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Hoje Macau 13 FEV 2014 #3029

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MOP$10

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

PUB

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

RAEM NÃO SOLICITA

Agências de rating analisam por conta e risco INVESTIMENTO PÁGINA

Q U I N TA - F E I R A 1 3 D E F E V E R E I R O D E 2 0 1 4 • A N O X I I I • N º 3 0 2 9

hojemacau

GOVERNO DECIDIU

Manuel Pires é o novo administrador TDM PÁGINA

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GOVERNO ACUSADO DE COLOCAR LIBERDADE DE IMPRENSA EM RISCO

Subjugados Quem o diz é a organização Repórteres sem Fronteiras no seu relatório anual. O “crescente peso económico” da China está a calar Macau e Hong Kong. PÁGINA 3

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POLÍTICA

Leong Kam Chun deixa a TDM no fim do mês, depois de pedir a não renovação do contrato ao Governo. Manuel Pires é, por isso, o homem escolhido pelo Executivo liderado por Fernando Chui Sai On e vai assumir a gestão da empresa a partir de 1 de Março, deixando vago o lugar na subdirecção do Turismo RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

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ANUEL Pires inicia funções como novo presidente da Comissão Executiva da TDM, a 1 de Março, por um mandato de três anos. O subdirector da Direcção dos Serviços de Turismo foi nomeado pelo Executivo, depois da Administração ter aceite o pedido formal de não renovação de mandato de Leong Kam Chun a 5 de Fevereiro. “Após uma profunda ponderação, o Chefe do Executivo

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MANUEL PIRES SAI DO TURISMO E ASSUME AS RÉDEAS A PARTIR DE 1 DE MARÇO

A dança das cadeiras na TDM respeitou e aceitou essa renúncia ao cargo”, explica Alexis Tam, porta-voz do Governo, frisando que a possível renovação do contrato com Leong Kam Chun teria lugar no fim deste mês. Manuel Pires, actual presidente do Conselho de Administração da TDM, foi apontado por Chui Sai On por ser, de entre os nove membros deste conselho, “quem tem mais experiência na TDM”, depois de analisadas também as “habilitações académicas e a experiência profissional”, cujo currículo se preenche com 30 anos de função pública. “Poderá apoiar-nos a atingir a meta de transformação de Macau num centro mundial de turismo e lazer e na afirmação do território como plataforma de cooperação entre a China e os países de língua portuguesa”, frisou o também delegado do Governo junto da TDM. O macaense confirmou ser esse um dos seus grandes propósitos nas funções de número um da empresa e que, no caminho de transformação do território numa plataforma para a cooperação com o mundo lusófono, conta com um trabalho conjunto entre os canais portugueses e chineses da TDM, perspectivando a assinatura de novos acordos com países da lusofonia. Pires vai, para já, ficar a tempo inteiro na Administração da empresa até iniciar funções na Comissão Executiva. “O mais importante é que o Dr. Manuel Pires fique como administrador

a tempo inteiro e a tempo oportuno o Governo vai nomear mais um membro para o Conselho de Administração [para perfazer os nove lugares]”, disse Tam. Manuel Pires explicou ainda que caberá entretanto à Assembleia Geral de Accionistas seleccionar o futuro presidente e vice-presidente do Conselho de Administração da TDM. O futuro homem forte da TDM disse que não tem, para já, nenhuma reforma ou reestruturação pensada para a empresa, embora

queira dotar a TDM de “melhores condições”. Pires escusou-se, no entanto, a abordar a alegada censura na teledifusão de Macau, que detém seis canais, tendo ressalvado que pode haver “uma situação que mereça um estudo profundo” sobre a liberdade de imprensa. Por sua vez, Alexis Tam fez saber que a mesma é vista como “valor nuclear de todo o Governo”.

ANÚNCIO “IMPROVISADO”

O anúncio, feito ontem pelo porta-voz do Governo, Alexis Tam,

TDM A ESPREITAR PARA A MONTANHA Uma “deficiência” da TDM, reconheceu Alexis Tam, é a falta de uma sede com condições. A possibilidade de arranjar um novo terreno para a empresa está na agenda do também delegado do Governo junto da TDM. “Foi minha ideia há alguns anos atrás. Eu sugeri ao Conselho de Administração. É preciso pensar numa alternativa. O Dr. Leong fez uma proposta e já entregou ao Governo. Quem tem competência para a concessão do terreno é o secretário para os Transportes e Obras Públicas, que está a analisar se de futuro há possibilidade de arranjar um terreno”, explicou Tam, que sugere a Ilha da Montanha como uma hipótese viável para a as novas instalações da TDM. “Porque não? É possível estabelecer uma cooperação com o Governo de Guangdong para usar um terreno no Parque de Indústrias Criativas. Podemos pensar em estabelecer lá alguns escritórios e estúdios.”

TURISMO VAI TER NOVO SUBDIRECTOR Manuel Pires vai sair do cargo de subdirector dos Serviços de Turismo em inícios de Março, para exercer o cargo de presidente da Comissão Executiva da TDM, entidade administradora da estacão de televisão e radiodifusão, a tempo inteiro. Cheong U, por isso, no futuro próximo nomear outro nome para o seu lugar. “O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura sabe que [Manuel Pires] não vai acumular funções, por isso, mais tarde alguém irá ocupar o seu lugar”, explicou ontem Alexis Tam, porta-voz do Governo.

causa surpresa depois de no dia anterior Leong não ter feito saber aos jornalistas a sua vontade de sair da direcção da TDM, mas antes estar a aguardar uma resposta do Governo sobre a sua continuidade no cargo. Tam explica a cronologia dos acontecimentos. “Há uma semana o senhor Leong tinha apresentado um pedido de demissão (a 5 de Fevereiro) mostrando vontade de não renovar o contrato no fim do mês. Foi improvisado. Não tínhamos antecipado esta situação”, começa por explicar o porta-voz do Governo, antes de acrescentar que a matéria já antes vinha sendo discutida verbalmente entre o Governo e Leong. “No mês passado, por duas vezes houve diálogos com o senhor Leong sobre a transferência da pasta. Logo na altura recebi informações informais sobre a apresentação de demissão. A conversa ficou encerrada ainda antes de ser entregue o pedido por escrito. Éramos para fazer a conferência só na próxima semana, a 18 de Fevereiro, mas antecipámos devido ao interesse da comunicação social”, rematou Tam. Leong disse que passaria a ser contabilista a tempo inteiro, na empresa que detém, depois de ter desempenhado a função de “médico” na TDM. Sobre a nomeação de Pires, Leong disse que ser “uma boa pessoa designada para este cargo, quer pelo domínio das línguas quer pela experiência”.


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LIBERDADE DE IMPRENSA REPÓRTERES SEM FRONTEIRAS DIZEM QUE MACAU ESTÁ EM RISCO

“Notória a crescente subjugação” GONÇALO LOBO PINHEIRO glp@hojemacau.com.mo

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crescente peso económico da China (175º lugar, em 180 países) está a fazer com que os meios de comunicação em Macau (lugar não discriminado), Hong Kong (61.º) e Taiwan (50.º) sofram influências. Esta é a grande conclusão do relatório anual - publicado este ano mas relativo a 2013 - da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) relativamente a essas regiões. “A independência dos média está agora em perigo”, pode ler-se no documento ontem divulgado. Nos três territórios – duas Regiões Especiais Administrativas e um que é reivindicado por Pequim – é “notória a crescente subjugação” dos Executivos de Macau e Hong Kong e consequente “pressão sobre a imprensa” através dos respectivos Gabinetes de Ligação do Governo Central. Aliás, a RSF diz mesmo que o Partido Comunista chinês “está cada vez mais a comprometer o pluralismo” nos meios de comunicação das regiões. Em Taiwan a liberdade de imprensa também aparenta poder ficar fragilizada depois do grupo taiwanês pró-Pequim ter adquirido o China Times. Contactada pelo HM, a RSF explicou o porquê da ausência de Macau no ranking. O responsável pela secção Ásia-Pacífico, Benjamin Ismail, lamentou a “falta de contactos no território”. “As informações que tenho sobre Macau são sempre muito escassas. Tudo o que consigo é a partir de jornalistas dos quais tenho o contacto. Eles é que me vão dizendo a realidade local. Fora isso, são os jornalistas de Hong Kong que me informam. Tenho pena que a RSF não tenha uma ligação mais formal e próxima aos

ANTÓNIO FALCÃO

A organização Repórteres sem Fronteiras publicou o Índice de Liberdade de Imprensa Mundial 2014. Macau e Hong Kong estão, de acordo com a organização, perder liberdade de imprensa devido “ao crescente peso económico” da China

nicação mundiais tenham carta branca para escrever sobre as “duras realidades da China”, muito pelo contrário. A organização refere mesmo no seu relatório que o que Xi Jinping quis dizer foi: “Sigam a propaganda do Partido Comunista literalmente.”

MAIS REPRESSÃO

Depois deste discurso, “as autoridades chinesas prenderam mais jornalistas e blogueiros”. “Reprimiu os dissidentes e reforçou o controlo sobre os conteúdos on-line, bem como censurou e intensificou as restrições aos jornalistas estrangeiros”, afirma a RSF. A organização lembra os casos de vários jornalistas condenados publicamente. Luo Changping, que foi forçado a deixar a revista Caijing em Novembro, um repórter de New Express que foi preso por divulgar “informações falsas” e os casos ligados ao New York Times são alguns dos exemplos que a RSF aponta como preocupantes no que à liberdade de imprensa diz respeito. Activistas de direitos humanos e dissidentes, como Xu Zhiyong e Yang Maodong (também conhecido como Guo Feixiong ), que foram presos devido a “acusações forjadas” estão entre aqueles que pagaram um alto preço no ano passado.

PORTUGAL DESCEU DOIS LUGARES

profissionais da comunicação social de Macau.”

JASON CHAO ADIVINHOU

O presidente da Associação Novo Macau (ANM), Jason Chao, já tinha referido, a semana passada, que a situação dos direitos humanos tem vindo a deteriorar-se e que a liberdade de imprensa está em risco em Macau, defendendo que Portugal tem legitimidade para intervir. “O sistema político de Macau é baseado na Declaração Conjunta assinada entre os governos chinês e português e, por isso, Portugal tem razões legítimas para intervir.” Assim como a RSF referiu, o democrata acusou o

Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau de, num jantar com a imprensa chinesa, ter aconselhado a que fosse seguida “a ideologia dominante na sociedade e a que fizessem mais esforços para dar boas notícias”. “Isto é profundamente preocupante. Embora não seja novo que o Governo chinês controle os meios de comunicação no interior da China, parece que está a estender as mãos aos órgãos de comunicação social de Macau”, afirmou Jason Chao aos jornalistas, na altura.

O “BIG BROTHER” CHINÊS

O relatório, feito com base em questionários envia-

dos a jornalistas de todo o mundo com perguntas sobre eventuais violações feitas à liberdade de imprensa nos seus respectivos países, sobre a propriedade dos meios de comunicação, as formas de regulação e a ética profissional, afirma que o “big brother” chinês está a assistir “lá no alto” e a “exportar os seus métodos”.

A RSF lembra o discurso, de Novembro de 2012, feito por Xi Jinping logo após a sua nomeação como secretário-geral do Partido Comunista chinês: “Amigos jornalistas, a China precisa de aprender mais sobre o mundo e o mundo precisa aprender mais sobre a China”. Mas esta frase não significa que os meios de comu-

O ESSENCIAL A organização Repórteres sem Fronteiras afirma que é “notória a crescente subjugação” dos Executivos de Macau e Hong Kong e consequente “pressão sobre a imprensa” através dos respectivos Gabinetes de Ligação do Governo Central.

Más notícias para Portugal onde, de acordo com o mesmo relatório, a liberdade de imprensa diminuiu em Portugal no ano passado. O país ocupa agora a 30.ª posição numa lista de 180, duas posições abaixo do que estava em 2012. O relatório manteve a Finlândia como o país onde os jornalistas são mais livres. Nas últimas posições encontra-se os três países que já ocupavam o fundo do ‘ranking’ no ano passado: Eritreia, Coreia do Norte e Turquemenistão.


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PROTECÇÃO ANIMAL PROJECTO-LEI DE PEREIRA COUTINHO SUGERE MODIFICAÇÕES NO CÓDIGO CIVIL

JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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O QUE SUGERE O ESTATUTO • Estabelecimento de uma provedoria dos animais com competência para garantir os direitos dos animais • Socorro obrigatório a animais feridos por parte das autoridades – IACM e Serviços de Saúde • Permissão da eutanásia em contextos e normas fixados por lei • Punições para quem crie ou mate cães e gatos para consumo • Punições para quem utilize animais em espectáculos, competições, concursos, etc., sempre que isto exija os animais fiquem em cativeiro • Punições de prisão até três anos ou multa de 360 dias se infligir lesões graves permanentes ou morte do animal • Punição para negligência e tentativa de magoar um animal

novo projecto de lei sobre os animais que José Pereira Coutinho apresenta na próxima segunda-feira à Assembleia Legislativa (AL) prevê mudanças no Código Civil. O projecto, intitulado Estatuto Jurídico e Protecção dos Animais, é a segunda tentativa do deputado no hemiciclo, depois de uma maioria de deputados ter chumbado um projecto anterior. Pereira Coutinho sugere o aditamento de três artigos ao Código Civil, que passam pela introdução de uma secção dedicada aos animais em diferentes partes ao longo do Código. Por exemplo, no capítulo dedicado às “coisas”, o deputado sugere que se altere o nome para “Das Coisas e dos Animais”. As modificações e acrescentos debruçam-se, sobretudo, na protecção e propriedade dos animais e na indemnização ao “tutor” do animal, no caso de este sofrer algum problema derivado a terceiros. No artigo 488º do Código Civil, que rege a indemnização a terceiros em caso de lesão ou morte, Pereira Coutinho quer acrescentar um artigo 488º A, onde é acrescentado ao título ‘de animal’. “No caso de lesão do animal de companhia, o responsável é obrigado a indemnizar o seu proprietário pelas despesas em que tenha incorrido o seu tratamento PUB

CONVOCATÓRIA Rita Botelho dos Santos, Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau, vem, nos termos do nº 3 do artigo 29º dos estatutos desta Associação, convocar a Assembleia Geral para o próximo dia 13 de Março de 2014 (Quinta-feira), pelas 18H00, na sede da A.T.F.P.M., sita na Avenida da Amizade Nºs. 273-279 r/c, Macau, com a seguinte ordem de trabalhos: 1. Aprovação do Relatório de Contas do exercício do ano de 2013, que estará patente na sede da Associação, a partir do dia 05 de Março corrente, para consulta dos associados. 2. Outros assuntos. Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau, aos 10 de Fevereiro de 2014. A Presidente da Mesa da Assembleia Geral Comendadora Rita Botelho dos Santos

TIAGO ALCÂNTARA

Mais uma tentativa pelos indefesos

O ESSENCIAL Pereira Coutinho sugere o aditamento de três artigos ao Código Civil, que passam pela introdução de uma secção dedicada aos animais em diferentes partes ao longo do Código.

(...)”, pode ler-se no projecto de lei, que acrescenta que, em caso de morte, o proprietário deverá ter uma indemnização “adequada pelo valor da afeição”, fixada pelo tribunal. Já no que diz respeito à propriedade, Coutinho quer intensificar mais os deveres do proprietário, que passam, por exemplo, por não permitir que as pessoas possam infligir maus tratos ou actos cruéis ao animal, mesmo que estes lhes pertençam. Parte do projecto é ainda dedicado ao Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), onde o deputado sugere normas

que devem ser seguidas pelo organismo. O deputado pede que o IACM tenha um centro de acolhimento para animais abandonados, vadios ou maltratados e pede a proibição de matar animais como método de controlo do número de espécies. Recorde-se que a polémica ronda o instituto no que diz respeito ao abate de animais de boa saúde, devido à ausência de um programa de adopção. Também no capítulo do Código dedicado ao divórcio, Pereira Coutinho sugere acrescentar à redacção do artigo sobre a prestação de alimentos a filhos menores em caso de separação dos

pais, também os animais de companhia. À parte do que já tinha sido defendido num projecto anterior, como o reconhecimento às associações de protecção animal de “legitimidade processual activa”, nomeadamente para requererem medidas às autoridades policiais, veterinárias, administrativas e judiciais, Pereira Coutinho sugere que a RAEM preveja a possibilidade de os tutores de animais poderem reduzir nos seus impostos as despesas de saúde que tenham com animais e que a resposta por maus tratos a animais tenha em conta o número de animais visados: ou seja, cada animal, cada crime. O deputado deixa ainda no ar que os animais sejam comparados a incapazes, como prevê o Código Civil, ainda que com as devidas adaptações. O projecto de lei é votado na segunda-feira e, a passar, vem suprimir a ausência de legislação para proteger os animais. O IACM já prometeu uma lei deste tipo desde 2007, mas, apesar de diversas cartas enviadas pela ANIMA – Sociedade Protectora dos Animais e outras associações, o Governo ainda não apresentou nada. A ANIMA chegou inclusive a apresentar um regulamento administrativo para acelerar a existência de alguma protecção aos animais, mas nada foi tido em conta pelo Executivo, que continua a não avançar uma data concreta para a apresentação deste diploma.

Reconhecimento de cartas de condução não permite TNR

Os Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) responderam à mais recente interpelação escrita do deputado Ng Kuok Cheong e garantem que o reconhecimento mútuo das cartas de condução não significa que os veículos do continente podem entrar em Macau, e também não significa que os condutores possam trabalhar no território. Ng Kuok Cheong considera que a direcção desta política devia permitir os veículos de residentes locais de entrar na Ilha da Montanha e para as zonas de Guangdong com necessidades de desenvolvimento no contexto da cooperação regional. Wong Wan, director da DSAT, disse que nesta fase o Governo ainda está a recolher opiniões de diferentes sectores sociais, esperando chegar a um acordo em breve.

Serviços de Saúde não querem expandir plano de leite em pó

Os Serviços de Saúde de Macau (SSM) responderam a outra interpelação do deputado Ng Kuok Cheong sobre o plano provisório de apoio a mães e bebés, em relação ao fornecimento de leite em pó. A entidade revela que não há necessidade de aumentar o prazo do plano até à idade de três anos, uma vez que, depois de um ano de idade, os bebés começam a consumir outro tipo de alimentos. O deputado tinha referido na sua interpelação que a escassez de leite em pó se mantinha nas farmácias, devido à venda aos turistas e a vendedores ilegais, e pedia a expansão do plano.


SOCIEDADE

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FINANÇAS MOODY’S E FITCH FAZEM ANÁLISES “NÃO SOLICITADAS”

Governo não paga a agências de rating A ausência de necessidade de financiamento nos mercados externos faz com que Macau não tenha qualquer contrato pago com agências de rating, mas “participa no processo”. A atribuição de um rating é, contudo, fundamental para a banca e investimentos privados ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

A

O contrário da maioria dos países do mundo, a RAEM é dos poucos territórios que não tem qualquer tipo de contrato pago com agências de rating internacionais. Apenas a Moody’s e a Fitch, duas das três entidades que têm vindo a avaliar a dívida soberana dos países europeus, elaboram “análises não solicitadas”, ou seja, sem qualquer tipo de pagamento da parte do Governo.

CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

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jornal Ou Mun publicou na sua edição de ontem um artigo onde se espelham as dificuldades sentidas na área da tradução em Macau. Tanto um tradutor de língua inglesa como o director de uma empresa de tradução consideram que a procura por este tipo de profissionais é grande. Contudo, as dificuldades persistem, porque é difícil encontrar tradutores suficientes, e os profissionais, a existir, não sabem onde existe trabalho disponível além da Função Pública. Por isso, pedem ao Governo para que crie uma base de dados com o

Devido a essa relação de ratings não solicitados, o Governo da RAEM não tem um contrato com nenhuma dessas agências, mas participa no processo de atribuição de rating

A garantia foi dada ao HM pela Autoridade Monetária e Cambial (AMCM). “Devido a essa relação de ratings não solicitados, o Governo da RAEM não tem um contrato com nenhuma dessas agências, mas participa no processo de atribuição de rating.” Ambas as agências têm vindo a atribuir um rating AA, sinal claro da total ausência de crise económica ou de necessidade de financiamento no mercado externo. O economista Albano Martins considera “natural que o Governo de Macau passe um bocadinho ao lado do que eles pensam, porque não vai aos mercados financiar-se. É indiferente estar a pagar a alguém e nem tem importância em pagar, porque não precisam dos mercados para nada”, afirma ao HM.

AUTORIDADE MONETÁRIA E CAMBIAL

INVESTIMENTOS DITAM INTERESSE

José Pãosinho, director-geral da sucursal do BCP em Macau, explica que as agências terão mais interesse em avaliar a postura financeira da RAEM, devido aos investimentos no sector privado, por oposição às autoridades locais, que pouco olham para este tipo de análise. O facto da economia ser centrada no jogo e estar longe de uma quebra significativa faz com que o interesse dessas agências de notação financeira esteja longe de diminuir. “Facilita a um banco localizado em Macau (ter rating), quando se relaciona com bancos internacionais.” O mesmo defende Albano Martins. “Se os bancos privados se endividarem no exterior precisam dessas agências, porque são elas

que funcionam como um indicador de taxas de captação desses activos. Mas não é o caso de Macau, isso raramente acontece.” “As agências não andam a brincar às análises, e fazem-no quando têm algum tipo de interesse, ou quando alguém solicita essa informação. Há investimentos que são feitos em Macau e é necessário que essas

agências tenham noção do grau de solvabilidade dos bancos e do sistema financeiro. Mas a nível do próprio Governo este tem uma posição bastante saudável em termos de reservas e não tem essa necessidade.” Para além da Moody’s e da Fitch, a nível internacional, também a agência chinesa Dagong Global Credit Rating tem vindo a avaliar as

posturas dos mercados em Macau e Hong Kong. Em Dezembro último, continuou a atribuir o rating AA+. Segundo um comunicado da agência Lusa, este terá sido o rating mais elevado que a agência atribuiu, sinónimo de que Macau apresenta “um risco diminuto ou mesmo nulo de entrar em incumprimento”. A Dagong Global Credit Rating afirmou na altura que “as políticas governamentais consistentes, uma gestão financeira e fiscal prudente bem como uma abundância de reservas sobre o exterior continuam a ser adequadas para garantir a solvência do território embora exista alguma fragilidade na ultra dependência do sector do jogo”. A agência previu um crescimento de 11,4% para a economia de Macau durante o ano de 2014, devido à forte procura interna e forte crescimento da exportação de serviços.

TRADUÇÃO EMPRESAS DO RAMO CONFUSAS QUANTO AO CAMINHO A SEGUIR

Base de dados exigida ao Governo número de tradutores e ofertas de emprego disponíveis. Tai Hin Yeong traduz inglês e chinês há quatro anos e disse que, no inicio, aquando do fim da licenciatura, sentiu dificuldades na procura de emprego, porque a maioria dos estudantes encontram trabalham no Governo. Afirma que existem dificuldades de recrutamento. “Em Macau há muitos licenciados em tradução e com um alto nível, e também há muitas empresas de tradução, mas existe falta de promoção em relação ao trabalho

existente. Como a procura no mercado é grande, se a situação continuar assim, será difícil desenvolver o sector.” Tai Hin Yeong diz que a criação da base de dados vai ainda ajudar a que os profissionais saídos das universidades não procurem apenas trabalho na Função Pública, permitindo a procura por parte das empresas no privado. Muitos intérpretes-tradutores ganham cerca de mil patacas por hora, e quem tem experiência cobra mais. Por isso o salário nunca é

inferior ao de um trabalho a tempo inteiro. Gao Ming, dono da empresa de tradução, disse que a procura por parte dos casinos e Governo é grande, principalmente ao nível do português e chinês, e que muitas vezes são empresas de Hong Kong que prestam esse serviço. Na sua empresa, esta área de tradução representa 50% do negócio. O responsável diz que existem em Macau cerca de 10 empresas de tradução, o que significa a existência de um mercado pequeno, onde os principais clientes são o Governo, casinos e grandes empresas. Considera que, numa área onde o talento conta, é difícil de encontrar tal característica.


6 sociedade

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SUBSÍDIOS FUNDAÇÃO MACAU ATRIBUIU MAIS DE CEM MILHÕES NOS ÚLTIMOS TRÊS MESES DE 2013

Hou Kong e EPM no topo das beneficiadas A Fundação Macau distribuiu mais de cem milhões de patacas nos últimos três meses do ano passado, com mais de metade do dinheiro a ir para a escola Hou Kong, na Taipa. A Fundação Escola Portuguesa de Macau também recebeu apoios, de quase nove milhões de patacas, num período onde as despesas da fundação com bolsas de estudo ascenderam a mais de 17 milhões de patacas JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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ERCA de 54% do total de 112,652,615 patacas que a Fundação Macau (FM) atribuiu no quarto trimestre do ano passado serviu para apoiar “parcialmente” despesas de obras de três blocos da Escola de Talentos anexa à Escola Hou Kong, na Taipa. Foi apenas a primeira prestação, cujo valor chegou quase às 70 milhões de patacas. O dinheiro foi atribuído à associação da escola, cuja vice-directora é a deputada nomeada Chan Hong. Na lista dos apoios mais altos atribuídos o ano passado pela FM está ainda a Fundação Escola Portuguesa de Macau. A este organismo foi atribuído um total de 8,942,965 patacas – 7,93% do total dos apoios -, para custear parcialmente as despesas com o funcionamento da EPM no ano lectivo que passou.

Para o Centro Incubador de Novas Tecnologias de Macau foram 8,1 milhões de patacas, que serviram para apoiar as despesas com um plano de três anos de “incubação, investigação e desenvolvimento de novas tecnologias de Macau”. Este centro já foi alvo de polémica em anos anteriores, precisamente devido aos fundos que lhe são atribuídos. Em 2009, e depois de uma intervenção de alguns deputados, o presidente do Conselho de Administração do Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia, Tong Chi Kin, teve de vir a público explicar que o Centro Incubador de Novas Tecnologias de Macau é uma sociedade criada para concretizar a Lei

OUTROS FUNDOS ATRIBUÍDOS PELA FUNDAÇÃO MACAU • Associação de Conterrâneos de Chio Chao – 3,6 milhões de patacas para três encontros • Clube Militar de Macau – 2 milhões para obras de conservação e substituição de equipamentos • Associação dos Médicos de Língua Portuguesa de Macau – 1 milhão para Fórum de Associações Médicas • Federação dos Cidadãos de Macau – 900 mil patacas para plano anual • Instituto Internacional de Tecnologia de Software da Universidade das Nações Unidas – 600 mil patacas para manutenção da Casa Silva Mendes e de dormitórios dos formandos • Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau – 500 mil patacas para plano de actividades • Associação dos Trabalhadores da Indústria de Jogos de Fortuna e Azar – 500 mil patacas para Plano Anual • Associação de Veteranos de Futebol – 350 mil patacas para Torneio de Futebol • Associação de Profissionais de Motociclos de Macau – 130 mil patacas para organizar o “Carnaval do Motociclo 2013”

de Bases para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia, com o objectivo de proporcionar “um local para incubação de indústrias para utilização gratuita de todos os

112,652,615

patacas foi o valor que a Fundação Macau distribuiu em subsídios no último trimestre de 2013

interessados”. A administração do Centro é gerida por accionistas.

FESTA PARA TODOS

Eventos que tiveram lugar o ano passado no território também aconteceram com o apoio da Fundação Macau. Foi o caso do 56.º Festival de Filmes Ásia-Pacífico – a Associação para a Prosperidade para as Culturas e Artes de Macau recebeu cinco milhões de patacas para uma

NOVAIS FERREIRA RECEBEU INSÍGNIAS DA ORDEM DE MÉRITO

92 anos “com coração de leão” ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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RABALHO aos Sábados e aos Domingos porque não sei fazer outra coisa. Não sei ir a um karaoke e já não tenho idade para isso.” A frase é do engenheiro Henrique Novais Ferreira e espelha bem o dinamismo que mora no coração do profissional residente em Macau desde 1990. Novais Ferreira recebeu ontem das mãos de Vítor Sereno, cônsul-geral de

Portugal em Macau, as insígnias da Ordem de Mérito da República Portuguesa, que recebeu por decisão de Cavaco Silva, presidente da República, no passado dia 10 de Junho, Dia de Camões e das Comunidades Portuguesas. Vítor Sereno considerou-o um “exemplo do que deve ser um cidadão nacional no exterior”. “Tem 92 anos no papel mas um coração de leão na casa dos 30, talvez menos.” Apesar da idade e dos anos de profissão, que desempenhou em Portugal e

Angola, Henrique Novais Ferreira não tenciona parar por aqui. “Acha que sou assim tão velho para se falar em fim de carreira? Ainda estou à espera de continuar mais algum tempo. Quero continuar a fazer o mesmo que fiz até aqui, sempre a trabalhar. É a única coisa que sei fazer”, diz ao HM. E desde 1990 já fez muito. O aeroporto, o complexo desportivo Macau Dome, no Cotai. De todas as obras, não destaca uma, porque todas importam. “São todas extraordinariamente importantes

e essenciais em Macau. O Metro Ligeiro é fundamental. Cada uma tem a sua particularidade.” Todas as semanas o ritual cumpre-se, com o funcionário do laboratório de engenharia a entregar no seu gabinete as ultimas publicações de engenharia. “Com o curso que tirei há 50 anos, não era mais do que um pedreiro ou carpinteiro. Julgo que continuo a ser útil porque todas as semanas tenho o meu período de actualização. Procuro tirar dúvidas que tive durante a semana.”

segunda prestação face a custos da organização -, o Encontro das Comunidades Macaenses – que originou a atribuição de uma segunda prestação de 2,5 milhões de patacas ao Conselho das Comunidades Macaenses – e do Festival de Compras de Macau, que levou a Macau International Brand Enterprise Commercial Association a receber 2,25 milhões de patacas para despesas com a promoção do festival. Esta associação tem como vice-presidente Pansy Ho. No quarto trimestre do ano passado, a Universidade de Ciência e Tecnologia (MUST), que normalmente recebe os apoios mais altos, ficou-se pelas 690 mil patacas, para custear despesas com o projecto e-Macau. A FM disponibilizou ainda cerca de 17,5 milhões de patacas – 15,5% do total dos apoios – em diversas bolsas de estudo, a par de 1,5 milhões para espectáculos de opera cantonense.

Habitação pública Pedidos excedem fracções em Seac Pai Van

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Instituto de Habitação (IH) revelou ontem ter admitido 11,942 pedidos para fracções T1 no edifício de habitação pública Ip Heng, de Seac Pai Van - entre cerca de 15 mil pedidos -, mas diz apenas poder oferecer 1,544 fracções. A lista dos candidatos vai ser alvo de sorteio daqui a nove dias. Depois do sorteio, o Governo vai voltar a reavaliar as informações dos candidatos a quem saiu uma casa. Segundo a nova lei de habitação económica, as famílias com agregados familiares de pais e filhos

vão ter prioridades na candidatura. Se há idosos ou deficientes na família, também vai haver prioridade. Segundo a lista publicada de candidatos que já foram reconhecidos, já há 2,447 famílias destas – chamadas de nucleares -, número que já ultrapassa o da oferta das fracções de T1 do Edifício Ip Heng. Os restantes candidatos são constituídos por 254 famílias não nucleares e 9241 pedidos individuais. Além disso, na lista já mais de 300 candidatos mudaram as preferências para T2, T3 e T4. – C.L.


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AVIAÇÃO NOVO ACORDO ENTRE TAIWAN E MACAU PREVÊ MAIS DUAS COMPANHIAS A OPERAR

CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

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EGUNDO a imprensa da Formosa, Macau e Taiwan acabaram as negociações de revisão sobre um acordo de aviação. A Autoridade de Aviação Civil (AAM) confirmou ontem à TDM que irá assinar o novo protocolo com Taiwan, mas o conteúdo só será publicado na próxima semana. O HM procurou explicações mais pormenorizadas junto da delegação económica e cultural de Taiwan em Macau, que preferiu não se pronunciar sobre o assunto. O diário Ou Mun citou a imprensa taiwanesa para referir que o dirigente taiwanês responsável por esta pasta disse que depois de abertas as linhas aéreas directas entre continente e Taiwan, o negócio sobre as trajectórias aéreas entre Taiwan e Macau caiu muito. O responsável entende que, ainda que os novos casinos tenham conseguido

Linhas aéreas mais baratas atrair mais turistas, as autoridades de Macau querem mais turistas de Taiwan a visitar Macau. Por isso, no novo acordo decidiu abrir mais linhas aéreas. Actualmente, a AirMacau, a Eva Air e a TransAsia dominam as linhas aéreas. Com o novo acordo, segundo a imprensa de Taiwan, duas novas companhias áreas - Tigerairways e outra empresa pertencente à TransAsia - podem entrar no mercado,

aproveitando rotas mais baratas para atrair os clientes. Segundo a fonte de Macau, dois governos começou a negociar a revisão de acordo de linha aéreas desde Janeiro do ano passado, depois de várias comunicações, as duas partes têm ambos vontade a abrir o mercado aéreo, concorram que não criar mais limites. Antes de ano novo chinês neste ano, os dois já passaram a nova versão de acordo, agora, o acordo está na fase administrativa de Taiwan. Se tudo correr bem, a nova política

GÁS NATURAL EMPRESA FORNECEDORA RECEBE AUTORIZAÇÃO PARA CONSTRUIR CÂMARA DE CORTE EM GASODUTO

vai ser implementada em Março ou Abril.

SECTOR QUEIXA-SE DE PERDER DINHEIRO

Ainda segundo o Ou Mun, um responsável das rotas aéreas entre Taiwan e Macau diz que o sector não sabe o conteúdo do novo acordo, mas aceitou o comunicado do Governo, que remete mais explicações para a próxima semana. “Se abrir o mercado, vai influenciar as linhas que já existem. Porque o lucro sobre as linhas operadas entre Taiwan e Macau já é pequeno, logo

o voo já é barato. No ano passado, as linhas já perderam mais de dez milhões de patacas no ano passado. Se abrir o mercado, a competição vai levar a mais perdas.” Outro responsável da empresa de avião revelou que há mais turistas de Taiwan para Macau do que os turistas de Macau para Taiwan porque Macau tem menos população. Segundo a imprensa de Taiwan, nos últimos anos, há mais opções de linhas aéreas entre Hong Kong e Taiwan e os preços são mais baratos. Por essa razão, muitos turistas de Taiwan e Macau preferem usar Hong Kong para apanhar a avião, o que explica a quebra de 5 a 10% de receitas sobre as linhas entre Taiwan e Macau.

ATAQUE INFORMÁTICO SANDS É ALVO ALEGADAMENTE POR POSIÇÕES POLÍTICAS DE SHELDON ADELSON

Uma questão de segurança Quando os ideais se tornam perigosos A O JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

Companhia de Gestão de Participações e Energia Sinosky recebeu autorização do Executivo para a construção de uma câmara de válvula de corte do gasoduto de gás natural que chega a Macau. De acordo com um despacho publicado ontem em Boletim Oficial, a construção terá lugar num terreno na Rotunda Marginal do Cotai, que foi concedido à empresa por arrendamento e com dispensa de concurso público. A área do terreno – que pertence ao domínio público - é de apenas 92 metros quadrados e a Sinosky quer “construir uma câmara de válvula de corte de gasoduto de gás natural para, em caso de emergência, se poder cortar automaticamente o gasoduto”. Esta é a empresa que venceu em 2006 o concurso público aberto pelo Governo da RAEM para conseguir o contrato de concessão do Serviço Público de Importação e Transporte de Gás Natural. A Sinosky é a concessionária do contrato de importação de gás natural para Macau e é quem

fornece o gás natural à Nam Kwong, quem tem a concessão da distribuição no território. Nos últimos anos tem sido alguma a controvérsia em torno da Sinosky, que é fruto de um consórcio constituído pela China Petroleum & Chemical Corporation e pela Companhia de Gás Natural de Macau, Limitada (Sinopec Macau). Em 2010, por exemplo, o Governo viu-se obrigado a emitir um comunicado onde garantia ter alertado a empresa de que deveria tomar todas as medidas necessárias para garantir o fornecimento de gás natural, estável e a longo

prazo, de acordo com o planeado no contrato de concessão. Este ano, a polémica voltou quando a CEM se queixou que a Sinosky não tinha fornecido gás natural, já desde 2011. O Governo não recebeu também os planos de desenvolvimento a médio prazo para o actual triénio. O Gabinete para o Desenvolvimento do Sector Energético (GDSE) disse ao jornal Ponto Final estar ainda à espera de saber quando iria a empresa retomar o abastecimento CEM. A Sinosky não terá também pago ao Governo a retribuição pela concessão que está estabelecida em contrato. Ainda assim, a empresa obteve pareceres positivos de diversos departamentos do Governo face ao pedido, que foi considerado um empreendimento de interesse público. O arrendamento é válido até 15 de Dezembro de 2021, data em que cessará a concessão do serviço público de importação e transporte de gás natural na RAEM. A renda anual paga pela empresa é de 1650 patacas e a Sinosky tem um ano para construir a câmara. O contrato prevê que a empresa siga as regras da protecção ambiental.

S websites da Las Vegas Sands e da Sands China foram pirateados tanto nos EUA, como em Macau desde terça-feira de manhã. Até à hora do fecho desta edição, ainda se mantinham sem acesso possível. De acordo com a Associated Press e com a imprensa norte-americana, o ataque pode estar relacionado com as manifestações políticas de Sheldon Adelson, o patrão da empresa de jogo. Mensagens deixadas no site de um casino-resort da Sands na Pennsylvania, nos EUA, criticavam as posições políticas do magnata, especialmente sobre comentários recentemente feitos por Adelson – conhecido como um grande apoiante de Israel - sobre o Irão. “Antes do site do casino da Pennsylvania ir totalmente abaixo, quem o visitou viu fotografias de Adelson ao lado de Benjamim Netanyahu,

primeiro-ministro israelita”, escreve a Associated Press. “A página incluía um mapa do mundo com chamas nos locais dos EUA onde a Sands tem casinos. O site também tinha um texto, onde se podia ler ‘Cuidado A, não deixes a tua língua cortar-te a garganta. Encorajar o uso de armas de destruição maciça, seja qual for a condição, é crime’”, diz a agência, citando um jornal regional da Pennsylvania. O alerta refere-se às declarações de Adelson em Outubro passado, quando o patrão da Sands defendeu a ideia de atacar o Irão com uma bomba nuclear.

Ainda assim, a ligação entre as posições políticas de Sheldon Adelson e o ataque informático – assinado por “Anti WMD Team” – ainda não foi comprovado, uma vez que tanto a entidade reguladora do jogo do Nevada e o FBI estão a investigar o caso. Os hackers chegaram a conseguir colocar informação confidencial sobre funcionários da empresa em alguns websites, bem como números de segurança social. Conseguiram ainda, avança a imprensa dos Estados Unidos, atacar os sistemas informáticos internos da Sands, deixando os funcionários sem acesso aos emails. Só a Sands foi alvo dos ataques, que não chegaram a qualquer outra empresa de jogo norte-americana. O HM tentou obter esclarecimentos da parte da Sands no território, mas não foi possível. - J.F.


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CHINA

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CRITICADA NA INTERNET REPRESSÃO CONTRA ‘CAPITAL DO SEXO’

Não chores, Dongguan A reportagem feita por uma televisão estatal da “capital do sexo” da China e uma muito propagandeada repressão policial subsequente despoletaram as críticas do público, que expressou simpatia para com as profissionais do sexo e sugeriu que as autoridades tenham como alvo outros tipos de transgressões. A cobertura da acção realizada no passado fim de semana por 6,5 mil oficiais em Dongguan, no sul do país — cheia de imagens de mulheres algemadas com as cabeças curvadas —, estimulou muitos manifestarem-se em sites online com tons mais críticos à matéria da Televisão Central da China (CCTV) e à repressão exercida do que à prostituição. “Dongguan, aguenta-te firme”, foi um dos principais tópicos do Sina Weibo (Twitter chinês) na segunda-feira, com uma variação da frase tendo sido reescrita mais de 1,5 milhão de vezes na manhã de terça. Outra frase popular foi “Não chores, Dongguan”, sugerindo uma mudança de posição em relação à prostituição entre alguns membros da população chinesa. Alguns cibernautas sugeriram que as mulheres acabaram no negócio do sexo porque tinham pais doentes ou irmãos para apoiar e pediram que as autoridades lhes oferecessem mais ajuda durante a operação. Outros disseram que o poder policial seria mais útil para combater a corrupção entre os funcionários públicos e outros tipos de crimes. Algumas vozes pediram para que o comércio do

sexo na China seja legalizado para pôr fim à discriminação contra as profissionais do sector. “Não há como irradiá-lo. A legalização deveria ocorrer em algumas circunstâncias estritamente definidas”, tais como zonas especiais que são regulamentadas, disse esta terça Wang Yongzhi, 37 anos, que trabalha em Pequim.

Algumas vozes pediram para que o comércio do sexo na China seja legalizado para pôr fim à discriminação contra as profissionais do sector A viver em Xangai, Gong Bin, 26, que trabalha como vendedor numa companhia de alimentação, disse sentir simpatia pelas raparigas que escolhem fazer dinheiro através da venda de sexo e culpou a sociedade e o seu ambiente. “As pessoas estão a mudar a cabeça em relação à prostituição. Antes sentia-me muito envergonhado quando assistia a este tipo de notícias, mas agora há muitas pessoas ao meu redor a falar sobre isto”, disse. “O governo poderia pedir que algumas organizações ajudassem a cuidar destas raparigas.” Na matéria veiculada pela CCTV no domingo, repórteres disfarçados com câmaras escon-

didas filmaram serviços sexuais oferecidos em hotéis de Dongguan. Num deles, a gravação apresentava uma cadeia de mulheres enfileiradas, identificadas por um número, preço e sua cidade natal. Os preços variavam entre cerca de 900 a 2500 patacas. Um repórter da CCTV ligou para a polícia para informar que existia prostituição em dois hotéis, mas a polícia não apareceu. Entretanto, horas depois da transmissão da matéria no domingo, a polícia de Dongguan lançou a operação de repressão, que foi incluída numa acção de três meses sobre o comércio sexual de toda a Província de Guangdong. Até à manhã de segunda-feira, 12 locais de entretenimento envolvidos em prostituição tinham sido fechados e 67 pessoas foram postas sob investigação. Algumas manifestações online expressaram surpresa quanto ao aumento de alvos policiais e disseram que o comércio sexual em Dongguan não teria florescido sem o apoio da polícia e das autoridades locais. O Ministério de Segurança Pública anunciou na segunda-feira que a polícia local seria investigada por abandono de trabalho. O governo oficialmente vê a prostituição como um “feio fenómeno social” e a solicitação, venda ou posse de sexo na China é ilegal. Entretanto, apesar das acções de repressão frequentes do governo, a prostituição continua exuberante em casas de massagem, karaoke e clubes nocturnos, e as prostitutas ligam regularmente para os quartos dos hotéis em busca de clientes.

DIPLOMACIA MECANISMO DE LIGAÇÃO INTERGOVERNAMENTAL FIXADO COM TAIWAN

Uma nova era A

China e Taiwan concordaram estabelecer um mecanismo regular de ligação entre os dois governos, abrindo “uma nova era” nas conturbadas relações bilaterais, realçou ontem a imprensa oficial chinesa. O “histórico acordo” foi alcançado terça-feira em Nanjing, capital da China quando o Partido Comunista tomou o poder no continente chinês e o antigo Governo, dirigido pelo Partido Nacionalista, se refugiou na ilha de Taiwan, em 1949. Desde então, os contactos ao longo do Estreito de Taiwan foram assegurados por organizações não-governamentais. A partir de agora, “basta pegar no telemóvel e falar”, disse o ministro de Taiwan que chefia o gabinete encarregue das

relações com o continente chinês, Wang Yu-chi. Wang Yu-chi foi o primeiro governante de Taiwan recebido na República Popular da China desde o final da guerra civil chinesa, há mais de 60 anos. O seu homólogo de Pequim, o director do gabinete do Conselho de Estado para os Assuntos de Taiwan, Zhang Zhijun, visitará a seguir aquela ilha. As conversações entre Zhang e Wang, em “putonghua” (mandarim), decorreram numa sala sem bandeiras nem símbolos políticos, evidenciando as persistentes divergências entre as duas partes. Taiwan, que continua a assumir-se como representante da República da China (sem o adjectivo “popular”), é vista por Pequim como uma província chinesa e não uma entidade politica soberana.


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IMPORTAÇÕES PETRÓLEO E MINÉRIO ATINGEM NOVOS RECORDES

Apetite por matérias primas não diminui A S importações da China de recursos naturais cresceram para níveis recordes em Janeiro, num sinal de que a desaceleração do crescimento económico ainda não diminuiu o apetite por matérias primas. A importação de petróleo, minério de ferro e cobre registaram volumes recordes para o primeiro mês do ano, segundo dados preliminares do governo. As compras correspondem a um período de baixos preços entre muitas commodities. Os embarques de petróleo alcançaram 28,16 milhões de toneladas no primeiro mês do ano, o equivalente a 6,66 milhões de barris por dia. Este número é 12% superior ao do mesmo período do ano passado e 5% acima do registado no mês passado. Suspeita-se que a procura possa ter sido influenciada pelo Ano Novo Lunar, um período em que a China passa pela maior migração humana anual no mundo. Analistas explicaram que as refinarias da China processam mais petróleo perto do feriado, que este ano aconteceu no fim de Janeiro e no começo de Fevereiro, para atender à procura no sector de transportes. No entanto, a subida pouco comum nos números levou um analista a suspeitar do estabelecimento oportunista de stocks. “Não é fácil as refinarias absorverem um influxo tão grande de importações, então o mais provável é que a com-

Os embarques de petróleo alcançaram 28,16 milhões de toneladas no primeiro mês do ano, o equivalente a 6,66 milhões de barris por dia. Este número é 12% superior ao do mesmo período do ano passado e 5% acima do registado no mês passado

pra de petróleo tenho ido directamente dos navios para os stocks”, disse Li Li, director de investigação na empresa de consultoria ICIS C1 Energy. A motivação para as compras seria o preço do petróleo de Brent, que atingiu cerca de 806 patacas o barril em Novembro, o menor nível desde Julho. O minério de ferro apresentou também uma importação recorde de 86,84 milhões de toneladas. Este volume é 33% superior ao do mesmo período do ano passado e 12% acima do último recorde, estabelecido em Novembro.

Os preços do minério de ferro também estão em queda. Em Novembro e Dezembro estiveram cerca de 14% abaixo das máximas no ano, no mês de Fevereiro. Os stocks aumentaram também, sinalizando que os compradores estiveram a aumentar as compras nos stocks dos portos, enquanto a produção de siderurgia continua baixa. As importações de cobre alcançaram um novo recorde de 536 mil toneladas após um crescimento de 53% nas compras de Janeiro, na comparação com o mesmo mês de 2013.

COMÉRCIO ACORDO DE LIVRE COM ISLÂNDIA PODERÁ ENTRAR EM VIGOR ESTE ANO

Primeiro do género em solo europeu O Ministério de Comércio da China informou esta terça-feira que a China e a Islândia tinham concluído os procedimentos internos e que o Acordo de Comércio Livre entre os dois países deverá entrar em vigor no segundo semestre deste ano. Na terça-feira, um funcionário do Ministério do Comércio da China, encarregado das relações internacionais no âmbito da economia e comércio, expressou as suas saudações pela recente aprovação do acordo bilateral pelo Parlamento Islandês, apontando que este

se trata do primeiro acordo de livre comércio assinado entre a China e um país europeu, e que promoverá o desenvolvimento sadio e sustentável das relações económicas, não só com a Islândia, mas também com a Europa. As negociações sobre a zona de livre comércio China – Islândia iniciaram-se em Dezembro de 2006. Em Abril do ano passado, as duas partes assinaram oficialmente um acordo que abrange áreas amplas, tais como a isenção mútua de direitos aduaneiros em 96% dos itens dos produtos incluídos no comércio bilateral.

REGIÃO COREIA DO SUL PM DO JAPÃO É TÃO IMPOPULAR COMO LÍDER NORTE-COREANO

Relações cada vez mais em baixa O primeiro-ministro japonês Shinzo Abe é tão impopular junto dos sul-coreanos como o norte-coreano Kim Jong-Un, revelou ontem uma sondagem quando as relações entre Seul e Tóquio estão em ‘baixa’. Depois da controversa visita de Shinzo Abe ao santuário de Yasukini, a sua já baixa taxa de popularidade na Coreia do Sul

caiu para 1.0 numa escala de dez pontos, de acordo com uma sondagem realizada pelo Asan Institute em Seul. “Esta é a mesma taxa de popularidade para Kim Jong-Un (líder da Coreia do Norte)”, afirmou o instituto. No entanto, metade dos sul-coreanos disseram que apoiam a ideia de uma cimeira Coreia do Sul-Japão e cerca de 60% disse que-

rer que a Presidente Park Geun-Hye tome um papel proactivo para melhorar as relações entre os dois países. Park Geun-Hye descartou a possibilidade de uma cimeira com Abe até que Tóquio demonstre arrependimento sincero pelos erros do passado”. Mas a líder sul-coreana mantém em perspectiva uma eventual cimeira com Kim

Jong-Un, apesar de a Coreia do Norte e Coreia do Sul continuarem tecnicamente em guerra. O domínio colonial do Japão (1910-45) sobre a península coreana continua a ser um assunto sensível na Coreia do Sul, que sente que os sucessivos governos japoneses falharam em pedir desculpas por abusos cometidos durante aquele período.

Japão Toyota chama à revisão quase dois milhões de veículos a nível mundial

A Toyota vai chamar à revisão mais de 1,9 milhões de veículos do modelo Prius a nível mundial por um problema de software que pode reduzir a potência do automóvel e em casos extremos desligar o veículo em andamento. “Em casos limitados, o sistema híbrido pode desligar-se e o veículo parar, talvez durante a condução”, informou a Toyota em comunicado. O problema afecta a actual geração de Prius, em concreto os modelos fabricados entre Março de 2009 e Fevereiro de 2014 principalmente no Japão, mas também nas fábricas do fabricante japonês na China e Tailândia. A chamada implica no total 997.000 unidades no Japão, 713.000 na América do Norte, 130.000 na Europa, 47.000 na Oceânia, 7.000 no Médio Oriente e cerca de 6.000 noutras regiões.


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EVENTOS

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apartamento de Munique onde foram encontradas, em Março de 2012, cerca de 1.400 obras de pintura moderna, não era, afinal, o único esconderijo em que Cornelius Gurlitt escondia os seus tesouros artísticos: na pequena moradia que possui em Salzburgo, na Áustria, o agora octogenário, filho de um historiador e negociante de arte que colaborou com os nazis, mantinha mais 60 trabalhos, incluindo um desenho de Pablo Picasso e telas de Claude Monet, Pierre-Auguste Renoir ou Édouard Manet. Terá sido o próprio Gurlitt a informar as autoridades da existência de mais este acervo, e as obras foram removidas da sua casa de Salzburgo esta segunda-feira, na presença dos representantes legais do coleccionador. Citado pelo jornal austríaco Salzburger Nachrichten, Stephan Holzinger, o porta-voz de Gurlitt, adiantou apenas que as telas foram “inventariadas, seguradas e levadas para um local seguro”, tendo-se recusado a precisar se ainda se encontram na Áustria. Holzinger explicou ainda que as telas serão examinadas por especialistas de vários países para “esclarecer quaisquer dúvidas” sobre as respectivas origens e determinar se poderão ter sido roubadas pelos nazis. Na sequência de muitas pressões, as autoridades alemãs vêm divulgando as obras que consideram mais suspeitas de corresponder a arte saqueada durante o nazismo, designadamente a coleccionadores e famílias judaicas. Até este momento, a lista conta já com 590 telas. Holzinger garante, no entanto, que uma “avaliação preliminar” das 60 obras que Gurlitt conservava em Salzburg não detectou indícios que apontem para origens ilícitas. As fotografias desta segunda casa do coleccionador publicadas no jornal local Sal-

ARTE CASA EM SALZBURGO ESCONDIA MAIS 60 OBRAS FAMOSAS

O extraordinário “caso Gurlitt”

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA A PISTA DE GELO • Roberto Bolaño

Tudo se passa durante um mês de verão numa praia do Mediterrâneo. Há uma mansão arruinada, uma bonita patinadora em decadência, e a paixão de um autarca de província. É há um crime, nas diferentes versões de três narradores que se vão completando e corrigindo. Remo Móran, Gaspar Heredia e Enric Rosquelles estão ligados a esse acontecimento central e, sem o saberem, podiam tê-lo impedido. Pista de Gelo - que se constrói sobre as linhas características do projeto narrativo de Roberto Bolaño - é um espaço de reflexão sobre a corruptibilidade dos políticos, sobre a ação perturbadora do amor nas pessoas, sobre o desenraizamento, a amizade e a dissolução dos sonhos. E mostra-nos, sobretudo, que nada é o que aparenta ser, nada é bem o que nos contam; e que mesmo na ausência de sentido, a vida prossegue.

zburger Nachrichten mostram uma moradia de dois pisos com uma garagem anexa – a construção datará dos anos 1960 –, de dimensões modestas e não muito bem conservada, mas com grades em todas as janelas e uma porta de aspecto resistente, à qual foi aparafusada uma pequena placa metálica com o nome do proprietário.

Esta nova descoberta vem confirmar que, como já se suspeitava, há ainda muito para esclarecer neste extraordinário “caso Gurlitt”. A história tornou-se conhecida no início de Novembro de 2013, quando a revista alemã Focus divulgou que as autoridades bávaras vinham mantendo em segredo, desde Março de

2012, a descoberta de cerca de 1400 obras de arte (1.258 sem moldura e 121 emolduradas) no apartamento de Cornelius Gurlitt, escondidas por trás de uma parede de velhas latas de comida. A justificação para este longo silêncio foi a alegada necessidade de estudar a colecção com tranquilidade,

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

A ROSA NEGRA • Nora Roberts

Rosalind Harper é uma mulher cuja experiência a tornou forte o suficiente para enfrentar qualquer situação. Viúva, com três filhos, resistiu a um segundo casamento desastroso e construiu a sua empresa de jardinagem que, mais do que um mero negócio, se transforma num símbolo de esperança e independência para ela. Mas agora Roz está a ser posta à prova e conta com a ajuda do dr. Mitchell Carnegie, contratado para investigar a identidade da Noiva Harper. Só que o tempo escasseia para descobrir a verdade antes que a imprevisível aparição destrua a única pessoa que a poderá ajudar a descansar em paz.


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QUINZE ARTISTAS LOCAIS MOSTRAM PEÇAS DE ARTE NA EXPOSIÇÃO “FEBRE” EM LISBOA

Macau como exemplo de encontros culturais Q

UINZE artistas contemporâneos de Macau vão mostrar 66 obras em vários suportes numa exposição que inaugura esta quinta-feira, no Museu do Oriente, em Lisboa, para marcar os 15 anos da transferência daquele território para a China. De acordo com o Museu do Oriente, a exposição, intitulada “Febre”, que inaugura às 18:30 desta quinta-feira, apresentará obras de pintura, escultura, fotografia e vídeo até 27 de Abril. Ainda segundo a entidade, a mostra vai marcar os 15 anos da transferência da Administração do Território de Macau de Portugal para a República Popular da China. Comissariada por José Drummond, a exposição reúne obras de James Chu, Lai Sio Kit, Alice Kok, Nick Tai, Eric Fok, Cau Guo Jie, Fortes Pakeong Sequeira, Coke Wong,

sem a pressão dos media, do mundo da arte e de eventuais herdeiros de proprietários espoliados durante o nazismo. Foi também invocado o “segredo fiscal” – Gurlitt está a ser investigado por possível infracção fiscal –, mas a justiça alemã não aceitou a argumentação e, na sequência de um processo interposto pelo tablóide Bild, que exigia acesso à lista completa das obras, determinou que, num caso de “claro e relevante interesse público”, o segredo fiscal não se sobrepõe ao “direito à liberdade de informação”. A ser demonstrado que algumas das telas agora encontradas em Salzburgo foram roubadas pelos nazis, a sua restituição aos legítimos proprietários deveria ser razoavelmente simples, já que, ao contrário da Alemanha, a Áustria tem uma lei que regula estes casos e, em 1998, aprovou um decreto expressamente destinado a agilizar a devolução de obras saqueadas durante o nazismo. Embora tenha assinado o Acordo de Washington de 1998, comprometendo-se a verificar a possível existência de arte saqueada

pelos nazis em todas as suas instituições públicas, a eventual devolução de obras nestas condições continua a ser voluntária, e são até hoje poucos os museus alemães que tomaram a iniciativa de as restituir ou aceitaram fazê-lo. Também os particulares não têm qualquer obrigação legal de devolver obras saqueadas pelos nazis, desde que provem que, em determinado momento – e independentemente do seu percurso anterior -, foram adquiridas legalmente. O que significa que não é de todo improvável que Gurlitt venha a conseguir preservar boa parte da colecção que herdou, por muito duvidosas que tenham sido as circunstâncias em que vieram à posse do seu pai, Hildebrand Gurlitt, que apesar das suas origens judias pelo lado materno, conseguiu ser um dos negociantes encarregados pelo regime nazi de transaccionar a “arte degenerada” pilhada dos museus e galerias europeias. No final da guerra, terá conseguido convencer os aliados de que a sua colecção tinha ardido nos bombardeamentos de Dresden.

Hong Wai, Ann Hoi, Julia Lam, Tong Chong, Peng Yun, Lio Hak Man, e João Ó. “Continuando a herança histórica da cidade, com séculos de diálogo entre o Oriente e o Ocidente, Febre é uma meditação sobre o território de Macau enquanto exemplo de encontros culturais para o século XXI”, assinala o museu numa nota de imprensa. A exposição resulta de uma colaboração entre a Art For All Society, a Fundação Macau e a Fundação Oriente. AArt For All Society é uma galeria sem fins lucrativos fundada em 2007, em Macau, pelo artista James Chu. O espaço artístico, que detém uma representação em Pequim, organizou até hoje cerca de 60 exposições de artistas de Macau em vários países da Europa e da Ásia.

Celebração da Lua no Albergue, esta sexta-feira

O Albergue SCM promove esta sexta-feira a partir das 17h30, o Festival das Lanternas. Do programa proposto ao público constam várias actividades de entretenimento e convívio como a Exibição ao vivo da Arte de Caligrafia Chinesa, Música ao vivo interpretada pelo grupo Macau Cheong Hong Music Clube ou a oferta de Lanternas , Tradicionais às crianças. O público tem ainda à sua disposição várias bebidas e comidas festivas para passar um fim de tarde de convívio e contemplação da lua cheia, informa o comunicado de imprensa da organização. O evento, organizado pelo Albergue SCM e com Co-organização do Círculo dos Amigos da Cultura de Macau tem como Patrocinadores a Fundação Macau e o Instituto Cultural do Governo da RAEM.

Joana Vasconcelos expõe no Museu da Arte de Manchester A partir do próximo sábado e até dia 1 de Junho, o Museu da Arte, em Manchester, vai exibir aquela que considera ser “a mais ambiciosa” exposição da artista Joana Vasconcelos, no Reino Unido. Pelo nome ‘Time Machine’, a exposição vai contar com mais de 20 peças, juntando, pela primeira vez, três veículos de grande dimensão, transportados pela artista portuguesa: ‘Lilicóptero’ - um helicóptero decorado com penas de avestruz; ‘War Games’ - um automóvel coberto por espingardas de plástico; e um triciclo motorizado, cheio de estatuetas de Nossa Senhora de Fátima. Além disso, a mesma apresentará, pela primeira vez, a cor amarela na série ‘A Todo o Vapor’, que consiste em esculturas mecânicas feitas de ferros de engomar, que abrem como pétalas de uma flor e libertam vapor quando chegam à posição vertical. A nova peça será colocada entre as duas anteriormente apresentadas (uma vermelha e outra verde), por forma a perfazer as cores de Portugal.

CHINA ALAIN DELON ENCABEÇA LISTA DAS “ESTRELAS DE CINEMA MAIS AMADAS”

Ícone de distinção e masculinidade O actor francês Alain Delon encabeça a lista das “dez estrelas de cinema mais amadas na China” divulgada ontem num jornal oficial chinês a propósito da morte de Shirley Temple. “Para a maioria das mulheres chinesas, Alain Delon é um símbolo perfeito da distinção e masculinidade ocidentais”, diz Cindy Gu, a editora do China Daily que compilou a lista.

Alain Delon, nascido em 1935, é uma das quatro estrelas da lista ainda vivas, juntamente com o japonês Ken Takakura, que figura em 2.º lugar, Silvester Stallone (5.º) e a japonesa Momoe Yamaguchi. A norte-americana Shirley Temple, falecida na segunda-feira com 85 anos, ocupa o 6.º lugar, logo a seguir à compatriota Marylin Monroe (1926-62). Humphrey Bogart

(1899-1957) figura em 3.º lugar e Charlie Chaplin (1889-1979) no 4.º lugar. Audrey Hepburn e Vivien Leigh, também já falecidas, completam a lista. O China Daily, um dos mais importantes jornais oficiais de língua inglesa do país, foi fundado no início da década de 1980, depois de o Partido Comunista Chinês adoptar a política de “Reforma Económica e Abertura ao Exterior”.


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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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António Rodrigues

IN PÚBLICO

O ANO CORTÁZAR

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UITO se falará de Julio Cortázar em 2014 – quarta-feira passam 30 anos da morte, em Agosto assinala-se o centenário do nascimento. O biógrafo, Mario Goloboff, fala-nos do mestre do conto apaixonado por Buenos Aires que um dia resolveu escrever um romance-monumento-jogo chamado Rayuela para ir mais além na compreensão do real Neste ano de redondas datas – que já vem de Julho, com os 50 anos da publicação de Rayuela, passa na quarta-feira pelo assinalar dos 30 anos da morte e culmina a 26 de Agosto com o centenário do nascimento –, não faltarão os programas de homenagem em torno da vida e obra de Julio Cortázar. Argentina, França, Espanha, México, Cuba, Nicarágua, até Portugal, vão lembrar o autor de Bestiário. Buenos Aires-Paris será o eixo fundamental das comemorações: a capital argentina por ser a sua cidade (apesar de nascido acidentalmente em Bruxelas, onde o pai era funcionário consular); a capital francesa para onde foi em 1951 e viveu até morrer em 1984. O Salão Literário de Paris, que se realiza de 21 a 24 de Março, terá a Argentina como convidada de honra e Cortázar estará no centro das actividades com um espaço de homenagem com fotografias inéditas do escritor da autoria de Sara Facio. O escritor argentino mantém-se popular três décadas depois da morte, embora não seja caso para ficar de braços cruzados, afirma o seu biógrafo, Mario Goloboff. “Sempre há mais por fazer: difusão nas escolas e colégios, ensino na universidade, encontros e seminários de investigação, publicações diversas, jornalismo cultural, traduções, reedições, edições críticas”. Porque, por mais que haja muita coisa dita, escrita e publicada sobre o autor de Histórias de Cronópios e de Famas, ainda há muito por dizer: “Num grande escritor como Julio Cortázar há sempre coisas a descobrir em novas leituras; cada aproximação a Rayuela acrescenta dados e conhecimentos sobre a sua génese, a sua textura, a sua conformação. Que se propôs fazer? Por que se propôs fazê-lo? Conseguiu-o? Afinal o que foi que fez? Acho que o mesmo acontece com os seus outros romances, com os seus livros que misturam géneros e, sem dúvida, com os seus mais famosos contos.”

SURREALISMO E POLÍTICA

A biografia escrita por Goloboff, editada pela primeira vez em 1998 e reeditada em 2011, vai ter nova edição este ano na

O ESCRITOR ARGENTINO MANTÉM-SE POPULAR TRÊS DÉCADAS DEPOIS DA MORTE, EMBORA NÃO SEJA CASO PARA FICAR DE BRAÇOS CRUZADOS, AFIRMA O SEU BIÓGRAFO, MARIO GOLOBOFF Argentina (Ediciones Continente) e em Cuba (Arte y Literatura), estando previstas para sair ainda em 2014 uma tradução em inglês e outra em grego. “Até agora os editores preferiram publicá-la tal como na primeira edição, com leves correcções, embora lhes tenha oferecidos novos trabalhos que fui escrevendo sobre as relações de Cortázar com o objecto livro, com os problemas do ritmo literário e da leitura, com outras práticas estéticas”, explica o professor de Literatura Argentina da Universidade Nacional de La Plata, antigo docente nas universidades de Toulouse, Paris X, Nanterre e Reims. Goloboff continua “a reflectir sobre a grande adscrição” de Cortázar ao surrealismo, sobre “as suas polémicas estéticas e literárias” e sobre a dimensão política de um autor que não sendo um escritor político meteu-se na política, fez declarações políticas, defendeu publicamente as revoluções cubana e sandinista na Nicarágua e usou a sua popularidade literária para apoiar a luta dos povos latino-americanos. Ainda em Novembro, o governo argentino encontrou uma lista negra de artistas considerados subversivos pela ditadura militar argentina (1976-1983) e lá constava o nome de Julio Cortázar. O escritor colombiano Pablo Montoya, num ensaio sobre a relação do escritor argentino com a luta cubana, escreveu assim: “Cortázar seguiu, na sua ascensão particular em direcção aos outros, um

processo iniciado com o surrealismo e o jazz, que haveria de desembocar no seio candente da família revolucionária latino-americana”. Essa dimensão política do escritor e da sua obra está presente neste Ano Cortázar. Tal como Goloboff, o nicaraguense Sergio Ramírez será um dos intervenientes no Encontro Internacional dedicado ao escritor centenário que se realizará em Agosto na Biblioteca Nacional argentina, em Buenos Aires, e juntará escritores e críticos da América Latina, Espanha, Itália e Estados Unidos: “Cortázar, o desterrado, tornou-se no autor que liam os revolucionários clandestinos nas catacumbas, porque expunha as maneiras de não ser, perante as maneiras sem-vergonha de ser que ofereciam sociedades como as da América Latina, onde não bastava abolir as injustiças, era preciso procurar novas formas de conduta pessoal. Que foi o que quis fazer a revolução sandinista, por ser uma revolução juvenil”, escreveu Ramirez em El Evangelio según Cortázar. “Sobre um fundo permanente de preocupações sociais e políticas, creio que as suas vivências na Paris da década de 50 influíram decisivamente na assunção de um mito poético-político como o da Revolução Cubana e o socialismo”, explica Goloboff, algo que se vê “reflectido em alguns dos seus textos da época e especialmente na nouvelle O Perseguidor, em que ele mesmo diz que ‘começou a olhar o próximo pela primeira vez’”.


hoje macau quinta-feira 13.2.2014

artes, letras e ideias 13

Sérgio C. Andrade

IN PÚBLICO

PABLO PICASSO NO ATELIER

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M 1955, quando Pablo Picasso era já a principal referência da pintura do século XX, o cineasta francês Henri-Georges Cluzot realizou um documentário sobre o artista em acção. O filme chama-se Le Mystère Picasso e, nele, o pintor nascido em Málaga é captado em pleno gesto de criação perante a tela no espaço de um atelier — que, na verdade, não era o seu atelier, mas um estúdio de cinema alugado em Nice, perto de onde ambos então viviam. O atelier de Picasso (1881-1973), entendido como espaço de criação e laboratório de experimentação, vai ser o mote da exposição que a Fundação Mapfre inaugura já na próxima semana, dia 12, na sua galeria em Madrid, e que promete ser o grande acontecimento da programação da instituição para 2014. Picasso. En el taller é mesmo o título da exposição, que vai mostrar 180 obras reunidas principalmente a partir de colecções privadas de todo o mundo: França e Suíça, Estados Unidos e Japão, Israel e mesmo, possivelmente, também do Irão... A pouco mais de uma semana da inauguração, o site da Mapfre não disponibilizava ainda informação sobre Picasso. En el taller. Mas o essencial fora apresentado à comunicação social espanhola no final de Janeiro: a exposição vai ser comissariada por Maite Ocaña, ex-directora do Museu Picasso de Barcelona e do Museu Nacional de Arte Contemporânea da mesma cidade e uma das maiores especialistas na obra do autor de Guernica; e vai dar a ver um conjunto de obras pouco vistas — por exemplo, um auto-retrato do pintor —, ou mesmo nunca exibidas em público. Grande parte dos empréstimos para a exposição provém, de resto, dos herdeiros de Picasso: os seus filhos Claude, Paloma e Marina, além de Catherine Hutin, filha da última mulher do pintor, Jacqueline Roque. Não há informação de que o filme de Georges Henri-Cluzot vá integrar a exposição, mas, pela primeira vez, serão mostradas as paletas do pintor. Até 11 de Maio. Na mesma conferência de imprensa, a Mapfre divulgou o seu plano de actividades para este ano, no qual avultam, com inauguração no mesmo dia da de Picasso, a mostra com 70 desenhos do mestre italiano do Renascimento Jacopo Portormo (1494-c.1556) e, em Junho, a obra de Henri Cartier-Bresson (1908-2004) em 300 peças vindas do Centro Pompidou, em Paris, e que documentam tanto a sua dimensão de fotógrafo correspondente de guerra como de artista da geração dos surrealistas. Depois do Verão, em Setembro, será a vez de Sorolla e a América, reunião de uma centena de obras pouco conhecidas no seu país do espanhol Joaquín Sorolla (1863-1923).

O ATELIER DE PICASSO, ENTENDIDO COMO ESPAÇO DE CRIAÇÃO E LABORATÓRIO DE EXPERIMENTAÇÃO, VAI SER O MOTE DA EXPOSIÇÃO DA FUNDAÇÃO MAPFRE


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António Lobo Antunes IN VISÃO

ADEUS

N

ÃO acendas a luz. Não é que queira dormir, não quero, mas não acendas a luz nem me toques quando te deitares, apetece-me a sensação de estar sozinho, de olhos abertos no escuro, sem pensar em nada, a ouvir o silêncio, a esquecer-me do silêncio, a ouvi-lo de novo e, no fundo do silêncio, uma voz que não sei a quem pertence e me chama. Ou não é a mim que chama, não chama por ninguém, existe apenas. Não percebo que idioma fala, julgo que não se me dirige, murmura somente, interrompe-se, recomeça. Não a entendo, não me interessa entendê-la, dou por ela e pronto. Hoje fui visitar a minha mãe ao hospital. Tão pequena, tão magra, quase nem um relevozinho nos lençóis. Fez-me festas na mão. Depois vim-me embora. Era a única pessoa no elevador. A seguir um átrio enorme, vazio, com uma empregada longíssimo, atrás de um balcão. Poltronas. Um ou outro letreiro cheio de setas. Um pátio com meia dúzia de automóveis de médicos, os carros dos doentes não podem entrar. Uma ambulância de aspecto abandonado e lanterna apagada no tejadilho. Ruazinhas. Em qual delas deixei a porcaria do Volvo? Ninguém nas ruazinhas, é domingo, excepto um cão além, a coxear. A minha mãe lá em cima, confundindo as coisas. Não se lembra dos nomes dos filhos. Informo-a - Sou o António que ela repete, num eco vazio - O António. Pergunto-lhe

- Quais são os nomes dos meus irmãos? Faz um esforço para se recordar, desiste: - Não sei sem interromper as festinhas, brandas, lentas: - O António e, depois - Pai porque o pai dela António igualmente, um homem silencioso de que me recordo mal. A ideia de um sorriso vago, o jornal lido na varanda, que chegava no comboio do meio-dia. Via-se do alto da casa a atravessar os campos numa respiração custosa, e eu com uma caixa de

ENQUANTO O COMBOIO DO JORNAL PASSA EM BAIXO, ENQUANTO A ÁGUA QUENTE ARREFECE NA SELHA, ENQUANTO ALGUÉM DÁ À BOMBA JUNTO AO POÇO, ENQUANTO A VEJO DANÇAR O CHARLESTON NA COZINHA

fósforos, com joaninhas dentro, no bolso dos calções. Castanheiros, granito, a garagem inundada por bicicletas velhas. A minha mãe - O António dava-nos banho numa selha, com um balde de água aquecido no fogão. Isto antes do jantar, que comíamos de pijama. O meu avô a mastigar calado, um dos meus tios a rir-se. Qual deles? - Quem era o tio que ria, mãe? e ela, na cama do hospital, ou antes, da clínica - Não sei a alisar os dedos nos meus, sem descanso - Não sei nem sequer perplexa, nem sequer aflita, num vagar monótono - Não sei a beber por um tubinho, a procurar-me, sem me encontrar, com os olhos cegos, o que é feito do seu corpo, senhora, nem um relevozinho no lençol, sabia, enquanto o comboio do jornal passa em baixo, enquanto a água quente arrefece na selha, enquanto alguém dá à bomba junto ao poço, enquanto a vejo dançar o charleston na cozinha, a gente pedia - Dance um bocadinho de charleston, mãe você dançava e, à medida que dançava, ia-se afastando de mim, deitada no hospital, na clínica sem ninguém no átrio, sem ninguém na rua (é domingo) excepto um cão manco, um cão manco, um cão manco, um cão, parecido comi-

go, que se afasta como eu, um cão que, se o chamasse - António talvez olhasse para trás antes de continuar a ir-se embora sem procurar o Volvo, de focinho, rente às pedras, a cheirar o passado que, de certeza, não encontra - Quem roubou as minhas joaninhas? que, de certeza, encontra mas onde que o não distingo, se ao menos a minha voz - Chega aqui, cão e não chega, perdi-o, estou tão longe agora, mãe, tão longe, começo a descer uma travessa para o rio, não oiço nenhum - António que me faça parar, nenhum - António que me faça voltar atrás, nenhum - António que me espere, nenhuma mão na minha, nenhuma mão na minha cabeça, no meu lombo, na minha cauda, não a oiço, mãe, debruçada para a selha - Deixa-me tirar-te o sabão das costas porque não me rala o sabão, não me rala o comboio do jornal, não me ralam os castanheiros, não me rala não haver nenhum adeus, rala-me apenas a ideia de acenderes a luz e eu ao teu lado sem pensar em nada, a ouvir o silêncio e a dar-me conta de uma mulher nova a dançar o charleston na cozinha, sorrindo para um sujeito que não sou eu, que não conheço, que detestaria conhecer, colocando-se à minha frente, impedindo-me de alcançá-la, para dançar consigo.


artes, letras e ideias 15

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José Luís Peixoto

IN VISÃO

UNS A IMAGINAREM OS OUTROS

N

A semana passada, li num jornal que as oitenta e cinco pessoas mais ricas do mundo possuem tantos recursos como a metade mais pobre de toda a população do planeta. Sei algumas coisas sobre ti. Estás aí, existes e respiras. Há uns dois ou três anos, o director de uma revista portuguesa de informação generalista, contou-me que, em todos os inquéritos aos leitores, a maioria dos homens só tinha críticas negativas a fazer. Os elogios chegavam quase exclusivamente de leitoras. O cálculo de probabilidades é uma forma discreta de mostrar que não se tem a certeza do que se está a dizer. Ainda assim, esta é uma revista e tu estás a lê-la, por isso, se fores um homem há a possibilidade de que estejas impaciente. Se ainda não desististe de ler, talvez te pareça que estou só a encher papel, que tenho pouco para dizer. Se fores uma mulher, é provável que estejas à espera de ver onde quero chegar, optimista. Mas as probabilidades são muito imperfeitas e tu, apesar delas, continuas a ser tu. É bem possível que sejas um homem e pertenças à minoria. Da mesma maneira, podes facilmente ser uma mulher e sentir a mesma necessidade de afirmação que a maioria dos homens nunca ultrapassa. Ia agora desculpar-me e dizer que sempre embirrei com teorias à volta das diferenças entre homens e mulheres, o que seria verdadeiro, mas não o vou fazer porque me dá um certo alívio afirmar que a maior parte dos homens nunca ultrapassa uma necessidade de afirmação primária, mesquinha, patética. E irritante, como se nota pela adjectivação que escolhi. Se Freud aqui estivesse, diria que lhes faltou elogios. Um círculo, portanto. Homem maioritário ou minoritário, mulher maioritária ou minoritária, uma grande parte daquilo que sei sobre ti nasce de mim próprio. Avalio-te por aquilo que me parece possível, parece-me possível aquilo que concebo, concebo aquilo que já fui ou considerei. Ao mesmo tempo, interpreto-te através do filtro da minha insegurança, do meu medo, da minha própria necessidade de afirmação. E acredito que contigo também é assim. Aquilo que sabes de mim nasce de ti, através dos teus filtros. De novo, um círculo.

DEIXO-TE OS NÚMEROS, ESSES SÃO CONCRETOS: AS OITENTA E CINCO PESSOAS MAIS RICAS DO MUNDO POSSUEM TANTOS RECURSOS COMO A METADE MAIS POBRE DE TODA A POPULAÇÃO DO PLANETA

Estas palavras são pretextos. De mim, estas palavras dizem-te que estou aqui, existo e respiro. Com boa ou má vontade, tens razão nos dois casos. É certo que tenho pouco para dizer, mas também é certo que, se quiseres mesmo, podes tentar perceber onde quero chegar. Não sei se leste o mesmo jornal que eu, na semana passada, mas quero dizer-te, ou repetir-te, que as oitenta e cinco pessoas mais ricas do mundo possuem tantos recursos como a metade mais pobre de toda a população do planeta. Não se trata de um cálculo de probabilidades, são números concretos. Eu sou uma pessoa. Tu és uma pessoa. Uns são oitenta e cinco pessoas. Outros são três mil e quinhentos milhões de pessoas, mais ou menos. Como eu, já estiveste em lugares com oitenta e cinco pessoas, oitenta e quatro se contarmos contigo. Custa mais imaginar três mil e quinhentos milhões de pessoas. O que sabemos dessas pessoas? Existem? Respiram? Onde estão? Será que podemos compará-las connosco? Será que podemos compará-las umas com as outras? Umas são piores do que as outras? São melhores? Umas merecem mais do que as outras? Merecem menos? Tu e eu não pertencemos nem aos oitenta e cinco, nem aos três mil e quinhentos milhões. Convenientemente, essa verdade pode ilibar-nos de procurar resposta para estas perguntas. Já temos tanto com que nos preocupar. Uma das coisas que sabes de ti é que não podes resolver todos os problemas do mundo. Ou será que, abusivamente, te estou a imaginar a partir do que me parece possível, do que concebo, do que já fui ou considerei? De novo, as dúvidas. É-me difícil evitá-las. Também há as probabilidades, mas já te disse aquilo que penso acerca delas. Deixo-te os números, esses são concretos: as oitenta e cinco pessoas mais ricas do mundo possuem tantos recursos como a metade mais pobre de toda a população do planeta. Li num jornal da semana passada. Ainda não se desactualizou. É deste tempo, deste mundo. Está a acontecer com tanta realidade como aqui, aí, como aquilo que iremos encontrar no momento em que deixarmos estas palavras e olharmos em volta.


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DESPORTO

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MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo

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ACAU tem-se revelado terreno fértil para a ambição de Zou Shimiming. O bicampeão olímpico na categoria de pesos mosca ligeiro combateu por três ocasiões no território desde que se tornou profissional e tem o regresso aos ringues agendado para 22 de Fevereiro, mas desta feita a batalha que terá pela frente na Arena do COTAI poderá reservar dificuldades acrescidas ao prodígio chinês. Zou Shiming é um dos cabeças de cartaz de um evento que traz ao território nada mais nada menos do que três antigos campeões olímpicos. Baptizado com o nome de “Ringues de Ouro”, o certame tem no duelo entre o mexicano Miguel Vazquez e o russo Denis Shafikov o embate de maior nomeada, mas o nome do próximo ad-

BOXE CAMPEÃO OLÍMPICO DEFRONTA YOKTHONG KOKIETGYM

A prova de fogo de Zou versário de Zou Shiming também está a criar expectativa. O atleta da República Popular da China vai esgrimir argumentos

com o tailandês Yokthong Kokietgym , naquele que deverá ser o combate mais equilibrado da ainda imberbe carreira profis-

sional de Zou. O pugilista somou por vitórias os três combates que disputou até ao momento, obtendo triunfos técnicos sobre

Eleazar Valenzuela, sobre Jesus Ortega e sobre Juan Toscano. Louvado pelos especialistas da modalidade, o desempenho do atleta

do Continente mereceu o reconhecimento unânime dos juízes que mediaram os combates, mas foram muitos os que colocaram em causa a escolha dos adversários contra os quais Zou Shiming esgrimiu argumentos. Pela primeira vez, o pugilista, nascido na província continental de Guizhou, irá defrontar um adversário que reúne o consenso dos adeptos da modalidade. Com quinze vitórias, três empates e uma única derrota em 19 combates disputados, Yokthong Kokietgym é tido como uma das principais revelações do boxe tailandês e é de longe mais experiente que os adversários que Zou Shiming enfrentou até ao momento. Apesar de ter travado grande parte dos combates que disputou dentro de portas, Kokietgym tem um registo impressionante em termos de eficácia. Dos quinze combates que venceu, onze foram por “knockout”.

FUTEBOL LÍBIA CONSEGUIU UM FEITO HISTÓRICO EM COMPETIÇÃO AFRICANA DE SELECÇÕES

Um troféu para sarar as feridas da revolução O pesadelo recente pelo qual passou a Líbia está longe de terminar, porque a revolução que começou no início de 2011 e levou à queda de Muammar Khadafi deixou como herança um quotidiano de violência e confrontos entre milícias rivais. Mas, pelo menos durante alguns dias, as multidões nas ruas puseram de parte a rivalidade entre facções e uniram-se sob a bandeira vermelha, preta e verde, para celebrar. O motivo da festa? A conquista histórica obtida pela Líbia no Campeonato das Nações Africanas. Não confundir este torneio com o Campeonato Africano das Nações (CAN), criado na década de 1950 e que, a cada dois anos, reúne as maiores estrelas do futebol africano. O Campeonato das Nações Africanas (CHAN, na sigla inglesa) também é disputado por selecções africanas, mas surgiu apenas em 2007 (a primeira edição disputou-se em 2009) e tem como

principal particularidade a condicionante de apenas poderem ser utilizados jogadores que actuam no campeonato do próprio país. A CHAN 2014, a terceira edição da prova, nem começou bem para a Líbia, que tinha sido esco-

lhida para organizar a competição mas acabou por ver o torneio ser entregue à África do Sul por razões de segurança. Esse foi o único percalço no percurso dos líbios. Os “cavaleiros do Mediterrâneo” chegaram à fase final da CHAN

após a desistência da Argélia – a mesma equipa que tinha afastado a Líbia da edição anterior, em 2011 – que não conseguiu reunir uma selecção suficientemente forte. Com as competições internas ainda num lento regresso à normalidade possível, os líbios não geravam grandes expectativas antes da CHAN 2014. Mas a equipa orientada por Javier Clemente, ex-seleccionador de Espanha e campeão espanhol pelo Athletic Bilbau surpreendeu tudo e todos. No cargo apenas desde Setembro, o técnico conseguiu criar um grupo unido: “Podem não ter sido a equipa mais espectacular do torneio, mas os rapazes de Javier Clemente mostraram determinação e empenho sem igual para conquistar o primeiro troféu continental da história”, podia ler-se no portal MTNFootball. Ultrapassada a fase de grupos, a Líbia enfrentou – e superou – três desempates por grandes penalida-

des: Gabão nos quartos-de-final, Zimbabwe nas “meias” e Gana na final. Esta foi a primeira presença de uma selecção líbia na final de uma competição continental desde 1982, quando foi anfitriã da CAN mas perdeu para o Gana no encontro decisivo. Passados 32 anos, a desforra chegou – e com um significado especial. “Esta vitória é boa para o povo líbio, para o crescimento do desporto e a estabilidade social”, sublinhou Javier Clemente. No regresso a casa, a equipa foi recebida em apoteose. Havia vários milhares de adeptos no aeroporto de Bengazi e cerca de 500 conseguiram romper a barreira de segurança e chegar junto do avião que trouxe a equipa. Trípoli proporcionou novo banho de multidão aos jogadores, que deverão percorrer outras cidades do país em celebração. E agora venha 2017, ano em que a Líbia vai organizar a CAN.


FUTILIDADES

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TEMPO

PERÍODOS

DE

C H U VA

Cineteatro

CINEMA

MIN

5

MAX

7

HUM

70-98%

•

EURO

10.8

BAHT

0.2

YUAN

17

1.3

POR MIM FALO Pu Yi

ROBOCOP SALA 1

ROBOCOP [C] Um filme de: José Padilha Com: Joel Kinnaman, Gary Oldman, Michael Keaton, Abbie Cornish 14.00, 16.00, 18.00, 21.45

FROM VEGAS TO MACAU [C] (FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Wong Jing Com: Chow Yun-Fat, Nicholas Tse 20.00

Jennifer Connelly 14.30, 16.30, 21.30

THE BOOK THIEF [B] Um filme de: Brian Percival Com: Sophie Nelisse, Geoffrey Rush, 19.00 SALA 3

ENDLESS LOVE [B] Um filme de: Shana Feste Com: Alex Pettyfer, Gabriella Wilde 14.15, 16.05, 18.00, 21.45

SALA 2

THE LEGO MOVIE [A]

Um filme de: Akiva Goldsman Com: Colin Farrell, Jessica Brown Findlay,

(FALADO EM CANTONÊS) Um filme de: Phil Lord, Chris Miller 19.50

WINTER’S TALE [B]

Deputados, empresas e exclusividades

Ressaca piora com a idade • Festa de faculdade é sempre mais ou menos assim: muita cerveja, vodka barata misturada com sumo, disputas para ver quem vira primeiro os copos da bebida… E no dia seguinte recomeça tudo outra vez. Com o tempo essa loucura fica pra trás. E você começa a lembrar-se disso tudo meio descrente: como é que o corpo aguentava tudo aquilo? É, coisas da idade. Quanto mais velho você fica, pior é a ressaca. Quem tem vindo a tentar entender as razões disso é Young Chul Kim, um toxicologista e pesquisador da Coreia do Sul. Ele conduziu uma série de pesquisas com ratos e comprovou que, sim, o nosso corpo responde pior às bebedeiras quando envelhecemos.

Faz strip, bebe cerveja e partilha momento com o mundo • Rebecca, uma jovem estudante com 19 anos, é a protagonista da cena: beber cerveja em lingerie, num supermercado em Leicester, no Reino Unido. É filmada pelos amigos, com o vídeo a ser divulgado no YouTube. Parece um caso sem interesse, mas chama-se “NekNomination” e até já fez mortos. E está a disseminar-se entre os jovens. O acto tresloucado representa mais uma variação do fenómeno chamado NekNomination, que consiste em beber em locais estranhos e em situações pouco comuns – neste caso, num supermercado e em roupa interior. O NekNomination, que levou esta jovem a um supermercado, já provocou dois mortos na Irlanda, quando dois jovens foram beber para um rio. Cada um dos participantes é desafiado a bater o feito do outro, sendo que o perigo (ou a ousadia) aumenta. Esta prática entre os jovens nasceu na Austrália e disseminou-se por outros países, desde Reino Unido, à Nova Zelândia, passando pela África do Sul

CHARVET EM FORMA Foi estrela da série Baywatch com apenas 20 anos, ao lado de Pamela Anderson e David Hasselhoff, e deixou muitas meninas a suspirar por ele. Agora, aos 41 anos, o francês David Charvet continua em boa forma física como se pode comprovar pela fotografia. Para além da representação, também é conhecido por cantar. E a estimada leitora, gostaria de ouvir uma serenata?

fonte da inveja

Morreu uma andorinha. Acabou-se a Primavera.

João Corvo

O presidente da Assembleia Legislativa (AL) defendeu ontem o que há muito já se comentava nos jornais: os deputados pouco percebem de leis. Foi esta a razão encontrada por Ho Iat Seng para explicar a fraca iniciativa dos membros do hemiciclo na apresentação de diplomas, uma vez que o Governo se chega à frente na maioria dos diplomas. Estas declarações, a juntar à ausência de um calendário para a criação de regimes de exclusividade e incompatibilidade dos deputados, devem ser levadas a sério, se quisermos prever o que vai acontecer ao panorama político de Macau daqui para a frente. A maioria dos deputados é composta por empresários e são ricos, muito ricos, com posições fundamentais no sector do jogo, como Angela Leong, na Sociedade de Jogos de Macau, líder de mercado. Temos depois Fong Chi Keong (ligado ao privado Kiang Wu e sabe-se lá a mais o quê), Chan Chak Mo (dono da casa amarela ao lado das Ruínas de São Paulo, e tantas outras coisas) e Chan Meng Kam (rei dos votos, do Golden Dragon e, ao que parece, de uns terrenos no norte da Taipa). A lista poderia continuar longa, se incluíssemos o irmão e primo do próprio Chefe do Executivo. José Pereira Coutinho apresentou projectoslei relâmpago, mas parece que não tinham qualidade suficiente ou não foram alvo de consulta pública prévia, e por isso chumbaram. Há advogados na AL, mas são poucos. A população e o funcionamento desta sociedade vão continuar a estar sujeitos a um punhado de empresários e pessoas que não entendem de leis? Há que pensar que as próprias propostas de lei apresentadas pelo Governo também são alvo de bastantes alterações e criticas ao seu conteúdo. Afinal, em que ficamos?


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hoje macau quinta-feira 13.2.2014


OPINIÃO

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LEOCARDO

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bairro do oriente

Q

UERIA partilhar com o estimado leitor uma efeméride: passam por esta altura, mais coisa menos coisa, 20 anos desde que Macau e eu nos apaixonámos, e como fazem muitas pessoas nesse estado de embriaguez consciente a roçar o estupor, casámos. Sim, sim, já lá vão 20 anos, quem diria, até parece que foi ontem. O quê? Parabéns? Ahh...obrigado, muito obrigado. E digo isto com a maior das sinceridades, ao contrário daqueles casais que comemoram as bodas de um metal precioso qualquer e quando lhes dão os parabéns murmuram “obrigado” entre dentes, como quem quer dizer “e se fosses antes gozar com a tua tia?”. Eu e Macau temos uma relação fantástica. Não brigamos, nunca nos passou pela cabeça separarmo-nos, ou sequer “dar um tempo”, quanto mais o divórcio. Temos os nossos problemas, é certo, como todos os casais, mas a culpa é sempre dos outros. Sim, as nossas desavenças matrimoniais devem-se sobretudo a factores externos. É algo que não podemos evitar, e por isso temos enfrentado juntos as tormentas, e juntos temos usufruído dos momentos felizes. E quanto ao sexo? Se quiserem mesmo saber, continua óptimo, exactamente como nos primeiros tempos, e quando falta a imaginação não há nada que um pouco de pornografia “online” não resolva. Há quem diga que os casais “normais”, ou seja, os que consistem de dois seres humanos e não um homem e uma cidade, como no nosso caso (reparem como sou um gajo mesmo “prá-frentex” quando digo “dois seres humanos” e não “um homem e uma mulher”, tornando a minha retórica aprazível aos paladinos dos direitos LGBT), enfrentam “crises” sazonais. Há a “crise” dos sete anos, ou dos nove, não sei bem, e depois a dos doze, acho, quer dizer, não sei ao certo – nunca estive casado tanto tempo para tirar o curso completo. Para mim o próprio conceito de casamento é sinónimo de crise. Reparem na situação da península coreana, que dura há mais de 60 anos. Um caso típico de casamento; se realmente se detestassem, já tinham decidido limpar o sebo um ao outro. A China e Taiwan, um exemplo ainda melhor. Aquilo é um casamento temperado com doses generosas de BDSM. A China diz “ai és tão rebelde...estás a pedir umas palmadas nesse rabiosque”, e Taiwan retalia “sua comuna malvada...atira-me esse míssil, que me deixas a estalar de desejo”. Não há casamento sem crise, pois só assim se explica que as pessoas se “aturem” tantos anos. O casamento é a arte de bem aturar o outro.

SELZNICK INTERNATIONAL PICTURES - METRO-GOLDWYN-MAYER, E TUDO O VENTO LEVOU

Macau 1994 – Cenas de um casamento

Entre mim e Macau existe uma cumplicidade que torna impossível que terminemos a relação. Se um dia nos separarmos, vai ser um tal lavar de roupa suja que se fossem fazer um mini-série para televisão teria que passar depois das duas da manhã, e com uma bolinha no canto do ecrã Entre mim e Macau existe uma cumplicidade que torna impossível que terminemos a relação. Se um dia nos separarmos, vai ser um tal lavar de roupa suja que se fossem fazer um mini-série para televisão teria que passar depois das duas da manhã, e com uma bolinha no canto do ecrã. Temos coisas terríveis para contar um do outro. Cheguei em Agosto de 1993, e recordo-me bem da primeira vez que olhei da janela do quarto da primeira casa onde fui morar, ali para as bandas do Mercado Vermelho. Tinha passado um tufão por Macau poucos dias antes, o dia estava chuvoso e cinzento, e às três da tarde de um dia de Agosto sentia-me como nas primeiras horas da manhã do dia mais frio de Janeiro. Ainda por cima os funcionários da empresa responsável pela recolha de lixo estavam em greve, o que deixavam as ruas com a aparência de um cenário pós-apocalíptico. Andei durante semanas a contar as horas para chegar a Macau, mas nesse momento, e pela primeira vez, senti um aperto no peito, qual reflexo involuntário, como que num espasmo, quase me fazia chegar as lágrimas aos olhos. Mas tenho uma desculpa: tinha 18 anos. Era mesmo parvinho. Quando se sentirem como eu me senti naquele dia, pensem antes na idade que têm, pois nem tudo é permitido a todos.

Depois dos seis meses de adaptação da ordem, pimba! apaixonei-me. Não fui apanhado de surpresa, pois já antes disso tinha a ligeira sensação de que ia ficar por aqui mesmo, até depois daquela data que os mais desinformados consideravam o limite, e que depois disso Macau se tornava proibitiva, uma última fronteira, e que era 1999. Depois do primeiro ou segundo mês percebi que não era nada daquilo que diziam. Nem os chineses andavam a amolar as facas ou a limpar os canos serrados da caçadeira à espera da transição, e já tinha ficado “agarrado” àquela doce letargia que implicava viver em Macau, onde era fácil chegar a toda à parte e estava tudo ao nosso alcance. Era como numa orgia romana onde bastava esticar o braço para pegar as uvas, e ainda tínhamos as vestais para nos dar festinhas – mesmo que estas fossem tudo menos virgens. Quem viveu em Macau durante este tempo e estivesse a pensar em ir embora, só podia ser certamente um louco. Ou um sádico. Desculpem-me se estou a parecer petulante, ou a dar ares de saudosista pró-colonialista, mas quem estava cá há vinte anos ou até antes disso (e são ainda bastantes) sabe do que estou a falar. Aqui entre nós, era do caraças, não era? Aquele era o tempo antes de todas as dúvidas, todos os

medos, todos os senãos, não-seis ou talvezes. Sim, andavam alguns a contas com a transição, “should I stay or should I go”, outros já faziam caixotes, os derrotistas, mas curiosamente depois disso ainda foram mais os que chegaram do que aqueles que se viam partir. Há ainda os que todos os anos diziam que “para o ano iam embora” e hoje ainda cá estão, e isto para não falar dos que partiram e depois voltaram, os tais “boomerangues”. Não se pense que não se trabalhava. Trabalhava-se pois, e era com gosto, tudo muito mais descontraído, melhor que o actual estado de coisas onde o que vale são as aparências. Foi o tempo antes das crises asiáticas, da SARS, dos H7N9, dos pânicos por tudo e por nada. Andava-se na rua à vontade, e quanto aos táxis? Bastava levantar o braço para ver as horas e paravam dois à nossa frente. Mas não haviam turistas? Nem casinos? Claro que tínhamos turistas, mas quase nem dávamos por eles. E os casinos estavam sempre cheios, e ninguém se queixava. Não eram preciso virem uns gajos lá de Las Vegas ensinarem o sermão ao padre. “Ah pois, mas o salário médio da maioria da população era cinco mil patacas, especialmente a chinesa, e o Governo no distribuía cheques”. E depois? Por incrível que pareça, vivia-se decentemente com cinco mil patacas, e os preços dos bens de consumo não disparavam cada vez que o Governo anunciava um subsídio. Podia-se alugar uma casa com três quartos por 3000 patacas, dividia-se com um amigo e se fossem funcionários acabava por ficar em 500 patacas para cada um. E sabem o que pensam os chineses? Se a minha vida dependesse disso, arranjava um grupo numeroso deles que vos diziam que eram bem mais felizes naquele tempo do que agora. Pelo menos ninguém dormia no chão ou era obrigado a ir morar para Zhuhai. E depois passaram vinte anos, e é o que se vê. Aquela tipa boazona, roliça, de ancas firmes, olhos penetrantes, sorriso rasgado, com um centro suculento do encontro entre as culturas ocidental e oriental, já não é o que era. Está cada vez mais gorda, e nem por isso deixa de enfardar os bombons que comprou na tal “shoppes” a imitar Veneza. Tem a cara borrada dos cosméticos que comprou no centro, que lhe tapam as rugas mas fazem o rosto assemelhar-se às nádegas de um babuíno. Que desilusão. Que grande badalhoca. Mas olha, não te vou abandonar, nem fazer queixinhas à tua mãe, como sugeriu aquele rapaz do Novo Macau. Ainda tenho esperança que voltes à velha forma, ou fiques lá perto, pelo menos – ainda és nova, podes recuperar. Faz lá isso por mim, nem que seja pelos anos que passámos a aturar-nos um ao outro. E olha, já agora, feliz dia de S. Valentim. E não, não vamos jantar fora. Hoje ficamos em casa, e quem sabe se mais tarde vemos uns pornos. Alinhas?

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


hoje macau quinta-feira 13.2.2014

INDÚSTRIAS CULTURAIS E CRIATIVAS CONSELHO QUER SECTOR NA ILHA DA MONTANHA

Apoiar a comercialização e distribuição CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

A

LGUNS membros do conselho de indústrias culturais e criativas consideram que o Governo – através do fundo criado para o efeito - deve financiar o sector, ajudando-o a obter terrenos no parque industrial da Ilha da Montanha. Um destes membros é Si Ka Lon. Em declarações ao jornal Ou Mun, o também deputado entende que é necessário que se reservem espaços suficientes para as organizações que não apresentam capaci-

dade financeira, mas têm potencial para entrar na Ilha da Montanha. O deputado sugere que o Governo pode dar algum subsídio de renda para ajudar no desenvolvimento estável destas organizações. Além de financiamento, o deputado também espera que o Governo recrute uma empresa independente responsável por um mecanismo de avaliação, que ofereça apoio profissional para os participantes que não têm experiência de gestão, para desta modo transformar “uma ideia criativa” num potencial projecto. “Agora, a maioria dos produtos da indústria é operado por pequenas lojas. Não há uma rede ampla de mercado, pelo que os novos produtos não têm facilidade para serem vendidos”, avalia. Por outro lado, Si espera ainda que o Governo implemente uma política de criação de cursos académicos, procedendo para tal à contratação de professores para dar

aulas em Macau. Si sugere que através de novos cursos de indústrias culturais e criativas, se estabeleça uma base de prática da indústria.

LINHA DE PRODUÇÃO MACIÇA PRECISA-SE

Para Si Ka Lon há falta de estratégia no desenvolvimento do sector, sobretudo, porque não há uma cadeia de produção e distribuição de larga escala.

cartoon por Stephff

Por isso, o membro do conselho sugere que, de futuro, Macau possa estabelecer parcerias com o continente e produzir produtos com características locais na China, para que lhe seja dada alguma oportunidade de expansão. No ano passado chegaram cerca de 30 milhões de visitantes a Macau. Si Ka Lon considera se deviam vender produtos tradicionais e culturais em circuitos turísticos

para atrair os visitantes da RAEM, que assim podem levar souvenirs para o seu país de origem. “Macau e Taiwan são duas cidades que mantêm a cultura tradicional chinesa. É pena que Macau não aproveita as épocas festivas para produzir produtos turísticos. O Governo pode ter como referência Taiwan, no que fez para desenvolver a indústria no elemento turístico”, sugere.

PRIMEIRAS CONVERSAÇÕES DESDE 1949

INSTITUTO CULTURAL CONCURSO PARA REVISTA DAS INDÚSTRIAS CULTURAIS E CRIATIVAS

Criatividade em publicação electrónica

RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

O

Governo quer ver nascer uma revista electrónica sobre as Indústrias Culturais e Criativas de Macau. O anúncio é feito pelo Instituto Cultural (IC) que, em Boletim Oficial, deu ontem a conhecer o concurso público para pôr nas mãos de uma empresa a gestão e promoção da nova publicação electrónica, que se insere no plano do Governo para o desenvolvimento das indústrias culturais e criativas da cidade. A entidade escolhida para administrar a publicação tem ainda de garantir a prestação de serviços de revista, redacção, edição, design gráfico e paginação durante um ano e quatro meses (16 meses), duração do contrato a assinar com o IC. Mas, primeiro, o organismo tutelado por Ung Vai Meng vai ponderar critérios como o preço, a experiência dos principais executantes e o grau de perfeição da proposta.

As empresas a concurso têm de estar registadas na Conservatória dos Registos Comercial e Bens Móveis de Macau, com 50% do capital a pertencer a residentes. O concurso público, que estará aberto até 12 de Maio, pede uma caução provisória no valor de 40 mil patacas e, posteriormente, uma caução definitiva correspondente a 4% do valor total da adjudicação. No entanto, não é fixado qualquer preço base à empresa. As empresas interessadas em gerir a Revista electrónica das Indústrias Culturais e Criativas têm de entregar as propostas na Divisão Administrativa e Financeira do Instituto Cultural, na Praça do Tap Seac, até às 17 horas do dia 12 de Maio. As propostas serão abertas, em acto público, no Auditório do IC, também na Praça do Tap Seac, pelas 15 horas do dia seguinte. A publicação será trilingue, já que será publicada em português, chinês e inglês.

Teatro Cheng Peng Proposta para manutenção no próximo mês

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ILLIAM Kuan, responsável da companhia do Centro Cultural Cheng Peng, na Rua da Felicidade, revelou ao Ou Mun que a proposta de manutenção do teatro Cheng Peng vai ser apresentada pelo Instituto Cultural (IC) no próximo mês. Kuan admitiu que desde que adquiriu o teatro, recebeu muitos apoios técnicos e profissionais do IC de forma a que, mesmo fazendo a renovação do teatro, o edifício

mantenha a sua característica clássica. A ideia, e devido ao facto de, nos últimos anos, o Governo ter começado a dar atenção às indústrias culturais e criativas, é que o edifício do teatro possa ser revitalizado com elementos culturais e criativas como local de ópera cantonense, centro de juventude, para local de prática de grupos de arte e performance ou até como café. William Kuan apontou que a manutenção vai começar, mas

que ainda falta muito para que as instalações ao lado do teatro sejam melhoradas. Por isso mesmo, insta o Governo a melhorar o planeamento geral da zona o mais cedo possível. Além de renovar as paredes dos prédios na Rua de Felicidade, os pátios também precisam de ser renovados, diz, para que o local seja um local de turismo. Deixar que a Rua da Felicidade seja apenas para peões é outra das sugestões. – C.L.


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Hoje Macau 13 FEV 2014 #3029 by Jornal Hoje Macau - Issuu