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Hoje Macau 18 JUL 2014 #3134

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

WWW.HOJEMACAU.COM.MO

S E X TA - F E I R A 1 8 D E J U L H O D E 2 0 1 4 • A N O X I I I • N º 3 1 3 4

SALÁRIO MÍNIMO Trabalhadores e patrões URBANISMO

LUIS DEMÉE

DEPUTADOS PEDEM NOVA PROPOSTA. EM NOME DA IGUALDADE POLÍTICA PÁGINA 3

não se entendem sobre indemnizações POLÍTICA PÁGINA

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ARQUITECTO RUI LEÃO CONTRA MAIS EDIFICAÇÕES MASSIVAS NO COTAI SOCIEDADE PÁGINA 6

hojemacau

LUÍS DEMÉE, ARTISTA PLÁSTICO E PINTOR (1929-2014)

Um adeus macaense O “mais importante artista plástico nascido em Macau” partiu esta semana aos 85 anos.

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO 28721006

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REPORTAGEM

hoje macau sexta-feira 18.7.2014

vimento económico é natural que os salários aumentem, mas nestas lojas o salário não vai além das sete ou oito mil patacas. As PME dependem muito dos não residentes porque os residentes podem escolher sítios melhores onde trabalhar, onde pagam mais”, assume Kwan Kam Kuen.

AS INCERTEZAS NA LIMPEZA

PME TEMEM INFLUÊNCIA DA IMPLEMENTAÇÃO DO SALÁRIO MÍNIMO

Trabalhadores sem confiança O futuro salário mínimo promete trazer aumentos para quem trabalha na área da limpeza e segurança, mas quem trabalha para empresas privadas acha que a nova lei não terá qualquer efeito. Já as PME receiam que os seus empregados comecem a pedir aumentos que não possam suportar, ou que optem por empresas com mais condições ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

CECÍLIA LIN

cecília.lin@hojemacau.com.mo

Q

UAIS os verdadeiros efeitos da criação do salário mínimo para a economia local, ainda que, numa primeira fase, apenas os trabalhadores da limpeza e segurança, do sector público e privado, sejam abrangidos? Os deputados aprovaram a proposta de lei, mas alertaram: as Pequenas e Médias Empresas (PME), já debilitadas com as rendas elevadas e a falta de mão-de-obra, podem sofrer mais um ataque. Lo Kin Tong, dono de uma loja no Leal Senado que vende brinquedos e material de campismo, receia o efeito em cadeia: os empregados de outros sectores podem começar a pedir aumentos, ou mesmo os salários podem sofrer uma actualização. Algo que as PME terão dificuldade em suportar. “Penso que [o salário mínimo] vai ter alguma influência e é possível que [os

empregados] peçam aumentos”, conta o proprietário ao HM. “Se as grandes empresas começarem a pagar mais por causa do salário mínimo, então vai ser difícil para as PME. O salário médio nesta área [de vendas a retalho] é de sete a oito mil patacas. Se os salários aumentarem será difícil para os patrões recrutarem, porque aí os empregados vão ter mais escolha e podem optar por empresas grandes, que podem oferecer mais condições e benefícios”, disse ainda Lo Kin Tong. O dono da loja conta que os salários nesta área já passaram da média de seis mil patacas para as sete, oito mil. Valores acima são incomportáveis para as PME, assume Lo Kin Tong. “Tenho três empregados, dois não residentes, e a média que pago é entre 7500 a oito mil patacas. Agora estou a tentar recrutar pessoas que falem inglês e mandarim e não vou pagar mais de oito mil patacas”, assume. Lo Kin Tong não concorda que o salário mínimo seja, assim, alar-

gado a todo o mercado laboral. “É necessário para a área da limpeza e segurança porque muitos idosos ganham pouco e é uma forma de proteger estas pessoas. Mas im-

“Tenho três empregados, dois não residentes, e a média que pago é entre 7500 a oito mil patacas” LO KIN TONG Dono de uma loja no Leal Senado

“Os patrões das PME não conseguem acompanhar os salários das empresas grandes” KWAN KAM KUEN Dono de uma loja de produtos de medicina tradicional chinesa

plementar para todas as profissões não é necessário porque as PME já pagam melhor”, defende.

OS TNR SÃO UMA ESPERANÇA

Mais abaixo, na Rua dos Mercados, Kwan Kam Kuen segura vales de saúde dos utentes que vão à sua loja de produtos de medicina tradicional chinesa. Para ele, a influência do salário mínimo nas PME dependerá sempre da forma de gestão, mas assume que, caso os empregados peçam aumentos ou optem por trabalhar em empresas maiores, a solução pode passar pela importação de mão-de-obra. “Se os residentes quiserem aumentar o salário, a nossa empresa não vai aguentar e teremos de procurar não residentes. Mas, no geral, é difícil para as PME darem as mesmas condições que as empresas grandes. Os patrões das PME não conseguem acompanhar os salários das empresas grandes”, aponta. Ao contrário de Lo Kin Tong, este proprietário “aceita” se o salário mínimo for alargado a todas as profissões. “Com o desenvol-

No edifício comercial Aia Tower o tempo é de rebuliço. À hora de almoço, Lei [nome fictício] guarda o trapo velho com que limpou a casa-de-banho do edifício. Não tem BIR e trabalha há um ano para uma empresa privada. Lei, que ganha 21 patacas por hora - a nova lei prevê 30 patacas - não acredita que um dia terá um cheque mais recheado no final do mês. “Será difícil implementar a lei, se calhar no Governo vão pagar, mas no privado não sei. Se eu pedir ao patrão para actualizar o salário, ele não me renova o contrato. Acho que para as empresas de certeza que o salário mínimo não vai mudar nada”, conta ao HM. Um colega, a trabalhar para a mesma empresa há três anos, também não acredita num melhor salário. “Agora a média na nossa área são 27 patacas por hora e nós não ganhamos isso. Por isso, se não fomos aumentados até agora, também não vamos ser. É difícil para a empresa pagar este aumento a toda a gente”, defende o empregado, que não quis ser identificado. Na área da segurança, a confiança também não mora em todos. Lao Pat Sai, de 70 anos, trabalha num edifício comercial 12 horas por dia e, mesmo com acesso ao subsídio complementar de rendimentos, não ganha mais do que cinco mil patacas por mês. Lao acredita que o salário vai aumentar muito, mas não sabe quando. “É algo urgente para a nossa profissão, mas deviam acelerar o processo, é tudo muito lento. Os funcionários públicos têm o salário aumentado todos os anos, mas o salário mínimo só deve chegar para o ano”, criticou ao HM. Pelo contrário, um segurança numa casa de slot-machines, não residente e com um salário de oito mil patacas, não mostra a mesma confiança. “Sei que outras empresas já aumentaram os salários, mas a nossa ainda não o fez. Talvez aumente [com o salário mínimo], mas não sei quando. Penso que os salários vão continuar a ser baixos. Um outro segurança, numa instituição bancária, ganha 23 patacas por hora, 27 se fizer horário nocturno. “Os salários podem aumentar mas não de um dia para o outro, acho que vai demorar muito”, assume ao HM. Também ele acredita que, na prática, as coisas não vão ser iguais para todos. Contudo, “não é por dificuldades financeiras que as empresas não vão aumentar os salários”, considera.


POLÍTICA

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SALÁRIO MÍNIMO DEPUTADOS VÃO PROPOR AO GOVERNO NOVA LEI

Braço de ferro em prol da igualdade cias desta proposta de lei para a economia.

ANTÓNIO FALCÃO

É já na próxima quinta-feira que os deputados vão propor a Francis Tam que crie uma nova proposta de lei que defina os princípios do salário mínimo e que crie a possibilidade de abranger mais profissões para além da área da administração de propriedades. No total, o Executivo terá de responder a dez questões

E AS CONSEQUÊNCIAS?

“Será que foram feitos estudos ou avaliações sobre os efeitos negativos desta proposta de lei? Quais serão os custos a suportar pelas empresas de administração predial? Será que as empresas vão deixar de empregar porteiros com idade avançada? Será que o sector empresarial está preparado para receber esta proposta de lei?”, questionou o presidente da comissão.

“Será que as empresas vão deixar de empregar porteiros com idade avançada? Será que o sector empresarial está preparado para receber esta proposta de lei?” CHEANG CHI KEONG Deputado

ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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S deputados da Assembleia Legislativa (AL) continuam a insistir na possibilidade de criar um salário mínimo universal que não abranja apenas os trabalhadores da limpeza e segurança. Na próxima quinta-feira, a equipa do Secretário para a Economia e Finanças, Francis Tam, será chamada ao hemiciclo para debater a possibilidade de ser criada uma nova proposta de lei. “Vamos ponderar produzir uma lei que defina os princípios gerais do salário mínimo e que depois tenha anexos onde outros sectores e profissões estejam abrangidos”, explicou o deputado Cheang Chi Keong, que preside à comissão que analisa este diploma em sede de especialidade. A criação de uma nova lei, com anexos, onde se vão acrescentado profissões sempre que o Executivo desejar, prende-se com uma questão meramente jurídica, uma vez que os deputados já aprovaram uma proposta de lei que apenas versa sobre um sector. Alargar o âmbito da lei significaria voltar à estaca zero em todo o processo. “O ideal seria produzir uma lei que regulasse o salário mínimo para todos os sectores, mas pretendendo o Governo legislar só nestas profissões tecnicamente é a melhor solução. É

como a Lei da Droga, que tem no anexo uma tabela de substâncias psicotrópicas proibidas, ou as regras de segurança alimentar”, explicou o deputado, que frisou ainda: “não podemos ter esta proposta de lei pronta nesta sessão legislativa”.

MANUFACTURAS TAMBÉM PRECISAM

A proposta que será feita a próxima quinta-feira tem sobretudo a ver com a questão de igualdade entre profissões, uma vez que não são apenas os trabalhadores da limpeza e segurança que mais utilizam o subsídio complementar de rendimentos, entregue pelo Governo a pessoas com rendimentos baixos. “A administração de propriedades não é o sector com mais trabalhadores com baixos rendimentos, mas sim o manufactureiro. Como devemos manter o princípio da igualdade? Olhando para a realidade de Macau, o Governo não deve dar conta meramente de duas profissões. Os trabalhadores não abrangidos podem ficar insatisfeitos”, explicou Cheang Chi Keong.

Segundo dados fornecidos pelo Executivo à Comissão Permanente da AL, só no ano passado 1869 trabalhadores do sector das manufacturas recebiam este subsídio, contra 2967 do sector da limpeza e segurança. Mas, entre 2009 e 2013, os trabalhadores de manufacturas representaram cerca de 40% da fatia dos utilizadores deste subsídio, de cinco mil patacas.

“Será que esta medida provisória se pode transformar numa medida permanente? Será que é possível alargar o seu âmbito de aplicação? Temos de perguntar ao Governo o que é que ele pensa em relação ao elevado número de pessoas do sector manufactureiro que têm este subsídio”, defendeu Cheang Chi Keong. Outra das dúvidas dos deputados prende-se com as consequên-

Existem ainda diferenças a nível jurídico em relação à Lei das Relações do Trabalho, onde não consta o conceito de salário mínimo, mas sim de salário de base, com os respectivos subsídios e regalias, num total de oito. Há ainda outras áreas “incompatíveis” entre esta proposta de lei e outras leis laborais em vigor.A fórmula de cálculo do salário mínimo é também alvo de preocupação por parte da comissão. Os deputados estão ainda preocupados com o mecanismo de revisão do salário mínimo. A proposta de lei fala de uma revisão anual. “A revisão é só sobre o valor do salário mínimo e parece que está a limitar o mecanismo de revisão. Será que o valor tem de ser actualizado todos os anos, será que o salário mínimo deve ser alterado?”, questionou Cheang Chi Keong.

Chan Meng Kam quer rever plano de apoio a jovens

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deputado Chan Meng Kam entregou uma interpelação escrita ao Governo onde fala do plano de apoio a jovens empreendedores, implementado há cerca de um ano. Chan Meng Kam pretende saber se o Governo está a analisar as consequências e a rever as insuficiências dessa medida. O deputado considera que os jovens são uma nova força para o progresso da sociedade e que

o apoio financeiro tem um efeito positivo para o empreendimento por parte dos jovens. Contudo, diz, “além do apoio financeiro, os jovens precisam de apoios a longo prazo, como a formação profissional ou ajuda na criação de melhores ambientes de negócio. Isso faz com que os jovens sintam que o processo de fazer negócios ainda é difícil”, pode ler-se na interpelação.

Chan Meng Kam questiona, assim, se o Governo vai fazer uma revisão regular do plano, sugerindo a criação de um mecanismo de acompanhamento para os casos eficazes. O deputado questiona ainda se o Governo vai ter como referência o plano de apoio que já existe em Hong Kong, que fornece consultas profissionais e apoios à tomada de decisões, algo que vai além do plano financeiro. - F.F.


4 política

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INDEMNIZAÇÕES TRABALHADORES E PATRÕES EM DESACORDO

HOJE MACAU

info@hojemacau.com.mo

Lei a caminho da AL

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As alterações às indemnizações não agradam nem a patrões, nem a empregados, mas a DSAL já dá a conclusão da proposta como concluída: vai assim mesmo para a AL, porque é importante “acelerar” o processo pois de ouvidos os representantes das pequenas e médias empresas (PME), considera que o valor mais apropriado seria de 17 mil patacas.

“Consideramos que o valor deve ser ajustado”, disse, argumentando que “o aumento significativo” poderá criar dificuldades

GCS

S trabalhadores e empregadores não estão de acordo quanto à proposta apresentada pelo Governo relativamente à revisão do cálculo das indemnizações por despedimento sem justa causa. Em cima da mesa está a revisão da Lei das Relações de Trabalho nesta área, que estava esquecida na gaveta desde 1997. Na altura, em caso de despedimento sem justa causa os trabalhadores receberiam 12 vezes o valor do seu salário ainda que com um limite máximo de 14 mil patacas, independentemente dos anos de serviço. O Governo decidiu rever a lei e apresentou às partes interessadas – trabalhadores e empregadores – as alterações, que segundo o Director da Direcção dos Serviços dos Assuntos Laborais (DSAL), - Wong Chi Hong, se ajustam de forma adequada ao momento económico vivido em Macau. A nova proposta apresenta o valor mínimo de 20 mil patacas por 12 meses, aumentando assim seis mil patacas ao antigo montante continuando sem ter em conta os anos de serviço. Contudo, patrões e trabalhadores não se entendem.

principalmente às PME, que se podem ver agora obrigadas a despender de um maior montante em caso de despedimento sem justa causa de um dos seus trabalhadores. “Não podemos assustar os empregadores, se aumentamos o valor, achamos que vão ficar assustados”, explica Vong Seng que considera que o limite dos 12 meses é o ideal.

PARTE TRABALHADORA

Do outro lado da margem estão os trabalhadores, que discordam na totalidade com a proposta em causa. Para Cheong Man Fu, representante da força laboral, “o montante deve ser maior e com mais duração”. Por isso, os trabalhadores defendem que as alterações “estão a prejudicar os direitos dos empregados” e que, portanto, “devem ser canceladas”. “O empregador precisa de assumir uma maior responsabilidade,

LADO PATRONAL

Vong Kok Seng, representante da parte empregadora, considera que o montante proposto pelo Executivo “é um pouco alto” e, por isso, de-

CONSULTAS PÚBLICAS GOVERNO ESTÁ A REVER NORMAS

tendo em conta os anos de trabalho que o empregado apresenta”, defendeu. “Não estamos satisfeitos”, frisou Cheong Man Fu. Na proposta do Governo, é ainda sugerido que esta lei seja revista de dois em dois anos. Relativamente a isto, o representante dos empregadores mostrou-se contra, argumentando “que não há necessidade”. Para Vong Seng a revisão deverá ocorrer “apenas quando for necessário”, ou seja, “se não há alterações [a nível económico em Macau] não é preciso rever”, disse.

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mil patacas por 12 meses, valor da nova proposta de indemnizações

Com ou sem acordo das partes envolvidas, o projecto de lei segue mesmo para a Assembleia Legislativa, após a análise pelo Conselho Executivo. “Já tivemos um longo período de estudo, já ouvimos as opiniões de ambos os lado, achamos que chegamos a um consenso. Depois desta reunião, vamos entregar este projecto de lei”, garantiu o director da DSAL, reforçando o interesse do Governo em “acelerar o processo” para que tudo seja rapidamente resolvido.

UE E MACAU QUEREM NOVAS ÁREAS DE COOPERAÇÃO

A culpa é do Regime de Garantias Desafios futuros A O CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

director dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP), José Chu, assegurou que o Governo está a rever as Normas para a Consulta de Políticas Públicas, depois da polémica com o Regime de Garantias para os Titulares dos Principais Cargos. A ausência de auscultação da população levou milhares às ruas, obrigando o Governo a deixar cair a proposta. Numa resposta a uma interpelação escrita de Chan Meng Kam, José Chu diz que que o Governo “já reparou” que alguns processos de consultas públicas não atingiram o objectivo previsto nas normas, especialmente no que toca à avaliação geral feita depois de acabar a consulta. Por isso, diz, o Governo está a fazer uma recolha de opiniões sobre a forma como devem ser emitidas as informações, as maneiras de se fazer a consulta e a avaliação geral das respostas da sociedade, a fim de fortalecer os trabalhos de consulta. Chan Meng Kam questionou, em

interpelação escrita, porque é que antes da proposta de lei ser feita, a sociedade não foi consultada. Mesmo após a proposta já ter sido retirada pelo Governo, o deputado aponta que, segundo as Normas para a Consulta de Políticas Públicas, antes de lançar as leis precisa de se promover uma consulta, precisamente para se perceber as reacções da sociedade. “Mas, normalmente, para algumas políticas mais importantes ou propostas de lei, não se promove esta consulta, o que deixa a população a pensar e a questionar se não haverá negócios por baixo da mesa. Por outro lado, noutros

assuntos, há demasiadas consultas públicas e, aí a população, acusa o Governo de estar a usar o tempo de consulta para atrasar a implementação da política.” Chan Meng Kam perguntou se vai haver revisão a estas Normas - em vigor há três anos – porque, actualmente, diz, falta fornecer informações ao público. José Chu assegura que as Normas estão a ser revistas, mas também avisa que cada departamento “pode seguir as Normas” de forma independente e “analisar e considerar” se realmente precisa de fazer uma consulta pública de alguma política ou proposta da lei.

HO ION SANG SUSPEITA DA EFICÁCIA DAS CONSULTAS “Consultas públicas é uma das maneiras importantes para a população participar na políticas do Governo”, salientou ontem Ho Ion Sang numa interpelação escrita. Ainda assim, diz, há dezenas de consultas que envolvem diferentes âmbitos de política e, no entanto, a eficácia real tem sido alvo de suspeita pela sociedade “por falta de transparência dos membros das órgãos e dos trabalhos depois de recolhidas as opiniões dos residentes”. O deputado quer saber como está a ser feita a revisão e pede que, além de se limitar a repetição dos cargos dos membros, que o Governo pense em estabelecer um critério mais objectivo na escolha destes, de forma a aumentar a transparência, ao mesmo tempo que publica todas as informações relativas a estas consultas. - F.F.

pensar no futuro, a União Europeia (UE) e Macau mostraram desejo de explorar novas áreas de cooperação, em particular nos domínios da educação, protecção ambiental e intercâmbio cultural. Ao terminar a 19.ª Reunião da Comissão Mista da União Europeia - Macau, que decorreu na terça-feira em Bruxelas, Viorel Budura, Director - Executivo para a Região da Ásia-Pacífico do Serviço Europeu de Acção Externa, destacou a importância das relações UE - China, com potencial

significativo para uma maior expansão, em termos de comércio e de investimento. O Programa de Cooperação União Europeia-Macau na área jurídica foi um dos assuntos em discussão do encontro, tendo as partes envolvidas mostrado interesse em dar continuidade ao projecto que pretende “fortalecer o sistema jurídico de Macau e aprofundar os conhecimentos na área da administração pública”, conforme referido num comunicado do Gabinete da Secretária para a Administração e Justiça. As regiões garantiram, ainda, que “serão reforçados o diálogo regular e o intercâmbio directo de informações entre as empresas da UE que operam em Macau e o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau”, lê-se.


política 5

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NEW YORK TIMES PEQUIM NÃO PODE FUGIR “À FORÇA DEMOCRÁTICA” DE MACAU

As movimentações cívicas de Macau já chegaram aos Estados Unidos e já mereceram ser tema de um editorial do jornal New York Times

HOJE MCAU

“Um desafio à China”

“A força democrática recentemente desperta não é algo que Pequim pode escamotear” EDITORIAL DO NEW YORK TIMES

“P

EQUIM devia estar a pensar em como manter estas tendências a longo-prazo, em vez de evocar formas de suprimir a dissidência de hoje nas duas regiões administrativas especiais”, pode ler-se num editorial do jornal New York Times que se refere às recentes manifestações civis em Macau e Hong Kong. Num texto intitulado “Macau raises it’s political voice”, a equipa editorial do jornal afirma que “os 600 mil residentes de Macau estiveram, até agora, politicamente

IPM ACADÉMICO DENOTA “PARTES FRACAS” NAS POLÍTICAS DE MACAU

Democracia com “estilo local” FLORA FONG

flora.fong@hojemacau.com.mo

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ANG Yunzhong, professor do Centro de Estudos da política “Um país, Dois sistemas” do Instituto Politécnico de Macau (IPM) considera que a estrutura do sistema político de Macau tem “partes fracas”. Num seminário sobre o “ambiente político de Macau”, organizado na quarta-feira pela Universidade de Ciência e Tecnologia (MUST), Yang disse considerar o ambiente político actual da RAEM muito diferente antes e depois da transferência da soberania, o que é positivo, mas também negativo. Yang Yunzhong considera que a RAEM ainda tem insuficiências ao nível jurídico e acredita que as manifestações ditam isso mesmo. “Podemos ver que a manifestação de Maio deste ano foi motivada por uma expressão da insatisfação sobre as políticas.

O Governo deve valorizar mais os desejos, interesses e pedidos da população, especialmente os da classe média. O Governo deve implementar a política com diligência e sem corrupção, deixando o hábito do ‘não fazer para não errar’”,

apontou o professor, citado pelo jornal Ou Mun. Yang Yunzhong aponta que muitos problemas conseguiram ser resolvidos completamente depois da transferência de soberania, como o caso do passaporte da RAE, que não precisa

de vistos para mais de cem países e o facto da liberdade e os direitos da população “estarem a ser assegurados”. Porém, diz, no âmbito da estrutura da política, muitas partes ainda estão fracas. “Por exemplo, a revisão para o Regime do Ensino Superior está a demorar muito tempo e não está concluída ainda.” No que toca ao desenvolvimento da política, a revisão dos dois anexos da Lei Básica já é um passo à promoção da democracia, diz o professor, que defende, contudo, que o recente referendo civil sobre o sufrágio universal que está a ser levado a cabo por três associações locais “não tem fundamento legal, não corresponde à estabilidade e harmonia social, nem traz esperança” à maioria da população. “A democracia é uma coisa boa, mas deve ter o estilo local. Não podemos chegar lá com um passo só”, remata ainda.

silenciosos” e evoca Maio para relembrar as cerca de 20 mil pessoas que marcharam em protesto contra o Regime de Garantias. O New York Times caracteriza os movimentos democráticos como um desafio à China. “O que começou como um protesto contra Chui [Sai On] depressa escalou para um amplo movimento democrático que desafia a China”, pode ler-se no editorial. O jornal começa por explicar aos leitores que um grupo de activistas democratas vão organizar “um referendo não-oficial” no próximo mês sobre o sufrágio universal para as eleições do Chefe Executivo e frisa que “Pequim diz que Macau não tem autorização legal para elaborar um referendo e considera qualquer voto como insignificante”. E vai mais longe: “A força democrática recentemente desperta não é algo que Pequim pode escamotear.” O editorial relembra ainda que o referendo de Macau começou após o de Hong Kong – no qual “cerca de 800 mil pessoas” terão votado. Mas vai novamente mais longe. “Pequim prometeu - no momento da entrega britânica de Hong Kong – que iria preservar [o princípio] ‘um país, dois sistemas’por 50 anos, sendo que restam mais 33 anos. Durante este tempo, as regiões costeiras mais ricas do sudeste da China tendem a tornar-se mais parecidas com Hong Kong e Macau económica e socialmente e na aspiração política.” - J.F.

ASSOCIAÇÃO DE JORNALISTAS ACUSA USJ DE “TERRORISMO BRANCO”

Caso político “muito grave” A Associação de Jornalistas de Macau (AJM) emitiu um comunicado ontem onde afirma prestar muita atenção ao recente caso de “pressão política” junto dos académicos da Universidade de Macau (UM) e da Universidade de São José (USJ). A entidade refere que “está preocupada sobre o facto de académicos que não têm medo de falar puderem vir a sofrer de represálias”, tratando-se de um “aviso de terrorismo branco para a sociedade”. A associação pede, assim, que todas as partes esclareçam as dúvidas junto do público. A AJM apontou ainda que há muitos professores universitários que fazem comentários às notícias ou que dão entrevistas a criticar as políticas do Governo.

Assim, qualquer pessoa que queira intervir nas “vozes neutras” dos académicos e que pressiona alguém que fala a verdade, está a criar um “caso político muito grave”. “Não é um assunto apenas da universidade e o Governo da RAEM não pode dizer sempre que existe liberdade de expressão para fugir às responsabilidades”, aponta a declaração. A mesma associação chama a atenção para o facto das vozes nos meios de comunicação poderem ficar “unificadas” e que o público possa vir a receber apenas opiniões e informações que versem apenas sob uma perspectiva. Tal “não trará apenas danos ao direito à informação, mas também diminuir o espaço para a liberdade de expressão”, remata a associação. - C.L.


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SOCIEDADE

LEONOR SÁ MACHADO

leonor.machado@hojemacau.com.mo

O

arquitecto Rui Leão insurgiu-se ontem, durante a reunião do Conselho do Planeamento Urbanístico (CPU), contra a construção contínua de edifícios massivos na zona do Cotai. “O que me parece é que se está a legitimar, mais uma vez, a construção, fazendo barreira visual e ambiental, como já foi feito em vários casos [na zona do Cotai]”, comentou o arquitecto, em reunião aberta ao público. De acordo com as normas da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), 160 metros é a altura máxima permitida para a grande maioria das construções da zona do Cotai e, se o arquitecto do projecto assim o entender, poderão ter saliências e volumetrias fora do comum. A DSSOPT afirmou que pretende continuar a respeitar a vontade dos arquitectos dos projectos daquela zona. No entanto, ao referir-se a uma das Plantas de Condições Urbanísticas (PCU) apresentadas na reunião – relativa a um

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URBANISMO RUI LEÃO CONTRA CONSTRUÇÕES “GIGANTES” NO COTAI

Menos perto do céu

Desta vez, foi o arquitecto e membro do Conselho do Planeamento Urbanístico, Rui Leão, que se mostrou contra a continuação de edificações massivas na zona do Cotai. São objectos “completamente brutais” e causam discrepância na paisagem urbana da cidade, diz

empreendimento junto ao casino Galaxy e que requereu nova planta por questões administrativas –, Rui Leão frisou a necessidade de as

construções do Cotai se assemelharem mais à restante paisagem urbana da cidade. “O Windsor Arch, o hotel Venetian e as torres do Galaxy

são volumetrias gigantes”, explicou. Para o arquitecto e membro do CPU, não há “nenhuma razão” para que este tipo de projectos continuem a ser aceites, mas as regras da DSSOPT ditam que apenas se reduz o volume da obra caso surja o problema do ‘efeito biombo’ – impossibilidade de circulação do ar, em parte provocado pela altura dos prédios. Embora esteja até a ser efectuado um estudo sobre esta problemática, apenas começou a ser dada atenção à questão do ‘efeito biombo’ em 2011, quando grande parte dos empreendimentos já tinham sido construídos. No caso do arquitecto provar, através de dados con-

cretos, que tal não se verifica, o projecto continua como inicialmente estabelecido. Rui Leão chamou às construções massivas do Cotai “objectos completamente brutais” e cujo volume é desnecessário, uma vez que considera “perfeitamente possível” criar edifícios mais baixos, fazendo “uma inserção urbana que respeite mais a escala” da cidade de Macau.

“Objectos completamente brutais” RUI LEÃO Sobre as construções do Cotai

JOGO BACARÁ EQUIVALE A 90,9% DAS RECEITAS

Imobiliário Agências suspendem negócio

O Governo já anunciou que vai permitir às agências imobiliárias localizadas em edifícios habitacionais que alteram a sua localização para prédios comerciais, durante os próximos cinco anos de forma a obedecer à nova Lei de Mediação Imobiliária. Segundo a rádio chinesa, contudo, há já agências mais antigas que já viram a sua licença suspensa por não conseguirem pedir uma licença nova. Lau, um residente e responsável de uma destas agências, disse que há várias dezenas de participantes do sector que têm mesma dificuldade e pede ao Governo que permita que a lei entre em vigor o mais cedo possível, para permitir que o prédio aceite a alteração da utilidade da loja.

A mais forte dependência O sector do jogo em casino em Macau mantém uma forte dependência do “bacará” que contribuiu no primeiro semestre com 90,9% do total das receitas brutas apuradas nas salas de jogo. De acordo com dados oficiais dos Serviços de Inspecção e Coordenação de Jogos ontem publicados, entre Janeiro e Junho o “bacará” jogado nas salas ‘vip’, destinadas a apostadores de grandes quantias, teve um peso nas receitas totais de 61,79% enquanto o mesmo jogo, mas nas salas abertas a todos os apostadores, registou uma contribuição de 29,17% na receita.

Até Junho, as receitas brutas do sector do jogo totalizavam 193.727 milhões de patacas, mais 12,6% do que o apurado no mesmo período de 2013. Além dos casinos, as receitas

de todo o sector incluem ainda lotarias chinesas e apostas em corridas de cavalos e cães, jogos de basquetebol e de futebol. Apesar da subida das receitas no primeiro semestre,

A reunião teve em vista a discussão e apreciação de sete locais de Macau, incluindo terrenos vazios e lotes antigos, cujo destino será a demolição ou restauração quase total. A grande maioria está classificada como património e as Obras Públicas terão por isso que seguir as normas estipuladas pela Lei de Salvaguarda do Património.

UM VIADUTO NO PATANE

Três dos membros do CPU sugeriram a construção de um viaduto pedonal na Rua da Ribeira do Patane, ao lado de um dos terrenos analisados pelo conselho. Também as oito opiniões recolhidas durante uma consulta pública de 15 dias frisaram a necessidade da construção de uma passagem superior para peões, justificada pelo facto daquele cruzamento ser “um dos mais perigosos da cidade”. Contudo, também houve três vozes contra a construção do viaduto, incluindo Rui Leão, que afirma que uma passagem superior naquele local teria um impacto “danoso” na imagem da cidade, devido à existência de um quarteirão histórico frente ao terreno em debate.

o segundo trimestre do ano registou uma receita inferior ao primeiro, correspondendo as 91.236 milhões de patacas de receita bruta a apenas 89% do apurado entre Janeiro e Março. As apostas nos jogos de futebol, com destaque para os do campeonato do mundo, fizeram aumentar a receita bruta deste segmento do sector do jogo que apurou 203 milhões de patacas - fruto de apostas globais de 1,830 milhões de patacas -, quase metade do apurado em todo o ano de 2013 quando foram acumuladas 419 milhões de patacas. O sector do jogo é, através de impostos directos de 35% sobre a receita bruta, a principal fonte de receita da administração de Macau que recebeu até Junho 71.034,7 milhões de patacas, 85,12% do total da receita pública. - Lusa


sociedade 7

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UM QUASE 400 ALUNOS PARA ESTUDAR PORTUGUÊS

A grande maioria vem da China continental mas à UM chegam também estudantes do resto da Ásia Tufão “Rammasun” obriga a sinal 3

O tufão ‘Rammasun’ poderá atingir, no dia de hoje, uma distância de 400 quilómetros de distância de Macau, informaram ontem os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) ao HM. “O tufão continua a mesma trajectória, ou seja, desloca-se para a província de Hainão e está a 680 quilómetros de Macau”, explicaram ontem, adiantando que “é possível que na sexta [hoje] atinja a distância de 400 quilómetros”. Confrontados com a possibilidade de aumento do sinal de tufão, os serviços afirmaram que seria “muito pouco provável uma subida”, mas alertaram mais tarde que o ‘Rammasun’ pode obrigar a elevar o aviso de tufão para o sinal 3.

SS Produto para emagrecer proibido

Os Serviços de Saúde (SS) alertaram ontem a população para o consumo dos produtos de emagrecimento ‘Slim Perfect Arm’ e ‘Slim Perfect Legs’, pelo facto da sua comercialização não ser autorizada pelas entidades responsáveis, sendo que um dos componentes é proibido em Macau. A substância – subtramina – já havia sido detectada num outro medicamento de emagrecimento, o Lypolysis, cujo consumo foi igualmente desaconselhado pelos SS e o produto retirado do mercado. A subtramina actua como inibidor de apetite e pode causar graves problemas cardiovasculares. O mesmo documento aconselha ainda a que os cidadãos que tenham medicamentos de subtramina os entreguem na sede dos SS.

TIAGO ALCÂNTARA

Um Verão lusitano

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M grupo de cerca de 370 estudantes de português estão em Macau para a 28.ª edição do curso de Verão de Língua e Cultura portuguesas, organizado pela Universidade de Macau para promover o português na Ásia. Com a maioria dos estudantes - cerca de 220 - oriundos de universidades da China continental, mas também com jovens vindos da Tailândia, Vietname, Coreia do Sul, Hong Kong e Filipinas, além dos estudantes de Macau, o curso está dividido em quatro níveis: iniciação, básico, intermédio e avançado. “Recebemos muitos estudantes da China que procuram, no curso de Verão, um contacto com professores de português nascidos em Portugal dado que nas universidades da China onde estudam é rara esta possibilidade”, explicou Maria Antónia Espadinha, coordenadora do programa de estudos.

A mesma responsável destaca ainda a presença em Macau da aluna Lu Mingshuan, que em português adoptou o nome de Inês, que concluiu em Xian o curso de língua e cultura portuguesas e se prepara para viajar para Portugal para fazer o mestrado na Universidade do Minho, mas está em Macau “porque quer ser professora e quer aprender mais”. Ao longo de quase quatro semanas, os 370 alunos frequentam um programa de três horas diárias de aulas, seguindo-se diversos programas recreativos e culturais organizadas para o “aperfeiçoamento das competências na língua”, disse.

“Recebemos muitos estudantes da China que procuram, no curso de Verão, um contacto com professores de português nascidos em Portugal.” MARIA ANTÓNIA ESPADINHA Coordenadora do programa de estudos

Em Macau até 6 de Agosto, os estudantes vão também participar em várias visitas aos museus da cidade, ficarão a conhecer o património reconhecido pela UNESCO e terão contacto com actividades como o canto coral, danças folclóricas e uma oficina de artes. - LUSA

Saúde Profissionais fazem Exame de Qualificação chinês

TDM Macau Consciência pede investigação a ex-editora

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O

O total são 57 os médicos do território que se inscreveram na realização do Exame de Qualificação de Médico na China continental, tendo a inscrição dos profissionais sido apoiada pelos Serviços de Saúde (SS). A grande maioria será da área de medi-

cina clínica – 47 profissionais –, seguindo-se especialidades como estomatologia e medicina tradicional chinesa, para os quais se inscreveram cinco e seis pessoas. De acordo com um comunicado dos SS, todos os alunos que tenham sido admitidos no curso de licenciatura de Medicina depois de Janeiro de 2010 e que solicitem especialidades como pediatria, medicina legal e interna ou medicina preventiva, estão elegíveis para a inscrição no exame de qualificação sem que as suas habilitações literárias sejam fundamento essencial no que diz respeito aos critérios exigidos pelas entidades responsáveis. O HM tentou saber mais informações sobre a natureza e intuito deste exame de qualificação, mas tal não foi possível até ao fecho da edição. – L.S.M.

presidente do grupo Macau Consciência, Jason Chao, defendeu ontem que deveria ser “aberta uma investigação interna” a Lo Song Man, ex-editora do canal chinês da TDM e membro da Comissão Executiva da TDM. Em causa, estão supostas ameaças a um dos jornalistas do canal em 2011. O lesado alega que Lo lhe enviou cartas com ameaças e ofensas. Depois de uma investigação, contudo, o caso foi arquivado por duas vezes, em Outubro de 2012 e

em Junho de 2014. Jason Chao defende que, apesar do caso estar arquivado, “é importante abrir uma investigação interna para perceber o que realmente aconteceu”. O presidente da Macau Consciência pede inclusive a suspensão da profissional até à conclusão do processo. O presidente da Comissão Executiva da TDM, Manuel Pires, já reagiu e diz, em comunicado, que o canal “não tem que tomar qualquer medida”, visto que o caso já está arquivado.


8 sociedade

hoje macau sexta-feira 18.7.2014

ÓBITO MORREU LUÍS DEMÉE, ARTISTA PLÁSTICO E PINTOR

“Um dos mais importantes da sua geração” Luís Demée era considerado “um dos pintores mais importantes da sua geração”. Nascido no território, em 1929, Demée partiu esta semana, com 85 anos. Ao HM, é deixado um último desejo da parte do também macaense, colega e amigo, António Conceição Júnior: que as obras expostas no IACM sejam guardadas no Museu de Arte de Macau. O IC já anunciou que em 2015 vai homenagear o pintor

LEONOR SÁ MACHADO

leonor.machado@hojemacau.com.mo

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ODE dizer-se que as escolas de Belas Artes de Lisboa e Porto foram a segunda casa do artista plástico Luís Demée, que faleceu ontem, em Portugal. Nascido em Macau em 1929, passou grande parte da sua vida no território e começou a dar provas do seu talento ainda novo, com apenas 16 anos. O colega e amigo, António Conceição Júnior, considera Demée “o mais importante artista plástico nascido em Macau”. Começou cedo a sua arte, tendo primeiramente ingressado na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa para depois mudar para a do Porto, onde finalizou a licenciatura em Pintura, começando a leccionar na mesma instituição. O Liceu de Macau foi outro dos locais onde ensinou a arte da pintura. Estávamos em 1945, quando Luís Demée começou a ser ensinado pelo pintor russo George Smirnoff, seu mentor. A primeira exposição individual do pintor aconteceu quando tinha apenas 21 anos, altura em que também mostrou os seus trabalhos na região vizinha de Hong Kong. Foi em 1960 que Demée defendeu a sua tese de mestrado, que concluiu com nota máxima de 20 valores e menção honrosa. Num website relativo à obra do autor, Conceição Júnior descreve Demée como “um dos pinto-

res portugueses mais importantes da sua geração”, que havia escolhido o caminho da discrição, sempre evitando os holofotes e a exposição excessiva da sua pessoa.

organizada pelo então Museu Luís de Camões, em 1985”, conta o artista e estilista macaense, Conceição Júnior. Finalmente, e depois de palmilhar meio mundo,

“Que as obras [em exposição no IACM] sejam guardadas no Museu de Arte de Macau” ANTÓNIO CONCEIÇÃO JÚNIOR Artista e estilista

“Tive oportunidade de conhecer e viver intensamente e de perto com Luís Demée na década de 70, quando passou um período de dois anos na sua terra natal. Esse período, que já passou há mais de três décadas, representou o início de uma amizade e respeito pela ilustre figura do Homem e Artista, à qual se seguiu uma exposição de homenagem

criando e expondo os seus trabalhos, recebeu, a 24 de Julho de 1999, uma medalha de mérito por parte da administração portuguesa. Foi professor durante vários anos, mas foram o talento e a arte que marcaram a sua vivência. Expôs em Espanha, Itália, Luxemburgo, Brasil, Estados Unidos e a sua vida e obra podem ser recordadas

através de trabalhos expostos no Museu de Arte de Macau e no edifício do actual Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais. Como cidadão de Macau, amigo próximo e colega de profissão de Demée, António Conceição Júnior lançou, em declarações ao HM, um último apelo: “que as obras [em exposição no IACM] sejam guardadas no Museu de Arte de Macau” para serem preservadas, uma vez que têm ficado progressivamente degradadas com a luz artificial. Ao final da noite de ontem, também Ung Vai Meng, presidente do Instituto Cultural (IC), expressou, em nome do organismo, “pesada consternação pelo falecimento do famoso artista de Macau”, dirigindo ainda sinceras condolências aos familiares. Luís Luciano Demée, relembra o IC em comunicado,

realizou a sua primeira exposição individual em Macau em 1951, tendo organizado mais duas em que fez retrospectivas das suas obras, em 1985 e 1991. “A exposição ‘Aguarelas de Luís Luciano Demée’ organizada pelo Museu de Arte de Macau, foi muito elogiada e aclamada pelo público.” A fim de “recordar as contribuições deste artista famoso no desenvolvimento artístico”, o IC anunciou ontem que planeia a uma exposição comemorativa sobre Demée no próximo ano. Além de expor um pouco por todo o mundo, as suas obras passaram por várias instituições culturais de Portugal, incluindo Fundação Serralves, Calouste Gulbenkain, MuseuAmadeo de Souza Cardoso e Casino Estoril. Luís Demée ganhou ainda vários prémios em concursos internacionais e foi em 2007 que Macau recebeu uma última e grande exposição do pintor. O então director do Museu deArte de Macau, Ung Vai Meng, hoje então presidente do IC, afirmou, na altura, que Luís Demée era “um verdadeiro mestre”.

“Demée tinha conhecimentos vastos e profundos, tratava com cortesia e ensinava e amparava aos jovens.” UNG VAI MENG, Presidente do IC

Ontem, relembrou a fama do pintor, mas também, e tal como Conceição Júnior, o seu lado humano. “Demée tinha conhecimentos vastos e profundos, tratava com cortesia e ensinava e amparava aos jovens. É com profundo pesar [que enviamos] as nossas sentidas condolências pelo seu falecimento.” Luís Demée faleceu esta semana com 85 anos, em Portugal. Desconhecem-se as razões da morte, mas o funeral realizou-se ontem, na Igreja Paroquial de Santo António das Antas, no Porto.


CHINA

hoje macau sexta-feira 18.7.2014

HONG KONG PEQUIM CONTRA “INGERÊNCIA” DE LONDRES

Vozes ao alto

Um vice-ministro inglês encontrou-se com representantes do movimento pró-democracia e Pequim não gostou, tendo apresentado um “protesto solene”

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China apresentou um “forte protesto” junto de Londres e acusou a Grã-Bretanha de “ingerência” nos seus assuntos internos, depois de um encontro entre o vice-primeiro-ministro britânico, Nick Clegg, e duas personalidades do movimento pró-democracia de Hong Kong. Nick Clegg encontrou-se na terça-feira em Londres com Martin Lee – fundador do Partido Democrata de Hong Kong que encarna a oposição aos dirigentes pró-Pequim do território – e Anson Chan, antiga número dois do governo local, quer na administração britânica, quer já na administração chinesa. Pequim participou a Londres o seu “protesto solene” após estes encontros, informou na quarta-feira a agência oficial Xinhua. “O que a Grã-Bretanha fez é uma ingerência nos assuntos internos da China, à qual a China se opõe resolutamente, disse Hong Lei, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. “O que diz respeito a Hong Kong é assunto interno da China”, referiu. As duas personalidades

“O que diz respeito a Hong Kong é assunto interno da China” HONG LEI Porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros

da cena política de Hong Kong foram recebidas por uma comissão do Parlamento britânico. Anson Chan pediu a Londres “para não se desinteressar dos desenvolvimentos [políticos] em Hong Kong”. Anson Chan e Martin Lee criticaram veementemente um relatório parlamentar britânico publicado no início de Julho, no qual, Wi-

lliam Hague, então ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, estimava que o sistema constitucional do território “funcionava bem” e que não existia “modelo perfeito” em matéria de reforma eleitoral. A 1 de Julho, dia do aniversário da transição de Hong Kong para a China em 1997, centenas de milhares de pessoas saíram

à rua para exigir a eleição por sufrágio universal do próximo chefe do Executivo em 2017. O objectivo das eleições por sufrágio universal foi reconhecido pela China, mas Pequim reiterou no Livro Branco sobre Hong Kong, publicado em Junho, que só os candidatos “patrióticos” serão seleccionados, desencadeando uma vaga de protestos inédita desde 1997. Dias antes, cerca de 800 mil pessoas entre os sete milhões de habitantes da antiga colónia britânica, participaram num referendo não oficial sobre a instauração do sufrágio universal directo. Esta semana, o chefe do Executivo de Hong Kong, Leung Chun-Ying, também conhecido por CY Leung, pediu uma mudança eleitoral limitada, apesar de protestos pró-democracia em massa realizados na cidade, afirmando num relatório à China que os eleitores querem um chefe do executivo patriótico. CY Leung disse, no relatório apresentado à Assembleia Popular Nacional da China (APN), que “existe a necessidade de reparar o método de selecção do chefe do executivo em 2017 de maneira a atingir o objectivo do sufrágio universal”. Actualmente o líder é escolhido por um comité pró-Pequim composto por 1200 membros. A antiga colónia britânica foi devolvida à China em 1997 no âmbito de um acordo que garantia vários direitos à população, como liberdade de expressão e um órgão judicial independente.

CORRUPÇÃO ANTIGO ALTO QUADRO DO PCC CONDENADO A PRISÃO PERPÉTUA

Outro tigre abatido W

ANG Suyi, um antigo quadro regional do Partido Comunista Chinês (PCC), foi ontem condenado a prisão perpétua por ter recebido subornos, tornando-se no primeiro alto funcionário “apanhado” pela campanha anti-corrupção promovida pela nova liderança do país. O antigo quadro do PCC foi condenado a prisão perpétua, por corrupção, por um tribunal de Pequim, informou o próprio tribunal na sua conta de Weibo, uma rede social chinesa equivalente ao Twitter. Wang Suyi foi considerado culpado de ter recebido mais de 10,73 milhões de yuan em subornos entre

2005 e 2013 em troca do favorecimento de negócios para empresas e promoções individuais, de acordo com a imprensa chinesa. No ano passado, Wang Suyi foi afastado do cargo de antigo membro do Comité Permanente do Comité Central do PCC na Mongólia interior por “grandes violações da disciplina” - expressão normalmente usada pelas autoridades chinesas quando se trata de corrupção - e expulso da Função Pública. Segundo justificação da Comissão Central de Controlo e Disciplina do PCC, veiculada em Setembro passado, Wang Suyi “aproveitou-se da sua po-

sição para beneficiar outros e aceitou largas somas de dinheiro ou recebeu-as através de familiares”. Notícias na imprensa chinesa citadas pelo South China Morning Post referem que a sua antiga amante acusou Wang de ter recebido 100 milhões de yuan em subornos e de nepotismo envolvendo cerca de 30 familiares. Wang foi o primeiro alto quadro a enfrentar um julgamento criminal entre 40 altos quadros investigados desde que a nova liderança chinesa encabeçada pelo Presidente Xi Jinping iniciou funções no final 2012, segundo a imprensa.

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PETRÓLEO PLATAFORMA RETIRADA DE ÁGUAS DO VIETNAME

Tensão aliviada P EQUIM decidiu deslocar a plataforma petrolífera que fazia trabalhos de exploração em águas contestadas do Mar do Sul da China, o que pode aliviar a tensão nas relações entre a China e o Vietname. A ‘China Oilfield Services Ltd.’ (COSL), unidade da companhia estatal ‘China National Offshore Oil Corp.’, informou que a sonda completou as operações de exploração e perfuração junto à ilha de Triton, conhecida em chinês como ilha Zhongjian. Essa porção de terra está localizada dentro das Ilhas Paracel, que são reivindicadas pela China e pelo Vietname. Funcionários do governo chinês tinham inicialmente previsto que o trabalho só seria concluído em Agosto. Quando a plataforma entrou em funcionamento no início de Maio, o Vie-

tname protestou a medida e enviou embarcações da guarda costeira para a área, onde se confrontaram com barcos chineses. O conflito gerou protestos violentos no Vietname, resultando na morte de operários chineses a trabalhar no país. A decisão de Pequim foi também criticada pelos Estados Unidos, que classificou o acto de provocativo. Segundo a COSL, a plataforma vai agora seguir para a ilha de Hainão, adiantando ainda que empresa tem de avaliar os dados recolhidos durante a exploração antes de decidir o seu destino final.

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ANÚNCIO HM - 2ª vez - 18.7.14

Acção de Interdição n.º

CV1-14-0020-CPE

1.º Juízo Cível

Requerente: CHOW SU KUONG. Requerido : CHAU CHAN SENG ou CHOW CHUN SHING. A MERITÍSSIMA JUIZ DO 1.º Juízo CÍVEL DO TRIBUNAL JUDICIAL DE BASE DA R.A.E.M.: FAZ-SE SABER que, foi distribuída ao 1.º Juízo Cível do Tribunal Judicial de Base de R.A.E.M., a Acção acima mencionada, proposta pelo CHOW SU KUONG contra CHAU CHAN SENG ou CHOW CHUN SHING, do sexo masculino, natural de China, nascido a 27/05/1937, titular do B.I.R.M. n.º 504xxx9(x), residente em Macau na Rua Nova à Guia, n.º 23, Edifício Merry Court, 5.º andar D, para efeitos de ser declarada a sua interdição por anomalia psíquica.

R.A.E.M., aos 14 de Julho de 2014.


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hoje macau sexta


EVENTOS

a-feira 18.7.2014

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FAM PROCURA PROJECTOS LOCAIS

Culturas de cá O

VENETIAN NITRO CIRCUS DE VOLTA EM AGOSTO

Pastrana desafia a morte O espectáculo ao vivo Nitro Circus, de Travis Pastrana, vai regressar à arena do Venetian, desta vez com o fundador da produção a desafiar a morte

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ITRO Circus, de Travis Pastrana, vai regressar à arena do Venetian em Agosto para apresentar dois espectáculos na sua primeira digressão em terras asiáticas deste ano. Depois de uma primeira visita ao território no ano passado, que

segundo a organização “espantou os espectadores”, o circo volta agora com uma ‘tour’ que é “a maior e mais audaciosa produção de desportos radicais jamais realizada ao vivo”, de acordo com Travis Pastrana, o fundador do espectáculo. Pastrana adianta que “este grupo de atletas destemidos desafia os seus limites todos os dias”. O show - agora refeito com visuais inspirados nos anos 20, apresentando um estilo inspirado no famoso circo Barnum & Bailey - conta com a participação de 40 dos melhores atletas da área dos desportos radicais, fazendo as suas acrobacias em motas de ‘freestyle motocross’, bicicletas BMX e skates. Nas motas vão marcar presença Adam Jones, que ganhou a medalha de prata FMX na última edição dos ‘X Games’ e Josh Sheehan, campeão dos ‘X Fighters’. Nas bicicletas,

o público vai poder apreciar as proezas de James Foster, a única pessoa no mundo a fazer um mortal triplo para trás, e ainda a mestria do neo-zelândes Jed ‘The Warrior’ Mildon, entre outros. O espectáculo traz novamente uma rampa gigante que vai propulsionar os atletas mais de 15 metros pelo ar, tentando estes depois aterrar no centro de uma bola ‘zorb’ insuflável. Travis já competiu em diversos desportos motorizados - incluindo motocross, supercross, freestyle motocross assim como rallies e a série NASCAR. É considerado como um dos melhores profissionais de ‘stunts’ e já ganhou 10 medalhas de ouro nos famosos ‘X Games’. O espectáculo do dia 9 de Agosto tem lugar às 20h00, enquanto que o do dia 10 de Agosto decorre às 15h00. Os bilhetes custam entre 280 e 1280 patacas.

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA UMA OBRA ENTERNECEDORA DE ASSOMBROSO GÉNIO • Dave Eggers

Livro-sensação e livro-revelação do enorme talento de Dave Eggers, Uma Obra Enternecedora de Assombroso Génio redefine a família e a narrativa para o século vinte e um: as memórias de uma família normal, que, num ápice, com a morte violenta dos pais no espaço de pouco mais de um mês, se desfaz (ou, pelo menos, se torna tudo menos normal); e as de um jovem em idade universitária que tem de criar um irmão de oito anos. Uma história verdadeira contada como uma ficção ou uma ficção que pretende o estatuto de verdade, a estreia literária de Eggers consegue ser como a vida: pungente, triste, truculenta, hilariante, dramática, selvagem e extraordinariamente inventiva.

Instituto Cultural (IC) está a convidar todas as associações locais registadas e artistas individuais a apresentar os seus projectos de espectáculos para o XXVI Festival de Artes de Macau (FAM), que se realiza em Maio do próximo ano. O prazo de entrega das candidaturas termina no dia 15 de Outubro deste ano e as obras escolhidas serão integradas no programa do FAM. Não há restrições quanto ao género ou à forma dos espectáculos, podendo os mesmos ser originais ou tendo sido apresentados previamente. Contudo, os espectáculos devem estar de acordo com os objectivos do FAM, traduzindo a rica cultura regional e espírito popular e possuindo alta qualidade artística e apelo visual. A fim de incentivar a originalidade e desenvolver ainda mais a educação artística, os trabalhos inspirados em obras literárias locais, obras originais e espectáculos infantis serão prioritariamente levados em consideração. Os interessados devem submeter propostas detalhadas, incluindo o conceito, uma apresentação sobre o conteúdo do espectáculo, uma apresentação breve sobre a

equipa de produção e o elenco, o plano de cenografia e os requisitos de equipamento, o orçamento previsto bem como quaisquer informações adicionais sobre a produção. As propostas devem ser entregues no Departamento de Acção Cultural, no Edifício do Instituto Cultural, com indicação no envelope de “Convite à Apresentação de Propostas de Espectáculos para o XXVI Festival de Artes de Macau”.

Cultura portuguesa anima Nova Iorque

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coração de Manhattan, em Nova Iorque, EUA, vai voltar bater mais forte graças à cultura portuguesa. Pela quarta vez, a iniciativa ao ar livre “Summer Night Series”, que arrancou esta terça-feira, vai promover o cinema, a música, a ciência e as artes plásticas lusitanas no icónico parque de Union Square. Trata-se de um evento que integra há quatro anos a programação cultural da cidade de Nova Iorque, “o que mostra o interesse, qualidade e relevância do mesmo”, afirma Ana Ventura Miranda, directora do Arte Institute, responsável pela organização, em declarações à Lusa. De acordo com Ana Ventura Miranda, “a adesão do público às ‘Summer Night Series’ tem sido maior de ano para ano”, recebendo uma audiência “bastante diversificada e maioritariamente americana”. Segundo a dirigente, esta série de espectáculos constitui um acontecimento especial na programação do Arte Institute “por ser um evento na rua, que permite trazer a cultura portuguesa para fora dos espaços convencionais de espectáculos”.

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ARCO-ÍRIS DA GRAVIDADE • Thomas Pynchon

Vencedor do National Book Award, “Arco-Íris da Gravidade” é um épico pós-moderno. A sua narrativa alargada, enciclopédica e a fina análise do impacto da tecnologia na sociedade tornaram-no um livro de culto e a grande obra representativa da segunda metade do século XX. “A escala da sua obra ajudou-nos a localizar a nossa ficção não apenas em pequenos cantos anónimos, humanos e essenciais, como também lá fora, na vastidão de uma imaginação elevada e dos sonhos colectivos”, comenta Don DeLillo.


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DESPORTO

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CAMPEONATOS DE CARROS DE TURISMO DE MACAU DECIDIDOS

Lui Man Kit e Leong Ian Veng campeões

SÉRGIO FONSECA info@hojemacau.com.mo

CHEONG CHI WAI info@hojemacau.com.mo

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Circuito Internacional de Guangdong recebeu no fim-de-semana passado a segunda e última jornada dupla do Campeonato de Macau de Carros de Turismo (MTCS, na sigla inglesa) que determinou a ordem de apuramento dos pilotos do território para as corridas “CTM Taça de Carros de Turismo de Macau” e “Macau Road Sport Challenge” da 61ª edição do Grande Prémio de Macau. Num fim-de-semana em que a chuva foi presença assídua no circuito dos arredores da cidade continental chinesa de Zhaoqing, na renovada classe “AAMC Challenge”, Lam Hong Fai e Chou Keng Kuan dividiram os triunfos, mas foi Lui Man Kit quem levou o ceptro para casa com o seu MINI Cooper S 1.6 litros turbo. Com um terceiro lugar, obtido na segunda manga, Álvaro Mourato sagrou-se vice-campeão. O piloto macaense foi mesmo o vencedor da primeira corrida, mas acabou desclassificado, por alegada irregularidade na asa traseira do seu Peugeot RCZ. Mesmo sem ter rodado nos lugares da primeira jornada, Luciano Lameiras conseguiu assegurar o nono lugar da geral, enquanto um quarto lugar na primeira corrida do

“Esta não foi uma jornada muito feliz para os pilotos de matriz portuguesa que se quedaram por posições distantes dos lugares cimeiros” fim-de-semana permitiu a Célio Alves Dias ascender ao décimo posto. Um sétimo lugar na primeira manga possibilitou a Hélder Rosa

selar o décimo terceiro posto do campeonato, à frente de pilotos mais experientes como Jo Merszei, décimo sexto, Rui Valente, que terminou na décima nona posição, ou Eurico de Jesus, apenas vigésimo. O regressado Rui Clemente, um ex-vencedor da defunta Taça ACP, terminou no vigésimo quarto posto. Ao todo participaram nestas duas jornadas vinte e nove concorrentes. O número exacto de pilotos da RAEM apurados para a corrida do Circuito da Guia nunca foi oficialmente revelado, mas deverá este ano ultrapassar as duas dezenas. No que respeita à competitiva categoria “Road Sport Challenge”, a vitória na última corrida PUB

COMISSÃO DE REGISTO DOS AUDITORES E DOS CONTABILISTAS Aviso Torna-se público que já se encontra finalizada a correcção da primeira prestação das provas para a inscrição inicial e revalidação de registo como auditor de contas, contabilista registado e técnico de contas, realizadas no ano de 2014 nos termos do disposto na alínea c) do artigo 2º do Regulamento da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilstas, pela referida Comissão. Os respectivos resultados serão notificados aos interessados até ao dia 29 de Julho, solicitandose aos mesmos que contactem com a Sra. Wong, através do nº 85995343 ou 85995344, caso não recebam a mencionada notificação. Direcção dos Serviços de Finanças, aos 10 de Junho de 2014. O Presidente do Júri, Iong Kong Leong

permitiu a Leong Ian Veng (Mitsubishi) vencer o campeonato, superando os rivais Wong Wan Long, Cheong Chi On e Michael Ho, sendo que o ex-piloto de Fórmula

3 foi um dos vencedores do fim-de-semana, ao triunfar na corrida de sábado aos comandos de um Lotus. Esta não foi uma jornada muito feliz para os pilotos

de matriz portuguesa que se quedaram por posições distantes dos lugares cimeiros. Um décimo lugar foi o suficiente para Hélder Assunção assegurar o apuramento, com um décimo-segundo lugar no campeonato. Ao volante de um Mazda RX7 da filial local, Jerónimo Badaraco foi décimo primeiro classificado na segunda corrida, o que o coloca na décima-oitava posição do campeonato e em lista de espera. Sérgio Lacerda, Belmiro de Aguiar e Filipe Clemente Souza terminaram nas três últimas posições da tabela de pontos da categoria que contabiliza vinte e três pilotos, apesar de Souza ter planos para correr no WTCC em Novembro. O processo de inscrição de pilotos para as respectivas corridas iniciar-se-á em meados de Agosto e a Comissão do Grande Prémio de Macau conta apresentar as respectivas listas de inscritos em Outubro.

Boxe Manny Pacquiao contra Chris Algieri em Macau

Já está escolhido: vai ser Chris Algieri o oponente de Manny ‘Pacman’ Pacquiao no próximo combate do filipino em Macau. Em cima da mesa estavam nomes como o de Juan Manuel Marquez, Amir Khan e Ruslan Provodnikov, mas o combate de 22 de Novembro vai acontecer mesmo com o norte-americano, ex-campeão de kickboxing e vencedor de um combate no mês passado precisamente contra Provodnikov. Depois de ter vencido ainda há poucos meses Timothy Bradley – e ter conseguido de volta o seu título de campeão mundial da World Boxing Organization (WBO) -, Pacquiao terá de derrotar Algieri se quiser manter-se com o título de campeão da World Boxing Organization. Pacquiao soma 56 vitórias – 38 por KO – e foi oito vezes campeão mundial em diferentes categorias. Algieri, natural de Nova Iorque, conta com 20 vitórias – oito por KO – e zero derrotas.

Ranking FIFA Portugal sai do «top 10»

Portugal já não está entre as dez melhores selecções do mundo, de acordo com o «ranking» da FIFA. Actualizada nesta quinta-feira, a tabela apresenta uma queda lusa de sete posições, para a 11ª posição, por força da prestação no Mundial2014. Na frente do «ranking» está agora a Alemanha, campeã mundial em título, que substituir a Espanha, que era a detentora do troféu. Eliminada na fase de grupos, «La Roja» cai para a oitava posição. Finalista do Mundial, a Argentina aparece na segunda posição, seguida pela Holanda, terceira classificada na prova, que subiu doze posições. Subida idêntica apresenta a Costa Rica, agora a 16ª melhor selecção do mundo, a melhor classificação de sempre. Referência ainda para a queda da Inglaterra, de dez posições, para um modesto 20º lugar.


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ARTES, LETRAS E IDEIAS

hoje macau sexta-feira 18.7.2014

Thomas Lim*

OS SEGREDOS DE UM ACTOR Capítulo V: Currículo e fotografias

“Um bom currículo e boas fotografias são muito importantes para conseguir arranjar uma audição com uma companhia que ainda não o conheça”

T

INHA escrito no capítulo anterior que considero essencial um actor saber preparar-se bem para as audições e saber promover-se. Bem, o currículo típico de um actor tem normalmente uma só página, incluindo uma boa fotografia da pessoa no canto superior direito. Por vezes, algumas audições requerem, além do retrato, uma foto de corpo inteiro e, nessas situaçõe, o currículo não deve nunca ter mais do que duas páginas. A razão é simples: ninguém tem tempo para ler um CV com 10 páginas. Num currículo, a informação mais importante é o nome e contacto do actor, que devem estar claramente visíveis. Se o actor tiver um website, deve também mencioná-lo. Além disso, tem sempre que indicar o seu local de residência, nacionalidade e as suas competências. Certos papéis ou personagens requerem talentos adicionais, como por exemplo a prática de artes marciais, dança ou a capacidade de tocar um instrumento musical. Se o actor for proficiente nestas áreas, tem uma vantagem óbvia sobre a concorrência. Outras competências que valem a pena ser referidas são a detenção de uma carta de condução válida para automóveis ou motociclos, a capacidade de cantar ou cozinhar e claro, nunca esquecer incluir as línguas estrangeiras que domina. Não é necessário especificar a sua etnia, pois esta torna-se óbvia através do retrato. Quanto à experiência profissional, seleccione os trabalhos mais importantes de maneira a preencher uma só página, acompanhado do nome do realizador e da produtora e o papel que desempenhou. Não é necessário acrescentar muita informação, pois se o realizador do filme ou agente estiverem interessados, vão pedir detalhes adicionais durante a audição. Se tiver necessidade de mandar informação por email, deve certificar-se de usar o formato PDF.

“O IDEAL É OBTER UMA VARIEDADE DE RETRATOS, MOSTRANDO EMOÇÕES DIVERSAS – POR EXEMPLO, UM RETRATO NO SEU ESTADO NATURAL, OUTRO EM QUE SORRI E OUTRO AINDA COM UM AR MAIS SÉRIO” Como em qualquer outro sítio, quando se tornar conhecido em Macau já não vai precisar de mandar ou usar currículos. Mas os currículos são sempre necessários se pretender trabalhar com produtoras estrangeiros que estejam a filmar no território. Um bom

currículo e boas fotografias são muito importantes para conseguir arranjar uma audição com uma companhia que ainda não o conheça. Assim como com os currículos, há muitos truques envolvidos na obtenção de um bom retrato, onde aparece apenas a sua cara e cabeça. Para começar, nunca mande uma fotografia que tenha tirado em férias. Tente sempre recorrer aos serviços de um fotógrafo profissional. Os retratos são, regra geral, sempre a preto e branco e devem mostrar a sua cabeça e o pescoço inteiro. A cabeça deve ocupar dois terços da fotografia, que deve ainda mostrar claramente o formato da sua cabeça. Para que isso aconteça, deve usar um fundo com um tom diferente do seu cabelo. O retrato deve enaltecer as suas feições, ao mesmo tempo que mostra o seu estilo. Se usa, por exemplo, barba ou óculos, deve mostrar isso na fotografia. O ideal é obter uma variedade de retratos, mostrando emoções diversas – por exemplo, um retrato no seu estado natural, outro em que sorri e ou-

tro ainda com um ar mais sério. Desta maneira, pode escolher o retrato que melhor se adapte ao papel para o qual está a concorrer. Tente ainda tirar novas fotografias - no mínimo de dois em dois anos. Lembre-se que os requerimentos podem variar de região para região, por isso é sempre bom trabalhar com um fotógrafo que esteja a par das especificidades da indústria local. No meu caso, e se confiar no fotógrafo, deixo que me fotografem com a maior frequência possível. Desta maneira, aumento as minhas probabilidades de obter uma boa fotografia além de ir constantemente trabalhando na minha técnica diante da máquina. É essencial um actor sentir-se confortável diante da câmara. Munido de um bom currículo e retratos adequados, pode então começar a contactar agentes e a preparar-se para audições. Vou explorar os segredos destes preparativos no meu próximo capítulo. *actor e realizador


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José Simões Morais

EMBAIXADA JAPONESA EM VIAGEM ATÉ GOA (PARTE II)

Q

UANDO em 20 de Fevereiro de 1582 saiu de Nagasáqui a Nau do Trato, capitaneada por Inácio de Lima e onde seguia a primeira embaixada cristã japonesa para a Europa, o Japão, ainda governado por Oda Nobunaga, contava com perto de setecentos mil católicos, mais de cinquenta casas de jesuítas e muitas mais igrejas ou capelas e dois seminários. De uma pequena aldeia de pescadores no sopé do castelo de D. Bernardo Nagasáqui Jinzaemon, fora planeada e fundada Nagasáqui havia quinze anos, após o padre Belchior de Figueiredo ao procurar um porto mais seguro nas terras do convertido Dom Bartolomeu, Senhor de Omura, em alternativa a Fukuda, que não era bom e de vários perigos, se lhe deparou uma baía natural resguardada das intempéries. Logo, um muito bom porto, com um estreito promontório coberto com arbustos selvagens e matos a projectar-se no mar. Tal como anteriormente acontecera no acordo firmado entre o Padre Cosme Torres e Dom Bartolomeu, o daimio Omura Sumitada, para o porto de Yokoseura (cedendo à Igreja metade da vila e isentando durante dez anos de impostos os mercadores portugueses que utilizassem o porto; este aniquilado durante a guerra civil de 1563), de novo voltam os dois a conferenciar para negociar, agora o porto de Nagasáqui.

O Padre Cosme Torres, como Superior dos Jesuítas no Japão, propôs a Dom Bartolomeu que seria uma boa e útil obra povoar o dito porto e construir casas no promontório que chegava até ao mar, de forma a torná-lo próprio para os portugueses aí virem com o seu navio; acrescentava que, dividindo o promontório pelos cristãos deslocados, se poderia dar um passo no sentido de construir a cidade. Dom Bartolomeu concordou e deu o promontório ao Padre para que o dividisse pelos cristãos desalojados, a maior parte exilados de várias regiões e alguns expulsos pelos seus senhores, que professavam o Xintoísmo ou o Budismo. Nagasáqui foi assim concedida aos portugueses, segundo Boxer em 1567, para fazerem um porto comercial e aí se instalarem. Por casamento, muitos negociantes portugueses aí se fixaram e em conjunto, com as famílias cristãs japonesas, começaram a fundar uma povoação permanente. Segundo fontes japonesas, o planeamento da cidade terá sido feito sob a direcção de Tomonaga Tsushima na Primavera de 1571 e a construção da nova cidade, no ano seguinte, tendo já em 1579 cerca de quatrocentas casas. Com um rápido processo de desenvolvimento, tal como ocorria com Macau, ambas eram já cidades em 1582. A população de Nagasáqui era um pouco menos de 30 000 habitantes, todos cristãos, quando do cais zarpou a nau

capitaneada por Inácio de Lima e onde seguia a embaixada cristã japonesa para a Europa.

VIAGEM ATÉ MACAU A embaixada, rapidamente organizada por Valignano, ia em nome dos cristãos Senhores, do Bungo, Francisco, de Arima, Protasio e de Omura, Bartolomeu, para que os representantes, seus jovens parentes, beijassem o pé do vigário de Cristo e em nome deles, Dáimio e dos territórios por eles governados, mostrassem ao Papa a devida obediência como chefe da Igreja Católica. Quem muito empenho mostrou na realização da embaixada foi Otomo Yoshishige (1530-1587). Em 1550, com 20 anos, governou como dáimio o Reino do Bungo até 1562, tendo nesse período sido amigo do P. Francisco Xavier. Após abdicar como dáimio, passou a chamar-se Sorin e só a 28 de Agosto de 1578 tomou o nome de Francisco, ao ser baptizado pelo padre Cabral. Yoshishige faleceu em 1587, sem que a embaixada tivesse regressado da Europa. Nesta embaixada, apenas com jovens entre os quinze e dezassete anos, como representante do Bungo, Mancio Itó Sukematsu e de Omura e Arima, Miguel Chijiwa Seizayemon. Para os acompanhar como adidos iam outros dois jovens da aristocracia japonesa, vassalos de Omura, Julião Nakaura e Martinho Hara Maruchino (ou Nacazucara). Como assistentes, seguiam os

japoneses, Constantino Dourado e o irmão Jorge Loyola, S.J., que ia como intérprete, tal como o padre Nuno Rodrigues e o também jesuíta, Diogo Mesquita S.J. levava as funções de mestre e pedagogo. Além do Visitador dos Jesuítas no Japão, Alexandre Valignano, que contava acompanhar os jovens fidalgos embaixadores japoneses na viagem até à Europa, os familiares e criados do seu pessoal de serviço e ainda, o padre Lourenço de Mexia e o irmão Oliverio Toscanelli. Não encontramos descrição alguma da cerimónia das despedidas no cais do porto de Nagasáqui, quando a grande nau Santiago, bem construída e armada, partiu. A viagem, iniciada com bom vento, foi pouco depois atormentada por um mar agitado. Por isso, as trezentas léguas até Macau levaram dezasseis dias a ser percorridas, tendo a nau chegado a Macau a 9 de Março. Por essa altura Macau ainda não sabia que o Rei Filipe II de Espanha governava Portugal; nem existia ainda o Senado a governar a Cidade do Santo Nome de Deus. Foram muito bem recebidos tanto pelo Capitão-mor, D. João de Almeida, como pelo Bispo D. Leonardo de Sá e ficaram hospedados na residência dos Jesuítas, onde receberam cumprimentos de muitas pessoas importantes da cidade. Nos quase dez meses de estadia em Macau, aguardando os barcos que vinham da Feira de Cantão e a monção, tiveram os japoneses tempo para


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aprender muito com os seus anfitriães, dedicando-se ainda à música, à leitura e à escrita. Macau era já uma cidade de marinheiros, negociantes e mercadores, tendo os jesuítas como prelado e por isso, a sua vivência quotidiana não seria muito diferente da encontrada nessa altura em Nagasáqui. No movimentado porto, barcos de muitos lugares. Os que partiam, ou chegavam da Feira de Cantão, as naus que esperavam essas mercadorias, sobretudo a seda, para as levar ao Japão ou, pelo caminho até à Europa.

RUMO A LISBOA A 31 de Dezembro de 1582 partiram de Macau, rumo a Malaca cujas seiscentas milhas de distância eram o dobro das até então feitas desde Nagasáqui. Prosseguindo a embaixada na nau Santiago, foi ela acompanhada por outros dois barcos de Macau e um junco chinês. Ao passarem por Malaca levantou-se tal tempestade, que um dos barcos de Macau, o maior e o mais bem apetrechado, com o prejuízo de 400 mil

MACAU ERA JÁ UMA CIDADE DE MARINHEIROS, NEGOCIANTES E MERCADORES, TENDO OS JESUÍTAS COMO PRELADO E POR ISSO, A SUA VIVÊNCIA QUOTIDIANA NÃO SERIA MUITO DIFERENTE DA ENCONTRADA NESSA ALTURA EM NAGASÁQUI

Cruzados se perdeu e assim, em Malaca aportaram as restantes embarcações nos finais de Janeiro de 1583. Na cidade ficaram quatro ou oito dias, muito devido ao mau tempo que se fazia sentir. Foram recebidos carinhosamente pelos Governadores de Malaca, o capitão da fortaleza Roque de Melo (1582-1584) e o Bispo D. João Ribeiro Gaio (1581-1603). Malaca, ligando o Oceano Índico com o Pacífico, desempenhava um papel importante no comércio entre o Oriente e o Ocidente. Foi a primeira cidade que os jovens embaixadores viram com um diferente quotidiano ao até então conhecido, onde os portugueses em vez de a construírem de raiz, como fizeram em Macau e Nagasáqui, a conquistaram. Após vencido o sultão, logo nesse ano de 1511, Afonso de Albuquerque mandou construir a Praça, “A Famosa”. Ao redor da fortaleza vivia a comunidade chinesa, que desde os inícios do século XV tinha ali a sua feitoria, assim como a indiana, tendo-se formado com os casamentos entre mulheres malaias e portugueses, uma grande comunidade local. Os lucros do comércio que Malaca capitalizava, sobretudo com a viagem a Macau, levavam por essa altura a cidade a viver em grande apogeu. Após os dias de descanso na formosa fortaleza, seguiram viagem para Goa mas, mais uma vez devido a uma tempestade, apenas chegaram ao Ceilão (actual Sri Lanka), onde entraram no porto de Colombo, possuído então também pelos portugueses. Com feitoria portuguesa desde 1517, a cidade de Colombo, onde era carregada a canela, era dos poucos locais que restava aos portugueses no Ceilão, conjuntamente com Negombo. De Colombo seguiram viagem para a Índia e depois do Cabo de Camorim, navegando ao longo da costa da Pescaria foram desembarcando pelas aldeias daquela costa, para alguns dias de descanso nas casas dos jesuítas de Manapar, Trichandura e Tuocorim. Após passarem por Coulão, em 7 de Abril de 1583 chegaram a Cochim, onde vieram para aguardar a monção. Valignani recebeu cartas de parabéns do Vice-Rei da Índia e o Governador de Cochim, ordens para fornecer os embaixadores e sua comitiva de todo o necessário com abundância. Na costa do Malabar, Cochim, a cidade da pimenta, foi a primeira fortaleza, erguida pelos portugueses na Índia e a capital do Sul. Local de passagem das naus da carreira da Índia, sobretudo as que seguiam por fora da ilha de Madagáscar, tal como Malaca, tinha sido um porto escolhido anteriormente pelos chineses para se estabelecerem. Como os chineses nunca foram um

povo de conquistar pelas armas, mas antes pela sua sabedoria, não precisavam de castelos e fortalezas, ficando apenas pela construção de feitorias e bairros próprios. Após o período das grandes e torrenciais chuvas, que acabam em Agosto e dão depois largas abertas, em vinte dias de viagem por mar, de Cochim chegou a embaixada japonesa a Goa.

EMBAIXADA EM GOA Estava-se em Setembro de 1583, quando a embaixada é recebida com grande deferência e magnificência pelo Vice-rei D. Francisco Mascarenhas (158184). Na primeira audiência, abraçou-os e colocou a cada um no pescoço uma cadeia de ouro, com caixinhas de relíquias de santos, mandando que fossem providos de todo o necessário para o sustento e habitação, no que se gastaram mais de três mil cruzados. Retribuíram os embaixadores quando vão entregar ao Vice-rei as cartas de Bartolomeu de Omura, Francisco de Bungo e de Arima, Protasio e se apresentaram todos a rigor, trajando vestes da sua nação. No resto do tempo, os embaixadores por cima dos trajes japoneses colocavam as roupas do quotidiano das localidades por onde passavam. Goa, que só após a transferência da capital para Panjim, ou Nova-Goa, ficou a chamar-se Velha Goa, era a capital do Estado da Índia Portuguesa e segundo relatos, uma cidade deslumbrantemente rica e com uma actividade portuária vigorosa. A cidade de Goa, na ilha de Tissuari, estendendo-se pela margem esquerda do Mandovi, estava nessa altura a atingir o seu apogeu. Cidade de largas ruas com majestosos edifícios e espaçosas praças, que deixavam ver ao fundo grandiosos templos, nela deambulava uma onda de povo onde se via quantidade de indivíduos de todas as raças e muitos hábitos de religiosos. Passeando a cavalo, os guerreiros nas sua armaduras e os fidalgos, com as capas.

No ano de 1583, meses antes da chegada da embaixada, acabava-se de assistir em Goa à primeira revolta dos nativos. A aldeia de Cucolim fora confiscada à gancaria e oferecida ao Vice-rei D. Francisco Mascarenhas. A população recusou pagar as taxas impostas pelos portugueses e os militares portugueses enviados por Mascarenhas, arrasaram com Cuncolim e Assolná. Altura em que os jesuítas começavam a evangelizar Salsete e como reacção, cinco padres foram massacrados pelos habitantes hindus de Cuncolim. Conhecida pela revolta de Cuncolim, ocorreu em 15 de Julho de 1583. Após esse massacre, os dezasseis chefes da aldeia foram convidados pelos portugueses para assinarem um tratado de paz, mas era uma cilada para os massacrar e matar, o que aconteceu a quinze deles, tendo um conseguido escapar. Os embaixadores japoneses não tomaram conhecimento de tal episódio no concelho de Salcete, já que Cuncolim ficava afastada da capital do Estado da Índia e na ilha de Tissuari, nem os ecos se devem ter escutado. O território de Goa, conquistado pelos portugueses em 1510, fora ampliado em 1543, quando o Sultanato de Bijapur teve que ceder as províncias de Bardez e Salcete que, juntamente com a província de Tiswadi, formavam na época Goa. Quando a embaixada japonesa regressou do Palácio do Vice-rei, desceu a Rua Direita, ou Rua dos Leilões, a mais importante da cidade, com ricos estabelecimentos de ourives, mercadores e artífices. Para os goeses não foi uma novidade, pois trinta anos antes tinham visto já, a acompanhar o Padre Francisco Xavier, um embaixador japonês do reino do Bungo. Trazia cartas e presentes para o Vice-rei da Índia, D. Afonso de Noronha (155054), pedindo amizade e comércio com os portugueses. Na Ribeira preparava-se a saída da Nau do Trato e a festa, que se fazia para marcar o acontecimento, estava em grande. Os barcos que seguiam viagem encontravam-se enfeitados com bandeiras.


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Carlos Morais José

UGOLIM OU O REINO DOS TAVARES* ALI CHEGAVAM SOBRETUDO OS HOMENS QUE TINHAM PROBLEMAS COM AS AUTORIDADES DE GOA E POR ISSO AQUELA POPULAÇÃO ERA CONSTITUÍDA POR AVENTUREIROS DESTEMIDOS E BANDIDOS CARNICEIROS, CUJA PREDISPOSIÇÃO PARA A VIOLÊNCIA E CORAGEM PARA O COMBATE CONTRIBUÍRAM DECISIVAMENTE PARA LHES ARRANJAR OCUPAÇÃO CONDIZENTE

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HAMAVA-SE António Tavares e partiu de Goa, em 1580, com um grupo de uns trezentos desertores, brigões e desalmados, para rogar ao Grão-Mogol Akbar um território para o comércio na foz do rio Ganges. E assim nasceu Ugolim, feitoria rebelde a jesuítas e a mouros. Em Portugal, morria o país às mãos dos castelhanos. Vinte anos depois já por ali comerciavam mais de cinco mil almas cristãs. Igrejas, mosteiros, ermidas e conventos cresceram como fungos por acção das ordens religiosas, que também deixaram um hospital e uma escola. Dizem os cronistas ter a feitoria crescido mais sessenta léguas terra adentro, controlando a maior parte do comércio de Bengala e criando um pequeno reino independente. Mas ali chegavam sobretudo os homens que tinham problemas com as autoridades de Goa e por isso aquela população era constituída por aventureiros des-

temidos e bandidos carniceiros, cuja predisposição para a violência e coragem para o combate contribuíram decisivamente para lhes arranjar ocupação condizente. Reza a lenda que, mais tarde, o poder e a fortuna os entonteceram e deu-lhes para raptar algumas das mulheres mais belas da região. Segundo as cartas dos padres, nem duas das mais deslumbrantes escravas de Muntaz, a rainha por quem o Taj Mahal foi construído, escaparam aos desejos inflamados dos lusos. Este desatinado comportamento e, sobretudo, uma afectada sobranceria enfureceram o imperador Shah Jahan, que enviou imediatamente um formidável exército para resolver a situação. O cerco levou três meses e muitas vidas. Portugueses terão perecido cerca de três mil. Do lado mogol, as perdas foram atrozes. Finalmente, quando a artilharia imperial desbravou a coragem daquela gente, escaparam uns três navios cujos tripulantes en-

contram refúgio nas selvas espessas da ilha de Sangor. Os que restaram – homens, mulheres e crianças – foram escravizados e enviados para Agra. Uma longa fila de seres acorrentados calcorreou 900 milhas, deixando pelo caminho os que se esvaíam de fome e cansaço ou, já catatónicos, não se desviavam da marcha bruta dos elefantes. Ao cruzar as aldeias, esta parada de portugueses acorrentados não deixava de despertar a curiosidade do povoléu, que se acamava para a ver passar. Vinham camponeses de cabeças aturbantadas, mulheres morenas de trajes coloridos, autoridades arrebicadas e a intratável criançada. Aproximavam-se vacas, galinhas, carneiros e mesmo um esporádico camelo para assistir ao desfile daqueles prisioneiros estrangeiros, que tanto infernizaram a vida dos vizinhos e o sossego do Grão-Mogol. Eram aqueles os indómitos guerreiros? Eram aquelas as suas mulheres?

Onde estava agora o nome do deus por eles invocado? Chegados a Agra, segundo o jesuíta, as mulheres mais belas foram despachadas para os haréns, as crianças circuncidadas ou transformadas em cadamitas e a maior parte dos homens forçados a renunciar a Cristo. Entre os apóstatas estavam “portugueses da flor de Portugal”, relata Bernier. Outros mantiveram-se firmes na fé e pereceram. Inexplicavelmente, um ano depois do cerco, Shah Jahan cedeu novamente Ugolim aos portugueses. Ninguém sabe a razão. Mas nunca mais voltou o antigo esplendor. Mistérios à parte, em 1666 viviam ali nove mil lusos e euroasiáticos. Vinte anos mais tarde, este número ascendia aos vinte mil. De Tavares ou da sua descendência não encontrei mais palavra. Hoje, por ali, fica a cidade de Calcutá. *in Anastasis, COD, Macau, 2013


( F ) UTILIDADES

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TEMPO

Cineteatro

T1

TROVOADAS

MIN

25

MAX

29

HUM

80-98%

•

EURO

CINEMA

10.8

BAHT

0.2

YUAN

17

1.2

LÍNGUA DE gATO

DAWN OF THE PLANET OF THE APES

THE TALE OF THE PRINCESS KAGUYA [A]

SALA 1

DAWN OF THE PLANET OF THE APES [B]

Um filme de: Matt Reeves Com: Jason Clarke, Gary Oldman, Keri Russel 14.30, 16.45, 21,30

FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Isao Takahata 16.45

Pu Yi

SALA 3

DAWN OF THE PLANET OF THE APES [3D] [B]

HUNGRY GHOST RITUAL [C]

Um filme de: Matt Reeves Com: Jason Clarke, Gary Oldman, Keri Russel 19.15 SALA 2

DELIVER US FROM EVIL [B]

Feng Shui e companhia

Um filme de: Nick Cheung Com: Nick Cheung, Annie Liu, Carrie Ng 14.30, 16.00, 17.30, 21.30

THE TALE OF THE PRINCESS KAGUYA [A]

Um filme de: Scott Derrickson Com: Eris Bana, Edgar Ramirez, Olivia Munn, Sean Harris 14.30, 19.15, 21.30

FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Isao Takahata 19.00

ACONTECEU HOJE

18 DE JULHO

Nasce a Fundação Calouste Gulbenkian • Fundação Calouste Gulbenkian, espaço de cultura por excelência, foi criada a 18 de Julho de 1956, em resultado da herança de um coleccionador de arte, que deu nome à instituição. Hoje, cumpre mais um aniversário. Hoje é dia de soprar velas à Fundação Calouste Gulbenkian, criada com a herança de Calouste Gulbenkian, neste dia, e que desde 1956 vem construindo a reputação de um dos mais importantes espaços culturais portugueses. A fundação nasce da generosidade de um homem – Calouste Gulbenkian – um devoto às artes, cuja paixão lhe permitiu reunir um vasto espólio, uma extraordinária colecção com peças sobretudo europeias e asiáticas, com mais de 6000 peças. Aquando da sua morte, em 1955, Gulbenkian doou todos os seus bens a Portugal. Era a génese da Fundação Calouste Gulbenkian, que foi alargando as suas margens de acção cultural, através de inúmeras atividades, num espaço que concentra dois museus (arte antiga e contemporânea), bibliotecas, salas de espectáculos, uma orquestra e um coro. Desse espólio constam obras que vão desde os mestres primitivos à pintura impressionista, além de outras obras-primas de arte, que já viajaram por diversas galerias mundiais, de Londres a Washington. Carpaccio, Rubens, Van Dyck, Rembrandt, Gainsborough, Romney, Lawrence, Fragonard, Corot, Renoir, Boucher, Manet, Degas e Monet são alguns autores de obras que pertencem à Fundação Calouste Gulbenkian, que conta também um importante espólio de escultura, cerâmicas orientais, manuscritos, livros, mobiliário, tapeçarias, joalharia e medalhas do Renascimento. Calouste Gulbenkian quis que a sua colecção reunida ao longo de uma vida ficasse exposta num mesmo local. E deste desejo nasce a fundação que doou a Portugal. O edifício-sede e o parque da Fundação Gulbenkian foram classificados, em 2010, como Monumento Nacional.

H O J E H Á F I L M E L´AMANT (JEAN-JACQUES ANNAUD, 1992) Muitas pessoas só viram este filme por causa da autobiografia de Marguerite Duras. Mas, como muitas adaptações cinematográficas, o filme também tem sucesso por si. Retrata a vida de uma jovem francesa (interpretada por Jane March), nascida na Indochina, que não se sente à vontade nem junto da família, nem na escola em Saigão. A jovem começa a ter uma relação com um abastado homem chinês (interpretado por Tony Leung), que tem quase o dobro da idade dela. A relação começa por ser visto como algo sem moral, mas acaba por demonstrar ser um amor verdadeiro. A jovem, contudo, tem que se separar dele, porque o pai do homem obriga-o a casar-se com uma mulher – chinesa – também rica... Anos depois, ele volta a contactar a jovem francesa... - Cecília Lin

João Corvo

fonte da inveja

Poderei dizer que o frigorífico

é conservador e o fogão revolucionário?

Sou conhecido em várias culturas por dar sorte e azar. A verdade é que me sinto um gato normal, igual a tantos outros, com experiências de vida normais. Não sei se tal foi causado pela minha constante vivência com seres humanos, mas realmente não consigo compreender a natureza das energias, do ‘feng shui’ e de todas essas teorias não científicas. Quando me começam a falar de todas aquelas histórias de conhecem alguém que se sentiu muito bem porque pôs um espelho do lado direito da cama e um bibelô debaixo dos pés. Isto é realmente a opinião de um simples felino, mas não consigo compreender o facto de as pessoas terem que se apoiar em energias pseudo-curativas para se sentirem bem consigo próprias. No outro dia falaram-me de coisas como o cansaço a determinadas horas do dia se dever a problemas em determinadas partes do corpo... Como é possível acreditar numa coisa destas? Custa-me muito pensar que ter sono entre as 17 e as 18 horas se deve a problemas de rins, de estômago ou do que quer que seja. Quer dizer, pensando bem, até é capaz de ser isso. Acho que andam a dar-me uma comida um bocado rasca e como ainda não conseguiram perceber isso, comecei uma espécie de greve de fome. Já agora: não querem tentar pôr-me a taça da comida mais perto da janela e um espelho ali bem perto? Pode ser que dê resultado e a brincadeira me faça comer aquela pasta que me apresentaram como comida para gato. Não quero ser mal interpretado com esta crónica sobre esoterismos e coisas que tal e talvez seja o meu cepticismo agudo a falar, mas não consigo compreender determinadas coisas. Nós, gatos, somos animais extremamente terrenos e por isso mesmo decidi juntar uma colectânea de livros sobre o assunto e vou-me debruçar sobre isso. Pode ser que para a semana já tenha outras considerações acerca do tema... Embora, mais uma vez, ache difícil.


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OPINIÃO

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ISABEL CASTRO

isabelcorreiadecastro@gmail.com

contramão

OTTO PREMINGER, ANATOMY OF A MURDER

Etc., coisa e tal

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IZEM que valem pouco, tão pouco que é quase nada. Tão pouco que o vento as leva. Dizem que não servem de grande coisa. E eu não concordo, talvez por defeito profissional, talvez porque vivo delas. As palavras são o início de tudo, porque implicam pensar, o sítio onde realmente tudo começa. As palavras são acção, são movimento, é através delas que dizemos o que queremos, que percebemos o que os outros querem, que lemos e ouvimos o mundo. Em política, as palavras podem ser muito. O discurso político é meio caminho andado. Dizer já é fazer. A retórica política é importante: é por aí que se começa o trabalho. São as palavras que nos permitem perceber com o que contamos – as palavras

ditas e as que ficam por dizer. São as palavras que nos convencem, que nos enganam, que nos iludem. Mas são elas também que nos permitem escolher. Em Macau não há escolha possível – e as palavras pouco interessam aos políticos, por norma com poucos dotes de oratória e ainda com menos vontade de falar. Ou de escrever.

O dicionário dos jargões políticos é curto, pouco interessante e rico em expressões com cheiro a gavetas fechadas e a armários com bolas de naftalina. Penso nisto das palavras, da política e do que acontece por aqui enquanto folheio as quatro páginas do manifesto de candidatura de Chui Sai On, apresentado esta

Chui Sai On reconhece que há desafios. São “as questões relacionadas com a vida do povo”, ou seja, os problemas de Macau. Entre eles, está o “etc.”, palavra que fica bem em qualquer manifesto que se preze e que, sem dúvida, é um problema que ocupa um lugar cimeiro na lista das preocupações dos comuns mortais

semana. Ao contrário do que aconteceu há cinco anos, desta vez não há sequer um mote para a campanha. Perdeu-se a inovação e também a continuidade – mas disso já todos sabíamos. Sem mote pomposo que nos sirva para memória futura, o manifesto faz-se de palavras que não valem pouco porque foram ditas e, por terem sido ditas e escritas, ficam registadas. É por aqui que se analisam as intenções, os objectivos e a falta deles. As palavras valem muito – mesmo quando não significam nada. Agradecimentos e amores à pátria devidamente manifestados, escreve Chui Sai On: Que confia “nas políticas vantajosas que nos trazem um caminho de felicidade e prosperidade, e a uma posição privilegiada do sistema social de Macau”. Que está “determinado a retribuir à pátria e a servir Macau”, com a sua “diligência e sabedoria”. Que a sua candidatura se baseia num “espírito de responsabilidade e na sensibilidade de servir a sociedade de Macau”. Que nos últimos 15 anos “o bem-estar social se tem aperfeiçoado de forma progressiva e constante”. Que “as ciências humanas também têm conhecido um desenvolvimento cada vez mais profundo”. Que as responsabilidades que sobre ele recaem “são pesadas”. Que pretende “lutar pela reeleição”. Que vai procurar contribuir com “todas as aptidões” e – mais uma vez – com a sua “sabedoria” para servir os cidadãos. Chui Sai On reconhece que há desafios para o seu segundo mandato. São “as questões relacionadas com a vida do povo”, ou seja, os problemas de Macau. Entre eles, está o “etc.”, palavra que fica bem em qualquer manifesto que se preze e que, sem dúvida, é um problema que ocupa um lugar cimeiro na lista das preocupações dos comuns mortais. O “etc.” está ao nível da “habitação, do transporte, da protecção ambiental, do sistema de segurança social e recursos humanos”. O “etc.” vem a seguir a tudo isto e é por tudo isto que gosto de palavras – deixam-me muito mais descansada, sobretudo quando são abreviaturas que querem dizer outras coisas mais. Em política, as palavras podem ser muito. O discurso político é meio caminho andado. Ou meio caminho que se podia ter feito e não se fez. Mas também não interessa, que aqui não se faz política, fazem-se outras coisas mais, não se discute política, discutem-se outras coisas mais, e a política não interessa a ninguém, interessam outras coisas mais. E etc., coisa e tal. Outras coisas mais.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Cecília Lin; Flora Fong (estagiária); Leonor Sá Machado; Ricardo Borges (estagiário) Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


PERFIL

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JOSÉ VONG, ALFAIATE E DONO DA ALFAIATARIA SEC SI

“NÃO HÁ MAIS JOVENS A DEDICAR-SE A ESTA PROFISSÃO” CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

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alfaiataria Sec Si já existe na Rua Central nº 89 há várias décadas. A montra já mudou e apresenta agora um manequim com um vestido de casamento. Isto, porque José Vong não quer fechar a loja, mas vai ter de mudar o seu estilo de trabalho. “O meu filho não faz roupa, mas aproveita a nossa loja para ter o seu negócio de casamentos. Muitos clientes já nos perguntaram se, agora, mudamos e só fazemos roupa de casamento. Já disse que não, mas a verdade é que iremos acabar gradualmente com o trabalho de alfaiate”, conta-nos José Vong. O alfaiate trabalha nesta profissão há cerca de 40 anos. Lembra-se perfeitamente quando começou. “Lembro-me quando comecei, porque não podia ainda conduzir motas e estava a aprender e a fazer o exame de condução. Lembro-me que tinha 17 anos.” Agora, o negócio mantém-se só a fazer roupa para os “clientes do costume”, enquanto, ao mesmo tempo, José ajuda o filho no seu negócio. Na verdade, a Alfaiataria Sec Si é mais conhecida como sendo da esposa de José, Mariana. Também é costureira, mas com a vantagem de ter aprendido português,

só para comunicar com quem fala a nossa língua. Aliás, diz-nos José Vong, “a maioria dos clientes são portugueses”. Isso mesmo ficou provado quando o HM esteve na Sec Si: durante a nossa entrevista, uma cliente portuguesa entrou com a filha para que José ou Mariana ajustassem as calças da jovem, de forma a que o traje da escola estivesse pronto para o próximo ano lectivo. “Eu não falo português, mas consigo entender um pouco, porque já ouço a língua há várias décadas. [Esta cliente] vem sempre cá arranjar as calças para a filha. Normalmente, as medidas são feitas durante as férias de Verão e depois só vem buscar as calças em Setembro”, conta-nos José.

muitos anos. Alguns clientes até assistiram ao nascimento da minha filha mais nova e convidámo-los para a festa da família”, relembra, sempre com um sorriso na cara. Do Palácio cor-de-rosa também vêm muitos clientes. Muitos dirigentes do Governo fazem a roupa na Sec Si, bem como os seus familiares. “Costumo fazer negócio com as pessoas que saem do Palácio. Comunicamos em chinês e português”, diz-nos, assegurando que esta memória nunca vai ser esquecida, mesmo quando José se aposentar. Já lá vão os tempos em os residentes costumavam precisar muito dos serviços da alfaiataria. Agora, conta-nos, em Macau existem apenas cinco destas casas e são

“Nunca me arrependo de me ter tornado alfaiate, porque adoro esta profissão e tive muitas alegrias no trabalho” Cerca de 40 anos passaram e o alfaiate não esquece as muitas memórias de Macau. “Nunca me arrependo de me ter tornado alfaiate, porque adoro esta profissão e tive muitas alegrias no trabalho. Nunca fico aborrecido. Há muitos clientes portugueses que já saíram do território, mas ainda voltam para nos cumprimentar quando passam férias aqui em Macau, porque já os conhecemos há

menos de 20 as pessoas que mantêm as alfaiatarias abertas. Mas não é por isso que José Vong vai, um dia, fechar portas. “Não acabamos por estarmos sem negócio, ainda há muitos clientes que nos vêm visitar e nos pedem para fazer medidas às roupas e arranjar... mas já estamos na idade da reforma e queremos gozar a vida.” Além dos clientes do costume, a Sec

Si ainda tem negócio porque faz “roupa moderna”. Os que fazem roupa tradicional chinesa, por exemplo o Qipao - vestido elegante para as mulheres chinesas - já fecharam quase todos, conta. “Só falta uma, na Rua dos Mercadores.” Ainda há pessoas a fazer trabalho de alfaiate, mas muitos fazem-no em casa. “Não temos fábricas para fazer mil peças de roupa. Antes, tínhamos tanto, tanto trabalho que os clientes só podiam levantar a roupa em três meses. Agora, fazemos uma roupa pelo menos em três dias, porque um outro alfaiate colabora connosco. Se forem apenas três pessoas na loja, nem pensar que conseguimos acabar os trabalhos à mão.” José prevê que a tendência do sector é desaparecer. Contudo, assegura, não sente pena desta situação. “É uma tendência mundial, também não há mais jovens a dedicar-se a esta profissão.” O alfaiate conta-nos que está orgulhoso da carreira que escolheu para a sua vida. Quase toda a vida. Mostra-nos a marca da alfaiataria, com o nome da esposa na porta de vidro. A marca está registada: um vestido com a forma de um ‘S’, abreviatura do nome ‘Sec Si’. “A marca já ganhou um prémio”, diz-nos. Parece que os bons dias de antigamente nunca desapareceram da cabeça de José Vong.


hoje macau sexta-feira 18.7.2014

Angela Leong ao lado de Chui

A deputada Angela Leong lançou ontem um comunicado onde manifesta o seu “completo” apoio à reeleição de Chui Sai On. Angela Leong diz mesmo que vai levar as três associações que lidera a apoiar também o líder do Executivo. A Associação Geral de Dança Desportiva de Macau, Associação dos Conterrâneos de Sám Soi de Macau e Centro de Serviços Sociais de Macau são os grupos liderados pela deputada. A patroa da SJM considera que durante estes cinco anos de mandato, Chui Sai On deu sempre atenção ao desenvolvimento social de Macau e aos assuntos sociais e diz ainda que o líder do Executivo “ouve activamente as opiniões do público”. Angela Leong quer que Chui Sai On seja reeleito e execute os objectivos do seu programa

Cantão Homem pega fogo a autocarro por dívidas de jogo

Um homem de 25 anos deitou fogo a um autocarro em Cantão na terçafeira, causando dois mortos e ferindo 32 pessoas. De acordo com as autoridades, o suspeito foi detido na quarta-feira e confessou ter cometido o crime, alegando que ateou o fogo “para aliviar a raiva que sentia devido a dívidas de jogo”. Testemunhas descreveram ouvir uma explosão quando o autocarro se aproximava da estação de Dunhe por volta das 19h40. As chamas envolveram rapidamente o veículo e apesar de os bombeiros terem extinguido o incêndio em 15 minutos, dois mortos foram encontrados nos lugares onde seguiam. Oito pessoas continuam no hospital em estado crítico, sendo uma delas uma mulher grávida de três meses. Outra testemunha, um homem de 28 anos proveniente da província de Guangdong, disse que receava agora andar de autocarro devido a uma série de ataques em transportes públicos, revelava o jornal ‘South China Morning Post’ na sua edição de ontem.

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MURDOCH TENTA COMPRAR A CNN

por Stephff

Avião malaio abatido na Ucrânia

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JAPÃO MILHARES DE PESSOAS PEDEM LIBERTAÇÃO DE IGARASHI

“Artista da vagina” detida Megumi Igarashi foi presa no sábado acusada de distribuir material obsceno. A artista que luta “contra a discriminação” sobre a sexualidade feminina na sociedade japonesa, contesta a decisão

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UASE 20 mil pessoas assinaram uma petição na Internet em que apelam às autoridades japonesas a libertação de Megumi Igarashi, conhecida como a “artista da vagina”, detida no passado sábado por distribuir material obsceno segundo o códiPUB

go penal nipónico. A petição, dirigida à polícia metropolitana de Tóquio e impulsionada através da plataforma Change.org, acumulava às 14:15 de ontem 18.976 assinaturas. Igarashi é uma artista de 42 anos residente em Tóquio que adquiriu a alcunha de “artista da vagina” pelas diversas esculturas e instalações de pop arte inspiradas nos genitais femininos. A artista permanece detida desde sábado por alegadamente ter distribuído material obsceno e, em particular, por enviar dados digitais que permitiriam reproduzir os seus genitais com uma impressora a três dimensões, a troco de dinheiro. Igarashi iniciou uma iniciativa de “crowdfunding” na internet com o objectivo de angariar fundos para construir um caiaque com a forma do aparelho reprodutor feminino e até à data conseguiu um milhão de ienes de cerca de 125 doadores, segundo dados da polícia japonesa. A artista, que protagonizou uma mostra em Tóquio em Maio passado, alegou que apenas enviou aos seus financiadores dados digitalizados e afirmou que não considera a informação para impressão em 3D material obsceno. O seu objectivo é “desafiar os tabus” e “lutar contra a discriminação” sobre a sexualidade feminina na sociedade japonesa, segundo declarações ao diário Japan Times.

M avião malaio com 295 pessoas a bordo despenhou-se na Ucrânia, próximo da fronteira com a Rússia. O avião tinha partido de Amesterdão, na Holanda, e tinha como destino Kuala Lumpur, na Malásia. A agência russa Interfax diz que o aparelho foi abatido por um míssil. Segundo a agência Interfax, que avança com a notícia citando como fonte um separatista, o avião caiu perto da cidade de Donetsk, cidade do Leste da Ucrânia onde estão a ocorrer combates entre as forças governamentais e milícias pró-russas. Segundo a Interfax, o avião terá sido abatido por um míssil terra-ar. Segundo os jornais holandeses, o avião, um Boeing 777, transportava 280 passageiros e 15 tripulantes. O ministro dos transportes Malaio, citado pela Reuters, não confirma a queda do avião, mas a companhia aérea, a mesma do avião desaparecido em Março ao levantar de Kuala Lumpur e que nunca foi encontrado, confirma “um incidente com um aparelho” malaio na Ucrânia. Segundo a companhia, a última localização conhecida do aparelho é na Ucrânia. Uma fonte dos separatistas disse à Interfax que o avião desapareceu do radar, quando seguia a uma altitude entre oito e 10 mil metros, tendo caído perto da cidade de Shakhtyorsk. O incidente ocorre num dia em que Moscovo e Kiev trocam acusações sobre o eventual abate de um avião militar ucraniano na fronteira com a Rússia. “Um avião militar da Força Aérea da Federação Russa atingiu um avião SU-25 ucraniano sobre o território da Ucrânia” , disse o Conselho de Segurança e Defesa de Kiev através da conta na rede social Twitter, acrescentando que o piloto conseguiu ejectar-se.


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Hoje Macau 18 JUL 2014 #3134 by Jornal Hoje Macau - Issuu