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Hoje Macau 23 NOV 2018 #4179

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MOP$10

SEXTA-FEIRA 23 DE NOVEMBRO DE 2018 • ANO XVIII • Nº4180

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GCS

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

FUNÇÃO PÚBLICA

CARREIRA CANCELADA

h JOSÉ NAVARRO DE ANDRADE

OPINIÃO | JOÃO ROMÃO

Casa minha

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GRANDE PLANO

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

Carlos Marreiros veio a terreiro defender a autenticidade e originalidade do seu projecto para a Biblioteca Central, após as denúncias nas redes sociais de semelhanças com o Auditório Ciudad de Léon, em Espanha. O Instituto Cultural pediu explicações ao arquitecto e diz estar a estudar o assunto.

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hojemacau

HOJE MACAU

PÁGINAS 4-5

CHINA E O TURISMO

BRASIL BRASILEIRO


2 grande plano

23.11.2018 sexta-feira

BIBLIOTECA CENTRAL

INSTITUTO CULTURAL VAI “AVALIAR” O PROJECTO VENCEDOR DO ARQUITECTO CARLOS MARREIROS

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Após as dúvidas sobre o plágio, a resposta. O arquitecto enviou ontem uma carta a pedido do IC a explicar o seu projecto e a negar ter copiado o Auditório da Cidade de León. Já o arquitecto do edifício em Espanha, Emilio Tuñón Álvarez, disse, ao HM, que o caso não o “preocupa minimamente”

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Instituto Cultural (IC) pediu explicações ao arquitecto Carlos Marreiros sobre o projecto da Biblioteca Central noAntigo Tribunal, devido às questões levantadas nas redes sociais de que poderia ter havido plágio do Auditório da Cidade de León. A situação foi revelada, ontem, pela presidente do Instituto Cultural Mok Ian Ian, que defendeu igualmente o resultado do concurso público. “Estamos a estudar este caso e contactámos de imediato a empresa que ganhou o concurso público. Mas no Instituto Cultural fizemos sempre uma apreciação de forma justa, imparcial e transparente”, afirmou Mok.

A responsável pelo IC explicou também que ficou a conhecer o caso pelas redes sociais, na manhã de ontem: “Como sabem as redes sociais divulgam as informações de uma forma muita rápida. Tivemos conhecimento por esse meio

“Dá muito trabalho ter ideias de raiz, e o nosso projecto, do meu ponto de vista, é muito mais interessante e bonito do que o vencedor.” RUI LEÃO ARQUITECTO

e logo que ficámos a saber deste caso contactámos com a empresa adjudicada”, acrescentou. Este foi um pedido a que o atelier de arquitectura Marreiros Arquitectos e Associados respondeu ainda ontem, como explicou Carlos Marreiros. O arquitectou marcou igualmente uma conferência de imprensa para voltar a negar as acusações, como tinha feito em declarações ao HM. “O IC não me disse nada porque ainda é cedo [para estudarem a nossa resposta]. Mas está tudo em condições para se prosseguir com os trabalhos, e termos a adjudicação para fazer o projecto, no prazo dos 268 dias”, afirmou Marreiros.

OUTROS PROJECTOS SEMELHANTES

Escola de Londres

Auditório Cidade de Leão

Durante uma hora o arquitecto esteve em conversa com os jornalistas a explicar todo o seu projecto e a justificar algumas das escolhas durante a concepção. “Sou uma pessoa que gosta de agarrar o boi de frente”, começou por justificar na sessão de clarificações.

“No Instituto Cultural fizemos sempre uma apreciação de forma justa, imparcial e transparente.” MOK IAN IAN PRESIDENTE DO IC

“Como se trata do concurso público da Biblioteca Central, apressei-me a esclarecer a opinião pública. Se fosse uma coisa privada não estava preocupado, mas tratando-se de uma obra com a importância que esta tem e ao ser paga com o Erário Público, as pessoas merecem ser informadas rapidamente”, sublinhou. O atelier de Carlos Marreiros foi um dos nove que apresentaram propostas para o projecto da Biblioteca Central e o trabalho acabou adjudicado por um valor de 18,68 milhões de patacas, que serão pagos pelo Governo.

LÍNGUAS SEMELHANTES

Ainda ao longo da explicação técnica, Carlos Marreiros afirmou que as linhas das janelas do seu projecto recorrem à arquitectura militar, um estilo que já havia utilizado anteriormente no Quartel de São Francisco, e que a separação entre as janelas não é feita de forma recta, como na obra dos arquitectos espanhóis Emilio Tuñón Álvarez e Luís Moreno Mansilla. O macaense mostrou depois imagens do interior Capela de Notre Dame du Haut em Ronchamp (França), do arquitecto Le Corbusier, onde foi buscar inspiração para o projecto que foi a concurso. “É uma peça muito bonita e é das coisas que nós arquitectos temos sempre em mente. E eu, particularmente, porque o Corbusier, além de ser arquitecto, engenheiro e urbanista, era pintor, poeta, escritor. Ele tinha uma mundividência que eu admiro muito”, revelou. Foi também através da literatura que Carlos Marreiros explicou eventuais semelhanças entre o seu projecto com o dos arquitectos espanhóis: “A linguagem vocabular da arquitectura como uma forma de expressão é como uma língua, tem as suas regras, as suas construções frásicas, o seu vocabulário próprio [...] E se há algumas construções frásicas que possam ter alguma sugestão de similitude, é um caso que às vezes acontece em todo o mundo, no movimento moderno e na arquitectura contemporânea”, apontou. O arquitecto defendeu igualmente que os dois projectos não podem ser comparados só através da fachada principal: “Não se


grande plano 3

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HOJE MACAU

INSPIRADO EM...

Notre Dame du Haut, Le Corbusier

eu ganhava se começasse a plagiar aos 61 anos?”, perguntou.

INSPIRAÇÕES SEMELHANTES

pode concluir que há cópia, plágio, simplesmente porque uma parte do discurso arquitectónico, do edifício, é relevado para se comparar com outra parte de outro edifício. É preciso, em arquitectura, ter uma análise global de todos os aspectos”, frisou.

DESCONHECIMENTO DO AUDITÓRIO

Por outro lado, o arquitecto confessou que desconhecia o projecto do Auditório da Cidade de León, tal como os arquitectos. Marreiros explicou que só foi alertado para o trabalho em causa, após ter sido contactado, na quarta-feira à noite, pelo HM. “Não conhecia os dois arquitectos em causa e a obra deles, de que

“Se fosse uma coisa privada não estava preocupado, mas tratando-se de uma obra com a importância que esta tem e a ser paga com o Erário Público, as pessoas merecem ser informadas.” CARLOS MARREIROS ARQUITECTO

até gostei. E muito menos conhecia este auditório de León. Por isso, nunca poderia ser uma inspiração e muito menos uma cópia ou plágio. Nem sequer conhecia o edifício”, revelou. Ainda por último, Marreiros questionou o que tinha a ganhar em plagiar num concurso com um grande escrutínio, uma vez que está para ser construído desde 2007. “Não faz sentido pensar-se que ia plagiar num concurso público com tanta exposição, mais a mais a Biblioteca Central, que há 10 se arrasta como um pesado fardo...”, frisou. “Comecei a projectar e a construir, quando ainda estava a estudar em Lisboa. O que é que

Após ter sido revelado o caso, o arquitecto Jonathan Wong comentou a título pessoal os dois projectos. Apesar de ser presidente da Associação dos Arquitectos, Wong fez questão de sublinhar que só comentava o caso a nível pessoal. “Penso que ambos os projectos, do arquitecto Marreiros e dos arquitectos de León, tiveram como inspiração o mesmo autor, o arquitecto Le Corbusier e a Capela de Notre Dame du Haut em Ronchamp”, começou por dizer, ao HM. “Também penso que nestes casos não existe uma forma padrão para avaliar se um edifício é uma cópia ou uma inspiração directa de outro projecto”, acrescentou. Wong admite igualmente que há semelhanças: “Talvez possa existir a percepção, quando se olha para o projecto da Biblioteca Central, que já tinha sido visto em algum lado. Até porque quando olhamos para um edifício falamos na cor e na forma. Aqui a cor é a mesma, o branco, e a forma também é semelhante, basicamente é um rectângulo horizontal”, considerou. Em relação ao procedimentos que o IC pode adoptar, no caso de considerar que poderá haver um cópia, Jonathan Wong defende que há pouca margem de manobra. “A única forma que pode alterar os re-

EMILIO TUÑÓN ÁLVAREZ CITA LORCA “AS IDEIAS NÃO SÃO DE NINGUÉM”

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O HM, Emilio Tuñón Álvarez, um dos arquitectos do Auditório da Cidade de León, a par de Luís Moreno Mansilla, afirmou não estar “minimamente preocupado” com um eventual plágio. O arquitecto espanhol de 59 anos citou também

o compatriota Frederico García Lorca. “Tenho de confessar que não estou preocupado com todo este tipo de questões de cópia de trabalhos”, disse Emilio Tuñón Álvarez, ao HM. “Frederico García Lorca, o famoso poeta espanhol, costumava dizer: ‘as ideias

não são de ninguém... estão a flutuar no ar à espera que alguém as apanhe’”, citou. O também vencedor do prémio Mies van der Rohe de Arquitectura Contemporânea da União Europeia, em 2007, com o Museu de Arte Contemporânea de Castela e

León, deu ainda exemplos de “edifícios bizarros”, na União Europeia e nos Estados Unidos inspirados no auditório que concebeu, nomeadamente o edifício Mission Bay Parking Structure, em São Francisco, e a Escola Burntwood, em Londres.

sultados do concurso é a existência de um problema técnico, que não esteja contemplado. Mas à partida parece que não há problemas neste sentido”, indicou.

PROPOSTA AUTÊNTICA

O presidente da Associação dos Arquitectos revelou ainda que não recebeu qualquer queixa por parte dos diferentes associados, face às denúncias online. O HM ouviu ainda a opinião do arquitecto Rui Leão, um dos interessados no concurso, que não quis responder se estava a equacionar impugnar o concurso ou apresentar qualquer tipo de queixas junto do IC. Porém, apontou que o projecto que apresentou era “autêntico”. “A única coisa que posso dizer é que fizemos uma proposta que tem um desenho autêntico, não é copiado de lado nenhum. Dá muito trabalho ter ideias de raiz, e o nosso projecto, do meu ponto de vista, é muito mais interessante e bonito do que o vencedor. É a única coisa que tenho a dizer”, disse Rui Leão, ao HM. A proposta que Rui Leão apresentou, com o nome LBA, Arquitecto e Planeamento, tinha um valor de 16,13 milhões de patacas e um prazo de execução de 250 dias. A proposta de Carlos Marreiros tem um valor de 18,68 milhões de patacas e um prazo de 268 dias. João Santos Filipe (com S.M.M.) joaof@hojemacau.com.mo


IACM Urso Bobo vai ser embalsamado, apesar das críticas de Sulu Sou

O deputado Sulu Sou levou ontem a plenário a questão da morte do urso Bobo, que vivia no jardim da Flora e que faleceu esta semana com 35 anos de idade. Sulu Sou questionou a decisão das autoridades de proceder ao embalsamento do animal, tendo mostrado à secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, um cartaz que tem circulado nas redes sociais. “Depois da questão das más condições dos galgos no Canídromo, as

pessoas estão contra o embalsamento do urso”, apontou. Contudo, esta acção vai mesmo avançar, revelou José Tavares, presidente do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM). “Nas regiões vizinhas os animais são embalsamados, e esperamos que a história se possa manter. Isto também ajuda a uma maior consciência por parte da população sobre a importância da preservação dos animais, espero que possam compreender”, frisou.

Titulares de principais cargos Coutinho questiona regalias em cartaz O deputado José Pereira Coutinho levou ontem um cartaz para a sessão plenária onde criticou a disparidade de regalias atribuídas no seio da Função Pública. Os caracteres chineses diziam que “os trabalhadores da primeira classe têm vilas para viver, pensões de aposentação, subsídio de residência, despesas de representação, viagens em primeira classe, cozinheiros e pessoal auxiliar para as tarefas domésticas”.

Por outro lado, “os trabalhadores de segunda classe não têm pensões de aposentação, habitação. Não têm, na sua maioria, o que têm os outros”. No caso dos “trabalhadores de terceira classe, trabalham por hora, com contratos de tarefa e de aquisição de serviços”. A secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, refutou estas acusações. “Não há diferentes níveis, cada um tem o seu trabalho e responsabilidades”, rematou.

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Fim do 195 FUNÇÃO PÚBLICA

GCS

4 assembleia legislativa

A CATEGORIA DE ESCRITURÁRIO ADMINISTRATIVO TEM OS DIAS CONTADOS

Sónia Chan anunciou ontem o fim da carreira de escriturários administrativos no âmbito da revisão do Estatuto dos Trabalhadores da Função Pública, o que vai permitir a candidatos com o ensino secundário “entrar noutras carreiras”. A secretária para a Administração e Justiça admitiu a dificuldade de actualização salarial por escalas

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Governo vai mesmo avançar com o fim da carreira do índice 195 do Estatuto dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ETAPM), que corresponde ao cargo de escriturário administrativo. Na prática, os trabalhadores que já de-

sempenhavam funções equiparadas a uma carreira do índice 260 passam a ganhar o salário correspondente a esse posto. A informação foi avançada ontem pela secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, no primeiro debate na Assembleia Legislativa (AL) relativo às

Linhas de Acção Governativa (LAG) da sua tutela. “No que diz respeito à segunda fase do Estatuto dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ETAPM), o objectivo é cancelar a carreira do índice 195, onde trabalham muitas pessoas que têm o ensino secundário complementar. No

futuro não vamos recrutar mais pessoal deste índice, que terão oportunidade de entrar noutras carreiras”, frisou Sónia Chan. Amedida deixou contente o deputado José Pereira Coutinho, também presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM). “Esta foi uma das

SUFRÁGIO UNIVERSAL SÓNIA CHAN JUSTIFICA-SE COM NOVOS MEMBROS DO IAM

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secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, foi ontem confrontada com sugestões de dois deputados quanto à necessidade de reestruturação dos serviços daAdministração para uma eficaz distribuição de juristas. O deputado José Chui Sai Peng defendeu a divisão de todos os juristas por vários departamentos. “Uma parte dos juristas estaria nos serviços públicos e outra parte na Direcção dos Serviços para os Assuntos de Justiça e secretários. Quando fosse necessário, os serviços públicos poderiam requerer o destacamento de pessoal para uma melhor eficiência dos trabalhos. É como comprar um livro, depois de o ler posso emprestá-lo a outra pessoa”, disse. Sónia Chan admitiu estar aberta a esta possibilidade de reorganização. “Vamos pensar sobre isso, é uma boa ideia. No entanto, os serviços públicos nem sempre querem destacar os seus bons juristas para outros

serviços. São poucos os profissionais que têm pouco ou nenhum trabalho, pois temos muitos procedimentos administrativos e acções em tribunal”, explicou. Também Ho Ion Sang defendeu uma concentração dos juristas “num só serviço, para que haja uma menor divergência em termos de produção legislativa”. O deputado criticou também o facto do Governo não ter cumprido o seu plano legislativo anunciado o ano passado. “Um total de sete propostas de lei ainda estão em processo de elaboração. Este ano muitas propostas de lei foram-nos apresentadas e outras já foram submetidas a consulta pública há muitos anos e ainda não chegaram a este hemiciclo, como é o caso da lei de protecção dos consumidores. Parece que o actual mecanismo de coordenação da produção legislativa não está a surtir os devidos efeitos”, frisou o deputado.

ULU Sou, Au Kam San e Ng Kuok Cheong, os três deputados do hemiciclo do campo pró-democrata, questionaram ontem a secretária para a Administração e Justiça sobre a falta de referência do desenvolvimento democrático no relatório das LAG. Sónia Chan justificou-se com a introdução dos dois novos membros na comissão eleitoral do Chefe do Executivo, oriundos do futuro Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), além de ter falado das alterações já feitas às leis eleitorais.

RÓMULO SANTOS

JURISTAS JOSÉ CHUI SAI PENG SUGERE REORGANIZAÇÃO DO PESSOAL

“O Governo presta muita atenção aos elementos democráticos do sistema político”, começou por dizer. “Na alteração da lei eleitoral para a Assembleia Legislativa reforçámos o combate à ilegalidade nas campanhas eleitorais, o que correspondeu aos

princípios da transparência pedidos pela população. O IAM vai ter dois membros que vão integrar a comissão eleitoral. No futuro vamos continuar a fazer estudos e a ouvir a sociedade para aperfeiçoamento do sistema político”, rematou. Au Kam San questionou mesmo se a eleição do Chefe do Executivo por uma comissão eleitoral de 400 pessoas irá manter-se para sempre. “Não houve nenhum avanço democrático com essa alteração. A eleição num pequeno círculo vai ser permanente? Temos de pensar nesta questão”, frisou o deputado. A.S.S.


assembleia legislativa 5

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“O objectivo é cancelar a carreira do índice 195, onde trabalham muitas pessoas que têm o ensino secundário complementar. No futuro não vamos recrutar mais pessoal deste índice.” SÓNIA CHAN SECRETÁRIA PARA A ADMINISTRAÇÃO E JUSTIÇA

reivindicações pelas quais temos vindo a lutar nos últimos 10 anos. Até que enfim que se acaba com esta exploração, pois o pessoal era contratado com um índice remuneratório baixo e exercia funções de uma categoria superior”, disse ao HM. Apesar de estar satisfeito com a medida, Pereira

A

implementação do Governo Electrónico foi um tema bastante abordado pelos deputados na sessão plenária de ontem no âmbito da discussão das LAG na área da Administração e Justiça. Apesar do relatório demolidor do Comissariado de Auditoria

Coutinho promete continuar a lutar pelo fim de outras situações semelhantes na Função Pública. “A luta não acabou e vai continuar, porque o Governo está a pagar o índice 360 para os detentores de bacharelatos, quando estes já não existem. Tendo em conta que há vagas suficientes

(CA), que apontou falhas graves no planeamento e implementação do Governo Electrónico, os governantes garantiram que as medidas têm vindo a ser feitas. Kou Peng Kuan, director dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP), referiu que o pró-

para cursos universitários, não se percebe porque se pretende manter o índice 360 para bacharelatos. Essas pessoas são contratadas mas desempenham funções de licenciados do índice 430.” Além disso, “existem ainda outras tabelas indiciárias que exploram muito os

trabalhadores, e que não correspondem ao trabalho que é desempenhado”, apontou o deputado. Em resposta a Pereira Coutinho, Kou Peng Kuan, director dos SAFP, defendeu a separação de categorias. “Continuamos a ter necessidade dessa diferenciação porque é necessário con-

tinuarem as funções de técnico e técnico superior e, por isso, não vamos fazer a fusão. Mas ainda vamos realizar a consulta pública.”

FALHAS SALARIAIS

Sónia Chan garantiu que no próximo mês será iniciada uma consulta pública sobre a segunda fase da revisão

Como se nada fosse

Sónia Chan contraria CA quanto à implementação do Governo Electrónico

ximo projecto do Executivo passa pela criação de um website de uniformização dos serviços públicos. A ideia é desenvolver “uma página unificada e uma só conta para todos os serviços”, disse. “Há muitos serviços electrónicos mas estão dispersos. No futuro, quando criarmos a página unificada do Governo, as pessoas podem com uma só conta recorrer aos serviços públicos e terão também acesso a uma aplicação de telemóvel com todos os serviços concentrados”, adiantou Kou Peng Kuan.

Sónia Chan referiu que “nos vários mandatos do Governo envidámos esforços para melhorar os procedimentos e promover a uniformização dos serviços”, apesar do relatório do CA ter denunciado a ausência de acções e planos durante vários anos. A secretária adiantou também que “o plano para o período de 2015 a 2019 está quase concluído” e que o Governo vai posteriormente “fazer o planeamento de 2020 a 2024 sobre a governação inteligente”. Nesta fase será feita a aposta no sistema de

cloud computing (computação em nuvem), graças à criação de um novo centro. “Este centro vai garantir a partilha de documentos e o trabalho com mega-dados. Depois de ser lançado poderá permitir a informatização dos pedidos relativos à contratação de empregadas domésticas e pedidos de residência. Com a aprovação da lei da cibersegurança vamos fazer mais trabalhos”, adiantou Sónia Chan.

FALTA DE VONTADE

O deputado Si Ka Lon foi um dos mais críticos deste siste-

do ETAPM, e admitiu que é difícil aumentar os salários na Administração por escalas. “Actualmente, a actualização salarial é feita de forma uniforme, pois um índice salarial corresponde a X patacas, e temos de mudar esta dificuldade para poder avançar com essa actualização por escalas. Já fizemos os devidos estudos e temos critérios para essas escalas salariais.” No que diz respeito ao regime de avaliação e desempenho dos funcionários públicos, Sónia Chan também pretende introduzir melhorias. “Temos de melhorar o regime de avaliação de desempenho. Espero que os funcionários que trabalhem bem venham a ser premiados. Podemos fazer um trabalho mais pormenorizado, pois quem tem excelente na sua avaliação pode dar o exemplo aos outros trabalhadores”, explicou. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

ma. “O Governo Electrónico não cumpriu os objectivos desejados. Alguns serviços públicos não estão muito motivados para esta medida. Há ou não medidas para ultrapassar este impasse?”, questionou. Ho Ion Sang, ligado à União Geral das Associações de Moradores de Macau, defendeu que o processo tem sido bastante “moroso”. “Apenas foram disponibilizados sete serviços junto do público com o sistema de e-pass. Isto é incompatível com a sua criação. Como vamos coordenar e unificar essas contas que estão dispersas e criadas em serviços diferentes?”, questionou. A.S.S.


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Notificação n° 035/DLA/SAL/2018 Considerando que não é possível notificar os interessados, por ofício ou telefone, da não renovação por dois anos das suas licenças, para efeitos das disposições do n.º 2 do artigo 31° do Decreto-Lei n.º 16/96/M, de 1 de Abril, conjugado com os artigos 10° e os n.ºs 1 e 3 do artigo 58° do “Código do Procedimento Administrativo”, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, fica, pela presente, notificados, nos termos do n.º 2 do artigo 72°, n.ºs 1 e 2 do artigo 93º e n.ºs 1 e 2 do artigo 94º do “Código do Procedimento Administrativo”, os titulares e eventuais interessados dos estabelecimentos de comidas abaixo indicados, que por despacho do signatário datado de 10 de Outubro do corrente ano, foi decidido iniciar o procedimento de cancelamento das respectivas licenças administrativas, bem como para, no prazo de 10 dias, a contar do dia seguinte ao da publicação desta notificação, apresentarem audiência escrita a este Instituto, a fim de se poderem pronunciar sobre o referido assunto, sem prejuízo da aplicação do disposto no n.º 3 do artigo 94º do citado Código. Nome do estabelecimento ESTABELECIMENTO DE COMIDAS “TIANKELONG MACAU” (LICENÇA N.º 59/2014) ESTABELECIMENTO DE COMIDAS JAPONESA YEN, FUKI (LICENÇA N.º 33/2006)

Endereço Titular TRAVESSA DO PAU, N.ºS 3-7, TIANKELONG ( MACAU), EDF. KONG VA, R/C G, LIMITADA H, I, MACAU RUA DE MADRID, N.º41, EDF. WAN U HOU TENG, LOJA B, FUNG, SHUK YIN R/C E S/L, MACAU RUA DE MARQUES DE CAFÉ O ENCONTRO OLIVEIRA, N.º 9, EDF. VA MENG, WONG, CHI KUONG (LICENÇA N.º 52/2012) R/C A, MACAU ESTABELECIMENTO RUA DA TRIBUNA, N.ºS 122 E 潮館一人有限公司 DE COMIDAS CHUI KUN 126, CHUN PEK GARDEN , R/C, (LICENÇA N.º 66/2009) LOJAS B E C, MACAU ESTABELECIMENTO RUA DA SERENIDADE, 豐澤(澳門)沙縣小吃管理有限 DE COMIDAS SA YUN N.º 116, EDF. NAM FAI, R/C, LOJA 公司 (LICENÇA N.º 69/2011) W, MACAU ESTABELECIMENTO DE COMIDAS RUA DE PEDRO COUTINHO, N.º HUI MUSEU DE MACAU (LICENÇA 4, KEI NENG KOK, R/C E S/L A, FG MACAU LIMITADA N.º 134/2014) MACAU AVENIDA DA AMIZADE, N.º MARISCOS FRESCOS MACAU 澳門溫商國際酒店有限公司 1315, EDF. HUNG ON, R/C E 1º WENZHOU (LICENÇA N.º 88/2011) ANDAR K, MACAU ESTABELECIMENTO AVENIDA DE ARTUR DE BEBIDAS U I KOK TAMAGNINI BARBOSA, EDF. U I LEUNG, HON CHUEN (LICENÇA N.º 672/1997) KOK, R/C, LOJA A, MACAU ESTABELECIMENTO AVENIDA DR. SUN YAT SEN, THAIME-RESTAURAÇÃO DE COMIDAS THAIME N.º 611, EDF. HOI YI FA UN, R/C, LIMITADA (LICENÇA N.º 57/2002) LOJA J, TAIPA ESTABELECIMENTO DE COMIDAS RUA DA CONCÓRDIA, N.º 86, YU TOM FAN SIU SEK CHIANG, HENG CHONG R/C, EDF. YUET FA, MACAU (LICENÇA N.º 266/1997) RUA MARGINAL DO ESTABELECIMENTO DE COMIDAS CANAL DAS HORTAS, SI FONG BA MASSA HO, KUOK WAI N.º 246, EDF. TOI SAN PENG (LICENÇA N.º 23/1999) MAN, LOJA C, R/C N, MACAU ESTABELECIMENTO DE COMIDAS SOCIEDADE DE RUA CENTRAL, N.º 8, R/C, IEONG IUN KEI CHA CHAN SAT RESTAURAÇÃO IEONG IUN MACAU (LICENÇA N.º 187/1997) KEI, LIMITADA ESTABELECIMENTO DE COMIDAS RUA DO BRANDÃO, N.º 2A, R/C E MIMIKAI CAFÉ MA, SAU LAI S/LOJA, MACAU (LICENÇA N.º 110/1997) ESTABELECIMENTO RUA DE XANGAI, N.ºS 164-166, 武元兒 DE COMIDAS JING JIN EDF. MARINA PLAZA, R/C, LOJA (LICENÇA N.º 4/2008) Y, MACAU CAFÉ ME & U RUA DA PRAINHA, N.º 17-A, EDF. ME & U SOCIEDADE (LICENÇA N.º 6/2013) WA CHUN, R/C A, MACAU UNIPESSOAL LIMITADA ALAMEDA DR. CARLOS ESTABELECIMENTO DE COMIDAS D’ASSUMPÇÃO, N.ºS 29-33, EDF. WENG FU VISTA MAGNIFICA COURT, R/C, (LICENÇA N.º 39/2008) LOJAS BI-BJ, MACAU ESTABELECIMENTO DE COMIDAS RUA DE CINCO DE OUTUBRO, UN SAN MEN KEI N.º 5, R/C, (LICENÇA N.º 16/2004) MACAU

COMPANHIA DE INVESTIMENTO E DESENVOLVIMENTO SUN KAI SON, LIMITADA TAM, KUOK SENG

A falta de entrega de audiência escrita dentro do prazo acima estipulado, sem qualquer justificação, pressupõe que, apesar de serem notificados, nada têm a declarar, sobre o assunto supra. Poderão os interessados dirigirem-se dentro das horas normais de expediente, à Divisão de Licenciamento Administrativo, sita na Avenida da Praia Grande, n.ºs 762-804, Edf. “China Plaza”, 2º andar, zona F do Centro de Serviços do IACM, Macau para entrega da audiência escrita, bem como, para consulta do processo. Macau, aos 7 de Novembro de 2018. O Vice-Presidente do Conselho da Administração Lei Wai Nong WWW. IACM.GOV.MO


política 7

sexta-feira 23.11.2018

N

A actual versão da proposta de lei do Corpo da Polícia de Segurança Pública (CPSP) define que cabe aos agentes “vigiar comportamentos susceptíveis de perturbar a tranquilidade e o normal quotidiano das pessoas”. Um tipo de linguagem que não agrada aos deputados da 3ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa, que pediram a substituição da palavra “vigiar” por “fiscalizar”. Os tribunos entendem que o termo pode ser mal interpretado e mostraram preferência pelo uso de uma expressão “mais neutra”. A informação foi avançada pelo presidente da comissão, Vong Hin Fai, após a reunião de ontem que contou com a presença do secretário para a Segurança, Wong Sio Chak. De acordo com Vong Hin Fai, apesar da maioria dos deputados concordarem com a nova norma, houve quem sugerisse que o articulado fosse melhorado semanticamente. Neste PUB

Questão de semântica Deputados querem trocar a palavra “vigiar” por “fiscalizar” para descrever actuação da PSP

sentido, apontaram a substituição da palavra “vigiar” por “fiscalizar” para “evitar diferentes interpretações sobre esta norma”, disse Vong, até porque “podem surgir dúvidas sobre os comportamentos alvo de vigilância”.

A proposta, no entanto, não define que comportamentos podem ser considerados como sendo “susceptíveis de perturbar a tranquilidade normal quotidiano das pessoas”. De acordo com Wong Sio Chak, trata-se de situa-

ções que implicam a concentração de pessoa na via pública. “O secretário citou três exemplos: no Grande Prémio, os concertos, ou nos casos em que associações civis organizam eventos, como a distribuição de arroz,

[Houve deputados que] apontaram a substituição da palavra “vigiar” por “fiscalizar” para “evitar diferentes interpretações sobre esta norma”, disse Vong, até porque “podem surgir dúvidas sobre os comportamentos alvo de vigilância”

nos espaços públicos”, disse Vong Hin Fai. “Os tipo de comportamentos não estão definidos na lei mas vai caber à policia determinar quais são”, acrescentou.

SEM ALTERAÇÕES

Os deputados pediram ainda esclarecimentos acerca das medidas cautelares que, actualmente, têm de ser comunicadas à autoridade judiciária de imediato para que possam ser executadas e que passam a ser feitas apenas quando se tratarem de casos de crimes que exijam a intervenção da polícia criminal. O secretário para a Segurança entende que o articulado se deve manter. “Segundo a lei actual, a PSP quando recorre às medidas cautelares tem de observar os princípios da legalidade e da proporcionalidade e segundo a resposta do secretário, o Código do Pro-

cedimento Administrativo (CPA) também já prevê estes princípios. Portanto, o secretário entende que há que manter a redacção desta norma”, referiu o deputado que preside à comissão. Alguns membros questionaram ainda se as pessoas, a título particular, devem colaborar com o CPSP quando solicitadas, mas o “secretário salientou que esta colaboração tem que ser solicitada nos termos legais: segundo as disposições do código de procedimento penal ou outros. Só aqui a PSP pode solicitar a colaboração dos particulares”, disse Vong. Chegou ontem ao fim a discussão na especialidade do articulado da proposta que define as competências e organização do CPSP. O parecer deve ser emitido no mês de Janeiro, tal como foi solicitado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Ho Iat Seng. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


8 sociedade

23.11.2018 sexta-feira

SAÚDE ESTUDO DA MUST DIZ QUE MACAU SE ENCONTRA BEM POSICIONADO A NÍVEL MUNDIAL

Em linha com os padrões

Os indicadores de saúde de Macau encontram-se num nível elevado comparativamente a outros países do mundo. É o que diz um estudo levado a cabo pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla em inglês) apresentado ontem

A

esperança média de vida dos residentes é de 84,6 anos, a quarta maior a nível mundial. Um número que figura como exemplo paradigmático de que Macau se encontra bem posicionado a nível mundial no plano dos principais indicadores de saúde, mas não é o único. É o que diz um estudo conduzido pela MUST, divulgado ontem. Em conferência de imprensa, Zhang Jinghua, autora da investigação, destacou nomeadamente as baixas taxas de mortalidade do cancro ou das doenças cerebrovasculares e cardíacas, comparativamente a países como o Japão, Inglaterra ou Estados Unidos. Um feito que a académica atribui ao bom desempenho dos serviços de urgência e ao acompanhamento poste-

rior, bem como à eficiência da prevenção. Relativamente ao tempo de espera por tratamento, o estudo comparou Macau com o Canadá que, apesar de haver ricos recursos na área da saúde, tem um desempenho inferior à RAEM no tocante à demora pelos serviços médicos especializados nas instituições públicas.

MAIS TRANSPARÊNCIA NO PRIVADO

Zhang Jinghua observou, porém, que há pouca transparência relativamente aos dados no âmbito dos cuidados de saúde prestados por entidades privadas, algo que, a seu ver, pode afectar a confiança da população nos cuidados oferecidos. “Nos Estados Unidos, os hospitais privados são obrigados a divulgar dados para serem fiscalizados. Por isso, se no futuro o mercado for mais transparente, acredito que a qualidade dos serviços será melhor garantida”. Além disso, sinalizou Zhang Jinghu, a falta de transparência pode dificultar o processo de responsabilização em caso de disputa entre médicos e pacientes.

Tempo de espera nos serviços médicos especializados nas instituições públicas mais curto do que no Canadá

Vítor Ng

ESTUDO DA MUST

info@hojemacau.com.mo

SAÚDE DETECTADOS 27 NOVOS CASOS DE VIH ATÉ SETEMBRO

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ACAU sinalizou, nos primeiros nove meses do ano, 27 novos casos de VIH (Vírus da Imunodeficiência Humana), indicam dados disponibilizados no portal dos Serviços de Saúde. A Comissão da Luta Contra a SIDA realizou ontem a segunda reunião plenária do ano, mas no comunicado divulgado a propósito apenas são referidos os casos relativos aos residentes (15). Já os casos declarados como SIDA (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) entre Janeiro e Setem-

bro foram nove – todos relativos a residentes de Macau. O sexo masculino mantém-se como o mais afectado: 23 dos 27 novos casos de VIH e todos os nove que evoluíram para SIDA. A faixa etária mais atingida foi a compreendida entre os 20 e os 39 anos. Entre as infecções por VIH sinalizadas entre Janeiro e Setembro há registo de um homem com mais de 70 anos. A via de transmissão predominante continuou a ser a sexual – com 14 dos novos casos de VIH

adquiridos por contacto homossexual, seis por heterossexual e dois por bissexual. Desconhece-se a via de transmissão nos restantes cinco. Relativamente à forma como foram detectados, os dados disponíveis no ‘site’ dos Serviços de Saúde indicam que a maioria foi revelada por entidades médicas (18). Sete casos foram descobertos após a realização voluntária de exames, enquanto um no Centro de Prevenção e Tratamento de Tuberculose e no Estabelecimento Prisional.

No cômputo do ano passado foram sinalizados 33 casos de VIH e nove de SIDA. Segundo o comunicado a respeito da reunião da Comissão de Luta Contra a SIDA, a secretária-geral, Leong Iek Hou, anunciou que a rede de serviços de testes rápidos de VIH gratuitos vai ser alargada, bem como uma maior promoção do sexo seguro junto das diversas comunidades, designadamente através da introdução de preservativos nos quiosques automáticos. D.M.

Trabalho DSAL organiza acção de promoção de emprego de pessoas com deficiência “Feliz de ver – Vontade de contratar” é a iniciativa da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), marcada para o dia 12 de Dezembro, e que pretende promover oportunidades de emprego por parte de entidades empregadoras para indivíduos com deficiência. O objectivo é incentivar a contratação de pessoas com necessidades especiais. Faz parte desta actividade a realização de entrevistas de emprego. A iniciativa está aberta aos residentes com deficiência que tenham aptidão para trabalhar. As inscrições podem ser feitas entre hoje e 3 de Dezembro. O local da actividade é o Centro de Formação Profissional da DSAL.

Piscinas ID reembolsa dias de encerramento a titulares de passe A partir de amanhã, os utentes das piscinas afectas ao Instituto do Desporto que tenham adquirido passes vão poder solicitar o reembolso equivalente ao número de dias de encerramento e de horas reduzidas devido ao problema dos nadadores-salvadores. Os pedidos de reembolso podem ser feitos até 31 de Dezembro entre as 9h e as 20h no posto de atendimento do Pavilhão Polidesportivo do Tap Seac.


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sexta-feira 23.11.2018

PONTE HKZM MÉDIA DE 64 MIL PASSAGEIROS POR DIA DESDE A ABERTURA

Segurança Social Verbas de contas individuais de idosos creditadas

O Fundo de Segurança Social (FSS) vai creditar hoje as verbas de contas individuais do regime de previdência central não obrigatório de 34.745 requerentes da segunda fase que preencheram os requisitos de levantamento e foram notificados do resultado. À luz da lei, os titulares das contas individuais do regime de previdência central não obrigatório que preenchem os requisitos de levantamento podem levantar as verbas de contas individuais uma vez em cada ano. O FSS tem procedido à recepção faseada de requerimentos conforme a idade, tendo sido transferidas no último mês as verbas referentes aos requerimentos autorizados na primeira fase. A primeira fase visou os idosos com idade igual ou superior a 74 anos, enquanto a segunda aos residentes com idades entre os 65 e os 74 anos.

IPM Alunos em palestra sobre território enquanto plataforma

As vantagens de Macau como plataforma sinolusófona estiveram em destaque num encontro entre representantes do Fórum Macau e alunos de língua e tradução do Instituto Politécnico de Macau (IPM). Uma delegação encabeçada pelo secretáriogeral adjunto do Fórum Macau, Casimiro de Jesus Pinto, deu uma palestra para incentivar e mostrar as oportunidades que os talentos bilíngues chinêsportuguês têm em Macau, de acordo com um comunicado do IPM. Pequim estabeleceu a Região Administrativa Especial de Macau como plataforma para a cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003. Por essa razão, para o Fórum Macau as oportunidades no território para os alunos de línguas e tradução chinês-português, e vice-versa, vão desde a partilha de informações dos profissionais bilingues e de intercâmbio até à interacção e cooperação empresarial entre a China e os países de língua portuguesa.

Travessia desejada

Desde que a Ponte HKZM entrou em funcionamento, a média diária de circulação de pessoas foi de 64 mil, cerca de metade do previsto para o ano de 2030. Mas Si Ka Lon considera que a opção de entrada em Macau pelo posto fronteiriço da Ilha artificial ainda não se reflecte na redução de visitantes que continuam a optar pelas Portas do Cerco

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Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau recebeu uma média de 64 mil passageiros por dia desde que entrou em funcionamento, há um mês. Segundo os dados, divulgados ontem pelo Ministério dos Transportes da China, o número total de passageiros ascendeu a 1,79 milhões. O recorde na maior travessia sobre o mar do mundo foi registado no domingo, coincidindo com o Grande Prémio, dia em que foram contabilizados 103 mil passageiros. Nove em cada dez veículos que cruzaram a ponte são li-

geiros, entre os quais figuram os ‘shuttle’ que representaram quase metade do total. A Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, com uma extensão total de 55 quilómetros, foi oficialmente inaugurada a 23 de Outubro e entrou em funcionamento no dia seguinte, ou seja, nove anos depois do lançamento da primeira pedra e mais de três décadas após ter sido idealizada. De acordo com estimativas oficiais avançadas antes da abertura da Ponte do Delta, o volume diário de tráfego deve atingir os 29.100 veículos em 2030 e 42.000 em 2037,

enquanto o volume diário de passageiros pode vir a rondar os 126.000 e os 175.000, respectivamente.

DESVIO DE TURISTAS

Apesar dos números, o deputado Si Ka Lon considera que a alternativa da ponte para atravessar a fronteira com Zhuhai não se reflecte numa redução visível do número de pessoas que continua a optar pelo posto fronteiriço das Portas do Cerco. Em comunicado, o deputado considera que devem ser tomadas medidas para motivar os turistas a utilizar a Ponte HKZM.

Si Ka Lon sugere que os Governos de Zhuhai e de Macau coordenem políticas com o sector de turismo no sentido de orientar os visitantes para a travessia da Ponte HKZM e, desta forma, afastar os turistas do posto fronteiriço das Portas do cerco. Paralelamente o deputado solicita ao Governo o aumento o número de transportes públicos que façam a ligação entre várias zonas do território a outros postos fronteiriços que não as Portas do Cerco, de modo a dar outras opções aos turistas que visitam Macau. Diana do Mar e Vitor Ng info@hojemacau.com.mo

Banca Mais de 6000 trabalhadores a tempo inteiro

Os 27 bancos de Macau empregavam 6.312 trabalhadores a tempo inteiro no final de Setembro, ou seja, mais 190 do que em igual período do ano passado. Dados divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) indicam que existiam 1.750 directores e quadros dirigentes de empresas e 2.011 funcionários administrativos, dos quais 679 eram empregados de balcão. A remuneração média (excluindo as participações nos lucros e os prémios) dos trabalhadores a tempo inteiro foi de 27.950 patacas em Setembro, traduzindo um aumento de 3,9 por cento em termos anuais. A dos empregados de balcão fixou-se em 17.180 patacas, mais 5,2 por cento, em relação ao mês homólogo do ano anterior. De acordo com a DSEC, existiam 268 vagas no sector bancário no final do terceiro trimestre, mais 30 face a igual período de 2017. Entre Julho e Setembro, a banca recrutou 460 trabalhadores.

O recorde na maior travessia sobre o mar do mundo foi registado no domingo, coincidindo com o Grande Prémio, dia em que foram contabilizados 103 mil passageiros


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sexta-feira 23.11.2018

Às páginas tantas MÚSICA A VIDA E AS LETRAS TODAS DE CHICO BUARQUE REUNIDAS NUM SÓ LIVRO

A vida do músico Chico Buarque e todas as letras que escreveu estão pela primeira vez reunidas num único livro, intitulado “Tantas Palavras”, publicado pela Companhia das Letras

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STA “arca do tesouro literária”, como a editora lhe chama, reúne todas as letras escritas por Chico Buarque - mais de 300 -, desde “Tem mais samba” (1964), que o músico considera o marco zero da sua carreira, até “Tua cantiga” (2017). A única letra que não consta desta compilação é a da música “Sonho impossível”, uma versão que Chico Buarque e Ruy Guerra fizeram, em 1972, a partir da canção norte-americana "The impossible dream", de Joe Darion e Mitch Leigh. A música foi gravada e lançada em 1975, no disco "Chico Buarque e Maria Bethânia Ao Vivo", na voz de Maria Bethânia, que consagrou esta versão brasileira. No entanto, “os detentores dos direitos autorais da canção original não permitiram a reprodução da versão de Chico Buarque e Ruy Guerra”, lê-se no livro. “Tantas palavras” traça também o percurso de vida do compositor, cantor e ficcionista brasileiro, através de uma extensa reportagem biográfica escrita pelo jornalista Humberto Werneck a partir de pesquisas e de entrevistas feitas com o próprio Chico Buarque e com personalidades

da cultura e música brasileiras, como Tom Jobim, Edu Lobo, Caetano Veloso e Gilberto Gil. A reportagem começa com o episódio que deu origem à primeira letra que Chico Buarque escreveu: Luiz Vergueiro, publicitário e produtor, encomendou ao “seu amigo Chico” uma música para o musical que estava a preparar. Dois dias antes do espectáculo, à noite, o compositor apareceu com uma música que “até não era ruim”, mas não servia, porque não passava a mensagem pretendida. “Chico saiu furioso. No dia seguinte, às dez da manhã, o produtor o vê chegar outra vez, ‘os olhos vermelhos pela noite em claro e um tremendo bafo de cana’, e com uma canção ainda quentinha no violão. Era ‘Tem mais samba’”.

A partir daí a história recua no tempo, até ao nascimento de Chico Buarque, para depois discorrer sobre a evolução do seu crescimento como pessoa e músico, a que não faltam episódios da vida familiar, da vida no estrangeiro, de “colisões de adolescente com a Lei”, da efervescência política até à ditadura no país, que o leva a aproximar-se do partido comunista brasileiro e de outras correntes de esquerda, e do exílio no estrangeiro.

MÚSICA ESCRITA

“Num texto a que não faltam humor e emoção, revelando saborosas histórias, o leitor acompanha Chico Buarque na sua fascinante trajectória de homem e de artista, para com ele desembocar na serena maturidade de

um músico que se afirmou também como grande romancista”, segundo a sinopse do livro. Chico Buarque escreveu “Estorvo” (1991), pelo qual recebeu o Prémio Jabuti para melhor romance do ano, “Benjamim” (1995), “Budapeste” (2003) e “Leite derramado” (2009), ambos distinguidos com o Prémio Jabuti para Livro do Ano, e ainda “O irmão alemão”.Arelação destes livros, com as datas de lançamento, os países onde foi publicado, e as adaptações cinematográficas de que foram alvo, está descrita no final do volume, num capítulo dedicado à “obra” do autor. Nesse capítulo encontra-se também uma lista de todos os discos que editou, e respectivas datas, bem como as peças de teatro que escre-

“Num texto a que não faltam humor e emoção, o leitor acompanha Chico Buarque na sua fascinante trajectória de homem e de artista, para com ele desembocar na serena maturidade de um músico que se afirmou também como grande romancista.” SINOPSE DO LIVRO

veu: “Roda-Viva” (1967), “Calabar” (1973), “Gota d’Água” (1975) e “Ópera do Malandro” (1978). A compor toda a parte escrita, esta obra de 495 páginas contempla ainda um conjunto de fotografias e imagens da vida de Chico Buarque, sozinho, com a família, com colegas estudantis, ou com outros músicos, que ajudam a ilustrar o percurso pessoal e profissional do músico. Hoje com 74 anos, e já sete netos, Chico Buarque continua a escrever e a compor, e imagina-se a chegar aos “noventa e tantos anos”, com saúde, imaginação, vontade de criar e “virando a noite por causa de uma música, de um livro…”.

COMEMORAÇÃO DESFILE INTERNACIONAL DE MACAU MARCADO PARA 16 DE DEZEMBRO

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STÁ à porta a edição de 2018 do Desfile Internacional de Macau, com data marcada para o dia 16 de Dezembro. O evento, que assinala o 19º aniversário da transferência da administração de Macau para a China, apresenta dez figuras da

mitologia e do folclore da China e de oito países de língua portuguesa. A saber: Portugal, Cabo Verde, Timor-Leste, Guiné-Bissau, Angola, Moçambique, Brasil e Macau. O Galo de Barcelos será a figura que representa Portugal

na parada subordinada ao tema "Encontro entre a China e os Países de Língua Portuguesa". O desfile percorre as habituais artérias da cidade, das Ruínas de São Paulo à Praça do Lago Sai Van e será composto por 76 grupos,

num total de mais de 1700 participantes, incluindo 57 grupos locais. Segundo a presidente do Instituto Cultural, Mak Ian Ian, o desfile deste ano tem um orçamento de “17 milhões de patacas, o que representa um

acréscimo de 1,5 milhões de patacas, com os custos a justificarem-se devido à produção e actuações”. O aumento do custo do evento foi justificado pela presidente do IC com o aumento de participantes, que este ano serão mais 400

em relação ao ano passado. “É o oitavo aniversário deste evento e achamos que já é uma marca. Este ano vamos ter um percurso mais longo e queremos ter ainda mais pessoas a participar”, projectou Mak Ian Ian.


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23.11.2018 sexta-feira

PORTUGAL GRUPO ALVES RIBEIRO INVESTE 150 MILHÕES DE EUROS NUM MEGA-SHOPPING CHINÊS

Rota da seda em Paris O maior investimento de uma empresa portuguesa em Paris, nos últimos anos, junta os interesses de Portugal, da China e de França num gigantesco centro comercial, com cerca de 1000 lojas de retalho e outros serviços como hotéis e restauração

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OM 400 lojas, uma área equivalente a 10 campos de futebol e um investimento de cerca de 150 milhões de euros, a construtora Alves Ribeiro inaugurou ontem o Silk Road Paris, o seu centro de venda a retalho nas imediações da capital francesa dedicado especialmente a produtos chineses. O Silk Road Paris, que se situa junto ao aeroporto Charles de Gaulle, quer ser o centro de retalho de paragem obrigatória para os negócios da Europa com a China na área do vestuário, acessórios de moda e decoração, colocando retalhistas, maioritariamente de origem chinesa e radicados em França, em contacto directo com os compradores europeus. Este é o primeiro investimento da Alves Ribeiro em França e a inauguração contou com a presença de altas figuras da política francesa, incluindo o antigo

primeiro-ministro francês, Jean-Pierre Raffarin. Raffarin é o actual conselheiro especial do Governo francês para os assuntos chineses e é apelidado "Monsieur Chine" pela sua vasta experiência nas relações com este país. "O comércio é a melhor maneira de as pessoas se entenderem. E é por isto que este centro faz sentido. Este é um investimento português significativo porque se trata de um povo de comerciantes. E, tal como os chineses, são também bons interlocutores e bons trabalhadores. Estas são capacidades que nem sempre temos aqui em

Acidente Cinco crianças mortas e 18 feridas em atropelamento

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França", afirmou o antigo primeiro-ministro. Na inauguração esteve também presente o embaixador de Portugal em Paris, Jorge Torres Pereira, relembrando que, antes de assumir o posto em Paris, foi diplomata em Pequim, tendo acompanhado de perto o interesse da China

“Este investimento faz todo o sentido no laço comercial entre a China e a Europa. Portugal foi o primeiro país a fazer a rota marítima da porcelana e, por isso, esta é a continuação da nossa tradição de ligar os dois continentes.” JORGE TORRES PEREIRA EMBAIXADOR DE PORTUGAL EM PARIS

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HSBC INSURANCE (ASIA) LIMITED, sociedade com sede em Hong Kong e representação permanente em Macau, sita na Avenida da Praia Grande, N.º 619, Edifício Comercial Si Toi, 1.º Andar, registada na Conservatória do Registo Comercial e de Bens Móveis de Macau sob o n.º 1941 SO Para os efeitos tidos por convenientes, anuncia-se que, por deliberação da assembleia geral extraordinária HSBC INSURANCE (ASIA) LIMITED realizada, em 16 de Agosto de 2018, foi decidido, por unanimidade, dissolver e encerrar, a partir da referida data, a referida representação permanente da sociedade em Macau, tendo o respectivo registo sido requerido em 30 de Outubro de 2018. Macau, aos 21 de Novembro de 2018

em construir uma nova Rota da Seda e uma nova Rota Marítima da Seda no século XXI - ideia lançada pelo Presidente chinês Xi Jinping. "Este investimento faz todo o sentido no laço comercial entre a China e a Europa. Portugal foi o primeiro país a fazer a rota marítima da porcelana e, por isso, esta é a continuação da nossa tradição de ligar os dois continentes", disse Jorge Torres Pereira, reforçando que se trata de "um dos investimentos mais importantes dos últimos anos" de uma empresa portuguesa em França. Yuanyuan Gao, conselheira económica da Embaixada da China em França, acompanha este investimento desde o primeiro momento e não faltou à cerimónia. "Segui sempre este investimento porque se encaixa na construção conjunta desta nova rota da Seda, acabando por ser um projecto trilateral entre a França, a China e Portugal", sublinhou a diplomata chinesa em declarações à Lusa.

CENTRO OCUPADO

O centro conta já com cerca de 30% das lojas ocupadas, maioritariamente pela comunidade chinesa. Segurança e melhores condições são as principais razões da mudança para este novo centro logístico.

"Antes estávamos em Aubervilliers e viemos aqui para investir e também porque onde estávamos era cada vez mais caro. As condições aqui são melhores, é mais agradável, é mais seguro e há melhores acessos para os nossos clientes", referiu Julian, retalhista de origem chinesa de lingerie que já tem a sua loja instalada no Silk Road Paris. Mas também as empresas portuguesas estão interessadas neste novo espaço. O Crédito Agrícola já tem um espaço neste centro para ceder às empresas portuguesas que queiram expor os seus produtos na capital francesa e apostar na internacionalização. "Adquirimos aqui um espaço e vamos disponibilizar este espaço para os nossos clientes virem aqui expor os seus produtos e dinamizarem a sua actividade internacional", disse João Barata Lima, director de Negócio Internacional do Crédito Agrícola. Esta é a primeira fase do empreendimento da Alvez Ribeiro, que conta com mais duas parcelas de terreno adquiridas à volta do aeroporto Charles de Gaulle. Mediante o sucesso do complexo Silk Road, a empresa portuguesa quer acrescentar mais lojas - num total de 1000 lojas de retalho - e outros serviços como hotéis e mais restauração.

ELO menos cinco crianças morreram e 18 ficaram feridas depois de serem atingidas ontem por um veículo, à entrada de uma escola no noroeste da China, por razões ainda desconhecidas, informou a televisão estatal. O atropelamento ocorreu às 12:30, à entrada de uma escola na cidade de Huludao, na província de Liaoning, quando várias crianças atravessavam a rua. O motorista do veículo que atropelou as crianças já foi detido pelas autoridades, informou a emissora estatal CCTV na rede social Weibo, o 'Twitter chinês'. De acordo com a emissora, os feridos, cuja gravidade se desconhece, foram transportados ao hospital. Nas imagens captadas por uma câmara de vigilância e divulgadas nas redes sociais pode ver-se que o veículo desvia-se e atropela a alta velocidade a multidão que estava junto à escola, localizada na província de Liaoning. As autoridades locais, citadas pela agência estatal Xinhua, disseram que as crianças estavam a preparar-se para atravessar a rua quando foram atropeladas. As autoridades desconhecem se se tratou de um acidente ou de um acto deliberado.


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sexta-feira 23.11.2018

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S principais plataformas de comércio electrónico da China deixaram ontem de vender produtos da Dolce & Gabbana, após três anúncios da empresa e insultos racistas, alegadamente proferidos pelo co-fundador da marca italiana, terem motivado críticas no país. Uma pesquisa por produtos da Dolce & Gabbana nas principais plataformas de comércio electrónico do país, como Tmall e JD.com, não dão qualquer resultado, enquanto nas redes sociais chinesas vários internautas lançaram ontem apelos de boicote à marca. A reacção surge após uma série de anúncios da Dolce & Gabbana, que mostram uma mulher chinesa a tentar comer comida italiana - pizza, esparguete e cannoli - com pauzinhos, ter resultado em várias críticas e numa disputa com o co-fundador da marca Stefano Gabbana, que diz agora que a sua conta oficial no Instagram foi pirateada. Imagens difundidas nas redes sociais chinesas mostram Gabbana numa discussão ‘online', na qual se refere à China como um "país de porcaria", "mafioso, sujo e ignorante", e afirma que os chineses comem cão. A marca emitiu já um comunicado a pedir desculpa e afirmou que as suas contas no Instagram foram pirateadas.

DOLCE & GABBANA PRODUTOS BOICOTADOS APÓS ALEGADOS INSULTOS RACISTAS

Palavras amargas "Pedimos muita desculpa por qualquer ofensa devido a estas mensagens não autorizadas. Nós respeitamos a China e o povo chinês", lê-se.

Na quarta-feira, a controvérsia tornou-se rapidamente no tópico número um na rede social Weibo, com mais de 120 milhões de visualizações.

Zhang Ziyi, estrela de cinema de "Memórias de uma Geisha" considerou já que a marca "se humilhou a si própria". Celebridades como a actriz Li Bingbing e

a cantora Wang Junkai anunciaram que iam boicotar um desfile da marca italiana em Xangai, agendado para quarta-feira, e entretanto cancelado.

Shaun Rein, analista do China Market Research Group, que conduz análises sobre o mercado chinês, disse esperar um período difícil para a empresa, ao longo dos próximos seis a doze meses. A Ásia, e a China em particular, são um mercado chave para as marcas de luxo europeias.

Imagens difundidas nas redes sociais chinesas mostram Gabbana numa discussão ‘online’, na qual se refere à China como um “país de porcaria”, “mafioso, sujo e ignorante” Um estudo recente da consultora Bain revela que os chineses compõem um terço do consumo de gama alta no mundo, seja em compras no mercado doméstico ou em viagem. Este número deve subir para 46%, em 2025, impulsionado pelos ‘millennials' e a geração nascida em meados dos anos 1990. A Dolce&Gabbana tem 44 lojas na China, incluindo quatro em Xangai. Entrou no Mercado chinês em 2005, na cidade de Hangzhou, costa leste do país.

Região ONU COREIA DO SUL NEGOCEIA ISENÇÃO TEMPORÁRIA DE SANÇÕES CONTRA PYONGYANG

SEUL LÍDER RELIGIOSO CONDENADO A 15 ANOS DE PRISÃO POR ABUSOS SEXUAIS

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Coreia do Sul informou ontem que está a negociar com as Nações Unidas, Estados Unidos e outros países uma isenção temporária de sanções contra o regime norte-coreano para desenvolver um projecto ferroviário conjunto com o país vizinho. "No que diz respeito ao estudo ferroviário conjunto, estão a ser levadas a cabo consultas com os Estados Unidos, as Nações Unidas e outros países relevantes", disse um membro do Ministério da Unificação sul-coreano à agência de notícias Yonhap. As duas Coreias acordaram iniciar entre o final de Novembro e início de Dezembro os trabalhos para modernizar e, eventualmente, ligar as redes férreas e viárias, em cumprimento com o acordado alcançado nas cimeiras de Abril e Setembro.

O projecto foi adiado vários meses, depois do Comando das Nações Unidas na Coreia, liderado pelos Estados Unidos, bloquear o acesso aos materiais necessários para o estudo no terreno por parte da Coreia do Norte, alegando problemas processuais. O bloqueio é interpretado por alguns como um sinal do descontentamento de Washington sobre uma possível violação das sanções impostas ao regime norte-coreano e a aceleração da cooperação intercoreana, num momento em que as negociações sobre a desnuclearização parecem estar paralisadas. O Presidente sul-coreano, Moon Jae-in, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, concordaram, nas reuniões, intensificar a cooperação e o intercâmbio entre os dois países.

líder de um culto religioso na Coreia do Sul, Jaerock Lee, foi ontem condenado a 15 anos de prisão por ter violado pelo menos oito mulheres, algumas das quais o consideravam “um Deus”, informaram as autoridades. Um tribunal de Seul considerou que as vítimas "foram incapazes de resistir porque estavam sujeitas à autoridade absoluta e religiosa” do réu, líder cristão da igreja Manmin. Jaerock Lee fundou a controversa igreja em 1982, em Guro, um bairro pobre na capital do país. Começou com 12 seguidores, mas

actualmente reivindica mais de 130 mil. Os 90 livros do também autor foram traduzidos em múltiplas línguas e vendidos um pouco por todo o mundo. "Não pude resistir, ele era mais que um rei, era Deus", disse uma das vítimas em declarações a uma cadeia de televisão sul-coreana. O tribunal considerou Lee Jaerock culpado de violar as vítimas "dezenas e dezenas de vezes" durante um longo período. "De acordo com os seus sermões, o réu directa ou indirectamente sugeriu que era o espírito santo (...) E as

vítimas pensaram que este era um ser divino com poderes divinos", disse o juiz. O pastor, que contesta as acusações, recebeu o veredicto com os olhos fechados, não demonstrando qualquer emoção perante a centena de fiéis que compareceram à audiência, segundo a agência de notícias France-Presse. A Coreia do Sul é considerada um terreno fértil para grupos religiosos de ideologias extremas. Muitas igrejas não reconhecidas no país estiveram já envolvidas em casos de prevaricação, coerção, lavagem cerebral e manipulação.


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23.11.2018 sexta-feira

Lá fora, a chuva, brancas mãos esguias

José Simões Morais

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M 1533, o Governador da Índia Nuno da Cunha criou o cargo de Pai dos Cristãos, para cuidar dos libertados da escravidão por se terem convertido ao Cristianismo. Influenciado de forma decisiva pelos jesuítas, o Rei de Portugal D. Sebastião em 1570 decretou a abolição da escravatura de ameríndios sob o domínio português, aceitando-se a sua servidão e em Março do ano seguinte, proibia “a aquisição de escravos japoneses, sob pena de confiscação dos bens dos culpados”, segundo o Padre Manuel Teixeira. No período filipino, em 1595 o Vice-Rei de Goa aboliu o tráfico de escravos chineses. “Havia legislação portuguesa de 1625, comunicada ao Ouvidor de Macau e recordada pelo Vice-Rei da Índia, Conde da Ega (1758-1765), proibindo a escravatura chinesa”, como lembra Beatriz Basto da Silva. Em 1761, o Marquês do Pombal, no reinado de D. José, decretou o fim da importação de escravos das colónias para a metrópole e terminou com a escravidão de indianos tanto na Índia, como em Portugal. Beatriz Basto da Silva refere ter sido abolida a escravatura em Portugal em 1836 por Sá da Bandeira, mas só entrou em vigor em Macau em 1856. A abolição da escravidão está directamente relacionada com a Revolução Industrial, iniciada na segunda metade do século XVIII na Inglaterra, segundo Ana Luíza Mello S. de Andrade. A Dinamarca foi o primeiro país em 1792 a criar uma lei para terminar com a escravatura, mas esta só entrou em vigor em 1803. Em 1833, o Parlamento do Reino Unido pôs fim à escravidão para os africanos nas colónias do Império Britânico e a França em 1848 para os negros, com a Proclamação da II República. Nos Estados Unidos da América foi abolida a escravatura em Dezembro de 1865, na XIII Emenda à Constituição. Entre 1807 e 1808, sete Estados do Norte libertaram os escravos, tornando-os homens livres. O Congresso em 1808 proibira a importação de escravos e para libertar 4 milhões de escravos negros entrou em vigor a 1 de Janeiro de 1863 a Proclamação de Emancipação assinado pelo Presidente Abraham Lincoln. Sobre este tema, aflorado superficialmente, quase tudo fica por dizer e as datas, que não são as definitivas, escondem histórias, muitas não propriamente de teor humanitário.

TRÁFICO DE CULES

Em cantonense, os cules têm o nome de fu-lek, que significa esforço amargo. Os chineses sentiam-se “atraídos por promessas de trabalho, como colonos, por

ARTUR GOULART

Esforços amargos e o seu tráfico

Estátua de Nuno Cunha por Severo Portela, na praça do Areeiro em 1961

esse mundo fora, sonhando voltar ao torrão natal com um bom pé-de-meia. Ingénuos, pacientes e trabalhadores como ninguém (quando motivados) concentraram-se e ofereceram-se, como ‘ovelhas para o sacrifício’, no porto de Amoy (que foi o primeiro) e depois em Cantão, Wampu, Caminh e Swatow, dos laboriosos agricultores Hakkas ...”, segundo Beatriz Basto da Silva, que cita o “Conde Earl Gray: <as colónias produtoras de açúcar atravessaram difícil situação económica devido à concorrência de países também produtores de açúcar, mas que conservaram (porque em África ainda não acabara) práticas de escravatura. O recurso a colonos europeus (por ex. da Madeira) envolvia dificuldades de adaptação ao clima e a encargos que não compensavam, tanto mais que a escassez de mão-de-obra tinha encarecido o seu valor. Restava lançar mão do trabalhador chinês, porque o coolie indiano também não se adaptou a este tipo de actividade e condições>. De início nem eram precisos engajadores. Os aspirantes a colonos entregavam-se directamente aos especuladores que os

esperavam a bordo, com um contrato que aumentava em ganância e desonestidade à medida que a oferta crescia.” Após a I Guerra do Ópio, a emigração chinesa iniciada desde Amoy (Xiamen) foi feita abertamente, com a conivência de corruptos oficiais chineses locais e oficiais consulares britânicos, através de agências da Companhia de Londres. Era francês o primeiro barco que partiu de Amoy (actual Xiamen) em 1845 levando 180 emigrantes chineses para a Ilha de Bourbon (Reunião, ilha francesa a Leste de Madagáscar). Beatriz Basto da Silva refere, “Em 1850 a Firma inglesa Tait y Company enviava de Amoy para Havana os primeiros cules contratados.” De Amoy, até Agosto de 1852, saiu a maioria dos emigrantes chineses e desses 6255, embarcaram em barcos britânicos 73% e os restantes partiram em embarcações espanholas, francesas, americanas e peruanas, segundo Ng Chin-Keong. Muitos raptados nas suas terras pelos corretores chineses, eram entregues aos agentes britânicos, sendo vítimas de um tratamento desumano durante a espera do transporte, na via-

Em cantonense, os cules têm o nome de fu-lek, que significa esforço amargo. Os chineses sentiam-se “atraídos por promessas de trabalho, como colonos, por esse mundo fora, sonhando voltar ao torrão natal com um bom pé-de-meia. Ingénuos, pacientes e trabalhadores como ninguém (quando motivados) concentraram-se e ofereceram-se, como ‘ovelhas para o sacrifício’, no porto de Amoy (que foi o primeiro) e depois em Cantão

gem e no destino, quantos escravizados. Os culis, sabendo da sinistra situação dos seus conterrâneos emigrados, revoltaram-se em Amoy a 21 de Novembro de 1852. Segundo o Taotai (Intendente) Chao Lin, o mais alto oficial civil em Amoy, tudo ocorreu quando três ingleses (sendo um, o escrivão da Firma Tait) embriagados caminhavam pelas ruas da cidade à noite e em frente a uma esquadra da polícia entraram numa discussão com alguns soldados e com a multidão de culis, adquiridos pelos ingleses, que no exterior se encontrava. Iniciada com o arremesso de pedras, essa revolta durou uma semana e os ingleses pediram a protecção dos seus marinheiros, que aí desembarcaram. Com medo da sua segurança e dos seus hongs, os mercadores britânicos mudaram esse negócio para outras paragens. De referir estar a China de novo a viver em guerra, desta vez civil, devido à Revolta Taiping (1850-64).

DEPÓSITOS PARA OS CONTRATADOS

Segundo Arnold J. Meagher, citado por Liu Cong e Leonor Diaz de Seabra, “a emigração através de Macau para as Américas desenvolveu-se lentamente, numa fase inicial, visto que os carregadores preferiam os portos de Xiamen, Shantou, Jinxingmen (Cumsingmoon) e Cantão, que ficavam mais perto das fontes de provisão. E, quando se tornou cada vez mais difícil operar o tráfico nesses portos, a emigração chinesa para a Califórnia e a Austrália foi confinada a Hong Kong, e o tráfico para a América Latina concentrou-se em Macau.” Segundo Fernando Figueiredo, “A saída de trabalhadores chineses para a América a partir de Macau tivera início em 1851 e destinava-se sobretudo a Cuba. Nela passavam a estar envolvidos agentes nacionais e estrangeiros (europeus e chineses).” Em “1852, Hong Kong começa a sua própria emigração, embora já anteriormente canalizasse essa actividade desencadeada de portos da China, onde a Inglaterra tinha interesses, assim como a França”, segundo Beatriz Basto da Silva. O Padre Manuel Teixeira salienta, “O agente da emigração chinesa Mr. White sugeriu ao Governo de Hong Kong e este concordou que se abrisse nessa colónia um depósito para recolha de emigrantes; o mesmo se fez em Macau.” Os cules, trazidos pelos corretores das terras chinesas, eram também transportados nos vapores das companhias de navegação, recentemente criadas a ligar Hong Kong, Macau, Cantão e seus arredores, para do porto de Macau embarcarem e enquanto isso não acontecia, ficavam albergados em barracões, que em 1851 eram cinco e em 1866 chegavam aos trinta depósitos.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

sexta-feira 23.11.2018

Plano de corte José Navarro de Andrade

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EM causado estupefacção e não pouca ansiedade a nomeação de Ernesto Araújo para Ministro das Relações Exteriores do Governo de Bolsonaro do Brasil. Ao longo dos anos Araújo não se coibiu de expedir pensamento sobre a ordem mundial contemporânea. Se é flagrante a coerência das suas opiniões, pode-se também dizer delas que parecem diminutas, crassas, formulaicas e mais apropriadas ao enredo de uma space ópera ou de uma banda desenhada da Marvel. Tragam-se à colação duas citações exemplares: “Quero ajudar o Brasil e o mundo a se libertarem da ideologia globalista. Globalismo é a globalização econômica que passou a ser pilotada pelo marxismo cultural. Essencialmente é um sistema anti-humano e anti-cristão.” Estriba-se tão magno desiderato no seguinte bosquejo histórico da globalização: “Ao instalar-se a globalização dos anos 90, os programadores do sistema (não sei se eles existem enquanto indivíduos, ou se o sistema se autoprograma) refletiram e disseram: ‘Bom, já acabamos com a Nação. Será que precisamos ainda do Estado?’ Ali, a globalização econômica, que ansiava pelo fim de quaisquer barreiras, inclusive estatais, à livre alocação mundial de recursos, convergiu com o velho objetivo marxista de empurrar o mundo para o último estágio da ‘evolução’ da humanidade, o comunismo, definido como a sociedade sem Estado.

Brasil brasileiro Imagine there’s no countries: essa canção assombrosa de John Lennon tanto pode ser pode ser o hino da hiperglobalização econômica quanto o hino do marxismo em seu ‘sonho’ comunista.” Deixando embasbacada boa parte dos analistas, há um aspecto nestas apreciações que não tem sido muito realçado e que talvez explique tamanha perplexidade: a lógica de Araújo é congenitamente brasileira, no sentido em que tão extravagantes argumentos só poderiam ter origem na extrema singularidade da economia e da mentalidade brasileira. É possível contar o Brasil entre os países mais anti-liberais do planeta. Em nome da independência e da protecção à economia nacional os cartéis oligárquicos que a conduzem sempre souberam proteger-se das turbulências do capitalismo internacional. À circulação fluida de capitais ou à atracção e captura de investimento externo, contrapuseram um sem número de barreiras alfandegárias e legislativas para que não fosse desacatada a repartição dos recur-

sos nacionais entre os incumbentes nativos. O livre comércio, promotor da competição e consequentemente de disputa e alargamento do mercado interno, foi diligentemente refreado para bloquear o acesso à praça de novos concorrentes além dos que já a controlavam, todos concordando em verberar a influência deletéria do consumismo. Entre conglomerados impolutamente nacionais e um vasto aparelho de empresas nacionalizadas, assim se reparte a produção de riqueza no Brasil a bem de um punhado de famílias extremamente milionárias e corruptoras e de uma corte de políticos corruptos. Este dispositivo remete mais para uma ordem feudal do que para a modernidade e perpetua-se porque decorre e reproduz um sentimento que no Brasil parece ser hegemónico: uma espécie de ultra-nacionalismo que talvez só tenha paralelo numa Arábia Saudita. Na verdade uma explicação possível para a virulência da batalha entre Bolsonaro e o PT passa por verificar que não contrapuseram visões diferentes ou mesmo antagónicas do mundo (Trump=isolacionismo

A lógica de Araújo é congenitamente brasileira, no sentido em que tão extravagantes argumentos só poderiam ter origem na extrema singularidade da economia e da mentalidade brasileira

vs. Clinton=cosmopolitismo; Macron=UE vs. Le Pen=chauvinismo) mas ambos disputaram a primazia pela aversão ao globalismo, cada um prometendo que o seu Brasil seria mais impermeável a influxos externos do que o do outro. Se Bolsonaro jurou que acabaria com as nacionalizações para entregar o que falta à oligarquia, o PT deseja nacionalizar os monopólios tal como estão. De modo que conforme as inclinações tanto se acusa com orgulho patriótico o neo-colonialismo económico, como se combatem as teias do imperialismo capitalista – les beaux esprits se rencontrent…. Neste estrume ideológico nascem fantasias estranhas como as de Araújo. Se as suas lucubrações se nos afiguram esdrúxulas e baralhadas, no contexto brasileiro não serão de todo excêntricas. Ele não é lunático, apenas idiossincrático. E tanto assim que se dá o caso de estarmos perante um insólito, e de certo modo burlesco, curto-circuito político, que é ver um nacionalista ultramontano a roubar e agitar a bandeira, até aqui ciosamente brandida pela esquerda altermundialista, do combate à globalização. Trata-se apenas de uma transferência da culpa pelas suas supostas. Afinal estas já não são obra da cupidez e da crueza dos desalmados banqueiros da Goldman Sachs mas das conspirações de pérfidos agentes do marxismo-leninismo mundial – quem sabe se não andarão conluiados…


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Tonalidades António de Castro Caeiro

23.11.2018 sexta-feira

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O poeta e o seu tempo

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poeta e a poesia não pode ser comparado apenas com as pessoas normais, as suas possibilidades, exigências, precisões, necessidades e precariedades. A poesia como expressão tem de ser comparada com uma expressão que depende de uma possibilidade existencial absolutamente antagónica. Uma tal possibilidade extrema da vida poderia desfazer todos os seus mal entendidos e anular a ambiguidade de que a vida humana está imbuída.

Verschwundenen, wohl gar einem Toten sprechen und um ihn trauern.”) “E contudo é assim que as coisas são e é assim por isso que ele não se dá a conhecer nem a reconhecer e vive como um desconhecido no vão das escadas da sua própria casa” (“Aber ihm ist auferlegt, sich nicht zu erkennen zu geben, und so wohnt er unerkannt unter der Stiege seines eigenen Hauses.”)” É no vão das escadas do tempo por onde as vidas dos outros passam nas suas vidas. Cada ser humano com as suas próprias atmosferas. E acham que tudo e todos e o próprio existem a céu aberto, às claras, como se o mundo e a vida fossem sempre o mesmo para toda a gente. Apenas o inquilino do vão de escadas do tempo é o portador do abismo dos tempos e do abismo sem apoio nem fundamento nem sequer medida da existência. Só ele se apercebe que cada pessoa é um mundo com uma vida e uma verdade.

“há pessoas a viver numa atmosfera que está alagada por um espaço infinito e frio como o gelo.” (es Menschen gibt, die zu leben vermögen in einer Luft, die von der Eiseskälte des unendlichen Raumes beleckt wird).” Ao mesmo tempo, e isso é um enigma, “há espíritos a conseguir viver continuamente submetidos à pressão monstruosa da totalidade das existências reunidas. Tal como acontece com os poetas (es Geister gibt, die unter dem ungeheueren Druck des ganzen angesammelten Daseins zu leben vermögen – wie ja die Dichter tun.)

O poeta é um desaparecido que olha a partir do ponto de vista de nenhures, impermeável à vida dos outros que por ele passam como rios para o mar. O poeta é esse alguém que é referido como desaparecido, de quem ninguém sabe como é nem onde está. O horizonte da poesia está tão completamente metamorfoseado que é como se tivesse já percorrido toda a vida e a antecipasse do ponto de vista da chegada, do esgotamento do tempo, da asfixia do sentido.

Se ser poeta é estar submetido a esta possibilidade ele não deixa de estar no meio da vida. “A ciência tomada no seu sentido mais puro como exacta, mais do que rigorosa, a existência no horizonte frio como o gelo do rigor da exactidão científicos não reconduzem à vida. (“aus der Wissenschaft, in ihrem reinen, strengen Sinn genommen, führt kein Weg ins Leben zurück. ”)” Nem nunca o poderiam fazer. “Mas, então, se a palavra poeta, se a manifestação do poeta, têm ainda algum relevo na atmosfera do nosso tempo, não é de modo algum agradável. (“Wofern das Wort Dichter, die Erscheinung des Dichters in der Atmosphäre unserer Zeit irgendein Relief nimmt, so ist es kein angenehmes.”)

Mas não são apenas as pessoas desconhecidas que passam por ele, por cima dele, ao subirem e descerem as escadas do edifício da vida, ao passarem por ele na rua, nas esplanadas, nas casas de espectáculo, na praia e no campo, nos sítios públicos, mas também nos recessos privados.

A que corresponde o ponto de vista do poeta nesta atmosfera do nosso tempo sem cotovelo? Hugo von Hofmannsthal diz que o poeta está onde aparentemente não aparece e de resto encontra-se sempre num sítio diferente de onde ele julga estar.

Os outros que passam por ele não são os desconhecidos, o mar de toda a gente que é toda a gente e ninguém.

“O poeta habita estranhamente a morada do tempo, a morada do tempo encontra-se no vão de escadas da existência por onde toda a gente passa mas ninguém dá conta dele. (So ist der Dichter da, wo er nicht da zu sein scheint, und ist immer an einer anderen Stelle, als er vermeint wird. Seltsam wohnt er im Haus der Zeit, unter der Stiege, wo alle an ihm vorüber müssen und keiner ihn achtet.)”

Quem passa por ele são os seus, aqueles a quem está ligado por laços in-

dissociáveis mas aparentemente metamorfoseados. “Onde mora o poeta ele ouve e vê a sua mulher, os seus irmãos, os seus filhos: ele ouve e vê como eles sobem e descem, e ouve como falam dele como se falassem de alguém num paradeiro desconhecido, desaparecido, na verdade falam dele como se fosse um defunto e choram-no como se tivesse morrido. (“Dort haust er und hört und sieht seine Frau und seine Brüder und seine Kinder, wie sie die Treppe auf und nieder steigen, wie sie von ihm als einem

O poeta é um desaparecido que olha a partir do ponto de vista de nenhures, impermeável à vida dos outros que por ele passam como rios para o mar. O poeta é esse alguém que é referido como desaparecido, de quem ninguém sabe como é nem onde está

Mas não se trata apenas do pensamento de ninguém que pensa o outro nas suas vidas impermeáveis a si e que reconhece nos outros alguém que dá conta da sua própria perspectiva. A abominação do seu desolamento é o reconhecimento da abominação do desolamento dos outros que não são outros apenas: da mulher, dos pais, dos irmãos, dos filhos, dos amigos, tal como de todos os outros, de cada um dos outros, nas suas atmosferas e no transcurso mudo ou silencioso das suas vidas. Mas não apenas isto. E esta é a característica mais paradoxal do ser poeta: Também o poeta se assiste a si como um outro. É ele que passa sobre si, sobre o seu si que está no vão de escadas. É o poeta que se assiste a si a descer e a subir escadas, como um outro, não único, mas como todos os outros e ninguém. Sem apego a si, na incompreensão da tarefa de se amar a si próprio como pode amar outro. Os outros que são toda a gente e ninguém sobem as escadas e descem as escadas. Mas o próprio é outro para si, incompreensível, alheio, estranho, estrangeiro, alienado da sua própria existência no horizonte específico em que se metamorfoseia a poesia.


desporto 17

sexta-feira 23.11.2018

Futebol Portugal e Espanha apoiam organização de Mundial com Marrocos

P

ORTUGAL e Espanha chegaram ontem em Valladolid (Espanha) a acordo para dar o seu apoio “político” à organização em conjunto com Marrocos de uma candidatura dos três países à organização do Mundial de futebol de 2030. “Num momento em que é fundamental desenvolver as relações entre a Europa e África é, obviamente, uma boa ideia podermos ter um evento com a carga simbólica como é o mundial”, organizada nos dois continentes, disse o primeiro-ministro português, António Costa, na conferência de imprensa final da Cimeira bilateral entre os dois países ibéricos. Tendo ao lado o chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez, o primeiro-ministro sublinhou a necessidade de ser feito “um longo trabalho de casa” por parte das federações de futebol dos três países para verificar a oportunidade da organização do Mundial. “É uma ideia […] que as nossas federações irão trabalhar e avaliar se têm ou não condições para avançar com uma ideia boa que merece ser conduzida com sucesso”, acrescentou António Costa. Pedro Sánchez já tinha avançado com a proposta desta candidatura conjunta na semana passada aquando de uma visita que fez a Marrocos. “Parece-me que é uma mensagem que damos ao mundo, que damos a África e que damos à Europa de fraternidade, de amizade, de cooperação com uma envergadura e com um impacto tremendo…”, disse ontem o chefe do Governo espanhol. A última grande competição internacional de futebol organizada pela Espanha foi o Mundial de 1982, enquanto Portugal teve a seu cargo o Europeu de 2004.

F1 Robert Kubica regressa em 2019 pela mão da Williams

O polaco Roberto Kubica vai regressar à Fórmula 1 em 2019. O polaco foi oficializado esta quinta-feira na Williams, 8 anos depois de ter sofrido um grave acidente num rali, que hipotecou a sua promissora carreira na mais importante competição automobilística mundial. Kubica foi considerado um dos grandes talentos da F1 (chegou a falar-se que ia para a Ferrari) mas em 2011 sofreu um acidente que mudou completamente a sua vida, tendo chegado a colocar-se a possibilidade de amputação do braço direito. O polaco, que nunca perdeu o amor pelo desporto automóvel, regressou aos ralis, mas nunca perdeu o foco da F1, onde voltou na temporada passada, mas como piloto de testes. Agora a Williams abre-lhe a porta da competição. Kubica, de 33 anos, terá como companheiro de equipa o jovem inglês George Russel, de 20, vencedor do GP3 em 2017 e actual líder do Mundial de F2.

GP GUIA MANTÉM WTCR MAS DEVERÁ DEIXAR DE SER PALCO DA FINALÍSSIMA

Circuito de pedra e cal

O

calendário de 2019 do Campeonato do Mundo FIA de Carros de Turismo (WTCR) ainda não foi anunciado, mas este deverá contar novamente com a presença do Circuito da Guia que, no entanto, desta vez não será a prova de encerramento de temporada. Segundo o calendário provisório para a próxima temporada que tem circulado pelas equipas do mundial e a que o HM teve acesso, a última prova de 2019 deverá ser disputada na Malásia, no Circuito Internacional de Sepang. O evento será realizado no último fim-de-semana de Dezembro em concomitância com o Campeonato do Mundo de Endurance de Motociclismo e poderá ser realizado à noite, aproveitando o novo sistema de luzes instalado pelo ex-circuito malaio de Fórmula 1 este ano. A competição de duas rodas é tam-

bém promovida pelo Eurosport Events, o promotor do WTCR. Depois do sucesso da edição de 2018, a continuidade do WTCR no Circuito da Guia não parece estar em questão, tendo François Ribeiro, o CEO do Eurosport Events, garantido que “nós vamos voltar (a Macau) com uma grelha ainda mais competitiva”. O calendário do WTCR deverá ser dado a conhecer depois do próximo Conselho Mundial da FIA que está agendado para o dia 5 de Dezembro, em São Petersburgo, na Rússia. Para além de Macau, o campeonato

Depois do sucesso da edição de 2018, a continuidade do WTCR no Circuito da Guia não parece estar em questão

deverá manter as duas provas no interior da China, uma no circuito de Ningbo, e outra em Suzhou, no lugar do circuito citadino de Wuhan. Esta última prova é uma incógnita, visto que não há qualquer circuito permanente na cidade da província de Jingsu. Portugal irá manter-se também no calendário, com a habitual jornada no Circuito de Vila Real, no mês de Julho e como última prova no continente europeu. O 66º Grande Prémio de Macau deverá ser disputado de 14 a 17 de Novembro.

REGRESSO DE FARFUS

Augusto Farfus, que no fim-de-semana passado conquistou a Taça do Mundo FIA de GT pela BMW, deverá ser um dos rostos do WTCR em 2019. Durante o Grande Prémio de Macau, a BMW Motorsport anunciou que o brasileiro irá deixar o campeonato alemão DTM.

Segundo rumores do paddock, Farfus está de malas feitas para a Hyundai. O construtor coreano que venceu o campeonato de pilotos com Gabriele Tarquini vai deixar de contar com Yvan Muller e Thed Bjork.ACyan Racing aproveitou o Grande Prémio para anunciar que Muller vai acompanhar Björk na primeira campanha dos Lynk & Co 03 TCR no WTCR. O carro chinês desenvolvido pela Geely Group Motorsport na Suécia foi apanhado recentemente a testar no Circuito do Estoril, já com Muller ao volante. A marca chinesa ainda não confirmou quantas viaturas colocará no terreno no WTCR de 2019, mas Yann Ehrlacher, sobrinho de Muller, é um dos nomes apontados a um terceiro carro. Sérgio Fonseca

info@hojemacau.com.mo


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Oficinas Navais 2 | Das 19h00 às 22h00

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AFTER PARTY BY CELESTE MARIPOSA & DJ KITTEN – TIMC Discoteca | Das 2 00h001às 5h00 4 3D2 9 8 7 5 6 0

6 8 0 5 7 4 9 3 1 2 Diariamente EXPOSIÇÃO 2 6 KEITH 1 HARING 8 5MAZE0MACAO 3 Venetian Expo Hall F | Até 31/12

9 4 7 7 4 3 9 0 5 8 1 2 6 EXPOSIÇÃO 8 9 SALÃO 6 DE0OUTONO 4 7 1 2 3 5 Casa Garden | Até 30/11 1 7 5 3 2 6 4 0 9 8 EXPOSIÇÃO 0 2 | PAISAGEM 7 4 MUTANTE 9 3 5 6 8 1 Museu de Arte de Macau | Até 10/02/2019 5 1 8 6 3 9 2 7 0 4 “FINDING OF RUA 9 0DREAMS 2 IN7THE8FALL 1 6DOS4ERVANÁRIOS” 5 3 Até Dezembro 3 5 4 1 6 2 0 8 7 9

Cineteatro

C I N E M A

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UM LIVRO HOJE

3 9 6 8 0 7 2 4 1 5

8

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7 4

91 46 75 30 9 3 2 68 7 84

29 4 7 3 5 1 30 6 92 8

PROBLEMA 12

6 7 80 3 •8 9 2 34 5 1

5 4 7 9 3 1 8 2 19 1 9 5 72E U 07R O 0 10 81 8 6 5 4 3 0 26 7 6 2 4 8 3

3 29 82 56 05 0 71 7 34 08 0 6 49 3.11 993 7 52 65 39 3 7 82 8 51 40 84 8 5 96 79

23.11.2018 sexta-feira

8 4 3 2 B 9 AHT 0.24 YUAN 6 0 VIDA DE CÃO 5 1 7

1.16

COELHINHO DA ALICE

2 34 07 48 86 3 1 0 69 5

9 3 0 4 98 2 7 25 6 01

5 8 1 3 49 4 6 92 7 60

8 90 43 57 34 1 2 9 15 6

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4 1 6 47 3 50 65 9 8 92

08 7 3 4 2 5 46 0 51 9

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6 5 10 59 7 8 1 2 04 63

S U D O K U

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Jornalista corre, como o coelhinho da Alice, maratonista e atleta de corridas de obstáculos. “Quanto tempo é para sempre?! Às vezes, um só segundo”. Como a conveniência da fonte é prioridade em termos de agenda, moldamos o tempo, comendo dias inteiros ao calendário. Reagendamos para permitir que alguém almoce, mudamos tudo de novo para permitir que alguém tenha um sono descansado. Mesmo que signifique que no fim das contas não tenhamos tempo para dormir ou comer. “Quanto mais depressa me despacho, mais atrasado fico”. Estamos habituados a improvisar entre letras e horas perdidas, o nosso quotidiano é vivido neste limbo, em plena consciência da voracidade das páginas que querem palavras. Custa quando brincam com a nossa disponibilidade, quando nos fazem andar para a frente e para trás, como se todo o dia se resumisse àqueles 20 minutos de conversa. Mais do que chamadas não devolvidas, ou respostas tardias, a desconsideração e a leveza com que se quebram compromissos não deixam apenas um buraco numa página. O maior fosso é cavado a pazadas de incivilidade. Mas, como sempre, levantamo-nos do chão, sacudimos a poeira e seguimos em frente sem olhar para trás, sem rancores porque isto de viver ultrapassa em muito azedumes e qualquer espécie. E, como sempre, lá vamos operando milagres, tornando o impossível alcançável. Como o coelhinho da Alice, há dias em que acreditamos em cerca de seis coisas impossíveis até à hora do pequeno-almoço. João Luz

A CASA GOLDEN | SALMAN RUSHDIE

O mais recente livro de Salman Rushdie é um retrato da América dos dias de hoje. Um país em carne viva politicamente, fracturado e sempre à beira da violência é o contexto que a família Golden encontra quando se muda para Nova Iorque. Nero Golden e os seus filhos fogem da Índia depois de um episódio traumático. “A Casa Golden”, o 13º romance do escritor indo-britânico, tem uma narrativa familiar num contexto político de germinação do radicalismo, onde a verdade é subjectiva e o fanatismo o prato do dia. João Luz

FANTASTIC BEASTS: THE CRIMES OF GRINDELWALD SALA 2

FANTASTIC BEASTS: THE CRIMES OF GRINDELWALD [B] Um filme de: David Yates Com: Eddie Redmayne, Johnny Depp, Jude Law, Katherine Waterson 14.15, 16.45, 19.15, 21.45 SALA 3

KAMEN RIDER BUILD x UCHU SENTAI KYURANGER THE MOVIE [B]

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: K. Kamihoriuchi, T. Shibazaki 14.30, 16.30, 19.30

MY HERO ACADEMIA THE MOVIE - TWO HEROES [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kenji Nagasaki 21.30

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 19

sexta-feira 23.11.2018

Confeitaria

JOÃO ROMÃO

A China no turismo mundial

S

UGEREM as projecções estatísticas da especialidade que em 2030 a China vai ser o país a receber mais visitantes internacionais e que também ocupará o primeiro lugar enquanto “mercado emissor” global, como se diz na gíria do sector turístico, reflectindo as profundas transformações económicas, sociais e culturais em curso no país. O significativo aumento de rendimentos de que tem beneficiado grande parte da população chinesa nas últimas décadas tem implicações directas e significativas sobre as dinâmicas turísticas, como é conhecido de outras paragens: os gastos com actividades recreativas, de lazer ou em viagens tendem a aumentar significativamente quando o rendimento disponível ultrapassa o mínimo necessário para as despesas essenciais e, inversamente, também tendem a decrescer substancialmente quando há perdas súbitas de rendimentos. Foi neste contexto de optimismo generalizadamente partilhado que tive oportunidade de assistir à 12ª edição do Fórum de Turismo da China, na magnífica cidade de Hangzhou, um palco particularmente adequado para se observarem estas transformações da China contemporânea. O Fórum foi organizado pela escola de hotelaria e turismo da Universidade Politécnica de Hong Kong (que lidera nos últimos anos os rankings mundiais de formação universitária no sector) e por uma gigantesca empresa de comércio e serviços em plataformas digitais, que tem em Hangzhou o seu “campus” e a sua base operacional – e também a sua sucursal para o turismo e viagens. Aliás, o sistema de pagamentos online desenvolvido por esta empresa atingiu na cidade uma popularidade e um nível de convergência tão profundo com os

serviços offline que é possível aos residentes viverem sem carteira, notas, moedas ou cartões bancários: basta o telemóvel (com o adequado leitor de códigos de barras) para fazer qualquer tipo de pagamento (transportes públicos, cinemas, supermercados, mercearias, restaurantes, lojas de conveniência, pequenos ou grandes estabelecimentos dos mais variados sectores públicos e privados estão devidamente apetrechados para um quotidiano sem notas nem moedas). A inovação, o papel das plataformas digitais, a convergência necessária entre os universos imateriais do ciberespaço e a realidade física dos produtores e consumidores de produtos e serviços, a transformação das gigantescas quantidades de informação associadas a estas transações em processos de personalização de serviços cada vez mais especificamente adequados às necessidades e motivações de cada pessoa, ou o papel da inteligência artificial e outras formas de aprendizagem baseada no processamento de quantidades massivas de informação, foram os temas centrais de um Fórum que mobilizou algumas centenas de pessoas dos meios académicos e empresariais ligados ao turismo na China, com forte presença de jovens dirigentes e gestores empresariais altamente qualificados e escassa presença de gravatas. Esta preocupação com conteúdos de discussão

Não parece acidental a decisão de realizar o Fórum de Turismo da China do próximo ano nos Estados Unidos: em tempo de “guerra comercial” atabalhoadamente decretada, o turismo da China lançase à liderança dos processos de internacionalização em território “inimigo”

que assinalam e promovem uma certa liderança na capacidade de formulação de estratégias de inovação para economias globais tecnologicamente avançadas teve também a sua contrapartida em aspectos mais formais – e que na realidade acabam por reforçar os conteúdos: o Fórum foi suportado por uma impressionante parafernália multimedia com projeções simultâneas em ecrãs gigantescos baseadas em muito avançadas tecnologias de audio e video e por diversas possibilidades de interacção entre a audiência e os oradores através de reacções e comentários enviados por telemóvel e projectados em tempo real. A modernidade dos processos de comunicação e interacção com suporte de tecnologias avançadas também é visível para quem visita esta fantástica cidade: além do avançado sistema dos mais variados pagamentos de despesas quotidianas, a cidade combina com extrema eficácia e elegância as características culturais, arquitectónicas e paisagísticas da tradição histórica da região, com zonas modernas onde é visível o avanço tecnológico, a sofisticação do comércio ou os graciosos espaços de lazer com uma presença constante de uma população bastante jovem. O grandioso Lago Oeste, recentemente classificado como património mundial da humanidade, com os magníficos jardins, monumentos e espaços museológicos que o rodeiam, ou a bela rua Hefang, onde se encontram as lojas dos produtos mais tradicionais da região, incluindo a comida e os artesãos de várias especialidades, são casos exemplares de preservação do património histórico, que interagem com facilidade e harmonia com a modernidade das ruas do centro ou da “Midtwon”. Não terá sido acidental a escolha desta cidade para acolher o Fórum, tal como não parece acidental a decisão de realizar o Fórum de Turismo da China do próximo ano nos Estados Unidos: em tempo de “guerra comercial” atabalhoadamente decretada, o turismo da China lança-se à liderança dos processos de internacionalização em território “inimigo”.


As pessoas hoje conhecem o preço de tudo e o valor de nada. Óscar Wilde

O

Conselho de Administração do grupo japonês Nissan aprovou ontem por unanimidade a demissão de Carlos Ghosn do cargo de presidente, após a sua detenção por alegada má gestão financeira, indica um comunicado. A decisão põe fim a um período de cerca de 20 anos de Ghosn como um dos grandes dirigentes industriais. Carlos Ghosn tinha sido detido na segunda-feira, em Tóquio, o mesmo tendo acontecido com o seu principal colaborador, Greg Kelly. O Conselho de Administração da Nissan reafirmou também o seu compromisso na aliança que une a empresa à Renault e confirmou que a parceria com o grupo automóvel francês "permanece intacta". "Depois de ter passado em revista um relatório interno detalhado, o conselho votou por unanimidade o afastamento de Carlos Ghosn da presidência", indicou a Nissan num comunicado divulgado após quatro horas de reunião da administração, em Yokohama, nos arredores de Tóquio. A confirmação do afastamento de Ghosn figura numa outra comunicação enviada à Bolsa de Tóquio, três dias após a detenção do líder da Nissan-Renault na sequência de PUB

PALAVRA DO DIA

Obviamente demitido Nissan confirma afastamento por unanimidade do seu presidente, Carlos Ghosn

sexta-feira 23.11.2018

falsos pretextos" e de utilizar fundos da Nissan Motor para cobrir gastos pessoais. A notificação para a Bolsa de Tóquio considera Ghosn e Kelly os "organizadores" destas alegadas operações irregulares.

HOMEM DO PRESIDENTE

A confirmação do afastamento de Ghosn figura numa outra comunicação enviada à Bolsa de Tóquio, três dias após a detenção do líder da Nissan-Renault na sequência de uma investigação que terá revelado uma série de irregularidades financeiras nos últimos anos

uma investigação que terá revelado uma série de irregularidades financeiras nos últimos anos. A nota explica em termos gerais as três irregularidades de que Ghosn é acusado e que já tinham

sido divulgadas pela imprensa quando foi detido. A comunicação cita, entre elas, notificações ao regulador bolsista em que Ghosn terá declarado rendimentos menores do que os que

recebeu, sem precisar números nem datas, mas indicando que terá sido durante "muitos anos". Acusa-o também de usar em benefício próprio capitais de investimento da empresa "sob

Greg Kelly é pouco conhecido, mas na Nissan era considerado o homem de confiança do presidente. Entrou na filial norte-americana da Nissan em 1988, depois de ter exercido advocacia. Kelly, um norte-americano de 62 anos, foi subindo progressivamente na empresa até se tornar membro da direção do grupo em 2008, responsável pela organização das tarefas do presidente. Um ano mais tarde acumula outras funções incluindo a direcção dos recursos humanos de todo o grupo e a sua comunicação e, em 2012, assume funções de administrador. O Conselho de Administração da Nissan não apontou qualquer nome para a presidência interina, mas os trabalhos da reunião de ontem foram dirigidos por Hiroto Saikawa, que tem sido considerado o provável escolhido.


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