MOP$10
SEXTA-FEIRA 15 DE SETEMBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3898
AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
hojemacau
MARÉ DE QUEIXAS EDOUARD VUILLARD, À LUZ DO CANDEEIRO
PÁGINAS 4-5
SOBRE A VIDA DOS CANDEEIROS
VONG HIN FAI ADVOGADO E CANDIDATO ÀS ELEIÇÕES
ENTREVISTA
SOFIA MARGARIDA MOTA
‘‘
Há falta de profissionais em Macau
h ANTÓNIO CASTRO CAEIRO
A BASE DO JOGO PÁGINAS 6-7
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SOFIA MARGARIDA MOTA
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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
2 ENTREVISTA
VONG HIN FAI
É candidato pela via indirecta pelo sector profissional. Quais são as maiores necessidades neste âmbito no território? Sou um profissional da área jurídica, sou advogado e também exerço funções como notário privado. Macau, depois da abertura à indústria do jogo, passou por um desenvolvimento muito rápido e, como tal, cada vez mais carece de profissionais em várias áreas, não só no direito. Há a necessidade de pessoal especializado nos serviços de auditoria e de contabilidade. Há ainda necessidade de engenheiros e de arquitectos. Há, de modo geral, falta de profissionais em Macau. Macau também precisa de mais notários. Já foi feita também a alteração legislativa relativamente aos notários privados e já abriu o primeiro curso de formação. Penso que, daqui a uns tempos, vamos registar um aumento de notários privados no território. Como é que o problema da falta de profissionais poderia ser resolvido? Cada vez mais a Universidade de Macau (UM) e outras instituições de ensino superior estão a crescer e a desenvolver cursos para formar mais pessoas em várias áreas. Sou uma pessoa da área do Direito e, neste sector, além da UM, há outras instituições a fazer o mesmo. Há também, nesta área, a colaboração com universidades em Portugal, que estão a dar muito apoio à formação. Anualmente, há entre 20 e 30 jovens de Macau que vão a Portugal para estudar Direito. Os advogados portugueses continuam a ser uma mais-valia? Têm o seu lugar na vida profissional em Macau. Neste momento, e neste mercado, um terço dos advogados são locais e dois terços ainda são colegas portugueses. Está à frente de uma nova associação ligada ao direito, a Associação dos Agentes Jurídicos de Macau. Não existe mesmo a possibilidade de esta entidade vir a concorrer com a Associação dos Advogados? A Associação de Advogados de Macau é uma associação profissional e a lei já lhe conferiu os seus objectivos, atribuições e competências. Penso que outras associações ligadas ao direito e que integram colegas da área – não só advogados, mas também juristas da Administração Pública ou ainda académicos e agentes jurídicos das empresas privadas –, existem para que haja uma plataforma em que os seus elementos possam fazer
“Não há aqui a luta por qualquer independência” É advogado e foi, na última legislatura, presidente da Comissão de Regimento e Mandatos. Vong Hin Fai está na corrida eleitoral pela via indirecta como representante do sector profissional que, considera, tem falta de especialistas em várias áreas. O candidato vê ainda o território como um local harmonioso e sem qualquer risco de seguir os movimentos independentistas da vizinha Hong Kong intercâmbio académico e dos seus conhecimentos. A Associação dos Advogados tem uma função muito importante, que está relacionada com a sua autonomia para testar a qualidade dos profissionais locais e assegurar os estatutos disciplinares. Não há hipótese de existir uma associação com estas funções que a possa substituir. Passando para a política. A população tem conhecimento
“As obras para prevenir estas inundações, a meu ver, são prioritárias porque respeitam o interesse da segurança pública.”
suficiente acerca dos deputados eleitos por via indirecta? Temos de respeitar esta forma de constituição da Assembleia Legislativa prevista na Lei Básica. Expressamente, e de acordo com a Lei Básica, há três tipos de deputados. Como residente, visto que nasci e cresci aqui, Macau é uma sociedade em que os seus habitantes já têm uma vida harmoniosa há muito tempo, especialmente depois do episódio “1,2,3” em 1966. A vida social do território é associativa. Existem aqui muitas associações. Porquê? Antes da transferência de Administração, o Governo português fazia o seu contacto com a população chinesa principalmente através das associações. Esta cultura associativa, depois da transferência de administração, manteve-se. Neste sentido, e no sufrágio por via indirecta, as associações têm o seu papel. Como é que vê o actual sistema político local e a sua possível evolução? O desenvolvimento do sistema político no território já foi previsto e já foram alterados os anexos 1 e 2 da Lei Básica, de modo a que o número de deputados eleitos por sufrágios directo e indirecto aumentasse. Depois da transferência, e até agora, o número dos deputados nomeados mantém-se e, em termos comparativos, os deputados eleitos são cada vez mais.
Há analistas que falam de um possível contágio dos movimentos que se têm registado em Hong Kong. Quanto a este ponto, os residentes de Macau são, na sua maioria absoluta, patriotas e têm o seu amor à nossa pátria e ao território. Assim sendo, não há aqui essa chamada luta por qualquer independência. Não há mercado para se desenvolver qualquer indício deste tipo de acção ou acto. Não há lugar para isso. Também nos termos da lei, no que respeita à segurança nacional e de acordo com Artigo 23.o da Lei Básica, este tipo de acções são proibidas em Macau. Penso que, acima de tudo, os residentes de Macau são, na sua natureza, patriotas. Também penso que este tipo de acções não deve existir no território. E como vê o bloqueio à entrada em Macau de deputados associados a movimentos pró-democratas da região vizinha e a jornalistas de Hong Kong? Não faço comentários. Neste momento em concreto, em que estamos em fase de eleições, não quero comentar essa situação para que não haja qualquer influência na votação do dia 17. Também foi o presidente da Comissão de Regimento e Mandatos da AL, que esteve à frente da proposta de proibição de cartazes e
SOFIA MARGARIDA MOTA
ADVOGADO E CANDIDATO ÀS ELEIÇÕES PELO SUFRÁGIO INDIRECTO
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de limites às interpelações nas sessões plenárias. Penso que, durante o último mandato, exerci as minhas funções como deputado e, através de outros trabalhos, cumpri com as minhas funções, mesmo que tenha sido limitado o número das minhas intervenções. Também cumpri nos trabalhos das comissões permanentes e da apreciação das propostas de lei, e no âmbito das comissões de acompanhamento.
“Macau, depois da abertura à indústria do jogo, passou por uma desenvolvimento muito rápido e, como tal, cada vez mais carece de profissionais em várias áreas, não só no direito.” E considera que as interpelações devem ser mais limitadas? Tenho vários colegas que fazem muitas interpelações, o que tem a sua razão de ser. Da minha parte, as interpelações são limitadas. É preciso ser objectivo. Mas as interpelações, tanto orais como escritas, têm a sua razão de ser, e têm a sua influência para promover e impulsionar os serviços da Administração Pública. Da minha parte, fiz os meus trabalhos em outros aspectos. A proposta relativa aos cartazes acabou por ser retirada e, a meu ver, os cartazes ou objectos que os colegas usam durante o plenário têm, cada vez mais, uma dimensão maior e é essa a minha preocupação. Há três ou quatro anos, estes materiais não eram tão grandes, mas parece-me que recentemente, têm sido cada vez maiores. De qualquer maneira, respeito muito as opiniões dos meus colegas durante o período de antes da ordem do dia, em que há muitas oposições e críticas. O tufão Hato passou há pouco tempo pelo território. A destruição que causou veio mostrar muitas das falhas de Macau e a falta de preparação para um fenómeno deste género. O Governo não devia ter assumido uma responsabilização mais concreta? Já está a decorrer o processo que envolve o director dos Serviços de Meteorologia. Foi um tufão muito forte e há mais de meio século que não havia registo de uma situação assim. As inundações das zonas do Porto Interior foram muito perigosas. Não sou arquitecto ou técnico dessa área, mas acho que as obras para a prevenção deste tipo de situações deveriam ser concretizadas a
tempo. Porque é que isso não aconteceu? De acordo com o que sei, há algumas associações de protecção ambiental e do património que se manifestaram contra a escolha de um local naquela zona para a construção das bombas. O local escolhido também não mereceu uma opinião favorável por parte do Instituto Cultural, e julgo que temos de fazer um balanço. As obras para prevenir estas inundações, a meu ver, são prioritárias porque respeitam o interesse da segurança pública. Por outro lado, a posição do ambiente e do património cultural é importante mas, se fizermos uma comparação, temos de dar prioridade às instalações que previnem as inundações. Deste modo, e na sequência desta catástrofe, a Administração e o Governo estão a resolver com muito esforço a situação, de modo a concretizar e desencadear as obras necessárias em breve. Não acha que o Chefe do Executivo deveria ter colocado o lugar à disposição perante a ineficácia registada? Não. Trata-se de uma catástrofe de que Macau nunca tinha sofrido.
“Os residentes de Macau são, na sua natureza, patriotas.” Mas estamos numa zona de tufões. Também os Estados Unidos estão a passar por uma catástrofe. São situações muito graves. Quem é que poderá ser o próximo Chefe do Executivo? Uma pessoa competente. Sofia Margarida Mota
sofiamota.hojemacau@gmail.com
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NOVO MACAU QUEIXA NA CAEAL POR ALEGADA INFIDELIDADE AO REGIME
Eles não sabem de nada
GCS
A notícia foi conhecida ontem: há uma queixa contra um candidato do universo da Novo Macau por alegada infidelidade ao regime. A lista diz ainda não ter sido informada. Está à espera da CAEAL
Tong Hio Fong, CAEAL
ainda não se coloca uma vez que o caso ainda está a ser analisado, explica a emissora. “Os dados da queixa foram recolhidos através das redes sociais. Para acompanhar este caso, precisamos de recolher mais factos concretos”, declarou o presidente da CAEAL, Tong Hio Fong, que esteve esta manhã no programa Fórum Macau, do canal chinês da Rádio Macau. Numa nota ao final da tarde, referia-se que,
além da obtenção de provas, a CAEAL necessita de avaliar “a possibilidade da legislação permitir a eficácia retroactiva pelos actos cometidos, no passado”, bem como “a intenção legislativa”.
Ao HM,Andrew Cheung, membro da lista, afirmou que ainda não houve qualquer contacto por parte da Comissão de Assuntos Eleitorais. “Não temos ainda informações sobre essa queixa e
“Não temos ainda informações sobre essa queixa e penso que a CAEAL tem de publicar mais dados sobre o caso.” ANDREW CHEUNG MEMBRO DA NOVO MACAU
MAK SOI KUN CCAC ADMITE INVESTIGAR ACÇÃO DE CAMPANHA
L
AM Chi Long, adjunto do Comissariado contra a Corrupção, admitiu ontem abrir uma investigação sobre uma acção de campanha organizada pela lista de União de Macau-Guangdong, liderada por Mak Soi Kun e Zheng Anting, noticiou a Rádio Macau. À saída do programa Fórum Macau do canal chinês da emissora, um jornalista confrontou Lam Chi Long com fotografias que, alegadamente, mostram o grupo de Mak Soi Kun a ensinar eleitores a votar na lista, numa acção de campanha em que terá havido ofertas.
“Vamos recolher os dados e [analisar] se existe de facto uma violação à lei. Com base apenas numa fotografia, não posso tirar qualquer conclusão”, reagiu Lam, citado pela rádio. Desde Março até agora, o CCAC diz já ter feito mais de duas mil operações de fiscalização, sendo que 1900 incluíram deslocações a restaurantes. Lam Chi Long diz que “não foi detectada qualquer ilegalidade”. Ainda assim, afirma existirem “algumas pequenas excepções que são suspeitas de violação
da lei”. O organismo promete “proceder nos termos da lei”, mas não especifica quantos casos suspeitos existem, afirmando que “não pode avançar números concretos”. Ainda segundo a Rádio Macau, o CCAC acrescenta que foram detectados casos de associações que levam os sócios em viagens, dentro e fora de Macau, mas Lam Chi Long também afirmou que, “por enquanto”, mas a investigação ainda está a decorrer, pelo que não pode avançar se são casos suspeitos.
HOJE MACAU
A
Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) recebeu uma queixa contra um candidato por alegada infidelidade ao regime, avançou ontem a Rádio Macau. A confirmar-se a acusação, o candidato, que será da lista ligada à Associação Novo Macau, poderá ser impedido de concorrer às eleições para a Assembleia Legislativa, um cenário que
penso que a CAEAL tem de publicar mais dados sobre o caso”, disse. “Não fomos contactados.” Esta semana, o candidato número 4 da lista da Nova Macau, do campo pró-democracia, disse que estava a ser alvo de uma campanha difamatória nas redes sociais Facebook e Wechat. Wong Kin Long, 20 anos, afirmou que foi publicamente acusado de apoiar a independência de Hong Kong.
A nova lei eleitoral obriga os candidatos a assinarem uma declaração de fidelidade a Macau enquanto Região Administrativa Especial da China. Foi a resposta dada pela secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, à interpretação feita pelo Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional sobre a questão do juramento dos deputados de Hong Kong pró-independência. Os candidatos de Macau podem ser impedidos de participar nas eleições e, mesmo após eleitos, arriscam perder o mandato caso se prove que são infiéis ao regime. Depois das eleições do próximo domingo, a CAEAL terá de apresentar um relatório ao Governo sobre o acto eleitoral e os pontos a serem revistos. Tong Hio Fong admite já novas alterações à lei eleitoral, explica a Rádio Macau. O alvo são as redes sociais: “Posso avançar que, se calhar, temos de reforçar o combate à angariação de votos através das redes sociais, nomeadamente o Facebook, prevendo algumas sanções para este tipo de situações”. A empresa Facebook arrisca pagar uma multa entre cinco mil a 50 mil patacas por divulgar conteúdos pagos pelas listas, classificados pela CAEAL como propaganda eleitoral ilegal. Tong Hio Fong esclareceu, no entanto, que apenas haverá sanções para a empresa, uma vez que, em termos jurídicos, ainda não estão definidas consequências para o comportamento do candidato.
política 5
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A lista Associação do Novo Progresso de Macau entregou três queixas junto do Ministério Público. Sulu Sou e Paul Chan Wai Chi dizem-se vítimas de difamação e boicote por parte das listas Ajuda Mútua Grassroots, Ou Mun Kong I e pela candidatura de Lee Kin Yun
A
campanha eleitoral da lista Associação do Novo Progresso de Macau tem decorrido de forma turbulenta nos últimos dias. A candidatura liderada por Sulu Sou e Paul Chan Wai diz-se vítima de difamação por parte de três listas concorrentes. Segundo explicou Andrew Cheung, membro da lista, ao HM, as queixas apresentadas junto do Ministério Público (MP) dizem respeito a alegadas acções promovidas pela lista número 22, intitulada Ajuda Mútua Grassroots e liderada por Wong Wai Man. A lista número 23, Associação Activismo para a Democracia, liderada pelo activista Lee Kin Yun, é também uma das visadas, bem como a lista número 17, Justiça de Macau (Ou Mun Kong I), de Lei Sio Kuan. Em causa estão acções de boicote nas actividades de campanha promovidas pela lista dos candidatos pró-democrata. De acordo com Andrew Cheung, as três listas visadas terão enviado grupos de pessoas para as actividades de campanha de Sulu Sou e Paul Chan Wai Chi, tendo empenhado cartazes com comentários negativos e proferido palavras de ataque. “Segundo a lei, este tipo de comportamento violento pode levar a três anos de prisão. Além dos próprios candidatos, existem mais pessoas que interferiram nas nossas campanhas, e questionamo-nos porque é que a polícia não agiu”, afirmou Andrew Cheung.
ELEIÇÕES LISTA DE SULU SOU QUEIXA-SE DE TRÊS LISTAS CONCORRENTES AO MP
As vozes envenenadas Um dos últimos casos originou inclusivamente a abertura de um processo de investigação da parte da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL). Em plena acção de campanha, esta semana, os líderes da lista Associação do Novo Progresso de Macau foram confrontados com um grupo de pessoas que começou a gritar frases como “Wong Kin Long, não envenene os jovens!”, “Perante a desgraça, a pátria apoia-nos” e “A independência de Hong Kong é desumana”. Estas pessoas afirmaram ter lido notícias que garantiam que o candidato seria a favor do movimento independentista de Hong Kong, que tem os activistas Joshua Wong e Nathan Law como protagonistas. Após esse episódio, os candidatos esclareceram que essas acusações são falsas e que
“Além dos próprios candidatos, existem mais pessoas que interferiram nas nossas campanhas, e questionamo-nos porque é que a polícia não agiu.” ANDREW CHEUNG CANDIDATO DA ASSOCIAÇÃO DO NOVO PROGRESSO DE MACAU
não apoiam o movimento em causa. No entanto, a CAEAL prometeu averiguar o caso.
CONTRATOS A PRAZO
Ontem, os candidatos Sulu Sou e Paul Chan Wai Chi realizaram uma conferência de imprensa no bairro do Iao Hon, onde prometeram lutar pela revisão do quadro geral do pessoal docente das escolas particulares do ensino não superior. Em causa está a perda de garantias dos docentes com mais anos de experiência e que são, alegadamente, empurrados para a reforma sem o desejarem.
Sulu Sou (centro) e Paul Chan Wai Chi (esquerda)
“Sabemos do caso de uma escola que recentemente despediu dez professores, sendo nove deles experientes. O Governo não garantiu uma supervisão adequada à acção destas escolas”, adiantou Andrew Cheung. Segundo disse Sulu Sou ao HM, a lista tem vindo a receber muitas queixas de professores e docentes nos últimos dias de campanha. “A nossa plataforma política dá atenção ao sector da educação. Temos vindo a receber muitas opiniões e queixas nas últimas duas semanas. São opiniões de professores e pais. Querem que apelemos junto do
Governo sobre a lei das escolas privadas”, frisou o líder da lista. Sulu Sou disse ainda que são sempre assinados contratos a prazo a cada dois anos, sem que isso dê uma estabilidade à carreira docente. “Algumas escolas privadas, aquando da revisão dos contratos todos os anos, não respeitam a lei laboral. Mesmo que o professor trabalhe na escola durante o período de dois anos continuam a ser assinados contratos a prazo. Isto não está de acordo com a lei e isso causa pressão psicológica aos professores”, disse. O candidato a um lugar no hemiciclo afirma existirem ainda, nas escolas privadas, casos de professores despedidos sem justa causa. “Queremos rever a lei caso sejamos eleitos, para que os professores tenham mais garantias”, concluiu Sulu Sou. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
6 eleições
“No início houve algumas pressões, mas depois no meu local de trabalho começaram a ficar habituados.”
CLOEE CHAO
LÍDER DA LINHA DA FRENTE DOS TRABALHADORES DOS CASINOS
“Os meus votos não são os de Angela Leong” É presidente da Associação Novo Macau para os Direitos dos Trabalhadores do Jogo, que realizou várias actividades de manifestação como a entrega de cartas. Tem dados estatísticos sobre o número de queixas que recebeu este ano? Não, mas recebemos, em média, uma ou duas solicitações por mês. Uma vez recebemos oito queixas sobre um caso de aumentos salariais e, através da nossa associação, falámos com a empresa para melhorar a situação. Só quando o assunto não é resolvido é que decidimos manifestar-nos e tornar o assunto público. Recebemos um caso ligado à Sands China, em que um grupo de engenheiros continuava com o estatuto de estagiários ao fim de três anos de trabalho. Os engenheiros que estavam a ser recrutados recebiam 15 mil patacas de ordenado, mas esse grupo de trabalhadores continuava a receber 11 mil patacas, sem qualquer aumento. Que assunto gera queixas mais frequentes? Recebemos muitas queixas sobre a questão da proibição de fumo. A lei diz que não é permitido fumar em algumas salas de jogo, mas a empresa permite que os clientes fumem. Até há fiscais que fumam e usam os copos de água como se fossem cinzeiros. Se os croupiers se queixarem, os fiscais ficam do lado dos clientes e criticam os trabalhadores. Por isso, temos vindo a contactar com o Gabinete para a Prevenção e Controlo do Tabagismo e os Serviços de Saúde para que resolvam estes casos. A situação melhora durante uns tempos, mas depois volta a repetir-se. O seu programa político foca-se na defesa dos direitos e interesses dos trabalhadores de jogo. Mas o que defende em relação a ou-
tras áreas, como a habitação e o trânsito, por exemplo? Este ano, a concorrência nas eleições é enorme e muitas das listas já abordaram de forma detalhada esses assuntos. É por isso que decidimos enfatizar os problemas que existem na nossa indústria. Das 24 listas candidatas, a nossa é a que dá mais destaque às solicitações dos trabalhadores do jogo, mas isso não quer dizer que ignoremos os outros assuntos. Ao nível da habitação, é difícil para um trabalhador do jogo candidatar-se à obtenção de uma casa económica, porque há muitos jovens a candidatar-se. Com o regime em vigor, os interessados demoram 20 anos a conseguir entrar na lista. Quanto à habitação social, só mesmo os desempregados é que conseguem uma fracção, porque uma família com membros que tenham emprego não consegue ter esse direito. No sector privado, é preciso, no mínimo, um milhão de patacas para adquirir uma casa muito básica. Um casal, em que ambos sejam croupiers, leva para casa todos os meses cerca de 40 mil patacas. Isso não dá para pagar as prestações, porque também existem outras despesas. Concordamos com o candidato Ng Kuok Cheong quanto à ideia de “terra de Macau destinada às gentes de Macau”, porque é preciso ajudar os jovens a comprar uma casa e combater os actos de especulação. Tem medo de perder votos, uma vez que o seu programa político não dá destaque aos assuntos sociais? Pensámos rigorosamente sobre isso e decidimos cortar essas áreas do nosso programa. Penso que as pessoas não têm compreendido muito bem a nossa lista, porque acham que a nossa candidatura vai roubar votos às outras listas. O nosso objectivo é aumentar as fontes dos votos. A sociedade julga que os trabalhadores do jogo não
SOFIA MARGARIDA MOTA
Passou de activista a candidata e diz que a sua lista é a única exclusivamente composta por funcionários de jogo das camadas mais baixas. Cloee Chao lidera a lista número 25 e promete lutar pela melhoria das regalias dos trabalhadores do jogo, caso seja eleita para a Assembleia Legislativa
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dão muita atenção à política, mas vão começar a prestar mais atenção quando começarem a pensar nas condições de vida nos próximos anos. Os empregados dos casinos querem melhores condições de trabalho, por isso vão estar mais atentos à política, mesmo que não tenham direito a votar. Com base nessa ideia, decidimos eliminar as propostas sobre habitação, trânsito e assuntos sociais.
“Se compararmos com as associações tradicionais, temos menos vantagens.” Acredita que vai conseguir roubar votos a Angela Leong (candidata pela União do Desenvolvimento de Macau)? A minha fonte de votos é diferente da de Angela Leong. Há também outras listas que estão ligadas ao sector do jogo, mas os seus líderes ocupam cargos de chefia. Somos a única lista composta apenas por trabalhadores das camadas base. Isto é óbvio e não causa qualquer confusão. Num debate televisivo foi confrontada por Kou Meng Pok, candidato que luta pelos direitos dos investidores do Pearl Horizon. O candidato fez-lhe uma pergunta sobre a protecção do direito à propriedade privada, prevista na Lei Básica, mas depois foi interrompida. O que pensa de facto sobre esse assunto? Concordo com esse ponto da Lei Básica e também com a implementação da Lei Sindical. Esperamos que seja implementada porque nos últimos anos não tem passado de papéis em branco. Nesse momento queria responder a Kou Meng Pok que concordava com ele, que quero garantir a protecção da Lei
Básica e a implementação da Lei Sindical. Defendemos o direito à propriedade privada, mas essa é uma solicitação deles. Caso seja eleita, qual vai ser a sua prioridade como deputada à Assembleia Legislativa (AL)? Vou focar-me no aumento das regalias dos trabalhadores dos jogos, para que sejam iguais às dos funcionários públicos. Apesar de as operadoras de jogo serem empresas privadas, são concessionárias e, nos últimos anos, os juízes têm aplicado as infracções aos funcionários de jogo como se trabalhassem para o Executivo, com
eleições 7
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nós, bem como os vídeos. A nossa música de campanha foi feita pela minha filha. O facto de terem poucos recursos vai afectar os resultados das eleições? Se compararmos com as associações tradicionais, temos menos vantagens. Nos últimos dias temos feito muitas acções de campanha durante a noite, mas não é a falta de recursos que nos impede de fazer mais. A única coisa que podemos fazer é distribuir panfletos, divulgar o nosso programa político e dizermos quem somos. Temos aproveitado muito as redes sociais para mostrar o nosso programa político. Em 2014 esteve muito activa nos protestos em defesa dos croupiers. Depois afastou-se. Este ano voltou como candidata. Deixou de sofrer pressões de algum tipo? Não foi bem assim. Em 2013 já estava activa nas manifestações, um ano depois tornei-me secretária-geral da Forefront of Macau Gaming e nessa altura realizávamos protestos duas a três vezes por mês. Depois disso muitos colegas meus deixaram de ir para as ruas e fiquei sozinha a contribuir para essas iniciativas. Talvez devido aos nossos recursos limitados não tenham recebido as informações e, por isso, pense que estive mais afastada. Os trabalhadores do jogo sabem que estive sozinha a trabalhar nesta área. Muitos dos meus colegas começaram a ser pressionados pela empresa onde trabalhavam e também nas redes sociais, e depois deixaram de aparecer. Várias notícias sobre as nossas acções não foram publicadas de propósito, e daí surgir essa ideia de desaparecimento.
os mesmos critérios. Os trabalhadores, caso sejam culpados, merecem ser punidos, mas então não teriam também direito a regalias iguais? Aquando da liberalização do sector do jogo, foi feita a promessa de que os trabalhadores seriam bem tratados, mas vimos agora que as receitas estão estáveis. É altura de as operadoras cumprirem com aquilo que prometeram. O prazo para a renovação das licenças está a terminar, mas as operadoras ainda não cumpriram o prometido. Caso não seja eleita, que planos tem para o futuro?
Tenho trabalhado na associação e esse trabalho não vai parar. Sou também vice-presidente do conselho fiscal da Iniciativa de Desenvolvimento Comunitário de Macau, pelo facto de o jogo ser uma parte essencial do desenvolvi-
“Vou focar-me no aumento das regalias dos trabalhadores dos jogos, para que sejam iguais às dos funcionários públicos.”
mento comunitário. Vou lutar pela melhoria das condições providenciadas pela indústria, que envolve milhares de famílias. Espero que haja uma mudança. Manterá então o trabalho que tem vindo a fazer. Sim. Vamos continuar a exigir às operadoras de jogo mais acções antes da renovação das licenças. Será sempre melhor ser eleita, claro, mas caso não o seja, ao menos mostramos à sociedade o que pensamos, o nosso programa político, se bem que já atingimos esse objectivo. Se obtiver, por
exemplo, seis mil votos e não for eleita, ao menos sei que há seis mil pessoas que me apoiam. Quando chegar a altura da renovação das licenças, acredito que o Governo não vai ignorar essas solicitações. A sua lista tem menos recursos do que as outras? Muitos questionaram-nos sobre a origem dos nossos fundos e recursos. A nossa lista tem oito candidatos e recorremos às nossas poupanças para comprarmos as coisas e fazermos as actividades. Não gastámos muito dinheiro porque os panfletos foram feitos por
Durante os protestos de 2014 sofreu pressões da empresa? No início houve algumas pressões, mas depois no meu local de trabalho começaram a ficar habituados porque, como os problemas não se resolviam, os trabalhadores continuaram a aparecer e a fazer queixas. Várias empresas começaram a aceitar as nossas reivindicações. Neste momento, em alguns casos, já nem precisamos de enviar cartas, os problemas começam logo a ser solucionados. Está satisfeita com o que tem feito ao longo destes anos? Acha que conseguiu resultados? Há muitos aspectos que foram melhorados. Valeu a pena, mas também passei pouco tempo com a minha família. Os resultados que obtive levaram-me a participar nestas eleições. Vítor Ng e Andreia Sofia Silva info@hojemacau.com.mo
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disponíveis no alojamento económico e que “há soluções legais”. “Eles podem ir à Direcção de Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes e pedir uma alteração (...) e obter uma licença para operarem como ‘guest house’”, referiu.
Hato Cancelamento de matrículas termina na segunda-feira
Os proprietários dos veículos afectados pela passagem do tufão Hato devem apresentar a documentação referente à ocorrência até à próxima segunda-feira. Para garantir que todos os lesados podem receber o apoio fiscal dado pelo Governo, a Direcção dos Serviço para os Assuntos de Tráfego (DSAT) decidiu abrir a área de atendimento durante o fim-de-semana. Assim, tanto amanhã, como no domingo, as instalações da DSAT na Estrada de D. Maria II vão estar abertas ao público. Recorde-se que os proprietários dos veículos que foram afectados pela passagem do tufão Hato têm de apresentar uma declaração sobre os factos à Direcção dos Serviços de Finanças, um documento obtido junto da DSAT. Além do formulário do pedido, os lesados precisam de submeter a cópia do bilhete de identidade e documentos que comprovem os danos causados pelo tufão nos veículos.
Tufão Governo atribui primeiros empréstimos sem juros
A Direcção dos Serviços de Economia (DSE) começou ontem a atribuir os primeiros empréstimos sem juros de apoio às vítimas do tufão Hato. No total, a DSE tem em mãos 77 pedidos de empréstimo, que englobam valores acima dos 33 milhões de patacas. Até ontem, o Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização recebeu mais de 12 mil pedidos na área da “medida de abonos”, tendo sido aprovados 5253 pedidos, todos no valor de 262 milhões de patacas.
PATA APOIA NOVOS CONCEITOS
A
directora dos Serviços de Turismo de Macau disse ontem que a população é contra a plataforma online Airbnb e que este tipo de serviço de arrendamento de casas ou quartos vai continuar a ser ilegal. Helena de Senna Fernandes, que falava numa conferência de imprensa após a abertura da feira de turismo da Associação de Turismo da Ásia-Pacífico (PATA, na sigla inglesa), disse existir em Macau, há vários anos, um problema com as pensões ilegais. “Nesta altura [o Airbnb] é ilegal. Temos um problema com o alojamento ilegal”, sublinhou, explicando que o problema é anterior ao início de actividade da plataforma online. Senna Fernandes observou que os serviços de arrendamento de casas ou quartos por curtos períodos de tempo são por vezes usados para actividades ilícitas e criminosas. “Muitas destas transacções comerciais têm acontecido em áreas
TURISMO AIRBNB VAI CONTINUAR A SER ILEGAL EM MACAU
Mal lhe quer
A população está contra este tipo de serviço. O Governo também não concorda. Airbnb é moda do estrangeiro. Em Macau, alojamentos em casas costumam resultar em crimes diversos próximas dos casinos e muitas das pessoas que usam este tipo de alojamento também estavam envolvidas em actividades ilegais ou até criminosas, e é por isso que a população de Macau é bastante contra este conceito”, disse.
“Tudo isto causou muitos problemas em muitos edifícios de apartamentos. Fizemos dois inquéritos em 2014 e no ano passado, e os resultados de ambos não são a favor de usar casas privadas para alojamento em Macau por causa das
“Nós somos a favor da economia partilhada. O Airbnb é nosso membro há duas semanas (…) Há espaço para ambos [os negócios] na maior parte dos destinos.” MARIO HARDY DIRECTOR EXECUTIVO DA PATA
dificuldades causadas aos residentes”, acrescentou. Senna Fernandes argumentou que, “com actividades ilegais a acontecer, ainda não é a altura adequada” para legalizar. “Por isso, temos de chegar a um consenso antes de podermos impulsionar estes novos conceitos. (...) Como não é da aceitação geral da população, vamos continuar a monitorizar”, acrescentou. A directora dos Serviços de Turismo acrescentou que actualmente Macau tem mais de 600 quartos
Helena de Senna Fernandes falava depois de o director executivo da PATA, Mario Hardy, ter dito que a organização apoia os novos conceitos de negócio na hotelaria. “Nós somos a favor da economia partilhada. O Airbnb é nosso membro há duas semanas (…) Claro, é competição, mas colocando o meu chapéu de homem de negócios, diria que é preciso ser criativo se queres competir com eles”, afirmou. “Acho que há espaço para ambos [os negócios] na maior parte dos destinos”, acrescentou. Mario Hardy defendeu que estes novos conceitos devem ser regulados. “Deve o Governo regulá-los?Absolutamente. Será que devem pagar impostos? Absolutamente. Tem de haver uma competição justa. Mas em termos da operação propriamente dita dos serviços é preciso que a hotelaria seja criativa e crie novos conceitos”, concluiu. Macau tem actualmente 103 hotéis em funcionamento. Segundo dados divulgados ontem por Senna Fernandes, os Serviços de Turismo têm em curso cerca de 20 pedidos de licenciamento, a maioria (17) de hotéis económicos. Há três pedidos de licenciamento para hotéis de cinco estrelas, um para a categoria de quatro estrelas, e dois para três estrelas. A feira de turismo da PATA, que decorre pela terceira vez em Macau, depois das edições de 2005 e 2015, termina hoje. Macau é membro da PATA desde 1958. A associação dedicada à promoção da indústria de turismo e viagens na Ásia Pacífico foi fundada em 1951 e tem, entre os seus membros, 95 entidades governamentais de turismo, 29 companhias aéreas internacionais, aeroportos e operadores de cruzeiros, 63 instituições de ensino de turismo e centenas de companhias de turismo da Ásia Pacífico.
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GONÇALO LOBO PINHEIRO
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Antigo procurador Ex-chefe de gabinete volta ao MP
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Hotel Estoril vai avançar, já temos projecto e vai avançar um concurso público para um centro de actividades para jovens, mais conservatório de música, dança e teatro e talvez uma piscina. Já há um projecto, acho que muito em breve, se calhar para a semana, talvez no fim do mês vai ser lançado o concurso público”, disse ontem Alexis Tam. O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura falava aos jornalistas à margem da abertura da 40.ª PATA Travel Mart, a feira de turismo da Associação de Turismo da Ásia-Pacífico (PATA, na sigla inglesa), que decorre pela terceira vez no território, depois das edições de 2005 e 2015. O hotel, construído na década de 1960 e onde Stanley Ho iniciou a sua concessão de jogo em Macau, fechou portas nos anos 1990 e está desocupado desde então. Questionado sobre a demora no lançamento do concurso público de arquitectura, o secretário disse que “o projecto é bastante grande” e que “inclui três serviços: a Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, o Instituto de Deporto e o Instituto Cultural”. “E, claro, para preparar um concurso público, tem de se preparar um caderno [de encargos] e o programa de concurso não [pode ser] apenas na língua chinesa, também na língua portuguesa”, afirmou. “Leva tempo, mas agora já está pronto”, acrescentou. Alexis Tam disse que além do concurso público para o projecto
ALEXIS TAM CONCURSO DE ARQUITECTURA LANÇADO ATÉ AO FIM DO MÊS
Avança o Estoril
O processo vai finalmente andar. O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura anunciou ontem que o concurso público de arquitectura para reconverter o antigo Hotel Estoril num centro de actividades para jovens deverá ser lançado até final do mês de arquitectura será lançado outro para a construção, mas escusou-se a avançar datas sobre essa fase, ressalvando que não é da sua tutela.
A POLÉMICA FACHADA
O Governo avançou em 2015 com a ideia de reconverter o edifício do Hotel Estoril num centro de artes e escolas artísticas direccionado para os jovens. Alexis Tam manifestou-se, desde o início, a favor da demolição do edifício, considerando que não tinha valor. Em Setembro desse ano, a associação de urbanistas Root Planning lançou uma petição para pedir a avaliação do valor patrimonial do antigo Hotel Estoril e piscina
adjacente mas, em Março passado, o Conselho do Património Cultural de Macau decidiu que o edifício não será classificado. O processo de reconstrução do Hotel Estoril esteve, desde o início, envolto em polémica. Além de alguma oposição da sociedade civil aos planos do Governo, foram também controversas as escolhas do arquitecto. O arquitecto português Siza Vieira chegou a ser convidado, mas quando defendeu a demolição e a não manutenção da fachada gerou-se um debate sobre a requalificação do edifício e o eventual valor patrimonial e histórico, tendo o Governo lançado uma
Alexis Tam disse que além do concurso público para o projecto de arquitectura será lançado outro para a construção, mas escusou-se a avançar datas sobre essa fase, ressalvando que não é da sua tutela
consulta pública e encomendado um inquérito. Meses mais tarde, o Executivo decidiu que a solução mais viável seria o lançamento de um concurso público, para que arquitectos locais, que se manifestaram insatisfeitos com o ajuste directo a Siza Vieira, pudessem também participar. O arquitecto disse posteriormente não ter interesse em participar no concurso público. A 26 de Julho de 2016, os membros do Conselho do Planeamento Urbanístico decidiram que a fachada do Hotel Estoril pode ser demolida para dar lugar a um novo projecto para a reutilização do espaço. Nas declarações de ontem, Alexis Tam não se pronunciou directamente sobre a preservação ou demolição do painel da fachada. “Vocês vão poder ver, daqui a uma ou duas semanas, porque vai ser publicado o concurso público”, disse.
O ex-chefe de gabinete do antigo procurador Ho Chio Meng, António Lai, voltou a ser admitido no Ministério Público, avançou ontem o canal em chinês da Rádio Macau, que cita fonte do organismo de investigação. António Lai foi arguido no processo conexo ao do caso de corrupção que condenou o antigo líder do Ministério Público a 21 anos de prisão, mas foi absolvido da acusação de vários crimes de burla. Em declarações à Ou Mun Tin Toi, Tam Peng Tong, chefe de gabinete do procurador Ip Son Sang, afirmou que terminou a suspensão preventiva de funções de António Lai, que pode agora regressar na qualidade de técnico superior. Lai está neste momento de férias.
Ho Chio Meng Interposto recurso da sentença do processo conexo
O Ministério Público (MP) recorreu do acórdão do Tribunal Judicial de Base relativo ao processo conexo ao de Ho Chio Meng. A acusação não se conforma com a absolvição de três arguidos: António Lai, o ex-chefe de gabinete do antigo procurador, o ex-assessor do MP Chan Ka Fai e Alex Lam Hou Un, antigo funcionário das empresas detidas por dois dos arguidos condenados. O colectivo de juízes entendeu que Ho Chio Meng se aproveitou dos princípios de confidencialidade, e que os funcionários do MP acreditaram no antigo procurador e nas suas decisões, elaborando propostas conforme as práticas instaladas, mas desconhecendo ilegalidades. O recurso foi interposto ontem.
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15.9.2017 sexta-feira
ARQUITECTURA ESCOLHIDOS TRABALHOS DE MACAU PARA BIENAL DE URBANISMO
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primeiro prémio foi atribuído à Companhia de Arquitectura JWCC Limitada, que concorreu com o projecto “City Magnified: Re-discovering of a Diminishing Urban Identity”. A distinção significa que este trabalho será o representante da Exposição de Macau na Bienal Bi-citadina de Urbanismo/Arquitectura de Shenzhen e Hong Kong 2017. O segundo prémio foi arrebatado pela CURB Centro de Arquitectura e Urbanismo, que participou com o projecto “Macau, City of Villages - Diversity From the Bottom Up”. Já o terceiro lugar foi para Cita Planeamento e Design Lda., que concorreu com o projecto “Reconstruct‧Hang Vo Tong-The Macau Experience”. Destaque também para a menção honrosa atribuída a Wan Pio, com o trabalho “Safe Cordon”. Os trabalhos foram avaliados por um júri constituído por cinco peritos e académicos de Macau e Shenzhen, de forma a entrarem na Bienal Bi-citadina que terá este ano o tema “As Cidades Crescem na Diferença”. O evento centra-se no tema do crescimento urbano e da transformação, que dá foco particular ao fenómeno paisagístico, cultural e económico único causado pelo rápido processo de urbanização na região do Delta do Rio das Pérolas.
Incendiários MÚSICA THE PRODIGY JUNTAM-SE AO CARTAZ DESTE ANO DO CLOCKENFLAP
Esta semana conheceram-se mais alguns nomes de peso para o Festival Clockenflap, de onde se destacam os britânicos The Prodigy. A banda de punk electrónico actua sábado, no festival que decorre entre 17 e 19 de Novembro. Além dos The Prodigy juntaram-se ao cartaz os Young Fathers, Temples, Pond e SKREAM
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA O INVERNO DO MUNDO • Ken Follett Depois do extraordinário êxito de repercussão internacional alcançado pelo primeiro livro desta trilogia, A Queda dos Gigantes, retoma-se a história no ponto onde ficou. Uma segunda geração assume pouco a pouco o protagonismo, a par de figuras históricas e no contexto das situações reais, desde a ascensão do Terceiro Reich, através da Guerra Civil de Espanha, durante a luta feroz entre os Aliados e as potências do Eixo, o Holocausto, o começo da era atómica inaugurada em Hiroxima e Nagasáqui, até ao início da Guerra Fria. Como no volume anterior, a totalidade do quadro é oferecido como um vasto fresco que evolui a um ritmo de complexidade sempre crescente.
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UEM ainda não viu The Prodigy ao vivo tem uma lacuna que precisa de colmatar o mais rapidamente possível. Para quem está em Macau, ou Hong Kong, o cartaz do Clockenflap possibilitará essa experiência. A banda britânica, que lançou o seu primeiro disco, “Experience”, há exactamente 25 anos, revolucionou o mundo da música de dança ao juntar agressividade à cena das raves. Com seis discos na carreira, os The Prodigy juntam-se aos Massive Attack e a Feist para formar o trio de cabeça de cartaz do festival que festeja o seu décimo aniversário, que ocorre no Central Harbourfront entre 17 e 19 de Novembro. Acarreira da banda britânica tem entre os seus melhores momentos os discos “Music for the Jilted Generation”,
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MIRAMAR • Naguib Mahfouz Um romance coeso e de grande carga emocional sobre vidas que se cruzam, Miramar desenrola-se na Alexandria do início dos anos 60. Seis personagens, todas agora exiladas por força das circunstâncias, tornam-se residentes da elegante e decadente Pensão Miramar. A figura central é Zohra, a bela camponesa cuja relação com as outras cinco personagens simboliza a essência da realidade política e social da época.
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sexta-feira 15.9.2017
HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho
Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com
Perpétua-das-areias Nome botânico: Helichrysum italicum (Roth) G.Don e Helichrysum stoechas (L.) Moench. Também é usado o Helichrysum arenarium (L.) Moench Família: Asteraceae (Compositae).
Os The Prodigy juntam-se aos Massive Attack e Feist para formar os cabeças de cartaz do festival que festeja o seu décimo aniversário, que ocorre no Central Harbourfront entre 17 e 19 de Novembro onde despontam os intemporais hinos de agressão “No Good”, “Voodoo People” e “Poison”. O grupo sustentado pela genialidade do produtor, e mais discreto membro da banda, Liam Howlett atingiu um público mais alargado em 1997 com o disco “Fat of The Land”, que tem músicas que rodaram em pistas do mundo inteiro como “Smack My Bitch Up”, “Firestarter” e “Breathe”. No mesmo dia em que os The Prodigy sobem ao palco, há outra banda que merece destaque: os Tinariwen. Um grupo oriundo do norte do Mali. Além disso, os mais saudosistas vão poder dançar ao som da banda de covers The Bootleg Beatles.
PSICADÉLICOS
Na lista das bandas que foram anunciadas esta semana ao cartaz do Clockenflap, houve uma
acréscimo do novo rock psicadélico que surgiu nos últimos anos. Neste capítulo, os Pond, banda australiana que partilha alguns membros com os Tame Impala, são um dos grupos mais aguardados do festival. Com uma discografia extensa, que conta com sete discos em quase oito anos, os Pond fazem uma belíssima ponte entre o rock psicadélico e a pop. Os australianos de Perth sobem ao palco no domingo, dia 19. Outra banda com sonoridades de rock psicadélico anunciada esta semana são os britânicos Temples. Com dois discos na bagagem, o grupo inglês apresentará ao público de Hong Kong o seu mais recente álbum, “Volcano”, igualmente no domingo, um dia que será encerrado pelos históricos de Bristol Massive Attack. Além destas bandas, juntaram-se ao cartaz do Clockenflap
o grupo de hip-hop Young Fathers, a banda de pop japonesa Wednesday Campanella. O DJ SKREAM regressa ao cartaz do Clockenflap depois de ter incendiado a pista na edição de 2014. De seu nome Oliver Jones, o londrino é um dos nomes cimeiros da cena dubstep mundial. Com raízes sonoras firmadas em terras de tecno e house, SKREAM é um dos melhores actos da actualidade de electrónica ao vivo. Os bilhetes para o festival encontram-se já à venda, por agora, a preços mais acessíveis. Ainda assim, quem quiser ir aos três dias de festival terá de desembolsar 1620 dólares de Hong Kong. Os bilhetes para sexta-feira custam 890 dólares, enquanto os de sábado e domingo custam 960 dólares de Hong Kong. João Luz
info@hojemacau.com.mo
Hato Três locais sob a égide IC voltam a abrir
O Centro Cultural de Macau, o Museu de Arte de Macau e o Museu das Ofertas sobre a Transferência de Soberania de Macau reabrem hoje as portas ao público. Os três edifícios que funcionam sob a égide do Instituto Cultural ficaram danificados com a passagem do tufão Hato por Macau. Depois das obras de reparação, voltam a estar disponíveis para receber o público.
Originária do litoral da região mediterrânica, a Perpétua-das-areias é uma herbácea aromática que pode alcançar mais de meio metro de altura, formando belos tufos prateados ou dourados, consoante a estação do ano. Apresenta folhas estreitas, lineares, verde-acinzentadas, tomentosas na página inferior e com o bordo enrolado; as flores são tubulares, hermafroditas, de cor amarela brilhante, e estão reunidas em capítulos florais globosos agrupados na extremidade dos caules. Em Portugal, a H. italicum habita os solos arenosos próximos do litoral e a H. stoechas, mais dispersa pelo interior do país, encontra-se em locais secos e soalheiros, e muitas vezes rochosos. O nome do género botânico, Helichrysum, provém do grego, hélios, Sol, e chrysos, ouro, numa alusão ao amarelo-dourado das suas flores. Por estas conservarem durante muito tempo a sua cor, a planta tornou-se conhecida por Perpétua e, em algumas línguas, por Imortal. Já o nome Erva-do-caril sugere-nos o aroma característico desta mistura de especiarias orientais. Os seus usos medicinais remontam à Antiguidade, tendo sido mencionada por Dioscórides e, mais tarde, por Laguna. Em fitoterapia são usadas as partes aéreas floridas e o óleo essencial. Composição Óleo essencial, flavonóides, derivados da alfa-pirona e do floroglucinol, derivados da acetofenona, fitosteróis e triterpenos; contém ainda ácidos orgânicos, lactonas sesquiterpénicas e taninos. Aroma intenso e muito agradável a caril, sabor amargo. Acção terapêutica Com actividade antiespasmódica, a Perpétua-das-areias favorece a eliminação da expectoração e acalma a tosse, beneficiando as afecções do peito; combate as bactérias e auxilia a baixar a febre; tem ainda um efeito antialérgico e anti-inflamatório. É muito usada na constipação, gripe, rinite, sinusite, amigdalite, faringite, bronquite, asma e enfisema, sendo de eleição nos processos alérgicos em geral, não só respiratórios, como digestivos (alergias alimentares) e da pele. Além de estimular a secreção dos sucos gástricos e pancreáticos, esta erva aumenta a produção de bílis pelo fígado e
favorece a sua excreção da vesícula para o duodeno, melhorando a digestão dos alimentos; tem também acção protectora sobre o fígado, combatendo os efeitos danosos dos radicais livres neste importante órgão. Perturbações digestivas, gastrite, hepatite e mau funcionamento, inflamação ou doenças da vesícula biliar são outras das suas indicações. É igualmente benéfica nas cistites e uretrites, pelas propriedades diuréticas, e em caso de gota e reumatismo como tratamento depurativo. É antioxidante e reduz ligeiramente os níveis de colesterol no sangue. Tradicionalmente tem sido utilizada com sucesso nas enxaquecas e dores de cabeça. Outras propriedades Em uso externo, a Perpétua-das-areias tem actividade antialérgica, anti-inflamatória e cicatrizante, protege e regenera a pele, e é anti-séptica, combatendo bactérias e fungos. Emprega-se nas queimaduras, flebites e úlceras de pressão; eczema, acne, acne-rosácea, psoríase e outras dermatoses; urticária e outras afecções da pele de etiologia alérgica; blefaroconjuntivites; periodontopatias; vulvovaginites e candidíase; contusões, dores musculares e entorses. Como tomar • Uso interno: Infusão das partes aéreas floridas: 1 colher de chá por chávena de água fervente, 10 minutos de infusão. Tomar 2 ou 3 chávenas por dia, depois das refeições. Nas afecções respiratórias adoçar com mel. Em xarope, saquetas, cápsulas e comprimidos, em fórmulas para as afecções respiratórias, alergias e conjuntivites. As folhas podem ser usadas para aromatizar saladas, pratos de arroz e estufados, ou o recheio de carnes e legumes. As flores são úteis para ornamentar saladas de frutas e também podem ser adicionadas a sangrias e refrescos aromáticos. • Uso externo: Decocção das partes aéreas floridas: 100 gramas para um litro de água, uns minutos de fervura. Aplicar topicamente 2 ou 3 vezes por dia, em forma de lavagens, compressas, banhos oculares, bochechos e gargarejos, e irrigações. Em creme. Precauções Contra-indicada na gravidez e lactação, oclusão das vias biliares e hipersensibilidade ao óleo essencial. Não estão descritos efeitos secundários, nem interacções com medicamentos. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.
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15.9.2017 sexta-feira
Os reguladores chineses emitiram este ano, no entanto, um raro comunicado conjunto, no qual advertem para investimentos “irracionais” além-fronteiras, nos sectores do imobiliário, entretenimento e desporto, nos quais abundam “riscos e perigos ocultos”
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Ministério do Comércio da China disse ontem que o investimento chinês além-fronteiras caiu devido ao aumento nas restrições, que visa desencorajar a compra de clubes de futebol e outros cativos considerados desnecessários ao desenvolvimento do país. Segundo dados ontem anunciados, o investimento chinês no estrangeirou recuou 41,8%, nos primeiros oito meses do ano, face ao mesmo período do ano passado. Entre Janeiro e Agosto, as empresas chinesas investiram 68,7 mil milhões de dólares no exterior. Encorajadas pelo Governo, as empresas chinesas aumentaram nos últimos anos os investimentos
INVESTIMENTO NO EXTERIOR CAI DEVIDO AO AUMENTO DAS RESTRIÇÕES
Virados só para dentro além-fronteiras, como forma de assegurarem fontes confiáveis de retornos e adquirirem tecnologia avançada.
COMUNICAÇÃO ESPECIAL
Os reguladores chineses emitiram este ano, no entanto, um raro comunicado conjunto, no qual advertem para investimentos “irracionais” além-fronteiras, nos sectores do imobiliário, entre-
tenimento e desporto, nos quais abundam “riscos e perigos ocultos”. As autoridades afirmaram que querem que as empresas se foquem em activos necessários à economia chinesa. O Ministério chinês do Comércio anunciou ontem que os investimentos feitos este ano foram sobretudo no sector manufactureiro, vendas por atacado, retalho e tecnologias de informação.
Algumas das empresas chinesas cujas aquisições no exterior praticamente pararam nos últimos meses detêm participações em importantes empresas portuguesas, como a Fosun e o HNA Group. A Fosun é a maior acionista do banco Millennium BCP com 25,1% do capital, também detém 85% da seguradora Fidelidade (os restantes 15% do capital são da CGD) - que por sua vez é ‘dona’ do Grupo Luz
TIMOR-LESTE GOVERNO DIZ QUE NAVIOS CHINESES NÃO SAEM DO PAÍS
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primeiro-ministro timorense garantiu ontem que as forças de segurança timorenses têm instruções para garantir que os navios chineses apanhados a pescar tubarão em águas do país não saem da costa até estar concluída uma investigação. “Neste monto a PNTL [Polícia Nacional de Timor-Leste] e a FDTL [Forças de Defesa de Timor-Leste] têm instruções para zelar por isso e garantir que os navios não fogem”, disse Rui Maria de Araújo em declarações à Lusa no Palácio Presidencial em Díli. O chefe do Governo, que falava depois do encontro semanal com o chefe de Estado,
Francisco Guterres Lu-Olo, referia-se ao caso de 15 navios chineses com licença para pescar em águas timorenses e
Rui Maria de Araújo
que foram alvo de uma rusga no sábado. A operação foi conduzida pela polícia timorense, com base no mandato do Ministério Público timorense, com o apoio da unidade marítima e a assistência da organização ambiental Sea Shepherd. Gary Stokes, responsável desta acção da Sea Sheperd, disse à Lusa que os navios foram apanhados a pescar principalmente tubarão numa operação conduzida no sábado passado ao largo do porto de Com, na costa norte de Timor-Leste. Os navios visados são das empresas chinesas Hong Long Fisheries e Pingtan Marine
Entreprises e têm desde final de 2016 uma licença para operar em águas timorenses. A operação envolveu o navio Ocean Warrior da Sea Sheperd que, com lanchas rápidas, ajudou a transportar efectivos da PNTL, que efectuaram a rusga no interior das embarcações, acompanhada e registada por ‘drones’ e por câmaras da organização ambiental. O governante garantiu que a situação está a ser analisada por duas vertentes, por um lado ao nível do Ministério Público para apurar se houve ou não crime, e pelo Ministério da Agricultura para determinar se houve infracções às licenças.
Saúde - e ainda conta com uma participação de 5,3% na Redes Energéticas Nacionais (REN). A HNA é acionista da TAP através do consórcio Atlantic Gateway e da companhia brasileira Azul. Segundo dados oficiais portugueses, desde que a China Three Gorges comprou 21,3% da EDP, em 2012, o montante do investimento chinês em Portugal já ultrapassou os 10.000 milhões de euros.
Acidentes fazem nove mortos e deixam nove encurralados
Pelo menos nove pessoas morreram e nove outras permanecem encurraladas entre os escombros, em dois acidentes separados numa mina e num túnel, na China, informou a imprensa estatal. A agência noticiosa oficial chinesa Xinhua informou que nove mineiros morreram numa explosão causada por gás, no interior de uma mina, na quarta-feira, na província de Heilongjiang, nordeste da China. Oito mineiros foram, entretanto, resgatados e estão a receber tratamento hospitalar. A Xinhua noticiou ainda que nove trabalhadores estão encurralados entre os escombros, depois de o túnel no qual estavam a trabalhar ter desabado, ontem de manhã, na província de Yunnan, sudoeste do país. Acidentes em minas são comuns na China, o maior produtor e consumidor mundial de carvão. Muitos acidentes ocorrem em depósitos que operam ilegalmente e não colocam em prática medidas de segurança básicas. Acidentes laborais são também frequentes, com o país asiático a registar cerca de 20% das mortes em todo o mundo no trabalho, segundo a Organização Internacional do Trabalho.
ARTES, LETRAS E IDEIAS
Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir. Sentir tudo de todas as maneiras. Tonalidades António Castro Caeiro
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Á uma diferença entre recordar pessoas e ter lembrança de objectos. O processo, porém, parece, em tudo, semelhante. Cada objecto e cada pessoa são invocados individualmente ou em contexto. Cada parte de uma coisa e cada parte de uma pessoa são inseridos no acto da lembrança. A cada parte da lembrança corresponde uma parte da coisa ou da pessoa lembradas. Assim, quando me lembro de um candeeiro de secretária, do meu tempo de estudante aos 18 anos, lembro-me especificamente desse candeeiro e não de outro. Quando me lembro desse candeeiro verde, maciço, de lâmpadas gordas, à luz do qual costumava estudar, sentado à secretária, com os meus 18 anos, lembro-me dele nesse ano e não noutro. Surge-me numa situação particular, contudo. O candeeiro sobre a secretária, ao lado esquerdo. A secretária, lá ao fundo. Os livros sobre ela. Cada objecto tem a sua memória. O acesso da memória, porém, não é individual. Há sempre um contexto. O objecto surge-me sempre à frente, em cima de qualquer coisa, de pé ou deitado, próximo de outros objectos, etc. Etc.. Por outro lado, é inegável que o candeeiro é o candeeiro e nenhum outro objecto, cada coisa é uma coisa e não outra coisa. Mas mesmo que depositemos no passado objectos, podemos confundir as alturas em que estivemos presentes, face a face com esses objectos. O candeeiro pode ser lembrado como contemporâneo da secretária, mas eu posso não ter uma memória nítida da secretária. Posso pôr no passado a minha secretária actual. Sobre a secretária, “ponho” o candeeiro de que tenho uma viva memória. A secretária contemporânea do candeeiro não era a mesma de agora. Ou seja, podemos compor “as cenas” do passado com objectos existentes em tempos, ou alturas, diferentes. Há objectos que fazemos coexistir com outros objectos, mas sem qualquer direito à coexistência. De resto, não nos lembramos sequer de todos os objectos que eram coexistentes entre si, por exemplo, no nosso quarto de juventude, nem da sua disposição. Não conseguimos inspeccionar todos os objectos que estiveram presentes por exemplo nas tardes de Outono do ano lectivo de 1984-1985, que livros estavam em que estantes. Podemos lembrar-nos da cor da alcatifa, da roupa espalhada pelo quarto, mas há muitas coisas de que não temos uma presentificação. Não, pelo menos, não com o vigor com que me surgem os objectos que agora estou a ver à minha frente. Posso olhar para o conjunto infindável dos objectos que se encontram sobre
EDOUARD VUILLARD, À LUZ DO CANDEEIRO
Sobre a vida dos candeeiros
a minha secretária, mas a janela da memória não me dá os objectos que estavam presentes naquela altura, contemporâneos do candeeiro verde. E, contudo, o candeeiro verde surge-me, agora, de um modo mais nítido do que o candeeiro que tenho à esquerda sobre a minha contemporânea secretária. Não sei porque me lembro dele, mas lembro-me dele muitas vezes. Aparece-me assim sem qualquer esforço de lembrança ou propósito. Impõe-se na sua presença. É catalisador da cena do passado de que me lembro. Enfraquece a eficácia da percepção contemporânea do tempo presente. Há uma memória afectiva daquele candeeiro tosco. Aquele candeeiro ressuscita os primeiros tempos em que comecei a estudar. Lembra-me os primeiros livros que li. Sobretudo, lembra-me da passagem de momentos em que vivia à deriva para os primeiros momentos em
que passei a interessar-me pela presença do espírito guardada nos livros. Eram tempos em que se abriam avenidas para uma qualquer esfera do sentido, e não era real. Nos livros estavam encerradas formulações mágicas que conjuravam o ser das coisas. Escancaravam-se céus serenos e limpos ou então cheios de tempestades, de nuvens a passar rapidamente. A leitura de fórmulas mágicas criam climas frios ou quentes, secos e húmidos. Dão origem a tempos em que a travessia da tarde se fazia página a página. As palavras que compunham as frases eram compreendidas uma a uma, por composição, sem permitir uma inteligibilidade do todo que era a unidade mínima do sentido. Cada frase compreendida era ínfima relativamente a todas as frases que não eram compreendidas. Nesse esforço, a cabeça não pendia apenas em direcção das linhas da pági-
O candeeiro era o instrumento, o meio, a condição de possibilidade daqueles meus 18 anos e das décadas que vieram. Abria caminho. O candeeiro ganhava luz à escuridão. Arrancava horas ao sono. Permitia ressuscitar o espírito encerrado nos livros, levantado das letras impressas, mudas e cegas, se não as lermos. Permitia tocar com a alma, como diz ainda Aristóteles o sentido. Dava luz à escuridão da ininteligibilidade
na dos livros, ao serviço do movimento ocular. Era no candeeiro que me fixava. Aquela presença tosca, metálica, de um verde feio. Mas a parte que sustentava a grande lâmpada branca pendia como um girassol iluminador sobre as páginas. Aquela “cabeça” com aquele “olho” iluminava por completo as frases todas das duas páginas abertas como se tivesse um “olhar” fulgurante, abrindo para o sentido. O candeeiro era o instrumento, o meio, a condição de possibilidade daqueles meus 18 anos e das décadas que vieram. Abria caminho. O candeeiro ganhava luz à escuridão. Arrancava horas ao sono. Permitia ressuscitar o espírito encerrado nos livros, levantado das letras impressas, mudas e cegas, se não as lermos. Permitia tocar com a alma, como diz ainda Aristóteles o sentido. Dava luz à escuridão da ininteligibilidade. A luz amarela incidia sobre a página aberta, com a força máxima que permitia distinguir com absoluta nitidez o branco do papel, plano de fundo para a forma dos caracteres impressos. Desse núcleo duro, irradiava até um campo de luz que se difundia até se dissipar por completo na obscuridade. Para lá desse halo de luminosidade, o mundo inteiro estendia-se na escuridão. Sentia-se a presença do mundo para lá das letras, existindo no horizonte de escuridão em que tudo mergulha, quando lemos. Mundos presentes, passados e futuros coexistiam extáticos e permeáveis uns aos outros, articulados pelo tempo da transição que faz continuamente a passagem irreversível de tudo. O mundo e a vida são abertos, contudo, por essa outra possibilidade oriunda da leitura nocturna. O candeeiro estará numa caixa de cartão, guardado numa dispensa qualquer. Pode ter sido deitado para o lixo. Já não ilumina nem páginas nem a noite que tinha 18 anos e era a do início do que havia de vir. Agora, esvoaça até mim. Está de dia sobre a secretária daquele tempo. Não tem finalidade. Tem a luz apagada. E, contudo, mergulhou para o horizonte de sentido, outrora opaco, para lá das letras. Transitou para um reino da alma, desmaterializado. Uma forma desse candeeiro habita ainda a minha existência. Faz-se sentir. É ele todo alma e só visto por uma alma. A sua presença não vem de uma capacidade de retenção ou lembrança do passado. A sua presença é testemunha de que não nos esquecemos nem do candeeiro, nem da secretária, nem dos livros, nem do nosso quarto, na casa dos pais, nem da rua no bairro, nem do bairro na cidade— aos 18 anos. Todas as coisas que compõem tudo têm de estar algures. Não se sabem bem onde, mas anunciam ainda a sua presença.
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STÁ frio, dizia já. A antecipar, no sopé, a subida em crescendo difícil e a descida da temperatura. A imaginá-la antes que se avizinhe real e a sofrê-la na memória da pele. Está frio lá em cima. Para além de todos os carreiros íngremes sempre a subir. Estará. E estará sempre que o lembrar - o frio – e sempre que apertar os braços a tentar reter os fragmentos em que o frio me deixa a alma. Aproxima-se-me da memória em cada estação em que não há. Como um temor desnecessário e de irremediável verificação. Em cada estação antes e, absurdo, em cada estação depois. A torná-la antes. Mas ali em cima, com um pouco de sorte, as nuvens abaixo. Distância a tudo, que o silêncio compensa. Às vezes, sinto-me a entrar num momento de um outro momento mais vasto, como quem entra num salão apinhado de desconhecidos, num lugar do mundo que nem sei onde é. E como que reagindo de olhar míope ao desconhecido imenso, olho em volta e procuro uma parede com uma tira vaga de vazio a que encostar o desconforto. Um lugar em que caiba essa estranheza imensa e momentânea, mas encolhida dentro de mim e por detrás talvez mesmo de um sorriso. Aconchego um xaile enorme de lã em torno do pescoço e do longo casaco de lã de iaque, que parece ainda reter o cheiro animal, um pouco nauseante. Um pouco camuflada nas cores das lãs, como dos pigmentos daquelas terras rochosas desfeitas em avalanchas quase como as da memória. Olho para cima a reunir forças. Para o frio e a visão dos cumes e picos para lá das nuvens.
Às vezes encontro-te por dentro. Eu não sei, sequer, se estás lá. Mas chego ao teu lugar, ao que imagino ser o teu lugar de abandono, e sento-me à espera. Não sei se alguma vez estiveste neste teu lugar A pensar que outras vezes demoro a chegar ao meu vazio de quatro pernas. Dir-se-ia um banco de jardim ausente de gente antes de chegar. Ou recortado na paisagem. Ali na sua concreta negação de existência material. Mas é verdade que não o habito nem eu ao chegar, tal a forma como duvido existir. Talvez recorte também saído de uma caderneta de cromos. Chegar. Estar, depois. E noutro momento, partir. Arrastando uma ausência de dimensionalidade em busca de caderneta própria. Ou então, é mesmo o animal quadrúpede que me habita sem preencher. Mas o que sou eu? Isto perguntava a minha avó de olhos vivos e pequeninos. Nada. Não sou nada e por isso me dou mal com o monstro que me ocupa sem habitar em boa vizinhança. Há coisas na vida que se repetem e repetem de forma irreprimível – como reprimir as estações? – é quase insuportável. Que se desmultiplicam como ecos, e repetem, e repetem, como uma música de que se gostou,
ANABELA CANAS
Fico sempre um dia mais tarde
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ARTES, LETRAS E IDEIAS 15
iluminacão artificial ´
Anabela Canas
gosta, e que se sente uma necessidade de respirar, como se dela dependesse a possibilidade do momento seguinte. E depende. Como de uma música que espelha um ritmo qualquer da alma não definível por outro meio, e do qual fosse o silêncio possível em torno. O que produz música como oxigénio em que se desenvolve o respirar. Há coisas na vida que se repetem e repetem sazonais, rítmicas e recorrentes. Venenos. Toxinas a entrar na corrente, reconhecida e familiar como um terreno fértil. Como músicas. A ouvir até à angústia final de ter que interromper. Como se uma hibernação em fim de inverno. Ou a exaustão e a agonia do vómito, do álcool. O corpo a virar-se sobre o seu avesso. Coisas como a música. Não a música, mas uma em particular. A estender para além do razoável uma emoção sentida. Uma droga tóxica. Entra no corpo um dia e torna-se necessária. A revisitar. E as coisas que mudam. E as que nos mudam. Fim da infância. E um dia, sem aquele aviso prévio que afinal só talvez antecipe a desilusão, o meu pai troca o nosso Taunus 12M, carro familiar, doce e afável de modos, charmoso, verde como convinha e com uma risca branca, fantasia posterior. E surge orgulhoso da mudança com um carocha azul escuro. Volkswagen carocha, até aí reconhecido pela minha alma perturbada de estereótipos como um carro de pessoas idosas. Isto porque, a quem o conhecia e só, era ao maravilhoso e gentil casal da papelaria charmosa e fina, casal sem filhos e que, talvez por isso, deixava uma criança sentar-se por horas esquecidas num canto do chão a ler bandas desenhadas, até que a outra criança a iria, em desespero, chamar para o almoço. O sr. Ferraz e a dona Tininha. Casal idoso, sempre bem arranjados um e outro, quase perfumados ao olhar, ela com aqueles brincos enormes de fantasia de pérolas, ele de risca lateral descaída e impecável. Um amor os dois. E para mim como se idosos de sempre e para sempre. Talvez hoje os veja como possivelmente mal saídos dessa estranha meia idade e não mais. (Esse olhar de criança no absoluto presente. E este meu adulto no absoluto imparável nunca). E um carocha bege claro, rebrilhante e impecável. Carro de gente idosa, portanto. E o nosso, agora, lá em baixo num primeiro olhar da varanda, azul escuro, pesado e bisonho como bicho corcovado, a aguardar a aprovação de toda a família. Tive um desgosto pela perda do doce Taunus, e uma revolta ostensiva pelo ultraje deste monstro feio e informe que lhe sucedeu. Coisas. Olhei-o com olhar furibundo que fez o meu pai rir com vontade e indiferença. Quase chorei da incompreensão de tamanho desgosto o meu. Mais tarde chorei a sério de tristeza de o ver partir, doce, pesado e orgânico, quase. E mais tarde, ainda, foi um irmão longínquo dele, o meu primeiro carro. De estimação. E cor de pérola, quase, quase como o do sr. Ferraz. Aqui, no sopé do frio que se avizinha. Por momentos no final da infância. Olho para cima a preparar a subida. E depois para o lado a rever a paisagem de transição. E depois para um ponto qualquer. Longínquo. Às vezes encontro-te por dentro. Eu não sei, sequer, se estás lá. Mas chego ao teu lugar, ao que imagino ser o teu lugar de abandono, e sento-me à espera. Não sei se alguma vez estiveste neste teu lugar. De picos ou subterrâneos. Mas não é assim que as coisas se passam. Contudo, sei-o lugar de encontro. Descalços de sapatos levemente sujos de vida, penso, entramos. Não sei quem és. Nada, como eu, talvez. Mas não é assim que as coisas se passam. Para além de um ruído ensurdecedor. Talvez aí.
16 desporto
P
ORTUGAL vai estar novamente representado no Grande Prémio de Motos de Macau. Apesar das dificuldades que têm os pilotos portugueses em ser aceites no evento, devido aos rígidos critérios de selecção da prova do território, pelo menos um motociclista luso está praticamente confirmado à partida: André Pires. O piloto natural de Vila Pouca de Aguiar, em Trás-os-Montes, que este ano está a disputar o Campeonato Nacional de Velocidade, na classe SuperBikes, aos comandos da Kawasaki ZX 10RR da equipa Kawasaki Oneundret Racing Team, está a preparar-se para participar naquele que é o maior evento de motociclismo do Sudeste Asiático. Apresença da representação lusitana está todos os anos pendente do número de convites que as entidades de Macau endereçam à Federação de Motociclismo de Portugal (FMP), mas Pires, que é o único motociclista português da actualidade que cumpre os critérios de selecção da prova, já tem o que carimbo que precisa para estar à partida. “O convite já está confirmado. Agora estou a trabalhar na equipa que vou levar”, atestou Pires ao HM. O ano transacto, numa edição ganha pelo britânico Peter Hickmann, em BMW, Pires levou PUB
15.9.2017 sexta-feira
Contem com o português! André Pires já tem convite do 51º GP de Motos
uma Bimota, de motor BMW e preparada no Reino Unido, até ao 19º lugar final. Para a edição deste ano o piloto português está “a trabalhar para levar uma equipa totalmente portuguesa. Acho que é mais fácil em todos os sentidos. Assim vou mais à-vontade e com uma mota que conheço.” Tão ou mais importante que assegurar uma máquina competitiva para a prova de Novembro, Pires está também a trabalhar arduamente para tentar “reunir os necessários patrocinadores para ajudarem a concretizar este ambicioso projecto”. O 64º Grande Prémio de Macau decorre entre os dias 16 a 19 de Novembro do corrente ano.
TEAM PORTUGAL É OBJECTIVO DA FEDERAÇÃO PORTUGUESA
O Grande Prémio de Motos de Macau continua a despertar bastante interesse em Portugal e a FMP gostava de no futuro contar com uma participação mais numerosa. “Gostávamos de participar com o Team Portugal com dois pilotos, mas infelizmente não temos mais
nenhum piloto que cumpra com os requisitos de participação”, disse ao HM o Vice-presidente e responsável pela Comissão de Velocidade da FMP, o Coronel Armando Marques. “Actualmente acredito que os pilotos portugueses consigam obter tempos para se qualificarem para a corrida”, explicou o dirigente federativo, acrescentando que o
problema “reside no cumprimento dos requisitos definidos pela organização do Grande Prémio de Macau para a elegibilidade de participação que nós compreendemos e, obviamente, aceitamos.” O motociclismo de velocidade em Portugal baseia-se essencialmente em competições de circuito e muito raramente há a oportunidade,
ou ensejo, para os pilotos lusos participarem nas mais prestigiadas provas de estrada, como o Grande Prémio de Macau, a conceituada prova da Ilha de Man ou a North West 200. “A maioria dos pilotos portugueses, com uma ou outra excepção, quando opta pela internacionalização é pela participação em provas de campeonatos do Mundo ou da Europa, em vez da participação nas corridas de Road Racing”, explica o Coronel Armando Marques, que salienta que ”devemos manter uma ligação “muito especial” com Macau e com o seu Grande Prémio, por isso, este é um assunto que temos de dar uma outra atenção no futuro próximo”. Portugal neste momento não tem qualquer evento de motociclismo de estrada, mas os organizadores do Circuito de Vila Real, onde até 1993 se realizaram provas de motociclismo de velocidade, estão a estudar a possibilidade de ressuscitar o evento no traçado citadino que já recebe uma etapa do WTCC. Na edição deste ano do evento transmontano foi realizada uma demonstração que foi acolhida com bastante entusiasmo pelo público e participantes. Sérgio Fonseca
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opinião 17
sexta-feira 15.9.2017
contramão
ISABEL CASTRO
O último acto
1. Este texto devia ser, em rigor, sobre as eleições do próximo domingo. Devia ser um texto de análise, profundo e revelador de algum conhecimento sobre a matéria, um texto acerca das diferentes opções ao dispor do eleitor. Não é. Não sei se sei e, mesmo se soubesse, não me apetece. Também não é um texto baseado em teorias da semiótica das artes visuais, uma abordagem à estética eleitoral, ao modo como se pretende passar as mensagens políticas do momento. Este texto devia ser sobre o momento político mais importante do território, mas não é. O momento não se dá à importância, não se dá ao respeito. Não se dignifica, nem dignifica os outros, os cidadãos comuns pelos quais deveria ter consideração. O que temos visto por aí é um pequeno circo ao ar livre, por entre os escombros do vento, as árvores e as tabuletas que continuam pacificamente derrubadas. Sendo certo que, independentemente da geografia, as campanhas eleitorais tendem a ser excessivamente burlescas, as da terra estão cada vez mais trágico-cómicas. Cómicas porque são arlequinescas; trágicas porque tudo isto é sério. Demasiado sério. O que guardarei desta campanha eleitoral. Um candidato que acha que Che Guevara reencarnou junto ao Mar do Sul da China. Uma candidata que acha bonito andar por aí, na televisão, a falar dos filhos dos outros. Uma polícia que gosta de demonstrar o quão musculada é. Um IACM que diz que respeita os tribunais, como se tivesse outra opção. Umas carrinhas podres com uns cartazes fraquinhos. Uma Comissão de Assuntos Eleitorais que precisa de amadurecer. Promessas dirigidas única e exclusivamente a determinados sectores profissionais, como se andássemos todos a baralhar cartas em casinos. O que guardarei desta campanha eleitoral. A conversa vaga e vã do costume. O que resultará destas eleições. Uma Assembleia Legislativa mais pobre, mais fraca, menos interessante. Ainda menos interessante. Não sabendo o que vai acontecer no próximo domingo, aposto um avo em como sairão vencedores aqueles que mais arroz distribuem, mais ajudam os necessitados e mais palmadinhas nas costas dão a velhinhos e crianças, como se política e beneficência se misturassem, como se melhor político fosse aquele que mais dinheiro tem. Este texto devia ser, em rigor, sobre as eleições do próximo domingo. Não é. É sobre aquilo que eu não gostaria que Macau passasse a ser. Ainda assim. Quando o próximo domingo chegar, vote, senhor eleitor, vote em consciência, coisa que falta à grande maioria dos candidatos. Mas vote, vote sempre. Ponha o carimbo no quadrado que a alma lhe indicar. Se não houver caminho para nenhum dos quadrados, vote na mesma, não escolha nenhum. Compreendo a indecisão, mas vá lá e vote, faça tudo como vem nos livros. 2. Há precisamente 20 anos, em Setembro de 1997, entrei numa redacção e nunca mais de lá saí, apesar de ter vindo para o
FAREWELL AT NIGHT, GEORGES BARBIER
isabelcorreiadecastro@gmail.com
outro lado do mundo e de ter conhecido algumas redacções, das quais também nunca mais saí. Muitas voltas dadas, este jornal. Casa de portas abertas onde cheguei uma e outra vez, sempre de maneiras diferentes. Que me ensinou o que é pensar nos outros, que me pôs a discutir, a perguntar, a perguntar muito, no desassossego constante sem o qual não é possível ser-se jornalista. Que me ensinou que tudo isto vale a pena, mesmo que amanhã já não tenha qualquer importância e estas páginas sirvam para embrulhar os copos em mais uma mudança de casa,
para limpar vidros ou embrulhar peixe, funções todas elas nobres dos matutinos e vespertinos deste mundo. Não sei como vim aqui parar, a esta redacção e às outras todas. Aconteceu e nem
Este texto devia ser, em rigor, sobre as eleições do próximo domingo. Não é. É sobre aquilo que eu não gostaria que Macau passasse a ser
sequer consigo precisar o momento. Talvez tenha acontecido por gostar das palavras, do acto da escrita, e depois a vida e as pessoas que se atravessaram nela fizeram o resto. Ensinaram-me o resto. E ensinaram-me que, nisto dos jornais e do jornalismo, não se é, nem se está pela metade. Quando as palavras nos custam, nos doem, mesmo que nos escorram pelos dedos às centenas, aos milhares, é porque só já somos metade de nós. E eu não sei ser só meia-eu. Este é o meu último texto. Obrigada aos que me ensinaram a ser em contramão.
18 (f)utilidades
15.9.2017 sexta-feira
?
TEMPO POSSIBILIDADE DE TROVOADAS T1 MIN 26 MAX 31 HUM 65-95% • EURO 9.56 BAHT 0.24 YUAN 1.22
O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje
FILME “O TERCEIRO HOMEM” Cinemateca Paixão | 21h30
Amanhã
PÊLO DO CÃO
MAIS QUE AS MÃES
FILME “ATRÁS DAS PAREDES” Cinemateca Paixão | 12h00 e 14h00
Diariamente
EXPOSIÇÃO “O CIRCUITO DA GUIA COMO PATRIMÓNIO MUNDIAL DA UNESCO” Galeria do edifício da Direcção dos Serviços de Turismo, Largo do Senado até 14 de Setembro EXPOSIÇÃO “CONSTELLATION” DE NICOLAS DELAROCHE Galeria do Tap Seac | Até 08/10 EXPOSIÇÃO “DESTROÇOS” DE VHILS Oficinas Navais, nº. 1 | Até 31/11
O CARTOON STEPH
SOLUÇÃO DO PROBLEMA 122
Cineteatro
C I N E M A
PROBLEMA 123
UM DISCO HOJE
SUDOKU
DE
Por que são necessários tantos candidatos nas listas que concorrem às 14 cadeiras destinadas aos deputados à Assembleia Legislativa eleitos directamente? Eleger dois candidatos já é um resultado interessante, tendo em conta a proporcionalidade. Ou seja, todos os restantes são pólvora seca, carne para canhão, sacrifícios para os deuses do sufrágio. Pensar que podem ser eleitos tratar-se-á, por ventura, de um dos maiores exercícios de optimismo que já vi. Tal qual os pára-quedistas que usam um capacete durante o salto. De que vale um capacete depois de uma queda livre de 20 mil metros? Tão eficaz como usar uma cartola e monóculo. Mas vejamos razões minimamente plausíveis para listas com esta extensão. Uma das possibilidades é que logo ali estão garantidos 20 votos, mais os familiares e amigos. Se os candidatos não forem eucaliptos sociais e tiverem, pelo menos, dez amigos e dez familiares próximos, garantem 400 votos, assim de fininho. Fiquemo-nos por estas pueris relações e não atalhemos por razões nefastas para apoiar uma lista, esqueçamos por agora a pura pulhice e decadência política. Outra vantagem é a multiplicação de consolos que uma lista grande pode implicar, a validação exponencial via palmadas nas costas e a proliferação de ombros amigos. De resto, uma eleição é como um post de Facebook que busca “gostos”, que se quer viral, mesmo sendo virosa. Quanto mais ultrajante e populista, mais carimbos consegue nesta imensa rede social que se tece de quatro em quatro anos. João Luz
JORGE PALMA | SÓ | 1991
É certo que “Bairro do Amor” é o álbum aclamado de Jorge Palma, aquele que mereceu uma reedição 25 anos depois do seu lançamento. Mas, em “Só”, Palma tem um álbum cheio de canções intemporais, que farão sempre parte dele e de nós também. É voz e piano porque, em 1991, fez sentido assim ser. Chegou para entrar para a lista dos 30 melhores álbuns portugueses de sempre. Andreia Sofia Silva
IT SALA 1
IT [C] Fime de: Andrés Muschietti Com: Bill Skarsgard, Jaeden Lieberher, Jeremy Ray Taylor 14.15, 16.45, 19.15, 21.45 SALA 2
WOLF WARRIORS 2 [C] FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Jason Wu
Com: Jason Wu, Qian Yu, Nan Yu 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 3
DANGAL [B] FALADO EM HINDI LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Nitesh Tiwari Com: Aamir Khan, Sakshi Tanwar, Fatima Sana Shaikh 14.30, 18.00, 21.00
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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Isabel Castro; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores António Cabrita; Anabela Canas; Amélia Vieira; António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; João Maria Pegado; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Fernando Eloy; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
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sexta-feira 15.9.2017
INÊS VILHENA, EDUCADORA DE INFÂNCIA
E
Macau nas estrelas
STÁ há três anos no território. Inês Vilhena é educadora de infância e nunca pensou ser outra coisa. Apesar de não atribuir uma razão em concreto para a opção profissional, depois de reflectir um pouco surge uma possível explicação. “Se pensar bem, posso dizer que não tenho memórias muito boas do meu tempo de escola e, se calhar, isso teve alguma influência”, diz ao HM. Para a educadora de infância é fundamental “conceber que as crianças são pessoas, que têm voz e que os seus direitos têm de ser salvaguardados”. “Se dizem que não, querem dizer isso mesmo, não. Se dizem que não querem comer é porque não querem. A mim ninguém me dá comida à boca se eu disser que não quero”, exemplifica. Claro que Inês Vilhena admite que as crianças “ainda não sabem bem gerir aquilo que querem e precisam”, mas salienta que há formas de o fazer sem ser à força. “Há jogos em que se podem manipular tendo em conta as necessidades, sendo que não é por sermos mais velhos que temos mais direito sobre os outros”, acrescenta.
VIR E FICAR
A vinda para Macau não foi uma novidade. Com o pai a viver cá há 11 anos, Inês Vilhena estava familiarizada com o território antes de surgir a oportunidade de cá trabalhar. “Vinha frequentemente e por vezes passava cá temporadas. Já tinha uma ideia do que era Macau. Não vinha para o desconhecido e não vinha para um colo vazio”, recorda. No entanto, ter sido chamada para trabalhar no Jardim de Infância D. José da Costa Nunes acabou por ser um momento de surpresa. “Nos últimos meses de mestrado
soube que o infantário estava a pedir educadores. Na altura ainda nem a tese tinha, para dizer a verdade, começado, e não me ia candidatar a um lugar e depois pudesse vir a não ter habilitações para o poder preencher. Não me candidatei”, recorda. Mas “os astros alinharam-se”. Depois de terminada a tese em Julho, houve uma desistência nas contratações do infantário. Inês Vilhena foi seleccionada e, pouco mais de uma semana depois, estava de malas feitas a caminho de Macau. Sempre achou que queria vir mas, no momento em que a realidade era essa, Inês Vilhena já não tinha tantas certezas. Veio. No entanto, vir por temporadas e estar a viver no território são coisas diferentes. Se até há sua chegada, há três anos, não tinha a noção das dinâmicas da terra, quando veio para ficar houve todo um conjunto de situações que emergiram. “Não tinha percepção nenhuma da comunidade portuguesa cá e o mesmo se passou com os vários grupos sociais que se constituem no território”, refere.
ENTRE COMUNIDADES
A educadora de infância teve de aprender uma série de códigos de conduta mais ou menos evidentes. “Tive de me adaptar a toda esta dinâmica e não é que seja difícil, mas fui começando a perceber o que já me tinham dito: por vezes tem de haver uma fluidez e cuidado com as palavras. Temos de ter cuidados com o que falamos, com quem e onde.” Outra forma de se relacionar com as comunidades locais é no trabalho onde acompanha crianças portuguesas e
chinesas. Relativamente a diferenças culturais, em idades tão pequeninas não há muitas a assinalar. O desafio inicial é sempre o mesmo: ganhar a confiança, o que é “universal”. As diferenças encontram-se em pequenas coisas. Entre aquelas que marcaram a educadora, a partilha de comida está em destaque. “Culturalmente achei mesmo muita piada ao facto de as crianças chinesas partilharem a comida. Estão numa mesa grande a lanchar, levantam-se e vão distribuir parte do que têm.” A maior dificuldade continua a ser a língua. Inês Vilhena gostava de saber falar cantonês para melhor perceber os seus “meninos”. Já pensou em aprender, “mas a vida vai-se pondo no meio”. Acontecem sempre outras coisas a que se dá prioridade e a aprendizagem da língua vai ficando para depois. O que mais lhe falta faz, deste lado do mundo, é “o mar e o cheiro”. Mas há formas de ultrapassar. “Macau não é um lugar com grande paisagem natural mas, por exemplo, em Coloane temos as montanhas e quando chegamos a Hac Sá cheira a mar e a árvores”, aponta satisfeita. O território tem mais vantagens. A vida por cá acontece com outro tempo. “Sabe a mais e parece que vivemos muito num mesmo dia”, principalmente para quem tiver a sorte de conhecer de imediato a “suas pessoas”, as certas, que agora são a nova família. Sofia Margarida Mota
Sofiamota.hojemacau@gmail.com
Tesoura das ilhas
sexta-feira 15.9.2017
SCMP
Furacão Irma na América, levanta sinal de tempestade 1 em Macau!?
TAÇA DAVIS JOÃO SOUSA ABRE ‘PLAY-OFF’ ENTRE PORTUGAL E ALEMANHA
AFC INSTAURA INQUÉRITO A VILLAS-BOAS
A
Confederação Asiática de Futebol (AFC) anunciou ontem a instauração de um processo disciplinar ao treinador português André Villas-Boas, na sequência das acusações feitas pelo técnico do Shanghai SIPG ao rival Guangzhou Evergrande. “Confirmamos, na sequência das declarações do treinador do Shanghai SIPG, na conferência de imprensa realizada após o jogo (...), a abertura de um procedimento disciplinar”, indicou a AFC, adiantando que o caso será analisado pelo Comité de Ética do organismo “em data a designar”. Villas-Boas acusou o Guangzhou Evergrande de ter provocado falsos acidentes rodoviários, com o objectivo de atrasar a chegada da sua equipa ao jogo da segunda mão da Liga dos Campeões asiática, que o Shanghai SIPG venceu no desempate por grandes penalidades, por 5-4. A equipa de Xangai terminou o prolongamento a perder por 5-1, desbaratando a vantagem de 4-0 alcançada na recepção ao Guangzhou Evergrande, orientado pelo brasileiro Luiz Felipe Scolari, antigo seleccionador português, mas qualificou-se para as meias-finais na ‘lotaria’ das grandes penalidades. “Foi um feito para o Shanghai SIPG, porque parecia que apenas um clube estava destinado a dominar o futebol na Ásia, sem olhar a meios para o conseguir, bloqueando hotéis e provocando falsos acidentes”, observou o treinador português após o encontro, realizado na terça-feira. Nas meias-finais da prova, o Shanghai SIPG vai defrontar os japoneses do Urawa Reds.
J HONG KONG ELEIÇÕES INTERCALARES MARCADAS PARA 11 DE MARÇO
Bando dos quatro
A
S eleições intercalares para o Conselho Legislativo de Hong Kong foram marcadas para 11 de março de 2018 para preencher quatro dos seis lugares deixados vagos devido à desqualificação de deputados, informou ontem a imprensa local. Nathan Law, do Partido Demosisto, Yau Wai-ching e Sixtus Leung, ambos do grupo político pró-independência Youngspiration, e Edward Yiu, eleito pelo sector profissional da Arquitectura e Paisagismo, foram desqualificados dos seus lugares de deputados no Conselho Legislativo (LegCo) por não terem prestado correctamente juramento. As eleições pelos círculos geográficos que elegeram Law, Yau e Leung vão decorrer na ilha de Hong Kong, em Kowloon Oeste e nos Novos Territórios Este, envolvendo cerca de 2,1 milhões de eleitores da cidade com mais de sete milhões de habitantes. Os dois outros deputados desqualificados, Lau Siu-lai e Leung Kwok-hung, mais conhecido por ‘Long Hair’ (Cabelo Comprido), recorreram ambos na segunda-feira das respectivas desqualificações, pelo que os
seus lugares não vão a votos a 11 de Março. O campo pró-democracia está interessado em que as eleições intercalares para os assentos de Lau e de ‘Long Hair’ decorram em separado porque querem reconquistar o poder de veto que perderam a seguir às decisões de desqualificação tomadas pelo tribunal. Yau e Sixtus Leung, que usaram palavras consideradas anti-China durante os respectivos juramentos de deputados, foram desqualificados em Novembro de 2016, e o seu último recurso foi rejeitado em Agosto. Os outros quatro deputados foram alvo da mesma decisão em 14 de julho. A desqualificação dos seis deputados deixou o campo pró-democrata com 14 assentos nos círculos dos sectores profissionais, contra 16 deputados pró-sistema. A oposição em Hong Kong já tinha usado previamente a sua superioridade numérica para rejeitar moções que precisavam da aprovação de ambos no círculo geográfico e dos sectores profissionais. Sob o sistema de representação proporcional de Hong Kong, o campo pró-Pequim teria mais
probabilidades de ganhar um assento se mais de um lugar fosse a votos ao mesmo tempo no mesmo círculo geográfico.
CONTINGÊNCIAS
As autoridades eleitorais disseram que precisavam de tempo para contratar funcionários para as eleições intercalares e que os feriados, nomeadamente do Ano Novo Chinês, que em 2018 decorre em Fevereiro, também limitaram as datas disponíveis para a marcação das eleições. Nathan Law, que em Setembro do ano passado foi eleito o deputado mais novo, então com 23 anos, está desde Agosto a cumprir uma pena de oito meses de prisão por causa de um protesto em 2014, que desencadeou a ocupação das ruas em Hong Kong durante 79 dias em defesa do sufrágio universal para eleger o líder do Governo da cidade. O jovem recorreu da sentença, mas mesmo que saia da prisão antes, não poderá voltar a candidatar-se para recuperar o seu assento de deputado porque qualquer sentença igual ou superior a três meses impede qualquer pessoa de se candidatar ao LegCo por um período de cinco anos.
Navios chineses em exercícios militares com a Rússia no Mar do Japão
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Quatro navios de guerra chineses partiram para exercícios militares conjuntos com a Rússia, informou a imprensa estatal, no mais recente sinal da crescente cooperação entre os exércitos dos dois países. A agência noticiosa oficial Xinhua avançou que um contratorpedeiro, uma fragata de mísseis, um navio com fornecimentos e um submarino partiram na quarta-feira do
porto de Qingdao. Segunda a agência chinesa, os exercícios decorrem no Mar do Japão, próximo da península coreana, e no Mar de Okhotsk, a norte da ilha japonesa de Hokkaido. Trata-se da segunda ronda de exercícios conjuntos este ano. Entre 22 e 27 de Julho, as forças navais russa e chinesa realizaram exercícios conjuntos no Mar Báltico.
OÃO Sousa vai iniciar, frente a Cedrik-Marcel Stebe, o ‘assalto’ de Portugal ao Grupo Mundial da Taça Davis em ténis, com o ‘play-off’ com a Alemanha a decorrer entre esta sexta-feira e domingo, no Estádio Nacional, em Oeiras. O sorteio, realizado ontem no Palácio do Marquês de Pombal, em Oeiras, ditou que o número um nacional irá defrontar, na sexta-feira, a partir das 11:00, no ‘Centralito’ do complexo de ténis do Jamor, o segundo jogador mais cotado da equipa visitante. De seguida, Pedro Sousa, que neste ‘play-off’estreia a condição de número dois nacional no ‘ranking’ mundial, enfrenta o principal tenista alemão, Jan-Lennard Struff, no segundo encontro de singulares da primeira jornada do embate entre Portugal e a Alemanha. No sábado, a dupla João Sousa e Gastão Elias terá pela frente, no encontro de pares, o duo alemão formado por Yannick Hanfmann e Tim Puetz. Para o último dia da eliminatória que poderá dar a Portugal o inédito acesso ao Grupo Mundial estão agendados os duelos entre João Sousa e Struff e Pedro Sousa e Cedrik-Marcel Stebe. A selecção portuguesa, que pode fazer história para o ténis português, é capitaneada por Nuno Marques e composta por João Sousa (57.º), Pedro Sousa (107.º), Gastão Elias (148.º) e João Domingues (184.º). A formação da Alemanha, que é orientada por Michael Kohlmann e que não contará com os seus três principais tenistas -Alexander Zverev (4.º), Mischa Zverev (27.º) e Philipp Kohlschreiber (34.º) -, é integrada por Jan-Lennard Struff (54.º), Cedrik-Marcel Stebe (90.º), Yannick Hanfmann (136.º) e Tim Puetz (380.º).