DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
hojemacau
CABO VERDE CHOW PREOCUPA ACTIVISTAS
ISTOCK
PÁGINA 7
INQUÉRITO
PÁGINA 8 SOFIA MARGARIDA MOTA
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JOGO INCONSCIENTE
FRANCISCO ANTÓNIO RICARTE
FOTOGRAFAR O SILÊNCIO
ZÉ TOMÁS
ENTREVISTA
CURAR & CURARE h
ANTÓNIO CABRITA
Toque de Midas PEDRO CARDOSO DEIXA BNU COM SENTIMENTOS AMBIVALENTES
AGÊNCIA COMERCIAL PICO 28721006
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MOP$10
IPIM
QUINTA-FEIRA 22 DE FEVEREIRO DE 2018 • ANO XVII • Nº 3997
GRANDE PLANO
2 grande plano
22.2.2018 quinta-feira
BANCA
Uma fonte informada sobre os processos de decisão do banco, que não quis ser identificada, garantiu que os cortes [aos apoios locais] se devem exclusivamente a Pedro Cardoso e à vontade do gestor em “apresentar lucros mais positivos todos os anos”
FIM DE UMA P EDRO Cardoso está de saída do Banco Nacional Ultramarino e para o seu lugar espera-se que entre Carlos Cid Álvares. Quando ocorrer a troca, que deve acontecer durante o Verão, o actual presidente do banco detido pelo Grupo Caixa Geral de Depósitos vai cumprir sete anos na liderança dos destinos do BNU. Para trás, Pedro Cardoso vai deixar, segundo as pessoas ouvidas pelo HM, resultados financeiros muito positivos. Quando chegou à presidência do BNU, em 2011, no ano anterior à sua chegada, o banco tinha fechado 2010 com lucros na ordem dos 373,1 milhões de patacas. Quando sair, o actual presidente deixa um lucro de 706 milhões, ou seja quase o dobro, referente a 2017. Contudo as polémicas com o preenchimento dos formulários “Conheça o Seu Cliente”, e o consequente congelamento de algumas contas, assim como os cortes recentes do banco, apesar dos lucros recorde no ano passado, impedem um consenso total face à prestação do gestor em Macau.
APOSTA NO INTERIOR DA CHINA
Colega de profissão de Pedro Cardoso e administrador do agora banco Well Link, antigo Novo Banco Macau, José Morgado não tem dúvidas que o actual presidente do BNU vai deixar um legado positivo, muito pelos números apresentados e pela relação com o sector financeiro local. “A avaliação tem de ser positiva e a forma mais lógica de fazer uma análise é olhar para os resultados que conseguiu. Foram sempre em crescendo. Por outro lado tem uma grande aceitação no mercado financeiro local, muito também pelo facto de se ter dedicado a aprender chinês”, contou José Morgado ao HM. “Aprendeu chinês, ou pelo menos um pouco, e eu próprio assisti a apresentações que fez em chinês em Xangai. Foi um facto que contribuiu para que fosse muito bem aceite no sector financeiro desta região. Afirmou o carácter regional do banco com a dinamização do escritório da representação em Xangai e com a abertura da sucursal na Ilha da Montanha”, justificou.
Uma opinião semelhante à de José Morgado é partilhada pelo economista Albano Martins. O também presidente da Associação Anima considera que sob o comando de Pedro Cardoso o banco ficou mais profissional, mas também mais burocrático, principalmente junto das empresas. “A impressão que tenho é que o trabalho do Pedro Cardoso foi positivo. Os resultados e a evolução dos lucros é notória”, disse Albano Martins, ao HM. “O banco tornou-se mais profissional, mas provavelmente terá também ficado demasiado burocrático, é a minha ideia como cliente. Por exemplo, para se ter acesso a uma conta pela Internet no BNU, e estamos a falar do acesso, ou seja não é para fazer transacções online, são necessárias montanhas de papéis que têm de ser preenchidas. O processo poderia ser muito mais facilitado, mesmo com as preocupações de segurança e com a movimentação de capitais”, defendeu.
OUTRAS INTERPRETAÇÕES
Apesar dos recordes, também há quem considere que o BNU tem acompanhado a tendência de crescimento da banca local e mesmo da instituição, antes da chegada do actual presidente. “O BNU, independentemente dos presidentes que por lá passam, conseguiu resultados que têm batido recordes nos últimos anos”, começou por constatar Paulo Azevedo, presidente do grupo de comunicação De Ficção. A mesma tendência nos resultados do banco foi explicada pelo gestor da representação em Macau do banco português BCP, José João Pãosinho, que por motivos de ética profissional se recusou a comentar a prestação de Pedro Cardoso. “Desde 2003, o BNU entrou numa dinâmica de crescimento apreciável e com o Dr. Pedro Cardoso continuou essa dinâmica. O banco está a recolher os frutos de uma estratégia acertada, quando por volta de 2002 e 2003 apostou no apoio à abertura do mercado do jogo”, apontou José João Pãozinho.
O OUTRO LADO DO LUCRO
A notícia da saída do presidente do BNU chegou numa altura em que
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Ao longo de quase sete anos, o presidente do BNU conseguiu como feitos maiores aumentar os lucros de 373,1 milhões de patacas para 706 milhões e abrir a primeira representação na Ilha da Montanha. Porém, os cortes nos apoios locais, os formulários a pedir dados dos clientes e a crescente burocratização valem-lhe críticas
PEDRO CARDOSO VAI DEIXAR O BNU COM RESULTADOS POSITIVOS, MAS SEM CONSENSO
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quinta-feira 22.2.2018
ERA
foi alvo de críticas no âmbito dos cortes a apoios e patrocínios locais, principalmente entre a comunidade portuguesa. Uma medida que muitos acreditam ter sido motivada pela situação financeira difícil do Grupo Caixa Geral de Depósitos. “O BNU pertence a um grupo em reestruturação em Portugal, e é necessário que actue mais segundo os critérios do grupo e menos por critérios localizados. É natural que por força desse condicionalismo que tenham orientações para adoptar uma postura mais regredida e uma actividade não tão contributiva em termos de ajuda a patrocínios”, considera José Morgado. Apesar de admitir a possibilidade de existirem orientações superiores, Paulo Azevedo recorda a função que o BNU tem assumido em Macau: “O BNU tem outro tipo de responsabilidade que a restante banca portuguesa não tem e está a divorciar-se disso por causa de cortes que o Grupo Caixa em Lisboa decidiu, sem olhar à natureza histórica de liderança da comunidade portuguesa aqui”, notou.
“O banco está a recolher os frutos de uma estratégia acertada, quando por volta de 2002 e 2003 apostou no apoio à abertura do mercado do jogo.” JOSÉ JOÃO PÃOZINHO BCP MACAU
“Muitas vezes, em Portugal, as decisões tomam-se porque Lisboa está muito longe de Macau e os gestores continuam um bocado divorciados da realidade local. É por isso que é importante que o presidente do BNU dê, de vez em quando, um murro na mesa e defenda o posicionamento do banco. Se o BNU perde a reputação e o crédito junto da comunidade portuguesa são os interesses do banco a médio e longo prazo que ficam prejudicados”, considerou. Também Albano Martins sublinha a necessidade do banco conservar uma boa imagem junto da comunidade portuguesa e dos clientes. “Provavelmente não é um corte significativo e é politicamente errado. Se calhar é minimalista em termos de exploração para o BNU, não vai representar muito e, por outro lado, cria uma sensação de mal-estar, porque a comunidade de Macau é diferente da de Portugal”, apontou. “É preciso que as pessoas desçam à terra e percebam que as
“Tem uma grande aceitação no mercado financeiro local, muito também pelo facto de se ter dedicado a aprender chinês.”
MOMENTOS MARCANTES
JOSÉ MORGADO ADMINISTRADOR DO WELL LINK
coisas funcionam de forma diferente. As atitudes e as posturas de quem decide têm de ter em atenção essas questões”, frisou. Apesar destas versões, ao HM uma fonte informada sobre os processos de decisão do banco, que não quis ser identificada, garantiu que os cortes se devem exclusivamente a Pedro Cardoso e à vontade do gestor em “apresentar lucros mais positivos todos os anos”. O HM contactou Pedro Cardoso, mas o presidente do BNU não quis fazer qualquer comentário.
CARTAS DA POLÉMICA
Foi em 2016 que os clientes do BNU começaram a receber cartas com “ameaças” de que seriam impedidos de continuar a ser clientes do banco, se não preenchessem o formulário “Know Your Client”. O documento pedia informação e autorização para transmitir ao Grupo Caixa Geral de Depósitos os dados dos consumidores. Na altura, o tom da carta gerou críticas por parte de alguns clientes, e também Albano Martins considera que houve um erro na comunicação do banco. “A comunicação não foi a melhor. Foi uma questão que poderia ter sido colocada de uma outra forma... mas foi a maneira que o banco encontrou de comunicar com os clientes”, afirmou o economista. “Mas também não é uma nódoa pequenina na comunicação que vai deixar marca no desempenho do Pedro Cardoso, que me parece bastante positivo”, frisou. Já José Morgado considerou normal a parte do documento em que é referido que sem a assinatura do formulário, o BNU ficaria em posição de cancelar as contas dos clientes. “A situação consolidada da Caixa, que está ligada à UE, exige que os dados sejam relatados e que os clientes cumpram com as regras do fornecimento deste tipo de informação. Se os clientes não pretendem cumprir, naturalmente que o relacionamento pode quebrar-se. Os bancos não podem actuar fora do contexto dos territórios em que estão”, justificou. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
AGOSTO DE 2011 Pedro Cardoso é nomeado presidente do Banco Nacional Ultramarino, substituindo Artur Santos, que estava no cargo há cerca de um ano. JULHO DE 2013 Esquema de phishing utiliza nome do BNU na tentativa de enganar os clientes do banco. BNU garante que não houve clientes afectados. JULHO DE 2015 BNU e sucursal
de Macau do Banco da China assinam protocolo para a promoção de negócios entre a China e os Países de Língua Portuguesa.
INÍCIO DE 2016 Envio de cartas
a pedir aos clientes o preenchimento do formulário “Conheça o Seu Cliente”. No documento as pessoas são avisadas que se optarem por não preencher o formulário que a relação entre as partes será terminada.
JULHO DE 2016 Abertura da
primeira agência em Seac Pai Van.
FINAIS DE 2016 Surgem os relatos das primeiras contas de clientes congeladas pelo BNU devido ao facto dos clientes não terem preenchido o formulário KYC, que autoriza a transmissão de dados pessoais à casa-mãe.
JANEIRO DE 2017 Abertura da primeira sucursal na República Popular da China, na Ilha da Montanha. JUNHO DE 2017 BNU anuncia logótipo comemorativo dos 115 anos da instituição, apenas em chinês e inglês. SETEMBRO DE 2017 Banco realiza cerimónia comemorativa dos 115 anos, com a presença do presidente da Caixa Geral de Depósitos, Paulo Macedo. JANEIRO DE 2018: BNU anuncia
lucros recorde de 706 milhões de patacas em 2017, com um crescimento de 26 por cento face a 2016.
JANEIRO DE 2018: Instituição
começa uma série de cortes ao nível dos apoios e publicidades em Macau.
FEVEREIRO DE 2018: Anúncio da saída de Pedro Cardoso do cargo de presidente do BNU. Carlos Cid Álvares será o homem que se segue.
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GCS
As preocupações dos outros N CHEFE DO EXECUTIVO DISCURSO DE ANO NOVO PAUTADO PELA DIFERENÇA
Imobiliário, habitação e património. Três áreas consideradas centrais para o Governo e que marcaram o discurso oficial de Ano Novo Chinês do Chefe do Executivo. Uma mensagem que aos olhos de Larry So e Carlos Marreiros trouxe algo de novo em relação aos anos anteriores
ÃO bastaram os votos de boa sorte na chegada do Ano do Cão ou a garantia de que o território mantenha a estabilidade e prosperidade económica. O discurso oficial de Ano Novo Chinês do Chefe do Executivo, Chui Sai On, pautou-se este ano pela diferença, tendo abordado as últimas medidas adoptadas pelo Governo para lidar com o aumento dos preços das casas e a especulação imobiliária.
Foi também referida a necessidade de seguir as regras da UNESCO no que diz respeito à protecção do património e do centro histórico “com seriedade e rigor”. De acordo com o analista político Larry So, este foi um discurso diferente do habitual e marcado por mensagens específicas, que espelham as preocupações da população. “Normalmente esperamos que o Chefe do Executivo fale sobre a questão da prosperidade
económica, mas desta vez Chui Sai On teve um discurso que mais parece estar ligado às Linhas de Acção Governativa (LAG) ou a determinadas políticas, ao afirmar que nos próximos anos há preocupações sobre a habitação, o desenvolvimento económico ou o património”, referiu. Na visão de Larry So, Chui Sai On “mostrou preocupação em relação a questões como a habitação, património ou mercado imobiliário simplesmente porque a sociedade tem essa grande procura, essas grandes aspirações”. Uma alteração visível no discurso do Chefe do Executivo foi a referência às medidas já apresentadas no hemiciclo para controlar a especulação imobiliária. “O Governo apresentou à Assembleia Legislativa o diploma com as medidas de controlo do mercado de habitação, desta vez com carácter de urgência, esperando que essas políticas possam conduzir a um desenvolvimento saudável do mercado imobiliário e também facilitar a aquisição de casa por parte dos jovens”, pode ler-se. Este “carácter de urgência” poderá estar relacionado com uma eventual pressão recebida do Governo Central para que o Executivo local resolva um problema que se arrasta há anos, mas para o qual nunca foi encontrada uma solução concreta por, de acordo com os governantes, estarmos perante um mercado livre. Contudo, Larry So não dá certezas. “Ninguém pode confirmar isso [se o Chefe do Executivo recebeu avisos directos de Pequim para legislar sobre os preços da habitação], mas estou certo que o Governo Central deixou claro [no último encontro que Chui Sai On teve em Pequim] que algumas questões tinham de ser resolvidas. O Governo teve de expressar que, pelo menos, há esta preocupação.”
QUESTÃO DE PATRIMÓNIO
A referência à protecção do património, numa altura em que está em consulta pública o plano de preservação do centro histórico, foi uma das novidades do discurso do Chefe do Executivo, que, por norma, não faz grandes referências a esta área. “Há muitas pressões, muitas vozes que dizem que o Governo não está a fazer o suficiente nesta área, e é por isso que é uma das razões que alargou o seu discurso a este assunto”, disse Larry So. O analista político, ex-docente do Instituto Politécnico de Macau (IPM), considerou que, também neste caso, Chui Sai On tentou mostrar que o Governo está atento àquilo que a população deseja que seja feito.
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LARRY SO ANALISTA POLÍTICO
“Muitos jovens, especialmente os que estão mais ligados a questões ambientais, estão verdadeiramente preocupados. Há preocupação com a vida das comunidades, e este discurso mostra que o Chefe do Executivo sabe que a sociedade tem preocupações relacionadas com a cultura. Ele sabe que existe esta apreenção e quer que a comunidade tenha esse conhecimento.” Também o arquitecto Carlos Marreiros aplaudiu a inclusão do tema património no discurso oficial de Ano Novo Chinês. PUB
“O centro histórico e as tradições culturais são importantes para as memórias de Macau e para a fixação da sua diferença. Estamos num contexto altamente competitivo, não temos recursos humanos nem os meios desejados para que possamos competir em algumas áreas como cidades vizinhas, daí que estas questões mereçam cada vez mais aparecer no discurso da primeira autoridade de Macau, que é o Chefe do Executivo. Acho que é extremamente importante.” O arquitecto e membro do Conselho do Património Cultural voltou a frisar que não basta Macau ser conhecido como o território do jogo. “Temos de lutar cada vez mais para que haja outras alternativas para o turismo de massas, nomeadamente no que diz respeito ao centro histórico e potenciá-lo com mais ofertas de qualidade. Por isso vejo esta notícia como sendo muito positiva espero que, depois deste assunto ser abordado pelo Chefe do Executivo, possa inspirar mais serviços públicos a falar sobre estes grandes problemas”, concluiu Marreiros. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
VERGE
“Normalmente esperamos que o Chefe do Executivo fale sobre a questão da prosperidade económica, mas desta vez Chui Sai On teve um discurso que mais parece estar ligado às Linhas de Acção Governativa (LAG) ou a determinadas políticas.”
JOGO NG KUOK CHEONG QUER FISCALIZAÇÃO DE EQUIPAMENTOS ELECTRÓNICOS
O
Governo tem de fiscalizar as novas mesas de jogo dos casinos. O apelo é de Ng Kuok Cheong. A razão, aponta o deputado pró-democrata, tem que ver com suspeitas de que os novos equipamentos prejudiquem a saúde dos trabalhadores do sector. De acordo com o deputado, é necessário que o Executivo proceda a uma fiscalização séria destes equipamentos. As queixas já se fazem ouvir entre os trabalhadores da linha da frente. “Ultimamente, o pessoal do sector do jogo tem manifestado
as sua opiniões aos deputados da Assembleia Legislativa (AL) esperando que o Governo efectue uma fiscalização à qualidade da segurança das mesas de jogo, sobretudo das mesas mais inovadoras”, diz Ng Kuok Cheong. O problema, avança, está na tecnologia. De acordo com os trabalhadores dos casinos, refere o deputado, as mesas electrónicas de jogo como a roleta e bacará estão a ganhar popularidade nalguns casinos, mas “causam incómodo notório à saúde dos funcionário que para lá foram destacados a longo prazo”. Este tipo
de equipamentos exige a colocação de uma grande quantidade de fios e de cabos que geram um calor excessivo ou, sublinha Ng Kuok Cheong “até radiação”, justifica. Para o deputado, trata-se de um assunto de saúde que exige uma fiscalização urgente por parte do Executivo, o que nunca aconteceu. “Nunca se viu que o Governo efectuasse qualquer inspecção ou fiscalização, in loco, a estas mesas”, lamenta. Como tal, Ng Kuok Cheong apela ao Executivo para que tome medidas o quanto antes. S.M.M.
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JÓIAS IP SIO KAI PEDE PADRÕES DE CERTIFICAÇÃO DE PEDRAS PRECIOSAS
Nem tudo o que brilha é ouro Macau não aderiu à certificação internacional de jóias. A par disso, o território não possui equipamento nem profissionais para garantir a autenticidade da joalharia. Os profissionais do sector estão preocupados e querem um regime legal e especialistas de modo a que o mercado possa manter a competitividade local e internacional
O
mercado da falsificação de jóias está em constante actualização. No entanto, em Macau, onde o sector tem uma forte presença no mercado, não se seguem os padrões de certificação de autenticação internacional capazes de garantir que diamantes, jades e outras jóias à venda no território sejam verdadeiras. O alerta é dado pelo deputado Ip Sio Kai. Em interpelação escrita, o tribuno aponta o dedo à inoperância do Executivo nesta matéria, sublinhando que desta forma Macau pode perder competitividade no mercado devido à desconfiança dos consumidores. De acordo com Ip Sio Kai, esta é mais uma prova de recuo quando Macau se quer afirmar como centro turístico, demonstrando a forma como o território continua atrasado em relação aos padrões internacionais, facto que não corresponde ao pretendido posicionamento como centro mundial de turismo e lazer”, refere. O deputado recorda uma apreensão recente na vizinha
U
M aeroporto pequeno e com concessões exclusivas, poderá estar a pôr em causa a competitividade local. A denúncia é feita pelo deputado Si Ka Lon. De acordo com o tribuno, os resultados não são os esperados, apesar do Governo ter “trabalhado bastante nesta vertente”, nomeadamente com a assinatura de acordos aéreos bilaterais com vários países, com a criação de pontos de tráfego em cidades no interior da China e com o Plano de Desenvolvimento do Aeroporto Internacional de Macau (AIM). A razão,
Hong Kong de diamantes falsos. As pedras eram, no entanto, muito difíceis de detectar como não sendo verdadeiras. “Devido ao avanço das técnicas é necessário recorrer a aparelhos sofisticados para distinguir os diamantes naturais dos artificiais”, refere o deputado. Contudo, Macau, onde o comércio de jóias é também um dos atractivos turísticos, as lojas não têm este tipo de equipamentos nem “condições para adquirir este tipo de aparelhos”, diz. Para Ip Sio Kai, o sector das jóias enfrenta novos desafios e um
“[Macau] continua atrasada em relação aos padrões internacionais, o que não corresponde ao seu posicionamento como centro mundial de turismo e lazer.” IP SIO KAI DEPUTADO
acréscimo nas dificuldades quando se trata de manter a credibilidade no mercado.
SEM PROFISSIONAIS
Acresce ao problema a falta de quadros qualificados em autenticação de jóias. Para o deputado trata-se de mais uma situação “que vai prejudicar a competitividade do sector”. De acordo com Ip Sio Kai, “se a situação não melhorar rapidamente receia-se que os sectores da joalharia e ourivesaria deixem de atrair os consumidores das regiões vizinhas”, teme o deputado.
Voos baixos
Si Ka Lon preocupado com exclusividade da Air Macau no aeroporto local
aponta Si Ka Lon em interpelação escrita, tem que ver com a pouca liberdade do regime jurídico, a inflexibilidade do funcionamento da infraestrutura e o facto do AIM estar já demasiado congestionado. “Como o regime local de liberdades do ar é atrasado e o modelo de funcionamento do aeroporto não é flexível, o desenvolvimento da rede de transportes aéreos chegou ao “gargalo”,
lê-se na missiva dirigida ao Executivo. O deputado explica que “em Macau existe um regime de concessão exclusiva das operadoras aéreas. Embora a RAEM já tenha assinado acordos aéreos bilaterais com 49 países e regiões, e tenha criado 57 pontos de tráfego com em cidades no interior da China, a realidade é que, neste momento, as rotas ainda não se encontram em operação.
O problema não é novo e não é a primeira vez que o Governo é alertado para a situação. “Segundo a associação comercial do sector, este tem apelado ao Governo para criar um sistema de reconhecimento e certificação de jóias de jade e de diamantes, bem como um regime de formação profissional”, aponta o deputado. A associação apresentou mesmo um proposta no sentido de garantir uma resposta. No entanto, “até agora, não se registou nenhum avanço”, aponta. De acordo com os comerciantes que trabalham no sector da
Portanto, os acordo aéreos celebrados com 37 países e regiões e 30 pontos de tráfego no continente ainda não estão a ser aproveitados”, diz. Para Si Ka Lon, e de acordo com as opiniões que tem recebido, a culpa é das concessionárias que nem querem operar nessas rotas nem permitem que outras empresas o façam.
PERDA DE TERRENO
Por outro lado, o Governo não tem tido uma acção concreta e empreendedora de modo a melhorar, efectivamente, as condições da infraestrutura e, com isso, está a perder com-
joalharia, as melhorias sugeridas ao Executivo vão contribuir para uma melhor qualidade do serviço e por uma elevada reputação quer entre as regiões vizinhas quer a nível internacional. Em Macau existem cerca de 300 empresas ligadas ao sector que precisam de profissionais de autenticação e de certificação internacional, refere. Ip Sio Kai quer saber qual é o ponto da situação nesta matéria e que medidas o Executivo tenciona tomar.
petitividade relativamente a outros aeroportos da região. Si Ka Lon dá um exemplo próximo: o aeroporto de Zhuhai, em 2014, atingiu os quatro milhões de passageiros, enquanto que o de Macau registava a circulação de 5 milhões. Em Zhuhai a estrutura sofreu melhorias e no ano passado já acolheu nove milhões de pessoas enquanto o AIM se ficou pelos sete milhões, tendo sido “ultrapassado”, refere. As vias aéreas são fundamentais, principalmente numa região como Macau que pretende ser uma plataforma e integrar projectos como “Uma
Sofia Margarida Mota
Sofia.mota@hojemacau.com.mo
Faixa, Uma Rota” e a “Grande Baía”, afirma o deputado. Si Ka Lon quer saber, por parte do Governo, qual a razão para que existam tantas rotas previstas que não estão a ser utilizadas. Outra das preocupações do deputado prende-se com o facto da “Air Macau” ter a concessão exclusiva até 2020. Nesse sentido, questiona o Executivo se, para melhorar a situação, pretende alterar o actual modelo de forma a “que os aeroportos e as empresas aéreas de todo o mundo concorram de forma livre num mercado aberto”. S.M.M.
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CABO VERDE ACTIVISTAS CONTINUAM A NÃO CONFIAR NO PROJECTO DE DAVID CHOW
Educação Inscrições de alunos arrancam dia 1 de Março
A Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) emitiu ontem um comunicado onde aponta que os encarregados de educação dos alunos que não entram pela primeira vez, em Setembro, nos ensinos infantil, primário e secundário, podem começar a fazer as inscrições dos seus filhos a partir do dia 1 de Março. O comunicado aponta que, no ano lectivo de 2018/2019, 65 escolas vão aceitar inscrições para o ingresso no ensino primário e 55 aceitam alunos para o décimo ano de escolaridade. “O pagamento da tarifa de reserva da vaga escolar para os novos alunos de diferentes níveis de ensino não deve ser efectuado antes de 11 de Abril”, explica a DSEJ.
Ano Novo Chinês Queima de panchões aumenta face a 2017
A Rádio Macau noticiou ontem que há cada vez mais material pirotécnico, como panchões ou foguetes, a serem queimados durante a época do Ano Novo Chinês. Dados oficiais do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) revelam que mais de 200 caixas de panchões, foguetes ou fogo de artifício vão ser queimados até hoje, depois do encerramento, na meia-noite de terça-feira, do período oficial para o lançamento deste tipo de material. Macau importou um total de 4476 caixas de material pirotécnico, o que, de acordo com o IACM, representa um aumento de nove por cento em relação a 2017. O objectivo da queima do restante material em dois dias prende-se com a necessidade de reduzir o impacto ambiental.
Um mar de incertezas O grupo de activistas cabo-verdianos Movimentu Korrenti di Ativista continua a ter muitas dúvidas em relação ao empreendimento turístico que o empresário local David Chow quer erguer no Ilhéu de Santa Maria. Apesar de já existir um relatório de impacto ambiental, e de terem sido feitas alterações ao projecto, o grupo queixa-se de falta de informações por parte do Governo
A
S alterações que foram feitas ao empreendimento turístico que o empresário e ex-deputado David Chow quer erguer no Ilhéu de Santa Maria, em Cabo Verde, continuam a não agradar ao grupo de activistas cabo-verdianos Movimentu Korrenti di Ativista, que desde o início se insurgiu contra o projecto. Nem a realização de um estudo de impacto ambiental eliminou as incertezas sentidas pelos activistas. Em declarações ao HM, Ras Munda, representante do grupo, considerou que continuam a não existir informações suficientes sobre um projecto que irá alterar a génese do local e a ligação da população ao meio ambiente envolvente. “Quanto ao impacto ambiental, só o futuro da obra responderá a isso. A construção no ilhéu deste complexo é, por si só, um grande atentado contra a natureza, porque a construção gera uma grande complexidade com os bairros periféricos. É preciso ver o ambiente não só como aquilo que tocamos e sentimos, mas também as informações que observamos.” O grupo alerta para uma grande ausência de informações relativamente aos ganhos que os cabo-verdianos podem obter com este empreendimento turístico. “Como já avançaram com o projecto, ao menos devem explicá-lo, divulgando da melhor forma o que pensam em termos concretos para o povo, que ao menos passa a ganhar confiança na decisão que tomaram. É preciso dizer em concreto o que é que vamos ganhar com este investimento. Precisamos saber agora se estão preparados para nos avançar com
Cabo Verde, ilhéu Santa Maria
os mesmos números que estão no Boletim Oficial.” De acordo com o jornal cabo-verdiano A Nação, o casino já não vai ficar situado sobre o mar como estava previsto inicialmente. Esta foi uma das alterações propostas pela Câmara Municipal da Praia. Ao jornal, o vereador do urbanismo
“Como já avançaram com o projecto, ao menos devem explicá-lo, divulgando da melhor forma o que pensam em termos concretos para o povo, que ao menos passa a ganhar confiança na decisão que tomaram.” RAS MUNDO MOVIMENTU KORRENTI DI ATIVISTA
Rafael Fernandes garantiu que os pedidos foram bem aceites pela empresa de David Chow, a Macau Legend Development Cabo Verde Resorts SA. “Houve uma pequena alteração, até sugerida por nós, em relação à ponte e aos edifícios que eram uma espécie de bungalows, o que não fazia sentido na primeira versão, porque parecia que era um destino turístico de praia e não é. É um turismo de cidade, diferente do que acontece nas outras ilhas. E houve também uma adaptação no ilhéu. O edifício projectado ia demorar muito tempo a ser construído e com um custo acrescido. O edifício emblemático do casino vai ficar com o mesmo aspecto mas ancorado no ilhéu”, explicou o vereador. Houve também mudanças em relação à ponte de ligação entre a Gamboa e o Ilhéu de Santa Maria. O Movimentu Korrenti di Activista confessou ao HM nunca ter estado contra a realização de obras no
local, mas preferia que as mesmas tivessem o cunho da população. “O projecto foi contestado por nós porque acreditamos que o Governo deveria dar um destino mais sustentável para o ilhéu que tem uma grande importância para os cabo-verdianos. Poderiam ser realizada obras, mas estas deveriam ao menos partir do próprio Governo, com propostas dos cidadãos e com construções mais simples e sustentáveis que respeitavam a dinâmica, a cultura e o ambiente da nossa cidade.” Os três vectores O grupo Movimentu Korrenti di Ativista considera que o investimento de David Chow é como lançar uma moeda ao ar sem saber qual dos lados vai cair no chão. “O Governo e a autarquia estão a pensar que a moeda vai cair da maneira que estão a pensar. Mas de onde vem esta certeza? E se der tudo ao contrário? Será que estes governantes estão preparados para assumir esta responsabilidade?”, questionou o representante do grupo. Tal como já tinha sido noticiado, os activistas alertam para a possibilidade do empreendimento de David Chow poder atrair mais prostituição e casos de branqueamento de capitais. “Aos cabo-verdianos que consideraram esta uma boa decisão, devem estar atentos a três dados: a questão do tráfico de drogas, prostituição e lavagem de capital.” Há também o receio de se gerarem situações de desigualdade ou mesmo exclusão social. “Eles devem pensar [se o projecto] abre a porta para a possibilidade de transformação destas ilhas num paraíso fiscal no continente africano”, rematou o grupo. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
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22.2.2018 quinta-feira
Universidade de Macau “É aconselhável que nas próximas campanhas se explore e explique mais específica e detalhadamente aos jogadores a natureza do jogo e os distúrbios que lhe estão associados.”
INQUÉRITO MAIS DE METADE DESCONHECE PROGRAMAS DE EXCLUSÃO DE ACESSO AOS CASINOS
Jogo (in) consciente
A Universidade de Macau concluiu o inquérito encomendado pelo Instituto de Acção Social (IAS) para aferir o grau de consciencialização relativamente ao jogo responsável. Apesar das melhorias a diferentes níveis, a maioria dos inquiridos, entre os quais jogadores, desconhece a existência dos programas de exclusão
O
S pedidos de exclusão de acesso aos casinos têm aumentado de ano para ano, mas muitos ainda desconhecem que a interdição de entrada nos espaços de jogo pode ser requerida (pelo próprio ou por terceiros) à luz da lei que entrou em vigor há cinco anos. Pelo menos, de acordo com os resultados do inquérito sobre o jogo responsável que o IAS encomendou à Universidade de Macau (UM). O estudo mediu, pela primeira vez, o pulso ao nível de consciencialização quanto às medidas de cariz voluntário, de autoexclusão e exclusão a pedido de terceiros, implementadas pelo Governo. A Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) registou, no ano passado, 376 pedidos de exclusão de acesso aos casinos – mais 25 do que em 2016 – atestado uma tendência crescente. Em 2015 foram contabilizados 355 pedidos, contra 280 em 2014 e 276 em 2013, o primeiro ano completo
desde a entrada em vigor da lei que condiciona a entrada, o trabalho e jogo nos casinos. Ao abrigo do diploma, o director da DICJ pode interditar a entrada em todos os casinos, ou em apenas alguns, pelo prazo máximo de dois anos, às pessoas que o requeiram ou confirmem requerimento apresentado para o efeito por cônjuge, ascendente, descendente ou parente em 2.º grau. Os resultados do inquérito – solicitado pelo IAS ao Instituto de Estudos sobre a Indústria do Jogo da UM – “mostram que 46,1 por cento dos inquiridos estavam conscientes sobre a existência dos programas de exclusão”, ou seja, mais de metade não estava. O documento, recentemente publicado, não refere, porém, a amostra. O HM contactou o IAS mas, até ao fecho da edição, não foi possível obter uma resposta.
IDADE LEGAL OK
Pela primeira vez também se tentou perceber se os residentes sabem
qual a idade mínima legal para se poder entrar num casino: 78,9 por cento dos inquiridos acertaram na resposta. Dados facultados recentemente pela DICJ indicam que foi recusada a entrada nos casinos a cerca de 430 mil menores de 21 anos ao longo de 2017. Tratou-se do maior número anual desde a entrada em vigor da lei que impede os casinos de contratar ou de permitir o acesso aos espaços de jogo a menores de 21 anos sob pena de incorrerem em sanções administrativas. Este diploma vai, entretanto, ser revisto. No final do ano passado foi realizada uma consulta pública, cujo documento propõe a interdição de entrada nos casinos aos profissionais da indústria do jogo quando não se encontrarem no desempenho das suas funções para reduzir a probabilidade de se tornarem jogadores problemáticos. Consciencialização em alta A primeira conclusão, em termos genéricos, a retirar do inquérito é a da existência de uma
maior consciencialização sobre a prática de jogo responsável: Em 2009, antes do lançamento das actividades de promoção do jogo responsável correspondia a 16,2 por cento e, em 2017, a 63,7 por cento. “Globalmente, apuramos, assim, que a taxa de consciencialização cresceu significativamente entre 2009 e 2012. Contudo, desde 2013 a taxa de crescimento começou a abrandar”, lê-se no documento. Com efeito, os inquiridos estavam, em geral, informados da existência de pelo menos um dos nove centros de tratamento de problemas de jogo, sendo que quase sete em cada dez conheciam a linha aberta que funciona durante 24 horas para aconselhamento. A percentagem dos jogadores cientes da prática de jogo responsável manteve-se “significativamente mais alta do que a apurada entre os restantes”: 74,1 por cento contra 58,5 por cento. O documento não especifica, porém, a proporção de jogadores no universo dos entrevistados.
Em paralelo, os jogadores foram categorizados em dois grupos com base na frequência e hábito: os ocasionais (que apostavam, em média, menos de uma vez por mês) e os regulares (pelo menos uma vez por mês). “Os resultados indicam que, em média, o número de comportamentos responsáveis antes de iniciarem o jogo indicados pelos jogadores ocasionais era significativamente maior do que os mencionados pelos regulares”, diz o documento. Tendência idêntica foi sinalizada nos casos em que houve problemas após a prática de jogo: “A percentagem de jogadores ocasionais que procura ajuda profissional junto de especialistas é significativamente mais elevada do que a de jogadores regulares”. O inquérito permitiu ainda aferir que, por comparação, “os jogadores estão mais conscientes sobre as medidas de promoção do jogo responsável desenvolvidas pelas operadoras” e, “geralmente, mais informados sobre as medidas e políticas do Governo”. No entanto, “o nível de consciencialização e/ou entendimento dos jogadores sobre os impactos negativos decorrentes do vício do jogo e os respectivos centros de aconselhamento não era significativamente maior” quando comparado com os que não tentam a sua sorte. “Também é de reter que os jogadores mostraram sempre ter uma percepção incorrecta sobre [as] características dos jogos de fortuna e azar [e], por isso, os resultados levam-nos a concluir que as campanhas – que têm sido realizadas todos estes anos – apenas conseguiram consciencializar os jogadores para o conceito de jogo responsável”. Contudo, “não atingiram o objectivo de os dotar de um conhecimento profundo sobre o jogo e os distúrbios subjacentes a uma prática irresponsável”. Neste sentido, “é notório que o nível de conhecimento nestas duas esferas tem que ser reforçado”, recomenda a UM, apontando que “é aconselhável que nas próximas campanhas se explore e explique mais específica e detalhadamente aos jogadores a natureza do jogo e os distúrbios que lhe estão associados”. Relativamente à metodologia do estudo, sabe-se apenas, segundo dados anteriormente divulgados, que teve como destinatários os residentes de Macau com idade igual ou superior a 18 anos e que foi realizado entre 21 de Agosto e 3 de Setembro de 2017 através do método de amostragem aleatória e da realização de entrevistas por telefone. Diana do Mar
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sociedade 9
quinta-feira 22.2.2018
A MGM China registou lucros líquidos de 2,3 mil milhões de dólares de Hong Kong no cômputo do ano passado, traduzindo uma queda de 23,3 por cento face a 2016
O
S lucros líquidos da MGM China diminuíram 23,3 por cento em 2017 para 2,3 mil milhões de dólares de Hong Kong, anunciou a operadora de jogo em comunicado enviado na noite de terça-feira. Já as receitas ascenderam a 15,4 mil milhões de dólares de Hong Kong, traduzindo uma subida de 3,3 por cento face ao apurado em 2016, enquanto o EBITDA ajustado (resultados antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) foi de 4,6 mil milhões de dólares de Hong Kong – contra 4,5 mil milhões de dólares de Hong Kong em 2016. PUB
Leão em queda Lucros da MGM China caíram 23,3 por cento em 2017
vésperas do Ano Novo Lunar, após uma série de atrasos. O ‘resort’ integrado, avaliado em 27 mil milhões de dólares de Hong Kong, marcou a entrada do grupo na ‘strip’ de casinos entre as ilhas da Taipa e de Coloane.
EXPECTATIVAS EM ALTA
“Merecemos a prorrogação do nosso contrato de concessão. Se investimos 3,4 mil milhões de dólares [norte-americanos] não vamos abandonar Macau.” GRANT BOWIE CEO DA MGM CHINA
Os dados relativos ao exercício terminado em 31 de Dezembro chegam uma semana depois de a operadora, fruto de um parceria
entre a norte-americana MGM Resorts e a empresária Pansy Ho, ter inaugurado o seu segundo empreendimento – o MGM Cotai, nas
“Achamos que esta propriedade constitui uma verdadeira mudança no mercado e, de facto, em termos de ‘resort’ integrados, no mundo”, afirmou o presidente da MGM Resorts International, James Murren. O norte-americano antecipou 2018 como um “ano muito forte” tanto em Macau como em Las Vegas, durante uma conferência com analistas. “Abrimos recentemente [a 13 de Fevereiro], por isso os dados são preliminares, mas posso dizer que a procura tem sido robusta, tanto em termos de quartos como ao nível do jogo”, realçou James Murren, apontando que todos os quartos de hotel estarão disponíveis na Primavera. Actualmente, apenas 900 dos cerca de 1400 se encontram operacionais, indicou Murren. “É um tempo desafiante para fazer qualquer tipo de avaliação, mas têm havido realmente indicadores preliminares muito muito bons”, observou, por seu turno, o CEO da MGM China, Grant Bowie,
para quem a nova propriedade no Cotai vai oferecer “formas mais avançadas e inovadoras de entretenimento em Macau à medida que [o território] cresce como um destino de turismo global”. Já sobre as expectativas relativamente às licenças de jogo, que expiram entre 2020 e 2022, James Murren indicou que a MGM não manteve discussões a esse respeito com o Governo, afirmando que, tal como outras operadoras, tem confiança numa avaliação justa. “Penso que pelo final do ano ou no próximo vai haver conversações”. “Eles não nos procuraram para discutir isso, nem nós a eles”, acrescentou. Aquando da abertura do MGM Cotai, Grant Bowie, não se mostrou inquieto tendo em conta o investimento que a subconcessionária acabou de fazer no Cotai. “Não é motivo de preocupação. O Governo tem sido muito claro de que não vai dizer nada e não posso acrescentar mais nada. Merecemos a prorrogação do nosso contrato. Se investimos 3,4 mil milhões de dólares [norte-americanos] não vamos abandonar Macau”, sublinhou. Diana do Mar
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10 ENTREVISTA
FRANCISCO ANTÓNIO RICARTE ARQUITECTO E FOTÓGRAFO
“Fotografo o que sinto sobre o que vejo” São 60 imagens em livro, 22 das quais estão expostas na Creative Macau até ao próximo dia 17 de Março. “Somewhere” é o nome da exposição de fotografia que traduz o sentimento de Francisco António Ricarte. Arquitecto de profissão, Ricarte vê na fotografia a sua forma de expressão
O que é que vemos em “Somewhere”? Começa por ser o resultado de uma série de anos em que me fui dedicando a uma paixão que tenho desde a juventude, que é a fotografia. Sempre foi uma área que me fascinou e à qual fui, paulatinamente dando uma série de visões. Não num espírito de fotografia de retrato, mas sim de imagem que traduza algo mais do que aquilo que é uma visão imediata. A minha preocupação é ter a fotografia como uma oportunidade de expressar algum sentimento, alguma visão das coisas que me rodeiam, que me cativam, que me motivam mais. A fotografia é o corolário dessa oportunidade. A de mostrar qualquer coisa que vejo dentro de mim. Não procuro um retrato muito fiel de uma realidade, mas encontrar uma tradução de uma visão sobre determinados aspectos que me sensibilizam. No fundo, o que tenho nas imagens de “Somewhere” é a oportunidade de expressar essa visão, essa percepção. Fala na apresentação do livro, de mostrar o que está dentro. Tal como Caspar David Fredrich nos fala em relação à pintura, o mesmo pode ser dito com a fotografia: “Não fotografamos o que está diante de nós, mas o que está dentro de nós”. Fotografo o que sinto sobre o que vejo. Que sentimentos encontramos? São emoção sobre uma alma interior dos sítios. Por defeito de profissão sou bastante sensível aos locais, ao que nos podem conferir e da forma como nos identificamos com eles. A minha preocupação foi essa, o que senti nesses locais, através da vibração dos lugares, das cores, da ambiência e do silêncio. Muitas destas imagens traduzem o silêncio que nos transporta para alguma coisa mais do que aquilo que lá está. Porque o nome? “Somewhere” porque é uma exposição que não é sobre uma determinada realidade. Tem algumas imagens de Macau mas não é acerca da região nem sobre a Ásia em especifico. Não foi minha preocupação dizer que as
imagens eram de determinado local. São emoções. Encontro no fotografia uma possibilidade de me expressar. É arquitecto. Há alguma influência desta área nas suas imagens? Nestas imagens procurei, de forma deliberada, fugir um pouco àquela grande temática da arquitectura que se refere a uma realidade física construída, com linhas verticais, horizontais, oblíquas, etc. Tentei sair dos sistemas de composição que são bastante caros aos arquitectos e para os quais também sou sensível. Mas nesta série fujo a essa temática de modo a fazer quase um desafio a mim próprio e procurar uma outra realidade. Trago esta realidade através de dois processos. Um primeiro que é o acto de fotografar, ou seja o acto de seleccionar determinada visão em detrimento de outras, e o segundo aspecto tem que ver com a própria revelação dessas imagens, ou seja trazer à luz uma realidade bruta. A ideia não é alterar a realidade em si mas antes melhorar a realidade que me despertou a atenção, da mesma forma como há muitos anos
“Apesar de não serem imagens especificamente do oriente, traduzem a dupla visão do que é novo e velho no nosso mundo, do que é já sedimentado mas que com o novo se reinventa também.”
“A fotografia é onde tenho a capacidade de pegar num instrumento, numa matéria bruta e fazer alguma coisa.” fazia fotografia analógica, a preto e branco. Mais não é do que mais uma vez, traduzir uma visão pessoal. Nestas imagens o sistema de composição é muito importante o formato quadrado é exemplo disso. Todas as imagens são coloridas e por razões estéticas cheguei à conclusão que muitas vezes quando olhava para uma imagem vertical ou horizontal via áreas acessórias, não determinantes em relação àquilo que queria mostrar. De uma forma natural cheguei ao formato quadrado. É o resultado de dez anos de imagens. Como é que foi o processo de selecção? Teve dois processos. São dez anos de atenção perante determinadas realidades paisagísticas em oposição à matéria edificada. Mas por outro lado, sem ter uma consciência muito plena quando comecei a fotografar, fui captando várias coisas e quando comecei, há cerca de dois três anos, a pegar na edição das imagens a selecção foi acontecendo de uma forma natural. A série expressa-se num livro com 60 fotografias e destas 60 estão 22 expostas na Creative Macau como uma espécie de síntese. As imagens expostas são fotografias de grande dimensão. Acho que a dimensão é também uma parte importante da
percepção que quero transmitir. Claro que muitas vezes sou confrontado com os limites técnicos na medida em que há imagens que não resultam em formato tão grande. Mas as coisas de forma natural chegaram à selecção final. A selecção é um exercício de depuração. A Clarice Lispector tem uma frase que me pareceu apropriada para este processo e que aproveitei para o texto de apresentação: “É realmente complicado fazer coisas simples”. Muitas vezes quando vemos grande complexidade nomeadamente nas artes plásticas, o exercício de depuração é muito difícil e é quase uma nova descoberta da imagem. Falou do silêncio. Tem aqui alguma imagens feitas em Macau. Conseguiu encontrar o silêncio no território? Sim, ainda consegui. O silêncio é conferido através da luz. Podia até estar um ambiente ruidoso mas quando vi o que vi, a situação isolou-se, autonomizou-se e conferiu a aquele momento de silêncio. Este silêncio está subjacente a todas as fotos. Quando determinado momento me aparece, é como se tudo à volta se calasse e só aquele momento me falasse. A vinda para Macau mudou a sua percepção do mundo? Sim, completamente. A vinda para Macau correspondeu a um desafio profissional, mas esse desafio teve um corolário de uma nova visão do mundo, daquilo que nos rodeia. Aqui tudo é muito diferente e, de uma forma geral, ou gostamos ou odiamos. No meu caso, senti-me imediatamente bem. Consegui adquirir essa capacidade de olhar e de ir apreendendo esta realidade física, cromática, de sons e de cheiros. Tudo isso que nos vai marcando e que muitas vezes nos obrigada a ter o tempo acelerado. O tempo acelerado é muitas vezes este fascínio que nós ocidentais temos perante a apreensão de uma realidade quotidiana com que nos vimos confrontados e é com ela que estamos sempre a aprender e a olhar de outras formas. Isso é fascinante. Macau contribuiu muito para olhar de outra maneira. Foi uma
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SOFIA MARGARIDA MOTA
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oportunidade fantástica que agarrei e que me ajudou sob o ponto de vista da percepção e dos sentimentos. Mas não só me ajudou a ter uma visão do que era novo como também a olhar com outros olhos para aquilo que nos é já velho no sentido do que já estamos habituados, quer seja sob o ponto de vista da realidade portuguesa, quer seja sob o ponto de vista de uma realidade física ocidental europeia. As formas de lidar com estas realidades são diferentes. Foi precisamente essa nova visão que me ajudou a construir muito esta percepção que agora tenho e que penso que não seria possível sem a vinda para Macau e sem a experiência do Oriente. Não seria possível porque, apesar de não serem imagens especificamente do Oriente,
“Quando determinado momento me aparece, é como se tudo à volta se calasse e só aquele momento me falasse.”
traduzem a dupla visão do que é novo e velho no nosso mundo, do que é já sedimentado mas que, com o novo se reinventa também.
que a minha principal aquisição e que nunca deixo, são os livros. Ando sempre com eles. são uma coisa da qual não me consigo desapegar.
É um amante de arte em geral. Preocupações estéticas sempre tive, sob o ponto de vista das manifestações artísticas e culturais. É uma coisa que me tem sempre motivado ao longo dos anos e, felizmente, o Oriente tem-me ajudado a profundar esta vertente e este gosto. Tenho interesse e não sou capaz de deixar de ir a uma exposição ou um espectáculo. É uma questão que me motiva sempre. Por paixão e tendo um pouco mais de capacidade económica posso por vezes adquirir algumas peças, nomeadamente de fotografia. Mas diria
Quais os seus escritores favoritos? Há tantos. Não quero ser injusto para com nenhum mas o Sebald é um deles. Há vários livros dele imprescindíveis: “Austerlitz”, “The Rings of Saturn”, “Campo Santo” (poesia), etc.).Foi um escritor que me deu a volta à cabeça precisamente por ter uma realidade muito gráfica. Muitos dos livros que ele tem são obras em que a história é acompanhada de pequenas imagens. É um escritor que tem uma narrativa como as cerejas. Já escritores de língua portuguesa, gosto muito do Agualusa. Mas há
tantos. Gosto também muito de poesia. Por outro lado, também não posso passar sem música. Acho que ainda faço parte de uma das últimas gerações que compram CDs, pelo objecto e pela qualidade sonora. O MP3 não me convence. Comprar um livro ou ver um concerto são actos criativos para mim. Não me coloco na posição de mero espectador mas tento colocar-me numa posição que me dá uma determinada viagem. A fotografia é onde tenho a capacidade de pegar num instrumento, numa matéria bruta e fazer alguma coisa. Sofia Margarida Mota
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12 china
No ano de 2017 foram registados na China Continental 48.556 baptismos, número revelado pelos dados, ainda parciais da Sociedade Cultural “Faith”. Ao mesmo tempo que o Vaticano se afasta de Washington, aproxima-se de Pequim
A
S estatísticas foram divulgadas na véspera do Ano Novo chinês pela Sociedade Cultural “Faith”, mas “ainda não são completas” – como precisa o organismo – pela falta de dados sobre as comunidades católicas que vivem em áreas rurais mais remotas. Não obstante isto, os dados “espelham a vitalidade e o dinamismo
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RELIGIÃO MAIS DE 48 MIL BAPTIZADOS NA CHINA NO ANO PASSADO
Evangelização em curso
As estatísticas divulgadas na véspera do Ano Novo chinês pela Sociedade Cultural “Faith” revelam que em 2017 foram registados na China Continental 48.556 baptismos
uma pequena comunidade na Província de Hai Nan teve 38 baptizados. Na Diocese de Pequim, por sua vez, foram 1.099 os baptizados.
NOVOS CATÓLICOS
missionário de uma comunidade que vive a fé em plenitude”. Segundo os dados enviados à Agência Fides, a Província de He Bei, bastião do catolicismo chinês,
encabeça mais uma vez a lista com 11.899 baptizados. A comunidade de Xing Tai teve 3.645 baptizados e a Diocese de Han Dan 3.059. Ademais, também
Em regiões em que a maioria de população é muçulmana, como a administração autónoma de Xin Jiang (China Ocidental), foram registados 66 baptismos, enquanto na Província de Ning Xia foram 128 e em Qing Hai 54. Também a minúscula comunidade católica no Tibete, mergulhada no ambiente budista tibetano, acolheu 11 novos católicos. Segundo a Faith Cultural Society, “não obstante as cifras encorajadoras e o grande empenho missionário nas comunidades locais em toda a China, devemos sempre nos sentir chamados a um renovado empenho missionário. A evangelização na China é uma longa e difícil estrada a ser percorrida”. Ao mesmo tempo, é reiterado que as estatísticas publicadas represen-
tam “um convite e um apelo, porque devemos fortificar a nossa fé e seguir sempre em frente em nosso caminho em direção a Cristo”. “Faith” convida por fim toda a comunidade a melhorar e a manter sempre em ordem os registros paroquiais e os arquivos, a fim de possibilitar a permanência de dados corretos, que possam contar com clareza a história da própria comunidade, mas também de toda a Igreja na China.
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Futebol Pato garante empate ao Tianjin Quanjian na “Champions” asiática
Um golo do brasileiro Alexandre Pato, aos 88 minutos, permitiu hoje à equipa chinesa do Tianjin Quanjian, do treinador português Paulo Sousa, empatar 1 - 1 em casa dos japoneses do Kashiwa Reysol, na Liga dos Campeões asiática de futebol. O também canarinho Cristiano da Silva, aos 52 minutos, a passe de Ryuta Koike, colocou o Kashiwa Reysol em vantagem, mas Alexandre Pato, que entrou aos 37 minutos, substituindo Pei Shuai, empatou para o Kashiwa Reysol. O Tianjin Quanjian, de Paulo Sousa, passou a somar quatro pontos na liderança provisória do Grupo E, uma vez que pode ser superado ainda hoje pelos sul-coreanos do Jeonbuk Motors, que defrontam o Kitchee, de Hong Kong. O Kashiwa Reysol somou o primeiro ponto. Na terceira jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões asiática, a disputar a 6 de Março, o Jeonbuk Motors recebe o Tianjin Quanjian e o Kashiwa Reysol o Kitchee.
INSÓLITO PEQUIM QUER PROIBIR A PRESENÇA DE STRIPPERS EM FUNERAIS
O
Governo da China quer proibir a presença de strippers em funerais, uma tradição que existe em algumas províncias no interior do país e que é uma resolução de Pequim para o ano novo. Algumas comunidades no interior do país utilizam a presença de strippers para levar mais pessoas às cerimónias. Segundo o jornal britânico The Daily Telegraph, os mandatários chineses
querem acabar com essa tradição que ainda é muito respeitada em províncias do interior como Henan, Anhui, Jiangsu e Hebei. Segundo o jornal, essa é a terceira vez desde 2006 que o Governo chinês tenta acabar com o costume. Entre as comunidades mencionadas acredita-se que um funeral cheio de gente traz fortuna e boa sorte para o espírito do morto. O Governo chinês criou uma linha de telefone es-
pecial para a população denunciar shows eróticos nos funerais e a família do morto pode ser multada ou até mesmo presa. Além disso, o Governo está levar a cabo uma campanha nos órgãos de comunicação social para convencer a população que levar strippers para cerimónias fúnebres é uma manifestação de decadência moral e cultural resultante da influência do ocidente no país.
região 13
quinta-feira 22.2.2018
A
acusação foi publicada na página oficial do Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT) no Facebook num texto intitulado “desconfia-se da instalação de espião para monitorizar equipa do ‘irmão’ Xanana - membros da equipa negociadora não se sentem seguros”. O CNRT, que é presidido por Xanana Gusmão, diz que a Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), que lidera a coligação do Governo, está a usar este “agente duplo” para obter “informação confidencial” das negociações para divulgar no Comité Central da Fretilin. Xanana Gusmão está ausente de Timor-Leste desde 11 de Setembro do ano passado, tendo estado desde aí envolvido quase exclusivamente nas negociações. A publicação do CNRT surgiu numa semana em que decorre em Kuala Lumpur, na Malásia, uma derradeira ronda de negociações entre Timor-Leste, aAustrália e o consórcio responsável pelos campos de Greater Sunrise, para procurar uma solução para o desenvolvimento deste recurso. Questionado sobre a acusação, Arão Noé, chefe da bancada do CNRT no Parlamento Nacional, disse à Lusa não ter qualquer conhecimento sobre o caso afirmando que eram os serviços de media do partido que tinham a informação. “São os serviços de media que têm essa informação. Não tenho conhecimento sobre este assunto. Não me quero pronunciar sobre este assunto”, disse. Questionado sobre quem é responsável pela gestão da página na rede social - o administrador não está identificado - Arão Noé disse que a gestão era feita “em termos rotativos”, sem revelar mais informação.
VERDADE ESCONDIDA
Segundo a publicação do CNRT a informação confidencial estará a
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caso passou-se na Tailândia e é o mais recente capítulo de um escândalo conhecido como “a fábrica de bebés” e que trouxe à tona o lado obscuro do mercado de gestação contratada local em 2015. O tribunal de menores de Bangkok evocou a felicidade das 13 crianças nascidas de mães de aluguer para justificar a decisão de conceder a Mitsutoki Shigeta, um japonês abastado, todos os direitos parentais. “O pai biológico não tem antecedentes de má conduta”, pronunciou o tribunal. A sentença permitirá que Shigeta leve todas as crianças para o Japão. De resto, o japonês já organizou toda a logística necessária e contratou várias babystitters para
TIMOR CNRT ACUSA FRETILIN DE ESPIAR NEGOCIAÇÃO COM AUSTRÁLIA PARA FIXAR FRONTEIRAS
Jogos de espionagem
O maior partido da oposição timorense, o CNRT, acusou hoje o partido do Governo, a Fretilin, de ter um espião como “agente duplo” para obter informação confidencial das negociações sobre fronteiras marítimas com a Austrália, lideradas por Xanana Gusmão
ser passada por um quadro técnico que “talvez tenha afiliação radical ao partido Fretilin” e que está a atuar como “agente duplo para passar informação em segredo ao CCF em Díli” o que leva a que a equipa de negociação “não se sinta segura”. “O partido Fretilin tem um espião para monitorizar a situação das negociações e os movimentos do irmão Xanana”, refere o CNRT, que argumenta que responsáveis da Fretilin têm feito comentários nas redes sociais e declarações sobre a negociação.
José Reis, secretário-geral adjunto da Fretilin e ministro Adjunto do primeiro-ministro para Assuntos de Governação, considerou a publicação uma “acção de propaganda falsa” que pretende tentar distanciar Xanana Gusmão do atual primeiro-ministro, Mari Alkatiri. “Neste processo o primeiro-ministro está a trabalhar com o homem de maior confiança de Xanana Gusmão, que é o ministro Adjunto do primeiro-ministro para a Delimitação das Fronteiras Marítimas, Agio Pereira”, disse à Lusa José Reis.
Fábrica de bebés Japonês obtem custódia de 13 crianças nascidas de barrigas de aluguer
cuidar da numerosa prole, segundo seus advogados. Muito discreto desde que o escândalo explodiu, Shigeta não foi à Tailândia para responder às perguntas dos investigadores. A respeito dos motivos que levaram seu cliente a querer uma descendência tão numerosa, o advogado se limitou a explicar que Shigeta queria ter uma família grande. “Ele nasceu numa família numerosa e quer que seus filhos cresçam juntos”, limitou-se a comentar.
O caso foi revelado quando a polícia tailandesa comunicou que amostras de DNA vinculavam Shigeta a nove bebés encontrados numa casa em Bangkok, onde residiam com suas mães de aluguer. A imprensa começou a chamar da história de “a fábrica de bebés”. As mães abriram um processo contra o Estado para ter direito a seus filhos, que foram entregues aos serviços sociais. No Japão, o pai biológico começou uma batalha legal para conseguir a custódia de todos.
“O partido Fretilin tem um espião para monitorizar a situação das negociações e os movimentos do irmão Xanana.” CNRT
“Eles que denunciem quem é porque eu não conheço mais ninguém. Nunca tivemos ninguém na equipa nem nomeamos ninguém
As mães acabaram por assinar um acordo, por meio do qual abriram mão de seus direitos parentais, segundo o tribunal. Não foram reveladas informações sobre um possível pagamento de indeminização.
PROIBIDO AOS ESTRANGEIROS
O negócio da maternidade contratada cresceu nos últimos anos na Tailândia aproveitando um vazio jurídico. Porém, em resultado da polémica foi aprovada em 2015 uma lei que proíbe a prática a estrangeiros. Coincidindo com o caso de Shigeta, um casal de australianos revoltou a opinião pública ao abandonar o seu bebé com Síndrome de Down com a mãe de aluguer tailandesa.
para pedir informações a Xanana Gusmão”, sublinhou. Militante do CNRT e homem de confiança de Xanana Gusmão, Agio Pereira é o número dois da equipa de negociação das fronteiras e será quem, em nome de Timor-Leste, assinará no próximo dia 6 de Março o novo tratado com a Austrália. Afirmando que é mais uma “tentativa de politizar um assunto de Estado” como as fronteiras marítimas, José Reis afirmou que as redes sociais estão a ser usadas como “instrumento de ataque político”. “É tudo absolutamente falso”, afirmou José Reis.
Desde então, o mercado para estrangeiros que procuram por barrigas de aluguer se deslocou para outros países do Sudeste Asiático. No Camboja, o mercado da maternidade contratada desenvolveu-se rapidamente depois da proibição na Tailândia. Os preços de uma gravidez desse tipo eram muito mais em conta, principalmente em relação aos Estados Unidos e, como não havia regulamentação, as clínicas também aceitavam casais homossexuais e solteiros. As autoridades cambojanas acabaram, no entanto, por proibir essa prática e, agora, o Laos afigura-se como o novo país da região onde esse tipo de mercado floresce.
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sentado durante meio dia, esquecendo cem anos de tristeza diários de próspero António Cabrita
19/02/2018 A tapeçaria dos povos apresenta amiúde histórias medonhas, intrincadas, implacáveis. Pior quando se eximem da responsabilidade sobre o bem comum e acabam como vítimas desgraciosas do próprio desleixo acumulado. Nesta última semana choveu a potes. Daria para transformar um estádio nacional em barragem, em não havendo drenagem. Desconheço em que estado ficou o Estádio Nacional de Maputo. Entretanto, não longe dali, no Hulene, acumulavam-se há anos monturos de lixo que cresceram, até à “sã” altura de um prédio de três andares, colinas de miasmas circundadas por casas de cimento ou madeira e zinco. Sofrivelmente cristãos, esses monturos resistiram à chuva, ao vento, à sua fúria e gosma. Até que ontem desmoronou sobre as casas, num tsunami. Foi um regabofe. Ficaram soterradas cinco casas. Dezassete mortos, fora os que ainda não vieram à tona e estão a ser pasto dos ratos. Que quarenta anos depois da independência uma comunidade morra enterrada pelo lixo que produz não deixa de ser tristemente metafórico. É a condição mais habitual em países que escolheram como prioridades as armas e a “política do ventre”. Situando-nos agora no norte, contaram-me a seguinte história: um amigo precisava de uma certidão de nascimento. Por acaso é do Mossuril, no distrito da Ilha de Moçambique. Ora, os livros de assento dessa zona foram enviados para a Conservatória da Ilha e foi aí que um amigo deste meu amigo foi requerer uma certidão de nascimento. Porém, a seguir todos os prazos razoáveis foram ultrapassados, até que chegou finalmente o documento e a explicação. Os livros de assento de antigamente eram grandes e as suas páginas desbordam da única e pequena máquina de fotocópias que existe na Conservatória. E então a opção é acumular os casos por resolver a fim de que se justifique enviar dois ou três livros de assentos atravessar o istmo que separa a ilha da costa numa balsa, com um funcionário, para, no outro lado, se tirar as fotocópias necessárias. E sob risco de que um aguaceiro, uma trovoada repentina, desabe sobre a balsa e os livros, debotando o milhar de assentos de que dependem muitas vidas. Por que não se digitaliza? Porque não há orçamento. O episódio da ilha chega a ser risonho, não fora essa quase doce irresponsabilidade – uma verdadeira cocada mole – ser outra face da mesma realidade que desaba na triste tragédia ocorrida esta noite.
ZÉ TOMÁS
Curar & Curare
E não há orçamento quer para a digitalização dos arquivos, quer para o tratamento do lixo, porque se tem preferido a guerra ao diálogo, com todos os custos que tal acarreta. Deve ser horrível ser enterrado vivo por uma tonelada de lixo, a não ser que encaremos a tragédia como uma vacinação garantida contra os maus odores do inferno. 20/02/2018 Numa atoarda infeliz, a Ordem dos Médicos em Portugal posicionou-se contra as licenciaturas no ramo da Medicina Tra-
dicional Chinesa, vulgo Acupunctura. Foi com assombro que li que «A OM acusou o Governo de ameaçar a saúde dos portugueses validando cientificamente práticas tradicionais chinesas através de uma licenciatura e admite avançar para “formas inéditas” de mostrar o descontentamento dos médicos. Para o bastonário, Miguel Guimarães, a criação de um ciclo de estudos com formação de quatro anos “em práticas que não têm base científica constitui um perigo para a saúde e para as finanças dos portugueses!”». Ora, a minha experiência leva-me a dizer o contrário, quiseram os médicos
Que quarenta anos depois da independência uma comunidade morra enterrada pelo lixo que produz não deixa de ser tristemente metafórico. É a condição mais habitual em países que escolheram como prioridades as armas e a “política do ventre”
da “medicina científica” espoliar-me enquanto na acupunctura encontrei um modo alternativo de com eficácia resolver os meus problemas. Passo a contar. Em 2008, depois de uma gravidez, a minha mulher ficou com o “ombro congelado”, havia perdido a mobilidade por calcificação. A única solução dos médicos convencionais era levá-la à serra, operação invasiva e de resultados incertos, para além do preço bruto da intervenção. Optámos pela acupunctura. Em doze sessões a calcificação “liquidificou”. Cem por cento de eficácia para um terço do custo. Resolvi fazer doze sessões, para regulação. Só fiz oito porque fui orientar um curso em Madagáscar, mas assisti ao seguinte: a minha parceira de quarto nas sessões era uma garota de doze anos que experimentou a acupunctura por desespero: tinha um cancro numa víscera, não lembro onde. Na última sessão a que fui, havia festa e corria o champanhe. Os pais e a terapeuta comemoravam que o cancro da miúda tinha reduzido em dois terços. Se não tivesse visto não teria acreditado, mas fui testemunha. E bebi o champanhe. Há três anos uma filha minha fracturou num treino de ginástica um ossinho do joelho. Fomos à clínica privada melhor equipada em Maputo. Fez uma radiografia e o médico não detectou nada, disse que era uma inflamação e enviou-a para casa com umas pomadas e uns comprimidos para as dores. Dois dias depois eu tinha de descer com a miúda ao colo os nove andares do meu prédio (o elevador estava avariado) e voltámos lá. O médico voltou a não encontrar nada na radiografia, e sentenciou, Ela tem de fazer um TAC. Ok, quanto custa? Mil dólares. Arregalei os olhos e perguntei: O dr. tem consciência de que com esse dinheiro vou fazer um TAC a Lisboa? Lamento, mas é o preço. Passou-me pela cabeça ir consultar primeiro um acupunctor. Meia hora depois o terapeuta chinês segurava a radiografia e diagnosticava, apontando, Tem uma fractura, aqui… E, agora, precisa de gesso? Nada. Como vamos então fazer? Traz a menina duas vezes por semana, e faremos doze sessões. E depois não vai precisar de fisioterapia? Nada. Havia um precedente, confiámos. E um mês e meio depois a miúda andava, dois meses e meio depois voltou para a ginástica. E em vez de dois mil dólares no total gastámos duzentos dólares por tudo. O ano passado a minha mulher escapou de ir à faca, para tirar a vesícula, usando de novo a acupunctura. O ideal será cruzar as duas medicinas. A acupunctura não faz milagres, não é panaceia para tudo mas funciona – e ao nível preventivo aí será imbatível.
ARTES, LETRAS E IDEIAS 15
quinta-feira 22.2.2018
Michel Reis
As Ilhas do Ouro Branco imagens e retábulos flamengos, entre os quais se destaca o magnífico retábulo da Sé do Funchal, único no mundo, inspirando a encomenda de peças idênticas por particulares. Com um pé na economia açucareira, eram feitas encomendas artísticas que geraram “uma economia da salvação”, explicou Fernando António Baptista Pereira na apresentação à imprensa. Nas palavras deste historiador de arte, as peças expostas resultavam “da oferta à igreja de obras de arte que eram compradas com os excedentes económicos para remissão dos pecados”. Recordou ainda que foram os cereais o primeiro ciclo económico do arquipélago, só
do: Santiago Maior, de finais do século XV e atribuído a Dieric Bouts; a Virgem com o Menino, São Bento e São Bernardo, de c. 1515 e atribuído a Francisco Henriques; o Retábulo dos Reis Magos, com o corpo central relevado em madeira dourada e policromada e volantes laterais pintados com a representação dos doadores, de oficina de Antuérpia, datado de c. de 1530; o Tríptico da Descida da Cruz, de cerca de 1518-1527 e atribuído a Gérard David (Bruges); o Tríptico de Santiago Menor e de S. Filipe, datado de c.1527-1531 e atribuído a Pieter Coecke van Aelst (Antuérpia); o Tríptico da Virgem da Misericórdia, de Jan Provoost (Bruges e Antuérpia), datado de 1529, com Nossa Senhora da Misericórdia ao centro, ladeada pelos santos Cristóvão, Paulo, Pedro e Sebastião; duas pinturas (Apresentação do Menino no Templo e Ressurreição) do retábulo da igreja de São Brás, no Arco da Calheta, de c. 1550-1560 e atribuído ao Mestre de Abrantes; quatro pinturas (Anunciação, Adoração dos Pastores, Adoração dos Magos e Ressurreição, de oficina portuguesa e datadas de c.
depois substituídos pelo açúcar. Foi este “ouro branco” escoado para os mercados europeus, numa altura em que o açúcar ainda era raro e caro, que proporcionou um enorme desenvolvimento local na Madeira. É perceptível o gosto dos senhores locais pela arte flamenga, onde frequentemente se faziam representar e cuja posse lhes sublinhava o prestígio. Tal como se regista a mudança de gosto que, a partir de meados do século XVI, passa a privilegiar as oficinas de Lisboa, nas expressões da Renascença ao Maneirismo. Muita da “arte que o açúcar comprou” pode ser vista nesta exposição que constitui, seguramente, uma oportunidade de excepção para ver em Lisboa algumas das obras mais notáveis de pintura, escultura e ourivesaria do património artístico português, incluin-
1550-1560; ou as extraordinárias esculturas de S. Sebastião, fragmento, de oficina coimbrã, atribuída a Diogo Pires, o Moço, e da Imaculada Conceição, dita Virgem de D. Manuel, trabalho flamengo, possível oficina de Malines, ambas datadas do início do século XVI; a imponente cruz processional, com iconografia da Paixão e a representação, no reverso, da figura em vulto de Cristo Redentor Mundi, e com decoração e heráldica manuelina, em prata dourada, do primeiro quartel do século XVI, para além de obras do anónimo conhecido como “Mestre da Lourinhã”, de Michiel Coxcie (Malines), e Joos van Cleve (Antuérpia). E estas são apenas algumas de entre as 86 peças que se encontram expostas e que podem ser vistas no MNAA, de terça a domingo das 10h00 às 18h00, até 18 de Março de 2018.
A arte que o açúcar da Madeira comprou em exposição no Museu Nacional de Arte Antiga
A
antecipar o arranque do programa de Comemorações dos 600 anos do Descobrimento da Madeira e do Porto Santo, que se assinalará em 2019 de forma intensa, o Governo Regional da Madeira, em conjunto com o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) de Portugal, apresenta a excepcional exposição “As Ilhas do Ouro Branco - Encomenda Artística na Madeira (séculos XV-XVI)”, inaugurada no passado dia 15 de Novembro. Em Lisboa, estão reunidas 86 peças provenientes do Museu de Arte Sacra da Diocese do Funchal, de colecções privadas e um retábulo do espólio do Museu. Se a importância desta exposição é inegável no âmbito da história da arte, não é menos relevante no que concerne à museografia. Comissariada por Fernando António Baptista Pereira e Francisco Clode de Sousa, historiadores de arte e museólogos, com reconhecida investigação no âmbito do património madeirense, a narrativa expositiva flui numa lógica coerente e articulada, facilmente perceptível pelo visitante. A abrir a exposição, que apresenta obras de pintura, escultura e ourivesaria, algumas delas restauradas para a ocasião, está um grande ecrã onde é projectado um filme que mostra a Madeira e a sua natureza em bruto, tal como terá sido encontrada pelos primeiros navegadores, e “que estão na base do encantamento que a ilha da Madeira provocou”, salientou Francisco Clode de Sousa na apresentação à imprensa, para quem esta mostra revela também a história da Madeira, a ilha “onde Portugal se ensaiou fora de si próprio”, referiu. Sublinhou ainda que “a Madeira é uma espécie de balão de ensaio do que viria a ser o Portugal da expansão, primeiro atlântica e depois no Índico.” Ao longo de uma narrativa que parte do espanto dos primeiros navegadores perante o novo território e prossegue com a evocação do esforço do povoamento e da implantação de estruturas económicas e administrativas no arquipélago, esta exposição dá a conhecer as elites comitentes locais através das suas encomendas – obras de pintura, escultura e ourivesaria – provenientes da Flandres, do continente ou até do Oriente. A narrativa expositiva constrói-se em quatro núcleos: “O açúcar no paraíso”; “Organizando a terra virgem”; “A arte que o açúcar comprou”; “Um reino dentro do reino” Numa última sala, expõem-se as mais destacadas obras-primas enco-
mendadas, sintetizando, com particular brilho, a riqueza do património madeirense dos séculos XV e XVI, resultante do esplendor cultural proporcionado pelo ciclo económico do “ouro branco”. Proveniente da Ásia, a cana-de-açúcar terá começado a ser importada da Sicília pelo Infante D. Henrique, que introduziu o seu cultivo na Madeira nos finais da primeira metade do século XV, um projecto de rápida expansão. O desenvolvimento da produção de açúcar em larga escala permitiram a sua exportação para os portos da Flandres, primeiro através de Lisboa, e depois directamente. O consumo do “ouro branco” aumentou, assim, por toda a Europa,
Com um pé na economia açucareira, eram feitas encomendas artísticas que geraram “uma economia da salvação”, explicou Fernando António Baptista Pereira na apresentação à imprensa alterando hábitos alimentares e algumas práticas medicinais no mundo. Em paralelo, os mercadores que levavam o açúcar para Bruges e Antuérpia, entre outras cidades da Flandres, regressavam regularmente à Madeira com bens, nomeadamente obras de arte, sobretudo de carácter religioso, destinadas a satisfazer as devoções e a definir o estatuto social dos novos grupos populacionais constituídos à sombra dos canaviais e da economia açucareira, nomeadamente de pinturas das oficinas de Gérard David, Dick Bouts, Joos Van Cleve e Jean Gossaert, de escultura das oficinas de Malines, Antuérpia e Bruxelas, artes decorativas e ainda ourivesaria, também provenientes do continente e até do Oriente. A maioria das igrejas matrizes fundadas ou reformuladas durante o reinado manuelino foi dotada de
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A Poesia Completa de Li He
秋來 桐風驚心壯士苦,衰燈絡緯啼寒素。 誰看青簡一編書,不遣花蟲粉空蠹? 思牽今夜腸應直,雨冷香魂吊書客。 秋墳鬼唱鮑家詩,恨血千年土中碧。
A Chegada do Outono O vento nos plátanos arrasta o meu coração Para um amargo desgosto. À luz pingada das lamparinas, fiadeiras choram A sua fria seda branca.1 Quem alguma vez lerá estas tiras De bambu verde,2 Ou proibirá o ornado verme3 De roer seus túneis de pó? Hoje à noite estes pensamentos têm de desembaraçar Os nós do meu coração. Na chuva fria vem um espírito fragrante A consolar este poeta. Em tumbas outonais sentam-se os fantasmas Cantando aquele poema de Bao,4 Mil anos na terra torna jade esmeralda Um sangue rancoroso.5
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O grilo é chamado “o fiadeiro” dado a sua voz se assemelhar ao fiar da seda. Antes da invenção do papel no início do século II, os livros eram escritos em tiras de bambu verde queimadas para remover a oleosa camada exterior. A maioria dos comentadores pensa que esta é uma referência a um verme devorador de livros. “O Lamento do Cemitério” (Dai Hao-li Xing) do poeta Bao Zhao (século V). Zhuang-zi, XXVI, “Chang-hong morreu em Shu (circa 500 a.C.), injustamente condenado à morte. Três anos após o funeral, o seu sangue tornara-se em jade esmeralda.”
Tradução de Rui Cascais • Ilustração de Rui Rasquinho Li He (790 a 816) nasceu em Fu-chang durante a Dinastia Tang, pertencendo a um ramo menor da casa imperial. A sua morte prematura aos vinte e sete anos, a par da escassez de pormenores biográficos, deixam-nos apenas com uma espécie de fantasma literário. A Nova História dos Tang (Xin Tang shu) diz-nos que He “nunca escrevia poemas sobre um tópico específico, forçando os seus versos a conformarem-se ao tema, como era prática de outros poetas [...] Tudo quanto escrevia era inquietantemente extraordinário, quebrando com a tradição literária.” Segundo um crítico da Dinastia Song, o alucinátorio idioma poético de Li He é a “linguagem de um imortal demoníaco.” A versão inglesa de referência aqui usada é a tradução clássica da autoria de J.D. Frodsham, intitulada Goddesses, Ghosts, and Demons, publicada em São Francisco, em 1983, pela North Point Press.
desporto 17
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Bernardo Tavares, treinador do Benfica de Macau “Precisamos que os jogadores que trabalham sejam dispensados para poderem ir aos jogos. Gostaríamos de contar com o apoio do Governo, porque uma boa prestação do Benfica vai dar mais visibilidade a Macau.’’
O
facto de haver duas equipas da Coreia do Norte, o 25 de Abril e o Hwaepul, a integrarem o Grupo I da Taça da Confederação de Futebol Asiática (AFC) causa apreensão ao treinador das águias, Bernardo Tavares. Em declarações ao HM, o técnico explicou que como só se apura uma equipa no grupo e que como os pontos das equipas contribuem para o ranking dos respectivos países, que pode haver indicações para que uma das formações facilite nos dois encontros entre ambas, com o objectivo de uma equipa ajudar a outra a apurar-se. “A situação das formações da Coreia do Norte ficarem no mesmo grupo quando só se apura uma e os resultados contribuem para os rankings nas nações, mostra porque é que a AFC é tida como uma entidade com menos credibilidade do que, por exemplo, a UEFA”, afirmou Bernardo Tavares, em declarações ao HM. “É inconcebível que duas equipas do mesmo país estejam no mesmo grupo em
TAÇA AFC EQUIPAS DA COREIA DO NORTE NO MESMO GRUPO CAUSAM APREENSÃO
A mulher de Cesar... `
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A participação de duas formações coreanas no Grupo I da Taça AFC e o facto dos resultados contarem para o ranking das nações pode levantar suspeitas sobre combinação de resultados. Ao HM, Bernardo Tavares, treinador do Benfica de Macau, reconhece também que as convocatórias das águias podem ter apenas 13 jogadores, se não houver dispensa do trabalho dos atletas locais que só se apura uma e cujo resultado acaba por contar para o ranking dos países na AFC. Como é óbvio, para a Coreia do Norte é importante que seja uma equipa do país a passar e pode ficar sempre aquele dúvida se não poderá ter havido uma concertação de resultados”, explicou. Ainda em relação às formações da Coreia do Norte existem dificuldades para recolher informações sobre os plantéis e jogadores: “Não é fácil obter informação sobre as equipas da Coreia do
Norte, mesmo recorrendo às plataformas para treinadores onde há informações sobre as diferentes equipas não há muitos vídeos de jogos disponíveis ou estatísticas”, reconheceu. No entanto, o treinador do Benfica de Macau viu através de gravações a primeira mão do play-off, em que o Hwaepul derrotou o Erchim por 4 - 0. Também tendo em conta o regime militarizado da Coreia do Norte o treinador não tem dúvidas em apontar os adversários
como equipas “fisicamente muito fortes”.
JOGADORES EM RISCO
Mas as dificuldades do Benfica de Macau não se ficam pelo lado regulamentar. Nesta altura, existe ainda o risco da formação apresentar-se em alguns encontros apenas com 12 ou 13 atletas convocados. Em causa está o facto de alguns jogadores não conseguirem autorização para serem dispensados dos respectivos empregos.
“Precisamos que os jogadores que trabalham sejam dispensados para poderem ir aos jogos. É um aspecto em que gostaríamos de contar com o apoio do Governo, também porque uma boa prestação do Benfica vai dar mais visibilidade a Macau. Se isso não acontecer, podemos ter convocatórias com 12 ou 13 jogadores”, justificou Bernardo Tavares. “Mesmo nos jogos em Macau, se os treinos de adaptação ao relvado acontecerem durante a tarde, existe a pos-
sibilidade de mais de metade do plantel estar indisponível para essas sessões de treino”, reconheceu. Ao nível dos treinos, o técnico dos encarnados apontou como principal dificuldade o facto da equipa estar a treinar em campos com dimensões mais reduzidas do que as oficiais. Contudo admite que é uma realidade para a qual já tinha sido preparado, antes de assumir o cargo. “Era importante que a equipa tivesse mais tempo de treino num campo de futebol. É importante que se perceba que esta participação é uma oportunidade para todos e que o futebol de Macau pode beneficiar com mais pontos para o ranking”, considerou. O Benfica de Macau inicia a participação na fase de grupos da Taça AFC diante do Hang Yuen, a 7 de Março, às 20h00. De acordo com o portal da AFC, a partida vai decorrer no Estádio da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau. João Santos Filipe
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O QUE FAZER ESTA SEMANA Sábado
YOU & ME FITNESS GINÁSTICA PARA MÃES E FILHOS Mana Vida | One Oasis | 11h30
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LANÇAMENTO DO LIVRO “QUOTIDIANOS” DE ANTÓNIO CONCEIÇÃO JÚNIOR Auditório do Consulado-Geral de Portugal | 18h30
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Diariamente
EXPOSIÇÃO “IMAGINARY BEINGS” Taipa Village Art Space | Até 21/02
EXPOSIÇÃO “A REBOURS: CASE X 8 – THE ARTISTS NOTES 19 IN 2010 FROM MACAO/PEQUIM”
1 6 4 5 3 7 2 4 3 7 1 6 2 5 7 2“FICÇÃO5E DERIVA” 3 1 6 4 EXPOSIÇÃO Galeria Tap Seac | Até 4/03 6 4 2 7 5 3 1 EXPOSIÇÃO “A LINGUAGEM E A ARTE DE XU BING” Museu | Até 4/03 3 de1Arte de6Macau 4 2 5 7 EXPOSIÇÃO “ TEN FOR PERFECTION” 2 5 1 6 7 4 3 Macau Art Garden 3 DE2MACAU4 1 6 11ª5 BIENAL7 DE DESIGN Casa Garden | Até 28/02
EXPOSIÇÃO “TWENTY HOURS – AN EXHIBITION OF ABSTRACT PAINTING BY DENIS MURRELL AND HIS STUDENTS” Café IFT – espaço Anim’Arte Nam Van | Até 2/03
O CARTOON STEPH 20 DE
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Museu de Arte de Macau (MAM) | Até 31/3
SOLUÇÃO DO PROBLEMA 20
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MONSTER HUNT 2 [B]
FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Raman Hui Com: Tony Leung Chiu-Wai, Bai Baihe, Jing Boran, Yo Yang 14.00
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FALADO EM CANTONENSE Filme de: Alberto Rodriguez 16.00
AGENT MR. CHAN [C]
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FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Cheung Ka Kit Com: Dayo Wong, Tze Wah, Charmaine Sheh, Sze Man 17.45, 19.45, 21.45
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BLACK PANTHER [B] Filme de: Ryan Coogler Com: Chadwick Boseman, Michael B. Jordan, Lupita Nyong’o 14.15, 16.45, 19.15, 21.45 SALA 3
FERDINAND [A]
FALADO EM CANTONÊS Filme de: Carlos Saldanha 14.30, 18.00, 20.00
MONSTER HUNT 2 [B]
FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Raman Hui Com: Tony Leung Chiu-Wai, Bai Baihe, Jing Boran, Yo Yang 16.00, 22.00
BAHT
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VIDA DE CÃO
CINEMA | MACAO STORIES 2: LOVE IN THE CITY Cinemateca Paixão | 14h00
EXPOSIÇÃO “O TEMPO MEMORÁVEL” Museu de Macau | Até 25/02
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Não bastam grandes nomes para fazer um grande filme, mas neste caso tudo correu bem. Steve Spielberg juntou na tela os veteranos Tom Hanks e Meryl Streep e fez um grande filme que nos remete para o período pós-guerra do Vietname e os documentos que deram origem aos Pentagon Papers. A imprensa ganhou o braço de ferro com o Governo a favor da publicação de documentação confidencial e deu-se início a 24 nova era na história dos uma media e da sua relação com o poder político. As interpretações não desiludem, o suspense vai-construindo, o frenesim jornalístico sente-se na tela. Um filme a não perder. Andreia Sofia Silva
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PROBLEMA 21
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Surpreendido, Joseph parou o tuk tuk, obedecendo ao nosso pedido. Queríamos fotografar a vida além das praias, o dia-a-dia em casas construídas com as mãos de quem tem muito pouco, devagar, conforme mandam as posses. Os olhares de surpresa não nos largavam. “Quer água de côco?”. Não queríamos. À chegada a uma casa em que o chão era de terra batida, a mulher fugiu, assustada. Quem éramos nós, caras ocidentais, bronzeadas da praia, chinelo colorido no pé e uma cara máquina fotográfica na mão? Lá dentro, em três minúsculas divisões, segurava-se um bebé recém-nascido nos braços, um homem arranjava uma jante colorida de um automóvel, a avó esperava cá 22secasse no estendal. fora que a roupa Naquelas pequenas paredes a realidade entrou na lente, a timidez da rapariga desapareceu aos poucos porque, afinal de contas, uma fotografia é apenas uma fotografia. Havia um relógio pendurado na parede mas as horas não tinham significado, ganhavam ali uma outra existência. Naquele lugar de uma ilha paradisíaca poucos sabem onde é Macau, mas já ouviram falar da terra do jogo. Muitos gostavam de vir para cá, mas não têm como pagar uma viagem que seria a aposta mais alta da sua vida. Ali, é demasiado difícil vir a ser trabalhador não residente. Andreia Sofia Silva
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6 5 1 3 7 4 3 1 4 6 5 2 3 2 4 6 1Propriedade 3 Fábrica 6 de 7Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio 2José 1Valério7Romão Colunistas 5 António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia Fonseca; dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária 5deSantoredacção 7 e Publicidade 2 4Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
opinião 19
quinta-feira 22.2.2018
bairro do oriente
LEOCARDO
chefe de cozinha português José Avillez foi recentemente agraciado com o “Grand Prix de L’Art de La Cuisine”, uma espécie de Oscar da gastronomia mundial, uma distinção que, à distância que estou e atendendo que estamos aqui a falar de cozinha, me deixa contente, por ele. Está de parabéns, portanto. Assim que o chefe ganhou o prémio, começou a circular pelas redes sociais uma imagem da sua interpretação do Cozido à Portuguesa, que é servido no seu restaurante “Belcanto”, em Lisboa, distinguido também ele com duas estrelas Michelin. O Cozido em questão é composto por duas míseras cenourinhas, uma folha de couve, uma lâmina de nabo e cebola, e debaixo destas duas um pedaço de carne que mal dá para encher a cova de um dente. Tudo regado com o caldo do Cozido e servido com uma folha de hortelã. Caíu logo o Carmo e Trindade (que nem por acaso são ali perto), e o tribunal popular “online” determinou que aquilo “é um insulto”; questionou-se a competência do chefe Avillez, chamou-se de “parvos” aos gajos da Michelin, e enfim, choveram comentários do tipo “na tasca tal come-se melhor e mais barato”, ou “a minha Gertrudes faz um Cozido que se apresente”. Muito bem, e tenho a certeza que o meu filho, que nem sabe acender os bicos do fogão cá de casa, confecionaria também ele um prato muito mais substancial, e nem é isso que está em causa. Contudo, e depois de tentar saber a causa das coisas, descobre-se que o tal Cozido do chefe Avillez faz parte de um menu de degustação. Repito, degustação. Quem for procurar o significado da palavra “degustar” no dicionário, vai encontrar a seguinte definição: “Provar ou tomar o gosto de algo; avaliar pelo paladar o sabor de”. Não seria degustação no caso do Cozido vir servido com chouriços e alheiras inteiras, chispes de porco, um arraial de batatona, couves do tamanho de uma bola de futebol, e tudo regado com vinhaça, como o meu povo gosta. Neste caso o tal menu de degustação “Lisboa” (e recomendo sinceramente uma pesquisa na net) inclui um total de 12 pratos, e custa 300 euros. Não está ao alcance de todas as bolsas, é verdade, mas o chefe Avillez não está ali a enganar ninguém. Ah sim, e os 300 “paus” incluem “couverts”, água e café. É no fundo uma experiência gastronómica, e
VIEJA FRIENDO HUEVOS, VELÁZQUEZ (PORMENOR)
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Cozidos e mal amados
não um almoço de enfarta-brutos, e a julgar pelas (excelentes) avaliações nos Yelpers e Zomatos desta vida, tem muita qualidade. O povo pode escolher ir entupir as coronárias com o cozido da tal tasca da esquina, ou em alternativa usufruir da arte do melhor cozinheiro do mundo. E quando queremos “o melhor do mundo”, é óbvio que temos que pagar por isso. É de estranhar a alergia que os portugueses têm ao sucesso dos seus compa-
Não seria degustação no caso do Cozido vir servido com chouriços e alheiras inteiras, chispes de porco, um arraial de batatona, couves do tamanho de uma bola de futebol, e tudo regado com vinhaça, como o meu povo gosta
triotas. Não há bolas de ouro que Cristiano Ronaldo possa ganhar que demova os seus “haters”, e até Salvador Sobral, que no ano passado teve o desplante de ganhar o Festival da Eurovisão, foi quase crucificado por ter proferido a palavra “peido” em determinada circunstância. Eu não quero acreditar que os portugueses são um povo invejoso, ou até mal amado, como sugere o título desta peça. Eu diria antes que é “desconfiado”. Sim, é isso, “o outro pensa que é melhor que eu”, ou “tem a mania que é esperto, mas a mim não me engana ele”. Pode ser que um dia passe, quando começar a ser normal termos os melhores do mundo em várias outras funções. Nunca perco a esperança que isto aconteça um dia. Sou mesmo um optimista inveterado. PS: E parabéns ao chefe Avillez, de quem não tenho procuração passada para defender. É uma questão de justiça, apenas.
Procure ser um homem de valor, em vez de ser um homem de sucesso. Albert Einstein
PALAVRA DO DIA
O mágico número 13 FITCH PREVÊ QUE MERCADO DO JOGO CRESÇA AO RITMO DE 13 POR CENTO ESTE ANO
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agência de notação financeira Fitch Ratings prevê que o sector do jogo registe um crescimento de 13 por cento ao longo do ano, segundo os dados de um relatório publicado ontem. No ano passado, as receitas na principal indústria do território foram de 265,7 mil milhões de patacas, e um crescimento de 13 por cento significa que em 2018 o montante gerado pelos casinos atingirá os 300,3 mil milhões de patacas. “Estamos a prever um crescimento nas receitas do jogo de 13 por cento para 2018. Esta previsão encara com alguma moderação
o crescimento de 36 por cento registado em Janeiro e tem em conta o aumento do número de mesas de jogo e dos quartos dos hotéis mais focados no segmento premium do mercado de massas”, é explicado no relatório. “A previsão inclui a abertura do MGM Cotai, que aconteceu este mês, assim como a abertura na Primavera da Torre Morfeu [no casino City of Dream] e a conversão de vários quartos do Parisian em suites, ao longo de 2018”, é acrescentado. A longo prazo, a agência de notação financeira aponta como factores promotores de crescimento “os melhoramentos
nas infraestruturas” em Macau e nas regiões circundantes, assim como o desenvolvimento a classe média chinesa “mais propensa a viajar”.
RISCOS PARA O SECTOR
Em relação aos riscos enfrentados pela indústria, a Fitch refere algumas das consequências da dependência dos turistas do Interior da China, assim como o desenvolvimento de mercados em países como Filipinas, Austrália e Coreia do Sul. Para a Fitch, os riscos e constrangimentos para o mercado de Macau incluem a “vulnerabilidade às políticas do Continente, que
podem afectar de forma adversa o sector do jogo”, como campanhas contra a corrupção, dificuldades no acesso ao crédito e acesso nos vistos dos turistas chineses de entrada em Macau, a “susceptibilidade à concessão de crédito e às condições macroeconómicas da China”, “a natureza limitada do prazo das concessões”, “a mão-de-obra limitada”, entre outros. Em relação aos factores que contribuem para o crescimento da indústria a longo prazo, a agência destaca a abertura do Grande Lisboa Palace, assim como as segundas fases dos casinos no Cotai das operadoras Melco, Wynn e Galaxy. J.S.F.
Banca Revogada licença ‘offshore’ da Caixa Geral de Depósitos em Macau A autorização concedida à Caixa Geral de Depósitos (CGD) para o estabelecimento de uma instituição financeira ‘offshore’ sob a forma de sucursal em Macau foi revogada, indica uma ordem executiva publicada em Boletim Oficial. A revogação da autorização, concedida à CGD em 2005, entrou hoje em vigor. A CGD e o Banco Português de Investimento eram os dois únicos bancos portugueses a operar uma licença ‘offshore’ no final do ano passado. No verão passado, a CGD anunciou que pretendia fechar, até ao final de 2017, as sucursais ‘offshore’ em Macau e nas Ilhas Caimão. O Banco Comercial Português também chegou a operar como sucursal ‘offshore’ de 1993 até 2010, ano em que obteve licença plena de operação.
PROTOCOLO UC MAIS LIGADA À CÂMARA DE COMÉRCIO LUSO-CHINESA
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IMOBILIÁRIO TRANSACÇÕES COM LIGEIRA DESCIDA EM 2017
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número de transacções de imóveis diminuiu ligeiramente no ano passado, mas o valor envolvido foi superior ao de 2016 Ao longo de 2017 foram transaccionadas 13.985 fracções autónomas e lugares de estacionamento – menos 0,9 por cento face a 2016 –, mas
o valor envolvido subiu 15 por cento atingindo 85,23 mil milhões de patacas, indicam dados divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). A maioria das transacções foi de fracções autónomas destinadas à habitação (mais 411 em termos anuais) por 69,44
mil milhões de patacas, o que representou um crescimento de 18,2 por cento face a 2016. Desse total, 2043 casas pertenciam a edifícios em construção e 8538 a prédios construídos, com os montantes implicados a corresponderem a 20,41 mil milhões e 49,04 mil milhões de patacas, respectivamente.
O preço médio por metro quadrado (área útil) das fracções autónomas habitacionais cifrou-se em 100.822 patacas, reflectindo um aumento de 16,8 por cento, em relação a 2016, com Coloane a manter-se como o sítio mais caro (128.205 patacas), seguido do da Taipa (115.160 patacas) e do
da península de Macau (91.769 patacas). Já o preço médio por metro quadrado das fracções autónomas destinadas a escritórios e o das industriais atingiu 113.198 e de 54.411 patacas, respectivamente, mais 13,1 por cento e 14,4 por cento, em termos anuais. D.M.
quinta-feira 22.2.2018
Universidade de Coimbra (UC) assina hoje um protocolo de cooperação com a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa (CCILC). De acordo com um comunicado, o acordo tem como objetivo “estabelecer cooperação académica, científica e cultural entre as partes com vista à realização conjunta de atividades de natureza académica, científica, técnica, pedagógica e cultural, em áreas de interesse comum.” O mesmo documento aponta que a universidade portuguesa tem sido “um polo de atração de muitos estudantes chineses que querem aprender a língua e a cultura portuguesas e frequentam um número crescente de cursos nas mais variadas áreas”. Quanto ao Instituto Confúcio da UC, estabelecido em 2016, “reúne todas as condições para contribuir para a difusão da língua e cultura chinesas, para a melhoria significativa do conhecimento da Medicina Tradicional Chinesa em Portugal e para a qualificação dos profissionais portugueses que a exercem entre nós, bem como para a formação de todos os interessados em aprofundar as relações entre Portugal e a China”.