CASIMIRO PINTO FEZ A MÚSICA DOS 15 ANOS DA RAEM GCS
EVENTOS CENTRAIS
DOMINGO 21 DE DEZEMBRO DE 2014 • ANO XIV • Nº 3240
MANIFESTAÇÃO
Bem pode Jason Chao organizar protestos, escrever cartas e pedir sufrágio universal. As suas acções parecem cair em saco roto. POLÍTICA PÁGINA
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hojemacau
PRESIDENTE DESPEDIU-SE DE MACAU
Xi coracão ´
O presidente pediu ao povo que apoie o Governo, mas também disse a Chui para governar com justiça. O Chefe do Executivo confessou que não está satisfeito com os resultados que alcançou no primeiro mandato.
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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
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RAEM
15 AN S
hoje macau domingo 21.12.2014
1999-2014
PRESIDENTE PEDE GOVERNO “JUSTO” E APELA A MEDIDAS CONTRA “FORÇAS EXTERNAS”
O discurso dos quatro recados ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
N
O dia em que a RAEM fez 15 anos, o novo Governo liderado por Chui Sai On tomou posse numa cerimónia decorrida na Nave Desportiva dos Jogos da Ásia Oriental e sob o olhar do presidente da República Popular da China (RPC), Xi Jinping. Primeiro o Chefe do Executivo, depois os novos Secretários e a seguir os membros do Conselho Executivo: todos eles juraram obedecer às leis de Macau e da China. Cumprido o protocolo, coube a Xi Jinping deixar quatro recados à RAEM, que versaram sobre questões políticas, sociais e económicas. “Devemos aprimorar a capacidade e o nível de governação conforme as leis da RAEM. Após o seu regresso à Pátria, o sistema de governação da RAEM ficou cada vez mais aperfeiçoado e a capacidade de governação cada vez mais elevada. No entanto, constatamos que novos requisitos mais exigentes são colocados pela evolução da conjuntura e expectativas da população”, começou por dizer no seu discurso, perante uma plateia com 1200 individualidades. “Devemos empreender em formar um Governo diligente, honesto, eficiente e justo, que actua, toma decisões e governa segundo as leis, a fim de garantir que o desenvolvimento da RAEM permaneça na trajectória jurídica”, frisou ainda. Na área da Administração, Xi Jinping falou da necessidade de “intensificar a construção e gestão dos funcionários públicos, com vista a aumentar a capacidade deles de desempenhar as suas funções, sob orientação das leis”. Para aqueles que esperavam algumas palavras sobre o sistema político vigente, Xi Jinping foi claro ao referir que devem ser tomadas medidas preventivas contra a infiltração e “a interferência das forças exteriores”, para consolidar a tranquilidade e a solidariedade de Macau. Nesse sentido, o presidente pediu ainda a promoção da “harmonia e estabilidade”, por serem a “base fundamental para o desenvolvimento da economia,
sociedade e do bem-estar dos cidadãos de Macau”.
GCS
Na tomada de posse do novo Executivo, Xi Jinping falou de quatro pontos que Macau deve seguir nos próximos cinco anos: diversificação económica, um Governo mais justo, uma administração mais transparente eficiente e a educação patriótica dos jovens. O presidente pediu ainda “medidas preventivas contra a interferência de forças exteriores”
DIVERSIFICAÇÃO IMPRESCINDÍVEL
O presidente da RPC voltou também a frisar a necessidade de diversificação económica em Macau, um dia depois de ter falado da existência de “riscos” no futuro. “Devemos promover activamente a diversificação adequada e o desenvolvimento sustentável da economia de Macau. Nestes anos, Macau tem conseguido um rápido progresso sócio-económico, acompanhado por conflitos profundos e riscos de desenvolvimento que se formam ao longo do tempo. Perante isso, devemos ter um pensamento e um plano racional sobre como promover o desenvolvimento saudável da economia e da sociedade de Macau, a partir de uma visão abrangente e de longo alcance”.
“Devemos formar um Governo diligente, honesto, eficiente e justo, que actua, toma decisões e governa segundo as leis XI JINPING Presidente da RPC
Para ir além do sector do Jogo, Xi Jinping exige “uma boa capacidade de planear o futuro” e “capturar as importantes oportunidades trazidas pelo aprofundamento integral das reformas do país”, sem esquecer o desenvolvimento da região como centro de turismo e de plataforma de ligação aos países de língua portuguesa. O quarto ponto do discurso do presidente da RPC focar-se-ia na necessidade de “reforçar a educação e formação dos jovens”, sempre com os ideais patrióticos subjacentes. Xi Jinping pediu ainda que o novo Executivo crie “um ambiente social mais justo e equitativo mediante o tratamento adequado dos diversos pleitos da sociedade e o equilíbrio entre os interesses das diferentes partes”.
15 ANOS DEPOIS NA TERRA DAS AMPL AS LIBERDADES Xi Jinping não deixou de tecer largos elogios à RAEM 15 anos depois da sua criação. Para o presidente da RPC, os cidadãos de Macau são hoje “donos da própria casa, gozam de ampla liberdade e direitos democráticos” conforme as leis. “Macau vem testemunhando o desenvolvimento ordenado do sistema político democrático, o rápido crescimento económico, a constante melhoria da vida dos habitantes, a harmonia e a estabilidade social”, referiu. Não só os princípios políticos da RPC têm sido respeitados, diz, como a “Lei Básica de Macau é amplamente aceite pela população e aplicada efectivamente”.
CHUI SAI ON
“Não estamos satisfeitos com os resultados alcançados”
A
SSIM que tomou posse para o segundo mandato como Chefe do Executivo, Chui Sai On frisou que os recados deixados por Xi Jinping iriam trazer “novo dinamismo para o início de uma nova etapa para Macau”. Para o governante, essa nova etapa será marcada por uma maior justiça social, segundo referiu no seu discurso. “Estamos a estudar a criação de um mecanismo eficiente de longo prazo no domínio da distribuição dos saldos financeiros, que permita uma alocação mais eficientes de recursos sociais e uma distribuição de recursos mais justa”, disse Chui Sai On, garantindo: “Não cruzaremos os braços”. Ainda na área social, o Chefe do Executivo assegurou que o Governo é “responsável por dar prioridade à promoção do bem-estar da população, com vista à construção célere de uma cidade aprazível para viver e trabalhar”. Chui Sai On disse mesmo não estar “satisfeito com os resultados já alcançados”, pelo que há mais a fazer. “Iremos prosseguir o princípio da nossa governação de ter por base a população e a tomada de decisão baseada em critérios científicos”, referiu. Por forma a responder ao pedido de diversificação económica que tem vindo a ser feito por Pequim – e no mesmo dia em que Xi Jinping volta a reiterar que é preciso “melhorar o regulamento da indústria de Jogo” com “coragem e sabedoria”, recorrendo a “um plano racional” e a “uma visão abrangente e de longo alcance”, Chui Sai On garantiu que esta se trata de uma “opção indiscutível”, bem como “uma estratégia a longo prazo” e uma “prioridade”. Foi prometido um controlo do sector do Jogo e o estímulo “ao desenvolvimento de novas indústrias”, na área de exposições e convenções, medicina tradicional chinesa e indústrias culturais e criativas. Chui Sai On realçou que o novo Governo “vai continuar a proteger os espaços urbanos propícios ao desenvolvimento de Pequenas e Médias Empresas”. Se Xi Jinping pediu maior eficácia no novo Governo, Chui Sai On prometeu ainda “concretizar a simplificação do aparelho administrativo e o aprofundamento da reforma administrativa”, sem esquecer o regime de responsabilização dos titulares dos principais cargos. Ficou garantido “o desenvolvimento do sistema jurídico”, bem como a optimização “dos mecanismos de consulta da sociedade, para recolher ao máximo as opiniões públicas e conhecer as realidades”.
raem 15 anos 3
hoje macau domingo 21.12.2014
ANÁLISE XI JINPING DEIXOU RECADOS CONCRETOS, DIZEM INDIVIDUALIDADES
ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
O fim das palavras moles
FLORA FONG
flora.fong@hojemacau.com.mo
F
DIVERSIDADE ÉTNICA REFERIDA
Jorge Fão, antigo deputado e actual dirigente da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC), foi um dos 1200 convidados que esteve ontem na cerimónia de tomada de posse. Ao HM, começou por destacar o facto do presidente chinês ter falado da “composição étnica da população de Macau”, numa clara alusão à comunidade macaense. Sobre as propostas de Xi Jinping, diz, representam “mais” do que orientações. “O presidente chinês está a par de tudo o que se passou e se passa em Macau e todas estas propostas devem ser seguidas à risca pelo nosso Governo. Quando ele diz que quer mais acção tudo isso tem de ser interpretado como o facto de não termos feito
Figuras políticas olham para as palavras do presidente da República Popular da China como estando mais próximas do que de facto está a acontecer em Macau e como um pedido claro para uma rápida reacção do novo Executivo GCS
OI um discurso que não se limitou a falar do sucesso de Macau e da “mãe-Pátria”, mas que deixou directrizes claras para o novo Executivo liderado por Chui Sai On trabalhar. É assim que são vistas as declarações feitas por Xi Jinping, presidente chinês, na tomada de posse do novo Governo. “Foi um discurso positivo que se coaduna bastante com a realidade social em Macau, um discurso de elevação da qualidade de governação e transparência governativa, uma governação justa e honesta.” É desta forma que o deputado José Pereira Coutinho olha para as palavras do presidente chinês. Ao HM, Pereira Coutinho considerou que, depois destas palavras, “o Governo vai ter mesmo de redobrar os esforços” para elevar a boa governação. “Não tenho dúvidas de que a elevação da qualidade de governação é o ponto central dos trabalhos do futuro. Vamos ter as Linhas de Acção Governativa (LAG) em Março de 2015 e daqui até lá o Governo vai ter de tomar o pulso da situação social e desembaraçar-se das amarras influentes dos empresários. Os Secretários vão ter de resolver os problemas dos transportes, da habitação e saúde e melhorar a forma de governação para termos mais justos”, apontou ainda. Em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, também o antigo deputado Ung Choi Kun, presidente da Associação dos Empresários do Sector Imobiliário de Macau, referiu que o discurso de Xi Jinping foi “diferente dos anteriores”, com “um conteúdo mais prático e instruções concretas para o ambiente real de Macau, incluindo o facto do desenvolvimento económico ter de beneficiar os residentes”.
o suficiente nos quatro pontos que mencionou”, referiu Jorge Fão. Ao falar da formação dos funcionários públicos, Xi Jinping “sabe que há pessoas que estão a dirigir os serviços e não querem assumir responsabilidades e também que há determinados serviços que não estão a funcionar bem”, defende o dirigente da APOMAC.
COMPLEXOS E FORMAÇÃO
“A formação das pessoas, especialmente os quadros da Função
Pública, não tem sido feita. Não só não estamos a fazer nada como ainda temos o complexo de mostrar que não sabemos e temos vergonha de recrutar pessoas do exterior”, disse Jorge Fão, dando o exemplo da falta de magistrados e de médicos. Outros membros da Assembleia Legislativa (AL) também falaram com o canal chinês da Rádio Macau à saída da cerimónia da tomada de posse. Chan Hong, deputada nomeada pelo sector da
educação, lembrou que Xi Jinping deu atenção ao crescimento dos jovens enquanto fundamento para o futuro de Macau. “Devemos educar as novas gerações em conjunto”, acrescentou. O deputado José Chui Sai Peng, primo do Chefe do Executivo, defendeu que o discurso do presidente chinês “concretiza o desejo de todos”, bem como o “reforço” das gerações mais novas. “A nova equipa do Governo tem de alcançar uma boa governação e [Xi] teve
mensagens claras. [Este é um discurso] que pede aos residentes que apoiem a RAEM e que dá esperança ao seu desenvolvimento”, apontou. Já Lau Veng Seng, deputado nomeado, realçou o facto de Xi Jinping ter dado destaque à necessidade de reforçar a cooperação regional. “Macau deve cooperar de forma mais estreita com o interior da China, promovendo uma perspectiva ainda melhor da economia”, concluiu.
PATRIOTISMO RECADOS A HONG KONG RECEBIDOS SEM SURPRESA
O menino da mamã e os paus-mandados N
O discurso de ontem, Xi Jinping abordou questões políticas, numa altura em que o sufrágio universal motivou mais de dois meses de protestos e bloqueio nas ruas de Hong Kong. O presidente chinês assegura que é preciso promover a harmonia e a estabilidade, bem como a “coesão social”. Xi deixou ainda um recado sobre o controlo de possíveis influências externas tanto em Macau como em Hong Kong, o que não constituiu uma novidade para quem ouviu o discurso. “Não fico surpreendido pelo presidente estar em Macau e mandar alguns recados para Hong Kong. Mas não há níveis de comparação em termos de dimensões geográficas dos territórios. Em termos de qualidade e nível de
cidadania da população são completamente diferentes”, comentou José Pereira Coutinho. Já Jorge Fão destacou as notícias recentes publicadas em Hong Kong que ligam os líderes do movimento “Occupy Central” ao magnata dos média Jimmy Lai e a figuras do sistema político norte-americano. “Isso leva-nos a pensar que há outros países que querem interferir nas questões internas de Hong Kong e China e também Macau. [Xi Jinping] deixou um recado para as pessoas terem cuidado para não serem utilizadas como ‘pau mandado’ de determinadas instituições ou países sob a capa da democracia. A democracia em Macau e Hong Kong só vai ter lugar no dia em que sejam implantados na China os primeiros passos da democracia”, lembrou Jorge Fão.
Ontem, Xi Jinping salientou a importância de promover a formação dos jovens, em especial no que toca ao patriotismo. “Devemos destacar os ensinamentos da história, cultura e realidade do país para que os jovens apreciem melhor a riqueza e a grandeza da civilização chinesa (...), compreendam melhor o caminho extraordinário percorrido pela nova China e as enormes conquistas, além de perceberem melhor a ligação inerente entre ‘um país, dois sistemas’, o desenvolvimento do socialismo com peculiaridades chinesas e a concretização do sonho chinês”, disse. Deste modo, assegura, os jovens de Macau podem ligar “estreitamente” o “futuro de Macau à pátria” e sentir “mais orgulho nacional e mais amor pelo país e por Macau”. - A.S.S.
4 RAEM 15 anos
hoje macau domingo 21.12.2014
XI JINPING APELA A REVIVALISMO DA CULTURA CHINESA EM ENCONTRO COM ALUNOS DA UM
O presidente chinês, Xi Jinping, apelou ontem, numa conversa com alunos da Universidade de Macau, ao retorno de um “revivalismo da cultura chinesa”, acrescentando ainda que o princípio de “um país, dois sistemas” está a ser bem sucedido LEONOR SÁ MACHADO
leonor.machado@hojemacau.com.mo
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M conversa com 20 alunos da Universidade de Macau (UM), o presidente chinês referiu ontem que a política “um país, dois sistemas” é “muito difícil, mas bem sucedida”. Isso mesmo referiu Ares Lin Zeng, um dos alunos presentes durante um debate à porta fechada, aos jornalistas.
GCS
O que é tradicional é bom
SEM HIPÓTESE No evento, esteve presente Chung Ling, conhecida escritora de ficção e professora da Universidade de Hong Kong e da UM. A também directora de uma das residências da UM – e professora na instituição realçou que Xi quer “estabelecer uma confiança cultural e revivalismo da cultura chinesa”, ideia que deixou bem clara durante a conversa com o grupo de estudantes. “O princípio de ‘um país, dois sistemas’ é um esforço sem precedentes que não existe em mais sítio nenhum no mundo”, acrescentou ainda Xi, de acordo com a docente.
GCS
O Macau vai ter jurisdição de águas marítimas
O
Naquela que foi a última paragem do presidente da República Popular da China durante a visita oficial de dois dias ao território, Xi Jinping sugeriu aos alunos que lessem os “grandes clássicos” chineses, tomando o seu próprio exemplo de como em criança leu obras como ‘Water Margin’, considerada uma das maiores obras literárias da China. Em última análise, o treino serviu para que os jovens tivessem confiança para falar com o presidente. “Temos estado a falar sobre estes assuntos com os nossos alunos, questionando-os sobre como vão fazer perdurar a cultura chinesa e passá-la à próxima geração”, disse Chung aos jornalistas, depois do debate. Já Ares Lin Zeng disse ainda que o debate teve em vista uma retrospectiva da infância do presidente, alguém que o aluno considerou, tal como outros três entrevistados, muito “amigável”.
Chefe do Executivo assegurou ontem que o Governo Central chinês já deu início à definição das áreas marítimas que ficarão sob jurisdição da RAEM. O líder do Governo, que falou após a sua tomada de posse como quarto Chefe do Executivo para um último mandato, mostrou-se satisfeito pela decisão. A definição das águas sob jurisdição de Macau, um tema que Chui Sai On não desenvolveu, permitirá à RAEM gerir e decidir o planeamento da zona que lhe ficará afecta, numa altura em que os recursos de terrenos locais são escassos e não permitem o desenvolvimento para grandes áreas de aterros.
A professora avançou ainda que Xi pretende que a cultura tradicional volte a expandir-se pelo país, já que, de acordo com a mesma, “desde o século XIX que os chineses perderam confiança [em si próprios] por causa da invasão de forças do ocidente”. Na opinião de Chung Ling, é importante para Xi que haja confiança cultural. A conversa com os estudantes levou muitos dias e foi treinada “várias vezes”. Os principais assuntos em cima da mesa foram a cultura tradicional chinesa e a juventude contemporânea.
Governo português felicitou ontem o novo Governo de Macau e destacou “o excelente relacionamento” que Portugal e a RAEM “souberam construir” nos últimos 15 anos, desde o fim da administração portuguesa. Numa mensagem enviada ao Chefe do Executivo, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros português, Rui Machete, felicita Chui Sai On pelo início do seu segundo e último mandato, reiterando o convite que já lhe tinha dirigido para que visite Portugal em breve. A propósito do 15.º aniversário do estabelecimento da RAEM, o governante português sublinhou na sua mensagem “o excelente relacionamento” que Portugal e Macau “souberam construir”, adiantou à Lusa fonte oficial do ministério dos Negócios Estrangeiros. “A nossa proximidade com
ACIDENTE CARICATO Durante o período de espera pelo presidente chinês, frente ao edifício da galeria da UM, foi possível ver e ouvir um incidente com um dos autocarros da instituição, que se encontrava estacionado. O acidente deuse quando o chão desabou e a carrinha colapsou para o lado. A equipa da UM apressou-se então a tapar o autocarro tombado com outro veículo, de modo a que o cenário insólito não afectasse a chegada de Xi Jinping.
Aos jornalistas, contudo, foi apenas dado espaço para fotografar o líder da China, já que o percurso não incluiu um discurso por parte de Xi Jinping. Do carro, o presidente deslocou-se até ao edifício da galeria da UM para ver uma exposição sobre a história da instituição e mostradores com os feitos dos laboratórios de microelectrónica e medicina chinesa. Presentes estiveram ainda o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, o reitor da UM, Zhao Wei e o vice-reitor Rui Martins, a quem Xi Jinping perguntou de onde era originário. Portugal, obviamente, foi a resposta.
GOVERNO PORTUGUÊS FELICITA O NOVO EXECUTIVO
“Excelente relacionamento” Macau e a forma construtiva como decorreu a retrocessão deste território para a China têm contribuído para
dinamizar a relação bilateral entre Portugal e a China, uma parceria estratégica global que tem vindo a aprofundar-se
nos últimos anos”, destacou a mesma fonte. Portugal e Macau, que assinaram um Acordo Quadro de Cooperação, em 2001, têm vindo a aprofundar a parceria em domínios como a economia, ambiente, educação, língua e cultura. Segundo a fonte do Palácio das Necessidades, exemplo desse relacionamento é o facto de a comissão mista, criada pelo acordo de 2001, ter passado de reuniões de dois em dois anos para reuniões anuais, uma alteração introduzida através de uma revisão assinada por Rui Machete e Chui Sai On, em Maio, durante a visita do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, à China. Esta comissão reuniu-se em Macau, no mês passado. - Lusa/HM
POLÍTICA
O NOVO EXECUTIVO • CHUI SAI ON CHEFE DO EXECUTIVO Nascido em Macau em 1957 Licenciado em Gestão de Sanidade Urbana, pela Universidade do Estado da Califórnia, Mestre e doutorado em Gestão de Saúde Pública pela Escola de Saúde Pública da Universidade de Oklahoma Último cargo: Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura • SÓNIA CHAN SECRETÁRIA PARA A ADMINISTRAÇÃO E JUSTIÇA Nasceu em Cantão em Dezembro de 1964. Licenciada em Direito pela Universidade Zhongshan Mestrado em Direito Penal pela Universidade Popular da China. Último cargo: coordenadora do Gabinete para a Protecção de Dados Pessoais.
Chui Sai On
Alexis Tam
André Cheong
Ho Veng On
Ip Son Sang
Lai Man Wa
Lionel Leong Vai Tac
Ma Io Kun
Raimundo do Rosário
Sónia Chan Hoi Fan
Wong Sio Chak
MACAU JÁ TEM NOVO GOVERNO. DSAJ E DSSOPT MUDAM DE DIRECTORES
Barco novo, capitão antigo
• ALEXIS TAM SECRETÁRIO PARA OS ASSUNTOS SOCIAIS E CULTURA Nasceu em Julho de 1962, no Myanmar Doutorado em Gestão de Empresas pela Universidade de Nankai da RPC Mestre em International MBA pela Universidade de Glasgow do Reino Unido Licenciatura em Gestão de Empresas pela Universidade Nacional de Chengchi, Taiwan Licenciatura em Direito pela Universidade de Ciências Políticas e Direito da RPC Último cargo: porta-voz do Governo
JOANA FREITAS
joana.freitas@hojemacau.com.mo
J
Á estão no comando os novos indigitados para o IV Governo da RAEM. Por um período de cinco anos, que ontem foi oficialmente iniciado, o Chefe do Executivo Fernando Chui Sai On – que começa o segundo e último mandato – vai fazer-se acompanhar por novas caras nas cinco secretarias, nas Forças de Segurança, no Comissariado contra a Corrupção, na Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) e na dos Serviços para a Administração e Justiça (DSAJ). Sónia Chan, Secretária para
a Administração e Justiça, já escolheu o novo director para a DSAJ. É ele Liu Dexue, licenciado em Agronomia pelo Instituto de Agricultura de Anhui e com mestrado em Direito Civil, pela Universidade de Pequim. Dexue, que substitui o agora comissário contra a corrupção, André Cheong, é ainda doutorado em Direito Civil e Comercial, pela Universidade da Ciência Política e Direito da China. Foi secretário judicial do Instituto de Juízes do Tribunal Popular Superior da ProvínciaAnhui, de Setembro de 1988 a Agosto de 1993, técnico superior dos Serviços de Apoio àAssembleia Legislativa, de 1998 a 2004 e assessor dos mesmos serviços de 2006 até ao presente.
E porque Jaime Carion, agora aposentado, também deixou vago o cargo na DSSOPT, o novo Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo Arrais do Rosário, teve de fazer também a sua escolha. É Li Canfeng o novo director do organismo. Licenciado em Engenharia pela Universidade de Tecnologia do Sul da China, Canfeng tem mestrado na mesma área pelo Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa e fez o doutoramento no Instituto de Engenharia Civil e Transporte da Universidade de Tecnologia do Sul da China. De 1995 a 1998 foi técnico superior principal no Departamento
de Urbanização e no Departamento de Gestão de Solos e Chefe do Departamento de Gestão de Solos da DSSOPT, tendo sido, de 1998 até 2008 subdirector do organismo. Como já tinha sido avançado pelo HM, Cheong U, antigo Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, foi nomeado para exercer funções na Fundação Macau. De acordo com um despacho publicado ontem em Boletim Oficial, Cheong U será um dos vice-presidentes do Conselho de Administração da Fundação, tendo sido nomeado por um período de dois anos. Leong Heng Teng continua como porta-voz do Conselho Executivo.
CONSELHO EXECUTIVO LEONG HENG TENG CONTINUA A DAR A VOZ GCS
• LIONEL LEONG SECRETÁRIO PARA A ECONOMIA E FINANÇAS Nasceu em Macau em 1962 Licenciado em Matemática pela University of Waterloo do Canadá Empresário
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GCS
hoje macau domingo 21.12.2014
• O Conselho Executivo do novo
• RAIMUNDO DO ROSÁRIO SECRETÁRIO PARA OS TRANSPORTES E OBRAS PÚBLICAS Nasceu em Macau em 1956 Licenciado em Engenharia Civil Último cargo: Chefe da Delegação Económica e Comercial de Macau junto da União Europeia, em Bruxelas e chefe da Delegação Económica e Comercial de Macau, junto da Organização Mundial do Comércio
Governo realizou ontem a sua
• WONG SIO CHAK SECRETÁRIO PARA A SEGURANÇA Nasceu na Províncida de Guangdong em Setembro de 1968 Licenciado e doutorado em Direito pela Universidade de Pequim Último cargo: director da PJ
cumprimento da Lei Básica,
primeira reunião. Presidida pelo Chefe do Executivo, Chui Sai On, a reunião serviu para os membros expressaram votos de congratulações a Leong Heng Teng que foi, mais uma vez, nomeado porta-voz do grupo. “Todos os membros presentes reiteraram que irão, no estrito desempenhar fielmente as suas funções, ser honestos e servir com dedicação a RAEM e os cidadãos”, avança um comunicado.
6 política
Para poder passar na avaliação do Fórum Global sobre Transparência e Troca de Informações para fins fiscais, Macau terá de eliminar a permissão de emissão de acções ao portador. A decisão está tomada. Agora falta publicar a lei e dar seis meses a partir daí para que quem tem acções destas as possa converter JOANA FREITAS
joana.freitas@hojemacau.com.mo
O
Governo vai mesmo eliminar as acções ao portador através da revisão do Código Comercial, por considerar que esta é das únicas formas de evitar que a RAEM não cumpra os critérios do Fórum Global sobre Transparência e Troca de Informações para fins fiscais. O anúncio é feito no
hoje macau domingo 21.12.2014
CÓDIGO COMERCIAL ACÇÕES AO PORTADOR VÃO SER ELIMINADAS. SEIS MESES PARA CONVERSÃO
Macau quer nota positiva
relatório de análise às opiniões da consulta pública sobre o assunto, que foi publicado na sexta-feira. Actualmente, o regime de Macau não permite identificar os titulares destas acções, algo considerado “desfavorável” ao combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento ao terrorismo pelo Fórum Global. Este organismo analisou a situação da RAEM no que refere à implementação e ao cumprimento de padrões internacionais e apontou que Macau ainda tem muitos trabalhos a fazer em matéria de revisão legislativa, sendo que, entre as lacunas, é apontada
a “insuficiência de mecanismos que assegurem a disponibilidade da informação sobre a titularidade das acções ao portador”. Ora, o Governo diz querer cumprir esses padrões internacionais, até porque a RAEM vai ser avaliada em 2016 e quer “ser aprovada”. É que, a “manter-se na situação actual, muito provavelmente, não satisfará os critérios da terceira fase de avaliação, o que afecta a imagem internacional e a economia de Macau”, como justifica o Governo. A decisão de eliminar essas acções é não só a proposta desde
o início pelo Executivo, como, de acordo com o relatório, foi “de forma geral” bem recebida.
SEIS MESES PARA MUDAR
O relatório indica que não há qualquer impacto negativo na actividade das sociedades, no desenvolvimento do mercado de capitais ou na economia em geral, aquando da eliminação destas acções. Até porque, diz o relatório, este cancelamento não vai afectar outras categorias de acções. As acções ao portador, recorde-se, são acções que não obrigam a que o titular seja identificado. O
MANIFESTAÇÃO ANM PEDIDOS DE DEMOCRACIA COM POUCA ADESÃO
Os mesmos pedidos em saco roto FLORA FONG
flora.fong@hojemacau.com.mo
É
já uma manifestação normal levada a cabo no dia da transferência de soberania e, pela sétima vez, ontem, a Associação Novo Macau saiu de novo à rua. Os pedidos não diferem muito dos que têm vindo, constantemente, a ser feitos pelos activistas deste grupo e da Juventude Dinâmica de Macau, que acompanhou a ANM: mais democracia e sufrágio universal. Desde a praça do Tap Seac até à sede do Governo, participaram mais de uma centena de pessoas, de acordo com a organização e incluindo as mais activas, como Jason Chou, Bill Chou, Rocky Chan e Ieong Man Teng, líder do grupo Forefront of Macao Gambling. “Não queremos um Chefe do Executivo eleito por 400 pessoas, queremos um eleito por cada um” e “excluam-se os deputados indirectos e nomeados” eram os gritos de guerra de quem caminhou debaixo de um forte aparato policial. Sempre controlados por um grande número de polícias, que filmaram também o protes-
to, os manifestantes foram questionados pela líder do grupo Juventude Dinâmica, Kuan Un San, à chegada à Rua do Campo, em frente ao edifício dos Serviços de Administração e Função Pública: “quantos residentes aqui não se inscreveram como eleitores? Sabiam que o é, para nós, muito importante? Se não votarmos, aAL pode ser ainda mais controlada por [poderosos] e empresários ricos. Portanto, quem ainda não for eleitor, pode ir à máquina automática de inscrição para se inscrever”, gritava a responsável. Os agentes policiais não permitiram que a manifestação avançasse até à porta da sede do Governo, sendo que esta foi bloqueada, ficando apenas em frente aos lagos Nam Van. Só alguns residentes que entregaram cartas ao pessoal do Executivo é que se puderam aproximar da porta. Entre os manifestantes, estavam também os idosos que pedem a união com os filhos maiores de idade, a quem não é permitido assentar na RAEM. Durante a manifestação, Xi Jinping já não estava em Macau. Mas, os manifestantes consideram que o presidente chinês tem consciência do que se passou. “Xi Jinping
sabe como é a nossa vida quotidiana. Como é que não sabe o que estamos a pedir?”, disse Sou Ka Hou, líder da ANM. Anteriormente, a Associação já tinha entregue uma carta para ser apresentada a Xi Jinping. Ainda que Sou considere que é muito provável a carta não ter sido entregue antes da saída do presidente, considera que, pelo menos, foram expressas as suas solicitações, que passam pela abertura da reforma política e de sufrágio universal. Algo que, diz Sou Ka Hou, não é expresso apenas pela manifestação, mas sido pedido constantemente. “O Governo da RAEM deve assumir a responsabilidade, porque o primeiro passo de abertura está a cargo do Chefe do Executivo. Não espero que Chui Sai On fuja mais das responsabilidades e diga que a decisão é do Governo Central, porque ele é que tem de entregar primeiro uma proposta.” A manifestação não teve muita adesão, o que para um dos participantes, Sio Chu, se deve às recentes declarações sobre o ‘Occupy Central’ de Hong Kong, que tem sido classificado como desafio e desobediência civil.
Governo, que deu outras hipóteses além desta, indica ainda que o Fórum Global tem vindo a aceitar a opção de estas serem eliminadas. A alteração ao Código Comercial terá, ainda, de ser feita, mas a partir da entrada em vigor, os titulares têm entre seis meses a um ano para pedir a conversão dos seus títulos. Caso contrário, podem mesmo vir a perdê-las. “Caso os titulares de acções ao portador não tenham pedido a conversão dentro dos seis meses posteriores à entrada em vigor da lei, os mesmos ficam com os seus direitos enquanto accionistas suspensos, incluindo o direito a receber os dividendos. Tendo os direitos suspensos, os accionistas não deixam de o ser, continuando a ser titulares das acções, pelo que o valor das acções não vai ser afectado nem as acções vão ser transferidas para a sociedade”, avisa o Executivo. Contudo, “consideram-se destruídos os títulos de acções ao portador que não sejam convertidos dentro do prazo de um ano”. De acordo com o Executivo, a ideia é que os títulos representativos de acções ao portador sejam convertidos o mais depressa possível para que os titulares das acções sejam conhecidos, assim “permitindo um mais rápido cumprimento dos objectivos do Fórum Global”.
PSP Proibição de entrada de bebé foi “confusão”
O
impedimento da entrada no território de um bebé de Hong Kong com um ano de idade, na sexta-feira, deveu-se à muita “confusão”, que aconteceu no terminal marítimo do Porto Exterior. É esta a justificação da PSP para quem, “de facto”, o bebé podia entrar em Macau. As autoridades afirmam que estava uma situação “muito confusa no terminal, devido aos mais de dez residentes de Hong Kong que estavam a gritar e a queixar-se” por terem sido também barrados. O caso, diz a PSP, “causou um incómodo grave” aos trabalhos da polícia, que, mais tarde, “realmente descobriu que o bebé podia entrar”. A PSP afirma que “ainda quis remediar a situação”, mas que os pais da criança “infelizmente” já tinham regressado a Hong Kong, para onde foram repatriados. A criança, recorde-se, foi impedida de entrar em Macau por ter um nome igual, em pinyn, ao de um homem na lista negra da RAEM e por “representar perigo” para a segurança do território. A PSP assegura que vai rever o processo a fim de evitar erros semelhantes no futuro. - F.F.
SOCIEDADE
hoje macau domingo 21.12.2014
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TRADUTORES CURSO EM PARCERIA COM LEIRIA JÁ FORMOU MAIS DE UMA CENTENA
A falar a mesma língua
São mais de uma centena os jovens formados em tradução, num curso que conta com a parceria de Macau e Portugal. Empresas privadas e instituições governamentais são os mercados para estes alunos ANTÓNIO FALCÃO
M curso de tradução em Língua Portuguesa e Mandarim, promovido em parceria pelos Institutos Politécnicos de Leiria (IPL) e Macau (IPM), já formou 114 tradutores e intérpretes, portugueses e chineses, colocados em empresas privadas e instituições governamentais. Iniciado há oito anos, em 2006, o curso de Tradução e Interpretação Português/Chinês e Chinês/Português formou, até agora, 44 licenciados portugueses e 70 chineses e funciona em paralelo nas duas instituições: o primeiro e quarto ano no país de origem dos alunos e os dois anos intermédios em Portugal (para os chineses) e na China (para os portugueses). “Essa é uma das mais-valias, potenciar a formação num contexto de imersão linguística”, disse à agência Lusa Inês Conde, coordenadora do curso.
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DIFERENÇAS DEONTOLÓGICAS
De acordo com a professora da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do IPL, empresas privadas da área da tradução em Portugal, Brasil e Angola, órgãos de comunicação social de Macau, universidades e entidades representantes do Governo português na China estão entre os organismos que têm garantido saídas profissionais aos alunos.
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licenciados em tradução
Durante as aulas, tanto portugueses, como chineses sentem as diferenças nas metodologias de ensino - conforme é praticado em Portugal ou no extremo Oriente embora Inês Conde sublinhe ser “mais difícil” aos alunos chineses assimilarem o método português que o contrário. “Os professores portugueses usam muito as estratégias criativas ou espontâneas de escrita ou produção oral e os alunos chineses estão habituados a um sistema de mais memorização, repetição até de conteúdos e estruturas gramaticais. Eles têm muita facilidade em estudar a gramática e sentem mais dificuldade na produção oral espontânea, sem preparação prévia”, explicou. Já os portugueses, continuou, embora em geral adorem a expe-
riência de estudar em Pequim - e de sentir a “pulsão” da capital do país mais populoso do mundo - relatam as diferenças encontradas na metodologia chinesa, “um tipo de ensino que requer muita disciplina, muito estudo, muito trabalho e muito treino linguístico”.
CULTURAS
O ‘feedback’ que o Politécnico de Leiria tem dos responsáveis do seu congénere de Macau - com quem a parceria permitiu desenvolver uma “relação muito próxima com docentes e funcionários”, quase familiar - é o de que os alunos portugueses que ali estudam “são muito bons a aprender línguas estrangeiras”. No relacionamento com os professores, os alunos macaenses oriundos do Politécnico de Macau “têm uma relação muito cordial
e muito formal”, principalmente no início do ano lectivo: “depois percebem que podem estar um pouco mais à vontade mas são muito respeitadores, muito bem comportados nas aulas e respondem muito bem às solicitações dos docentes”, refere Inês Conde. Os portugueses, esses, são mais informais, denotam “algumas
características típicas” do país de origem, “nem sempre respeitam as horas de entrada nas aulas”, assinala, com um sorriso, a coordenadora do curso. “Temos alunos que já falam chinês quase sem as marcas da sua origem, da sua língua materna. Têm-nos dito que trabalham e vão ao encontro das exigências que
“Os professores portugueses usam muito as estratégias criativas ou espontâneas de escrita ou produção oral e os alunos chineses estão habituados a um sistema de mais memorização, repetição até de conteúdos e estruturas gramaticais” INÊS CONDE Coordenadora do curso
lhes são feitas na aprendizagem do mandarim”, frisou. No regresso a Leiria, no quarto ano do curso, os professores de chinês destacados na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais “ficam muito contentes por perceberem que houve uma evolução enorme nos dois anos que passaram na China e o trabalho que é feito já é de grande complexidade”. No último ano os estudantes trabalham géneros textuais legais, administrativos, relacionados com a economia ou com a literatura “e conseguem atingir bons resultados”, manifestados, depois, nos estágios profissionais que se realizam no segundo semestre do quarto ano. “Fazem tradução de chinês para português e, se lhes pedirem, também de português para chinês”, revela. - LUSA/HM
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S Serviços de Saúde confirmaram a detecção de um caso local de doença Tsutsugamushi, conhecida como ‘tifo epidémico’. O doente é um idoso, aposentado, que apresentou sintomas da doença já no dia 14 de Novembro. O homem ficou internado desde o dia 12, mas só na quinta-feira à noite é que o organismo anunciou o caso. O idoso ficou no hospital para se submeter a tratamento, depois de apresentar sintomas como febre, fatiga, tontura, hipotensão. O resultado da análise laboratorial evidencia uma anomalia da função hepática e foi-lhe ainda detectada uma escara no extremo da vértebra esquerda. Foi só quando os SS enviaram a amostra de sangue do doente ao Centro Laboratorial de Hong Kong para análise que se descobriu que a doença é realmente tifo. Como o doente não tem história de viagem, o caso é classificado como sendo uma infecção adquirida localmente. Até ao presente momento, a família e os co-
SAÚDE CASO DE TIFO EPIDÉMICO LOCAL DETECTADO EM MACAU
Passeios perigosos
SS, o laboratório de Hong Kong entregou os resultados apenas no dia 18, mas o organismo indica que o homem teve alta no dia 2 de Dezembro.
O QUE É O TIFO EPIDÉMICO?
legas do doente não apresentaram sintomas similares. Habitualmente o doente faz caminhadas na montanha e, uma semana antes do aparecimento de sintomas,
tinha feito uma caminhada no circuito de manutenção de Coloane e ficado ferido ao raspar num arbusto. A doença tsutsugamuchi é uma doença infecto-contagiosa
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aguda provocada pela picada das larvas portadoras de Rickettsia tsutsugamushi. Os roedores também são um hospedeiro natural. Até ao presente momento, não existe vacina eficaz para prevenir o tifo e a administração de antibióticos constitui o tratamento mais eficaz. De acordo com os
O tifo epidémico, popularmente conhecido apenas como tifo (apesar de outras doenças distintas terem o mesmo nome), é uma doença contagiosa transmitida por parasitas comuns no corpo humano, como piolhos, e causado pela bactéria Rickettsia prowazekii. É distinto e não relacionada com a febre tifóide, que é causada pelas salmonella. Há outras formas semelhantes ao tifo epidémico, porém menos graves, como o tifo endémico causado pela Rickettsia typhi e o tifo do mato causado pela Orientia tsutsugamushi – o que se terá verificado em Macau. O tifo epidémico foi durante muito tempo uma causa importante de epidemias mortíferas na Europa (especialmente no Leste
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O INSTITUTO PARA OS ASSUNTOS CÍVICOS E MUNICIPAIS FELICITA A REGIÃO ADMINISTRATIVA ESPECIAL DE MACAU PELA PASSAGEM DO SEU 15º ANIVERSÁRIO E DESEJA A TODOS UM FELIZ NATAL
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Europeu e na Rússia) e Ásia. Hoje em dia está erradicada na Europa, e em outras regiões. Quando surge, as medidas de saúde pública geralmente previnem o aparecimento de epidemias. O tifo é transmitido pelo piolho humano do corpo Pediculus humanus corporis, (mais raramente pelo piolho dos cabelos), que os excretam nas suas fezes, invadindo o ser humano através de pequenas feridas invisíveis. A incubação é de 10 a 14 dias. A mortalidade é de 20% se não tratado adequadamente, mas algumas epidemias entre desnutridos chegaram a matar cerca de 2 em cada 3 infectados (66%). Os sintomas do tifo epidémico desenvolvem-se em cerca de uma a duas semanas após a infecção inicial e podem incluir: Febre alta (39-40oC); dor de cabeça; mal-estar; náuseas; vómitos; tosse; dor de barriga; diarreia e manchas avermelhadas na pele.
UMA TERRÍVEL HISTÓRIA
O tifo foi uma importante causa de epidemias antes da Segunda Guerra Mundial. Atingia particularmente os exércitos em campanha e as populações prisionais. Alguns historiadores acreditam que foi o tifo a doença misteriosa que atingiu Atenas no século de Péricles (430 a.C), um evento associado ao declínio dessa grande cidade-estado. Uma das epidemias mais importantes foi aquela que atingiu Napoleão Bonaparte e a sua Grande Armée na campanha de invasão da Rússia, em 1812. Durante a retirada das suas tropas após a destruição de Moscovo pelos russos, as tropas de Napoleão foram reduzidas de 600.000 a 40.000 mais devido ao tifo e ao frio que às tropas inimigas. Outra epidemia mortífera surgiu na Irlanda entre 1846 e 1849 durante a fome da batata nesse país, onde o tifo se uniu à destruição de um fungo parasita dessa cultura para reduzir, pela morte e emigração, a população da ilha para menos de um terço. Apesar de medidas baratas e fáceis de prevenção já serem conhecidas, os nazis deixaram centenas de milhares de presos nos seus campos de concentração, incluindo a maioria de judeus(como Anne Frank), morrer da doença durante a Segunda Guerra.
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FAMÍLIA EM CONDIÇÕES POBRES PEDE MAIS AJUDA DO GOVERNO
Quando brilha não é para todos anos – segundo os dados oficiais. “A partir de 2005, a expansão da indústria do Jogo trouxe um desenvolvimento socioeconómico e criou mais postos de trabalho pelo que diminuiu o universo de pedidos de subsídio”. As famílias carenciadas recebem um subsídio regular que resulta da diferença entre o valor dos rendimentos mensais e o valor do risco social – o montante mínimo de sobrevivência estipulado pelo Executivo. O valor mínimo corresponde actualmente a 3800 patacas para uma pessoa que viva sozinha e o máximo, para famílias com número igual ou superior a oito membros, a aproximadamente 17 mil patacas. O IAS tem outras modalidades de apoio financeiro como subsídios especiais para portadores de deficiência ou doentes crónicos.
LUSA
OS 42 anos, com um filho para cuidar, habita numa casa social. A senhora Lei tem hoje uma vida mais desafogada, mas continua a subsistir graças aos apoios do Governo e a sonhar com uma oportunidade de trabalho. Ainda assim, para a senhora Lei, o Governo poderia ajudar ainda mais no que diz respeito a recursos, como centros onde deixar as crianças de famílias monoparentais, onde o pai ou a mãe trabalham. A família Lei é uma das 5684 que vive abaixo do índice mínimo de subsistência em Macau e uma das 1960 que ocupava uma habitação pública, segundo dados de 2013 facultados à agência Lusa pelo Instituto de Acção Social (IAS). Natural do interior da China, Lei veio para Macau há 25 anos. Trabalhou numa caixa de supermercado, mas o nascimento do filho, agora com oito, provocou uma reviravolta na sua vida, forçando a sua saída do mercado laboral. “Não consigo encontrar ninguém para cuidar dele”, conta Lei, lamentando a falta de serviços de ocupação de tempos livres para crianças com idade superior a dois anos. “O Governo tem tantos recursos. Pode fazer muito mais para nos ajudar, oferecendo centros para deixarmos os nossos filhos enquanto vamos trabalhar ou ao nível da formação profissional”, descreve. “Olho para os casinos e vejo tantas oportunidades de emprego...”, acrescenta Lei, sem poupanças, idealizando um pé-de-meia a pensar no futuro do filho.
“A partir de 2005, a expansão do Jogo trouxe um desenvolvimento socioeconómico e criou mais postos de trabalho pelo que diminuiu o universo de pedidos de subsídio”
MELHOR AGORA
Lei, de aparência humilde mas cuidada, tal como a casa que amavelmente mostra às visitas, recebe apoios do IAS desde 2006, actualmente na ordem das 7190 patacas por mês. Um orçamento ao qual não tem tido que subtrair, nos últimos tempos, o dinheiro da renda devido à política de isenção para as famílias carenciadas promovida pelo Governo. Inquilina do complexo de Seac Pai Van, que alberga mais de nove mil fracções, Lei vive afastada do centro da cidade, mas quase a paredes-meias com a ‘strip’ do Cotai e os néones dos seus luxuosos casinos. Mas nem sempre foi assim. Antes de se mudar, e depois de esperar quatro anos por uma habitação social, residia na densamente povoada zona das Portas do Cerco – principal fronteira terrestre com a China –, pelo que hoje na nova casa está contente por respirar “um ar mais puro” e por ter “mais espaço”. No cubículo que arrendava, a cozinha confundia-se com o quarto e toda a área era equivalente ao tamanho da sua actual sala-de-estar, também ela já de diminuta dimensão. “Já não aguentava. A área era muito pequena e o meu filho, que
tem um problema respiratório, tinha de sair sempre que eu cozinhava”. O fardo da renda aliada à solidão levou-a a recorrer à ajuda da Cáritas. Naquela altura, o apoio chegava em várias frentes: recebia arroz mensalmente, ganhou uma secretária para o filho estudar, envolveu-se em iniciativas da instituição de cariz social. Também da Caritas veio um presente especial. “O meu filho ficou muito feliz quando os volun-
tários bateram à porta para entregar um bolo de aniversário. ‘Mamã, tu nunca me compras um bolo quando faço anos’, disse ele, porque eu apenas costumava cozer um ovo por essa ocasião”, recorda Lei, sem esconder a alegria do petiz perante a “casa cheia” nos seus anos.
TRISTEZAS E ALEGRIAS
As famílias monoparentais figuram como uma das principais beneficiárias dos apoios do IAS, com a senhora Lei a encaixar-se também
na faixa etária predominante – entre os 40 e os 59 anos. Segundo o chefe funcional da Equipa de Coordenação e Apoio à Comunidade do IAS, o número anual de famílias carenciadas beneficiárias de apoios do IAS tem sido idêntico nos últimos 15 anos. Porém, em 2005, houve um pico: 10.285. Stephen Ng Heng Man avançou à Lusa uma explicação para a quebra para quase metade do universo de famílias carenciadas no espaço de oito
Também foi criado, em 2009, um banco alimentar, cuja gestão foi posteriormente entregue à Cáritas. Desde Setembro de 2011, mais de quatro mil famílias, ou um universo superior a sete mil pessoas, beneficiaram da ajuda, segundo o secretário-geral, Paul Pun. Além do Plano de Apoio Alimentar de Curto Prazo – designação oficial do programa –, a Caritas presta outro tipo de apoios aos mais carenciados. Actualmente, gere oito lares, quatro dos quais destinados a idosos, a sem-abrigo, contando mais de 40 que retirou das ruas, bem como a jovens e a portadores de deficiência, dispondo, entre outros serviços, de uma linha telefónica para aconselhamento intitulada “Life Hope”, que funciona 24 horas por dia. E se no mundo Macau ostenta o quarto maior Produto Interno Bruto (PIB) ‘per capita’ dentro de portas essa não é uma realidade palpável. A faceta da pobreza também existe mas raramente se mostra. - LUSA/HM
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EVENTOS
hoje macau domi
Casimiro Pinto já é uma voz habitual CASIMIRO PINTO COMPÔS “O SONHO DE MACAU” PARA OS 15 ANOS DA RAEM nos aniversários da transferência de soberania. Para os 15 anos da RAEM, juntou-se à Associação de Intercâmbio da Cultura e Arte depois no conjunto constrói ouvir o tema já me surgiram de Meng Meng e compôs uma o sonho de Macau. Introduzi algumas imagens na cabeça. balada que apela ao romantismo. algum romantismo na canção O videoclip poderia ter pespara não ser um tema muito soas diferentes, de diferentes A ideia é fazer um videoclip idades e classes sociais, com político”, explicou ao HM. um sorriso e um cartão. Nesse A canção serviu apenas de e gravar um álbum elemento para o espectáculo, cartão estaria o sonho da pes-
“Nota-se uma harmonia q
ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
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M 1999, Casimiro Pinto foi a voz escolhida para interpretar a canção sobre a transição de Macau para a China. Desde então, a cada cinco anos, o macaense, ex-candidato às eleições legislativas, tem vindo a dar o seu cunho para composições musicais sobre os aniversários da RAEM. No âmbito do 15º aniversário, Casimiro Pinto compôs a música “O sonho de Macau”, com a colaboração do músico
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português Ernesto Leite. Com letra apenas em mandarim, o projecto partiu do convite da Associação de Intercâmbio da Cultura e Arte de Meng Meng, para um espectáculo realizado no Centro Cultural de Macau (CCM) há cerca de um mês. “Apesar de ser um tema dedicado a um momento histórico e político de Macau, é também dedicado ao romantismo. É uma balada e a letra mostra que, mesmo sendo uma cidade pequena, Macau tem o seu sonho e tem o seu passado. Nós, gentes de Macau, temos o nosso sonho, que
ARLOS do Carmo celebra 75 anos hoje, domingo, e é homenageado no Cinema S. Jorge, em Lisboa, com a exibição do documentário “Um Homem no Mundo”, de Ivan Dias, que o definiu, à Lusa, como “um filme de amor”. “Neste filme, e só para os amigos, Carlos do Carmo revela-se, o que me permitiu, como realizador, poder mostrar este mundo que ele não pôde a mostrar ao grande público, e só mostrava aos amigos”, disse Ivan Dias. “É um filme de afectos, de amizades, quase lhe chamava um filme de Natal, porque é um filme da família, um filme de amor - eu diria que este é um filme de amor”, rematou o cineasta que realizou, entre outros, um documentário sobre o músico Joel Pina. O filme é apresentado no domingo, às 18:00, como obra ainda não concluída, na homenagem ao fadista, no Cinema S. Jorge, em Lisboa.
mas Casimiro Pinto já tem em mente a criação de um videoclip e gravação da música em português e outros idiomas. “Apesar de já ter passado o dia 20, este ano celebram-nos os 15 anos e estou a pensar na possibilidade de fazer um videoclip da música. Ao
soa”, explica o autor. A ideia já nasceu, mas a sua concretização ainda terá de esperar. “[O projecto] vai avançar mas não para já. Espero que o tema ainda seja promovido ou transmitido para as pessoas de Macau. Vou ver se consigo concretizar o projecto
“Hoje fala-se muito no sonho da China, penso que Macau também tem o seu sonho. Com todas essas mudanças, estamos à espera do melhor futuro e as pessoas têm expectativas diferentes”
DOCUMENTÁRIO SOBRE CARLOS DO CARMO É COMO “UM FILME DE AMOR”
75 anos, 17 beijos, muitos fados O realizador disse que “este era o momento mais brilhante, o momento de consagração” do cantor, pois “poucos artistas chegam aos 50 anos de carreira e também aos 50 anos de casamento com Judite”, de quem tem três filhos e vários netos.
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Para Ivan Dias, esta é uma questão “essencial” e afirmou que procurou “passar a ideia do afecto com que o Carlos vive com Judite e com os amigos”. “Quando estávamos a mostrar o filme”, Carlos contou “17 beijos que dá a Judite”. “Eu não contabilizei. Agora, de facto, é um ritual que ele cumpre sempre antes de entrar em placo, antes de fazer qualquer coisa importante: olha para ver onde está Judite, dá-lhe um beijo na boca e sobe ao palco”, contou Ivan Dias. Entre as descobertas deste filme, há uma gravação de “Carlos do Carmo aos 11 anos a cantar, com uma voz de cana rachada, baiões de Luiz Gonzaga, mas já com toda a ‘artistice’, e depois percebemos
como esse rapaz vai estudar para a Suíça, volta para Portugal, o pai morre, ele fica com a gestão da casa de fados [o Faia] nas mãos - casa que tinha a grande Lucília do Carmo à frente -, e é uma sucessão de coisas que lhe aconteceram, que, de certeza, ele não teria pensado, nem os pais tinham pensado para a vida dele. Ele é levado quase pelo ADN para cantar o fado”, disse o cineasta. A meio das filmagens surgiu a notícia do Grammy Latino de carreira, o que, para Ivan Dias, “de alguma maneira, ainda se tornou mais relevante”, o que o obrigou “a alterar a narrativa e incluir este prémio”. Carlos do Carmo, criador de êxitos como “Canoas do Tejo” e
“Os Putos”, disse à Lusa que Ivan Dias lhe quis oferecer este filme. “O Ivan quis oferecer-me este filme. Há ano e meio ele disse-me: ‘Vou fazer o filme da sua vida, andou atrás de mim, foi a Toronto, a Madrid, ao Brasil, e foi filmando, filmando e fazendo uma retrospectiva, e fez este documentário que é muito cheio de afectividade - o que ele tem sobretudo é afectividade”, disse o fadista, que referiu que o realizador “andou a bater de porta em porta”, para conseguir os necessários apoios financeiros. Embaixador da candidatura do fado a Património Imaterial da Humanidade, Carlos do Carmo realçou a importância deste tipo de documentários, que não foi possível fazer no passado. “É indispensável, para a memória do futuro, para as pessoas saberem quem nós éramos, ao que andávamos, como era o nosso feitio, e depois têm os discos para ouvir”, rematou.
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O HORIZONTE • Patrick Modiano Prémio Nobel da Literatura 2014 O Horizonte - um horizonte carregado de esperança que faz deste romance belíssimo uma obra peculiar dentro do universo hipnótico de Patrick Modiano. Jean Bosmans, um homem frágil perseguido pelo fantasma da mãe, recorda a sua juventude e as pessoas que entretanto perdeu. Sobretudo a enigmática Margaret Le Coz, a jovem mulher por quem se apaixonou nos já longínquos anos 60 e que um dia misteriosamente desapareceu. Quarenta anos depois, Bosmans parte à procura desse amor que a memória teimosamente conservou.
AS AVENIDAS PERIFÉRICAS • Patrick Modiano Prémio Nobel da Literatura 2014 Numa pequena aldeia ao lado da floresta de Fontainebleu, em plena Ocupação alemã, juntam-se ao fim de semana alguns personagens inquietantes. Entre eles, o pai do narrador.Quem é ele? Um traficante? Um judeu acossado? Que faz ele no meio de tal gente? Até ao fim, o narrador perseguirá, com ternura, esse pai fantasmático.
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que não é slogan” do videoclip, que será simples, mas com grande significado para as pessoas que pertencem a esta terra”, contou. O objectivo está longe de ser o lucro, mas sim assinalar a passagem dos 15 anos da RAEM. “Vamos ver se conseguimos apoios ou subsídios. Seria giro termos um álbum com a música interpretada em línguas diferentes, com o videoclip lá dentro, para depois ser distribuído. Não seria um tema para vender e fazer dinheiro. Queríamos que fosse uma espécie de lembrança”, concluiu.
ENCONTRO CULTURAL
Para este trabalho Casimiro Pinto trabalhou com o músico português Ernesto Leite, que realizou os arranjos e a produção final do tema. Apesar da transferência de soberania
ter um significado político, o intérprete garante que a letra transmite outro significado: não só os sonhos de quem aqui vive, mas o facto da sociedade estar em paz com as suas diferenças. O facto de ser uma balada e da composição evidenciar um estilo pop romântico é talvez a maior diferença desta música em relação aos anteriores trabalhos que já realizou, garantiu Casimiro Pinto. “Hoje fala-se muito no sonho da China, penso que Macau também tem o seu sonho. Com todas essas mudanças, estamos à espera do melhor futuro e as pessoas têm expectativas diferentes. Nota-se uma harmonia que não é um slogan, vemos pessoas no templo e na igreja, com costumes diferentes, mas vivemos de forma pacífica”, concluiu.
FESTAS DOCA DOS PESCADORES LANÇA PROGRAMAS DE INVERNO
Para relembrar o Natal A
Doca dos Pescadores lança agora uma série de programas de entretenimento para a época festiva em que já se vive e do frio invernal. “Countdown fever 2015” é apontada como a festa de reveillon a não perder e que acontece, naturalmente, de 31 deste mês para o primeiro dia do ano. Além disso, haverá ainda a iniciativa “Raspa e ganha”, na qual serão providenciados prémios vários, em lojas e restaurantes do local. O show de neve de Natal tem lugar nos dias 24 e 25 de Dezembro, das 19 às 22 horas, no Arco de Constantino e na Avenida Legend. Já a oferta Santarina acontece entre os próximos dias 24 e 25, das 18.30 às 22.30 horas. Os banquetes gastronómicos festivos custam entre 488 e 388 patacas por pessoas, com preços mais em conta para crianças. A noite de passagem de ano dá direito a dois jantares, um das 18.30
às 21 horas e outro denominado de “jantar de contagem decrescente”, que dura das 21.30 às 00.30 horas. A Doca dos Pescadores oferece ainda um lanche de Ano Novo que acontece no primeiro dia do ano e custa 188 patacas para uma refeição das 15 às 18 horas.
NOITES ANIMADAS
O restaurante Vic’s, no mesmo espaço de entretenimento, oferece a refeição para as três noites mais emblemáticas do final de ano, a véspera de Natal e o próprio dia, bem como o jantar de Ano Novo. “A Doca dos Pescadores oferece a melhor gastronomia internacional. As cozinhas japonesa, europeia, americana e até africana satisfazem as papilas gustativas” dos seus clientes, garante a organização deste programa de Inverno, em comunicado. O Vic’s encontra-se no rés-do-chão do Hotel Rocks.
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CHINA
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PERCEPÇÃO DOS INVESTIDORES CHINESES SOBRE PORTUGAL “TEM VINDO A MELHORAR”
É comprar, senhores, é comprar U M administrador da Agência para a Promoção do Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) manifestou-se “optimista” acerca das relações económicas luso-chinesas, salientando que a percepção dos investidores chineses sobre o país “tem vindo a melhorar”. “Há uma onda de optimismo em relação à economia portuguesa, o que é um activo muito bom em relação a todos os processos de privatização”, disse Pedro Ortigão Correia à agência Lusa, no final de um seminário sobre oportunidades de investimento nas áreas da Logística e Transportes, realizado na sexta-feira em Xangai. Foi a primeira acção do género promovida pela AICEP e reuniu cerca de setenta participantes. Entre outras “oportunidades”, o responsável português mencionou o porto de Sines e a privatização da TAP, dossiers em que “já houve manifestações de interesse por parte de investidores chineses”.
“Falámos também de transportes de carga (nos caminhos de ferro) e da abertura de concessões em pequenos portos”, referiu. “É importante assegurar um encaixe financeiro considerável para o Estado, mas numa lógica de
parceria estável de longo prazo”, acrescentou. “Os investidores chineses são muito meticulosos e na área financeira têm pessoas muito competentes”, disse Ortigão Correia. O administrador da AICEP
XANGAI PORTUGAL ASSEGURA “MELHOR ACESSO”
Porto mais franco P ORTUGAL assinou, na sexta-feira, em Xangai dois acordos de cooperação com entidades locais de logística e transportes para “melhorar o acesso” de produtos portugueses ao maior porto da China. “O objectivo é facilitar a vida dos nossos exportadores para a China, nomeadamente no sector agro-alimentar”, disse à agência Lusa o administrador da AICEP (Agência para a Promoção do Investimento e Comércio Externo de Portugal), Pedro Ortigão Correia, que subscreveu os referidos acordos. Sede de um município com cerca de 25 milhões de habitantes, Xangai é considerada a “capital económica da China” e uma das cidades mais cosmopolitas do país, juntamente com Hong Kong. Os co-signatários dos dois acordos assinados pela AICEP foram o Centro de Logística de Transportes
Marítimos do Porto de Xangai e a Associação de Transportes Marítimos Internacionais de Xangai. Durante a sua deslocação a Xangai, o responsável da AICEP contactou também com um “grande importador e distribuidor chinês de produtos agro-alimentares” estabelecido na nova Zona de Comércio Livre da cidade. A partir de 2015, numa parceria que envolve a Sonae e a Portugal Foods, haverá naquela Zona de
Comércio Livre uma “Loja de Portugal”, onde estarão expostos em permanência produtos portugueses, anunciou Ortigão Correia. “Em todas as nossas conversas (com empresários ou entidades chinesas) procuramos posicionar Portugal como um país produtores de artigos ‘gourmet’ de grande qualidade”, disse o administrador da AICEP. Vinhos, azeites, conservas, bolachas, sumos, chocolates, cafés e águas são alguns dos produtos agro-alimentares portugueses já à venda na China, e já há mais de trinta empresas portuguesas certificadas para exportar laticínios para aquele país. Em 2013, as vendas de produtos agro-alimentares portugueses para a China continental subiram para 29 milhões de euros, 14,4 milhões dos quais referentes aos vinhos, que aumentaram sete vezes em apenas quatro anos, estima a AICEP.
destacou o caso do Fosun, um dos maiores grupos privados chineses, sedeado em Xangai, que comprou as seguradoras da Caixa Geral de Depósitos por 1.000 milhões de euros e a Espírito Santo Saúde por 480 milhões de euros.
“Portugal tem excelentes activos nestas duas áreas (seguros e saúde) e é com muito agrado que vemos um grupo tão arrojado como o Fosun escolher Portugal como uma das suas pontas de lança internacionais”, afirmou Ortigão Correia. Sede de um município com cerca de 25 milhões de habitantes, Xangai é considerada “a capital económica da China” e uma das mais cosmopolitas chinesas, juntamente com Hong Kong. O grupo Haitong, que este mês chegou a acordo com o Novo Banco para comprar o BESI (Banco Espírito Santo Investimento) por 379 milhões de euros, está também sedeado em Xangai. Durante a sua deslocação a Xangai, Ortigão Correia assinou dois acordos de cooperação com entidades locais para “melhorar o acesso” de produtos portugueses ao maior porto da China. “Estou muito esperançado que este ano seja um ano muito bom para as exportações portuguesas para a China”, disse. Pelas contas da Administração-geral das Alfândegas Chinesas, nos primeiros nove meses de 2014, as exportações portuguesas cresceram 27% em relação a igual período do ano passado, somando 1,28 mil milhões de dólares (cerca de mil milhões de euros).
HK EX-N.º2 DO GOVERNO CULPADO DE CORRUPÇÃO
Chapéus há muitos O antigo número dois do Governo de Hong Kong Rafael Hui foi, na sexta-feira, declarado culpado por aceitar milhares de dólares de subornos no maior caso de corrupção da região administrativa especial chinesa. Apesar de ter sido declarado culpado, ainda se desconhece a pena que vai ser aplicada a Rafael Hui, ex-secretário-geral do Governo de Hong Kong.
O julgamento de Hui e dos irmãos Thomas e Raymond Kwok, empresários com uma das maiores fortunas da Ásia, acusados de suborno e conspiração prolonga-se há mais de três meses. O júri, formado por nove elementos, considerou que Hui é culpado em atos de corrupção e má gestão do cargo público. Thomas Kwok foi declarado culpado de corrupção por ter oferecido um milhão
de dólares a Hui que, em troca, lhe garantiu uma posição favorável à empresa imobiliária Sun Hung Kai, apesar de o irmão ter sido absolvido. O gabinete anticorrupção de Hong Kong formalizou a acusação no dia 08 de maio através de um comunicado em que detalhava os delitos que foram cometidos entre Junho de 2000 e Janeiro de 2009, altura em que Hui ocupava o posto no executivo da região administrativa especial. De acordo com o gabinete anticorrupção, os Kwok deram elevadas somas de dinheiro a Hui a troco de favores que beneficiaram o grupo das empresas dos dois irmãos. Os irmãos Kowk são proprietários e directores da segunda maior agência imobiliária de Hong Kong e detêm a segunda maior fortuna da Ásia com um património estimado em mais de 18 mil milhões de dólares, de acordo com a revista Forbes.
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IMPRENSA CHINESA QUALIFICA FILME QUE IRRITOU COREIA DO NORTE
“Arrogância cultural absurda” A edição de ontem do jornal chinês Global Times qualifica de “arrogância cultural absurda” o filme norte-americano “The Interview”, da Sony, cuja estreia foi cancelada após um ataque informático imputado à Coreia do Norte. Protagonizada pelos atores Seth Rogen e James Franco, a longa-metragem conta a história de dois jornalistas recrutados pela CIA para assassinarem o líder da Coreia do Norte. O filme ‘The Interview, “que faz troça do líder de um inimigo dos Estados Unidos, não é algo de que Hollywood e a sociedade norte-americana se possam orgulhar”, diz um editorial do Global Times, publicação em inglês do grupo Diário do Povo, o órgão central do Partido Comunista chinês. O comentário surge depois de, na sexta-feira, o Presidente norte-americano, Barack Obama, ter garantido que Washington “responderá de forma proporcionada” à Coreia do Norte, na sequência da alegada responsabilidade de Pyongyang num ataque informático aos estúdios de cinema Sony Pictures. “Os norte-americanos acreditam sempre que podem ‘picar’
os líderes de outros países só porque são livres de criticar ou de gozar com os seus próprios”, refere o jornal.
“Independentemente da forma como a sociedade norte-americana olha para a Coreia do Norte e para Kim Jong-un,
PYONGYANG CANCEL A IDA AO CONSELHO DE SEGURANÇA
Kim é ainda líder do país. A troça viciosa de Kim é apenas resultado de uma arrogância cultural absurda”, diz o Global Times no mesmo artigo de opinião. A Sony cancelou o lançamento face às ameaças de piratas informáticos anónimos, alegadamente ligados à Coreia do Norte, que invocaram os atentados de 11 de Setembro de 2001 como forma de ameaça às salas de cinemas que exibissem o filme. O Global Times lançou ainda um apelo aos Estados Unidos para que “mostre boas maneiras em vez de ser demasiado agressivo”. A China figura como o aliado mais próximo e maior parceiro comercial da Coreia do Norte, apesar de se ter verificado, nos últimos anos, um clima tenso nas relações entre Pequim e Pyongyang devido aos contínuos testes nucleares levados a cabo pela Coreia do Norte. Pequim teceu críticas, na sexta-feira, o apelo lançado pelas Nações Unidas para que a Coreia do Norte seja julgada pelo Tribunal Penal Internacional devido ao historial de violações aos direitos humanos.
A Coreia do Norte anunciou nesta sexta-feira que não assistirá à reunião do Conselho de Segurança da ONU na próxima segunda-feira, na qual os 15 membros desse organismo vão discutir a situação de direitos humanos no país de Kim Jong-Un. Na segunda, 22 de Dezembro, os 15 membros do Conselho de Segurança terão sua primeira reunião dedicada especificamente à situação dos direitos humanos na Coreia do Norte, apesar das objecções da China - principal aliado de Pyongyang - e da Rússia. “Não podemos reconhecer a reunião do Conselho de Segurança. Seu mandato não é direitos humanos”, alegou o conselheiro político da missão norte-coreana na ONU, Kim Song. “Não participaremos”, disse à AFP. De acordo com os procedimentos da ONU, a Coreia do Norte pode enviar um representante à reunião do Conselho. Os diplomatas da ONU haviam dito que esperavam uma discussão cara a cara com o enviado de Pyongyang. A reunião da semana que vem será realizada alguns dias depois de a ONU ter adoptado uma resolução, na quinta-feira, na qual se pede ao Conselho de Segurança que se envie o caso da Coreia do Norte ao Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade. Dez dos 15 membros do Conselho de Segurança haviam exigido essa reunião, enquanto Rússia e China se opuseram. Agora, cabe ao Conselho de Segurança da ONU, do qual a China é membro, decidir sobre o envio da questão ao TPI, instituição competente em matéria de crimes de guerra e crimes contra a humanidade. A expectativa é de que a proposta receba um veto chinês. A resolução adoptada na quinta-feira pela Assembleia Geral da ONU também pede ao Conselho de Segurança que estude sanções contra os dirigentes norte-coreanos.
CHINA DETÉM CRISTÃO DOS EUA NA FRONTEIRA NORTE-COREANA
Mártir moderno em prisão antiga A
China deteve um trabalhador humanitário norte-americano cristão junto à sua fronteira com a Coreia do Norte, disse ontem o seu advogado, numa altura em que as autoridades intensificam uma aparente repressão de grupos religiosos na região. Peter Hahn, de 74 anos, nascido na Coreia do Norte e naturalizado norte-americano, foi detido na sexta-feira, acusado de fraude e de falsificação de recibos, informou o seu advogado, Zhang Peihong. Radicado na cidade fronteiriça de Tumen desde o final da década de 1990, Peter Hahn fundou uma organização não-governamental cristã que presta assistência à Coreia do Norte e ajuda aos refugiados. Em 2002, criou uma escola vocacional para jovens locais. Muitos grupos de natureza cristã, a maioria dirigida por
sul-coreanos, são activos ao longo da fronteira. No entanto, vêm-se forçados a operar na sombra, uma vez que a China proíbe missionários
estrangeiros e promete prender refugiados que escapem à perseguição do repressivo regime da Coreia do Norte. Fonte citada pela agência
AFP, que falou sob a condição de anonimato, afirmou que vários trabalhadores estrangeiros associados à organização de caridade de Hahn foram deportados nos últimos meses. As autoridades congelaram as contas bancárias de Hahn no verão e impediram-no de deixar a China, segundo ‘media’ chineses. Peter Hahn, que afirma ser inocente, deverá ser levado a julgamento no prazo de três meses, de acordo com o advogado. A pena máxima que enfrenta pelos dois crimes é de 12 anos de prisão. O caso surge meses depois de as autoridades chinesas terem avançado com acusações de espionagem contra um casal canadiano, que também vivia perto da fronteira com a Coreia do Norte, que facultava ajuda aos cristãos que fugiam do país.
Condenado à morte por dois homicídios na Cidade Proibida
Um ex-funcionário da Cidade Proibida foi condenado à morte por um tribunal de Pequim depois de ser considerado culpado pelo homicídio de dois colegas de trabalho, informou a agência oficial chinesa Xinhua. Zheng Zhibiao, um designer de exposições, esfaqueou dois superiores do departamento de exposições da Cidade Proibida, a 25 de Outubro de 2013, devido a um conflito laboral, de acordo com a sentença. Decretada por um tribunal de Pequim, a sentença também o condena ao pagamento de 30.000 yuans às famílias das vítimas. Zheng Zhibiao alegou, durante o julgamento, que o desentendimento com os seus superiores se ficou a dever às suas queixas pela escassa segurança dos objectos em exposição pertencentes à colecção imperial. Após as mortes, tentou suicidar-se, mas foi travado pelos médicos que se deslocaram para a zona para socorrer as vítimas.
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hojemacau no facebook
a caminho dos 5500 amigos
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a revolta do emir
F
Pedro Lystmann
ELIZMENTE não há muitas pessoas que escrevam assim porque gosto de saber que esta escrita é só a escrita de Clarice. É um conforto e uma distinção pensar que é apenas quando ela nos convida a frequentar a sua sala que nos podemos espreguiçar deste modo e deixar-nos ensinar (e humilhar) por alguém sensível, sem temores que não sejam os de nos sentirmos um pouco, por vezes, convidados apenas por condescendência. Felizmente, já deixei de ter medo de pessoas assim, com esta escrita à frente daquilo que elas são lá dentro, mesmo que Lispector me faça sentir virgem e desprotegido. O que me resta, que é um pouco de vergonha, já não me impede de usar as suas frases para me sentir melhor e de fazer o que me apetece com a sua escrita. É isso que geralmente faço, uso as suas frases e parágrafos, às vezes longos e densos como um matagal, tal como uso as de Agustina Bessa-Luís, para passar melhor um pouco da tarde ou da noite e para recolher, pouco convencido, a impressão de que posso vir a fazer alguma coisa de útil pelos outros. Se Clarice Lispector não estivesse morta há trinta anos escrevia-lhe a agradecer os bons momentos. Assim já não vale a pena e a ela tanto lhe faz. António Mega Ferreira dedicou uma crónica a Clarice Lispector*. Curta, centra-se em duas alíneas - a particularidade da sua escrita e (d)a sua beleza física. Não leva muito tempo a Mega Ferreira (isto acontece logo no primeiro parágrafo, sem rodeios) a referir-se aos olhos de Clarice, através de uma citação de Manuel Bandeira: “Olhos de piscina”. Os olhos de piscina são, para Mega Ferreira, “o retrato do mistério”. O seu rosto é, assim, também particular e a sua origem ucraniana e judaica imposta igualmente como condição de mistério. A sua beleza é estrangeira, acusação que se estende à sua prosa. Logo a seguir vem o mistério e a singularidade da sua escrita “que esconde mais do que revela”. Cita-se um poeta que diz que “Clarice Lispector era uma estrangeira” e depois vai-se por aí adiante. A prosa de Lispector é vista como uma “reinvenção” de si própria, um exercício necessário relacionado com a sua origem misteriosa, judaica e longínqua. Assim, a sua língua não é apenas o português do Brasil mas o português que Clarice teve de inventar para se proteger. Mega Ferreira não resiste, depois do parágrafo sobre a prosa, a voltar à bele-
CLARICE za da prosadora brasileira. Não o posso censurar. Este desejo esconde-se, mais adolescente que indecentemente, por trás da referência a uma fotobiografia da escritora estrangeira, organizada por Nádia Batella Gotlieb (2009), a que o cronista tivera acesso. O que é misterioso na sua escrita é o modo como ela nos incomoda sem nos surpreender. O que é misterioso na sua escrita é que esta não deveria ser familiar mas é-o, terrivelmente junta a nós, como acontece tantas vezes com perdoem-me a repetição - a escrita de Agustina Bessa-Luís, uma escrita que nos rouba porque não deveria revelar
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ARTES, LETRAS E IDEIAS
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de modo tão claro e tão brutal os nossos desejos e a nossa incompreensão em relação a certas coisas. Apetece ser simples e não ler para não termos de nos sujeitar a humilhações. O que é menos misterioso mas útil lembrar é que parte do seu encanto é de natureza técnica, a peculiaridade da sua sintaxe, uma maneira própria de insistir a que nos habituamos e de que nos tornamos cada vez mais sequiosos. Dou por mim a procurar certas frases, seguro, por intoxicação, de que elas se encontram algures, certo de que virão mais cedo ou mais tarde, quase crítico quando estas tardam a aparecer. A es-
crita de Clarice, a dada altura, tornase um vício, deixa-se tornar mais necessária que desejada. O seu abandono concluir-se-ia, no entanto, numa capitulação demasiado fácil, e ceder a essa tentação viria acompanhada da admissão de uma derrota. Isso não acontece nunca porque compreensiva, cheia de razão, insuportavelmente feminina, os seus livros resgatam-nos antes que tal aconteça. O que eu não gosto em Clarice é aquilo que eu vou buscar aos seus livros, uma vontade de que me digam o que fazer e de dormir em lençóis lavados de fresco. Prometo que daqui a 10 anos escrevo um texto melhor sobre Clarice Lispector. * Lida em António Mega Ferreira, Papéis de Jornal, Crónicas 2003-2010
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DESPORTO
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BENFICA UM MAR DE LESÕES E INCÓGNITAS
Natal complicado para Jesus LISTA DE LESIONADOS DO BENFICA • LUISÃO - Não entra nas contas para os duelos com Gil Vicente (Liga) e Nacional (Taça da Liga). Com uma entorse no tornozelo direito, só regressa no início de 2015. Eliseu - De fora desde o final de Outubro, o lateral-
Benfica Eliminações reduzem o calendário
O Benfica vai disputar pelo menos oito jogos oficiais comparativamente com a época passada, na qual se sagrou campeão nacional. Na época do título, Jorge Jesus comandou a equipa em 57 jogos, repartidos por 30 na I Liga, sete na Taça de Portugal, cinco na Taça da Liga, seis na Liga dos Campeões e mais nove na Liga Europa. Com a saída do clube das provas europeias e da Taça de Portugal, o máximo que o Benfica pode aspirar a disputar, esta época, são 49 jogos, desde que seja um dos finalistas da Taça da Liga. E recorde-se que, nesta época, os encarnados até tinham possibilidade de realizar mais cinco partidas em relação ao ano passado, uma vez que disputaram a Supertaça e o campeonato passou de 16 para 18 equipas, provocando um incremento de quatro confrontos por temporada.
esquerdo continua a recuperar de uma fractura no quinto metatarso (dedo mindinho) do pé esquerdo e também só estará apto no próximo ano. • ANDRÉ ALMEIDA - O internacional português não está lesionado, mas vai falhar o jogo com o Gil Vicente devido a castigo (cumpriu série de cinco cartões amarelos na Liga). • FEJSA - Ainda recupera da operação ao ligamento
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S lesões sucessivas têm obrigado Jorge Jesus e os dirigentes encarnados a alterar algumas estratégias. Por exemplo, além de dar espaço a Ola John, a lesão contraída por Salvio no braço esquerdo, no clássico frente ao FC Porto, poderá também fazer com que a SAD benfiquista recue na intenção de negociar o empréstimo de Bebé já na reabertura do mercado, em Janeiro. Sem El Toto, ausente dos relvados até meados de Fevereiro, Jorge Jesus tem Ola John e Gaitán como principais opções para as alas – a dupla já esteve em acção na partida da última quinta-feira diante do Sp. Braga, a contar para a Taça de Portugal. Bebé, que sob o comando
cruzado anterior do joelho direito. Já se treina no relvado,
do técnico tem jogado sempre encostado às linhas, poderá, desta forma, ganhar espaço nos eleitos do Benfica. Ele que, até ao momento, esteve presente em apenas cinco compromissos oficiais dos encarnados e tinha já como praticamente adquirida a saída no próximo mês. Recorde-se que no plantel, além de Bebé, Jorge Jesus tem ainda mais três jogadores capacitados para actuar nas alas. Pizzi, que tem jogado como médio-centro, é extremo de origem; Miralem Sulejmani está recuperado de um estiramento no adutor direito e já se treina no relvado; GonçaloGuedes tem estado ao serviço da equipa B mas já vestiu a camisola principal do Benfica frente ao Sp. Covilhã, na Taça de Portugal.
mas sem regresso previsto à competição. • RUBEN AMORIM - Ausente desde a partida com o Boavista, em Agosto, continua a debelar a lesão no ligamento cruzado anterior do joelho direito. Só volta em 2015. • SAMARIS - Falhou a receção ao Sp. Braga devido a fadiga muscular. JJ vai tentar recuperar um jogador que está em risco de exclusão na Liga. • ENZO PÉREZ - O camisola 35 falha o jogo com o Gil Vicente por castigo. A contas com problemas musculares, está a um passo de sair rumo ao Valencia. • SALVIO - O extremo voltou a ser operado ao braço esquerdo (já o tinha fracturado no final da última época) e só regressa aos relvados dentro de dois meses.
VOLEIBOL BENFICA VENCE E PRESSIONA BASTARDO
Vitória sem rede O
Benfica venceu o Caldas, pela margem máxima, e saltou para a liderança do campeonato, aproveitando o facto de a Fonte de Bastardo só jogar hoje, em Matosinhos, com o Leixões. José Jardim tinha pedido uma vitória pela margem máxima (3-0) para manter a perseguição cerrada aos açorianos, que lideravam com mais um ponto do que os encarnados. E, com uma exibição de raça, os jogadores cumpriram. Com Hugo Gaspar e André Reis a descansarem, depois do compromisso europeu de quarta-feira, em que garantiram o passaporte para os oitavos-de-final da
Challenge Cup, onde vão defrontar precisamente a Fonte do Bastardo, Roberto Reis, Kibinho e Joan Diaz deram conta do recado. O primeiro set foi mesmo o mais discutido, com o Caldas a fazer 20 pontos, mas em que a equipa de José Jardim liderou sempre com algum conforto. Com um serviço pressionante e um bloco amuralhado (Kibinho esteve em destaque, com 40 por cento dos seus pontos nesta acção), o Benfica vergou a equipa do Oeste e hoje dormem no primeiro lugar, enquanto esperem que o Bastardo tropece no Leixões. Depois de um início mais musculado, os restantes sets foram mais tranquilos para os da casa.
Sporting Marco Silva vai receber “13 reforços”
Bruno de Carvalho falou esta sexta-feira à imprensa, tendo no fim anunciado, um por um, o nome dos reforços de inverno do Sporting. «Temos orgulho de ter conseguido manter o plantel que ficou no segundo lugar, ao qual juntámos elementos de clara valia como é o caso de Nani. Muitos sportinguistas questionamse agora quais são os reforços de inverno que vamos trazer», disse. «Não tenho qualquer prurido em dizer quais são os reforços que o nosso treinador terá à sua disposição.» Bruno de Carvalho fez então um pausa antes de anunciar os nomes. «Podence, Gelson, Francisco Geraldes, Iuri Medeiros, Tobias Figueiredo, Chaby, Wallyson, Dramé, Slavchev, Ryan Gauld, Rabia, Sacko, André Geraldes e tantos outros.» Ou seja, gente da equipa B...
Hazard escolhe o seu onze de lendas
Eden Hazard, do Chelsea, elegeu o seu onze ideal de lendas do futebol, durante um evento publicitário. Luís Figo, antigo internacional português, está entre as escolhas do jogador belga. «Os seus passes eram excepcionais, fazia o seu clube feliz», apontou o médio. O onze conta ainda com Schmeichel, Cannavaro, Desailly, Blanc, Roberto Carlos, Vieira, Nedved, Pires, Bergkamp e Kluivert. Hazard destaca, por exemplo, a «classe» de Blanc e Bergkamp e os ensinamentos que recebeu de Kluivert, no ano em que jogaram juntos no Lille.
Pinto da Costa inaugura academia de bilhar
O presidente do FC Porto Pinto da Costa marcará presença na inauguração da academia de bilhar do clube no Estádio do Dragão, hoje, segunda-feira, às 12h30. A academia, que antes funcionava na Avenida dos Aliados, no Porto, muda para o estádio dos azuis e brancos e passa a ser sede para a Dragon Force . O expoente máximo da modalidade, tal como revelou Alípio Jorge, , vice-presidente e responsável pela secção de bilhar do FC Porto, na antevisão da Taça do Mundo de Bilhar, é João Ferreira, “mas já muitos jovens que poderão vir a ser os melhores de Portugal e até os melhores do mundo. O FC Porto provou que a força do bilhar está nos jovens”.
( F ) UTILIDADES
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TEMPO
POUCO
NUBLADO
Cineteatro
CINEMA
MIN
12
MAX
19
HUM
40-75%
•
EURO
9.8
BAHT
0.2
THE SMURFS AO VIVO EM PALCO – “THE SMURFS SAVE THE SPRING” Venetian, 15h45 e 19h45 Bilhetes das 88 às 300 patacas
Com: Eddie Redmayne, Felicity Jones, Emily Watson, Charlie Cox 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
Um filme de: Ridley Scott Com: Christian Bale, Joel Edgerton, Sigourney Weaver 14.30, 21.00
• Diariamente
SALA 3
EXODUS: GODS AND KINGS [3D] [C]
THE BEST OF ME [B]
Um filme de: Ridley Scott Com: Christian Bale, Joel Edgerton, Sigourney Weaver 18.00
Um filme de: Michael Hoffman Com: Michelle Monaghan, James Marsden, Luke Bracey 14.30, 21.30
SALA 2
BIG HERO 6 [B]
THE THEORY OF EVERYTHING [B]
COTAI WINTER (PISTA DE GELO E ACTIVIDADES) Venetian Lagoon, Cotai Entrada livre
Um filme de: Don Hall, Chris Williams 16.45, 19.30
Um filme de: James Marsh
1.3
O QUE FAZER ESTA SEMANA
THE THEORY OF EVERYTHING EXODUS: GODS AND KINGS [C]
?
YUAN
• Hoje SALA 1
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EXPOSIÇÃO DE SÂNDALO VERMELHO (ATÉ 22/03) MGM Resort Entrada livre EXPOSIÇÃO DE PINTURA “113º 55’ E 21’ 11’N”, DE SOFIA AREAL (ATÉ 12/01) Casa Garden Entrada livre
ACONTECEU HOJE
20 DE DEZEMBRO
EXPOSIÇÃO “BEYOND PIXELS” DE VICTOR MARREIROS (ATÉ DIA 31/12) Signum Living Store, Rua Almirante Sérgio Entrada livre
Morre Bocage, poeta de uma vida de aventuras e desertor para Macau • “Já Bocage não sou”. A 21 de Dezembro, o poeta apaixonado e sofredor, mais devoto do furor do que da ternura, morre no Bairro Alto, vítima de um aneurisma. À cova escura, seu estro foi parar desfeito em vento, mas as memórias de Bocage perduram. “Magro, de olhos azuis, carão moreno; Bem servido de pés, meão na altura; Triste de facha, o mesmo de figura, Nariz alto no meio, e não pequeno; Incapaz de assistir num só terreno; Mais propenso ao furor do que à ternura; Bebendo em níveas mãos, por taça escura, De zelos infernais letal veneno; Devoto incensador de mil deidades (Digo, de moças mil) num só momento; E somente no altar amando os frades, Eis Bocage, em quem luz algum talento; Saíram dele mesmo estas verdades; Num dia em que se achou mais pachorrento”. Nada melhor do que um soneto de Bocaje, em auto-retrato, para resumir o talento do poeta e as características do homem, nascido em Setúbal, a 15 de Setembro de 1765. É filho de um poeta e sobrinho da célebre poetisa francesa, Anne-Marie Le Page du Bocage. Teve uma infância infeliz, sobretudo em resultado da detenção do seu pai (durante seis anos) e da morte da sua mãe, poucos anos depois. Sofreu de amores na sua juventude, por uma paixão não correspondida, e fez carreira na Marinha. No entanto, Bocage desertou, numa altura em que a sua fama de poeta já corria por Lisboa. Viajou pelas Índias, onde retomou a formação de oficial da Marinha, mas voltou a desertar - para Macau. Foi preso pela Inquisição e na cadeia traduz obras de poetas franceses e latinos. A década seguinte é a da sua maior produção literária e também o período de maior boémia e vida de aventuras. Esteve novamente preso, em Lisboa, e sai em liberdade a 31 de Dezembro de 1798. A partir de 1801, viveu em casa arrendada no Bairro Alto. Morre aos 40 anos, vítima de um aneurisma, a 21 de Dezembro de 1905. Antes, escreve as palavras de uma despedida amarga, cujo excerto se recorda: “Já Bocage não sou!…; À cova escura; Meu estro vai parar desfeito em vento…; Eu aos céus ultrajei! O meu tormento; Leve me torne sempre a terra dura” (…).
João Corvo
EXPOSIÇÃO PÁSSAROS DE MACAU, DE JOÃO MONTEIRO (ATÉ DIA 29/12) Consulado-geral de Portugal em Macau Entrada livre EXPOSIÇÃO “REGIÃO OBSCURA” DE HEIDI LAU Museu de Arte de Macau Entrada livre
H O J E H Á F I L M E “O GANG DOS TUBARÕES” (DREAMWORKS, 2004) E porque é Natal, escolho um filme de animação, ideal para miúdos e adultos. “O Gang dos Tubarões” junta o que de melhor se costumava fazer na era da animação e o típico humor dedicado aos mais velhos. Já feito a computador, modernizando o que anteriormente se entendia como desenhos animados, “O Gang dos Tubarões” conta a história do jovem Óscar que se torna o herói do oceano, depois de convencer a comunidade que matou o filho de um líder da máfia dos tubarões. Mas, Óscar não está sozinho quando, a ele, se junta o irmão e filho mais novo de Don Lino. Lenny – um tubarão vegetariano que quer tudo menos ser mafioso – deveria seguir as pisadas do pai, mas valores mais altos se levantam... - Joana Freitas
fonte da inveja
O Natal transformou um ritual em compras.
EXPOSIÇÃO DE PINTURA “KOREAN ART”, COM OH YOUNG SOOK E KIM YEON OK (ATÉ 15/02) Galeria Iao Hin Entrada livre EXPOSIÇÃO “RETRATOS DE YU CHANG” Albergue SCM Entrada livre ALDEIA DO PAI NATAL (ATÉ 26/12) Crystal Lobby do Galaxy Macau, 11h30 às 21h00 Bilhetes a 80 patacas EXPOSIÇÃO DE FLORES DE “BOCAS-DE-LEÃO” (ATÉ DIA 04/01) Casas-Museu da Taipa Entrada livre PROJECÇÃO MAPPING 3D (ATÉ DIA 31/12) • “Passado”: Museu das Ofertas sobre a Transferência de Soberania de Macau • “Presente”: Igreja de Nossa Senhora do Carmo, Taipa • “Futuro”: Igreja de São Francisco Xavier, Coloane Das 20h30 às 22h30 Entrada livre
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OPINIÃO
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JOSÉ PACHECO PEREIRA In Públicxo
“Só vejo aldrabões à nossa volta” 15 milhões? A informação que temos é que há uma parte que não é para eles. Não sei se é ou não é. Como hoje em dia só vejo aldrabões à nossa volta... Os tipos garantem que há uma parte que teve de ser entregue a alguém em determinado dia.” Sim, os distintos membros do conselho superior do GES, tinham todo o “direito de perguntar” como é que “aqueles três tipos” receberam o que receberam, como nós temos todo o direito de perguntar como é que, com o arquivamento da investigação judicial, todos ficaram impunes dos seus crimes, porque estes “prescreveram”. Mas, mesmo que não seja possível perseguir na Justiça esses crimes, que estão escritos a néon nos céus de Portugal na frase de Ricardo Salgado, será que não é possível outro tipo de sanções? Não é preciso ir mais longe do que ler o despacho de arquivamento do Ministério Público, para que se compreenda que em termos de responsabilidade, em particular de responsabilidade política, as investigações apontaram para ilegalidades, mesmo que precisem que a “prática de ilegalidade não tem, necessariamente, de configurar a prática de crime”. Muito bem, deixemos de falar em crime, passemos a falar de responsabilidades, porque, se o crime já não pode ser perseguido, pelo menos podemos exigir que um governo e políticos decentes exijam uma sanção pelas responsabilidades, por aquilo que custou muitos milhões aos portugueses. Aliás, se há matéria que, se os portugueses conhecessem em detalhe, ainda endureceriam muito mais a sua crítica aos desmandos do poder, é a longa saga das compras de material militar e das chamadas “contrapartidas”, um dos negócios mais
fraudulentos das últimas décadas. Juntem-no, se fazem favor, às PPP, porque são da mesma natureza: contratos leoninos, com cláusulas ficcionais, que estavam lá para aumentar o preço a pagar pelo Estado por aquilo que comprava e que ninguém contava vir a cumprir. A coisa era tão escandalosa e o terreno tão pantanoso que mesmo os distintos membros do conselho superior do GES são aconselhados por Ricardo Salgado a não se meterem nestes negócios, “porque eles estavam-se a preparar para fazer o mesmo com carros blindados”. E na sala ouviu-se “e em metralhadoras e fragatas”. Quem conheça as encomendas previstas de material militar da última década, sabe muito bem do que eles estavam a falar. Um antigo primeiro-ministro socialista está preso a aguardar acusação, vários altos responsáveis da actual administração pública estão presos, espera-se eternamente pelo julgamento do caso BPN, um antigo líder parlamentar do PSD está condenado a uma longa pena de cadeia, esperando recurso, vários processos e investigações estão em curso, envolvendo dirigentes do PS e PSD, uns antigos, outros ainda detendo considerável poder actual. Sobre este pressuposto novo clima da Justiça, a ministra da Justiça disse que “o tempo da impunidade acabou”. Não é verdade, se formos mais longe e abandonarmos a cómoda e hipócrita afirmação de Pina Moura de que a “ética republicana é a lei”. Não, a “ética republicana”, se é que isso existe, é mais do que a lei – é a condução dos negócios públicos com sentido de probidade e uma necessária exigência de responsa-
“DUCK SOUP”, DE LEO MCCARREY
A
frase foi dita por Ricardo Salgado numa reunião “familiar” para distribuir os despojos do negócio dos submarinos. A audição das gravações dessa reunião, que a TVI tornou possível, apesar da ameaça de processos, permitiu-nos ouvir os representantes dos diferentes clãs da família Espírito Santo a fazerem essa distribuição ao vivo. Salgado fala com uma voz pausada e de autoridade, os outros fazem perguntas concretas sobre a parte que lhes coube. Com a maior das calmas, sem sequer qualquer visível entusiasmo pelo que cada um ia receber — um milhão de euros, que deixariam qualquer mortal feliz —, percebe-se como era habitual lidarem com milhões e milhões, os que eram deles e os que não eram. Só queriam explicações sobre por que é que não era mais, sabendo que outros tinham ficado pelo caminho, nos intermediários de baixo e no “alguém” que não é nomeado. A voz da ganância perguntava: “como é que aqueles três tipos receberam 15 milhões” e eles só cinco? Quando as perguntas começaram a querer ir mais longe, Salgado manda que não “[remexessem] mais no assunto”. E saindo dali, da sala sumptuosa de madeiras vagamente cheirando a fragâncias naturais, o que é da natureza das boas madeiras, do couro nobre das cadeiras, dos cristais dos copos de água e dos quadros naturalistas nas paredes, dedicaram-se à esforçada tarefa de manter o seu milhão bem longe dos impostos fora de Portugal, e só o “importaram” quando o Governo permitiu o chamado “Regime Excepcional de Regularização Tributária” (RERT). O dinheiro, algum dinheiro, voltou, e foi um segundo excelente negócio, visto que pela fuga ao fisco pagaram menos impostos do que todos nós pagamos. Menos? Muito menos. Este regime do RERT foi um excepcional presente governamental para os Espírito Santo e para todos os que estiveram envolvidos nestes negócios. De onde veio o dinheiro? Do bolso dos portugueses, os tais que estavam a “viver acima das suas posses” e que o pagaram quando compraram os submarinos mais caros devido ao rastro de corrupção que eles deixaram atrás. Sabem quando estas frases foram ditas? Há um ano, em Novembro de 2013, estavam os portugueses no seu quinto ano de empobrecimento. A frase, pausada e grave de Ricardo Salgado merece ser ouvida na sua integralidade, visto que ela representa para todos nós uma vergonha colectiva pela impunidade dos nomeados – o autor da frase, os recebedores dos milhões, os “tipos” que ficaram com os 15 milhões, e o “alguém” – nesta semana em que o processo dos submarinos foi arquivado: “E vocês têm todo o direito de perguntar: mas como é que aqueles três tipos receberam
O processo dos submarinos pode não permitir a criminalização dos responsáveis, mas não pode deixar de exigir que pelo menos se puna quem permitiu os desmandos que estão patentes na frase dos Espírito Santo
bilidade de quem manda nos governos e nos partidos. O processo dos submarinos pode não permitir a criminalização dos responsáveis, mas não pode deixar de exigir que pelo menos se puna quem permitiu os desmandos que estão patentes na frase dos Espírito Santo. Por isso, voltemos às responsabilidades que o despacho descreve em pormenor, incluindo várias ilegalidades, em particular envolvendo Paulo Portas enquanto ministro da Defesa, e sancionadas mais tarde pelo Governo Santana Lopes (“Sanou qualquer irregularidade que pudesse ter existido do ponto de vista administrativo”). Por exemplo, lá se afirma que Paulo Portas “excedeu o mandato” que lhe foi conferido pelo Conselho de Ministros em finais de 2003, ao celebrar um contrato de compra diferente dos termos definidos na adjudicação, em negociações que “decorreram de forma opaca”. Foi detectada “a violação de princípios e normas de natureza administrativa” que explica a incúria, negligência e falta de cuidado pelo bem público patentes em todo o processo (“O Estado encontrava-se numa situação muito frágil”). O despacho é claro quanto ao facto de não ter encontrado sinais de favorecimento do consórcio alemão, mas é igualmente claro quanto à geral “opacidade do processo”, incluindo a misteriosa desaparição de documentos relevantes para saber o que se passou. Um crime não se compara a uma ilegalidade ou a uma negligência. Mas, se Sócrates vier a ser considerado culpado daquilo que é acusado, os governos que dirigiu serão envenenados por essa culpa, porque os restantes membros do Governo teriam então actuado com incúria e negligência perante os crimes que se cometiam ao seu lado. O PSD não deixará de usar na sua propaganda essa circunstância, no ambiente de desespero eleitoral que se vive no partido. A isso se somará a culpa objectiva do PS nos negócios ruinosos das dezenas de PPP que fez, e outras aventuras despesistas, e essa responsabilidade cairá sobre todos. Mas, se na coligação permanecer Paulo Portas, e se entretanto depois deste despacho não sair do Governo, não há frase contra as PPP que não possa ser rebatida com os submarinos, porque, em ambos os casos, os governantes não defenderam o bem público a que estavam obrigados. É um pobre destino da nossa política esta contínua troca de acusações, mas é inevitável, enquanto os responsáveis directos pelos acordos leoninos das PPP estiverem em confronto com a negligência nos acordos de material de guerra que acabaram por levar à mesa do conselho superior do GES os milhões que nós pagamos para alimentar cinco bocas dos clãs Espírito Santos, mais três bocas da Escom, mais uns advogados pagos a preço de ouro e a boca do “alguém” que não se sabe quem é. São, de facto, todos uns aldrabões.
opinião 19
hoje macau domingo 21.12.2014
a outra face
“NATIONAL LAMPOON’S CHRISTMAS VACATION”, DE JEREMIAH S. CHECHIK
CARLOS MORAIS JOSÉ
A fome e a fartura 1. Dizia um professor de boa memória da minha faculdade que o homem actual é demasiado parecido, neurofisiologicamente, com o caçador-recolector seu antepassado para ser feliz numa cidade. Quer dizer: temos o selvagem a grunhir alto dentro de nós. E este bicho tem, entre muitos excessos, alguns óbices ao seu bem estar. Um deles deriva do seguinte facto: para um ser humano (dizem as pesquisas americanas e científicas) a coisa mais interessante do mundo é a face de outro ser humano; logo, existe uma tendência digamos que inata para tentar memorizar as caras das pessoas com quem nos cruzamos. Portanto, não podemos ver outro ser da mesma espécie que não tenhamos logo tendência para o memorizar, seja ele um façanhudo ou uma beldade. Ora, vivendo numa metrópole isso é claramente impossível, o que nos torna, imediata e inconscientemente, infelizes e mesmo deprimidos. Sem sequer darmos por isso, sem sabermos porquê, sem que nada de óbvio e racional nos surja como motivo para a nossa presente e angustiante insatisfação. E tudo isto pelo facto do nosso ser psicofisiológico não ter a mesma velocidade de mudança das sociedades que gerou. Claro que o nosso próprio inconsciente encontra formas de ultrapassar esse estado de miséria, nem que seja por nos induzir a beatitudes ou à estupidificação, em frente ao televisor, por exemplo. Curiosamente, os fluxos de informação ou de ficção (e quão ténue é esta barreira) cada vez nos emocionam menos e meramente nos remetem a um estado larvar, passivo, de recepção. O bicho esgotado recolhe-se.
Relaxar (esse comportamento tão contemporâneo) significa, na maior parte dos casos, limpar a cabeça das memórias do dia que trazemos alapadas sem o desejarmos. Esquecer. Esta ou aquela cena, esta ou aquela pessoa, a frase, o adágio, o disparate, a cançoneta, o cimento, a ocupar-nos espaço e tempo dentro da cabeça, independentemente da nossa vontade; são as inutilidades, das paisagens ou dos sentimentos. Já nem se trata dos problemas que realmente temos de resolver e nos atormentam em circuito fechado, omnipresentes. É pior. É o lixo do dia, o esgoto a céu fechado do quotidiano. É tudo isso que temos diariamente de apagar, bem como o desgosto de nada sabermos sobre as gradações de um determinado crepúsculo ou aquela pessoa com quem nos cruzámos, nunca mais veremos e que realmente nos interessava. Tudo nos passa demasiado depressa e ao lado. A nós, os caçadores-recolectores disfarçados de sedentários crónicos. A fartura deu em fome e solidão. * 2. Tenho, como muitas outras pessoas, por vezes a sensação de que devia ter nascido noutra era, noutra sociedade, noutro ambiente. E como esta sensação nos surge como uma espécie de dejà-vu há quem dela conclua a veracidade da transmigração das almas, da reencarnação, na qual pelo menos dois terços da Humanidade acredita. O que, desde já vos descanso, não é o meu caso. Não deixei, no entanto, de me querer – sei lá... – nos loucos anos 20 ou na revolucionária
segunda metade do século XIX. No Império Romano dos Gracos, ao lado de Alexandre por essa Ásia fora ou, mais simplesmente, no fausto dos serralhos turcos. Tive, contudo, a sorte de ter nascido nos anos 60 e nunca ter vivido outra guerra que não a de ir ao médico, ser vacinado e assim ter escapado a doenças que noutros momentos da História me teriam certamente liquidado. A sorte da escolaridade obrigatória, da cultura acessível, de um mundo global. A sorte de ter sido livre como nunca ninguém o foi em tempo nenhum e duvido que venha a ser. Vivi um hiato histórico que me parece, visto daqui, irrepetível. Se me dessem a escolher uma época para viver, escolhia o meu tempo, a minha História. Com todos os seus muitos defeitos e excessos. Nasci no salazarismo, assisti ao 25 de Abril e ao advento da liberdade. Depois ao período de crença pura, de energia e esperança, que sucede às grandes mudanças. Quando tudo parece possível, até Rousseau ter razão. A seguir ao desencanto, à queda dos Muros e à sua nova construção. Apareceu a internet. Regressou a religião e o homem de Hobbes, de Maquiavel, das genéticas. Dificilmente, se poderia encontrar um período mais interessante na História e ao mesmo tempo tão confortável e seguro (sobretudo na Europa), com tanto acesso a tudo. E escolheria também, por estranho que possa parecer, nascer em Portugal. Com todos os seus perenes defeitos e raros excessos. Talvez por Lisboa, talvez por um detalhe de Lisboa ou por uma certa falésia sobre o Atlântico onde há um trono de pedra. Pelo sol vermelho que todos os dias aí encontra a morte.
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Cecília Lin; Filipa Araújo; Flora Fong (estagiária); Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
hoje macau domingo 21.12.2014
ONU Irão honra acordo nuclear
O Irão continua a cumprir os compromissos do acordo nuclear interino com seis potências mundiais, declarou um relatório confidencial de uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU), embora Teerão tenha interrompido temporariamente o trabalho de conversão que torna o urânio de alto grau menos indicado para o uso em bombas. O boletim mensal da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), afirma que o Irão não está a enriquecer urânio acima da concentração físsil de cinco por cento, bem inferior aos 90 por cento necessários para armas atómicas. O documento também diz que Teerã não fez “quaisquer avanços adicionais” nas suas actividades em duas instalações de enriquecimento e num reactor de água pesada ainda incompleto. O pacto foi negociado para ganhar tempo para as conversas sobre um acordo que ponha fim à disputa de 12 anos a respeito do programa nuclear iraniano, que Teerã diz ser pacífico mas que o Ocidente teme almejar o desenvolvimento da capacidade de produzir armas nucleares.
Rússia convida líderes das Coreias
A Presidente sul-coreana, Park Geun-hye, foi convidada a ir a Moscovo em Maio, indicaram fontes oficiais à agência Yonhap, uma visita que poderá coincidir com a do líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, também convidado pela Rússia. O Governo sulcoreano referiu ontem o convite recebido para as comemorações, a 9 de Maio, na capital russa, do 70.º aniversário da vitória soviética sobre os nazis, apenas um dia depois de Moscovo ter confirmado que endereçou idêntico convite a Kim. A confirmar-se a visita do líder norte-coreano, Kim Jong-un realizará a sua primeira viagem ao estrangeiro desde que chegou ao poder em 2012. Além disso, se ambos aceitarem, tratar-se-á da primeira ocasião pública a juntar os dois líderes.
cartoon
COREIA DO NORTE VS. HOLLYWOOD
por Stephff
Lisboa Falha técnica causou descarrilamentos
O descarrilamento de dois comboios na Linha de Cascais, em 2013, teve origem numa falha técnica, revela o relatório da comissão de inquérito nomeada pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT). Verificou-se uma «ruptura do veio motor» dos rodados de um dos comboios o que causou a cadeia de eventos que conduziram aos dois descarrilamentos, levando a que a conclusão se resumisse a uma falha técnica, ao acidente de 8 de Fevereiro de 2013. A peça mecânica que cedeu pertencia ao comboio que saiu de Oeiras e que descarrilou em Algés tendo, nesse trajecto, danificado o aparelho de mudança de via de Caxias, local onde o outro comboio, que seguia na sua retaguarda proveniente de Cascais, viria a descarrilar.
SONY PYONGYANG PROPÕE A WASHINGTON INQUÉRITO CONJUNTO
“Alegações sem fundamento” P YONGYANG propôs ontem a Washington a realização de um inquérito conjunto sobre o ataque informático em massa contra o grupo Sony Pictures no final de Novembro e assegurou não ter qualquer responsabilidade no sucedido. “Tendo em conta que os Estados Unidos espalham alegações sem fundamento e nos difamam, nós propomos um inquérito conjunto”, indicou o ministério dos Negócios Estrangeiros norte-coreano. “Sem ir até à tortura como fez a CIA norte-americana, nós temos meios para provar que não temos nada a ver com este incidente”, adiantou o ministério, citado pela agência oficial norte-coreana KCNA. A Coreia do Sul também acu-
sou ontem a Coreia do Norte de ser a responsável pelos ataques contra o grupo Sony Pictures, semelhantes a ataques similares aos sofridos por bancos e agências de notícias sul-coreanas no ano passado, que foram atribuídos a Pyongyang. Seul indicou estar pronta a partilhar com Washington as informações “ligadas ao ataque informático contra a Sony” e a reforçar a cooperação internacional para enfrentar novas ameaças informáticas. O Japão enviou a mesma mensagem. Um porta-voz do primeiro-ministro Shinzo Abe declarou que “o governo japonês comunica estreitamente com os Estados Unidos e defende a abordagem destes sobre esta questão”, sem aludir directamente aos ataques informáticos da Coreia do Norte.
O grupo Sony Pictures foi alvo no final de Novembro de um ataque informático reivindicado pelo grupo de piratas informáticos GOP (“Guardians of Peace”), durante o qual inumeráveis informações foram roubadas e algumas divulgadas. Este ataque forçou a Sony Pictures a anular a estreia do filme “Uma entrevista de loucos” (The interview, título original), uma comédia satírica sobre um ‘complot’ fictício da CIA para assassinar o líder norte-coreano Kim Jong-un, que desencadeou a ira do regime comunista. A Coreia do Norte continua a desmentir ter encomendado o ataque informático que o FBI, polícia federal norte-americana, lhe atribuiu claramente.
China oferece mais de três mil milhões aos vizinhos
A
China ofereceu mais de 3 mil milhões de dólares em empréstimos e ajuda para os vizinhos Camboja, Vietname, Mianmar, Tailândia e Laos, para investimentos em infra-estruturas e produção e para a luta contra a pobreza, disse a imprensa estatal neste sábado. O primeiro-ministro da China, Li Keqiang, disse que a oferta inclui mil milhões de dólares para infra-estruturas, 490 milhões de dólares para a redução da pobreza, e 1,6 mil milhões em empréstimos especiais ligados a maior capacidade de produção. Durante discurso em Banguecoque, na quinta reunião da cimeria de Cooperação Económica da Grande Sub-região do Mekong, Li também prometeu 16,4 milhões de dólares para a dragagem de canais
junto ao Rio Mekong para evitar desastres naturais. “Essas são partes importantes dos nossos esforços para melhorar a cooperação chinesa. Estamos prontos para trabalhar com os cinco países para construir uma nova estrutura para aprofundar a cooperação e levar a nossa parceria a um novo nível”, afirmou Li. O primeiro-ministro disse que a China planeia exportar capacidade de produção de alto nível em electricidade, telecomunicações, aço e cimento para os seus vizinhos por rotas de transporte regionais, relatou a Xinhua. Li está na Tailândia para a cimeira de dois dias dos líderes dos países da região do Rio Mekong, o maior encontro internacional na Tailândia desde que os militares tomaram o poder.
Maputo Empresário raptado resgatado pela polícia
O empresário moçambicano Mohamed Bachir Suleimane, dono do grupo MBS, foi resgatado pela polícia, este sábado, e já se encontra junto da família, após ter passado mais de 30 dias em cativeiro, vítima de sequestro. Bachir foi libertado, durante a madrugada pelas autoridades, no município de Macie, na província de Gaza. Segundo as informações disponíveis, já terão sido detidas duas pessoas, sob a suspeita de terem perpetrado o rapto. Em conferência de imprensa, o empresário agradeceu o apoio de todos, dizendo que a justiça tratará de fazer o resto.
Austrália EUA emitem alerta de viagem Os Estados Unidos emitiram, esta sexta-feira, um alerta de viagem mundial na sequência da tomada de reféns, ocorrida esta semana, num café na Austrália, que terminou com a morte do sequestrador e de dois civis. O Departamento de Estado norte-americano adverte os cidadãos que o ataque figura como um «lembrete» para que sejam cuidados e mantenham um «elevado nível» de vigilância, tomando medidas adequadas para «melhorar» a sua segurança pessoal. O alerta, com uma duração de três meses, não faz referência a qualquer ameaça em particular, expirando no próximo dia 19 de Março.