MOP$10
SEXTA-FEIRA 20 DE OUTUBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3919
AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
hojemacau PÕE-TE NA FILA PONTO DE FUGA
OPINIÃO | PAUL CHAN WAI CHI
VESTIDAS PARA FICAR PÁGINA 8
No olho do tufão COMISSARIADO CONTRA A CORRUPÇÃO ARRASA EX-DIRECTOR DOS SMG. ARROGÂNCIA, EGOTISMO OU AUTORITARISMO SÃO ALGUMAS DAS CRÍTICAS DIRIGIDAS A FONG SOI KUN GRANDE PLANO
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HABITACÃO SOCIAL | PÁGINA 4
2 grande plano
F
ONG Soi Kun é o único culpado dos problemas da Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) durante a passagem do tufão Hato, mas não foi cometido qualquer crime. É esta a principal conclusão da investigação do Comissariado Contra a Corrupção (CCAC), revelada ontem, que foi iniciada na sequência dos efeitos causados pela passagem do tufão que matou dez pessoas em Macau. As acusações que a investigação do CCAC faz à ex-direcção dos SMG, e principalmente ao anterior responsável máximo, são arrasadoras: concentração de poder, “arrogância”, “egotismo” e desprezo pelas opiniões dos meteorologistas. Segundo o documento, não há prova de que as decisões de Fong Soi Kun tenham sofrido influências externas, como do sector do jogo, mas o ex-director é acusado de ter mentido numa resposta a uma interpelação de Au Kam San sobre o processo da tomada de decisões em relação aos tufões. Apesar de Fong Soi Kun ter garantido, na resposta, que as decisões eram tomadas em reuniões “com as chefias e os técnicos de meteorologia”, na realidade “durante a tomada relativas ao içar dos sinais de tufão, não existia propriamente um mecanismo de consulta interna para discussão e análise conjunta e, muitas vezes, tudo dependeu dos juízos e decisões pessoais do ex-director dos SMG”. O organismo liderado por André Cheong sublinha que as decisões eram tomadas apenas por Fong Soi Kun e que esta forma de decidir verificou-se durante a passagem do Hato este ano e do Nida, em 2016. “Demonstra não só uma ideia autoritária e de desvalorização das opiniões dos seus colegas na gestão e também um egotismo e uma arrogância profissional”, concluiu o CCAC, sobre esta forma de decidir. O relatório menciona o exemplo de uma reunião que decorreu a 22 de Agosto deste ano, dia anterior à passagem do tufão Hato, que não contou com a participação de Fong Soi Kun. Nesse encontro, segundo
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TUFÃO HATO
O CULPADO DISTO TUDO RELATÓRIO DO CCAC ARRASA AUTORITARISMO DE FONG SOI KUN
Arrogância, egotismo, autoritarismo e desprezo pelas opiniões dos meteorologistas são as críticas apontadas à direcção de Fong Soi Kun, que tomava as decisões sozinho
a versão da subdirectora Leong Ka Cheng, foram dadas instruções aos meteorologistas para discutirem apenas as previsões do tempo para a semana seguinte, visto que todas as decisões sobre o Hato já tinham sido tomadas.
DECIDIR EM CASA
Também eram frequentes as tomadas de decisões por parte do
INTERNET COM FALHAS FREQUENTES
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partir do relatório fica-se igualmente a saber que os serviços de internet do SMG tinham falhas frequentes, chegando ao ponto de por vezes os serviços estarem largas horas sem internet. “O CCAC verificou a existência de uma série de problemas relativos à gestão e à manutenção de equipamentos nos SMG. Alguns trabalhadores referiram que a interrupção do serviço sucedia frequentemente, e a respectiva recuperação demorava normalmente entre uma a duas horas, às vezes chegava a demorar meio dia ou até mesmo um dia”, é revelado. “No decorrer da interrupção do serviço de Internet, os meteorologistas da linha de frente não conseguiam receber quaisquer informações, nomeadamente os dados meteorológicos, o que influenciava os seus trabalhos”, é acrescentado. Porém, o relatório não menciona quem é o fornecedor do serviço. Em Macau existem duas empresas fornecedoras de internet, nomeadamente CTM, que lidera o mercado, e a Mtel.
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“O CCAC descobriu na investigação que, quando um determinado tufão se aproximava, fora do horário de expediente, o ex-director dos SMG não permanecia nem regressava aos serviços, limitando-se à consulta dos dados e das informações do respectivo tufão na Internet dos SMG através da ligação daquela rede na sua casa.” RELATÓRIO DO CCAC
ex-director em casa, mesmo em caso de tufão. Era uma situação que acontecia fora do horário de expediente. “O CCAC descobriu na investigação que, quando um determinado tufão se aproximava, fora do horário de expediente, o ex-director dos SMG não permanecia nem regressava aos serviços, limitando-se à consulta dos dados e das informações do respectivo tufão na Internet dos SMG através da ligação daquela rede na sua casa”, é adiantado. “Quando precisava de tomar uma decisão relativamente ao içar de um sinal de tufão, o ex-director emitia a respectiva ordem aos meteorologistas através do telefone”, é acrescentado. Sobre este procedimento o CCAC mostra a sua preocupação, apontando que se houvesse problemas com a ligação da Internet ou do telefone na casa do ex-director ou
falhas na electricidade, que havia mesmo o risco dos SMG ficarem paralisados. No entanto, no caso do tufão Hato, o organismo liderado por CCAC, admite que Fong “regressou apressadamente” às instalações do SMG, já durante a madrugada do dia 23. Também neste caso o ex-director tomou igualmente as decisões sozinho no seu gabinete, sem ter ouvido os meteorologistas do Centro de Vigilância Meteorológica, “porque acreditou que a
Segundo o documento, não há prova de que as decisões de Fong Soi Kun tenham sofrido influências externas, como do sector do jogo
experiência dos mesmos era, com certeza, menor do que a do pessoal de direcção e chefia”. O relatório menciona ainda que os meteorologistas falam de uma cultura nos SMG em que as suas opiniões não eram valorizada e que os impedia de exprimir os seus pontos de vista.
DA ARBITRARIEDADE
O relatório do CCAC permite perceber que dentro dos SMG os trabalhadores não percebiam as razões de em algumas situações ser içado o sinal n.º 3 e em outras o sinal n.º 8. Apesar do ex-director se ter defendido que as decisões eram tomadas com base em três “factores essenciais”, a “generalidade”, “representatividade” e “continuidade”, os trabalhadores não os conheciam. Nas entrevistas aos trabalhadores sobre estes factores, incluindo à subdirectora Leong Ka Cheng, todos mencionaram
significados diferentes sobre os três critérios. O CCAC conclui que este é um dos aspectos que mais terá contribuído para as suspeitas da população face às decisões: “Se os trabalhadores meteorologistas dos SMG não compreendiam estes critérios, também o público não conseguia compreendê-los. Tudo isto suscitou, inevitavelmente, suspeitas por parte do público relativamente à exactidão das previsões de tufões dos
O relatório do CCAC permite perceber que dentro dos SMG os trabalhadores não percebiam as razões de em algumas situações ser içado o sinal n.º 3 e em outras o sinal n.º 8
SMG, e até suspeitas da existência de situações de previsões atrasadas ou erradas”, é justificado. A postura face às dúvidas foi igualmente criticada: “a direcção dos SMG nunca apresentou nenhuma explicação pormenorizada nem assumiu as devidas responsabilidades”. Em relação à tomada das decisões, o CCAC realça também que apesar de partirem da direcção dos SMG que “as consequências provocadas por tais decisões são assumidas por todo o pessoal”. No fim do relatório o organismo liderado por André Cheong faz algumas sugestões, entre as quais que se estabeleça um “mecanismo específico de consulta interna com a partição do pessoal meteorologista”, que se crie um “mecanismo de previsão e de resposta a emergências”, e definição clara de critérios para serem respeitados para as decisões de içar os diferentes sinais. O HM tentou contactar Fong Soi Kun sobre o relatório, mas o ex-director esteve incontactável.
MEDO DAS CRENÇAS DA SUBDIRECTORA
INVESTIGAÇÃO SEM EFEITOS
utra das críticas apontadas a Fong Soi Kun prende-se com o facto de não ter tomado medidas face à religião da subdirectora dos SMG. Na internet foram colocados rumores a circular que Leong Ka Cheng faria oferendas a fantasmas bebés, na esperança de atrair boa fortuna. Os rumores terão mesmo causado medo nos serviços, e o CCAC entende que Fong Soi Kun deveria ter tomado medidas, apesar de reconhecer “a liberdade de crença religiosa”. “É difícil confirmar se tais rumores eram verdadeiros ou se se tratavam apenas de boatos. Todavia, todos os trabalhadores dos SMG com que o CCAC entrou em contacto manifestaram que os referidos rumores foram amplamente divulgados naqueles Serviços e que todas as pessoas tinham conhecimento de tal facto”, consta no relatório. “Acresce que, alguns actos quotidianos da referida subdirectora provocavam realmente inquietação, particularmente para os trabalhadores que exerciam funções por turnos toda a noite”, é acrescentado.
pesar de não ter muitas referências, o relatório publicado ontem menciona uma primeira investigação do CCAC aos SMG, logo em 2016, após a passagem do Tufão Nida, que passou por Macau a 1 de Agosto. Na altura, o território apenas içou o sinal n.º 1 e n.º 3, quando Hong Kong, Zhuhai e Shenzhen tinham o sinal n.º 8 em vigor. No relatório o CCAC explica, na introdução, que logo na primeira investigação foram verificados problemas como “falta de clareza dos critérios para o içar de sinais de tufão e a irregularidade nos procedimentos pertinentes”. O relatório de ontem permite perceber que a situação não foi resolvida a tempo do tufão Hato.
O
A
João Santos Filipe (com A.S.S.) joaof@hojemacau.com.mo
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20.10.2017 sexta-feira
HABITAÇÃO SOCIAL PROPOSTA DE LEI AVANÇA COM CANDIDATURAS PERMANENTES
Uma procura constante
ASSISTENTES RECONHECIDOS A
profissão de assistente social vai ser, não só certificada por um conselho profissional, como também vai exigir que os funcionários estejam inscritos no Instituto de Acção Social (IAS). Para o efeito, será criado o Conselho Profissional dos Assistentes Sociais (CPAS). A medida faz parte do regime de acreditação profissional e de inscrição para assistente social, cuja discussão já terminou no Conselho Executivo. O documento vai entrar em discussão na Assembleia Legislativa e, caso se mantenham as premissas, os assistentes sociais do território que venham a ingressar na carreira têm de ser creditados pelo CPAS. Para o conseguirem têm de fazer uma prova escrita e possuir a licenciatura. Para os que já trabalham no sector, têm um ano, depois de aprovada a proposta, para fazer o seu pedido de acreditação. Depois, para exercer a profissão é obrigatória a inscrição no IAS.
O processo de candidatura permanente a habitação social é previsto na proposta do regime jurídico acerca da matéria. O diploma vai avançar para discussão na Assembleia Legislativa e traz ainda requisitos mais apertados
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secretário para a Economia e Finanças, disse ontem, à margem da inauguração da Feira Internacional de Macau (MIF), que o Executivo não ignora as condições em que se mantêm os animais no Canídromo. Citado por um comunicado oficial, o secretário disse que “o Governo pondera ainda o modelo das corridas, nomeadamente as condições de tratamento dos galgos, que deve estar de acordo com determinados critérios internacionais”. Quanto à concessionária, “a Companhia Yat Yuen tem
No entanto, a medida agora prevista só será implementada quando a lei entrar em vigor. O diploma terá de entrar em discussão na AL e não tem data marcada para que isso aconteça. Entretanto, e ainda este ano, vai ter lugar mais um processo de candidaturas à habitação social de carácter pontual. Também sem data certa, foi reiterado ontem pelo presidente do Instituto de Habitação, Arnaldo Santos, que tal como prometido “acontecerá no terceiro trimestre deste ano”, que já está a decorrer. O concurso pode acontecer brevemente até porque, referiu Arnaldo Santos, “já só faltam algumas formalidades administrativas”. Os candidatos que avançarem no concurso aberto este ano ficarão em lista de espera. “Esta proposta de lei só poderá ser aplicada depois
da abertura do concurso público este ano. Isto quer dizer que aqueles que vão participar neste concurso no final do ano vão ficar nesta fila e o processo de carácter permanente produzirá
O avanço para um processo de candidaturas permanentes vai representar “um mecanismo atempado para que o Governo saiba melhor quais as necessidades de habitação social no território”
Olha os galgos
Lionel Leong garante que Governo está atento às condições do Canídromo
de se relocalizar, antes do prazo definido, sendo que, se pretenderem continuar a operar a mesma actividade, devem encontrar um outro local que apresente condições dentro do planeamento urbanístico e que não afecte os residentes.”
MAIS DINHEIRO
Lionel Leong disse ainda que o orçamento da sua tute-
la para o próximo ano “está a ser elaborado”, prevendo-se que “as receitas e despesas públicas subam”. Contudo, citado por um comunicado, Lionel Leong disse estar confiante “na manutenção do saldo financeiro positivo”. Nesta fase de recolha de opiniões sobre a temática, Lionel Leong frisou que existe “uma vontade
efeitos só depois de a proposta de lei ser aprovada”, afirmou. Para já há cerca de 1300 casas praticamente prontas a serem distribuídas, no entanto o número certo e os prazos de entrega dependem do andamento de obras que ainda decorrem, referiu Arnaldo Gonçalves. Com a saída das instalações da central térmica que a Companhia de Eletricidade de Macau ocupa naAvenida Venceslau de Morais, acresce a disponibilidade de mais 2500 fogos.
APERTA O NÓ
A proposta aprovada pelo Conselho Executivo prevê ainda que os requisitos de candidatura a habitação social sejam, nalguns pontos, mais apertados. Se actualmente, o candidato não pode possuir fracções destina-
de manter os benefícios à população”, além de que “alguns serviços públicos necessitam aumentar o orçamento no âmbito do pessoal e outras áreas”. O tufão Hato levou, parcialmente, ao aumento das despesas, pois “provoGCS
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S candidaturas à habitação social poderão ter um carácter permanente. A premissa é dada na proposta do regime jurídico da habitação social, após aprovação no Conselho Executivo. A ideia foi deixada ontem à comunicação social pelo porta-voz, Leong Heng Teng. O avanço para um processo de candidaturas permanente vai representar “um mecanismo atempado para que o Governo saiba melhor quais as necessidades de habitação social no território”, disse. A abertura deste tipo de candidatura tem sido um pedido frequente por parte dos deputados da Assembleia Legislativa (AL) que argumentam ser esta a vontade dos residentes.
das a habitação ou fracções autónomas no território, num período de três anos prévios à candidatura, com a aprovação do regime jurídico da habitação social, o limite passa para cinco anos. Por outro lado, no que respeita a rendimentos mínimos e apesar de não estarem presentes no documento ontem apresentado, a ideia é que passem de 9.000 para 12.000 patacas. “Foram estes os valores apresentados na consulta pública”, disse Leong Heng Teng De acordo com porta-voz do Governo, o objectivo da proposta é “apoiar os residentes de Macau, em situação económica desfavorecida, na resolução do problema da habitação”.
cou prejuízos em inúmeros equipamentos e instalações do Governo”. Quanto às receitas públicas, o secretário manifestou-se optimista e cauteloso pela economia de Macau para o próximo ano, prevendo um aumento de receitas. Quanto aos planos de apoio para pequenas e médias empresas afectadas pelo tufão “Hato”, o secretário referiu que “a distribuição de abonos de 50 mil patacas já foi concluída em metade”. No que diz respeito ao “empréstimo sem juros no montante máximo de 600 mil, devido à necessidade
Sofia Margarida Mota
sofia.mota@hojemacau.com.mo
de haver mais tempo no processo de apreciação e aprovação, o Governo solicitou apoio junto da Associação dos Bancos, com o objectivo de acelerar o sistema”. Sobre as novas licenças de jogo, Lionel Leong explicou que o Executivo ainda está a recolher opiniões mas não há, para já, qualquer pedido para a abertura de um casino em Coloane. Caso seja feito um pedido para uma licença de jogo neste local, tudo vai depender “das opiniões dos serviços da área de planeamento, seguindo-se a respectiva analise das autoridades”.
política 5
sexta-feira 20.10.2017
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De derrota em derrota Polytec perde recurso sobre decisão do Governo
TIAGO ALCÂNTARA
A
Polytec, empresa responsável pela construção do empreendimento habitacional Pearl Horizon, na Areia Preta, perdeu o recurso contra o Governo, que declarou a caducidade e a reversão do terreno por não terem sido cumpridos os prazos de construção. No recurso apresentado ao Tribunal de Segunda Instância (TSI), relativo ao despacho do Chefe do Executivo proferido em 2016, a empresa alega que incorreu em perdas financeiras por esta decisão e que foi a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), que fez atrasar o projecto de construção, ao exigir um estudo de impacto ambiental. Contudo, os juízes do TSI consideram que o contrato de concessão, datado de 1990, “não contempla nenhuma cláusula que permita a dita ‘prorrogação’”, tal como não previam os despachos de 1993 e 1999 “que procederam às primeira e segunda revisões contratuais, em virtude da alteração do aproveitamento e finalidade dos lotes”. Os juízes fazem ainda referência à nova Lei de Terras, implementada em 2013, que “também não prevê a prorrogação que a
recorrente [Polytec] defende em abono da tese da reposição do referido equilíbrio financeiro”. O TSI considerou que “o Chefe do Executivo não podia deixar de agir como agiu”. “Agiu bem, pois assim lho impunha o regime legal e contratual das concessões. Não tinha outra solução, nem alternativa”, escrevem os juízes, lembrando que “os erros que a recorrente [Polytec] imputa à Administração (bem como as omissões em matéria de prazos que ela não teria cumprido na apreciação dos projectos e dos actos tramitacionais deste procedimento administrativo) não foram decisivos ao sentido do dispositivo do acto”. Isto porque, tendo em conta o parecer do Secretário para os Transportes e Obras Públicas, “a ênfase da fundamentação do acto se centra toda no decurso do prazo geral da concessão”.
AI OS ATRASOS
Apesar do acórdão do TSI ser favorável ao Governo, os juízes parecem revelar uma certa com-
preensão em relação aos argumentos apresentados pela Polytec. “Não desconsideramos que a recorrente se ache inconformada com o acto administrativo sob escrutínio.” “Numa certa perspectiva, acompanhamos a recorrente [Polytec] ao não compreender bem a razão pela qual a Administração, via DSSOPT, tentou a modificação unilateral do conteúdo do contrato, ao introduzir afastamentos não previstos inicialmente, e ao impor um estudo de impacto ambiental com que a concessionária nunca tinha sido antes confrontada”, lê-se. O tribunal afirma ainda que não compreende as razões desta mudança de planos por parte do Executivo. “Não se alcança muito bem o motivo por que, depois de tanta alegada crucial importância [...] acabou a mesma DSSOPT por aceitar, tardiamente, a aprovação nos moldes em que o projecto estava congeminado inicialmente. Porque aconteceu tudo isto e com que propósitos? Não sabemos, porque o processo nada esclarece”, refere o acórdão. A.S.S.
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20.10.2017 sexta-feira
CONGRESSO DO PCC PAULO TSE DEFENDE CONSTRUÇÃO DE MAIS CASAS
Contra a especulação
No discurso no 19º Congresso do Partido Comunista Chinês, Xi Jinping disse que a habitação não deve servir para actos de especulação. Paulo Tse, ligado ao sector, defende a construção de mais casas para resolver o problema
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O 19º Congresso do Partido Comunista Chinês (PCC) o Presidente Xi Jinping falou da questão da habitação e considerou, segundo o jornal Ou Mun, que esta deve servir para as populações viverem e não para actos de especulação. O Presidente da China afirmou ainda que se deve garantir que todo o povo chinês deve ter direito à residência por diversos meios e garantias. Em Macau a especulação imobiliária tem sido uma realidade e, neste sentido, Paulo Tse, presidente da Associação de Construtores Civis e Empresas de Fomento Predial de Macau, defendeu que as ideias apresentadas no Congresso do PCC devem inspirar o território, acrescentando que as actuais políticas de habitação vão de encontro às declarações de Xi Jinping. O responsável, que foi membro do Conselho para os Assuntos da Habitação Pública, salientou ainda que devem ser construídas mais casas para combater o aumento de actos especulativos. Quanto à habitação social, as políticas devem
abranger os jovens, para que estes possam acumular dinheiro para, um dia, poderem comprar uma casa no sector privado, disse Paulo Tse. Ng Siu Lai, presidente da União Geral das Associações de Moradores de Macau (UGAMM, ou Kaifong), disse que as ideias de Xi Jinping quanto ao acesso à residência vão de encontro à situação real de Macau, esperando que, no futuro, haja mais medidas e políticas para impulsionar o desenvolvimento do território. Citado pelo Jornal do Cidadão, o administrador da Sociedade de Jogos de Macau, Ambrose So, considerou que as políticas do Go-
verno Central vão fazer com que Macau possa participar no desenvolvimento do país, além de
O responsável, que foi membro do Conselho para os Assuntos da Habitação Pública, salientou ainda que devem ser construídas mais casas para combater o aumento de actos especulativos
facilitarem o emprego, a aquisição de imóveis e as trocas comerciais entre o território e o continente.
GARANTIA DE AUTONOMIA
De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, o director do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado, Zhang Xiaoming, lembrou que a referência ao direito de administração plena do Governo Central em relação a Hong Kong e Macau não vai contra o
alto grau de autonomia previsto na Lei Básica dos dois territórios. Isto porque, na visão de Zhang Xiaoming, esse alto grau de autonomia foi concedido por Pequim, e a partir daí surgiu a ideia do direito de administração plena por parte do Governo Central. O director frisou que o mais importante é cumprir a constituição chinesa e a Lei Básica, respeitando ambos os conceitos. Já para Leong Wai Fong, presidente da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), as palavras de Xi Jinping mostraram que Macau vai sair beneficiada com a implementação do projecto da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, algo que pode ajudar a uma diversificação da economia e ao surgimento de novas oportunidades de emprego. Chan Meng Kam, ex-deputado e membro da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), considerou que as reivindicações da população de Macau estão consolidadas nas palavras do Presidente chinês. HM
FAOM OPERÁRIOS RECOLHEM OPINIÕES SOBRE ALTERAÇÃO DA LEI LABORAL
A
Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) vai distribuir panfletos e recolher opiniões acerca da alteração à lei das relações laborais. A informação foi deixada pelo deputado com ligações aos Operários, Leong Sun Iok. O deputado salienta que não vai ceder no âmbito da lei das relações de trabalho, mesmo que a economia local não venha a declinar. Leong
Sun Iok referiu ainda que neste momento Macau está a passar um bom período económico pelo que considera que as alterações não estão a representar avanços. Exemplo disso é o aumento dos dias de licença de maternidade que não são remunerados. O deputado deu como exemplo as situações das regiões vizinhas que têm feito avanços significativos no que respeita a esta licença
e considera que Macau deve ir pelo mesmo caminho, até porque precisa de impulsionar a natalidade. Apesar dos reparos, Leong Sun Iok mostrou-se satisfeito com as alterações relativas à licença de paternidade e às disposições que têm em conta a sobreposição de feriados. No entanto, salienta, há aspectos a serem melhorados. Para Leong Sun Iok, os feriados obriga-
tórios não devem poder ser usufruídos em dias de feriado não obrigatório. Quanto ao regime de trabalho a tempo parcial, Leong Sun Iok considera que, quer seja longo ou curto o período de trabalho, os funcionários devem ser protegidos pela lei laboral e pela lei da segurança social. V.N.
JOGO SI KA LON QUER LUCROS DISTRIBUÍDOS PELOS RESIDENTES
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renovação de licenças de jogo, o planeamento geral da cidade e a questão da habitação pública são os desafios da próxima legislatura. A ideia é deixada pelo deputado Si Ka Lon no programa “Macau Fórum” do canal chinês da TDM. Para o deputado, uma das grandes prioridades do trabalho legislativo tem que ver com a criação de um fundo de comparticipação em que 10 por cento das receitas do jogo são direccionadas para os residentes. O objectivo, afirmou, é ajudar na resolução dos problemas de habitação, nos serviços médicos e ainda como garantia para os idosos. Si Ka Lon considera ainda que o apoio pecuniário que já é dado anualmente à população não é uma forma justa de distribuir os lucros do sector do jogo, sendo que com a criação de um fundo seria mais evidente que se estaria a partilhar “os frutos da economia”. No que respeita ao aumento das tarifas dos autocarros, Si Ka Lon não está contra a medida mas não concorda com as justificações avançadas pelo Executivo. Para o deputado, não é com preços mais altos que se vai conseguir uma maior qualidade nos serviços de transportes públicos locais. O deputado disse também que as políticas de trânsito têm sido uma falha e quer respostas relativas aos atrasos no metro ligeiro.
Tarifas Agnes Lam pede explicações ao Governo
A primeira interpelação escrita de Agnes Lam questiona o Executivo acerca do aumento das tarifas de autocarros. A deputada, que se estreia no hemiciclo, quer saber se foi feita uma avaliação das consequências deste aumento. Agnes Lam quer ainda mais informações acerca dos critérios utilizados para definir o referido aumento e pergunta se o Executivo está com problemas a nível de orçamento.
sociedade 7
sexta-feira 20.10.2017
Sobre as avaliações externas, a subdirectora da DSEJ revelou que no caso da Escola Portuguesa de Macau foram convidados peritos de Portugal, para que houvesse uma avaliação com conhecimentos para se certificar que os conteúdos leccionados se encontram dentro das exigências do Ministério de Educação português.
TIAGO ALCÂNTARA
CRÉDITO À EXPORTAÇÃO COSEC E AMM ASSINAM PROTOCOLO
A
seguradora de créditos portuguesa Cosec e a Autoridade Monetária de Macau (AMM) assinaram ontem um protocolo que lança as bases para criar “uma agência de crédito à exportação para apoiar empresas que pretendam operar nos países lusófonos”. O protocolo foi anunciado em Macau pelo secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, na cerimónia de abertura do 3.º Fórum de Jovens Empresários entre a China e os Países de Língua Portuguesa. O novo instrumento financeiro “permitirá a todos os países promover exportações e segurar investimentos em terceiros mercados”, segundo explicou o governante. O objectivo é construir “uma plataforma que os países de língua portuguesa possam utilizar para garantir os seus créditos de exportação ou, mesmo no âmbito dos seguros de caução, para, por exemplo, algumas operações que precisem de caução antecipada”, nomeadamente nas áreas da “construção civil, obras públicas e serviços na área da metalo-mecânica, que precisam muitas vezes de caução”. Eurico Brilhante Dias referiu que o protocolo será válido “para o conjunto dos países, não só da República Popular da China, da Região Administrativa Especial de Macau, para empresas portuguesas e para empresas dos países de língua portuguesa, não só em África, como no caso de Timor-Leste, na Ásia, e naturalmente o Brasil, na América Latina”. Com a criação deste novo instrumento financeiro, as empresas vão passar a “ter outra entidade que vai disponibilizar um portefólio de produtos que lhes permite, para alguns dos territórios, adquirir seguros de crédito à exportação, cobrindo o risco”.
MAIS ESTUDANTES NO INTERIOR
EDUCAÇÃO LANÇADO PROJECTO DE AUTO-AVALIAÇÃO DAS ESCOLAS
Espelho meu, espelho meu... A partir de 2020, a DSEJ quer que as escolas comecem a implementar procedimentos de auto-avaliação que complementem o modelo actual existente. A partir do próximo ano lectivo, inicia-se um projecto piloto de auto-avaliação
A
Direcção de Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) vai lançar um projecto piloto para que as escolas façam uma auto-avaliação sobre os seus pontos fortes e fracos. A medida vai entrar em vigor no próximo ano
e objectivo é que a partir de 2020 seja estendida a todas as escolas do território. Segundo a Subdirectora-substituta da DSEJ, Wong I Lin, a medida revelada ontem vai ser complementada com a avaliação externa, que já se encontra actualmente em vigor. “O objectivo é que haja uma primeira auto-avaliação nas escolas, à qual se seguirá a avaliação externa. Acreditamos que as escolas estão em melhor posição para conhecerem a sua situação e poderem indicar os pontos em que estão melhores e os outros que precisam de melhorar”, afirmou Wong I Lin, após uma reunião plenária do Conselho de Educação para o Ensino Não Superior. “Após as escolas entregarem o relatório sobre a auto-avaliação, vamos formar uma equipa para a avaliação externa que vai verificar que alterações foram registadas e emitir as suas opiniões sobre os pontos fracos e fortes”, acrescentou. Este modelo de auto-avaliação vai utilizar critérios semelhantes aos em vigor na avaliação externa. Apesar desta medida complemen-
tar, a responsável da DSEJ não deixou de elogiar o actual modelo em vigor, que foi adoptado em 2006. “A avaliação permitiu que fossem melhorados muitos aspectos nas escolas em comparação com 2006. Foi a partir dos relatórios que as escolas puderam introduzir melhorias”, defendeu Wong I Lin. “Quando começaram as avaliações, havia escolas que ao nível das instalações sanitárias não tinham as condições necessárias, por exemplo algumas escolas nem tinham sabão nas casas-de-banho masculinas”, recordou.
Outra das novidades abordadas durante a reunião foi o futuro dos jovens que completam o ensino secundário. De acordo com os dados oficiais, o número de jovens que opta por continuar os estudos no ensino superior subiu para 95,6 por cento em 2016/2017, quando era de 84,4 por cento, em 2007/2008. Também aumentou o número de alunos locais que optam por continuar os estudos no Interior da China, que subiu para 23,6 por cento em 2016/2017, quando a proporção tinha sido de 16.1 por cento no ano lectivo anterior. Uma descida em contraste com Taiwan, cuja proporção desceu de 26,6 por cento para 18,2 por cento. “O aumento dos estudantes interessados em irem para o Interior da China deve-se à política ‘Uma Faixa, Uma Rota’, ao desenvolvimento económico, percepção de um futuro positivo e ao empreendedorismo”, afirmou Kong Chi Meng, chefe da Divisão de Educação Pré-Escolar e Ensino Primário da DSEJ. “Também tem a ver com o nível das Universidades da China e com o aumento do número de vagas para os estudantes de Macau nas universidades com maior prestígio, que o Ministério da Educação da China disponibilizou”, complementou. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
DOIS SIMULACROS POR ANO
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a reunião do Conselho de Educação para o Ensino Não Superior foram apresentados os pareces das autoridades e forças de salvamento para as situações de catástrofes. Segundo Kong Chi Meng, chefe da Divisão de Educação Pré-Escolar e Ensino Primário da DSEJ, o objectivo passa agora por definir as orientações que serão entregues às escolas. “Já recebemos os pareceres e esperamos emitir, o mais brevemente possível, as instruções para as escolas com os procedimentos de segurança a serem adoptados”, disse Kong Chi Meng. “Queremos sensibilizar os alunos para os comportamentos a serem adoptados em situações de emergência. As instruções vão ser sobre situações de tufões, incêndios, inundações e gases tóxicos”, justificou. Kong Chi Meng afirmou igualmente que com as alterações as escolas vão poder fazer dois simulacros por ano, mas não mais do que isso, porque causará transtornos ao normal funcionamento. As instruções não visam desastres nucleares.
8 sociedade
20.10.2017 sexta-feira
PROSTITUIÇÃO RESIDENTES NÃO ACREDITAM NA TOTAL PROIBIÇÃO
Uma parte de nós
Um estudo da Universidade de Ciências e Tecnologia mostra que os residentes não acreditam ser possível eliminar a prostituição através da sua proibição com uma nova lei. Estes, por outro lado, defendem uma aproximação à sua legalização em conjunto com Bill Jing Xu, leitor no Instituto Politécnico de Hong Kong. O estudo, ao qual o HM teve acesso e que já referido na revista Macau Business, afirma que os inquiridos “consideraram que a prostituição é uma parte permanente da comunidade de Macau”, embora acreditem que “a probabilidade do Governo eliminar a prostituição através da legislação é extremamente baixa” ou até “inviável”. “De acordo com os inquiridos, a abordagem da proibição [da prostituição] seria ineficaz e, por contraste, a abordagem da legalização poderia ser ligeiramente melhor”, lê-se no documento.
Se os residentes parecem encarar a prostituição como algo que já faz parte do território, não deixam de ter preocupações relativamente aos problemas sociais que daí possam surgir. “Em contraste com as avaliações morais da prostituição, os residentes parecem estar mais preocupados com os problemas sociais que daí poderão advir.” Os autores não deixam de dar sugestões ao Executivo. “O Governo deveria enfrentar o dilema de implementar medidas para gerir a problemática área do comércio sexual para aliviar os problemas sociais e uma diminuição de actividades criminosas.” PUB
“Os problemas sociais advindos da prostituição são preocupações para o Governo, mas os problemas sociais mais relevantes são difíceis de eliminar ou aliviar sem lidar de perto com a sua fonte, que é o comércio sexual ilegal”, acrescentam ainda.
O GÉNERO IMPORTA
Este estudo foi feito com base num inquérito, tendo sido registados 358 questionários viáveis, realizados entre 18 de Novembro de 2015 e 14 de Janeiro de 2016. Uma das conclusões é a de que os inquiridos “tenderam a ser neutros em relação à maior parte dos itens relacionados com a dimensão
Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
MIF abriu ontem portas Secretário de Estado pede aprofundamento de relações
GCS
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S pequenos panfletos com caras bonitas e números de telefone existem nas ruas perto dos casinos, e já levaram deputados da Assembleia Legislativa a pedir uma intervenção para que isto não aconteça. A prostituição existe em Macau, mas qual é a percepção dos residentes em relação a essa matéria? Foi essa a pergunta que um estudo da Universidade de Ciências e Tecnologia (MUST), intitulado “As percepções dos residentes em relação à prostituição” procurou responder. Libo Yan e Joe Young Zhou, professores associados da MUST, participaram no estudo
normativa da prostituição (por exemplo, as razões económicas para a escolha dessa profissão e a diminuição das ocorrências de violação)”. Além disso, “as suas atitudes em relação em relação ao papel que o comércio do sexo pode ter no desenvolvimento económico foram algo negativas”. “A maioria [dos que responderam ao inquérito] tendeu a concordar com a longa existência de comércio sexual e não acreditam que possa ser eliminado com a proibição através da lei”, lê-se no estudo. O documento, totalmente financiado pela MUST, revela ainda uma diferença de género em relação às ideias sobre a prostituição. As mulheres com representaram 61 por cento das respostas, enquanto que os homens representaram apenas 39 por cento. “Foi revelado neste estudo que o género tem uma influência nas atitudes em relação à prostituição, uma vez que os homens tendem a ter uma mente mais aberta sobre a indústria do sexo ligada ao turismo. A elevada representação das mulheres pode ter distorcido a opinião geral quanto à prostituição”, conclui o estudo.
O
secretário de Estado da Internacionalização defendeu ontem o aprofundamento da relação histórica de Portugal e Macau, apoiando progressivamente o território como plataforma para os países lusófonos. Eurico Brilhante Dias falava aos jornalistas depois da cerimónia de abertura da 22.ª Feira Internacional de Macau (MIF) e Exposição de Produtos e Serviços dos Países de Língua Portuguesa (PLPEX), que decorrem em simultâneo. Os próximos passos da relação histórica de Portugal com Macau são “aprofundar e procurar que instrumentos como o fundo de cooperação com os países de língua portuguesa possam ter uma abordagem para um conjunto de projectos mais abrangente”, não só para grandes projectos ligados às infra-estruturas e obras públicas, mas também instrumentos financeiros orientados para as pequenas e médias empresas, afirmou. O responsável lembrou a assinatura do memorando de entendimento entre a seguradora de créditos portuguesa Cosec e a Auto-
ridade Monetária de Macau para desenvolver “uma agência de crédito à exportação para apoiar empresas que pretendam operar nos países lusófonos” (ver página 7). “Muitos países do mundo gostariam de ter com a China uma plataforma como esta em Macau, com este grau de conhecimento e de intersecção”, afirmou.
CONSULADO EM 2019
“Macau é um valor para os dois países [Portugal e China] e é que isso que procuramos afirmar e explorar”, sublinhou. O secretário de Estado indicou ainda que Portugal se prepara para abrir “provavelmente em 2019” um Consulado em Cantão (sul da China) e uma delegação da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP). Sobre a participação portuguesa na PLPEX, Eurico Brilhante Dias destacou o “caminho fantástico nos últimos anos de aumento de valor” da economia e produtos portugueses, visível nas feiras internacionais como a de Macau.
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sexta-feira 20.10.2017
COMBATE À CORRUPÇÃO FORAM PUNIDOS MAIS DE UM MILHÃO E MEIO DE FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS
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ECONOMIA CRESCE 6,8% NO TERCEIRO TRIMESTRE DO ANO
Meta superada
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China, segunda maior economia do mundo, cresceu 6,8%, no terceiro trimestre do ano, menos uma décima do que no trimestre anterior, mas acima da meta fixada por Pequim, anunciou ontem o Gabinete Nacional de Estatísticas (GNE). Os analistas esperam, porém, um abrandamento, à medida que as autoridades chinesas reforçam o controlo sobre os empréstimos bancários, visando travar o aumento da dívida, visto como a maior ameaça à estabilidade económica do país. Pequim está a encetar uma reconfiguração no modelo económico chinês, visando um maior ênfase do consumo interno, em detrimento das exportações e do investimento em grandes obras públicas. A China tem, no entanto, tido um ‘boom’ no aumento do crédito, desde a crise financeira global de 2008, que atrasou o reequilíbrio da economia.
BRILHOS E DESAFIOS
Num discurso proferido na quarta-feira, na abertura do XIX Congresso do Partido Comunista Chinês (PCC), Xi afirmou que as perspectivas da China são “brilhantes”, mas reconheceu que a economia do país enfrenta “sérios desafios”.
O secretário-geral do PCC disse que o partido terá que assumir “grandes riscos” e superar “forte resistência”. Empresas e investidores estão atentos a sinais do Congresso sobre a profundidade das reformas económicas. No discurso de quarta-feira, perante os mais poderosos do regime chinês, Xi repetiu promessas de dar ao mercado um “papel decisivo” na alocação de recursos, mas afirmou também a intenção do partido de desenvolver as empresas estatais. Os dados ontem difundidos pelo GNE revelam que as vendas a retalho na China subiram, em Setembro, 10,3%, face ao mesmo mês do ano anterior, uma décima abaixo da média registada nos primeiros três trimestres.
Os analistas esperam, porém, um abrandamento, à medida que as autoridades chinesas reforçam o controlo sobre os empréstimos bancários, visando travar o aumento da dívida
A subida foi impulsionada por uma expansão do comércio electrónico, em termos homólogos, de 34,2%. A decisão do partido de anunciar os dados económicos durante o Congresso, o mais importante evento da agenda política chinesa, suscitou expectativas de que estes seriam positivos. O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a economia chinesa cresça este ano 6,7%, mantendo a mesmo ritmo de 2016. A instituição elevou por duas vezes as suas perspectivas para a economia chinesa este ano, alegando o forte aumento da despesa pública. A meta do Governo chinês para este ano é de 6,5%, “ou mais alto, se possível”. Os reguladores apontaram como prioridade reduzir os riscos no sistema financeiro. Aos bancos foi requisitado que controlem de perto os devedores, sobretudo aqueles que investem além-fronteiras, para assegurar que estes podem pagar as suas dívidas. O PCC definiu como meta para 2020 dobrar o nível médio de rendimento, face a 2010, e lograr uma “sociedade moderadamente confortável”. Analistas da UBS apontam que, para atingir esse marco, o país deve manter um crescimento mínimo de 6,3%, até ao fim da década.
China castigou mais de um milhão e meio de funcionários públicos e investigou 440 altos quadros do regime, parte da campanha anticorrupção lançada há cinco anos pelo Presidente chinês, Xi Jinping, anunciou ontem o Partido Comunista Chinês (PCC). Yang Xiaodu, vice-secretário da Comissão Central de Inspeção e Disciplina do PCC, anunciou em conferência de imprensa os números da campanha: 2.674.000 de membros do partido investigados, entre os quais 1.537.000 foram punidos. “Isto demonstra o nosso compromisso com o princípio de que a disciplina deve ser aplicada de forma rigorosa e de que todos os infractores devem ser punidos”, afirmou Yang, um dia depois da abertura do XIX Congresso do PCC. Críticos apontam que a campanha anticorrupção de Xi serviu para afastar rivais políticos, promovidos por outras cliques internas do PCC. PUB
Durante o Congresso saber-se-á ainda se o responsável pelo órgão máximo de disciplina do partido, Wang Qishan, se vai retirar, ou se a organização abrirá uma excepção à norma que obriga membros com idade superior a 68 anos a afastarem-se. Wang tem 69 anos. O vice-secretário explicou que os esforços contra a corrupção “aumentaram a consciência dos membros do partido sobre a importância
de seguir as regulações e a disciplina”. Outros 440 altos quadros do partido e altas patentes do exército foram investigados pela Comissão, afirmou Yang, detalhando que 43 faziam parte do Comité Central do PCC - os 200 membros mais poderosos do regime - e nove eram do próprio órgão anticorrupção.
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20.10.2017 sexta-feira
FILMAGENS MACAU É
Cond
SOFIA MARGARIDA MOTA
O homem de duas culturas 150 anos de Manuel da Silva Mendes assinalados em Portugal
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A próxima segunda-feira vão ser assinalados os 150 anos do nascimento de Manuel da Silva Mendes.Aefeméride vai contar com a realização de um colóquio no Centro de Estudos Camilianos, em São Miguel de Seide. Às 18 horas, será lançado o primeiro volume de uma colectânea sobre Silva Mendes, com cerca de 600 páginas, com o título “Manuel da Silva Mendes: Memória e Pensamento” que contém três ensaios sobre a figura da história social de Macau. A autoria é de António Aresta, Amadeu Gonçalves e Tiago Quadros, e o livro abarca todos os textos de Silva Mendes sobre Arte, Filosofia e Religião, Cultura e Tradições Chinesas publicados na Imprensa e em livro. Mas antes há um espaço de troca de ideias. Do colóquio organizado para o efeito, fazem parte Ana Cristina Alves (“O taoismo de Silva Mendes”), António Aresta (“Manuel da Silva Mendes, um intelectual português em Macau”), António Graça de Abreu (“Manuel da Silva Mendes e Camilo Pessanha, a Inimizade Inteligente”), Amadeu Gonçalves (“Manuel da Silva Mendes: 150 Anos entre V. N. de Famalicão e Macau e/ou entre o anarquismo e o taoismo”),
“Condição human a novela que deve bro em Portugal. da história a pass correm esta sema Sara Prata, e um d falam da sua expe
Aureliano Barata (“Manuel da Silva Mendes: um olhar sobre Macau e o seu ensino”), Norberto Cunha (“Silva Mendes e o Marxismo”) e Rui Lopo (“É preciso fazermo-nos chineses”: Do Orientalismo à Sinofilia – do expatriamento ao voto de Bodhisattva).
TESTEMUNHO DE VALOR
De acordo com a editora Livros do Oriente, “o testemunho e a obra de divulgação de Manuel da Silva Mendes – o exemplo de um português que conheceu, compreendeu e divulgou a cultura e as tradições chinesas – são únicos e, por isso, não podiam deixar de ser reeditados”, refere o comunicado de apresentação do evento. Silva Mendes, advogado, professor e intelectual era natural de São Miguel das Aves e viveu em Macau de 1901 a 1931, ano em que morreu. Foi também, na época, um dos maiores coleccionadores de arte chinesa, constituindo o seu espólio parte do acervo do Museu de Arte de Macau. A iniciativa é da Associação Amigos do Livro em Macau e conta com o apoio da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão e da Fundação Jorge Álvares.
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uma história de amores perdidos e reencontrados, recheada de negócios escuros, amor, e conflitos familiares. “Condição Humana” ainda nome provisório - será a novela da TVI que tem Macau como parte do cenário. O facto de alguns episódios serem aqui filmados permite a quem está em Portugal ter algum acesso ao território. “A história inicia-se em Macau, o que é um pretexto para mostrarmos este lado do mundo, por onde andamos, e acaba por ser um enquadramento e um cenário diferente daquele a que estamos habituados”, disse Diogo Infante, vilão de “Condição Humana”, num encontro ontem com os jornalistas. Manuel, personagem interpretada pelo actor, está ligado a uma tríade. O papel é do seu agrado até porque “A ficção tem esta liberdade poética que permite adaptar um pouco as realidades às circunstâncias da narrativa”, referiu. Por ouro lado, sente-se bem no papel de vilão, porque lhe permite entrar naquilo que não é na realidade. “Adoro fazer os maus, são mais sumarentos, são personagens cheias de contraste”, ilustra o actor português.
TERRA MUTANTE
Não é a primeira vez que Diogo Infante está no território e as
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA MEDICINA CHINESA NAS MÃOS DE ASSASSINOS • Frédéric Lenormand
Ti Jen-Tsie (630-700) foi um magistrado tão reconhecido que figura nos anais judiciários da dinastia Tang. As novas aventuras que Frédéric Lenormand lhe dedica convida-nos a descobrir a fascinante cultura chinesa através dos meandros de uma intriga policial. Um médico ousou introduzir um veneno mortal no círculo do imperador da China. O juiz Ti foi encarregado de investigar no seio do “Grande Serviço Médico”, uma instituição única no mundo que reúne todos os conhecimentos médicos e forma os melhores sábios do império. Da acupunctura à farmacopeia, Ti lança-se numa perseguição a um assassino tão brilhante quanto perigoso, levando-nos a descobrir todas as subtilezas da arte da medicina chinesa.
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Grã-Bretanha, 1972. Serena Frome, a bela filha de um bispo anglicano, é aliciada para os Serviços Secretos no seu ano final em Cambridge. A guerra fria cultural prossegue e o país é assolado por convulsões sociais e actos de terrorismo. Serena é então enviada numa «missão secreta» que a faz imergir no mundo literário de Tom Haley, um jovem escritor promissor. Ela começa por gostar das suas histórias, mas rapidamente passa a gostar do próprio homem que as escreve. Conseguirá Serena manter a ficção da sua vida oculta? Para isso, ela vai ter de ignorar a primeira regra do espião: Não confies em ninguém.
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sexta-feira 20.10.2017
PALCO DE NOVELA PORTUGUESA
dição local
na ainda é um nome provisório para e estrear no próximo mês de NovemA nova produção da TVI tem parte sar-se em Macau e as filmagens deana. Os protagonistas João Catarré e dos vilões da novela, Diogo Infante, eriência no território. alterações de Macau não lhe foram indiferentes. Esteve por cá em 2002 e em 2011 para interpretar dois monólogos humorísticos e sente que cada vez que cá volta, “Macau está diferente”. “Em 2001 era bastante mais discreto, apesar de já ser um centro atractivo de jogo. Passados 16 anos é brutal a diferença. Há paisagens que já não reconheço”, salienta, sendo PUB
que continua a “ficar fascinado com os nomes das ruas em português”. Por outro lado, “as pessoas são muito gentis e não me sinto nada perdido. Sinto-me em casa e num outro planeta também”. João Catarré interpreta João e a Sara Prata é Margarida. São o casal protagonista de “Condição Humana” e ao contrário de Diogo Infante, este é o seu
primeiro contacto com o território. “Não sabia muito bem o que havia de esperar. Pensei que fosse mais pequeno e que ia sentir muito mais a sobrepovoação”, começa por dizer Sara Prata. No entanto, a realidade acabou por surpreender. Agora até “é engraçado o contraste das ruelas e os edifícios muito altos, e acabamos por não nos sentir claustrofóbicos”. Já João Catarré não deixou de referir o cruzamento entre a parte histórica e a moderna de Macau como um “deslumbre”. Esta é também uma oportunidade, refere o actor, de “perceber como as pessoas se comportam, que costumes têm, como é a sociedade e como funcionam as regras aqui, numa realidade muito diferente da nossa”.
MACAU COM POTENCIAL
O território é muito característico, refere Sara Prata, o que representa um cenário a ser aproveitado para filmagens. O facto de ser ainda desconhecido só traz mais-valias neste sentido, considera. Para Catarré, a convivência entre diferentes religiões é
“A história inicia-se em Macau, o que é um pretexto para mostrarmos este lado do mundo, por onde andamos, e acaba por ser um enquadramento e um cenário diferente daquele a que estamos habituados.” DIOGO INFANTE ACTOR
um aspecto de relevo. “Aqui nada é discriminado” apontou o actor num lugar que, considera, “toda a gente se respeita”. Para interpretar o papel de João, Catarré teve de aprender algum cantonês. Este é, talvez o maior desafio que encontrou no papel que está a representar. “Mas nada que não seja ultrapassável”, remata. Sofia Margarida Mota
sofia.mota@hojemacau.com.mo
Caligrafia Exposição de Ambrose So em Lisboa
A caligrafia de Ambrose So pode agora ser vista em exposição no Centro Cultural e Científico de Macau em Lisboa. O objectivo da mostra “A Cultural Janus: Macau’s Complexity on Calligraphic Parade” é, “além de promover a arte tradicional da caligrafia chinesa, aprofundar o papel de Macau enquanto ponte cultural entre o ocidente e o oriente”, lê-se no comunicado enviado à comunicação social. A exposição exibe uma colecção de poemas de Macau, escrita durante as dinastias Ming e Qing, e “testemunham o importante papel da cidade na história do intercâmbio cultural entre o oriente e o ocidente”, diz a organização. Os poemas também incluem inscrições do Templo A Má, do Templo Antigo de Nezha e das Ruínas de São Paulo em Macau, bem como duas peças de caligrafia tiradas de gravuras em osso, e uma pintura “Bambu”.
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20.10.2017 sexta-feira
Sim, é claro, O Universo é negro, sobretudo de noite. José Simões Morais
Início de vida do compositor Xian Xing Hai
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ORMALMENTE acontece a quem se dedica de alma e coração a uma causa, ou a um ideal, passar enormes sacrifícios e privações, tendo geralmente a saúde afectada e uma morte prematura. A maioria, após passar esta vida permanecerá incógnito e só poucos atingem o reconhecimento. Tal ocorreu com o mundialmente conhecido compositor Xian Xing Hai, autor da Sinfonia Rio Amarelo, que nasceu em Macau em 1905. O nome de Xian Xing Hai só apareceu em 1978, quando o Partido Comunista Chinês traduziu o seu nome pelo sistema hanyu pinyin (alfabeto fonético chinês vulgarmente denominado mandarim; um sistema de romanização dos caracteres da língua chinesa feito a partir da sonoridade das letras do alfabeto em língua inglesa e que a China após algumas reformas arranjou em 11 de Fevereiro de 1958). Até então e durante toda a sua vida, Xian Xing Hai fora sempre conhecido por Sinn Sing Hoi, pois era traduzido pela sonoridade do pinyin cantonense. Sinn Sing Hoi, descendente duma família de pescadores oriundos de Pan Yu (Poon Yu, em cantonense), nasceu a 13 de Junho de 1905 na Praia do Manduco, em Macau, já o pai, Xian Xi Tai (冼喜 泰) falecera. Durante seis anos viveu na casa do avô feita em palafita sobre o Rio do Oeste (Xijiang) com a mãe Huang Su Ying (黄苏英) e este. Após a morte do avô e para garantir a subsistência da família, em 1911 ambos emigraram para Singapura. Aí, enquanto a mãe trabalhava como empregada doméstica, o jovem com dez anos recebeu a sua primeira educação em troca de pequenos trabalhos que realizava para a escola estabelecida pelos ingleses. Já em 1916 “entrou para a Escola Yang Zheng, mantida pelos Chineses do Ultramar, que estava sob a tutela da Universidade de Ling Nan. Nesta escola recebeu a primeira educação musical. Aprendeu a tocar instrumentos, tais como oboé e piano, sob a influência do professor Ou Jian Fu”, como refere Wang Ci Zhao. Aos 14 anos, Xian Xing Hai, acompanhado pela mãe, veio para Cantão na esperança de poder, com melhores condições, completar os estudos secundários, o que ocorreu dois anos mais tarde. Assim, em 1920 entrou na Escola Secundária da Universidade de Ling Nan em Cantão, onde depois frequentou o curso propedêutico da Universidade, enquanto dava aulas como professor para pagar os estudos e trabalhava como dactilógrafo para o sustento da família. Conseguia ainda
tempo para a sua grande paixão, a música. Estudava e aprendia a sério o seu instrumento preferido, o violino, enquanto participava no grupo de sopros da escola, sendo também maestro.
AFIRMAÇÃO COMO MÚSICO
A viragem na vida de Xian Xing Hai ocorreu quando decidiu deixar Cantão e ir já sem a mãe para Pequim estudar música, composição e violino. Segundo Veiga Jardim, “Com poucos recursos, em 1926, viaja até Pequim, onde, através de amigos consegue obter uma melhor instrução musical bem como aulas de violino no já extinto Colégio de Artes de Pequim”. Já Wang Ci Zhao refere, “Estudou violino sob a orientação de Tuno, famoso professor russo, na Escola Nacional Especial de Arte de Pequim, dirigida por Xiao You Mei. Em Setembro de 1928, ingressou no novo Conservatório Nacional de Xangai, especializando-se em violino, mas frequentou também os cursos de Teoria Musical e Piano.”
Trocando “Pequim por Xangai, onde se matricula no tradicional e rígido Conservatório de Música” (...) “após um curto período, é expulso, em função do seu envolvimento no movimento nacionalista estudantil de 1929”, segundo refere Veiga Jardim. Nesse ano, “publicou no periódico do Conservatório, um artigo intitulado A Música Universal, onde apresentava pela primeira vez a sua posição sobre a música, que viria a manter por toda a vida. Defendia: (...) <Do que a China necessita não é da música privada ou da nobreza, mas sim da música universal. (...) A pessoa que aprende música [deve] assumir a importante responsabilidade de salvar a China enfraquecida>. Durante a estadia em Xangai, conheceu o dirigente do Movimento de Teatro Progressista e participou nas actividades teatrais da Sociedade do País Meridional”, como diz Wang Ci Zhao, subdirector do Conservatório Central de Pequim à data da publicação do seu artigo sobre a vida e obra de Xian Xing Hai.
“Após sete anos em França, e num estado de extrema pobreza que, em absoluto, não o impediu de continuar a compor abundantemente, decide, em 1935, retornar à China, no desejo de encontrar novas oportunidades” VEIGA JARDIM
Desgostoso com a expulsão do Conservatório de Xangai e sentindo necessidade de alargar os seus conhecimentos musicais, sendo apoiado por amigos, no Inverno de 1929, o jovem músico, então com 25 anos, resolveu emigrar para a Europa. Em Paris, viveu cinco anos em condições muito difíceis de sobrevivência, nada que já não estivesse habituado, pois logo desde nascença assim fora o seu fado. Veiga Jardim refere ter ele aí exercido “um sem-número de actividades que lhe garantiam o provimento para a sua subsistência, entre as quais se contam as de baby-sitter, telefonista e copista de partituras”. Conseguiu matricular-se no Conservatório Superior de Música no curso de violino com o famoso professor Paul Oberdoeffer, composição com Vincent D’Indy, teoria musical com Noel Gallon e direcção de orquestra com Labey. Mais tarde, em 1934, aperfeiçoou-se na arte de compor, quando “ingressou por meio de exame na classe superior de Composição do famoso compositor Paul Dukas. Em 17 de Maio de 1935, Dukas faleceu subitamente. Xian Xing Hai foi obrigado a interromper os estudos e regressou ao seu país no Outono do mesmo ano. Aquando da estadia em Paris, compôs a obra ‘Vento’, para soprano, oboé e piano e a Sonata para Violino em Ré Menor. ‘Vento’ foi apresentada em Paris, onde recebeu crítica muito positiva”, segundo Wang Ci Zhao. Datam ainda desta época várias peças para piano solo. “Após sete anos em França, e num estado de extrema pobreza que, em absoluto, não o impediu de continuar a compor abundantemente, decide, em 1935, retornar à China, no desejo de encontrar novas oportunidades”, como refere Veiga Jardim. Após concluir os seus estudos regressou à China em 1935 e em Xangai ao ver o seu país a ser invadido pelos japoneses, juntou-se à luta de resistência. Veiga Jardim refere, “A opressão pela qual passava o seu povo, fizeram com que viessem à tona as memórias do tempo das revoluções estudantis em Xangai. A partir de então, movido por um altíssimo espírito patriótico, engaja-se no movimento emancipador escrevendo uma série de obras de cariz nacionalista”. Escreveu durante esta época mais de 300 canções, na maioria música de intervenção de cariz patriótico contra os invasores nipónicos. Com um grupo de teatro de que ele foi um dos impulsionadores, viajou para várias partes da China levando a mensagem de conforto e encorajamento à população na sua luta contra a dominação japonesa.
ARTES, LETRAS E IDEIAS 13
sexta-feira 20.10.2017
tonalidades António de Castro Caeiro
Desistir
T
ODOS os meus dicionários tinham o verbo “desistir” riscado a vermelho. Desistir não era opção. Mas a vida não exprimia a insistência à beira da desistência, como tantas vezes acontece. Já não apetece. Perdeu-se o gosto, e, de seguida, o sentido. Fica-se farto. Poder vencer uma contrariedade não é vencer a adversidade. Há tantas formas de insistência quantos os seus objectos. Não desistir varia sempre consoante o seu complemento. Há tempos também diferentes. Pode parar-se para recomeçar mais tarde. Há recuos tácticos, para podermos avançar. É uma espécie de descanso activo, em que não ir e ficar permite perceber o quanto gostamos de uma actividade a que nos dedicamos, física e desportiva ou literária ou de qualquer outro tipo. Não desistir e insistir pode ser um comportamento gizado nas nossas vidas. Como se não desistir e insistir fosse uma opção, a qual, ainda que difícil, é a certa, uma maneira de ser, uma compreensão da própria vida. Aderimos ao que aderimos por gosto, amor, entusiasmo e paixão, actividades e pessoas, o que fazemos, tudo é assim descoberto. Como se não houvesse opção, dedicamo-nos a
tudo o que começamos por entusiasmo ou com alguma dúvida mas sempre com espaço de manobra para progressão. Podemos dedicar-nos com devoção ao que quer que seja, e talvez toda a devoção seja acompanhada de renúncia. Na renúncia e na recusa, percebemos o lado negativo das nossas vidas. O lado positivo é o que fica registado nas nossas agendas e diários, define calendários e horários, a nossa vida tal como tem sido, com tudo o que fizemos e tudo o que não fizemos. Não desistir é não desistir do que temos feito, de alguém que faz parte da nossa
Quando insistimos em ficar naquilo a que nos dedicamos é porque o amor perdido e a falta de entusiasmo, o fascínio ainda poderão ser ressuscitados
vida, de nós tal como nos conhecemos. É como se houvesse um apego aos momentos inaugurais: os primeiros dias na prática de um desporto, os primeiros ensaios de um grupo musical, os primeiros dias de uma qualquer prática ou habilitação. E há um mundo de coisas e de pessoas que deixamos cair porque a devoção implica insistência, presença e tempo. O que acontece quando o que definiu as nossas vidas tende a perder o encanto, o fascínio, aquele filtro que cria para nós uma atmosfera e uma dimensão onde, como no amor, não há tempo? Há tempo, mas é como se não percebêssemos a sua passagem, tal como nos sábados de outrora ou nos dias da infância, quando, diziam as avós, nos esquecíamos do tempo. Tudo aquilo a que nos dedicamos tem esse condão de esconjurar em nós o tempo em que reinamos e excluir o tempo todo daquelas coisas que têm de ser feitas mas sem gosto e contra a nossa vontade. Quando insistimos em ficar naquilo a que nos dedicamos é porque o amor perdido e a falta de entusiasmo, o fascínio ainda poderão ser ressuscitados. Não se sabe bem como, mas se lá ficarmos, se repetirmos gestos, se entoarmos
canções, se fizermos cópias de textos antigos, se deixarmos que o tempo venha na sua onda magnífica de outrora, talvez o tempo do fascínio de outrora nos leve daquele instante parado, estagnado, sem por ir por lado nenhum. Pode ser um dia, uma semana, um mês, um semestre. Insistimos junto do fantasma do fascínio: um ginásio, uma sala de aula, um estúdio de ensaio. Pode ser também o pensamento de alguém que se eclipsou e foi, mas tentamos que fique, como se a nossa própria vida dependesse de fantasmas sob o eclipse, na latência das vidas. Mas é também em nós que insistimos, porque aquilo a que nos dedicamos, o que fazemos, define-nos na sua presença e no exercício da sua actividade. É nós que não queremos deixar ir, porque uma das figuras da morte é deixar-nos ir com quem amamos, quando o amor desapareceu. Não apaguei ainda o risco encarnado que expulsa o verbo “desistir” dos dicionários. Mas, como nos versos finais do poema “A Palavra” de Stefan George “Assim, com tristeza, aprendo a renúncia. Coisa nenhuma existe, quando lhe falta uma palavra.”
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20.10.2017 sexta-feira
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G
UARDAR. Não sei o quê, nem onde. É lá com ele. Olho-o. Antes ainda de abrir, adivinho. Actualizações. Sempre. Todos os dias em que nada lhe disse, nada lhe trouxe. Todos os dias, em que não me traz algo que ajude a desembrulhar as minhas questões para a vida. Para o dia. Para aquele instante em que deveria ser eu a actualizar a alma e a dar-lhe conta disso. Este caderno tecnológico e limpo, em que quase antevejo um subtil sorriso de troça, quando na minha precipitação de iniciar um trabalho, reter um pensamento que me ampara, ou arrumar esta casa cheia de objectos que proliferam como fungos, sim, quase lhe adivinho a malícia de, em vez de bons dias, começar por se mostrar indisponível. Temporariamente indisposto para colaborar, a necessitar de reinício, de actualizar as actualizações. Santo Deus. Esteve a dormir durante dias. Que raciocínios complicados se revolveram no seu interior adormecido que precisam uma ginástica e uma deferência para com estas suas complexidades, que passam à frente das minhas urgências. Depois começo. E lá está ele a fornecer mais possibilidades como um programa de moda, a fornecer tendências inadiáveis de estação, formas, comprimentos – de onda, talvez -cores para a alma senão o corpo. Padrões, texturas. Quando só quero escrever umas linhas. Rever a alma e os sonhos, voltando um pouco atrás, ou tentando prender um momento antes que se dissolva no esquecimento. Ao fechar, a mesma coisa. Quero sair, à pressa. Não. Sua excelência, perentoriamente recusa-se a colaborar sem mais umas actualizações. Caprichos insondáveis a que não posso deixar de ceder. Impaciente. Quando só quero fechar o caderno e arrumar a caneta. Sair, encerrar o assunto. O contrário de mim. Questões de sistema operativo, talvez. Eu, sempre um pouco fora de moda, a oscilar entre apelos vários de várias épocas, do mundo, de mim. Numa cronologia de sentir, temperada de modo diferente ao do suceder de estações, tendências e mudanças. Tudo -sem querer – a um ritmo próprio. Actualizações também, e paragens, mas às vezes, ao contrário deste PC mais novo e mais caprichoso que os outros, refazendo dados que numa linha de um tempo de trás para a frente, situaria do lado que passou. Coisas válidas. Coisas a não perder na voragem desse fio de sentido único. Se me repito. Penso tantas vezes quando retomo as mesmas ideias, o mesmo sentir. Talvez. Como não repetir a casa onde vivo, o que vive comigo, o
que mora, o que me habita? Como não me repetir na pessoa que sou através dos dias, das impressões, das emoções, do sentir. Um pouco retro. Um pouco démodée. Um pouco sem oscilações maiores que as das tempestades que me acolhem o acordar de sonhos tormentosos e felizmente no mesmo corpo, na mesma alma. Não posso tecer juízos sobre esta constância. Antes sobre tudo o que obriga a uma adaptação permanente. O que tende a forçar a uma renovação mais rápida e impertinente do que a simples renovação celular, a do ar nos pulmões. A uma mudança de imagem, de sentir sem tempo para lutos. Sem tempo para o tempo. Estes necessários e compulsivos updats da vida a pressionar como um hematoma. Um consumismo existencial a acompanhar o outro. As pessoas. Como se mudassem todos os dias e alguém tivesse algo a ganhar ou a perder ou a ver com isso. Sou tão old fashion, eu. Guardo sapatos com vinte anos. Guardo sapatos carinhosamente com mais tempo do que isso. Em tempo e em gosto. Claro que quando os calço, pregam-me sustos. Descolam. Talvez da realidade. Como eu, às vezes, no coração. Desabituados de caminhar. De aparência idêntica e fora do tempo – como gosto disso – e, no entanto, algo neles envelheceu. A saúde talvez. Nada que um bom sapateiro não remedeie como se nada fosse ou tivesse sido. Claro. A emenda do tempo. E, quando penso em “Updates”, só me apetece dizer: I’m always dating the same. Dreams. Em que fico. sossegada no meu sentir de ontem. De amanhã. Nos meus lutos. Intempéries. Derretendo da mesma maneira. Com as mesmas coisas. (Esta coisa talvez do feminino ou talvez de pessoas, de deixar o mar entranhar-se na pele como se não houvesse morte por afogamento. Uma coisa com a história de sempre. Este deixar-se. Entranhar. Deixar entranhar-se). O mar, o medo, gostar. Mesmo quando tudo se quebrar e segregar em pedaços ínfimos e irreparáveis, e todo o sopro se contiver de inércia e desconhecimento de qualquer caminho, e qualquer vontade de voar, e tudo parecer não estar. Mesmo quando. Ainda nada em mim será diferente, mesmo se não igual e hei-de morrer disso, de mim. Igual e diferente. Nasci alguém assim com o tempo percorrido e mantenho-me delimitada pela mesma pele e a mesma casa. Escolhi. Esta. Fui tratando. Aquela, esta. No possível e através da experiência do tempo. Mas não tenho outra. Assim
ANABELA CANAS
Actualizar. Reiniciar.
mantenho-a e mantenho-me constante e subterraneamente metamórfica no pouco que consigo que o tempo produza. Uma atenção sem pressa. Uma luta para conter a velocidade. Que não posso evitar. Linhas que conduzem. Que delimitam e limitam. Poalhas que tolhem os gestos e o caminhar. Dúvidas nos dados que se multiplicam. Como se hoje tivessem dez, doze fa-
ces e muitas mais pintas pretas do que dantes. Circunvoluções nos dias, vindos da tormenta das noites a atravessar sem sono. O que ensombra, o que enfarrusca ou faz brilhar. Um tudo. Mas o que sobra dos sonhos, sei lá bem porquê é o regresso de uma batalha imprecisa e inconclusiva. Eu tento entender o medo. O meu medo, figura múltipla em árvore que
ARTES, LETRAS E IDEIAS 15
sexta-feira 20.10.2017
iluminacão artificial
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invertendo redunda numa única raiz, causa, origem. Tento a todo o preço conhecer o que me tolhe. E tento entender os medos do outro. Sempre. E, às vezes exagerando talvez um pouco na expressão do dramatismo, vejo aí o bicho feroz e básico que projecta, reprime, define e redefine perpetuamente os passos de cada um por todo o lado, por onde vá, por onde não foi. Eu tento entender o
Anabela Canas
medo. Mas o medo não é o género de criatura para se entender na noite porque aí, como é da sua natureza, exorbita e espalha-se por todo o espaço disponível da casa. Ou mais ainda. Eu sei o que dói antes do sonho da noite e sei o que se acrescenta depois. O que me revolve no escuro, me chicoteia na emergência da luz, naquela fímbria fina por cima da portada da direita que
nunca encosto o suficiente. A luz a chegar - mas gosto de a ver - e se a vejo chegar mau sinal para o descanso do corpo e da alma que não serenou no esquecimento do sono. Sei com que me deito. Acordo do sem dormir com mais equações do que sabia. A querer espantar uma espécie de agonia. Mas que se vai diluindo no dia. Esse dia a acudir ao reboliço da noite e a trazer talvez algum silêncio. Penso tantas vezes no silêncio. Como uma coisa boa de sentir. Como um refúgio quente e confortável. Como uma frase de amor. Como uma arma de arremesso. Esse. De todas as espécies, e como um cientista dedicado, passo tempo a bafejá-lo para o caso de lhe faltar a respiração e desfalecer. A olhá-lo com olhar leve, para o caso de lhe doerem as articulações a caminhar para a idade. Os silêncios envelhecem como as pessoas e seguramente com as mesmas qualidades, defeitos e achaques. É preciso, por isso tratá-los com carinho e cuidado. Mas saber distingui-los. Os que são inofensivos daqueles que mordem por querer. Penso tanto nisso quando os afectos desta vida me brindam com um. Distingui-lo. desembrulhar-lhe o papel bonito de silêncio, sem destruir o papel bonito. De silêncio. Desvendar a primeira aparição do rosto. Fechado. De silêncio. Entender que expressão minha, do rosto, esteve antes desse rosto pensativo e hermético. De silêncio. Perceber é tão difícil como saltar para o lado de lá do espelho e ouvir com o olhar desse silêncio específico, as palavras proferidas pelo meu olhar. E ouvidas de lá. Desse lado de lá. Desse silêncio que pode ser outro. Desse silêncio. E não do outro. É assim. O labirinto. Em que as pequenas coisas que fazem a vida nos conduzem a perder. E as pessoas, os seus silêncios assim também. A perder. A deixar-nos perder. E a perder de vista. O silêncio como toda a sua qualidade inexcedível, exige uma arte rara, momentos muito bem escolhidos e uma expressão, que de tão específica e adequada, faz dele uma obra de génio. Não confundir com qualquer sucedânea falta de resposta, qualquer engolir em seco ou qualquer contrafeita e artesanal habilidade de passar em frente. Um belo silêncio exige uma empatia no tempo e no espaço, que às vezes recorre aos olhos, espelhos que, quando querem, são límpidas portas da alma. Exige uma respiração como o canto, e que se sente, ouve ou intui na imperceptível reverberação dos átomos, no ar, nesse elemento comum. Exige às vezes o esboço de um gesto que não chega a ser mas conduziu
o sensível, uma alma partilhada num território musical e sem perda. Anda tão desvalorizado este silêncio e confundido com a fast food do nada que se diz porque não se tem disposição, vontade, coragem para mais. E quem diga que é uma boa resposta e tão válida como outras, nada entende da alma solitária e humana que murcha na secura do não entender. O nada é a resposta pobre. O parente pobre do silêncio. Já um grande silêncio nunca o foi. Essa arte de tudo deixar expresso na mais fina matéria do que é manuseável pelo universo sensível do humano que somos. Hábeis em manipular a expressão do todo que nos foi dado usar. O mundo anda feio. Como sempre andou. basta pensar nas cadeias alimentares e mesmo sem metáforas em curso, para cair na tenebrosa impressão de que todos os desígnios concorrem para uma contranatura que só a nossa alma consciente e o intelecto de que fomos munidos sabe-se lá porquê, afinal, nos salva. Com critérios que em simultâneo nos fazem sofrer com o visível e em tamanha medida também nos catapultam para a compulsão de fabricar um belo que não há. Somos peritos nisso. Se formos e quando somos. Em produzir coisas artificiais e de beleza que conforte a nossa desnecessária inconformada solidão. A da desadequação. À violência. À crueldade. Ao não sentido por inábil insatisfação. Mais. Do que o simples ser existindo, e porque a natureza se fez de fenómenos complexos e desta forma. Subversivos é o que somos. E pouco naturais porque mais não conseguimos ser. Fugindo à barbárie de prosseguir a onda natural e sem ética, porque esta, humana. Aí chegamos. Ao contributo que sem querer ou sobretudo por querer rebelde, acrescentámos ao natural. A arte, o pensamento, a expressão. E o natural tem aspectos tão belos como ser natural na sua inocência de o ser e não intencional. Como o não é a maldade natural. A da natureza que se consome a si própria em ritmos de sobrevivência. Num equilíbrio qualquer que também aí, às vezes, se corrompe. Dramática. E, contudo, bela mesmo assim. Mesmo quando horroriza. Hesito, então, também às vezes, ante a maldade desta espécie humana. Entender-lhe os resquícios de fragilidade de quem - sendo-lhe dada mais consciência do que aos outros animais, e passe o criacionismo aparentemente implícito – sofre de excesso, de medo. Mais difuso por inúmeras vertentes do que é dado aos outros animais. Demasiadas pensamentos, demasiadas mudanças. Demaisiado em variáveis. Humanos. Demasiado humanos.
16 desporto
O
Benfica de Macau estreou-se da melhor maneira no Torneio de Futebol de Sete e derrotou o Ka I por 2-0, com golos de Carlos Leonel. O encontro do Grupo B da competição teve lugar no Estádio do Canídromo e gerou alguma polémica. À entrada da partida, a equipa orientada pelo técnico Josecler estava numa situação mais confortável, depois do triunfo por 7-0, diante do Chiba no arranque da competição. Contudo, na quarta-feira à noite, a equipa do Ka I não conseguiu capitalizar a confiança.
Águias entram a ganhar
Nesta altura, o Sporting lidera o Grupo B, com 6 pontos, seguido por Benfica e Ka I, com três pontos cada, sendo que as águias tem menos um jogo disputado. Polícia e China estão no último lugar com zero pontos, sendo que a equipa das forças de segurança também só tem encontro disputado.
Benfica de Macau vence Ka I por 2-0 no futebol de sete
Ao HM, Josecler culpou, em parte, a arbitragem pelo resultado. O treinador do Ka I queixa-se de um lance, aos cinco minutos, em que defende que Amâncio devia ter sido expulso por agarrar William, que estava isolado à frente da baliza. Josecler apontou também o dedo ao árbitro por não ter marcado uma alegada falta sofrida pelo guarda-redes Domingos Chan, no lance que resultou no primeiro golo do encontro. “Tenho a certeza que demos o nosso melhor, mas não conseguimos ganhar. Não vou culpar totalmente a arbitragem pelo resultado, até porque a nossa equipa não conseguiu marcar um golo, mas tenho a certeza que teve influência no resultado”, afirmou o técnico, ao HM. “Depois desses momentos o Benfica apanhou-se em vantagem e com uma equipa muito experiente conseguiram gerir bem os acontecimentos. Merece os parabéns por isso”, realçou. Josecler reconheceu igualmente que o Ka I poderia ter tido expulso um jogador no final, o que não aconteceu, mas defende que se o Benfica tivesse ficado a
TATIANA LAGES
O Ka I não conseguiu manter a boa forma da jornada inaugural e foi derrotado pelos encarnados por 2-0, na quarta-feira. Josecler deu os parabéns ao Benfica pela exibição, mas critica a arbitragem
20.10.2017 sexta-feira
KEI LUN LIDERA GRUPO A
Após a segunda jornada, o Kei Lun lidera com seis pontos o Grupo A, seguido por Cheng Fung, com três pontos e menos um jogo.
jogar menos um desde os cinco minutos os acontecimentos teriam sido diferentes. No entanto, o treinador brasileiro acredita que a equipa vai dar a volta a esta situação e que ainda pode qualificar-se para as meias-finais do torneio, apesar de reconhecer que não é uma tarefa fácil nos dois jogos que faltam disputar.
No outro encontro do grupo disputado na quarta-feira, o Sporting impôs-se perante o Chiba, por 3-0. Ao contrário do encontro anterior, o Chiba entrou mal na partida e logo no primeiro minuto sofreu o 1-0. Denílson foi o autor do primeiro golo. Antes do intervalo, Fabrício também marcou e fez o 2-0. O mesmo jogadore foi o responsável pelo 3-0, aos 21 minutos.
Em relação ao Grupo A, cujos encontros também se realizaram na quarta-feira, Cheng Fung e Sub-23 estrearam-se na competição, com a equipa tutelada pela Associação de Futebol de Macau a perder por 2-1. Os sub-23 até estiveram na frente, com um golo aos dois minutos de Mok Koi Hei, mas Cheong Ka Chon, aos sete minutos, e Ronieli, aos 16, deram a volta ao resultado. No outro encontro, o Lam Pak perdeu diante do Kei Lun, por 1-0, com um golo de Oumar Diarra. Após a segunda jornada, o Kei Lun lidera com seis pontos o Grupo A, seguido por Cheng Fung, com três pontos e menos um jogo. Seguem-se Lam Pak e Polícia B, com 1 ponto, e Monte Carlo e Sub23 com zero pontos. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
PUB HM • 2ª VEZ • 20-10-17
ANÚNCIO Acção Ordinária n.º
Autores: 1º - WONG SENG FONG (王成鋒), casado, de nacionalidade chinesa, residente em Macau, na 澳門氹仔永 誠街萬暉花園3樓A室; 2º - NG CHAO KIT (吳秋杰), solteiro, maior, de nacionalidade chinesa, residente em Macau, na 澳門高士德 連勝馬路92號寶雲大廈4樓B室; 3º - IAO KAM TAK (邱金特), casado, de nacionalidade chinesa, residente em Macau, na 澳門黑沙環新街 裕華大廈第十四座7樓F室; 4º - LEI KIN SAN (李健燊), solteiro, maior, de nacionalidade chinesa, residente em Macau, na 澳門涼水街 44號信發大廈1樓A室; 5º - LIN JUNYI (林俊藝), solteiro, maior, de nacionalidade chinesa, residente em Macau, na 澳門黑沙環新 街海濱花園第七座9樓E室; 6º - CHOU CHAN PONG (曹鎮邦), casado, de nacionalidade chinesa, residente em Macau, na 澳門柿山連 安圍6號富安大廈1樓; 7º - LAI NENG (黎寧), solteiro, maior, de nacionalidade chinesa, residente em Macau, na 澳門新馬路桔仔 街英隆樓二樓; 8º - WONG UN PENG (黃緣萍), casada, de nacionalidade chinesa, residente em Macau, na 澳門勞動節大 馬路御景灣第三座11樓E室; 9º - KUOK MEI KUN (郭美娟), casada, de nacionalidade chinesa, residente em Macau, na 澳門神父街323 號八達新村泰康樓18樓BH座;e 10º - TAM CHIO IEONG (譚超掦), solteiro, maior, de nacionalidade chinesa, residente em Macau, na 澳門 筷子基船澳街海擎天第三座23樓O室. Réus: 1º - Companhia de Grupo M&G, Limitada, em chinês, “M&G 集團有限公司“ e, em inglês, “M&G Group Company Limited”, sociedade comercial com sede em Macau, na 澳門宋玉生廣場 336-342號誠豐商業中心 8樓A,R座, matriculada na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis sob o n.º 35737(SO), ora ausente em parte incerta; 2º - Lao Meng Tong (劉明東) e Sou Kit I (蘇結儀) casados entre si no regime da separação de bens, residentes em Macau, com último domicílio conhecido em 澳門南灣大馬路599號羅德禮商業大廈8樓C座, ora ausente em parte incerta; 3.º - Lao Iok Pang (劉煜鵬) e Ieong Chi Chin (楊子千), casados entre si no regime da separação de bens, residentes em Macau, com último domicílio conhecido em 澳門南灣大馬路599號羅德禮商業大廈8樓C座, ora ausente em parte incerta; 4.º - Ip Seng Chio (葉成超) e Ip Leng Leng (葉玲玲), casados entre si no regime da separação de bens, residentes em Macau, com último domicílio conhecido em澳門南灣大馬路599號羅德禮商業大廈8樓C座, ora ausente em parte incerta; 5.º - Lou Kin Hang (盧健恆), divorciado, residente em Macau com último domicílio conhecido em澳門宋玉 生廣場 336-342號誠豐商業中心8樓A,R座, ora ausente em parte incerta; e 6.º - Tong Weng Iam (童榮欽), solteiro, maior, casado, residente em Macau com último domicílio conhecido em 澳門宋玉生廣場 336-342號誠豐商業中心8樓A,R座, ora ausente em parte incerta. *** FAZ-SE SABER, que pelo 1º Juízo Cível do Tribunal Judicial de Base da RAEM, correm éditos de TRINTA DIAS contados a partir da segunda e última publicação deste anúncio, citando os Réus acima identificados para no prazo de TRINTA DIAS, findo o dos éditos, querendo contestarem a acção supracitada, na qual os Autores pedem que a presente acção seja julgada procedente, por provada e, em consequência: 1. Ser declarada a resolução do primeiro contrato de mútuo celebrado em 18/06/2014 entre o 1º Autor, WONG SENG FONG (王成鋒), e a 1ª Ré, com fundamento no incumprimento do contrato por esta sociedade, nos termos enunciados na presente petição inicial; e 2. Serem os Réus condenados, solidariamente, a pagar ao 1º Autor, WONG SENG FONG (王成鋒): 2.1. a quantia de HKD 1,000,000.00, correspondente a MOP 1,030,000.00, a título de restituição do capital mutuado, acrescida de juros à taxa legal desde a data de citação dos Réus até efectivo e integral pagamento; 2.2. a quantia de HKD 100,000.00, correspondente a MOP 103,000.00, a título de juros vencidos e não pagos. 3. Ser declarada a resolução do segundo contrato de mútuo celebrado em 18/06/2014 entre o 1º Autor, WONG SENG FONG (王成鋒), e a 1ª Ré, com fundamento no incumprimento do contrato por esta sociedade, nos termos enunciados na presente petição inicial; e 4. Serem os Réus condenados, solidariamente, a pagar ao 1º Autor, WONG SENG FONG (王成鋒): 4.1. a quantia de HKD 1,000,000.00, correspondente a MOP 1,030,000.00, a título de restituição do capital mutuado, acrescida de juros à taxa legal desde a data de citação dos Réus até efectivo e integral pagamento; 4.2. a quantia de HKD 100,000.00, correspondente a MOP 103,000.00, a título de juros vencidos e não pagos.
CV1-16-0087-CAO
5. Ser declarada a resolução do contrato de mútuo celebrado em 17/10/2015, ente o 2º Autor, NG CHAO KIT ( 吳秋杰), e a 1ª Ré, com fundamento no incumprimento do contrato por esta sociedade, nos termos enunciados na presente petição inicial; e 6. Serem os Réus condenados, solidariamente, a pagar ao 2º Autor, NG CHAO KIT (吳秋杰): 6.1. a quantia de MOP 1,800,000.00, a título de restituição do capital mutuado, acrescida de juros à taxa legal desde a data de citação dos Réus até efectivo e integral pagamento; 6.2. a quantia de MOP 162,000.00, a título de juros vencidos e não pagos; 6.3. a quantia de MOP 378,000.00, a título de indemnização. 7. Ser declarada a resolução do primeiro contrato de mútuo celebrado em 30/04/2015 entre o 3º Autor, IAO KAM TAK (邱金特), e a 1ª Ré, com fundamento no incumprimento do contrato por esta sociedade, nos termos enunciados na presente petição inicial; e 8. Serem os Réus condenados, solidariamente, a pagar ao 3º Autor, IAO KAM TAK (邱金特): 8.1. a quantia de HKD 1,000,000.00, correspondente a MOP 1,030,000.00, a título de restituição do capital mutuado, acrescida de juros à taxa legal desde a data de citação dos Réus até efectivo e integral pagamento; 8.2. a quantia de HKD 105,000.00, correspondente a MOP 108,150.00, a título de juros vencidos e não pagos; 8.3. a quantia de HKD 120,000.00, correspondente a MOP 123,600.00, a título de indemnização. 9. Ser declarada a resolução do segundo contrato de mútuo celebrado em 26/02/2016 entre o 3º Autor, LAO KAM TAK (邱金特), e a 1ª Ré, com fundamento no incumprimento do contrato por esta sociedade, nos termos enunciados na presente petição inicial; e 10. Serem os Réus condenados, solidariamente, a pagar ao 3º Autor, IAO KAM TAK (邱金特): 10.1. a quantia de HKD 250,000.00, correspondente a MOP 257,500.00, a título de restituição do capital mutuado, acrescida de juros à taxa legal desde a data de citação dos Réus até efectivo e integral pagamento; 10.2. a quantia de HKD 18,281.25, correspondente a MOP 18,830.00, a título de juros vencidos e não pagos. 11. Ser declarada a resolução do contrato de mútuo celebrado em 23/09/2015 entre o 4º Autor, LEI KIN SAN ( 李健燊), e a 1ª Ré, com fundamento no incumprimento do contrato por esta sociedade, nos termos enunciados na presente petição inicial; e 12. Serem os Réus condenados, solidariamente, a pagar ao 4º Autor, LEI KIN SAN (李健燊): 12.1. a quantia de MOP 400,000.00, a título de restituição do capital mutuado, acrescida de juros à taxa legal desde a data de citação dos Réus até efectivo e integral pagamento; 12.2. a quantia de MOP 24,000.00, a título de juros vencidos e não pagos; 12.3. a quantia de MOP 78,000.00 a título de indemnização. 13. Ser declarada a resolução do primeiro contrato de mútuo, celebrado em 29/06/2015 entre o 5º Autor, LIN JUNYI (林俊藝), e a 1ª Ré, com fundamento no incumprimento do contrato por esta sociedade, nos termos enunciados na presente petição inicial; e 14. Serem os Réus condenados, solidariamente, a pagar ao 5º Autor LIN JUNYI (林俊藝): 14.1. a quantia de HKD 500,000.00, correspondente a MOP 515,000.00, a título de restituição do capital mutuado, acrescida de juros à taxa legal desde a data de citação dos Réus até efectivo e integral pagamento; 14.2. a quantia de HKD 30,000.00, correspondente a MOP 30,90000, a título de juros vencidos e não pagos; 14.3. a quantia de HKD 75,000.00, correspondente a MOP 77,250.00 (setenta e sete mil, duzentas e cinquenta patacas) a título de indemnização. 15. Ser declarada a resolução do segundo contrato de mútuo, celebrado em 2/03/2016 entre o 5º Autor, LIN JUNYI (林俊藝), e a 1ª Ré, com fundamento no incumprimento do contrato por esta sociedade, nos termos enunciados na presente petição inicial; e 16. Serem os Réus condenados, solidariamente, a pagar ao 5º Autor LIN JUNYI (林俊藝): 16.1. a quantia de HKD 1,000,000.00, correspondente a MOP 1,030,000.00, a título de restituição do capital mutuado, acrescida de juros à taxa legal desde a data de citação dos Réus até efectivo e integral pagamento; 16.2. a quantia de HKD 75,000.00, correspondente a MOP 77,250.00, a título de juros vencidos e não pagos; 16.3. a quantia de HKD 270,000.00, correspondente a MOP 278,100.00, a título de indemnização. 17. Ser declarada a resolução do contrato de mútuo, celebrado em 15/01/2016 entre o 6º Autor, CHOU CHAN PONG (曹鎮邦), e a 1ª Ré, com fundamento no incumprimento do contrato por esta sociedade, nos termos enunciados na presente petição inicial; e 18. Serem os Réus condenados, solidariamente, a pagar ao 6º Autor, CHOU CHAN PONG (曹鎮邦): 18.1. a quantia de HKD 1,000,000.00, correspondente a MOP 1,030,000.00, a título de restituição do capital mutuado, acrescida de juros à taxa legal desde a data de citação dos Réus até efectivo e integral pagamento; 18.2. a quantia de HKD 100,020.00, correspondente a MOP 103,021.00, a título de juros vencidos e não pagos; 18.3. a quantia de HKD 300,060.00, correspondente a MOP 309,062.00, a título de indemnização. 19. Ser declarada a resolução do primeiro contrato de mútuo, celebrado em 9/01/2014 entre o 7º Autor, LAI NENG (黎寧), e a 1ª Ré, com fundamento no incumprimento do contrato por esta sociedade, nos termos enunciados na presente petição inicial; e 20. Serem os Réus condenados, solidariamente, a pagar ao 7º Autor, LAI NENG (黎寧): 20.1. a quantia de HKD 1,500,000.00, correspondente a MOP 1,545,000.00, a título de restituição do capital
1º Juízo
mutuado, acrescida de juros à taxa legal desde a data de citação dos Réus até efectivo e integral pagamento. 21. Ser declarada a resolução do segundo contrato de mútuo, celebrado em 5/07/2015 entre o 7º Autor, LAI NENG (黎寧), e a 1ª Ré, com fundamento no incumprimento do contrato por esta sociedade, nos termos enunciados na presente petição inicial; e 22. Serem os Réus condenados, solidariamente, a pagar ao 7º Autor, LAI NENG (黎寧): 22.1. a quantia de HKD 500,000.00, correspondente a MOP 515,000.00, a título de restituição do capital mutuado, acrescida de juros à taxa legal desde a data de citação dos Réus até efectivo e integral pagamento; 22.2. a quantia de de HKD 50,000.00, correspondente a MOP 51,500.00, a título de juros vencidos e não pagos. 23. Ser declarada a resolução do terceiro contrato de mútuo, celebrado em 25/02/2015 entre o 7º Autor, LAI NENG (黎寧), e a 1ª Ré, com fundamento no incumprimento do contrato por esta sociedade, nos termos enunciados na presente petição inicial; e 24. Serem os Réus condenados, solidariamente, a pagar ao 7º Autor, LAI NENG (黎寧): 24.1. a quantia de HKD 800,000.00, correspondente a MOP 824,000.00, a título de restituição do capital mutuado, acrescida de juros à taxa legal desde a data de citação dos Réus até efectivo e integral pagamento; 24.2. a quantia de HKD 48,000.00, correspondente a MOP 49,440.00, a título de juros vencidos e não pagos; 24.3. a quantia de HKD 200,000.00, correspondente a MOP 206,000.00, a título de restituição do capital mutuado, acrescida de juros à taxa legal desde a data de citação dos Réus até efectivo e integral pagamento; 24.4. a quantia de HKD 12,000.00, correspondente a MOP 12,360.00, a título de juros vencidos e não pagos. 25. Ser declarada a resolução do contrato de mútuo, celebrado em 1/04/2015 entre a 8ª Autora, WONG UN PENG (黃緣萍), e a 1ª Ré, com fundamento no incumprimento do contrato por esta sociedade, nos termos enunciados na presente inicial; e 26. Serem os Réus condenados, solidariamente, a pagar à 8ª Autora, WONG UN PENG (黃緣萍): 26.1. a quantia de HKD 1,200,000.00, correspondente a MOP 1,236,000.00, a título de restituição do capital mutuado, acrescida de juros à taxa legal desde a data de citação dos Réus até efectivo e integral pagamento; 26.2. a quantia de de HKD 168,000.00, correspondente a MOP 173,040.00, a título de juros vencidos e não pagos; 26.3. a quantia de HKD 168,000.00, correspondente a MOP 173,040.00, a título de indemnização. 27. Ser declarada a resolução do contrato de mútuo, celebrado em 9/12/2015 entre o 9ª Autora, KUOK MEI KUN (郭美娟), e a 1ª Ré, com fundamento no incumprimento do contrato por esta sociedade, nos termos enunciados na presente petição inicial; e 28. Serem os Réus condenados, solidariamente, a pagar a 9ª Autora KUOK MEI KUN (郭美娟): 28.1. a quantia de HKD 1,000,000.00, correspondente a MOP 1,030,000.00, a título de a título de restituição do capital mutuado, acrescida de juros à taxa legal desde a data de citação dos Réus até efectivo e integral pagamento; 28.2. a quantia de de HKD 116,900.00, correspondente a MOP120,407.00, a título de juros vencidos e não pagos; 28.3. a quantia de HKD 50,100.00, correspondente a MOP 51,603.00, a título de indemnização. 29. Ser declarada a resolução do contrato de mútuo, celebrado em 2/09/2015 entre o 10º Autor, TAM CHIO IEONG (譚超掦), e a 1ª Ré, com fundamento no incumprimento do contrato por esta sociedade, nos termos enunciados na presente petição inicial; e 30. Serem os Réus condenados, solidariamente, a pagar ao 10º Autor, TAM CHIO IEONG (譚超掦): 30.1. a quantia de HKD 700,000.00, correspondente a MOP 721,000.00, a título de restituição do capital mutuado, acrescida de juros à taxa legal desde a data de citação dos Réus até efectivo e integral pagamento; 30.2. a quantia de de HKD 75,600.00, correspondente a MOP 77,868.00, a título de juros vencidos e não pagos. 31. Condenar os Réus a pagar os encargos judiciais emergentes da presente acção judicial, incluindo custas, selos e procuradoria condigna. Tudo como melhor consta do duplicado da petição inicial arquivado neste Juízo e que será entregue ao citando, logo que solicitado, e de que a falta de contestação, em caso de revelia absoluta, não importa o reconhecimento dos factos articulados pelos Autores. É obrigatória a constituição de advogado caso seja deduzida contestação. (art.º 74º do C.P.C.M.) RAEM, 18 de Setembro de 2017. O Juiz de Direito,
opinião 17
sexta-feira 20.10.2017
um grito no deserto PAUL CHAN WAI CHI
A
6ª Assembleia Legislativa iniciou os trabalhos esta segunda-feira, com a cerimónia de juramento de lealdade dos 33 deputados, que teve lugar durante a parte da manhã. A primeira reunião plenária aconteceu durante a tarde tendo-se procedido à eleição do presidente, do vice-presidente e dos 1.º e 2.º Secretários da Assembleia. A ordem de trabalhos afigurava-se simples, mas ao longo da discussão dos vários pontos percebeu-se que a questão era mais complexa. Tratava-se de um plano bem pensado para estabelecer o enquadramento político da Assembleia. Existem 14 deputados eleitos por sufrágio directo que, se se agruparem, acabarão por vir a ter uma influência considerável no hemiciclo. No entanto, apenas três quartos actuaram em conformidade com o espírito do sufrágio universal durante a eleição do presidente da Assembleia. Os restantes agiram de acordo com o que era esperado, do que resultou uma adesão à pré-estabelecida “lista de enunciados” da Assembleia Legislativa. Ho Iat Seng foi reeleito presidente da Assembleia Legislativa com 30 votos a favor, resultado por demais esperado. Chui Sai Cheong obteve a vice-presidência com 29 votos, revelando plenamente toda a subtileza das suas negociações com o campo Pró-Regime. No caso de Kou Hoi, a eleição para 1.º Secretário faz parte da sua carreira e do seu percurso na Assembleia Legislativa. A eleição de Chan Hong para 2.º Secretário, resulta de uma troca de favores. Como toda a sessão foi transmitida em directo pela televisão o público pôde verificar as novas disposições na Assembleia Legislativa. Para escapar a este cenário vai ser necessário muito esforço mental durante os próximos quatro anos. Antes da votação para a presidência da Assembleia, Sou Ka Hou, o mais jovem dos deputados, solicitou a Cheung Lup Kwan, que presidia à reunião plenária, que os eventuais candidatos à presidência do plenário pudessem falar para se ficar a conhecer as suas propostas. Mas o pedido foi recusado por Cheung, que alegou falta de tempo e de precedentes. Além disso nenhum dos outros deputados apoiou o pedido de Sou. Finalmente, os 33 deputados votaram e o resultado foi o que já se esperava. O processo da eleição de Chui Sai Cheong para vice-presidente foi similar, mas teve dois pontos a salientar. Em primeiro lugar, Ho Iat Seng obteve mais um voto de apoio do que Chui Sai Cheong, demonstrando que um dos quatro deputados da chamada “Frente Liberal” aceitou as condições pré-estabelecidas com a condição de não oferecer qualquer resistência. Em segundo lugar, a eleição de
RAFAEL, A ESCOLA DE ATENAS
Enquadramentos e pontos de fuga
Chui Sai Cheong para vice-presidente é uma forma de satisfazer o chamado equilíbrio de poderes entre representantes dos trabalhadores e representantes do patronato. Aliás esta é uma prática habitual desde o regresso de Macau à soberania chinesa. A escolha de Chan Hong para 2.º Secretário não passa de um arranjo de bastidores. Aparentemente, o vice-presidente da Assembleia Legislativa não tem grande autoridade nem responsabilidade, mas a alteração no enquadramento político significou uma mudança na distribuição de poderes. Antes do Chefe do Executivo ter apontado os sete deputados nomeados, Lam Heong Sang, antigo vice-presidente da Assembleia Legislativa (que tinha declarado a intenção de não se candidatar à eleição por sufrágio indirecto em representação do sector do trabalho), afirmou numa entrevista que não se importaria de ser nomeado deputado pelo Chefe do Executivo. Este excerto da entrevista pode levar os leitores a pensar que o equilíbrio de poderes na Assembleia, entre o sector que representa os trabalhadores e o sector que representa o patronato, será mantido através da reeleição de Ho Iat Seng e de Lam Heong Sang. Mas na realidade o que se passa é bem diferente. Não faço ideia porque é que o sector do Trabalho foi persuadido a abster-se de participar, mas sei de ciência segura que, quando Chui Sai On
resignar em 2019, o seu irmão mais velho, Chui Sai Cheong, irá manter-se como vice-presidente da Assembleia Legislativa até 2021. Se Ho Iat Seng se demitir do cargo de Presidente da Assembleia Legislativa, para se candidatar à eleição para Chefe do Executivo de Macau, talvez possa realizar o sonho de se retirar em 2021. Nesse caso é provável que Chui Sai Cheong assuma o cargo de presidente da Assembleia e con-
Sei de ciência segura que, quando Chui Sai On resignar em 2019, o seu irmão mais velho, Chui Sai Cheong, irá manter-se como vice-presidente da Assembleia Legislativa até 2021. Se Ho Iat Seng se demitir do cargo de Presidente da Assembleia Legislativa, para se candidatar à eleição para Chefe do Executivo de Macau, talvez possa realizar o sonho de se retirar em 2021
tinue a desempenhar um papel importante na cena política. Para além dos membros da Mesa da Assembleia Legislativa, a disposição dos lugares dos deputados no parlamento também é mais uma manifestação do novo paradigma político. Alegadamente, a Assembleia Legislativa informou os deputados de que, pela primeira vez, os seus lugares seriam escolhidos por sorteio. Posteriormente poderiam trocar entre si. Mas esta decisão foi objectada pelos deputados reeleitos, pelo que apenas os novos deputados se sentaram em lugares “sorteados”. O procedimento do sorteio vem substituir a prática tradicional da escolha dos lugares por ordem de chegada, que nos parecia justa. A seguir ao sorteio, os deputados com afinidades políticas foram trocando de lugares de forma a ficarem juntos e os independentes ficaram onde lhes calhou. No fim de contas, a disposição dos deputados continua a ser determinada pela vontade da maioria. A Assembleia Legislativa é o centro de poder da RAEM. Não poderá caber apenas aos novos deputados a criação “de pontos de fuga no enquadramento”, vai depender também da sociedade civil e da sua vontade de se fortalecer e de tomar as rédeas do próprio destino. Ex-deputado e membro da Associação Novo Macau
18 (f)utilidades TEMPO
POUCO
KINO – FESTIVAL DE CINEMA ALEMÃO “BERLINALE CURTAS: DO SOL NASCENTE” Cinemateca Paixão | 19h30
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NUBLADO
O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje
20.10.2017 sexta-feira
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Domingo
FIMM | ORFEU E ORÍDICE Fortaleza do Monte | 20h00 FESTIVAL DA LUSOFONIA Casas-Museu da Taipa
Diariamente
MOSTRA GASTRONÓMICA DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA Restaurante Tromba Rija e restaurante do Festival da Lusofonia | Até Domingo SOLUÇÃO DO PROBLEMA 143
EXPOSIÇÃO | MACAU NA 57ª EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DE ARTE DA BIENAL DE VENEZA 2017 MAM | Até 12/11
Cineteatro
C I N E M A
PROBLEMA 144
UMA SÉRIE HOJE
SUDOKU
DE
WORLD PRESS PHOTO Casa Garden | até Domingo
1.21
NÃO TARDA NADA
FIMM | THE DEUTSCHE KAMMER – PHILARMONIE BREMEN Centro Cultural de Macau | 20h00
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YUAN
PÊLO DO CÃO
KINO – FESTIVAL DE CINEMA ALEMÃO | “BEM-VINDO À ALEMANHA” Cinemateca Paixão | 21h30
FIMM | ORFEU E ORÍDICE Fortaleza do Monte | 20h00
0.24
Meu mundo, Dizem-me que ardes. Desde que me abandonaste que pouco vou sabendo de ti. Evitas-me, não me respondes, fazes de morto. Não julgues que não levo a minha vida. Pouco saio, é verdade, mas no meu pequeno território vai uma grande agitação. Não te interessa... és demasiado grande e importante para te lembrares de mim, ainda que seja uma vez por dia, enquanto giras sobre ti mesmo, o teu eixo, o teu umbigo, os teus desígnios. Tu, só tu e sempre tu. Parece que ardes. Não o poderia saber. Estarás doente? Arderás em febres súbitas? Por onde andaste? Com quem estiveste? Como foi possível sujeitares-te dessa maneira ao perigo? Estúpido! Animal! Sempre te vi inconsciente mas dentro de um certo tom, de uma determinada linha, de uma órbitra eventualmente decente. Quase nem acredito que... Espera: fizeram-te mal! Quem?! Quem te poluiu, meu mundo, quem é que anda para aí a rasgar os teus lençóis de gelo, os mesmos que eu ajudei a bordar? Não ardeste. Nada se passou. Acordei e continuavas ausente. Então sentei-me ao teclado e escrevi, escrevi com alívio, como se estivesses ali ao lado na cama, à distância de dois suspiros, ainda embrulhado em sonhos de quem gira, gira, para voltar sempre ao mesmo lugar. Carlos Morais José
“AMERICAN HORROR STORY: CULT” | SETEMBRO, 2017
“American Horror Story: Cult” é a sétima temporada da série americana “American Horror Story” que conta a cada temporada uma história diferente. Na mais recente, o enredo começa na noite em que Donald Trump ganhou as eleições presidenciais norte-americanas. A protagonista Ally, que vive juntamente com a sua namorada Ivy e o filho Oz, apercebe-se que as suas fobias se intensificam e na cidade em que vive começam a acontecer estranhos casos de homicídios. Vitor Ng
WIND RIVER SALA 1
GEOSTORM [B] Fime de: Dean Devlin Com: Gerard Butler, Jim Sturgess, Abbie Cornish, Daniel Wu 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 2
SKY HUNTER [C] FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Chen Li Com: Chen Li, Bingbing Fan, Qianyuan Wang, Jiahang Li 14.30, 16.45, 19.30
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WISH UPON [C] Fime de: John R. Leonetti Com: Joey King, Ryan Phillippe, Ki Hong Lee 14.15, 18.00, 21.45
WIND RIVER [C] Fime de: Taylor Sheridan Com: Jeremy Renner, Elizabeth Olsen 16.00, 19.45
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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
perfil 19
ANTÓNIO LEONG
sexta-feira 20.10.2017
ANTÓNIO LEONG, FOTÓGRAFO AMADOR
“Tirar fotografias é como escrever um diário”
D
O Largo do Lilau até aos jardins de Lou Kau vão uns meros passos de distância. A história que vive em cada pedra da calçada portuguesa permanece desde um tempo distante. Tal também acontece em São Lázaro, lugar de cultura e de arte e, afinal de contas, de religião: é lá que existe uma igreja e onde se faz anualmente a tradicional festa do São João. Estes são os lugares preferidos de António Leung para fotografar. Capturar imagens através da lente é apenas um passatempo, revelado nas redes sociais, como o Facebook ou Instagram. Por norma, António Leung vai visitando a sua cidade e capturando aquelas imagens que mais lhe tocam o coração. “Gosto de ‘viajar’ na cidade através do meu motociclo”, disse ao HM. A fotografia surgiu na sua vida há pouco tempo. “Por volta de 2012 começou o meu interesse em tirar fotografias. Primeiro comecei
por tirar fotos na minha hora de almoço ou depois do serviço, quase todos os dias. Não sou um fotógrafo profissional e tiro fotos como um hobbie”, contou. Na sua página “Antonius Photoscript” contam-se histórias através de imagens que quase dariam para um qualquer guião. Até porque andar de máquina ao peito já faz parte da rotina diária de António. “Tenho um outro trabalho a tempo inteiro. Para mim, tirar fotografias é como escrever um diário todos os dias.” Nas suas imagens cabe uma Coloane soalheira com o seu mercado, as portas vermelhas, as Ruínas de São Paulo no silêncio da noite, uma Macau cheia de uma luz que não vem dos casinos. Num território onde o turismo é a principal actividade económica, e não apenas por causa do jogo, o património acaba por aparecer na maioria das imagens de António. O próprio reconhece que, antes deste
hobby, nunca reparou nos velhos edifícios que os portugueses deixaram, ou nas antigas fachadas tipicamente chinesas. “Macau fez um grande esforço para preservar o património, mas antes de começar a tirar fotos nunca tinha notado que tínhamos uma grande presença histórica. Acho que é bom que os jovens conheçam melhor a história e a cultura desta cidade”, apontou.
PORTUGUÊS DESDE A PRIMÁRIA
António Leong não fotografa só a sua terra, mas também outras. As diferenças culturais que existem, e também em termos de espaço, fizeram-no olhar para as particularidades do território. “Fui ao Butão em Junho e levei, pelo menos, três a quatro horas para andar de um ponto turístico ao outro. Mas em Macau podemos visitar todos os pontos turísticos a pé, e, além disso, há uma mistura de diferentes culturas”, frisou.
António estudou português desde a escola primária, apesar de ter confessado que não falava a língua de Camões há muito tempo. Na universidade, acabou por estudar engenharia civil, algo completamente diferente da área que abraça nas horas vagas. Não que goste propriamente do curso que tirou. “Naquele tempo não tínhamos muitas escolhas”, referiu. Para o futuro, António Leong gostava de desenvolver novos projectos relacionados com a fotografia. “Gostaria de trabalhar com outros criativos locais, tal como estilistas, e criar esse cruzamento. Também gostaria de fazer photo stories dos residentes”, concluiu. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
Para acalmar muita azia o melhor é ir à Lusofonia
PYONGYANG AMEAÇA COM “ATAQUE INIMAGINÁVEL” AOS EUA
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sexta-feira 20.10.2017
SÍLVIA GONÇALVES VENCE PRÉMIO DE JORNALISMO DA LUSOFONIA
A
O
regime norte-coreano condenou ontem as manobras navais que os Estados Unidos realizam juntamente com a Coreia do Sul esta semana na península e ameaçou responder com um “ataque inimaginável”. O Comité de Emergência em Oposição aos Exercícios de Guerra Nuclear criticou a mobilização em torno da península de activos estratégicos nucleares por parte de Washington, através de uma nota publicada pela agência estatal norte-coreana KCNA. O Pentágono destacou o porta-aviões de propulsão nuclear USS Ronald Reagan e dois contratorpedeiros, entre outros navios, para estas manobras que concluem a 20 de Outubro. “Os Estados Unidos enlouqueceram ao colocar sob os nossos narizes os alvos que tínhamos definido como primários. Os Estados Unidos deviam já esperar que fossem enfrentar um ataque inimaginável, num momento inimaginável”, diz o texto. O comité norte-coreano assegurou que Washington destacou também o submarino nuclear USS Michigan, cuja participação não foi confirmada oficialmente. “Isto demonstra que os Estados Unidos e as suas marionetas [em referência da Coreia do Sul] estão a preparar-se para um ‘ataque preventivo’” contra a Coreia do Norte, acrescentou. As manobras dos aliados acontecem depois de a tensão na região se ter atenuado, e mais de um mês depois de Pyongyang realizar os últimos testes de armamento, que incluíram um teste nuclear a 3 de Setembro e o lançamento de um míssil que sobrevoou o Japão no dia 15 do mesmo mês.
Tesoura das ilhas
TAÇA DE PORTUGAL TRÊS GRANDES JOGAM EM CASA
Leões com brinde
O
S três ‘grandes’ vão jogar em casa a quarta eliminatória da Taça de Portugal em futebol, mas, enquanto o Benfica e o FC Porto receberão equipas da I Liga, o Sporting defrontará o ‘secundário’ Famalicão. Os ‘leões’ foram duplamente afortunados no sorteio realizado ontem, na sede da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), em Oeiras, uma vez que o Benfica, detentor do troféu, vai receber o Vitória de Setúbal e o rival portuense defrontará o Portimonense, ambos do escalão principal. Além de esperarem que o sorteio evitasse um confronto entre si – algo de que não estavam a salvo, ao contrário da ronda anterior -, os três crónicos candidatos ao título pretenderiam jogar em casa, evitando deslocações, que poderiam levá-los, por exemplo, aos Açores ou Madeira. Apesar de jogar em casa, o Benfica, terceiro classificado da I Liga, deverá encontrar dificuldades frente à equipa de Setúbal, 13.ª colocada, que já defrontou 20 vezes na competição, das quais resulta um saldo equilibrado: 10 vitórias ‘encarnadas’ e oito sadinas, além de dois empates. Na última vez que encontrou o Setúbal na prova, o Benfica, re-
cordista de títulos, com 26 troféus conquistados, saiu derrotado na final de 2005 por 2-1, tendo ainda perdido o jogo decisivo em 1965, por 3-1, apesar de ter erguido a taça à custa dos setubalenses em 1962 (3-0) e 1943 (5-1). O histórico de confrontos entre o FC Porto, líder da I Liga, e o Portimonense, 14.º posicionado, é menos extenso e muito mais favorável aos ‘dragões’, que se impuseram-se nos dois embates anteriores, por 13-1, em 1956, e 2-0, em 1985. “A Taça é maior compromisso do FC Porto, depois do campeonato. [...] Os nossos profissionais terão de estar ao melhor nível e com a maior determinação para poder seguir em frente”, observou Fernando Gomes, representante do clube portuense no sorteio. O Sporting, que ocupa o segundo lugar no escalão prin-
O Sporting defrontará o ‘secundário’ Famalicão. Os ‘leões’ foram duplamente afortunados no sorteio realizado ontem, na sede da (FPF)
cipal, também apresenta um registo 100% vitorioso nos oito jogos disputados na Taça de Portugal frente ao Famalicão, sétimo classificado na II Liga, que vai defrontar pela terceira vez nas últimas quatro épocas. Na temporada 2014/2015, o Sporting goleou em casa a equipa famalicense, por 4-0, mas na temporada passada os ‘leões’ sentiram muitas dificuldades para se imporem em Vila Nova de Famalicão, por 1-0, graças a um golo do sérvio Lazar Markovic, que já abandonou o clube.
OUTRAS PARTIDAS
Os encontros do Benfica e do FC Porto são dois dos quatro embates entre primodivisionários na quarta eliminatória da Taça de Portugal, que vai proporcionar também confrontos entre o Rio Ave e o Sporting de Braga e entre o Vitória de Guimarães e o Feirense. Já sem representantes dos distritais, cujos sobreviventes foram afastados na ronda anterior, o sorteio deixou a certeza de a prova ter, pelo menos, duas equipas do Campeonato de Portugal na ronda seguinte, ao proporcionar jogos entre equipas do terceiro escalão: Vizela-Vilaverdense e Praiense-Vilafranquense.
reportagem “Floriram por Pessanha as rosas bravas”, da jornalista Sílvia Gonçalves, venceu o Prémio de Jornalismo da Lusofonia, criado pelo Clube Português de Imprensa e pelo Jornal Tribuna de Macau, foi ontem anunciado. Reunido em Lisboa, o júri atribuiu o prémio por unanimidade ao trabalho de Sílvia Gonçalves, realçando a “originalidade da abordagem e a forma como foi construída a narrativa”, indicou o júri, em comunicado. “Trata-se de um texto que não se limitou a ser evocativo dos 150 anos de Camilo Pessanha, contribuindo para o conhecimento do poeta e da sua relação estreita com a lusofonia”, sublinhou o júri sobre o trabalho agora distinguido e publicado no Ponto Final, jornal de língua portuguesa de Macau, a 8 de Setembro passado. O júri foi presidido por Dinis de Abreu, em representação do Clube Português de Imprensa (CPI), José Rocha Diniz, ex-director e administrador do Jornal Tribuna de Macau (JTM), José Carlos de Vasconcelos, director do Jornal de Letras, Carlos Magno, em representação da Fundação Jorge Álvares, e Silva Pires, do CPI. O concurso recebeu mais de duas dezenas de trabalhos. O prémio, de dez mil euros, vai ser entregue a 1 de Novembro, em Macau, por ocasião do 35.º aniversário do JTM, que se realiza no Clube Militar. O Prémio de Jornalismo da Lusofonia destina-se a jornalistas e à imprensa de língua portuguesa de todo o mundo, “em suporte papel ou digital”, de acordo com o regulamento. Este prémio anual “surge no quadro do desejado aprofundamento de todos os aspectos ligados à Língua Portuguesa, com relevo para a singularidade do posicionamento de Macau no seu papel de Plataforma de ligação entre países de Língua Oficial Portuguesa”, de acordo com a organização. O CPI e o JT contam com o patrocínio da Fundação Jorge Álvares, que promove a continuidade do diálogo intercultural entre Portugal e Macau.