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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
hojemacau PROMOÇÃO DO MANDARIM AMEAÇA LÍNGUA DE 62 MILHÕES
GRANDE DEMAIS PARA MORRER É uma língua milenar, com maneiras muito próprias de dizer. Mas, com a difusão crescente do mandarim, há quem tema pela sua sobrevivência e da cultura que transporta. Os optimistas garantem: é grande demais para morrer. PÁGINAS 2-3
UNIVERSIDADE DE MACAU
Na mira do Bill O reitor da UM quebrou o silêncio para falar de neutralidade. Bill Chou sublinha que, segundo esse princípio, outros deveriam também ser punidos. E dá exemplos
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SOCIEDADE PÁGINA
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CAMPANHA CE2014
Ouvidos para todos POLÍTICA PÁGINAS
4-5
EUA/DISTÚRBIOS
ORELHAS A ARDER China e Irão juntam a voz para criticar a hipocrisia de Washington e aconselham os americanos a olhar para dentro de casa. ÚLTIMA
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CANTONENSE
hoje macau sexta-feira 22.8.2014
RICARDO BORGES
UM DIALECTO? UMA LÍNGUA? UM IDIOMA EM EXTINÇÃO OU TALVEZ NÃO
R
A LINGUAGEM DAS PÉROLAS
info@hojemacau.com.mo
ECENTEMENTE, um crescente número de pessoas na Região Administrativa Especial de Hong Kong tem manifestado o seu desagrado em relação ao que vêem como um ataque ao seu idioma local, o cantonense. Tudo começou quando, em Fevereiro deste ano, o Departamento de Educação da RAEHK anunciou no seu portal que o cantonense não era uma língua oficial de Hong Kong. Apesar de as autoridades terem retirado a informação prontamente e até feito um pedido oficial de desculpas, o acontecimento deixou muita gente preocupada, visto o cantonense ser utilizado por 97% da população local. Uns dias depois, o portal noticioso “Passion Times” alertou a população sobre um vídeo produzido pela “HKedCity”, o portal de aprendizagem electrónica do Departamento de Educação, que figurava um diabo – que falava cantonense – com um plano maquiavélico de conquistar o mundo, que acabava no fim por ser derrotado por um grupo de heroínas que discursavam em mandarim. Apenas simbólico ou um aviso do que está para vir?
O cantonense é parte integrante da alma de Macau “pela maneira como as pessoas interagem, pela sua sonoridade, pela maneira como as palavras são usadas” SÉRGIO PEREZ Realizador
De acordo com um artigo publicado no “South China Morning Post” em Março deste ano, o Governo da RAEHK tem estado a tentar implementar o mandarim nas escolas desde 1997. Nessa reportagem, Robert Bauer, um perito em cantonense, que ensinou linguagem chinesa na Universidade Politécnica e na Universidade de Hong Kong, explica que o Governo colonial inglês deixou o cantonense prevalecer no território vizinho, pois o facto de haver diferenças entre as línguas usadas no continente e em Hong Kong serviam como uma forma de barreira que reforçava a separação das duas regiões. O capítulo 1 do artigo 9 da Lei
É à volta do Rio das Pérolas que nasceu e hoje sobrevive o cantonense, para além de países onde existe diáspora chinesa. Mas a promoção da língua nacional – o mandarim – tem assustado os seus defensores, que não querem ver desaparecer um produto cultural milenar, portador de tradições e saberes muito próprios vos. A polémica foi tal que a proposta teve de ser abandonada. O cantonense é usado no continente há muito tempo, sendo uma parte integrante da chamada cultura tradicional Lignan, que está associada ao sul da China. Ao mesmo tempo, a indústria cinematográfica e musical de Hong Kong têm contribuído para criar uma identidade própria, da qual o cantonense faz parte integrante.
MAIOR LÍNGUA DO MUNDO
Básica de Hong Kong diz que o chinês – que os locais sempre assumiram ser o cantonense – é uma língua oficial do território vizinho, mas a imprecisão da definição permitiu incidentes como o que ocorreu com o Departamento de Educação da RAEHK. De acordo com Robert Bauer, a Lei Básica fala apenas da linguagem escrita, enquanto que as autoridades interpretam essa declaração como abrangendo também a linguagem oral. Isso levou a que a legisladora de Hong Kong, Regina Ip Lau Suk-yee, se referisse ao cantonense como um simples dialecto.
DIÁSPORA DE GUANGDONG
O cantonense é conhecido como o idioma oficial da província de Guangdong, Hong Kong e Macau. É também utilizado em partes da província de
62
milhões de pessoas utilizam o cantonense Guangxi e em inúmeras comunidades chinesas pelo mundo fora, desde o Canadá aos Estados Unidos, passando pela Europa e pela Malásia. No total, as estimativas apontam para um universo global de aproximadamente 62 milhões de pessoas que usam o dialecto, o que o torna na terceira língua mais importante da China, atrás do dialecto de Xangai e do mandarim. Esta província beneficiou imenso com a campanha de abertura da China iniciada em 1978 por Deng Xiaoping,
- conhecida como “Open Door Policy” – visto estarem aí incluídas 3 das 4 zonas económicas especiais criadas na altura. Este factor contribuiu para a propagação global do cantonense, visto muita gente desta província ter posteriormente emigrado e criado comunidades chinesas pelo mundo fora. Em Junho de 2010, a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CPPCC) chegou mesmo a propor que canais da estação de televisão de Cantão passassem a produzir mais programas em mandarim para melhorar a qualidade das transmissões durante os Jogos Asiáticos que tiveram lugar nessa cidade em Novembro de 2010. Isto levou a que muita gente se revoltasse, virando-se para a internet para tecer uma grande variedade de comentários, na sua maioria negati-
O mandarim, por sua vez, é usado por quase mil milhões de pessoas, o que faz dela a língua mais usada no mundo. Porém, não é tão antigo como o cantonense. A sua escolha como língua oficial e posterior implementação remonta apenas ao início do século XX. Porém, o crescente poderio económico da China e consequente expansão global tem feito com que cada vez mais pessoas escolham enveredar pela sua aprendizagem, que muitos dizem ser mais fácil para um estrangeiro visto ter menos tons. A escrita também foi simplificada, usando agora a China os caracteres simplificados. A maneira de escrever o mandarim ou o cantonense é igual – mas como o cantonense é maioritariamente uma língua oral, pequenas adaptações são necessárias quando se passa para a escrita.
“Os caracteres tradicionais reproduzem imagens que ajudam a descodificá-los, mas os simplificados perderam esta qualidade” ZHENG DEHUA Professor universitário
FERNANDO GOMES, CONSELHEIRO DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS
“Mandarim na Escola Portuguesa foi um erro” A Escola Portuguesa de Macau ensina apenas mandarim aos seus alunos. Na altura em que o projecto foi proposto, ainda se considerou optar pelo cantonense, mas esta iniciativa recolheu apenas o apoio de duas pessoas – o médico Fernando Gomes, que foi presidente da Associação de Pais da Escola
Portuguesa desde 2001 a 2006, e o Padre Sequeira. No fim, acabaram por optar pelo mandarim, visto ser a língua oficial da China. Para Fernando Gomes, a escolha de ensinar o mandarim em detrimento do cantonense foi um erro, visto os alunos não terem possibilidade de praticar a
linguagem no dia-a-dia, já que em Macau a esmagadora maioria dos locais usam o cantonense no seu quotidiano. Em declarações ao HM, o médico revelou-se desapontado com o resultado, pois “é óbvio que os alunos não tiveram grande desempenho, pois poucos são os que podem praticar mandarim em
casa. Isto foi um desapontamento, visto eu ter lutado tanto para implementar o ensino do chinês na Escola Portuguesa. Tive mesmo de me deslocar a Portugal para pedir apoio ao Ministro da Educação da altura. Mas depois de quase oito anos deste programa, acho que os resultados falam por si próprios”.
Na China, usam-se por exemplo os caracteres simplificados para escrever mandarim no norte e cantonense no sul. Ao mesmo tempo, em Macau e Hong Kong usam-se os caracteres tradicionais para escrever cantonense, enquanto que em Taiwan os mesmos caracteres são usados para escrever mandarim. A grande diferença vem na maneira de ler os caracteres, que são interpretados vocalmente de diferentes maneiras dependendo do dialecto usado na região em questão.
cantonense 3
hoje macau sexta-feira 22.8.2014
A classificação tradicional chinesa identifica 7 grupos linguísticos na China - Gan, Guan (onde está incluído o mandarim), Kejia, Min, Wu (aqui pertence o dialecto de Xangai), Xiang, Yue (do qual é derivado o cantonense) – que depois originam mais de uma centena de dialectos. O facto de mais e mais escolas usarem apenas o mandarim como veículo de ensino leva a que muitos jovens sejam incapazes de falar os dialectos regionais, o que anda a preocupar muita gente na China.
A REALIDADE LOCAL
O realizador macaense Sérgio Perez deu-nos a sua opinião pessoal sobre a situação na RAEM. “Os locais sentem-se mais próximos uns dos outros quando comunicam em cantonense, pois dá-lhes uma identidade própria”, adiantando que o cantonense não ameaça a uniformização da China. “Há aqueles que acham que o facto de haver tantos idiomas diferentes é contraproducente e põe em causa a união. Impor o mandarim é um erro, pois arrisca-se perder especificidades e características únicas”, comentou. Ao mesmo tempo, Sérgio Perez defende que “se Macau quer ser um centro de cultura, tem que preservar todas as manifestações culturais, como a ópera cantonense, que são praticadas em cantonense. Fala-se muito do património intangível, e aqui temos o exemplo do patuá. Espero não vir a ver um dia o cantonense a lutar pela sua preservação. Há aqui uma desvalorização da importância das línguas, o que cria um conflito. Diz-se que se quer preservar a cultura, identidade e diversidade de determinados espaços, mas depois aplicam-se medidas que fazem o contrário.” Para o realizador, o cantonense é parte integrante da alma de Macau “pela maneira como as pessoas interagem, pela sua sonoridade, pela maneira como as palavras são usadas”. Tudo isso ajuda a definir uma identidade e cultura própria. Quanto ao futuro, isso vai depender dos responsáveis e das políticas de ensino que estabelecerem. “Sei que há uma grande aposta no mandarim e isso faz todo o sentido, mas nunca em detrimento do cantonense”, adiantou. Mas, por enquanto, é da opinião que o cantonense continua forte em Macau, “sendo utilizado pela maioria das pessoas. A classe política e os meios de comunicação social também continuam predominantemente a usá-lo”. Além disso, a sonoridade do cantonense, com os seus nove tons, “dá-lhe uma grande riqueza, permitindo um grande leque de possibilidades quanto a trocadilhos e duplos significados”.
UM GRANDE SIGNIFICADO CULTURAL
Elisabela Larrea, uma natural de Macau que está a tirar um doutoramento em Comunicação Intercultural na Universidade de Macau, não acha que o cantonense esteja a perder importância “pois esta linguagem acarreta um grande significado cultural para as pessoas que vivem na região”. Quanto a escolher uma das línguas para estudar, diz que “depende dos planos dessa pessoa para o futuro”. Se planeia ficar em Macau ou na região, recomenda o estudo do dialecto local, mas se pretende ir para outras partes da China, “nesse caso o mandarim seria sempre a melhor opção”. Mas
é sempre uma escolha pessoal. “Pessoalmente não concordo em comparar línguas. Cada uma é única na sua própria maneira e devemos respeitar todas. Há expressões que são únicas ao cantonense, não podendo ser reproduzidas noutro idioma, e acho que isso acontece com todas as línguas”.
O DUPLO SENTIDO DO CANTONENSE
UMA VISÃO ACADÉMICA
O professor Zheng Dehua, do Departamento de Chinês da Universidade de Macau, é um especialista em história chinesa moderna, história e cultura Lignan, história e cultura de Hong Kong e Macau e história dos chineses no estrangeiro. Para o académico “esta questão é um problema político. As autoridades criaram o mandarim para promover a união do país, visto o cantonense não ser entendido por toda a gente. Eu próprio uso o mandarim nas minhas aulas e o cantonense no meu quotidiano e recomendo que mais pessoas usem as duas línguas”.
A classificação tradicional chinesa identifica 7 grupos linguísticos na China - Gan, Guan (onde está incluído o mandarim), Kejia, Min, Wu (aqui pertence o dialecto de Xangai), Xiang, Yue (do qual é derivado o cantonense) – que depois originam mais de uma centena de dialectos Quanto às origens, explicou que “o cantonense, assim como muitos outros dialectos regionais, é bem mais antigo que o mandarim, que é derivado do dialecto de Pequim. Estes dialectos tradicionais integram muitos elementos da cultura do local de onde são provenientes, por isso têm de ser tomadas medidas para preservá-los, visto a linguagem ser muito importante para a identidade das pessoas”. Em relação à adopção de uma escrita simplificada, ensinou que “os caracteres tradicionais reproduzem imagens que ajudam a descodificá-los, mas os simplificados perderam esta qualidade. As pessoas que usam a escrita tradicional têm mais facilidade em compreender a simplificada, mas o contrário não se verifica. Assim, esta medida foi conveniente para alguns, mas para outros tornou o processo ainda mais complicado”. Para o futuro, adverte que “as autoridades de Pequim têm que ter cuidado para não impor demasiado o mandarim, senão arrisca perder os dialectos regionais, o que seria uma perda enorme. Espero que tenham isto em atenção no futuro para que se adoptem políticas mais equilibradas”.
Ng Kap-chuen, também conhecido como Ah To em fóruns
provérbios holandeses que vangloriavam a cultura do
da internet, ficou preocupado com a situação que o
país - Ah To produziu a obra “Great Canton and Hong Kong
cantonense enfrenta em Hong Kong e decidiu fazer algo
Proverbs” para dar vida a 83 provérbios cantonenses
sobre isso. Inspirado num trabalho de 1559 intitulado
que propagam a cultura e defendem a língua. O resultado
“Netherlandish Proverbs” da autoria de Pieter Bruegel
é um poster que mostra 83 situações caricatas,
- que criou uma séria de pinturas a óleo para ilustrar
correspondendo cada uma a um ditado popular chinês.
1
9
12
19
25
14
83 24
1
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上山捉蟹
放飛機
佛都有火
拉牛上樹
[séuhng sāan jūk háaih] (Apanhar caranguejos num monte) Super difícil, quase impossível
[fong fēi gēi] (Atirar um avião de papel) Quebrar uma promessa, quebrar um compromisso, não comparecer a um encontro
[faht dōu yáuh fó] (Até o Buda pega fogo) Até um nível intolerável, “isso é demais!”
[lāai ngàuh séuhng syuh] (Puxar uma vaca para cima de uma árvore) Uma tentativa fútil de fazer algo
19
賣魚佬洗身
24
玻璃夾萬 [bō lēi gaap maahn] (Um cofre de vidro) Algo que parece bom mas não é prático
[maaih yùh lóu sái sān] (Um vendedor de peixe lava o seu corpo – 冇晒腥氣 “não há mau cheiro”, que soa como 冇晒聲氣 “não há notícias”) Continuar à espera de receber uma resposta positiva
25
煲電話粥 [bōu dihn wá jūk] (Cozer canja ao telefone) Falar durante horas ao telefone
83
咁大隻蛤乸隨街跳 [gam daaih jek gap lá chèuih gāai tiu] (Um sapo tão grande a saltar na rua) Bom demais para ser verdade
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POLÍTICA
hoje macau sexta-feira 22.8.2014
CE2014 CHUI SAI ON PASSA O DIA ENTRE POLÍTICOS E CHINESES ULTRAMARINOS
Juízos de campanha FLORA FONG
Manhã local
HOJE MACAU
flora.fong@hojemacau.com.mo
A
FRONTEIRAS • Ao terminar o colóquio, o candidato respondeu aos jornalistas sobre os postos fronteiriços. Chui Sai On admitiu que espera uma extensão horária dos postos, reforçando a ideia do “funcionamento durante 24 horas” apresentadas no programa político. “O Governo da RAEM já se esforçou muito neste área, espero que o Governo Central possa autorizar a proposta de extensão do horário em curto prazo. Também desejo que a Zona Fronteiriça Industrial Zhuhai-Macau possa ser utilizada como passagem dos trabalhadores não residentes, diminuindo assim a pressão existente nos postos”, rematou o candidato.
PONTAS SOLTAS OUTRAS QUESTÕES APRESENTADAS PELOS PARTICIPANTES: • Direitos das mulheres • Construção de mais edifícios de serviços do Governo • Pressão das crianças criada pelo sistema de educação • Licenças profissionais e sistema de avaliação dos concursos dos funcionários públicos • Criação de túneis subterrâneos
deputada Kwan Tsui Hang foi a primeira a usar da palavra. “A capacidade de recepção da cidade de Macau tem causado muitos problemas”, disse. Na sua opinião, para além dos turistas não conseguirem sentir o território como uma “cidade de lazer”, este fluxo tem um grande impacto na vida da população. “O novo Governo deve potenciar um outro desenvolvimento económico, assim como apostar no aumento da mão-de-obra”, defendeu deputada da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM). Dando ênfase à área da empregabilidade, o também deputado dos Operários, Lam Heong Sang, questionou se a baixa taxa de desemprego sentida em Macau é sinónimo de um mercado de trabalho sem problemas. Lam mostrou ainda o seu descontentamento para com os mecanismos, plataformas e comissões governativas que, para si, “não apresentam resoluções reais para os problemas existentes em Macau”. Na resposta, Chui Sai On admitiu que vale a pena valorizar a questão apresentada por Kwan Tsui Hang, pois esta influencia directamente a qualidade de vida da população. “Desde o ano passado que podemos verificar que o Governo Central deixou de autorizar que turistas de outras cidades - para além de Hong Kong - conseguissem obter ‘vistos individuais’”. O único candidato acrescentou ainda que todos os anos o Governo confere ao Instituto de Formação Turística (IFT) a realização de um relatório sobre a capacidade de suporte da cidade, incluindo análise de facilidades de software e hardware, capacidade de recepção dos postos fronteiriços, sendo a qualidade de vida também uma das considerações do estudo.
“FALTA DE NEURÓNIOS”
Depois de demonstrar o seu apoio ao candidato, a deputada Melinda Chan manifestou o desejo de que Chui Sai On seja eleito com um grande número de votos, sem esconder que tem esperança na futura consolidação na área de formação profissional e das facilidades na educação especial. Por sua vez, o marido da Melinda, David Chow, e também membro do
Comité Nacional, criticou a existência de alguns titulares de cargos do Governo que pouco sabem de política. A estrutura dos serviços e órgãos com funções cruzadas foi também alvo de críticas por parte de David Chow. No meio de alguma indignação, o ex-deputado afirmou que “os cinco Secretários, inclusive os directores [dos serviços] têm falta de neurónios!” Para Chow, apesar dos lucros do Governo e da reserva financeira ter atingido os 400 mil milhões de
patacas, depois da transferência da soberania, espera-se que a sociedade seja mais desenvolvida, mas tal não acontece pois “as funções e estruturas cruzadas provocam um grande
“Os cinco Secretários, inclusive os directores [dos serviços] têm falta de neurónios!” DAVID CHOW
desperdício de recursos”. David Chow afirmou ainda que os recursos da reserva financeira “não devem apenas servir para fazer obras, mas também para outras áreas como os subsídios de aposentação”. Na sua resposta, o candidato referiu que além da apresentação do programa político eleitoral, espera promover uma mudança e uma reforma aumentando assim a eficácia da administração. As críticas dos deputados não se ficaram por aqui. Ho Ion Sang,
política 5
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Chegado o quinto dia de campanha, Chui Sai On ouviu as críticas e opiniões apresentadas pelos membros da Comissão Eleitoral do 4º sector, ou seja, alguns dos deputados da Assembleia Legislativa (AL), da Assembleia Popular Nacional, bem como membros de Macau do Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês
Tarde além mar
P
ARA a parte da tarde do quinto dia de campanha, Chui Sai On tinha agendado um colóquio com a Associação Geral dos Chineses Ultramarinos de Macau. As partes envolvidas trocaram opiniões sobre os serviços de saúde, a obrigatoriedade do Governo ter um papel de divulgador da verdade e esclarecedor para com a sociedade, a zona A dos novos terrenos e, também, sobre o aumento do número de autorizações de retorno dos familiares dos ultramarinos. “No Programa Político apresentado, mostrou vontade de criar um base de formação específica para médicos, bem como realizar um censo sobre o estado de saúde da população. Sugiro que o senhor Chui Sai On explique com mais detalhe estas ideias”, disse um dos membros da associação. “Apelo também que o Governo publique regularmente os processos de trabalho do terceiro hospital de Macau, ou seja, o Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas, e além disso, proponho também que este hospital funcione como faculdade de medicina”, acrescentou. Um outro participante defendeu que quando surgem falsas informações na sociedade, o Governo deve responder adequadamente e de forma oportuna à população, evitando assim distúrbios na governação da RAEM.
da União Geral das Associações de Moradores, referiu que a sociedade não tem confiança na governação da RAEM, e por isso, o novo Governo deve acabar os conflitos existentes, bem como, explicar de forma mais clara a política de habitação, restaurando assim a confiança pretendida. Por outro lado, o deputado Zheng Anting disse que esperava que Chui Sai On resolvesse os problemas existentes nas áreas da inflação, habitação, reordenamento dos bairros antigos e transporte.
Chegada a sua vez, a deputada Angela Leong considerou que na sociedade deve reinar um ambiente de harmoniosa discussão. Angela apelou que o antigo campus da Universidade de Macau deve ser usado para actividades aos portadores de deficiência. Já o deputado Cheang Chi Keong referiu que um grande número de jovens se dedica à indústria do jogo e, por isso, o Governo tem a responsabilidade de oferecer formações e cursos para os trabalhadores.
taram ensino superior no estrangeiro, que obtiveram boas qualificações profissionais, podem dar um bom contributo ao mercado do território. “Para atrair o retorno desses residentes sugiro que se crie um sistema de licença profissional mais completo, especialmente para os sectores que não sejam o do jogo. Assim, o Governo pode mostrar aos chineses ultramarinos a devida atenção relativamente à sua empregabilidade. Quanto ao concurso para os cargos na função pública deve ser criado um sistema de avaliação de notas unidos à licença profissional”. O interveniente registou ainda que espera que sejam criadas mais plataformas para que os jovens desenvolvam as suas habilidades, usando o exemplo do Prémio para Jovens Extraordinários de Hong Kong. “Assim os jovens sentem-se encorajados”, defendeu.
PALAVRA DE CANDIDATO
Como conclusão Chui Sai On reforçou a promessa promover um censo sobre o estado de saúde de toda a população, mostrando ainda a vontade de construir um centro para oferecer formação na medicina ocidental. “Sabendo que os profissionais da área de medicina não têm nem uma faculdade de medicina nem um capus de formação, defendo que seja necessária a construção de um espaço de ensino”, sublinhou Chui. “Espero que esse centro de formação seja uma realidade, assim como institutos que permitam a realização de várias investigações na área”, adiantou. O candidato recordou ainda que no passado, poucos estudos na área existiam em Macau, e por QUALIDADE NA ZONA A isso, espera que futuramente se possam realizar mais A questão da zona A dos novos terrenos não escapou estudos, análises, pesquisas e relatórios. ao colóquio. Um dos presentes considerou “urgente “A realização do censo permitirá perceber melhor discutir se a zona A é adequada para viver ou não”, a situação da saúde da população”, acrescentou. afirmando ainda que “a densidade populacional, devido Chui prometeu ainda um ajustamento dos conselhos ao aumento das habitações públicas na zona, é uma consultivos no novo mandato. “Uma nova medida deve preocupação da população”. Para este, o Governo ser implementada. Uma pessoa não deve ocupar o cargo deve usar medidas eficazes para criar assim uma zona de vogal em diferentes conselhos consultivos”, frisou, moderna e adequada à vida da sociedade actual. Na sua deixando a ideia de que a continuação automática do intervenção, o jovem membro da associação, sugeriu mandato do vogal não deve existir, permitindo assim ainda que se devem “criar túneis subterrâneos que dar oportunidade a novas pessoas. facilitem o transportes de todo Relativamente ao probleo tipo de energia para Macau”, ma da zona A, Chui Sai On “Existem cerca de 80 mil prometeu que a área deve onde o Metro Ligeiro estaria também contemplado por este ser adequada para viver. “A familiares dos chineses tipo de infra-estrutura. zona A deverá ter as condiLou Cheok Weng, um dos ções adequadas para viver ultramarinos que espero três vice-presidentes da assotrabalhar, assim como ter que possam vir a Macau” eespaços ciação aconselhou ao único de lazer. Considero LOU CHEOK WENG Vice-presidente candidato que o Governo deve que o Governo deve valorizar da Associação Geral dos Chineses alargar de forma apropriada este terreno, preparando-o de Ultramarinos de Macau a vinda de familiares directos forma correcta”. dos chineses ultramarinos para Respondendo a críticas o território. “Existem cerca de 80 mil familiares dos sobre os diferentes preços de carnes nos mercados e chineses ultramarinos que espero que possam vir a supermercados, o candidato afirmou que o assunto Macau. Considero ainda que esta massa pode ser já foi várias vezes discutido, acrescentando que uma boa parte de mão-de-obra barata para o território, já dedicou muita atenção à temática, incluindo preenchendo assim a falta de recursos humanos nos algumas visitas aos locais para melhor perceber vários sectores, tais como, condutores, trabalhadores o problema. de limpeza e de estabelecimentos de comida. Apesar de “Espero que através da revisão da Regime Junão fazerem parte de uma emigração de investimento rídico dos Direitos e Interesses dos Consumidores, no território, esta população tem diferentes qualificações a irregularidade seja resolvida, para que haja uma e habilidades”, frisou o vice-presidente. maior e melhor protecção dos residentes, aliviando assim as pressões na sua vida”, defendeu. APOSTA NA MÃO-DE-OBRA Em conclusão, Chui assumiu que no novo manUm dos membros da comissão da associação, apontou dato deve dar estar mais atento, fazer mais revisões que os mais de 15 mil chineses de Macau que frequen- e analisar os assuntos mencionados.
6 política
hoje macau sexta-feira 22.8.2014
Governo adiantou finalmente que a proposta de revisão do Quadro Geral do Fundo de Previdência Central deverá estar pronta para ir à Assembleia Legislativa até final do ano. A consulta pública sobre o tema já acabou e foram recolhidas cerca de 500 opiniões, por inquérito e telefone
REGIME DE PREVIDÊNCIA REVISÃO NA AL ATÉ FINAL DO ANO
O dinheiro não foge
“Nós colocámos muito dinheiro no fundo. Será que este pode sustentar as nossas vidas quando nos reformarmos?” QUESTÃO DE CIDADÃO NO “FÓRUM” DA RÁDIO MACAU
Outro dos residentes questionou a hipotética diminuição do volume investido no fundo, caso a economia mundial entre em recessão. “O Fundo de Previdência vai investir noutros fundos. Quando a economia mundial entrar em recessão, pode haver um défice. Isso quer dizer que o nosso fundo vai encolher”, comentou o cidadão.
LEONOR SÁ MACHADO
Leonor.machado@hojemacau.com.mo
JÁ NÃO ERA SEM TEMPO
A
revisão do diploma do Quadro Geral do Fundo de Previdência Central – que prevê a implementação do duplo sistema de contribuições – deverá dar entrada na Assembleia Legislativa (AL) até ao final deste ano. O anúncio foi feito ontem pelo presidente do conselho de administração do Fundo de Segurança Social (FSS), Ip Peng Kin, depois de alguns residentes terem levantado questões sobre a referida legislação,
Q
UAL o objectivo de criar uma regra que obriga a que os jovens do Instituto de Menores (IM) e os assistentes sociais anunciem ao “superior hierárquico” sempre que quiserem comunicar entre si? É isso mesmo que questiona o deputado Leong Veng Chai ao Governo. Num interpelação escrita, o deputado explica que segundo uma regra deontológica do pessoal da área de assistência social, este, “quando não tem nada a ver com a relação de trabalho”, só pode comunicar com os jovens, ainda membros ou não do IM, “sob prévio conhecimento do superior hierárquico”. Regra descabida para
tempo o dinheiro estiver alojado no fundo, mais próxima a taxa de retorno ficará nos 5%, acrescentando ainda que não há razão para alarme.
durante o programa “Fórum”, da Rádio Macau chinesa. Entre as várias opiniões ouvidas no programa, houve quem receasse
o desaparecimento do dinheiro que fora investido no fundo de previdência central. “Nós colocámos muito dinheiro no fundo. Será que este pode
sustentar as nossas vidas quando nos reformarmos?”, questionou um dos intervenientes. Sobre o assunto, Ip Peng Kin comentou que quanto mais
IM DEPUTADO QUESTIONA REGRAS DE INSTITUTO
Relações pendentes Leong Ven Chai, que defende que esta imposição viola os artigos 27º, 28º e 32º da Lei Básica que prevê que “os residentes de Macau gozam da liberdade pessoal, de associação e de comunicação”. Para o deputado, esta regra condiciona também a vida futuro dos jovens em causa “não podendo assim ajudá-los a livrar-se da má imagem do passado”. Os assistentes sociais, que segundo Leong, assumem o “papel de membro da geração mais velha”, de amigo e orien-
tador ao longo da vida dos jovens em causa vêm assim as suas relações de convívio sociais condicionadas. Leong Ven Chai vai mais longe e afirma que a regra em causa vai contra o objectivo da criação do IM que é o de “corrigir os problemas dos jovens internados, ao nível de conhecimentos, emoções e conduta, reforçando as suas capacidades de ponderação independente e de autonomia, bem como as técnicas profissionais, para lhes facilitar a inserção social no futuro”.
Por último, o deputado afirma que “segundo informações”, sabe que nem todos os trabalhadores da área em causa cumprem esta norma, por isso quer saber, se a regra se destina apenas a alguns funcionários.
CADASTRO POLÉMICO
Recorde-se que ainda durante o ano passado o IM esteve envolvido numa polémica com o seu corpo docente. Foram vários os professores, que segundo o deputado José Pereira Coutinho, se quei-
O período de consulta pública sobre a referida proposta de lei durou até dia 13 de Junho e acumulou 400 opiniões por inquérito e outra centena via telefónica. Recorde-se que é a primeira vez que o FSS anuncia uma data específica para a entrada da proposta de lei na AL. Em Abril passado, o presidente do conselho de administração do organismo disse mesmo que ainda não existia um calendário para a legislação.
xavam de pressões físicas e psicológicas e o caso chegou a ser investigado a mando da secretária Florinda Chan. Não contente com a investigação levada a cabo pela Direcção dos Serviços dos Assuntos de Justiça (DSAJ), o deputado voltou, na altura, a questionar o Governo, alegando que “não confiava nos resultados da investigação”. “Quer os Serviços de
Administração e Função Pública (SAFP) quer a DSAJ esquivaram-se de falar dos problemas importantes e deram respostas selectivas e superficiais, acompanhadas de bonitas expressões como tratar o assunto de acordo com a lei”, afirmou o deputado. Pereira Coutinho garantiu que a referida investigação foi arquivada “por não se ter verificado qualquer infracção disciplinar”. Acção insuficiente para o deputado que considerou que a DSAL “não tratou de forma prudente e justa os problemas existentes no IM”, não lhes dando assim a devida importância. “É uma vergonha e um escândalo”, disse. - H.M.
política 7
TIAGO ALCÂNTARA
hoje macau sexta-feira 22.8.2014
LEONOR SÁ MACHADO
leonor.machado@hojemacau.com.mo
O
deputado José Pereira Coutinho expressou preocupação quanto ao destino que será dado aos novos aterros B, C e D, já que foi anunciado que o A vai compreender a construção de casas para acolher habitação pública.
Macau celebra vitória sobre Japão
HABITAÇÃO PEREIRA COUTINHO PREOCUPADO COM DESTINO DE ATERROS
Afinal o que vai ser feito? Numa interpelação escrita, o deputado e presidente da Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) questionou o Executivo sobre que destino se pretende que seja dado a estas zonas, justificando que a primeira deverá ficar rapidamente sobrelotada. “Vai o Governo construir prédios de habitação nos aterros das Zonas B, C e D a fim de evitar a elevada concentração populacional em espaços exíguos, sem dignidade, sem qualidade, como os que pretende
O Governo vai realizar “actividades solenes” para comemorar o Dia da Vitória do Povo Chinês na Guerra de Resistência contra a Agressão Japonesa. Um comunicado do portavoz do Governo, explicou que “a Comissão Permanente da Assembleia Popular Nacional ratificou (…) a decisão de definir o dia 3 de Setembro como o Dia da Vitória do Povo Chinês na Guerra de Resistência contra a Agressão Japonesa a fim de recordar a vitória contra a agressão japonesa, comemorar os heróis, mártires e patriotas sacrificados na guerra, e manifestar a determinação firme do povo chinês contra a agressão e salvaguardar a paz”. As comemorações contarão com a presença do Chefe do Executivo, dos líderes do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM, do Exército de Libertação do Povo Chinês na RAEM, do Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros da RPC na RAEM, entre outros.
construir na zona A?”, questionou Pereira Coutinho. O deputado quis ainda saber se há um plano para a construção de instalações desportivas nestas mesmas zonas, “para uso diário dos residentes”, com incidência nos mais jovens. A terceira questão de Pereira Coutinho diz respeito à divulgação do calendário dos planos do Executivo, desde o início da construção das habitações até ao momento em que os residentes possam efectivamente mudar-se para as novas casas.
“Quando vai o Governo divulgar a calendarização integral dos planos de construção até a subsequente entrega das chaves das moradias para habitação aos residentes de Macau?”, perguntou o presidente da ATFPM, em interpelação escrita.
IDEIAS INCONCLUSIVAS
Têm sido várias as personalidades de Macau – incluindo deputados e académicos – que defendem a utilização dos aterros B, C e D para a construção de mais
habitações, ideia que Chui Sai On garantiu, durante a sua campanha para Chefe do Executivo, estar a ser pensada. Não há, no entanto, nenhuma decisão final para o destino a ser dados às zonas referidas. Sobre a zona A, na qual o Governo pretende construir 32 mil habitações públicas, alojando 100 mil pessoas, o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Lau Si Io, veio já assegurar que não há quaisquer planos para a concessão de terrenos à habitação privada.
UM ANGELA LEONG QUER VELHO CAMPUS PARA ENSINO ESPECIAL
Uma questão de racionalidade CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
A
deputada à Assembleia Legislativa (AL) e administradora da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), Angela Leong, lançou ontem uma carta aberta onde pede que o velho campus da Universidade de Macau (UM), localizado na Taipa, possa também ser destinado aos alunos com necessidades educativas especiais, por forma a responder à procura de formação de talentos por parte da sociedade. “Para além do Instituto Politécnico de Macau (IPM) e Instituto de Formação de Macau (IFM) também há escolas de
GPNÇALO LOBO PINHEIRO
Pereira Coutinho interpela o Governo sobre a sobrelotação populacional em espaços exíguos
ensino especial que precisam de mais instalações para o seu desenvolvimento”, escreveu a deputada.
“Nos últimos anos a sociedade fez sentir junto do Governo de que o apoio ao ensino especial não é suficiente para as suas
“Vai o Governo construir prédios de habitação nos aterros das Zonas B, C e D a fim de evitar a elevada concentração populacional em espaços exíguos (...) como os que pretende construir na zona A?” PEREIRA COUTINHO
actividades. Os alunos do ensino especial só podem ter aprendizagem e oportunidades consoante os serviços (existentes) e isso não é justo. Sentem que as políticas do Governo não os protegem”, referiu ainda Angela Leong, que espera uma maior integração destes alunos na sociedade e no ensino superior. A deputada pede ainda que o Executivo dê prioridade ao ensino especial no desenvolvimento das instalações, por forma a aproveitar os recursos humanos com uma “alocação racional”. A administradora da SJM pede ainda melhorias no sistema de transportes, especialmente na hora de ponta, na ligação com as residências. Recorde-se que a deputada exigiu várias vezes no hemiciclo uma utilização racional do espaço, para que este fosse utilizado pelos estudantes com necessidades especiais e portadores de deficiência.
SOCIEDADE
hoje macau sexta-feira 22.8.2014
GONÇALO LOBO PINHEIRO
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O reitor da Universidade de Macau deu ontem uma entrevista onde referiu que os docentes devem ser neutros politicamente e não revelar as suas ideias dentro da sala de aula. Bill Chou lança acusações e afirma: “alguns dos nossos professores participaram nas eleições ou foram nomeados para a Assembleia Legislativa, têm ideias políticas e deveriam ser punidos”
BILL CHOU DEFENDE-SE E FALA DE AGNES LAM E GABRIEL TONG
Farpas académicas ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
W
EI Zhao falou ontem pela primeira vez sobre o caso Bill Chou, desde que a Universidade de Macau (UM) decidiu não renovar o contrato com o docente de ciência política. Numa entrevista ao jornal Ou Mun e ao canal chinês da TDM, o reitor da UM disse que os docentes devem ser neutros politicamente dentro da sala de aula. “É perfeitamente aceitável que ele tenha as suas próprias opiniões e actividades na comunidade. Ele pode fazer o que quiser. Mas, dentro da sala de aula, no campus universitário, a lidar com alunos, temos de ter cuidado, temos de seguir as orientações. Se ele as violou, não tivemos outra opção a não ser lidar com o assunto”, disse o reitor, citado pelo canal português da Rádio Macau. Wei Zhao deu ainda como exemplo de violação de conduta, o docente que incentiva os alunos a participar em protestos ou actividades políticas e que, em troca, promete melhores notas.
“Não comento o que disse Bill Chou porque ele tem liberdade de expressão. Mas em relação à minha vida política e à carreira académica, nunca se misturaram. Sempre agi de forma neutra. Estou a actuar de acordo com a linha de conduta que acho que é básica para um académico e político”, disse ao HM, Gabriel Tong, deputado nomeado. Agnes Lam, que concorreu em 2009 e 2013 às eleições, garante que “nunca falei da Energia Cívica nas aulas, nem nunca promovi o meu programa político nas aulas. Nunca dei materiais promocionais. Simplesmente investiguei e ensinei”. “Não tenho nada a ver com o caso e não sei porque é que ele disse
isso. Na nossa universidade temos vários membros da Associação Novo Macau (ANM) que também participaram na campanha (para as eleições). Não é justo”, disse a docente de comunicação. Ainda segundo Agnes Lam, os docentes da UM pouco mais sabem do que aquilo que tem sido transmitido ao público. “Não estava no comité que analisou o caso dele (de Bill Chou) e não recebemos informação suficiente sobre o caso. O que tem sido falado, com base num comunicado, é que a conduta profissional não foi respeitada, e que relativamente a Bill Chou é uma questão académica e não política. Foi a única explicação que tivemos da universidade”, disse ao HM.
que eu, especificamente, tenho de ser politicamente neutro”, disse ao HM, numa clara referência, confirmada pelo próprio, aos docentes Agnes Lam e Gabriel Tong.
NÃO TEM NADA A VER COM POLÍTICA
Na mesma entrevista, Wei Zhao garantiu que Bill Chou não foi o único docente a sofrer um processo disciplinar por não respeitar o código de conduta da UM. O reitor da UM não disse, contudo, qual foi o erro específico de Bill Chou. “A conclusão (do processo) foi a de que o professor violou as nossas orientações, a chamada conduta profissional. Por uma questão de confidencialidade
MAIS DE NOVE MIL ALUNOS ESPERADOS EM HENGQIN Na mesma entrevista aos media chineses, Wei Zhao garantiu que são esperados nove mil alunos para o novo campus da UM na ilha de Hengqin, sendo que quatro mil ficarão nas residências e 1700 são alunos do primeiro ano de licenciatura. Sobre as falhas das infra-estruturas, o reitor da UM referiu que “é como quando mudamos para qualquer nova instalação, podem ocorrer alguns problemas, como a água não correr devidamente ou haver um curto circuito. Temos uma equipa preparada e estamos a tentar resolver os problemas”, disse, citado pela Rádio Macau.
BILL CHOU
“Ele pode fazer o que quiser. Mas, dentro da sala de aula, no campus universitário, a lidar com alunos, temos de ter cuidado, temos de seguir as orientações” WEI ZHAO Reitor da UM
– e, honestamente, para proteger os seus interesses e os da outra parte –, não posso revelar os detalhes sobre qual foi o erro que ele cometeu. Ele tem sido devidamente informado do erro que cometeu. Tudo o que posso dizer é que, em todo o processo, e na acção disciplinar que tomámos contra ele, nada teve a ver com as opiniões políticas, as actividades políticas, etc., que ele tinha na comunidade”, disse, segundo a Rádio Macau. Em relação aos documentos que tem na sua posse, Bill Chou garante que irá revelá-los o mais depressa possível, estando ainda a encontrar a melhor forma legal de o fazer.
HM
A DEFESA DOS PROFESSORES
Em declarações ao HM, Bill Chou defende-se. “Nunca dei melhores notas aos meus alunos pela sua participação política, nunca fiz isso. O reitor também disse que a UM pede que os docentes sejam politicamente neutros, mas da minha parte nunca recebi nenhum aviso sobre isso”, apontou o docente, que preferiu citar outros casos. “Alguns dos nossos professores participaram nas eleições ou foram nomeados para a Assembleia Legislativa (AL), o que mostra que têm ideias políticas. Então essas pessoas também deveriam ser punidas, mas a verdade é que a universidade nunca fez nada. Parece que o reitor está a dizer
“Alguns dos nossos professores participaram nas eleições ou foram nomeados para a Assembleia Legislativa (AL), o que mostra que têm ideias políticas. Então essas pessoas também deveriam ser punidas”
sociedade 9
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CASO PASSA DESPERCEBIDO JUNTO DOS ALUNOS
O estranho silêncio dos estudantes da UM Ao contrário do que aconteceu com Eric Sautedé, na USJ, a polémica em torno do caso de Bill Chou ainda não desencadeou acções concretas de apoio ao académico. Para Rocky Chan, líder do movimento de alunos da USJ, é preciso esperar por mais detalhes para passar à acção
Até ser tempo de falar O inquérito à comunidade LGBT de Macau “continua a decorrer”. Quem o confirma é o Anthony Lam, presidente da Associação Arco-Íris, impulsionadora da acção. “Decidimos estender o prazo para dar oportunidade a que mais pessoas participem sem sentir qualquer pressão”, explica o presidente que admite que “o tempo que estava estipulado era muito pouco”. Para Anthony Lam o assunto é muito delicado. Por isso mesmo é que a associação decidiu dar “o tempo que cada um precisa” para responder ao inquérito. A decorrer de forma online, o questionário pretende saber mais sobre a comunidade LGBT e as dificuldades sentidas no território. Na segunda edição, o inquérito conta com a participação de vários académicos “de algumas instituições de ensino de Hong Kong” que para além de terem auxiliado na elaboração das perguntas, vão analisar e apresentar os resultados. “Para já ainda não sabemos quando vamos terminar com o inquérito”, disse Anthony que considera que “não é a
melhor altura por estar tanta coisa a acontecer em Macau”. O presidente da associação referia-se à campanha política de Chui Sai On e ao ‘referendo civil’ levado a cabo por três associações pró-democratas que segundo Jason Chao, presidente de uma delas, acontecerá já no próximo domingo. Posteriormente, a associação Arco-Íris pretende mostrar novamente os resultados ao Governo, à semelhança do que fez o ano passado. “Os resultados do ano passado foram alarmantes, porque 20% dos nossos entrevistados disseram que já pensaram em cometer suicídio. Este ano vamos promover uma conferência de imprensa ou um seminário para que a sociedade conheça mais alguns dados sobre a segunda fase do inquérito”, disse Anthony Lam. A Associação Arco-Íris de Macau celebrou o primeiro aniversário em Dezembro do ano passado, e já se envolveu em questões públicas como o direito ao casamento homossexual. A definição de casais do mesmo sexo na nova lei da violência doméstica foi outro dos pedidos feitos pela associação. - HM
O
deputado Chan Meng Kam questionou o Governo sobre o serviço dos táxis amarelos. Num interpelação escrita, referiu que, actualmente, cerca de 60% destes táxis apenas atendem clientes através de pedidos por telefone, não lhes sendo permitido recolher passageiros na rua. No documento, Chan Meng Kam disse ainda que o intuito da revisão da lei relativa a este tipo de transporte é facilitar o serviço aos cidadãos. “Na prática, surgiu uma situação em que os residentes não conseguem chamar um táxi [preto] e os táxis amarelos acabam por não ter clientela suficiente”, lê-se na interpelação. Faltam ainda três meses para que os restantes 40% de táxis amarelos sejam obrigados a seguir o regime de reserva por chamada telefónica e é por isso mesmo que o deputado refere que a actual situação não facilita que este resultado seja atingido. Além de querer saber mais dados sobre a operação geral dos táxis amarelos no território, Chan Meng Kam questionou o Executivo sobre como deverá funcionar o concurso público sobre a licença especial dos táxis.
andreia.silva@hojemacau.com.mo
A
TIAGO ALCÂNTARA
Chan Meng Kam quer saber mais sobre táxis amarelos
ANDREIA SOFIA SILVA
não renovação do contrato do professor Bill Chou não gerou ainda qualquer movimento de apoio junto dos alunos, ao contrário do que sucedeu com o caso de Eric Sautedé na Universidade de São José (USJ). Apesar de considerar os casos semelhantes, Rocky Chan, líder do movimento de alunos da USJ que resultou na entrega de várias petições e antigo estudante da instituição, confirmou ao HM que não está a preparar qualquer actividade focada no caso da Universidade de Macau (UM). Kaman Chan, presidente da União do Estudantes da UM (UEUM) o ano passado, desconhece os planos da actual direcção. “Penso que os estudantes possam fazer alguma coisa, ou que a associação dele, a ANM, possa fazer alguma coisa”, considerou, lembrando o caso da estudante que empenhou um cartaz na cerimónia de graduação da UM, onde se lia “apoiem os académicos, por favor parem a perseguição”. “Os estudantes poderão não saber a influência que isso terá sobre eles”, defendeu Rocky Chan ao HM. “Depois do Bill Chou partilhar as informações (dos documentos que tem em sua posse), e quando os estudantes souberem mais detalhes do caso, penso que deveriam fazer alguma actividade para mostrar as suas opiniões sobre o caso. Não devem manter-se em silêncio”, defendeu o antigo aluno da USJ. Para o também membro da ANM, “há duas maneiras de fazer isso: podem organizar-se e apresentar as suas opiniões junto da reitoria da universidade, ou através da internet, com um slogan, e mostrar as suas preocupações sobre o caso”.
O HM contactou o actual presidente da UEUM para obter mais esclarecimentos sobre o caso, mas o mesmo revelou estar ocupado com a recepção dos novos alunos. Na página oficial da UEUM no Facebook não existem quaisquer indicações de actividades sobre o caso. Rocky Chan, que liderou a entrega de várias petições para impedir a saída de Eric Sautedé da USJ, considera que a situação na UM representa mais um caso de violação da liberdade académica. “Sei que não há motivos razoáveis para despedir Bill Chou, e não há protecção aos docentes. Estes têm o direito de expressar as suas opiniões, não apenas em termos de investigação mas também para partilhar o seu conhecimento com a sociedade. Estou desapontado sobre essa decisão que não é justificável”, disse ao HM.
UM CASO QUE PASSA DESPERCEBIDO
Nos poucos contactos que o HM conseguiu estabelecer com
alunos de Bill Chou, os alunos revelaram estar ocupados e não querer prestar declarações, optando por fornecer contactos de colegas para falar do assunto. Kaman Chan, actualmente a estudar no mestrado de Direito, chegou a ser aluna de Bill Chou durante a licenciatura em Administração Pública. “Ele foi um bom professor e tanto eu como os meus colegas gostámos muito das aulas dele. Não sei o que aconteceu entre ele e a universidade e não sei porque é que não lhe renovaram o contrato. Só sei que ele é um bom professor e sempre esteve disponível para falar connosco”, disse a aluna ao HM. Se Katrina considera que Macau tem um bom ambiente académico para o debate de ideias políticas, Kaman Chan afirma ter conhecimento de que “alguns alunos possam querer lutar” por uma maior liberdade académica. Ao HM, Bill Chou diz que tem recebido várias mensagens de apoio da parte dos alunos na sua página do Facebook.
TIAGO ALCÂNTARA
LGBT ALARGADO PERÍODO PARA INQUÉRITO
“Ele foi um bom professor e tanto eu como os meus colegas gostámos muito das aulas dele. Não sei o que aconteceu entre ele e a universidade e não sei porque é que não lhe renovaram o contrato” KAMAN CHAN Estudante de Direito e ex-aluna de Bill Chou
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hoje macau sexta-feira 22.8.2014
Notificação no 00011/NOEP/GJN/2014 Considerando que não se revela possível notificar os interessados, pessoalmente, por ofício, telefone, ou outra forma, para o efeito do regime procedimental nos respectivos processos administrativos sancionatórios, nos termos do artigo 14º do Decreto-Lei nº 52/99/M, de 4 de Outubro, do artigo 68º e do nº 1 do artigo 72º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei nº 57/99/M, de 11 de Outubro, o signatário notifica, pela presente, nos termos do nº 2 do artigo 72º do Código do Procedimento Administrativo e no uso das competências conferidas pelo Conselho de Administração do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais e constantes da Proposta de Deliberação nº 01/PDCA/2014, de 9 de Maio, publicada na Série II do Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau nº 20, de 15 de Maio de 2014 e pelo Despacho do Chefe do Executivo nº 83/2014, publicado na Série II do Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau nº 19, de 7 de Maio de 2014, os infractores, constantes das tabelas desta notificação, do conteúdo das respectivas decisões sancionatórias: Nos termos do nº 4 do artigo 36º, nº 1 do artigo 37º, artigo 38º, artigo 39º e nos 1 e 2 do artigo 55º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos, aprovado pelo Regulamento Administrativo nº 28/2004 e em conjugação com o no 2 do artigo 5º do Código do Procedimento Administrativo, o Presidente do Conselho de Administração, ou seus substitutos, exararam despachos nas respectivas informações, tendo em consideração as infracções administrativas comprovadas e a existência de culpa confirmada. Assim: 1.
Foram aplicadas aos infractores, constantes da Tabela I, as multas previstas no nº 1 do artigo 45º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e no artigo 1º do Catálogo das Infracções, no valor de MOP300,00 (cada infracção): 1)
Primeira prestação: No valor de MOP150,00 – No prazo de 10 (dez) dias contado a partir da publicação e afixação da presente notificação.
2)
Segunda prestação: No valor de MOP150,00 – No prazo de 60 (sessenta) dias contado a partir da publicação e afixação da presente notificação. O facto ilícito exarado na acusação, provado testemunhalmente, constitui infracção administrativa ao disposto na alínea 2) do nº 4 do artigo 7º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e previstos no nº 3 do artigo 1º do Catálogo das Infracções, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo nº 106/2005, porquanto resulta da prática do acto de “pesca em locais não autorizados”, tendo sido o infractor notificado do conteúdo da acusação. (cfr.: Tabela I)
2.
Foram aplicadas aos infractores, constantes das Tabelas II a VI, as multas previstas no nº 2 do artigo 45º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e no artigo 2º do Catálogo das Infracções, no valor de MOP600,00 (cada infracção): 1)
Primeira prestação: No valor de MOP300,00 – No prazo de 10 (dez) dias contado a partir da publicação e afixação da presente notificação.
2)
Segunda prestação: No valor de MOP300,00 – No prazo de 60 (sessenta) dias contado a partir da publicação e afixação da presente notificação. Os factos ilícitos exarados nas acusações, provados testemunhalmente, constituem infracções administrativas ao disposto no nº 1 do artigo 13º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e previstos no nº 7 do artigo 2º do Catálogo das Infracções, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo nº 106/2005, porquanto resultam da prática de actos de “nos espaços públicos, abandonar resíduos sólidos fora dos locais e recipientes especificamente destinados à sua deposição”, tendo sido os infractores notificados do conteúdo das acusações. (cfr.: Tabela II) Os factos ilícitos exarados nas acusações, provados testemunhalmente, constituem infracções administrativas ao disposto no nº 1 do artigo 4º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e previstos no nº 23 do artigo 2º do Catálogo das Infracções, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo nº 106/2005, porquanto resultam da prática de actos de “colocar ou abandonar no espaço público quaisquer materiais ou objectos”, tendo sido os infractores notificados do conteúdo das acusações. (cfr.: Tabela III) O facto ilícito exarado na acusação, provado testemunhalmente, constitui infracção administrativa ao disposto na alínea 3) do nº 1 do artigo 9º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e previstos no nº 30 do artigo 2º do Catálogo das Infracções, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo nº 106/2005, porquanto resultam da prática de actos de “Permitir a circulação de animal nos espaços públicos sem que ele esteja preso em gaiola, jaula, por trela ou aparelho similar ou sem que ele use os aparelhos de identificação e de segurança estabelecidos na licença”, tendo sido os infractores notificados do conteúdo da acusação. (cfr.: Tabela IV) O facto ilícito exarado na acusação, provado testemunhalmente, constitui infracção administrativa ao disposto na alínea 1) do nº 2 do artigo 2º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e previstos no nº 28 do artigo 2º do Catálogo das Infracções, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo nº 106/2005, porquanto resulta da prática do acto de “Gravar inscrições, desenhar ou pintar nas superfícies das instalações ou dos equipamentos públicos”, tendo sido o infractor notificado do conteúdo da acusação. (cfr.: Tabela V) Os factos ilícitos exarados nas acusações, provados testemunhalmente, constituem infracções administrativas ao disposto na alínea 1) do nº 1 do Artigo 2º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e previsto no nº 18 do Artigo 2º do Catálogo das Infracções, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo nº 106/2005, porquanto resultam da prática de actos de “Remover, remexer ou escolher resíduos contidos nos equipamentos de deposição”, tendo sido os infractores notificados do conteúdo das acusações. (cfr.: Tabela VI).
3.
Além disso, os infractores podem ainda apresentar reclamação contra os actos sancionatórios ao autor do acto, no prazo de 15 (quinze) dias, a contar da data da publicação da notificação, nos termos dos artigos 145º, 148º e 149º do Código do Procedimento Administrativo, sem prejuízo da aplicação do disposto no artigo 123º do referido código. Para efeitos do disposto no nº 2 do artigo 150º do mesmo diploma, a reclamação não tem efeito suspensivo sobre o acto.
4.
5.
6.
Quanto aos actos sancionatórios, os infractores podem apresentar recurso contencioso no prazo estipulado nos artigos 25º e 26º do Código de Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei nº 110/99/M, de 13 de Dezembro, para o Tribunal Administrativo da Região Administrativa Especial de Macau. Sem prejuízo da aplicação do disposto no artigo 75º do Código do Procedimento Administrativo, para efeitos do disposto nº 2 do artigo 55º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos, os infractores deverão efectuar a liquidação das multas aplicadas, dentro do prazo de pagamento das prestações, no Gabinete Jurídico e Notariado do IACM (Núcleo Operativo do IACM para a Execução do Regulamento Geral dos Espaços Públicos), sito na Avenida da Praia Grande, nos 762-804, Edf. China Plaza, 5º andar, Macau. Nos termos do disposto no nº 3 do artigo 55º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos, a falta de pagamento de uma prestação implica o vencimento de todas as outras, caso em que, se o pagamento do valor global em dívida não for feito nos 30 (trinta) dias subsequentes à data do vencimento da primeira prestação em falta, o IACM submeterá o processo à Repartição das Execuções Fiscais da Direcção dos Serviços de Finanças para cobrança coerciva, nos termos do artigo 17º do Decreto-Lei nº 52/99/M e do artigo 29º do Decreto-Lei nº 30/99/M.
7.
Não é de atender a esta notificação, caso os infractores constantes das tabelas anexas tenham já saldado, aquando da presente publicação, as respectivas multas, resultantes da acusação. Para informações mais pormenorizadas, os interessados poderão ligar para o telefone nº 8295 6868 ou dirigir-se pessoalmente ao referido Núcleo Operativo deste Instituto. Aos 11 de 08 de 2014 O Presidente do Conselho de Administração Vong Iao Lek Tabela I Data em que foram exarados os despachos de aplicação das multas 2014-01-09
Nome
Sexo
Nº do Bilhete de Identidade de Residente de Macau
Nº da acusação
Data da infracção
鄭家豪 CHEANG KA HOU
M
5146***(*)
A028281/2013
2013-11-20
M
1241***(*)
Tabela II A057446/2013
2013-09-27
2013-11-15
M
1286***(*)
A058012/2013
2013-09-21
2013-11-15
M
7416***(*)
A053580/2013
2013-09-10
2014-01-09
M
1299***(*)
A052728/2013
2013-08-03
2014-01-27
M
1218***(*)
A059170/2014
2014-01-16
2014-03-19
M
7439***(*)
2-000043PH/2014 2014-01-15
2014-02-28
M
5164***(*)
A060625/2014
2014-01-11
2014-03-04
M
7266***(*)
A060369/2014
2014-01-09
2014-03-19
M
1306***(*)
A060292/2013
2013-12-26
2014-03-04
F
5147***(*)
A060804/2013
2013-12-20
2014-02-28
M
5160***(*)
A060321/2013
2013-12-14
2014-03-19
M
5150***(*)
A060139/2013
2013-12-08
2014-01-27
M
5171***(*)
A058542/2013
2013-12-05
2014-03-19
M
7387***(*)
A050600/2013
2013-11-30
2014-03-19
M
5104***(*)
2-000303PE/2013
2013-11-29
2014-01-27
F
1277***(*)
A060188/2013
2013-11-27
2014-01-27
M
5097***(*)
A058133/2013
2013-11-16
2014-03-19
M
7439***(*)
A060014/2013
2013-11-15
2014-01-09
陳偉健 CHAN WAI KIN 陳超泉 CHAN CHIO CHUN 鄭志輝 CHEANG CHI FAI 陳聯合 CHAN LUN HAP 楊國銘 IEONG KUOK MENG 吳佳俊 NG KAI CHON 李志成 LEI CHI SENG 高樹德 KOU SU TAK 雷路德 LOI LOU TAK 陳麗沁 CHAN LAI SAM 鄭兆鏵 CHIANG SIO WA 李嘉宏 LEI KA WANG 梁耀文 LEONG IO MAN 符永星 FU WENG SENG 林健雄 LAM KIN HONG 李穎淇 LEI WENG KEI 陳迪匡 CHAN TEK HONG 郭進傑 KUOK CHON KIT 符永星 FU WENG SENG 梁穎妮 LEONG WENG NEI 何慶龍 HO HENG LONG 藍雁能 LAM NGAN NANG 李耀褔 LEI IO FOK 梁泓傑 LEONG WANG KIT 候燕珊 HAO IN SAN 蘇鎮雄 SOU CHAN HONG 何少興 HO SIO HENG 陳肇駿 CHAN SIO CHON 孫雪民 SUN SUT MAN 陳小宏 CHAN SIO WANG 李嘉豪 LEI KA HOU 張佩斌 CHEONG PUI PAN 吳北根 NG PAK KAN 馮樹林 FONG SU LAM 黃浩 WONG HOU 駱達忠 LOK TAT CHONG 劉利倫 LAO LEI LON 盧家麟 梁橋帶 LEONG KIO TAI 戴國嚴 TAI LUCAS COK YIM 鄧潤發 TANG ION FAT 陳家樂 CHAN KA LOK 趙晶晶 CHIO CHENG CHENG
M
7387***(*)
A052246/2013
2013-11-12
2014-03-19
F
1249***(*)
A057990/2013
2013-11-09
2014-03-19
M
1319***(*)
2-000146PI/2013
2013-11-05
2014-03-19
F
7397***(*)
A060067/2013
2013-10-24
2013-12-05
M
5173***(*)
A057125/2013
2013-10-07
2013-12-05
M
5191***(*)
A057818/2013
2013-10-03
2013-12-05
F
1294***(*)
A054707/2013
2013-09-21
2013-12-05
M
1386***(*)
A058016/2013
2013-09-21
2013-12-05
F
1285***(*)
A055125/2013
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A057582/2013
2013-09-14
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A057539/2013
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A057418/2013
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A052788/2013
2013-09-10
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A057606/2013
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A053894/2013 2013-07-16 2-000035PB/2013 2013-07-16
2013-09-23 2013-12-05
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2-000028PF/2013
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A054385/2013
2013-07-13
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A053966/2013
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A053889/2013
2013-07-07
2013-11-21
WWW. IACM.GOV.MO
sociedade 11
hoje macau sexta-feira 22.8.2014
METRO LIGEIRO MORADORES JUSTIFICAM OPOSIÇÃO À CONSTRUÇÃO
“Não queremos poluição nem autismo” Os moradores da Areia Preta estão preocupados com a construção do metro ligeiro naquela zona e as principais razões prendem-se com a poluição sonora e do ar. Há mesmo quem tenha mencionado o autismo como consequência CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
D
UAS associações contra a construção do metro ligeiro na Areia Preta publicaram ontem um comunicado onde explicam as principais razões dos residentes para a não construção do metro naquela zona. Entre elas estão a poluição sonora e do ar e o autismo. “Sam, um morador da Areia Preta que viajou até ao Japão, disse que o ruído do metro ligeiro deste país influenciava o descanso e a saúde dos residentes nipó-
nicos. Contudo, o Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes sempre tentou encobrir a verdade. Os dados disponibilizados pelos Serviços de Protecção Ambiental sobre o nível de ruído – em decibéis – nunca corresponderam àqueles apresentados nas diferentes conferências de consulta pública”, lê-se no documento. O comunicado compreende ainda as palavras da directora da Associação de Autismo de Macau, Chan Siu Man, que refere um estudo realizado nos Estados Unidos. Segundo a directora da Associação de
Autismo de Macau, Chan Siu Man, “o relatório dos EUA mostra que a poluição do ar, as partículas em suspensão e os metais pesados podem resultar em autismo”. Para os dois grupos do Facebook – Contra Linha do Metro Ligeiro por Cima da Avenida 1º de Maio e Grupo de Atenção às Linhas de Metro Ligeiro de Macau – as mulheres grávidas são as pessoas mais susceptíveis aos problemas causados por este transporte. “A população da Avenida 1º de Maio é de 190 mil pessoas e o seu volume faz com que a
陳添發 CHAN TIM FAT
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A054407/2013
2013-07-05
2013-12-05
陳雪玲 CHAN SUT LENG 陳雪玲 CHAN SUT LENG 陳雪玲 CHAN SUT LENG 陳雪玲 CHAN SUT LENG 陳雪玲 CHAN SUT LENG 陳雪玲 CHAN SUT LENG 陳雪玲 陳雪玲 陳雪玲 CHAN SUT LENG 陳雪玲 CHAN SUT LENG 陳雪玲 CHAN SUT LENG 陳雪玲 CHAN SUT LENG 梁錦華 LEONG KAM WA 梁錦華 LEONG KAM WA 陳雪玲 CHAN SUT LENG 陳雪玲 CHAN SUT LENG 陳雪玲 CHAN SUT LENG 陳雪玲 CHAN SUT LENG
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Tabela III A057036/2013
2013-09-14
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A053564/2013
2013-08-25
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A061729/2014
2014-01-29
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A058588/2013
2013-12-19
2014-02-28
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2-000207PI/2013
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A059057/2013
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A050787/2013 A053557/2013 2-000030PI/2013
2013-09-26 2013-09-11 2013-09-04
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A054165/2013
2013-08-13
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2-000042PF/2013 2013-07-25
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A053346/2013
2013-07-25
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A054447/2013
2013-07-24
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A050159/2013
2013-07-22
2013-11-26
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A054070/2013
2013-07-20
2013-12-05
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A050491/2013
2013-07-16
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A053308/2013
2013-07-12
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A054069/2013
2013-07-10
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林沛強 LAM PUI KEONG
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Tabela IV A058563/2014
2014-01-16
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潘添墉 PUN TIM IONG
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Tabela V A024747/2013
2013-11-16
2014-01-09
陳雪玲 CHAN SUT LENG 陳雪玲 CHAN SUT LENG 陳雪玲 CHAN SUT LENG 鄭志成 CHIANG CHI SENG
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Tabela VI A058127/2013
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A056983/2013
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A054294/2013
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A052508/2013
2013-08-03
2013-12-05
probabilidade de ter autismo seja maior, principalmente para as grávidas”, refere o documento.
AUTISMO CONTAGIOSO
O comunicado dos dois grupos menciona ainda que, caso sejam construídos mais edifícios altos de luxo, o ar ficará cada vez mais poluído, resultando em crescentes diagnósticos de autismo. Contudo, o documento não fica por aqui: os moradores sugerem que o traçado do metro passe por cima do mar, ao invés de se manter a ideia inicial.
“O relatório dos EUA mostra que a poluição do ar, as partículas em suspensão e os metais pesados podem resultar em autismo” CHAN SIU MAN Directora da Associação de Autismo de Macau
Para além disto, os moradores consideram ainda que a edificação do metro ligeiro irá obrigar à redução do tamanho do jardim com zona verde, ficando este por baixo do próprio meio de transporte. “Isso não é o que queremos”, explicam os moradores, que acusam
o Executivo de ignorar as suas opiniões, minando a saúde dos cidadãos e dos seus filhos e netos, que vão sofrer com as obras de construção. Para reafirmar a ideia acima referida, os moradores vão organizar uma manifestação, por volta das 14.30 horas.
AMCM Balança de Pagamento apresenta défice
N
O ano passado a Balança de Pagamentos de Macau apresentou um défice global de mais de quatro mil milhões de patacas. Segundo justifica a Autoridade Monetária de Macau (AMCM), o défice global deve-se ao “contínuo aumento dos investimentos dos activos financeiros externos dos residentes de Macau e do Governo”, claro, considerando, segundo a AMCM, o “enorme superávit registado na conta corrente” que se fixou em 2013, nos 165 mil e 900 milhões de patacas. O superávit, tal como explica a AMCM, sentido no comércio de serviços “compensou
o défice verificado na balança comercial, assim como as saídas líquidas de rendimentos primários e secundários”. Relativamente aos activos das reservas constantes na conta financeira, a AMCM explica que os esses mostram “essencialmente”, o movimento das reservas cambiais do território detidas pela autoridade monetária. Em 2013 os activos das reservas diminuíram até aos quatro mil e 600 milhões de patacas, queda que surgiu, conforme justifica a AMCM, “após deduzida a influência de factores como as variações de preços e a taxa cambial”. - H.M.
Design Orçamento previsto pelo Wynn duplicou
A operadora de jogo Wynn Macau prevê que os custos relativamente a projecto de design dupliquem, atingindo um total de 156 milhões de dólares de Hong Kong. Segundo o que noticiou ontem o jornal Business Daily, esta previsão diz respeito aos projectos de renovação no Wynn Macau e últimos detalhes para a inauguração do Wynn Palace, no Cotai. É de recordar que o orçamento apresentado, em 2011, era menos de metade do que aquele avançado pela empresa.
PUBLIREPORTAGEM
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hoje macau sexta
Programa de Sands China Care Ambassadors entra no quinto ano GRANDE VARIEDADE DE ACTIVIDADES COMUNITÁRIAS NO QUINTO ANIVERSÁRIO DO PROGRAMA Fundado em Agosto de 2009, o Programa de Sands China Care Ambassadors conta actualmente com 500 membros provenientes das propriedades da Sands China em Macau. Os voluntários do programa
passaram um total de mais de 4.800 horas em 68 actividades em serviço da comunidade de Macau, beneficiando até à data mais de 5.000 pessoas de 41 organizações diferentes.
Na altura em que o Programa de Sands China Care Ambassadors marca o seu quinto aniversário, vamos analisar alguns dos pontos altos da iniciativa.
O
PROGRAMA de Sands China Care Ambassadors oferece uma variedade de experiências enriquecedoras destinadas a dar aos voluntários a oportunidade de perceber mais sobre serviços de caridade em Macau e para os ajudar a compreender as dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiências. Além de terem visitado o hospital voador da ORBIS em 2010 e frequentado uma workshop de linguagem gestual em 2011, os Sands China Care Ambassadors participaram em Março deste ano no programa “Experience the World of Silence”, da Associação de Surdos de Macau. Aqui os voluntários tiveram a oportunidade de aprender sobre o dia-a-dia - num mundo sem som - das pessoas com deficiências auditivas ou surdez, a estrutura do tímpano e as bases da linguagem gestual. Além disso, tomaram parte numa viagem de descoberta que lhes mostrou a experiência de viver num mundo silencioso.
A
SANDS China Ltd. continuou a apoiar o Bazar de Caridade da Caritas de Macau pelo terceiro ano consecutivo, ajudando a angariar fundos para a organização de caridade sem fins lucrativos no Clube Náutico dos Lagos Nam Van em Novembro de 2013, através da criação e operação de stands com jogos para que o público participasse no bazar anual. Para além disso, a companhia fez uma doação de 200 mil patacas à Caritas de Macau para ajudar a suportar as suas despesas de exploração. Desde 2004, a Sands China contribuiu 2.75 milhões de patacas à Caritas de Macau através de jantares de caridade e bazares para apoiar a implementação e desenvolvimento de serviços sociais na comunidade local.
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ESDE 2009, os Sands China Care Ambassadors têm organizado visitas às suas propriedades para crianças locais durante o Verão. A ideia é proporcionar diversão e animação, criar uma interacção alegre entre as crianças e os seus pais e ajudar a fomentar um ambiente familiar
íntimo e saudável. Além de organizar nos últimos anos visitas às esculturas em gelo do “Ice World”, ao “Carnevale” italiano do Venetian e à exposição “Dinosaurs Live at The Venetian”, no dia 30 de Junho os Sands China Care Ambassadors acompanharam 60 crianças e seus pais da Macau Down Syndrome
E
M JANEIRO, mesmo antes do Ano Novo Chinês, 75 voluntários da Sands China passaram a manhã a visitar as casas de alguns dos idosos de Macau que vivem sozinhos e que são utentes do “Peng On Tung Tele-Assistance Programme”, de forma a ajudar com a tradição anual de limpezas da Primavera – uma actividade anual do Programa de Sands China Care Ambassadors desde 2010. Acompanhados de Edward Tracy, o presidente e director executivo da Sands China Ltd., os embaixadores também passaram tempo a conversar e a distribuir prendas pelos idosos. Em colaboração com o “Peng On Tung Tele-Assistance Programme”, operado pela “União Geral das Associações de Moradores de Macau”, a Sands China tem estado a ajudar desde 2010 idosos que vivem sozinhos a subscrever o serviço através de um subsídio mensal, tendo até ao presente contribuído 636 mil patacas para o programa, o que beneficiou mais de 600 indivíduos.
O
S SANDS China Care Ambassadors têm participado desde 2009 no evento anual “”One Day Volunteer”, organizado pela “Associação de Juventude Voluntária de Macau” desde 2009 – tendo este sido o primeiro evento comunitário do Programa de Sands China Care Ambassadors. Aqui acompanharam idosos, portadores de deficiências físicas e mentais e indivíduos com deficiências auditivas em actividades como visitas ao “Ice World”, à exposição “Dinosaurs Live at The Venetian”, passeios por Coloane e pela Taipa, aulas de linguagem gestual e de desenho e um concurso de canto. Em Agosto, os Embaixadores da Caridade da Sands China participaram em duas actividades do “One Day Volunteer 2014”, tendo passado um dia agradável com famílias desfavorecidas e outro dia com idosos do Lar de Cuidados “Sol Nascente” da Caritas de Macau. Os membros da equipa da Sands China têm mostrado o seu apoio contínuo a serviços voluntários através da sua participação no Sands China Care Ambassadors, ajudando a demonstrar o compromisso da Sands China em fomentar harmonia, respeito pela diferença e integração das pessoas na comunidade local.
Association, numa visita ao fantástico mundo dos Transformers na “Transformers 30th Anniversary Expo”. A Sands China considera este tipo de eventos comunitários como uma oportunidade de aproximar a comunidade local e oferecer momentos de alegria e intimidade a famílias desfavorecidas.
EVENTOS
a-feira 22.8.2014
A
30ª Exposição Colectiva dos Artistas de Macau tem inauguração marcada para hoje, pelas 18:30, na Galeria de Exposições Temporárias do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM). Esta exposição compreende a mostra de quase 300 obras de pintura ocidental e oriental, incluindo caligrafia tradicional chinesa. A grande maioria é da autoria de artistas locais, incluindo novos talentos e outros já conhecidos do público. A exposição deste ano tem a particularidade de terem sido atribuídos prémios a 63 obras, que foram previamente avaliadas por um colectivo de júris. O grupo é constituído por personalidades conhecidas do universo artístico, incluindo da Academia de Arte e Design da Universidade de Tsinghua, da Academia de Belas Artes
SIZA VIEIRA PRIMEIRA OBRA NA CHINA
Viagem à Ásia A
primeira obra de Siza Vieira na China - um edifício de escritórios, desenhado em parceria com o arquitecto Carlos Castanheira - vai ser inaugurada no dia 30 de Agosto na província de Jiangsu, no leste do país. Trata-se de um edifício com cerca de 10.000 metros quadrados, encomendado por uma empresa de Taiwan instalada em Huaian, a Shihlien Chemical Industrial Jiangsu Co., e foi construído num lago artificial que funciona como reservatório daquela unidade industrial, referiu ontem à Lusa o arquitecto Carlos Castanheira. A inauguração contará com a presença dos dois arquitectos portugueses, que se encontram há já alguns dias na China para tratar de outros projectos, adiantou Carlos Castanheira. “Estamos na Ásia há cerca de dez anos. Primeiro no
Japão, depois na Coreia do Sul e agora na China”, disse aquele arquitecto acerca da sua parceria com Siza Vieira.
Antes de se deslocarem a Huaian, os dois arquitectos irão a Taiwan, para inaugurarem um edifício de apoio a um ‘court’ de ténis, e a seguir viajarão até Macau, onde estão a projectar a recuperação de um histórico hotel. “Xi Zha” (Siza, em chinês), galardoado em 1992 com o Pritzker Prize, o Nobel da Arquitectura, é um nome muito admirado entre os arquitectos chineses, nomeadamente por Wang Shu, o primeiro chinês distinguido com aquele prémio, há três anos. - Lusa
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IACM 30ª EXPOSIÇÃO DE ARTISTAS DE MACAU
Toda a pintura As cerca de trezentas obras de novos e veteranos talentos, na sua maioria locais, podem ser vistas a partir de amanhã na Galeria do IACM onde ficarão até 5 de Outubro da China Central, da Universidade Nacional Normal de Taiwan e da Escola de Artes do Instituto Politécnico de Macau. O painel compreende ainda membros do IACM. Embora apenas 63 das 286 obras tenham sido premiadas, a exposição vai compreender os trabalhos de pintura chinesa de 19 autores locais, 22 de pintura ocidental
e 12 especializados em caligrafia tradicional chinesa. Em comunicado, o presidente do Comité de Administração do IACM, Alex Vong Iao Lek, explica que a exposição deverá ser um espaço onde “novos artistas e figuras veteranas da cena artística local se juntam e apresentam ao público excelentes obras sobre temas diversos”. - L.S.M.
LUC BESSON AFIRMA QUE TAIPÉ É UMA DAS CIDADES MAIS FOTOGÉNICAS DO MUNDO
A formosa felicidade O realizador francês Luc Besson considerou na terça-feira Taipé uma das cidades mais fotogénicas do mundo, na conferência de imprensa de promoção do filme “Lucy”, que estreou quarta-feira em Taiwan. No ano passado, Besson esteve em Taiwan para dirigir o filme de ficção científica “Lucy”, a maior produção cinematográfica na ilha desde que o realizador Ang Lee, nascido em Taiwan, rodou parte de “Life of Pi” (“A Vida de Pi”) em 2011, distinguido com quatro óscares.
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA
“Penso que grande parte do charme [da cidade] se deve às pessoas, que sorriem sempre, são muito felizes. A criminalidade é praticamente zero no país, um conceito que não compreendemos na Europa. Penso que as pessoas dão sabor à cidade”, disse o realizador, que também escreveu o guião. “Algumas cidades são muito fotogénicas e outras não. Paris é muito fotogénica e Taipé também”, sublinhou Besson, que passou 11 dias, a filmar em Taipé, em Outubro do ano passado. Para Taiwan, que apenas
é reconhecido por 22 países, o filme “Lucy” permite uma visibilidade internacional sem precedentes, e no filme é possível ver a bandeira da
Concerto Mini Jazz e Moon Wong na Fundação Rui Cunha
A guitarrista de jazz de Hong Kong, Moon Wong, vai actuar às 17 horas de amanhã, na galeria da Fundação Rui Cunha. A artista vai juntar-se à banda Mini Jazz, composta por alunos da Associação de Promoção de Jazz de Macau, uma das entidades promotoras do evento, juntamente com a Sound&Good, de Hong Kong. A iniciativa integra-se no segundo acto de intercâmbio de Jazz 2014 e pretende associar artistas das duas regiões.
ilha, que a República Popular da China não autoriza que seja vista fora do país. “Lucy”, protagonizado pela norte-americana Scarlett Johansson, conta a história de uma estudante a viver em Taipé que, ao entrar em contacto com uma droga, desenvolve a capacidade de usar o seu cérebro a 100%. Besson realizou “O 5.º Elemento” (1997), “Léon, o Profissional” (1994) e “Vertigem Azul” (1988). - Lusa
RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET
BASTA! • Camilo Lourenço
O TCHEKISTA • Vladimír Zazúbrin
Depois de três bancarrotas em 34 anos, caso único na Europa, será que ainda não aprendemos a lição? “Há cerca de 20 anos li um artigo do The Wall Street Journal sobre o que os ex-países de Leste poderiam aprender com a experiência portuguesa (de abertura da economia). Longe estava eu de pensar que os anos seguintes ficariam marcados pelos piores disparates de política económica em Portugal. Disparates que nos estão a custar o futuro”, escreve o autor. Um livro esclarecedor, que ajuda a compreender o estado em que o país se encontra e, mais importante, aponta caminhos para evitar erros do passado e recuperar a prosperidade.
“O Tchekista” é um dos primeiros testemunhos literários sobre a natureza do poder soviético e um relato atroz de uma máquina de terror oleada pelo sangue humano. No rescaldo da guerra civil, Srúbov, um agente da Tcheka, cumpre o seu ofício de carrasco na Sibéria. Em nome da revolução, participa nos atrozes procedimentos quotidianos, em cruéis interrogatórios e em execuções sumárias. Porém, a sua consciência impede-o de desempenhar o seu ofício e o matadouro sangrento em que se move assola-o eternamente.
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CHINA
A luta pelo sufrágio universal na antiga colónia britânica continua na ordem do dia, com os democratas a lançar uma nova cartada
hoje macau sexta-feira 22.8.2014
HONG KONG AMEAÇA DE VETO A PROPOSTAS DE REFORMA POLÍTICA
Democratas ao ataque
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M grupo de 26 deputados da ala democrata de Hong Kong assumiram a posição conjunta de chumbar qualquer proposta de reforma política que falhe em cumprir os padrões internacionais, noticiou a RTHK esta quarta-feira. De acordo com a Rádio e Televisão Pública de Hong Kong (RTHK), os deputados da Assembleia Legislativa (LegCo) da antiga colónia britânica sustentam que uma proposta final sobre o tema não deve ser acompanhada de restrições irrazoáveis e deve salvaguardar o direito dos cidadãos de elegerem e serem eleitos. O deputado Lee Cheuk-yan, um dos signatários da declaração conjunta, afirmou que Hong Kong não pode aceitar a proposta que promete seguir o princípio “uma pessoa, um voto”, mas que submete os candidatos a chefe do Executivo a uma triagem. Segundo explicou o mesmo responsável à RTHK, um dos objectivos da declaração é passar a mensagem de que os residentes
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M remédio usado no combate ao cancro da mama é o único de que Hong Kong dispõe perante um eventual surto de Ébola, após ter sido negado o fornecimento de outros que têm vindo a ser testados contra o vírus. De acordo com a edição de quarta-feira do jornal South China Morning Post, o medicamento, que se tem revelado promissor no tratamento do Ébola em ratos, nunca foi testado em seres humanos com este propósito. O abastecimento de outros remédios tem sido reservado aos pacientes em que foi comprovada a infecção com o vírus. Um comité científico governamental de Hong Kong reuniu-se na terça-feira para delinear um plano de contingência no caso de o surto de Ébola vir a atingir Hong Kong, tendo recomendado que se recorresse ao uso de um remédio receitado no combate ao cancro da
ÉBOLA HONG KONG PREPARA PLANO DE CONTINGÊNCIA
Mais vale prevenir mama na eventualidade de este cenário se verificar. Segundo o presidente do comité, o professor Yuen Kwok-yung, o medicamento em causa – que
age como antagonista de receptores de estrogénio – mostrou ser seguro para os pacientes com cancro da mama e com problemas de infertilidade. “Causa
efeitos secundários moderados, como náuseas, dores de cabeça e tonturas”, sublinhou o especialista, citado pelo mesmo jornal. De acordo com as au-
toridades da antiga colónia britânica, a probabilidade de um surto de Ébola em grande escala ocorrer em Hong Kong “é altamente improvável”, embora haja o risco de o vírus chegar à cidade. Não existe tratamento nem vacina para o Ébola, o que faz do vírus um dos mais mortais e contagiosos para os seres humanos.
2.240
casos de infecção desde Março
O Ébola tem fustigado o continente africano regularmente desde 1976, sendo o actual surto o mais grave desde então, com 1.229 mortos. Desde o início deste surto, em Março, já foram registados 2.240 casos de infecção, o que levou a Organização Mundial de Saúde a decretar, no dia 8 de Agosto, o estado de emergência de saúde pública mundial. - Lusa
de Hong Kong precisam de lutar por um sufrágio universal efectivo e concreto e que qualquer coisa que não contemple esse propósito será rejeitada pela ala democrata. O grupo de 26 deputados apelou à Assembleia Nacional Popular para deixar a porta aberta para contínuas discussões sobre as reformas políticas. Todos os 70 deputados da LegCo foram convidados pelas autoridades chinesas para um encontro na zona económica especial de Shenzhen, adjacente a Hong Kong. O descontentamento em Hong Kong atingiu este ano o seu nível mais elevado quanto à alegada interferência por parte de Pequim nos assuntos do território e à insistência em validar previamente os candidatos ao cargo de chefe do Executivo. Pequim prometeu deixar os residentes de Hong Kong escolherem o seu próximo líder em 2017 por voto directo - metodologia que colocaria fim ao sistema actual de eleição do chefe do Executivo assente num comité eleitoral de 1.200 pessoas - mas com a condição de que os candidatos sejam aprovados por um comité de nomeação, o que os pró-democratas contestam, alegando que assim só os candidatos pró-Pequim terão luz verde. Receios relativamente à influência de Pequim aumentaram em Junho quando o Governo central publicou o controverso “Livro Branco” sobre o futuro de Hong Kong, interpretado por uma larga franja da população como um aviso à cidade para não exceder os seus limites de autonomia. - Lusa
Falsificadores detidos
Três homens foram presos em Xangai por produzirem e venderem documentos falsos na cidade, revelou o website “Eastday.com”. O grupo foi descoberto após a polícia ter preso um homem na semana passada durante uma rusga num salão de cabeleireiro onde eram oferecidos serviços de prostituição. O indivíduo, que foi acusado de proxenetismo, mostrou à polícia um passe de imprensa e afirmou ser um jornalista envolvido numa investigação à paisana. Porém, quando a polícia tentou contactar o meio de comunicação social para o qual este era suposto trabalhar, descobriu que as suas credenciais eram falsas.
Morte na rua
Uma mulher de 45 anos foi condenada esta terça-feira a um ano de prisão em Xangai por homicídio involuntário de um idoso, segundo o website “Thepaper. cn”. O caso ocorreu no dia 19 de Abril, quando o idoso, que conduzia uma mota, se envolveu numa discussão com a mulher, que andava embriagada pela rua. Durante a discussão, o idoso ficou pálido e caiu inconsciente na rua, acabando por morrer, vítima de um ataque cardíaco pouco tempo após ter chegado ao hospital.
china 15
hoje macau sexta-feira 22.8.2014
Incêndio em autocarro causa um morto
1.344
quilómetros de extensão
de linha de caminho-de-ferro
ANGOLA CHINESES GARANTEM SUCESSO DE MODELO FERROVIÁRIO
Muita terra, muita terra
O projecto, totalmente chinês, de ligação ferroviária entre o porto de Lobito e Luau (Moxico), na fronteira com a República Democrática do Congo custou mais de mil milhões de dólares
A
empresa China Railway Construction Corporation (CRCC) garante que a conclusão da construção da linha férrea de Benguela, ligando o litoral de Angola à fronteira leste, confirmou o sucesso da aplicação do modelo chinês em África. Em causa está a construção e prolongamento de uma linha com 1.344 quilómetros de extensão, entre o porto de Lobito (Benguela) e Luau (Moxico), na fronteira angolana com a República Democrática do Congo. Trata-se do maior projecto internacional do género da CRCC, uma das maiores empresas de construção da China, desde a execução, há cerca de 40 anos, da linha férrea entre a Tanzânia e
Zâmbia, esta com 1.860 quilómetros de extensão. Citado pela agência de notícias chinesa Xinhua, o responsável pelo projecto da CRCC em Angola, Liu Feng, sublinhou que a linha férrea de Benguela será a mais rápida e extensa das três linhas angolanas, atingindo os 90 quilómetros por hora.
MADE IN CHINA
Trata-se de um empreendimento totalmente chinês, desde o projecto à construção da linha e das 67 estações, além do fornecimento de material circulante, num investimento avaliado em 1.83 mil milhões de dólares. De acordo com a Xinhua, a empresa chinesa concluiu no passado dia 13 a construção de um extenso troço
desta linha, prevendo o início da operação ainda este ano. Este anúncio surge antes da visita oficial a Lobito do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, que presidiu ontem naquela cidade à reunião da comissão económica do Conselho de Ministros. O Caminho de Ferro de Benguela e o porto de mar do Lobito serão os principais pontos de visita do chefe de Estado angolano, além da apresentação do Plano de Desenvolvimento Económico da província de Benguela. A construção desta linha férrea, que teve como base a antiga ligação do tempo colonial português, recorreu, segundo a CRCC, a cerca de 100 mil trabalhadores locais, além de permitir a formação de 10.000 técnicos angolanos. Envolveu a adopção do modelo ferroviário chinês, sublinha a Xinhua, pelo que a conclusão da obra - parte da linha já está em funcionamento -, de acordo com Liu Feng, demonstra o “sucesso” da sua utilização na construção ferroviária em África. Depois de totalmente concluída, esta linha deverá garantir o transporte anual de 20 milhões de toneladas de carga e de quatro milhões de passageiros. - Lusa
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De acordo com a “Xinhua”, um autocarro público ardeu na quarta-feira num provável ataque incendiário na província de Shandong, em que uma pessoa perdeu a vida e outras 19 ficaram feridas. O fogo começou às 8:30 e foi extinguido meia hora depois, tendo a polícia afirmado que investigações iniciais apontavam para fogo posto ateado por um suspeito masculino com 50 anos de idade, que está a ser procurado pelas autoridades. Uma mulher com cerca de 40 anos morreu no local, e quatro dos feridos ficaram em estado grave. Este é o quinto incêndio num autocarro verificado este ano na China. Vários deste tipo de ataques nos últimos anos, incluindo fogo posto em autocarros e ataques com facas, foram perpetrados por indivíduos com instabilidade mental ou que estavam à procura de se vingarem da sociedade.
Vigarista casa-se 19 vezes
Em Hubei, uma mulher de 51 anos, que se casou 19 vezes, foi acusada de fugir com o dinheiro dos seus maridos, anunciou o “Chutian Metropolis Daily”. A notícia não especifica quantos dos seus noivos é que foram defraudados, mas as suas vítimas eram homens idosos que viviam sozinhos em aldeias isoladas. A mulher ganhava a simpatia deles alegando ter sido expulsa de casa pela sua própria família. No total, foi acusada de levar 200 mil yuan dos maridos e ainda de outros homens quando foi presa na terça-feira, depois de um dos ex-maridos ter apresentado queixa à polícia que descobriu então a sua fraude. A mesma fonte adiantou ainda que a mulher já tinha sido presa por três anos devido a um caso semelhante, tendo sido libertada em 2011.
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José Simões Morais
ARTES, LETRAS E IDEIAS
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A JÁ ROMANA EMBAIXADA JAPONESA COM O NOVO PAPA, SIXTO V
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STAVA a Embaixada desde 22 de Março de 1585 em Roma e o Papa Gregório XIII, tendo tomado a seu cargo os japoneses, enviava-lhes diariamente Mg. Bianchetti a visitá-los, pagando todas as despesas e muitas vezes os chamava para com eles conversar. Com o nome Ugo Bomcompagni, o Sumo Pontífice nascera em Bolonha a 7 de Janeiro de 1502 e estivera presente no Concílio de Trento (15451563), tornando-se Papa a 14 de Maio de 1572. O Papa Gregório XIII mostrava agora aos japoneses os aposentos papais, gabinete, livraria e museu, com as recentes pinturas e frescos a decorá-los. Disse-lhes querer vê-los a assistir a todas as funções públicas da capela e assim que tal aconteceu, deu-lhes o lugar e as honras devidas aos embaixadores. Recuperava Roma a grandeza que tivera no Império Romano. Chegada aos finais do século XV muito degradada, reconstruía-se desde 1506 a Basílica e a Praça de S. Pedro, com desenho inicial de Donato Bramante (c.1444-1514), já com fama em Milão e Pavia. Donato Bramante chegou a Roma em 1503 e venceu o concurso que o Papa Júlio II (1503-13) lançara aos artistas para reformular aqueles dois espaços. Miguel Ângelo Buonarroti (1475-1564) tinha também concorrido, mas as suas ideias não colheram aprovação, no entanto, depois, esculpiu as estátuas de David e da Pietá, pintou os frescos da Capela Sistina, entre 1508 e 1512, e da Biblioteca do Vaticano. Miguel Ângelo em 1547 tomou ainda a supervisão da reconstrução da Basílica de S. Pedro, sendo um dos maiores artistas do Renascimento. Outro grande da Alta Renascença foi Rafael Santi (1483-1520) que, trabalhando vários anos em Florença, recebeu um convite do Papa Júlio II para lhe pintar em frescos o quarto de dormir, conhecido por stanze. Em 1514 ficou também encarregado das obras de reconstrução da Basílica de S. Pedro e no ano seguinte, Rafael tornou-se arqueólogo, pois era responsável pelas escavações e listagem dos objectos encontrados da antiga Roma Imperial. Quem não teve hipóteses de ver a
maioria destas grandes obras foi Miguel Chijiwa, pois entrara já doente em Roma e por ordem do Papa Gregório XIII, foi tratado com muitos cuidados e carinho. Reuniram-se várias juntas médicas e ficaram nomeados seis médicos para o tratar, sendo diariamente enviadas informações ao Papa e as receitas aviadas na sua botica. Eram muitos os diários convites para banquetes endereçados aos restantes embaixadores japoneses e por isso, o Papa, com a experiência dos seus 83 anos, receando pela saúde deles, restringiu os aceitáveis. Um desses foi dado pelo irmão do Papa, D. Tiago, no Castelo de S. Ângelo. No Gesú (a Igreja de Jesus da Casa da Companhia de Jesus) compareceu, poucos dias depois da chegada da Embaixada, o senador mais velho, Horácio de Benedictis, em representação do
povo e Senado Romano, com um grande aparato, usado em actos públicos, “precedidos de vinte e quatro oficiais com varas douradas na mão, e seguidos de muitos cavaleiros e cidadãos romanos, todos ricamente vestidos.” Traziam uma aprovação do Senado em fazer cidadãos de Roma os embaixadores japoneses e elevá-los à nobreza e
“O PAPA GREGÓRIO XIII PARA PERPETUAR A MEMÓRIA DESTA EMBAIXADA, DE TODAS E DESDE SEMPRE A QUE VEIO DE MAIS LONGE, MANDOU CUNHAR UMA MEDALHA DE PRATA”
patriciado romano; rara distinção, conferida somente a varões insignes e beneméritos. Muito mais tarde, foram os embaixadores aos Paços do Senado receber os diplomas. Segundo António J. Figueiredo, no Domingo antecedente à festa da Ascensão do Senhor que ocorreu a 30 de Maio, a Embaixada foi aos Paços do Senado receber os diplomas daquela mercê; refere Videira Pires, ou J. Braga, que a data da ida dos príncipes ao Senado é a 29 de Maio de 1585. “Recebeu-os o Senador acompanhado de todos os vereadores e magistrados da cidade, com as honras que por estilo se faziam aos reis e príncipes; e depois de sentados, um orador, em nome de todo o Senado, lhes dirigiu uma fala, manifestando-lhes o júbilo que no povo romano causara a sua chegada a Roma, em testemunho da fé católica, e o quanto folgava em
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conceder-lhes os privilégios de nobres, patrícios e senadores romanos, pedindo-lhes que aceitassem este penhor do seu afecto e benevolência para com eles. Depois disto, adiantaram-se quatro escudeiros nobres com salvas de prata na mão, nas quais lhes apresentaram os títulos daquele privilégio, em pergaminho, tarjados de oiro e ornados de várias figuras, com os brazões das famílias de cada um deles, e selos de oiro pendentes.” A Embaixada retirou-se ao som de “charamelas (instrumento musical de sopro, que é uma flauta delgada, ou uma trompeta de madeira) e o canto dos menestréis do Senado”.
ÚLTIMOS DIAS DO PAPA GREGÓRIO XIII A 3 de Abril de 1585 concedeu o Sumo Pontífice uma audiência particular à Embaixada, onde Mancio recitou um discurso e os outros, pequenas poesias, entregando prendas ao Papa, como um quadro, que Nobunaga oferecera a Valignano, representando os muros da cidade de Anzuchina e que foi logo colocado na galeria onde, como recente aquisição, estavam os mapas mundis trazidos pelo dominicano Egnazio Danti. O Papa Gregório XIII para perpetuar a memória desta Embaixada, de todas e desde sempre a que veio de mais longe, mandou cunhar uma medalha de prata. Com a Audiência celebrada, aproximava-se a data da partida da Embaixada e muitos embaixadores europeus vieram em nome dos seus soberanos convidá-la a visitar as Cortes dos seus países. Motivados, em especial, estavam o embaixador da França e o do Duque de Sabóia, devido à proximidade dos territórios que representavam ao caminho de regresso da Embaixada. A 5 de Abril, os médicos diagnosticaram no idoso Papa uma angina de peito complicada por febre. Dois dias depois, Domingo, o Sumo Pontífice assistiu à missa “em sua Capela com medíocre disposição”, sentindo-se ter dificuldades no respirar. Na segunda-feira, dia 8, Gregório XIII de manhã participou no Consistório e de tarde, deu audiência ao embaixador de Espanha; iam já longe, com a morte dos intervenientes, as semanas de horror ocorridas em Roma desde 6 de Maio de 1527, com saques, pilhagens e assassínios. Tudo começara ainda antes do fim do século XV nas guerras italianas, mas complicou após a morte do Papa Adriano VI (1522-23), antigo professor do Imperador Carlos V, pois sucedeu como Papa, Clemente VII (1523-34). Tal como o Papa Leão X (1513-21), Clemente VII era descendente da casa
Papa Sixto V
“COMO EMBAIXADORES REAIS, OS JAPONESES ASSISTIRAM A 1 DE MAIO À COROAÇÃO DO PAPA SIXTO V, NA BASÍLICA DE S. PEDRO DO VATICANO, SENDO ELES A LEVAR O PÁLIO E A DEITAR ÁGUA NAS MÃOS DO NOVO PAPA” da Alta Burguesia dos Médicis, com interesses na península italiana, onde o Imperador Carlos V (1519-56) tinha muito território. Trabalho do seu avô, Fernando II de Aragão, o Rei Católico, que assegurou o domínio de Nápoles, disputado também pela França e que veio a marcar a hegemonia de Espanha no mundo. Carlos nasceu em Gand, na Bélgica, no ano de 1500 e era filho de Filipe o Belo, Arquiduque da Áustria e de Joana, Rainha de Castela. Carlos I de Espanha (1516-56), pois era neto dos Reis Católicos e de Maximiliano I da Áustria (1493-1519), logo um Habsburgo, fora escolhido como Imperador por unanimidade em 28 de Junho de 1519, após uma renhida luta contra o Rei Francisco I de França. Como Imperador do Sacro Império Romano Germânico, Carlos V (1519-1556) foi coroado a 23 de Outubro de 1520 em Aix-la-Chapelle. O Rei de França, Francisco I (15151547) era rival de Carlos V, pois queria-lhe o lugar de Sacro Imperador, que desde 1508 não precisava de aprovação da Igreja, tal consentido pelo Papa Júlio II. Ainda por cima, Carlos V era herdeiro do Ducado de Borgonha em território francês e Francisco I cobiçava-lhe ainda terras na península italiana e por isso, tentou reconquistar-lhe Milão, que entre 1499 a 1512 estivera nas mãos de Luís XII de França. Francisco I saiu derrotado em 24 de Fevereiro de 1525, na Batalha de Pavia. Vencido e aprisionado o Rei de França, foi a paz celebrada no ano seguinte em Madrid. Preparava-se então o Imperador Carlos V para seguir viagem até à Alemanha, onde iria resolver a questão eclesiástica
mas, logo foi confrontado por Francisco I, que lhe declarou de novo guerra, tendo desta vez como aliado o Papa Clemente VII, na Liga de Cognac de 1526. Incrédulo com a desfaçatez do Rei de França e muito indignado pelo Papa não abandonar a Liga, resolveu o Imperador Carlos V enviar tropas para Roma. Na viagem, os comandantes do exército morreram e o bando indisciplinado de espanhóis e alemães chegou a Roma em 6 de Maio de 1527, tendo criado durante semanas o horror na cidade, com saques, pilhagens e assassínios. O Papa teve que fugir do Palácio Papal e pela passagem secreta, feita no século XIII, refugiou-se no Castelo de Santo Ângelo, mas, para dar tempo à sua fuga, toda a Guarda Suiça foi massacrada. A 5 de Junho, o Papa Clemente VII capitulou e foi parar à prisão. Por outras três vezes, Francisco I de França voltou a atacar o Imperador Carlos V, mas saiu sempre derrotado. A segunda guerra entre a França e Carlos V foi entre 1527 e 1529, sendo com a paz estabelecida em Barcelona, no mês de Junho de 1529, que houve a reconciliação do Imperador Carlos V com o Papa Clemente VII. A terceira guerra ocorreu entre 1536-38 e a quarta guerra em 1544, sendo estabelecida a Paz de Crepy a 18 de Setembro desse mesmo ano. No seguinte, começou o Concílio de Trento (1545-1563), fechando a Idade Média, deu início à Contra Reforma da Igreja e onde estivera, antes de ser Papa, Gregório XIII que agora, no dia 9 de Abril de 1585, às 9 horas não apareceu para assistir à assinatura dos Referendos. Cinco dias após diagnosticada a doença, a 10 de Abril de 1585, o Papa Gregório XIII “morreu três horas depois do meio-dia, fazendo ele mesmo
Papa Gregório XIII
muitas vezes sobre seu peito o sinal da Cruz, sem nenhum gesto horrendo, antes com grande alegria no vulto, aos 84 anos de idade e no fim dos 13 de seu Pontificado (exactamente 12 anos, 10 meses e 28 dias)...” E continuando com o Padre Luís Fróis que descreve “os sentimentos dos japoneses e do povo romano pela morte do Papa, o seu embalsamamento (acharam-lhe o fígado duro, o baço seco e a garganta abrasada), os funerais e o enterro.”
A EMBAIXADA COM O PAPA SIXTO V A 24 de Abril de 1585, quinto dia de estarem encerrados os cinquenta cardeais no conclave, às 8 da manhã de quinta-feira foi eleito por aclamação o Cardeal Félix di Montalti, que como Papa ficou com o nome Sixto V. Era ele Felice Peretti, nascido em Grottammare, Itália, a 13 de Dezembro de 1521 e que exerceu o cargo de Sumo Pontífice até aos 68 anos. Como Embaixadores Reais, os japoneses assistiram a 1 de Maio à coroação do Papa Sixto V, na Basílica de S. Pedro do Vaticano, sendo eles a levar o pálio e a deitar água nas mãos do novo Papa. Entregaram em mãos ao Papa o memorial sobre o cristianismo no Japão, tendo este prometido despachar com grande brevidade o memorial. Mais de dois meses em Roma e começou-se, de novo, a pensar na partida. À Embaixada então chegaram convites de jantares de despedida. O Papa deu o mote e assim, a 22 de Maio na sua Vinha, junto às termas de Diocleciano, ocorreu o primeiro, sendo os embaixadores acolhidos por vinte e quatro prelados e o mordomo do Papa. Três dias depois, realizou-se o jantar do Cardeal Montalti, ou Montalto, sobrinho neto do Papa. A 27, os embaixadores assistiram às ladainhas dos Franciscanos na Igreja de Santa Maria Maior onde o Papa esteve presente. A 29 de Maio foram os embaixadores à Capela do Papa “vestidos de curto gentilmente com as suas espadas douradas; porque determina Sua Santidade de ali por sua própria mão os armar Cavaleiros de S. Pedro.” Assim o novo Papa Sixto V nomeia-os Cavaleiros da Espora Dourada, oferecendo uma cadeia de ouro a cada um, colocando-as à volta dos seus pescoços. Deles recebeu a promessa da defesa da Fé Católica, mesmo se necessário com a vida. Ainda no mesmo dia, no jantar com o Senado Romano, os dirigentes de Roma no Capitólio entregaram-lhes o título de cidadania (patrícios), tendo Manchio Ito feito um discurso de agradecimento.
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DESPORTO
Tudo se decide esta sexta-feira, na última regata da prova
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JO DA JUVENTUDE RODOLFO PIRES MANTÉM 3º LUGAR
Medalha à vista
O
velejador português Rodolfo Pires manteve esta quarta-feira o terceiro lugar na classificação geral da classe Byte CII nos Jogos Olímpicos da Juventude, que se estão a disputar em Nanquim, China. Com sete regatas já disputadas, Rodolfo Pires continua bem colocado na luta das medalhas e chegou mesmo a liderar a prova, quando ganhou a segunda das três regatas do dia. Depois de marcar um nono lugar e uma vitória, desceu de novo na classificação para terceiro, o posto com que encerrara a jornada da véspera, após uma regata menos feliz, que terminou em 26.º. “Hoje o dia correu bem e mal. A última regata correu mal porque a variação do vento não é constante e está sempre a rodar, nunca é a mesma direcção. Pela expe-
riência que tenho, qualquer velejador vai pelo meio, mas o meu problema foi ter ido pelo meio e não ter apanhado nem vento, nem variação que me levasse para a frente”, explicou o português, citado pelo Comité Olímpico de Portugal. Tudo foi diferente na regata ganha: “Fiz uma boa saída, estava em primeiro durante algum tempo, mas quando cheguei à primeira
bóia rondei por volta de sétimo. Na segunda volta consegui recuperar e quase na linha de chegada consegui passar de quarto para primeiro”. Na prova feminina de Byte CII, Mafalda Pires de Lima caiu de oitava para 19.ª na geral, depois de ter sido 23.ª, 18.ª e 22.ª nas três regatas do dia. “O dia não correu nada bem, não estava à espera, não tive PUB
uma pontinha de sorte para dar a volta por cima”, disse. Os dois velejadores concluem as últimas duas regatas esta sexta-feira, dia que definirá quem disputará a Medal Race no sábado.
CICLISMO E OUTRAS MODALIDADES
No Cross Country Olímpico, quarta prova de ciclismo, Bruno Machado e Ana Silvestre alcançaram a nona e a 12.ª posições, respectivamente. O resultado deu 15 pontos a Portugal na competição masculina de ciclismo, permitindo à equipa subir quatro posições na geral,
ocupando agora o 14.º lugar. No sector feminino, Portugal subiu um posto, estando agora na 26.ª posição. Os concursos feminino e masculino de ciclismo terminam esta sexta-feira, com a disputa das provas de fundo em estrada, com todos os corredores inscritos. Ou seja, no sector feminino Portugal estará representado por Ana Lopes e por Ana Silvestre, enquanto na prova masculina Bruno Machado e Tiago Antunes envergarão as cores lusas. Diogo Chen, já eliminado na competição de singulares de ténis de mesa, compete no torneio por equipas misto com a romena Adina Diaconu. O primeiro dia da fase de grupos saldou-se por quatro vitórias para a equipa, que assim está bem encaminhada para passar esta fase. Na natação, Tamila Holub esteve nos 200 metros livres e foi 28.ª, com o tempo de 2.06,91, próxima do recorde pessoal. Depois de ter nadado os 800 metros, ainda vai regressar para as séries de 400 metros. No arranque luso do atletismo estará a martelista Ana Fernandes, Miguel Cassiano integra a estafeta mista da Europa4 no triatlo e Anri Egutidze e Maria Siderot competem em judo por equipas.
Andreas Samaris a caminho de Lisboa
Andreas Samaris já viajou para Portugal. Segundo a imprensa grega, o médio do Olympiakos está a caminho de Lisboa para realizar exames médicos e assinar contrato com o Benfica. Segundo a imprensa local, os encarnados apresentaram esta quinta-feira uma proposta de 10 milhões de euros que foi aceite pelo clube grego, libertando o jogador para viajar.
Ronaldo treina-se mas continua em dúvida
Cristiano Ronaldo treinou-se integrado com o restante plantel do Real Madrid no último ensaio para a segunda “mão” da Supertaça de Espanha com o Atlético Madrid, esta sexta-feira. O internacional português, que saiu ao intervalo no jogo da primeira “mão” (1-1) com queixas na perna esquerda, limitou-se a fazer trabalho de ginásio na sessão da véspera para acelerar a recuperação. Apareceu esta quinta-feira no relvado para treinar integrado, porém, segundo a imprensa espanhola, continua em dúvida para o jogo no Vicente Calderón. A utilização do craque português está dependente de evolução nas próximas horas.
( F ) UTILIDADES
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TEMPO
POUCO
NUBLADO
Cineteatro
CINEMA
MIN
26
MAX
32
HUM
65-90%
•
EURO
10.8
BAHT
0.2
YUAN
19
1.3
LÍNGUA DE gATO
TEMPORARY FAMILY SALA 1
SALA 3
FALADO EM CANTONÊS, LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Cheuk Wan Chi Com: Nick Cheung, Sammi Cheng, Angelababy, Oho 14.15, 16.05, 18.00, 21.30
Um filme de: Luc Besson Com: Scarlett Johansson, Morgan Freeman 14.15
TEMPORARY FAMILY [B]
LUCY [C]
LUCY [C]
Um filme de: Luc Besson Com: Scarlett Johansson, Morgan Freeman 19.50 SALA 2
CAFE • WAITING • LOVE [B]
FALADO EM MANDARIM E LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Chiang Chin Lin Com: Vivian Chow, Megan Lai, Pauline Lan, Lee Luo 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
ACONTECEU HOJE
DORAEMON THE MOVIE: NOBITA IN THE NEWHAUNTS OF EVIL-PEKO AND THE FIVE EXPLORERS [A]
Pu Yi
FALADO EM CANTONÊS E LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Yakuwa Shinnosuke 16.00
Bola de neve
INTO THE STORM [B] Um filme de: Steven Quale Com: Richard Armitage, Alycia Debnam-Carey, Matt Walsh 18.00, 19.45, 21.30
22 DE AGOSTO
Nasce Cartier-Bresson, o pai do fotojornalismo • É um dos mais importantes fotógrafos do século XX, considerado o pai do fotojornalismo. Chamava-se Henri Cartier-Bresson, nasceu a 22 de Agosto de 1908 e é recordado hoje. Membro de uma família abastada, de industriais têxteis, Henri Cartier-Bresson recebeu um presente, na sua infância, que viria a marcar a sua vida: uma máquina fotográfica. Associou o prazer pelas artes, que já alimentava, à fotografia e começou a criar desde muito jovem, sendo que a sua formação académica, em Paris, assentava nestes pilares. Com 22 anos, Cartier-Bresson viaja para África, para caçar, até que uma doença tropical o obriga a regressar a França. E é nesta altura, em meados de 1933, que redescobre a fotografia, com uma imagem do fotógrafo húngaro Martin Munkacsi como inspiração. Serviu o exército francês, na II Guerra Mundial, até que foi capturado pelos alemães, aquando da invasão de Hitler. Foi colocado num campo de prisioneiros de guerra, do qual escapa, à terceira tentativa. Em 1947, já com a paz restabelecida, funda uma agência fotográfica, com um grupo de profissionais. O seu trabalho suscita o interesse de revistas como a Life, Vogue e Harper’s Bazaar, que o contratam para viajar pelo mundo e… fotografar. Com a sua máquina Leica, torna-se o primeiro fotógrafo da Europa Ocidental a fotografar, de modo livre, a vida na União Soviética. No seu ‘currículo’ constam também os derradeiros dias de Gandhi e os eunucos imperiais chineses. Viria a lançar diversos livros baseados no seu trabalho e nas suas experiências e contactos culturais. O mais importante de todos tem data de 1952: ‘The Decisive Moment’, ou ‘Images à la Sauvette’, no título original francês. Uma gigantesca exposição, em 1960, que reuniu mais de 400 trabalhos, homenageou Henri Cartier-Bresson, nos EUA. O pai do fotojornalismo viria a morrer a 2 de Agosto de 2004, em Cereste, França.
João Corvo
H O J E H Á F I L M E 17 AGAIN (BURR STEERS, 2009) Mike O´Donnell era um talento de basquetebol quando tinha 17 anos. Num importante jogo da escola secundária, recebe uma notícia da sua namorada, Scarlett: está grávida. Mike decide deixar o treinador, os colegas e o basquetebol, casando com Scarlett. Aos 37 anos os dois enfrentam dificuldades familiares: divorcia-se e provoca a desobediência do filho e da filha. Com saudades de quando tinha 17 anos e com a ajuda mágica de um idoso estranho, Mike cai de uma ponte volta a ter o aspecto de quando era adolescente. Com um rosto de jovem, Mike tenta conhecer outra vez a sua esposa e os filhos, para salvar a relação com a família. - Flora Fong
fonte da inveja
Ontem adormeci nos braços cansados de um tufão.
Habitação, esse grande monstro de Macau. Faltam casas para toda a gente, incluindo classe baixa, média e alta. Quando olhamos para o problema, percebemos que não é de fácil resolução, principalmente pelo facto de não estar apenas a estrutura em falta. É que vendo bem, quatro paredes e um tecto não se constroem no ar e o facto é que não existem terrenos livres... Ou pelo menos é isso que insistem em dizer-nos. Quando passo a ponte, vejo uma série de ilhas e ilhotas prontas para alojar pessoas, mas isso implicaria – para além de mais gastos – o desmantelamento de algumas zonas verdes. Será que daqui a 20 anos, Macau ficará com o triplo do tamanho que tinha há décadas atrás? Fico triste quando penso nisto, sabem? No volume de infra-estruturas que têm vindo a ser construídas, incluindo toda a zona do Cotai que era, aquando do meu nascimento, uma simples ponte de duas faixas que começava na Taipa e desaguava em Coloane. Tudo isto é, em resumo, uma grande e gorda bola de neve que vai acabar por minar a qualidade de vida de todos nós. Se não foram construídas mais casas, o preços das já existentes vai subir em flecha, mas a serem feitas mais, acabarão por ficar longe do centro, o que dificulta a deslocação de quem por lá decidir viver. Tudo isto é uma complicação! Só espero que os responsáveis do Governo consigam resolver tudo a bem... Bem, na verdade só me interessa que resolvam, seja de que maneira for.
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OPINIÃO
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ISABEL CASTRO
isabelcorreiadecastro@gmail.com
contramão
A falta de jeito
D
WOODY ALLEN, EVERYONE SAYS I LOVE YOU
IZER que amo não chega. O amor diz-se, o amor foi feito para ser dito, mas o amor não se diz apenas, manifesta-se. De nada adianta amar se não souber dizer o amor, dizê-lo com as palavras do amor e com os gestos do amor. O amor é palavra de dicionário mas é infinitamente mais. O amor é movimento, prática, sente-se, tem cheiro, tem forma, tem uma maneira de ser. Vou ao dicionário à procura de amor, da palavra amor. Diz-me este que aqui tenho à mão que amor é o sentimento que predispõe a desejar o bem de alguém, é sentimento de afecto ou extrema dedicação, é o apego. É o sentimento que nos impele para o objecto dos nossos desejos, é atracção, é paixão, é afecto, inclinação, e é também uma relação amorosa ou aventura. O amor é ainda muitas outras coisas nesta língua em que escrevo. É movimento – e isto não vem no dicionário, mas eu sei que é. “Como um filho perante a sua mãe, amo a Pátria e Macau com a fé inabalável que brota do meu coração.” Li esta frase no sábado
passado e guardei-a na gaveta, para não a perder. É de Chui Sai On. Do candidato, não do Chefe do Executivo. Vem estampada na primeira página do pequeno panfleto onde resume o seu programa eleitoral e deixa-me a pensar nisto do amor. Amor perante uma mãe. A fé inabalável. Que brota de um coração. O verbo amar. A acção de amar. Amor não é aquilo que espero de um político. Ainda menos um amor de filho. De nada me adianta que ame a terra e o país. De nada adianta dizerem-me que é da tradução tosca e que em chinês faz sentido isto do amor a Macau, do amor filial a Macau. Não duvido de um sentimento tão declaradamente assumido, tão orgulhosamente exposto. Um sentimento por escrito. Mas amar não é escrever o amor. Amar – e vamos imaginar que se amam cidades como se amam mães – é muita coisa. Volto ao dicionário e não duvido que o candidato deseje bem à terra que já governa. Também não coloco em causa o afecto, esse sentimento que me transporta para carícias em cabelos de mães cansadas dos anos. Já a extrema dedicação é coisa que não vejo, que não sinto, porque a cidade – o objecto deste amor – não revela. A cidade não se
Eu cá reservo o amor para as pessoas e deixo o verbo gostar para as cidades. Amar é coisa séria e talvez o problema seja meu, que não percebo o amor filial pela terra e pelo país. Os escritos de amor de um político não me enternecem manifesta amada, descuidada que anda, desmazelada que se tornou. O amor é o sentimento que nos impele para o objecto dos nossos desejos – e também aqui não encontro definição que encaixe com a relação a que tenho assistido. O candidato não anda pela cidade, não a sente, não a conhece, passam-se anos sem a percorrer. Nunca ninguém os viu de braço dado, a mão em cima do ombro em passos
lentos na calçada portuguesa que, entretanto, desapareceu com as invasões turísticas. O amor é atracção, é paixão – e mais uma vez não os vejo num abraço cúmplice, num olhar de quem se conhece desde sempre. O amor é ainda muitas outras coisas nesta língua em que escrevo. É movimento. É sofrimento também, quando não existe em formato recíproco. E a cidade sofre. Eu cá reservo o amor para as pessoas e deixo o verbo gostar para as cidades. Amar é coisa séria e talvez o problema seja meu, que não percebo o amor filial pela terra e pelo país. Os escritos de amor de um político não me enternecem. O que me agrada é o movimento: o movimento das ideias e das acções. O que a cidade precisa – e o país também, talvez ainda mais –, é que Macau seja respeitada. Que não a estraguem, que não expulsem as pessoas que fazem a cidade, que não a pisem, que não a transformem ao ritmo dos interesses de alguns que, de amor, nada sabem. Macau precisa que a pensem, que a estruturem, precisa de ideias que sejam mais do que umas tentativas de dizer que está tudo bem só porque se ama. É preciso ter jeito para o amor.
opinião 21
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PAUL CHAN WAI CHI*
um grito no deserto
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ECENTEMENTE, o Governo Central da China decidiu não utilizar o PIB como critério para avaliar a performance das autoridades das diferentes localidades do país. Tal decisão surge depois da queda do preço de terrenos em todas as principais cidades, mas não é ainda certo que haja uma relação causal entre esse decréscimo e a alteração do critério. O facto é que a fase em que o aumento do PIB dependia do mercado de propriedades chegou ao fim. Politicamente, o movimento anti-corrupção está a espalhar-se pelo país, algo que é indubitavelmente precedido pela rectificação das arenas política e económica. O terreno fértil para o fomento da corrupção tem sempre que ver com questões de poder e dinheiro, enquanto o sistema político imperfeito é a raíz dessa mesma corrupção. Política e economia são como um par de gémeos siameses em que caso um deles adoeça, o outro ficará, sem dúvida, igualmente infectado. A China tem vindo a adoptar reformas e políticas de abertura há quase 30 anos. A um nível superficial, as reformas económicas são relativamente bem sucedidas, mas não tem havido qualquer tipo de desenvolvimento na área das reformas políticas. Juntos, assemelham-se a um par de pés, sendo um deles sendo enfolado e outro, magro. Um dos pés segue em frente a passos largos, enquanto o outro está débil e impossibilitado de se mexer. Uma pessoa que tenha tal par de pés deformados deverá cair frequentemente. A China tem que mudar, caso contrário, o Partido e o país vão ter um fim. Que tal introduzir algumas alterações em Macau? Que tal analisar os programas eleitorais do candidato a quarto Chefe do Executivo de Macau? Espero que os nossos leitores sejam seres com discernimento, conscientes de que os programas eleitorais são como uma antiga garrafa de vinho com um novo rótulo. Será que a este se pode chamar um novo vinho? Não tenho qualquer comentário a fazer sobre a personalidade de Chui Sai On, mas julgo que o conteúdo dos seus programas eleitorais não passa de uma mera banalidade. O conteúdo é tão pouco arrojado e escasso em iniciativas, que poderia ser utilizado por qualquer outro candidato. Não há mais grande coisa a dizer sobre estes programas eleitorais, que apenas “jogam pelo seguro”. Para além do facto de apenas 200 e tal – de entre 400 – membros da Comissão de Assuntos Eleitorais do Chefe do Executivo terem estado presentes durante a sessão de perguntas e respostas, é uma vergonha que tenha sido negado a alguns dos jornalista presentes o direito de colocar questões aos membros pela própria Comissão. No papel de candidato, Chui Sai On visitou diferentes
OS IRMÃOS INSEPARÁVEIS, DE DAVID CRONENBERG
Gémeos siameses de Macau: Política e Economia (parte 1)
zonas de Macau para conhecer os residentes, ainda que por apenas 15 minutos para cada visita. Num programa de rádio, Chui não marcou presença, tendo sido substituído por um dos representantes do Gabinete de Campanha, para responder a questões colocadas pelo público através de chamadas. Torna-se óbvio que Chui só consegue dar resposta a questões amigáveis colocadas por membros da Comissão de Assuntos Eleitorais do Chefe do Executivo, apenas gastando o seu tempo livre para conversar com associações com afiliações ao campo pró-Pequim. Será que um político bem protegido, que seria sem dúvida eleito através de uma guarida apropriada, precisa realmente de ter conceitos, perspectivas e responsabilidade política? Se o líder de uma região não tem as suas próprias visões políticas e nada precisa de fazer a não ser ter a capacidade de concordar com combinações que satisfaçam determinadas missões políticas e económicas, acham que há alguma esperança para esta região? O tipo de reformas que estão a ter lugar na China actualmente mostram-nos que, caso Macau não queira ser governado pela China antes de 2049, as pessoas locais têm que começar a puxar por si próprias,
“O sistema político de Macau continua desactualizado desde há muito tempo e a sociedade sobrevive numa condição de mortos-vivos dentro de uma piscina de água choca” uma vez que é a única via positiva, tanto para a China como para Macau. É a forma de Macau se transformar no mecanismo de engrenagem da máquina de mudança, ao invés de ser apenas uma peça no decurso do movimento de reforma da China. E quanto à economia de Macau? Depende dos casinos e do Esquema de Visita Individual dos turistas do continente. De onde vem o dinheiro dos casinos? As empresas do jogo ganharam dinheiro, mas quem perdeu? Quando os turistas chineses assolam Macau através do Esquema de Visita Individual, quem são os principais beneficiários desta
situação? Depois do estabelecimento da República Popular da China, o jogo foi banido da China, mas Macau não consegue viver sem jogo, uma vez que depende desta indústria para manter a sua qualidade de vida e aumentar o seu PIB. Como pôde a China permitir que o país ficasse com tal “ferida” crónica no seu corpo? O sistema político de Macau continua desactualizado desde há muito tempo e a sociedade sobrevive numa condição de morto-vivo dentro de uma piscina de água choca. Os talentos acabaram por se tornar meros seguidores de instruções. Apenas sabem como concretizar combinações e cumprir tarefas consideradas aceitáveis. Falta-lhes pensamento individual e são subservientes às massas. São apenas como robôs eficientes, independentemente das suas capacidades. Assim sendo, em que direcção rumam a política e a economia de Macau e que formas existem de desenvolver estes campos? Falemos sobre isto depois das eleições de dia 31 de Agosto. *Ex-deputado e membro da Associação Novo Macau Democrático
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ARNALDO GONÇALVES
crepúsculo dos ídolos
No gume do sabre
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KENJI MISUMI, HANZO THE RAZOR: SWORD OF JUSTICE
ODOS os processos políticos destinados a inverter um dado status quo confrontam-se com resistências e por vezes com reacções. A explicação é simples, contundem com interesses instalados de quem se habituou a viver dentro de certa situação e a extrair dela dividendos pessoais seja em benefícios directos, seja em vantagens futuras, seja no relacionamento com os outros. As pessoas, no sentido hermenêutico dos actores políticos, i.e. os que intervêm na vida da ‘polis’ não são diferentes dos Estados ou talvez um pouco na dimensão, na complexidade das acções, nas interdependências, no nexo ‘causa’ e ‘efeito’. Dois tipos de actores são definíveis, neste particular: os que entendem que há que romper ‘custe o que custar’, os que acham que há que mudar mas ‘pé ante pé’, dando um passo de cada vez, medindo os efeitos e quando positivos dando um novo passo por cada um que se revela positivo. Com a idade somos levados a privilegiar a segunda metodologia sobre a primeira. Por prudência mas também porque a experiência
da vida e a observação do ‘bicho-homem’ revela que processos de ruptura maxime de revolução geram efeitos indesejados, pois que aqueles que protagonizam as mudanças revolucionárias pelas boas causas e pelos ‘ideais puros’ revelam-se depois da revolução como novos ditadores, líderes capazes das mais desprezíveis acções em nome da vingança e do ajuste de contas. Contam-se pelos dedos de uma mão os processos revolucionários em que os promotores das revoluções se não aplicaram no dia a seguir a descobrir traidores, a executar ‘renegados’ e ‘colaboracionistas’ que haviam sido na véspera os seus ‘brothers in arms”. Por isso mesmo desconfio dos que alardeiam novas auroras rubras e outras manhãs libertadoras, assentes na eliminação dos ricos e dos privilegiados e na igualitarização da pobreza e da frugalidade franciscana. São todos exemplos de incoerência entre os propósitos anunciados e o exemplo pessoal. Os processos de combate à corrupção em regimes que não se adequam à filosofia e às regras de transparência e imparcialidade das sociedades abertas são, regra geral, processos de ajuste de contas com adversários políticos e aliados de véspera que não se ajustam à
“Os processos de combate à corrupção em regimes que não se adequam à filosofia e às regras de transparência e imparcialidade das sociedades abertas são, regra geral, processos de ajuste de contas com adversários políticos” nova hierarquia, aos novos guardiães do mando. Nesta parte do mundo temo-lo visto no grande vizinho do Norte mas também noutras longitudes que nada têm a ver com o credo confuciano ou com os revivalismos maoistas. Por isso será bom que olhamos para as ‘limpezas’ anunciadas aos quatro ventos com prudência, sentido da realidade, não nos deixando tomar por tolos no jogo hábil da propaganda e da contra-informação por
quem tem quase oitenta anos de experiência no uso do léxico leninista e das campanhas de ‘rectificação de massas’ que tiveram sempre como objectivo a eliminação de adversários internos e o silenciar das oposições. A métrica do ‘combate à corrupção’ é por isso tão enganosa como a prédica da moralidade pública, do amor à Pátria, da devoção ao serviço público acima dos interesses e das prebendas que normalmente alimentam as castas e as oligarquias desgarradas daqueles que as legitimam. Não é pelo reforço dos mecanismos de combate à corrupção que a eficácia do sistema se aprimora e os resultados emergem a contento das profecias. Os ‘grandes tigres’ normalmente não se deixam apanhar pelas operações de caça e captura porque no período em que se moveram à vontade pela savana reuniram o saque para os tempos maus que hão-de vir, pondo-o a coberto em locais a que o poder autoritário não chega. A caça resume-se então às moscas e aos moscardos cuja desatenção e falta de inteligência os põe na mira das tais campanhas de ‘rectificação de massas’quando o colectivo partidário ou o líder carismático acha que é tempo do sistema se libertar desse vespeiro para que tudo fique mais ou menos na mesma. Isso não significa que o sistema se tornou ipso facto credível e justo mas que se resgatou para sobreviver. A lógica das novas lideranças dos regimes fechados permite esta aparência de abertura e renovação que deslumbra os crentes na renascença do socialismo científico que se agitam, tomados de fervor messiânico, sempre que um novo líder lhes anuncia o encontro com a felicidade definitiva na Terra e o fim de todos os problemas e dificuldades reabilitando velhos ataques ao capitalismo de má hora que na verdade lhes alimenta os prazeres e os vícios. Teodor Lonta escreve em “Um Futuro Luminoso”: ‘o Homem é por natureza um animal curioso. Pode-se esconder a verdade dele, temporariamente, mas não para sempre’.
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Cecília Lin; Flora Fong (estagiária); Leonor Sá Machado; Ricardo Borges (estagiário) Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
PERFIL
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HOJE MACAU
WONG CHI KUN, VENDEDOR AMBULANTE DO LEAL SENADO
“ANTIGAMENTE, A VIDA ERA MELHOR DO QUE AGORA”
CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
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ESDE novo que “habita” perto do Leal Senado – em frente à actual loja Esprit – e é uma das figuras mais conhecidas da população de Macau. “Comecei a trabalhar aos 17 anos neste mesmo sítio, que antigamente era um cinema”, explicou, acrescentando que antes havia mais gente a fazer compras ao sair das matinés. “Hoje em dia o negócio corre ‘assim assim’. Já muita gente me conhece e dei várias entrevistas à imprensa inglesa e portuguesa”. A banca ambulante, sem a qual não vive, está na família há mais de duas décadas e pertencia à sua avó. Wong faz 82 anos em breve e está “há mais de 64” naquele mesmo local, diz. Hoje em dia, possui uma licença fixa, mas que apenas deixou de o ser há pouco tempo. “Nunca saí deste local, embora tenha tido outras oportunidades de trabalho. Já experimentei deslocar-me, mas gosto de estar aqui”, confessou o vendedor. Em jeito de brincadeira, disse ainda: “Além disso, os turistas gostam de me tirar fotografias”.
O negócio está aberto quase todos os dias, com Wong a folgar apenas ao Domingo e feriados de Ano Novo Chinês, que acontecem geralmente no início do ano. “Preciso de descansar pelo menos uma vez por semana”, confessou ao HM. Embora o negócio não vá de vento em popa, Wong conta, nostalgicamente, sobre como várias pessoas compram os seus produtos desde criança. “Conheço muita gente aqui. Alguns começaram a comprar os meus produtos desde pequenos e hoje em dia, até me pedem para tirar fotografias com eles”, exclama, orgulhosamente.
“Vi o motim contra os portugueses e muitas outras coisas. A única coisa que não mudou fui eu mesmo, porque só estou mais velho”
O poiso permanente de Wong parece dar um diferente poder de perspectiva ao vendedor, que afirma, sem dúvidas, que a sociedade de Macau está muito diferente. “Não havia tantas pessoas e carros nas ruas. Na verdade, antigamente a vida era melhor do que agora”, admite ao HM, enquanto o fumo dos tubos de escape e barulho das buzinas ensurdecem aquilo que outrora foi cidade “calma”.
MEMÓRIA VIVA
Os quase 90 anos de vivência de Wong parecem ter-lhe dado tudo menos senilidade, já que se recorda bem do evento que, para si, é o mais memorável de sempre. “Foi o Motim 1-2-3”, explicou. Este foi um dos eventos mais populares e mediáticos do século XX e que foi impulsionado pelos residentes da RAEM pró-comunistas, no dia 3 de Dezembro de 1966. “Vi o motim contra os portugueses e muitas outras coisas. A única coisa que não mudou fui eu mesmo, porque só estou mais velho”, disse, entre risos. Cansaço não é algo que impeça Wong de acordar todos os dias antes das sete da
manhã, hora a que chega à sua banca para começar a preparar a mostra dos produtos. Embora trabalhe quase 10 horas diárias – até às seis da tarde –, confessa que não se sente cansado, mesmo com 82 anos de idade. “Já estou habituado e quando me sinto cansado, sento-me um pouco na cadeira”. Sente-se feliz por saber que pode contar com a família para o auxiliar, tanto pessoal como profissionalmente. “A minha mulher vem-me substituir na banca à hora de almoço e depois volto para continuar à tarde”, explicou o vendedor, enquanto fazia o troco de um maço de tabaco a um transeunte apressado. É ali mesmo em frente à conhecida loja de franchising, com vista para a praça e fonte do Leal Senado, que Wong espera continuar a habitar, pelo menos até se sentir incapaz de continuar o negócio. Gosta do contacto com o público e confessa: “Não me imagino a fazer outra coisa”. Se, por um lado, a mudança de Macau parece inegável, sabe bem perceber que algumas coisas permanecem imutáveis. Como Wong, o vendedor ambulante do Leal Senado.
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FIC 358 candidaturas para fundo
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S distúrbios em Ferguson, no estado do Missouri, na sequência da morte de um adolescente negro desarmado, colocaram os Estados Unidos sob a mira de duras críticas internacionais, nomeadamente da China e do Irão que acusam Washington de hipocrisia. Estes países, habituados a serem criticados pelos Estados Unidos em matéria de direitos humanos, defendem que os incidentes ocorridos em Ferguson após a morte do adolescente Michael Brown, morto a tiro por um polícia branco, evidenciam o “duplo critério” das autoridades norte-americanas, mas também as tensões raciais que ainda persistem naquele país. Na China, o caso está a ter destaque na comunicação social. A agência noticiosa oficial chinesa Xinhua escreveu que os “tumultos de Ferguson revelam uma divisão racial nos Estados Unidos”, salientando ainda “uma falha nos direitos humanos”. O mesmo artigo afirmou que o caso de Ferguson “demonstra uma vez mais que, mesmo um país que tem tentado desempe-
CHINA E IRÃO CRITICAM WASHINGTON FACE À VIOLÊNCIA EM FERGUSON
O feitiço contra o feiticeiro Depois do Egipto e da Rússia, os americanos enfrentam agora as críticas de chineses e iranianos que os aconselham a “limpar” a casa antes de apontar o dedo a terceiros nhar ao longo dos anos o papel de juiz e de defensor internacional dos direitos humanos, ainda existe muito espaço para realizar progressos em casa”. “O que os Estados Unidos precisam de fazer é concentrar-se em resolver os seus próprios problemas antes de apontar o dedo aos outros”, acrescentou o mesmo texto. Também surgiram nas redes sociais chinesas mensagens, algumas em tom irónico, sobre os distúrbios de Ferguson. “Isto são os direitos
humanos nos países democráticos”, escreveu um utilizador da rede social Sina Weibo, um serviço similar ao Twitter criado na China.
LADO PERSA
Os acontecimentos em Ferguson também estão a ser seguidos com atenção no Irão, com Teerão a afirmar que o caso evidencia as divisões raciais nos Estados Unidos e o duplo critério em matéria de direitos humanos. “A discriminação direccionada contra a comu-
“O que os Estados Unidos precisam de fazer é concentrar-se em resolver os seus próprios problemas antes de apontar o dedo aos outros” XINHUA
nidade negra na América pela polícia e pelo sistema judicial e a repressão de manifestantes (…) são claros exemplos de violações dos direitos humanos das minorias étnicas nos Estados Unidos”, referiu o Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, num comunicado. Também o guia supremo iraniano, Ali Khamenei, se pronunciou sobre o assunto. “Hoje, como no passado, os afro-americanos continuam sobre pressão, oprimidos e sujeitos a discriminação”, escreveu Ali Khamenei na rede social Twitter. A 09 de Agosto, um agente da polícia, identificado como Darren Wilson, abateu a tiro Michael Brown, de 18 anos. Testemunhas do incidente
disseram à imprensa local que Brown e um amigo caminhavam pelo meio de uma rua, quando a polícia os mandou parar. Os protestos e a violência começaram no dia a seguir, quando grandes grupos de pessoas realizaram uma vigília no local o jovem foi morto. De acordo com a imprensa norte-americana, a autópsia realizada pelas autoridades locais indicou que Brown foi atingido por seis tiros. O Procurador-geral dos Estados Unidos, Eric Holder, ordenou uma segunda autópsia, federal, “devido às circunstâncias extraordinárias em torno do caso e a pedido da família de Brown” e prometeu uma investigação transparente, completa, justa e independente.
ERMINADO o prazo para a entrega de documentos de candidatura para o Fundo das Indústrias Culturais (FIC), a entidade informou em comunicado que recebeu 358 candidaturas. “Grande parte das candidaturas não se encontram completamente instruídas, carecendo de suprimento dos documentos em falta em data e hora a marcar”, explica o FIC. As candidaturas residem em quarto grandes áreas: media digital com 34%; design criativo com 32%, exposições e espectáculos culturais com 22% e colecção de obras artísticas atingindo os 7%. Desde o início da abertura das candidaturas, a seis de Junho, o site informático do FIC recebeu “cerca dez mil visitas” e 4200 downloads do boletim de candidatura que resultaram em 508 marcações para apresentação de candidaturas. “Com vista a elevar a eficiência e a segurança das comunicações, o FIC irá efectuar as notificações às empresas sobre a entrega de documentos ou o resultado da apreciação das candidaturas através da Caixa Postal Electrónica Segura (SEPBox), pelo que se pede a atenção das empresas na recepção das notificações via SEPBox”, informa o FIC. Depois de concluída a análise das candidaturas, segue-se o segundo período do processo, que segundo o FIC, deverá ocorrer nos três primeiros meses de 2015. - H.M.
INSTITUTO DE ACÇÃO SOCIAL APOIO A “JOVENS ANÓNIMOS” AINDA ESTE ANO
Para quem não estuda nem trabalha CECÍLIA LIN*
cecília.lin@hojemacau.com.mo
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ÃO serão mais de 70 os jovens com idades compreendidas entre os 15 e 24 anos que não estudam nem trabalham, chamados pelo Governo de “jovens anónimos”. Contudo, o Instituto de Acção Social (IAS) quer criar um regulamento que determine a criação de um
“projecto de serviços integrados com a combinação de prevenção, diagnóstico e aconselhamento”, sendo quo “o lançamento de tal projecto está previsto para o segundo semestre do corrente ano, altura em que as instituições interessadas podem apresentar as suas propostas”. “Após a selecção das instituições idóneas, ser-lhes-ão atribuídos apoios financeiros e técnicos
para a concretização da respectiva proposta”, confirma o IAS. A garantia foi dada em resposta à interpelação escrita do deputado Zheng Anting, que quis saber mais pormenores sobre os apoios prestados a este tipo de jovens. O IAS cita dados do “Estudo sobre a Situação dos Jovens Anónimos de Macau”, o qual foi realizado em 2010, e que mostra que os mais novos nesta situação representam
apenas 2,2%, sendo que os “potenciais jovens anónimos” variam entre 1603 e 1688 pessoas. “Este grupo de pessoas isola-se em casa e raramente ou até nunca chegar a entrar em contacto com terceiros, passando a maior parte do tempo a navegar pela internet ou a divertir-se com os jogos electrónicos para obter um sentimento de sucesso”, pode ler-se na resposta do IAS ao deputado. * com A.S.S.
Teatro D. Pedro V vai fechar para obras
O Instituto Cultural (IC) anunciou ontem que o teatro D. Pedro V vai sofrer “obras regulares de restauro” no seu interior, pelo que fechará portas até ao próximo dia 15 de Setembro, com excepção da galeria dos espelhos e do jardim.