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Hoje Macau 21 NOV 2013 #2979

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Q U I N TA - F E I R A 2 1 D E N O V E M B R O D E 2 0 1 3 • A N O X I I I • N º 2 9 7 9

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hojemacau

MOP$10

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

MUNDIAL2014

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

• PORTUGAL ULTRAPASSA A SUÉCIA

Aquela máquina chamada Cristiano CENTRAIS

• ERRO MÉDICO

Já correram meio mundo a divulgar a língua portuguesa, o dialecto patuá e as tradições e culturas de Macau. Nunca receberam apoios por parte de quem manda na RAEM. A Tuna Macaense alegra a malta com a sua boa disposição e muita carolice, mas tem um desejo que quer ver realizado em 2015, na comemoração dos 80 anos de existência: fazer um espectáculo nas Ruínas de São Paulo. À consideração do Governo.

Tuna Macaense lamenta falta de apoios governamentais

Macau sã assi PÁGINAS 2 E 3

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Tribunal absolve Kiang Wu de pagar indemnização PÁGINA 6

• SEGURANÇA ALIMENTAR

ACADÉMICA PEDE MAIS DIREITOS E DEVERES PARA CONSULTORES TÉCNICOS PÁGINA 4

• SEXUALIDADE

Governo junta-se a religiosos para promover noções PÁGINA 5


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ENTREVISTA

hoje macau quinta-feira 21.11.2013

TUNA MACAENSE SOBREVIVE SEM QUALQUER APOIO DO GOVERNO

Cantar as raízes com vontade e persistência JOSÉ C. MENDES info@hojemacau.com.mo

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UNDADA em 1935, a Tuna Macaense continua hoje a espalhar por diversas partes do mundo, música cantada em português e em patuá, dando a conhecer um território tão especial como Macau. Sobrevive sem qualquer apoio do Governo, apenas da vontade e persistência de um grupo de sete pessoas que se juntam desde há dez anos, duas vezes por semana, na Associação dos Macaenses, para fazer aquilo que mais gostam: tocar e cantar. Quase todos auto-didactas, têm o sonho de em 2015 fazer um grande espectáculo nas Ruínas de São Paulo, para comemorar 80 anos de vida. Filomeno Jorge (Russo), “presidente” da Tuna – entre salpicos dos outros elementos do grupo -, falou com o HM, da Macau de hoje e de outros tempos, e daquilo que é “uma vida feliz e saudável”

dum grupo que vive apenas dos convites que recebe Quando é foi exactamente fundada a Tuna Macaense? A Tuna foi fundada em 1935, embora não se saiba por quem, nem haja registo de quantos elementos é que formavam o grupo nessa altura. E actualmente, quantos são os membros da Tuna? Actualmente somos sete pessoas que nos reunimos duas vezes por semana para ensaiarmos. A vida deste grupo é uma vida feliz, alegre e muito saudável. Todos nós gostamos muito de trabalhar pela Tuna. Para além dos ensaios, também nos reunimos uma vez por mês. Há quanto tempo existe esta formação? Alguns membros da formação actual já tocam juntos há quinze anos. O Lalo é o mais novo, chegou

há cinco anos. Precisávamos de um bandolim e pedi-lhe, que não tocava este instrumento, para ver se podia ajudar. Começou a praticar e conseguiu aprender. O bandolim é um instrumento muito importante para a Tuna?

prontas, mas ainda precisam de ser ensaiadas porque Dezembro está a chegar e temos vários encontros agendados. Estou também a fazer outras músicas em português. Recentemente fiz uma intitulada “A cidade de Macau” e no ano passado fizemos uma outra chamada

Muito francamente é graças à ADM que temos um espaço onde ensaiamos. Se não existisse este lugar não sei qual seria a vida da Tuna Sim. Os dois instrumentos fundamentais são o bandolim e o acordeão. E o Lalo fez um bom trabalho para a Tuna Macaense. Em que músicas é que estão a trabalhar actualmente? Presentemente estou a trabalhar em várias músicas. Vamos ter três novas canções de Natal em patuá, com letras do Adé, que já estão

“Procurando”, com letra do Mário Pestaquinho, que fala das nossas raízes. Esta música foi um pedido da televisão oficial chinesa em Pequim, que queria uma música que falasse das raízes de Macau. Na verdade, a grande maioria das nossas músicas falam de Macau. Do que é ser macaense? Macaense, português, chinês. Esta

mistura que se vive no território e do que são as nossas raízes. O português já não é tão falado em Macau, como há uns anos atrás. O patuá, ainda menos. Que importância tem para a Tuna cantar nessa língua e nesse dialecto? Durante estes últimos dez anos deu para perceber que a maioria da população de Macau gosta muito das músicas cantadas em patuá e em português. Estamos muito satisfeitos por ter conseguido ao longo deste tempo conseguir divulgar estas línguas em muitos concertos e actuações em festas. Tanto os macaenses como os chineses gostam muito de ouvir o patuá. Acham bastante interessante, embora não compreendam muito... Só comecei a perceber melhor através do Lalo, cuja irmã e também a avó falam bem o patuá. Fui descobrindo o significado de palavras que desconhecia e passei a cantar com mais


entrevista 3

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O plano [de comemoração dos 80 anos da Tuna] ainda não está completamente elaborado, ainda está em estudo, mas estamos a pensar em fazer o espectáculo nas Ruínas de São Paulo

A ACTUAL FORMAÇÃO DO GRUPO • FILOMENO JORGE (Russo) – Compositor, Viola, Cantor • ARNALDO GOMES (Lalo) – Bandolim, Cantor • PEDRO SANTOS – Contrabaixo • BELITA – Cantora, Percussões

“feeling”. A população de Macau gosta muito de ver o nosso DVD.

• CARLOS PEREIRA (Calóci) Viola, bateria

Para além de Pequim já foram a outras regiões? Sim. Temos tido vários pedidos da China continental, que querem ouvir as nossas músicas em português e em patuá. Essa é a nossa tradição quando saímos de Macau, a não ser que haja alguns pedidos especiais para cantarmos em cantonês, em mandarim, ou em inglês. Voltando ao patuá, acha que se devia fazer mais para preservar este dialecto de Macau? Não é fácil. Gostaria que fosse muito mais conhecido por toda a população. Felizmente a TDM está a produzir as nossas músicas em patuá. Mas não é um caminho fácil. Ninguém da nova geração fala patuá. Só se houvesse uma escola onde se ensinasse... Que não existe nem se vislumbra que venha a existir. Há quatro anos perguntámos ao Governo se nos podia arranjar um local onde pudéssemos ensinar o patuá aos mais novos através da música. Até hoje ainda estamos há espera. A única alternativa que nos deram foi um espaço no Museu do Grande Prémio, que até era bom, só que teríamos de carregar os instrumentos todos de um lado para o outro, de cada vez que fossemos ensaiar. Já somos todos pessoas com idade e não podemos andar sempre a transportar as coisas. Acabámos por desistir dessa hipótese, porque já não temos forças para o fazer. A Associação dos Macaenses (ADM) é o vosso local permanente de ensaios? Sim. Muito francamente é graças à ADM que temos um espaço onde ensaiamos. Se não existisse este lugar não sei qual seria a vida da Tuna. Então que apoios é que têm do Governo? Nada! O único apoio vem dos convites para tocar. O que recebemos é para a manutenção do grupo ao nível do uniforme, dos instrumentos e de tudo o que é preciso ser reparado. Não temos nenhum

• EDWARD HO CHON IO – Teclas • VITOR PEREIRA (Bochai) – Bateria 4 CD’s e 1 DVD editados

apoio. As pessoas pensam que a Tuna tem apoios do Governo, mas isso não é verdade. É mesmo amor à camisola? Sem dúvida! Como é que vê as mudanças de Macau nos últimos anos? Macau está muito diferente. Não tem comparação com o que era. As coisas estão a crescer e a mudar. Está melhor ou pior? Lalo – Há coisas melhores e outras piores. Uma das piores é que da nova geração ninguém consegue comprar casa. Um parque automóvel dois milhões de patacas! Um parque... Russo – Penso que o Governo está a tentar fazer algumas coisas boas, como o plano para a zona do lago de Nam Van. Vai ser um espaço para

actividades culturais, e outras, mas a população é que não está a gostar e não está a apoiar. Queixa-se de que vai haver muito barulho. Mas penso que é um bom local, não só para grupos musicais, mas também para outro tipo de eventos. Que projectos tem a Tuna para o futuro? Boa pergunta. Se a Tuna conseguir continuar, o nosso grande projecto é em 2015, quando a Tuna completar 80 anos. Nessa altura, gostaria

de apresentar um bom espectáculo à população. Vou apresentar uma proposta ao Governo nesse sentido. Neste momento estamos ainda a escolher o local para essa celebração dos 80 anos de vida da Tuna Macaense. Não sei se vai ser fácil ou difícil mas vou tentar. E qual é o plano? O plano ainda não está completamente elaborado, ainda está em estudo, mas estamos a pensar em fazer o espectáculo nas Ruínas de

Temos tido vários pedidos da China continental, que querem ouvir as nossas músicas em português e em patuá. Essa é a nossa tradição quando saímos de Macau, a não ser que haja alguns pedidos especiais para cantarmos em cantonês, em mandarim, ou em inglês

São Paulo. Usar a escadaria das Ruínas como um anfiteatro e montar um palco em baixo. Essa era a minha vontade. Vou também tentar convidar alguns ex-elementos da Tuna, cantores de Macau, e outros de Hong Kong que são macaenses como o João Júnior, Luís Castro, Maria Cordeiro, Soler, Teresa Carpio, entre outros. Mas esta iniciativa tem de ser feita através do Governo. Se conseguirmos seria uma celebração de 80 anos de vida em grande. Ao longo de todos estes anos de vida quais foram os momentos mais marcantes para a Tuna? Belita – Para mim foi quando fomos a Portugal... Russo – E Xangai? Belita – Xangai é outra história... (risos)... foi uma bela história! No primeiro dia de concerto caí do palco, fracturei o pé, mas não deixei de cantar. No dia seguinte lá estava engessada a cantar...(risos) E em Portugal? Belita – Em Portugal foi muito marcante, porque fomos actuar ao Parque das Nações, a antiga Expo, a convite do Instituto do Desporto de Macau e tinha a minha família presente. Foi muito emocionante por estar ali a actuar para a minha mãe. Russo – Para mim um dos momentos mais marcantes foi um concerto na Nova Zelândia. Cantámos para um auditório cheio de professores de música. No final do espectáculo recebemos os parabéns de imensos professores, foi impressionante.


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POLÍTICA

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podendo argumentar se as provas científicas apresentadas por um perito são correctas ou não. Antes era realmente complicado para a vítima dizer que não concordava com determinada prova apresentada, porque não tinha conhecimentos nem fundamentos para discutir sobre isto. A qualificação deve ser a mesma que os peritos, para que ajudem as vítimas a discutir ao mesmo nível [desse perito].” Outras sugestões deixadas por Li Zhe é que estes consultores técnicos passem a “assistentes especialistas” e tenham direitos e deveres. “Devem ter o direito de participar em qualquer perícia realizada no âmbito do processo e de dar a sua opinião. Devem poder assistir às perícias, pronunciar-se sobre as mesmas, ter conhecimento dos métodos utilizados e ter as suas opiniões registadas nos autos.”

GOVERNO PARTICIPATIVO JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

A

introdução de “conselheiros técnicos” na Lei de Segurança Alimentar de Macau merece nota positiva de Li Zhe, professora da Faculdade de Direito da Universidade de Macau, mas o regime ainda carece de melhorias. Num debate que ontem teve lugar na UMAC sobre Direitos do Consumidor, a questão foi analisada pela académica, que deixou diversas sugestões para uma eventual revisão da Lei de Segurança Alimentar. A RAEM tornou-se em Abril – altura em que a lei entrou em vigor – um dos muito poucos países que permite a escolha de um consultor técnico para resolver litígios decorrentes de crimes contra a segurança alimentar. Estes consultores têm como papel assistir as partes processuais em caso de litígios em tribunal. Uma vez que as partes processuais não podem intervir na escolha de peritos, nem participar em perícias, os consultores técnicos chegam para assistir nestes casos, sob um ponto de vista profissional, o que, diz Li

SEGURANÇA ALIMENTAR ACADÉMICA DEFENDE MAIS DIREITOS E DEVERES PARA CONSULTORES TÉCNICOS PREVISTOS NA LEI

Os assessores dos leigos Têm a função de ajudar as vítimas, mas a Lei de Segurança Alimentar ainda não especifica bem o seu papel. Os consultores técnicos, defende uma académica da UMAC, devem ter o estatuto de “assistentes especialistas”, podendo, por exemplo, participar nas perícias dos peritos nomeados pelas autoridades em casos de crime à segurança alimentar que cheguem ao tribunal. Devem poder, diz Li Zhe, estar ao mesmo nível desses peritos, mesmo estando do lado das vítimas Zhe, constitui efectivamente um progresso legislativo. Contudo, na forma como está implementado o regime são encontrados alguns problemas. “Falta clareza na determinação dos estatutos desses consultores, falta referência a direitos e deveres dos mesmos. É preciso aperfeiçoar esse regi-

me”, referiu a académica na sua apresentação.

AUTÓNOMOS

Em declarações à imprensa, à margem do evento, a professora referiu que não se pode considerar um consultor designado por arguidos, assistentes ou partes

civis como um perito, sendo que esse é, normalmente, nomeado pelo tribunal ou pelo Ministério Público. Daí, a académica deixa a sugestão de considerar estes consultores técnicos como uma categoria autónoma de interveniente processual. “Este será alguém que apoie as vítimas e as partes civis,

O primeiro país a implementar este regime de consultor técnico foi a Itália, em 1988, com base na ‘common law’. O ano passado, a China continental adoptou o sistema, mas em Macau só a Lei de Segurança Alimentar prevê a existência destes técnicos. Li Zhe diz, contudo, que este deveria ser um sistema comum em todo o processo criminal. “Todos os tipos de crimes têm de ser relacionados com as provas científicas, logo pode haver a necessidade destes técnicos. Pode mesmo servir para introduzir este regime em geral no Processo Penal ou até no Civil e Administrativo. Mas Li Zhe quer mais. A académica diz que o Governo deve suportar encargos em honorários quando o arguido não possa pagar a estes consultores e deixa ainda outra sugestão: a introdução de um regime de compensação através do Governo. “Há vítimas que não podem ser totalmente compensadas, daí poder ser considerada a compensação do Governo às que não consigam compensação. É uma moda nos países civilizados, actualmente, porque as vítimas precisam de ser ajudadas.” A académica considera que não deveria ser um trabalho complicado para o Executivo de Macau, uma vez que este tem dinheiro.

Direito do consumidor Especialista diz que Código poderia ser útil a Macau

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ACAU podia ter a ganhar com a elaboração de um Código do Consumidor, diz António Pinto Monteiro, professor da Universidade de Coimbra e especialista em Direito do Consumo. Segundo a Rádio Macau, António Pinto Monteiro faz parte dos juristas que consideram que ter leis espalhadas não beneficia ninguém, como neste momento acontece com

a legislação portuguesa – além dos diplomas internos tem a transposição das directrizes da União Europeia. O caso de Macau é diferente, diz, uma vez que são menos as leis nesta área. Segundo a Rádio Macau, tal não torna, contudo, um código menos útil, explica Pinto Monteiro, que dá o exemplo do Brasil. “O Brasil criou um código de defesa do consumidor em 1990 e ainda não

tinha essas leis dispersas. Digamos que o passo inicial até foi esse – não esperou por leis múltiplas e dispersas para intervir através de um código. Também Macau pode fazer isso”, refere. “Em vez de estar à espera que haja muitas leis por aí perdidas e depois reuni-las num código, definir logo à partida como política legislativa de defesa do consumidor a elaboração de um código do consumi-

dor, porque isso facilita a vida de todos.” O código permite não só aos operadores do direito saberem onde encontrar toda a legislação existente, como o próprio consumidor terá uma maior noção dos diplomas que o protegem – e o docente destaca que as leis de direito do consumo são redigidas para poderem ser compreendidas por quem não é jurista.


política 5

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A DSEJ não avança qual a fórmula mais acertada de se abordar o sexo mas chama associações, há quatro anos, para, em conjunto, fazerem actividades sobre educação sexual. Das entidades participantes este ano, cinco são de cariz religioso mas, segundo o Governo, isso não implica que haja uma atitude conservadora nesta abordagem junto das crianças e jovens

RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

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Governo, pelo quarto ano, proporciona actividades sobre educação sexual destinadas a crianças, jovens e encarregados de educação. A aposta tem vindo a crescer, com a colaboração de mais associações de cariz social. Este ano, há 10 entidades participantes, metade das quais de cariz religioso (quatro católicas e uma metodista). Poderá isto condicionar a abordagem da sexualidade pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ)? “Acho que todos os encarregados de educação querem que os filhos façam algo de acordo com a sua idade, ou seja, se são estudantes devem estudar. A educação sexual não é só ensinar o sexo mas também o amor. Queremos ensinar os jovens como encaminhar a sua vida. Não só o conhecimento como a técnica”, responde a directora do Centro de Educação Moral da DSEJ, Wong Im Lan, na conferência de imprensa de apresentação da actividade “Intimidade do Amor – 4.ª Actividade Promotora da Educação Sexual na Comunidade”. Na conversa com os jornalistas, a responsável passa a mensagem de que “as noções correctas” sobre o que é o sexo dão liberdade a que o aluno siga o caminho por si traçado. “Vamos deixar os alunos terem a sua atitude correcta perante o sexo. Vão escolher o seu caminho, a sua vida. Têm de determinar a sua atitude. Acho que ninguém pode dizer que algo é correcto ou incorrecto.” E, nesse caso, a abordagem passa pela questão de respeito

GOVERNO ASSOCIA-SE A INSTITUIÇÕES RELIGIOSAS PARA PROMOVER AS “CORRECTAS” NOÇÕES SOBRE SEXO

Amor, respeito e protecção são pedras basilares Vamos deixar os alunos terem a sua atitude correcta perante o sexo. Vão escolher o seu caminho, a sua vida. Têm de determinar a sua atitude. Acho que ninguém pode dizer que algo é correcto ou incorrecto WONG IM LAN directora do Centro de Educação Moral da DSEJ

para com o outro, consigo próprio e pelo conhecimento sobre métodos contraceptivos. “Em termos de educação, temos um limite. Se eles querem ter sexo, acho que o aluno em si tem de saber o que é o sexo seguro. Sendo menor, precisa de estudar. Agora se engravidar durante a adolescência? Ensinamos os estudantes a escolherem o

caminho bom para si. Ensinamos um sexo seguro”, frisa a representante da DSEJ.

HOMOSSEXUALIDADE NÃO É TABU

Questionada sobre o facto de alunos homossexuais também necessitarem de expressar as suas dúvidas ou, por outro lado, os instrutores partilharem experiências com que todos se identifiquem, a directora do Centro de Educação Moral defende que, acima de tudo, está o “conceito básico sobre sexualidade, ou seja, respeitar o sexo dos outros e auto-respeitar-se”. Quando confrontada directamente sobre a disponibilidade para falar sobre a sexualidade entre casais homossexuais, Wong Im Lan soltou um “sim, claro”. Por diversas vezes, a responsável lembrou que existem agentes

de aconselhamento aos alunos nas escolas alocados pelo Centro de Apoio Psicológico da DSEJ e também pessoal de enfermagem, que fazem actividades de educação sexual e a quem os jovens se podem dirigir. Alguns especialistas, membros de associações pró-LGBT e de Pesquisa da Delinquência Juvenil de Macau, têm vindo a defender que a educação sexual nas escolas pode privilegiar a descriminação e ajudar no combate aos crimes sexuais. Mas, para tal, os agentes devem receber mais formação porque não abordam as questões de forma ampla e desprovida de preconceitos. Wong responde com estatísticas. “Houve mais de 500 instrutores de ensino primário e secundário que participaram nas nossas acções de formação, que depois dão aulas sobre o que aprendem. E temos um conjunto de manuais sobre educação sexual”, revela. A DSEJ lançou este ano um Plano de Apoio à Educação Sexual nas Escolas mas, de acordo com o jornal Ou Mun, apenas 20% das escolas particulares participam. “É um plano-piloto que começou agora e vamos ter uma comunicação estreita com todas as escolas. Vamos ouvir as sugestões deles e reforçar a cooperação”, avança Wong.

ORÇAMENTO PARA SEXUALIDADE EXPANDE

Sem adiantar os frutos desta Actividade Promotora da Educação Sexual, que já sendo desenvolvida há quatro anos, Wong Im Lan refere que, pelo facto de haver cada vez mais associações a participarem, também o “orçamento tem aumentado anualmente”. Nesta edição, houve mais duas associações a aderirem à acção, providenciando um total de 34 actividades (mais 13 do que em 2012), entre Dezembro e Fevereiro de 2014. O orçamento, por isso, esticou de 230 mil para cerca de 400 mil patacas.

O QUE DIZEM AS ASSOCIAÇÕES • Ensinamos às crianças desde pequenas a importância da vida, mesmo que seja um feto na barriga da mãe. Natércia Maria Gomes, Irmãs de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor • Muitas vezes, na sociedade, os jovens têm um mau entendimento sobre o sexo e queremos ensinar o conceito correcto sobre o sexo. Deus deu-nos amor a todos. E nos queremos ensinar um conhecimento e uma atitude correcta. (...) Não falamos apenas do sexo mas do conceito de amor e auto-protecção. Chan Si Wai, representante da Associação de Juventude Lar Salesiano Dom Bosco • Ensinamos, para além do sexo, qual o seu limite de amor. Não estamos a ensinar isto [a dizer não] mas um conhecimento correcto sobre o sexo. Wu I Man, da Associação dos Jovens Cristãos de Macau • Queremos ensinar sobre o sexo responsável e propagar a noção de sexo. Li Man Cheng, Associação de Luta Contra os Maus Tratos às Crianças de Macau


SOCIEDADE

O Kiang Wu tinha sido condenado em Segunda Instância ao pagamento de 1,4 milhões de patacas por negligência. Contudo, após um recurso ao TUI, o hospital privado foi absolvido

ERRO MÉDICO KIANG WU ABSOLVIDO DO PAGAMENTO DE INDEMNIZAÇÃO A PACIENTE QUE MORREU DEPOIS DE EXAME

Última Instância decide: médicos sem culpa de indemnização. Mas, o hospital privado não se conformou, tendo prosseguido com o caso até ao Tribunal de Última Instância (TUI), que deu, agora, razão à instituição.

JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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Tribunal de Última Instância (TUI) absolveu o Hospital Kiang Wu do pagamento de indemnizações por erro médico, depois de dar provimento a um recurso interposto pela instituição. Segundo um acórdão tornado público esta semana - e analisado pelo HM -, o caso remonta a 2004, quando os filhos e a mulher de um homem pediram uma indemnização de mais de um milhão e meio de patacas ao hospital por considerarem que houve negligência médica que levou à morte do cidadão. Em primeira instância, contudo, o hospital privado foi absolvido da queixa, motivo que levou os filhos e a mulher do falecido a apresentarem recurso no Tribunal de Segunda Instância. Este deu razão parcial aos familiares, condenando o Kiang Wu a pagar 1,4 milhões de patacas

Em 2004, o homem submeteu-se a uma cirurgia na qual foi feita uma angiografia das pernas, mas faleceu. A esposa e os dois filhos acusam o hospital de

negligência, mas o Kiang Wu defende-se: os médicos actuaram de forma lícita, optaram pelo tipo de operação mais adequado e informaram o paciente de todas as

TIAGO ALCÂNTARA

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DEFENDE LAMPO LEONG, ACADÉMICO SINO-AMERICANO

Talentos precisam de incentivos L

AMPO Leong, professor da Universidade de Missouri-Columbia, dos Estados Unidos, defende que a criação de talentos jovens deve ter como base dois princípios. Não só o Governo deve criar medidas, como as próprias universidades devem estar abertas a culturas estrangeiras. “Penso que alguns incentivos da parte do Governo poderiam ajudar a encorajar os talentos e a fazer

com que contribuam para a sociedade. Penso que têm de providenciar mais incentivos para que as novas gerações possam ir mais além.” Mas também “a universidade tem grandes responsabilidades, especialmente as locais”. “Deve haver uma maior influência das culturas exteriores à universidade, para que cada vez mais estudantes possam trazer mais oportunidades de

olhar para fora e serem mais competitivos”, disse ainda. Da parte do Executivo devem ainda surgir “programas de cooperação” para que os jovens tenham mais actividades, para que não estejam sempre ligados às novas tecnologias. “Deve dar-se mais incentivos aos jovens para que tenham essa responsabilidade”, frisou. Lampo Leong falou aos

jornalistas à margem de uma palestra para o qual foi convidado na Universidade de Macau (UMAC), com o tema “Uma boa educação gera oportunidades e possibilidades”. Afirmando que não conhece especificamente o panorama da educação em Macau, Lampo Leong acredita que o Governo da RAEM “está a fazer um bom trabalho, mas claro que é sempre preciso melhorar”. - A.S.S.

consequências possíveis. “Dada a falibilidade da ciência médica, os profissionais de saúde, em termos de responsabilidade médica, estão apenas obrigados a desenvolver prudente e diligentemente os actos médicos para a obtenção de um determinado efeito e a agir segundo as exigências da [lei]. Mas, não se obrigam a garantir um determinado resultado - a cura - ou a ausência de riscos nesse tratamento. E os autores não podem provar a ilicitude dos actos dos médicos ou a culpa dos empregados do [hospital]”, pode ler-se no acórdão. Segundo o relatório do Centro de Queixas dos Serviços de Saúde, o homem chegou mesmo a assinar um termo de consentimento para a angiografia. Recorde-se, contudo, que segundo o acórdão do TSI, este podia não ter sido o método escolhido e o tribunal – que condenou o hospital – frisou que o doente entrou em letargia, parou de respirar e sofreu dez minutos de forma consciente antes de falecer. Os familiares dizem que o Kiang Wu não informou a vítima de que havia outras hipóteses de diagnóstico e ainda que foi administrada uma dose ineficaz para a detecção de uma possível alergia ao líquido de contraste necessário para a angiografia. O TUI não concorda. “O TUI entendeu que os médicos cumpriram o seu dever prudente de informação e que o paciente deu o seu consentimento informado, pelo que não ficou provada a ilicitude dos actos dos médicos. Além disso, os autores também não podem provar a negligência dos profissionais do hospital na teste para detecção de alergia.”

Governo contrata consultora para analisar riscos económicos

O Gabinete de Informação Financeira (GIF) encomendou à consultora Delloite Touche Tohmatsu – Sociedade de Auditores a realização da “Análise dos Riscos de Macau – Primeira Fase”. Segundo despacho publicado ontem em Boletim Oficial, assinado pelo secretário Francis Tam, cabe a Débora Ng, coordenadora do GIF, celebrar o contrato de prestação de serviços com a delegação da consultora financeira britânica, que possui escritórios em todo o mundo. O HM contactou o GIF para tentar saber quais os objectivos do Governo na realização deste relatório e quanto vai custar este contrato aos cofres do Executivo. Contudo, não foi possível obter quaisquer esclarecimentos deste gabinete até ao fecho da edição, tendo ficado prometidas respostas por escrito durante o dia de hoje.


sociedade 7

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Capital fresquinho O

S activos internacionais do sector bancário de Macau ascenderam a 813,7 mil milhões de patacas, no final de Setembro, mais 26,6% em termos anuais, indicam dados oficiais ontem divulgados. De acordo com estatísticas da Autoridade Monetária de Macau (AMCM), as disponibilidades sobre o exterior aumentaram 28,8% para 636,2 mil milhões de patacas, ao passo que os activos internos em moeda estrangeira subiram 19,1%, face ao período homólogo do ano passado, para 177,5 mil milhões de patacas. Os empréstimos e depósitos no exterior figuraram como a principal componente dos activos internacionais, cifrando-se, no final do terceiro trimestre, em 595,2 mil milhões de patacas - mais 29,9% em termos anuais. A quota das aplicações financeiras nos mercados internacionais no activo total do sistema bancário subiu ligeiramente de 84,8%, no final de Junho, para 84,9%, no final de Setembro. Já as responsabilidades externas no passivo total do sistema bancário diminuíram de 81,2% no final de Junho para 81,1%, informa a AMCM. O total das responsabilidades internacionais do sector bancário de Macau atingiu 777,7 mil milhões de patacas - mais 5,9% em termos trimestrais e mais 26,2% face ao período homólogo de 2012. As responsabilidades para com o exterior e as responsabilidades internas em moeda estrangeira atingiram, respectivamente, 396,4 mil milhões e 381,3 mil milhões de patacas, registando acréscimos anuais na ordem dos 25,2% e dos 27,2%. Os depósitos em moeda estrangeira dos residentes nos bancos locais e do Governo de Macau continuaram a representar

BUSINESS AWARDS OF THE YEAR INICIATIVA É DA ASSOCIAÇÃO DE LEITORES DA MB

Costa Antunes é um dos nomeados E STEVE anos à frente da Direcção dos Serviços de Turismo, e agora lidera os destinos do Grande Prémio de Macau. João Costa Antunes é um dos nomeados para o prémio de liderança dos Business Awards of the Year, iniciativa da Associação de Beneficência dos Leitores da revista de económica Macau Business. Segundo a Rádio Macau, outro dos candidatos é Pedro Cardoso, director-geral do Banco Nacional Ultramarino. A ANIMA e a Caritas Macau estão entre as entidades não-governamentais nomeadas. A CESL-Ásia está presente na categoria ambiente. Várias operadoras de jogo integram a categoria “responsabilidade social corporativa”. O Nirvana SPA, a Lord Stow’s Bakery, famosa pelos seus pastéis de nata, e ainda o cineasta Ivo Ferreira, dono da Mercearia Portuguesa, são outros dos nomeados. A designer

GONÇALO LOBO PINHEIRO

ACTIVOS INTERNACIONAIS DA BANCA AUMENTARAM 26,6%

local Bárbara Ian e a deputada e directora-executiva da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), Angela Leong, disputam o prémio das mulheres empreendedoras. Os finalistas serão conhecidos no próximo dia 27, num evento no Grand Lisboa. – A.S.S.

Mais estações para monitorizar nível da água a maior componente no total das responsabilidades internacionais, os quais cresceram 27,5% para 358 mil milhões de patacas no final de Setembro. Segundo a AMCM, a actividade bancária internacional de Macau distribuiu-se principalmente pela Ásia e Europa. As quotas das disponibilidades do sistema bancário de Macau em Hong Kong e interior da China eram de 33,8% e 27,6%, até ao final de Setembro, respectivamente; enquanto em relação a Portugal, Luxemburgo e Alemanha corres-

pondiam a 9,7%, 1,7% e a 1,2%, respectivamente, no total de activo exterior. Quanto ao passivo sobre o exterior, registaram-se quotas de 52,3% e 19,1% para Hong Kong e o interior da China, respectivamente. No que respeita ao passivo sobre França, Portugal e Alemanha, as quotas eram de 4,4%, 4,2% e 2,2% do total de passivo sobre o exterior. As estatísticas da actividade internacional do sector bancário de Macau são elaboradas de acordo com métodos indicados pelo “Bank for International Settlements”.

Macao Gaming Show com mais de oito mil visitantes

O

arranque da Macao Gaming Show, uma feira de jogo que decorreu recentemente no Venetian, parece ter corrido bem. Feita por locais e pensada para empresas locais, a Macao Gaming Show conseguiu acolher mais de 100 expositores, que foram visitados por 8.600 mil pessoas. Em comunicado, Jay Chun, presidente da Macau Gaming Equipment Manufacturers Association (MGEMA), organizadora do evento, garante que o balanço

é positivo. “Estamos orgulhosos de dizer que a inauguração da Macau Gaming Show provou ser um sucesso. A presença de tantas empresas que desempenham um importante papel no panorama do jogo de Macau e da Ásia, juntamente com grandes sugestões que recebemos de todos os que nela participaram. Isso confirma que a partir daqui vamos tornar-nos sempre maiores e melhores, e já estamos a olhar para a feira do próximo ano.” - A.S.S.

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ACAU vai ter mais oito estações de monitorização do nível das águas até inícios do próximo ano. A ideia é reforçar a vigilância do risco de cheias, na cidade, e melhorar o sistema de avisos à população. Às actuais nove estações de vigilância do nível da água, juntam-se assim outras três em Macau, quatro na Taipa e uma em Coloane. Leong Weng Kun, chefe do Centro de Clima e Ambiente Atmosférico dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG), explicou ontem aos jornalistas que o objec-

tivo é “intensificar as funções do mecanismo do sistema de alerta, para que a população possa estar melhor preparada em situações de inundação e em situações climáticas adversas”. Leong garantiu que entre a recolha dos dados e a actualização da página oficial dos SMG passarão poucos minutos e que a população vai ser devidamente informada neste website. “Através destas fotografias tiradas em tempo real, as pessoas poderão saber qual o ponto da situação em termos de inundação, na via, naquela altura”, explicou.


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CHINA

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primeira fábrica do Grupo Salvador Caetano na Ásia, destinada à produção de autocarros para serviços especiais, arrancou ontem em Dalian, nordeste da China, em parceria com uma empresa chinesa local. “Este projecto é o mais recente exemplo da capacidade da Salvador Caetano Indústria em exportar inovação, competência e ‘know-how’ a uma escala global”, afirmou o presidente da empresa, José Ramos, num comunicado divulgado pelo grupo português a propósito da inauguração da “Brilliance Caetano”. Segundo a mesma nota, “foi constituída uma equipa de engenheiros portugueses especializados a trabalhar simultaneamente em Vila Nova de Gaia e em Dalian e estão a decorrer programas intensivos de formação ministrados aos colaboradores chineses”, mas “o cérebro da empresa continuará a estar em Portugal”. A nova empresa mista representa um investimento de oito milhões de euros, realizado em partes iguais pela Salvador Caetano e a Brilliance Auto (Divisão Special Vehicles), empresa do Grupo Huachen ligada ao sector automóvel e associada à marca BMW. Com uma área de 3,2 hectares, a fábrica da Brilliance Caetano prevê empregar cerca de 250 pessoas nos primeiros anos de actividade e, além de autocarros para aeroportos, poderá produzir outros veículos especiais,

Com uma área de 3,2 hectares, a fábrica da Brilliance Caetano prevê empregar cerca de 250 pessoas nos primeiros anos de actividade e, além de autocarros para aeroportos, poderá produzir outros veículos especiais, como autocarros escolares e autocarros urbanos eléctricos PRIMEIRA FÁBRICA DA SALVADOR CAETANO NA ÁSIA INAUGURADA ONTEM

Dalian, a cidade escolhida como autocarros escolares e autocarros urbanos eléctricos. A capacidade instalada inicial será de 150 unidades por ano, mas poderá ser estendida até 300 unidades, “em função da procura do mercado”, disse a empresa. A possibilidade de a

Brilliance Caetano exportar para os mercados vizinhos da China está igualmente “em aberto”. Para a Salvador Caetano, que há 23 anos exporta para a China a partir da sua fábrica em Vila Nova de Gaia, a parceria com aquela empresa chinesa “representa uma

oportunidade de crescimento significativo da actividade industrial num mercado em forte expansão”. Já em 2014, as exportações para Dalian de mais 120 kits destinados à montagem dos referidos autocarros deverão traduzir-se numa facturação de cerca de 100

milhões de patacas, prevê o grupo português. Nascido em 1946 a partir de uma pequena unidade ligada ao fabrico de carroçarias para autocarros, o Grupo Salvador Caetano abrange hoje mais de 150 empresas, em sete países: Portugal, Espanha, Reino Unido, Ale-

manha, Cabo Verde, Angola e, agora, China. No conjunto, o grupo emprega mais de 5.000 pessoas e, em 2012, o seu volume de negócios, em bens e serviços, ultrapassou os 15 mil milhões de patacas. Dalian - estratégico porto do nordeste da China e sede de um município com cerca de sete milhões de habitantes - fica a mil quilómetros de Pequim, a meio caminho entre a capital chinesa e a península coreana.

MONUMENTO A HERÓI COREANO CAUSA NOVO CONFLITO DIPLOMÁTICO COM TÓQUIO

Doze mortos em incêndio num armazém comercial de Pequim

Pelo menos 12 pessoas morreram hoje e outras quatro ficaram feridas na sequência de um incêndio num armazém de uma loja no distrito de Chaoyang, em Pequim, informou a agência oficial chinesa Xinhua. O incêndio foi registado às 20:30 de terça-feira e demorou cerca de duas horas e meia a ser dominado pelos bombeiros. O último cadáver foi retirado esta madrugada e os feridos continuam hospitalizados, informou a polícia. Dois donos do armazém foram detidos enquanto decorre a investigação ao incidente.

Dois gigantes eternamente às turras A China e a Coreia do Sul desencadearam um novo conflito diplomático com o Japão ao anunciarem a construção de um monumento em homenagem a um herói coreano que assassinou um responsável japonês há um século. As relações entre os três países vizinhos estão marcadas por conflitos históricos, e Pequim e Seul mantêm diferentes disputas territoriais com Tóquio. O último caso refere-se a Ahn Jung-geun, que matou a tiro Hirobumi Ito em 1909, na época o principal responsável japonês na Coreia, na estação ferroviária de Harbin, no nordeste da China. A presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, reuniu-se

na segunda-feira com o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Yang Jiechi, para avaliar o trabalho do monumento a Ahn em Harbin, de acordo com um comunicada da presidência sul-coreana (Casa Azul). “Ahn Jung-guen é um combatente anti-Japão muito famoso”, disse o porta-voz da diplomacia chinesa, Hong Lei, no encontro regular com a imprensa. “É também respeitado pelo povo chinês”. “A China vai, de acordo com os regulamentos relativos à construção de monumentos a estrangeiros, definir como pode fazer avançar os trabalhos”, acrescentou. Ito, primeiro chefe do governo japonês, foi um dos mais importantes políticos japoneses modernos

e Tóquio opõe-se fortemente à construção do monumento. Ahn foi enforcado em 1910, data em que a Coreia passou a ser formalmente uma colónia japonesa, dando início a um período de ocupação brutal, até ao fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945. O Japão já tinha ocupado território na China continental e, em 1930, decidiu invadir a Manchúria, antes de ocupar a maior parte da região oriental chinesa, durante a guerra. “Temos dito ao governo sul-coreano que Ahn Jung-guen era um criminoso. Receio que isto não seja bom para as relações entre o Japão e a Coreia do Sul”, disse hoje aos jornalistas o porta-voz do governo japonês, Yoshihide Suga. A Coreia do Sul já respondeu,

através do porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, Cho Tai-young, em defesa de Ahn, também considerado um herói na Coreia do Norte. “O mártir Ahn sacrificou a vida pela independência do país e pela paz na região. É lamentável que esta pessoa seja apelidada de criminosa. Mais uma vez, pedimos ao Japão que encare a verdade história e se arrependa dos comportamentos passados”, frisou. A ocupação japonesa deixou uma herança amarga na China e nas duas Coreias. Seul e Pequim recusaram realizar cimeiras bilaterais formais com o primeiro-ministro nipónico, Shinzo Abe, que os dois países consideram um conservador nas questões territoriais e históricas.


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hoje macau quinta-feira 21.11.2013

ESPANHA PEDE PRISÃO DE EX-PRESIDENTE CHINÊS

Jiang Zemin é acusado de participar de genocídio

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M tribunal de Madrid expediu esta terça-feira uma ordem de prisão internacional contra o ex-Presidente da China Jiang Zemin (1993-2003), o ex-primeiro-ministro Li Peng (1987-1998) e outros cinco ex-dirigentes do país asiático por uma suposta participação no genocídio cometido no Tibete nas décadas de 1980 e 1990. Os ex-dirigentes são acusados de acções para “eliminar a existência” dos tibetanos através da imposição da lei marcial, de promover a deportação forçada da população e de acabar progressivamente com o povo nativo. Para isso, o governo chinês impôs uma política de abortos e esterilizações forçadas. A investigação começou após uma denúncia apresentada em 2006 pelo Comité de Apoio ao Tibete (CAT), pela PUB

Fundação Casa do Tibete e por Thubten Wangcheng Sherpa Sherpa, presidente da comunidade tibetana na Espanha. Segundo as entidades, após a ocupação do seu território em 1950, mais de um milhão de pessoas foram assassinadas ou morreram nas mãos de oficiais chineses e mais de

90% das suas instituições culturais e religiosas foram destruídas. “O ex-Presidente Jiang Zemin e o ex-primeiro-ministro Li Peng não estão mais protegidos pela imunidade diplomática, e agora podem ser presos se saírem da China”, explicou à ANSA o advogado do CAT, José Elias Esteve Molto.

REGIÃO Filipinas Oito milhões de mulheres e crianças precisam de ajuda A Organização das Nações Unidas (ONU) informou ontem que 7,8 milhões de mulheres e crianças nas Filipinas necessitam de ajuda, na sequência do tufão Haiyan, que devastou o centro do arquipélago no dia 8. Cerca de 3,2 milhões de mulheres e 4,6 milhões de crianças necessitam de apoio psicológico e protecção contra violações, tráfico humano e exploração, indicou a responsável pelos Assuntos Humanitários da ONU, Valerie Amos. “Com mais de 500 mil casas completamente destruídas, a necessidade urgente de refúgios e protecção básica para as mulheres e crianças mantém-se”, afirmou Amos, que visitou na terça-feira a cidade de Tacloban, uma das mais afectadas pelo tufão, citada pelo diário The Star. Valerie Amos salientou que as “mulheres grávidas ou as que acabaram de dar à luz, bem como outros grupos vulneráveis necessitam de ajuda especial”, depois de terem sido relatados episódios de violência e de agressões

sexuais nas áreas afectadas pelo tufão. De acordo com dados da ONU, foram distribuídos alimentos e água potável a mais de 1,1 milhões de sobreviventes. As autoridades filipinas aumentaram hoje o número de mortos na sequência do tufão para 4.011, havendo ainda 18.557 feridos e 1.602 desaparecidos. O Haiyan, com ventos de até 315 quilómetros por hora, foi o tufão mais forte registado e o terceiro desastre mais mortífero na história recente das Filipinas.

Índia Barras de ouro encontradas em casa de banho de avião Uma equipa de limpeza descobriu 24 barras de ouro, avaliadas em mais de um milhão de dólares, na casa de banho de um avião estacionado num aeroporto de Calcutá, informou ontem o responsável da infra-estrutura aeroportuária. “A equipa de limpeza do avião, que realizava as suas tarefas habituais, encontrou dois sacos nas casas de banho” com barras de ouro, que “não foram ainda reclamadas”, disse

o diretor do aeroporto, B. P. Mishra, citado pela agência AFP. Segundo um responsável dos serviços de alfândega, R.S. Meena, o ouro encontrado vale mais de um milhão de dólares. O avião da companhia Jet Airways estava em Calcutá depois de ter partido de Patna, tendo antes feito várias ligações internacionais. A Índia é o maior consumidor de ouro do mundo, a par da China, registando um crescente contrabando.


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PORTUGAL DEVE QUALIFICAÇÃO AO “SUPER-HERÓI” CRISTIANO RONALDO

De outro planeta Nas duas mãos, quatro golos do capitão garantiram à selecção nacional o bilhete para o Brasil. Ibrahimovic chegou a assustar, mas a noite [ontem de madrugada em Macau] era de Ronaldo

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ELA sexta vez no seu historial, a selecção portuguesa qualificou-se para a fase final do Mundial de futebol, após ter derrotado, esta terça-feira, a Suécia por 3-2 em Estocolmo, no jogo da segunda mão do play-off de apuramento, depois do triunfo por 1-0 em Lisboa. Um jogo de loucos, quase sempre dominado pelos jogadores lusos, que a certa altura chegou a dar esperanças aos suecos. Na verdade, a qualificação de Portugal para o Mundial 2014 tem indiscutivelmente um nome, e esse nome é Cristiano Ronaldo. O avançado do Real Madrid apontou os três golos da vitória (2-3) sobre a Suécia – e já tinha marcado em Lisboa - e assegurou à equipa nacional uma vaga no Brasil. Com o ‘hat-trick’ no Friends Arena, CR7 igualou Pauleta na liderança da tabela de melhores marcadores da história da selecção. E deu razão à confiança “inabalável” de Paulo Bento. Quem tem Cristiano Ronaldo, tem uma enorme vantagem competitiva. Com este obstáculo ultrapassado, Portugal disputará, no ano que vem, a oitava fase final consecutiva

CRISTIANO RONALDO “DEMONSTREI QUE ESTOU PRESENTE E VOLTEI A AJUDAR” “Eu estou aqui”. A já célebre frase com que Cristiano Ronaldo celebra os golos que marca foi escutada três vezes no Friends Arena, em Estocolmo. O capitão da equipa das Quinas rejeita o estatuto de herói nacional e diz ter cumprido com a obrigação de ajudar a Selecção Nacional a carimbar a quarta presença consecutiva em Campeonatos do Mundo. “Fiz o meu trabalho como tenho feito nos últimos tempos. Não tenho de dar resposta a ninguém. Tento dar sempre o meu melhor. Batalhámos, sofremos. É assim que as equipas grandes vão longe. Deixámos crescer um pouco a Suécia depois do empate, recuámos e sofremos o segundo golo. Faz parte do futebol, nunca se sabe quem ganha. Por isso é que o futebol é brilhante. Fomos melhores nos dois jogos. Fomos os justos vencedores”, sentenciou CR7, em declarações à RTP. Os três golos em Estocolmo colocam o capitão da equipa das Quinas a par de Pauleta no topo da lista dos melhores marcadores da Selecção Nacional, com 47 tentos apontados. “Os recordes são para ser batidos, mas não é a minha prioridade bater o recorde do Pauleta. Sabia que isso iria acontecer naturalmente. Estamos empatados mas estou focado em ajudar a Selecção. Demonstrei que estou presente e voltei a ajudar a Portugal”, realçou Ronaldo. “A equipa está de parabéns. Conseguimos o objectivo que pretendíamos. Agora é tempo desfrutar, descansar e regressar aos clubes de consciência tranquila e fazer uma grande época. Vamos formar uma grande Selecção e dar uma boa resposta no Mundial», atirou o capitão da selecção de todos nós.

de grandes competições. Obrigada a jogar o ‘play-off’ pela terceira ocasião seguida, a equipa de Paulo Bento emendou os erros cometidos durante o torneio de qualificação e garantiu, com indiscutível mérito,

um lugar entre os 32 finalistas do Mundial 2014. Ibrahimovic tentou remar contra a maré, mas sozinho nada podia fazer. Velocidade, potência muscular e instinto matador. Cristiano Ronaldo

foi a estrela mais brilhante sobre o relvado de Estocolmo, mostrando-se imune a qualquer estratégia de desestabilização que houvesse por parte dos suecos. E foram muitas: desde música à chegada a barulho de madrugada, junto ao hotel onde a equipa ficou alojada. O madeirense contrariou a fé sueca e aumentou um pouco mais a dimensão do seu estatuto lendário. Paulo Bento tinha na manga uma enorme surpresa para o encontro decisivo do ‘play-off’: o técnico deu a titularidade na frente do ataque a Hugo Almeida, em detrimento de Hélder Postiga, relegado para o banco de suplentes. Já Erik Hamrén apresentou exactamente a mesma equipa que alinhou de início no Estádio da Luz. A equipa nacional não conseguiu disfarçar algum desconforto nos primeiros minutos do encontro, mas assim que começou a sentir-se mais cómoda assumiu o comando da partida. Empurrada pelas bancadas, a Suécia foi superior na fase inicial, mas, a partir dos 15 minutos, Portugal esteve por cima, conseguiu expor as limitações do adversário,

Nas grandes ocasiões, as grandes figuras aparecem. Foi o caso de Cristiano Ronaldo neste ‘play-off’, ao apontar um golo em Lisboa e três em Solna. As perspectivas só podem ser as melhores para 2014, no Brasil, mesmo que Portugal saiba de antemão que não vai ter estatuto de cabeçade-série no sorteio e só não foi para o intervalo em vantagem porque faltou pontaria e o guarda-redes sueco fez o que lhe competia. Sem sequer colocar muita velocidade na partida, a selecção foi a


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a-feira 21.11.2013

PAULO BENTO “PORTUGUESES DEVEM ESTAR ORGULHOSOS” O treinador da Selecção Nacional considera que Portugal conseguiu um apuramento justo pelos dois jogos que realizou no “play-off” com a Suécia. “Na primeira parte, controlámos o jogo e tivemos as melhores oportunidades. Não tivemos grandes problemas até ao 1-0 mas, depois, complicámos e sofremos dois golos de bola parada. Mas tivemos uma boa reação e foi uma vitória inteiramente justa”, disse Paulo Bento no final do encontro. “A qualificação (para o Mundial) parece-me justíssima pelo que fizemos nos dois jogos. Quero felicitar aqueles que estiveram envolvidos neste jogo, mas também os que participaram nos jogos de apuramento. (...) Hoje podíamos ter feito melhor as coisas mas os jogadores estavam sob uma pressão muito grande. Agora é desfrutar, é a 11.ª presença de Portugal numa fase final, desde 2000 que não falhamos um Campeonato do Mundo. Os portugueses devem estar orgulhosos desta Selecção”, atirou.

equipa mais perigosa nos 45’ iniciais, enquanto os suecos sentiram dificuldades para entrar na área defensiva portuguesa. Os golos chegaram na segunda parte, cortesia das grandes figuras de cada equipa. Cristiano Ronaldo, lançado em velocidade, deu vantagem a Portugal no arranque do segundo tempo (50’) e silenciou as bancadas da Friends Arena. Mas um homem que conhece bem os cantos à casa deu motivos aos adeptos suecos para voltarem a acreditar. Zlatan Ibrahimovic “bisou” (68’ e 72’) em quatro minutos (foi o 12.º golo em sete jogos no moderno recinto) e a fé escandinava voltou. Apesar de estar a vencer no jogo, a vantagem na eliminatória ainda era portuguesa. Paulo Bento quis segurar o meio-campo e proporcionou a estreia a William Carvalho. O desenrolar da partida daria razão ao técnico, porque o médio do Sporting foi importante na fase final. Contudo, o protagonismo foi de Cristiano Ronaldo. Aproveitando o balanceamento atacante dos suecos, o capitão da equipa nacional desferiu mais um golpe no adversário aos 77’, num lance semelhante ao do primeiro golo. E o golpe de misericórdia nas aspirações da Suécia chegou dois minutos depois. ‘Hat-trick’ para o madeirense e liderança na tabela de melhores marcadores da selecção, a par de Pauleta. Nas grandes ocasiões, as grandes figuras aparecem. Foi o caso de Cristiano Ronaldo neste ‘play-off’, ao apontar um golo em Lisboa e três em Solna. As perspectivas só podem ser as melhores para 2014, no Brasil, mesmo que Portugal saiba de antemão que não vai ter estatuto de cabeça-de-série no sorteio.

QUEM DISSE O QUÊ • “Ronaldo não é deste planeta” GARY LINEKER, antigo avançado inglês • “Parabéns Portugal! A 29.ª selecção confirmada no Mundial. A sua sexta presença em fases finais. Fantástica exibição de Cristiano” JOSEPH BLATTER, presidente da FIFA • “O futebol português confirma mais uma vez um merecido lugar de destaque na elite do futebol mundial” PEDRO PASSOS COELHO, primeiro-ministro de Portugal

• “Os jogadores e a equipa técnica viram recompensados os seus esforços e estão de parabéns por terem acreditado nas suas capacidades e na possibilidade de, com empenho e dedicação, vencerem os adversários, dignificando o desporto nacional e proporcionando mais um motivo de orgulho aos adeptos e aos Portugueses em geral” ANÍBAL CAVACO SILVA, Presidente da República Portuguesa • “Tínhamos uma táctica para parar Ronaldo” ERIK HAMRÉN, seleccionador sueco

PRESIDENTE DA FPF VITÓRIA “SABOROSA PARA O POVO”

“Portugal deu prova cabal das suas capacidades” O presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Fernando Gomes, afirmou esta terça-feira que a selecção “deu uma prova cabal das suas capacidades”, ao vencer a Suécia por 3-2 e garantir o apuramento para o Mundial2014. “Do ponto de vista desportivo, o Campeonato do Mundo no Brasil era um objectivo. Conseguimo-lo, num jogo decisivo e não de

vida ou de morte, que isso não existe no desporto”, disse o dirigente, em Solna, após a partida marcada por três golos de Cristiano Ronaldo. Fernando Gomes afirmou que “outro resultado menos positivo não colocaria em causa o percurso que a equipa federativa iniciou há dois anos”. “Não deixámos de ser competentes”, vincou, frisando ainda, que “esta vitória foi saborosa para o povo português,

que atravessa uma fase difícil e assim viveu uma alegria”. Voltando ao “hat-trick” de Cristiano Ronaldo, Fernando Gomes recordou que, “aquando do episódio protagonizado pelo senhor Blatter (presidente da FIFA), a FPF manifestou a sua opinião: é o melhor do mundo”. “Está a fazer uma época e um ano extraordinário e estou convencido que merece esse título”, sublinhou.

Ibrahimovic garante que vai continuar ao serviço da selecção

Zlatan Ibrahimovic ainda colocou a Suécia na luta pelo apuramento, ao marcar dois golos, mas a sua actuação foi insuficiente para evitar a derrota frente a Portugal. O avançado do PSG diz que esta terá sido a última campanha para a fase final de um Mundial em que participa, e garante que não vai prestar grande atenção ao torneio que se realiza no Brasil no próximo ano. “Provavelmente esta foi a última vez que vou tentar chegar ao Mundial com a selecção sueca. Para já, vou continuar a jogar na equipa nacional. Mas uma coisa é certa, um Mundial sem mim não vale a pena ver. Parabéns a Portugal, mas ambas as equipas mereciam estar no Mundial. A desilusão é grande. O Mundial do Brasil foi apenas um sonho para a selecção sueca”, escreveu o avançado sueco no “Zlatan Unplugged”, uma aplicação que Ibrahimovic tem para plataformas móveis.

Pepsi pede desculpa a Ronaldo após campanha polémica

A Pepsi pediu nesta terça-feira desculpas a Cristiano Ronaldo e à selecção portuguesa de futebol, na sequência da polémica gerada por uma campanha destinada aos consumidores suecos que mostrava um boneco vestido com as cores nacionais a ser esmagado por um lata e trucidado por um comboio. Nessa campanha, designada “Vamos passar por cima de Portugal!” e difundida através das redes sociais da Pepsi, três imagens mostravam Ronaldo com a cabeça esmagada por uma lata, amarrado a uma linha de comboio e a ser alvo de vudu. As imagens foram entretanto retiradas, segundo uma mensagem publicada já esta noite pela multinacional norte-americana. “O futebol é conhecido pela paixão que inspira, e a competição está a ficar mais intensa. A equipa sueca, infelizmente, foi mais longe do que devia. Nunca quisemos dar ao desporto ou ao espírito de competição uma conotação negativa. Pedimos desculpa a todos aqueles que se sentiram ofendidos pelos posts — estes foram imediatamente retirados. Queremos igualmente dirigir as nossas mais sinceras e profundas desculpas ao Cristiano Ronaldo e à Selecção Portuguesa de Futebol”, pode agora ler-se na página da multinacional. Quando as imagens vieram a público, muitos portugueses manifestaram a sua indignação pela campanha, inclusive criando páginas no Facebook a apelar a que não se consumissem mais bebidas da Pepsi. A polémica campanha foi lançada antes do jogo desta terça-feira entre Portugal e Suécia, que a selecção nacional acabaria por vencer por 3-2.


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hoje macau quinta-feira 21.11.2013

EDITAL Edital no Processo no Assunto Local

:63/E/2013 :1108/BC/2012/F :Demolição da obra não autorizada pela infracção às respectivas disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) : Estrada de Coelho do Amaral n.º 114, Edf. Wai Keong, terraço sobrejacente à fracção 6o andar C, Macau.

Chan Pou Ha, subdirectora da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e no 09/ Transportes, no uso das competências delegadas pela alínea 7) do no 1 do Despacho SOTDIR/2009, publicado no Boletim Oficial da RAEM no 16, II série, de 22 de Abril de 2009, faz saber por este meio aos donos da obra ou ao seu mandatário e aos utentes do local acima indicado, cujas identidades se desconhecem, o seguinte: 1.

O agente de fiscalização desta DSSOPT deslocou-se ao local acima indicado e verificou a realização de obra sem licença cuja descrição e situação é a seguinte: Infracção ao RSCI e Sanção motivo da demolição Construção não autorizada Infracção ao no 4 do Nos termos do no com cobertura, suporte e artigo 10o, obstrução do 3 do artigo 87o do caminho de evacuação. mesmo regulamento, gradeamento metálicos. é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas. Obra

1.1

2.

De acordo com o no 1 do artigo 95o do RSCI, foi realizada, no seguimento de notificação por edital publicado nos jornais em língua chinesa e portuguesa de 07/02/2013, a audiência escrita dos interessados, mas estes não apresentaram a resposta no prazo indicado e não foram carreados para o procedimento elementos ou argumentos de facto e de direito que pudessem conduzir à alteração do sentido da decisão de ordenar a demolição da obra não autorizada acima indicada.

3.

Sendo as escadas e corredores comuns e terraço do edifício considerados como caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no no 4 do artigo 10o do RSCI. Assim, nos termos do no 1 do artigo 88o do RSCI e no uso das competências delegadas pela alínea 7) do no 1 do Despacho no 09/SOTDIR/2009, publicado no Boletim Oficial da RAEM no 16, II série, de 22 de Abril de 2009, por meu despacho de 14/11/2013 exarado sobre a informação nº 4584/DURDEP/2013, ordeno aos donos da obra ou seu mandatário que procedam, por sua iniciativa, no prazo de 8 (oito) dias contados a partir da data de publicação do presente edital, à demolição da obra acima indicada e à reposição do local afectado, bem como aos interessados e aos utentes que procedam à remoção de todos os materiais e equipamentos nele existentes e à desocupação do local acima referido, devendo, para o efeito e com antecedência, apresentar na Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, a declaração de responsabilidade do construtor responsável por essa demolição, bem como a apólice de seguro contra acidentes de trabalho e doenças profissionais. Após a conclusão dos referidos trabalhos deverá ser comunicado o facto à DSSOPT para efeitos de vistoria.

4.

Findo o prazo da demolição e da desocupação não será aceite qualquer pedido de demolição da obra acima mencionada. De acordo com o no 2 do artigo 139o do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei no 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se ainda que nos termos dos nos 1 e 2 do artigo 89o do RSCI, a DSSOPT, em conjunto com outros serviços públicos e com a colaboração do Corpo de Polícia de Segurança Pública, procederá a partir do termo do prazo atrás referido à execução dos trabalhos acima referidos, a expensas do infractor. Além disso, tendo o prazo da demolição e da desocupação voluntárias expirado, a DSSOPT dará início aos trabalhos da demolição e da desocupação, não podendo ser cancelados os referidos trabalhos uma vez iniciados. Por fim, os materiais e equipamentos deixados no local acima indicado serão depositados no local indicado à guarda de um depositário a nomear pela Administração. Findo o prazo de 15 (quinze) dias a contar da data do depósito e caso os bens não tenham sido levantados, consideram-se os mesmos abandonados e perdidos a favor do governo da RAEM, por força da aplicação do artigo 30o do DecretoLei no 6/93/M, de 15 de Fevereiro.

5.

As obras acima indicadas infringem o disposto no RSCI, pelo que, os infractores são sancionáveis com a respectiva multa. Além disso, de acordo com o no 4 do artigo 87o do mesmo regulamento, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração ou segurança do edifício.

6.

Nos termos do no 1 do artigo 97o do RSCI e das competências delegadas pelos nos 1 e 4 da Ordem Executiva no 124/2009, publicada no Boletim Oficial da RAEM, Número Extraordinário, I Série, de 20 de Dezembro de 2009, da decisão referida no ponto 3 do presente edital cabe recurso hierárquico necessário para o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a interpor no prazo de 8 (oito) dias contados a partir da data de publicação do presente edital.

Open Tender Notice Request for Proposal – MIA - Joint Sealant Replacement Works for MIA Runway – RFQ-154 1. 2. 3. 4.

5.

6.

Company: Macau International Airport Co. Ltd. (CAM) Tendering method: Open tendering Objective: To select a qualified contractor to perform the joint sealant replacement work in the runway of Macau International Airport. Request for tender documents: Tender Notice and Tender Document can be downloaded from the website www.macau-airport.com and www.camacau.com until 7 days prior to the deadline for submission of Bidders’ tenders. Please regularly check the website for any clarification or changes/modification/amendment of the Tender Document. Location and deadline for submission of Bidders’ tenders: Macau International Airport Co. Ltd. (CAM) 4th Floor, CAM Office Building, Av. Wai Long, Taipa, Macau Before 12:00(noon) on 26 February 2014 (Macau Time) The addressee of the tender shall be Mr. Deng Jun – Chairman of the Executive Committee. The tenders received after the stipulated date and time will not be accepted. CAM reserves the right to reject any tender in full or in part without stating any reasons. -END-

Aos 14 de Novembro de 2013

A Subdirectora dos Serviços Enga Chan Pou Ha


EVENTOS

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NEM LADY GAGA, NEM OS BON JOVI BATERAM A RAINHA DA POP

Madonna, a cantora mais bem paga de 2013 H Á princesas da pop que tentam regressos, há mães-monstro que lutam pela sua relevância, mas rainha há só uma: Madonna voltou a ser considerada pela revista Forbes a artista musical mais rentável em 2013, ultrapassando Lady Gaga (“mãe” para os seus fãs, os “little monsters”) e uma das bandas financeiramente mais relevantes na actualidade, os Bon Jovi. A culpa é da digressão MDNA, que serve de prova de que o dinheiro está nas actuações ao vivo e não nas vendas ou nos contratos discográficos. Contudo, há ainda outros artistas na lista que não precisam de fazer música para ganhar dinheiro. E outros que assistem da cabine de DJ ao crescimento das suas contas bancárias. De acordo com as contas da Forbes, MDNA rendeu 225,3 milhões de euros em vendas de bilhetes e merchandising – a digressão passou por Portugal, mais precisamente por Coimbra, a 24 de Junho do ano passado. Além disso, Madonna, com 55 anos, ganhou

E

STA terça-feira, em Paris, Portugal foi eleito para integrar o Comité do Património Mundial da UNESCO, responsável pela aplicação, gestão e utilização dos fundos do Património Mundial. Entre os 22 países concorrentes às 12 vagas disponíveis, Portugal foi o quarto mais votado, com um total de 111 votos. Depois do mandato entre 1999 e 2005, o país prepara-se para um novo ciclo como membro do Comité internacional, desta vez até 2017. Como tal, durante os próximos quatro anos, não poderão ser apresentadas candidaturas a este estatuto. A nomeação aconteceu

on a Prayer a representar ganhos de mais de 2,2 milhões de euros por cada cidade em que actuaram.

COLDPLAY EM QUINTA POSIÇÃO

dinheiro também através da sua linha de roupa juvenil Material Girl e de um novo perfume, totalizando ganhos pessoais de 92,3 milhões de euros no último ano. A seguir surge Lady Gaga, uma estrela pop construída no século XXI à imagem de Madonna com uma fervorosa base de fãs, que lançou em Novembro o seu novo trabalho ARTPOP (já fora do período contabilizado pela Forbes,

entre 1 de Junho de 2012 e 1 de Junho deste ano). Aos 27 anos, Gaga, aliás Stefani Germanotta, teve ganhos de 59 milhões, seguida pelos veteranos do rock de estádio Bon Jovi, que em 2013 encaixaram 58,3 milhões de euros. Ambos estiveram em digressão, com os concertos de Gaga a render 124 milhões de euros (a sua tournée foi interrompida por uma lesão da cantora) e os dos autores de Living

Logo a seguir a duas representantes da pop e uma banda de rock, surge a estrela country Toby Keith, menos conhecida fora dos EUA, com ganhos de 48 milhões de euros, e os britânicos Coldplay estão em quinto lugar, com 47,2 milhões. Também vinda da country, mas capaz do crossover para a pop, Taylor Swift fez 40,6 milhões de euros, o que lhe deu o sétimo lugar. Fora do top cinco, outras realidades se dão a conhecer – uma delas é a dos empresários-músicos, como é o caso de P. Diddy/Sean Combs/Puff Daddy, o primeiro artista do universo do hip-hop a surgir na lista da Forbes graças aos rendimentos de um contrato com uma marca de vodka, que lhe permitiram chegar aos 36,9 milhões de euros. Em 18.ª posição está Jay-Z, aliás Shawn Corey Carter, um dos mais bem sucedidos empresários do hip-hop norte-americano, que fez 31 milhões no último ano

(18.ª posição no ranking das revista financeira), seguido em 20.º lugar pelo veterano Dr. Dre (29,5 milhões de euros) – Dre, graças à sua marca de auscultadores, foi o número um da Forbes na lista de 2012. A outra realidade que a lista da Forbes confirma é a do poder actual da música de dança. Como a própria revista assinala, olhando para a lista dos 25 músicos mais bem pagos do mundo, ela está maioritariamente povoada de princesas pop e rockers de estádio. Mas em 13.º lugar surge um DJ: Calvin Harris, acompanhado mais em baixo na tabela por Tiësto (na 25.ª posição). São “os dois DJ mais bem pagos do mundo”, classifica a Forbes, e fizeram no último ano 34 e 23,6 milhões, respectivamente. “A ascensão da música de dança tem sido astronómica nos últimos três anos”, confirmou Harris à revista no início deste ano. Em 2012 esta lista era encimada por Dr. Dre, seguido por Roger Waters, Elton John, U2, Take That, Bon Jovi, Britney Spears, Paul McCartney, Taylor Swift e Justin Bieber.

PORTUGAL ELEITO PARA O COMITÉ DO PATRIMÓNIO MUNDIAL

Distinção e louvor esta terça-feira, em Paris, tendo Portugal sido apenas ultrapassado pela Turquia, Filipinas e Finlândia, que receberam 121, 116 e 115 votos, respectivamente. Foram ainda eleitos a Croácia, o Cazaquistão, a Coreia do Sul, o Peru, o Líbano, a Polónia, o Vietname e a Jamaica. A eleição vai levar, desde já, o governo português a marcar presença como membro efectivo do Comité na 19.ª Assembleia dos Estados Parte à Convenção

do Património Mundial, Cultural e Natural, numa reunião oficial a ser realizada no Qatar, em 2014. Com 15 bens classificados na Lista do Património Mundial, entre os quais o Mosteiro de Alcobaça, o Centro Histórico de Évora, a Paisagem Cultural de Sintra, a Arte Rupestre do Vale do Côa ou o Vale do Douro, Portugal é agora um dos 21 Estados-membros a analisar todas as candidaturas que sejam apresentadas ao Comi-

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA OS NÍVEIS DA VIDA • Julian Barnes Juntam-se duas coisas que nunca antes haviam sido juntas. E o mundo transforma-se… O novo livro de Julian Barnes é sobre balonismo, fotografia, amor e sofrimento; sobre juntar duas coisas, duas pessoas, e sobre separá-las. Um dos jurados que atribuiu a Barnes, em 2011, o Prémio Man Booker descreveu-o como «um incomparável mago do coração». Este livro confirma essa tese.

té, a decidir quais os bens a inscrever na prestigiada lista a analisar os relatórios sobre o estado de conservação daqueles que já se encontram inscritos. Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros sublinha que esta eleição reflecte o “claro reconhecimento do nosso contributo construtivo em termos de cooperação internacional em matéria de património, bem como da valia do património histórico

português e do empenho, experiência e competência do nosso país na preservação e gestão de bens patrimoniais, edificados ou naturais”. A presença de Portugal na Unesco será assegurada por uma equipa das docentes Ma-

ria Conceição Lopes Caria, Teresa Andreza, Anabela Calado e Clara Bertrand Cabral, bem como pelo embaixador José Filipe Moraes Cabral, representante permanente da missão de Portugal na UNESCO, em Paris.

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

ENCONTRO DE AMOR NUM PAÍS EM GUERRA • Luis Sepúlveda O presente livro reúne um conjunto de narrativas que se encontravam dispersas por edições há muito esgotadas ou que permaneciam inéditas nas gavetas do autor. Com a sua publicação, Luis Sepúlveda quis de certo modo «encerrar» o capítulo da sua vida literária anterior a “O Velho que Lia Romances de Amor”, obra que, de um momento para o outro, em 1992, o transformou no caso mais sério da nova literatura latino-americana.


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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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Jorge de Sena

O SURREALISMO EM PORTUGAL POR OCASIÃO DO CONGRESSO INTERNACIONAL “SURREALISMO(S) EM PORTUGAL”

O

surrealismo como movimento organizado começou em Portugal em 1947, no despertar do renovado interesse sobre ele, por todo o mundo, logo depois do fim da Segunda Guerra Mundial. O movimento como tal não durou muito, mas deixou uma profunda marca quer na literatura (sobretudo na poesia) quer na pintura. Portugal foi talvez o primeiro país fora da França onde o surrealismo foi mencionado, poucos meses depois da primeira proclamação do novo ismo de Breton. Aconteceu isto, na mais insólita maneira, por um crítico imensamente conservador, num prefácio a uma antologia de poemas de um bem firmado poeta simbolista, publicado em 1925. O crítico estava bem informado acerca dos fins e estilos do movimento na literatura, e mencionava-os para condenar tal anarquia que ele via como resultado último de toda a Vanguarda. No fim dos anos vinte e trinta, todavia, as actividades surrealistas como tal não tiveram repercussão, em Portugal, nos círculos de Vanguarda. Há que esperar até 1942, quando o meu primeiro livro de poemas apareceu, incluindo exemplos de escrita automática e escudado com epígrafes de alguns escritores surrealistas. Ao contrário do que foi erradamente escrito posteriormente, eu não fui nunca membro de nenhum dos grupos surrealistas surgidos em Portugal, e a minha aspiração como poeta (o que me levou a publicar em 1944 algumas traduções de textos surrealistas) não era ser um surrealista, mas alguém que escrevia depois do que as experiências surrealistas tinham vindo fazendo e dizendo. O meu primeiro contacto com o surrealismo data do fim dos anos 30, quando tomei conhecimento da agora famosa e infelizmente esgotada antologia editada por Georges Hugnet. Aquele meu primeiro livro, tal como o segundo em 1946, foi mal entendido pelos críticos que não podiam ver nem pés nem cabeça num não declarado surrealismo que eles não conseguiam reconhecer sem um claro e polémico rótulo. Podemos, contudo, dizer que o surrealismo era completamente ignorado em Portugal desde os anos 20 até 1942-44? Porque não atingiu formas claras, antes de 1947, como movimento? Para entender isto e responder a estas perguntas, é importante saber alguma coisa acerca do desenvolvimento da literatura e arte modernas em Portugal. A literatura moderna, na maneira agressiva do Vanguardismo, começou em Portugal com a publicação, em 1915, da revista ORPHEU, dois números, seguidos por um único número de Portugal Futurista em 1917. O «establishment» do tempo, rotulou como loucos os poetas da primeira revista,

Grupo Surrealista de Lisboa, Portugal 1949. Na foto, da esquerda para a direita : Henrique Risques Pereira, Mário Henrique Leiria, António Maria Lisboa, Pedro Oom, Mário Cesariny, Cruzeiro Seixas, Carlos Eurico da Costa e Fernando Alves dos Santos. I Exposição dos Surrealistas, Junho/Julho, 1949.

mas apreendeu a segunda pela polícia. Destas duas revistas três grandes nomes surgiram: o poeta Fernando Pessoa e Sá-Carneiro, o primeiro agora a caminho de reconhecimento internacional como um dos grandes poetas do século, e o pintor José de Almada Negreiros. As primeiras tentativas escritas em prosa poética de Almada eram já exemplos de corrente do inconsciente antes que Joyce o tivesse desenvolvido. Outras obras destes escritores foram esparsamente publicadas em pequenas revistas depois da grande aventura de 1915-17, mas a principal

corrente das letras portuguesas seguia nessa altura as linhas pré-modernistas, como se eles não existissem. Havia algumas razões políticas para tal. De 1910 a 1926 Portugal foi uma república combatida pelos conservadores e pelos monárquicos pretendendo o retorno do trono que caíra em 1910. A arte dos modernistas era demasiado revolucionária para os conservadores, e eles eram pessoalmente demasiado conservadores (ou apenas queriam pretender que a República era demasiado ordinária para eles) para que os republicanos

não se sentissem suspeitosos. Só nos fins dos anos 20 e nos 30 a sua influência se começou a fazer sentir, sobretudo porque um grupo – centrado na revista literária presença – iniciou uma campanha em apoio deles. A gente da presença, com uma ou duas excepções, contudo, se eram a favor da arte e literatura modernas, e de um renovo da cultura literária portuguesa, eram também por uma espécie de «establishment» que não viam o experimentalismo e a Vanguarda como movimentos mas apenas como uma influência literária que apoiava o que eles chamavam a


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expressão do humano. Era uma espécie de humanismo literário muito na linha da Nouvelle Revue Française. Mas, entretanto, em 1926, um golpe militar derrubou a República e a democracia, e iniciou o regime ditatorial que só terminou em Abril último, como toda a gente sabe. A luta da literatura moderna, tal como a da arte, foi terrível durante estes anos. A independência do espírito tinha que ser defendida a todo o custo e a todo o momento, enquanto, por um lado, o regime tentava integrar os escritores e artistas no sistema, e por outro lado, a censura e a polícia coarctavam todas as tentativas de inconveniente liberdade. Para complicar ainda mais, as doutrinas do realismo socialista começaram a ser pregadas em sentido muito rigoroso e eram forte e criticamente impostas, nos anos 30, por parte da extrema esquerda, e com ela uma espécie de suspeição de toda a Vanguarda como conservadora ou burguesa decadência. Não se podia, de facto, num pais tão oprimido e onde a pobreza era um escândalo público, proclamar doutrinas de arte ou puras literatura com consciência limpa, sem de um modo ou de outro jogar o jogo oficial. Mas não subscrever o realismo socialista, ou pelo menos não aplaudir os escritores e artistas supostamente a tal comprometidos, era correr o risco de ser marcado (secretamente ou efectivamente) quase como fascista. Muitos de nós nesses anos caminhámos em corda bamba. Só no fim dos anos 30 e nos começos dos 40, ajudados pelo facto de que a guerra clarificara naquele momento os alinhamentos políticos (nem um importante ou significativo nome das letras ou da arte alinhou com o fáscio), puderam alguns jovens poetas desafiar por sua conta e risco, e ao mesmo tempo, o «establishment»presença, e a frente do neo-realismo. Durante a guerra Portugal foi neutral, mas o governo nunca escondeu as suas simpatias para com o fascismo. Estar do lado dos Aliados era uma maneira de estar ao lado da liberdade, incluindo nela a arte e a literatura. Curiosamente, o papel que poetas como Aragon e Eluard, ex-surrealistas, desempenharam na resistência francesa, e o facto de que eles eram comunistas, abriu o neo-realismo português para alguns aspectos surrealistas, ainda que se não interessassem pelo surrealismo como tal, e tornou alguns destes aspectos em moda nesses círculos. Nos anos 30 e 40, sem directa referência ao surrealismo, alguns bem informados poetas como Vitorino Nemésio, Edmundo de Bettencourt, e Adolfo Casais Monteiro, tinham já incluído nos seus poemas certas formas menos rígidas e certos meios associativos de criar expressão. Mas foi só no fim dos anos 30 e começos dos 40 que alguns jovens poetas como eu tentaram a renovação do Vanguardismo de 1915-17, tendo em vista todos os desenvolvimentos da Poesia Ocidental desde então. A diferença entre estes então jovens poetas (José Blanc de Portugal, Ruy Cinatti, Tomaz Kim, e eu, a quem normalmente são acrescentados pelos críticos Sophia de Mello Breyner e Eugénio de Andrade) e os jovens poetas que irão promover o surrealismo era que nós estávamos mais preocupados do que ninguém o conhecimento da linguagem e das literaturas além do francês e da influência francesa, que era esmagadora em Portugal, como ainda é desde o fim do séc. XVIII. Dadas as condições que descrevi, é compreensível que, desde os anos 20 até aos fins dos anos 40, nenhum movimento definido tenha começado em Portugal, e que os poetas estivessem mais interessados em experiências suas, se as faziam, do que em lançar formalmente fosse o que fosse. O que aconteceu com alguns jovens po-

etas e artistas em 1947, sob a liderança de um poeta mais velho e pintor, António Pedro (1909-1967), tornou-se possível por várias e curiosas circunstâncias. António Pedro tinha, durante os anos 30 e começos de 40, tentado, em vão, ser reconhecido como poeta e artista de Vanguarda, no despertar da geração 1915. A sua poesia desenvolvera-se de um elegante tradicionalismo em exercícios de Vanguarda que, no entanto, conservou o delicado sentido da terra e das coisas vivas que caracterizam a sua obra. Em 1940, uma

Pedro, um longo poema, A Ampola Miraculosa, de Alexandre O’Neill (n. 1924), uma narrativa feita de gravuras velhas, e um Balanço das Actividades Surrealistas, de José-Augusto França (n. 1922), que se tornou mais tarde um conhecido crítico de arte. Na exposição dois importantes pintores se revelaram: Fernando Azevedo (n. 1923) e Vespeira (n. 1925). A exposição foi um grande sucesso e um retumbante escândalo, mas o grupo que a organizou não teve mais actividade colectiva como um definido grupo surrealis-

PORTUGAL FOI TALVEZ O PRIMEIRO PAÍS FORA DA FRANÇA ONDE O SURREALISMO FOI MENCIONADO, POUCOS MESES DEPOIS DA PRIMEIRA PROCLAMAÇÃO DO NOVO ISMO DE BRETON exposição da sua pintura conjuntamente com pintura de António DaCosta (n. 1917) foi a afirmação de dois artistas igualmente distantes quer do neo-realismo quer da mitigada Vanguarda, ou do convencionalismo do séc. XIX que estavam ainda em voga nos círculos conservadores. De facto, as obras de ambos eram surrealistas sem o rótulo ou pretensão de serem um movimento. Em 1942, António Pedro publicou Apenas uma narrativa uma bela e poética novela que permanece uma das melhores obras surrealistas em qualquer língua. Entretanto, e até ao fim da guerra, António Pedro trabalhou para a BBC em Londres. As suas emissões, em português, foram como que a voz da liberdade – uma voz que podia levar-nos à prisão, se apanhados a ouvi-la. Voltou a Portugal como uma figura conhecida de todos e o homem que, com Mesens, tinha organizado em Londres a famosa exibição surrealista de 1945. Quando voltou encontrou um pequeno grupo de jovens poetas e artistas cansados do neo-realismo pelo qual tinham passado e queriam seguir um movimento rebelde, diferente dos caminhos que outros tinham seguido nos últimos cinco a sete anos. Ao mesmo tempo, os anos de 1945-47, quando a ditadura de Salazar estava abalada pela vitória dos aliados, permitiam uma espécie de entusiasmo e esperança de mudança, que culminou, em 1949, quando Salazar anunciou eleições presidenciais às quais um vasto espectro da «oposição» apresentou um candidato (que teve de desistir antes da eleição por causa das perseguições governamentais). Em Outubro de 1947 tinha havido uma reunião atendida por vários poetas e artistas jovens, e por António Pedro, que foi na verdade o começo do grupo Surrealista Português, e que coincidiu com a exibição organizada em Paris por Breton como renovação do surrealismo. Mas quando o grupo, aproveitando a oportunidade da acima mencionada eleição presidencial (durante a qual o governo levantaria a censura para permitir alguma crítica da oposição), abriu uma exibição de pintura e colagens no atelier que António Pedro e DaCosta tinham na «baixa» de Lisboa, o grupo estava já separado em dois: um em torno de A. Pedro, e o outro em torno do poeta Mário Cesariny de Vasconcelos (n. 1923). O catálogo da exposição (apesar do levantamento da censura …) tinha tido a capa censurada, porque era uma declaração apoiando o candidato da oposição para a eleição presidencial. Outras publicações foram lançadas ao mesmo tempo: Prato-poema da Serra de Arga, de António

ta. No entanto, a presença do surrealismo nas artes e letras portuguesas, desde então, data daí. O grupo saído da divisão e tendo à frente Cesariny fez duas exposições, uma em 1949 e outra em 1950, e viriam a ser, anos mais tarde, a única atividade organizada, e a voz do surrealismo estrito. Em 1962, Vespeira e Azevedo, juntos com um jovem artista que se tornou mais tarde no Brasil, para onde emigrou, famoso artista, Fernando Lemos (n. 1926), fizeram uma exposição que ainda foi um sucesso de escândalo. Não cabe aqui escrever com grande pormenor uma história de todas as actividades surre-

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alistas portuguesas, participação individual em exposições, publicações, etc. Mas de tudo isto o que resta ainda? Sem dúvida que uma definitiva presença do surrealismo na arte portuguesa, que prevalece e reforça a linha de Vanguarda. Nas letras, sobretudo na poesia, alguns poetas importantes além de António Pedro que então se converteu num reformador do teatro português com as suas ambiciosas produções. Estes poetas são o já mencionado O’Neill, Cesariny, e F. Lemos, e António Maria Lisboa (1928-53) que hoje se conta entre os melhores da língua. De todos eles, O’Neill é aquele que melhor funde a tradição do classicismo irónico e o realismo com a fantasia surrealista em poemas que descrevem com um agudo sentido a luta de ser-se um português em Portugal durante estes anos. Cesariny, que tinha um forte comando do lirismo ao grande estilo, sempre sacrificou – como o próprio Breton – muitas vezes os seus grandes dotes à intenção de ser um surrealista a qualquer preço. António Maria Lisboa, possesso de angustiadas e dramáticas visões, teve uma trágica e curta vida, e é talvez aquele que abraçou o surrealismo completamente. Fernando Lemos, como Almada Negreiros no início da Vanguarda em Portugal, e António Pedro depois, trouxe à poesia a visão de um pintor imaginativo, para quem a intensidade de expressão iguala a pura compreensão das formas. Como movimento, o surrealismo, em Portugal, chegou tarde e viveu pouco. Mas a sua insidiosa presença tinha sido sentida nos anos 30 e nos 40; e os resultados da sua tardia aparição ainda pairam por sobre as artes e as letras portuguesas.


DESPORTO

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TOP RANK

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COMBATE FORA DO RINGUE Freddie Roach (da equipa de Manny Pacquiao) e Alex Ariza e Robert Garcia (do lado de Bam Bam Rios) envolveram-se ontem num feio argumento por causa do horário do ginásio para o treino dos dois lutadores, que se defrontam este domingo na Arena do Venetian. A discussão levou inclusive Ariza a pontapear Roach – que sofre de Parkinson - no peito. Os seguranças do Venetian foram obrigados a interceder e o vídeo já rola no Youtube.

FUTEBOL ANTIGO TREINADOR DO LAM PAK SUBSTITUI JOSECLER

XI JINPING RECEBEU ORDEM OLÍMPICA DE OURO

A prenda inesperada O

Chan Man Kin assume comando do Ka I MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo

E

STÁ encontrado o substituto de Josecler Filho à frente dos destinos da Associação Desportiva Ka I. O treinador brasileiro formalizou no início da mês a ruptura com o emblema presidido por William Kuan, mas o empresário não perdeu tempo e assegurou a contratação do sino-birmanês Jeffrey Than Win - conhecido dentro e fora das quatro linhas por Chan Man Kin - para o lugar de timoneiro da equipa. A notícia foi ontem avançada pela Rádio Macau e confirmada pelo próprio treinador ao nosso jornal. Chan Man Kin assumiu no início da semana a direcção técnica do plantel que conquistou há cerca de um mês o principal Campeonato de Futebol de Sete do território e diz-se preparado para uma nova fase da carreira: “Fui convidado para assumir a responsabilidade pelo futebol

do Ka I e estou a trabalhar com a equipa já há alguns dias. Tenho muito trabalho pela frente, mas nunca virei costas a um bom desafio”, reitera Chan Man Kin. Aos 60 anos, o técnico sino-birmanês assume o comando técnico da formação que terminou a última edição da Liga de Elite na terceira posição e abre uma nova página na carreira, depois de em Julho último ter colocado um ponto final a uma ligação de mais de dezoito anos com o Grupo Desportivo Lam Pak. O agora treinador do Ka I chegou ao território em meados da década de 80 do século passado e não tardou a dar nas vistas nos relvados de Macau. Jeffrey Than Win foi uma das figuras de proa do Wa Seng, clube que dividiu com o Hap Kuan a primazia dentro das quatro linhas durante mais de uma década. Depois do desaparecimento do Wa Seng, Chan Man Kin assumiu um papel de relevo na estratégia do Lam Pak, clube que ajudou a transformar na principal

potência do futebol do território. O técnico assumiu numa primeira instância o papel de responsável pelos escalões de formação do clube azul e branco, arquitectando desde a raiz o sucesso que o clube conheceu ao longo da última década e meia. Os nove títulos de campeão de Macau conquistados pelo Grupo Desportivo Lam Pak tiveram todos a chancela de Chan Man Kin, mas a interferência da direcção do clube no derradeiro encontro da última edição da Liga de Elite levou o veterano treinador a bater com a porta. As novidades no que toca ao principal escalão do desporto-rei de Macau poderão não se ficar pelas mudanças no comando técnico do Ka I. A Rádio Macau informava ontem que Paulo Bento, técnico que orientou o Monte Carlo por duas ocasiões, poderá estar de regresso a Macau. O treinador português deverá assumir o comando técnico da Casa do Sport Lisboa e Benfica de Macau, sucedendo a Bruno Álvares.

presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, presenteou o presidente chinês Xi Jinping com a Ordem Olímpica de Ouro e desejou boa sorte à candidatura de Pequim aos Jogos Olímpicos de Inverno. Segundo informou a agência chinesa Xhinhua, o presidente chinês recebeu a distinção Olímpica durante uma cerimónia celebrada na

capital chinesa, no âmbito do acompanhamento dos preparativos para os Jogos Olímpicos da Juventude de 2014, que decorrerão em Nankin. Xi Jinping congratulou Thomas Bach pela sua recente eleição para a presidência do COI e pelo apoio no desenvolvimento desportivo e no movimento Olímpico chinês. Em 2008, quando assumiu a vice-presidência da China, Xi Jinping, presidente da China desde Março, responsabilizou-se pela supervisão os trabalhos da organização dos Jogos Olímpicos Pequim2008. A Ordem olímpica de Ouro, que já tinha sido entregue aos chineses Liu Qi, He Zhenliang, Liu Jingmin, Chen Zhili e Deng Pufang pelo trabalho efectuado na preparação aos Jogos Pequim2008, representa a maior distinção Olímpica. A candidatura dos chineses aos Jogos Olímpicos de Inverno de 2022, propõe que os desportos de gelo sejam realizados em Pequim e os de neve na localidade de Zhangjiakou, a 200 quilómetros da capital da China. Pequim terá como rivais as cidades de Oslo, Cracóvia (Polónia), Estocolmo, Almaty (Cazaquistão) e Lviv da Ucrânia. O prazo para a entrega das candidaturas encerrou na sexta-feira passada.

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ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.º 23/P/2013

AVISO Informa-se que a lista definitiva para o preenchimento de duas vagas de técnico de 2.ª classe, 1.º escalão, da carreira de técnico, área jurídica, em regime de contrato além do quadro da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), encontra-se afixada na DSPA, sita na Alameda Dr. Carlos D’Assumpção, n.os 393 a 437, Edifício “Dynasty Plaza”, 10.° Andar, em Macau, e publicada na página electrónica www.dspa.gov.mo. O Director, Cheong Sio Kei Aos 20 de Novembro de 2013

Faz-se público que, por despachos de Sua Excelência, o Chefe do Executivo e do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, respectivamente, de 1 de Agosto de 2013 e 31 de Outubro de 2013, se encontra aberto o Concurso Público para “Fornecimento do Sistema de Registo de Saúde Electrónico para os Serviços de Saúde”, cujo Programa do Concurso e do Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 20 de Novembro de 2013, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita na Rua Nova à Guia, n.º 335, Edifício da Administração dos Serviços de Saúde, 1.º andar, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de $ 56,00 (cinquenta e seis patacas), a título de custo das respectivas fotocópias. A reunião de esclarecimentos terá lugar no dia 27 de Novembro de 2013, pelas quinze horas (15,00), no “Auditório” do piso r/c do Edifício da Administração dos

Serviços de Saúde junto do Centro Hospitalar Conde de São Januário. As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 20 de Janeiro de 2014. O acto público deste concurso terá lugar no dia 21 de Janeiro de 2014, pelas 10,00 horas, na sala do “Museu” situada junto ao C.H.C.S.J. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de $ 800.000,00 (oitocentas mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 14 de Novembro de 2013 O Director dos Servços Lei Chin Ion


FUTILIDADES

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TEMPO

MUITO

NUBLADO

Cineteatro

CINEMA

MIN

18

MAX

23

HUM

65-85%

•

EURO

BENDS [C]

Um filme de: Iora Iau Com: Carina Lau Kar-Ling, Chen Kun 14.30, 16.15, 18.00, 21.45 SALA 3

Um filme de: Francis Lawrence Com: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Woody Harrelson, Elizabeth Banks, Philip Seymour Hoffman 14.15, 16.45, 19.15, 21.45

Um filme de: Kees van Oostrum Com: Patrick Wilson, Rose Byrne, Barbara Hershey, Lin Shaye 19.45

THE HUNGER GAMES: CATCHING FIRE [C]

0.2

YUAN

1.3

Pu Yi

INSIDIOUS CHAPTER 2 [C]

O mundo parou em Kun Iam O cheiro a incenso invadiume os sentidos numa manhã que se avizinhava fria, de um Outono que acaba de chegar. Subi as escadas enquanto todos só queriam apanhar o autocarro sempre cheio, sempre barulhento e sempre evitável. As portas abertas deixavam antever um ambiente de paz. À minha volta velhinhas com sorrisos francos pediamme dinheiro com pequenas latinhas nas suas mãos enrugadas. Como o mundo delas não é o meu eu deixei duas moedinhas sem fazer perguntas, e sorri de volta. Mas não deixei de pensar porque é que numa terra com dinheiro ainda há idosos que dormem, de vez em quando, por aí ou outros que pedem moedinhas nos templos. Lá dentro as rezas matinais prosseguiam no seu

Mundial de 2022 no Qatar terá estádio com forma de vagina • O Mundial de 2022 será realizado, pela primeira vez, num país islâmico. Coube ao Qatar a proeza de convencer a FIFA de que tem todas as condições de cumprir as severas exigências da entidade máxima do futebol e construir excelentes estádios no deserto do Médio Oriente onde o país se localiza. Um deles é o Al-Wakrah, cujo projecto se tornou viral na Internet por causa de uma peculiaridade das suas formas arquitectónicas: para muitos, trata-se de um estádio-vagina, com capacidade para 45 mil pessoas e situado a cerca de 20 km de Doha, a capital do país. A semelhança tornou-se bastante comentada no Twitter e em sites de notícia. “A semelhança com a parte íntima da mulher pode não ter sido intencional, mas eu aplaudo-a (…) Porque não termos 45 mil pessoas a encher um órgão reprodutivo feminino?”, escreveu Holly Baxter, blogueira do jornal inglês “The Guardian”. Oficialmente, a forma é uma homenagem a um barco tradicional no país.

Mulheres falam, por dia, mais 13 mil palavras que os homens • As mulheres tem fama de falar muito. Já foi comprovado que elas falam cerca de 20 mil palavras por dia, aproximadamente 13 mil a mais que os homens. Mas agora os cientistas descobriram a chave para explicar o comportamento feminino. As informações são do site Pandagon. A teoria popular foi comprovada por um estudo realizado na Universidade de Maryland e publicado no Journal of Neuroscience, que mostra que elas têm níveis mais elevados da proteína Foxp2, conhecida como a “proteína da linguagem”, no cérebro. O teste foi feito com ratos. Ao contrário dos humanos, os machos apresentam maior quantidade da proteína que as fêmeas. Separaram-se filhotes de quatro dias de idade das suas mães e contaram o número de vezes que eles gritavam. Os dois demonstraram reacções, mas os machos gritaram duas vezes mais. Como resultado, quando eles foram colocados de volta na gaiola, as mães preocuparam-se mais com os filhotes machos. “Com base nas nossas observações, encontrámos níveis mais elevados de Foxp2 nas meninas e nos ratos machos. Isto é uma indicação de que os níveis de proteína Foxp2 estão associadas ao sexo mais comunicativo”, explicou a pesquisadora Margaret McCarthy.

BAHT

POR MIM FALO

SALA 2

SALA 1

10.7

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ritmo natural. Eu, sem olhos rasgados, observei a tranquilidade de quem acredita em alguma coisa e queima incensos numa manhã cinzenta. Subitamente o relógio deixou de existir e o rebuliço dos dias deixou de me atravessar a mente. Entrei e olhei as portas trabalhadas, os incensos amarelos por queimar e deixeme estar. Quando o mundo contemporâneo e citadino voltou a existir, lembrei-me que tinha de sair. Olhei os caracteres que me disseram muito, sem eu perceber nada do que me diziam em termos formais. Cá fora, as velhotas sorriam entre elas, em amena cavaqueira. As latinhas continuavam meio vazias, sem uma pequena nota a dar um ar de sua graça.

MACAU[SÃ]ASSADO INTELIGENTE SEMPRE

Foto: José C. Mendes

GABRIEL, OH GABRIEL Tommy Hilfiger, DKNY, Versace, Hugo Boss, Calvin Klein. Gabriel Aubry é o menino bonito de todas estas marcas, facto que o eleva à categoria dos poucos e últimos “super modelos” do mundo. O canadiano, que já foi namorado de Halle Berry – com quem tem uma filha -, foi o único modelo masculino a aparecer na capa da L’Uomo Vogue ao mesmo tempo que fotografias suas apareceram em quatro diferentes campanhas de moda na mesma exacta edição da revista. É um dos modelos mais ricos da indústria e – vá-se lá saber porquê! - está na lista das pessoas mais bonitas do mundo.

fonte da inveja

É bom beber conscientemente até à inconsciência.

João Corvo • Se procura um ATL ou centro de explicações para o seu filho, tente a Sala de Estudo Inteligente II (parece que também existe a I e a III). Neste lugar, o dono garante um estudo baseado na sabedoria e na inteligência de cada um. Burrice aqui não tem lugar.


OPINIÃO

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AGNES LAM

observatório cívico

FRA ANGELICO, S. LOURENÇO DISTRIBUINDO DINHEIRO AOS POBRES

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Gangs e a distribuição de dinheiro

C

ONSTATEI que dois assuntos completamente alheios um do outro passam agora a ter um enredo cada vez mais similar. Esse enredo poderia ser traduzido numa cena em que um gang está à espera ansiosamente por uma tomada de decisão acerca do dinheiro a distribuir pelo seu cabecilha que, depois de o ter contado, coloca uma grande pilha de notas na mesa e diz: “meus irmãos, cada um tire a sua parte! O trabalho foi duro, esta vez”. Contudo, num primeiro cenário, os “irmãos” mostraram-se insatisfeitos com o valor do dinheiro compartilhado. Um deles até questiona, com descontentamento: “compartilhamos tão pouco e tivemos a vida em risco?”. No caso do bando todo ficar satisfeito com as partilhas, irá ruidosamente agradecer ao chefe. Independentemente de qual seja o caso, o essencial é que uma tal partilha termine sempre com a dispersão imediata de todos os participantes que, naturalmente, têm pressa de salvaguardar o seu bolo no dinheiro distribuído. Claro que estou a fazer uma alusão ao impacto que a apresentação do Relatório das Linhas da Acção Governativa teve na sociedade. Na primeira vez que foi distribuído o dinheiro as pessoas ficaram muito contentes, enquanto que outras preocupavam-se com a provisoriedade da distribuição e que mais pessoas consideravam, porém, que se tratava apenas de uma iniciativa governante ocasional. No segundo ano, ainda foi, sob a aprovação de alguns e a oposição de outros, distribuído dinheiro. Muitos

Todavia, Macau é obviamente uma sociedade e não um bando de criminosos. São tantas as funções que o Governo deve exercer. Não obstante a satisfação do montante da distribuição pecuniária, é ainda preciso ter em consideração outros ramos da acção governativa ficaram mais convencidos de que esta seria uma medida impossível de suspender, uma vez que a distribuição de dinheiro tornou-se ordinária. Mais tarde, e depois de ter tentado testar a ansiedade da sociedade, o Governo reduziu, em 2010, o montante da anterior distribuição de 6.000 patacas para 4.000 patacas, facto esse que resultou numa insatisfação pública, e, sob quaisquer pretextos, acabou por aumentar a quantia até 7.000 patacas, depois até 8.000 e, este ano, até 9.000. Ninguém se atreve a dizer um basta a este aumento progressivo do montante da distribuição pecuniária, medida essa que já não é mais que uma “iniciativa provisória para calar a boca” mas que passa a ser uma “política” de intenção pública que merece uma das maiores importâncias no Relatório das LAG. Há dez anos, quando exerci a actividade de jornalista, foram sempre abrangidas nos relevos do Relatório das LAG as questões como os meios de subsistência do povo, da construção social e do desenvolvimento económico. Na falta de qualquer expectativa o dígito da distribuição pecuniária perante um governo que não tinha à sua disposição

muito dinheiro e o público parecia então mais concentrado nos problemas sociais. Acresce provavelmente que, hoje em dia, através dos veículos de imprensa e nas redes sociais, como o Facebook, todos podem prever o montante a distribuir, actualizando a situação em colectivo e anotando a satisfação ou insatisfação pessoal. Todo isto coincide com a citada cena de partilha de dinheiro de um grupo de gangsters com que comecei este artigo. Supondo que a função de um Governo for apenas a de distribuir dinheiro, sem demais obrigação em construir e desenvolver a infra-estrutura social, esta situação passará a ser uma atitude bastante normal. Todavia, Macau é obviamente uma sociedade e não um bando de criminosos. São tantas as funções que o Governo deve exercer. Não obstante a satisfação do montante da distribuição pecuniária, é ainda preciso ter em consideração outros ramos da acção governativa, os quais originavam, na verdade, a intenção inicial da distribuição de dinheiro – porque há muita coisa que ficou por fazer ou então foi mal feita. O Governo, com as suas políticas, para além de dar dinheiro, terá de saber “encaminhar esse dinheiro”.


opinião 19

hoje macau quinta-feira 21.11.2013

LEOCARDO

Talento vs. pataca sofrimento daquelas gentes que como nós são feitas de carne e osso, choram, sentem, e neste momento tão sensível contam com o nosso apoio, é através da contribuição em dinheiro. Não podemos lá ir e levantar vilas e aldeias inteiras das ruínas causadas pela passagem do super-tufão, mas através de um donativo, mesmo que simbólico, podem-se tapar alguns buracos, sarar algumas feridas deixadas pelo Haiyan. Mas tanto ou mais doloroso que este drama humanitário, é saber que existe quem dele tire proveitos ilícitos, arrecadando para si parte da ajuda que devia chegar aos mais necessitados, aproveitando-se de

Quem tem mesmo talento, vai procurar outros pastos mais verdes, onde o seu dom possa brotar, longe desta selva de cimento, e onde a criatividade não se iniba com o som do camartelo e do áspero movimento circular da betoneira

um sistema torpe, minado pela corrupção e sem uma mão firme que coloque alguma ordem na vilanagem. Quem dá de boa vontade não gosta de se sentir enganado, e quer apenas que a sua doação chegue a quem dela realmente precisa. Foi com isto em mente que o Governo das Filipinas lançou uma página na Internet para deixar saber de que forma estão a ser aplicados os donativos internacionais, de modo a elevar a transparência e sacudir um pouco essa sombra de dúvida sobre se a ajuda está realmente a ser canalizada para os sobreviventes da tragédia. Uma iniciativa pioneira em nome da transparência, que mesmo não sendo “tiro e queda” na resolução do problema, deixa-nos dormir um pouco mais descansados. O dia em que a desconfiança se sobrepor à caridade, será o dia em que nos tornamos tão maus como o lado mais negro da natureza. O mesmo que nos trouxe o Haiyan.

JULIEN DUPRE, A LEITEIRA E AS VACAS

I Quando ouvimos falar de “talento”, pensamos em engenho, em arte, numa qualidade especial que nos distingue dos outros. O talento nasce com cada um, não se aprende nos livros, não se compra e raras vezes passa de pais para filhos. Alguém que é talentoso é normalmente um músico, um atleta ou um artista. O talento bebe da inspiração, e muitas vezes sem ser trabalhado e incentivado, pode acabar desperdiçado, diluído, perdido, desaproveitado. É como um diamante em bruto, que precisa de ser talhado, sintetizado e lapidado para poder adquirir a sua forma e brilho, caso contrário nunca passará do seu estado alotrópico. Quando o Chui Sai On, o nosso Chefe do Executivo, falou a semana passada na apresentação das Linhas de Acção Governativa da importância de preservar e estimular os nossos “talentos”, fico a pensar que não era bem esta palavra que queria usar. Talvez algo tenha ficado perdido na tradução, não sei. Para que floresça, o talento requer um ambiente ideal para a sua germinação, crescimento e proliferação. Num território onde os pais desencorajam os filhos a usar o seu talento para a música, para a escrita ou para as belas-artes porque são coisas que “não dão dinheiro”, está-se a arrancar o talento pela sua raiz. O pragmatismo é o herbicida do talento. Quem tem mesmo talento, vai procurar outros pastos mais verdes, onde o seu dom possa brotar, longe desta selva de cimento, e onde a criatividade não se iniba com o som do camartelo e do áspero movimento circular da betoneira. Um talento era também o nome de uma antiga medida de massa da antiga Ática, equivalente a cerca de 26 quilogramas de prata. Um talento correspondia a 6000 dracmas, ou 25,8 kg do metal precioso branco. Em Macau o talento não tem lugar, e quem manda é a pataca. Como naquela anedota do alentejano, “aqui nunca nasceu um grande homem; só nascem crianças”.

bairro do oriente

II A tragédia que assolou as Filipinas após a passagem do tufão Haiyan apela à nossa natureza humanitária. É impossível ficar indiferente às imagens de devastação, de morte, de uma miséria que assume contornos ainda mais dramáticos nestes momentos, quando as intempéries deixam expostas as nossas fraquezas, reduzidos à condição de criatura frágil e indefesa perante esse monstro em que a natureza por vezes se transforma. Imagens que circulam pela Internet e pela imprensa mostram populações inteiras em prantos, famílias que perderam os que mais amavam, e que viram o muito pouco que tinham reduzido a destroços. Posto isto, ficamos com vontade de ajudar, de dar e de partilhar, nem que seja o mínimo dentro das nossas possibilidades. Não é possível reclamar de volta as vidas que a força dos ventos e das marés arrastaram com a sua fúria, e a forma mais fácil de aliviar o

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


hoje macau quinta-feira 21.11.2013

Portugal Última emissão de dívida com juros mais baixos

Portugal voltou esta quarta-feira ao mercado de dívida, colocando o montante máximo previsto, de mil milhões de euros. Pagou juros mais baixos nas linhas a 3 e a 12 meses. O objectivo do IGCP era emitir entre 750 milhões a mil milhões de euros de dívida com prazo a 3 e a 12 meses. Foram emitidos 700 milhões de euros no leilão que vence em Novembro de 2014 (12 meses) a uma taxa de juro média de 1,493%, abaixo do último leilão a 12 meses, em Agosto, cuja taxa média foi de 1,619%. A procura excedeu a oferta em duas vezes. O país vendeu também 300 milhões de euros no prazo a 3 meses (maturidade em Fevereiro de 2014), com o juro a ser de 1,076%, também inferior ao cobrado no último leilão a três meses, em Outubro (1,159%); a procura foi 3 vezes superior à procura. Portugal fecha assim o programa de financiamento de 2013. O instituto liderado por João Moreira Rato tinha já cancelado um leilão previsto para 4 de Dezembro, pois o programa de financiamento de Bilhetes do Tesouro ficaria completo na operação desta quarta-feira.

Malala recebeu prémio Sakharov em Estrasburgo

Malala Yousafzai, jovem paquistanesa de 16 anos que sobreviveu depois de ter sido baleada por um talibã há um ano, recebeu o Prémio Sakharov 2013, que lhe atribuído pelo Parlamento Europeu no início de Outubro. A adolescente paquistanesa, que em 2009, com 11 anos, começou a defender a educação feminina na região onde vivia e que em 2012 foi baleada na cabeça por um talibã, foi a distinguida, quando entre outros candidatos estava, por exemplo, Edward Snowden. O prémio Sakharov, no valor de 50 mil euros, premeia defensores dos direitos humanos e liberdade de expressão. A sala do parlamento europeu encheuse para ver o presidente Martin Schulz entregar o prémio a Malala. Mais de 20 antigos laureados estiveram presentes no hemiciclo de Estrasburgo, incluindo Xanana Gusmão.

Iraque Série de explosões fazem 10 mortos e 30 feridos

Pelo menos dez pessoas morreram, esta quarta-feira, outras 30 ficaram feridas depois de uma série de explosões registadas em várias zonas de Bagdade. As áreas atingidas pelos atentados são de maioria xiita, segundo fontes da agência EFE.

cartoon por Stephff

ISRAEL EM DESACORDO

Apneia Morte durante tentativa de bater recorde

FUNDO DE DESENVOLVIMENTO EDUCATIVO MAIS DE 37% PARA ESCOLAS

281 milhões em três trimestres RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

O

passado trimestre, entre Julho e Setembro, foi o menos generoso para a instituições de ensino local não superior. O Governo, por meio do Fundo de Desenvolvimento Educativo (FDE) atribuiu a diversos estabelecimentos mais de 14 milhões de patacas. Este montante a juntar aos 261 milhões de patacas atribuídos no primeiro (198 milhões) e segundo trimestre (69 milhões) dá conta de que saí-

ram dos cofres do Governo 281 milhões de patacas para apoio a aquisição de materiais, obras de remodelação e reparação, entre outros subsídios para diversas escolas. O HM fez as contas aos dados do Boletim Oficial (BO) e descobriu que 37% deste fundo financeiro foi entregue ao Plano de Desenvolvimento das Escolas. Em resposta ao HM, em Março deste ano, a Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) indicou que o orçamento do FDE para 2013 foi

de 690 milhões de patacas, mais 140 milhões face a 2012 (cujo orçamento era de 550 milhões de patacas). No entanto, já este ano, foi atribuído um orçamento suplementar ao FDE de mais de 77,9 milhões de patacas. Ou seja, dos mais de 767 milhões de patacas atribuídos em 2013 a este pacote de apoio financeiro foram “gastos” cerca de 37% até ao momento. No último trimestre a Escola de São Paulo amealhou mais de 5,6 milhões para o plano piloto ‘e-learning’, a Escola Keang Peng garantiu mais de quatro milhões para remodelação de quatro salas e contratação de pessoal especializado e a Escola dos Moradores de Macau cerca de 1,2 milhões para obras e reparação e melhoria. Estas foram, de resto, as três das 16 escolas financiadas mais beneficiadas no 3.º trimestre deste ano. Sobre o PDE, que no ano passado financiou 720 projectos (para melhoria da capacidade linguística, cultivo das qualidades morais e cívicas e promoção da aprendizagem descontraída) de 100 escolas, o BO indica que, entre Julho e Setembro, as ajudas monetárias foram dirigidas mais ao ensino técnico-profissional de seis escolas, entre as quais, a Escola Estrela de Macau, São João de Brito e à Secundária Técnico-Profissional da Associação Geral dos Moradores de Macau.

Um norte-americano morreu ao tentar bater o recorde nacional de mergulho em apneia sem a ajuda de barbatanas, nos Estados Unidos. Nick Mevoli mergulhou até 72 metros de profundidade, estando debaixo de água durante três minutos e 38 segundos, altura em voltou a emergir. O homem de 32 anos não pareceu estar em dificuldades e voltou à tona sozinho, não sendo necessária a ajuda de uma equipa de mergulhadores que o acompanhou, por motivos de segurança. Os problemas surgiram quando voltou à tona. Tinha de dar dois sinais para mostrar que estava bem: fazer um sinal com a mão e dizer que estava bem. Quando emergiu, tirou os óculos e fez o sinal com a mão. Mas na altura de falar, não o conseguiu fazer e ficou inconsciente. As equipas de socorro tentaram reanimá-lo, durante mais de uma hora, sem sucesso. Quando o deitaram de lado, a sua pulsação era irregular, chegando mesmo a sair sangue da sua boca, escreve o jornal The New York Times. Nas Bahamas, onde decorreu a tentativa, Mevoli foi transportado ao hospital, onde acabou por morrer.

Literatura Obra de Saramago publicada no Irão

A editora Majid publicou no Irão o livro «Ensaio sobre a lucidez», de José Saramago. A agência de editores iraniana (BNA) anunciou esta terça-feira que o livro foi traduzido, a partir da versão inglesa, para pársi, e que tem 296 páginas. A BNA destaca ainda as críticas positivas feitas à obra do Nobel da Literatura, prémio que recebeu em 1998.

Sal de Tavira e maçã de Palmela passam a ser «DOP»

A Comissão Europeia acrescentou dois produtos portugueses à lista DOP - Designação de Origem Protegida: o sal e a flor de sal de Tavira, e a maçã de Palmela passam a constar da lista. O sal e a flor de sal de Tavira são destacados por serem colhidos à mão nas salinas do Parque Nacional da Ria Formosa, no distrito de Faro. A maçã riscadinha é descrita como sendo um fruto sumarento e aromático, que é produzido na zona de Palmela, Setúbal.


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