADO EM CANTONÊS Filme de: Carlos Saldanha 14.30, 18.00, 20.00
MONSTER HUNT 2 [B]
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UM FILME 4 7 2 6HOJE 5 1 3
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Independentemente da legitimidade e justiça da decisão de suspender o deputado Sulu Sou, a menção do episódio no relatório da Amnistia Internacional demonstra o impacto que as decisões dos membros da Assembleia Legislativa têm para a imagem internacional de Macau e para a China. Olhando para o relatório é fácil constatar que o assunto do deputado Sulu Sou não é suficientemente explorado, por exemplo, não é explicado que a decisão pode ser tida como legítima – os tribunais estão a analisar o caso – e que foi tomada por 28 deputados. Entre esse grupo de legisladores, e apesar da votação ser secreta, percebe-se através da matemática que parte dos votantes foi eleita por sufrágio directo. Era importante que a Amnistia Internacional tivesse explicado de uma forma muito clara os argumentos que fazem com que esta decisão seja encarada como uma ameaça aos Direitos Humanos, além da mensagem subjacente:24 foi suspenso porque é pró-democrata. No entanto, a Amnistia Internacional não foi a única a errar. Ao longo de todo o processo, e sob o manto protector do voto secreto, a maior parte dos deputados fugiu de dar qualquer opinião sobre o impacto e os argumentos a favor da suspensão. Foi este o pecado original. Se a decisão de suspender um deputado está prevista na lei e tem tudo para ser legal, não é aceitável que não tenha havido uma discussão sobre as consequências politicas. Por escolha dos deputados, criou-se um vazio político sobre a decisão, e a Amnistia Internacional preencheu esse vazio com o argumento de que se trata de um ataque ao Direitos Humanos. Uma lição para os deputados. João Santos Filipe
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UMA LIÇÃO 22
SALA 3
FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Raman Hui Com: Tony Leung Chiu-Wai, Bai Baihe, Jing Boran, Yo Yang 16.00, 22.00
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26.2.20187segunda-feira
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opinião 19
segunda-feira 26.2.2018
reencarnações
JOÃO LUZ
L
Turista em massa
IMITO-ME ao pacote feito pela agência, tenho os bolsos recheados de coupons e vouchers e o meu nome está inscrito na lista. Um shuttle aguarda-me para me levar à porta do meu destino, sou transportado de berço em berço depois de longas horas empacotado num terminal de aeroporto desenhado para trazer à tona toda a violência animal camuflada por normas sociais de conduta. A minha identidade tem pequeno-almoço incluído e tours organizadas pela providência encarneirada que dará descanso ao meu poder de decisão, almoço com desconto de 30 por cento, sabedoria adormecida numa anónima chaise longue. As calorosas boas-vindas sorriem-me enquanto me prendam com a bebida grátis a que tenho direito. Saí de Macau durante o Ano Novo Chinês em busca de santuário, pus em acção um plano de fuga às enchentes de turistas que entopem as artérias da cidade. A ironia acabou por me conduzir a um destino onde eu próprio sou o turista massificado, perpetuando a permuta de multidões por esse mundo fora. Sou a unidade mercantil na Era da industrialização do lazer que destrói almas e ecossistemas, sigo o trilho percorrido por milhares em direcção a paraísos perdidos como Boracay, Pattaya ou Phuket. Acrescento massa à infinita hemorragia de pessoas, à superabundância de produtos globais, sem raiz, que envenenam a autenticidade dos lugares. Nada fica intacto depois da minha passagem. Águas são contaminadas de desperdício e fluídos humanos, plástico é plantado com generosidade nos canteiros indefesos do jardim da mãe natureza, cimento e tijolo avançam contra o vigor do verde e o lixo agiganta-se em montanhas de morte que ameaçam cair para cima de todos nós. Por todo o lado celebra-se a destruição, a moleza de um conforto pouco sadio, a partida para longe de casa mas para um lugar onde se encena a familiaridade das coisas que ficaram para trás. Uma vez chegado ao paraíso, sem ter trabalho para despachar, depressa me embrenho numa série de actividades que preciso cumprir para sentir que estou a desempenhar bem o papel de turista. No mar há uma série de tarefas para executar. Caiaque, paddle board, mergulho, parasailing, kitesurf, pesca de sereias e todo o rol de trabalhos a fazer devidamente documentados nas redes sociais. Tenho de conseguir coisas, não posso ficar parado e deixar que o tempo deixe de o ser, eliminando os dias entre rum escuro e um livro de palavras boas. Não! Preciso
cumprir, afinal estou de férias e tenho de reportar àqueles que não estão o que fiz, como tal, há que empreender especialmente quando nada há para fazer. Realizo-me em roteiros, itinerários e toda a pantomima de concretização de desejos feitos para mim e todos os outros milhões que me seguirão e seguiram. Sou só mais um numa infinita fila de seguidores. A vida nestes aviários de lúbricos prazeres é construída à minha volta, feita à minha medida. Venho para violar a terra e o mar, para esfregar a
Saí de Macau durante o Ano Novo Chinês em busca de santuário, pus em acção um plano de fuga às enchentes de turistas que entopem as artérias da cidade. A ironia acabou por me conduzir a um destino onde eu próprio sou o turista massificado
minha pança comodista nas costas de uma menina de tez escura, venho para destruir tudo o que há de puro e belo nos paraísos destituídos de cifrão. A minha vantagem é o Visa, o UnionPay e a sorte de ter nascido no sítio certo, na altura apropriada. Quando regressar à minha pacata rotina caseira passo a antecipar uma nova escapadela para outro país pobre, onde a pataca é a minha fortaleza, não levarei nada comigo, além de colesterol, fígado gordo e vagas recordações sem lugar. Assim que aterrar na terra onde os Maseratis se multiplicam como colehos, vou esquecer a falta de saneamento básico, as barracas de madeira que desafiam tempestades tropicais e os meninos que sorriem indiferentes à falta de futuro. Depois de me esquivar a mais uma chapada de humildade, vou voltar à minha condição de pequeno monarca, que olha com arrogante superioridade para o destino daqueles que fugiram dos paraísos arruinados e vieram para Macau à procura de uma oportunidade de futuro. Vou continuar a encarar estas pessoas como inferiores, como alguém para me servir, esteja de férias ou em casa.
Não há comparação entre o que se perde por fracassar e o que se perde por não tentar. Francis Bacon
Xi ad eternum?
PALAVRA DO DIA
segunda-feira 26.2.2018
PCC PROPÕE REMOVER DA CONSTITUIÇÃO LIMITE DE DOIS MANDATOS DO PRESIDENTE
O
Partido Comunista Chinês (PCC) propôs excluir da constituição da China o limite de dois mandatos para o cargo de Presidente, informou ontem a imprensa oficial, quando Xi Jinping se assume como o mais forte líder das últimas décadas. Segundo a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua, a proposta do Comité Central do PCC aplica-se ainda ao cargo de vice-presidente do país. Num outro despacho, a Xinhua informa que o PCC propôs ainda incluir o Pensamento de Xi Jinping na Constituição do país. As propostas à alteração da constituição serão votadas na Assembleia Nacional Popular (ANP), órgão máximo legislativo da China, composto sobretudo por membros do PCC, e cuja sessão anual decorre no próximo mês. A decisão surge quatro meses depois de o congresso do PCC, ter decidido incluir o nome e teoria de Xi na constituição do partido, elevando-o ao estatuto de Deng Xiaoping, o arquitecto-chefe das reformas económicas que transformaram a China, e do fundador da República Popular, Mao Zedong. Nos últimos anos, Xi desmantelou o sistema de “liderança coletiva”, cimentado pelos líderes chineses desde finais dos anos 1970, e tornou-se o centro da política chinesa, eclipsando os outros seis membros do Comité Permanente do Politburo PCC, a cúpula do poder na China.
Além de secretário-geral do PCC e Presidente da China, Xi é também presidente da Comissão Militar Central, Comandante-Chefe do exército chinês e chefia a Comissão Central de Segurança Nacional e o “grupo dirigente” encarregue de supervisionar o programa de “aprofundamento geral das reformas”. Um outro organismo novo, responsável pela “segurança do ciberespaço”, é também dirigido por Xi. Com uma intensidade inédita desde o ‘reinado’ de Mao, a imprensa chinesa reforçou também o culto em torno da sua imagem.
Primeira Liga Luís Filipe Vieira reitera desejo do ‘penta’
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O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, reiterou ontem a ideia e o desejo de conquistar o “penta”, no dia da cerimónia de entrega dos anéis de platina, emblemas de ouro e de prata aos associados do clube. “Assumimos o compromisso de conquistar o penta. Mas é um objectivo desejado com os pés bem assentes na terra, pois não abdicamos da sustentabilidade do clube”, disse o presidente encarnado perante cerca de 2.000 sócios, que quase lotaram o
Em termos de política externa, a China de Xi abdicou da discrição e passou a assumir a ambição de participar na governação de questões globais, num período em que a liderança de Donald Trump, nos Estados Unidos, ou o ‘Brexit’, na União Europeia, desafiam certezas antigas da geopolítica internacional. Sob a sua direção, a China tem combatido a influência estrangeira na sociedade civil, meios académicos ou Internet, apontam organizações de defesa dos Direitos Humanos.
Pavilhão n.º 2 da Luz. Entusiasmados com a recente vitória do Benfica sobre o Paços de Ferreira por 3-1, no Sábado, em jogo da 24ª jornada da I Liga de futebol, Vieira fez questão de vincar a diferença do Benfica relativamente aos seus principais rivais. “No Benfica não precisamos de rebaixar os outros para sermos os melhores. Temos uma enorme equipa de profissionais e fizemos a escolha certa ao apostarmos na formação”, sublinhou ainda Luís Filipe Vieira.
Xi Jinping foi eleito Presidente em 2013 e, no ano passado, foi eleito para um segundo mandato, que terminará em 2023, mas com a alteração constitucional pode-se estender além dos próximos cinco anos. O anúncio foi feito depois do Politburio se ter reunido no passado Sábado e antecipa a sessão plenária de três dias do Comité Central que começa hoje e que tem na agenda alterações institucionais a ser discutidas na próxima reunião anual da Assembleia Popular Nacional.
Assassínio em casa Morte de Kim Jong-nam foi planeada para Macau
A
morte de Kim Jong-nam, o meio-irmão do líder da Coreia do Norte, deveria ter acontecido em Macau e não na Malásia, de acordo com uma especulação avançada ontem em tribunal, em Kuala Lumpur, por um advogado de uma das duas mulheres acusadas da autoria do homicídio, refere o canal de rádio da TDM. De acordo com a estação pública de radiodifusão japonesa NHK, a defesa sustenta a versão agora avançada em instruções dadas à mulher pouco tempo antes do crime. Segundo o advogado, a indonésia Siti Aisyah recebeu instruções para viajar até Macau dias antes do homicídio, que ocorreu a 13 de Fevereiro do ano passado. O advogado da mulher afirmou que cinco dias antes de Kim Jong-nam ter sido morto, um homem da Coreia do Norte deu à suspeita dinheiro para comprar bilhetes de avião para Macau, onde iria ser gravado um programa de televisão. No entanto, a viagem seria cancelada, segundo o advogado, que especulou sobre a possibilidade de os norte-coreanos terem planeado assassinar Kim Jong-nam em Macau, mas desistido da ideia quando perceberam que o meio-irmão de Kim Jong-un não estava no território, onde tinha residência, refere a mesma fonte. Kim Jong-nam esteve em Macau na semana anterior a ter sido fatalmente envenenado no Aeroporto Internacional de Kuala Lumpur. Quando foi morto noAeroporto Internacional de Kuala Lumpur, o meio irmão de Kim Jong-un preparava-se para embarcar num voo que tinha Macau como destino. Duas mulheres, uma indonésia e uma vietnamita, estão a ser julgadas na Malásia por este caso desde o passado dia 2 de Outubro. No início do julgamento, Siti Aisyah e Doan Thi Huong declararam-se inocentes e alegaram que foram enganadas por presumíveis agentes norte-coreanos, ao serem levadas a acreditar que estavam a pregar uma partida inofensiva para um programa televisivo de apanhados. Caso sejam condenadas, arriscam a pena de morte. De acordo com as autoridades malaias, Kim Jong-nam foi assassinado supostamente pelas duas mulheres que lhe lançaram contra o rosto o agente químico nervoso VX. Kim viria a morrer poucos minutos depois, remata a TDM.