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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • SEGUNDA-FEIRA 23 DE ABRIL DE 2012 • ANO XI • Nº 2595
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Lei Básica não impede eleição de Chefe do Executivo por sufrágio universal
CASO AO MAN LONG
Dois empresários de HK constituídos arguidos PÁGINA 2
LIGA DE ELITE
Benfica perde e fica mais longe do título PÁGINA 14
CRISE BO XILAI
Falhas no sistema à vista de todos PÁGINA 7
Uma questão de vontade No dia de todos os referendos sobre o processo de reforma política promovidos pelas associações locais, o Gabinete de Estudo das Políticas do Governo da RAEM revelou que nem o Chefe do Executivo pode escapar ao escrutíneo popular. Contudo, Lao Pun Lap alerta: “Macau possui especificidades que é preciso ter em conta.” PÁGINAS 3 E 4
política
Há mais dois arguidos no seguimento do mega-processo Ao Man Long: os dois empresários de Hong Kong que terão subornado o exsecretário para ficarem com os terrenos em frente ao Aeroporto. Tudo parece apontar para que a Jones Lang LaSalle - vencedora do concurso de adjudicação dos terrenos - tenha tido informações privilegiadas
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Caso Ao Man Long Empresários de Hong Kong constituídos arguidos em processo conexo
Informação privilegiada e alegados subornos RUI RASQUINHO
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que usei a empresa, não a comprei por saber que os lotes já existiam. Não sabia de antemão.” Em Fevereiro de 2005, Steven Lo esteve reunido com Joseph Lau – outro empresário de Hong Kong e director-executivo da Chinese Estate Holdings - para falar dos terrenos. Foi a Joseph Lau que Steven Lo pediu ajuda para investir dada a envergadura do projecto. “Só depois de os terrenos terem sido postos à venda é que comprei. O Tony Lau procurou-me e disse que os terrenos que me tinha falado já estavam à venda. Acho que ele falou com o Jospeh Lau, mas ele não quis. Eu queria que o Joseph investisse comigo por ser um projecto grande.” Joseph Lau terá aceite o investimento conjunto, depois de ter assinado um contrato que lhe permitia obter uma determinada percentagem das acções da Moon Ocean.
LO E LAU Joana Freitas
joana.freitas@hojemacau.com.mo
J
OSEPH Lau e Steve Lo foram considerados arguidos num processo conexo ao de Ao Man Long, em mais uma sessão do julgamento de Ao Man Long no Tribunal de Última Instância (TUI) na sexta-feira. Os empresários de Hong Kong – que representam a Chinese Estate Holdings e a Moon Ocean - terão alegadamente pago 20 milhões de patacas ao ex-secretário para ficar com os cinco terrenos em frente ao Aeroporto. Os nomes dos dois homens foram mencionados logo no primeiro dia de julgamento, quando Ao Man Long foi acusado de ter autorizado a transmissão da concessão dos lotes. Os terrenos eram detidos pela Lei Pou Fat – um consórcio entre cinco empresas controladas maioritariamente pelo Governo, pela STDM e pela CAM. Foi através de um concurso por convite – e não público, como seria normal – que a Jones Lang LaSalle, a CB Richard Ellis e a STDM foram as escolhidas para concorrerem à adjudicação dos lotes. Na sexta-feira, o dia inteiro foi dedicado a ouvir testemunhas, entre as quais se destacou Steven Lo, que admitiu ter-se encontrado “uma ou duas vezes” com Ao Man Long antes da abertura do concurso. Apesar de garantir que os encontros nada tinham a ver com negócios, outras testemunhas envolvidas com Lo afirmam ter ouvido falar da intenção da venda dos terrenos antes sequer da abertura do concurso. Isto poderá indicar que a Jones Lang LaSalle terá tido informações privilegiadas sobre os terrenos. Na segunda audiência, na semana passada, André Ritchie – na
altura dos factos técnico-superior do Gabinete de Desenvolvimento para as Infra-Estruturas - disse que considerou surpreendente a proposta apresentada pela Jones Lang LaSalle. Uma vez que as três empresas convidadas para a licitação tinham apenas dez dias para mostrar os projectos, não haveria tempo suficiente para que estes fossem tão detalhados quanto a da empresa.
EMPRESAS INTERLIGADAS
O magnata de Hong Kong poderia não ter prestado depoimento no
TUI, uma vez que foi tido como arguido num processo conexo ao de Ao. Ainda assim, Steven Lo quis falar e disse ter sido convidado pela Jones Lang LaSalle, empresa de consultadoria imobiliária, na pessoa do seu representante de Macau Tony Lau, para adquirir os lotes. “Em finais de 2004, início de 2005, conheci-o e ele falou-me que havia terrenos em Macau que seriam provavelmente colocados à venda.” A Lei Pou Fat convidou apenas a Jones Lang LaSalle para concorrer a concurso, mas Tony Lau
apresentou o negócio a Steven Lo da Moon Ocean. “Toda a gente sabe que a Jones Lang LaSalle é uma empresa de consultadoria, eles recebem os negócios e procuram clientes”, justificou Lo em tribunal. A Moon Ocean, constituída nas Ilhas Virgens Britânicas, foi adquirida por Steven Lo em 2005, algum tempo antes da abertura do concurso. Mas o empresário de Hong Kong garante que a intenção de comprar a empresa em nada esteve relacionada com o negócio. “Só depois de saber dos terrenos é
Acusação fala em encontros privilegiados Steven Lo, bem como outras testemunhas ouvidas pelo TUI, admitiu ter ouvido falar da venda dos terrenos antes mesmo da abertura do concurso. Ao que tudo indica, a Jones Lang LaSalle terá tido informações prévias que lhe deram oportunidade de apresentar uma proposta mais viável e detalhada na licitação, permitindo que saísse vencedora do concurso. O empresário assegurou ao TUI não se lembrar da data dos encontros com Ao, mas Viriato Lima, juiz do TUI, ajudou: “Sabe que o arguido era muito organizado e apontava tudo na agenda. No dia 22 de Junho ele tem marcado um encontro
no Golden Dragon com ‘Lau’. Foi coincidência ter-se encontrado com quem autorizou o negócio, à volta da data de entrega das propostas?”. Tanto Steven Lo como Joseph Lau já teriam tido acesso a plantas dos terrenos e mesmo feito visitas in loco. Tony Lau, da Jones Lang La Salle - que ficou encarregada do projecto após a Moon Ocean ter ganho o concurso -, admitiu ter já um estudo prévio sobre a viabilidade dos terrenos, que entregou em Fevereiro de 2005, quando o concurso foi apenas em Junho. O estudo foi feito pela Heng Ip, empresa de arquitectos de Hong Kong, posteriomente ajudada por
Carlos Couto. O arquitecto de Macau também serviu de testemunha no caso e disse ter surgido apenas como assessor dessa empresa, dada as diferenças legais entre as duas regiões vizinhas. Carlos Couto pediu, na altura, seis milhões de patacas para o trabalho, mas acabou por receber apenas dois milhões, já que saiu do contrato antes de ter terminado. A acusação considera que a Jones Lang LaSalle pode então ter tido mais tempo para elaborar a proposta que lhe deu os cinco terrenos onde está, actualmente a ser construído o La Scala.
Steven Lo acabou por vender 70% da Moon Ocean a Joseph Lau, em troca de um empréstimo de 20 milhões de patacas. Esse valor, que surge no caso como a quantia que Ao Man Long terá recebido para adjudicar os terrenos à Moon Ocean, foi pedido por Ho Meng Fei, condenado a 25 anos de prisão num outro processo conexo ao do ex-secretário e em parte incerta, para pagar “despesas”. É que foi a empresa de Ho Meng Fei, a San Meng Fei, a responsável pela construção de tapumes, escritório provisório e fornecimento de materiais aquando do início da concepção do projecto, após a Jones Lang LaSalle ter saído vencedora do concurso. As 20 milhões de patacas terão servido para contratar arquitectos, consultores e engenheiros, de acordo com o testemunho de Steven Lo. “Recebi um telefonema de Ho Meng Fei a dizer que tinha muita urgência em receber o dinheiro porque estava com outras obras onde não lhe pagavam.” O Ministério Público (MP) põe em causa um valor tão alto para estas despesas e diz que o montante foi parar à Ecoline, uma offshore controlada por Ao Man Long. No ano passado, Joseph Lau adquiriu os restantes 30% da Moon Ocean, que passa então a ser subsidiária da Chinese Estate Holdings. Steven Lo e Joseph Lau estão agora como arguidos num processo conexo ao de Ao Man Long pela prática de corrupção. Steven Lo foi a testemunha mais importante de sexta-feira, principalmente depois de Joseph Lau ter faltado à notificação do MP. Steven Lo manteve-se inquieto durante a audiência, ao contrário de Ao Man Long que, como vem sendo habitual, permaneceu imóvel durante toda a audiência. O julgamento continua amanhã.
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política
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HOJE MACAU
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Votação da Novo Macau reforça apoio à escolha de deputados directos
O dia dos referendos Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
Cecília Lin
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E
M frente ao edifício da Administração Pública, a senhora Leong In Fong olha para as urnas improvisadas pela Associação Novo Macau (ANM) e não sabe o que fazer. De carteira na mão, questiona se “tem o direito” a participar no referendo promovido pelo grupo de Jason Chao. Decide ir em frente e, depois de colocar o seu boletim de voto, diz ao Hoje Macau que “quer aumentar os assentos directos e os indirectos.” A explicação é simples. “O Governo não está a ir bem porque a sociedade não é equilibrada: uns são muito ricos e outros são pobres.” A contagem dos votos terminou ontem perto da meia-noite e são claros: a população quer mesmo mais assentos directos. Das 2565 pessoas que votaram na rua e pela Internet, 93,48% quer aumentar os directos, 67,83% quer reduzir os indirectos e 74,75% quer reduzir os deputados nomeados. Como a senhora Leong In Fong, foram muitos os curiosos que decidiram olhar e parar na iniciativa da ANM, que passou por diversos pontos na cidade. Debaixo do sol
Ontem foi o dia em que todas as associações foram para a rua ouvir o que as pessoas pensam sobre o processo de reforma política. O referendo da Associação Novo Macau reforça o apoio da população aos deputados directos na AL e de altifalante na mão, o deputado Ng Kuok Cheong exclama os podres da fórmula “2+2” e explica: “O inquérito que realizámos mostra que as fórmulas que o Governo tem apresentado não representam as opiniões das pessoas. Estamos a fazer este referendo para mostrar as opiniões verdadeiras da população”. Pelo contrário, o senhor Chan, empregado de escritório, sabia ao que ia. “Soube desta actividade por
e-mail e resolvi vir dar a minha opinião. Não quero dizer o que votei, mas acho que os deputados indirectos deveriam diminuir, porque não fazem nada pelas pessoas.” Questionado sobre a participação no processo de consulta pública, Chan ri-se. “Não participei e o motivo é óbvio. Acho que não é um processo verdadeiro.” Entre os que participaram sem hesitar, houve ainda lugar para
As fórmulas dos outros Quem também esteve junto do povo foi a Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), que realizou um colóquio sobre o processo de reforma política. José Pereira Coutinho faz “um balanço positivo” do encontro, onde estiveram quase 200 pessoas. A “opinião da maioria” situou-se na eleição de mais quatro deputados por via directa, cortando quatro indirectos. Coutinho fala em “influências” e “tendências”
durante a consulta, sendo que os resultados finais recolhidos pela ATFPM serão conhecidos amanhã. Num inquérito realizado pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST) recentemente, 30,78% concorda com “2+2” para a AL, mas 30,38% vota em outras opções. Já a Associação Geral das Mulheres de Macau tem quatro propostas em cima da mesa, cujos resultados são conhecidos hoje.
olhares demorados ou para residentes cépticos. Foi o caso da senhora Teng, que olhava o boletim de voto enquanto aguardava pelo autocarro. “Ainda estou a pensar se vou votar, porque só soube da actividade hoje.” Joe Tang, investigador, vê com bons olhos a iniciativa da ANM. “É necessário para que as pessoas se possam expressar livremente e mostrar o que se pensa sobre a reforma política.” Tang não acredita que “a população esteja bem representada na Assembleia Legislativa.” “Podemos ver que temos eleições directas muito limitadas, e penso que deveríamos ter mais de 50% dos assentos directos.Actualmente não existe essa proporção.”
O REFERENDO DO VIZINHO
Na rua do Campo, a Federação das Associações dos Operários de Macau saiu à rua, mas defendeu a fórmula “2+2” e a eleição de mais 100 membros para a Comissão Eleitoral. Ho Sut Heng, presidente, garantiu que esta é, para já, as melhores propostas no contexto da sociedade actual. “Os cidadãos são mais e queremos passo a passo melhorar o sistema. Na nossa associação defendemos que estas propostas são as melhores para Macau.” A fórmula “2+2” é importante e a presidente explica porquê. “Os
directos são para as pessoas mais conhecidas, então os indirectos têm que existir para dar oportunidade às pessoas comuns, como os professores por exemplo.” Os cidadãos podiam assinar um documento com opiniões que hoje deverá seguir para as mãos do Governo. “Também queremos conversar com as pessoas sobre a Lei Básica, porque todas estas questões lhes estão ligadas”, disse a Ho Sut Heng, acrescentado que mais 70 associações se juntaram aos operários.
Pedido para “desfile” não chegou a tempo
Três associações do território pretendiam realizar um desfile ontem no largo da igreja de São Domingos, mas a Polícia de Segurança Pública (PSP) indeferiu o pedido na sexta-feira. Dada a recusa, as três entidades resolveram apresentar recurso no Tribunal de Última Instância (TUI) sobre a decisão da PSP, mas tal não chegou a tempo, devido aos horários da função pública. O recurso foi apresentado às 17h25 desta sextafeira, e, de acordo com o acórdão do TUI, “não é possível proferir a decisão em tempo útil”, salientando “o momento tardio em que o requerente apresentou o recurso.”
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política
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Lei Básica é clara: Chefe do Executivo pode ser eleito por sufrágio universal
Tudo é possível, basta querer Gonçalo Lobo Pinheiro glp@hojemacau.com.mo
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palavra é do coordenador do Gabinete de Estudo das Políticas do Governo da RAEM, Lao Pun Lap. “A Lei Básica não exclui que o Chefe do Executivo possa ser eleito por sufrágio universal.” Contudo apesar dessa realidade, Macau têm especificidades que é preciso ter em conta. Num documento divulgado ontem pelo Gabinete de Comunicação Social (GCS), Lao Pun Lap esclarece que “apesar de não ser excluída a possibilidade de Macau optar, no futuro, pelo sistema de sufrágio universal nas eleições para o Chefe do Executivo, é necessário ter em conta as circunstâncias concretas de Macau,
para debater, em tempo oportuno, a eventual alteração da metodologia em questão. Actualmente, não se pode definir um objectivo que vá para além dessa legislação e estabelecer o dito calendário para sufrágio universal”. Lao Pun Lap lembra ainda que “independentemente da versão final da proposta da revisão [em relação às metodologias para a Constituição da Assembleia Legislativa (AL) em 2013 e para a Escolha do Chefe do Executivo em 2014] (...) é preciso respeitar os princípios e filosofias da Lei Básica”.
MAIORIA DE MEMBROS ELEITOS
A metodologia de eleição da AL também merece reparo por parte do coordenador do Gabinete de Estudo das Políticas do Governo
da RAEM. Para Lao Pun Lap, e resguardando-se no nº. 2 do artigo 68.º da Lei Básica, aquele órgão legislativo “é constituído por uma maioria de membros eleitos”,
Executivo rejeita sete das 10 sugestões apresentadas pelos deputados para lei do apoio judiciário
À espera de resposta
Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo
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ESDE que foi aprovado na generalidade em Janeiro, o novo Regime Geral de Apoio Judiciário tem levantado algumas críticas dos deputados sobre os critérios de insuficiência económica, os métodos de cálculo de montantes a atribuir e relativamente à composição da Comissão de Apoio Judiciário (CAJ), que tem o poder de aprovação e indeferimento dos pedidos. Esta última questão não foi atendida na terceira reunião da 2.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL), na sexta-feira, permanecendo “fixada por regulamento administrativo”. “Cinco ou seis deputados colocaram questões sobre a composição da CAJ e espero que o Governo nos responda porque é que não pode escrever sobre isto na proposta de lei”, diz Chan Chak Mo, presidente da 2.ª Comissão.
TRÊS EM 10
A 2.ª Comissão propôs 10 sugestões de alterações à proposta de lei sobre o apoio judiciário, mas só viu apenas três levadas em linha de conta. A opinião da Associação dos Advogados de Macau (AAM) - que os deputados queriam ouvir na última reunião, em Fevereiro - já foi
auscultada. “A AAM facultou a sua opinião e conjugada com as nossas, apresentámos as 10 questões ao Governo. E, de facto, o Governo entendeu haver necessidade de alterações a algumas questões e alterou”, referiu Chan Chak Mo. Mas dúvidas ficaram ainda por esclarecer relativamente às custas judiciais em processo penal, aplicadas a partir das disposições do Código de Processo Penal e do Regime das Custas nos Tribunais (artigo 2.º). “O arguido tem o apoio gratuito de um advogado mas quando é condenado tem de pagar as custas - e não os honorários -, podendo pedir ao juiz o pagamento em prestações. Quando o arguido não tem dinheiro para pagar também é o cofre [do Governo] que paga”, adianta Chan Chak Mo, que diz ser necessário perguntar
significando isso que a própria lei fundamental “exclui a possibilidade de todos os deputados serem eleitos pela metodologia de sufrágio universal”.
Mais de 250 funcionários notificados para pagamento de condomínio
Está tudo na lei
melhor ao Governo sobre estas disposições.
MAIOR CLAREZA
“Mais clarificados e pormenorizadas” ficaram os artigos referentes ao cálculo dos bens disponíveis (artigo 8.º), critérios de insuficiência económica (artigo 9.º) e composição de agregado familiar (artigo 10.º). Tendo sido deixada apenas uma dúvida no ar: “São considerados membros do agregado familiar os descendentes, solteiros e com idade inferior a 24 anos, porquê 24 anos? Ficámos sem esclarecimento”. A violação da Lei Básica foi finalmente encerrada, segundo Chan Chak Mo, que reitera o que foi garantido anteriormente por Florinda Chan, secretária para a Administração e Justiça. “Segundo o Governo não há problema e a assessoria diz que também não há e, por isso, está dependente da opinião da APN”, afirmando que a bola foi então passada à Assembleia Popular Nacional que irá decidir sobre se viola ou não a Lei Básica. Algumas questões ficaram ainda por resolver o que leva a crer que as reuniões da 2.ª Comissão Permanente sobre o Regime Jurídico de Apoio Judiciário não ficam por aqui, sem data definida então para aprovação na especialidade.
“Macau é uma sociedade diversificada, onde coexistem diferentes comunidades e classes sociais.” Logo isso significa que existem diferentes valores e reivindicações políticas. “Nesta fase, o debate das perspectivas para o desenvolvimento do sistema político deve seguir a Lei Básica e a decisão do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional”, referiu Lao Pun Lap. O coordenador do Gabinete de Estudo das Políticas do Governo da RAEM não tem dúvidas de que, nesta altura do campeonato, “o principal objectivo, e o mais urgente, consiste no alargamento adequado da participação democrática”. Contudo não esquece que “o desenvolvimento gradual do sistema político de Macau deve ser feito sob o princípio de predominância do poder Executivo”. Numa nota final, Lao Pun Lap aconselha o Executivo da RAEM a “colocar o desenvolvimento económico como factor prioritário das linhas de acção governativa”.
Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
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S notificações que os funcionários públicos têm vindo a receber para pagar as despesas de condomínio nas casas do Governo onde habitam tem explicação legislativa. Em resposta ao Hoje Macau, a Direcção dos Serviços de Finanças (DSF) refere que tais despesas já constam no decreto-lei n.º 31/96/M. Não só “a instalação dos contadores de água e energia eléctrica na moradia é da exclusiva responsabilidade do arrendatário” como “o pagamento das despesas de condomínio é suportado pelo arrendatário”, refere a legislação em vigor. A DSF garantiu que já enviou notificações por carta a 259 funcionários públicos que vivem em casas do Governo. “O arrendatário fica responsável apenas por pagar as despesas correntes de gestão para as áreas comuns do edifício, como por exemplo os serviços de segurança, água e contas da elec-
tricidade. As restantes despesas relacionadas com a manutenção do edifício e a sua renovação, segundo o que está estipulado na lei, continua a ser da responsabilidade do Governo”, explica o organismo. Questionado sobre esta questão, José Pereira Coutinho, presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), afirmou não ter conhecimento do envio das cartas, ponto que considera essencial para avançar com medidas mais concretas no diálogo que a ATFPM já está a ter com o Executivo. O também deputado não só não concorda com o pagamento como fala do artigo 1331.º do Código Civil, que fala das obrigações dos condóminos. Estes têm de “proceder ao pagamento dos encargos (...)”, tais como “despesas necessárias à conservação e fruição das partes comuns do condomínio”. Lê-se também que “o pagamento dos serviços de interesse comum são pagos pelos condóminos”. A situação foi denunciada por Francisco Manhão, presidente da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC), que não compreende porque é que o Executivo vem agora fazer um pedido de despesas que até agora tem vindo a comportar. “Vemos todos os meses as receitas do Governo a baterem recordes, não sei qual é a explicação.”
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DSEJ quer ver criados Conselhos de Apreciação Escolar em todas as escolas privadas
O carinho com os alunos também conta Rita Marques Ramos Rita.ramos@hojemacau.com.mo
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avaliação dos docentes das escolas particulares do ensino não superior começa a ganhar contornos. Para o ano lectivo de 2012/2013, a Direcção de Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) encontra-se a regulamentar o processo de avaliação e a fazê-lo chegar às escolas. Espera assim que com a aplicação deste critério contido no “Quadro Geral do Pessoal Docente das Escolas Particulares do Ensino Não Superior” que haja uma uniformização do ensino na RAEM, tanto a nível público como particular. “Tal como nas escolas públicas, as privadas agora também estão sujeitas a uma avaliação de desempenho. A avaliação é feita consoante as funções de cada docente - com critérios diferentes. Vamos enviar um modelo às escolas para terem como referência. Já temos um projecto, que considera como factores de desempenho as relações com encarregados de educação, carinhos prestados aos alunos, entre outros”, avançou Wang Kio Mou, da DSEJ. Todas as escolas particulares terão assim de criar um regulamento de avaliação, com base na minuta da DSEJ, e um Conselho de Apreciação Escolar que aprecia as classificações registadas entre o “Não Satisfaz” e “Excelente”,
Cuidados de saúde Há um novo disposto no quadro geral sobre os cuidados de saúde, que define que é garantido ao pessoal docente que cesse funções, até que perfaça 65 anos de idade, o acesso gratuito a hospitais e centros de saúde públicos, desde que tenha prestado 25 anos de tempo de serviço nas escolas da RAEM. “Pessoas que já cessaram funções podem pedir junto das escolas e serão contactados pela DSEJ, a não ser que os seus dados de contacto já não estejam actualizados, nesse caso pedimos que informem as escolas, para que possamos actualizar os registos”, referiu o conselho da DSEJ. O disposto entra em vigor no próximo 1 de Setembro e contempla também o pessoal docente a tempo inteiro e restantes trabalhadores da escola privada, bem como o pessoal docente que exerça funções em duas ou mais escolas, desde que o número total das suas componentes lectivas atinja o limite mínimo atribuído ao pessoal docente a tempo inteiro (variável conforme o nível de ensino).
Os docentes com avaliações negativas – “Não Satisfaz” e “Satisfaz Pouco” – têm de frequentar acções de reciclagem profissional, formação contínua ou escolar. Foi criado um “subsídio para o desenvolvimento profissional”, atribuído pela DSEJ, para este efeito. Por sua vez, o professor pode recorrer da avaliação, que inclui, entre outros pontos, o carinho com que trata os alunos dando conta do desempenho do docente e da sua necessidade (ou não) de melhorar competências. Fica assim entendido no quadro geral que qualquer docente que obtenha a qualificação de “Satisfaz pouco” ou “Não Satisfaz” (avaliações negativas) terá de frequentar acções de reciclagem profissional e de formação contínua (com ou sem recurso à licença sabática) ou formação cedida pela própria escola com a ajuda dos recursos disponibilizados pela DSEJ (ver quadro “Subsídio para o Desenvolvimento Profissional”).
RECURSO DA AVALIAÇÃO
Mas a avaliação do desempenho do docente não fica apenas nas mãos do Conselho de Apreciação Escolar – que segundo a DSEJ, terá de ser formado por “pessoal da linha da frente” – passa também pelo Conselho Profissional do Pessoal Docente, organismo para o qual os docentes podem apresentar um recurso. “Este novo regime implica avaliação mas também recurso”, refere Wang Kio Mou, que explica que “tem de haver uma fundamentação adequada por parte da escola para o ‘não satisfaz’”. De outro modo, segundo fez saber a DSEJ, a avaliação de desempenho não pode ditar o despedimento do docente, apesar de poder ditar o “reajustamento de funções”.
“No caso de um despedimento com base nesta natureza, pode haver denúncia à DSAL, que vai sempre ter mais em consideração o parecer dado pelo Conselho Profissional de Pessoal Docente”, afiança a DSEJ.
NÍVEIS DOS PROFESSORES
O Governo está já a definir, por despacho do Chefe de Executivo, o “procedimento de verificação dos níveis do pessoal docente das escolas particulares do ensino não superior”. Desta forma, a DSEJ determina “o nível inicial” - ingresso de pessoal docente e/ou reinício de funções dos professores – e a “mudança de nível” – após apresentação dos dados à DSEJ por parte da escola, seja em situação normal ou de antecipação. “O docente pode pedir à escola a mudança de nível, que por sua vez comunica a apreciação à DSEJ, que irá aprovar ou não. Mas há situações que permitem a antecipação da mudança de nível.” A atribuição preliminar do nível de pessoal docente, que vai desde o 6 (mais baixo) a 1 (mais elevado), começou já a ser definida no passado 1 de Abril, e tem em conta o tempo de serviço, as habilitações académicas e a titularidade do curso de formação pedagógica. O “nível inicial” permite ao professor que inicia funções a atribuição do nível 5 ou 6 “dependendo da sua qualificação
profissional”. A licenciatura ou habilitação equivalente e formação pedagógica reconhecida pela DSEJ garante passagem imediata ao nível 5, desta forma, segundo a DSEJ, pretende-se elevar a qualidade da educação.
AUMENTO DE SUBSÍDIOS
O subsídio de escolaridade gratuita vai sofrer um aumento entre 6,1% (ensino infantil) a 6,9% (ensino secundário complementar) relativamente ao ano lectivo 2011/2012. No próximo ano lectivo, o montante atribuído por turma será de 605 mil patacas no ensino infantil e de 930 mil patacas no ensino secundário complementar. Os ensinos primário e secundário geral também sofrerão um aumento, respectivamente de 6,7% e 6,5%.
Mas também será feito um ajustamento do subsídio de propinas, com um aumento de 17% para o ensino infantil, 23% para o primário e 21% para o secundário. Assim, as escolas particulares receberão por pessoa no próximo ano lectivo 14 mil patacas no ensino infantil, 16 mil patacas no primário e 17 mil patacas no secundário. Já o montante a atribuir para os manuais escolares, apenas vai sofrer um aumento de 11,8% no ensino primário e secundário. A DSEJ também aumentou o prémio de antiguidade, atribuindo mínimo 220 patacas (com um tempo de serviço de cinco a nove anos) e um máximo de 1540 patacas (com mais de 35 anos de experiência de ensino).
Fiscalização sob remunerações e fundo providência Tal como estipulado no quadro geral, as despesas com a remuneração do pessoal docente e a contribuição para o fundo de providência têm de ser de valor igual ou superior a 70% das receitas fixas e permanentes da escola particular. A DSEJ - depois de críticas de muitos deputados sobre uma fiscalização sobre esta matéria, quando aprovado o quadro geral em fins de Fevereiro
- vai procurar estar em cima das escolas. “As escolas têm de apresentar no mês de Outubro os mapas financeiros e as contas à DSEJ, que irá ver se as receitas e as despesas estão neste nível de 70%. Se as contas não estiverem certas, a acção máxima prevista é terem o subsídio dispenso ou cancelado pela DSEJ.” As sanções serão, por isso, aplicadas, a partir de 2014.
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Editorial crítico em revista chinesa evidencia falta de independência judicial
Caso Bo Xilai mostra falhas do sistema Maria João Belchior info@hojemacau.com.mo
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M editorial crítico na influente revista económica chinesa “Caixin” coloca em palavra impressa o que muitos já andam a dizer há dias. O caso Bo Xilai veio evidenciar as falhas do sistema de independência judicial chinês e Wang Lijun, considerado um traidor por muitos, pode vir a ser vítima do sistema. Enquanto ainda muitos andam a tentar juntar as peças do que aconteceu de facto entre o empresário britânico Neil Heywood, a mulher de Bo Xilai e o próprio, as vozes críticas começam a surgir um pouco por todo o lado. Desde que a 10 de Abril foi tornado público no noticiário das 11 da noite do canal de notícias da CCTV que a mulher de Bo Xilai, Gu Kailai, estaria a partir daquele momento sob investigação relacionada com o assassinato de Neil Heywood, muitas têm sido as opiniões dos chineses, expressas sobretudo através da Internet. Uma grande maioria da população concorda com a forma como este caso está a ser resolvido e investigado pelo Governo Central. Apesar de não ter honras de abertura nos telejornais da noite, o caso continua a aparecer nos principais meios de comunicação - qual novela de que ainda não se conhece o desfecho. E em Chongqing Bo Xilai, agora em detenção domiciliária em
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China e a Rússia iniciaram ontem exercícios navais conjuntos, no meio de tensões entre a China e os seus vizinhos asiáticos devido a disputas territoriais, revelou a imprensa estatal. Os exercícios irão prolongar-se por seis dias e vão desenrolar-se no Mar Amarelo da costa este do país, revelou a imprensa oficial ao salientar também que estes são os primeiros exercícios que envolvem os navios dos dois países. Entretanto, na quinta-feira a agência semioficial iraniana FARS anunciou que a China e a Federação Russa solicitaram ao Irão informações sobe um avião não tripu-
uma atitude que se torna comum exactamente por estas famílias se considerarem acima da lei. E acrescenta que só a existência de um mecanismo democrático pode evitar a corrupção por parte dos oficiais. A história e a investigação deverá terminar antes de Outubro deste ano, altura do Congresso do Partido Comunista. Entre os círculos de poder espera-se que até ao Verão se descubram os culpados. Mas na falta das provas todas, já há quem consiga tirar algumas conclusões. A falta de confiança interna foi suficiente para abrir o que podia vir a ser uma crise diplomática. Não é a primeira vez que membros do Politburo estão envolvidos em casos de corrupção. Porém, a complexidade desta história relaciona-se com o envolvimento tanto dos Estados Unidos e do Reino Unido como da China, numa questão que devia ser exclusivamente interna. Por vários meios o Governo Central tem repetido no último mês que ninguém na China está acima da lei e que todos devem ser julgados da mesma maneira. Mas é um esforço restaurar a confiança nesta frase e no sistema. Wang Lijun abriu um precedente grave porque temeu pela própria vida e que ninguém o ouvisse se não falasse rapidamente para o exterior. Agora a pena por traição ao Estado pode ser a mais alta do código penal que o vai julgar, num sistema cuja imparcialidade ele não confiou.
Pequim, continua a ter apoiantes entre a população que defende o trabalho desenvolvido pelo então secretário-geral do partido na cidade.
NINGUÉM ESTÁ ACIMA DO GOVERNO
A crise que se vive e que alguns chineses comparam com uma série americana dividida em muitos episódios, não reflecte apenas as falhas no poder de governação mas as falhas do chamado estado de Direito. O abuso de poderes por parte do poder instituído cria uma crise de confiança entre a população. Wang Lijun dirigiu-se ao consulado norte-americano em Chengdu devido ao pânico de temer pela própria vida. De momento discute-se qual de entre as figuras de Wang Lijun, Bo Xilai e Gu Kailai contribui mais para a fragilização da imagem do partido e do Governo chinês. Foi a passagem de Wang Lijun pelo consulado americano que despoletou a crise e mostrou que o receio do então director da polícia chega para abrir uma das maiores crises de poder. Por um lado, a informação que foi passada ao consulado dos Estados Unidos durante aquele dia em Fevereiro, continua secreta. E Pequim reconhece o risco do acesso a esta informação. Segundo o editorial da revista “Caixin”, o caso Bo Xilai vem mostrar de novo quão comum é também o abuso de poder por parte das famílias dos líderes políticos, dizendo que esta é
China e Rússia iniciam exercícios navais conjuntos
União de peso
lado dos Estados Unidos abatido pela República Islâmica em Dezembro. Um conselheiro do
Ministério da Defesa, Ahmad Karimpour, afirmou que os dirigentes iranianos receberam
pedidos de muitos países a solicitar informação sobre o avião RQ-170 Sentinel, mas que Mos-
covo e Pequim foram os mais agressivos na procura de detalhes do ‘drone’. Os iranianos disseram que abateram o avião na parte oriental do país. Os dirigentes norte-americanos reconheceram a perda do aparelho, mas acrescentaram que o Irão dificilmente conseguiria explorar qualquer informação e tecnologia do ‘drone’, devido às medidas tomadas para limitar o valor da informação destes aviões quando operam em território hostil.
Pequim reafirma interesse em cooperar com a ASEAN
A China reafirmou o interesse em cooperar com a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) para impulsionar a cooperação em toda a Ásia Oriental, revelou ontem a agência Xinhua. Ji Qinglin, o presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, o principal órgão consultivo político, declarou sábado em Banguecoque que depois de 20 anos de relações, o comércio bilateral alcançou cerca de 3000 milhões. “A China é o maior parceiro comercial da ASEAN e procedemos a intercâmbios culturais e humanos activos além de que Pequim sempre apoiou o desenvolvimento da associação”, disse. O dirigente chinês destacou ainda que Pequim impulsionou a cooperação entre a ASEAN e o este da Ásia, a sua associação estratégica, o comércio livre e a desnuclearização para contribuir para a paz, estabilidade e prosperidade da região e de toda a Ásia Pacífico”.
nacional
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Ruínas de cidadela milenar encontradas no deserto Taklamakan, nordeste da China
Nunca se viu nada assim
segunda-feira 23.4.2012
China corre risco de esgotar reservas mundiais de petróleo com crescimento do número de carros
Ameaça solta nas ruas
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A
RQUEÓLOGOS chineses descobriram as ruínas de uma cidadela com cerca de 2000 anos no maior deserto da China, o Taklamakan, no nordeste do país. A maior parte das ruínas estava debaixo da areia, mas viam-se ainda quatro muralhas da cidadela, disse o líder da equipa de arqueólogos, Wu Xinhua, da Academia Chinesa de Ciências Sociais. A povoação - com uma área de pelo menos de 64 mil metros quadrados - foi encontrada em Qira, prefeitura de Hotan, na orla do Taklamakan, uma vasta e inóspita área da Região Autónoma do Xinjiang. Pela topografia e o que resta das construções, os arqueólogos estimam que a cidade PUB
datará da Dinastia Han Ocidental (século III A.C. ao século III D.C.). Segundo Wu Xinhua, as ruínas são “as mais intactas do género” descobertas no Taklamakan desde a fundação da República Popular da China, em 1949. “Pensamos que o lugar tenha sido uma fortaleza militar ou a residência de um chefe de um bando de salteadores”, disse o arqueólogo. A antiga Rota da Seda, que ligava outrora a China à Ásia Central, passava pela orla sul do Taklamakan, um deserto com 337 mil quilómetros quadrados e envolvido numa lenda sinistra. A própria expressão “Taklamakan”, de origem uigure, a principal etnia do Xinjiang, significa “quem entra já não sai”.
E a percentagem de veículos na China fosse igual à dos Estados Unidos o consumo chinês de petróleo excederia largamente toda a produção mundial, indica um estudo divulgado pelo jornal “China Daily”. A China tornou-se em 2009 o maior mercado automóvel do mundo, mas o número de veículos, relativamente à população, é cerca de 14 vezes inferior ao dos Estados Unidos. Pelas contas do jornal, em 2010, havia na China 58 veículos por mil habitantes, contra 840 nos Estados Unidos, 590 no Japão e 547 na Alemanha. Na mesma altura, a procura de petróleo por parte da China rondava os 6 milhões de barris por dia. Se a percentagem de veículos fosse igual à dos Estados Unidos, a procura chinesa nesse domínio
chegaria aos 86,8 milhões de barris por dia, mais 12,8 milhões de barris do que a produção mundial em 2010. Até há apenas vinte anos, a bicicleta era o único
meio de transporte privado acessível à esmagadora maioria das famílias. Só em Pequim, a capital do “Reino das Bicicletas”, havia cerca de 7,5 milhões mais de uma por cada família.
segunda-feira 23.4.2012
região
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Pyongyang organiza grande manifestação contra líder sul-coreano
“Vamos fazer em pedaços este bando de ratos”
Tailândia Polícia mata guerrilheiros muçulmanos fins pacíficos serão enviados para o espaço, um após o outro”. A Comissão de Tecnologia Espacial da Coreia do Norte, citada pela KCNA, informou que os cientistas e técnicos norte-coreanos detectaram o problema que impediu a colocação em órbita do satélite na semana passada, sem no entanto especificar. O despacho da KCNA critica duramente os EUA por tentarem impedir a Coreia do Norte de lançar o seu foguete em troca de “ajuda alimentar ou de uma quantidade ridícula de dinheiro”, intenção considerada no despacho como um “sonho tolo”. No sábado um jornal sul-coreano revelou que a Coreia do Norte tem, aparentemente, concluídos os trabalhos de preparação para um terceiro teste nuclear, o que poderá acontecer dentro de duas semanas. De acordo com o jornal Chosun Ilbo, a informação foi avançada por uma fonte governamental não especificada e relata a preparação para um teste nuclear na cidade
de Punggye-ri, onde Pyongyang realizou os seus primeiros dois testes em 2006 e 2009.
DE OLHOS BEM ABERTOS
Tanto a Coreia do Sul como os Estados Unidos estão a acompanhar a situação e a vigiar a região através de imagens de satélite acompanhando toda a actividade norte coreana e o primeiro-ministro japonês, Yoshihiko Noda, já enviou uma carta ao presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, para coordenarem estratégias em relação a Pyongyang, informou um porta-voz da presidência de Seul. Na sexta-feira as autoridades chinesas consideraram que as acusações de colaboração com o programa nuclear norte coreano lançadas pelos Estados Unidos são um “ataque”, garantindo que Pequim mantém uma atitude “firme contra a proliferação de armas de destruição maciça”. Segundo o porta-voz oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Liu Wenmin,
Governo taiwanês planeia adquirir navios aos EUA
Preparação para a guerra T
AIWAN tem planos para adquirir quatro navios de guerra aos Estados Unidos como parte dos esforços da ilha em modernizar as suas forças armadas perante o poderio militar chinês, revelou a imprensa local. De acordo com o jornal “United Daily News”, o ministro da Defesa terá já informado o presidente Ma Ying-jeou dos seus objectivos, que deverão traduzir-se na inscrição das
Japão Ursos fogem da jaula e matam duas pessoas
Duas funcionárias de um jardim zoológico perto da cidade japonesa de Kazuno morreram sexta-feira na sequência de um ataque por um grupo de ursos, que tinha conseguido fugir da jaula, disse a polícia local. As duas mulheres, com idades entre os 60 e os 70 anos, trabalhavam neste jardim zoológico privado, localizado perto de Kazuno - na ilha de Honshu - e estariam a alimentar os ursos, segundo a mesma fonte. A polícia está a investigar as causas do incidente, tendo já admitindo a hipótese de negligência profissional. Neste jardim zoológico privado vivem outros 32 ursos.
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NQUANTO Pyongyang organiza manifestações para exibir o sentimento de animosidade do país para com o presidente da Coreia do Sul, e garante que dará continuidade ao seu programa espacial com o lançamento de novos satélites, as autoridades chinesas rejeitam insinuações dos EUA sobre a possível ajuda de Pequim ao programa de desenvolvimento de mísseis do regime da Coreia do Norte. As imagens transmitidas pela televisão estatal norte-coreana na sexta-feira mostravam a praça Kim Il-Sung cheia de militares e de civis. De acordo com o canal de televisão, os cidadãos norte coreanos manifestaram-se para “jurar o acerto de contas com o presidente sul-coreano, Lee Myung-Bak, inimigo declarado, até ao último homem na terra e sob o céu”. Outras imagens mostraram a multidão a gritar frases contra o regime de Seul, como “vamos fazer em pedaços este bando de ratos”, enquanto que um desenho gigante representava o chefe de Estado sul-coreano com a garganta cortada. A Coreia do Norte acusa Seul, entre outras coisas, de desrespeito após a morte do líder Kim Jong-Il em Dezembro do ano passado. Entretanto, segundo a agência oficial KCNA, Pyongyang garantiu que dará continuidade ao seu programa espacial com o lançamento de novos satélites. Um despacho da KCNA, citado pela agência sul-coreana Yonhap, salienta que os satélites do país comunista “com
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verbas necessárias no próximo orçamento da ilha, embora não esteja ainda quantificado o investimento. O Ministério da Defesa recusou, no entanto, comentar as notícias sobre o objetivo de compra. Caso seja concretizada, a aquisição vai elevar para 12 o número de navios de guerra da classe ‘Perry’ adquiridos por Taiwan aos Estados Unidos e deverão substituir as fragatas da classe ‘Knox’.
Apesar da tensão entre Pequim e Taipé, as relações entre ambos os lados do Estreito da Formosa são hoje de maior aproximação, depois que Ma Ying-jeou chegou à presidência em 2008, tendo sido reeleito em Janeiro. No entanto, Pequim continua a afirmar que Taiwan faz parte do seu território e ameaça invadir a ilha caso as autoridades declarem a independência.
Pequim “coloca em prática as resoluções da ONU sobre esta matéria e defende o controlo de peritos contra a proliferação de armas de destruição em massa”. O porta-voz chinês respondia às declarações do secretário de Defesa norte-americano, Leon Panetta, durante um comité militar realizado na quinta-feira, sobre a possível ajuda de Pequim ao programa de desenvolvimento de mísseis do regime da Coreia do Norte. “A China está comprometida com uma península coreana desnuclearizada e insta as partes implicadas a não promover uma escalada de tensão”, referiu Liu Wenmin. O porta-voz criticou ainda as restrições impostas pelos Estados Unidos ao nível da venda de tecnologia espacial, afirmando que as autoridades de Pequim “continuam comprometidas com o desenvolvimento espacial pacífico e com a cooperação internacional”.
Pelo menos cinco guerrilheiros muçulmanos morreram num tiroteio com a polícia no sul da Tailândia, depois de um ataque a um colégio e da explosão de um carro armadilhado, que não causaram vítimas, informou a imprensa local. Os suspeitos foram surpreendidos na quinta-feira pelos agentes numa aldeia de Yala, a que se seguiu uma troca de tiros com a polícia.
Japão Câmara Alta aprova moções de censura contra ministros
A Câmara Alta do Japão aprovou na sexta-feira moções de censura contra os ministros da Defesa e dos Transportes, não vinculativas, por alegada má gestão de questões de segurança e intervenção irregular em eleições locais, respectivamente. Os ministros visados são Naoki Tanaka, titular da pasta da Defesa e criticado por alegada falta de familiaridade com algumas questões relacionadas com segurança e por não ter transmitido, de forma adequada, informação relativa ao lançamento de um foguete norte coreano ao gabinete do primeiro-ministro, e Takeshi Maeda, responsável pela pasta dos Transportes.
Birmânia Japão perdoa dívida de 28 mil milhões de patacas
O Japão anunciou que irá perdoar dívidas de cerca de 28 mil milhões de patacas da Birmânia ao país nipónico como forma de apoiar as reformas económicas e democráticas no país. O Governo japonês fez o anúncio após um encontro entre o primeiro-ministro japonês, Yoshihiko Noda, e o presidente de Birmânia, Thein Sein. O Japão não tem sanções em vigor contra a Birmânia, apesar de ter cortado a maior parte da ajuda financeira que dava ao país em 2003.
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Desde tenra idade que Tertuliano lida com tachos e panelas, arte que aprendeu de perto com a mãe e as avós. Diz que “sabe fazer de tudo” mas são as sobremesas que mais o apaixonam. Um dragão feito com chocolate deulhe uma medalha de ouro num concurso em Cantão
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Tertuliano de Senna Fernandes vence concurso em Cantão
O rei do chocolate
Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
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M pequeno não tinha medo de estar ao pé do fogão enquanto a mãe e a avó cozinhavam. Aos dez anos já preparava pratos macaenses e não se cansava de bater os bolos à mão. Hoje Tertuliano de Senna Fernandes já não bate os bolos à mão, mas consegue dominar a arte de bem trabalhar o chocolate. Foi essa técnica que o levou a vencer a medalha de ouro em mais uma Competição Nacional de Técnicas Profissionais de Gastronomia, em Cantão. O facto de ter levado um dragão de chocolate terá sido meio caminho andado para a distinção. “Foi algo que sempre quis fazer porque este é o ano do Dragão e na China é algo importante. Eles acharam que foi bom um estrangeiro fazer um dragão com uma forma tão perfeita, e muitas vezes quem vem de fora não consegue fazer uma coisa que simbolize a China, e eu consegui.” Para chegar ao resultado final, Tertuliano realizou diversas viagens. “Foi um pouco difícil para mim porque ia à China aos fins-de-semana. Levei o chocolate porque ali não é tão bom, porque muitas vezes eles misturam chocolates de cores diferentes, e isso afecta o resultado final da sobremesa.” Na fase de realização do dragão, todos os pormenores foram pensados. “Tive de arranjar um bom chocolate que tivesse à temperatura ambiente. Depois usei uma agulha para desenhar a textura. Pesquisei muitas coisas na Internet e depois é que comecei a pensar o dragão.” Tertuliano de Senna Fernandes já não é um principiante nestas andanças. Em 2007 concorreu pela primeira vez ao concurso, onde ficou em terceiro lugar. Depois do segundo lugar conseguido no ano passado, a medalha de ouro representou mais um passo na ascensão da sua carreira como chefe de cozinha.
APOSTA NA CHINA
Há mais de 20 anos que Tertuliano de Senna Fernandes faz sobremesas,
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Com prática assumida na confecção de sobremesas, Tertuliano quer agora apostar no Continente porque lá existem cada vez mais pessoas que querem saber sobre esta área. “Estou mais na China porque tem muitas vantagens e é mais interessante. Eles querem conhecer coisas diferentes. Têm dinheiro mas precisam de ideias e técnicas novas, porque não sabem. Não têm originalidade”
sendo que a vertente chocolate surgiu há cinco. Depois dos cozinhados feitos em família e das comidas preparadas para fora, 2007 marcou o passo em frente para uma carreira paralela. Fez um curso no Instituto de Formação Turística (IFT) e foi aluno de Herve Lemonon, chefe de pastelaria, e de Yves Duron, chefe executivo de cozinha. “Achava que tinha de me aperfeiçoar. Este curso trouxe-me ideias novas, como a forma mais higiénica de manter os alimentos.” Depois de ter passado pela cozinha do antigo Mandarin Oriental, Tertuliano continua a visitar Cantão regularmente para ensinar a arte de bem cozinhar aos outros. “Tenho ido à China ensinar outras pessoas, onde costumo ir dar seminários a escolas e falar sobre a higiene na cozinha.” Com prática assumida na confecção de sobremesas, Tertuliano quer agora apostar no Continente porque lá existem cada vez mais pessoas que querem saber sobre esta área. “Estou mais na China porque tem muitas vantagens e é mais interessante. Eles querem conhecer coisas diferentes. Têm dinheiro mas precisam de ideias e técnicas novas, porque não sabem. Não têm originalidade.”
PRÓXIMO PASSO: FRANÇA
Além de querer reforçar a sua carreira de chefe e professor no continente, Tertuliano quer aprender novas técnicas de confecção do chocolate na Europa, nomeadamente em França. O país, tal como a Suíça, “é o sítio ideal para aprender mais técnicas”. “Nos próximos tempos quero seguir a vertente do chocolate.” Quando perguntamos porquê, a resposta surge rápido. “O chocolate é uma coisa de que toda a gente gosta, seja no Natal ou no Dia dos Namorados. Todos gostam de mousse ou bolo de chocolate.” A par do chocolate, Tertuliano vai juntar-se ao seu irmão Paulo e criar um movimento associativo em Macau ligado à gastronomia. A ideia é fomentar os laços lusófonos que já existem. “Podemos talvez fazer um intercâmbio entre Portugal, Macau e a China, realizando cursos.”
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Macau tem conhecimentos ambientais acima da média dos EUA
Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo
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NTEM foi o Dia da Terra. Por essa razão, na sexta-feira, a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) divulgou o estudo “Pesquisa sobre o Nível de Conhecimento da População em Relação à Protecção Ambiental de Macau 2011”, para dar conta da concepção ambiental da população da RAEM, em dia de programa temático denominado de “Dia da Terra 2012”. O estudo, elaborado pela DSPA pelo segundo ano consecutivo, inseriu pela primeira vez quatro sistemas de indicadores: consciência ambiental, nível de satisfação ambiental, actos ambientais e sensação de responsabilidade ambiental. Segundo os resultados, a pontuação da consciência ambiental da população de Macau é de 3,66 pontos (sendo 5 a pontuação mais elevada), considerada como estando um nível acima da média, superior aos níveis
ANTÓNIO FALCÃO
Consciência sem acção
das cidades da China Interior, semelhante ao do Canadá e inferior ao dos Estados Unidos. No entanto, já a nível de satisfação ambiental, obteve como resultado 5,4 pontos (numa escala de 10 pontos), classificação considerada como de nível médio. Ainda segundo os resultados da investigação, a população de Macau preocupa-se mais com questões ambientais, tais como o ar, as águas costeiras e as taxas de reciclagem de resíduos sólidos, entre outras, concordando com a urgência e importância das actividades profissionais ambientais. Mas nos actos ambien-
tais não tem tanta expressividade. A classificação para este indicador foi de 4,22 pontos (na escala da pontuação mais elevada de 10 pontos), ou seja, a frequência da prática de actos ambientais dos residentes da RAEM está ligeiramente abaixo da média. Os problemas da separação de resíduos domésticos, prioridade na escolha de produtos com etiquetas ambientais e na recusa dos produtos com excesso de embalagem merecem ser melhorados, diz o estudo. Para os indicadores de sensação de responsabilidade ambiental, a pontuação atribuída foi de 6,44,
um nível acima da média, demonstrando que embora os residentes tenham assumido a responsabilidade de praticar hábitos ambientais na vida quotidiana, a taxa de execução com acções ambientais é, no entanto, demasiadamente inferior. Por outro lado, as famílias que têm menores que estudam nos estabelecimentos de ensino primário e secundário mostraram maior nível de consciência ambiental, testemunhando, assim, o facto de que a educação ambiental nas escolas é capaz de produzir influência efectiva, quer para as famílias, quer para os bairros comunitários. Os serviços vão realizar um outro estudo este ano, desta vez sobre o uso de sacos plásticos, no entanto, ainda não foram adiantadas datas sobre a aplicação de uma taxa aos materiais, segundo responsável da DSPA ouvido pela TDM. Segundo o Governo, os resultados servirão como importantes fundamentos para a elaboração e execução eficiente da política do ambiente pela DSPA.
Macau Sã Assado
ORGULHO OU DESEJO? • Eu sempre acreditei que as pessoas querem sempre o que não têm. Mas não sei até que ponto isto se pode aplicar a tudo. Esta amiga, no autocarro, deixou-me ainda com mais dúvidas. Aquilo será orgulho do que tem ou desejo de ter alguma coisa? Porque Macau sã assi, mas também sã assado Foto: Joana Freitas
África está em cima de um enorme reservatório de água
Salvação debaixo da terra O
continente africano tem 100 vezes mais água debaixo do solo, armazenada em aquíferos, do que à superfície, revela o primeiro estudo que fez mapas dos recursos hídricos subterrâneos de África, publicado nesta sexta-feira na revista “Environmental Research Letters”. O volume de água nos aquíferos é estimado em 0,66 milhões quilómetros cúbicos, mais de 100 vezes os recursos à superfície e 20 vezes mais do que a água armazenada nos lagos africanos, dizem os investigadores do Serviço geológico britânico (BGS, sigla em inglês) e do Departamento de Geografia da Universidade College London (UCL). As maiores reservas de água encontram-se nos aquíferos do Norte de África, como a Líbia, Argélia, Egipto e Sudão. “Muitos destes aquíferos do Sara não são recarregados, mas foram-no há mais de 5000 anos, quando o clima na região era mais húmido”, escrevem os autores do artigo. Em África, onde existem mais de 300 milhões de pessoas sem acesso a água potável, os aquíferos são a maior fonte de água para beber. “Apesar disso, existe pouca informação quantitativa sobre os recursos subterrâneos e estes são omitidos das avaliações sobre a disponibilidade de água potável”, escrevem os autores no artigo. Agora, os investigadores britânicos afirmam ter produzido os primeiros mapas da água
escondida debaixo do solo, à escala do continente, com base em mapas, publicações e no estudo de 283 aquíferos. De momento, apenas 5% dos solos aráveis de África são irrigados. Mas nas próximas décadas, prevê-se um maior consumo de água para tentar aumentar a área de produção agrícola alimentar, ainda que num contexto em que a precipitação será mais instável por causa das alterações climáticas. Os investigadores salientam que “os aquíferos respondem muito mais lentamente às condições meteorológicas do que a água à superfície, sendo uma barreira natural à variabilidade climática, incluindo a seca”. No entanto, advertem, nem toda esta água pode ser extraída. “Grandes projectos de extracção de água, através de furos, não deverão avançar sem um conhecimento aprofundado das condições locais dos aquíferos”, disse à BBC o principal autor do estudo, Alan MacDonald, do BGS. Os autores temem que, por causa da falta de chuva, a exploração a larga escala possa esgotar estas reservas de água. “Furos bem concebidos e em locais apropriados, para pequenos abastecimentos em zonas rurais, podem ter sucesso”, acrescentou. Helen Bonsor, também do BGS, considerou à BBC que “com uma exploração cuidadosa, há água subterrânea suficiente para suportar baixos abastecimentos de água para beber e irrigação”.
segunda-feira 23.4.2012
Ursos polares têm mais 450 mil anos do que se pensava
Campeão da adaptação A
FINAL, o urso polar existe como espécie há 600 mil anos. Um novo estudo genético permitiu descobrir que este animal emblemático do Árctico é assim mais antigo - em 450 mil anos - do que se supunha, conclui um artigo na revista “Science”. Até agora, pensava-se que o urso polar (‘Ursus maritimus’) era uma espécie que descendia do seu “primo” urso pardo (‘Ursus arctos’). Na verdade, artigos científicos anteriores sobre os ursos polares e os ursos pardos relataram semelhanças no seu ADN mitocondrial (herdado só da mãe e que contém apenas uma porção pequena de todo o genoma). Por causa disso, assumiu-se que a espécie árctica era descendente dos seus primos castanhos e que tinha surgido entre há 166 mil e 111 mil anos, o que implicava que teria sido obrigada a adaptar-se rapidamente às condições exigentes do Árctico. Nesta nova investigação, Frank Hailer, do Centro de Investigação para o Clima e Biodiversidade alemão (BiK-F), e os seus colegas quiseram fazer um estudo genético mais completo: analisaram o ADN do núcleo das células de 19 ursos polares, 18 ursos pardos e sete ursos negros (Ursus americanus). As diferenças detectadas entre os genomas indicam agora que as duas primeiras espécies “divergiram de um antepassado comum há 600 mil anos”, diz em comunicado o Conselho Superior de Investigações Científicas espanhol (CSIC), que participou na
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investigação. Essa altura era marcada por eventos climáticos de arrefecimento da Terra, que poderão assim estar associados à origem do urso polar, defendem os cientistas. O estudo sugere também que a adaptação da espécie às alterações climáticas foi um processo lento e não rápido, como anteriormente se supunha. Agora, com a temperatura média da Terra a aumentar, os ursos polares poderão não ter tempo suficiente para se adaptar. “Se perdermos o urso polar na nossa era, devemos perguntar-nos até que ponto dificultámos a sua sobrevivência, já que ele foi capaz de resistir a outras épocas mais quentes no passado”, disse Jennifer Leonard, da Estação Biológica de Doñana, do CSIC. A espécie está ameaçada pelo desaparecimento do habitat, por causa do degelo glacial. Isto obriga os ursos polares “a colonizar regiões habitadas por humanos, onde a sua sobrevivência se vê comprometida”, referiu Leonard.
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HOJE NO PRATO Paula Bicho
Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com
Abóbora NOME BOTÂNICO: Cucurbita pepo L., Cucurbita maxima Duchesne e outras espécies FAMÍLIA: Cucurbitaceae NOMES POPULARES: Abóbora-amarela; Abóbora-dos-telhados; Abóbora-esparguete; Abóbora-gila; Abóbora-hokaido; Abóbora-machado; Abóbora-menina; Abóbora-mugango; Abóbora-porqueira; Abóboras; Aboboreira; Aboborinha; Bogango; Botelhas; Botelhos; Chila; Jerimu; Mogango. Originária da América Central, a Abóbora era já consumida há cerca de 8000 anos pelas tribos índias (Olmecas, Astecas, Incas e Maias), para quem era objecto de culto. Era um legume básico da sua alimentação e da casca faziam tapetes entre outros objectos. Chegou à Europa no século XVI. É parte integrante da cultura norte-americana (Halloween). Na China simboliza a prosperidade. Planta muito polimorfa, a Aboboreira é actualmente muito cultivada por todo o mundo. Tem inúmeras variedades hortenses: de Verão ou de Inverno, de pequenas a grandes (a mais pesada tinha 666 kg), e com a polpa cor-de-laranja, branca, vermelha ou mesmo azul. Na culinária ou em fitoterapia utiliza-se a polpa do fruto (Abóbora), as sementes (pevides) e o óleo (das pevides). COMPOSIÇÃO Além de proteínas e aminoácidos, ácidos gordos, glúcidos e fibras, a Abóbora apresenta um alto teor em vitaminas (A, complexo B, C, E e K), minerais (cálcio, fósforo, magnésio, potássio) e oligoelementos (cobre, ferro, selénio, zinco), carotenoides e outros antioxidantes, fitosteróis e lecitina. Nutricionalmente, as diferentes variedades de Abóboras são comparáveis, no entanto, as de Inverno são mais ricas em glúcidos e vitamina A do que as de Verão. ACÇÃO TERAPÊUTICA A Abóbora suaviza as paredes do tubo digestivo, impede as fermentações pútridas e tem uma acção laxativa, sendo benéfica nas más digestões, inflamação e úlcera do estômago e intestinos, prisão de ventre, diarreia e disenteria. Estimula a secreção de insulina pelo pâncreas e promove um melhor controlo dos níveis de açúcar no sangue, prevenindo e auxiliando na diabetes. Com uma acção diurética é útil nas afecções dos rins e bexiga. Combate o excesso de acidez no organismo – provocado por uma alimentação rica em carne e cereais refinados, e pobre em frutas e vegetais –, que se
manifesta através de cáries dentárias, descalcificação, gota e reumatismo. OUTRAS PROPRIEDADES Pela sua riqueza e diversidade em nutrientes a Abóbora proporciona ainda vários benefícios: ajuda a combater os níveis elevados de colesterol no sangue e confere protecção às doenças cardiovasculares, auxiliando também no seu tratamento; favorece as funções da próstata, estando indicada em situações de congestão, inflamação e hipertrofia; retarda o envelhecimento, favorece o bom funcionamento do sistema imunológico e diminui o risco de vários tipos de cancro (estômago, colo-rectal, pulmão, mama e próstata); é igualmente importante para a saúde da pele e da visão. Aplicada sobre a pele, acalma os tecidos inflamados, sendo útil em queimaduras e abcessos. As pevides (ou o seu óleo) são já um clássico para eliminar os parasitas intestinais, inclusive a ténia, e para tratar a hipertrofia benigna da próstata. COMO CONSUMIR A Abóbora é um legume muito versátil, prestando-se a diversas preparações culinárias de acordo com a sua variedade. Cozinhada não perde propriedades. Os fios e as sementes devem ser retirados antes da sua utilização. As sementes podem ser guardadas e torradas depois de secas. Sugestões: • Em purés, sopas de legumes, ou pratos principais como guisados e feijoadas. • Assada no forno simplesmente ou com mel, leite e especiarias a gosto. • Combina bem com aneto ou menta, noz-moscada, canela ou baunilha. • Crua, ralada, com azeitonas pretas. • Em doces, tortas e compotas; combina bem com maçã ou raspa de casca de laranja. • Em compota com requeijão e nozes. • As pevides enriquecem saladas de vegetais ou de frutas, papas de cereais ou de iogurtes. • O óleo utiliza-se para temperar saladas. • As suas flores são comestíveis e muito decorativas. Podem aromatizar e ornamentar sopas ou pratos principais. PRECAUÇÕES Leve e de fácil digestão, a Abóbora não tem contra-indicações. No entanto, devem ser evitadas as Abóboras muito grossas pois tornam-se mais fibrosas e amargas.
*NOTA DA REDACÇÃO O Hoje Macau substituiu a rubrica “Click Ecológico” por outra, intitulada “Macau sã assado”. O desafio serve para mostrar diversos aspectos do quotidiano caricato do território. Os nossos leitores ficam assim convidados a enviar fotos para o e-mail info@hojemacau.com.mo, em assunto “Macau sã assado” e uma breve legenda. As fotos devem retratar os momentos mais engraçados e insólitos do dia-a-dia de Macau e deverão ser identificadas com o nome do seu autor.
desporto
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GONÇALO LOBO PINHEIRO
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Marco Carvalho info@hojemacau.com.mo
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onze da Casa do Sport Lisboa e Benfica em Macau hipotecou no sábado as hipóteses que ainda lhe restavam de lutar pelo triunfo no principal campeonato de futebol do território, ao não conseguir levar a melhor sobre o bicampeão Ka I em partida a contar para a terceira ronda da segunda volta da Liga de Elite. O encontro de maior nomeada da 12ª jornada da prova abriu com duas grandes oportunidades, uma para cada uma das formações em contenda. O grupo de trabalho orientado pelo brasileiro Joseclér acabou por ser mais feliz e por inaugurar o placard à passagem dos dois minutos, na sequência de um pontapé de canto cobrado no lado direito do ataque dos líderes da tabela classificativa. Momentaneamente desnorteada, a defensiva encarnada não conseguiu aliviar nas melhores condições e a bola
Liga de Elite Benfica, 1 – Ka I, 3
Dominar não basta sobrou para Jorge Galeano. O atleta paraguaio, que já tinha marcado ao Benfica no encontro da primeira volta do Campeonato, dispara forte à entrada da área de Juan Castro e bate o guarda-redes luso-brasileiro pela primeira vez.
ENCARNADOS CRESCERAM
O Benfica não se deixou intimidar pela vantagem extemporânea dos bicampeões do território e conseguiu travar novas investidas do Ka I, ao mesmo tempo que tentava, sobretudo em remates de longe, colocar Tam Heng Wa em trabalhos na baliza adversária. O onze orientada por Rui Cardoso igualou a partida em cima do intervalo, na cobrança de uma grande penalidade
a punir falta sobre Joadson, depois de uma boa arrancada do jovem médio brasileiro. O camaronês Christopher Nwardou foi o jogador escolhido para cobrar o lance e no frente-a-frente com o guarda-redes do Ka I não perdoou, fulminando Tam Heng Wa com um remate indefensável.
Filipe Duarte a travar em falta Gustavo já em plena grande área da formação de matriz portuguesa. O lance custou ao jovem defesa encarnado o segundo cartão amarelo e o consequente vermelho, deixando as águias menos um jogador durante a recta final do desafio.
MAIS DO MESMO E KA I A MARCAR
CESINHA E NIKI SETENCIAM
O Ka I voltou a entrar melhor na segunda parte, mas as águias do território conseguiram segurar as investidas dos bicampeões de Macau até ao último quarto de hora do encontro, altura em que a formação orientada por Joseclér voltou a saltar para a frente do marcador, na sequência de uma jogada confusa que o árbitro do desafio sancionou com a marcação de um grande penalidade, na sequência de um erro clamoroso do guarda-redes Juan Castro. O guardião encarnado precipitou-se na saída de entre os postes e não conseguiu travar um contra-ataque rápido do Ka I, obrigando
A estocada final do Ka I nas ambições do Benfica materializou-se já em cima dos noventa minutos, com o brasileiro Cesinha a apontar um livre com mestria e com o avançado Niki Torrão a encostar para o fundo das malhas da baliza à guarda de Juan Castro. Com a derrota, o Benfica viu o Windsor Arch Ka I dilatar para dez pontos a vantagem de que dispõe na frente da classificação. Apesar de ter perdido, o conjunto orientado por Rui Cardoso conserva a terceira posição da tabela, ainda que com apenas um ponto de vantagem sobre o quarto classificado Lam Pak.
segunda-feira 23.4.2012
Liga de Elite Kuan Tai, 2 – Lam Pak, 3
Lam Pak morde calcanhares ao Benfica info@hojemacau.com.mo
L
ONGE do fulgor de outras épocas, o Lam Pak alcançou ontem uma vitória preciosa no encontro que encerrou a 12ª jornada da Liga de Elite. A formação orientada pelo veterano Chan Man Kin levou a melhor sobre o Kuan Tai por três bolas a duas, num dos desafios mais frenéticos da décima segunda ronda do principal campeonato de futebol de Macau. Já com escassas hipóteses de alcançar um título que já lhe foge há três temporadas, o Lam Pak inaugurou o marcador no derradeiro minuto do primeiro tempo, numa jogada concluída por John Emanuel, um dos últimos atletas a reforçar o plantel azul e branco.
CLASSIFICAÇÃO EQUIPA
J
V
E
D
GM GS
PONTOS
Ka I
12
10
2
0
42 5
32
Monte Carlo 11 7 3 1 30 11 24
Lam Pak 12 6 3 3 23 15 21 Kuan Tai 12 5 2 5 19 18 17 Polícia 12 5 1 6 14 20 16 FC Porto 11 4 2 5 23 15 14 Lam Ieng
12
4
2
6
15 19
14
Sub-23
12
2
2
8
16 30
8
Hong Ngai
12
0
0
12
2
0
63
RESULTADOS
KUAN TAI NÃO DEITOU TOALHA AO CHÃO
Na segunda metade, o Kuan Tai respondeu à letra ao golo da formação adversária e seis minutos após o reatar da partida, o congolês Muana Lukalu repôs a igualdade no marcador, na cobrança de uma grande penalidade. Foi também a partir da marca de onze metros que o Lam Pak regressou à liderança do marcador, com Lam Kim Meng a não falhar no um contra um com Ieong Fong Meng, o guarda-redes da formação orientada por João Rosa. O Lam Pak voltou a festejar novo golo cinco minutos depois, com Ho Man Hou a dar a melhor conclusão a uma boa iniciativa do ataque da formação orientada por Chan Man Kin. O Kuan Tai ainda conseguiu reduzir dois minutos depois, por intermédio de Muana Lukalu, mas o golo do dianteiro africano revelou-se insuficiente para roubar ao Lam Pak a sexta vitória da temporada.
15
Benfica 12 7 1 4 23 11 22
GONÇALO LOBO PINHEIRO
Marco Carvalho
desporto
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Monte Carlo
-
FC Porto *
Benfica
1-3
Ka I
Sub-23
2-3
Lam Ieng
Hong Ngai
0-2
Polícia
Kuan Tai
2-3
Lam Pak * Jogo adiado devido ao mau tempo
III Divisão Sporting derrota Kan Fong por 4-1
Leão regressa com goleada O
Sporting Clube de Macau estreou-se com o pé direito na edição de 2012 do Campeonato de Futebol da III Divisão, ao ultrapassar a exigente formação do Kan Fong pelo esclarecedor resultado de quatro bolas a uma. Os leões do território foram superiores ao adversário e aos 17 minutos conseguiram traduzir a superioridade em golos, numa boa orquestração do ataque leonino concluída com classe por Leandro Fernandes, depois de uma triangulação perfeita do dianteiro brasileiro com um colega de equipa. O onze verde e branco dila-
tou a vantagem antes ainda do intervalo, com o veterano Mandinho a marcar o segundo golo do Sporting na cobrança exímia de um livre directo a quase trinta metros do último reduto adversário. Ligeiramente adiantado, o guarda-redes do Kan Fong nada pode fazer para travar o remate do talentoso médio dos leões do território.
LEÃO COM RAÇA
A dominar a partida, o Sporting não tardou a chegar ao terceiro golo. Os leões do território voltaram a entrar melhor na segunda parte e quatro minutos após o reatamento
voltaram a festejar, com o regressado Pascoal Júnior a dar o melhor seguimento a uma acção rápida de contra-ataque da linha avançada do conjunto verde e branco e a consolidar a vantagem do onze orientado por Agostinho Caetano. O mesmo jogador, que se notabilizou há duas temporadas com a camisola dos leões, voltou a deixar o nome nos anais do encontro aos 65 minutos, ao marcar o quarto e último tento do Sporting na cobrança segura de uma grande penalidade a punir uma falta dos homens do Kan Fong no último reduto da formação de matriz chinesa.
O Kan Fong ainda conseguiu reduzir, numa altura em que o Sporting se limitava a gerir o resultado. Um remate forte do camisola dez, desferido uns metros à frente da linha de meio-campo, surpreendeu o guarda-redes Vasco Bismarck na baliza dos leões do território. O triunfo é o segundo do Sporting Clube de Macau na corrente temporada. A formação orientada por Agostinho Caetano estreou-se em jogos oficiais com uma vitória sobre o Hong Lok em partida a contar para a primeira ronda da Taça da Associação de Futebol de Macau.
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cultura
Ajudou a moldar a Lei Básica que hoje vigora no território, tendo acompanhado de perto outros diplomas legislativos. Carlos Augusto Côrrea Pães D’Assumpção fez do Direito o seu modo de vida, que deixou recordações de uma longa carreira
Efeméride Carlos D’Assumpção morreu há 20 anos
O senhor do Direito
P
ORTUGAL acabava de assistir ao alvor de Abril e, em Macau, a sociedade acompanhava de perto a evolução do sistema político. É em pleno ano dos cravos que Carlos Augusto Côrrea Paes D’Assumpção decide criar a Associação para a Defesa dos Interesses de Macau (ADIM), que iria marcar o seu percurso como político e homem de leis.
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Em 1976, a ADIM consegue vencer as primeiras legislativas do território, elegendo quatro deputados. Quatro anos mais tarde, acontece a dissolução da Assembleia Legislativa (AL)
por pressões do governador da altura, Vasco Almeida e Costa, mas a ADIM não perde terreno. Vence novamente as eleições e consegue nomear quatro deputados. É nesta altura que os
caminhos de Anabela Ritchie se cruzam com os de Carlos D’Assumpção. A antiga presidente da AL foi nomeada deputada e desse período guarda “recordações muito boas.” “Foi um tempo óptimo de convívio e de trabalho. Tenho since-
antigo presidente da AL tinha na calha um convite para dar aulas, mas recusou para voltar à terra do seu coração.
O CONTRIBUTO PARA A LEI BÁSICA ras saudades dessa época”, disse ao Hoje Macau. Do dia-a-dia a desbravar leis, Anabela Ritchie recorda um político “com grande capacidade de liderança. Muito do nosso trabalho era feito nas comissões, e ele ia acompanhando o trabalho e dando sugestões. Tinha uma afabilidade muito grande, com uma capacidade de diálogo para com as pessoas.” Nascido em Macau em 1929, Carlos D’Assumpção cursou Direito na Universidade de Coimbra, tendo sido colega de Henrique de Senna Fernandes. De capa e batina lutou pelos direitos dos estudantes, tendo sido presidente da Associação Académica de Coimbra. Além da licenciatura, realizou o Curso Complementar de Ciências Histórico-Jurídicas, na altura aberto a quem tinha mais de 16 valores. O filho de Macau acabaria por terminar o seu percurso académico em 1953, com nota final de 17. O
Em Macau o seu destino estava traçado. Tornou-se um dos mais reputados advogados, considerado amigo dos macaenses e portugueses. Assumiu a liderança da AL desde 1976 até à data da sua morte, em 1992. No seu percurso consta a participação no processo de concessão do jogo a Stanley Ho, na década de 70, bem como o cargo de provedoria da Santa Casa da Misericórdia. Carlos D’Assumpção foi ainda vogal do Conselho Legislativo de Macau, do Conselho do Governo e foi também, na década de 60, procurador à câmara corporativa. De todo os documentos legislativos que supervisionou e para os quais deu contributos, um acabou por perdurar no tempo e influenciar os destinos dos que vivem na actual RAEM. Isto porque o homem das leis foi, entre 1988 e 1992, membro da Comissão de Redacção da Lei Básica de Macau. - A.S.S.
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Herman José actua no território a 22 de Setembro
Não há Pequim então vai Macau O
humorista português Herman José actua em Macau em Setembro, num espetáculo que decorrerá no teatro D. Pedro V e é promovido pela Casa de Portugal, disse à agência Lusa fonte da associação portuguesa. O espectáculo terá lugar a 22 de Setembro e tem como objectivo proporcionar um par de horas de boa disposição, naquela que será a segunda actuação do humorista e apresentador em Macau. O próprio Herman José anunciou a deslocação a Macau na sua página do Facebook juntando também algum humor. “Chegado aos 80 mil subscritores, é original imaginar que, todos juntos, estaríamos em condições de encher o estádio nacional de Pequim”, começa por escrever Herman José.
Mas na impossibilidade de todos os seus seguidores irem à capital chinesa, o humorista sugere uma outra paragem, Macau, a 22 de Setembro. É um regresso ao Oriente mais de 20 anos depois, para um espectáculo num local, o teatro D. Pedro V, “onde felizmente, nem todos os sorrisos são amarelos”, escreve o humorista no Facebook.
Máscaras asiáticas da Fundação Oriente expostas em Pequim
Cerca de 250 máscaras de vários países asiáticos pertencentes à colecção de arte da Fundação Oriente e utilizadas sobretudo em rituais religiosos vão ser apresentadas num museu de Pequim na próxima semana. A exposição, já apresentada em Macau e Banguecoque, será inaugurada na terçafeira no China Millenium Monument, no extremo ocidental da principal avenida de Pequim, e estará patente até 6 de Maio. Trata-se de uma iniciativa da Fundação Oriente e da China Arts Entertainment Group, com o apoio da Embaixada de Portugal na China e da Fundação Macau. As referidas máscaras fazer parte de uma colecção da 12 mil peças de arte tradicional asiática oriundas da China, Índia, Sri Lanka, Tailândia, Indonésia, Coreia e Japão.
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[ ] Cinema
futilidades
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Cineteatro | PUB SALA 2
MACHINE GUN PREACHER [C] Um filme de: Marc Forster Com: Gerard Butler, Michelle Monaghan 14.30, 16.30, 21.30
TITANIC [3D] [B]
Um filme de: James Cameron Com: kate Winslet, Leonardo Di Caprio 18.30
MACHINE GUN PREACHER
SALA 3
DARK FLIGHT [3D] [C]
SALA 1
BATTLESHIP [C]
Um filme de: Peter Berg Com: Taylor Kitsch, Brooklyn Decker 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
Aqui há gato
(Falado em thai & english, com legenda em chinês) Um filme de: Isara Nadee Com: Macha Wattanapanich, Peter Knight 14.15, 21.30
VERTICAIS: 1-Que não e hábil. Espertalhão, atrevido. 2-Dente molar (Prov.). Poupança. 3-Ajuntem. Em seguida a. 4-Qualquer fruto seco, indeiscente, com uma só semente. Logo que. Empunhei. 5-Protecção. Actínio (s.q.). 6-Interpretas por meio da leitura. Acrescente. 7-Avenida (abrev.). Trajareis. 8-República (abrev.). Margem de rio. Rio da Suiça. 9- O m. q. exile. Sustente uma criança, alimente. 10-Macho da tartaruga (Amazonas). Prata (s.q.) 11-Discursam. Senhora.
SOLUÇÕES DO PROBLEMA
Sudoku [ ] Cruzadas
HORIZONTAIS: 1-Atracção, encanto (Fig.). Gato (Prov.). 2-Vestígio que deixa uma substância suja ou gorda. Fazer passar alguém por uma vergonha. 3-Da cor do céu sem nuvens. Grande vasilha de aduela, para vinho. Benefício. Pessoa reles, sem préstimo e sem força (Prov.). Limite (abrev.). 5-Imposto de Circulação (abrev.). Ofício divino. 6-Relativo a lugar certo. Desembrulhem. 7-O m. q. ligara. Rádio (s.q.). 8-Reduza certo. Desembrulhem. 7- O m. q. ligara Rádio (s.q.). 8-Reduza a pó. Composição poética para se cantada. Guerreiro valente. 9-Estaca a que se liga a videira depois da poda. Soltar ais. 10-Desconfiada. Brotem, sobressaiam. 11-O m. q. oasiana. Molha, irriga.
[Tele]visão TDM 13:00 TDM News - Repetição 13:30 Jornal das 24h RTPi 14:45 RTPi Directo 16:30 Liga Sagres: Porto - Beira Mar (Repetição) 18:00 Música Movimento (Repetição) 18:30 Contraponto ( Repetição ) 19:30 Amanhecer 20:30 Telejornal 21:00 TDM Desporto 22:10 Passione 23:00 TDM News 23:30 Linha da Frente 00:00 Telejornal - Repetição 00:30 RTPi Directo INFORMAÇÃO TDM RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:30 Os Pastores do Deserto 15:00 Reportagem RTP 15:30 Um Dia no Museu 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 O Elo Mais Fraco 18:00 Vingança 18:45 Best of Portugal 19:15 Pai à Força 20:00 Jornal Da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:15 Biosfera 22:45 Portugal no Coração ESPN 30 12:30 NASCAR Sprint Cup Series 2012 - Highlights 13:30 Spirit Of London 14:00 (Delay) PBA Tour - PBA Tournament Of Champions 15:30 MLB Regular Season 2012 Los Angeles Angels vs. New York Yankees 18:30 (Delay) Baseball Tonight International 2012 19:30 (LIVE) Sportscenter Asia 2012 20:00 Monday Night Verdict 20:30 Pursuing The Dream 21:00 Beach Soccer Worldwide Miami Cup 2011 Brazil vs. Mexico 22:00 Sportscenter Asia 2012 22:30 Monday Night Verdict
23:00 Pursuing The Dream 23:30 Beach Soccer Worldwide Miami Cup 2011 Brazil vs. Mexico STAR SPORTS 31 12:30 WTA Barcelona Ladies Open 18:30 FIA World Touring Car Championship 2012 19:00 Auto GP World Series 21:00 When The Games Begin 21:30 (LIVE) Score Tonight 2012 22:00 The S-League Show 22:30 Engine Block 2012 23:00 FIA F1 World Championship 2012 - Highlights Chinese Grand Prix FOX MOVIES 40 11:40 Ramona And Beezus 13:25 Titanic Part 3 14:20 Titanic Part 4 15:15 Hancock 16:50 Black Hawk Down 19:10 Homeland 20:10 The Walking Dead 21:00 True Justice 22:30 X-Men: The Last Stand 00:15 The One HBO 41 12:00 13:55 15:50 17:30 18:45 20:15 22:00 23:05 00:35
Country Strong Clash Of The Titans Young Guns Ii A Dog Year Paradox Charlie’S Angels Luck Paranormal Activity 2 Vertical Limit
CINEMAX 42 12:45 14:20 16:00 17:45 19:30 20:10 22:00 23:45
Body Snatchers The Guardian The Spy With A Cold Nose Sinbad Of The Seven Seas Hollywood Buzz Paul Paradise Alley Case 39
HORIZONTAIS: 1-IMAN. TARECO. 2-NODOA. VEXAR. 3-A. AZUL. PIPA. 4-BEM. XEU. LIM. 5-IC. MISSA. T. 6-LOCAL. ABRAM. 7-N. LIARA. RA. 8-MOA. ODE. CID. 9-EMPA. AIAR. A. 10-CIOSA. SAIAM. 11-OASICA. REGA. VERTICAIS: 1-INABIL. MECO. 2-MO. ECONOMIA. 3-ADAM. C, APOS. 4-NOZ. MAL. ASI. 5-AUXILIO. ACA. 6-T. LES. ADA. 7-AV. USAREIS. 8-REP. ABA. AAR. 9-EXIL. R. CRIE. 10-CAPITARI. AG. 11-ORAM. MADAMA.
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA TUA • Claudia Piñeiro Um coração desenhado com batom, atravessado por um «Gosto de ti» e assinado por alguém que se autodenomina «Tua» revela a Inés que o marido a anda a enganar. O que se segue não é apenas um thriller vertiginoso e cativante, mas também um retrato implacável da vida familiar da classe média. Claudia Piñeiro capta com genialidade os tons das vozes não apenas da sociedade argentina, mas as das sociedades ocidentais. Neste caso, a de uma dona de casa disposta a tudo para conservar o casamento e as aparências. CAMÕES NO ORIENTE • Eduardo Ribeiro
REGRAS |
Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição SOLUÇÃO DO PROBLEMA DO DIA ANTERIOR
Com quem e quando veio Camões para Macau? Em que qualidade veio ele para a China? A quem deveu ele a ocupação do cargo de provedor de defuntos da Viagem para a China e o Japão? Era a Dinamene da lírica a «moça china» que viveu com ele e morreu no naufrágio na latitude do Mecom? Estas são algumas questões a que Eduardo Ribeiro dá resposta no recentemente lançado Camões no Oriente. Desde o momento da partida do Reino em 1553 à torna-viagem em 1570 e, depois, os últimos dez anos de vida, o livro aborda tudo o que interessa à passagem de Camões por Macau, beneficiando das reflexões e descobertas do autor desde que publicou a sua primeira obra sobre o tema em 2007. RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET
À IMAGEM DO PAÍS Ainda me passam pela minha pequena cabecinha as cenas de pancadaria do jogo Casa de Portugal contra a Roma que a TDM transmitiu há uns dias. Muito triste e totalmente condenável. O futebol probrezinho de Macau não precisa deste tipo de coisas. Faz-me lembrar aqueles jogos que, segundo me contaram, acontecem entre solteiros e casados, lá no burgo português. Os pedreiros, os padeiros, os empregados de comércio e os carpinteiros juntam-se ao domingo para dar uns chutos na bola, antes de um fim de tarde bem regado com cerveja e tremoços, quiçá a ver o Real Madrid a humilhar o Barcelona. Acto contínuo. Nos meandros do futebol já falam que os elementos da Casa de Portugal molharam a sopa novamente, depois de terem sido afastados dos lugares de subida à Liga de Elite. Disse um adepto de outra equipa – e isso foi confirmado por um elemento da Associação de Futebol de Macau - que os ‘tugas’ se travaram de razões com a equipa de arbitragem, já depois do jogo terminado, o que é grave. A ser verdade, só me resta miar de tristeza. Surreal. Os ‘tugas’ devem pensar que ainda mandam alguma coisa por estas bandas e, por isso, pensam que têm uma palavra a dizer. Coitado do Nicholas Friedman, que não merecia a tamanha tacanhez dos lusos, quase à imagem do país à beira mar plantado. Mas tenho um desejo. Espero que algum clube da Liga de Elite tenha reparado na qualidade do gaulês e o recrute para evoluir no palco maior. Uma palavra de apreço para Diogo Cernadas e Gaspard Laplaine, jogadores também com mestria para evoluir na 1.ª Divisão. Uma coisa é certa, se a Casa de Portugal não subiu é porque não merecia, não deu tudo o que estava ao seu alcance, por isso nada mais resta do que tentar para o ano, porque este ano só mesmo jogando na Taça de Macau. E de preferência, com uma atitude de ‘fair-play’. Porque, mesmo a equipa de futebol sendo um organismo autónomo, é caso para dizer: “Ó Amélia António, meta mão nisto”. Pu Yi
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opinião
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curva apertada
Chico Moore HALTEROFILISTA
Ilhas virgens
A
minha mania de dizer sim aos avanços românticos de raparigas de maior peso tem-me trazido algumas alegrias, mas acima de tudo dores no corpo. Os excessos dos mega-acasalamentos fazem-se pagar caro e a minha debilitada saúde obrigou-me a fugir para paragens mais calmas. Uma ilha, pensei, seria o ideal para descansar sem tentações por perto. Por isso comprei uma. Quando adquiri a minha nova propriedade, um atol imaculado no meio do Pacífico, antevi belos fins-de-tarde no terraço altaneiro da palhota-mansão, rodeado de palmeiras e a beber daiquiris. Além de tostar com o solinho meigo. E mergulhar em maratonas de videojogos. Os 1001 dias de descanso teriam, quanto muito, a perturbação do pio estridente de um tucano a passar (importado do Amazonas, bónus por comprar a ilha a pronto). Quando cheguei para iniciar a minha reforma precoce, a praia estava cheia. Uma tribo, incluída no pacote, era minha perten-
cartoon por Steff
A minha mania de dizer sim aos avanços românticos de raparigas de maior peso tem-me trazido algumas alegrias, mas acima de tudo dores no corpo. Os excessos dos mega-acasalamentos fazem-se pagar caro e a minha debilitada saúde obrigou-me a fugir para paragens mais calmas.
GRANDE PRÉMIO DO BAHRAIN
ça. Segundo o vendedor, alimentavam-me com fruta, peixe e biscoitos de aloe vera. A minha obrigação era apenas abençoar-lhes as colheitas uma vez por ano. Os nativos levaram-me de tipóia até à palhota-mansão. Depois despediram-se amistosos e, nos tempos seguintes, a rotina prometida pelo vendedor instalou-se. Um dia as coisas mudaram - o chefe, Barriga de Freira, veio falar comigo. “Buana (falava inglês fluente, mas ensinei-o a tratar-me assim), vai haver um casamento na tribo.” “Óptimo, vou com enorme prazer.” “Não pode.” “Não posso?” “A tradição proíbe a presença de estrangeiros.” “OK, mando só uma prenda.” “O Senhor da Ilha tem que cumprir outra tradição.” “Ai é?” “A primeira vez da noiva é sua.” Tentei convencê-lo do contrário (cerca de dois segundos), mas não insisti demasiado, temendo ofender os seus costumes. Na noite em que me sacrifiquei aos caprichos culturais da tribo, lá recebi enfastiado a nativa, Jasmim Lambuzante. Após curta conversa sobre tópicos que ambos dominávamos (macramé com sisal e se o futebol em Macau era melhor como sonorífero ou laxante), fomos para o quarto. No fim da faena, percebi que tinha um grave problema em mãos. A Jasmim ficou os dias seguintes a dormir à minha porta, chorando que não queria casar-se porque eu era o amor verdadeiro dela. Pior ainda, nem sequer lavava a louça. A tribo teve de levá-la à força para casa, uma cena deprimente. Convoquei o Barriga de Freira e disse-lhe que a tradição ia acabar. Ele encaixou mal, era costume antigo, não podia ser, blá, blá, uma ladainha que nunca mais acabava. Tanto implorou que lá cedi a dar uma segunda oportunidade. Um mês depois, ele veio ter comigo. Ia haver novo casamento. A noiva, Pétala Graciosa, era uma daquela raparigas robustas da Polinésia, bastante popular na tribo pela habilidade de partir côcos com o seio esquerdo (o direito, mais enfezado, ficava-se por pistachios). Nada que me impressionasse. Quando chegou, a criadagem teve que retirar a porta e várias tábuas da palhota-mansão, para que o terminal das coxas musculadas da Pétala tivesse espaço de entrada. Ao entrar, um pouco sôfrega com os nervos, deitou abaixo o lustre da sala, com uma leve cabeçada, vinda do alto dos seus 2,04 metros. Poucos segundos após entrarmos no quarto, a cama já estava partida - ela deitou-se suavemente e até o colchão cedeu. Dois andares. Embora ainda não estivesse impressionado, apeteceu-me subitamente dar umas braçadas. E lá nadei um pouco.Até àAustrália.
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Dia mundial do livro Manuel de Almeida info@hojemacau.com.mo
Um livro é um medo que fala, Um surdo que responde, Um cego que guia, Um morto que vê!
A
Padre António Vieira
23 de Abril celebra-se o «Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor». Criado na XXVIII Conferência Geral da UNESCO que ocorreu entre 25 de Outubro e 16 de Novembro 1995, em Paris. A ideia da comemoração teve origem na Catalunha, Espanha. A «Festa do Livro Espanhol» começou a ser comemorada a 7 de Outubro de 1926, para assinalar a data do nascimento de Miguel Cervantes. Foi o escritor e editor valenciano estabelecido na cidade condal Vicent Clavel Andrés, que propôs este dia à Câmara Oficial do Livro de Barcelona. A proposta foi inicialmente analisada pelo governo espanhol, presidido por Miguel Primo Rivera e, assinado o decreto real a 6 de Fevereiro de 1926 pelo rei Afonso XIII (1886-1931). No ano de 1930, a data foi transferida para 23 de Abril, dia do falecimento de Cervantes e dia do padroeiro da Catalunha São Jorge, tradição que combina o facto religioso, a rosa como símbolo do amor e o livro como símbolo da cultura – e, imitando a Inglaterra que já celebrava no mesmo dia a morte de William Shakespeare. Só em 1995, mais precisamente a 15 de Novembro, a UNESCO escolhe o dia 23 de Abril como o «Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor» - dia importante para a literatura mundial – 23 de Abril assinala a morte de Cervantes, Josep Pla, Garcilaso de la Vega, o nascimento de Vladimir Nabokov, Maurice Druon, Manuel Mejía Vallejo e, também o nascimento e morte de Shakespeare. Com os objectivos de promover o prazer da Leitura, a publicação de Livros e a protecção dos direitos autorais, o «Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor» - um direito consagrado pela “Declaração Universal dos Direitos do Homem” (artigo 27.º), visa encorajar especialmente os mais jovens “a descobrir o prazer da leitura e a respeitar a obra insubstituível daqueles que contribuíram para o progresso social e cultural da Humanidade”(UNESCO). Esta introdução serve de base à inauguração da exposição, «Gestos de Leitura» - de 23 de Abril a 6 de Maio (Livraria Portuguesa)
- , de grande cariz pedagógico (obrigatória s.f.f.), com uma linguagem limpa e enxuta ou sóbria e transparente, esta mostra percorre em alguns capítulos “Uma História Breve do Livro”. Desde “A pré-história do livro através da sua etimologia”, passando naturalmente por, “Os dois Legados da China para a História do Livro”, “A Invenção da imprensa em 1450 por Gutenberg”, “O Livro e a Internet a 3ª Revolução do Livro”, entre outros. “O Livro e a Internet a 3ª Revolução do Livro” é talvez o capítulo de maior abertura, presente/futuro e será aquele que maior diálogo existencial proporcionará, com interrogações e discussões, com verdades, meias-verdades e mentiras. Mas acima de tudo numa sã camaradagem de ideias – tudo e todos em “luta” salutar pelo “Livro como símbolo vivo da liberdade e da civilização”. O mundo da economia anda de mãos dadas com o da edição e ambos entraram num circuito vicioso. A desigualdade económica alimenta a desigualdade de influência política e social que alimenta a desigualdade económica. No mundo editorial, “os grandes grupos económicos mandam na comercialização – logo determinam a produção editorial – daí nasce a industrialização que tem como consequência a hiperprodução”. Só em 2010 – últimos dados disponíveis – em todo o mundo, foram publicados mais de um milhão de novos livros. Uma e, uma só excepção, no número de livros impressos, o ano de 2009, foi desastroso em todo o mundo. A crise internacional estalou em 2008, a confirmação surgiu no ano seguinte, a cultura (livros) é das primeiras áreas a sentir os seus efeitos. Em Portugal, em 2011, o Grupo Leya editou mais de mil títulos. Inverte-se a lógica, o livro como “extensão da memória e da imaginação”, passou rapidamente a simples objecto de marketing -, “os Livros” – “triste sina a vossa” -, passaram a simples “inquilinos” das Livrarias. Discussões bizantinas sobre qual é o
mais importante – internet ou livro -, serão desnecessárias, isso poder-nos-ia levar a uma velha e eterna questão, a de saber quem nasceu primeiro se o ovo ou se a galinha, não faz sentido, são ambos importantes e ambos terão o seu papel de destaque na História da Humanidade. Até porque o “velho gosta de conviver com o novo. A invenção da fotografia não matou a pintura (nem a gravura), as imagens em movimento do cinema não apagaram as imagens fixas da fotografia, nem a cor desbotou o preto e branco”.
A desigualdade económica alimenta a desigualdade de influência política e social que alimenta a desigualdade económica. No mundo editorial, “os grandes grupos económicos mandam na comercialização – logo determinam a produção editorial – daí nasce a industrialização que tem como consequência a hiperprodução” Os problemas no mundo da edição são vários, de vária ordem e arrastam-se há anos. Já em 2005, o saudoso Eduardo Prado Coelho, em entrevista ao jornal “Público”, fazia um alerta em relação ao problema da edição. Dizia então o ensaísta “Já não há grandes nomes da edição no mundo europeu. A maior parte dos proprietários das editoras são uns senhores semianalfabetos que leram por obrigação escolar dois ou três livros na adolescência. Para eles, o grande objectivo consiste em ganhar o dinheiro e falam dos livros como «os produtos» - exactamente como se fossem sapatos ou telemóveis”.
Ou um pouco à imagem da Europa, em Portugal – ou não fossemos nós um dos seus filhos predilectos - acontece o mesmo. Felizmente alguns, poucos, “dinossauros” têm sobrevivido. Até quando? Nos Estados Unidos, o último grande “furacão do panorama editorial”, o fundador da Grove Press, Barney Rosset (1922-2012), acaba de desaparecer. Como na economia, na edição é preciso reformular parâmetros, definir novas políticas. Taxar as editoras comerciais e isentar os projectos editoriais (em termos percentuais). Rever a lei do preço fixo, já que a sua finalidade nunca foi alcançada. O objectivo inicial da lei, era procurar defender uma saudável rede livreira, como garantia da diversidade, vivemos, no entanto, em tempos de sinal contrário. Cada vez mais as livrarias de culto, com fundos bibliográficos de referência, fecham portas – fazem já parte do álbum de recordações. No seu lugar surgem “armazéns de palavras enlatadas” as chamadas “livrarias fast-food” ou “fast-removal”. Dificultar a publicidade a livros que não sejam mais do que meros meios de produção de imbecilidade. Nunca abdicar da exigência literária, em favor de um populismo ao serviço da lógica comercial – comprar só pela capa, pelo anúncio, pela promoção. Em entrevista recente o poeta Nuno Júdice dizia há dias, algumas verdades, “ o que estamos a consumir como literatura são produtos em série. Nada a ver com criação literária”, sobre as livrarias, “perderam a função de estimular o leitor” e terminava o seu raciocínio acrescentando “o escritor como intelectual, como foi durante décadas, desapareceu completamente. O Saramago terá sido o último”. É toda esta reformulação que se torna urgente fazer. A sociedade e o mundo mudam diariamente, sem nos questionarem, temos de saber acompanhar este movimento perpétuo. Temos de ser nós e não esperar pelos outros, a saber dar passos certos de afirmação e a redefinir o papel do Livro na sociedade. Já agora, a terminar – a foice em seara alheia -, não é meu hábito. Não seria de louvar a T.D.M. (Teledifusão de Macau) – canal público que visa contribuir para elevar o nível cultural, além de informar + educar + distrair -, dedicar na televisão e rádio, nos canais em português e chinês, uns míseros minutos diários, a um poema, uma história, uma narrativa de Macau? – a “Literatura deve ser património de Todos” – Mário Vargas Llosa.
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Nuno G. Pereira; Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Carlos M. Cordeiro; Correia Marques; Gonçalo Alvim; Helder Fernando; Jorge Rodrigues Simão; José Pereira Coutinho, Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia; Peng Zhonglian; Vanessa Amaro Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
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Organismo de cooperação entre China e países lusófonos já no activo
Levantar voo para Brasil e Mongólia
Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo
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ECORREU na sexta-feira, ao final da tarde, a tomada de posse dos primeiros órgãos da Associação de Promoção da Cultura, Arte e Economia entre a China e os Países Lusófonos para a mandato de 2012 a 2015. São cerca de 200 associados - de Macau, China, Portugal e Japão - que se unem para promover e facilitar o intercâmbio de relações comerciais e culturais entre os países lusófonos e a China. “Temos a intenção de criar esta Associação para ajudarmos a fazer o lobbying com o Governo chinês e com os Governos dos países de língua portuguesa para facilitar o intercâmbio comercial e económico entre os empresários da China e os dos países de língua portuguesa”, referiu Frederico Santos de Rosário, presidente da associação, em declarações à Rádio Macau.
ACORDOS NA CALHA
O primeiro projecto com data marcada envolve uma cooperação com a Confederação Nacional de Serviços do Brasil. A viagem está marcada para a primeira semana de Maio, onde se prevê a assinatura de um memorando de entendimento para o novo gabinete de serviços da CNSB que representam 300 mil empresas nas mais variadas áreas e PIB de 67% do Brasil em Macau. “Vamos participar na visita ao Brasil com representação de empresários de Macau e da China, uma visita organizada pelo Ministério de Comércio da China juntamente com o nosso secretário de Economia e Finanças, Francis Tam”, adianta Frederico Rosário.
Com este acordo vêm perspectivas futuras, fazendo de Macau uma plataforma de entendimento entre os dois países. “Este gabinete terá a responsabilidade de - caso no futuro a Confederação Nacional de Serviços no Brasil, tiver interesse - formar novas confederações em Macau e noutras províncias da China seremos os responsáveis por ajudá-los a penetrar no mercado da China.” Depois do Brasil está já agendada mais uma viagem, avança o responsável máximo da associação à Rádio Macau. Desta feita à Mongólia Interior, com data marcada para o mês de Junho, com uma delegação de empresários portugueses e brasileiros para criar uma correspondência comercial entre as duas regiões.
Exposição no aeroporto No mesmo dia da apresentação dos órgãos da Associação de Promoção da Cultura, Arte e Economia entre a China e os Países Lusófonos, foi inaugurada uma exposição de Heong Ka Wa no aeroporto internacional de Macau, marcando o arranque das iniciativas do organismo. As obras, expostas na sala das partidas do Aeroporto, divulgam a técnica de escrita em vários objectos com recurso a uma agulha, divulgando a arte do artista local. A exposição estará patente até 3 de Maio. O grupo está também em contacto com o Departamento de Cultura do município de Zhuhai, a Zona Económica Especial chinesa adjacente a Macau, para organizar na cidade um evento com samba brasileiro, uma iniciativa em fase de projecto que deverá decorrer ainda este ano.
segunda-feira 23.4.2012