GONÇALO LOBO PINHEIRO
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
ENTREVISTA
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S E G U N DA - F E I R A 1 3 D E J A N E I R O D E 2 0 1 4 • A N O X I I I • N º 3 0 0 9
hojemacau Amélia António sobre recusa de BIR a portugueses
Há um lobby com mais força que o Governo
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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
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Pronta para mais um mandato à frente dos destinos da Casa de Portugal, a advogada Amélia António abriu o coração de 32 anos de Macau e falou dos problemas da comunidade lusa na RAEM, do passado, do presente e do futuro. PÁGINAS 2 A 4
• BILL CHOU VS. UMAC
• LAGO NAM VAN
• MORADORES CONTRA
Possível processo Projectos podem Antigo Hotel pode dar numa bloquear paisagem Cantão vai ser sala batalha judicial da Igreja da Penha de ‘slot-machines’ PÁGINA 4
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ENTREVISTA
Acaba de ser reeleita, mas assegura que todo o esforço investido na Casa de Portugal é para continuar. Amélia António acredita que somos todos responsáveis por defender a identidade de Macau, que passa, diz, pela cultura portuguesa. A Casa de Portugal vai continuar a aposta nas artes para o ensino da cultura portuguesa, numa altura em que há ainda um problema para resolver: o encerramento do Lvsitanvs JOANA FREITAS
joana.freitas@hojemacau.com.mo
Este é o quinto mandato à frente da Casa de Portugal. Qual o balanço do trabalho que tem sido feito até agora? É muito positivo. A Casa nasceu em 2001, do nada. Sem orçamento sequer e com as maiores dificuldades imagináveis e foi crescendo, acrescentando sempre novas actividades. Fizemos o primeiro ensaio do que é hoje a Escola de Artes e Ofícios em 2008, porque percebemos, entre 2005 e 2008, a grande necessidade que havia da Casa se abrir ao exterior e de desenvolver pólos da cultura portuguesa. E só não começámos mais cedo, porque não arranjávamos espaço. Começámos num que arrendamos no Albergue. Eram quatro salas pequeninas... deu para arrancar, mas ao fim de dois anos as rendas subiram, as salas não tinham condições suficientes. Tudo o que estava ligado com as artes era extremamente difícil de conciliar. Depois, continuamos com as artes performativas e então, ali, era impensável. Andávamos de sacos às costas todas as semanas,
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MARIA AMÉLIA ANTÓNIO, REELEITA PRESIDENTE DA CASA DE PORTUGAL EM MACAU
“Não faço o enterro ao Lvsitanvs” GONÇALO LOBO PINHEIRO
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quase, porque íamos arranjando uns espaços emprestados, íamos levando as coisas de um lado para o outro, enfim... Era uma vida de saltimbanco muito, muito difícil e era também difícil para os pais e miúdos, porque nunca sabíamos muito bem como íamos programar as aulas. Foram tempos extremamente difíceis, mas fomos sempre evoluindo.Agente foi sempre tentando. Houve uma altura em que chegou ao ponto de termos actividades a decorrer em cinco sítios diferentes da cidade. Mas o objectivo sempre foi esse, de proporcionar actividades aos residentes. Sim. Nós temos o apoio ao sócio e coisas que estão mais ligadas com os associados. Depois, temos aquelas actividades de âmbito cultural, geral, abertas ao público todo, para trazer a Macau espectáculos, artistas e coisas que mostrem a nossa cultura e como é que, ao nível artístico, também Portugal evoluiu e como é que as coisas podem estar a ombrear com espectáculos de outras nacionalidades. E também para mostrar como os nossos artis-
tas não ficaram parados no tempo. Portanto, uma parte que é também importante é que as pessoas gostam de ter cá coisas suas, mas, além disso, também é o mostrar o que nós podemos mostrar. Tem sido fácil trazer artistas portugueses cá a Macau? É fácil trazê-los, é difícil é arranjar o dinheiro para os trazer, porque os espectáculos dependem muito não só do cachet do artista, mas também do tipo de grupo. Há artistas que podem vir com muito pouco acompanhamento e há espectáculos que têm de ter um determinado número de elementos. Quanto mais elementos, mais as despesas todas - das viagens, estadias – aumentam. Isto são tudo coisas que têm de ser equacionadas e temos de balancear – se trazemos algo maior no 10 de Junho, tem de ser algo mais pequeno no 25 deAbril, por exemplo. E o apoio vem do Governo. Nós só funcionamos com esse apoio. A quotização dos sócios não dava para a renda da casa, muito menos para o resto das actividades.
Quantos sócios têm? Registados, são 1200. Nós pensamos que, desses, ao longo destes 12 anos, devem ter regressado a Portugal entre 300 a 400 pessoas. Portanto, neste momento, sócios propriamente ditos são capazes de ser à volta de 200 e tal, talvez um bocadinho mais. Mas, nem toda a gente paga quotas, há muitos sócios que não têm as quotas em dia e, portanto, a quotização é uma coisa que não daria para manter a sede aberta.Até porque isto exige pessoal. Como é que essas actividades ajudam na defesa da cultura portuguesa? A partir de 99, as entidades que, em Macau, tinham actividade cultural suspenderam-na toda e criou-se uma vazio completo. Sentimos que era absolutamente necessário preencher esse espaço, porque se não o fizéssemos, haveria outras culturas que chegaram a Macau com muita força económica que iam ocupando espaços vazios. E isso não podia ser. E depois, actividades culturais que as pessoas gostam de fazer, porque é o seu hobby ou até porque querem saber se têm jeito para uma
determinada coisa, e actividades para os miúdos, porque não havia muito para não falantes do chinês. Portanto, através do ensino das várias artes conseguimos passar um ensino da cultura portuguesa e criam-se mais raízes e mais gosto. A população de Macau já não é aquela antiga, é aquela que tem pouca ligação afectiva com a cidade e não são pessoas que tenham qualquer motivação para preservar a identidade de Macau. Essa entidade poderia ter-se perdido quase não tivessem tomado esse passo de abrir a Casa? O risco é grande e as entidades e associações que têm uma ligação maior à cultura de cá – que é uma caldeirada de culturas – são extremamente importantes para manter a entidade de Macau. Se não, Macau passa a ser uma coisinha igual a qualquer outra e deixa ter qualquer interesse, até do ponto de vista turístico.As pessoas, às vezes, são tão burras – desculpando o termo – que esquecem-se que estão a sempre a pensar em ganhar muito e estão a matar a galinha dos ovos de ouro. Por isso, acho que todos nós temos de contribuir para essa defesa,
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porque no fundo, estamos a defender a nossa cultura, a nossa permanência aqui e a comunidade portuguesa. Às vezes, as pessoas não percebem bem esta ligação entre a difusão da cultura e a aposta que temos feito no ensino das artes. A comunidade portuguesa tem uma participação activa na sociedade de Macau, independentemente de ser através da Casa de Portugal ou na vida social? Não. As pessoas demoram muito a interessar-se pelas coisas. Por exemplo, muitas das pessoas que vão chegando, vêm com as suas preocupações: de carreira, de currículo, económicas... e vêm na expectativa de conseguir ter uma actividade profissional que lhes vá responder a essas expectativas. Até se sentirem com os pés bem fixados e com uma certa ligação, isso demora algum tempo. Claro que há pessoas que cheguem e gostam logo de participar, mas o português, de uma maneira geral, é muito de funcionar em grupo fechado. As pessoas sentem-se à vontade com meia dúzia de amigos e são capazes de fazer a sua vida à base do convívio com o grupo restrito e correm pouco o risco de exposição. Tudo o que mete mais gente, pessoas que não conhecem, envolve muito esforço pessoal, é muito trabalhoso. Isto é uma luta muito grande que mantenho há muitos anos. Mas vão tendo esses cursos e actividades cheios. O que muda com eles? Cheios, sim. Tem modificado a própria relação das pessoas, porque há pessoas que se vêm a conhecer nessas circunstâncias e acabam por descobrir pólos de interesse e acabam por se relacionar com pessoas com quem, em princípio, nunca se teriam relacionado. Isso ajuda a tecer uma certa malha social, de conhecimento, de convívio, que também ajuda a tirar as pessoas do seu canto isolado, por um lado, e por outro, dá a muita gente confiança, porque descobrem-se talentos. Tudo isto tem um peso social que nem sempre as pessoas conseguem perceber à primeira vista. À medida que vamos conseguindo fazer chegar a informação a comunidades que não a portuguesa, conseguimos atrair gentes de outras comunidades para estas actividades. Isso faz com que essas comunidades conheçam mais a cultura portuguesa, o convívio com os portugueses e passem a palavra a outros. Isso é um tecido que demora a tecer, mas que é muito importante. Temos cursos, neste momento, em que temos portugueses, chineses, japoneses e pessoas de outras origens. Essas pessoas aprendem como se fazem coisas em Portugal – não só a técnica, mas o conhecimento do país, a história. Quais são os vossos futuros projectos? Estamos a começar a lançar os novos cursos, porque terminou uma série
“Acho que todos nós temos de contribuir para essa defesa [de entidade de Macau], porque no fundo, estamos a defender a nossa cultura, a nossa permanência aqui e a comunidade portuguesa” no fim do ano. Mas estamos a abrir coisas muito pequeninas por uma razão simples: as pessoas andaram a aproveitar o fundo do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo e esgotaram o seu plafond. Por isso, temos imensos cursos que acabaram em Dezembro por causa do acertar disso e, neste momento, como ainda não entrou o novo programa em funcionamento, estamos a fazer pequenos cursos para ocupar os meses de Janeiro e Fevereiro – na área da joalharia, manuseamento de materiais, os diferentes tipos de coisas que se podem servir para fechos, resinas, etc. Quando tivermos a certeza que está disponível o novo fundo - que deve ser em Março - abrimos novos cursos. Todo este trabalho levou a que recebesse a Medalha de Serviços Comunitários. O que pensa deste segundo reconhecimento do Governo de Macau? Mais importante do que esta, foi a que a Casa recebeu há dois anos, de Mérito Cultural. Para mim é mais importante do que a pessoal, porque tem mais impacto na vida da comunidade e as coisas têm de ser vistas mais nessa perspectiva. É evidente que estas coisas têm algum peso, especialmente em Macau. E se ela servir para que se perceba que a Casa de Portugal trabalha muito e que tem objectivos muito concretos relativamente a todo este enquadramento, pois claro que ficamos contentes. É agradável, claro, receber, mas gosto de transferir isso para o esforço colectivo que é feito, porque nada se faz sem haver pessoas a trabalhar. Por muito que a pessoa saiba que a sua participação é um bocado motor – que não vou fugir, sei que de certa maneira tenho sido o motor da Casa -, o motor não funciona sem gasolina. Por isso é que transfiro isso para quem trabalha comigo. Só faz sentido e só tem resultados práticos [assim]. Esse esforço que a Casa tem mostrado aqui em Macau já foi reconhecido pelo Governo, mas podemos dizer que é também reconhecido por Portugal? Não, nem pouco mais ou menos. Não é dada atenção suficiente aos portugueses de cá? Não, até agora nunca houve. De vez em quando, lá vem assim um... Mas, é de tal maneira que, quando a Casa recebeu a Medalha de Mérito Cultural, ninguém mostrou sequer conhecimento disso. Não houve sequer um simples ‘olá, que engraçado, tiveram uma medalha’. Nada. E sei que o cônsul que estava em funções
na altura [Manuel Cansado de Carvalho] deu conhecimento desse facto a Portugal e eles não ligaram nenhuma, nem têm ligado nenhuma. Porque é que isso acontece quando Macau é visto como esta plataforma e com esta cultura portuguesa? É, é visto quando se está muito aflito com o dinheiro na algibeira. Com a crise em Portugal é que se lembraram que Macau existia e que podia ser também uma fonte para ajudar a combater a crise. Mas, durante estes anos todos, ninguém ligou nenhuma a isto, fez-se os mínimos. De vez em quando vem cá uma pessoa, mas é para fazer um discurso de circunstância. Quando faz... quando não fazem coisas que não devem fazer. Tenho 32 anos de Macau e vejo-os passar ao longo dos anos.
Isso entristece-a, essa falta de atenção de Portugal? Nos primeiros tempos foi capaz de doer um bocadinho ver o desinteresse e a falta de atenção, mas depois habituámo-nos. Há pessoas que ainda dizem que isto é um sentimento de orfandade, mas nunca me senti órfã. Só se sente órfão quem teve pais presentes e nunca tivemos. Habituámo-nos a fazer a nossa vida em Macau, a lutar pelo que acreditamos e a fazer coisas que acreditamos que são importantes, independentemente dos governos que vão passando por Portugal. Não digo que não dói, mas ao fim de uns anos se me dizem que não vem cá um representante ao 10 de Junho, pergunto qual é o problema, se estamos cá nós. Ao longo dos anos vieram cá pessoas absolutamente por frete. A Macau, têm chegado cada vez mais portugueses que vêm com
ideia pré-concebida e errada do território. Vêm na ilusão? Houve, sobretudo, um momento em que foi passada uma ideia absolutamente mirabolante de Macau e nós fartamo-nos de mandar vir com esta imagem falsa. Passou a ideia de que é tudo rico, tudo fácil, só há coisas de luxo e que não precisamos de trabalhar. Ideias absolutamente erradas. Em Macau, trabalha-se muito mais do que em Portugal e na maioria dos sítios, o que tem que ver com a cultura oriental e chinesa, em que as pessoas trabalham muito. Estamos numa sociedade em que os ritmos de trabalho são determinados e não temos ritmos à parte. Se as pessoas vêm e precisam de trabalhar, acabam por se enquadrar. Mas é importante que percebam que têm de ter uma especialidade, certo? É fundamental. E nem todas as especialidades podem vir. Podem vir, mas não encontram soluções. Recebemos muitos pedidos de informação e respondemos sempre e chamamos a atenção, até sou muito criticada por ser a única pessoa a dizer ‘atenção não venham de qualquer maneira’. Isto não é cor-de-rosa. Não digo para não virem, mas têm de saber as dificuldades reais, como o trabalho. As pessoas não têm entrada na função pública porque não falam chinês, a não ser uma especialidade muito especial e, na privada, funcionam as empresas chinesas que não vão buscar um português, porque preferem alguém com quem consigam falar, a menos que este seja um técnico muito especial. O que ainda chega para que haja algum entrosamento são os advogados, os arquitectos, os jornalistas – estes mais limitados. Mas, na área da advocacia está praticamente fechado e ao nível da saúde é preciso, mas o recrutamento é feito por via governamental, não é chegar e já está. Depois, vem muita gente da área das artes, que é muito complicado. Depois, as rendas são um absurdo. E as coisas tornaram-se muito mais complicadas por causa dos BIR. Há bastantes portugueses a trabalhar com BlueCard. Isto é legítimo? É legal, mas não é desejável. Até se passa ao nível da Administração, da UMAC, de médicos... a mim espantou-me quando comecei a descobrir que havia professores da UMAC a trabalhar com BlueCard. Ou que havia nos serviços públicos, como consultores e assessores. Há muitos portugueses aqui, para que sejam dados mais BIR? Não acho e, se virmos o volume proporcionalmente à população de Macau, é ridículo estarmos a levantar estes problemas. Há uma corrente de opinião de que se deve fazer travões e, politicamente, é exercida influência para que se coloquem dificuldades. O Governo diz que não
está a levantar dificuldades, que não está a dar instruções para que isto seja assim, que não tem nada contra os portugueses e, depois, vemos que há dificuldades – algumas sem sentido. Só pode haver um lobby qualquer com mais força política do que instruções emanadas do Governo. Sei que muitas das dificuldades que estão a ser levantadas são iguais para toda a gente. São as mesmas razões. As alíneas que existem ao nível do diploma legal não têm de ser todas ‘picadas’. Se a pessoa não tem um passado criminal, se tem habilitações, se diz que tem meios para viver porque tem promessa de trabalho... qualquer destas coisas que justifiquem que a pessoa não vá ser um peso morto, não há razão para que as pessoas não tenham BIR. Está-se, de facto, a complicar. Depois há uma coisa que tem sido complicada também: não cabe aos Serviços de Migração avaliar o interesse económico ou não da pessoa. Isso faz sentido no diploma de investimento do IPIM – aí, essa apreciação faz sentido. Por isso é que [a mudança total da autorização de BIR para o IPIM] não aconteceu, mas, dentro da Migração também dizem que uma determinada actividade não tem interesse para Macau. Isso não é da sua competência. É um novo cavalo de batalha, porque acontece rejeitarem [com essa justificação] e isso ultrapassa o que vem no diploma. É um juízo que valor económico que não cabe aos Serviços de Migração fazer e está a ser feito. Outra coisa é quando dizem que o ordenado é muito pequeno e não dá para viver em Macau. Se esses ordenados estão acima da média cá, se estão acima de algumas categorias de funcionários públicos, a que propósito é que se pode dizer isto? Nunca houve uma geração a sair de Portugal com tanta formação técnica como a que hoje sai do país. É um conjunto de pessoas que são uma mais valia e Macau, que tem imensas dificuldades em ter quadros qualificados, ao absorver esta mão-de-obra só deveria ser olhado como um enriquecimento. Devia ser olhado neste ponto de vista e não com o medo de que vêm roubar sei lá o quê. O diploma não existiria se a RPC não quisesse. Se existe é porque quem pensou, pensou muito bem de que se devia preservar alguma coisa da história de Macau. Já disse anteriormente que as instituições portuguesas, como a EPM, teriam de ser repensadas. Qual a avaliação actual? A Escola Portuguesa está bem e recomenda-se. A minha grande preocupação antes era com o ensino da língua chinesa. Perdeu-se muito tempo, foi uma perda muito grande para a escola, o tempo em que se andou a discutir se era mandarim ou cantonense e não se implementava nem uma coisa, nem outra. Esse atraso levou a afastar da escola (CONTINUA NA PÁGINA SEGUINTE)
POLÍTICA
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muita gente. Houve um decréscimo de alunos, porque havia muitos pais que percebiam qual a importância da língua chinesa. Era uma das minhas grandes preocupações, porque, se a escola vai ficar ali ou vai para outro prédio, são episódios do mesmo romance. Ninguém pediu para sair dali.Aescola tem óptimas condições, precisa de alguma manutenção e pode ter melhoramentos absolutamente coordenáveis com o edifício que existe. A única preocupação era dizer ‘sair daqui, só para melhor’. O hotel Estoril é que é falado. Seria para melhor? Nem discuto isso. Não tenho nada contra o hotel, é um sítio bom, tem um enquadramento bom para uma escola. Se der melhores garantias em termos de utilização do que dá este, não há drama, mas não vejo necessidade disto. Esta escola pode ser melhorada, é um marco pela sua arquitectura e variadas razões. O que levou a que isto surgiu são razões de interesse económico e a escola não tem que se reger pelos interesses económicos de outras instituições. Mas, se vai mudar para melhor, ok. Quem não mudou para melhor, foi o Lvsitanvs. O que vai acontecer agora? Gostava de saber. Para já, está itinerante, porque não lhe faço o enterro. Não posso.
“Não cabe aos Serviços de Migração avaliar o interesse económico ou não da pessoa. Isso faz sentido no diploma de investimento do IPIM”, sobre a autorização de residência a portugueses Havia forma de evitar este problema todo? Claro que havia. Podia ter saído de onde estava, era um acidente de percurso. Ninguém estava à espera de encontrar esta dificuldade, penso que nem os Serviços de Turismo. Foi feito um esforço de dinamizar um edifício que esteve morto durante muitos anos e, quando tudo de repente começa a funcionar, tiram proveito dele. Não fomos com nenhum projecto doido, fomos convidados. Perguntaram-nos se podíamos dinamizar o espaço com produtos portugueses, comida portuguesa, espectáculos, que dê vida. Que mostrasse uma outra faceta da diversidade de Macau. Nós? Com
DOCENTE DIZ QUE VAI PROCESSAR UMAC SE FOR DESPEDIDO
certeza. Se havia interesse do Governo de Macau, se era um serviço que íamos fazer a Portugal também... Tiveram problemas logo de início com licenciamentos do IACM, e agora, um saldo negativo e sem lugar para abrir. Apesar destas coisas todas, resolvemos levar as coisas pacificamente. Fizemos melhoramentos, para o fado, por exemplo. Em 2013, fizemos obras, completámos a decoração, pusemos cortinas. Na semana em que estava tudo pronto – inclusive a fadista contratada -, ficámos a saber. Não disse nada, porque tínhamos ainda seis meses de vida e quisemos vive-los o melhor que pudemos. Lançámos tudo como estava previsto e tentámos não afastar as pessoas com a ideia de que aquilo estava a morrer, para entretanto pensarmos quais eram as alternativas, porque com aquilo lançado era muito mais fácil irmos de um lado para o outro. Agora, vai funcionar um mini-amostra na Casa de Portugal, porque não temos espaço nem temos condições de fazer determinado tipo de coisas. Temos coisas empilhadas em vários sítios, incluindo nas nossas oficinas e ateliês. Se agora déssemos isto como assunto encerrado, ficaríamos com o prejuízo todo. Temos pessoal para com quem temos obrigações – mais que não sejam morais. Ainda não dei o assunto por encerrado, nem Macau, nem Taipa estão de fora. Portanto, temos problemas com o Lvsitanvs, saldo negativo da Casa de Portugal e muito trabalho para fazer, mas a Amélia António já disse que não ia virar as costas. Podemos contar consigo na presidência por mais algum tempo? Por este mandato de certeza. Não vamos tão longe (risos). Não se esqueça que, no fim deste mandato, estou com 70 anos, portanto acho que faz todo o sentido – e já fazia antes – ser alguém jovem. Isto acarreta custos familiares e de trabalho. Não me queixo. Se não quisesse lá estar, não estava, mas quando assumimos responsabilidades não podemos ignorar. A Casa sempre teve gente jovem, mais renovação, não há nenhuma associação comparável a esse nível. Sucessivamente foi-se tentando dar mais gente jovem, mas infelizmente não aconteceu assim. Pouca da gente nova mostrou disponibilidade para dar à Casa. Este ano fez-se a maior remodelação de sempre, ficaram quatro pessoas e entraram cinco. Neste momento sou a única ‘cota’, porque de resto não há ninguém que passe da casa dos 30 - a não ser que me enganem muito. Portanto, é tudo eterno... já sou a única relíquia do passado. Mas, gostava que mais portugueses fossem votar, independentemente de ser uma lista única. É mau para a comunidade não irem, é importante ter uma expressão perante o Governo. É só fazerem um desvio e ir votar, porque temos condições para que votem quase 700 pessoas.
Processo contra Bill Chou poderá violar Lei Básica O advogado do professor de ciência política alega que o processo movido pela Universidade de Macau pode intentar contra a liberdade de expressão política presente na mini constituição da RAEM GONÇALO LOBO PINHEIRO
(CONTINUAÇÃO DA PÁGINA ANTERIOR)
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ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
A
INDA não existem quaisquer conclusões definitivas relativamente ao processo disciplinar movido pela Universidade de Macau (UMAC) ao seu docente Bill Chou. Contudo, o professor de ciência política e membro da Associação Novo Macau (ANM) confirmou ao HM que o seu advogado alega existir violação da lei. “O meu advogado já enviou uma resposta à UMAC e disse que o procedimento viola as leis de Macau. Algumas das queixas apresentadas nada têm a ver com as minhas actividades como professor, mas sim como activista. E isso pode constituir uma violação à Lei Básica, que garante o meu direito à liberdade política.” Segundo o artigo 27.º da mini constituição, “os residentes de Macau gozam da liberdade de
expressão, de imprensa, de edição, de associação, de reunião, de desfile e de manifestação, bem como do direito e liberdade de organizar e participar em associações sindicais e em greves”. Bill Chou, que desde há algum tempo vem participando em manifestações e projectos ao lado de Jason Chao, tornou-se membro da ANM em Novembro, associação de cariz político. A 19 de Dezembro foi tornado pública a audiência disciplinar que a UMAC exigiu ao docente, através de carta.
PROCESSO CONTRA A UMAC É HIPÓTESE
Bill Chou garante que, por enquanto, continua à espera de uma reacção da parte da reitoria da universidade, e que não há qualquer data apontada para a conclusão do caso. “Tenho de esperar pela resposta da universidade e até ao momento não tive nenhuma. A acusação tem como
Algumas das queixas apresentadas nada têm a ver com as minhas actividades como professor, mas sim como activista. E isso pode constituir uma violação à Lei Básica, que garante o meu direito à liberdade política BILL CHOU Académico da Universidade de Macau
base documentos confidenciais, e é difícil para mim dizer mais coisas sobre o assunto. Mas eu gostaria de falar sobre toda a situação”, aponta. Uma coisa Bill Chou tem a certeza: o seu contrato termina em Agosto deste ano e não deverá ser renovado. Mas caso seja despedido antes do termo do acordo laboral, o docente vai recorrer aos tribunais. “Vou considerar seriamente tomar uma acção legal. Se perder o meu emprego, penso que a coisa mais importante a fazer é mover uma acção legal contra a universidade.” E afirma-se, mais uma vez, “inocente”. “O que eu espero poder fazer é lutar porque tenho quase a certeza que, segundo a lei, não vou ser acusado de nada, sou inocente, mas no final vou acabar por perder o meu emprego devido ao processo disciplinar. Tenho quase a certeza disso.” Aquando da recepção da carta, Bill Chou afirmou aos jornalistas não recear sanções face ao seu desempenho como professor. “O meu trabalho vai ao encontro aos requisitos da universidade, e não estou preocupado com a avaliação dos meus alunos por causa da minha participação nos assuntos políticos, porque sei que eles apreciam isso. Será que as notas têm em conta também outros aspectos qualitativos? Não sei.” E disse que o ambiente de activismo político em Macau em nada se compara com o de Hong Kong. “Acho que se for despedido é por causa da minha participação na política, o que é muito triste, porque o ambiente de participação dos académicos em Macau está longe de ser igual ao de Hong Kong. Os professores ficam demasiado tempo na universidade sem terem ligação ao mundo real. As universidades de Macau também têm pouca ligação ao que se passa na sociedade, porque a maioria das actividades tem a ver com viagens ou estudos. Há poucas vozes que falem pelos grupos vulneráveis.”
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JOANA FREITAS
joana.freitas@hojemacau.com.mo
E
M mais uma sessão do julgamento que tem como principal arguido Raymond Tam - o agora suspenso presidente do IACM - e outros três responsáveis do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), a defesa continuou a inquirição da primeira testemunha, ex-Chefe de Departamento dos Serviços de Ambiente e Licenciamento e ex-membro do Conselho de Administração do instituto. Icília Berenguel, advogada de Fong Vai Seng – actual Chefe de Departamento dos Serviços de Ambiente e Licenciamento tentou mostrar novamente que os documentos que o MP requereu ao IACM, e que originaram a instauração de um processo por prevaricação aos quatro responsáveis do organismo, estavam na posse de Ng Peng In. Mas, mais ainda, a sessão de sexta-feira serviu para que a defesa tentasse mostrar que Ng Peng In não ajudou os superiores mesmo estando na posse de informações – um apoio que, de acordo com o juiz, também não teria de dar. A defesa começou por relembrar que Ng Peng In acusou os três arguidos de o “ultrapassarem” em algumas decisões, conforme foi, aliás, dito na audiência anterior. Durante o julgamento, ficou a saber-se que havia conflitos entre Ng Peng In e Raymond Tam, Lei Wai Nong e Fong Vai Seng. Isto mesmo foi não só admitido pelo MP, como pela testemunha, que diz que os dirigentes davam ordens directas aos subordinados, influenciavam os trabalhos e o ultrapassavam sobre a entrega de documentos. Ng Peng In disse mesmo “que não conseguia trabalhar assim”. Na sessão da semana passada, o tema voltou à carga, mas de forma diferente. Depois de ter sido confrontado com vários ofícios sobre matérias jurídicas em nada relacionadas com as campas, a defesa tentou provar que, aquando da presença de outra responsável no IACM, também houve ofícios que não foram dados a conhecer a Ng Peng In. “O que mostra que os arguidos não se lembraram de vir com um procedimento novo, como parecem querer mostrar na pronúncia”, atirou Icília Berenguel. A testemunha admitiu inclusive que “nunca tinha de ter conhecimento dos ofícios, porque o presidente e os vice-presidentes é que tomam decisões sobre as matérias jurídicas”, uma contradição ao que testemunhou na sessão anterior. Ainda assim, a defesa foi mais longe. Ng Peng In foi confrontado com dois dos ofícios enviados pelo MP ao IACM, relacionados com as
CASO DAS CAMPAS DEFESA TENTA PROVAR QUE TESTEMUNHA IMPEDIU ARGUIDOS DE ACESSO A INFORMAÇÕES SOBRE DOCUMENTOS
“Se não pedirem ajuda, não tenho de ajudar” Ng Peng In não deu informações que poderiam ter ajudado os dirigentes do IACM a encontrar documentos pedidos pelo Ministério Público, porque os seus superiores “não pediram ajuda” campas, onde o registo mostra que a testemunha teve conhecimento do documento. Este 3.º ofício pedia que fosse feito um relatório pelos envolvidos nos processos das dez campas, caso não se encontrassem os documentos – Ng Peng In não só viu o ofício, como concordou com o que foi escrito de que não havia muitas informações, uma vez que quem participou nos procedimentos
já não estaria no IACM. “Teve conhecimento de que era preciso fazer um relatório, mas não o fez, mesmo tendo muita informação e os documentos consigo”, acusou Icília Berenguel. “De acordo com a lei, o senhor tem deveres enquanto administrador, está na Lei Orgânica do IACM.” Apesar de o juiz ter intercedido, dizendo que o ex-administrador não tinha de saber desta lei,
Raymond Tam
DOCUMENTOS TERÃO SAÍDO SEM REGISTOS De acordo com a sessão de sextafeira, ficou ainda a saber-se que os documentos relacionados com as campas podem ter saído dos arquivos do IACM sem que tivesse sido feito um registo de quem os levou. Ng Peng In confirmou, primeiramente, que isto pode ter acontecido, tendo desmentido, depois, perante o juiz. “Os documentos estavam registados como estando no SAL [Serviços de Ambiente e Licenciamento], mas estavam consigo, confira?”, questionou a advogada. “Sim, é possível. Segundo o registo e arquivamento dos processos, estavam no SAL, mas eu não posso estar sempre a supervisionar os meus subordinados.” Icília Berenguel quer,
com isto, provar que, tanto Tam, como Lam Wai Nong e Fong Vai Seng não sabiam onde estavam os documentos pedidos pelo MP sobre o caso da atribuição das dez campas perpétuas no Cemitério São Miguel Arcanjo – Raymond Tam disse, logo na primeira audiência, que não entregou os documentos ao procurador por não os ter encontrado. “Quero que fique bem claro que um documento pode estar registado como estando nos SAL, mas não estar. Os três arguidos disseram que não estavam lá e eu quero mostrar que é possível [os documentos] desaparecerem sem deixar rasto.” Perante a mesma pergunta do juiz, contudo, Ng Peng In mudou de
discurso. A testemunha afirmou que “não se pode retirar um documento sem se fazer o registo” e que o registo de arquivamentos “era fiável”. As contradições não satisfizeram a defesa. “[Ng Peng In] ficou mais de dez anos com documentos, não obstante estes estarem registados os SAL, eram 120 documentos originais e diz-me que o sistema de registo era fiável?” Segundo a defesa, Wong Wan, actual director da DSAT que substituiu Ng Peng In no cargo de Chefe de Departamento dos SAL, emitiu um comunicado “20 dias depois de assumir funções”, dizendo que os documentos sobre as dez campas não estavam no departamento do IACM.
JUIZ RECUA SOBRE PEDIDO DE INQUÉRITO
Menos um processo
O
colectivo de juízes que está a julgar Raymond Tam e outros três arguidos do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) voltou atrás na decisão de abrir um inquérito por alegada falsificação de documentos que estão a ser analisados no âmbito do ‘Caso das Campas’. Se, no dia 17 de Dezembro – e depois de pedidos feitos tanto pelo Ministério Público, como pela assistente no processo,
Paulina Alves dos Santos – o juiz aceitou que fosse emitida uma certidão para que fosse aberto um novo inquérito a Tam, na passada sexta-feira, Lam Peng Fai disse que não tinha tomado qualquer decisão sobre o assunto. “Não deferi, nem indeferi o pedido da assistente ou do MP.” A questão deixou confusão mesmo na bancada da defesa, uma vez que, no início da audiência, os advogados de Raymond Tam, Lei Wai Nong e Fong Vai Seng tentaram interpor recurso da decisão que teria
sido tomada na audiência anterior. O juiz não permitiu, dizendo que os causídicos estavam a interpor recurso de algo que ainda não tinha sido deferido. Seja como for, o colectivo do Tribunal Judicial de Base considera que não há qualquer falsificação de documentos. Estes papéis, que a assistente e o MP dizem ter sido forjados, dizem respeito a ofícios emitidos pelo gabinete da secretária para a Administração e Justiça, Florinda Chan, – também tutelar do IACM – a requerer documentos re-
a defesa continuou a insistir que Ng Peng In teria mais informações sobre os cemitérios dos que os arguidos. Algo que o próprio chegou a admitir. “Então, não teve interesse em ir junto dos seus superiores dizer que podia ajudar com os documentos, sabendo que eles estavam a ser procurados?”, questionou Berenguel. “Se eles tivessem pedido ajuda, eu ajudava. Mas não tinha conhecimento”, respondeu Ng. A testemunha disse ainda que não fez nada sobre o ofício porque “não tinha que fazer nada, por não ser da sua responsabilidade acompanhar” os procedimentos e ainda porque “se não é pedida ajuda, ele não tem de ajudar”. Contudo, sobre um outro ofício – o 4º do MP - que falava sobre cópias dos recibos de nove campas, o então administrador decidiu – por sua iniciativa e sem pedidos de ajuda – enviar o documento para a tesouraria. “Quando recebi a cópia do ofício estavam a perguntar sobre o dinheiro e eu enviei à tesouraria. Fui eu que, vendo o documento e vi que era sobre dinheiros, entreguei.” As declarações voltaram a ditar críticas da bancada da defesa. “Tinha muita, mas muita informação que podia ter dado sobre o 3º ofício e não deu, porquê? Sendo que, depois, deu ao MP?” Ng Peng In deu a entender que não tinha dado a informação porque o MP “poderia entender mal” o que ele iria dizer, visto este ter incompatibilidades com os superiores, mas nunca ter apresentado queixa sobre isso. A audiência terminou sem muitas conclusões, mas não sem antes Ng Peng In lançar ainda outra acusação: a testemunha disse suspeitar que o actual Chefe de Departamento de Ambiente e Licenciamento forneceu documentos sobre oito campas a pessoas de fora do IACM. A defesa disse que se iria pronunciar, mas isso só acontece no próximo dia 24 de Janeiro.
lacionados com pedidos e atribuição de campas e com ofícios do instituto a responder a esses requerimentos e “estavam assinados por Marcelo Lau [Si Io], actual secretário para as Obras Públicas e Transportes, que era, na altura, presidente do Conselho de Administração do IACM. Lam Peng Fai falou pelo tribunal. “Sobre falsificação de documentos, não entendemos que haja falsificação. Entendemos que não vamos proferir nada, não temos prova de que algo foi falsificado ou que tenha havido falsas declarações. As duas partes têm o direito de apresentarem os documentos que quiserem, mas o tribunal entende que devemos começar a audiência e, se entendermos que houve, então pedimos provas.” - J.F.
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SOCIEDADE
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ASSOCIAÇÃO DE MORADORES NÃO QUER ‘SLOT-MACHINES’ NO ANTIGO HOTEL CANTÃO
UGAMM contra jogo em áreas residenciais Novo centro de jogo perto da Avenida Almeida Ribeiro gera reacções negativas dos Kai Fong, que querem que esse tipo de espaços fique concentrado no Cotai CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
O
S diversos representantes de associações que estão sob alçada da União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM) realizaram este fim-de-semana uma recolha de assinaturas. Para além da recolha de nomes nas ruas, houve ainda
assinaturas dos próprios membros das associações. Segundo o Jornal do Cidadão, o objectivo é o fim da presença das ‘slot-machines’ nas zonas residenciais. Isto porque o secretário para a Economia e Finanças, Francis Tam, revelou, no passado dia 20 de Dezembro, que o prédio onde funcionava o antigo Hotel Cantão, perto da avenida Almeida Ribeiro e na zona do Porto Interior, deverá ser o novo endereço de uma casa de ‘slot-machines’. Esta notícia vem contrariar declarações mais recentes do secretário, onde este afirmou que o objectivo do Executivo era retirar todos os centros de ‘slot-machines’ das zonas residenciais. Dos cinco espaços que existem, só dois vão funcionar este ano, sendo que apenas os casinos poderão operar este tipo de actividade no futuro. Passar jogo para o Cotai A UGAAM acredita, assim, que o Governo deveria parar de dar mais concessões de jogo na península, concentrando o jogo na zona do Cotai. “Há muitos idosos e escolas no centro de Macau, mas
O Governo deveria rever as leis e corrigir as partes irracionais, a fim de evitar que os centros de ‘slot-machines’ voltem a surgir perto das comunidades CHU HOU UN Da União Geral das Associações dos Moradores de Macau
ESTUDO CIDADÃOS DESCONHECEM DOENÇAS ALÉRGICAS
Poluição, a grande e (quase) única culpada
U
M estudo elaborado pela Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) revela que os cidadãos têm pouco conhecimento das doenças do foro alérgico, onde se incluem patologias respiratórias, problemas de pele ou infecções alimentares. Realizado na primavera de 2012, o inquérito mostra que 90% de um total de 928 entrevistados admitiu que o ambiente onde se encontram inseridos, a nível pessoal e profissional, favorece o aparecimento de alergias. 46% estará ligada à poluição do ar, sendo que o fumo do tabaco ocupada a segunda posição, com 43%. 80% dos inquiridos afirma sofrer de rinite alérgica. Contudo, poucos cuidam do seu estado de saúde. 9% dos entrevistados são fumadores,
com uma média de 16 anos de consumo de tabaco, o que dá o consumo de um maço de tabaco por dia. Metade dos fumadores mostram sofrer de problemas de saúde como sensibilidade na traqueia, rinite alérgica, asma, problemas de pele ou alergias do foro alimentar. Mas apenas 30% consultou um médico para a resolução destes problemas. Perante esta percentagem, a FAOM considera que deveria haver uma maior promoção do reconhecimento deste tipo de doenças e do seu tratamento. Uma das formas defendida seria o incentivo aos cidadãos para que criem um plano médico de combate às alergias e cessação do vicio do tabaco. Por essa razão, a FAOM acredita que o Governo deveria recorrer a medidas administrativas para cortar nos meios de favorecimento de alergias, como a proibição do fumo em locais de trabalho e também em locais públicos. A FAOM defende que se deve acelerar o processo de eliminação de veículos que não correspondam às normas ambientais de emissão de gases. Deve ainda ser fortalecida a inspecção a restaurantes e ainda reforçar as medidas anti-tabaco, através da implementação de uma proibição geral do fumo em espaços internos. – C.L.
há falta de infra-estruturas para actividades, e esperamos que o Governo possa dar mais recursos para a criação de centros comunitários. Tudo para que possam haver mais serviços de entretenimento, aprendizagem e espaço para o exercício de idosos e jovens, em vez destes irem jogar”, frisou Chu Hou Un, responsável da associação. “O Governo deveria rever as leis e corrigir as partes irracionais, a fim de evitar que os centros de ‘slot-machines’ voltem a surgir perto das comunidades”, acrescentou Chu Hou Un. Ainda ao Jornal do Cidadão, Tang, residente há mais de 30 anos, afirma que já assistiu a casos de idosos que, estando a aguardar na fila de espera para serem atendidos por um médico, optam por jogar numa ‘slot-machine’ ali perto e acabam por não serem atendidos. “Ninguém que viva no centro quer que os centros de jogo voltem a abrir perto das comunidades. Este centro vai aparecer próximo de uma comunidade e os moradores já não têm confiança no Governo”, disse Chu Hou Un.
POLUIÇÃO APENAS TRÊS DIAS COM “BOA” QUALIDADE DO AR
A culpa é dos carros e das grandes obras N
O último mês de Dezembro apenas foram registados em Macau três dias com a classificação “Bom” em relação à qualidade do ar, sendo que durante 18 dias o ar esteve “Insalubre” e outros seis dias esteve “Muito Insalubre”. Os dados, citados pelo Jornal Ou Mun na sua edição de ontem, são dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos de Macau (SMG), e revelam que durante o 24 dias a qualidade do ar não foi a melhor.
Olhando por zonas, Macau teve 17 dias com uma qualidade do ar “Insalubre”, sendo que na Taipa a fasquia aumentou para 18. Coloane só teve cinco dias com boa qualidade do ar, sendo que, em 11 dias, o ar também esteve “Insalubre”. Comparando com o ano de 2012, Coloane teve 28 dias com uma boa qualidade do ar. Na notícia do Ou Mun pode ler-se que, apesar de Macau não ter indústrias altamente poluidoras, o aumento dos veículos em circulação e as grandes obras trouxeram elevados níveis de emissão de poluentes e poeira. Ao mesmo jornal, um médico referiu que a má qualidade do ar se deve à poluição na atmosfera e o aumento de partículas
suspensas no ar, juntamente com particular 2.5, que podem entrar nos pulmões. Uma exposição elevada a este tipo de partículas pode originar problemas cardíacos e pulmonares, revela o médico. Este frisa que só uma máscara especial, com um custo elevado, poderia evitar a exposição a este tipo de partículas. O mesmo profissional de saúde afirma que os cidadãos necessitam ter melhores conhecimentos em relação à qualidade do ar que respiram. Nos dias em que a qualidade do ar é má, os idosos ou os doentes deveriam ficar em casa, enquanto que os restantes cidadãos deveriam dar mais respostas aos pedidos do Governo em matéria de baixas emissões de carbono, defende. – C.L.
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CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
A
colina onde fica situada a igreja da Nossa Senhora da Penha poderá ficar fora da visão de quem passa junto ao lago Nam Van, por culpa de prédios residenciais que aí vão nascer. A notícia é avançada pelo jornal chinês All About Media, que na passada sexta-feira publicou uma reportagem onde afirma que as zonas C e D junto aos lagos podem ter projectos e plantas de alinhamento antes da nova lei do planeamento urbanístico entrar em vigor. Tal só acontece em Março. Apesar de não haver uma confirmação oficial por parte do Governo, o jornal afirma que há muitos anos que não existe qualquer projecto de desenvolvimento nas referidas zonas, e que agora existe o risco de poderem ser construídos edifícios sem limite de altura. Segundo dados citados pelo All About Media, o ter-
PROJECTOS PODEM NASCER EM NAM VAN ANTES DA NOVA LEI
Penha pode estar em risco reno da zona C foi resultado de uma troca com o espaço onde hoje se encontra a Casa do Mandarim. Coube ao ex-secretário para as Obras Públicas e Transportes, Ao Man Long, a assinatura
do despacho, datado de Setembro de 2001, sobre a concessão do terreno por arrendamento e sem concurso público. Em 2008, a Shun Tak, empresa da qual Pansy Ho é
IMOBILIÁRIO MACAU ARRISCA CRISE SE GOVERNO NÃO AGIR
Menos riqueza à porta M ACAU arrisca sofrer uma crise se o Governo não planear mais oferta de habitação, dados os elevados preços das casas e a forte probabilidade de subida das taxas de juros, disse à agência Lusa um académico chinês. “O Governo precisa de agir ao longo do próximo ano, mas, se não agir, os preços [do imobiliário] deverão cair muito. Isso causaria uma crise, o que espero que não aconteça, mas é possível. Macau já esteve nessa situação, quando houve a crise financeira asiática”, alertou, em entrevista à Lusa, Chan Chi Shing, do departamento de Economia da Universidade de Macau. Ao constatar que “já se observa alguma queda [nas vendas], mas ainda não significativa”, o académico explica que essa crise poderá passar por uma “queda de preços tão séria que ninguém quererá comprar casa e a riqueza dos proprietários irá reduzir-se”. De acordo com dados oficiais, 80% da população vive em casa própria ou de familiares directos. “Em Macau, a regulação é rigorosa, por isso não penso
que haverá uma crise para os bancos, mas a riqueza de muitas pessoas irá diminuir nessa situação”, acrescentou Chan Chi Shing. O académico realçou que os preços do imobiliário “estão tão elevados que estão além da capacidade das pessoas comuns” e isso está “relacionado com a expectativa da população, de que se não comprar agora talvez depois seja tarde demais”. “Mas quando as taxas de juros subirem - talvez não este ano, mas no próximo ou depois, pois consideramos que a tendência será de aumento -, as pessoas deixarão de esperar subidas dos preços”, salientou. O mesmo académico defende que se o mercado “depender só das taxas de juros ou da procura, o seu ajustamento [a essas variáveis] não será suave”. “A questão é, portanto, se o Governo terá
a vontade de disponibilizar mais oferta, sabemos que tem constrangimentos, mas se houver vontade de disponibilizar mais terrenos para a construção de habitação e de construir mais habitação pública, considero que o problema poderá ser resolvido de forma mais rápida e estável”, indicou. Um eventual anúncio do executivo de que, num prazo de um ou dois anos, mais oferta será disponibilizada, faria, apontou, com que a população acalmasse a ansiedade de adquirir casa. “Compreendemos que a economia de Macau é aberta e facilmente afectada pelo exterior, por isso, se o Governo não planear agir, a situação será complicada”, constatou. Nos primeiros onze meses do ano passado, 10.464 casas com fins habitacionais foram transaccionadas na Região Administrativa Especial chinesa, menos cerca de 4.000 do que no período homólogo de 2012, a um preço médio por metro quadrado de 81.582 patacas (7.416 euros), que traduz um crescimento homólogo de 37%. - Lusa
directora-executiva, anunciou o negócio da aquisição para a obra, e disse que o projecto na zona D iria necessitar de mais tempo para ser concluído. Em 2010, Pansy Ho disse que o Governo ainda não tinha dado
indicações claras quanto ao uso dos terrenos, e que não sabia se haveria influências face ao desenvolvimento da zona. Um ano depois, a DSSOPT confirmou que o
desenvolvimento das zonas C e D iriam ficar sob responsabilidade do Governo, em conjunto com o desenvolvimento da zona B dos novos aterros. Em 2012, a primeira fase da obra do Metro Ligeiro arrancou na Taipa, e ficou a saber-se que junto ao quartel dos bombeiros, em Sai Van, e nos lagos Nam Van, vão nascer duas estações, o que poderá influenciar os projectos urbanísticos na zona.
MTEL quer substituir TV Cabo na transmissão de canais básicos
É
certo que o Governo ainda não fez quaisquer conclusões relativamente à concessão detida pela TV Cabo, nem qual será o futuro da transmissão de conteúdos televisivos, mas a verdade é que a MTEL afirma poder vir a deter a concessão para a transmissão de 75 canais, em conjunto com a companhia de antena Tak Va. O jornal Business Daily escreve, na sua edição da
passada sexta-feira, que ainda não são conhecidos valores relativamente ao processo, sendo que o Governo nada adiantou até ao momento. Steve Lam, da Tak Va, disse que “o Governo nunca discutiu connosco o que vai acontecer depois do dia 21 de Abril (data em que termina o contrato com a TV Cabo). Muitos de nós estamos preocupados porque não sabemos qual
Funcionário ligado a Hengqin condenado a dez anos de prisão
U
M funcionário público do continente, de apelido Huang, e ligado à direcção de desenvolvimento público da nova zona de Hengqin, foi condenado a dez anos de prisão por actos de corrupção relativos aos concursos para obras de projectos na Ilha da Montanha. Segundo o jornal Ou Mun, Huang terá recebido indevidamente cerca de 2,253 milhões de renminbi em subornos, sendo que o tribunal de Zhuhai decidiu o confisco de 50 mil renminbi. Contudo, o resto do montante vai continuar a ser pago. Huang torna-se assim
no primeiro funcionário a ser preso por corrupção desde que surgiram os projectos de desenvolvimento em Hengqin. Huang terá tido a ajuda do irmão num processo de branqueamento de
o caminho que devemos fazer no futuro”. Foi ainda dito que seis companhias de antena, vulgo anteneiros, estabeleceram “diálogo” com a MTEL e a CTM quanto às transmissões, mas que a CTM só deverá tomar uma decisão depois de Abril. capitais, sendo que este já foi condenado a cumprir uma pena de dois anos de prisão. Ainda segundo o Ou Mun, Huang defendeu-se dizendo que os seus pais sofrem de cancro desde 2003 e que, por essa razão, necessitava de dinheiro para pagar os tratamentos, tendo cedido aos subornos. - C.L.
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CHINA
A
estratégia da China de promoção da sua moeda, o yuan, como uma divisa de comércio mundial, deverá fazer com que a moeda volte a valorizar-se este ano, sendo uma das mais promissoras entre os mercados emergentes. O yuan deverá valorizar-se 1,4% para 5,97 por dólar no final deste ano, abrandando a tendência de subida no ano passado, quando ganhou 2,9%, o que seria o valor mais alto nos últimos 20 anos, de acordo com o banco alemão Norddeutsche Landesbank que, além de ser a maior instituição de crédito no norte da Alemanha, tem também feito as mais certeiras previsões sobre a valorização da moeda chinesa nos últimos quatro trimestres. “O yuan está a tornar-se cada vez mais importante no comércio, isso
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MERCADOS EMERGENTES YUAN DEVERÁ SER A MOEDA COM MAIS VALORIZAÇÃO EM 2014
Euro suplantado
COMÉRCIO LIDERANÇA CHINESA EM 2013
é uma coisa que estamos a ver com grande excitação na Europa”, disse o economista Frederik Kunze, da instituição financeira alemã sedeada em Hanover, em declarações à agência financeira Bloomberg, acrescentando que “uma apreciação estável deve continuar”. A China tem assinado um conjunto de acordos para trocar o yuan mais livremente em praças financeiras como Singapura, Londres e a zona euro, e está a abrandar o controlo cambial no âmbito do processo de liberalização económica em curso no país. Até agora, o país tem conseguido não só prevenir a bolha de crédito que a Moody’s alertava para a possibilidade de existir e que poderia até levar a uma crise financeira, como também conseguiu suplantar o euro no segundo lugar das
moedas mais transaccionadas em trocas comerciais e financeiras no ano passado, de acordo com dados da Sociedade para as Telecomunicações Financeiras Interbancárias Globais (SWIFT, em inglês). A valorização do yuan vai também suplantar o ganho das moedas do Brasil, Rússia e Índia, que, juntamente com a China, compõem os BRIC, de acordo com a média dos economistas divulgada pela Bloomberg, que reporta ainda que as divisas destes países desvalorizaram-se entre 7 e 15% no ano passado.
CORRUPÇÃO PC SANCIONOU MAIS DE 182.000 QUADROS NO ANO PASSADO
EUA ultrapassados Milhões e milhões de denúncias O O comércio anual de bens da China passou a marca das cerca de 30 biliões de patacas pela primeira vez no ano passado, revelam as estatísticas oficiais, confirmando a posição do país como o maior comerciantes à escala mundial. Os dados sexta-feira divulgados pelasAdministração-Geral das Alfândegas chinesa colocam um ponto final na dúvida sobre quem seria o país com maior volume de negócios (China ou Estados Unidos), confirmando que, por causa dos diferentes métodos de cálculo entre os dois países, apenas em 2013 os chineses suplantaram os norte-americanos na troca de bens, que excluem os serviços, nomeadamente os serviços financeiros, por exemplo. “É muito provável que a China tenha suplantado os
Estados Unidos como o país com mais trocas comerciais de bens em 2013 pela primeira vez”, disse o porta-voz da AGA chinesa, Zheng Yuesheng, citado pela AFP. As exportações da segunda maior economia mundial subiram 7,9% para cerca de 17 biliões de patacas, enquanto as importações aumentaram 7,3%, para cerca de 15 biliões, de acordo com a mesma fonte, o que coloca o excedente comercial da China em cerca de 2 biliões de patacas, mais 12,8% que em 2012. Assim, o volume total de bens comercializados entre a China e outros países ficou em cerca de 31 biliões de patacas, o que representa uma subida de 7,6%, ligeiramente abaixo da meta das autoridades chinesas, que apontava para um aumento de 8%.
PartidoComunista Chinês (PCC) anunciou sexta-feira ter sancionado mais de 182.000 dos seus quadros em 2013, no âmbito do que as autoridades descrevem como uma vasta campanha anti-corrupção. Os órgãos encarregados de combater a corrupção receberam em 2013 mais de 1,95 milhões de denúncias em
todo o país e investigaram cerca de 172.500 casos, segundo Huang Shuxian, director adjunto da poderosa comissão central de controlo da disciplina do PCC, citado pela agência France Presse. Concluídas essas investigações, 182.038 pessoas foram objecto de sanções disciplinares, as quais podem ir de uma advertência à expulsão
do partido, sendo nalguns casos passíveis de condenação pela justiça chinesa. “As autoridades disciplinares do partido a todos os níveis (…) apoiaram a adopção de sanções contra todos os corruptos”, disse Huang num encontro com a imprensa em Pequim. O presidente chinês, Xi Jinping, “número um” do PCC desde Novembro
de 2012, considerou que a corrupção pode ameaçar a existência do partido e assegurou que todos seriam controlados, qualquer que seja a sua posição no partido. Até agora, pelo menos 19 quadros de nível igual ou superior ao de vice-ministro foram detidos por corrupção, entre os quais um vice-ministro da Segurança Pública.
H7N9 TRÊS NOVOS DOENTES NO LESTE E SUL
Casos de morte aumentam A
S autoridades chinesas confirmaram três novos casos de infectados com o vírus da gripe das aves H7N9 no sul e leste do país, informou ontem a imprensa estatal Xinhua citada pela Efe. Entre os novos casos está um homem de 54 anos, da província oriental de Jiangsu, e outros dois indivíduos da província de Cantão, de 29 e 76 anos no sul da China. O indivíduo de Jiangsu, que está a receber tratamento no hos-
pital de Nankín, na capital provincial, é o segundo caso confirmado este ano em Jiangsu, depois do contágio de uma mulher registado esta semana. Um vendedor num mercado de Cantão, de 29 anos, está em estado crítico, e outro homem de 76 anos, também hospitalizado na mesma província, está em “boa condição”, segundo a Xinhua. A nova estirpe do vírus da gripe das aves foi detectada na China
na passada primavera e já causou 45 mortes. Desde o início do ano, o H7N9 já provocou duas vítimas mortais, um indivíduo de 38 anos, que faleceu na província de Fujian e outro homem que morreu em Cantão depois de lutar três semanas contra o vírus. Nos primeiros dias do ano foram detectados novos casos em Fujian e nas províncias de Zhejiang, Jiangsu e Cantão, assim como na metrópole de Xangai.
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SEGUROS PORTUGAL “É UM MERCADO ALTAMENTE ATRACTIVO”
Mais investimento a caminho O consórcio chinês Fosun, vencedor da privatização da Caixa Seguros, qualificou sexta-feira Portugal como “um mercado-chave altamente atractivo” e anunciou que está a encarar “outras oportunidades de investimento” no país. “Portugal é um mercado altamente atractivo e corresponde bem à estratégia de expansão global do Fosun”, diz o grupo num comunicado enviado à agência Lusa em Pequim. “Estamos também interessados e prestámos atenção a oportunidades de investimento noutros sectores do mercado português, particularmente no imobiliário, turismo e produtos de marca”, acrescenta. Fundado em 1992, por um grupo de jovens licenciados de Xangai, o Fosun Group é considerado um dos mais lucrativos grupos privados chineses, com participações em dezenas de empresas de vários ramos,
chinesas e internacionais, entre as quais o Club Mediterranée. Na quinta-feira, o governo português anunciou ter aceite a oferta do Fosun para comprar 80% das três seguradoras do grupo Caixa Geral de Depósitos por cerca de 10.000
milhões de patacas. O outro candidato, cuja proposta foi rejeitada, era o grupo norte-americano Apollo Management International. Fosun, em chinês, diz-se Fu Xing, expressão que soa como “renovar”.
Citando o presidente do grupo, Guo Guangchang, conhecido na China como grande admirador de Warren Buffet, o comunicado qualifica a entrada na Caixa Seguros como “um sólido passo na evolução do Fosun Group para o modelo” daquele investidor e multimilionário norte-americano. A Caixa Seguros, que reúne três seguradoras (Fidelidade, Multicare e Cares), é considerada líder do sector em Portugal. A compra de 80% daquele grupo é assumida pelo Fosun Group como “mais uma boa aplicação do modelo de investimento” consagrado na fórmula “combinar o ímpeto de crescimento da China com recursos globais” e um contributo para a “expansão da sua actividade seguradora”. O Fosun Group já é accionista de três companhias de seguros, entre as quais a PeakRe, de Hong Kong, na qual detêm 85% do capital.
Ilhas Diaoyu Navios chineses entraram em águas territoriais
Três navios da guarda costeira chinesa entraram ontem nas águas territoriais junto às ilhas disputadas pela China e Japão, naquela que foi a primeira incursão do género desde o início do ano. Os três navios entraram cerca das 8h30 nas águas em torno das ilhas Diaoyu, administradas, de facto, pelo Japão, mas reivindicadas por Pequim, informou a guarda costeira nipónica, citada pela AFP. Os barcos chineses abandonaram a zona cerca de duas horas mais tarde. A última incursão do género data de 29 de Dezembro.
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Associação Geral de Automóvel de Macau-China
AVISO
A Associação Geral de Automóvel de Macau-China vem por este meio comunicar que, a partir de hoje os escritórios passam a funcionar no Edifício do Grande Prémio de Macau, Rés do Chão (defronte ao Cais do Porto Exterior de Macau). Para mais informações podem contactar através do telefone, no. 28726578, Fax no. 28726579 ou email aacm@macau.ctm.net.
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EVENTOS
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SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN NO PANT
Família considera “homenagem imp O
S filhos da escritora Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) consideram que a proposta da Assembleia da República para a trasladação da poetisa para o Panteão Nacional é “uma homenagem importante”. Este ano cumprem-se dez anos da morte da escritora, a 2 de Julho, uma das datas possíveis para a trasladação, disse à agência Lusa Maria Andresen, uma das filhas da escritora. Na sexta-feira, a rádio TSF noticiou que o corpo de Sophia de Mello Breyner Andresen deverá ser transladado para o Panteão antes de Eusébio, existindo um acordo de todos os partidos do parlamento para que a resolução seja aprovada. Nascida no Porto, Sophia de Mello Breyner Andresen, de origem dinamarquesa pelo lado paterno, foi a segunda mulher a receber o mais importante galardão literário da língua portuguesa, o Prémio Camões, em 1999. Em declarações àquela rádio, Miguel Sousa Tavares, outro dos filhos da escritora, disse que gostaria que a cerimónia decorresse simboli-
A
curta-metragem portuguesa de animação “O gigante”, de Júlio Vanzeler e Luís da Matta Almeida, está nomeado para os Goya, os prémios de cinema atribuídos pela Academia de Cinema de Espanha. De acordo com a lista de nomeados divulgada a semana passada, o filme português foi seleccionado para a categoria “Melhor curta-metragem de animação espanhola” por ter Espanha entre os países co-produtores (além de Portugal, Brasil e do Reino Unido). Com cerca de dez minutos e argumento de Nélia Cruz, a partir
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA PESO - UMA QUESTÃO DE PESO • Paula Veloso, Teresa Maia
Quando se perde peso, é para ganhar saúde, nunca para a perder. Não se resigne nem arranje desculpas: com a ajuda certa, emagrecer pode ser bem mais fácil do que imagina. Neste livro vai encontrar planos alimentares, tabelas de calorias para os alimentos mais comuns, truques para aumentar a saciedade e diminuir o consumo alimentar e ainda dicas para escolher a roupa que mais favorece a sua silhueta. Grandes ideias para mudar pequenos hábitos e toda a motivação de que precisa para acabar com aqueles quilos a mais. Porque o mais importante de tudo é a sua saúde, o seu bem-estar.
camente no dia 25 de Abril, quando a Revolução dos Cravos faz 40 anos. Contactada pela Lusa, Maria Andresen disse que a homenagem seria particularmente importante acontecer neste momento: “Ela esteve sempre ao lado das pessoas exploradas, e das lutas pelos direitos humanos. Numa altura destas em que se sacrifica tanto as pessoas é importante evocá-la”. A efeméride dos dez anos e a ideia da trasladação foi abordada num texto publicado em Dezembro do ano passado no jornal Público, da autoria de José Manuel dos Santos, director cultural da Fundação EDP. “Fui contactada por ele a pedir autorização da família para publicar o texto. É uma pessoa de quem gosto muito. Embora tenha havido algumas hesitações e objecções, não houve nenhuma recusa [na família], e seguiu”, recordou, sobre a origem da iniciativa. Maria Andresen comentou que a situação foi sentida com alguma estranheza, de início, pela família: “Parece que nos estão a tirar a mãe. Ela está a repousar num lugar privado, muito bonito”.
PRÉMIOS DO CINEMA DE
Animação de uma ideia de Júlio Vanzeler, o filme estabelece uma narrativa sobre pais e filhos e o processo de crescimento, a partir da história de um gigante que transporta a filha no coração, sendo ele a mostrar-lhe a realidade. “O gigante” é o primeiro filme co-realizado por Júlio Vanzeler, até aqui conhecido sobretudo como ilustrador de livros para a infância
RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET
SABORES DE PORTUGAL OU TASTE OF PORTUGAL • Chefe Silva
Sob a direcção do mítico Chefe Silva, Sabores de Portugal é uma obra que lança um olhar sobre as raízes da tradição culinária das regiões do nosso país. Muito mais que uma simples compilação de receitas, este livro, apresentado numa edição bilingue, descreve de modo muito interessante um traço cultura essencial do povo português: a gastronomia.
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TEÃO NACIONAL
a portante” “A minha mãe era uma pessoa muito simples. Ficamos sempre na dúvida se ela gostaria ou não. Mas a questão é nacional, e ultrapassa esse problema”, comentou, sobre uma das figuras mais importantes da literatura portuguesa do século XX. Maria Andresen disse que gostou sobretudo da evocação da intervenção cívica de Sophia de Mello Breyner, sublinhando que era importante não recordar só a obra literária. “A minha mãe escreveu o mais belo poema que conheço sobre o 25 de Abril, que começa com “Esta é a madrugada que eu esperava”. Disse ainda que a poetisa costumava dizer que “quem está atenta ao fenómeno, tem de estar atenta a todo o fenómeno. Quem vê a alegria também tem de ver o sofrimento. Nesse aspecto foi muito atenta e achava que era uma obrigação do poeta”. Sobre a data a escolher - o dia 25 de Abril ou o 2 de Julho - Maria Andresen disse à Lusa que a família irá dar uma opinião, “mas é o parlamento que decide”. O espólio da autora do célebre conto “A Menina do Mar” foi entregue pela família à Biblioteca Nacional de Portugal em 2011.
ARTISTAS PORTUGUESAS EM DESTAQUE NA COREIA DO SUL
Ano cheio de música, cinema e dança O interesse crescente dos sul-coreanos nos artistas de expressão portuguesa promete uma série de projectos culturais na área da música, do cinema e da dança para 2014, de acordo com a Embaixada de Portugal em Seul. Este ano, o público coreano poderá ver a companhia portuguesa de bailado contemporâneo de Vasco Wallenkamp com a presença em palco da fadista Carla Pires e seus músicos e a cinemateca nacional vai
dedicar uma retrospectiva a Manoel de Oliveira com a publicação em coreano de um livro sobre a obra do cineasta. Mas não são os únicos projectos que a embaixada vai apoiar. “Estamos em contacto com o Seul Performance Festival (...) e estamos em fase de negociação para um festival de cultura lusófona”, disse à Lusa Paulo Lopes Graça, primeiro-secretário de embaixada, sublinhando a importância dos agentes locais e do Instituto Camões na realização destes eventos. De acordo com a fonte, a abertura à colaboração dos sul-coreanos “é uma circunstância feliz”, o que facilita a implementações de projectos culturais. A exposição “Irrequietude: Modos de expressão portugueses”, sobre o espaço, o movimento e a arquitectura portuguesa, que decorre actualmente no
ESPANHA ANUNCIADOS EM FEVEREIRO
portuguesa candidata aos Goya e juventude, feito em parceria com Luís da Matta Almeida, fundador da produtora de cinema de animação Zeppelin Filmes. Este é o único filme português seleccionado para os Goya 2014, os mais importantes prémios de cinema atribuídos em Espanha. Portugal tinha apresentado uma candidatura ao Goya de melhor filme ibero-americano, com o filme “A última vez que vi Macau”, de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, mas a longa-metragem não chegou às nomeações finais. A edição deste ano dos Goya é dominada por “La gran familia española”, de Daniel Sánchez Arévalo, nomeado em onze categorias, entre as quais melhor filme, melhor realização e melhor argumento original. Os vencedores dos prémios Goya serão anunciados numa cerimónia a realizar em Madrid, a 9 de Fevereiro.
Mimesis Art Museum (desenhado por Álvaro Siza) em Paju Book City reflectem este estado de espírito. “No caso desta exposição, a ideia veio da embaixada e foi trabalhada posteriormente com Yang Ji-Yoon, a curadora do museu. (...) Contactámos o museu e a reacção foi entusiástica”, disse o Paulo Lopes Graça. “Pensámos que era uma ideia que combinava bem com o espaço”, confirmou o Hong Ji-Woong, presidente da editora OpenBooks Co proprietária do Mimesis Art Museum, destacando que os alunos de arquitectura sul-coreanos podiam aprender muito sobre o trabalho dos arquitectos portugueses. Depois deste primeiro contacto com artistas e arquitectos portugueses, Hong Ji-Woong e Yang Ji-Yoon gostavam de expor artistas portugueses com mais regularidade. “Uma exposição cada dois anos”, avançou Hong Ji-Woong. De acordo com a embaixada, apesar de o encer-
Associação José Afonso inaugura sede em Lisboa
A Associação José Afonso (AJA) inaugurou a sua sede na capital do País. Este novo espaço, no qual se encontram vários admiradores do cantor, foi patrocinado pela Câmara Municipal de Lisboa. A nova “casa” do eterno músico de intervenção fica localizada no coração da cidade (no 170, da Rua de São Bento, mesmo em frente ao Parlamento) e, segundo uma nota divulgada, visa contribuir para “divulgar a obra de José Afonso e de multiplicar o seu exemplo artístico e cívico”. Desde as 16 até cerca das 22h, o novo espaço estará aberto com uma exposição evocativa de José Afonso e com muita música portuguesa para ouvir. Recorde-se que esta inauguração é feita no ano em que se assinalam os 40 anos do 25 de Abril, de que José Afonso foi “sem qualquer dúvida um embaixador cultural e uma referencia”, como se lê no comunicado.
ramento do centro cultural português em Seul em 2002, os sul-coreanos mostraram uma atenção cada vez maior à cultura de expressão portuguesa nestes últimos anos, particularmente no meio cinéfilo, incluindo uma presença regular nas salas coreanas e nos festivais de Jeonju e Busan, os maiores do país. Além de projectos pontuais, a embaixada organiza actividades regulares como a celebração do dia da língua portuguesa, o concurso de língua portuguesa e o evento de boas-vindas para os alunos que se matriculam no primeiro ano de estudos portugueses. Paulo Lopes Graça pensa que o número de eventos culturais vai ter tendência a aumentar, graças ao acumular de experiências passadas, o aumento da comunidade portuguesa e de alunos que estudam português. O primeiro-secretário também gostaria de ver se desenvolver um diálogo cultural enriquecedor entre os dois países. “Os dois países conheceram eventos traumáticos, uma transição para a democracia muito recente, um grande crescimento económico, crises (...) todos estes acontecimentos históricos marcam a expressão cultural da Coreia do Sul e de Portugal. Por isso é bom pô-los em contacto e permitir o diálogo entre os dois. Acho que pode ser enriquecedor” explicou.
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ARTES, LETRAS E IDEIAS
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MARIA ONDINA BRAGA (1932 – 2003)
Manuel de Almeida
“ESCREVER FOI A ÚNICA COISA QUE ENCONTREI NA VIDA”
C
ONHECI Maria Ondina Braga através das páginas de «A China Fica ao Lado», na colecção de livros de bolso da «RTP/Verbo», nos finais dos anos 70, do século passado. São catorze “pequenos” contos de “diálogos interculturais, mitos e tradições”. Maria Ondina Soares Fernandes Braga, nasceu a 13 de Janeiro de 1932 e, veio a terminar o seu itinerário (leccionar, traduzir, escrever),na paz das suas origens, Braga, a 14 de Março de 2003. Recriar Maria Ondina Braga é falar da sua vida, já que esta vale mais que uma biografia. A sua vida foi tema repetidamente constituído alvo preferencial da sua escrita, a experiência mais do que a transcendência. A geografia da distância, a viagem - “Partir é esperança. Chegar desencanto” - em «Estátua de Sal». A interculturalidade ou a procura de sensações no universo -, Portugal, Escócia, Inglaterra, França, China, - o mundo português -, Angola (Malanje), Índia ( Goa), Macau. Vida desinquieta – peregrinar ? Exílio ? Sim, sobretudo o interior, como refúgio procurado na defesa da integridade –“ mas acima de tudo, quero encontrar-me comigo”. Condenou-se a um permanente exílio pela paixão da escrita. A angústia, solidão, tristeza. “Sinto por vezes desejos de fugir/ para terra ignorada, sítio incerto / p´ra onde haja só silêncio a florir / e estrelinhas de paz em céu aberto (...)” - em «O Meu Sentir». O desabar do Império, que viveu na inquietude da vida – que assinala -, “eu, onde quer que chegue, aí o conflito e a falência. Que azar” – em «Passagem do Cabo» -, após a invasão de Goa , Damão e Diu, aportou em Macau, onde aqui viveu de 1961 a 65. Macau – “a cidade do Santo Nome de Deus, para quem veio lá de Angola, os seus pagodes, os seus conventos, o espectro das ruínas de São Paulo, os fantásticos funerais dos sequazes de Confúcio, um espiritualismo melancólico, aqui, senão mesmo lúgubre. Isto a par da festa das tendas e tintins, o teatro budista, a dança do dragão, o estrelejar de panchões. Sem já mencionar,
por tudo quanto é parede, porta ou pilar, ainda que escalavrados, o espectáculo dos caracteres sínicos a escarlate e ouro. Comovente, de qualquer modo, Macau. Comovente porque único” – da partida de Jaime Silvério Marques e da chegada do novo Governador, Lopes dos Santos, do nascimento da Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM), do início da Revolução Cultural, uma cidade em lentas mas contínuas transformações. Da sua passagem pelo Território, Silveira Machado, em «Macau na Memória do Tempo», tem o seguinte apontamento, “No ano seguinte, mais precisamente a 8 de Abril de 1962, foi um grupo de alunas do Colégio de Santa Rosa de Lima que visitou os internados da gafaria de Ká-Hó e lhes levou o Folar da Páscoa. Nessa sua visita, foram as alunas acompanhadas por algumas professoras, entre elas Maria Ondina Braga(...) que ao tempo leccionava naquele Colégio”. O emocionado reencontro com Macau, dá-se em 1991, vinte e cinco anos após a partida. A escrita de Maria Ondina estiolou na poeira das agruras do tempo. Não cedeu a correntes nem frequentou salões — não foi ao beija-mão, nem tão pouco à pia da água benta —, apesar de ser uma escritora da mais nobre linhagem da aristocracia da arte de escrever.
Não “passeou” pelas «feiras das vaidades», como acto de produção social, para a consagração, como estratégia de afirmação e reconhecimento. Coerência e honestidade, organização e estrutura do discurso. A dignidade de conteúdo. A sua escrita – tranquila mas inquieta – perdura em nós. Como algo de bom na nossa consciência. Saboreamos, degustamos – sabemos escutá-la. Foi uma escritora «fora do tempo». Maria Ondina era uma escritora lúcida e atenta, com uma prosa poética serena e culta, cosmopolita e clara, nítida e elegante, de gestos (escrita) simples, embevecida de sonhos, sombras e silêncio. A minúcia e a perfeição, uma artesã da linguagem. A sua escrita vivia de uma ordem superior da criação, o amor e o rigor às palavras. Ler Ondina Braga é percorrer a sua vida , é viver um mundo de afectos. A sua escrita combina exemplarmente a memória, a crónica, o conto, a novela e o romance. Macau que a acolheu, que ela amou, exigiu dela compreensão e cumplicidade – Leonor Seabra refere que “a sua escrita representa “esforço e tenacidade, ponto de encontro de povos e de culturas, sob o signo da fraternidade”. Tornei- me não só seu Amigo, mas um impenitente admirador da sua obra, não confundindo afectos e pensamen-
tos, amizade e razão – e deixem-me terminar com uma máxima de David Mourão-Ferreira: “só amo escrever sobre aquilo que amo”. Como legado deixou uma vasta e diversificada obra - «O Meu Sentir» (1949); «Almas e Rimas»(1952); «Eu Vim para Ver a Terra» (1965); «A China Fica ao Lado» (1968) – Prémio do Concurso de Manuscrito SNI (1966); «Estátua de Sal» (1969); «Amor e Morte» (1970) – Prémio Ricardo Malheiro da Academia de Ciências de Lisboa (1970); «O Rosto de Jano» (1973); «A Revolta das Palavras» (1975); « A Personagem» (1978); «Mulheres Escritoras» (1980); «Estação Morta» (1980); «O Homem da Ilha e Outros Contos» (1982); «A Rosa de Jericó» (1982); «A Casa Suspensa» (1983); «Angústia em Pequim» (1984); «A Lua de Sangue» (1986); «Memórias e mais dizeres» (1988); «Nocturno em Macau» (1991) – Prémio Eça de Queirós ( 1991); «Passagem do Cabo» (1994); «A Filha do Juramento» (1995); «Vidas Vencidas» (1998) – Grande Prémio de Literatura ITF (2000). Macau tem para com Maria Ondina Braga uma dívida por saldar e, o tempo para saldar uma dívida como esta pode e deve ser encontrado – quanto mais rápido melhor - , já que honrou como ninguém a sua memória colectiva. Os leitores agradecem!
artes, letras e ideias 13
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próximo oriente
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M Macau, a expressão “indústrias culturais” entrou nos discursos oficiais, salvo erro, em 2006. Na altura, o programa despachava-se em poucas linhas: “(...) encontrar uma fórmula que integre organicamente os elementos culturais de Macau com as oportunidades de desenvolvimento empresarial, apresentando e divulgando as linhas de desenvolvimento da indústria cultural consentâneas com as realidades de Macau.” De forma mais simples, o que este excerto das Linhas de Acção Governativa para 2007 quer dizer é, somente, que se pretende aproveitar o património cultural para fazer dinheiro. A peregrina ideia teve o condão de entusiasmar tanto os empresários – que assim podiam explorar sem limites ou remorsos (se os tivessem) e com o beneplácito do Palácio (e o dinheiro, adivinhava-se) a materialização do sacrossanto legado espiritual da história local –, como os “agentes culturais”, que, aqui, se dividem numa infinita e diligente rede de associações lançada a arrastar os subsídios e apoios que vão chovendo. A “fórmula” apelava também às boas consciências da “intelligentsia” indígena, que via na “integração orgânica dos elementos culturais de Macau com as oportunidades de desenvolvimento empresarial” uma oportunidade para a tão almejada “diversificação económica”, a salvação da indústria do jogo, esse terrível mal que tem enchido os cofres do Governo. Passou tempo e, como sempre, criou-se um conselho consultivo e um fundo. Sete anos depois, ainda não se percebeu ao certo o que são indústrias culturais e criativas, e enquanto se fazem reuniões onde todos juntos contemplam o vazio, há que assegurar que não falta o que realmente importa: dinheiro. Até agora, ao fim de incontáveis estudos, reuniões e discursos, é o que se sabe: o Governo tem 200 milhões que serão distribuídos por subsídios a fundo perdido, ou empréstimos sem juros, “para apoiar projectos e a exploração de produtos tangíveis e intangíveis”. Mas nem isto, que é tudo o que de concreto existe, vem acrescentar o que quer que seja ao que já havia – em Macau, nunca faltaram “mecanismos de dar dinheiro”. Também ainda não se sabe qual será o impacto das indústrias culturais na economia de Macau, quantos postos de trabalho devem ser criados ou que peso o sector possa ter no PIB, como confessou Banny Chao, nomeado administrador do fundo. Não há previsões porque está tudo numa “fase inicial”.
FUNDO PERDIDO
Hugo Pinto
No meio da confusão, vai-se prometendo dinheiro a quem pedir, não faltando interessados, “designers”, produtores de cinema e de música. Por indústrias culturais e criativas, aqui, entende-se o negócio dos “souvenirs”, os filmes e os discos. E assim, em vez de se começar pelo princípio, ou seja, pela cultura, começa-se pelo fim, pela sua industrialização. Em vez de se criarem escolas, oferece-se dinheiro para os pretendentes a artistas vazarem as suas importantes “criações” e locais próprios e exclusivos para a população as poder apreciar – presume-se que agradecida e extasiada. Com tanta desarrumação, talvez convenha lembrar que a expressão “indústrias culturais” apareceu pela primeira vez em 1947, no livro “Dialéctica do Esclarecimento”, de Theodor Adorno e Marx Horkheimer. Adorno explicaria mais tarde que, inicialmente, a expressão usada era “cultura de massas”, substituída por “indústrias culturais” para evitar mal-entendidos de que se tratava de algo que “emana espontaneamente das próprias massas”, avisando que devia ser feita a distinção entre “indústrias culturais” e “formas contemporâneas de cultura popular” – em todas as vertentes das indústrias culturais, escreve o pensador alemão, os produtos que são talhados para o consumo massificado e que, em grande medida, determinam eles próprios a natureza desse consumo, são fabricados mais ou menos de acordo com um plano. Não se trata da clássica oposição entre elitismo e uma cultura acessível (?!) a todos. Não vale a pena, também, discorrer sobre o que significam e o que dizem de uma sociedade que (só) consome os produtos desta indústria. Mas a própria expressão “indústria cultural”, pelo menos, deveria suscitar uma ou outra dúvida. O que se pode esperar de uma indústria senão a massificação, a produção em série, a uniformização, o baixo custo de produção, a maximização do lucro e, claro, a poluição? É fácil estampar camisolas, canecas e guarda-chuvas e chamar-lhe indústria cultural e criativa. Mas o que uma cidade como Macau, com a história, a cultura e o património que tem, precisa mesmo é de transformar tudo isso em produtos industrializados, em vez de produtos culturais? A resposta, decide quem manda, é afirmativa. Não nos devemos espantar. Aqui, quando se fala de preencher necessidades e desejos – um possível desígnio a que pode aspirar a arte e a cultura – pensa-se em dinheiro. De preferência, a fundo perdido.
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Eric Choi Chi Hong
OS MAPAS FRAGMENTOS HISTÓRICOS
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CTUALMENTE, são os turistas quem mais utilizam os mapas nas suas viagens aos locais que desconhecem. Mas será que a função do mapa é somente para servir de guia turístico? Obviamente que não. Um mapa é o plano onde se descrevem os fenómenos naturais e da humanidade. Esses fenómenos são representados por sinais específicos, de acordo com os princípios da cartografia. Os mapas modernos são directos, sintéticos e precisos. Através deles, pode-se ter uma imagem geral sobre uma configuração geográfica e obter-se dados matemáticos. A origem do mapa remonta a 4500 anos. Os desenhos traçados em diferentes materiais sobre fenómenos ambientais são registos de primordial importância para a humanidade. Os materiais utilizados na concepção dos mapas são a cerâmica, o papel, o bronze, as cascas de côco, a pedra, a pele dos animais, etc. O mapa mais antigo do mundo foi elaborado num pedaço de cerâmica produzido pelos babilónios entre os Séculos XXV e XXIII A.C. Diz-se que foram inscritos desenhos de montanhas e água, árvores e plantas, aves e animais na superfície dos nove trípodes fundidos durante a Dinastia Xia (entre os Séculos XXI e XVI A.C.). Embora este facto não esteja provado, estamos convictos de que durante a Dinastia Xia ou ainda mais cedo, já tinham surgido na China alguns mapas toscos. Segundo o “Shang Shu Luo Hao”, no início da Dinastia Zhou (Século XI A.C.), durante o acto de apresentação do projecto da cidade de Lo Yang, Zhou Gong ofereceu ao imperador alguns mapas e relatou-lhe também as conclusões do adivinho. Para reforçar esta convicção, também há descrições no “Zhou Guan (Hierarquia de Zhou)”, uma compilação da Era dos Estados Combatentes (Zhan Guo), segundo as quais os Da Si Tu e Zhi Fang Si (títulos) são os responsáveis pela cartografia. O mais antigo mapa descoberto na China chama-se “Zhao Yu Tu”, da Era dos Estados Combatentes (Zhan Guo) e corresponde a uma planta de
arquitectura dos túmulos do Zhong Shan Wang Yu, (Rei de Zhong Shan), e da rainha, sua esposa, produzido em Zhong Shan Wang Yu no Ano 5 -13 (Ano 323 a 315 A.C.). Paralelamente, no outro lado do mundo, Eratóstenes de Cyrene (276194 A.C.), geógrafo e astrólogo da antiga Grécia, também chamado o pai da Geografia, descobriu o princípio da Matemática e da Física. Com base na teoria de Aristóteles (384-322 A.C.), ele demonstrou que o globo terrestre era mais oval que redondo. Ele também calculou o perímetro terrestre e encontrou 39600 Km, com um erro de apenas 200 km. Este dado constitui o elemento essencial para desenhar minuciosamente o mapa-múndi. O mapa-múndi que se encontra na “Geografia, Volume III”, uma obra do talentoso Eratóstenes, foi o primeiro que se elaborou com relativa precisão, e foi desenhado com a projecção dos cilindros ( altitude e latitude ). Depois de fazer uma análise comparativa sobre o subir e o descer das marés, Eratóstenes julgou que os Oceanos Atlântico e Índico estavam ligados, o que significava que os navegadores podiam contornar a África e chegar ao Oriente por via marítima. Nos finais do Século XV, Vasco da Gama (1469-1524), navegador português, tendo acreditado nesta linha de raciocínio, completou, com sucesso, a ligação marítima entre Portugal e a Índia dando início à Época dos Grandes Descobrimentos. Em 1973, foram desenterrados do Túmulo n.º 3 da Dynastia Han, em Chang Sha, Hunan, três mapas em seda, nomeadamente, a “Configuração da Terra”, o “Mapa de Guarnição” e o “Mapa de Quinta”. Estes objectos provaram que as técnicas de cartografia durante a Dinastia Han já tinham atingido um nível bastante elevado. Pei Xiu, Cartógrafo de Xi Jin (224271), fazendo um resumo das experiências dos antigos cartógrafos, apresentou os chamados seis princípios da cartografia, nomeadamente, a Escala, a Direcção, o Caminho, o “Gao Xia”, o “Fang Xie” e o “Yu Zhi”. Os últimos três são princípios da distância segundo
Kunyu Quantu, Ferdinand Verbiest, 1674
Sancai Tuhui, mapa mundo
uma linha recta. Mesmo hoje, a escala, a direcção e a distância ainda constituem três elementos fundamentais da Cartografia moderna. Os artigos desenterrados do túmulo Ma Wang Dui provaram que (ou ainda mais cedo), a China já dominava e fazia uso de avançadas técnicas de medição. Com os “seis princípios”, foi afirmado, pela primeira vez, a importância da escala e da direcção. Os mapas antigos descobertos nas Dinastias Ming e Qing possuiam uma grande componente artística. Eram mais artísticos que objectivos. Segundo Pei Xiu, na cartografia devia-se aplicar o método de “Ji Li Hua Fang” (ou seja, o de traçar quadradinhos no plano) para atingir a precisão física. A falta de crença no Globo Terrestre e que
a Terra era redonda foi motivo impeditivo do desenvolvimento científico, na área da cartografia, na China, pois que se julgava que o mundo era completamente plano. Na Dinastia Ming, a quantidade e o tipo de mapas multiplicaram-se e embora tivessem chegado à China as teorias cartográficas mais científicas do Ocidente no ano 1573-1619 (Ano Wan Li), os pensamentos tradicionais dos chineses na altura eram demasiado radicais para as aceitar. Há livros da Dinastia Qin, com capítulos sobre mapas, onde se conclui que a criação e o desenvolvimento da cartografia surgiram por necessidade militar e política. No “Guan Zi – Mapa”, a primeira obra específica sobre a cartografia, o autor achou que “ to-
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É BASTANTE INTERESSANTE QUE O CARACTER CHINÊS “TU” (DESENHO OU MAPA), SE FOR UM VERBO, TAMBÉM SIGNIFICA “DESEJAR” mundo). Através desta história também se explica a ligação permanente entre mapa e os políticos ambiciosos. A Revolução Industrial do Século XVII fomentou a economia na Europa. Desde logo, o mapa se tornou cada vez mais importante, porque se tornou num guia para a concretização de projectos, quer comerciais, quer militares, nomea-
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Da ming hun yi tu, mapa chinês da dinastia Ming
dos os comandantes devem consultar os mapas antes de concretizarem um projecto militar”, a fim de conhecer a topografia, nomeadamente, a localização, a configuração e a superfície de montanhas, vales, rios, montes, colinas, florestas, bosques, estepes, caminhos, cidades, etc.. Nesse livro, o autor definiu as características e realçou a importância dos mapas nas acções militares. Na Dinastia Zhou, apareceu a palavra “Ban Tu (território)” que correspondia a um registo habitacional e a um mapa (citado do “Zhou Li. Tian Guan”). Segundo Han Fei (280-233 A.C.), o mapa faz parte do território. Ele referiu que se alguém oferecer um mapa nacional a um terceiro, isso poderia significar que lhe ia oferecer o terre-
no. A história da tentativa de assassínio (frustrada) levada a cabo por Jin Ke, no ano 227 A.C., teve como pretexto a oferta do mapa de Du Kang (lugares da província He Bei) do Estado Yan ao Imperador da dinastia Qin. Assim se explica a importância do mapa na área política e militar. Nas dinastias seguintes, o governo central pediu mapas de todas as províncias, a fim de reforçar a governação central e desenhar um mapa único de todo o país. É bastante interessante que o caracter chinês “Tu” (desenho ou mapa), se for um verbo, também significa “desejar”. No “Zhang Guo Ce. Qing Ce Si” (História da Era dos Estados Combatentes, Capítulo do Qin), está escrito que depois de se conquistar os estados de Han e Wei, segue-se o “Tu” (o desejo de ocupar todo o
damente, no domínio da navegação e comercialização, no da expansão do poder e no da exploração de recursos. Também pelo mesmo motivo, apareceram, a partir desse século, vários mapas da China desenhados por estrangeiros. Este facto fez acelerar o processo de intercâmbio cultural entre o Oriente e o Ocidente e fez mudar o entendimento dos chineses sobre o mundo. Se não conseguirmos acompanhar de perto o desenvolvimento da nova época, iremos pagar, sem dúvida nenhuma, um preço elevado e doloroso pelo atraso acumulado. Na verdade, vemos mais quando subimos mais alto. O mundo está, de facto, ao nosso alcance. Mapas de épocas diferentes contaram-nos a história e as mudanças do conhecimento humano sobre o mundo. Visitar a exposição dos mapas, é como que efectuar uma viagem no espaço e no tempo. O mapa não só desempenha o papel de guia numa viagem, mas também nos indica a direcção do futuro, cheio de desafios, que se quer brilhante.
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DESPORTO
MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo
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pontapé de saída na 3.ª edição dos Jogos da Lusofonia só no próximo sábado será dado, mas não foi sequer necessário aguardar pelo arranque oficial da competição para que se concretizassem as primeiras certezas. Mesmo sem terem ainda colocado pé em território indiano, Macau e Moçambique juntam-se à anfitriã Índia na lista dos países e territórios com presença assegurada no pódio. A Região Administrativa Especial de Macau leva a Goa a terceira maior comitiva oficial – atrás da Índia e de Angola – e tem já garantida a conquista de pelo menos duas medalhas. Na pior das hipóteses, os representantes do território no voleibol têm certa a subida ao patamar mais baixo do pódio e o regresso a Macau com a medalha de bronze. Negligenciada nas duas primeiras edições dos Jogos pela esmagadora maioria dos países e territórios que deram corpo à competição, a modalidade voltou a não recolher o favor da maior parte dos Comités Olímpicos que se vão fazer representar em Goa. A exemplo do que sucedeu no território, na primeira edição do certame, o torneio lusófono de voleibol – quer na variante PUB
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JOGOS DA LUSOFONIA PARTICIPAÇÃO MOÇAMBICANA SALVA COMPETIÇÃO
Voleibol garante medalhas masculina, quer na variante feminina – volta a ser disputado por apenas três selecções. Macau, a Índia e Moçambique dão corpo a uma competição que chegou a estar em risco de ser pura e simplesmente anulada, revelou Keshav Chandra ao diário “The Times of India”. O director executivo dos Jogos da Lusofonia anunciou no final da semana passada que a obtenção de um acordo verbal com Moçambique poupou o Comité Organizador da competição ao embaraço de ter de anular o torneio masculino da modalidade ou de reduzir a prova a um único encontro, a disputar entre a anfitriã Índia e Macau. Chandra relembra que, das modalidades em cartaz no âmbito dos Jogos da Lusofonia, o voleibol foi sempre a que menos aliciante se revelou para as nações participantes. O director executivo da prova defende que a ACOLOP deve desenvolver um trabalho de promoção mais arreigado com o objectivo de fazer dos Jogos um certame atractivo para todas as modalidades: “Moçambique
garantiu-nos informalmente que vão enviar a selecção masculina. Teremos seguramente três equipas a competir”, esclarece Keshav Chandra. “O voleibol foi sempre uma disciplina muito complicada no que toca ao capítulo da participação. As duas primeiras edições foram disputadas por três e quatro equipas, mas a ACOLOP quer dar a volta à situação e espera poder promover a modalidade entre os países membros”, remata o responsável. Inicialmente, a organização dos Jogos da Lusofonia esperava
poder contar com um total de cinco equipas, mas o adiamento da competição levou as selecções de Portugal, da Guiné-Bissau e do Sri Lanka a abrir mão da participação na prova. Macau e a Índia são os únicos indefectíveis da modalidade, tendo inscrito as respectivas selecções de voleibol nas duas edições dos Jogos da Lusofonia já disputadas. Com a medalha de bronze já garantida, os representantes do território não se querem cingir ao mais baixo degrau do pódio e garantem que rumam a Goa com o objectivo de garantir resultados mais substanciais. Os atletas do território querem pelo menos igualar os resultados obtidos em Macau e em Lisboa, quando garantiram a medalha de prata tanto na competição masculina, quanto na competição feminina. O voleibol é a modalidade melhor representada no seio da missão que vai representar a RAEM na 3.ª edição dos Jogos da Lusofonia. Dos 114 atletas que Macau envia a Goa, 24 vão disputar o torneio de voleibol da competição.
Liga de Elite Campeão no baptismo de fogo do Sporting
O Clube Desportivo Monte Carlo vai apadrinhar a estreia do Sporting Clube de Macau no mais cotado campeonato de futebol da Região Administrativa Especial. Os leões do território, que venceram na última temporada o Campeonato de Futebol da II Divisão e asseguraram a subida ao convívio dos grandes do desporto-rei de Macau, vão estrear-se na Liga de Elite frente aos actuais titulares da competição, num desafio que se afigura exigente para o grupo de trabalho orientado por João Maria Pegado. Realizado nas instalações da Associação de Futebol de Macau ao fim-da-tarde de sexta-feira, o sorteio do calendário da edição de 2014 da Liga de Elite também colocou no caminho da Casa do Sport Lisboa e Benfica de Macau um adversário exigente. As águias do território vão esgrimir argumentos com o Grupo Desportivo da Polícia de Segurança Pública, uma formação conhecida sobreduto pelo futebol defensivo que pratica. A primeira ronda do principal campeonato de futebol do território está agendada para 8 de Fevereiro, duas semanas depois do pontapé de saída no Campeonato de Futebol da II Divisão, prova com início previsto para a próxima sexta-feira. Com um plantel renovado, a formação da Casa de Portugal em Macau estreia-se na competição ao início da tarde de sábado frente ao Pau Peng/Artilheiros.
FUTILIDADES
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TEMPO
MUITO
NUBLADO
Cineteatro
CINEMA
MIN
12
MAX
17
HUM
55-90%
•
EURO
10.8
BAHT
0.2
YUAN
17
1.3
HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho
Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com
SECRET LIFE OF WALTER MITTY [B]
Um filme de: Ben Stiller Com: Ben Stiller, Sean Penn, Kristen Wiig 19.30
Dente-de-leão
SALA 2
AS THE LIGHT GOES OUT [B] SALA 1
THE LEGEND OF HERCULES [C] Um filme de: Renny Harlin Com: Kellan Lutz, Gaia Weiss 14.15, 16.00, 21.30
THE LEGEND OF HERCULES [3D] [C] Um filme de: Renny Harlin Com: Kellan Lutz, Gaia Weiss 17.45
(FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Derek Kwok Com: Nicholas Tse, Shawn Yue, Simon Yam, Hu Jun, Bai Bing 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
Nome botânico: Taraxacum officinale Weber Família: Asteraceae (Compositae) Nomes populares: Amor-dos-homens; Coroa-de-monge; Taráxaco.
SALA 3
GIRL IN THE SUNNY PLACE [B] (FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Miyazaki Hayao 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
Originário da Europa e muito disseminado por todo o hemisfério Norte, o Dente-de-leão, na cidade ou no campo, cresce um pouco por toda a parte e durante quase todo o ano. Apresenta folhas profundamente dentadas formando uma roseta basal, de onde saem os pedúnculos ocos e eretos com cerca de 30 cm de altura ou mais, que terminam num único capítulo floral de um intenso amarelo dourado. Com a maturação da planta, a flor dá origem a uma bolinha branca e peluda, constituída por inúmeras sementes em forma de para-quedas, o que facilita a sua dispersão pelo vento. Esta é aliás uma imagem que o torna sobejamente conhecido. Em fitoterapia são usadas as folhas e/ ou raízes. É referido desde o século XVI pelas suas propriedades diuréticas e depurativas. Desde então, tem sido uma planta medicinal tão popular quanto prestigiada, de tal forma que qualquer terapia realizada com o Taráxaco ou Dente-de-leão passou a ser designada por taraxoterapia.
Tutankhamon foi mumificado com pénis erecto por questões religiosas • A descoberta do túmulo de Tutankhamon, há quase um século atrás, respondeu a algumas questões sobre o funeral do jovem e famoso rei do Egipto, que terá morrido aos 19 anos, em 1323 AC. Outras questões, entretanto, ainda são debatidas por especialistas. Uma delas é porque o faraó foi mumificado com o pénis erecto, num ângulo de 90 graus. A múmia de Tutankhamon foi a única até agora descoberta a ter o membro mantido dessa forma. Estudiosos da Universidade do Cairo acreditam ter chegado à resposta que põe fim ao mistério fálico: o motivo fora religioso. Tutankhamon morreu após ter partido uma perna – alguns especialistas acreditam que foi atropelado por uma carruagem – e contrair uma grave infecção. Amostras de DNA revelaram, ainda, sinais de malária.
Pais atraentes normalmente têm filhas e não filhos • A Katie Holmes e o Tom Cruise têm a Suri, a Angelina Jolie e o Brad Pitt a Shiloh e aí por diante. Um novo estudo mostra que pessoas atraentes, quando têm um bebé, normalmente produzem mais meninas que meninos. A pesquisa foi feita pelo psicólogo Satoshi Kanazawa, que escreveu um livro chamado “Por que pessoas bonitas têm mais filhas?”. O estudo foi longo – 17 mil bebés nascidos na década de 50 foram acompanhados. Os seus professores deviam dar uma nota para a atractividade das crianças quando elas tinham 7 anos. 45 anos depois, elas foram entrevistadas e as que foram consideradas mais atraentes normalmente tinham mais filhas em vez de filhos. A hipótese de Kanazawa é que, como a beleza acaba por beneficiar mais as mulheres do que homens em termos reprodutivos (homens procuram uma parceira bonita enquanto as mulheres procurariam mais um parceiro confiável e estável), seria lógico que pais bonitos produzissem mais filhas, pois seriam elas que beneficiariam dessa genética.
IRINA SHAYK, UMA COELHINHA SENSUAL NA PRAIA Irina Shayk, namorada de Cristiano Ronaldo, está melhor do que nunca. A modelo russa posou para o catálogo da Beach Bunny, uma marca norte-americana de biquínis. Irina Shayk, de 28 anos, participou numa produção sensual e mostrou alguns dos últimos modelos de biquínis da marca da Califórnia, alguns deles da autoria da própria russa. A namorada de Cristiano Ronaldo dá a cara (e o corpo) a uma marca fundada em 2004, lançada pela modelo Angela Chittenden. A namorada de Cristiano Ronaldo começa 2014 em grande forma, num ano que será muito importante para a modelo russa. Irina Shayk participou no filme Hércules, onde contracenou com Dwayne Johnson, mais conhecido por The Rock no mundo do wrestling.
fonte da inveja
Uma serenata não é um derivado do leite.
João Corvo
COMPOSIÇÃO Constituintes amargos (taraxacina), triterpenos (taraxasterol), fitosteróis, flavonoides, ácido cafeico, inulina, mucilagens, cumarinas, tanino, óleo essencial, clorofila, alcaloides, açúcares, aminoácidos, colina, vitaminas e sais minerais. AÇÃO TERAPÊUTICA O Dente-de-leão é considerado um tónico amargo: por um lado, em virtude do seu sabor, estimula a secreção de todas as glândulas digestivas (saliva, sucos gástrico, intestinal e pancreático, e bílis), melhorando o apetite e a digestão química dos alimentos; por outro, tonifica a musculatura do estômago e restante tudo digestivo, aumentando o peristaltismo e favorecendo a digestão mecânica dos alimentos. Estas excelentes propriedades tornam-no muito indicado na astenia e perda de apetite, bem como nas digestões lentas ou difíceis, com sensação de enfartamento e flatulência. Esta planta é ainda uma das mais ativas sobre a função biliar, aumen-
tando a produção de bílis no fígado e facilitando a sua secreção da vesícula para o duodeno; o aumento da produção de bílis, que pode chegar a triplicar, permite drenar e descongestionar este órgão, melhorando a sua capacidade de desintoxicação do organismo. Além desta ação tónica, o Dente-de-leão protege o fígado dos danos causados pelas toxinas. Perturbações do funcionamento da vesícula, como vesícula preguiçosa, e prevenção de litíase biliar, icterícia, hepatite, cirrose e insuficiência hepática são outras das suas várias indicações. Na diabetes, colesterol elevado, síndrome metabólica e arteriosclerose é usado por reduzir os níveis sanguíneos de glicose e colesterol. OUTRAS PROPRIEDADES Diurético, o Dente-de-leão, favorece a eliminação de ácido úrico e outras substâncias ácidas provenientes do metabolismo, exercendo um efeito depurativo e alcalinizante do sangue. É útil na retenção de líquidos, edemas, litíase renal e vesical, infeções urinárias, alterações da micção de origem prostática, regimes de emagrecimento, ureia, ácido úrico, gota e reumatismo, sendo também anti-inflamatório. Pela sua profunda ação depurativa e desintoxicante (sobre os rins, fígado e intestinos) é muito utilizado nas doenças de pele (eczema, erupções, furúnculos e celulite) e nas famosas Curas de Primavera. COMO TOMAR USO INTERNO • Infusão das folhas e raízes: 1 colher de chá por chávena de água. Tomar 3 chávenas por dia, antes das refeições. • Na forma de ampolas, tintura, xarope, cápsulas e comprimidos, participando de numerosas fórmulas. • As folhas frescas, de sabor ligeiramente amargo, podem ser adicionadas a saladas de vegetais de acentuado efeito depurativo. • As flores são comestíveis e podem ornamentar saladas ou pratos. PRECAUÇÕES O Dente-de-leão está contraindicado na obstrução das vias biliares, oclusão intestinal e úlcera péptica ativa. Em caso de cálculos biliares usar só sob vigilância de um profissional. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.
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OPINIÃO
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MAR CO CARVALHO
expediente cínico
D
AS forças e pulsões que nos consomem, a inquietude é a que melhor nos serve. É uma força mobilizadora, a resposta natural do espírito ao que se desconhece ou ao que se não pode controlar. A morte, a antecipação da ausência, o envelhecimento, o desconcerto do mundo, a erosão do conhecimento e dos sistemas de crença são factores universais de inquietação. Os residentes de Macau andam inquietos, a julgar pelos resultados de um par de inquéritos, um conduzido pela Universidade de Hong Kong, o outro pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, instituições circunspectas e até evidência em contrário entidades acima de qualquer suspeita. A requentada problemática dos preços da habitação, reporta a instituição de ensino superior do território, fere de morte a crença que o futuro da RAEM nos reserva a todos dias mais confortáveis. Os índices de confiança dos consumidores de Macau andam pelas ruas da amargura e o exercício improvável de se sonhar com casa própria sem naufragar num mar de inquietações é um atentado à tranquilidade de uma boa parte da população. Num recanto do mundo onde o desafogo financeiro persiste e a aritmética das contas se produz com parcelas quilométricas, a erosão da tranquilidade é a mais desconcertante evidência de que o governo não cumpre o seu papel. Desconcertante, ainda que por outros motivos, o inquérito conduzido pelos investigadores do Programa de Opinião Pública da Universidade de Hong Kong confirma também que os índices de confiança da população de Macau entraram em declínio e atesta o inatestável. Ao que parece, os residentes do território andam desiludidos – pasme-se – com os princípios de democracia e a vivência democrática. A história da governação, como meio de orientação e de elevação das sociedades, foi ao longo de milénios um relato de desequilíbrio e barbárie, de conflito e de relações brutais de poder em que o indivíduo e o pressuposto do individual não têm lugar. Em milénios de canalhocracia, contam-se apenas duas experiências significativas do que se pode definir como democracia. A primeira teve a Atenas clássica como palco e perdurou por pouco mais de um século e meio; a segunda está em rápida erosão e tem o que se convencionalizou chamar de Ocidente como principal protagonista. Se resumirmos a ideia de democracia ao paradigma simplista de um cidadão, um voto, a vivência democrática nos Estados Unidos da América – o paladino bélico-moral do sistema – tem pouco mais de
HANS MEMLING, INFERNO
Da democracia e de outros demónios
Permitir que o povo eleja quem o governa não é necessariamente o mesmo que governar com e para o povo, como a União de todas as austeridades Europeias tão mal tem demonstrado ao longo dos últimos anos, prestando um péssimo serviço e uma pior homenagem aos ideais democráticos
nove décadas em teoria e quase meio século na prática, dado que só em 1965 foi aprovado o Voting Rights Act e sancionado o direito ao voto da população negra. Pelo mesmo termo de comparação, a experiência democrática em Portugal é uma realidade ainda mais incipiente, forjada que foi no dealbar da madrugada inteira e limpa que pautou o mais essencial virar de página na história de um país que sempre conviveu mal com o preceito das liberdades civis. Um tal virar de página não teria hoje a si inerente, porventura, um tão arreigado capital de esperança. A maturação doutrinária dos princípios e ideais democráticos teve no pós- Segunda Guerra o seu período áureo, não apenas como resposta óbvia aos horrores perpetrados, mas também como alternativa ao sincretismo utilitarista dos ideais comunistas. Durante quase meio século, mais do que um inimigo confesso, o Ocidente teve na União Soviética um referente ideológico que importava desdizer e contrariar. O que a história recorda como “guerra fria” e os manuais escolares definem como um diálogo de surdos garantiu aos trabalhadores da circunspecta Inglaterra ou da libertária França benesses hoje fragilmente adquiridas como o subsídio de férias, o décimo terceiro mês ou a semana de trabalho de 40 horas. Erroneamente aplaudida como sendo uma grassa vitória dos princípios democráticos, a perestroika e a queda da União Soviética privou as democracias do Ocidente da incómoda sombra que lhes insuflava integridade e plenitude. Sem um antagonista moral forte, o estado democrático tergiversou, sucumbiu a interesses e grupos de pressão e colocou em cheque a própria ideia de democracia, ao reduzir os ideais democráticos à sua acepção mais folclórica e à premissa de que no direito ao voto se condensa a mais essencial das liberdades. Permitir que o povo eleja quem o governa não é necessariamente o mesmo que governar com e para o povo, como a União de todas as austeridades Europeias tão mal tem demonstrado ao longo dos últimos anos, prestando um péssimo serviço e uma pior homenagem aos ideais democráticos. Ignaro me confesso. Desconheço o alcance da definição de democracia sob a qual se alicerça o inquérito conduzido pelo Programa de Opinião Pública da Universidade de Hong Kong, mas uma instituição acima de suspeita, com uma reputação e um nome a defender, tem a responsabilidade de saber e fazer melhor. Perguntar a um residente de Macau se os “ideias democráticos” que por cá se comungam o satisfazem é o mesmo que perguntar a um refugiado do Sudão do Sul ao que sabe o caviar. Inquietos, nem um nem outro saberão responder. Um nunca provou democracia. O outro nunca saboreou caviar.
opinião 19
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DAVID CHAN* legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog
macau visto de hong kong
N
A semana passada falámos do jogo em Macau, nomeadamente sobre a proibição dos funcionários públicos entrarem nos casinos para jogar. Alguns leitores pediram-me para falar da situação de Hong Kong. Como sabemos em Hong Kong não há casinos. Em vez disso existe o “Hong Kong Jockey Club”. O Hong Kong Jockey Club foi criado em 1884. É a única instituição daquele território autorizada a organizar actividades ligadas ao jogo. Essas actividades são as corridas de cavalos, que tiveram início em 1841, o “Mark Six Lottery” desde 1975 e as apostas no futebol desde 2003. Em Hong Kong existem três restrições para os funcionários públicos. Já foram todas abordadas nesta coluna de jornal. A primeira é sobre os juízes. No dia 12 de Setembro de 2013 dissemos que os juízes podiam jogar desde que a quantia em jogo fosse razoável para que não se desse azo a suspeitas de que haveria algo de ilegal ou imoral por detrás dessa actividade. Esta restrição continua em vigor. A segunda restrição tem ver com as viagens dos polícias para Macau. Falámos deste assunto no dia 6 de Janeiro deste ano. Na sequência da promulgação da Bill of Rights Ordinance de 1991, esta restrição foi abolida. Actualmente os polícias não necessitam de autorização superior para se deslocarem até ao território da RAEM. A terceira restrição é aquilo a que chamamos de “teste de carácter” no sistema dos funcionários públicos de Hong Kong. Para um funcionário público de Hong Kong ser promovido tem de passar num “teste de carácter” conduzido pelo “Hong Kong Civil Servant Bureau”. O objectivo principal deste teste é assegurar que o funcionário tem carácter para ser promovido. Se não passar no teste não é promovido. É muito difícil sabermos o conteúdo deste teste, mas duma maneira geral tem a ver com as companhias e os amigos da pessoa em questão. Se o funcionário tiver amigos considerados pelo Governo como “ problemáticos e inconvenientes” a sua promoção fica afectada, como é óbvio. A sua situação financeira é também um ponto fundamental. Se o funcionário tiver dívidas, sejam elas de jogo ou não, a sua promoção fica posta em questão. Posto isto, temos de ter em conta ainda uma outra questão interessante: o que é o jogo? Em Macau, quando falamos em jogo pensamos imediatamente em casinos. Os Casinos têm à disposição os mais variados tipos de jogos, como bacará, “Vinte e um”, etc.
CARAVAGGIO, JOGADORES DE CARTAS
Jogo na Internet
Conseguem imaginar que estes jogos se podem jogar na Internet ou pelo telefone? No dia 3 de Janeiro do corrente ano o site da Rádio Macau informou que existem vários jogos de Internet que podem ser jogados pelo telefone. Estes jogos podem ser considerados de jogos de sorte e azar. Os jogadores têm de gastar dinheiro para ganhar pontos. Este tipo de jogos fazem com que os jogadores continuem a gastar dinheiro sem parar, com as quantias envolvidas a subirem continuamente. Uma notícia semelhante foi dada pelo Oriental Daily, no dia 20 de Janeiro de 2010. No site oficial deu informações detalhadas sobre a natureza destes jogos. Alguns deles pedem menos de 100 dólares de Hong Kong para que os jogadores se juntem ao clube. Assim que se tornam membros, os jogadores têm uma segunda despesa; i.e. pagar fichas. No fim do mês, a conta telefónica cobrada pela respectiva companhia inclui os vários “100 dólares de Hong Kong”. Imaginam quanto é que se pode gastar neste tipo de jogos. Uma mulher, Leung, disse que o seu namorado jogava cerca de 16 horas por dia e que chegou a pagar cerca de 40 mil dólares de Hong Kong.
As empresas de jogos da Internet alegam que os jogadores vencedores têm de responder a algumas perguntas para receberem os prémios. Como é óbvio, se as perguntas fossem muito fáceis era quase como se não houvesse pergunta. É, sem dúvida, um “jogo” A notícia dizia que o mínimo de fichas que se podia comprar era de cerca de mil. As regras do jogo eram iguais às do casino. A única diferença talvez fosse os prémios. Quando um jogador ganha no casino, recebe dinheiro. Na Internet, pode receber vouchers que podem ser trocados por presentes. O primeiro prémio era uma viagem de ferry para Macau com estadia num hotel de cinco estrelas.
Os jogadores recebiam os presentes na Mass Transit Railway, que de seguida tirava fotografias e as colocava na Internet para que todos pudessem ver que a empresa entregava os prémios. Segundo a secção 2 da Gambling Ordinance Cap. 148, Laws de Hong Kong, o termo “jogo”, quer dizer “ jogar qualquer jogo que ofereça prémios em dinheiro ou outros bens quer a pessoa, ou não, esteja em risco de perder dinheiro ou outros bens”. Os prémios deste jogos de Internet são vouchers que podem ser trocados por presentes, o que vai de encontro ao significado de “outros bens”, da secção 2. As empresas de jogos da Internet alegam que os jogadores vencedores têm de responder a algumas perguntas para receberem os prémios. Como é óbvio, se as perguntas fossem muito fáceis era quase como se não houvesse pergunta. É, sem dúvida, um “jogo”. Não será bom que Macau defina o que é “jogo” para evitar que esta situação aconteça aqui? E para evitar que os funcionários públicos joguem na Internet. *Professor Associado no Instituto Politécnico de Macau
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
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Morreu o antigo primeiro-ministro israelita, Ariel Sharon, este sábado, aos 85 anos, avança a BBC. O ex-chefe do governo estava em coma há oito anos, desde 2006, na sequência de um AVC. A notícia da morte do exlíder israelita foi avançada pela rádio militar israelita, citando fonte militar, tendo entretanto sido confirmada pelo director do Hospital Tel Hashomer, nos arredores de Tel Aviv, onde se encontrava internado. Ariel Sharon, um general reformado, muito acarinhado pelo povo israelita, morreu devido a insuficiência cardíaca, adiantou o responsável hospitalar. «O antigo primeiro-ministro morreu aos 85 anos», lê-se também no Twitter de um porta-voz do primeiroministro Benjamin Netanyahu, Ofir Gendelman. O estado de Ariel Sharon tinha-se deteriorado na última semana, com os órgãos vitais do exlíder israelita a começarem a falhar. O ex-primeiro-ministro deverá ter honras de um funeral militar, esperandose que vários líderes mundiais se desloquem a Israel para prestar uma última homenagem a Ariel Sharon, segundo a SIC Notícias.
Descoberta espécie de tartaruga com 145 milhões de anos
Dois paleontólogos espanhóis estudam uma nova espécie de tartaruga, com 145 milhões de anos, encontrada em Portugal. O fóssil do animal de água doce foi encontrado nas arribas de uma praia do Porto Barril, em Mafra, por um cidadão de Torres Vedras, em 2011. Essa descoberta foi recentemente validada pela comunidade científica. Adán Pérez-García e Francisco Ortega são os responsáveis pelo estudo da carapaça de meio metro de uma tartaruga adulta, cuja idade é de 145 milhões de anos, pertencente ao período Jurássico Superior.
Iraque Explosão de carro armadilhado faz oito mortos e 12 feridos Pelo menos oito pessoas morreram e 12 ficaram feridas, este domingo, na sequência da explosão de um carro armadilhado, em Bagdade, capital do Iraque. Segundo fontes médicas e das forças de segurança, a explosão deu-se numa estação de autocarros e táxis, na qual homens que tinham apresentado candidaturas ao exército estavam a regressar a casa. Já na quinta-feira, um atentado contra recrutas do exército na capital fez 23 mortos. Os militares opositores ao governo iraquiano atacam frequentemente as forças armadas. Segundo contabiliza a AFP, mais de 400 pessoas morreram em confrontos e atentados desde o início de 2014. Trata-se da maior onda de violência desde 2008. Só no ano passado, segundo a ONU, morreram nove mil pessoas em atentados, a sua maioria civis.
Portugal Álvaro Santos Pereira defende segundo resgate
cartoon por Stephff
Israel Morreu Ariel Sharon
O ex-ministro da Economia e do Emprego Álvaro Santos Pereira defendeu, este domingo, que Portugal deveria recorrer a um segundo resgate em vez de a um programa cautelar, alegando que este sairia «mais barato». «Sendo a diferença fundamental a condicionalidade estrutural – basicamente um conjunto de medidas que já deveriam ter sido adoptadas há 15 anos e muitas delas não o foram nem sequer durante o programa – a minha opinião é de que até preferia um segundo resgate em vez do programa cautelar», considerou o economista, que falava no programa Conversas Cruzadas da Rádio Renascença. «Pelo menos saía-nos mais barato. Um segundo resgate implicava um financiamento de cerca de 150 pontos base abaixo do que está neste momento. São 3.120 milhões de euros por ano. É muito o que está aqui em causa.»
REOLIAN GOVERNO PODE CONTRATAR PRIVADOS PARA AJUDAR NO PROBLEMA
DSAT vai pagar a motoristas só até ao mês de Março JOANA FREITAS
joana.freitas@hojemacau.com.mo
O
Governo pode contratar entidades ou pessoal do sector privado para ajudar a resolver a confusão da Reolian. Isso mesmo foi publicado em Boletim Oficial, na semana passada, num despacho assinado pelo secretário para as Obras Públicas e Transportes. “Para a execução dos trabalhos relativos à prestação do serviço de transportes públicos anteriormente explorado pela [falida Reolian], a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego [DSAT]
pode contratar entidades ou pessoal do sector privado, com experiência profissional nas áreas dos serviços de transportes públicos ou das finanças, para prestação de apoio.” No mesmo despacho, o Governo volta a explicar que passa a assegurar a prestação de serviços de autocarros através da DSAT por três meses, a partir de 1 de Janeiro. É também o Governo que continua a sustentar os motoristas da empresa, mas, de acordo com o despacho, isto só está assegurado até Março. “Mantêm-se as relações de trabalho entre a sociedade falida e o pessoal
por esta contratado, sendo o pessoal gerido pela DSAT e as respectivas remunerações pagas pela mesma, em substituição da Sociedade Falida e da Massa Falida, dentro do período referido [de três meses].” Recorde-se que, tanto Lau Si Io como Wong Wan, director da DSAT, já tinham referido que a empresa que vier substituir a Reolian terá de empregar os motoristas. O despacho confirma ainda que a Reolian concedeu à RAEM o gozo de todos os bens, corpóreos ou incorpóreos, que compõem a empresa para os fins de prestação do serviço de transportes públicos por um período de três meses. Depois desse tempo, e por causa do contrato que foi prestado ter sido de prestação de serviços e não de concessão, os bens ainda não pertencem ao Governo. Recorde-se que o secretário Lau Si Io afirmou, na Assembleia Legislativa, que o Governo não “congelou” ou “expropriou” bens da empresa. Ng Kuok Cheong chegou a questionar se o Governo paga algo à Reolian para o uso dos bens, mas o secretário para os Transportes e Obras Públicas não foi claro. Wong Wan referiu apenas que não se podiam avançar pormenores sobre a gestão financeira que o Governo está a fazer da Reolian. “No caso da falência da Reolian está em causa uma série de despesas e indemnizações e também dívidas, assim como a questão da caução depositada. O Governo vai salvaguardar o interesse público e o erário público”, disse na altura. A Reolian entrou em falência em Dezembro e a caução, de 65 milhões de patacas, não deverá ser devolvida, de acordo com declarações da Lau Si Io.
Índia Juiz alega que sexo antes do casamento é imoral
Um magistrado indiano defendeu a imoralidade do sexo antes do casamento. Virender Bhat, juiz que preside a um tribunal na capital Nova Deli, é o responsável pela declaração que tem causado polémica na Índia, uma vez que socialmente o tema é tratado como sendo um tabu. Bhat falou do tema aquando da absolvição de um réu que estava acusado de violar uma mulher. Esta aceitou ter relações sexuais com o homem depois de este ter prometido que se casava com ela, o que não cumpriu. «Na minha opinião, toda a relação sexual entre dois adultos sobre a garantia da promessa de casamento não é violação, mesmo se mais tarde essa promessa não for cumprida», disse Virender Bhat, citado pela agência noticiosa Press Trust of India. «Quando uma mulher adulta, educada e que trabalha num escritório toma a decisão de ter uma relação sexual com um amigo ou colega na promessa de que este se casará com ela, fá-lo por sua própria conta e risco. Ela deve compreender as consequências do seu acto e deve saber que não há garantia de que o homem cumprirá sua promessa. Ele pode ou não cumpri-la. Ela tem que entender que se está a envolver num um ato que não só é imoral, mas também vai contra os princípios de todas as religiões. Nenhuma religião no mundo permite o sexo antes do casamento», revelou o juiz.