DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
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QUINTA-FEIRA 23 DE NOVEMBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3941
Hato Relatório não satisfaz deputados Limitar as responsabilidades aos Serviços de Meteorologia não satisfez os deputados. Também porque partes do relatório não foram tornadas públicas. O facto de só dois terem sido “atirados à fogueira” não agradou a gregos nem a troianos. Ler para crer. PÁGINA 8
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Chui Sai Cheong quer novo regime de reformas para a Função Pública ID
PÁGINAS 4-5
LAG
REFORMA POLÍTICA
É a economia, menino
MOTOS
SIM OU NÃO?
A Secretária não cedeu. E invocou a economia como razão para não proceder a reformas no sistema político.
GRANDE PLANO
GCS
ÚLTIMA
2 grande plano
23.11.2017 quinta-feira
GRANDE PRÉMIO
ID
Daniel Hegarty
A oitava morte na principal categoria do Grande Prémio de Macau em Motos colocou o debate sobre a segurança do circuito na ordem do dia. Apesar da tragédia, as pessoas ouvidas pelo HM defendem que o futuro da prova não deve ser colocado em causa, mas que é necessário fazer algo para evitar este tipo de tragédias
SEGURANCA OU ´ A
morte do piloto Daniel Hegarty, de 31 anos, durante a corrida do Grande Prémio de Motas voltou a colocar na agenda do dia a segurança no Circuito da Guia. Cinco anos depois da morte de Luís Carreira, piloto português que em 2012 também perdeu vida na Curva dos Pescadores, a segurança no local volta a ser questionada. Isto apesar dos esforços organizativos para reforçar a protecção na zona. Se por um lado, há quem ache impensável que a corrida de motos se deixe de realizar, até pelo seu valor histórico, por outro, há pessoas que simplesmente defendem que a pista não tem as condições de segurança necessária para um evento deste género. Para Paulo Godinho, residente de Macau a viver em Portugal, o circuito da Guia já não tem condições para receber provas de motos, devido à ausência de espaço para instalar escapatórias: “Hoje, como se vê nas provas principais de motociclismo em todo o mundo, os circuitos destinados à modalidade têm de ter enormes escapatórias, o que é impossível de construir em
MORTE DE HEGARTY RELANÇA DEBATE SOBRE PROVA DE MOTOCICLISMO
“Com as características do circuito da Guia, [as mortes] não serão nunca a excepção mas sim uma triste regra, se não se acabar, definitivamente, com as provas de motociclismo.” PAULO GODINHO SOCIÓLOGO
Macau”, começou por explicar, em declarações ao HM, o sociólogo. “Não é aceitável que os praticantes tenham, hoje em dia, protecções cervicais para evitar danos
na coluna, em caso de acidente, e depois considerar como normal que possam ser atirados, a 200 km/hora de encontro a um muro de betão”, acrescentou.
PRODUTO DE MACAU
André Ritchie tem uma opinião oposta. Para o arquitecto e ex-coordenador do Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes é necessário continuar a adoptar medidas de segurança, mas não se deve aceitar de todo o final da corrida de motas. “Sou completamente contra acabar-se com a corridas de motociclos. É um produto genuíno de Macau. Estamos sempre a dizer que Macau tem falta de elementos próprios, por isso mesmo faz ainda
ALEXIS TAM REFORÇAR A SEGURANÇA
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pós a morte de Daniel Hegarty, o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, prometeu que a organização vai continuar a fazer os seus melhores esforços para aumentar os níveis de segurança no circuito. O também presidente do Comité de Organização do Grande Prémio de Macau garantiu ainda que não existe a intenção de acabar com a prova de motos. Por outro lado, Alexis Tam recordou a história e importância do evento de motociclos para o Grande Prémio, que se realiza há 51 edições. O japonês Hiroshi Hasegawa, em 1967, foi o primeiro vencedor da prova de motos.
mais sentido preservar o Grande Prémio, que é um produto só nosso. Isto é a nossa identidade”, afirmou André Ritchie, ao HM. “Eu defendo que é sempre possível melhorar as condições de segurança. É o facto das pessoas não conhecerem as últimas inovações ao nível da segurança e falarem contra a corrida que me incomoda”, explicou. Opinião que levou a um acesso debate nas redes sociais, foi a de Pedro Coimbra, autor do blog “Devaneios a Oriente”. Contudo, o jurista explica que tem sido mal-interpretado e que nunca quis que as corridas de motos chegassem ao fim. “Eu não defendo o fim das corridas de motos no Grande Prémio, nem tenho conhecimentos técnicos para fazer uma afirmação dessas. O que me mete um bocado de impressão, como espectador, é a sensação de falta de segurança”, vincou Pedro Coimbra, ontem, ao HM. “Acredito pouco em coincidências. No prazo de cinco anos morreram duas pessoas no mesmo sítio. Morreram de uma forma horrorosa. Um pequeno erro, um azar, uma avaria mecânica – que até poderá ter acontecido neste
grande plano 3
quinta-feira 23.11.2017 MORTES NO GRANDE PRÉMIO DE MOTOCICLOS
BARBARIE? ´
ANO PILOTO
PAÍS
1973 Shea Lun Tsang
Hong Kong
1977 Lam Sai-Kwan
Hong Kong
1983 Chan Wai Chi
China
1993 Tung Sai-Wing
Hong Kong
1994 Katsuhiro Tottori
Japão
2005 Bruno Bonhuil
França
2012 Luís Carreira
PORTUGAL
2017 Daniel Hegarty
Reino Unido
ILHA DE MAN : 255 PILOTOS MORTOS No topo dos circuitos mais mortais está o Snaefell Moutain, localizado na Ilha de Man, no Reino Unido, com um total de 255 fatalidades só entre pilotos. Este número tem em conta as diferentes provas que se realizam no traçado rural, que tem uma extensão de 60,72 quilómetros. A prova mais conhecida disputada no circuito é a International Isle of Man Tourist Trouphy Race, e tem no palmarés vencedores como John McGuinness, Michael Rutter, ou Ian Hutchinson, corredores que também já triunfaram em Macau.
objectivo passa por ganhar espaço para colocar mais materiais absorventes de eventuais impactos, como barreiras de pneus.
DESPORTO PERIGOSO
No que as pessoas ouvidas pelo HM parecem unânimes é no facto das corridas envolverem sempre um risco. “É preciso compreender a modalidade. Os riscos que a modalidade implica. O desporto motorizado, de forma geral, é perigoso. Não é por acaso que até os espectadores são avisados no verso do bilhete sobre os perigos de assistir às corridas. Este desporto é perigoso e há que ter consciência disso”, diz Ritchie.
caso – é suficiente para uma pessoa embater imediatamente no muro ou na protecção metálica e haver uma tragédia”, sublinhou. Pedro Coimbra fez questão de sublinhar que não tem conhecimentos profundos sobre o tema e que fala na perspectiva de um leigo. Contudo, explica que a impressão que tem das corridas de motas é que “é uma sorte não haver outras tragédias como estas”.
ALTERAÇÕES AO CIRCUITO
A reboque do debate sobre a segurança, há quem defenda que podem ser implementadas alterações ao circuito para fazer com que seja mais seguro para as motos. Também este tópico não gera unanimidade.
“É preciso compreender a modalidade. Os riscos que a modalidade implica. O desporto motorizado, de forma geral, é perigoso. Não é por acaso que até os espectadores são avisados no verso do bilhete sobre os perigos de assistir às corridas.” ANDRÉ RITCHIE ARQUITECTO
André Couto, piloto que venceu a prova de Fórmula 3 em 2000, aceita esta solução, caso os pilotos das motos concordem que pode resultar num circuito menos perigoso. “Não sou contra a introdução de chicanes para fazer com que os pilotos abrandem em certos sítios do circuito. Mas uma decisão dessas tem de ser tomada depois de ouvir os próprios pilotos. São eles que estão na pista e sabem o que é melhor”, disse André Couto ao HM. “Há eventos no exterior em que quando corre uma categoria metem uma chicane amovível na pista. A chicane é depois retirada quando são realizadas corridas de outras categorias. Acho que se podem encontrar outras soluções de segurança, como as chicanes, mas também é preciso
ANDRÉ COUTO ADMITE ADMIRAÇÃO PELAS MOTOS
A
ndré Couto é o único piloto de Macau a ter vencido o Grande Prémio de Fórmula 3, no ano de 2000. Porém, e apesar de ter igualmente competido nos GT
e carros de turismo, Couto reconhece que sempre sentiu uma grande admiração pela prova de motociclos. “Não estou muito por dentro do mundo
das motas, mas uma das partes do meu gosto pelas corridas do Grande Prémio de Macau deve-se muito às motas. Era uma das categorias que mais gostava de ver,
em criança. Lembro de ver o Ron Haslam ou o Kevin Schantwz e algo passou para mim, também um pouco pelas motos”, reconhece o piloto de 40 anos.
“O circuito da Guia ficou conhecido por ser muito rápido, perigoso e que não perdoa qualquer erro. O Grande Prémio de Motos veio contribuir para essa fama”, frisou.
estudar bem se essa é a melhor solução e saber se os pilotos estão de acordo”, acrescentou. Por sua vez, André Ritchie é contra a introdução de alterações ao traçado do circuito, que defende ser património de Macau e que precisa de ser protegido. Para o antigo director do GIT é mesmo necessário classificar o circuito da Guia. “O Grande Prémio é património de Macau, tal como o circuito da Guia, e deve ser protegido. Há pessoas que dizem que se colocava antes da Curva dos Pescadores uma chicane. Mas não se pode fazer isto, estamos a falar de património. O Circuito da Guia manteve-se inalterado ao longo destes anos todos e devia manter-se assim”, defende André Ritchie. “Também não vou às Ruínas de São Paulo pedir para colocarem uns ventiladores por causa da circulação do ar. Não podemos fazer isso. Qualquer mudança no circuito deve ser feita com pinças. Mas há alternativas e podemos sempre melhorar, mantendo a corrida”, frisou. Ritchie colocou também a hipótese, que admite precisar de ser estudada, de recuar as barreiras na zona da Curva dos Pescadores. O
“Mesmo com muita segurança, quando se bate a 200 e tal km/h, no caso das motos, e ao contrário dos carros, o piloto faz parte do primeiro impacto. Mesmo que se evolua na segurança das pistas, acredito que este tipo de acidentes vai continuar a acontecer.” ANDRÉ COUTO PILOTO DE AUTOMÓVEIS
Por sua vez,André Couto recorda que no caso em concreto das motas que o piloto faz sempre parte do primeiro impacto, em caso de acidente: “Mesmo com muita segurança, quando se bate a 200 e tal km/h, no caso das motos, e ao contrário dos carros, o piloto faz parte do primeiro impacto. Mesmo que se evolua na segurança das pistas, acredito que este tipo de acidentes vai continuar a acontecer”, apontou. “O circuito da Guia não é propício para as quedas a grandes velocidades” acrescenta. São estas características que fazem com que Paulo Godinho acredite que as mortes nunca serão uma excepção: “Com as características do circuito da Guia, [as mortes] não serão nunca a excepção mas sim uma triste regra, se não se acabar, definitivamente, com as provas de motociclismo”, apontou. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
4 LAG ADMINISTRAÇÃO E JUSTIÇA
FUNÇÃO PÚBLICA CHUI SAI CHEONG SUGERE NOVO REGIME DE REFORMAS ANTECIPADAS
A escolha do fregues `
GCS
O vice-presidente da Assembleia Legislativa, Chui Sai Cheong, defendeu a criação de um novo regime de reformas antecipadas para os funcionários que estão dependentes do Fundo de Pensões, para que os funcionários mais novos possam subir na carreira. Sónia Chan, secretária para a Administração e Justiça, prometeu debruçar-se sobre a matéria
23.11.2017 quinta-feira
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NS podem reformar-se mais cedo, outros tem de cumprir a jornada até ao fim. O vice-presidente da Assembleia Legislativa (AL), Chui Sai Cheong, defendeu, no segundo dia de debate das Linhas de Acçao Governativa (LAG) para a área da Administração e Justiça, que se crie um regime especial de reformas antecipadas para os trabalhadores públicos que estão anexados ao Fundo de Pensões. “Há uns anos não era possível criar um regime que permitisse a saída dos funcionários públicos, tendo em conta a situação económica adversa. Mas agora estamos numa boa situação
económica. Passaram-se 18 anos e alguns funcionários públicos trabalham no Governo desde o período anterior a 1999. Alguns deles tem dúvidas, não sabem se podem continuar na Função Pública ou se querem trabalhar lá fora. Não sei se é possível pensar
em condições mais aceitáveis para os funcionários. Não deve ser um regime coercivo, mas voluntário”, defendeu. Na óptica de Chui Sai Cheong, este novo regime seria aplicado apenas a “funcionários que cumpram determinadas funções”, para
que os trabalhadores afectivos “possam ter oportunidades de promoção”. Sónia Chan, secretária para a Administração e Justiça, deixou claro que se trata de uma matéria de difícil implementação, mas referiu que a sua tutela vai estudar
a matéria: “Isso diz respeito ao fundo de previdência e teremos de ver as diferentes vertentes. Há vários factores que temos de estudar.” De lembrar que os funcionários públicos que estão indexados ao Fundo de Previdência Central tem o
AS ESPLANADAS DO SENHOR CHAN CHAK MO
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OSÉ Tavares, presidente do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), disse ontem que vai ser analisada a possibilidade de criar mais esplanadas junto à zona das Ruínas de São Paulo. “Queremos definir um rumo mais concreto. De facto, na zona das Ruínas há uma falta de esplanadas. Se houver condições poderemos discutir com o Instituto Cultural como podemos criar mais esplanadas na zona e delimitar áreas”, apontou. A questão foi levantada pelo deputado Chan Chak
Mo, que é também empresário do sector da restauração. Além disso, Chan Chak Mo é também proprietário do edifício Casa Amarela, localizado, precisamente, ao lado das Ruínas de São Paulo. “Os turistas não têm sequer uma bancada para se sentar nesta zona. Estamos ou não num ambiente de lazer? Em qualquer cidade turística existem esplanadas”, apontou.
DUALIDADE DE LICENÇAS
O deputado levantou também a questão do facto das licenças de funcionamento
dos espaços de restauração e de hotelaria serem atribuídas pela Direcção dos Serviços de Turismo e pelo IACM. “Será que os dois organismos se podem sentar e ponderar uma junção? A lei diz que a DST pode licenciar os hotéis, mas em alguns hotéis as licenças foram autorizadas pelo IACM.” Chan Chak Mo deu mesmo o exemplo dos hotéis da Sociedade de Jogos de Macau localizados na península. “No Lisboa as licenças foram autorizadas pelo IACM. Para os cidadãos e investidores é difícil de
compreender. Só pelo facto dos espaços ficarem numa zona turística o IACM já não pode licenciar? A sua natureza é a mesma”, frisou o deputado.
Sónia Chan, secretária para a Administração e Justiça, lembrou que “há uma legislação sobre o sector hoteleiro que está em fase de revisão”. “Temos a ideia de definir a
emissão de licença com base no espaço onde se localiza o empreendimento. As instalações dentro dos hotéis devem recorrer à DST, enquanto que as instalações fora dessas áreas ficam dentro do âmbito do IACM”, concluiu. A questão da inexistência de esplanadas em Macau tem levantado críticas e, por vezes, sorrisos de incredulidade em diversos sectores, sendo o facto caracterizado como “um sintoma de atraso cultural e civilizacional”. A.S.S.
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quinta-feira 23.11.2017
ARBITRAGEM E CONCILIAÇÃO É PRECISO “ALARGAR OS HORIZONTES”
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Ensinar para não errar
Deputados preocupados com formação dos funcionários públicos
hui Sai Cheong fez ainda uma sugestão quanto aos novos regimes de arbitragem e conciliação, matérias sobre as quais o Governo já está a consultar opiniões junto das entidades ligadas ao Direito. “Não sei se é possível fazer leis que alarguem os horizontes. Pretendemos que os regimes de conciliação e arbitragem em matéria comercial possam ter uma visão mais alargada, porque Macau é uma plataforma e assume um papel importante na política ‘Uma Faixa, Uma Rota’. Deve ser feita uma lei para satisfazer as necessidades do futuro e criar um bom instrumento”, apontou. A secretária lembrou que, actualmente, há poucas pessoas a recorrer ao sistema de arbitragem. “Os casos são poucos e ainda temos de trabalhar muito na área de sensibilização e divulgação, pois tudo depende dos interessados. Ainda temos de exibir os resultados deste regime e fazer algumas acçoes de divulgação”, rematou. De frisar que a necessidade de criação de sistemas de mediação e arbitragem faz parte dos objectivos das LAG para 2018 e foi um dos temas abordados pelas autoridades judiciais na abertura do Ano Judiciário 2017/2018.
direito a pedir reforma antecipada ao fim de dez ou quinze anos de serviço.
O RECEIO DA RAZIA
À margem do debate, o deputado José Pereira Coutinho, presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau, disse concordar com a sugestão apresentada por Chui Sai Cheong. “Há muitos trabalhadores que estão no Governo há 30 anos e que não podem pedir a aposentação
“Alguns deles tem dúvidas, não sabem se podem continuar na Função Pública ou se querem trabalhar lá fora. Não sei se é possível pensar em condições mais aceitáveis para os funcionários, que não seja um regime coercivo, mas voluntário.”
voluntária porque tem cerca de uma dezena de anos de trabalho eventual. Estão fartos de trabalhar na Função Pública, trabalham há 25, 30 anos e não conseguem reformar-se”, apontou. O deputado criticou aquilo que considerou ser uma ausência de resposta por parte de Sónia Chan. “Não respondeu à pergunta porque ela tem medo que muitos dos trabalhadores saiam da Função Pública e por isso não quer permitir a reforma antecipada. Mas o discurso dela é contraditório porque neste momento ela está a incentivar o Governo electrónico.” José Pereira Coutinho lembrou que há muitas vozes a apontar para o excesso de funcionários públicos. “A sociedade está a queixar-se de que há muitos trabalhadores na função pública. Nós estamos a caminho dos 40 mil, já estamos nos 36 mil, e cada vez se gasta mais com os recursos humanos, porque há muita gente a entrar na função pública. Se um contrato de casamento pode ter divórcio ao fim de três ou cinco anos, porque é que um contrato na Função Pública tem de continuar?”, questionou.
CHUI SAI CHEONG VICE-PRESIDENTE DA AL
Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
A
formação dos funcionários públicos foi um dos temas mais abordados pelos deputados no segundo dia de debate sobre as Linhas de Acção Governativa para a área da Administração e Justiça. Manuel Trigo, director do Centro de Formação Jurídica e Judiciária, lembrou que não dispõem de formadores a tempo inteiro e que é necessário formar novas caras. Por isso, formar para melhorar, para simplificar, para que haja mais eficiência na Administração. Estas foram as exigências feitas pelos deputados da Assembleia Legislativa à secretária Sónia Chan, da tutela da Administração e Justiça. A questão da necessidade de mais e melhor formação no seio da Função Pública foi lançada pelo deputado Vong Hin Fai. “A formação dos funcionários públicos afecta directamente a capacidade governativa. Há que reforçar a formação jurídica dos trabalhadores, como é que os trabalhos vão ser realizados? Há que resolver acções de formação específicas e próprias”, defendeu.
Já o deputado Si Ka Lon voltou a lembrar que o número de despesas com funcionários públicos não para de subir. “Com esta tendência como é possível implementar a racionalização de quadros? Isso não resulta na simplificação administrativa. Há dez anos que se fala do governo electrónico no interior da China. Nós estamos desactualizados”, frisou. Manuel Trigo, director do Centro de Formação Jurídica e Judiciária, lembrou que é também preciso investir na formação de formadores, que não existem a tempo inteiro nesta entidade criada em 2001. “Ao nível da formação judiciária, não temos formadores a tempo inteiro e sao seleccionadas pessoas de várias áreas. Também recorremos ao convite a formadores da área académica, de instituições superiores públicas de Macau. É uma preocupação fazer formação de formadores e ter um leque o mais vasto possível.” Além disso, “são incluídos funcionários aposentados para que possamos beneficiar da sua experiência.” “No essencial é esse o método de que dispomos, mas temos sempre a preocupação de dar oportunidade a novos formadores para não depender dos que se aposentaram”, acrescentou Manuel Trigo.
UMA NOVA ACADEMIA?
Apesar do Centro de Formação Jurídica e Judiciária dar formação a funcionários públicos de todas as áreas, e não apenas da área do Direito, o deputado Lei Chan U considerou ser necessário criar uma academia de formação para funcionários públicos, à semelhança do que está a ser pensado para Hong Kong.
“Este ano o Governo de Hong Kong falou da possibilidade de criar uma academia para funcionários públicos. Acho que é uma medida que acompanha a evolução do tempo. Apesar da formação ter conhecido uma melhoria, com o desenvolvimento da sociedade temos verificado insuficiências.” Kou Peng Kuan, director dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP), mostrou algumas reticencias em relação à criação de uma nova academia de formação. “Temos de fazer um estudo aprofundado. Temos 34 mil trabalhadores públicos, mas 11 mil são da área da segurança, que tem a sua própria escola. Temos 20 mil trabalhadores que participam nas acções de formação dos SAFP e temos de estudar a criação de uma academia, como será a sua dimensão e se há margem de melhoria nas restantes escolas de formação.” Lei Chan U, também membro do Conselho Permanente de Concertação Social, citou vários inquéritos realizados por associações da Função Pública para mostrar que a qualidade das formações nem sempre é a melhor. “Não há um relatório de avaliação dessas formações e não sabemos quais são os resultados, mas um inquérito de 2015 (realizado pela Federação das Associações dos Operários, associação a que pertence Lei Chan U) concluiu que mais de 70 por cento dos funcionários públicos considerou essas acções de formação totalmente inúteis.” Kou Peng Kuan admitiu que “nos cursos de formação, em termos de concepção e necessidades dos trabalhadores, verificamos que há margem para aperfeiçoamento”. A.S.S.
TIAGO ALCÂNTARA
ACORDO DE EXTRADIÇÃO AINDA A NEGOCIAR COM CHINA E HONG KONG
A Condomínios Vong Hin Fai quer “interpretação uniforme” das leis
O deputado Vong Hin Fai questionou o Governo quanto à necessidade de uniformizar a implementação do regime jurídico da administração das partes comuns do condomínio e da lei da actividade comercial de administração de condomínios, aprovados em Agosto. “Faltam mais de nove meses para a sua entrada em vigor, e face à complexidade do regime jurídico envolvido, a lei envolve diferentes serviços públicos. É importante haver uma análise uniforme destas questões, deve haver uma interpretação uniforme”, apontou. A secretária Sónia Chan garantiu que os serviços têm vindo a trabalhar em conjunto nesta matéria.
secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, disse ontem na Assembleia Legislativa que ainda não há uma data para a assinatura dos acordos de extradição com Hong Kong e a China. “Temos de continuar a negociar com Hong Kong e o interior da China, para que tenhamos uma uniformização”, disse. Numa entrevista concedida o ano passado, Sónia Chan garantiu que estes acordos, que serão concretizados no âmbito da “lei da assistência judiciária inter-regional em matéria penal”, não deveriam ser
assinados em 2016. A avaliar pelas afirmações no segundo dia de debate sobre as Linhas de Acçao Governativa para o próximo ano, os acordos também não serão assinados este ano. A necessidade de uniformização de que falou a secretária diz respeito ao facto de Macau, Hong Kong e a China terem diferentes jurisdições. As diferenças mais marcantes prendem-se com a existência dos regimes de prisão perpétua na RAEHK e pena de morte no continente, a título de exemplo. Em Macau, o limite máximo de pena de prisão é de 25 anos.
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23.11.2017 quinta-feira
ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.º 40/P/17 Faz-se público que, por despacho de Sua Excelência, o de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 Chefe do Executivo, de 18 de Outubro de 2017, se encontra aberto horas do dia 22 de Janeiro de 2018. o Concurso Público para «Fornecimento de Material de Consumo O acto público deste concurso terá lugar no dia 23 de JaClínico para o Bloco Operatório dos Serviços de Saúde», cujo neiro de 2018, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram r/c, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. à disposição dos interessados desde o dia 22 de Novembro de A admissão a concurso depende da prestação de uma 2017, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às caução provisória no valor de MOP100.000,00 (cem mil 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato despatacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, tes Serviços, sita no 1.º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurServiços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de so, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP 76,00 valor equivalente. (setenta e seis patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de SaúServiços de Saúde, aos 16 de Novembro de 2017. de) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo). O Director dos Serviços As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde Lei Chin Ion
ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.º 41/P/17 Faz-se público que, por despacho de Sua Excelência, o de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 Chefe do Executivo, de 18 de Outubro de 2017, se encontra aberto horas do dia 8 de Janeiro de 2018. o Concurso Público para «Fornecimento de Material de Consumo O acto público deste concurso terá lugar no dia 9 de JaneiClínico aos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e ro de 2018, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessar/c, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. dos desde o dia 22 de Novembro de 2017, todos os dias úteis, A admissão a concurso depende da prestação de uma das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de caução provisória no valor de MOP100.000,00 (cem mil Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1.º andar, patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de sujeitos ao pagamento de MOP 74,00 (setenta e quatro patacas), valor equivalente. a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a Serviços de Saúde, aos 16 de Novembro de 2017. transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo). O Director dos Serviços As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde Lei Chin Ion
Aviso Avisam-se todos os interessados que está aberto o concurso de prestação de provas, para o preenchimento dos seguintes lugares, para o ano lectivo de 2018/2019, como em regime de contrato administrativo de provimento da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, de acordo com as condições referidas no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau, n.° 47, II Série, de 22 de Novembro de 2017, e cujo prazo de apresentação das candidaturas termina no dia 12 de Dezembro: Carreira de auxiliar de ensino, 1.º escalão: - Apoio ao trabalho pedagógico - três lugares (Número de referência: AE01/2017) A Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, aos 16 de Novembro de 2017.
A Directora, Leong Lai
Aviso Avisam-se todos os interessados que estão abertos os concursos de prestação de provas, para o preenchimento dos seguintes lugares, para o ano lectivo de 2018/2019, como em regime de contrato administrativo de provimento da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, de acordo com as condições referidas no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau, n.° 47, II Série, de 22 de Novembro de 2017, e cujo prazo de apresentação das candidaturas termina no dia 12 de Dezembro: Carreira de docente do ensino secundário de nível 1, 1.º escalão: - Área do ensino especial - três lugares (Número de referência: DS03/2017*) - Área disciplinar: matemática - um lugar (Número de referência: DS04/2017) - Área disciplinar: física - um lugar (Número de referência: DS05/2017) Carreira de docente dos ensinos infantil e primário de nível 1 (primário), 1.º escalão: - Área de língua chinesa - cinco lugares (Número de referência: DP06/2017) - Área de língua inglesa - um lugar (Número de referência: DP07/2017*) - Área de língua inglesa - um lugar (Número de referência: DP08/2017) * Exercer funções na subunidade administrativa. A Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, aos 14 de Novembro de 2017. A Directora, Leong Lai
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política 7
quinta-feira 23.11.2017
HATO DEPUTADOS NÃO ESTÃO SATISFEITOS COM RELATÓRIO INDEPENDENTE
Os deputados querem mais do que processos disciplinares aos responsáveis dos serviços meteorológicos. É preciso, além da responsabilização e punição dos presumíveis culpados, um plano futuro que previna que a tragédia se repita. Algo que ainda não existe
E
M reacção à abertura de um novo processo disciplinar que visa, além do ex-director dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG), a ex-subdiretora Florence Leong, a deputada Song Pek Kei considera que, mais do que responsabilização pelos estragos causados, é altura de ter planos concretos. No entender de Song Pek Kei, os problemas ligados à antiga direcção dos serviços já são do conhecimento público. De acordo com o jornal Ou Mun, “a sociedade já conhece os problemas ligados à antiga direcção dos serviços e, apesar de querer a responsabilização pelo sucedido, está mais atenta à criação do futuro mecanismo de prevenção de catástrofes”, diz a deputada.
“A sociedade já conhece os problemas ligados à antiga direcção dos serviços e, apesar de querer a responsabilização pelo sucedido, está mais atenta à criação do futuro mecanismo de prevenção de catástrofes.” SONG PEK KEI DEPUTADA
RÓMULO SANTOS
Falam, falam e não fazem nada
MAIS DE TRÊS MIL PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO ÀS SEGURADORAS
A
té ao dia 15 de Novembro, as seguradoras de Macau receberam um total de mais de 3031 pedidos de compensação por danos registados durante a passagem do tufão Hato. De acordo com o canal de rádio da TDM, os casos envolvem um montante global de cerca de 3,8 mil milhões de patacas, mas apenas cerca de 200 milhões foram já pagos pelas seguradoras. De acordo com Maria Luísa Man, directora execu-
Já Ella Lei queixa-se doutros aspectos. Para ela, o relatório dado a conhecer na segunda-feira tem conteúdos insuficientes. A deputada da ala política da FAOM refere que a prioridade são os trabalhos de seguimento que estão a ser feitos, nomeadamente no que respeita aos melhoramentos das instalações básicas e de mecanismos de apoio. O objectivo, afirma Ella Lei, é poder evitar a gravidade dos estragos em acontecimentos idênticos que venham a acontecer. No entanto, salvaguarda, os processos disciplinares devem avançar o mais rapidamente possível. Em causa está “a necessidade da população perceber o que se passou”.
DETALHES DE FORA
O deputado pró-democrata Sulu Sou, que se estreia nesta legislatura no hemiciclo, lamenta que não sejam dados a conhecer porme-
tiva da Autoridade Monetária de Macau, “a maioria dos pedidos está relacionada com danos em propriedades, resultantes de danos provocados pela água ou acidentes”. “Trata-se de 1497 pedidos que envolvem perdas estimadas de 3,6 mil milhões de patacas. No que diz respeito aos pedidos de compensação por parte de trabalhadores, receberam cerca de 80 casos com uma perda estimada de cerca de 3 milhões. Por-
nores importantes que constam do relatório. “Penso que o Chefe do Executivo não mostrou os detalhes à Assembleia Legislativa (AL) o que não é aceitável”, referiu ao HM. Para o pró-democrata trata-se de um assunto público e, como tal, deveria haver mais informações acessíveis aos cidadãos. “Podem-se omitir as
tanto, até agora, o sector dos seguros já resolveu cerca de 1500 casos. O valor total envolvido é de cerca de 200 milhões”, explicou Maria Luísa Man em declarações à TDM – Rádio Macau. A directora executiva da Autoridade Monetária de Macau justifica a demora no tratamento de todos os casos com a complexidade da situação. Em causa estão dificuldades em obter orçamentos e danos avultados na indústria do turismo.
informações pessoais e dar a conhecer as de interesse público”, explicou. Por outro lado, e na sequência da opinião já manifestada pela Associação Novo Macau à qual Sulu Sou está ligado, “a responsabilidade não é de um ou dois elementos do Governo”. “Não posso aceitar este relatório que só imputa responsabilidades a dois
dirigentes dos SMG. Não consigo conceber que a quantidade de estragos e de coisas que não funcionaram com a passagem do tufão Hato possa ser apenas da responsabilidade de apenas dois funcionários públicos”, reitera Sulu Sou. O relatório relativo ao apuramento de responsabilidades pelos estragos causado com a passagem do tufão Hato por Macau foi dado a conhecer na segunda-feira pela Comissão de Inquérito sobre a Catástrofe “23.08” ao Chefe do Executivo. No mesmo dia, Chui Sai On ordenou a abertura de um novo processo disciplinar agora dirigido aos dois ex-responsáveis pelos SMG. Além do ex-director, Fong Soi Kun, a ex-subdirectora, Florence Leong é também alvo de um processo disciplinar pelas falhas cometidas pelos serviços. Sofia Margarida Mota com Vitor Ng info@hojemacau.com.mo
PCC Governo Central de olho em Macau
O Governo Central está a prestar atenção ao território e prova disso foi a vinda da comitiva do Governo Central a Macau para a realização de dois seminários. O objectivo foi “a divulgação do espírito do 19º Congresso do Partido Comunista Chinês (PCC)”. A ideia foi deixada, ontem, pelo director do Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau, Zheng Xiaosong, de acordo com o jornal Ou Mun. Segundo o mesmo responsável, “a realização do sonho chinês é também o sonho dos residentes de Macau”. O evento contou com a presença do Chefe do Executivo, Chui Sai On e de Edmund Ho.
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23.11.2017 quinta-feira
De acordo com o jornal Ou Mun, as autoridades de Zhuhai anunciaram um projecto de obras para a construção de um novo canal de ligação dos três canais de abastecimento de água já existentes, e que têm Macau como destino. As autoridades do continente referiram que já foram concluídos os trabalhos iniciais de planeamento e concepção, prevendo que as obras possam ser iniciadas em breve. O projecto deverá estar concluído no próximo ano. A ideia é que possa ser erguido um canal com 729 metros de comprimento para ligar três canais já existentes que transportam água do interior da China para Macau.
IACM Muitos candidatos, poucas vagas
TIAGO ALCÂNTARA
Água Zhuhai vai construir novo canal de abastecimento para Macau
O Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) contabilizou 1585 candidatos para um total de 22 vagas no sorteio público da 4ª fase de ocupação de lugares vagos nos mercados, centros de comida e zonas de vendilhões. A informação foi dada ontem pelo próprio IACM em comunicado na página electrónica. De acordo com o instituto, das 161 candidaturas para 13 lugares do mercado, foram admitidas 160 e das 1424 candidaturas para os 8 lugares vagos na zona dos vendilhões, foram aceites 1409. Há ainda dois candidatos a quem foi de imediato destinado um lugar de mercado visto não terem concorrência e há ainda um lugar que não tem interessados.
do crescimento económico em Portugal” ou “O valor económico da distribuição turística em Portugal”.
RELAÇÕES DE PROXIMIDADE
APAVT “o congresso deste ano reflecte nos seus painéis a transversalidade desta actividade, voltando a assumir-se como o mais importante fórum do sector turístico nacional”
O
43.º Congresso Nacional da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) começa hoje, na Torre de Macau, e reunirá mais de 700 congressistas de todas as áreas, para debater o sector. A reunião anual destes agentes de turismo vai contar, nesta edição, com “mais de 700 congressistas, sendo 650 portugueses”, disse fonte oficial da APAVT à agência Lusa. “Podemos dizer que é a maior afluência dos últimos 20 anos, tendo ultrapassado todas as expectativas, o que nos obrigou pela primeira vez a suspender inscrições”, acrescentou. Uma nota da APAVT já referia, anteriormente, que “o sucesso” da iniciativa tinha obrigado “a condicionar a aceitação de novas inscrições à disponibilidade de alojamento que, caso a caso, se consiga obter, facto que acontece pela primeira vez na história deste evento”.
TURISMO CONGRESSO REÚNE MAIS DE 700 PESSOAS
Lotação esgotada
Começa hoje o 43.º Congresso Nacional da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo, na Torre de Macau. O evento bate, nesta edição, o recorde de participantes. A organização teve de recusar candidaturas e vai receber mais de 700 agentes ligados ao sector do turismo
Uma vez mais, sublinha a APAVT, “o congresso deste ano reflecte nos seus painéis a transversalidade desta actividade, voltando a assumir-se como o mais importante fórum do sector turístico nacional”.
ABERTURA DE HONRA
No primeiro dia de congresso, a abertura oficial tem como oradores
a secretária de Estado do Turismo de Portugal, Ana Mendes Godinho, o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura de Macau, Alexis Tam, e o presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira. “Os desafios e a responsabilidade de ser português”, que contará, entre outros, com o ex-presidente da Assembleia da República Jai-
me Gama e com o politólogo e empresário Jaime Nogueira Pinto, e o ‘workshop’ Portugal - China preencherão o primeiro dia do congresso. Nos restantes dias, abordar-se-ão, entre outros, temas como “Turismo - a transformação digital no caminho das oportunidades”, “O papel do Turismo na reinvenção
A 16 de Fevereiro, quando foi enunciado o evento, a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) de Macau lembrava que tem vindo a manter uma relação de proximidade histórica com a APAVT, tendo Macau acolhido quatro congressos da associação no passado”, o último em 2008. “A parceria tem sido crucial no sucesso da atractividade de Macau junto dos operadores e turistas portugueses”, afirmavam então os Serviços de Turismo de Macau. Nessa altura, eram esperados cerca de 500 profissionais do turismo português, em particular operadores turísticos e agentes de viagens. A directora da DST, Helena de Senna Fernandes, considerou “uma honra acolher uma vez mais este importante congresso” e destacou a relevância do evento “ao contribuir simultaneamente para a diversificação da indústria turística de Macau, e para o reforço da estratégia de promoção e de crescimento do número de turistas internacionais”. O presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira, também citado no comunicado, afirmava que “o anúncio desta decisão constitui uma enorme alegria para todos”, já que revela que a “atmosfera económica e a dinâmica da procura em Portugal” está agora “mais positiva e confiante”, permitindo à associação “voltar a optar por um congresso fora das fronteiras de Portugal”. “Macau é um destino histórico que, estando em permanente desenvolvimento, reúne todas as condições para cativar o interesse dos nossos operadores turísticos e agentes de viagens, e através deles os clientes nacionais”, acrescentava. LUSA
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quinta-feira 23.11.2017
PEARL HORIZON COMPRADORES INSISTEM NA INTERVENÇÃO DO EXECUTIVO
Crime Pai detido por assediar a filha de 20 anos
A Polícia Judiciária (PJ) deteve ontem um homem de 47 anos por assédio sexual à filha de 20 anos. De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, o homem é acusado do crime de coacção sexual. O suspeito está detido e actualmente vivia sózinho com as três filhas. A PJ declarou que o homem terá entrado no quarto da filha e começado a assediála. Na madrugada do mesmo dia, foi enviado um vídeo à vítima em que o detido está nú. A vítima foi pedir ajuda ao Instituto de Acção Social (IAS) e denunciou o caso junto da polícia. A PJ divulgou ainda que, devido à relação entre o detido e a vítima, a pena de prisão pode chegar aos 10 anos e 8 meses.
Troço da Estrada Flor de Lótus encerrado
O troço da Estrada Flor de Lótus, entre a Avenida Cidade Nova e a Rotunda Flor de Lótus, vai encerrar a partir de sexta-feira das 22h00 às 06h00, de acordo com a informação avançada, ontem, pela Direcção de Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT). O encerramento vai ter a duração de dois dias e foi justificado com a construção da passagem superior para peões da Estação do Posto Fronteiriço da Flor de Lótus do Metro Ligeiro. Como consequência deste condicionamento, o autocarro n.º MT4 deixa de parar, temporariamente, no Posto Fronteiriço do Cotai. Em alternativa, o autocarro passa pela Avenida do Cotai e pela Estrada do Istmo. O Governo apela aos condutores para “prestarem a atenção à alteração provisória de trânsito e às sinalizações in loco, conduzindo com precaução”.
E o disco toca e toca... A União dos Proprietários do Pearl Horizon entregou ontem duas cartas na Assembleia Legislativa. O grupo de compradores de casa lesados não desiste e exige ao Governo que actue. Sónia Chan agurada a decisão do TUI e até lá, apesar dos estudos e planos que, diz, estão a ser feitos, não avança com qualquer afirmação adicional
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EVE ontem lugar mais uma manifestação por parte dos proprietários lesados na compra de casa no Pearl Horizon. O protesto decorreu junto à Assembleia Legislativa (AL) em dia de apresentação das Linhas de Acção Governativa da secretaria da administração e justiça. De acordo com a União dos Proprietários do Pearl Horizon, o objectivo foi reforçar o pedido de intervenção do Governo. Para o efeito, o presidente da União, Kou Meng Pok, apresentou duas cartas, uma dirigida à secretária para a administração e justiça, Sónia Chan, e outra ao presidente da AL, Ho Iat Seng. Os queixosos pedem uma reunião com o Executivo com a presença de representantes do Grupo Polytec de modo a que sejam analisadas propostas capazes de entregar as casas aos compradores.
Ao HM, o presidente da União manifestou-se muito desiludido com a forma de tratamento do caso que tem sido dada pelo Governo. A situação já conta com mais de dois anos e até agora, não tem tido qualquer evolução. De acordo com Kou Meng Pok, o Grupo Polytec já mostrou estar disponível
para reunir com o Executivo, falta agora ao Governo concretizar o encontro.
PLANOS SECRETOS
Dentro da AL, o caso não passou despercebido. Para o deputado Zheng Anting, “os proprietários do Pearl Horizon continuam a sofrer”. Entretanto, aponta, “o Governo abriga-se
sempre nos acórdãos dos tribunais”. No caso em questão, Zheng Anting considera que está na altura do Executivo apresentar outro tipo de soluções capazes de resolver os problemas dos lesados. “Estamos sempre a aguardar pela decisão dos tribunais. Que opiniões é que o Governo recebeu?
Quais as soluções que o Governo vai lançar para os proprietários do Pearl Horizon?”, questionou. Entretanto, “os anos passam e como no caso Sin Fong Garden, as pessoas continuam a aguardar os casos em tribunal”. Em resposta a Zheng Anting, Sónia Chan garante que o Executivo “compreende as dificuldades dos compradores”. No entanto, resultados ainda não existem, mas existe “uma equipa para estudar as medidas de protecção dos interesses dos lesados e que conta com a participação de diferentes secretarias”. Por outro lado, “como ainda não há uma sentença do Tribunal de Última Instância, há que respeitar os procedimentos e não é possível divulgar neste momento um plano”, sendo que, adianta, “estamos a fazer planos diferentes”. Vitor Ng
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THE 13 ABRE A 31 DE MARÇO •O celebrado e polémico Hotel The 13 vai abrir as portas a 31 de Março do próximo ano, de acordo com um comunicado da empresa The 13 Holdings, à Bolsa de Hong Kong. Segundo o mesmo documento, até meados de Fevereiro, os trabalhos de instalação dos interiores e máquinas essenciais ao funcionamento do hotel vão ser terminados, para que depois possa ser feita a inspecção por parte da Direcção de Serviços de Turismo (DST). Após a inspecção, a The Holdings 13 espera que os Serviços de Turismo levem cerca de um mês, até meados de 2018, para emitirem as licenças necessárias para que o hotel possa operar. Depois, a partir de Março vão começar os trabalhos necessários para a abertura do hotel, que acontecerá a 31 de Março. Também de acordo com o comunicado, já foram contratados 250 funcionários.
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A L como descrito no Génesis, em Dezembro haverá luz. A dirigente máxima da Direcção dos Serviços de Turismo (DST), Helena de Senna Fernandes, anunciou a abertura da terceira edição do Festival de Luz de Macau. O evento começa no próximo dia 3 de Dezembro e decorre até ao final de Dezembro, todos os dias entre as 19 e as 22 horas. Este ano, a produção estará a cargo de mais de uma centena de produtores inteiramente locais, com eventos a decorrer um pouco por toda a cidade sob o tema “Amor Macau”. Helena de Senna Fernandes explicou que o tema do festival foi escolhido devido ao período complicado que Macau atravessou depois da passagem do tufão Hato. “Houve muito sofrimento, mas também solidariedade entre diversos sector de Macau”, explicou a directora da DST que acrescentou que o festival celebrará os laços de fraternidade e amor entre todos. No menu deste ano estão espectáculos de vídeo mapping, instalações luminosas, jogos interactivos, exposições em que a luz será o ingrediente principal, concertos de bandas locais e cinema ao ar livre. Os custos desta edição do festival são de 18 milhões de patacas, menos dois milhões do que na edição do ano anterior. As Ruínas de São Paulo foram o palco escolhido para a cerimónia de abertura, intitulada “Desejo Feito debaixo das Estrelas”, que decorre no dia 3 de Dezembro, às 18h45. O mesmo local acolhe mais dois espectáculos de video mapping, onde serão projectadas luzes que interagem com o relevo do monumento em alusão à confluência de culturas, religiões e etnias que marcam o território. Em “Amor Ilimitado” a narrativa passa pela viagem da frota portuguesa, ligando a Rota da Seda a Macau. No outro espectáculo, “Amor Interligado”, os espectadores embarcam num jogo interactivo que lhes possibilita a participação nas projecções de luz nas Ruínas de São Paulo.
LAGO DE LUZ
O ponto central do festival acontece no Lago Nam Van, onde será instalado o “Labirinto das Flores”, que irá ter várias configurações. O labirinto é um velho sonho de James
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FACA-SE LUZ! `
FESTIVAL DA LUZ DE MACAU ARRANCA A 3 DE DEZEMBRO COM O TEMA “AMOR MACAU”
A partir do próximo dia 3 de Dezembro e até ao final do ano Macau brilhará com mais intensidade. Começa o Festival da Luz que promete encher a cidade com projecções e jogos luminosos com produção cem por cento local. O evento custará 18 milhões de patacas, menos dois milhões que no ano passado Chu, presidente da Associação de Designers de Macau e um dos artistas que participa na exposição que a Casa Garden acolhe no âmbito do festival. Na tenda do Lago Nam Van serão projectadas imagens em luz, sendo permitido ao público participar com frases e haverá uma paragem de autocarro em holograma. Haverá ainda música, dança e jogos para públicos de todas as idades. A fachada da Igreja de Santo António será palco para “O Farol da Guia da Vida”, com uma projecção que pretende aliar histórias de amor e os marcos históricos da igreja. Na Igreja de São Lázaro será projectado o espectáculo visual “Misericórdia e Amor para Todos”, numa experiência que junta a música à profusão de luzes. A luz do festival vai também inundar a Freguesia de São Lázaro e as imediações do Jardim de Luís de Camões, enquanto que na zona das Casas-Museus da Taipa será montado um palco para concertos de bandas locais.
“O programa deste ano integra a história e a cultura da cidade e queremos torná-lo num evento de marca de Macau.” HELENA DE SENNA FERNANDES DIRECTORA DA DST
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA A VIDA QUER É CORAGEM • Ricardo Batista Amaral “A Vida Quer é Coragem” é mais do que a biografia da presidente do Brasil, Dilma Rousseff. É também um retrato do Brasil moderno, pujante, a respirar esperança e optimismo. O livro intercala momentos da vida da presidente, como a infância, a vida universitária, a clandestinidade e a prisão; com o contexto histórico que vai da ditadura à fundação do PT, as Directas e ainda a eleição de 2010.
Helena de Senna Fernandes estima que esta edição do Festival de Luz de Macau tenha mais visitantes, ultrapassando os 200 mil registados no ano passado. O optimismo da directora do DST é justificado por o festival ter mais locais e elementos. Ao mesmo tempo, a líder dos serviços de turismo conta com o maior reconhecimento que o evento tem na sua terceira edição. “O programa deste ano integra a história e a cultura da cidade e queremos torná-lo num evento de marca de Macau”, conta Helena de Senna Fernandes. Em simultâneo, a responsável máxima pelo turismo acrescenta que o Festival de Luz de Macau também pode beneficiar dos múltiplos eventos que acontecem ao longo do mês. Mais precisamente, a Maratona Internacional de Macau, que ocorre no mesmo dia da abertura do evento, o Festival Internacional de Cinema, o Festival de Compras de Macau, o Desfile Internacional de Macau, o Aniversário da RAEM, assim como a quadra natalícia que se avizinha.
JARDIM ILUMINADO
ACasa Garden recebe a exposição “Aluz na alma – Exposição de Luz de Macau”, que conta com a participação de José Drummond, João Ó e James Chu. “Este trabalho é um pouco a continuação de preocupações anteriores, com linhas de infinito que traçam metáforas sobre a vida, o amor e existência. A minha peça maior será muito proeminente porque obriga as pessoas a uma circulação especial dentro dela”, conta José Drummond. A obra em questão tem como título “There
Is a Light That Never Goes Out”, em alusão à música dos britânicos The Smiths. A experiência imersiva é composta por uma coreografia de luzes projectadas “numa espécie de corredor que as pessoas atravessam”, ao som da música dos The Smiths reinventada pelo artista, ao ponto de ser praticamente irreconhecível. José Drummond participa com mais duas peças em néon vermelho que funcionam como um antagonismo escrito. “Each man kills the things he loves”, de Oscar Wilde e “Find what you love and let it kill you” do poeta norte-americano Charles Bukowski. James Chu, outro dos artistas convidados a expor na Casa Garden, aventurou-se pela primeira vez numa experiência de projecção de vídeo. No entanto, o novo elemento será adicionado num contexto familiar, um quadro abstracto de nuvens coloridas. “Vou usar o vídeo para tentar projectar uma ideia que tenho na mente em cima da pintura. É a primeira vez que faço algo assim, ainda estou no processo criativo mas está a ser muito excitante”, conta o artista. Apesar de não ter concluído o trabalho, e de confessar que ainda não está satisfeito com os resultados alcançados até agora, James Chu tem tempo até à abertura do Festival de Luz de Macau. João Luz
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2032: A NOVA IDADE DE OURO • Diana Cooper O dia 21 de Dezembro de 2012 assinala o fim de um período astronómico de 26 000 anos e o início de uma nova era. As energias envolvidas nessa transição irão ter um enorme impacto no planeta, nos seres humanos e em áreas específicas como a economia, política e clima. Diana Cooper, reconhecida mestre espiritual, desvenda aquilo que será a evolução do mundo até 2032, um ano-chave. Nesta obra visionária, o leitor irá encontrar informação preciosa que o ajudará a compreender as mensagens das antigas profecias e a antecipar as incríveis mudanças planetárias que ocorrerão nos próximos 20 anos. Explica ainda, país a país, os principais acontecimentos da colossal transição que se prevê durar até 2032. Prepare-se para esta nova era, conhecendo as fantásticas oportunidades que estarão à sua disposição para elevar a sua consciência e abraçar um futuro de prosperidade.
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quinta-feira 23.11.2017
! Música Mendelssohn amanhã em concerto na Igreja de S. Domingos Sob a batuta do maestro Francis Kan, o concerto “Apaixonando pela Escócia” decorre amanhã, pelas 20h na Igreja de S. Domingos. O programa do espectáculo baseiase na Abertura das Hébridas e a Sinfonia N.º 3 “Escocesa” de Felix Mendelssohn. As obras escolhidas para amanhã expressam a paixão do compositor pela beleza natural e cultura da Escócia, mas reflectem também o estilo musical único de Mendelssohn. Amanhã a Igreja de S. Domingos será invadida pelas sonoridades do período romântico da música clássico europeia do século XIX.
Criatividade Semana do Design de Macau arranca a 25 de Novembro O Centro de Design de Macau acolhe a partir de sábado a Semana do Design de Macau, um evento que decorre até 2 de Dezembro e que arranca com um dia de concertos no espaço da Areia Preta, às 19h30. A música estará a cargo dos Mowave, BLACKLIST, Nothingmaker, Jmf e Dj Shortgun. O cartaz do certame conta uma exposição do colectivo Hylé Design, uma marca local. A Semana do Design de Macau conta ainda com a presença de trabalhos da Ultraworks, da Uini Soaps, que desenha sabonetes, a Ystudio e a empresa de Taipé 22 Studio Design.
MÚSICA A PLACE TO BURY STRANGERS EM HONG KONG A 16 DE DEZEMBRO
A
banda de Brooklyn, A Place to Bury Strangers, actua no Mom Livehouse no dia 16 de Dezembro, um sábado. O rock psicadélico cheio de ruído da banda norte-americana vai tomar de assalto a Ásia em tour, com concertos em Singapura, Manila, Kuala Lumpur, Tokyo,
Shangai, Pequim e Hong Kong. Quem ainda não viu os A Place to Bury Strangers ao vivo não deve perder a oportunidade de experimentar a energia visceral que o trio emprega ao palco. O trio conta com quatro álbuns na discografia. Depois de uma estreia que arrebatou os
palcos do mundo inteiro, assim como a crítica, a carreira dos A Place to Bury Strangers tem se mantido num nível de qualidade, dando tudo em palco. O último disco segue o caminho dos Jesus and Mary Chain, se bem com uma agressividade maior. “Transfixiation”, editado
em 2015, é um álbum que mais uma vez foi muito elogiado pela crítica da especialidade. A primeira parte estará a cargo dos So It Goes e o ingresso para o espectáculo custa 300 HK dólares.
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23.11.2017 quinta-feira
Ah Qiang, director da associação chinesa PFLAG “Ao pretender ser heterossexuais e beneficiarem das vantagens sociais, deixam os demais LGTB sozinhos perante as pressões”
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UANDO a chinesa Xiaoxiong e a sua companheira decidiram ocultar a relação dos seus pais, tiveram uma ideia: um casamento de conveniência com dois homens gays. Mas encontrar candidatos revelou-se complicado, e Xiaoxiong decidiu criar um fórum na internet para colocar homens e mulheres homossexuais em contacto. Os casamentos de conveniência resultam de pressões familiares e sociais na China, onde a união entre pessoas do mesmo sexo não é permitida e a homossexualidade é um tema tabu. “Eu estava tão aliviada por encontrar esta solução para agradar aos meus pais, sem ficar presa a um casamento com um pobre heterossexual”, explica Xiaoxiong, que oculta seu nome verdadeiro para proteger a sua privacidade. “Algumas de nós quisemo-nos enganar” com esses casamentos, diz a mulher, de 35 anos. Xiaoxiong vive com Xiaojing, de 36 anos, o seu cão e dois gatos em Shenyang, a capital da província de Liaoning, no nordeste da China. Mas durante as festas e reuniões familiares, juntam-se aos seus maridos para interpretar o papel de esposas diante das suas famílias.
“VONTADE DE VOMITAR”
“Depois de completar 25 anos, meus pais começaram-me a pres-
GAYS E LÉSBICAS OCULTAM-SE EM CASAMENTOS DE CONVENIÊNCIA
Para chinês ver... Os preconceitos fazem com que gays e lésbicas casem entre si para escapar à pressão social. sionar muito para que eu me casasse. Então, resolvi procurar ideias na internet”, explica Xiaoxiong, que criou o fórum de mensagens on-line QQ para encontrar o casal ideal e ajudar outras jovens lésbicas. Os primeiros homens contactados não gostaram: exigiam que elas deixassem o cabelo crescer ou que mudassem de cidade para viver na mesma casa que os seus futuros sogros, entre outros pedidos que foram considerados inaceitáveis. Em 2012, acabou por se casar com um professor de matemática 10 anos mais velho, cuja atitude tranquila lhe agradou. No entanto, ela ainda reage mal quando vê as fotos da festa de casamento, onde usou o tradicional vestido branco. Sobre o vídeo da ocasião, diz que “dá vontade de vomitar”.
Ao contrário de Xiaoxiong e da sua companheira, 90% dos 20 milhões de gays na China são casados com mulheres que ignoram a orientação sexual de seu marido, segundo um estudo da universidade de Qingdao publicado em 2012. Um dado que mostra a importante pressão social sofrida pelos homossexuais. Outros recorrem a vários sites criados para entrar em contacto com lésbicas que querem optar por casamentos de conveniência. O maior deles, o ChinaGayLes.com,
50.000 uniões de conveniência em 12 anos, diz o portal ChinaGayLes.com
diz ter mais de 400.000 utentes e 50.000 uniões em 12 anos.
SOLUÇÃO MILAGROSA?
Xiaojing, que está há oito anos com Xiaoxiong, encontrou um marido gay quase ao mesmo tempo que ela. As duas mulheres dirigem um centro de medicina tradicional chinesa e dedicam várias horas por semana para responder as perguntas em seu fórum de encontros. Apesar de sua escolha, Xiaojing adverte que os casamentos de conveniência podem causar problemas. “Algumas pessoas precipitam-se e casam-se com alguém que vieram de conhecer”, explica. “Mas tem que ser como para um verdadeiro casamento. Só funciona se os dois concordarem com o essencial, como o lugar onde vão morar, se vão ter filhos ou se estão realmente preocupados um com o outro”.
RETICÊNCIAS
Alguns militantes da causa homossexual desaprovam esses
matrimónios. “Ao pretender ser heterossexuais e beneficiarem das vantagens sociais, deixam os demais LGTB (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais) sozinhos perante as pressões”, declara à AFP Ah Qiang, director da associação chinesa PFLAG, que reúne pais e familiares de homossexuais. “Um dos motivos pelos quais a homofobia continua a ser tão forte na China é que muitos heterossexuais não conhecem ninguém abertamente gay”, lamenta.
“Depois de completar 25 anos, meus pais começaram-me a pressionar muito para que eu me casasse. Então, resolvi procurar ideias na internet.” Xiaoxiong e Xiaojing estão convencidas de uma coisa: as suas famílias sabem da sua orientação sexual, mas não querem aceitar. “Não precisamos de muito para a nossa felicidade”, insiste Xiaoxiong. “Quando estamos em casa, sentadas juntas, sentimo-nos serenas e felizes”. Joanna CHIUAFP
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quinta-feira 23.11.2017
Mais de 20 projectos ferroviários rolam no estrangeiro
As empresas chinesas estão a realizar mais de 20 projectos ferroviários no exterior, com um investimento total de 100 mil milhões de yuans, anunciaram na terça-feira as autoridades da China. Zhu Zhexun, engenheiro-chefe do China Railway International Group, disse que a construção está em andamento para projectos, incluindo a ferrovia China-Laos, uma ferrovia que liga a capital indonésia de Jacarta e Bandung, uma conexão entre a Sérvia e a Hungria e um metropolitano na cidade de Lahore, leste do Paquistão. Trabalho preliminar está a ser feito nas vias de alta velocidade entre a Malásia e Singapura e entre Moscovo e Kazan, na Rússia, afirmou Zhu. “As empresas chinesas têm uma forte vantagem competitiva em tecnologia, comboios, sistema de controlo, gestão e segurança”, afirmou. A China Railway Rolling Stock Corporation possui 75 filiais e 13 centros de pesquisa e desenvolvimento em 26 países e regiões.
“Vou aprender mandarim” Presidente chilena destaca importância da China para o futuro do mundo
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presidente do Chile, Michelle Bachelet, destacou na terça-feira a importância da China e da Ásia-Pacífico dizendo que o mundo actual gira em volta dessa área geopolítica. “Sabemos muito bem que nossa relação com a China e com a Ásia-Pacífico em particular é fundamental para que possamos chegar ao nosso destino. O mundo actual gira mais do que nunca em torno do Pacífico e, portanto, nos faz olhar nessa direcção”, afirmou Bachelet na celebração do 10º aniversário do Instituto Confúcio da Universidade de Santo Tomás, em Santiago, ocorrido no Centro Regional do Instituto Confúcio para a América Latina (Crical), com sede na cidade. A presidente indicou que os laços entre ambos os países não se limitam
ao facto de que a China já seja o principal parceiro comercial do Chile, mas vão mais à frente. “É um dos nossos principais parceiros políticos no caminho da abertura, da integração e da cooperação para o progresso. Acredito que percorremos um caminho muito positivo nas últimas décadas, de modo que temos que continuar avançando para chegar a passos firmes no nosso objectivo”, assinalou Bachelet.
A presidente sublinhou que as relações entre ambas as nações remontam a muito tempo e sublinhou que o Chile foi pioneiro em diversos marcos com a China. “Fomos o primeiro país (na América do Sul) a reconhecer a República Popular da China, o primeiro (na América Latina) a reconhecer sua economia socialista de mercado, o que lhe permitiu entrar na Organização Mundial do Comércio, e o primeiro PUB
Dois aviões Boeing vendidos no Taobao
A maior companhia aérea privada da China, a SF Express, comprou dois aviões Boeing 747-400, através da plataforma de comércio electrónico Taobao, por 322,8 milhões de yuan, foi ontem noticiado. De acordo com o jornal de Hong Kong South China Morning Post, a venda foi concluída depois de o vendedor, um tribunal de Shenzhen, ter organizado sem sucesso seis leilões. O tribunal confiscou os aviões, em 2013, no âmbito do processo de falência da companhia aérea Jade Cargo Internacional. Os Boeing foram então colocados à venda no Taobao, a maior plataforma de comércio electrónico da China. O país asiático é responsável por cerca de metade do conjunto mundial de vendas pela Internet. No ano passado, o comércio ‘online’ na China cresceu 26,2%, em termos homólogos, para 752 mil milhões de dólares, um valor equivalente a quase quatro vezes o Produto Interno Bruto (PIB) português.
CHINA-JAPÃO CONFIANÇA MÚTUA PRECISA DE “ESFORÇO CONTÍNUO”
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primeiro-ministro chinês Li Keqiang disse na terça-feira esperar que a comunidade empresarial do Japão continue a trabalhar para melhorar e desenvolver as relações sino-japonesas. O comentário foi feito num encontro com uma delegação japonesa de mais de 250 líderes comerciais de grandes empresas japonesas, liderada por Sadayuki Sakakibar, presidente da Federação Comercial do Japão, Shoji Muneoka, presidente da Associação de Economia e Comércio Japão-China e Akio Mimura, presidente da Câmara de Comércio e Indústria do Japão.
“O desenvolvimento saudável e estável das relações sino-japonesas corresponde aos interesses comuns de ambos os lados”, disse o primeiro-ministro Li. “A chave para melhorar os laços sino-japoneses é a confiança mútua e a base é a amizade dos dois povos”, concluiu. Li espera que os dois lados possam valorizar e consolidar a força positiva nas relações China-Japão e impulsionem os laços bilaterais para a direcção correta. Notando que a economia chinesa manterá uma tendência estável e positiva, Li disse que a China expandirá ainda mais a sua abertura ao mundo e proporcionará um ambiente comercial sem discriminação e justa tanto para as empresas chinesas como para as empresas estrangeiras. Os líderes empresariais japoneses saudaram a tendência positiva nas relações com a China.
país (latino-americano) a assinar um acordo de livre comércio (ALC) com a China, numa data que coincidiu com a inauguração do primeiro Instituto Confúcio em nosso país”, observou a mandatária. A ALC, comentou, foi chave para que as economias de ambos os países continuassem a expandir-se. “Graças à ALC, o comércio bilateral cresceu a uma taxa média anual de 16%, chegando no ano passado a US$ 31,4 mil milhões”, explicou. Bachelet sublinhou que as relações no futuro entre a China e o Chile estão bem asseguradas com a ampliação do novo tratado de livre comércio recentemente assinado na última cimeira da Cooperação Económica da Ásia-Pacífico (APEC), realizada no Vietname. Por outro lado, a presidente destacou a importância do Instituto Confúcio
para garantir as relações entre a China e o Chile. “Ao longo de todos estes anos temos dado grandes contribuição à construção de pontes transpacíficas que nos permitem avançar em nossa meta de nos tornar em uma plataforma de conexão entre a América do Sul e a Ásia, região em que a China cumpre por seu tamanho, dinamismo e riqueza cultural, um papel protagonista que é fundamental para a aproximação entre nossos continentes”, disse. E inclusive atreveu-se a insinuar que assim que terminar a sua presidência aprenderá mandarim, “o idioma no qual se discutirão os grandes temas do século XXI”. “O Instituto Confúcio é o principal meio de difusão do idioma e da cultura chinesa em nosso país através de cursos, oficinas e diferentes actividades culturais às quais no próximo ano, a partir de Março, penso em me inscrever”, afirmou. Antes do seu discurso, a presidente foi a uma exposição de cultura chinesa e aprendeu a escrever o seu nome em chinês.
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23.11.2017 quinta-feira
Quero ter, como blake, a contiguidade dos anjos e ter visões por almoco ´
A Poesia Completa de Li He
五月 雕玉押簾額,輕縠籠虛門。 井汲鉛華水,扇織鴛鴦紋。 回雪舞涼殿,甘露洗空綠。 羅袖從徊翔,香汗沾寶粟。
Quinta Lua Jade esculpido pesa nos lintéis, Leve gaze vela os portões abertos. De poços de chumbo puxamos a água em flor,1 Patos-mandarim ornam nossos leques.2 Neve rodopiante dança no Pavilhão do Frescor, Doce orvalho lava o ar esmeralda, Mangas de seda giram e pairam, O fragrante suor que as ensopa – joias de cereal.3
1 Os melhores poços eram revestidos a chumbo. Um comentador refere que a água tirada ao raiar do dia era conhecida por “água em flor”. Outro, refere que se trataria de água usada em cosméticos. 2 Símbolos de amor. 3 “Doce orvalho” e “suor fragrante” referem-se à transpiração das dançarinas no calor do verão. A última linha compara as gotas de suor a grãos de cereal.
Tradução de Rui Cascais • Ilustração de Rui Rasquinho Li He (790 a 816) nasceu em Fu-chang durante a Dinastia Tang, pertencendo a um ramo menor da casa imperial. A sua morte prematura aos vinte e sete anos, a par da escassez de pormenores biográficos, deixam-nos apenas com uma espécie de fantasma literário. A Nova História dos Tang (Xin Tang shu) diz-nos que He “nunca escrevia poemas sobre um tópico específico, forçando os seus versos a conformarem-se ao tema, como era prática de outros poetas [...] Tudo quanto escrevia era inquietantemente extraordinário, quebrando com a tradição literária.” Segundo um crítico da Dinastia Song, o alucinátorio idioma poético de Li He é a “linguagem de um imortal demoníaco.” A versão inglesa de referência aqui usada é a tradução clássica da autoria de J.D. Frodsham, intitulada Goddesses, Ghosts, and Demons, publicada em São Francisco, em 1983, pela North Point Press.
ARTES, LETRAS E IDEIAS 15
quinta-feira 23.11.2017
diários de próspero
António Cabrita
UANDO usei pela primeira vez a palavra clítoris? Certamente depois duma ida ao cinema; nessa “câmara escura” é que as coisas se passavam, em sadia troca de mãos, membros, bocas e flores carnívoras. E tendo lido num livro sobre sexologia trazido de Badajoz que estimular o clítoris fazia a diferença, isso passou a fazer parte da “conversa, clínica e técnica” que ocorria sempre depois das sessões: gostaste, tiveste orgasmo…etc., etc. Afinal, o que é um bem cultural? Se for toda a manifestação que incide directamente na consciência crítica do público e é objecto de experiência e de participação, naquele tempo o clítoris (e a obsessão analítica dos seus efeitos) era um inexcedível bem cultural. E era público: contaminava de decência qualquer discurso, como Wilhelm Reich, de resto. Um dia emperrei. Numa sessão de cine clube às 18h30, um filme antigo a preto e branco para nos abstrairmos de réstia de interesse pelo mesmo, e comprámos bilhete para o segundo balcão do Cine Incrível, um “albergue espanhol” afamado desde que uma jovem imitou no orgasmo os carrilhões de Mafra. Era o nosso jardim edénico. A luz apagou-se e a primeira poalha colorida foi projectada. E emergiu aquela voz tonitruante, hipnótica. Seguiu-se uma narração que à época julgava labiríntica e actuava como um anzol. E esqueci-me do nobre desígnio a que havíamos encomendado as almas. O filme chamava-se Citizen Kane e foi o primeiro que me arrebatou, numa viagem ao desconhecido. No fim, ela desviou-me para a garagem de uma amiga mas eu só me lembro do enigmático Rosebud. De outra vez, entrei desprevenido numa sessão da meia-noite e saí de lá vidrado por uma felina prostituta de meias verdes, a que Shirley MacLaine encarnava em Irma, la Douce. E só se atenuou quando sete anos depois fui ver Laços de Ternura e me apanhei dividido entre mãe e filha, precisamente a mesma Shirley e Debra Winger. Tenho saudades de me apaixonar no cinema. Ou de sentir que um filme ameaça a minha vida, como quando fui ver Lawrence da Arábia com a namorada e percebi no fim que a nossa relação tinha os dias contados porque ela saíra absolutamente apardalada pelo Omar Shariff, enquanto eu me aparentava ao Peter O’Toole, uma alva magreza de vela, com cabelos fulvos. Não sei o que procuram os jovens que se inscreveram no meu curso sobre Guionismo e que teve dia 16 a primeira aula. Suspeito que ao analisarmos a narrativa de Táxi Drive se estejam nas tintas para
JOHN HOUSTON, THE DEAD
O Clitóris e outros filmes Q
a estrutura trinitária das sequências, ou lhes passe ao lado o que quero eu dizer quando defendo que a montagem de um filme de acção é mais eficaz quando a sua progressão rítmica respeita o número de ouro no desenrolar das sequências. Não estão maduros para este tipo de informação ou para assimilarem que há uma geometria secreta na fabricação das histórias. Basta-lhes que haja miúdas e movimento, se possível um bom turning point, no fim do primeiro acto, e uma orgia barroca a marcar o clímax. Nada de revelações “estáticas” como a que ocorre no final de The Dead, de Huston, quando um homem olha do fundo da escada a sua mulher e percebe numa troca de olhares dela com um terceiro que a sua vida é uma soma de inapercebidos actos falhados. O “débacle” de uma vida há-de parecer-lhes pouco movimentado. Mas tudo tem uma segunda face. Esta semana – toujours en retard dans la vie - soube em Maputo que faz precisamente um ano que morreu Alberto Seixas Santos, para quem eu escrevi três filmes de ficção.
Os equívocos pessoais e profissionais em que nos embrulhámos não retira a menor parcela à evidência de que ele me ensinou a olhar e me aguçou o pensamento analítico. Colaborei em três projectos: em Paraíso Perdido, em O Mal, e naquele que seria o projecto da vida dele mas de que ele desistiu sem nos dar cavaco, a mim e à Maria Velho da Costa, que estivemos um ano a escavar em três episódios de hora e meia sobre o Camilo Castelo Branco – visto sob o ponto de vista do dinheiro, do amor e da escrita, guião que acabei por publicar dez anos depois sob o título Inferno. O Paraíso Perdido, o primeiro filme integralmente de ficção de Seixas Santos, foi um caso descoroçoador de junção entre a total inexperiência (a minha), uma absoluta conjunção de azares, nabices, e falta de nervo, dele, e uma circunstância um pouco canalha que para ser esmiuçada daria um livro. Várias más escolhas entretanto se avolumaram, de actores e técnicos. Coitado do Seixas passava tardes a mostrar álbuns do Hooper ao cameraman que
Um homem olha do fundo da escada a sua mulher e percebe numa troca de olhares dela com um terceiro que a sua vida é uma soma de inapercebidos actos falhados
reagia a “tais arrebatamentos da sensibilidade artística” com o ar perplexo de quem nos dias de folga se maravilha com a pornografia. O Alberto não aguentava a pressão. Era excelente a discorrer “no seu território” sobre qualquer aspecto da cultura. Com tempo e vagar. Não sitiado por uma equipa e actores que rogam por respostas prontas e um planeamento eficaz que não comporte lugar para a dúvida. A sua enorme capacidade analítica não se traduzia em beat, em ímpeto criativo, sobretudo naquele ritmo e numa produção desapiedadamente industrial. Numa sequência filmada na Biblioteca Nacional a equipa técnica chegou às seis e trinta da manhã para preparar o trabalho e esteve à espera até ao meio dia enquanto ele, de bloco na mão, riscava e tornava a riscar, tentando decidir sobre a decupagem das cenas. Isto repetiu-se em inúmeros dias, o que lhe minava a autoridade diante da equipa. O talento dele cumpria-se no vagar, não na prontidão das boxes. Amanhã vou olhar de frente os meus alunos e vou tentar adivinhar qual deles daqui a vinte e cinco anos escreverá uma crónica em que me recorda como um homem cheio de talento mas incapaz de estar pronto. Um homem sem clítoris - perdido para o pique, a sensação do instante, portanto.
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23.11.2017 quinta-feira
Michel Reis
O triunfo do barroco Palácio Nacional de Mafra 300 anos do lançamento da primeira pedra
pecialistas sobre a génese do pensamento e da cultura artística e arquitectónica barroca. A mostra ficará patente ao público português até 31 de Maio de 2018, seguindo-se uma itinerância na Baviera, na Alemanha, país de origem do arquitecto régio João Frederico Ludovice, que se viria a naturalizar português, a quem João V confiou a concepção deste monumental conjunto arquitectónico.
UMA MOSTRA EM PROCESSO
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EZ no passado dia 17 de Novembro 300 anos que foi lançada a primeira pedra do Palácio Nacional de Mafra (PNM). As entidades com responsabilidades na gestão deste notável conjunto patrimonial organizaram um vasto programa comemorativo, que teve início há um ano, no dia 17 de Novembro de 2016, e culminou com a inauguração da Exposição “Do Tratado à Obra - Génese da Arte e da Arquitectura no Palácio de Mafra” no dia 17 de Novembro de 2017, seguida do concerto de encerramento das comemorações. No mesmo dia, foi ainda lançado o 35º número da revista Monumentos, uma edição da Direcção-Geral do Património Mundial, dedicada ao palácio. No início do corrente mês de Novembro, foi reaberta ao público a Sala do Trono do palácio, após obras de restauro das pinturas neoclássicas que revestem o tecto e as paredes da sala (graças ao mecenato da Fundação BCP), da autoria de Cirilo Volkmar Machado e Domingos Sequeira. O Palácio Nacional de Mafra é uma obra maior do Barroco, em Portugal
e na Europa, e o mais importante monumento representante deste estilo em Portugal, nomeadamente do barroco joanino. Foi mandado construir pelo Rei D. João V em cumprimento de um voto para obter sucessão do seu casamento com D. Maria Ana Josefa, Arquiduquesa da Áustria ou, há quem diga, a cura de uma doença de que sofria, e inclui uma basílica de grandes dimensões, um convento, um palácio real, uma magnífica biblioteca com mais de 40 mil volumes, e outras instalações. O instrumentário da basílica inclui o único conjunto conhecido de seis órgãos construídos para execução simultânea, bem como dois carrilhões, ambos do século XVIII (torres Norte e Sul), fabricados na Flandres, os maiores do mundo. A Exposição “Do Tratado à Obra - Génese da Arte e da Arquitectura no Palácio de Mafra”, curada por Sandra Vaz Costa (historiadora de arte da Direcção Geral do Património Cultural - DGPC), Sérgio Gorjão (museólogo do PNM/DGPC) e Paulo Pereira (professor da Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa) e com design de José Dias, comemora os
300 anos do lançamento da primeira pedra do imponente edifício barroco mandado erguer pelo Rei D. João V. Espalhada ao longo de várias salas do palácio, foca-se na construção do monumento, mais propriamente no trabalho do alemão Johann Friedrich Ludwig, conhecido em Portugal como João Frederico Ludovice, o arquitecto principal, também autor, entre outros, do projecto da Capela de S. João Baptista da Igreja de S. Roque, mas também de outros arquitectos que contribuíram para a sua edificação. Inclui gravuras, materiais e instrumentos de construção, modelos de estátuas e vários objectos, de pesos a cabrestantes e compassos a moitões, contando com uma parceria com a Faculdade de Arquitectura de Lisboa, que, segundo a directora-geral do Património Cultural, Paula Silva, fez um varrimento de laser 3D que foi aproveitado para uma maqueta de madeira do palácio que ainda não está disponível, mas fará em breve parte da exposição. Trata-se de uma mostra inédita que, tal como o seu catálogo, envolve as mais recentes investigações de reputados es-
Segundo declarou Paulo Pereira ao jornal Público, a mostra era para ser apenas uma exposição de módulos informativos relativos a Ludovice, mas foi ganhando peso a hipótese de mostrar muitas das peças que fazem parte das reservas do palácio, que têm um valor imenso e raramente foram expostas. Este curador realçou também o foco na “materialidade da obra” e o facto de a mostra incluir tratados de arquitectura do século XVIII, vindos da biblioteca do PNM, que dão uma ideia das técnicas e conhecimentos que foram necessários para criar a obra. E ainda a envergadura dos trabalhos, que, na recta final da construção, envolveram cerca de 45 mil homens, após um mandato do rei a obrigar todos os operários do reino a irem para Mafra – que levou a que houvesse um período em que no resto do país não tivesse havido reparações nem novas obras. Referiu ainda que o objectivo é que esta recolha e investigação dêem origem a algo mais permanente, havendo a intenção de constituir um museu da obra, que pode reunir muitos dos materiais que se podem ver na exposição. Numa organização conjunta da Direcção Geral do Património Cultural/ Palácio Nacional de Mafra, Câmara Municipal de Mafra, Escola das Armas, Paróquia de Mafra e Tapada Nacional de Mafra, o programa comemorativo dos 300 anos, pautado pelas palavras-chave “qualificar” e “conhecer”, pretendeu dar a conhecer o diversificado conjunto patrimonial, candidato a Património Mundial da UNESCO, através da promoção de iniciativas como conferências, exposições, recriações históricas, lançamento de livros, concertos, espectáculos piro-musicais ou videomapping. Ao mesmo tempo, estas comemorações são sinónimo de investimento na qualificação dos espaços e dos mais singulares equipamentos, destacando-se a recuperação dos notáveis carrilhões do Palácio (cujo processo de concurso se encontra em fase de conclusão) e das pinturas murais da sala do trono, inaugurada no início do mês, assim como a melhoria das acessibilidades físicas e de comunicação (elevador, acesso à Basílica, nova sinalética e tabelas nas salas, e instalação de áudio-guias).
desporto 17
quinta-feira 23.11.2017
M
ACAU voltou a ser Macau e na Corrida de Qualificação Taça do Mundo FIA de GT um acidente dantesco deixou sessenta por cento do pelotão de fora, proporcionando pelo segundo ano consecutivo conteúdos virais nas redes sociais e voltando a dar munições aos críticos desta prova. “Não é bem o que queres ver...”, verbalizou o que sentia Maro Engel, momentos depois de assistir nos ecrãs gigantes do circuito à repetição do choque em cadeia no Ramal dos Mouros que obrigou quase todas as equipas e construtores a uma noitada para reparar os carros para domingo. No paddock, a opinião dividiu-se, mais uma vez, entre aqueles que defendem que estes são os riscos normais de uma participação num evento singular a nível mundial e aqueles que acham que o Circuito da Guia não se adequa a uma Taça FIA desta dimensão, com estes carros que custam milhões de patacas. Richard Coleman, CEO da Craft-Bamboo Racing, que inscreveu dois Porsche 911 GT3-R, era um dos mais insatisfeitos no final do dia de sábado. “Eu sei que as pessoas dizem sempre que isto é Macau, mas temos que questionar o espectáculo desportivo da corrida, com apenas uma mão de carros a terminar”, disse o inglês, após saber pelos técnicos da sua equipa que a célula de segurança do Porsche 911 GT3-R de Laurens Vanthoor tinha ficado comprometida e o detentor da Taça do Mundo de 2016 tinha ficado arredado de defender a coroa no domingo. Para a Audi, BMW e Mercedes-Benz o Grande Prémio de Macau continua a ser uma prova obrigató-
CONSTRUTORES E FIA SATISFEITOS COM A CORRIDA DOS GT
Macau-China (AAMC) na organização desta corrida. A federação internacional ainda não confirmou onde será realizada a Taça do Mundo em 2018, mas as indicações sobre um eventual regresso a Macau, ao contrário do que tinha acontecido o ano passado, são hoje bastante positivas.
Felizes e contentes ria, pois, para além do que acontece na pista, várias são as acções promocionais com clientes que são colocadas em paralelo com a realização do evento. A visita anual à RAEM é mais do que uma simples corrida de automóveis. A BMW regressou oficialmente este ano ao Circuito da Guia, onde apresentou o seu 18º “Art Car”, e apesar da elevada conta em estragos, não se arrepende. “Foi um fim-de-semana de inacreditavelmente empolgante – com um final dramático”, sintetizou Jens Marquardt, o director desportivo da BMW Motorsport, afirmando ainda que “é difícil desenhar uma conclusão definitiva de uma corrida como esta.” Mesmo não tendo vencido desta vez, a rival Audi, através do seu responsável
Karaté-do Treinos de captação A Escola de Karaté-Do Juvenil de Macau vai realizar treinos de captação no sábado, pelas 15h30, no Centro de Formação do Instituto do Desporto, na Estrada Coronel Mesquita. Segundo o Instituto do Desporto, os interessados têm de ter idades entre os 8 e os 16 anos e precisam de se fazer acompanhar por uma cópia do BIR e 100 patacas. As vagas disponíveis são 20. Os escolhidos vão depois participar ao longo do ano nas aulas de karaté-do, que decorrem aos sábados e domingos, entre as 14h00 e as 15h30, e que são leccionadas por monitores enviados pela Federação Geral de Karaté-do.
pelo desporto automóvel, Chris Reinke, resumiu assim o fim-de-semana: “foi caótico, ainda que ultimamente positivo.” A corrida de domingo, ganha por Edoardo Mortara, só contou com catorze dos vinte inscritos, mas o espectáculo em pista não desiludiu os espectadores e aficionados.
ESTÁ BEM COMO ESTÁ
Os críticos habituais desta corrida – uma Taça do Mundo FIA com carros GT3 num circuito com as características daquele da nossa cidade – têm apontado o tamanho e, principalmente, as velocidades atingidas por estes carros de mais de uma tonelada como uma razão para os vários acidentes, sugerindo que se faça a corrida com outro tipo de carros de Grande Turismo (GT). Esta
solução até poderia ser possível, dado o crescimento da categoria GT4, com viaturas de GT mais próximas dos carros do dia-a-dia, com andamento inferior e com custos muito mais baixos. Contudo, para os responsáveis da prova, a Taça do Mundo FIA de GT tem que ser feita com os actuais carros de GT e com as poderosas equipas de fábrica. “É verdade que a categoria GT4 é nova fórmula, mais barata e que irá crescer. Nós já vimos isso no Blancpain GT Series Asia. Mas os carros GT3 são o pináculo das corridas de GT e vão de mão dada com o Grande Prémio de Macau e o seu prestígio. É o mesmo que a obrigatoriedade de pilotos profissionais: esta corrida deve ser o melhor dos melhores”, explicou ao HM Benjamin Franassovici,
o responsável da SRO, a entidade apontada pela FIA para cooperar com a Associação Geral Automóvel de
Sérgio Fonseca
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PUB HM • 2ª VEZ • 23-11-17
ANÚNCIO Interdição
N.º
CV1-17-0051-CPE
1.º Juízo Cível
-----REQUERENTE: O Ministério Público. --------------------------------------------------REQUERIDO: Leong Wai Heng, maior, titular do B.I.R. n. XXXX 428(2), nascida a 28/06/1960, em Macau, filha de Leong Iok Kong e de Lou Lai Kuan, residente no lar Baía do Sol-Secção de Serviço Social da Igreja Metodista de Macau. --*** -----O MERITÍSSIMO JUIZ DO 1.º JUÍZO CÍVEL DO TRIBUNAL JUDICIAL DE BASE DA R.A.E.M.: ---------------------------------------------------------------------------FAZ SABER QUE, foi distribuída neste Tribunal, em 08 de Novembro de 2017, uma Acção Especial de Interdição, com o número acima indicado, que o Ministério Público move contra Leong Wai Heng, a fim de ser decretada a sua interdição por sofrer de uma deficiência mental grave e deficiência intelectual moderada. -------------------------------------------------------------------------------------------Para constar se lavrou este e outro de igual teor, que serão legalmente afixados. ------Tribunal Judicial de Base da R.A.E.M., 13 de Novembro 2017. -----------------***
18 (f)utilidades TEMPO
MUITO
23.11.2017 quinta-feira
O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje
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NUBLADO
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ESPECIAL FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA “YOU SHOOT, I SHOOT” DE PANG HO-CHEUNG Cinemateca Paixão | 15h30
Sábado
X THE ROOMS, FIRST LIVE GIG IN MACAU WHAT’S UP POP UP Calçada do Amparo | 20h00 às 22h00
Diariamente
EXPOSIÇÃO “PHOTOSYNTESIS” DE TANG KUOK HOU IFT Café | Até 01/12
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EXPOSIÇÃO “O TEMPO MEMORÁVEL” MAM | Até 25/02/2018 A LINGUAGEM E A ARTE DE XU BING MAM | Até 4/3/2018
PROBLEMA 167
SOLUÇÃO DO PROBLEMA 166
UM DISCO HOJE
C I N E M A
SUDOKU
DE
REPRESENTAÇÕES DA MULHER - COLECÇÃO DO MUSEU DE ARTE DE MACAU NOS SÉCULOS XIX E XX MAM | Até 10/12
Cineteatro
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MUNDOS INTERNOS
Sexta-feira
SALÃO DE OUTONO Casa Garden
YUAN
PÊLO DO CÃO
ESPECIAL FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA “ISABELLA” DE PANG HO-CHEUNG Cinemateca Paixão | 15h30
EXPOSIÇÃO “PURGE ONE´S MIND” DE LEUNG KIT MAN, IM HOK LON E MOK HEI SAN Galeria do lago Nam Van | Até 25/11
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Na minha cabeça existe uma fábrica de planetas. Todos os dias, em produção automática, produzo intrincados cenários de fantasias, paisagens que jamais podem existir onde as possibilidades suplantam loucamente os limites a rigidez da plausibilidade. Cores que não existem na limitada paleta real pintam personagens que caricaturam a experiência humana. Por vezes, pareço alheado das vozes que me rodeiam e, de facto, estou. Nesses momentos, novelos de palavras indizíveis assaltam-me o raciocínio, impondo-se a tudo o que é mundano e normal, analogias inusitadas e impróprias para consumo social inundam um discurso que acabo por censurar na maior parte das vezes. Tenho uma cascata torrencial dentro de mim, fonte de luz e bruma, dicotómica e violentamente imprecisa, parideira e exterminadora em simultâneo. Todos os dias, um rio vertical desce com o peso da excentricidade de juízo em cima de mim. Recebo esta torrente com alegria, é uma exaltação de que preciso e de que tenho saudades quando flui com menos intensidade. Dentro de mim cresce um oceano com marés de eloquência que não pertence ao mundo da conversação corriqueira, que apenas cabe num lugar de total confiança entre seres que também albergam mares revoltos. Dentro de mim conjuram-se sistemas planetários, supernovas e buracos negros como o breu do génesis da astrofísica. Criação e aniquilação numa singularidade imaginativa. João Luz
“WHISKEY” | JAY-JAY JOHANSON
“Whiskey” foi o álbum de apresentação do sueco Jay-Jay Johanson. De repente, ouvia-se uma voz quente, quase clássica, que contrastava e acompanhava uma série de arranjos electrónicos. “Whiskey” saiu, e como a líquido homónimo, aqueceu e conquistou. Ao primeiro tema “It hurts me so” está dado o mote amargo, mas muito doce que acompanha todo o disco. Mais de 20 anos depois do lançamento, o primeiro álbum de Johanson, continua a ser o seu melhor trabalho e quando é recordado, de tempos a tempos, traz sempre um gosto saudoso de surpresa. Sofia
Margarida Mota
HAPPY DEATH DAY SALA 1
JUSTICE LEAGUE [B] Fime de: Zack Snyder Com: Ben Affleck, Gal Gadot, Raymond Fisher, Jason Momoa, Erza Miller 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2
MANHUNT [C] Fime de: John Woo
Com: Zhang Hanyu, Masaharu Fukuyama, Qi Wei, Ha Jiwon 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 3
HAPPY DEATH DAY [C] Fime de: Christopher Landon Com: Jessica Rothe, Israel Broussard, Ruby Modine, Charles Aitken 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
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opinião 19
quinta-feira 23.11.2017
bairro do oriente
LEOCARDO
EDVARD MUNCH, O ASSASSINO, 1910
Manson Grand Prix
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EALIZOU-SE no passado fim-de-semana mais uma edição do Grande Prémio de Macau, que é uma daquelas coisas que, ou se gosta, ou se ignora – ou pelo menos se tenta ignorar. A minha relação com este evento, o maior cartaz desportivo (?) do ano no território, é um misto de desencanto, comunhão amigável e indiferença. É assim um bocado como uma pessoa de quem não tínhamos uma boa primeira impressão, depois chegamos a desenvolver uma relação cordial de quase amizade, e que depois ficámos sem ver por uns tempos, e actualmente cumprimentamos mais ou menos timidamente. Quando a cheguei a Macau julgava que o Grande Prémio era uma espécie de “monster meeting” depois de finda a época de Fórmula 1, onde os pilotos desta disciplina realizavam uma etapa extra-campeonato (vejam só a minha inguenidade!). Após o abismo dessa desilusão para o qual me encaminhei direito que nem um patinho, aprendi a aceitar o Grande Prémio e até
pensei que gostava dele, como requerimento para me considerar um “local”, completamente “integrado”, mas depois percebi que era um amor por interesse que não tinha interesse nenhum. Para quem não acha aquilo tudo “o máximo”, o melhor é aprender a manter a televisão desligada durante os quatro dias do Grande Prémio, ou melhor ainda, sair do território na quarta-feira à tarde e regressar no Domingo à noite. Mas isto é para quem pode, pois os que precisam de trabalhar na quinta e na sexta-feira encontram uma espécie de “muro de Berlim” construído em redor do circuito da Guia, e quase tão aborrecido de passar quanto o original (eu próprio não tenho muita razão de queixa, pois vivo e trabalho em “Berlim Ocidental”). E uma dúvida que ainda ninguém me conseguiu esclarecer: o que acontece à população que vive na Estrada dos Parses? É recolocada temporariamente, é indemnizada por ter lá os carros a rugirem-lhe à porta, ou é toda “aficionada” do “circo”? O Grande Prémio é a nossa versão revista, aumentada e um
Charles Manson não merecia estar vivo e muito menos solto. Posto isto, trata-se aqui de um génio, mas do mal
bocadinho mais poluidora do Carnaval brasileiro; em comum tem o facto de mal ter terminado esta edição, já se estar a pensar em preparar a próxima. * No mesmo dia em que caiu o pano do Grande Prémio de Macau, faleceu Charles Manson. E agora pode ser que o título deste artigo faça algum sentido. Não vou fazer aqui a apologia da violência e do horror como alguma forma de “arte marginal”, ou tentar relativizar os crimes hediondos cometidos por este indivíduo: Charles Manson não merecia estar vivo e muito menos solto. Posto isto, trata-se aqui de um génio, mas do mal. Um indivíduo que só precisou de passar 19 dos 83 anos da sua vida em liberdade para ter deixado uma ferida aberta na humanidade e de que ainda se fala 50 anos depois. Manson conseguiu convencer um monte de gente de que “era Deus” através dos argumentos mais absurdos (e muito LSD, também) , e ainda teve uma carreira literária e discográfica na prisão, enquanto cumpria as 12 perpétuas a que foi condenado. A questão dos nossos tempos é a seguinte: quem são os Mansons dos nossos tempos? E a que “família” pertencemos nós, também? Adeuzinho que foste tarde, ó Charles Manson. E longa vida ao Grande Prémio de Macau, já agora.
Não somos ricos pelo que temos mas sim pelo que não precisamos ter. Immanuel Kant
PALAVRA DO DIA
A desculpa do costume
quinta-feira 23.11.2017
SOFIA MARGARIDA MOTA
A
secretária para a Administração e Justiça de Macau disse ontem que lançar novo processo de reforma política “não é favorável ao desenvolvimento” económico, mas deputados pró-democracia discordaram que as alterações introduzidas desde 2001 tenham afectado a economia. “Em 2012, procedemos à reforma, demos um passo para a reforma do sistema político”, disse Sónia Chan, indicando que, desde então, passou “muito pouco tempo” e que é “preciso consolidar os resultados”. “Se houver alterações frequentes ao sistema político, isto não é favorável ao desenvolvimento da economia, da sociedade. Por isso, temos de consolidar os frutos sobre o actual sistema político (…). Só depois é que podemos pensar no próximo
TIAGO ALCÂNTARA
REFORMA POLÍTICA DEMOCRATAS CRITICAM SÓNIA CHAN
Au Kam San
Sulu Sou
passo”, acrescentou a governante, que falava no segundo dia da apresentação das Linhas de Acção Governativa da sua tutela na Assembleia Legislativa. O campo pró-democracia, actualmente com três
deputados no hemiciclo, tem ao longo dos anos reiterado o pedido ao governo para cumprir a promessa de “promover paulatinamente o desenvolvimento da política democrática”. Eleito pela população,
Sulu Sou, o mais jovem deputado de Macau, com 26 anos, foi um dos eleitos pela população a discordar da posição hoje reiterada pela secretária. “Que a reforma administrativa não é favorável
ao desenvolvimento social, eu não concordo, porque em 2007 e 2008 o nosso sistema político mudou. A comissão para [a eleição] do chefe do Executivo passou de 200 para 300 membros. Porque é que essas mudanças vão contribuir com factores desfavoráveis ao desenvolvimento?”, replicou Sulu Sou. Também eleito pelo sufrágio directo, o deputado veterano Au Kam San, por sua vez, acusou Sónia Chan de ter “sempre a mesma retórica, a falar que a oscilação na política pode afectar a economia”. De facto, de 2001 até 2009 houve alterações na composição da Assembleia e a economia não foi afectada. Temos de fazer esta alteração passo a passo e isto não vai afectar a nossa economia. Acho que o seu discurso é sempre o mesmo e não tem fundamento”, concluiu.
Raro Três vítimas de armas de fogo
Três pessoas morreram e outras seis ficaram feridas num tiroteio ocorrido na terça-feira à noite na China, onde a violência com armas de fogo é rara, informou a polícia local. “Segundo o inquérito preliminar, duas pessoas morreram no local e uma outra após dar entrada no hospital. Seis outras pessoas ficaram feridas”, indicou a polícia da cidade de Chaozhou na rede social Weibo. Citada pela France-Presse, a polícia informou ainda que identificou um suspeito, mas não avançou mais pormenores. O tiroteio ocorreu na província de Guangdong, que faz fronteira com Hong Kong e Macau. Segundo a AFP, as mortes causadas por disparos são raras na China, onde a posse de armas de fogo é estritamente proibida. Não existe qualquer estatística oficial sobre o número de mortes ligadas à violência armada no país.
Venerável árvore em campo de relva
EUA Avião militar despenhou-se no Pacífico com 11 pessoas a bordo
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Um avião militar dos Estados Unidos, com 11 pessoas a bordo, despenhou-se no Oceano Pacífico na altura em que se dirigia para o porta-aviões USS Ronald Reagan, disseram fontes da Marinha norte-americana. De acordo com um comunicado da 7.ª Esquadra da Marinha de Guerra dos Estados Unidos, com base no Japão, as operações de busca e resgate foram acionadas de imediato. “A operação de resgate dos tripulantes está em curso sendo que a avaliação das condições de saúde dos tripulantes vai ficar a cargo das equipas médicas do USS Ronald Reagan”, refere o comunicado. O local do incidente localiza-se no mar das Filipinas a sudoeste da base naval norte-americana de Okinawa. As identidades dos tripulantes ainda não foram divulgadas e as causas do acidente ainda não foram determinadas, acrescenta a Marinha dos Estados Unidos. A Marinha dos Estados Unidos registou este ano dois incidentes no Pacífico e que provocaram a morte a 17 marinheiros o que provocou o afastamento de oito oficiais de alta patente, incluindo o comandante da 7.ª Esquadra.
• Que o futebol apaixona cada vez mais chineses não é novidade. O próprio presidente Xi Jinping é um confesso fã da bola, o que deverá ter atraído vários milhões de compatriotas para a prática ou o mero vício de seguir o desporto-rei. A coisa já vai de tal modo que todos os terrenos possíveis são aproveitados para dar um chutos na redondinha. É o caso do liceu Yucai em Pequim: o único espaço disponível albergava uma venerável árvore. Feito o pedido às autoridades para a remoção do incómodo vegetal, a resposta veio negativa pois tratava-se de uma árvore muito especial, considerada um “tesouro nacional”. É, nem mais nem menos, que a mais antiga árvore da cidade, porque a escola foi construída sobre os antigos jardins imperiais Ming e Qing e o espécime é o último sobrevivente. Só que o governo demorou tanto tempo a responder que quando finalmente o édito chegou o campo já tinha sido construído. Agora jogadores e árvore estão destinados a entenderem-se, a encontrar as melhores soluções para a inusitada presença de uma e de outros. Talvez este exemplo dê início a uma nova modalidade: forest footbal...