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Hoje Macau 18 FEV 2014 #3032

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GONÇALO LOBO PINHEIRO

Plenário dá segunda nega a Pereira Coutinho PÁGINA 2

hojemacau

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

PROJECTO-LEI DE PROTECÇÃO ANIMAL

TERÇA-FEIRA 18 DE FEVEREIRO DE 2014 • ANO XIII • Nº 3032

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MOP$10

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

TÁXIS Deputados apontam dedo ao Governo

Políticas de marcha atrás Os táxis fizeram parte da ementa da Assembleia Legislativa de ontem. Os deputados exigem a flexibilização na atribuição de licenças e mais transparência no contrato dos táxis amarelos. Curiosa a analogia de Chan Meng Kam quando diz que “os alvarás de táxi são concedidos como se o Governo espremesse uma pasta dentífrica”. Uma discussão para durar, portanto.

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TDM JORNALISTAS TEMEM CENSURA

Moral em baixa

A saída de Leong Kam Chun do leme da Teledifusão de Macau promete fazer correr muita tinta nos próximos tempos. A Associação dos Jornalistas de Macau falam que a troca com Manuel Pires não está bem explicada e temem que a liberdade de imprensa e o espaço de expressão e criação venham a ser “reduzidos no futuro”. “A mudança estranha na direcção combate a moral interna”, dizem. O Governo, pela voz de Alexis Tam, desdramatiza. PÁGINA 5 PUB

SEM LIMITES, NEM RESTRIÇÕES

Canal entre Macau e Taiwan escancarado ACORDO AÉREO PÁGINA

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ECONOMIA CRESCE LENTAMENTE

Gigante asiático está seguro mas alerta CHINA PÁGINA

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POLÍTICA

ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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S palavras que Confúcio, John Locke e Schopenhauer escreveram no passado sobre os animais não foram suficientes para convencer o hemiciclo a aprovar o estatuto jurídico de protecção dos animais, da autoria de José Pereira Coutinho e Leong Veng Chai. Apresentado pela segunda vez à Assembleia Legislativa (AL), o projecto de lei foi chumbado com 14 votos contra e apenas sete a favor, uma vez que os deputados consideraram que a iniciativa estaria a ir contra o projecto legislativo já anunciado pelo Governo. Recorde-se que o Instituto para os Assuntos Cívicos e

PETIÇÃO PARA CHUI SAI ON O debate de ontem ficou marcado pela intervenção do deputado Chan Chak Mo, que quis saber se a situação dos galgos de corrida poderia estar abrangida na nova lei. “Conheço os casos e sei que levam injecções para correr mais depressa e que depois são levados para a eutanásia.” No mesmo dia, o actor e produtor norteamericano Rick Gervais publicou na sua página oficial do Facebook uma petição dirigida ao Chefe do Executivo, a pedir o fim da morte dos galgos. Com a chancela da GREY2K, uma associação norte-americana, a petição lembra que “a península de Macau é a casa de uma entidade de corrida de galgos chamada Canídromo. Lá, cerca de 400 galgos são enviados para a morte todos os anos. Brooklyn é um dos cães em risco”.

hoje macau terça-feira 18.2.2014

PROTECÇÃO ANIMAL PROJECTO-LEI CHUMBADO PELA SEGUNDA VEZ NA AL

Coutinho acusado de “abuso do poder legislativo” O estatuto jurídico da protecção dos animais voltou a ser chumbado com apenas sete votos a favor. Apesar de considerarem a lei importante, os deputados acusaram José Pereira Coutinho e Leong Veng Chai de “obstruir” o trabalho do Governo Municipais (IACM) fala do projecto desde 2005, mas até agora nada foi feito. Deputados nomeados, directos e indirectos falaram do possível choque de projectos, mas Vong Hin Fai e Gabriel Tong foram bem mais acutilantes. “A intenção é boa e cada vez temos mais vozes a pedir a lei, mas vários deputados entendem que existem aspectos ambíguos. Este projecto de lei já tinha sido apresentado e essas insuficiências não foram alteradas. Podemos entrar em repetição com o trabalho do Governo e pode ser um desperdício de recursos. Não deixa de ser um acto de obstrucionismo parlamentar e um abuso do poder legislativo.” Coutinho respondeu à letra e disse que essas palavras só partiam de deputados que “apoiam o Governo”. “Há de facto urgência em criar esta lei. Não podemos esperar mais por uma lei quando há animais maltratados diariamente.” “Não concordo quando dizem que não é oportuno, porque a missão dos deputados é apresentar projectos de lei. Não podemos ficar sentadinhos e de braços cruzados sem fazer nada à espera que o

GONÇALO LOBO PINHEIRO

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Governo apresente propostas de lei”, disse ainda.

CRÍTICAS AO CONTEÚDO

Coutinho foi acusado de ir contra os cinco grandes Códigos jurídicos em vigor, bem como de não ter sido “rigoroso” na elaboração do projecto legislativo. “Está bem redigido porque não fui a única pessoa a fazê-lo, temos uma equipa de pessoas especializadas. Admito que possa ser melhorado”, explicou. Coutinho mostrou-se disponível para mudanças aquando da discussão da especialidade, mas o chumbo acabaria mesmo por acontecer. “A minha atitude é de total abertura para acolher as sugestões dos colegas. Por várias vezes as propostas do Governo acabaram por ser totalmente alteradas em sede de especialidade.” E não deixou de lançar uma última farpa, ao falar do projecto já anunciado pelo colega Gabriel Tong. “Estou muito contente que os deputados venham a apresentar um projecto sobre o arrendamento, porque se for eu a fazê-lo será chumbado.” “Lamentamos o facto de não ter sido aprovado mais uma vez, e só prova à sociedade que afinal tratamos com total ligeireza os maus tratos”, disse ainda.

PONTOS DE VISTA DOS DEPUTADOS • “Não consigo perceber qual é a definição para animal. Qual o conceito de criatura? Tem a ver com microbiologia? Porque é que não dispensamos atenção aos idosos e portadores de deficiência, e criamos uma lei que obrigue os filhos a visitar os pais?” MAK SOI KUN

ção de risco? E caçar ratos, pode causar distúrbios?” SONG PEK KEI

• “Se eu matar uma galinha é uma situa-

• “Criar um cão não é o mais assustador. Ter uma

• “Os crocodilos podem ser animais de estimação, ou mesmo tigres?” AU KAM SAN

serpente em casa será necessário criar ratos para dar como alimento, e isso vai causar poluição e lixeira. Há que ter respeito pelos outros.” VICTOR KWAN • “Os cães não sabem conversar com as pessoas e têm de ser fechados num sitio, porque podem morder as pessoas” ZHENG ANTING

TIAGO ALCÂNTARA

NORTE DA TAIPA IRMÃO DO CHEFE DO EXECUTIVO VOTOU CONTRA

Debate proposto por Ng Kuok Cheong chumbado A segunda parte do plenário de ontem na Assembleia Legislativa (AL) estava destinado à realização do debate sobre o projecto urbanístico na zona norte da Taipa, já envolto em polémica devido aos terrenos detidos por Chan Meng Kam e Chui Sai Cheong, irmão do Chefe

do Executivo, Chui Sai On. Contudo, a proposta do deputado Ng Kuok Cheong acabaria por ser chumbada com 16 votos contra. Chan Meng Kam absteve-se, mas Chui Sai Cheong votou contra. A maioria dos deputados afirmou ter chumbado o projecto porque a nova lei do planeamento urbanístico

entra em vigor já a 1 de Março, pelo que o objectivo do debate já estaria cumprido. “Não se tratam de questões nucleares mas sim complementares. Creio que o objectivo do debate já foi atingido. Desconfio do seu sentido porque estamos quase a 1 de Março”, disse Gabriel Tong. Já Melinda Chan disse não “haver

necessidade” do diálogo, uma vez que Chui Sai On já disse que não iriam haver alterações nos projectos da zona norte da Taipa. Mas houve quem não pensasse assim. “A população de Macau está preocupada com a questão dos terrenos porque muitas dúvidas apareceram e o Governo não conseguiu

esclarecer tudo”, disse Ella Lei. Já José Pereira Coutinho falou da transparência do processo. “Podemos discutir antes ou depois da lei entrar em vigor, o importante é a questão da transparência. O Governo perdeu uma oportunidade de evitar que a população pense que há batota.” - A.S.S.


política 3

hoje macau terça-feira 18.2.2014

TÁXIS CHAN MENG KAM ACUSA EXECUTIVO DE NÃO AVALIAR NECESSIDADES

Governo dá alvarás “como se espremesse pasta dentífrica”

ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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S problemas provocados pela falta de táxis em Macau fizeram ontem parte da agenda de muitos deputados, que no período antes da ordem do dia apresentaram diversas questões ao

Governo. Chan Meng Kam foi um deles, tendo acusado o Executivo de falta de previsão das necessidades de transporte, tendo em conta o desenvolvimento turístico e económico do território. “O Governo não notou que o número de táxis não conseguia acompanhar o desenvolvimento socioeconómico, e quase 15 anos após a transferência de poderes, os alvarás de táxi são concedidos como se o Governo espremesse uma pasta dentífrica, não contribuindo para resolver os problemas.” Muitos deputados pediram rigor no cumprimento do recente contrato assinado com a Van Iek Rádio Táxis, que está obrigada a prestar 60% do serviço através de chamadas telefónicas. Ng Kuok Cheong exigiu, em nome da transparência, que o Executivo vá à Assembleia Legislativa (AL) esclarecer os trâmites do contrato. “O Governo da RAEM deve vir à AL, de forma activa e com a maior brevidade possível, prestar esclarecimentos completos e apresentar o novo plano sobre a concessão das licenças de táxis e a sua fiscalização. O Governo preparou algum trabalho legislativo sobre a matéria?”

Chan Meng Kam lembrou os números que ditam a pouca oferta de táxis. Existem hoje 1180 táxis, sendo que 650 têm licença permanente e 100 são táxis amarelos com alvarás especiais. Contudo, e logo após a liberalização do jogo, a atribuição de licenças terá demorado a fazer-se sentir. “Após a concessão de 230 alvarás de táxis nestes três anos, o problema de não conseguir apanhar um táxi não se

resolveu, agravou-se. Os cidadãos e turistas toleraram cerca de cinco anos e, em 2012, a DSAT concedeu 200 novos alvarás de táxis por um prazo de oito anos, mas passado mais de um ano o problema ainda não foi resolvido.”

FLEXIBILIZAR É PRECISO

Chan Meng Kam fez ainda uma referência ao valor das licenças, sem esquecer de referir as dificuldades

TIAGO ALCÂNTARA

Deputados exigem flexibilização na atribuição de licenças e mais transparência no contrato dos táxis amarelos. Ng Kuok Cheong quer que o Governo vá à AL explicar os moldes contratuais com a Van Iek Rádio Táxis

TURISMO MEMBROS DO HEMICICLO TEMEM O CAOS EM 2016

Governo tem de estudar impacto, dizem N afectada. Deve concretizar, o quanto antes, o rumo do desenvolvimento de Macau e proceder a um estudo profundo da nossa capacidade de HOJE MCAU

O período de interpelações antes da ordem do dia vários deputados falaram da necessidade do Governo de realizar estudos aprofundados sobre a real capacidade de Macau em receber turistas, uma vez que, com a abertura de novos empreendimentos no Cotai e a inauguração da ponte Macau-Zhuhai-Hong Kong, mais visitantes virão. “Se o Governo não traçar neste momento os planos e as políticas para responder ao desenvolvimento previsto, não só o posicionamento do centro mundial de turismo e lazer será impedido, como também a imagem turística de Macau será

Dominic Sio

acolhimento”, defendeu Kwan Tsui Hang. Si Ka Lon pediu um “mecanismo integrado de alerta e resposta”. “Olhem: nas ruas não há

espaço para passar, nos autocarros não se encontra espaço para sentar. O Governo deve criar um mecanismo integrado de alerta e resposta que abranja tanto os transportes como os sectores de hotelaria e restauração.” “Há que definir planos científicos para o desenvolvimento turístico e aprofundar a distribuição de pessoas pelas atracções turísticas”, disse ainda. “É necessário intensificar a interacção com os cidadãos que estão afectos aos pontos turísticos e reforçar a sua participação. Nos feriados em que se verifica grande fluxo de pessoas, os direitos de muitos cidadãos são afectados.”

Também Dominic Sio se mostrou preocupado com o intenso fluxo de turistas. “Se não se conseguir resolver quanto antes os actuais problemas sociais, quando aparecerem no futuro novos problemas, o tempo que se vai gastar na sua resolução só vai aumentá-los. Os residentes exigem ao Governo que tenha um pensamento inovador.” O deputado falou ainda da necessidade da sociedade se adaptar ao futuro. “As empresas locais em si devem adaptar-se à nova conjuntura e reforçar a sua gestão e adoptar estratégias para oportunidades e desafios.” - A.S.S.

financeiras sentidas por alguns motoristas. “As licenças concedidas pelo Governo são poucas e os números não correspondem às exigências do mercado, o que só resulta numa subida de valores e alugueres. O aluguer por turno de doze horas é de 380 patacas. Se for dois turnos, o aluguer será pelo menos de 20 mil patacas por mês. O combustível e as despesas de reparação são pagas à parte.” Já a deputada Ella Lei pediu para o Governo “proceder ao reordenamento do desenvolvimento do sector dos táxis e optimizar o actual modelo de emissão de licença”, com base numa “mentalidade inovadora”. Angela Leong pediu um melhor funcionamento do sistema de queixas sobre ilegalidades no sector. “A existência das referidas infracções demonstra a falta de controlo e regras sancionatórias eficazes. Os serviços competentes devem pensar em introduzir o regime operação com agentes disfarçados e de controlo através do GPS para reforçar a fiscalização de infracções. Devem simplificar os procedimentos relativos à apresentação de queixas.”

Mão-de-obra importada Victor Kwan defendeu não residentes

Também no período de interpelações antes da ordem do dia coube a Victor Kwan um discurso de elogio à importância que os trabalhadores não residentes (TNR) têm para a economia local. “Verifica-se que os TNR contribuem para o desenvolvimento económico e, por isso, devem ser valorizados. É certo que devemos prestar atenção às oportunidades de emprego e aos salários dos locais. Para alcançar os objectivos, a forma mais adequada é elevar a sua competitividade através do reforço das capacidades de trabalho e atitudes, e não se devem imputar as responsabilidades aos TNR.” Victor Kwan deu ainda a sugestão de uma possível mudança na actual politica dos croupiers. “A importação de trabalhadores tem um significado enorme, pois a política laboral relativa a certas profissões, como motorista e croupier, deve ser novamente apreciada e planeada. Esta questão não se limita à protecção dos trabalhadores locais ou não, mas à capacidade concorrencial de Macau.”


4 política

hoje macau terça-feira 18.2.2014

TURISMO DEPUTADOS APRESENTAM SOLUÇÕES SOBRE A CAPACIDADE DE ACOLHIMENTO

CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

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S deputados do campo pró-democracia Ng Kuok Cheong e Au Kam San enviaram uma carta aberta aos 12 delegados de Macau na Assembleia Popular Nacional (APN), na qual pedem aos delegados para transmitirem ideias sobre a questão de capacidade de suporte de turismo de Macau. Na carta, os deputados consideram que o âmbito de visto individual não deve ser expandido a várias províncias e cidades, não há necessidade de promover o visto de entradas múltiplas entre Continente e Macau, bem como de matrícula dupla. As razões dadas prendem-se com o “não afectar das boas relações entre a RAEM e o Governo

TIAGO ALCÂNTARA

Férias e vistos devem ser revistos

Central”. “A quantidade de turistas do continente já ultrapassou a capacidade de turismo de Macau, o Governo da RAEM deveria ter direito a aprovar o número anual de

turistas de continente que visitam a cidade, a fim de evitar o impacto na vida dos residentes locais e para que a qualidade de serviço de turismo não saia afectada.”

Au e Ng também mencionam que ainda há muitos trabalhadores continentais que não têm férias anuais com salário, por isso, apenas podem aproveitar as semanas

SECTOR RECUSA IDEIA DE APLICAR IMPOSTO DE ENTRADA DE TURISTAS EM MACAU

“Sacrifício para ser internacional” A

ideia surgiu na região vizinha de Hong Kong, mas não é bem aceite em Macau: a criação de um imposto para turistas, à entrada da região, como medida para limitar o número de visitantes. David Chow, empresário e presidente da Associação Comercial Federal Geral das Pequenas e Médias Empresas de Macau, considera que, se Macau quer ser internacional, precisa de se sacrificar um pouco.

Durante a semana de ano novo chinês, diz Chow, Macau estava “cheio de turistas” e os “altos preço dos hotéis” mostram que Macau é atraente para os turistas. “A sociedade preocupa-se com a capacidade de suporte da cidade, dizendo que poderá influenciar o turismo e lazer. Considero que se pode avisar os turistas sobre a situação actual de Macau, para eles decidirem se querem vir ou não. Mas não concordo com o limitar o número dos visitan-

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tes. Se a sociedade considera que Macau deverá ser uma cidade internacional, então tem de haver sacrifício.” Para o antigo deputado, que falou ao Ou Mun, se o ambiente de turismo mudar, haverá consequências no investimento empresarial, tornando difícil criar grandes oportunidades na diversificação de empregos. A longo prazo, diz ainda, influencia os estudantes a escolher cursos na faculdade e até a escolher um trabalho. “A

sociedade precisa de concorrência, a origem da concorrência está na quantidade de pessoas.” A ideia que surgiu em Hong Kong, também foi já completamente afastada pelo Chefe do Executivo da região, que esclareceu que este imposto para turistas não vai existir. O presidente da

douradas – no ano novo chinês e no Dia Nacional - para visitar Macau, uma razão que leva a uma sobrecarga de turistas durante as férias públicas. “No passado, as férias públicas representavam uma medida para desenvolver a economia. Porém, hoje em dia, esta medida causa efeitos negativos. Por isso, esperamos que os delegados de Macau possam trazer a nossa proposta para a APN para promover mais férias anuais pagas aos trabalhadores do continente.” Também Kwan Tsui Hang, numa interpelação escrita, mencionou o excesso de turistas durante as férias, por isso, pediu ao Governo que incentive os turistas a visitar Macau nos dias que à parte das férias, assim pode evitar a multidão dos turistas. A deputada também sugeriu que o Governo promova Macau como destino internacional, porque actualmente o número de turistas do continente, Hong Kong e Taiwan ocupam 90% do número total de visitantes, dados que não reflectem Macau como um centro mundial do turismo e lazer.

Associação dos Hoteleiros de Macau, Chan Chi Kit, disse que o sector de Macau também se recusa a criar este imposto. “Criar o imposto para os turistas é igual a recusar que eles entrem e vai causar má impressão.” O presidente recomenda que as medidas mais eficazes são desviar os turistas para zonas diferentes e começar a obra do novo canal de Guangdong-Macau o mais rápido possível. Também o presidente da Associação de Retalhistas e Serviços de Turismo de Macau, Frederick Ip, disse ao jornal Ou Mun que, por Macau ser um paraíso fiscal, o Governo também não deverá fazer esta política. - C.L.


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hoje macau terça-feira 18.2.2014

TDM FUNCIONÁRIOS PREOCUPADOS COM POSSÍVEL CENSURA DO GOVERNO. ALEXIS TAM DESDRAMATIZA

Na saída, dúvidas e acusações A Associação dos Jornalistas pôs em causa a futura manutenção da liberdade de imprensa na TDM após saída de Leong Kam Chun e nomeação de Manuel Pires para liderar a empresa de teledifusão de Macau. Alexis Tam lembrou a cronologia de conversações entre o ainda dirigente da TDM e o Governo, que põe em causa a veracidade das declarações feitas por Leong à comunicação social

ILHA DE MONTANHA EM ESTUDO Alexis Tam fez saber que, na semana passada, quando anunciou a possibilidade de serem pedidas instalações para a TDM na Ilha da Montanha, não se referia a uma “mudança de departamento de notícias”, mas apenas “escritórios ou estúdios de produção”, uma vez que a empresa também é parte de uma indústria cultural e criativa. “Apresentámos algumas ideias. É um estudo de viabilidade. É apenas uma ideia lançada ao ar para ‘brainstoming’. Claro que queremos sempre um bom desenvolvimento da TDM e não tínhamos dito que a sede vai ser mudada para a Ilha da Montanha. O essencial é ouvir as opiniões dos trabalhadores e sociedade. É apenas uma opinião, uma ideia”. A proposta de aquisição de um terreno em Macau para mudança da sede e instalações da TDM já está nas mãos do secretário para as Obras Públicas e Transportes, sem data ainda para resposta.

comunicação e no direito à liberdade de imprensa. “Este princípio continuaremos a assegurar sempre”, frisou.

CRÍTICAS SÓ APÓS TRABALHO FEITO

CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

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O passado domingo à noite, a Associação dos Jornalistas de Macau (AJM) lançou um comunicado em que destaca uma carta endereçada por um grupo de funcionários da TDM, que denuncia preocupações sobre o impacto à liberdade de imprensa na empresa de teledifusão de Macau. “A mudança estranha na direcção combate a moral interna. Os funcionários preocupam-se que a TDM, como empresa pública de comunicações, vá mudar o princípio de liberdade de imprensa e que o espaço de expressão e criação venha a ser reduzido de futuro”, explica a nota da AJM, publicada ontem no jornal Cheng Pou. A associação exigiu explicações sobre se o Chefe do Executivo tentou manter Leong Kam Chun quando recebeu o seu pedido de não

renovação do mandato. “Se não o fez, porquê?”, inquiriu. Alexis Tam esclareceu ontem que no processo de nomeação do novo presidente da comissão executiva não é prevista qualquer privação à liberdade de imprensa, afiançando que não é culpa do Governo os contornos turbulentos na saída de Leong Kam Chun. Quem se contradisse, refere o porta-voz do Executivo, foi o ainda presidente da comissão executiva da TDM. “O senhor Leong disse que o Governo não tinha falado com ele sobre a questão da renovação do contrato, mas isso não foi verdade porque no mês passado combinei com ele para abordarmos esta questão. O senhor Leong disse que gostava de voltar para tomar conta da sua empresa de contabilidade, não querendo permanecer na TDM. Falei com o Chefe do

Executivo verbalmente e no dia 5 de Fevereiro foi apresentada pelo senhor Leong a carta de demissão. O Chefe do Executivo ponderou, respeitou e aceitou a sua demissão. Falei então com o senhor Leong e combinámos que dia 18 de Fevereiro fosse feita uma conferência de imprensa para explicar [a sua saída] aos órgãos de comunicação social. Fiquei surpreendido porque no dia 11, o

senhor Leong deu uma declaração dizendo que o Governo não tinha ainda falado com ele”, evidenciou Tam aos jornalistas, à margem da cerimónia de celebração de um acordo de transporte aéreo celebrado entre a RAEM e Taiwan, no Centro Cultural de Macau. O também delegado do Governo junto da TDM clarificou ainda que nunca antes a Administração interveio no trabalho do meio de

Alexis Tam esclareceu ontem que no processo de nomeação do novo presidente da comissão executiva não é prevista qualquer privação à liberdade de imprensa, afiançando que não é culpa do Governo os contornos turbulentos na saída de Leong Kam Chun

O porta-voz do Chefe do Executivo pediu que se desse “um tempo a Manuel Pires para mostrar as suas competências” e, só futuramente, se questionasse a sua qualidade e desempenho enquanto profissional à frente dos destinos da TDM. A associação, porém, não acredita na capacidade do futuro líder da empresa. “Como é funcionário público há tantos anos com realizações pouco conhecidas, leva o público a questionar a sua coragem e visão. Será suficiente para garantir a liberdade de imprensa da TDM que já se encontra em crise? O Governo não deveria alterar a liderança da instituição pública de tal forma que apenas reflicta o pensamento dos dirigentes do Governo.” A AJM considera que, nos últimos três anos, Leong Kam Chun fez muitas reestruturações na TDM, motivo que levou a que fosse nomeado pelo Governo, mas que agora o leva a abandonar o cargo. “Os funcionários em geral reconhecem o efeito das reestruturações, mas estas ainda não acabaram. Será que o Governo espera que todas as revoluções tenham de ser apenas superfícies, e apenas os dirigentes não activos podem ser renomeados?”, questionou o comunicado.


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SOCIEDADE

hoje macau terça-feira 18.2.2014

ACORDO AÉREO COMPANHIAS TÊM MERCADO ABERTO PARA OITO DESTINOS EM TAIWAN

Alternativas a caminho Não há limites nem restrições. Qualquer companhia aérea pode vir a operar entre Macau e Taiwan. Simon Chan, presidente da Autoridade de Aviação Civil de Macau, acredita que existirão propostas de operadoras low-cost

RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

A

CABARAM-SE as restrições ao transporte aéreo entre Macau e Taiwan. Agora, outros destinos foram assinalados no mapa de aviação entre a RAEM e a Formosa, além de Taipei/ Kaohsiung, nomeadamente, Taichung, Hualien, Taitung, Magong, Kinmen, Tainan e Chiayi. Qualquer companhia aérea pode, por isso, operar voos charter numa base regular para estas oito cidades. “O número de transportadoras pode ser agora muito flexível. Anteriormente eram limitadas, agora são ilimitadas. Vai depender da necessidade e da decisão dos governos”, explica o

presidente da Autoridade de Aviação Civil de Macau (AACM), na formalização do acordo de transporte aéreo entre Macau e Taiwan, no Centro Cultural de Macau. Simon Chan disse ainda que “não haverá limite à capacidade”, ficando a decisão a cargo das companhias aéreas, que entrarão em linha de conta com “o tamanho do mercado e as decisões comerciais”, pelo que “é muito importante, por isso, este novo acordo para abrir o mercado e criar condições para atrair mais companhias aéreas a Macau.” O responsável diz não saber ainda quantas são as candidatas, mas antevê novas companhias aéreas low-cost a formarem-se

em Taiwan com interesse em voar para Macau. “As cidades mais populosas estarão no topo das preferências para começarem a ser operadas pelas companhias aéreas, no entanto, há novas companhias a formar-se do lado de Taiwan e muitas são low-cost. E, muito provavelmente, vão obter licença para voar para Macau”, salienta. “Mais companhias aéreas estão interessadas no

mercado, mas também têm interesse em fazer lucro e sobreviver. Por isso, vão diversificar nos produtos, trazendo viagens low-cost para atrair mais pessoas a usar o serviço [de transporte aéreo].” Simon Chan admitiu que houve uma quebra nos custos sobre os voos directos entre Macau e Taiwan, com uma diminuição do número de passageiros de

O número de transportadoras pode ser agora muito flexível. Anteriormente eram limitadas, agora são ilimitadas. Vai depender da necessidade e da decisão dos governos SIMON CHAN Presidente da Autoridade de Aviação Civil de Macau

POLUIÇÃO DSPA ASSEGURA QUALIDADE DE AR

Respira-se melhor em Coloane O director dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), Cheong Sio Kei, disse, no sábado, que a poluição em Coloane, melhorou desde uma reunião com vários departamentos do Governo, no final do ano passado. À margem de uma consulta pública sobre outro tema, o responsável assegurou à TDM que o Executivo deveria punir quem danifique o ambiente e que estão a ser feitas sugestões para que isso deixe de acontecer. “Os serviços de protecção

ambiental sugerem que os camiões tapem os carregamentos, para que a areia e as pedras não caiam no chão. O Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais e a Polícia de Segurança Pública devem supervisionar e punir quem viola a lei. A DSPA não tem autoridade para aplicar multas. Neste momento, antes da lei sobre os resíduos industriais entrar em vigor, os serviços de supervisão devem fazer um bom trabalho em assumir as responsabilidades.” A reacção do

responsável chega após motoristas de veículos pesados denunciarem falhas na segurança dos transportes de resíduos em Coloane. No mesmo dia, interpelado pelos jornalistas, Cheong Sio Kei falou ainda sobre a polémica em torno da Taipa Pequena. O director diz que a empresa responsável pela construção do prédio ao lado da Taipa Pequena tem de desenvolver mais medidas para evitar o ruído. O alerta surge depois da vice-directora

do organismo se ter recusado a apresentar o relatório sobre a obra. “Devido ao ruído, como ao lado das obra há prédios, a DSPA considera que o empreiteiro deve fortalecer as medidas para evitar os barulhos muito altos durante e depois da construção. Em segundo lugar, é preciso que o empreiteiro saiba que terá de pagar compensações se danificar o ambiente”, frisou o director. O projecto da Taipa Pequena está, por agora, suspenso. - C.L.

5,7 milhões para quatro milhões anualmente. No entanto, a RAEM deixou também de ser um “local de trânsito”, depois da abertura do mercado da China a Taiwan, havendo 92% dos passageiros a permanecer em Macau. “Cruzam as fronteiras e gastam dinheiro em Macau, é mais saudável”, sugere. “Há uma pequena descida no número de visitantes de Taiwan, no entanto, o mercado de aviação entre Macau e Taiwan tem crescido o que significa que não são apenas os taiwaneses a vir a Macau, mas os residentes de Macau ou pessoas de cidades vizinhas vão lá mais para fazer turismo ou negócios.” Simon Chan diz ainda que o mercado de Taiwan é “estável”, ficando no 4.º lugar do ranking de melhores mercados de aviação em Macau, com cerca 1,4 milhões de passageiros que entram e saem do território.


sociedade 7

hoje macau terça-feira 18.2.2014

JUSTIÇA PROFESSOR UNIVERSITÁRIO CONDENADO A PENA DE PRISÃO SUSPENSA POR FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTOS

JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

U

Subsídios para nada TIAGO ALCÂNTARA

M professor do ensino superior foi condenado pelo Tribunal de Segunda Instância (TSI) a sete meses de prisão por falsificação de documentos, menos dois meses do que o inicialmente decidido pelo Tribunal Judicial de Base. O académico requereu um apoio de 3300 patacas para “um projecto de investigação científica” à instituição onde lecciona – e que não é mencionada no acórdão do tribunal -, mas a instituição percebeu que algo estava errado nas contas apresentadas pelo académico. “A 8 de Junho de 2011, o arguido comprou dois livros numa livraria, pelos quais pagou [128 patacas]. O arguido solicitou ao empregado da livraria que lhe passasse duas facturas relativas aos dois livros, exigindo, no entanto, que fossem deixados em branco os espaços das facturas destinados ao nome do consumidor, à designação do livro, à data e à quantidade.” O arguido, diz o tribunal, preencheu o documento, dizendo que tinha comprado 37 livros, no valor de 2681 patacas, tendo alterado ainda o número da factura. “Após investigação, a instituição duvidou que a venda a dinheiro entregue pelo arguido tivesse sido falsificada e enviou uma carta à livraria com vista à verificação, o que descortinou os factos.” O professor foi, então, condenado pelo TJB por falsificação de documentos, a nove meses de prisão suspensa por dois anos, com o dever de entregar à RAEM uma contribuição de dez mil patacas. O homem interpôs, contudo, um recurso ao TSI, evocando o princípio da dúvida razoável. De acordo com o arguido, “de acordo com a perícia caligráfica, é bem provável” que a letra das alterações na factura seja do arguido, “não havendo quase certeza” que as provas deveriam ser valoradas em favor do arguido. Apesar de o empregado da livraria não ter conseguido identificar o professor como o homem que comprou os livros – e apesar do evocado pelo arguido no recurso – o TSI não voltou atrás na decisão de o considerar culpado. “Não se exclui necessariamente a possibilidade de o arguido não ser o comprador dos livros. A mesma testemunha declarou que o comprador dos livros naquele dia era um homem

com aparência chinesa, bem como que foi este homem que lhe pediu para apenas preencher o espaço de preço da venda a dinheiro em causa e deixar em branco os outros espaços. Mais atendendo ao depoimento duma outra testemunha de acusação de que foi o arguido entregou a mesma venda a dinheiro, e tendo em consideração as conclusões do relatório da perícia caligráfica, os dados pessoais do arguido, qualquer pessoa de diligência normal com experiência da vida quotidiana ficará racionalmente convencida de que o homem com aparência chinesa que foi à livraria comprar os livros nesse dia era o próprio arguido.”

O académico requereu um apoio de 3300 patacas para “um projecto de investigação científica” à instituição onde lecciona, mas a instituição percebeu que algo estava errado nas contas apresentadas O tribunal diz que os factos provados são suficientes para formar a convicção que formou. Por ter devolvido o montante, contudo, o tribunal reduziu-lhe a pena para sete meses de prisão, ainda que com pena suspensa por dois anos.

IMOBILIÁRIO NÚMERO DE FRACÇÕES VENDIDAS CAIU

Preço das casas continua a subir O número de fracções autónomas e lugares de estacionamento transaccionados em Macau em 2013 com base no imposto de selo caiu 24% em termos anuais para 19.237 unidades, indicam dados estatísticos ontem divulgados pelos Serviços de Estatística e Censos. De acordo com os mesmos dados, o valor das transacções caiu 5% para 96,05 mil milhões de patacas. Os mesmos dados indicam que ao longo do ano passado foram transaccionadas 12.046 fracções autónomas habitacionais com

um valor declarado de 68,2 mil milhões de patacas, o que traduz uma redução de 29% do número e de 8% do valor. Das fracções transaccionadas, 8.178 eram em edifícios construídos e tinham um valor de 34,46 mil milhões de patacas e 3.868 fracções

eram em edifícios em construção e tinham um valor de 33,74 mil milhões de patacas, acrescentam os mesmos serviços. Em 2013, o preço do metro quadrado de área útil das fracções

autónomas habitacionais transaccionadas foi de 81.811 patacas, o que traduziu uma subida de 43% face a 2012. Na península de Macau o preço do metro quadrado foi calculado em 79.770 patacas - mais 52% -, na ilha da Taipa de 82.022 patacas - mais 27% - e na ilha de Coloane de 102.273 patacas - mais 26%. O preço médio do metro quadrado nas fracções autónomas habitacionais em edifícios construídos - 66.175 patacas - e em edifícios em construção - 105.452 patacas - subiu, respectivamente, 30% e 27%. Já o preço do metro quadrado nas fracções autónomas destinadas a escritórios - 74.525 patacas - e industriais - 33.721 patacas - subiu, respectivamente 61% e 62%. - Lusa


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CHINA

O

grande debate sobre o quão rápido a economia da China vai crescer este ano pode encontrar algumas respostas no mundo real, onde os sinais sugerem que o crescimento do gigante asiático está seguro, mas lentamente a perder gás. De queda no consumo de energia ao aço em baixa de recorde de preços, uma série de indicadores revelam que os investimentos e a procura interna mais lenta estão na economia chinesa, um sinal preocupante para alguns economistas, que estão a reduzir as suas previsões do PIB para 2014, o que é pouco comum nesta altura do ano. A subida das taxas de juros e as restrições que impedem gastos desnecessários por parte dos governos têm pressionado o investimento para os valores mais baixos em pelo menos uma década, no que talvez seja o maior empecilho para a segunda maior economia do mundo. A implicação é grande, especialmente porque o investimento foi responsável por mais da metade do crescimento económico de 7,7 por cento da China no ano passado. Os especialistas acreditam que o crescimento pode descer nos próximos meses para 7 por cento, uma taxa que deve desconcertar os investidores e até mesmo alguns políticos em Pequim, face ao temor de que a economia esteja a arrefecer ainda mais. “Levará mais alguns meses antes de batermos no fundo”, disse Frederic Neumann, economista do HSBC em Hong Kong. “Pode ser preciso que o governo tome medidas mais agressivas para mudar as coisas.”

hoje macau terça-feira 18.2.2014

ECONOMIA ENERGIA, AÇO E CIMENTO SUGEREM SEGURANÇA RELATIVA

Sinais de alerta aparecem

Os mercados financeiros, acostumados há muito tempo com as fantásticas taxas de crescimento de dois dígitos da China no passado, estão previsivelmente

mais ariscos, um factor que contribuiu para as vendas generalizadas nos mercados emergentes este ano. O consumo de electricidade deve subir entre 6,5 por

cento e 7 por cento este ano, disse a State Grid no seu site em Janeiro, uma queda em relação ao aumento de 7,5 por cento no ano passado. A empresa distribuí electri-

cidade para 85 por cento da população da China. “É um bom indicador da actividade na indústria de transformação”, disse Zhu Haibin, economista do JPMorgan.

DIPLOMACIA PEQUIM DISPONÍVEL PARA A PRIMEIRA CIMEIRA COM TAIWAN

Encontro de líderes 65 anos depois A

China manifestou-se ontem disponível para uma cimeira com Taiwan, no que será o primeiro encontro entre os líderes dos partidos comunista e nacionalista desde o fim da guerra civil no continente chinês, há mais de 60 anos. “Os compatriotas de ambos os lados esperam que tal encontro ocorra numa data próxima, para impulsionar o pacífico desenvolvimento dos laços através do Estreito de Taiwan e beneficiar a nação chinesa”, disse a porta-voz do Gabinete do Conselho de

Estado chinês para os Assuntos de Taiwan, Fan Liqing. A porta-voz respondia a uma pergunta sobre a data de um possível encontro entre Xi Jinping, secretário-geral do Partido Comunista Chinês (PCC), e Ma Ying-jeou, presidente do Kuomintang (Partido Nacionalista), no poder em Taiwan. Taiwan, a ilha onde se refugiou a antiga República da China depois de o PCC tomar o poder no continente e proclamar uma “nova China”, denominada Popular, em 1949, é vista por

Pequim como uma província chinesa e não uma entidade política soberana. Na imprensa da China continental, Ma Ying-jeou, que está a meio do segundo mandato como Presidente da Republica, é sempre tratado apenas como “líder de Taiwan”. Xi Jinping, 60 anos, é também presidente da República Popular da China. Se a referida cimeira se concretizar, Xi Jinping e Ma Ying-jeou, de 63 anos, participarão na qualidade de líderes partidários.

Os dois partidos ainda não assinaram um acordo de paz que termine formalmente o estado de guerra civil e as Forças Armadas do continente continuam a denominar-se “Exército Popular de Libertação”, mas as relações melhoraram muito nos últimos anos e a Republica Popular da China tornou-se o maior mercado de Taiwan. Esta semana, o presidente honorário do Koumintang, Lien Chan, vai encontrar-se em Pequim com Xi Jinping.

A subida das taxas de juros e as restrições que impedem gastos desnecessários por parte dos governos têm pressionado o investimento para os valores mais baixos em pelo menos uma década, no que talvez seja o maior empecilho para a segunda maior economia do mundo “O sentimento que tivemos ao falar com as fábricas não era optimista em Janeiro.” Preços para cimento, aço e minério de ferro - os principais materiais para a construção de edifícios e caminhos de ferro - estão todos a cair, em parte porque a procura está a recuar perante os investimentos mais fracos por parte do governo. Na semana passada, os preços do aço caíram para uma baixa recorde de cerca de 4,349 patacas por tonelada e os preços do minério de ferro recuaram para os valores mais baixos dos últimos sete meses. Os preços do cimento atingiram o preço mais baixo dos últimos dois meses, a cerca de 450 patacas a tonelada em Janeiro, de acordo com o China Construction Bank.

Chineses presentes na próxima reunião sobre a questão nuclear iraniana

A porta-voz da Chancelaria chinesa, Hua Chunying, afirmou esta segunda-feira que o vicechanceler chinês, Li Baodong, vai estar presente na reunião entre o sexteto e o Irão sobre a questão nuclear iraniana. A nova ronda realiza-se hoje. Segundo Hua Chunying, o diálogo tem chamado a atenção da comunidade internacional e pode beneficiar a consolidação da cooperação e a salvaguarda da paz e da estabilidade regional. O diálogo e as negociações são a única via para a solução da questão nuclear iraniana, disse a porta-voz, explicando que este é um tema complicado e sensível. É necessário manter a confiança para uma solução pacífica através do diálogo, acrescentou a porta-voz.


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A

policia chinesa atribuiu a “extremistas religiosos” o último “ataque terrorista” no Xinjiang, que elevou para mais de 200 o número de incidentes registados desde 2012 naquela região de maioria muçulmana, anunciou a imprensa oficial no fim-de-semana. Um homem identificado como Mehmut Tohti, aparentemente de etnia uigure, “começou a propagar o extremismo religioso há três anos” e “liderava uma grupo de treze suspeitos terroristas desde Setembro de 2013”, disse a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua citando a polícia local. Além de “ouvirem cassetes áudio e de verem vídeos com conteúdo terrorista”, os membros do grupo “fabricaram explosivos e testaram-nos em Janeiro para se preparem para atacar veículos da polícia”, refere a Xinhua. Presumivelmente, foram aqueles treze suspeitos que estiveram envolvidos no ataque da passada sexta-feira a uma patrulha da polícia na prefeitura de Aksu. Oito deles foram mortos pela polícia e três outros suicidaram-se durante o ataque, disse a polícia. Segundo a mesma fonte, dois civis e dois agentes ficaram feridos e cinco veículos da polícia foram destruídos ou danificados. Foi o segundo ataque do género registado já este ano naquela prefeitura do Xinjiang. Cerca de 190 ataques terroristas registaram-se no Xinjiang em 2012, num aumento significativo face a 2011, disse também a Xinhua. De acordo com o relato das autoridades, em 2013 ocorreram pelo menos mais dez e, pela primeira vez, os “extremistas religiosos” atingiram a própria Praça Tiananmen, centro da China. Em Outubro, um jeep com matrícula do Xinjiang abalroou a multidão que se encontrava junto ao retrato de Mao afixado no topo

XINJIANG PEQUIM RESPONSABILIZA “EXTREMISTAS RELIGIOSOS” PELOS ÚLTIMOS “ATENTADOS TERRORISTAS”

Mais de 200 incidentes desde 2012

norte da praça e a seguir incendiou-se, matando os três ocupantes do veículo, todos de etnia uigure, e dois turistas. O Xinjiang, território rico em petróleo e outros recursos minerais, que

confina com o Paquistão, Afeganistão e vários países da Ásia Central, estende-se por uma área equivalente à França, Espanha e Portugal juntos. Segundo estatísticas oficiais, os uigures, povo

de cultura turcófona e religião islâmica, representam 46,2% dos cerca de 22 milhões de habitantes do Xinjiang, mas há meio século, eram mais de dois terços. Entretanto, milhares de famílias ‘Han’, a principal etnia da China, começaram a radicar-se no Xinjiang, e hoje constituem já cerca de 40% da sua população. Na capital, Urumqi, ultrapassaram mesmo os uigures. Num editorial publicado em 17 de Dezembro passado, um dia depois de um confronto entre a polícia e elementos da comunidade uigure, que causou 16 mortos, o Global Times reconheceu que “é decisivo conquistar os corações” daquela etnia. “Os uigures têm de acreditar que são membros de confiança da população chinesa”, disse o jornal.

REGIÃO TAILÂNDIA ANTIGOVERNAMENTAIS CERCAM SEDE DO GOVERNO

Sem oposição M ANIFESTANTES antigovernamentais na Tailândia cercaram ontem o gabinete da primeira-ministra, Yingluck Shinawatra, para evitar que o Governo o utilize novamente, apesar das tentativas da polícia para dispersar os activistas. O líder dos protestos, Suthep Thaugsuban, contra quem pesam várias ordens de detenção, liderou a marcha que partiu dos acampamentos que os manifestantes ocupam há cerca de um mês no centro comercial de Banguecoque para forçar a demissão do Executivo. A manifestação terminou em frente à Casa do Governo, onde os esperavam vários seguidores de uma facção radical dos manifestantes, cujo acampamento instalado na zona desde Dezembro foi parcialmente desmantelado há três dias pela polícia. “Yingluck Shinawatra não tem nenhuma

possibilidade de regressar à Casa do Governo, nem nesta vida nem na próxima”, disse Suthep no final da marcha. Os manifestantes bloquearam duas portas de acesso ao recinto com cimento sem nenhuma oposição da polícia, que na sexta-feira iniciou uma operação para desocupar vários edifícios governamentais, que entretanto suspendeu ao encontrar resistência. O ministro interino do Trabalho e responsável da operação de segurança, Chalerm Yoobamrung, disse que se mantém o plano de recuperar o controlo de dois ministérios e gabinetes do Governo ocupados pelos antigovernamentais. Entretanto, vários agricultores irromperam pelo recinto do Ministério da Defesa que a primeira-ministra utiliza desde o bloqueio do seu gabinete para reclamar uma reunião com a chefe do Governo.

Japão Milhares ‘presos’ em estradas e comboios devido à neve

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Num editorial publicado em 17 de Dezembro passado, um dia depois de um confronto entre a polícia e elementos da comunidade uigure, que causou 16 mortos, o Global Times reconheceu que “é decisivo conquistar os corações” daquela etnia

ILHARES de pessoas continuam ‘presas’ nas estradas do país e linhas de caminho-de-ferro nas prefeituras de Yamanashi e Nagano, centro do país, devido ao forte nevão de 14 de Fevereiro. Em Yamanashi, a neve que caiu entre a noite de sexta-feira e a manhã de sábado atingiu os 114 centímetros na cidade capital da prefeitura, Kofu, e 143 centímetros na zona turística do lago Kawaguchi, altura que supõe um recorde na zona. A queda de neve ‘fechou’ 47 troços de estrada deixando cerca de mil condutores sem poderem regressar a casa desde sexta-feira, revelou a cadeia NHK.

Além disso, outras 500 pessoas permanecem ‘presas’ em comboios e estações entre os apeadeiros de Otsuki e Sakaori, na linha Chuo, que atravessa a mesma prefeitura de este para oeste. Em Nagano, pelo menos 800 automobilistas estão na mesma situação devido ao corte de estradas. As autoridades começaram a distribuir casas de banho portáteis e abrigos foram abertos para acolherem mais de 1.600 pessoas enquanto as forças de defesa foram accionadas para limparem as estradas. O segundo nevão no Japão provocou já 15 mortos, a maioria dos quais devido a acidentes de viação.


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EVENTOS

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M pescador diz ter resgatado do fundo do mar uma escultura em bronze do deus Apolo em Agosto do ano passado. Longe de compreender o seu real valor, levou-a para casa de carroça e, menos de 24 horas depois, viu-a ser confiscada por uns primos ligados às milícias do Hamas que, convencidos da sua importância, a puseram à venda no eBay por cerca de 3,7 milhões de patacas. Graças à intervenção de um coleccionador consciencioso, a peça haveria de ir parar às mãos das autoridades civis deste grupo que controla parte dos territórios palestinianos, que a deixaram à guarda do seu Ministério do Interior. Agora, só o Hamas sabe onde está. Apetece perguntar: esta é uma descoberta arqueológica verdadeira ou mais um conto da Faixa de Gaza? A agência de notícias Reuters, que faz o relato da descoberta e das peripécias que a rodearam com algum detalhe, garante que a escultura ainda não foi vista ao vivo por arqueólogos e historiadores, que até aqui têm tido acesso apenas a fotografias com má definição em que, curiosamente, a divindade greco-romana aparece pousada sobre um lençol colorido com pequenos Estrunfes. “É muito, muito raro encontrar uma estátua que não em pedra ou em mármore”, disse ao canal televisivo da Reuters Michel de Tarragon, historiador associado da Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. “É única. Eu diria até que, num certo sentido, sem preço. [Quererem saber quanto vale] é como se me perguntassem quanto custaria a Mona Lisa do Museu do Louvre.” É também este especialista que lança as primeiras dúvidas em relação ao local em que a escultura terá sido resgatada, alertando para o facto de as marcas que exibe serem mais coincidentes com a possibilidade de ter estado sepultada em terra firme e não no fundo do mar. “Está muito limpa”, diz Tarragon, faltam-lhe evidências de corrosão do metal e não tem quaisquer crustáceos a cobrir-lhe a superfície ou parte dela, o que habitualmente acontece quando as peças passaram muito tempo debaixo de água salgada.

O QUE DIZ O PESCADOR

É claro que a história que Joudat Ghrab (por vezes o nome aparece como Jouda Ghurab) conta, o pescador de 26 anos que levou Apolo para casa, é bem diferente e, ao mesmo tempo, bastante representativa do que é o dia-a-dia nos

O DEUS APOLO, UM PESCADOR FALIDO E MAIS UM MISTÉRIO POR RESOLVER NA FAIXA DE GAZA

Peça única de valor incalculável

pela agência noticiosa, a escultura não será exposta sem que se apure o responsável (ou responsáveis) pela tentativa de venda online.

O COLECCIONADOR CONSCIENCIOSO

territórios ocupados. Antes de mergulhar para se aproximar da figura que vira do barco e que se encontrava a pouca profundidade, o jovem palestiniano, que ganha a pescar não mais do que 65 patacas por dia, pensou tratar-se de um corpo carbonizado. Ghrab, que tem dois filhos e enfrenta sérias dificuldades económicas, garante que a escultura em tamanho natural desta divindade foi retirada do mar, a 100 metros da costa, não muito longe da fronteira entre Gaza e o Egipto (o pescador conhece bem a zona, já que durante algum tempo escavou os túneis que unem os dois lados da fronteira e são usados pelos contrabandistas). Segundo se lê no artigo publicado na Business Week, revista de economia da Bloomberg, Ghrab e alguns familiares e amigos precisaram de cinco horas para a trazer à superfície. Pô-la na carroça que a levaria à aldeia de Deir al-Balah, nos arredores da Cidade de Gaza, também não foi tarefa fácil e, à chegada, este jovem que deixou a escola aos 13 anos e pesca desde os 17 teve ainda de enfrentar a indignação da mãe, com quem vive, que exigiu

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA PRECES ATENDIDAS • Danielle Steel

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Um livro sobre a família e a amizade, sobre uma mulher que tenta libertar-se do seu passado e o homem que a ajuda a vencer. Com uma visão extraordinária sobre a vida de maridos e mulheres, amantes e familiares, Danielle Steel conta-nos uma história comovente e sábia de segredos que nos ferem e escolham que nos saram – e das segundas oportunidades, que só uma vez na vida acontecem.

Graças à intervenção de um coleccionador consciencioso, a peça haveria de ir parar às mãos das autoridades civis deste grupo que controla parte dos territórios palestinianos, que a deixaram à guarda do seu Ministério do Interior. Agora, só o Hamas sabe onde está. Apetece perguntar: esta é uma descoberta arqueológica verdadeira ou mais um conto da Faixa de Gaza? que os genitais do deus grego fossem rapidamente cobertos. A estátua com 1,80 metros representa Apolo de pé, com um braço estendido com a palma da mão virada para cima e o outro ao longo do corpo. O rosto tem traços muito delicados – como convém a um Deus associado à beleza e à juventude –, os olhos seriam azuis (um tem ainda uma pedra dessa cor, a do outro terá caído) e o cabelo é encaracolado, cheio de detalhes. “A minha situação financeira é muito má e estou agora à espera de uma recompensa”, diz o pescador, citado pela Reuters, assumindo ter cortado

um dos dedos da escultura para o levar a um joalheiro que identificasse o material de que era feita (Ghrab estava na esperança de que fosse de ouro). Já em casa, contou, e depois de os familiares com ligações às milícias do Hamas se terem apoderado dela, a escultura apareceu à venda no eBay – ainda não é claro se houve, ou não, quem demonstrasse interesse em comprá-la. O que se sabe é que, mal as autoridades civis do Hamas se aperceberam da existência da peça, mandaram a sua polícia confiscá-la. Segundo uma fonte do Ministério do Turismo de Gaza, também ouvida

Manter a peça fora do mercado negro foi só um primeiro passo, explicou à revista da Bloomberg Jawdat Khoudary, um coleccionador de antiguidades que fez fortuna nos ramos da construção e da hotelaria, e que se tem dedicado ao inventário do património de Gaza, com a ajuda de vários académicos de universidades europeias e do Médio Oriente. Foi precisamente Khoudary, de 53 anos, quem alertou as autoridades civis do Hamas quando, em Setembro do ano passado, um intermediário que actuava em nome dos primos do jovem pescador o contactou para saber se estaria interessado em comprar a escultura, mostrando-lhe um vídeo breve feito com um telemóvel. “Fiquei chocado”, disse o coleccionador à Business Week, “nunca tinha visto uma estátua tão grande como esta em Gaza, belíssima e completa.” Khoudary sabia que não podia comprá-la – uma peça tão rara, reconheceu de imediato, devia estar à disposição de um público vasto e decidiu agir. Para além de avisar as autoridades, envolveu-se no restauro que se adivinhava urgente, pondo a funcionar a sua rede de contactos. Um deles, Thomas Bauzou, da Universidade de Orleães, em França, foi um dos que ficaram fascinados e é dele a datação provável (entre os século V e II a.C.). “O Apolo de Gaza é excepcional, porque é a única escultura grega de bronze e em tamanho real encontrada em todo o Médio Oriente”, escreveu Bauzou num relatório de Outubro de 2013, agora citado. Mas Bazou, assim como Tarragon e Jean-Baptiste Humbert, dominicano e arqueólogo que também trabalha na Escola Bíblica Francesa de Jerusalém, um dos especialistas que Khoudary quis ouvir, não acredita que o pescador tenha resgatado a estátua ao mar: “Toda esta história foi fabricada de forma a esconder o

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BALA SANTA • Luís Miguel Rocha

Que acontecimentos estiveram por detrás da tentativa de assassinato do Papa na praça do Vaticano em 1981? Quem é, e o que sabia verdadeiramente Alia Agca, o turco que disparou contra João Paulo II? Que forças ocultas gerem os destinos da igreja católica e conseguem nomear e destronar Papas, ocultando impunemente as suas acções? Uma jornalista internacional, um ex-militar português, um muçulmano que vê a Virgem Maria, um padre muito pouco ortodoxo que trabalha directamente sob as ordens do sumo pontífice, vários agentes dos serviços secretos mais influentes do mundo e muitos outros personagens dos quatro cantos do globo, envolvem-se numa busca pela verdade e descobrem que ela nem sempre é útil. Pelo menos não o foi para João Paulo II.


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verdadeiro sítio onde foi encontrada para que, assim, as escavações [ilegais] ali possam continuar.” Se ficar provado que Joudat Ghrab não esteve envolvido nesta tentativa de exportação ilegal do Apolo, nem tentou falsear o local em que a descoberta foi feita, o pescador deverá receber uma recompensa, explicou o director do património arqueológico deste enclave com 1,8 milhões de habitantes, Ahmed al-Bursh. Mas antes, nota, é preciso deixar correr a investigação criminal. Apurar sem sombra de dúvidas onde foi resgatada é particularmente importante por dois motivos, lembra ainda o historiador da Escola Arqueológica Francesa de Jerusalém: em primeiro lugar, porque a localização é crucial para determinar a que autoridade pertence; em segundo, porque é altamente improvável que uma escultura desta natureza, encontrando-se ainda no lugar para onde foi criada, fosse peça isolada. Para Tarragon, a escultura pode ser apenas a ponta do icebergue de uma monumental descoberta arqueológica. Um território com mais de cinco mil anos de história, por onde passaram egípcios, romanos ou cruzados, visitado por Alexandre, o Grande, e pelo imperador Adriano, esconde certamente sob a areia camadas e camadas de testemunhos das suas diferentes ocupações. Vestígios que, em virtude da violência e da calami-

dade social em que vivem há décadas os territórios ocupados, se encontram na sua esmagadora maioria por descobrir. Nunca houve escavações sistemáticas com o adequado enquadramento científico. “Naquela época, uma escultura era integrada num complexo – um templo ou um palácio”, acrescenta Tarragon, dizendo que é provável que se venham a descobrir muitos outros artefactos no mesmo local, o que torna todo este episódio rocambolesco muito “sensível”.

MOEDA DIPLOMÁTICA

O Apolo de Gaza, sublinha a Business Week, poderia vir a ser muito disputado no mercado ilegal de antiguidades. “Um bronze deste tamanho é uma peça única”, disse à revista Giacomo Medici, um negociante de arte italiano que vive hoje em prisão domiciliária devido ao seu envolvimento no tráfico de arte internacional. Se pudesse ser vendida, a escultura atingiria as cerca de “200, 300, 400 milhões de patacas, talvez mais… 1000, se estiver nas melhores condições”, assegura Medici, cujo processo em tribunal obrigou importantes museus como o Getty de Los Angeles e o Metropolitan de Nova Iorque a devolverem peças das suas colecções. Para o director do património de Gaza, trata-se de um “tesouro precioso” que será mostrado em Gaza, quando o seu processo de restauro, que deverá começar assim que as

autoridades libertarem a peça, estiver concluído. Diz Ahmed al-Bursh que já recebeu ofertas de ajuda de instituições internacionais, que querem participar nos trabalhos de conservação, e que um museu na Suíça, outro nos Estados Unidos e o próprio Louvre já pediram para a expor. Os museus francês e americano também se propuseram conduzir os trabalhos de conservação. “Mantemos a porta aberta à cooperação com qualquer governo”, disse, por seu lado, Muhammad Ismael Khillah, assessor do Ministério do Turismo, citado pelo Huffington Post, o site de notícias norte-americano, esclarecendo que a sua exposição ao público está a ser considerada, contando que tapem a zona genital do Apolo milenar para que o “código de decência” do Hamas não seja violado (a exibição de um corpo nu seria vista como um atentado ao pudor). “Mas, para já, a nossa investigação ainda está a decorrer”, acrescentou à Business Week. A abertura demonstrada por Khillah está longe de ser inocente. Qualquer protocolo de cooperação com instituições na Europa e nos Estados Unidos, assim como eventuais oportunidades de aí expor a escultura poderiam ser usados politicamente pelo Hamas, que procura reconhecimento internacional. Tratar este Apolo como “património nacional” de relevância mundial reconhecida pode ser mais um passo para a afirmação da Palestina, que em Novembro de 2012 se tornou membro observador das Nações Unidas, numa votação que contou com uma abstenção histórica da Alemanha e representou uma pesada derrota para Israel e os EUA. PUB

LONDRES MAYOR COMPARA CLOONEY A HITLER

A arte surripiada A

O apresentar o seu novo filme no festival de Berlim, que agora terminou, George Clooney defendeu que devolver a Atenas as mármores do Parténon era uma boa ideia. Questionado por um jornalista grego sobre o assunto durante a conferência de imprensa respondeu: “Talvez não fosse uma má ideia se fossem devolvidas. Acho uma boa ideia. Seria uma coisa muito justa e simpática. Penso que é a coisa certa a fazer”. A reacção, indignada, por parte do presidente da Câmara de Londres não tardou. “Está a promover um filme sobre arte roubada pelos nazis sem perceber que Goring tinha ele próprio planos para saquear o British Museum”, disse Boris Johnson, no jornal britânico ‘The Telegraph’.

E prosseguiu: “E para onde iam os nazis mandar as mármores Elgin? Para Atenas! Este Clooney anda a defender nada mais nada menos do que a agenda de Hitler para os tesouros culturais de Londres”, prosseguiu o mayor, que já se habituou a protagonizar polémicas. As mármores do Parténon foram trazidas pelo Lorde Elgin, embaixador britânico no Império Otomano entre 1801 e 1812, que depois as vendeu ao Governo britânico. Encontram-se actualmente no British Museum. Este museu argumenta que as mármores foram adquiridas por Elgin de forma legal e tornaram-se uma parte essencial da sua colecção, podendo ser vistas em Londres, no contexto das culturas de vários países.

Orquestra Clássica da Madeira celebra 50 anos com gala de ópera

A Orquestra Clássica da Madeira comemora meio século de existência a 23 de Fevereiro com um concerto com uma gala de ópera para a qual convidou três solistas. Fundada em 1964 como Orquestra de Câmara da Madeira, pelo professor Jorge Madeira Carneiro, a Orquestra Clássica da Madeira é uma das mais antigas do país, tendo realizado concertos pelo país e no estrangeiro, nomeadamente, em Madrid, Roma e Macau, este último numa digressão asiática. Actualmente é gerida e dinamizada pela Associação das Notas e Sinfonias Atlânticas (ANSA), uma parceria da qual resultou a organização do concerto comemorativo. A presidente da ANSA e directora do Conservatório - Escola Profissional das Artes da Madeira, Tomásia Alves, disse que a realização de um concerto com uma gala de ópera apresenta “uma linguagem que a população, em geral, gosta e aprecia”.


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a revolta do emir

ARTES, LETRAS E IDEIAS

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Pedro Lystmann

COMO BEBER

T

EMOS muito a agradecer aos invasores que, no século III a.c., tomaram a península ibérica. Entre as suas dádivas a do latim é uma das mais apreciadas. As línguas que das suas várias formas se desenvolveram conservaram uma riqueza que muitas outras não exibem: a diferenciação em género aplicada a nomes e adjectivos. Não tivesse o neutro desaparecido e a nossa percepção do mundo seria diferente. Esta distinção permite que o mais insignificante objecto (um alperce), a mais esplendorosa manifestação de poder (o mar), ou um sentimento (a amizade) ganhem uma corporização própria em termos de género. Um pormenor morfológico simples permite-nos pensar na Terra como tendo uma identidade feminina e no Céu como tendo uma masculina. Bebida é um conceito feminino. Estas linhas são uma confissão de admiração e desejo platónico por uma mulher que mantém no The Guardian uma coluna sobre vinhos: Victoria Moore. É medíocre associar o desejo ou o vício da bebida ao feminino mas eu sei que a Senhora Moore, podendo não concordar, iria decerto desculpá-lo porque Victoria Moore é uma fonte de benevolência. A Senhora Moore é a autora de um manual imprescindível, e a sua leitura revela que o prazer da bebida raramente esconde uma compulsão amniótica. A bebida pode ser o Martini Seco (o melhor cocktail do mundo), o vinho ou a cerveja, mas também o chá, o sumo ou o café. Um livro sobre bebidas escrito por uma mulher tem um sentido muito diferente, muito mais universal, do que um escrito por um homem, que será sempre só para homens e que não esconderá nunca as suas infantis fragilidades e uma longa projectalia falhada. O livro chama-se How to Drink e está organizado em torno da passagem das estações do ano (sim, pode-se pensar nos ciclos naturais e no feminino). Completa-se com capítulos utilíssimos: que bebidas manter em casa; a importância do gelo, do chá e do café, do leite e dos sumos, do pequeno-almoço, do chocolate quente e até da água quente; os cocktails clássicos, a que a autora chama year round show stoppers, não condicionados à época do ano: Martinis, Manhattans, Negronis, G&Tonic, Sidecars, Irish Coffees, Americanos, White Ladies, Whiskey Sours, Between the Sheets, Old Fashioneds (não resisti a

reproduzir toda a lista e não escondo o desejo de no futuro dedicar um texto apenas a este capítulo). Gostava que ela tivesse acrescentado o Brandy Alexander a esta lista, mas não resisto também ao lássido conforto de acreditar em tudo o que Victoria diz, ciente que o seu é um saber não só livresco mas de experiência feito. Victoria carrega consigo não só a pena mas também a espada, esgrimida em terras próximas e com reino edificado entre gente remota - em Inglaterra, Portugal e outros países europeus meridionais, Médio Oriente, Marrocos, Austrália, Brasil, Estados Unidos. Esta revela, igualmente, um sentido apuradíssimo da adequação. Um Negroni é tão adequado a um pôr do sol num terraço de um hotel no Médio Oriente como uma malga de chocolate quente o é a uma manhã de inverno húmida e escura. Exibe também um sentido cerimonial que não escolhe lugares. Moore trata com a mesma dedicação uma limonada caseira para consumo no jardim como um cocktail num bar dum hotel de luxo. Como este livro é escrito por uma mulher, não encontramos nas suas considerações sobre bares a mesma nostal-

gia uterina que encontramos nos que são escritos por homens, que os frequentam como a um huis clos para iniciados e tanto dependem da sua concavidade. O capítulo dedicado ao aprovisionamento da garrafeira pessoal é de uma lucidez vertiginosa. 3 graus de vodka, do menos sofisticado (para juntar a fruta ou água tónica) ao mais cuidado para beber puro, passando por um nível intermédio para utilização em cocktails. Não existem excessos nem sugestão de compra de bebidas que servirão apenas uma vez. Reina a precisão. Apenas um item surpreende, de início, até nos ser lembrado que é de uso em Margaritas, Sidecars e White Ladies, para além de ser delicioso como digestivo apenas, com (pouco) gelo: Cointreau. É a bebida que conclui a primeira refeição entre Charles e Sebastian (nos aposentos góticos deste) em Brideshead Revisited, de Evelyn Waugh, o delicioso romance que iniciou tantos de nós no Brandy Alexander. Have some more Cointreau. Moore não é particularmente simpática para com esta voluptuosa mistura de Brandy, Crème de Cacao e natas. Dedica-lhe apenas dois insignificantes parágrafos, desprezando a sua história gloriosa e indicando burguesmente que

o Crème de Cacao é precisamente uma daquelas bebidas destinadas a permanecer esquecidas na despensa após uma única utilização. A autora esquece que se podem beber quatro Brandies Alexander de uma vez, como o demonstra Anthony Blanche no mesmo livro de Waugh. Two for you ... and two, for me. Em Macau, no bar do Hotel Star World servem-no com um pouco de canela – mas é preferível com uma raspinha de noz-moscada. Num livro de mais de 300 páginas, escrito com autoridade e paixão, aprende-se muito: que é mais rápido fazer gelo com água quente que com água fria é dos ensinamentos mais úteis à confecção daquele e como tópico de conversa. Além de ensinar, How to Drink promove, mais uma vez através da intensidade com que é composto, a vontade de experimentar e a reflexão. Foi após a leitura das páginas dedicadas ao chá, que percebi com uma clareza surpreendente que o chá quente com leite que bebemos em tantos estabelecimentos de Macau, modestíssimos de aspecto e intenção comercial, é das melhores bebidas que já provei. Já desisti de os tentar reproduzir em casa. Seria fastidioso estar a repetir receitas mas é útil relembrar que há bebidas que se adequam mais a certas alturas do ano. Um Pimm’s Cup é tão impensável no Inverno, mesmo o de Macau, quanto mulled wine seria como bebida estival. Esta é uma das várias preparações invernais que Moore lembra: vinho, brandy ou porto e especiarias, quente. As considerações sobre o whisky ou sobre o cognac e o armagnac (as suas diferenças essenciais), tecidas a propósito das bebidas de inverno, são justas e tremendamente esclarecedoras. O capítulo sobre a Primavera abre precisamente com the first Pimm’s day of the year, o primeiro dia em que este apetece. Como já se anunciou nestas páginas, em Macau este serve-se muito bem no bar Macallan (mas em ambiente despropositado), e excelentemente no bar Lan - muito mais próprio quando, ao fim da tarde, os seus generosos janelões se abrem para deixar entrar o sol. Infelizmente, a diferença horária impede o desfrute de uma final de Wimbledon ao som botânico de um Pimm’s No.1. Moore lembra que havia outros: o No.2, com base de whisky, o No. 3, 4, 5, e 6, respectivamente com base de brandy, rum, rye (centeio), e vodka. Moore é como uma mãe russa junto a um poço.


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artes, letras e ideias 13

Jorge de Sena

EM CRETA,COM O MINOTAURO I Nascido em Portugal, de pais portugueses, e pai de brasileiros no Brasil, serei talvez norte-americano quando lá estiver. Coleccionarei nacionalidades como camisas se despem, se usam e se deitam fora, com todo o respeito necessário à roupa que se veste e que prestou serviço. Eu sou eu mesmo a minha pátria. A pátria de que escrevo é a língua em que por acaso de gerações nasci. E a do que faço e de que vivo é esta raiva que tenho de pouca humanidade neste mundo quando não acredito em outro, e só outro quereria que este mesmo fosse. Mas, se um dia me esquecer de tudo, espero envelhecer tomando café em Creta com o Minotauro, sob o olhar de deuses sem vergonha. II O Minotauro compreender-me-á. Tem cornos, como os sábios e os inimigos da vida. É metade boi e metade homem, como todos os homens. Violava e devorava virgens, como todas as bestas. Filho de Pasifaë, foi irmão de um verso de Racine, que Valéry, o cretino, achava um dos mais belos da “langue”. Irmão também de Ariadne, embrulharam-no num novelo de que se lixou. Teseu, o herói, e, como todos os gregos heróicos, um filho da puta, riu-lhe no focinho respeitável. O Minotauro compreender-me-á, tomará café comigo, enquanto o sol serenamente desce sobre o mar, e as sombras, cheias de ninfas e de efebos desempregados, se cerrarão dulcíssimas nas chávenas, como o açúcar que mexeremos com o dedo sujo de investigar as origens da vida. III É aí que eu quero reencontrar-me de ter deixado a vida pelo mundo em pedaços repartida, como dizia aquele pobre diabo que o Minotauro não leu, porque, como toda a gente, não sabe português. Também eu não sei grego, segundo as mais seguras informações. Conversaremos em volapuque, já que nenhum de nós o sabe. O Minotauro não falava grego, não era grego, viveu antes da Grécia, de toda esta merda douta que nos cobre há séculos, cagada pelos nossos escravos, ou por nós quando somos os escravos de outros. Ao café, diremos um ao outro as nossas mágoas. IV Com pátrias nos compram e nos vendem, à falta de pátrias que se vendam suficientemente caras para haver vergonha de não pertencer a elas. Nem eu, nem o Minotauro, teremos nenhuma pátria. Apenas o café, aromático e bem forte, não da Arábia ou do Brasil, da Fedecam, ou de Angola, ou parte alguma. Mas café contudo e que eu, com filial ternura, verei escorrer-lhe do queixo de boi até aos joelhos de homem que não sabe de quem herdou, se do pai, se da mãe, os cornos retorcidos que lhe ornam a nobre fronte anterior a Atenas, e, quem sabe, à Palestina, e outros lugares turísticos, imensamente patrióticos. V Em Creta, com o Minotauro, sem versos e sem vida, sem pátrias e sem espírito, sem nada, nem ninguém, que não o dedo sujo, hei-de tomar em paz o meu café.


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h

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HUAI NAN ZI

淮南子

Da Guerra – 69 O castigo é o culminar do uso das armas. Chegar a um ponto onde não haja castigo pode ser chamado de culminar do culminar. * * * É doloroso extrair um tumor; e é doloroso ingerir remédios venenosos. Mas a razão pela qual apesar de tudo fazemos estas coisas é por serem benéficas para o corpo. Sabe bem beber água quando se tem sede; e é confortável comer uma refeição substancial quando se tem fome. Mas a razão pela qual apesar de tudo não fazemos estas coisas é por serem maléficas para a nossa natureza. * * * A condição humana consiste em lutar pelo maior lucro e a menor perda. É por isso que um general não se atreve a montar um cavalo branco e um fugitivo não se atreve a levar uma tocha pela noite. * * * Quando aqueles que oprimem os fracos se deparam com os seus iguais, há luta. Por outro lado, a vitória ganha por cedência e que vem de dentro, tem um poder imensurável. É por isso que só os sábios conseguem tornar muitas não vitórias em grande vitória.

Da Guerra – 70 Um líder militar deve ver e saber de modo independente. Ver de modo independente significa ver aquilo que os outros não vêem; saber de modo independente significa saber aquilo que os outros não sabem. Ver aquilo que os outros não vêem é chamado perceptividade; saber aquilo que os outros não sabem é chamado génio. A percep-

O LIVRO DOS MESTRES DE HUAINAN


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O castigo é o culminar do uso das armas.

tividade do génio é o que faz da vitória um dado adquirido. Aqueles para quem a vitória é um dado adquirido são aqueles que defendem o que não pode ser atacado e atacam o que não pode ser defendido. Esta é uma questão de vacuidade e plenitude. Se houver divisões nas fileiras e desentendimento entre comandantes e oficiais, ou se as disputas entre si não forem honestas, o descontentamento crescerá nas mentes dos soldados. A isto se chama ser-se esvaziado. Se a liderança for esclarecida e bons os generais, então as diferentes patentes pensarão de modo idêntico e as suas vontades estarão concertadas. * * * Quando o inesperado acontece, os ignorantes sentem-se surpreendidos, mas os que sabem não o acham estranho. *** Tudo pode ser vencido menos a Via. Não pode ser vencida porque não tem forma nem disposição fixa. Tradução de Rui Cascais Ilustração de Rui Rasquinho

Huai Nan Zi (淮南子), O Livro dos Mestres de Huainan foi composto por um conjunto de sábios taoistas na corte de Huainan (actual Província de Anhui), no século II a.C., no decorrer da Dinastia Han do Oeste (206 a.C. a 9 d.C.). Conhecidos como “Os Oito Imortais”, estes sábios destilaram e refinaram o corpo de ensinamentos taoistas já existente (ou seja, o Tao Te Qing e o Chuang Tzu) num só volume, sob o patrocínio e coordenação do lendário Príncipe Liu An de Huainan. A versão portuguesa que aqui se apresenta segue uma selecção de extractos fundamentais, efectuada a partir do texto canónico completo pelo Professor Thomas Cleary e por si traduzida em Taoist Classics, Volume I, Shambhala: Boston, 2003. Estes extractos encontram-se organizados em quatro grupos: “Da Sociedade e do Estado”; “Da Guerra”; “Da Paz” e “Da Sabedoria”. O texto original chinês pode ser consultado na íntegra em www.ctext.org, na secção intitulada “Miscellaneous Schools”.


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DESPORTO

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FUTEBOL PUPILOS DE PELÉ DERROTARAM HONG LOK NA II DIVISÃO

Casa de Portugal regressa às vitórias MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo

O

Organismo Autónomo Desportivo da Casa de Portugal em Maca somou no fim-de-semana a segunda vitória na edição de 2014 do Campeonato de Futebol da II Divisão. A formação de matriz portuguesa impôs-se pela margem mínima (1-0) no frente-a-frente com o Hong Lok, numa desafio difícil pautado pelo equilíbrio e pela incapacidade ofensiva de ambas as formações. Com um futebol direccionado pelos flancos e um meio-campo muito activo, o Hong Lok entrou melhor na partida e não demorou para colocar João Guedes à prova no último reduto da Casa de Portugal. O guarda-redes defendeu sem grande aperto um livre-directo apontado pela linha avançado do Hong Lok, mas quase foi surpreendido menos de dois minutos depois em novo lance de bola parada. Com uma saída despiciente

de entre os postes, Guedes deixou passar o esférico e quase consentiu o primeiro golo da partida, num lance que acabou por ser anulado por fora-de-jogo do dianteiro do Hong Lok. O guarda-redes da formação de matriz portuguesa redimiu-se do erro pouco depois, ao levar a melhor no um-contra-um frente a um adversário, num lance que manteve intactas as aspirações da formação orientada pelo são-tomense Pelé. A Casa de Portugal só aos 24 minutos se conseguiu libertar do espartilho defensivo montado pelo adversário e a Miguel Botelho pertenceu o primeiro remate com chancela de golo do emblema de matriz lusa. O dianteiro voltaria a estar em destaque à passagem da meia-hora, ainda que não pelas melhores razões. Liberta da pressão do Hong Lok, a Casa de Portugal começou a visitar com maior insistência o terreno do adversário e à passagem da meia-hora de jogo beneficia de uma grande penalidade, depois de defesa adversário ter travado

e medida a uma boa abertura de um companheiro de equipa.

GOLO IGUAL A PARTIDA DISPUTADA

com a mão uma jogada de ataque. Chamada a cobrar o lance, Miguel Botelho não conseguiu desfeitear o guarda-redes do Hong Lok, desperdiçando uma oportunidade de ouro para inaugurar o marcador. Nicholas Friedmann ainda se abeirou do golo pouco depois, com um remate de longe que falhou por pouco a baliza adversária, mas o marcador acabaria por não sofrer quaisquer alterações até ao final da primeira parte.

Na etapa complementar, a Casa de Portugal demonstrou maior iniciativa e aos 54 minutos, Nicholas Friedmann viu um remate forte ser travado com o corpo por um defesa adversário. Mais pragmática, a formação orientada por Pelé acabou por chegar ao golo à passagem da hora de jogo. Diogo Cernadas, jovem dianteiro da formação de matriz portuguesa, estava no lugar certo à hora certa e respondeu com um cabeceamento com peso, conta

O golo teve o condão de relançar a discussão da partida. Em desvantagem, o Hong Lok voltou a assumir um maior protagonismo e a confinar o grupo de trabalho de matriz portuguesa à sua metade do terreno de jogo. Apesar da insistência ofensiva, o Hong Lok só em lances de bola parada conseguia levar algum perigo ao último reduto à guarda de João Guedes, mas o guarda-redes português só aos 77 minutos foi obrigado a mostrar referências, ao afastar um remate adversário com uma defesa atenta. Com duas vitórias e dois empates em quatro jornadas disputadas, a Casa de Portugal continua bem posicionada para garantir os objectivos a que se propõe na corrente temporada. Depois de quase ter descido ao terceiro escalão na última época, a formação orientada por Pelé aposta forte na subida ao convívio dos grandes do futebol do território.

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Application for Inclusion in the Lists of Approved Consultants/Contractors Macau International Airport Company Limited (hereafter “CAM”)

has established the website for application for inclusion in the lists of approved consultants/contractors.

Any consultants/contractors which wish to apply for inclusion in the

new Lists may visit the website ( http://www.macau-airport.com or http://www.camacau.com ) to complete the application online. CAM will evaluate all applications by using the information provided by the applicants in the completed application forms and supporting

documents. Subject to confirmation of compliance with the required criteria, applicants that are found acceptable will be registered by CAM.

CAM may at its sole discretion use the Lists for the purpose of issuing tender invitations.

All costs associated with any submission in response to this notice and application shall be entirely the responsibility of the applicant. For

enquiry on the consultants/contractors prequalification application, please call (+853) 85988871.


FUTILIDADES

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TEMPO

MUITO

NUBLADO

Cineteatro

CINEMA

MIN

13

MAX

22

HUM

80-98%

•

EURO

10.9

BAHT

0.2

YUAN

17

1.3

POR MIM FALO Pu Yi

ROBOCOP SALA 1

ROBOCOP [C] Um filme de: José Padilha Com: Joel Kinnaman, Gary Oldman, Michael Keaton, Abbie Cornish 14.00, 16.00, 18.00, 21.45

FROM VEGAS TO MACAU [C] (FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Wong Jing Com: Chow Yun-Fat, Nicholas Tse 20.00

Jennifer Connelly 14.30, 16.30, 21.30

THE BOOK THIEF [B] Um filme de: Brian Percival Com: Sophie Nelisse, Geoffrey Rush, 19.00 SALA 3

ENDLESS LOVE [B] Um filme de: Shana Feste Com: Alex Pettyfer, Gabriella Wilde 14.15, 16.05, 18.00, 21.45

SALA 2

THE LEGO MOVIE [A]

Um filme de: Akiva Goldsman Com: Colin Farrell, Jessica Brown Findlay,

(FALADO EM CANTONÊS) Um filme de: Phil Lord, Chris Miller 19.50

WINTER’S TALE [B]

Casamentos e políticas, tudo igual

Casal faz sexo no comboio e é filmado • Viajar de comboio nem sempre é uma seca. Pelo menos assim pensou um casal que viajava de comboio na Venezuela. O casal aproveitou que era tarde e havia poucas pessoas no comboio (ter-se-ão esquecido que lá mais para o fundo da carruagem havia uma passageira), e vai daí passaram à acção sexual. A viagem ligava Caracas a Valles del Tuy a norte de Miranda na Venezuela. A passageira não só filmou o acto como posteriormente fez upload do vídeo para o Youtube, tornando-se um vídeo muito requisitado. Não são conhecidas as identidades dos protagonistas do acontecimento e só se sabe que os amantes seguiram caminho até ao final da viagem.

Mulher corta tatuagem e envia-a por correio ao ex-namorado • Britânica Torz Reynolds descobriu que foi traída pelo namorado e tomou uma decisão radical: arrancou a tatuagem que fizera com o nome do ‘ex’, guardou o pedaço de pele e, no Dia dos Namorados, enviou-a pelos Correios. A jovem, de 26 anos, usou uma faca para remover a tatuagem e ficou, naturalmente, com outra marca no corpo. Este casal vivia uma história de amor, até que o namorado, Chopper, teve de se afastar de Torz, porque no Alasca esperava-o um excelente emprego. A britânica foi ao aeroporto chorar a partida do namorado. Mas Chopper, afinal, não tinha emprego nenhum no Alasca… A viagem tinha outro destino: Essex, onde iria reencontrar a mulher com quem mantivera um caso amoroso.

UMA PÉROLA TAILANDESA Jewel Santini nasceu na Tailândia, mas radicou-se em Inglaterra. Foi em Londres que cresceu e se tornou numa das manequins mais requisitada dos últimos tempos. Razões profissionais levaram-na, porém, para Tampa Bay, Flórida (EUA). Aos 24 anos, soma várias capas de revistas e catálogos de moda pelo mundo inteiro. Olhar exótico, sorriso mais que cativante, corpo bem delineado, Santini denomina-se uma modelo de fitness, exibindo uma flexibilidade fora do comum. Basta olhar atentamente para alguns ensaios fotográficos desta manequim...

fonte da inveja

Curioso ver as bestas votar contra os direitos dos animais.

João Corvo

Primeiro vamos falar de casamento. Sei que é um tema clássico e que já falamos muitas vezes, contudo não posso de deixar de discutir este assunto porque há muitas coisas para falar sobre aquilo que é um compromisso eterno. Em primeiro lugar, porque é que temos um regime de casamento? Nos tempos antigos, não precisávamos de tantos procedimentos para ter um certificado de casamento na mão. As pessoas juntavam-se, tinham filhos, ponto final. Era tudo muito bonito. Mas a civilização humana desenvolveu-se e sabemos que não poderíamos ter muitos parceiros ao longo da nossa vida, sabemos que é esperado que “assentemos” num determinado período. É-nos apelado a que sejamos monógamos, embora muita gente não cumpra este regime durante o casamento. Eu sou gato e não sou ainda casado, mas, ouvi uma entrevista do Kristen Jaymes Stewart – actor do Twilight – que diz que não nos podemos controlar quando nos apaixonamos por alguém, mesmo que tenhamos uma relação fixa. Será? Agora, os trabalhadores não-residentes (TNR). Com certeza estão a perguntar porque é que estou a misturar os dois temas, mas tenho a certeza que os dois têm algo em comum. Vejamos. A política de importação dos TNR é muito polémica. Toda a gente sabe que, por serem mais “baratos”, são os escolhidos face aos outros, deixando os trabalhadores locais a queixar-se e olhando-os como seus inimigos para uma carreira. Contudo, se não se importarem TNR, muitos cargos em Macau não conseguem ser ocupados, primeiro porque não há pessoas suficientes e depois porque os que há podem não ter capacidades para ocupar esses lugares. Mas, os locais, não tentam melhorar, apenas instam o Governo a proibir a importação de TNR. Ora, o casamento e a importação de TNR têm em comum o quê? Se uma mulher não tem em conta como se comporta, ou como age com o seu marido, quando ficar velha e feia, tem medo que o homem se apaixone por outra. Mas não melhora o seu comportamento ou a sua atitude, apenas proíbe o companheiro de estar com outras mulheres. Os casamentos assim são como a política dos TNR: ninguém melhora, apenas querem proibições.


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OPINIÃO

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Declaração de amor a Macau Informação prévia aos leitores No Dia de S. Valentim, fui namorar, a minha Macau porque, Ou Mun é o meu caso de amor, desde há longa data. Então, para abraçar, mais facilmente, esta minha querida cidade, pela qual, realmente, estou profundamente apaixonada, subi à Colina da Guia. Apesar, do sol brilhar, resplandecendo em todo o seu esplendor, os termómetros marcavam 6º Célsius, fazendo com que o ar, que me saía pela boca, fumegasse, como se eu expelisse o fumo, dum invisível cigarro. Felizmente, o frio, que se fazia sentir, somente conseguia regelar-me o nariz, pois ia equipada, com vestuário adequado, para resistir às baixas temperaturas que, hoje e nos últimos dias, se têm feito sentir. O horizonte visual, era pouco longínquo, já que se encontrava ofuscado, por uma densa neblina de humidade que, por sinal, apenas circundava a malha urbana, tornando a atmosfera envolvente, um pouco baça, mas sem afectar a visibilidade, da panorâmica aérea, da minha cidade.

cartoon por Stephff

Ao abrangê-la, de lés a lés, com os meus olhos enamorados, chorei de emoção pois, debaixo dos raios, do astro rei, resplandecia em toda a sua plenitude, como uma rainha! É linda a minha princesa Macau! Ela sempre me deslumbrou, desde o fascínio da sua singularidade, à beleza, indiscutível, do seu mágico visual, com foros dum autêntico cenário, dos contos de fadas. Este pedacinho, de extremo oriente, semi-ocidental, dotado duma beleza cativante, muito própria, aliada ao seu valoroso património arquitectónico, bem como ao cumprir da tradição e dos rituais, da exótica cultura chinesa, leva-me a experimentar vivências inesquecíveis, que produzem em mim, um eco emocional, muito, muito forte. Aliás, o poder de sedução desta cidade foi, desde sempre, uma espécie de ilusionismo, com que logo me envolveu e me fez querer-lhe bem e a tal ponto, que virou paixão. Isto mesmo, lhe transmiti, lá do alto, da elevação da Guia mas, de tal maneira fiquei insatisfeita, que senti uma inadiável e inabalável vontade, de lhe revelar toda esta afeição, traduzida por vocábulos escritos,

razão pela qual, resolvi endereçar-lhe uma carta, com a minha declaração de amor. É, pois, essa mensagem amorosa que, de seguida, irei transcrever, na perspectiva de a publicar na imprensa local, para desta maneira, fazer chegar, a todos os cantos e recantos deste território, este meu grande AMOR, a Macau.

JOSEF VON STERNBERG, NICHOLAS RAY, MACAO

Zélia Ribeiro

Macau, 14 de Fevereiro de 2014

Desculpa Macau, as lágrimas que já me rolam pelas faces, ao abordar esta questão, demasiado delicada para mim, pois não te procurei, para chorar no teu ombro, mas sim para sentir a felicidade, de declarar-te o meu amor

O ABUTRE

Minha querida cidade de Macau, Venho através desta missiva, que te escrevo, precisamente, no Dia de S. Valentim, dedicado aos namorados, dizer que tu, Ou Mun, és a cidade que eu amo apaixonadamente. Aceita, Macau, esta minha declaração de amor, ainda que não possas corresponder ao meu afecto, por não possuíres as características, dum ser humano. Por mim, já me satisfaz o facto de poder dizer-te, que te amo, com todas as forças da minha alma lusa e a emocional vivência, de me sentir macaense, ainda que por adopção e me considerar chinesa, pelo bem-querer, que também sinto, pela tua terra-mãe, a China. Quero confessar-te Ou Mun, o quanto sou feliz, nesta mágica utopia, da minha ficção, ao sentir, simultaneamente, que sou chinesa e luso macaense. É o encantamento desta ilusória dupla nacionalidade, que me não deixa partir, definitivamente, para o extremo ocidental, da velha Europa. Prendi-me a ti, Macau, com tamanho arrebatamento de alma, que se torna difícil decidir regressar às origens, porque já não sei viver, noutro qualquer local, do globo terrestre, onde não posso adormecer, no doce enlevo, dos teus braços. Sempre que penso, em partir para o torrão natal, sinto tão insuportável angústia, que fico, emocionalmente, deprimida. Por isso mesmo, desde há anos, que me recuso a aceitar, tomar decisões sobre o assunto, o que é sinal, mais do que evidente, da minha firme e sincera afeição por ti, Ou Mun. Desculpa Macau, as lágrimas que já me rolam pelas faces, ao abordar esta questão, demasiado delicada para mim, pois não te procurei, para chorar no teu ombro, mas sim para sentir a felicidade, de declarar-te o meu amor. Amo-te Ou Mun e torna-se, para mim, muito gratificante, poder dizer-te, que tua beleza e fascínio me encantam e atraem, deixando-me num estado emocional, quase hipnótico, a tomar foros de encantamento. E, porque assim é, quero agora terminar, oferecendo-te, na ternura dum apaixonado beijo, o meu eterno amor, por causa do qual, jamais desejo dizer-te, tchoi gin Macau, mas sim, até sempre Ou Mun.


opinião 19

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ARNALDO GONÇALVES

crepúsculo dos ídolos

A

pulverização social é um fenómeno cada vez mais significativo nas nossas sociedades. Arrasta de ‘per si’ factores de fragmentação e perda de sentido comunitário que podem conduzir à entropia ou esclerose social. O fenómeno social revela-se através do crescendo do egoísmo pessoal e sub-grupal, da falta de solidariedade perante os sectores mais necessitados, pela intolerância perante opiniões e interesses que não os próprios. Afirma-se pela exigência constante aos governos de estratégias alinhadas com os apetites e expectativas desses grupos. Mais que governar e prosseguir uma política coerente e articulada, os poderes políticos transformaram-se numa espécie de polícias sinaleiros, gingando e acenando, ao sabor das pressões dos grupos de interesses e corporações, sem que daí resulte uma clara indicação do que é o interesse público ou da maioria. Este fenómeno é coincidente com a erosão do conceito de nação ou mesmo de pátria, transformando-se os países e as regiões em mecanismos robóticos de auto-governo direccionados pelo instinto de sobrevivência dos que a eles presidem. Naturalmente esta evolução é absolutamente anómala e anti-racional e apenas subsistirá enquanto as forças do mercado assegurarem o aprovisionamento suficiente de bens, mercadorias e serviços correspondente à curva da procura e os sintomas do fraccionamento social não atingirem uma temperatura tal que provoque um processo revolucionário, em que os ostracizados no processo de repartição das riquezas se decidam a tomar o poder e a despachar para qualquer lugar menos afortunado quem foi motor ou cúmplice da corrente desestruturação do corpo social. Vários cientistas sociais, economistas e especialistas de estratégia têm equiparado o momento presente que se vive na Europa, no Médio Oriente ou na Ásia aos anos de transição do século XIX para o século XX. Anos que conduziram à Revolução de Outubro na Rússia e aos movimentos revolucionários, um pouco por todo o mundo e às duas Grandes Guerras Mundiais, com o séquito de consequências danosas que a história regista. Os mais positivos acharão este prognóstico funesto e fantasioso contrapondo que a tecnologia, o nível de desenvolvimento da ciência, a sociedade de consumo, entes como a União Europeia e as Nações Unidas obviarão a que algo de mal aconteça. No fim, o bom senso da raça humana prevalecerá e a Humanidade será poupada a um novo conflito generalizado. Vinte e cinco anos depois da queda do Muro de Berlim pode-se dizer que o fim das

ORSON WELLES, CITIZEN KANE

Sinais dos tempos

A liderança que visiono é de outro tipo, mais inteligente e subtil mas não menos necessária. Deverá vir da sociedade civil, das organizações não-governamentais, porventura do espaço das religiões, das congregações espirituais, das ordens fraternais

ideologias e dos projectos alternativos de construção da sociedade trouxe mais indefinição que esclarecimento, mais falta de visão de médio e longo prazo que uma governabilidade sintonizada com os problemas das sociedades. Não se trata de opor outra vez Karl Marx a Adam Smith mas de entender que ao contrário do que afirmaram os liberais economicistas o livre mercado não resolve tudo, que o Estado ainda tem uma função balanceadora entre as forças do mercado e a sociedade, que lhe cabe ainda, dada a imaturidade do processo de desenvolvimento social, um papel e um protagonismo. O peso dos interesses dos bancos e do capital financeiro na gestão dos problemas mundiais e na intervenção de instituições como o FMI e o Banco Mundial é excessivo e pornográfico. Ultrapassa o sentido de decência. Regresse pois, a bom tempo, a velha clivagem entre esquerda e direita para que as posições se arrumem e os protagonistas conheçam melhor o seu papel. Regresse a luta das ideias e dos projectos e a explicitação das alternativas. Ressuscitem os filósofos arrumados com desprezo nas prateleiras da história pelos gurus da economia. Se o mundo não arrepiar caminho no sentido de desagregação que o vejo encaminhar-se uma nova guerra mundial será inevitável. Os sinais abundam, ainda que esconjurados pelos mais distraídos. Neste contra-ciclo que se insinua será importante que tenhamos líderes carismáticos que com destemor façam o diagnóstico dos males e apontem estratégias de progresso. Tenho dúvidas que o mundo político possa produzir líderes dessa grandeza e com esse sentido de visão. Os grandes líderes do século XX foram produzidos em contextos de grande aflição nacional, de luta desbragada entre a vida e a morte de nações. Teremos provavelmente Berlusconis adaptados aos vários contextos regionais, com aquela pincelada vigarista e pantomineira que parece atrair as grandes massas. A liderança que visiono é de outro tipo, mais inteligente e subtil mas não menos necessária. Deverá vir da sociedade civil, das organizações não-governamentais, porventura do espaço das religiões, das congregações espirituais, das ordens fraternais. Batalhando por aqueles valores porque as sociedades existem enquanto garantes da felicidade possível, da liberdade realizável, da responsabilidade exigível. Valores como decência, humildade, honradez, caridade ou tolerância que são hoje transfigurados na lógica do sucesso a qualquer preço com consequências patentes na imbecilização das novas gerações, no analfabetismo das audiências, no retrocesso da leitura e da cultura, na degradação das universidades.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


hoje macau terça-feira 18.2.2014

GOVERNO RECUPERA DOIS TERRENOS NA ILHA VERDE ILEGALMENTE OCUPADOS

Soma e segue D OIS terrenos na Ilha Verde reverteram ontem ao Governo, naquela que foi a primeira acção de reversão de terrenos do ano. No total, são 7800 metros quadrados – o equivalente a um campo de futebol – que vão servir para melhorar os acessos viários e as redes de drenagem do local. Os terrenos, situados junto ao depósito provisório de combustíveis, estavam ilegalmente ocupados com várias construções de cobertura de zinco ou alumínio e paredes de tijolo e contentores, materiais de construção, máquinas de construção civil e veículos. Foram ocupados por, pelo menos, cinco ocupantes, sendo três deles empresas de combustíveis que utilizaram os terrenos sobretudo para a colocação de veículos de transporte de combustíveis sem carga. A reversão vai ajudar a melhorar a zona, numa altura em que o Executivo estima que a conclusão de vários empreendimentos habitacionais - onde se incluem as habitações económicas e as habitações sociais

-, vem trazer mais aumento populacional e mais equipamentos sociais. Além disso, os terrenos vão ainda ajudar com o plano de desenvolvimento do novo acesso Guangdong-Macau. Desde 2009 até agora, o Executivo recuperou um total de 56 terrenos do Governo que foram ilegalmente ocupados, com uma área global de cerca de 233 mil metros quadrados. Alguns dos terrenos revertidos foram aproveitados para a construção de habitação pública e acessos viários. A ocupação ilegal de terrenos levou o Executivo a aumentar a punição para um máximo de três milhões de patacas. Mas há mais. “A par da multa, caso seja necessário a Administração a realização do despejo do terreno, as respectivas despesas e de resguardo de documentos e bens ficaram a expensas do infractor, sendo ainda necessário proceder ao seu pagamento dentro do prazo estipulado e no local indicado pela Administração.” A nova lei entra em vigor já no dia 1 de Março. - J.F.

ADMINISTRAÇÃO RECEITAS PÚBLICAS SUBIRAM 19,3% EM JANEIRO

Começar bem o ano

A

Administração de Macau recolheu receitas de 14.486 milhões de patacas em Janeiro, mais 19,3% face ao mesmo mês do ano passado e correspondente a 10,3% do previsto para todo o ano. Dados provisórios da execução orçamental relativos ao mês de Janeiro de 2014, disponíveis na página dos Serviços de Finanças de Macau, indicam que no primeiro mês do ano as receitas correntes da administração foram de 14.453,7 milhões de patacas, mais 19,6% do que no mesmo mês de 2013 e a traduzir os mesmos 10,3% de execução anual. Na receita pública, os impostos directos valeram 12.598,8 milhões de patacas - mais 18,5% e com uma execução de 10,2% sendo que os impostos directos

sobre o jogo, no valor 12.075,4 milhões de patacas subiram 18% e estavam executados em 10,2% face ao previsto para 2014. Os impostos directos sobre o jogo contabilizados em Janeiro referem-se às receitas brutas dos casinos apuradas em Dezembro, dado que estes são pagos no mês seguinte ao mês de referência e para efeitos fiscais são contabilizados de Dezembro de um ano até Novembro do ano seguinte. Já no campo da despesa, a Administração gastou 1.874,5 milhões de patacas em despesas totais e correntes, mais 10,4% do que em Janeiro de 2013 e correspondente a 2,4% do inscrito na proposta de orçamento no campo da despesa global e de 3,1% das despesas correntes. Entre receitas e despesas, o saldo orçamental encerrou Janeiro de forma positiva em 12.611,5 milhões de patacas, mais 20,9% do que no mesmo mês de 2013 e a traduzir 19,7% dos 64.160,7 milhões de patacas previstos para 2014.

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Hoje Macau 18 FEV 2014 #3032 by Jornal Hoje Macau - Issuu