MOP$10
TERÇA-FEIRA 12 DE SETEMBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3895
AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
hojemacau
CAEAL
Queixas sem saída PÁGINA 5
Tira-nódoas
ANÁLISE
O jogo da tranquilidade
GRANDE PLANO
As últimas notícias sobre a Novo Progresso de Macau fazem parte de uma campanha para manchar a candidatura da lista. A acusação parte dos principais membros da Associação que negam quaisquer ligações ao movimento pró-independência de Hong Kong e reiteram fidelidade à RAEM e RPC.
COREIA DO NORTE
Sanções à Pequim PÁGINA 11
PÁGINA 4 SOFIA MARGARIDA MOTA
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NOVO MACAU DISTANCIA-SE DE INDEPENDENTISTAS DE HONG KONG
Primo Basílio h PAULO JOSÉ MIRANDA EXPOSIÇÕES
Macau soma e segue PÁGINA 6
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NICOLE WONG E BOBO LEONG
Teatro da vida ENTREVISTA
2 grande plano
12.9.2017 terça-feira
ANÁLISE
OS AMERICANOS Wynn
Adelson
A presença da Wynn e da Sands China na indústria do jogo trouxe para Macau dois gigantes norte-americanos: Sheldon Adelson e Steve Wynn. Os dois magnatas têm uma enorme influência na política norte-americana e um pouco por todo lado onde estabelecem negócios. Por cá, passam despercebidos e não se metem no sufrágio que vai eleger o próximo elenco da AL. O HM falou com alguns analistas que desvendaram este discreto fenómeno
A
INDÚSTRIA NORTE-AMERICANA DO JOGO COM POUCA INFLUÊNCIA NA POLÍTICA LOCAL
S eleições em Macau estão longe de estar inundadas com dinheiro de Super Pac, de anúncios televisivos milionários, grupos de lobbies a trabalhar com legisladores e outras emanações políticas norte-americanas. A curta duração da campanha eleitoral, em comparação com os quase três anos de angariação de dinheiro que os políticos norte-americanos têm de fazer para terem uma chance de eleição, mudam a forma como os grupos de interesse se podem aproximar dos centros de poder. Ainda assim, vista a composição da Assembleia Legislativa (AL), não falta representação de indústrias como a construção, imobiliário e, claro está, o jogo. No entanto, os dois magnatas que têm uma influência tremenda em tudo o que são corridas eleitorais americanas, não apenas à Casa Branca, parecem afastados da eleição do próximo domingo.
Um das razões para tal acontecer passa pela própria legislação eleitoral que exige uma posição de neutralidade às concessionárias de jogo no que toca à qualquer vestígio de influência nas eleições. Isso não impede que tenham assento parlamentar figuras ligadas ao sector, tal como Angela Leong. “Não podem apoiar nenhum candidato, nem podem financiar
“Não acredito que, mesmo de uma forma indirecta, apoiem candidaturas, não de uma forma tipicamente norte-americana, não compram candidatos ou influenciam as eleições.” LARRY SO ACADÉMICO
directamente ninguém em específico. Se olharmos para Angela Leong, ou Melinda Chan, que estão ligadas à indústria dos casinos, reparamos que são candidatas que estão separadas do sector durante as eleições”, comenta o académico Larry So. Entre as pessoas com mais preponderância na política norte-americana oriundas do Estado do Nevada, onde fica Las Vegas, Adelson e Wynn surgem como duas figuras incontornáveis. Na campanha que viria a conduzir Donald Trump para a Casa Branca, Sheldon Adelson fez doações de mais de 82,5 milhões de dólares para candidatos republicanos e 40 mil dólares para democratas. O magnata e CEO da Sands já havia doado mais de 150 milhões de dólares na campanha que resultou na reeleição de Barack Obama. Estas são as somas que se conhecem, que foram declaradas à Comissão Federal de Eleições.
Porém, existem formas de doar dinheiro anonimamente, através dos chamados Super Pac, que escapam a este controlo. Por cá, esta influência directa nos processos de eleição/nomeação não existe. Nem de forma sub-reptícia, de acordo com Larry So. “Não acredito que, mesmo de uma forma indirecta, apoiem candidaturas, não de uma forma tipicamente norte-americana, não compram candidatos ou influenciam as eleições”.
VIRAGEM HISTÓRICA
Nas últimas eleições norte-americanas, Steve Wynn declarou ter doado mais de um quarto de milhão de dólares que distribuiu por vários candidatos, maioritariamente republicanos. Mas que não se pense que os interesses de quem financia o Super Pac e grupos de lobby fica pela predilecção de candidatos. Sheldon Adelson doou
grande plano 3
terça-feira 12.9.2017
TRANQUILOS
cerca de 20 milhões de dólares para um Super Pac, próximo do líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, que resultou numa iniciativa legislativa que, efectivamente, iria banir o jogo online. Uma medida que o magnata do jogo há muito perseguia. As contribuições em dinheiro tornaram-se públicas no dia 20 de Setembro do ano passado; no dia 21 a legislação foi proposta ao Senado.
“As eleições são para eleger representantes das comunidades locais, as operadoras são meros operadores económicos como os outros.” ARNALDO GONÇALVES ANALISTA
Em Macau, este grau de interferência não se sente. Larry So entende que existe igualmente uma barreira cultural e de política internacional, ou seja, “as relações com norte-americanos podem levantar suspeitas”. O analista explica que os líderes do sector norte-americano do jogo em Macau podem ter alguém em mente, mas que esta proximidade não pode ser estrategicamente visível. A aproximação dos interesses norte-americanos ao poder local teria de implicar “uma abordagem mais diplomática”. O apoio directo a uma lista seria um óbvio erro para máquinas empresariais que estão habituadas a estar perto dos centros decisórios. “Eles preferem usar as suas práticas normais, sendo assim mais fácil tentar influenciar políticos que já estão no poder”, comenta Larry So. Numa outra perspectiva, Arnaldo Gonçalves entende que
as operadoras de jogo não têm qualquer relação com a ida às urnas. “As eleições são para eleger representantes das comunidades locais, as operadoras são meros operadores económicos como os outros”, comenta. O académico considera que um comportamento deste género seria “uma intromissão nas questões internas da RAEM”, uma interferência que não se regista noutros sectores da sociedade. Aliás, no contexto do sufrágio que se avizinha, Arnaldo Gonçalves entende que “estas eleições marcam uma viragem na história, têm uma natureza completamente diferente das anteriores, são mais abertas, ligadas a grupos funcionais e a interesses da própria comunidade, não tanto como no passado, mais ligadas a casinos e a associações mais tradicionais”. O académico considera que Macau está a atravessar um período em
que, “do ponto de vista político, há mais riqueza”.
POUCA UTILIDADE
Outra das questões que pode ser determinante para a não interferência dos grupos norte-americanos nas eleições que se avizinham
Benjamin Wang entende que seria mais útil a aproximação à liderança da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos, à Direcção dos Serviços de Finanças, aos representantes do Governo mais elevados, incluindo, o próprio Chefe do Executivo
é a proximidade da data de fim das actuais concessões. “Os empresários dos casinos não são estúpidos, estamos a alguns anos da revisão das licenças de jogo e esse comportamento seria um tiro no pé”, comenta Arnaldo Gonçalves. O académico acresce que tal estratégia representaria uma má aposta, uma perda de dinheiro e oportunidade. Na opinião de Arnaldo Gonçalves, a própria candidatura de Angela Leong, directora-executiva da Sociedade de Jogos de Macau, acontece do ponto de vista individual. O académico encara este tipo de candidaturas numa perspectiva da importância social de uma figura de relevo na sociedade que toma um papel de preponderância na esfera política. “Acho que vamos ver esta tendência no futuro. Por exemplo, nas eleições europeias, sobretudo as locais, temos pessoas importantes da comunidade a apresentar candidaturas independentes sem ligação a partidos”, comenta. Esta é uma tendência que Arnaldo Gonçalves encara que possa vir a ser cada vez mais frequente. As diferenças entre a política norte-americana, ou mesmo ocidental, e a de Macau são consideráveis no que à orgânica diz respeito. Como tal, a influência sobre o órgão legislativo pode não ser o alvo mais apetecível de interesses especiais. Aliás, já nas eleições de 2013 Adelson e Wynn se mantiveram afastados das eleições para a AL. Benjamin Wang, director do Centro Pedagógico e Científico da Área do Jogo, levanta a questão de que o verdadeiro poder não se encontra na AL. O académico é da opinião de que exercer influência no órgão legislativo não é uma estratégia eficaz. “Nestas eleições, apenas 14 deputados são eleitos directamente pelos cidadãos e, de qualquer forma, os legisladores não são a melhor via para fazer uma aproximação ao poder, porque não têm grande influência para a indústria”, teoriza o académico. Benjamim Wang não vê na AL o alvo mais apetecível para este tipo de sector. “Não acho que os legisladores sejam os melhores agentes para afectar o Governo, aliás, o sector tem muitos canais para passar a sua mensagem, tais como meios de comunicação social para moldarem a opinião pública”, explica. O investigador entende que para estabelecer um contacto mais directo seria mais útil uma aproximação à liderança da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos, à Direcção dos Serviços de Finanças, a representantes do Governo mais elevados, incluindo o próprio Chefe do Executivo. João Luz e Andreia Sofia Silva info@hojemacau.com.mo
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12.9.2017 terça-feira
A lista Associação do Novo Progresso de Macau, liderada por Sulu Sou e ligada à Novo Macau, diz-se afastada do movimento independentista de Hong Kong e nega notícias que associam declarações de um candidato aos episódios políticos do território vizinho
S
Acerto de contas
Em comunicado, a Associação Novo Macau (ANM), ligada à lista em causa, afirma que as declarações do candidato foram retiradas do seu contexto e que “se opõe ao movimento independentista”. “A ANPM, ligada à ANM, rege-se pela Lei Básica e pelo princípio ‘Um País, Dois Sistemas’”. “Os candidatos da lista ANPM assinaram uma declaração de fidelidade para com a RAEM e a República Popular da China junto da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa. As palavras que
ÃO candidatos por listas distintas, mas partilham o mesmo programa político. Au Kam San e Ng Kuok Cheong, companheiros de bancada de longa data na Assembleia Legislativa, prometem, porém, enfatizar questões diferentes se forem reeleitos nas eleições do próximo domingo. As listas Associação de Novo Movimento Democrático e Associação de Próspero Macau Democrático chamaram ontem a imprensa para apresentarem o programa político conjunto. Trata-se de um documento com cerca de 50 páginas que inclui diversas áreas, como habitação, trânsito, serviços de saúde, construção urbana e ambiente, e administração pública. Os candidatos têm 12 prioridades elencadas, a começar pelo desenvolvimento da democracia.
o candidato número quatro proferiu num debate académico foram descontextualizadas”, lê-se no comunicado. Os candidatos consideram que o surgimento destas notícias faz parte de uma “campanha para descredibi-
lizar” a lista. “Wong escreveu nas redes sociais sobre a questão hipotética de uma possível coexistência entre a defesa da independência e candidatura. O objectivo do levantamento desta questão foi lembrar o público sobre
“Os candidatos da lista ANPM assinaram uma declaração de fidelidade para com a RAEM e a República Popular da China junto da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa.” SULU SOU E PAUL CHAN WAI CHI EM COMUNICADO
a existência de possíveis lacunas na lei de segurança nacional e na lei eleitoral da Assembleia Legislativa”, esclarecem os candidatos. Sulu Sou e Paul Chan Wai Chi afirmam ainda que o número quatro da ANPM “foi o primeiro, este ano, a falar da discrepância entre as versões portuguesa e chinesa da lei eleitoral”
PROTESTOS EM CAMPANHA
Segundo o jornal Ponto Final, este caso levou a uma acção de boicote de uma actividade de campanha eleitoral levada a cabo pela ANPM. Quando
Um programa, várias prioridades Ng Kuok Cheong e Au Kam San com destaques diferentes
Terras de Macau destinada aos residentes de Macau, aumento da habitação pública, reconstrução dos bairros antigos, investimento na educação, segurança social de dois níveis, redução do número de trabalhadores não residentes (TNR), protecção dos direitos humanos, melhorias nos transportes públicos, desenvolvimento diversificado da economia, cuidados para os grupos sociais vulneráveis e participação nas comunidades são as outras apostas de Au e Ng. Au Kam San, cabeça-de-lista da Associação de Novo Movimento Democrático, salientou que, ao longo dos anos, tem tido “opiniões políticas semelhantes às de Ng
Kuok Cheong”. Se forem ambos reeleitos, explicou, vão continuar a cooperar, mas Au Kam San não está preocupado com a confusão que um programa político partilhado poderá suscitar junto dos eleitores. Os dois deputados têm “estilos e destaques diferentes no hemiciclo”. Au acredita que os residentes têm noção disso e serão capazes de tomar decisões.
OS ÚLTIMOS QUATRO ANOS
Quanto às suas apostas para um eventual novo mandato, Au Kam San diz querer trabalhar na alteração da lei de habitação económica, na reconstrução dos bairros antigos e na concretização de 28 mil fracções
HOJE MACAU
S
ULU Sou e Paul Chan Wai Chi, os dois principais candidatos da Associação do Novo Progresso de Macau (ANPM), realizaram ontem uma conferência de imprensa para negar o que consideram serem rumores e falsas interpretações publicados na imprensa chinesa. Em causa estão comentários feitos pelo número quatro da lista, Wong Kin Long, no ano passado, nas redes sociais relativos a Macau e ao movimento independentista de Hong Kong.
NOVO MACAU LISTA AFASTA-SE DO MOVIMENTO INDEPENDENTISTA DE HONG KONG
de habitação pública na zona A dos novos aterros. A polémica sobre as declarações de Au Kam San acerca da ajuda do Exército Popular de Libertação voltou à baila, depois de o candidato ter sido muito criticado por ter desvalorizado o apoio dado
os candidatos se encontravam a distribuir folhetos na zona da Rotunda de Carlos da Maia, uma dúzia de homens e mulheres começou a gritar frases como “Wong Kin Long, não envenene os jovens!”, “Perante a desgraça, a pátria apoia-nos” e “A independência de Hong Kong é desumana”. O mesmo jornal escreve que este grupo de pessoas afirmou ter lido notícias que afirmavam que o candidato seria a favor do movimento independentista de Hong Kong, que tem os activistas Joshua Wong e Nathan Law como os principais protagonistas. Ao HM,Andrew Cheung, outro dos candidatos da lista, afirmou que este episódio e a publicação destas notícias têm apenas como objectivo manchar a candidatura ligada ao campo pró-democrata. A conferência de imprensa de ontem serviu ainda para os candidatos se justificarem em relação a outros rumores que têm surgido na imprensa chinesa. Sobre o caso dos alegados subornos recebidos por Andrew Cheong, matéria que já está a ser investigada pelo Ministério Público, após queixa de Caruso Fong, os pró-democratas esperam que se faça justiça. “[Andrew] Cheong espera que o início do processo de investigação pelas autoridades revele a verdade junto do público. Cheong tem orgulho na sua participação honesta no seu trabalho e activismo”, remata o comunicado. Andreia Sofia Silva
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pelos militares na limpeza das ruas, num momento em que se corria o risco da ocorrência de epidemias, após a passagem do tufão Hato. Au Kam San admite estar preocupado com eventuais repercussões no resultado eleitoral. No entanto, reiterou que as suas declarações tinham apenas como objectivo criticar os trabalhos do Governo e não a intervenção do exército. Quanto a Ng Kuok Cheong, líder da Associação de Próspero Macau Democrático, salientou a importância do conceito “terras de Macau destinadas às gentes de Macau nas zonas dos novos aterros”. O pró-democrata confessou que, caso seja reeleito, os próximos quatro anos serão os últimos como deputado: se voltar a participar em eleições, não será como cabeça-de-lista. Vítor Ng
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política 5
terça-feira 12.9.2017
CAEAL QUEIXA DA LISTA DE PEREIRA COUTINHO NÃO VAI TER SEGUIMENTO
De mãos lavadas
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Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) não vai dar seguimento à queixa apresentada pela lista Nova Esperança, liderada por Pereira Coutinho, contra a candidata Song Pek Kei. A decisão foi dada a conhecer ontem pelo presidente do organismo, Tong Hio Fong. O responsável justifica a posição da entidade fiscalizadora alegando que a situação em que Pereira Coutinho foi atacado pessoalmente no debate transmitido pela TDM não é da sua responsabilidade, e que cabe à estação de televisão tratar do assunto. “O debate foi organizado pela TDM e não tem uma relação directa com a CAEAL”, disse. A única acção da CAEAL a este respeito foi, disse Tong Hio Fong, encaminhar a queixa que recebeu para a estação de televisão. No entanto, caso o deputado Pereira Coutinho se sinta difamado, Tong Hio Fong sugere que se dirija às autoridades. Já quanto à situação que envolveu a eliminação de uma entrevista do candidato José Pedruco Achiam da plataforma online do jornal Plataforma, o juiz entende que se trata de situações diferentes, sendo que “foi antes da campanha eleitoral”. A mesma postura parece estar prestes a ser adoptada no que respeita às queixas dirigidas a três escolas que terão pedido aos pais dos alunos o voto numa lista específica. Para o responsável, esta é uma situação normal. “A lei eleitoral não permite que certas instituições façam campanha e têm de ter uma posição neutra, mas a lei não prevê isso para escolas privadas.” Ainda assim, Tong Hio Fong apontou que as “escolas têm de promover eleições de forma imparcial”, acrescentando que não recebeu qualquer queixa por parte dos pais no caso em apreço. Não obstante as queixas e os ataques pessoais que têm marcado algumas das inter-
GCS
Depois de começar a campanha eleitoral com um discurso onde apelou à elevação política, Tong Hio Fong entendeu que não devia dar provisão à queixa da lista de Pereira Coutinho, depois do ataque pessoal feito por Song Pek Kei num debate
Tong Hio Fong, presidente da CAEAL “O debate foi organizado pela TDM e não tem uma relação directa com a CAEAL.”
venções de propaganda, o presidente da CAEAL mostra-se satisfeito. “Achamos que o tom é positivo, apesar de terem existido algumas irregularidades” que estão a ser tratadas pelas autoridades. É de recordar que aquando da reunião
dos membros da CAEAL com os, à altura, deputados à AL, a questão das calúnias e dos ataques pessoais foi das mais discutidas. Tong Hio Fong participou ontem num simulacro do acto eleitoral no Fórum de Macau.
ONDE FICA O EQUILÍBRIO?
P
ara a mandatária da lista Nova Esperança, Rita Santos, a decisão da CAEAL é uma surpresa. “Não há tratamento igual entre todos”, disse ao HM. A mandatária salienta que seria dispensável “fazer o espectáculo do primeiro dia, em que Tong Hio Fong disse esperar uma disputa entre cavalheiros”. A mandatária lamenta que, quando a CAEAL é chamada à responsabilidade, “passe a bola à TDM”. Rita Santos considera que a candidata da lista da Associação dos Cidadãos para o Desenvolvimento de Macau tem de responder pelo ataque pessoal que dirigiu a Pereira Coutinho. A TDM, nota, “é uma estação televisiva 100 por cento do Governo e a CAEAL tem de encarar a sua responsabilidade”.
Aquele espaço vai estar até sexta-feira aberto ao público para quem quiser ver como funciona uma assembleia de voto e o procedimento de votação. As eleições decorrem no próximo domingo das 9h às 21h, e os eleitores só têm de apresentar o BIR para poder votar. Todo o procedimento de votação é confidencial e, durante o momento do voto, “não se podem tirar selfies, usar telemóveis ou equipamentos de gravação que fotografem ou filmem o boletim de voto”. Quem o fizer está a cometer um crime, alertou. João Luz e Sofia Margarida Mota info@hojemacau.com.mo
Cerco apertado Lei do enquadramento orçamental revista em 2024
A
nova lei do enquadramento orçamental, aprovada recentemente na Assembleia Legislativa (AL), entra em vigor no próximo dia 1 de Janeiro, mas o Governo achou por bem começar já a divulgá-la. Segundo um comunicado oficial, o Executivo “procederá a uma revisão da nova lei cinco anos após a sua entrada em vigor”, o que significa que o hemiciclo irá receber uma nova proposta de lei no ano de 2024. O novo diploma prevê a entrada em vigor de medidas facilitadoras do trabalho de fiscalização por parte da AL. Na prática, os deputados terão de receber das mãos do Executivo um relatório intercalar da execução do orçamento até ao dia 10 de Agosto de cada ano, sendo que o relatório terá de ser reportado a 30 de Junho. Segundo o comunicado, desta forma a AL pode “proceder a uma fiscalização mais profunda e atempada das finanças públicas da RAEM”. A nova lei determina ainda que “o pessoal de direcção e chefia, bem como os demais trabalhadores [da Função Pública]
são passíveis da responsabilidade criminal, civil e disciplinar que ao caso couber, de acordo com a lei”.
MEDIDAS SÓ EM 2019
A aplicação da nova lei, cuja revisão foi exigida durante anos por vários deputados do hemiciclo, será feita por fases, uma vez que há novas disposições que só serão aplicáveis a partir de 1 de Janeiro de 2019. No essencial, a nova lei traz o regime do uso das dotações afectadas e obriga à elaboração de um relatório da execução orçamental, a cada três meses, do Plano de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração (PIDDA). O Governo lembra ainda que o novo diploma passa a abranger “todos os procedimentos das actividades orçamentais”, onde se incluem “os princípios e as regras de elaboração, exame, aprovação, execução e alteração do orçamento”. São ainda tidos em conta “os princípios e as regras das suas contas finais e de elaboração e apreciação do relatório sobre a execução do orçamento”.
Comportas Estudo avança com consenso entre Governos
A construção de comportas no estuário do Rio das Pérolas vai ser alvo de “um estudo profundo”. A decisão foi tomada ontem durante uma reunião, em Cantão, entre a delegação oficial de Macau, liderada pelo Chefe do Executivo, Chui Sai On, e as autoridades de Guangdong. A emergência do projecto surge após a passagem do tufão Hato por Macau que colocou os níveis das águas em valores recorde. De Guangdong, a resposta foi positiva, sendo preciso “iniciar o estudo profundo da obra, no sentido de começar o projecto o mais brevemente possível”, lê-se no comunicado enviado à comunicação social.
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12.9.2017 terça-feira
TUFÃO HATO AFECTADA OBRA SOB ALÇADA DO GDI
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EXPOSIÇÕES MACAU É O MERCADO “MAIS DESTACADO” DA ÁSIA PACÍFICO
Com aquela rapidez Faz parte dos mais pequenos e dos que se começaram a desenvolver recentemente, mas foi aquele que teve o melhor desempenho nos últimos anos. A Associação Global da Indústria de Exposições destaca o território no relatório mais recente sobre o sector
A
Associação Global da Indústria de Exposições (UFI, na sigla inglesa) está satisfeita com o progresso do sector em Macau. Os elogios são deixados no mais recente relatório anual sobre a indústria de feiras comerciais da Ásia-Pacífico: para a organização, a RAEM é um dos mercados da região com menor tempo de desenvolvimento e também um dos mais pequenos, mas foi aquele que, nos últimos cinco anos, teve o melhor desempenho no mercado de exposições. De acordo com o Instituto de Promoção do Co-
mércio e do Investimento de Macau (IPIM), que dá conta da avaliação da UFI, a indústria das exposições foi a que mais cresceu no período em análise, quando comparando com outros locais na Ásia. Em 2012, a área útil de exposição vendida em Macau era de
Nos próximos dois a três anos, o crescimento médio da indústria de exposições deverá ser na ordem dos cinco por cento
72.500 metros quadrados, tendo subido para 215.250 metros quadrados em 2016. Feitas outras contas, registou-se um aumento de cerca de 200 por cento. Apesar de a economia global da RAEM continuar a ser afectada devido ao ambiente económico externo, realça o IPIM, “a área útil de exposição vendida em Macau ainda continua a registar algum crescimento, tendo cada exposição registado, em média, receitas de cerca de 2,1 milhões de dólares americanos, pelo que se pode constatar que o desempenho do mercado de exposições de Macau teve melhor desempenho em
relação ao desempenho económico global”.
FUTURO FELIZ
O IPIM refere ainda que o relatório em questão destaca o “grande apoio” dado pelo Governo da RAEM à indústria de exposições, “bem como as excelentes instalações inerentes, sendo esses os factores que contribuíram para o desenvolvimento estável da indústria de exposições de Macau”. O instituto dá como exemplos a Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, cuja abertura está prevista para final deste ano, e a expansão gradual da rede de destinos do Aeroporto Internacional de Macau.
As duas estruturas “irão melhorar significativamente o transporte regional, criando uma nova perspectiva para a economia da Região do Delta do Rio das Pérolas”. O IPIM aponta que a indústria de exposições do território deverá manter a sua actual tendência de desenvolvimento: nos próximos dois a três anos, o crescimento médio será na ordem dos cinco por cento. A UFI congrega gestores e organizadores de exposição de todo o mundo, com o objectivo de promover o desenvolvimento do sector ao nível regional e em termos internacionais. A organização pede todos os anos a consultadoria que analise e estude as exposições que têm como alvo visitantes profissionais. O relatório em que Macau surge em local de destaque é um “importante material de referência para os organizadores de exposições e entidades de gestão de exposições internacionais”. Nas estatísticas relativas a 2016, foram incluídas 26 exposições realizadas na RAEM, que geraram receitas de 53,55 milhões de dólares americanos.
ÁRIAS obras da responsabilidade do Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI) ficaram afectadas com a passagem do tufão Hato pelo território. Segundo um comunicado oficial, o auto-silo na cave do edifício Bairro da Ilha Verde, que estava “em fase de vistoria e recepção”, terá registado “a maior influência com a intrusão da água do mar, sendo que a maior parte dos equipamentos electromecânicos ficou danificada com a inundação”. Segundo o GDI, “o edifício não preenche os critérios previstos de vistoria e recepção, havendo necessidade de substituição ou recuperação dos equipamentos”. Assim sendo, “o calendário do procedimento de vistoria e recepção e da entrega será afectado”. Ainda sobre o parque de estacionamento, o GDI afirma que, com base numa avaliação preliminar, “a encomenda dos equipamentos envolvidos e a pretensão da recuperação necessitarão de meio ano”. “Este gabinete irá manter comunicação apertada com os serviços responsáveis pela vistoria e recepção, para que os trabalhos possam ser acelerados”.Tudo para permitir “a entrega [da obra] aos serviços interessados para programação dos trabalhos posteriores após conclusão da recuperação”.
Nomeações Comissão de Luta contra a SIDA por mais três anos
O Chefe do Executivo decidiu prolongar, por mais três anos, a existência da Comissão de Luta contra a SIDA. Segundo o despacho publicado ontem em Boletim Oficial, inclui-se ainda um representante do serviço de medicina interna do Centro Hospitalar Conde de S. Januário, na área terapêutica da SIDA. A comissão que está sob a tutela do secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, passa ainda a contar com representantes da Direcção dos Serviços Correccionais, do Instituto Politécnico de Macau e da Associação Geral das Mulheres de Macau. Estarão também presentes nas reuniões representantes da Associação para os Cuidados do SIDA em Macau e das organizações não governamentais de jovens e adolescentes, pode ler-se no despacho ontem publicado.
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terça-feira 12.9.2017
MENSTRUAÇÃO GRUPO DE HONG KONG QUER PROMOVER EDUCAÇÃO NAS ESCOLAS
O Governo escolheu a AECOM – Macau Companhia Limitada para gerir e realizar a avaliação das zonas de depósito de cinzas volantes. A escolha, conhecida com a publicação de um despacho em Boletim Oficial, resulta de um concurso público que teve início em Maio deste ano. O contrato tem um valor superior a 23 milhões de patacas, pagos até 2019. A AECOM fica assim responsável pela operação nas zonas de depósito temporário de cinzas volantes do aterro para resíduos de materiais de construção. A mesma empresa terá de gerir o aterro de Ka-Hó, já encerrado após constantes queixas da população sobre a existência de partículas no ar. Neste contexto, o Governo decidiu também adjudicar à empresa Companhia de Construção de Obras Portuárias Zhen Hwa um contrato para a “operação do aterro para resíduos de materiais de construção”. Este contrato é superior a 62 milhões de patacas, pagos até 2019.
Mong Há Assinado contrato para novas construções
O Governo decidiu adjudicar à Foundation Engenharia e Consultoria o projecto respeitante à segunda fase de construção da habitação de Mong Há, incluindo a fiscalização da obra de reconstrução do pavilhão desportivo na mesma zona. O projecto tem um valor superior a 40 milhões de patacas. Recorde-se que o empreendimento causou bastante polémica, devido a atrasos que envolveram o fim da relação contratual com o empreiteiro inicial. O projecto de reconstrução do Pavilhão de Mong Há esteve parado desde 2012 e chegou a ser alvo de um processo judicial. O litígio foi entretanto resolvido, através de um entendimento entre o Governo e o antigo empreiteiro da obra, tendo o Executivo lançado novo concurso em Setembro do ano passado.
Metro ligeiro Linha de Seac Pai Van já tem projectistas
O Governo já assinou contrato para a elaboração do projecto relativo ao segmento de Seac Pai Van do metro ligeiro. Cabe à Ove Arup & Partners Hong Kong Limited a realização do projecto e, segundo o despacho publicado ontem em Boletim Oficial (BO), o orçamento fixado ronda os 32 milhões de patacas, valor que será pago até 2022. A empresa MTR Corporation Limited assinou também um contrato com o Executivo relativo à “prestação dos serviços adicionais” para a “gestão e assistência técnica do projecto do metro ligeiro”. O orçamento fixado no despacho do BO é superior a 68 milhões de patacas, pagas até ao próximo ano.
Penso, logo existo
Chama-se “MenstruAction” e é um grupo que visa o debate sobre um assunto que ainda é tabu em Hong Kong. Joyce Fung tem vindo a promover workshops em prol da liberdade de escolha das mulheres. O grupo quer também desenvolver acções com escolas de Macau
para os dias do período, como é o caso dos tampões ou dos copos menstruais. “Queria começar um debate sobre este assunto porque na sociedade chinesa, bem como nas sociedades asiáticas, gostaríamos que existisse um maior debate, para que o estigma deixe de existir”, explicou Joyce Fung, que defende que o Governo de Hong Kong ajuda a que se prolongue o tabu. “O Executivo de Hong Kong tem alguma culpa, pois faz com que a sociedade continue a ser conservadora sobre este assunto. Enquanto grupo apenas podemos trabalhar do ponto de vista da educação e penso que isso é muito importante. O nosso Governo não tem feito o suficiente e não tem promovido campanhas de educação sexual suficientes”, considera.
THE GUARDIAN
Aterros Escolhido gestor do depósito de cinzas volantes
“Enquanto grupo apenas podemos trabalhar do ponto de vista da educação e penso que isso é muito importante.”
J
OYCE Fung licenciou-se em Sociologia pela Universidade de Hong Kong e decidiu abordar um assunto que é ainda tabu numa sociedade que considera conservadora. A menstruação e a falta de debate sobre o assunto levaram-na a desenvolver um projecto final de curso e a criar o grupo “MenstruAction”, juntamente com Jessie Leung. A ideia do grupo criado no Facebook, e que já foi notícia no jornal Guardian, é dar liberdade de escolha às mulheres, para que tenham mais opções além do tradicional penso higiénico. O grupo de mulheres que compõe o “MenstruAction” tem também promovido workshops e campanhas de educação sexual. Ao HM, Joyce Fung contou que o projecto poderá também estender-se a Macau, território que considera ser também conservador neste aspecto. “Não conheço o panorama da educação sexual em Macau, mas em Hong
JOYCE FUNG FUNDADORA DO GRUPO “MENSTRUACTION”
Kong há ainda muito conservadorismo em relação a isso. Macau é também uma sociedade tradicional chinesa e penso que a situação seja mais ou menos semelhante ao que temos aqui”, afirma. “Penso que seria interessante contactar entidades em Macau que têm interesse em divulgar a mensagem que estamos a promover. Poderíamos come-
çar nas escolas, por exemplo”, acrescentou uma das fundadoras do grupo.
GOVERNO TEM CULPA
Além das palestras sobre o assunto, as mulheres que fazem parte do grupo “MenstruAction” pretendem implementar máquinas, acessíveis um pouco por toda a cidade, que possam disponibilizar vários tipos de produtos
Para Joyce Fung, Taiwan será o território onde as mulheres têm uma maior liberdade de escolha em termos de produtos e também acesso a mais diálogo. Se Macau está no mesmo patamar que Hong Kong, no Continente a situação será ainda pior, aponta. “Conheço melhor a realidade de Taiwan, e são mais abertos sobre esta questão. As pessoas já usam outro tipo de produtos e não apenas os pensos higiénicos. As gerações mais novas em Hong Kong já começam a aceitar, mas as gerações mais velhas não. Na China a situação é ainda pior, as mulheres nem sequer usam tampões”, frisou. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
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NICOLE WONG E BOBO LEONG
ENTREVISTA
RESPONSÁVEIS PELO PROJECTO COMUNITÁRIO DO TEATRO EXPERIMENTAL DE MACAU
“Com estas pessoas não temos de fazer isso porque elas vão buscar as emoções reais que sentem em determinada situação que está a ser representada.” NICOLE WONG ENCENDORA
Estamos a falar de teatro comunitário. Porquê a dedicação a esta área dramática? B.L. – Começámos o projecto de teatro comunitário como uma extensão do trabalho do Grupo de Teatro Experimental de Macau, há quatro anos. Nos últimos dois anos estamos a explorar este tipo de acção com comunidades imigrantes no território. Quando falamos de teatro comunitário temos de ter noção de que não se trata de arte dramática, de teatro de blackbox ou de uma peça para um teatro tradicional. Temos de gastar o nosso tempo a trabalhar com algumas das comunidades com as quais decidimos trabalhar e temos de arranjar uma forma de o fazer. Queríamos uma aproximação à própria sociedade e aos seus problemas. Queríamos prestar mais atenção a assuntos que dizem respeito a alguns dos problemas sociais do território. Por outro lado, e na continuidade do trabalho do Teatro Experimental, a intervenção comunitária também nos permite ter as nossas peças originais, com os nossos textos. Quais as maiores diferenças entre o trabalho com profissionais e com cidadãos comuns? Nicole Wong (N.W.) – Quando trabalhamos com profissionais há todo um trabalho de direcção de actores que quase não é necessário neste caso. Com actores temos de os orientar com a forma como pensamos nas expressões de emoções, por exemplo. Para mostrarem uma mesma emoção têm várias formas de o fazer e cabe ao encenador escolher. Com estas pessoas não temos de fazer isso porque elas vão buscar as emoções reais que sentem em determinada situação que está a ser representada. É tudo mais natural e genuíno quando trabalhamos com a comunidade. Não precisam de representar. Uma outra diferença está no guião. Elas não seguem um guião dado. A história é feita por elas, é a sua vida com as suas histórias. Não
“Queremos luta contra estereótip SOFIA MARGARIDA MOTA
Nicole Wong é encenadora, Bobo Leong é produtora e são as responsáveis pelo projecto de teatro comunitário desenvolvido pelo Teatro Experimental de Macau. O próximo sábado é dia de estreia de “Our Bodies” no Albergue, às 15h. A peça traz histórias das empregadas domésticas indonésias do território, contadas e representadas na primeira pessoa
O que é que vamos ver em “Our Bodies”? Bobo Leong (B.L.) – Trata-se de uma continuação do trabalho que apresentamos no ano passado, “Our Story”. É uma peça que usa o movimento, o corpo, para contar as histórias de um grupo de empregadas domésticas de nacionalidade indonésia. São casos pessoais em que as actrizes são da própria comunidade e as histórias são as próprias. Tentamos entender as suas experiências pessoais, promover a sua sensibilidade e explorar sentimentos. É também uma peça que vai acontecer no exterior e não num espaço normalmente associado ao teatro e que desafia a atenção do público no meio de várias distracções.
podemos pensar em coisas novas e somos nós que temos de nos adaptar ao guião que nos dão. São empregadas domésticas indonésias que contam o que vivem ou as memórias que têm do que viveram, e trazem à peça todos os gestos e emoções que associam a isso mesmo. Como é que apareceu a ideia de trabalhar com as empregadas domésticas indonésias, em particular? N.W. – Somos formadas em jornalismo. Eu, por exemplo, lembro-me de, ainda na universidade, ter visto uma reportagem acerca das empregadas domésticas, uma população que acarreta uma série de estereótipos. São retratadas muitas vezes como uma comunidade barulhenta e mesmo suja. Mas, quando estudei em Taiwan vi o tal documentário, vi pessoas a cantarem, famílias a criarem coisas e a mostrarem a sua
cultura. Isso comoveu-me. Foi a primeira vez que pensei fazer uma coisa com esta população. Quando apareceu a oportunidade de trabalhar com a Bobo, lembrei-me logo de transferir a ideia para o teatro. Por outro lado, ainda não existia nada feito em Macau sobre isto e muito menos na área do teatro. Como encontraram as vossas actrizes? B.L. – Foi através de uma associação que está ligada à comunidade indonésia e que promove aulas em várias áreas. Neste caso, a nossa proposta foi fazer um programa de workshops de teatro. Fizemos aulas de movimento e de representação. Foi ao longo destas aulas que fomos chegando às suas histórias. Não eram aulas de teatro tradicionais. Eram workshops em que, recorrendo a técnicas dramáticas e de movimento, propúnhamos aos participantes que
se repensassem e que reflectissem acerca do seu papel na sociedade de Macau. Foi daí que saíram muitos dos conteúdos que estamos a usar. Como é que foi a reacção das participantes? N.W. – O nosso espectáculo é muito diferente do teatro mais tradicional: tem dança e música entre a representação. A reacção tem sido muito boa por parte das participantes. É um momento em que também criam. No espectáculo do ano passado, em que abordávamos as dificuldades e as saudades de se estar longe de casa, tínhamos dois actores profissionais a participar, mas este ano não foi necessário. Tudo o que vai ser apresentado foi feito pelas empregadas indonésias que vivem em Macau. Têm alguma história em particular que vos tivesse impressionado?
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B.L. – Penso que este tipo de trabalho representa um conforto por se poderem expressar. Poderem mostrar o que lhes vai dentro e que não têm oportunidade de o fazer. Podem também ter noção de si e dos seus sofrimentos. Penso que é uma forma de encarar as situações que as incomodam e de poderem tentar ter algumas soluções, ou um modo de as ultrapassar. É preciso enfrentar os problemas, mesmo que não tenham grande solução. É possível arranjar outras formas de os abordar. Não precisamos de aceitar tudo. Elas não precisam de aceitar tudo também. Curiosamente, no ano passado tivemos alguns patrões e as suas famílias a verem o espectáculo, o que foi interessante. A empregada doméstica passou, durante o espectáculo, a ser alguém que era admirada. Houve, por momentos, uma espécie de inversão de papéis. Os patrões viram pessoas, com as suas histórias e os seus direitos. Há muitos preconceitos acerca desta população. Este projecto serve para lutar contra estereótipos.
“É uma forma de encarar as situações que as incomodam e de poderem tentar ter algumas soluções, ou um modo de as ultrapassar.” BOBO LEONG PRODUTORA
B.L. – São vidas difíceis. Trata-se de empregadas domésticas que nas casas onde trabalham têm câmaras de vigilância. Apesar de ser uma das coisas com as quais dizem estar à vontade, quando começamos a explorar dramaticamente o tema, percebemos que sentem alguma falta de privacidade, o que as incomoda. Por outro lado, há as histórias do amor que se perde, que se deixa na Indonésia. Deixam os maridos para virem trabalhar aqui. Mandam dinheiro para casa e passados uns anos descobrem que estão a mandar mantimentos para uma família que não é a delas, que é uma outra porque o marido entretanto casou com outra mulher. São mulheres que valorizam o amor e que lamentam muito esta situação. Sentem-se sozinhas e traídas. O que é que este tipo de actividade pode representar para as participantes?
Como é a receptividade a este projecto, por parte da população local? N.W. – A arte é uma forma de expressão, mas também uma forma muito especial de mostrar as coisas, o que não quer dizer que essas coisas sejam aceites de forma positiva. Recordo que, no ano passado, quando convidava algumas pessoas para irem ver a apresentação, a resposta era de que estas participantes não seriam boas o suficiente para poderem estar em palco. Mas nós queremos continuar com este projecto. A arte é uma forma de esta comunidade encontrar o seu espaço. É também um lugar para se pensar. Relativamente ao público, penso que o grande desafio é este tema ser aceite pelo Governo, e conseguirmos ter estas peças a serem mostradas em espaços oficiais. É conseguir integrar, por exemplo, um Festival das Artes e ir ao Centro Cultural de Macau. Sofia Margarida Mota
sofiamota.hojemacau@gmail.com
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Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética Notificação n.º 026/2017 Considerando a impossibilidade de notificar pessoalmente os interessados, de acordo com o disposto no n.º 1 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, as seguintes empresas comerciais, que apresentaram pedidos de apoio financeiro ao Fundo para a Protecção Ambiental e Conservação Energética, são notificadas por edital, ao abrigo do artigo 68.º e do n.º 2 do artigo 72.º do mesmo Código: Nome do beneficiário
N.º de registo de entrada
MAN, CHENG I
FP1001167
ZHUANG JIAN CHENG 恒創地產一人有限公司 SHANG, LI DAN VONG, TAK WAI
FP1001320 FP1003214 FP1003781 FP1003848
WONG, WAI LON
FP1003874
CHAN, MEI IENG HO, LAI KUN CHAN IN FAI VONG KOC LEONG AIZU LIMITADA LIANG, SI QIN
FP1004321 FP1004325 FP1004604 FP1005023 FP1005036 FP1005148
NG, WAI HONG
FP1005172
合德豐車行有限公司
FP1005253
CHAN, WING SUM
FP1005467
Nome do beneficiário COMPANHIA DE PLANEAMENTO DE CASAMENTO CASABLANCA MACAU LIMITADA LAO, WAI LAM CHAN, KENG FAI LAO PUI KENG 寵物橫町有限公司 COMPANHIA DE LOJA DE CONVENIÊNCIA OITENTA E OITO LIMITADA LAM, KUAN PANG 吳晚華 KUONG, KUAN LON CHAN, KUOK LENG CHEANG HANG CHAN UN CHAN COMPANHIA DE ALIMENTAÇÃO OU MUN KAI, LIMITADA 鄧國棧 I-ESPRESSO COMPANHIA INTERNACIONAL DE RESTAURAÇÃO LIMITADA
Nome do beneficiário
N.º de registo de entrada
LO, CHOI PENG
FP1005481
Nome do beneficiário
Candidatura para Plano de Financiamento para Pesquisa e Desenvolvimento Inovadores de Empresa para o ano de 2017
FP1005820 FP1005822 FP1005848 FP1005864 FP1005909 FP1005915 FP1006074 FP1006130 FP1006303 FP1006367 FP1006381 FP1006387
Objecto
I.
Colaborar com o fomento dos novos industriais e promover fortemente o desenvolvimento da inovação e do empreendedorismo, os conteúdos constantes nas Linhas de Acção Governativa da RAEM, incentiva as empresas a realizarem pesquisas inovadoras e transformação de resultados de pesquisa científica através da forma de cooperação entre as indústrias, universidades e pesquisas, bem como fornece apoio financeiro aos projectos P&D referidos, para alcançar o fortalecer a transformação dos produtos de pesquisa científica em indústria; estimular a cooperação entre as indústrias, universidades e pesquisas e promover as empresas locais a darem importância à inovação e realizarem pesquisa e desenvolvimento.
FP1006491 FP1006614 FP1007505 N.º de registo de entrada
Devido à cessação de actividade ou cancelamento de registo das empresas comerciais dos requerentes acima mencionados, que pretendem instalar os equipamentos incluídos no âmbito de apoio financeiro, o Conselho Administrativo do FPACE verifica, nos termos dos artigos 3.º e 4.º do Regulamento Administrativo n.º 22/2011, que os requerentes deixam de satisfazer as condições de elegibilidade definidas no plano de Apoio Financeiro à Aquisição de Produtos e Equipamentos para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética e, por essa razão, os seus pedidos de apoio financeiro serão arquivados pelo mesmo Conselho Administrativo. Informa-se ainda as empresas comerciais acima referidas que, sobre a decisão tomada pelo Conselho Administrativo da FPACE, podem apresentar reclamação para o mesmo Conselho Administrativo, no prazo de 15 dias contados a partir da data da publicação da presente notificação, nos termos dos artigos 145.º, 148.º e 149.º do Código do Procedimento Administrativo e/ou interpor recurso contencioso para o Tribunal Administrativo da Região Administrativa Especial de Macau, no prazo de 30 dias contados a partir da data da publicação da presente notificação, de acordo com o disposto no artigo 25.º do Código de Processo Administrativo Contencioso. 12 de Setembro de 2017.
Aviso
N.º de registo de entrada
II.
III.
O Presidente do Conselho Administrativo do FPACE Tam Vai Man
Condições de candidatura
Podem candidatar-se directamente ao FDCT todos os empresários comerciais e sociedades comerciais que satisfaçam as seguintes condições: (i) Inscrito na Região Administrativa Especial de Macau; (ii) Não está em dívida por impostos à RAEM ou por contribuição para a segurança social.
Candidatura e montante de apoio financeiro
(i) A entidade candidata deve especificar detalhamente no Plano de Candidatura o orçamento do projecto, que consiste em duas partes, incluindo: o montante a requerer ao FDCT e o montante do capital próprio investido. (ii) O montante do requerimento ao FDCT não pode ser superior a 80% do orçamento do projecto, e o limite máximo do montante é de 2 milhões patacas; o montante do capital próprio investido da entidade candidatura não pode ser inferior a 20% do orçamento do projecto. (iii) Montante das despesas destinadas ao recrutamento do pessoal de P&D não pode ocupar mais de 70% do montante requerido ao FDCT. (iv) O montante de apoio financeiro aprovado pelo FDCT consiste em duas partes: 60% destinado às despesas de P&D (doravante designado simplesmente por subsídio anterior), e 40% para o investimento real (doravante designado facilmente por subsídio posterior). (v) O subsídio anterior será concedido durante a execução do projecto, e o subsídio posterior, somente concedido após a aprovação do FDCT para relatórios relevantes de benefício económico, de reinvestimento ou de investimento empreendedor. (vi) O FDCT deve garantir que a soma do subsídio anterior e do subsídio posterior atribuída não ultrapasse 80% das despesas reais do projecto.
IV.
V. VI.
VII.
Prazo de pesquisa e desenvolvimento de projecto
O prazo máximo destinado à pesquisa e ao desenvolvimento de projecto deste tipo é de 2 anos.
Data do requeriment
A partir de 18 de Setembro até 15 de Novembro de 2017.
Método de candidatura
Preenchendo o “Formulário de Candidatura” e o “Plano de Candidatura”, juntamente com os documentos necessários para a composição dos documentos enumerados no Artigo 8º do Plano de Financiamento para Pesquisa e Desenvolvimento Inovadores de Empresa do FDCT, serão submetidos ao departamento de SAF. Endereço: Av. do Infante D. Henrique, Nº 43-53A, Edf. “The Macau Square” 11º K. Telefone: 28788777; Fax: 28722680 Correio electrónico: saf@fdct.gov.mo
Método de apreciação
O FDCT efectuará apreciação e autorização conforme o “Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro” aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 273/2004. O Presidente do Conselho de Administração do Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia Ma Chi Ngai, Frederico 7 de Setembro de 2017
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PYONGYANG PEQUIM EVITA FALAR DE SANÇÕES SOBRE PETRÓLEO
EQUIM afirmou ontem que apoiará novas medidas contra a Coreia do Norte, horas antes da reunião do Conselho de Segurança da ONU, mas não esclareceu se sustentará a proposta norte-americana de proibir a venda de petróleo a Pyongyang. “A China apoia as resoluções do Conselho de Segurança da ONU para adoptar novas reacções e medidas necessárias em resposta ao sexto ensaio nuclear da Coreia do Norte”, disse ontem o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Geng Shuang em conferência de imprensa. Geng escusou-se, no entanto, a responder se Pequim apoiará ou não a proibição da venda de petróleo ao regime de Pyongyang, proposta pelos Estados Unidos, mas recusada pela Rússia, ambos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, tal como a China. “Esperamos que os membros do Conselho possam tomar as suas decisões com base no consenso (...) para elevar a voz da união face ao resto do mundo”, disse Geng.
Negras dúvidas O porta-voz sublinhou que a China sempre cumpriu com as suas obrigações internacionais, mas quis deixar clara a sua oposição a qualquer “sanção unilateral fora do âmbito do Conselho de Segurança”, um alerta que Pequim tem feito frequentemente. O Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas reuniu-se ontem a pedido dos Estados Unidos para votar uma resolução que poderá impor as sanções mais severas de sempre à Coreia do Norte na sequência do seu último ensaio nuclear.
CEDÊNCIAS AMERICANAS
A proposta norte-americana previa proibir imediatamente todas as importações de petróleo por Pyongyang e todas as exportações de têxteis norte-coreanas, mas uma versão revista divulgada por Washington aos restantes
14 membros do Conselho de Segurança na noite de domingo prevê um “embargo progressivo” sobre o petróleo destinado a Pyongyang.
Segundo diplomatas citados pela agência noticiosa francesa AFP, as duras negociações em curso há quatro dias sobretudo com Pequim PUB
O último “número dois”
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último “número dois” do governo britânico de Hong Kong Sir David Ford morreu no sábado à noite, aos 82 anos, noticiou ontem a imprensa local. David Ford foi secretário-chefe de Hong Kong entre 1986 e 1993, tendo sido substituído no cargo, em Novembro de 1993, por Anson Chan, que confirmou a morte do antigo responsável britânico, de acordo com a Rádio e Televisão Pública de Hong Kong (RTHK). Anson Chan, primeira mulher de etnia chinesa nomeada secretária-chefe de Hong Kong, endereçou condolências à família de David Ford e destacou o contributo do responsável para a transferência de Hong Kong para a soberania chinesa, em 1997, bem como o seu impulso para a construção do novo aeroporto da metrópole asiática, designado Chek Lap Kok.
ROBIN LAM/SCMP
Antigo responsável do governo de Hong Kong morre aos 82 anos
Em 1993, Anson Chan era vista como uma das defensoras dos planos de democratização do sistema político de Hong Kong proposto pelo governador Chris Patten (1992-1997) contra a oposição de Pequim.
CARREIRA GLOBAL
Nascido em 1935, Ford começou a carreira como oficial no exército britânico quando tinha cerca de 20 anos, tendo servido em 17 países de cinco continentes.
Em 1972 deixou o exército britânico e posteriormente passou mais de duas décadas em Hong Kong, tendo desempenhado vários cargos enquanto funcionário público do governo da antiga colónia britânica. Depois da transferência da antiga colónia britânica para a China, em 1997, Ford deixou o serviço público e dedicou-se à pecuária em Devon (Inglaterra), mas em 2002 acabaria por renovar a ligação a Hong Kong, assumindo o cargo de director não executivo na empresa PCCW. Aactual líder do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, lamentou a morte de Ford e enviou as condolências à família. “Sir David serviu o governo de Hong Kong durante um longo período de tempo antes do estabelecimento da Região Administrativa Especial de Hong Kong”, afirmou Lam, no ‘site’ do Governo da região, destacando a “grande dedicação” e “significativos contributos”.
e Moscovo, levaram os Estados Unidos a suavizar o texto original no que diz respeito nomeadamente à situação dos trabalhadores expatriados norte-coreanos e à inspecção, se necessário pela força, de navios suspeitos de transportar carga proibida pelas resoluções da ONU. A Coreia do Norte realizou, em 3 de Setembro, o seu sexto ensaio nuclear, que disse ter-se tratado de uma bomba de hidrogénio, ou bomba H miniaturizada, apta a ser colocada num míssil balístico intercontinental (ICBM). O teste com uma bomba de hidrogénio foi o mais potente já realizado pelo regime norte-coreano e suscitou a condenação da comunidade internacional, aumentando a tensão na região. Em Julho, aquele país asiático já tinha realizado dois disparos de ICBM. Estas actividades nucleares e balísticas violam as resoluções das Nações Unidas, que já infligiram sete conjuntos de sanções a Pyongyang.
Taiwan Activista diz-se culpado
Um activista de Taiwan declarou-se ontem culpado de subversão, tornando-se no primeiro membro de uma organização nãogovernamental a ser alvo de um processo-crime na China, desde que Pequim apertou o controlo sobre ONG estrangeiras. “Eu difundi artigos atacando maliciosamente o Partido Comunista da China, o actual sistema e o governo chinês”, disse Lee Ming-che, em tribunal, na cidade de Yueyang. A mulher do activista afirmara anteriormente que ele poderia ser pressionado a declarar-se culpado. Lee Ming-che realizava palestras ‘online’ sobre a democratização em Taiwan e geria um fundo para as famílias de presos políticos na China.
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Sou mais variado que uma multidão de acaso, Sou mais diverso que o universo espontâneo cidade ecrã Rui Filipe Torres1
João Salaviza e Gonçalo Galvão Teles ganham 1ª obra no ICA
• “ O Fim da Terra” e “ Verdes Campos Aka Amanhã não é Hoje”, nos ecrãs do mundo em 2018/2019 Antes de tudo assinalo-me como parte interessada em todos estes processos, por razões de trabalho no exercício da prática cinematográfica e da investigação em contexto académico. São conhecidos os resultados do concurso do Instituto do Cinema e Audiovisual de apoio à produção das 1ª obras de 2017. O ICA, é o instituto público, com autonomia administrativa e financeira sob a tutela do Ministério da Cultura, que tem a responsabilidade sobre as políticas culturais públicas do cinema em Portugal. Estiveram no concurso 61 candidaturas instruídas com argumento, sinopse, declaração de intenções do realizador, orçamento, e outros elementos de análise que cada candidatura entendeu apresentar, indicação casting, cartas de apoio, etc. Como se percebe, um dossier de candidatura é trabalho de vários meses, ou até anos. Desde a abertura do concurso que era conhecido o número de obras a apoiar; duas, dois filmes vão ter quinhentos mil euros e, a partir de agora têm as condições suficientes para iniciar os trabalhos de produção, desde logo a facilidade acrescida para encontrar novos financiamentos. A correr normal, dois novos filmes vão poder ter a sua estreia num dos festivais de cinema classe A em finais de 2018 inicio de 2019. Se o trabalho, a sorte, o talento, o permitirem, vão ser obras fílmicas notadas no circuito no mundial de festivais, e ter exibição nacional e internacional em circuito de sala de cinema. É uma espécie de ganhar na lotaria, mas aqui sempre em
processo de trabalho, e onde o nome de Portugal está sempre presente. “ O Fim da Terra” é o filme apoiado, de João Salaviza, “ a filmar na Aldeia Branca, território dos índios Krahô, Brasil, utilizando a língua nativa e recorrendo ao envolvimento dos próprios índios como atores do filme”, lê-se na ata assinada pelo júri. João Salavisa é licenciado em cinema na Escola Superior de Teatro e Cinema, com muito considerável sucesso da crítica em filmes anteriores, as curtas; Arena, Cerro Negro, Rafa, e a longa metragem Montanha, filmes apoiados financeiramente pelo ICA. Ganhou o Urso de Ouro na Berlinale, o Ingmar Bergman Award em Uppsala e a Palma de Ouro em Cannes . “Verdes Campos Aka Amanhã não é Hoje”, filme de Gonçalo Galvão Telles, e argumento de Luís Filipe Rocha, é outro filme que consegue o objectivo a que se candidatou. Escreveu o júri, ou transcreveu do dossier entregue, não importa. “ Híbrido de drama intimista e social, inspirado no suicídio conjunto de três jovens em 1996, que aborda a crise, a falta de empregos no horizonte, bem como o contraste da vida no campo e na cidade. Embora os temas e a abordagem não sejam inteiramente originais, a narrativa é alicerçada num guião muito sólido, assente em diálogos cuidados e nos silêncios e no não dito, que assegura potencial de circulação e garante relevância cultural. Estrutura de produção sólida já com coprodutores assegurados e um contrato de distribuição internacional assinado.” Gonçalo Galvão Teles, é um cineasta com filmes anteriormente apoiados pelo ICA, com alguns prémios internacionais, e lecciona a cadeira de argumento na licenciatura e mestrado em Cinema na Lusófona.
• A legitimação do aleatório na política pública de apoio ao cinema produzido em Portugal Os restantes 59 filmes, ficam por fazer, dado que filmar sem ICA, num país onde os produtores de cinema não tem capacidade financeira e a banca olha o cinema como qualquer coisa de fantasmático (que também é, mas de outra forma) , pelo que o segmento do capital de risco não tem conhecimento, nem parece querer ter, da realidade deste mercado, é tarefa tão difícil e de tal estoicismo que o bom senso aconselha a evitar. Aliás, o bom senso do senso comum, aconselha a que neste país, salvo condições muito particulares conhecidas à partida, se evite fazer cinema. Não há, não parece haver, qualquer questão com a decisão de estes dois projectos serem apoiados. O problema identificado é desde logo os montantes disponíveis, claramente insuficientes, caso se considere relevante a atividade do cinema. Pode-se também perguntar se é necessário um júri exterior ao ICA para fundamentar as decisões produzidas. Nos 59 filmes propostos encontramos filmes que assumem trabalhar o género ; policial, filme negro, drama, comédia, cinema reflexivo, etc. Pode uma mesma grelha de análise comparar filmes de géneros diferentes ? É possível comparar com a mesma grelha de análise um filme auto-reflexivo que trabalha a etnicidade, com uma comédia? Um filme que na sua proposta estética avança claramente para a situação híbrida e plasticidade de género e um filme assumidamente do género policial? Levantará seguramente grandes dificuldades. Encontramos também realizadores que tiveram obras anteriormente apoia-
das pelo ICA e portanto condições de produção suficientes para os filmes que fizeram, e cineastas com cinematografia produzida sem orçamento, mas que ainda assim existem. Faz sentido olhar as obras produzidas sem olhar às condições de produção? Dito de outra forma, é possível, expectável, que um filme que teve um orçamento entre seiscentos mil a um milhão de euros, tenha a mesma capacidade de se impor, de chegar a públicos, festivais e mercados, que um filme que teve cinco mil euros na sua produção? É expectável que filmes sem as condições mínimas de produção, comunicação, cheguem a Veneza, Berlin, ou Cannes, ou Locarno? No entanto essa cinematografia existe, vai a festivais ( não de classe A ), e por vezes chega a sala de cinema, mesmo sem a possibilidade de campanhas de comunicação. É claro que o CV de um cineasta com filmes em festivais classe A tem mais pontuação do que o de um que não tenha esses festivais no seu CV. Se essas presenças resultam de obras anteriormente apoiadas com fundos públicos, produzidas com as condições suficientes consideradas “standart” podem ser comparados, num concurso de primeiras obras, com com outros que nunca o não foram? Por outro lado, numa abordagem mais foucaultiana, coloca-se a interrogação sobre como é possível legitimar e esperar que um grupo de pessoas, um júri, com visões e expectativas determinadas, as suas, sobre cinema - júris que variam no tempo de uma mesma legislação, tempo de ação de um governo -, se articulam com os objectivos plasmas na lei e afirmados no discurso governativo. Se a legitimação do quadro de apoio é a conferida na legislação produzida para o cinema, qual a necessidade de um júri externo ao ministério ou ao instituto da tutela? Ou se quisermos, pode-se inverter a pergunta, na condição de uma cinematografia produzida em Portugal que resulta de as decisões de um júri externo, para que serve o ICA ?
1 - Cineasta. Licenciado em Ciências da Comunicação pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Mestrando em Desenvolvimento de Projecto Cinematográfico na Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa. O texto não segue o novo acordo ortográfico.
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terça-feira 12.9.2017
Máquina Lírica Paulo José Miranda
O Primo Basílio De Eça de Queirós
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A vergonha no seu esplendor máximo não acusa nada senão o nada que somos, isto é, temos vergonha. Mas como é que se pode ter vergonha de nada?
AS como é que se pode acreditar no tudo? Como é que se pode acreditar em Deus? Precisamente porque está-se deposto no vício da justificação. Desejar Deus mostra-nos claramente que todo o vício é uma justificação para nada. Viver é justificar-se de nada. Justificar-se do nada que somos. E a grandiosidade do vício está em fazer de nós animais justificativos. Só isto bastava. Isto era suficiente para nos dobrarmos perante O Primo Basílio de Eça de Queirós. Mas isto não fica por aqui. É agora, aqui, que vamos encontrar finalmente a grande passagem para a tragédia grega. Perguntemos então agora: porque é que Luísa morre? Porque o vício deixa de ter poder sobre ela. Mas como é que isso pode acontecer, como é que o vício deixa de ter poder sobre o humano? Quando o humano não consegue mais suportar a vergonha. A vergonha é o calcanhar de Aquiles do vício ou, se preferirem, a kriptonita do Super-Homem. Quando a vergonha se apossa de uma alma humana, o vício acaba e, com ele, a própria vida. Não quero com isto dizer que a toda a vergonha que sentimos tenha esse poder de acabar com o vício. Há vergonha e vergonha. Uma coisa é a vergonha social e outra a vergonha ontológica, constitutiva. Ter-se vergonha do que fizemos a alguém dói muito, mas não é por aí que o vício vai às filhoses, não é por aí que o vício morre. Isso com o tempo passa. O problema é quando a vergonha não tem direcção, não tem acusativo, não tem complemento directo. Não temos vergonha de termos feito o que não devíamos, de ter agido mal, de não termos dito o que devíamos ou de ter dito o que não devíamos. Nada disto. A vergonha no seu esplendor máximo não acusa nada senão o nada que somos, isto é, temos vergonha. Mas como é que se pode ter vergonha de nada? Voltemos então ao livro do Eça. No penúltimo capítulo do livro, é-nos descrita a revelação de Jorge a Luísa. Jorge diz-lhe que sabia de tudo, a aventura dela com o primo e de ter sido escrava da Juliana. Nesse mesmo momento ela sofre um choque, pela surpresa, pois passou grande parte do romance atormentada com isso, tentando escondê-lo de Jorge e, agora, que Juliana já tinha morrido, que ela se julgava finalmente libertada, vem Jorge dizer que sabe de tudo. Mas ele não diz apenas que sabe de tudo, como ainda diz que não tem importância que lhe perdoa e que continua a amá-la como sempre amou. Efectivamente, e também aqui Eça não perde o seu jeito de acertar na natureza humana, só quem nos ama nos pode perdoar, mais ninguém. Por conseguinte, Luísa estava perdoada. Jorge
(continuação da quarta e última parte)
acabava de perdoá-la. A partir daqui, que parecia então tudo ir ficar em bem, pelo menos para uma pessoa normal assim seria, Luísa adoece e definha até à morte. Luísa morre de vergonha. Reparem que ela não morre de vergonha do que fez, pois sem a revelação feita por Jorge e o seu perdão, Luísa viveria até à velhice sem vergonha. Ela não tem vergonha do que fez, mas de si. Luísa morre por vergonha de si mesma, vergonha do que é. Não se trata de uma impossibilidade de ver Jorge, depois do que ela lhe fez, em contraposição à magnanimidade dele. Através de Jorge, Luísa vê o seu próprio nada. Chegado aqui, a este ponto, ou se dá um salto para Deus, e este nunca depende do próprio, pois a graça da fé é-nos concedida, não é uma escolha, ou abriga-se na morte. Ou seja, Luísa vai ao encontro do seu próprio nada que lhe foi revelado na vergonha de si mesma, através da revelação de Jorge. E, agora, sim entremos na tragédia. Dois pontos fundamentais: 1) Como verificámos, só a vergonha de si mesmo tem poder para destruir o vício e, com ele, a vida; é aqui que a vergonha se assume como Herói trágico, como verdadeiro herói desta Tragédia. Édipo fura os olhos perante o conhecimento de ter assassinado seu próprio pai e desposado sua própria mãe, concebendo filhos com ela, Luísa deixa-se morrer. A vergonha assume assim, em O Primo Basílio a dimensão do conhecimento em Édipo Rei, fazendo de Jorge o arauto da má notícia. Há uma diferença clara: Édipo desejava saber e Luísa não desejava a vergonha, a vergonha aconteceu-lhe, mas ao acontecer-lhe ela viveu-a com a dignidade de um personagem de Sófocles. 2) Vejamos a diferença entre o Jorge da reunião social em sua casa, antes de partir para o Alentejo, no início do livro, e o Jorge que perdoa a esposa, no fim do livro. No início ele jurava a pés juntos que, em situação de adultério, matava impiedosamente a esposa. Na realidade, o que aconteceu é que ele acaba por perdoá-la. E, ao fazê-lo, ela morre. Bom se isto não é LITERALMENTE um tema maior de uma tragédia grega, então eu não sei o que é uma tragédia grega. Mas a tese mais radical de Eça de Queirós neste livro é a de que todo aquele que escreve é para os outros como Basílio, porque no fundo todo aquele que escreve só pode pensar em si, em mais ninguém; é um condenado à fraqueza mais próxima, nasce para si mesmo como uma flor para o fico lugar onde despontou. Basílio, e por isso o livro se chama O Primo Basílio, é o humano irredutível ao
outro; o humano no seu esplendor máximo de egoísmo. O egoísmo é uma espécie de autismo moral; no egoísmo o humano não consegue ver para além dos seus interesses, por mínimos que sejam; no egoísmo fica-se fechado em si mesmo para sempre. No egoísmo, a morte de outrem pode muito bem ser apenas um contra-tempo nos nossos planos, e não a morte de alguém, e não o fim da vida de alguém e o começo do sofrimento dos outros que o amam. E a tese mais radical de Eça de Queirós é mostrar-nos que o escritor se comporta, não só enquanto escreve, mas na vida, como o primo Basílio, completamente e inteiramente para ele. Como se irá ver mais tarde em Fernando Pessoa, ou se vive ou se escreve. E escrever, enquanto contraposição a vida, surge como a impossibilidade de sair de si mesmo, a impossibilidade de ver o outro como outro. Para o escritor o outro será sempre a possibilidade de uma personagem, o outro será sempre uma extensão do seu interesse pessoal. Isto nunca é dito no livro, mas é intuído, na contraposição que existe entre o livro que se acaba de ler e o outro que Eça escreve através do Ernestinho, para crítico ler. Ernestinho faz precisamente um livro “mais natural”, um livro que vai ao encontro do outro, um livro que pede para fazer amigos. O livro de Eça, que termina com a flor bela e rara e para sempre da imagem máxima do egoísmo, na frase última de Basílio “Que ferro! Devia ter trazido Alphonsine.”, não pede para fazer amigos, pelo contrário, choca-nos a existência de tal personagem, quer seja pela criação, quer seja pelo retrato. Basílio é a vida tal como não a suportamos ver; a vida tal como nos esforçamos para não ver. E, assim, o autismo do escritor, contrariamente ao autismo de Basílio, traz-nos a verdade do humano, enquanto o autismo de Basílio traz-lhe a inexistência do humano. No fundo, tanto para Basílio quanto para o escritor, o humano não existe. Para Basílio existe apenas ele mesmo, mais ninguém (pois todos são extensões do seu prazer ou do seu desprazer), para o escritor existem apenas caracteres, personagens. Cabe ao leitor, decidir se as personagens dos livros reflectem ou não os humanos. Cabe-nos a nós a difícil tarefa de reconduzir o escritor à humanidade, que ele não tem, nem pode ter, ainda que o homem que faz de escritor, possa, aqui e ali, ser humano, ou quase humano. Terminamos assim aqui a nossa viagem ao coração de O Primo Basílio, no preciso momento em que o pior dos personagens se encontra com o seu criador, no momento em que Eça de Queirós se reconhece Basílio, pois só quem é se pode reconhecer.
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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 118
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UM LIVRO HOJE
Primeiro lançam ameaças de total severidade ao menor indício de irregularidade, tudo será escrutinado, tudo será investigado e passível de pesada e doce punição. Passam-se meses de músculos flectidos, de peito armado, de demonstrações de dureza implacável. Marcam-se conferências em que a mensagem é transmitida com a presença de uma matilha de cães de guarda que espumam da boca só de pensar na possibilidade de perseguir uma presa. Um ambiente em que é melhor não dizer em voz alta a palavra “sangue” não se vá atiçar a fome dos tubarões. Toda esta manifestação de inflexível determinação dissolve-se como cinzas quando chega a altura de puxar pelo músculo. Quando chega a altura de actuar, de transpor para a realidade a anunciada pujança de macho institucional que cantou de galo o tempo todo, apenas soa um singelo pio. Como um cão que quando se prepara para ladrar se parece com um Rottweiler mas que, quando chega a hora de morder, fá-lo como um Chihuahua. Parra e uva em quantidades totalmente desproporcionais. Por que será? Será que as ameaças se queriam veladas e vazias? Ou será que a justiça lupina escolhe apenas os mais baixos da cadeia alimentar para fazer cumprir a lei? Questões que se perdem na espuma eleitoral. João Luz
“TAHRIR – OS DIAS DA REVOLUÇÃO” | ALEXANDRA LUCAS COELHO | TINTA-DA-CHINA
Este livro não é uma reportagem, mas é como se fosse. De repente estamos na artéria do Cairo a viver uma revolução e a dormir com egípcios na rua, à espera que um ditador deixe, finalmente, de o ser. A jornalista Alexandra Lucas Coelho revela-nos histórias de sobreviventes mas, sobretudo, de pessoas cheias de esperança num futuro melhor. Andreia Sofia Silva
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MIGUEL MANSO
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PROBLEMA 119
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DE
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PARRA SEM UVA
Galeria do edifício da Direcção dos Serviços de Turismo,
Cineteatro
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PÊLO DO CÃO
EXPOSIÇÃO “O CIRCUITO DA GUIA COMO PATRIMÓNIO MUNDIAL DA UNESCO”
0.24
opinião 15
terça-feira 12.9.2017
macau visto de hong kong
E
Celebrar a morte
STA semana a área da Educação tem estado ao rubro em Hong Kong. Um dos casos que mais deu que falar foi a morte do filho de Christine Choi Yuk-lin, Sub-Secretária da Educação. Poon Hong-yan, de 25 anos, atirou-se da janela do seu apartamento, localizado no condomínio Sorrento, Austin Road, e foi encontrado inconsciente num terraço do 9º andar do Bloco 3. Foi transportado imediatamente de ambulância para o hospital, onde o óbito acabou por ser declarado. Por enquanto, os motivos do incidente permanecem desconhecidos. Posteriormente surgiram papéis afixados no campus da Universidade de Pedagogia (EdUHK), onde se podia ler “Parabéns ao filho de Choi Yuk-lin por ter ido para Ocidente”. “Ir para Ocidente” significa ter morrido. É uma tradução literal do cantonês. Os estudantes congratulavam-se, portanto, com a morte do filho de Choi Yuk-lin. É habitual existirem nas Universidades de Hong Kong espaços onde estudantes e trabalhadores podem afixar o que bem entenderem, conhecidos como Paredes da Democracia. Quem põe um papel nesta parede tem de se identificar, quer seja estudante quer seja trabalhador. As Paredes da Democracia são um símbolo da liberdade de expressão dentro das Universidades. Como se pode ler no website “HKFP”, Choi é um dos vice-presidentes da Federação dos Trabalhadores da Educação de Hong Kong (HKFEW sigla em inglês). É também Reitora do campus de Siu Sai Wan da Escola Secundária Fukien. As duas organizações têm fortes ligações a Pequim. Em Setembro de 2016 Choi candidatou-se pelo sector da Educação a um lugar no Conselho Legislativo, que perdeu para o candidato pró-democracia Ip Kin-yueneve. Choi obteve menos 30% dos votos que o seu opositor. Mas, apesar disso, Choi foi indigitada com Sub-Secretária da Educação em Julho de 2017, pelo que foi muito criticada. Ip declarou na altura: “O resultado das eleições demonstrou que as suas opiniões políticas não são apoiadas pela maioria do sector da Educação.” A indigitação para o cargo de Sub-Secretária da Educação será “um insulto aos eleitores.” É muito provavelmente devido a estes antecedentes, que apareceram nas Paredes da Democracia da EdUHK os papelinhos de “felicitações”. Mas infelizmente este não foi o único ataque a Choi. O website “hongkongfp.com” escrevia
LAUTARO FISZMAN, FUNERAL
DAVID CHAN
no passado dia 8, “Também foram postadas mensagens online de ataque à família: “Sabia que o seu filho estava deprimido. Mas em vez de lhe dedicar o seu tempo, aceitou uma promoção que ainda a ocupou mais, e deixou-o ao cuidado de uma empregada. Que modelo de pedagogia! Se não sabe ser mãe, como é que pode encarregar-se da educação dos filhos dos outros? É uma vergonha, devia demitir-se,” escreveu um comentador numa discussão do fórum LIHKG.” A EdUHK emitiu um comunicado a condenar estes comentários e apresentou as suas desculpas pelo pesar que possam ter causado a Choi. Podia ler-se: “A escola gostaria de reafirmar que, embora desfrutemos do direito à liberdade de expressão, deveremos também assumir uma atitude razoável na discussão de certas situações, e respeitar sempre os sentimentos dos outros. No caso presente, os actos ofensivos são vergonhosos – esperamos que quem afixou os cartazes faça alguma auto-crítica.” Os responsáveis da EdUHK declararam que estão a visionar as imagens das câmaras de vigilância e que, se necessário, serão tomadas medidas disciplinares.
“Os papelinhos de “felicitações” são obviamente desumanos. Representam uma falta de respeito à moral estabelecida, mas não implicam sanções legais. No entanto, podemos revoltarmo-nos e dizer alto e bom som “Não” a este comportamento desumano.”
A Associação de Estudantes da EdUHK emitiu um comunicado a negar a responsabilidade por esses actos e enviou representantes para retirar os papéis. A Universidade não deve, por causa destes acontecimentos, coartar a liberdade de expressão dos estudantes. “Ainda não foi confirmado se foi um estudante a colocar os papéis na Parede. De qualquer maneira, é evidente que se um estudante for punido pelas autoridades académicas, devido a declarações moralmente controversas, fica aberta a porta ao medo da liberdade de expressão e à auto-censura, e instala-se o terror no campus.” Se foi efectivamente um estudante que afixou os papéis, que castigo lhe será aplicado? Vão suspender-lhe a bolsa de estudos? Para já ninguém sabe. No entanto, a resposta de Universidade de Harvard a este tipo de casos poderá servir de modelo para situações futuras. Soube-se através do site “kknewscc” que Harvard vai recusar a admissão de, pelo menos, 10 candidatos, porque criaram um grupo de chat intitulado “Harvard memes para miúdas burguesas com tusa”. Este grupo permite que os seus membros postem fotos e mensagens sexual e racialmente discriminatórias. A este respeito a Universidade de Harvard declarou: “A Universidade reserva-se o direito de cancelar a admissão de um candidato se a sua conduta for desonesta, imatura ou imoral.” Todos sabemos que o desrespeito à moralidade é diferente do desrespeito à Lei, porque o primeiro não implica uma pena e o segundo sim; sobretudo, se se tratar de Lei Criminal. Os papelinhos de “felicitações” são obviamente desumanos. Representam uma falta de respeito à moral estabelecida, mas não implicam sanções legais. No entanto, podemos revoltarmo-nos e dizer alto e bom som “Não” a este comportamento desumano.
Professor Associado do IPM • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog
Tufão incentivou os políticos a mentirem ainda mais.
Tesoura das ilhas
BIRMÂNIA DALAI LAMA PEDE A SUU KYI SOLUÇÃO PACÍFICA PARA A CRISE DOS ROHINGYA
Entre mortos e vivos
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E for eleito nas eleições do próximo domingo, Lam U Tou, cabeça-de-lista da Poder da Sinergia, promete dedicar-se às questões ambientais. A promessa foi deixada ontem numa conferência de imprensa em que o candidato falou ainda dos efeitos da passagem por Macau do tufão Hato. Apontando que muitas árvores do território sofreram com a força do vento, Lam U Tou defendeu um plano de intervenção urgente. O candidato diz saber que o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) pretende plantar novas árvores a partir do próximo ano, mas
Rohingya (Arakan Rohingya Salvation Army, ARSA), que defende os direitos daquela minoria muçulmana. A ONU actualizou ontem para 313 mil o número de rohingyas que atravessaram a fronteira para o Bangladesh. Segundo uma estimativa, também das Nações Unidas, divulgada anteriormente, mais de um milhar de pessoas daquele minoria muçulmana podem ter morrido na sequência da escalada da violência no estado de Rakhine, um número
duas vezes superior às estimativas birmanesas. A Birmânia, onde mais de 90% da população é budista, não reconhece cidadania aos rohingya, uma minoria apátrida considerada pelas Nações Unidas como uma das mais perseguidas do planeta. Mais de um milhão de rohingya vive em Rakhine, onde sofrem crescente discriminação desde o início da violência sectária em 2012, que causou pelo menos 160 mortos e deixou aproximadamente
120 mil pessoas confinadas a 67 campos de deslocados. Apesar de muitos viverem no país há gerações, não têm acesso ao mercado de trabalho, às escolas, aos hospitais e o recrudescimento do nacionalismo budista nos últimos anos levou a uma crescente hostilidade contra eles, com confrontos por vezes mortíferos.
LIMPEZA EM CURSO
O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos do Homem
BIJU BORO/AFP/GETTY IMAGES
O
dalai lama instou a líder de facto da Birmânia, Aung San Suu Kyi, a encontrar uma solução pacífica para a crise dos rohingya, manifestando preocupação relativamente à violência que levou quase 300 mil pessoas a fugir do país. “Peço-lhe a si e aos seus colegas para que estendam a mão a todas as franjas da sociedade a fim de tentar restabelecer relações amigáveis no seio da população num espírito de paz e de reconciliação”, declarou o líder espiritual tibetano, numa carta endereçada à líder de facto do regime birmanês e também Nobel da Paz, a que a agência noticiosa francesa AFP teve hoje acesso. “As perguntas que me dirigem levam-me a pensar que são inúmeros os que têm dificuldade em compreender que aquilo que sucede aos muçulmanos acontece num país budista como a Birmânia”, escreveu o dalai lama. Os rohingya têm fugido em massa do oeste da Birmânia rumo ao vizinho Bangladesh desde que o exército lançou uma vasta ofensiva militar na sequência do ataque, lançado em 25 de Agosto, contra três dezenas de postos da polícia pela rebelião, o Exército de Salvação do Estado
terça-feira 12.9.2017
afirmou ontem que a forma como a Birmânia está a tratar a minoria muçulmana rohingya aparenta “um exemplo clássico de limpeza étnica”. “A Birmânia tem recusado o acesso dos inspectores [da ONU] especializados em direitos humanos. A avaliação actualizada da situação não pode ser integralmente realizada, mas a situação parece ser um exemplo clássico de limpeza étnica”, disse Zeid Ra’ad Al Hussein na abertura da 36.ª sessão do Conselho dos Direitos do Homem das Nações Unidas, em Genebra. Aung San Suu Kyi tem sido duramente criticada por defender a actuação do exército em relação aos rohingya por múltiplas personalidades, entre as quais os a paquistanesa Malala Yousafzai e o sul-africano Desmond Tutu, também laureados com o Nobel da Paz, havendo mesmo uma petição, já assinada por mais de 350 mil pessoas de todo o mundo, a pedir ao comité norueguês que lhe retire o prémio. Na passada quarta-feira, a líder birmanesa defendeu-se das críticas, afirmando haver uma campanha de desinformação sobre a questão e assegurando que vai proteger os direitos de todas as pessoas. “A solidariedade internacional com os ‘rohingya’ é o resultado de um enorme iceberg de desinformação, que visa criar problemas entre as diferentes comunidades e promover os interesses dos terroristas”, disse Suu Kyi.
Dalai Lama “As perguntas que me dirigem levam-me a pensar que são inúmeros os que têm dificuldade em compreender que aquilo que sucede aos muçulmanos acontece num país budista como a Birmânia”
As árvores não morrem de pé Candidato às legislativas locais defende intervenção urgente
considera que é preciso tratar já daquelas que, não tendo sido totalmente derrubadas, ficaram danificadas. O também director da Associação da Sinergia de Macau (ASM) vincou que podem ser afectadas por bactérias e morrerem por falta de trabalhos de preservação. Neste contexto, entende que este trabalho deve ser adjudicado a uma empresa que possa resolver o problema com a máxima celeridade. Ainda sobre as zonas arborizadas que se perderam devido ao Hato, o aspirante
a deputado defende que o Governo deve divulgar o plano que tem para a recuperação das áreas verdes, sendo importante que ouça a sociedade. Lam U Tou não concorda, por exemplo, com a ideia apresentada pelo IACM em relação à plantação de árvores com um elevado nível de resistência ao vento. “Deve haver espécies diferentes de árvores para poderem desempenhar funções variadas no território, incluindo a protecção da chuva e do sol”, argumenta.
Já sobre a protecção ambiental, Lam U Tou lamenta que o Governo não tenha ainda avançado com um plano concreto para criação de uma área de protecção mais rigorosa, medida que consta do planeamento oficial para os anos 2010 a 2020. Por isso, o candidato garante que o assunto será uma das prioridades na sua agenda, se conseguir um assento na Assembleia Legislativa. Também a reciclagem de resíduos alimentares preocupa o deputado, uma vez que as autoridades não
têm actualmente capacidade para tratar convenientemente deste tipo de lixo. Não há um terreno disponível para a criação de uma central de reciclagem de resíduos alimentares. Lam U Tou quer que os Serviços de Protecção Ambiental e a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes arranjem uma solução quanto antes.
DINHEIRO MAIS FÁCIL
Ambiente à parte, o candidato pronunciou-se sobre questões ligadas ao funcionamento da lista que encabeça, referindo que “o caminho tem sido difícil”. Assegurando que os membros da ASM trabalham em regime de voluntariado,
congratulou-se com o que tem sido possível fazer com uma associação criada recentemente e que funciona de forma independente. Lam U Tou explicou que recebeu apoio financeiro de residentes, enfatizando que o dinheiro arrecadado tem sido tratado de acordo com a lei e as contas serão apresentadas às autoridades depois da campanha eleitoral. Ainda a este propósito, o cabeça-de-lista da Poder da Sinergia defende futuras alterações à lei, para que seja mais fácil aos residentes contribuírem financeiramente para as candidaturas que apoiam. Vítor Ng
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