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Hoje Macau 25 SET 2017 #3903

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NOVO MACAU

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Vozes do trabalho PÁGINA 5

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hojemacau

LEONG SUN IOK DEPUTADO ELEITO PELA UPD

‘‘

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

PEDRO ANDRÉ SANTOS

A guerra das rendas

LEI LABORAL

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MINISTÉRIO PÚBLICO

Obras e arguidos

MOP$10

SEGUNDA-FEIRA 25 DE SETEMBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3904

ANTÓNIO FALCÃO

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

Existem condições para aumentar os deputados directos

ENTREVISTA


2 ENTREVISTA

LEONG SUN IOK

Há mais de 14 anos a trabalhar na Federação das Associações dos Operários de Macau, Leong Sun Iok é mais do que o número dois de Ella Lei na Assembleia Legislativa. É um dos novos deputados eleitos e responsável pela renovação do sector dos Operários. Leong Sun Iok assume que o emprego e habitação serão os seus cavalos de batalha e afirma que há “condições” para que haja mais deputados eleitos pela via directa “Os deputados nomeados não devem expressar opiniões que apenas visem os seus próprios interesses ou os interesses do seu sector.”

“Vamos prestar mais atenção aos assuntos sociais” Foi eleito deputado pela primeira vez. Quais as suas prioridades quando tomar posse? As eleições deste ano foram muito intensas e, em termos gerais, revelaram a vontade dos residentes em mudar algo na Assembleia Legislativa (AL). Não tenho muita experiência no trabalho de deputado, mas vou fazer um esforço para ser deputado a tempo inteiro. Espero que a população me dê sugestões. Sobre as prioridades, tenho a dizer que uma das maiores solicitações dos residentes está relacionada com a habitação, e também com o emprego. Nos últimos anos os preços do imobiliário aumentaram muito. Por isso uma das prioridades vai ser proporcionar boas condições de habitação para os cidadãos. Se compararmos Macau com outras regiões, em termos de número de habitações públicas e pessoas que habitam nessas casas, os números são ainda relativamente baixos. Um trabalho importante será ver como é que o Governo vai aproveitar os terrenos desaproveitados para construir mais casas públicas. E em relação ao emprego? É do conhecimento geral que a taxa de desemprego está num nível baixo, e o Governo justifica a situação do emprego em Macau com esses dados. Mas isso não significa que haja empregos de qualidade. Como assim? Vemos que no sector do jogo passou a registar-se um crescimento desacelerado e há uma menor necessidade de mão-de-obra. Ou seja, com este equilíbrio dinâmico que já foi atingido no mercado laboral, temos de pensar em como podemos disponibilizar mais oportunidades para que os bons cargos sejam ocupados pelos locais. Só assim poderemos aumentar o nível de vida dos residentes. Falou na taxa de desemprego, que é de 1,9 por cento, o que significa que há pleno emprego.

“Lau Cheok Va, apesar de já estar reformado, fala muito connosco e dá-nos sugestões.” Porque é que a FAOM insiste na redução dos trabalhadores não residentes (TNR)? Os dados estatísticos provam que uma ínfima parte da população não trabalha e que há falta de mão-de-obra. O mais importante é garantir emprego de qualidade. A taxa de desemprego é baixa, mas as pessoas não têm boas condições de emprego. Se há essa necessidade de importar mão-de-obra, porque é que há tanta oposição face aos TNR? Isso acontece porque os TNR trouxeram, nos últimos anos, um impacto negativo aos seus empregos, há muitos os vêem como uma ameaça. Nos últimos anos surgiram muitos ilegais e há muitas carências na política de contratação de pessoas ao exterior. Enquanto essas questões não forem resolvidas não é possível que a sociedade chegue a um consenso. Então o essencial é mesmo melhorar as condições de emprego dos locais. Quando a habitação e o emprego não fizerem parte das preocupações dos residentes, não haverá críticas na sociedade. Há vozes que apontam que os TNR podem ajudar ao desenvolvimento de Macau, por terem outro tipo de formação. Se reduzirmos o número de TNR, isso

pode impedir o desenvolvimento de alguns sectores económicos? A importação de TNR será sempre para ocupar vagas para as quais não existem trabalhadores locais em número suficiente. Deve existir o princípio de deixar os bons empregos para os locais e deixar as vagas que ninguém quer ocupar para os TNR. Quando este modelo for atingido não haverá contradições. É por isso que é essencial fazer um mecanismo eficaz para a fiscalização dos TNR e aumentar a sua transparência. Esta é a única maneira de resolver as contradições que surgiram nos últimos anos. O seu trabalho como deputado será diferente do de Ella Lei, e também do trabalho desempenhado pelos deputados Lam Lon Wai e Lei Chan U [eleitos pela via indirecta para o sector do trabalho]? Eu e Ella Lei vamos prestar mais atenção aos assuntos sociais que abrangem também questões laborais. Os nossos dois deputados eleitos pela via indirecta também estão focados em defender os interesses e direitos dos trabalhadores. É um facto que nós, dos dois lados, vamos estar atentos aos assuntos da sociedade, teremos trabalhos em comum. A eleição como deputado mudou, de certa forma, a sua vida e os seus hábitos? É um desafio muito grande para mim, porque cada voto que obtivemos representa o contributo dos nossos colegas e todas as responsabilidades que temos de assumir. Os resultados finais mostram que tenho uma missão a cumprir, e sinto um grande desafio. O apoio da minha família também é importante. Nos próximos quatro anos vou fazer o que estiver ao meu alcance para não desiludir os residentes. Antes de ser eleito deputado, o que fazia na FAOM?

PEDRO ANDRÉ SANTOS

DEPUTADO RECÉM-ELEITO


3 segunda-feira 25.9.2017 www.hojemacau.com.mo

Trabalho na FAOM há mais de 14 anos. Trabalhei muito na área da defesa dos direitos dos trabalhadores do jogo e dei formação nessa área. Lidei ainda com alguns casos relacionados com pedidos de ajuda. Sempre me foquei em assuntos sociais e na defesa dos direitos laborais. Como formador sempre tive contacto com os meus alunos, que também me pediam ajuda para problemas que tinham, relacionados com a habitação ou o emprego. Deparei-me com muitos casos, muito diversos e muitos deles comoventes. Nasceu e cresceu em Macau? Sou de Fujian [na China], mas em 1984 vim para Macau. Cresci aqui e tenho um sentimento forte em relação ao território. Esta é uma terra boa, onde as pessoas vivem em harmonia e se entreajudam. É também um território com muita segurança.

“Eu e Ella Lei vamos prestar mais atenção aos assuntos sociais que abrangem também questões laborais.” Voltando às eleições. A sua lista teve resultados muito bons [mais de 17 mil votos]. Que análise faz desses resultados? Que factores levaram a que tenha sido uma das listas mais votadas? Na noite das eleições estive muito tranquilo, porque achei que, qualquer que fosse o resultado, não teríamos vergonha nenhuma. Nos últimos quatro anos a nossa equipa fez o melhor para tratar de todos os casos e sempre disponibilizamos serviço de ajuda aos residentes. Por isso o nosso sucesso não dependeu apenas da campanha eleitoral, mas também do que fizemos nos últimos anos. Cada voto foi ganho com o nosso esforço. Então enquanto os votos eram contados pensei: “mesmo que não tenhamos muitos votos, pelo menos a nossa solidariedade já venceu”. Estava feliz, sem nenhuma vergonha, satisfeito. O que pensa do aumento dos deputados eleitos pela via directa? É verdade que um sistema mais democrático é uma solicitação da sociedade e há condições para que, no futuro, aumentem o número de deputados directos, para que ocupem metade do actual número de deputados [33]. É viável que este assunto seja abordado. Podemos seguir as regras que já estão definidas na Lei Básica para fomentar o desenvolvimento do sistema democrático.

Com a eleição de quatro deputados ligados aos Operários, tem esperança na aprovação do projecto de lei sindical? O mais importante é que a sociedade concorde com isso. No passado, mesmo com sete tentativas, não conseguimos dar esse passo, mas, no futuro, vamos continuar a lutar pela lei sindical. Esperamos, além do apoio dos trabalhadores, o apoio de outros sectores, para que a lei sindical tenha efeitos positivos tanto para o patronato como para os trabalhadores. A existência de uma plataforma de comércio entre o sector do comércio e os sindicatos pode ajudar a resolver muitos problemas. Por isso temos de dar a conhecer essa lei à população. Os quatro deputados ligados à FAOM são bem mais novos do que Kwan Tsui Hang ou Lam Heong Sang. Isto traz alguma mudança na representação dos Operários na AL? É capaz de aumentar um pouco a dinâmica do hemiciclo. Nós os quatro temos uma idade média de 40 anos e, para a política, somos relativamente jovens. Mas temos alguma experiência em trabalhos sociais e aprendemos com os deputados que já saíram. Lau Cheok Va [ocupou o cargo de presidente da AL antes de Ho Iat Seng], apesar de já estar reformado, fala muito connosco e dá-nos sugestões. Todos estes esforços vão ajudar a desempenharmos as nossas funções na AL. Que expectativas coloca em relação aos deputados que serão nomeados pelo Chefe do Executivo? Os deputados nomeados não devem expressar opiniões que apenas visem os seus próprios interesses ou os interesses do seu sector. Isto porque estes deputados, apesar de serem nomeados pelo Chefe do Executivo, também devem representar os interesses da sociedade. Nos últimos anos vimos que alguns nomeados lutaram para obter benefícios relacionados com os seus interesses. Isto é indevido, porque esses deputados também têm uma missão. No entanto, as regras definidas no regimento da AL não regulamentam estes actos, mas os deputados nomeados devem ter essa noção. No futuro espero que tenham em conta os benefícios em prol de toda a sociedade e que possam mudar a sua imagem dentro do hemiciclo. Vítor Ng (com A.S.S.) info@hojemacau.com.mo


4 política

SOFIA MARGARIDA MOTA

25.9.2017 segunda-feira

ELEIÇÕES AGNES LAM DIZ ESTAR ENTRE DEMOCRATAS E CAMPO TRADICIONAL Muitos analistas falaram daquela que foi a grande surpresa das eleições legislativas como estando posicionada ao centro, em termos políticos. Em entrevista à Lusa, Desde que Agnes Lam foi eleita que se coloca firmemente com os estatuto de independente. Fui para a AL no passado dia 17, que democratas, já que “eles são mais, nomeada para essa posição antes Agnes Lam, líder da comentadores, politólogos e meios como os chineses lhes chamam, de começar a pensar que podia concorrer às eleições e não vejo Observatório Cívico de comunicação diferem na forma anti-governo”. de a categorizar: uns acham que No entanto, Lam, de 45 anos, grande vantagem em demitir-me e deputada eleita, vem alargar o campo democrata, também não se vê como uma clás- apenas por causa dos rótulos das rotulam-na como pró- sica candidata do ‘sistema’, apesar pessoas”, justificou. afirma isso mesmo, outros -sistema. Em entrevista à agência de nas eleições ter sido apoiada pela Para Lam, ao contrário de Lusa, Lam diz estar a tentar seguir tradicional Associação da Nova Jupaíses como os Estados Unidos, mas refere que não “um caminho novo”. ventude Chinesa e de ser membro em Macau “não há assim tantas “Sou diferente do campo pró- da Conferência Consultiva Política diferenças ideológicas” e “não quer ser vista como -sistema tradicional e do campo do Povo Chinês. faz sentido passar o tempo todo a “anti-governo” democrático tradicional. Porque “Não me importo que [Pe- discutir essas coisas”.

“Quero manter-me independente”

A

recém-eleita deputada de Macau Agnes Lam diz não se identificar com nenhuma das alas da Assembleia Legislativa (AL) - democrata ou pró-sistema - e frisa que, ainda que apoie o sufrágio universal, não quer ser vista como “anti-governo”.

O

secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, realizou uma visita oficial, no passado dia 19, à embaixada da China em Portugal. Segundo um comunicado oficial, a visita serviu para “discutir formas de maximizar o aproveitamento das vantagens de Macau para promover os laços entre os povos chinês e português, bem como reforçar o de-

é que estou a concorrer? Porque não gosto da maneira como lidam com as coisas. Sou independente, quero ser profissional. Percebo porque é difícil para os media categorizarem-me, têm usado diferentes rótulos”, comentou. Agnes Lam, professora universitária, diz ser a favor da implementação do sufrágio universal em Macau, mas não é por isso

quim] me apoie, mas ao mesmo tempo quero manter o meu

“Sou diferente do campo pró-sistema tradicional e do campo democrático tradicional. Porque é que estou a concorrer? Porque não gosto da maneira como lidam com as coisas.”

UNIR PARA LEGISLAR

A nova deputada considera formar parcerias para propor projectos de lei, mas não elege os quatro deputados do campo pró-democrata como aliados naturais. “Considero formar alianças com toda a gente. [Esses quatro] não chegam, se não tiver o outro lado não consigo fazer nada”, explicou. A estratégia, disse, vai depender da natureza dos assuntos. Um dos seus objectivos é legislar contra a discriminação da amamentação em público, sendo esse um projecto em que planeia tentar juntar-se às outras cinco deputadas. Já para “leis que envolvam interesses” será necessária “uma estratégia diferente”. Pode ser o caso da revisão da lei do erro médico, uma das suas prioridades para a nova legislatura, para a qual contará com o apoio dos dois médicos que integraram a sua lista.

AGNES LAM DEPUTADA ELEITA

Laços apertados

Alexis Tam visitou embaixada chinesa em Portugal

senvolvimento dos relacionamentos bilaterais”. Além de Alexis Tam, estiveram ainda presentes no encontro representantes das “áreas da educação, juventude, saúde e cultura”, entre outras. Cai Run, embaixador da República Popular da China

“Passamos muito tempo a acusar pessoas ‘Estás com Pe-

quim, não vais fazer nada de bom’, ‘És contra o Governo por isso o que propões não é bom’. Passamos muito tempo a acusar os outros e não nos focamos nos assuntos em si (...) Não quero sentar-me ali e gritar com este e aquele”, afirmou.

em Lisboa, disse que as relações bilaterais entre Portugal e China “passam pelo melhor período de sempre”, além de se terem vindo a intensificar. Foram “assinados vários protocolos, por forma a dar continuidade ao reforço do intercâmbio económico,

comercial e cultural entre os povos dos dois países”, lembrou Cai Run.

TALENTOS PARA O FUTURO

O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura lembrou o papel que Macau pode ter na formação de talentos bilingues, tendo dito que “a vantagem linguística e os contactos entre os dois povos que Macau possui poderão contribuir para re-

forçar os laços bilaterais na concretização das iniciativas nacionais de “Uma Faixa, Uma Rota”. Cai Run referiu ainda que, em 2019, a RAEM celebra 20 anos de existência e comemoram-se também os 40 anos do restabelecimento das relações diplomáticas entre Portugal e China. Nesse ano deverá realizar-se “o festival cultural sino-português, de forma

a fortalecer o intercâmbio cultural entre os povos dos dois países”. Alexis Tam aproveitou ainda a sua estadia em Portugal para se encontrar com 110 alunos de Macau que frequentam cursos superiores no país. Citado por um comunicado, o secretário terá dito aos jovens para que “estudem aplicadamente”, para “contribuírem para o desenvolvimento de Macau no futuro”.


política 5

segunda-feira 25.9.2017

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A palavra ao trabalhador Governo vai regular sobreposição de folgas e feriados

O

Governo inicia hoje um período de consulta pública sobre a revisão da lei laboral e a implementação do “regime de trabalho a tempo parcial”, que dura até ao dia 8 de Novembro. Uma das principais alterações propostas passa pela regulamentação de sobreposição de folgas e feriados. “Considerando que a actual lei não regulamenta esta matéria, pensou-se que sempre que haja sobreposição do dia de descanso semanal com o dia de feriado obrigatório o empregador deve determinar o gozo do descanso semanal do trabalhador no prazo de 30 dias, garantindo deste modo, que o trabalhador goza o dia de feriado obrigatório e o dia de descanso semanal”, considera a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), em comunicado. O Executivo propõe também a criação de um mecanismo de “selecção de alguns feriados obrigatórios”. “Os empregadores e os trabalhadores podem acordar, por

escrito, e seleccionar três dos dez dias de feriados obrigatórios para serem gozados em outros dias de feriados públicos, passando os trabalhadores a prestar trabalho nos dias de feriados obrigatórios escolhidos como dias normais de trabalho.” Existe ainda a proposta de prolongamento do prazo de que o trabalhador dispõe para gozar os dias a que tem direito quando trabalha nos feriados. “A actual lei estipula que os trabalhadores que prestam trabalho em dia de feriado obrigatório têm o direito a gozar um dia de descanso compensatório dentro dos 30 dias seguintes ao da prestação de trabalho. Para dar mais flexibilidade aos trabalhadores e às empresas, pensa-se que o período para compensação por prestação de trabalho em dia de feriado obrigatório passe a ser prolongado dos actuais 30 dias para três meses”, explica o comunicado da DSAL. Além de sugerir a possibilidade de “selecção do regime de compensação”, a proposta que entra hoje

ANTÓNIO FALCÃO

Arranca hoje o processo de consulta pública sobre o processo de revisão da lei laboral, que visa a implementação da licença de paternidade e mudanças na licença de maternidade. O Governo quer ainda legislar sobre a sobreposição de folgas e feriados, uma lacuna aos olhos de muitos deputados

em processo de consulta pública prevê ainda um maior “equilíbrio dos direitos e interesses dos trabalhadores” nesse regime. Isto porque “quando o trabalhador, por motivos pessoais, tenha que suspender a prestação de trabalho e dia de descanso semanal, ou dia de feriado obrigatório, o empregador pode calcular o acréscimo compensatório proporcionalmente ao número de horas de trabalho prestado pelo trabalhador naquele dia”.

PROMESSA QUASE CUMPRIDA

A nova revisão da lei laboral prevê um total de sete alterações para que haja “um aumento da flexibilida-

de” da legislação, e que passam também pelo estabelecimento de “três a cinco dias úteis de licença de paternidade remunerada”. O Executivo propõe ainda que a nova lei laboral venha a introduzir alterações na licença de maternidade. São, assim aditadas disposições “que permitem que as trabalhadoras, após o gozo de 56 dias de licença de maternidade remunerada, possam ainda gozar 14 dias consecutivos de faltas justificadas não remuneradas, ou seja, um máximo de 70 dias de descanso”. Hoje arranca também a consulta pública sobre a implementação do regime de trabalho a tempo parcial, que prevê o limite de 72 horas de trabalho por quatro semanas. A proposta do Governo fala ainda na possibilidade de patrão e empregado poderem “celebrar verbalmente um contrato de trabalho”, sendo obrigatório um “comprovativo escrito”. Quem trabalhar a tempo parcial terá direito, segundo o Governo, a licença por doença ou de maternidade “não remuneradas”. Quanto ao salário, “sugere-se que na remuneração base do trabalhador seja incluída a remuneração de base do descanso semanal e dos feriados obrigatórios”.


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25.9.2017 segunda-feira

ELEIÇÕES TRIBUNAL NEGA PEDIDO DE RECONTAGEM DE VOTOS Tribunal de Última Instância de Macau negou “liminarmente” o pedido de recontagem dos votos apresentado pelo mandatário e primeiro candidato da lista Nova Ideais de Macau, Carl Ching Lok Suen. O pedido, entregue na quarta-feira, alegava que deveria haver uma recontagem devido a semelhanças entre o símbolo da lista número 1 e da lista número 2. Contudo o TUI decidiu que pedido de recurso não se justificava. “Visto que o recorrente nunca apresentou reclamação, protesto ou contra-protesto no decurso do apuramento, nem interpôs recurso gracioso perante a assembleia de apuramento geral, não estão preenchidos os pressupostos legais de interposição do recurso contencioso”, escreveu a titular do processo, a juíza Song Man Lei, de acordo com uma nota do Gabinete do Presidente do TUI, emitida na sexta-feira.

“O recorrente não pode interpor recurso contencioso relativamente a questões que poderão ter ocorrido no decurso do apuramento”, sublinhou a mesma fonte. A lista de Ching obteve 199 votos nas eleições, abaixo dos 300 necessários para que a caução de 25 mil patacas seja devolvida. Também na sexta-feira, de acordo com a Lusa, a Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) tomou uma posição sobre o assunto, defendendo que “para pedir uma reapreciação, o mandatário teria de ter apresentado uma reclamação durante o acto de apuramento”. Na altura em que entregou o pedido de recurso, Carl Ching admitiu que se tinha endividado para que pudesse pagar a caução, e que agora precisava do dinheiro para o devolver aos amigos.

ZHENG XIAOSONG NOVO DIRECTOR DO GABINETE DE LIGAÇÃO

Z

HENG Xiaosong é o novo director do Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau, substituindo Wang Zhimin. A informação foi avançada, na sexta-feira, pelo jornal The Standard, sedeado em Hong Kong. O novo director, que é vice-ministro do Departamento Internacional do Comité Central do Partido Comunista, assumiu as funções na passada quarta-feira. Anteriormente Zheng Xiaosong desempenhou o cargo de vice-governador da Província de Fujian, de acordo com o portal China Vitae. Esta foi uma posição que Zheng, de 58 anos, ocupou até ao ano passado. O governante chinês é licenciado pela Universidade de Oxford, no Reino Unido. Por sua vez, Wang Zhimin vai ocupar a posição de director do Gabinete

de Ligação do Governo Central em Hong Kong. Wang tinha assumido o cargo de director do Gabinete de Ligação em Macau há pouco mais de um ano. Esta troca acontece depois de no início do mês ter sido noticiado que Li Gang, antecessor em Macau de Wang, tinha sido expulso da Assembleia Popular Nacional, estando sob suspeita de “violar gravemente a disciplina”. Este é um termo usado normalmente para apontar casos de corrupção dentro do Partido Comunista. Em Hong Kong, Wang Zhimin vai substituir Zhang Xiaoming, que foi promovido a director do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau em Pequim. Esta é uma posição deixada em aberto por Wang Guangya, que atingiu a idade de reforma.

Novo estatuto, nova renda A eleição de Sulu Sou para a Assembleia Legislativa levou o senhorio da fracção onde está a sede da Novo Macau a exigir um aumento. A situação pode fazer com que a associação e os ex-membros Ng Kuok Cheong e Au Kam Sam voltem a partilhar o mesmo espaço.

A

eleição de Sulu Sou para a Assembleia Legislativa fez com que o senhorio da fracção onde fica localizada a sede da Associação Novo Macau, na Calçada de Santo Agostinho, tenha exigido um aumento da renda. A informação foi confirmada pelo deputado recém-eleito Sulu Sou, ao HM, e neste momento não está afastada a hipótese da Novo Macau e o escritório dos deputados Ng Kuok Cheong e Au Kam San voltarem a partilhar o mesmo espaço. Após confirmar a existência do aumento do valor cobrado pela fracção onde está a Novo Macau, Sulu Sou adiantou que a Associação está a equacionar continuar

no espaço e pagar a renda mais alta “com donativos e parte do salário de deputado”. No entanto, ainda não foi tomada uma decisão sobre o que se vai fazer. Outro cenário que se pode concretizar é a sede da Novo Macau ficar no mesmo sítio, mas com o espaço a ser igualmente utilizado como escritório dos deputados pró-democratas Au Kam San e Ng Kuok Cheong. Esta hipótese seria um reencontro para os antigos colegas de luta, que no próximo ano têm de deixar as instalações que ocupam na Areia Preta.

TUDO EM ABERTO

aberto, mas que a prioridade para os dois deputados passa por arrendar um espaço na zona onde estão actualmente. “Antes das eleições fomos informados pelo nosso senhorio que havia o desejo de aumentar a renda e também de recuperar a fracção no final do próximo ano”, disse. “Temos cerca de um ano para procurar outro espaço. Mas já discuti a questão com o meu colega Au Kam San e chegámos à conclusão que o ideal era encontrarmos outro escritório na zona norte da cidade, perto da Areia Preta”, acrescentou. Contudo o pró-democrata diz que todas as hipóteses estão em aberto, admitindo mesmo a possibilidade de arrendar um novo espaço com Au Kam San e a Novo Macau. O regresso dos dois deputados mais velhos à Calçada de Santo Agostinho também não está afastado. “Neste momento, a possibilidade de ficarmos os três no mesmo escritório depende da Associação Novo Macau. Eles têm de tomar uma decisão sobre o que querem fazer. Também temos de ter em conta a altura em que a decisão vai ser tomada”, explicou Ng Kuok Cheong. “Se eles acharem que podemos ficar os três no mesmo espaço, talvez seja possível. Também pode acontecer eles quererem ter a sede próxima de nós, mas em espaços diferentes. Nesse caso vou apenas partilhar o escritório com o Au Kam San. É uma questão para resolver no futuro e vou respeitar a decisão da Associação Novo Macau”, apontou. Andreia Sofia Silva

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Em declarações ao HM, Ng Kuok Cheong admitiu que o cenário está em

HOJE MACAU

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ANM SULU SOU FOI ELEITO E SENHORIO QUER ASSOCIAÇÃO A PAGAR MAIS

Ng Kuok Cheong, deputado “Se eles [Novo Macau] acharem que podemos ficar os três no mesmo espaço, talvez seja possível. Também pode acontecer eles quererem ter a sede próxima de nós, mas em espaços diferentes. Nesse caso vou apenas partilhar o escritório com o Au Kam San. É uma questão para resolver no futuro e vou respeitar a decisão da Associação Novo Macau”


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segunda-feira 25.9.2017

E

RA uma manhã como todas as outras na obra do edifício do Ministério Público, tudo corria dentro da normalidade até que uma viga de metal se soltou caindo em cima de trabalhadores. O acidente ocorreu no passado dia 12 de Junho e na sua sequência dois operários acabariam por morrer, permanecendo um dos feridos em estado grave e o outro com ferimentos ligeiros. A obra foi suspensa por ordens da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) e exigido ao empreiteiro um relatório detalhado do que se poderá ter passado. Foi também pedida pela DSAL uma nova inspecção de segurança de forma a resolver os problemas de risco. Um técnico próximo da obra contou ao HM que, de momento, “o Governo contratou uma empresa de consultoria para supervisionar a construção, mas que não tem qualquer autoridade para exercer poder no local”. A fonte contou ainda que os trabalhos que garantem as regulares exigências de segurança não foram feitos com rigor nesta obra, como são executados nos estaleiros dos casinos, ou em obras realizadas em Hong Kong. “Houve um erro de cálculo na avaliação do peso da viga, que pesava cerca de seis toneladas, mas que pensaram que pesava apenas duas, daí ter caído”, conta. O procedimento geral neste tipo de trabalhos implica que os empreiteiros submetam planos de segurança que estão sujeitos a avaliação e aprovação por parte do consultor que fiscaliza a construção e pelo próprio dono da obra. Cabe aos empreiteiros gerir os trabalhos de maneira a garantir que o plano de segurança é cumprido e aos inspectores de fiscalização averiguar esse cumprimento. Os acidentes resultam, normalmente, de situações de incumprimento, normalmente atribuíveis a trabalhadores individuais, sub-empreiteiros, ou empreiteiros gerais.

MP ACIDENTE EM OBRA LEVA À CONSTITUIÇÃO DE TRÊS ARGUIDOS

Erros de cálculo

Foram conhecidas as medidas de coacção contra os suspeitos de envolvimento no acidente que provocou dois mortos e dois feridos, um deles grave, na construção do edifício do Ministério Público. O HM falou com um técnico ligado à obra que denuncia as deficiências de segurança e o elemento que a justiça esqueceu

ficaram sujeitas à medida de coacção menos gravosa quando se inicia a instrução de um processo penal. Segundo um comunicado do MP, o juiz de instrução criminal aplicou a dois arguidos “as medidas de coacção de termo de identidade e residência, caução a pagar em dez dias e apresentação periódica à Polícia Judiciária”. Ao terceiro arguido foi aplicado termo de identidade e residência, sem caução. A Polícia Judiciária encaminhou os três arguidos para o MP “por serem suspeitos da prática de crime de infração de regras de construção e perturbação de serviços, agravado pelo resultado”, indicou o mesmo comunicado. Caso fique provado em tribunal que o acidente teve origem em negligência o empreiteiro será alvo de sanção. Na opinião da fonte próxima da construção, falta uma pessoa entre os arguidos: o inspector de segurança da obra.

“Houve um erro de cálculo na avaliação do peso da viga, que pesava cerca de seis toneladas, mas que pensaram que pesava apenas duas, daí ter caído.” FONTE OUVIDA PELO HM

Na altura da suspensão dos trabalhos, a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes garantiu que o prazo para finalizar a obra não seria prorrogado. O custo da construção está avaliado, segundo os dados publicados no concurso de adjudicação, em quase 111,7 milhões de patacas. João Luz

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APURAR RESPONSABILIDADES

Na sexta-feira foi anunciado que três pessoas ligadas à obra

TURISMO NÚMERO DE VISITANTES DIMINUI EM AGOSTO DEVIDO AO TUFÃO HATO

O

S efeitos do desastre natural de 23 de Agosto fizeram-se sentir também no sector turístico. Durante o mês de Agosto, o número de visitantes que Macau recebeu diminuiu 0,6 por cento em termos anuais e 1,8 por cento na contabilidade mensal. A razão apontado pelos Serviços de Estatística e Censos para a

diminuição foi a passagem do tufão Hato pela região. Durante o mês de Agosto Macau recebeu um total de 2.866.400 visitantes, deste número 1.318.619 foram excursionistas, enquanto o número de turistas foi 1.547.781. O número de pessoas que chegaram através de excursões sofreu uma diminuição de 6,2

por cento em comparação com igual período homólogo do ano anterior, enquanto que o número de turistas aumentou 4,8 por cento. O período médio de permanência em Macau aumentou ligeiramente para 1,3 dias por turista, o que representa uma subida de 0,1 dias em relação ao ano transacto.

Do total de visitantes, a larga maioria foi oriunda do Interior da China, chegando ao total de 2.016.846, o que representou um crescimento de 1,9 por cento em relação a Agosto do ano passado. Os turistas originários de Hong Kong foram 529.676, uma proveniência que sofreu um decréscimo

de 10,5 por cento, enquanto que de Taiwan chegaram 92.580 visitantes, ou seja, menos 1,9 por cento. O número de turistas oriundos dos Estados Unidos da América, Canadá, Austrália e Reino Unido continuaram a diminuir. Em contrapartida, os visitantes que chegaram da da

Coreia do Sul aumentaram neste mês de Agosto 30,8 por cento. Neste aspecto importa salientar que a 25 de Agosto os Serviços de Turismo de Macau suspenderam as viagens turísticas à cidade até ao passado dia 2 de Setembro, uma medida que afectou o número de visitantes. J.L.


8 sociedade

25.9.2017 segunda-feira

PME PAULO MACEDO DIZ QUE BNU VAI REFORÇAR APOIOS O presidente-executivo da Caixa Geral de Depósitos garantiu, no âmbito de um encontro com Chui Sai On, que o BNU vai proporcionar mais apoios financeiros para as “certamente contribuir com empresas de pequena dimensão, o seu papel e potencialidades para que Macau se torne sem esquecer o sector do retalho. na plataforma de serviços comerciais entre a China e Paulo Macedo está em Macau no o mundo lusófono”. O Chefe do Executivo contexto da celebração dos 115 anos recordou que o BNU está do banco local estabelecido em Macau “há GCS

Banco mãos largas

P

AULO Macedo chegou a ser ministro da saúde em Portugal, mas é na qualidade de presidente-executivo do grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD) que tem estado em Macau para uma visita que marca a celebração do 115º aniversário do Banco Nacional Ultramarino (BNU). À margem das festividades, Paulo Macedo tem reunido com governantes

locais. Após um encontro com o Chefe do Executivo, Chui Sai On, foi anunciado que o BNU vai aumentar o apoio às Pequenas e Médias Empresas (PME) e ao desenvolvimento do sector do retalho no território. De acordo com um comunicado oficial distribuído no final da audiência, Paulo Macedo lembrou que o BNU “explora actividades em todos os países de língua portuguesa” e, por isso, acredita que o banco vai

muitos anos, é uma importante instituição financeira e um dos bancos emissores de moeda e que tem desempenhado um papel muito importante no desenvolvimento económico e na manutenção da segurança e estabilidade do sistema financeiro” do território. O governante assegurou ainda que, “no futuro, o Governo da RAEM irá, tal como sempre, apoiar o desenvolvimento do BNU e das actividades financeiras de Macau, bem como, em conjunto com esta instituiPUB

ção financeira, envidar os maiores esforços em prol do progresso económico” local. Chui Sai On lembrou que o Governo da RAEM, “com o forte apoio do Governo Central”, dedica-se, designadamente “à participação activa no projecto nacional ‘Uma Faixa, Uma Rota’, na estruturação da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e no fortalecimento do papel de plataforma de serviços de cooperação comercial entre a China e os países de língua portuguesa”. Por isso, de acordo com o documento distribuído aos jornalistas, o Chefe do Governo disse acreditar que “o sector financeiro de Macau, que inclui o BNU, irá aproveitar estas oportunidades para explorar mais espaço de desenvolvimento”, esperando também que o banco “possa aproveitar as potencialidades existentes na rede de actividades dos países de língua portuguesa para, em conjunto

com o Governo da RAEM, alcançar a meta da implementação de uma plataforma entre a China e a lusofonia e promover a diversificação económica adequada”.

PROMESSAS FEITAS

No encontro participaram, entre outros, o presidente

“[BNU] Vai certamente contribuir com o seu papel e potencialidades para que Macau se torne na plataforma de serviços comerciais entre a China e o mundo lusófono.” PAULO MACEDO PRESIDENTE DA CGD

executivo do BNU, Pedro Cardoso, e a chefe do Gabinete do Chefe do Executivo, O Lam. Na quinta-feira, à margem da cerimónia comemorativa dos 115 anos do banco, Paulo Macedo tinha afirmado que o BNU vai desempenhar um papel ainda mais activo na promoção de negócios entre o território, a China e os países lusófonos. Para a CGD, Macau e o BNU são uma porta da China para os países lusófonos, em termos de negócio e trocas comerciais, afirmou o responsável A CGD está presente em sete países lusófonos e é líder em cinco: Portugal, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Em 2003, a China estabeleceu a RAEM como a plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa.

Segundo incêndio nas obras do Grand Lisboa Palace As obras do hotel Grand Lisboa Palace foram o local de um incêndio, que decorreu na madrugada de ontem. As chamas só foram extintas horas depois, devido ao esforço de mais 115 bombeiros, auxiliados por 35 viaturas. O sinistro levou a que fosse necessário retirar cerca de 88 trabalhadores, sendo que um dos pedreiros no local ficou cercado pelas chamas e teve de ser salvo pelos “soldados da paz”. Um dos bombeiros sentiu-se mal e teve de ser transportado para o hospital, mas

já teve alta. Até ao momento não são conhecidas as causa do incêndio, mas a Polícia Judiciária informou o HM que foram encontradas três frentes diferentes, pelo que existe a suspeita que tenha sido fogo posto. Este é o segundo incêndio no Grand Lisboa Palace, depois de um outro fogo em Março. Também em Julho, as obras tinham sido suspensas durante mais de um mês, depois de um trabalhador ter morrido, após uma queda de uma altura de 10 metros.


sociedade 9

segunda-feira 25.9.2017

SSM E ASSOCIAÇÃO DE MÉDICOS LAMENTAM MORTE DE LARGUITO CLARO

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S Serviços de Saúde e a Associação de Médicos de Língua Portuguesa de Macau manifestaram sexta-feira pesar pela morte na quinta-feira do médico João Maria Larguito Claro, que chefiou aqueles serviços entre 1993 e 1999. Os Serviços de Saúde destacaram o “contributo e a valorização da classe médica” do especialista em dermatologia que desenvolveu “um trabalho digno e marcante no território”, de acordo com um comunicado. Por seu lado, a Associação de Médicos de Língua Portuguesa de Macau (AMLPM) lamentou a morte de Larguito Claro e destacou a “dinâmica imposta pelos centros de saúde e a criação de áreas de especialização”, reconhecidamente “fundamentais e estruturantes” na actividade no território, indicou em comunicado. “Larguito Claro foi um homem com visão, com sentido de entrega à missão e com espírito empreendedor na área da Saúde em Macau”, sublinhou, na nota, o presidente da AMPLM, Jorge de Sales Marques.

AREIA PRETA POLÍCIAS À CIVIL IMPEDEM SUICÍDIO DE MULHER

Rio das mágoas

Dois polícias salvaram uma residente de 37 anos, que tinha saltado para o rio para se suicidar. O caso aconteceu na Areia Preta, à frente do hotel Crowne Plaza, e os agentes não estavam identificados como polícias

D Larguito Claro

Os Serviços de Saúde de Macau e a AMLP enviaram condolências à família de Larguito Claro. A 7 de Abril passado, o Ministério da Saúde português distinguiu Larguito Claro, director do Serviço de Dermatologia do Centro Hospitalar do Algarve, com a Medalha de Mérito da Saúde, Grau Ouro, em reconhecimento do profissionalismo e dedicação ao longo da sua carreira em prol da melhoria da acessibilidade de todos os cidadãos aos cuidados de saúde.

TDM aumenta horário de emissão

O canal de televisão em português da TDM anunciou sexta-feira que vai aumentar, a partir de segunda-feira, a emissão para 12 horas sem interrupção, para oferecer aos tele-espectadores de Macau uma alternativa à emissão da RTP Internacional. O Canal Macau da Teledifusão de Macau (TDM) vai apresentar programas de produção própria, da RTP Internacional, e documentários, filmes e séries produzidos no interior da China e que a TDM traduziu e legendou em português. Durante a semana, a emissão vai abrir às 13:00 e terminar cerca da 1:00, concentrando-se a mudança de programação na parte da tarde, até aqui ocupada pela retransmissão da RTP Internacional. Ao fim de semana, os horários de emissão vão manter-se sem alterações, entre as 10:30 e a 1:00.

OIS polícias da Unidade Táctica de Intervenção da Polícia de Segurança Pública impediram que uma mulher se suicidasse no sábado, pelas 16h30, à frente do hotel Crowne Plaza. O caso aconteceu quando os dois homens que realizavam corrida, vestidos com equipamento desportivo, mas sem nada que os identificasse como membros da polícia, viram a mulher a atirar-se ao rio. Assim que viram a residente na água, os dois homens, que corriam em direcção às Portas do Cerco, saltaram para o rio para impe-

direm que a mulher entrasse numa zona onde não tivesse pé e fosse arrastada pela corrente. Agarrada pelos dois corredores, a mulher de 37 anos, lutou afincadamente para se soltar, ao mesmo tempo que gritava e chorava, desesperada, para que a deixassem morrer.

Adificultar a tarefa dos dois homem esteve o lodo no fundo rochoso do rio, que por ser muito escorregadio dificultou as tarefas de salvamento. Este facto fez com que apesar das várias tentativas, os dois polícias sozinhos não conseguissem tirar a mulher da água. Por sua vez, a senhora, de joelhos e com a água a

A frustração de um dos corredores ficou bem patente a certa altura, quando começou a pedir auxílio às pessoas que se juntaram a assistir à cena. Ao mesmo tempo, o mesmo polícia pedia-lhes que não ficassem apenas a filmar a cena com os telemóveis

chegar-lhe ao peito, pedia que a largassem para se afogar. A situação durou cerca de dez minutos até à chegada da PSP e dos bombeiros. Enquanto aguardavam pela chegada dos colegas, os polícias contaram com a ajuda de duas pessoas, sem que fosse possível tirar a mulher da água. Contudo, a frustração de um dos agentes ficou bem patente a certa altura, quando começou a pedir auxílio às pessoas que se juntaram para assistir à cena. Ao mesmo tempo, pedia-lhes que não ficassem apenas a filmar com os telemóveis.

FORA DE PERIGO

Só com a chegada da PSP e dos bombeiros foi possível colocar a vítima a salvo. Contudo, pelo facto de o piso ser demasiado escorregadio, foram precisos mais de seis agentes para resolver a situação. Num primeiro momento, a mulher foi levantada e levada para as rochas. Nessa altura, os bombeiros e a polícia colocaram-lhe uma corda à volta do corpo. Porém, a mulher gritava para que a deixassem morrer, e quando percebeu que estava dominada, tentou dar cabeçadas nas rochas, mordendo igualmente o joelho de um agente que a tentava salvar. Depois de imobilizada, a senhora de 37 anos foi mantida quente com vários cobertores, que os agentes trouxeram consigo. Só depois foi colocada numa maca e levada, numa ambulância, para o hospital Conde São Januário, onde se encontra livre de perigo. De acordo com as informações prestadas pela PSP ao HM, a mulher está a receber tratamento, pelo que só vai ser possível apurar os motivos que a levaram a tentar suicidar-se mais tarde, quando tiver alta. Antes de se atirar ao rio, a mulher deixou nas rochas um papel com uma mensagem, três maços de cigarros, um telemóvel – que nunca parou de tocar – e um par de chinelos brancos e cor-de-rosa. H.M.


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25.9.2017 segunda-feira

Arte à maneira delas EXPOSIÇÃO HONG KONG CELEBRA A OBRA DE FANG ZHAOLING

IC REVELADO INVENTÁRIO DO PATRIMÓNIO CULTURAL INTANGÍVEL DE MACAU

Começa esta semana no Club Jockey de Hong Kong uma série de eventos dedicados à expressão artística no feminino como forma de comemorar a vida e obra de Fang Zhaoling. Além da exposição da pintora chinesa, haverá lugar para a projecção de um filme sobre a vida da performer sérvia Marina Abramovic

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M misto de crenças espirituais e manifestações culturais preenchem o inventário do património cultural intangível que o Instituto Cultural (IC) pretende identificar, reconhecer e salvaguardar, cumprindo o estabelecido na Lei de Salvaguarda do Património Cultural. A lista de expressões culturais intimamente ligadas ao território inclui 15 manifestações. São elas a Ópera Yueju (Ópera Cantonense), a preparação do chá de ervas, a escultura de imagens sagradas em madeira, o Naamyam Cantonense (Canções narrativas), a música de ritual taoista, o Festival do Dragão Embriagado e a crença e os costumes ligados à adoração a A-Ma. A estes manifestações culturais, este ano o IC decidiu juntar a crença e os costumes de Na Tcha, o teatro em patuá, a gastronomia macaense, a crença e os costumes de Tou Tei, a crença e os costumes de Chu Tai Sin, a arte dos andaimes de bambu, a procissão do Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos e a procissão de Nossa Senhora de Fátima. O objectivo da actualização do inventário, anunciado na sexta-feira pelo IC, tem em vista a continuidade do levantamento do património de forma a ser inscrito na Lista do Património Cultural Intangível.

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA VIVER MAIS E MELHOR • Filipa Vacondeus

Comer bem é saber escolher, sem abdicar do sabor e do prazer de comer. Esquecer o prazer de comer? Nem pensar! Escolha apenas viver melhor. Todos os dias tomamos decisões em relação à nossa alimentação e à da nossa família. Muitas vezes, como adultos responsáveis pela alimentação de outros, determinamos o que os nossos cônjuges, filhos e netos comem, ou seja, contribuímos decisivamente para a forma como vivem e crescem. Em Viver Mais e Melhor, o talento gastronómico e os conhecimentos nutricionais aparecem de mãos dadas, provando claramente que é possível ter uma alimentação cuidada e manter o prazer de comer. São também aqui apresentadas receitas particularmente adequadas às pessoas com doenças muito comuns: a diabetes, a hipertensão, o colesterol, a gota e os problemas gastrointestinais. Entre numa vida mais saborosa e saudável, repleta de receitas simples e acessíveis.

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ANG Zhaoling foi uma testemunha dos vários tumultos e comoções que atravessaram século XX. Desde cedo começou a desenvolver a sua paixão pela caligrafia e pintura com uma intensidade que a haveria de a catapultar para o panteão das artistas chinesas de maior relevo do século passado. Fang Zhaoling viria a tornar-se numa mestre de caligrafia e pintura chinesa, atravessando fases tradicionais, modernas e contemporâneas. Esta semana começou um ciclo de eventos que celebram a sua obra e vida. “Painting Her Way: The Ink Art of Fang Zhaoling”, é a exposição que abre ao público na próxima quarta-feira, no Asia Society Hong Kong Center, e que estará patente ao público até dia 31 de Dezembro. A pintora, filha de um general do Kuomintang que lutou contra as invasões japonesas, viria a perder o pai ainda em terna idade depois deste ter sido assassinado pelos próprios nacionalistas chineses. Durante a década de 1930 é enviada para Manchester para estudar pintura, mas vê-se forçada a interromper a formação devido a uma guerra mundial que se lhe atravessa no caminho. Retorna a uma devastada Hong Kong onde prossegue a sua formação e inicia uma carreira incontornável no mundo da pintura chinesa. Com uma vida repleta de dramas sociais e pessoais, Fang Zhaoling é um símbolo de perseverança e sucesso face a tremendas adversidades. Como tal, inspira um pequeno ciclo de eventos dedicados a mulheres

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MANUAL DE NUTRIÇÃO INFANTIL • João Breda, Ana Lúcia Silva, Ana Rito

Composto por actividades, fichas práticas, dicas, imagens apelativas, e todas as informações que deve saber sobre nutrição infantil, este livro é um instrumento único para os vários públicos a que se destina: pais, professores e alunos. Com este livro a tarefa de educadores e educandos será muito mais facilitada e até mais divertido no que toca a falar sobre nutrição infantil. Um tema cada vez mais importante no crescimento dos seus filhos e dos seus alunos e durante o seu processo de aprendizagem. Pois de pequenino se torce o pepino! E se apreende a comer bem!


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fortes que encontraram na arte uma forma de luta.

AVÓ DA PERFORMANCE

A inauguração da exposição de Fang Zhaoling começa com uma palestra marcada para quarta-feira às 19h, no Asia Society Hong Kong Center em Admiralty, conduzido pelos curadores da exposição Julia Andrews e Kuiyi Shen. Ambos especialistas em História de Arte, vão apresentar ao público a evolução do estilo pessoal da pintora no contexto chinês e internacional. Outro destaque será a apresentação do filme documental “Marina Abramovic: The Artist is Present”, de Matthew Akers e Jeff Dupre. O filme sobre a vida e obra da performer sérvia é exibido no dia 9 de Outubro, pelas 19h, no Asia Society Hong Kong Center. Marina Abramovic é uma provocadora, uma artista destemida, fascinante e que não tem receios de forçar as barreiras das artes performativas há quase cinquenta anos. A artista ficou conhecida por explorar a relação entre performer e público, levando essa relação aos limites físicos e psicológicos. A expressão artística de Marina Abramovic, conhecida como a avó das artes performativas, centra-se no confronto com a audiência e na partilha de sofrimento e do desconforto

LÍNGUA IPOR PROMOVE PROGRAMA DE LEITURA EM PORTUGUÊS

“Painting Her Way: The Ink Art of Fang Zhaoling”, é a exposição que abre ao público na próxima quarta-feira, no Asia Society Hong Kong Center, e que estará patente ao público até dia 31 de Dezembro provocado pelo esticar dos limites do corpo humano. O documentário que será apresentado no dia 9 de Outubro leva os espectador através do mundo de Marina, enquanto se prepara para um dos momentos mais importantes da sua vida artística: a grande retrospectiva da sua obra no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA). Além de ser um momento importante na carreira de qualquer artista, a retrospectiva da sérvia serviu para procurar a resposta para uma questão que os seus mais ferozes críticos lhe colocavam há décadas: “porque é que isto é arte?”. A exibição do filme será precedido por uma palestra com a artista Wen Yau que participou na retrospectiva da artista no MoMa.

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Instituto Português do Oriente começa hoje uma série de sessões de leitura com a contadora de histórias Cristina Taquelim em várias escolas de Macau, abarcando um universo de cerca de 500 crianças. O programa pretende dinamizar a leitura em língua portuguesa durante a semana que agora começa. As sessões realizam-se na Escola Luso-Chinesa da Flora, Escola Zheng Guanying, infantário D. José da Costa Nunes, Escola Portuguesa de Macau, Oficinas de Língua Portuguesa para Crianças e Jovens do IPOR e o Curso Geral do próprio instituto.

Na quinta-feira, pelas 19h, no Café Oriente do IPOR a escritora conduz uma sessão aberta de narração de histórias dirigida ao público em geral. CristinaTaquelim é coordenadora de vários programas de promoção e mediação de leitura, integra a equipa de especialistas do Projecto Casa da Leitura da Fundação Gulbenkian e é fundadora da Associação de Contadores de Histórias. Além disso, é autora de vários livros de literatura infanto-juvenil, como “Na minha casa somos sete”, editado em Portugal e “Malaquias”, “Uma casa na Lua” e “Corrupio” editados no Brasil.

Rota da Seda inspira Bienal de Pequim Marina Abramovic é um dos nomes mais sonantes do avant-garde e experimentalismo performativo. Uma pioneira e uma revolucionária. João Luz

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A sétima edição da Bienal de Pequim foi ontem inaugurada com o objectivo de promover o espírito da Rota da Seda, através de artistas de mais de cem países que procuram a integração cultural entre o Oriente e Ocidente. A mostra vai exibir, até 15 de Outubro, no Museu Nacional de Arte, no centro da capital chinesa, 601 peças – incluindo pintura, escultura, instalação ou vídeo – de artistas chineses e internacionais sob o lema “A Rota da Seda e as civilizações do mundo”. As obras expostas não se limitam a representar nos-

talgicamente a histórica rota, mostrando também o seu espírito, a aprendizagem mútua entre civilizações e a integração cultural contemporânea entre o Oriente e o Ocidente, escreve a agência espanhola Efe. A Nova Rota da Seda é um projecto de investimentos em infra-estruturas liderado pela China, que ambiciona reavivar simbolicamente o corredor económico que uniu o Oriente o Ocidente, reactivando a antiga via comercial entre a nação chinesa e a Europa através da Ásia Central, África e sudeste Asiático.

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25.9.2017 segunda-feira

CONSUMO PAGAR COM DINHEIRO VIVO É ‘COISA DE ANTIGAMENTE’

Pequim limita abastecimento de petróleo a Pyongyang

A China anunciou sábado que vai limitar o abastecimento de petróleo à Coreia do Norte a partir de 1 de outubro, de acordo com as sanções impostas pelo Conselho de Segurança da ONU contra Pyongyang. O Ministério do Comércio chinês anunciou também em comunicado a proibição geral das importações de têxteis norte-coreanos. A China é o principal parceiro comercial de Pyongyang e, tradicionalmente, o seu principal apoio político, mas nos últimos meses aceitou a aprovação de duras sanções contra o país liderado por Kim Jong-un pelo Conselho de Segurança da ONU. O novo pacote de sanções aprovado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, a 11 de Setembro visa pressionar Pyongyang a acabar com os seus programas de desenvolvimento de armas nucleares e mísseis. As sanções foram consideradas por Pyongyang como “acto de hostilidade para eliminar fisicamente as pessoas” da Coreia do Norte.

Sete mortos em explosão numa fábrica pirotécnica

Sete pessoas morreram numa explosão ocorrida sábado numa fábrica de fogo-de-artifício em Shangli, no leste da China, informou sábado a agência de notícias Xinhua. As autoridades garantiram que tinham ordenado a suspensão da produção nesta fábrica na quintafeira pela manhã devido a problemas de segurança detectados, mas que a fábrica ignorou a advertência e prosseguiu com a sua actividade normal. As autoridades estão a investigar as causas da explosão. Em Shangli, na província de Jiangxi, são frequentes as vendas de foguetes e petardos para celebrar as festas locais, seguindo os costumes da tradição chinesa. Nos últimos anos têm sido registados vários acidentes mortais com fogo-de-artifício. Um dos mais graves ocorreu em 2001, quando 42 pessoas, a maioria crianças, morreram numa escola ao explorar uma fábrica de petardos que operava dentro do recinto. PUB HM • 1ª VEZ • 25-9-17

ANÚNCIO Execução Ordinária n.º

CV2-16-0229-CEO

2.º Juízo Cível

Exequente: Banco Industrial e Comercial da China (Macau) S.A. (中國工 商銀行(澳門)股份有限公司), com sede em Macau, na Av. da Amizade, nº 555 –Macau Landmark, Torre ICBC, 18º andar. Executado: Lou Kin Hang (盧健恆), do sexo masculino, com última residência conhecida em Macau, na Rua Central da Areia Preta, nº 135 – edf. Polytec Garden, bloco VI, 30º andar AP, ora ausente em parte incerta. *** Correm éditos de trinta (30) dias, a contar da segunda e última publicação do anúncio, citando o executado Lou Kin Hang (盧健恆), acima melhor identificado, para no prazo de vinte (20) dias, decorrido que seja o dos éditos, pagar ao exequente a quantia de MOP$3.996.715,38 (Três Milhões, Novecentas e Noventa e Seis Mil, Setecentas e Quinze Patacas e Trinta e Oito Avos) e legais acréscimos, ou no mesmo prazo, deduzir oposição por embargos ou nomear bens à penhora, sob pena de, não o fazendo, ser ordenada a penhora do imóvel hipotecado, seguindo o processo os ulteriores termos até final à sua revelia. Tudo conforme melhor consta do duplicado da petição inicial que neste 2º Juízo Cível se encontra à sua disposição e que poderá ser levantado nesta Secretaria Judicial nas horas normais de expediente e ainda que é obrigatória a constituição de advogado (nos termos do artº 74º do C.P.C.M.). Para constar se passou este edital que vai ser devidamente afixado no lugar designado por Lei. Macau, em 13 de Setembro de 2017.

Na carteira digital

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MA sociedade em que moedas e notas são obsoletas e tudo é pago via ‘carteiras digitais’ está a materializar-se rapidamente na China, impulsionando novos modelos de negócios e uma geração de consumidores mais autónomos. Zhao Gang, um jovem chinês radicado em Pequim, não tem dúvidas: “No que toca a pagamentos móveis, a China está à frente do resto do mundo”. À semelhança de milhões de compatriotas, Zhao há muito deixou de levar carteira quando sai de casa. O telemóvel basta-lhe. Segundo a consultora iResearch, os pagamentos feitos via carteiras digitais na China atingiram, no ano passado, 5,5 biliões de dólares. O fenómeno está a inspirar novos modelos de negócio, com impacto na rotina dos consumidores. Para se deslocar para o trabalho, Zhao aluga uma das centenas de milhares de bicicletas hoje distribuídas pelas ruas de Pequim, fazendo a leitura do código QR com o seu telemóvel. À hora do almoço, volta a alugar uma bicicleta e desloca-se até ao restaurante Renrenxiang, onde os pedidos e pagamentos são feitos via aplicativo Wechat e a refeição sai da cozinha num tapete rolante. Lançado em Janeiro de 2011, pelo gigante chinês da Internet Tencent, o Wechat tem hoje quase mil milhões de utilizadores, segundo dados da empresa. Liu Zheng, fundador do Renrenxiang, diz à agência Lusa que o seu modelo de negócio é a “tendência do futuro”. “Noto que o perfil da mão-de-obra chinesa está a mudar muito”, diz Liu, que trabalhou vários anos no departamento de Recursos Humanos de uma das maiores empresas de telecomunicações da China. “Nas grandes cidades, há cada vez menos pessoas dispostas a fazer trabalho manual e por salários baixos”, afirma.

Em 2015, a população em idade activa na China registou a maior contração de sempre - 4,87 milhões de pessoas -, enquanto o país relega gradualmente o papel de “fábrica do mundo” para outras nações asiáticas. Quan Bin, cofundador de uma rede de lojas de conveniência sem atendimento, diz que uma das maiores vantagens dos pagamentos móveis é o ‘Big Data’, a análise dos dados dos

5,5

biliões de dólares em pagamentos feitos via carteiras digitais no ano passado

consumidores, que permite moldar a oferta à procura. “Logo a partir do momento em que o cliente faz o registo, temos acesso aos seus dados pessoais. Sempre que ele faz compras, o nosso sistema armazena e analisa o seu historial de consumo”, explica. Nas lojas da Xiaomi, o cliente faz a leitura do código de barras e o pagamento com o telemóvel. A porta abre-se automaticamente, através de um sistema de reconhecimento facial.

DAS CONTRADIÇÕES

Pequim apoia o fenómeno, que considera vital na transição para um modelo económico mais baseado no consumo e nos serviços, mas esforça-se para sufocar a liberdade criada pela internet através do “Grande Firewall da China”.

Aquele mecanismo censura sites como o Facebook, Youtube e Google ou ferramentas como o Dropbox e o WeTransfer. As versões electrónicas de vários órgãos de comunicação estrangeiros também estão bloqueadas no país, enquanto comentários nas redes e espaços de discussão ‘online’ são sujeitos a controlo das autoridades. Em 65 países analisados pelo grupo de pesquisa Freedom House, a China tem a Internet mais fechada, abaixo do Irão e da Síria. Para Liu Zheng, no entanto, a internet chinesa oferece um potencial único. “Em mais nenhum outro país o meu negócio seria tão bem-sucedido”, atira. “Os serviços ‘online’ atingiram um nível de difusão ímpar na China”. Lusa


região 13

segunda-feira 25.9.2017

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Praça da concentração Pyongyang reúne milhares de pessoas em manifestação antiamericana

REUTERS

ILHARES de norte-coreanos participaram no sábado numa manifestação antiamericana convocada pelo regime de Pyongyang, em apoio ao líder Kim Jong Un, num momento marcado pela ‘guerra’ de palavras com Donald Trump, informou ontem a agência KCNA. Segundo o texto divulgado pela agência estatal norte-coreana, mais de 100.000 pessoas participaram na concentração na praça Kim Il Sung, no centro de Pyongyang. Durante o evento, foi lido na íntegra o comunicado de Kim Jong Un publicado na sexta-feira. Nesse texto, o líder norte-coreano criticou o discurso de Trump na terça-feira na ONU, no qual o Presidente dos EUA ameaçava “destruir totalmente a Coreia do Norte”, e classificou Trump como um “louco”, lançando novas ameaças contra Washington. Manifestantes marcharam com cartazes com ‘slogans’ como “vingança decisiva” e “morte para os imperialistas americanos” e entoaram palavras de ordem como “destruição total”, segundo a KCNA, citada pela Associated Press. A multidão incluía trabalhadores, funcionários do regime e estudantes, segundo a KCNA. Os contínuos testes de mísseis pela Coreia do Norte e a dura re-

tórica usada por Washington após a chegada em Janeiro de Donald Trump à Casa Branca fizeram disparar este ano a tensão regional até níveis inéditos. O mais recente episódio desta crise ocorreu no sábado, quando bombardeiros e caças norte-americanos voaram perto da costa

Mais de 100.000 pessoas participaram na concentração na praça Kim Il Sung, no centro de Pyongyang AGÊNCIA KCNA

da Coreia do Norte para enviar uma “mensagem clara” de que Washington dispõe de “opções militares” perante qualquer ameaça, informou o Pentágono. Os Estados Unidos já enviaram este ano em várias ocasiões os seus aviões militares até perto da Coreia do Norte como demonstração de força.

Japão e EUA realizam manobras no Pacífico

As forças marítimas do Japão e dos Estados Unidos estão a realizar manobras no Oceano Pacífico, numa altura marcada pela tensão entre Washington e Pyongyang devido ao programa nuclear e ao lançamento de mísseis nortecoreanos. Os exercícios, que arrancaram a 11 de setembro e que têm conclusão prevista para a próxima quinta-feira, dia 28, estão a decorrer nas zonas costeiras nas proximidades da capital do Japão, Tóquio, e no sul da província de Okinawa, explicou um porta-voz das Forças Armadas japoneses à televisão pública NHK. Nas manobras participam o porta-aviões de propulsão nuclear norteamericano USS Ronald Regan e o navio de guerra contratorpedeiro japonês Ise. Concluída a simulação, é previsto que o USS Ronald Reagan se dirija a águas próximas da península da Coreia para realizar outros exercícios com a marinha sulcoreana. Segundo a NHK, Tóquio decidiu divulgar publicamente os exercícios para enviar uma mensagem ao regime da Coreia do Norte, que na semana passada enviou um míssil de médio alcance que sobrevoou o norte do Japão.

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DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE TURISMO ANÚNCIO

DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE TURISMO ANÚNCIO

A Direcção dos Serviços de Turismo do Governo da Região Administrativa Especial de Macau, faz público que, de acordo com o Despacho de 7 de Setembro de 2017 do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, se encontra aberto concurso público para adjudicação da prestação do serviço de organização da “Parada de Celebração do Ano Novo Chinês do ano 2018”. Desde a data da publicação do presente anúncio, nos dias úteis e durante o horário normal de expediente, os interessados podem examinar o Processo do Concurso na Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 12.o andar, e ser levantadas cópias, incluindo o Programa do Concurso, o Caderno de Encargos e demais documentos suplementares, mediante o pagamento de duzentas patacas (MOP200,00); ou ainda consultar o website da Direcção dos Serviços de Turismo: http://industry.macaotourism.gov.mo, e fazer “download” do mesmo. A Sessão de esclarecimento será realizada no Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 14.o andar pelas 10:00 horas do dia 25 de Setembro de 2017. O limite máximo do valor global da prestação deste serviço é de MOP18.000.000,00 (dezoito milhões de patacas) Critérios de adjudicação e factores de ponderação: Critérios de adjudicação

Preço Coordenação do serviço: - Concepção do “design”, tema e programa da Parada - Plano de coordenação - Plano e desenho de organização das actividades - Número de pessoal necessário para a prestação do serviço Maior garantia de segurança e eficiência na prestação do serviço - Informações sobre os equipamentos a serem utilizados - Plantas e desenhos da colocação dos equipamentos e dos materiais de decoração (“design” do padrão e planta das localizações) - Plano de produção dos materiais de decoração - Plano de montagem e desmontagem Experiência e competência técnica do concorrente

Factores de ponderação 20% 30%

30% 20%

Os concorrentes deverão apresentar as propostas na Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 12.o andar, durante o horário normal de expediente e até às 17:45 horas do dia 12 de Outubro de 2017, devendo as mesmas ser redigidas numa das línguas oficiais da RAEM ou, alternativamente, em inglês, prestar a caução provisória de MOP360.000,00 (trezentas e sessenta mil patacas), mediante: 1) depósito em numerário à ordem da Direcção dos Serviços de Turismo no Banco Nacional Ultramarino de Macau 2) garantia bancária 3) depósito nesta Direcção dos Serviços em numerário, em ordem de caixa ou em cheque visado, emitidos à ordem da Direcção dos Serviços de Turismo 4) por transferência bancária na conta do Fundo do Turismo do Banco Nacional Ultramarino de Macau. O acto público do concurso será realizado no Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 14.o andar pelas 10:00 horas do dia 13 de Outubro de 2017. Os representantes legais dos concorrentes deverão estar presentes no acto público de abertura das propostas para efeitos de apresentação de eventuais reclamações e/ou para esclarecimento de eventuais dúvidas dos documentos apresentados ao concurso, nos termos do artigo 27.o do Decreto-Lei n.o 63/85/M, de 6 de Julho. Os representantes legais dos concorrentes poderão fazer-se representar por procurador devendo, neste caso, o procurador apresentar procuração notarial conferindo-lhe poderes para o acto público do concurso. Em caso de encerramento destes Serviços por causa de tempestade ou por motivo de força maior, o termo do prazo de entrega das propostas, a data e hora de sessão de esclarecimento e de abertura das propostas serão adiados para o primeiro dia útil imediatamente seguinte, à mesma hora. Direcção dos Serviços de Turismo, aos 14 de Setembro de 2017. A Directora Maria Helena de Senna Fernandes

A Direcção dos Serviços de Turismo do Governo da Região Administrativa Especial de Macau, faz público que, de acordo com o Despacho de 14 de Setembro de 2017 do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, se encontra aberto concurso público para adjudicação do serviço de realização do Espectáculo de Lançamento de Fogo-de-Artifício no Dia da Fraternidade Universal. Desde a data da publicação do presente anúncio, nos dias úteis e durante o horário normal de expediente, os interessados podem examinar o Processo do Concurso na Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício Hotline, 12.o andar, e ser levantadas cópias, incluindo o Programa do Concurso, o Caderno de Encargos e demais documentos suplementares, encontrando-se o referido processo igualmente patente no website da Direcção dos Serviços de Turismo (http://industry.macaotourism.gov.mo), podendo os concorrentes fazer “download” do mesmo. O limite máximo do valor global da prestação de serviço é de MOP1.500.000,00 (um milhão e quinhentas mil patacas). Critérios de apreciação das propostas e percentagem: Critérios de adjudicação Factores de ponderação Preço 40% Criatividade - Descrição do tema do espectáculo de fogo-de-artifício - Utilização de tecnologia nova (descrição de utilização de criatividade ou produto específico, ou descrição de 20% efeitos espectaculares) - Descrição do plano do lançamento e dos seus efeitos - Descrição do equipamento a ser utilizado Maior garantia de segurança e eficiência na prestação do serviço - Plano de transporte dos materiais pirotécnicos - Plano do lançamento 30% - Plano de segurança na operação do lançamento - Mapa do traçado do local do lançamento Experiência do concorrente 10% Os concorrentes deverão apresentar as propostas na Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício Hotline, 12.o andar, durante o horário normal de expediente e até às 17:45 horas do dia 16 de Outubro de 2017, devendo as mesmas ser redigidas numa das línguas oficiais de RAEM ou em inglês, prestar a caução provisória de MOP30.000,00 (trinta mil patacas), mediante 1) depósito em numerário à ordem do “Fundo de Turismo” no Banco Nacional Ultramarino de Macau 2) garantia bancária 3) depósito nesta Direcção dos Serviços em numerário, em ordem de caixa ou em cheque visado, emitidos à ordem do “Fundo de Turismo” (número da conta:8003911119). Acto público do concurso, no Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício Hotline, 14.o andar pelas 10:00 horas do dia 17 de Outubro de 2017. Os representantes legais dos concorrentes deverão estar presentes no acto público de abertura das propostas para efeitos de apresentação de eventuais reclamações e/ou para esclarecimento de eventuais dúvidas dos documentos apresentados ao concurso, nos termos do artigo 27.o do Decreto-Lei n.o 63/85/M, de 6 de Julho. Os representantes legais dos concorrentes poderão fazer-se representar por procurador devendo, neste caso, o procurador apresentar procuração notarial conferindo-lhe poderes para o acto público do concurso. Em caso de encerramento destes Serviços por causa de tempestade ou por motivo de força maior, o prazo de entrega das propostas e de abertura das propostas serão adiados para o primeiro dia útil imediatamente seguinte, à mesma hora. Direcção dos Serviços de Turismo, aos 15 de Setembro de 2017. A Directora Maria Helena de Senna Fernandes


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25.9.2017 segunda-feira

Há saudades nas pernas nos bracos. ´ Há saudades no cérebro por fora.

SHEN HAO

Paulo Maia e Carmo tradução e ilustração

«Hua Zhu»

Discurso sobre a Pintura

A escola do Sul começou com Wang Wei (698-759), cujo estilo era puro e refinado1; ele expressava a ressonância espiritual de modo subtil e tranquilo e abriu o caminho para os wenren2 como Jing Hao (primeira metade do século X), Guan Dong, Bi Hong, Zhang Zao, Dong Yuan, Zhujan e os dois Mi (Mi Fu, 1051-1107 e o seu filho Mi Youren), Huang Gongwang , (1269-1354), Wang Meng, Zhao Mengfu (1254-1322), Wu Zhen e Nizan (1301-74) até Shen Zhou (1428-1509) e Wen Bi da dinastia Ming3 e um grande número de outros. A escola do Norte começou com Li Sixun, cujo estilo era engenhoso e vigoroso. Ele movia o pincel com força e firmeza e formou uma escola que seria continuada por Zhao Kan, Zhao Bozhu4, Bosu, Ma Yuan e Xia Gui até Dai Wenchin, Wu Wei, Zhang Bingshan, etc. mas gradualmente a escola foi-se afundando em «maravilhas» e a sucessão foi-se cobrindo de poeira.

1 - A divisão da pintura em duas escolas, Norte e Sul, que não se referem a localizações geográficas mas a dois ramos do Budismo Chan que se separaram durante a dinastia Tang, é uma teoria aplicada à pintura que se torna central depois de Dong Qichang (1555-1636) e a partir dele será utilizada em tratados de pintura, de modo mais ou menos caricatural, para criar uma oposição estilística entre o pintor amador, livre e intuitivo do Sul, que usa apenas o pincel e a tinta preta, e o profissional mais formalista e intelectualizado, do Norte, que trabalha o pincel meticulosamente e utiliza cores. Nesta caracterização a comparação é sempre a favor do primeiro. As listas de nomes de pintores de uma e de outra escola também são um lugar-comum dos tratados de pintura. Incluímos o período de vida dos que exerceram maior influência na posteridade. 2 - Wenren, os «homens de cultura» é uma expressão mais antiga mas que adquire um

carácter mais definitivo como sublinhado da separação com os pintores profissionais a partir de Dong Qichang. 3 - Wen Bi, hao Zhenglao, parece ser um bom exemplo dessa afectação dos wenren. Ele é várias vezes mencionado favoravelmente por Dong Qichang, como por exemplo: «As suas pinturas são muito semelhantes às de Zhao Mengfu, apenas um pouco mais detalhadas, no entanto é sempre melhor fazer algo original do que ser absolutamente como outros.» (in O. Sirén, op. Cit. P.150) Noutro tratado da dinastia Ming, Li Rihua escreve: «Wen Zhenglao (Wen Bi) escreveu para si mesmo numa pintura de Mi: «Se o homem não pertencer a uma classe elevada, usará a tinta sem qualquer método.» (idem, O. Sirén, p.156) 4 - Dong Qichang aponta-o como exemplo para a pintura de salgueiros. (Sirén, op. Cit. P.143)


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

segunda-feira 25.9.2017

JONI BELARUSKI

poesia • Georg Trakl Tradução de António de Castro Caeiro

BIOGRAFIA Georg Trakl nasceu a 3 de Fevereiro de 1887 em Salzburgo, cidade no noroeste da Áustria. O estranho comportamento da sua mãe e a morte prematura do pai quando ainda era muito jovem acabou por lhe causar grandes problemas emocionais, além de ter que sustentar a família (mãe / irmã) com seus esforços após o falecimento do pai. Sabe-se que desde a adolescência o poeta consumia ópio, veronal e cocaína. Teve uma relação incestuosa com a irmã, e pelo que se sabe sobre a vida de Trakl, talvez tenha sido o seu grande amor. A suas cartas foram destruídas, sendo impossível saber algo mais. Apenas nos seus poemas teve um certo alívio, refazendo-os por diversas vezes, porém tendo sempre em mente as suas definições. Durante a Primeira Guerra Mundial foi oficial farmacêutico, o que abalou profundamente o seu já debilitado espírito. Suicidou-se a 3 de Novembro de 1914, na Cracóvia, com uma overdose de cocaína. Trakl tinha apenas 27 anos. In Wikipedia

Os Corvos1

Die Raben

Sobre o canto negro, precipitam-se, À tarde, os corvos com um forte grasnar. As suas sombras tocam, ao de leve, nas corças, E, às vezes, são vistos, de mau humor, a descansar.

Über den schwarzen Winkel hasten Am Mittag die Raben mit hartem Schrei. Ihr Schatten streift an der Hirschkuh vorbei Und manchmal sieht man sie mürrisch rasten.

Oh! como eles perturbam o castanho sossego, No qual um campo se exalta, Como uma mulher que um grave pressentimento enfeitiça, E, às vezes, podem ouvir-se estrilar,

O wie sie die braune Stille stören, In der ein Acker sich verzückt, Wie ein Weib, das schwere Ahnung berückt, Und manchmal kann man si keifen hören

Por causa do cheiro de uma carcaça que algures sentiram. E, de repente, dirigem o voo para norte E desaparecem, como um cortejo fúnebre, Na atmosfera que estremece de volúpia.

Um ein Aas, das sie irgendwo wittern, Und plötzlich richten nach Nord sie den Flug Und schwinden wie ein Leichenzug In Lüften, die von Wollust zittern.

1 - TRAKL, GEORG. (2008). Das dichterische Werk: Auf Grund der historisch-kritischen Ausgabe. Editores: Walther Killy e Hans Szklenar. Munique. Deutscher Taschenbuch Verlag.


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25.9.2017 segunda-feira

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cidade ecrã Rui Filipe Torres*

O corpo nu

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ÉLIA Correia escreveu “ADOECER”, uma tragédia contemporânea que fala da insanidade e da dor dos amantes irredutíveis, e da arte, esse lugar da exceção, da insanidade da radicalidade da vida arrancada para fora da convenção perante o mundo também ele doente, pesa embora o amparo da vida comum esperada, quase higiénica, civilizada, onde afinal a doença também cresce, sempre mas mais modesta, menos catártica, mais aceitável, comedida. “ ADOECER” esteve em cena entre os dias 15 e 18 na Sala de Ensaio do CCB com encenação e dramaturgia assinada pelo Miguel Jesus, numa coprodução do teatro “ O BANDO com o Centro Cultural de Belém. O tom geral é do ausência de luz, os corpos a habitar o flagelo dos nervos sensíveis, nessa realidade telúrica da recusa da convenção que escava fundo o caminho do abismo no fio cortante das emoções com sangue dentro. A maquinaria expositiva coloca em cena a figura do narrador, que comenta e conduz a narrativa que nos fala da radicalidade da sua relação amorosa de Elizabeth Siddal, modelo, pintora e poetisa, com o pintor e poeta Dante Gabriel Rossetti, vivida na segunda metade do séc. XIX,

alicerçada com a figura do coral. Encena a prestação exemplar da heroína trágica, a mulher que assume e escolhe a derrota como fim, coadjuvada pelo protagonista, o pintor, na demanda iniciática do mito de Pigmalião, não já na forma do simulacro da estátua que se torna viva com o favor dos deuses do escultor cipriota, mas no da relação entre modelo e representação, mestre e iniciada, em que a arte ocupa a totalidade da vida. Vive-se a ruína da conformidade mimética entre modelo e representa-

A partir do romance de Hélia Correia Miguel Jesus dramaturgia e encenação Rui Francisco cenografia Jorge Salgueiro música Clara Bento e Sara Rodrigues figurinos e adereços João Neca assistência de encenação João Cachulo/ Contrapeso desenho de luz Raquel Belchior produção Nisa Eliziário assistência de produção Com Catarina Câmara, Miguel Moreira, Sara De Castro e convidados especiais Antónia Terrinha/ Juliana Pinho, Bibi Gomes/ Raul Atalaia, Carolina Bettencourt /Rita Brito, Nélson Boggio/ Guilherme Noronha, Nuno Nunes, Paulo Campos dos Reis/ João Neca, Ricardo Soares/ Miguel Jesus e Rui M Silva músicos Carlos Lourenço, Eurico Cardoso e Nélson Ferreira (ao vivo) e Bizarra Locomotiva (gravado) Coprodução | Teatro O Bando | Centro Cultural de Belém

Esse lugar incivilizado onde cresce a febre

ção. O corpo táctil é o objecto artístico na sua eficácia do desejo, da dimensão erótica-sexual transgressiva dos modelos socialmente aceites como padrão da relação amorosa. O abismo da morte é pré-anunciado, e a maquinaria cénica e interpretativa consume esse anúncio e fim adivinhado. Aristóteles , no que nos chegou da sua “Poética”, diz-nos que a “ tragédia é a imitação de uma ação elevada, dotada de extensão, numa linguagem embelezada por formas diferentes em cada uma das suas partes, que serve da ação e não da narração e que, por meio da compaixão e do temor, provoca a purificação de tais paixões”.1 O texto e a dramaturgia, bem como trabalho corporal dos actores, segue com exemplaridade esta definição proposta e até hoje aceite. A encenação é criativa e eficiente, nos desempenhos tem particular destaque a protagonista Catarina Câmera, com um diapasão expressivo da mais interior contenção à explosão catártica, num encontro conseguido entre o movimento coreografado da dança contemporânea com expressão e carga emocional que remete para o teatro de texto. De igual modo o trabalho físico do actor Miguel Moreira, na fronteira do hiper acting, é um esforço assinalável assim como

o desempenho a todos os títulos superlativo da narradora Sara Castro. O contexto da narrativa é o núcleo mítico do movimento pré-rafaelita inglês. O texto de Hélia Correia tem como eixo de partida a pintura “Ophelia” (1852) de John Everett Millais. Por aqui percorrem sombras de Shakespeare, da Beatriz de Dante Alighieri, na construção do texto que tem como figura central Elizabeth Eleanor Sidda/Lizzie, a modelo do quadro “Ophelia”. Importa uma nota final sobre os músicos actores em palco, e música gravada, uma partitura que vai do clássico ao rock gótico, sem esforço, servindo sempre com eficácia a proposta estética e dramatúrgica. Onde entra o cinema? É uma pergunta que pode ser feita dado ser esse o foco do que aqui escrevo. No trabalho de luz e sombra a matéria primeira do cinema, na contaminação com o cinema expressionista e ao cinema “noir”. Numa cena do coro, um actor mimetiza os movimentos de Boris karloff no monstro Frankenstein ( 1931) , ou ao cinema de Jean Cocteau, de “ The Blood of a Poet” (1930), “Beauty and The Beast” (1946). Que o cinema contamina todas as artes e a vida, não é revelação nova. No “ ADOECER” de Hélia Correia e nesta encenação e dramaturgia do Miguel Jesus, o corpo nu é o lugar do incivilizado, que ameaça e é ameaçado pelo corpo social estabelecido na sua radical afirmação. Inflama-se a si mesmo e coloca-se em estado febril da doença. Ousa deslocar o lugar do vício e da virtude, torna-se ameaça, uma quase impossibilidade nestes nossos quotidianos ordenados, limpos sempre que possível de bactérias e vírus que possam ameaçar o bom comportamento social. No entanto a vida hospitalar também não se aconselha, os hospitais são territórios contaminados, é imperioso fugir a todo o custo. A Doença é dupla, tem lugar na sociedade com cartografia emocional com legitimação assegurada em guichés de bons comportamentos e na radicalidade dos nervos contaminados por sangue desobediente. É neste paradoxo que se caminha, e a função da tragédia, como Aristóteles nos disse, “é provocar a purificação de tais paixões” . A mais recente criação do teatro “ O bando” , fala-nos disso, com excelente mestria artística. 1 - Aristóteles, Poética, pág.49,50, Edição Fundação Calouste Gulbenkian, 2015 ISBN 978-972-31-1077-7 * - Cineasta. Licenciado em Ciências da Comunicação pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Mestrando em Desenvolvimento de Projecto Cinematográfico na Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa. O texto não segue o novo acordo ortográfico.


desporto 17

segunda-feira 25.9.2017

O jogo da soberania

lidade de Macau ser o centro de preparação dos atletas portugueses para os Jogos Olímpicos e Para-Olímpicos de Tóquio, que se realizam em 2020. “Os governantes concordaram que Macau tem condições únicas para ajudar na preparação das selecções olímpica e para-olímpica portuguesa para os Jogos Olímpicos Tóquio 2020”, foi sublinhado. Esta possibilidade seria uma repetição da estratégia de preparação da selecção masculina de hóquei em patins, que fez parte da preparação para o mundial da modalidade em Macau. O torneio, que se realizou no início deste mês, foi disputado em Nanjing, e no final Portugal acabou num segunda lugar, após ter perdido, nas grandes penalidades, o encontro decisivo diante da rival Espanha. Do encontro de governantes, ficou também em cima da mesa a hipótese de equipas de Lisboa, Porto e Coimbra participarem no próximo Festival Juvenil Internacional de Dança, em Macau. O evento acontece de dois em dois anos, e Alexis Tam explicou ao ministro português que seria uma boa oportunidade para que os jovens do país europeu conhecessem melhor a cultura de Macau.

Macau vai receber partida de futebol China-Portugal em 2019

M

ACAU vai ser o palco de um encontro entre a selecções de futebol de Portugal e a China, em 2019, no âmbito do 40.º aniversário do restabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países e do 20.º aniversário da transferência de soberania de Macau. A informação foi avançada, na sexta-feira, pelo gabinete do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam. O comunicado foi feito depois de um encontro, na quarta-feira, entre o governante de Macau e o Ministro da Educação português, Tiago Brandão Rodrigues, que também tutela o desporto. “Ambos os governantes expressaram o desejo de celebrar os 40 anos do restabelecimento das relações diplomáticas entre a China e Portugal, que se celebra em 2019 e que coincide com os 20 anos da RAEM, através do desporto, nomeadamente de um jogo entre as selecções chinesa e portuguesa a realizar em Macau”, pode ler-se no comunicado.

O primeiro encontro [entre Portugal e a China] foi em Maio de 2002, em Macau, na preparação para o Mundial da Coreia do Sul e do Japão. Na altura, Portugal venceu por 2-0, com golos de Nuno Gomes e Pauleta

Anteriormente, as duas selecções defrontaram-se em duas ocasiões. O primeiro encontro foi em Maio de 2002, em Macau, na preparação para o Mundial da Coreia do Sul e do Japão. Na altura, Portugal venceu por 2-0, com golos de Nuno Gomes e Pauleta. Esta foi uma partida que também ficou marcada pelo penálti desperdiçado por Rui Costa. Porém o Mundial acabou por ser de má memória para os portuguesas, com a equipa

orientada por António Oliveira a ser eliminada na fase de grupos. O outro encontro foi disputado no Estádio Municipal de Coimbra, em Março de 2010, e a selecção portuguesa voltou a vencer por 2-0. Hugo Almeida, aos 35 minutos, e Liedson – que tinha substituído Cristiano Ronaldo –, aos 90 minutos, foram os marcadores de serviço.

PREPARAÇÃO OLÍMPICA

Ainda no âmbito desportivo, os governos discutiram a possibi-

Benfica de Macau Meireles assina pelo Gibraltar United

Marco Meireles, médio que actuou pelo Benfica de Macau nas últimas três épocas, assinou pelo Gibraltar United FC. Em declarações ao HM, o atleta de 27 anos explicou que a mudança se prendeu principalmente com duas razões: a maior competitividade da liga do território britânico ultramarino e o facto do campeonato de Macau apenas ter sete meses de duração. Esta é a segunda vez que Meireles tenta a sua sorte em Gibraltar, depois de uma experiência de um mês, no ano passado, ao serviço do Mons Calpe. O clube com que o atleta assinou por um ano tem como principal investidor Michel Salgado, antigo lateral do Real Madrid, e os objectivos passam por lutar pelo título e respectivo apuramento para as competições europeias. Ao HM, Meireles expressou o desejo de regressar ao Benfica no futuro, dizendo que a despedida se trata de um “até já”.

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EDITAL

EDITAL Edital n.º : 36/E-OI/2017 Processo n.º : 117/OI/2010/F Assunto :Demolição de obras não autorizadas pela infracção às disposições do Regulamento Geral de Construção Urbana (RGCU) Local :Istmo de Ferreira do Amaral n.º 60, Edf. Fong Nam, fracção 1.º andar A (CRP: A1), Macau. Cheong Ion Man, subdirector da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pelo Despacho n.º 12/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 38, II Série, de 23 de Setembro de 2015, faz saber que fica notificada Chow On Nei, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado realizaram-se as obras não autorizadas abaixo indicadas, as quais infringiram o disposto no n.º 1 do artigo 3.º do Decreto-Lei n.º 79/85/M (RGCU) de 21 de Agosto, alterado pela Lei n.º 6/99/M de 17 de Dezembro e pelo Regulamento Administrativo n.º 24/2009 de 3 de Agosto, pelo que as mesmas são consideradas ilegais: Obra 1.1 Instalação de uma pala metálica na parede exterior junto à fracção. 1.2 Demolição da parede exterior e das janelas de vidro junto à fracção. 2. De acordo com os artigos 93.º e 94.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, foi realizada, no seguimento de notificação por edital publicado nos jornais em língua chinesa e em língua portuguesa de 22 de Março de 2017, a audiência escrita dos interessados, mas estes não apresentaram qualquer resposta no prazo indicado e não foram carreados para o procedimento elementos ou argumentos de facto e de direito que pudessem conduzir à alteração do sentido da decisão de ordenar a demolição das obras não autorizadas acima indicadas. 3. Assim, nos termos do artigo 52.º do RGCU e no uso das competências delegadas pela alínea 6) do n.º 1 do Despacho n.º 12/ SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da RAEM n.º 38, II Série, de 23 de Setembro de 2015, por despacho de 15 de Setembro de 2017 exarado sobre a informação n.º07545/DURDEP/2017, ordena aos donos das obras ou seus mandatários que procedam, por sua iniciativa, no prazo de 15 dias contados a partir da data da publicação do presente edital, à demolição das obras acima indicadas e à reposição do local afectado, devendo, para o efeito e com antecedência, apresentar nesta DSSOPT o pedido da respectiva demolição, cujos trabalhos só podem ser realizados depois da sua aprovação. A conclusão dos referidos trabalhos deverá ser comunicada à DSSOPT para efeitos de vistoria. 4. Findo o prazo estipulado, não será aceite qualquer pedido de demolição ou de legalização das obras acima mencionadas. De acordo com o n.º 2 do artigo 139.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se ainda que nos termos do artigo 56.º do RGCU, findo o prazo referido, a DSSOPT, em conjunto com outros serviços públicos e com a colaboração do Corpo de Polícia de Segurança Pública, procederá à execução dos trabalhos acima referidos, sendo as despesas suportadas pelos infractores, sem prejuízo da aplicação de multas ao abrigo das leis aplicáveis e da eventual responsabilidade civil ou criminal a imputar aos mesmos. Além disso, findo o prazo da demolição e da desocupação voluntárias, a DSSOPT dará início aos trabalhos de demolição e de desocupação, os quais, uma vez iniciados, não podem ser cancelados. 5. Nos termos do n.º 1 do artigo 65.º do RGCU, os infractores são sancionáveis com multa de $1 000,00 a $20 000,00 patacas. 6. Nos termos dos artigos 145.º e 149.º do Código do Procedimento Administrativo, os interessados podem apresentar reclamação no prazo de 15 (quinze) dias contados a partir da data da notificação. 7. Nos termos do n.º 1 do artigo 59.º do RGCU e do n.º 4 do Despacho n.º 12/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da RAEM n.º 38, II Série, de 23 de Setembro de 2015, da decisão referida no ponto 3 do presente edital cabe recurso hierárquico necessário para o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a interpor no prazo de 15 dias contados a partir da data da notificação. RAEM, 15 de Setembro de 2017 Pelo Director dos Serviços O Subdirector Cheong Ion Man

Edital n.º :114/E-BC/2017 Processo n.º :328/BC/2016/F Assunto :Demolição de obra não autorizada pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Local :Istmo de Ferreira do Amaral n.º 60, Edf. Fong Nam, fracção 1.º andar A (CRP: A1), Macau. Istmo de Ferreira do Amaral n.º 60, Edf. Fong Nam, fracção 1.º andar C (CRP: C1), Macau. Cheong Ion Man, subdirector da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pelo Despacho n.º 12/ SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 38, II Série, de 23 de Setembro de 2015, faz saber que ficam notificadas a proprietária da fracção 1.º andar A (CRP: A1) Chow On Nei e a proprietária da fracção 1.º andar C (CRP: C1) Chow On Na, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que nos locais acima indicados realizaram-se as seguintes obras não autorizadas: Fracção Andar CRP 1.1 1.2

A

1

C

1

1.3 1.4 1.5

Obra

Construção de um compartimento com cobertura metálica, cobertura em betão, paredes em alvenaria de tijolo, suporte metálico, pala metálica, gradeamento metálico e janelas de vidro no pódio junto às janelas da fracção. A1 Instalação de um portão metálico, gradeamento metálico e janelas de vidro e construção de paredes em alvenaria de tijolo na parede exterior junto às janelas da fracção. Construção de um compartimento com guarda metálica, paredes em alvenaria de tijolo, gradeamento metálico, cobertura metálica e sistema de abastecimento de água no pódio junto às janelas da fracção. C1 Construção de um compartimento com guarda metálica, paredes em alvenaria de tijolo, pala metálica e sistema de abastecimento de água no pódio junto às janelas da fracção. Instalação de um portão metálico na entrada e saída da fracção.

Infracção ao RSCI e motivo da demolição Obs.2 Obs.2 Obs.2 Obs.2 Obs.1

Obs.1: Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de evacuação. Obs.2: Infracção ao n.º 12 do artigo 8.º, obstrução do acesso aos pontos de penetração no edifício. 2. De acordo com o n.º 1 do artigo 95.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M, de 9 de Junho, foi realizada, no seguimento de notificação pelo ofício n.º 13759/ DURDEP/2016 de 7 de Outubro de 2016 e por edital publicado nos jornais em língua chinesa e em língua portuguesa de 22 de Março de 2017, a audiência escrita dos interessados, mas estes não apresentaram qualquer resposta no prazo indicado e não foram carreados para o procedimento elementos ou argumentos de facto e de direito que pudessem conduzir à alteração do sentido da decisão de ordenar a demolição das obras não autorizadas acima indicadas. 3. Sendo as escadas, corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI. Além disso, as janelas e varandas acima referidas são consideradas acessos em caso de operações de salvamento de pessoas e de combate a incêndios, não podendo ser obstruídos com elementos fixos (gaiolas, gradeamentos, etc.), de acordo com o disposto no n.º 12 do artigo 8.º do RSCI. Assim, nos termos do n.º 1 do artigo 88.º do RSCI e no uso das competências delegadas pela alínea 6) do n.º 1 do Despacho n.º 12/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da RAEM n.º 38, II série, de 23 de Setembro de 2015, por despacho de 15 de Setembro de 2017, exarado sobre a informação n.º07549/DURDEP/2017, ordena aos donos das obras ou seus mandatários acima indicados que procedam, por sua iniciativa, no prazo de 8 dias contados a partir da data da publicação do presente edital, à demolição das obras acima indicadas e à reposição dos locais afectados, bem como à remoção de todos os materiais e equipamentos neles existentes e à respectiva desocupação, devendo, para o efeito e com antecedência, apresentar nesta DSSOPT o pedido de demolição das obras ilegais, cujos trabalhos só podem ser realizados depois da sua aprovação. A conclusão dos referidos trabalhos deverá ser comunicada à DSSOPT para efeitos de vistoria. 4. Findo o prazo estipulado, não será aceite qualquer pedido de demolição das obras acima mencionadas. De acordo com o n.º 2 do artigo 139.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se ainda que nos termos dos n.os 1 e 2 do artigo 89.º do RSCI, findo o prazo referido, a DSSOPT, em conjunto com outros serviços públicos e com a colaboração do Corpo de Polícia de Segurança Pública, procederá à execução dos trabalhos acima referidos, sendo as despesas suportadas pelos infractores. Além disso, findo o prazo da demolição e da desocupação voluntárias, a DSSOPT dará início aos trabalhos de demolição e de desocupação, os quais, uma vez iniciados, não podem ser cancelados. Os materiais e equipamentos deixados nos locais acima indicados ficam aí depositados à guarda de um depositário a nomear pela Administração. Findo o prazo de 15 (quinze) dias a contar da data do depósito e caso os bens não tenham sido levantados, consideram-se os mesmos abandonados e perdidos a favor do governo da RAEM, por força da aplicação do artigo 30.º do Decreto-Lei n.º 6/93/M, de 15 de Fevereiro. 5. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas, e nos termos do n.º 7 do mesmo artigo, a infracção ao disposto no n.º 12 do artigo 8.º, é sancionável com multa de $2 000,00 a $20 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração e/ou de segurança do edifício. 6. Nos termos do n.º 1 do artigo 97.º do RSCI e do n.º 4 do Despacho n.º 12/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da RAEM n.º 38, II série, de 23 de Setembro de 2015, da decisão referida no ponto 3 do presente edital cabe recurso hierárquico necessário para o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a interpor no prazo de 8 (oito) dias contados a partir da data da publicação do presente edital. RAEM, 15 de Setembro de 2017 Pelo Director dos Serviços O Subdirector Cheong Ion Man


18 (f)utilidades TEMPO

25.9.2017 segunda-feira

?

AGUACEIROS

O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente

EXPOSIÇÃO | “A MÃO ESCREVENDO SOBRE O OLHAR”– JORGE BARRETO XAVIER Albergue SCM até quinta-feira

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CINEMA | CICLO DE FILM NOIR Cinemateca Paixão | Até segunda-feira EXPOSIÇÃO | “CHILDREN´S ART LAND” Armazém do Boi | Até quarta-feira EXPOSIÇÃO | “REPRESENTAÇÕES DA MULHER” Museu de Arte de Macau EXPOSIÇÃO “CONSTELLATION” DE NICOLAS DELAROCHE Galeria do Tap Seac | Até 08/10

O CARTOON STEPH

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 128

PROBLEMA 129

UM LIVRO HOJE

SUDOKU

DE

C I N E M A

YUAN

PÊLO DO CÃO

EXPOSIÇÃO | “WHATEVER YOU MAKE, MAKE IT YOURS” Creative Macau | Até sábado

Cineteatro

0.24

Ao contrário de uma locomotiva, que se cinge aos carris, a vida de quem parte para fazer lar noutro continente segue um caminho imprevisto. Aproxima-se o meu primeiro retorno a Lisboa, aos rostos e locais de sempre, ao conforto da família e amigos e germina uma sensação de estrangeirismo que nunca senti antes. Lisboa era a cidade de onde partia para retornar. Na próxima semana será destino em vez de proveniência, o inverso no preenchimento de um envelope identitário. Tenho adiado esta reflexão e também não a vou verter nesta coluna, pois será algo que se vai construir e mutar de uma forma que não consigo prever. Uma vertigem sem carril que rasgará paisagens a toda a brida, uma espada de luz que cortará tempo e espaço. Fica uma centelha do caminho que se avizinha, como uma distorção temporal do domínio da física quântica. Quanto tempo passou exactamente? Talvez uma Era Geológica. Sinto-me milenar neste final de semana (sim, esta coluna é escrita antes de sair, o tempo ainda não está tão maleável quanto isso). Tenho a sensação de que o meu cabelo e as minhas unhas crescem mais depressa aqui, que o tempo anda a galope até se distorcer como se estivesse à beira do evento do horizonte, a espreitar para um buraco negro. Talvez tenha morrido mil vezes e outras mil ressuscitado por orquestras de berbequins, embalado em sonhos de mandarins. Talvez o tempo pare e desapareçam todos os carris, todas as barreiras, todas as fronteiras e da pouca terra nasça outro continente dentro de mim. João Luz

RIO DERRADEIRO | CARLOS DIOGO SANTOS E AURÍLIO NASCIMENTO

Escrito pelo jornalista português Carlos Diogo Santos e pelo investigador brasileiro Aurílio Nascimento, Rio Derradeiro relata os passos da investigação que aponta Duarte Lima, advogado e ex-político do PSD, como o autor do homicídio de Rosalina Ribeiro. Através de uma escrita fluida e com excertos da investigação, conduzida pelo próprio Aurílio Nascimento, são apresentadas ao leitor as principais provas do crime, cometido no Brasil. O julgamento foi transferido para Portugal, mas apesar do homicídio ter acontecido em Dezembro de 2009, ainda não tem data marcada. HM KINGSMAN: THE GOLDEN CIRCLE SALA 1

KINGSMAN: THE GOLDEN CIRCLE [C] Fime de: Matthew Vaughn Com: Colin Firth, Julianne Moore, Halle Berry, Channing Tatum 14.15, 16.45, 21.45

KINGSMAN: THE GOLDEN CIRCLE [3D] [C] Fime de: Matthew Vaughn Com: Colin Firth, Julianne Moore, Halle Berry, Channing Tatum 19.15

SALA 2

IT [C] Fime de: Andrés Muschietti Com: Bill Skarsgard, Jaeden Lieberher, Jeremy Ray Taylor 14.15, 16.45, 19.15, 21.45 SALA 3

TAXI DRIVER [C] Fime de: Jang Hoon Com: Song Kang-ho, Thomas Krestchmann, Yoo Hai-jin 14.15, 16.45, 19.15, 21.45

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores António Cabrita; Anabela Canas; Amélia Vieira; António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; João Maria Pegado; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Fernando Eloy; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 19

segunda-feira 25.9.2017

reencarnações

Trabalhador de construção

MAXIMILIEN LUCE, BUILDING SITE (PORMENOR)

JOÃO LUZ

Q

UERO subir um andaime até às estrelas e refazer a abóbada celeste com cimento e cristal, evadir, ascender, seguir a verticalidade de todos os edifícios que construo e sair desta cidade que me despreza. Viver a história do alpinista João Pé de Feijão. Esculpi Macau com escopo e martelo, moldei esta cidade com a força dos meus ossos. Sem mim, os sonhos e projectos dos arquitectos não passariam de ficheiros de computador, gravuras em papel, ideias desprovidas de materialidade. Eu dou forma às coisas, torno-as possíveis, sou o agente da criação, da génese urbana. Sou o estabelecimento, a forja, a realização. Esta cidade foi feita com o meu suor e sangue, sou a concretização, o cumprimento objectivo como na canção do Chico. Nos dias livres amei e beijei todas as mulheres que pude como se fossem as derradeiras, trepei andaimes

como se fosse máquina, tornei a multiplicidade de tijolos na singular parede mágica e estatelei-me no chão como um vazo rachado, caco de matéria, estilhaço. Morri por todos vós para ser esquecido, substituído por outra insignificante formiga, mais um número na estatística, polpa esmagada debaixo da assassina viga. Sou um imigrante, um dos peões desta engenhosa tragédia, mal pago, sem representação, de olhos vidrados na sucessão de tsingtaos, inabalável na missão que tenho que cumprir para levar algum conforto à família, a minha fundação, os meus caboucos de afecto. Sou transitoriedade deixando solidificação definitiva para trás. Vendi a minha alma num contrato de sub-empreitada. Morro no anonimato, esquecido, enquanto a obra prossegue, porque a obra sempre prossegue, a construção não tem fim. Sou maestro de orquestras de pneumáticos e berbequins, da percussão martelada em ferro e pedra. Fiz pirâmides e túneis, Babel e Eifell, Muralha da China e Muro de Berlim, Taj Mahal e Coliseu. Deixo no meu encalço palácios e barracões, enquanto morro por um punhado de tostões. Sou joguete no xadrez menor das politiquices. Querem que eu seja local, legalizado e imortal, a derradeira manifestação de um

operariado em vias de extinção, o último dos que sujam as mãos. Querem que eu seja em número estável, mesmo que haja menos obras, que se edifique menos. Nos meus sonhos fantasio com bolas de demolição, com supernovas de dinamite a transformar tijolo, ferro e pedra em farinha. Imagino rios de lava a derreter fundações, a fundir as entranhas da cidade. Projecto tufões e natureza exterminadora que terraplene a cidade de regresso à virginal superfície plana. Tabula Rasa, o retorno à origem antes da intervenção do Homem, virgindade urbana estendida um horizonte longíquo. Quero aplanar e envernizar, tornar suave todas as arestas da cidade, limpar tudo, eliminar o ensurdecedor ruído físico.

Vivo de empreitada em empreitada, na esperança que da mesa do poder caia uma migalha que me sustente. Quero viver mais, ter carne de cimento, artérias de viga e sangue de ferro

Anseio desmontagem, decomposição de elementos, fugir da tirania da estrutura e focar-me no mais ínfimo átomo, analisá-lo e amar a sua singularidade. Sonho compreender Derrida e a psicanálise, quero deitar todos os edifícios num divã e escalpelizá-los com minúcia. Depois de tudo isso, quero dinamitar toda esta cidade, retornar ao zero, reduzir a escombros as réplicas de outras construções que existem espalhadas por Macau. Olhem para mim, vejam como estão as minhas mãos, os meus olhos cheios de pó. Apesar de construir posteridade, não tenho futuro. Vivo de empreitada em empreitada, na esperança que da mesa do poder caia uma migalha que me sustente. Quero viver mais, ter carne de cimento, artérias de viga e sangue de ferro. Sou uma estrutura inabalável que conquista metros ao céu, um deus de bambu que une terra e ar, criador de estruturas onde habitam as outras criações. Sou casa, igreja, cárcere, escola, hospital, sou o cemitério onde vou descansar. Exijo que parem de me usar como arma de arremesso político e que reconheçam o meu papel, quem eu sou e o que trago a Macau. Respeitem-me! A minha vida pode ser descartável como o bambu, mas de mim emana a eternidade.


O Governo com medo da sua sombra.

Tesoura das ilhas

TIMOR-LESTE RETIDOS NAVIOS CHINESES QUE PESCARAM TUBARÃO

A

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Federação das Associações dos Trabalhadores da Função Pública de Macau realizou ontem um seminário sobre a eficiência de funcionamento dos serviços públicos, onde participaram académicos de outras regiões. Cheung Chi Kong, director-executivo do Centro da Pesquisa sobre “Um País, Dois Sistemas” de Hong Kong disse que, não só em Macau e na região vizinha, mas em todo o mundo, a administração de serviços públicos está a atravessar um período de dificuldades. Sobre o sistema económico, Cheung Chi Kong lembrou que a desproporção de rendimentos tem vindo a piorar nos últimos 20 anos, o que, na sua visão, tem influenciado o sistema político. Este factor tem vindo também a dificultar a administração dos governos, acrescentou. Na opinião do académico, os governos de todo o mundo devem compreender as solicitações da população e proporcionar uma resposta o mais rapidamente possível. Cheung Chi Kong lembrou que os governos devem olhar também para o factor responsabilidade, pois “a demissão dos funcionários públicos não é aquilo que os cidadãos desejam; estes querem um Governo que faça bem os seus trabalhos”. Wang Jingbo, professora da Universidade Chinesa de Ciência Política e Direito, apresentou o estudo focado no processo de divulgação das informações na Função Pública, desenvolvido no interior da China e que, segundo a académica, melhorou o funcionamento da administração pública no continente. A docente considerou ainda que a proposta pode ser aplicada em Macau e em todo o mundo, uma vez que sugere um acesso mais facilitado dos cidadãos aos serviços públicos. Ainda assim, Wang Jingbo alertou para a necessidade de implementar legislação que possa regulamentar esse acesso. V.N.

Águas estagnadas

O

Governo timorense suspendeu ontem as licenças de uma frota de navios chineses apanhada a pescar tubarão em águas timorenses, enquanto conduz investigações para determinar se a empresa cumpriu todos os critérios legais. O ministro da Agricultura e Pescas timorense, Estanislau da Silva, disse à Lusa que enquanto decorrem as investigações, conduzidas com base em informações fornecidas pelo Governo indonésio, “os navios estão proibidos de sair do porto de Carabela” na costa norte do país. A decisão de suspensão deve-se, explicou, apenas a aspectos relacionados com a própria empresa e não ainda com a actividade de pesca em Timor-Leste, nomeadamente a captura de toneladas de tubarão confirmada numa rusga efetuada este mês. “Recebemos informações detalhadas da Indonésia sobre a empresa e daí tomei a liberdade como ministro competente de suspender as actividades da companhia, no sentido de se fazer uma investigação detalhada sobre o registo dos barcos de pesca e a ligação da empresa com outros existentes que tenham estado envolvidos em actividades de pesca ilegal”, explicou o governante. No essencial, disse, trata-se de determinar “se as embarcações estiveram envolvidas no passado em pesca ilegal”, algo que em Timor-Leste não é permitido, ou se “estão registadas em mais do que um país, algo que também não é permitido”. Se os navios respeitaram, ou não, a licença que lhes foi concedida é

JAKE PARKER

SEMINÁRIO DIFICULDADES E DESAFIOS DA FUNÇÃO PÚBLICA

da companhia para se aprofundar as investigações nesta área. Comuniquei o caso ao primeiro-ministro esta manhã e alertei o ministro da Defesa e Segurança para não deixar nenhum barco sair do porto de Carabela”, sublinhou. O ministro disse que, no caso da pesca do tubarão, o Governo fará respeitar a lista de espécies protegida, que é “muito abrangente” e inclui espécies cobertas pela Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora (CITES) e ainda as listadas na Indonésia e na Austrália.

SEM DÓ

outra questão que só será determinada depois de concluída uma investigação detalhada, que está actualmente a ser conduzida por técnicos do Ministério. “Actualmente está no porto de Carabela a polícia de investigação juntamente com os responsáveis das pescas para averiguar com mais profundidade a veracidade das informações que recebemos. Se se tratar de crime serão tomadas outras medidas”, referiu.

DÉJÀ VU

A acção do Governo surgiu depois da segunda polémica, este ano, com navios das empresas chinesas

Hong Long Fisheries e Pingtan Marine Entreprises e que têm, desde meados de Novembro de 2016, uma licença de um ano para operar em águas timorenses. No passado dia 8 de Setembro, os navios voltaram a ser apanhados a pescar tubarão durante uma operação conduzida em conjunto pela polícia timorense e pela organização ambiental Sea Shepherd. A operação envolveu o navio Ocean Warrior da Sea Sheperd que com lanchas rápidas ajudou a transportar efectivos da Polícia Nacional de

“Actualmente está no porto de Carabela a polícia de investigação juntamente com os responsáveis das pescas para averiguar com mais profundidade a veracidade das informações que recebemos. Se se tratar de crime serão tomadas outras medidas” ESTANISLAU DA SILVA MINISTRO DA AGRICULTURA E PESCAS TIMORENSE

Timor-Leste (PNTL) que efectuaram a rusga no interior das embarcações. Já em Fevereiro, a Lusa tinha noticiado que os navios estavam a pescar ilegalmente tubarão, o que levou o Governo timorense a anunciar uma investigação interministerial que, em Abril, deliberou aplicar aos 15 navios uma multa de 500 dólares cada. Estanislau da Silva reconheceu que o “licenciamento de pescas à companhia chinesa Hong Long tem sido polémico, objecto de comentários e de suspeitas”, mas quando a licença foi concedida tudo estava dentro da lei. “Na altura concedemos as licenças mediante a informação que nos foi submetida e com base nessa documentação e declarações da própria companhia decidimos atribuir a licença, mas acautelando sempre que devia cumprir as leis”, disse. “Agora recebemos informação detalhada da Indonésia e por isso mandei suspender as actividades

segunda-feira 25.9.2017

O governante reconheceu ainda não se saber ao certo o que está a bordo e que só agora está a ser feita uma “inspeção detalhada”. A lei prevê medidas que vão desde coimas à apreensão de navios ou suspensão da licença, estando igualmente em curso uma investigação adicional conduzida pelo Ministério Público, acrescentou. “Estamos muito empenhados em proteger os nossos recursos marítimos e não tomaremos meias medidas se verificarmos que houve violação ou não foi cumprida a lei”, garantiu. O ministro admitiu que este caso mostrou a necessidade de reforçar os meios de Timor-Leste para “inviabilizar a pesca ilegal” nas águas timorenses que, garantiu, se reduziu com a presença dos navios chineses licenciados. “Precisamos de ter meios reforçados de patrulha. Espero poder acionar mecanismos com os nossos vizinhos na Austrália e na Indonésia sobre esta questão”, disse. “Temos que diversificar a nossa economia, mas não o podemos fazer em detrimento dos recursos naturais de que o país dispõe. Isso é uma preocupação muito grande do Governo. Vamos a todo o custo encontrar soluções que acomodem esses dois aspectos”, referiu ainda. Lusa


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Hoje Macau 25 SET 2017 #3903 by Jornal Hoje Macau - Issuu