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Hoje Macau 12 JUL 2018 #4090

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QUINTA-FEIRA 12 DE JULHO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4091

JUSSI NUKARI/AP

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

LIU XIA

LIBERDADE EM BERLIM

www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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GRANDE PLANO

SONG PEK KEI VS. ADVOGADOS PORTUGUESES ÚLTIMA

h

OS CONTOS DO TRÂNSFUGA ANTÓNIO CABRITA

hojemacau

Bater a outras portas Depois de o IACM ter chumbado dois pedidos de prorrogação do prazo de utilização do terreno do Canídromo, a Yat Yuen tinha até terça-feira para apresentar um plano à entidade presidida por José Tavares. Porém, a concessionária voltou a pedir mais 120 dias para usar o canil do Canídromo. Desta vez o pedido foi entregue à DICJ que passou a bola à DSSOPT. Enquanto a batata quente passa de tutela em tutela, continua a não haver um plano de futuro para os galgos não adoptados. PÁGINA 9

MOP$10


2 grande plano

12.7.2018 quinta-feira

O PRECO DA LIBERDADE ´

DIREITOS HUMANOS

LIBERTAÇÃO DE LIU XIA VISTA COMO JOGADA POLÍTICA DA CHINA

Em prisão domiciliária há oito anos sem ter sido acusada de qualquer crime por parte das autoridades chinesas, Liu Xia, a viúva do activista Liu Xiaobo, já está em Berlim. Analistas dizem que esta foi uma manobra política da China para se aproximar dos parceiros europeus, numa altura em que se intensifica a guerra comercial com os Estados Unidos

N

O passado dia 8 de Abril disse estar pronta para morrer caso fosse necessário, mas ontem chegou a Berlim, capital da Alemanha, com um sorriso rasgado nos lábios e braços abertos prontos a abraçar um novo mundo. Liu Xia, a viúva do activista de direitos humanos Liu Xiaobo, falecido em Junho do ano passado, conseguiu finalmente sair da China onde permanecia em prisão domiciliária desde 2010, apesar de nunca ter sido formalmente acusada de qualquer crime. Pelo contrário, o seu marido foi acusado pelas autoridades chinesas do crime de subversão em 2009. A China anunciou a saída de Liu Xia do país com o argumento de que iria procurar tratamento médico na Alemanha, uma vez que há vários anos que Liu Xia vem sofrendo de depressão grave. Ontem, à chegada ao aeroporto de Berlim, a viúva do activista foi recebida por membros da Amnistia Internacional (AI), que há muito vinham clamando pela sua libertação.

“A AI tem vindo a trabalhar no seu caso durante tanto tempo que estamos aliviados e felizes pelo facto de ela estar finalmente livre”, disse Sara Fremberg, porta-voz da AI, citada pelas agências internacionais. A libertação aconteceu quando o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, se encontrava numa visita oficial à Alemanha, e muitos analistas acreditam que a libertação de Liu Xia não é mais do que uma manobra política de Pequim para se aproximar dos países europeus, uma vez que a guerra comercial com os Estados Unidos se tem vindo a intensificar. Além disso, acontece na próxima semana a Cimeira União Europeia – China. Hua Chunying, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, garantiu em conferência de imprensa de que não se pode fazer a ligação entre um caso de direitos humanos e uma política do foro económico. “Ela [Liu Xia] foi para a Alemanha para receber tratamento médico pela sua própria vontade. Sobre a possibilidade de esse

assunto estar relacionado com a visita diplomática de alto nível que decorre nesta altura, não vejo nenhuma ligação”, referiu. De frisar que, em Maio, a chanceler alemã realizou uma visita oficial à China onde, além

“Em primeiro lugar esta libertação deve-se ao esforço de Angela Merkel que fez uma pressão constante. Recentemente, a China tem vindo a mostrar interesse em juntar-se à Europa tendo em conta a guerra comercial com os Estados Unidos. A China tem poucos incentivos para confrontar a Europa neste momento.” BILL CHOU ACADÉMICO

de procurar pontes económicas e um equilíbrio diplomático entre o país e os Estados Unidos, também abordou a questão dos direitos humanos. A organização não governamental Human Rights Watch acreditava que já nessa altura Angela Merkel poderia levar consigo Liu Xia para a Alemanha, depois da chanceler se ter reunido com as mulheres de dois advogados da área dos direitos humanos detidos: Li Wenzu, mulher do advogado Wang Quanzhang, detido em Julho de 2015, e Xu Yan, esposa de Yu Wensheng, processado no início do ano por ter solicitado eleições livres. Em declarações recentes, Li Keqiang, primeiro-ministro chinês, deixou claro de que o país está disposto a olhar mais para a questão dos direitos humanos. “Devemos respeitar o humanitarismo e seguir os princípios humanitários. Estamos dispostos a dialogar com a Alemanha.”

IRMÃO PERMANECE NA CHINA

Na visão de Bill Chou, especialista em ciência política da Universi-

dade Chinesa de Hong Kong, o interesse económico está por detrás da libertação de Liu Xia. “Em primeiro lugar esta libertação deve-se ao esforço de Angela Merkel que fez uma pressão constante. Recentemente, a China tem vindo a mostrar interesse em juntar-se à Europa tendo em conta a guerra comercial com os Estados Unidos. A China tem poucos incentivos para confrontar a Europa neste momento”, defendeu. Também um representante do “Liu Xia Concern Group”, baseado em Hong Kong, que não se quis identificar, disse ao HM que a guerra comercial entre a China e os Estados Unidos “é definitivamente um factor que acelerou o processo de libertação”, embora as negociações “decorram há bastante tempo”. Nesta luta pela liberdade de Liu Xia, que sempre foi um dos temas fortes das manifestações em Hong Kong, há ainda uma outra questão a ter em conta: o seu irmão, Liu Hui, que continua na China onde cumpre pena de prisão domiciliária desde 2013 por fraude. Foi ele que anunciou nas redes sociais que a


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JUSSI NUKARI/AP

sua irmã tinha sido libertada, e que, na Europa, ela pode começar “uma nova vida”. “Agradeço às pessoas que se preocuparam com ela e que a ajudaram nestes anos (...) Desejo paz e alegria para a sua vida futura”, referiu nas redes sociais. Para o representante do “Liu Xia Concern Group”, “ele é, sem dúvida, um refém”. Já Bill Chou não está certo “até onde é que Angela Merkel foi para pressionar a libertação de Liu Hui”. “Tal como Liu Hui disse ao jornal Apple Daily, será necessário algum tempo para clarificar o obstáculo antes da sua reunião com a irmã”, acrescentou o académico. Numa altura em que a China acaba de prender outro activista veterano (ver texto em baixo), o representante do “Liu Xia Concern Group” considera fundamental que a Europa continue a pressionar Pequim relativamente à questão dos direitos humanos. “Claro que devem continuar a pressionar a China e falar publica-

mente no apoio que deve ser dado aos direitos humanos e activistas democráticos na China. Precisamente hoje foi detido o activista Qin Yongmin, sentenciado a 13 anos de prisão apenas pela sua advocacia pacífica. A União Europeia (UE) e outros países deveriam falar mais em casos semelhantes.”

“É um avanço positivo que há muito procurávamos.” EMBAIXADA DA UNIÃO EUROPEIA EM PEQUIM

Ainda assim, “neste caso particular da Liu Xia, a pressão não deverá acontecer até que Liu Hui seja liberto”.

UE FALA EM “AVANÇO POSITIVO”

Ontem a UE aplaudiu, em Pequim, a libertação de Liu Xia, tendo considerado esta acção como

sendo “um avanço positivo" num país onde a situação dos direitos humanos é "ainda preocupante". Uma delegação europeia concluiu, esta terça-feira, uma nova ronda de diálogos sobre direitos humanos na capital chinesa, em encontros de preparação para a cimeira entre os líderes de Pequim e Bruxelas, na próxima segunda-feira. Durante as reuniões, a UE abordou com as autoridades chinesas o caso de Liu Xia, que deixou na terça-feira a capital chinesa com destino a Berlim, na Alemanha, para receber tratamento médico. "É um avanço positivo que há muito procurávamos", indicou em comunicado a embaixada da UE na China. Apesar deste progresso, a UE sublinhou a "deterioração da situação dos direitos civis e políticos na China, acompanhada pela detenção e condenação de um número significativo de defensores dos direitos humanos chineses". Neste sentido, pediu às autoridades chinesas que libertem

“Claro que devem continuar a pressionar a China e falar publicamente no apoio que deve ser dado aos direitos humanos e activistas democráticos na China. Precisamente hoje foi detido o activista Qin Yongmin, sentenciado a 13 anos de prisão apenas pela sua advocacia pacífica.” REPRESENTANTE DO “LIU XIA CONCERN GROUP”

dezenas de activistas e defensores dos direitos humanos sob custódia, como o livreiro Gui Minhai, natural de Hong Kong e com passaporte

sueco, preso em Janeiro durante uma viagem de comboio a Pequim. A UE insistiu, ainda, na necessidade de investigar alegações de tortura de detidos, às quais as autoridades devem garantir o acesso a um advogado, visitas familiares e assistência médica. A pena de morte, a detenção arbitrária e as restrições à liberdade de expressão e associação na China foram outras das questões abordadas durante o diálogo. Por sua vez, Pequim insistiu que o gigante asiático conseguiu um "enorme avanço" nos direitos humanos nos últimos cinco anos. "A Europa foi convidada a examinar as conquistas da China em direitos humanos e a realizar intercâmbios de direitos humanos com a China, com base na igualdade e respeito mútuo", lê-se num comunicado divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. Andreia Sofia Silva (com agências) andreia.silva@hojemacau.com.mo

SUBVERSÃO CHINA CONDENA VETERANO ACTIVISTA A 13 ANOS DE PRISÃO

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justiça chinesa condenou ontem a 13 anos de prisão um veterano activista pelos direitos humanos, por "subversão contra o poder do Estado", um dia após ter libertado a viúva do Nobel da Paz Liu Xiaobo. Um tribunal da cidade de Wuhan, centro da China, anunciou a sentença

de Qin Yongmin no seu portal oficial electrónico, citando um delito frequentemente utilizado pelo regime chinês contra dissidentes. A condenação surge um dia depois de organizações de defesa dos direitos humanos e a comunidade internacional celebrarem

a libertação de Liu Xia, detida desde que o marido ganhou o Nobel da Paz, em 2010, apesar de não existir qualquer acusação judicial formal contra ela. "É realmente chocante ver uma sentença tão dura contra um activista veterano que simplesmente exerceu a sua

liberdade de expressão, após [a libertação] de Liu Xia dar alguma esperança", afirmou Patrick Poon, investigador da Amnistia Internacional, citado pela agência EFE. Qin foi um dos fundadores do Partido Democrata da China, proibido pelo regime comunista pouco depois da

sua criação. Em 2015, foi detido após ser acusado de "incitar a subversão contra o poder estatal", após ter escrito textos sobre a democracia e activismo. A defesa pelos direitos humanos levou-o já a passar, no total, 22 anos na prisão ou privado de liberdade. Entre

1981 e 1989 esteve preso e, entre 1993 e 1995, cumpriu dois anos de "reeducação" pelo trabalho, após colaborar na redacção da "Carta da Paz", na qual apelou ao Governo chinês que revisse a sua posição sobre a sangrenta repressão do movimento de Tiananmen.


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GCS

DESPREZO PELO JOGO

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uando os representantes do Governo abordaram os sectores estratégicos que permitem a atribuição do bilhete de identidade de residente, não mencionaram o jogo. Esta situação levou a uma intervenção mais indignada do legislador Zheng Anting: “O IPIM apontou as áreas estratégicas para o futuro. Mas e no jogo não precisamos de talentos? Qual é a fonte das nossas receitas?”, questionou.

VERGONHA NO IPIM

O

deputado Au Kam San considera que os funcionários do IPIM devem sentir vergonha com o que consta no relatório do CCAC. “Até agora, não foram apontadas irregularidades aos trabalhadores do IPIM. Mas eles devem sentir vergonha quando lêem o relatório do CCAC e constatam que tantos pedidos foram aprovados mesmo sem o cumprimento da verba mínima exigido”, apontou o legislador.

Lionel Leong “Os nossos trabalhos prioritários vão focar os processos que estão próximos de cumprir os sete anos de residência. Se for constatado que na análise a esses procedimentos houve ilegalidades ou irregularidades, vamos encaminhar os processos para os órgãos judiciais.”

O

secretário para a Economia e Finanças prometeu um Executivo empenhado em aumentar o nível de transparência nos procedimentos de fixação de residência por investimentos considerados estratégicos e para a importação de quadros qualificados. A garantia foi deixada ontem na Assembleia Legislativa, no âmbito de um debate de interesse público proposto pela deputada Ella Lei. A discussão teve como plano de fundo as irregularidades apontadas pelo Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) ao Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau na autorização dos planos de residência. Os planos de Lionel Leong passam assim por aumentar a fiscalização para uma periodicidade anual dos pedidos aprovados pelo IPIM, criar um sistema de pontuação nos processos de autorização de pedidos de residência e colocar online as

GOVERNO PROMETE MAIOR TRANSPARÊNCIA NOS PEDIDOS DE RESIDÊNCIA

Agora é a contar

Lionel Leong diz que está empenhado em aumentar o nível de transparência nos pedidos de residência, criar um sistema de pontuação e cancelar os BIR obtidos através de informações falsas pontuações e informações consideradas relevantes. Ao mesmo tempo vão ser cancelados os BIR obtidos através da prestação de informações falsas. “Temos de aperfeiçoar o mecanismo, além do montante do investimento vamos criar quotas e metas que serão estabelecidas ao nível das vantagens para o mercado laboral de Macau. No passado, os planos de investimentos eram analisados a cada três anos, agora

vão ser uma analisados de forma anual”, disse Lionel Leong. O secretário destacou ainda que haverá também uma maior atribuição de competências de fiscalização ao IPIM e que todos os pedidos de atribuição de residência que ainda não se tornaram permanentes vão ser fiscalizados novamente. “Desde Fevereiro deste ano que foi criada uma equipa a pensar na revisão dos processos em vigor.

IPIM Arquivados um terço dos casos irregulares em pedidos de residência O procurador do Ministério Público (MP), Ip Song Sang, afirmou, à MASTV, que desde 2013 recebeu cerca de 65 casos transferidos pelo IPIM relacionados com irregularidade nos pedidos para obter o direito a residência por investimento. Desse número, um

terço já foram mesmo arquivados e Ip referiu que as investigações têm de ser feitas de acordo com a lei. Questionado sobre a situação dos envolvidos que obtiveram a residência com base em informações falsas e ilegalidades, o Procurador apontou que as leis

sobre esta matéria são aplicadas pelas autoridades. Por último, o procurador referiu que nos últimos anos tem-se sentido a falta de recursos humanos no MP e que por isso tem havido uma cooperação com os serviços judiciais para resolver o assunto.

Os nossos trabalhos prioritários vão focar os processos que estão próximos de cumprir os sete anos de residência. Se for constatado que na análise a esses procedimentos houve ilegalidades ou irregularidades, vamos encaminhar os processos para os órgãos judiciais”, acrescentou.

PROCESSOS SEM RESPOSTA

No que diz respeito aos critérios para a atribuição dos BIR por inves-

INVESTIMENTOS FACHADA

“N

ão acredito que o secretário não esteja a par das pessoas que compram imobiliário em Macau, como se fosse investimento, para obterem residência”. A frase foi do deputado pró-Governo Vitor Cheung Lup Kwan, ontem, na Assembleia Legislativa. O legislador considerou ainda que é aceitável que quem trabalhe erre, mas que pediu que os funcionários “não se esquivem às responsabilidades” e sejam “honestos”.

timentos “relevantes”, o secretário negou que o montante seja o principal critério: “Os investimentos têm de ser em indústrias que sejam apostas para o desenvolvimento, devem proporcionar mobilidade social, aumentar a concorrência, reforçar a marca Macau, promover o desenvolvimento sustentado e ter um montante relevante”, justificou. Segundo Lionel Leong, as empresas vão ser também obrigadas a apresentar resultados financeiros anuais com auditorias a cargo de entidades independentes. Se por um lado Lionel Leong prometeu mais exigência, por outro, não quis revelar se há qualquer processo ou suspeitas de irregularidades internas e se foram reencaminhadas para o MP. A questão tinha sido levantada pelo deputado Sulu Sou e ficou sem resposta. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


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LEIS AU KAM SAN CONTRA O CRIME DE FALSO ALARME SOCIAL

TIAGO ALCÂNTARA

quinta-feira 12.7.2018

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deputado Au Kam San criticou o documento da consulta pública sobre a lei de da protecção civil, apontando que o crime de falso alarme social pode causar preocupações na sociedade. Ao Jornal do Cidadão, o legislador considerou que os residentes que espalham informações falsas já podem ser punidos segundo as leis actuais, pelo que não é adequado que o Executivo elabore um novo crime. Por outro lado, o deputado acrescentou que, de uma forma geral, os cidadãos têm dificuldade em confirmar as informações, por isso aponta que acaba por ser normal que se discuta entre os amigos certas informações e que esse motivo não deveria ser suficiente para desencadear uma acusação criminal. O deputado concorda que os residentes sejam punidos quando em situações de emergência ou de catástrofes espalham rumores dolosos com o intuito de criar confusão. No entanto, para produzir acusações deste género, Au Kam San, defende que o Governo tem de confirmar de maneira clara que houve dolo e que os rumores não resultaram apenas em confusão. Ainda assim, o deputado sublinhou que face aos rumores o Executivo deve tomar uma atitude activa e fornecer os esclarecimentos necessários. Por sua vez, Zhao Guoqiang, professor em Direito da Universidade de Macau, declarou ao Jornal Ou Mun que com o desenvolvimento da Internet vai haver cada vez mais países ou regiões em que será criminalizada a divulgação intencional de informações falsas. O académico diz que a criminalização tem como objectivo proteger a ordem social. Na sua perspectiva, o crime de falso alarme social é uma necessidade e deve ser aplicado na lei de base da protecção civil.

Grande Baía Planeamento pronto em três meses

O Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, disse esperar que o planeamento da Grande Baía seja concretizado nos próximos três meses. A mensagem foi transmitida durante o balanço sobre a visita a algumas das cidades que fazem parte da zona económica, de acordo com o Jornal do Cidadão. O Chefe do Executivo referiu ainda que o Governo iniciou a elaboração de vários estudos preliminares em colaboração com o Governo Central sobre planeamento da Grande Baía e que espera aproveitar as vantagens de Macau. Ao mesmo tempo, vai haver a aposta numa política de complementaridade entre as várias cidades com o objectivo de criar uma zona económica internacional, que acabará por diversificar também a região.

TÁXIS DEPUTADOS QUEREM DISPOSIÇÕES MAIS CLARAS NA REGULAMENTAÇÃO DE ALVARÁS

Momento de claridade

A proposta de lei sobre a regulamentação dos táxis não define o número de licenças a que cada sociedade comercial pode ter acesso nem o limite de alvarás a conceder a cada licença. Os deputados da 3ª comissão permanente querem estas informações definidas na lei, bem como esclarecimentos adicionais no que respeita à concessão e cancelamento de alvarás

O

S deputados da 3ª comissão permanente querem que os alvarás emitidos por cada licença de táxis sejam limitados e que a informação conste da proposta de lei que está a ser analisada na especialidade. A informação foi dada pelo presidente da comissão, Vong Hin Fai. “Cada licença deve ter um número de alvarás limitado”, referiu o Vong aos jornalistas após o encontro com o Governo. De acordo com o deputado, o diploma deve ainda de definir o número de licenças que cada sociedade comercial pode ter. “Temos de ver também se cada sociedade comercial pode ter uma ou várias licenças”, disse. O Governo não avançou com nenhuma informação neste sentido, disse Vong, que relevou ter recebido indicações de que o Executivo “vai estudar a situação”. Entretanto, a comissão aponta que o limite de alvarás

por licença irá constar da proposta de lei.

CRITÉRIOS NECESSÁRIOS

Os deputados querem ainda esclarecimentos dos critérios de cancelamento do alvará. A proposta de lei admite a sua suspensão quando os equipamentos como os taxímetros, sistema de GPS ou os dispositivos de gravação de som que a lei prevê que venham a ser instalados, não apresentarem um “funcionamento regular”. Para os deputados, esta definição não chega até porque “abre espaço ao exercício de poder discricionário por parte das autoridades”, disse Vong Hin

“Cada licença deve ter um número de alvarás limitado.” VONG HIN FAI PRESIDENTE DA 3ª COMISSÃO PERMANENTE

Fai. Este é mais um caso em que é necessário saber o que é “um funcionamento regular”. De acordo com o que consta na proposta de lei, a autorização de circulação pode ser retirada caso a viatura exceda o tempo de prazo da sua utilização. Os deputados entendem que este prazo tem de ser devidamente esclarecido na lei. Segundo o Executivo, “o prazo máximo de vida útil de um veículo é de oito anos e em concursos futuros este ponto vai ser esclarecido”, apontou o Vong.

NOVO EM FOLHA

Quanto à necessidade de substituição de veículos, a comissão considera que não é justo que se peça que seja feita recorrendo a veículos novos tal como está previsto no diploma. “No ano passado, por causa do tufão Hato, os veículos tiveram de ser substituídos, temos de clarificar esta norma”. A comissão considera ainda que em caso de pedido de can-

celamento de alvará por parte da empresa detentora de licenças há necessidade deste ser apresentado com antecedência. “Se uma empresa com 50 alvarás quiser fazer o cancelamento, por exemplo, temos que estar prevenidos e definir bem os procedimentos de cancelamento”, disse. Quanto a prazos para o final da análise na especialidade da proposta de lei, Vong Hin Fai “espera que a comissão possa concluir os contactos com o Governo até ao final do mês, ou início do próximo”, disse. No entanto, não há mais nenhuma calendarização para votação na especialidade na Assembleia Legislativa. O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário admitiu várias vezes e repetiu ontem à margem da reunião da comissão que “tudo pode mudar até ao final da análise”. Sofia Margarida Mota

sofia.mota@hojemacau.com.mo


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Carlos André alerta para a necessidade crescente de inovação no apoio dado por Macau à formação de professores de português de forma a não ser ultrapassado pela China. O académico acredita que daqui a cinco anos o continente será auto-suficiente na formação de docentes de português

PORTUGUÊS MACAU PODE PERDER TERRENO NA FORMAÇÃO DE DOCENTES DA CHINA

Ver o comboio passar GONÇALO LOBO PINHEIRO

outra vantagem, pois nós não conseguimos exportar os livros para o interior da China”, adiantou. Carlos André, que está de saída da direcção do centro do IPM, explicou que está na calha a publicação de mais livros até 2019. “Temos dois volumes da professora Adelina Castelo relacionados com fonética e fonologia, temos um volume de vocabulário organizado por Rui Pereira. Também temos uma gramática de desvios, organizada pela professora Isabel Poço Lopes, um estudo feito com professores chineses sobre as suas principais dificuldades, onde se verifica que eles têm desvios na gramática. Já estamos com todos esses livros na forja para saírem até 2019”, explicou.

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O I um recado dado à margem do lançamento da quinta edição do curso “Verão em Português no Instituto Politécnico de Macau” (IPM), destinado a professores de língua portuguesa de universidades chinesas. Para Carlos André, director do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa (CPCLP) do IPM, o ensino superior local terá de inovar nas ferramentas que disponibiliza aos docentes chineses ou Macau perderá o seu papel de formador daqui a poucos anos. “O grande problema que vamos enfrentar nos próximos tempos é que tudo isto está em transformação. Não lhe dou mais do que cinco a sete anos para que estes professores tenham atingido um tipo de qualificação de topo. Aí, ou somos capazes de ser parceiros, ou se continuamos a pensar que continuamos a ser instrumentos, podemos ser perfeitamente descartáveis”, defendeu Carlos André, que ontem também falou numa

“Se Macau continuar a pensar, como muitas pessoas pensam, de uma forma superior, de facto tornase perfeitamente secundário, não tenho dúvidas nenhumas.” palestra promovida pela Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau. Neste sentido, o território “tem de ser capaz de enfrentar uma nova realidade”, sendo que “tudo depende de como Macau se comportar”. “Se Macau continuar a pensar, como muitas pessoas pensam, de uma forma superior, de facto torna-se perfeitamente secundário, não tenho dúvidas nenhumas.”

Para o ainda director do CPCLP, há académicos de outras nacionalidades capazes de dar formação em português e entender o universo da língua de Camões. “Não digam que eles não são capazes, porque eu conheço o mundo de formação em língua portuguesa e o melhor que foi surgindo nas últimas décadas não são portugueses mas sim franceses, italianos ou america-

Incêndio Cigarro mal apagado causou fogo em prédio na Taipa Na sequência do incêndio ocorrido no passado domingo no Edifício Tak Fok Hoi Keng Fa Un Kam Keng Kok, atrás do Hotel Altira, um morador com cerca de 40 anos entregou-se à polícia. O homem confessou às autoridades ter deixado um cigarro mal apagado no sítio onde deflagrou o incêndio. Por essa razão, o caso foi encaminhado para o Ministério Público e o indivíduo é suspeito de ter cometido o crime

de fogo posto que, caso seja causado por negligência, é punido com uma pena de prisão que pode chegar aos cinco anos. Também de acordo com o canal chinês da Rádio Macau, a PJ recorreu à videovigilância para identificou o morador. O incêndio começou num caixote de lixo no sexto andar do edifício. Segundo o conselho de administração do edifício, o fogo causou um prejuízo de sete mil patacas.

nos. Não vamos imaginar que os estrangeiros não são capazes de saber tanto sobre nós como nós. Até podem saber mais.”

MANUAIS ONLINE

Uma das inovações que o IPM está a desenvolver é o projecto “Convergências”, financiado pelo Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES), e que coloca online todos os manuais que o IPM tem vindo a produzir para docentes de português do continente. “Vamos comprar equipamento áudio e vídeo e software adequado, o que significa que, à medida que nos vão chegando os inputs do trabalho dos professores no interior da China nós estamos a transformar os materiais. Os materiais são postos online e estão sempre em transformação. É a grande revolução no fornecimento de materiais pedagógicos. Esta dinâmica tem

CARLOS ANDRÉ DIRECTOR DO CENTRO PEDAGÓGICO E CIENTÍFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA

Na formação de docentes, que ontem teve início, participam 24 professores de 17 universidades chinesas. Na quinta edição a formação conta com a certificação do Instituto Camões. “Conseguimos alcançar um modelo de formação certificado pela única entidade portuguesa que pode, de facto, certificar formações desta natureza. Isto dá mais currículo aos professores chineses, e do ponto de vista do conhecimento, obviamente, dá mais conforto ter uma certificação de uma entidade que é internacionalmente reconhecida”, rematou Carlos André. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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quinta-feira 12.7.2018

FUGITIVO AUTORIDADES INFORMARAM MALÁSIA QUE JHO LOW DEIXOU MACAU

Berhad (1MBD). O caso foi denunciado em 2015 e, na altura, o então Primeiro-Ministro Najib Tun Razak foi acusado de ter utilizada a 1MBD para transferir cerca de 700 milhões de dólares norte-americanos para as suas contas pessoais. Neste processo Jho Low é tido como um dos principais parceiros de Razak e terá, inclusive, assinado vários papéis a autorizar as transferências. Depois de muita controvérsia, o caso acabou por ser fechado. Contudo, em Maio deste ano houve novas eleições e após a vitória do actual Primeiro-Ministro, Mahathir Mohamad, a investigação foi reaberta. Desde então, Razak foi proibido de sair da Malásia e está detido.

Entre os pingos de chuva

O fugitivo Jho Low já não está no território e, segundo South China Morning Post, terá escapado para o continente. A saída de Macau foi confirmada pelas autoridades malaias e surge depois de um desmentido da Polícia Judiciária, em que as forças de segurança locais adoptaram um discurso mais duro

O

empresário Jho Low, que é procurado pelas autoridades da Malásia, deixou o território. A informação foi avançada, ontem, pelos órgãos de comunicação social do país do SudesteAsiático, com base na actualização das informações prestadas pelas forças de investigação malaias. Segundo o Inspector-Geral da Polícia Real da Malásia, Bukit Aman, as autoridades de Macau enviaram uma mensagem de correio electrónico na segunda-feira a informar que Low já teria saído de Macau. Contudo, não foram avançados mais pormenores. “O email [da PJ] não especificava quando Low deixou Macau. Neste momento é complicado conseguir saber o seu [Low] paradeiro porque acreditamos que está a usar vários passaportes”, afirmou Bukit Aman, ontem, de acordo com o jornal local The Star, durante uma conferência de imprensa. Esta posição por parte das autoridades da Malásia foi tomada depois de Macau ter desmentido as informações que estavam a ser divulgadas. Na terça-feira à noite,

Porém, segundo o South China Morning Post, Low terá atravessado a fronteira para o Interior da China, dentro de um carro ou de jacto privado.

VOLTE-FACE

a Polícia Judiciária tinha mesmo emitido um comunicado a lamentar a postura da congénere malaia. “O Subgabinete de Macau do Gabinete Central Nacional Chinês da Interpol recebeu e respondeu à solicitação formulada pelo país em causa [Malásia]. As informações fornecidas recentemente aos média pelo responsável da Polícia daquele país não correspondem à verdade”, lê-se num comunicado divulgado na noite de terça-feira pela polícia. Ao mesmo tempo, a PJ recusou adiantar informações sobre o eventual paradeiro de Jho Low e os dias em que teria entrado e saído de Macau: “No cumprimento da Lei, a PJ não pode

Dados Pessoais Prossegue investigação à Galaxy

O Gabinete de Protecção de Dados Pessoas prossegue com a investigação à operadora de jogo Galaxy Entertainment Group, apesar de Lionel Leong, secretário para a Economia e Finanças, ter dito desconhecer o caso. “Neste momento, não existe actualizações sobre o processo, porque nesta fase as investigações ainda estão a decorrer e envolvem determinados procedimentos” afirmou um porta-voz do Gabinete de Protecção de Dados Pessoais, ao HM. Em causa está o alegado mecanismo implementado pela operadora Galaxy para “espiar” os seu trabalhos e poder contrariar eventuais comentários negativos nas redes sociais sobre a empresa. Na semana passada, Lionel Leong afirmou não conhecer o caso, apesar deste ter sido noticiado na imprensa de Macau e Hong Kong.

As declarações de Bukit Aman são um recuo das autoridades da Malásia que até ontem defendiam que Jho Low estava em Macau. O empresário que é procurado há mais de três anos teria entrada na RAEM, após as autoridades da Malásia terem chegada a Hong Kong com o propósito de o prenderem.

revelar publicamente dados relativos à entrada e saída de quaisquer indivíduos da RAEM”, é explicado.

Jho Low, cujo nome verdadeiro é Low Taek Jho, está em fuga há três anos e é procurado para assistir as autoridades num crime de desfalque de fundos públicos, que envolve a companhia 1Malaysia Development

João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

“O email [da PJ] não especificava quando Low deixou Macau. Neste momento é complicado conseguir saber o seu [Low] paradeiro porque acreditamos que está a usar vários passaportes.” POLÍCIA REAL DA MALÁSIA

PUB HM • 2ª VEZ • 12-7-18

HM • 2ª VEZ • 12-7-18

ANÚNCIO

ANÚNCIO

PROCESSO: Execução Ordinária

CV3-16-0228-CEO

3.º Juízo Cível

EXEQUENTE: BANCO INDUSTRIAL E COMERCIAL DA CHINA (MACAU), S.A., com sede em Macau, na Avenida da Amizade, n.º 555, Macau Landmark, Torre ICBC,18.ºandar.-------------------------------------------------------------------------EXECUTADOS: IP SENG CHIO, e LAO IOK PANG, ora ausente em parte incerta, ambos com última residência conhecida em Macau, na Rua de Paris, Edifício Centro Comercial Cheng Feng, 8.º andar A.-------------------------------------------------*** FAZ-SE SABER que, nos autos acima indicados, são citados os credores desconhecidos dos executados, acima identificados, para no prazo de QUINZE DIAS, que começa a correr depois de finda a dilação de VINTE DIAS, contada da data da segunda e última publicação do anúncio, reclamarem o pagamento dos seus créditos pelo produto do bem penhorado sobre que tenham garantia real, e que é o seguinte:-------------------------------------------------------------------IMÓVEL PENHORADO Denominação: Fracção autónoma designada por “HR/C” do Rés-do-chão “H”. ----------------- Situação: Avenida Norte do Hipódromo, nºs 293 a 319; Rua dos Hortelãos, nºs 143 a 161, Avenida da Longevidade, nºs 482 a 534, Macau. ----------------------------------------- Fim: Para comércio. ----------------------------------------------------------------------- Número de matriz: 071632. -------------------------------------------------------------- Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: 21595, a fls. 24v do Livro B52. ------------------------------------------------------------------------------------------------------ Número da inscrição em nome do executado: nº283938G.-------------------------*** Macau, 22 de Junho de 2018

Execução Ordinária n.º Exequente: Executados:

CV2-17-0283-CEO

2.º Juízo Cível

BANCO INDUSTRIAL E COMERCIAL DA CHINA (MACAU) S.A. (中國工商銀行(澳門)股份有限公司), com sede em Macau, na Avenida da Amizade, nº 555, - Macau Landmark, Torre ICBC, 18.º Andar. 1. TANG KAM TONG (鄧錦棠), masculino, maior, com última residência conhecida em Macau, Taipa, na Rua da Madeira, n.º 99, Edifício do Lago – Bloco IV, 45.º andar “F”, ora ausente em parte incerta; e 2. Outra. ***

Correm éditos de trinta (30) dias, a contar da segunda e última publicação do anúncio, citando o TANG KAM TONG (鄧錦棠), para no prazo de vinte (20) dias, decorrido que seja o dos éditos, pagar ao exequente a quantia de MOP$785.593,72 (Setecentas e Oitenta e Cinco Mil, Quinhentas e Noventa e Três Patacas e Setenta e Dois Avos), acrescida dos juros de mora vincendos, à taxa legal, sobre o montante de MOP$782.125,93 (Setecentas e Oitenta e Duas Mil, Cento e Vinte e Cinco Patacas e Noventa e Três Avos), contados desde 14 de Novembro de 2017 até efectivo e integral pagamento e ainda as custas e selos, ou no mesmo prazo, deduzir oposição por embargos ou nomear bens à penhora, sob pena de, não o fazendo, ser devolvido à exequente o direito de nomeação de bens à penhora, seguindo os ulteriores termos processuais até final mesmo à revelia do executado. Tudo conforme melhor consta do duplicado do requerimento inicial que neste 2.º Juízo Cível se encontra à sua disposição e que poderá ser levantado nesta Secretaria Judicial nas horas normais de expediente. E ainda que é obrigatória a constituição de advogado caso sejam opostos embargos ou tenha lugar a qualquer outro procedimento que siga os termos do processo declarativo. Macau, aos 03 de Julho de 2018.


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12.7.2018 quinta-feira

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 419/AI/2018 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor LAM SOI KAI, portador do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da RAEM n.º 50456xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 157/DIAI/2016 levantado pela DST a 18.12.2016, e por despacho da signatária de 19.06.2018, exarado no Relatório n.° 395/DI/2018, de 28.05.2018, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $660.000,00 (Sessentas e seis mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua de Luis Gonzaga Gomes, n.os 210 - 212, Kam Fung Tai Ha, Bloco 2, 7.° andar P onde se prestava alojamento ilegal.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.-----------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 30 dias, conforme o disposto na alínea a) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode o infractor, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.---------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.---------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 19 de Junho de 2018. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 435/AI/2018 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor TUNG AH CHOI, portador do Bilhete de Identidade de Residente Permanente de Hong Kong n.° D3360xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 93/DI-AI/2016 levantado pela DST a 02.09.2016, e por despacho da signatária de 19.06.2018, exarado no Relatório n.° 406/DI/2018, de 01.06.2018, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $350.000,00 (trinta e cinco mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua de Luis Gonzaga Gomes, n.os 210 - 212, Kam Fung Tai Ha, Bloco 2, 7.° andar N onde se prestava alojamento ilegal.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.-----------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode o infractor, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.---------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.---------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 19 de Junho de 2018. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes


sociedade 9

quinta-feira 12.7.2018

GALGOS YAT YUEN PEDIU MAIS 120 DIAS À DICJ PARA OCUPAR CANIL DO CANÍDROMO

Correr as capelinhas A Companhia de Corridas de Galgos Yat Yuen pediu à Direcção dos Serviços de Inspecção e Coordenação de Jogos mais 120 dias para continuar a usar a área do canil do Canídromo e ainda o uso das cavalariças do Macau Jockey Club para colocar os galgos que ainda não foram adoptados

O

terceiro plano para garantir o futuro dos galgos do Canídromo foi entregue à Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), mas ainda não foi desta que se chegou a uma conclusão do caso. De acordo com um comunicado ontem emitido, a Companhia de Corridas de Galgos Yat Yuen pediu mais 120 dias para continuar a usar a área do canil do Canídromo, ainda que o prazo estabelecido pelo Governo para a utilização do terreno termine no próximo dia 21 deste mês. É de realçar que a concessionária sabe desde 2016 que teria de abandonar o espaço e dar um destino aos animais. A empresa garantiu “que irá concluir os processos de realojamento dos galgos e de saída do Canídrimo dentro do mesmo prazo”. Foi também pedido à DICJ que “seja autorizada a ocupação, de forma provisória, das cavalariças desocupadas da Companhia de Corridas de Cavalos de Macau [Macau Jockey Club], para colocar os galgos até os mesmos serem adoptados”. Recorde-se que os dois últimos planos entregues pela Yat Yuen incluíam um pedido de prorrogação do prazo de utilização do terreno onde funciona o Canídromo. Contudo, ambos foram chumbados

pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM). A DICJ optou por não assumir nenhuma posição relativamente ao terceiro plano apresentado pela Yat Yuen. “Considerando que, depois de 20 de Julho, o aproveitamento do terreno onde se encontra a companhia deixará de incidir sobre as actividades no âmbito da exploração das corridas de galgos, e atendendo que a fiscalização da gestão e

aproveitamento do terreno não é da competência da DICJ, o referido pedido será reencaminhado para os serviços competentes”, lê-se no comunicado. A mesma entidade também não dá uma resposta concreta quanto à possibilidade de colocar os galgos nas cavalariças, passando a bola para a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. “O pedido deve ser apresentado [pelo Macau Jockey Club]

junto dos serviços competentes pela fiscalização e aproveitamento do terreno, tendo em conta a alteração da finalidade do terreno em questão. É ainda necessário a autorização dos serviços competentes no âmbito da protecção e gestão animal para que esta Direcção de Serviços possa fazer a apreciação do pedido em causa.”

“TODOS LAVAM AS MÃOS”

Para Albano Martins, presidente da Sociedade Pro-

tectora dos Animais de Macau (ANIMA), o Chefe do Executivo, Chui Sai On, deveria reunir com todos os secretários envolvidos nesta questão, tais como Sónia Chan (IACM), Raimundo do Rosário (terrenos do Canídromo e Macau Jockey Club) e Lionel Leong (DICJ). “Não é possível que o Governo não assuma a responsabilidade. Basta o Chefe do Executivo reunir com os secretários e não decidir por baixo. O Governo é muito ineficiente para tomar uma decisão. Caso contrário chega-se ao final do mês e ainda não se sabe qual é a situação dos animais”, adiantou ao HM. Sobre o facto da Yat Yuen ter recorrido à DICJ depois de um longo período de negociação com o IACM, Albano Martins considera essa posição “no mínimo, indelicada”. “Se fosse o IACM não gostaria nada de saber que isso aconteceu. É uma falta de respeito e de educação. A

“Não é possível que o Governo não assuma a responsabilidade. Basta o Chefe do Executivo reunir com os secretários e não decidir por baixo [via IACM e DICJ]. O Governo é muito ineficiente para tomar uma decisão.” ALBANO MARTINS PRESIDENTE DA ANIMA

DICJ não tem nenhuma responsabilidade quanto ao bem-estar animal”, rematou. O HM questionou o advogado Sérgio de Almeida Correia sobre uma eventual ilegalidade cometida pela Yat Yuen na entrega de um plano desta natureza à DICJ, mas este disse apenas considerar “estranho [o pedido de prolongamento do prazo], porque a terra tem um valor]”. “Se eu pedir ao senhorio para ficar mais 120 dias num apartamento que me tenha arrendado, de certeza que ele me pede para arranjar alternativas ou então vai-me cobrar. Faz-me confusão como é que essa empresa, depois de ter desrespeitado todos os prazos que lhe foram dados pelo Governo e de pura e simplesmente não ter tratado de resolver o que tinha a resolver a tempo e horas, ainda se permite fazer propostas desta natureza. Para mim isso é de quem não tem vergonha na cara. Mas depois de tudo o que aconteceu com o Macau Jockey Club e aquela prorrogação de concessão, tudo é possível”, concluiu. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

GALGOS IACM SIMPLIFICA ACORDO COM HONG KONG PARA INSPECÇÃO SANITÁRIA

O

Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) estabeleceu um acordo com o Agriculture, Fisheries e Conservation Department (AFCD) de Hong Kong sobre “a aplicação de medidas especiais de inspecção sanitária aos galgos na importação em Hong Kong, para ajudar os re-

sidentes de Hong Kong na adopção destes animais”. Contudo, e de acordo com o comunicado ontem divulgado, “não deu entrada no IACM, até à data, nenhum pedido de emissão de certificado sanitário para a exportação de galgos”. O acordo que foi assinado especificamente para os galgos

foi selado depois de uma visita in loco das autoridades ao Canídromo “e ao procedimento de inspecção sanitária para efeitos de exportação”. Tanto Macau como Hong Kong “chegaram a acordo sobre a disposição especial para os galgos, ajustando de forma científica os requisitos para inspecção sanitária,

de forma a encurtar o período de quarentena após a chegada destes animais a Hong Kong”. Actualmente, o período de espera para este período de quarentena, não inferior a 120 dias, é de quatro a cinco meses, sendo que os animais não podem entrar no território vizinho sem respeitar esta regra.

Neste sentido, “o IACM e o AFCD procederam à avaliação de riscos sobre a simplificação dos trâmites da inspecção sanitária relativa aos galgos de Macau aquando da sua chegada a Hong Kong”.


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12.7.2018 quinta-feira

Palco das artes WUSHU MACAU ACOLHE ENCONTRO DE MESTRES ENTRE 3 E 5 DE AGOSTO

Transformar Macau num palco de exibição de artes marciais é o objectivo de mais uma e 5 de Agosto. Além de juntar os melhores praticantes desta arte, o evento pretende prom

Contos dançados

E

LES tanto voam como meditam em movimentos lentos. A gravidade parece ser irrelevante para os praticantes de Wushu, também conhecido por Kung Fu, a arte marcial da China que vai muito além da prática desportiva. De 2 a 5 de Agosto, Macau vai ser palco internacional desta modalidade com a realização da 3ª edição do Encontro de Mestres de Wushu. Este ano a iniciativa está repleta de novidades. Nas novas actividades que vão preencher o encontro de mes-

A

coreografia do clássico conto dos Irmãos Grimm, “Hansel e Gretel” vai ser apresentada nos próximos dias 13 e 14 no grande auditório do Centro Cultural de Macau. O espectáculo é encenado pela companhia premiada Ballet Escocês e promete “levar tanto as crianças como o público mais crescido a girar num carrossel de deliciosas guloseimas e destreza, contando uma história plena de magia e argúcia”. A coreografia será dividida em dois actos, refere um comunicado da organização. Mantendo-se fiel às ideias mestras do conto original, a interpretação da companhia escocesa “reteve os elementos principais desta história infantil, procurando encontrar um novo público”, aponta. O coreógrafo Hampson substituiu o tradicional cenário medieval por um enquadramento inspirado em meados do século XX, “algures entre os anos 50 e 70”. No que respeita à música que acompanha a coreografia, a peça foi escrita originalmente para a ópera homónima composta por Engelbert Humperdinck em 1891. Para este espectáculo foi rearranjada pelo maestro principal do Ballet Escocês, Richard Honner.

UMA HISTÓRIA DE SUCESSO

Fundada em 1957 por Peter Darrell e Elizabeth West, em Bristol, sob a designação de

Western Theatre Ballet, a companhia mudou-se para Glasgow em 1969 e foi rebaptizada como Ballet Teatro Escocês, mudando para Ballet Escocês em 1974. A companhia actua por todo o mundo, tendo como base do seu trabalho uma forte componente técnica clássica. O seu vasto repertório inclui tanto trabalhos clássicos como peças contemporâneas. De entre os muitos prémios ganhos pelo Ballet Escocês, o destaque vai para o prémio do Círculo de Críticos 2008 “pelo seu Repertório de Excelência (Clássico), bem como a nomeação para o prémio de Companhia de Excelência pelos Prémios do Círculo de Críticos em 2009 e 2010”, refere o mesmo comunicado. Como complemento às suas actividades de produção e digressão, o Ballet Escocês disponibiliza um vasto programa educacional e de apoio à comunidade. Estas iniciativas educativas incluem trabalhos com pessoas de todas as idades e níveis de capacidade. Como parte do seu empenho para chegar a um público mais alargado, o Ballet Escocês foi a primeira companhia do Reino Unido a disponibilizar descrição áudio ao vivo para os invisuais, mantendo actualmente um programa regular de espectáculos audiodescritos. Os bilhetes têm valores entre as 150 e as 380 patacas.

FOTOD ID

CCM apresenta bailado baseado no clássico “Hansel e Gretel”

tres de artes marciais destaca-se a estreia do campeonato mundial universitário da modalidade da FISU. “Em cada edição apresentamos alterações e este ano temos a primeira edição do campeonato mundial para estudantes universitários que praticam Wushu”, referiu ontem o presidente do Instituto do Desporto (ID), Pun Weng Kun à margem da conferência de imprensa de apresentação do evento. Por outro lado, “temos recebido o convite de várias federações a pedir colaboração, como tal, este ano temos a decorrer em pa-

ralelo o campeonato do IBF que foi inserido também no nosso programa”, acrescentou. Pun referia-se à parceria com a “2018 IBF Silk Road Champions Tournament”, organizado pela Federação Internacional de Boxe das regiões pertencentes ao projecto “Uma Faixa, Uma Rota”. Acresce ainda às novidades desta edição, o campeonato de danças do dragão e leão também apresentados por regiões inseridos no projecto de cooperação. Além das exibições de Wushu tradicional, está tam-

bém previsto o Festival Wushu de Verão e o campeonato de Taolu. Consta ainda do programa as competições de sanda, uma versão de kickboxe chinesa, e paradas que juntam demonstrações de Wushu e a Dança do Leão e do Dragão. No evento vão estar presentes vários especialistas de renome, nomeadamente Zhu Tancai, herdeiro da décima geração de Taijiquan – estilo Chen e um dos “quatro Grandes Mestres, La Bin, Zhu Xianghua, e o campeão nacional de Taijiquan estilo Wu, Liu Wei. Macau vai-se


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quinta-feira 12.7.2018

s marciais

a edição do “Encontro de Mestres de Wushu” que decorre entre 3 mover a cultura ancestral junto de residentes e turistas fazer representar pelos mestres Lei Man Iam, Lam Hong Sang, Leong Sio Nam e Hoi Io Kong.

ENCONTRO TOTAL

De acordo com o responsável pelo ID, o objectivo da edição de 2018 é o mesmo do das edições anteriores: “ter uma combinação de características desportivas, turísticas e culturais (...) para transmitir a cultura ancestral chinesa”. Para facilitar o acesso do público, este ano apenas a sessão de encerramento terá bilhetes à venda, sendo que para as restantes actividades

De acordo com o responsável pelo ID, o objectivo da edição de 2018 é o mesmo do das edições anteriores: “ter uma combinação de características desportivas, turísticas e culturais (...) para transmitir a cultura ancestral chinesa.”

o ID disponibiliza ingresso a partir de hoje. De acordo com a organização, a terceira edição reflecte o sucesso da organização em atrair a participação de mestres e praticantes estrangeiros. “Com as edições passadas ganhámos o reconhecimento das comunidades que praticam Wushu”, disse Pun. Por outro lado, e além das artes marciais, o presidente do ID gostaria de ver o encontro de mestres de Wushu como um chamariz para atrair mais turistas. “Além do Wushu queremos integrar outros elementos e dar a conhecer outros aspectos da

cultura local de modo a atrair mais turistas para o território”, acrescentou o presidente do ID. O orçamento, à semelhança das edições anteriores, ronda os 18 milhões de patacas e Pun Weng Kun espera “com o mesmo dinheiro fazer ainda melhor”. A iniciativa é organizada em conjunto pelo Instituto do Desporto e a Associação Geral de Wushu de Macau, com a colaboração da Direcção dos Serviços de Turismo, do Instituto Cultural e do Fundo das Indústrias Culturais. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

CINEMA FILMES PORTUGUESES EM COMPETIÇÃO NO FESTIVAL DE LOCARNO

O

S filmes "3 anos depois", de Marco Amaral, e "Sobre tudo sobre nada", de Dídio Pestana, integram a competição do festival de cinema de Locarno, que decorrerá em Agosto, na Suíça, foi ontem anunciado. Segundo a programação revelada em conferência de imprensa em Berna, "3 anos depois", curta-metragem de Marco Amaral, competirá na secção "Pardi di domani", enquanto a longa-metragem "Sobre tudo sobre nada", primeira obra de Dídio Pestana, foi selecionada para a secção "Signs of Life". Há ainda duas coproduções portuguesas no festival: "Grbavica", do catalão Manel Raga Raga (Portugal/Bósnia Herzegovina/Espanha) na secção "Pardi di domani", e "Como Fernando Pessoa salvou Portugal" (Portugal/França/ Bélgica), do realizador norte-americano Eugène Green e com elenco português, no programa "Signs of life". PUB

O júri "Pardi di domani", presidido pelo realizador francês Yann Gonzalez, integra também a realizadora portuguesa Marta Mateus e o nepalês Deepak Rauniyar. Nesta 71.ª edição do festival de Locarno, que decorrerá de 1 a 11 de Agosto, o cinema português estará ainda em foco no programa "First Look", no qual serão exibidos entre cinco a sete filmes portugueses em fase de pós-produção, para uma audiência composta apenas por profissionais, entre programadores, exibidores, distribuidores e produtores. Não foram ainda revelados os projectos seleccionados.

Em Fevereiro, quando o festival anunciou a escolha de Portugal para este programa, a directora artística adjunta de Locarno, Nadia Dresti, afirmava que "o cinema português tem sido sempre aclamado pela excelência artística por parte da crítica, mas ao mesmo tempo tem cativado os distribuidores e os principais festivais internacionais". Numa parceria em conjunto com o Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA), o programa tem por objectivo garantir a finalização e a internacionalização dos filmes a seleccionar.


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12.7.2018 quinta-feira

Economia Luckin Coffee avaliada em mais de mil milhões de dólares A chinesa Luckin Coffee tornou-se a primeira ‘startup’ do país no ramo do café a ser avaliada em mais de mil milhões de dólares, ilustrando o ‘boom’ do consumo de café no antigo “império do chá”. A cadeia de cafés conseguiu angariar 200 milhões de dólares (170 milhões de euros) numa rodada de financiamento, numa altura em que tenta desafiar a posição dominante

da multinacional norte-americana Starbucks no país asiático. Fundada em 2017, a Luckin diz ter aberto mais de 500 lojas na China, nos últimos cinco meses, com preços 30 por cento inferiores aos praticados pela cadeia norte-americana e entregas em escritórios. Segundo contas do sector, as cadeias de café geraram 22 mil milhões de yuan (2,9 mil milhões de euros) em receitas, no ano

passado, na China. Até 2020, aquele valor deve aumentar para 28 milhões de yuan. O Starbucks tem 3.300 estabelecimentos na China e os britânicos do Costa Coffee 420. O grupo português Delta Cafés, presente há alguns anos em Macau, também já está estabelecido em Xangai, desde o final de 2013, através de uma parceria com um distribuidor local de produtos alimentares.

Tufão Maria Dois feridos e 3.430 pessoas em abrigos em Taiwan A passagem do tufão Maria por Taiwan causou dois feridos e mais de três mil pessoas foram retiradas para abrigos, foi ontem anunciado. De acordo com o centro de resposta a desastres do Governo da ilha, duas pessoas foram atingidas por ramos de árvores, em Taipé, na terça-feira. Um total de 3.430 pessoas tinham sido retiradas de

suas casas em nove cidades até à manhã de ontem para evitar serem apanhadas em aluimentos de terra desencadeados pela chuvas fortes, acrescentou o centro. Do outro lado do estreito da Formosa, escolas e fábricas nas zonas costeiras na província de Fujian, cuja capital Fuzhou fica a cerca de 730 quilómetros de Macau, foram encerradas e

dezenas de milhares de pessoas foram retiradas para abrigos, enquanto milhares de barcos de pesca regressaram aos portos. Entretanto, na província chinesa de Sichuan (leste), chuvas torrenciais e aluimentos de terra obrigaram ao encerramento de destinos turísticos populares como o monte Emei e Jiuzhaigou.

Porta-voz do Ministério do Comércio chinês “A atitude dos Estados Unidos prejudica a China, o mundo e a eles próprios. Esta conduta irracional não pode ter apoio.”

COMÉRCIO PEQUIM CONSIDERA TAXAS DE WASHINGTON INACEITÁVEIS E VAI RETALIAR

O Império contra-ataca A China considerou ontem “totalmente inaceitável” a decisão dos Estados Unidos de imporem novas taxas alfandegárias sobre produtos chineses e anunciou que adoptará as “contramedidas necessárias”, confirmando uma guerra comercial entre os dois países

A

S relações entre as duas maiores potências económicas mundiais continuam a ferra-e-fogo. Depois do anúncio de imposição de novas taxas sobre produtos chineses, Pequim respondeu na mesma moeda. “A atitude dos Estados Unidos prejudica

a China, o mundo e a eles próprios. Esta conduta irracional não pode ter apoio”, afirmou um porta-voz do Ministério do Comércio chinês, em comunicado. Pequim está “chocado” com a decisão do Presidente norte-americano, Donald Trump, de impor novas taxas, de 10 por cento,

sobre um total de 200 mil milhões de dólares (170 mil milhões de euros) de bens importados da China. A China vai denunciar a “conduta unilateral” dos EUA na Organização Mundial do Comércio, indicou o mesmo comunicado, acrescentando, sem avançar pormenores, que o Governo chinês,

em defesa dos interesses essenciais do país, “terá que tomar as contramedidas necessárias”.

MILHÕES E MILHÕES

O anúncio de Washington surgiu poucos dias depois da entrada em vigor nos Estados Unidos de taxas alfandegárias, de 25

por cento, sobre um total de 34 mil milhões de dólares (30 mil milhões de euros) de bens importados da China. Esta foi a primeira de uma série de medidas retaliatórias de Washington contra alegadas “tácticas predatórias” de Pequim, que visam o desenvolvimento do sector tecnológico chinês. A administração norte-americana acusou a China de roubo de tecnologia e de exigir às empresas estrangeiras que transfiram ‘know how’ em troca de acesso ao mercado. Trump quer ainda uma balança comercial mais equilibrada com o país asiático. Pequim retaliou ao adoptar taxas alfandegárias sobre o mesmo valor de importações oriundas dos EUA, sobretudo produtos agrícolas.


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quinta-feira 12.7.2018

JAPÃO ANUNCIADAS 179 MORTES, PM VISITA ZONAS MAIS AFECTADAS

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Governo nipónico elevou ontem para 179 o número de mortos relacionados com as chuvas torrenciais no oeste do Japão, para onde o primeiro-ministro, Shinzo Abe, viajou esta manhã para visitar as zonas mais afectadas. De acordo com o porta-voz do Governo, Yoshihide Suga, Shinzo Abe encontra-se em Kurashiki, na província de Okayama, uma das mais devastadas pelas inundações, a par de Hiroshima. O governante cancelou as viagens à Europa e Médio Oriente, agendadas para esta semana. Além das 179 mortes confirmadas, as autoridades dão conta de pelo menos nove desaparecidos. A imprensa japonesa fala em mais de 50. “Este é o pior desastre relacionado com as chuvas torrenciais no arquipélago desde 1982”, recordou Suga, na terça-feira. As chuvas intensas registadas desde sexta-feira provocaram grandes inundações, deslizamentos de terra e outros danos, deixando isoladas muitas pessoas, que não puderam ou não quiseram abandonar as suas casas. De acordo com Suga, o Governo mobilizou 75 mil militares e equipas de emergência e quase 80 helicópteros para os esforços de busca e resgate. “Estamos sem água, comida, nada chega aqui”, disse ao jornal Mainich o japonês Ichiro Tanabe, que mora na cidade portuária de Kure. “Vamos ficar todos secos se continuarmos isolados”, advertiu. Empresas e serviços de entregas disseram que os envios de e para as áreas inundadas foram suspensos ou muito reduzidos, enquanto os supermercados fecharam lojas ou abreviaram horas devido a atrasos na entrega e escassez de mercadorias. Ao início da manhã de ontem, milhares de casas não tinham ainda água potável ou electricidade.

Índia Oito crianças mortas em deslizamento de terras

Pelo menos oito crianças e uma mulher morreram ontem na sequência de um deslizamento de terras provocado por chuvas torrenciais no nordeste da Índia, anunciaram as autoridades. De acordo com o vice-comissário do Governo, Ravinder Singh, o deslizamento de terras atingiu sobretudo pequenas casas em Tamenglong, uma vila no estado de Manipur, perto da fronteira com a Birmânia. Algumas das casas foram destruídas pelas inundações, disse. Equipas de resgate chegaram entretanto à vila para ajudar outros moradores da região. No ano passado, mais de 50 pessoas morreram e quase dois milhões foram afectadas pelas chuvas e inundações no nordeste da Índia, entre o início de Junho e meados de Julho.

TAILÂNDIA JOVENS PERDERAM PESO, MAS “ESTÃO BEM DE SAÚDE”

Contra todas as probabilidades

As autoridades sanitárias tailandesas indicaram ontem que, embora tenham perdido peso, os jovens resgatados de uma gruta no norte da Tailândia “estão bem de saúde”

P

ARAo inspector de saúde pública Thongchai Lertwilairatanapong, as 12 crianças e o treinador “cuidaram bem de si mesmos”, durante os 18 dias em que estiveram presos na gruta. O responsável indicou que o treinador e um dos últimos jovens a serem resgatados contraíram uma “leve infeção pulmonar”. Do primeiro grupo a ser resgatado, no domingo, dois apresentaram os mesmos sintomas, acrescentou.

Na terça-feira à noite, no terceiro dia das operações de resgate na gruta, o salvamento das 12 crianças e do treinador de futebol suscitou imediatas reacções à escala mundial, com vários líderes internacionais a celebrarem o feito. O grupo ficou preso numa gruta durante 18 dias, metade dos quais sem acesso a água potável e a comida. Entretanto, a vida quotidiana aguarda impaciente o retorno

dos jovens à normalidade. Arthittaya Kunadoi, umas das amigas de escola de seis das crianças resgatadas da gruta na Tailândia, disse à Lusa que está ansiosa por lhes “dar um abraço” e “conforto” quando regressarem, recuperados e de boa saúde. Com a ajuda de uma colega que fala inglês, a rapariga de 15 anos explicou que o desfecho feliz de terça-feira a deixou “muito contente e agradecida”, depois de dias de incerteza quan-

to à sobrevivência dos amigos. Arthittaya Kunadoi é uma das estudantes na Maesaiprasitsart School, que tem 2.827 alunos, e falou como ‘porta-voz’ do grupo de amigos. Dois deles, “tomaram notas durante as aulas, só para serem entregues a eles quando voltarem”, frisou, corroborando as palavras de um responsável da escola que disse à Lusa estar em preparação um plano de estudos especial para os alunos. “Temos em elaboração um programa especial de recuperação das actividades escolares que ajude esses alunos nos estudos” e “estamos a preparar uma recepção de boas-vindas com a ajuda dos estudantes, dos professores e dos funcionários”, disse Mongkorchai Khochom. “Estou muito feliz pelo desfecho”, mas foi “difícil gerir o interesse e a ansiedade dos alunos” durante os 18 dias que passaram, desde que os colegas ficaram presos numa gruta em Mae Sai, acrescentou o assistente do director.

FESTA DE BOAS-VINDAS

Os estudantes estão a criar cartões com todo o tipo de mensagens de encorajamento para serem entregues aos amigos que deixaram de aparecer na escola desde 23 de junho e que podem ainda necessitar de tratamento médico mais prolongado, em resultado das extremas condições que viveram no interior do complexo subterrâneo, a quatro quilómetros da entrada da gruta. “É claro que cheguei a pensar que podia não os ver mais, mas tentei concentrar-me apenas em pensamentos positivos”, sublinhou a estudante, Arthittaya Kunadoi. Já o assistente do director, Mongkorchai Khochom, afirmou que “sempre acreditou num final feliz”, confiante no facto de serem atletas, “corajosos, pacientes e obedientes” à liderança do treinador da equipa de futebol (Wild Boars). João Carreira agência Lusa

FILIPINAS DENÚNCIAS DE ENVOLVIMENTO DA POLÍCIA EM ABUSOS SEXUAIS

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MA organização filipina denunciou ontem o envolvimento de pelo menos 33 agentes da polícia em 13 casos de abusos sexuais de mulheres desde Janeiro de 2017. Neste período, o Centro de Recursos para a Mulher (CWR) documentou até 13 casos de abusos: oito violações, em que estão implicados 16 agentes, três casos de actos lascivos, um caso de

assédio e outro de abuso sexual com violência. De acordo com o CWR, metade destes casos ocorreram no contexto da guerra antidrogas do Presidente filipino, Rodrigo Duterte. Desde Julho de 2016, mais de 4200 suspeitos foram abatidos pela polícia do arquipélago. “A violência perpetrada pelo Estado contra as mulheres é alar-

mante. Reflecte quão abusivas se tornaram as autoridades sob um regime que envia sinais de impunidade às suas forças armadas e ignora descaradamente os direitos humanos da mulher”, segundo um comunicado da directora do CWR, Jojo Guan. Para Guan, esta campanha antidroga transformou-se “numa desculpa para abusos sexuais”, perpetrados durante as operações anti-tráfico.

Dos sete casos registados no âmbito da guerra contra as drogas, contam-se quatro violações e três casos de actos lascivos. Duterte e o ex-director da polícia nacional filipina Ronald Dela Rosa, no cargo até Maio passado, defenderam que toxicodependentes foram responsáveis pelas violações e justificaram o papel da guerra anti-droga para atacar este problema.


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Teus olhos são a pátria do relâmpago e da lágrima

diários de próspero António Cabrita

Os contos do trânsfuga

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UBEN Darío (1867-1916), praticamente, nasceu trânsfuga, numa Nicarágua natal que só lhe conheceu a infância, o começo da juventude e o ocaso. Pelo meio, foi educado pelos tios, por extravio do núcleo familiar, e novo saiu da aldeia natal para visitar El Salvador; no trespasse da adolescência passa a residir no Chile – um pé em Valparaíso e outro em Santiago -, após o que assentou arraiais na Costa Rica e no Guatemala, aportou várias vezes ao Panamá, viajou até Espanha - dando então o primeiro salto a Paris; a errância fá-lo instalar-se ainda na Argentina, em Buenos Aires, (como cônsul da Colômbia), sem dispensar uma transumância permanente entre a América e a Europa, aonde igualmente visitará a Itália e Maiorca. Em 1910 desloca-se ao México, que está no umbral da grande revolução; seguir-se-á Nova Iorque, antes de regressar à Nicarágua, à sua aldeia natal, Chocoyos (hoje Ciudad Darío), morrendo aí em 1916 com apenas 49 anos, embora muito calcinados pelo vinho e o uísque que vazou a rodos. Todo este cosmopolitismo fê-lo um partidário ferrenho da unidade centro-americano, utopia política de alguns e nunca cumprida, e a enjeitar os nacionalismos, declarando com humor: porque «ao homem, como aos cogumelos, não exige Deus a escolha de uma pátria» (frase colhida no conto Arte e Gelo, incluída na antologia que é pretexto desta prosa). É desta criatura plectórica e vital no dealbar de um século para outro e que rompeu com o provincianismo colonial para se revelar um dos aríetes da literatura em qualquer coordenada em que tenha tomado assento, que agora se edita uma genicosa coletânea de contos, o volume Curiosidades Literárias e outros contos, com selecção, versões e notas de Rui Manuel Amaral, na colecção por si dirigida, a Colecção Avesso, para a editora Exclamação!, do Porto. Curiosamente, muitos contos estão identificados com os locais que visitou, literalmente ou através de leituras, e temos o conto parisiense, o conto hebraico, o conto russo, o conto grego, o conto passado em Londres, a lenda mexicana, etc. Embora não haja nestes contos apenas um impulso mimético em relação aos lugares e aos diferentes estilos que evocam, antes se certifica neles, muito para lá da feição simbolista que de comum se lhe associa, o profundo ecletismo do autor. E temos narrativas de cunho simbolista, de cunho fantástico, de recorte realista, fábulas e até anedotas de amplexo mitológico. É isso que o torna uma fonte de surpresas e profusamente actual – isso e um humor subterrâneo que de vez em quando aflora:

«O asno (embora nunca tenha conhecido Kant) era especialista em filosofia, como se costuma dizer» (pág., 48); «Orfeu saiu triste do bosque do sátiro surdo, disposto a enforcar-se no primeiro loureiro do caminho. Não se enforcou, mas casou com Eurídice.» (pág. 52) «Que doutor Z seja ilustre, eloquente, conquistador; que a sua voz seja ao mesmo tempo profunda e vibrante, e o seu gesto avassalador e misterioso, sobretudo depois

da publicação da sua obra A arte do sonho, talvez se possa discordar ou aceitar com reservas; mas que a sua calva é única, insigne, bela, sone, lírica se preferirem, oh!, isso é indiscutível, estou certo!» (pág.93) Darío é tão fascinantemente eclético que até antecipa Lovecraft, em O pesadelo de Honório, que, coitado, num sonho revisita todos mas todos os rostos, perfis, caretas, esgares, e máscaras que tiveram lugar numa sucessão formigante desde o princípio do mundo e que se guardarão

Darío é tão fascinantemente eclético que até antecipa Lovecraft, em O pesadelo de Honório, que, coitado, num sonho revisita todos mas todos os rostos, perfis, caretas, esgares, e máscaras que tiveram lugar numa sucessão formigante desde o princípio do mundo e que se guardarão no provável armazém que configurará o inconsciente de Deus

no provável armazém que configurará o inconsciente de Deus – multidão que devém a interminável soma de singulares que aterrorizaria qualquer mortal -, ou antecipa os artifícios dos experimentalistas do OuLiPo, no conto que fecha esta antologia, Curiosidades Literárias, e que transcreve uma narrativa - deliciosamente intitulada Para Fracassar Basta Amar - que dá um bigode a Georges Perec, pois constrói-se a partir da interdição do uso não de uma vogal mas de quatro, só sendo autorizado o recurso ao a. Para se perceber a riqueza do conjunto e como em Darío até as anedotas têm duplo sentido, citemos esta: «No paraíso terrestre, no luminoso dia em que as flores foram criadas, antes que Eva fosse tentada pela serpente, o maligno espírito aproximou-se da mais bela rosa, no momento em que esta estendia, à carícia do celeste sol, a encarnada virgindade dos seus lábios. - És bela. - Sou – disse a rosa. - Bela e feliz – prosseguiu o diabo – Tens a cor, a graça e o aroma. Mas… - Mas? - Não és útil. Não vês estas vastas árvores carregadas de bolotas? Além de frondosas, dão alimento a multidões de seres animados, que se detém sob os seus ramos. Rosa, ser bela é pouco… A rosa – tentada como seria depois a mulher – desejou então a utilidade, de tal modo que houve palidez na sua púrpura. Passou o bom Deus, depois do romper da aurora. - Pai, disse aquela princesa floral, agitando-se na sua perfumada beleza – quereis fazer-me útil. - Seja minha filha – respondeu o Senhor, sorrindo. E o mundo viu então a primeira couve.» É extraordinário esta anedota. Não somente pela sugestão de que não há funcionalidade desejável para além daquela que concerne a cada forma, mas também pela ideia herética de que cada ser, criatura, entidade, planta ou nuvem pode ter sido tentada no paraíso. O que pessoalmente, perdoe-me o leitor, acho uma ideia retumbante. Para além dos contos referidos outros realçam, como a curta fábula Febea, na qual a pantera “domesticada” não mente a Nero sobre os seus dotes artísticos, até ao auto-irónico O último Prólogo, corrosiva diatribe contra a condescendência literária com um desfecho surpreendente, ou não, se o associarmos às contradições dalguns escritores do actual friso dos escribas portugueses que se querem “malditos”. Reconheça-se por fim que a fluidez e eficácia destes contos devem muito à imperiosa qualidade da tradução de Rui Manuel Amaral, sem a qual esta diversidade e tensão frásica manquejariam.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

quinta-feira 12.7.2018

Crepúsculo

Dämmerung1

No pátio, enfeitiçado pela luz láctea do crepúsculo, Ternos doentes deslizam através do outono acastanhado. Os seus olhos redondos em cera pensam nos seus tempos dourados, Cheios de sonhos e paz e vinho.

As figuras sem forma do escárnio esgueiram-se, de cócoras E esvoaçam sobre sendas negras negros de cruzamentos. Oh! Tão tristes as sombras nos muros.

Im Hof, verhext von milchigem Dämmerschein, Durch Herbstgebräuntes weiche Kranke gleiten. Ihr wächsern-runder Blick sinnt goldner Zeiten, Erfüllt von Träumerei und Ruh und Wein. Ihr Siechentum schließt geisterhaft sich ein. Die Sterne weiße Traurigkeit verbreiten. Im Grau, erfüllt von Täuschung und Geläuten, Sieh, wie die Schrecklichen sich wirr zerstreun. Formlose Spottgestalten huschen, kauern Und flattern sie auf schwarz-gekreuzten Pfaden. O! trauervolle Schatten an den Mauern.

As outras fogem pelas arcadas sombrias. E à noite precipitam-se com as rajadas rubras Do vento estrelar, quais Ménades em fúria.

Die andern fliehn durch dunkelnde Arkaden; Und nächtens stürzen sie aus roten Schauern Des Sternenwinds, gleich rasenden Mänaden.

De profundis

1 De profundis

A enfermidade fecha-os fantasmagoricamente nela. As estrelas espalham uma tristeza alva No cinzento, cheios de ilusão e repiques, Vê como, horríveis, se dissipam confusamente.

Há um campo de restolho sobre o qual uma chuva negra cai. Há uma árvore castanha, que aí está de pé, sozinha. Há um vento sibilante à volta das cabanas vazias. Como é triste esta noite. Ao longo da aldeia, A doce órfã colhe ainda escassas espigas. Os seus olhos, redondos e dourados, pastam ao entardecer, E o seu peito anseia pelo noivo celestial.

Es ist ein Stoppelfeld, in das ein schwarzer Regen fällt. Es ist ein brauner Baum, der einsam dasteht. Es ist ein Zischelwind, der leere Hütten umkreist. Wie traurig dieser Abend. Am Weiler vorbei Sammelt die sanfte Waise noch spärliche Ähren ein. Ihre Augen weiden rund und goldig in der Dämmerung Und ihr Schoß harrt des himmlischen Bräutigams.

No regresso, Os pastores encontram o seu doce corpo A apodrecer nos arbustos de espinhos.

Bei ihrer Heimkehr Fanden die Hirten den süßen Leib Verwest im Dornenbusch.

Uma sombra eu sou, longe das lúgubres vilas. De Deus o silêncio Eu bebi na fonte do bosque.

Ein Schatten bin ich ferne finsteren Dörfern. Gottes Schweigen Trank ich aus dem Brunnen des Hains.

Na minha fronte, aparece metal frio. Aranhas procuram o meu coração. Há uma luz que a minha boca extingue.

Auf meine Stirne tritt kaltes Metall. Spinnen suchen mein Herz. Es ist ein Licht, das meinen Mund erlöscht.

À noite, dei por mim numa charneca, petrificado pela sujidade e pó de estrelas. No bosque das avelaneiras, Ressoam, de novo, anjos de cristal.

Nachts fand ich mich auf einer Heide, Starrend von Unrat und Staub der Sterne. Im Haselgebüsch Klangen wieder kristallne Engel.

BIOGRAFIA Georg Trakl nasceu a 3 de Fevereiro de 1887 em Salzburgo, cidade no noroeste da Áustria. O estranho comportamento da sua mãe e a morte prematura do pai quando ainda era muito jovem acabou por lhe causar grandes problemas emocionais, além de ter que sustentar a família (mãe / irmã) com seus esforços após o falecimento do pai. Sabe-se que desde a adolescência o poeta consumia ópio, veronal e cocaína. Teve uma relação incestuosa com a irmã, e pelo que se sabe sobre a vida de Trakl, talvez tenha sido o seu grande amor. A suas cartas foram destruídas, sendo impossível saber algo mais. Apenas nos seus poemas teve um certo alívio, refazendo-os por diversas vezes, porém tendo sempre em mente as suas definições. Durante a Primeira Guerra Mundial foi oficial farmacêutico, o que abalou profundamente o seu já debilitado espírito. Suicidou-se a 3 de Novembro de 1914, na Cracóvia, com uma overdose de cocaína. Trakl tinha apenas 27 anos. In Wikipedia

1 - TRAKL, GEORG. (2008). Das dichterische Werk: Auf Grund der historisch-kritischen Ausgabe. Editores: Walther Killy e Hans Szklenar. Munique. Deutscher Taschenbuch Verlag.


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Sábado BELCANTO SATURDAYS 6 Rui Cunha | Das 17h00 às 19h00 Fundação

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PROBLEMA 12

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 11

Cineteatro

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UMA SÉRIE HOJE

S U D O K U

3 5 7 4 2 9 6 4 5 8 Diariamente 8 2 1 9 7 EXPOSIÇÃO “ART IS PLAY” Grande – MGM3 | Até5 9/9 7 Praça 1 6 4 8“AYIA” 3 2 9 EXPOSIÇÃO Casa Garden | Até 9/9 5 9 2 6 1 EXPOSIÇÃO “UNIVERSO” 1 4do Boi9| Até89/9 3 Armazém 2 3 8 7 6 EXPOSIÇÃO “APROFUNDAR” Art6 Garden 7| Até59/9 1 4

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Hoje AIPIM 4 À CONVERSA COM CARLOS ANDRÉ Auditório do consulado | Das 18h30 às 20h00

TROPICAL UPSTARS S.ROLA×RYOMA Live Music Association | A partir das 22h00

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YUAN

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VIDA DE CÃO

CONCEITO QUE DÁ PARA TUDO Esta semana tem sido pródiga em casos relacionados com os direitos humanos. Na edição de hoje publicamos um artigo de análise sobre o significado político da libertação de Liu Xia, a viúva do prémio Nobel da Paz chinês, Liu Xiaobo, que já está na Alemanha. Neste caso, tal como noutros na vida, podemos aplicar uma célebre expressão portuguesa “não há almoços grátis”. Ou seja, Pequim dá liberdade em troca de benefícios económicos da Europa, mas, no dia seguinte, prende outro activista, também ele veterano como foi Liu Xiaobo. A comunidade internacional continua a assistir a este jogo. Nunca o conceito de direitos humanos teve tanta importância como agora. É importante falar dele, tentar compreendê-lo e, sempre que possível, lutar por ele, ou pô-lo em prática. Inacreditavelmente, o conceito de direitos humanos foi esta semana invocado pelos pobres coitados dos taxistas de Macau, numa petição entregue na Assembleia Legislativa. Alegam (coitados, mais uma vez), que a proposta de lei que está a ser analisada, e que visa regular uma série de ilegalidades cometidas, vai contra os direitos humanos. Há que falar deste conceito para que, sobretudo, não seja usado em vão. Isto porque, caros taxistas, violação de direitos humanos estará mais relacionado com prender clientes dentro de um veículo e resolver ir dar uma volta, só porque sim. A isto também se chama crime de sequestro, caso não saibam. Andreia Sofia Silva

GAME OF THRONES | DAVID BENIOFF E D. B. WEISS

Normalmente sugerimos neste espaço um livro, disco ou filme. Porém, hoje é um dia especial. Depois de mais um de um ano do fim da 6ª série de Game of Thrones, a saga está de volta. Sem querer desvendar muito sobre o enredo, o programa da HBO é um fenómeno de massas de tremenda qualidade, algo que não é comum. Com uma narrativa que desafia as lógicas tradicionais de heróis e vilões, a crueza da imprevisibilidade da história tem sido um dos trunfos que distingue Game of Thrones. Apesar de na série a fantasia desempenhar um papel, a tempos irritante, fica algo em pano de fundo sendo que o fio condutor é profundamente político e impregnado de imaginário shakespeariano. Hoje Macau SKYSCRAPER SALA 1

ANT-MAN AND THE WASP [B] Um filme de: Peyton Reed Com: Paul Rudd, Evangeline Lilly, Michael Douglas 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2

SKYSCRAPER [B] Um filme de: Rawson Marshall Thurbe Com: Dwayne Johnson, Neve Campbell, Chin Han 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

SALA 3

BEIRUT [C] Um filme de: Brad Anderson Com: Jom Hamm, Rosamund Pike 14.30, 16.30, 19.15

CODE GEASS LELOUCH OF THE REBELLION III [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADOEM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Goro Taniguchi 21.15

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


18 opinião

12.7.2018 quinta-feira

bairro do oriente

título pode parecer um pouco enganador, pois para quem tem interesse neste tipo de curiosidades, Madonna, a rainha da pop, já esteve em Macau. Foi em meados dos anos 80, durante as filmagens de “Shanghai Surprise”, ao lado do seu primeiro marido, Sean Penn. Este último protagonizou na altura um episódio caricato, quando pendurou pelo tornozelo um “paparazzi” (um jornalista local, muito conhecido na altura) do nono andar do antigo Hotel Central. Mas isto era outra Madonna. A cantora tem sido notícia em Portugal desde que no ano passado decidiu ir viver para a Lisboa. Depois de uma série de não-notícias que serviram sobretudo para encher as páginas da imprensa cor-de-rosa e animar as redes sociais, eis que Madonna decide dar com um pano encharcado na visage dos alfacinhas, e adquire 15 parques de estacionamento na capital ao preço da uva mijona. Isto é um ultraje, para as pessoas que vivem na cidade, e pagam impostos, etc, etc, o costume. O edil lisboeta Fernando Medina, ele igualmente o alvo da ira dos seus munícipes, vem defender a decisão, recordando mais uma vez o contributo que a artista tem dado para a divulgação do nome de Portugal no mundo – ouviram bem? No mundo! Eu acho que sim mas penso que não, ou seja, nem a Madonna descobriu Portugal, nem quinze estacionamentos iam resolver o problema do parque automóvel em Lisboa. E como alguém escreveu a este respeito, e bem, “vocês pensam que são a Madonna”? No entanto, esta notícia deixou-me a pensar: e se a Madonna fosse viver para Macau? Sim, imaginem que lhe apetecia ter voltado cá, mais de 30 anos depois do “Shanghai Surprise”, e que se apaixonava pelas Ruínas de S. Paulo. Ou sei lá, bebia a água do Lilau, a seguir caía das escadas do Quebra-Costas e ficava zuca, pronto. Usem a vossa imaginação. A questão dos estacionamentos ficava resolvida num ápice. “Ai a sra. Dona Madonna quer 15 parques? São 30 milhões de patacas – ou menos de 4 milhõezinhos de dólares, nós sabemos que a sra. tem. Passe bem and Macau welcomes you”. Até era um investimento bem jeitoso, este; quando a Madonna se fartasse de conduzir em Macau – e ia fartar-se depressa – podia revender os parques com lucro, a pobrezinha.

GULL G

O

Madonna em Macau

O resto da vida da Madonna em Macau não seria exactamente aquilo a que deve estar habituada. Os seus meninos podiam jogar à bola na mesma, mas o Benfica aqui é outro, e o Seixal chama-se “quintal desportivo do Estádio de Macau”, na Taipa. Ia ser bom também para a carreira da artista, que certamente encheria a Arena do Venetian as vezes que lhe apetecesse, trazendo imensa gente ao território. Só tem que rivalizar com outras divas do seu tempo, casos de Celine

Dion ou Mariah Carey. Quanto à acomodação da Madonna, pensei na zona da Penha, mas depois os meninos dela lembram-se de andar por lá a atirar aviõezinhos de papel, e ainda se metem em algum sarilho. Se calhar o melhor mesmo é conceder o terreno da casamate, em Coloane, à Madonna, onde ela podia ser a própria, estão a ver, montada num cavalo branco de cabelos ao vento na praia de Hac-Sá? Fia-te no like a virgin e não corras, Madonna.

“Ai a sra. Dona Madonna quer 15 parques? São 30 milhões de patacas – ou menos de 4 milhõezinhos de dólares, nós sabemos que a sra. tem. Passe bem and Macau welcomes you”. Até era um investimento bem jeitoso, este; quando a Madonna se fartasse de conduzir em Macau – e ia fartar-se depressa – podia revender os parques com lucro, a pobrezinha

LEOCARDO


opinião 19

quinta-feira 12.7.2018

sexanálise

TÂNIA DOS SANTOS

PEDRO COVO

O

que é que faz um corpo sexy? Não é consensual entre as massas, e muito menos através dos tempos. Aliás – e este não é um argumento original – parece que os corpos (especialmente os femininos) ganham partes dependendo se estamos na Primavera/Verão 2018 ou no Inverno 2011. É como a moda, vai mudando de temporada em temporada. A novidade deste Verão 2018 é o anteriormente desconhecido, e pouco explorado, ‘decote das ancas’, i.e., o que no mundo de língua inglesa andam a chamar de hip cleavage. Talvez até haja uma tradução ‘oficial’ mas não encontrei, o ‘decote de ancas’ terá que funcionar. E que parte do corpo vem a ser esta? Os decotes de anca que andam a ser orgulhosamente exibidos pelas redes sociais dos mais famosos, não são tão novas quando isso. Já nos anos 80 era orgulhosamente exibida uma linha de anca bastante decotada nas idas à praia. Uma cuequinha, só era uma boa cuequinha, se apresentasse uma abertura generosa e acima do osso da anca, a expôr ainda mais umas coxas bem firmes e torneadas. Certamente que se lembrarão de uma Pamela Anderson com um fato-de-banho encarnado nas Marés Vivas. Pois que a moda voltou, e fez com que reaparecesse na esfera pública uma nova, mas velha, parte do corpo feminino. O fenómeno não é novo. Sempre houve uma constante proliferação de zonas/ partes de intensa sexualidade ao longo dos séculos. O que não deixa de ser divertido, não é? De seis em seis meses posso - as às vezes sinto-me obrigada - olhar para o meu corpo de maneira diferente, corpo esse que só pode ser mutante, já que lhe pressupõem tanta diversidade e transformação. Olhem a revista Vogue – a aclamada voz da moda anda a dizer que o peito já não é o que era, os decotes já não se usam. O que é uma porcaria, porque era daqueles truques fáceis e simples de uma saída nocturna mais sexualmente sucedida, vá. ‘Vou pôr aquele vestido de decote generoso e estou pronta para sair!’ Mas dizem os ‘especialistas’ que já não é bem assim. Os super-famosos ‘wonderbras’, os tais super potentes capazes de levantar até as mamas mais descaídas para uma linha de peito eriçado e redondinho está fora de moda (!). As mais conhecidas marcas de lingerie até já andam a vender soutiens sem armação.

Corpo mutante

Diz, quem se acha de direito, que é porque o look ‘natural’ é a tendência de momento. Por acaso ‘wonderbras’ nunca me interessaram por aí além, e sempre fui apologista do tal look natural, mas não consigo deixar de pensar que o que a ‘indústria’ julga natural pode ser discutível. Porque já houve o fascínio da mama até à ultima consequência – também proliferaram partes de mama antigamente desconhecidas, ou pelo menos pouco pensadas- pela prega da mama de baixo, de lado (leia-se underboob, sideboob). Quem é que se recorda do desafio de 2016 de segurar uma caneta com a prega mamária inferior? – a internet está cheiinha disso. Decote de anca, linha de mama lateral e frontal anterior, decote dos pés que mostram mais linha de dedos ou menos linhas de dedos, espaço entre as co-

xas, as covinhas das costas ou de ‘Vénus’ (que é genético), o refego do rabo, o rabo de ‘lado’ (sidebutt) são só meros exemplos do que se tornou moda. E como devem calcular esta atenção particular aos rabos, às pernas, e às mamas têm catapultado a importância da cirurgia plástica. Acho que o rabo de ‘lado’ tem sido um grande hit, mas para vos ser muito honesta nem sem bem o que é, é simplesmente um rabo que tem uma saliência de lado, nada de anormalmente mutante, só mais redondo e cheio Eu não sei muito bem quem culpar este culto do corpo. Se não são as mamas, são rabos, são ancas, são sobrancelhas, sei lá, é preciso estarmos a reinventar-nos constantemente. Porque o que importa é comercializar e transformar os nossos corpos sazonalmente. Mas para quem? É como

Eu não sei muito bem quem culpar este culto do corpo. Se não são as mamas, são rabos, são ancas, são sobrancelhas, sei lá, é preciso estarmos a reinventar-nos constantemente. Porque o que importa é comercializar e transformar os nossos corpos sazonalmente

se existisse uma vontade omnipresente de ditar as tendências do físico mas que ninguém sabe muito bem para qual finalidade. Eu duvido que os homens estejam tão obcecados em criar novas formas de objectificação feminina – que não digo que não exista – a cada 6 meses. Parece que andamos todos na busca incessante para promover as formas desejáveis, resolver os defeitos, reinventar os feitios... A consequência disto tudo não é necessariamente patológica – como anorexia e bulimia nervosas – é só particularmente irritante. Estas são vozes e vozinhas que inundam os nossos pensamentos porque não temos pernas afastadas o suficiente, ou rabos de jeito o suficiente, ou as mamas assim ou assado. E o pior é que é suposto mudarmos de ano a ano, dependendo... nem sei muito bem de quê. Porque afinal... quem é que tem a clarividência de que o corpo não é mutante, mas é simplesmente o que é? Quem são os corajosos que não se deixam melindrar, nem por um momento, que o corpo, e a nossa sexualidade, tem uma perfeição imperfeita?


Justificar um erro é errar outra vez. Textos Judaicos

BURLA TELEFÓNICA RESIDENTE PERDE MAIS DE 3,5 MILHÕES DE PATACAS

HOJE MACAU

DIPLOMACIA TRUMP DESTACA “EXCELENTE RELAÇÃO” COM MERKEL

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Presidente norte-americano, Donald Trump, assegurou ontem manter “uma excelente relação” comAngela Merkel, após um encontro bilateral com a chanceler alemã à margem da cimeira da NATO, em Bruxelas. “Foi uma óptima reunião. Debatemos as despesas em Defesa e o comércio. Temos uma excelente relação”, resumiu Trump, poucas horas depois de ter acusado a Alemanha de estar refém da Rússia por causa do investimento na construção do gasoduto Nord Stream II, que liga directamente os dois países. “A Alemanha está prisioneira da Rússia porque importa de lá uma grande parte da sua energia”, declarou Trump, durante um pequeno-almoço com o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, na sigla inglesa), Jens Stoltenberg. Trump reconheceu que o tema Nord Stream II esteve em cima da mesa, mas escusou-se a dar mais detalhes. No final do encontro, Angela Merkel, que antes do arranque da cimeira da NATO sublinhou a independência das decisões de Berlim, declarou-se também satisfeita pela troca de impressões com o Presidente dos Estados Unidos. “Tivemos a oportunidade de falar sobre questões como o desenvolvimento económico, as migrações e o futuro das nossas relações comerciais”, acrescentou. A cimeira da Aliança Atlântica decorre até hoje na nova sede da organização, em Bruxelas.

Graus de comparação Song Pek Kei acusa advogados portugueses de serem favorecidos

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deputada Song Pek Kei acusou os advogados que vêm de Portugal de serem favorecidos em relação aos quadros locais formados na Universidade de Macau. A declaração foi feita, ontem, no Plenário da Assembleia Legislativa durante o debate sobre a atribuição dos Bilhetes de Identidade de Residente para os quadros especializados. “Há cada vez mais exames para os talentos locais, para os finalistas de Direito da Universidade de Macau, que têm de fazer muitos exames. Mas os advogados portugueses só

têm de chegar e pedir o reconhecimento”, disse Song Pek Kei, deputada eleita por sufrágio directo e próxima de Chan Meng Kam. Neste momento, o acordo de reconhecimento dos advogados que pertençam à Ordem dos Advogados de Portugal está suspenso. No entanto, a estes causídicos é actualmente exigido que faça um estágio, ao longo do qual também é preciso realizar vários exames. No entanto, a deputada não fez referência ao processo, mas deu o exemplo para explicar que a importação de demasiados talentos poderá fazer com que os talentos locais não encontrem as

oportunidades que querem em Macau.

ENFERMEIROS PORTUGUESES

Os advogados não foram a única classe de profissionais especializados importados em Macau a ser abordada durante o debate da Assembleia Legislativa. Também o médico e legislador Chan Iek Lap afirmou que os profissionais portugueses enfrentam limitações devido às barreiras linguísticas. “Eles [médicos portugueses] podem usar o inglês para comunicar, mas 95 por cento da população só domina o cantonense, não do-

mina o inglês nem o português. No tempo antes da transição, as enfermeiras entendiam o português e conseguiam fazer a tradução entre os médicos e os pacientes. Mas se estão a fazer as traduções como é que podem fazer o seu trabalho?”, questionou o médico. Ainda em relação à fraca atractividade de Macau para os quadros formados vindos de fora, Chan Iek Lap também apontou o exemplo de Portugal: “O Governo ia contratar 27 médicos de Portugal, mas quatro já desistiram”, sublinhou. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

JAPÃO ENFERMEIRA AFIRMA TER ENVENENADO 20 PACIENTES

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MA antiga enfermeira de um hospital num subúrbio de Tóquio, detida sob suspeita de ter matado um paciente, disse aos investigadores que envenenou cerca de 20 pessoas, segundo os meios de comunicação japoneses. Ayumi Kuboki, 31 anos, foi detida neste sábado no âmbito de uma investigação sobre a morte de um homem de 88 anos num

quinta-feira 12.7.2018

PALAVRA DO DIA

hospital perto de Tóquio, afirmou ontem a polícia japonesa, sem disponibilizar mais detalhes sobre a investigação. Suspeita de ter injectado desinfectante nas bolsas de administração intravenosa de um paciente em 2016, Kuboki admitiu à polícia que fez o mesmo a mais 20 pacientes, segundo reportaram os meios de comunicação japoneses.

De acordo com a comunicação social, a polícia japonesa detectou a presença de desinfectante nos corpos de mais quatro pacientes, com idades compreendidas entre os 70 e 80, que morreram no hospital num curto espaço de tempo. Um líquido semelhante foi também detectado no equipamento de infusão intravenosa. Kuboki explicou que pretendia que as mor-

tes dos pacientes não ocorressem durante os seus turnos. “Explicar aos familiares a morte de um parente durante as minhas horas de serviço era muito difícil”, disse Kuboki aos investigadores, citada pela agência de notícias japonesa Jiji. Foram registados, nos últimos anos, vários casos de assassínios de pacientes em centros de cuidados de saúde.

MAresidente em Macau perdeu cerca de 3,73 milhões de patacas (393 mil euros) numa alegada burla telefónica, disse fonte policial, citada ontem pelo jornal Macau Post Daily. De acordo com informações recolhidas junto da Polícia Judiciária (PJ), a vítima é uma mulher de quarenta anos que trabalha como ‘croupier’ num casino. O porta-voz da PJ, Choi Ian Fai, afirmou que no dia 18 de Maio a vítima recebeu um telefonema de uma pessoa que afirmava ser um membro da empresa de entregas SF Express que lhe disse que uma encomenda que ela tinha enviado continha um item proibido e que, por essa razão, tinha sido confiscado pelo Departamento de Segurança Pública da China. O telefonema foi depois transferido para uma outra pessoa que alegava ser da polícia. A vítima disse ao “polícia” que não tinha enviado nenhuma encomenda. Segundo o porta-voz, o alegado polícia disse à mulher de 40 anos que alguém poderia ter usado a sua identidade, pedindo depois à vítima para transferir uma certa quantia de dinheiro para uma conta específica para “verificação”, caso contrário ela poderia ser processada e até presa, na China. A vítima foi então instruída a ir a três lojas de telecomunicações em Macau, que estão sob investigação por estarem envolvidas em várias fraudes telefónicas, onde transferiu cerca de três milhões de patacas. A mulher teve ainda de se deslocar uma vez à China a uma outra loja de telecomunicações para pagar o remanescente.


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Hoje Macau 12 JUL 2018 #4090 by Jornal Hoje Macau - Issuu