DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
MOP$10
WWW.HOJEMACAU.COM.MO
Q U I N TA - F E I R A 2 4 D E A B R I L D E 2 0 1 4 • A N O X I I I • N º 3 0 7 6
hojemacau 92,3%
KIANG WU RECEBEU DO DINHEIRO DO GOVERNO PARA A SAÚDE
Eles comem tudo
Coutinho contra novo contrato da Função Pública POLÍTICA PÁGINA
2
Japão militariza-se como não fazia há quatro décadas CHINA PÁGINA
8
“
FERNANDO MEIRA
Com Ronaldo somos candidatos ao Mundial PÁGINAS 14 E 15
PUB
PÁGINA 5
AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
PUB
ENTREVISTA
POLÍTICA
O Governo quer “uniformizar” a contratação na Função Pública criando o novo contrato administrativo de provimento, que deverá substituir o contrato além do quadro e de assalariado. Mas os deputados criticaram o facto dos contratos-tarefa e de prestação e aquisição de serviços ficarem de fora
NOVO REGIME DE CONTRATO DE TRABALHO NOS SERVIÇOS PÚBLICOS VOTADO NA AL
Cobertor curto TIAGO ALCÂNTARA
2
ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
J
OSÉ Pereira Coutinho e Leong Veng Chai foram os únicos deputados a votar contra o regime de contrato de trabalho nos serviços públicos, proposta de lei votada ontem na generalidade da Assembleia Legislativa (AL). O novo diploma, que vai agora ser analisado na especialidade, pretende, segundo o Executivo, “uniformizar” a contratação na Função Pública.
“Esta lei não abrange nem metade dos funcionários públicos, isto é alguma proposta de lei para se apresentar no hemiciclo? Gostaria de saber qual o seu objectivo” PEREIRA COUTINHO Deputado
hoje macau quinta-feira 24.4.2014
Os actuais contratos além do quadro e assalariado podem vir a ser substituídos pelo novo contrato administrativo de provimento, devendo, contudo, continuar a ser renovados de dois em dois anos, ou em cinco anos, em casos especiais. Pretende-se ainda criar o regime de recontratação para quem já saiu da Função Pública, bem como um novo regime de mobilidade. O facto desta proposta de lei não incluir os contratos tarefa, de aquisição e prestação de serviços, deixando ainda de fora do seu âmbito sete organismos públicos, com leis próprias, gerou muita contestação no hemiciclo. “Esta lei não abrange nem metade dos funcionários públicos, isto é alguma proposta de lei para se apresentar no hemiciclo? Gostaria de saber qual o seu objectivo”, questionou Coutinho. Florinda Chan, Secretária para a Administração e Justiça, explicou o porquê da não inclusão destes contratos. “Temos de nos voltar para a natureza do contrato que se pretende regular. Estes contratos de tarefa ou prestação de serviços não entram na Função Pública, são apenas para tarefas específicas que precisam de ser asseguradas.” Em relação à necessidade de continuar a renovar periodicamente os novos contratos, a Secretária explicou que “a sua natureza continua a ser contratual e tem de ter uma duração. Temos de prever um prazo porque não estamos perante um funcionário do quadro”. “Estamos a uniformizar os dois contratos, e quanto a regalias, direitos e deveres, vão ser uniformes”, disse ainda. Os deputados pediram alterações ao conteúdo da proposta de lei aquando da discussão da especialidade. Florinda Chan e José Chu, director dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP)
mostraram abertura a possíveis mudanças. “Estamos dispostos a ouvir as opiniões dos deputados, incluindo a introdução de algumas alterações”, disse Florinda Chan.
DESILUSÃO LEGISLATIVA
De fora da nova lei deverão ficar mais de sete mil funcionários públicos com contrato além do quadro, bem como cerca de quatro mil com contrato de assalariado. Segundo a Secretária, estes números não incluem os trabalhadores dos organismos especiais, como é o caso da Autoridade Monetária e Cambial (AMCM), Instituto de Promoção ao Comércio e Investimento (IPIM), Universidade de Macau (UM), Instituto Politécnico de Macau (IPM) ou o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), entre outros. Estes têm estruturas orgânicas próprias e normas de contratação de pessoal. Se Au Kam San acusou o Governo de estar a criar esta nova lei para “determinadas pessoas e determinados serviços”, Kwan Tsui Hang revelou estar “desiludida”. “Este regime só faz a fusão do contrato de assalariado e além do contrato, e aquilo que o Governo está a fazer é muita parra e pouca uva. Deve-se caminhar para a uniformização de direitos e deveres, e esta proposta continua a não conseguir saltar do panorama da renovação de contrato de dois em dois anos.” Já Ella Lei falou de “injustiças”. “O Governo não estudou seriamente sobre as questões levantadas. Já recebemos criticas de trabalhadores que não cometeram nenhum erro mas que foram avisados da não renovação do contrato, porque a lei o permite, e saem sem uma indemnização. O Governo deve alterar a situação de renovação de trabalho anual, se não esta proposta não vai ter grande significado.”
FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS COM AUMENTOS DE 5,71% A PARTIR DE MAIO
Governo garante estudar aumentos por categorias O S deputados aprovaram ontem na especialidade a proposta de lei que determina aumentos nos salários da Função Pública em 5,71% já a partir do próximo dia 1 de Maio, mas sem efeitos retroactivos. Contudo, os deputados voltaram a chamar a atenção para a necessidade de se criar um mecanismo de actualização salarial por categorias, algo que Florinda Chan, Secretária para a Administração e Justiça, garantiu já estar a ser estudado. “O Chefe do Executivo pediu
à comissão para fazer um estudo e que eu saiba a comissão já iniciou o estudo da actualização salarial por categorias. O Chefe do Executivo já referiu que a questão merece o nosso estudo e os trabalhos já estão a ser desenvolvidos.” José Pereira Coutinho pediu ainda “responsabilidade” ao Executivo, já que, na sua opinião, os aumentos ainda não estão de acordo com a realidade e a taxa de inflação. “A senhora Secretária pode fazer as contas e ver que a inflação é superior. O Governo deve
ser responsável e espero que da próxima vez, aquando da actualização dos vencimentos, espero que possa implementar a actualização por categorias.” No debate, Mak Soi Kun disse ainda que, mais do que aumentar os salários, é importante fomentar a promoção na Função Pública. “Entendemos que o Governo deve criar mais condições e oportunidades para a promoção dos Função Pública. Deve haver uma substituição dos directores para que os subordinados tenham uma subida ascendente.” - A.S.S.
política 3
TIAGO ALCÂNTARA
hoje macau quinta-feira 24.4.2014
Chui Sai Peng chama a atenção para os contratos de jogo, que vão sofrer uma renovação no próximo ano
CHUI SAI PENG PREOCUPADO COM OS CONTRATOS PÚBLICOS
ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
T
ÁXIS amarelos, recolha do lixo, fornecimento de canais televisivos. Os recentes contratos públicos assinados nestas áreas com empresas concessionárias são exemplo de como o Governo não soube analisar previamente o processo de renovação. A opinião é do deputado indirecto José Chui Sai Peng, que falou ontem no debate da Assembleia Legislativa (AL), no período antes da ordem do dia. “Os conteúdos dos contratos administrativos ou a renovação dos contratos à pressa foram alvo de crítica social. Não se verificam melhorias nem na concessão dos serviços de utilidade pública nem na renovação dos respectivos contratos, a par de, sucessivamente, surgirem problemas”, referiu o deputado. Segundo Chui Sai Peng, “é necessário aperfeiçoar o sistema de renovação dos contratos e respec-
C
HAN Meng Kam questionou ontem na Assembleia Legislativa (AL) os atrasos em diversos projectos de obras públicas em Macau, defendendo mudanças na Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT). “Muitas delas (obras) são presididas por equipas de projecto, e certos serviços são equiparados à direcção de serviços, que participam simultaneamente nestas obras. As respectivas atribuições são coincidentes, o que causará má eficácia administrativa.Aqualidade dos resultados também não é sempre a mesma, o que suscita uma série de questões”, destacou o deputado. Assim, prosseguiu Chan,
Governo não sabe nadar O deputado disse ontem no hemiciclo que são necessárias novas regras para os contratos para a prestação de serviços públicos em regime de exclusividade. Tudo para que a sua renovação seja analisada de forma prévia tivas cláusulas, para salvaguardar uma plena e efectiva fiscalização dentro do prazo do contrato, assegurando que os serviços de qualidade se mantenham”. Tudo para que “os residentes vejam salvaguardado o direito de acesso aos serviços públicos e que os direitos e interesses dos trabalhadores envolvidos não sejam prejudicados pelo facto de não se renovarem os contratos”.
Chui Sai Peng chama a atenção para os contratos de jogo, que vão sofrer uma renovação no próximo ano. Contudo, Francis Tam, Secretário para a Economia e Finanças, pouco adiantou sobre eventuais mudanças. “A avaliação intercalar sobre as várias concessionárias de jogo e os respectivos trabalhos de renovação dos contratos vão ter início. O eventual tratamento inadequado
do assunto terá grande impacto para a sociedade, economia e vida da população.” “Quanto à definição dos contratos de concessão de exploração de serviços de utilidade pública e de jogo, há que rever e actualizar os próprios diplomas.”
NOVAS CLÁUSULAS E DISPOSIÇÕES
A lei que define as regras de concessão de serviços de utili-
CHAN MENG KAM OBRAS PÚBLICAS PRECISAM DE MUDAR
Queridos aterros
dade pública e os princípios de concessão, direitos e responsabilidades está em vigor há cerca de 20 anos, pelo que Chui Sai Peng considera fundamental uma mudança. Devem-se “criar novos regimes jurídicos de concessão em regime de exclusividade”, com um “novo mecanismo” que deverá ser aplicado antes do contrato chegar ao fim. Tudo para “estudar, rever e avaliar as possíveis vantagens e desvantagens a ter na opção entre a renovação desse contrato e o lançamento de um novo concurso para a concessão a terminar”, justifica. Há ainda que “definir com rigor as cláusulas contratuais” e “estipular claramente as disposições transitórias”, para “prevenir a deterioração da qualidade do serviço das concessionárias em final de contrato”. “Os contratos devem estipular claramente cláusulas específicas para responsabilidades no período transitório”, defende o deputado.
a DSSOPT “pode ponderar em juntar os serviços com atribuições idênticas num só, e pode proceder a melhores planos para as obras públicas, com vista a elevar a eficácia administrativa e aumentar a capacidade de resolução de problemas”. “Olhando para os problemas suscitados nas obras de aterro para os cinco terrenos e noutras obras públicas, solicito ao Governo que reveja a actual estrutura da Secretaria para os Transportes e Obras Públicas, incluindo os seus serviços equiparados a direcção ou equipas de projecto”, disse ainda Chan Meng Kam.
O deputado falou dos atrasos das obras para os novos aterros, nomeadamente ao nível dos concursos públicos. “Macau tem falta de terrenos, mas passaram quatro anos e só em finais de 2012 é que o Governo levou a cabo a concessão de obras do aterro A. Segundo o contrato, o prazo das obras não devia ultrapassar os três anos, mas passado um ano não se verifica qualquer dinamismo ao nível do desenvolvimento dessa obra. Em relação às obras dos aterros das zonas B, C e D, não foram divulgadas nenhumas informações, sendo de facto baixo o grau de transparência deste plano de urbanização.” - A.S.S.
4 política
CECÍLIA LIN*
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
O
Governo Central está a estudar como implementar direitos para o uso das águas marítimas. Quem o diz é Li Gang, chefe do Gabinete de Ligação de Pequim na RAEM, em reacção ao discurso de Chui Sai
hoje macau quinta-feira 24.4.2014
GOVERNO CENTRAL ESTUDA DIREITOS MARÍTIMOS DE MACAU
Por caminhos já navegados On naAssembleia Legislativa (AL), na terça-feira. Li Gang afirmou ontem que, desde a transição de Macau para a China, há 15
anos, não há limitações territoriais no que diz respeito às águas que rodeiam Macau, sendo que os iates, por exemplo, podem entrar e sair
à vontade. Na AL, Chui Sai On anunciou que o Governo já pediu à China autorização para utilizar mais terrenos na Ilha da Montanha, bem PUB
“Fizemos oficialmente o pedido dos direitos administrativos sob território marítimo. É um recurso muito precioso para nós”
como para ser autorizado a ter território marítimo, à semelhança de Hong Kong. “Fizemos oficialmente o pedido dos direitos administrativos sob território marítimo. É um recurso muito precioso para nós”, referiu o líder do Governo, acrescentando que queria também conquistar terrenos ao mar. No plenário, em dia de responder aos deputados, o Chefe do Executivo afirmou ainda que o Governo de Macau quer e precisa de mais terrenos para se poder desenvolver, tendo já pedido mais espaço na Ilha da Montanha. Um dia depois, Li Gang veio a terreiro concordar com o líder do Governo. “Considero que o que falta em Macau, primeiro são terrenos e
dong e Macau. “Estamos sempre a falar da liberdade nas rotas dos iates entre os três lugares, mas não tendo as águas sob gestão de Macau, como é que se podem desenvolver mais políticas [neste âmbito]?”. Também ontem, e em reacção ao que disse o líder do Governo na AL, a deputada Angela Leong lançou uma carta aberta
depois são talentos. Se se resolverem estes dois problemas, acredito que Macau será capaz de manter a prosperidade e estabilidade a longo-prazo.” Ontem, o responsável do Gabinete de Ligação considerou que a ideia do Executivo é boa, tendo em conta que está já a prever as necessidades futuras do território. Para Melinda Chan, deputada e representante da RAEM na Conferência Consultiva de Guangdong, se Macau conseguir obter autorização para exercer direitos sobre as águas há melhorias que podem vir a beneficiar a região. Melinda Chan fala, por exemplo, no combate ao contrabando, à imigração ilegal, sendo que ajuda também a que se desenvolvam as rotas de iates entre Hong Kong, Guang-
onde assume que, caso o Governo consiga mais terras em Hengqin, poderá ter políticas de habitação mais flexíveis. “Aproveitando bem os terrenos, os jovens podem finalmente ter esperança de ter uma casa, além de que se poderão construir mais lares para idosos. Como o preço dos produtos lá em Hengqin é mais barato do que em Macau, a pressão do custo de vida dos residentes pode ser minimizada, melhorando a sua qualidade de vida.” Li Gang, contudo, já tinha referido que a Ilha da Montanha não deverá ser propícia à instalação de habitações públicas. Na carta, Angela Leong diz ainda que considera que Hengqin pode ainda ajudar Macau a aliviar o tráfego cada vez mais congestionado no território. - *com Joana Freitas
CHUI SAI ON
SOCIEDADE
hoje macau quinta-feira 24.4.2014
SAÚDE HOSPITAL KIANG WU RECEBE 92,3% DO TOTAL DOS APOIOS FINANCEIROS DO GOVERNO
Uns são filhos, outros enteados De um total de 313,7 milhões de patacas que os Serviços de Saúde deram em apoios em apenas três meses, quase 290 milhões foram para o Kiang Wu. Na lista dos valores ontem divulgada, as associações que têm deputados como membros estão também no topo JOANA FREITAS
joana.freitas@hojemacau.com.mo
O
Kiang Wu recebeu quase 290 milhões de patacas em apoios financeiros atribuídos pelos Serviços de Saúde (SS). O valor – ontem tornado público através de Boletim Oficial – diz respeito apenas aos últimos três meses do ano passado. De acordo com a lista analisada pelo HM, os SS concederam um total de 313,673,560 patacas a instituições e particulares. Deste montante, 92,3% foi alocado em despesas com o hospital privado, que recebeu quase a totalidade dos fundos e uma fatia maior do que nos meses de Abril a Junho de 2013, últimos dados disponibilizados. O dinheiro – 289,677,080 – foi
distribuído por diferentes áreas do Kiang Wu. A maior fatia, quase 186 milhões de patacas, foi directo para o hospital sob a forma de um “subsídio protocolar para a prestação de consultas externas e internamento” dos meses de Março a Novembro. Este apoio surge para cobrir despesas de doentes que, eventualmente, saíram do Centro Hospitalar do Conde de São Januário, porque a instituição pública não conseguiu acompanhar as necessidades dos pacientes. Neste âmbito, um outro subsídio protocolar obrigou ainda os SS a despenderem quase 6,5 milhões de patacas para análises clínicas. À semelhança dos meses de Abril a Junho de 2013, o Kiang Wu voltou a receber 24,2 milhões de patacas dos SS para a quarta prestação de “investimento e de-
senvolvimento” do hospital, apesar de o despacho não especificar exactamente em que foi alocado o dinheiro. Mais de 16 milhões de patacas foram ainda atribuídos ao hospital privado para formação de pessoal médico da própria instituição, sendo que o Fundo de Intercâmbio e Formação do hospital recebeu quase 2 milhões de patacas. Quase 14,650 milhões estão relacionados com o financiamento para despesas médicas de doentes cardíacos, cobrindo quatro meses de apoios. O Centro Hong Ling – que se dedica a prestar serviços especiais a pacientes do Kiang Wu – recebeu quase seis milhões.
ASSOCIAÇÕES LISTADAS
Dentro dos valores atribuídos ao Kiang Wu, destaca-se não só o hospital, como o Instituto de Enfermagem. Também esta instituição recebeu um total de 33,9 milhões de patacas em apoios, sendo o segundo maior montante – 12 milhões – dedicados à segunda fase da remodelação do campus do instituto em Mong Há. Apesar de o hospital privado ter sido a instituição que recebeu a maior fatia dos fundos do Governo, através dos SS, os Operários também foram beneficiados. Do total dos montantes atribuídos pelo
OS NÚMEROS • Fundos atribuídos pelos Serviços de Saúde (total):
313,673,560.93 patacas • Kiang Wu (Total):
289,677,080 patacas – 92,3% • Kiang Wu (Hospital):
255,748,080 patacas • Kiang Wu (Instituto de Enfermagem): 33,929,000 patacas • Operários: 8,8 milhões de patacas • Associação de Beneficência Tung Sin Tong: mais de 4,2
milhões de patacas • Aliança do Povo de Instituição de Macau: mais de um milhão de patacas
5
organismo público de saúde, cerca de 2,8% foi dirigido aos Operários, menos do que nos meses de Abril a Junho. A Federação das Associações dos Operários (FAOM), por exemplo, recebeu cerca de 5,6 milhões de patacas em apoios financeiros para o Centro de Recuperação da federação e para a prestação de cuidados de saúde domiciliários. No total, os Operários, que têm os deptuados Kwan Tsui Hang e Lam Heong Sang como vice-presidentes, receberam 8,8 milhões de patacas, com a Clínica dos Operários a ser beneficiada em mais de três milhões de patacas. De Outubro a Dezembro do ano passado, a Associação de Beneficência Tung Sin Tong e a Aliança do Povo de Instituição de Macau foram duas das entidades listadas como sendo das que receberam mais apoios. A primeira, cujo presidente é o também deputado Chui Sai Cheong, recebeu mais de 4,2 milhões de patacas para serviços de consulta externa e estomatologia para crianças. A segunda, presidida pelos deputados Chan Meng Kam e Si Ka Lon, recebeu mais de um milhão para a clínica da associação. Na lista, destaque ainda para a Fundação da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST), que recebeu cerca de 750 mil patacas para ajuda nos encargos com as obras de instalação de equipamentos do Posto de Urgência das Ilhas. No total, os SS atribuíram ainda quase três milhões de patacas a indivíduos para que frequentassem cursos práticos avançados de medicina clínica.
6 sociedade
hoje macau quinta-feira 24.4.2014
PUB TIAGO ALCÂNTARA
Notificação no 11/DLA/SAL/2014 (Aviso a proprietários de estabelecimentos, que exploram máquinas de diversão e jogos em vídeo e cibercafés sobre infracções com dedução de acusação) Considerando que não se revela possível notificar os interessados, por ofício ou outras formas, para efeitos de acusação a respeito dos respectivos processos administrativos, nos termos dos artigos 10° e 58° do “Código do Procedimento Administrativo”, aprovado pelo DecretoLei n° 57/99/M, de 11 de Outubro, notifico, pela presente, nos termos do n° 2 do artigo 72° do “Código do Procedimento Administrativo”, os seguintes proprietários de estabelecimentos, do conteúdo das respectivas acusações, para que o Instituto possa tomar uma decisão final em relação aos processos de autuação actualmente em curso: Estabelecimentos que exploram máquinas de diversão e jogos em vídeo: 1.
Por despacho do Presidente do Conselho de Administração, Substituto, Lo Veng Tak, exarado em 27/12/2013, o signatário deduziu a acusação contra CHIO SAO MAN (BIR n° 7344XXX(X)), proprietária do estabelecimento “MÁQUINAS DE DIVERSÕES SMART STAR” , sito na Travessa do Conselheiro Borja, n. ºs 52 a 58, lojas Y e Z, e na Avenida de Artur Tamagnini Barbosa, n.º 55, loja O, r/c. (Licença administrativa n.º 2/2005). O facto que o auto de notícia n° 662/DFAA/SAL/2012, de 4/05/2012, refere, comprovado por testemunhas e prova documental, foi objecto de instrução de um processo, cujos resultados de averiguação constam do relatório elaborado pelo respectivo inquiridor a 17 de Dezembro de 2012.
2.
Por despacho do Presidente do Conselho de Administração, Substituto, Lo Veng Tak, exarado em 03/01/2014, o signatário deduziu acusação contra CHUNG CHI KWAN (Bilhete de Identidade de Residente Permanente de Hong Kong n° C3091XX(X)), proprietário do “CENTRO DE DIVERSÕES MK88” , sito na Rua Oeste do Mercado de S. Domingos, n.ºs 46 a 48, bloco C, cave e r/c, 1º a 3º andares, bloco A (Licença administrativa n.º 11/2010). O facto que o auto de notícia n.o 712/DFAA/SAL/2012, de 11/05/2012 e n.o 1167/DFAA/SAL/2012, de 24/08/2012, refere, comprovado por testemunhas e prova documental, foi objecto de instrução de um processo, cujos resultados de averiguação constam do relatório elaborado pelo respectivo inquiridor a 26 de Dezembro de 2012.
De acordo com os dois referidos relatórios, uma vez que foram comprovadas as infracções, cometidas pelos mencionados proprietários dos estabelecimentos que exploram máquinas de diversão e jogos em vídeo, ao disposto na alínea c) do nº 3 do artigo 32° do Decreto-Lei n° 47/98/M, de 26 de Outubro (Alteração das características das máquinas abrangidas pela licença), pode ser aplicada a cada um dos infractores (pessoa singular), pela prática dos actos ilícitos e nos termos da alínea d) do nº 46 do mesmo Decreto-Lei, uma multa de dez mil patacas (MOP10.000,00) a quarenta mil patacas (MOP40. 000,00). Cibercafés: Por despacho do signatário, exarado em 29/01/2014, foi deduzida acusação contra LEI KAM MENG (BIR n° 7365XXX(X)), proprietário do “CIBERCAFÉS SUPER.COM” , sito na Avenida do Conselheiro Borja, n º 373, Mayfair Garden, Fase III - Ka Ying Court, r/c, AL, AM, AN, AO, AP (Licença administrativa n.º 7/2008). O facto que o auto de notícia n° 1341/DFAA/ SAL/2012, de 26/09/2012 refere, comprovado por testemunhas e prova documental, foi objecto de instrução de um processo, cujos resultados de averiguação constam do relatório elaborado pelo respectivo inquiridor a 27 de Janeiro de 2014. Por terem sido comprovadas as infracções, cometidas pelo mencionado proprietário de cibercafés, ao disposto no nº 7 do artigo 32°-B do Decreto-Lei n° 47/98/M, de 26 de Outubro, alterado pela Lei n° 10/2003 (Não afixação, à entrada dos cibercafés, em lugar e de forma bem visíveis, de um aviso com as condições de acesso constantes do presente artigo), pode ser aplicada ao infractor (pessoa singular), pela prática de actos ilícitos e nos termos da alínea e) do nº 46 do mesmo Decreto-Lei, uma multa de duas mil patacas (MOP2.000,00) a quinze mil patacas (MOP15. 000,00), por cada acto ilegal. Nos termos do artigo 11° do Decreto-Lei n.o 52/99/M, de 4 de Outubro, e dos artigos 10° e 73° do Código do Procedimento Administrativo, os três aludidos infractores poderão apresentar defesa escrita a respeito destes itens de acusação ao Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais e todas as provas admitidas pela legislação vigente, dentro de 15 (quinze) dias, contados a partir do dia seguinte ao da publicação da presente notificação. Para quaisquer esclarecimentos ou consulta do processo, queira dirigir-se à Divisão de Licenciamento Administrativo dos Serviços de Ambiente e Licenciamento, sita na Avenida da Praia Grande n.o 804, Edf “China Plaza”, 3º andar. Aos 11 de Abril de 2014 O Presidente do Conselho de Administração, Substituto Vong Iao Lek WWW. IACM.GOV.MO
CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
S
EGUNDO um estudo lançado pela Associação Geral de Estudantes Chong Wa de Macau, mais de 70% dos alunos do ensino secundário não têm hábitos de leitura, sendo que os que lêem fazem-no através de “livros electrónicos”. A conclusão surge depois de entrevistados 2047 alunos, de 17 escolas secundárias diferentes. Apenas 12% dos entrevistados se concentra em ler todos os dias por um determinado período de tempo, mas o conteúdo é principalmente banda desenhada, seguido de conteúdos relacionados com o entretenimento ao vivo e notícias. Cerca de 44% dizem que como “não têm tempo por causa da carga de estudos”, não lêem. Outros 33% dizem que não conseguem encontrar um livro que lhes desperte interesse. Também há entrevistados que dizem
ESTUDO ALUNOS DO SECUNDÁRIO NÃO TÊM HÁBITOS DE LEITURA
Sem tempo ou sem interesse que simplesmente “não gostam de ler”. A associação considera que, segundo o resultado do estudo, o ambiente geral dos hábitos de leitura dos estudantes de Macau precisa de mudar. Por exemplo, 47% dos alunos inquiridos dizem que é necessário expandir os números de livrarias, bem como o tipo de livros que são postos à venda. Já 28% considera que deveria haver mais plataformas para leitura na internet. A associação sugere que o Governo aumente o financiamento para a abertura de livrarias e crie uma plataforma de leitura na internet, além de financiar mais a indústria livreira e facilitar
mais a vida aos estudantes no que diz respeito a comprar e emprestar livros. Para a Chong Wa, a cultura de ler mudou muito nos últimos anos e o aumento das rendas levou a que as livrarias estejam numa fase muito difícil de sobrevivência. Por isso, segundo a associação, o Governo deveria dar mais atenção à questão e dar mais apoio à indústria cultural. A associação nega, contudo, concordar com a sugestão de dar vales para comprar livros aos residentes, explicando que, agora, poucos residentes têm dificuldades em comprar livros, sendo outras as razões para não lerem.
sociedade 7
hoje macau quinta-feira 24.4.2014
COREIA DST ORGANIZA ACTIVIDADES PROMOCIONAIS
coreanos a viajar para Macau em 2014 atinja a significativa marca de referência de meio milhão de visitantes”, referiu.
Aproveitar a onda
O PRIMEIRO MERCADO
Os Serviços de Turismo estão a organizar esta semana, em Seul e Busan, diversas actividades promocionais de Macau direccionadas a consumidores e operadores turísticos, em resposta ao contínuo aumento do número de visitantes provenientes da Coreia
U
MA delegação do Conselho para o Desenvolvimento Turístico (CDT) visitou também Seul esta semana para se inteirar sobre o desenvolvimento turístico da Coreia. Os membros do CDT visitaram o Centro de Informações Turísticas Gangnam, a Korea Tourism Organization, a par com o centro cultural multiusos Dongdaemun Design Plaza projectado pela famosa arquitecta Zaha Hadid, entre outros. A directora da DST, Helena de Senna Fernandes, esteve em Seul para participar nas actividades promocionais e acompanhar os membros do CDT na visita de familiarização, em conjunto com um grupo de mais de vinte parceiros turísticos de Macau. Os agentes turísticos reuniram-se com os seus homólogos coreanos numa bolsa de contactos em Seul, na terça-feira, e terão novo encontro em Busan, hoje, quinta-feira.
consumidores coreanos teve a sua abertura oficial no domingo no parque temático Lotte World, em Seul. Com a iniciativa a ser amplamente promovida através dos canais de comunicação do parque temático, os visitantes do Lotte World ficarão a saber mais sobre as atracções de Macau. Um stand de Macau, uma exposição temática “Sentir Macau” com atracções da cidade, uma exposição e sorteios com pacotes de viagem para Macau são os principais destaques da promoção.
ALMOÇO COM DIRECTORES DE AGÊNCIAS
A DST organizou segunda-feira um almoço para responsáveis da indústria do turismo
coreanos e membros do CDT trocarem impressões sobre o desenvolvimento da indústria turística de ambos os destinos. O evento contou entre os convidados, com o vice-presidente de Marketing da Korea Tourism Organization, Rhee Jae Sun, o presidente da Korea Association of Travel Agents, Yang Moo Seung, directores de agências de viagens coreanas, entre outros. Num discurso durante o evento, Helena de Senna Fernandes, destacou a importância do mercado coreano para Macau. “Dada a perspectiva positiva, este ano a Coreia é o nosso principal mercado em foco entre os mercados internacionais, e estamos confiantes que o número de
MACAU NO PARQUE TEMÁTICO LOTTE WORLD
Uma actividade promocional de Macau direccionada aos
A Coreia é o primeiro mercado internacional de visitantes de Macau, excluindo a Grande China, e o quarto maior mercado depois do Interior da China, Hong Kong e Taiwan. Após um aumento de dois dígitos entre 2010 e 2012, o número de visitantes coreanos a Macau no ano passado ultrapassou os 474 mil, mais 6,6 porcento que o ano anterior. Nos dois primeiros meses deste ano, Macau já recebeu mais de 111 mil visitantes coreanos, mais 21,2 porcento de visitantes em relação ao mesmo período do ano passado. A frequência das ligações aéreas entre Macau e Coreia também aumentaram, com a Air Macau, Jin Air e Air Busan actualmente a operarem um total de dezanove voos semanais.
BOLSAS DE CONTACTOS E MINI SEMINÁRIOS
Como parte integrante do programa da bolsa de contactos, em Seul, a DST organizou também uma conferência de imprensa e apresentações temáticas com informações práticas sobre Macau para os parceiros turísticos e meios de comunicação social coreanos. O colunista gastronómico Yoojin Kim organizou um seminário sobre gastronomia macaense intitulada “Mr Kim’s Tasteful Macau”, o fotógrafo Seongbin Park partilhou a sua experiência de “Como tirar a melhor foto em Macau”, enquanto a blogger Niki deu dicas e opiniões sobre “Sítios na Moda em Macau Hoje “.
IACM lamenta a saída de cantores do concerto de Hác Sá
O
Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) lançou ontem um comunicado a dizer que já recebeu um aviso da Metro Broadcast Corportion Limited, unidade de produção do concerto na praia Hác Sá no dia 1 de Maio, onde se informa que alguns cantores da empresa não podem participar no concerto como estava planeado. O IACM está agora a cooperar com a empresa de Hong Kong
para arranjar uma solução. Mais informações serão publicadas posteriormente. O IACM explicou ainda que as autoridades sempre realizaram actividades no dia 1 de Maio, tendo já sido convidados vários cantores de Hong Kong e Taiwan para actuações em Macau neste dia. Para além do concerto, vai ser ainda realizada uma competição de escultura em areia e várias actividades aquáticas. “A função
do IACM é promover e desenvolver as actividades culturais e recreativas locais na natureza, incluindo festivais no ano novo chinês, festival Chong Yeong (Culto dos antepassados), Festival Bolo Lunar, Dia Nacional e véspera do Dia da Fraternidade Universal. As actividades são geralmente apoiadas e acolhidas pelo público, “ diz o comunicado do IACM. - C.L.
Cuidado FMI está em Macau
O Fundo Monetário Internacional (FMI) está em Macau para uma avaliação à economia local, escreveu ontem o jornal Business Daily. A visita termina na próxima terça-feira e o relatório do organismo sobre a economia de Macau deve ser conhecido no Verão. Segundo o jornal, esta visita tem como objectivo conhecer melhor a economia de Macau e avaliar a sua sustentabilidade face ao crescimento recente do sector do jogo e do turismo. O FMI quer ainda avaliar os riscos decorrentes da China, assim como a situação dos elevados preços no imobiliário. Diz a rádio que o jornal conta ainda que, durante esta estadia em Macau, a missão do FMI vai encontrar-se com o Governo, a Autoridade Monetária de Macau e também bancos e empresas privados. Estão igualmente previstos encontros com académicos e associações. A última vez que o FMI esteve em Macau foi em 1998.
Dia 25 marca condicionamento de trânsito na avenida do Aeroporto
A partir da próxima sexta-feira, o trânsito automóvel vai estar condicionado na avenida do Aeroporto da Taipa, devido às construções relacionadas com o metro ligeiro. De acordo com a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), as obras naquela zona vão incluir o desvio de canalizações subterrâneas e, posteriormente, a construção de um troço de viaduto de ligação ao parque de materiais e oficina do metro ligeiro. As entidades responsáveis pedem especial atenção dos residentes para as obras na zona da avenida do aeroporto da Taipa e vão acompanhar o processo, para evitar possíveis danos ou estragos.
Páscoa traz (ainda) mais turistas
Foi registado um aumento de 27,2% na entrada de turistas em Macau, face ao mesmo período do ano passado. Estas férias da Páscoa, a RAEM contou com uma movimentação total de 1,9 mil milhões de pessoas. O posto fronteiriço que registou mais entradas foi, como é já frequente, as Portas do Cerco, com 660 mil registos, seguido do terminal marítimo de Macau, que contou com a entrada de 133 mil pessoas e, finalmente, o aeroporto, por onde entraram apenas 31 mil turistas. Entre os dias 18 e 21, registou-se um total de 937 mil saídas do território. As Portas do Cerco contaram com 686 mil pessoas, enquanto o terminal marítimo de Macau teve direito a 123 mil e o aeroporto, a 33 mil. Em comparação com o mesmo período do ano passado, os números aumentaram quase 30%.
Nirvana Spa da Avenida da Praia Grande vai fechar
O Nirvana Day Spa da avenida da Praia Grande vai encerrar no próximo dia 28. Embora a empresa deixe de funcionar neste local, os restantes espaços Nirvana permanecem abertos ao públicos. Estes localizam-se na Taipa e em Coloane, nos prédios Nova City e Oceans e hotel Westin, respectivamente. A empresa informa, ainda, que a loja da Taipa estará fechada nos próximos dias 29 e 30 de Abril, por questões de ajustamento.
8
CHINA
Coincidindo com a vista de Obama, Tóquio vai instalar uma estação de radar numa ilha perto de Taiwan, na parte ocidental do arquipélago
hoje macau quinta-feira 24.4.2014
JAPÃO FAZ PRIMEIRA EXPANSÃO MILITAR EM MAIS DE 40 ANOS
China, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, disse que os dois países enfrentam uma “situação militar” comparável à da Grã-Bretanha e da Alemanha nos anos que antecederam a I Guerra Mundial. Abe explicou a comparação dizendo que japoneses e chineses não devem repetir os erros de britânicos e alemães, que lutaram uns contra os outros na I Guerra Mundial, apesar de manterem fortes laços económicos, relatou o jornal Financial Times. O primeiro-ministro japonês deixou claro que qualquer conflito com a China seria um desastre e criticou o aumento dos gastos do governo chinês na área militar – que, segundo Abe, tem aumentado cerca de 10% ao ano e são uma fonte de instabilidade na região. O Japão gostaria de reforçar os seus laços militares com os Estados Unidos, concluiu.
O regresso da espada
O
Japão começou a sua primeira expansão militar em mais de 40 anos no passado sábado, ao instalar uma estação de radar numa ilha próxima de Taiwan, na parte ocidental do seu arquipélago. O ministro da Defesa japonês, Itsunori Onodera, que participou da cerimónia na ilha de Yonaguni para marcar o início da construção da estação, sugeriu que a presença militar poderia ser ampliada para outras ilhas no sudoeste do país. “Esta é a primeira implantação desde que os Estados Unidos devolveram Okinawa (em 1972). Crescem os pedidos para ficarmos mais atentos”, afirmou Onodera. “Quero construir uma operação capaz de defender adequadamente
RESPOSTA CHINESA
Itsunori Onodera
as ilhas que fazem parte do território do Japão.” A estação de radar militar em Yonaguni pode estender a monitorização japonesa a navios e aviões chineses nas ilhas Diaoyu
Diayou Obama apoia Japão
O
presidente Barack Obama confirmou ontem que o tratado mútuo de segurança com o Japão se aplica às ilhas no centro de uma disputa territorial entre a China e o Japão. Em resposta escrita ao jornal Yomiuri antes de chegar a Tóquio, Obama afirmou que o tratado é claro. “As ilhas Senkaku são administradas pelo Japão”, afirmou, para explicar que sendo assim a região faz parte do tratado. “E nós opomo-nos a qualquer tentativa unilateral de minar a administração japonesa dessas ilhas.” A declaração é vista como uma tentativa de garantir aos japoneses que os EUAos defenderão se os chineses reclamarem o controlo das ilhas, conhecidas pelo nome de Diayou na China. Obama afirmou que os EUA estão a aprofundar os laços com a China, mas explicou que essa aproximação não se dará “às custas do Japão ou de qualquer outro aliado”. O presidente dos EUA também afirmou ao jornal que continuará a adoptar medidas para reduzir a presença militar em Okinawa, mas lembrou que essas forças são “absolutamente críticas para a segurança mútua”.
A
em disputa entre os dois países. Com 30 quilómetros quadrados, a ilha de Yonaguni é o lar de 1500 pessoas e conhecida pela produção de um forte licor de arroz e de cana-de-açúcar, além
da pecuária e da prática de mergulho. Adecisão do primeiro-ministro Shinzo Abe de colocar tropas no local evidencia as preocupações do Japão face à ameaça da China. Por seu lado,
Presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, pediu ontem apoio ao seu homólogo chinês, Xi Jinping, para dissuadir a Coreia do Norte de realizar novo teste nuclear, depois ter sido detectada actividade na base de Punggye-ri. Numa conversa ao telefone, Park Geun-hye argumentou que um ensaio nuclear por parte de Pyongyang poderia desencadear uma corrida ao armamento e propiciar um “efeito dominó nuclear” na Ásia Oriental, disse à Efe fonte do gabinete da presidência sul-coreana. Seul revelou, na terça-feira, temer que a Coreia do Norte realize um novo teste nuclear “dentro de pouco tempo”, depois de ter detectado um aumento de actividade nas instalações de Punggye-ri, em Kilju, no nordeste do país, onde foram realizados os anteriores ensaios. “Os nossos serviços detectaram vários sinais nas instalações nucleares de Kilju”, no nordeste do país, afirmou, em conferência de imprensa, o porta-voz da Defesa da Coreia do Sul, Kim Min Seok, acrescentando que Pyongyang “poderia levar a cabo um teste nuclear ‘relâmpago’”.
Pequim ainda não comentou estes desenvolvimentos.
ABE: EVITAR ERROS DE ALEMÃES E BRITÂNICOS
Recentemente, ao falar sobre as tensões entre o Japão e a
Entretanto, a China já criticou a referência histórica feita por Abe. “Seria melhor analisar o que o Japão fez à China antes da guerra e na história recente, em vez de falar sobre as relações entre britânicos e alemães no período anterior à I Guerra”, disse Qin Gang, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros. A China e o Japão, são a segunda e a terceira maiores economias do mundo, respectivamente e registaram cerca de 2,6 biliões de patacas no comércio bilateral em 2012, segundo dados do governo japonês.
SEUL PEDE APOIO PARA IMPEDIR TESTE NORTE-COREANO
Kimchi para jantar
Kim Min Seok advertiu que um novo teste nuclear de Pyongyang acarretaria “graves medidas” como forma de resposta por parte da comunidade internacional, apesar de também admitir a possibilidade de a Coreia do Norte estar a fazer “falsos movimentos” relativamente ao que seria o seu quarto teste nuclear. O anúncio das autoridades sul-coreanas baseia-se na informação compilada em colaboração com os serviços de inteligência dos Estados Unidos, cujo Presidente, Barack Obama, visita o país na sexta-feira e no sábado, para debater, entre outros, problemas de segurança. A tensão na península coreana intensificou-se ao longo dos últimos meses devido às manobras militares conjuntas, realizadas anualmente por Seul e Washington, interpretadas pelo regime de Kim Jong-un como um ensaio de invasão do seu território.
china 9
hoje macau quinta-feira 24.4.2014
A
poluição dos solos na China equivale a uma superfície duas vezes superior à de França, admitiu o governo chinês, ao publicar os resultados de um inquérito até aqui mantido em segredo. Num total de 6,3 milhões de quilómetros quadrados analisados - cerca de dois terços da superfície da China -, 16,1 por cento foram considerados poluídos, o que equivale a mais de um milhão de quilómetros quadrados, de acordo com o ministério de Protecção Ambiental. «A situação dos solos no plano nacional não é positiva», admitiu o ministério na sua página na internet, apontando como principais responsáveis por esta degradação a indústria mineira e a agricultura. Mais de 80% dos poluentes encontrados nos solos não são de origem biológica, de acordo com
A
SOLOS POLUÍDOS FAZEM SUPERFÍCIE DUAS VEZES SUPERIOR À DE FRANÇA
A terra devastada este inquérito realizado ao longo de oito anos, entre 2005 e 2013. Este estudo, cuja existência já era há muito conhecida, suscitou vários rumores porque as autoridades recusaram no ano passado
China suspendeu totalmente a proibição de 14 anos sobre a venda de consolas de jogos de vídeo, mas a esperança das empresas estrangeiras de entrar no enorme mercado chinês terá de encontrar uma forma de passar pelas regras de censura do país. Os produtos da Microsoft, Sony e Nintendo a partir de agora poderão ser fabricados e vendidos na China através de “empresas com investimento estrangeiro” na zona de livre comércio de Xangai, afirmou o governo da cidade esta segunda-feira. A China é o terceiro maior mercado de jogos de vídeo do mundo, no qual as receitas cresceram mais de um terço em 2012, para cerca de 98 mil milhões de patacas no ano passado, mas a pirataria e o domínio dos computadores e jogos
divulgar os resultados, argumentando tratar-se de um segredo de Estado. A degradação do ambiente é alvo de uma atenção crescente da população chinesa, cada vez menos disposta a aceitar que o
ambiente seja sacrificado em nome do crescimento. A grande maioria dos cursos de água na China estão, em média, gravemente poluídos e os escândalos sobre a contaminação dos lençóis freáticos são frequentes,
tal como as controvérsias relativas à degradação da qualidade do ar, que atinge regiões inteiras da segunda maior economia do mundo. Nos últimos anos, a organização ecologista Greenpeace tem alertado para os
JOGOS DE VÍDEO CENSURA ABORRECE FABRICANTES
Entrar mas com regras para telemóveis deixaram pouco espaço para a venda de jogos e consolas legítimas. Os jogos também terão de ser aprovados pelo departamento local de cultura de Xangai, o qual vai assegurar que não prejudiquem a unidade nacional do país, integridade territorial ou reputação - ou que promovam ódio racial, obscenidade, apostas, violência ou drogas. Estas restrições podem impedir, teoricamente, a entrada dos mais populares jogos no mercado chinês, como o Grand Theft Auto, Battlefield e Call of Duty.
FORÇA DE TRABALHO DIMINUI TODOS OS ANOS
Onde estão os trabalhadores? A força de trabalho da China está a dimunuir a um ritmo de duas a três milhões de pessoas por ano, disse Xu Lin, director do Departamento de Planeamento do Desenvolvimento da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC, na sigla em inglês). Xu afirmou que o governo está a estudar uma resposta para a questão como parte do 13º plano quinquenal. No mesmo evento, o porta-voz do NDRC Li Pumin re-
forçou que o governo não irá mudar o rumo económico nem adoptará estímulos para acelerar o crescimento no curto prazo, uma vez que a volatilidade económica é temporária. “O crescimento económico do primeiro trimestre desacelerou, mas é apenas 0,1 ponto percentual abaixo da meta de 7,5%. Então os principais indicadores continuam numa faixa razoável”, afirmou. A declaração está em linha com o discurso do primeiro-
-ministro Li Keqiang, que na semana passada rejeitou qualquer mudança no rumo “proactivo” da política fiscal ou no desvio “prudente” da política monetária. Li também já descartara fortes estímulos para a economia. O porta-voz ainda reforçou que a criação de novos empregos em áreas urbanas alcançou 3,44 milhões no primeiro trimestre, uma subida de 20 mil em relação ao mesmo período do ano passado.
efeitos das cinzas de carvão no país. Primeira consumidora mundial de carvão (com uma tendência para aumentar), a China produz centenas de milhões de toneladas de cinzas de carvão por ano. Só em 2013 o ministério de Protecção Ambiental chinês reconheceu a existência de “aldeias do cancro”, vários anos depois de informações sobre um número de casos, mais elevado do que a média em algumas regiões particularmente poluídas no país.
Comércio China-África cresceu 5,9%
O comércio entre a China e o continente africano aumentou 5,9% em 2013, para 210,2 mil milhões de dólares, disse, na terça-feira, a Câmara Chinesa de Comércio Internacional. As importações chinesas de África cresceram 3,8%, para 117,4 mil milhões de dólares e as exportações subiram 8,8%, somando 92,8 mil milhões de dólares, indicou a mesma fonte. Mais de 2.000 empresas chinesas estavam estabelecidas em África no final do ano passado, operando nas áreas agrícola, de infra-estruturas, produção industrial, exploração de recursos naturais, finanças, comércio e logística, de acordo com a Câmara Chinesa de Comércio Internacional. A China tornou-se o maior parceiro comercial de África em 2011, ultrapassando a Europa e os Estados Unidos da América, e estima-se que cerca de um milhão de chineses trabalhem actualmente no continente africano.
Lucro da China Mobile cai 9,4%
A China Mobile anunciou uma queda de 9,4% no lucro líquido do primeiro trimestre do ano, na comparação com o ano passado, para 25,2 mil milhões de yuans. As receitas totais subiram 7,8%, para 154,8 mil milhões de yuans, mas os índices de receita por minuto de uso por usuário caíram. Em comunicado, a maior operadora telefónica do mundo disse que enfrentou “severos desafios” devido ao rápido avanço da internet móvel e à crescente pressão competitiva de outras operadoras chinesas.
EVENTOS
Tem 38 anos e dança há 30. Liu Yinghung, recémimigrante, há um ano na RAEM, compara o sector da dança no Continente, em Hong Kong e Macau. Diz que não havendo actualmente um grupo profissional em Macau, pode criar uma companhia de dança folclórica chinesa em apenas dois anos, sem financiamento do Governo
hoje macau quinta
ENTREVISTA LIU YINGHUNG, ACTOR NACIONAL DE 1ª CLASSE
“Macau não deveria ter apenas HOJE MACAU
10
CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
É actor nacional de 1ª classe, também era o primeiro na Companhia de dança da RAEHK, porque pensou imigrar para Macau? Existe um elemento familiar, porque a minha esposa trabalha no Conservatório de Macau e já nasceu aqui uma menina no ano passado. Para além disto, o mercado de Hong Kong é muito fechado, já lá fiquei sete anos, não vejo Hong Kong como o futuro da minha carreira. Então considera que o mercado de Macau é melhor do que em Hong Kong? Macau tem mais possibilidades. No início foi convidado para Macau para ser professor de dança, mas queria continuar a minha carreira de dançarino. Tinha mais oportunidades em Hong Kong de fazer dança teatro, porém, o grupo da dança de RAEHK apenas serve os residentes. Durante sete anos, apenas por uma vez saí para dançar fora de Hong
Kong. Antes, no continente, tinha mais oportunidades de participar em digressões nacionais ou mundiais. Além disso, gosto mais da dança folclórica chinesa, em Hong Kong danço mais dança clássica e moderna. A minha missão aqui em Macau é promover a dança folclórica chinesa junto da população. Também tenho interesse pela dança folclórica portuguesa, e aqui há um grupo chamado Macau no Coração.
Vem de Hong Kong para Macau, mas ao princípio recusou o convite de Macau. Porque há esta mudança? No final de 2003, a minha esposa chegou a Macau, depois voltei cá em 2004. Nessa altura, Macau não tinha nada. Apenas jogo. Não consegui ver o futuro em Macau. Depois olhei para o trabalho da minha esposa e aprendi que aqui o ambiente de dança nas escolas é muito bom. Há muitas
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA QUANDO TE CASARES A TUA MULHER VAI VER-TE O PÉNIS • Justin Halpern
“Não te ponhas a escrever outra merda de livro só para dizeres que escreveste outra merda de livro. Senão vai ser uma bosta. Diz aos teus editores para terem lá calminha e para esperarem até tu teres uma boa ideia.” -- Sam Halpern. Não demorou muito tempo até Justin Halpern ter uma boa ideia para o seu novo livro. Depois do sucesso internacional de M*rdas Que o Meu Pai Diz, surge agora um conjunto de histórias hilariantes e muito comoventes acerca do assunto mais antigo do mundo: o amor. Desde a sua primeira paixão (uma rapariga na primária a quem Justin revelou os seus sentimentos perguntando-lhe, sempre que ela voltava da casa de banho, “fizeste cocó?”), passando pelo desabrochar da sua sexualidade (que envolveu roubar pornografia a um sem-abrigo) até à decisão de pedir em casamento a mulher da sua vida, Justin partilha com os leitores todos os momentos embaraçosos, absurdos e divertidíssimos que caracterizam a busca pela sua alma gémea.
competições escolares e maioria delas dançam dança folclórica chinesa. Isso abre a possibilidade de os alunos virem a ser dançarinos profissionais? Talvez não. Porque os pais vão pensar que aqui não há um grupo profissional de dança. Se os alunos quiserem aprender, têm que estudar fora de Macau. E depois? Onde vão fazer a sua carreira profissional de
dança quando regressarem? Não há emprego para os dançarinos. Mesmo na época da Administração Portuguesa a situação era igual. Disse que Macau em 2004 apenas tinha jogo, mas hoje em dia há alguma diferença? Agora tenho uma versão diferente. Ao fim de dez anos da liberalização do jogo, Macau tem finalmente alguns sinais para uma industria diver-
RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET
RETRATO DE UMA ESPIA • Daniel Silva
Gabriel Allon, restaurador de arte e espião, está em Londres com Chiara, a mulher, para um fim de semana que se esperava agradável. Mas duas bombas, em Paris e Copenhaga, conseguiram já estragar este encantador dia de Outono. Depois, quando Gabriel se prepara para deter um homem que ele suspeita estar prestes a fazer um terceiro atentado em Covent Garden, é atirado ao chão e fica a observar um verdadeiro pesadelo, sem poder fazer nada. Ainda tem bem fresca a perturbadora memória do seu fracasso em impedir um massacre de inocentes quando é chamado a Washington para um confronto com o novo rosto do terrorismo global.
eventos 11
a-feira 24.4.2014
as jogo” sificada. Já pude observar a procura do estudo da dança na sociedade. Macau não deveria apenas ter jogo. Mesmo não sendo para desenvolver carreiras de dançarinos profissionais, gostava promover a dança folclórica chinesa, porque Hong Kong e Macau apesar de dominarem melhor a dança clássica e moderna, ainda não conhecem muito bem a dança folclórica chinesa. Foi do continente para Hong Kong, e depois mudou-se para Macau. Fez um percurso de um lugar com um sector de dança mais forte para um lugar mais fraco. Sente esse fosso? Sim, como já disse, o mercado de Hong Kong é muito fechado. Quando estava no Continente participei em espectáculos na Austrália e no Japão, bem como nas principais cidades chinesas. No grupo de dança da RAEHK fiz parte da primeira apresentação em Cantão, na província de Guangdong. Isso para mim representou um grande fosso, porque sendo Hong Kong tão perto de Guangdong, como é que era possível ser a primeira vez que o território fazia intercâmbio? Isto fez-me pensar que aqui em Macau, é preciso que os alunos saiam da terra e vejam o mundo. Para aprender dança folclórica chinesa, os alunos têm que saber que a China tem 56 etnias e cada província pode ter a sua etnia minoritária e que cada cidade tem a sua cultura e costumes. Está a montar o seu negócio, o estúdio The One Dance. Gostava de vir a trabalhar no Conservatório de Macau? Acho que não. Agora estou a ajudar o Conservatório fazer algum dança teatro, mas prefiro concentrar-me na promoção da dança folclórica chinesa. É minha missão. Queria ensinar as características de cada dança folclórica. Aqui temos um único exame da dança folclórica chinesa, é uma avaliação de Pequim. Usamos os materiais unificados nacionais, e temos uma professora de Pequim para ensinar no meu estúdio. Nesta fase, estamos a formar os professores de dança. Porque apenas depois de formar os professores, é que eles podem formar os alunos na escola ou noutros centros de dança. Tem mais um sócio no negócio. Tem dificuldades com a renda? Tenho outro sócio do Instituto Cultural. Mas daqui a alguns dias ele vai sair do Governo e fazer trabalho a tempo inteiro comigo. Comprámos o estúdio de dança há dois anos, naquele momento o preço
Tem confiança que no futuro Macau pode vir a ter o seu grupo profissional da dança? Tenho confiança, mesmo em mim próprio. Estou a tentar criar um grupo de dança em dois anos, mas não tenho certeza que possa ser profissional. Porque, sou dançarino profissional, não sei se toda a gente consegue tolerar a dor dos ensaios. Queria promover a dança folclórica chinesa porque acho que esta dança é muito alegre. Não precisa de uma formação básica como a dança clássica, é mais livre, acho que assenta melhor nos alunos de Macau.
ainda não tinha subido tanto. O meu sócio disse que se soubesse o preço de escritório iria subir tanto durante dois anos, deveríamos ter comprado outro estúdio ao lado. Mas considero que já tivemos sorte. (risos) Aliás, não vamos pedir financiamento do Governo, mas o que precisamos mesmo é de promoção e apoio oficial nesta área. Como olha para a qualidade dos alunos de Macau? No continente, temos opções, mas aqui não. Ou seja, no continente a procura é muito maior do que oferta, aliás, ser dançarino precisa ter um talento fiscal e mental. Aqui promovemos mais para população, não é para formar profissionais. Contudo, a situação de população de dança em Macau ainda tem espaço para melhorar. Os alunos de Macau não aguentam muito a dor durante a formação. Os do continente começam a treinar desde muito pequenos, por isso são mais fortes do que os alunos daqui.
“A minha missão aqui em Macau é promover a dança folclórica chinesa junto da população.” Além de capacidade de tolerância, há mais diferenças entre os alunos daqui e os do continente? Sendo um professor masculino, tenho de ser mais cuidadoso quando ensinar os alunos do sexo feminino em Macau. Aqui é fácil os alunos pensarem que eu os estou a assediar, quando apenas estou a corrigir a acção de aluno. A situação em Hong Kong é melhor. Se calhar os alunos de Macau não têm consciência da formação de dança. Ou seja, a população de dança ainda tem um grande caminho a percorrer, precisamos de promover esta área, de forma positiva. Têm que saber que dançar não é apenas olhar para o espelho, mas que o contacto físico também é necessário. A situação de recrutamento dos alunos aqui é boa? Apenas começámos este mês a recrutar 24 professores das escolas secundárias e primárias, para ensinar dança folclórica chinesa profissional. Depois da avaliação de exame eles podem ensinar profissionalmente nas escolas ou em centros de formação. Isso é muito importante para Macau. Porque aqui nunca houve professores profissionais de dança folclórica chinesa. De segunda a sexta temos outro tipo de aulas de dança à noite, e durante o fim-de-semana temos aulas com pais e bebés até aos cinco anos, que são dadas por um professor dos Estados Unidos com certificação profissional. O princípio
é dar às crianças noções elementares de dança. A criança mais velha tem agora nove anos e está a estudar dança latina. O Conservatório de Macau tem um professor profissional de dança folclórica chinesa? Apenas uma de Xangai. Considera que o Governo precisa promover a dança folclórica chinesa? O Conservatório está a formar os dançarinos profissionais. Nós estamos a promover a dança para toda a população. Segundo percebi, os alunos de Macau apenas saber jogar no computador fora das horas de estudo, pouco sabem de outras culturas. Precisam de contactar mais com a natureza. Geralmente só viajam aos países estrangeiros, raramente vão às cidades do continente. Por isso, queria promover alguns cursos de verão no continente para os alunos de Macau aprenderem outra cultura.
“A cultura precisa de ser diversificada, a dança tradicional chinesa também precisa de intercâmbio de cultura estrangeira.”
Acha que a dança folclórica chinesa tem mercado? Sim. Em Hong Kong, uma peça de dança clássica pode vender 80% dos bilhetes, mas uma peça de dança folclórica chinesa pode vender mais de 90% dos bilhetes, porque o vestido da dança folclórica chinesa é mais bonito, é mais curioso para os residentes. Acho que em Macau a situação vai ser igual. Não havendo uma garantia de emprego no futuro, será que alguns alunos com talento podem não conseguir acabar os estudos? Sim, aconteceram alguns casos desses no Conservatório de Macau. Porque Macau não tem uma certificação profissional. Por exemplo, eu sou actor nacional de 1º classe, mas aqui em Macau não sou nada. Isto não favorece a formação de talentos. Não há um director para avaliar os talentos. O que quero dizer é que prefiro criar um centro de formação de dança em Macau, em vez de Zhuhai, onde posso poupar mais dinheiro. Queria formar talentos locais, para além disso, considero Macau uma cidade com uma arquitectura portuguesa, como no caso do Albergue. O melhor disto tudo é que sinto que estou a fazer uma coisa com muito significado. Em Hong Kong, mesmo recebendo imensos aplausos e flores, é apenas minha carreira que conta, no máximo 1,500 espectadores por peça. Mas aqui posso formar muitos alunos, bem como professores e queria também combinar a cultura local com a dança folclórica chinesa. A cultura precisa de ser diversificada, a dança tradicional chinesa também precisa de intercâmbio de cultura estrangeira. Como olha para o futuro da dança em Macau? Acho que daqui a cinco anos, já poderei seleccionar algumas crianças com talento. Depois podem representar Macau e participar nas competições. Depois, acho que os alunos também podem aproveitar os prémios para o seu futuro, por exemplo, como uma avaliação no acesso às universidades. Mas ser profissionais, como não há uma certificação profissional, não se pode avaliar um talento.
Cultura cabo-verdiana mais forte em Macau
O associativismo ficou ainda mais forte em Macau, com a recente criação da Associação de Divulgação da Cultura Caboverdiana (ADCC), que vai organizar uma festa comemorativa no próximo dia 30, com direito a exposições de pintura e espectáculos de música. A criação deste colectivo, que está registada em Boletim Oficial desde dia 2 deste mês, tem o objectivo de dar a conhecer as raízes e a cultura cabo-verdiana a Macau e aos seus residentes. De acordo com a recém-criada associação, o povo de Cabo Verde é “das ilhas e do mundo” e a “tradição e modernidade marcam a expressão artística cabo-verdiana, cuja diversidade e vitalidade importa partilhar e divulgar internacionalmente”. Assim, a ADCC caracteriza-se não só como um espaço de convívio para os cidadãos cabo-verdianos que estão em Macau, mas também como plataforma de conhecimento para todas as restantes pessoas que pretendam partilhar experiências, costumes e tradições. A festa de dia 30, que marca o início das actividades da ADCC, inclui pinturas dos artistas Kiki Lima, Mito Elias, Tchalê Figueira e David Levy Lima que vão estar expostas na Casa Garden. O evento vai continuar com música típica de Cabo Verde, interpretada por Humberto Évora e Márcia Silva. - L.S.M.
Inscrições abertas no Conservatório de Macau O Conservatório de Macau volta a organizar os cursos de divulgação artística de dança, música e teatro. As inscrições poderão ser feitas entre os dias 2 e 17 de Maio. As aulas serão dadas em período pós-laboral, para que todos os interessados possam participar, informa o comunicado de imprensa da organização. O novo programa dos cursos, a ser lançado no próximo ano lectivo, compreende uma série de actividades como ballet, dança chinesa, canto, representação teatral, dança moderna, jazz e latina ou composição musical e técnicas de oratória. No entanto, esta iniciativa do CM não compreende apenas aulas práticas, complementando-as, sim, com o ensino teórico de disciplinas como teoria da música, história da música ocidental e chinesa, ou introdução ao teatro e análise de guião, diz a nota e imprensa.
h
hoje macau quinta-feira 24.4.2014
ARTES, LETRAS E IDEIAS
12
Michel Reis
Hong Kong “Without End” de Alberto Giacometti
O ESPAÇO É O CANCRO DO SER
A
sucursal de Hong Kong da Galeria Gagosian, de Nova Iorque, que representa alguns dos mais conceituados artistas do mundo, inaugurou no passado dia 13 de Março a exposição “Without End” de Alberto Giacometti, a qual inclui o conjunto completo de litografias Paris sans fin (Paris sem fim) do artista, assim como importantes esculturas, pinturas, desenhos, fotografias e materiais de arquivo do mesmo período, lançando nova luz sobre a criação de um dos principais livros de artista do séc. XX. Desde os anos 30 e até à sua morte em 1966, Giacometti investigou continuamente as possibilidades de representar de modo exacto o que via perante si. “Giacometti: Sem Fim” celebra a sua cidade e pessoas favoritas em 150 litografias com texto, produzidas para um livro de artista-diário entre 1959 e 1965. A maqueta inicial, assim como litografias e desenhos raros destinados ao livro, são apresentados nesta exposição pela primeira vez. Também em exibição, encontram-se várias esculturas em bronze, incluindo Diego (tête au col roulé) (c. 1954) e Annette assise (petite) (1956) e pinturas como Caroline (1965). Manuscritos originais e uma selecção de retratos fotográficos por Henri Cartier-Bresson, Eli Lotar, Jack Nisberg e outros proporcionam um cenário contextual para este projecto de livro que ocupou Giacometti durante quase seis anos. O maior empreendimento de Giacometti foi estimulado e encorajado pelo editor Tériade, um amigo e apoiante desde a altura em que trinta anos antes, no seu papel de crítico de arte, destacou o artista. Mesmo antes deste projecto, Tériade produziu La Ville de Fernand Léger, um livro de litografias que teve também a cidade como tema. Ao contrário dos labirintos urbanos de Léger, as impressões de Giacometti são um relato visual abreviado da sua vida quotidiana – no estúdio e nos cafés, nos grands boulevards, na loja nova do gráfico Mourlot – que demonstram o seu virtuosismo sem pretensões. Como recordou Mourlot, a gama de tons cinzentos que imbuem estas ilustrações com a neblina velada da cidade é em si mesma um feito técnico.
Como nos seus trabalhos litográficos anteriores, Giacometti não desenhou directamente em calcário, como é o método tradicional, mas antes em finas folhas de papel químico, permitindo uma mais fácil portabilidade e uma reprodução mais precisa do desenho original. Ele caracterizou a série como “imagens e memórias de imagens”, uma descrição apropriada das cenas voláteis e fugazes: cruzamentos engarrafados de carros são retratados a par de cabos eléctricos que se cruzam e linhas de ferro suspensas; edifícios históricos rodeados por estes símbolos de mudança são representados numa perspectiva quase plana. A abordagem imediata de Giacometti trata uma grande montagem de maquetas e obras inacabadas na solidão do estúdio; amigos e familiares em movimento; as torres de Saint Suplice e o Boulevard Montparnasse, onde frequentava o Dome e brasseries seleccionadas. Esta reunião em tons de cinzento do passado e do presente, do velho e do novo, encontra-se reflectida nas suas notas contemplativas, escritas para acompanhar os desenhos no crepúsculo da sua vida: O silêncio. Estou sozinho aqui, lá fora é noite, tudo está imóvel e o sono começa a voltar. Não sei quem sou nem o que estou a fazer, nem o que quero. Não sei se sou novo ou velho, talvez tenha centenas de milhares de anos para viver, o meu passado está a desaparecer num abismo cinzento A exposição, curada por Veronique Wiesinger, é acompanhada de um livro de ilustrações elaborado em colaboração com a Fundação Alberto e Annette Giacometti, criada em Paris em 2003 para promover e preservar a obra do artista. A arte de Alberto Giacometti cria uma experiência profunda da figura e do espaço. Centrando-se na qualidade “energética” do vazio (o espaço que rodeia imediatamente uma pessoa ou objecto), a sua obra é ao mesmo tempo conceptual e emocional, anónima e específica, antiga e moderna. Questões de mortalidade, corporização e a condição humana estão manifestas nas suas figuras emaciadas, isoladas no espaço. Através da sua carreira, as suas esculturas, pinturas e desenhos foram des-
hoje macau quinta-feira 24.4.2014
critas como surrealistas, existencialistas e expressionistas; a sua obra ao mesmo tempo aplica-se a todas mas não obedece a nenhuma. Jean-Paul Sartre interpreta poeticamente a noção existencialista de espaço do artista: “Giacometti sabe que o espaço é um cancro do ser, e devora tudo; esculpir, para ele, é tirar a gordura do espaço, ele comprime o espaço, como se para esvaziar a sua exterioridade.”
AS IMPRESSÕES DE GIACOMETTI SÃO UM RELATO VISUAL ABREVIADO DA SUA VIDA QUOTIDIANA – NO ESTÚDIO E NOS CAFÉS, NOS GRANDS BOULEVARDS, NA LOJA NOVA DO GRÁFICO MOURLOT – QUE DEMONSTRAM O SEU VIRTUOSISMO SEM PRETENSÕES Alberto Giacometti nasceu em Borgonovo, na Suíça, em 1901 e faleceu em Chur, na Suíça, em 1966. Está representado nas colecções públicas do Kunsthaus Zürich; Tate Gallery, Londres; MUMOK, Viena e Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque. Algumas das exposições recentes incluem Kunsthaus Zürich (2001); Museum of Modern Art, Nova Iorque (2001); Centre Georges Pompidou, Paris (2007–08); Kunsthal Rotterdam (2008); Museu Pushkin, Moscovo (2008); Fondação Beyeler, Riehen/ Basel (2009); Kunstmuseum Wolfsburg (2010); Museum der Moderne Mönchsberg, Salisburgo, (2011) e Musée de Grenoble (2013). A exposição “Giacometti. La scultura” estará patente na Galleria Borghese, em Roma, até ao dia 25 de Maio de 2014. Trata-se de uma oportunidade única para apreciar o conjunto completo das fabulosas litografias Paris sans fin de Giacometti, que integram, entre outras obras, um dos principais empreendimentos do artista.
artes, letras e ideias 13
14
DESPORTO
hoje macau quinta-feira 24.4.2014
FERNANDO MEIRA, EX-JOGADOR DO BENFICA E AGENTE FIFA
“Com Ronaldo somos claros candidatos Trocou os relvados pelo mundo empresarial e olha para a República Popular da China como uma nação de futuro, também a nível futebolístico. Vestiu a camisola do Benfica e da selecção portuguesa e acredita que um e outra têm o que é necessário para atingir o topo, na Liga Europa e no Campeonato do Mundo de Futebol. De Ronaldo espera maravilhas e de Portugal o encontro decisivo do Mundial. MAR CO CARVALHO
lidade, à espera de uma oportunidade para mostrarem aquilo que valem.
Pendurou as botas, se não estou em erro, há duas temporadas. Já há saudades dos relvados ou nem por isso? Há sempre saudades dos relvados, como é lógico. Aquela vontade, aquele vício de jogar futebol que sempre existiu irá permanecer para sempre. Nunca é fácil colocar um ponto final a um tempo tão longo de dedicação ao futebol. Foram muitos anos a jogar futebol, a treinar, a passar por estágios e por pré-épocas. É uma vida, praticamente e é claro que deixa sempre saudade.
A China, nesse sentido, é um mercado apetecível? A China cresceu em termos económicos, o futebol acompanhou este crescimento. Começa a ser um mercado para o qual os jogadores portugueses estão mais disponíveis? Pelas dificuldades económicas, sim. A China, a exemplo do que acontece com a Rússia e com a Turquia, são mercados com muito poder económico, muito apelativos em termos financeiros e estas características fazem com que os jogadores aspirem a competir neste tipo de Campeonatos e procurem muito este tipo de mercado. As dificuldades económicas em Portugal são muitas e de um maneira geral os contratos são muito baixos. O que não falta são jogadores ambiciosos que fazem tudo por jogar num Campeonato com mais qualidade, com mais nome, com mais visibilidade do que o campeonato chinês.Ainda assim, para jogadores que já estejam mais perto dos 30, o campeonato da República Popular da China é um campeonato cada vez mais apetecível.
info@hojemacau.com.mo
Continua ligado ao futebol, ainda que de uma forma menos visível. Perguntava-lhe primeiro: continua a existir muito talento em Portugal ou o talento é um bem escasso? Na sequência daquela geração de ouro que venceu o Campeonato do Mundo de Juniores em Lisboa e em Riad apareceu uma geração que deixou o nome de Portugal muito bem visto pelo mundo fora. Este cenário alterou-se? É fácil encontrar jogadores com a mesma projecção para colocar fora de portas? Não, não é fácil. Não é fácil e não há quem invente jogadores talentosos ou quem os descubra com mais facilidade. A meu ver, o protótipo do jogador com talento vai-se alterando e falamos de gerações completamente diferentes. Hoje em dia, os jogadores têm algumas características que antigamente não se evidenciavam tanto. O jogador era mais humilde, mais trabalhador e mais dedicado. Hoje em dia, há um sem fim de distracções que apartam os jogadores do jogo propriamente dito, o que faz com que seja cada vez mais difícil descobrir o que denominámos de talentos natos. Essencialmente é no jogador de rua, no jogador com mais dificuldades que este talento nato ainda subsiste. É claro que há excepções, mas em Portugal continuamos a ter jogadores muito interessantes, jovens com muita qua-
A empresa que constitui com o Pedro Mendes e o Nuno Assis já conseguiu, de resto, colocar jogadores no mercado chinês. Como tem sido a adaptação destes jogadores? Têm a preocupação de acompanhar a prestação destes atletas? Por aquilo que fizemos, por aquilo que criamos ao longo deste ano e meio de actividade empresarial, não podemos dizer que temos grandes razões de queixa: as pessoas e os clubes procuram-nos porque acreditam no nosso projecto e na nossa maneira de trabalhar. Acreditam na nossa palavra, o que é para nós muito importante. Colocámos os nossos jogadores em função da qualidade das equipas e, por isso mesmo, da RPC já nos solicitam mais jogadores, como solicitam de resto da Polónia e da Turquia. Acho que é importante fazer um trabalho transparente, construir relações tendo
por base a confiança de forma a deixar claro que quando colocámos um jogador o que queremos sempre é que ele seja uma mais valia. Não o fazemos apenas para receber uma comissão ou para despachar um jogador, digamos assim. Claro que está que este é um processo que demora o seu tempo e a nível económico, aquilo que queremos é obviamente ganhar dinheiro, mas queremos ganhar dinheiro a médio prazo porque o essencial neste tipo de negócio é criar uma boa imagem, uma boa estrutura, algo em que os jogadores se possam apoiar e onde os clubes possam encontrar mais valias. Não há muitos jogadores que, depois de pendurarem as botas, optem por dar continuidade à carreira neste ramo do negócio. Há ex-futebolistas que procuram afirmar-se no banco como treinadores, outros que ficam ligados à estrutura directiva de clubes, mas poucos procuram singrar, como vós, de uma forma tão independente. É um risco também? Claro que é um risco. Na vida tudo
implica, de uma ou de outra forma, alguma dose de risco. Não vou mentir. A vertente de treinador sempre foi uma possibilidade que me interessou e que me daria imenso prazer também, mas pelos imensos contactos que tanto eu como o Pedro Mendes fomos fazendo ao longo da carreira, estamos convencidos que esta vertente é uma vertente interessante. É uma faceta do mundo do futebol que nenhum de nós conhecia de uma forma abrangente , mas que faz parte do jogo. É importante conhecer os preceitos directivos, o lado do manager, é preciso saber também motivar o jogador fora de campo. Dentro de campo compete ao treinador fazer esse trabalho, mas fora das quatro linhas é sempre necessário que alguém o faça. É uma faceta que nos motiva porque, de uma maneira ou de outra, sabemos aquilo de que um jogador precisa fora dos relvados , estamos cientes do aconselhamento que é necessário fazer à margem dos treinos e dos jogos. É necessário, por exemplo, proceder a uma análise ao rendimento dos jogadores, dar um palavra de carinho quando o jogador
está desmotivado e tentar acalmar um bocadinho os ânimos quando as coisas estão muito empolgadas ou quando um jogador está muito confiante. A confiança em excesso, por vezes, por um motivo ou outro, não é boa conselheira. Há jogadores que por vezes são pouco humildes e aí, a única solução, é dar-lhes na cabeça. No futebol é importante que os atletas tenham ao seu lado pessoas credíveis, pessoas que lhes digam aquilo que deve ser dito e nós enveredamos muito por esse caminho. Acreditamos que estas são responsabilidades que cabem aos agentes FIFA. Sabemos que é um caminho longo, que exige que se criem raízes e boas relações porque, em última instância, é isto que vai ditar a qualidade da nossa empresa. Ao longo deste ano e meio o investimento tem sido muito. Já tivemos algumas receitas, mas este é sobretudo um trabalho de paciência e de dedicação. Estou convicto de que num período de dois anos, três anos no máximo, a nossa empresa terá uma visibilidade e uma estrutura muito maior.
desporto 15
hoje macau quinta-feira 24.4.2014
à vitória no Mundial” O futebol português dispõe de bons protagonistas, tem quatro ou cinco clubes com grande visibilidade à escala europeia... Ainda assim não chega sequer aos calcanhares da Premier League no que toca à popularidade de que goza o futebol inglês nesta zona do planeta. Falta promoção ao futebol português, neste sentido? Essa é a principal dificuldade e o panorama económico não ajuda muito. Não é fácil atrair um investidor para investir tanto no Benfica como investe no Manchester United, com todo o respeito que tenho pelo Benfica. É importante que se saiba diferenciar um pouco as realidades de ambos os países. Portugal tem vivido nos últimos anos grandes dificuldades, o que coloca sempre muitos entraves à entrada de capital nos clubes a título de investimento. É claro que os três grandes têm uma grande vantagem em relação aos outros clubes e por aí podemos ver as dificuldades de que se acomete hoje em dia o futebol português, com falta de capital, com falta de dinheiro para cumprir as obrigações dos clubes. A meu ver deveria existir outro tipo de rigor e outro tipo de cultura a nível federativo que obrigasse as equipas a ter um limite de sete, oito jogadores portugueses a jogar de início, eventualmente criar um limite de jogadores estrangeiros numa convocatória, de modo que o expediente da formação fosse potenciado e os planteis fossem constituídos à base de jogadores portugueses e não à base de jogadores estrangeiros. Por vezes existem plantéis com quinze ou dezasseis jogadores estrangeiros, onde pontificam apenas seis ou sete jogadores portugueses. Deveria ser ao contrário. As equipas deviam ter uma base de jogadores formados em Portugal. Se assim fosse teríamos um futebol mais competitivo, uma selecção nacional mais forte e, sobretudo, um futebol com uma imagem bem mais credível. Por vezes são contratados jogadores estrangeiros com salários muito superiores aquilo que recebe um jogador formado em Portugal e esses mesmos jogadores estrangeiros não têm, por vezes, metade da qualidade dos jogadores portugueses. O mais das vezes dispõem, ainda assim, de muito mais oportunidades do que aquelas que dispõem os jogadores portugueses
e isso deixa-me imensamente triste. Apenas uma alteração estrutural poderia alterar este cenário. Vestiu durante algumas temporadas a camisola do Benfica. O clube da Luz está a fazer, pelo segunda temporada consecutiva, uma carreira memorável na Liga Europa. O plantel encarnado tem aquilo que é necessário para conquistar a competição? Tem aquilo que é necessário que é a oportunidade. Vai ter a oportunidade, mas como é lógico, é preciso primeiro que chegue à final e que vença. Eu acredito que sim. O Benfica fez o que fez no Campeonato, terminou numa posição muito vantajosa e o facto de ser ter sagrado campeão poderá impulsionar animicamente a equipa na Liga Europa. A conquista do Campeonato irá galvanizar muito mais a equipa, irá deixar os jogadores muito mais confiantes e poderá ser o “click” de que o Benfica necessita para conquistar a Liga Europa. Espero bem que sim. Seria bom para o Benfica e também, como é óbvio, para o futebol português. Jogou no Benfica mas nunca escondeu a sua predilecção pelo Vitória de Guimarães. O clube não tem estado tão bem esta temporada, com um rendimento que ficou um tanto ou quanto aquém das expectativas... Claramente. Abaixo das expectativas porque o ano passado foi um ano em que as coisas correram muito bem. Existia um objectivo muito concreto, exponenciado por dificuldades financeiras e pela necessidade de reter custos, que passava por uma aposta na formação. Este ano, infelizmente, as coisas não têm corrido muito bem a nível desportivo. Penso que também faltou um pouco de sorte num ou noutro jogo. A equipa técnica tem feito, de uma maneira geral, um trabalho positivo, maculado apenas por uma recta final do Campeonato em que as coisas têm sido claramente mais complicadas. A vida de um treinador não é fácil e o Rui Vitória, parece-me, de uma maneira geral tem feito um bom trabalho no Vitória e é importante que acreditemos até ao fim, que deixemos terminar a temporada para depois, aí sim, operar um rescaldo daquilo que foi a época do Vitória. Mesmo a nível directivo, esta
Por vezes existem plantéis com quinze ou dezasseis jogadores estrangeiros, onde pontificam apenas seis ou sete jogadores portugueses. Deveria ser ao contrário. As equipas deviam ter uma base de jogadores formados em Portugal
Para jogadores que já estejam mais perto dos 30, o campeonato da República Popular da China é um campeonato cada vez mais apetecível questão que agora surgiu da Liga e da possibilidade do Júlio Mendes poder vir a integrar os órgãos da Liga Portuguesa de Futebol não tem sido muito positiva para o clube. Tem-se criado alguma ansiedade no seio dos sócios do Vitória e isso parece-me que pode ser prejudicial para a equipa porque a pressão é maior, a ansiedade também. Parece-me que, de certa forma, esta poderá ter sido a causa de alguns dos maus resultados do Vitória. Deve ou não continuar Rui Vitória à frente da equipa? É complicado. Como lhe disse, acho que é prematuro estar a debater esta questão neste momento. Os sócios do Vitória devem acreditar no treinar e deixar que ele faça o seu trabalho até ao final da temporada e depois, aí sim, devemos operar um balanço daquilo que foi a época do Vitória. Isto é o deveria ser feito com todos os treinadores. Acho ridículo quando se fazem contratos com treinadores com três e quatro e cinco anos. Um treinador vive quase dos resultados do dia-a-dia, mas cada clube sabe de si. A meu ver, o treinador devia assinar apenas contratos anuais para que não houvesse lugar ao pagamento das indemnizações milionárias que se pagam por vezes quando se despede os treinadores. Temos o campeonato do mundo à porta. O Fernando Meira envergou a camisola da Selecção Portuguesa durante alguns anos. Esta selecção que vai disputar o Campeonato do Mundo. Perguntava-lhe primeiro: é candidata? Segundo: é mais ou menos forte do que a selecção na qual evoluiu? A nível de qualidade creio que são ambas muito idênticas. Na altura tínhamos uma selecção mais madura, com mais experiência. Os jogadores
que integram esta selecção também têm alguma experiência, mas não podemos esquecer que são gerações diferentes, acima de tudo. Em termos de qualidade, em termos qualitativos acho que são selecções muito semelhantes. As ambições, claramente, terão que ser as mesmas porque Portugal tem tido presenças muito positivas nas fases finais quer dos Campeonatos da Europa, quer dos Campeonatos do Mundo e por aquilo que foi a trajectória de Portugal, por aquilo que o Cristiano Ronaldo também tem feito na sua carreira a título individual, o facto de termos o melhor jogador do mundo quase que nos obriga a sermos candidatos. É, no entanto, importante que este seja o pensamento dentro da nossa selecção. Estou certo que será, concerteza. Estou certo que todos nutrem a ambição de querer chegar longe, de querer ganhar um título. Essa ambição deve ser transmitida cá para fora, mas nunca de uma forma descarada, porque por vezes a pressão não é muito positiva. É importante que sejamos ambiciosos mas que tenhamos os pés no chão e que conheçamos as nossas limitações... É ou não um grupo de trabalho demasiado dependente de Cristiano Ronaldo? Não. É óbvio que o Cristiano Ronaldo, onde esteja, deixa sempre a sua marca. No Real Madrid coloca-se, certamente, a mesma pergunta porque quando há um jogador com a qualidade do Ronaldo ele faz a diferença. E faz quer numa selecção, quer na equipa que representa, que é o Real Madrid. O Real Madrid com o Ronaldo é uma equipa, sem o Ronaldo é outra equipa completamente diferente. A selecção portuguesa funciona na mesma medida. Com o Cristiano Ronaldo somos claros candidatos a fazer um grande Mundial. Se não tívessemos o Ronaldo seria muito mais difícil, mas Portugal terá sempre as suas armas e se não tívessemos o Ronaldo teríamos certamente outros jogadores a aparecer em grande forma, mas claro... O Ronaldo é o Ronaldo e espero que ele possa fazer um grande Mundial e ajudar Portugal a ir à final, pelo menos... Sendo Portugal à partida candidato, quais poderão ser os principais adversários. O Brasil, por jogar em casa, é um candidato óbvio? Essencialmente o Brasil, a Alemanha e a Espanha. O Brasil tem o factor casa a seu favor, tem Luís Filipe Scolari, que conhece bem quer o futebol europeu, quer o futebol brasileiro e é um seleccionador com muita experiência, que trabalha muito bem também a nível psicológico. A Alemanha também é candidata, sobretudo pela irreverência que coloca no jogo, pela qualidade, pela juventude. Penso que é uma selecção também extremamente forte. A Espanha pela qualidade que tem o seu futebol, a sua Liga: o Barcelona e o Real Madrid podem acrescentar bastante a esta selecção espanhola. Estes são a meu ver os candidatos que reúnem uma maior qualidade, sendo que, a meu ver, o Brasil se perfila como o principal candidato ao título.
Ferguson opina na sucessão de Moyes
Sir Alex Ferguson vai ser auscultado pela Direção do Manchester United no processo de escolha do sucessor de David Moyes. Segundo notícia veiculada pelo The Guardian, a opinião do antigo manager será tida em consideração apesar de entre a cúpula dirigente do clube prevalecer a convicção de que Ferguson errou ao indicar o seu compatriota para o cargo de treinador dos red devils. Adianta a mesma fonte que Louis van Gaal e Carlo Ancelotti são os nomes que geram maior consenso em Old Trafford para assumir o comando técnico da equipa.
Barcelona Suspensa proibição de inscrição
O presidente do Comité de Apelo da FIFA, Larry Mussenden, decidiu, esta quarta-feira, suspender a sanção aplicada ao Barcelona de inscrever jogadores nas próximas duas janelas de transferência. Mussenden justificou a decisão com a «complexidade da matéria e a data de início do próximo período de inscrição, a 1 de julho». Assim, o comité alega não poder tomar uma decisão definitiva «a tempo de garantir um eventual recurso do clube no Tribunal Arbitral do Desporto (TAS)». Recorde-se que a FIFA tinha decidido impedir o Barcelona de inscrever jogadores nas próximas duas janelas de transferência, na sequência de irregularidades na contratação de jogadores extracomunitários menores de idade. O clube catalão havia, então, anunciado um recurso para o Comité de Apelo da FIFA. Desta forma, o Barcelona poderá inscrever jogadores até que o Comité de Apelo decida definitivamente sobre o recurso.
Mourinho critica calendarização
José Mourinho voltou a criticar a calendarização dos jogos da Premier League, tendo em conta que jogará no próximo domingo, frente ao Liverpool, importante jogo no que diz respeito ao título inglês. «O problema não está nas minhas mãos, mas sim em quem decidiu que o jogo seja no domingo em vez de ser sexta ou sábado», afirmou o treinador português, que encontra o Liverpool entre os dois jogos frente ao Atlético Madrid, das meias-finais da Liga dos Campeões. «Representamos o futebol inglês, pois somos a única equipa inglesa nas competições europeias. Espanha tem quatro equipas nas meias-finais e têm todas as condições para que tentem atingir o sucesso», considerou. Mourinho revelou então que vai falar com a Direcção do clube para definir qual deverá ser a aposta. «Por mim, jogaremos com o Liverpool com os jogadores que não vão jogar na quarta-feira com o Atlético Madrid. Mas eu não sou o clube, eles é que decidem», explicou, assumindo que em termos pessoais a sua prioridade será a Liga dos Campeões.
16 publicidade
hoje macau quinta-feira 24.4.2014
( F ) UTILIDADES
hoje macau quinta-feira 24.4.2014
TEMPO
Cineteatro
C H U VA
FRACA
MIN
22
MAX
25
HUM
80-98%
•
EURO
11.0
BAHT
0.2
YUAN
17
1.3
POR MIM FALO
CINEMA
Pu Yi
THE DEMON WITHIN SALA 1
THE DEMON WITHIN [C]
(FALADO EM CANTONÊS E LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Dante Lam Com: Daniel Wu, Nick Cheung, Liu Kai Chi, Dominic Lam, Andy On 14.30, 16.30, 19,30, 21.30 SALA 2
RIO 2 [A]
(FALADO EM CANTONÊS) Um filme de: Carlos Saldanha 14.15, 16.00, 19.30
RIO 2 [3D] [A]
(FALADO EM CANTONÊS)
Um filme de: Carlos Saldanha 17.45
CAPTAIN AMERICA: THE WINTER SOLDIER [B]
Um filme de: Anthony e Joe Russo Com: Chris Evans, Scarlett Johansson, Samuel L. Jackson 21.30 SALA 3
BILOCATION [C]
(FALADO EM JAPONÊS E LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Mari Asato Com: Mari Asato, K. Takitoh, Kento Senga 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
ACONTECEU HOJE
Um sonho chamado Hengqin
24 DE ABRIL
Os gregos entram na cidade de Tróia escondidos no mítico Cavalo • O dia 24 de Abril marca a entrada dos gregos em Tróia: os troianos julgam que aquele gigante cavalo era uma prenda, símbolo de rendição, e abrem as portas da cidade. Os gregos, escondidos no lendário Cavalo de Tróia, tomam a cidade, para depois a incendiarem e destruírem. Corria o ano de 1184 antes de Cristo. O Cavalo de Tróia, segundo narrativas lendárias associadas à conquista daquela cidade da costa oriental do mar Mediterrâneo, no extremo oeste da Anatólia, foi um artefacto de madeira, utilizado pelos gregos para abrigar o seu exército, de forma a permitir uma entrada segura em Tróia, evitando a muralha que a protegia. O gigantesco cavalo é deixado à porta da cidade. Os troianos julgam que se trata de uma oferta (sinal de rendição do exército inimigo) e abrem as muralhas. A 24 de Abril de 1184 antes de Cristo, o Cavalo de Tróia – construído de madeira e totalmente oco no interior – entra na cidade, com soldados escondidos e bem abrigados. Narra a lenda que Laocoonte, sacerdote de Apolo, foi o único troiano que se manifestou contra a ideia de colocar o cavalo dentro das portas da cidade. Os gregos entraram na cidade sem qualquer bloqueio, tomaram Tróia, incendiaram e destruíram-na. A ideia de criar o Cavalo de Troia terá sido de Odisseu, considerado o guerreiro mais sagaz da Ilíada. O construtor do presente envenenado dos troianos foi Epeu. O Cavalo de Tróia só é descrito com pormenor na Eneida, obra de literatura latina que conta a história da fundação de Roma. Hoje, assinalam-se o Dia Internacional do Jovem Trabalhador e o Dia Internacional do Milho.
U M L I V R O H O J E ON THE ROAD - JACK KEROUAC (1957) On The Road é uma das obras mais aclamadas do escritor norte-americano Jack Kerouac. Há quem diga, ao ler o manuscrito original, que On The Road foi produzido sob o efeito de opiáceos e com muitos copos à mistura. Talvez por isso, este livro seja o que melhor descreve o submundo urbano e boémio dos anos 40 e 50 em grandes centros norte-americanos, como Nova Iorque. A história gira em volta de amores e dissabores, de objectivos atingidos e falhados. As personagens Sal, Dean Moriarty, Marylou e Carlo estão imersas no psicadélico mundo dos Beatnicks, geração suburbana do final da década de 50 que sucedeu aos Beats. Sal é, na verdade, o alter-ego do autor e Dean é Neal Cassady, outro conhecido “militante” Beatnick. Ouviam jazz e blues, bebendo álcool, fumando marijuana e estendendo a sua arte – fosse ela a pintura, a escrita ou a representação – até onde fosse possível. Na verdade e tal como On The Road demonstra, tudo era levado ao limite. Mas desengane-se quem pensa que esta obra apenas reflecte o lado boémio e tresloucado do pós-guerra nos EUA. On The Road explica a luta interior dos elementos de uma geração altamente incompreendida, para quem o materialismo era uma doença e o meio artístico, a cura. Há dois anos, o realizador Walter Salles decidiu transportar este romance para os grandes ecrãs. Ainda que se trate de uma interpretação bastante fiel, a adaptação cinematográfica acaba por não conseguir passar a emoção de Kerouac para a tela. Ainda assim, vale a pena ver o filme, ainda que seja só para tirar as teimas. - Leonor Sá Machado
fonte da inveja
Não há casino que não dê em fartura.
João Corvo
O Chefe do Executivo foi terça-feira à Assembleia Legislativa (AL) pela primeira vez este ano. Até aqui, tudo bem, não fosse 2014 ser um ano de eleições para este cargo. Até agora não se vislumbram outros candidatos e Chui Sai On será, muito provavelmente, o próximo Chefe do Executivo. Esperava-se um pouco mais (esperamos sempre) do discurso e das explicações do Chefe do Executivo, mas ficamos com a sensação que no Governo habita o marasmo do costume. Por entre fracas ou nenhumas resoluções para o problema da habitação, Chui Sai On falou das galinhas vivas e fez uma promessa, só para nos lembrar que é um político: vai pedir a Pequim mais terrenos na Ilha da Montanha para as empresas locais e para a habitação pública. Tendo como exemplo o mais recente processo de atribuição de terrenos em Hengqin, onde no topo ficaram empresas como a do deputado Chan Chak Mo e de outros grandes empresários com muitos milhões nas contas bancárias, resta-nos pensar que os futuros terrenos poderão ser só para inglês ver.
18
OPINIÃO
hoje macau quinta-feira 24.4.2014
Bali ou dois mundos JULIA ROBERTS EM “EAT PRAY LOVE”
A diferença entre países europeus e muitos países asiáticos torna-se patente por exemplo se compararmos a sorte das empregadas domésticas em Macau e em Portugal. Em Portugal as “empregadas” têm casa própria, vivem com o marido, os filhos, têm muitas vezes um carrito. Em Macau as “domestic helpers” vivem separadas do marido e dos filhos, em apartamentos em que têm de partilhar o quarto (já não digo a casa) com mais 2 ou 3 companheiras. Isto para não falar das horas de trabalho. E se não gostarmos desta comparação “feminina” podemos pôr em confronto a situação dos trabalhadores não residentes em Macau com a dos operários portugueses em França, que têm liberdade de procurar emprego, vivem em casas confortáveis, têm direito a serviços de saúde, à reunião familiar, e inclusive a votarem.
UMA LUZINHA DA CIVILIZAÇÃO
N
António Manuel de Paula Saraiva O Domingo de Páscoa encontrei uma amiga que voltava de Bali (Indonésia). Vinha toda entusiasmada: “É lindo, ainda não foste lá? Tens de ir!” E o marido da minha amiga acrescentou: “Saindo do aeroporto andamos uma meia-hora por um caminho ladeado de casas abarracadas, em madeira e lata, que a selva parecia ir engolir. A certa altura deparamos com uma barreira com guardas, que revistaram minuciosamente o carro onde íamos, inclusive a parte debaixo do chassis - em tempos houve em Bali um atentado terrorista. Depois entramos no resort- a estrada era macia, muito bem pavimentada, havia flores por todo o lado, era tudo muito bonito”. De facto todos dizem que Bali é um pequeno paraíso. A mãe de Paulo Portas, senhora muito viajada, afirmou em Portugal na TV ser Bali “o sítio mais bonito que conhecia”.
DOIS MUNDOS
A descrição da viagem do aeroporto ao resort – começando por uma estrada ladeada por edifícios sem qualidade, o contraste com o agradável resort e a barreira que separa os
Por isso tenho certo orgulho em pertencer a um PIGS - e certa vergonha quando no meu próprio país alguns falam em “privilégios”, acrescentando que “temos que nos adaptar às novas realidades do Mundo”. É que, por gostar de todos os homens – e não só dos do meu próprio país – gostaria que todos tivessem tais “privilégios”. E que se a Europa os perder tal será muito mau para todo o Mundo, pois se apagará uma das luzinhas – não há única, mas certamente uma luz- da civilização. dois mundos - são certamente familiares à maioria dos leitores, pois encontram-se quando se viaja para destinos turísticos em muitos países da região. No fundo traduzem o facto de tais países estarem divididos entre dois mundos – o mundo dos pobres, mal concebido urbanisticamente, em que as habitações são precárias ou de fraca qualidade, faltam os esgotos, abunda a sujidade e as estradas têm buracos – e o mundo dos afortunados da sorte, limpo, florido, organizado e seguro.
LA PEUR
O contacto entre os dois mundos é evitado, pois os “ricos” não querem (e com certa razão) ser importunados com os pedidos dos “pobres”, que, além de lhes pedirem esmola ou quererem vender artigos ou serviços de má qualidade os podem inclusivamente roubar, sujar, ou transmitir doenças (em Cuba existe mesmo uma lei que proíbe importunar turistas). Assim o medo é um dos preços desta situação - pude verificar pessoalmente no Brasil que os cidadãos “do asfalto” têm medo dos “do morro” (os favelados). Também por relatos de meus amigos sei que o mesmo se passa em muitas outros países. E ainda há dias o “atleta sul-africano sem pernas”, Pistorius, desculpou-se de ter morto a namorada por ter ouvido barulhos e “ter medo”. Lá onde estiverem Nelson Mandela e
A diferença entre países europeus e muitos países asiáticos tornase patente por exemplo se compararmos a sorte das empregadas domésticas em Macau e em Portugal Martim Luther King (1) não se hão-de sentir muito confortáveis com estas notícias.
UM MUNDO
E aí lembrei-me do meu Portugal. Um país vilipendiado, que faz parte do grupo dos PIGS (porcos) (para quem não saiba PIGS corresponde a Portugal, Italy, Greece, Spain), só bom (mesmo no dizer de muitos portugueses de Macau) para “passar férias”. Mas um Portugal onde saímos de casa e encontramos pessoas “normais”. Onde os naturais vão aos mesmos cafés e restaurantes que os turistas. Onde não há praias privativas. Onde, embora haja também uns mais ricos e outros mais pobres, não há dois mundos. A situação de Portugal não é como se sabe única: é a de Espanha, Itália, Suiça, Alemanha...
TAIPA, 22 DE ABRIL DE 2014
(1)Nelson Mandela é bem conhecido dos leitores pela sua luta contra o «desenvolvimento separado» ou «apartheid na África do Sul - no fundo uma situação em que havia “dois mundos ; Martin Luther King (1929-1968) um pastor americano negro celebrizou-se pelo seu discurso “I have a dream”, pronunciado em Washington em 1963 :”I say to you today, my friends, that in spite of the difficulties and frustrations of the moment, I still have a dream. It is a dream deeply rooted in the American dream. I have a dream that one day this nation will rise up and live out the true meaning of its creed: “We hold these truths to be self-evident: that all men are created equal.” I have a dream that one day on the red hills of Georgia the sons of former slaves and the sons of former slaveowners will be able to sit down together at a table of brotherhood. I have a dream that one day even the state of Mississippi, a desert state, sweltering with the heat of injustice and oppression, will be transformed into an oasis of freedom and justice. I have a dream that my four children will one day live in a nation where they will not be judged by the color of their skin but by the content of their character. I have a dream today.” Luther King viria a ser assassinado em 1968 por um extremista defensor da supremacia branca.
opinião 19
hoje macau quinta-feira 24.4.2014
LEOCARDO
bairro do oriente
24 de Abril
F
OI neste dia há exactamente quarenta anos que Portugal viveu o último dia debaixo da mão autoritária ditadura do Estado Novo, que durou 48 anos. Atendendo a este facto, pode-se dizer que ainda é cedo para fazer um balanço do que foram quatro décadas de democracia. Quem tem hoje 88 ou mais anos “ainda não se habituou”, e se calhar ainda pensa que estes 40 anos “são uma fase”, e que um dia destes “deixamo-nos de brincadeiras”, e volta tudo a ser como antes do dia 25 de Abril de 1974 – regressamos ao 24 de Abril. Ai que estávamos tão bem. Estávamos muito melhor, então não era? Eu não sei, não estava lá e não vi nada, mas “pior do que está agora é impossível”. Se isto “está cada vez pior”, se cada Natal “é o pior de sempre”, o desemprego e os cortes são tantos que “qualquer dia pagamos para trabalhar”, e sinceramente “não sei onde isto tudo vai parar”, é sinal que “caminhamos para o abismo“, e para complicar ainda mais as coisas, nunca mais lá chegamos. Esta coisa do 25 de Abril foi um barrete. Oiçam com atenção os gajos que nem eram nascidos no tempo do Estado Novo, ou que ainda liam pela cartilha do imenso império que se estendia “do Minho até Timor”, em que “todos eram igualmente portugueses”, fossem eles nascidos no Bombarral ou no Quelimane. Porque haviam de nos querer largar a mão, estes nossos irmãos, se os macondes dançavam o vira no planalto de Mueda e em Panguim os gentios aprendiam a rezar a Deus, ao único e ao verdadeiro, e não àqueles de faz-de-conta, com seis braços e tromba de elefante. Era cada macaco no seu galho – salvo seja, salvo seja. Escutaram os senhores? Muito bem, agora recomendem-lhes um bom psiquiatra, ou um lar da terceira idade mais ou menos decente onde possam curtir a demência até que o doce abraço da morte os leve deste mundo terrível, onde mal ou bem se podem eleger os Governos, sair do país quando bem se entender, dizer o que se pensa sem ser preso e ir de Lisboa ao Porto de carro em menos de nove horas. “Não era assim tão mau, o problema era a PIDE”, dizem eles em sua defesa. Realmente era tudo uma maravilha, desde que não se abrisse a boca para protestar, mesmo que nos estivessem a “papar” inteirinhos – era só passar um bocadinho de vaselina e já não doía tanto. Quando os jovens de hoje, esses “preguiçosos que não sabem nada”, escutam os avós a bradar inanidades do género “no meu tempo vivia-se com quinhentos mil réis por mês e
um papo-seco custava dois tostões”, ficam boquiabertos a pensar: “que língua é esta”, e “o que é réis, tostões e papos-secos?”. E a educação, que agora está na moda dizer-se que nos tempos da outra senhora “tinha mais qualidade”? De facto não falta quem
Se tantos suspiram pelo 24 de Abril, será que se pode dizer que aprendemos alguma coisa com o 25?
assine por baixo dessa ridícula presunção, ao ponto de se chegar mesmo a afirmar que “um diploma da 4ª classe valia mais que muitos cursos superiores hoje em dia”, e que “se aprendiam os rios e as serras”. Sim, bem sei que a negligência do meu sistema educativo pós-abrilesco me vai sair cara um dia, quando numa situação de vida ou de morte não souber que o rio Tua nasce da junção dos rios Tuela e Rabaçal, ou que o cultivo da castanha era a principal actividade económica das populações da Serra da Gardunha até 1930. No período a seguir à revolução que amanhã assinala o seu 40º aniversário, e após assentar a poeira levantada pelos excessos do PREC, começaram a surgir os “saudosistas”, os tipos que achavam que antes é que as coisas andavam na linha – e se calhar andavam, pelo menos para eles. Na geração seguinte apareceram os neo-saudosistas, uns fedelhos que sem saberem do que falam afirmam peremptoriamente que no tempo do “tio Salazar” é que isto era bom, que “não existia criminalidade”, e depois de olharem para um lado e para o outro para se certificarem que não chegam a casa com uns dentes a menos, sussurram “...e os pretos estavam todos em África”, e concluem com algo do género “não se viam aí essas poucas-vergonhas, como a pedofilia, por exemplo”. E se calhar não se via mesmo, e eu próprio também nunca vi um esquimó, portanto posso afirmar categoricamente que os esquimós não existem. E sabem o que mais não tínhamos antes desse malfadado dia 25 de Abril? A SIDA! E a pornografia “online”. Vêem, como estávamos mesmo melhor? Quarenta anos depois de nos terem posto à frente a democracia, não soubemos o que fazer com aquilo. Até podia ser que a intenção fosse boa, e talvez a culpa seja daquele maldito gene lusitano, que nos torna alérgicos à pontualidade, à organização e à gestão racional em nome de um bem comum, em vez dos caprichos individuais. Ironicamente, e já com uma democracia plena, firmada, e com idade para ter juízo, elegemos o tal Salazar como “o maior português” da nossa quasi-milenar História. E digo ironicamente porque o próprio Salazar não era lá grande adepto de eleições, o que vendo bem até nos poupava algum tempo, pois no fim ele ganhava na mesma. Se tantos suspiram pelo 24 de Abril, será que se pode dizer que aprendemos alguma coisa com o 25? Quem sabe um bom par de tabefes dado pelos pides ou umas férias naquela sauna “vintage” que dava pelo nome de Tarrafal ajudasse a uma reflexão mais profunda.
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Redacção Joana Freitas (Coordenadora); Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; José C. Mendes; Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com. mo Sítio www.hojemacau.com.mo
hoje macau quinta-feira 24.4.2014
cartoon
OBAMA NA ÁSIA
por Stephff
«Não devemos esfolar um coelho antes o caçar. E eu que estou aqui e sou coelho, não gostaria de ser caçado antes de terminarmos», disse Passos Coelho esta manhã, a propósito da decisão sobre a melhor forma de saída do programa de assistência. O primeiro-ministro sublinhou que a decisão só será anunciada após a conclusão da 12ª avaliação e que irá ter lugar até 5 de Maio. «Não quero alimentar nenhuma especulação. Por uma razão de natureza formal, não concluímos ainda a 12.ª avaliação», disse Pedro Passos Coelho. «Conseguimos chegar à última avaliação com a perspectiva séria de que vamos encerrar este programa de forma bem-sucedida. Foi por não nos conseguirmos financiar nos mercados que tivemos que pedir o resgate. Agora já o conseguimos fazer, então podemos dispensar o resgate», afirmou ainda.
Alain Robert escalou Galaxy
O ‘alpinista’ urbano Alain Robert escalou ontem a torre mais alta do resort Galaxy, em Macau, numa iniciativa do grupo de entretenimento e jogo no âmbito do lançamento de actividades promocionais do filme “The amazing Spider-man 2”. O “homem aranha sem poderes”, como se classifica, adicionou assim mais um edifício à lista dos mais de 140 que já escalou. “Sempre quis escalar um edifício com cúpula e finalmente consegui”, disse o francês conhecido por escalar arranha-céus em todo o mundo, numa conferência de imprensa após o evento, ao manifestar-se “muito contente” com a façanha. A paixão por esta modalidade, explicou o ‘alpinista’, surgiu aos 11 anos quando decidiu escalar até ao seu apartamento, no quarto andar, depois de se ter apercebido que não tinha chave para entrar em casa. Grande parte das suas escaladas é ilegal e, por isso, Alain Robert conta já com várias detenções em diferentes países, como Portugal, Itália e Brasil. Em Portugal, escalou a Torre Vasco da Gama e a Ponte 25 de Abril, em 2006 e 2007.
D. Bosco junta antigos alunos
Tal como tem feito em anos passados, o Centro de Antigos Alunos do Colégio D. Bosco volta a organizar um jantar para juntar os antigos alunos desta instituição. O evento vai realizar-se no dia 15 de Maio, no Hotel Riviera, na rua Comendador Kou Ho Heng.
Dhlakama Sem Renamo não há eleições
O líder da Renamo, o principal partido da oposição em Moçambique, Afonso Dhlakama, ameaçou impedir as eleições gerais, caso o seu partido não participe no escrutínio, numa entrevista divulgada hoje pelo Canal de Moçambique. A entrevista, de quatro páginas, é a primeira de Afonso Dhlakama nos últimos três meses, depois de ter falado a órgãos de comunicação sociais moçambicanos e estrangeiros, algures a partir da Serra da Gorongosa, centro do país, onde se refugiou em Outubro do ano passado, quando foi desalojado do seu acampamento por uma ofensiva do exército moçambicano. Em declarações ao Canal de Moçambique, o líder da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) ameaçou inviabilizar as eleições gerais (presidenciais e legislativas) de 15 de Outubro, caso o seu movimento não participe no escrutínio.
Passos “Não devemos esfolar o coelho”
PETRÓLEO VENEZUELA QUER DUPLICAR EXPORTAÇÃO PARA A CHINA
Multipolaridade madura A Venezuela quer duplicar as exportações de petróleo para a China e vender mais de 1 milhão de barris por dia, disse o Presidente, Nicolas Maduro, no final de uma reunião com o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês. De acordo com o chefe de Estado da Venezuela, o segundo maior país no mundo com mais reservas petrolíferas, avaliadas em 21 mil milhões de dólares pelo FMI, o país sul-americano vendeu 626 mil barris por dia, no ano passado, à China, um valor só superado pelas exportações para os Estados Unidos, que chegam aos 800 mil barris por dia, apesar das tensas relações diplomáticas entre Caracas e Washington. “Vamos conseguir”, garantiu o sucessor de Hugo Chávez,
no final de uma reunião com o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, que está a efectuar uma visita a vários países sul-americanos, entre os quais a Argentina e o Brasil. “Vamos juntos numa grande aliança estratégica, civilizacional, humana e além disso procuramos dois objectivos - a multipolaridade e a integração económica”, disse Maduro, durante a conferência de imprensa conjunta com o ministro chinês. Na declaração conjunta, Maduro sublinhou que a cooperação entre os dois países “demonstrou o sucesso de um novo tipo de relação que se baseie não no saque económico dos países e na subordinação a condições leoninas”.
O chefe de Estado lembrou que a relação energética com a China serviu para criar “um conjunto de mecanismos de fundos de financiamento que permitiram ao país abordar as tarefas do desenvolvimento económico e criar alianças empresariais para o desenvolvimento tecnológico”. Pequim tem sido uma importante fonte de investimentos para a Venezuela, e em Setembro, quando Maduro visitou a capital chinesa pela primeira vez, a China prometeu investir mais de 20 mil milhões de dólares em petróleo e cooperação social. O comércio entre os dois países ultrapassou os 20 mil milhões de dólares em 2012, de acordo com os números da AFP. Antes do encontro com Maduro, Wang Yi já se tinha encontrado com o seu homólogo venezuelano, oriundo de uma visita a Cuba. A China é o segundo maior parceiro económico de Cuba, depois da Venezuela, e é uma fonte fundamental de financiamento para o único país governado de forma comunista na América do Sul, que está em dificuldades financeiras e é incapaz de obter financiamento da maior parte da comunidade internacional. Os diplomatas chinês e venezuelano debateram a melhor forma de aumentar a relação entre os dois países em áreas como a educação, habitação e assuntos culturais, além do desenvolvimento industrial.
Lua Cheia maior e mais brilhante
A Lua Cheia vai estar hoje maior e mais brilhante do que o habitual, fenómeno que só voltará a repetir-se, nas mesmas condições, dentro de 18 anos. Se o céu estiver limpo, a “Super Lua” pode ser visível entre as 21h, quando nasce, e as 6h de segunda-feira, quando se põe. O fenómeno acontece uma vez por ano, quando a fase de Lua Cheia ocorre perto do perigeu, ponto da órbita da Lua mais próximo da Terra. Nestas condições, a Lua Cheia é maior e mais brilhante. Contudo, no domingo, o tamanho e o brilho da Lua Cheia será ainda maior, uma vez que a Lua Cheia estará mais perto do perigeu orbital, a 21 minutos de distância. A Lua Cheia terá, no domingo, um tamanho 14 por cento maior e será 30 por cento mais brilhante do que a Lua Cheia no apogeu, ponto da órbita da Lua mais distante da Terra.
Grupo salvo de ilhota graças a SOS na areia
Cinco pessoas foram salvas ao largo da costa de Queensland, na Austrália, graças à presença de espírito de escrever a mensagem SOS na areia quando ficaram presos numa ilhota no meio do mar. O grupo tinha saído de barco para fazer mergulho, segundafeira, deixou o barco ancorado e saiu para umas rochas perto, mas a corrente da âncora partiu-se e o barco desapareceu. Duas pessoas tentaram atingir o barco a nado, mas este afastou-se rapidamente, conta a Sky News. Sem comida, água ou telemóveis - que ficaram no barco -, restou-lhes fazer então o pedido internacional de socorro e esperar que um avião visse. Em terra, amigos ficaram preocupados com a ausência das cinco pessoas e começou a operação de resgate, tendo o grupo sido mais tarde avistado por um helicóptero.