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SEGUNDA-FEIRA 18 DE SETEMBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3899
ELEIÇÕES LEGISLATIVAS 2017
Votos de mudanca ´ A próxima legislatura vai acolher a maior representação de sempre de deputados fora do sistema. Às habituais presenças de Ng Kuok Cheong, Au Kam San e Pereira Coutinho, juntam-se agora as vozes de Sulu Sou e de Agnes Lam. Do lado dos derrotados, Melinda Chan foi a grande surpresa, enquanto o sector afecto a Fujian viu fugir um lugar. Mak Soi Kun e Ella Lei foram os vencedores. PÁGINAS 2-5 E EDITORIAL
AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
GCS
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
2 especial eleições INDIRECTAS MAIS OU MENOS DOS MESMOS
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GRÁFICOS CAEAL
RESULTADOS DE SUFRÁGIO PARA A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA SURPREENDEM
Big Mak e a lei de Ella
Quase 175 mil eleitores participaram nas eleições legislativas, a maior afluência de sempre, que representam 57 por cento de participação. Os grandes vencedores da noite foram Mak Soi Kun e Ella Lei, enquanto Melinda Chan e a força política de Fujian foram os grandes derrotados FOTO SOFIA MARGARIDA MOTA
RA o único sector onde havia competição. Duas listas diferentes concorriam aos lugares reservados aos interesses profissionais. Chui Sai Cheong encabeçava uma lista composta por três candidatos, mas só conseguiu garantir assentos para dois. Vong Hin Fai – que, até agora, estava na Assembleia Legislativa (AL) por nomeação do Chefe do Executivo – entrou para o lugar deixado vago por Leonel Alves. A terceira vaga foi conquistada pelo líder da outra lista, o também já deputado Chan Iek Lap. O resto da história das eleições por via indirecta faz-se sem qualquer agitação, uma vez que havia uma única lista para cada sector. Em representação dos interesses industriais, comerciais e financeiros, vão estar Ho Iat Seng, actual presidente da AL, o veterano Kou Hoi In, o engenheiro José Chui Sai Peng e o estreante Ip Sio Kai, ligado à banca. O sector do trabalho terá como deputados dois novos rostos: Lam Lon Wai e Lei Chan U, ambos com cargos nos Operários. Pelos sectores dos serviços sociais e educacional permanece Chan Hong. Não há novidades também nos sectores cultural e desportivo, com Vitor Cheung Lup Kwan e Chan Chak Mo por mais quatro anos na AL.
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S resultados das eleições trouxeram um misto de confirmação e surpresa. As forças políticas tradicionais mostraram um novo vigor nas eleições para a Assembleia Legislativa (AL). A União de Macau – Guangdong, de Mak Soi Kun e Zheng Anting, foi a lista mais votada. Em segundo lugar veio a União para o Desenvolvimento, a candidatura dos operários encabeçada por Ella Lei que, pela primeira vez, se submeteu ao sufrágio directo. A líder da lista da FAOM leva consigo para o hemiciclo o seu número dois, Leong Sun Iok. As grandes surpresas foram Agnes Lam e Sulu Sou, que se vão estrear no hemiciclo. Tanto a líder do Observatório Cívico, como o cabeça-de-lista da Associação do Novo Progresso de Macau representam uma lufada de ar fresco na 6.ª legislatura da RAEM. Representam um eleitorado mais jovem, com uma vincada matriz democrática, afastados dos valores políticos mais tradicionais. Outrass grandes surpresas da noite foram Melinda Chan, que não foi eleita, e a perda de espaço dos candidatos ligados a Chan Meng Kam. As forças políticas com raízes em Fujian elegeram apenas Si Ka Lon e Song Pek Kei. Os candidatos mais votados foram Mak Soi Kun, com 17.207 votos. A medalha de prata foi para Ella Lei que conseguiu convencer com 16.694, enquanto o terceiro lugar do pódio foi para o antigo número dois de Chan Meng Kam, Si
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Ka Lon, com 14.877. José Pereira Coutinho ficou em quarto lugar, com 14.383 votos, conseguindo uma boa votação, mas perdendo o seu companheiro de bancada Leong Veng Chai, como havia vaticinado.
RECORDE DE VOTOS
Os dois deputados eleitos do universo de Chan Meng Kam obtiveram perto de 25 mil votos no sufrágio de ontem, menos 1500 em relação às eleições de 2013, quando foram às urnas menos 23 mil eleitores. Ou seja, uma descida considerável. Ontem, Macau assistiu ao sufrágio de maior expressão popular, com 174.872 eleitores a irem às urnas, a votação mais concorrida de sempre na história da RAEM. Em comparação com 2013, acorreram às assembleias de voto quase mais 23 mil eleitores. Também a participação melhorou, atingindo os 57,22 por cento. Os votos nulos decresceram significativamente. Em 2013 foram 4018, enquanto nestas eleições foram 1339, representando 0,37 por cento dos boletins de voto depositados nas urnas. Tong Hio Fong, presidente da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL), justificou esta descida com a existência de “câmaras de simulação onde as pessoas experimentaram e a conhecerem os procedimentos de voto”. No capítulo das queixas por irregularidades, André Cheong, que lidera o Comissariado contra a Corrupção (CCAC), revela que na plataforma conjunta com a CAEAL se registaram
25 casos, maioritariamente ligados ao uso de telemóvel na câmara de voto. O comissário salienta a melhoria em relação ao sufrágio anterior, onde apenas junto do CCAC houve 46 queixas. Ao longo desta campanha e eleição, os fiscais ao comando de André Cheong fizeram mais de 600 acções junto de eventos onde poderia, potencialmente, haver aliciamento de voto através de prendas ou benefícios.
Os dois deputados eleitos do universo de Chan Meng Kam obtiveram perto de 25 mil votos no sufrágio de ontem, menos 1500 em relação às eleições de 2013, quando foram às urnas menos 23 mil eleitores O comissário acrescentou ainda que a revisão à lei eleitoral trouxe maior poder à autoridade que comanda, nomeadamente com a obrigatoriedade de as associações ligadas às candidaturas terem de declarar as actividades que organizam e em que participam. Porém, André Cheong não entende que seja prudente proibir tudo e paralisar a actividade associativa nas imediações de sufrágios. “O que a lei proíbe é que através desses benefícios se angarie votos”, comenta. João Luz
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São dois mais um Ala pró-democrata com três assentos na Assembleia legislativa
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O ranking dos vencedores das eleições por via directa estão os líderes das três listas pró-democratas do território. Os veteranos Au Kam San e Ng Kuok Cheong, bem como o estreante Sulu Sou vão integrar o hemiciclo nos próximos quatro anos. A grande surpresa dos resultados eleitorais vai para Sulu Sou, da Associação Novo Macau (ANM) e número um da lista Associação do Novo Progresso de Macau. O ambiente na sede de campanha não podia ser mais emotivo aquando da certeza dos resultados. Depois da ruptura com Au Kam San e Ng Kuok Cheong, a Novo Macau voltou a garantir presença na Assembleia Legislativa. Entre as lágrimas dos apoiantes e um futuro deputado visivelmente emocionado, a pequena sede da ANM estava abarrotada de gente e de alegria. Com 8981 votos, o mais jovem deputado à AL pretende dedicar a legislatura aos princípios que tem vindo a defender e que estão ligados à defesa da liberdade e dos direitos humanos, e à promoção de uma juventude capaz de se exprimir sem restrições e de se envolver na vida política local. “Os mais novos devem confiar neles e na sua capacidade em mudar a
sociedade e a própria AL”, disse Sulu Sou. Para o futuro, Sou não esconde a continuação da luta pela democracia, sendo que “o que mais gostava de ver era uma Assembleia totalmente eleita pela via directa”, apontou.
DEU TRABALHO
O deputado eleito não ficou surpreendido com o resultado e considera que mais não é do que o fruto dos últimos quatro anos de trabalho da ANM e da
vontade dos residentes, aos quais agradece. O jovem deputado não deixou de mostrar satisfação pelos colegas que se afastaram da associação que lidera, Ng Kuok Cheong e Au Kam San. Para Sulu Sou, o facto de terem sido ambos eleitos, ainda que por listas diferentes, mostra o interesse das pessoas em participar na vida política. “Penso que muitos residentes, principalmente os mais jovens, querem liberdade mas têm medo
de expressar a opinião e nós queremos fazer mais e melhor.” A luta pela democracia em Macau não vai interferir, ao contrário de Hong Kong, com a soberania da China, garantiu ainda. “Vamos agir sempre a defender o princípio de ‘Um país, dois sistemas’ e ter sempre em conta os residentes do território”, sublinhou. Ser o mais novo elemento do hemiciclo não é um problema para Sulu Sou, apesar de considerar que ainda tem muito para aprender. Sofia Margarida Mota
sofiamota.hojemacau@gmail.com
INFIDELIDADE À CHINA CANDIDATO JURA INOCÊNCIA
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candidato da listaAssociação do Novo Progresso de Macau rejeitou ontem as suspeitas de infidelidade à China, pelas quais está a ser investigado e que o podem desqualificar da corrida. “Acho que não há reais provas contra mim que me possam desqualificar”, disse Wong Kin Long, no Instituto Salesiano de Macau, onde votou para a Assembleia Legislativa. Com 20 anos, Wong é o mais jovem candidato às eleições de Macau e ocupa o quarto lugar na lista liderada pelo jovem pró-democracia Sulu Sou. Segundo o próprio, a queixa contra si, que foi encaminhada para a polícia
pela Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) e ainda está em investigação, terá sido motivada por publicações que fez na rede social Facebook “sobre questões legais e técnicas” de Hong Kong. “Quero ser muito claro: eu não apoio a independência de Hong Kong. A nossa equipa apoia o princípio ‘Um país, dois sistemas’ e a Lei Básica de Macau. Os rumores sobre o meu apoio à independência de Hong Kong não são verdade”, frisou. De qualquer forma, argumentou, “apoiar a independência de Hong Kong não entra em contradição com a Lei Básica de Macau”, ainda que essa seja “uma discussão legal”. “Ainda ninguém me contactou e acredito que a minha candidatura não vai ser desqualificada”, adiantou. Momentos antes, o presidente da CAEAL, o juiz Tong Hio Fong, tinha confirmado que a queixa foi submetida à polícia que “já está a recolher mais provas”. “Se tivermos provas suficientes iremos tratar do caso”, disse.
DEMOCRATAS TRADICIONAIS VENHA QUEM VIER POR BEM
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ISTAS diferentes, mas sempre juntos. Numa cave da Areia Preta, juntaram-se ontem apoiantes de Au Kam San e Ng Kuok Cheng, ambos reeleitos confortavelmente. Concorreram separadamente para manter os lugares na AL, e resultou. Au Kam San, com quase 11 mil votos, ficou desta vez à frente de Ng Kuok Cheong, que arrecadou 9791. A dupla vai continuar a lutar pelo sufrágio universal para a eleição do Chefe do Executivo. “Queremos que este processo já possa acontecer em 2019”, disse Ng Kuok Cheong imediatamente após serem conhecidos os resultados eleitorais. O deputado agradeceu aos residentes de Macau a reeleição que representa “o apoio da comunidade a um futuro democrático”. Ng Kuok Cheong não deixou de mostrar satisfação pela vitória de Sulu Sou. “Estou feliz por qualquer um que queira
participar em verdadeiras eleições e estou contente por existirem mais amigos a favor da democracia na Assembleia Legislativa”, reagiu. No entanto, ainda há muito para fazer e “a chave está nas mãos dos jovens”, sublinhou durante os festejos de vitória. Se, em 2013, Ng Kuok Cheong arrecadou mais votos que Au Kam San, nas eleições de ontem aconteceu o inverso. No entanto, os objectivos mantêm-se. Já Au Kam San, depois de saber os resultados, manifestou a necessidade de mais deputados pró-democratas. “A ala democrática ocupa uma minoria e é inevitável que se lute pelo aumento de lugares na AL para deputados eleitos por via directa”, referiu. S.M.M.
4 especial eleições
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OPERÁRIOS DE MACAU CONSEGUEM ELEGER DOIS DEPUTADOS
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OI uma das grandes vitoriosas da noite. A lista União para o Desenvolvimento (UPD) – que, nas últimas eleições, tinha sido a grande derrotada ao perder um deputado, reelegendo apenas Kwan Tsui Hang – volta a estar representada na Assembleia Legislativa por dois tribunos. Ella Lei, deputada eleita por via indirecta em 2013, mudou de sufrágio e deu-se bem na sua primeira corrida eleitoral por via directa: a UPD foi a segunda lista mais votada. A cabeça-de-lista conseguiu 16.694 votos e vai estar acompanhada por um novo rosto: Leong Sun Iok foi o último a conquistar uma assento, com 8347 votos. No momento em que se soube que os candidatos tinham sido eleitos, houve lágrimas de alegria na sede de campanha da UPD, à mistura com muitas manifestações de alegria. Ella Lei e Leong Sun Iok agradeceram o apoio dado pelos eleitores. A cabeça-de-lista garantiu que a equipa vai continuar a esforçar-se para corres-
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SOFIA MARGARIDA MOTA
A noite de Ella
ponder às expectativas da sociedade e tratar das sugestões dos residentes que foram recolhidas durante o período da campanha eleitoral.
OI um dos primeiros candidatos a admitir que, nestas eleições legislativas, poderia não ser eleito deputado, cargo que ocupa desde 2005. Estavam em jogo 24 listas candidatas mas, além disso, José Pereira Coutinho tinha uma questão delicada contra ele: o processo dos seus filhos em tribunal, arguidos num processo de tráfico de droga, que serviu de arma de arremesso à candidata Song Pek Kei, num debate televisivo. No final de contas, a vida familiar de Coutinho em nada afectou a sua reeleição, por 14.383 votos. Leong Veng Chai, o seu número dois, acabou por ficar pelo caminho. “[O processo e as acusações] não afectaram [o resultado] porque as pessoas perceberam que são coisas separadas e que têm de ser resolvidas de maneira diferente. Estou satisfeito com o facto de
Leong Sun Iok não deixou de referir que as eleições foram “intensas e difíceis”, uma batalha que foi ganha com a ajuda de voluntários e
funcionários do universo dos Operários. O deputado eleito realçou que as eleições decorreram de “um modo muito calmo”, com um
Pereira Coutinho respira de alívio Deputado consegue quarto lugar
isso não ter influenciado o resultado das eleições”, adiantou ao HM, na sede da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau. Numa sala onde, horas antes, a festa aconteceu, restavam já poucas pessoas depois de o relógio ter passado das 2h. Marília Coutinho, sua cunhada, olhava para o ecrã com os resultados ao lado da irmã do candidato reeleito, Deliciosa Coutinho. Ambas garantiam que, tal como a água se separa do azeite, Coutinho acabaria por vencer de novo, imune a processos e ataques dos adversários. “Não receei, nem por um momento, que
ele não ganhasse as eleições”, defendeu Marília Coutinho ao HM. “Penso que as acusações de que foi alvo até viraram o bico ao prego. As pessoas ficaram mais compreensivas”, acrescentou.
UM NOVO CENÁRIO
Com a estreia de Agnes Lam e Sulu Sou na Assembleia Legislativa (AL), Pereira Coutinho entende que estamos perante um novo panorama político. “Dá para pensar nos resultados destas eleições porque mudam, de alguma forma, a fisionomia da próxima AL. Tenho algumas expectativas sobre a próxima legislatura,
número de votantes recorde, para defender que demonstram uma evolução social. Quanto à expressiva votação na lista ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau, Leong entende que se trata do resultado do trabalho feito ao longo dos tempos. Houve ainda tempo para falar do que se segue: o número dois de Ella Lei promete trabalhar para que sejam criadas melhores condições de trabalho para os residentes. Também a deputada definiu prioridades: proteger os terrenos de Macau e o modo de vida da população local, objectivos que reconhece serem difíceis de alcançar sem o esforço de todos. Ella Lei atribui o sucesso eleitoral ao facto de terem passado das palavras à acção, uma ideia que pretende continuar a colocar em prática. Por fim, Leong Sun Iok recordou ainda que, à semelhança do que aconteceu há quatro anos, a UPD foi alvo de difamação. Mas os resultados desta madrugada, salientou, demonstram que a população sabe a verdade, pelo que finalmente se fez justiça, também para Kwan Tsui Hang. Vítor Ng
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espero que haja uma maior fiscalização da acção governativa. Com a entrada desses jovens, é um primeiro passo para poder reformar a AL, que é pouco transparente.” Apesar da vitória, o líder da lista Nova Esperança assegura que estas eleições “foram muito injustas”. “Houve muito aliciamento ao voto. As eleições mostraram que o trabalho que as forças tradicionais fazem ao longo do ano, com o licenciamento com bens de consumo de primeira necessidade, ainda funciona.” “Basta ver as listas da Associação Geral dos Operários de Macau e moradores para percebermos que Macau ainda tem muito a fazer para elevar o nível cívico e político. Não será com uma ou duas gerações que isso será alterado”, rematou. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
E à terceira foi de vez
Agnes Lam promete abordar questão da liberdade académica
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ONCORREU pela primeira vez às eleições legislativas em 2009, mas perdeu. Quatro anos depois, o cenário repetiu-se. Mas, desta vez, a lista número quatro, intitulada Observatório Cívico, foi a grande surpresa da noite eleitoral. Agnes Lam, docente da Universidade de Macau (UM), venceu com 9590 votos, mas ainda não sabe se vai abandonar de vez o Departamento de Comunicação da instituição pública de ensino. “Tenho de falar com a reitoria da universidade primeiro, porque a eleição não era propriamente esperada. Tenho de organizar primeiro o meu trabalho”, contou ao HM. A docente, que já foi jornalista, afirmou que vai “abordar a questão da falta de liberdade académica” no território, mas não esquece os restantes problemas. Muitos deles vieram à tona com a chegada do tufão Hato. “Já temos na nossa agenda a abordagem aos problemas verificados com a implementação da lei do erro médico. Mas, graças à passagem do tufão Hato, percebemos que há muitas questões relacionadas com a segurança dos prédios, e também com o planeamento urbano.”
VIRAR O DISCO
Para ganhar as eleições legislativas, Agnes Lam assumiu ter adoptado uma estratégia diferente. “Foi uma vitória, estou muito contente. Mudei a minha estratégia e revi tudo depois de ter falado com algumas pessoas. Pensei que dessa forma chegaria a mais pessoas, porque originalmente a minha base de eleitores era muito restrita. Então mudei bastante a minha estratégia e agora resultou.” A eleição de Agnes Lam pode introduzir uma certa participação de docentes universitários no meio político, mas também trazer, na perspectiva da candidata eleita, um maior brio na discussão das propostas de lei. “Na Assembleia Legislativa, nos últimos anos, temos visto a aprovação de muitas leis e depois observamos a existência de muitos erros na sua implementação. Isso já aconteceu várias vezes, então a verdade é que existem vários problemas na forma como os deputados trabalham nos projectos de lei. Sendo eu académica, penso que serei mais cuidadosa com esse trabalho”, concluiu. A.S.S.
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MELINDA CHAN, DA LISTA 18, FOI A GRANDE DERROTADA DAS ELEIÇÕES
Dos sorrisos às lágrimas HOJE MACAU
noite eleitoral começou bem para os lados da Doca dos Pescadores e os primeiros resultados, após a contagem dos votos de Coloane, pareciam indicar a reeleição de Melinda Chan, que concorria como líder da lista 18, a Aliança pr’a Mudança. Contudo, à medida que as horas passavam, os gritos de euforia e os sorrisos depressa passaram às lágrimas da derrota. Melinda Chan não foi reeleita deputada por uma margem de 160 votos, e cá fora não faltaram rostos tristes e de semblante carregado, incluindo o de David Chow, seu marido e empresário, que esteve sempre ao seu lado à medida que se viam os números no ecrã. “Estava confiante e estou muito desiludida”, disse aos jornalistas, por volta das 2h00, quando já se conheciam os primeiros vencedores. “Nunca pensei que não ia vencer, mas respeito a decisão dos cidadãos. Não sei o que aconteceu, talvez não tenham gostado do que disse na campanha”, apontou. A candidata derrotada não sabe o que vai fazer a seguir. Continuar o trabalho na Associação de Beneficência Sin Meng é um dos planos, tal como “tirar umas longas férias”. O desapontamento de Melinda Chan foi tão grande que não sabe sequer se será candidata nas próximas legislativas, daqui a quatro anos. “Não me parece que vá concorrer novamente”, frisou. O número três da lista, Jorge Valente, também se mostrou francamente desiludido, naquela que foi a sua estreia na política. “Te-
remos menos uma voz na Assembleia Legislativa que levaria várias ideias, incluindo algumas minhas”, respondeu. “Acho que perdemos alguns votos que viriam dos casinos, das listas que representam os trabalhadores, e os democratas
ganharam alguns lugares. Temos de aceitar o resultado”, adiantou.
MUDANÇA DE ESTRATÉGIA
No início da noite, o ambiente era de festa e vários residentes de Macau, a viver no Continente,
deslocaram-se de propósito à Doca dos Pescadores para ver Melinda Chan vencer de novo. Na plateia encontravam-se vários jovens, como foi o caso de Mathew Wong, de 27 anos e trabalhador num banco. “Ela teve
FUJIAN SONG PEK KEI E SI KA LON GANHARAM, MAS NÃO CHEGOU
Perigos de fechar a porta
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IDERARAM duas listas diferentes e graantiram a continuidade na Assembleia Legislativa (AL), mas isso não bastou para que os seus objectivos tenham sido atingidos. Song Pek Kei teve mais de dez mil votos como líder da Associação dos Cidadãos para o Desenvolvimento de Macau, enquanto Si Ka Lon obteve 14.877 votos na qualidade de número um da Associação dos Cidadãos Unidos de Macau. Não elegeram, tal como aconteceu em 2013, um terceiro deputado, e isso bastou para uma ligeira insatisfação. “As duas listas não conseguiram o recorde gerado nas eleições. Se calhar tem que ver com o facto de Chan Meng Kam não ter sido candidato e com o facto de existirem 24 listas candidatas”, começou por dizer Si Ka Lon. Ainda assim, o candidato eleito agradeceu o apoio dos
eleitores. “No futuro, vou manter a minha postura como deputado e os objectivos iniciais para implementar acções que tenham resultados práticos junto dos residentes.” Também Song Pek Kei se mostrou algo desiludida por nenhuma das listas ter eleito mais um deputado. “Este ano tínhamos duas listas separadas mas, quanto ao resultado das eleições, sinto que não atingi o objectivo. Agradeço os contributos dos residentes e dos colegas, e considero que este resultado é o fruto do trabalho de toda a gente.” Song Pek Kei espera agora que, “no futuro, com os novos rostos na AL, possa haver algo novo”. “Garanto que vou continuar a aumentar o nível de fiscalização do Governo, fazendo acções práticas e ganhando a concordância das pessoas”, declarou.
Associação de Jornalistas de Hong Kong lamenta restrições
A s s o ciação de Jornalistas de Hong Kong lamentou ontem que 13 jornalistas tenham sido impedidos de entrar em Macau nos últimos dias, considerando que a política “restritiva” das autoridades representa “um perigo para a liberdade de imprensa”. “Lamentamos profundamente a recusa de entrada de jornalistas de Hong Kong pelo Governo em Macau nos últimos dias. Os jornalistas não são arruaceiros. Não foi razoável que as autoridades de Macau tenham dito que eles representam uma ameaça para a segurança interna”, disse o presidente da Associação de Jornalistas de Hong Kong, Chris Yeung, num comunicado enviado à Agência Lusa. “Vários jornalistas de Hong Kong viram a entrada rejeitada em Macau nos últimos anos. A política de imigração restritiva e arbitrária das autoridades de Macau é um perigo para a liberdade de imprensa”, concluiu o comunicado.
O jornal de Hong Kong Apple Daily noticiou que 12 dos seus jornalistas foram impedidos de entrar em Macau na última semana, onde se deslocavam para cobrir as elei-
um papel importante na discussão sobre a lei de protecção dos animais e lei da violência doméstica. Sinto que ela representa a maioria das pessoas. As gerações mais jovens querem uma mudança na sociedade e acredito que a maioria pensa que o futuro de Macau tem de mudar”, defendeu ao HM. Mathew Wong não tem dúvidas de que a passagem do tufão Hato por Macau fez despertar consciências. “Muitas pessoas perceberam que algo tem de mudar no Governo e que precisamos de melhores transportes e infra-estruturas, mais transparência e menos burocracia”, apontou. Jorge Fão, que foi número dois de David Chow, marido de Melinda Chan, no hemiciclo, disse que a Aliança pr’a Mudança tinha mudado a sua estratégia. Dos assuntos sociais, queria começar a abordar as necessidades dos pequenos empresários e do sector do turismo. “Mudámos para a classe média, média alta. Mudámos a estratégia, com alguns riscos, mas mudámos. Acho que isto vai dar bons resultados porque, neste momento, vamos contar com uma base de apoio suficiente. Vamos ver se isto vai pegar”, disse ao HM. Horas depois, ficou confirmado que a mudança de estratégia não gerou frutos. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
ções, e que o mesmo aconteceu a um jornalista do portal Truth Media. Confrontado com este caso, o Chefe do Executivo disse, ao início da tarde de ontem, acreditar que a proibição de entrada – que desconhecia à altura – estivesse relacionada com as eleições. “Tenho de saber mais sobre a razão de impedir essas pessoas de entrarem em Macau. Que eu saiba (...) não há uma relação directa entre as duas coisas”, disse Chui Sai On, indicando que eventuais impedimentos não estão relacionados com trabalhos da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) e do Comissariado contra a Corrupção. “Todos os nossos serviços efectuaram os trabalhos de acordo com a lei, e como [só] agora é que sei deste caso, tenho de conhecer mais”, acrescentou. A Lusa contactou a polícia para averiguar quantos jornalistas foram impedidos de entrar em Macau, mas não foi possível obter uma resposta ontem.
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ANÚNCIO [N.º 129/2017]
Anúncio 【N.º 130/2017】
Para os devidos efeitos vimos por este meio notificar os candidatos de habitação económica abaixo indicados, nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro: Nome NG HIO KUAN ZHAN ZHAOYUE
N.º do Boletim de candidatura 81201312387 82201318031
Dado que os candidatos acima indicados foram seleccionados na lista com a ordenação, nos termos do artigo 26.º da Lei n.º 10/2011 (Lei da habitação económica), alterada pela Lei n.º 11/2015, é necessário realizar-se a apreciação substancial, pelo que este Instituto informou os candidatos acima indicados, através de ofícios, para se dirigirem pessoalmente ao Instituto de Habitação (IH) às horas fixadas nos respectivos ofícios, para apresentarem os originais dos documentos comprovativos, no sentido de efectuar a verificação das informações declaradas nos boletins de candidatura, porém, os ofícios não foram recebidos e foram devolvidos. Assim, os candidatos acima indicados devem dirigir-se pessoalmente ao IH (junto da Escola Primária Luso-Chinesa do Bairro Norte), sito na Travessa Norte do Patane, n.º 102, Ilha Verde, Macau, antes do dia 29 de Setembro de 2017, para apresentarem os originais dos documentos comprovativos, no sentido de efectuar a verificação das informações declaradas nos boletins de candidatura. Nos termos da alínea 2) do n.º 1 do artigo 28.º da lei acima indicada, caso verifique que os candidatos não apresentem os documentos indicados, dentro do prazo fixado, os adquirentes seleccionados serão excluídos do concurso. Para mais informações poderão dirigir-se pessoalmente ao IH, nas horas de expediente ou consultar através do telefone n.o 2859 4875. Instituto de Habitação, aos 14 de Setembro de 2017 O Presidente, Arnaldo Santos
Nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, serve o presente para notificar os promitentes-compradores de habitação económica ou os seus sucessores desconhecidos do seguinte:
Nome 1 NG KUAI LENG 2 SIO IOK LEI 3 TENG WAI TOU NG CHU KOT, 4 CHOI KAM NAO 5 CHAN FAI MAN 6 AO IEONG KIN 7 VONG IAT CHIU MAK SENG FAI, 8 KONG LAI HA 9 LEONG IAO FAI 11 CHEONG TAK CHIO 12
CHEANG WENG KEONG
13 LEONG KONG VA 14 MAK HAO MUN
16 WU LAO PENG 17 IEONG PAK HEI
Nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, serve o presente para notificar os promitentes-compradores de habitação económica ou os seus sucessores desconhecidos do seguinte: Nome 1 CHAN CHONG CHU LO WAI MENG, 2 PIN SAN MUI 3 CHEK IO HONG 4 CHEANG LAI NGO 5 CHONG SIU MEI CHEANG WAI KONG, 6 LOU SAO WAI 7 FONG CHI KUONG 8 SOU CHAN IENG 9 MAK POU SIU NG CHAO WA, 10 NG SOI LIN CHAN IOK SAN, 11 IEONG CHOI LIN 12 RAFAEL JOSE UNG
N.º do agregado Fracção de habitação económica a adquirir familiar V882193 EDIF. RAIN PIN SAN CHUN, BLOCO 1, 5.º ANDAR I V971015
EDIF. JARDIM NAM OU, BLOCO 2, 7.º ANDAR X
V931347 V921560 V930450
EDIF. VAI CHUI GARDEN, 12.º ANDAR L EDIF. VAI CHUI GARDEN (TAIPA), 21.º ANDAR V EDIF. VAI LONG GARDEN, 18.º ANDAR A
V910405
EDIF. SAN SENG SI FA UN, BLOCO 4, 5.º ANDAR F
V881686 V961352 V950222
EDIF. SAN SENG SI FA UN, BLOCO 6, 17.º ANDAR A EDIF. VAN SION SON CHUN, 11.º ANDAR AM EDIF. KONG WAH SAN CHUN, BLOCO 1, 15.º ANDAR E EDIF. KONG WAH SAN CHUN, BLOCO 3, 14.º ANDAR A
V950665 V950621 V861442
EDIF. KONG WAH SAN CHUN, BLOCO 4, 12.º ANDAR C EDIF. HONG VAN KOK, 19.º ANDAR O
Atendendo a que os promitentes-compradores acima mencionados não procederam à entrega dos documentos comprovativos necessários para a celebração da escritura de compra e venda da respectiva habitação económica, os referidos promitentes-compradores ou os seus sucessores desconhecidos devem dirigir-se à delegação (recepção do lado longo) do Instituto de Habitação (IH), sita na Travessa Norte do Patane, n.° 102, Ilha Verde, Macau (junto à Escola Primária Luso-Chinesa), no prazo de 30 dias a contar da data de publicação deste anúncio, para procederem à entrega dos documentos comprovativos necessários para a celebração da escritura de compra e venda da habitação económica. Em caso de dúvida, poderão dirigir-se ao IH, sito na Travessa Norte do Patane, n.° 102, Ilha Verde, Macau, ou contactar ao Sr. Vong, através do telefone n.º de 2859 4875 (ext.233), durante o horário de expediente. Instituto de Habitação, aos 13 de Setembro de 2017. O Presidente, Arnaldo Santos
Fracção de habitação económica a adquirir
EDIF. MAN ON SAN CHUN, BLOCO 2, 11.º ANDAR AQ V200349 EDIF. HANTEC, 10.º ANDAR AH V910407 EDIF. LEI MAN (TAIPA), 18.º ANDAR F V882006
V960424 EDIF. SUN STAR PLAZA, BLOCO I, 8.º ANDAR F V930981 EDIF. VAI CHUI GARDEN, 15.º ANDAR C V931435 EDIF. VAI CHUI GARDEN, 16.º ANDAR AF V931569 EDIF. VAI CHUI GARDEN, 19.º ANDAR AH V861345 EDIF. MEI LOK GARDEN, 2.º ANDAR F V940204 EDIF. JARDIM HOI KENG, 5.º ANDAR H EDIF. HONG LOK SAN CHUN, BLOCO 3, 14.º ANDAR D EDIF. SAN SENG SI FA UN, BLOCO 2, 14.º V920580 ANDAR D EDIF. SAN SENG SI FA UN, BLOCO 3, 2.º ANDAR V881766 H EDIF. SAN SENG SI FA UN, BLOCO 3, 13.º V920586 ANDAR F EDIF. SAN SENG SI FA UN, BLOCO 3, 17.º V890746 ANDAR C EDIF. SAN SENG SI FA UN, BLOCO 7, 2.º ANDAR V881244 B EDIF. SAN SENG SI FA UN, BLOCO 7, 15.º V881446 ANDAR A EDIF. SAN SENG SI FA UN, BLOCO 12, 16.º V910071 ANDAR C V961261 EDIF. VAN SION SON CHUN, 13.º ANDAR BL V961847 EDIF. VAN SION SON CHUN, 16.º ANDAR AO
10 CHEONG CHEOK WAI V881741
15 LOU CHENG TENG
Anúncio 【N.º 131/2017】
N.º do agregado familiar
18 CHAN IONG TAI 19 IEONG WAI IOK WONG KUOK KAN 20 ALIÁS WONG KOCK KEN TAM KOK CHI, 21 LEONG SIO KUAN PAO SENG HOU, 22 CHAN PUI FAN LEI HONG FONG, 23 CHAN SAO HA CHAN KIN MENG, 24 KAM IOK FONG 25 IU OI KENG
V970795 EDIF. VAN SION SON CHUN, 18.º ANDAR CC V960667 EDIF. VAN SION SON CHUN, 22.º ANDAR D V980017 V961527
EDIF. VAN SION SON CHUN, 25.º ANDAR J EDIF. VAN SION SON CHUN, 27.º ANDAR AT
EDIF. KONG WAH SAN CHUN, BLOCO 1, 3.º ANDAR F V920135 EDIF. JARDIM WAN KENG, 17 ANDAR G V950258
Os promitentes-compradores acima mencionados não procederam ao tratamento das formalidades para celebração da escritura de compra e venda, depois da promessa da compra das fracções de habitação económica construídas no regime de contrato de desenvolvimento para a habitação e, nos termos dos artigo.º 866 do Código Civil e do n.º 1 do artigo 94.º do Código do Notariado, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 62/99/M, alterado pela Lei n.º 4/2000, a aquisição do direito de propriedade das coisas imóveis só é válida se for formalizada por escritura pública. Pelo exposto, os promitentes-compradores de habitação económica ou os seus sucessores desconhecidos devem dirigir-se à empresa concessionária, no prazo de 30 dias a contar da data de publicação deste anúncio, para o tratamento das formalidades da celebração da escritura de compra e venda. Em caso de dúvida, poderão dirigir-se ao Instituto de Habitação, sito na Travessa Norte do Patane, n.° 102, Ilha Verde, Macau, ou contactar o Sr. Vong, através do telefone n.º de 2859 4875 (ext.233), durante o horário de expediente. Instituto de Habitação, aos 13 de Setembro de 2017. O Presidente, Arnaldo Santos
política 7
segunda-feira 18.9.2017
O deputado Leonel Alves despedese da Assembleia Legislativa, ao fim de 33 anos, com um apelo: é preciso reflectir sobre como os direitos, liberdades e garantias estão a ser aplicados desde a transferência de administração
LIBERDADES E GARANTIAS ALVES DEFENDE DISCUSSÃO “DE FORMA DESINIBIDA”
SOFIA MARGARIDA MOTA
Parar, escutar pensar
“A
CHO que Macau, depois destes 18 anos, devia parar um bocadinho, sentar-se à mesa e discutir de forma desinibida” sobre a experiência que advogados, juízes, Ministério Público e cidadãos têm sobre a forma como são abordados os direitos, liberdades e garantias, defendeu Leonel Alves, em entrevista à Lusa. O advogado, que ao longo de mais de três décadas esteve envolvido na elaboração de leis neste âmbito – como por exemplo o direito à assistência jurídica de um advogado –, disse desejar uma “aposta mais activa do Executivo” nesta discussão. “O princípio da presunção de inocência – até que ponto isto está reflectido no dia a dia? Não é nos livros, não é na letra da lei, é no dia-a-dia. O papel do juiz de instrução criminal, o que é? O nosso Código de Processo Penal como tem sido aplicado, não só na perspectiva de o Ministério Público rapidamente
L
EONEL Alves disse estar preocupado com a insistência do Tribunal de Última Instância (TUI) em não permitir recurso aos principais titulares de cargos políticos, defendendo que tal regra “não está escrita em lado nenhum”. Depois do ex-secretário para os Transportes e Obras Públicas Ao Man Long, também o antigo procurador Ho Chio Meng foi impossibilitado de recorrer da decisão do TUI, não obstante ter sido tomada em primeira instância. O reafirmou há dias a impossibilidade de os titulares ou ex-titulares de cargos públicos recorrerem de decisões, defendendo que
querer que a justiça seja feita, mas de o cidadão estar suficientemente munido de garantias de protecção dos seus direitos e liberdades?”, lançou. Alves, que é ainda membro do Conselho Executivo, afirmou que como advogado teve algumas experiências “bastante negativas em sede de defesa do interesse da liberdade e dos direitos do cidadão”. “Os nossos códigos são de inspiração portuguesa. Como é que os nossos magistrados os têm lido e interpretado? Como têm sido aplicados? A mesma lei, que já vigora há 30 anos, quando é interpretada por um jurista português [resulta] numa solução, quando é interpretada por um jurista ou magistrado
chinês [resulta] noutra solução”, indicou, justificando tal com questões de “formação básica, contexto cultural e visão das necessidades da sociedade”.
“O princípio da presunção de inocência – até que ponto isto está reflectido no dia a dia? Não é nos livros, não é na letra da lei, é no dia-a-dia.” LEONEL ALVES ADVOGADO
Leonel Alves, que entrou para a Assembleia de Legislativa (AL) em 1984 e nos últimos dois mandatos foi deputado eleito por via indirecta, anunciou em Junho que não seria candidato às eleições realizadas ontem. “Já participei muito. Participei nos trabalhos preparatórios da transição, depois veio a implementação da Região Administrativa Especial de Macau (…) É chegada a altura de não ter uma vida política tão activa”, resumiu.
AVANÇOS E RETROCESSOS
Depois de uma fase de rápida aprovação de “leis importantes para poderem vigorar depois de 1999”,
O eterno problema do recurso Em defesa do apelo para casos como o de Ho Chio Meng
“não se pode entender que haja uma lacuna jurídica”. Em entrevista à Lusa, Leonel Alves rejeitou esta leitura e garantiu que “não há nenhum impedimento institucional” para que estes cidadãos, “que foram nomeados para um cargo importante e gozam de presunção de inocência”, tenham esse direito. Alves lembrou que, antes de 1999, participou nos trabalhos relativos à Lei de Bases da Organização Judiciária e que essa “versão inicial pre-
via o recurso”. “Mas depois houve alguém que entendeu que não, que tem de ser tudo imediatamente julgado pelo TUI porque são todos nomeados pelo Governo Central [da China]”, recordou. “Respeito a decisão do TUI mas, como participei nos trabalhos desde o início, [posso dizer que] a falta de possibilidade legal de recurso não se deveu a nenhuma fundamentação filosófico-política, mas sim ao défice de número de magistrados no nosso órgão máximo na justiça”, afirmou.
O TUI é composto por três juízes, o que impede a existência de um plenário para reavaliar casos que ali foram julgados em primeira instância. “Não há nenhum impedimento constitucio-
incluindo “códigos fundamentais”, Leonel Alves recordou o “primeiro contacto com a nova realidade constitucional de Macau”, que trouxe maior restrição às iniciativas do deputado, e não só. “O deputado não podia mudar coisíssima nenhuma sem o consentimento do Governo, enquanto [antes] podíamos alterar por completo a proposta do governador”, lembrou. Perante esse cenário, foi necessário “imaginação e força de vontade”. “O melhor exemplo que posso dar da importância da AL neste quadro foi a insistência na feitura da lei das fontes normativas da RAEM”, em 2009, que define o que pode ser objecto de lei e o que pode ser objecto de regulamento administrativo. Esta lei “marcou profundamente o próprio evoluir da RAEM a partir de então e pelo menos até 2049”, data até à qual vigora o actual princípio de ‘Um país, dois sistemas’. “Foi um trabalho que marcou a importância e o poder de influência da AL”, sublinhou. Desde então – coincidindo com a primeira eleição do atual líder do Governo e de um novo presidente da AL – o hemiciclo “entrou noutro ciclo”. “Passou a ter um pendor cada vez mais controlador dos gastos públicos, das habitações públicas, das demandas disto e daquilo. Uma intervenção incisiva, pontual sobre determinados aspectos da vida corrente. O trabalho produtivo em matéria legislativa e o exercício da acção e influência, isso retrocedeu um pouco”.
nal, não está escrito em sítio nenhum, nem na Constituição da República Popular da China, nem na Lei Básica de Macau, que o cidadão que, por acaso foi titular de principal cargo, não possa recorrer”, frisou.
O CHEFE E OS OUTROS
Alves admitiu que “também não está escrito em sítio nenhum que pode recorrer”, mas lembrou que num Estado de Direito é preciso “reconhecer que errar é humano e ninguém pode garantir que os três juízes do TUI têm o dom absoluto da verdade e da certeza”. “É um direito do cidadão. Pessoalmente, como jurista, como cidadão,
preocupa-me e acho que tem de ser resolvido”, disse. Para o advogado, não mexendo na regra, ao abrigo da qual os principais titulares são unicamente julgados no tribunal de última instância, torna-se necessário dotar o TUI de “recursos humanos suficientes para poder acolher a apreciação de recursos das suas decisões”. No entanto, defendeu que apenas o líder do Governo devia ser sujeito a tal: “O chefe é o representante máximo, os outros são colaboradores do representante máximo. Porque é que o colaborador tem de ter o mesmo tratamento a nível judicial que o Chefe do Executivo? Não faz sentido”.
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segunda-feira 18.9.2017
APOIO SOCIAL CARITAS AJUDA A SUPERAR OS DANOS DO HATO E A CIDADE RETRIBUI
De coração aberto
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O dia seguinte à devastação provocada pelo Hato, um voluntário da Caritas contou ao HM o perigo que era conduzir por estradas cheias com todo o tipo de detritos. Contou o drama vivido num prédio no Fai Chi Kei onde centenas de idosos estavam isolados. Mais de 20 dias depois, a contabilidade dos estragos ainda não foi feita por uma questão de prioridades. “Até agora ainda não temos uma noção concreta de quanto perdemos, porque temos estado a gastar toda a nossa energia a servir na comunidade”, conta Paul Pun. Uma das situações mais complicadas verificada imediatamente a seguir à passagem do tufão, o mais forte que Macau viu nos últimos 50 anos, aconteceu na loja social da Ilha Verde, uma instalação que hoje já está recuperada. O secretário-geral da instituição conta que, na primeira semana, a prioridade era assistir “idosos, doentes crónicos, pessoas com deficiências físicas e outras que estavam isoladas”. Outra situação a que tiveram de acorrer foi “a manutenção da operacionalidade dos asilos, nomeadamente arranjando fontes alternativas de energia para manter o auxílio a pessoas dependes de máquinas de suporte à respiração”. Mas também a Caritas precisa de ajuda na sequência dos danos que as suas instalações e equipamentos sofreram. “Pelo menos 16 veículos ficaram danificados, alguns podem ser arranjados, mas outros ficaram irreparáveis”, revela Paul Pun.
GCS
Com quase 70 anos de história em Macau, a Caritas é um dos pilares sociais da cidade. A braços com muitos estragos na sequência do tufão Hato, a instituição mantém o foco no apoio aos que mais precisam. O secretário-geral da Caritas, Paul Pun, faz o ponto da situação, mais de 20 dias depois do tufão
ÁGUA VEM AÍ MAIS UMA CONDUTA DE ABASTECIMENTO
C
Em termos de instalações, as que precisam de maior cuidado é o Centro de Santa Lúcia, em Ka Ho, onde estão internadas mulheres com doenças mentais.
DAR E RECEBER
Outro centro danificado foi o Lar de Nossa Senhora da Penha, uma instituição que recebe pessoas com deficiências mentais e físicas, e que tem capacidade para receber 28 pessoas em sistema de internato. De forma a apaziguar os problemas da Caritas, a comunidade respondeu em peso. Em primeiro lugar, as concessionárias de jogo chegaram-se à frente com várias formas de apoio. A Galaxy ajudou a substituir quatro carros de serviço da Caritas, além de ter feito uma doação de um milhão de patacas. Foi também oferecido material de construção para remendar os danos provocados pelos ventos fortes do Hato. Também a Sands China está em vias de facultar um veículo com elevador para transportar doentes com problemas de mobilidade e dois carros de serviço. A MGM irá providenciar um equipamento que serve para transportar doentes em edifícios sem elevador e irá doar um veículo para o Lar de Nossa Senhora da Penha. Além destes, também a Wynn irá ajudar a Caritas a recuperar a operacionalidade. Outra das ajudas em destaque foi providenciada pela fundação a ligada ao jornal Ou Mun, que doou dois milhões de patacas. Além disso, muitos voluntários se juntaram à organização para reforçar os trabalhos de apoio aos
mais carenciados. Houve entregas anónimas de água, arroz e outros víveres. A Caritas criou ainda o Centro de Apoio Pós-Desastre, com o
“Até agora ainda não temos uma noção concreta de quanto perdemos, porque temos estado a gastar toda a nossa energia a servir na comunidade.” PAUL PUN SECRETÁRIO-GERAL DA CARITAS
objectivo de ajudar as pessoas necessitadas e que ficam de foram do alcance dos apoios dos governos. O centro pretende ajudar em Macau, no Interior da China e pelo mundo fora. O objectivo da instituição é dar resposta eficaz e rápida àqueles que ficam em situação de carência devido à crueldade dos elementos. A Caritas alargou o âmbito da sua linha SOS depois da passagem do tufão Hato para receber pedidos de ajuda da população. Entre o dia 23 de Agosto e 9 de Setembro, a única contabilidade disponível até agora, a Caritas recebeu 137 pedidos de ajuda. João Luz
info@hojemacau.com.mo
OMEÇA hoje a instalação da quarta conduta de abastecimento de água, a partir da China, para reforçar o fornecimento na zona de casinos entre as ilhas da Taipa e Coloane. Um comunicado conjunto dos serviços da água, tráfego e do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais refere que, para “acompanhar o desenvolvimento e a necessidade de abastecimento de água da zona do Cotai, o Governo irá instalar nesta zona a quarta conduta de abastecimento de água a Macau, estabelecendo uma ligação com a respectiva conduta no interior da China para assegurar o abastecimento de água bruta na região”. “Com capacidade de abastecimento diário de 200 mil metros cúbicos de água, a conduta irá diminuir a dependência da rede de abastecimento actual que liga com o território através da zona norte de Macau, aumentando, desta forma, a sua capacidade de resistência a eventuais riscos”, indica. A conduta estende-se directamente desde a Ilha da Montanha, na China, até à zona do Cotai. “Com o desenvolvimento contínuo da zona das ilhas e de acordo com tendência actual de aumento do uso de água, prevê-se que, em alguns anos, o sistema de abastecimento de água em Macau atinja a sua capacidade total”, acrescenta. A execução da obra, prevista para cerca de 600 dias úteis, envolve cerca de 2,8 quilómetros de comprimento, sendo o diâmetro da conduta de 1,6 metros. As autoridades referem ainda “a articulação com a estação de tratamento de água em construção na zona de Seac Pai Van, com capacidade de tratamento diário de 130 mil metros cúbicos de água”, vai “aliviar a produção concentrada de água na península de Macau, garantindo, deste modo, a segurança e a estabilidade do fornecimento de água nas ilhas”.
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18.9.2017 segunda-feira
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HOMAS Lim, cineasta de Singapura a residir actualmente em Los Angeles, tem vindo a ter contactos e reuniões com organizadores do Festival Internacional de Cinema de Macau para que o seu mais recente filme, “Sea of Mirrors”, possa fazer parte das películas a concurso. Em entrevista ao HM, o cineasta quis deixar claro que o filme só deverá estar concluído no próximo mês de Dezembro. Ainda assim, Thomas Lim quer fazer esta tentativa para mostrar uma película sobre Macau no território onde ela foi filmada. “Tenho vindo a ter reuniões com os organizadores do festival e disseram-me que gostariam de ver um excerto do filme, ainda que a edição de vídeo e imagem não esteja concluída”, contou Thomas Lim, que deverá entregar as primeiras imagens já em Outubro. “Faltam ainda três fases para concluir o filme, relacionadas com a edição de imagem, som e banda sonora, mas espero conseguir fazer isso. Como cineasta de Macau seria importante ter o meu filme neste festival.” “É um festival local e seria para este filme um bom começo”, acrescentou o realizador. Contudo, Thomas Lim não quer criar falsas expectativas ou, sequer, apresentar uma película incompleta aos organizadores da segunda edição do evento. “Não quero acelerar o processo de produção do filme. Vou tentar o meu melhor, mas não quero apresentar algo incompleto. Não quero dar uma má primeira impressão. Gostaria de lançar o meu filme no mercado no próximo ano, em meados do ano novo chinês, por isso seria óptimo mostrá-lo agora”, adiantou Thomas Lim.
MAIS EXPERIÊNCIA
Thomas Lim passou recentemente por Macau, para onde
Futuras projecções CINEMA THOMAS LIM QUER COLOCAR “SEA OF MIRRORS” NO FESTIVAL INTERNACIONAL DE MACAU
Começou a ser gravado em Abril, deverá estar concluído em Dezembro. “Sea of Mirrors”, a nova película de Thomas Lim, poderá ser um dos filmes presentes no Festival Internacional de Cinema de Macau viaja com alguma frequência. O território faz parte do seu imaginário como cineasta e é a ele que Lim recorre sempre que quer fazer um filme. “Roulette City”, a sua primeira longa-metragem, teve o
jogo como pano de fundo. Mas com “Sea of Mirrors” o cineasta de Singapura quis fazer diferente e contar outras histórias. Toda a película foi filmada com um iPhone. Mas entre os dois filmes há mais diferenças.
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA JÁ ENTÃO A RAPOSA ERA O CAÇADOR • Herta Müller
Roménia nos últimos dias do regime de Ceausescu: amigos que se fizeram traidores, outros que desapareceram, provavelmente assassinados; ex-directores tornam-se professores, fiéis de armazém tornam-se directores. Numa atmosfera onde o medo e o horror são omnipresentes, a professora Adina, a operária fabril Clara e o músico Paul tentam sobreviver. Mesmo depois da queda do regime, a ameaça não se dissipa. A raposa continuou a ser o caçador. Herta Müller, uma das mais proeminentes autoras de língua alemã, combina o vigor imagético e a prosa rítmica numa singular abordagem do totalitarismo. Na fundamentação da Academia Sueca de Estocolmo, lê-se sobre a autora galardoada com o Prémio Nobel de Literatura de 2009 que «retrata, através da concentração da poesia e a franqueza da prosa, a paisagem dos desapossados».
“Ambos foram filmados em Macau, mas sinto que, desta vez, aprendi mais. À medida que o tempo passa vamos aprendendo mais e mais, e aprendi muito a fazer o ‘Roulette City’.”
Com “Sea of Mirrors”, Thomas Lim conta que teve mais recursos e percebeu melhor as estratégias do que queria fazer. “Filmar com um iPhone foi uma das estratégias que decidi adoptar, trabalhar com antigos colaboradores foi outra. Quando fiz o ‘Roulette City’ não tinha muitos colaboradores a trabalhar comigo, foi o meu primeiro filme.” A história de “Sea Of Mirrors” é sobre um ex-actriz japonesa que viaja para Macau na esperança de encontrar um
investidor que pague um novo filme por ela protagonizado, mas nem tudo corre como esperado. “O meu segundo filme continua a ser sobre Macau e o que acontece aqui. Gosto de usar Macau como a personagem principal dos meus filmes, e espero poder contar histórias que só tenham Macau dentro delas”, frisou. Se no seu primeiro filme Thomas Lim deu destaque às interpretações, porque antes de ser cineasta foi actor, desta vez, em “Sea Of Mirrors”, a
RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET
LANTERNA MÁGICA • Ingmar Bergman
Nesta sua autobiografia, Ingmar Bergman lança, em 1987, um olhar sobre a sua vida marcada por uma educação rígida, uma imaginação fecunda e uma vida amorosa acidentada. Através da sua leitura vemos como foi um homem do teatro e do cinema, tendo vivido com intensidade os seus momentos de crise e de graça. Bergman avalia sem auto complacência as suas relações familiares, de amizade e amorosas, e fala com lucidez dos seus encontros com actores como Laurence Olivier, Greta Garbo ou Ingrid Bergman. Revela ainda episódios desconhecidos das filmagens de “Morangos Silvestres”, “Mónica e o Desejo” e “Sonata de Outono”. A obra testemunha as suas feridas e crises, mas também os seus momentos de felicidade, iluminados pelo persistente fulgor da infância.
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segunda-feira 18.9.2017
Para memória futura
Gulbenkian de Paris regista história da emigração cultural e artística
A
atenção foi transposta para a parte da realização.
CINEASTA VS ORADOR
No dia em que Thomas Lim conversou com o HM, esteve na Universidade de Macau a dar uma palestra para alunos. Algo que o cineasta afirma gostar de fazer, mas que não está no topo das suas preferências. “Em primeiro lugar, gosto de fazer filmes. Porque, no final de contas, todas estas conferências que dou, estes eventos onde vou, acontecem porque faço filmes. E o filme tem de ser bom, então essa é a minha prioridade. A seguir, começo a pensar em como fazer um novo filme que também seja bom.” Thomas Lim gosta de contar as suas experiências como cineasta, uma oportunidade que não teve quando começou no mundo do cinema. “Não me considero um professor de cinema, apenas dou umas palestras nas universidades. E dá-me muita satisfação poder partilhar as minhas ideias junto dos jovens, porque quando comecei não tinha muitas pessoas que me inspirassem”, contou. Em Singapura, Thomas Lim sentiu falta de referências. “Lá não temos figuras que nos inspirem no mundo das artes ou do desporto, por exemplo. Temos talvez
figuras que nos inspirem no meio político, empresários. Não sabia, quando era jovem, que podia fazer isto. Não creio ser ainda bem sucedido, mas espero poder inspirar alguém com aquilo que faço.”
MACAU E O JOGO
Apesar de ter feito um filme que tinha os casinos como
“Gostaria de lançar o meu filme no mercado no próximo ano, em meados do ano novo chinês, por isso seria óptimo mostrá-lo agora.” THOMAS LIM CINEASTA
tema principal, Thomas Lim considera importante filmar outros fragmentos de Macau, contar outras histórias. Mas assume: filmar os casinos garante sempre a atenção da indústria estrangeira. “Não foi deliberado não fazer, desta vez, um filme sobre o sector do jogo. Não temos de usar sempre o jogo como protagonista de um filme, mas podemos tirar partido disso, porque se a história tiver o jogo como pano de fundo vai atrair sempre mais a atenção do mercado internacional. Se fizermos um filme apenas sobre Coloane, vai ser difícil à comunidade internacional estabelecer um ponto de ligação, em termos de atenção”, rematou. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
delegação em França da Fundação Calouste Gulbenkian está a fazer entrevistas filmadas a artistas e figuras da cultura portuguesa que viveram em Paris, como Eduardo Lourenço, Graça Morais e Sérgio Godinho, entre muitos outros. O projecto chama-se “Artistas Portugueses em Paris - Uma História Oral” e o primeiro filme foi publicado há dias na página Internet da delegação da Gulbenkian em França, com uma entrevista de uma hora e vinte minutos ao ensaísta Eduardo Lourenço. O objectivo é preservar a memória das personalidades artísticas que passaram por França, sobretudo pela capital, disse à Lusa o diretor da Gulbenkian de Paris, Miguel Magalhães. “O projecto ‘Artistas Portugueses em Paris - Uma História Oral’ nasceu da necessidade de preservarmos a memória de algumas gerações de artistas e figuras da cultura portuguesa que foram passando por Paris nos últimos 50, 60 anos. Há um conjunto de figuras tutelares da cultura portuguesa que passaram por França, alguns começam a deixar-nos”, explicou. Miguel Magalhães destacou que, além de Eduardo Lourenço – “provavelmente a pessoa mais habilitada para falar sobre a relação de Portugal e França” e que foi “ele próprio um português em França durante cerca de 60 anos” –, já estão terminadas entrevistas ao músico Sérgio Godinho, aos artistas plásticos José de Guimarães e Graça Morais, e ao escritor e político António Coimbra Martins, que foi fundador do Centro Cultural Português em Paris em 1965 e embaixador na capital francesa. Há, ainda, “uma planificação intensa nos próximos tempos de entrevistas com várias outras figuras”, a começar pelo pintor Manuel Cargaleiro, o músico José Mário Branco e o artista Jorge Martins, entre “tantas outras figuras da arte e da cultura portuguesa em França e em Paris”. “Não tem um limite, a verdade é essa. O conjunto de pessoas, de figuras importantes da cultura portuguesa
que foram passando por França nas últimas décadas é de tal forma impressionante que não começámos este projecto com o fim em vista”, continuou o director da delegação, não excluindo a possibilidade de as entrevistas filmadas virem a ser transformadas em livro, mais tarde. As conversas assentam na formação de cada personalidade, nas suas motivações para emigrar, na sua vida em França – nomeadamente as dificuldades, as conquistas e as ligações com o meio artístico francês e português – assim como as relações entre Portugal e França.
AS RAZÕES DA VIAGEM
Os artistas convidados têm aderido ao projecto “de forma muito calorosa”, em entrevistas conduzidas, até agora, pelo artista e investigador António Contador e por Luísa Braz de Oliveira, especialista em cultura portuguesa e antiga colaboradora de Eduardo Lourenço e de António Coimbra Martins. “Julgo que todos os entrevistados perceberam a importância da preservação desta memória, destes testemunhos. Estamos a falar de diferentes gerações, de diferentes motivações. Estamos a falar com pessoas que fugiram à ditadura, estamos a falar com outras que vieram cá porque eram bolseiros na Fundação Gulbenkian, outros que vieram porque estavam de passagem”, continuou Miguel Magalhães, sem esquecer os que escolheram Paris por causa da “vida artística estimulante”. O responsável sublinhou também que este “não é um
projecto científico, é verdadeiramente um projecto de preservação da memória” que pretende servir, no futuro, para as pesquisas de investigadores, estudantes e pessoas interessadas pela cultura portuguesa em França. Ainda que se trate “de um testemunho oral”, Miguel Magalhães defendeu que “a história da emigração portuguesa em França, em geral, tem sido investigada”, mas “a história da emigração cultural e artística está provavelmente um pouco menos feita”, pelo que o projecto da Gulbenkian de Paris é como “uma investigação especializada” dentro da emigração portuguesa. Na apresentação do projecto, no ‘site’ da instituição, pode ler-se que “a cidade de Paris ocupa um lugar proeminente como destino para artistas, músicos e homens de letras portugueses ao longo dos tempos”, nomeadamente, “André de Gouveia no século XVI, Eça de Queiroz no século XIX, Amadeo de Souza Cardoso, Almada Negreiros, Vieira da Silva, Lourdes de Castro, Manuel Cargaleiro, Sérgio Godinho e tantos outros”. “Esta lista poderia continuar indefinidamente, tal é o número de personalidades da cultura portuguesa que viveram e trabalharam por esta cidade ao longo de décadas. Paris foi porto de abrigo, cidade de exílio, mas também de aprendizagem e de liberdade – política, de pensamento, liberdade criativa – para gerações sucessivas de jovens portugueses”, conclui o texto.
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WONG MAYE-E / AP FILE
18.9.2017 segunda-feira
Rio Yangtze Nove acusados de despejo de resíduos tóxicos
As autoridades chinesas acusaram nove pessoas de uma central de tratamento de resíduos de despejarem milhares de milhões de toneladas de detritos tóxicos numa zona do rio Yangtze, perto de Xangai (leste), foi ontem noticiado. As acusações foram apresentadas na sexta-feira, na cidade de Changshu, indicou a agência noticiosa estatal chinesa Xinhua, sem especificar a que tipo de sanções podem ser condenados. Os nove foram acusados de enviarem lixo de Haiyan, perto de Xangai, para indivíduos “não qualificados” que despejaram os resíduos no rio ou os enterraram, entre Agosto e Dezembro de 2016, acrescentou. O despejo terá sido efectuado nas proximidades de duas fontes de água potável, perto da foz do rio Yangtze, perto de Xangai.
Acidente 31 castigados por colapso de fábrica em construção
A China condenou 31 pessoas a “medidas coercivas” no âmbito do colapso no ano passado de uma fábrica em construção, do qual resultaram 73 mortos, informou a agência de notícias estatal. As “medidas coercivas” são uma forma de detenção que podem ir de uma vigilância constante a prisão efectiva e são normalmente aplicadas a pessoas que puseram em perigo a segurança nacional. A pena surge na sequência do colapso em Novembro de 2016 de uma fábrica em construção no sul da China, do qual resultaram 73 mortos, dois feridos e perdas de 15,6 milhões de dólares. Um relatório do Governo chinês afirma que os investigadores concluíram que o acidente foi provocado por uma série de factores, incluindo supervisão deficiente.
PYONGYANG EUA PRESSIONAM CHINA E RÚSSIA A APLICAR “NOVAS MEDIDAS”
Próximos capítulos provocações apenas aprofundam o isolamento diplomático e económico da Coreia do Norte”. Antes, o Comando do Pacífico (PACOM, na sigla em inglês) dos Estados Unidos confirmava que a Coreia do Norte tinha lançado um míssil balístico de alcance médio que sobrevoou o norte do Japão. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi já informado pelo chefe de gabinete, John Kelly, do lançamento do míssil por parte da Coreia do Norte, indicou a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders. Pouco antes do lançamento, Trump confirmou que no próximo mês vai realizar uma viagem à Ásia, a qual inclui paragens na China, Coreia do Sul e Japão.
[Rex Tillerson] exortou Pequim e Moscovo a mostrar a sua “intolerância face a estes imprudentes lançamentos de mísseis e a empreender as suas próprias acções directas” contra Pyongyang
Questionado pelos jornalistas que o acompanharam no Air Force One na visita à Flórida, após a passagem do furacão Irma, o Presidente norte-americano falou da viagem asiática, mas não quis abordar a estratégia relativamente à Coreia do Norte, afirmando apenas que “o povo deste país estará seguro, muito seguro”, numa referência aos Estados Unidos.
EVASIVAS SÍNICAS
Na resposta ao apelo norte-americano, Pequim evitou condenar de forma explicita o último lançamento do míssil pela Coreia do Norte. Em conferência de imprensa, a porta-voz das autoridades chinesas, Hua Chunying, disse que que todas as resoluções do Conselho de Segurança, no qual a China é membro permanente, “se opõem ao desenvolvimento da capacidade nuclear da Coreia do Norte”. Questionada se Pequim considera necessárias novas acções, como resposta ao lançamento, Hua sublinhou os “enormes sacrifícios” feitos pelo seu país para resolver a crise na península coreana. “A nossa sinceridade no cumprimento das nossas obrigações internacionais não deixa espaço para dúvidas”, acrescentou. Hua destacou que a “missão” de todas as partes deve ser
“terminar com todas as acções provocativas e perigosas, a favor de uma solução pacífica”. A porta-voz reiterou a importância do “regresso imediato ao diálogo” entre as partes directamente implicadas no conflito e frisou que a China “não é responsável pelo aumento das tensões”.
DO LANÇAMENTO
A Coreia do Norte lançou um novo míssil ao início da manhã de sexta-feira, a partir dos subúrbios da capital, Pyongyang, que sobrevoou a ilha de Hokkaido, no norte do Japão, antes de cair a aproximadamente 2.000 quilómetros do cabo de Erimo, em águas do oceano Pacífico. Tratou-se do primeiro lançamento de um míssil por parte da Coreia do Norte desde finais de Agosto, altura em que um outro projéctil também sobrevoou o norte do Japão – o que sucedeu pela primeira vez desde 2009. Foi também o primeiro ensaio do regime de Pyongyang desde que o Conselho de Segurança da ONU aprovou na segunda-feira passada, por unanimidade, o oitavo pacote de sanções contra a Coreia do Norte, em resposta ao sexto e até à data mais potente ensaio nuclear efectuado a 3 de Setembro.
AFP
O
secretário de Estado norte-americano condenou sexta-feira “o provocador” lançamento de um míssil efectuado pela Coreia do Norte que sobrevoou o Japão, instando “todas as nações”, sobretudo a China e a Rússia, a aplicar “novas medidas”. “Pedimos a todas as nações que adoptem novas medidas contra o regime de Kim [Jong-un]”, afirmou Rex Tillerson, num comunicado emitido pelo Departamento de Estado. O chefe da diplomacia norte-americana dirigiu o apelo particularmente à China e à Rússia, que têm estreitos laços com a Coreia do Norte, e exortou Pequim e Moscovo a mostrar a sua “intolerância face a estes imprudentes lançamentos de mísseis e a empreender as suas próprias acções directas” contra Pyongyang. “A China fornece à Coreia do Norte quase todo o seu petróleo. A Rússia é o maior empregador de força laboral norte-coreana”, exemplificou o secretário de Estado norte-americano. Esta foi a “segunda vez que o povo do Japão, um aliado dos Estados Unidos, foi directamente ameaçado nas últimas semanas”, sublinhou Rex Tillerson, apontando que “estas contínuas
Taiwan Chinês condenado à prisão por espionagem
Um cidadão chinês de 29 anos, que completou os estudos superiores em Taiwan, foi sexta-feira condenado a 14 meses de prisão, por espionagem a favor da China. Um tribunal de Taipé condenou Zhou Hongxu por violação da lei de segurança nacional, por ter tentado subornar um diplomata taiwanês, em troco de informação secreta. Zhou, que residiu em Taiwan entre 2005 e 2016, frequentou o curso de Administração de Empresas, na universidade taiwanesa de Chengchi, tendo regressado à China continental após concluir os estudos. Este ano, voltou a Taiwan como investidor. Em Março passado foi detido e acusado formalmente em Julho.
região 13
segunda-feira 18.9.2017
Regime de excepção
A coligação também se declarou horrorizada pelo apoio de Duterte a Ferdinand Marcos, deposto em 1986 após uma revolta popular lançada na sequência de um regime marcado por graves violações dos direitos humanos e também por acusações de corrupção. O ‘slogan’ adotado para a jornada de protesto é “Parem as mortes! Tirania e ditadura nunca mais!”
O
Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, poderá vir a decretar a lei marcial em todo o arquipélago na próxima semana se os protestos previstos pela esquerda resvalarem em perturbações ou violência, advertiu sexta-feira o ministro da Defesa. “Ele disse: ‘Se a esquerda, que está a tentar realizar uma manifestação gigante, inflamar as ruas e perturbar o país, poderei então [decretar a lei marcial]”, declarou Delfin Lorenzana, citando uma conversa que manteve, esta semana, com Rodrigo Duterte. Delfin Lorenzana ressalvou, no entanto, que as probabilidades de instaurar o regime de excepção são mínimas porque os protestos previstos para quinta-feira não devem ser – segundo estima – tão grandes como anunciam os organizadores. “Mas o Presidente está muito preocupado, porque pode degenerar”, por isso, é que afirmou que poderia decretar a lei marcial, explicou o ministro da Defesa. Uma coligação de grupos de esquerda
REUTERS/ERIK DE CASTRO
Rodrigo Duterte poderá decretar lei marcial nas Filipinas na próxima semana
AVISOS REGULARES
autointitulada de “Movimento contra tirania” anunciou a realização de iniciativas de protesto para o próximo dia 21, dia do 45.º aniversário da instauração da lei marcial pelo falecido ditador Ferdinand Marcos.
O movimento pretende denunciar a controversa ‘guerra contra droga’, que fez milhares de mortos, bem como protestar contra os ataques por parte do Presidente filipino contra as instituições democráticas.
O Presidente das Filipinas ameaça regularmente decretar a lei marcial em todo o país. Até ao momento, nem Duterte nem o seu Governo invocaram datas para o efeito ou um motivo susceptível de motivar tal decisão. A Constituição das Filipinas permite a instauração da lei marcial por 60 dias no caso de rebelião ou invasão. Duterte instaurou, em Maio, a lei marcial na região de Mindanao, que compreende a principal ilha, com o mesmo nome, e uma série de ilhotes vizinhos, devido à ocupação, por um grupo extremista que reclama ser afiliado do autoproclamado Estado Islâmico (EI) da cidade de Marawi, num conflito que fez mais de 800 mortos. (Ver caixa). Essa região do sul, que constitui aproximadamente um terço do país, tem aproximadamente 20 mi-
‘JIHADISTAS’ CONTROLADOS
O
exército filipino disse ontem que assumiu o controlo do centro de comando dos ‘jihadistas’ que se instalaram em Maio na cidade de Marawi, onde ainda estão entrincheirados. Há quatro meses que militares filipinos se envolveram em violentos confrontos de rua para desalojar os rebeldes, que se apresentam como associado do grupo Estado Islâmico (EI). O exército filipino afirmou ontem que assumiu o controlo do centro de comando dos islamitas na sequência de uma batalha sangrenta iniciada no sábado numa mesquita e num outro edifício.”Esta enorme operação enfraquece o grupo terrorista privando-o do seu antigo centro de comando e de controlo”, declarou num comunicado o general Eduardo Ano.”As operações de limpeza continuam e esperamos que o inimigo abandone a partir de agora posições ocupadas no passado, o que não fará sem combater”, adiantou. “Estamos prontos para isso”, referiu.
lhões de habitantes. A Constituição das Filipinas permite a instauração da lei marcial por 60 dias no caso de rebelião ou invasão.
PUB HM • 1ª VEZ • 18-9-17
HM • 1ª VEZ • 18-9-17
ANÚNCIO
ANÚNCIO
Proc. Ordinário de Execução n.º
CV3-16-0224-CEO
3º Juízo Cível
EXEQUENTE: VENETIAN MACAU, S.A., com sede em Macau, na Estrada da Baía de Nossa Senhora da Esperança, The Venetian Macao Resort Hotel, Executive Offices-L2, Taipa. EXECUTADO: LIN YINGWEI, masculino, ausente em parte incerta, com última residência conhecida na China, em Pengtou Village, Chendai Town, Jinjiang City, Fujian Province. *** FAZ-SE SABER que, pelo Tribunal, Juízo e processo acima referidos, correm éditos de trinta (30) dias, a contar da segunda e última publicação do anúncio, citando o executado LIN YINGWEI, acima identificada, para no prazo de vinte (20) dias, decorrido que seja o dos éditos, pagar ao exequente a quantia de MOP$17.430.923,94 (Dezassete Milhões, Quatrocentas e Trinta Mil, Novecentas e Vinte e Três Patacas e Noventa e Quatro Avos) e legais acréscimos, ou no mesmo prazo, deduzir oposição por embargos ou nomear bens à penhora, sob pena de, não o fazendo, ser devolvido ao exequente o direito de nomeação de bens à penhora, seguindo o processo os ulteriores termos até final à sua revelia. Tudo conforme melhor consta do duplicado da petição inicial que neste 3º Juízo Cível se encontra à sua disposição e que poderá ser levantado nesta Secretaria Judicial nas horas normais de expediente. E ainda que é obrigatória a constituição de advogado caso sejam opostos embargos ou tenha lugar a qualquer outro procedimento que siga os termos do processo declarativo. Macau, 08 de Setembro de 2017.
Execução Ordinária n.º
CV2-17-0003-CEO
2º Juízo Cível
VENETIAN MACAU S.A. (威尼斯人澳門股份有限公司), com sede em Macau, na Estrada da Baía de Nossa Senhora da Esperança, The Venetian Macao Resort Hotel, Executive Offices-L2, Taipa. 1. COMPANHIA DE INVESTIMENTO TONGXI LIMITADA (同喜投資 有限公司), com sede em Macau, na Avenida da Amizade, Edifício Macau Landmark Office Tower, 4º andar; e 2. TSUI CHI HUNG (徐志雄), solteiro, maior, com última residência conhecida em Macau, na Avenida do Nordeste, nº641, Edifício La Baie Du Noble, 37º andar “A”, “B”, ora ausente em parte incerta. *** Correm éditos de trinta (30) dias, a contar da segunda e última publicação do anúncio, citando o segundo executado TSUI CHI HUNG (徐志雄), para no prazo de vinte (20) dias, decorrido que seja o dos éditos, paga à exequente: (a) a quantia de HKD44.200.000,00 (Quarenta e Quatro Milhões, Duzentas Mil dólares de Hong Kong), correspondente a MOP45.526.000,00 (Quarenta e Cinco Milhões, Quinhentas e Vinte e Seis Mil Patacas), a título de capital; (b) a quantia de HKD17.982.739,73 (Dezassete Milhões, Novecentas e Oitenta e Duas Mil, Setecentas e Trinta e Nove dólares de Hong Kong e Setenta e Três Avos), correspondente a MOP18.522.221,92 (Dezoito Milhões, Quinhentas e Vinte e Duas Mil, Duzentas e Vinte e Uma Patacas e Noventa e Dois Avos), a título de juros de mora vencidos; (c) os juros de mora vincendos, calculados à taxa de 18% ao ano, aplicados ao valor mencionado na alínea a) supra, até efectivo e integral pagamento; e (d) as demais despesas despendidas com a presente cobrança coerciva, que vierem a ser apresentadas a final, ou no mesmo prazo, deduzir oposição por embargos ou nomear bens à penhora, sob pena de, não o fazendo, ser devolvido à exequente o direito de nomeação de bens à penhora, seguindo o processo os ulteriores termos até final à sua revelia. Tudo conforme melhor consta do duplicado do requerimento inicial que neste 2º Juízo Cível se encontra à sua disposição e que poderá ser levantado nesta Secretaria Judicial nas horas normais de expediente. E ainda que é obrigatória a constituição de advogado caso sejam opostos embargos ou tenha lugar a qualquer outro procedimento que siga os termos do processo declarativo. Macau, aos 08 de Setembro de 2017. Exequente: Executados:
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h
18.9.2017 segunda-feira
Arre, que tanto é tão pouco! Arre, que tanta besta é muito pouca gente!
SHEN HAO
Paulo Maia e Carmo
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«Hua Zhu»1
Discurso sobre a Pintura
Nota Sobre a Origem. O mundo só conhece Feng Mo como o iniciador da pintura mas desconhece que esta realmente começou com a Senhora Keshou (a irmã do imperador Shun). Um amigo meu disse-me: «É lamentável que esta arte divina tenha a sua origem numa mulher.» Mas eu recordei-lhe que a Senhora Ke tinha salvado o seu irmão Shun da fúria de Sou (o seu pai cego) e de Xiang (seu irmão mais novo). Ela possuía o poder da criação e tinha portanto a capacidade de ser a originadora da pintura.
Divisão Por Escolas. O Budismo Chan e a pintura dividiram-se os dois ao mesmo tempo numa escola do Norte e uma escola do Sul. A mobilidade espiritual era diferente nestas duas escolas.
1 - Dividido em treze breves capítulos, Hua Zhu, dois caracteres: «pintura» e «discurso», ou «conversa» e que Nicole Vandier -Nicolas, por exemplo, traduz por «Propos sur la peinture» (Peinture chinoise et tradition letrée, Seuil, Paris, 1983, p.232)
tradução e ilustração
ARTES, LETRAS E IDEIAS 15
segunda-feira 18.9.2017
o Ofício dos ossos Valério Romão
FLICKR
A cultura do copy paste
O
escândalo desta semana no Facebook português prende-se com a acusação de plágio que o ministério público moveu contra Tony Carreira e o compositor Ricardo Landrum. De repente, o ministério público deu conta de uma evidência que já tinha sido amplamente difundida nas redes sociais: algumas das músicas do Tony Carreira – e sabe Deus quantos mais intérpretes de sucesso comercial – são decalques perfeitos até à semifusa de autores estrangeiros. Poder-se-ia questionar o timing da notícia. Numa altura em que o governo se vê a braços com o rescaldo dos escândalos de Verão – desde os incêndios e o malfadado SIRESP, aparentemente tão fiável como um Windows 98 SE, até ao furto das armas de Tancos que, afinal, e pelo que vamos sabendo pelos jornais, a) não existiam, b) existiam mas foram furtadas muito antes de existirem, c) existiam, foram furtadas e são tão obsoletas que constituem um perigo para o pobre malfeitor que as operar, d) armas? Que armas? e) nenhuma das acima – e sem o respaldo mediático de um campeonato da europa ou de uma eurovisão, o conspirador insuficientemente medicado que há em mim vê nesta acusação a oportunidade
perfeita para folgar as costas do governo enquanto o pau da opinião pública vai e vem. A despeito do que se possa pensar sobre a oportunidade da acusação, a verdade é que esta é importante e traz a lume uma cultura de chico-espertismo que seria importante desmantelar se queremos afirmar de uma vez por todas a nossa maioridade e debelar a tacanhez própria de um país pequeno que, em tempos, já teve tudo. Os senhores Carreira e Landrum dizem-se vítimas da típica pequenez tuga e do seu correlato primordial, a inveja. Aparentemente, quem os acusa é movido por uma espécie de menoridade que não tolera o sucesso alheio. Terem êxito nas suas actividades deveria ilibá-los da necessidade de se justificarem. É a lógica do empreendedor: o facto de prover trabalho às pessoas eclipsa naturalmente o facto de lhes pagar salários de escravos contemporâneos. Deveríamos
estar gratos aos senhores Carreira e Landrum por entreterem tantos milhões de pessoas com os seus exercícios de romantismo de jogos florais. Ao invés, esta acusação vem demonstrar empiricamente o postulado do caranguejo: quando um está finalmente a escapar do balde, os outros tratam de puxá-lo de volta para dentro. A verdade é que o plágio não começa nem termina com os senhores Carreira e Landrum. O plágio grassa, por exemplo, num meio que conheço significativamente melhor do que o da música popular: a academia. Há teses inteiras, de mestrado a doutoramento, que são autênticas cópias requentadas de teses alheias. Há trabalhos que não sobrevivem a uma simples pesquisa literal no Google. Insere-se no motor de busca uma frase aleatória e o algoritmo devolve em milissegundos a formulação original. Dir-se-á que aqueles que o fazem não estão a tirar valor aos detentores
A verdade é que o plágio não começa nem termina com os senhores Carreira e Landrum. O plágio grassa, por exemplo, num meio que conheço significativamente melhor do que o da música popular: a academia
originais da ideia, porque não a comercializam. Certo. Mas estão a defraudar de forma demolidora o objectivo fundamental da academia, que não é o de papaguear o pensamento alheio mas o de produzir uma tese que contenha, pelo menos, uma nota de rodapé de originalidade. Quando há uma dezena de anos os mestrados e doutoramentos começaram a tornar-se mais frequentes, muitos políticos e detentores de cargos públicos viram os seus estatutos de doutores a serem postos em causa. Viram-se repentinamente privados da legitimidade hierárquica decorrente dos seus graus académicos perante os seus subordinados. Desataram a encomendar doutoramentos para, pelo menos, se dizerem tão letrados como aqueles que arrojaram anos a fio nas bibliotecas para os conseguir. Muitos deles nem sabem sobre que versa os seus trabalhos, pois a complacência dos júris assegurava uma aprovação suma cum laude a quem se propunha à certificação de competências. É por isso, também, que esta acusação é importante: para desmontar a cultura do chico-espertismo e da absolutização da aparência. Independentemente do desfecho do processo e da minha costela de teórico da conspiração.
16 desporto
PEDRO ANDRÉ SANTOS
I LIGA SPORTING LÍDER. BENFICA CAI COM ‘ESTRONDO’ NO BESSA
18.9.2017 segunda-feira
O
Sporting assumiu sábado provisoriamente a liderança da I Liga portuguesa de futebol, após bater o Tondela (2-0), numa sexta jornada marcada pela derrota do tetracampeão Benfica no Bessa (2-1). Com Cristiano Ronaldo nas bancadas do Estádio José Alvalade, um golo do central francês Mathieu, aos 12 minutos, na conversão de um livre directo, e outro de Bruno Fernandes, aos 72, fizeram equipa ‘leonina’ somar a sexta vitória em outros tantos jogos do presente campeonato. Com este triunfo, o Sporting assumiu a liderança prova com 18 pontos, enquanto o Tondela mantinha até sábado o 13.º lugar com cinco pontos. O Sporting subiu ao relvado a saber que, em caso de vitória, ficaria com cinco pontos de vantagem sobre o Benfica, que, com alguma surpresa, saiu derrotado na deslocação ao campo do Boavista. O brasileiro Jonas, logo aos sete minutos, adiantou os ‘encarnados’, mas os ‘axadrezados’ deram a volta na etapa complementar, através de Renato Santos, aos 55, e de Fábio Espinho, aos 74, este último num lance com muitas culpas para o guarda-redes Bruno Varela. No Bessa, o Benfica terminou uma série de 20 jogos seguidos sem perder no campeonato, enquanto o Boavista já não vencia os lisboetas há mais de uma década. A última vez tinha acontecido em setembro de 2006 (3-0). A vitória permite ao Boavista subir ao 10.º lugar com seis pontos, enquanto o Benfica é agora quarto com 13, depois de ter sido ultrapassado pelo Marítimo, que recebeu e venceu o Desportivo das Aves por 2-1. Na Madeira, os insulares chegaram ao intervalo a vencer já por 2-0, com golos de Rodrigo Pinho, aos 16 e 39 minutos, tendo o Aves reduzido já numa altura em que o triunfo madeirense parecia decidido, com um tento de Alexandre Guedes, aos 81.
FUTEBOL SPORTING DE MACAU APOSTA NA FORMAÇÃO
Academia de “leõezinhos”
O Sporting Clube de Macau vai abrir uma academia de futebol destinada a jovens entre os 5 e os 12 anos que terão a oportunidade de aprender as bases de treino e, futuramente, poderem reforçar a equipa sénior. Os treinos arrancam em Outubro e têm um custo anual de 5.500 patacas, ou mensalidades de 650 patacas
D
E olhos postos no futuro, o Sporting Clube de Macau (SCM) decidiu apostar na formação através da criação de uma academia de futebol para crianças, de ambos os sexos, entre os 5 e os 12 anos. Os interessados poderão já inscrever-se online ou pessoalmente, num dia-aberto que irá ter lugar a 23 ou 26 de Setembro, estando a data ainda por confirmar. “A ideia é formar futebolistas e proporcionar aos miúdos um treino de
qualidade. Queremos pegar no modelo português da Academia de Alcochete e trazê-lo para aqui, com as devidas proporções, obviamente. Gostaríamos muito de descobrir aqui talentos mundiais, mas para já estamos com os pés bem assentes na terra”, começou por explicar José Reis, director da academia do SCM. Segundo o responsável, existe a intenção de haver uma “articulação com a casa-mãe”, embora não estejam ainda definidos os moldes em que tal poderá acontecer. “O Sporting
Clube de Portugal organiza todos os anos um torneio muito importante de escalões jovens e teríamos imenso gosto de termos lá representada uma equipa da academia”, disse. O projecto foi apresentado na passada sexta-feira, na Escola Portuguesa, onde estiveram presentes os monitores e bastantes crianças, que aproveitaram para dar alguns toques na bola. Apesar de não haver ainda um número de inscritos, José Reis garante que tem havido bastante interesse, tanto da comunidade portuguesa
como da chinesa, estando convicto que “vamos ter crianças suficientes para viabilizar a academia”.
NUNO CAPELA NA COORDENAÇÃO
Depois de ter conseguido a manutenção na Liga de Elite ao leme do Sporting Clube de Macau, o treinador do Nuno Capela irá ser o responsável pela coordenação da academia, descrevendo a oportunidade como “mais um passo neste projecto do novo Sporting na consolidação da equipa de seniores”. “Depois de o Sporting ter visto que necessitava de novos jogadores não profissionais, a aposta na formação tornou-se num factor primordial para a subsistência”, apontou o coordenador. Nuno Capela sublinhou também que a academia vem colmatar uma lacuna que existe no território ao nível das escolas de formação, que “estão todas sediadas na Taipa”, lembrando também que as escolas do território “estão cheias de crianças que não têm onde praticar futebol”. Em relação aos treinos, o técnico irá focar-se sobretudo na criação de bases para desenvolver futuros futebolistas, já que há muitos jogadores que “chegam aos escalões superiores sem qualquer conhecimento de futebol”. A possibilidade de incluir jovens de diferen-
“A ideia é formar futebolistas e proporcionar aos miúdos um treino de qualidade. Queremos pegar no modelo português da Academia de Alcochete e trazê-lo para aqui.” JOSÉ REIS DIRECTOR DA ACADEMIA DO SCM
tes nacionalidades não preocupa o técnico já que “futebol é uma linguagem universal”, embora não descarte a possibilidade de “ajustar os formadores” de acordo com o público alvo. Os treinos deverão arrancar em Outubro e irão decorrer duas vezes por semana, às quartas-feiras (17:30-19:30) e aos sábados (09:00-11:00), nos campos da Escola Primária Luso-Chinesa da Flora e na Escola Portuguesa, dois parceiros da academia, que conta ainda com o apoio da Premium & Collectibles. Os interessados terão que pagar uma mensalidade de 650 patacas, ou anuidade de 5.500 patacas. Pedro André Santos info@hojemacau.com.mo
(f)utilidades 17
segunda-feira 18.9.2017
TEMPO
POUCO
?
NUBLADO
O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente
EXPOSIÇÃO | “A MÃO ESCREVENDO SOBRE O OLHAR” – JORGE BARRETO XAVIER Albergue SCM até 28/09
MIN
27
MAX
34
HUM
60-90%
•
EURO
9.62
BAHT
EXPOSIÇÃO | “CHILDREN´S ART LAND” Armazém do Boi até 27/09 EXPOSIÇÃO | “REPRESENTAÇÕES DA MULHER” Museu de Arte de Macau
O CARTOON STEPH
C I N E M A
PROBLEMA 124
UM FILME HOJE
SUDOKU
DE
SOLUÇÃO DO PROBLEMA 123
Cineteatro
1.22
NOVO DIA
CINEMA | CICLO DE FILM NOIR Cinemateca Paixão | até 24/09
EXPOSIÇÃO “DESTROÇOS” DE VHILS Oficinas Navais, nº. 1 | Até 31/11
YUAN
PÊLO DO CÃO
EXPOSIÇÃO | “WHATEVER YOU MAKE, MAKE IT YOURS” Creative Macau até 23/09
EXPOSIÇÃO “CONTELLATION” DE NICOLAS DELAROCHE Galeria do Tap Seac | Até 08/10
0.24
Primeiros raios de sol a anunciar o nascimento de um novo calendário. Não há boa, nem má nova. Não há propriamente um reinício pleno de frescura, mas uma burocrática renovação de ar estagnado. Ainda assim, o dia rompe indiferente aos despojos do fim-de-semana, mais forte do que qualquer investigação por corrupção eleitoral ou qualquer ponderação de revisão legislativa. O tempo está-se nas tintas, é um psicopata imune às minudências da vida em sociedade, um ditador de imparáveis ponteiros que tudo deita à irrelevância. Fica um gosto residual a análise, um vestígio da tão humana necessidade de tudo dissecar, de questionar até náusea, até as questões se multiplicarem num duvidoso caleidoscópio. Nasce um novo dia como uma maré baixa que recua para o oceano, que nos impele para a frente no calendário deixando um arrasto de passado. Um recomeço ressacado depois de um período de graça onde se provou um nadinha de poder de escolha, de domínio do alto destino. Mas só uma pequena amostra, apesar da imensa fome. Apenas um aperitivo, uma migalha que cabe na toca de um dente, depois de uma travessia do deserto com o estômago colado às costas. Nasce um dia famélico, depois de uma ilusão de banquete, as pessoas salivam à entrada de mais uma semana de trabalho esquecendo, aos poucos, esse apetite democrático. Ressurgem outras nutrições mais imediatas. João Luz
“CHILDREN OF HEAVEN” | MAJID MAJIDI
Ali vai buscar os sapatos da irmã depois de arranjados mas, no regresso a casa, perde-os. A família, como muitas outras no Irão, vive do mínimo. “Children of Heaven retrata de forma simples a cumplicidade entre irmãos, a vivência comunitária e o quotidiano de uma família. Escrito e realizado por Majid Majidi, “Children of Heaven” é um filme para conhecer um pouco de um país que se guarda e uma oportunidade de entrar no quotidiano de um lugar onde ainda é difícil chegar. Um filme humano e muito bonito. Sofia Margarida Mota
IT SALA 1
IT [C] Fime de: Andrés Muschietti Com: Bill Skarsgard, Jaeden Lieberher, Jeremy Ray Taylor 14.15, 16.45, 19.15, 21.45 SALA 2
WOLF WARRIORS 2 [C] FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Jason Wu
Com: Jason Wu, Qian Yu, Nan Yu 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 3
DANGAL [B] FALADO EM HINDI LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Nitesh Tiwari Com: Aamir Khan, Sakshi Tanwar, Fatima Sana Shaikh 14.30, 18.00, 21.00
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18 opinião
18.9.2017 segunda-feira
reencarnações JOÃO LUZ
CROESUS RECEBENDO TRIBUTO DE UM CAMPONÊS, CLAUDE VIGNON
Eleitor
O
somatório de todo o raciocínio, indiferença e sofrimento vertido na ponta de um carimbo. Com um simples gesto sepultam-se quatro anos de desfasamento na urna eleitoral. Já repararam na conotação fúnebre de tudo isto? O ciclo político encerra-se e reabre com um velório democrático. Um ritual mortuário mascarado de cidadania levando cortejos de eleitores enlutados e as suas lamúrias à cova das fracas opções. Um ciclo de vida afastado dos tronos da decisão onde se enterra a defunta liberdade. Tudo isto para chegarmos onde estamos, ou seja, exactamente onde estávamos antes. À terra regressamos. Hoje voltámos a ser o que éramos antes da campanha eleitoral, uma massa disforme, por definir, nas antípodas do poder, perfeitamente camuflados por uma perfusão de estudos e consultas públicas fantasmagóricas. Sinto-me aliviado por não ter de testemunhar mais a charada dos bilionários a tentarem meter-se na minha pele, a fingir que conhecem as minhas dores. Tenham decência e deixem-me em paz, regressem às vossas torres de marfim, às vossas mulheres esculpidas a bisturi, às vidas onde não existe o medo de ficar sem tecto, onde não cabe a matemática da mercearia. O vosso único medo sou eu, somos nós, é um povo desperto e raivoso a reagir ao vosso despudor.
Este é o momento em que quase podemos tocar o Olimpo, roçar ombros com quem faz as leis da terra. Há um conceito que me desce da cabeça para onde se forma a bílis: Elite! A palavra tem origem no latim, eligere exlegere, uma cruel ironia para estes dias de retorno ao fosso incomensurável entre governadores e governados. Elegemos a elite, temos uma quota-parte de responsabilidade nisto tudo. De certa forma, este exercício de intoxicante livre arbítrio é o que nos traz a este dia, ao rescaldo do concurso de popularidades que terminou na urna. Alimentaram-me com aspirações colossais face ao liliputiano gesto de eleger, venderam-me a ideia de acto essencial como a respiração e saiu-me na rifa uma acção onde não há qualquer tipo de processo cognitivo, nem análise, intuição, nada. Resta-me o vazio de utilidade depois do direito/dever cumprido, uma flor que teimo plantar em alcatrão fresco a cada quatro anos, sempre com uma réstia de esperança de que floresça além das limitações biológicas. Mas pensemos no procedimento que me caracteriza, o voto. Como é que algo pode ser simultaneamente um direito e um dever? Este conceito tem na sua génese um enorme paradoxo que dificilmente poderá ter eficácia prática. É uma aberração lógica à qual não
Como na relação entre astro e rotação celeste, entra-se no “polistício”, a altura do ano em que a legislatura está no seu pináculo, iniciando, imediatamente, o seu declínio
declino, talvez seja precisamente devido a esta inconsistência racional que não resisto, a todos os quatro anos, a carimbar um simulacro de escolha. Mas faço por eleger, presto-me ao sacrificial desígnio de sepultar o pequeno corpo democrático em caixão branco. Fica toda a realidade citadina reduzida ao gesto aniquilador do voto, ao último golpe de teatro antes do regresso à normalidade e regressamos à cidade estrangulada pelas tenazes dos múltiplos interesses e à invisibilidade das suas gentes. Agora instala-se a ressaca da inevitabilidade, mais quatro anos sem solicitações de cima. Volto a ser o cidadão, o residente, o mais elevado na hierarquia dos esquecidos, impertinente acorde na corda mais gorda do violoncelo, impetuoso na minha massificação, um fantasma andrajoso na cidade do super pib. Onde estão os milhões que as médias estatísticas me devem? Hoje desperta um novo dia, mais um daqueles sem história depois de todo o rebuliço deste pedaço de Verão escaldante. A treva fica para trás e o sol irrompe num horizonte de normalidade. Um sentimento de paz apodera-se das coisas, entranha-se nos passeios, como se entre os objectos se instalasse um narcótico armistício. Também entre as pessoas reina a reconciliação. Os eleitores voltam a ser quem eram, os trabalhadores residentes continuam a não ser ninguém e os políticos continuam a reinar acima de todos os outros. Como na relação entre astro e rotação celeste, entra-se no “polistício”, a altura do ano em que a legislatura está no seu pináculo, iniciando, imediatamente, o seu declínio. A vida prossegue para mais um ciclo.
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segunda-feira 18.9.2017
editorial
CARLOS MORAIS JOSÉ
M
ACAU foi ontem a votos e não se pode dizer, desta vez, que as coisas tenham ficado na mesma. Não ficaram e a próxima legislatura provará que a correlação de forças se modificou, nomeadamente na ocupação do espaço mediático. Repare-se que vamos ter a maior representação de sempre de deputados “fora do sistema”: Ng Kuok Cheong, Au Kam San, Pereira Coutinho, Sulou Sou e, finalmente, à terceira tentativa, Agnes Lam. Se, por um lado, é preciso estar plenamente consciente de que estes deputados não terão força política para “mudar”; por outro lado, é quase certo que serão eles a ocupar a maior fatia do espaço mediático, interferindo na formação ideológica da população. Será então nesse espaço que a sua voz se fará ouvir com uma outra densidade e propagação, graças ao facto de serem deputados. Este facto não agradará ao Governo e, provavelmente, não agradará a Pequim. Contudo, se tivermos em conta o grau de descontentamento que a acção do Executivo (ou a falta dela) tem provocado na população, poderão agradecer aos céus a existência de “distracções” que roubam votos aos candidatos “fora do sistema”. Sem elas os resultados seriam ainda mais sintomáticos dessa crescente (ainda que silenciosa) insatisfação. E que “distracções” são essas? Trata-se, por um lado, das listas de “estrangeiros”, quer sejam de Fujian ou de Guangdong. Neste sufrágio, sobretudo o comportamento de Song Pek Kei teve consequências desastrosas e o grupo liderado por Chan Meng Kam perdeu um deputado. A menina Song continua na Assembleia Legislativa mas a sua credibilidade sofreu um rude golpe, que ela mesmo infligiu. Mak Soi Kun e Zheng Anting conseguiram a reeleição e pouco mais. Por outro lado, temos as listas dos “revoltados” por isto ou por aquilo, que querem qualquer coisa muito específica, como a malta do Pearl Horizon. Imagine-se que esta soma de insatisfações e revoltas dirigia votos para os candidatos “fora do sistema” e os resultados poderiam ser bem diferentes. Apesar dos “estrangeiros” e dos “revoltados”, que servem interesses muito específicos, não esquecendo igualmente Angela Leong, que consegue a reeleição, a presença de vozes dissonantes na AL é agora maior. E não só é maior como nos parece mais qualificada se acrescentarmos
LUÍS DEMÉE (PORMENOR)
Um derrotado chamado Governo
à existente na anterior legislatura os nomes de Sulu Sou e Agnes Lam. Mais jovens e melhor preparados do que a maior parte dos seus pares espera-se que tragam alguma inteligência e bom senso aos debates. Não poderemos falar de vitória nem derrota dos chamados tradicionais (Kaifong e Operários), embora Ella Lei tenha sabido manter os votos que a saída de cena de Kwan Tsui Hang poderia ter dispersado. São máquinas velhas mas ainda bem oleadas.
Se olharmos com algum distanciamento, verificamos nestas eleições que o grande derrotado acaba por ser o Governo, as suas políticas e atitudes. O tufão Hato já não foi sintoma do distanciamento do Executivo em relação aos interesses da população: foi a prova. E isso caiu muito mal no goto de muita gente, deixando um sabor amargo difícil de apagar. A prisão e julgamento de Ho Chio Meng já tinham sido um descrédito mais
Se olharmos com algum distanciamento, verificamos nestas eleições que o grande derrotado acaba por ser o Governo, as suas políticas e atitudes. O tufão Hato já não foi sintoma do distanciamento do Executivo em relação aos interesses da população: foi a prova. E isso caiu muito mal no goto de muita gente, deixando um sabor amargo difícil de apagar
do que evidente das autoridades da RAEM — lembremo-nos que já foram detidos e condenados um alto membro do poder executivo e agora um dos mais altos cargos do poder judicial. A inexistência de planos concretos para resolver as dificuldades da cidade exasperam o mais paciente dos cidadãos que não compreende, por mais discursos que lhe façam, por mais justificações que enumerem, como uma cidade tão rica está tão mal organizada e como os seus cidadãos não desfrutam de uma melhor qualidade de vida. E, de facto, é difícil de compreender. Por isso, é caso para ainda irem abrindo as garrafas de espumante: poderia ter sido pior. Mas preparem-se para enfrentar uma barragem de vozes diferentes na AL. Não sei é se essas vozes terão capacidade para mudar alguma coisa além acrescentarem barulho no ar. Esperemos que sim.
O suborno anual não pode ser julgado no local.
A
No “centro do mundo dos negócios”
SÃO TOMÉ TONELADAS DE ARROZ DOADAS PELA CHINA À VENDA
O
Governo são-tomense iniciou este fim-de-semana a distribuição para venda à população das mil toneladas de arroz que recebeu há cerca de duas semanas como donativo da China Popular, disse ontem fonte governamental à Lusa. “Já iniciámos a distribuição para as lojas, o arroz será vendido para o consumidor a 13 mil dobras (pouco mais de cinco cêntimos de euro) o quilo, igual ao preço que praticamos na venda do arroz donativo do Japão”, disse a fonte da direcção geral do comércio. Há cerca de duas semanas, a China entregou ao Governo mil toneladas de arroz, no âmbito do programa de ajuda alimentar ao executivo são-tomense. Esta
oferta suprimiu a carência deste produto no mercado onde o chamado arroz do Japão escasseou há mais de oito meses, altura em que os importadores privados começaram a comercializar este produto por 35 mil dobras (1,4 euros) o quilo. “Realmente, esta ajuda de mil toneladas de arroz vem minimizar um pouco a carência desse produto no mercado”, reconheceu o ministro das finanças, comércio e economia azul, Américo Ramos. “O arroz tornou-se num produto que, neste momento, se destaca no cabaz básico da população”, acrescentou o governante, sublinhando “a importância da cooperação com a China no âmbito da segurança alimentar”.
JAPÃO PM DEVE CONVOCAR ELEIÇÕES ANTECIPADAS EM OUTUBRO Austrália, justificando a escolha da associação, que numa primeira fase do projecto de internacionalização apostou em mercados de proximidade, como Copenhaga, Londres e Paris. “É um esforço que esperamos seja compensador”, considerou.
BOAS REACÇÕES
As seis empresas portuguesas presentes nesta feira, que começou na sexta-feira, já têm alguma experiência deste mercado: “Vêm a Hong Kong há quatro anos,
Fórmula 1 Hamilton vence em Singapura
sendo que a firma menos experiente está aqui pela segunda vez”, disse. Um dos ‘designers’ que participa pela segunda vez nesta feira afirmou ter sido “um desafio tentar perceber a aceitação do público asiático” para o trabalho que apresenta. “A reacção do público tem sido boa (...) fazer vendas locais na feira é fácil, mas estender esse negócio e conseguir estabelecer uma relação comercial à distância é um grande desafio”, mas até agora tem sido compensador,
O britânico Lewis Hamilton (Mercedes) venceu ontem o Grande Prémio de Singapura e aumentou para 28 pontos a vantagem sobre o alemão Sebastian Vettel (Ferrari), que abandonou a 14.ª prova do campeonato. O tricampeão mundial (2008, 2014 e 2015), que detinha três pontos de vantagem sobre Vettel, somou o sétimo triunfo da época numa corrida atribulada, em 02:03.23,543 horas, à frente do finlandês Valtteri Bottas (Mercedes) e do australiano Daniel Ricciardo (Red Bull), segundo e terceiro classificados, respectivamente. Vettel, campeão entre 2010 a 2013 e que partiu da ‘pole position’, abandonou a corrida na primeira volta, na sequência de um incidente com o finlandês e companheiro de equipa Kimi Raikkonen e com o holandês Max Verstappen (Red Bull). PUB
segunda-feira 18.9.2017
HONG KONG OURIVESARIA PORTUGUESA APOSTA NA ÁSIA
GETTY IMAGES
aposta na internacionalização levou a ourivesaria portuguesa a voltar-se para o mercado asiático, que exige “produtos de grande qualidade”, e a regressar à feira de joalharia de Hong Kong, “uma das maiores do mundo”. “Os compradores asiáticos, até aqui conotados com produtos de baixa qualidade, exigem cada vez mais qualidade”, disse à Lusa a secretária da Associação de Ourivesaria e Relojoaria Portuguesa, Fátima Santos, que lidera a participação portuguesa na feira de joalharia e pedras preciosas de Hong Kong, que termina na terça-feira. Para Macau, Fátima Santos prometeu “uma acção de promoção a breve prazo”. A responsável sublinhou ter-se dado “uma alteração do paradigma de consumo dos asiáticos”, em que a exigência de qualidade é agora determinante. “A ourivesaria portuguesa é um produto de grande qualidade, já não tão tradicional e apresenta grande incorporação de design, embora continuemos a trazer as filigranas tradicionais”, sublinhou. Em Hong Kong, terceiro maior importador de joias do mundo, “o negócio tende a dar certo” por se tratar de “uma zona de concentração absoluta” em que o número de consumidores, sobretudo da China que tem uma classe média em crescimento, “é tão elevado que se adapta a cada tipo de produto”, explicou. Esta feira junta aqui, além da Ásia, consumidores da América Latina, Estados Unidos, Europa,
Tesoura das ilhas
afinal a Ásia é o “centro do mundo de negócios”, sublinhou Bruno da Rocha. O valor total de exportação da joalharia, uma das actividades de maior tradição em Portugal, ronda os 60 milhões de euros, de acordo com dados da associação. Dados de 2015 indicavam que a França é o principal destino das exportações portuguesas (34,5%), seguindo-se Espanha (23,2%),Angola (11,3%), Estados Unidos (6,3%), Bélgica (5,6%), Suíça (4,7%), Alemanha (4%) e Itália (2,2%).
Londres Detido segundo suspeito de ataques no metro
Um segundo suspeito dos ataques de sextafeira ao metro de Londres foi detido sábado à tarde, anunciou ontem a polícia britânica. O homem de 21 anos foi detido nos arredores de Londres, em Hounslow, pelas 23:50 de sábado, indicou a polícia em comunicado. Os ataques no metro de Londres, com um engenho explosivo, provocaram cerca de 30 feridos.
O
primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, deverá convocar eleições gerais antecipadas em Outubro para reforçar o governo, num momento de divisão da oposição, noticiou ontem a comunicação social nipónica. Os planos de Abe foram conhecidos depois de uma reunião de emergência, no sábado, do partido Komeito, parceiro do governo de Abe, e na qual foi analisada a possibilidade de o primeiro-ministro dissolver a Câmara dos Representantes (baixa) do parlamento (Dieta) no final deste mês e convocar eleições para o período entre 22 e 28 de Outubro. De acordo com os órgãos de comunicação japoneses, Abe transmitiu ao líder do Komeito, Natsuo Yamaguchi, a estratégia que antecipa as eleições gerais em mais de um ano. O conservador Partido Liberal Democrata (PLD) de Abe ganhou sem difi-
culdade as eleições gerais antecipadas, em Dezembro de 2014, nas quais o primeiro-ministro conseguiu revalidar o mandato. A dissolução antecipada poderá beneficiar a coligação de Governo num momento de divisão no principal partido da oposição, o Partido Democrático, cujo líder se demitiu recentemente, podendo levar a uma ruptura da formação. Outro dos objectivos de antecipar o escrutínio seria travar o avanço de Tomin First (Primeiro os residentes de Tóquio), a nova formação da governadora da capital japonesa, Yuriko Koike, que venceu as eleições para a assembleia metropolitana de Tóquio, em Julho, derrotando o PLD. Shinzo Abe deverá tomar uma decisão final depois de avaliar a situação sobre a Coreia do Norte, cuja ameaça nuclear poderá ser favorável à reeleição do veterano político conservador.