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N.º 4082 de 2 de JUL de 2018

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MOP$10

SEGUNDA-FEIRA 2 DE JULHO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4083

SOFIA MARGARIDA MOTA

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

CANÍDROMO

OS DIAS DO FIM E A NOVA VIDA DOS GALGOS

www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

Fado Fernando Futebol Os três efes em si se conjugaram, como se não bastasse o Fernando somente.

PÁGINAS 12-13

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

hojemacau

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REPORTAGEM


2 reportagem

SOFIA MARGARIDA MOTA

2.7.2018 segunda-feira

CANÍDROMO

ESPECTADORES COM SENTIMENTOS DISTINTOS NAS DERRADEIRAS CORRIDAS

OS ULTIMOS ‘SPRINTS’ ´

Um sentimento misto domina as bancadas nas derradeiras corridas de galgos. Independentemente de serem a favor ou contra o fecho do Canídromo, tanto frequentadores regulares como espectadores estreantes aproveitam para guardar memórias de um espaço que, dentro de dias, vai desaparecer


reportagem 3

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EIXARAM de estar cheias há largos anos e hoje o cenário não é muito diferente mas, à medida que a contagem decrescente para o encerramento do Canídromo acelera, as bancadas deixaram de ser ocupadas praticamente em exclusivo por visitantes regulares. Diz quem frequenta que, nos últimos dias, o Canídromo tem sido bastante procurado por curiosos que não querem perder a oportunidade de ver uma corrida de galgos pela primeira – e potencialmente última – vez. Ng, de 50 anos, vai ao Canídromo “há muito tempo” – tanto que nem arrisca precisar. As apostas também eram parte das habituais visitas nocturnas que fazia com amigos à Avenida do General Castelo Branco, mas não foi o entretenimento que o moveu na terça-feira. “Só vim para tirar fotografias”, explicou, enquanto aconchegava a máquina na mochila com diferentes tipos de lentes. Embora tenha sido frequentador regular, Ng entende que “as corridas de galgos já cumpriram a sua missão histórica”. “Não tenho um sentimento forte em relação ao fecho. Só quis vir agora fotografar para guardar as memórias”, afirmou. Como Ng havia muitos fotógrafos, tanto junto ao pequeno picadeiro, onde os galgos, com trela, aguardam para entrar em acção, como colados à grade junto à pista em busca do melhor momento. Ao lado há espectadores, com os mais entusiastas a tirarem ‘selfies’ com os galgos como pano de fundo a desfilarem, em passo lento, pela pista a caminho da partida, equipados e numerados com coletes coloridos. Já os jogadores, a maioria solitários, denunciados pelos recibos da aposta que têm na mão, preferem manter uma ligeira distância. É o caso de Lai que, na noite de terça-feira, gastou mil patacas. “Acho que é lamentável encerrarem o Canídromo”, afirmou o sexagenário de Hong Kong, enquanto dividia o olhar entre a pista e uma série de papéis. “Vinha muitas vezes, até cheguei a vir uma vez por semana. Vou ter saudades”, complementou, embora reconhecendo que a era dourada do Canídromo já lá vai. “Antes, na década de 1970, muita gente vinha assistir às corridas. As pessoas chegavam até ali”, sublinhou Lai, apontando, com um ar nostálgico, para uma tribuna fechada ao público. Quem também veio de Hong Kong para se despedir da única pista de corridas de galgos da Ásia foi Tsang, de 82 anos. “Gostava que continuassem porque era uma forma de entretenimento. Eu costumava vir de vez em quando, agora vim de propósito com a minha mulher. Tenho pena que acabem”, partilhou. No balcão de apostas deixou “centenas de patacas no número quatro”, desvalorizando

SOFIA MARGARIDA MOTA

segunda-feira 2.7.2018

“Era algo benéfico para Macau, mas se hoje em dia deixou de ser, porque ficou estagnado, a responsabilidade é da própria companhia. (...) O Canídromo podia e devia ter feito mais” FRANCISCO MANHÃO


4 reportagem

SOFIA MARGARIDA MOTA

2.7.2018 segunda-feira

a superstição, até porque antes de investir “estudou bem o historial dos galgos” em prova. Samson e Joe Chan, pai e filho, de 60 e 24 anos, respectivamente, também passam os olhos pela ‘ficha’ dos galgos, mas não apanharam o barco de Hong Kong para Macau para apostar. “Estou só a ver as informações, por exemplo, o peso ou a experiência dos cães”, explicou o jovem, pouco antes do arranque das corridas de terça-feira, as primeiras a que assistiu na vida. “Trouxe-o porque ele está de férias da escola, queria mostrar-lhe como é”, explicou Samson. “Vim duas ou três vezes há muito tempo, mas lamento que o Canídromo encerre”, apontou, sentado ao lado do filho que o interrompe: “Estas corridas são raras no mundo”. Embora defendendo que “as corridas não deviam acabar, mas antes ser desenvolvidas ou melhoradas”, Samson mostrou preocupação com o bem-estar dos cães. “Antes havia mais tratadores por cada galgo e as condições de vida dos animais pioraram. Acho que também tem a ver com os donos [dos cães] e com a diminuição das receitas das corridas porque também atraem menos pessoas”, argumentou.

MEMÓRIAS DE INFÂNCIA

Elsa Wong e Sue Ng, de 46 e 50 anos, respectivamente, aproveitaram o intervalo das corridas para conversar com mais vagar. Embora também não sejam ‘habitués’, lastimam o encerramento do Canídromo. “Viemos só para recordar porque não voltávamos aqui desde que éramos pequenas”, sintetizou Sue Ng. Para a amiga que a acompanha o fecho é especialmente “triste”. “O meu pai treinava cães e quando era criança costumava vir com ele. Guardo boas memórias”, realçou. Naturais de Macau, reconhecem, porém, que a libertação do terreno – com uma área estimada em 17 mil metros quadrados – pode ter “um impacto significativo para a vida da comunidade” se destinado nomeadamente para escolas. Ao contrário dos vizinhos de bancada, as duas amigas relativi-

zam as preocupações relativamente aos galgos: “Se eles não fossem bem tratados como é que estavam ali saudáveis e fortes a correr?”, questionou Elsa Wong. O futuro também não lhes suscita inquietação: “Não sei se podem sair de Macau, mas há muitos interessados em adoptá-los”. Já para Fong, de 59 anos, é incompreensível que a Companhia de Corridas de Galgos (Yat Yuen) e o Governo estejam preocupados com o destino dos 650 cães só nesta altura do campeonato. “Deviam ter pensado antes. Sabe-se há muito tempo que o Canídromo vai fechar”, sustentou, referindo-se ao facto de o Executivo ter anunciado há dois anos que pretendia recuperar o terreno em causa. Wong não é frequentador regular, mas conhece bem os cantos à casa. Embora tenham volvido quase 30 anos desde que ali trabalhou como funcionário destacado do Banco Tai Fung, então dirigido por Ho Yin, “pouco mudou”. “Só vim porque os meus filhos nunca tinham assistido a corridas antes”,

“Está extraordinariamente degradado, sujo, decadente. Se é para estar assim, acho que, de facto, não vale a pena existir” ANTÓNIO (NOME FICTÍCIO)

contou, mostrando-se indiferente ao facto de o Canídromo ter os dias contados. “Não me desperta sentimento nenhum. É uma forma de entretenimento, mas as corridas de galgos não são, de facto, uma actividade muito construtiva”, argumentou, enfatizando também que o terreno pode oferecer melhores valências, como desportivas e educativas.

O ESPECTADOR COM FOBIA DE CÃES

Na terça-feira, pouco depois do início das corridas, estariam pouco mais de 100 pessoas a assistir, contas feitas por alto à área livre de circu-

lação do recinto, às bancadas (do público em geral e a destinada aos sócios) e até ao restaurante. António (nome fictício) era, como descreve, um dos “meros espectadores”, mas destacava-se por ser o único rosto com traços ocidentais na assistência. “Quis ver o que era, como era. Estou há 25 anos em Macau e nunca cá tinha estado”, apesar de até ter chegado a viver paredes meias com o Canídromo, diz o português, que falou sob a condição de anonimato. “Nunca tive curiosidade. Sempre tive total desinteresse como a maior parte da comunidade portuguesa que nunca terá posto aqui os pés, mas agora entendi que devia vir”, sublinhou. Foi, aliás, um esforço adicional, porque, curiosamente, sofre de cinofobia. “Tenho pavor de cães, tremo por todo o lado, embora esteja melhor do que há alguns anos”, contou António, sentado na fila mais afastada da pista, acompanhado pela namorada que, no entanto, não perdeu a oportunidade de ir espreitar os galgos mais de perto. A António bastou uma corrida: “Nunca mais lá iria mesmo que continuasse aberto. Fiquei profundamente desiludido com o que vi. Está extraordinariamente degradado, sujo, decadente. Se é para estar assim, acho que, de facto, não vale a pena existir, mesmo que os animais tivessem uma vida de luxo”.

TEMPOS DE GLÓRIA

Francisco Manhão não estava nas corridas de terça-feira, mas tenciona voltar a assistir a uma antes de acabarem para sempre. A primeira vez que foi ao Canídromo remonta ao final da década de 1960. “Antigamente, era diferente. Ia com amigos da minha idade e gostávamos daquilo. Passávamos lá um bom bocado de tempo. Era divertido”. Naquela altura, aposta-

vam duas patacas (hoje o mínimo são dez dólares de Hong Kong) por simples diversão para ver quem tinha tido o palpite certo. Quando era jovem ia mais amiúde, mas ainda chegou a regressar noutras fases da vida. “Não me lembro da última vez que fui, mas é uma pena que feche”, afirmou, sem esconder as saudades de tempos, em que ir ao Canídromo “era muito animado”. “As corridas foram aumentando, deixaram de ser só ao fim-de-semana, tinham diferentes distâncias, havia muita variedade. A uma certa altura até havia corridas com ‘handicap’, em que um galgo super bom concedia duas jardas [de avanço] para os restantes cinco”, exemplificou o macaense. O entusiasmo ganhava novo fôlego em dias especiais: “Havia também uma série de corridas que chamávamos de corrida da taça que aconteciam em períodos de festa como o Ano Novo Chinês. “No tempo dos estrangeiros é que era bom”, atirou Francisco Manhão, explicando que, inicialmente, os treinadores dos galgos eram todos de fora. “Eles eram bons, sabiam lidar com os cães, mas depois foram sendo substituídos pelos adjuntos, que eram chineses de Macau, que foram aprendendo [o ofício], até porque ficava mais barato para a empresa”. Entre a assistência “era muito raro” avistar ilustres personalidades da terra, mas tem presente a oferta de um galgo ao governador Nobre de Carvalho (1966-1974). “Lembro-me perfeitamente do nome do galgo: Pérola”. “Penso que o Canídromo tem a sua história não só desde 1963, porque antes, nos anos 1930, também chegou a haver corridas”, apontou o macaense. De facto, as corridas de galgos foram introduzidas no ano de 1932, por um grupo de chineses ultramarinos e americanos, mas acabariam por ser suspensas na sequência da guerra sino-japonesa, com a actividade a ser retomada apenas em 1963. Era algo benéfico para Macau, mas se hoje em dia deixou de ser, porque ficou estagnado, a responsabilidade é da própria companhia”, criticou Francisco Manhão. “O Canídromo podia e devia ter feito mais”, insistiu, dando o exemplo das instalações, mantidas do mesmo modo há décadas. “Se tivessem feito melhorias talvez não acontecesse o que vai suceder agora”, sustentou o macaense. Antes do encerramento, a 21 de Julho, Francisco Manhão planeia voltar ao recinto com um único propósito em mente: “Não sei qual é o último dia de corridas, mas gostaria de lá ir só para uma comprar o último livro do programa de corridas e fazer uma aposta. Espero não ganhar para poder guardar o bilhete para recordação”. Diana do Mar e Vítor Ng info@hojemacau.com.mo


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segunda-feira 2.7.2018

SOFIA MARGARIDA MOTA

“Poderia adoptar vários cães, mas de acordo com os regulamentos, cada pessoa só está autorizada a acolher um animal.” HELEN CHAN RESIDENTE DE HONG KONG

tivos formulários ao departamento de ligação com o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM). Com as folhas e os números na mão, estava Aida na companhia de três amigas. “Estou aqui para ajudar pelo menos um destes cães”, disse ao HM. Natural de Macau, Aida não sabe ainda se vai ficar com o cão definitivamente, mas, o mais importante, “é conseguir salvar pelo menos um”. “Quero levar um destes galgos para casa e depois se conseguir arranjar alguém para ficar com ele no futuro tudo bem, se não fico eu com ele”. Entretanto, responsabiliza-se pelos cuidados médicos necessários de forma a garantir o bem-estar do animal.

À

S três da tarde de ontem o canídromo já estava de portas abertas para receber os possíveis interessados em adoptar os galgos que na véspera participaram nas derradeiras corridas no território. De guarda-chuva na mão as filas para tratar dos procedimentos necessários ao acolhimento de um destes animais eram crescentes. O mote era comum a quem ali se dirigiu: salvar estes animais, essencialmente de uma ida sem retorno para o continente. À espera de ver os cães estava, vinda de Hong Kong, Helen Chan, de 45 anos. Voluntária em associações que defendem os direitos dos animais e activista que chamou a si a missão de tirar animais da rua e que já possui nove cães e cinco gatos. No entanto, não é por isso que não terá espaço para um dos cães que estão para adopção. “Não quero que estes animais venham a ser exportados para o continente”, disse ao HM. A razão, apontou, é o receio de que venham a ser consumidos em restaurantes ou que voltem às pistas de corridas de animais. “Poderia adoptar vários cães, mas de acordo com os regulamentos, cada pessoa só está autorizada a acolher um animal”, lamentou. As regras do processo de adopção exigem que os cães fiquem em quarentena quando exportados para a região vizinha o que envolve uma espera alargada e gastos

INTERESSES ESCONDIDOS

O primeiro dia GALGOS CENTENAS ACORRERAM AO DIA ABERTO PARA ADOPÇÃO

Sábado foi o último dia de corridas no canídromo de Macau. Logo no dia seguinte, o local abriu portas à campanha de adopção dos cerca de 650 galgos propriedade da Yat Yuen. A chuva não desmotivou os interessados que receiam que estes animais acabem por ir parar o continente onde podem ser abatidos ou voltar às corridas adicionais. A situação não assusta Chan que está disposta a dispender o tempo e o dinheiro necessários. Depois do fecho do canídromo que considera “uma vitória”, a residente da região vizinha espera que exista uma maior cooperação entre os governos de Hong Kong e de Macau de modo a facilitar os

processos de adopção. “Em Hong Kong estamos muito sensibilizados com a situação e queremos ajudar”, disse. Helen Chan sugere a criação de uma campanha para angariação de fundos promovida pelas autoridades das regiões administrativas especiais de modo a facilitar o pro-

MAIS QUE UMA MODA

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how Hok Ching, treinador de cães de Hong Kong, veio ontem ao canídromo com o objectivo de informar as pessoas das responsabilidades em adoptar um animal de modo a prevenir abandonos no futuro. “Tenho muitos amigos que apoiam a adopção de galgos, mas não o podem fazer por neste momento ser uma moda”, disse ao HM. Para o treinador e defensor dos direitos dos animais, “as pessoas têm de considerar as suas condições residenciais, económicas e as opiniões da família, revelou. Por outro lado, Chow Hok Ching teme que os galgos do canídromo sejam transportados para o continente pelo que apela a uma fiscalização apertada dos processos de adopção por parte das autoridades locais.

cesso e ajudar nos custos inerentes aos quatro meses de quarentena e que podem ultrapassar os 10 mil dólares de Hong Kong.

FILAS FASEADAS

À entrada do canídromo, no corredor que liga os ex-guichets de apostas à pista, estavam as fotografias dos cerca de 100 galgos que ontem foram “apresentados” para adopção. À medida que iam vendo os animais, os interessados dirigiam-se à área onde os tratadores traziam uma dezena de cães de cada vez para interagirem com as pessoas que ali se encontravam. Os interessados prosseguiam com a recolha da ficha de identificação numérica do animal que tencionam adoptar para se deslocarem com os respec-

Aida receia que existam outros interesses de quem se dirige ao canídromo para adoptar cães. “Já ouvi aqui hoje que estão cá pessoas que querem adoptar animais para que sejam exportados para a China continental. De acordo com a residente, “há rumores de que está aqui gente a discutir o valor dos cães para depois os venderem a interessados no continente”, revelou. A jovem de 30 anos lamenta que o Governo local não tenha tomado atitudes mais cedo para garantir a protecção dos galgos do canídromo. “O Governo deu um ano à Yat Yuen para preparar a saída deste local e só agora é que estes dias abertos estão acontecer», lamentou. Para Aida todo este processo está a ser confuso por ser “improvisado”, apontou. “Deixam aqui entrar pessoas sem saber de onde vêem ou porque é que aqui estão. Não há qualquer fiscalização nestes processos de adopção” sublinhou. De acordo com o representante do canídromo, Chris Kwong, no final do terceiro dia aberto, estima-se que tenham sido preenchidos cerca de 150 formulários para adopção. Entretanto, a empresa estará a fazer uma proposta para os galgos que não forem acolhidos sendo que para já não pode divulgar pormenores. Sofia Margarida Mota com Vítor Ng info@hojemacau.com.mo


6 política

2.7.2018 segunda-feira

ETAR AL PEDE MAIS INVESTIMENTO PÚBLICO. GOVERNO PREPARA NOVA INFRA-ESTRUTURA

Águas turvas Os deputados que analisaram a lei de bases de gestão das áreas marítimas pedem mais investimento público no tratamento das águas residuais. Entretanto, a DSPA garantiu à deputada Ella Lei que está a preparar a construção da nova ETAR e a modernizar as actuais instalações

O

parecer relativo à análise na especialidade da proposta de lei de gestão das bases marítimas, assinado na semana passada, deixa um alerta quanto à necessidade de se investir mais nas instalações de tratamento de águas residuais para evitar a poluição da orla costeira. “Verifica-se que no campo do tratamento de águas residuais existem evidentes insuficiências, dado que actualmente não existe suficiente capacidade instalada para se proceder ao tratamento secundário (tratamento biológico) de

grande parte das águas residuais de Macau, conforme é necessário para se preservar a saúde pública e a protecção do ambiente marinho. Procede-se apenas ao tratamento básico das águas residuais, antes das mesmas serem alvo de descarga para o mar”, lê-se no documento assinado pelos deputados da 2ª comissão permanente da Assembleia Legislativa (AL), presidida pelo deputado Chan Chak Mo. É exigido que se proceda “a maiores investimentos públicos, nomeadamente no que diz respeito à modernização, ampliação e incremento da capacidade

“Verifica-se que no campo do tratamento de águas residuais existem evidentes insuficiências, dado que actualmente não existe suficiente capacidade instalada para se proceder ao tratamento secundário (tratamento biológico) de grande parte das águas residuais de Macau” PARECER DA 2ª COMISSÃO PERMANENTE DA AL

de processamento e tratamento de águas residuais, em especial da Estação de Tratamento de Águas Residuais da Península de Macau (ETAR), tendo em conta o aumento do volume das águas residuais que se verificou nos últimos anos”, acrescenta ainda o parecer. Numa resposta a uma interpelação escrita apresentada pela deputada Ella Lei, a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) dá conta dos recentes investimentos que estão a ser feitos, nomeadamente no que diz respeito à construção de uma nova ETAR. “A DSPA já levou a cabo a elaboração da concepção preliminar da nova estação de tratamento de águas residuais, estando a ser promovida a prospecção geológica. Em conformidade com a ‘Organização da cooperação na gestão de assuntos hidráulicos relacionados com as águas confinantes de Macau’, está em curso a comunicação técnica com os serviços do interior da China

sobre a saída de descarga dos efluentes.” Só depois desse processo “será determinado o calendário de construção”, aponta o director substituto da DSPA, Ip Kuong Lam. Na resposta à deputada Ella Lei, não são referidas mais novidades quanto ao terreno onde irá nascer a futura ETAR. “O plano de aproveitamento do terreno destinado à construção das instalações em causa será

Estacionamento Ella Lei a favor de criação de zonas temporárias A deputada do universo da FAOM defende a criação de zonas de estacionamento temporário nos lotes A e F, na Avenida Marginal do Lam Mau. Segundo o Governo, os lotes vão servir para a construção de habitação pública. Porém, ainda não há uma decisão final e o Executivo está a fazer mais um estudo sobre a viabilidade de construir habitação pública no local. No

entanto, enquanto se aguarda por resultados concretos dos estudos, a legisladora defende a construção de instalações temporárias de estacionamento para serem usadas pela população. De acordo com Ella Lei, se estes locais fossem abertos aos carros privados, as pessoas teriam um local mais conveniente para estacionar, quando se deslocam ao Mercado Vermelho.

devidamente acompanhado e tratado pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), nos termos da lei de terras e da lei do planeamento urbanístico.”

NOVO PLANO EM MARCHA

Ip Kuong Lam adiantou ainda à deputada que o Governo “se encontra a elaborar o ‘Plano geral de instalações de águas residuais de Macau’, bem como a proceder à

optimização gradual das instalações físicas e de software das ETAR e à construção da nova ETAR”. Além disso, a DSPA está também a coordenar os trabalhos quanto às “obras de ampliação da central de incineração e elaborado o diploma legal sobre o regime de gestão de resíduos de materiais de construção de Macau”.

Turismo Lei Chan U quer fonte diversificada Lei Chan U, deputado dos Operários, está preocupado com a dependência excessiva do Interior da China no que diz respeito à proveniência dos turistas. Por esta razão, o legislador – que se destacou pela controvérsia de ter falado mandarim na Assembleia Legislativa, apesar de dominar o cantonense – quer saber se o Governo vai fazer acções de promoção

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

do turismo local em diferentes países, como aconteceu em Abril deste ano, na Coreia do Sul. É este o conteúdo de uma interpelação escrita do deputado, onde o mesmo diz existir uma grande discrepância entre o Centro Mundial de Turismo e Lazer e a realidade, uma vez que a maior parte dos turistas são provenientes da China e Sudeste Asiático.


política 7

segunda-feira 2.7.2018

CASO SULU SOU DEPUTADO ESPERA VOLTAR JÁ HOJE AO SEU LUGAR NO HEMICICLO

O regresso do guerreiro A multa está paga e se for cumprida a palavra de Ho Iat Seng, o legislador Sulu Sou retorna esta tarde, de forma automática, ao seu lugar na Assembleia Legislativa. A prova de pagamento da malta a que foi condenado vai ser entregue esta manhã no hemiciclo

O

O

depu tado Sulu Sou já pagou a multa a que foi condenado pelo crime de manifestação ilegal e aguarda o reconhecimento do pagamento da Assembleia Legislativa para assumir o lugar para o qual foi eleito. O regresso pode acontecer já esta tarde na sessão do Plenário, uma vez que a guia do pagamento vai ser apresentada ao hemiciclo ainda esta manhã. “Se não houver qualquer incidente espero estar de regresso à Assembleia Legislativa amanhã [hoje] à tarde”, disse, ontem, Sulu Sou, ao HM. “Sinto que tanto eu como os meus apoiantes não podemos esperar mais. Os nossos direitos foram-nos retirados durante um período superior a 200 dias”, sublinhou. Esta tarde a AL tem três pontos na agenda: discussão e votação na especialidade das alterações ao Regime de Segurança Social, discussão e votação na generalidade da Lei de Bases da Organização Judiciária e ainda votação sobre uma proposta de debate de José Pereira Coutinho sobre o aumento do número de lugares de estacionamento. Ontem, o deputado suspenso já estava a trabalhar para se preparar para a sessão e reflectir as opiniões dos seus eleitores e apoiantes: “Já estou a preparar as intervenções”, reconheceu. Anteriormente, o presidente da AL, Ho Iat Seng, tinha afirmado que assim que provasse o pagamento da multa, Sulu Sou poderia voltar de forma automática a assumir o seu lugar no hemiciclo.

ÁREAS MARÍTIMAS DUAS NOVAS LEIS ESTÃO A SER PREPARADAS

Contudo, o pró-democrata admitiu que pode ainda não ter direito a fazer uma intervenção antes da ordem do dia. “Segundo a prática da AL, temos de enviar um esboço do nosso discurso um dia útil antes da sessão. Sexta-feira foi o último dia útil, por isso talvez não tenha mesmo essa oportunidade de falar”, previu.

CUSTAS DISPARAM MULTA

Segundo documentos a que o HM teve acesso, Sulu Sou teve de fazer um pagamento total de 47.775 patacas para pagar a multa de 40.800 patacas. Além dos custos com a multa, o deputado suspenso teve também de pagar 6.375 de taxa de justiça e 600 patacas de receitas para o Cofre de Justiça. O regresso de Sulu Sou só é possível porque o deputado optou por abdicar do recurso para o Tribunal de Segunda Instância que tinha apresentado. Segundo o legislador esta foi uma decisão tomada com

“Sinto que tanto eu como os meus apoiantes não podemos esperar mais. Os nossos direitos foram-nos retirados durante um período superior a 200 dias.” SULU SOU DEPUTADO

base no interesse dos eleitores, que considerou mais importante do que o seu interesse pessoal. “O Juiz titular do processo proferiu despacho, no dia 29 de Junho de 2018, confirmando a desistência do recurso apresentado pelo [Sulu] Sou Ka Hou relativamente à sentença condenatória do referido processo, fazendo consignar que, a condenação aplicada ao arguido [Sulu] Sou Ka

Hou transitou em julgado e produziu os respectivos efeitos jurídicos”, anunciou o tribunal, através de comunicado, na sexta-feira. Por sua vez, os tribunais autorizaram o recurso de Scott Chiang que irá continuar dentro da normalidade. Porém, se for dada razão ao activista, Sulu Sou não irá beneficiar com a futura decisão. Sulu Sou e Scott Chiang foram condenados a 120 dias de multa por um crime de reunião e manifestação ilegal em co-autoria. Em causa está uma demonstração contra o donativo de 100 milhões de yuan por parte da Fundação Macau à Fundação de Jinan. O deputado está suspenso desde 4 de Dezembro na sequência de uma votação secreta em que 28 dos 33 membros da Assembleia Legislativa votaram o seu afastamento do hemiciclo. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Governo explicou aos deputados da 2ª comissão permanente da Assembleia Legislativa (AL) que está a preparar mais duas propostas de lei, além da lei de bases de gestão das áreas marítimas, que vai ser votada na especialidade ainda nesta legislatura. “Estão em fase adiantada de elaboração dois diplomas legais: uma proposta de lei que visa regular o regime de uso das áreas marítimas, fixando as finalidades de uso e actividades que podem ser atribuídas a cada área marítima no âmbito do zoneamento marítimo, bem como o regime de autorização do uso das áreas marítimas”, aponta o parecer dos deputados. Além disso, o Governo “esclareceu que os trabalhos legislativos em curso são vários, existindo um conjunto amplo de matérias onde se identificaram necessidades de intervenção legislativa”.A 2ª comissão permanente da AL alertou para a necessidade de se legislar sobre várias áreas ligadas ao ambiente e orla costeira, para que se possam eliminar lacunas actualmente existentes. “A proposta de lei [sobre a gestão das áreas marítimas] visa introduzir as bases para que se venha a aperfeiçoar a legislação vigente sobre as áreas marítimas, que é actualmente considerada insuficiente e lacunar. Após a entrada em vigor desta proposta de lei, deve-se aprovar um conjunto amplo [de leis]”, pode ler-se no parecer. Na visão dos deputados da 2ª comissão permanente da AL, o Executivo “terá de continuar a desempenhar trabalhos legislativos para actualizar a legislação em vigor relativa a todas as matérias conexas com a gestão das áreas marítimas atribuídas à RAEM, havendo aqui uma necessidade de uma revisão ampla e global da legislação actualmente em vigor em Macau”. A.S.S.


8 política

O

secretário para a Economia e Finanças admite que as medidas que têm sido tomadas para o ajuste de preços no sector imobiliário não são suficientes. De acordo com um comunicado oficial, “o preço da habitação ainda não atinge uma previsão de ajustamento, portanto as autoridades irão analisar outras medidas mais viáveis”. Para o efeito, o governante refere que é preciso prestar atenção à oferta de fracções, nomeadamente aquelas que se encontram sem aproveitamento. Neste sentido serão tidos em conta dados sobre habitações que nunca foram vendidas tendo em conta a sua quantidade, construção e prazo da obra. O secretário adianta ainda que pode vir a ser tomado como exemplo a política que está a ser seguida na região vizinha de Hong Kong relativa à taxa sobre propriedades devolutas para habitação nunca vendida “a fim de viabilizar a sua viabilidade em Macau.

MEDIDAS PEDIDAS

Recentemente têm sido vários os deputados que se têm manifestado contra o desaproveitamento de muitas fracções devido à espera de uma maior rentabilização por parte dos proprietários. PUB

2.7.2018 segunda-feira

Casas à espera

Lionel Leong admite novas medidas para ajuste de preço

O deputado Ho Ion Sang referiu, no passado mês de Abril, que existem no território cerca de 12,5 mil fracções vazias. Parte delas estão por utilizar porque os seus proprietários não as querem disponibilizar para arrendamento. Por outro lado, há casas que não são vendidas mas que se encontram “empatadas pelas imobiliárias de modo a controlar o mercado”, referiu Ho Ion Sang. O deputado sugeriu que fossem tomadas medidas idênticas às que Hong Kong está a seguir de modo a regulamentar o prazo de propriedades para venda. É de salientar neste aspecto que um estudo da consultora Mercer elegeu Hong Kong como a cidade mais cara do mundo, destronando Luanda que caiu para o sexto lugar, em grande parte devido ao aos preços praticados no mercado imobiliário da região vizinha. O pró-democrata Ng Kuok Cheong tem vindo a insistir na criação de um novo imposto sobre casas devolutas. De acordo com o deputado, “as pessoas

queixaram-se da falta de sucesso da implementação do imposto de selo, que não resultou em qualquer pressão sobre os proprietários que possuem apartamentos vazios à espera que os preços aumentem para que os possam vender por valores mais altos”, referiu em interpelação escrita. Para combater este “desperdício”, Ng sublinhou que são necessárias mais medidas por parte do Executivo para combater a especulação imobiliária e sugeriu a criação de um imposto. No que respeita às políticas recentemente adoptadas para facilitar a aquisição de primeira habitação, Lionel Leong afirma que os resultados são satisfatórios. Com “o afrouxamento do rácio dos empréstimos hipotecários, apareceu um óbvio aumento da proporção de aquisição da primeira habitação, demonstrando que as referidas medidas contribuem, de forma activa nesta área”, aponta o comunicado. Sofia Margarida Mota

sofia.mota@hojemacau.com.mo


sociedade 9

segunda-feira 2.7.2018

Macau mantém- TRÁFICO HUMANO MACAU NA LISTA DE VIGILÂNCIA DOS EUA PELO SEGUNDO ANO CONSECUTIVO se na lista de vigilância do tráfico humano do Departamento de Estado norteAo mesmo tempo, pelo situação de Macau”, diz um terceiro ano consecutivo, comunicado divulgado pelo americano que não houve condenações gabinete de Wong Sio Chak. O Executivo argumenta considera que os por tráfico sexual, diz o documento, apontando ainda ainda que o mais recente padrões mínimos que as autoridades de Macau relatório do Departamento nunca conseguiram uma de Estado norte-americano para eliminar condenação por tráfico hu“apontou sem rigor que Mamano para fins de exploração cau é destinatário ou local para o fenómeno do trabalho. a transferência de mulheres Segundo o relatório, no e crianças, vítimas de crimes não estão a ser ano passado, foram identifide tráfico de pessoas, bem cumpridos. cadas três vítimas de tráfico como de casos de coacção sexual, duas crianças e um laboral”. “As autoridades da O Governo adulto (que escolheu ser área da segurança não aceitam contra quatro tais factos e expressam a sua contesta, falando repatriado), sinalizadas em 2016. Neste forte indignação sobre esta em falta de rigor âmbito, Washington sinaliza má interpretação da situação uma incongruência, dado de Macau, com conclusões e injustiça que as autoridades de Macau não verdadeiras e alegações

Sob observação

A

P E S AR de reconhecer “significativos esforços”, o Departamento de Estado norteamericano entende que Macau “não cumpre na íntegra os padrões mínimos para a eliminação do tráfico humano”, o que levou à colocação do território no nível dois da lista de vigilância pelo segundo ano consecutivo. O relatório anual, divulgado na noite de quinta-feira, destaca a diminuição do número de casos investigados (de oito em 2016 para três em 2017), mas também de acusações. Segundo Washington, as autoridades iniciaram em 2017 um processo (contra dois em 2016) que envolvia tráfico de crianças para fins sexuais, mas acabaram por avançar com uma acusação pelo crime de exploração de prostituição.

também nunca identificaram vítimas de tráfico humano para fins de trabalho, apesar de as congéneres da Indonésia terem identificado vítimas de tráfico oriundas daquele país em Macau em 2017. À semelhança dos últimos cinco anos, o Departamento de Estado norte-americano considera que Macau é principalmente um destino final – e em menor medida de trânsito – para as mulheres e crianças sujeitas a tráfico sexual e trabalho forçado. A maioria das vítimas de tráfico para fins sexuais é oriunda da China e do Sudeste Asiático. “Muitas vítimas de tráfico respondem a falsos anúncios de emprego, incluindo em casinos em Macau, mas à chegada são forçadas a prostituírem-se”, diz o documento.

ESFORÇOS SIGNIFICATIVOS

Neste sentido, Washington insta Macau a “aumentar significativamente os esforços” não só “para investigar, acu-

Os quatros líderes da alegada rede de agiotagem, que envolve 113 pessoas, ficaram em prisão preventiva, de acordo com a informação do Ministério Público. As medidas de coacção foram anunciadas na sexta-feira, depois do Juiz de Instrução Criminal ter optado por colocar os quatro cabecilhas em prisão preventiva. Quanto aos restantes 109 arguidos, ficaram sujeitos a termo de identidade e residência, assim como à proibição de entrada em casinos. Os arguidos são suspeitos de vários crimes, nomeadamente associação criminosa, usura, exigência ou aceitação de documentos e crime de sequestro.

GOVERNO

sar e condenar” os traficantes de seres humanos, bem como para “rastrear e identificar vítimas de tráfico para exploração do trabalho”, incluindo do sexo masculino, especialmente entre a população migrante. Recomenda ainda um aumento da protecção para as empregadas domésticas estrangeiras, sugerindo, aliás, a instituição de um salário mínimo, bem como a realização de campanhas de consciencialização para que os visitantes compreendam

que pagar para ter sexo com crianças é crime. Não obstante, o Departamento de Estado norte-americano destaca “esforços significativos” do Governo no âmbito da protecção das vítimas, citando o exemplo de uma parceria do Instituto de Acção Social (IAS) com uma organização da China para fazer regressar a casa uma das duas crianças identificadas como vítimas de tráfico sexual, bem como a formação dada às autoridades.

Costa Nunes Governo tenciona concluir relatório em Julho

O subdirector da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), Kong Chi Meng, revelou ao canal chinês da Rádio Macau que já foram concluídos os processos de entrevista, audiência e prestação de declarações por escrito relativos ao caso do Costa Nunes. De acordo com a mesma fonte, devido ao elevado volume de informação e às dificuldades decorrentes das traduções, o Executivo tenciona concluir o relatório em Julho.

O Departamento de Estado norte-americano valoriza também as verbas investidas no combate ao flagelo, dando conta de um financiamento na ordem de 5,5 milhões de patacas para serviços relacionados com a protecção das vítimas e programas de prevenção.

GOVERNO APONTA FALTA DE RIGOR

O secretário para a Segurança reagiu, entretanto, ao relatório dos Estados Unidos, observando que o Governo “tem persistido com grande determinação no combate ao tráfico de pessoas”. “Verifica-se que, em anos consecutivos, existe uma falta de fundamentação patente nestes relatórios dos EUA, contendo alegações sem rigor e injustas face à

Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

TIAGO ALCÂNTARA

Agiotagem Líderes de rede em prisão preventiva

“Verifica-se que, em anos consecutivos, existe uma falta de fundamentação patente nestes relatórios dos EUA, contendo alegações sem rigor e injustas face à situação de Macau”

infundadas”, refere o mesmo comunicado. “A Comissão de Acompanhamento das Medidas de Dissuasão do Tráfico de Pessoas tem coordenado os vários serviços do Governo e os diferentes sectores da sociedade no sentido da aplicação, de forma activa e eficaz, das políticas internacionais relativas aos trabalhos de prevenção, de execução da lei e de prestação de protecção às vítimas”, enfatiza o Executivo. Acrescenta ainda que “os trabalhos de investigação criminal têm sido desencadeados eficazmente”, apontando que as estatísticas “demonstram uma diminuição constante do número de casos, representando uma baixa percentagem ou uma percentagem quase nula”. Um cenário que, na perspectiva do Governo, “demonstra o efeito positivo dos trabalhos realizados”.


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2.7.2018 segunda-feira

HOJE MACAU

“Houve propostas [que referem que], em termos de implementação, não é possível que um único departamento, o IC, consiga alcançar sozinho todos os objectivos designados no plano” RELATÓRIO DA CONSULTA PÚBLICA

CENTRO HISTÓRICO OPINIÕES QUESTIONAM CAPACIDADE DE GESTÃO DO IC

Pau para todo o património

O relatório da consulta pública relativo ao “Plano de Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico de Macau” revela que há quem tema que o Instituto Cultural não tenha capacidade para realizar este papel. No documento é pedido também uma melhor coordenação entre serviços. A população pede ainda mais corredores visuais junto à Colina da Penha e novos aterros

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ERÁ o Instituto Cultural (IC) capacidade para resolver, sozinho, os problemas inerentes à gestão do centro histórico? Foi esta a pergunta colocada por alguns participantes na consulta pública sobre o “Plano de Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico de Macau”, cujo relatório foi divulgado este fim-de-semana.

“Houve propostas [que referem que], em termos de implementação, não é possível que um único departamento, o IC, consiga alcançar sozinho todos os objectivos designados no plano.” Consideram, portanto, que “o plano de gestão e protecção do centro histórico terá de envolver um número elevado de outras entidades públicas que devem trabalhar em cooperação”.

Além disso, houve opiniões que defenderam que o plano de gestão do centro histórico deve estar em consonância com as políticas de Pequim. “Existem também preocupações sobre o facto de se pensar que o departamento do património cultural [dentro do IC], é apenas um departamento, mas que poderá precisar de comunicar, no futuro,

Videovigilância Mais 600 câmaras a funcionar desde sábado

O Governo implementou um total de 601 câmaras de videovigilância nas ruas, relativas à segunda e terceira fase do “Sistema de Videovigilância em Espaços Públicos de Macau”, também conhecido por sistema “Olhos no Céu”. De acordo com um comunicado, o secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, referiu que esta medida “não só produz um efeito dissuasor para os criminosos mas também reforça a capacidade da polícia na gestão da segurança pública, concretizando o conceito ‘Melhoramento do Trabalho Policial com a Introdução da Tecnologia’. Além disso, o Governo assume “assegurar a privacidade das pessoas na utilização e tratamento dos dados pessoais recolhidos”, cumprindo “rigorosamente” o Regime jurídico da videovigilância em espaços públicos. As obras para a instalação das 800 câmaras referentes à quarta fase (lugares isolados e com risco de segurança) tiveram início em Fevereiro deste ano, prevê-se que tenham a duração de dois anos e que as câmaras de videovigilância entrem em funcionamento no primeiro semestre de 2020.

com instituições de nível nacional. Existem, portanto, desafios que requerem uma acção a nível nacional, de acordo com as responsabilidades que estão implícitas no plano.” Neste sentido, o relatório dá conta de que muitos pensam que o IC deve ter mais poderes para emitir pareceres que devem, obrigatoriamente, ser implementados nas zonas protegidas pela UNESCO. “Alguns participantes acreditam também que o IC deve fazer uso das suas competências para poderem emitir pareceres técnicos com valor obrigatório para serem informados ao departamento do planeamento urbano.” Apesar das críticas, os participantes lembram que, caso o IC “mude o seu estilo de liderança, isso poderá ter um impacto a nível administrativo e no trabalho ligado ao plano de gestão”. Foi também sugerido que haja uma maior coordenação entre serviços públicos no que à gestão do centro histórico diz respeito. “Alguns dos participantes pensam que o plano implica o envolvimento de vários serviços, desde a área do planeamento urbano até à área da análise dos circuitos do tráfego automóvel.”

MAIS CORREDORES VISUAIS

Um dos pontos mais abordados durante a consulta pública foi a

necessidade de mais corredores visuais junto à Colina da Penha e nos novos aterros, para que a paisagem não fique afectada. “Houve mais opiniões de que deveriam ser impostas mais restrições altimétricas nos edifícios que se encontrem dentro das zonas abrangidas pelos corredores visuais relacionados com a Colina da Penha, particularmente no que se refere à zona C e D do Lago Nam Van e edifícios futuros dos novos aterros urbanos”, para que não se afecte “o enquadramento paisagístico da Colina da Penha”. No que diz respeito às alturas dos edifícios, foi dito que o plano de gestão do centro histórico deve “definir que a responsabilidade pela definição das alturas exactas que são permitidas cabe ao departamento do planeamento urbano”, ou seja, a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Muitos pediram que a altura dos edifícios seja, no máximo, de 20.5 metros. “É ainda sugerido que um pequeno número de sítios deveriam ser regulados por métodos de planeamento, podendo considerar-se eventualmente alturas superiores para edifícios específicos para funções culturais ou outros edifícios com um carácter importante.” Quanto à recuperação dos edifícios em risco de ruína, é defendido que o plano de gestão do centro histórico deve “conferir autoridade ao departamento público relevante para que possa colaborar directamente com os proprietários dos edifícios que tenham características especiais e que estejam inseridos na zona de protecção, de modo a facilitar o restauro ou reconstrução dos edifícios que estejam danificados”. Foi também pedido o planeamento de “medidas concretas para a gestão de circulação de pessoas e para que se possibilite o descongestionamento em determinados locais, como é o caso das Ruínas de São Paulo”. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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segunda-feira 2.7.2018

TURISMO MAIS DE 5,7 MILHÕES DE PESSOAS EM HOTÉIS E PENSÕES ATÉ MAIO

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AIS de 5,7 milhões de pessoas alojaram-se nos hotéis e pensões de Macau nos primeiros cinco meses do ano, um acréscimo de 1,8 por cento comparativamente ao período homólogo de 2017, indicam dados oficiais. Segundo a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), ao todo pernoitaram 5.712.000 hóspedes, numa média de 1,5 noites, um ligeira subida (0,1 por cento) comparando com os primeiros cinco meses de 2017. A taxa de ocupação média atingiu 88,7 por cento, mais 4,3 pontos percentuais do que no mesmo período do ano passado. No final de Maio estavam registados no território de Macau 115 hotéis e pensões, representando, em conjunto, 39 mil quartos, já a oferta nos hotéis de cinco estrelas foi de 24 mil, o mesmo número que no mês anterior, mas mais 8,5 por cento, em termos anuais. Os hotéis de 5 estrelas representam 61,4 por cento do total de quartos disponíveis no território. De acordo com a DSEC, só no mês de Maio alojaram-se nos hotéis e pensões da região 1.178.000 hóspedes, uma subida de 4,7 por cento em termos anuais. O número de hóspedes provenientes da China continental (798.000) registou um aumento de 11 por cento, em termos anuais, enquanto os de Taiwan (40.000) diminuíram 4,5 por cento, no mês de Maio. Em queda está também o número de hóspedes de Hong Kong, que diminuiu 11,1 por cento, para 123 mil. Também o número de turistas sul-coreanos registou uma descida de 8,3 por cento. O território recebeu, entre Janeiro e Dezembro de 2017, mais de 29,5 milhões de visitantes. As unidades hoteleiras de Macau receberam mais de 13.155 milhões de hóspedes em 2017.

CAPITAIS MACAU E HONG KONG NA MIRA DE RELATÓRIO SOBRE LAVAGEM DE DINHEIRO

Aldeia da roupa branca

Relatório encomendado pelas autoridades do Canadá sobre lavagem de dinheiro revela preocupações com Macau e Hong Kong. Críticas sublinham serviço prestado à legalização de verbas oriundas de redes criminosas de Cantão

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M relatório independente elaborado a pedido da Procuradoria da Província Colúmbia Britânica aponta Macau e Hong Kong como duas jurisdições que facilitam as operações de redes criminosas de Cantão. No que diz respeito à RAEM, o principal problema apontado passa pelas transferências de dinheiro. “A ameaça constituída pelo crime organizado na Província de Cantão é facilitada pelo centro bancário e económico de Hong Kong assim como pelos casinos e instituições para transferências de dinheiro em Macau”, consta no relatório, que foi citado, na sexta-feira, pelo South China Morning Post. “Tanto Hong Kong como Macau são centros financeiros e centros offshore para os bancos.

Banqueiros, advogados, contabilistas, escritórios de serviços financeiros e outros negócios em Hong Kong e, numa escala menor, em Macau facilita muita da transferência de bens na Ásia”, é acrescentado. Segundo o relatório de 250 páginas, as cidades de Macau e Hong Kong são utilizadas para movimentar fundos ilegais, com proveniência no mundo do crime em Cantão. “Hong Kong é uma das jurisdições offshore mais secretas do mundo e é um centro global para companhias de fachada, que são utilizadas por associações criminosas asiáticas e de outras partes do mundo”, é explicado. À publicação de Hong Kong, o Governo da RAEHK limitou-se a dizer que continua comprometido com o combate ao fenómeno

Banco de Portugal Macau considerado “relevante” para sistema bancário

O Banco de Portugal (BdP) classificou na sexta-feira Angola, Moçambique e Macau como “relevantes” para o sistema bancário nacional, até ao segundo trimestre de 2019. “Por deliberação do Conselho de Administração adoptada em 20 de Junho de 2018, o Banco de Portugal, no exercício das suas competências enquanto autoridade macro prudencial nacional, decidiu que a lista de países terceiros relevantes para o sistema bancário português, a vigorar até ao 2.º trimestre de 2019, inclui a República de Angola, a República de Moçambique e a Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China”, lê-se num comunicado publicado esta sexta-feira na página do supervisor financeiro. De acordo com o Banco de Portugal, o “exercício de identificação dos países terceiros relevantes para o sistema bancário português pelo Banco de Portugal insere-se no cumprimento da recomendação […] relativa ao reconhecimento e fixação das percentagens da reserva contra cíclica de fundos próprios aplicáveis a posições em risco sobre países terceiros”. A decisão será revista, anualmente, pelo BdP e publicada na sua página na internet.

da lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, em consonância com a comunidade internacional.

CRÍTICAS INTERNAS

Mas não são só os casinos de Macau que são alvo de atenção, as maiores críticas vão mesmo para a lei que regula os 37 casinos da Colúmbia Britânica, pelo facto de não estar preparada para o elevado fluxo de transferências de dinheiro que atrai. O mesmo documento estima que tenham sido lavados mais de 75 milhões dólares norte-americano através dos casinos da região canadiana. O modelo utilizado é conhecido como “Modelo de Vancouver”, através do qual as redes criminosas chinesas emprestam o dinheiro proveniente de actividades ilegais ao jogadores. Estes,

quando jogam com o dinheiro emprestado, tornam-no legal. A grande vantagem é que este modelo permite aos apostadores chineses terem acesso a dinheiro canadiano ao mesmo tempo que “legaliza” as verbas. Na conferência de imprensa em que foram apresentadas as conclusões do estudo, a Procuradoria da Província da Colúmbia Britânica decretou guerra à lavagem de dinheiro nos casinos locais. Os cidadãos canadianos foram ainda apontados como as principais vítimas. Segundo as autoridades, o dinheiro lavado acaba por ser investido no mercado imobiliário, o que tem forçado canadianos a deixarem as suas comunidades e a procurarem outros locais onde consigam comprar casa ou pagar a renda. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Jogo Receitas sobem mais 12,5 por cento

As receitas do jogo subiram 12,5 por cento em Junho de 19,99 mil milhões de patacas para 22,49 mil milhões. Os números foram publicados, ontem, no portal da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ). Em relação à primeira metade do ano, houve um crescimento de 18,9 por cento face ao ano anterior. Assim, nos primeiros seis meses deste ano os casinos registaram receitas de 150,22 mil milhões de patacas, enquanto no mesmo período de 2016 tinham encaixado 126,48 mil milhões de patacas. Com estes resultados, e após a crise motivada pela campanha anticorrupção no Interior da China, o jogo regista 23 meses de crescimento contínuo, ou seja quase dois anos de expansão.


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2.7.2018 segunda-feira

O galo cantou assim

PORTUGAL DE SUB-RENDIMENTO E SEM ACUTILÂNCIA A

Brilho de Mbappé na eliminação da Argentina

O

avançado Kylian Mbappé, com dois golos, deu no sábado o apuramento à França para os quartos de final do Mundial2018, numa vitória por 4-3 sobre uma Argentina combativa, mas que sai do torneio nos ‘oitavos’. Num grande jogo de futebol, a França tornou-se na primeira equipa a apurar-se para os quartos de final na Rússia, fase em que espera agora pelo vencedor do outro jogo de hoje, Portugal ou Uruguai, graças, em boa parte, à exibição de Mbappé, que ‘decidiu’ o encontro quando estava empatado a duas bolas. O registo em Mundiais ditava sempre o mesmo resultado: vitória da Argentina perante a França nos dois encontros anteriores, com a campeã mundial em 1978 e 1986 a apurar-se com dificuldades na fase de grupos, enquanto os franceses, vencedores em 1998, passaram em primeiro e sem derrotas a primeira fase. Com uma entrada fulgurante, a formação de Didier Deschamps,

Griezmann podia ter feito o primeiro de livre, aos nove minutos, mas a bola foi à trave. Perante uma Argentina sem um ponta de lança fixo, sem Higuaín no ‘onze’, rendido por Pavón, o avançado do Atlético de Madrid acabou por fazer mesmo o golo, aos 13, na conversão de um penálti cometido pelo ex-Sporting Rojo, que ‘salvou’ a sua selecção na fase de grupos, sobre Mbappé. Até aqui a realizar um torneio discreto, o ex-Benfica Di María empatou o jogo aos 41 minutos, depois de a Argentina ter passado a controlar o encontro, num grande golo do extremo, que rematou de longe, sem hipóteses para Lloris. Ao intervalo, Jorge Sampaoli lançou Fazio no lugar de Rojo e, pouco depois, viu a Argentina colocar-se na frente, com Mercado a desviar um remate de Messi para o 2-1 aos 48 minutos. A França não baixou os braços e, aos 57, o lateral Pavard igualou o encontro com outro grande ‘disparo’ de fora da área, com um remate

cheio de efeito, na resposta a um cruzamento do outro lateral, Lucas Hernández. Sete minutos depois, Mbappé, uma das figuras do encontro, consumou a segunda reviravolta no marcador, ao usar a velocidade para ultrapassar um defesa já na área, após novo cruzamento de Hernández, e fazer o 3-2. O jovem avançado francês voltou a ‘brilhar’ na partida aos 68, num lance de envolvimento colectivo francês desenhado por Griezmann, Kanté e Matuidi, assistência de Giroud e ‘bis’ de Mbappé, deixando a França mais perto dos ‘quartos’. Perante uma equipa sem ideias, a equipa francesa foi controlando o jogo e só aos 85, num remate frouxo de Messi, os argentinos ‘incomodaram’ Lloris. Aos 90+3, Aguero ainda deu uma réstia de esperança à Argentina, já numa fase de ‘desespero’, ao marcar o 4-3 de cabeça, após cruzamento de Messi, mas a França apurou-se mesmo para os quartos de final.

O URSO MOSTRA AS SUAS GARRAS

A

Rússia está nos quartos-de-final do Mundial 2018. Os russos precisaram dos penálties para vencer por 4-2, depois de 1-1 nos 120 minutos. Os dois golos foram apontados no primeiro tempo, primeiro por Sergei Ignashevich na própria baliza, depois por Dzyuba, de grande penalidade. A Rússia, junta-se a Uruguai e França, que já estão nos ‘quartos’. Fernando Hierro, seleccionador espanhol, optou por dar a titularidade a Nacho e Asensio, deixando Iniesta e Carvajal no banco. E entraram bem os espanhóis, que colocaram-se em vantagem logo aos 12 minutos, numa infelicidade de Ignashevich. Após um livre, o central disputou a bola com Sergio Ramos mas acabou por desviar a bola para a própria baliza. Era o 10.º autogolo deste Mundial. Um recorde. Este jogo teve uma história: Espanha com bola, a tentar penetrar na defesa russa. Sem espaços, era

preciso romper a barreira dos homens da casa, que se organizavam num 3-4-2-1. A ideia dos russos era sair em contra-ataque ou tentar bolas longas para o gigante Dzyuba. Os russos, que tinham feito dois remates contra zero dos espanhóis, foram bafejados pela sorte aos 40 minutos. Num canto para a área, Piquè saltou de braços abertos e fez um corte, de forma involuntária. O árbitro marcou penálti que Dzyuba converteu com sucesso. No segundo tempo só Isco tentava derrubar o muro russo. O criativo do Real Madrid ia espalhando magia no relvado do Estádio Luzhniki mas era pouco. No prolongamento , aos 110, foi Rodrigo a protagonizar a derradeira jogada de perigo, num arrancada pela direita, mas o remate foi travado por Akinfeev. Na recarga, Aspas rematou para a baliza mas Ignashevich cortou em cima da linha de golo. Nos penáltis, os russos foram melhores.

FACTOS DIVERSOS...

Mbappé Aquela máquina

Kylian Mbappé foi uma das figuras do triunfo da França sobre a Argentina (4-3), que selou a passagem dos gauleses aos quartos de final do Mundial 2018. Segundo o L’Équipe, o jovem avançado atingiu uma velocidade na ordem dos 37 km/h antes de ser travado em falta na grande área, por Marcos Rojo, aos 11 minutos. Desse lance acabaria por surgir o 1-0 para os franceses.

Maradona Ramos não é um craque Depois de afirmar que Sergio Ramos não era um craque, e de o central espanhol responder que o maior craque argentino é Lionel Messi, ‘El Pibe’ voltou a abordar a polémica, mas diz que não muda a sua opinião. “Se ele quiser, posso pedir desculpas mas não vou mudar o meu pensamento meramente futebolístico. É um grande jogador, um grande capitão, pode chegar a ser um bom líder, como vemos no Real Madrid, mas, para mim, não é um craque. Não me importa, bem

A velha desde

O aviso fora dado ainda no Campeonato da Europ convencer. A estratégia de Fernando Santos não privilegiando um meio-campo povoado de joga claro, não sofrer golos não chega

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ORTUGAL, campeão da Europa de futebol em título, deixou no sábado o Mundial2018 aos oitavos de final, eliminado por um Uruguai mais eficaz e que teve em Edinson Cavani o seu ‘farol’ no triunfo 2-1 em Sochi. Cavani surgiu nas fases cruciais do jogo, ao marcar aos sete e 62 minutos, de nada valendo o golo de Pepe (55), que ainda empatou a partida. Fernando Santos nunca tinha perdido ao serviço de Portugal nos 90 minutos de jogos em fase finais, nem tinha perdido um jogo oficial com Ronaldo em campo, mas caiu esse registo, ficando fora da competição. Portugal até terá feito o seu melhor jogo na Rússia, dominou territorialmente, contudo, foi pouco acutilante perante a ‘celeste’, campeã do Mundo em 1930 e 1950, que foi mais competente a defender e a atacar, embora ficasse no conjunto luso um sabor a injustiça. Cristiano Ronaldo, muito marcado e apagado, não conseguiu fazer a diferença e faltou na equipa quem o substituísse na arte de fazer magia perante a aguerrida selecção uruguaia.

TOMA QUE JÁ ALMOÇASTE

Portugal começou bem e criou várias situações de golo, a primeira das quais através de Bernardo Silva, que cabeceou por cima, aos dois minutos. Pouco depois, Bernardo Silva ‘deu’ para o remate de primeira de Cristiano Ronaldo (seis), que saiu à figura. Aos sete minutos, o génio de Edinson Cavani e de Luiz Suárez resolveu: os dois combinaram e Suárez, que fugiu a Ricardo, cruzou para Cavani, que surgiu nas costas

sabem, o que dizem e opino livremente. Portanto, se ele se ofendeu, peço desculpa mas não mudo a minha maneira de pensar”, garantiu. “Xavi, sim, era um craque. Os de agora... custa-me dizer um. Iniesta, sim, é um craque total. Joga de fraque, de traje posto, com sapatos e não tem problemas. A Espanha tem muitos bons jogadores”, acrescentou. E Cristiano Ronaldo? “Bem, essa pergunta é uma piada... Claro que é! E dos bons. Não tenho qualquer dúvida”, atirou.

FERNANDO SANTOS J

“N

ão valem as vitórias morais, nã menos. Para os portugueses e p orgulhoso dos meus jogadores. O que fi termos de entrega, vontade, procuraram dito ao intervalo que se conseguíssemo muito forte para vencer. Depois sofrem mas não conseguimos. Parabéns ao Ur

Sampaoli “Não vou demitir-me nem fugir O seleccionador da Argentina rejeitou a hipótese de se demitir do cargo que ocupa, depois dos sul-americanos terem sido eliminados do Mundial 2018 frente à França. “A eliminação é muito dolorosa. Os jogadores deram tudo e foi um jogo muito difícil. Não conseguimos cumprir os nossos objectivos. Estou frustrado, acho que isso é normal. Estou convencido de que este é o lugar onde quero estar, não vou demitir-me nem fugir. Não estou a

pensa aos jo recen em c que q jogám ções, em p acabá


AFASTADO DO MUNDIAL

entada

pa, que vencemos sem o contempla o ataque, adores defensivos. E,

JANELA SEM VISTA

ão vale a pena. Prefiro ganhar e ter jogado para que a festa continuasse. Dizia que estou fizeram na segunda parte foi muito bom em m de uma forma e outra chegar ao golo. Tinha os o golo do empate tínhamos uma janela mos um golo no segundo remate. Tentámos, ruguai.

r”

mundial 2018 13

segunda-feira 2.7.2018

ar nessa possibilidade”, começou por dizer ornalistas após a partida. “Tudo isto é muito nte, por isso é ainda cedo para analisar erros concreto que possamos ter feito. Sabíamos o queríamos fazer hoje, mas isto é futebol. Hoje mos com uma equipa muito rápida em transi, e conseguimos uma reviravolta, mas depois pouco tempo, num período muito estranho, ámos por perder a vantagem”, acrescentou.

“ O futebol é um pouco irónico porque talvez na partida em que jogámos melhor acabamos por perder” JOÃO MÁRIO

FIM DE UMA ERA

S

de Raphael Guerreiro e Fonte e cabeceou para o 1-0. Em vantagem, a ‘celeste’ colocou-se como quis, assumindo um bloco baixo e dando a iniciativa a Portugal, e tentou surpreender no contra-ataque. Portugal tinha posse de bola, mas não era suficientemente rápido nem criava desequilíbrios, com os sul-americanos, com boa ocupação dos espaços, a não passar por qualquer susto até ao intervalo. Suárez (22), de livre, ainda obrigou Rui Patrício a defesa apertada e, em cima do descanso, Cavani, à meia-volta e com pouco ângulo, quase surpreendeu.

MAIS NA MESMA, COM CERTEZA

O descanso trouxe a mesma equipa, mas o ‘4x4x2’ luso passou para ‘,4x2x3x1’, com Cristiano em cunha, Guedes na esquerda, João Mário na direita e Bernardo ao meio a completar o quarteto ofensivo. Finalmente, Santos percebera ao terceiro jogo que o jogador do Manchester City rende no meio, onde faltava a Portugal um construtor de jogo de ataque. Tarde demais. Aos 52, Raphael Guerreiro, de fora da área, errou o alvo e, aos 55, de canto curto, o lateral-esquerdo cruzou e Pepe, nas costas de Cristiano Ronaldo, cabeceou sem defesa, conquistando um justo empate. Portugal estava por cima, mas não cuidou das transições rápidas, que levaram a bola até ao ‘carrasco’ Cavani, que, sobre a esquerda, à entrada da área, atirou de primeira, em mais um golo de belo efeito. Fernando Santos arriscou ao tirar um médio de recuperação, Adrien, e apostar em Quaresma (65), e teve oportunidade soberana, quando Muslera largou a bola (70), contudo, Bernardo Silva deslumbrou-se e atirou por cima. Comandado por Bernardo Silva, Portugal carregava, sem ter ‘presença’ na área, perante os uruguaios, com futebol ‘feio’ e acantonados em cima da sua área, que não erraram e o campeão da Europa caiu, de nada valendo insistentes pedidos de videoárbitro nos descontos, pedindo suposto penálti, pois o árbitro mexicano César Ramos nem pestanejou.

ÓSCAR TABÁREZ O ERRADO PRESSUPOSTO

“A

cho que a característica específica do triunfo foi a dedicação de todos os jogadores em campo. Isto é parte da forma como vemos o futebol. Foi difícil. O adversário tinha posse de bola, muitas vezes na nossa metade do campo, o que podíamos ter melhorado, controlar melhor a bola e conseguir levá-la mais para o campo deles. Frequentemente há pressuposto errado de que a posse de bola leva à marcação de golos. Aprendi em Itália que não é assim. Em Itália, a posse de bola não é santificada como em outros países. Mesmo sem posse de bola, conseguimos atacar. Não digo que vamos continuar a jogar assim, mas vamos tentar a melhor forma de jogo para nós e que adversário nos permita jogar.”

Imprensa “Superioridade Táctica” do Uruguai A imprensa internacional destaca a “superioridade táctica” que o Uruguai teve sobre Portugal considera que Cristiano Ronaldo foi “inofensivo”, no encontro que decorreu em Sochi. A Gazzetta dello Sport enaltece a exibição de Edinson Cavani, que fez os dois golos dos uruguaios, e diz que Ronaldo esteve quase sempre ausente do encontro. “Cavani deixou o Portugal KO num jogo em que Ronaldo nunca

apareceu”, lê-se no site oficial da publicação italiana. L’Équipe diz mesmo que o capitão da selecção nacional foi “inofensivo” e que o Uruguai foi “mais forte” que os campeões europeus. “O Uruguai esteve melhor tacticamente e defensivamente e apagou por completo o campeão europeu”, considera a publicação francesa. Por seu lado, o Mundo Deportivo diz que Cavani e Suárez “expulsaram” Portugal

ÁBADO foi um dia importante para o futebol mundial, porque as suas duas estrelas máximas foram, liminarmente e com justiça, afastadas do Mundial, em jogos por onde perpassaram apagados e sem capacidade para dar a volta aos resultados, como tantas vezes haviam feito. A idade não perdoa, nem a Cristiano nem a Messi, e este torneio apresentava-se como o último em que os dois craques poderiam fazer aquilo que nunca fizeram e constituiu um grave buraco nos respectivos currículos: ganhar um Mundial. Não foi assim. E no sábado aconteceu o fim de uma era, em que estes dois monstros dividiram quase tudo o que havia para dividir e venceram quase tudo o que havia para vencer. Uma era caracterizada pela personalidade dos dois jogadores que, cada um no seu estilo, incarnaram tudo o que o futebol tem para oferecer, incluindo a presença constante nos media como se de realezas se tratassem. Só que essas personalidades reflectem mais a época do que o contrário e os dois fenómenos da bola espelham na perfeição muitos dos sintomas da civilização global que nos envolve. De um lado, temos o expoente máximo da fisicalidade contemporânea, serva de ginásios e personal trainers, a obsessão da vitória sem limites, o narcisismo irreprimível. Do outro, um domínio impossível da técnica, contudo servido por um ânimo abatido, de um homem amiúde mergulhado na depressão, inseguro e que volta contra si mesmo os seus falhanços e os dos outros. Querem melhor para descrever os fundamentos da sociedade actual? O fim de Messi e Cristiano é por muitos sentido como um alívio, por tudo isto se ter tornado repetitivo e quase kitsch. Não sabemos o que se passará agora, mas quase apostava que as coisas vão mudar e que, por exemplo, o aspirante Neymar nunca chegará a melhor do mundo, precisamente por pertencer à era em declínio e que outros estilos, menos dados a vedetismos, provavelmente alcançarão o topo do futebol mundial.

e Ronaldo do Campeonato do Mundo, no mesmo dia em que Lionel Messi também se despediu da prova. Do outro lado do Atlântico, o Globo Esporte lembrou que Ronaldo ficou em branco no que poderá ter sido o seu último jogo num Mundial. “Lusos voltam a mostrar pouca criatividade e o astro do Real Madrid passa em branco em possível despedida das Copas”, lê-se no portal da publicação brasileira.


14 eventos

2.7.2018 segunda-feira

Películas do mundo CINEMATECA PAIXÃO 3º FESTIVAL DO DOCUMENTÁRIO COMEÇA ESTE MÊS

“Imagina o Mundo” é o tema da terceira edição do Festival Internacional de Documentário de Macau, que começa no próximo dia 14 e termina a 4 de Agosto. O público poderá assistir a um total de 28 documentários, no evento que conta com a parceria com a associação local Comuna de Han-Ian. Hara Kazuo será o “realizador em foco” desta iniciativa

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E P O I S de apresentar uma série de filmes que mostram como a China e os Países de Língua Portuguesa podem andar de mãos dadas, a Cinemateca Paixão prepara-se para apresentar este mês uma programação dedicada ao género documentário. Em parceria com a associação local Comuna de Han-Ian, o terceiro Festival Internacional de Documentário de Macau (FIDM) começa este mês, com o tema “Imagina o Mundo”. A ideia é que os 28 documentários europeus, americanos ou japoneses, entre outros, mostrem como “não nos sujeitaremos às dificuldades da realidade”, mas sim “deixar que a imaginação se torne numa nova visão do mundo, usando-a como um sólido bloco de construção da nossa cidade”, aponta um comunicado. Hara Kazuo, realizador japonês independente, será o rosto principal deste evento, sendo considerado o

mais importante documentarista asiático contemporâneo. Kazuo irá partilhar as suas experiências com o público, além de que os seus cinco documentários farão também parte do programa, com os nomes “Goodbye CP”, “Eros Extremamente Privado: Canção de Amor 1974”, “O Exército Nu do Imperador Continua a Marchar”, “Uma Vida Dedicada” e “O Desastre de Amianto de Sennan”.

COREIA A ABRIR

O filme de abertura será o “Dia da Libertação”, que é “uma obra sobre a famosa banda arte rock ex-jugoslava Laibach e a sua viagem a Pyongyang para tocar no concerto de celebração do Dia da Libertação da Coreia do Norte”. O primeiro dia do festival vai também contar com dois convidados de Hong Kong, de nome Yuen Chi-Chung e Dennis Wong, que irão protagonizar um espectáculo musical e uma conversa sobre a banda Laibach. Este evento come-

ça às 16h30, tendo entrada livre. O festival conta ainda com outros filmes como “A Vida É Frutada”, “Os Van Goghs da China”, “Kedi”, “Morrer Amanhã”, “Comunhão”, “Light Up”, “Rostos Lugares” e “Ryuichi Sakamoto: CODA”. “A Vida É Frutada” (realizado por Kenshi Fushihara), é sobre as vidas e filosofia do arquitecto japonês Shuichi Tsubata e sua esposa Hideko e a sua busca de harmonia entre a humanidade e a natureza. “Os Van Goghs da China” (realizado pela parceria pai-filha de Yu Haibo e Yu Tianqi) retrata a vida de Zhao Xiaoyong, um camponês

tornado pintor em Dafen, uma das “aldeias de pintura a óleo” de Shenzhen, que produziu réplicas de Van Gogh durante toda a vida e finalmente realiza o seu sonho de viajar até à Holanda para seguir as pisadas do mestre. “Light Up” (realizado por Deniece Law, uma conhecida investigadora social de Hong Kong) regista quatro pessoas deficientes que perseguem os seus sonho através do teatro. O realizador encontrar-se-á com o público depois da sessão. “Rostos Lugares” é um encantador e interessante documentário sobre Agnès Varda, a madrinha da

Hara Kazuo, realizador japonês independente, será o rosto principal deste evento, sendo considerado o mais importante documentarista asiático contemporâneo. Kazuo irá partilhar as suas experiências com o público, além de que os seus cinco documentários farão também parte do programa

Nova Vaga francesa, que se junta a JR, um artista contemporâneo, para viajar por aldeias francesas numa missão de ligar o público e a comunidade artística através da fotografia. O filme ganhou o Prémio Golden Eye (Melhor Documentário) no Festival de Cinema de Cannes 2017. “Ryuichi Sakamoto: CODA” é o primeiro documentário sobre Ryuichi Sakamoto, o compositor premiado pela Academia e um dos mais importantes músicos japoneses. Continuaremos também a contar com a “Secção Portuguesa” este ano e alargamos o horizonte para incluir mais filmes de países lusófonos, tais como o Brasil e Cabo Verde. Vamos olhar mais longe em busca da visão criativa do universo lusófono. O “Realizador em Foco” HARA Kazuo dará uma master class, passando em revista mais de quatro décadas de prática documental. O próprio mestre explicará o seu método de “documentário de acção” e o seu entendimento da genealogia do “extremamente privado” no cinema documental asiático e mundial. O festival encerra com um espectáculo musical da banda Cicada, de Taiwan, que vai tocar uma banda sonora ao vivo. De acordo com o mesmo comunicado, os Cicada são conhecidos por “dedicarem a sua música ao retrato da relação entre a humanidade e o ambiente. O concerto decorre dia 4 de Agosto no Teatro D. Pedro V. Os bilhetes para este festival estão à venda na bilheteira da Cinemateca Paixão e também no website. Cada bilhete custa 60 patacas.

ARQUITECTURA ÁLVARO SIZA É HOMENAGEADO PELA ORDEM DOS ARQUITECTOS

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LVARO Siza vai ser homenageado pela Ordem dos Arquitectos, amanhã, às 18h30, no Auditório Fernando Távora da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, no âmbito das celebrações do

Dia Nacional do Arquitecto. “Além da obra, de uma singularidade e autenticidade inquestionáveis, pretende-se homenagear a pessoa e o docente”, referiu em comunicado a Ordem dos Arquitectos. A cerimónia vai contar com

a presença do homenageado, Álvaro Siza, que é membro honorário da Ordem dos Arquitetos desde 2009. No final das celebrações, o trio Bode Wilson, a trompetista Susana Santos Silva e o guitarrista Eurico

Costa vão protagonizar uma actuação musical. O Dia Nacional do Arquitecto celebra anualmente “a função social, a dignidade e o prestígio da profissão de arquitecto em Portugal”, assinalando assim a data de

publicação do Estatuto da Ordem dos Arquitetos, em 3 de Julho de 1998, salienta a Ordem. A homenagem realiza-se quando o arquitecto completa 85 anos, 60 de actividade, numa altura em

que a FAUP acolhe “Neighbourhood: Where Álvaro meets Aldo”, com curadoria de Nuno Grande e Roberto Cremascoli, a exposição que representou Portugal na 15.ª Bienal de Arquitetura de Veneza, em 2016.


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segunda-feira 2.7.2018

HISTÓRIA FERNANDO ROSAS ALERTA PARA PERIGO DO CONHECIMENTO SEM CULTURA

clima de perseguição já instalado, até à reabilitação, com o levantamento da interdição, em 1873. Inicialmente, a instalação da Companhia de Jesus, no Japão, foi uma história de sucesso - Nagasaki chegou a ser administrada pela ordem -, mas em 1590, o clima era já de confronto com poderes feudais.

BUDA E MARIA

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historiador Fernando Rosas alerta para a “desculturalização do conhecimento”, promovida pelas novas tecnologias, e considera que “a substituição do Homem pela máquina só se resolve no quadro de uma sociedade socialista”. Fernando Rosas, autor, entre outras obras, de “Portugal Século XX: Pensamento e Acção Política” (2004), faz estas declarações a encerrar o novo volume, a si dedicado, da série “Fio da Memória”, de autoria de José Jorge Letria, editada pela Guerra e Paz. Esta série publica entrevistas a personalidades da cultura, contando com títulos dedicados à escritora Lídia Jorge, ao maestro Álvaro Cassuto, ao cineasta António-Pedro Vasconcelos, ao catedrático de filosofia Manuel Maria Carrilho, ou o ensaísta Eduardo Lourenço. No último capítulo do novo volume, intitulado “Nas Minhas Velhas Convicções de Militante Socialista”, o historiador comenta que quando alguém quer saber quem foi Vladimir Lenine (1870-1924), político que liderou os sucessivos Governos russos desde o derrube da monarquia, em 1917, até 1924, resolve o problema de “telemóvel em punho”. Rosas afirma que “há uma ‘desculturalização’ do conhecimento” e, noutro capítulo da obra, numa resposta a Letria, argumenta que “nada substitui o livro e o papel”, referindo que, no actual contexto, “há é uma desistência da leitura, da reflexão crítica e da controvérsia”.

No conjunto, estes locais envolvem toda a história do cristianismo no Japão, dos mais antigos testemunhos, que vão da chegada dos missionários, no século XVI (1548/1550), passando pela interdição, no início do século XVII, que veio culminar no clima de perseguição já instalado, até à reabilitação.

JAPÃO UNESCO CLASSIFICA LUGARES CLANDESTINOS DO CRISTIANISMO

Vestígios lusos

Os sítios cristãos clandestinos da região de Nagasaki, no Japão, onde comunidades missionárias ibéricas tiveram um papel determinante, no século XVI, foram classificados este fim-de-semana como Património Mundial da UNESCO

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reunião do Comité do Património Mundial da organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), em Manama, no Bahrein, vai no segundo dia de análise de uma lista de 30 candidaturas à classificação, que também inclui o cemitério militar português de Richebourg, em França, onde estão enterrados cerca de 1800 soldados, mortos na Grande Guerra de 1914-

1918. A candidatura japonesa foi aprovada este fim-de-semana, a par de edificado vitoriano de Mumbai, na Índia, do sítio arqueológico de Fars, no Irão, e dos mosteiros budistas da Coreia do Sul. A classificação dos sítios cristãos clandestinos da região de Nagasaki tivera já indicação positiva do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS, sigla da designação inglesa), organismo consultivo do processo.

O processo de classificação envolve 12 elementos: dez localidades da região de Nagasaki, o castelo de Hara, na península de Shimara, e a catedral de Oura, construída no século XIX. No conjunto, estes locais envolvem toda a história do cristianismo no Japão, dos mais antigos testemunhos, que vão da chegada dos missionários, no século XVI (1548/1550), passando pela interdição, no início do século XVII, que veio culminar no

A interdição do cristianismo viria a ser decretada em 1614, as relações com Portugal seriam suspensas e os europeus seriam expulsos. Durante a primeira metade do século XVII, 75 missionários foram executados e estima-se que mais de um mil cristãos foram mortos. Entre os locais classificados estão Arima e Amakusa, locais da revolta cristã de 1637. Na ilha de Kuroshima, outro dos locais classificados, o templo budista ocupa hoje o lugar da antiga igreja Shuntokuji (Dos Santos), fundada por portugueses, exemplo actual de tolerância religiosa, onde uma imagem de Maria está ao lado de um Buda. O escritor Shusako Endo escreveu sobre a perseguição aos cristãos japoneses no romance “Silêncio”, que o realizador norte-americano Martin Scorsese, levou ao cinema, centrado na história dominante do missionário Cristóvão Ferreira, de Torres Vedras, que foi morto no Japão, no século XVII. João Mário Grilo dirigiu “Os Olhos da Ásia”, filme que combina reconstrução de época com a actualidade, num tom documental, que visita os locais agora sujeitos a classificação. O Comité de Património Mundial da UNESCO iniciou na sexta-feira a análise de novas candidaturas a património mundial, entre as quais se encontra a franco-belga “Lugares funerários e memoriais da I Guerra Mundial na Frente Ocidental”, que envolve mais de meio milhão de sepulturas, de mais de uma centena de cemitérios, necrópoles e monumentos. O cemitério militar português de Richebourg pode, assim, vir a fazer parte da lista de lugares classificados como Património Mundial, no ano em que se assinala o centenário da Batalha de La Lys, a maior derrota militar portuguesa. As classificações feitas contemplam as construções tradicionais de Thimlich Ohinga, no Quénia, a antiga cidade muralhada de Qalhât, em Omã, e o oásis de Al Ahsa, na Arábia Saudita, o maior do mundo. O Comité da UNESCO reúne-se até 4 de Julho no Bahrein. Entre as candidaturas em análise encontram-se também a Catedral de Naumburgo, na Alemanha, as Colónias de Beneficência da Bélgica e da Holanda, a Medina de Azahara, em Espanha, o conjunto urbano histórico de Nimes, em França, as minas de Rosia Montana, na Roménia, e o sítio megalítico de Göbekli Tepe, na Turquia.


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2.7.2018 segunda-feira

ECONOMIA PEQUIM PEDE A SEUL QUE COOPERE NA PROTEÇÃO DO LIVRE COMÉRCIO

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ECONOMIA MAIS SECTORES ABERTOS AO INVESTIMENTO ESTRANGEIRO

Abram alas

A China reduziu as barreiras ao investimento estrangeiro nos sectores de construção automóvel, seguros e outros, parte de um compromisso de maior abertura económica, face às crescentes disputas comerciais com Washington

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documento emitido pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, o órgão máximo chinês de planificação económica, anuncia ainda a redução ou eli-

minação dos limites de propriedade estrangeira em empresas na área de construção aeronáutica e naval ou de redes eléctricas. No total, Pequim reduz de 63 para 48 os sectores fechados ao investimento externo.

O documento emitido pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, o órgão máximo chinês de planificação económica, anuncia ainda a redução ou eliminação dos limites de propriedade estrangeira em empresas na área de construção aeronáutica e naval ou de redes eléctricas

Bruxelas e Washington acusam a China de bloquear a aquisição de activos no país, enquanto as empresas chinesas, nomeadamente estatais, têm adquirido negócios além-fronteiras em diversos sectores. O anúncio segue-se à ameaça feita pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor limites ao investimento chinês no país, mas que, entretanto, não cumpriu. Muitas das alterações "foram abordadas antes pela liderança chinesa", afirmou Jake Parker, vice-presidente

do Conselho Empresarial EUA - China. "Mas continuam a representar, em teoria, uma abertura significativa, que temos vindo a pedir há muito tempo", acrescentou, citado pela agência Associated Press. Não houve alterações que abordem directamente as acusações de Washington de que Pequim pressiona empresas estrangeiras a transferirem tecnologia em troca de acesso ao mercado.

SECTORES INTOCÁVEIS

Trump ameaçou impor taxas alfandegárias de 25 por cento sobre um total de 450 mil milhões de dólares de exportações chinesas para o país. Pequim prometeu retaliar, suscitando receios de uma guerra comercial entre as duas maiores economias mundiais. Pequim mantém fechado ao investimento externo os sectores editorial, serviços noticiosos ‘online', cinema ou televisão e restrições na exploração de gás e petróleo e nas telecomunicações. O plano prevê um aumento gradual da participação estrangeira permitida, primeiro para 51 por cento e depois 100 por cento.

DIPLOMACIA KIM REFORÇA LAÇOS COM PEQUIM EM SEGUNDA VISITA À FRONTEIRA

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líder norte-coreano sublinhou o reforço dos laços económicos com Pequim, ao realizar uma segunda visita em apenas dois dias à fronteira com a China, informou ontem a agência estatal norte-coreana KCNA. Kim Jong-un visitou uma fábrica de cosméticos na cidade de Sinuiju, capital da província de Pyongan do Norte, situada na margem sul do rio Yalu, na fronteira entre os dois países. Sinuiju foi designada em 2002 zona económica especial por Kim Jong-il, pai do actual líder, para desenvolver projetos económicos conjuntos com Pequim.

A execução em 2013 do responsável norte-coreano Jang Song-thaek, figura próxima de Pequim, implicou o congelamento destes projetos de cooperação. Kim fez a visita na companhia da mulher, Ri Sol-ju, e de Kim Song-nam, vice-director do departamento internacional do Partido dos Trabalhadores e considerado encarregado das relações com a China do partido único norte-coreano. Depois do aumento da tensão, no ano passado, na sequência de vários testes de armas efectuados por Pyongyang, Pequim impôs as sanções económicas aprovadas pela ONU contra o regime norte-coreano.

Desde o início do ano, Kim reuniu-se duas vezes com o chefe de Estado da Coreia do Sul, Moon Jae-in, e realizou uma cimeira histórica com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Nestes encontros, o líder norte-coreano assinou declarações nas quais se comprometeu a trabalhar para alcançar a "total desnuclearização" da península coreana. Por outro lado, as duas Coreias normalizaram ontem a comunicação entre navios de guerra, no âmbito de acordos para facilitar a aproximação e a desnuclearização da península, anunciou o Ministério da Defesa sul-coreano.

primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, apelou no fim-de-semana aos empresários sul-coreanos que ajudem a "proteger o livre comércio", num esforço para procurar aliados, face às crescentes disputas comerciais com os Estados Unidos. Pequim está disposto a "abrir-se mais", afirmou Li, num encontro em Zhongnanhai, a sede do poder chinês, onde vive a liderança do país. O grupo incluía o vice-presidente do grupo Samsung Electronics, Yoon Boo-keun, e o presidente do SK Group, um dos maiores conglomerados da Coreia do Sul. "A China está disposta a trabalhar em conjunto com a Coreia do Sul para proteger o livre comércio, o multilateralismo, a paz global e a estabilidade globais", afirmou Li Keqiang. A Coreia do Sul é o último de vários países com que a

China se tem tentado aliar, face à imposição de taxas alfandegárias pelo Presidente norte-americano sobre produtos importados da China, em retaliação contra a política de Pequim para o setor tecnológico. Wa s h i n g t o n acusa Pequim de pressionar empresas estrangeiras a transferirem tecnologia em troca de acesso ao mercado chinês. As relações entre Seul e Pequim foram, no entanto, abaladas, após a Coreia do Sul ter instalado o sistema antimíssil norte-americano THAAD, no ano passado, que a China considera constituir uma ameaça ao seu território. Em retaliação, quase todos os supermercados da firma sul-coreana Lotte na China foram encerrados, por violar algum tipo de norma local, num boicote promovido por Pequim. Os terrenos para a instalação do THAAD foram trespassados ao Governo sul-coreano pela Lotte.

Acidente de Viação Pelo menos 18 mortos e 14 feridos em Hunan

Pelo menos 18 pessoas morreram e 14 ficaram feridas numa colisão frontal entre um autocarro de passageiros e um camião, numa autoestrada no centro da China, de acordo com um novo balanço divulgado no fim-de-semana pela polícia. O acidente ocorreu na sexta-feira à noite, na província de Hunan, a sul de Pequim. Apesar das melhorias registadas ao nível da segurança rodoviária, dados da Organização Mundial de Saúde mostram que perto de 260 mil chineses morrem todos os anos em acidentes de viação, incluindo muitos transeuntes, ciclistas e motociclistas. Excesso de velocidade, ultrapassagens perigosas, veículos com pouca manutenção e condutores cansados são as causas mais frequentes dos acidentes rodoviários na China. Os autocarros de longo curso são uma alternativa económica aos comboios de alta velocidade ou aviões para a grande maioria dos chineses nas viagens no país.


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segunda-feira 2.7.2018

HONG KONG MANIFESTANTES IMPEDIDOS DE SE APROXIMAREM DE COMEMORAÇÕES

Entrada reservada A polícia de Hong Kong impediu hoje cerca de 20 manifestantes pródemocracia de se aproximarem do local onde decorria uma cerimónia comemorativa do aniversário da transferência de soberania do território do Reino Unido para a China

ÍNDIA CENTENAS EXIGEM PENA DE MORTE PARA ALEGADOS VIOLADORES DE MENINA

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ENTENAS de pessoas saíram à rua no sábado, em várias localidades no centro da Índia, para exigir a pena de morte para dois suspeitos da violação de uma menina de 7 anos, foi ontem noticiado. A polícia deteve os dois suspeitos de violação da menina, que tentaram matar, na terça-feira em Mandsaur, uma cidade do estado de Madhya Pradesh. A cidade fica a 685 quilómetros a sudoeste de Nova Deli. A menina foi hospitalizada e o seu estado é estável, disse um responsável da polícia local Manoj Kumar Singh. A vítima esperava os pais à saída da escola, quando foi alegadamente raptada pelos dois suspeitos, indicou. Na Índia, os crimes contra as mulheres têm registado um aumento, apesar de leis mais severas. O país foi abalado por uma série de crimes sexuais desde 2012, quando uma estudante foi violada e assassinada por vários homens num autocarro em Nova Deli. O Governo aprovou legislação que agrava a pena pelo crime de violação de um adulto para 20 anos de prisão, e recentemente decidiu impor a pena de morte aos condenados por violação de crianças com menos de 12 anos.

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S manifestantes transportavam um caixão, símbolo da morte da democracia, e gritaram palavras de ordem contra o regime de partido único na China, exigiram o sufrágio universal em Hong Kong e no país, bem como a libertação de Liu Xia, viúva do prémio Nobel da Paz Liu Xiaobo. A cerimónia, junto ao porto Vitória, decorreu sem interrupções, na presença da chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam. Mais tarde, numa recepção, Lam manifestou confiança no futuro da Região Administrativa Especial chinesa. A transferência da soberania britânica de Hong Kong para a China ocorreu a 1 de Julho de 1997. Pequim garantiu, ao abrigo do princípio "um país, dois sistemas", um período de transição de 50 anos, durante o qual o território manterá uma autonomia alargada, com sistemas legal e financeiro próprio. No entanto, a China deixou claro que as liberdades de Hong Kong não podem pôr em causa a soberania chinesa sobre o território. No discurso proferido nas cerimónias do 20.º aniversário da transferência em 2017, o Presidente chinês, Xi Jinping, advertiu que quaisquer actividades

Região

CRIME POLÍCIA ENCONTRA 11 PESSOAS MORTAS NUMA CASA EM NOVA DELI

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em Hong Kong no território vistas como uma ameaça para a soberania da China e a estabilidade do país serão inadmissíveis. "Qualquer tentativa que ponha em perigo a soberania e segurança da China, desafie o poder do Governo central e a autoridade

da Lei Básica de Hong Kong (...) é absolutamente inadmissível", declarou há um ano.

UM PAÍS

Na ocasião, Xi sublinhou que Pequim vai garantir a aplicação "com firmeza" do princípio "um país, dois sistemas",

Os manifestantes transportavam um caixão, símbolo da morte da democracia, e gritaram palavras de ordem contra o regime de partido único na China, exigiram o sufrágio universal em Hong Kong e no país, bem como a libertação de Liu Xia, viúva do prémio Nobel da Paz Liu Xiaobo

enquanto o Governo de Hong Kong "deve manter-se fiel a esta direcção e respeitar integralmente" aquele princípio. Este conceito foi criado para defender a unidade do país e qualquer desafio à soberania ou apoio à oposição representa uma ruptura do princípio "um país, dois sistemas", acrescentou. O respeito e aplicação do princípio "um país, dois sistemas" responde às necessidades da população de Hong Kong, de manter a prosperidade e estabilidade de Hong Kong, serve os interesses fundamentais da nação e as aspirações partilhadas de todos os chineses, disse.

polícia da Índia encontrou 11 corpos de pessoas numa casa, na capital indiana, mortas em circunstâncias misteriosas, 10 delas vendadas e penduradas no tecto. A maioria das vítimas pertencia a uma família e vivia numa casa em Burari, no norte de Nova Deli, segundo a polícia. As autoridades investigam se morreram por suicídio ou foram mortos. Não foi deixada qualquer nota de suicídio e os corpos estão agora a ser autopsiados. A polícia indicou que não há marcas de balas nos corpos, nem sinal de entrada forçada na casa. Das onze pessoas, dez foram encontradas, vendadas, penduradas numa grade de ferro usada como

ventilador no pátio, enquanto o corpo de uma mulher de 70 anos estava no chão da casa, disse a polícia. A polícia disse que as vítimas são quatro homens, três mulheres e quatro meninas. A família vivia na casa há mais de duas décadas, segundo o jornal Hindustan Times. A casa pertencia a um dos homens da família, que tinha um negócio. O jornal disse que, por volta das 8h de domingo (hora local), um vizinho, com quem aquele homem costumava ir fazer caminhadas matinais, foi vê-lo e encontrou a porta da casa aberta e as 10 pessoas, incluindo o empresário, penduradas. Vizinhos disseram a canais de televisão da Índia que não era conhecida discórdia na família.


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2.7.2018 segunda-feira

os homens em busca do rasto das nuvens, o rasto das nuvens não deixa tracos Paulo Maia e Carmo texto e ilustração

Da Iminente Revelação na Pintura

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LAUDE Monet (1840-1926) corria contra o tempo para conseguir captar sobre uma tela e utilizando os materiais da pintura a óleo, a viva impressão do nascer do sol. O seu método era inovador; ele deslocava-se ao lugar e à hora necessária para observar as mutações da luz sobre a natureza. Seu colega e amigo Edouard Manet (1832-83) pintou-o, replicando o seu método, em 1874 sentado no seu barco a trabalhar en plein air. A ideia de pintar o instante que passa era um corte abrupto com tudo o que tinha sido o entendimento da pintura na Europa: o seu formalismo desenvolvera uma forma académica, a única adequada para a representação de certos motivos significativos. Monet caminhando fisicamente em direcção à aurora buscava a liberdade do traço na pintura e não importa se também o seu gesto fosse encapsulado academicamente na história da pintura com o nome de «impressionismo». A liberdade que Wu Zhen (1280-1354) encontrou, nas suas pinturas a tinta preta sobre papel, resultava do encontro de um processo interior com a observação atenta da natureza, onde só breves apontamentos denotavam a presença humana. O equilíbrio notável das suas composições, como na pintura «Pescadores» que está no Museu do Palácio Nacional em Taipé, contrasta com a descrição do seu processo feita por Nizan (1301-1374): «Mei Daoren vivia na Mansão da Flor de Ameixoeira (um dos nomes alternativos de Wu Zhen era Mei Daoren, «o Daoísta da Flor de Ameixoeira»). À sua janela tinha um cálice cheio de um vinho resinoso. Quando se embebedava, movia o pincel, pintando o ar das montanhas, a neblina, o nevoeiro e as nuvens sem o mínimo erro.» A rapidez com que alcançava o resultado pretendido resultava do que Yun Xiang escreveu num comentário: «O que em Wu Zhen se mostra de forma inegável é a sua capacidade de conter dez mil traços de pincel num só.» Ele próprio considerava o seu trabalho como um «jogo com a tinta», moxi: Esse trabalho é a «derradeira perfeição da escrita literária e poética do homem de letras. É feita de acordo com a inspiração do momento e é na opinião dos conhecedores algo totalmente livre. Li o poema de Chen Jianzhai sobre a pintura de flores de ameixoeira que diz: «O espírito é suficiente, porque procurar a semelhança colorida?» A semelhança teria mais que ver com a virtude moral do pintor: «Wu Zhen tinha um carácter solitário e orgulhoso, de uma pureza inflexível: assim era a sua pintura, altaneira e nobre», escreveu Zhang Geng (1685-1760). Wu Zhen corria para recriar a paisagem que guardara no seu coração como Monet corria para não perder a visão do nascer do sol. Ambos se apressavam para apreender algo que vivemos na iminência de perder, algo que porventura intuíamos que deveríamos compreender, essa fugaz impressão.


segunda-feira 2.7.2018

ARTES, LETRAS E IDEIAS 19

ofício dos ossos Valério Romão

Agora, o regresso

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EMBRO-ME de quando ganhámos o Euro. Vi o jogo com uns amigos nos kebabs do largo do Conde Barão. Os paquistaneses tinham instalado uma televisão uma televisão na esplanada e asseguravam um fluxo ininterrupto de cerveja do balcão para as mesas. Quando Fernando Santos fez entrar Éder, aqueles de entre nós que percebiam de bola um bocadinho mais de bola do que o adepto instantâneo que surge em todos os europeus e mundial jogaram as mãos à cabeça. O Éder? O Éder era aquele tipo alto e mal jeitoso que tinha uma relação mais complicada com o golo do que um neurótico com a mãe. O Éder estava lá porque tínhamos vergonha de apresentar uma convocatória desprovida de pontas-de-lança. Se calhar era um gajo que animava o balneário. Se calhar era o talismã ou a mascote. Mas não era certamente pelo talento para o jogo que tinha sido convocado. Quando o Éder marcou, o mundo (pelo menos em Portugal) veio compreensivelmente abaixo. Era como se de repente todo o karma e todas as coisas maravilhosas passíveis de terem acontecido e de nos virem a acontecer tivessem confluído naquele ponto específico de espaço-tempo para nos redimirem de todas as vitórias morais, de todos os quase, da eterna maldição de sermos uma das melhores selecções do mundo sem baliza. Os deuses, por uma vez na vida, tinham engraçado connosco. Celebrámos com abraços prováveis e improváveis. Lembro-me do empregado de mesa gritar “Portugal” como se tivesse sido possuído pelo espírito de um tenor num ataque de fúria doméstica. Quando soou o apito final, os donos dos kebabs deixaram de receber pela cerveja. Estiveram abertos até às seis da manhã a servir copos à pala. Afinal, não se é campeão europeu todos os dias e eles, portugueses por opção, festejaram como se tivessem no ADN um Afonso Henriques pronto a despertar. Passados alguns dias, a euforia deu lugar a um contentamento envergonhado. Afinal, a presença na final tinha sido uma surpresa, tendo em conta o desempenho dos recém-empossados campeões europeus nas fases de grupo e nas eliminatórias. Ao contrário daquilo que estávamos habituados há uns dez anos, Portugal jogava mal e aborrecidamente e ganhava. Ou melhor, empatava no tempo regulamentar e decidia a coisa nos penalties ou através de um golo fortuito no tempo complementar. Era uma espécie de Itália sem a vocação ultradefensiva mas com muito mais sorte. No fundo, e não queríamos olhar a coisa por esse ângulo, mas havia uma parte de nós que sabia não que não merecíamos aquela vitória inusitada. Por outra parte, tínhamos o Ronaldo, e quem tem o Ronaldo arrisca-se a ganhar sem ter que justificar nada. Este mundial, penoso de assistir, veio confirmar o que já sabíamos: a selecção dos anos noventa, a melhor do mundo sem balizas, já foi. Portugal é uma equipa regular, pragmática sem ser cínica, voluntariosa mas atabalhoada e solidária com a ideia de que Ronaldo tem a obrigação de resolver. É uma espécie de funcionário mais ou menos zeloso, mais ou menos competente, à espera da sorte de um deslize alheio para lhe calhar a promoção. Faz-me lembrar uma reportagem da saudosa liga dos últimos na qual um jogador de uma equipa da terceira divisão repetia, sem fim à vista, “somos todos humanos, onze contra onze, vamos danificar a camisola do clube”. Ao contrário desse jogador, já não temos a ideia de que vamos deixar tudo em campo no processo. Portugal já não é um país de românticos.

No fundo, e não queríamos olhar a coisa por esse ângulo, mas havia uma parte de nós que sabia não que não merecíamos aquela vitória inusitada. Por outra parte, tínhamos o Ronaldo, e quem tem o Ronaldo arrisca-se a ganhar sem ter que justificar nada.


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desporto 21

segunda-feira 2.7.2018

LIGA DE ELITE CAMPEONATO TERMINA COM VITÓRIA DO BENFICA DIANTE DO SPORTING

Ao cair do pano

A Liga de Elite terminou ontem à noite com um clássico que as águias ganharam por 2-0 frente aos leões. O Chao Pak Kei ganhou 5-1 frente ao Ka I e garantiu o 2.º lugar da Liga de Elite

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OI com uma vitória do Benfica de Macau diante do Sporting de Macau, por 2-0, que a Liga de Elite terminou. O encontro foi disputado, ontem à noite, no Estádio de Macau e serviu apenas para cumprir calendário, isto porque momentos antes o Chao Pak Kei goleou o Ka I por 5-1 e colocou um fim à ténue esperança que os leões ainda tinham de chegar ao 2.º lugar da Liga de Elite. As águias venceram, mas o jogo poderiam ter tido uma história diferente, porque os leões tiveram uma oportunidade de ouro, aos 36

minutos, para se adiantarem no marcador. Após uma excelente arrancada na direita do ataque, Prince sofreu um toque na área dos encarnados e o árbitro assinalou falta. Porém, o nigeriano permitiu que Batista defendesse e segurasse a igualdade. Com o resultado em 0-0, chegou o intervalo. No segundo tempo, o Benfica mostrou a razão de ser campeão e controlou os acontecimentos. Aos 50 minutos, Tetteh rematou à entrada da área, e o guardião do Sporting defendeu à primeira, mas Nicholas Torrão foi o mais rápido a chegar ao ressalto e encostou para o 1-0.

Minutos depois, aos 69, um arrancada de Pang Chi Hang conduziu um contra-ataque pela esquerda do ataque encarnado e o lance acabou com um chapéu ao guardião adversário que colocou o resultado em 2-0. Antes do fim do último jogo da Liga de Elite de 2018, o Benfica também teve um penálti a seu favor, mas Carlos Leonel falhou a baliza do Sporting.

C.P.K. FOI SEGUNDO

Com o 2.º lugar matematicamente ainda em aberto, o C.P.K. confirmou o estatuto de favorito à posição e não facilitou diante do Ka I. A precisar de um empate,

TABELA CLASSIFICATIVA Lugar 1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º

Equipa Benfica C.P.K. Sporting Ching Fung Ka I Monte Carlo Polícia Hang Sai Lai Chi Alfândega

Pontos 52 43 38 36 30 25 13 14 7 3

Jogos 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18

Vitórias 17 13 12 11 9 8 4 4 2 1

Empates 1 4 2 3 3 1 1 2 1 0

Derrotas 0 1 4 4 6 9 13 12 15 17

O senhor que se segue José Peseiro é o treinador escolhido por Sousa Cintra

O

S p or ting anunciou ontem que José Peseiro é o novo treinador da equipa de futebol, com o técnico a regressar ao clube que treinou entre 2004 e 2006. "Há dias, quando o outro treinador [Mihajlovic] foi embora, disse que até segunda-feira apresentaria um novo treinador. Gosto de cumprir o que digo e estou aqui a cumprir, para apresentar o nosso amigo José Peseiro, que já conhece os cantos à casa", disse o presidente da SAD do Sporting,

Sousa Cintra, explicando ter sido uma escolha sua. O técnico, de 58 anos, assume a equipa leonina por uma época (2018/19) e "possibilidade de prorrogação por mais uma", segundo a SAD comunicou já à CMVM e após José Sousa Cintra ter anunciado durante a semana a saída do sérvio Sinisa Mihajlovic. O sérvio tinha sido contratado por Bruno de Carvalho, presidente do clube até à sua destituição em Assembleia Geral em 23 de Junho.

Golos 89-8 111-16 55-15 38-21 73-34 35-33 18-55 20-89 16-105 8-87

a equipa mostrou-se mais dominante, logo na primeira parte. Porém, só conseguiu marcar perto do intervalo. Aos 42 minutos a defesa do Ka I perdeu a bola para Diego Patriota que com um remate à entrada da área colocou o resultado em 1-0. O brasileiro contou ainda com a ajuda do guarda-redes, que ficou muito mal na fotografia. Na segunda parte, foi o C.P.K. que voltou a entrar mais forte e Patriota, aos 67, entra na área, faz o que quer da defesa adversária e desvia para o 2-0. O jogo parecia estar resolvido, mas um remate de longe de William, no momento alto da noite,

Poucos dias depois, Sousa Cintra foi nomeado novo presidente da SAD e anunciou a saída de Sinisa Mihajlovic. “A ambição de José Peseiro é também a minha, que é a do Sporting ser campeão esta época. É claro que se ele não tiver ‘matéria-prima’ à altura das exigências do Sporting será difícil, mas vamos contratar reforços de qualidade e apresentar-nos à altura dos rivais e da luta pelo título”, prometeu Sousa Cintra aos sportinguistas. O responsável da SAD do Sporting justificou a escolha do novo treinador: “Entendi que Peseiro é o treinador certo neste momento que o Sporting atravessa. Em primeiro

Após uma excelente arrancada na direita do ataque, Prince sofreu um toque na área dos encarnados e o árbitro assinalou falta. Porém, o nigeriano permitiu que Batista defendesse e segurasse a igualdade aos 72 minutos, colocou o marcador em 2-1. Apesar de tudo parecer em aberto, o Chao Pak Kei respondeu prontamente e com golos de Souza (76), Bruno Nogueira (79) e Patriota (87), que fez hat-trick, estabeleceu o 5-1 final. No pólo oposto da tabela classificativa, caso não haja desistências ou penalizações inesperadas, Lai Chi e Servi-

lugar conhece os cantos à casa, conhece o futebol português, os jogadores, os adversários. Fez um grande trabalho no Sporting, levou-nos à final da Liga Europa, fez um bom campeonato, que perdemos apenas na última jornada, o que mostra a sua competência. Além disso, é uma pessoa simpática, de bom trato, que cultiva amizades”. Sousa Cintra revelou que a ambição de Peseiro é a mesma dele, pôr o Sporting campeão: “Perguntei-lhe logo assim que começámos a falar. Se a ambição dele era ser campeão no Sporting já esta época e a resposta foi imediata e positiva. Sei que sem ovos não se fazem omeletes, mas vamos

ços de Alfândega caem para a 2.ª Divisão. Por sua vez, e numa altura em que ainda falta uma jornada para o final da divisão secundaria, Tim Iec e Sub-23, equipa que pertence à Associação de Futebol de Macau, são as equipas que vão ser promovidas à Liga de Elite. João Santos Filipe joaof@hojemacau.com

trabalhar para isso. O treinador irá analisar rapidamente o plantel e vamos atacar os jogadores certos e que estejam à altura da ambição do Sporting”. Uma das preocupações de Sousa Cintra é que todos os jogadores se sintam “apoiados e acarinhados” no Sporting e que “nada lhes falte” para que possam desenvolver o seu trabalho e entrar “numa onda positiva e de confiança”. “O Sporting não precisa de um clima de guerrilha, de atropelos, de falta de respeito. Nunca vi ninguém ganhar fazendo guerras”, disse Sousa Cintra, numa alusão à anterior gerência de Bruno de Carvalho.


22 futilidades

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AGUACEIROS

O QUE FAZER ESTA SEMANA Terça-feira

EXPOSIÇÃO “COLLAGES” Fundação Rui Cunha | 18h30

Quarta-feira

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FILME “THE ITALIAN JOB” Casa Garden | 19h00

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FILMES “COMBOIO DE SAL E AÇÚCAR + LOUCURA” Cinemateca Paixão | 19h30

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Um filme de: J.A. Bayona Com: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, BD Wong, Jeff Goldblum 16.30, 19.00 SALA 2

Um filme de: Steven C. Miller Com: Sylvester Stallone, Dave Bautista, Huang XiaoMing 14.30, 16.30, 21.30

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BAHT

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ESCAPE 2 6 1 8PLAN92: HADES 8 OCEAN’S 1 2EIGHT3 [B] 7 7 3 5 4 6 5 8 9 2 4 OF 9 COLORS 7WIND6 THE [B] 1 5 1 4 8 7 3 3 5 7 6 2 6 HOTEL 9 ARTEMIS 4 5[C] 1 4 2 3 9 8 SALA 2

Um filme de: Gary Ross Com: Sandra Bullock, Cate Blanchett, Anne Hathaway, Mindy Kaling 19.30 SALA 3

FALADO EM JAPONÊS, LEGENDADO EM INGLÊS / CHINÊS Um filme de: Kwak Jae-Young Com: Furukawa Yûki, Fujii Takemi 14.30, 16.45, 19.15 SALA 1

Um filme de: Drew Pearce Com: Jodie Foster, Dave Bautista 21.30

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 3

PROBLEMA 4

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1 3DISCO 625 7 HOJE 2 4 8 UM

14 7 2 3 88931 5 Se9os 8 blues5fossem 54 1 6 267 africanos, o nome que 8 imediatamente 24568ocorre6 3 197 9 ria seria o de Ali Farka 2 Touré. 3 4O 7trabalho 9 2do 5 7 6 1 compositor do Mali é 9 um7dos6muitos 1 exem9842863 2 plos da universalidade 8 9Entre 7 e 2 4 596 53África musical. os5 blues, 738 6 3 954 61é4impossível ficar indiferente aos sons saem1da 68que 2 4 69 5 843 guitarra e da voz do músico. “The River” é só mais um excelente disco que reúne 11 temas que nos põe a viajar por lugares em que misturamos paisagens e sons. Sofia Margarida Mota

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FALADO EM CANTONÊS, LEGENDADO EM INGLÊS / CHINÊS Um filme de: Jeffrey Chiang Com: Carlos Chan, Carmen Soup, KK Cheung 14.30, 21.30 SALA 1

9 5 1 7 5 2 2 8 5 9 1 3 4 8 4 1 1 9 8

289 4 8 3 5 6 1 13 6 8 7 951 4 5 73541 61482 9 8 8 259 3 6 7 534 6 7752431 913 2 4 154 3 5 2 867 9 5 8864177 4 2 3 4 3 239 8167127 6 9 1 792 5 3 8 6

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3 1 5 8 9 6 2 4 7 9 8 2 Cineteatro 7 5 4 6 3 1 5 6 3 4 2 9 1 7 8

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SERÕES COM HISTÓRIAS – “PEIXE NOS DOIS LAGOS”, COM MIGUEL DE SENNA FERNANDES Fundação Rui Cunha | 18h30

6 4 7 8 1 5 9 1NOITE5COM2PIANO4NA GALERIA 3 9 8 UMA Fundação Rui Cunha | 18h00 8 3 9 2 6 7 5 Sábado 5 1 6“SPELL 7 REEL” 4 3 2 DOCUMENTÁRIO – FESTIVAL CINEMA ENTRE CHINA E PALOP 2 9 8 6 5 1 7 Cinemateca Paixão | 19h30 4 7 3 9 8 2 6 Diariamente “ART 7IS PLAY” 8 1 3 9 6 4 Grande Praça – MGM | Até 9/9 3 2 4 5 7 8 1 9 6 5 1 2 4 3

70-98%

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Quinta-feira

Sexta-feira

HUM

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YUAN

1.22

PROTEJAM OS TAXISTAS!

FILMES “DJON ÁFRICA + LIBERDADE” Cinemateca Paixão | 21h30

FILME “AS BOAS MANEIRAS” Cinemateca Paixão | 21h30

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VIDA DE CÃO

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DOCUMENTÁRIO “SPELL REEL” Cinemateca Paixão | 19h30

MAX

3 9 8 5 5 1 7 3 4 6 2 8 6 2 1 9 9 4 5 6 7 8 3 4 2 7 4 1 1 5 6 2 8hojemacau. 3www. 9 7 com.mo

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S U D O K U

TEMPO

2.7.2018 segunda-feira

9 1 7 4 6 3 8 2 5

Os deputados que têm em mãos a nova lei dos táxis estão preocupados com o cancelamento “radical” das licenças. Segundo o presidente da 3.ª Comissão, Vong Hin Fai, o novo diploma vai fazer com que circulem menos táxis e que a conduta de um taxista penalize o trabalho dos outros que usam a mesma viatura. Anteriormente, o representante da comissão disse também que os custos operacionais iam aumentar, ou seja, pode vir aí mais um aumento das tarifas. Alguém se surpreende com a postura? Durante anos os taxistas fizeram da população de Macau o que quiseram. Sobre os roubos a turistas, no início do ano passado, até houve acusações de que um polícia teria servido de tradutor para extorquir três mil patacas a um casal. Nestes anos todos, quantos falaram na necessidade de introduzir alterações legislativas para alterar a situação? E quando a proposta lei dos táxis demorou anos a ser finalizada, quantos disseram alguma coisa? Pois... Ainda alguém acredita que esta comissão está a trabalhar para defender os interesses dos cidadãos? Talvez esta postura explique porque certos deputados que não vão a reuniões de comissões desta vez se mostraram tão disponíveis e participativos. A bem da redução da criminalidade, espera-se que Wong Sio Chak, que por várias vezes pediu infracções mais duras para os taxistas, vença esta batalha. João Santos Filipe

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3 55 67 8 28 6 81 5 2 9 33 4

9 44 23 7 1 8 2 3 1 8 2 6 5 79 2 6 74 35 59 1 63 7 33 5 4 98 2 1 4 29 6 3 62 7 55 5 8 9 1 87 74 6 6 2 7 58 5 3 24 1 7 2 6 4 9 8 8 15 41 9 33 6 87

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THE RIVER | ALI FARKA TOURÉ

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opinião 23

segunda-feira 2.7.2018

reencarnações

JOÃO LUZ

LAS HORMIGAS, SALVADOR DALÍ

Formiga

A

PENAS mais uma. Laboriosa, incansável, seguindo o meu carreiro, o desígnio que ultrapassa qualquer vestígio de individualidade. Não me atrevo a sair da linha por temer o destino fatídico de ser mais um cadáver sem nome. Baixo a cabeça e carrego o fardo que me justifica até ao formigueiro, todos os dias sempre com a terrível noção do quão dispensável sou neste oceano infinito de outras formigas como eu. A minha natureza é fundada no meu carácter dispensável, na forma como serei inevitavelmente substituída. Sou apenas mais uma, em nada especial vistas as coisas pelo prisma do grande objectivo comum. Somos mais que as mães, tantas que taparíamos esta terra se estivéssemos todos num plano térreo. A abundância determina que tenhamos de viver empilhadas em andares, que tenhamos de ganhar solo ao mar e ao céu e extravasar até que tudo termine. Um destes dias vamos regressar à terra quando o espaço à superfície se esgotar.

Sou apenas mais uma. O que realmente importa é a contribuição para o edifício de todos nós. Apenas um ponto a serpentear as artérias da cidade, a queimar oxigénio para levar a nossa avante. Apenas mais uma, sem vestígio de um pensamento original, sem um laivo de emoção perante o grande esquema cósmico e a beleza poética e cruel desta coisa de nascer, existir e morrer. Viver com pensamentos só me traz problemas, como pedras no carreiro e a vontade imensa de mudar de rumo e fazer-me de peito aberto à contramão. Passar de ser só mais uma para ser a única, a forçar caminho contra a correnteza de conformidade. Sonho desobediente enquanto vergo a mola e sigo, cabisbaixa a minha ordem superiormente estabelecida. Apenas mais uma, faço por não ser notada neste oceano infinito de formigas. Aliás, não me preciso esforçar, porque somos tantas que as minhas acções ficam diluídas num oceano de milhentas réplicas de mim própria. Posso fazer o que me apetecer nesse sentido, desde que permaneça no carreiro, posso canibalizar as minhas companheiras sem medo de repercussão. Cada rainha tem dentro de si a chave para ser mãe de mais de 300 como eu em apenas uma semana na minha acepção de insecto. Somos as infinitas filhas de uma linha de produção biológica que jamais vai parar. Não sou, de todo, o resultado de um milagre da vida, aliás, a minha existência é uma certeza num mundo previsível.

Apenas mais uma a comer tudo o que apanha, a corroer a solidez do mundo, a criar comichão na coesão molecular de tudo e mais alguma coisa, a amargar açúcar, a seguir a correnteza de réplicas desprovidas de alma Apenas mais uma a comer tudo o que apanha, a corroer a solidez do mundo, a criar comichão na coesão molecular de tudo e mais alguma coisa, a amargar açúcar, a seguir a correnteza de réplicas desprovidas de alma. Apenas mais uma, mas ocultando no labor o libidinoso desejo ter asas e voar para fora do carreiro. Mudar de rumo, mudar de rumo acima do formigueiro e partir tendo o vento como guia, acima da barafunda comunicativa de feromonas e antenas. Ficar apenas uma, solitária, sem trilho para seguir, sem carga comunitária para transportar. Ser apenas uma e encontrar-me, não pactuar na perdição colectiva nunca mais, voar acima das artérias carregadas de formigas. Ser apenas uma e voar de acordo com o meu capricho, ter o mistério como destino até deixar de ser.


Vi as democracias intervirem contra quase tudo, salvo contra os fascismos. André Malraux

TÁXIS PSP CRIA LINHA DE RECEPÇÃO DE QUEIXAS DURANTE 24 HORAS

Assim se vê...

Manifestantes contra crematório pedem que o Governo os ouça

O

Corpo de Polícia de Segurança Pública criou a linha aberta, (853) 2837 4214, para receber queixas relacionadas com as irregularidades cometidas por taxistas. De acordo com um comunicado, trata-se de um “sistema 24 horas em serviço ao público, para receber queixas de abusos e violações de táxis, bem como também assim apoiar a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego”. “Qualquer passageiro que seja recusado o transporte pelo taxista, após de ter indicado o local de destino, ou caso o taxista abuse nas tarifas sem seguir o taxímetro, deve então ligar imediatamente para a linha quente acima mencionada, e pressionar no 1 para seleccionar ‘Pedido de Emergência’, é assim logo atendido por agente de polícia”, explica a PSP. De seguida, “o passageiro ofendido deve fornecer o máximo de informações sobre o incidente, tais como o número da licença (alvará) do taxista, o nome do taxista, o local do incidente e o seu número do contacto. O Departamento de Trânsito providenciará de imediato agente policial ao local”. Se o passageiro for “alvo de ameaça, privado de liberdade ou [for vítima] de outras situações criminais, deve ligar para a linha de emergência 999 (ou 110 ou 112) para contactar com a polícia”. Se o incidente ocorrer fora do tempo, o número disponível é o 88666363 da DSAT, para que o passageiro deixe “dados e informações do incidente ocorrido para o prosseguimento e acções de por parte das autoridades”.

Índia Pelo menos 44 mortos num acidente com autocarro

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Pelo menos 44 pessoas morreram, no estado de Uttarakhand, no sopé dos Himalaias, num acidente com um autocarro que caiu num desfiladeiro, segundo a polícia. As autoridades indicam que o motorista perdeu o controlo do autocarro, que caiu num vale profundo. Com o impacto, o veículo partiu-se em dois e está agora num pequeno rio no fundo do vale. As estradas da Índia estão entre as mais mortíferas do mundo e os acidentes mortais são frequentes na cadeia montanhosa dos Himalaias. Cerca de 150 mil pessoas morrem por ano em acidentes rodoviários. As condições das vias de circulação, o mau estado dos veículos e a condução perigosa explicam esses números.

PALAVRA DO DIA

E

NT R E 1.000 e 480 pessoas participaram na manifestação contra o crematório, organizada pelos moradores das imediações do cemitério Sa Kong, na Taipa. O número mais elevado foi avançado pelos organizadores, enquanto a estimativa mais conservadora foi fornecida pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (PSP). Apesar do Executivo ter recuado no projecto, os moradores da zona e outras pessoas que se juntaram à causa saíram à rua e pediram ao Executivo uma maior transparência nos processos de decisão deste tipo de obras e meios mais eficazes para ouvir a população. Entre os cartazes, em chinês e inglês, podia mesmo ler-se frases como “Consultas Públicas falsas criam opiniões públicas falsas”, “Não troquem as nossas vidas por decisões de conveniência” ou “Diga não ao crematório”.

Apesar da manifestação ter sido promovida por dois moradores, os deputados José Pereira Coutinho e Sulu Sou estiveram sempre na linha da frente dos protestantes, mesmo na altura de entregar a carta com mais de 1.000 assinaturas ao Governo. “Não há dúvidas que o facto de haver aqui tanta gente mostra que o Governo colocou o pé na argola. O Governo precisa de ter mais cuidado, ouvir as pessoas”, disse José Pereira Coutinho, deputado, ao HM. “O IACM deve vir a público pedir desculpas. Eles têm como competência servir os cidadãos em matérias que elevem a qualidade da vida social. Não se têm portado bem e falharam nesta matéria”, frisou.

COUTINHO CRÍTICA CONSELHOS CONSULTIVOS

Segundo José Pereira Coutinho, o Conselho Consultivo

dos Serviços Comunitários das Ilhas tem falhado nas suas funções e aponta a consequência às nomeações do CE: “O Governo tem que reformular a composição dos conselhos consultivos. Não é através da nomeação e divisão de interesses que se consegue essa eficácia. Se formos ver a composição do Conselho Consultivo das Ilhas, é feita manifestamente por dois grandes grupos: a Associação dos Moradores e a associação do ex-deputado Chan Meng Kam [Aliança de Povo de Instituição de Macau]”, apontou. Já Sulu Sou sublinhou ter participado na manifestação, como forma de ajudar as pessoas a exprimirem o seu descontentamento. A Associação Novo Macau, à qual o legislador pertence, foi uma das principais plataformas de protesto dos residentes da imediações do cemitério de Sa Kong. “É importante ver tantos manifestantes aqui. As pessoas estão a mostrar que estão preocupadas com o ambiente, com as gerações futuras e com a situação desta nossa casa [Macau]”, afirmou Sulu Sou. “Como deputado é a minha obrigação estar com as pessoas e ajuda-las a exprimir as suas opiniões, de uma forma racional e pacífica”, acrescentou. De acordo com a PSP foram mobilizados 100 agentes para a manifestação, sem contar os polícias à paisana, cujo número as autoridades não quiseram revelar. Apesar de um dos manifestantes ter saído do perímetro limitado, a polícia considerou que tudo decorreu dentro da normalidade. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Comércio Trump diz que UE é “tão má como a China” nas relações com os EUA O Presidente norte-americano afirmou ontem que a União Europeia é “possivelmente tão má como a China” na sua relação comercial com os Estados Unidos, apesar de o seu país gastar “uma fortuna na NATO” para proteger os europeus. “A UE é possivelmente tão má como a China,

só que é mais pequena”, afirmou Donald Trump numa entrevista transmitida ontem pela cadeia de televisão norte-americana Fox News. “Tratam-nos muito mal, muito injustamente (...). E apesar disso nós gastamos uma fortuna na NATO para protegê-los”, acrescentou.

segunda-feira 2.7.2018

ITÁLIA MATTEO SALVINI QUER CRIAR UMA LIGA EUROPEIA DEPOIS DO SEU TRIUNFO

O

líder do partido nacionalista de extrema-direita Liga, Matteo Salvini, afirmou ontem no encontro anual do partido que, depois de alcançado o objectivo de integrar o governo em Itália, quer criar uma Liga nacionalista europeia em 2019. O encontro anual do partido, em Pontida, no norte de Itália, é o primeiro desde que Salvini obteve mais de 17 por cento dos votos nas eleições de Março e foi chamado a formar um Governo de coligação com o populista Movimento 5 Estrelas, no qual é vice-primeiro-ministro e ministro do Interior. No discurso que pronunciou perante milhares de apoiantes, Salvini, 45 anos, festejou os resultados do partido, mas disse recusar “conformismos” porque “o objectivo é mudar a Europa” e “dar voz” a todos quantos estão decepcionados com as políticas europeias. “Penso numa Liga de Ligas na Europa, que una todos os movimentos livres, orgulhosos e soberanos que querem defender a sua população, as suas fronteiras, as suas fábricas e o bem-estar dos seus filhos”, disse, à frente de um cenário onde se lia o lema do partido para as últimas eleições, “Os Italianos Primeiro”. “Só se as ideias da Liga chegarem a França, Alemanha, Espanha, Polónia, Áustria, Hungria, Dinamarca ou Portugal esta Europa terá a esperança de existir”, afirmou.


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N.º 4082 de 2 de JUL de 2018 by Jornal Hoje Macau - Issuu