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CRÉDITO P2P
MOP$10
TERÇA-FEIRA 14 DE AGOSTO DE 2018 • ANO XVII • Nº4114
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
ALIBABA
FRAUDE NO CONTINENTE
MILHÕES NAS NUVENS
GRANDE PLANO
PÁGINA 9
O CORPO DIGITAL
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hojemacau
Sulu e os 7 nomeados Sulu Sou referiu que os deputados nomeados são uma “sequela nociva” da Administração portuguesa. O pró-democrata pede o fim desta figura por considerar que estes legisladores apenas servem interesses instalados. A intervenção gerou celeuma no hemiciclo e Ho Iat Seng garantiu que será analisada pela Comissão de Regimentos e Mandatos. PÁGINA 4
AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
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GCS
h VALÉRIO ROMÃO
2 grande plano
Em Macau ainda se debate o mais recente caso de fraude financeira com o investimento falhado em criptomoeda. No continente, surge outro problema com mais de 1,5 milhões de pessoas a
perderem
as suas economias depois de contraírem empréstimos em empresas de crédito P2P. Os protestos estão na rua apesar da forte repressão policial
14.8.2018 terça-feira
FRAUDE
CREDITOS ˜ POR MAOS ALHEIAS O
MILHÕES PERDIDOS EM EMPRESAS DE FINANCIAMENTO P2P
´
Governo chinês está a enfrentar uma onda de indignação por parte de famílias que perderam as suas economias depois de investirem em plataformas online de empréstimos “Peer to Peer” (P2P) que prometiam lucros fáceis e rápidos aos seus investidores. Este tipo de negócio assenta na premissa do investidor que aplica dinheiro numa empresa que por sua vez concede créditos com base nesse capital investido a particulares. De acordo com uma reportagem divulgada pela CNN, na sema-
na passada, os lesados começaram a sair à rua para protestar e alertar para “uma das vertentes mais obscuras da indústria financeira chinesa”, refere a mesma fonte. Em causa está o consentimento do próprio Governo para com estas empresas de empréstimos à margem do sistema bancário oficial, que permitiu que as plataformas crescessem, algumas mesmo, com o apoio das autoridades centrais. Por ouro lado, a falta de mecanismos de fiscalização sobre as actividades desenvolvidas neste sector impediu a detecção de possíveis acções fraudulentas.
As promessas de retorno na ordem dos dois dígitos foram o isco irresistível que levou milhares de famílias a investirem as suas poupanças em busca da publicitada rentabilização. Com lucros prometidos muito superiores aos forne-
cidos pelas instituições bancárias oficiais, a tentação em que caíram algumas famílias foi maior que a prudência financeira e o resultado acabou por ser desastroso. Pequim aumentou, recentemente, a repressão sobre este tipo de plataformas e, sem espaço de manobra, muitas delas fecharam de um dia para o outro. De repente, o país viu-se a mãos com milhares de lesados. Segundo os dados fornecidos pela CNN, já fecharam no continente mais de 4400 empresas que se dedicavam a empréstimos P2P, desde 2012. O encerramento destas plataformas financeiras acarretou a perda de mais de 11,5 milhões de dólares americanos e lesou 1,2 milhões de pessoas que perderam, desta forma, todo o seu investimento.
NA PRIMEIRA PESSOA
Um gestor de projectos de construção falou da sua experiência à CNN. O homem investiu mais de 275 mil yuan numa plataforma financeira online, a Tourongjia. com, que encerrou no mês passado, sem qualquer aviso. “A primeira reacção foi de incredulidade sobre o que se estava a passar, não acreditava que a plataforma tivesse desparecido. Mas depois tive que aceitar a realidade”, disse o homem de 28 anos à CNN tendo optado por não se identificar com receio de represálias por parte do Governo. O dinheiro investido incluiu as economias dos seus pais e pessoais que tinha juntado para comprar um apartamento para si e para a sua
Já fecharam no continente mais de 4400 empresas que se dedicavam aos empréstimos P2P, desde 2012 “[As empresas P2P] tornaram-se “um íman para a fraude e a criminalidade o que é expectável quando se opera fora do mercado e sem controle oficial.” BROCK SILVERS DIRECTOR DA KAIYUAN CAPITAL
grande plano 3
terça-feira 14.8.2018
“As autoridades estão agora mais preocupadas em reprimir o sector porque perceberam que está a ficar completamente fora de controlo” disse à CNN Andrew Collier, director da empresa de pesquisa financeira Orient Capital, em Hong Kong.
APOIOS SUSPEITOS
companheira que estava grávida. Com as poupanças perdidas, o homem agora teme que a família saiba do sucedido. “Os meus pais suicidam-se se souberem por isso, para já, só eu e a minha mulher sabemos o que aconteceu”, referiu. A Tourongjia.com está agora sob investigação por parte das autoridades. De acordo com um anúncio publicado no site da própria companhia, o presidente desapareceu. Neste momento, estão detidos 13 suspeitos e nenhum contacto da empresa se encontra a funcionar. No entanto, a publicação da Tourongjia.com não adianta qualquer informação no que res-
peita à devolução do dinheiro aos seus investidores.
CRÉDITO ALTERNATIVO
Sites como Tourongjia, conhecidos como prestadores de empréstimo P2P, são concebidos para ser uma fonte alternativa de crédito. Na China começaram a ser utilizados, essencialmente, por pequenas e médias empresas que necessitavam de dinheiro. Este segmento da economia atravessava dificuldades para se financiar através do sistema bancário oficial que, tradicionalmente, favorece empresas estatais e outras grandes companhias com ligações políticas privilegiadas, refere a CNN. Num momento inicial, as plataformas P2P, foram incentivadas
pelo próprio Governo, no entanto, e com o seu desenvolvimento, tornaram-se “um íman para a fraude e a criminalidade o que é expectável quando se opera fora do mercado e sem controle oficial”, descodifica o director da consultora de Xangai Kaiyuan Capital, Brock Silvers à CNN. Com a emergência dos problemas relacionados com os empréstimos P2P, o Governo chinês iniciou um processo de “limpeza” do sector através da implementação de regulamentações rígidas que integram um leque de restrições mais amplas que estão a ser aplicadas ao sector financeiro. De acordo com uma empesa especialista em monitorizar o sector P2P, a Wangdaizhijia, o número de prestadores de serviços desceu de 218 para 28 entre entre Maio e Julho deste ano.
De acordo com o lesado que falou à CNN, o investimento na Tourongjia tinha tudo para parecer uma aposta segura até porque se tratava de uma companhia com apoio do Governo. Por outro lado, têm sido muitas as notícias entre os meios de comunicação social do continente que mencionam reuniões entre os corpos executivos da empresa em causa e funcionários do Governo local de Hangzhou, onde a Tourongjia estava sediada. Em imagens divulgadas pela mesma fonte pode-se observar as autoridades em visita aos escritórios da Tourongjia e a participarem em jantares promovidos pela mesma. O Governo de Hangzhou não deu qualquer resposta à CNN quando lhe foi pedido um comentário acerca da situação. Após o colapso da Tourongjia, ainda não se vislumbrou qualquer sinal de que os lesados possam reaver o seu investimento ou que possam ser compensados por terem sido vítimas de fraude. “Na China, a lei apenas protege um pequeno grupo de pessoas - não nós, as massas”, disse o gerente de projectos de construção à CNN. O lesado juntou-se a outras vítima com investimentos perdidos na mesma empresa e fizeram queixa às autoridades nacionais, “mas
com pouco sucesso”, cita a mesma fonte. O banco central da China também se tem mantido em silêncio a este respeito, apesar de ter criticado publicamente “os maus credores” e instado os departamentos governamentais a melhorar a “racionalidade dos investidores em investimentos, empréstimos de alto risco”.
PROTESTO FALHADO
Sem nada a perder, as vítimas organizaram uma manifestação em Pequim que, como não é habitual, foi completamente impedida pela polícia mesmo antes de começar. A manifestação que iria decorrer em frente às instalações do Regulador Bancário Nacional foram acertadas via WeChat, que é monitorizada em tempo real pelo Governo Central, apesar deste o negar. No entanto, nas imagens divulgadas, encontra-se um homem à porta de casa, pronto para sair rumo ao protesto e com a polícia à porta à sua espera a impedi-lo de deixar a sua casa. “Tudo aponta que o Governo soubesse destes protestos com antecedência e a resposta policial assim o confirma”, sublinha a CNN. Entretanto, quem ficou sem dinheiro considera que já perdeu tudo e que mesmo sob ameaça de prisão caso continuem a insistir nos protestos, não há motivos para rendição. Um vendedor de produtos de saúde, de 36 anos, afirmou ter perdido cerca de 1,4 milhão de yuan também com Tourongjia e reitera que os protesto vão continuar. “Precisamos lutar pelos nossos direitos", disse. "A minha vida está arruinada. Agora, sou como um refugiado financeiro”, rematou. Sofia Margarida Mota (com agências) Sofia.mota@hojemacau.com.mo
“Os meus pais
suicidam-se se
souberem, para já, só eu e a minha mulher sabemos o que aconteceu.” LESADO
4 política
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Questões básicas
é aperfeiçoar a comissão eleitoral para que melhor corresponda à Lei Básica. Dizer que as eleições foram ilegais não tem lógica”, apontou a secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan.
A questão foi levantada pelo deputado Sulu Sou: a inexistência de órgãos municipais sem poder político pode ter originado inconstitucionalidades nas últimas três eleições para Chefe do Executivo. A razão prende-se com a falta de membros na Comissão Eleitoral ligados a este órgão. Governo e alguns colegas de bancada afastaram esta possibilidade
SEGUE HONG KONG?
A
criação do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) vai obrigar à alteração da lei eleitoral para a eleição do Chefe do Executivo, para que se possam incluir os dois membros do conselho de administração do IAM. A alteração ao diploma foi ontem aprovada na generalidade, apesar dos quatro votos contra do campo pró-democrata, onde se incluem os deputados Sulu Sou, Ng Kuok Cheong, Au Kam San e José Pereira Coutinho. Um dos argumentos utilizados por Sulu Sou para votar contra foi o facto de, desde 2001, não ter existido um órgão municipal sem poder político (o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais não tinha esse estatuto), o que, na prática, significava que faltavam dois membros desta entidade na Comissão Eleitoral que elege o Chefe do Executivo. Por essa razão, Sulu Sou questionou a possibilidade das últimas três eleições, que elegeram Edmund Ho e Chui Sai On, terem sido inconstitucionais. “A lei eleitoral foi revista mas faltaram sempre os membros dos órgãos municipais sem poder político. Existem ou não vícios? Nesses três mandatos, o Chefe do Executivo foi eleito não tendo sido cumprida a Lei Básica”, referiu. Os pró-democratas lembraram também que os
TIAGO ALCÂNTARA
CHEFE DO EXECUTIVO PRÓ-DEMOCRATAS QUESTIONAM LEGALIDADE DAS ÚLTIMAS ELEIÇÕES
membros do IAM serão nomeados pelo próprio Chefe do Executivo, participando depois no colégio que o vai eleger. Na visão de Sulu Sou, “o IAM tem de ter uma participação cívica e não deve ser apenas uma entidade incumbida pelo Governo”. As próximas eleições para Chefe do Executivo acontecem já no próximo ano e, para Sulu Sou, “alguns residentes já têm preocupações sobre o alegado ambiente de corrupção das próximas eleições”. Isto porque “no seio de 400 membros é mais fácil esconder determinados interesses. Não falamos apenas de ofe-
“Há um problema, pois houve falhas na eleição do Chefe do Executivo e agora os dois membros do IAM visam colmatar as lacunas, mas estes não são eleitos pela população.” AU KAM SAN DEPUTADO recer um pequeno-almoço como no sufrágio directo, mas podemos falar da oferta de um terreno”. Para Au Kam San, “os quatro sectores profissionais da comissão eleitoral tiveram falta de representantes e, em termos constitucionais, há falhas”. O deputado entende que estamos perante “um problema, pois houve falhas na eleição do Chefe
Gabinete de Ligação Pequim valoriza comunidade macaense O subdirector do Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau, Zhang Rongshun, afirmou que, desde a transferência do exercício de soberania, Pequim tem tratado a comunidade macaense como parte da China, de acordo com o jornal Ou Mun. Zhang Rongshun, que falava na terça-feira passada durante uma visita
à Obra das Mães, sublinhou que espera que o território seja aproveitado como plataforma para a cooperação comercial entre a China e os países de língua portuguesa, utilizando as suas vantagens linguísticas e culturais de modo a obter melhores resultados nomeadamente no âmbito da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”.
do Executivo e agora os dois membros do IAM visam colmatar as lacunas, mas estes não são eleitos pela população”, frisou. Agnes Lam foi a única deputada a apontar que Sulu Sou e Au Kam San tinham ido longe demais. “O nosso sistema tem as suas falhas e há falta de democracia e abertura. Espero que o Governo possa, no âmbito do IAM,
reforçar o teor democrático. Mas dizer que as últimas eleições foram ilegais, penso que é uma afirmação muito gravosa e que ultrapassa a nossa competência.” No campo político, a deputada frisou que “estamos a ser influenciados por aquilo que se passa em Hong Kong e o Governo deve saber quais são as opiniões da nossa sociedade”. Os membros do Governo presentes na sessão plenária rejeitaram as acusações. “Esta lei (da eleição do Chefe do Executivo) contou com a maioria dos votos a favor dos deputados. A criação do IAM foi feita de acordo com a Lei Básica, e a ideia
Esta questão voltou a suscitar debate sobre a eleição do Chefe do Executivo pela via do sufrágio universal, razão pela qual Sulu Sou foi acusado por vários deputados nomeados de se desviar do tema da proposta de lei. Chan Wa Keong chegou mesmo a questionar se Sulu Sou pretende seguir o movimento pró-democracia que existe em Hong Kong. “Não podemos impedir que um deputado intervenha, mas não se afaste do tema de discussão. Se o poder de intervenção não é bem exercido então passa a ser um abuso. Não sei se é pelo caminho de Hong Kong que quer enveredar”, interrogou o deputado nomeado pelo Chefe do Executivo à beira de perder a paciência. Já Ma Chi Seng, também nomeado, defendeu que “o avanço democrático em Macau deve ser feito passo a passo”, mas que é algo que “não está previsto nesta proposta de lei”. Iau Teng Pio, deputado nomeado e professor de Direito na Universidade de Macau, lembrou que para se aferir “se a eleição do Chefe do Executivo é ou não democrática, temos de olhar para as normas da Lei Básica”. “Não são as eleições que vão trazer repercussões para a nossa estabilidade política. Há três forças, como o Governo Central, a AL, o Governo da RAEM e a população, e não podemos descurar nenhuma destas vertentes. Estes princípios ainda estão actualizados.” Já Sónia Chan garantiu que apenas o Executivo “vai continuar a desenvolver os regimes eleitorais”. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
Grande Baía Chui Sai On hoje em Pequim para primeira cimeira de líderes O Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, parte hoje para Pequim para a 1.ª reunião plenária do Grupo de Líderes para o Desenvolvimento da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, constituído pelo Governo Central.
A chefe de gabinete do Chefe do Executivo, O Lam, acompanha o líder do Governo na deslocação à capital chinesa, que termina sexta-feira, de acordo com um comunicado divulgado pelo gabinete do porta-voz.
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terça-feira 14.8.2018
AL SULU SOU DIZ QUE DEPUTADOS NOMEADOS SÃO “SEQUELA NOCIVA” DA ADMINISTRAÇÃO PORTUGUESA
ridos. Cidadãos, que tal adivinharmos quantas interpelações foram apresentadas pelos sete deputados nomeados na passada legislatura? A resposta é três interpelações e meia, por uma delas foi apresentada em conjunto com um deputado eleito pela via indirecta.”
Sulu Sou exigiu ontem no hemiciclo o fim do sistema de nomeação de deputados pelo Chefe do Executivo, por considerar que é uma consequência “nociva” do período pré-1999 e que faz com que o hemiciclo continue a ser uma “Assembleia do lixo”. Os deputados Song Pek Kei e Vong Hin Fai protestaram e a intervenção será analisada pela Comissão de Regimento e Mandatos
COMISSÃO ANALISA
Os homens do chefe
SOFIA MARGARIDA MOTA
A
intervenção de ontem de Sulu Sou na Assembleia Legislativa (AL) voltou a gerar reacções negativas por parte dos seus colegas de bancada. Sulu Sou, ligado à Associação Novo Macau e ao movimento pró-democrata, pediu o fim do sistema de nomeação de sete deputados por parte do Chefe do Executivo e apontou o dedo à Administração portuguesa. “A Administração portuguesa excluiu a participação política dos chineses, e só os de nacionalidade portuguesa e os que sabiam ler e escrever é que tinham direito ao voto. Os chineses só começaram a participar no sufrágio directo após a dissolução da AL pelo governador, em 1984.” Por este motivo, “a Administração portuguesa deixou alguns sistemas políticos ‘nocivos’ e injustos”, pois “um dos meios para evitar que a comunidade chinesa fiscalizasse e controlasse o Governo colonial era o regime de nomeação dos deputados à AL pelo Governador, protegendo assim os interesses instalados da metrópole”.
Depois destas acusações, o deputado nomeado Vong Hin Fai decidiu intervir, invocando o Regimento da AL em sinal de protesto pelo vocabulário utilizado, pois defendeu que alguns termos são “discriminatórios”. “Isso cria uma má imagem para a AL. Os deputados devem respeitar a AL e contribuir com todos os esforços para o seu bom nome. Aproveito para protestar e evocar aqui reclamação e protesto, exigindo resposta ou justificação a estas afirmações.” Perante esta intervenção, o presidente da AL, Ho Iat Seng, garantiu que a intervenção de Sulu Sou será analisada pela Comissão de Regimento e Mandatos, da qual faz parte o deputado Vong Hin Fai. Outra deputada que repudiou estas afirmações do deputado pró-democrata foi Song Pek Kei, apesar de ter sido eleita por sufrágio directo. “Lamento imenso que alguns colegas, mais do que uma vez, tenham vindo ultrajar o nosso Regimento. Quando não é do seu agrado dizem logo que é um Regimento de lixo. Devemos defender a dignidade e autoridade da AL. Há pouco, um deputado sugeriu a eliminação do regime de nomeação por parte do Governo, mas devo afirmar que esta afirmação não se coaduna com o que está consagrado na Lei Básica.”
FUI ATACADO
Para Sulu Sou, “a injustiça destas sequelas da colonização persiste”, uma vez que “o resíduo da nomeação mantém-se até hoje, passando a proteger os interesses instalados do Governo”. “Por um lado aplicam-se os princípios ‘Um País, Dois Sistemas’ e de Macau governada pelas suas gentes com alto grau de autonomia. Mas, por outro lado, há a nomeação pelo Chefe do Executivo, isto é, uma só pessoa na posse de sete boletins de voto. Isto sim é a maior ofensa à democracia”, acrescentou. O deputado é da opinião de que se a AL continua a ser considerada “lixo” por muitos residentes, isso deve-se ao legado político que os
“A Administração portuguesa excluiu a participação política dos chineses, e só os de nacionalidade portuguesa e os que sabiam ler e escrever é que tinham direito ao voto. Os chineses só começaram a participar no sufrágio directo após a dissolução da AL pelo governador, em 1984.” SULU SOU DEPUTADO portugueses deixaram. “Não há necessidade de manter o regime de nomeação, uma relíquia da colonização que contribui para a AL continuar a ser, nas palavras dos cidadãos, a ‘Assembleia do lixo’ e se transformar numa ‘chancela de borracha’.”
Sulu Sou referiu também que, na última legislatura, os deputados nomeados apresentaram pouco mais de três interpelações questionando o Executivo. “Não há dúvidas de que o regime de nomeação contribui para salvaguardar os interesses adqui-
Após ter exigido o fim dos deputados nomeados, Sulu Sou acusou os seus colegas de o terem atacado no plenário que aprovou, na especialidade, a lei que cria o Instituto para os Assuntos Municipais. “No último plenário, os deputados nomeados atacaram um deputado eleito pelos cidadãos, uma situação que foi bastante ridícula. O público compreende que se trata apenas de uma vingança por parte dos titulares dos interesses adquiridos sob este regime político, que visou reprimir as vozes com poder delegado pela população, impedindo-as de continuar a criticar e a promover as acções governativas.” “Apesar disso, compreendo completamente que tenham a responsabilidade de ‘cumprir as suas funções’ perante quem os nomeou e em frente às câmaras”, rematou Sulu Sou. Andreia Sofia Silva
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14.8.2018 terça-feira
CASINOS INTERDIÇÃO DEVERÁ ABRANGER CONTRATADOS POR ‘JUNKETS’
Trancas à porta
O Governo pondera incluir os trabalhadores contratados pelos promotores de jogo no âmbito da interdição de entrada dos casinos fora do horário de serviço
sempre trabalham nos casinos. Há sempre uma certa mobilidade”, pelo que “nem sempre têm contacto frequente com as mesas de jogo”, reiterou Ho Ion Sang, apontando que o Executivo também reconheceu que existem “problemas” em estender-lhes a proibição de entrada nos casinos. “Claro que, no fim, depois do termo desta discussão, temos de ver qual a solução final que o Governo vai adoptar”, sublinhou o presidente da 1.ª comissão permanente da AL.
CAUSAS LEGÍTIMAS
Q
UEM trabalha ao serviço dos promotores de jogo (“junkets”) na área da limpeza ou da restauração, por exemplo, pode vir a ser abrangido pela interdição de entrada nos casinos fora do horário de trabalho. A possibilidade foi transmitida pelo Governo à 1.ª comissão permanente da Assembleia Legislativa (AL), que analisa, em sede de especialidade, a proposta de alteração à lei do condicionamento da entrada, do trabalho e do jogo nos casinos. “O Governo vai pensar em incluir os trabalhadores de promotores de jogo no âmbito da interdição de entrada nos casinos”, afirmou
ontem o presidente da 1.ª comissão permanente da AL, Ho Ion Sang, dando conta de que o Executivo “entrou em contacto” com associações de promotores do jogo e com ‘junkets’ que têm funcionários. “Essa troca de opiniões surtiu efeito positivo e o Governo disse que vai levar em plena consideração
Análise da proposta de alteração à lei do condicionamento da entrada, do trabalho e do jogo nos casinos prossegue hoje
a inclusão dos trabalhadores dos mediadores no âmbito de interdição nos casinos”, explicou. Os trabalhadores contratados por promotores de jogo têm “um vínculo mais ou menos seguro/ estável”, enfatizou o presidente da 1.ª comissão permanente da AL, fazendo o contraponto com os funcionários da área da segurança ou limpeza contratados por empresas adjudicatárias, ou seja, que não trabalham directamente para as concessionárias/subconcessionárias de jogo, que vão ficar de fora do âmbito de interdição de entrada nos casinos. “Esses trabalhadores da área da limpeza ou da segurança [de empresas adjudicatárias] nem
À luz do diploma, há três cenários em que a interdição de entrada nos casinos não se aplica: quando os trabalhadores se encontram em exercício de funções, nos primeiros três dias do Ano Novo Lunar ou quando haja causa legítima. Durante a reunião de ontem, os deputados abordaram com membros do Governo precisamente as situações que caem na esfera de “causa legítima”. Além da entrada nos casinos para “formação e investigação académica”, a proposta de lei prevê que a interdição de entrada seja levantada quando haja “outras causas justificativas, autorizadas pelo director da Inspecção e Coordenação de Jogos [DICJ], inerentes ao trabalho ou a actividades associativas”. Segundo Ho Ion Sang, a DICJ deixou a promessa de que irá “assumir uma atitude séria na emissão de autorização”. O elenco dos que podem entrar nos casinos em exercício de funções públicas também foi debatido. Segundo o presidente da 1.ª comissão permanente da AL, o leque vai passar a incluir os agentes dos Serviços de Saúde que têm a tarefa de controlar o tabagismo, funcionários do futuro Instituto dos Assuntos Municipais e da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais. Os agentes da Polícia Judiciária também vão ser incluídos, substituindo-se a expressão mais abrangente actual que é forças e serviços de segurança. Diana do Mar
dianadomar@hojemacau.com.mo
ESTUDO DE POLÍTICAS AGNES LAM QUER EXPLICAÇÕES CONCRETAS
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UM contexto de controlo do pessoal contratado e simplificação administrativa, o Governo anunciou a criação da Direcção dos Serviços de Estudo de Políticas e Desenvolvimento Regional (DSEPDR), que resulta da fusão entre o Gabinete de Estudo das Políticas e o Grupo de Trabalho de Assuntos do Interior da China. Contudo, Agnes Lam considera que estas mudanças são contrárias ao princípio da governação e exige explicações por parte do Governo. De acordo com um artigo publicado no Jornal do Cidadão, a deputada questiona o motivo da direcção passar a ter um total de 120 profissionais, querendo entender as justificações do Executivo. Agnes Lam quer explicações bem claras sobre os planos concretos para a DSEPDR e pergunta porque é que foram contratadas mais pessoas, ao invés de se promover a transferência de outros serviços. Ainda em relação à simplificação administrativa prometida pelo Governo de Chui Sai On, a legisladora pretende apurar quais as competências específicas que exigem à criação de um novo serviço e se não era possível que o trabalho fosse feito por outros departamentos. Outra das questões da deputada prende-se com o nível de autonomia da DSEPDR e com as dúvidas se esta autonomia não será limitada pelo facto dos trabalhos envolverem outros serviços, com direcções diferentes.
LEI DO HINO SECRETÁRIA REFERE PAPEL DOS MEDIA E GARANTE LIBERDADE DE IMPRENSA
O
S deputados da Assembleia Legislativa (AL) aprovaram ontem na generalidade a proposta de lei relativa à “utilização e protecção da bandeira emblema e hino nacionais”, que foi implementada em 1999. Os deputados Ng Kuok Cheong e Au Kam San votaram contra, enquanto José Pereira Coutinho decidiu abster-se.
O diploma, que será agora analisado pelos deputados em sede de especialidade, prevê um maior reforço do ensino do hino nas escolas. Nesse aspecto, a secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, frisou o papel que os órgãos de comunicação social vão ter no processo de promoção do hino. “Pedimos para promoverem alguns
filmes para educar a nossa população. Temos tido uma boa relação com os media, na divulgação jurídica, por exemplo. Promover a lei do hino nacional não é de modo algum restringir a liberdade dos media. Só se houver desrespeito é que vamos aplicar sanções.” Sónia Chan quis deixar claro que a lei em Macau não
é igual à lei do hino que vigora no continente e que as sanções a aplicar estão devidamente clarificadas na proposta de lei. “Naturalmente, que não podemos transpor tudo o que está na lei do hino nacional”, disse, referindo que não se registaram muitos casos de violações à lei em vigor. Sónia Chan chegou mesmo a exemplificar na sessão
plenária como as pessoas se devem comportar em locais públicos, chegando mesmo a levantar-se da cadeira. “Estamos a pedir para as pessoas ficarem de pé, é simples, e os
participantes também podem cantar o hino. Depende da entidade que organiza. Sabemos que é impossível que todos num autocarro tenham de parar e ficar de pé. Só em locais públicos e próprios. As pessoas devem permanecer de pé e comportar-se com postura. A entidade organizadora também pode chamar a atenção a essas pessoas.” A.S.S.
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terça-feira 14.8.2018
PME Novos empréstimos caíram mais de 16 por cento
COMÉRCIO IMPORTAÇÕES DE PORTUGAL CRESCEM NO PRIMEIRO SEMESTRE ACAU importou de Portugal, no primeiro semestre de 2018, produtos avaliados em 14,4 milhões de euros, mais 29 por cento comparativamente a igual período de 2017, informou ontem a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP).Ainformação da delegação de Macau daAICEP baseia-se no último balanço realizado pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos de Macau, a 31 de Julho. O sector alimentar, que continua a representar metade do total de mercadorias que Macau compra a Portugal, registou um aumento de 15 por cento no período em análise, com destaque para o vinho (mais 24 por cento), carnes de animais da espécie suína, frescas, refrigeradas ou congeladas (mais 43 por cento), o azeite (mais 16 por cento) e as águas (mais 13 por cento). No sector das bebidas observou-se "um incremento de 21 por cento no primeiro semestre de 2018, directamente relacionado com o aumento da compra de vinho a Portugal", refere o comunicado da delegação de Macau da AICEP. O sector do azeite tem evidenciado um crescimento elevado, com Portugal a assumir-se como principal fornecedor deste produto à RAEM. No primeiro semestre de 2018, a compra de azeite a Portugal cresceu 16 por cento relativamente ao ano anterior, segundo a mesma nota. Destaca-se igualmente a importação de vestuário português, quel cresceu 494 por cento. As máquinas e equipamentos constituem o terceiro grupo de produtos mais importado por Macau a Portugal (14 por cento do total), registando um aumento de 4 por cento (especialmente os transformadores eléctricos), seguido dos produtos farmacêuticos (8 por cento do total), que registaram "um desempenho excepcional" com uma taxa de crescimento de 186 por cento no primeiro semestre de 2018.
dos empréstimos concedidos às PME era de 81,9 mil milhões de patacas no final de Junho, mais 12,6 por cento face a igual período do ano passado. Já o balanço relativo aos empréstimos em dívida não pagas pelas PME aumentaram 12,5 por cento em termos anuais para 578,5 milhões no final de Junho.
ONU DSAL SÓ TEVE UMA QUEIXA DE DISCRIMINAÇÃO RACIAL ENTRE 2012 E 2015
Um caso isolado
Na reunião da Comissão das Nações Unidas para a Eliminação da Discriminação Racial, o Executivo foi aconselhado a intensificar a promoção dos mecanismos de denúncia. Liu Dexue elogiou a sociedade de Macau e falou do contexto histórico de aceitação cultural
E
NTRE 2012 e 2015, a Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) apenas recebeu uma queixa sobre discriminação racial. Um registo irrisório, apenas suplantado pela justiça, uma vez que nos tribunais
não corre nenhum processo quanto a esta matéria. Os números foram avançados pelo Governo de Macau à Comissão das Nações Unidas para a Eliminação da Discriminação Racial, durante o encontro em que foi avaliada a situação na China. Contudo, os números fornecidos pela comissão local liderada por Liu Dexue, director da Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça (DSAJ), fizeram Alexei Avtonomov, membro do órgão das Nações Unidas, sublinhar a necessidade de aumentar o nível de informação para os mecanismos de denúncia junto dos trabalhadores não-residentes. “Em relação a Macau, noto que em 2013 os Serviços de Assuntos de Justiça organizaram encontros com trabalhadores não-residentes sobre discriminação e também sobre tráfico humano. Noto também que apesar da DSAL poder aceitar queixas sobre discriminação, que entre 2012 e 2015 só foi recebida uma única queixa”, começou por dizer Alexei Avtonomov. “Não quero dizer que tenham de trabalhar e ir à procura activamente de queixas, mas deviam fornecer mais informações às pessoas, para que saibam como lidar com situações de discriminação com base na raça, local de origem ou etnia”, aconselhou o russo.
Avtonomov considerou mesmo normal que por vezes haja, principalmente no sector privado, casos de discriminação: “Não digo que haja discriminação em Macau, mas poderá haver uns certos preconceitos, principalmente no sector privado”, apontou. Sobre este aspecto, Liu Dexue sublinhou a diversidade cultural e histórica do território, que faz com que TIAGO ALCÂNTARA
M
O novo limite de crédito aprovado às pequenas e médias empresas (PME) pelos bancos de Macau foi de 10,6 mil milhões de patacas no primeiro semestre, traduzindo uma diminuição de 16,1 por cento em termos anuais homólogos. De acordo com dados divulgados ontem pela Autoridade Monetária, o balanço utilizado do total
haja uma “aceitação enraizada entre a comunidade” das diferentes culturas e etnias.
CCAC INDEPENDENTE
Devido a constrangimentos de tempo, as intervenções de Liu Dexue foram curtas, mas também pelo facto do Governo Central ser o principal foco da reunião. Mesmo assim, o representante local teve
Liu Dexue sublinhou a diversidade cultural e histórica do território, que faz com que haja uma “aceitação enraizada entre a comunidade” das diferentes culturas e etnias tempo para frisar que o Comissariado contra a Corrupção (CCAC) funciona de forma independente do Chefe do Executivo. “O CCAC actua com total autonomia e independência, para promover as liberdades e salvaguardar a liberdade individual, assim como um bom desempenho público”, garantiu Liu Dexue. “O coordenador é nomeado pelo Chefe do Executivo, enquanto líder máximo do Governo, e de acordo com a Lei Básica. Mas depois não há qualquer ligação com o poder Executivo. O CCAC desempenha as funções de forma independente e sem qualquer ligação ou limitação”, acrescentou. Na sessão houve ainda tempo para elogios à implementação por parte de Macau da convenção sobre os refugiados, endereçados por Rita Izsák-Ndiaye, da Hungria. Os elogios a Macau contrastaram com as situações relatadas acerca de Hong Kong e do Interior da China. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
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14.8.2018 terça-feira
Efeito borboleta
Rádio-táxis Anunciado concurso público para concessão de 200 licenças
Concessionários explicam mau aproveitamento do Vale das Borboletas
U
M grupo de concessionários de terrenos situados no Vale das Borboletas veio a público esclarecer as razões do atraso dos projectos de desenvolvimento previstos para aquela área. A clarificação foi feita em resposta a “comentários” que deixaram os responsaveis pelos terrenos insatisfeitos. Em causa estão as declarações do presidente da Associação da Sinergia de Macau, Lam U Tou, que alegou na passada quinta-feira que os concessionários não fizeram nada para o desenvolvimento industrial, inicialmente previsto para aqueles terrenos. Lam U Tou referiu ao Jornal do Cidadão que existem casos, como o do Vale das Borboletas e das zonas C e D do Largo de Nam Van, que apesar de terem um plano de desenvolvimento específico, estão com projectos que
não se adequam para o fim estabelecido. Aquela área estaria destinada, inicialmente, para fins industriais, finalidade que foi alterada para fins residenciais. Para Lam U Tou, esta alteração não se justifica e terá sido feita apenas porque estavam implicados interesses económicos. Para o responsável da Associação da Sinergia de Macau a finalidade dos terrenos não deveria ter sido alterada porque nunca se tentou fazer nada no sentido de respeitar a finalidade industrial.
CULPA DO GOVERNO
O grupo de concessionários responsável pelos terrenos sitos no Vale das Borboletas publicou no Jornal Ou Mun um anúncio, que acusa Lam U Tou de prestar declarações falsas. Os concessionários argumentam que quando o Vale das Borboletas foi concedido, nos anos 80, pelo Governo português, aquelas
terras se encontravam numa situação em que era dificil trabalhar nelas. De acordo com o anúncio publicado, os solos foram descitos como terras rochosas e de dificil acesso, “quer a pé, quer de carro”. “Com estas condições não era possível desenvolver qualquer indústria na zona e os terrenos não foram utilizados de imediato por necessitarem de ser nivelados”, justificam os concessionários. No anúncio é acrescentado que em 1993 a finalidade dos terrenos foi alterada para residencial depois de o Governo se ter depararado com dificuldades na construção de infra-estruturas básicas. Além disso, os concessionários acusam os serviços do Governo de lentidão quanto aos processos de execução de obras para justificar o não aproveitamento em tempo útil das terras.
Um despacho do Chefe do Executivo, publicado ontem em Boletim Oficial, autoriza o lançamento de um concurso público para a concessão de até 200 licenças especiais de táxis. A concessão das licenças especiais, para viaturas que respondem exclusivamente a pedidos por telefone e pela Internet, tem a validade de oito anos. O despacho, que entra hoje em vigor, não refere quando vai ser efectivamente aberto o concurso. O último concurso para o serviço de rádio-táxis, em que foram atribuídas 100 licenças, realizado em Outubro de 2015, foi ganho pela Companhia de Serviços de Rádio Táxi Macau S.A.
PUB
MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 533/AI/2018 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora ZHANG LANXIANG, portadora do Salvo-conduto de Residente da China Continental para Deslocação a Taiwan n.° L00050xxx e portadora do Passaporte da RPC n.° E13597xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 155/DI-AI/2017, levantado pela DST a 14.06.2017, e por despacho da Directora dos Serviços de Turismo de 24.05.2018, exarado no Relatório n.° 332/ DI/2018, de 03.05.2018, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Alameda Dr. Carlos D’Assumpção n.° 636, Edf. King Xiu Garden, 8.° andar G.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010.---------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 25 de Julho de 2018. O Director dos Serviços, Subst.°, Cheng Wai Tong
MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 541/AI/2018 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora LI HONGMEI, portadora do Passaporte da RPC n.° E70433xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 165.1/DI-AI/2017, levantado pela DST a 22.06.2017, e por despacho do signatário de 30.05.2018, exarado no Relatório n.° 360/ DI/2018, de 15.05.2018, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Rua Cidade de Coimbra n.° 342, Edf. Kam Yuen, 4.° andar G.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010.---------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 25 de Julho de 2018. O Director dos Serviços, Subst.°, Cheng Wai Tong
MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 543/AI/2018
MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 545/AI/2018
-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora LAN LAN, portadora do Passaporte da RPC n.° G26572xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 132.1/DI-AI/2016, levantado pela DST a 02.11.2016, e por despacho da Directora dos Serviços de Turismo de 23.03.2018, exarado no Relatório n.° 205/DI/2018, de 05.03.2018, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Rua Cidade do Porto n.° 415, Jardim Brilhantismo 4.° andar AG, Macau.----------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010.---------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor TRAN VINH TUONG, portador do Passaporte da Vietnam n.° B7047xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 63/DI-AI/2017 levantado pela DST a 17.03.2017, e por despacho do signatário de 01.08.2018, exarado no Relatório n.° 507/DI/2018, de 26.07.2018, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua do Terminal Marítimo n.os 93-103, Edf. Centro Internacional de Macau, Bloco 4, 5.° andar D onde se prestava alojamento ilegal.-----O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.------------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode o infractor, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.----------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.------------------------------------
-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 25 de Julho de 2018. O Director dos Serviços, Subst.°, Cheng Wai Tong
-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 1 de Agosto de 2018. O Director dos Serviços, Subst.°, Cheng Wai Tong
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terça-feira 14.8.2018
ALIBABA MAIS DE 273 MILHÕES PARA CENTRO DE COMPUTAÇÃO EM NUVEM E PLATAFORMA DE MEGA-DADOS
O cúmulo da inteligência É o primeiro passo concreto para a desejada cidade inteligente. O projecto de design do Centro de Computação em Nuvem e Plataforma de Mega-Dados, adjudicado à Alibaba Cloud, vai custar 273,4 milhões de patacas
O
PASSO POSTERIOR
design do Centro de Computação em Nuvem e Plataforma de Mega-Dados, inserido na ambição de Macau de criar uma cidade inteligente, vai custar aos cofres públicos 273,4 milhões de patacas. O valor do projecto, adjudicado à Alibaba Cloud, sociedade filiada do gigante chinês, diz respeito a dois anos. A primeira “tranche”, de 100 milhões, reporta-se a 2018; enquanto a segunda, no valor de 173,4 milhões, vai ser paga em 2019. Os dados relativos ao projecto, adjudicado pelos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP), constam das informações relativas aos encargos plurianuais,
autorizados pelo Chefe do Executivo em Junho. A lista foi publicada na sexta-feira pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF) em Boletim Oficial, como obriga, aliás, a legislação complementar à Lei do Enquadramento Orçamental. O projecto, integrado no Plano de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração (PIDDA), surge no âmbito dos planos do Governo de transformar Macau numa cidade inteligente. Essa ideia começou a materializar-
-se há sensivelmente um ano com a assinatura de um acordo-quadro de cooperação com a Alibaba Cloud, estabelecida em 2009, que
O Centro de Computação em Nuvem e Plataforma de Mega‑Dados deve ser criado até Junho de 2019
CRIPTOMOEDA FRAUDE NO VALOR 21 MILHÕES DE EUROS TERÁ PASSADO POR MACAU
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MA alegada fraude com moedas virtuais no valor de 21 milhões de euros terá passado por um casino em Macau, através de um esquema montado por uma rede criminosa tailandesa, noticiou ontem o jornal Bangkok Post. O grupo criminoso terá convencido as vítimas a comprarem acções das empresas Expay Group, NX Chain Inc e DNA 2002 Plc com as moedas virtuais bitcoin e Dragon Coins, afirmando que esta última poderia ser usada para investir num casino em Macau. De acordo com o Bangkok Post, de forma a credibilizar o alegado esquema, o grupo tailandês
de servidores remotos alojados na internet para armazenar, gerir e processar dados em vez dos servidores locais ou de computadores pessoais) e de um plataforma de mega-dados. À luz dos planos, o acordo também contempla o início gradual de projectos de utilização dos mesmos em seis domínios. A saber: promoção do turismo, formação de talentos, gestão do trânsito, serviços de assistência médica, gestão integrada urbana e prestação de serviços urbanos integrados e tecnologia financeira.
organizou mesmo uma visita a um casino em Macau para convencer as vítimas de que as Dragon Coins poderiam ser usadas para assegurar o investimento. O jornal não especificou qual seria o casino, nem o montante envolvido. Aarni Otava Saarimaa, milionário filandês de 22 anos que fez muita da sua fortuna através de investimentos em moedas virtuais, e o seu parceiro de negócios, Chonnikan Kaeosali, estão entre as vítimas deste alegado esquema. A fraude terá acontecido em 2017, tendo já levado à detenção, na semana passada, do conhecido actor tailandês
Jiratpisit Jaravijit, de 27 anos, presumivelmente um dos orquestradores do crime. As autoridades de Macau alertaram, na semana passada, contra o uso das moedas
figura como “a maior fornecedora de serviços em nuvem na China” e assume “uma posição de liderança em termos internacionais”, prestando serviços, a governos e empresas, “espalhados por mais de 200 países e regiões”. Ao abrigo do acordo-quadro, essa cooperação divide-se em duas fases e vai desenrolar-se ao longo de quatro anos. A primeira – até Junho de 2019 – prevê precisamente a criação de um centro de computação em nuvem (conjunto
virtuais, ilegais no território, depois de um alegado caso de fraude no valor de 2,2 milhões de euros noticiado pelos órgãos de comunicação locais. De acordo com os jornais locais, cerca de 70 pessoas no território foram alegadamente lesadas ao comprarem este tipo de moedas. A conselheira das comunidades portuguesas Rita Santos terá sido uma das burladas. Na mesma nota, a Autoridade Monetária de Macau lembrou que já tinha notificado no passado todos os bancos e instituições de pagamentos locais para que não se envolvessem neste tipo de serviços financeiros, já que isso “pode constituir uma eventual violação das disposições do Regime Jurídico do Sistema Financeiro”.
A segunda etapa – de Julho de 2019 a Junho de 2021 – compreende o aperfeiçoamento do centro de computação em nuvem e da plataforma de mega-dados, abrangendo outras áreas como protecção ambiental, passagem fronteiriça e previsões económicas. A assinatura do acordo foi testemunhada pelo chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, e pelo presidente do grupo Alibaba, Jack Ma, nomeado, em Junho de 2016, consultor dos Conselhos para o Desenvolvimento Económico e de Ciência e Tecnologia de Macau. Aquando do acordo-quadro com a Alibaba Cloud, a chefe do gabinete do Chefe do Executivo, O Lam, afirmou não haver um “orçamento global” para a construção de uma cidade inteligente, uma estratégia definida no plano quinquenal de Macau, apresentado em 2016, indicando que a adjudicação seria feita “projecto a projecto”. Dias depois, o gabinete do porta-voz do Governo divulgou uma estimativa preliminar relativamente à construção da cidade inteligente, apontando para um orçamento na ordem dos 400 milhões de patacas até 2019. Diana do Mar
dianadomar@hojemacau.com.mo
PJ Detectados dois casos suspeitos de abuso sexual de crianças A Polícia Judiciária (PJ) e a Polícia de Segurança Pública (PSP) receberam duas queixas relativas a alegados casos de abuso sexual de crianças, sendo que uma das vítimas terá engravidado em resultado dessa relação sexual. De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, um dos dois casos foi revelado pelos pais de uma das alegadas vítimas, estudante do ensino secundário. A adolescente notou diferenças na regularidade da menstruação, facto que a terá levado ao hos-
pital onde foi confirmada a gravidez. A menor contou às autoridades que começou a namorar com um estudante de 19 anos, que frequentava a mesma escola, tendo começado a ter relações sexuais em Fevereiro deste ano. O segundo caso diz respeito a uma aluna de 13 anos, residente na Areia Preta, que teve “comportamentos sexuais” com um jovem de 16 anos nas escadas de um edifício. Os pais da estudante souberam do caso e fizeram queixa às autoridades.
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14.8.2018 terça-feira
Paula Bicho
Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com
Buxo Nome botânico: Buxus sempervirens L. Família: Buxaceae. Nomes populares: ÁRVOREDA-CAIXA; BUXINHO; BUXO ANÃO; BUXO-ARBÓREO; BUXOCOMUM; OLHO-DE-GATO. O Buxo cresce nas montanhas e regiões elevadas da maior parte da Europa Central e Meridional, Norte de África e Oeste da Ásia. É uma planta de grande rusticidade, adaptando-se a vários tipos de solo, temperatura (tolera até -20ºC) e luz, que habita charnecas, matos e bosques. Trata-se de um arbusto ou pequena árvore sempre-verde, de crescimento lento, com casca rugosa e acinzentada, que pode alcançar mais de 5 metros de altura e viver mais de 500 anos; os ramos, pubescentes quando jovens, encontram-se densamente cobertos de pequenas folhas reluzentes, coriáceas e ovais, de uma intensa cor verde-escura na página superior e verde-amarelada na inferior; as flores pequenas, amareladas e apétalas, são polinizadas por insectos e estão agrupadas em glomérulos na axila das folhas; o fruto é uma cápsula seca globular, com 3 pequenas saliências, que se abre de forma explosiva quando maduro, libertando 6 sementes negras e brilhantes. É uma planta resistente à poluição urbana e atractiva para as abelhas pela quantidade de pólen que produz. Planta bíblica, o Buxo tem, desde a Antiguidade, uma grande reputação não só como planta ornamental como também pela sua madeira. É uma das espécies mais cultivadas em jardins, principalmente em topiária (a arte de adornar os jardins), pois permite o corte de modelação produzindo sebes, labirintos, figuras geométricas e outras de maior complexidade. A sua madeira, densa, dura, flexível e duradoura, de textura fina e cor amarelada, é utilizada no fabrico de pequenos utensílios, ferramentas e instrumentos musicais, em escultura e em marchetaria. Na região de Miranda do Douro é tradicionalmente usada em cabos de navalhas e ponteiras de gaita-de-foles. Enquanto planta medicinal, o Buxo tem uma utilização de vários séculos, tendo sido mencionado por diversos autores, como Santa Hildegarda ou John Gerard. No entanto, actualmente é pouco usado devido à sua toxicidade. Em fitoterapia são usadas as folhas e, menos vezes, as cascas da raiz e a madeira. Composição Alcalóides esteroídicos, entre os quais o mais activo é a buxina, de carácter amargo; óleo essencial, resinas, ceras,
As pequen
MÚSICA HEDY KOU LANÇA “MY LITTLE SONGS” NA FUNDAÇÃO RUI C
HOJE NA CHÁVENA
gomas, taninos, vitamina C e clorofila. Sabor muito amargo. Acção terapêutica Com uma acentuada acção febrífuga (faz descer a febre), o Buxo induz a sudação libertando através da pele as toxinas acumuladas, combate as bactérias e tonifica o organismo; detém ainda as doenças recorrentes, como a malária, prevenindo o regresso de novas crises. Tradicionalmente, tem sido usado no tratamento da malária como um substituto da quinina, e também na gripe, pneumonia, tuberculose, lepra, tétano, sífilis e doenças febris em geral. Considerado um tónico amargo, esta erva aumenta a produção de bílis pelo fígado e contrai a vesícula, melhorando o seu esvaziamento no duodeno; apresenta propriedades laxativas e, em doses mais elevadas, purgativas; provoca ainda a expulsão dos vermes que parasitam o intestino. Tem sido recomendado nas perturbações da vesícula biliar (vesícula preguiçosa), obstipação, para facilitar a evacuação em caso de hemorróidas e na parasitose intestinal. Com actividade sobre o sistema nervoso, o Buxo possui uma certa capacidade narcótica e sedativa; tem sido prescrito em algumas afecções neurológicas e psiquiátricas, como a epilepsia ou histeria, e em situações de nervosismo e insónia. Outras propriedades Em uso externo, tem sido utilizado na alopécia e queda de cabelo, por nalguns casos fazê-lo crescer, na dermatite seborreica do couro cabeludo, psoríase, erupções cutâneas e como anti-séptico na cura de feridas. Como tomar Uso externo: Em ampolas capilares e champôs, para fortificar o cabelo e reduzir a sua queda; também em champôs para os cabelos oleosos. Precauções O Buxo é uma planta tóxica, especialmente as folhas e a casca do tronco. Em doses elevadas pode provocar vómitos, espasmos digestivos, diarreias sanguinolentas e perturbações nervosas (tremores, perda de coordenação, vertigens, convulsões) e, em casos severos, coma e morte devido a paralisia respiratória. Embora não se conheçam casos de intoxicação mortal em humanos, foram descritos casos de intoxicação em bovinos, cavalos e cães. As preparações comercializadas para uso externo são seguras. Ainda assim, a aplicação tópica pode ocasionar dermatites de contacto. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.
CINEMA JOÃO SALAVIZA E RENÉE NADER MESSORA VENC
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filme “Chuva é cantoria na aldeia dos mortos", de João Salaviza e Renée Nader Messora, venceu o prémio de melhor obra de ficção do Festival de Cinema de Lima, no Peru, anunciou a organização. O filme, que já havia recebido o prémio especial do júri da secção 'Un Certain Regard' no Festival de Cannes, ganhou ainda a distinção por melhor fotografia.
O 22.º Festival de Cinema de Lima contou ainda com a presença de outro português - o produtor Paulo Branco – enquanto homenageado. A produtora portuguesa Karõ Filmes realçou, em comunicado, que “Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos irá ser exibido em dezenas de festivais internacionais nos próximos meses” e tem estreia comercial em Portugal, França e Brasil prevista
para o primeiro trimestre do próximo ano. O filme foi rodado durante nove meses, em 16mm, sem equipa, na aldeia Pedra Branca, no estado de Tocantins, no Brasil. “Não há espíritos ou cobras esta noite e a floresta em redor da aldeia está sossegada. Ihjãc, de 15 anos, tem pesadelos desde que perdeu o pai. É um Krahô indígena do norte do Brasil. Ihjãc caminha pela escuridão, o seu corpo
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terça-feira 14.8.2018
nas canções de Hedy
CUNHA
Hedy Kou é uma jovem estudante de sociologia que não se deixou levar por uma infância complicada. É também a artista local que dá voz ao primeiro álbum de música pop para crianças produzido no território. “My Little Songs” é baseado na vida da cantora e pretende transmitir esperança aos mais novos
H
EDY Kou lançar o mini álbum “My Little Songs” no próximo dia 18, na Fundação Rui Cunha, às 15h30. “My Little Songs” é o primeiro disco de pop produzido em Macau que tem como público alvo as crianças e que tem como ponto de partida a vida pessoal da cantora que lhe dá voz. “Hedy Kow é a nova estrela de Macau”, começa por dizer a sua agente, Josie Ho, ao HM. Estudante de sociologia, Hedy é um exemplo para os mais novos, destaca.
NCEM MELHOR FILME EM LIMA suado move-se com receio. Um cântico distante atravessa as palmeiras. A voz de seu pai chama por ele através da cascata: é hora de organizar o festim funerário para que o espírito possa partir para a aldeia dos mortos. O luto deve cessar”, pode ler-se na sinopse disponibilizada pelo festival de Cannes. O texto acrescenta: “Negando o seu dever e para poder escapar ao processo crucial de
se tornar um xamã, Ihjãc foge para a cidade. Longe do seu povo e da sua cultura, enfrenta a realidade de ser um indígena no Brasil contemporâneo”. "Chuva é cantoria na aldeia dos mortos" foi produzido por Ricardo Alves Jr. e Thiago Macêdo Correia, da produtora Entre Filmes, sediada em Minas Gerais, em coprodução com a portuguesa Karõ Filmes e com a Material Bruto, de São Paulo.
“Cresceu com os pais separados e com uma mãe que tinha problemas com drogas”, conta a representante. Com este contexto familiar, a artista tinha tudo para desmoralizar, mas não o fez. “Desde pequena que o seu desempenho escolar não fica abaixo da excelência”, conta. Paralelamente à vida académica, Hedy Kou tem vindo a desenvolver talentos na área da dança, representação e agora da música.
CARREIRA DIVERSA
Em 2017, quando passou a ser agenciada, começou a carreira
como actriz e chegou mesmo a ter um filme baseado na sua vida. “É um pequeno filme, chamado ‘Choices of Life’ e que trata da sua história”, diz Josie Ho. A película tem como fio condutor uma mensagem de resistência a obstáculos e aborda a questão das drogas, dado o ambiente em que Hedy Kou cresceu. “O que tinha tudo para ser um drama acabou por ser uma história muito positiva, tanto da sua vida como do que tem para dizer aos outros”, comenta Ho. O filme teve "muito sucesso e acabou por se tornar viral no mundo digital devido à mensagem positiva que transportava e à forma como conseguia chegar aos alunos das escolas locais”, apontou.
DO CINEMA À MÚSICA
Depois do filme surgiu o desafio para gravar um disco. “Hedy recebeu um convite da editora para ensaiar durante um ano e se preparar na área do canto”, conta a agente. Quando interrogada sobre o que há de especial no disco, Josie Ho realça o género, “uma espécie de música pop infantil”. “Por outro lado, Hedy consegue cativar os mais pequenos com a sua cara doce", destaca a agente.
“My Little Songs” é o primeiro álbum de música pop para crianças produzido em Macau
O álbum é composto por cinco temas que abordam “tópicos como a amizade, a demonstração de amor e paixão pela vida e a coragem necessária quando se passam dificuldades”, explica Ho. Dois dos temas contam com a colaboração de crian-
ças. No que toca ao design do álbum, foi feito a pensar num livro de música de modo a ter uma componente pedagógica. Apesar de ser dirigidos aos mais pequenos, as canções “são adequados para todas as idades”, remata. Sofia Margarida Mota
Sofia.mota@hojemacau.com.mo
Cristais Workshop’ amanhã no Yoga Loft O espaço Yoga Loft acolhe amanhã, entre as 18h30 e as 21h30, um ‘workshop’ sobre a técnica do uso de cristais. Da composição, às propriedades, até às aplicações metafísicas que podem ter, o ‘workshop’ vai ensinar também como devem ser limpas, tratadas e até combinadas, explicou ao HM Rita Gonçalves, responsável pelo Yoga Loft. “O uso de cristais é bastante normal para os chineses, particularmente
inserido no contexto do ‘feng shui’, mas para nós é um mundo mais exótico, por isso quis trazer a Helena Brandão [que vai conduzir o ‘workshop’]para entrarmos e percebermos esse universo de uma perspectiva mais ocidental”, indicou Rita Gonçalves. A iniciativa tem uma lotação limitada a um máximo de dez pessoas, estando preenchidas mais de metade das vagas. O ‘workshop’ custa 750 patacas.
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14.8.2018 terça-feira
ENSINO AUTORIDADES NEGAM FRAUDE NO EXAME DE ACESSO À UNIVERSIDADE
O algodão não engana Transportes Inaugurados 93 aeroportos entre Janeiro e Junho
O número de aeroportos para aviação geral mais do que duplicou na China, nos primeiros seis meses do ano, passando de 80 para 173, segundo dados das autoridades chinesas para a aviação, citados pela agência oficial Xinhua. Os equipamentos de aviação geral incluem qualquer tipo de aeronaves que não sejam voos regulares de linhas aéreas ou aeronaves militares. Isto inclui desde pequenos aviões de propriedade particular até jactos executivos ou helicópteros. No primeiro semestre do ano, as autoridades de aviação registaram ainda 118 novas aeronaves para uso na aviação geral, um aumento de 9,5 por cento, face ao mesmo período do ano passado, para 2.415.
Incêndio Pelo menos 14 pessoas morreram num hospital de Taiwan
Pelo menos 14 pessoas morreram ontem de paragem cardíaca na sequência de um incêndio num hospital em Nova Taipei, Taiwan, informou o Ministério da Saúde e Saneamento em comunicado. O incidente ocorreu no sétimo andar do Hospital Weifu, no distrito de Xinchuang, onde os bombeiros foram obrigados a resgatar 36 pessoas, 14 delas já sem sinais vitais, adiantou o Gabinete de Prevenção de Desastres do Ministério da Saúde e Bem-Estar. A operação mobilizou 276 bombeiros, apoiados por 76 veículos, que conseguiram controlar o fogo em cerca de 50 minutos. Os mortos são sete homens e sete mulheres. A causa do incêndio é desconhecida e a polícia de Nova Taipei iniciou uma investigação para apurar o que esteve na origem do incidente.
As autoridades da província de Henan, centro da China, determinaram ontem que não houve fraude durante o ‘Gaokao’ chinês, o maior exame de acesso à universidade do mundo, considerado “crucial para a meritocracia chinesa”
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S pais de quatro estudantes denunciaram, na semana passada, que os exames dos filhos foram trocados, acusando as autoridades de “má conduta” e “abuso de poder”. Após reverem os exames dos estudantes e as imagens captadas pelos vídeos de vigilância no centro de exames, as autoridades asseguraram que não ocorreram ilegalidades. Os pais suspeitavam que os gabinetes de admissão da província tinham trocado as folhas dos exames, após os seus filhos receberem notas muito aquém do que esperavam. Um dos pais, Su Hong, publicou no Wechat, a rede social mais popular do país, fotos das respostas de um exame da sua filha, assegurando que tinham sido adulteradas e que não eram suas. Os pais afirmaram ainda que havia correcções nas respostas que não tinham sido feitas pelos seus filhos.
OPERAÇÕES ESPECIAIS
Num outro caso difundido a semana passada, seis pessoas foram condena-
das na China a penas até quatro anos de prisão por organizarem um esquema fraudulento durante o ‘Gaokao’. Os alunos levaram para o exame transmissores e receptores sem fios, a partir dos quais leram as perguntas a colaboradores fora das instalações, que após consulta transmitiram as respostas. Uma lei aprovada em 2015 prevê penas até sete anos de prisão em caso de cábulas durante o exame de acesso ao ensino superior. Pelas contas do Governo chinês, de um total de quase dez milhões de
Após reverem os exames dos estudantes e as imagens captadas pelos vídeos de vigilância no centro de exames, as autoridades asseguraram que não ocorreram ilegalidades
adolescentes que se submeteram ao exame, apenas 3,25 milhões conseguiram entrar na universidade. Entre aqueles, só alguns milhares terão acesso às universidades de topo do país, que garantem maiores probabilidades de um bom futuro profissional ou académico. De acordo com relatos na imprensa local, os produtos e dispositivos utilizados por cábulas variam entre relógios, auscultadores e t-shirts com receptores, até equipamento usado em espionagem.
VISTO ESTUDANTE ALEMÃO EXPULSO POR FAZER TRABALHO SOBRE DIREITOS HUMANOS
A
S autoridades chinesas suspenderam o visto de um estudante alemão, após este escrever uma reportagem sobre direitos humanos, num projecto escolar, parte de um mestrado em jornalismo e comunicação numa das mais prestigiadas universidades da China. David Missal, 24 anos, aterrou no domingo na cidade alemã de Duesseldorf, depois de as autoridades de
imigração lhe terem comunicado que o seu visto de estudante foi anulado e que tinha uma semana para sair da China. Missal considera que a decisão se deve a um trabalho sobre a campanha repressiva contra advogados dos direitos humanos, lançada por Pequim, em 2015. O estudante já tinha sido avisado duas vezes por um responsável da universidade Tsinghua, onde frequentava
o mestrado, para que não reportasse tópicos politicamente sensíveis, mas ele continuou, porque queria “aprender mais sobre a sociedade e política chinesas”. “De certa forma, nos últimos dois meses aprendi muito sobre a sociedade e política chinesas”, afirmou sobre o seu caso, citado pela agência Associated Press. Localizada no norte de Pequim, a Tsinghua é
considerada uma das mais prestigiadas universidades da China, e foi frequentada pelo actual Presidente chinês, Xi Jinping, e o seu antecessor, Hu Jintao. A campanha repressiva contra advogados e activistas pelos direitos humanos, reportada por Missal, foi lançada a 9 de Julho de 2015, e resultou na detenção de 300 pessoas por todo o país. Vários dos detidos
foram punidos com pena de prisão por subversão do poder do Estado, enquanto outros continuam à espera de serem julgados. Missal garante que o trabalho foi apenas publicado no seu blogue e página no Youtube, onde recebeu menos de cem visualizações. O gabinete de propaganda da Tsinghua recusou comentar de imediato, afirmando que estava a averiguar o caso.
china 13
terça-feira 14.8.2018
DIREITOS HUMANOS PCC DEFENDE REPRESSÃO SOBRE MINORIA ÉTNICA MUÇULMANA
Um caso muito sírio
FAMÍLIA TRIBUNAIS TENTAM TRAVAR DIVÓRCIOS COM “PERÍODO DE REFLEXÃO”
Um jornal oficial do Partido Comunista Chinês (PCC) defendeu ontem medidas repressivas contra a minoria étnica chinesa de origem muçulmana uigur, afirmando que impediu a região do Xinjiang de se converter na “Síria da China”
O
editorial do Global Times, jornal em inglês do grupo do Diário do Povo, o órgão central do PCC, surge após um comité antidiscriminação da ONU ter condenado o tratamento dado por Pequim aos uigures, num relatório que cita detenções em campos de reeducação “envoltos num manto de secretismo”. Após ataques cometidos por separatistas muçulmanos no Xinjiang, centenas de milhares de uigures foram arbitrariamente detidos em campos de doutrinação política, onde são forçados a criticar o islão e a sua própria cultura, e a jurar lealdade ao PCC. O Global Times cita aquele processo como “uma fase a que Xinjiang tem que ser submetido, visando a reconstrução da paz e prosperidade”, mas não refere directamente a existência dos campos de internamento. O jornal insiste que a “paz e estabilidade estão acima de tudo”, denunciando o que classifica de “opiniões públicas destrutivas do ocidente”. “Graças à liderança forte do Partido Comunista na China, a solidez do país e a contribuição dos funcionários locais, Xinjiang foi salvo quando se encontrava à beira de uma turbulência imensa”, afirma o jornal. “Foi evitado que se tornasse na Síria da China ou na Líbia da China”, acrescenta.
“Graças à liderança forte do Partido Comunista na China, a solidez do país e a contribuição dos funcionários locais, Xinjiang foi salvo quando se encontrava à beira de uma turbulência imensa. Foi evitado que se tornasse na Síria da China ou na Líbia da China.” GLOBAL TIMES
Desde que, em 2009, a capital do Xinjiang, Urumqi, foi palco dos mais violentos conflitos étnicos registados nas últimas décadas na China, entre os uigures e a maioria han, predominante em cargos de poder político e empresarial regional, a China tem levado a cabo uma agressiva
política de policiamento dos uigures.
CAMPOS SECRETOS
Nos últimos meses, grupos de defesa dos direitos humanos e testemunhas denunciaram a criação dos campos de doutrinação. A população uigur na China é de cerca de 10 milhões
de habitantes - o país tem, no conjunto, quase 1.400 milhões de habitantes - e nunca houve um protesto em larga escala, capaz de ameaçar a autoridade do PCC. Contudo, Pequim diz que a repressão é necessária para combater o separatismo e extremismo islâmico, enquanto activistas uigures afirmam que serve apenas para alimentar as tensões. Quando o Comité da ONU para a Eliminação da Discriminação Racial começou a rever o relatório, na sexta-feira, em Genebra, a delegação chinesa sublinhou o progresso económico e melhoria do nível de vida na região. A vice-presidente do Comité, Gay McDougall, afirmou que os membros estão “profundamente preocupados”, face a “numerosos e credíveis relatórios que dão conta de que em nome do combate ao extremismo religioso e manutenção da estabilidade social, [a China] converteu a região autónoma uigur em algo que se assemelha a um campo de internamento massivo e envolto em secretismo”. McDougall afirmou que se estima que mais de um milhão de pessoas “estão a ser mantidas em centros designados de anti extremismo e que outros dois milhões foram detidos nos chamados campos de reeducação para doutrinação política e cultural”.
T
RIBUNAIS em toda a China estão a começar a impor aos casais que se querem divorciar um período de espera, de entre duas semanas e três meses, visando travar o aumento no número de separações. Segundo o jornal oficial China Daily, mais de uma centena de tribunais do país estão a impor aquele “período de reflexão”, num programa piloto para resolver disputas domésticas, lançado pelo Supremo Tribunal Popular do país. O programa é sobretudo dirigido a casais jovens que, segundo os juízes, são mais propensos a “rupturas impulsivas”, comparativamente às gerações anteriores. Durante aquele período, o casal receberá aconselhamento matrimonial e, em alguns casos, psicológico, enquanto o juiz explica aos casais as dificuldades de um divórcio, como a negociação da custódia dos filhos ou a partilha de propriedades
comuns. Segundo o China Daily, aquelas conversas decorrem fora dos tribunais, em espaços mais ligeiros, com sofás, televisões e outros confortos. A taxa de divórcios tem aumentado na China, nos últimos anos, numa tendência que preocupa o Partido Comunista Chinês, que considera a unidade tradicional da família fundamental para manter a estabilidade social. Segundo o Ministério dos Assuntos Civis, o número de casais divorciados aumentou 40 por cento, na última década, para 4,2 milhões. A maioria dos divórcios ocorre entre os casais nascidos na década de 1980, quando o Governo chinês impôs à população urbana do país a política de “um casal, um filho”, criando uma geração de filhos únicos conhecidos como “xiao huangdi” (pequenos imperadores). Em cidades como Xangai, a “capital” económica do país, a taxa de divórcios já supera a dos novos matrimónios. Os juízes chineses asseguram que aquele “período de reflexão” não se aplicará em casos que envolvem violência doméstica.
AFP
Região COREIAS NOVA CIMEIRA DE LÍDERES ATÉ FINAL DE SETEMBRO
A
S duas Coreias acordaram ontem realizar em Pyongyang, até final de Setembro, uma terceira cimeira entre o Presidente sul-coreano e o líder da Coreia do Norte, informou hoje a agência Yonhap. Os dois países escreveram um comunicado conjunto em que declararam que vão estudar os avanços sobre os acordos assina-
dos na Declaração de Panmunjom. Na Declaração de Panmunjom, firmada em Abril durante a histórica cimeira entre os líderes das duas Coreias, ambos concordaram em trabalhar para alcançar a “completa desnuclearização” da península e comprometeram-se a conseguir a assinatura de um tratado multilateral para acabar
com o estado de guerra técnico na região que existe desde a Guerra da Coreia (1950-1953). A decisão da realização de uma nova cimeira foi tomada na sequência de uma reunião realizada ontem entre altos representantes dos dois países, durante mais de duas horas, na cidade fronteiriça de Panmunjom, Coreia do Norte.
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h
14.8.2018 terça-feira
Segue o teu destino, Rega as tuas plantas. Ama as tuas rosas. O resto é a sombra De árvores alheias
Máquina Lírica
Os factos são lendas
Paulo José Miranda
A mulher do padeiro, de Marcel Pagnol
I
NSERIDO no ciclo “Os Padrinhos da Nouvelle Vague”, a Medeia Filmes está a passar alguns filmes que considera terem sido fundamentais para a geração posterior do cinema francês. Neste contexto, convidaram-me a assistir a um dos filmes e a escrever acerca dele. Deixo-vos aqui o texto que escrevi precisamente há uma semana acerca do filme de Marcel Pagnol, A Mulher do Padeiro. Os factos são lendas. E isso fica muito claro neste filme. Se nos ativermos à história, ela é muito simples: numa aldeia do interior de França, a mulher de um padeiro, muito mais nova do que ele – ela poderia ser sua filha –, deixa-o por um homem mais novo e ele não faz mais pão. Mas isso é como a vida, se nos ativermos à história, ela é muito simples. O facto em si não existe, aquilo que aqui se designaria por facto – a mulher deixar o homem – não é visto da mesma maneia por nenhum dos intervenientes. Todos vêm e sentem diferentemente o facto. Isto é, o facto, de um ponto de vista objectivo, não é uma coisa palpável. A maior das divisões de ponto de vista é, evidentemente, aquela que opõe o padeiro Aimable a todos os outros. Aimable sente o acto da mulher por dentro, sente a perda – mais até do que a traição – enquanto todos os outros não sentem a perda, mas julgam o acto. E neste julgamento do acto as posições dividem-se, desde a pura chacota até ao medo, por parte do padre e da mulher mais beata da aldeia, que isso possa ser um mau exemplo. Mas pode-se querer continuar a dizer que o facto está lá, pois esses modos diferentes de olhar não fazem desaparecer o que aconteceu: a mulher do padeiro tê-lo deixado. Por outro lado, e em contradição com esta posição, aquilo a que se chama facto, aparece constantemente no filme como uma vivência diferente; e é esta vivência que dá forma ao acontecimento. De tal modo, que o próprio padeiro está continuamente a recusar que a mulher o tenha deixado, projectando diferentes possibilidades de acontecimento, como o ela ter ido visitar a mãe ou, mais tarde, o pastor ter enfeitiçado a mulher, por ser uma espécie de encarnação do diabo, pondo em causa junto do padre o livre arbítrio. E tudo isto se passa numa contínua tensão entre o humor e a tragédia. Aliás, humor é já uma forma de tragédia, um entendimento profundo de algo que sob a capa aparente do riso esconde uma tristeza. Não podemos aqui deixar de nos lembrar de Pirande-
E tudo isto se passa numa contínua tensão entre o humor e a tragédia. Aliás, humor é já uma forma de tragédia, um entendimento profundo de algo que sob a capa aparente do riso esconde uma tristeza
llo acerca da diferença entre humor e comédia. Num texto teórico chamado Humorismo, Pirandelo escreve: “Vejo uma velha senhora, com os cabelos retintos, untada não se sabe de qual pomada horrível, e depois toda ela torpemente pintada e vestida de roupas juvenis. Ponho-me a rir. Advirto que aquela senhora é o contrário do que uma velha e respeitável senhora deveria ser. Assim posso, à primeira vista e superficialmente, deter-me nessa impressão cómica. O cómico é precisamente um advertimento do contrário. Mas se agora em mim intervém a reflexão e me sugere que aquela senhora não sente talvez nenhum prazer em vestir-se como um papagaio, mas que talvez sofra por isso e o faz somente porque se engana piamente e pensa que, assim vestida, escondendo assim as rugas e as cãs, consegue reter o amor do marido, muito mais moço do que ela, eis que já não posso mais rir disso como antes, porque precisamente a reflexão, trabalhando dentro de mim, me leva a ultrapassar aquela primeira advertência, ou antes, a entrar mais em seu interior: daquele primeiro advertimento do contrário ela me faz passar a esse sentimento do contrário. E aqui está toda a diferença entre o cómico e o humorístico.” Não que não haja também comédia neste filme, porque há. Há cómico, em A Mulher do Padeiro, mas o tom contínuo e de fundo é o do humor, tal como Pirandello o define: um sentimento do contrário, isto é, o sentimento daquilo pelo qual Aimable está a passar, e que não é um facto. Pois o filme não trata de lendas, mas da vida humana. E nesta não há factos, mas vivências, afectações, modos como vibramos com o que acontece. E este modo de vibrar com o que acontece não é um facto. Ainda no mesmo livro de Pirandello, ele continua com o célebre exemplo de Marmeladov – o bêbado, pai de Sónia – na hospedaria a falar com Raskalnikov, em Crime e Castigo de Dostoiévski: “– Senhor, senhor! Ó senhor! Talvez, como os outros, julgais ridículo tudo isto: talvez eu vos aborreça, contando-vos estas estúpidas e miseráveis particularidades da minha vida doméstica; mas para mim não é ridículo, porque eu sinto tudo isto...” Precisamente! Ele sente tudo aquilo, tal como Aimable, em A Mulher do Padeiro. E esta diferença, a de sentir tudo aquilo, não é modal, é existencial. No humano tudo é sentido. E é este sentido que faz toda a diferença e simultaneamente confere significado ao que acontece. Os factos são lendas.
ARTES, LETRAS E IDEIAS 15
terça-feira 14.8.2018
DR. JEKYLL AND MR. HYDE, ROUBEN MAMOULIAN
Ofício dos ossos Valério Romão
S
E há uma coisa que as redes sociais vieram inequivocamente provar é que não estávamos preparados para as redes sociais. A forma como a nossa identidade habita o espaço cibernético é assaz diferente daquela a que estamos acostumados. Por um lado, a nossa voz está “ali”. Mas é uma presença amputada, já que esta dispensa o corpo. E talvez a imortalidade tão almejada pelo humano desde sempre – sem qualquer noção das consequências que dela podem advir – acabe por ser isso mesmo: uma consciência desprovida de corpo, visto que o corpo, como toda a matéria, está exposto à degradação que o tempo provoca. Mais a mais, e mesmo que o corpo fosse incorruptível, subsistiria um problema de monta: se todos fôssemos imortais, o espaço disponível para nos albergar seria sempre limitado. As almas, mesmo que na versão digital, são muito mais económicas na área que ocupam. Ora esta ausência de corpo é porventura o aspecto que melhor define a radicalidade das posições do sujeito digital. Não é raro vermos sujeitos, no Facebook – sujeitos que conhecemos pessoalmen-
O corpo digital te e que prezamos pela capacidade de diálogo e pela moderação – demonstrarem uma extraordinária intolerância perante opiniões que não perfilham. Intolerância amiúde acompanhada de violência verbal. Esta síndrome Mr. Hyde cibernético, pela qual um sujeito cordial na vida quotidiana se transforma num arruaceiro digital radica fundamentalmente na ausência de corpo que é a marca de água da presença da identidade nas redes sociais. Do corpo e da forma como este condiciona e define a nossa relação com outrem. De facto, não há consequências físicas para o excesso de tenacidade com que defendemos determinada posição.
Não há olhares que se cruzam, não há os múltiplos indícios pelos quais o nosso substrato animal percebe imediatamente a fronteira da passagem do confronto verbal ao confronto físico. O sujeito que discute na internet não aposta o corpo nessa discussão. É apenas um tipo num quarto com um teclado sob os dedos e a possibilidade de transcender o constrangimento físico que advém de estar cara a cara com aquele com quem se discute. Pode crescer à vontade em volume e violência. Pode crescer infinitamente. Esta ausência de consequências físicas dá azo aos comportamentos arruaceiros que vemos um pouco por todo o
Esta síndrome Mr. Hyde cibernético, pela qual um sujeito cordial na vida quotidiana se transforma num arruaceiro digital radica fundamentalmente na ausência de corpo que é a marca de água da presença da identidade nas redes sociais. Do corpo e da forma como este condiciona e define a nossa relação com outrem.
lado, desde as caixas de comentários dos jornais aos murais do Facebook. Como canta Sérgio Godinho “foi muita liberdade de uma só vez / e o rapaz está confuso”. Até a característica fundamental das redes sociais que podia prevenir este tipo de atitude – que é a memória infinita e infinitamente precisa que subjaz à internet – não é suficiente para condicionar e restringir o excesso. O sujeito conta – e bem – com a rapidez esmagadora dos conteúdos digitais a que estamos expostos. Dada ao particular confinamento do nosso foco de atenção, uma coisa rapidamente substitui outra no fluxo de consciência. O que resta saber, em boa verdade, é se com o tempo conseguiremos crescer civilizacionalmente e sair deste wild west digital onde nos encontramos ou se, pelo contrário, a ausência de corpo e das consequências a que este está sujeito condicionará sempre a nossa presença cibernética. No melhor dos cenários, ultrapassaremos esta infância digital de algum modo. No pior, a violência virtual acabará por nos transformar e por transformar o modo como nos relacionamos com os outros “cá fora”. A despeito do corpo.
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14.8.2018 terça-feira
Aviso Arrendamento da Área de Congelados do Edifício do Novo Mercado Abastecedor de Macau Concurso Público Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração do IACM tomada na sessão de 27 de Julho de 2018, se acha aberto o concurso público para o arrendamento das áreas de congelados no 7º andar do Edifício do Novo Mercado Abastecedor de Macau”, sito na Avenida do Parque Industrial e Rua Nova do Parque Industrial. O Programa de Concurso e o Caderno de Encargos podem ser obtidos no horário normal de expediente dos dias úteis no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), sito na Avenida de Almeida Ribeiro n.º 163, Macau. O prazo para entrega das propostas termina às 17:00 horas do dia 23 de Agosto de 2018. Os concorrentes devem entregar as propostas e restantes documentos necessários no Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM. A caução provisória deve ser entregue na Tesouraria da Divisão de Contabilidade e Assuntos Financeiros do IACM, sita no rés-do-chão do Edifício do IACM, na Avenida de Almeida Ribeiro n.º 163, Macau, por dinheiro, cheque ou garantia bancária em nome de «Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais». As cauções provisórias são as abaixo discriminadas: Área de Congelados A - Sessenta e duas mil patacas (MOP62 000,00);
Área de Congelados B - Sessenta e sete mil e duzentas patacas (MOP67 200,00);
Área de Congelados C - Sessenta e três mil e duzentas patacas (MOP63 200,00);
Área de Congelados D - Quarenta e sete mil e oitocentas patacas (MOP47 800,00);
Área de Congelados E - Quarenta e sete mil e oitocentas patacas (MOP47 800,00);
Área de Congelados F - Trinta e nove mil e quatrocentas patacas (MOP39 400,00);
Área de Congelados G - Setenta e duas mil e seiscentas patacas (MOP72 600,00);
Área de Congelados H - Cinquenta e oito mil e seiscentas patacas (MOP58 600,00);
Área de Congelados I - Cento e oito mil e quatrocentas patacas (MOP108 400,00);
Área de Congelados J - Cinquenta e oito mil patacas (MOP58 000,00); Área de Congelados K - Sessenta mil e quatrocentas patacas (MOP60 400,00).
As rendas mínimas mensais das áreas de congelados mencionadas para propor referem-se conforme o seguinte: Tipo da área de congelados
Zona
Superfície
Preço-base do concurso
(-18 ºC até 4ºC )
A B
115,8 m 125,6 m2
C
117,7 m2
I
202,5 m2
J
128,9 m2
K
134,3 m2
Trinta e uma mil patacas (MOP31.000,00) Trinta e três mil e seiscentas pataca(MOP33.600,00) Trinta e uma mil e seiscentas patacas(MOP31.600,00) Cinquenta e quatro mil e duzentas patacas (MOP54.200,00) Vinte e nove mil patacas (MOP29.000,00) Trinta mil e duzentas patacas (MOP30.200,00)
Refrigerador (inferior aos - 4 ºC)
2
Vinte e três mil e novecentas patacas(MOP23.900,00) Vinte e três mil e novecentas 2 E 117,7 m patacas(MOP23.900,00) 119,4 m2 Dezanove mil e setecentas patacas(MOP19.700,00) Armazém com ar F G 224,7 m2 Trinta e seis mil e trezentas patacas(MOP36.300,00) condicionado Vinte e nove mil e trezentas H 194,1 m2 patacas(MOP29.300,00) O acto público do concurso realizar-se-á no Centro de Formação do IACM, sito na Avenida da Praia Grande n.º 804, Edifício China Plaza, 6.º andar, pelas 10:00 horas do dia 24 de Agosto de 2018. O IACM realizará uma sessão de esclarecimento que terá lugar às 10:00 horas do dia 15 de Agosto de 2018 no Centro de Formação do IACM, bem como uma visita ao local no mesmo dia. (0 ºC até 4ºC )
D
117,7 m2
Aos 02 de Agosto de 2018. A Administradora do Conselho de Administração Isabel Jorge WWW. IACM.GOV.MO
EDITAL Faz-se público que tendo Ieong Chong I, solteiro, titular do BIR nº.7189***(*), natural do Interior da China, antigo funcionário da Câmara Municipal de Macau Provisória (exLeal Senado), aposentado desde 02/02/2001, arrendatário da moradia do IACM, sita na Avenida do Ouvidor Arriaga, n.ºs 28 e 28 B, Edifício Tranquilidade, 2º Andar B, Macau, falecido em 23/11/2017, devem todos os que se julgam com direito aos seus bens contactar a Divisão de Património e Aprovisionamento, sita na Calçada do Tronco Velho, nº 14, Edifício Centro Oriental, r/c, Macau, no prazo de trinta dias, a contar da publicação do presente edital, findo o qual, os bens serão removidos e depositados nas instalações do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais. Aos 31 de Julho de 2018 O Presidente do Conselho de Administração José Tavares WWW. IACM.GOV.MO
desporto 17
terça-feira 14.8.2018
CHINA EQUIPA DA ASSOCIAÇÃO DE FUTEBOL DE MACAU NAS MEIAS-FINAIS
A sorte tremida
Os jogadores locais estiveram a vencer por 3-0 frente ao Wuhan Freeman, mas com o primeiro golo sofrido entraram numa fase de nervosismo, que só terminou com o empate. O 3-3 ficou a dever-se a um “frango” de Ho Man Fai, já no tempo de desconto
A
equipa da Associação de Futebol de Macau qualificou-se, ontem, para as meias-finais da Zona Sul 2 da 4.ª Divisão da China, depois de ter empatado diante do Wuhan Freeman por 3-3. Os atletas locais estiveram a vencer por 3-0, mas permitiram o empate na sequência de um erro do guarda-redes Ho Man Fai. À equipa da Associação de Futebol de Macau valeu o facto de no outro encontro do Grupo A da Zona Sul 2, a formação do Hunan Mangguoba e o Hubei Chufeng Heli terem empatado,
numa partida sem golos. Assim, a formação de Hubei qualificou-se em primeiro lugar do grupo, com nove pontos, Macau foi segundo,
O regresso do intervalo parecia confirmar a vitória local, até pelo terceiro golo. Todavia, a formação orientada por Iong Cho Ieng acusou o primeiro tento sofrido
com quatro pontos, os mesmos que a formação de Hunan. Porém, como no primeiro encontro, a formação local tinha batido o rival directo por 3-1, conseguiu o apuramento. No último lugar terminou o Wuhan Freeman, com um ponto apenas. As meias-finais realizam-se já hoje e Macau vai defrontar a formação que terminou em primeiro do Grupo A. À hora de fecho da edição do HM ainda não era conhecido o adversário, mas após os dois primeiros jogos o líder era a formação Wuhan Shangwen, já apurada, seguida
por Guangzhou Glorious e ainda Hubei Wuhan Athletics Zaiming. Em relação ao encontro de ontem, a formação de Macau entrou bastante tranquila e muito pressionaste. Durante a primeira parte o domínio foi praticamente absoluto. Por esta razão, não foi uma surpresa que no primeiro tempo Carlos Choi Dion e Ng Ka Weng tenham colocado a formação da associação na frente do marcador, com o resultado em 2-0. O regresso do intervalo parecia que iria confirmar a vitória da equipa local, até porque conseguir chegar ao terceiro golo. Todavia, a formação orientada por Iong Cho Ieng acusou o primeiro tento sofrido. A partir dessa altura, os jogadores de Macau entraram numa fase completamente diferente. O nervosismo apoderou-se dos atletas e as dificuldades começaram a surgir, até ser apontado o 3-2. Finalmente, naquele que foi praticamente o último lance da partida, Ho Man Fai tenta sair a um cruzamento rasteiro, mas deixa a bola passar entre as mãos. O esférico acabou por sobrar para um adversário que se limitou a encostar para o empate. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
ATLETISMO COSTA FELICITA NELSON ÉVORA PELO TÍTULO EUROPEU
O
primeiro-ministro, António Costa, deu ontem os parabéns a Nelson Évora pela conquista do título europeu de triplo salto, e saudou os finalistas na prova de estafeta masculina, em mensagens publicadas na sua conta oficial no Twitter. “Parabéns Nelson
Évora! Os campeões afirmam-se nas dificuldades. Grande salto, em Berlim. Mais uma vez, o Ouro tem as cores nacionais. Parabéns pelo esforço e pela conquista. Uma palavra de saudação extensível a todos os atletas e equipas técnicas nacionais que, marcando pre-
sença nesta prova, honram o nome de Portugal”, escreveu António Costa dirigindo-se ao novo campeão europeu do triplo salto. Nelson Évora sagrou-se pela primeira vez campeão europeu do triplo salto, conquistando o ouro nos campeonatos disputados em Ber-
lim, com a marca de 17,10 metros na final. O atleta do Sporting, campeão mundial em 2007 e campeão olímpico em 2008, conseguiu, aos 34 anos, o único grande título que lhe faltava ao ar livre, com a melhor marca da temporada, alcançada ao quinto ensaio.
António Costa saudou ainda o quarteto português que disputou a final de 4x100 metros, nos campeonatos de Berlim, tendo a equipa nacional de estafeta terminado a prova no sétimo lugar, mas melhorando o tempo face ao resultado da meia-final. “Uma
palavra de saudação para os finalistas José Pedro Lopes, Diogo Antunes, Frederico Curvelo e Carlos Nascimento. Portugal qualificou-se este domingo para a final dos 4x100 metros dos Campeonatos Europeus de atletismo, em Berlim. Parabéns!”, escreveu Costa.
Noves fora
Candidatura de Bruno de Carvalho reclama de exclusão de eleições
A
candidatura liderada por Bruno de Carvalho apresentou uma reclamação à Mesa da Assembleia Geral (MAG) do clube pela exclusão da lista do presidente destituído, admitindo recorrer à justiça para a reintegração nas eleições de 8 de Setembro. Em carta datada de domingo, assinada por Pedro Proença, a que a agência Lusa teve ontem acesso, a candidatura ‘Feitos de honra, leais ao Sporting’assinala o incumprimento, por parte do presidente da MAG, Jaime Marta Soares, de “uma formalidade (esta sim) essencial”, de “notificar o primeiro proponente (Dr. Bruno de Carvalho) da decisão abusiva tomada – o que não aconteceu ‘in casu’”. De acordo com esta missiva, o presidente da MAG notificou Bruno de Carvalho através de um endereço de correio electrónico do clube, alegando que Marta Soares “sabe ou não pode desconhecer, sem culpa, que está desactivado; o primeiro proponente não tem acesso por lhe ter sido vedado; não corresponde ao email constante da ficha de sócio”. “Desde já se alega a invalidade da notificação e a suprema má-fé do PMAGD [presidente da MG demissionário], num acto que demonstra a prepotência e confiança de quem pensa não estar sujeito a regras, mas as constrói a seu bel-prazer”, prossegue a carta. A candidatura acrescenta que a exclusão da lista “viola o disposto sobre a matéria de forma clara no regulamento eleitoral”, por, alegadamente, serem feitas “interpretações extensivas de requisitos e/ou invalidades que não se encontram plasmadas nos Estatutos e Regulamento” e, por não ter sido “concedida qualquer hipótese de suprimento às alegadas preterições de requisitos estatutários, em clara violação do princípio da igualdade face ao tratamento concedido a outras listas”. “Do mesmo modo, a suspensão persecutória que foi aplicada ao cabeça de lista e a outros membros da lista não lhes retira a capacidade eleitoral activa e passiva, o que não pode ser olvidado”, refere a carta, requerendo a revogação da exclusão da lista e que, caso contrário, serão “forçados a recorrer aos meios judiciais ao dispor”.
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Hoje EXPOSIÇÃO DE PINTURA A DEDO -31 ASSOCIAÇÃO DE DEFICIENTES MENTAIS DE MACAU
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4 2 5 6 8 7 1 3 9 Sexta-feira 9 1 3 2 5 4 6 8 7 UMA NOITE COM PIANO NA GALERIA - ASSOCIAÇÃO ELITE 7| 18h00 6 8 3 9 1 4 2 5 FRC 8 5 7 1 6 2 3 9 4 Sábado LANÇAMENTO DO MINI ÁLBUM DE ESTREIA DE HEDY KOU 6 9 4 5 3 8 2 7 1 - “MY LITTLE SONGS” FRC 2| 15h00 3 1 7 4 9 5 6 8 5 7 2 9 1 3 8 4 6 Diariamente EXPOSIÇÃO “ESCULTURA, UM CAMINHO”, DE ANTÓNIO LEÇA 1 4SCM 9 8 2 6 7 5 3 Albergue | Até 21/10 3 8 6 4 7 5 9 1 2 EXPOSIÇÃO “ART IS PLAY”
9 7 8 2 4 1 5 3 6
FRC | 11h30
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HUM
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3 4 1 9 8 2 5 6 7 6 8 9 3 7 5 1 2 4 7 5 2 6 4 1 3 8 9 EXPOSIÇÃO “APROFUNDAR” Art4 Garden 1| Até59/9 8 2 3 9 7 6 2 CHAGALL 7 3– LUZ4E COR 9NO6SUL DE8FRANÇA” 5 1 “MARC MAM | Até 26/8 9 6 8 1 5 7 2 4 3 5 2 4 7 1 9 6 3 8 8 9 6 2 3 4 7 1 5 1 3 7 5 6 8 4 9 2
4 3 5 7 2 1 6 9 8
EXPOSIÇÃO “UNIVERSO” Armazém do Boi | Até 9/9
3 4 1 9 2 5 8 6 7
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4 6 2 5 7 1 1 C 2I 8 3 9 7 3 8 6 9 5 4
SALA 1
ALONG WITH THE GODS: THE LAST 49 DAYS [C] FALADO EM COREANO LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kim Yong-hwa Com; Ha Jung-woo, Ju Ji-hoon, Kim Hyang-gi, Don Lee 14.30, 19.00, 21.30
THOMAS & FRIENDS: BIG WORLD! BIG ADVENTURES! THE MOVIE [A]
SALA 2
THE MEG [B] Um filme de: Jon Turteltaub Com: Jason Statham, Li Bingbing 14.30, 19.15, 21.30
7 9
BILATERAIS
4 6 7
7 1 6 4 8 9 3 2 5
2 9 8 3 6 5 4 7 1
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3 8 4 9 1 7 5 6 2
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1
5 2 7 3 1 5 7 1 9 6 3 3 5 6 1 8
4 2 7
6 9 2 1
PROBLEMA 35
Ontem 34 o deputado Sulu Sou levantou uma questão interessante relativamente aos deputados nomeados na Assembleia Legislativa. Contudo, talvez fosse importante lembrar que a herança “nociva” que os portugueses cá deixaram, com este sistema, permaneceu após 1999 porque talvez tenha sido fruto de um qualquer acordo bilateral e não uma decisão de uma só parte. Não nos podemos esquecer das ligações diplomáticas e das personalidades portuguesas, chinesas e macaenses que estiveram envolvidas no processo de transferência de soberania. Tudo o que aconteceu não foi obra de um país só. É, contudo, importante olhar para a história para que possamos perceber as razões para que tal medida tenha sido implementada, e talvez explique porque é que a comunidade chinesa ainda hoje está bastante afastada da política. Os níveis 36 de abstenção são elevados e é importante perceber porquê. Mais uma vez, a história pode explicar. Tal ponto remete-nos para os movimentos pró-democratas que existem em Macau e em Hong Kong. Sem descurar os contextos, é difícil vir agora pedir mais democracia a populações que, primeiro, nunca votaram no seu país de origem, a China, e que vieram viver para regiões que sempre tiveram governadores nomeados pelas respectivas metrópoles. Há também a frisar as dificuldades de tradução e de comunicação que existiam antes de 1999. A luta por uma maior democracia na escolha do Chefe do Executivo é legítima e revela muito sobre uma nova geração de eleitores e jovens com maior consciência cívica. É difícil, mas não é impossível. Andreia Sofia Silva
7
9
7 2
2 1 3 6 8 4 6 3 2 5 1 8 0.24 YUAN 1.17 9 6 1 8 7 4 VIDA 5DE CÃO 3 7 4 QUESTÕES 5 1
8 9 7
8 6 9 4
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1 4 8 9
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8 7 5 9 9 1 4 3 3 6 8 2 4N 9E7M8 5 2 6 1 6 5 3 4 1 4 2 6 7 3 1 5 2 8 9 7
9 2FILME 1 7 5HOJE 8 3 UM
A
INCREDIBLES 2
Um filme de: David Stoten 17.00
2
4B A H T 1
35
SOLUÇÃO DO PROBLEMA 34
FALADO EM CANTONENSE
9.22
DE
EXPOSIÇÃO “AYIA” Casa Garden | Até 9/9
3 1 2 6 8 7 9 5 4 5 3 6 Cineteatro 4 7 9 8 2 1 7 9 5 2 4 8 1 6 3
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O CARTOON STEPH 34
Grande Praça – MGM | Até 9/9
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S U D O K U
TEMPO
8 3 7 6 80-99% • EURO 9 3 7 4 5 2 8 6 3 5
14.8.2018 terça-feira
HOTEL TRANSYLVANIA 3: A MONSTER VACATION [A] Um filme de: Genndy Tartakovsky 16.45 SALA 3
CHRISTOPHER ROBIN [A] Um filme de: Marc Forster Com: Ewan Mcgregor, Hauley Atwell, Bronte Carmichael 14.30, 21.30
8 4 5 6 3 9 Com carreira 7 uma 3 6 4 trilhada 1 2 na comédia e representação, 1 9Peele7estreou-se 3 4este5 Jordan ano na realização de uma 2 6 4 8“Get7 longa-metragem. Out”1 é um thriller muito bem pensado 3 5 8 2 9 6 e arrojado em termos de argu4 8escrito 9 também 1 2 por7 mento, Peele, que segue numa toada 5 1até3se tornar 9 sinistro. 6 4 amigável Tudo começa 6 7 2 normalmente 5 8 3 com um fim-de-semana em
FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Kazuaki Imai 16.30
FALADO CANTONENSE Um filme: Brad Bird 19.15
6 7 5 2 9 4 3 8 1
GET OUT | JORDAN PEELE
que uma filha traz o namorado afro-americano para conhecer a família branca. No princípio, tudo parece normal até que uma série de situações levam a um desfecho doentio. “Get Out” tem no elenco nomes como Catherine Keener, Daniel Kaluuya e Bradley Whitford. Sofia Margarida Mota
DORAEMON THE MOVIE: NOBITA’S TREASURE ISLAND [A]
INCREDIBLES 2 [A]
2 9 8 5 1 6 7 4
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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
9 3
opinião 19
terça-feira 14.8.2018
RUI TAVARES IN PÚBLICO
BANSKY
A democracia não se defende sozinha
P
ARA os deslembrados, a Europa teve uma coisa na primeira metade do século passado chamada fascismo. Numa dúzia de anos, de 1921 a 1933, da Itália à Alemanha passando por Portugal, colapsaram a maioria das democracias parlamentares europeias, com os seus estados de direito e as liberdades e direitos fundamentais dos seus cidadãos. Na dúzia de anos a seguir, de 1933 a 1945, colapsou tudo: a decência humana e a própria civilização, no continente que se julgava o mais civilizado de todos. De 1945 a 1957, mais uma dúzia de anos, e a Europa encontrou-se em escombros e, o que é mais, espartilhada entre duas superpotências, uma das quais dominada pelo totalitarismo estalinista. Depois de mais de uma geração perdida, a Europa redemocratizada começou a unificar-se e essa é a história que nos traz até hoje. A Europa do pós-guerra nasceu contra o fascismo e por isso não admira que o
fascismo deteste o projecto europeu; é talvez a corrente política que tem verdadeiramente razões para isso, e ainda bem. Dada a dimensão da catástrofe moral e humana provocada pelo fascismo europeu, é natural que a sua impopularidade se tenha estendido para lá das imediatas gerações do pós-guerra, até que a memória colectiva se começasse a desvanecer. E por isso, se o tipo de políticos e políticas que fizeram o fascismo tiverem ambições de regressar ao poder, é previsível que o queiram fazer sob outro nome, outra aparência e outro estilo, ocultando a essência que permaneceu igual: o mesmo ódio ao outro, o mesmo culto da autoridade e a mesma vontade de poder. Acima de tudo, o fascismo europeu empregará a mesma estratégia de ontem: usar as ferramentas da democracia para destruir a democracia. Não é por acaso que a constituição alemã proíbe a existência de partidos nazis ou que a Constituição da República Portuguesa contenha também uma proibição — ainda que pouco usada — contra a possibilidade de existência legal de organizações fascistas. É para não nos esquecermos de onde viemos. As nossas democracias nasceram contra o fascismo e essa história faz parte da sua razão de ser. Se nos esquecermos ou cansarmos desta história estaremos já a caminho da regressão. Ela é tão
fundamental para as democracias europeias como a Declaração de Independência o é para a história dos EUA. Achar que o fascismo é só uma opção política como as outras seria o mesmo que os EUA acharem que reverter à monarquia britânica não significaria o fim do projecto americano ou Portugal achar que, depois de treze anos de guerra em África, ter ou não o anti-colonialismo e à autodeterminação dos povos na Constituição seria indiferente, porque já não teria nada a ver connosco. Os regimes e os países, tal como as pessoas, têm história. Se se esquecem de onde vieram, perdem-se. Nada é mais inimigo da democracia do que a ideia de que ela é apenas um recipiente vazio a cujos valores podemos ser indiferentes porque, mesmo se deixado à mercê do acaso,
A Europa do pós-guerra nasceu contra o fascismo e por isso não admira que o fascismo deteste o projecto europeu; é talvez a corrente política que tem verdadeiramente razões para isso, e ainda bem
produz sempre resultados aceitáveis. Não foi assim no passado, não é assim hoje. Se a democracia fosse só a expressão amoral da vontade da maioria acabaria por ser tão pouco sustentável, e tão auto-destrutiva, como o foi na Europa de entre-guerras. A democracia não é um recipiente sem conteúdo: para ela a tolerância tem de ser melhor do que a intolerância, a convivência mais desejada do que a exclusão, e o pluralismo não pode ser considerado senão moralmente superior ao absolutismo. Acontece que nos encontramos hoje de novo na luta das nossas vidas pela democracia na Europa, luta essa que só é realista ganhar preservando o estado de direito democrático em cada um dos nossos países e construindo uma democracia à escala da UE. E acontece que há quem ache — na imprensa, na academia e na sociedade civil — que se pode normalizar os novos fascistas sem com isso arriscar a própria democracia. Grave erro. A democracia não se defende sozinha. A democracia defende-se com democratas que lhe conheçam a história e que não estejam dispostos a repetir os erros do passado. E entre todos os erros do passado, talvez sobretudo este: achar que que a democracia se pode salvar tolerando os intolerantes não é uma defesa da tolerância. É uma defesa da tolice.
Em política, a comunhão de ódios é quase sempre a base das amizades.
Alexis de Tocqueville
CHINA JUSTIÇA JULGA MEMBROS DA SEITA “DEUS TODO PODEROSO”
U
PUB
M tribunal do nordeste da China começou ontem a julgar os líderes locais do grupo religioso autodenominado Quannengshen (“Deus Todo Poderoso”, em português), que se formou na década de 1990 e está proibido no país. Segundo a agência noticiosa oficial Xinhua, a polícia da província de Heilongjiang prendeu o líder local e os principais membros da seita em Junho de 2017. “Deus Todo Poderoso” foi criado na década de 1990, na província de Henan, centro do país, pelo professor de física Zhao Weishan, que segundo as autoridades chinesas leva agora uma vida luxuosa nos Estados Unidos. Em comunicado, a polícia afirma que a seita transferiu 140 milhões de yuan, para fora do país, entre Novembro de 2016 e Março de 2017. Centenas de pessoas estabeleceram grupos nas redes sociais chinesas para procurar familiares que se juntaram à seita e, entretanto, desapareceram. Segundo a Xinhua, o grupo proíbe aos crentes usar telemóvel, ver televisão ou ler livros que não sejam os “livros de Deus”. Os membros da seita creem que Jesus Cristo reencarnou numa mulher chinesa e são contra a governação do Partido Comunista Chinês (PCC), que designam de “grande dragão vermelho”. Em 2014, o grupo ficou conhecido após vídeos difundidos na Internet mostrarem cinco dos seus membros a espancar uma mulher até à morte, num restaurante McDonald’s, na província de Shandong, norte da China. A mulher tinha rejeitado dar-lhes o número de telefone quando estes a tentavam convencer a juntar-se à seita. Os membros do “Deus Todo Poderoso” alegaram que a jovem estava possuída por um “espírito maligno”.
PALAVRA DO DIA
Missão abortada Malásia quer cancelar a construção de infra-estruturas acordadas com a China
O
primeiro-ministro da Malásia disse que vai tentar cancelar projectos de vários mil milhões de euros em infra-estruturas cuja construção é assumida pela China, após um acordo firmado pelo Governo anterior, noticiou ontem a agência Associated Press (AP). Mahathir Mohamad afirmou numa entrevista à AP, dias antes da sua visita à China, que quer manter boas relações com aquele país e disse que é bem-vindo o investimento, desde que os projectos beneficiem a Malásia. O governante de 93 anos regressou ao poder há três meses, depois de vencer nas eleições legislativas Najib Razak, que está a ser
julgado por várias acusações relacionadas com uma alegada fraude multimilionária a partir de um fundo de investimento estatal. Mahathir Mohamad refere que os dossiês mais difíceis prendem-se com a construção de oleodutos e de um projecto ferroviário ao longo da costa leste da península da Malásia. “Não achamos que precisamos desses dois projectos, não achamos que eles sejam viáveis. Se pudermos, gostaríamos de os abandonar”, afirmou. O novo governo da Malásia suspendeu os trabalhos destes projectos, que estão a ser construídos por empresas apoiadas pelo Estado chinês. Mahathir também incitou Pequim a respeitar a livre circulação
de navios em toda Mar do Sul da China, onde várias nações do sudeste asiático e a Malásia têm competido pela jurisdição sobre ilhas e recifes, ricos em pesca e potenciais depósitos de combustíveis fósseis. A China alega que grande parte do mar é seu e construiu várias ilhas artificiais equipadas com pistas, estações de radar e mísseis para reforçar sua reivindicação, acusando os EUA, que regularmente patrulham as águas com meios aéreos, porta-aviões e outros navios de guerra, de se intrometerem numa disputa que é puramente asiática. A China vê a Malásia como uma parte fundamental da sua ambiciosa iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”.
DIREITOS HUMANOS PEQUIM AUTORIZOU VISITA DE MÉDICO SUECO A GUI MINHAI
A
China autorizou ontem que um médico sueco examinasse o editor sueco de origem chinesa Gui Minhai, detido no início do ano quando viajava com diplomatas do seu país, anunciou a ministra dos Negócios Estrangeiros do país nórdico. “Na segunda-feira 13 de Agosto, uma equipa médica sueca pode visitar o cidadão sueco detido Gui Minhai. Foi
bom”, declarou Margot Wallstrom num comunicado enviado à agência France Presse. Gui Minhai, 54 anos, editor e livreiro, que vendeu em Hong Kong obras que ridicularizavam o regime comunista, foi detido a 20 de Janeiro por polícias chineses quando seguia com dois diplomatas suecos num comboio para Pequim, onde tinha marcada uma consulta.
O editor pretendia consultar um especialista sueco, temendo ter esclerose lateral amiotrófica. Wallstrom, que não deu informações sobre o estado de saúde de Gui Minhai, nem pormenores sobre a visita da equipa médica, reiterou o pedido de libertação do editor. “Gui Minhai deve ser libertado e autorizado a juntar-se à sua família”, declarou, adiantando que
a Suécia prossegue o seu “trabalho intensivo” com esse objectivo. A União Europeia também já pediu às autoridades chinesas que libertem Gui Minhai, assim como dezenas de activistas e defensores dos direitos humanos sob custódia. Gui já tinha desaparecido em 2015 quando passava férias na Tailândia, antes de reaparecer num centro de detenção chinês e “confessar” o seu envolvimento num acidente rodoviário ocorrido vários anos antes.
terça-feira 14.8.2018
‘Storm surge’ Nível 3 activa protecção civil
A partir de hoje, quando os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) emitirem o aviso de ‘storm surge’ de nível 3 (laranja) ou superior, a estrutura da protecção civil vai ser activada imediatamente, dita um despacho do Chefe do Executivo, publicado ontem em Boletim Oficial. Tal vai permitir ao comandante da acção conjunta adoptar “todas as medidas necessárias e adequadas à protecção da vida e segurança das pessoas, nomeadamente, a de evacuação”. O ‘storm surge’, aumento anormal do nível da água quando uma tempestade tropical se aproxima das áreas costeiras passível de ocasionar inundações em zonas baixas, tem cinco níveis. O nível 3 (laranja) é emitido quando se prevê que o nível da água acima do pavimento atinja valores entre 1 e 1,5 metros.
Indonésia Mortos do sismo em Lombok aumentam para 436
O mais recente balanço das autoridades indonésias aponta para pelo menos 436 mortos após o sismo de há uma semana em Lombok, no sul do país. A agência nacional de desastres informou ontem que o terramoto de 5 de Agosto matou 436 pessoas, a maioria das quais morreu em edifícios que ruíram. Dezenas de milhares de casas, mesquitas e empresas ficaram destruídas no sismo de magnitude 6,9 que teve o seu epicentro no norte da ilha de Lombok. O terramoto destruiu, pelo menos, 67.875 casas, 468 colégios, seis pontes, 15 mesquitas e 13 centros de saúde. Estima-se que haja mais de 13 mil feridos. A maior parte das estradas no norte de Lombok está destruída, sendo essa a principal dificuldade das autoridades que tentam distribuir comida e medicamentos à população afectada. Muitos moradores deixaram as habitações para se abrigarem em tendas ou abrigos temporários.
Almeida Ribeiro Trânsito retomado na quinta-feira
As obras de reparação de valas e construção do colector pluvial, executadas por fases, na Avenida de Almeida Ribeiro, devem ser concluídas amanhã, ou seja, 15 dias mais cedo do que o previsto, anunciou ontem o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) em comunicado. Na sequência da conclusão das obras, iniciadas a 30 de Junho, as autoridades preveem que o trânsito na Almeida Ribeiro seja retomado já na quinta-feira.