DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
MOP$10
TERÇA-FEIRA 17 DE JULHO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4094
hojemacau
GRANDE PRÉMIO
CARTAZ DA DISCÓRDIA GRANDE PLANO
Apesar de ainda estar em fase de consulta pública, a lei de protecção civil começa a dar que falar, mas com cuidado. Uma mensagem contraditória do gabinete de Wong Sio Chak refere várias vezes a criminalização do boato de forma vaga, deixando espaço para interpretações e arbitrariedades. Segundo opiniões recolhidas, a falta de objectividade pode intimidar a população e limitar a liberdade de expressão.
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TERRENOS
JUIZ CONTRA A MÁQUINA PUB
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PUB
Pela boca morre o peixe
DE PARTIR O CORAÇÃO
AGÊNCIA COMERCIAL PICO 28721006
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GALGOS
2 grande plano
É a imagem de Macau que está a causa. É desta forma que os profissionais da área comentam os materiais publicitários da 65.ª edição do Grande Prémio, que tem sido alvo de fortes críticas. Ao HM, a organização evitou referir a empresa, ou pessoa, responsável pelo trabalho e quanto foi pago pelo serviço
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Grande Prémio de Macau só vai para a estrada em Novembro, mas a promoção à 65.ª edição do evento já está instalada no Edifício do Grande Prémio e os materiais de promoção começaram a ser distribuídos pela cidade. No entanto, o design destes materiais está a gerar controvérsia, mas também o divertimento dos cibernautas mais humorados nas redes sociais. Além disso, entre os profissionais da área em Macau existe um sentimento de incredulidade face ao resultado apresentado. Em causa está não só o facto das fotografias dos carros que competem nas provas terem sido substituídas por imagens que se assemelham
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GP
UMA QUESTAO DE IMAGEM
DESIGN DE MATERIAL PUBLICITÁRIO CRITICADO PELO SECTOR E ALVO DE PARÓDIA NAS REDES SOCIAIS
a desenhos pré-feitos, mas também pela proporção dos carros e pelas cores do arco-íris utilizadas. Por outro lado, a falta de elementos que possam ser associados ao Grande Prémio de Macau é outra das falhas apontadas pelos profissionais do sector ouvidos pelo HM. “Não posso dar uma opinião profissional do trabalho porque não há ali qualquer referência que me permita dar uma opinião profissional. Este trabalho não tem base de comunicação, de conceito, não transmite uma mensagem. É simplesmente uma tentativa de decoração, sem haver qualquer ideia que promova Macau ou o Grande Prémio de Macau”, defendeu Henrique Silva, director criativo da empresa de design Goldfish. “O cartaz tanto poderia ser utilizado para este Grande Prémio de Macau como para as corridas de karting no Zimbabué. Não transmite uma identidade, nem nenhum elemento, nem nada que promova ou valorize a tradição da prova, da tradição das corridas, nem do Macau moderno e criativo que queremos ter”, acrescentou.
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“Todos os designers que comentaram comigo estes material publicitário acharam que era uma brincadeira. Não foi só um, foram todos!” VINCENT CHEANG DESIGNER
Para Vincent Cheang o primeiro problema deve-se ao facto do cartaz não conseguir apresentar as características do Grande Prémio de Macau, nem tão pouco de uma prova de automobilismo. “Quando estamos a falar de provas de automobilismo e do Grande Prémio de Macau, em particular, são eventos com uma atmosfera muito particular, há ali todo um som, um cheiro, um ambiente característico”, começou por justificar. “Mas este é um tipo de design que nem toda
INCREDULIDADE NO SECTOR
Já o designer Vincent Cheang confessou ao HM que a primeira reacção que teve quando viu a publicidade foi pensar que estavam a pregar uma partida. Segundo o próprio, a reacção foi comum a vários profissionais do sector com que convive. “Todos os designers que comentaram comigo este material publicitário acharam que era uma brincadeira. Não foi só um, foram todos!”, confessou o designer, ao HM. “Estamos a falar de um material publicitário que não cumpre os níveis de profissionalismo exigidos e que vai estar exposto mundialmente”, considerou.
PARÓDIAS NA INTERNET
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a semana passada, depois de terem sido afixados os cartazes publicitários no Edifício do Grande Prémio, a Internet respondeu com sentido de humor. “Vai ser uma prova com carrinhos de brincar”, escreveu um dos utilizadores, num grupo de conversação em língua chinesa. “Pen-
sei que era uma publicidade sobre um posto para mudar óleo ao carro”, escreveu outro. Além disso, foram ainda partilhadas imagens associadas com a publicidade, nomeadamente uma em que são exibidos carros feitos de papel e outra com o popular jogo Mário Kart.
a gente tem capacidade para fazer. Há pessoas no sector que têm capacidade para fazer um bom trabalho com materiais sobre outros assuntos, mas que não conseguem transmitir estas ideias das corridas. E quando olho para o material publicitário deste ano, não reflecte em nada o ambiente especial do Grande Prémio de Macau”, opinou.
SALADA DE ELEMENTOS
Outra das críticas apontadas é a falha de ligação entre os diferentes elementos apresentados, nomeadamente nos carros que pretendem ser réplicas das viaturas que correm na Fórmula 3 e a Taça Mundial de Carros de Turismo (WTCR). No cartaz falta ainda qualquer elemento que remeta para a Taça do Mundo FIA GT, uma das três provas com chancela da entidade que regula o desporto motorizado que decorre durante o fim-de-semana do Grande Prémio. “Olhando para o cartaz, nem posso dizer que vejo ali a intenção de se fazer uma coisa com um espírito retro. Não vejo essa intenção. Para mim só vejo mesmo mau gosto e utilização de elementos que me parecem clip arts [imagens de animação previamente feitas]”, aponta Henrique Silva. “Eu posso não gostar de um trabalho a nível estético e compreender a intenção ou a linguagem utilizada, mas neste caso nem isso é possível. É uma salada de elementos” justificou sobre a opinião expressa. Vincent Cheang aponta ainda o dedo ao arco-íris e ao facto dos carros seguirem uma direcção contrária à sensação de movimento do cartaz. “Quando vi as luzes a minha questão foi: mas o que é isto? É uma arco-íris? Qual a razão da escolha destas cores?”, confessou. “Se virmos bem, isto é um conjunto de elementos que foram colocados
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ali, mas que não se ligam. Não é suficiente meter os elementos juntos, sem que haja as proporções certas, sem que seja feita uma ligação entre eles. Honestamente, não sinto que tenha havido paixão neste trabalho”, frisou.
PROBLEMA NÃO É DO SECTOR
Ao mesmo tempo que apontam as limitações do trabalho apresentado, os designers mostram-se preocupados com o impacto que o material de promoção do GP, que vai ser divulgado a nível mundial, terá para a imagem da RAEM. Uma situação que poderia ser evitada, até porque, dizem, o sector tem muito valor e talento. “Há talento em Macau nesta área e há pessoas capazes de fazer muito melhor. Mas isso também não é muito difícil, porque um estudante do primeiro ano do curso que se dedique consegue fazer um trabalho melhor”, opinou Vincent Cheang.
“Este trabalho não tem base de comunicação, de conceito, não transmite uma mensagem. É simplesmente uma tentativa de decoração.” HENRIQUE SILVA DIRECTOR CRIATIVO DA GOLDFISH
“Não é só o Grande Prémio que é afectado pela falta de qualidade. É a imagem de Macau que fica em causa. Pior, estas imagens vão ser transmitidas em quase todo o mundo. Por isso, era importante que o trabalho tivesse grande qualidade e não fosse isto”, frisou. Henrique Silva diz mesmo que a bem do Grande Prémio, e se houver falta de verbas na organização, que está disponível para fazer o trabalho “gratuitamente”. Por uma questão de contexto, importa referir que o evento tem um orçamento que ronda os 220 milhões de patacas. “Não falo só por mim, de certeza que também há outras pessoas, mas estou na disposição, caso seja por falta de dinheiro, de numa próxima vez fazer este trabalho gratuitamente. Tenho a certeza que se o trabalho que se mostra, pelo menos internacionalmente, tiver boa qualidade, que esta seria a melhor forma de promover, desenvolver e internacionalizar esta indústria... melhor do que com subsídios”, afirmou. “E se há coisa que Macau sempre teve foram bons designers”, fez questão de realçar. Os dois profissionais ouvidos consideraram ainda que a grande responsabilidade do trabalho apresentado tem de ser apontada a quem
Organização pede compreensão para a “obra”
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ADA obra recebida tem as suas próprias características, facto que se espera ser da máxima compreensão do público em geral”. Foi desta forma que a organização respondeu às críticas apontadas ao trabalho. Ainda de acordo com a Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau, o design do cartaz é made in Macau. “O Governo da RAEM tem providenciado, ao longo dos anos, diversas plataformas para o sector local da indústria criativa e cultural, com o objectivo de apoiar o desenvolvimento do seu próprio espaço criativo. E por isso, sempre que é necessário criar um design temático para o Grande Prémio de Macau ou para um outro evento organizado pelo Instituto do Desporto, o nosso Instituto convida sempre uma empresa de design ou designer do território”, foi explicado. Ao mesmo tempo, e apesar de não serem avançados valores, a organização diz que houve uma comissão que avaliou as diferentes propostas. “O Instituto de Desporto tem cumprido sempre a legislação de adjudicação de bens e serviços, no que diz respeito ao serviço da concepção gráfica do material publicitário do Grande Prémio de Macau, e mediante as propostas entregues, através da consulta a várias empresas locais de design, a Comissão de Apreciação de Propostas procedeu à avaliação conforme os respectivos critérios, tendo sido seleccionada a proposta que melhor correspondeu aos requisitos exigidos”, foi dito. tomou a decisão de aprovar este design como material de promoção das corridas.
NO SEGREDO DE PUN WENG KUN
O HM entrou em contacto com a Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau, liderada pelo presidente do Instituto do Desporto, Pun Weng Kun, e perguntou duas vezes qual o preço da adjudicação deste serviços e qual a empresa ou pessoa responsável pelo design do cartaz. Nos dois emails recebidos pelo HM, a Comissão nunca respondeu às perguntas, escusando-se de apresentar o montante e a empresa responsável, apesar da insistência. Por esse motivo não nos foi possível entrar em contacto com o autor do trabalho. João Santos Filipe
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António Marques da Silva, jurista “Isto são tipos de crimes que não se compadecem com conceitos abstractos e que exigem dolo ou uma intenção de criar alarme social, não basta transmitir uma mensagem em que se acreditou para poder ser crime.”
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MA mensagem no portal do secretário para a Segurança garante que o crime de alarme social vai ser utilizado com o pressuposto de que as pessoas sabiam que a informação que fizeram circular é falsa. No entanto, o documento é contraditório, porque no portal de Wong Sio Chak, por mais do que uma vez, é escrito que vão ser criminalizados os boatos. Por natureza, os boatos são informações que carecem sempre de confirmação e, assumindo o pressuposto da mensagem, não poderiam dar origem a um crime. O pressuposto aparece na mensagem de Wong Sio Chak desta forma: “a criação de um novo crime, proposto pelo Governo, destina-se a punir àqueles que emitam e propaguem intencionalmente boatos e rumores, no decurso de incidentes de ameaça e de risco colectivo, no pressuposto de os rumores são comprovados ‘falsos’ e não ‘ainda não confirmados’, e que prejudiquem a segurança e a paz pública”, pode ler-se na mensagem, transcrita segundo o original. “Facilmente se apreende a diferença de tutela deste novo crime – ‘boatos e rumores durante o estado de prevenção imediata, em face de incidentes de ameaça colectiva’, quando comparado com os que constam do Código Penal”, é acrescentado.
RUMOR E BOATO DIFERENTES
Contudo, o boato é uma informação que não está confirmada,
ALARME SOCIAL CONFUSÃO EM MENSAGEM DE WONG SIO CHAK
Boato expiatório
O boato é uma informação que não se sabe se é verdadeira ou falsa. Porém, no âmbito da nova lei da Protecção Civil, uma mensagem na página de Wong Sio Chak refere que apenas os boatos em que as pessoas sabem que são falsos vão ser punidos podendo ser mentira ou falsa. Segundo o dicionário online Infopédia, da Porto Editora, boato é “notícia que corre publicamente, mas não confirmada; rumor, atoarda”. A mesma interpretação é feita no Ciberdúvidas, portal ligado ao Instituto Universitário de Lisboa: “boato é uma notícia anónima que corre publicamente sem confirmação”. Apenas a palavra rumor, quando não é utilizada como sinónimo de boato, se enquadra no pressuposto anunciado para o crime. Assim, o rumor é , de acordo com a Infopédia, “notícia que corre de boca em boca”. Porém, a mensagem que surgiu no domingo no portal de Wong Sio Chak fez sempre a diferenciação entre boato e rumor. “Este tipo de crime destina-se a preencher a parte que a lei penal
vigente ainda não tem tomada em consideração e que provoca prejuízos para interesses fundamentais de Macau. Certamente que esse crime destina-se punir àqueles que emitem rumores e boatos determinantes do pânico e de situações caóticas no seio dos crimes”, é justificado. Ao longo do documento nunca é defina a diferença entre boatos e rumores, mas estes são descritos como “factores de perturbação e prejudiciais para a ordem e tranquilidade públicas”. O HM contactou o gabinete do secretário para a Segurança para esclarecer a informação, mas até ao final do dia não recebeu uma reposta.
CONCEITOS ABSTRACTOS
Neste momento, ainda não é conhecido o texto onde está tipificado o
crime de alarme social. Também o texto de consulta não adianta mais detalhes: “Prever um crime de falso alarme social relativo a incidente de protecção civil, punível com pena até 3 anos de prisão, para aqueles que, após a declaração do estado de prevenção imediata, emitam, propaguem ou façam propagar, boatos ou rumores falsos”, consta. Ao HM, o jurista António Marques da Silva considerou que a criminalização de rumores dolosos com intenção de criar o pânico ou alarme social é aceitável, mas que o texto precisa de ser muito claro e específico para evitar a criminalização de outras situações. “É preciso esperar para ver qual é o texto do artigo que tipifica o crime. Mas uma das regras da tipificação dos crimes é não utilizar conceitos genéricos, ge-
rais e abstractos. Por exemplo, este crime devia ser tipificado de uma forma semelhante a “quem com dolo puser a circular notícias falsas para criar instabilidade”, começou por dizer. “Isto são tipos de crimes que não se compadecem com conceitos abstractos e que exigem dolo ou uma intenção de criar alarme social, não basta transmitir uma mensagem em que se acreditou para poder ser crime”, frisou. O jurista mostrou-se ainda preocupado com a utilização de conceitos genéricos e abstractos como “rumor” e “boato”. “Começar a construir tipos de crime com conceitos indeterminados e com linguagem corrente é um mau caminho do ponto de vista técnico. Se a interpretação que fizerem dos conceitos genéricos englobarem as informações comprovadamente falsas e outras que se provem que não são falsas mas que ainda não foram confirmadas pelo Governo é gravíssimo”, ressalvou. “Se formos por este caminho é a lei da rolha completa. As pessoas vão saber os factos, mas não vão dizer porque podem ir presas”, sublinhou António Marques da Silva. A lei de bases de Protecção Civil vai estar em consulta pública até 11 de Agosto. João Santos Filipe
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política 5
terça-feira 17.7.2018
KIANG WU ANÁLISE À EXIGÊNCIA FEITA PELO HOSPITAL PRIVADO AOS ENFERMEIROS
Em que pé estamos Coutinho teme que guerra comercial afecte Macau
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deputado Pereira Coutinho receia que a guerra comercial entre a China e os Estados Unidos atinja o território. De acordo com uma interpelação escrita assinada pelo deputado, “o aumento das taxas alfandegárias aplicadas pelo interior da China a determinados produtos importados nos EUA não deve ser aplicado a Macau, da mesma forma que o aumento das taxas alfandegárias aplicadas pelos EUA a determinados produtos exportados pelo interior da China não deveria ser aplicado ao território”, lê-se. Na óptica de Pereira Coutinho, Macau oferece vantagens competitivas que podem atrair investidores, nomeadamente de empresas que desenvolvem produtos “de alto valor acrescentado e que podem importar materiais e exportar produtos sem os constrangimentos provocados por esta disputa comercial”. Para o deputado, esta situação pode, se for bem gerida, contribuir para a diversificação económica, evitando a extrema dependência do jogo, um objectivo há muito defendido pelo Governo Central, refere.
Patologias laborais
A lei permite que os trabalhadores possam mudar de emprego, mas o Hospital Kiang Wu exige a apresentação de uma carta de demissão aos enfermeiros que pretendam candidatar-se a um lugar nos Serviços de Saúde. A solução, apesar de difícil, passaria pela imposição clara de regras a este respeito na lei laboral afirmam deputados e o advogado Miguel de Senna Fernandes permite porque é que o Kiang Wu não havia de permitir?”, questionou.
ABUSO DE PODER
O deputado Pereira Coutinho vai mais longe e classifica as exigências do hospital Kiang Wu como “abuso de poder” e uma situação que só pode ser evitada com uma revisão da lei laboral. “Esta situação não se consegue resolver sem que seja alterada a lei laboral”, sublinha. Para Coutinho, a necessidade de ajustar o regime é evidente em casos como este. “A lei permite o despedimento com e sem justa causa e é necessário mudar isto, para que os trabalhadores se sintam mais protegidos”. Para o efeito será necessária uma legislação que contemple a lei sindical e a negociação colectiva. “Se houvesse isto, esta questão estaria rapidamente resolvida porque seriam as associações legalmente instituídas e representantes legítimas dos trabalhadores que podiam entrar em negociações e contactos com a entidade patronal”, justificou ao HM.
PERIGO DE CONTÁGIO
Mas, a guerra comercial pode afectar o comércio mundial, aponta o deputado, uma vez que os produtos exportados e re-exportados podem estar sujeitos no futuro a um aumento das taxas alfandegárias e consequentemente, tornarem-se mais caros. Para Coutinho é importante estudar e perceber as consequências que esta disputa comercial pode provocar na economia, nas empresas e nos consumidores locais. Como tal, questiona o Governo se existe algum estudo quantitativo sobre o impacto do aumento dos impostos alfandegários sobre a actividade comercial das empresas de importação e exportação. O deputado quer ainda saber, sendo Macau um membro fundador da Organização Mundial de Comércio, como vai reagir, no seio desta organização, às medidas tomadas para aumentar os impostos alfandegários sobre a importação e exportação de produtos. Coutinho recorda que nos EUA entraram recentemente em vigor medidas para aumentar em 25 por cento os impostos alfandegários sobre cerca de 818 produtos produzidos e importados da China e que abrangem as indústrias aeroespacial, de informação e de tecnologia das comunicações, automóveis e maquinaria industrial. Do outro lado, o continente retaliou e impôs medidas semelhantes, no valor de 34 mil milhões de dólares, que afectam a importação de produtos dos EUA. Dentro do leque de itens abrangidos pela medida estão “produtos agrícolas como a soja ou de consumo como automóveis ou whisky, que passarão a ser mais caros quando forem vendidos no mercado chinês”, refere. S.M.M.
FOSSO INTRANSPONÍVEL
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ICO incrédulo com esta situação”, começou por dizer o advogado Miguel de Senna Fernandes ao HM referindo-se ao apelo feito aos enfermeiros, pela administração do Kiang Wu, para que se demitam antes de concorrer a um emprego na função pública. Para o advogado, este tipo de limitações colocadas aos funcionários só seriam comba-
tidas através de normas legais especificas para o efeito. “Se houvesse uma previsão legal que proibisse esta situação, o Kiang Wu não poderia recusar-se ao seu incumprimento nem exigir absolutamente nada”, apontou. Mas, na realidade tal norma não existe e como tal uma solução para esta questão parece distante, essencialmente porque estão em causa questões “de mentalidade e culturais”. “Cada
organismo terá as suas regras que interpreta como regras com uma certa deontologia, ou seja, quem trabalha para o Kiang Wu parece que praticamente está a jurar fidelidade perante essa instituição”, disse Senna Fernandes. No entanto, é uma situação que “vai contra a própria lei até porque as pessoas podem efectivamente concorrer a outros empregos, independentemente do trabalho que têm, e se a lei
Já Agnes Lam reconhece “que proibir e ameaçar as pessoas caso elas se candidatem a outros lugares não é correcto”. “Podemos apenas fazer uma revisão da lei laboral para no futuro proteger os trabalhadores”, apontou ao HM. No entanto, para a deputada o problema vai além da legislação. “É preciso mais porque olhando para o quadro geral, a longo prazo, o que precisamos de fazer é saber como aproximar as condições dadas aos trabalhadores do Governo àquelas que são dadas aos do sector privado”, apontou. De acordo com Lam, existe uma discrepância muito grande entre as condições da função pública e no privado. É neste “buraco entre uns e outros que está a origem do problema”. Sofia Margarida Mota
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CASINOS PEDIDOS DE EXCLUSÃO AUMENTARAM NO PRIMEIRO SEMESTRE
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Direcção de Inspeção e Coordenação de Jogos (DICJ) de Macau recebeu, nos primeiros seis meses do ano, 233 pedidos de exclusão de acesso aos casinos, mais 54 do que em igual período do ano passado, foi ontem divulgado. Do total, 200 pedidos foram de autoexclusão (85,8 por cento), enquanto os restantes 33 (14,2 por cento) foram submetidos por terceiros, de acordo com dados publicados no ‘site’ da entidade reguladora. No ano passado, foram registados 376 pedidos de exclusão aos casinos, contra 351 em 2016, 355
em 2015, 280 em 2014 e 276 em 2013. Ao abrigo da lei, que entrou em vigor em Novembro de 2012, a DICJ pode interditar a entrada em todos os casinos, ou apenas em alguns, às pessoas que o solicitem ou confirmem requerimento apresentado para este efeito por cônjuge, ascendente, descendente ou parente em 2.º grau, pelo prazo máximo de dois anos. A lei prevê sanções administrativas para quem violar as regras, cujas multas oscilam entre as mil e dez mil patacas. É ainda imposto um “dever
CANÍDROMO GALGO MORRE DE ATAQUE CARDÍACO DEZ HORAS APÓS SER ADOPTADO
de fiscalização” às concessionárias de jogo, cujo incumprimento é penalizado com coimas que vão de dez mil patacas até 500 mil patacas. Na última quinta-feira, a Assembleia Legislativa aprovou, na generalidade, uma proposta de lei que proíbe todos os funcionários dos casinos de entrarem dentro dos espaços destinados ao jogo. “Entre os indivíduos registados nestes últimos anos como tendo sido afectados pelo distúrbio do vício do jogo, os “croupiers” e os trabalhadores do sector do jogo constituíam, conjuntamente, a maior percentagem”, afirmou na AL o secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, para justificar a necessidade da nova legislação. Cerca de 56 mil desempenham funções, directamente ou indirectamente, no setor do jogo em Macau, de acordo com os últimos dados do Governo. PUB
2.º e último aviso de remoção dos veículos abandonados Companhia de Gestão Imobiliária Rainbow, Limitada (doravante “Rainbow”), na qualidade de entidade gestora do auto-silo na cave do Campo dos Operários nas Portas do Cerco, vem, na sequência dos avisos anteriormente publicados, e pela última vez avisar todos os proprietários e eventuais interessados nos veículos abaixo identificados e que se encontram estacionados, desde 24 de Agosto de 2017, na cave do referido auto-silo, em infracção ao disposto no artigo 35.º (Estacionamento abusivo em lugares na via pública) e artigo 36.º (Estacionamento abusivo nos auto-silos), ambos do Regulamento Administrativo n.º 35/2003 da RAEM (Serviço Público de Parques de Estacionamento) que, após o decurso do prazo de 20 dias contados a partir da data de publicação deste aviso, irá, sem qualquer outro aviso proceder por sua iniciativa à remoção dos veículos que permaneçam ilegalmente estacionados na cave do referido auto silo, dando-lhes o destino que livremente considerar mais adequado, procedendo de seguida, contra os referidos proprietários à reclamação judicial de todas as despesas resultantes da sua remoção e, bem assim, de todos os prejuízos e lucros cessantes que a situação acima referida lhe causou. Números das chapas de matrícula dos veículos: MG-22-48 MH-80-38 MI-62-18 MJ-19-60 MJ-79-83 MK-54-07 ML-36-80 ML-76-22 MN-34-41 MO-94-45 MP-87-71 MR-23-43 MT-45-30 MU-38-25
MG-22-75 MH-91-53 MI-62-83 MJ-24-18 MJ-91-65 MK-77-57 ML-43-31 MM-39-45 MN-35-41 MP-13-65 MP-91-48 MR-27-97 MT-55-79 MU-56-36
MH-27-13 MH-96-45 MI-63-28 MJ-41-18 MJ-93-98 MK-79-84 ML-49-45 MM-41-88 MN-70-19 MP-27-09 MP-99-82 MR-86-10 MT-58-46 MU-63-46
MH-44-71 MH-98-12 MI-66-32 MJ-43-37 MJ-95-21 MK-83-07 ML-49-68 MM-52-42 MN-99-35 MP-37-87 MQ-30-86 MS-37-05 MT-64-95 MU-69-92
Para consultas, poderão telefonar para: 2843 8985. Macau, ** de Julho de 2018 Companhia de Gestão Imobiliária Rainbow, Limitada
MH-61-29 MI-19-14 MI-77-46 MJ-57-02 MK-11-05 MK-83-16 ML-58-43 MM-61-70 MO-29-15 MP-38-65 MQ-60-28 MS-65-56 MT-67-69 MW-42-52
MH-75-37 MI-28-03 MI-90-97 MJ-67-86 MK-31-10 ML-27-00 ML-64-57 MN-27-66 MO-57-04 MP-57-27 MQ-69-16 MS-99-97 MT-87-45 MW-46-96
MH-79-84 MI-55-45 MI-93-76 MJ-70-92 MK-50-01 ML-27-31 ML-66-35 MN-27-78 MO-65-06 MP-66-35 MQ-96-57 MT-31-63 MT-94-14 粵Z473澳
O último fôlego O jornal Exmoo News noticiou ontem a morte de um galgo proveniente do Canídromo apenas dez horas depois de ter sido adoptado. Stanley Lei, director-executivo da Companhia de Corridas de Galgos Yat Yuen, afasta responsabilidades da empresa, afirmando que o adoptante não transportou o cão como devia
A
S imagens são chocantes e mostram um galgo em sofrimento à beira da morte, com muito sangue espalhado pelo chão. A notícia do falecimento de um cão adoptado do Canídromo, apenas dez horas depois do processo de adopção ter sido concluído, foi publicada ontem pelo jornal chinês Exmoo News e difundida nas redes sociais. Albano Martins, presidente da Sociedade de Protecção dos Animais de Macau (ANIMA), contou ao HM o que aconteceu com este animal. “Esse galgo foi adoptado pelo mesmo adoptante que ficou com outro cão que tinha um problema nas patas. O que aconteceu foi que esse animal foi transportado do Canídromo para a Areia Preta em condições que lhe provocaram um ataque cardíaco. Teve falta de ar e insolação, não se sabe se o cão foi levado dentro de um carro com pouca ventilação ou pela mão de alguém. Esses animais são muito sensíveis a esse tipo de coisas.” O presidente da ANIMA revelou ter em sua posse “fotografias em que se nota perfeitamente que o animal tinha a boca aberta e que queria respirar [e não conseguia]”. “O que se pode dizer é que o animal teve
um ataque cardíaco que lhe provocou diarreia com sangue. A maior parte dos animais que têm vindo do Canídromo têm problemas complicados de saúde. Já no passado tinham problemas de diabetes, agora saem animais com pernas e clavículas fracturadas.” Outro cão adoptado pela mesma pessoa também tinha sinais de que poderia sofrer um ataque cardíaco a qualquer momento. “Tinha sinais no corpo, que já desapareceram, mas que indicavam que estava em riscos de ter um ataque cardíaco também. Isso foi-nos dito pelo veterinário que mostrou as mazelas que ele tinha.”
CANÍDROMO AFASTA RESPONSABILIDADES
Ao jornal Exmoo News, o adoptante confessou que, aquando da saída do animal das instalações do Canídromo, no Fai Chi Kei, o veterinário lhe garantiu que o galgo estava bem de saúde. Ao HM, Stanley Lei, director-executivo da Companhia de Corridas de Galgos Yat Yuen, quis deixar bem claro que o Canídromo nada teve a ver com esta morte. “Estamos atentos a esse assunto e todos os animais que são adoptados são consultados pelo nosso veterinário e também do IACM. Disseram-me que o novo
dono não transportou o animal de acordo com as regras e manteve o animal debaixo de sol por um longo período de tempo. Eu próprio não li a notícia, mas falaram-me deste caso.” Stanley Lei não quis dar mais detalhes sobre o novo plano quanto ao futuro dos galgos, depois do chumbo da Direcção dos Serviços de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ). Mas adiantou que, no processo de adopções, tudo tem sido feito em parceria com o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais. “Não podemos dar nenhum cão para adopção sem que se faça uma análise às condições de saúde do animal. Temos o registo de saúde, é tudo verificado por um veterinário. Não trabalhamos de forma separada, e todos os cães foram avaliados por nós de forma apropriada”, frisou ao HM. Albano Martins mantém a sua versão bem diferente dos acontecimentos e defende que os galgos nunca foram bem tratados no Canídromo, ao contrário do que sempre afirmou Angela Leong, deputada, directora-executiva e co-presidente da Sociedade de Jogos de Macau, além de directora-geral da Yat Yuen. “Haverá montanhas de cães no Canídromo que estão num estado lastimoso de saúde. Estes cães vêm com carraças agarradas e pulgas. Vêm sem pêlos nas coxas, o que significa que dormiram no chão no Verão e Inverno. Nunca tiveram um sítio para dormir em condições e dormiram em cima de fezes e urina. Eles nunca cuidaram dos animais”, rematou. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
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TIAGO ALCÂNTARA
terça-feira 17.7.2018
O juiz adiantou ainda que renovação e adiamento do prazo são dois conceitos diferentes, sendo que, apesar da Lei de Terras não permitir a extensão do prazo de concessão além dos 25 anos, existe a possibilidade de adiar o prazo de desenvolvimento do terreno
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OI a primeira vez que um juiz se pronunciou sobre uma decisão proferida no âmbito da Lei de Terras, e que voltou a dar razão ao Governo sobre a nulidade de concessão de três terrenos. Fong Man Chong, juiz-adjunto do colectivo do Tribunal de Segunda Instância (TSI) escreveu uma declaração de voto vencido, inserida no acórdão, afirmando que não concordou com a decisão dos seus colegas, escreve o jornal Ou Mun. Na declaração de voto vencido, apenas disponível na língua chinesa, o juiz defendeu que tanto o Governo como as concessionárias têm culpa quanto ao não aproveitamento dos terrenos. Referindo-se apenas ao terreno localizado na zona sul da Baía do Pac On, concessionado à Companhia de Investimentos Polaris em 1990, Fong Man Chong esclarece na sua declaração que a empresa entregou, em 2010, um plano para o aproveitamento do terreno. O juiz aponta que se o Executivo tivesse considerado
TERRENOS JUIZ DO TSI DIZ QUE GOVERNO VIOLOU PRINCÍPIO DA BOA-FÉ
Em nome próprio
Fong Man Chong, juiz do Tribunal de Segunda Instância que fez parte do colectivo que julgou o caso de nulidade de concessão de três terrenos, escreveu uma declaração onde mostra estar contra a sentença conhecida na passada sexta-feira. O juiz argumenta que, no caso de um terreno, o Governo terá violado o princípio da boa-fé no cumprimento do contrato que a cota altimétrica do edifício a construir não estava de acordo com a planta de alinhamento deveria ter reprovado o pedido de imediato, ao invés de demorar anos a analisá-lo. Neste ponto, Fong Man Chong defende que o Governo também tem responsabilidades, o que fez com que o concessionário não tenha conseguido desenvolver o terreno. O magistrado adiantou ainda que renovação e adiamento do prazo são dois conceitos diferentes, sendo
que, apesar da Lei de Terras não permitir a extensão do prazo de concessão além dos 25 anos, existe a possibilidade de adiar o prazo de desenvolvimento do terreno, sobretudo em casos onde a Administração tem responsabilidades a assumir. De acordo com o jornal Ou Mun, Fong Man Chong chegou mesmo a recorrer à metáfora dos jogos de futebol, que duram 90 minutos, mas no caso de existirem situações que levem a desperdício de tempo, como
marcação de faltas, deve haver um período de prolongamento. O juiz adiantou que o Governo demorou cinco anos a preparar os procedimentos de declaração de nulidade da concessão sem nunca ter respondido à concessionária. Para Fong Man Chong, nesse aspecto foi violado o princípio de cumprimento dos termos do contrato com boa-fé. Desta forma, foi defendido que o Governo deveria ter cooperado com a concessionária
no sentido de concretizar as metas previstas no contrato. Na visão de Fong Man Chong, o Executivo deveria retirar o despacho que determina a anulação da concessão, pelo facto de o Governo ter violado os princípios da boa-fé e alguns preâmbulos do Código do Procedimento Administrativo.
ADVOGADO REAGIU
O caso já gerou reacções junto da comunidade jurídica. O advogado Daniel Chio Song Meng disse
ao Jornal do Cidadão que concorda com a visão do juiz-adjunto sobre a sentença tornada pública na passada sexta-feira. Daniel Chio entende que nos últimos três anos têm sido frequentes os processos relacionados, sendo que os tribunais têm tratado os casos da mesma forma e apenas têm em conta o prazo de 25 anos do aproveitamento do terreno, sem terem em conta outros factores. Sobre a declaração de voto vencido de Fong Man Chong, Daniel Chio Song Meng lembrou que foi o único juiz com uma compreensão diferente da Lei de Terras, defendendo que os autores desse diploma pensaram apenas numa forma de abordar a falta de aproveitamento dos terrenos, sem pensarem na hipótese de alargar o prazo de concessão com base noutras razões. Para o advogado, a única possibilidade é rever novamente a Lei de Terras com base na posição do juiz do TSI. As concessionárias podem agora recorrer da decisão para o Tribunal de Última Instância. V.N. / A.S.S.
8 ENTREVISTA
INÊS RODRIGUES ACADÉMICA E AUTORA
A obra da professora Inocência Mata, da Universidade de Macau, foi fundamental para Inês Rodrigues quando decidiu fazer o seu doutoramento sobre o Massacre de 1953 ocorrido em São Tomé e Príncipe. Doutorada pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Inês Rodrigues fala sobre a sua investigação transformada agora em livro, intitulado “Espectros de Batepá. Memórias e narrativas do ‘Massacre de 1953’
“Compreender o massacre” Num dos seus artigos afirma que o “massacre de Batepá” é um acontecimento praticamente desconhecido em Portugal. Como teve o primeiro contacto com este acontecimento e porque decidiu investigar este assunto? O primeiro contacto foi fortuito e deu-se quando li, pela primeira vez, a poesia da Conceição Lima, onde as referências ao massacre são recorrentes. A obra pioneira da académica são-tomense Inocência Mata [docente da Universidade de Macau], a quem devo muito intelectualmente e que tem três livros sobre a literatura são-tomense que são importantíssimos. Lendo estes textos, que são incontornáveis, apercebi-me que havia dimensões menos problematizadas deste evento histórico que poderiam ser iluminadas por uma pesquisa sistemática e global, a partir do campo dos estudos culturais, focada no «Massacre de 1953» ou «Massacre de Batepá», como também é conhecido. Diz também que em Portugal “se recusa a discussão de um evento perturbador”. Fala da comunidade académica, dos media? Neste sentido, ainda há muitos pudores em Portugal relacionados com o passado colonial? Em anos recentes, têm emergido muito mais espaços onde discutir e problematizar estes temas, sobretudo promovidos por associações de afro-descendentes e pela academia, mas também por alguns meios de comunicação social e jornalistas. Todavia, julgo que ainda há um longo caminho a percorrer. Considero que existe uma narrativa mestra, muito perceptível em certos discursos políticos e comemorações nacionais, por exemplo, que persiste em considerar o colonialismo português como tendo sido mais harmonioso e pacífico
do que outros colonialismos europeus. Continua a não se aceitar muito do que aconteceu? Creio que ainda subsiste uma dificuldade em lidar criticamente com o passado colonial em certos núcleos nacionais e sectores da população, nomeadamente, no reconhecimento de que o colonialismo português compreendia dimensões de violência física e simbólica estruturais na administração, manutenção e gestão dos territórios e populações colonizados. No caso específico do «Massacre de Batepá», temos o facto de apenas em 2018 um Presidente da República português ter visitado um dos seus dos lugares emblemáticos (Fernão Dias), em visita oficial ao arquipélago, tendo aí reconhecido, a faceta ‘menos boa’, como disse Marcelo Rebelo de Sousa, da história de Portugal. Recordo, ainda, a actual proposta de construção de um eventual ‘Museu das Descobertas’ em Lisboa, que, felizmente, tem gerado uma profícua discussão. Estes ‘lugares de memória’ (estátuas, museu, toponímia, etc.) transportam significados simbólicos, transportam um passado de silenciamentos, exclusões e opressões várias que não podem ser ignorados. Daí que o manifesto publicado no jornal Público, e assinado por cem afro-descendentes portugueses, contra a edificação deste museu, nos moldes como foi apresentado e contra o que ele representa, seja um movimento importante para se perceber que estes processos de materialização da memória a partir do Estado têm que envolver a sociedade civil e não podem ser projectados desgarrados dos sujeitos. Estabelece uma ligação ao relato literário deste massacre, feito pelos poetas Alda Espírito Santo e Conceição Lima. Até que ponto a literatura foi importante para
preservar a memória deste acontecimento? O corpus literário do massacre é muito heterogéneo e, por isso, é importante ter em conta os contextos de produção desses textos uma vez que a partir deles emergem valores estéticos e ideológicos diferenciados. Nesse sentido, na minha pesquisa, defini três períodos histórico-sociais e políticos específicos a partir do qual analisei as representações de Batepá. A dita ‘literatura colonial’ em que, na maioria das obras, são reproduzidos vários estereótipos associados
“Ainda subsiste uma dificuldade em lidar criticamente com o passado colonial em certos núcleos nacionais e sectores da população, nomeadamente, no reconhecimento de que o colonialismo português compreendia dimensões de violência física e simbólica.” às populações colonizadas. A literatura de testemunho, produzida sobretudo durante a luta de libertação no arquipélago e nos anos imediatamente posteriores à conquista da independência, a 12 de Julho de 1975, que constrói o ‘herói da liberdade da Pátria’. Por fim, a literatura da ‘pós-memória’ (seguindo o conceito proposto por Marianne Hirsch), isto é, as obras de escritores e escritoras que não viveram o massacre, mas que dele se apropriam criativamente como se de um passado vivido se tratasse – os herdeiros e as herdeiras de 1953. É
esta literatura mais recente, sobretudo, mas em particular a poesia de Conceição Lima, que mais tem contribuído para complexificar as narrativas históricas do massacre, demonstrando que quadros teóricos e causais simplistas e categorias estanques como vítimas e perpetradores não são suficientes para se pensar este episódio, os seus actores ou para perceber como ele se desenrolou. De qualquer modo, e agora respondendo à questão mais directamente, a literatura, sobretudo a de testemunho, foi muito importante, à época, principalmente em certos segmentos da população são-tomense, para resgatar este acontecimento do passado, para construir uma comunidade próxima a partir dele e para fixar o sucedido numa narrativa que fosse passível de transmitir a ‘gerações’ vindouras. Faz também uma ligação com o termo “fantasmagorias”. Quer isso dizer que este massacre existe, sobretudo, no imaginário dos são-tomenses, existindo várias versões do mesmo? O fantasma, neste livro, é uma figura a que recorro de modos distintos: por um lado, enquanto elemento de imaginação e representação de um passado que continua muito presente na sociedade são-tomense e cujos legados ainda se fazem sentir no arquipélago e, por outro, enquanto elemento material e sujeito que produz conhecimentos. Isto significa que o massacre é um ‘fantasma’, no sentido da dialéctica visibilidade/invisibilidade, de que pouco se quer falar em Portugal; um ‘fantasma’ metafórico que, de modo marcante, paira no imaginário dos são-tomenses. Mas significa também que o massacre é reencenado de modo performativo por acção de espectros no sentido literal da palavra, como, por exemplo, no caso do Senhor Nove Nove, espírito de um sobrevivente de Batepá que ‘monta’ (para usar uma das expressões empregues localmente) o curandeiro Nijo e age como testemunha da violência persistente do colonialismo. Sobre Nijo e o Senhor Nove Nove há um documentário muito interessante e que recomendo vivamente, de Inês Gonçalves – ‘Na Terra como no Céu’. Estes fantasmas e seus significados
simbólicos vão, por sua vez, contar diferentes versões dos acontecimentos de 1953. Este massacre foi muito importante do ponto de vista político, pois fundou o nacionalismo são-tomense. Acredita que foi fundamental para formar a sociedade actual de São Tomé e Príncipe? Não há evidências concretas ou factuais da relação entre o massacre e a criação do CLSTP (Comité de Libertação de São Tomé e Príncipe) ou, mais tarde, do MLSTP (Movimento
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da sociedade do arquipélago, profundamente hierarquizada, instituindo, especialmente através do trabalho, relações de poder muito complexas entre portugueses, colonizadores de outras origens europeias, forros, angolares e trabalhadores contratados de várias geografias.
“Isto significa que o massacre é um ‘fantasma’, no sentido da dialéctica visibilidade/ invisibilidade, de que pouco se quer falar em Portugal; um ‘fantasma’ metafórico que, de modo marcante, paira no imaginário dos são-tomenses.”
de Libertação de São Tomé e Príncipe). Contudo, há uma narrativa nacionalista que, durante os anos 1960 e 1970, resgata este evento como fundador do nacionalismo são-tomense. Como o momento do despertar político dos são-tomenses para a necessidade da independência. Na ausência de luta armada no território (como sucedia em Angola, Guiné e Moçambique) ou de lugares de violência carcerária como o Tarrafal, São Nicolau ou Ilha das Galinhas, é o massacre de 1953 que congrega em si a resistência dos
são-tomenses ao colonialismo, a heroicidade e o sofrimento destes homens e mulheres, a vontade da população em não mais se subjugar às arbitrariedades e brutalidade do sistema colonial, etc. Legitimou também o “Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe”, que afirma que institucionalizou a memória de uma forma não consensual. Pode especificar? Como conta detalhadamente Gerhard Seibert numa obra
notável sobre o percurso político e social do país desde o colonialismo até à independência – Camaradas, Clientes e Compadres. Colonialismo, Socialismo e Democratização em São Tomé e Príncipe (2002, ed. revista e aumentada) –, nos anos 1960 e 1970, quando a narrativa nacionalista são-tomense se ancorou simbolicamente no massacre para as suas reivindicações de autodeterminação, optou por destacar alguns forros – grupo etno-cultural dominante no arquipélago e
que designa os descendentes de ‘filhos-da-terra’ e de escravos alforriados – como os ‘heróis e mártires’ da resistência no arquipélago ao domínio colonial. Excluindo, por conseguinte, as acções e desejos dos trabalhadores contratados ou de forros de segmentos socioeconómicos vulneráveis do processo de imaginação e construção da nação. Esta narrativa, mobilizada, como disse, com maior ênfase, durante a luta de libertação e nos primeiros anos da independência ainda
vai tendo algum lastro nos dias de hoje e falha em reconhecer adequadamente as muitas tensões e nivelações de estatuto presentes na sociedade colonial de São Tomé e Príncipe, constituídas não apenas com base em signos como a cor da pele, mas também em factores como classe social, diferença sexual, geografia, entre outros. Para se compreender o massacre é preciso, então, perceber primeiro os modos como o colonialismo português desempenhou um papel preponderante na categorização
Publicado este livro, que é o resultado do seu doutoramento, que projectos pretende desenvolver no futuro? É inevitável sentir que fica sempre imenso por dizer e explicar numa pesquisa deste género, acima de tudo porque se refere a um massacre colonial repleto de nuances e porque o meu lugar de enunciação é, inevitavelmente, Portugal… Elenco algumas das interrogações em aberto que avanço na conclusão do livro: por exemplo, serão a fantasmagoria e a figura do ‘espectro’elementos profícuos de análise se ampliados às representações literárias de outros massacres fundadores, como, entre outros, Mueda, Wiriamu ou Pidjiguiti? Quais são as possibilidades de se construir uma memória pública crítica do massacre em Portugal? O que espero, na verdade, é que este arquivo da ‘imaginação do massacre’ possa permanecer um processo em aberto e que seja discutido e retrabalhado, suscitando novas interpretações críticas individuais e colectivas sobre o passado comum de Portugal e São Tomé e Príncipe. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
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O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, apelou ontem ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à Rússia e à China para que cooperem com a Europa a fim de evitar uma guerra comercial
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isolacionismo norte-americano vendido por Donald Trump na campanha eleitoral está a ser cumprida, tanto do lado de Washington, como agora por parte de vários blocos de antigos aliados dos Estados Unidos. “Estamos todos conscientes
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do facto de que a arquitectura do mundo está a mudar diante dos nossos olhos e é nossa responsabilidade comum tornar esta mudança para melhor”, afirmou Donald Tusk, em Pequim, na abertura da 20.ª cimeira anual China-UE. Estas declarações foram feitas poucas horas antes do encontro entre Trump e o Presidente russo, Vladimir Putin, que se realiza na residência oficial do chefe de Estado da Finlândia. Na semana passada, Tusk recriminou as críticas de Trump aos aliados europeus, instando-o a lembrar-se de quem são os seus amigos quando reunir com Putin. Em Pequim, Tusk afirmou que a Europa, China, EUA e Rússia têm a “obrigação comum” de não destruir a ordem global, mas antes melhorá-la, ao reformar as regras internacionais de comércio. “Por isso apelo aos meus anfitriões chineses, mas também aos presidentes Trump e Putin, que comecemos em conjunto este processo a partir de uma ampla reforma da OMC [Organiza-
GUERRA COMERCIAL UE PEDE COOPERAÇÃO DOS EUA, RÚSSIA E CHINA
Nova ordem mundial
ção Mundial do Comércio]”, afirmou. “Ainda vamos a tempo de evitar o conflito e o caos”, acrescentou. A cimeira anual China-UE ocorre numa altura em que entram em vigor nos EUA taxas alfandegárias PUB
sobre 34.000 milhões de dólares (29 mil milhões de euros) de importações chinesas, contra o que Washington considera serem “tácticas predatórias” por parte de Pequim, que visam o desenvolvimento do seu sector tecnológico. A China retaliou com um aumento dos impostos sobre o mesmo valor de importações oriundas dos EUA. Trump impôs também taxas sobre o aço e alumínio importados da UE, que retaliou com taxas sobre um total de 3,25 mil milhões de dólares de importações oriundas dos EUA.
FORTALEZA EUROPA
Durante a cimeira, Xi Jinping vai oferecer um jantar ao presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e ao presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, que vão reunir-se com o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang. Ambos os lados esperam “trabalhar em conjunto” para “proteger o multilateralismo, promover o comércio e facilitação do investimento”, afirmou Hua Chunying, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. Pequim e Bruxelas deverão expressar o seu apoio a um sistema de comércio multilateral baseado em regras e confirmar o seu compromisso com a modernização da Organização Mundial do Comércio, segundo o portal oficial do Conselho Europeu, numa altura em que China e
“Estamos todos conscientes do facto de que a arquitectura do mundo está a mudar diante dos nossos olhos e é nossa responsabilidade comum tornar esta mudança para melhor.” DONALD TUSK PRESIDENTE DO CONSELHO EUROPEU
UE se deparam com políticas comerciais protecionistas nos EUA. O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, prometeu que a China vai continuar o processo de abertura da sua economia aos investimentos e exportações europeias. “A China aumentará de forma significativa o acesso ao seu mercado e reduzirá as taxas alfandegárias” sobre produtos necessários aos seus consumidores e empresas, disse Li, numa conferência de imprensa. Pequim e Bruxelas avançaram para uma “nova fase” nas negociações de um tratado bilateral de investimentos, que se desenvolvem há já quatro anos, afirmou. Li Keqiang apoiou ainda os esforços para actualizar as regras da OMC, que Washington considera estarem desactualizadas e complexas.
Questionado se a China usou a cimeira de ontem para forjar uma aliança com a UE contra as políticas comerciais de Trump, o primeiro-ministro chinês afirmou que as disputas com Washington são uma questão bilateral. “A nossa cimeira não é dirigida a um terceiro país”, disse. A China tem tentado recrutar o apoio da UE para fazer frente às políticas comerciais dos EUA, mas há muito que os governos europeus partilham das mesmas queixas de Trump em relação a Pequim, nomeadamente a falta de acesso a vários sectores da economia chinesa. “Nós partilhamos das mesmas preocupações que os EUA. Mas há formas melhores e menos arriscadas de lidar com os problemas”, afirmou na semana passada Mats Harborn, presidente da Câmara de Comércio da UE na China. Em 2017, a UE registou um défice de 176.000 milhões de euros nas trocas comerciais com a China. “Pensamos que a China se pode abrir ainda mais”, disse Juncker, reafirmando o desejo da UE de que o país asiático melhore ainda mais as oportunidades para as firmas estrangeiras. Um relatório recente da UE afirmou que Pequim impôs mais obstáculos às importações e investimentos, em 2017, do que qualquer outro Governo.
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terça-feira 17.7.2018
ECONOMIA CRESCIMENTO DE 6,7 POR CENTO NO SEGUNDO TRIMESTRE DE 2018
ECONOMIA CENSURA TENTA CONTROLAR NARRATIVA SOBRE GUERRA COMERCIAL
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censura chinesa está a tentar controlar a narrativa sobre a guerra comercial com Washington, através de uma lista enviada à imprensa doméstica sobre o que pode ou não escrever, revelou um jornal de Hong Kong. O jornal South China Morning Post (SCMP), que cita quatro jornalistas chineses não identificados, diz que as autoridades pediram à imprensa que seja “extremamente cuidadosa” para não relacionar a guerra comercial com a queda nas praças financeiras chinesas, a desvalorização do yuan ou o abrandamento da economia, visando evitar o pânico. No espaço de um mês, a bolsa de Xangai caiu já mais de 9 por cento, enquanto o yuan, a moeda chinesa, tem desvalorizando continuamente, reflectindo o nervosismo dos investidores, face
às disputas comerciais entre Pequim e Washington. “Quando reportamos uma queda na bolsa ou a desvalorização do yuan não podemos escrever ‘guerra comercial’na manchete”, contou ao SCMP um dos jornalistas. Outro jornalista contou que “diferentes organizações terão margens distintas na cobertura”. A imprensa estatal com maior posicionamento político está autorizada a publicar notícias e editoriais sobre a guerra comercial, enquanto a imprensa local e portais electrónicos podem apenas republicar conteúdo dos órgãos oficiais, e sem dar muita relevância ao tema. É também proibido publicar uma tradução imediata de afirmações do Presidente norte-americano, Donald Trump, no Twitter, rede social que está bloqueada na China.
Região COREIA DO NORTE AMNISTIA PARA CONDENADOS POR CRIMES CONTRA O PAÍS
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YONGYANG anunciou ontem que vai amnistiar aqueles que foram “condenados por crimes contra o país e outras pessoas”, por ocasião da comemoração do 70.º aniversário da fundação daquele país asiático, que terá lugar em Setembro. A amnistia entrará em vigor a partir de 1 deAgosto, revelou o regime de Pyongyang através da agência estatal de notícias KCNA, garantindo que serão tomadas “medidas práticas para ajudar as pessoas libertadas a reintegrarem-se na vida normal de trabalho”. A Assembleia Popular Suprema (Parlamento) emitiu um decreto a 12 de Julho, informou a KCNA, sem dar mais detalhes sobre quantas pessoas estão
envolvidas na amnistia. “Proteger a vida independente e criativa das massas populares e servir o povo com total disponibilidade para materializar plenamente a ideia de dar primazia às massas populares” é “a exigência essencial do sistema socialista coreano e o princípio invariável das actividades estatais”, citou a agência estatal. A Coreia do Norte vai comemorar a 9 de Setembro o aniversário da fundação do país, evento que nos últimos anos tem usado para recuperar seu arsenal nuclear e balístico e que é esperado com grande expectativa após a reaproximação do país à Coreia do Sul e a mudança diplomática na relação com os Estados Unidos.
Os números mágicos A economia chinesa cresceu 6,7 por cento, no segundo trimestre de 2018, duas décimas acima da meta definida pelo Governo para este ano e uma décima menos do que no primeiro trimestre
A
S previsões apontavam já para um ritmo de crescimento menor no segundo trimestre, depois de Pequim ter restringindo o crédito bancário, visando travar o aumento da dívida, e ainda antes do início das disputas comerciais com os Estados Unidos. A actividade económica deverá continuar a abrandar, à medida que a procura global pelas exportações chinesas recua e as restrições ao crédito atingem o sector da construção e o investimento, importantes motores de crescimento. Pequim reagiu anteriormente a reduções no ritmo de crescimento económico com um aumento do crédito para o sector estatal, mas o subida dos níveis de endividamento levou já as agências de ‘rating’ internacionais a reduzir a nota da dívida do Governo chinês. Os líderes chineses estão a preparar uma transição no modelo económico, com o objectivo de transformar o consumo interno no principal motor de crescimento, em detrimento das exportações e investimento. Em Junho, as vendas a retalho subiram 9 por cento, em termos homólogos, impulsionadas por um rápido aumento do consumo de produtos de alta qualidade, incluindo cosméticos e equipamento de vídeo. O investimento em activos fixos, como fábricas ou imobiliário, cresceu 6 por cento na primeira metade do ano, face ao mesmo período
de 2017, mas com o ritmo dos últimos três meses ficaram 1,5 por cento abaixo da média do semestre.
GUERRA E TARIFAS
As disputas comerciais com Washington ameaçam também atingir a economia chinesa. Este mês, o Presidente norte-americano, Donald Trump, impôs taxas alfandegárias de 25 por cento sobre 34 mil milhões de dólares (29 mil milhões de euros) de importações chinesas, contra o que considera serem “tácticas predatórias” por parte de Pequim, que visam o desenvolvimento do seu sector tecnológico. A China retaliou com o aumento dos impostos sobre o mesmo valor de importações oriundas dos EUA.
Pequim reagiu anteriormente a reduções no ritmo de crescimento económico com um aumento do crédito para o sector estatal, mas o subida dos níveis de endividamento levou já as agências de ‘rating’ internacionais a reduzir a nota da dívida do Governo chinês
Trump ameaçou impor mais taxas alfandegárias, de 10 por cento, sobre um total de 200 mil milhões de dólares de produtos chineses e, caso Pequim volte a retaliar e recuse aceder às exigências norte-americanas, subirá para 500 mil milhões, cerca
da totalidade das importações norte-americanas oriundas do país asiático. Analistas preveem que aquelas medidas, case se concretizem, levariam a um abrandamento de mais de 0,3 por cento no ritmo de crescimento da economia chinesa.
PUB HM • 1ª VEZ • 17-7-18
ANÚNCIO
Acção de Interdição n.º CV2-18-0020-CPE 2º Juízo Cível Requerente: Ministério Público (檢察院). Requerida: Lam Lai Chon (林麗春). *** O MERITÍSSIMO JUIZ DO 2º JUÍZO CÍVEL DO TRIBUNAL JUDICIAL DE BASE DA R.A.E.M.: FAZ SABER que foi distribuída ao 2º Juízo Cível do Tribunal Judicial de Base de R.A.E.M., a Acção acima mencionada, contra a requerida Lam Lai Chon (林麗 春), solteira, nascida em 24 de Fevereiro de 1973, residente em Macau, na Rua Três do Bairro da Areia Preta, n.º 15, Edf. Man Lei, 3.º andar C, para o efeito de ser declarada a sua interdição por anomalia psíquica. Macau, ao 02 de Julho de 2018. *****
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Máquina Lírica Paulo José Miranda
17.7.2018 terça-feira
Vagueio sem destino, pelas ruas, O mar todo é de pedra...
“Quando uma mulher sobe as escadas” – para nada -, de Mikio Naruse
O
cinema japonês, que teve uma imensa influência em muito do cinema europeu, acabou por ficar reduzido a três nomes, fora do Japão, e mesmo assim restrito a cineastas: Kensi Mizogushi, Yasujiro Ozu e Akira Kurosawa (este claramente o mais conhecido e também o mais ocidental dos cineastas japoneses). Mas há um outro realizador de extrema importância no Japão, e contemporâneo destes: Mikio Naruse. E hoje vamos ver um dos seus filmes mais famosos, Quando Uma Mulher Sobe As Escadas, de 1960. Num dos números da revista Egoísta, dedicada à política, escrevi acerca da diferença de se ser mulher. O contexto era a Antiga Grécia e uma das tragédias de Eurípides, As Troianas. As mulheres troianas estão na condição de prisioneiras devido aos seus homens terem perdido a guerra, uma guerra que não aconteceu por decisão delas, mas de seus maridos. No filme de Naruse, Quando Uma Mulher Sobe As Escadas, 2500 anos depois de Eurípides, e numa terra e cultura bem distintas da da Grécia Antiga, encontramos uma situação que se pode considerar semelhante. As mulheres que aparecem naquele filme foram tolhidas pelo destino traçado pelos homens. Antes de mais – repetindo a guerra de Tróia
– porque os homens decidiram fazer a guerra e foram derrotados, estamos na ressaca da Segunda Guerra Mundial. As oportunidades de trabalho são escassas e para as mulheres mais ainda, deixando-as numa situação próxima da das troianas da peça de Eurípides. Qualquer trabalho executado pelas mulheres era muito mal pago, muito abaixo do que se pagava aos homens. A protagonista do filme gere uma espécie de bar de alterne, em que as mulheres têm de beber e dar atenção aos homens, que aí vão gastar dinheiro. E as escadas que ela sobe para o bar são para ela como que subir ao calvário. Pois ela detesta aquilo que faz. Escuta-se no filme, em voz off, primeiro com ela a olhar para as escadas, antes de as subir: “Eu odiava subir aquelas escadas, mais do que qualquer coisa.” E depois escuta-se, enquanto as sobe: “Mas,
uma vez lá em cima, encarava o que viesse.” Fá-lo por ter ficado viúva e não ter trabalho. Mas quando o filme começa, a angústia da protagonista, Keiko Yashiro, representada pela actriz Hideko Takamine, é o tempo a passar pelo corpo. Pois muito em breve os clientes vão deixar de se interessar por ela. Ela só tem o trabalho que tem, porque é bonita, porque tem utilidade para os homens, a de ser agradável ao olhar dos homens. Mas a beleza está a passar, e Keiko tem três alternativas no seu horizonte: casar com um dos clientes, abrir um bar ou tornar-se amante de vários clientes (que é a que mais lhe repugna). Há uma tensão existencial ao longo do filme, que é a que mais importa, sem dúvida, mas ela é condicionada pela situação em que o Japão se encontra, pelo que os homens decidiram fazer – a guerra – e como o
A protagonista do filme gere uma espécie de bar de alterne, em que as mulheres têm de beber e dar atenção aos homens, que aí vão gastar dinheiro. E as escadas que ela sobe para o bar são para ela como que subir ao calvário. Pois ela detesta aquilo que faz
país ficou depois disso. Por outro lado, fica a claro, literalmente preto no branco, que as mulheres estão às mãos dos homens. O destino delas depende dos caprichos deles. Decida o que decidir, e ainda que a decisão seja cumprida, Keiko Yashiro ficará sempre nas mãos dos homens. Para abrir um bar, precisa do dinheiro deles – que estão dispostos a ceder em troca dos serviços dela e não de outros serviços, como ela chegou a propor. Para casar, ainda que o conseguisse fazer, seria com alguém com quem não queria casar e ficava sujeita às vontades dele. Para se tornar amante dos clientes, é evidente que o seu destino passa literalmente pelos caprichos dos homens. Keiko Yashiro está a menos na vida. E está a menos na vida, porque nasceu mulher. Esta é a tese mais forte e radical do filme, que nos remete para a tragédia de Eurípides e nos faz pensar neste mundo. Quem precisa de dinheiro de outros nunca será livre, quer seja homem ou mulher. Mas à mulher foi sempre dada essa condição de precisar do dinheiro dos homens, de modo a mantê-las como troféus ou como utensílios. Entre uma e outra escolha, Keiko sente que sobe as escadas para nada. Sobe as escadas para deixar de ser. Para ser um brinquedo aos olhos dos outros.
desporto 13
terça-feira 17.7.2018
GP JOKER LAP DO WTCR IMPOSSÍVEL NO CIRCUITO DA GUIA
Sem espaço A organização da Taça do Mundo FIA de Carros de Turismo (WTCR) queria introduzir a Joker Lap na sua jornada dupla em Macau para apimentar o espectáculo, mas chegou à conclusão que tal ideia é impossível de aplicar no Circuito da Guia
acontece noutras disciplinas do automobilismo, como no Rallycross, adicionando um factor de incerteza à corrida e obrigando as equipas a assentar estratégias para que os pilotos percam o menos tempo possível com a manobra. Em Vila Real, até hoje o único circuito onde o conceito foi utilizado, os concorrentes são obrigados, uma vez por corrida, a contornar a Rotunda M. Coutinho pela faixa da esquerda, quando normalmente o fazer pela direita, perdendo com isso cerca de dois segundos, em
comparação com uma volta normal.
VOLTA IMPOSSÍVEL
François Ribeiro, o Director do Eurosport Events, a empresa que tem os direitos do WTCR, diz que explorou a viabilidade de introduzir a Joker Lap em Macau, mas confessou que não encontrou um ponto adequado no Circuito da Guia para implementar uma via secundária onde os concorrentes teriam que cumprir a tarefa. “Eu estive a verificar com Macau, mas é simplesmente impossível”, disse Ribeiro
FRANÇOIS RIBEIRO O DIRECTOR DO EUROSPORT EVENTS
O
à revista inglesa Autosport. “Não há fisicamente uma localização para fazer uma Joker Lap em Macau. Eu fiz uma volta ao circuito mais de dez vezes e não há mesmo um local.” Sem possibilidades de transpor este conceito unicamente experimentado em Portugal para Macau, Ribeiro tem esperanças que tal seja possível fazê-lo no circuito citadino chinês de Wuhan que este ano recebe uma jornada do WTCR, no mês de Setembro. Sérgio Fonseca
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FUTEBOL CRISTIANO RONALDO RECEBIDO POR CENTENAS DE ADEPTOS EM TURIM RISTIANO Ronaldo foi ontem recebido de “forma calorosa” por centenas de adeptos ao chegar à sede da Juventus, em Turim, onde vai realizar exames médicos e assinar oficialmente com o clube italiano. O jogador português chegou a Itália no domingo, um dia antes do esperado, tendo sido recebido por milhares de pessoas que empunhavam cartazes em que se podia ler “bem-vindo” em português. A Juventus informou que o avançado português aterrou no aeroporto de Caselle, em Turim, pouco depois das
FÓRMULA 1 FIA DÁ NEGA AO VENCEDOR DO GP MACAU
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MPLANTADA o ano passado pela primeira vez no WTCC, no circuito citadino português de Vila Real, o conceito da Joker Lap passa por criar mais um factor de imprevisibilidade nos circuitos urbanos, onde as ultrapassagens são mais difíceis, usando para isso uma variante que os pilotos utilizam, à semelhança do que já
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“Não há fisicamente uma localização para fazer uma Joker Lap em Macau. Eu fiz uma volta ao circuito mais de dez vezes e não há mesmo um local.”
17h30 locais a bordo do seu avião privado. Ontem de manhã, Cristiano Ronaldo, cercado de guarda-costas, foi recebido por centenas de adeptos da equipa italiana às portas da clínica do clube, onde vai realizar exames médicos. “Ronaldo, Ronaldo, Ronaldo” e “Ronaldo traz a Liga dos Campeões”, gritavam os fãs. “É um campeão absoluto que chega, vai ser muito interessante participar do seu quotidiano, principalmente no trabalho”, comentou seu futuro companheiro de equipa, Claudio Marchisio.
De acordo com a imprensa italiana, Ronaldo deve juntar-se depois à equipa no final de Julho depois do regresso de uma tournée nos Estados Unidos. O capitão da selecção portuguesa deixou o Real Madrid após nove temporadas, durante as quais conquistou 16 troféus, incluindo quatro Ligas dos Campeões, e se tornou o melhor marcador da história do clube espanhol, com 451 golos em 438 jogos.
vencedor do último Grande Prémio de Fórmula 3, Daniel Ticktum, viu a Federação Internacional do Automóvel (FIA) fechar-lhe as portas, por agora, à Fórmula 1. A Red Bull, que gere a carreira do inglês de 19 anos, está a estudar a possibilidade de substituir o piloto neo-zelandês Brendon Hartley na equipa Toro Rosso, devido aos parcos resultados que este tem obtido. O piloto que antes de vencer Macau tinha feito as manchetes por ser banido um ano das corridas, após ter colidido propositadamente num rival quando militava na Fórmula 4, estava designado para participar
no primeiro treino-livre do Grande Prémio da Hungria de Fórmula 1, mas a FIA não aprovou. Isto, porque Ticknum não tem pontos suficientes para pedir a Super-Licença necessária para participar na disciplina rainha do automobilismo. Apesar do Grande Prémio de Macau ter uma importância reconhecida internacionalmente, não oferece qualquer pontos para a Super Licença aos vencedores. Estes pontos são atribuídos apenas aos primeiros três classificados de campeonatos designados. O Dr Helmut Marko, o influente director desportivo da Red Bull, espera que Ticknum possa participar no testes da Fórmula 1 no final do ano no Abu Dhabi, testes esses que decorrem no princípio da semana do Grande Prémio de Macau e que poderão condicionar o regresso de Ticknum ao Circuito da Guia no mês de Novembro.
14 (f)utilidades TEMPO
17.7.2018 terça-feira
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AGUACEIROS
O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje
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Quinta-feira
CONCERTO COM CHAI KEFU X CHON CHAN Live Music Association | Das 21h00 às 00h00
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CONCERTO “UMA NOITE COM PIANO NA GALERIA ASSOCIAÇÃO ELITE” Fundação Rui Cunha | 18h00
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Sábado
O CARTOON STEPH 14
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9 1 8 7 6 3 2 5 3 7 4 8 2 6 EXPOSIÇÃO “AYIA” 6Garden 7 |1 5 3 8 4 Casa Até 9/9 4 5“UNIVERSO” 9 6 2 7 3 EXPOSIÇÃO Armazém do Boi | Até 9/9 8 2 3 1 9 4 5 EXPOSIÇÃO “APROFUNDAR” 3 9 6 8 5 1 7 Art Garden | Até 9/9 1 4 5 2 7 6 9 EXPOSIÇÃO “CHAPAS SÍNICAS” Museu 7 das8Ofertas 2 sobre 3 a4Transferência 9 1 EXPOSIÇÃO “ART IS PLAY” Grande Praça – MGM | Até 9/9
de Soberania de Macau | Até 7/8
5 9 2 1 7 4 8 6
1 5 7 4 9 3 6 8 2
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“MARC CHAGALL – LUZ E COR NO SUL DE FRANÇA” MAM | Até 26/8
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9 5 6 7 7 2 4 1 6N 8E3M9 1 6 5 2 4 1 9 3 2 7 8 4 5 4 7 6 3 9 1 8 8 3 2 5
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Um filme de: Rawson Marshall Thurbe Com: Dwayne Johnson, Neve Campbell, Chin Han 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
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9 6 7 1 2 8 3 9 4 5 2 1 6 3 8 3 4 5 7 1 SKYSCRAPER 5 8 4 2 9 1 BEIRUT 7 [C]3 8 6 4 2 1 6 7 6 CODE 5THEGEASS 8 LELOUCH 9III [B]3 OF REBELLION 7 9 2 5 4 SALA 3
Um filme de: Brad Anderson Com: Jom Hamm, Rosamund Pike 14.30, 16.30, 19.15
FALADO EM JAPONÊS LEGENDADOEM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Goro Taniguchi 21.15
6 9 2 7 4 1 8 3 5
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6 |2 8 3 |5 ELA ELIS7 REGINA 19712 9 3 1 8 9 6 5 4 7 1 5 37
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1 5 4 3 7 9 6 8 2
2 8 7 6 4 5 3 9 1
16
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4 9 2 7 5 Depois 5 3dos6primeiros 1 4 sucessos que colocaram 4 5no mapa 2 9 o3 seu nome da Música Popular Brasi6 (MPB), 8 9Elis4 3 leira Regina decidiu, no nono álbum 7 2 1 6 8 da sua carreira, abraçar as ondas 9 do 5chamado 3 8tropi2 calismo (de que Caetano 1 6é apenas 4 9um de7 Veloso muitos nomes sonantes) 7 8ao seu 5 pú-1 e2 mostrar-se blico de sempre de forma inovadora. Destaque para “Cinema Olympia”, uma composição de Caetano Veloso, e “Argonautas”. Andreia Sofia Silva
com.mo
3 7 9 8 8 3
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PROBLEMA 15
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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 14
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Um filme de: Peyton Reed Com: Paul Rudd, Evangeline Lilly, Michael Douglas 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2
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8 1DISCO 7 3 6 HOJE 9 4 5 UM
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3 8 5 4 2 6 1 7 9 7 4 5 8 2 6 9 1 3 7 6 ANT-MAN AND THE 4 5 9WASP2[B] 5 9 8 3 7 4 [B]2 1 SKYSCRAPER 6 1 3 8
8 3 4 2 6 5 1 9 7
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Sou jornalista e, apesar de ter de escrever de vez em quando sobre processos judiciais, pouco percebo de Direito. Contudo, tenho a percepção de que uma lei deve ter conceitos perfeitamente claros: é exactamente isto que quer dizer e não uma coisa qualquer, alvo fácil de decisões arbitrárias dos tribunais e das autoridades. A vontade do Governo de criminalizar os boatos ou rumores é, por si só, estranha, e por mais declarações que o secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, dê, continuamos a não perceber qual é mesmo o objectivo. Tudo isto começou quando, no tufão Hato, alguém escreveu nas redes sociais que tinham morrido mais pessoas do que aquelas que, de facto, 16 morreram. Aí o Governo decidiu que tinha o ponto de partida ideal para criminalizar boatos. Mas isto quer dizer o quê? Se eu escrever algo que é mentira num grupo de Whatsapp, posso ser presa durante um ano? Só vale se eu souber que é mentira, e ainda assim divulgar essa informação nas redes sociais? Se eu contar uma mentira no Café Caravela, posso ser presa? O comunicado que Wong Sio Chak divulgou no seu website oficial, e que hoje noticiamos, continua a pecar por não ser claro e directo. Obrigou-nos a andar de volta de conceitos. O que é que querem criminalizar mesmo? É desta forma que o Governo quer legislar sobre coisas que influenciam o dia-a-dia das pessoas? É assim tão urgente? Andreia Sofia Silva
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S U D O K U
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Sexta-feira
CONCERTO “CHAMBER EVENING WITH BEETHOVEN” Fundação Rui Cunha | 20h00
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DICIONÁRIO A QUANTO OBRIGAS 14
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V CICLO DE CINEMA CREDDM - "FIREWALL" Casa Garden | 19h30
RHYS LAI - WORKSHOP DE PINTURA PARA PAIS E FILHOS Fundação Rui Cunha | 15h00
BAHT
VIDA DE CÃO
EXPOSIÇÃO “LIFE IN FOCUS”, DE LUNA CHANG Fundação Rui Cunha | 18h30
Amanhã
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Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
opinião 15
terça-feira 17.7.2018
RUI TAVARES in Público
P
ARAescreverestacrónica tive de ir procurar o nome completo da presidente da Croácia, Kolinda Grabar-Kitarovic. E ao preencher as palavras “presidente d...” no motor de pesquisa da internet reparei que a sugestão automática era logo “... da Croácia”. Ainda antes de “Presidente de Portugal” ou “Presidente dos EUA”. Se bem entendo como funcionam estas coisas, isto quer dizer que à mesma hora milhões de pessoas procuravam o nome da presidente da Croácia. Tal facto é testemunho da força que tem um acontecimento como uma final de um campeonato mundial de futebol como a de ontem, na qual a França se sagrou campeã por 4-2 contra a Croácia. Ambas as equipas fizeram um percurso extraordinário, a França tornou-se bicampeã com um futebol emocionante, a Croácia foi finalista pela primeira vez com uma incrível capacidade de resistência, nada disso está evidentemente em questão. Mas depois há o mundo para lá do futebol, e nesse mundo não é todos os dias que um país como a Croácia, com quatro milhões de habitantes, está sob os olhares globais como esteve ontem, num campeonato de visibilidade planetária a que a França está mais do que habituada. Quem viu a alegria dos dois presidentes da república, da França e da Croácia, abraçando cada jogador de ambas as seleções — a sua e a dos adversários — viu também outra coisa. A certa altura começou a chover. Muito. E tanto Emmanuel Macron como Kolinda Grabar-Kitarovic ficaram imediatamente encharcados. Só que ali mesmo ao lado estava Vladimir Putin, o presidente da Rússia, que como anfitrião entregava as medalhas aos jogadores, e muito rapidamente se providenciou um chapéu de chuva para proteger Vladimir Putin. A diferença de tratamento entre os presidentes durou um minuto e meio, mas mesmo quando trouxeram chapéus de chuva para Emmanuel Macron e Kolinda Grabar-Kitarovic, estes lá continuaram alegremente encharcados, saindo de debaixo dos guarda-chuvas e abraçando cada um dos jogadores que encharcados estavam também. Putin, por sua vez, cumprimentava cada jogador com um aperto de mão e assim evitava molhar-se com mais contacto humano. É fácil ceder à tentação de fazer interpretações políticas a partir do futebol. E como é fácil ceder, eu às vezes — confesso — cedo. Uma vez o eurofóbico britânico Nigel Farage
JAMES MARTIN
Putin tem medo da chuva
disse que “a Bélgica nem é uma nação a sério, é uma criação artificial”. E eu ontem fui recuperar essas declarações, depois de ver a Bélgica derrotar a Inglaterra, e acrescentei: “pois é artificial, mas ganhou dois-zero”. Sei que é pecado, e eu não deveria pecar, mas não resisto. Agora poderia pecar dizendo que afinal, nesta época em que se diz que “o multiculturalismo falhou”, a equipa da França multicultural funciona e de que maneira. Mas lá está, provando que ter uma realidade multicultural e optar pelo multiculturalismo político não é a mesma coisa, a verdade é
Quer gostemos ou não deles, os presidentes democráticos sabem que quem anda à chuva molha-se. Já Putin não pode ser visto a arriscar uma molha sem que pressurosamente o isolem da intempérie. Putin tem medo da chuva. Imaginem o medo que não terá da democracia
que muitos jogadores franceses não disseram só “Vive la France”, disseram sobretudo “Vive la République”. Uma república multicultural embora não multiculturalista, e isso daria pano para mangas — mas não numa crónica sobre futebol. Porque afinal os croatas poderiam também ter ganho, e aí que diríamos nós — que, sendo a Croácia um país tão devoto (a presidente Kolinda Grabar-Kitarovic, que fala português, veio recentemente ao nosso país para ir a Fátima), o catolicismo funciona? Lá tenho eu então de enfiar a viola das interpretações políticas no saco do “afinal isto é só futebol”. Mas já a chuva, essa, desculpem-me, não é só futebol. Putin organizou um campeonato de futebol impecável para mostrar a eficácia do seu regime. Provavelmente conseguiu-o: ele gosta de se fazer muito mais forte do que os presidentes que estão dependentes do eleitorado. Mas mostrou ontem também outra grande diferença que tem em relação a presidentes de democracias. Quer gostemos ou não deles, os presidentes democráticos sabem que quem anda à chuva molha-se. Já Putin não pode ser visto a arriscar uma molha sem que pressurosamente o isolem da intempérie. Putin tem medo da chuva. Imaginem o medo que não terá da democracia.
A verdade é como o Sol. Ela permite-nos ver tudo, mas não deixa que a olhemos.
terça-feira 17.7.2018
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Victor Hugo
PALAVRA DO DIA
Casinos Receitas do jogo VIP perto dos 9ME no primeiro semestre
METEOROLOGIA POSSIBILIDADE “MODERADA” DE SINAL NÚMERO 3
A
O início desta tarde existe a possibilidade de ser içado o sinal número 3 de tufão, de acordo com as informações prestadas ontem pelos Serviços Meteorológicos e Geofísico (SMG), ontem à noite. Na altura em que foi emitido um comunicado do Governo, havia uma depressão tropical perto de Luzon, nas Filipinas, que se movia rapidamente para sentido oeste e que se previa que cruzasse parte do Norte do Mar do Sul da China. “À medida que a depressão tropical se desenvolve de forma gradual e se move rapidamente, a circulação periférica e as bandas de chuva associadas vão trazer clima instável à costa meridional da China”, explicaram os SMG. “Espera-se que o vento aumente no fim do dia de manhã (17), e as chuvas se tornem mais frequentes, acompanhadas de trovoada”, é acrescentado. Em relação à probabilidade de ser içado o sinal número 8, esta era considerada “baixa”. Ao mesmo tempo, os SMG avisaram que poderá voltar a haver inundações, como aconteceu no fim-de-semana. “Embora se espere que amanhã [hoje] a maré alta seja mais baixa do que nos últimos dias, a maré poderá ser afectada pela depressão tropical e deste modo, ainda pode haver inundações de cerca de 0,5 metro, na zona de baixas, entre 11 e 15 horas da manhã”, é referido. O Governo apela ainda à população “que continue a prestar atenção à informação actualizada” e tome as “medidas preventivas necessárias”.
Cinco minutos de ouro Wan Kouk-koi consegue 750 milhões de dólares para a sua criptomoeda
U
M antigo líder de uma tríade de Macau angariou, em menos de cinco minutos, 750 milhões de dólares (640 milhões de euros) para a sua nova criptomoeda (HB), noticiou o jornal South China Morning Post. De acordo com a edição de domingo do jornal de Hong Kong, o objectivo de Wan Kouk-koi, mais conhecido como "Dente Partido", é lançar, com uma empresa de Pequim, torneios de xadrez e póquer na ilha de Hainão, no sul da China. O antigo líder do ramo de Macau da tríade chinesa 14K lançou uma oferta inicial de moeda num evento no Camboja, no qual estiveram presentes responsáveis governamentais e militares, empresários e celebri-
dades da China continental e de Hong Kong, afirmou o jornal. No total, a empresa de Wan, World Hung Mun Investment, indicou ter vendido 450 milhões de 'tokens' da criptomoeda HB em três eventos no Camboja, Tailândia e nas Filipinas. O próximo e final evento vai acontecer na quarta-feira, na Malásia. A empresa de "Dente Partido" está a planear emitir mil milhões de 'tokens' na criptomoeda HB, sendo parte do montante para pagar os prémios dos torneios de xadrez e póquer. No início deste mês, a empresa Zhonggongxin Cosmos (Pequim) Internet Technology Limited, que organiza jogos de xadrez e póquer 'online', afirmou ter assinado um acordo com a companhia de investimento de Wan para uma parceira em
torneios de xadrez e póquer em Hainão. Guo Jia, funcionário da Zhonggongxin, com autorização exclusiva do Governo chinês para organizar dois tipos de jogos de póquer, disse que o torneio de Outubro pode prolongar-se por todo o ano. Os prémios, no valor total de mais de 10 milhões de yuan, vão ser pagos pela World Hung Mun e outros parceiros. Em Fevereiro, a China anunciou que iria tentar travar o uso de criptomoedas como a Bitcoin, incluindo o encerramento de firmas que negoceiam em moedas virtuais e respectivas plataformas de intercâmbio. A agência chinesa detalha que o banco central chinês quer encerrar todas as plataformas que fazem transacções de moedas criptografadas.
As receitas do jogo VIP dos casinos de Macau, angariadas nas salas de grandes apostas, atingiram quase nove milhões de euros no primeiro semestre de 2018, um crescimento anual de 11,8 por cento, foi ontem divulgado. Entre Janeiro e Junho, as receitas geradas pelo jogo VIP fixaram-se nas 83,99 milhões de patacas, contra as 71,4 milhões de patacas registadas no período homólogo, indicou a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ). No ano passado, as receitas geradas pelo segmento VIP voltaram a crescer, invertendo a tendência dos últimos anos, e atingiram 150.673 milhões de patacas. Só o jogo VIP contribuiu para mais de metade (56,7 por cento) do total arrecadado pelos casinos de Macau em 2017. Os casinos de Macau fecharam o último ano com receitas de 265.743 milhões de patacas, um aumento de 19 por cento que pôs termo a três anos consecutivos de queda.
Saúde Palestras de Agosto dedicadas à obstetrícia e medicina interna
O conteúdo das palestras promovidas pelo Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHCSJ), a realizar no mês de Agosto vão centrar-se em temas ligados à medicina interna e à obstetrícia. À excepção das palestras de obstetrícia, cujas inscrições são efectuadas nas consultas pré-natais, as inscrições para as restantes podem ser efectuadas, directamente e a título gratuito, nos Centros de Saúde e nos balcões de inscrição para consultas externas diferenciadas do CHCSJ, ou por via telefónica.
INUNDAÇÕES GOVERNO ANUNCIA REFORÇO DE MEDIDAS DE PREVENÇÃO E RESPOSTA
O
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Chefe do Executivo de Macau afirmou ontem que o Governo vai reforçar as medidas de prevenção e de resposta imediata às inundações, nomeadamente na eficácia dos alertas prévios e das mensagens emitidas em tempo real. Chui Sai On falava durante uma reunião interdepartamental, convocada na sequência das cheias ocorridas durante o fim-de-semana, que afectaram sobretudo a zona do Porto Interior, onde o nível de água subiu até aos 50 centímetros. Na opinião do governante,
"as mensagens e a informação, emitidas em tempo real, podem ser transmitidas ao público por mais canais de comunicação e, em situações previstas de casos excecionais de maré cheia, deve-se aumentar os alertas de aviso", segundo um comunicado do porta-voz do Governo. Chui Sai On garantiu, na mesma ocasião, que o Governo determinou já "uma série de medidas e projectos de obras para resolver o problema das cheias no Porto Interior, que vão desde a drenagem até à prevenção e protecção".
De acordo com o Chefe do Executivo, as autoridades estão a aproveitar as obras actualmente em curso, na Avenida Almeida Ribeiro, para efectuar, ao mesmo tempo, "obras de preparação para corresponder ao sistema contra inundações, no intuito de minimizar o impacto, no futuro, causado às vias principais do trânsito". Apelou, por fim, aos serviços competentes "uma resposta mais eficaz sobre o impacto que a época das tempestades tropicais e do mau tempo trazem à cidade".