MOP$10
TERÇA-FEIRA 24 DE OUTUBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3921
AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
hojemacau
HOJE MACAU
JED KIRSCHBAUM/BALTIMORE SUN
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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
É A CULTURA POLÍTICA
GCS
ENTREVISTA
COMISSÕES FECHADAS
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PÁGINA 4
SABER ALENTEJANO
A grande vassourada GOVERNO ABRE PROCESSO DISCIPLINAR A FONG SOI KUN. NA AL EXIGE-SE A RESPONSABILIZAÇÃO DE TODOS OS QUE FAZEM “PORCARIA”. PÁGINA 7
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PÁGINA 9
2 ENTREVISTA
ERIC CHONG
GCS
As últimas eleições legislativas continuaram a estar marcadas por episódios de clientelismo, com uma extensa rede de favores e interesses que se estende muito para além do território. Ainda assim, floresceu alguma vontade de mudar e de trazer para o hemiciclo vozes independentes. Eric Chong falou sobre as legislativas na conferência anual da Associação de Ciência Política de Hong Kong
“Dar refeições faz parte da cultura política” O que foi mais surpreendente, para si, nas eleições legislativas deste ano em Macau? Duas coisas. Uma foi o facto do campo pró-democrata ter conseguido eleger Au Kam San, Ng Kuok Cheong e um novo rosto, Sulu Sou. A segunda foi o aumento das vozes que estão no meio [entre o campo pró-democrata e o campo pró-Governo], tal como Agnes Lam, sem esquecer o facto de vários académicos terem sido nomeados pelo Chefe do Executivo. Isto pode levar a mudanças significativas em Macau, porque poderá representar uma mudança da atitude do Governo. Quando o Chefe do Executivo nomeia académicos isto pode querer dizer que o Executivo quer desenvolver novas políticas no desenvolvimento a longo prazo. Há, portanto, uma nova estratégia. Sim. Espero que haja novas estratégias. Claro que os eleitores também fizeram as suas escolhas ao eleger rostos jovens como Sulu Sou e candidatos que, de certa forma, falam sem rodeios, como é o caso de Agnes Lam. Os eleitores fizeram as suas escolhas e disseram-nos que querem pessoas que representem os seus interesses. Apesar do campo pró-Pequim ter obtido a maioria dos votos, estas eleições mostraram-nos coisas muito importantes. Uma das conclusões do seu estudo é que ainda há muito clientelismo nas legislativas, apesar do Governo ter promovido a revisão da lei eleitoral. Acredita que o panorama pode mudar a curto prazo? O sistema político não pode mudar assim tão facilmente. O Governo tentou regular essa matéria, mas este ano vimos os candidatos a promover actividades ligadas a questões sociais e ao entretenimento, que pareciam não estar directamente ligadas às eleições. Os actos de dar refeições ou outro tipo de produtos estão ligados a
“A sociedade de Macau está há muito tempo sob controlo dos campos pró-Governo.” uma certa cultura política. Mesmo o Governo não pode fazer muito quanto a isso. Estamos a falar de uma área cinzenta, com actos que não podem ser considerados como sendo corrupção, mas que também não são positivos do ponto de vista ético? Sim. Se definirmos corrupção, podemos falar de actos onde as pessoas, de forma intencional, compram votos. Mas se olharmos para a história da sociedade de Macau percebemos que as pessoas estão habituadas a este tipo de acções. Há muitas décadas que estes métodos são usados. Disse que o sector do jogo vai sofrer pressões significativas. Falamos de pressões que podem surgir da abertura de outros casinos noutras regiões, por exemplo? Como é que os casinos podem lidar com isso? A China tem levado a cabo a sua política anti-corrupção, e isso levou a um abrandamento no turismo. Mas penso que as autoridades na China não vão permitir que mais dinheiro oriundo da corrupção venha para Macau. Essas questões são conhecidas há muito tempo e penso que
“Os três eleitos [Ng Kuok Cheong, Au Kam San e Sulu Sou] vão precisar de cooperar e em algumas matérias vão ter de trabalhar para chegar a acordo, diria que com Agnes Lam, por exemplo.”
HOJE MACAU
DOCENTE DA UNIVERSIDADE DE EDUCAÇÃO DE HONG KONG
agora as autoridades estão de facto a fazer uma tentativa para evitar que esse dinheiro vá para o território. A sociedade de Macau começou a recuperar em termos de receitas, e isso mostra que muito já foi feito e que são necessários ajustamentos à actual situação. A China tem tido alguns problemas em manter as metas do Produto Interno Bruto nos sete por cento nos últimos anos, e, além disso, o Governo precisa de implementar novas políticas para que o território possa atrair pessoas no âmbito da política “Uma Faixa, Uma Rota”. Aí os casinos poderão recuperar dessas pressões, que estão relacionadas com [a aposta feita por países] como a Rússia ou o Japão, que estão a expandir o seu mercado [de jogo] e que já fizeram muito para atrair turistas de todo o mundo. Sobre a Associação Novo Macau. Na sua apresentação disse que, em Hong Kong, os mais velhos ficam e são os novos que saem das organizações para fundar novos projectos. Em Macau aconteceu o oposto. Podemos falar de uma espécie de crise, apesar da eleição de três candidatos? Eles estão sobretudo a enfrentar uma mudança de geração em termos de liderança. Isso não aconteceu nestas eleições, nem mesmo antes, e já em 2014 os chamados velhos democratas, Ng Kuok Cheong e Au Kam San, saíram da associação. Há muitos jovens que aderiram à Associação Novo Macau e que querem que algo seja feito, e vejo aqui uma certa influência de Hong Kong, pois os mais jovens assumem papéis mais activos. Diria que há uma nova geração que pode tomar conta do rumo da Novo Macau, mas a questão é saber se vão manter o apoio da sociedade. As pessoas têm expectativas e não é a primeira vez que [os deputados] estão no meio político: já fazem parte dele há muito tempo. Aí as pessoas terão a tendência para estabelecer uma comparação entre os dias em que Ng Kuok Cheong e Au
Kam San estavam na associação e na Assembleia Legislativa, e o desempenho que Sulu Sou vai ter nessa mesma condição. Mas não me parece que haja uma divisão. Os três eleitos vão precisar de cooperar e em algumas matérias vão ter de trabalhar para chegar a acordo, diria que com Agnes Lam, por exemplo.
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O CLIENTELISMO AINDA REINA
E
Sulu Sou prometeu respeitar a Lei Básica e garantiu estar afastado do movimento pró-independência de Hong Kong. Acredita então que não há um contágio ou influência desse movimento em relação a Macau? Os territórios são próximos e existe o acesso às notícias. Os jovens usam as redes sociais para
promover muitos dos seus ideais. Mas será que há uma transmissão desses ideais? Penso que não, porque a sociedade de Macau é muito diferente em relação à sociedade de Hong Kong. Está há muito tempo sob controlo dos campos pró-Governo. Além disso, estamos a falar de um território pequeno, onde as pessoas
“Diria que há uma nova geração que pode tomar conta do rumo da Novo Macau, mas a questão é saber se vão manter o apoio da sociedade.”
estão muito interligadas. De certa forma há uma ligação a diferentes associações. Em Hong Kong há uma certa separação, mas em Macau, como é tão pequeno, acabam por se estabelecer ligações entre essas associações de campos diferentes. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
RIC Chong é professor assistente do departamento de ciências sociais da Universidade de Educação de Hong Kong, além de dirigir o Resources Centre for Interdisciplinary and Liberal Studies. Na apresentação que fez no passado sábado, a convite da Associação de Ciência Política de Hong Kong, defendeu que as eleições legislativas de Setembro continuaram a pautar-se por episódios de clientelismo, “o que explicou a maioria dos resultados eleitorais”. O académico destacou sobretudo os candidatos ligados às províncias de Guangdong e Fujian, e que acabaram por ser reeleitos: Mak Soi Kun e Zheng Anting, da União Macau-Guangdong, e Si Ka Lon e Song Pek Kei. Segundo Eric Chong, tratam-se de candidatos que “têm uma base mais ampla [de contactos] que abrange vários municípios” de províncias do continente”. É daí que vêm os eleitores, que recebem “benefícios monetários e materiais, doados em festivais e durante o Ano Novo Chinês e durante a campanha eleitoral”. Eric Chong destacou ainda a perda de votos dos candidatos ligados ao sector do jogo. Não só Melinda Chan saiu como Angela Leong não conseguiu eleger o seu número dois, William Kuan, que em 2013 tinha obtido um número de votos importante. Para o docente, os resultados revelaram que “as relações entre patrões e empregados não ajudaram os candidatos a obter mais votos”. No geral, “os eleitores de Macau mostraram um pensamento independente e olharam para o anterior desempenho dos candidatos”. Em relação aos candidatos ligados ao campo mais tradicional, “muitos dos eleitores pensaram que estes podem questionar o fraco Governo na AL, portanto este campo pró-Governo continua a estar em maioria no hemiciclo”.
4 política
GCS
24.10.2017 terça-feira
Ministério Público Escolhidos delegados do Procurador
Foram ontem publicado em Boletim Oficial o nome dos cinco delegados do Procurador do Ministério Público, Ip Son Sang. Segundo o despacho, assinado pelo Chefe do Executivo “mediante indigitação do Procurador”, foram nomeados Ho I Sut, Mui Cheng Fei, Chong Sio U, Pao In Hang, Lei Un San. Os novos delegados assumem funções a partir do dia 1 de Novembro.
Justiça Leong Fong Meng vai presidir Colectivo do TUI As comissões vão continuar a funcionar à porta fechada. Uma decisão que Agnes Lam disse “compreender”
O hemiciclo votou ontem a composição das comissões e na altura de discutir a constituição da Comissão de Regimento e Mandatos, Ho Iat Seng pediu a Sulu Sou que fosse ler as regras da Assembleia Legislativa
A
S seis comissões da Assembleia Legislativa ficaram ontem definidas, mas a discussão não foi pacífica. Na altura de votar a Comissão de Regimento e Mandatos da AL, que tem poderes para alterar a forma como os deputados intervêm no hemiciclo, Sulu Sou e José Pereira Coutinho votaram mesmo contra a proposta da Mesa da AL. O primeiro ponto da ordem de trabalhos de ontem definia a votação da Comissão de Regimento e Mandatos. Perante a proposta da Mesa da AL, liderada pelo presidente Ho Iat Seng, o deputado Sulu Sou defendeu que os deputados propostos explicassem as suas ideias para o cargo. Todavia, o presidente daALrespondeu que os deputados ainda não tinham sido eleitos,
AL COMISSÕES CONSTITUÍDAS CONTINUAM À PORTA FECHADA
Novo ciclo, velhos hábitos e que só quando o fossem poderiam falar na condição de membros da comissão. A certo ponto, Ho Iat Seng pediu mesmo ao deputado da Novo Macau que lesse bem o regimento que regula as competências dos deputados. “Quero saber como é que os sete colegas em que vou votar pensam, qual a visão sobre estes assuntos. Quero saber que alterações poderão sugerir e o que vão fazer para corresponder às expectativas do público”, defendeu-se Sulu Sou. Antes deste momento, Ho Iat Seng já tinha explicado que a reclamação entregue à AL, na sexta-feira passada, sobre a proposta para as comissões, não ia ser discutida, porque não tinha entrado cinco dias antes do plenário, como a lei exige. Mesmo assim, o presidente convidou o deputado a pedir a palavra para exprimir as suas preocupações.
COMISSÕES ABERTAS
Já os pró-democratas José Pereira Coutinho, Ng Kuok Cheong e Au Kam Sam pediram que as comissões fossem realizadas à porta aberta. Por sua vez, Ho Iat Seng disse que a
decisão compete às comissões, e que eles como membros de poderiam sugerir essa votação. No final, a Comissão de Regimento e Mandatos foi aprovada com 30 votos a favor e 2 contra, de Sulu Sou e José Pereira Coutinho. As restantes comissões foram aprovadas por unanimidade. Ho Ion Sang, Chan Chak Mo e Vong Hin Fai vão ser os presidentes das comissões permanentes. Ella Lei vai presidir à Comissão de Acompanhamento de Assuntos de Terras e Concessões Públicas, Mak Soi Kun lidera a comissão das Finanças Públicas e Si Ka Lon assume a presidência da comissão da Administração Pública. Finalmente, a Comissão de Regimento e Mandatos vai ter Kou Hoi In como presidente. Apesar da sugestão do campo pró-democrata, as comissões vão continuar a funcionar à porta fechada. Uma decisão que Agnes Lam disse “compreender” face a alguns assuntos discutidos. José Pereira Coutinho lamentou que as comissões continuem na “escuridão”. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
NG KUOK CHEONG CRITICA RELATÓRIO SOBRE HABITAÇÃO PÚBLICA
O
deputado Ng Kuok Cheong criticou o relatório sobre as necessidades de habitação pública nos próximos anos porque subestima a necessidade de habitações económicas. “O atrevimento de dizer que daqui a dez anos a oferta de mais de 40 mil habitações sociais e económicas vai levar
ao aparecimento de excesso de oferta em relação à procura é inacreditável”, afirmou Ng Kuok Cheong. Na Assembleia Legislativa, o deputado justificou que para a previsão das necessidades de habitação económica só foram contadas as pessoas que efectivamente cumprem os requisitos
para receber este tipo de casas públicas, apesar de no último concurso terem participado mais de 40 mil agregados. Ng Kuok Cheong diz que este método ignora muitas famílias que se candidataram no último concurso. O pró-democrata explicou, depois, que actualmente há mui-
tos jovens que não conseguem “comprar os apartamentos de luxo do mercado privado”, e que por essa razão precisam de habitação económica. Também Ella Lei se mostrou preocupada com o estudo, porque os cidadãos não sabem quanto tempo vão ter de esperar para receber uma casa.
O Chefe do Executivo nomeou a magistrada Leong Fong Meng, que pertence ao quadro do Tribunal Judicial de Base, como juiz presidente do Tribunal Colectivo dos Tribunais de Primeira Instância. A nomeação foi ontem conhecida através do despacho publicado em Boletim Oficial e partiu da proposta feita pela Comissão Independente responsável pela indigitação de juízes. Leong Fong Meng assume as novas funções a partir do dia 1 de Novembro.
Boletim Oficial Nomeados juízes da Primeira Instância
Já estão escolhidos os oito juízes dos tribunais da Primeira Instância, sob proposta da Comissão Independente responsável pela indigitação de juízes. São eles Ho Chong In, Chong Chi Wai, Rong Qi, Lam Ka Heng, Chang Sin I, Chu Ka Sin, Chan Ka Man, Xu Teng. O despacho, assinado pelo Chefe do Executivo, foi ontem publicado em Boletim Oficial. Os juízes tomam posse a 1 de Novembro.
Vice-presidente da FAOM escolhe mandarim em vez de cantonês
O vice-presidente da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), Lei Chan U, fala cantonês fluentemente, mas ontem, no seu primeiro discurso na Assembleia Legislativa, escolheu falar em mandarim. O caso causou burburinho nas bancadas, mesmo entre os deputados presentes. No final, em declarações aos jornalistas, Lei Chan U confessou que tinha como sonho falar em mandarim na AL. O caso não deixa de ser singular, visto que a FAOM é conhecida pelas posições fortes contra a importação de trabalhadores não-residentes, incluindo os imigrantes do interior da China. Contudo, Lei Chan U é também ele um imigrante, uma vez que nasceu em 1975 na cidade de Seak Si, na Província de Fujian. À excepção de Lei Chan U, todos outros deputados que falaram em chinês utilizaram o cantonense. José Pereira Coutinho, como acontece frequentemente, expressou-se em português na intervenção antes da ordem do dia.
política 5
terça-feira 24.10.2017
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O acumulador Juristas garantem a Chui Sai Cheong que não há conflito de interesses
TIAGO ALCÂNTARA
O
vice-presidente da Assembleia Legislativa, Chui Sai Cheong, garante que vai acumular as funções no órgão legislativo com a posição de membro do Conselho de Magistrados do Ministério Público. Ao HM, o irmão do Chefe do Executivo explicou que os seus conselheiros jurídicos não encontraram nenhum conflito de interesses entre as duas posições. “Consultei os meus conselheiros jurídicos e eles disseram-me que não existe um conflito de interesse entre os dois cargos. Por essa razão vou continuar a desempenhá-los”, disse Chui Sai Cheong. No entanto, o vice-presidente da AL admite que no futuro pode deixar o cargo de membro do Conselho de Magistrados, caso sinta que as novas tarefas no órgão legislativo lhe ocupam demasiado tempo. “No próximo mandato [para membro do Conselho de Magistrados] talvez continue, ou não. Eles podem não me nomear outra vez, se esse for o caso, como é óbvio, não vou continuar. Se me nomearem para mais um mandato, então vou ter de considerar
se com as novas funções quero continuar”, começou por apontar Chui Sai Cheong. “É uma escolha que vai depender de dois factores: o primeiro é a carga de trabalho [como vice-presidente da AL]; o segundo depende de quererem que eu continue. Vai depender dessas situações. Mas por enquanto vou continuar, não há razões para não continuar”, acrescentou. Ontem, à margem da sessão plenária, o HM questionou também Chui Sai Cheong sobre se estaria preparado para assumir o cargo de presidente da AL, no caso de Ho Iat Seng optar por concorrer às eleições para Chefe do Executivo. Porém, Chui Sai Cheong limitou-se a dizer que foi um cenário que nunca ponderou: “Nunca pensei nessa questão, por isso não posso responder”, afirmou.
OPINIÕES UNÂNIMES
Chui Sai Cheong
A interpretação dos juristas consultados pelo irmão do Chefe do Executivo não difere das versões dos juristas e advogados ouvidos na semana passado pelo HM. “Nem na Lei Básica, nem no Regime Eleitoral para a AL, nem no Estatuto dos Deputados, nem
O irmão do Chefe do Executivo explicou que os seus conselheiros jurídicos não encontraram nenhum conflito de interesses entre as duas posições no Estatuto dos Magistrados, encontrei qualquer disposição que me parecesse estabelecer, directa ou indirectamente, uma incompatibilidade entre o cargo de vice-presidente da AL e o de membro desse conselho”, afirmou António Katchi, jurista e docente do Instituto Politécnico de Macau (IPM). Por sua vez, o ex-deputado Leonel Alves chegou mesmo a apontar o exemplo de Lau Cheok Va, que foi presidente da Comissão Independente de Indigitação de Juízes, enquanto presidia igualmente à AL. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
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24.10.2017 terça-feira
Notificação n° 001/DVD-SIS/2017 Com vista a manter a legalidade na exploração da actividade de vendilhão, o Chefe dos Serviços de Inspecção e Sanidade, Albino de Campos Pereira, decidiu, no uso das competências conferidas pelo Despacho n.° 03/VPD/2016, publicado no Boletim Oficial da RAEM n.° 10, II Série, Suplemento, de 9 de Março, e pelo Despacho n.° 01/VPD/2017, publicado no Boletim Oficial da RAEM n.° 10, II Série, de 8 de Março, e de acordo com as disposições do n.° 4 e do parágrafo único do artigo 10.° do “Código de Posturas Municipais do Concelho das Ilhas”, de 6 de Fevereiro de 1974, e dos n.os 1 e 7 do artigo 3.° da “Postura dos Vendilhões, Artesãos e Adelos da Cidade de Macau”, de 1 de Junho de 1987, aplicar multa aos infractores, constantes da tabela seguinte. O IACM possui provas bastantes dos infractores explorarem a actividade de vendilhão sem a devida licença. O facto ilícito que lhes é imputado, consta do respectivo auto de notícia, constituindo as testemunhas e os produtos apreendidos temporariamente provas das suas infracções. Os mesmos infractores não apresentaram defesa escrita após terem sido notificados das acusações pelo IACM. Considerando que não se revela possível comunicar directamente aos interessados, por ofício ou outra forma, as Nome CHEN BIAN NAM CHEN FENG CHEONG OI KUAN CHEONG OI KUAN CHEONG OI KUAN CHEONG OI KUAN CHEONG OI KUAN CHEONG OI KUAN CHEONG OI KUAN CHEONG OI KUAN CHEONG OI KUAN CHEONG WAI SENG CHIANG IO KEI CHIANG IO KEI DAI JI LONG DO THI HUONG GRANKOVSKYI VOLODYMYR HAO MEI CHU HAO MEI CHU HAO MEI CHU HAO MEI CHU HOI KIN HOU HUANG LAN MEI HUANG SONG MEI HUANG SONG MEI IEONG KAT SANG IP KIN CHONG IP KIN CHONG IP KIN CHONG KAM MUI KIO LAI CHEONG SAM LAI CHEONG SAM LAI CHEONG SAM LAI CHEONG SAM LAM KA ON LAM WAI SENG LAM WAI SENG LAM WAI SENG LAM WAI SENG LAO KUN WUN LAO WA WAI
decisões administrativas do IACM, relativas aos assuntos acima referidos, notificam-se, assim, nos termos do n.° 2 do artigo 72.° do Código do Procedimento Administrativo, os infractores, constantes da tabela, para conhecimento das respectivas decisões: 1. Os infractores devem, no prazo de 15 dias, contados a partir da publicação da presente notificação, dirigir-se ao Centro de Serviços do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, sito na Avenida da Praia Grande, 2.° andar, Edifício “China Plaza”, para liquidação das respectivas multas, sem prejuízo da aplicação do n.° 3 do artigo 18.º do Decreto-Lei n.o 52/99/M aos infractores que não sejam residentes de Macau. 2. Nos termos do artigo 149.° e do n.° 1 do artigo 155.° do Código do Procedimento Administrativo, os infractores podem apresentar, no prazo de 15 dias, a contar do dia da publicação da presente notificação, reclamação ao Chefe dos Serviços de Inspecção e Sanidade, e/ou recurso hierárquico necessário para o Data em que foi Valor da exarado o despacho multa de decisão final (MOP)
N° do Documento de Identificação
N° do auto de notícia
Data da Infracção
C19652*** W83219*** 12998**(*) 12998**(*) 12998**(*) 12998**(*) 12998**(*) 12998**(*) 12998**(*) 12998**(*) 12998**(*) 51507**(*) 51226**(*) 51226**(*) 14773**(*) B7403***
344/DVD/SIS/2016 270/DVD/SIS/2015 592/DVD/SIS/2015 680/DVD/SIS/2015 682/DVD/SIS/2015 71/DVD/SIS/2016 128/DVD/SIS/2016 134/DVD/SIS/2016 208/DVD/SIS/2016 368/DVD/SIS/2016 06/DVD/SIS/2017 651/DVD/SIS/2015 265/DVD/SIS/2015 315/DVD/SIS/2016 275/DVD/SIS/2016 373/DVD/SIS/2015
2016/11/07 2015/06/09 2015/10/01 2015/12/25 2015/12/25 2016/03/01 2016/04/20 2016/04/30 2016/07/07 2016/12/22 2017/01/13 2015/11/20 2015/06/09 2016/10/07 2016/09/07 2015/07/10
2017/09/13 2017/09/13 2017/09/13 2017/09/13 2017/09/13 2017/09/13 2017/09/13 2017/09/13 2017/09/13 2017/09/13 2017/09/13 2017/09/13 2017/09/13 2017/09/13 2017/09/13 2017/09/13
2000 500 900 900 900 900 900 900 1800 2000 2000 20 20 20 100 500
FA950***
41/DVD/SIS/2017
2017/01/24
2017/09/13
500
74288**(*) 74288**(*) 74288**(*) 74288**(*) 74327**(*) G28133*** G32033*** W90731*** 73326**(*) 14107**(*) 14107**(*) 14107**(*) 13020**(*) 74158**(*) 74158**(*) 74158**(*) 74158**(*) 51554**(*) 72259**(*) 72259**(*) 72259**(*) 72259**(*) 73805**(*) 12994**(*)
670/DVD/SIS/2015 681/DVD/SIS/2015 50/DVD/SIS/2016 209/DVD/SIS/2016 A001954/2015 320/DVD/SIS/2015 683/DVD/SIS/2015 104/DVD/SIS/2016 353/DVD/SIS/2016 699/DVD/SIS/2015 198/DVD/SIS/2016 256/DVD/SIS/2016 343/DVD/SIS/2016 551/DVD/SIS/2015 578/DVD/SIS/2015 653/DVD/SIS/2015 36/DVD/SIS/2016 552/DVD/SIS/2015 296/DVD/SIS/2015 202/DVD/SIS/2016 257/DVD/SIS/2016 263/DVD/SIS/2016 260/DVD/SIS/2016 01/DVD/SIS/2017
2015/12/04 2015/12/25 2016/02/12 2016/07/09 2015/10/18 2015/07/01 2015/12/28 2016/03/30 2016/11/19 2015/12/29 2016/06/25 2016/08/19 2016/11/05 2015/09/15 2015/09/22 2015/11/23 2016/01/27 2015/09/16 2015/06/18 2016/06/25 2016/08/19 2016/08/24 2016/08/23 2017/01/07
2017/09/13 2017/09/13 2017/09/13 2017/09/13 2016/06/06 2017/09/13 2017/09/13 2017/09/13 2017/09/13 2017/09/13 2017/09/13 2017/09/13 2017/05/31 2017/09/13 2017/09/13 2016/06/02 2017/09/13 2017/09/13 2017/09/13 2017/09/13 2017/09/13 2017/09/13 2017/09/13 2017/09/13
600 600 600 1200 100 500 500 500 100 100 200 400 300 20 20 20 20 20 100 100 200 400 500 300
Nome LEI HEI WAI LEI IAO LAN LEONG CHOI IENG LEONG KAM MUI LEONG MONG U LEONG MONG U LEONG PENG MUI LEONG PENG MUI LEONG SAO KENG LEONG SAO KENG LEONG SAO KENG LIANG CAI YING LIANG CAI YING LIANG CAI YING LIO WA SUM LIU ZE HAI LLANES MONLLOR EDUARDO LONG CHI PAN LONG CHI PAN LONG CHI PAN LONG CHI PAN LY THI XUAN MA HAI MA IOI FONG NG SAM MUI NG WA HOU NG WA HOU NGUYEN THI QUYEN PENG JIAN KAI TU ION CHAN TU RUN ZHEN TU RUN ZHEN TU RUN ZHEN TU RUN ZHEN TU RUN ZHEN TU RUN ZHEN U KUAN HOU VONG IAN VONG SAI MUI WONG WA CHAI
Conselho de Administração do IACM, no prazo de 30 dias. Caso os infractores não liquidem a multa no prazo fixado, nem apresentem reclamação ou recurso hierárquico necessário nos prazos atrás referidos, o IACM submeterá o respectivo processo à Repartição das Execuções Fiscais da Direcção dos Serviços de Finanças para a cobrança coerciva, nos termos da Lei em vigor, sem prejuízo da aplicação do n.° 4 do artigo 18.º do Decreto-Lei n.o 52/99/M, aos infractores que não sejam residentes de Macau. 3. O presente acto é passível de recurso contencioso para o Tribunal Administrativo da RAEM, no prazo fixado no artigo 25.° do Código de Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro, se os infractores não receberem, no prazo previsto no Código do Procedimento Administrativo, as decisões tomadas sobre o referido recurso, ou não as aceitem, salvo o acto nulo. Data em que foi Valor da exarado o despacho multa de decisão final (MOP)
N° do Documento de Identificação
N° do auto de notícia
Data da Infracção
12726**(*) 1799/I10*** 42010/I10*** 20831/I10*** 13341**(*) 13341**(*) 13435/I10*** 5952/I10*** 12963**(*) 12963**(*) 12963**(*) C10705*** C10705*** C10705*** 90277/M521*** 445221199112081***
278/DVD/SIS/2016 14/DVD/SIS/2016 364/DVD/SIS/2016 180/DVD/SIS/2016 454/DVD/SIS/2015 595/DVD/SIS/2015 127/DVD/SIS/2016 82/DVD/SIS/2017 A001953/2015 A001955/2015 129/DVD/SIS/2016 99/DVD/SIS/2016 204/DVD/SIS/2016 319/DVD/SIS/2016 318/DVD/SIS/2015 553/DVD/SIS/2015
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Macau, aos 09 de Outubro de 2017 A Administradora do Conselho de Administração Ung Sau Hong WWW. IACM.GOV.MO
política 7
SMG GOVERNO ABRE PROCESSO DISCIPLINAR A FONG SOI KUN
Limpar a “porcaria”
GCS
terça-feira 24.10.2017
O Executivo anunciou uma investigação à conduta do ex-director dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos, após o relatório do CCAC. Na Assembleia Legislativa pediu-se a responsabilização de Fong Soi Kun e de todos os governantes que fazem ‘porcaria’ por não responsabilizar os seus trabalhadores.
RESPONSABILIDADE SUPERIOR
O
Governo instaurou um processo disciplinar a Fong Soi Kun e decidiu dar início a uma investigação para perceber o funcionamento dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos, num procedimento conhecido como processo de sindicância. A informação foi avançada ontem, depois da ordem do secretário para os Transportes e Obras Públicas, que iniciou os dois processos. No comunicado emitido ontem pelo Governo é explicado que as duas investigações começaram “na sequência do Relatório [do CCAC] de investigação sobre os procedimentos da previsão de tufões e gestão interna” dos SMG. Ainda no que diz respeito à investigação ao funcionamento dos SMG, o Executivo revelou esperar que seja “proposta a ime-
diata instauração de processos, caso se detecte alguma infracção disciplinar”. O anúncio da decisão do secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo Rosário, surgiu uma hora depois da reunião no plenário da Assembleia Legislativa. No hemiciclo, a questão do tufão Hato e a responsabilização dos governantes foram os temas mais abordados pelos deputados, que apontaram o dedo ao Executivo
José Pereira Coutinho lembrou as dez vidas perdidas no tufão “que não podem ser esquecidas com o mero pagamento de 300 mil patacas”
Si Ka Lon, deputado ligado à comunidade de Fujian, foi o primeiro a abordar o tema quando apontou a existência de “ovelhas negras” no Governo e deu como exemplo de má-conduta, entre outros, o processo de previsão de tufões, no qual não há “reuniões internas, nem critérios definidos, bastando o director tomar decisões”. “O que causa maior descontentamento à população não são os erros cometidos pelas autoridades, mas, sim, que ninguém precise de se responsabilizar depois de se ter detectado um erro. Quando é descoberto um erro, o Governo nunca o corrige, por iniciativa própria, nem de forma atempada”, afirmou Si Ka Lon. “Pergunto, perante as autoridades que fizeram tanta ‘porcaria’, mas que nunca precisaram de assumir qualquer responsabilidade, como é que os cidadãos não se sentem descontentes?”, questionou, depois, Por sua vez, José Pereira Coutinho lembrou as dez vidas perdidas no tufão “que não podem ser esquecidas com o mero pagamento de 300 mil patacas por cada vítima mortal”. “Há que apurar responsabilidade de todas a natureza incluindo as responsabilidades políticas. Este assunto não pode nem deve ficar encerrado simplesmente com medidas pecuniárias”, completou. A pessoa mais directa foi mesmo Leong Sun Iok, deputado e número dois de Ella Lei, que culpou o Executivo de causar insatisfação entre a sociedade, por não ter penalizado Fong Sio Kun. “Um dos aspectos que causa a insatisfação da sociedade foi nenhum governante ter sido responsabilizado, pois o ex-director dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos de Macau, Fong Soi Kun, foi alvo de críticas, mas ainda não foi sancionado”, apontou o deputado, na sua primeira intervenção na AL. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
Palavra de Chui
Governo vai lançar plano a dez anos para prevenir tufões
O
Chefe do Executivo, Chui Sai On, anunciou ontem que o Governo “vai dar início no próximo ano à elaboração de um plano decenal para a prevenção e redução de desastres”. A informação foi transmitida num discurso proferido por Chui Sai On no âmbito de um jantar com a Associação de Comunicação Social, que serviu para celebrar os 68 anos de instituição da República Popular da China. Segundo o comunicado oficial, o Chefe do Executivo garante que “estão a ser reforçadas as capacidades de prevenção e redução de desastres, colocando-se em primeiro lugar a garantia da segurança da vida e dos bens materiais dos residentes”. Está ainda a ser feito “um reforço da alocação de recursos e a adopção de medidas de curto, médio e longo prazo, no sentido de criar um mecanismo eficiente de longo prazo no âmbito da prevenção e redução de desastres”. Este novo plano foi anunciado dias depois do Comissariado
contra a Corrupção (CCAC) ter tornado público um relatório demolidor para Fung Soi Kun, director dos Serviços Metereológicos e Geofísicos (SMG) à data da passagem do tufão Hato por Macau.
LOUVORES SOCIAIS
Chui Sai On lembrou a catástrofe no seu discurso, tendo referido que o Executivo “e os sectores da sociedade de Macau envidaram todos os esforços nas operações de socorro e salvamento, tendo a sociedade e a vida quotidiana da população regressado gradualmente à normalidade”. Falando para os membros da associação de jornalistas, Chui Sai On lembrou que “os trabalhadores da comunicação social demonstraram um profissionalismo excepcional e uma grande coragem, trabalhando na linha da frente das operações de socorro, ao lado de outros voluntários, transmitindo atempadamente as informações mais actualizadas aos residentes”, tendo agradecido o trabalho realizado.
LAG Jovens sugerem subsídios para rendas de lojas
O Chefe do Executivo, Chui Sai On, esteve ontem reunido com os membros da Federação da Juventude da China, no âmbito da preparação das Linhas de Acção Governativa. Segundo um comunicado oficial, os representantes da associação sugeriram a criação de um “subsídio para as rendas das lojas”, para “aliviar a pressão dos jovens em prol do empreendedorismo”. Este apoio seria atribuído além do “Plano de Apoio a Jovens Empreendedores” já existente. Foram ainda exigidas “mais oportunidades de intercâmbio e estágios sob o acordo de cooperação entre o Governo e Alibaba”, além da necessidade de “aperfeiçoamento das políticas de transportes públicos”.
8 sociedade
24.10.2017 terça-feira
Jogo 13 Holdings com quebras na bolsa de quase 50 %
Habitação Social Famílias com vida mais facilitada O Governo decidiu alterar os valores do rendimento mensal que as famílias candidatas devem ter para aceder a uma habitação social. Segundo o despacho publicado ontem em Boletim Oficial, isto corresponde a uma maior facilidade de acesso, visto que as famílias podem agora ter rendimentos mais elevados. A
título de exemplo, o despacho de 2012 decretava que um agregado familiar de quatro pessoas deveria ter pouco mais de 22 mil patacas como rendimento mensal, enquanto que agora pode ter cerca de 25 mil para se candidatar. Quanto aos valores do património liquido, também foram ajustados: o mesmo agregado familiar
deveria ter, em 2012, pouco mais de 481 mil patacas, mas a alteração vai permitir que, com um património liquido superior a 500 mil patacas, possa ser candidato a uma habitação social. Os novos valores entram hoje em vigor e foram decretados em despacho assinado pelo Chefe do Executivo, Chui Sai On.
TIAGO ALCÂNTARA
A The 13 Holdings, empresa responsável pela construção do Hotel 13, em Coloane, regressou ontem ao mercado de acções, tendo registado perdas superiores a 48 por cento na bolsa de valores de Hong Kong. A empresa suspendeu a venda e negociação de acções na passada sexta-feira, tendo regressado ontem ao mercado bolsista. Os dados mostram que a última acção foi vendida a 0.91 dólares, sendo que o valor mais baixo por acção chegou a rondar os 0.44 dólares de Hong Kong. Num comunicado recente, a empresa revelou que vai avançar com três operações financeiras para gerar 1,96 mil milhões de dólares de Hong Kong, incluindo empréstimos, para financiar a construção do Hotel 13.
Lam Chong, secretário-geral da comissão de luta contra a SIDA “Não podemos dizer que a incidência do HIV está a diminuir no território, porque para isso precisamos de mais alguns anos.”
O número de casos de infectados pelo Vírus da Imunodeficiência Humana até ao início do mês de Setembro, é metade do registado no ano passado. Os dados não significam que exista, efectivamente, uma diminuição da doença, mas apontam para o sucesso das campanhas de rastreio
HIV DEZENA E MEIA DE CASOS REGISTADOS ATÉ SETEMBRO
Uma questão de sensibilização
acompanhamento, dois morreram, e um saiu do território. O secretário-geral da comissão de luta contra a SIDA adiantou ainda que dez destes casos eram de residentes. Desde 1986 que foram registados um total de 696 portadores de HIV no território. Destes, 269 foram relativos a residentes. Dentro dos casos locais, 116 pessoas tiveram a evolução do vírus para o Síndroma da Imunodeficiência Adquirida e 51 morreram.
M 2016 foram 30 os casos detectados de indivíduos portadores do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV na sigla inglesa). Este ano, e até o início do mês de Setembro, foram 15. Para o secretário-geral da comissão de luta contra a SIDA, Lam Chong, a redução registada não se traduz numa redução da incidência da doença no território. De acordo com o responsável, o facto de, em 2016, se ter registado o maior número de casos detectados desde 1986 tem que ver com os esforços adicionais na sensibilização da população para fazer o teste. “No ano passado fizemos uma promoção do teste de rastreio muito grande e muitas pes-
MUDANÇA DE INCIDÊNCIA
E
soas puderam ter acesso”, disse aos jornalistas à margem da conferência de imprensa em que foi apresentado o programa de actividades deste ano a levar a cabo pela comissão de luta contra a SIDA. “Não podemos dizer que a incidência do HIV está a diminuir no território, porque para isso precisamos de mais alguns anos”, referiu Lam Chong. “Como muitas pessoas já fizeram o rastreio de rotina no ano passado, este ano não o foram fazer”, explicou o responsável. Em 2015 foram cerca de 12 mil testes realizados. O aumento dos números no ano seguinte acaba por ser proporcional ao aumento dos testes feitos. Em 2016 fizeram o teste de rotina cerca de 26 mil
pessoas enquanto este ano, e até ao mês de Setembro, foram feitos 18 mil testes de rastreio.
POPULAÇÃO DE RISCO
No entanto, “a comissão vai continuar a promover a adopção de comportamentos saudáveis, especialmente entre parceiros homossexuais e bissexuais”, disse. O alvo da promoção tem que ver com os números. Dos 15 casos detectados este ano, 14 são do sexo masculino e 1 do sexo feminino. No que respeita à população, sete dos casos são de homossexuais e outros sete de bissexuais, sendo que um caso não tem origem determinada. Ainda relativamente aos casos detectados este ano, 12 estão em
Se há dez anos, o HIV incidia essencialmente em indivíduos com hábitos associados ao consumo de estupefacientes, actualmente a causa tem que ver com a adopção de comportamentos de risco entre relações homossexuais e bissexuais. A faixa etária onde se registam mais casos de infecção por HIV situa-se entre os 30 e os 39 anos. Entretanto já se encontra em funcionamento desde Junho deste ano a base de dados com os doentes infectados com o vírus, sendo que só é acessível a determinados quadros dos Serviços de Saúde e sob dever de sigilo. Sofia Margarida Mota
sofia.mota@hojemacau.com.mo
sociedade 9
terça-feira 24.10.2017
PATRIMÓNIO IFT E UNIVERSIDADE DE ÉVORA ASSINAM PROTOCOLO
Macau recebeu, entre Janeiro e Setembro, mais de 23,8 milhões de visitantes, número que traduz um aumento anual homólogo de 4,2 por cento, indicam dados oficiais ontem divulgados. Segundo a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), o número de visitantes provenientes da China (16 milhões) subiu 6,3%, enquanto o da Coreia do Sul (644.109) cresceu 34,9% em termos anuais homólogos. Já os visitantes de Hong Kong (4,65 milhões) e de Taiwan (802.238) diminuíram 2,9% e 0,9%, respectivamente, em relação aos primeiros nove meses do ano passado. Só no mês de Setembro chegaram a Macau 2,48 milhões de visitantes, mais 2,4%, em termos anuais e menos 13,3% em termos mensais. O visitante refere-se a qualquer pessoa que tenha viajado para Macau por um período inferior a um ano, um termo que se divide em turista (aquele que passa pelo menos uma noite) e excursionista (aquele que não pernoita).
Aprender a conservar
O Instituto de Formação Turística vai ter cursos de mestrado e doutoramento em associação com a Universidade de Évora. À margem da assinatura de protocolo entre as duas instituições, Alexis Tam anunciou que nas Linhas de Acção Governativa sob sua tutela está prevista a formação de jovens para a conservação do património e ambiente
É
oficial, o Instituto de Formação Turística (IFT) e a Universidade de Évora assinaram um protocolo de cooperação institucional do qual irá resultar cursos de mestrado e doutoramento em associação entre as duas instituições. Para já, dois alunos locais vão estagiar durante seis meses na Universidade de Évora e está prevista a elaboração de um curso de mestrado em associação entre as duas instituições. O intercâmbio alarga-se também a docentes, estando previsto a realização de palestras e workshops leccionados por docentes do estabelecimento de ensino português. A parceria resulta da visita de Alexis Tam a Portugal, em Setembro passado. O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura mostrou-se satisfeito com a possibilidade de intercâmbio de alunos e docentes entre as duas instituições. Neste sentido, acrescentou que os cursos de gestão de indústria do jogo e gestão de hotelaria podem ser atractivos para alunos internacionais. Uma das áreas fulcrais da parceria é a conservação de património, até porque a universidade portuguesa tem em funcionamento um equipamento de excelência nesse ramo. “Temos em Évora o melhor laboratório de conservação e restauro da Europa, vamos fazer alguns cursos nessa área, um mestra-
MIGUEL MANSO/PÚBLICO
Turismo Macau recebeu mais 4,2 por cento de visitantes
Ainda na área do ensino, Alexis Tam está confiante que pode alargar o leque da parceria. “Daqui para a frente ainda podemos ir a outros países lusófonos, nomeadamente Cabo Verde, Angola, Moçambique, São Tomé e Guiné Bissau e Timor-Leste. Temos de exportar os nossos cursos académicos porque hoje em dia temos condições”, afiança. Outra das ideias deste intercâmbio é atrair estudantes internacionais para Macau para frequentarem cursos de mandarim e tradução. Esta parceria surge num contexto de internacionalização do IFT. “O Governo da RAEM está a investir muito neste instituto, faz parte do plano para sermos um centro de educação na área do turismo”, explica o secretário.
“A ideia é começarmos com passos pequenos, mas garantindo que vamos cumprir. Assinámos um protocolo para fazer qualquer coisa, não só para assinar.” ANA COSTA FREITAS REITORA DA UNIVERSIDADE DE ÉVORA
do em conservação e gestão do património e receber alunos para fazer estágios”, conta Ana Costa Freitas.Areitora da Universidade de Évora adiantou ainda que foi celebrado um protocolo com a Universidade Cidade de Macau. Na sequência do acordo assinado, o Laboratório Hercules recebe este ano dois alunos de Macau para fazer um estágio nesta área. O laboratório é multidisciplinar, e tem na sua
equipa quadros formados em química, geociência, história e arqueologia e está equipado com tecnologia de ponta. “A ideia é começarmos com passos pequenos, mas garantindo que vamos cumprir. Assinámos um protocolo para fazer qualquer coisa, não só para assinar”, explica Ana Costa Freitas.
PONTES EDUCATIVAS
Alexis Tam anunciou ainda que a criação do Fórum
Cultural, que foi anunciado aquando da sua visita a Portugal, está a avançar a bom ritmo. O secretário adiantou que os responsáveis pela área da cultura de Portugal, China e Hong Kong já confirmaram a presença, sendo que foram endereçados convites ao resto dos governos do mundo lusófono. A primeira reunião dos congéneres das pastas da cultura deve realizar-se em Macau em Junho.
Outra das novidades que surgiram à margem da assinatura do protocolo prende-se com a aposta nas Linhas de Acção Governativa sob tutela de Alexis Tam na sensibilização de jovens para a conservação do património e ambiente. “Já temos o plano. Eu quero que os nossos jovens conheçam o património de Macau, isso é importantíssimo. Desde pequenos têm de aprender o valor do património mundial e da protecção ambiental”, conta. João Luz
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10 eventos
24.10.2017 terça-feira
Oriente sensível PAIXÃO CICLO DE CINEMA DEDICADO A HIROKAZU KOREEDA
UNITYGATE Plataforma artística regressa a Macau
A UNITYGATE regressa a Macau já no próximo dia 26. O projecto internacional junta workshops, espectáculos e exposições. A Plataforma UNITYGATE tem ênfase nas pontes entre Oriente e Ocidente, e nas relações seculares culturais e históricas, acreditando em cidades. Nesta edição mantêm-se os moldes, e a ideia é a “convergência e união de diferentes culturas e gentes”, lêse na apresentação da iniciativa. Para o efeito, a UNITYGATE conta com um fluxo de vários artistas chineses (Macau) e portugueses, nas áreas de intervenção artística de criação, formação, mostra, sitespecific e de vídeo filme. A organização prevê chegar a mais de 10 mil pessoas entre a colaboração com redes nacionais e internacionais.
OM Música de Câmara de volta ao D. Pedro V
A Orquestra de Macau apresenta, no próximo dia 10 de Novembro, o concerto “Música de Câmara, Amigos à Conversa” onde serão interpretadas três peças do período clássico. “Serenata para Cordas em Fá Maior” é a peça de Joseph Haydn, compositor do séc. XVIII. A ela junta-se o “Quinteto de Sopros em Si Bemol Maior”, do compositor alemão Franz Danzi, e “Quinteto de Cordas N.º 4 em Sol menor”, de W. A. Mozart que “manifestam plenamente o desenvolvimento florescente dos quintetos de cordas e sopros no âmbito da música de câmara”, lê-se no comunicado enviado à comunicação social. “Em contraste com a grandiosidade das sinfonias e com o fulgor da música a solo”, estas três peças de música de câmara de diferentes estilos são apresentadas de forma colaborativa e interactiva em que os artistas são simultaneamente iguais e independentes uns dos outros. Os bilhetes já se encontram à venda.
Começou pelo documentário e é hoje uma das referências do cinema japonês. Hirokazu Koreeda é o realizador em foco para mais um ciclo de cinema promovido pela cinemateca Paixão. São dez filmes que retratam as relações humanas e o sentido da vida de forma real e sensível
O
segundo realizador em foco, este ano, na Cinemateca Paixão é o japonês Hirokazu Koreeda. A ideia é ter, dentro desta rúbrica, um balanço entre cinema oriental e ocidental, referiu a directora do espaço, Rita Wong, ao HM. “Queríamos também fazer um destaque para os realizadores orientais. Já tivemos realizadores do ocidente e queremos mostrar também o trabalho dos profissionais da Ásia”, disse. O ciclo vai trazer ao ecrã da Paixão dez películas de Koreeda realizadas desde a década de 1990 até aos dias de hoje, incluindo O Terceiro Homicídio, aclamado pela critica no Festival Internacional de Cinema de Veneza 2017. O filme conta com a participação
do cantor popular Masaharu Fukuyama. Hirokazu Koreeda nasceu em 1962 e é considerado como um dos mais importantes
Um livro revelador que demonstra como o Vaticano salvou milhares de judeus durante o Holocausto e elucida por que razão a história deve reabilitar o Papa Pio XII. Acusado de não ter condenado Hitler pelo fanatismo e ódio racial com que o führer governava a Alemanha, o chefe da Igreja Católica Romana ficou conhecido, durante a Segunda Guerra Mundial, como «o Papa que se manteve em silêncio durante o Holocausto». Contudo, Thomas Gordon apresenta neste livro provas que refutam totalmente essas acusações.
não melodramática, tem-lhe merecido aplausos e prémios em numerosos e importantes festivais de cinema na Europa e Ásia, incluindo nos chama-
dos “Óscares Japoneses””, refere a apresentação do evento. Por outro lado, Rita Wong também sublinha a forma “objectiva com que Koreeda trata as temáticas que trabalha. “É um realizador que aborda as relações humanas com um foco especial nas ligações familiares e em que não é esquecido o sentido da vida, mas, ao contrário da ideia que se pode ter, faz esta abordagem de uma forma muito realista, sem dramatismos”, disse.
DO DOCUMENTÁRIO À FICÇÃO
A razão, considera Rita Wong, terá que ver com o próprio início de carreira de Koreeda. Depois de se formar na Universidade de Waseda em 1987, começou a produzir documentários numa estação de televisão japonesa. “Os documentários de Koreeda destacam-se pela sua explora-
After the Storm
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA OS JUDEUS DO PAPA • Gordon Thomas
realizadores do cinema contemporâneo japonês. “A sua delicada representação dos personagens e a sua capacidade narrativa distinta, mas
RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET
DEUS RI • James Martin
O padre jesuíta James Martin convida crentes e não crentes a redescobrir a importância do humor e do riso na vida quotidiana, e a aderir a uma verdade essencial: o humor conduz à alegria. Apresentando-nos inúmeros exemplos de humor saudável e leveza intencional nas histórias dos grandes heróis e heroínas da Bíblia, bem como nas vidas dos santos e grandes mestres espirituais, permite-nos conhecer a alegria e boa disposição de muitos deles. O autor mostra-nos além disso como as parábolas contêm excelente material de comédia, e como os Evangelhos nos revelam Jesus como um homem manifestamente alegre e até brincalhão.
eventos 11
terça-feira 24.10.2017
HOJE NO PRATO Paula Bicho
Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com
Melão Nome botânico: Cucumis melo L. Família: Cucurbitaceae.
“Queríamos também fazer um destaque para os realizadores orientais. Já tivemos realizadores do ocidente e queremos mostrar também o trabalho dos profissionais da Ásia.”
intitulada “Hirokazu Koreeda – Coração e Sangue de Criança”. A ideia é permitir que o público possa “ter uma melhor compreensão de Koreeda e dos seus filmes. A palestra terá lugar na sala de projecções da Cinemateca Paixão, das 14h30 de 11 de Novembro. O ciclo decorre de 11 a 25 de Novembro. Cada um dos dez filmes é apresentado três vezes “O Terceiro Homicídio” será uma “grande estreia, permitindo ao público desfrutar em primeira mão desta obra especial de Hirokazu, que
RITA WONG DIRECTORA DA CINEMATECA PAIXÃO
ção de vários fenómenos sociais japoneses dos últimos 20 anos e pelo seu toque humano”, refere a directora da Paixão. A partir de meados da década de 1990, Koreeda passou a realizar longas metragens “evitando o sensacional, o exagerado e o lugar comum”. O realizador prefere retratar os seus personagens de modo subtil e delicado.
PALESTRA A ACOMPANHAR
Por outro lado, Ka Ming, crítico de cinema de Hong Kong, vai liderar uma palestra
Air Doll
ultrapassa o universal familiar entrando no mundo dos tribunais”. Os restantes nove filmes são: Maborosi (1995), Além da Vida (1998), Ninguém Sabe (2004), Ainda a Caminhar (2008), Boneca Insuflável (2009), Meu Desejo (2011), Tal Pai Tal Filho (2013), A Nossa Irmãzinha (2015) e Depois da Tempestade (2016). A venda de bilhetes para as sessões de cinema começa hoje. Sofia Margarida Mota
sofia.mota@hojemacau.com.mo
Originário da Ásia Central e Ocidental (Irão), o Meloeiro encontra-se ainda em África no estado espontâneo. Cresce em terrenos secos e soalheiros, sendo actualmente cultivado em inúmeras variedades. Trata-se de uma planta herbácea, de caules rasteiros, cujos frutos, os Melões, adquirem diversas formas, tamanhos e cores, tanto na casca como na polpa, mas sendo sempre suculentos, aromáticos e doces! Consumido por diferentes civilizações desde tempos remotos, o Melão surge numa ilustração egípcia datada de 2.400 a.C., sendo este o mais antigo registo visual desta fruta. Três séculos antes da nossa era já era cultivado pelos Gregos e, no século I, pelos Romanos. A partir da Idade Média ocupou um lugar importante na alimentação, porém ganhou fama de causar indigestões e desarranjos intestinais… É que, em 1607, Henrique IV sofreu uma indigestão em consequência de um consumo excessivo desta fruta. Actualmente, é tão apreciado quanto reconhecido o seu valor alimentar e terapêutico. Composição Elevado teor em água e açúcares e quase nenhuma gordura; proteínas, fibras (hemiceluloses, pectinas), vitaminas (A, B1, B3, B6, folatos, C), minerais (brómio, cálcio, ferro, fósforo, magnésio, potássio), betacaroteno e SOD (superóxido dismutase). A sua doçura é atribuída ao conteúdo em frutose, sendo pobre em calorias devido à riqueza em água. Acção terapêutica Hidratante e diurético, o Melão favorece a eliminação das toxinas e substâncias residuais do metabolismo, auxiliando a função depuradora dos rins; alcalinizante, neutraliza os resíduos ácidos presentes nos tecidos e facilita a dissolução de cálculos urinários, promovendo a sua eliminação. O seu consumo é benéfico em caso de ácido úrico elevado, areias e cálculos renais (especialmente de ácido úrico), gota e reumatismo, retenção de líquidos, infecções urinárias, ou simplesmente para preservar uma boa função renal. Este fruto ajuda igualmente a controlar a pressão arterial prevenindo a hipertensão e diminui a viscosidade do sangue evitando a formação de coágulos, contribuindo, desta forma, para melhorar a saúde cardíaca e reduzir o risco de AVC. Devido ao seu conteúdo em água, o Melão é refrescante, saciando a sede inclusive nos dias mais quentes do Verão. Abre
ainda o apetite, favorece a digestão e é laxante, sendo usado na obstipação e hemorróidas. Remineralizante e tonificante do organismo, está indicado na anemia, desmineralização e estados de desidratação acompanhados da perda de minerais, como por exemplo após diarreias, sudação abundante ou febre. O Melão é um bom aliado dos regimes de emagrecimento. Com propriedades calmantes e antidepressivas suaves, fortalece o sistema nervoso, sendo útil em situações ligeiras de ansiedade, depressão, stress e insónia; pode também aliviar dores musculares por ser um relaxante. Aos fumadores ajuda a revitalizar os pulmões e, aos que querem deixar de fumar, auxilia na recuperação da abstinência da nicotina. Pelo conteúdo em betacaroteno, melhora a visão e reduz o risco de cataratas. Outras propriedades Com acção antioxidante, esta fruta combate os radicais livres e previne alguns tipos de cancro (pulmão); aumenta igualmente as defesas imunitárias. Previne o envelhecimento celular, rejuvenesce a pele conferindo-lhe um brilho saudável, e combate a queda do cabelo, fortalecendo-o, bem como as unhas. O Melão activa as hormonas sexuais, aumentando a líbido e o desejo sexual (afrodisíaco). Como consumir • O Melão deve ser pesado e perfumado, sem manchas ou rachas. Deve ser ingerido bem maduro para não se tornar indigesto. Para saber se está maduro, pressione as extremidades opostas e verifique se estas cedem ligeiramente. Quando maduro, deve ser consumido rapidamente, caso contrário começa a perder as suas propriedades. Depois de aberto pode ser conservado no frigorífico, devidamente coberto e preservando as sementes. Sugestões: • In natura ou em sumos. • Em doces e compotas. • Em entradas, como o famoso Melão com presunto. • Em saladas frias ou de frutas. • Em sobremesas e gelados. Precauções Para evitar perturbações digestivas em pessoas sensíveis, o Melão deve ser ingerido antes ou fora das refeições, uma vez que a sua riqueza em água pode diluir os sucos gástricos e dificultar a digestão de outros alimentos. Pela riqueza em açúcares, deve ser ingerido com moderação, estando por vezes contra-indicado a diabéticos. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.
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24.10.2017 terça-feira
ENSINO CURRÍCULOS ESCOLARES VÃO INCLUIR TEORIAS DO PRESIDENTE
Os propósitos de Xi
O
S estudantes chineses vão passar a estudar a teoria política do Presidente da China, Xi Jinping, após a inclusão desta na constituição do Partido Comunista (PCC), na próxima semana, segundo o jornal South China Morning Post (SCMP). O diário de Hong Kong cita o ministro da Educação chinês, Chen Baosheng, que afirma que a nova ideologia, expressa no discurso inaugural do XIX Congresso do PCC, será incorporada nos currículos escolares. “[O pensamento de Xi] vai ser introduzido nos manuais escolares, aulas e cérebro [dos estudantes]”, afirmou o ministro. “Vamos elaborar métodos de ensino específicos que combinem textos de diferentes graus e tópicos”,
encerramento do Congresso, na próxima terça-feira, quando a constituição do Partido for alterada.
PARA A HISTÓRIA
acrescentou. No discurso inaugural do mais importante evento da agenda política chinesa, proferido perante PUB
HM • 1ª VEZ • 24-10-17
ANÚNCIO ----- Juízo Laboral Acção de Processo Comum do Trabalho nº : LB1-17-0030-LAC. ----- Autor : 劉法剛 (LIU FAGANG), sexo masculino, reside na 中國中山市坦 洲鎮洲際新天3期5棟304. -------------------------------------------------------------------
centenas de delegados do PCC, Xi anunciou o início de uma “nova era”, em que a China “erguer-se-á entre todas as nações do mundo”. O secretário-geral do PCC prometeu uma China moderna e próspera, em que o partido não abdicará do controlo sobre economia e sociedade. “Governo, exército, sociedade e escolas - norte, sul, este e oeste - o Partido é líder de tudo”, afirmou. O título formal da ideologia de Xi será conhecido no
Chen afirmou que o ministério irá começar a introduzir o pensamento de Xi, o mais forte líder chinês das últimas décadas, nos manuais escolares, e a treinar professores, como parte da “tarefa histórica” do ensino. Tradicionalmente, o partido exerce apertado controlo sobre os currículos escolares, com os livros a enaltecer os feitos do Partido Comunista e a omitir eventos como a sangrenta repressão do movimento pró-democracia de Tiananmen, em 1989. Desde a ascensão ao poder de Xi, em 2012, as autoridades reforçaram também o controlo sobre o meio académico, advertindo contra a difusão de “conceitos ocidentais” nas salas de aulas. Em Junho, várias universidades chinesas foram publicamente reprendidas pelos inspectores de disciplina do Partido, pelos seus “insuficientes esforços na frente ideológica”.
ECONOMIA COMÉRCIO COM PYONGYANG É “NECESSIDADE HUMANITÁRIA”
A
China defendeu o seu comércio com a Coreia do Norte, justificando com a resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que aponta que as sanções impostas a Pyongyang não devem afectar “necessidades humanitárias”. Geng Shuang, porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, afirmou ontem que a China “implementa com rigor” as sanções, tendo banido as importações de carvão, ferro, marisco e têxteis norte-coreanos. A China é o principal aliado diplomático e maior parceiro comercial da Coreia do Norte. Cerca de 90% do comércio externo de Pyongyang é feito com o país vizinho. Dados das alfandegas chinesas revelam que as exportações da China para a Coreia do Norte aumentaram 31,4%, em Agosto, face ao mesmo mês de 2016, enquanto as importações recuaram 9,5%.
“O Conselho de Segurança sublinhou que as resoluções não devem infligir um impacto negativo no bem-estar e necessidades humanitárias da Coreia do Norte”, justificou Geng. A China, um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança com direito de veto, aprovou várias sanções contra Pyongyang, mas rejeita isolar totalmente o país, por temer uma queda do regime de Kim Jong-un. O colapso do regime norte-coreano resultaria numa crise de refugiados no nordeste da China e na reunificação da península coreana pela Coreia do Sul, país aliado dos Estados Unidos, que disputa com Pequim a influência na região da Ásia Pacífico. Em Setembro passado, a Coreia do Norte realizou o sexto e mais poderoso teste nuclear até à data, no que revelou ter sido a detonação de uma arma termonuclear para ser colocada num míssil balístico intercontinental.
----- Réu : “Empresa Hoteleira de Macau, Limitada (New Century Hotel)”, com sede na Avenida Padre Tomás Pereira, nº889, em Macau, ora ausente em parte incerta. --------------------------------------------------------------------------------------------------- FAZ-SE SABER QUE, por esta Secção, correm éditos de TRINTA DIAS, contados da segunda e última publicação do anúncio, citando o Réu acima identificado, para no prazo de QUINZE DIAS, decorrido que seja os dos éditos, contestar a Acção de Processo Comum do Trabalho, cujo pedido resumidamente consiste em ser julgada a presente acção procedente por provada e o réu ser condenado a pagar ao autor : a quantia de 24.901,70 (Vinte e Quatro Mil, Novecentas e Uma Patacas e Setenta Avos) patacas a título de salários devidos ao Autor, bem como o pagamento de juros legais vencidos e vincendos até integral pagamento. -------------------------------- Pelos fundamentos constantes da petição inicial cujo duplicado se encontra à sua disposição e que poderá ser levantado nesta secretaria nas horas normais de expediente, sob pena de não o fazendo no dito prazo, seguir o processo os ulteriores termos até final á sua revelia. ----------------------------------------------------------------------- RAEM, aos 27 de Setembro de 2017. --------------------------------------------------
A
Agência Mundial Antidoping (AMA) anunciou ontem estar a investigar as insinuações de que atletas chineses beneficiaram de doping sistemático nas décadas de 80 e 90 do século XX, divulgadas pelo canal televisivo alemão ARD. “As alegações foram feitas por uma ex-médica chinesa, Xue Yinxian, que disse que cuidou de várias equipas nacionais da China durante as décadas em questão”, refere a AMA em comunicado. Xue Yinxian, que recentemente chegou à Alemanha em busca de asilo político com o seu filho, afirmou que mais de 10 mil atletas foram afectados, alguns com 11 anos, e que quem estava contra o doping era
Dopados para ganhar
AMA investiga queixas de uso de doping nos anos 70 e 80
considerado “um perigo para o país” e preso. Xue, de 79 anos, disse que perdeu o emprego com a selecção nacional chinesa de ginástica depois de se recusar a submeter um atleta com substâncias dopantes antes dos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988. Em declarações ao canal televisivo ARD disse ainda que não se sentia segura em Pequim desde 2012 - daí o seu desejo de obter asilo político na Alemanha -, quando, pela primeira vez, abordou a questão do uso generalizado de doping. “Nos anos 80 e 90, os atletas chineses das
selecções nacionais utilizaram extensivamente substâncias dopantes. As medalhas foram mergulhadas em doping. Ouro, prata e bronze. Todas as medalhas internacionais deviam ser retiradas”, disse Xue Yinxian.
EM ANÁLISE
A AMA adiantou que irá examinar “se tal sistema pode ter prevalecido além dessas décadas”. O primeiro passo, segundo a AMA, foi criar uma “equipa independente, para iniciar um processo de investigação, a fim de reunir e analisar
a informação disponível em coordenação com parceiros externos”. Xue, que continuou a trabalhar em níveis mais baixos depois de ter sido demitida da selecção nacional em 1988, disse que só foi abordada depois, quando os atletas desenvolveram problemas por causa das substâncias que receberam. “Um treinador veio ter comigo e disse-me que os seios dos meninos continuavam a crescer. Esses meninos tinham cerca de 13 e 14 anos”, referiu Xue Yinxian na entrevista ao canal televisivo.
região 13
terça-feira 24.10.2017
Campanha nipónica
FILIPINAS EXÉRCITO TOMA EDIFÍCIO CONTROLADO POR EXTREMISTAS
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Shinzo Abe promete medidas concretas para enfrentar Pyongyang
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primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, prometeu ontem medidas para contrariar as ameaças da Coreia do Norte sublinhando que tem o apoio dos japoneses na sequência da vitória dos conservadores nas eleições gerais. “Com o apoio popular que recebemos estamos em condições de activar contra-medidas efectivas para enfrentar a ameaça norte-coreana”, disse Shinzo Abe numa conferência de imprensa em Tóquio sobre o resultado das eleições legislativas no Japão. O líder dos conservadores japoneses adiantou que a questão da Coreia do Norte vai ser um dos assuntos principais em análise durante a visita que o Presidente dos Estados Unidos, Donald
Trump, vai realizar ao Japão a partir do dia 5 de Novembro. “Falei hoje [ontem] com Trump e concordamos que durante a visita vamos dedicar ‘tempo significativo’ para analisarmos a forma de enfrentar este desafio”, disse o primeiro-ministro na mesma conferência de imprensa que se realizou na sede do Partido Liberal Democrata, na capital japonesa. Shinzo Abe disse também que vai partilhar com “outros líderes” a mesma preocupação para “incrementar a pressão sobre a Coreia do Norte” tendo-se
referido particularmente à República Popular da China e à Rússia. “O meu objectivo é garantir que o povo japonês tenha segurança” disse recordando que as eleições tinham sido convocadas para garantir o apoio do “povo japonês” na adopção de medidas contra o regime de Pyongyang além da aplicação das reformas económicas.
LARGA MAIORIA
De acordo com os últimos dados noticiados pela NHK, o Partido Liberal Democrata conseguiu 284 deputados e o Komeito, aliado político, elegeu 29,
“Com o apoio popular que recebemos estamos em condições de activar contra-medidas efectivas para enfrentar a ameaça norte-coreana.”
conseguindo conjuntamente um número superior aos dois terços exigidos para a Câmara Baixa do Parlamento composta por 465 membros. A maioria abre caminho a Shinzo Abe para avançar com o processo de reforma da Constituição, sobretudo na área da Defesa. “Conseguimos uma forte maioria”, disse o primeiro-ministro frisando que “se trata da primeira vez em 50 anos que um partido recebeu um apoio tão ‘constante’ por parte do povo japonês”.
SHINZO ABE PRIMEIRO-MINISTRO DO JAPÃO
ILITARES filipinos tomaram um edifício na cidade de Marawi que era controlado por grupos afiliados ao radical Estado Islâmico, e encontraram cerca de 40 cadáveres de homens armados no interior do prédio, foi ontem noticiado. A informação foi dada à agência noticiosa Associated Press (AP) por dois militares, que pediram o anonimato por não estarem autorizados a divulgar os últimos desenvolvimento em Marawi, onde as forças do governo começaram uma retirada gradual, à medida que os confrontos
diminuíram consideravelmente nos últimos dias. No domingo, fontes militares disseram que o exército filipino estava a lutar contra uma dezena de extremistas islâmicos em Marawi, naquela que podia ser a última operação contra o Estado Islâmico (EI) na cidade, um conflito que começou há cinco meses. O porta-voz das Forças Armadas, Restituto Padilla, disse que pelo menos dois estrangeiros poderiam fazer parte do último grupo rebelde que está entrincheirado em cinco edifícios daquela cidade do sul do país. O porta-voz acrescentou que os extremistas mantêm pelo menos uma dezena de reféns, mas acrescentou que estão “encurralados” e sem influência sobre o resto da cidade. O conflito em Marawi matou mais de mil pessoas, incluindo 897 rebeldes, 164 soldados e 47 civis, e 395 mil deslocados foram alojados em acampamentos e terrenos desportivos nas aldeias próximas, de acordo com fontes oficiais.
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Aviso Considerando que não se revela possível notificar directamente os interessados, por ofício, telefone ou outros meios, para efeitos de prosseguimento das respectivas decisões administrativas, nos termos dos artigos 68° e 72° do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei nº 57/99/M, de 11 de Outubro; Nos termos da alínea 10) do artigo 10º do Regulamento Administrativo nº 32/2001 e no uso dos poderes conferidos pela Proposta da Deliberação nº 01/PDCA/2017, de 17 de Fevereiro de 2017, com o publicado no B.O., nº 9, II série, de 01 de Março de 2017, o presidente proferiu o despacho de 06 de Outubro de 2017, no sentido de notificar os interessados que ocupam ilegalmente o terreno, sito no Pátio da Mina no.10, que devem proceder à remoção da referida construção ilegal, no prazo de 30 (trinta) dias, a contar da data da publicação deste aviso, nos termos do artigo 6º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos, aprovado pelo Regulamento Administrativo nº 28/2004 e do nº 1 do artigo 144º do Código do Procedimento Administrativo, pois, caso contrário, o IACM procederá à sua remoção. Caso os interessados não cumpram as suas obrigações no prazo determinado, o IACM procederá, nos termos e para os efeitos do nº 2 do artigo 144º do Código do Procedimento Administrativo, à execução directa de tal tarefa, ficando neste caso todas as despesas por conta dos interessados. Segundo as disposições do artigo 149º e do nº 2 do artigo 155º do Código do Procedimento Administrativo, os interessados poderão apresentar, a partir do dia seguinte ao da publicação deste aviso, reclamação junto do presidente dentro do prazo de 15 (quinze) dias e/ou recurso hierárquico facultativo junto do Conselho de Administração , no prazo de 30 (trinta) dias. Por último, os interessados poderão ainda apresentar recurso contencioso junto do Tribunal Administrativo, dentro do prazo de 30 dias definido pelo artigo 25º do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei nº 110/99/M, de 13 de Dezembro. Macau, aos 24 de Outubro de 2017. O Administrador do Conselho de Administração, Mak Kim Meng WWW. IACM.GOV.MO
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24.10.2017 terça-feira
Nada me prende a nada. Quero cinquenta coisas ao mesmo tempo. ALUVIÃO Miguel Martins
Time is what you make of it. Anúncio aos relógios Swatch, 1996.
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Á muitos tipos de prazeres. Há os prazeres prazerosos, claro. Há os prazeres que acarretam algum sofrimento. E há, também, o prazer da dificuldade. Este, regra geral, decorre de dois aspectos: o trabalho que foi necessário à sua fruição e o facto de esta implicar o encontro com outro – o criador – que trilhou esse caminho, incomum no seio de um tempo de facilitismos. É esse o prazer que sempre me deram algumas obras de arte. E, a dado momento, quando esse mecanismo está em nós bem oleado, funcionando por si só, sem necessidade de manutenção, esses prazeres tornam-se imediatos, físicos, exactamente como os prazeres menos exigentes. Blake, Pound, Joyce, Beckett, Lowry, o dadaísmo, o letrismo, etc, cabem, claramente, nesta categoria. (Permitam-me que lhes acrescente um português, quase desconhecido: Alberto Velho Nogueira). O mesmo acontece, na música, com Kurt Schwitters, Luigi Russolo, John Cage, Luciano Berio, Mauricio Kagel, Frédéric Acquaviva, etc. Ou com o free jazz e a música improvisada. Sem Leroy Jenkins ou Kazushige Kinoshita, sem Derek Bailey ou Hans Reichel, a minha vida seria bem mais pobre e menos prazerosa. Nas artes visuais, o mesmo sucede com Marcel Duchamp, Joseph Beuys e as suas extensas descendências. Mas, claro está, estes prazeres não devem excluir o enorme prazer que nos dão a limpidez ascética, preclara, da música de Bach ou de Sainte-Colombe, ou dos versos de Camões, ou a pureza lúdica, essencial, dos pincéis de Raoul Dufy, Miró ou Calder. Nada nasce de nada. E o sentido das vanguardas funda-se, profunda e solidamente, nas razões destes. Quando não, estamos no território do vómito sem sentido, que, oportunista, sempre alaga algumas frestas das vanguardas. E para esse não deve haver tolerância. O mesmo acontece com a comida. A grande cozinha de autor é rara. A má cozinha de autor é ridícula. Serve, normalmente, para disfarçar a preguiça. Um grande cozinheiro não tem, necessariamente, de saber fazer uma perdiz à Convento de Alcântara, mas tem, pelo menos, de saber que ela existe e como é feita. Quando não, dêem-me, mil vezes, uma boa sertã de iscas e guardem para os CEOs as espumas e as granitas. Há, ainda, outro tipo de prazer, que se vai tornando raro neste tempo de seriedades cosméticas, e que é, porventura,
O ASTRÓNOMO, JOHANNES VERMEER (PORMENOR)
Do prazer
o que me cala mais fundo e melhor me individualiza. Falo do diletantismo, do apego a certas artes e ciências sem que se pretenda obter qualquer proveito pessoal que não o esclarecimento da curiosidade e, portanto, sem grandes preocupações estruturais e, sobretudo, sem qualquer remuneração. Mais uma vez, os britânicos (alguns, claro está) servem-me de exemplo: O birdwatching, a observação de aves, empenhada e informada, contará no Reino Unido com cerca de um milhão de praticantes. O mudlarking, esmiuçar das lamas das margens dos rios em busca de antiguidades é, também, uma prática popular, desejavelmente realizada em articu-
lação com arqueólogos e museus, cujas colecções amiúde enriquece. A malacologia e a lepidopterologia amadoras, a recolha e o estudo de gastrópodes e bivalves e de borboletas, se praticadas conscienciosamente, são actividades extremamente gratificantes. A filatelia, se saltar do patamar da mera acumulação para o da verdadeira curiosidade organizada, é um instrumento pedagógico valioso. Muito jovem, com ela aprendi, entre muitas outras coisas, boa parte do que ainda hoje sei de geografia política e da sua evolução. Em todas estas actividades, existe o prazer de ir entendendo cada vez melhor o que se observa e os factores que o determinam, mas, à partida, tudo co-
Há, ainda, outro tipo de prazer, que se vai tornando raro neste tempo de seriedades cosméticas, e que é, porventura, o que me cala mais fundo e melhor me individualiza. Falo do diletantismo, do apego a certas artes e ciências sem que se pretenda obter qualquer proveito pessoal que não o esclarecimento da curiosidade e, portanto, sem grandes preocupações estruturais e, sobretudo, sem qualquer remuneração
meça pelo simples prazer da contemplação. Da silhueta de uma pega rabilonga ou de um fragmento de cuspidor em porcelana, das pregas radiantes de uma concha de vieira ou dos padrões laranjas e negros das asas de uma monarca, ou, ainda, de um selo representando qualquer uma das coisas anteriores… Recordo-me de, quando era miúdo, passar horas a olhar um conjunto de selos das ilhas Ryukyu estampados com belíssimos gastrópodes. E onde seriam as ilhas Ryukyu? Era imperativo esquadrinhar o globo terrestre até dar com elas, e que alegria ao encontrá-las! Esse fascínio inicial por um objecto ligou-me, ao primeiro encontro, ainda numa ilustração de um livro, a algo que a maior parte das pessoas considerará tétrico, quando não mesmo repugnante — as cabeças humanas mirradas pelos índios jivaros da América do Sul. Trata-se de cabeças de inimigos, a que são retirados os crânios e que tomam então as dimensões de um punho fechado, mantendo, contudo, as suas feições e as longas cabeleiras. Mais tarde, no Museu da América, em Madrid, e nos fundos do Museu Nacional de Etnologia, em Lisboa, tive a oportunidade de vê-las ao vivo. Que alegria, também então! A surpresa, o inesperado, sobretudo numa época em que, desde tenra idade, somos bombardeados por informações que nos retiram quase todas as virgindades e, por conseguinte, a probabilidade dessas surpresas, têm um valor intrínseco, nas artes ou em quaisquer outras matérias. Convém, pois, estarmos abertos às surpresas ou deixaremos a vida passar-nos ao lado. Uma história que ilustra bem este princípio é a seguinte: Quando Georges Simenon propôs a primeira novela protagonizada pelo Comissário Maigret ao seu editor, Arthème Fayard, este respondeu-lhe: — Estou disposto a publicar os seus “Maigret”, mas digo-lhe de antemão que não obteremos qualquer resultado. E isso por quatro razões: a) as suas histórias não são técnicas o suficiente; b) não há intriga amorosa; c) não existem nelas personagens suficientemente simpáticas ou antipáticas; d) acabam todas mal. Os livros de Simenon, e os Maigrets em particular, tornar-se-iam, em breve, dos livros mais vendidos do mundo, para mais com um sem-número de adaptações cinematográficas e televisivas, em diversas línguas. Com os Maigret, Simenon fez-se um homem muito rico e enriqueceu muito os seus editores. Fayard estava erradíssimo, é certo. Mas, honra lhe seja feita, editou o que lhe era proposto.
ARTES, LETRAS E IDEIAS 15
terça-feira 24.10.2017
Máquina Lírica Paulo José Miranda
A Sombra de Teseu PERSONAGENS: Afrodite Ártemis Chefe dos Guardas Corifeu Coro de mulheres Criada de Fedra Criado de Hipólito Fedra Hipólito Teseu (entra o coro de mulheres) CORIFEU Fedra é pior que víbora! Fedra é pior que víbora! CORO DE MULHERES Que culpa tem, se Afrodite Teceu o destino da paixão? Ninguém se dá a sua vida, Ninguém escolhe a sua morte. CORIFEU Mas vede como sofre Teseu! (Teseu entra em cena e fala consigo mesmo) TESEU Um pai responde por um filho? De que adianta tudo o que se faz, Se os filhos serão sempre o que os deuses quiserem? Para quê fazer filhos, Se nos serão sempre menos que a nossa própria sombra? Quem fará chegar o mal a um coração E porquê, porquê? E existirá maior mal do que um pai assistir à sua vida cair na lama Pela acção de um filho? Os tempos passados foram iluminados por desastres E os futuros não serão melhores. Porque teimamos ainda em prolongar a vida, Através de novas gerações? Com que forças hei-de agora mandar prender meu filho, Condená-lo ao exílio, Para se arrastar por terras desconhecidas sem nada E sem ser nada entre essas gentes? O exílio é pior que a morte! É morrer todos os dias E saber que se vai morrer sempre mais no dia seguinte. Mas não matar um filho que merece a morte, Concede-nos sempre um horizonte de espera que o mundo mude. O mundo não muda, mas enquanto se espera pode mudar. Mando Hipólito para mil mortes,
Mas fico com o coração nas amuradas da espera de que algo mude, De que nada seja como tem sido. Estas vãs mãos mortais, Que nada podem fazer de verdadeiramente importante! (entram guardas em cena) CHEFE DOS GUARDAS Mandaste-nos chamar, rei? TESEU Mandei, sim! Vão nos aposentos de Hipólito e prendam-no! E tragam-mo aqui, feito já prisioneiro. (Hipólito entra em cena, com os guardas, e confronta-se com Teseu) QUARTO EPISÓDIO HIPÓLITO Meu pai, que loucura vem a ser esta? Porque me fizeste prisioneiro em nossa própria casa? TESEU Ainda te atreves a perguntar porquê, miserável? Nem coragem tens para assumir perante mim aquilo que fizeste? HIPÓLITO Mas que fiz eu, meu pai? Que mal fiz, para ser tratado como um cão que morde o dono? TESEU Não escolheste bem a comparação, Hipólito! Um cão que morde o dono é ainda digno de pena, mas tu não! Tu és aquele que ataca no escuro da noite e pelas costas a parte fraca de quem te deu a vida. HIPÓLITO Não estou a entender o que minha mãe tem a ver com isto...
TESEU Não é a tua mãe, mas a minha mulher. HIPÓLITO Fedra? Falas de Fedra? TESEU Sim, Fedra! Falo de Fedra, minha mulher, tua madrasta, tua rainha... HIPÓLITO Mas que mal fiz eu a Fedra? Ártemis é minha testemunha! TESEU Nenhuma deusa protegerá um homem como tu! HIPÓLITO Mas que fiz eu, meu pai? TESEU Não te atrevas a chamar-me de pai mais vez nenhuma, ou serei eu mesmo a acabar com a tua vida, trespassando-te aqui com o fio da minha espada! HIPÓLITO (sorrindo de espanto) Não acredito! Não acredito que aquela bruxa conspirou contra mim e que meu pai acreditou nas suas palavras! TESEU (desembainhando a espada) Cala-te, ímpio! Cala-te ou teus intestinos irão feder esta sala, agora mesmo! HIPÓLITO (cala-se e depois volta a falar com moderação) Teseu, escuta primeiro as minhas palavras, por favor! Nunca foste parco de justiça, não comeces agora. (perante o silêncio de Teseu, Hipólito inicia a sua defesa) Ainda nem o sol rodou um dia à volta da Terra, e Fedra tentou seduzir-me, Teseu!
(TERCEIRO ESTÁSIMO) (este joga a mão à espada, novamente, e Hipólito estende a mão, pede) Espera, Teseu! Espera, por favor. Escuta tudo até ao fim, mesmo que te custe, pois essa é a tarefa de um juiz. Talvez pela ausência de notícias tuas, não sei, ela... TESEU És capaz de me dizer que não foste procurar-me em Atenas? HIPÓLITO Fui procurar-te, sim. Não era só eu que estava preocupado, mas também Fedra. Fi-lo para lhe dar descanso. TESEU Não é então verdade que quiseste tê-la como mulher e foste a Atenas em busca da prova da minha morte, de modo a que ela se entregasse a ti, como te tinha prometido se se confirmasse a minha morte, Hipólito? HIPÓLITO O quê? Que loucura é essa, meu... Teseu? Que loucura é essa? Que renegue a Ártemis se tal enredo aconteceu de verdade! As palavras são capazes de tudo, Teseu. Meu pai sabe bem disso! Mas quererá isso dizer que seja verdade? Agora, aqui mesmo, posso dizer que matei Fedra. E as minhas palavras fazem disso verdade? Está por acaso Fedra morta? TESEU Deixa-te de palavreado, Hipólito! Quero factos! Factos! HIPÓLITO E exigistes factos a Fedra, quando a escutaste? Exigiste, Teseu? Ou só os exiges a mim? (Teseu fica um pouco confuso e Hipólito aproveita para continuar) Porque não chamas Fedra agora, aqui? E exiges de ambos factos. E escutas de ambos as palavras. Um frente ao outro, Teseu. Assim continuarás a ser o bom juiz que sempre foste. Não dês mais valor às palavras de um que às de outro. Ela é tua mulher e eu sou teu filho. Mas ainda que não fôssemos para ti senão estranhos, ou só um de nós o fosse, terias de escutar ambos com o mesmo comprimento de espada. Não te parece que tenho razão, que estou certo? Não foi assim que me ensinaste, desde cedo na vida? TESEU (para o chefe dos guardas) Envia alguém aos aposentos de Fedra, e que ela venha imediatamente ao seu rei, que é urgente. (o chefe dos guardas dá sinal a um dos guardas e ele parte)
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24.10.2017 terรงa-feira
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terça-feira 24.10.2017
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FIMM | SOWETO GOSPEL CHOIR Fortaleza do Monte | 20h00
Sexta-feira
EXPOSIÇÃO | INAUGURAÇÃO DE “O TEMPO MEMORÁVEL – AS INDÚSTRIAS TRADICIONAIS DE MACAU” MAM KINO – FESTIVAL DE CINEMA ALEMÃO | TONI ERDMANN Cinemateca Paixão | 20h00
Sábado
FIMM | GUIMARÃES STRING QUARTET Teatro D.Pedro V | 20h00 FIMM | WILLIAM SO AND THE MACAO CHINESE ORCHESTRA Venetian Theatre | 20h00
Domingo
FIMM | CONCERTO DE JAZZMEIA HORN Fortaleza do Monte | 20h00 FIMM | THE GOLDEN PEAK CCM | 20h00
Diariamente
EXPOSIÇÃO | MACAU NA 57ª EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DE ARTE DA BIENAL DE VENEZA 2017 MAM | Até 12/11
Cineteatro SALA 1
C I N E M A
GEOSTORM [B] Fime de: Dean Devlin Com: Gerard Butler, Jim Sturgess, Abbie Cornish, Daniel Wu 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 2
SKY HUNTER [C] FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Chen Li Com: Chen Li, Bingbing Fan, Qianyuan Wang, Jiahang Li 14.30, 16.45, 19.30
SOLUÇÃO DO PROBLEMA 145
PROBLEMA 146
UM LIVRO HOJE
SUDOKU
DE
KINO – FESTIVAL DE CINEMA ALEMÃO | O FLORIR DE ONTEM Cinemateca Paixão | 21h30
FIMM | CONCERTO DE LUKAS GENIUSAS CCM | 20h00
1.21
RETORNO
Amanhã
KINO – FESTIVAL DE CINEMA ALEMÃO | PAULA Cinemateca Paixão | 19h00
YUAN
PÊLO DO CÃO
KINO – FESTIVAL DE CINEMA ALEMÃO | O CENTRO DO MEU MUNDO Cinemateca Paixão | 21h30
Quinta-feira
0.24
Mão estendida e aqui vou eu de novo a correr na pista desta coluna, depois de receber o extraordinário testemunho de quem ocupou este espaço na minha ausência. Regressa a destilação de vida a 40º e as respectivas reflexões matinais nascidas na espuma dos sonhos. Durante três semanas estive fora do abrigo do lótus, a meio mundo de distância do olhar compassivo deA-Má, sem pérolas, nem deltas.Agora, retorno a esta coluna, onde posso descansar os ossos e languidamente congeminar a aniquilação das estrelas. Não tardei quase nada a chegar e da soma de todos os minutos ausentes espremo estas palavras a custo, ainda atordoado pelo salto de latitude. Um novo tecto acolheu ontem a minha primeira insónia. Olhei para todas as falhas de tinta na parede tentando procurar um padrão, tentei desvendar mapas de conforto e adormeci sem almofada, de crânio desamparado. No canto do quarto está a minha vida embalada, volumes de existência jazem no soalho à espera de ordem que recuso fornecer, encaram-me como a impossível severidade reprovativa dos objectos. Penso no apartamento do Travis Bickle e nos bouquets secos de desespero, na forma como os espaços podem ser bem mais caóticos do que um quarto vazio, uma cama sem almofadas e uma vida embalada a reclamar atenção. Apercebo-me que não está nada mal para primeira noite, ao mesmo tempo que digo para mim mesmo: “Estou de volta”. João Luz
CHINESE COMFORT WOMEN | PEIPEI QIU | HK UNIVERSITY PRESS
Este livro conta a história das mulheres chineses que serviram de “mulheres de conforto” aos militares japoneses durante a guerra sino-japonesa. Os relatos são perturbadores mas importantes para contar uma parte da história que tem sido esquecida pela sociedade e pelos governos. Muitas delas morreram sem verem a justiça ser feita e com a vida completamente alterada pelo período de escravidão, abusos e violência a que foram sujeitas. Andreia Sofia Silva
WIND RIVER [C]
Fime de: Taylor Sheridan Com: Jeremy Renner, Elizabeth Olsen 21.45 SALA 3
WISH UPON [C] Fime de: John R. Leonetti Com: Joey King, Ryan Phillippe, Ki Hong Lee 14.15, 18.00, 21.45
WIND RIVER [C] Fime de: Taylor Sheridan Com: Jeremy Renner, Elizabeth Olsen 16.00, 19.45
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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
18 opinião
24.10.2017 terça-feira
macau visto de hong kong
Liberdade de expressão
O passado dia 4 o Tribunal de Apelação de Hong Kong (COFA) rejeitou por unanimidade o caso apresentado por Christine Fong Kwok Shan. A história conta-se em poucas palavras. Christine combatia o projecto de expansão dos aterros de resíduos tóxicos da South-East New Territories. Integrou um grupo que se manifestou durante as duas sessões do Conselho Legislativo abertas ao público, nas quais o sub-comité das Obras Públicas apresentou o projecto à discussão. Durante os protestos, Christine despiu o casaco revelando uma t-shirt que tinha escrito “Defendam Tseung Kwan O”. A seguir entregou um cartaz a um companheiro, que tinha desenhada uma suástica e onde se podia ler “Aterro - Campo de Concentração de Gases Venenosos”. O homem, na galeria pública que encima o recinto, exibiu o cartaz. A manifestação foi interrompida pela intervenção dos seguranças que de imediato lhe tentaram arrancar o cartaz, acabando um deles ferido num pulso. O incidente provocou a suspensão antecipada da sessão. Após a retoma da reunião Christine e os companheiros entoaram vários slogans. Na altura foram avisados pelo presidente do sub-comité das Obras Públicas que seriam expulsos da sala se não se calassem. Como ignoraram o aviso e deram os braços para resistir à expulsão, a sessão voltou a ser suspensa. Os trabalhos prosseguiram passado uma hora, noutra sala de conferências, mas desta vez sem a presença do público. Christine foi mais tarde condenada por infracção da secção 12(1) das Directrizes Administrativas do Regulamento de Admissão e Conduta Pessoal, que estipula o seguinte, “Não é permitido a exibição de cartazes e faixas com símbolos ou mensagens, em galerias reservadas ao público ou à imprensa”. Foi também condenada por infracção da secção 11 que determina que, quem der entrada no recinto do Conselho Legislativo, terá de o fazer de forma ordeira. Christine foi sentenciada, após julgamento do Tribunal de Magistrados, ao pagamento de uma multa de 1.000 Hong Kong Dólares por cada acusação. Mas Christine apresentou recurso da sentença, na convicção de que o princípio da liberdade de expressão, consignado no artigo 27 da Lei Básica de Hong e no artigo 16 da lei que regula a “Declaração dos Direitos Humanos”, tornam as secções 11 e 12 anticonstitucionais, na medida em que estas disposições violam a liberdade de
Com a implementação do Direito Comum em Hong Kong, o precedente jurídico desempenhará um papel muito importante no sistema legal. O precedente jurídico aberto pelo COFA fará parte das leis de Hong Kong. Todos os tribunais da cidade estarão obrigados a seguir a decisão. Nesta deliberação o COFA decidiu uma vez mais que a Lei Básica de Hong Kong garante vários tipos de liberdade aos seus residentes. Estes direitos serão garantidos de futuro. No entanto, deveremos ser razoáveis no exercício destes direitos. Foi declarado que “comportamentos desordeiros e exibição de cartazes de protesto” são comportamentos não aceitáveis nas galerias do Conselho Legislativo. Portanto, futuramente, se alguém tiver uma atitude semelhante, será certamente condenado em tribunal.
DAVE PALUMBO, TAKEN (2012)
N
DAVID CHAN
Os limites da liberdade de expressão foram outro dos argumentos apresentados pelo Tribunal. Estes limites têm de ser estipulados pela lei, de forma a proteger a segurança dos cidadãos, mas também a liberdade de expressão. Será sempre uma tentativa de ajuste entre estes dois direitos básicos
expressão, ao proibirem a exibição pública de símbolos e mensagens. O COFA reiterou as decisões dos dois tribunais de instância inferior. Para tal recorreu ao artigo 39 da Lei Básica de Hong Kong e ao artigo 16 da Declaração dos Direitos Humanos, concluindo que se pode proibir manifestações de protesto nas galerias do Conselho Legislativo, desde que exista o risco de criarem desordem e interferência com os direitos dos outros observadores. As restrições impostas pela lei são necessárias para proteger a ordem pública e fazer respeitar os direitos dos outros cidadãos.
O COFA adiantou ainda que os limites da liberdade de expressão nas galerias do Conselho Legislativo são “claramente proporcionados e justificados” permitindo que a legislatura prossiga com o cumprimento das suas funções legais. Esta argumentação demonstra o equilíbrio que é necessário entre liberdade de expressão e respeito pelos demais. Pelos motivos apontados o recurso de Christine foi rejeitado. Não poderá haver mais recursos na medida em que a decisão foi tomada pelo Tribunal da mais alta instância.
Os limites da liberdade de expressão foram outro dos argumentos apresentados pelo Tribunal. Estes limites têm de ser estipulados pela lei, de forma a proteger a segurança dos cidadãos, mas também a liberdade de expressão. Será sempre uma tentativa de ajuste entre estes dois direitos básicos. No Conselho Legislativo o público tem de se comportar de forma ordeira e não é permitida a exibição de cartazes de protesto, logo não é permitida qualquer manifestação. O Conselho Legislativo é um local destinado à criação de legislação, abrigo da Lei Básica da cidade. As manifestações podem originar desordem pública, e podem interferir com os deveres dos deputados. Os protestos podem ainda afectar os outros observadores da sessão. No entanto, será necessário que a lei defina o que representa exactamente transgressão a estes regulamentos. O Conselho Legislativo destina-se aos legisladores, não é local para manifestações e protestos. Ninguém gosta de viver perto de lixeiras, sobretudo se se tratar de um aterro de resíduos tóxicos. Os sentimentos dos manifestantes são compreensíveis. Mas do ponto de vista social, expressar opiniões de forma leviana não é aceitável. Seremos todos afectados. Esperamos sinceramente que não existam mais manifestações de protestos insensatas.
Professor Associado do IPM • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog
opinião 19
terça-feira 24.10.2017
sexanálise
Assédio a sério
SEBASTIANO RICCI, RAPE OF THE SABINE WOMAN (1702)
TÂNIA DOS SANTOS
Q
UEM tem acesso à imprensa internacional provavelmente deparou-se com uma avalanche de notícias que cogitam os sentidos do assédio sexual. O que nos parece surpreendente, é que alguém de grande nome internacional e prestígio tenha sido actor de assédio e violação durante anos. A pergunta natural é de como é que esta situação nunca fora denunciada? Como é que se manteve silenciosa? O que eu julgo que é uma explicação para este fenómeno, é a normalização do assédio. Na nossa experiência limitada pensamos que a realidade social está bem delimitada entre o certo e o errado, e por isso, (achamos que) o assédio será automaticamente reconhecido e denunciado. Contudo, somos seres complexos que
contam narrativas acerca do nosso posicionamento social e daquilo que fazemos, e o assédio não é explicado de forma simples. As formas de avanço masculino muitas vezes dançam por entre as linhas ténues do que é normal ou não. E como nós nos regemos por expectativas de género fixas, até somos incapazes de reconhecer assédio sexual nos homens - porque julgamos os homens sempre predadores e as mulheres sempre as vítimas. A primeira reacção costuma ser sempre: provavelmente isto aconteceu porque ela ou ele estava a pedi-las. E isto as pessoas à nossa volta vão ajudar a confirmar. Mas para o assédio ser levado a sério teria que ser melhor discutido sem grandes complicações. Num mundo ideal-hipotético, o assédio poderia ser denunciado sem grandes consequências, mas não é isso que acontece. Denunciar o assédio não traz só repercussões ao agressor, mas a quem denuncia. Num outro momento já me debrucei sobre a temática da agressão sexual mais explícita, denunciando as práticas (que roçam a humilhação) a que as vítimas são normalmente sujeitas. Há sempre
aquela ideia de que ‘ela/ele merecia’ e que contribuiu com alguma responsabilidade para todo o desenlace. No caso do tal produtor de Hollywood que anda a fazer títulos de jornal com a legião de mulheres que têm denunciado o seu comportamento desapropriado, temos visto alguma justiça. O caso tem sido tão mediático que conseguiu pôr uma quantidade de mulheres à vontade de denunciar a sua conduta para com o sexo feminino. A academia de cinema quer-lhe tirar o Óscar e tudo! Isto talvez sirva de exemplo para tantos outros por aí. Mas será que vale de alguma coisa? É quase como se presenciássemos o privilégio da realeza cinematográfica que arranjou um bode expiatório numa única criatura – quando o problema continua a ser
Para levarmos o assédio a sério precisamos de mais, muito mais do que a condenação de um produtor de Hollywood
estrutural. Também não vou ser pessimista ao ponto de não ficar contente agora que várias mulheres puderam vir cá para fora, mostrando que é possível denunciar assédio e que isso traz consequências. Nada disso. Mas será que influencia as ‘zé-ninguéns’ como eu, será que nos dá voz? Será que me vão ouvir? Será que se começa a levar o assédio a sério? Enquanto se objectifica o sexo como uma ferramenta comercial para produzir lucros e audiências dificilmente vejo um resultado diferente. A indústria cinematográfica, essa mesmo que tem lidado com o escândalo do assédio, tem contribuído para isso mesmo: continua a utilizar o sexo como uma estratégia de audiências, continua a objectificar o corpo humano, tendencialmente feminino, mas também o masculino, exaltando o culto da juventude. No geral, continuamos a lidar com questões de género de forma extenuadamente sexualizada – já ouviram falar das empresas que obrigam as mulheres a usar saltos altos? Para levarmos o assédio a sério precisamos de mais, muito mais do que a condenação de um produtor de Hollywood.
CHINA MERCADO IMOBILIÁRIO ABRANDA EM SETEMBRO
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terça-feira 24.10.2017
Catalunha Puigdemont perde poderes no sábado
O presidente do Governo da Catalunha deixa de ter qualquer poder no próximo sábado quando o Senado autorizar a suspensão da autonomia da região. «O presidente da Generalitat vai deixar de exercer as suas funções, uma vez publicado o acordo», disse Soraya Sáenz de Santamaria quando questionada, em entrevista à Onda Cerosobre o que faria o Governo se Puigdemont recusasse cessar funções. «Deixa de poder tomar decisões válidas, deixa de receber salário», acrescentou.
O
mercado imobiliário chinês continuou a abrandar em Setembro, com a queda dos preços em 15 das 70 maiores cidades do país, face ao mesmo mês do ano passado, indicou ontem o Gabinete de Estatísticas chinês. Nas grandes cidades, as casas novas e em segunda mão registaram uma queda dos preços de 0,2%, face a Agosto, enquanto em cidades de dimensão média subiram 0,2%. Nas cidades mais pequenas, a subida foi de 0,2% para as habitações novas e de 0,3% para as usadas. Em ambos os casos, o aumento foi inferior ao registado no mês anterior. Os números reflectem as medidas das autoridades para travar o aumento dos preços do imobiliário. No final do ano passado, dezenas de governos locais adoptaram medidas para restringir a compra de casa, como o aumento do valor do pagamento inicial na aquisição de um imóvel. Os empréstimos para habitação tornaram-se também mais difíceis de obter e as taxas de juro mais elevadas. Segundo o Banco Central da China, o volume conjunto dos empréstimos concedidos ao sector imobiliário cresceu a um ritmo menor em Setembro, face ao mesmo mês de 2016. As autoridades chinesas não publicam os preços médios do mercado imobiliário no conjunto do país, nem a percentagem global das oscilações, mas divulgam as variações dos preços para o mês e ano anteriores nas 70 maiores cidades do país.
Tesoura das ilhas
REUTERS
Quem gosta de animais conserva-os naturais
Formação Sporting, Benfica e Porto no ‘top-15’
UBER LISBOA VAI TER CENTRO DE EXCELÊNCIA PARA A EUROPA
Tudo sobre rodas
A
Uber escolheu a capital portuguesa para instalar o seu Centro de Excelência para a Europa, anunciou ontem a empresa, afirmando que o investimento vai criar cerca de 250 empregos até ao próximo ano. O Centro de Excelência vai ser “a principal fonte de conhecimento de utilizadores e motoristas em toda a região europeia”, o que vai permitir que a plataforma de transporte de passageiros continue a “melhorar os seus serviços, políticas e processos internos”, testando e lançando inovações, refere o comunicado da empresa. Em Lisboa, vai ser prestado “apoio multilingue às operações da Uber na Europa, em países como Espanha, França e Portugal”. A localização provisória do novo centro será nas Avenidas Novas, em Lisboa, e a sua abertura está prevista para “breve”, disse fonte oficial da empresa. Em 2018, o Centro de Excelência irá mudar-se para as suas instalações definitivas.
Os novos 250 empregos que a empresa vai proporcionar são “nas áreas de toda a operação que a Uber pratica nos restantes países europeus”, tais como motoristas, inteligência de dados interface e utilizadores, para o negócio da empresa em geral e, também, para o novo centro referiu fonte oficial. O novo espaço vai servir utilizadores, motoristas e restaurantes parceiros no serviço de entrega de comida ‘UberEATS’, que está disponível em mais de 170 cidades em todo o mundo e vai chegar a Lisboa ainda este ano. “Portugal é um mercado em rápido crescimento para a Uber e Lisboa é cada vez mais um
O Centro de Excelência vai ser “a principal fonte de conhecimento de utilizadores e motoristas em toda a região europeia”
centro para a empresa no sul da Europa. Isto, juntamente com o acesso a um elevado número de profissionais qualificados, levou a que Lisboa fosse a cidade escolhida para acolher o novo centro de excelência da Uber para a Europa”, explicou, citado na nota, o director-geral da Uber na Península Ibérica, Rui Bento. A Uber é uma plataforma ‘online’ que permite pedir carros descaracterizados de transporte de passageiros, com uma aplicação para ‘smartphones’ que liga quem se quer deslocar a operadores de transporte. Em Portugal, está disponível nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto e no Algarve. A sua actividade - bem como a da Cabify, que se instalou no país mais recentemente - tem sido muito contestada pelos taxistas, uma vez que os operadores ligados a estas plataformas não têm de cumprir os mesmos requisitos formais do que os táxis para trabalhar.
O Sporting, o Benfica e o FC Porto ocupam o quinto, 10.º e 13.º lugar, respectivamente, dos clubes cujos futebolistas por si formados jogam numa das 31 principais ligas europeias, destacou ontem o Observatório do Futebol. Os ‘leões’ ocupam o quinto lugar da lista, com 55 atletas formados no clube a actuar nas principais ligas, seguidos das ‘águias’, no 10.º posto, com 51, e pelos ‘dragões’, no 13.º lugar, com 45 jogadores. O Ajax, da Holanda, lidera o ‘ranking’ com 71 futebolistas a actuarem em um dos 31 principais campeonatos europeus. O Dínamo de Zagreb encontra-se no segundo lugar, com 67 atletas, e Partizan de Belgrado, com 61, completa o pódio. Segundo a definição da UEFA, os jogadores têm de ficar pelo menos três anos, entre os 15 aos 21, para ser considerado que fizeram a formação num determinado clube.
Paços de Ferreira Petit substitui Vasco Seabra
Armando Gonçalves Teixeira, mais conhecido por Petit, é o novo treinador do Paços de Ferreira, substituindo no cargo Vasco Seabra, e foi ontem apresentado no clube da I Liga de futebol. Petit, de 41 anos, chega a Paços de Ferreira com a missão de garantir a permanência da equipa no principal escalão, à semelhança do que conseguiu fazer na época passada no Moreirense, depois de iniciar a época no Tondela. Vasco Seabra tornou-se ontem no quarto treinador a deixar o comando técnico de um clube na edição 2017/18 da I Liga portuguesa de futebol, depois de rescindir o contrato com o Paços de Ferreira. O Paços de Ferreira ocupa a 12.ª jornada da I Liga portuguesa, com nove pontos em nove jornadas, e está praticamente afastado da Taça da Liga.