AUDITORIA ARRASA GIT PÁGINAS 6-7
TIAGO ALCÂNTARA
GCS
METRO LIGEIRO
MOP$10 PUB
SEXTA-FEIRA 14 DE SETEMBRO DE 2018 • ANO XVIII • Nº4136
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
JOHN MO
PRESO ATÉ JULGAMENTO PÁGINA 8
O TRATADO DE SHIMONOSEKI
hojemacau AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
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NASA
h JOSÉ SIMÕES MORAIS
A tempestade
Apesar das previsões apontarem para uma menor intensidade do que se temeu inicialmente, Macau está em suspenso para ver como o super tufão Mangkhut se comporta depois de sair das Filipinas. O Governo diz que está pronto e adianta que o maior impacto deve acontecer na tarde de domingo quando a tempestade passar a cerca de 200 quilómetros do território. Isto se o tufão não mudar de rumo. GRANDE PLANO
2 grande plano
GCS
DIA D TUFÃO MANGKHUT
14.9.2018 sexta-feira
MAIOR IMPACTO PREVISTO PARA TARDE DE DOMINGO
Após uma ligeira mudança de rota, Macau antecipa que o super tufão Mangkhut tenha um impacto menor que o inicialmente previsto, embora não esteja descartada a possibilidade de hastear o sinal 10 de tempestade tropical, ou seja, o máximo
O
S Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) prevêem que o impacto do super tufão Mangkhut seja menor do que o inicialmente previsto devido a uma ligeira mudança na rota. No entanto, continua a justificar-se o alerta elevado até porque tudo vai depender do que acontecer depois da passagem da tempestade pelas Filipinas. À luz das previsões mais recentes, transmitidas ontem, numa reunião do Centro de Operações de Protecção Civil (COPC), convocada pelo Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, os efeitos do Mangkhut vão sentir-se com maior força a partir do meio-dia de Domingo, altura em que o tufão deverá encurtar ao máximo a sua distância relativamente a Macau, ficando a 200 quilómetros. Segundo o director substituto dos SMG, Tang Iu Man, o tufão vai chegar com uma força idêntica à de um sinal 8 de tempestade tropical. Contudo, tudo depende do que acontecer nas Filipinas, onde deverá tocar terra no sábado, pelo que “ainda há a possibilidade de ser içado o sinal 10”, o máximo da escala, ressalvou. “A passagem pelas Filipinas vai influenciar a força deste tufão, portanto, ainda não podemos dizer exactamente” como vai afectar Macau, complementou, advertindo que o Mangkhut continua a ser classificado como um super tufão, dado
que transporta ventos máximos na ordem dos 240 quilómetros por hora. As novas previsões também apontam para um cenário menos grave relativamente ao ‘storm surge’em comparação com o avançado na reunião de emergência de quarta-feira: as autoridades calculam que o nível da água suba entre meio metro e um metro e meio – contra os dois metros estimados anteriormente. De acordo com o director substituto dos SMG, trata-se de um nível “comparável” ao do tufão Hagupit (2008). Apesar de as previsões serem mais animadoras para Macau, as autoridades reiteram que se mantém em “elevado alerta”.
CHEFE APELA À CALMA
Na reunião de ontem, que voltou a contar com a presença de um representante da Guarnição em Macau do Exército de Libertação do Povo Chinês na qualidade de observador, o Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, aproveitou para lançar um apelo à população. “Aprioridade dos nossos trabalhos é garantir a segurança da população, mas precisamos também de confiança (...) e dos residentes para enfrentar o impacto e o desafio das calamidades naturais. A população não precisa de entrar em pânico”, afirmou Fernando Chui Sai On, instando os residentes a estarem atentos às informações divulgadas pelo Governo. Embora reconhecendo a “gravidade” que representa o Mangkhut, o Chefe do Executivo garantiu estar
tudo a postos. “Em termos da estrutura de Protecção Civil já estamos preparados”, afirmou Fernando Chui Sai On, que convocou o encontro para “intensificar os trabalhos preparatórios para o tufão” com os membros da Protecção Civil. Além da programação do plano dos trabalhos, o Chefe do Executivo destacou a importância de se acompanhar de perto a rota do Mangkhut, exortando à manutenção do contacto com as entidades de Hong Kong e da China, com vista a elevar o rigor das previsões meteorológicas de modo a antecipar medidas a tomar. Em terceiro lugar, na ordem dos trabalhos, surge a sensibilização da população, com Fernando Chui Sai On a colocar a tónica na importância de residentes e turistas se manterem informados, instruindo as autoridades para divulgarem informações actualizadas, através de diferentes canais, e promover as medidas de prevenção. Neste âmbito, o Chefe do Executivo instou também a sociedade a seguir as recomendações, evitando os parques de estacionamento subterrâneos ou as zonas ao ar livre, por exemplo. “A missão é difícil. Sabemos que há muito a fazer ainda. Garantir a segurança dos residentes e minimizar o impacto e os danos continua a ser a prioridade”, sublinhou Fernando Chui Sai On. Diana do Mar
dianadomar@hojemacau.com.mo
IMAGENS DA PASSAGEM DO TUFÃO MANGKHUT POR GUAM
grande plano 3
sexta-feira 14.9.2018
Esperas e incertezas
Tufão coloca entidades públicas e privadas em alerta
E
“A população não precisa de entrar em pânico” “A missão é difícil. Sabemos que há muito a fazer ainda. Garantir a segurança dos residentes e minimizar o impacto e os danos continua a ser a prioridade” CHEFE DO EXECUTIVO
M Macau espera-se, por estes dias, pela tempestade forte que chega no fim-de-semana sem se saber exactamente quais serão as consequências. Tenta-se evitar o pior comprando água e comida e desviando objectos que facilmente podem voar quando forem içados os sinais 8 e 10 de tempestade tropical. No caso da Escola Portuguesa de Macau (EPM), que na sequência do Hato sofreu vários danos, já se prepara para a tempestade com os poucos meios de que dispõem. “Estamos a tratar do posicionamento de objectos que podem ser levados pelo vento, como vasos, por exemplo. Não sabemos se vamos desligar os servidores da internet ou não, estamos à espera que se aproxime mais a altura do tufão para decidirmos”, contou Manuel Machado, presidente da direcção, ao HM. O líder da EPM não soube adiantar se haverá ou não aulas na segunda-feira, pois tudo dependerá da intensidade do tufão. Também a TurboJet aguarda a divulgação de mais informações meteorológicas para decidir se haverá cancelamento ou alteração de rotas dos ferries entre Macau e Hong Kong e também para o aeroporto da região vizinha. No que diz respeito ao Aeroporto Internacional de Macau, António Barros, director, garantiu ao HM que serão seguidas as mesmas directrizes que estão em vigor desde Abril, apesar do grande clima de incerteza em relação ao que vai acontecer. “Conforme o sinal de tempestade que for içado pelas autoridades, teremos soluções de
prevenção. Não posso confirmar se haverá cancelamento de voos, porque isso vai depender das companhias aéreas. No caso daAir Macau, têm sido cancelados todos os voos quando é içado o sinal 8. Podemos estar abertos ao tráfego mesmo com sinal 8”, adiantou. “Houve alturas em que com tufões de sinal 8 mantivemos as partidas e chegadas, mas a única diferença é que temos mais passageiros. O grande problema é a falta de transportes públicos e nessas alturas temos de servir essas pessoas. Quando há possibilidade de ser içado o sinal 8 reunimos de emergência com as companhias aéreas”, esclarece António Barros. Entretanto, a Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública anunciou ontem que será activado o mecanismo de divulgação de informações especiais sobre os serviços públicos no portal do Governo. Ontem de manhã, as forças de segurança, em parceria com as autoridades de protecção civil, fizeram trabalhos de inspecção nas zonas baixas da vila de Coloane e povoação de Lai Chi Vun. De acordo com um comunicado, foi dito aos moradores que “devem executar bem os trabalhos de preparação de emergência no que diz respeito ao armazenamento em casa de água, alimentos secos e medicamentos essenciais”, entre outros. Nas redes sociais há várias publicações que apelam às medidas preventivas por parte da população, uma delas da autoria do deputado Ho Ion Sang. A.S.S.
SMG RAYMOND TAM REUNIU COM CHINA E HONG KONG
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AYMOND Tam, director dos Serviços de Meteorologia e Geofísicos (SMG), esteve em Nanning, China, onde participou no fórum “China – ASEAN Meteorological Forum”, em conjunto com o “China Meteorological Administration” e o Observatório de Hong Kong. O objectivo do encontro foi “fortalecer em conjunto as capacidades de alerta e previsão”, aponta um comunicado oficial, numa altura em que o Mar do Sul da China se prepara para receber o “super tufão Mangkhut”. No mesmo comunicado é referido que os directores dos
serviços de meteorologia de Macau e Hong Kong “trocaram opiniões sobre o desenvolvimento e o impacto” que o “super tufão” poderá trazer aos dois territórios, sendo que as autoridades já ponderaram içar o sinal 10 de tempestade tropical este domingo, dia 16. Enquanto isso, o China Meteorological Administration” referiu que “atribui grande importância ao impacto do super tufão”, sendo que o seu responsável, Shen Xiaonong, prometeu dar apoio aos departamentos meteorológicos de Hong Kong e Macau.
4 grande plano
Macau e Hong Kong preparam-se para receber o super tufão “Mangkhut” este fim-de-semana, enquanto outras seis tempestades espalham o pânico em zonas costeiras problemáticas dos oceanos Pacífico e Atlântico. Ágata Alveirinho Dias, da Universidade de São José, nota um incremento de tufões e furacões devido ao aquecimento global
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tufão “Bajirat” perdeu força e não chegou, sequer, a ser içado o sinal 8 em Macau, mas o Mar do Sul da China já está a preparar-se para a chegada daquele que é considerado um super tufão, de nome “Mangkhut”. Contudo, esta não é a única tempestade tropical multiplicar preocupações neste momento, uma vez que mais seis deverão causar estragos nas zonas do Atlântico e Pacífico.
14.9.2018 sexta-feira
Montes de vendavais Docente da USJ alerta para impacto do aquecimento global
Um deles é o furacão “Helene” que, de acordo com previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), deverá afectar todas as ilhas dos Açores. O “Helene” deve chegar ao arquipélago amanhã, esperando-se que os seus efeitos se sintam em todas as ilhas, especialmente no grupo ocidental. “O furacão está a deslocar-se para norte a 20 quilómetros por hora, prevendo-se que diminua de intensidade durante quinta-feira [ontem], passando a classificar-se como tempestade tropical. De acordo com a previsão, é provável que as ilhas do grupo ocidental [Flores e Corvo] comecem a sentir os efeitos desta tempestade, a partir da tarde de sábado”, refere o comunicado do IPMA, citado pela agência Lusa. A partir da tarde de amanhã far-se-á sentir nas ilhas um “vento muito forte do quadrante sul com rajadas até 120 quilómetros por hora, chuva forte e ondas do quadrante sul entre 6 a 8 metros de altura” nas ilhas Flores e no Corvo. “Nas restantes ilhas do arquipélago também se prevê um agravamento do estado do tempo, devido à passagem da tempestade tropical, no entanto será de forma menos significativa”, acrescentou o IPMA Para as ilhas do grupo central – Faial, Pico, Terceira, Graciosa e São Jorge - está previsto vento forte do quadrante sul com rajadas até 80 quilómetros por hora e períodos de chuva forte, enquanto no grupo oriental – São Miguel e
Santa Maria – é expectável vento do quadrante sul moderado a fresco com rajadas até 50 quilómetros por hora e períodos de chuva forte. “Joyce” é o nome da tempestade subtropical que também se está a formar no oceano Atlântico. De acordo com informações anunciadas esta quarta-feira pelo Centro Nacional de Furacões norte-americano, o “Joyce” começou por não constituir uma ameaça para terra, esperando-se novos desenvolvimentos no dia de ontem. A tempestade “Isaac” também se encontra em formação no Atlântico e que deverá dirigir-se para a zona da América Central.
ESTADOS UNIDOS À ESPERA
Mais grave será o furacão Florence, que pode deixar 2,4 milhões de pessoas sem energia nos Estados Unidos, anunciaram esta quarta-feira meteorologistas da Universidade de Michigan, acrescentando que algumas interrupções poderão mesmo ser prolongadas. Seth Guikemam, professor associado no Michigan, afirmou que as interrupções podem ser mais generalizadas se o furacão Florence virar para o norte ou parar, levando a
inundações.As estimativas são baseadas na previsão do Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos em relação à rota e à velocidade do vento. A porta-voz da Duke Energy, Grace Rountree, disse que a empresa está a antecipar problemas que possam ocorrer com “um furacão desta magnitude”. Grace Rountree afirmou que a empresa está a levar cerca de 2000 trabalhadores de outros locais para aumentar os 4.600 funcionários que tem na Carolina do Norte e na Carolina do Sul. A Duke Energy tem cerca de quatro milhões de clientes nestes dois estados. As companhias aéreas estão também a começar a cancelar voos devido à chegada do furacão Florence. O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que o Governo federal está “absolutamente, totalmente preparado” para responder ao furacão Florence, que chegou a alcançar a categoria 4 (na escala de Saffir-Simpson, composta por cinco níveis, com ventos até 220 quilómetros/hora) e dirige-se para a costa leste dos EUA. Trump declarou estado de emergência na Carolina do Norte
“Como os oceanos têm vindo a aquecer, isso faz com que nas alturas mais quentes do ano haja mais evaporação. Quando isso acontece, facilmente se formam tufões e furacões.” ÁGATA ALVEIRINHO DIAS ACADÉMICA DA UNIVERSIDADE DE SÃO JOSÉ
e Carolina do Sul, o que permite libertar meios de agências federais. O Florence, que já obrigou à retirada de mais de um milhão de pessoas, pode ser um dos furacões mais destruidores das últimas décadas na costa atlântica dos Estados Unidos, alertaram especialistas. Depois de ter passado pelas Bahamas e Bermudas, o Florence, que promete trazer “cheias catastróficas e colocar vidas em risco”, vai atingir a costa norte-americana. Chegou a atingir o sinal 5 ao nível das categorias de furacões, tendo descido para sinal 2, mantendo-se, contudo, as piores previsões ao nível dos estragos em terra. No Pacífico esperam-se o furacão Olívia, que deverá chegar ao Havai, e o ciclone subtropical Paul, que vai atingir a costa oeste do México. Ágata Alveirinho Dias, docente do Instituto de Ciência e Ambiente da Universidade de São José, referiu ao HM que a ocorrência de mais tempestades tropicais está relacionada com o aquecimento global. “Como os oceanos têm vindo a aquecer, isso faz com que nas alturas mais quentes do ano haja mais evaporação. Quando isso acontece, facilmente se formam tufões e furacões. Estas tempestades acontecem num período normal, mas pelo que tenho visto parece haver um pequeno incremento, e que poderá estar relacionado com o aquecimento da água dos oceanos.” Andreia Sofia Silva (com agências) andreia.silva@hojemacau.com.mo
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sexta-feira 14.9.2018
Nos dos pedidos: 164/2018, 167/2018
Anúncio 【N.º147/2018】 Nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, são por este anúncio notificados, os representantes dos agregados familiares candidatos à aquisição de habitação económica, do seguinte: Representante do agregado Número de familiar candidato à aquisição boletim de de habitação económica candidatura
Causa e fundamento legal da exclusão do adquirente seleccionado
SAMSON BRADY MARK 82201342989 HOI KUAI IENG
82201309973
UN KUOK MAN
82201303551
LEONG I MAN DA CUNHA MANHÃO REGINA PATRICIA LAM WO LEI
82201300846
CHEN YUQI
82201316035
UNG HOU TONG
82201338026
82201309909 82201302017
Falta de entrega dos documentos necessários para a avaliação do requerimento, no prazo fixado (Nos termos da alínea 2) do n.º 1 do artigo 28.º da Lei n.º 10/2011, alterada pela Lei n.º 11/2015)
Nos termos dos artigos 93.º e 94.º do Código de Procedimento Administrativo, o Instituto de Habitação (IH) notificou, no dia 23 de Agosto de 2018, através de anúncio, os referidos representantes dos agregados familiares candidatos à aquisição de habitação económica para que apresentassem, no prazo de 10 dias, justificação escrita, não sendo a mesma considerada quando submetida fora do prazo, considerando-se como desistência. Os representantes dos respectivos agregados familiares candidatos à aquisição de habitação económica não apresentaram qualquer justificação escrita dentro do prazo fixado, pelo que o presidente do IH aprovou, de acordo com o despacho exarado na Proposta n.º1885/ DAJ/2018, no dia 11 de Setembro de 2018, a exclusão dos referidos agregados familiares de adquirentes seleccionados. Caso não concorde com a decisão acima referida, deve ser apresentada reclamação ao presidente do IH (sem efeito suspensivo) nos termos do artigo 149.º do Código de Procedimento Administrativo no prazo de quinze dias a contar da data da publicação do presente anúncio, ou/e intentar a acção do recurso contencioso ao Tribunal Administrativo dentro do prazo legal nos termos do artigo 25.º do Código do Processo Administrativo Contencioso. Atenciosamente Instituto de Habitação, aos 11 de Setembro de 2018 O Chefe da Divisão de Assuntos Jurídicos, Nip Wa Ieng
Notificação edital (37/FGCL/2018)
Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos pedidos acima referidos, “Cali Promoção de Jogos Sociedade Limitada”, com sede na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues nº 600E, Edifício Centro Comercial First Nacional, 12º andar, sala 5, Macau, o seguinte: Relativamente aos 2 ex-trabalhadores (U Hou Heng e Lei Hou In), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo para pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 23 de Agosto de 2018, deliberou, nos termos do artigo 6.o da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos e dos juros de mora em causa aos ex-trabalhadores acima referidos, no valor total de $ 80 089,80 (oitenta mil e oitenta e nove patacas e oitenta avos). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos àqueles ex-trabalhadores, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.o da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo. 10 de Setembro de 2018 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong
Nos dos pedidos: 201/2016, 168/2018
Notificação edital (38/FGCL/2018)
Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos pedidos acima referidos, “Agência Imobiliária Lai King Limitada”, com sede na Rua de Roma nº 117, Edifício Praça Kin Heng Long, R/C, AK, Macau, o seguinte: Relativamente aos 2 ex-trabalhadores (Lau Pui I Sofia e Kuok Kuong Hong), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo para pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 23 de Agosto de 2018, deliberou, nos termos do artigo 6.o da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos e dos juros de mora em causa aos ex-trabalhadores acima referidos, no valor total de $ 104 523,40 (cento e quatro mil e quinhentas e vinte e três patacas e quarenta avos). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos àqueles ex-trabalhadores, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.o da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo. 10 de Setembro de 2018 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong
Nos dos pedidos: 156/2017
Notificação edital (39/FGCL/2018)
Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor do número do pedido acima referido, “Empresa Hoteleira de Macau Limitada (Titular do Hotel Palacio Imperial Beijing)”, com sede na Avenida Padre Tomás Pereira nº 889, Taipa, Macau, o seguinte: Relativamente ao ex-trabalhador (Tang Se Kin), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo para pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 23 de Agosto de 2018, deliberou, nos termos do artigo 6.o da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos em causa ao ex-trabalhador acima referido, no valor total de $139 320,00 (cento e trinta e nove mil e trezentas e vinte patacas). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos àquele ex-trabalhador, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.o da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar os referidos processos. 10 de Setembro de 2018 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong
Notificação edital (40/FGCL/2018) Nos dos pedidos: 238, 2016, 129, 2018, 130, 2018, 132, 2018, 133, 2018, 134, 2018, 138, 2018, 139, 2018, 140, 2018, 144, 2018, 145, 2018, 148, 2018, 149, 2018, 152, 2018, 158, 2018, 163, 2018
Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos números dos pedidos acima referidos, “Goldmoon Internacional Sociedade Unipessoal Limitada”, com sede na Avenida da Amizade nº 761, Edifício Chong Yu, bloco 1, 4º andar, sala A, Macau, o seguinte: Relativamente aos 16 ex-trabalhadores (Leong Ching Yee, Lam Wai Kit, Shum Tung Yin, Xie Yijuan, Un Seac Wan, Cheong Chi Ieng, Lam Chi Kit, Kwok Ng Mui, Lei Kam Chon, Lou Im Leng, Wong In San, Cheong Kuok Keong, U Hou Heng, Cheong Hoi Man, Lou Pui Peng e Lei Chun On), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo para pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 23 de Agosto de 2018, deliberou, nos termos do artigo 6.o da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos em causa ao ex-trabalhador acima referido, no valor total de $ 2 176 011,40 (dois milhões e cento e setenta e seis mil e onze patacas e quarenta avos). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos àqueles ex-trabalhadores, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.o da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo. 10 de Setembro de 2018 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong
6 política
Falta de planeamento, incumprimento de prazos, alterações sucessivas, não aplicação de sanções e desrespeito de normas internacionais de gestão e fiscalização. Estas são algumas das falhas que o Comissariado de Auditoria volta a apontar ao Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes no quarto relatório sobre o sistema de Metro Ligeiro de Macau, divulgado ontem
A
proposta de implementação da 1ª fase do sistema de Metro Ligeiro foi apresentada em 2009 pelo Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes (GIT). Na altura, estava prevista a construção de 21 estações, a primeira fase do projecto teria 21 quilómetros de extensão e que entraria em funcionamento em 2014. “Porém, até Agosto de 2018, apenas se prevê que a linha da Taipa entre em funcionamento em 2019”, recorda o quarto relatório acerca do sistema de Metro Ligeiro de Macau do Comissariado de Auditoria (CA), divulgado ontem. O órgão fiscalizador justifica as demoras com a incompetência dos serviços “que tem passado pelo incumprimento de praticamente todas as disposições inicialmente previstas”, aponta o mesmo documento. O CA destaca falhas no planeamento, problemas de fiscalização, não aplicação de sanções e sucessivas derrapagens orçamentais. “Existe, portanto, uma grande diferença entre o que inicialmente foi planeado e o que foi executado – desde o plano inicial e a execução efectiva do sistema de Metro Ligeiro, incluindo a definição dos
14.9.2018 sexta-feira
Poço sem fundo METRO LIGEIRO COMISSARIADO DE AUDITORIA DENUNCIA INCOMPETÊNCIA DO GIT
traçados, estimativa dos custos de construção, gestão de obras e a data de conclusão”, realça o relatório.
PRAZOS INTERMINÁVEIS
Um dos pontos em que o relatório do CA se centra é na análise dos pedidos de prorrogação de prazos que têm levado a demoras sucessivas nas obras. De acordo com o documento, o incumprimento dos processos não é novo. Por outro lado, as medidas para evitar atrasos e que compreendem a aplicação de multas em caso de incumprimento têm sido contornadas em vários sectores, nomeadamente nas obra públicas. “Anteriormente, os serviços públicos da área das obras públicas afirmaram publicamente que em Macau não havia uma cultura de aplicação de multas, pese embora tivessem admitido que tal não era a melhor prática”, lê-se. No entanto, a presente auditoria constatou que também os GIT continuam a não dar “a importância devida aos procedimentos de apreciação dos pedidos de prorrogação do prazo – enquanto mecanismo de controlo da aplicação de multas – sendo tal uma das principais razões pelo atraso na construção do metro ligeiro”, aponta o relatório. A inoperância faz com que o GIT seja “a causa dos atrasos verificados, demonstrando que o gabinete não tem cumprido cabalmente as suas funções”.
“Este Gabinete [GIT] efectuou a estimativa de forma grosseira e alterou sucessivamente os planos durante a execução das obras.” RELATÓRIO CA
Isto porque, considera o CA, se os serviços públicos continuarem a descurar a análise e o controlo dos pedidos de prorrogação e a estipulação de cláusulas penais nos contratos, “os adjudicatários irão continuar a executar os trabalhos conforme entenderem e tampouco ponderarão de forma séria se têm ou não capacidade de executar a obra em causa, pois saberão que nenhuma consequência daí advirá se não o fizerem”, lê-se. Na situação do Metro Ligeiro, e devido ao referido, os atrasos ocorridos “demonstram claramente que o dono da obra dá pouca importância à pontualidade no cumprimento da sua execução”. Perante esta situação, a atitude dos GIT é de passividade, acusa o CA, “nunca exigindo que a entidade fiscalizadora efectuas-
política 7
sem uma apreciação rigorosa do número de dias a serem prorrogados nem a auxiliar o gabinete na elaboração de diferentes planos e propostas de execução da obra que permitissem recuperar o tempo perdido”. Desta forma, “o GIT não tem sido capaz de exercer cabalmente as suas atribuições em relação à execução das obras do metro ligeiro, tal se comprova com o facto de o plano global do projecto ter sido mudado várias vezes de modo a fazer face às necessidades da sociedade”, acrescenta o CA.
GCS
sexta-feira 14.9.2018
INFORMAÇÃO PERDIDA
Outra preocupação demonstrada pelo CA tem de ver com as sucessivas alterações nos traçados das linhas do metro. Pior, o GIT nunca apresentou um plano global do projecto , optando por o divulgar de forma fragmentada e “em alguns casos o GIT apenas anunciou medidas ou planos depois de se terem verificado problemas no andamento das obras”, denuncia o relatório. Para o CA, o gabinete não é capaz de, por iniciativa própria, fornecer informação e “muito menos dispõe de um mecanismo de divulgação de informações completas e precisas”. A falta de conhecimento acerca de planos, custos e prazos tem feito com que a população esteja a perder confiança no Governo, lamenta o CA. Por outro lado, o GIT é ainda acusado de divulgar informações contraditórias. O relatório explica, “o GIT tem salientado sempre que os custos deste projecto não ultrapassam o previsto (referindo-se apenas à linha da Taipa que se encontra parcialmente concluída) e que os trabalhos estão a ser executados conforme o plano estabelecido (porém, nunca foi divulgado um plano actualizado dos trabalhos)”.
ESTIMATIVAS GROSSEIRAS
A previsão de custos também tem sido um desastre, considera o CA, classificando mesmo as estimativas apresentadas pelo GIT de “grosseiras”. O Comissariado salienta que o gabinete nunca efectuou uma estimativa rigorosa dos custos do projecto do Metro Ligeiro e nem sequer foi capaz de executar um plano global definido no início da sua construção”. Pelo contrário, “este gabinete efectuou a estimativa de forma grosseira e alterou sucessivamente os planos durante a execução das obras”, salienta o CA. Aí reside um problema
fulcral: nunca existiu uma estimativa para a totalidade do projecto porque esse plano não existe. No entanto, os gastos acumulam-se e aumentam de forma milionária. “O GIT tem despendido grandes somas do erário público em estudos preliminares, na contratação de entidades fiscalizadoras das obras que pouca eficácia têm tido no seu controlo, na contratação de adjudicatários que demoram um tempo inusitado na execução das obras, enfim, tudo para, no final de contas, o metro ligeiro entrar parcialmente em funcionamento”, enumera o CA. O comissariado questiona ainda se, com tantos gastos sem planeamento se é justificado um investimento nesta estrutura que deveria melhorar a vida da população. “Durante as quatro Auditorias Concomitantes, constatou-se que, apesar de o Governo da RAEM inicialmente ter previsto um gasto de 4200 milhões de patacas, em 2007, as diversas falhas causaram atrasos na execução da obra e o GIT nunca foi capaz de calcular o custo global do investimento do empreendimento”, aponta do relatório.
CONTAS FEITAS
Entretanto, até Dezembro de 2017, os montantes despendidos na construção da linha a Taipa totalizaram 10800 milhões de patacas e as despesas com a construção do parque de materiais e oficina,
o sistema de operação do metro e o material circulante (sendo que a capacidade das carruagens do Metro Ligeiro excedem em muito o fluxo de passageiros previstos para esta linha) totalizaram os 5 600 milhões de patacas. Quanto à construção das 11 estações e à instalação dos carris, prevê-se que vão ser investidos 5200 milhões de patacas, o que dá uma média de cerca 500 milhões de patacas por estação. De acordo com os dados do CA, a estimativa do investimento para a totalidade das linhas de metro pode exceder os 51 mil milhões de patacas. Relativamente à média dos custos de operação e manutenção do sistema do Metro Ligeiro, prevê-se que estes sejam de cerca
“Anteriormente, os serviços públicos da área das obras públicas afirmaram publicamente que em Macau não havia uma cultura de aplicação de multas, pese embora tivessem admitido que tal não era a melhor prática.” RELATÓRIO CA
de 900 milhões de patacas por ano. Já para a quantidade de despesas contínuas e de despesas que irão aumentar em função das necessidades operacionais, os custos não estão ainda pormenorizados. Para o CA, com o actual plano de gastos definido pelo GIT, tendo em conta a previsão de uma despesa anual de 900 milhões de patacas, é necessário questionar se o investimento no Metro Ligeiro compensa os benefícios que poderá, um dia, trazer a Macau. “O sistema de Metro Ligeiro foi inicialmente proposto para resolver os problemas do tráfego. Contudo, presentemente, além de não conseguir esse desiderato, está-se a tornar num encargo demasiado oneroso para o Governo e para a sociedade”, refere o documento.
MACAU ESQUECIDO
Por outro lado, o CA recorda que, de acordo com os planos de 2016, o Metro Ligeiro iria ter uma maior abrangência e que seria feito para solucionar os problemas de tráfego, nomeadamente na península de Macau, e contribuir para facilitar a circulação das pessoas. “Tendo em conta que a linha com maior fluxo de passageiros é a linha de Macau e que o objectivo da construção do Metro Ligeiro é melhorar a circulação do tráfego, questiona-se a razão pela qual o GIT adiou significativamente a construção desta linha, que supostamente
geraria uma maior sinergia entre os diversos meios de transporte”, aponta ao CA. O comissariado não entende porque é que este objectivo tem sido passado para segundo plano. “Porque é que a construção da linha de Macau, que inicialmente fazia parte da 1ª fase do Metro Ligeiro, passou a integrar o plano a médio prazo e, ao invés disso, no plano a curto prazo, ficou prevista a construção da linha Leste?”, questiona. De acordo com os planos actuais, os traçados previstos para o curto prazo estarão concluídos, na melhor das hipóteses, em 2026, enquanto os traçados previstos para concretizar a médio prazo, ainda não têm sequer data de conclusão prevista. Além disso, o GIT até ao momento ainda não anunciou os planos relativos à linha Leste, que ligará Macau à Taipa, nomeadamente, se o projecto passa pela construção de uma ponte ou de um túnel subaquático. Para o CA há demasiadas incertezas quanto à capacidade de gestão do GIT, problemas que “não desaparecem com o tempo, pelo contrário, só se agravarão”. Relativamente a possíveis traçados na península o CA alerta ainda que o GIT deve prestar atenção à viabilidade da construção da linha do Porto Interior, tendo em conta que vão ser executadas obras de prevenção de inundações”. Sofia Margarida Mota
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14.9.2018 sexta-feira
TIAGO ALCÂNTARA
Rosário confirmado
CESL-Ásia perde contrato público para gerir novo terminal
A
O
Tribunal de Segunda Instância (TSI) recusou, ontem, o pedido de John Mo, antigo director da Faculdade de Direito da Universidade de Macau, que requereu o fim da prisão preventiva. John Mo está actualmente detido na Prisão de Coloane, desde Junho, altura em que foi acusado da prática de um crime de violação. Os fundamentos da recusa do pedido do académico ainda não são conhecidos, mas a decisão da Juízo de Instrução Criminal de aplicar a prisão preventiva como medida de coacção foi validada pelo TSI. A conferência deste tribunal, que aconteceu ontem, teve como juiz relator José Maria Dias Azedo e Chan Kuong Seng e Tam Hio Wa como adjuntos. Com esta decisão, John Mo vai continuar detido enquanto aguarda pelo julgamento em que é acusado da prática do crime de violação. John Mo foi detido após uma aluna proveniente do Interior da China, que alegadamente frequenta a Universidade Cidade de Macau, ter
JUSTIÇA JOHN MO PERDE RECURSO PARA SAIR DE PRISÃO PREVENTIVA
À espera no xadrez O ex-director da Faculdade de Direito da Universidade de Macau, acusado da prática de um crime de violação, vai aguardar o desfecho do julgamento no Estabelecimento Prisional de Coloane. A decisão do Tribunal de Segunda Instância confirmou a prisão preventiva do académico apresentado queixas por violação. O caso terá, alegadamente, acontecido depois de um jantar com alguns académicos e alunas, que terá ocorrido no dia 24 de Junho. “Recentemente, um indivíduo de sexo masculino de apelido Mo, por suspeita de ter abusado sexualmente de um indivíduo de sexo feminino, foi detido pela Polícia
Judiciária e encaminhado para o Ministério Público no sentido de se proceder às diligências de investigação criminal”, informou a PJ na altura, em comunicado. “Realizado o primeiro interrogatório judicial, tendo em consideração a gravidade dos factos participados sobre o arguido e as circunstâncias concretas do respectivo
A conferência deste tribunal [TSI] que aconteceu ontem, teve como juiz relator José Maria Dias Azedo e Chan Kuong Seng e Tam Hio Wa como adjuntos
inquérito, o juiz de instrução criminal, aceitando a promoção da Delegada do Procurador, ordenou a aplicação ao arguido da medida de coacção de prisão preventiva, aguardando-se o julgamento”, foi acrescentado. Após o caso ter sido tornado público, John Mo foi demitido com efeitos imediatos pela Universidade de Macau.
PENA PODE ULTRAPASSAR 12 ANOS
Em caso de condenação por um crime de violação, o arguido é punido com uma pena que vai dos 3 a 12 anos de prisão. Contudo, a pena pode
ser agravada em um terço nos casos em que há uma relação de dependência hierárquica, económica ou de trabalho do violador e o crime aconteça nesse contexto. Também se agrava em um terço quando o agressor é portador de doença sexualmente transmissível. Nas situações em que a violação resulta em gravidez, ofensa grave à integridade física, transmissão de doença sexualmente transmissível que crie perigo para a vida, suicídio ou morte da vítima, a pena é agravada em metade da moldura penal. João Santos Filipe
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CESL-ÁSIA, através da sua empresa subsidiária FOCUS - Gestão, Operação e Manutenção de Instalações, SA, vai mesmo perder o contrato que lhe foi adjudicado pelo Governo para fazer a “prestação do serviço de manutenção das instalações do terminal marítimo de passageiros da Taipa”. Isto porque o Tribunal Administrativo (TA) considerou que o despacho proferido pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, no passado dia 26 de Abril, é para cumprir. Este despacho determina que a decisão do Tribunal de Última Instância (TUI), que pede a anulação do contrato, deve ser concretizada. Em Abril, a FOCUS - Gestão, Operação e Manutenção de Instalações, SA tentou suspender os efeitos do despacho assinado por Raimundo do Rosário através de um recurso para o Tribunal de Segunda Instância (TSI). Contudo, os juízes do TSI entenderam que “não é possível suspender a eficácia de um acto administrativo que determinou o cumprimento espontâneo de uma decisão judicial transitada em julgado”. A FOCUS tentou então novo recurso através do TA. Contudo, o tribunal considerou que “o acto que se pretende suspender não é recorrível, por não produzir efeitos externos” ao abrigo do Código de Processo Administrativo Contencioso. Além disso, foi considerado “ilegal o recurso contencioso”, pelo que é impossível suspender a eficácia do despacho assinado por Raimundo do Rosário. O processo diz respeito ao concurso público para a adjudicação dos serviços de manutenção do Terminal Marítimo da Taipa. Houve três empresas concorrentes para a prestação deste serviço, sendo que duas delas era a Focus – Gestão, Operação e Manutenção de Instalações e a CCCC Terceiro Macau Limitada, uma empresa estatal chinesa com inúmeros contratos no território. O contrato foi adjudicado à Focus e a CCCC requereu junto do Tribunal de Segunda Instância (TSI) a anulação da adjudicação, sendo que os juízes acabaram por decidir a favor desta empresa. A CCCC argumentou que, na avaliação da proposta da Focus, que obteve dez valores na classificação (o limite máximo era 16 valores), foi analisada a experiência de empresas subsidiárias (Focus Technical and Energy Services, Limited, Dafoo Facilities Management Limited e Dafoo Facility Management Limited” e não da empresa mãe. Os juízes entenderam que o Governo não cumpriu as regras do concurso público e que, por isso, deve ser feito um novo concurso. A.S.S.
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sexta-feira 14.9.2018
RÓMULO SANTOS
PLÁSTICO GOVERNO RESPONDEU QUE NÃO VAI HAVER CONFERÊNCIA
Lam I Na, que ocupava o posto de adjunta-técnica especialista principal de 1.º escalão, foi demitida no âmbito de um processo interno. Na altura, as causas para o processo não foram tornadas públicas, mas Lam I Na foi punida ao abrigo 300.º artigo do Estatuto dos Trabalhadores da Administração Pública de Macau (ETAPM). Este artigo define as punições para os funcionários públicos e a ex-funcionária, próxima de Ho Chio Meng, acabou por ser castigada com a pena mais elevada aplicável: a demissão.
“E
STAMOS extremamente desapontados” – foi assim que Annie Lao, autora da petição que pede a redução do uso de sacos de plástico, reagiu ontem à resposta do Governo de que não vai haver nenhuma conferência de imprensa a respeito . Aquando da entrega da petição na sede do Governo, a 30 de Agosto, a activista pediu ao Governo para responder até 13 de Setembro, em público, numa conferência de imprensa, sobre as medidas propostas para acabar com o uso excessivo de plástico em Macau. “Sentimos que as nossas vozes não estão a ser ouvidas e não estão a ser tratadas com respeito”, lamentou Annie Lao, em comunicado. Numa nota anterior, também enviada às redacções, Annie Lao tinha explicado que, na terça-feira, enviaram um email a exigir uma resposta, seguido de um telefonema, tendo o Governo afirmado que a carta tinha sido entregue ao secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, a 7 de Setembro, significando que os serviços demoraram uma semana a transferir a petição. “Não devem existir desculpas para deixar 5.180 pessoas sem uma explicação.” Além das assinaturas recolhidas online, foram recolhidas mais 52 assinaturas na versão em papel, graças ao contacto com empresas e residentes, indicou a mesma responsável. A.S.S. / D.M.
Canídromo Asilo Vila Madalena contra galgos na Cordoaria
Representantes do Asilo Vila Madalena realizaram, ontem, uma conferência imprensa contra a deslocação dos cerca de 500 galgos que vão ser colocados no terreno junto ao Caminho da Cordoaria. De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, a Irmã Teresa explicou que os moradores do Asilo Vila Madalena receiam que a mudança de cerca de 500 galgos para o terreno incomode devido ao barulho e ao eventual cheiro. Por essa razão, a freira pediu ao Governo que intervenha para tomar conta da situação. Actualmente, o Executivo, através do IACM, tinha dito que concordava com a mudança para este terreno. Neste momento, a instituição conta com cerca de 80 pessoas nas instalações.
A ex-funcionária, próxima de Ho Chio Meng, acabou por ser castigada com a pena mais elevada aplicável: a demissão Lam I Na chegou a assumir as funções de chefe do Departamento de Apoio Judiciário do Gabinete do Procurador, durante o mandato de Ho Chio Meng, em regime de comissão de serviço, até 2015. Contudo, dois meses depois de Ip Son Sang ter assumido a liderança da Procuradoria, em Dezembro de 2014, Lam I Na cessou as funções à frente do departamento. De acordo com a declaração publicada em Boletim Oficial, a 26 de Fevereiro de Fevereiro de 2015, Lam I Na cessou as funções de chefe de departamento “a seu pedido”.
SEM ACUSAÇÃO
MP EX-CHEFE PRÓXIMA DE HO CHIO MENG VÊ CONFIRMADA DEMISSÃO
O primeiro corte
Lam I Na, ex-chefe do Departamento de Apoio Judiciário do Gabinete de Ho Chio Meng, foi demitida em Outubro de 2016, como resultado de um processo interno. O caso foi para tribunal que deu razão ao Ministério Público
L
AM I Na, ex-chefe do Departamento de Apoio Judiciário do Gabinete do Procurador do Ministério Público durante o tempo Ho Chio Meng, viu ontem o Tribunal de Segunda Instância (TSI) negar-lhe razão no recurso em que contestava a sua demissão do Ministério Público da RAEM. Na altura em
que Lam I Na foi despedida, 26 de Outubro de 2016, já Ho Chio Meng tinha sido detido e Ip Son Sang era o Procurador da RAEM. A justificação para a recusa da contestação da ex-funcionária do MP face à pena de demissão ainda não é conhecida, mas Lam pode ainda recorrer para o Tribunal de Última Instância (TUI). Isto porque os recursos dos actos
administrativos do Procurador da RAEM, como os despachos em que ordena a demissão de funcionários, são julgados directamente pelo TSI, à semelhança do que acontece com os actos administrativos do Chefe do Executivo e dos secretários. Assim, a ex-funcionária do MP tem mais uma hipótese de ver a sua causa reavaliada pelos tribunais.
Apesar de ser próxima de Ho Chio Meng, Lam I Na nunca foi constituída arguida no caso conexo ao do ex-Procurador. Mesmo depois de ter sido provado que a ex-chefe de departamento tinha conhecimento e acesso ao 16.º andar do edifício Hotline, que Ho Chio Meng tinha arrendado para colocar as empresas fachada criadas a mando do ex-Procurador e que lucravam com os contratos feitos com o Ministério Público. A família de Lam foi mencionada várias vezes neste caso, também os nomes dos dois filhos apareceram em voos pagos pelo Ministério Público, e o irmão da funcionária, Alex Lam, foi um dos arguidos do processo conexo. Contudo, Alex foi absolvido em primeira instância. O caso conexo ao de Ho Chio Meng aguarda agora a decisão do TSI, depois do MP ter interposto recurso da primeira decisão do Tribunal Judicial de Base. João Santos Filipe
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10 eventos
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Regresso às
FUNDAÇÃO ORIENTE EXPOSIÇÃO DE PORCELANAS DA CHINA ATÉ AO
SOFIA MARGARIDA MOTA
É
para as porcelanas da China do século XVI até ao XVIII que se voltam os holofotes da exposição patente desde ontem e até ao próximo dia 21 na Fundação Oriente. A mostra, composta por mais de 200 peças, chega pelas mãos do antiquário português Luís Alegria, considerado um dos maiores especialistas na área. Cada peça conta uma história e Luís Alegria, no ramo há 38 anos, descreve-as todas minuciosamente, das origens até às características que as tornam verdadeiras preciosidades. A mais valiosa peça da exposição é um conjunto de cinco vasos de porcelana. Luís Alegria explica porquê: “É uma ‘garniture’ para decorar o fogão de sala de um palácio francês que tem a particularidade de reproduzir uma francesa com os trajes exóticos de 1780, retratadas em gravuras dos irmãos Bonnart enviadas na época do rei Luís XIV para a China, onde foram copiadas para decorar estes vasos de porcelana. É uma
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A Fundação Oriente inaugurou ontem uma lanas da China do século XVI até ao XVIII c do antiquário Luís Alegria, segue depois par
coisa única, porque não há referência nenhuma de nada europeu no século XVII”. O conjunto – da propriedade de um português – está à venda
por 850 mil euros. Outra ‘garniture’ também feita para França, datada do período de Yongzheng (1723-1735) da dinastia Qing, chama a
atenção. Em vez do azul e branco, a decoração é em tons “ruby-ground”, existindo um conjunto igual no Museu Metropolitano de Nova Iorque, explica Luís Alegria. Em exposição encontram-se variados tipos de peças de porcelana que remontam a diferentes períodos da dinastia Ming (1368 e 1644) e Qing (1644 a 1912). “As mais antigas em decoração azul e branco são as da dinastia Ming. Na época de Kangxi
também há bastante, mas tem outras muito interessantes da família verde que foram encomendadas por França – onde começou esse gosto que acabou por ser copiado por outros países”, salienta o antiquário do Porto. Já na época dos imperadores Yongzheng (1723-1735) e Qianlong (1736-1795) ganha destaque a a decoração da chamada “família rosa”. As primeiras do tipo aparecem no reinado de Yongzheng,
indica Luís Alegria, realçando as suas características: “São peças muito detalhadas, com um desenho muito miúdo e delicado a toda a volta e a porcelana muito fina e até quase transparente em alguns casos”. Foi, com efeito, na época de Qianlong que ocorreu “uma explosão enorme da decoração ‘família rosa’, que inundou Portugal e outros países”, com diferentes motivos, desde brasões, a figuras, animais ou barcos, representados
eventos 11
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origens
PRÓXIMO DIA 21
com as bandeiras dos países que encomendaram as peças. A “muito importante” vitrine das figuras e animais é, aliás, a próxima paragem da visita guiada. “São talvez as peças mais raras destas dimensões e só existem em grandes colecções”. São do século XVIII – todas do período Qianlong – à excepção de uma e de um par de papagaios, as quais remontam à época de Kanxing. “Há coleccionadores que só coleccionam bichos e só pássaros, pelo que é talvez das colecções mais importantes do mundo porque são coisas muito difíceis de encontrar”, sublinhou.
O BIOMBO PARA MACAU
Mas nem só de porcelanas se compõe a exposição. A ocupar uma parede inteira encontra-se um imponente biombo em tom encarnado que, diz Luís Alegria, “terá sido feito para Macau”. O biombo, encomendado por Portugal, representa a vida de S. Domingos de Gusmão (1170-1221), fundador da Ordem dos Pregadores (Dominicanos) e encontra-se escrito em português. “É muito raro encontrar um conjunto completo, mesmo em museu, porque normalmente falta um painel, por exemplo, ou então são aqueles biombos com motivos chineses normais, mas não é o caso”, realçou o antiquário. Também possivelmente feito para Macau foi um jarrão “muito especial” que tem as insígnias da Ordem dos Agostinhos, lado a lado com elementos chineses, como os guardiães do templo. “É uma peça É com uma história extraordinária e praticamente desconhecida nesta época, porque é a primeira vez que se vê uma peça destas do período Kangxi”, explica Luís Alegria. Já na zona dos brasonados ganha protagonismo “uma peça única encomendada para
o bispo do Porto. Em causa figura uma terrina que o antiquário português estima ser a única que se encontra fora do Museu Soares dos Reis. Mas a grande particularidade – enfatiza – tem que ver com o facto de ser “a única encomenda de uma cópia da porcelana de Sèvres”. “Os portugueses normalmente mandavam certas peças para os chineses copiarem e eles copiavam coisas ao gosto de cada país. A porcelana francesa de Sèvres era muito requintada naquela época, porque tem um verde muito especial que só os franceses conseguiam fazer. Os chineses conseguiram copiar esta porcelana e esta cor e fazer uma coisa extraordinária. É um serviço muito valioso de facto”, explica Luís Alegria. Na mesma vitrina figuram diversos brasonados portugueses, também considerados “muito importantes”, bem como peças variadas da Companhia das Índias Holandesa, entre outros com motivos europeus, nomeadamente de teor religioso (com o retrato da ressurreição e ascensão de Cristo, por exemplo). “Quase todas estas peças vêm reproduzidas em livros e eu tenho aqui um dossiê com a cópia dos livros que mostram essas peças, o que é uma garantia para as pessoas”, realça o antiquário do Porto. Também “muito raros” são os “refrescadores de copos e garrafas”, porque “estamos a falar do século XVII”, enaltece Luís Alegria. Logo ao lado surge uma “importantíssima” cruz processional italiana, “uma verdadeira peça de museu”, que remonta ao século XV. Outra preciosidade é um par de floreiras da transição de Yongzheng para Qianlong. “Estou há 38 anos no ramo e é a primeira vez que vejo um par intacto, porque normalmente, dado que eram usadas para acolher vasos grandes ou
SOFIA MARGARIDA MOTA
exposição que tem as porcecomo protagonista. A mostra, ra Hong Kong e para Pequim
árvores, aparecem partidas. Estão perfeitas”, enfatiza o Luís Alegria.
MOBILIÁRIO PORTUGUÊS
A exposição também inclui móveis, destacando-se os que integraram o espólio de dois reis de Portugal. Luís Alegria destaca, em primeiro lugar, o par de mesas D. José I (17501777). “Foi uma encomenda única. Não se conhece mais nenhuma em Portugal. Estas mesas, chamadas mesas de encosto, em pau santo, têm um duplo tampo, pelo que funcionam também como mesa de jogo, porque uma das pernas rebate e deita para assentar”. Já junto à entrada da exposição figura uma mesa do tempo do seu antecessor. “Deve ser a melhor que existe em Portugal pelas suas proporções. É uma peça excepcional, também toda em pau santo”, indica Luís Alegria. De acordo com o antiquário trata-se de uma verdadeira preciosidade, dado que, na sequência do terramoto de 1755, do espólio do tempo de D. João V (1706-1750)
“Estas peças eram peças de exportação, está tudo na Europa, mas os chineses têm começado a tentar recuperar o seu património.” restou apenas o que estava fora de Lisboa. A mostra inclui ainda outras peças de mobiliário, como cómodas iguais às que existem em palácios reais franceses, contadores (uma espécie de escrivaninha de viagem), candelabros ou quadros. A esmagadora maioria das peças foi encomendada à China, mas há excepções. É o caso de uma tapeçaria encomendada a Bruxelas para
“Fomos os primeiros a ter peças brasonadas na época Ming.”
a família Mascarenhas em Portugal, para o palácio que existe em Benfica, explica Luís Alegria. “Existe outra no Museu Nacional de Arte Antiga. É uma peça catalogada, referenciada no património português e uma das muito poucas a Bruxelas de tapeçarias com armas portuguesas”.
OS PIONEIROS
Grande parte das peças foram encomendadas por Portugal – aliás o primeiro a introduzir a porcelana da China na Europa. Assim, explica Luís Alegria, as peças da dinastia Ming “são muito importantes e raras”, dado que foram as primeiras que os portugueses trouxeram da China”. O antiquário dá o exemplo de uma peça na forma de elefante que figura como uma espécie de cantil de porcelana. Em paralelo, há provas no livro do Museu de Istambul de que “fomos os primeiros inclusive a ter peças brasonadas na época Ming”, complementa, referindo-se às peças com armas dos Almeidas. “Há tradição das peças de por-
celana brasonadas, mas não desta época”, frisa. Todas as peças, grande parte na mão de particulares, estão para venda, com os preços a oscilar entre 2.000 e 850.000 euros. Esta mostra figura como a primeira grande exposição de Luís Alegria em Macau. Embora trazido ao Venetian, em 2014, uma mostra de pintura moderna, o antiquário entende que “não foi uma grande referência”. Não só porque o local não era o adequado, como o espaço era diminuto. “Em Hong Kong convenceram-nos a vir fazer, mas não tinha nada a ver connosco”, observa. “Queria fazer uma coisa diferente porque gosto muito de Macau e queria ver se funcionava de forma a vir todos os anos”, adianta Luís Alegria. Porquê Macau? “Porque em Macau e na China não há nada disto”, responde, sem hesitações, o antiquário. “Estas peças eram peças de exportação, está tudo na Europa, mas os chineses têm começado a tentar recuperar o seu património, dado que, na sequência de Mao Tsé Tung, a China ficou vazia da sua história”. “Em particular, os museus – e eu vendo para vários chineses –andam à procura de coisas importantes feitas pelos chineses. Há um crescente interesse tanto de museus como de particulares”, sublinha. É, aliás, por essa razão que Luís Alegria vai expor, a 20 de Outubro, pela primeira vez na China, depois de uma passagem por Hong Kong, onde já esteve. “Vamos dar-nos a conhecer, chegar directamente aos particulares, sem passar pelos comerciantes”, realça o antiquário. “Vamos levar o que não for vendido em Macau e em Hong Kong. Há peças para todos os preços. Não é preciso ter uma fortuna incalculável para se comprar uma peça da Companhia das Índias, mas claro que existem outras que não são para qualquer um”, observa. Luís Alegria, nascido numa família de coleccionadores, participa regularmente nas mais importantes feiras de arte, como a Feira de Arte e Antiguidades da European Fine Art Foundation (TEFAF), em Maastricht, na Holanda, uma das maiores do mundo. Diana do Mar
dianadomar@hojemacau.com.mo
12 china
As autoridades chinesas elevaram ontem para 11 mortos e 44 feridos o número de vítimas de um atropelamento intencional seguido de ataque com um punhal e uma pá na cidade de Hengyang
14.9.2018 sexta-feira
HUNAN ATROPELAMENTO INTENCIONAL FAZ 11 MORTOS E 44 FERIDOS
A morte saiu à rua se juntam para dançar em grupo ou conviver. De seguida, o homem atacou as vítimas com um punhal e uma pá, informaram hoje as autoridades. Imagens de vídeo captadas por testemunhas mostram
dezenas de pessoas a correr, em pânico, a fugir da praça, pessoas feridas no chão e outras a tentar ajudá-las. As autoridades locais consideraram, num comunicado, que se tratou de um “acto deliberado” e com a
intenção de causar danos máximos, mas não referiram estar em causa um ataque terrorista. Yang teria antecendentes criminais por delitos relacionados com drogas e fogos postos, segundo o comuni-
cado do Governo local, que referiu que a polícia prossegue as investigações e os feridos foram investigados.
EXEMPLOS DE TRÁS
A China tem registado vários incidentes do género,
normalmente ligados a pessoas com problemas psicológicos ou ressentimentos com vizinhos ou a sociedade em geral. Em Junho passado, uma pessoa morreu e dez ficaram feridas quando um homem conduziu uma empilhadora contra peões numa cidade do leste da China, e acabou por ser abatido pela polícia. Em Abril, um homem armado com uma faca matou sete estudantes e feriu 19, quando os jovens regressavam a casa, no norte do país.
Na terça-feira à noite - e não na quarta, como foi inicialmente noticiado - o homem subiu a calçada ao volante de um desportivo e embateu contra a multidão numa praça pública onde os residentes geralmente se juntam para dançar em grupo ou conviver
O
Governo da cidade de Hengyang, na província de Hunan, revelou que o suspeito do ataque tem antecedentes criminais, incluindo tráfico de droga, roubo e agressões físicas e que, "agindo sozinho", procurou "vingar-se da sociedade". A polícia identificou o homem como Yang Zanyun, de 54 anos, e natural do condado de Hengdong, que pertence a Hengyang. Na terça-feira à noite e não na quarta, como foi inicialmente noticiado - o homem subiu a calçada ao volante de um desportivo e embateu contra a multidão numa praça pública onde os residentes geralmente
A lei chinesa proíbe rigorosamente a venda e posse de armas de fogo, pelo que os ataques são geralmente feitos com facas, explosivos de fabrico artesanal ou por atropelamento.
DIPLOMACIA PEQUIM CONFIANTE ANTES DA VISITA DE NICOLÁS MADURO
DROGA ESTIMULAÇÃO MAGNÉTICA PODE AJUDAR NA REABILITAÇÃO
O
P
Governo chinês expressou ontem a sua confiança na situação política e económica da Venezuela, a propósito da visita oficial do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, ao país asiático, que deverá resultar em vários acordos de cooperação. "Após umas eleições presidenciais sem percalços, a situação na Venezuela melhorou e o Governo está activamente a promover uma reforma financeira e económica", disse o porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Geng Shuang, em conferência de imprensa. Maduro iniciou ontem uma visita de Estado, de
quatro dias, à China. "A China acredita que o Governo e o povo da Venezuela serão capazes de lidar com as suas questões internas dentro de um enquadramento jurídico", afirmou Geng. O porta-voz lembrou que a Venezuela é um "parceiro estratégico" de Pequim. Durante a sua visita, Maduro reunir-se-á com o homólogo chinês, Xi Jinping, e ambos testemunharão a assinatura de vários acordos bilaterais, indicou Geng Shuang. Questionado sobre a possibilidade de Pequim fornecer apoio financeiro a Caracas, Geng afirmou apenas que essa cooperação entre os dois países
"beneficia a população [venezuelana] e está a funcionar muito bem". A cooperação "segue o princípio do benefício mútuo, em linha com as normas internacionais", acrescentou. Nicolás Maduro visita a China numa altura em que o seu país atravessa uma grave crise económica e social. O líder venezuelano reunirá ainda, em Pequim, com o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, e com Li Zhanshu, presidente da Assembleia Nacional Popular, o órgão máximo legislativo da China.
SIQUIATRAS chineses desenvolveram uma prática clínica, que utiliza estímulos magnéticos transcranianos de alta frequência sobre determinadas áreas do córtex cerebral, para aliviar a crise de abstinência no processo de reabilitação para dependentes químicos. A professora Liang Ying, da Escola de Ciências Sociais e Comportamento da Universidade de Nanjing, no leste da China, foi nomeada para liderar o projecto. A equipa de pesquisa testou o tratamento num grupo de viciados em metanfetaminas que estavam em reabilitação de dois até15 dias. "A intervenção com repetitivos estímulos magnéticos foi aplicada por 10 dias nos pacientes. Os que receberam o tratamento mostraram uma diminuição nos distúrbios do sono, depressão e ansiedade", declarou Liang. A académica
assinalou que existem poucos recursos farmacêuticos disponíveis para amenizar os efeitos colaterais da desintoxicação de metanfetaminas, como os distúrbios do sono e a depressão. De acordo com um artigo publicado na Xinhua, estimular o cérebro também pode auxiliar os viciados a desenvolverem autocontrole em relação ao consumo de drogas. Os resultados da pesquisa de Liang foram publicados pela revista internacional JAMA Psychiatry, na quarta-feira. A perita chinesa acrescentou que sua equipa pretende explorar o potencial do tratamento em testes clínicos mais abrangentes para prevenir a recaída em dependentes químicos.
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TIMOR-LESTE NOVA PONTE NA ZONA OCIDENTAL DA CAPITAL ABRE AO PÚBLICO
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"terceira ponte" sobre a ribeira Comoro, na zona ocidental da capital timorense, Díli, foi ontem aberta ao público, dois anos depois do arranque da obra, permitindo uma ligação alternativa para uma das zonas de maior expansão da cidade. A obra, cuja inauguração oficial decorre apenas a 12 de Outubro, foi ontem oficialmente entregue pela Governo japonês que financiou o projecto, avaliado em cerca de 26 milhões de dólares. Com um comprimento de 249 metros e ligações dos dois lados da ribeira que totalizam mais de 3,2 quilómetros, a obra inclui ainda uma estrada até perto da zona de Tasi Tolu e uma nova ligação à rotunda do aeroporto Nicolau Lobato, esta última ainda em curso. A cerca de 800 metros da ponte já existente - a CPLP I e II - e com acessos para bairros vizinhos, a nova ponte envolveu mais de 400 trabalhadores timorenses. A expansão da capital timorense, onde reside um cada vez maior número de pessoas, tem vindo a ocorrer particularmente para a zona ocidental o que implica um crescente volume de trânsito nesta zona. A ponte ajudará também a escoar o trânsito adicional que se antecipa quando estiver concluído o novo Porto de Tibar, que se tornará o principal ponto de entrada de mercadorias em Timor-Leste. Com este projecto espera-se uma redução do volume de trânsito na ponte da CPLP, a única entre os dois lados da ribeira. Recorde-se que a segunda fase da Ponte da CPLP - na Avenida Presidente Nicolau Lobato - foi inaugurada no dia 22 de Julho de 2014, por altura da Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).
TIMOR-LESTE BANCO CENTRAL DENUNCIA PRINCIPAL SEGURADORA DO PAÍS
Máquina de lavar
O Banco Central de Timor-Leste (BCTL) anunciou ontem ter levado ao Ministério Público um processo por suspeitas de fraude e lavagem de dinheiro contra os responsáveis da maior seguradora do país, a NITL, depois de detectar “irregularidades graves”
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M comunicado, o BCTL explica que uma investigação sua detectou "um número de sérias irregularidades procedimentais e financeiras em violação da Lei dos Seguros, incluindo desvio de fundos, cometidas por altos responsáveis" da NITL (National Insurance Timor-Leste). Sem entrar em detalhes precisos, BCTL explica que as irregularidades foram detectadas na sequência de uma denúncia recebida no final de 2016. "Depois de ser informada dos resultados das investigações, a NITL decidiu não dar quaisquer passos para regularizar a situação", explica. Por isso, em Novembro de 2017 o Conselho de Administração do BCTL conduziu uma investigação, findo a qual aplicou coimas e sanções acessórias por várias infrações. Entre as irregularidades, explica o BCTL, contam-se "incumprimento do dever de comunicar ao BCTL a composição dos órgãos de administração, a estrutura accionista, os acordos parassociais e, em geral, todos os factos susceptíveis de afectar o controlo e a governação da sociedade e respectivas modificações". A NITL não observou as regras legais "relativas à manutenção e respeito pelo capital social
mínimo", impediu ou obstruiu a supervisão do BCTL, forneceu "informações inexactas susceptíveis de induzir a conclusões erróneas de efeito equivalente ao da prestação de informações falsas" e ocultou a "situação de insuficiência financeira" da empresa. Registaram-se ainda "actos de gestão ruinosa intencional", o exercício "de actividades que não integram o objecto social da sociedade" e o fornecimento de informação incompleta ou inexacta ao BCTL. Entre as sanções, o BCTL aplicou coimas de 755 mil dólares à empresa e coimas totais de mais de 1,12 milhões de dólares a ex-membros e membros do Conselho de Administração e al-
A NITL é uma sociedade timorense - detida por dois cidadãos estrangeiros e uma empresa sediada em Singapura - licenciada desde 2010 pelo BCTL para exercer a actividade seguradora em Timor-Leste
tos responsáveis da NITL. Foram também impostas sanções acessórias que passam pela proibição, durante o período de três anos, do exercício de cargos em sociedades com actividade seguradora. Foi dado ainda um prazo de 3 meses aos accionistas para que efectivassem uma reestruturação accionista e do seu Conselho de Administração, e suspensa a licença de actividade seguradora durante o mesmo período. O BCTL nomeou também um "Conselho de Administração interino" que está ainda a gerir a seguradora.
SEDE NO ESTRANGEIRO
A NITL é uma sociedade timorense - detida por dois cidadãos estrangeiros e uma empresa sediada em Singapura - licenciada desde 2010 pelo BCTL para exercer a actividade seguradora em Timor-Leste. No emergente mercado timorense a NITL era a maior empresa do sector de seguros, contando entre os seus clientes com o próprio Governo timorense. Fonte próxima ao processo confirmou à Lusa que uma das irregularidades detectadas diz respeito a desvio de fundos destinados a uma resseguradora pelo seguro das centrais eléctricas timorenses.
O comunicado de ontem surge depois de responsáveis da NITL terem distribuído uma carta com acusações contra o BCTL e os seus responsáveis, que acusam de uma "tomada hostil" da empresa. "As acções do BCTL contra o NITL e o seu conselho de administração são inconstitucionais e/ou ilegais e/ou um abuso de processo, pois são um ataque colateral aos tribunais de Timor-Leste", lê-se na carta assinada apenas por "A Gestão". "Os actos do BCTL envolveram violações notórias da justiça natural", refere ainda. A missiva levanta ainda suspeitas sobre a morte de Abessy Bento, presidente e director executivo da NITL, a 26 de Maio de 2018, afirmando que se tratou de “um assassínio" e referem ter havido "ameaças recentes contra membros da administração e da directoria da NITL".
PÔR-SE AO FRESCO
Na carta a "clientes e parceiros empresariais", obtida pela Lusa, os supostos responsáveis da NITL dizem ter realizado uma "revisão estratégica" da seguradora que "levou à decisão de sair do mercado de seguros de Timor-Leste com efeito imediato". O grupo diz que a saída de Timor-Leste pretende "refocar os seus negócios para outros mercados onde há oportunidades de crescimento, num ambiente que dá estabilidade e segurança regulatório, legal e política a investidores". No comunicado de ontem, o BCTL refere que a nomeação de um administrador interino indica que "em vez de uma tomada hostil" a entidade está "empenhada em que a NITL continue a fornecer serviços de seguros em Timor-Leste". Explicando que está a actuar de acordo com a Lei de Seguros, o BCTL refere ainda que a NITL "não notificou ou recebeu autorização para fechar actividade em Timor-Leste".
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José Simões Morais
14.9.2018 sexta-feira
Entre a vida e a morte há apenas, o simples fenómeno, de uma subtil transformacão. A morte ´
O Tratado de Shimonoseki
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O dia em que Camilo Pessanha preside à primeira mesa do júri examinador da instrução primária para a entrada no curso geral do Liceu de Macau, a 17 de Abril 1895 assina-se o Tratado de Shimonoseki entre o Japão e a dinastia Qing, referente à Guerra na Coreia. A dinastia Qing é obrigada a pagar 75,6 mil toneladas de prata, ceder o território chinês de Taiwan e a península de Liaodong aos japoneses, e abrir ao comércio estrangeiro Shashi, Chongqing, Suzhou e Hangzhou. No entanto, a Rússia, apoiada pela França e Alemanha, força o Japão a entregar a Península de Liaodong (no Nordeste da China, de onde provem a dinastia reinante manchu) ao Governo Qing, mas terá de pagar mais 11 mil toneladas de prata. Em Taiwan, os habitantes reagem mal à chegada das tropas japonesas à ilha em Maio de 1895, começando ferozes combates que em cinco meses fazem 30 mil baixas no exército inimigo, mas de nada vale e a resistência continuará até 1945. A construção pelo Japão de um império na Ásia fora encorajado pelos americanos, que cobiçavam Taiwan e em 1867 tinham sido expulsos pelos nativos Gaoshan após invadirem pelo Sudoeste a ilha, com o pretexto de a tripulação de um dos seus barcos ter sido atacada e morta. Em 1874, os americanos apoiaram a invasão japonesa de Taiwan, que com três mil soldados pouco conseguiu avançar devido à resistência das populações locais. No entanto, sobre a mediação dos EUA e dos britânicos, a dinastia Qing foi obrigada a pagar 18,9 toneladas em prata aos japoneses para estes daí saírem. Em 1884, foi a vez da França tentar invadir a ilha mas, também sofreu uma derrota às mãos dos locais. Um ano depois, Taiwan tornou-se uma província chinesa e agora, em 1895 passa para as mãos dos japoneses até ao fim da II Guerra Mundial. Os britânicos aproveitam e a 9 de Junho de 1898 arrendam território à China, tal o sufoco económico para pagar as indemnizações de guerra. A 1 de Julho começa “a concessão dos Novos Territórios por 99 anos de uma área dez vezes maior às anteriores juntas, Hong Kong e Kowloon, incluindo o resto da península e cerca de duzentas ilhotas”. O Tratado de Shimonoseki dá início a um novo estado de agressão à China pelas oito potências invasoras estrangeiras, Inglaterra, França, EUA, Rússia, Japão, Alemanha, Áustria e Itália, que esperam novas oportunidades para ganhar mais concessões na China, levando à completa miséria os chineses, que sem meios, têm de se entregar às mãos dos
o amigo português Francisco Fernandes a criar a edição chinesa do jornal Echo Macaense (JingHaiCongbao). Segundo Segredos da Sobrevivência de Wu Zhiliang. Em 1894 Zheng Guan Ying escreveu “uma carta a Sheng Xuan Huai, mandarim pertencente à escola promotora do comércio exterior e negócios estrangeiros, pedindo-lhe que apresentasse Sun Yat Sen a Li Hong Zheng, chefe da escola promotora de comércio exterior e assuntos estrangeiros.” Na carta faz referência à aspiração e ambição de Sun Yat Sen no sentido de revigorar a agricultura chinesa. Do artigo Influência de Zheng Guan Ying Sobre Sun Yat Sen e Mao Tse Tung’ escrito por Choi San e publicado na Revista Cultura.
OPINIÕES DA SITUAÇÃO
O Tratado de Shimonoseki dá início a um novo estado de agressão à China pelas oito potências invasoras estrangeiras, Inglaterra, França, EUA, Rússia, Japão, Alemanha, Áustria e Itália, que esperam novas oportunidades para ganhar mais concessões na China que os espoliam até nada haver e assim, partem para ir trabalhar nos projectos coloniais dos agressores. Muitos desses chineses são apanhados por redes e transformados em escravos.
ENCONTROS NA CASA DO MANDARIM
Tal como acontecera em 1856 em Xangai, os estrangeiros criaram concessões que foram aumentando à medida que chegavam outros países e assim entre 1895 a 1900 em Tianjin estabeleceram-se as zonas dos japoneses, belgas, italianos, austro-húngaros e alemães e num pulo a cidade cresceu imenso. Zheng Guan Ying (1842-1921), nascido no distrito de Xiangshan, fora agente nas companhias comerciais inglesas, mas após o golpe da crise económica em Xangai e a sua detenção e litígio em Hong Kong, vai residir para Macau em 1886. Na Casa do Mandarim dedicou-se a redigir Advertências em Tempos de Prosperidade (Sheng shi wei yan), marco na história da filosofia chinesa contemporânea, onde combina as suas vivências e as ideias de um fortalecer nacional. O pensador reformista do Movimento de Ocidentalização recebe Sun Yat Sen, a estudar Medicina
em Hong Kong, nas viagens de e para a sua terra natal, Cuiheng, também em Xiangshan. Segundo Choi San diz: “vinha por Macau para trocar com Zheng Guan Ying ideias sobre a situação política e a aprendizagem do Ocidente. Desenvolver a produção agrícola transformando a agricultura com a avançada tecnologia científica do Ocidente e com os métodos administrativos capitalistas constituiu também uma questão que chamou a atenção de Sun Yat Sen. Por volta de 1891, o Dr. Sun Yat Sen escreveu um artigo comentando exclusivamente a agricultura. Após algumas alterações feitas por Zheng Guan Ying, este artigo foi incluído, sob o título de Nong gong (Sobre a Agricultura), no livro Advertências severas na época próspera. Nele, o Dr. Sun Yat Sen diz: <Tomando a agricultura como a urdidura e o comércio como a trama, temos tanto o principal como o secundário, tanto o grande como o pequeno, o que constitui a base para fortalecer as tropas e enriquecer o país e constitui o ponto-chave para administrar o país>.” Após o Dr. Sun Yat Sen se formar pela Universidade de Hong Kong, vem para Macau como médico e em 1893 ajudou
Pela ajuda dos russos aos chineses e para garantirem a protecção do território contra as agressões estrangeiras é dado aos russos a concessão do caminho-de-ferro Transmanchúria, a partir de Harbin, Manchúria do Norte, linha aberta a 3 de Junho de 1896 entre a China e a Rússia. A 26 de Janeiro de 1897 é aprovado pelo Rei D. Carlos para ser rectificado, o Tratado de Comércio e Navegação assinados em Lisboa entre Portugal e o Japão. Já O Porvir de Maio de 1898 refere ser “curiosa e não deixa de ser algum tanto verdadeira a opinião que os franceses formam sobre a situação política no Extremo Oriente e, para amostra, aí vai isso, que eles dizem: <A Rússia progride e a Inglaterra protesta. A França faz conhecer as suas ambições e a Alemanha satisfaz já as suas. A Inglaterra mostra dentes muito compridos, mas não se decidiria a morder senão na última extremidade. Entretanto, ela recua visivelmente e circunscreve de mais em mais o terreno que proclama intangível. Comentando o caso, diz o nosso colega inglês: <Of course we expected the longus dents>. É escusado esperar, porque a Inglaterra já apanhou também um óptimo quinhão da China, e não tem, portanto, necessidade de mostrar já a dentuça arreganhada, além do que, se a arreganhasse com a bondosa intenção de morder na China, seria requintada tolice, porque ela, a miséria, está-se assemelhando ao leão velho da fábula. Podem todos escoiceá-la que ela não reagirá. Quanto a arreganhar os dentes à Rússia, França e Alemanha, não seria a Inglaterra tola em tal fazer, porque quando pensasse em dar uma dentada em tais meninas, decerto apanharia em troco duas ou mais para o seu tabaco.” Será?
sexta-feira 14.9.2018
ARTES, LETRAS E IDEIAS 15
tonalidades António de Castro Caeiro
É isto Numa aldeia próxima de Lisboa, com o cão negro de nome de presidente. Falamos de literatura. É preciso fazer. É preciso fazer. Livros são como hortas. E os teus filhos ficaram meus irmãos. E o teu filho é meu irmão. Cita o Evangelho
É
isto. Uma caixa fechada. O escândalo. O escândalo. Cheguei tarde. Não te conheci. Caixa fechada. Não há corpo. Toda a filosofia do ocidente o diz. O padre diz que não te conheceu. E conheceu-te. Tiveste filhos. Tiveste aspirações, desejos, amores. É isto. O escândalo. O escândalo. Seguimos em frente, João. Chegamos tarde. Cheguei tarde. Era uma feijoada. Era um jantar. A única a oportunidade. Era um dia de calor. Ficamos. Foste. É um escândalo. O escândalo. Seguimos em frente. A memória. A fé. A saudade. Seguimos em frente. Levaste gente sem número como o número dos grãos da areia. Foste ao litoral. Vieste ao interior. Tiveste filhos. Onde estás tu só com pele? Seguimos em frente. Numa aldeia próxima de Lisboa, com o cão negro de nome de presidente. Falamos de literatura. É preciso fazer. É preciso fazer. Livros são como hortas. E os teus filhos ficaram meus irmãos. E o teu filho é meu irmão. Cita o Evangelho. Voltarei. Voltarás. Não chorarei mais. A alegria é a esperança. Não faz mal. O amor é mesmo assim. Eras o meu pai. És o meu pai. Já não há nada. Nunca há nada sem ti. E eu entrego o coração. O meu coração é teu. Tenho mulher e filhos. Tenho-te a ti, meu amor. Tu segues o teu caminho. Eu perdi-te. Sei que o amor existe. E choro por ti. Tudo passa. Nada fica. Nada ficará. Eu encontro-te no teu corpo. Eu encontro-me no teu corpo. Eu encontro-te no teu corpo.
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desporto 17
sexta-feira 14.9.2018
AFM DISTRIBUÍDOS 5 MIL BILHETES PARA JOGO DA LIGA DOS CAMPEÕES ASIÁTICOS Macau vai receber uma partida dos quartos-definal da Liga qualquer pagamento extra dos Campeões pelo facto do Estádio de Asiáticos, e Macau ser utilizado para o jogo. O espaço é colocado a AFM tem à disposição do clube, que assume as despesas relacioingressos nadas com a organização do evento”, afirmou Chan grátis para os Keng Hou. residentes que “Como é do conhecimento público, o Tianjin desejem ver o Quanjian teve uma situação que impediu que o encontécnico Paulo tro fosse disputado no seu e esta foi a solução Sousa em acção. estádio encontrada”, acrescentou. Os bilhetes são Entre 18 e 20 de Setembro, a cidade de Tianjin vai redistribuídos no ceber o Fórum Económico dos brasileiros Serginho e 2007. Contudo, uma série A equipa chinesa está Mundial de Davos. Léo Silva. de lesões fizeram com que actualmente na 10.ª posição sábado ou, em Chan Keng Hou fez Além de Paulo Sousa, o o atleta entrasse numa fase da Liga Chinesa, a 18 pontos ainda questão de deixar Tianjin Quanjian conta ainda de declínio, que o levou a do líder Beijing Guoan. Já o caso de tufão, na agradecimentos à Associa- no plantel com o brasileiro regressar ao Brasil antes Kashima Antlers ocupa o 8.º ção de Futebol da China por Alexandre Pato, antiga pro- de rumar à China. Mesmo lugar da J-League, a 19 ponsegunda-feira
Hóquei em Patins Selecção de Macau falha título
A Selecção de Macau derrotou, ontem, a Índia por 8-4 mas, e apesar de não ter perdido qualquer jogo no Campeonato Asiático, não foi além do segundo lugar, no torneio que se realizou na cidade de Namwon, na Coreia do Sul. Ao longo dos seis encontros disputados, Macau registou 4 vitórias, diante Índia (8-4), Nova Zelândia (12-3), Taiwan (13-2) e China (25-2), e dois empates, frente a Austrália (3-3) e Japão (6-6). A Austrália foi a grande vencedora com cinco vitórias, frente a Taiwan (7-4), Japão (4-1), Índia (5-1), China (16-0) e Nova Zelândia (5-1), e um empate, com Macau (3-3).
Maratona Inscrições adiadas devido a tufão As inscrições para a Maratona Internacional de Macau foram adiadas para o fim-de-semana de 22 e 23 de Setembro, segundo um comunicado do Instituto do Desporto. Assim, as inscrições para a Maratona e Meia-Maratona, que inicialmente estavam agendadas para 15 de Setembro, vão realizar-se no dia 22 de Setembro, sábado, entre a partir das 09h. Já as inscrições para a Mini-Maratona, agendadas para 16 de Setembro, vão realizar-se a 23 de Setembro, começando às 09h. No total, existem 12 mil vagas, 1.600 para a Maratona, 4.600 para a Meia-Maratona e 5.800 para a Mini-Maratona.
TIAGO ALCÂNTARA
Confronto a doer
O
Estádio de Macau vai ser o palco, na terça-feira, do encontro entre o Tianjin Quanjian, de Paulo Sousa, e o Kashima Antlers, a contar para a Liga dos Campeões Asiáticos, e os ingressos começam a ser distribuídos este sábado. No total, quem tiver o estatuto de residente vai ter acesso a 5 mil ingressos grátis, que têm de ser levantados no Estádio entre as 09h e as 18h de sábado. É exigida a apresentação do BIR e cada pessoa poderá levantar até quatro bilhetes. Os pormenores sobre a distribuição dos ingressos para a principal competição de clubes da Ásia foram anunciados ontem, numa conferencia de imprensa promovida pela Associação de Futebol de Macau (AFM). Contudo, segundo a explicação do secretário-geral da AFM, Chan Keng Hou, existe um plano de contingência. Caso o sinal de tufão n.º 8, ou superior, seja içado no sábado, a distribuição dos bilhetes é adiada para dia 17, segunda-feira, e vai realizar-se entre as 18h e as 22h. Na conferência de imprensa, Chan Keng Hou abordou o acordo feito com o Tianjin Quanjian para que o encontro se realize em Macau. “Não vai haver
permitir que o encontro se realize em Macau. Por último, o secretário-geral da AFM pediu ainda às pessoas que queiram ir ao estádio que se desloquem atempadamente, para evitar congestionamentos e confusões na área. O encontro está agendado para as 19h30 de quarta-feira.
TIANJIN EM DESVANTAGEM
Quando entrar em campo, o Tianjin Quanjian, de Paulo Sousa, vai ter uma desvantagem de dois golos para anular. Na primeira-mão dos quartos-de-final, a equipa orientada pelo técnico português foi derrotada por 2-0 no Japão, com golos
“Não vai haver qualquer pagamento extra pelo facto do Estádio de Macau ser utilizado para o jogo. O espaço é colocado à disposição do clube, que assume as despesas relacionadas com a organização do evento.” CHAN KENG HOU SECRETÁRIO-GERAL DA AFM
messa do futebol mundial, por quem o AC Milan pagou ao Internacional 24 milhões de euros, em Agosto de PUB
assim, conta no currículo com passagens por equipas como Corinthians, Chelsea, São Paulo e Villareal.
tos da liderança, ocupada pelo Sanfrecce Hiroshima.
João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
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AGUACEIROS
O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje
“UMA NOITE COM PIANO NA GALERIA” Fundação Rui Cunha | Das 18h00 às 20h00
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4 9 8 1 6 7 2 3 5 EXPOSIÇÃO 2 1“POST-OX 3 9WAREHOUSE 4 5EXPERIMENTAL 6 7 SITE” 8 Galeria do Armazém do Boi, rua do Volong | Até 7/10 7 6 5 3 8 2 4 9 1 6 4 1 2 7 8 9 5 3 5 8 9 4 1 3 7 6 2 Cineteatro C I N E M 3 7 2 5 9 6 1 8 4 1 3 7 6 5 4 8 2 9 9 2 6 8 3 1 5 4 7 8 5 4 7 2 9 3 1 6
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6 1 4 9 7 3 Já2era 8 aguardo 9 há1muito 5 pe-4 los que têm acompanhado o trabalho 1 7 dos8 Spiritualized. 4 9 5 Finalmente, seis anos depois 4 trabalho, 6 7está8cá fora2 do3 último “And Nothing Hurt” acabadinho 5 (73de6Setem-1 de9 ser 2 publicado bro). O disco é composto por 7 temas 9 2 5 com 1 “A 6 nove e começa perfect miracle”, que apetece, 4 6 1 8 3 9 desde logo, pôr em loop. Uma canção 8 5de amor, 3 daquelas 2 4 que7 só Jason Pierce sabe fazer. Mas
2 3 6 9 7 8 5 1
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7 8 PROBLEMA 57
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6 9 3 2 5 8 7 1 4
56nome de fruta boa, nutritiva, mas este Tem tufão promete ser um teste às palavras dos governantes depois de Macau ter sofrido os efeitos do Hato: está tudo bem, a protecção civil foi, aparentemente, renovada, e há comunicação entre serviços. O tufão “Mangkhut” não terá, certamente, um gosto doce tal como a fruta que lhe deu o nome. Ao menos, as autoridades parecem estar a mexer-se: o Chefe do Executivo reuniu ontem de emergência, disse para a população não entrar em pânico. Fez bem, cumpriu o seu dever, depois de ter estado de férias na altura em que se celebrou um ano sobre a passagem do Hato. Até Raymond Tam, o novo director dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos, reuniu com os seus homólogos da China e Hong Kong em Nanning. Pode ser parco em palavras, esperemos que esteja a agir nos bastidores. Um 58ano depois, faltam obras há muito prometidas no Porto Interior, depois de terem sido feitos seminários e workshops. Recentemente, Susana Wong, directora dos Serviços Marítimos e da Água, riu-se quando lhe perguntaram quando é que as inundações iam acabar no Porto Interior. Rir, neste caso, talvez não seja o melhor remédio. Veremos, agora, se todas as grandes medidas criadas no espaço de um ano funcionam, se as palavras têm efeitos práticos, se o Porto Interior se recupera depois de mais um baque que, acredito, não vai acabar com a sua alma. A população de Macau está expectável. Veremos se o mangostão sabe menos mal ou se vai mesmo azedar, deixando mais uma nódoa de incompetência neste Governo. Andreia Sofia Silva
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2 1 5 4 8 4 6 2 7 9 9 7 6 3 1 5 8 3 1 2 1 4 9 THE 6EQUALIZER 7 2 GET HOME, 7 WHEN 3WIFEI 4 8PRETENDS 5 MY ALWAYS TO BE DEAD [B] 6 2 7 5 3 8 5 1 9 6 3 9 8 2 4
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Um filme de: Antoine Fuqua Com: Denzel Washington, Pedro Pascal, Ashton Sanders 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
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FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Toshio Lee Com: Nana Eikura, Ken Yasuda, Sumiko Nono, Ryohei Ohtani 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
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vale a pena continuar porque a cada tema a vontade é a mesma. “And nothing hurt é um projecto gravado por Pierce, sozinho, na sua casa em Londres. Mas para quem ouve estão muitas orquestras ali, ecléticas e quase mágicas. Sofia Margarida Mota
3 7 6 4 1 2 5 6 9 4 8 3 4 9 1 5 6 8 7 2 5 3 2 1 2 6 3 9 7 5 4 8 8hojemacau. 1www. 9 7
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Um filme de: Shane Black Com: Jacob Tremblay, Boyd Holbrook, Olivia Munn 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 2
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Albergue SCM | Até 21/10
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Diariamente EXPOSIÇÃO “ESCULTURA, UM CAMINHO”, 55 DE ANTÓNIO LEÇA
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14.9.2018 sexta-feira
2 1 8 9 5 9 8 4 7 3 5 7 1 2 6 7 6 3 8 2 4 3 5 1 9 8 9 6 4 7 Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia 1Propriedade 4 Mota; 7Fábrica 5deNgNotícias, 8 Lda Director Margarida Vitor Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio 6José 2Valério 9Romão 3 Colunistas 1 António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia Fonseca; dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária 3de redacção 5 2e Publicidade 6 4Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
opinião 19
sexta-feira 14.9.2018
FRANCISCO LOUÇÃ in esquerda.net
ESAIAS VAN DE VELDE
A
lista do “Jornal de Negócios” sobre os 100 mais poderosos em Portugal é um curioso exercício, que mistura empresários, governantes e outras profissões (este vosso escriba lá figura numa modestíssima posição). Mas olhemos para a parte da riqueza. Pelo topo da lista encontramos os óbvios: Pedro Soares dos Santos, Paula Amorim, Paulo Azevedo, Queiroz Pereira, Vasco de Mello. O que têm em comum é óbvio: a fortuna, as empresas, a influência são herdadas de avós ou pais. No topo da lista de empresários não entra mais ninguém. Não é só pecadilho português. Um terço da riqueza total do 1 por cento mais rico no mundo é herdada e, nos próximos vinte anos, 500 pessoas deverão deixar aos seus mais de dois milhões de milhões de dólares, mais do que o PIB da Índia, quase duas vezes Espanha. Mas então onde está o empreendedorismo, o capitalismo inventivo? Uma pesquisa curiosa levada a cabo por dois investigadores do Banco de Itália sobre o fisco da Florença de 1427 revelou que, verificando os apelidos, as famílias ricas de então tiveram uma probabilidade muito mais elevada do que os outros de vir a gerar descendentes bafejados pela fortuna quase seis séculos mais tarde, em 2011. Os autores notam um “efeito duradouro do estatuto socioeconómico dos antepassados”. Essas heranças são notórias em Itália, onde a tradição e os novos empresários surgem a par: na lista da “Forbes” temos cinco Pradas, a mais antiga família italiana de negócios, e os mais recentes, quatro Benettons, um Dolce, um Gabbana e um Armani. Aliás, grandes empresas mantêm o nome do fundador, como é o caso da Ferrari, comprada pelos donos da Fiat-Chrysler, os Agnellis, que dominam 10 por cento de todo o mercado bolsista italiano (e a Juventus), o que, embora seja muito para os padrões europeus, é comum noutras paragens. Na Ásia, as dinastias são mais fortes: as primeiras 15 famílias de Hong Kong detêm riqueza no valor de 84 por cento do PIB; na Malásia, a riqueza das 15 famílias mais ricas equivale a 76 por cento do PIB, em Singapura a 48 por cento e nas Filipinas a 47 por cento. Em Portugal, as principais 10 famílias controlavam 34 por cento da capitalização de mercado até ao colapso, em 2014, do grupo Espírito Santo. Em França e na Suíça são 29 por cento. No caso da Suécia, os dois maiores grupos detinham 63 por cento de todo o valor da bolsa. O grupo dominante, a família Wallenberg, representa quase metade, controlando a Ericsson, SAS, Nasdaq, SAAB, Electrolux,
É tão fácil ser rico
Atlas Copco, Café Ritazza, a AstraZeneca e dezenas de outras empresas. Na Alemanha, os Quandts, a nata da nata, são os principais accionistas da BMW, que agora inclui os Minis e Rolls-Royces. A história repete-se ainda mais frequentemente nos países em desenvolvimento. No Equador, a família Naboa é dona da produção de bananas (a marca Bonita, quinto maior produtor mundial) e de 40 por cento das exportações nacionais. Na Índia, os colossos são herdeiros: as famílias Tata (Tetley Tea, Jaguar, Land Rover e durante um tempo o maior produtor de aço da Grã-Bretanha), Birla (um conglomerado desde 1910) e Hinduja (petróleo, media, manufactura, saúde e banca). Na Coreia do Sul, os maiores conglomerados são heranças familiares, a Samsung, Hyundai, LG, CJ, Hanwha, Lotte, Hanjin e GS Group. Estas histórias nem sempre são de sucesso. O quadro geral é, aliás, soturno. Nas famílias grandes, a herança dispersa o poder. Se olharmos para o universo conhecido dos grupos familiares mundiais, apenas 30 por cento dos herdeiros continuam a deter o poder na segunda geração, somente 12 por cento na terceira e uns meros 3 por cento na quarta e seguintes. A taxa de fracasso é elevada e após algumas gerações (regra geral, nunca mais de três ou quatro), a maior parte das dinastias
colapsa. Mesmo sendo bastantes, os que sobrevivem são excepções, não são a regra. Uma razão é que, com o tempo, o número de herdeiros cresce e pode atingir números avantajados. Na família Mulliez (dona da Auchan, Decathlon e Leroy-Merlin Boulanger), mais de 600 elementos da família possuem acções da empresa-mãe, seguindo todos um pacto interno rígido que garante a coesão da liderança da empresa. A família francesa Wendel emprega mais de um milhar de membros da família nas suas empresas Saint-Gobain e Nippon Oil Pump. De acordo com um estudo da “Forbes” sobre a riqueza dinástica, nos EUA os Rockefellers são 200 (com uma riqueza de 8,5 mil milhões de dólares), os Mellons são 100 pessoas (com 10 mil milhões) e os Du Ponts 300 (com 12 mil milhões); a França tem a família Michelin (400 pessoas com 1,2 mil milhões); a Alemanha as famílias Porsche e Piech, donos da Volkswagen (50 pessoas com 10 mil milhões), a Boehringer (12 membros que possuem 10,2 mil milhões) e a Merck (100, donos de quatro mil milhões); no Canadá encontramos a família Bombardier (sete pessoas com 2,7 mil milhões); e, espalhada pela Europa e pelos EUA, está a velha família Rothschild (10 elementos com 1,5 mil milhões de dólares).
Na China, nada menos do que 103 descendentes dos “oito imortais”, dirigentes da revolução de Mao Tsé-Tung, chefiam empresas estatais. Três deles gerem empresas cujos activos, combinados, são um quinto da economia chinesa
Na China, nada menos do que 103 descendentes dos “oito imortais”, dirigentes da revolução de Mao Tsé-Tung, chefiam empresas estatais. Três deles gerem empresas cujos activos, combinados, são um quinto da economia chinesa. Na gigantesca empresa Dalian Wanda — que afirma ter “120 vezes mais funcionários do que o Vaticano” e tem propriedades em Beverly Hills, os cinemas AMC e 20 por cento do Atlético de Madrid —, há acções reservadas para a irmã do Presidente Xi Jinping e para a filha do antigo primeiro-ministro Wen Jiabao. Caroline Freund, antiga economista-chefe do Banco Mundial, estudou a ascensão dos herdeiros, comparando-os com as fortunas emergentes recentes. A sua pesquisa baseia-se na lista de multimilionários da “Forbes”, e verificou que a percentagem dos que devem a sua posição à herança tem vindo a decair, embora ainda seja elevada: passou em duas décadas de 55 por cento em 1996 para cerca de 30 por cento em 2014. Não obstante, nas economias mais ricas, esse valor ultrapassa a média, chegando a um terço nos EUA e no mundo, e a pouco mais de metade na Europa. Cá está, as fortunas herdadas pesam, mas vão pesando menos. A pergunta que então fica é: porque é que neste tipo de listas portuguesas só estão registados herdeiros que começaram a vida com a colher de prata na boca? A resposta é que são só eles, pois os capitalistas que criaram a sua empresa não chegam lá. Prometeram-nos uma sociedade mais horizontal, é mais vertical; mais democrática, mas está mais fechada; mais aberta, mas é só para a geração dos herdeiros.
A pobreza não tira a nobreza a ninguém, a riqueza sim. Giovani Boccaccio
De volta à mesa China afirma que EUA querem retomar diálogo para resolver disputas comerciais
Guia Michelin Festival de “street food” regressa no final do mês
O festival de “street food” do Guia Michelin regressa a Macau no final deste mês, pelo segundo ano consecutivo, com “criações exclusivas” de alguns dos maiores nomes da comida de rua asiática, anunciou ontem a organização. Entre 29 de Setembro e 2 de Outubro, o Gourmet Walk do Studio City volta a oferecer criações ao estilo “street food”, preparadas por chefes distinguidos ou recomendados pelo Guia Michelin. Desde “a popular comida de rua taiwanesa”, à ‘bem amada’ cozinha tailandesa, sem esquecer os “cantoneses clássicos de Macau”, o festival de quatro dias é uma pequena viagem “pelos ricos, diversos e emocionantes sabores dos diferentes cantos da Ásia”, escreve a organização. O Guia Michelin destaca a presença da “Hong Kong Soya Sauce Chicken”, a primeira e uma das duas únicas bancas de rua prestigiada com uma estrela.
Espanha Sánchez nega ter plagiado tese de doutoramento
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O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, negou ontem que tenha plagiado a sua tese de doutoramento, afirmando ser “rotundamente falso” as notícias nesse sentido publicadas em vários órgãos de comunicação social. “É rotundamente falso”, afirmou Pedro Sánchez esta manhã através da sua conta na rede social Twitter, acrescentando que, “a menos que haja rectificação da informação publicada”, avançará com acções legais em defesa da sua honra e dignidade. O chefe do Governo espanhol tomou esta posição depois de terem aparecido “nalguns meios de comunicação” social notícias que o acusam de plágio na redacção da sua tese de doutoramento.
W
ASHINGTON convidou Pequim a retomar o diálogo, face à guerra comercial em curso entre ambos os países, anunciou ontem o ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, enquanto os Estados Unidos equacionam nova ronda de taxas alfandegárias sobre produtos chineses. O anúncio surge após as câmaras de comércio norte-americanas e da União Europeia terem revelado que as empresas dos seus países estão a ser atingidas pelas disputas comerciais. "Nós, de facto, recebemos um convite dos EUA, e demos as boas-vindas", confirmou o porta-voz do ministério, Geng Shuang. "As duas partes estão a abordar os detalhes relevantes", acrescentou. O Financial Times avançou ontem que o secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, quer reunir com o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He. A última ronda de negociações entre representantes dos dois países, em 22 de Agosto, terminou sem progressos. Pequim tem recusado as exigências de Washington para abdicar da sua política para o sector tecnológico, nomeadamente o plano "Made in China 2025", que visa transformar o país numa potência tecnológica,
sexta-feira 14.9.2018
PALAVRA DO DIA
VATICANO PAPA DEFENDE REPARAÇÃO A VÍTIMAS DE ABUSOS SEXUAIS
O
com capacidades em sectores de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros eléctricos. Os EUA consideram que aquele plano, impulsionado pelo Estado chinês, viola os compromissos de Pequim em abrir o seu mercado, nomeadamente ao forçar empresas estrangeiras a transferirem tecnologia e ao atribuir subsídios às empresas domésticas, enquanto as protege da competição externa. Um relatório difundido ontem por duas câmaras de comércio dos EUA revela que dois terços das empresas norte-americanas afirmaram, num questionário, terem sofrido prejuízos ou perda de lucros, devido ao aumento das taxas alfandegárias. E mais empresas afirmam que vão sofrer, caso
Donald Trump, avance com nova ronda de impostos. "As firmas norte-americanas estão a sofrer devido às taxas retaliatórias da China e, ironicamente, devido às taxas impostas pelos EUA, que visam atingir a economia chinesa", afirmaram, em comunicado, a Câmara do Comércio dos EUA na China e a Câmara do Comércio dos EUA em Xangai. "Instamos ambos os Governos a regressar à mesa de negociações", lê-se na mesma nota. Também a câmara do Comércio da União Europeia na China afirmou ontem que uma em cada seis empresas estão a adiar decisões de investimento devido às disputas comerciais. "A guerra comercial está a causar perturbações significativas nas cadeias globais de produção", descreveu.
Papa Francisco defende que é necessário restaurar a vida das vítimas de abusos de crianças por membros do clero, rejeitando seguir em frente sem procurar cura e apelando à denúncia de todos os casos. "Acabar com isto não significa simplesmente seguir em frente, mas procurar uma cura, reparação, tudo o que for necessário para curar feridas e restaurar a vida de tantas pessoas", disse o Papa numa reunião privada que manteve com jesuítas em Dublin, durante a viagem que realizou em agosto à Irlanda, e cujo o conteúdo foi ontem divulgado. Francisco, que se reuniu com mais de cinquenta jesuítas depois de se encontrar durante hora e meia com oito vítimas de abuso sexual na Irlanda, classificou como “um drama” os diversos casos de abusos que estão a ser revelados em vários países, segundo a transcrição do encontro publicada na revista dos jesuítas “Civilità Católica”. O Papa assegurou que lhe custa a acreditar nas histórias que viu documentadas em vários relatórios elaborados recentemente sobre casos de abusos sexuais. Questionado por um dos participantes no encontro sobre o que pode ser feito para lutar contra os abusos, Francisco disse: "temos de denunciar os casos que conhecemos".
RÚSSIA PUTIN ASSISTE A MANOBRAS MILITARES E DIZ QUE "AMA A PAZ"
O
presidente russo, Vladimir Putin, disse ontem, durante as manobras militares de grande escala da Rússia, que Moscovo “ama a paz” e não tem planos agressivos. Putin falou depois de assistir às manobras militares “Vostok-2018”, o maior exercício que se realiza na Rússia desde o final da Guerra Fria. “A Rússia é um Estado que ama a paz. Não temos e nem podemos ter planos agressivos. A nossa
política externa é dirigida à cooperação construtiva com todos os países interessados (na paz)”, disse o presidente russo depois de um encontro com os 87 observadores estrangeiros,
de 57 países, convidados a assistir às manobras. Na visita realizada em Tsugol, junto da fronteira com a China e a Mongólia, um dos locais onde se realizam os exercícios, que as Forças Armadas russas devem estar preparadas para defender a soberania e os interesses nacionais e, “se necessário, defender os aliados da Rússia. “Hoje, em Tsugol, concluiu-se a etapa mais activa das manobras. Vocês conseguiram realizá-las com alto nível.
Todas as unidades e grupos cumpriram as missões que lhes foram destinadas”, acrescentou Vladimir Putin. O presidente russo sublinhou que, pela primeira vez, as Forças Armadas da Rússia pós-soviética foram “submetidas a um difícil exame” referindo-se à escala das manobras em que participam 300 mil militares, mais de um milhar de aviões, dezenas de navios e 360 mil veículos blindados. “Vamos continuar a fortalecer as nossas Forças
Armadas, fornecendo-lhes armas e equipamentos de última geração”, afirmou Putin que agradeceu, em particular, aos militares da República Popular da China e da Mongólia, que participam nas manobras recordando que durante a II Guerra Mundial (19391945) russos e chineses foram aliados. “Hoje (Rússia, China e Mongólia) cumprem uma importante tarefa comum: juntos são a garantia de estabilidade no espaço eurasiático”, frisou.