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As múltiplas Limpezas Confiança nas tarefas de Alexis de Primavera metas a atingir página 4
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hojemacau um alunos de curso de direito em portugal
De Macau até à Lapa
Sairam de Macau para estudar numa das mais antigas universidades do mundo. Em Coimbra vivem 27 chineses que fazem o primeiro ano da licenciatura em Direito do curso bilingue da UM. Sonhos e histórias de jovens académicos, futuros causídicos do território.
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s e g u n d a - f e i r a 1 6 d e m a r ç o d e 2 0 1 5 • ANO X I V • N º 3 2 9 1
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reportagem
O primeiro curso em português e chinês de Direito leccionado pela Universidade de Macau leva os alunos a passarem o primeiro ano da licenciatura na Universidade de Coimbra. Os 27 alunos de Macau dividem-se entre as aulas de português na Faculdade de Letras e as aulas de Direito. Fomos conhecer as histórias de quem se aventurou numa nova vida académica, numa das mais antigas universidades portuguesas Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
S
ão os primeiros estudantes de um “programa completamente novo e pioneiro”. São 27 alunos que deixaram o pequeno território do sul da China para passar a ter aulas de Direito na Universidade de Coimbra (UC), em Portugal, durante um ano. Todos os dias atravessam a histórica Porta Férrea para aprenderem as bases do Direito para que, um dia, possam ser advogados ou juristas em Macau. Eles são alunos da primeira licenciatura bilingue em Direito criada pela Universidade de Macau (UM), que arrancou oficialmente em Setembro. O HM falou com cinco deles, por e-mail, que nos recordaram os primeiros dias numa cidade desconhecida e o dia-a-dia agitado que vivem, dedicado ao estudo. “Lembro-me sempre da noite em que cheguei a Coimbra. Era uma noite típica de Outono, com um belo pôr-do-sol.” As palavras são de Miyako, o estudante que um dia chegou a pensar ser médico. Mas a cabeça esteve sempre virada para as leis. “Comecei a ler livros por in-
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A vida dos alunos do curso bilingue de Direito da UM em Portugal
Estudar as leis de capa fotos cedidas pelos alunos
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fluência da minha família, o que levou ao meu interesse em estudar Direito. Por isso decidi candidatar-me”, conta ao HM. A escolha da licenciatura bilingue surgiu pela vontade de ir a Portugal. “Em qualquer curso os estudantes precisam de aprender uma outra língua, mas não a conseguem usar como uma obra-prima. Na licenciatura bilingue temos a oportunidade de estudar em Portugal durante um ano, e podemos treinar a língua num ambiente nativo. Depois de voltarmos para Macau, temos aulas em ambas as línguas, o que garante a nossa precisão no futuro”, assume. Colombo, com 18 anos, já estudava português há seis meses, quando decidiu inscrever-se num curso que lhe daria um acesso diferente ao Direito. A chegada à
“Lembro-me sempre da noite em que cheguei a Coimbra. Era uma noite típica de Outono, com um belo pôr-do-sol” Miyako Estudante
cidade dos estudantes trouxe-lhe à memória a sua Macau de origem. “A primeira impressão que tive da cidade foi de choque, porque encontrei muitas características semelhantes com Macau, como o estilo da arquitectura dos edifícios ou dos transportes públicos, e fez-me sentir como se estivesse em Macau.” O facto dos níveis de poluição serem bem menores também ajudou. “A qualidade do ar em Portugal também é melhor do que em Macau. A qualidade de vida desta cidade é melhor, embora seja menos próspera. Mas é uma vida simples e confortável”, conta o estudante.
Aulas de manhã à noite
Colombo revela orgulho por todos os dias estudar numa “faculdade tão bonita”, “um lugar onde muitos turistas tiram fotografias”. Mas nem tudo é perfeito. “Acho que há um problema com o horário das aulas. Todos os dias temos aulas até às oito da noite, depois voltamos para a residência às dez. Assim que acabamos os nossos assuntos triviais e revemos a matéria, é hora de ir dormir. Acho que não há muito tempo livre para relaxar”, conta. Carmen, também nascida em
Macau, sempre sonhou ser advogada e tinha a noção de que precisava aprender as duas línguas oficiais da RAEM. Ao HM, assume-se como “caloira”, termo usado em Portugal para os novos alunos do ensino superior. Dos primeiros tempos em terras lusas reconheceu de imediato a bondade dos portugueses. Das aulas destaca a paciência dos docentes. “As aulas são muito convenientes para os estudantes estrangeiros. Os professores dão-nos muita ajuda e os colegas também. Acho que me estou a adaptar bem ao ritmo, porque mesmo que os alunos europeus aprendam mais rápido, os professores esperam sempre que todos tenham percebido a lição”, conta.
“As aulas são muito convenientes para os estudantes estrangeiros. Os professores dão-nos muita ajuda e os colegas também” Carmen Estudante
Biana Kin Wai Lau recorda que, nos primeiros três meses, “era muito difícil entender o que os outros diziam, mas temos vindo a melhorar passo a passo”. O seu colega Belmiro, que já estudava na escola secundária Luso-Chinesa Luís de Gonzaga Gomes, também sentiu dificuldades num mundo onde os caracteres não têm lugar. “A maioria de nós tinha poucas bases de português antes de vir para Portugal. Tivemos muitas dificuldades quando o curso de Direito começou e era preciso que os professores explicassem alguns conceitos em inglês. Mas depois de seis meses, já nos adaptamos ao modo de ensinar dos professores e já não temos tantas dificuldades”, ressalva Belmiro. Para este aluno, “os professores são muito pacientes e experientes, alguns dos quais são autores dos livros jurídicos e dos Códigos que vigoram em Macau. Os materiais de ensino são todos em português, o que nos ajuda muito na aprendizagem da língua”, frisa.
As queimas e as latadas
Estudar em Coimbra é sinónimo de uma vida académica repleta de festas. Todos os anos se celebram a
reportagem 3
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e batina festa das latas, para os caloiros, e a queima das fitas, virada para quem acaba o seu curso. Qualquer aluno estrangeiro não fica indiferente a esta tradição muito própria da cidade, e os de Macau tentam viver cada momento. “Em Outubro, com a organização dos nossos amigos portugueses, fui à latada com os meus colegas. Participámos na serenata, no concerto e no cortejo para o baptismo”, recorda Belmiro, que assume não concordar muito com as praxes, rituais académicos de recepção aos novos alunos. “A tradição académica é bem interessante e muito típica. Quanto às praxes, é impossível vê-las em Macau e em toda a China. A primeira vez que vi, achei interessante. Acho que é bom para os novos alunos conhecerem os colegas, mas não concordo com algumas das formas usadas, porque os caloiros são quase sempre maltratados e até aconteceram alguns casos graves”, defende. Para Colombo, a participação nestas festas representa uma boa forma de integração. “Embora sejamos de um país diferente, os portugueses recebem-nos com
muito prazer. Achei muito divertido participar nessa festa especial. Esta tradição académica é boa para nós, porque além de nos libertar do stress dos estudos, podemos adaptar-nos à vida na universidade. Gostava que houvesse estas
actividades em Macau no futuro”, considera o aluno.
Sonhos e projectos
Quando deixarem Coimbra e depois a UM, Belmiro, Carmen, Biana, Colombo e Miyako farão parte do primeiro grupo de licenciados em Direito a dominar as duas línguas oficiais de Macau e a responder a uma forte necessidade do mercado jurídico local. No caso de Belmiro, vive em si um forte sentido de justiça. “Gostava de continuar a estudar e fazer um mestrado para aperfeiçoar os meus conhecimentos em Direito.
Macau ainda precisa de muitos profissionais bem qualificados. Mas quero ser advogado. Muitos olham para os advogados como pessoas que só ajudam os ricos. Mas para mim um advogado serve para defender a justiça”, assume. Enquanto Biana entrou para este curso para seguir o seu sonho desde sempre e Miyako quer continuar a estudar, Colombo ainda não sabe muito bem o que quer fazer. Mas há uma luz no horizonte. “Se poder acabar, vou esforçar-me para ser juiz, porque é uma profissão com desafios”. Também Carmen quer ser juíza, para “seguir um sonho de criança”.
“Os professores são muito pacientes e experientes, alguns dos quais são autores dos livros jurídicos e dos Códigos que vigoram em Macau. Os materiais de ensino são todos em português, o que nos ajuda muito na aprendizagem da língua” “Macau ainda precisa de muitos profissionais bem qualificados. Mas quero ser advogado. Muitos olham para os advogados como pessoas que só ajudam os ricos. Mas para mim um advogado serve para defender a justiça” Belmiro Estudante
Docentes traçam balanço positivo do arranque do curso
“Sinto-me feliz por ver o progresso dos meus alunos” E
m Coimbra os 27 alunos de Macau não estão sozinhos. Têm vindo a ser acompanhados pela docente Eva Jiang, especialista em Direito do Ambiente que actualmente está a tirar o doutoramento na UC. Ao HM, Eva Jiang fala de um “programa completamente novo e pioneiro”. “Os alunos estudam aqui a língua portuguesa, e ao mesmo tempo as noções básicas de Direito. A UM e a UC chegaram à conclusão de que seria mais produtivo e adequado que os nossos alunos estejam numa turma especial, onde os docentes da FDUC leccionam só para eles. As disciplinas foram pensadas para habituar os alunos aos termos jurídicos em português, e para oferecer uma base mínima de conhecimento jurídico”. Criar um novo curso de raiz, com deslocações de alunos para o outro lado do mundo, implicou os normais constrangimentos. “Se tiver de apontar dificuldades, talvez tenham a ver com os trabalhos administrativos relacionados com os alunos. Eles foram colocados em três residências universitárias diferentes, o que faz com que o meu trabalho de acompanhamento e supervisão leve a muitas deslocações entre as mesmas”. “Por outro lado, como os alunos têm aulas em simultâneo nas duas faculdades, às vezes sou eu quem ando a fazer ligação entre elas, quer em relação aos horários, quer noutros pontos que dizem respeito ao estudo dos alunos”, acrescenta. Mas no final, Eva Jiang não esconde a alegria. “Nada é perfeito, muito menos quando estamos a fazer uma coisa que nunca foi feita antes por ninguém. Mas sinto-me sempre feliz ao ver os progressos dos meus alunos”, assume.
Eva Jiang defende que um ano em Portugal não é suficiente para uma aprendizagem completa do regime jurídico português. “Este primeiro ano de estudos em Portugal deve ser considerado para os nossos alunos como uma entrada para o mundo das leis em português. As condições que eles têm são favoráveis, mas um ano nunca será suficiente, pelo que os alunos devem fazer funcionar os métodos e experiências que adquirem em Coimbra para melhor aplicarem os seus estudos quando regressarem a Macau.” Do lado de Macau, o docente Iau Teng Pio
estabelece a ponte com Coimbra, tendo visitado os alunos em Dezembro para fazer uma avaliação. “Verifiquei que a maioria dos estudantes, ao fim de três meses, era capaz de estudar em português”, conta ao HM. Contudo, “o tempo dedicado às obrigações académicas e ao convívio social pode ser mais bem coordenado, a fim de melhorar os resultados, tendo em conta os objectivos”, acrescenta o docente. Também Iau Teng Pio considera que um ano em Coimbra não é suficiente para que aprendam todas as valências da língua de Camões. Por isso,
“Este primeiro ano de estudos em Portugal deve ser considerado para os nossos alunos como uma entrada para o mundo das leis em português. As condições que eles têm são favoráveis, mas um ano nunca será suficiente” Eva Jiang Docente, especialista em Direito do Ambiente
“no Verão e nos próximos anos, temos prevista a organização de um programa de acompanhamento para melhorar o domínio do português pelos alunos”. A organização de cursos adicionais e a instalação de um laboratório de línguas viradas para o meio jurídico são outros projectos pensados.
Mudanças são possibilidade
Gabriel Tong, vice-director da Faculdade de Direito da UM, também traça um balanço positivo deste primeiro ano. “A maior parte dos alunos não tem conhecimentos de língua portuguesa e não estão habituados a viver fora de casa, por isso não se pode dizer que tenha sido muito fácil. Mas arranjámos uma professora para tomar conta deles e a fazer o contacto com as universidades. Alguns alunos têm dificuldades mas a maioria deles estão a dar-se bem em Portugal”, conta. Para já, não há planos para prolongar a estadia dos alunos em Portugal. “Um ano é razoável, mas depois eles têm outras oportunidades, se os alunos conseguirem entrar no colégio de honra no terceiro ano terão hipóteses de estar mais meio ano em Portugal. A Faculdade de Direito só tem recursos para os ter lá um ano, e há várias hipóteses de cooperação.” Gabriel Tong, também deputado nomeado, não esconde que mudanças ao nível curricular podem vir a acontecer no primeiro curso de Direito bilingue em Macau. “É possível. Estamos a recolher opiniões e temos de reunir dentro da faculdade para ver se há aperfeiçoamentos a fazer”, concluiu. - A.S.S.
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política
Para as Linhas de Acção Governativa de Alexis Tam, Secretário para os Assuntos Sociais e Culturais, há quem frise a necessidade de uma reforma na educação, melhor gestão da habitação existente, finalização do novo Hospital das Ilhas e médicos especializados Leonor Sá Machado
Leonor.machado@hojemacau.com.mo
A
s Linhas de Acção Governativa estão aí à porta e uma das pastas que mais assuntos polémicos arrecada é sem dúvida a Secretaria para os Assuntos Sociais e Cultura, actualmente dirigida por Alexis Tam. A braços com temas como o aumento progressivo das rendas de casa, a falta de creches para os mais novos e, mais recentemente, o fluxo crescente de turistas na cidade, o Secretário apresenta os seus planos de governação para este ano em meados do próximo mês. O HM contactou membros de associações locais e especialistas e a maioria concorda com a necessidade de se investir mais na educação escolar, havendo mesmo quem peça uma reforma educativa para modernizar o sistema de ensino. Quem advoga em prol desta ideia é Rita Santos, membro da direcção da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM). “Tem que haver uma reforma do sistema de educação, porque ainda sabemos de jovens que se queixam de que nas escolas os obrigam a memorizar e depois não desenvolvem a capacidade de análise”, começa Rita Santos por apontar. Quem também defende a criação de campanhas de sensibilização social e construção de mais espaços escolares e de apoio a crianças com deficiência é Eliana Calderon, presidente da Associação Macau Child Development. “As infra-estruturas actualmente existentes já só conseguem cobrir 30% das necessidades reais da sociedade”, começa a responsável por dizer. O número de crianças com deficiência a precisar de auxílio está, de acordo com Eliana
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LAG 2015 Especialistas querem mudanças na educação e saúde
Assuntos a mais no ano das reformas Calderon, a aumentar exponencialmente. Para fazer face à realidade é então necessário amenizar a política de contratação de trabalhadores não-residentes, que na opinião fazem falta devido à escassez de pessoal local qualificado. “Neste momento, estamos a pedir novamente ajuda ao Governo porque não temos pessoal suficiente para trabalhar [na associação], pelo que espero que seja um dos assuntos em cima da mesa”, justificou. Para Eliana Calderon, outro dos problemas tem que ver com o preço exacerbado das rendas, que impossibilita várias instituições de exercerem as suas funções. “Nós estamos com dificuldades em manter-nos abertos devido ao preço das rendas e acredito que o mesmo aconteça com outras [associações]”, continua a presidente.
Português com todos
A antiga Secretária-geral Adjunta do Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum Macau) lembra que também é importante reforçar, de forma efectiva, o ensino do português nas escolas. Contudo, diz Rita Santos, é necessário abranger também as
infra-estruturas fique à responsabilidade do Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a antiga Secretária-geral adjunta do Fórum acredita que estas são matérias que dizem respeito às duas pastas e devem ser devidamente coordenadas. “O Secretário Alexis Tam devia trabalhar em conjunto com o Secretário para os Transportes e Obras Públicas para resolverem estas questões, e rapidamente”, comentou a responsável.
Identificar os problemas
instituições de ensino privadas. “É preciso desenvolver, seriamente, um programa de ensino da língua portuguesa, incluindo nas escolas privadas porque sinto que até há crianças que gostam de aprender, mas não podem porque não existe [essa disciplina]”, lamentou a responsável.
Lotação esgotada
Outra das preocupações de Rita Santos está relacionada com a lotação de espaços recreativos e de lazer na cidade. Na sua opinião, Alexis Tam deveria debruçar-se sobre esta questão, fazendo por montar uma rede de espaços deste género, como são campos
desportivos, jardins e espaços verdes. O que também não fica de fora da agenda da representante da ATFPM é a escassez de casas. “É preciso analisar bem a situação das famílias, até porque há várias casas vazias, nomeadamente em Seac Pai Van”, disse ao HM. Macau está, para Rita Santos, a sofrer com a falta de infra-estruturas de apoio aos residentes, algo que ilustra com a falta de um espaço de cuidados de saúde que está já para ser feito há vários meses, naquela mesmo zona de habitação económica de Coloane. “(...) ficou prometida uma clínica que não está pronta”, frisou. Embora a questão da habitação e
“Tem que haver uma reforma do sistema de educação, porque ainda sabemos de jovens que se queixam de que nas escolas os obrigam a memorizar e depois não desenvolvem a capacidade de análise”
“O mais importante não é contratar médicos, mas sim pessoal especificamente qualificado, nomeadamente nas especialidades [médicas], como Cardiologia ou Medicina Interna”
“Tem-se falado muito em contratar mais pessoal, mas o Governo tem que se começar a focar na qualidade e não na quantidade porque sabemos que nem sempre as duas coincidem”
Rita Santos Membro da direcção da ATFPM
Paul Pun Secretário-geral da Cáritas Macau
Eric Sautedé Ex-docente da Universidade de São José
Já Paul Pun, Secretário-geral da Cáritas Macau, considera que o mais importante não passa por simplesmente tapar os buracos, mas sim de forma correcta e pensada. O dirigente referia-se à questão da falta de profissionais no ramo da saúde. “O mais importante não é contratar médicos, mas sim pessoal especificamente qualificado, nomeadamente nas especialidades [médicas], como Cardiologia ou Medicina Interna”, explicou Paul Pun ao HM. Antes de mais, o responsável da Cáritas refere que o Governo tem que ter capacidade para identificar os principais problemas dos residentes. “As políticas sociais [do Governo] são direccionadas à população e especialmente a quem precisa”, continua Paul Pun. Para isso, sublinha, é necessário que as autoridades discutam, nas LAG, a melhor forma de gerir recursos, sejam eles financeiros ou monetários. O ex-docente da Universidade de São José, Eric Sautedé, parece concordar, em certa medida, com Paul Pun. Embora Sautedé admita que há vários problemas para resolver, confessa estar “confiante” na nova Administração que entrou em funções no final de 2014. No entanto, questões como a falta de pessoal médico com qualidade nos serviços públicos é, para o politólogo, um dos assuntos mais prementes. “Tem-se falado muito em contratar mais pessoal, mas o Governo tem que se começar a focar na qualidade e não na quantidade porque sabemos que nem sempre as duas coincidem”, frisou. O académico sublinha ainda que as faltas de visão, preparação, comunicação e consistência entre os vários órgãos administração e serviços públicos são outros dos assuntos que precisa de resolução. “Acredito que as coisas se possam compor e julgo que Alexis Tam se fica no Governo por mais do que um ano, até porque várias coisas só se resolve a longo prazo”, frisou. Sautedé aproveitou ainda para lembrar que é preciso investir no redireccionamento dos turistas para a periferia, bem como melhor especificar os trâmites do Regime do Ensino Superior, aprovado na generalidade este ano. Alexis Tam deverá apresentar as LAG para os Assuntos Sociais e Cultura nos próximos dias 13 e 14 de Abril, na Assembleia Legislativa.
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O
deputado à Assembleia Nacional Popular, Chui Sai Peng, sugere que através de benefícios de taxa e conveniência de procedimentos, o papel de Macau como “Intermediário Comercial e Negocial entre a China e os Países de Língua Portuguesa”,(PLP), poderá ser beneficiado, alargando assim a sua função como plataforma do território. Segundo o Jornal Ou Mun, Chui o 12º plano quinquenal do País e Macau oferece uma direcção de desenvolvimento para o território, que é o de se tornar uma plataforma de cooperação entrea China e os Países de Língua Portuguesa. Para Chui esta meta poderá ajudar a impulsionar a diversificação da economia, destacando a cultura, história e as vantagens de competitividade de Macau. Em relação aos benefícios do imposto, sugere o deputado, que os departamentos competentes do interior da China implementem a diminuição de imposto para produtos e serviços dos PLP que fazem escala em Macau para entrar na província Guangdong, de acordo com os Acordos de Parceria Económica Reforçada (CEPA). Propõe ainda que caso os respectivos produtos e serviços façam o seu processamento em Macau, podem, por isso, ser classificados “Made in Macau”. Assim os produtos podem usufruir de isenção de impostos, fazendo com que o papel de Macau possa atingir um nível mais alto, em combinação com a cooperação Guangdong- Macau. - F.F.
MGM aumenta salários a trabalhadores
A MGM Macau anunciou na sextafeira aumentos salariais para os trabalhadores sem posição de gestão, que serão beneficiados com subidas de salário entre 6 e 8%. Em nota enviada à imprensa, a MGM Macau explica que os beneficiários da subida de salários, em vigor a partir de 23 de Março e decidida devido ao aumento do custo de vida na cidade - onde a inflação em 2014 ultrapassou ligeiramente os 6% -, são os trabalhadores sem cargos de gestão, sendo que aqueles que auferem 12.000 patacas ou menos vão ser aumentados em 700 patacas, o que equivale a subidas entre 6 e 8%. Para os restantes trabalhadores, com vencimentos acima das 12.000 patacas, o aumento previsto é de 5%, refere a nota. O aumento é feito sem influenciar os bónus anunciados no mês de Fevereiro equivalentes a cerca de dois meses de vencimento. “Vamos continuar a investir na promoção e no desenvolvimento de talentos locais entre os elementos da nossa equipa”, disse o director executivo da MGM Macau, Grant Bowie.
Governo Sónia Chan admite mudanças mas sem despedimentos
Tempo de arrumar a casa O Chefe do Executivo já tinha avançado que poderiam existir mudanças estruturais nos secretariados, agora Sónia Chan confirma que os planos existem e vão ser colocados em prática. Nas arrumações da casa governativa uma coisa é certa: ninguém será despedido Filipa Araújo
Filipa.araújo@hojemacau.com.mo
A
s declarações surgiram este sábado pela boca da Secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, o Governo vai levar a cabo reformas administrativas e uma reestruturação nos secretariados do executivo. Medida já anteriormente defendida pelo próprio Chefe do Executivo, Chui Sai On. “Temos planos para vários departamentos. Vamos coordenar as várias decisões que vão ser assistidas pelos Serviços de Administração e Função Pública”, afirmou a Secretária à TDM, sublinhando que o Governo considera “que há uma sobreposição de departamentos mas [estes] vão ser melhorados”. Mesmo assim, garante Sónia Chan “reformular a estrutura governativa não significa despedir pessoal”. “Isto significa melhoramentos na qualidade de serviços e eficácia administrativa”, clarificou a Secretária.
Ordem na casa
A representante afirmou ainda que a reestruturação das instituições consultivas irá começar em breve e será feita de forma faseadas. Em breve será avançada
tiago alcântara
ANP Pedidos benefícios de taxa para PLP
a reorganização nos “serviços da área da justiça, sendo que o sector cultural e recreativo da tutela do Instituição para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) aguardará pela fase final”. Sónia Chan anunciou ainda
que “a área da administração e justiça destaca a reforma administrativa, a coordenação da legislação e a recensão legislativa, além disso, após os encontros recentes com as associações nas áreas de direito, indústria e comércio, e trabalha-
“Reformular a estrutura governativa não significa despedir pessoal. Significa melhoramentos na qualidade de serviços e eficácia administrativa”
operários FAOM apela revisão de leis para evitar acidentes
Depressa e bem não há quem Flora Fong
flora.fong@hojemacau.com.mo
A
Comissão de Direitos da Federação das Associações de Operários de Macau (FAOM) apela ao Governo para prevenir os acidentes em obras de construção, consolidando a fiscalização e obrigando as construtoras a implementar medidas que assegurem a segurança dos trabalhadores. Segundo o Jornal Ou Mun, a chefe da respectiva comissão, Ella Lei citando dados da Direcção dos Serviços para Assuntos Laborais (DSAL) mostra que nos primeiros três trimestres do ano passado
foram registados 890 feridos em acidentes de trabalho, nos locais de construção, número que superou os valores do ano de 2013. A também deputada acredita que esta frequência de acidentes de construção está relacionada com a pressa na conclusão das várias obras. Tendo em conta o período de pico a nível de construção vivido no território, Ella Lei espera que autoridades competentes supervisionem de forma eficaz os sítios das
construções, tendo como por missão evitar acidentes. “Os construtores têm vários deveres, no entanto, a DSAL referiu que nos casos de penalidade do sector de construção, existiu alguma falta de medidas de protecção colectiva, as irregularidades mais comuns foram a falta de cercas com altura de 90 cm e de rodapé de 15 cm, sendo as restantes do foro de segurança no que respeita ao uso de electricidade”, enumera. Ella Lei apela ainda a que o Governo consolide as inspecções, publicando as situações de irregularidades, especialmente de acidentes graves e repetidos que já causaram
dores da função pública, ficaram a conhecer-se as dificuldades no dia-a-dia e no trabalho das diversas camadas sociais”, esclarece um comunicado à imprensa. Por fim, a Secretária garantiu que serão divulgadas mais informações no relatório das Linhas de Acção Governativa (LAG). Recorde-se que é já para a próxima semana que o Chefe do Executivo marcará presença na Assembleia Legislativa para a apresentação das LAG que vão terminar no mês de Abril.
vítimas mortais. A deputada defende que é preciso publicar um relatório detalhado, bem como mais e melhores sugestões de melhoramento das próprias regras de segurança.
Aumento de penalidade
Indo mais longe, Ella Lei admite que o mais sensato seria rever o Regulamento de Higiene no Trabalho da Construção Civil, as normas legais e ainda o Regulamento de Segurança e Higiene do Trabalho nos Estabelecimento Industriais, bem como os Regulamento de Segurança e Saúde Ocupacional. As revisões vão conseguir, defende a deputada, aumentar a penalidade de violações de segurança, especificando os deveres das empresas de construção, a qualificação dos construtores e a qualificação do próprio pessoal de supervisão.
6 política
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PIB cai 0,4% no ano passado
Construção Mak Soi Kun quer regime de classificação e credenciação profissional
O deputado Mak Soi Kun lembrou, na semana passada, que é urgente implementar um regime de classificação e credenciação profissional que assegure a qualidade das obras em Macau Flora Fong
flora.fong@hojemacau.com.mo
O
deputado Mak Soi Kun criticou a falta de pessoal devidamente qualificado sentida no sector da construção civil, apelando para que fosse implementado um regime de credenciação profissional que inclua a classificação dos níveis de profissão, de modo a assegurar a qualidade das obras desenvolvidas no território. De acordo com notícia
publicada no jornal Ou Mun, o deputado refere que o número de obras de construção em Macau aumentaram, mas a qualidade destas piorou. Mak Soi Kun acredita que o problema da falta de qualidade das infra-estruturas e edifícios erigidos só se resolve com a implementação de certificação obrigatória dos operários e de uma classificação própria, ajudando a garantir a segurança e qualidade das obras. “O Governo da RAEM não valoriza a formação de técnicos do sector de construção, os níveis da
profissão não foram elevados, o que faz com que os jovens raramente prefiram trabalhar em locais de construção, o que por sua vez não permite resolver o problema de recursos humanos no sector”, apontou o deputado. No que toca ao surgimento de prorrogação e excesso de despesas na área das obras públicas, o deputado considera que tal também se deve à falta de credenciação e qualificação de funções como avaliador ou orçamentistas de terrenos e propriedades.
Diplomas desajustados
Além disso, Mak Soi Kun critica o uso da Lei de Compras – que data dos anos 80 – para entrada em concursos das Obras Públicas, algo que para o deputado não faz sentido. A lógica passa pela noção do vencedor do concurso ser a pessoa ou empresa que oferecer o orçamento mais em conta. Assim, o deputado considera
tiago alcântara
Qualidade pouco ou nada garantida “Actualmente, o sector (construção) está ainda em desenvolvimento e é por isso mesmo que o Governo deve promover a credenciação o mais rápido possível, exigindo que os operários trabalhem com certificado”
que a lei não faz jus à inflação que actualmente influencia os custos no sector da construção. Tudo isto, diz, mostra sérias falhas e pede um regime completo de supervisão de qualidade das obras, inclusive que ajude a colmatar a escassez de profissionais experientes nas empresas de fiscalização. “O sector já apresentou sugestões para a credenciação profissional há vários anos, tendo mesmo passado por um ‘período dourado’, mas uma vez que
nada foi posto em prática, penso que se desperdiçou uma boa oportunidade de mudar”, disse o deputado em declarações ao Ou Mun. “Actualmente, o sector está ainda em desenvolvimento e é por isso mesmo que o Governo deve promover a credenciação o mais rápido possível, exigindo que os operários trabalhem com certificado, procedendo-se também à classificação de diferentes níveis de construtores”, rematou.
O Produto Interno Bruto de Macau caiu 0,4% em 2014, naquela que é a primeira queda desde a transição em 1999 e num movimento potenciado pela descida, em termos reais, de 17,2% no último trimestre do ano. De acordo com os dados dos Serviços de Estatística de Macau (DSE), a economia local cresceu 13,1% no primeiro trimestre, 8% no segundo e iniciou um período de queda no terceiro trimestre com uma contracção de 2,3%. No último trimestre do ano, o produto Interno Bruto diminuiu 17,2%. O Produto Interno Bruto foi de 443,3 mil milhões de patacas e o PIB per capita de 713.514 patacas o que traduz uma diminuição real de 4,79%.
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ANÚNCIO 【13/2015】 (N.º do processo: 04/ADM-HE/2014) No uso da competência delegada pela alínea 3) e 4) do n.º 18 do Despacho n.º 06/IH/2015, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 7, II Série, de 18 de Fevereiro de 2015, e Nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vimos por este meio notificar LAI TAI MING e LAI TAI SHING, proprietários da fracção do 7.º andar-J do Bloco III do Edifício de Macau, situado na Rua da Fábrica, n.º 198, do seguinte: Conforme as averiguações efectuadas por este Instituto, verificou-se que LAI TAI MING e LAI TAI SHING, proprietários da fracção do 7.º andar-J do Bloco III do Edifício de Macau, instalaram ilegalmente a bomba de água no lugar dos contadores de água no espaço comum. Apesar da instalação da bomba de água, não constituir impacto sobre o bom funcionamento do sistema de água, todavia, a instalação da bomba de água e os seus suportes nas paredes exteriores do espaço comum, violam o disposto na alínea g) do n.º 2 do artigo 16.º do Decreto-Lei n.º 41/95/M, de 21 de Agosto, “Não proceder à alteração das janelas e paredes exteriores”. De acordo com o n.º 1 do artigo 19.º do mesmo Decreto-Lei, deve apresentar, por escrito, a sua defesa, e todas as provas testemunhais, materiais, documentais ou as demais provas que lhe sejam favoráveis, no prazo de 10 dias, a contar da data da publicação do presente anúncio. Caso apresente a defesa fora do prazo, ou a explicação não seja admitida por este Instituto, de acordo com o artigo n.º 19.º do mesmo Decreto-Lei (disposição sobre o processo de aplicação das multas), ficarão os proprietários acima referidos sujeitos à aplicação da multa de MOP 1 000,00, nos termos da alínea a) do n.º 1 do artigo 18.º. Se for necessário consultar o respectivo processo, poderão dirigir-se ao Instituto de Habitação, sito na Travessa Norte do Patane, n.º 102, Ilha Verde, Macau, durante as horas de expediente, e contactar o Sr. Sun (tel. n.º 2859 4875, extensão n.º 742). O Chefe, Subst.º, da Divisão de Assuntos Jurídicos,
Nip Wa Ieng 10 de Março de 2015
sociedade
hoje macau segunda-feira 16.3.2015
Universidades portuguesas apostam em Macau
De olho nos estudantes gonçalo lobo pinheiro
Durante o fim-de-semana passado várias universidades portuguesas marcaram presença na Exposição Internacional de Ensino Superior tendo como principal objectivo atrair alunos de Macau. O território é assim visto como uma porta de entrada para a grande China
“Para nós é muito claro que há vários mercados importantes. Certamente que o mercado de países falantes de português é um alvo, e o mercado de maior potencial a seguir a esse talvez seja a China” António da Cunha Presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas
A
s universidades portuguesas querem atrair “várias centenas” de alunos de Macau nos próximos “dois ou três anos”, disse o presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), António da Cunha. O CRUP esteve até ontem na Exposição Internacional de Ensino Superior de Macau, que começou na sexta-feira, em representação de 15 universidades públicas portuguesas. Na feira, que pretendia atrair os alunos do ensino secundário de Macau, estavam também, a título individual, a Universidade de Coimbra e a Universidade do Porto. “Em licenciatura agora há muito poucos [alunos de Macau], o que não quer dizer que não haja vários alunos em programas de mobilidade. Há potencial para chegar às várias centenas. Acho que as coisas se vão começar a desenvolver já este ano, mas nos próximos dois ou três haverá uma evolução crescentemente positiva nesse sentido”, afirmou o presidente.
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Ainda assim, o também reitor da Universidade do Minho explica que o grande objectivo é a China. “Os números de Macau em valor absoluto são sempre relativamente baixos mas o que é importante é a utilização de Macau como plataforma para [chegar aos] estudantes chineses”, disse.
Nova fase
António da Cunha explicou que as universidades portuguesas entraram numa fase de intensa internacionalização, algo que
não era possível até ao ano passado devido ao “quadro legal”, e por isso querem recrutar alunos estrangeiros para as suas licenciaturas e não apenas para os graus seguintes. “Para nós é muito claro que há vários mercados importantes. Certamente que o mercado de países falantes de português é um alvo, e o mercado de maior potencial a seguir a esse talvez seja a China, quer pela dimensão, quer pelo interesse que tem no espaço que fala português e pela presença
IC Festival Tou Dei pode ser Património Cultural Imaterial
O Instituto Cultural (IC) espera que o Festival Tou Dei possa ser incluído na Lista do Património Cultural Imaterial de Macau no próximo ano. De acordo com o Jornal Ou Mun, a Associação de Mútuo Auxílio dos Moradores do Patane afirmou que a crença de Tou Dei é abrangente no território, o IC contactado várias associações do Templo Dou Tei representativas de Macau para que seja preparada a declaração do Festival Dou Tei para a Lista do Património Cultural Imaterial, esperando que se possa conseguir antes do festival do próximo ano, ou seja, dia 2 de Fevereiro do calendário lunar.
das empresas chinesas. A China precisa de muitos profissionais que falem português para operar nesses países”, comentou. Esta abordagem é confirmada pela vice-reitora da Universidade do Porto (UP), Maria de Fátima Marinho. “A UP está neste momento a apostar fortemente na internacionalização e nas ligações com universidades de áreas geográficas que não eram as tradicionais, daí o interesse pela China e por Macau”, argumentou. De acordo com a vice-reitora,
13% dos alunos da UP são estrangeiros e a instituição gostaria de ver uma subida até aos 25 ou 30%. Quanto aos alunos de Macau, o objectivo é conseguir atrair até aqueles “que não têm nenhuma raiz portuguesa” - esse é um dos motivos que levou a universidade a participar nesta feira, onde está pela primeira vez. Maria de Fátima Marinho acredita que a UP deve também investir “noutro tipo de cooperação ou intercâmbio”, além da atracção de alunos para cursos integrais. “Podem ir fazer um ano, um semestre, a Portugal e depois continuar os seus estudos em Macau”, exemplifica. De acordo com o coordenador do Gabinete de Apoio ao Ensino Superior, Sou Chio Fai, o número de finalistas do ensino secundário que escolhem as instituições de ensino superior locais está a aumentar - são agora 60%, em comparação com os 55% de há cinco anos. Ainda assim, muitos escolhem estudar fora. A Exposição Internacional de Ensino Superior de Macau contou com a participação de 112 instituições de mais de uma dezena de países, incluindo Portugal, Japão, Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Suíça e Áustria. - HM com Lusa
Now You See Me 2 Associação diz que rodagem promove Macau
O director da Associação de Indústria Turística de Macau, Wu Keng Kuong considera que a rodagem de algumas cenas do filme Now You See Me 2 em Macau ajudam a promover o sector de turismo e as atracções do território. Segundo o Jornal Ou Mun, o director referiu não foram muitas as vezes que o território aproveitou para se promover através de filmes ou telenovelas. Este filme de Hollywood e as celebridades que nele participam irão ajudar a promover o sector, beneficiando ainda a imagem turística internacional de Macau. Wu sugere ainda que o Governo promova mais apoios para que outras situações deste género aconteçam no território.
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Filipa Araújo*
filipa.araujo@hojemacau.com.mo
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OI no passado sábado que os boletins de inscrição para os alunos do ensino infantil, que se matriculam este ano pela primeira vez, ficaram disponíveis. A medida, que está no seu segundo ano de vigência, foi criada, segundo o Governo, para que os pais ou encarregados de educação possam decidir o mais cedo possível, a escola mais conveniente para os seus educandos, assim como, permitir às próprias escolas simplificar os trabalhos administrativos referentes a essa admissão. Até o final do presente mês, os encarregados de educação poderão imprimir o talão de matrícula em mais de 30 locais entre Macau e as Ilhas. Os pais necessitam apenas do pub
bilhete de identidade de residente em Macau válido dos seus educandos que entram, pela primeira vez, no ensino infantil. “Cada criança só pode imprimir o talão uma vez e as cópias não serão válidas”, esclarece a Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ).
Tudo sobre rodas
Ao Jornal Ou Mun, a chefe da DSEJ, Leong Wai Kei referiu que o resultado desta medida atingiu mais de 90% comentários positivos no universo das escolas e encarregados de educação. Desde o início da sua implementação, no ano passado, o feedback tem sido muito positivo, esclareceu. “A medida unificou o tempo da publicação de inscrição, e com isto os pais pagam apenas uma vez a taxa de reserva para as escolas, assim,
DSEJ Boletim de inscrição vantajoso para todos
É só esperar na fila gonçalo lobo pinheiro
No seu segundo ano de implementação, o boletim de inscrição para os alunos do ensino infantil que se inscrevem pela primeira vez, está disponível desde o passado sábado. Autoridades garantem que a medida tem atingido o seu propósito e agradado a todos
poupa-se tempo e dinheiro”, argumentou. Leong Wai Kei salientou que através do aumento de inscrições e ajustamento de salas de aula, as vagas do ensino infantil aumentaram para 7900, enquanto foram registados na
Direcção dos Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC) 7300 alunos com idade adequado para o ano, portanto, defende, existem vagas suficientes. Também a deputada Wong Kit Cheng, em declarações à TDM,
“A medida unificou o tempo da publicação de inscrição, e com isto os pais pagam apenas uma vez a taxa de reserva para as escolas, assim, poupa-se tempo e dinheiro” Leong Wai Kei chefe da DSEJ
mostrou-se apologista da medida. “[A medida] permite que as escolas confirmem o número de estudantes e também possibilita que os pais tenham outra opção, por isso, acho que é uma situação vantajosa para ambas as partes”, disse. Leong Wai Kei avançou ainda que as autoridades competentes vão reunir com as escolas no fim do presente mIes, para apresentar um conjunto de novas ideias sobre o acesso escolar ao ensino infantil, incluindo um registo unificado de inscrições. -*com Flora Fong
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SS Subsídios de consultas privadas atingiram objectivo
Flora Fong
flora.fong@hojemacau.com.mo
Menos tempo na sala de espera
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A medida foi implementada no fim do primeiro mês do 2015 e, defendem os Serviços de Sáude, já está a mudar o cenário das longas filas de espera para o atendimento de consultas nas infra-estruturas médicas. Menos tempo de espera, mais subsídios e até a aplicação para o telemóvel, tudo tem facilitado a vida dos pacientes tiago alcântara
S Serviços de Saúde (SS) afirmam que as clínicas das quatro instituições e o Hospital Privado Kiang Wu, locais onde foi implementada a medida para os subsídios para o atendimento de consultas públicas, registaram um aumento do número de consultas. Enquanto isso, afirmam, o tempo de espera no hospital público diminuiu, levando por isso os SS a defender que a medida está a atingir os seus objectivos. No dia 29 de Janeiro foi implementada a medida dos subsídios de 230 patacas e de 110 patacas no Hospital Kiang Wu e nas clínicas da Federação das Associações de Operários de Macau (FAOM), da Associação Geral dos Chineses Ultramarinos de Macau, da Aliança do Povo de Instituição de Macau e da Associação de Nova Juventude Chinesa de Macau, que pretende beneficiar os residentes menores de dez anos ou com mais de 65 anos, estudantes de escolas primárias e secundárias, mulheres grávidas, portadores de deficiência residentes com dificuldade económica, bem como funcionários públicos e os seus familiares.
Mais consultas, menos espera
Segundo o Jornal Ou Mun, os SS referiram que depois do primeiro mês de implementação da nova medida, receberam mais de 24 mil entradas nas consultas no Hospital S. Januário, assinalando assim um aumentou de 18% comparado com o período homólogo. Relativamente às clínicas das instituições médicas, registou-se um aumento de quase duas vezes mais no caso do Centro Médico Son Vo da Associação da Nova Juventude Chinesa de Macau. Já o Hospital de Kiang Wu o aumento foi de 98%. Feitas as contas, até ao momento, os subsídios para as instituições chegaram os dois milhões setecentos mil patacas. Os SS, acrescentam ainda, que a medida tem sido de forma regular supervisionada, tendo as autoridades médicas mantido um contacto próximo com as instituições. Os serviços consideram ainda que a medida chegou ao resultado previsto, ou seja, o tempo de espera assinalou uma queda de 15% depois da implementação da aplicação para os telemóveis que permite verificar as horas das consultas.
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director nacional da PSP portuguesa está em Macau para uma visita de cinco dias em que a cooperação com a congénere local é o principal objectivo. “Esta visita insere-se naquilo que é um quadro já muito antigo de cooperação entre a Polícia de Segurança Pública de Portugal e o Corpo da Polícia de Segurança Pública de Macau”, disse Luís Farinha em declarações à agência Lusa e à Rádio Macau, à margem do aniversário da Polícia de Segurança Pública. O mesmo responsável recordou que a PSP portuguesa, cuja
PSP Representante português em Macau
De mãos dadas matriz organizacional foi e é a seguida pela corporação de Macau, formou para a actual Região Administrativa Especial chinesa várias unidades como o Grupo de Operações Especiais, tudo antes da transição de poderes a 20 de Dezembro de 1999. “A cooperação técnico policial é, como referi, já muito antiga. Nós formamos cá algumas unidades como o Grupo de Operações Espe-
ciais, temos tido uma cooperação em vários domínios incluindo no domínio social e no domínio da formação com a PSP de Macau porque a matriz organizacional é a mesma em ambas as forças”, sublinhou Luís Farinha.
Ampliar relações
Em Macau no quadro do aniversário da PSP de Macau, Luís Farinha aproveitou também a
visita para o “desenvolvimento da cooperação que é entendido pelas duas forças como adequada e necessária” e porque os comandantes das duas forças entendem que “há espaço” para o reforço, desenvolvimento e melhoramento dessas sinergias. Com uma estada na Região Administrativa Especial até quarta feira, Luís Farinha ainda não visitou a unidade do Grupo de Operações Especiais uma das ‘jóias da coroa’ deixada por Portugal em Macau, mas sabe, do seu conhecimento de unidades especiais e de informações dos seus antecessores, que a unidade macaense é “uma unidade
capacitada, tecnicamente evoluída do ponto de vista tecnológico e do ponto de vista da capacidade operacional para enfrentar as mais variadas do ponto de vista da ameaça”. Sublinhando estar “sempre aberto” à cooperação e troca de experiências, Luís Farinha disse ainda que em breve estará em Macau um novo grupo de formadores do Grupo de Operações Especiais para mais acções de formação naquela área e na segurança pessoal. Quanto ao futuro, disse, é “conversar e ver qual é o quadro” em que se vai “desenvolver a actividade”, concluiu.
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Não é a primeira vez que Jorge Forjaz leva a cabo um trabalho como este. Quase dez anos depois o genealogista prepara uma nova versão da sua obra “Famílias Macaenses”
Hong Kong Instalação de artista português na Art Basel
Urbanidade em grande escala O artista português João Vasco Paiva está entre 20 artistas seleccionados para expor a sua obra, à base de esferovite, numa zona de instalações de grande escala da Art Basel Hong Kong, que arrancou no domingo. Esta é a segunda participação de João Vasco Paiva na feira em Hong Kong do artista português nascido em Coimbra e a viver na antiga colónia britânica desde 2006, A instalação “Masuleum” é descrita como “uma homenagem às formas urbanas” e tem cerca de 5,6 por 3,4 metros, sendo composta por 208 caixas de esferovite. “Acho que é a primeira vez que um artista que está em Hong Kong mostra um trabalho desta dimensão na feira e é curioso que me tenham escolhido a mim”, afirmou à agência Lusa Desta vez com o artista participa com a galeria Edouard Malingue. “Na secção geral (da feira) estou a apresentar alguns trabalhos da galeria, que consistem em esculturas moldadas a partir de caixas de esferovite encontradas em mercados em Hong Kong (…). E na secção “Encounters”, destinadas às instalações de grande dimensão, vou mostrar a “Masuleum”. “A peça maior foi especialmente comissariada para ser mostrada na Art Basel. A outra (que vai ser exibida na área geral da feira) ainda não tinha sido exibida, mas fazia parte de um grupo de trabalhos que comecei há cerca de dois anos”, adiantou. “Masuleum” é para João Vasco Paiva “interessante porque as caixas – como as que aquelas que são usadas para transportar as obras de arte para a feira – normalmente não têm uma importância estética ou uma importância social”. “São elementos que são usados para carregar outros objectos (…) e esse é o centro do meu trabalho”, afirmou.
No centro das atenções
A participação na Art Basel Hong Kong é “importante” por ser “uma das feiras mais importantes do panorama internacional, que dá visibilidade ao trabalho, não só
Novo mapa das Famí
Ligad
O
para Hong Kong, mas para todo o público internacional”. “Mas, ao fim e ao cabo, é uma feira com fins comerciais, não de arte. Por isso não tem muito a ver com a minha prática artística, não tem necessariamente a ver com a minha identidade como português, ou como alguém que vive em Hong Kong”, acrescentou. A seguir à Art Basel em Hong Kong, João Vasco Paiva volta este mês a expor no interior da China, no Centro de Arte Contemporânea, em Guangzhou, na província chinesa de Cantão. Apesar de já contar no currículo com várias exposições no interior da China, considera que “não é fácil” para um artista não asiático entrar neste mercado.
À venda na Livraria Portuguesa A Vida Passou Por Aqui • Luís Francisco Que relação poderá existir entre um motorista de táxi à beira da reforma, um toxicodependente que rouba carteiras, um arquitecto com mão leve, uma solteirona apostada em fazer o bem ou uma rapariga que disse aos pais que andava na faculdade e, afinal, vive à custa de um homem casado? Numa história com uma construção extremamente original, em que desfilam figuras muito diferentes, mas todas inesquecíveis,AVida Passou porAqui é uma espécie de confirmação da teoria do efeito borboleta: porque, na teia que é a vida, sempre que alguém puxa um fio, mesmo sem se dar conta, acaba por embaraçar, mais do que gostaria, as vidas alheias…
“Eu comecei por mostrar trabalho na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil enquanto vivia em Hong Kong. Por isso nunca me preocupei muito com este mercado e com o mercado chinês. E acho que isso também facilitou a minha aceitação, em vez de estar a tentar impor-me”, observou. Cerca de 3.000 artistas participam este ano na Art Basel de Hong Kong, representando 180 galerias. A Galeria Pedro Cera é a única portuguesa presente, de acordo com a informação disponível no ‘site’ da feira. Do universo lusófono, marca presença o Brasil com as galerias Casa Triângulo, Mendes Wood DM, e Nara Roesler. AArt Basel Hong Kong decorre até quarta-feira.
genealogista Jorge Forjaz, que em Outubro de 1996 lançou a primeira edição de “Famílias Macaenses”, está a “refazer” a obra, um trabalho que espera contribuir para a preservação da memória de uma comunidade em risco de desaparecer. “A gente macaense forjou-se ao longo da história com a mistura de gentes que vinham um pouco de todo o mundo e que vinham parar a Macau (…) e aqui se cruzavam e por aqui ficavam preservando uma determinada memória, uma determinada cultura, uma cultura portuguesa com as suas próprias especificidades macaenses, mas uma cultura portuguesa”, explicou. Nos dias que correm, defendeu, isto já não acontece e a facilidade de comunicações e de movimentação de pessoas permite um contacto maior com as origens que pode levar ao desaparecimento da forma como se conhece ainda hoje a comunidade macaense. O artista argumentou ainda que há gente da comunidade radicada em Portugal cujos netos, pouca ou nenhuma ligação têm a Macau. Por isso, sublinhou, a impor-
tância da obra “é a preservação da identidade macaense que, a prazo, daqui a 100 anos, pode não haver ninguém que diz ‘eu sou macaense’”, pelo menos da forma como o afirma no momento actual. Em Macau, até 9 de Abril, o artista estará em investigação no Arquivo Histórico de Macau. Jorge Forjaz recordou que a revisão da obra lançada em 1996 permitirá, por exemplo, acrescentar uma nova geração de macaenses que não existiam à época do primeiro lançamento, mas também servirá para “corrigir” informações que estejam erradas, várias delas relacionadas com datas, que já foram identificadas pelos visados. “Os homens muitas vezes não se lembram da data do casamento, ou
(a importância da obra) “É a preservação da identidade macaense que, a prazo, daqui a 100 anos, pode não haver ninguém que diz ‘eu sou macaense’”
Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net
Jonas Savimbi – no lado errado da História • Emídio Fernando Biografia de Savimbi no momento em que se assinalam dez anos da sua morte. «Jonas Malheiro Savimbi, aos 32 anos, atingia a sua grande e almejada glória ao ser eleito, por unanimidade e aclamação, presidente de uma nova organização política, precisamente na mesma região onde viria a ser abatido 36 anos depois. Mais tarde, assumia que a ideia, de criar um novo movimento, nascera em Champaix, uma vila na Suíça, em conversas com Tony da Costa Fernandes e cujos estatutos começaram a ser redigidos por ambos.»
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ílias Macaenses em preparação
dos à História de nascimento dos filhos”, contou, em tom de brincadeira, recordando alguns dos reparos que recebeu após o lançamento da primeira edição em 1996. Com um trabalho facilitado pelas novas tecnologias, Jorge Forjaz ao olhar para trás, recorda como foi possível compilar a primeira edição de “Famílias Macaenses”, com três volumes e cerca de 3.300 páginas descritivas das cerca de 450 famílias de Macau identificadas. “Para a primeira edição eu mandava cartas, um sistema medieval, e agora mando emails”, explicou, salientando também que a nova informação a inserir no retrato das famílias macaenses advém de “nova documentação que apareceu nos arquivos de Portugal e Macau”.
Financiamento precisa-se
O genealogista quer ter o novo trabalho pronto no último dia do ano, para depois começar a edição para o lançamento para o qual não tem ainda financiamento, mas que acredita que será possível com a participação do Albergue da Santa Casa da Misericórdia, do Conselho das Comunidades Macaenses e do Instituto Português do Oriente que, aliás, proporcionaram “esta fase da investigação”. O repto para reformular “Famílias Macaenses” lançou-o em Dezembro de 2013 num Encontro das Comunidades Macaenses e, agora, o objectivo é lançar a obra no próximo encontro no final de 2016. Jorge Forjaz vai participou, ainda no sábado passado, no seminário Famílias Macaenses, em que abordou, juntamente com o tailandês de origem portuguesa/macaense Pathorn Sequeira, o tema das famílias que se radicaram na Tailândia. Pathorn Sequeira é director da banda de jazz do rei da Tailândia, que compôs uma ópera inspirada na chegada dos portugueses ao reino do Sião, um trabalho que pretende, um dia, levar aos palcos de Portugal, Macau e Banguecoque. - HM com Lusa
Exposição Chio Ting Song no Centro UNESCO
Será inaugurada amanhã, pelas 18h30, a “Exposição de Pintura de Chio Tin Song”, mostra integrada no Projecto de Promoção de Artistas de Macau e organizada pela Fundação de Macau. O momento irá acontecer no Centro UNESCO de Macau e estarão disponíveis para apreciação 70 trabalhos. Durante a cerimónia será ainda lançado um álbum com todos os trabalhos ali expostos. O artista chinês, é natural de Xinhui, Guangdong, residente em Macau, tem dedicado a sua vida à pintura a óleo e à pintura chinesa. Actualmente, desempenha os cargos de Vice-Presidente Executivo da “Macao International Artist Association”, de Vogal da Direcção da “Guangdong HK Macao Collector Association”, de Presidente Honorífico da Associação de Antiguidades de Jiangmen e de Consultor no Museu Sheng Rong. Chio Ting Song já marcou presença em vários países e as suas obras fazem parte de colecções permanentes de museus e galerias, tendo muitas delas sido adquiridas por coleccionadores privados. A exposição decorrerá até 24 de Março com entrada gratuita.
MGM Valquíria gigante de Joana Vasconcelos “toma conta” de praça
A
nova peça da série “Valquíria”, de Joana Vasconcelos, concebida especialmente para a “Grande Praça” do hotel-casino de Macau, foi inaugurada ontem e fica patente ao público de segunda-feira até 31 de Outubro. A peça “Valkyrie Octopus” é, segundo o ateliê da artista portuguesa, a “mais complexa” peça da série “Valquíria” criada até ao momento e está instalada na Grande Praça do MGM Macau, uma área com nome e réplicas arquitectónicas portuguesas, como a Casa dos Bicos. Com 35 metros de comprimento, 20 de altura e 1.200 quilos, a “Valkyrie Octopus” levou quase 10 meses a ser construída e é a maior peça da artista até à data. O trabalho é feito a partir de mais de 4.000 metros de tecido de várias cores, padrões e texturas, ornamentados com milhares de missangas e luzes LED (Díodo Emissor de Luz), as quais são alimentadas por 3.100 metros de cabos eléctricos. A escala monumental da “Val-
-kyrie Octopus” fez com que a peça fosse testada num hangar de aviões, envolvendo uma equipa de mais de 50 profissionais da arquitectura, engenharia, engenharia e metalurgia. Em Macau, o trabalho ficou concluído após “dez longos dias”, recordou Joana Vasconcelos, na sexta-feira, na apresentação da obra. A instalação combina artesanato e tecnologia, algo “complicado e bastante novo” no trabalho da artista, como afirmou. Além das luzes LED, aplicadas em conjunto com os trabalhos manuais em costura e crochê, Joana Vasconcelos recorreu “às técnicas de insufláveis para o enchimento, que permitiram um trabalho de maior dimensão”. “Trouxe muitas coisas que são tradicionais de Portugal”, explicou Joana Vasconcelos, ao descrever os trabalhos de costura e bordados de Nisa e Viana do Castelo na peça. “Tenho aqui técnicas da minha cultura em conjunto com tecnologia (...) Por isso é uma ponte entre o passado e o futuro”, sublinhou.
Sony Dois portugueses finalistas de concurso
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ónica Coteriano e Nuno Perestrelo estão entre os 20 finalistas da maior competição de fotografia do mundo. A votação online para apurar o grande vencedor do Prémio de Fotografia Mobile do Sony World Photography Awards 2015 decorre até dia 17 de Março. Em apenas quatro semanas, o concurso recebeu mais de 6.200 imagens. As 20 melhores fotografias foram seleccionadas por um painel de jurados internacional. O fotógrafo com mais votos ganha uma viagem até Londres, um smartphone e tablet topo de gama Sony Xperia e a oportunidade de ver a sua fotografia integrar uma exposição em Londres. Intitulada “Pensamentos secretos” a fotografia de Mónica Coteriano é uma das finalistas do concurso. Os artistas tiveram apenas um
mês, desde 27 de Janeiro, para inserir as melhores fotografias capturadas pelo seu telemóvel. A competição recebeu umas impressionantes 6.297 participações de todo o mundo neste curto período de tempo. A imagem com mais votos será declarada vencedora e vai ser revelada na cerimónia do Sony Photography Awards, em Londres, na quinta-feira, 23 de Abril. A Sony World Photography Awards é a maior competição de fotografia do mundo e este ano lançou uma nova competição dedicada à fotografia através de telemóveis. O Prémio Mobile foi introduzido de forma a reconhecer a crescente evolução tecnológica das câmaras dos smartphones que possibilitam uma maior capacidade e liberdade artística aos fotógrafos.
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Governo “ainda dispõe de instrumentos para estimular o crescimento”
Doses de confiança
No seu discurso após o encerramento da reunião anual da Assembleia Nacional Popular o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, manteve-se convicto de que a China, apesar das dificuldades, conseguirá atingir a meta de crescimento de “cerca de 7%”
O
primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, admitiu ontem que “não será fácil” a China crescer este ano “cerca de 7%”, mas salientou que o governo ainda dispõe de instrumentos para impulsionar o crescimento. “A boa notícia é que nos últimos dois anos não recorremos a estímulos massivos para fomentar o crescimento económico. Isso possibilita-nos amplo espaço para exercer regulação macroeconómica e ainda temos à nossa disposição uma série de instrumentos políticos”, disse Li Keqiang. O primeiro-ministro chinês falava numa conferência de imprensa realizada no Grande Palácio do Povo, em Pequim, após o encerramento da reunião anual da Assembleia Nacional Popular (parlamento). No relatório aprovado por 99% dos cerca de 3.000 deputados, o governo chinês preconiza para este ano um crescimento de “cerca de 7%”, menos 0,4 pontos percentuais do que em 2014 e menos 0,7 pontos percentuais do que em 2013 e 2012.
Na média
Um crescimento de 7% numa economia com a dimensão da
China, a segunda maior do mundo, a seguir aos Estados Unidos, equivale ao Produto Interno Bruto de um país médio, referiu Li Keqiang. “Queremos melhorar a qualidade e o desempenho da nossa economia e manter um índice médio-alto de crescimento”, afirmou o primeiro-ministro chinês. “Isso dará uma base sólida para conseguir a modernização e será também o contributo da China para a recuperação económica global”, acrescentou. Li Keqiang afirmou que o governo chinês “está preparado” para adoptar estímulos económicos se o abrandamento “vier a afectar o emprego e diminuir o rendimento da população”. “Estou confiante”, disse. O primeiro-ministro reconheceu que a China enfrenta “dificuldades” e “pressões de abrandamento”, mas insistiu que o país “deve manter um forte crescimento e fazer, ao mesmo tempo, ajustamentos estruturais”. “O desenvolvimento permanece a nossa primeira prioridade”, afirmou.
Poluidores advertidos de que poderão pagar “um preço incomportável”
Uma guerra sem fim à vista O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, advertiu ontem as empresas responsáveis pela elevada poluição no país que pagarão “um preço incomportável” se não cumprirem as leis acerca da protecção ambiental. “Temos de fazer com que o preço (por poluir) seja incomportável. Nin-
guém deve usar o seu poder para interferir no cumprimento da lei”, disse Li Keqiang numa conferência de imprensa em Pequim, após o encerramento da sessão anual da Assembleia Nacional Popular (ANP). O primeiro-ministro chinês respondia a uma pergunta acerca da alegada resistência das duas maiores petrolíferas estatais do país (Sinopech e
Petrochina) às novas leis sobre protecção ambiental. “O Governo está determinado a combater a poluição. Já fizemos muito, mas o progresso alcançado ainda está muito aquém das expectativas das pessoas”, afirmou Li Keqiang, sem mencionar nomes. A poluição, que tinge frequentemente de cinzento o céu de Pequim e de outras grandes cidades chinesas, é uma das
maiores fontes de insatisfação popular na China, a par da corrupção e das crescentes desigualdades sociais. “No ano passado, eu disse que o governo ia declarar guerra à poluição. Estamos empenhados em cumprir a promessa”, afirmou Li Keqiang.
Obra de todos
O primeiro-ministro chinês salientou que no relatório do
“A boa notícia é que nos últimos dois anos não recorremos a estímulos massivos para fomentar o crescimento económico. Isso possibilita-nos amplo espaço para exercer regulação macroeconómica” Li Keqiang Primeiro-ministro chinês
Em 2010, a China tornou-se a segunda economia mundial, ultrapassando o Japão, mas quanto ao valor do Produto Interno Bruto per capita, que Li Keqiang considerou um indicador “mais importante”, tem 80 países à sua frente, realçou o primeiro-ministro chinês. governo apresentado este ano à ANP, a redução de emissões figura entre as grandes metas da política económica, ao lado dos índices de crescimento, desemprego e inflação. “O combate à poluição é obra de toda a sociedade. Pode ser difícil uma pessoa mudar rapidamente o ambiente onde vive, mas pode sempre mudar o seu comportamento”, disse. O referido relatório, aprovado ontem por 99% dos cerca de 3.000 deputados da Assembleia Nacional Popular, preconiza uma redução de 3,1% nas emissões de dióxido de carbono.
Protesto contra a Birmânia pela morte de quatro chineses JAIME HUGO RODRIGUES AMARANTE
Falecimento
Partiu para a Eternidade o nosso pai Hugo Rodrigues Amarante, Chefe do Corpo dos Bombeiros, aposentado. As cerimónias fúnebres decorrem hoje, dia 16, com a celebração de uma missa às 20h00 na Casa Mortuária do Centro Diocesano de Macau, onde o seu corpo estará em câmara ardente desde as 16h00 do mesmo dia. No dia 17 Terça-feira, pelas 11:00 da manhã irá ter uma missa na Casa Mortuária do Centro Diocesano de Macau, após da missa o corpo será transportado para Zhuhai da China para cremadura. Em nome de toda a família, agradecemos penhoradamente a onda solidariedade, apoio, contribuições e amizade de todos os familiares, colegas amigos e conhecidos durante esta fase. Eternamente gratos, Cristóvão e Jaime Hyndman Amarante
A China apresentou uma queixa formal ao embaixador birmanês, depois da morte de quatro cidadãos na explosão de uma bomba em Yunnan, devido ao conflito que as vizinhas forças birmanesas e a guerrilha da minoria kokang travam. O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Liu Zhenmin, convocou o embaixador birmanês, Thi Linn Ohn, na noite de sexta-feira, pouco depois da morte dos
quatro cidadãos, informou sábado a agência oficial chinesa Xinhua. A bomba caiu numa plantação de cana-de-açúcar na cidade de Lincang, na província chinesa de Yunnan, na fronteira com a Birmânia ao início da tarde de sextafeira, fazendo quatro mortos e pelo menos nove feridos. Liu Zhenmin condenou o incidente e instou a Birmânia a investigar o caso e a manter a China a par dos resultados, bem como a punir “de forma adequada” os responsáveis e a tomar “medidas eficazes e imediatas” para evitar que a situação se repita, diz a Xinhua. Pequim já
tinha protestado formalmente junto da Birmânia há cinco dias, pela queda de projécteis em solo chinês, os quais danificaram uma casa na mesma província, ainda que sem causar vítimas. Na altura, o porta-voz da diplomacia chinesa Hong Lei aproveitou para recordar que o conflito entre a minoria kakong, que vive no norte da Birmânia, e as autoridades desse país havia cumprido já um mês, o que “afecta a estabilidade da zona fronteiriça”. Há uma semana, a China anunciou que mais de 60 mil birmaneses atravessaram a fronteira, fugindo do conflito armado.
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A
deputada chinesa Wei Liping disse que “encontrar o presidente Xi no dia 8 de Março foi o melhor presente do Dia Internacional Mulher”, num comentário muito citado na imprensa oficial. O encontro decorreu num salão do Grande Palácio do Povo, em Pequim, durante um debate com delegados da província de Guangxi à sessão anual da Assembleia Nacional Popular (ANP). É “uma oportunidade rara”, mas também “um enorme desafio”: “Toda a gente tem de estar pronta para enfrentar a rajada de perguntas e sugestões do presidente”, disse um jornal. A história de Wei Liping ilustra a nova narrativa em torno do actual líder chinês. Além de secretário-geral do Partido Comunista Chinês, o cargo politico mais importante do país, Xi Jinping é Presidente da República. Em 2014, o relatório apresentado à ANP pelo primeiro-ministro chinês - o prato forte da referida sessão - saudava, como sempre, os progressos realizados “sob a liderança do Comité Central do PCC com o camarada Xi Jinping como secretário-geral”. A expressão reaparece no relatório deste ano, mas acompanhada do adjectivo “firme” - “sob a firme liderança do Comité Central do PCC com o Camarada Xi Jinping como secretário-geral”.
Liderança parece rendida ao “Presidente Xi”
Querido camarada A “firme” chefia do Presidente chinês tem ofuscado as acções dos restantes membros do Comité Permanente do Politburo do partido
Abrandar à moda da casa
Xi Jinping, 62 anos, filho de um antigo vice-primeiro-ministro, é considerado um dos mais fortes líderes da história da República Popular da China, ao nível de Mao Zedong e de Deng Xiaoping. Dois anos e meio depois de ter assumido a chefia do PCC, Xi eclipsou os outros seis membros do Comité
Permanente do Politburo do partido, a cúpula do poder, e o próprio conceito de “liderança colectiva”, cultivado nas duas últimas décadas pelos seus antecessores, parece ter passado à História.
Sempre à frente
Xi encabeça vários “grupos dirigentes” do partido,
Imitações do relógio da Apple no mercado antes do original
I
MITAÇÕES do relógio que a Apple vai lançar em Abril estão já a venda na China, por cerca de 10% do preço anunciado pela multinacional norte-americana, revelou sexta-feira a imprensa oficial chinesa. No Taobao, o maior portal de comércio electrónico do mundo, uma cópia aparentemente perfeita do “smart watch” (relógio inteligente) da Apple custa 300 yuan, enquanto o modelo original mais barato irá ser comercializado por 2.588 yuan.
res socialistas” estão de novo a ser enfatizados. “Sob a liderança do Presidente Xi Jinping, o Governo e o partido comunista desencadearam a mais dura campanha de investigações, detenções e condenações políticas da última década, assinalando uma acentuada viragem no sentido da intolerância de críticas”, acusa o relatório anual da Human Rights Watch, difundido em Janeiro passado.
A produção de cópias ou imitações de ‘gadgets’internacionais - e até de obras de arte, incluindo pinturas de Van Gogh ou DaVinci - é um fenómeno comum na China. Algumas cidades chinesas, como Hangzhou, no leste do país, têm mesmo uma Torre Eiffel quase idêntica à de Paris. Uma das imitações chinesas do relógio da Apple à venda online, chamada “D Watch”, é fabricada pela YQT Eletronic Tecnology Co.Ltd, empresa sediada em Shenzhen, a mais próspera zona económica especial do país, adjacente a Hong Kong, “É uma peça ‘gira’, embora o desempenho não seja tão bom como o relógio da Apple. Fizemos algumas modificações no design e já solicitámos o registo da pa-
tente”, disse ao China Daily o director da YQT, Zheng Yi. A empresa, com cerca de cem trabalhadores, fabrica mensalmente “20.000 a 30.000” imitações do relógio da Apple. “Há oito anos que fazemos ‘smartwatches’. Sabemos o que estamos a fazer”, afirmou o mesmo responsável. O lançamento do “smartwatch” da Apple foi anunciado a semana passada pelo presidente da multinacional, Tim Cook. Estados Unidos, Reino Unido e China integram a lista dos primeiros dez países em que o produto será comercializado, a partir de 24 de Abril, mas no mercado chinês, assinalou sexta-feira o China Daily, “as cópias já bateram os originais”.
nomeadamente o que está encarregue do “aprofundamento global do processo de reformas”, e a Comissão Nacional de Segurança, criada em Janeiro de 2014. Um outro organismo novo, responsável pela “segurança da internet”, é igualmente dirigido por Xi Jinping. O actual Presidente chefia ainda a Comissão Militar Central, a liderança política das Forças Armadas chinesas. No plano mediático, o “Presidente Xi” destacou-se sobretudo pela inédita dimensão da campanha anti-corrupção em curso no país. Pela primeira vez em 65 anos de governo comunista, um ex-chefe da Segurança (Zhou Yongkang) e um ex-vice-presidente da Comissão Militar Central (general Xu Caihuo) foram presos por corrupção. Foram os maiores “tigres” abatidos pela Comissão Central de Disciplina do PCC, mas especula-se que a lista poderá não ficar por aqui. Xi Jinping não é, contudo, um liberal. Pelo contrário. Organizações defensoras dos direitos humanos queixam-se que, em muitos aspectos, “o controlo sobre a sociedade civil tornou-se ainda mais apertado”, e no domínio das artes, os “valo-
A economia, entretanto, continua a abrandar, mas, como o “modelo de socialismo” implantado na China, é um abrandamento com “características chinesas”. Para 2015, o Governo chinês preconizou um crescimento de “cerca de 7%”, abaixo da média de 7,6% registada nos últimos três anos e muito aquém dos quase 10% ao ano alcançados nas três décadas anteriores. A meta está inscrita no programa que os cerca de 3.000 deputados da ANP vão aprovar no domingo, na sessão de encerramento da reunião anual da assembleia.
Xi encabeça vários “grupos dirigentes” do partido, nomeadamente o que está encarregue do “aprofundamento global do processo de reformas”, e a Comissão Nacional de Segurança Desafiando a previsão do Fundo Monetário Internacional, o Governo chinês mostra-se confiante que a China poderá manter aquele ritmo de crescimento até 2022. Nessa altura, Xi Jinping deverá ceder o lugar a uma nova liderança, mas o inevitável, na China, nem sempre acontece. - António Caeiro, da
agência Lusa
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HM-2ª vez 16-3-15
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Divórcio Litigioso n.º FM1-14-0192-CDL Juízo de Família e de Menores Autor: KOO HER YEN HANNAH, titular do Bilhete de Identidade de Residente de Macau, residente em Macau, “Avenida da Praia Grande, nº 429, Edifício Centro Comercial da Praia Grande, 25º andar”. RÉU: JAMES DAVID FARMER, titular do Bilhete de Identidade de Residente de Macau, residente em Macau, “Rua de Bruxelas, nº 169, Edf. Jardem Nam Ngon, Bloco 4, 15-R”. ***** FAZ-SE SABER que pelo Juízo de Família e de Menores do Tribunal Judicial de Base da RAEM, correm éditos de TRINTA DIAS, contados da segunda e última publicação do anúncio, CITANDO O RÉU JAMES DAVID FARMER, acima identificado, para no prazo de TRINTA DIAS, posteriores aos dos éditos, querendo, contestar, a presente acção de DIVÓRCIO LITIGIOSO, na qual a autora, pede, em síntese, que seja decretado o divórcio entre a Autora e o Réu pelos fundamentos constantes da petição inicial. Em caso de contestação, é obrigatória a constituição de advogado (artº. 74 do C.P.C.M.). Macau, 05 de Março de 2015 ***
h
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artes, letras e ideias
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Shitao
Propósitos Sobre a Pintura do Monge Abóbora Amarga
Capítulo III A Transformação A Antiguidade é o instrumento do conhecimento; transformar consiste em conhecer esse instrumento sem todavia se tornar seu servo. Mas não vejo ninguém que seja capaz de utilizar assim a Antiguidade tendo em vista a transformação, e deploro sempre essa atitude conservadora que fica enterrada nas obras antigas sem as poder transformar; tal conhecimento subjuga;
o conhecimento que se agarra estreitamente a imitar não pode deixar de ser sem envergadura; também o homem de bem, ele, não recorre à Antiguidade senão para fundar o presente. Já foi dito que o homem perfeito1 não tem regras, o que não quer dizer que não há regra, mas que a sua regra é aquela que não tem regras, o que constitui a regra suprema. Tudo o que possui regras constantes deve ter também, necessariamente, modalidades variáveis2. Se há regra é preciso que haja mudança.
1 - Conceito daoísta: Zhuang Zi:”Aquele que nunca se afasta da verdade chama-se homem perfeito”, equivalente ao “homem de bem” de Kongfuzi. Note-se a vontade de síntese de Shitao, usando conceitos pertencentes às três grandes disciplinas do pensamento chinês: daoísta, confucionista e budista.
Partindo do conhecimento das constantes podemonos aplicar a modificar as variáveis; assim que se conhece a regra é necessário aplicar-se na transformação. A pintura exprime a grande regra das metamorfoses do mundo, a beleza essencial dos montes e dos rios na sua forma e no seu impulso, a actividade perpétua do Criador, o influxo do sopro Yin e Yang; através do intérprete pincel e tinta, ela percebe todas as criaturas do Universo e canta em mim a sua alegria3.
2 - Terminologia budista que faz opor a realidade permanente aos meios usados de maneira provisória para responder a situações inesperadas ou excepcionais. 3 - Livro dos Ritos:”Quando os homens estão felizes, põem-se a cantar.”
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artes, letras e ideias 15
Paulo Maia e Carmo tradução e ilustração
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( F ) utilidades
tempo
muito
Cineteatro
Cinema
Sala 1
nublado
min
20
max
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23
hum
80-99%
•
euro
the boy next door [c]
Filme de: Kenneth Branagh Com: Lily James, Richard Madden, Cate Blanchett 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
Filme de: Eric Darnell, Simon J. Smith Com: Jennifer Lopez, Ryan Guzman, John Corbett 14.15, 16.00, 17.45, 21.30
Sala 2
chappie [c]
0.2
Hoje
Stand by me Doraemon [3d] [A]
Filme de: Neill Blomkamp Com: Hugh Jackman, Sharlto Copley, Dev Patel 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
baht
?
yuan
1.2
O que fazer esta semana
Sala 3
cinderella [a]
8.3
Inauguração da exposição
(Falado em Cantonês) Filme de: Takashi Yamazaki, Ryuichi Yagi 19.30
de pintura de Chio Tin Song Centro UNESCO, 18h30 Entrada livre
Venetian Carnevale (até 18/03) Venetian Macau, todo o dia Entrada livre
Quarta Encerramento da exposição “Beppin” de Masaaki Miyasako
Aconteceu Hoje
Casa Garden, 18h30
16 de março
Entrada livre
Nasce o escritor Camilo Castelo Branco
Apresentação do livro “Os Rapazes dos Tanques”,
• Um dos escritores mais importantes da literatura portuguesa, Camilo Castelo Branco nasceu a 16 de Março de 1825. Romancista, cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta e tradutor, Camilo foi o primeiro escritor português a viver dos seus escritos literários. Hoje é dia de recordar Camilo, escritor que nasceu na Encarnação, em 1825, e viria a morrer em São Miguel de Seide (Vila Nova de Famalicão), a 1 de Junho de 1890. Ao longo dos seus 65 anos de vida, criou uma obra ímpar. Camilo, que recebeu o título de 1.º visconde de Correia Botelho, concedido pelo rei D. Luís, era membro de uma família da aristocracia de província e teve uma vida marcada pela tormenta, o que lhe serviu de inspiração para os seus romances. A excelência da sua escrita deu-lhe notoriedade e essa permitiu-lhe tornar-se no primeiro escritor português a viver da literatura. É hoje um nome incontornável na história da literatura portuguesa. A 16 de Março, recorda-se também Fernão de Magalhães, que neste dia, em 1521, alcança as Filipinas. Já em 1935, Hitler viola o Tratado de Versalhes e ordena o armamento da Alemanha, além de reintroduzir a obrigação do serviço militar. No Brasil, em 1957, cria-se a Rede Ferroviária Federal, com 18 ferrovias regionais. E um ano mais tarde, também a 16 de Março, é inaugurado o Zoológico de São Paulo. Em plena Guerra do Vietname, no ano de 1968, dá-se o massacre de My Lai, com cerca de 500 civis vietnamitas mortos por tropas norte-americanas. Portugal ansiava pela Liberdade e o 25 de Abril já fervilhava... No entanto, a 16 de Março de 1974 uma tentativa de golpe de Estado, conhecida como ‘Levantamento das Caldas’, acabou por ser fracassada. Pela voz do Papa João Paulo II, em 1998, a Igreja pede desculpas pela omissão e silêncio de alguns católicos romanos durante o Holocausto.
de Adelino Gomes Edifício do Antigo Tribunal, 18h00 Entrada livre
Quinta Inauguração oficial do Festival Literário Rota das Letras
U m l i v r o h o j e Sul, viagens Miguel Sousa Tavares (1999) Um livro consegue fazer com que o seu leitor viaje. No tempo, na História, nas sensações, incorporando muita vezes as suas personagens. Um livro sobre viagens vai muito além dessa levitação. Leva-nos aos sítios, faz-nos sentir os cheiros, ouvir os sons e sentir a história como se fosse a nossa. Miguel Sousa Tavares e a sua convicção de contador de histórias criou um dos mais bonitos livros de sítios e pessoas. Sul: viagens, de 1999, casa fotografia com as letras contando uma vivencia em cada um dos locais visitados pelo autor. Neste livro, Miguel Sousa Tavares passeia-se por São Tomé e Príncipe, Amazónia, Egipto, Goa, Cabo Verde, Alhambra, Marraquexe, Costa do Marfim, Tunísia, Brasil, Veneza, Guadalupe, parque Kruger, em África e o deserto de Sahara. Sem nunca esquecer o seu grande amor, o Alentejo. - Filipa Araújo
Edifício do Antigo Tribunal, 16h30 Entrada livre
Diariamente Exposição “Nihonga Contemporânea”, de Arlinda Frota Fundação Rui Cunha Entrada livre Exposição “Voz na Escuridão”, de Óscar Balajadia/Papa Osmubal (até 14/03) Creative Macau Entrada livre Exposição de Sândalo Vermelho (até 22/03) Grande Praça, MGM
João Corvo
fonte da inveja
Diz-me com quem bebes e eu te direi
os amantes que não tens.
Entrada livre
opinião
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jorge rodrigues simão
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perspectivas
“The tragic events of 9/11provided the required justification to wage a war on “humanitarian grounds”, with full support of world public opinion and the endorsement of the “international community”. The myth of the “outsider enemy” and the threat of “Islamic terrorists”, was the cornerstone of the Bush administration, military doctrine, used as pretext to invade Afghanistan and Iraq, not to mention the repeal of civil liberties and constitutional government in America. Without an “outside enemy”, there could be no “war on terrorism”. America’s “War on Terrorism” Michel Chossudovsky
A
arma mais poderosa e utilizada por Mahatma Gandhi na sua luta pela independência da Índia do Império Britânico foi, sem dúvida, a sua humildade. A imagem de homem afável, que se alimentava apenas com comida simples, usava como vestes um tecido de linho e cânhamo que fabricava para envolver o seu magro corpo e sandálias camponesas, fez que o povo o seguisse. A fabricação manual das vestes pelos indianos inculcada por Ghandi, serviram de protesto contra os têxteis ingleses que os indianos eram obrigados a comprar para ajudar a indústria têxtil inglesa em declínio. Mas sobretudo, foi a sua linguagem humilde, sem adornos, ameaças ou arrogância, sempre certeira, que o tornou vitorioso. O mesmo se podia dizer de Nelson Mandela, artífice principal do fim da segregação racial, traduzida na vergonhosa separação entre negros e brancos, praticada na África do Sul, durante décadas, e que após a sua libertação, passados vinte e sete anos de cativeiro, tornou-o merecedor de todas as honras, incluindo o Prémio Nobel da Paz, bem como a sua eleição, como primeiro presidente de raça negra do seu país, com uma humildade comovedora. O mundo tem dois exemplos palpáveis de homens que, pela sua humildade, captaram a atenção e o respeito do mundo. O Papa Francisco, que não deixa interromper a nossa comoção pela sua simplicidade e humildade, e o ex-presidente do Uruguai, José Alberto Mujica, cujo mandato terminou a 1 de Março de 2015. A “Economist Intelligence Unit” colocou o Uruguai, em 2010, na vigésima primeira posição, entre trinta países no “Índice de Democracia”, considerados como democracias plenas no mundo. As duas personalidades falam dos temas mais difíceis com a voz mais pura, expressões mais humildes, sem fazer uso do poder que detém ou de retóricas pomposas usuais em outros líderes. Os dois combinam a modéstia com a austeridade; negam-se a mudar os seus costumes simples por tradições faustosas ou luxuosas que correspondem à sua posição, mas que os aborrece e consideram desnecessárias e distantes do seu carácter. Os quatro
Stanley Kubrick, Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb
A arrogância americana
líderes são um exemplo para os governantes, políticos, legisladores, magistrados e, em especial, para os negociadores da paz, contrastando com o presidente dos Estados Unidos e primeiro-ministro britânico que acordaram em combater o terrorismo onde quer que surja, ou seja, coordenando os seus serviços secretos e atropelando militarmente a soberania de qualquer Estado, se tal for necessário. É de recordar que igualmente, perseguindo idêntica ideia, o primeiro-ministro espanhol interferiu activamente nas eleições realizadas na Grécia, sob o pretexto de que o triunfo de uma opção de Esquerda poderia pôr em perigo os interesses da União Europeia. Trata-se de duas expressões que comprovam que o princípio de não intervenção nos assuntos internos de outros Estados é um dos mais vulneráveis na situação que o mundo vive, e basta recordar o que tresloucadamente foi feito com a invasão e destruição do Iraque, sob o pretexto de que possuía armas de destruição massiva, o que veio a revelar-se completamente falso. O desvario da invasão do Iraque fez nascer das sementes do ódio e da falsidade, o terrífico e apocalíptico Estado Islâmico, como presente envenenado que estamos a pagar, ao invés de petróleo, que foi o “leitmotiv” da invasão. Se após as duas conflagrações mundiais se pensou ser possível respeitar as decisões internas de cada país, a verdade é que as diferentes hegemonias que mediram forças
durante a guerra fria, tornaram impossível esse desejo por parte da comunidade internacional, e qualquer país sente que tem liberdade para se imiscuir nos assuntos internos dos países vizinhos ou de qualquer outro país, mesmo que se encontre a milhares de quilómetros de distância das suas fronteiras. O presidente dos Estados Unidos governa com a ideia de que o seu país será aceite como o grande polícia global, convertendo os governos aliados em meros tentáculos do seu poder imperial. Tal explica, que os regimes títeres como os do primeiro-ministro inglês e do primeiro-ministro espanhol adoptem idêntica prepotência, ao relacionarem-se com os países do mundo árabe e muçulmano, sem se darem conta que desse modo, são os seus países os mais expostos às censuras dos que se sentem humilhados pelas invasões e pela guerra ideológica contra as suas crenças mais sagradas, como quanto ao seu direito à livre determinação. É o que explica o horrível ataque em Paris a um meio de comunicação social, acusado de ter abusado da sua liberdade de expressão, ofendendo e satirizando as ideias, valores e sentimentos do Islamismo. As vítimas das acções das grandes potências, parece óbvio, por muito que custe aceitar, apenas lhes resta a opção de se defenderem com a organização de grupos que exerçam actuações tão extremas como o ataque às Torres Gémeas de Nova Iorque, e essa realidade estamos a sentir por meio da série de
O desvario da invasão do Iraque fez nascer das sementes do ódio e da falsidade, o terrífico e apocalíptico Estado Islâmico, como presente envenenado que estamos a pagar, ao invés de petróleo, que foi o “leitmotiv” da invasão
atentados que começam a manifestar-se nas cidades que pareciam inexpugnáveis para a hegemonia imperial. A impossibilidade de enfrentar os invasores com exércitos, material bélico e guerras convencionais, fazem que recorram a acções de inegável conotação terrorista para deter o expansionismo americano e dos seus aliados, e a destruir a impunidade que os favorece e da qual se vangloriam ao violar, por exemplo, os direitos humanos dos prisioneiros de guerra, como sucedeu em Guantánamo, em que a falta de vergonha tornou-se arrogante, flagrante e extrema. É tanto o abuso da Administração Obama e o servilismo da Europa, que não existe instituições internacionais que não tenham caído no descrédito mundial, desde que o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, recebeu em 2009, o Prémio Nobel da Paz. O Conselho de Segurança das Nações Unidas, carece de qualquer tipo de autoridade para fazer face aos abusos das potências, pelo que certos países que ainda possuem dignidade e autonomia comecem a concordar em actuar para fazer face à presente unipolaridade prática, por grande parte negada na sua existência. Assim, desde a América do Sul, Ásia e África estão a nascer iniciativas que consigam impor restrições e sanções aos abusos das potências, bem como as que foram impostas a Cuba e a tantos outros países como à Rússia, para além do considerado como razoável e dissuasor. A acção estratégica e concertada dos países possuidores de matérias-primas pode aplacar tais atropelos, com a ameaça possível de que os investimentos dos países desenvolvidos possam ser nacionalizados. Ainda que possível, tal estratégia, terá de ser descartada no imediato, pois alguns países ricos em matérias-primas, mantém e aumentam o vergonhoso servilismo da sua classe política dominada e instrumentalizada por grupos económicos domésticos e internacionais que controlam a sua economia e algumas funções de Estado. Todavia, alguns países provedores de matérias-primas abrigam a esperança de que através de um intercâmbio comercial crescente com China e outros países que se encontram fora das zonas de influência dos Estados Unidos, podem salvar nos países subdesenvolvidos de África processos políticos direccionados a vencer a injustiça social e a dependência externa, fazendo que essas decisões democráticas não sejam desafiadas e contraditadas continua e de forma persistente pelo país hegemónico. Tal atitude, evitaria de forma efectiva, o aumento de expressões extremistas que angustiam o mundo e que foram sistematicamente promovidas e sustentadas pelo colonialismo americano, europeu e outros de diferente ideologia e como verdadeiro efeito de boomerang, se tem voltado contra os seus progenitores.
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direito de resposta
Excelentíssimo Senhor Director do Jornal HOJE MACAU
C
HAU VAI I (鄒 惠 儀), titular do estabelecimento comercial Hotel San Va, localizado na Rua da Felicidade, vem, face ao n.º 1 do artigo 19.º e artigo 20.º (Direito de resposta), da Lei de Imprensa, apresentar o seu DIREITO DE RESPOSTA 1. O jornal que V. Exa. dirige publicou uma notícia em manchete, com o título “TROCA DE CHAVES”, desenvolvida na página 3, “Tristezas da Rua da Felicidade”, na edição de 10 de Março de 2015. 2. Na notícia referem-se factos inverídicos e/ou erróneos. 3. Não corresponde à verdade que “O conflito tem agora o seu desfecho após decisão do TUI que atribuiu a posse à Chap Seng Tong, contrariando a anterior decisão do TJB que dava como donos do estabelecimento os herdeiros de quem o explorava desde o anos 50”, pois redigido da forma como está o texto que acompanha a manchete, é transmitida a noção que a Hospedaria San Va foi restituída à Chap Seng Tong. 4. Não corresponde igualmente à verdade nestes autos de procedimento cautelar que “Anna e Peter Yip queriam ver-lhes restituído o direito de propriedade do rés-do-chão do número 65 da Rua da Felicidade”. 5. Por fim, vê-se a signatária igualmente obrigada a esclarecer que o Acórdão do TUI ainda não transitou em julga-
do, significando que não é, presentemente, uma decisão definitiva e final e, logo, não deveria ter sido publicitada pelo Tribunal e, correspectivamente, pelos media; 6. Cumpre ainda salientar que o processo judicial no âmbito do qual foi proferido esse Acórdão: i) É um procedimento cautelar, correndo a respectiva acção principal presentemente os seus normais termos no TJB; ii) Não tem por objecto nem foi intentada pelo Hotel San Va, antes e apenas pela signatária; iii) Não visa o reconhecimento judicial do direito de propriedade de qualquer imóvel, designadamente por via de usucapião; Respeita e visou reagir a um iv) esbulho violento da posse de que a signatária foi vítima relativamente ao rés-do-chão do n.º 65 da Rua da Felicidade. Macau, 12 de Março de 2015 CHAU VAI I (鄒 惠 儀) (representada pelos advogados João Manuel Vicente, Rui Velez de Moura e Kuan Su Cheng)
opinião 19
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David Chan* legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog
macau visto de hong kong
Responder à violência com violência Em casos de homicídio, uma sentença Qisas oferece o direito à vítima, ou ao parente mais próximo ou mesmo ao seu Wali (guardião legal) de tirar a vida ao assassino, pendente a aprovação de um tribunal competente”. Através da descrição acima referida, podemos verificar que a vítima tem o direito de aplicar o castigo ao réu por si própria, ou então de pedir que seja um tribunal a proceder à sentença. Se a vítima escolher a primeira opção, têm o direito de proceder legalmente à remoção do olho esquerdo e orelha do réu. E, para além da sentença aplicada pelo princípio Qesas, esse mesmo réu teria ainda de cumprir uma pena de prisão de 10 anos, para além de compensar financeiramente a vítima.
Todas as sociedades precisam de leis, e a lei pode ser usada para gerir a sociedade e mediar disputas. Mas, mais importante ainda, a lei define o tipo de comportamento humano considerado aceitável Sobre este caso, o investigador da Amnistia Internacional do Irão, Raha Bahreini, comentou que este tipo de castigo em que um olho e uma orelha eram fisicamente removidos constituía um castigo demasiado cruel que deixava a população num estado de choque. Assim, este tipo de castigo serve para mostrar a terrível situação em que se encontra o sistema legal do Irão e Terry Jones, life of brian
N
o dia 7 de Março, o site “Sing Tao Daily” publicou uma história sobre Syed Farid Khan, um residente de Nagaland, na Índia, com 35 anos de idade que foi apedrejado até à morte. De acordo com esta fonte, o homem tinha sido acusado de violar Naga, uma estudante universitária, várias vezes entre o dia 23 e 24 de Fevereiro deste ano. A sua detenção pelas autoridades teve lugar no dia seguinte, mais concretamente no dia 25 desse mês. Mas no dia 3 de Março, a esquadra da polícia onde este indivíduo se encontrava detido foi cercada por milhares de pessoas, que exigiam julgar o criminoso por si próprias. Este pedido foi, obviamente, recusado pelas autoridades, mas o cerco cresceu ainda mais no dia seguinte, registando a multidão nesse momento um total de 40,000 pessoas. Este elevado número de manifestantes permitiu que o grupo forçasse a entrada nas instalações, de onde removeram então o detido que foi apedrejado até à morte na rua. De acordo com fotografias do incidente publicadas no website do jornal de Hong Kong, Syed encontrava-se sem roupa e cercado de uma grande quantidade de sangue, enquanto que a multidão vingativa e excitada, gritava e tirava fotografias para registar o incidente. E apesar deste trágico desenvolvimento, os manifestantes deslocaram-se de seguida à casa e ao escritório de Sayed para deitar fogo aos dois sítios, uma atitude que estes viam como correcta e necessária para garantir que a justiça fosse bem aplicada. Vamos agora analisar um caso semelhante verificado na República Islâmica do Irão. De acordo com a notícia divulgada por este site no dia 9 de Março, o réu Hamid aguarda na prisão que o seu castigo seja aplicado pelas autoridades. Devido ao ácido que Hamid atirou sobre Davoud Roushanaei em 2009, deixando este desfigurado e cego, o réu foi julgado e considerado culpado, crime que acarreta como castigo a remoção do seu olho esquerdo assim como uma das suas orelhas. Na verdade, os tribunais deste país aplicaram uma sentença “Qesas” (segundo o site “wiki”, os casos “Qesas” são também conhecidos como “Qisas”) a este criminoso. “Qisas é um termo islâmico que significa ‘retaliação semelhante’ ou vingança do estilo ‘um olho por um olho’. Engloba um tipo de crimes na jurisprudência islâmica onde a Sharia permite uma retaliação igual ao crime como castigo. Este princípio de Qisas pode ser aplicado ao réu, à vítima ou aos herdeiros da vítima quando um muçulmano for assassinado, sofrer ferimentos corporais ou enfrentar perda de propriedade.
demonstra também que o governo do país ignora os mais básicos direitos humanos. A Amnistia Internacional é uma organização não-governamental responsável pela monitorização de violações dos direitos humanos pelo mundo fora. Todas as sociedades precisam de leis, e a lei pode ser usada para gerir a sociedade e mediar disputas. Mas, mais importante ainda, a lei define o tipo de comportamento humano considerado aceitável. Se alguém se comportar de uma maneira que viole os comportamentos considerados correctos pela lei, esse indivíduo será então castigado de acordo com essa mesma lei. Mais especificamente, utiliza-se a lei criminal para gerir situações que envolvam crimes, assim como as suas devidas sentenças. É por isso que tanto o caso do violador como o caso do indivíduo que atirou ácido sobre uma outra pessoa devem ser julgados de acordo com a lei criminal. No caso em que verificámos a violação de uma jovem estudante, observamos um princípio que “responde à violência com ainda mais violência”. Pode até ser que a vítima e a sua família se encontrem satisfeitos pela população ter apedrejado Syed até à morte. Mas este caso de apedrejamento mortal constitui na verdade um crime de homicídio, enquanto que incendiar uma residência implica um caso de fogo posto, ambos considerados como das mais graves ofensas criminais. No caso de Syed, este acabou mesmo por perder a vida. Tendo isto em conta, será então que a sua família tem agora o direito de cometer os crimes de homicídio e fogo posto contra aqueles que apedrejaram Syed como forma de vingança? A notícia sobre este caso não revelava se as autoridades governamentais indianas pretendiam ou não prender os indivíduos que cometeram estas ofensas. Se o Governo
indiano não o fizer, dá a ideia que o seu sistema legal permite que pessoas se dediquem legalmente a actos de vingança. Neste caso a lei acabaria por tornar inválida e descabida de qualquer sentido. Já em relação ao caso em que ácido foi atirado sobre um outro indivíduo, observamos um princípio de “olho por olho, dente por dente”, tendo em conta que a vítima tinha o direito legal de proceder por si própria à remoção de um olho e uma orelha ao réu, tendo este ainda de enfrentar uma sentença adicional de 10 anos de prisão. Mais uma vez, pode até ser que a vítima, assim como a sua família, se sintam satisfeitos por o sistema oferecer legalmente ao réu um castigo tão severo, ou mesmo ainda mais cruel, do que aquele que a vítima teve de enfrentar. Isto serve para oferecer um tipo de castigo sobre as ofensas cometidas. Mas que futuro é que este sistema oferece ao réu Hamid? Depois da aplicação da sentença, o réu vai acabar por se encontrar com uma séria incapacidade física. Como será então possível para este indivíduo reintegrar-se na sociedade com estas debilidades, ainda para mais depois de uma pena de 10 anos de prisão? Que tipo de trabalho pode este vir a encontrar? E como será Hamid recebido pela sociedade?Anotícia deste caso não oferecia mais detalhes sobre o sistema de justiça criminal do Irão, mas Hamid irá certamente ter de enfrentar este tipo de questões. Os dois casos que analisamos neste artigo sugerem que os sistemas de justiça criminal ideais têm de cumprir no mínimo estes objectivos: • castigar o criminoso, e • prevenir que o criminoso, assim como outros indivíduos, voltem a repetir este tipo de crime, e • oferecer ao infractor a informação e educação necessárias para este se reintegrar na sociedade depois de ser libertado da prisão. Podemos até considerar que o caso de “olho por olho” ou até o de “responder à violência com violência” chegam a satisfazer os dois primeiros objectivos. Mas será que atingem o terceiro – oferecer a educação e reformas necessárias para ajudar o criminoso a reintegrar-se com sucesso na sociedade? E atendendo a que este criminoso sabe que não se comportou correctamente no passado, como é que estas soluções o ajudam a fazer melhor no futuro? Estas são as questões que os arquitectos dos sistemas de justiça criminal destes países vão ter de ter em conta. *Conselheiro Jurídico da Associação de Promoção de Jazz de Macau
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong; Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; Arnaldo Gonçalves; David Chan; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Edite Ribeiro(estagiária); Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
hoje macau segunda-feira 16.3.2015
IACM Vão ser escolhidos dois novos pandas em Sichuan
Índia Religiosa cristã de 71 anos sofre violação colectiva
O membro do Conselho de Administração do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), Leong Kun Fong, referiu que a autoridade vai escolher dois pandas na província Sichuan, depois da decisão do Governo Central de oferecer dois pandas para Macau. O membro do IACM disse ainda que o panda “Hoi Hoi” vai participar no plano de reprodução no interior da China e os restos mortais de “Sam Sam” constituirão um espécime para mostra ao público no segundo semestre deste ano. Segundo o Jornal do Cidadão, Leong afirmou que o IACM vai-se concentrar em tratar os novos pandas depois da conclusão da Semana Verde no fim deste mês. Prevê-se que dentro de dois meses a instituição vai escolher dois pandas em Sichuan, enquanto se preparam trabalhos de quarentena, transporte e documentação. Leong Kun Fong acrescentou que depois da vinda dos novos pandas para o Parque de Seac Pai Van, será preparado o transporte do panda “Hoi Hoi” para participar no programa de reprodução.
U
pub
ma religiosa cristã de 71 anos foi vítima de uma violação colectiva na Índia, num ataque que coloca novamente em evidência a violência sexual contras as mulheres e contra as minorias cristãs naquele país. A violação aconteceu durante um assalto na sexta-feira à noite, no estado de Bengala Ocidental, perto da cidade de Ranaghat, que fica a 70 quilómetros de Calcutá. Um grupo entrou na escola, adjacente a um convento, e saquearam as instalações, segundo a polícia local. Os assaltantes amordaçaram um guarda antes de agredir a religiosa. Levaram dinheiro, um computador portátil e um telemóvel. Quatro dos seis agressores foram identificados graças às imagens das câmaras de vigilância. Uma recompensa de 100 mil rupias (1.500 euros) está a ser oferecida para quem der informações sobre os suspeitos. A religiosa está internada num hospital de Ranaghat. “Mesmo que se diga que foi um incidente isolado, o ambiente era propício para este tipo de ataque. Simplesmente não se pode ignorar com alegações de que se trata de um incidente isolado”, disse o porta-voz da diocese de Nova Deli, o padre Savarimuthu Sankar. Cerca de 80% da população indiana é hindu, mas o país tem um número importante de muçulmanos, cristãos e budistas. A agressão que sofreu a religiosa é a mais recente de uma série de casos de violência sexual contra as mulheres na Índia. A questão da violação tornou-se mais sensível na Índia depois de um caso ocorrido em 2012, quando uma estudante foi vítima de uma violação colectiva num autocarro, em Nova Deli, e acabou por morrer devido aos ferimentos que lhe foram provocados, demonstrando a agressividade do ataque.
cartoon por Stephff
Japão Líderes mundiais na Conferência Mundial de Prevenção de Desastres da ONU
Unidos contra a catástrofe A III Conferência Mundial das Nações Unidas sobre a Redução do Risco de Desastres começou sábado na cidade japonesa de Sendai, no nordeste do Japão, com a presença de líderes e ministros de mais de 150 países. Mais de 5.000 participantes assistem ao encontro, que se prolonga até à próxima quarta-feira, no qual se procura traçar um novo plano de acção para mitigar o impacto dos desastres naturais. A conferência arranca num dia em que o Vanuatu se viu fustigado pelo ciclone tropical Pam, temendo-se que seja a pior catástrofe natural da história do Pacífico. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou ter-se reunido, sábado de manhã, com
o presidente da pequena nação insular, transmitindo-lhe as “mais profundas condolências” e manifestando a sua solidariedade para com as pessoas afectadas pela tempestade no arquipélago, no discurso de abertura. “O que estamos a discutir aqui hoje é algo muito real para milhões de pessoas em todo o mundo”, disse. Os principais objectivos da conferência passam por reduzir os danos em infra-estruturas, aumentar o número de nações com estratégias definidas para paliar os efeitos destes fenómenos e também por melhorar os apoios económicos aos países em desenvolvimento, segundo a organização. Para que a protecção seja efecti-
250
mil milhões a 300 mil milhões de dólares, prejuízos anuais decorrentes de desastres naturais em todo o mundo
va, deve-se “ajudar os mais pobres a aceder a esses meios”, disse o secretário-geral da ONU, durante a cerimónia de abertura, a qual contou com a presença dos imperadores do Japão, Akihito e Michiko.
Números devastadores
Segundo um relatório da agência da ONU para a Redução dos Riscos de Desastres (UNISDR), os prejuízos anuais decorrentes de desastres naturais em todo o mundo cifram-se, em média, entre 250 mil milhões e 300 mil milhões de dólares. O ano de 2011, que incluiu o sismo seguido de tsunami que devastou o Japão, com perdas estimadas em 366 mil milhões foi um ano recorde a esse nível. Espera-se que o novo plano, cujas conclusões vão ser apre-
sentadas na próxima quarta-feira, estabeleça metas concretas pela primeira vez no sentido de reduzir o número de vítimas e perdas económicas, de modo a que os progressos possam ser avaliados eficazmente. O Japão, anfitrião da conferência, é um país em que os desastres ocorrem com frequência, pelo que “tem vindo a trabalhar na prevenção de riscos há muito tempo”, assinalou o primeiro-ministro Shinzo Abe. Durante os cinco dias do evento, e à margem dos plenários, realizar-se-ão mais de 30 sessões de trabalho, bem como reuniões de alto nível cobrindo uma ampla gama de temas relacionados com as catástrofes naturais, bem como cerca de 350 simpósios e seminários promovidos por organizações não-governamentais. O Japão acolheu as anteriores três conferências sobre desastres realizadas pela ONU. A primeira teve lugar em Yokohama em 1994, a segunda em Kobe em 2005 e a presente em Sendai, uma das cidades afectadas pelo sismo seguido de tsunami de 2011, a qual acolhe o evento três dias depois do quarto aniversário da tragédia.