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Hoje Macau 2 SET 2014 #3166

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MARCO TERZOLI

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

WWW.HOJEMACAU.COM.MO

MOP$10

TERÇA-FEIRA 2 DE SETEMBRO DE 2014 • ANO XIII • Nº 3166

hojemacau

ENTREVISTA | SIZA VIEIRA EM MACAU

A REALIDADE “NUNCA É FRUSTRANTE PUB

AGÊNCIA COMERCIAL PICO 28721006

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PÁGINAS 2-3

INDÚSTRIA DO JOGO

TÁXIS

REGATEAR PARA GANHAR

Associações querem mais do que as 17 patacas de bandeirada propostas pelo Governo

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Ter para ler

POLÍTICA PÁGINA

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˜ DO NOSSO ESTE E´ O VERAO DESCONTENTAMENTO PÁGINA 6

Académicos apontam dedo ao Governo OS PROFESSORES da Universidade de Macau, Agnes Lam e Eilo Yu, denunciam as muitas falhas do actual sistema político e prevêem grandes dificuldades para os próximos cinco anos. POLÍTICA PÁGINA 4


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ARQUITECTURA

ÁLVARO SIZA VIEIRA EM MACAU

“Macau tem um perfil muito característico” O arquitecto português, Álvaro Siza Vieira, está em Macau até à próxima quinta-feira, para a inauguração de uma exposição fotográfica das suas obras. A mostra, que está aberta ao público até dia 28 deste mês na galeria Macpro, conta com uma série de películas fotográficas da autoria de Fernando Guerra LEONOR SÁ MACHADO

leonor.machado@hojemacau.com.mo

O

arquitecto Álvaro Siza Vieira é natural do Porto, mas veio até Macau para inaugurar uma exposição de fotografias sobre o seu trabalho, juntamente com o autor, Fernando Guerra. Dias antes, o arquitecto português havia inaugurado a sua primeira obra na China, na província de Jiangsu. Trata-se de um edifício de escritórios com dois pisos e que serve de apoio a uma fábrica de produtos químicos. A construção foi feita no meio de um lago artificial, por isso mesmo sendo conhecida como “Edifício sobre a Água”. Sobre Macau, o arquitecto portuense afirma que é uma cidade com “um perfil muito característico” e que o surpreendeu, mesmo depois de já ter passado os olhos por fotografias da RAEM actual. Para Siza Vieira, a preservação patrimonial é um dos factores mais importantes para o desenvolvimento da região, independentemente do rumo que o território possa ter. “Para mim, é importante voltar e vejo muitas transformações, a maior sendo a

“Para mim, é importante voltar e vejo muitas transformações, a maior sendo a própria cidade”

própria cidade”, comentou o arquitecto, em conferência de imprensa. Acrescentou ainda que as mudanças de Macau eram inimagináveis há três décadas, ou seja, a última vez em que Siza Vieira esteve no território. “A vida é mais forte do que possamos pensar e cria as regras do jogo”, disse o arquitecto, acerca do plano da zona dos NAPE, que estava pensado para preservar toda a zona da marginal, onde se localiza o hotel President. “Reconheci todo aquele traçado [da zona dos NAPE] e que, embora tenha sido feito um plano para edifícios com metade da altura que hoje têm, resiste bem”, disse Siza.

“A REALIDADE NUNCA É FRUSTRANTE”

Quando questionado sobre as expectativas relativamente aos planos iniciais, Siza Vieira respondeu que “a realidade nunca é frustrante” e que é possível extrair algo positivo de todas as obras. O trabalho na Ásia – excluindo os projectos da Areia Preta e dos NAPE – começou há cerca de cinco anos, com obras na Coreia do Sul e em Taiwan. “Todos os projectos na Ásia têm uma coisa em comum: a vontade do proprietário em exigir qualidade”. Para Siza Vieira, os projectos têm a assinatura não só do arquitecto, como do proprietário do terreno ou edifício. É que, para o artista, “o proprietário é o arquitecto número um”. Questionado sobre o estilo arquitectónico da maioria dos casinos do território, o criador da Universidade de Aveiro comentou apenas que não seria uma das suas

escolhas, considerando, no entanto, que a perspectiva pessoal de cada não pode ser um factor determinante. “A minha visão não pode ser mais forte que tudo o resto. (...) Podemos tentar arranjar a melhor solução possível, mas não podemos nunca pensar que comandamos o mundo”, sublinhou Siza Vieira.

“A vida é mais forte do que possamos pensar e cria as regras do jogo” O mundo assistiu à internacionalização de Siza Vieira e do seu talento durante a década de 70, quando o arquitecto foi convidado para participar na reconstrução de habitações em Berlim.

UM NOVO “SUN SUN”

A exposição “A sombra da luz” não é, no entanto, a única razão pela qual o arquitecto está no território. É que também o histórico hotel Sun Sun – situado na zona do Porto Interior – vai sofrer remodelações, tanto ao nível da fachada, como da própria decoração do estabelecimento. Foi Yany Kwan, fundador da galeria e proprietário do hotel Sun Sun, que explicou como tudo aconteceu. “Tenho acompanhado a obra de Siza, da qual gosto muito. A ideia surgiu depois de ter visto projectos como os da Coreia do Sul ou Taiwan e fui até ao Porto para discutir a questão”, explicou Yany Kwan.

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HOJE MACAU

ENTREVISTA ÁLVARO SIZA VIEIRA SOBRE O DESENVOLVIMENTO DE MACAU

A força da transformação S

No que diz respeito a todo o desenvolvimento de que Macau tem sido alvo, com os casinos e tudo o resto... Qual é a sua opinião, em termos urbanísticos? Se tivesse sorte no jogo, seria uma boa oportunidade (risos). Foi, realmente, uma transformação enorme, um autêntico ‘boom’ de construção... Que vai continuar. Se a construção continuar a este ritmo, qual a sua previsão para o futuro de Macau? Já não me atrevo a dizer, porque quando fiz o plano [dos NAPE], o futuro de Macau foi discutido várias vezes e com diferentes pessoas. Os economistas falavam em vários cenários possíveis, de Macau como a Disneylândia, por exemplo. No entanto, nunca imaginei que houvesse um desenvolvimento tão grande e que tem que ver com a mudança de administração. Já antes dessa mudança, a estratégia chinesa de relações e do lema ‘um país, dois sistemas’... Esta relação da China com o Ocidente tem imensa

“Acho, até, que houve mais acção no sentido da preservação do que antes [da transferência de soberania]...”

influência. Julgo que a força da transformação ainda se mantém, até porque houve um interesse muito grande, nomeadamente no que diz respeito aos casinos. Mas esse ‘boom’ de casinos é, na sua opinião, negativo ou positivo? Para já, para a economia da RAEM, gera muito dinheiro, mas a longo prazo não sei. Basta olhar para Las Vegas, por exemplo, cujas receitas estão a decair um pouco. É como o turismo em geral: garante uma certa solidez

HOJE MACAU

IZA Vieira falou com o HM sobre o que foi e o que será da cidade de Macau, antes e depois da transferência de soberania. Sobre o desenvolvimento do sector do jogo e da construção massiva, o arquitecto comenta apenas que não se “atreve” a prever qualquer futuro, já que há 30 anos, ninguém poderia vislumbrar Macau actual.

económica, mas acaba por ser um bocado precário. Quando os economistas deixam de conseguir prever, ainda menos os arquitectos conseguem... Actualmente, há em Macau, uma grande preocupação com a preservação do património. Qual é a sua opinião? É algo que vejo com muita satisfação. Pensámos que, com a mudança da administração, muitas coisas seriam demolidas. No entanto, passou-se exactamente o contrário. Acho, até, que houve mais acção no sentido da pre-

“Seria interessante preservar a arquitectura dos anos 50 que existe aqui”

servação do que antes [da transferência de soberania]... Todas as cidades que são culturalmente interessantes e que vão para além dos elementos circunstancial e do momento, têm que ter renovação, mantendo ao mesmo tempo as marcas do passado. Não de uma forma obsessiva, mas devem ser mantidas. Aqui há o estilo barroco, que está bem conservado, por exemplo, tal como construções dos séculos XVII e XVIII... Manteve-se tudo isso e acho que com mais cuidado do que anteriormente, até. Acho que também seria interessante preservar a arquitectura dos anos 50 que existe aqui, como por exemplo o edifício do centro, agora a Escola Portuguesa. Muitas destas construções não têm bons materiais – até porque na altura não havia – e aparentam ter um aspecto degradado, mesmo que não estejam. É preciso pintá-los e tudo mais, por exemplo. Quais as principais dificuldades que encontrou ao trabalhar em Macau? Para já, só tive dois projectos anteriores [a zona dos NAPE e a Areia Preta] e agora este novo, de remodelação do hotel [Sun Sun]. Posso dizer que o relacionamento é muito bom e as intenções manifestadas são igualmente muito boas, porque correspondem àquilo que se espera no meio da arquitectura. Esperemos até ao final do projecto, mas acho que tudo vai correr pelo melhor.


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POLÍTICA

Agnes Lam e Eilo Yu, ambos professores da Universidade de Macau, falaram da falta de planeamento e de uma estratégia unificada para as políticas públicas

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ACADÉMICOS FALAM DAS PREVISÕES DO GOVERNO

Maus augúrios

FLORA FONG

flora.fong@hojemacau.com

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OIS académicos da Universidade de Macau (UM), Agnes Lam e EiloYu, falaram ontem no programa de debate “Macau Talk” da TDM sobre as falhas do Governo. A docente de comunicação da Faculdade de Ciências Sociais da UM apontou que a disposição do Governo “não é razoável” sendo que “o sistema político apresenta muitas falhas, o que faz com que algumas das políticas do Governo não correspondam às opiniões da população”, defendeu. “Por exemplo, só há um Secretário membro do Conselho Executivo, e não vemos um mecanismo de fusão de políticas entre todos os departamentos. Isso faz com que as decisões finais do Conselho Executivo contrariem as opiniões da população”, apontou a docente. Agnes Lam acrescentou ainda que as políticas desenvolvidas pelos departamentos públicos devem ser tratadas de forma paralela. Contudo, “não temos conhecimento da realização de nenhumas reuniões de chefes de departamento ou directores de serviços por semana, nem existe uma responsabilização

“Não vemos um mecanismo de fusão de políticas entre todos os departamentos. Isso faz com que as decisões finais do Conselho Executivo contrariem as opiniões da população” AGNES LAM Docente da Faculdade de Ciências Sociais da UM

“Nos últimos dez anos, o Governo não resolveu bem a questão da comunicação com os residentes (...) as manifestações têm sido mais frequentes, e para o Governo será um desafio reparar as fendas que existem entre as duas partes” EILO YU Docente da UM na área da ciência política

pelos trabalhos. Quando um departamento noticia algo, outros departamentos ficam chocados”, apontou ao programa “Macau Talk”. A docente de comunicação disse ainda que é “urgente resolver” o problema da diversificação económica, porque a sua ausência já causou uma mudança dos valores sociais e uma luta pelos recursos. “Ultimamente mais pessoas de meia idade e donas de casa saem para se manifestar na rua, porque preocupam-se que as novas gerações não sejam capazes de adquirir um imóvel”, defendeu a também ex-candidata às eleições.

“GRANDES DIFICULDADES” NOS PRÓXIMOS CINCO ANOS

Eilo Yu, docente da UM na área da ciência política, disse ainda no programa “Macau Talk” que depois de uma consulta pública o Governo deve fazer relatórios “mais detalhados” para que “os residentes compreendam melhor” a situação em causa e possa ser “implementada uma governação de forma cientifica”. O docente previu ainda que nos próximos cinco anos o Governo passe por “grandes dificuldades”, uma vez que ainda não existe um planeamento para responder aos conflitos sociais. “Nos últimos dez anos, o Governo não resolveu bem a questão da comunicação com os residentes. Nos últimos tempos as manifestações têm sido mais frequentes, e para o Governo será um desafio reparar as fendas que existem entre as duas partes. Será um desafio para o Governo equilibrar os direitos das diferentes classes”, defendeu o docente da UM.

CASO DA “MACAU CONCELEARS” JÁ ESTÁ NO MINISTÉRIO PÚBLICO

“Referendo” ainda faz mossa CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

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Polícia Judiciária (PJ) confirmou ontem que Jason Chao, director da publicação “Macau Concelears” é mesmo considerado suspeito por ter utilizado de forma abusiva a imagem da PJ numa foto ligada ao “referendo civil”, bem como Choi Chi Chio, vice-director, e Leong Ka Wai, jornalista estagiário. O HM tentou chegar à fala com Jason Chao, mas até ao fecho desta edição não foi possível. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, Jason Chao deslocou-se ontem de manhã às

instalações da PJ para prestar declarações, tendo negado a acusação de que é alvo. Disse ainda que como o caso continua a ser investigado não é “adequado” fazer comentários.

A PJ admitiu ontem em conferência de imprensa que os três indivíduos foram identificados como suspeitos e que todo o processo está a ser seguido nas instâncias judiciais estando já sob alçada do Ministério Público, não tendo avançado com mais comentários. Jason Chao escreveu na sua página do Facebook que nos últimos dias foram eliminados todos os dados do referendo civil, tendo também estado afastado dos eventos políticos de Macau nos últimos dias. No domingo à noite, quando regressava de Hong Kong, Jason Chao foi preso pela PJ.

QUEDA DE POLÍCIA TERÁ CAUSAS FAMILIARES Um policia saltou ontem do terceiro andar das instalações da PSP, mas está neste momento em estado estável no hospital, apenas com fracturas na mão. A PSP realizou ontem uma conferência de imprensa e disse que a queda se deveu a conflitos entre o policia e a sua mulher, sendo que a pessoa em causa não teve conflitos com colegas, estando na PSP desde 1986. A sua mulher também foi parar ao hospital depois do caso, segundo a imprensa chinesa.

Pornografia Deputado pede penas agravadas

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deputado Zheng Anting pergunta ao Governo se este não considera que deve estudar uma agravação das penas a aplicar à distribuição dos panfletos pornográficos em Macau. Num interpelação escrita, Zheng defende que o “fenómeno” da distribuição de panfletos pornográficos, que inicialmente só se verificava nas proximidades dos hotéis-casinos mas agora está estendida “até às zonas turísticas” incluindo as áreas residenciais, afecta e “estática citadina e a imagem de Macau, como ainda dá azo à criação dos mais diversos problemas sociais”. O número dois de Mak Soi Kun à Assembleia Legislativa ( AL) sugere então que o Governo deve realizar um estudo para agravar as penas a aplicar aos infractores, assim como, na sua opinião, deve ser feita uma revisão à lei, que segundo o deputado é “velha”. Na sua interpelação, Zheng assume que apesar de se ter registado “algum sucesso no combate” à distribuição de panfletos, “a verdade é que a taxa de condenação é baixa”. O deputado baseia a sua opinião às quatro absolvições, dos oito processos relativos à entrega de cartões em espaços públicos. “Estas sentenças não só abatem a moral do pessoal da linha da frente, mas desapontam ainda o público em geral”, disse. Segundo os dados cedidos pela Polícia de Segurança Pública nos primeiros seis meses do ano mais de 480 mil panfletos pornográficos foram apreendidos nas 815 operações realizadas, onde 175 pessoas foram acusadas por distribuição de panfletos pornográficos, sete por lenocínio e 13 por transgressão ao “Regulamentos Geral dos Espaços Públicos”. - Hoje Macau


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TÁXIS ASSOCIAÇÕES QUEREM MAIS DE 17 PATACAS DE BANDEIRADA

O velho hábito de regatear de 22 dólares de Hong Kong a cada dois quilómetros. “Há uma desigualdade entre as duas regiões”, frisou. O vice-presidente da federação disse ainda esperar que a DSAT tenha um mecanismo para uma revisão anual das tarifas, e não deve esperar que seja o sector a chegar-se à frente com as propostas. “O aumento é uma boa reacção aos taxistas que se comportam bem”, disse

TIAGO ALCÂNTARA

A DSAT fez uma proposta inicial de aumento da tarifa inicial para 17 patacas, mas duas associações do sector acham que ainda não é suficiente e falam em “injustiça” para quem conduz um táxi

Wong Peng Kei. “Os taxistas que fazem irregularidades são apenas uma pequena parte do sector”, disse, concordando que sejam implementados taxistas à paisana, não apenas no sector dos táxis como noutros onde existam comportamentos ilegais. “Não queremos que o nosso sector tenha um rótulo por causa de uma pequena parte. Concordo com a ideia dos agentes à paisana para punir gravemente as ovelhas negras, mas noutros sectores, como a prostituição ou pensões ilegais devem utilizar esta medida também, por uma questão de justiça”, defendeu.

O QUE ESTÁ EM CAUSA

FLORA FONG

flora.fong@hojemacau.com.mo

ANDREIA SOFIA SILVA

• Aumento de três patacas para os primeiros 1600

andreia.silva@hojemacau.com.mo

A

Direcção dos Serviços para os Assuntos do Tráfego (DSAT) chegou-se à frente e avançou na sexta-feira com uma proposta inicial de aumento da bandeirada dos táxis das actuais 15 para 17 patacas. Mas duas associações do sector discordam e pedem mais, ou seja, 18 patacas para a tarifa inicial. “Não aceitamos essa decisão, porque a proposta que apresentámos é de três patacas para os primeiros 1600 metros (para 18 patacas), e mais duas patacas a cada 250 metros. Mas a ideia do Governo é de aumentar apenas duas patacas a cada 1600 metros, e apenas duas patacas a cada 270 metros”, disse ao HM Tony Kuok, membro do Conselho Consultivo do Trânsito e presidente da Associação de Mútuo Auxilio de Condutores de Táxi (AMACT). Tony Kuok disse ainda que a proposta do Governo não é justa para os taxistas. “Sempre disse no Conselho Consultivo que os taxistas

metros (para 18 patacas), e mais duas patacas a cada

enfrentam o problema da inflação. A decisão do Governo está longe da nossa proposta e esse aumento não acompanha o aumento da inflação”, disse ao HM. O responsável garantiu que os membros do conselho consultivo também não aceitaram a proposta do Governo e que ainda é preciso discutir mais, tendo falado da existência de erros no processo. “A nossa proposta para o aumento da tarifa foi apresentada em Outubro do ano passado e o Governo demorou demasiado tempo a decidir. Para mim, meio ano já basta para fazerem muitos trabalhos, e agora a decisão nem sequer chega perto daquilo que nós necessitamos”, frisou Tony Kuok. O presidente da Asso-

ciação de Mútuo Auxílio de Condutores de Táxi prevê que o conselho consultivo volte a reunir este mês, esperando que a decisão a tomar não esteja longe da ideia do que foi falado na última reunião.

AUMENTO NÃO COMPENSA

Quem também fez uma proposta para aumentar a bandeirada foi Wong Peng Kei, vice-presidente da Federação dos Negócios de Táxi de Macau, que referiu ao HM que aceita a proposta do Governo, mas afirma que esta não acompanha o aumento. “A nossa federação foi a primeira a apresentar uma proposta de aumento, e passados dois anos sai a decisão do Governo. Dá uma certa ajuda, mas na realidade não

“A decisão do Governo está longe da nossa proposta e esse aumento não acompanha o aumento da inflação” TONY KUOK Presidente da Associação de Mútuo Auxilio de Condutores de Táxi

Chui Sai On Quase 93 mil opiniões apresentadas No rescaldo da eleição de Chui Sai On para exercer o seu segundo mandato como Chefe do Executivo, a sede de candidatura fez as contas e anunciou ontem que foram entregues na sede de candidatura um total de 92.819 opiniões, através de colóquios, sessões públicas ou redes sociais. Num comunicado divulgado, afirmase que “a sede de candidatura irá transmitir estas opiniões e sugestões ao Governo da RAEM, e espera que as mesmas constituam os

fundamentos de referência para a governação do quarto Governo da RAEM”. Entre os dias 29 e 29 de Agosto, também várias associações apresentaram os questionários com opiniões e sugestões para o próximo Governo. Só a Aliança do Povo de Instituição de Macau apresentou cerca de 15 mil questionários, seguindo-se a União Geral das Associações dos Moradores de Macau, com 11.924 questionários feitos aos seus membros.

consegue complementar o aumento da inflação nesses dois anos”, disse ao HM. Wong Peng Kei falou ainda do exemplo de Hong Kong, onde a bandeirada é PUB

250 metros – PROPOSTA DA AMACT • Aumento de duas patacas a cada 1600 metros, e duas patacas a cada 270 metros – PROPOSTA DO GOVERNO


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SOCIEDADE

Dias depois da “baixa” apresentada por 600 funcionários do Grand Lisboa, fica a promessa de mais uma forma de protesto dos croupiers para esta semana

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JOGO MAIS UMA AMEAÇA DE GREVE PARA ESTA SEMANA

em Janeiro (subsídio do Ano Novo) e outro em Julho (subsídio de verão), sendo que aqueles que ganham menos de 20 mil patacas mensais terão dois subsídios equivalentes ao seu salário. A quem ganha mais a SJM prometeu oferecer um subsidio 1,5% superior ao salário.

“Quando pedimos comida, não queremos um doce”

FUNCIONÁRIOS “INOCENTES”

Tive hoje (ontem) de manhã um encontro com um funcionário da SJM e sei que eles não estão contentes com as promessas feitas” CLOEE CHAO Dirigente da Forefront of Macau Gaming

CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

dos sócios trabalha para a SJM, garante que se a empresa não responder “exactamente” ao que pedem os seus funcionários, “é possível a realização de outra greve esta semana”. As medidas de que fala a secretária-geral da FMG

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O último sábado cerca de 600 funcionários do casino Grand Lisboa apresentaram baixa por doença e motivos pessoais, uma espécie de greve para protestar contra as condições de trabalho. Segundo Cloee Chao, secretária-geral da Forefront of Macau Gaming (FMG), não está posta de lado a possibilidade de se realizarem mais protestos do género. “Quando pedimos comida, não queremos um doce. As medidas apresentadas são apenas temporárias e

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PROBLEMA COM ATESTADOS MÉDICOS

Cloee Chao

os trabalhadores não estão a pedir que as promessas sejam cumpridas até 2020, mas querem um aumento no salário de 10%. Nin-

vice-presidente da Associação Futuro Verde, Yuen Ka Hou, defendeu que os valores de referência sobre o ruído de fundo exterior, definidos ontem em Boletim Oficial, não reúnem as diferenças necessárias para separar as zonas residenciais das zonas industrias. Yuena Ka Hou apresenta assim o seu descontentamento por não existir uma diferença entre os ruídos de baixa e alta frequências. Em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, o chefe do Centro de Pesquisa Científica e Tecnológica da Universidade de Macau, Wang Zhishi, explicou que, no seu ponto de vista, os valores estipulados como referência para o ruído do território estão correctos. Apesar disso, Wang defende que há necessidade de criar crité-

guém garante que até 2020 tenhamos o que a empresa disse”, confirmou Cloee Chao ao HM. A associação, cuja parte

Cloee Chao garantiu ainda que há descontentamento em relação aos atestados médicos, uma vez que a SJM só permite a entrega de documentos vindos do hospital Conde de São Januário ou Kiang Wu. “Os funcionários já se queixaram, e não é só a SJM que tem esta regra, mas também a Galaxy tem a regra de que, quando os funcionários têm acima de seis dias de baixa médica, os atestados de clínicas privadas não são válidos”, defendeu.

RUÍDO VALORES CRITICADOS

Tudo ao barulho rios mais rigorosos futuramente. “Os critérios actuais estão bem e a execução corresponde à realidade. Mas, no futuro, devem ser revistos em alta para se tornarem mais rigorosos. Só assim Macau pode realmente tornar-se, de forma gradual, num centro mundial de turismo e lazer”, afirmou.

ESTÁ NA LEI

foram apresentadas pela operadora de jogo na sexta-feira, um dia antes da anunciada greve. A empresa, cujo CEO é Ambrose So, prometeu que já a partir de 2015 os funcionários possam começar a receber dois salários extraordinários, um

Recorde-se que depois de um difícil consenso na 1ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL) a Lei do Ruído foi aprovada no mês passado na especialidade, em sessão plenária. O diploma – pensado para

regulamentar o nível de poluição sonora de obras de construção e da vida quotidiana – define que não é permitida a execução de qualquer obra geradora de “ruído

perturbador” em edifícios habitacionais aos domingos e feriados, num período compreendido entre as 19 horas e as 9 horas do dia seguinte. Segundo a definição atribuída, ruído perturbador é o “ruído produzido por fontes sonoras existentes na vizinhança do local considerado que perturbe a tranquilidade e o descanso de terceiros, cause incomodidade ou exceda o nível sonoro estipulado na presente lei”. Relativamente aos trabalhos de construção civil, a Lei do Ruído define que não são permitidos no período compreendido entre as 20 e as 08 horas do dia seguinte, estipulando ainda que, durante o tempo permitido, o nível sonoro não poderá exceder os 85 decibéis durante mais de 20 minutos e será proibida a utilização total de bate-estacas. - Hoje Macau

Cloee Chao garantiu ainda que no último sábado os funcionários do Grand Lisboa, que não participaram no protesto, foram ameaçados de punição caso não trabalhassem horas extra. Nenhum funcionário aceitou substituir aqueles que pediram “baixa”. “Estes funcionários são inocentes, porque fizeram o seu trabalho mas não é seu dever trabalharem horas extra. Mas a ameaça verbal feita pelo supervisor deixou-os descontentes. Tive hoje (ontem) de manhã um encontro com um funcionário da SJM e sei que eles não estão contentes com as promessas feitas”, explicou a secretária-geral da FMG. “Os funcionários do Grand Lisboa já chegaram a um consenso, e quando os funcionários fizerem greve, os outros não vão aceitar o pedido da empresa para fazerem horas extra”, garantiu ao HM Cloee Chao.

Jogo Valores da receita bruta mensal voltam a cair Apesar de ser o quarto melhor mês do ano, Agosto apresentou uma queda anual de 6,1% na receita bruta mensal do sector do jogo, fixando-se assim nos 28 mil 876 milhões de patacas. Segundo os dados da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos é o terceiro mês consecutivo que é registada uma queda anual. Nos meses anteriores, Junho e Julho, a queda situou-se nos 3,7% e 3,6%, respectivamente. Relativamente à receita bruta acumulada, no mês passado o valor residia nos 250 mil 377 milhões de patacas, um aumento de 8,1% comparativamente a Agosto de 2013.


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TIAGO ALCÂNTARA

USJ LUSOFONIA EM DISCUSSÃO EM OUTUBRO

No plano da utopia A conferência internacional reúne académicos oriundos de Macau, Portugal, Coreia do Sul e Estados Unidos e vem na sequência de um ciclo iniciado com a conferência “A Lusofonia entre Encruzilhadas culturais”, organizada pela USJ em 2011

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Universidade de São José (USJ) vai organizar, em Outubro, uma conferência internacional sobre o “fenómeno” da Lusofonia, com especial incidência sobre a realidade de Macau. A iniciativa, a ter lugar a 22 e 23 de Outubro, parte da “caixinha” da língua para um debate do qual se espera “um diálogo vivo”, disse à agência Lusa a coordenadora da conferência, Vera Borges. Sob o título “Entre a desmistificação e a utopia: Indagação sobre as lusofonias”,

a conferência, dividida em quatro grandes painéis, vai reunir académicos oriundos de Macau, Portugal, Coreia do Sul e Estados Unidos. “Queremos partir da consideração das questões da língua e pensar em conjunto. Fala-se muito de Macau como um espaço multicultural, queremos ver como se articulam as relações entre as várias comunidades”, realçou a professora Vera Borges. “Este debate que queremos continuar sobre a Lusofonia, a solicitar desmistificações, reerguendo

“Fala-se muito de Macau como um espaço multicultural, queremos ver como se articulam as relações entre as várias comunidades” VERA BORGES Professora coordenadora da conferência

propostas e respostas no contumaz plano da utopia, chama ao diálogo perspectivas múltiplas, pontos vários de observação”, refere-se no texto de apresentação do evento. O percurso da conferência far-se-á, segundo os organizadores, pela análise das dimensões antropológica, sociológica, literária, pelo equacionar das políticas de língua, a sondagem de ritmos e imagens. No final dar-se-á voz a testemunhos sobre a experiência – vital, em várias acepções – da lusofonia em Macau. De acordo com Vera Borges, a iniciativa visa dar continuidade a um ciclo iniciado com a conferência “A Lusofonia entre Encruzilhadas culturais”, organizada pela USJ em Fevereiro de 2011, embora incidindo mais na língua como ponto de partida. - Lusa

Temas e protagonistas O evento abre com Maria Vitalina Leal de Matos, professora catedrática jubilada da Universidade de Lisboa e da Universidade Católica Portuguesa, a debruçar-se sobre “O mito de Camões”. Segue-se o primeiro painel sobre política da Lusofonia e as políticas da Língua, o qual juntará à mesma mesa a diretora do Departamento de Português da Universidade de Macau, Fernanda Gil Costa, o coordenador do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa do Instituto Politécnico de Macau, Carlos André, e o director do Instituto Português do Oriente (IPOR), João Laurentino Neves. Já a análise aos conceitos, contextos, história e estratégias será efectuada, numa primeira parte, por

um trio de académicas: Cathryn Clayton, professora associada do Centro para Estudos Chineses da Universidade do Havai (EUA), Emilie Tran, docente da Faculdade de Administração e Liderança da USJ e Inocência Mata, professora associada do Departamento de Português da Universidade de Macau. A segunda parte do debate terá como oradores o professor catedrático do Departamento de História da Universidade de Macau, Vasconcelos Saldanha, e Manuel Afonso Costa, da mesma instituição de ensino, bem como Vítor Teixeira, professor da Faculdade de Humanidades e da de Indústrias Criativas da USJ. Os mitos e ideologias nas representações literárias ficarão a cargo de Yao

Jing Ming, professor da Universidade de Macau, e das professoras Vera Borges e Isabel Morais, ambas da USJ, bem como, numa segunda parte, de Maria João Amaral, da Universidade Hankuk, da Coreia do Sul, e de Margarida Conde e Ana Vairinhos, ambas leitoras da USJ. O quarto e último painel versando testemunhos sobre a lusofonia em Macau contará com a presença de Sales Marques, presidente do Instituto de Estudos Europeus de Macau, Anabela Ritchie, membro honorário da Fundação Católica de Ensino Superior Universitário, Amélia António, presidente da Casa de Portugal, Humberto Évora, presidente da Associação de Divulgação da Cultura Cabo-verdiana, e de Carlos Frota, professor da USJ. - Lusa

Previdência Idosos já podem levantar contas individuais

Os residentes entre 65 e 74 anos de idade já podem proceder à segunda fase de levantamento das contas individuais de previdência junto do Fundo de Segurança Social (FSS), depois dos requerimentos já terem sido entregues. Segundo um comunicado oficial, o prazo arrancou ontem, sendo que as verbas serão depositadas nas contas bancárias dos utentes no dia 18 de Novembro. Para aqueles que tenham mais de 75 anos, que recebam pensão de invalidez há mais de um ano ou que estejam a receber subsídio de invalidez especial, o dinheiro será depositado já a 21 de Outubro. Até à data, o FSS recebeu 20 mil requerimentos.


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ENSINO ANO TRANSACTO COM QUASE 10% DE TAXA DE REPROVAÇÃO

A bater recordes pela negativa Enquanto ainda se discute a hipótese de impor limitações aos chumbos, o número de reprovações atingiu o valor mais alto de sempre na RAEM

A

taxa de reprovação do ano lectivo passado bateu recordes, pela negativa, em Macau. Fixando-se nos 9,4% marca-se assim a mais elevada taxa de reprovação no ensino do território. Segundo avança a Rádio Macau, os dados fornecidos pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) mostram que no ensino secundário complementar o valor desce para 4%, enquanto no ensino primário fixa-se nos 3,2%. Sinal de um ligeiro decréscimo comparativamente aos últimos anos.

Relativamente à taxa de abandono escolar o valor reside nos 0,18%. Dedicando ao possibilidade de limitar as reprovações, recomendação do Conselho de Educação, o subdirector da DSEJ, Wong Kin Mou, afirmou que a direcção ainda está em “fase de discussão”. “Nada está confirmado. Vamos ter em conta essa recomendações para melhor proceder à reforma da avaliação dos alunos”, explicou. Afastando a possibilidade da medida prejudicar os alunos, Wong Kin Mou, sublinhou que há estudos que indicam que a reprovação provoca efeitos negativos nos alunos. “Segundo os estudos e também do programa PISA, e um outro baseado em diferentes regimes escolares, verifica-se que não é conveniente haver uma reprovação para os alunos porque vai ter efeitos

negativos provocando-lhes muitas vezes falta de confiança”, disse. Nas suas declarações, Wong Kin Mou, explicou que a DSEJ quer diversificar os critérios de avaliação que “diferem da forma tradicional”. Para si, esta forma de avaliação “não revela a realidade dos alunos”, admitindo que “muitas pessoas têm reservas sobre esta forma tradicional”. “Por isso é que agora estamos a promover uma diversificação na avaliação dos alunos”, adiantou. Recorde-se que ontem arrancou o novo ano lectivo. Dos 77 institutos de ensino do território, 60 iniciaram as suas aulas. Este ano estão inscritos 72 mil alunos. “No

“Não é conveniente haver uma reprovação para os alunos porque vai ter efeitos negativos provocando-lhes muitas vezes falta de confiança” WONG KIN MOU, Subdirector da DSEJ

ensino infantil houve um aumento de 7,2% de alunos, no ensino primário um aumento de 4,28% de alunos e no ensino especial um aumento de 1,13%. No ensino secundário verifica-se uma diminuição de estudantes de cerca de 5,43%”, explicou Wong Kin Mou à Rádio Macau.

ESCOLA PORTUGUESA

Apesar do ano lectivo ter começado ontem, “esta semana é apenas para reuniões dos professores”, explicou Zélia Mieiro, vice-presidente da Escola Portuguesa de Macau. Com início de aulas agendado para a próxima semana, a vice-presidente mostrou-se contente com as inscrições recebida até agora. “Vamos sempre recebendo novas inscrições mas até à data há ultrapassámos as 500 inscrições”, explicou ao HM. Focando-se no número de alunos do primeiro ciclo, Zélia Mieiro conta que “há seguramente mais de cinco anos, pelo menos, não existiam três turmas do primeiro ano”, sinal bastante positivo para a responsável que reforça o interesse e crescimentos das turmas. “Também o 6ºano tem um nova turma. O ano passado tínhamos apenas uma turma, este ano temos duas”, conta. Para Zélia Mieiro é um “começo de ano positivo”. - HOJE MACAU

Aeroporto Recorde de passageiros

O Aeroporto Internacional de Macau registou em Agosto um recorde de passageiros desde a sua inauguração em 1995, ao ser utilizado por 520.000 pessoas, mais 6,5% do que no mesmo mês de 2013, foi ontem anunciado. De acordo com dados fornecidos pela Companhia do Aeroporto de Macau, o tráfego apurado em Agosto reflecte também um aumento do número de movimentos – aterragens e descolagens – em 1,4% para um total de 3.400. Numa nota à imprensa da mesma companhia refere-se que o aumento de 13% nas ligações para a China continental e de 6,5% para os países do sudeste asiático continuam a suportar o crescimento do movimento do aeroporto. O Aeroporto Internacional de Macau foi inaugurado em Dezembro de 1995 e é a maior obra da administração portuguesa do território que administrou até à transferência de soberania para a China a 20 de Dezembro de 1999.

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Pensões ilegais Tribunal dá razão ao Governo

O

Tribunal de Segunda Instância (TSI) considerou correcta a decisão da Direcção dos Serviços de Turismo (DST) em aplicar uma multa de 200 mil patacas a dois indivíduos apontados como “explorador” e “controlador” de um imóvel num caso de prestação ilegal de alojamento. O caso remonta a 2012, quando responsáveis da DST exigiram a realização de uma audiência com o explorador da casa e todas as pessoas que se encontravam no seu interior no momento em que os fiscais e a polícia os descobriram, em 2011, ou seja, “três indivíduos de nacionalidade sul-coreana,

um individuo de nacionalidade filipina e um individuo que não conseguiu exibir documentos de identificação”. Estes não eram, à data, residentes da RAEM nem tinham autorização especial de permanência nem eram portadores de blue card. Tanto o “explorador” como o “controlador” da pensão ilegal contestaram as multas aplicadas pelo Executivo, alegando que não foram ouvidos em audiência. Mas a DST admitiu que não conseguiu contactar um dos intervenientes, sendo que o TSI considerou que a multa poderia ser aplicada nessa situação.


sociedade 9

hoje macau terça-feira 2.9.2014

A DSAT garantiu que o regresso às aulas foi feito de forma pacífica no que ao trânsito diz respeito, mas há alunos que continuam a esperar horas nas fronteiras para chegarem à escola CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

O

primeiro dia de Setembro marcou o regresso às aulas de 80% das escolas do território. Em declarações ao telejornal chinês da TDM, Wong Wan, director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) garantiu que tudo decorreu dentro da normalidade (ver caixa). Contudo, os alunos que têm de passar todos os dias a fronteira junto às Portas do Cerco confrontam-se com horas de espera para marcarem presença na primeira aula do dia. Vários pais relataram à TDM as suas dificuldades diárias em passar a fronteira diariamente. São famílias cujos filhos moram em Zhuhai ou na cidade de Zongshan, ambas da província de Guangdong. “Existe uma via especial para os alunos que passam a fronteira, mas a sua função é limitada, porque é quase igual às outras vias”, queixou-se a senhora Tai, com residência em Zhongshan. “Demoramos mais ou menos meia hora na fronteira entre Zhuhai e Macau, então é igual. Por isso nunca usamos esta via. Há cada vez mais

NOVA ERA PRECISA DE MAIS MÃOS AO VOLANTE

ALUNOS DE GUANGDONG PERDEM HORAS NA FRONTEIRA

Um arranque difícil

“Há cada vez mais pessoas a utilizar a fronteira de manhã, para trabalhar ou para ir para a escola, e por isso demoramos cada vez mais tempo a passar” SENHORA TAI Mãe de um aluno de Zhuai

pessoas a utilizar a fronteira de manhã, para trabalhar ou para ir para a escola, e por isso demoramos cada vez mais tempo a passar”, apontou também à TDM. A senhora Tai não dúvida: o número de pessoas que atravessam a fronteira terão aumentado um terço. O filho da senhora Tai estuda na escola Choi Nong Chi Tai, onde cerca de 90 alunos não residem na RAEM e precisam de fazer o percurso diário nas Portas do Cerco. Vong Kuok Ieng, director da escola e membro da Comissão Eleitoral em representação do sector educacional, disse que, com os elevados preços das casas, cada vez mais famílias optam por viver do outro lado da fronteira, nas cidades de Zhuhai ou Zhongshan. Vong Kuok Ieng garantiu que mais de mil alunos locais moram no continente e utilizam directamente a via especial, destinada a alunos até 11 anos de idade. “Esta via foi criada há cerca de

FREQUÊNCIA DE AUTOCARROS AUMENTOU 20% NAS HORAS DE PONTA Segundo o canal chinês da Rádio Macau, Wong Wan, director da DSAT, as operadoras de autocarros conseguiram aumentar a frequência do transporte público nas horas de ponta em 20%. Dois dias depois do arranque oficial do ano lectivo, o director da DSAT continua a apelar a que pais e filhos saiam mais cedo de casa. Quanto ao novo campus da Universidade de Macau (UM), Wong Wan garantiu que cerca de mil alunos utilizaram o autocarro para se deslocar para Hengqin ao mesmo tempo, tendo garantido o aumento das frequências dos autocarros desde a praça Ferreira do Amaral. O director da DSAT garantiu, contudo, que daqui a duas semanas haverá estabilidade nestes percursos.

quatro anos, mas sabemos que, como há cada vez mais pessoas, é a única possibilidade que existe de passar PUB

A empresa que veio substituir a falida Reolian, a Nova Era, continua a sofrer o mesmo problema de que sofreu a sua antecessora. No arranque das aulas, cerca de 40 condutores estiveram ao serviço, mas muitos deles estavam a gozar a sua folga semanal, pelo que houve falta de trabalhadores. Fong Lap Kun, directorgeral da empresa, queixou-se de que não pode sempre obrigar os seus trabalhadores a trabalharem horas extra, segundo disse o canal chinês da Rádio Macau. Segundo Fong Lap Kun, depois de dois meses de operação a Nova Era possui 390 condutores, mas gostaria de ter um total de 420 trabalhadores.

a fronteira mais depressa”, garantiu o director da escola, que pediu uma revisão desta medida.

Ébola Homem vigiado via telefone

“Apesar de não apresentar nenhum sintoma relativo à doença por vírus Ébola aquando da sua entrada em Macau, os Serviços de Saúde (SS) procederam à vigilância sanitária através de telefone”, afirmar as autoridades, referindo-se a um homem oriundo da República Democrática do Congo que deu entrada este fim-de-semana no território. Em comunicado, os SS explicam que durante o fim-de-semana deram entrada em Macau, dez pessoas provenientes da Libéria, de Serra Leoa, da Nigéria, da Guiné Conacri e da República Democrática do Congo, sendo que depois de aplicadas as medidas de prevenção, apenas uma delas ficará sob acompanhamento das autoridades.


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EVENTOS

hoje macau terça

FESTIVAL DE VENEZA NOVO FILME DE MANOEL DE OLIVEIRA

Mergulho na História A

nova curta-metragem do realizador Manoel de Oliveira, “O Velho do Restelo”, foi apresentada ontem à imprensa, no Festival de Veneza, estando a exibição oficial marcada para hoje, naquela que constituirá a estreia mundial da obra. A estreia oficial de “O Velho do Restelo” no Festival Internacional de Cinema de Veneza vai ter lugar na Sala Grande, com o título internacional “The old man of Belem”. Manoel de Oliveira - que recebeu um Leão de Ouro de carreira em Veneza, em 2004 - reúne, neste novo filme, num banco de jardim do século XXI, várias personagens e escritores históricos: Dom Quixote, o poeta Luís Vaz de Camões, o

poeta Teixeira de Pascoaes e o romancista Camilo Castelo Branco. A produtora, na apresentação da obra, define-a como “um mergulho livre e sem esperança na História tal qual a conhecemos, com um sedimento fértil

na memória de Manoel de Oliveira”.

CLIENTES HABITUAIS

As personagens são interpretadas por Luís Miguel Cintra (Camões), Ricardo Trepa (Dom Quixote), Diogo Dória (Teixeira

“O BÊBADO” NA BIENNALE COLLEGE O projecto de longa-metragem “O bêbado”, do argumentista e realizador André Marques, está seleccionado para a Biennale College Cinema do Festival Internacional de Cinema de Veneza, foi anunciado no domingo pela produtora Bando à Parte. “O bêbado” faz parte de um conjunto de 12 projectos que serão desenvolvidos em parceria com a Biennale, com vista a um financiamento de 150.000 euros e à estreia mundial do filme, na edição de 2015 do

Festival Internacional de Cinema de Veneza. O filme é produzido por Rodrigo Areias, da Bando à Parte. A Biennale recebeu mais de 200 propostas de realizadores de 63 países, de acordo com uma carta enviada ao realizador e produtor de “O bêbado”, à qual a Lusa teve acesso. Na missiva, a organização da Biennale refere ainda esperar pelo realizador português em Outubro, em Veneza, para o desenvolvimento do projecto.

de Pascoaes) e Mário Barroso (Camilo Castelo Branco). Na equipa técnica estão colaboradores de longa data de Manoel de Oliveira, como Renato Berta, na fotografia, Henri Maïkoff, no som, Christian Marti, na decoração, Adelaide Trêpa, no guarda-roupa, e Valérie Loiseleux, na montagem. O novo filme do cineasta português de 105 anos é uma produção de O Som e a Fúria em co-produção com a distribuidora Francesa Epicentre Films, entidade que distribui os filmes de Oliveira em França, desde “Cristóvão Colombo, O Enigma” (2008). A rodagem teve início em Abril deste ano, no Porto, cidade onde o cineasta nasceu, em 1908, tendo criado até hoje mais de três dezenas de filmes. A 71.ª edição do mais antigo certame internacional dedicado ao cinema decorre até ao próximo sábado, dia 6 de Setembro. O festival encerra com a entrega dos prémios - Leões de Ouro e de Prata - aos filmes em competição e com a exibição de “The Golden Era”, de Ann Hui. - Lusa

PYONGYANG JOAQUIM LEITÃO EM FESTIVAL DE CINEMA

Policial lusitano para Kim ver A

longa-metragem “Quarta Divisão”, de Joaquim Leitão, vai estar em competição no Festival Internacional de Cinema de Pyongyang, que se realiza de 17 a 24 de Setembro, anunciou o Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA). “Quarta Divisão”, que conta com os desempenhos de Carla Chambel, Sabri Lucas e Paulo Pires, nos principais papéis, participou anteriormente no Festival des Films du Monde, em Montreal, no Canadá. Segundo a produtora, o ponto de partida da narrativa é o desaparecimento de uma criança de nove anos, Martim Cabral e Melo, do colégio privado onde estuda. A Quarta Divisão da Polícia estabelece então uma grande operação de busca por toda a cidade para o encontrar. O policial é produzido por Tino

Navarro, que trabalha regularmente com Leitão desde o início da sua carreira na década de 1980, tendo cooperado com este em películas como “Adão e Eva” (1995), “Tentação” (1997) e “Inferno” (2009).

UMA VIDA DE CURTAS E LONGAS

Joaquim Leitão, de 56 anos, realizou várias curtas-metragens e longas-metragens para além de “videoclips”. Em 1994 realizou “Uma Cidade

Qualquer”, no âmbito da Capital Europeia da Cultura, em que assinou o argumento com Miguel Esteves Cardoso. O filme conta com desempenhos de Luís Alberto, Ana Bustorff e Ana Carvalhal. “Adão e Eva” (1995), protagonizado por Maria de Medeiros e Joaquim de Almeida, longa-metragem para cinema depois de “Ao Fim da Noite” e “Duma vez por todas”, foi distinguido com os Globos de Ouro Caras/SIC para o Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Actor e Actriz. “A Ilha”, “O Resgate”, “Voltar”, “O Aprendiz de Mago”, “A Esperança Está Onde Menos Se Espera”, “20,13” e “Até Amanhã, Camaradas”, são outras produções dirigidas por Joaquim Leitão, como “Sei Lá”, estreada em Abril deste ano. - Lusa

PALESTRA JOSÉ GIL NO CENTRO DE CIÊNCIA DE MA

O MEDO DE EXI RETRATO DE UM PENSADOR José Gil é um autor conceituado, tendo publicado inúmeras obras como “Fernando Pessoa ou a Metafísica das Sensações”, “As Metamorfoses do Corpo”, “Cemitério dos Desejos”, “Salazar - a Retórica da Invisibilidade”, “A Imagem-nua e as pequenas percepções”, “Movimento Total - o Corpo e a Dança”, “Sem Título - Escritos sobre Arte e artistas”, “O imperceptível Devir da Imanência - sobre a Filosofia de Deleuze” e “Cansaço, Tédio, Desassossego”. Entre os seus trabalhos, é de destacar o livro “Portugal, Hoje: O Medo de Existir”, uma obra que analisa filosoficamente as características do povo português, com eco em todas as áreas académicas. Além disso, o escritor tem obras publicadas no Brasil e traduzidas em França, em Espanha, nos EUA, em Itália e na Sérvia.

O filósofo português chega a Macau este mês para falar da situação cultural e social contemporânea nacional

O

Instituto Cultural vai promover a palestra “Desejo e Medo de Existir”, proferida pelo filósofo português José Gil, no dia 21 de Setembro, pelas 15:00 horas, no Salão de Convenções do Centro de Ciência de Macau. José Gil é um filósofo português


eventos 11

a-feira 2.9.2014

Músicos asiáticos em concerto no Venetian

Sete bandas de música pop provenientes da China, Taiwan e Coreia do Sul vão participar num concerto intitulado “I Want Music Cool” na Arena do Venetian no dia 13 de Setembro, pelas 20:00 horas. O espectáculo vai contra com a participação de Leehom Wang e Bii de Taiwan; Wei Chen, Hu Xia e Chopsticks Brothers (Xiao Yang e Wang Taili) da China; assim como B1A4 e Shin Hyesung da Coreia do Sul. Segundo a organização, os mesmos artistas deram um concerto de lotação esgotada na cidade de Shenzhen em Março, prometendo agora trazer ao território um espectáculo com produção de alta qualidade repleto de atracções visuais em palco. Os bilhetes para o evento custam entre 380 e 1.680 patacas cada.

Artistas lusos na China, Brasil, e Cabo Verde

ACAU

ISTIR EM PORTUGAL contemporâneo, tendo sido nomeado “um dos 25 grandes pensadores mundiais” pela revista francesa “Le Nouvel Observateur” em 2005. De acordo com a organização, na palestra o filósofo vai analisar em profundidade a situação cultural e social contemporânea em Portugal através de múltiplas perspec-

tivas psicológicas e fenomenológicas, indicando o que fazer para que o desejo de existir prevaleça sobre o medo de existir. As suas áreas de interesse são a Estética, a Filosofia do Corpo, a Filosofia Política e a poesia de Fernando Pessoa. Segundo o comunicado de im-

prensa da organização o objectivo do evento, inserido no âmbito das Palestras de Mestres de Cultura passa por aumentar o conhecimento e a consciência do público sobre a cultura e filosofia portuguesas. O IC lançou as Palestras de Mestres de Cultura no ano passado, visando

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA INOCENTE PARA ALÉM DE QUALQUER DÚVIDA • Carlos Cruz

“Leia este livro. Por favor. Esqueça quem é o autor e ponha-se no lugar dele. Apanhará um grande susto. Porque poderia muito bem ser. Verá a facilidade com que a ausência da presunção da inocência e, sobretudo, do benefício da dúvida, podem condenar um arguido muito antes de ter sido formalmente condenado. Este livro é a defesa de Carlos Cruz — a defesa que quase ninguém conhecia. O que pensávamos saber baseava-se em cabeçalhos bombásticos e reportagens aparentemente sérias que mais não fizeram do que demonstrar o imenso poder do mau jornalismo. (...) É um caso que a grande maioria das partes envolvidas gostaria que ficasse arrumado, para que não se lembrasse a fraca figura que fez. Os que mais quiseram falar são os que agora mais querem calar. Leia este livro, para poder respirar fundo. E por uma questão de justiça...” in prefácio de Miguel Esteves Cardoso

convidar profissionais das áreas da literatura, da cultura e das artes a proferirem palestras, esperando, através do intercâmbio de experiências e da partilha de conhecimentos, poder inspirar ideias diversificadas com visão internacional e enriquecer a cultura local, de forma a estimular a criatividade e o desenvolvimento da cultura e das artes, acrescenta a nota de imprensa. A palestra será conduzida em português, com interpretação para mandarim, sendo a entrada livre e os lugares distribuídos por ordem de chegada.

Brasil, Cabo Verde e China contam-se entre os 16 países que vão acolher 48 projectos artísticos portugueses, segundo os resultados definitivos do Programa de Apoio à Internacionalização das Artes 2014 anunciados pela Direcção-Geral das Artes (DGArtes). De acordo com a informação publicada na página da DGArtes na internet, foram propostos apoios financeiros a 32 candidaturas de circulação internacional, num total de investimento de 425.000 euros. Os resultados definitivos do programa de Apoio à Internacionalização das Artes 2014 confirmam os provisórios, anunciados pela DGArtes a 24 de Julho. Brasil, Cabo Verde, Estados Unidos e China são os países mais representados nos projectos apresentados, num total de 16 destinos que incluem também Alemanha, Argentina, Austrália, Cuba, Espanha, França, GuinéBissau, Índia, Marrocos, México, Peru e Tailândia.

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A PINTORA DE XANGAI • Jennifer Cody Epstein

Baseado em factos reais, este livro de Jennifer Cody Epstein narra o percurso extraordinário de uma mulher – de uma vida de prostituição às galerias de arte de Xangai e de Paris. Com uma linguagem cativante e um ritmo narrativo seguro, contanos a história de Pan Yuliang, vendida na adolescência a um prostíbulo por um tio viciado em ópio e resgatada por um cliente, que a leva como concubina e lhe permite o acesso a um novo mundo sofisticado. O talento cedo se revela, transportando-a à Paris boémia dos anos 20. Mas amor e arte revelam-se incompatíveis e Pan compreende que terá de fazer uma escolha dolorosa.


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CHINA

A discussão em torno do sufrágio na região vizinha continua acesa. O Global Times adverte que que Hong Kong não é a Ucrânia

hoje macau terça-feira 2.9.2014

HONG KONG JORNAL CRITICA MOVIMENTO DEMOCRÁTICO

“Um tigre de papel”

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M jornal do Partido Comunista Chinês ressuscitou ontem uma metáfora anti-imperialista da década de 1960 ao qualificar como “um tigre de papel” a contestação ao modo de eleição do Chefe-Executivo de Hong Kong imposto por Pequim. “Face à opinião publica dominante em Hong Kong e à firme determinação do governo central, o campo da oposição radical está condenado a ser um tigre de papel”, disse o Global Times, publicação em inglês do grupo Diário do Povo, o órgão central do PCC. Num editorial intitulado “Campo radical de Hong Kong é um tigre de papel”, o jornal adverte que aquela Região Administrativa Especial da China “não é a Ucrânia”. “Os poderes ocidentais apoiarão a oposição radical de Hong Kong, mas a publicidade e o nível do apoio não será de modo nenhum comparável ao apoio que deram ao partido da oposição ucraniana”, afirma o Global Times.

M

AIS de 200.000 africanos, a maioria imigrantes ilegais, vivem em Cantão, no sul da China, constituindo a maior comunidade do género no continente asiático, disse um jornal chinês no domingo, citando um estudo de uma universidade local. Os africanos representam cerca de metade de toda a população estrangeira de Cantão, uma das cidades mais prósperas da China e a capital da província de Guangdong, que confina com Macau e Hong Kong, diz um estudo da Academia de Desenvolvimento da Universidade de Cantão. Num centro comercial de Yuexiu, um dos distritos de Cantão onde se concentra a comunidade, a maioria das lojas são já geridas por africanos, refere o estudo. Os africanos constituem também “uma alta percentagem” dos 13.000 estrangeiros ilegais detidos na província de Guangdong em 2008 (mais 6.000 do

“A força nacional da China significa que não será fácil o Ocidente interferir nos assuntos de Hong Kong”, proclama o jornal.

DECISÃO HISTÓRICA

De acordo com a resolução aprovada no domingo pela Assembleia

Nacional Popular chinesa, saudada como “histórica” pela imprensa oficial, o Chefe-Executivo de Hong Kong será eleito em 2017 por sufrágio directo, pela primeira vez, mas os candidatos terão de ser aprovados por um comité de nomeação.

“Os poderes ocidentais apoiarão a oposição radical de Hong Kong, mas a publicidade e o nível do apoio não será de modo nenhum comparável ao apoio que deram ao partido da oposição ucraniana” GLOBAL TIMES

Cantão A maior comunidade africana da Ásia que ano anterior) e desde Dezembro de 2012 a polícia de Cantão prendeu “mais de 300 africanos envolvidos em tráfico de droga”. Um recente relato publicado num site noticioso japonês estimava em mais de 300.000 o número de

africanos que viviam ilegalmente em Cantão, indica o jornal Global Times. Com cerca de um terço

da superfície da Espanha e mais de cem milhões de habitantes, Guangdong foi declarada “a vanguarda da

300.000

africanos a viver ilegalmente em Cantão

política de Reforma Económica e Abertura ao Exterior” no início da década de 1980. Acapital provincial, Cantão, situada sob o Trópico de Câncer, fica a 150 quilómetros de Hong Kong e Macau, desenhando com aqueles dois territórios o denso triângulo industrial do Delta do Rio das Pérolas, conhecido como a “fábrica do mundo”.

Partidos democráticos de Hong Kong, que já organizaram manifestações com dezenas de milhares de pessoas, rejeitam aquele processo, que consideram “uma falsa democracia”, e ameaçam ocupar o centro financeiro e comercial do território. Hong Kong foi integrada na República Popular da China em Julho de 1997, com o estatuto de Região Administrativa Especial e segundo a fórmula “um país, dois sistemas”, adoptada também em Macau, que garante às respectivas populações liberdades de expressão e organização politicas desconhecidas no resto do país. Até agora, o chefe-executivo de Hong Kong tem sido eleito por um Comité de 1.200 membros seleccionados entre os chamados “quatro sectores” do território, nomeadamente líderes empresariais e delegados aos órgãos do poder central, em Pequim. O futuro Comité de Nomeação, cuja composição corresponderá ao actual colégio eleitoral, “designará dois ou três candidatos” e cada um deles deverá ser aprovado por mais de metade dos membros do comité. Considerada uma das economias mais livres do mundo, Hong Kong tem cerca de 7.2 milhões de habitantes, 72% dos quais com menos de 55 anos, e um Produto Interno Bruto per capita que ronda os 33.500 dólares - cinco vezes superior ao da China continental. Excepto nas áreas da defesa e das relações externas, que são da competência do governo central, Hong Kong goza de “um alto grau de autonomia” e é “governada por pessoas” do território.

Ajuda a veteranos

Um veterano com 97 anos de idade abriu uma loja de conservas em Changde, no Hunan, para reunir dinheiro para ajudar outros velhos combatentes, anunciou o “China News Service”. O idoso pediu emprestados 4.000 yuan e usou 40.000 yuan das suas próprias poupanças para começar o empreendimento. O seu objectivo é angariar dinheiro suficiente para poder levar outros veteranos da guerra a Nanquim de modo a varrer as campas dos seus camaradas. Três outros veteranos, todos com mais de 90 anos, compareceram para a inauguração da loja.

Alto funcionário encontrado morto

As autoridades de Yunnan confirmaram que o corpo encontrado na quarta-feira no Rio Jinsha pertencia a Gan Shibo, o chefe do departamento de agricultura da região de Yongshan, avançou o “South China Morning Post”. O funcionário estava desaparecido desde 23 de Agosto, data em que teve uma reunião com investigadores anti-corrupção, que era suposta continuar no dia seguinte.


china 13

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Corrupção Pequim investiga parlamentar

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China está a investigar um membro do alto escalão parlamentar, informou a principal agência de combate à corrupção do país na sexta-feira. Esta é a mais recente autoridade de destaque a ser alvo da campanha governamental contra práticas ilegais. Bai Enpei, outrora principal autoridade do Partido Comunista na província de Yunnan e vice-líder de um comité de protecção ambiental no Congresso Nacional do Povo, foi posto sob investigação, afirmou a Comissão Central para a Inspecção Disciplinar. Bai, de 67 anos, é “suspeito de sérias violações da disciplina e da lei”, declarou o organismo em um comunicado colocado no seu site, usando a linguagem do partido para corrupção sem dar mais detalhes. Sob a liderança do presidente chinês, Xi Jinping, o Governo lançou uma campanha anti-corrupção para combater as suspeitas de que as autoridades desperdiçam o dinheiro dos contribuintes ou usam os seus cargos para vantagens pessoais. Xi disse mesmo que a corrupção ameaça a própria sobrevivência do Partido Comunista. Bai foi eleito secretário do partido em Yunnan no ano de 2001, cargo que ocupou durante dez anos, de acordo com o seu currículo. Em 2011 foi nomeado para o parlamento e tornou-se vice-líder do Comité de Protecção Ambiental e Conservação de Recursos.

Detido assassino de estudante

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presidente-executivo da Microsoft, Satya Nadella, que assumiu o cargo em Fevereiro, vai fazer uma visita à China no final de Setembro ao mesmo tempo em que o governo chinês realiza uma investigação anti-monopólio contra a empresa, revelou a Reuters. Não se sabe ao certo se Nadella se vai reunir com representantes do governo chinês durante a visita ou se o objectivo da viagem é tentar resolver o problema directamente com a Administração Estatal para a Indústria e o Comércio, o órgão regulador anti-monopólio na China. Um porta-voz da Microsoft informou que a empresa não comenta os planos de viagens dos executivos e as autoridades do órgão regulador chinês não foram localizadas para comentar a visita. A Microsoft está entre as

MICROSOFT ALVO DE INVESTIGAÇÃO ANTI-MONOPÓLIO

Cartas na mesa

O CEO da empresa norte-americana visita o gigante asiático no fim deste mês. A viagem coincide com a investigação em curso empresas estrangeiras que estão a ser investigadas pelo governo chinês, de acordo com a sua lei anti-monopólio, criada em 2008. Segundo alguns críticos, a lei está a ser usada para prejudicar empresas estrangeiras no país.

POUCAS VISITAS

Normalmente, quando presidentes de empresas visitam a China, o objectivo é fortalecer laços. No entanto, Nadella será ao menos o segundo grande executivo de uma

empresa de tecnologia a visitar o país após o aumento das tensões anti-monopólio na segunda maior economia do mundo. Steve Ballmer, antecessor de Nadella na presidência-executiva da Microsoft, visitou a China poucas vezes durante os seus 14 anos no cargo. A pouca presença no país deve-se ao grande número de utilizadores que optam por versões piratas da Windows e do Office, o que fez Ballmer afirmar em 2011 que a Holanda gerava

mais receitas para a Microsoft do que a China. A investigação anti-monopólio da Administração Estatal para a Indústria e o Comércio da China contra a Microsoft teve início no começo do mês passado. O órgão governamental sustenta que a empresa pode ter violado as leis anti-monopólio em relação à compatibilidade, à agregação e à autenticação de documentos do sistema operacional Windows e do pacote Office.

A polícia de Hangzhou, em Zhejiang, prendeu um homem de 20 anos por suspeita de ter assaltado e assassinado uma estudante universitária na sextafeira, revelou o “Chongqing Evening Post”. A vítima, com 21 anos de idade, deixou a sua casa para ir trabalhar mas não voltou a regressar ao domicílio, tendo o seu corpo sido encontrado num poço da aldeia onde habitava. As autoridades usaram gravações de câmaras de videovigilância para tentar desvendar o caso, onde descobriram o suspeito a seguir a vítima. Após interrogação, o homem confessou o crime.

Cadáver danificado

De acordo com o “Beijing Times”, um tribunal de Miyun, em Pequim, obrigou uma agência funerária a pagar 12.000 yuan de compensação a um homem por ter danificado o corpo da sua mulher. A mulher faleceu em Janeiro do ano passado, tendo a agência funerária mandado um carro para proceder ao seu transporte. Porém, durante a viagem, a viatura viu-se envolvida num acidente que danificou o caixão e o cadáver, o que trouxe grande transtorno emocional ao seu marido.


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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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António Araújo

IN MALOMIL

João Pina

A SOMBRA DO CONDOR Ao fim de 7 anos de trabalho, João Pina concluiu o seu projecto sobre a Operação Condor. Um levantamento fotográfico dos vestígios de uma operação secreta levada a cabo pelas ditaduras da América Latina que, segundo algumas estimativas, fez 60.000 vítimas durante os três anos em que teve lugar, de 1975 a 1978. O resultado final de um périplo fotográfico pela Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Cuba, Paraguai, Estados Unidos e Uruguai será um livro editado em 3 idiomas diferentes e uma exposição para levar o trabalho de volta aos países envolvidos

E

STE projecto sobre a Operação Condor começou há alguns anos. Entre investigação e trabalho de campo, quantos ao certo? Como surgiu a ideia e como foi possível concretizar um projecto tão ambicioso, que envolveu tantos países? A ideia surgiu em 2004/2005 enquanto terminava o meu primeiro livro «Por teu Livre Pensamento» sobre ex-presos políticos portugueses, e em que, ao mostrar a vários amigos estrangeiros o trabalho, este ficaram surpreendidos pelo tema e me perguntaram porque não continuaria o trabalho noutros países. Comecei a investigar melhor a história da região e as ditaduras nos países do cone sul da América viveram dos anos 60 até meados dos anos 80, e foi quando me deparei com a existência da Operação Condor, que é ainda hoje algo muito pouco conhecido mesmo nos países que a viveram. Logisticamente, consegui fazer este trabalho graças aos anos em que vivi (e continuarei a viver) na região e que entre trabalhos de “encomenda” para jornais e revistas, podia passar algum tempo nos países em questão a investigar esta história. Finalmente nos últimos dois anos recorrendo a uma plataforma de “crowd-funding” chamada emphas. is pude juntar o dinheiro suficiente para me concentrar neste tema durante alguns meses no terreno e terminei de fotografar em Dezembro de 2012. Antes de iniciares o trabalho fotográfico, tiveste naturalmente de te documentar, de conhecer o que foi a Operação Condor. Havendo ainda tanta coisa por revelar sobre essa operação, e informação que se conheceu apenas quando ias desenvolvendo a pesquisa,

como conseguiste saber onde ir, com que pessoas falar, que arquivos consultar? Foste adaptando o trabalho à medida que ias sabendo mais sobre a Operação Condor? Desde o início a minha ideia não foi fotografar apenas casos do “Condor”, mas analisar o que tinha acontecido na região não só durante os anos de 1975

e 1978 que foi quando o Condor esteve oficialmente activo, mas ir a montante e a jusante dessas datas para tentar entender como se tinham reunido as condições para que essa sinistra reunião em Santiago do Chile que deu início ao Condor em Novembro de 75 pudesse ter acontecido. Assim, primeiro dediquei-me a estudar

Um avião utilizado pelos militares argentinos para lançar oposicionistas de esquerda, vivos, ao Mar da Prata e ao Atlântico serve agora como objecto publicitário de uma loja de venda de materiais de construção nos arredores de Buenos Aires

e compreender as histórias individuais de cada uma das ditaduras, e depois tentar retratar os efeitos que essas ditaduras tiveram enquanto regimes nacionais e o que aconteceu depois da união dos recursos, e inevitável aumento exponencial da repressão política nos países envolvidos. No meio de tudo isso, ia entrevistando sobreviventes e familiares de desaparecidos que me iam ajudando a traçar o quadro. Muito revelador foi também uma entrevista que fiz no Brasil ao Coronel Curió, um coronel retirado do exército brasileiro, que participou directamente na repressão a uma guerrilha opositora brasileira, e participou também em várias acções do Condor em países da região. Aí consegui compreender de uma forma menos académica como estava armado o sistema e a forma de participação que houve de uns países noutros. A linha principal do trabalho Sobreviventes/Familiares/Lugares de desaparição, foi traçada desde o início; depois fui acrescentando novas situações que foram acontecendo enquanto eu pesquisava, como o início dos julgamentos contra militares na Argentina por crimes contra a humanidade, funerais de desaparecidos encontrados e identificados por equipas de antropologia forense, escavações para procura de desaparecidos na Amazónia brasileira. Todas estas situações continuam “vivas” e em movimento, e por isso continuo atento a elas e eventualmente poderei fotografar ainda mais um pouco. Assim como nos arquivos, uma pista leva a outra, um encontro leva a outro, e desse modo fui e vou descobrindo mais coisas sobre o tema. Em que países tiveste mais dificuldades ou deparaste com mais resistências?


artes, letras e ideias 15

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Cada país tem as suas especificidades, e em nenhuma tive resistência ao trabalho que estava a fazer. Apenas algumas situações em que a própria história dos eventos não está bem resolvida dentro da sociedade e como tal tive que “escavar” um pouco mais para chegar onde queria. Mas, em geral, todas as pessoas foram muito abertas, receberam-me e falaram do que passaram sem imporem limitações ao meu trabalho. Da parte dos Estados sim, institucionalmente existe alguma resistência em abrir estas histórias para investigações, pois foram crimes perpetrados pelo próprio Estado e com muitos dos actores ainda vivos e algumas vezes em posições de poder. Como tal, cada país gere essas resistências de forma diferente, e o interessante neste processo foi entender e tentar conseguir uma forma de poder aceder ao que eu queria dessas instituições sem que elas se assustassem pelo meu objecto de trabalho. Pelo contrário, o que mais me surpreendeu foi a facilidade de acesso no Paraguai. Nesta última viagem em pouco mais de duas semanas, consegui entrar em prisões ainda em funcionamento, fotografar antigos centros clandestinos de tortura, fotografar arquivos fotográficos, entrevistar pessoas em lugares diferentes do país. Isto, em circunstâncias normais, demoraria vários meses a conseguir. Não estava à espera que o tema de direitos humanos estivesse tão aberto e institucionalizado e o apoio que houve ao meu trabalho foi muito grande, o que me facilitou muito a vida. Quer nos teus trabalhos sobre os presos político do Estado Novo ou sobre a Reforma Agrária, quer neste sobre a Operação Condor, há uma linha de continuidade na tua obra, onde a memória ocupa um lugar central. Será correcto qualificar-te como um «fotógrafo da memória»? E nessa captura da memória há alguma intenção cívica, política ou ideológica? Eu cresci numa família política e cheia de histórias do passado. Os meus avós maternos passaram muitos anos nas prisões do fascismo português, e nunca conheci o meu avô materno, por isso conheci-o, e continuo a conhecê-lo, pelo que me contavam dele. Para uma criança de 5-6 anos contarem-lhe que o avô que já morreu, esteve preso porque acreditava em ideias diferentes do regime em que vivia, que fugiu de Peniche pendurado numa corda feita de lençóis, e de Caxias num carro blindado que o Hitler tinha oferecido a Salazar, eram histórias maravilhosas e que superavam a maioria dos contos de crianças. Naturalmente desenvolvi uma curiosi-

dade por estes temas, e mais tarde consegui entender a importância que essas memórias tinham na minha própria formação como indivíduo, e também que essas memórias criavam em mim uma inquietude que os meus amigos da mesma geração não tinham. Isso foi o que me fez, em primeiro lugar, ir atrás destas histórias e querer fotografar o que restava delas, para, por um lado, poder contribuir que estas não morram com quem as viveu e, ao mesmo tempo, para poder de alguma maneira acalmar a minha inquietude causada pelo facto das pessoas com quem falava nada sabiam do que tinha acontecido num Portugal tão próximo ao nosso presente. Dito isto, não acho que seja correcto qualificar-me como um “fotógrafo de memória”. A memória é parte do meu trabalho, como o presente e o futuro também o são. Assim como fotografo o “passado”, também gosto de cobrir histórias do presente como a Primavera Árabe, ou construir um documento sobre Cuba do ponto de vista do presente mas a pensar nas mudanças do futuro. Gosto de subverter essas dimensões do passado, presente e futuro, acho que isso seria a forma de me definir neste momento. Existe naturalmente uma intenção cívica e política em todo o meu trabalho. Acredito que é importante dar voz a muitas pessoas que têm histórias extraordinárias e que estas não seriam conhecidas de forma natural. Seja no Afeganistão, na América do Sul ou em Portugal. Como te contei, venho de uma família política, mas não me imaginei nunca a fazer política no activo, por isso acho que a minha participação pode ser usar as minhas ideias para tentar aproximar o leitor de histórias reais. Ideologicamente não acho que tenha nenhuma intenção: em primeiro lugar, porque eu mesmo não me revejo em nenhuma das ideologias dominantes da actualidade, mas acho que a nossa participação cívica enriquece em muito as democracias onde vivemos, e, mesmo sendo um sistema longe de ser perfeito, a democracia é sem dúvida o sistema político em que acredito. Muitos fotógrafos procuram a memória histórica: Frank Schwere, Paula Luttringer, Peter Herbsein, Ivor Prickett, Pieter Hugo, Steven Laxton, Franziska Vu, Indre Serpytyte, Anna Shteynshleyger, Guillaume Herbaut, Taryn Simon, Ashley Gilbertson… a lista é grande. Mas, ao que sei, nenhum desenvolveu, num só projecto, um trabalho tão vasto e ambicioso como o teu. Conheces alguém que

Detida em Novembro de 1975, a argentina Mirta Clara esteve presa durante seis anos. O marido foi executado na prisão. Foi torturada enquanto estava grávida do segundo filho, que ainda hoje sofre de distúrbios mentais. Libertada em 1983, vive e trabalha actualmente em Buenos Aires, onde é advogada de direitos humanos e psicóloga

Casa de banho em Londres 38, um antigo centro de detenção e tortura do tempo da ditadura de Pinochet, localizado na baixa da cidade de Santiago do Chile

Antigos militares argentinos escondem as suas caras na sessão de julgamento em que são acusados, pelo Estado argentino, da prática de crimes contra a Humanidade perpetrados no período 1976-1983

tenha tentado fazer um levantamento tão sistemático da Operação Condor? É curioso mencionares tantos nomes, alguns que são uma grande inspiração e outros que nem conheço, e muitos mais poderiam ser mencionados. Sem dúvi-

da nomes como o Gilles Peress, a Susan Meiselas e o Patrick Zackmann têm um papel muito preponderante naquilo que eu acredito que seja uma visão documentalista da História. Não conheço quem tenha abordado fotograficamente a temática do Condor, e menos ainda nos 6 países que a viveram. Esse foi um dos motivos pelos quais decidi investir tanto tempo e tantos recursos para fazer este trabalho, pois não havia quem tivesse fotografado todas as ditaduras com uma linha apenas. Existem trabalhos fotográficos extraordinários sobre as ditaduras individualmente, sobretudo de fotógrafos da época que conseguiram ir fotografando as ditaduras a desenrolarem-se nos seus próprios países (como o Luis Navarro no Chile, o Aurelio Gonzales no Uruguai, entre outros), que, pelo facto destes fotógrafos não viverem nos países com capacidade económica para que a sua obra seja conhecida, nunca receberam o crédito pelo trabalho que foram desenvolvendo ao longo das suas vidas. No entanto, e à semelhança do que em certa medida ocorreu na História, não há o risco de esta «fotografia da memória» se converter numa «moda»? E, sendo assim, pela sua efemeridade acabar, no final, por contrariar os seus propósitos cívicos? Não acho que a fotografia de memória seja a única forma de abordar estas temáticas, e seguramente que a História e o documentalismo não se devem servir apenas desta linguagem para contar o aconteceu. De forma a contrariar um pouco esta tendência, tenho tentado, seja com o recurso a imagens “reais” de arquivos, seja pela voz das pessoas que entrevisto, criar uma linguagem que não se prenda exclusivamente na fotografia do presente que remete para o passado. Mais do que a fotografia da memória (e o mesmo acontece com outros géneros de fotografia), os propósitos cívicos começam a ser contrariados quando os fotógrafos têm pretensões de serem celebridades eles mesmos. Isso é o que para mim vai corrompendo as ideias que muitos de nós defendemos e que nos levam a fazer este trabalho. Aqui, como nos outros projectos, há um propósito documental ou pretendes ir além dele? Mas, se formos além do puro registo dos factos, não existe o risco de uma certa «estetização do sofrimento», a partir do reencontro com memórias pessoais tão dolorosas? (Continua na página seguinte)


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h

Detalhe das fichas de vários presos políticos estrangeiros, encontradas nos arquivos da polícia política nas imediações de Assunção, Paraguai, conhecidos como «arquivos do terror»

Em geral, tento não entrar em grandes discussões sobre semiótica, e o papel da fotografia. Considerando-me mais, para usar uma linguagem de época, um “operário fotográfico” do que um “intelectual fotográfico”. Tenho naturalmente preocupações de não usar gratuitamente o sofrimento que as pessoas passam para com isso criar imagens, até porque vivemos numa altura em que a violência é tão presente que corremos o risco de a banalizarmos e de as pes-

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soas que olham para as fotografias ficarem imunes a ela. Ao mesmo tempo, ao estarmos no terreno e vivermos uma ínfima parte de algumas dessas coisas, queremos naturalmente usar a fotografia como uma forma de denúncia. Isto, aliado ao facto da maioria das pessoas que fotografamos serem vítimas também elas à procura de uma explicação para o que lhes acontece, faz com que o desejo de denunciar seja um eixo comum quando se trabalham temas tão dolorosos. A minha preocupação com essa anestesia à violência preocupa-me mais do que a discussão à volta da estética do sofrimento. Do que nos serviriam imagens cujo leitor a primeira coisa que faz ao olhar para elas seja desviar o olhar, por estarem mal compostas, serem demasiado gráficas, ou com problemas técnicos graves? Essa estetização do sofrimento, não me incomoda. Pelo contrário, acho que uma imagem para ser eficaz tem de ser forte, tanto estética como tecnicamente. Seria como escrever uma crónica sobre uma guerra com erros de ortografia. A estética e a técnica são dois instrumentos que temos para criar imagens, e eu, como espectador, prefiro olhar para uma imagem da guerra na Síria que seja horrivelmente bela do que uma que não me crie nenhum impacto.

Anúncio O Pedido do Projecto de Apoio Financeiro do FDCT para à 3ª vez do ano 2014 (1)

Fins O FDCT foi estabelecido por Regulamento Administrativo nº14/2004 da RAEM, publicado no B. O. N° 19 de 10 de Maio, e está sujeito a tutela do Chefe do Executivo. O FDCT visa a concessão de apoio financeiro ao ensino, investigação e a realização de projectos no quadro dos objectivos da política das ciências e da tecnologia da RAEM.

(2)

Alvos de Patrocínio (i) Universidades, instituições de ensino superior locais, seus institutos e centros de investigação e desenvolvimento (I&D); (ii) Laboratórios e outras entidades da RAEM vocacionados para actividades de I&D científico e tecnológico; (iii) Instituições privadas locais, sem fins lucrativos; (iv) Empresários e empresas comerciais, registadas na RAEM, com actividades de I&D; (v) Investigadores que desenvolvem actividades de I&D na RAEM.

(3)

Projecto de Apoio Financeiro (i) Que contribuam para a generalização e o aprofundamento do conhecimento científico e tecnológico; (ii) Que contribuam para elevar a produtividade e reforçar a competitividade das empresas; (iii) Que sejam inovadores no âmbito do desenvolvimento industrial; (iv) Que contribuam para fomentar uma cultura e um ambiente propícios à inovação e ao desenvolvimento das ciências e da tecnologia; (v) Que promovam a transferência de ciências e da tecnologia, considerados prioritários para o desenvolvimento social e económico; (vi) Pedidos de patentes.

(4)

Valor de Apoio Financeiro (1) Igual ou inferior quinhentos mil patacas. (MOP$500.000,00) (2) Superior a quinhentos mil patacas. (MOP$500.000,00)

(5)

Data do Pedido Alínea (1) do número anterior Alínea (2) do número anterior

(6)

Todo o ano A partir do dia 1 – Set. – 2014 até 31 – Out. – 2014 (O próximo pedido será realizado no dia 2 – Jan. – 2015 ao 2 –Mar. – 2015)

Forma do Pedido Devolvido o Boletim de Inscrição e os dados de instrução mencionados no Art° 6 do Chefe do Executivo nº 273 /2004,《Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro》, publicado no B. O. N° 47 de 22 de Nov., para o FDCT. Endereço do escritória: Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n° 411-417, Edf. “Dynasty Plaza” 9° andar, Macau. Para informações: tel. 28788777; website: www.fdct.gov.mo.

(7)

Condições de Autorizações Por despacho do Chefe do Executivo nº 273 /2004, processa o 《Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro》. O Presidente do C. A. do FDCT, Tong Chi Kin 29 / 8 / 2014

Marco Aurélio Guimarães, patologista forense, transporta consigo o que aparentam ser os restos mortais de um guerrilheiro araguai


DESPORTO

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MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo

D

OIS mil e catorze continua a ser para a equipa do Organismo Autónomo Desportivo da Casa de Portugal em Macau um ano para mais tarde recordar. A formação de matriz portuguesa alcançou ontem o seu segundo triunfo na corrente edição do Campeonato de Futebol de Sete da Segunda Divisão, ao levar a melhor sobre a formação do Ut Ieng por duas bolas a uma. Depois de ter derrotado o Son I por dois golos sem resposta na ronda inagural da competição, a formação orientada por Pelé voltou a somar novo triunfo e garantiu já a presença na segunda fase da competição.

SEM SUPLENTES

Frente ao Ut Ieng, o sete de matriz portuguesa voltou a dar cartas e a mandar no desafio, mesmo sem dispor de margem de manobra para operar substituições. Sem qualquer atleta no banco de suplentes, Pelé viu a Casa de Portugal inaugurar o PUB

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EMBLEMA DE MATRIZ PORTUGUESA VENCEU UT IENG POR 2-1

Maré cheia para a Casa de Portugal marcador ainda na primeira parte, com Carlos Fernandes a rematar com classe uma jogada rápida do ataque dos vencedores da última edição do Campeonato de Futebol da Segunda Divisão na variante de futebol de onze. Sem alternativas no banco, o sete da Casa de Portugal começou a acusar o desgaste e aos 34 minutos permitiu o empate ao Ut Ieng, depois de ter beneficiado de várias boas oportunidades para dilatar o marcador. Apesar do golo, a formação de matriz portuguesa continuou a mandar na partida e conseguiu recuperar a dianteira do placard a dois minutos do fim do tempo regulamentar, numa grande jogada de Carlos Vilar. O médio defensivo da formação orientada por Pelé bateu o guarda-redes do Ut Ieng com um chapéu

portentoso, garantindo o segundo triunfo da Casa de Portugal na competição em outros tantos encontros disputados.

SEM EUFORIAS

Apesar do brilharete, Pelé não embandeira em euforia

e recusa assumir protagonismos desnecessários. O técnico são-tomense, que volta este ano a orientar também o Futebol Clube do Porto na Primeira Divisão da “Bolinha”, diz que a formação que orienta já conseguiu garantir o pri-

meiro objectivo da temporada e garante que a subida de divisão não é ainda um propósito: “Já conseguimos garantir a meta a que nos propusemos, que era avançar para a segunda fase da prova, mas os níveis de exigência até ao momento

não foram muito elevados. Alcançamos duas vitórias tranquilas, mesmo disputando estes dois jogos com a conta certa. Para o último jogo da fase de grupos já devemos contar com a equipa na máxima força e só então será possível perceber até onde podemos chegar”, justifica Pelé. O Organismo Autónomo Desportivo da Casa de Portugal em Macau volta a entrar em campo a 26 de Setembro, frente ao Ou I. Amanhã é a vez de Futebol Clube do Porto e Sport Lisboa e Benfica de Macau darem corpo a um dos desafios mais apetecíveis da série A do Campeonato da “Bolinha”. Águias e dragões seguem empatados no segundo lugar da prova, com uma vitória e um empate nos dois jogos disputados até ao momento.


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( F ) UTILIDADES

TEMPO

MUITO

NUBLADO

MIN

27

MAX

32

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HUM

60-90%

•

EURO

LÍNGUA DE gATO

10.5

BAHT

Cineteatro

0.2

YUAN

1.3

CINEMA

22 JUMP STREET SALA 1

22 JUMP STREET [C]

Um filme de: Phil Lord, Christopher Miller Com: Channing Tatum, Jonah Hill, Peter Stormare, Ice Cube 14.30, 19.30

Pu Yi

Tempo instável Ontem o tempo ficou instável. Tão depressa fica sol como o sol desaparece. Já estamos em Setembro mas o ar continua húmido e sem uma ponta de frescura. Quando acabei de ver o meu filme nos cinemas, fiquei contente com o que tinha visto, mas depois lá me deparei com a humidade e a minha boa disposição foi-se embora. Vivo na Ásia mas isso não significa que tenha prazer com este clima. Na Europa o tempo está sempre fresco, mesmo que seja Verão, seja em Lisboa, ou em Praga. Já tenho saudades do clima europeu, e não posso acreditar que as férias já acabaram. Acredito que o tempo, misturado com a poluição e a pressão de um pequena território, afecta a mente das pessoas. Penso sempre que não é fácil e com esta instabilidade de tempo a situação ainda fica mais complicada. O tempo influencia sempre a emoção das pessoas. Espero que, com a chegada do Outono, o nosso pensamento negativo nos deixe e que venha a maior calma possível.

CAFE • WAITING • LOVE [B]

FALADO EM MANDARIM E LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Chiang Chin Lin Com: Vivian Chow, Megan Lai, Pauline Lan, Lee Luo 16.30, 21.30 SALA 2

TEMPORARY FAMILY [B] FALADO EM CANTONÊS, LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Cheuk Wan Chi

Com: Nick Cheung, Sammi Cheng, Angelababy, Oho 14.15, 16.05, 18.00, 21.30

LUCY [C]

Um filme de: Luc Besson Com: Scarlett Johansson, Morgan Freeman 19.50 SALA 3

THE HUNDRED-FOOT JOURNEY [B] Um filme de: Lasse Hallstrom Com: Helen Mirren, Manish Dayal, Charlotte Le Bon, Om Puri 14.30, 19.15

22 JUMP STREET [C]

Um filme de: Phil Lord, Christopher Miller Com: Channing Tatum, Jonah Hill, Peter Stormare, Ice Cube 16.45, 21.30

ACONTECEU HOJE

2 DE SETEMBRO

Morre Pierre de Coubertin, fundador dos Jogos Olímpicos da era moderna

H O J E H Á F I L M E O ÚLTIMO TANGO EM PARIS BERNARDO BERTOLUCCI (1972) O encontro dá-se num apartamento vazio na belíssima cidade de Paris. Um homem de olhar estranho e uma mulher com ar meigo cruzam-se pela primeira vez sem sequer dizerem os seus nomes. O mesmo apartamento passa então a ser o centro de um estranho relacionamento que terá contornos nada comuns. Um drama erótico que eternizou os actores Marlon Brando e Maria Schneider, cujas cenas revolucionaram o cinema. - Andreia Sofia Silva

fonte da inveja

• No dia 2 de Setembro recordamos o pedagogo e historiador francês, que ficou na história como o fundador dos Jogos Olímpicos da era moderna. Chamava-se Pierre de Coubertin e morreu neste dia, em 1937. Pierre de Coubertin nasceu em Paris, a 1 de Janeiro de 1863, numa família da aristocracia francesa. Este descendente de Fernando III de Castela idealizou uma competição internacional, como forma de promoção do atletismo, numa altura em que crescia o interesse pelos Jogos Olímpicos da antiguidade. Esse interesse, em diversas partes do mundo, foi suscitado pelas descobertas arqueológicas nas ruínas de Olímpia. Pierre de Coubertin, mais conhecido como barão de Coubertin, concebeu então um projecto para recuperar os Jogos Olímpicos A 23 de Junho de 1894, em Paris, organizou um congresso internacional, onde propõe que se recuperasse um evento desportivo internacional periódico, tal como sucedia na Grécia antiga. Este congresso levou à criação do Comité Olímpico Internacional, que teve como secretário-geral Pierre de Coubertin e Demetrius Vikelas como presidente. Decidiu-se que a primeira edição dos Jogos Olímpicos da era moderna decorreriam na Grécia, sendo que a competição seria realizada de quatro em quatro anos: uma olimpíada. Em 1896, tem lugar a primeira edição dos Jogos Olímpicos de Verão, que resultaram num tremendo sucesso. Estava lançada a semente para a maior competição desportiva da actualidade. Pierre de Coubertin abandonaria a presidência do Comité depois dos Jogos Olímpicos de Verão de 1924, que decorreram precisamente em Paris. Manteve-se como presidente honorário até ao dia em que morre, em Genebra, na Suíça, a 2 de Setembro de 1937.

João Corvo

O nome não é da rosa, é da alma que lhe atribuo.


OPINIÃO

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Rui Tavares

STANLEY KUBRICK, PATHS OF GLORY

in Público

Pontualidade secular

C

HEGARAM a tempo das comemorações, as trincheiras. Vieram um pouco adiantadas, até. A primeira foto de uma trincheira da Grande Guerra na imprensa portuguesa é, se não erro, uma d’O Século publicada em meados de Setembro, na preparação para a Batalha do Aisne, que começou no dia 13 desse mês. Foi aí o começo oficial da guerra de trincheiras e do ponto de não-retorno para uma prolongada mortandade europeia. Estamos com quinze dias de avanço, portanto. Já há trincheiras na Ucrânia, em torno de Mariupol, onde Putin decidiu abrir uma terceira frente da sua guerra cada vez mais directa. Também esta se aproxima do seu ponto de não-retorno. Há um ano, falar de guerra na Europa parecia não mais do que uma curiosidade histórica. Dentro de pouco tempo começará a competição para ver quem foi mais presciente na adivinhação do que aí vinha. O que se está a passar, entretanto, é uma grande lição para todos os que achavam que a Europa já tinha lutado todas as suas guerras e que, portanto, poderíamos começar a desfazê-la. A história regressa, sob a forma de uma trincheira agora, sob a forma de um inverno

frio daqui a pouco. A frustração do povo será a Novorrossiya apareceu na boca de Putin acicatada em cada um dos nossos países. duas ou três vezes nas últimas semanas — e Os oportunistas sairão das suas tocas por de repente já tem bandeiras oficiais, exército todo o continente. Na Rússia, pelo menos, irregular e mapas correndo pela Internet. já estão no poder. Putin defende que é necessário pôr o seu Em fases de turbulência, não demora reconhecimento como estado independente muito a que a paranóia e a megalomania em cima da mesa. tomem conta das cabeças. Iniciando a sua A Novorossiya vem acompanhar a guerra com a delirante desculpa de que Eurásia e o eurasianismo, a outra ideia da a Ucrânia estava tomada pelos fascistas, moda entre os círculos místico-ideológicos Putin tem estado a tratar bem a sua própria de que Putin se serve agora — ou que se ninhada de fascistas, servem dele? Trata-se nacionalistas extremos e da doutrina que define “A história regressa, saudosistas do império. os russos como o cenTem na União Europeia tro de uma civilização sob a forma de uma a admiração de todos própria, oposta à decaaqueles que suspiram dência do Ocidente, e trincheira agora, sob a por líderes fortes, de que junta aos “valores forma de um inverno nacional-bolcheviques cristãos europeus” ao a neo-nazis. Na Crimeia autoritarismo “asiáfrio daqui a pouco” recém-anexada, estão lá tico”. Os seus defentodos — da Frente Nasores dizem que, na cional francesa ao Jobbik húngaro — para guerra de civilizações por que anseiam, um colóquio internacional sobre a Nova todos os países limítrofes devem a sua Rússia (Novorossiya). Este termo, que segurança à Rússia, o que equivale a dizer não era usado desde o tempo dos czares, que nenhum dele estará seguro se sair da designa a área que contorna o Mar Negro sua área de influência. pelo norte, cortando a Ucrânia dos portos do São loucos, certamente. Esse é o outro seu território, e estendendo-se até Odessa, sinal. Nenhuma fase destas fica completa na fronteira com a Roménia, ou seja, com sem a sua grande dose de malucos. E eles a União Europeia. Enterrada desde 1873, levam-se a sério.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Cecília Lin; Flora Fong (estagiária); Leonor Sá Machado; Ricardo Borges (estagiário) Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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Putin «Se quiser, conquisto Kiev em duas semanas»

A ameaça velada de Putin terá sido feita durante uma conversa telefónica com Durão Barroso, na qual o presidente russo terá indicado que Moscovo não tolerará novas sanções europeias. A crise ucraniana deteriorou as relações da Rússia com a UE, tendo Bruxelas imposto sanções à Rússia e, em retaliação, o Kremlin decretou um embargo de importações agroalimentares da Europa e EUA.

Merkel Armamento para curdos

«A desestabilização de longo alcance de toda uma região afecta a Alemanha e a Europa», disse Merkel num discurso no Parlamento esta segunda-feira, um dia depois de o governo alemão publicar uma lista de armas, incluindo metralhadoras e granadas de mão, que vai enviar para os curdos iraquianos. «Senhoras e senhores, quando terroristas tomam o controlo de um vasto território para dar a si mesmos e outros fanáticos base para os seus actos de terror, o perigo aumenta para nós, os nossos interesses no campo da segurança são afectados», acrescentou.

Argentina Gaitán convocado para jogo com a Alemanha

A «estrela» da Argentina e capitão do FC Barcelona, Lionel Messi, Maxi Rodríguez, o ex-benfiquista Ezequiel Garay, Rodrigo Palacio e Ezequiel Lavezzi estão fora das contas do seleccionador argentino, Gerardo «Tata» Martino, devido a lesões. De acordo com a página oficial da federação argentina de futebol (FAF), Gaitán saiu de Portugal num voo da TAP com destino à Alemanha (Munique), seguindo depois para Dusseldorf para se juntar aos companheiros de selecção.

cartoon por Stephff

DEMOCRACIA

China Três crianças mortas em escola

HONG KONG ALTO FUNCIONÁRIO CHINÊS VAIADO

Uma guerra de mundos O vice-secretário-geral do Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular, Li Fei, preparava-se para discursar no centro de convenções Asia World Expo, em Lantau, quando foi interrompido por manifestantes e deputados pró-democratas

A

CTIVISTAS pró-democracia interromperam ontem o discurso de um alto funcionário de Pequim durante uma sessão em Hong Kong sobre a controversa reforma política anunciada, no domingo, por Pequim, para a eleição do chefe do Executivo em 2017. Ecoando ‘slogans’ e exibindo cartazes, os activistas acusaram Pequim de não cumprir a sua promessa de permitir a Hong Kong escolher directamente o seu líder, um dia depois de o Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular ter decidido que o chefe do Executivo será, pela primeira vez, eleito por sufrágio directo em 2017, mas só após a aprovação dos candidatos por um comité de nomeação.

UMA VERGONHA

Li Fei, vice-secretário-geral do Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular, foi interrompido no centro de convenções Asia World Expo, na ilha de Lantau, quando se preparava para discursar numa sessão de duas horas sobre a controversa

reforma política, para a qual foram convidadas cerca de mil pessoas, incluindo deputados e representantes de Hong Kong na Assembleia Nacional Popular e na Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, segundo a imprensa local. Vários manifestantes, incluindo deputados, levantaram-se quando Li Fei se aproximou do palanque, erguendo cartazes e gritando: “O governo central quebrou a sua promessa, é vergonhoso”. Imagens televisivas mostram manifestantes, incluindo o deputado ao Conselho Legislativo (Legco, parlamento) a serem escoltados pela segurança até à saída. A polícia de Hong Kong terá,

segundo imagens divulgadas, usado gás pimenta contra os manifestantes que se encontravam no exterior do edifício, sob forte aparato policial. Li Fei prosseguiu com o seu discurso sobre a controversa decisão, afirmando que qualquer líder que deseje que “Hong Kong se torne uma entidade política independente ou que queira mudar o sistema socialista do país não terá qualquer futuro político”. O alto funcionário chinês, que partiu de Pequim na noite de domingo rumo a Hong Kong, já se tinha confrontado com uma multidão de manifestantes, muitos dos quais estudantes, que se concentraram no exterior do seu hotel, criando um cenário impensável no interior da China.

[qualquer líder que deseje que] “Hong Kong se torne uma entidade política independente ou que queira mudar o sistema socialista do país não terá qualquer futuro político” LI FEI Vice-secretário-geral do Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular

Um homem armado com uma faca matou três crianças e feriu diversas outras numa escola primária na China esta segunda-feira, no primeiro dia do novo período escolar após as férias de Verão, noticiou a imprensa estatal. O suspeito era o pai de um estudante, e atacou as crianças porque a escola não deixou a sua filha matricular-se para o novo período escolar por não ter terminado os trabalhos de casa, informou a TV estatal CCTV no seu microblogue. O homem entrou na escola, na cidade de Shiyan, província de Hubei, dizendo que tinha que matricular a filha, segundo a CCTV, que citou a investigação inicial da polícia. Após o ataque, o homem matou-se ao saltar de cima do edifício escolar, de acordo com a imprensa estatal. Crimes violentos são raros na China quando comparados com muitos outros países, mas o país tem registado uma série de ataques a escolas e crianças nos últimos anos. O agressor, esta segunda-feira, feriu um professor e oito crianças, três das quais morreram a caminho do hospital, disse a CCTV. Um representante do governo em Shiyan, contactado por telefone, não quis comentar o ataque.

Telescópio regista nuvem de poeira capaz de formar planetas

O telescópio espacial Spitzer da Nasa registou uma erupção de poeira em volta de uma estrela jovem, possivelmente resultante da colisão entre grandes asteróides. Este tipo de impacto pode eventualmente levar à formação de planetas. Cientistas observavam a estrela baptizada de NGC 2547-ID8, quando surgiu uma enorme quantidade de poeira entre Agosto de 2012 e Janeiro de 2013. «Acreditamos que dois grandes asteróides colidiram um com o outro, criando uma enorme nuvem de grãos semelhantes a areia bem fina, que estão a degradar-se em pedaços menores e a afastar-se lentamente da estrela», disse o principal autor do estudo e estudante Huan Meng, da Universidade do Arizona (EUA). É a primeira que vez que os cientistas conseguem recolher dados antes e depois da colisão. A visualização oferece um vislumbre do violento processo de formação de planetas rochosos como a Terra. Estes iniciam a vida como material de poeira circulando em torno de estrelas jovens. Depois de cerca de 100 milhões de anos, os objectos evoluem para planetas maduros, terrestres. A lua pode ter surgido justamente da colisão entre a proto-Terra e um objecto do tamanho de Marte.


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Hoje Macau 2 SET 2014 #3166 by Jornal Hoje Macau - Issuu