QUARTA-FEIRA 13 DE SETEMBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3896
COSTA NUNES | MARISA PEIXOTO
Ideias para o futuro
Dois efes a conversar h JOÃO PAULO COTRIM
GONSALO OOM
Desenho expressionista EVENTOS
Leis e caos Paul Chan Wai Chi foi acusado do crime de desobediência agravada, na sequência de uma alegada afixação de propaganda num local público. O líder da Novo Progresso de Macau já pediu explicações à CAEAL. O caso segue agora para o MP.
PÁGINA 5
hojemacau
AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
PUB
HOJE MACAU
ENTREVISTA
www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau
MOP$10
SOFIA MARGARIDA MOTA
SOFIA MARGARIDA MOTA
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
2 ENTREVISTA
MARISA PEIXOTO
Era, até há bem pouco tempo, educadora no jardim-de-infância de matriz portuguesa, mas a saída de Lola Flores do Rosário levou à sua escolha para a direcção do D. José da Costa Nunes. Marisa Peixoto quer aproximar a escola aos pais e à comunidade, e diz que são necessários mais terapeutas da fala em Macau Um novo ano lectivo, mais alunos. O que traz de novo ao Costa Nunes? Por enquanto, ideias, porque tenho de seguir o que já estava definido. Normalmente preparamos o ano lectivo no fim do ano anterior. Tenho sobretudo ideias para implementar nos próximos anos. Espero que o ano lectivo corra da melhor maneira possível e que as crianças saiam daqui felizes, e que os pais também estejam satisfeitos. É, portanto, uma directora na continuidade. Ajudei a fazer o plano anual, mas ainda como educadora. Como directora ainda não trago nada de novo. Disse que queria fomentar o ensino do cantonês. Como é que isso vai ser feito? O cantonês já existia no ensino extracurricular. Este ano vamos ter o cantonês mas em moldes de workshops, e como são muitas
“É preciso flexibilizar o recrutamento” horas dá para estender durante todo o ano lectivo. As crianças vão participar, sendo que o workshop é também dirigido a funcionários.
O jardim-de-infância é de matriz portuguesa, mas tem cada vez mais alunos chineses. O objectivo deste projecto é ir transformando aos poucos a escola numa instituição bilingue? Não, de todo. O objectivo é que as crianças portuguesas e de língua não materna chinesa (temos crianças que só falam mandarim) possam aprender um pouco mais de cantonês, que é a língua que se fala na rua. Eu adorava saber cantonês, por exemplo. É interessante, já que vivemos em Macau, ter essa oportunidade, e decidimos estender isso às crianças. Quanto mais cedo começarem, melhor. O jardim-de-infância recebe mais alunos todos os anos. Há uma capacidade de expansão e de resposta face a esta tendência? Por enquanto temos capacidade de resposta, mas não iremos ter para muitas mais turmas. Estamos a usar a sala de actividades no edifício novo, onde estão as educadoras de infância. Temos ainda salas no edifício antigo, que são usadas como refeitório e também para as restantes actividades. A nossa capacidade não irá além de duas ou três salas, mas estão sempre a sair os alunos de cinco anos, que ocupam quatro salas. Por isso temos capacidade de reabrir estas salas. Sobre o ensino do mandarim, vão tentar equilibrar o ensino nas duas línguas? O mandarim é obrigatório para todos, mesmo para as crianças que já dominam a língua. Temos apoio ao português todos os dias e as crianças que já dominam o cantonês podem ter workshops de português, enquanto as outras estão nos workshops de cantonês. Mas ainda vamos fazer esses horários.
As línguas dificultam o processo de integração dos alunos e a relação com as educadoras e os colegas? No início é um pouco difícil, se bem que tentamos ter sempre na sala alguém que fale cantonês. Algumas educadoras falam, mas nem todas. Depois, as crianças vão interiorizando algumas palavras. Para os pais também é difícil, ficam ansiosos porque não conseguem ajudar. Acham que depois de um mês as crianças já deveriam falar português. Eu tive a experiência como educadora. Como não domino cantonês, sentia que não os conseguia perceber para satisfazer as necessidades que tinham. Esperava chegar a directora de uma escola em Macau, sobretudo uma instituição como esta, com um papel importante na sociedade? Não, de todo. Estava a fazer o meu papel como educadora com muito gosto e não estava à espera. Fiquei contente porque é o reconhecimento do meu trabalho. Quando saiu a
“Gostava de chamar mais os pais, para que fizessem mais parte deste processo educativo de três anos.”
directora Vera Gonçalves achava que a nova directora (Lola Couto do Rosário) era para ficar. Traz a estabilidade que o Costa Nunes precisa, com esta nova direcção? Espero que sim.
Disse-me que está a seguir o plano que já tinha sido estabelecido. Mas que novas ideias traz para o jardim-de-infância? São ideias que vou ter de amadurecer com as minhas colegas, porque muitas são elas que as põem em prática. Gostava de chamar mais os pais, para que fizessem mais parte deste processo educativo de três anos. Gostava de ter mais actividades direccionadas a pais e filhos e também à comunidade envolvente. Ia passar por pequenos e grandes projectos. Quero chamar mais a comunidade e os pais ao jardim-de-infância. As famílias entregam muito a educação dos seus filhos à escola e depois há um distanciamento? Não tenho essa ideia, de todo. Mas, se calhar, até gostariam de estar mais presentes. Temos algumas actividades dirigidas a pais e filhos, mas não muitas. Sinto os pais muito interessados no processo de educação dos filhos. A língua portuguesa é realmente uma aposta da parte deles. O Costa Nunes vai responder a isso nos próximos anos? Há uma manutenção desta tendência? Penso que sim, e se tivermos mais crianças de língua não materna portuguesa teremos de ter mais apoio, dentro e fora da sala de aula, ao português. A tendência vai continuar a ser esta, a ter mais crianças de língua materna não portuguesa. Em termos de recursos humanos fazem falta mais educadoras bilingues?
Se existirem, óptimo. Por outro lado, se não souberem, não caem na tentação de falar a mesma língua da criança. Desta forma, as crianças mais rapidamente entendem o português e fazem um esforço para falar e entender. Mas, de facto, se houvesse mais educadoras bilingues não sentiam as dificuldades que senti no início. Pretendem contratar mais pessoas? Se abrirmos novas salas sim, até lá penso que não. Em termos de infra-estruturas, havia alguns projectos de obras em andamento. Como está esse processo? Já foram autorizadas as obras no recreio, que serão feitas no Verão do próximo ano. As obras nada têm que ver com tufão, tivemos apenas pequenos danos.
“Os pais sentem essa liberdade e gostam da parte de brincar dos filhos, sentem falta disso nos currículos das escolas chinesas.” O Costa Nunes continua a fazer a diferença e a demarcar-se das outras instituições de ensino? Como? A maior diferença – e é a opinião dos pais que nos chega, chineses sobretudo – é ser uma escola com um currículo muito diferente, mais aberto, onde as crianças aprendem através do brincar. Não temos o ensino da escrita e da leitura. Se virmos que a criança tem necessidade disso, claro que vamos alimentar, mas não é institucional, não é obrigatório. Temos crianças que antes de chegarem aos seis anos já conseguem ler, e aí não pomos de parte essa competência. Essa obrigatoriedade de leitura e de escrita não está sequer nas metas que seguimos de Portugal e de Macau. Os pais sentem essa liberdade e gostam da parte de brincar dos filhos, sentem falta disso nos currículos das escolas chinesas. Tendo em conta as novas directrizes implementadas pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), acha que o ensino é muito exigente e apela pouco à criatividade e pensamento livre do aluno? As escolas pecam por isso. A DSEJ está a tentar mudar, a criar currículos mais flexíveis e que as escolas apliquem isso, que dêem importância à parte artística e ao
SOFIA MARGARIDA MOTA
DIRECTORA DO JARDIM DE INFÂNCIA D. JOSÉ DA COSTA NUNES
3 quarta-feira 13.9.2017 www.hojemacau.com.mo
brincar, que é tão importante nestas idades. É uma questão cultural, mas a DSEJ está a tentar mudar para melhor. Chegou a Macau em 2014. Que desafios sentiu em relação ao sistema educativo? Tive de mudar algumas coisas porque tinha crianças de língua não materna portuguesa. Esse foi o meu maior desafio. Tive de remodelar o meu modo de ensino, os meus planos, e tentar trabalhar de modo a dar mais apoio a essas crianças. Quando queria contar uma história, a alunos de três anos, tinha de usar coisas mais visuais. Tive de me adaptar.
É preciso inovar no sistema educativo local? Em termos de recursos humanos e não só de docentes, mas ter, por exemplo, mais formação para o pessoal auxiliar? Em relação ao pessoal auxiliar, ou agentes de ensino, nenhuma das pessoas que temos cá tem formação em educação. Em Portugal já há esse curso e acho que seria importante ter cursos de formação aqui. Sentimos que é importante, e fazia a diferença e sentido. Em termos de apoio pedagógico ou de medidas para crianças com necessidades educativas especiais, há lacunas?
“Sentimos falta, com a quantidade de crianças que temos tido, de termos mais terapeutas da fala.”
não tem mãos a medir com tantas crianças. Seria importante termos um terapeuta mais dirigida para a nossa escola e não um profissional que tenha de andar por várias escolas. Pelo menos que estivesse a tempo parcial.
No nosso caso, não temos necessidade de mais terapeutas. Temos duas educadoras a tempo inteiro para o apoio ao aluno inclusivo, três conselheiras escolares e uma psicóloga. Sentimos falta, com a quantidade de crianças que temos tido, de termos mais terapeutas da fala. Começamos a sentir que a pessoa que dá a terapia da fala
É necessária uma flexibilização do sistema de recrutamento no sector da educação? Acho que sim. Não temos direito a um terapeuta só para nós, temos de seguir algumas normas, como termos um número de alunos suficiente. Mas depois têm poucas horas por semana. Os alunos recebem esse apoio, mas não é necessário para resolver alguns casos. Há
pais que têm de recorrer ao apoio privado, e a maioria das terapeutas só fala chinês. Terapeutas que dominam o português são poucos. Aquando da saída de Lola Flores do Rosário foi noticiado que havia questões relacionadas com orçamentos por clarificar. Tudo isso já foi resolvido? Sim, penso que foi sobretudo sobre o financiamento do Fundo de Desenvolvimento Educativo, da DSEJ. Mas já está tudo resolvido. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
4 política
13.9.2017 quarta-feira
Ella Lei, líder da lista União para o Desenvolvimento, queixa-se de ser alvo de difamações anteriormente feitas à sua antecessora, Kwan Tsui Hang. A candidata fez ontem campanha junto à Rotunda de Carlos da Maia, mas os potenciais eleitores mostraram-se mais interessados nos espectáculos
A
S 24 listas candidatas às eleições legislativas do próximo domingo têm percorrido as ruas com panfletos e actividades. Ontem foi a vez de Ella Lei, número um da lista União para o Desenvolvimento, que esteve presente numa acção de campanha junto à Rotunda de Carlos da Maia. Junto ao mercado dos Três Candeeiros, os apoiantes da lista envergavam roupa de cor vermelha com corações, a imagem oficial da lista 16. No meio de panfletos e holofotes, a plateia, na sua maioria idosa, mostrou-se mais atenta à música e ao espectáculo do
O
ELEIÇÕES NA ROTUNDA CARLOS DA MAIA, A POLÍTICA NÃO IMPORTA MUITO
Difamações e espectáculo difamatórios nos últimos dias, que já estariam associados a Kwan Tsui Hang quando esta era número um da candidatura ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau. A candidata explicou ainda que, como Kwan Tsui Hang está de saída da Assembleia Legislativa, os actos de difamação foram transferidos para si.
Ella Lei disse ter vindo a ser alvo de difamação nos últimos dias, algo que já estaria associado a Kwan Tsui Hang
que às ideias políticas que ali se iam discutir. Duas pessoas com quem o HM falou afirmaram que se dirigem à Rotunda de Carlos da Maia todas as vezes que se realizam actividades das listas candidatas às eleições. Num dos locais mais populosos do território, junto à Avenida Horta e Costa, o objectivo de quem ali vai não parece ser ouvir debates políticos ou pensar sobre o trabalho dos deputados, mas sim ver
Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) veio ontem garantir que “manifesta respeito em relação à decisão de um caso relacionado com o direito de reunião e as eleições para a Assembleia Legislativa (AL) do Tribunal de Última Instância (TUI)”. A decisão em questão tem que ver com a lista encabeçada por Sulu Sou, ligada à Associação Novo Macau. Na passada segunda-feira, o TUI tornou público um acórdão em que concede provimento ao recurso interposto por Wong Kin Long, membro da
os espectáculos organizados pelas listas candidatas à Assembleia Legislativa. Sou, de 90 anos, disse que as actividades realizadas no local trazem mais dinamismo a quem ali vive. Política à parte, este residente considera que o Governo deveria organizar mais eventos naquela pequena rotunda, para impulsionar mais o bairro. Quando questionados sobre o sistema político, os dois idosos deram respos-
tas vagas, revelando mais incertezas do que ideias concretas. “Não sei muito sobre assuntos sociais”, disse Wong, de 67 anos. Mesmo sem uma opinião formada, Wong admitiu que vai votar no próximo domingo, por ser uma obrigação que deve cumprir como residente permanente.
ACTOS E ACUSAÇÕES
À margem da actividade de apelo ao voto, Ella Lei disse
Os juízes é que sabem IACM diz que respeita acórdão do TUI
lista Associação do Novo Progresso de Macau. Em causa estava o facto de o IACM não ter autorizado a realização de reuniões no âmbito da campanha eleitoral que está a decorrer. O organismo justificava a recusa com o facto de o aviso prévio de reuniões, assinado por Wong Kin Long, ter sido feito em nome da lista concorrente à eleição por sufrágio directo.
O candidato ainda recorreu junto do IACM, mas foram invocadas “razões novas” para impedir a reunião em causa, explica o TUI no acórdão que tem como relator o juiz Viriato Lima. O caso seguiu assim para o tribunal superior do território. “Exige-se das autoridades públicas que têm poderes para negar o exercício de direitos previstos na Lei Básica que o façam funda-
que a concorrência este ano é uma das maiores da história política do território, tendo assumido a existência de vários desafios nos últimos dias de campanha. A candidata garantiu que, apesar de ter trabalhado muito desde que o arranque da campanha, os trabalhos relacionados com os assuntos sociais não têm parado. Ella Lei contou ainda ter vindo a ser alvo de boatos
mentadamente e com o mínimo de consistência”, lê-se na decisão. O TUI “não vislumbra nenhum fundamento para impedir a reunião por se ter invocado como promotora a lista candidata às eleições para a AL”, dando assim razão ao candidato. No acórdão, os juízes recordam que a reunião não deve afectar a utilização dos espaços públicos afectos à utilização de outras candidaturas, por decisão da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL). O IACM aproveita a deixa para se pronunciar sobre esta questão
O caso já estará em tribunal, mas Ella Lei adiantou que os actos de difamação não terminaram. Segundo a candidata, grupos de pessoas terão empunhado cartazes com fotografias suas na zona das Portas do Cerco, com várias frases de acusação. Nessas acções, Ella Lei foi acusada de participar em actividades de incitamento ao voto, mas a candidata disse não ter estado sequer presente. A líder da lista 16 acrescentou que já foi feita uma queixa junto da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa. Vítor Ng (com A.S.S.) info@hojemacau.com.mo
na nota enviada ontem às redacções, recordando que “a CAEAL, mediante sorteio público, repartiu de forma igualitária 19 lugares públicos para utilização das listas de candidatos, para fins de divulgação das suas candidaturas”. Deste modo, os candidatos “não podem proceder à utilização em comum ou à troca de lugares e edifícios, de locais de espectáculos e de outros recintos de normal acesso público cujo uso lhes seja atribuído mediante sorteio público”.
política 5
quarta-feira 13.9.2017
T
LEI FRACA
Jason Chao recorda que existem decisões do Tribunal de Última Instância que já se pronunciaram sobre esta matéria e que têm mais
JUSTIÇA PAUL CHAN WAI CHI ACUSADO DE DESOBEDIÊNCIA AGRAVADA
A bandeira do candidato
Ontem, à saída da CAEAL, o cabeça-de-lista da Associação do Novo Progresso de Macau tinha a polícia à espera. Em causa está uma queixa-crime contra Paul Chan Wai Chi por desobediência agravada devido a afixação de uma bandeira em local público. O progressista pediu um esclarecimento à CAEAL e o caso vai seguir para o Ministério Público HOJE MACAU
UDO começou na tarde de segunda-feira, no Fai Chi Kei, quando um grupo de voluntários da Associação do Novo Progresso de Macau se juntou para uma acção de campanha. Tudo decorria com normalidade até que apareceram elementos da Polícia de Segurança Pública (PSP) que alegaram que havia bandeiras afixadas num lugar público. Segundo os agentes da autoridade, a actuação era contrária à lei eleitoral, o que levaria à detenção dos voluntários responsáveis pela afixação da propaganda. O problema é que a polícia não conseguiu identificar qual o voluntário que colocou as bandeiras, alegadamente, num acto ilegal. No meio da confusão, e numa tentativa de perceber o que se passava, Paul Chan Wai Chi disse ser o responsável pelos voluntários, o que levou os agentes da PSP a tentar detê-lo. De acordo com Jason Chao, o cabeça de lista dos pró-democratas foi levado, de seguida, para um carro da polícia, onde lhe foram pedidos os dados pessoais, mas sem lhe ter sido feita qualquer referência a crime de desobediência agravada. Depois de meia hora num veículo da polícia a trocar argumentos jurídicos, Paul Chan Wai Chi foi libertado. Quando se dirigia para casa recebeu uma chamada para se deslocar à esquadra e assinar o documento que atesta a descrição dos factos passados no Fai Chi Kei. O líder da lista dos pró-democratas cooperou e deslocou-se ao posto policial às 21h de segunda-feira. Por volta da meia-noite, a PSP emitiu um comunicado de imprensa onde se alegava que Paul Chan Wai Chi tinha confessado o crime de desobediência agravada. Em resultado do acontecido na segunda-feira, Paul Chan Wai Chi deslocou-se ontem aos serviços da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa para clarificar as restrições ao direito de reunião.
Jason Chao, activista “Não diria que a CAEAL está por trás disto, mas é parte do caos.”
valor que os regulamentos que a PSP citou para justificar a sua actuação. Além disso, o ordenamento jurídico de Macau tem leis de valor superior que são contraditórias às citadas restrições regulamentadas. O ex-presidente da Associação Novo Macau não tem dúvidas de que este “é um caso de abuso de poder e desrespeito da lei”, além de ser um atropelo à hierarquização de normas jurídicas. “Não diria que a CAEAL está por trás disto, mas é parte do caos”, comenta. O tribunal superior de Macau já havia decidido que a ocupação de espaços públicos constitui um elemento indestrinçável dos direitos à liberdade
de expressão e reunião consagrados no Artigo 27.º da Lei Básica. A única restrição que o órgão judicial mencionou na sentença, e que foi argumentado pela polícia para justificar a restrição aos locais específicos escolhidos pela
CAEAL, foi o Artigo 86.º da Lei Eleitoral. Ora, esse preceito estabelece apenas que os locais públicos devem ser repartidos entre os candidatos de forma igual. Nesse contexto, Jason Chao entende que “a acção policial é totalmente con-
trária à lei e às decisões do tribunal” e “é por isso que Paul Chan Wai Chi apresentou os seus argumentos legais à CAEAL a exigir uma clarificação”. À saída das instalações na Rua do Campo, o líder dos progressistas tinha à
espera dois agentes da polícia que o aguardavam para recolher a sua assinatura para o documento onde vêm discriminados os factos que dão origem ao processo-crime. De acordo com Jason Chao, a polícia informou o candidato que o processo seguirá para o Ministério Público (MP). A PSP apresentou uma versão dos factos que não coincide com a visão de Paul Chan Wai Chi, limitando-se a dizer que estava a executar a Lei Eleitoral. Jason Chao argumentou que “a protecção de direitos fundamentais, o direito de assembleia e a Lei Básica estão acima da lei eleitoral, e que as leis menores não se podem sobrepor às leis superiores”. Esses argumentos deveriam constar do documento. Como tal, os agentes aceitaram reescrevê-lo e, uma vez assinado, seguirá para o MP. “O caso segue para as mãos do procurador Ip Son Sang, é uma queixa-crime”, esclarece Jason Chao. O activista acrescentou que “não podiam detê-lo porque é candidato e o crime não é punível com pena superior a três anos”. Em vésperas das eleições, este será um caso que deverá continuar nos tribunais bem depois de escolhido o novo elenco da AL. João Luz
info@hojemacau.com.mo
Eleições CCAC reforça fiscalização no combate à corrupção
O Comissariado contra a Corrupção (CCAC) emitiu um comunicado onde afirma ter reforçado a fiscalização à corrupção eleitoral desde o passado dia 2, dia que marcou o início do período de propaganda eleitoral. A entidade fiscalizadora diz estar atenta a actividades organizadas por associações ligadas a candidatos que ofereçam benefícios a eleitores tais como refeições, viagens e subsídios. Em comunicado, o CCAC refere que tem vindo a realizar acções de fiscalização em actividades de campanha de forma a detectar irregularidades. Para que seja dado seguimento a actos ilícitos eleitorais, o CCAC e a CAEAL vão abrir uma linha dos dias 16 e 17 de Setembro, com o número 28997733, para denúncias de atropelos à Lei Eleitoral.
6 sociedade
13.9.2017 quarta-feira
CATÁSTROFES MAIS DE 1200 OPINIÕES SOBRE MECANISMO DE RESPOSTA
Mar de preocupações
Vão para análise e estudo as ideias da população sobre o modo como a cidade deve responder a grandes catástrofes. A recolha de opiniões está concluída. Mais de 1200 pessoas enviaram sugestões ao think tank do Governo
F
OI uma das respostas oficiais à tragédia que o Hato trouxe à cidade: o Gabinete de Estudo das Políticas do Governo decidiu ouvir a população sobre o mecanismo de resposta a grandes catástrofes. Ontem, terminado o período de auscultação, o think tank anunciou que, em 15 dias, recebeu 1264 opiniões e sugestões, o que revela uma participação “muito activa e zelosa”. O gabinete não divulgou as sugestões feitas, mas fez um resumo dos temas abordados: estão relacionadas com o mecanismo de alerta nas situações de catástrofe, a organização das operações de protecção civil, a divulgação de notícias, a construção e a administração da cidade, bem como a partilha de experiências de outras regiões. As opiniões recebidas vão ser agora reencaminhadas para a Comissão para a Revisão do Mecanismo de Resposta a Grandes Catástrofes e o seu Acompanhamento e Aperfeiçoamento, presidida pelo Chefe do Executivo, “de modo a avaliar eficientemente o mecanismo actual de resposta às crises futuras, e servindo de referência para o plano global de resposta eficaz à gestão de crises”. Recorde-se que, duas semanas após a passagem do tufão Hato, o Governo anunciou a criação de uma nova direcção de “prevenção especializada de resposta e trabalhos de acompanhamento após catástrofe natural ou incidentes de segurança”.
A nova direcção ainda não tem data para ser criada, mas tem o nome provisório de Direcção de Protecção Civil e de Coordenação de Contingência. Numa conferência de imprensa da Comissão para a Revisão do Mecanismo de Resposta
a Grandes Catástrofes e o seu Acompanhamento e Aperfeiçoamento, o secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, disse que a nova direcção vai ficar sob a sua tutela. Vai ficar também responsável pelo Centro de Operações da Protecção Civil,
O think tank anunciou que, em 15 dias, recebeu 1264 opiniões e sugestões, o que revela uma participação “muito activa e zelosa”
que passará a chamar-se Centro de Protecção Civil e de Operações de Contingência. A direcção vai ter “funcionamento permanente e contínuo”, e vai ficar encarregada da “divulgação e sensibilização permanente” sobre catástrofes naturais e de incidentes de segurança. O tufão Hato, o mais forte registado em Macau nos últimos 53 anos, causou dez mortos e mais de 240 feridos.Aresposta do Governo à tragédia foi muito criticada.
HATO EDIFÍCIO CLASSIFICADO NA RUA DA BARCA EM RISCO
A
passagem do tufão Hato pelo território colocou em perigo de queda um histórico edifício localizado na Rua da Barca, que foi classificado pelo Instituto Cultural. De acordo com o jornal Ou Mun, os moradores da zona estão preocupados com a pos-
sibilidade de o prédio vir mesmo a ruir caso novas tempestades passem por Macau. O edifício estará ainda mais inclinado, com parte da vedação partida, ainda que os peões continuem a circular ali perto sem medidas de segurança adicionais, escreve o diário.
Um residente disse que, nos últimos quatro anos em que as obras no edifício têm estado suspensas, o prédio tem sofrido o impacto de ventos e chuvas, tendo receio de que os peões possam sofrer acidentes. O mesmo entrevistado espera que o Governo adopte
medidas de segurança mais fortes, para evitar mais consequências com a passagem de um novo tufão. Em 2013, o proprietário do edifício em causa decidiu demolir o prédio na totalidade, mas o IC decidiu classificá-lo como um espaço histórico que
necessita de protecção. No seu interior, contudo, há estruturas já demolidas. O crescimento de árvores no exterior pode ainda levar à queda de algumas paredes, noticia o diário em língua chinesa.
RECUPERAÇÃO CENTRO CULTURAL DEVERÁ RECEBER FIMM
A
INDA não há data para que seja retomado o funcionamento normal do Centro Cultural de Macau (CCM). Em nota de imprensa, o Instituto Cultural (IC) explicou ontem que foi já removida a estrutura perigosa no telhado do edifício, que ficou com grandes danos devido à passagem do tufão Hato pelo território. Os técnicos da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) já retiraram a pala do telhado do CCM, que apresentava riscos para a segurança pública. O CCM encontra-se agora a levar a cabo uma vistoria e trabalhos de manutenção internos. “O funcionamento normal será retomado quando se mostrar adequado”, afirma o IC. Depois de uma inspecção e análise de riscos, o pessoal do IC e da DSSOPT chegou à conclusão de que o edifício não sofreu danos estruturais. O Instituto Cultural promete manter uma comunicação estreita com a DSSOPT, esperando que os trabalhos de reparação possam ser concluídos com a maior brevidade possível para que o CCM entre de novo em funcionamento. Neste momento, estão a ser feitos os trabalhos de limpeza e recuperação das zonas em redor do Centro Cultural. O IC acredita que as actuações do XXXI Festival Internacional de Música de Macau vão decorrer conforme está previsto.
Pediatria Cerca de 1300 crianças no Centro de Avaliação Conjunta
Desde que entrou em actividade, em Junho do ano passado, o Centro de Avaliação Conjunta Pediátrica dos Serviços de Saúde já fez a avaliação de mais de 1300 crianças. Na informação, dada ontem pelo canal chinês da Rádio Macau, Tai Wa Hou, director do serviço, avança ainda com a redução do tempo de espera que passou de um ano para um mês. Já o Centro de Reabilitação Operacional, que abriu este ano, e que tem a seu cargo as terapias ocupacional e da fala, reduziu o período de espera em cerca de metade do tempo. Tai Wa Hou recordou ainda que, antes da criação do Centro de Reabilitação Pediátrica, cabia às unidades de fisioterapia e de reabilitação do Centro Hospitalar Conde de São Januário este tipo de intervenção, sendo que os tempos de espera iam de 15 a 24 meses. Neste momento, a terapia da fala tem uma espera de cinco a nove meses, enquanto os que precisam de terapia ocupacional deverão aguardar entre oito e 11 meses.
sociedade 7
quarta-feira 13.9.2017
A
Polícia Judiciária (PJ) tem desde ontem um posto da Divisão de Investigação e Combate ao Tráfico de Estupefacientes em Mong Há, na Rua de Francisco Xavier Pereira. Com a nova estrutura, as autoridades policiais pretendem melhorar a capacidade de resposta ao tráfico transfronteiriço de droga que ocorre na Zona Norte do território. Em comunicado, a PJ recorda que, nos últimos anos, a maioria da droga vendida no mercado local é comprada fora de Macau. Dado que os postos fronteiriços das Portas do Cerco e da Zona Industrial Transfronteiriça de Zhuhai-Macau se localizam na Zona Norte, e que a construção da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau estará concluída em breve, “é previsível que os criminosos tentem utilizar estes novos postos fronteiriços para efectuar o tráfico de droga”. A PJ lembra ainda que, no passado, foram desmantelados locais de produção de estupefacientes, de grande envergadura, nesta mesma área da cidade, zona que tem a maior densidade populacional e onde ocorrem muitos casos ligados a drogas. Atendendo a este contexto, com o novo posto em Mong Há as autoridades policiais esperam poder movimentar melhor os agentes. A distância entre as novas instalações e os postos fronteiriços na zona norte percorre-se em menos de dez minutos, salienta a PJ, “permitindo melhorar a reacção aos crimes de droga”.
AMBIENTE VEÍCULOS VERDES REPRESENTAM PERCENTAGEM MINÚSCULA
Sem rodas para andar No final de Agosto, Macau tinha registados 203 veículos movidos a energias renováveis, uma parcela ínfima do valor global. Esta semana, foi anunciado na Agência Xinhua que a China tenciona proibir a produção e venda de carros a gasolina e gasóleo
N
A semana passada, a Direcção para os Assuntos do Tráfego (DSAT) anunciou o reembolso total do imposto pago na compra de um veículo danificado pelo tufão Hato caso o lesado escolhesse comprar um carro, ou motociclo, novo e amigo do ambiente. Os serviços deram como exemplo veículos eléctricos,
U
M grupo de proprietários de veículos que ficaram inundados com a passagem do tufão Hato dirigiram-se esta semana à Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) para a entrega de uma carta onde expressam as suas opiniões e queixas sobre as medidas a adoptar pelo Governo acerca desta matéria. O representante dos donos dos veículos, de apelido Ng, disse que as inundações registadas em cinco parques de estacionamento públicos provocaram estragos em 700 veículos.
ANTÓNIO FALCÃO
PJ NOVO POSTO DE COMBATE À DROGA EM MONG HÁ
De 242.718 veículos, apenas 164 são eléctricos, uma percentagem de 0,07%
ou que usem a energia solar ou gás como combustíveis. De acordo com dados fornecidos pela própria DSAT, no final de Agosto estavam registados em Macau 203 veículos eléctricos. Desse reduzido universo, 22 pertencem à Função Pública, 14 à CEM e três pertencem aos serviços do aeroporto. Ou seja, de um total de 242.718 veículos, apenas 164 são eléctricos e têm donos privados, o que representa a ínfima percentagem de 0,07. Carros movidos a energia solar não existem, enquanto os que usam gás como combustível são 99, todos veículos pesados de transporte de passageiros. A aposta tímida neste tipo de transporte não é coisa de agora.
Em 2006, a arquitecta Maria José de Freitas apostou no sector. Conseguiu o contacto de uma fábrica em Shenzhen que produzia os automóveis, e outra que fazia e reciclava baterias, ambas patrocinadas pelo Governo Central. “O ciclo era perfeitamente controlado. Consegui trazer esses carros para cá, estiveram em exposição no Venetian por dois anos consecutivos, mas não havia legislação que suportasse isso em Macau, não havia forma de autenticar a utilização dessas viaturas”, conta.
recção dos Serviços de Protecção Ambiental. “Foi uma corrida de obstáculos permanente, extremamente desgastante”, recorda. Desde então, apesar de haver enquadramento legal, pouco mudou na realidade de Macau quanto ao uso de veículos amigos do ambiente. No final de Agosto estavam registados 86 motociclos “verdes”, o que, num universo total de 94.865, representa uma percentagem de 0,09. A China, o maior mercado automóvel do mundo, anunciou que vai proibir a venda e produção de carros a gasolina e gasóleo, seguindo os exemplos da França, Reino Unido, Noruega e Índia. Apesar de ainda não ter data estabelecida, a decisão promete abalar a inteira indústria automóvel. Maria José de Freitas acredita que esta medida pode mudar totalmente o jogo. A entrada em campo da Tesla já havia mudado ligeiramente o panorama cultural onde conduzir um carro eléctrico não dava status. Independentemente de questões culturais, a Ford, General Motors e Volkswagen, que estão instaladas na China, já anunciaram a produção de carros 100 por cento eléctricos.
PROIBIÇÃO ECOLÓGICA
Maria José de Freitas enfrentaria uma batalha quixotesca, um jogo do empurra entre a DSAT e a Di-
Uma leva de queixas
Proprietários de carros inundados entregam carta na DSAT
Segundo o Jornal do Cidadão, os proprietários pedem que sejam feitas melhorias na medida de redução do imposto, uma vez que há pessoas que não estão interessadas em comprarem novos automóveis. Esta é uma situação que não está prevista nas medidas anunciadas pela DSAT, e pedem, por isso, que sejam pagas indemnizações. Os donos dos veículos pedem ainda que sejam concedidos empréstimos
sem juros para quem ainda não terminou de pagar o carro, montante que, reivindicam, deveria ser pago aquando do cancelamento das matrículas.
NEGLIGÊNCIA?
A carta exige ainda ao Governo que apure se existiu negligência por parte das empresas que gerem os parques de estacionamento, uma vez que algumas infra-estruturas não funcionaram, o que le-
vou a que vários auto-silos tenham ficado inundados durante seis dias. U Wai Kun, presidente da Associação de Reciclagem de Veículos de Macau, esteve presente no local e revelou que não concorda com as medidas adoptadas pelo Governo, pois o tratamento dos carros inutilizados será feito pela Administração, o que vai trazer consequências negativas para o sector da reciclagem.
João Luz
info@hojemacau.com.mo
Para U Wai Kun, seria mais viável que os proprietários entregassem directamente as suas viaturas nos locais de ferro velho. Si Ka Lon, candidato às eleições, esteve presente no local e defendeu que, no futuro, a DSAT deve aumentar os requisitos para as empresas aquando da realização de novos concursos públicos para a gestão de parques de estacionamento. O candidato disse ainda que o Governo deve legislar o mais depressa possível sobre assuntos relacionados com catástrofes naturais.
8 eventos
Detalhe da ilustração de Gonsalo Oom
GONSALO OOM ARQUITECTO
“Gosto da influência das igrejas no espaço urbano” É a sua primeira exposição individual no território. O que é que vamos ver na Creative Macau? A exposição chama-se “Desenhos Expressionistas de Macau” e tem que ver com a minha leitura e interpretação do território. São desenhos artísticos. Não são tão figurativos como os que faço em arquitectura, e deixam margem para uma interpretação. Sou arquitecto e normalmente temos de fazer desenhos sempre
SOFIA MARGARIDA MOTA
“Desenhos Expressionistas de Macau” é a exposição de Gonsalo Oom que mostra, a partir do dia 28, uma série de trabalhos acerca da paisagem do território. As obras vão estar na Creative Macau e trazem, na sua maioria, a interpretação do (também) arquitecto da expressão urbana da península
13.9.2017 quarta-feira
muito rigorosos, o que não acontece neste caso. Da arquitectura ao desenho artístico. Como é que aconteceu esta passagem? Comecei a desenhar para dar os trabalhos de presente aos meus amigos que casavam. Desenhava igrejas essencialmente. Têm que ver com arquitectura e era uma coisa de que gostava. Não tinha muito dinheiro e era um bom presente. Recordo que, na altura, tinha tanto trabalho acerca deste tipo de edifícios que quase que dava para fazer um roteiro das igrejas de Lisboa. Já na altura desenhava a carvão. Esta exposição também é maioritariamente a carvão. Sim. O carvão tem algumas particularidades, um bocadinho como o que acontece nos materiais que se escolhem na pintura. Há desenhos em que, por exemplo, uso aquilo que pode ser visto como tinta-da-china, mas não o é. É tinta de cargas de caneta em que também é requerida uma técnica específica. Quando tiro a carga da caneta, a tinta começa a borrar e há que saber controlar esse borrão. É uma mancha que se vai trabalhando para se retratar o que se está a ver, mas de uma forma, digo, expressionista. Este trabalho também depende de uma série de factores, como a emoção. É tudo desenhado à vista. Não dá para estar em casa a ver fotografias. Mas há sempre algumas dificuldades
quando se sai para desenhar à vista. Temos sempre de lidar com insectos, com o calor e mesmo com pessoas. Desenhei uma vez ali em frente à Escola Portuguesa e quando os alunos saíram e me viram a trabalhar não consegui fazer mais nada. O mesmo aconteceu nas Ruínas de São Paulo. Encontrei um sítio porreiro, mais discreto, mas as pessoas acabaram por me descobrir. Gosto mais de estar recatado. Não desisto, mas estas situações acabam por interferir no trabalho. Macau é um lugar fotogénico? Sim. Os contrastes que existem no território, apesar de nem sempre serem bons, resultam muito bem no desenho.
“Gosto também, ao nível urbano, da influência dos casinos, da massa formada por eles.” Que lugares escolheu para desenhar para esta mostra? Lá está, vamos ter igrejas e outras situações urbanas. Gosta especialmente de igrejas? Gosto da influência das igrejas no espaço urbano. A igreja é um local de conforto e de calma. Agora são mais as lojas, em Macau. Uma pessoa entre numa loja e tem a oportunidade de se refrescar, mas acho que antigamente as
pessoas também iriam para as igrejas com esse objectivo (risos). Gosto também, ao nível urbano, da influência dos casinos, da massa formada por eles. Desenhei umas coisas para umas paredes grandes, era uma sequência de painéis com a skyline de Macau vista da Taipa. Tenho alguns trabalhos assim, nesta mostra. Enquanto arquitecto, como vê a alteração da paisagem local? Acho óptimo. Quer dizer, não deixa de provocar alguma perturbação porque as coisas parecem não ter controlo e há situações muito fortes. Em termos de urbanismo há coisas que “chocam”. Chegar às Ruínas de São Paulo e
eventos 9
quarta-feira 13.9.2017
EXPOSIÇÃO O VIDRO É A ARTE DE SUNNY WANG HOJE NA CHÁVENA
A
TÉ ao dia 19 de Novembro, quem passar pela Galeria de Exposições Temporárias do Instituto de Assuntos Cívicos e Municipais poderá ver “Fluxo”, uma mostra do trabalho de Sunny Wang. A artista tem o vidro como principal meio de expressão, dedicando-se há já vários anos ao ensino e a actividades criativas relacionadas com este material, explica o Instituto Cultural (IC). A exposição é constituída por 20 instalações de vidro da artista, fortemente marcadas por elementos culturais orientais. O IC destaca a obra “As Pedras Poéticas”, uma
instalação composta por 28 pedras negras de diferentes formas e tamanhos, feitas de vidro, inspiradas no poema budista “Dez Touros” e na fonologia chinesa. O padrão das 28 pedras, dispostas em quatro linhas com sete pedras cada, é análogo ao padrão de ritmos e tons na estrutura das quadras de sete caracteres. O IC faz ainda referência a outra obra, “Ru” (如), composta por sete peças, uma série sobre o ciclo da semana, “exprimindo simbolicamente o fluxo da vida”. Ao mesmo tempo, a artista “aproveitou os sete tesouros do Budismo para representar as sete forças
espirituais, nomeadamente a confiança, perseverança, sensatez, tranquilidade, consciência, concentração e sabedoria”. Sunny Wang é professora assistente na Universidade Baptista de Hong Kong. Recebeu uma menção honrosa no âmbito da Exposição Internacional de Vidro Kanazawa, no Japão, e o primeiro prémio na Categoria de Material Único dos Golden Glass Awards, em Taiwan. A artista participou em exposições em vários países, tais como Austrália, Alemanha, França, Itália, Maldivas, Singapura, Coreia do Sul e Interior da China.
CABARET CRAZY HORSE PARIS CHEGA A MACAU
V
AI estar pela primeira vez no território, de 1 a 12 de Novembro, o espectáculo de cabaret para adultos mais famoso do mundo. Pelas mãos da companhia Crazy Horse Paris, a apresentação é um “best of” de “Forever Crazy” e traz a Macau um “espectáculo erótico e cheio de glamour que inclui dança, música e muita sensualidade”, diz a organização a cargo do Sands China. O evento tem lugar no Teatro Parisian, e acolhe em
palco um elenco multicultural de dez bailarinas com formação clássica e “vestidas apenas pela iluminação do espaço”. De acordo com a nota enviada à comunicação social, “o efeito é tão incrível que é difícil determinar onde a pele acaba e as reflexões começam”. A organização destaca a sofisticação da apresentação, em que ao clássico cabaret burlesco é acrescentado “um toque de modernidade e de humor”. O público pode esperar “um caleidoscópio de be-
leza, graça, paixão e precisão em sapatos exclusivos desenhados por Christian Louboutin”. A música é marcada pelos sons do jazz alternado com composições electrónicas da actualidade. O “Forever Crazy” foi criado em 1951 pela já lendária companhia de cabaret, como homenagem a Alain Bernardin, o fundador da Crazy Horse. Os bilhetes vão ser disponibilizados a partir do dia 19 com valores entre as 180 e as 680 patacas.
ACROBACIA BILHETES PARA “MULAN” JÁ À VENDA
O ver o prédio que está atrás é muito estranho. É um edifício que acaba por estragar um elemento icónico do património. Vim pela primeira vez para Macau em 2006. Voltei para Portugal pouco depois e regressei em 2013 numa altura de muita construção, pelo que assisti a muita transformação que acabou por afectar a paisagem. Já participou noutras exposições – e também na Creative Macau – com outro tipo de trabalhos. Sim. Já participei com objectos, principalmente com peças de mobiliário. Desenhar móveis é uma obsessão que tem que ver com a tridimensionalidade. Esta oportunidade foi uma sorte.
“Uma pessoa entra numa loja e tem a oportunidade de se refrescar, mas acho que antigamente as pessoas também iriam para as igrejas com esse objectivo.” Tenho um dos meus desenhos integrado na exposição que está a decorrer no mesmo local actualmente, e a responsável, Lúcia Lemos, constatou que tinha um espaço de um mês para preencher e acabou por me convidar. A minha primeira ideia até
foi uma exposição com os trabalhos feitos pelas pessoas de Macau que desenham. Há muita gente a fazer isso e que depois não tem como mostrar o que faz. Achei que seria giro fazer uma coisa dessas. Será o próximo passo. Já alguma vez pensou em dedicar-se apenas à pintura e ao desenho? Caso não tivesse trabalho como arquitecto, dedicava-me ao desenho a tempo inteiro. É uma coisa natural em mim, mas é preciso trabalho. Não é uma coisa que se possa dizer que as pessoas têm jeito. É preciso trabalhar muito também. O jeito não é o fundamental. Sofia Margarida Mota
sofiamota.hojemacau@gmail.com
68.º aniversário da implantação da República Popular da China vai ser assinalado em Macau com o espectáculo acrobático “Mulan”. A iniciativa resulta de uma aliança entre o Instituto Cultural (IC) e o Departamento de Cultura e Educação do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM, com a co-organização do Instituto do Desporto. O espectáculo está a cargo da Companhia de Artes Acrobáticas de Chongqing, que vai fazer duas apresentações,
a 30 de Setembro e 1 de Outubro, pelas 20h, no Fórum de Macau. Os bilhetes foram colocados ontem à venda. O IC explica, em nota de imprensa, que a Companhia de Artes Acrobáticas de Chongqing irá reinterpretar a célebre história de Hua Mulan “com os seus extraordinários actos acrobáticos, incutindo um novo vigor nas artes cénicas tradicionais através da fusão da acrobacia e de outras formas típicas de expressão artística chinesa, como dança, kung fu, teatro
de sombras e mudança de rosto (‘bian lian’), etc.”. A organização indica ainda que Mulan representa “a devoção da guerreira pelo seu pai, a lealdade ao país e o espírito destemido de um verdadeiro herói, permitindo ao público desfrutar de uma nova experiência de grande impacto visual que dá vida a cenas de guerra monumentais, através dos exigentes e vertiginosos actos acrobáticos da companhia”. Os bilhetes custam entre 100 e 200 patacas.
Música no Coração Produção procura talentos locais O lendário musical da Broadway “Música no Coração” está à procura de jovens locais para interpretarem os famosos filhos Von Trap. Os castings de selecção vão decorrer no território na próxima segunda-feira sendo que, diz a organização, “é uma oportunidade única para os jovens locais talentosos de represen-
tarem num espectáculo aclamado mundialmente e de trabalharem com uma equipa de renome”. Os interessados, entre os 6 e os 14 anos, devem proceder à inscrição prévia online através do site www.soundofmusicmacao.com. O espectáculo será representado no território no mês de Dezembro.
10 publicidade
13.9.2017 quarta-feira
Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética Notificação n.° 027/2017 Considerando que não é possível notificar pessoalmente o interessado, nos termos do n.º 1 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, fica, pela presente, notificada, ao abrigo do artigo 68.° e do n.º 2 do artigo 72.º do referido Código, a empresa comercial abaixo mencionada, que obteve o financiamento do Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética: Nome do beneficiário FONG, CHI LONG PUN CHI MENG E.I. WU WAI TONG
N.º de registo de entrada FP1002150 FP1002208 FP1003499
SAUNAS BOSS LIMITADA
FP1003517
AGENCIA DE VIAGENS ENERGIA ,LIMITADA EAST START, GRUPO DE ENTRETENIMENTO E GESTÃO LIMITADA 富鏘有限公司 SI MEI LENG PANG WAI CHENG CHONG, KA MAN
FP1004037 FP1004914 FP1005209 FP1005475 FP1005826 FP1005964
IEONG, HOU
FP1005983
WONG WA TSUI MAY CHEE JANICE AGÊNCIA COMERCIAL IO PANG LIMITADA
FP1006310 FP1006374 FP1006507
Nome do beneficiário LEONG, KAO KAI TAM ION FAN KONG LON COMPANHIA DE UTENSILIOS DE COZINHA CHUNG WAH (MACAU), LIMITADA CHINNERY CAFE LDA. COMPANHIA DE PRODUCOES E ENTRETENIMENTO PRIDE, LDA LEI, KAM SAO WONG, IO IENG U, WAI KUN VU, KUOK FONG COMPANHIA DE TECNOLOGIA DE PROTECÇÃO AMBIENTAL NA NANG LIMITADA LAM, TAK VA KOU TONG IEONG CASA DE CHÁ CANTONÊS TUNG YU, LIMITADA
N.º de registo de entrada FP1006820 FP1006872 FP1007086
Anúncio Concurso público nº 02/DSAL/2017 Prestação de serviços de limpeza à Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais
FP1007104 FP1007234 FP1007298 FP1007364 FP1007373 FP1007377 FP1007421 FP1007426 FP1007473 FP1007589 FP1007643
A DSPA enviou ao requerente uma notificação por e-mail, para a pessoa de contacto designado pelo requerente, para entregar as informações em falta. A DSPA tem aguardado a entrega dos documentos ou informações necessários para a candidatura ou a respectiva resposta por escrito, de acordo com o que foi exigido na notificação.
A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, em representação da entidade adjudicante, faz público que, por Despacho do Secretário para a Economia e Finanças de 18 de Agosto de 2017 e nos termos do artigo 13.º do Decreto-Lei n.º 63/85/M, de 6 de Julho, se encontra aberto o concurso público para a “Prestação de serviços de limpeza à Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais”. 1. 2. 3. 4.
Nos termos da alínea n.° 2 do artigo 11.° do Regulamento Administrativo n.° 22/2011“Plano de Apoio Financeiro à Aquisição de Produtos e Equipamentos para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética”, “a paragem do processo de candidatura por período superior a 30 dias, por motivo imputável à requerente, equivale à desistência do pedido.” Mais se relembra ao requerente que deve entregar, o mais rapidamente possível, os documentos ou informações necessários para a candidatura ou a respectiva resposta por escrito, de acordo com o que foi exigido na notificação, a partir da data de publicação da presente Notificação, indicando o nome da actual pessoa a contactar, o número de telefone e e-mail. Caso contrário, é considerado como desistência do pedido.
5.
13 de Setembro de 2017. O Presidente do Conselho Administrativo do FPACE Tam Vai Man
6.
7. 8.
9.
Entidade adjudicante: Secretário para a Economia e Finanças. Serviço por onde corre o processo do concurso: Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais. Duração da prestação de serviços: 1 de Janeiro de 2018 a 31 de Dezembro de 2019, um período de 24 meses. Condições gerais dos concorrentes: Podem participar no concurso, as empresas ou os empresários com o registo comercial efectuado na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), cujo âmbito de actividade seja, total ou parcialmente, o serviço de limpeza, e com comprovado cumprimento das suas obrigações fiscais. Local, data e horário para consulta do processo do concurso e obtenção da cópia do processo: Local: Divisão Administrativa e Financeira da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, nos 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 2º andar. Data: a partir da data da publicação deste anúncio no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau até à data e hora marcadas para o acto público do concurso. Horário: Dias úteis (2ª a 6ª feira, das 9:00 horas às 13:00 horas; 2ª a 5ª feira das 14:30 horas às 17:45 horas; 6ª feira das 14:30 horas às 17:30 horas). Custo de aquisição de cópia do processo do concurso: MOP500,00 (Quinhentas patacas). Os interessados no concurso também podem descarregar (download) gratuitamente o programa do concurso e o caderno de encargos na página electrónica da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (http://www.dsal.gov.mo/pt/standard/concurso_publico_c.html). Local, prazo e hora para a apresentação das propostas: Local: Divisão Administrativa e Financeira da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, nos 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 2º andar. Prazo e hora: 16 de Outubro de 2017 (2ª feira), até às 17:30 horas (não serão aceites propostas entregues fora do prazo). Caução provisória: MOP60.000,00 (Sessenta mil patacas), que pode ser prestada por garantia bancária ou depósito em numerário em nome da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais da Região Administrativa Especial de Macau. Local, data e hora do acto público do concurso: Local: Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, nos 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 2º andar, sala de formação 2F-11. Data e hora: 17 de Outubro de 2017 (3ª feira), pelas 10:00 horas. Nota: Os concorrentes ou os seus representantes presentes no acto público do concurso que pretendam reclamar e/ou esclarecer dúvidas eventualmente surgidas nos documentos apresentados, deverão mostrar documentos que atestem o seu estatuto. Sessão de esclarecimento e visita às instalações: A sessão de esclarecimento destinada aos concorrentes terá lugar no dia 21 de Setembro de 2017(5ª feira), pelas 9:30 horas, na Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, sita na Avenida Dr. Francisco Vieira Machado, nos 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 2º andar, sala de formação 2F-09. Após esta sessão será feita uma visita às instalações a que se destina a prestação de serviços deste concurso. 4 de Setembro de 2017. O Director, Wong Chi Hong
china 11
quarta-feira 13.9.2017
CHINA APOIA ESFORÇOS DA BIRMÂNIA PARA “PRESERVAR ESTABILIDADE”
PYONGYANG PEQUIM APELA AO DIÁLOGO APÓS RESOLUÇÃO DO CONSELHO DE SEGURANÇA
Voltem para mesa
O porta-voz chinês apelou aos Estados Unidos e Coreia do Sul para que “evitem
Geng Shuang insistiu que a única saída para a crise é o diálogo, urgindo todas as partes envolvidas a “assumir a sua responsabilidade”, já que “uma solução militar não levará lado nenhum”
acções que compliquem mais a situação” e afirmou que Pyongyang deve “travar o seu programa de desenvolvimento de armas nucleares e de misseis”. Geng Shuang insistiu na proposta chinesa de suspender o programa nuclear da Coreia do Norte em troca do fim das manobras militares dos Estados Unidos na Coreia do Sul. Pequim é o principal aliado e maior parceiro comercial de Pyongyang. Cerca de 80% das importações norte-coreanas de petróleo são oriundas do país vizinho.
Com o apoio da Rússia, que tem também direito de veto no Conselho de Segurança, a China conseguiu suavizar as sanções inicialmente propostas pelos EUA, que queriam uma proibição total de venda de crude, produtos petrolíferos refinados e gás à Coreia do Norte. Geng Shuang insistiu também na “firme oposição” chinesa à instalação do escudo antimísseis norte-americano THAAD na Coreia do Sul, por “colocar em perigo a segurança estratégica da China e de outros países na região”.
pela rebelião, o Exército de Salvação do Estado Rohingya (Arakan Rohingya Salvation Army, ARSA), que defende os direitos da minoria. A ONU estima que mais de um milhar de pessoas, maioritariamente da minoria muçulmana rohingya, pode ter morrido devido à violência no estado de Rakhine, um número duas vezes superior às estimativas das autoridades da Birmânia. As autoridades birmanesas não reconhecem a cidadania aos rohingya e consideram-nos imigrantes, impondo-lhes múltiplas restrições, incluindo a privação de liberdade de movimentos.
MOHAMMAD PONIR HOSSAIN/REUTERS
PRESSÃO SÍNICA
China disse ontem que apoia os esforços das autoridades birmanesas para “preservar a estabilidade” na região oeste do país, onde a violência já levou mais de 300 mil rohingya a procurar refúgio no Bangladesh. “Acreditamos que a comunidade internacional deve apoiar os esforços da Birmânia para preservar a estabilidade do seu desenvolvimento”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, em conferência de imprensa. A violência contra os rohingyas escalou desde o ataque, no dia 25 de Agosto, contra três dezenas de postos da polícia
MIKE SEGAR/REUTERS
A
China apelou ontem ao regresso ao diálogo para resolver a questão nuclear norte-coreana, após o Conselho de Segurança das Nações Unidas ter aprovado novas sanções contra o regime de Pyongyang. A oitava ronda de sanções reflecte a “posição unânime” dos 15 membros do Conselho de Segurança em querer manter a paz e promover a desnuclearização da península coreana, afirmou em comunicado Geng Shuang, porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros. O novo pacote de sanções limita as importações de petróleo e derivados e proíbe as exportações de têxteis, somando-se a outras medidas aprovadas anteriormente e que visam isolar economicamente a Coreia do Norte. “A China espera que o conteúdo da resolução 2375 se aplique de forma íntegra e completa”, acrescentou o porta-voz. Geng Shuang insistiu que a única saída para a crise é o diálogo, urgindo todas as partes envolvidas a “assumir a sua responsabilidade”, já que “uma solução militar não levará lado nenhum”.
A
BANCOS PRESSIONADOS A RESPEITAR A LEI DE PAÍSES ONDE OPERAM
A
China recordou ontem que pede às filiais dos seus bancos que respeitem a legislação dos países onde operam, depois de a justiça espanhola ter acusado o banco chinês ICBC em Madrid de branqueamento de capitais. “AChina exige sempre aos bancos chineses que operem
no estrangeiro de acordo com a lei local”, afirmou ontem um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Geng Shuang. O porta-voz disse ter sido informado que “tanto Espanha como a UE (União Europeia) estão a investigar as filiais do ICBC em Madrid e na UE”.
Mas assegurou que a filial do ICBC na capital espanhola e a sua marca na Europa “desempenharam um papel positivo na promoção da cooperação financeira entre a China e o ocidente e a UE”. O juiz da Audiência Nacional de Espanha Ismael Moreno iniciou um processo
contra o ICBC, acusando-o de apoiar organizações criminosas a branquear um total de 214 milhões de euros. O banco, que pertence ao Estado chinês, é suspeito de operar uma estrutura criminal que se dedicava a transferir dinheiro para a China, obtido através de contrabando, fraude
fiscal e exploração de mão-de-obra, “de maneira a que parecesse legal”. O ICBC abriu portas na capital espanhola em 2011 e opera sob a tutela da central europeia, no Luxemburgo. Está também presente em Portugal há alguns anos, mas através de um escritório
de representação, sendo conhecida a sua vontade de abrir uma sucursal no país a curto prazo. Trata-se da maior instituição bancária do mundo em capitalização em bolsa e por depósitos.
PUB
DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE SOLOS, OBRAS PÚBLICAS E TRANSPORTES Anúncio
Assine-o
TELEFONE 28752401 | FAX 28752405 E-MAIL info@hojemacau.com.mo
www.hojemacau.com.mo
Faz-se saber que em relação ao concurso por pré-qualificação para «Elaboração do Plano Director de Macau», publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 33, II Série, de 16 de Agosto de 2017, foram prestados esclarecimentos, nos termos do n.º 4 do programa do concurso, e foi feita aclaração complementar conforme as necessidades pela entidade que realiza o concurso e juntados ao processo do concurso. Os referidos esclarecimentos e aclaração complementar encontram-se disponíveis para consulta durante o horário de expediente no Departamento de Planeamento Urbanístico da DSSOPT, sito na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 19.º andar, em Macau. Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, aos 7 de Setembro de 2017. O Director dos Serviços, Li Canfeng
12
h
13.9.2017 quarta-feira
Há mais de meia hora / Que estou sentado à minha secretária / Com o único intuito / De olhar para ela.
A Poesia Completa de Li He
大堤曲 妾家住橫塘,紅沙滿桂香。 青雲教綰頭上髻, 明月與作耳邊璫。 蓮風起,江畔春; 大堤上,留北人。 郎食鯉魚尾,妾食猩猩唇。 莫指襄陽道,綠浦歸帆少。 今日菖蒲花,明朝楓樹老。
Canção: O Grande Dique A minha casa é em Heng-tang, Cortinas vermelhas de brocado recendentes de cássia. Nuvens negras me ensinaram A apanhar o cabelo ao alto, Luas altas me fizeram usar Brincos de pérola.1 Um vento de lótus agita-se Na margem primaveril do rio. Lá em baixo no Grande Dique Raparigas demoram-se com homens do norte. “Comerás caudas de carpa E eu lábios de gibão.”2
Oh, não apontes A estrada de Xiang-yang! Pelos meandros verdes do rio Poucas velas tornam. Cálamo viçoso hoje, Salgueiro murcho amanhã. 1
2
Uma rapariga de Heng-tang, perto de Nanjing, implora a seu amor que não se demore em Ta-ti (“Grande Dique”) e regresse depressa a casa. Ta-ti, perto de Xiang-yang, no sul do Hubei, era um local famoso pelo seu vinho e seus bordéis. Heng-tang era conhecida por suas jovens cantoras, uma das quais implora a seu amor que não se envolva com suas rivais. “Luas brilhantes”, i.e., pérolas. Iguarias apreciadas pelo gourmet. As raparigas tentam seus clientes com promessas dessas delícias.
Tradução de Rui Cascais • Ilustração de Rui Rasquinho Li He (790 a 816) nasceu em Fu-chang durante a Dinastia Tang, pertencendo a um ramo menor da casa imperial. A sua morte prematura aos vinte e sete anos, a par da escassez de pormenores biográficos, deixam-nos apenas com uma espécie de fantasma literário. A Nova História dos Tang (Xin Tang shu) diz-nos que He “nunca escrevia poemas sobre um tópico específico, forçando os seus versos a conformarem-se ao tema, como era prática de outros poetas [...] Tudo quanto escrevia era inquietantemente extraordinário, quebrando com a tradição literária.” Segundo um crítico da Dinastia Song, o alucinátorio idioma poético de Li He é a “linguagem de um imortal demoníaco.” A versão inglesa de referência aqui usada é a tradução clássica da autoria de J.D. Frodsham, intitulada Goddesses, Ghosts, and Demons, publicada em São Francisco, em 1983, pela North Point Press.
ARTES, LETRAS E IDEIAS 13
quarta-feira 13.9.2017
diário de um editor João Paulo Cotrim
SANTA BÁRBARA, LISBOA, 3 SETEMBRO Agora os caracteres andam luminosos, mas desde sempre foram iluminados. Não há luz mais intensa que a de um pensamento, nem nada mais brilhante que o gesto da escrita, fruto do desejo de contar, da necessidade de um registo, de um apoio para pensar mais e mais longe. Pensar nesta história continua a ser mergulho no enigma, que exige falar de momentos grandiosos e invenções minúsculas, mas também de matérias e imagens, de religiões e rebeliões. De velocidades e arquitecturas, de técnicas e histórias de amor, saber e sabor. De muito, portanto, mas sobretudo de nomes e palavras: alfabeto e papel, volumen e codex, Gutenberg e Baskerville, Bíblia e Enciclopédia, minúsculas e gravura, Afonso X, El Sabio, e Geoffroy Tory, biblioteca e autor, multimédia e e-book. Quem mais senão a Natureza para fornecer o lugar da escrita? Pedras, tabuínhas de cera ou argila, ossos, folhas de palmeira, metais, peles de animais (o medieval pergaminho, por exemplo) e, enfim, liber (latim para uma película entre o tronco e a casca de certa árvore) e biblos (grego para «papyrus», essa planta oriunda do Vale do Nilo). Toda a Antiguidade se deixou escrever em longos rolos de dezenas de metros de papiro com textos copiados numa só face em colunas de 25 a 45 linhas. Como para tantos outros detalhes, pouco mais se consegue do que imaginar a enorme biblioteca de Alexandria ou obras como as 123 atribuídas a Sófocles das quais só conhecemos sete. A nossa época deve ter começado no exacto e revolucionário momento em que os rolos (volumen) passaram a codex, conjunto de cadernos dobrados e cozidos que permitiam a escrita de ambos os lados da folha, que reorganizaram o texto (títulos, capítulos, índices), que tornaram mais fácil o manuseamento e melhor a armazenagem. Questões de técnica, claro, mas que só nos nossos dias se vêem afectadas pelos formatos de computador (e-book) que possibilitam coisas de nada como procurar instantaneamente significados ou cruzar leituras, abandonando assim a evidente e sempiterna sequência das páginas. A mão foi, de facto, responsável por muitas mudanças, sobretudo a do monge copista medieval que celebrava em latim o seu Cristo reproduzindo a Bíblia, de modo cada vez mais rápido por exigência dessa fé que se espalhava através da rede crescente de mosteiros, que eram escolas e logo cidades. Terá sido a pressa que obrigou à passagem das capitais romanas para as unciais e destas para as nossas elegantes e legíveis minúsculas carolinas? Era outra a qualidade do tempo, que permitia iluminar cada página com uma arte feita de segredos e contemplações e encadernar o conjunto de modo tão protector quanto luxuoso. De velocidade só podemos falar por causa de um mistério chamado Gutenberg, a figura alemã que soube aproveitar a existência do papel, essa invenção chinesa, e as conhecidas técnicas de impressão como a de carimbos gravados de madeira para tudo verter na ideia de caracteres de chumbo móveis e tintados que por força de uma prensa conseguem, em 1454, reproduzir velozmente a célebre Bíblia de 42 linhas. Uma frase, ainda que seja um pulo, não nos consegue fazer percorrer a viagem deste instante em que o Livro é lido em voz alta, até que uma vontade de
SEBASTIÃO RODRIGUES
Dois efes a conversar
saber ou a necessidade da ficção nos fazem ver, de súbito em finais do século XVIII, um pequeno livro na mão de uma burguesa que lê apenas para si, num momento íntimo e silencioso, perigoso, portanto, um romance de cavalaria. Entre um momento e outro, não há apenas uma Europa que discutiu Deus e a Ciência, para quem as imprensas passaram a centros de saber, tantas vezes subversivo e digno de fogueiras simbólicas, há todo um percurso evolutivo feito da descoberta da numeração árabe, da pontuação e outras arquitecturas, da «ciência» dos tipos de um Garamond e da página segundo um Troy, ou da «paixão» total pelo objecto livro de um Baskerville; ou das visões gravadas para sempre como motivo de espanto, fossem elas a anatomia de Vesálio ou a de Charles Eisen para os contos de La Fontaine. Há, antes de mais, a ideia de que todos podem partilhar (em livrarias e bibliotecas) o tudo que cabe nesta caixa: todas as viagens, todos os saberes (Enciclopédia), todos os fogos pela mão não de um copista, mas de um autor. E o livro nunca foi só letras, foi iluminura e cercadura antes de ser design; foi a página fulgurante e absoluta de William Blake (Canções da Inocência e da Experiência) e as invenções de Laurence Sterne (Vida e Opiniões de Tristam Shandy) ou de Raymond Queneau (Cent mille milliards de poèmes). Foi, portanto, tudo antes de ser agora todas as formas, tamanhos e possibilidades. Os caracteres, que nunca foram cegos, continuam irrequietos. SANTA BÁRBARA, LISBOA, 3 SETEMBRO Na classificação das artes há uns lados de sombra onde se abrigam, ao fresco, aquelas disciplinas tão indisciplinadas e movediças que escapam às supremas etiquetas e às grandes hierarquias do gosto e da sensibilidade. São menores ou impuras, e por isso se atravessam no nosso caminho. Às vezes até se instalam para ficar nos nossos modos de ver e de experimentar. Como algumas insidiosas melodias que não nos deixam o ouvido, há pequenos momentos visuais que nos paginam os dias, que
os arrumam logicamente ou os desarrumam poeticamente. Sebastião Rodrigues foi um desses discretos manipuladores com poder para, com uma capa, nos levar à descoberta de um livro fundamental, com um cartaz explicar nos uma revolução, no desenhar de uma letra nos aproximar do mundo. Era tido como designer e ilustrador, ou seja, como coordenador e intérprete mas o seu trabalho foi além disso. A sua obra tem tanto de irónica desconstrução dos modos de ver como de criação de paisagens fascinantes e faiscantes. A força de seta da linguagem de Sebastião está na maturidade que resulta do imenso trabalho de análise e leitura, de corte e costura, de um velho labor prolongado coerentemente por várias décadas. E que diz esta língua artesanal e discreta? Que os mais banais dos objectos podem ser símbolos, que uma letra pode ser uma imagem. A conversa que Sebastião Rodrigues pôs a letra a ter com a imagem é de um equilíbrio tão elegante que oferece uma inquieta tranquilidade. Dá ideia por um instante que a vida pode ser uma brincadeira entre contrários. Como se aquela estética bem humorada, aquelas sínteses luminosas fossem o sinal político da possibilidade de outras vidas, um piscar de olho à complexa simplicidade que tem um gato preguiçoso ou um f. Um efe de fragmento. Escreveu ele algures simplificando que desenhava «com a maior parcimónia os mais diversos símbolos, para os dispôr da melhor maneira que sei em variadíssimos espaços, além da parcimónia, também utilizo a alegria, ( ) o jogo, ( ) o improviso e até o imprevisto.» É estranho que dois efes a conversar nos possam dar lições de vida. Dois efes que falam podem dizer o quê (conferir em Divertimento, com Alexandre O’Neill, ed. Bruáa)? Dizem pontos de interrogação, corações, setas partidas e outros sinais que fora de contexto fazem outros textos, se tornam imagem. Um símbolo do jogo e da alegria que ainda pode ser a vida. Contra a morte.
14 (f)utilidades TEMPO
MUITO
13.9.2017 quarta-feira
?
NUBLADO
O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje
MIN
27
MAX
35
HUM
55-95%
•
EURO
9.60
BAHT
FILME “CHINATOWN” Cinemateca Paixão | 21h30
Amanhã
FILME “FORAGIDOS DA NOITE” Cinemateca Paixão | 19h30
Sexta-feira
O CARTOON STEPH
Diariamente
EXPOSIÇÃO “O CIRCUITO DA GUIA COMO PATRIMÓNIO MUNDIAL DA UNESCO” Galeria do edifício da Direcção dos Serviços de Turismo, Largo do Senado até 14 de Setembro EXPOSIÇÃO “CONTELLATION” DE NICOLAS DELAROCHE Galeria do Tap Seac | Até 08/10 EXPOSIÇÃO “DESTROÇOS” DE VHILS Oficinas Navais, nº. 1 | Até 31/11 SOLUÇÃO DO PROBLEMA 119
C I N E M A
IT SALA 1
OVERDRIVE [B] Fime de: Antonio Negret Com: Scott Eastwood, Freddie Thorp, Ana de Armas 14.30, 16.30
WOLF WARRIORS 2 [C] FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Jason Wu Com: Jason Wu, Qian Yu, Nan Yu 19.15, 21.30 SALA 2
IT [C] Fime de: Andrés Muschietti Com: Bill Skarsgard, Jaeden Lieberher,
PROBLEMA 120
UMA SÉRIE HOJE
SUDOKU
DE
FILME “ATRÁS DAS PAREDES” Cinemateca Paixão | 12h00 e 14h00
Cineteatro
1.23
ZÉ NO ESPAÇO
FILME “RELÍQUIA MACABRA” Cinemateca Paixão | 19h30
Sábado
YUAN
PÊLO DO CÃO
INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO DE PINTURA CHINESA DE ZHOU YU YING E LI XU GUO Fundação Rui Cunha | 17h30
FILME “O TERCEIRO HOMEM” Cinemateca Paixão | 21h30
0.24
Seja em Alcântara, na China ou em Alpha Centauri, o português mantem sempre uma série de características únicas. Parece que o estou a ver desembarcar de uma nave nos confins de Titã, uma das luas de Saturno, e exclamar: “Ah, eu sabia que devia ter trazido um casaquinho”. Exposto à sabedoria intergaláctica que revela que toda a matéria do Universo é una, que na energia negra reside o segredo da Criação, ao português irá surgir a dúvida de qual o sítio onde comprar uma boa posta de bacalhau. Chamemos ao espécime em análise Zé. Imaginem o Zé inserido numa sociedade de seres capazes de viajar no espaço, que conhecem o nosso princípio e fim, dotados da maior das ternuras e o tuga desconfiado sobre “o que é que estes gajos me querem vender?”. Parado entre os majestosos Pilares da Criação, que fica ali nos subúrbios da nebulosa da Águia, uma espécie de Aroeira gasosa, o Zé pensa: “Então não rebocaram isto, nem meteram aqui um azulejo, isto não tem jeito nenhum”. Basicamente, o Zé é a personificação da não realização, da raiva contida, do queixume que impede que a vida seja apreciada, que o conhecimento seja apreendido, que o exotismo traga uma lição. Estar em Times Square, Saturno ou na Porcalhota vai dar ao mesmo. No fim de contas, a grande ironia desta coluna é que posso estar neste momento a incorrer numa tuguice, a encarnar o Zé. João Luz
“A BITE OF CHINA”
A primeira temporada foi para o ar em 2012 e seguiu-se outra em 2014. O programa de televisão “A Bite of China” é aconselhado a quem quer conhecer mais a cultura e a gastronomia tradicional chinesa. O programa foi filmado em várias regiões do país e apresenta a história das iguarias com maior representatividade nas diferentes áreas. A série permite ainda ter uma noção sobre a diversidade dos hábitos alimentares do povo chinês. Vítor Ng
Jeremy Ray Taylor 14.15, 16.45, 21.30
OVERDRIVE [B] Fime de: Antonio Negret Com: Scott Eastwood, Freddie Thorp, Ana de Armas 19.30 SALA 3
DANGAL [B] FALADO EM HINDI LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Nitesh Tiwari Com: Aamir Khan, Sakshi Tanwar, Fatima Sana Shaikh 14.30, 18.00, 21.00
www. hojemacau. com.mo
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Isabel Castro; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores António Cabrita; Anabela Canas; Amélia Vieira; António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; João Maria Pegado; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Fernando Eloy; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
opinião 15
quarta-feira 13.9.2017
sexanálise
Glossário do sexo
GUSTAVE CAILLEBOTTE, HOMEM ESTUDANDO (PORMENOR)
TÂNIA DOS SANTOS
A
S palavras usadas para descrever a verdadeira diversidade sexual são mais que muitas. No dia-a-dia mundano estes significados podem passar-nos ao lado porque vivemos uma realidade tendencialmente binária, e perdemos a noção do pluralismo sexual. Isto é, estamos mais atentos à dinâmica feminina-masculina heterossexual e esquecemo-nos do que se encontra entre uma coisa e a outra. Não há nada como um lembrete da nomenclatura que pode ser estranha a muitos. Para além de que é útil percebermos que a normalidade tem de ser alargada para uma total liberdade sexual de ser e de estar. Ora vamos por partes, a biologia do sexo não tem nada que saber: existem vaginas, pénis e outros formatos anatómicos que não são nem uma coisa nem outra. Imaginem um espectro de biologias que desafiam o normal desenho do órgão sexual e dos cromossomas a ele associados. A perfeição do sexo é coisa que não existe, mas há agora um espaço designado por interssexualidade para anatomias menos típicas – menos prototípicas. Mas para além destes factores biológicos, que não ditam experiências subjectivas de género, encontramos combinações de biolo-
gias, identidades e de preferências que vestem constelações e vivências sexuais únicas e particulares a cada um de nós. Imaginem-me uma mulher transsexual lésbica, ou como andrógena bissexual. Também posso ter um género fluído e ser assexual, posso ser agénero e demissexual ou identificar-me como mulher e ser pansexual. Este vocabulário não nasceu por acaso, nasceu da necessidade de reconhecimento e denominação. Isto porque frequentemente as minorias sexuais carecem de redes sociais directas que ajudem a esta identificação – porque vivemos num mundo onde ‘sair do armário’ continua a não ser um processo simples. Aqui vai uma lista com alguns termos que ainda possam ser desconhecidos. Agénero (adj.) – alguém com pouca identificação com o sistema de género
A semântica é importante porque espelha a diversidade sexual: fá-la real. Porque afinal, às vezes sentimos coisas que não podemos explicar e as pessoas à nossa volta também falham em explicar-se. No que toca ao sexo, toda esta pluralidade semântica veio facilitar a liberdade de sermos o que quisermos
mais comuns, não se identifica com os conceitos feminino/masculino. Andrógeno (adj.) – alguém que expressa elementos tanto do género feminino como o masculino, também pode ser usado para quem possua anatomia feminina e masculina. Demissexual (adj.) – um indivíduo que normalmente não sente atracção sexual, à excepção quando se cria uma forte ligação emocional com alguém, normalmente numa relação romântica. Fluidez de género/sexual (adj.) – descreve um identidade que não é fixa, que é capaz de se transformar ao longo do tempo. Pansexual (adj.) – uma pessoa que sente atracção romântica e sexual com todas as identidades e expressões sexuais (cisgénero/transgénero/agénero). E pronto, este é apenas um pequeno auxiliador para dar o nome certo a algumas identidades, práticas e desejos (atenção que existem muitas mais!).Asemântica é importante porque espelha a diversidade sexual: fá-la real. Porque afinal, às vezes sentimos coisas que não podemos explicar e as pessoas à nossa volta também falham em explicar-se. No que toca ao sexo, toda esta pluralidade semântica veio facilitar a liberdade de sermos o que quisermos - o importante é que ninguém se intrometa a achar o que quer que seja. Porque se há quem ache que existem palavras a mais, há quem continue a manifestar-se porque as palavras ainda são de menos, e que uma semântica de liberdade é um requisito para a liberdade do sexo.
Tesoura das ilhas
quarta-feira 13.9.2017
AFP
Macau está por limpar! Presos sem trabalhar! Governo por organizar!
ONU Sanções rejeitadas “categoricamente” por Pyongyang
O representante da Coreia do Norte numa conferência sobre desarmamento da ONU diz que o seu país “rejeita categoricamente” as sanções que lhe foram impostas na segunda-feira pelo Conselho de Segurança após o seu último ensaio nuclear. (Ver página 11). Numa sessão plenária da Conferência das Nações Unidas sobre Desarmamento, o embaixador Han Tae Song condenou a “intensão diabólica” dos Estados Unidos e afirmou que Pyongyang “garantirá que os EUA pagam o preço justo”. Na reunião, o embaixador norte-americano, Robert Wood, aplaudiu as sanções impostas pelo Conselho de Segurança, afirmando que a comunidade internacional “nunca aceitará a Coreia do Norte como um Estado com armas nucleares”. O Conselho de Segurança da ONU aprovou na segunda-feira, por unanimidade, um novo pacote de sanções destinado a isolar economicamente a Coreia do Norte, que limita as importações de petróleo e derivados e proíbe as exportações de têxteis, entre outras medidas.
Talim Retirado meio milhão de pessoas no sudeste da China
PUB
As autoridades chinesas poderão retirar até meio milhão de pessoas, face à chegada do tufão Talim ao sudeste do país esta semana, informou ontem o jornal de Hong Kong South China Morning Post (SCMP). Os serviços meteorológicos da província de Fujian anunciaram ontem a chegada de um tufão de intensidade igual ao Irma (categoria 4-5), que atingiu a região das Caraíbas e o sudeste dos Estados Unidos, com ventos superiores a 200 quilómetros por hora. Segundo a fonte citada pelo SCMP, a maioria das pessoas que serão afectadas pelo tufão vive em áreas propensas a inundações e deslizamentos de terra, ou em casas não resistentes o suficiente para aguentar a força do Talim. O tufão surgiu na costa das Filipinas este sábado e, antes de atingir a China, passará perto do norte de Taiwan, onde o Governo convocou nesta segundafeira uma reunião especial para activar uma resposta de emergência. Na semana passada, o sul da China e Taiwan mantiveram-se alerta, face à aproximação de outro tufão, o Mawar o 16.º a atingir o sudeste da Ásia este Verão -, que levou à retirada de 22.000 pessoas.
FMI | CRÉDITO PEQUIM ALERTADO PARA RISCOS DE AUMENTO
A
Carrie Lam, chefe do Executivo de Hong Kong
Cadeiras de substituição Governo de Hong Kong quer acelerar eleições intercalares para LegCo
A
chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, defendeu ontem que os lugares de deputados deixados vagos após desqualificação devem ser preenchidos o mais rapidamente possível, ressalvando que a decisão cabe à comissão eleitoral. “Uma vez que os procedimentos judiciais em quatro desses casos (...) chegaram ao fim, é de esperar, e estou certa de que a comissão eleitoral tem uma visão similar, que as eleições intercalares devem ser realizadas o mais rapidamente possível”, disse Lam, segundo a Rádio e Televisão Pública de Hong Kong (RTHK). Carrie
Lam afirmou que o presidente da comissão eleitoral, Barnabas Fung, teria uma reunião com os seus colegas esta semana para discutir o assunto. A 14 de Julho, os tribunais de Hong Kong desqualificaram quatro deputados pró-democracia Nathan Law, Edward Yiu, Leung Kwok-hung, mais conhecido por ‘Long Hair’ (Cabelo Comprido), e Lau Siu-lai. Leung e Lau apresentaram recurso da decisão judicial na segunda-feira. Numa acção judicial anterior, a administração tinha afastado os deputados pró-independência Sixtus Baggio Leung e Yau Wai-ching (do grupo político Youngspiration),
A 14 de Julho, os tribunais de Hong Kong desqualificaram quatro deputados pró-democracia Nathan Law, Edward Yiu, Leung Kwok-hung, mais conhecido por ‘Long Hair’ (Cabelo Comprido), e Lau Siu-lai
por terem proferido palavras, durante o seu juramento, consideradas anti-China. Os processos na justiça que envolviam Yau e Leung chegaram ao fim, depois de os dois jovens terem decidido não voltar a recorrer de uma decisão do tribunal em Agosto.
TANTOS PARA TÃO POUCOS
Carrie Lam, que falava ontem à imprensa em Hong Kong antes de uma reunião do Conselho Executivo, disse que 2,1 milhões de eleitores serão chamados a eleger quatro deputados, numas eleições que envolvem três círculos geográficos (ilha de Hong, Novos Territórios Leste e Kowloon Oeste), e ainda o sector da arquitectura, planeamento e paisagismo. A chefe do Executivo disse que o Governo pode necessitar de até seis meses para se preparar para as eleições intercalares, uma vez que as autoridades têm de instalar 400 assembleias de voto e formar 14.000 funcionários.
diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, advertiu ontem a China dos riscos a médio prazo para a sua economia, sobretudo devido ao aumento do crédito, encorajando Pequim a continuar com as reformas estruturais. Lagarde falava aos jornalistas em Pequim, à margem da celebração do “Diálogo 1+6”, que inclui ainda o Banco Mundial, a Organização Internacional do Trabalho, a Organização Mundial do Comércio, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico e o Conselho de Estabilidade Financeira. A directora-geral do FMI considerou que o crescimento de 6,9% do Produto Interno Bruto chinês, durante o segundo trimestre do ano, “mostra claramente o momento de força global e o compromisso da China em adoptar as políticas adequadas”. Lagarde advertiu, no entanto, que o “risco a médio prazo tem aumentado, especialmente como resultado do acelerado aumento do crédito”, encorajando as autoridades chinesas a continuarem com as reformas estruturais. “É preciso que se centrem mais na qualidade e estabilidade do crescimento, do que na quantidade”, acrescentou. O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, assegurou que o seu Governo tem em conta os riscos que enfrenta a economia da China, a segunda maior do mundo, e assegurou que poderão manter a estabilidade. Li frisou que a melhor forma de enfrentar os desafios e dificuldades actuais é dando um maior papel ao mercado. Lagarde reconheceu que a situação económica global atravessa o seu melhor momento dos últimos dez anos, mas advertiu que se pode ressentir facilmente, devido à incerteza política e à ameaça de um aumento do protecionismo. A responsável apostou numa economia mais inclusiva e sustentável, através do multilateralismo e adopção de reformas fiscais, monetárias e estruturais em cada país.