ANA BRÍGIDA
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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
PEDRO MEXIA
MOP$10
SEXTA-FEIRA 24 DE FEVEREIRO DE 2017 • ANO XVI • Nº 3760
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
TNR | TRABALHO
TURISMO
Quem Férias põe o fora do carimbo? jogo PÁGINA 4
A SOMBRA DAS LETRAS
PÁGINA 6
FESTIVAL
ESCRITA DE ELITE
Suicídio em Paris JOSÉ SIMÕES MORAIS
Modo de perguntar EVENTOS
PAULO JOSÉ MIRANDA
hojemacau
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ENTREVISTA
CONSTRUÇÃO REGULAMENTOS COMPLEMENTARES AINDA POR FAZER
O seguro morreu de velho
O alerta foi dado pela deputada Kwan Tsui Hang. Apesar do regime das qualificações relacionadas com a construção urbana ter entrado em vigor em 2015, a criação de um diploma complementar para regular a responsa-
bilidade civil do regime, não viu ainda a luz do dia. O seguro é uma das exigências da DSSOPT para a renovação das licenças dos profissionais do sector, sejam eles engenheiros, arquitectos ou urbanistas.
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2 ENTREVISTA
PEDRO MEXIA
“O fim do mundo tem um certo frisson literário” Pedro Mexia é o homem dos sete ofícios literários. Publicou poesia, faz crítica literária, crónicas, comentário político e é um dos membros do Governo Sombra, programa da TSF que passa na TVI 24. Pedro Mexia estará no festival literário Rota das Letras no próximo mês
Comecemos pela política portuguesa. Que balanço faz do Governo liderado por António Costa? É uma novidade, nunca tinha sido tentado e conseguido uma aliança de esquerda no parlamento, assim como nunca tinha acontecido ser o segundo partido mais votado a liderar um Governo. Isso causou alguma perplexidade e acusações, acho eu, despropositadas de ilegitimidade. O que acho que tem acontecido é que estão todos a fazer um esforço bastante grande para que o Governo consiga superar as divergências, muito grandes, que os partidos têm em certas áreas. Nomeadamente nas áreas das questões europeias ou na renegociação da dívida e, eventualmente, em outras que não vieram à baila, como a NATO. Tem havido um certo esforço para maximizar as áreas de concordância, tais como desfazer o que foi feito no Governo anterior nas áreas do trabalho, do rendimento. Também se tem tentado arranjar pontos comuns que permitam cumprir a legislatura. Parece-me que, neste momento, nenhum dos eleitorados dos partidos que apoiam o Governo do PS veria com bons olhos que se tirasse o tapete ao Governo. Está a ser uma legislatura em esforço dado o facto de esta solução ser melindrosa mas, globalmente, do ponto de vista do Governo, parece estar a correr bem. Parece existir uma espécie de extensão político-social que acho que tem beneficiado muito a percepção pública do trabalho do Governo. E como tem visto a actuação da oposição? O PSD tem tido uma atitude um pouco insólita que é, simplesmente, esperar que o Governo falhe nos seus propósitos e que, depois, o eleitorado reconduza o PSD nas próximas eleições. A oposição no Parlamento tem sido pouco construtiva e, nalguns casos, votando contra medidas que, no passado,
ANA BRÍGIDA
CRÍTICO LITERÁRIO E CRONISTA
defenderam, embora, em contextos diferentes. Acho que o PSD ficou muito atordoado com o facto de não ter governado na sequência das eleições que ganhou, é normal que tenha ficado. Mas não se percebe muito bem qual é o horizonte estratégico que tem, a não ser esperar. Isso parece-me que é pouco. O CDS, como já fazia quando estava no Governo, tenta sempre colocar-se um pouco à margem. Tenta passar uma mensagem mais positiva e menos agastada, mas está muito dependente do sucesso da sua líder na corrida a Lisboa.
“O PSD tem tido uma atitude um pouco insólita que é, simplesmente, esperar que o Governo falhe nos seus propósitos e que, depois, o eleitorado reconduza o PSD nas próximas eleições.” Que ideia tem de Macau? Tenho alguma ideia do que vou lendo e do que me dizem algumas pessoas que conheço que aí estiveram e que aí vivem. Não é uma ideia muito substantiva. Há duas coisas que sobressaem, digamos assim, nos testemunhos que vou tendo. Uma tem que ver com o facto de a presença portuguesa ser relativamente incipiente, por exemplo, em termos da utilização da língua e do ponto de vista arquitectónico. Mas, por outro lado, parece haver uma comunidade portuguesa hiper-consistente, no sentido, por exemplo, da multiplicação de jornais. Parece haver uma compensação da diluição da
presença portuguesa no que é hoje um território chinês. Como contraposição a isso uma comunidade que tem algum... não sei se dinamismo é a melhor palavra. Atrai-lhe a ideia da queda de impérios? Vê nisso algum romantismo? Claro que sim. Há uma cena muito boa na versão longa do
Apocalipse Now, onde aparece uma plantação de uns franceses no meio da Indochina francesa. Aquilo tem imensa força porque é, realmente, o fim do mundo e isso tem um certo frisson literário. Por falar em apocalipse, como racionaliza o fenómeno Donald Trump?
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“Donald Trump tem uma personalidade infantil, de uma volatilidade, de uma fúria que amua, que seriam simplesmente risíveis num adulto, mas que dão bastante inquietude tendo em conta como ele vai reagir a assuntos sérios.” ao Trump. Nem os paradoxos, evidentemente intrínsecos, dos descamisados e desempregados escolherem um milionário para protagonizar as suas queixas e os seus agravos. Além do mais, há algo que acho muito importante, as ideias dele são apenas uma parte daquilo que ele é. São ideias flutuantes ao longo do tempo, muitas vezes parecem improvisadas. O que acho realmente preocupante é a personalidade de Donald Trump. É uma personalidade infantil, de uma volatilidade, de uma fúria que amua, que seriam simplesmente risíveis num adulto, mas que dão bastante inquietude tendo em conta como ele vai reagir a assuntos sérios. Ele perde tempo a discutir quantas pessoas estavam na tomada de posse, a Casa Branca dedica-se a falar da marca de roupa da Ivanka. Esse lado é caricatural, mas há assuntos em que os Estados Unidos são protagonistas destacados que não são assuntos cómicos e, portanto, isso preocupa-me.
Não é muito difícil de racionalizar em termos do significado de um eleitorado descontente que queria, no fundo, alguém que partisse a loiça e que fosse completamente diferente. Alguém que tivesse um discurso, atitude e actuação completamente diferentes daquelas que os políticos mais conservadores, ou mais liberais tinham tido. Mas essa explicação racional, para
mim, não chega para apagar certos paradoxos. Nomeadamente uma certa passividade do establishment republicano, que acordou tão tarde para o perigo real desta candidatura. Houve uma cisão muito grande dos opinion makers conservadores e dos políticos conservadores. Os primeiros, em geral muito críticos, e os segundos, no mínimo, conformados em relação
O mundo aguenta uns Estados Unidos assim tão destabilizados? Não sei se isto vai durar a legislatura toda, há duas ou três hipóteses diferentes. Uma é a legislatura toda e, de facto, se a situação se degradar cada vez mais, não sei o que será daqui a um ou dois anos, se continuarmos a este ritmo. A segunda é isto continuar a esta ritmo e tornar-se uma espécie de novo normal e as pessoas habituarem-se, o que seria o resultado mais catastrófico de todos, achar que não tem mal o Presidente dos Estados Unidos dizer as coisas que diz e fazê-las, atacar a imprensa, juízes, etc. O terceiro, que seria o melhor dos resultados, seria os americanos afastarem este Presidente antes do fim do mandato. Porque, fran-
camente, é um embaraço para a América e para o mundo. Como vê a ascensão de focos de populismo na Europa, nomeadamente de extrema-direita? Nalguns casos a deriva para o populismo não é propriamente de direita. Também tem havido movimentos importantes de populismo à esquerda. No caso da Grécia em que o Syriza varreu, praticamente, o PASOK. Na Espanha assistimos à emergência de um partido que acaba com o bipartidarismo, o Podemos. Temos também o fenómeno italiano do 5 Estrelas, difícil de classificar como sendo de esquerda ou de direita. Não é só a direita. Mas, claro que há uma espécie de Internacional Nacionalista muito activa, aliás, aparecem juntos em comícios. Houve as eleições da Áustria, o caso francês e o holandês. Na maioria dos casos talvez seja à direita, que está mais em ascensão, pela simples razão de, entre os principais temas, estarem a segurança e as migrações. São temas tradicionalmente mais caros ao eleitorado de direita. Portanto, é normal se há atentados, se há problemas com as vagas de emigrantes e refugiados, que a direita e a extrema-direita estejam particularmente activas. Li que a discografia dos The Smiths era algo de fundamental para si. Tem alguma música que destaque? Isso é complicado porque não são duas, nem três. Entre muitas há uma canção que acho particularmente curiosa, porque tem que ver com o facto de o Morrissey não ter grande receio de exprimir aquilo a que se pode chamar de maus sentimentos. É uma canção chamada “Death of a Disco Dancer” que, no fundo, é sobre um certo cepticismo face à ideia de que “nos vamos todos dar bem uns com os outros”.
“Na maioria dos casos talvez seja à direita, que está mais em ascensão, pela simples razão de, entre os principais temas, estarem a segurança e as migrações. São temas tradicionalmente mais caros ao eleitorado de direita.”
“All very nice, very nice...” “Maybe in the next world.” Há toda uma tradição “feel good” numa parte da música pop que ele rejeita claramente. Nem sei se é uma das melhores canções dos The Smiths, mas é muito exemplificativa de uma certa crueza com que o Morrissey trata os assuntos, de uma forma que não tínhamos visto antes. Essa canção, não sendo das minhas preferidas musicalmente, é muito exemplificativa da sensação que tive quando conheci a banda e percebi que era completamente diferente do que tinha ouvido antes. Costuma estar atento às novidades do panorama musical? Estou mais ou menos atento. Não sou, claramente, uma pessoa do hip hop nem da electrónica. Tenho um gosto um bocadinho delimitado na música pop que é, basicamente, as bandas de guitarras. Dentro desse nicho estou bastante atento, ainda por cima agora tenho um programa na Rádio Radar. Temos sempre um disco novo todas as semanas, estou mais atento por obrigação, mas não com o lado mais exaustivo que tenho com o cinema e com as estreias de cinema. Embora com o spotify, que sou subscritor, é mais fácil chamarem-nos à atenção e estar a par das novidades do que a picar a Internet aqui e ali, ou a comprar discos. Porque nunca se aventurou, em termos de escrita, no romance? O romance é uma obra de imaginação, pelo menos como eu o entendo. Simplesmente estar a contar uma história real mudando os nomes, que era o que eu faria se escrevesse um romance, parece-me desinteressante. Como não sou capaz de inventar coisas que não aconteceram, não sou capaz de escrever um romance. Como resolve o conflito entre a introversão e o papel público que desempenha? Não há nenhum conflito porque, para já, a maior parte do que eu faço é escrever e isso não se opõe à introversão, pelo contrário, até se casa bastante bem com ela. Outro tipo de actividades, ou compromissos, que eu tenha são obrigações em que procuro fazer o melhor. Está-se a trabalhar, a desempenhar um papel e, portanto, o facto de ser introspectivo, ou introvertido, não é contraditório com isso. As pessoas têm de fazer a sua vida, são-nos pedidas certas coisas e eu faço na medida do que posso e sei. Se eu tivesse de ser DJ, ou coisa do género, é que seria mais complicado. João Luz
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4 POLÍTICA
hoje macau sexta-feira 24.2.2017
RENOVAÇÃO URBANA LAM U TOU APELA A MAIS EFICIÊNCIA
O
TNR SERVIÇOS DE MIGRAÇÃO PODERÃO EMITIR LICENÇAS DE TRABALHO
Carimbos à entrada
O Governo está a ponderar atribuir aos Serviços de Migração a responsabilidade de emissão de licenças de emprego a trabalhadores não residentes. A ideia é reduzir os casos de pessoas que entram como turistas no território para procurarem um emprego
O
gabinete do secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, adiantou ao deputado Zheng Anting que estão a ser pensadas mudanças na forma como são atribuídas as licenças de trabalho. Em resposta a uma interpelação escrita do deputado, o gabinete de Wong Sio Chak explicou que a Polícia de Segurança Pública (PSP) e a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) têm discutido o assunto, sendo que a DSAL “está a planear que os trabalhadores não residentes (TNR) domésticos e os que não são especializados tenham de ver a sua licença de trabalho emitida pelos Serviços de Migração”. Na mesma resposta, o Governo garante que só depois desse processo “serão distribuídas as autorizações de permanência [blue cards] aos que possuírem a licença de trabalho e vierem
de outras regiões”. Antes da fusão do Gabinete de Recursos Humanos com a DSAL, cabia à entidade a emissão das licenças de emprego, estando actualmente a DSAL responsável por essa tarefa. Para o gabinete de Wong Sio Chak, esta medida é capaz de resolver o problema dos turistas que entram no território para procurar emprego, servindo também para reforçar a importação e a gestão de mão-de-obra estrangeira.
REFORÇO ANTICRIME
Na resposta ao deputado da Assembleia Legislativa (AL), o Executivo adiantou também que estão a ser ponderadas no-
vas exigências para os TNR que tenham sido envolvidos nas malhas do crime. Caso seja necessário, a PSP poderá solicitar a cada TNR o registo criminal do país ou território de origem, frisou Cheong Ioc Ieng, chefe do gabinete de Wong Sio Chak. Actualmente, explicou ainda, os TNR do sector da segurança têm de entregar o registo criminal do seu país de origem, para que sirva de referência. Cheong Ioc Ieng disse, contudo, que será possível estender essas medidas a outras áreas. Ainda assim, ficou garantido de que a PSP já consegue saber o registo criminal e possíveis ligações ao mundo do crime
O gabinete do secretário para a Segurança adiantou que estão a ser pensadas mudanças na forma como são atribuídas as licenças de trabalho
dos TNR, devido às cooperações e partilhas de dados que existem. Em resposta aos casos de entradas ilegais e excesso de permanência das pessoas de nacionalidade vietnamita, a PSP afirma que tem vindo a coordenar-se com o Consulado Geral de Vietname em Macau e Hong Kong, para acelerar a extradição destas pessoas para o seu país de origem. Está agendado para Novembro deste ano um encontro entre os responsáveis da PSP e uma delegação do consulado do país, com o objectivo de debater as melhores formas para tratar dos casos de permanência ilegais de cidadãos vietnamitas. O responsável do consulado chegou mesmo a prometer que vai acelerar o processo de emissão dos documentos, aponta a resposta a Zheng Anting. Vítor Ng (revisto por A.S.S.)
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deputado Lam U Tou pediu ontem mais eficiência por parte do Conselho de Renovação Urbana (CRU). A ideia foi deixada no fórum promovido pela Associação Aliança de Povo de Instituição de Macau. “O CRU tem capacidade para fomentar de forma mais efectiva e mais completa a renovação da cidade do que o Conselho Consultivo para o Reordenamento dos Bairros Antigos de Macau”, afirmou. De acordo com o responsável, ambos os Conselhos reúnem características de trabalho comuns. “O primeiro ponto tem a ver com a renovação dos prédios antigos e em mau estado, que estão à espera de ser renovados”, explicou. Para o deputado, há ainda que ter em conta os prédios em fase de envelhecimento sem descurar a responsabilidade da administração e manutenção dos edifícios. “Se não utilizarmos um edifício de forma cuidadosa, um prédio com 20 anos pode parecer que tem 40”, disse.
O bem estar da população é para ser tido em conta e Lam U Tou solicita que o Executivo tenha em conta a melhoria das condições dos edifícios de forma a que sejam adaptados às necessidades dos seus residentes. O deputado exemplifica: “Como é que podemos ajudar, por exemplo, os idosos que vivem em andares elevados sem elevador? É necessário que o Governo pondere a instalação de meios para tornar a vida destas pessoas mais confortável”, afirmou. Lam U Tou levantou ainda a questão referente à dupla tributação na medida em que “vai impedir a reconstrução dos edifícios”. Para evitar percalços, o tribuno espera que “o Governo cumpra a promessa feita e legisle, ainda no primeiro semestre deste ano, de modo a definir os apoios financeiros destinados à reconstrução de prédios e à isenção de tributação predial. V.N.
PINGUE PONGUE COM LAI CHI VUN
R
AIMUNDO do Rosário não quis acrescentar mais palavras ao que disse Chui Sai On acerca da demolição dos estaleiros históricos de Coloane. “Não tenho mais nada a acrescentar”, foi uma frase que se ouviu repetidamente à saída de mais uma reunião do Conselho de Planeamento Urbanístico. Apesar de o Secretário para as Obras Públicas e Transportes ter adjectivado as palavras do Chefe de Executivo como “claras”, estas não deixaram muitas certezas. Antes de embarcar rumo a Fujian, o governante adiantou que “a prioridade é a segurança pública”, e elencou, ainda, os organismos que serão ouvidos nesta matéria. Entre eles está a Secretaria dos Assuntos Sociais e da Cultura e a Direcção dos Serviços de Turismo (DST). Neste capítulo, Helena de Senna Fernandes diz não ter recebido anúncio oficial para se pronunciar sobre o caso. A directora da DST disse ao canal chinês da Rádio Macau que as autoridades não consultaram as opiniões da instituição que dirige antes de optarem por demolir os
estaleiros da povoação de Lai Chi Vun, em Coloane. Helena de Senna Fernandes acredita que a decisão foi tomada porque, para a Direcção dos Serviços de Solos Obras Públicas e Transportes, os estaleiros podem causar perigo à população. Nas declarações à imprensa, Chui Sai On frisou o ponto da salvaguardada da segurança como prioridade, sendo que num segundo plano se veria como proteger o património do local. “Não posso dizer que este é para ficar ou aquele é para ficar, não tenho conhecimento técnico para o fazer”, comentou. O governante disse ainda que, de acordo com os dados que tinha disponíveis, quatro estaleiros obtiveram aprovação para serem renovados. Entretanto, continua a esgrima de opiniões contraditórias entre as várias pastas responsáveis pela matéria. Sobre este aspecto, Chui Sai On comentou que não tem uma régua, não poder medir com infalibilidade quem está certo, quem está errado, nem conseguir o consenso. A.S.S./J.L.
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O
Construção GOVERNO AINDA NÃO PUBLICOU LEGISLAÇÃO SOBRE SEGURO
Regulamentos à toa
A deputada Kwan Tsui Hang alerta para a ausência de regulação do seguro, no âmbito do regime de qualificações nos domínios da construção urbana e do urbanismo, que entrou em vigor em 2015. O seguro é necessário para a inscrição e a renovação de licenças TIAGO ALCÂNTARA
Governo ainda não implementou o regulamento administrativo relativo ao seguro de responsabilidade civil no âmbito do regime de qualificações nos domínios da construção urbana e do urbanismo. O aviso é feito pela deputada Kwan Tsui Hang, numa interpelação escrita entregue ao Governo. “O regime das qualificações nos domínios da construção urbana e do urbanismo entrou em vigor em 2015 mas, até agora, ainda não foi publicado o seu respectivo regulamento administrativo complementar que regula a matéria do seguro, e já passou mais de um ano.” A deputada pretende, portanto, saber qual o calendário do Governo sobre esta matéria. “Quando é que o regulamento administrativo complementar respeitante à parte do seguro de responsabilidade civil do regime vai ser publicado?”, questiona. A lei em questão abrange o registo e acreditação para a obtenção de licenças profissionais por parte de engenheiros, arquitectos, urbanistas ou arquitectos paisagistas, bem como da sua qualificação para a assinatura de projectos. Por forma a aceitar novas inscrições ou a sua renovação, a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes esclarece no seu website que “os requerentes devem possuir um seguro de responsabilidade civil válido e eficaz, que cubra os eventuais danos resultantes do exercício das funções de elaboração de projectos, direcção ou fiscalização de obras, nos termos a definir por regulamento administrativo complementar”. Tal seguro está, portanto, dependente da criação do diploma. O regime determina ainda que “empresários comerciais e pessoas singulares que possuam ao seu serviço, pelo menos, um técnico inscrito”, devem ter este seguro por forma a garantirem a sua inscrição na DSSOPT.
nais de construção civil, há mais casos. Falando do regime do erro médico, que entra em vigor no próximo dia 26, mas cujos regulamentos administrativos relativos ao seguro, comissão de perícia e comissão de mediação entraram em vigor esta semana, a deputada recorda que “não é a primeira vez que um regulamento administrativo complementar é publicado, à pressa, antes da entrada em vigor da respectiva lei”. Houve mesmo “situações em que o diploma complementar só foi publicado após a entrada em vigor da respectiva lei”. No caso da lei da segurança alimentar, implementada em Outubro de 2013, “apenas se publicou, antes da sua entrada em vigor, o regulamento administrativo sobre os limites máximos dos resíduos de medicamentos veterinários nos alimentos, e os outros critérios relacionados com a segurança alimentar só foram publicados em 2014 e 2016”.
AS FALHAS DE COORDENAÇÃO
Para Kwan Tsui Hang, é evidente que “não se consegue que sejam publicados ao mesmo tempo, ou até antes, da entrada em vigor da respectiva lei”, sendo que “o Governo não está a enfrentar a questão a sério”.
“O Governo não está a enfrentar a questão a sério.” KWAN TSUI HANG DEPUTADA
À PRESSA
Quando é implementada uma nova lei, podem existir algumas matérias que são reguladas por regulamentos administrativos complementares. A deputada Kwan Tsui Hang, ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), defende que os prazos não estão a ser cumpridos. Além do exemplo do seguro no âmbito do regime de acreditação dos profissio-
POLÍTICA
AUSÊNCIA DE SEGURO “PÕE GOVERNO NUMA GRANDE FRAGILIDADE”
O
arquitecto Rui Leão, também membro do Conselho do Planeamento Urbanístico, considera ao HM que a ausência da legislação sobre o seguro de responsabilidade civil acarreta uma série de consequências, desde logo porque “cria vários problemas ao nível da responsabilidade e acautelamento dos profissionais”. Além disso, “põe o Governo numa situação de grande fragi-
lidade, através das obras públicas, mas também os donos das obras privadas”. “Também acaba por criar fragilidades ao nível contratual”, acrescenta. Rui Leão assume que só fez o seu seguro quando trabalhou para empresas internacionais no território. “Na quase totalidade não existem seguros [no sector]. As empresas de Macau não fazem seguros profissionais, talvez
porque não haja um enquadramento que as proteja. Aí é um risco com um cálculo complicado. Tem de haver uma obrigatoriedade, uma vez que haja a regulação, para as empresas permitirem que os profissionais possam ter esses pacotes de seguro. Acho que [os profissionais] não deveriam poder escolher se fazem ou não, se operam em Macau têm de ter [o seguro]”, conclui.
Em termos práticos, “isto não só afecta a aplicação da respectiva lei, mas também os sujeitos que lhe estão relacionados”. “Mais: isso demonstra que há falhas no mecanismo de coordenação na estipulação das leis”, acrescenta. A deputada da FAOM pretende saber se o Executivo “tem em conta todo o plano e os passos de coordenação da redacção de uma lei e dos seus respectivos diplomas complementares”. Kwan Tsui Hang deseja ainda saber se existe responsabilização em caso de atrasos. “Como é que o Governo coordena a estipulação dos diplomas dos serviços públicos e quais os prazos para a sua finalização? Exige-se alguma responsabilização nesta matéria, quando isso não é cumprido?”, questiona. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
6 SOCIEDADE
hoje macau sexta-feira 24.2.2017
Os mais de 30 milhões de visitantes que escolheram Macau como destino no ano passado voltaram a gastar mais dinheiro fora dos casinos, depois de as suas despesas, excluindo em jogo, terem diminuído em 2015 pela primeira vez
Turismo DESPESA EXTRA-JOGO VOLTOU A CRESCER EM 2016
Existe vida além casinos motivo da vinda a Macau, mais de metade (50,2 por cento) foi para passar férias. Já 17 por cento utilizaram o território só como ponto de passagem, enquanto 9,6 por cento dos inquiridos foram atraídos pelas compras e 6,6 por cento pelo jogo em casino; também para visitar familiares e amigos, para negócios e assuntos profissionais (4,1 por cento) ou participar em convenções/exposições (0,7 por cento).
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E acordo com dados divulgados ontem pelos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), no ano passado, a despesa total, excluindo em jogo, foi de 52,66 mil milhões de patacas, mais três por cento face a 2015, ano em que os gastos dos visitantes de Macau caíram pela primeira vez desde 2010, ou seja, desde que há registo. A par com o aumento global, verificou-se também uma subida dos gastos ‘per capita’ de 2,2 por cento face a 2015 para 1701 patacas, indica a DSEC. A maior despesa ‘per capita’ foi efectuada pelos visitantes da China, o maior mercado emissor de Macau, que subiu ligeiramente (0,5 por cento) para 1975 patacas. Os gastos ‘per capita’ dos visitantes de Singapura (1773 patacas), do Japão (1708 patacas), de Taiwan (1620 patacas) ou de Hong Kong (999 patacas) também aumentaram. Já a despesa ‘per capita’ dos visitantes da Tailândia (1083 patacas),
M
ACAU recebeu 2,87 milhões de visitantes em Janeiro, um aumento de 17,6 por cento em termos anuais homólogos, impulsionado principalmente pelas celebrações do Ano Novo chinês, indicam dados oficiais ontem divulgados. Segundo a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), a subida anual homóloga do número de visitantes que escolheram Macau como destino ficou a dever-se ao facto de o ano novo chinês ter sido celebrado em Janeiro, ao contrário do que sucedeu em 2016, quando a Semana Dourada calhou em Fevereiro. Da China, que figura como o principal mercado, chegaram 1,99 milhões de
Mais de metade veio passar férias. Já 17 por cento utilizaram o território só como ponto de passagem
dos Estados Unidos (1262 patacas) ou do Reino Unido (1242 patacas) diminuiu comparativamente a 2015.
FÉRIAS E PERFUMES
Segundo a DSEC, no ano passado, os visitantes despenderam, essencialmente, em compras (744
patacas, isto é 43,7 por cento do total ‘per capita’), menos 2,4 por cento face a 2015. Alimentos/doces e produtos cosméticos/perfumes representaram, respectivamente, 29,5 por cento e 21,1 por cento, da despesa ‘per capita’ em compras. Já em
alojamento, gastaram 463 patacas e 355 patacas em alimentação, ou seja, mais 9,3 por cento e 3,2 por cento, respectivamente, em termos anuais homólogos. Segundo os resultados do inquérito às despesas dos visitantes, da DSEC, analisando por principal
Dourada semana dourada Número de visitantes subiu em Janeiro
visitantes ou 69,4 por cento do total em Janeiro, valor que traduz uma subida de 20,4 por cento. Do universo global de visitantes procedentes da China, a DSEC salienta o aumento significativo – de 43,8 por cento em termos anuais – dos que viajaram para Macau com visto individual (1,12 milhões), dada a política de vistos da China, considerada ainda “relativamente restritiva” pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Como sublinha o FMI, no mais recente relatório sobre Macau, publicado
na semana passada, a população da China elegível para visitar a Região Administrativa Especial de Macau ao abrigo do esquema de vistos individuais representa 47 por cento do total, sendo que 34 por cento se concentra numa única província vizinha (Guangdong, de onde chegaram, em Janeiro, 991.200 visitantes). O número de visitantes de Hong Kong (527.218) e da Coreia do Sul (81.448) também cresceu – ambos registaram uma subida de 17,6 por cento face a Janeiro do ano passado –, enquanto
o de oriundos de Taiwan (84.263) sofreu uma ligeira diminuição (menos dois por cento). O universo de visitantes procedentes dos Estados Unidos (15.434), Canadá (6089) ou Reino Unido (4163) também subiu em termos anuais, registando-se, em contrapartida, entre os destinos mais distantes, uma descida no número de visitantes da Austrália (9230 ou menos 2,1 por cento). Seis em cada dez visitantes cruzaram as fronteiras terrestres (1,79 milhões) em Janeiro – mais 19,8 por cento face ao mesmo mês de 2016.
Em 2016, a despesa ‘per capita’ dos turistas foi de 2681 patacas – menos 4,5 por cento face a 2015 –, enquanto a dos excursionistas situou-se em 693 patacas, mais 3,7 por cento em termos anuais homólogos. Macau foi o destino escolhido por 30,95 milhões de visitantes em 2016, ano em que, pela primeira vez numa década, o universo dos que pernoitaram representou mais de metade do total (15,7 milhões de pessoas).
A via marítima foi opção escolhida por 859.949 visitantes – mais 14,1 por cento –, enquanto pelo aeroporto entraram 216.775, um aumento de 13,8 por cento em termos anuais homólogos. Do total de visitantes de Janeiro (2,87 milhões),
1,36 milhões eram turistas – mais 18,9 por cento –, enquanto os restantes 1,51 milhões viajaram integrados em excursões, ou seja, mais 16,4 por cento em relação ao mesmo mês de 2016, segundo os mesmos dados da DSEC.
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7 hoje macau sexta-feira 24.2.2017
SOCIEDADE
Educação ESCOLA INTERNACIONAL INAUGURA “BLACK BOX”
Entre o diálogo e a arte
A
Companhia de Electricidade de Macau (CEM) afirmou ontem que “é esperado que o fornecimento de gás natural seja retomado no início de 2017”. No âmbito de um almoço de Primavera com os meios de comunicação social, a empresa explicou que, para corresponder a esse projecto, “está eminente a substituição de alguns geradores mais antigos por unidades de produção de ciclo combinado de turbinas a gás, mais eficientes e amigas do ambiente”, lê-se num comunicado. Ao nível do fornecimento de gás natural, a CEM afirma que tem vindo a negociar com o Governo por forma a “manter a capacidade de produção de energia local, aumentar a flexibilidade da diversificação das fontes de energia, e aumentar a segurança do fornecimento de energia em Macau, bem como ajudar a reduzir a emissão de gases”. Ainda assim, não há uma data concreta para a concretização desses planos. “A CEM espera que os respectivos projectos sejam aprovados dentro em breve”, refere apenas o comunicado. Na área ambiental, a CEM pretende apostar na instalação de 250 estações de carregamento de veículos eléctricos a “médio prazo”, ou seja, daqui a cinco anos. Tudo para que a empresa possa “contribuir para a construção de uma sociedade mais verde, com ênfase na protecção ambiental para as futuras gerações”. Actualmente existem 71 estações de carregamento de veículos eléctricos, disponíveis em 18 parques de estacionamento públicos.
N
É uma “caixa preta” capaz de revelar as actividades artísticas feitas pelos alunos, e de promover diálogos entre os estudantes e entidades para um melhor entendimento do mundo. É a “black box” da Escola Internacional de Macau que abriu portas ontem e contou com a presença de Joan Latta SOFIA MOTA
CEM GÁS NATURAL PARA QUASE TODOS
ÃO é apenas um auditório – trata-se de um novo espaço que se assume como mais do que isso. Uma caixa preta em que alunos, docentes e convidados são chamados a partilhar experiências, é a ideia que fundamenta a criação da “black box” da Escola Internacional de Macau (TIS, na sigla inglesa). “Este teatro possibilita uma área em que podemos mostrar o trabalho dos estudantes nas áreas artísticas que frequentam e criar oportunidades de diálogo. Mais do que um teatro tradicional, é uma estrutura muito simples e amovível capaz de preencher vários tipos de funcionalidades”, explicou ao HM o director da TIS, Howard Stribbell. Para a instituição, expressão e diálogo andam paralelamente e são dois pilares fundamentais no que respeita à educação.
“É fundamental que as crianças tenham um pensamento, cada vez mais, à escala global.” JOHN CRAWFORD CO-FUNDADOR DA TIS A importância das artes reside na capacidade em encontrar beleza nas coisas e em possibilitar uma forma de expressão individual. “Independentemente do meio escolhido para o efeito, qualquer processo criativo desenvolvido pelos estudantes está ligado à descoberta de uma voz pessoal e à capacidade de a exprimir”, explicou o responsável. No dia da abertura da nova valência da TIS, o pontapé de saída foi dado com a presença de Joan Latta. A jovem de 24 anos é portadora de paralisia cerebral e tem dedicado a sua vida adulta a dar palestras nas escolas acerca da inclusão e superação de obstáculos. Recorrendo à sua experiência pessoal, Joan Latta pretende mostrar aos mais novos que as dificuldades são ultrapassáveis e que, quando se fala de pessoas especiais, se está a falar de todos. Ao mesmo tempo
Howard Stribbell
que, com a sua presença e alegria, demonstra que “todos têm lugar no mesmo espaço e todos podem aprender”, refere a oradora ao HM. É também com a vertente da inclusão que Howard Stribbell etiqueta a “black box”. “Com este palco podemos possibilitar outra forma de os estudantes encontrarem a sua voz e uma área de excelência”, afirmou. A ideologia da TIS assenta numa educação em que cada um tem o seu lugar: “Alguns estudantes podem não ter capacidade para se dedicarem a estudos mais académicos e podem
descobrir, neste teatro, áreas em que podem brilhar e em que as diferenças são mutuamente apreciadas”.
A FALAR É QUE NOS ENTENDEMOS
A questão do diálogo entre estudantes, e entre estes e convidados da instituição é a segunda função da caixa preta. Para o director, a capacidade de conversar, de colocar questões e ter respostas num mundo cada vez mais complexo é fundamental no processo educacional, e de formação de pessoas preparadas e conscientes. “Num mundo cada vez mais mutável
não encontramos soluções para os problemas de amanhã, no dia de ontem. Temos de as criar hoje. É essencial que os alunos tenham a capacidade de se questionarem e de perceberem, numa sociedade em movimento, como se adaptar para que possam, eles, criar as soluções.” “Por outro lado, é fundamental que as crianças tenham um pensamento, cada vez mais, à escala global”, afirmou ao HM John Crawford, co-fundador e presidente da TIS. Sofia Mota
sofiamota.hojemacau@gmail.com
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9 CHINA
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Hong Kong MILHARES NA RUA EM APOIO A POLÍCIAS CONDENADOS
Os sete “magníficos”
M
Vestidos de branco, os agentes mostraram solidariedade para com os sete polícias presos no passado dia 14 por terem causado danos físicos ao activista Ken Tsang co, onde foi agredido. Um homem estava por cima de Tsang infligindo-lhe golpes enquanto três outros o pontapeavam repetidamente.
MÃO PESADA
O juiz David Dufton sublinhou a natureza violenta
do ataque ao entregar a sentença no tribunal, no dia 17, acrescentando que a punição de agentes da polícia que violam a lei “tem de servir como exemplo”. A pena máxima para o crime era de três anos prisão.
“A multiplicidade de ferimentos e danos à reputação de Hong Kong (…) fizeram com que este fosse um caso muito sério”, afirmou Dufton, lembrando que o incidente foi notícia em todo o mundo. Apolícia foi criticada pela mão pesada com que, por vezes, tratou os manifestantes nos protestos que duraram 79 dias e incluíram o bloqueio de ruas, levando à paralisação de partes da cidade. Os manifestantes pediam eleições livres para o líder de Hong Kong.
AFP-JIJI
ILHARES de pessoas saíram à rua em Hong Kong, na quarta-feira, em apoio aos sete polícias que na semana passada foram condenados a dois anos de prisão por agredirem um manifestante durante os protestos democráticos de 2014. O protesto, convocado pela Associação de Inspectores da Polícia e pela Associação de Jovens Agentes Policiais e vedado a jornalistas, juntou mais de 33 mil agentes no activo e reformados, segundo dados dos organizadores. Trata-se de uma das concentrações mais significativas da história de Hong Kong, segundo a imprensa local. O líder da Associação de Jovens Agentes Policiais, Joe Chan, explicou que o protesto tinha como objectivo defender a dignidade do corpo policial, informou a emissora pública RTHK. Vestidos de branco, os agentes mostraram solidariedade para com os sete polícias presos no passado dia 14 por terem causado danos físicos ao activista Ken Tsang, então membro do Partido Cívico, um dos principais grupos políticos pró-democracia de Hong Kong, num ataque que foi filmado por um canal televisivo local. As imagens de vídeo mostravam um grupo de homens a arrastar Tsang, algemado, para um canto escuro num parque públi-
Governo chinês anunciou que as universidades vão ser alvo de novas inspecções ideológicas para assegurar que seguem a linha traçada pelo Partido Comunista, de acordo com uma campanha do Executivo para reforçar o controlo sobre o sector académico. Os novos controlos realizaram-se em 29 universidades, incluindo algumas das mais prestigiadas do país, como a Universidade de Pequim ou a de Tsinghua, ambas na capital, segundo um comunicado da Comissão para a Inspecção da Disciplina emitido na quarta-feira à noite. Esta comissão é liderada por Wang Qishan, homem de confiança
O
S trabalhos preliminares para a construção da central eléctrica de biomassa em Mansoa, centro da Guiné-Bissau, terão início em Março, com a chegada de técnicos da China, anunciou o representante guineense da empresa chinesa Shenyang Lan Sa Trading Co Ltd, entidade que financia o projecto. Felipe Manuel Monteiro falava terça-feira no decurso da visita do presidente da empresa chinesa, Li Xuguang, à frente de uma delegação de empresários do seu país à localidade de Mansoa para constatar a realidade local e sensibilizar a população sobre as vantagens de possuir aquela infra-estrutura de energia renovável. Na ocasião, Felipe Manuel Monteiro disse que a nova central, que vai abastecer de energia eléctrica ainda a cidade capital, Bissau, terá uma capacidade de
produção de 30 megawatts e funcionará através de resíduos como casca de arroz, de milho e outros cereais. O projecto, cujo custo não foi divulgado, inclui a vertente agrícola, neste caso a produção de arroz para o aproveitamento da casca, estando previsto que a colheita possa ascender a 100 mil toneladas por ano. O representante guineense da Shenyang Lan Sa Trading Co Ltd acrescentou que se trata de um projecto pronto a ter início, pois “o financiamento já está garantido.” Li Xinguang, que liderou a delegação de investidores e empresários chineses, salientou que uma vez concluídas as obras da nova central, há projectos para investimentos também na área social, nomeadamente na construção de escolas, hospitais e habitação social entre outras, na Guiné-Bissau.
PUB HM • 2ª VEZ • 24-2-17
ANÚNCIO Acção de Interdição n.ºCV2-17-0003-CPE
2º Juízo Cível
Requerente: (O MINISTÉRIO PÚBLICO(檢察院). Requerido: WAN TIN SONG (溫天送). *** O MERETÍSSIMO JUIZ DO 2º JUÍZO CÍVEL DO TRIBUNAL JUDICIAL DE BASE DE R.A.E.M.:
UNIVERSIDADES ALVO DE NOVAS INSPECÇÕES IDEOLÓGICAS
O
CENTRAL ELÉCTRICA NA GUINÉ-BISSAU EM CONSTRUÇÃO
do Presidente chinês, Xi Jinping, e é o organismo que comanda a campanha anti-corrupção impulsionada por Xi desde que subiu ao poder, que alguns analistas consideram ser um instrumento para eliminar as facções opositoras. Todas as universidades estão sob o controlo do Partido Comunista – e, por isso, do Governo – pelo que os processos de selecção do pessoal são estritamente vigiados e o ensino é submetido a censura se não cumprir com os critérios definidos pelo Executivo. No comunicado, a comissão apela a que sejam seguidos os princípios
sublinhados por Xi durante um discurso, em Dezembro, em que pediu aos centros universitários que se convertam num “bastião de liderança” do partido. “São universidades socialistas com características chinesas. A educação de alto nível deve ser guiada pelo marxismo”, enfatizou Xi durante um encontro com representantes do partido nas universidades mais importantes da China. A nova ronda de inspecções tem como objectivo assegurar que os centros continuam a seguir a linha do partido e mantêm Xi como “líder central”, segundo o comunicado.
FAZ SABER que foi distribuída ao 2º Juízo Cível do Tribunal Judicial de Base de R.A.E.M., a Acção acima mencionada, contra WAN TIN SONG (溫天 送), casado, nascido em 21/04/1946 na China, filho de Wan Pak Man e de Lao Wu Hao, titular do BIRM n.º7358290(0), residente em Macau, Taipa, no Largo da Ponte, Centro de recuperação da Associação Geral dos Operários de Macau, para o efeito de ser declarada a sua interdição por anomalia psíquica. Macau, aos 10 de Fevereiro de 2017. *****
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Correntes D’Escrita ARMANDO SILVA CARVALHO VENCE PRÉMIO C
EVENTOS
“A Sombra do Mar” de Armando Silva Carvalho foi o vencedor do prémio literário Casino da Póvoa no festival Correntes D’Escrita. O anúncio foi feito na quarta-feira numa cerimónia que contou com a presença do Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, e com a referência à estreia da literatura de Macau no certame
O
escritor Armando Silva Carvalho venceu o prémio literário Casino da Póvoa deste ano com a obra “A Sombra do Mar”, anunciou a organização do encontro de escritores de expressão ibérica Correntes D’Escrita. De acordo com a acta do júri, “A Sombra do Mar” foi a obra escolhida “pela força imagética da sua escrita e pela tensão conseguida entre ironia e melancolia”. O júri refere ainda que a nomeação deste livro “resultou da demorada análise e discussão deste e de outros livros finalistas”, tendo sido esta opção deliberada “por maioria”. Entre as obras finalistas, “particular atenção mereceram” também “Bisonte”, de Daniel Jonas, e “O Fruto da Gramática”, de Nuno Júdice. Na declaração de voto é dito ainda que “A Sombra do Mar” é uma obra que “traz um conjunto de poemas formando um corpo orgânico de grande unidade estilística e temática, no qual as alusões ao mar e à água constituem um ‘leitmotiv’ que percorre todo o livro em sucessivas variações: água ‘criteriosa e diária’, água ‘arrepiada’ e ‘águas sobreviventes’”. Entre os finalistas do prémio, no valor de 20 mil euros, estavam também “Outro Ulisses regressa a casa”, do actual ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, “Animais Feridos”, de António Carlos Cortez, “Auto-retratos”, de Paulo José Miranda, “Persianas”, de Miguel-Manso, e “Vem à Quinta-Feira”, de Filipa Leal. O júri foi constituído por Almeida Faria, Ana Gabriela Macedo, Carlos Quiroga, Inês Pedrosa e Isaque Ferreira. O prémio literário Papelaria Locus 2017 foi atribuído a “Simplesmente Parecidos”, de Juliana da Silva Barbosa, que concorreu com o pseudónimo de Miura Yigurashi; o prémio Literário Fundação Dr. Luís Rainha a “No Silêncio das Marés”, de Helena Luísa Miranda Coentro; e o primeiro prémio Conto Infantil Ilustrado a “Uma Limpeza Necessária”, do 4.º A da Escola Básica José Manuel Durão Barroso, de Armamar. O Correntes d’Escritas prolonga-se até amanhã, na Póvoa de Varzim, com uma sessão agendada para segunda-feira no Instituto Cervantes, em Lisboa, reunindo dezenas de es-
MACAU EM E
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA O ÚNICO FINAL FELIZ PARA UMA HISTÓRIA DE AMOR É UM ACIDENTE • João Paulo Cuenca
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Num futuro próximo na cidade de Tóquio, Shunsuke Okuda é um jovem funcionário de uma multinacional. Conquistador inveterado, ele cria uma identidade para cada namorada que conhece nos bares do distrito de Kabukicho. Mas a sua rotina é abalada pelo aparecimento de Iulana, que é apaixonada por uma dançarina e mal fala japonês, mas nada disso impede que os dois mergulhem numa relação conturbada. Com uma estrutura caleidoscópica e narradores tão surpreendentes quanto uma melindrosa boneca insuflável, o romance apropria.-se da cultura japonesa de ontem e de hoje para narrar uma história de amor surpreendente e perturbadora, em que a vida fragmentada das metrópoles, o voyeurismo e a perversão figuram como vilões onipresentes.
DEIXEM PASSAR O HOMEM INVISÍVEL • Rui Cardoso Martins
Durante uma grande enxurrada em Lisboa, um homem - cego desde os 8 anos, advogado - cai numa caixa de esgoto aberta, situada junto da igreja de S. Sebastião da Pedreira. Na mesma altura, um escuteiro que regressava de uma actividade na mesma igreja é também arrastado para o mesmo esgoto. É a viagem de ambos, através de uma Lisboa subterrânea, enquanto cá fora são tomadas todas as medidas para os salvarem, que o autor nos conta neste segundo livro. Mas é também a entreajuda, a cumplicidade entre o cego e a criança, naquela terrível aventura.
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CASINO DA PÓVOA
ESTREIA
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“A Póvoa é um sítio mítico da literatura portuguesa. É onde nasceu Eça de Queirós, e por onde passaram Raul Brandão e muitos outros.” CARLOS MORAIS JOSÉ ESCRITOR critores em conferências, exposições e sessões em escolas.
PRATA DA CASA
Armando Silva Carvalho
“[O festival] continua a alargar o âmbito geográfico, incluindo autores de Macau e da Venezuela.”
A cerimónia em foi feito a anúncio do vencedor contou com a presença de Marcelo Rebelo de Sousa, que destacou não só a importância da leitura e do trabalho feito com as escolas, como ainda a presença de Macau que, este ano e pela primeira vez, está representado com o “Arquivo das Confissões – Bernardo Vasques e a Inveja”, de Carlos Morais José. O evento é “não só apenas uma festa dos portugueses e lusófonos, convida também escritores de expressão ibérica”, destacou, acrescentando que esta iniciativa “funciona como porta de entrada da literatura do mundo em Portugal” e que este continuou ainda a “alargar o âmbito geográfico, incluindo autores de Macau e da Venezuela”. Para Carlos Morais José, este é um festival de referência e não podia ser feito noutro local. “A Póvoa é um sítio mítico da literatura portuguesa. É onde nasceu Eça de Queirós, e por onde passaram Raul Brandão e muitos outros”, referiu o autor ao HM, salientando que, “sendo uma terra junto ao mar, é um sítio magnífico para reactivar a tradição literária que a terra tem”. O destaque do evento vai, de acordo com o autor que se encontra na Póvoa para participar numa mesa redonda, para “as conversas que se vão tendo e para a boa organização do festival, que corre normalmente e bem”. Relativamente à presença da literatura feita em Macau, o trabalho a fazer ainda é muito. “Como não temos uma máquina de marketing, tudo isto depende da boa vontade do editor, Rogério Beltrão Coelho. No entanto, e comparando com outras literaturas presentes, obviamente que ainda não temos muita visibilidade e também não sou um autor consagrado”.
MARCELO REBELO DE SOUSA PRESIDENTE DA REPÚBLICA PORTUGUESA
COTAI ARENA UMA COREIA MUITO POP
A estrela de pop coreana Kim Jae Joong, conhecido pela interpretação do chamado K-Pop, vai passar por Macau para um concerto integrado na “Asia Tour”. O palco é a Cotai Arena, no Venetian, e o espectáculo está agendado para 25 de Março. De acordo com a organização, é de esperar a interpretação dos melhores temas que têm preenchido a carreira do cantor e compositor. Os bilhetes estão à venda com valores entre 680 e 1680 patacas.
UM PADRÕES DE QUALIDADE EM DEBATE
Os cães guerreiros
“A Ilha dos Cães” em ante-estreia mundial no Fantasporto
O
filme de JorgeAntónio arranca, afirmando uma das mais belas premissas da compreensão hermenêutica do mundo, a da sua apreensão metafísica irredutível ao positivismo da razão cartesiana. Começa com um belíssimo céu azul e nuvens brancas que nos aproximam do pico de uma montanha em ilha tropical. Em simultâneo, em off, alguém nos diz numa língua estranha – Kimbundu (a terceira língua mais falada de Angola na zona centro-norte, eixo Luanda-Malange e no Kwanza-Sul), que no mundo há mais mistério do que pensamos que possa haver. Essa voz, que parece chegar de um tempo remoto, faz-nos lembrar, tornar consciente, o mundo como mistério impenetrável à total revelação. O texto off transporta a voz profunda da África animista e dá-nos conta dos laços da civilização comuns, faz ecoar Shakespeare: “Há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar a nossa vã filosofia”. “A Ilha dos Cães” tem um livro como base da narrativa que se chama “Os Senhores do Areal”, escrito em 1992 por HenriqueAbranches (19322006), escritor angolano, com vasta obra literária e estudos etnográficos, e uma vida de actividade política intensa. O filme foi rodado com fundos públicos portugueses, ganhou um concurso em 2011. Segundo o realizador Jorge António, “o filme começou por ser uma co-produção Portugal-Angola, mas as rodagens coincidiram com a crise do petróleo (que ainda hoje se mantém) e tivemos de optar por (ou não fazer o filme) ou redimensionar o guião e o mapa de produção”. “Foi a produtora Ana Costa que ‘salvou’ o projecto com a mudança de cenário para São Tomé e Príncipe. De Angola, existe apenas apoio institucional, porque acabámos por filmar cenas em Luanda e no Deserto do Namibe.” Vi a projecção do filme na sala de misturas finais, uma sala de masterização montada pelo António da Cunha Telles, por onde têm passado centenas de filmes, entre os quais a
Sofia Mota com Lusa info@hojemacau.com.mo
Tem lugar hoje, pelas 15h, o seminário dedicado ao tema “União Europeia, China e padrões de produtos”. O evento é realizado na Universidade de Macau e está a cargo de Francis Snyder, docente da Universidade de Pequim. O objectivo é o debate das molduras legais ligadas a aspectos domésticos, bilaterais e internacionais relacionados com o padrão dos produtos, nas relações entre a China e a União Europeia. Na mesa estão também temas relativos à produção de directrizes enquanto resultado de políticas a ser adoptadas, bem como o facto de dependerem, por um lado, da protecção da saúde pública, e por outro, do mercado.
EVENTOS
A ILHA DOS CÃES (2016) • Produção: Ana Costa • Realização: Jorge António • Argumento: Jorge António, Paulo Leite e Virgílio Almeida • Imagem: Tony Costa • Montagem: Filipe Roque do Vale • Música: José Castro • Som: Pedro Góis • Figurinos: Silvia Grabowski • Efeitos Visuais: Pedro Louro • Com: Ângelo Torres, Miguel Hurst, Nicolau Breyner, João Cabral, Ciomara Morais, José Eduardo, Daniel Martinho, Welket Bungué, Matamba Joaquim, Giovanni Lourenço, Miguel Sermão e Júlio Mesquita, entre outros
minha curta “Tudo Bem” e a longa “Crime” (estes filmados sem apoios públicos) numa sessão em que, além de mim, estava o Jorge António, o Pedro Góis – que é hoje o dono do estúdio – e o músico do filme José Castro. “A Ilha dos Cães” fala-nos de dois tempos, paradoxalmente ou não, próximos e distantes, o tempo colonial e o do novo país independente e soberano. Por estranhos e inexplicáveis mistérios, as almas dos homens africanos que no retrato filmado no tempo colonial são tratados com a brutalidade da posse dos corpos e das ideias, quando se revoltavam e a punição derradeira da morte chegava, transmigravam para uma matilha de cães que viviam livres na ilha. Anos mais tarde, na actualidade, a ilha, território de beleza natural exuberante, é objecto de um projecto de construção imobiliária, um resort de luxo, e os cães revoltam-se, estão contra o novo domínio que está a chegar – já não é o tirano do colonialista que obrigava ao trabalho braçal nas fazendas de café ou cacau, mas uma sociedade imobiliária. Há uma frase curiosa neste filme, que o realizador assume como político, e que de alguma forma abre a uma nova perspectiva sobre o domínio do homem branco. O interessante cinematográfico é que a frase acompanha a materialidade da imagem, é dita pelo africano, quadro superior da empresa de construção: “Estou a tornar-me branco”. No seu corpo de pele negra as manchas brancas ganham cada vez mais território. O filme levanta, ou pelo menos permite questionar neste tempo pós-colonial, o que é, afinal, o domínio do homem branco. Ou se quisermos, invertendo, o que é, afinal, a libertação do homem negro? Ao que parece, na ilha, os cães habitados por almas insubmissas inventaram uma nova soberania, invisível, mas eficaz, as dos espíritos guardiões da natureza. Rui Filipe Torres
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12 DESPORTO
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equilíbrio do campeonato, o preço de um carro do WTCC da última geração, aquela que foi concebida a pensar para motorizações 1,600cc Turbo, é absurdo para a realidade do território. Como Valente não tem 700,000 patacas para gastar num carro do WTCC sem motor, que terá que ser alugado à parte, a aposta recaí também em melhorar a sua viatura a nível de motor. “Vou tentar arranjar um motor melhor, talvez no estrangeiro, mas veremos se consigo reunir verba para cobrir todos estes custos”, explicou o piloto.
PREPARAR MACAU
PILOTO DE MACAU VOLTA A APOSTAR NO MTCS E GIC CHALLENGE
Valente surpresa
A
Associação Geral Automóvel Macau-China (AAMC) já publicou o regulamento técnico que regerá o Campeonato de Macau de Carros de Turismo (MTCS, na sigla inglesa) que em 2017 terá duas categorias fundidas numa só. Pela primeira vez os concorrentes a categoria “AAMC Challenge” (para viaturas com motorizações até 1,600cc Turbo) e “AAMC Road Sport” vão dividir a pistas nas mesmas corridas, tanto nas provas de apuramento em Zhuhai, como no fim-de-semana do 64º Grande Prémio de Macau. Para além do formato, o regulamento técnico para as viaturas até 1,600cc Turbo, também sofreu alterações significativas, com destaque para o fim do
restritores que limitavam a potência dos MINI, Peugeot, Chevrolet e Ford que pululam esta categoria, e pela ausência de peso mínimo para as viaturas participantes. O experiente piloto português de Macau Rui Valente, que foi um dos pilotos que sempre apostou nesta classe desde o início, recebeu com surpresa o novo regulamento. “É a primeira vez que vejo no automobilismo um regulamento técnico em que não há peso mínimo”, disse Valente ao HM. “Se conseguíssemos ter um 1,600cc Turbo com 300 Kg seria o cenário ideal. Mas isso é impossível. Nos carros actuais, vamos ter que tirar 200 ou 300 Kg, pois mais do que isso já começa a ser perigoso”.
Valente, que se notabilizou no automobilismo do território por diversas participações na Corrida da Guia na época dourada dos Super Turismo, vai levar o seu MINI Cooper S a uma “cura de emagrecimento” do outro lado da fronteira. “O meu MINI pesa cerca de 900kg e 50kg são de lastro que será fácil de retirar. Depois vamos trocar o
capot, trocar os vidros para plástico, a pintura terá que ser a mínima possível, etc. Se chegarmos aos 700 e tal Kg já ficaria satisfeito”. Basicamente, com os novos regulamentos introduzidos pela AAMC, qualquer carro do Campeonato do Mundo FIA de Carros de Turismo (WTCC), poderá alinhar no MTCS. Felizmente para a saúde e
Rui Valente, que se notabilizou no automobilismo do território por diversas participações na Corrida da Guia na época dourada dos Super Turismo, vai levar o seu MINI Cooper S a uma “cura de emagrecimento” do outro lado da fronteira
Este ano, para além dos concorrentes da classe 1,600cc Turbo se terem que qualificar nas habituais corridas de Zhuhai no Verão, os pilotos do território já terão que se qualificar junto com os rivais de Hong Kong e outras paragens que irão enfrentar nas ruas do território em Novembro. Os 25 melhores serão apurados para o Grande Prémio, mas só 17 serão apurados para a finalíssima de sábado da Taça de Carros de Turismo de Macau. “Vou fazer o carro para que esteja competitivo nas corridas de Zhuhai. Se vir que é possível entrar nesse lote dos 17, então irei participar na corrida. Se vir que não tenho carro para competir pelos primeiros lugares vou ter que avaliar outras possibilidades dentro do Grande Prémio”, explicou o piloto da On Wheels Motorsports que o ano passado terminou a sua corrida do Grande Prémio de Macau na 15ª posição, após sofrer uma quebra brusca de potência na última volta, o que lhe custou três posições. Enquanto o MINI vai sendo preparado, Valente vai voltar a tirar da garagem o saudoso Honda Integra DC5, viatura que utilizará nas cinco rondas do troféu de resistência “GIC Challenge” que se disputa de Março a Setembro no Circuito Internacional de Guangdong, na cidade continental de Zhaoqing. Sérgio Lacerda poderá ser o companheiro de equipa de Valente nesta competição organizada pela Associação Automóvel de Hong Kong (HKAA) e que conta também com a participação de vários pilotos da RAEM. Sérgio Fonseca
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MILAN COM DINHEIRO EM CAIXA PARA ATACAR LINDELOF
O Milan prepara-se para agitar o mercado de transferências no próximo defeso, contando com uma verba estimada de 150 milhões de euros para reforçar o plantel às ordens de Vincenzo Montella. Relatos oriundos de Itália, veiculados pela Premium Sport, colocam Victor Lindelof entre os objectivos prioritários do histórico clube transalpino, ainda que seja feita referência a um princípio de acordo para a transferência do central sueco para o Manchester United, de José Mourinho, no final da época. Dahoud (Borussia Monchengladbach), Alexis Sánchez (Arsenal), Lacazette (Lyon) e Keita (Lazio) são, segundo a mesma fonte, os restantes alvos referenciados pelo Milan.
TIANJIN TEDA OFERECE 40 MILHÕES DE EUROS POR BAS DOST Oferta milionária da China por Bas Dost. Segundo o portal TMW, o Tianjin Teda fez chegar nas últimas horas a Alvalade proposta de 40 milhões de euros para a contratação do avançado holandês. Avança aquela fonte que a SAD leonina não coloca entraves à transferência, pertencendo a última palavra ao jogador de 27 anos, actual melhor marcador da Liga, com 17 golos. Bas Dost tem contrato com os leões até 2020 e cláusula de rescisão fixada nos 60 milhões de euros.
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LIGA DE ELITE
Para seguir nesta senda vitoriosa o Monte Carlo tem pela frente um adversário de respeito, o Kei Lun. A equipa de Josecler curiosamente tem mais golos marcados que o seu adversário, 16, e segue invicta no terceiro lugar da competição, tendo empatado um jogo logo na primeira jornada frente ao Cheng Fung. Com certeza no pensamento do grupo do Kei Lun, está a oportuni-
7 golos sofridos, só melhor que as ultimas quatro equipas da tabela . A ausência do experiente defesa central/médio centro Silva, expulso frente à sua antiga equipa na jornada passada é a grande baixa. Já da parte do Monte Carlo não são conhecidas ausências,
estando na máxima força para se manter no primeiro lugar. Uma boa partida para se assistir onde o favoritismo do Monte Carlo é uma certeza, mas terá que fazer um jogo bastante competente contra um Kei Lun que está mais forte do que na época passada e
TATIANA LAGES
dade de subir ao primeiro lugar do campeonato, nem que seja por 48 horas até o Benfica jogar, algo que seria muito bom para uma equipa que lutou pela permanência até à ultima jornada no campeonato passado. Para isso terá que melhorar a sua prestação defensiva,
Novo líder ?
Monte Carlo primeiro classificado MACAU BOLINHA BOLÃO
O líder isolado do campeonato irá jogar pela primeira vez nessa condição, após o saboroso triunfo frente ao CPK. Será interessante ver a reacção da equipa a este facto. Irá acusar a pressão ou por seu turno vai demonstrar a confiança necessária para ultrapassar mais um obstáculo e mostrar que está naquela posição para ficar?
ANTEVISÃO da 5ª jornada por João Maria Pegado
motivado com a possibilidade de andar na frente da tabela.
SÁBADO
A jornada começa às 18:30 com Development Vs Polícia, jogo que terá como interesse, saber se a equipa da Polícia vai dar seguimento às duas vitórias seguidas sem sofrer golos e assim conseguir 9 pontos em 5 jogos o que seria muito bom para a equipa do técnico Ka Li Man. A equipa da associação por seu lado vai tentar os seus primeiros pontos após terem sido cilindrados na jornada anterior, desta vez terão uma equipa pela frente onde poderão mostrar qualidade dos seus jovens jogadores. Às 20:30 realiza-se o Lai Chi Vs Cheng Fung. A equipa dos Velozes, que ainda não tem qualquer ponto e é a grande desilusão até ao momento, após o trabalho feito nos anos anteriores, vai ter pela frente a equipa do treinador João Rosa. Após a surpreendente derrota com a Polícia , teve bastantes dificuldades para levar de vencida a equipa do Sporting e para que tal não volte acontecer terá que melhorar a sua finalização.
DOMINGO
Benfica segundo classificado MACAU BOLINHA BOLÃO
A
quinta jornada da Liga de Elite tem início hoje às 21:00 no estádio de Macau, com o jogo de maior cartaz desta ronda entre o Monte Carlo vs Kei Lun. O líder isolado do campeonato irá jogar pela primeira vez nessa condição, após o saboroso triunfo frente ao CPK. Será interessante ver a reacção da equipa a este facto. Irá acusar a pressão ou por seu turno vai demonstrar a confiança necessária para ultrapassar mais um obstáculo e mostrar que está naquela posição para ficar? A equipa de Cláudio Roberto vem de quatro vitórias consecutivas e no último jogo conseguiu não sofrer golos pela primeira vez, algo que deixou, de certeza, feliz o técnico Brasileiro. Já ofensivamente os canarinhos não tem tido grande dificuldades em marcar golos, sendo de momento o terceiro melhor ataque da prova com 15 golos marcados.
DESPORTO
Kei Lun terceiro classificado
Começa com o duelo, KAI vs Benfica, as duas equipas que disputaram a ultima final da Taça de Macau, onde a equipa então liderada por Josecler venceu o campeão em titulo. Infelizmente não será o mesmo jogo. Este ano o KA I desinvestiu bastante no futebol e por consequência a equipa neste momento luta pela permanência, tendo somente três pontos. Quem não tem nada a ver com isto é o campeão em titulo que vai tentar somar mais três pontos e continuar perto da liderança ou até mesmo consegui-la. No último jogo da ronda cinco do campeonato, temos o embate entre CPK Vs Sporting. O CPK terá que vencer este duelo após a derrota no jogo anterior frente ao líder, para se manter perto dos primeiros lugares. Para tal terá que derrotar os Leões do território que neste jogo têm uma baixa importante no seu meio campo, Ema Ema Maicon, que foi expulso por acumulação de amarelos, ao qual se junta o lesionado defesa central Eric Peres.
h ARTES, LETRAS E IDEIAS
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José Simões Morais
Boémio macaense suicida-se em Paris C
OM um tal título, penso não faltarem leitores interessados na história, hoje aqui com o seu início, mas não se apresse a concluir que tal aconteceu há pouco tempo. Não, o suicídio de Albino Francisco de Paiva de Araújo ocorreu a 8 de Novembro de 1872 e irá servir-nos para mais tarde podermos introduzir algumas famílias macaenses do século XVIII e XIX. Neste artigo, ainda não iremos focar esta personagem, que em Paris se suicidou, carregado de dívidas e rechaçado pela sua esposa, Madame Paiva. Nascera ele em Macau a 19 de Maio de 1824, segundo o Padre Manuel Teixeira, sendo filho único de um português nascido no Brasil e a mãe, proveniente de uma família rica macaense. Esta história mereceu a atenção de alguns escritores portugueses, como Camilo Castelo Branco, Bulhão Pato em ‘Memórias’, Dr. José de Campos e Sousa no opúsculo ‘O marido de Madame de Paiva’, Pinto de Carvalho em ‘Lisboa de Outros Tempos’ e do historiador Padre Manuel Teixeira, que se focou mais na mãe de Albino Francisco de Paiva de Araújo. Não faltaram ainda estrangeiros, caso de Voltaire, que levado pelo Fr., o crê frade saído da sua comunidade religiosa e lhe chama Fr. Araújo de Paiva. Também jornais estrangeiros sobre ele e a esposa escreveram fantasiosas histórias, assim como muitos são os livros que tratam acerca da vida de Mad. Paiva. Camilo Castelo Branco usou este título, Mad. Paiva, na crónica que dá início ao livro Boémia do Espírito. Pelas palavras deste grande escritor português, nascido em 1825 na antiga freguesia dos Mártires, actual Santa Maria Maior em Lisboa e se suicidou no ano de 1900 em S. Miguel de Seide, hoje freguesia de Seide, concelho de V. N. de Famalicão, ficamos a saber sobre a atenção com que foi seguindo a vida de Branca Lachmann. A tal Madame Paiva, marquesa, mais tarde, após o terceiro casamento, condessa Henckel de Donnesmark e que fora casada em segundas núpcias com Albino Francisco de Araújo. Refere Camilo, “Eu conhecia dos escritores de há vinte e cinco anos a opulência de mad. Paiva.” Eug. Palletan na sua Nouvelle Babylone, derivando com falsa dedução a magnificência das meretrizes em
Voltaire. Este marquês que pelo Fr. parece também ser egresso, suicidou-se daí a pouco, afirma outro jornal. A viúva, 40 vezes milionária, casou em terceiras núpcias com o conde Donnesmark, em 1875, ano que saiu de Paris para o seu castelo na Silésia, onde morreu, há dias, com 72 anos, dizem uns, e com 58, diz o marido.”
QUEM ERA BRANCA LACHMANN?
sorte da corrupção de Paris, cita como exemplo a escada de onix do palácio de mad. de Paiva na praça de S. Jorge. Arséne Houssaye, em um dos tomos das Courtisanes du Monde, diz, com estas ou equivalentes palavras, que as senhoras honestas paravam deslumbradas quando viam passar no seu break mad. de Paiva, ao sol de Bois, faiscando as suas constelações de brilhantes. Ele, como era sua visita, disfarçava-se com um pseudónimo. Certo jornal conta que os seus palácios eram o confluente dos homens mais celebrados em artes e letras, velhos e moços, o bibliófilo Jacob, Emile Girardin, Theophilo Gautier, etc.. Não sei se algum destes era um dos grisalhos académicos que bebiam champanhe da tina em que ela se lavava. Não admiro. O asceta Lamennais beijava as plantas de G. Sand, e parece que ela, agradecida, descalçava as meias de seda neste acto devoto.”
A MADAME PAIVA
Camilo Castelo Branco, na crónica Mad. Paiva publicada pela primeira vez no Jornal da Manhã de 13 de Julho de 1885, inicia-a, “A imprensa jornalística parisiense, menos atarefada nos assuntos grávidos da política, da indústria e da sã moral, comemorou, há dias, o trespasse de uma mad. de Paiva, marquesa de seu apelido, e em terceiras núpcias condessa Henckel de Donnesmark. Condensando a necrologia encarvoada de sujos episódios, dizem que esta dama Branca Lachmann, polaca de nascimento, deixara em Moscovo
o marido, um alfaiate discreto que lá se ficou na sua terra alinhavando fundilhos de astrakan, enquanto a esposa airada, em Paris, penetrava nas opulências da vida dissoluta pela porta da miséria, que desculpa muitas dissoluções. Ligada primeiro a Herz, pianista célebre, sob a falsa estampilha de esposa, chegou a sentar-se entre as duquesas nos saraus de Luís Filipe. Depois, desvelado o segredo da sua concubinagem, foi expulsa afrontosamente dos círculos também falsamente carimbados de honestidade, e fugiu para Londres, deixando ou levando o pianista. Aqui, ameaçada por uma segunda catequese de fome, ajuntou a sua fulminante formosura um vestuário de espaventos, sentou-se langorosamente num camarote de Covent-Garden, e fez que o rio Pactolo, representado por alguns milords, lhe lambesse os pés com as suas ondas de ouro. Enquanto a onda não fazia a ressaca do costume, deixando-lhe sobre os pés as suas salsugens (N. detritos que flutuam próximo dos portos) imundas, a aventureira de New York regressou a Paris, aí por 1850, e, no ano seguinte, matrimoniou-se, já viúva do alfaiate, com um marquês da primeira fidalguia portuguesa, Fr. Araújo de Paiva, diz o
O facto é que Paiva de Araújo era de família rica e com esta polaca e outras como ela dissipou toda a sua fortuna
Com este título o Padre Manuel Teixeira refere, “O romancista encontra-se aqui de mãos dadas com o historiador. Que diz a história sobre esta aventureira? Branca Lachmann era filha bastarda do Grão-duque Constantino, da Rússia, sendo uma judia polaca. Foi favorita do Sultão de Constantinopla, espia da Alemanha e veio a casar com o alfaiate Francisco Hyacinthe Villoing. Abandonando o marido, amancebou-se com o célebre pianista Herz, começando então a frequentar a corte de Luís Filipe. Descoberta a sua mancebia, refugiou-se em Londres, onde a sua beleza fascinou os nababos britânicos, que lhe fizeram a corte, entre os quais o famoso Stanley. Tendo falecido o seu marido Francisco Villoing, Branca consorciou-se religiosamente, na capela dos Irmãos da Doutrina Cristão, em Passy, em Paris, com Albino Francisco de Paiva de Araújo, a quem ela apresentava como Marquês de Paiva. Alegava que este gentil-homem, decaído do seu primeiro esplendor de melhor aristocracia portuguesa, a procurara no Palácio de Pont Chartin. O facto é que Paiva de Araújo era de família rica e com esta polaca e outras como ela dissipou toda a sua fortuna. O casal de boémios desfez-se. Tendo obtido do Santo Ofício a anulação do seu casamento com o <Marquês> de Paiva a aventureira consorciou-se pela terceira vez com o Conde Henckel de Donnesmark, rei do cobre da Silésia.” Esperamos ter despertado a curiosidade para o próximo artigo e até lá uma boa semana. Para quem quiser aproveitar e ler o livro Boémia do Espírito (Porto, 1886) de Camilo Castelo Branco, saiba existir apenas um exemplar nas bibliotecas de Macau e esse encontra-se na do Leal Senado e pertenceu ao antigo Liceu de Macau.
15 hoje macau sexta-feira 24.2.2017
em modo de perguntar
Paulo José Miranda
Maria João Cantinho
“Não quero ser nada” Tens uma obra dividida pelo ensaio e pela poesia, e ambas reconhecidas. Gostava que falasses acerca do modo como entendes cada uma delas, no teu modo de escrita, e também em relação aos outros, ou seja como vês essas escritas para além da tua. Creio que sou mais reconhecida no ensaio do que na poesia, pois tenho publicado poesia em editoras discretas. Hoje, a ideia de fronteira, relativamente aos géneros, está mais esbatida e temos uma tradição fortíssima de poetas que são ensaístas ou vice-versa, o que mostra que a escrita não pode ser tomada de uma forma monolítica. A concentração da poesia (e a sua exigência de rigor e de contenção) é compatível com a respiração do ensaio. Eu diria que são passagens que se abrem (ou se fecham) e que a poesia bebe nas margens do não-dito, do não-explicável, do que não é racionalizável, do imediato, da pulsão, ao passo que o ensaio procura a claridade e a explicação ou, pelo menos, a sua tentativa. Temos uma tradição forte, na poesia contemporânea portuguesa, de autores que são também ensaístas, estou a pensar no Luís Quintais, mais pertencente à nossa geração, mas também em poetas como António Cabrita, Luís Miguel Nava (cuja precoce morte não nos deixou senão um conjunto breve de ensaios) Manuel Gusmão, Helder Macedo, o jovem poeta Ricardo Gil Soeiro (a meu ver o caso mais consistente desse paralelismo nos escritores mais jovens) e Gólgona Anghel, já sem falar do genial Jorge de Sena, Joaquim Manuel Magalhães, entre outros. Mas parece haver ainda um certo preconceito, de ambos os lados, em relação a tal. O que une o ensaio e a poesia, neste caso concreto, é essa capacidade de leitura e de interpretação das potencialidades da linguagem, o conhecimento profundo da própria tradição e dos autores. De uma forma geral, os ensaístas são grandes leitores e isso faz muita diferença (a meu ver) na poesia. Não entram nela de forma ingénua e desavisada. Devo dizer-te, no entanto, que a poesia portuguesa, um pouco contrariamente ao que se diz, está muito viçosa. Não quer dizer que seja tudo igualmente bom e o tempo há-de acabar por separar as águas, mas entre tanta coisa que se publica, neste universo de pequenas editoras, como a Douda Correria, a
Língua Morta, a Averno, a Mariposa Azual e muitas outras editoras pelo país, cuja distribuição nos dificulta o acesso (estou a pensar nas editoras do Porto e de Coimbra), há muita coisa de qualidade. Em movência, proveniente de vários filões. Muitos poetas jovens que estão a fazer um excelente trabalho e é preciso esperar a evolução deles para avaliar a qualidade. As tertúlias, o trabalho militante de lugares que já são hoje de «culto», como o Irreal, o Povo, terças-feiras clandestinas, etc., são notáveis pela esperança que vieram criar para a jovem poesia portuguesa e fomentam o diálogo e o espaço propício à criação. Respeito muito quem trabalha assim, de forma militante, à margem das «facilidades» das grandes editoras, que sempre tiveram um trabalho mais facilitado. A poesia é hoje, mais do que nunca, um espaço de resistência, de contra-poder. E isso é profundamente político. Outra das tuas actividades é a de coordenadora ou directora de um novo projecto cultural online chamado Caliban. Como surgiu essa ideia e como está a correr?
Não gosto muito de escarafunchar em histórias tristes, tanto mais que a Caliban é a história muito feliz do que se faz com finais tristes. Não gosto do termo directora, é demasiado formal para o meu gosto, prefiro o de coordenadora, é mais feliz e mais justo. O nome partiu desse engenhoso poeta que ambos conhecemos, o António Cabrita, mas houve muita gente amiga que se associou imediatamente ao projecto, com muito entusiasmo, também do lado brasileiro, amigos como Marcia Tiburi, Rubens Casara, Bartira Fortes, Renato Rezende. Os outros foram chegando, para utilizar uma expressão brasileira. Energia positiva gera mais energia positiva. A Caliban é lida em Portugal e no Brasil. Creio haver ainda alguma suspeita num certo meio intelectual português, que torce o nariz ao online, mas que nos lê «às escondidas», o que me diverte. É bom sinal. Todos os dias se somam novos seguidores e num universo tão pequeno como é o da literatura (não é um jornal genérico), com conteúdos ligados à arte e à literatura, à poesia, crónica, etc., não é de esperar que haja uma adesão maciça. Mas somos lidos nas comunidades portuguesas e recebo respostas muito positivas de quem mora longe e não tem acesso ao que se vai fazendo por cá. Creio que teremos de abolir este preconceito contra a revista electrónica (que o Brasil já não tem, por exemplo, ainda que ame o suporte de papel) para vencermos a resistência do leitor bem-pensante. As redes sociais, por seu lado, ao facilitarem a divulgação do projecto, têm sido óptimas para a sua divulgação, pois até agora, ao fim de seis meses, só uma rádio se interessou por nós. Mas estamos de saúde, é um projecto democrático e que pretende, antes de mais, dar voz e dar a conhecer quem não passa no crivo dos jornais e das revistas literárias, mas que, nem por isso, tem menos qualidade. Temos colaboradores (que têm tanta autonomia como eu ou o Cabrita) portugueses e brasileiros (e deste lado é preciso dizer que contamos com ensaístas e poetas extraordinários, como Alberto Pucheu, Renato Rezende, Luciana Brandão, Ney Ferraz Paiva, Vicente Franz Cecim, Marcia Tiburi, Rubens Casara, Marcio Seligmann-Silva, Danielle Magalhães, Yasmin Nigri, Bia Dias, etc.) que tão generosamente se dispõem a colaborar.
É o tipo de projecto que fundas e deixas crescer livremente, espero que em breve possamos conseguir, de alguma forma, financiar, se houver interesse. Tens um doutoramento em filosofia. Como entendes essa relação, em ti, entre a filosofia e a poesia? É uma relação de profunda inquietação. Não que acorde angustiada a pensar em problemas existenciais todos os dias (os meus são mais prosaicos como pagar as contas, etc.), mas a filosofia esconde-se nos interstícios de tudo o que fazemos, uma espécie de animal intruso e invisível, que reclama o alimento, mas que também nos indica algo a partir dela, dessa necessidade de compreender, dessa paixão autofágica, como sabemos. Faço parte de uma linhagem poética que consideraria metafísica, não tenho nada a ver com o que se faz (e que eu respeito) hoje, a poesia do quotidiano, sou sempre movida pelos meus autores, muito atraída pela uma tradição mística, mas sem me deixar vencer por ela, nesse sentido de querer ser uma mística. Eu não quero ser nada, deixo que as palavras me guiem, o meu prazer é o da descoberta, esse trabalho da contenção da linguagem e da sua força, um trabalho de homenagem permanente, de dívida para com os meus autores, os meus temas. Não sei se o doutoramento tem aqui algum peso, pois eu nunca penso nisso nem quero que a erudição transpareça em exercícios fúteis de estilo, isso não me interessa para nada. Eu diria que a poesia me mantém à tona dessa inquietação filosófica. Sem a escrita acho que não vivia bem, não sei sequer se sobreviveria, nunca me aconteceu estar longe dela, desde que me lembro. Que projectos para este ano? Para já, uma tradução, que penso acabar este mês. Mas tenho um romance, que sairá em Maio, pela editora Deriva. Depois, vou atirar-me a um livro de ensaio, que conto publicar na Documenta/ Sistema Solar. Só estou à espera de ter tempo para me consagrar a ele. E o resto vai acontecendo, é o trabalho académico, os textos ensaísticos que vou publicando em revistas, as conferências planeadas, um congresso internacional que estou a co-organizar, sobre memória e arquivo, com os meus ilustres colegas da Nova (Comunicação e História de Arte) e da Clássica (Centro de Filosofia). E a Caliban.
16 PUBLICIDADE
hoje macau sexta-feira 24.2.2017
17 hoje macau sexta-feira 24.2.2017
OPINIÃO
a canhota
FA SEONG 花想
O
S seres humanos são (ou assim se consideram) os seres vivos mais inteligentes, tão inteligentes que acreditam poder dominar todos os restantes seres vivos do planeta Terra. Tudo porque constroem comunidades, casas de luxo, desenvolveram idiomas, sabem usar a alta tecnologia, algo que os animais não conseguem fazer. Por um lado os humanos comem numa base diária várias espécies de animais em diversos pratos, mas, por outro, não comem. Optam por tratá-los como seres de “segunda classe”, como se servissem apenas como caçadores de insectos e ratos, ou como uma forma de ganharem dinheiro. Na sociedade actual há cada vez mais pessoas que olham para os animais de uma melhor forma, encarando-os como autênticos companheiros, membros da família. Observei que há muitas pessoas solteiras que tratam os seus animais de estimação como se fossem seus filhos. Não é, portanto, possível controlar os mal-entendidos ou os desgostos sentidos pelos humanos que não gostam de animais, que nem sequer suportam ficar um minuto junto deles. No caso de cães ou gatos, é comum ouvir-se dizer que ter animais é algo “sujo”, porque largam muito pêlo, ou porque podem atacar pessoas a qualquer momento e, com isso, tornarem-se perigosos. Há também quem pense que os animais transmitem bactérias ou vírus quando entram em contacto com as nossas mãos ou com a nossa cara, ou apenas quem fique de mau humor só porque o animal está perto de si. Há muitas pessoas alérgicas ao pêlo dos animais, mas de uma maneira geral, basta fazer a limpeza do local onde eles se encontram da forma devida, porque o facto de se ter um animal como companhia não é sinónimo de transmissão de doenças. À volta dos animais existem também muitas ideias feitas e falta de conhecimento. É comum dizer-se que faz mal a uma mulher grávida ter animais por perto, e muitos dos familiares acabam por abandonar o animal doméstico por causa disso. Existe também a ideia de que o bebé pode ficar prejudicado por estar em contacto com um animal. Mas há provas e experiências de que, se houver o máximo cuidado com a limpeza, não existem quaisquer problemas de higiene. Mesmo com a existência de muitas associações e entidades criadas para lidar com os animais, não é solução levar todos os animais para os abrigos, porque estes têm capacidades limitadas. Muitos conseguem ser adoptados novamente, mas a maioria não tem essa sorte e acaba na rua, e o seu destino é a morte. Podemos ter muitas coisas para além dos animais, mas para eles nós somos a única coisa que eles têm. Segundo o conceito de natureza, todos as espécies dependem umas das outras. Portanto seria importante que pelo menos uma parte dos seres humanos deixasse para trás a sua supremacia imaginária.
EDGAR G. ULMER, THE BLACK CAT (1934)
A supremacia humana e os animais
Segundo o conceito de natureza, todos as espécies dependem umas das outras. Portanto seria importante que pelo menos uma parte dos seres humanos deixasse para trás a sua supremacia imaginária
18 (F)UTILIDADES
hoje macau sexta-feira 24.2.2017
?
TEMPO PERÍODOS DE CHUVA MIN 11 MAX 13 HUM 70-95% • EURO 8.45 BAHT 0.22 YUAN 1.16
O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente TEATRO | “THE CLEAN HOUSE” PELA ASSOCIAÇÃO TEATRO DE SONHO Centro Cultural de Macau - Até 26/02
AQUI HÁ GATO
ARÁGUA
TEATRO MUSICAL – “THREE PHANTOMS” Parisian Theater - Até 26/3 EXPOSIÇÃO “VELEJAR NO SONHO” DE KWOK WOON Oficinas Navais N.º1 EXPOSIÇÃO “SOLIDÃO”, FOTOGRAFIA DE HONG VONG HOI Museu de Arte de Macau EXPOSIÇÃO “AD LIB” DE KONSTANTIN BESSMERTNY Museu de Arte de Macau (Até 05/2017)
O CARTOON STEPH
EXPOSIÇÃO “ENTER PLEASE” DE CATHLEEN LAU Armazém do Boi Até 26/02 EXPOSIÇÃO “WHAT HAPPENED LAST NIGHT? DE TIFFANY TANG Armazém do Boi Até 26/2
PROBLEMA 184
SOLUÇÃO DO PROBLEMA 183
UM FILME HOJE Cineteatro
C I N E M A
MANCHESTER BY THE SEA SALA 1
THE SPACE BETWEEN US [B] Filme de: Peter Chelsom Com: Gary Oldman, Asa Butterfield, Brit Robertson, Carla Gugino 14.30, 16.45, 21.30
A LA LAND [B] Filme de: Damien Chazelle Com: Ryan Gosling, Emma Stone 19.15
Com: Keanu Reeves, Ian Mcshane, Ruby Rose, Common 19.15
Filme de: Gore Verbinski Com: Dane DeHann, Mia Goth, Jason Isaacs 14.30, 21.15
KANCOLLE THE MOVIE [B]
Filme de: Kenneth Lonergan Com: Casey Affleck, Michelle Williams, Kyle Chandler 14.15, 16.45, 21.30
RESIDENT EVIL: THE FINAL CHAPTER [C]
Filme de: Chad Stahelski
Um casal começa a receber cassetes de vídeo na sua caixa de correio nas quais ninguém aparece, nem sequer uma voz. As filmagens são apenas dos arredores da sua casa, como se alguém os estivesse constantemente a vigiar, bem como com desenhos infantis violentos. Um bom filme carregado de suspense e mistério, que conta com a actriz francesa Juliette Binoche no elenco. Andreia Sofia Silva
A CURE FOR WELLNESS [C]
FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Filme de: Keizo Kusakawa 17.15
JOHN WICK: CHAPTER TWO [C]
“NADA A ESCONDER” | MICHAEL HANEKE | 2005
SALA 3
SALA 2
MANCHESTER BY THE SEA [C]
SUDOKU
DE
EXPOSIÇÃO “I’M TOO SAD TO TELL YOU” DE JOSÉ DRUMMOND Casa Garden Até 24/02
Humidade: dois estados físicos de matéria num só. Líquido e gasoso a lixar os sólidos, a multiplicar bolor, suor, desconforto para quem anda num meio semi-aquoso sem o luxo de ter guelras. Lixa-me o lustro do pelo, frisa a existência numa viscosidade peganhosa que estorva a fluidez. Todos os bichos que respiram nesta terra são canteiros nos dias que correm. Musgo e cogumelos deviam brotar dos nossos poros, florestas tropicais debaixo dos nossos sovacos. Não precisamos de transformar calorias em energia, reacções enzimáticas em pequenas descargas eléctricas que fazem estalar sinapses. Operamos uma revolução industrial interna, deixamos de ser pilhas para sermos caldeiras de vapor, velhas locomotivas a enferrujar em fast-foward. Todo o funcionamento biológico mamífero é desfasado neste ambiente que devia ser explorado pela sagacidade de um Jacques Cousteau, que pede escafandros e desenvolvimento de algas, que faz sonhar com vinte mil léguas aqua-terrenas. Nestes dias estamos, todos, a um passo de sermos fotossintéticos. Fantasmas “clorofílicos”, um retorno à saudosa anfíbia, um picar de olho à vegetália. Um pouco mais verdes, enquanto o ferro oxida, um pouco mais húmidos, porque nada seca. Nadamos na calçada e respiramos o que podemos, sempre sôfregos, sempre molhados, ainda sólidos, para sempre cansados. Pu Yi
Filme de: Paul W.S. Anderson Com: Milla Jovovich, Ali Larter, Shawn Roberts, Ruby Rose 19.15
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19 hoje macau sexta-feira 24.2.2017
PERFIL
CARLA LOURENÇO, ARQUITECTA
C
ARLA Lourenço tem 28 anos e está há duas semanas em Macau, integrada no programa de estágios INOV. Arquitecta recente no território, tem nas descrições que faz desta sua mais recente experiência a surpresa de uma Ásia que ainda não sabe bem descrever, além da “diferença atroz” que sente quando comparada com outras paragens por onde já passou. A arquitectura apareceu na vida de Carla Lourenço de uma forma “estranha”. As decisões que têm de ser tomadas “demasiado cedo” levam, por vezes, a escolhas que não seriam as de hoje. “Somos obrigados a decidir com 15 anos parte do nosso futuro e, hoje, acho que escolheria outra coisa: engenharia de ambiente, talvez”, diz ao HM. No entanto, apesar da ainda indecisão na carreira que um dia poderá escolher, recorda que a opção pela profissão que a traz a Macau agora teve na origem “o fascínio pelas artes, sobretudo pela escultura”. A engenharia do ambiente e o interesse pela área vêm da curiosidade que sentia, desde pequena, por cenários que a “intrigavam”. “Não entendia porque é que não existia mais reciclagem em Alcochete, porque é que nas idas para Lisboa cada carro apenas levava
Macau, por acaso uma pessoa”, ilustra a natural da margem sul. Para Carla Lourenço, estas são “coisas absurdas” do dia-a-dia. A escolha da arquitectura mostrou ser uma possibilidade em juntar a arte e o ambiente. “Sentia que era uma mistura das duas coisas, podia mudar o ambiente em que vivo através do urbanismo.” Foi com o desenho de casas e cidades que veio para Macau. Carla Lourenço integra o programa de estágios do INOV e Macau “não foi bem uma escolha, porque os candidatos não sabem onde vão parar, foi mais uma coincidência”. Dos cerca de três mil candidatos ao programa a arquitecta, foi dos pouco mais de 300 seleccionados. A experiência em viver no estrangeiro não é nova. “Fui um ano em Erasmus para a Argentina, mas quando voltei já nada era a mesma coisa”, recorda. “Quando voltamos está tudo igual e nós é que mudámos.” A experiencia na América Latina “foi incrível”. Com 21 anos foi para Buenos Aires, “uma cidade com mais gente que o meu próprio país e para uma faculdade com mais gente que Alcochete”. Foi viver num outro mundo. “É também uma cidade muito europeia.”
Seguiram-se sete anos no Porto e chegada a hora de mudar. “O INOV era uma boa maneira de o fazer, porque alguém decide o destino por nós. É estranho, mas cómodo porque me alheio da responsabilidade e me limito a ir”, aponta.
UM FELIZ ACASO
Macau foi a sorte que o INOV ditou. Quando chegou a altura de saber as colocações apareceu primeiro a bandeira da China. “Assustei-me, pensei que ia para Pequim ou uma outra grande cidade chinesa e, infelizmente, estamos cheios de preconceitos acerca do país”, refere. Depois da bandeira apareceu a cidade, “era Macau e fiquei em êxtase.” A chegada a Macau é, acima de tudo, cheia de estranheza e novidades. “A primeira coisa que estranhei foi entrar num autocarro e ver as coisas escritas em chinês e em português. Depois foi o sentir a humidade que, aqui, pesa. Socialmente foi sentir que as comunidades se dividem em grupos e eu fazia já parte de um, o dos portugueses. Foi muito estranho porque não pensei que existisse esta separação, pensei que fosse uma coisa mais integrada.”
Os contrastes do território também marcaram e ainda são fonte de espanto para a recém-chegada. “Os edifícios enormes, as mega estruturas dos casinos com plantas naturais, aquilo parecia um cenário todo plástico e depois passamos nos jardins e as pessoas estão a fazer tai chi”, diz. Há duas semanas em Macau, a arquitecta está “a adorar o desconhecido”, das comidas aos cheiros, o “ir ao mercado e ver o peixe vivo”. Em comparação com a América Latina, as diferenças são muitas, mas a linguagem marca o abismo. “Aqui não percebo o que se passa à nossa volta e não consigo comunicar”, afirma. Enquanto arquitecta, salvaguarda a “opinião de duas semanas em Macau”” e, mais uma vez, são os contrastes que sobressaem. Um centro histórico muito consolidado e muito característico que, parece, estagnou no tempo, mas, de repente, surgem os grandes condomínios e casinos que constituem um grande paradoxo. “É demasiado diferente.” Sofia Mota
sofia.hojemacau@gmail.com
Já dá amor ao trabalho quem o já não tem
sexta-feira 24.2.2017
Atlântido
Macau ECONOMIA CONTRAIU EM 2016 PELO TERCEIRO ANO CONSECUTIVO
E so fazer as contas ´
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economia de Macau contraiu-se em 2016 pelo terceiro ano consecutivo, com o Produto Interno Bruto (PIB) a cair 2,1% em termos reais, apesar da recuperação da indústria do jogo, indicam dados oficiais divulgados ontem. Trata-se de uma significativa melhoria depois da quebra de 21,5% em 2015. Em 2014, o PIB de Macau caiu 1,2%, em termos reais, segundo os dados revistos, naquela que foi a primeira queda desde a transferência do exercício de soberania de Portugal para a China em 1999, impulsionada pelo início da curva descendente das receitas dos casinos, principal motor da economia. A recuperação da indústria do jogo – Agosto de 2016 pôs termo a 26 meses de quebras homólogas – não foi, contudo, suficiente para permitir uma retoma. “Enquanto no primeiro semestre registava um recuo homólogo de 9,7%, em termos reais, no segundo semestre inverteu a tendência, apresentando um crescimento económico real de 5,7%”, indicam os Serviços de Estatística e Censos (DSEC), sustentando que a contracção “deveu-se principalmente ao comportamento insatisfatório das procuras globais”. Segundo a DSEC, “a procura interna enfraqueceu, com uma contracção anual de 5,8%, realçando-se as descidas de 1,3% na despesa de consumo privado e de 13,3% na formação bruta de capital fixo, apesar da subida de 1,7% na despesa de consumo final do Governo”. Já “a procura externa melhorou significativamente no segundo semestre, registando-se aumentos contínuos nas entradas de visitantes e na respectiva despesa, pelo que abrandou para 2,5% a
A recuperação da indústria do jogo – Agosto de 2016 pôs termo a 26 meses de quebras homólogas – não foi, contudo, suficiente para permitir uma retoma tendência descendente das exportações de serviços”, explica a DSEC, destacando “quedas de 4,4% nas exportações de serviços do jogo, de 1% nas exportações de outros serviços turísticos e de 21,8% nas exportações de bens”.
DOS NÚMEROS
O PIB alcançou 358,2 mil milhões de patacas em 2016; situando-se o PIB ‘per capita’ em 554.619 patacas, valor que traduz uma quebra de 2,8% em termos reais, segundo a DSEC. O deflactor implícito do PIB, um dos indicadores da inflação global em toda
a economia, subiu 0,9% em termos anuais. Olhando aos principais componentes do PIB, verificou-se um crescimento de 1,9 pontos percentuais do peso das exportações líquidas de bens e serviços na formação do PIB – quando comparado com o peso de 39,2% registado em 2015. Pelo contrário, explica a DSEC, “a procura interna desceu 1,9 pontos percentuais, com 58,9%, em consequência do decréscimo de 3,1 pontos percentuais no investimento, o qual acabou por ser parcialmente compensado pelas subidas dos pesos da despesa
de consumo privado e da despesa final de consumo do Governo”. Só no quarto trimestre de 2016, o PIB de Macau registou um crescimento real de 7%, indica a DSEC, dando conta de uma revisão em alta das taxas de crescimento do segundo (-6,8%) e do terceiro trimestre (+4,4%). “O sector do jogo e turismo manteve-se em expansão, impulsionando um aumento de 8,2% nas exportações de serviços, salientando-se os aumentos de 8,1% nas de serviços do jogo e de 8,4% nas de outros serviços turísticos. Contudo, foi desfavorável o comportamento das exportações de bens, com uma acentuação do declínio até 21,2%”, indica a DSEC, relativamente aos últimos três meses de 2016. No mesmo período, detalha, “a procura interna retraiu-se ligeiramente, com uma descida homóloga de 0,5% na despesa de consumo privado, enquanto se mantinha no mesmo nível a despesa de consumo final do Governo e subia ligeiramente (0,2%) a formação bruta de capital fixo”. A contracção da economia foi menor do que a antecipada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) que esperava que o PIB recuasse 4,7% em 2016, antes de regressar a um crescimento positivo este ano. No mais recente relatório, publicado na semana passada, o FMI reviu em alta a sua previsão de crescimento da economia de Macau, avançada em Outubro, de 0,2% para 2,8%. Lusa
ONU APELA PARA REDUÇÃO DE PLÁSTICOS NOS MARES
A
S Nações Unidas apelaram ontem aos governos, empresas e consumidores para deitarem menos plástico para o mar, de onde se tiram anualmente oito toneladas de resíduos plásticos. “Limpar os mares” é o nome da campanha que foi apresentada ontem na Cimeira Mundial dos Oceanos, que decorre até quinta-feira em Bali, na Indonésia, segundo um comunicado da organização. Entre as medidas sugeridas estão reduzir o plástico nas embalagens e mudanças de hábitos dos consumidores, para que até 2020 sejam eliminadas as maiores fontes de plástico deitado ao mar: os microplásticos nos cosméticos e as embalagens descartáveis.
Nove países já se juntaram à campanha, como a Indonésia, que desde 2015 se comprometeu a reduzir em 70% o plástico lançado ao mar e o Uruguai que vai taxar os sacos de plástico. A empresa informática Dell afirmou também que vai usar plástico recolhido no mar ao largo do Haiti para reciclar e usar nos seus produtos. A ONU afirma que 80% do lixo nos oceanos é plástico e causa estragos nos ecossistemas que custariam oito mil milhões de dólares para resolver. Ao ritmo a que aumentam os resíduos como garrafas, sacos ou copos de plástico, estima-se que em 2050 haja mais plástico do que peixes nos oceanos.
EMIGRAÇÃO PORTUGUESA PARA O REINO UNIDO CAIU 5%
O número de portugueses que emigrou para o Reino Unido para trabalhar caiu 5% em 2016, que está de acordo com uma redução generalizada para o país após o voto para o Brexit. Em 2016, 30.543 portugueses pediram um número de Segurança Social no Reino Unido, menos 1.758 do que em 2015, ano em que as inscrições atingiram um pico de 32.301. A inscrição na Segurança Social britânica é obrigatória para as pessoas que queiram trabalhar no país pela primeira vez, no entanto isto não equivale ao número exacto de emigrantes portugueses que chegaram e ficaram ao Reino Unido porque não contabiliza dependentes nem pessoas inactivas profissionalmente.